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Manual PCI MISAU Completo

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Dionisio Cumba
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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

Ministério da Saúde

MANUAL DE REFERÊNCIA
PREVENÇÃO E CONTROLO DE
INFECÇÕES NAS UNIDADES
SANITÁRIAS
Este manual constitui uma actualização e revisão das Directrizes para Unidades de
Sanitárias com Recursos Limitados – Prevenção e Controlo de Infecções de 2003,
elaboradas por Linda Tietjen; Débora Bossemeyer e Noel McIntosh – JHPIEGO.

©Esta publicação do Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU) contou com o


apoio técnico da Jhpiego/CDC e financiamento do povo dos Estados Unidos da
América, disponibilizado por meio do Plano de Emergência do Presidente Norte-
americano para Alívio do SIDA através dos Centros de Prevenção e Controlo de
Doenças (CDC).

A reprodução parcial ou total deste documento é permitida, desde que citada a


fonte.

Autores:
Linda Tietjen – Consultora da Jhpiego
Debora Bossemeyer – Jhpiego
Luciana Brondi – Consultora da Jhpiego
Benilde Soares – Jhpiego
Rafael Joaquim – HCM -MISAU
Olga Novela – MISAU
Daniel Chicavel – MISAU

Colaboradores:
Adriana Santos – Jhpiego
Amelia Kaufman – Consultora Jhpiego
Mário Mangue – Jhpiego
Della Correa – CDC

Tradução, Edição e Maquetização:


Sandra Tamele, DipTrans MCIL
PREFÁCIO
[Type text]

Desde 2004 que o Ministério da Saúde de Moçambique implementa actividades


para prevenção e Controlo de Infecções (PCI) nas Unidades Sanitárias dos
diferentes níveis de atenção do Serviço Nacional de Saúde em Moçambique.

Como reflexo do compromisso do MISAU nesta temática, em 2009 as actividades


de PCI foram institucionalizadas como Programa Nacional por despacho Ministerial,
como forma de aumentar a atenção, prioridade e garantir a sua sustentabilidade.
Este é um dos programas do MISAU pioneiro na promoção da segurança do
trabalhador de saúde e do utente, das boas práticas e da qualidade dos cuidados
de saúde prestados, sendo por isso um dos pilares do Plano Estratégico do Sector
de Saúde para a área da Assistência Médica.

Estando o programa de PCI a ser implementado em 140 unidades sanitárias e


prevendo-se a sua expansão a todas as unidades sanitárias do país nos próximos
anos, torna-se imprescindível a existência de uma referência actualizada e ajustada
à realidade moçambicana, para padronização dos conceitos e práticas a serem
utilizadas na Prevenção e Controlo de Infecções em Moçambique.

Espero que este manual seja útil como instrumento de consulta e de apoio para
todos os trabalhadores de saúde das diferentes categorias profissionais
directamente envolvidas na prestação de cuidados de saúde, nomeadamente:
Médicos, Técnicos, Enfermeiros, Agentes de Serviço, Administrativos e Gestores
das unidades sanitárias. O impacto deste manual será dimensionado através da
redução das infecções associadas aos cuidados de saúde.

O Ministro da Saúde

Dr. Alexandre L. Jaime Manguele


ÍNDICE

LISTA DE ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS i

INTRODUÇÃO 1

MANUAL BÁSICO
11
Capítulo 1 : Precauções Básicas
15
Capítulo 2 : Higiene das Mãos

Capítulo 3 : Equipamento de Protecção Individual 31

Capítulo 4 : Assepsia 49

Capítulo 5 : Injecção Segura 57

Capítulo 6 : Manipulação Segura de Objectos Perfuro 67


Cortantes

Capítulo 7 : Higiene e Limpeza 75

Capítulo 8 : Gestão do Lixo 85

Capítulo 9 : Descarte do Lixo Hospitalar 97

Capítulo 10: Processamento dos Instrumentos 111

Capítulo 11: Central de Esterilização 147

Capítulo 12: Processamento de roupa 153

Capítulo 13: Cuidados com a água 163

Capítulo 14: Fluxo e Padrões de Actividade 167

Capítulo 15: Precauções Baseadas na Via de 177


Transmissão
TEMAS ESPECIAIS

Capítulo 16: Prevenção de Infecções Associadas ao 189


Uso de Cateteres Intra-vasculares

Capítulo 17: Prevenção de Infecções do Tracto Urinário 203


Associadas ao Uso de Algálias

Capítulo 18: Prevenção da Pneumonia Associada aos 211


Cuidados de Saúde e ao Uso do
Ventilador
221
Capítulo 19: Prevenção da Infecção do Sítio Cirúrgico

ANEXOS
239
Anti-sépticos: Actividades Microbiológicas e Potenciais
Usos
242
Preparação e Uso de Desinfectantes Químicos
245
Produção Interna de um Grande Volume de Álcool
Glicerinado para a Higiene das Mãos
247
Directrizes para Processamento de Instrumentos, Luvas
Cirúrgicas e Outros Itens
261
Microrganismos mais Comuns e seus Procedimentos
Padrão de Isolamento
271
Lista de Verificação para Procedimentos Cirúrgicos
273
GLOSSÁRIO
296
REFERÊNCIAS
ÍNDICE DE FIGURAS

Fig. 01: Prevalência de IACS em Países em Desenvolvimento 3


Seleccionados

Fig. 02: O Ciclo de Transmissão das Doenças 8

Fig. 03: Os Cinco Momentos para a Higiene das Mãos 17

Fig. 04: Representação Esquemática da Lavagem das Mãos 21


usando Balde com Torneira

Fig 05: Técnica de Higiene das Mãos com Água e Sabão 22

Fig. 06: Como Usar Álcool Glicerinado para Friccionar as Mãos 24

Fig. 07: Criação de Luvas de Cano Longo a partir de Luvas 35


Cirúrgicas reprocessadas

Fig. 08: Óculos de Protecção e Protectores Faciais 40

Fig. 09: Máscara Cirúrgica 40

Fig. 10: Respiradores de Partículas N-95 41

Fig. 11: Avental 44

Fig. 12: Método para Reemcapar Agulhas com uma Só Mão 60

Fig. 13: Como Extrair Medicação com uma Seringa Auto- 62


bloqueante

Fig. 14: Exemplos de Acções para Prevenção de Acidentes com 70


Instrumentos Perfuro-cortantes
Fig. 15: Exemplos da Passagem de Instrumentos com a Técnica 71
das Mãos Livres

Fig. 16: Dispositivos de Segurança 72

Fig. 17: Exemplo de Recipiente para Objectos Perfuro-cortantes 74

Fig. 18: Subdivisão dos Tipos de Lixo Hospitalar e Quantidade de 87


Cada Tipo

Fig. 19: Fluxograma do Tratamento e Descarte do Lixo Infeccioso 100

Fig. 20: Representação Esquemática de um Forno de Tijolos para 101


Queima de Lixo

Fig. 21: Representação Esquemática de Corte Sagital de um 103


Pequeno Aterro para Enterrar o Lixo

Fig. 22: Incineradora 104

Fig. 23: Combinação de Autoclave/Triturador de Grande Volume 109

Fig. 24: Principais Passos no Processamento de Instrumentos 112


Contaminados, Luvas e Outros Itens

Fig. 25: Fórmula para Solução Diluída a Partir de uma Solução 116
Concentrada

Fig. 26: Técnicas Normais de Embalagem 125

Fig. 27: Carregamento da Esterilizadora a Vapor 127

Fig. 28: Esterilizador por Deslocação de Gravidade (Não Eléctrico) 128

Fig. 29: Planta Tipo das Áreas de Limpeza de Instrumentos, Áreas 150
de Desinfecção a Alto Nível e Esterilização para US
Maiores

Fig. 30: Planta Tipo da Central de Esterilização de um Hospital 151

Fig. 31: Cartazes Educativos para Prevenção da Tuberculose 184

Fig. 32: Áreas de Contaminação Frequente 208

Fig. 33: Cateter de Foley Fixo à Perna (feminino e masculino) 221

Fig. 34: Corte sagital da parede abdominal ilustrando a 223


classificação da CDC para infecções do sítio cirúrgico
ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 01: Processamento Final de Instrumentos Cirúrgicos, Luvas e 6


Outros Itens

Tabela 02: Selecção de Método para Processamento Final 7

Tabela 03: Principais Componentes das Precauções Básicas 13

Tabela 04: Luvas Apropriadas para Procedimentos Médicos e 34


Cirúrgicos Comuns

Tabela 05: Directrizes para o Uso de Luvas 36

Tabela 06: Equipamento de Protecção Individual 45

Tabela 07: Equipamento de Protecção Individual Recomendado para 76


as Tarefas de Higiene e Limpeza

Tabela 08: Directrizes para Higiene e Limpeza 80

Tabela 09: Preparação de Soluções Diluídas de Cloro a Partir de 117


Lixívia/ Javel (cloro) Líquido (Solução de Hipoclorito de
Sódio) para Descontaminação e DAN

Tabela 10: Preparação de Soluções de Cloro a Partir de Cloro e Pó 117

Tabela 11: Eficácia dos Métodos de Processamento de Instrumentos 120

Tabela 12: Recomendações para o Uso de Equipamento de 154


Protecção Individual para o Processamento da Roupa

Tabela 13: Principais Passos no Processamento da Roupa 155

Tabela 14: Directrizes para o Processamento de Roupa e de 160


Equipamento de Protecção Individual (EPI)
Tabela 15: Directrizes para Uso da Água Limpa 166

Tabela 16: Uso Empírico das Precauções Baseadas nas Vias de 178
Transmissão

Tabela 17: Precauções para a Transmissão por Aerossóis 179

Tabela 18: Precauções para Gotículas 185

Tabela 19: Precauções para Contacto 186

Tabela 20: Principais Fontes de Contaminação Associada aos 197


Cateteres Intra-vasculares e Formas de Prevenção

Tabela 21: Tipos de Cateteres Intra-vasculares Usados para Acesso 198


Venoso e Arterial

Tabela 22: Profilaxia Anti-microbiana para Cirurgia 232

Tabela 23: Profilaxia Anti-microbiana para Cirurgia 233


ACRÓNIMOS

AMIU Aspiração Manual Intra-Uterina


ARV Anti-Retrovirais
BCG Bacille Calmette–Guérin (Vacina)
BO Bloco Operatório
CAQ Compostos de Amónio Quaternário
CDC Centros para a Prevenção e Controlo de Doenças
CE Central de Esterilização
CS Centro de Saúde
CVC Cateter Venoso Central
DAN Desinfecção de Alto Nível
DIU Dispositivo Intra-uterino
EPI Equipamento De Protecção Individual
ERV Estreptococo Resistente a Vancomicina
EV Endovenoso
GCH Gluconato de Clorexidina
HIV/VIH Vírus da Imunodeficiência Humana
HL Higiene e Limpeza
HM Higiene das Mãos
IACS Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde
ISC Infecção do Sítio Cirúrgico
ITU(s) Infecção(ões) do Tracto Urinário
ITUAA Infecção do Tracto Urinário Associada ao Uso da Algália
MISAU Ministério da Saúde
OSHA Administração para a Segurança e Saúde Ocupacional
PAC Pneumonia Adquirida na Comunidade
PACS Pneumonia Associada aos Cuidados de Saúde
PAV Pneumonia Associada do Ventilador
PCI Prevenção e Controlo de Infecções
PEPS Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair
PPE Profilaxia Pós-Exposição
QUATS Composto Quaternário De Amónio
SAD Seringas Auto-Bloqueantes
SARM Stafilococos Aureus Resistente à Meticilina
SARS Síndrome Respiratória Aguda Severa
SIDA Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
SRO Sais de Reidratação Oral
TARV Terapia Anti-Retroviral
TB Tuberculose
TB- MDR Tuberculose Multidroga-Resistente
i
TPI Tratamento Profilático com Isoniazida
TS Trabalhador de Saúde
UCI(s) Unidade(s) de Cuidados Intensivos
UCIN Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais
US Unidade Sanitária
VHB Vírus da Hepatite B
VHC Vírus da Hepatite C
VSR Vírus Sincicial Respiratório
WHO World Health Organization (Organização Mundial da Saúde)

ii
INTRODUÇÃO

A implementação do Programa de Prevenção e Controlo de Infecções (PCI)


nas unidades sanitárias tem dois grandes objectivos:

 Prevenir a ocorrência de infecções graves durante a prestação de


qualquer tipo de cuidado de saúde que envolva procedimentos invasivos
(ex. injecções, infusões intra-vasculares, algaliação, tratamento de
feridas, inserção do dispositivo intra-uterino (DIU), procedimentos
cirúrgicos), e

 Minimizar o risco de transmissão de infecções graves, tais como a


hepatite B (VHB), a hepatite C (VHC) e a Síndrome da Imunodeficiência
Humana Adquirida (HIV/SIDA), não só para os utentes, mas também
para os trabalhadores de saúde (incluindo o pessoal de higiene e
limpeza), assim como para a comunidade.

Ensinar aos trabalhadores de saúde formas de protegerem, não só a si,


como também aos utentes, é uma das prioridades deste Programa. Se os
trabalhadores de saúde souberem como se proteger e usarem as medidas
de protecção de forma consistente, eles irão ajudar a proteger também os
utentes e à comunidade.

As directrizes práticas da PCI descritas neste manual são destinadas a TODAS as


Unidades Sanitárias (US) de Moçambique, desde os grandes Hospitais urbanos até
os Centros de Saúde rurais.

Estas directrizes, actualizadas e adaptadas para Moçambique, surgem após 8 anos


de implementação do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infecções.
Foram elaboradas para garantir um nível de segurança elevado e a alta qualidade
dos cuidados de saúde prestados, minimizando os riscos para os utentes,
trabalhadores de saúde e para a comunidade, assim como, os custos e a
necessidade de equipamento caro e muitas vezes frágil.

1
PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES ASSOCIADAS AOS CUIDADOS DE
SAÚDE

Estima-se que nos Estados Unidos morram todos os anos 100.000 doentes em
consequência de infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS). Muitas
dessas infecções poderiam ser prevenidas. Actualmente nos EUA as infecções
associadas aos cuidados de saúde estão entre as 10 principais causas de morte e
são responsáveis por quase dois milhões de infecções todos os anos.

A situação é mais grave nos países em desenvolvimento, onde se estima que o risco
das IACS seja duas a 20 vezes mais alto; a proporção de doentes infectados pode
exceder os 25% (Allegranzi and Pittet, 2007). Veja na Figura 1 a prevalência das
IACS baseada numa pesquisa bibliográfica.

O impacto das IACS nos países em desenvolvimento é assombroso. Por exemplo,


estima-se que as taxas de infecções da corrente sanguínea em recém-nascidos nos
países em desenvolvimento seja três a 20 vezes mais alta do que nos países
desenvolvidos. Além disso, em alguns países, aproximadamente metade dos recém-
nascidos nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (UCINs) contraem uma
infecção, e as taxas de casos/mortes podem chegar aos 52% (Zaidi et al. 2005).
No entanto, o impacto total das IACS vai além do aumento das taxas de infecção. As
IACS podem provocar:

 Doenças mais graves;


 Aumento do tempo de internamento;
 Incapacidade prolongada;
 Aumento no número de óbitos;
 Custos elevados para o sistema de saúde, assim como para os doentes
e suas famílias.

Além disso, segundo a OMS, todos os anos e em todo o mundo, as práticas pouco
seguras provocam:

 Transfusões de sangue pouco seguras:


 16 Milhões de infecções por hepatite B;
 5 Milhões de infecções por hepatite C;
 160.000 Casos de HIV.

2
 Reutilização de seringas contaminadas:
 21 Milhões de infecções por hepatite B (33% das novas infecções);
 2 Milhões de infecções por hepatite C (40% das novas infecções);
 260.000 Infecções pelo HIV (5% de novas infecções).

 Tratamento pouco seguro do lixo:


 Dentre 22 unidades sanitárias em países em desenvolvimento, 18-64%
reportam usar práticas inadequadas para o tratamento do lixo.

Figura 1: Prevalência de IACS em Países em Desenvolvimento Seleccionados (OMS


2010)

Infelizmente, os dados mais recentes sugerem que houve pouco ou nenhum


progresso na redução da incidência geral de IACS nos EUA ou nos países em
desenvolvimento (AHRQ, 2010). Assim, ainda há muito trabalho a ser feito para se
proteger os doentes contra as IACS. Felizmente, práticas recentes e específicas, tais
como a definição de “protocolos” de abordagens para a realização de procedimentos
clínicos invasivos (ex. inserção de cateteres venosos centrais) demonstraram reduzir
significativamente as infecções da corrente sanguínea, tornando mais segura a
provisão os cuidados de saúde.

3
Os referidos “protocolos” incluem tanto práticas de PCI recomendadas (ex. higiene
das mãos, uso de luvas e outros EPIs) como o desempenho padronizado de
procedimentos invasivos, com recurso a listas de verificação detalhadas. As listas de
verificação incluem os requisitos (equipamento e consumíveis) necessários e
definem os passos e a sequência para a execução de procedimentos específicos. O
mais importante é que as listas de verificação sejam usadas não só para monitorar a
execução do procedimento, mas também para formar aos trabalhadores de saúde.
Saber executar com competência procedimentos invasivos de forma segura, aliado à
aplicação das práticas de PCI recomendadas, transforma-se numa arma importante
na luta para a redução das IACS. Prevê-se que num futuro próximo haja um
aumento no uso de protocolos (assim como o seu cumprimento), e que isto seja
eficaz na redução de outros tipos de IACS (por exemplo: infecções do tracto urinário
associadas ao uso de algálias, pneumonia associada ao uso do ventilador nas
Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais).

Como forma de dimensionar o impacto da PCI em Moçambique foi iniciado


recentemente um estudo piloto para a vigilância das IACS, com particular ênfase
para a Sépsis Neonatal Associada aos Cuidados de Saúde e para a Infecção do
Sítio Cirúrgico após Herniorrafia e Cesariana, em algumas US do País.

Considerando o volume de informação que será transmitido, este Manual está


organizado em duas partes, a primeira dedicada aos Aspectos Básicos da PCI e a
segunda dedicada aos Temas Especiais tais como: a Segurança do Doente; a
Vigilância das Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde.

Assim, no final deste capítulo introdutório, o trabalhador de saúde (TS) deverá


ser capaz de:

 Definir os princípios básicos da Prevenção e Controlo de Infecções;


 Explicar as condições que permitem a transmissão de infecções;
 Explicar o ciclo de transmissão das doenças;
 Explicar como interromper o ciclo de transmissão das doenças .

4
A SELECÇÃO DO MÉTODO DE PREVENÇÃO E CONTROLO DE
INFECÇÕES

Em 1968, Spaulding propôs três categorias de risco potencial de infecção para


servir de base à selecção da prática ou processo de prevenção a utilizar (tais como,
esterilização de instrumentos médicos, luvas e outros itens) nos cuidados de saúde.
Com o passar do tempo esta classificação tem permanecido válida e ainda serve de
base para definir prioridades em qualquer Programa de Prevenção e Controlo de
Infecções. As categorias Spaulding podem ser resumidas da seguinte forma:

 Crítica: Estes itens e práticas afectam normalmente tecidos esterilizados ou ao


sistema sanguíneo e representam o grau mais elevado de risco de infecção.
Falhas na gestão do fornecimento de itens esterilizados ou sujeitos a desinfecção
de alto nível (DAN) – tais como de instrumentos cirúrgicos e luvas, podem muito
provavelmente resultar em infecções de séria gravidade.

 Semi-crítica: Estes itens e práticas têm uma importância secundária e afectam


membranas mucosas e pequenas áreas da pele não íntegra. As necessidades de
gestão são consideráveis e requerem conhecimentos e qualificação técnica para:

 Manipular muitos dispositivos invasivos (tais como, endoscópios


gastrointestinais e espéculos vaginais);
 Efectuar a descontaminação, limpeza e DAN; e
 Calçar luvas nos TS que entram em contacto com as membranas
mucosas e pele não íntegra.

 Não crítica: A gestão dos itens e práticas que envolvem a pele íntegra e
representam o nível de risco mais reduzido. Algumas práticas (por exemplo, a
higiene das mãos) são mais importantes do que outras. A gestão deficiente de
itens não críticos, tais como o uso abusivo de luvas de exame, frequentemente
consome uma grande parte dos recursos resultando em benefícios limitados.

Processamento de Instrumentos

A descontaminação é o primeiro passo do processamento de instrumentos


cirúrgicos, luvas e outros itens sujos (contaminados), especialmente se estes forem
limpos a mão (Nyström 1981). Por exemplo, a imersão dos itens contaminados
durante alguns minutos numa solução clorada a 0.5% ou outros desinfectantes
disponíveis causa rapidamente a inactivação do VHB e HIV, tornando mais segura a
manipulação de instrumentos e de outros itens durante a limpeza (ARON 1990;
DHMH 1990; Lynch et al 1997). As superfícies grandes, tais como as mesas de
5
exame e de operação, bancadas de laboratório e outros equipamentos que tenham
entrado em contacto com sangue e outros fluidos corporais também devem ser
descontaminados. A limpeza com um desinfectante adequado (por exemplo, uma
solução clorada a 0,5% ou de fenol a 1-2%) é um meio de descontaminação prático
e económico.

Após a descontaminação dos instrumentos e de outros itens, estes devem ser


limpos, secos e por fim esterilizados ou sujeitos a DAN (Lynch et al., 1987; Rutala
1993; Tietjen and McIntosh 1989). Tal como indicado na Tabela 1, o processo
seleccionado para o processamento final está dependente de haver ou não contacto
com membranas mucosas intactas, pele não íntegra ou tecido subcutâneo que
normalmente seja asséptico (Spaulding 1968).

Tabela 1. Processamento final de Instrumentos Cirúrgicos, luvas e outros itens

Tecido Processamento Final Exemplos

Membranas mucosas A desinfecção de alto Histerómetros, espéculos vaginais


intactas ou pele não nível (DAN) destrói todos e cânulas de plástico para
íntegra os microrganismos curetagem por sucção.
excepto alguns tipos de
endósporaa
Corrente sanguínea A esterilização destrói Instrumentos cirúrgicos, tais como
ou tecido subcutâneo todos os microrganismos bisturis, pinças e luvas cirúrgicas
que normalmente é incluindo a endóspora. para procedimentos cirúrgicos
asséptico como cesarianas, circuncisão
masculina, kits para atenção ao
parto.
a
Endóspora bacteriana é uma forma de bactéria muito difícil de eliminar por causa da sua
protecção. Os tipos de bactérias que produzem endóspora incluem as que causam o tétano
(Clostridium tetani), gangrena (Clostridium perfingens) ou carbúnculo (Bacillus anthracis)

Adaptado de: Spaulding 1968

Indicações da Esterilização e da Desinfecção de alto Nível

A maioria das autoridades recomenda a esterilização como o último passo no


processamento de instrumentos e outros itens utilizados em procedimentos
cirúrgicos. Algumas das directrizes, contudo são mais flexíveis e referem que na
ausência ou inexistência do equipamento para a esterilização, pode-se recorrer à

6
DAN. De facto o recurso à esterilização não é exequível em algumas situações
(Rutala, Weber and HICPAC 2002). Por exemplo, os laparoscópios, que poderiam
ficar danificados se sujeitos ao vapor de alta pressão (autoclave) ou a esterilização
na estufa, são geralmente processados por DAN (ou seja através da imersão num
desinfectante químico de alto nível durante 20 minutos) entre utilizações. Quando
efectuada de forma correcta, a esterilização é claramente o método mais seguro e
eficaz para o processamento final de instrumentos. Se a esterilização não estiver
disponível nem for adequada, a DAN torna-se a única alternativa aceitável para o
processamento final.

A desinfecção de alto nível mata todos os microrganismos mas não garante a


destruição da endóspora bacteriana. Os TS devem conhecer esta limitação,
sobretudo se o tétano for um risco significativo a considerar.

A informação da Tabela 2 servirá de apoio aos TS e gestores das US, na selecção


do método de processamento dos diferentes instrumentos cirúrgicos e itens
reutilizáveis.

Tabela 2: Selecção de método para processamento final

Procedimento Esterilização DAN

Cesariana Preferida Aceitável


Laparotomia abdominal Preferida Aceitável
Parto vaginal Preferida Aceitável
Circuncisão masculina Preferida Aceitável

Laparoscopia Preferida (apenas química) Aceitável


Cânulas de AMIUa Aceitável Aceitável
Inserção e remoção de DIU Aceitável Aceitável
Exame pélvico Aceitável Aceitável
a
AMIU: aspiração manual intra-uterina (para o tratamento de abortos incompletos)

Adaptado de: Tietjen, Corin and McIntosh 1992.

O CICLO DA TRANSMISSÃO DAS DOENÇAS

Os microrganismos existem em todo o meio ambiente. Os humanos transportam-nos


normalmente na sua pele e nos tractos respiratório, intestinal e genital. Mais ainda,
os microrganismos vivem nos animais, em plantas, no solo, no ar e na água.

7
Contudo, alguns microrganismos são mais patogénicos do que outros, ou seja, têm
maior capacidade de causarem doenças.

Em circunstâncias favoráveis, TODOS os microrganismos podem causar infecção.


Para que as bactérias, os vírus e outros agentes infecciosos consigam sobreviver e
disseminar-se, têm de existir determinados factores ou condições. Os factores
essenciais à transmissão da doença de pessoa a pessoa, encontram-se ilustrados
na figura 2.

Figura 2: O Ciclo de Transmissão das Doenças

Adaptado de: APIC 1983; WPRO/WHO 1990.

8
NOTA: Isole os doentes se as secreções ou excreções não puderem ser
contidas usando as precauções adicionais (precauções para aerossóis,
gotículas e contacto). Estas estão descritas em maior detalhe no capítulo
15: Precauções Baseadas nas Vias de Transmissão.

Tal como ilustra a figura, são necessárias certas condições para que ocorra a
transmissão da doença de uma pessoa para as outras:

 Tem de existir um agente – causador da doença (vírus, bactéria, etc.);

 O agente tem que ter um local onde possa viver (hospedeiro ou


reservatório). Muitos dos microrganismos que causam doenças nos
humanos (organismos patogénicos) multiplicam-se nos humanos e são
transmitidos de pessoa para pessoa. Contudo, alguns agentes são
transmitidos através dos alimentos ou da água contaminada (tifóide), material
fecal (hepatite A e outras viroses entéricas) ou dentadas de animais
infectados (raiva) e insectos (mosquitos);

 O agente tem que ter o meio ambiente adequado fora do hospedeiro para
poder sobreviver. Depois de deixar o seu hospedeiro, o microrganismo
necessita de um ambiente adequado onde possa sobreviver até que infecte
outra pessoa. Por exemplo, a bactéria que causa a tuberculose pode
sobreviver dentro de um escarro durante semanas, mas será destruída pela
luz solar em poucas horas;

 Tem de existir uma pessoa que possa contrair a doença (hospedeiro


susceptível). As pessoas estão expostas diariamente a agentes causadores
de doenças, mas nem sempre as contraem. Para que uma pessoa contraia
uma doença infecciosa (por exemplo, parotidite, sarampo ou varicela), a
pessoa deve estar susceptível a contrair a doença. A principal razão pela
qual a maior parte das pessoas não contrai a doença deve-se ao facto de que
elas já foram previamente expostas a essa doença (por exemplo, foram
vacinadas contra essa doença ou já contraíram essa doença anteriormente) e
o seu sistema imunitário se tornou capaz de destruir esse agente;

 Um agente tem de dispor de um modo de se deslocar do seu hospedeiro


para ir infectar o hospedeiro susceptível seguinte. As doenças infecciosas
(transmissíveis) são transmitidas dos seguintes modos:

 Aerossóis: através do ar (varicela ou parotidite);

9
 Sangue ou fluidos corporais: se o sangue ou fluidos corporais
contaminados com VHB ou HIV entram em contacto com outra
pessoa, como por exemplo através da picada de uma agulha, essa
pessoa pode ficar infectada;
 Contacto directo (tocar numa ferida exposta ou pústula) ou indirecto
(tocar em objectos contaminados com sangue ou fluidos corporais);
 Fecal-oral: ingerir comida contaminada com fezes humanas ou de
animais (por exemplo, pôr os dedos na boca após manusear objectos
contaminados e sem ter primeiro lavado as mãos);
 Por via alimentar: ingerir comida ou bebidas contaminados com
bactérias ou vírus (hepatite A em ostras cruas);
 Por via animal ou de insectos: contacto com animais infectados ou
através de picadas de insectos, arranhões, secreções ou resíduos;

A prática de prevenção de infecções tem sobretudo a ver com a prevenção da


transmissão das doenças infecciosas, através do ar, do sangue ou fluidos corporais
e do contacto, incluindo o fecal-oral e por via alimentar, ao quebrar o ciclo de
transmissão de doenças de quatro formas diferentes:

1. Reduzindo o número de microrganismos infecciosos presentes (ex. através da


higiene das mãos, da limpeza dos instrumentos e da preparação da pele antes
da inserção de cateteres venosos;
2. Matando ou inactivando os microrganismos que provocam infecções (ex. através
de higiene das mãos com um anti-séptico ou preparação alcoólica ou do
reprocessamento dos instrumentos);
3. Criando barreiras para prevenir a disseminação de agentes infecciosos (ex. ao
vestir equipamento de protecção individual ou tapar a boca ao espirrar); ou
4. Reduzindo ou eliminando práticas de risco (ex. passar perfuro-cortantes usando
a técnica das mãos livres, usar luvas descartáveis e descartar as seringas
usadas imediatamente após o uso

A compreensão do ciclo de transmissão das doenças é importante para


os trabalhadores de saúde (TS):
 Prevenirem a transmissão de microrganismos aos utentes durante
procedimentos médico-cirúrgicos;
 Ensinarem aos utentes e à comunidade quais os factores
necessários para que a transmissão ocorra; e o mais importante:
 Ensinarem aos utentes e a comunidade como interromper o ciclo de
transmissão das doenças.

10
PREVENÇÃO E CONTROLO
DE INFECÇÕES
NAS UNIDADES SANITÁRIAS

MANUAL BÁSICO
1 PRECAUÇÕES BÁSICAS

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir o termo Precauções Básicas;


 Explicar as componentes e o uso das Precauções Básicas.

DEFINIÇÃO

As Precauções Básicas são um conjunto de directrizes práticas eficazes (que criam


uma barreira física, mecânica ou química) desenhadas para proteger aos
trabalhadores de saúde (TS) e aos utentes contra infecções provocadas por
patógenos, incluindo agentes patogénicos sanguíneos. Os TS devem utilizar estas
precauções ao cuidarem de todos os utentes, independentemente do diagnóstico.

As Precauções Básicas devem ser aplicadas na presença de sangue, todos os


fluidos, secreções e excreções corporais (com a excepção do suor), pele não íntegra
e membranas mucosas. Como não se sabe realmente que organismos estão
presentes nos utentes/doentes em qualquer altura, é essencial que as Precauções
Básicas sejam sempre usadas.

COMPONENTES DAS PRECAUÇÕES BÁSICAS

A Tabela 3 define as principais componentes das Precauções Básicas e o seu uso.


Colocar uma barreira física, mecânica ou química entre os microrganismos e as
pessoas – quer seja uma mulher que procura cuidados pré-natais, um doente
hospitalizado ou um(a) trabalhador(a) de saúde é um meio altamente eficaz para a
prevenção da disseminação de infecções (isto é, a barreira serve para quebrar o
ciclo de transmissão de doenças) .

As acções descritas abaixo são exemplos por criarem barreiras de protecção para a
prevenção de infecções nos utentes e nos trabalhadores de saúde, e por oferecerem
meios para a implementação das novas Precauções Básicas:

11
 Considerar todas as pessoas (utentes ou trabalhadores) como estando
infectadas ou susceptíveis à infecção.

 Usar as técnicas apropriadas para higiene das mãos, incluindo a lavagem


das mãos, anti-sepsia das mãos e lavagem cirúrgica (a higiene das mãos é o
procedimento mais prático e importante para prevenção da contaminação
cruzada; da contaminação de pessoa para pessoa; ou de objectos para as
pessoas).

 Vestir equipamento de protecção individual (EPI), incluindo luvas, óculos


de protecção, máscaras cirúrgicas e faciais, batas/aventais impermeáveis,
sapatos/botas e barretes:

 Calçar luvas nas duas mãos antes de tocar em pele não íntegra,
membranas mucosas, sangue, fluidos, secreções ou excreções
corporais, instrumentos sujos e lixo contaminado, ou antes da
realização de procedimentos invasivos.

 Usar outro EPI, tal como óculos de protecção, máscaras cirúrgicas


ou faciais e o uso de batas/aventais impermeáveis quando houver a
possibilidade de salpicos de sangue, fluidos, secreções ou excreções
corporais (ex. durante a aspiração de um doente ou durante o parto).

 Uso de práticas de trabalho seguro, tais como não reencapar nem dobrar
as agulhas usadas; passar instrumentos perfuro-cortantes de forma segura e
descartar os objectos perfuro-cortantes em recipientes adequados
(resistentes a perfurações) imediatamente após o uso.

 Limpar e desinfectar regularmente o ambiente onde os doentes recebem


os cuidados de saúde (quartos, mobiliário e equipamento).

 Descartar de forma segura o lixo infeccioso para proteger às pessoas que


o manuseiam e prevenir ferimentos ou disseminação de infecções para a
comunidade.

 Usar agentes anti-sépticos para limpeza da pele ou de membranas


mucosas antes da realização de procedimentos invasivos/cirurgias e limpeza
de feridas ou para a higiene das mãos com a fricção de produtos anti-
sépticos a base de álcool (álcool glicerinado).

12
Tabela 3. Principais Componentes das Precauções Básicas
Higiene das mãos (lavagem das mãos com água e sabão ou uso de solução
anti-séptica)
 Depois de tocar em sangue, fluidos corporais, secreções, excreções e objectos
contaminados
 Imediatamente depois de remover as luvas
 Entre os contacto com os doentes

Luvas
 Para o contacto com sangue, fluidos, secreções/excreções corporais ou objectos
contaminados
 Para o contacto com as membranas mucosas e pele não íntegra

Máscaras, óculos de protecção, máscaras cirúrgicas


 Para a protecção as membranas mucosas dos olhos, do nariz e da boca quando
houver probabilidade ou possibilidade de contacto com sangue e fluidos corporais
 Uso de bocais, sacos de reanimação ou outros dispositivos de ventilação e evitar
a reanimação boca a boca

Batas
 Para a proteção da pele contra o contacto com o sangue ou fluidos corporais
 Proteção da roupa durante a realização de procedimentos que possam gerar
contacto com sangue ou outros fluidos corporais (secreções/excreções)

Manipulação da roupa de cama


 Evitar o toque da roupa suja com a pele ou membranas mucosas
 Não fazer o pré-tratamento de roupa suja nas zonas de prestação de cuidados
dos doentes

Manipulação do equipamento para cuidados ao doente


 Evitar o contacto do equipamento sujo com a pele ou membranas mucosas e
prevenindo a contaminação da roupa ou do ambiente
 Limpar o equipamento reutilizável antes de reutilizá-lo

Limpeza do ambiente
 Cuidados de rotina, limpeza e desinfecção de equipamento e mobiliário nas
zonas de cuidados dos doentes

Manipulação de objectos perfuro-cortantes


 Evitar cortar ou reencapar as agulhas usadas
 Evitar remover as agulhas de seringas descartáveis usadas
 Evitar dobrar, partir ou manipular as agulhas usadas
 Colocar os objectos perfuro-cortantes em recipientes resistentes a perfuração
imediatamente após o uso
13
2 HIGIENE DAS MÃOS

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir os termos: higiene e lavagem das mãos


 Listar as indicações e as razões para a realização da higiene das mãos
 Diferenciar as várias técnicas para higiene das mãos
 Explicar como melhorar a higiene das mãos
 Discutir outras questões associadas à higiene das mãos

DEFINIÇÕES

A prática da higiene das mãos inclui a lavagem das mãos, o uso da preparação
alcoólica para friccionar as mãos e a lavagem cirúrgica das mãos, e tem a finalidade
de prevenir as infecções transmitidas pelas mãos ao remover a sujidade e inibir ou
matar os microrganismos presentes na pele. Estes incluem não só a maioria dos
organismos adquiridos através do contacto com os doentes e com o ambiente (flora
transitória), mas também alguns microrganismos permanentes que vivem nas
camadas mais profundas da pele (flora residente).

A higiene das mãos inclui os cuidados com as mãos, com as unhas e com pele. A
prática da higiene das mãos reduz significativamente o número de doenças
causadas por microrganismos presentes nas mãos, assim como pode minimizar a
contaminação cruzada (ex. de pessoa para pessoa ou de um objecto contaminado
para uma pessoa). Ajuda a manter um ambiente livre de infecções. A lavagem
inadequada das mãos é considerada a maior causa de infecções associadas aos
cuidados de saúde (IACS) (WHO 2006).

Lembre-se: Se a água da torneira estiver contaminada, use água


previamente fervida durante 10 minutos e filtrada (quando necessário)
para remover partículas ou use água clorada – com uma concentração
final de 0,001%.

15
QUANDO REALIZAR A HIGIENE DAS MÃOS?

A higiene das mãos deve ser realizada antes de:

 Prestar cuidados a um doente/utente (contacto directo);


 Calçar luvas cirúrgicas antes dos procedimentos invasivos ou procedimentos
cirúrgicos; ou calçar luvas de exame para procedimentos de rotina, tais como o
exame pélvico;
 Contactos com o mesmo doente ou realização de procedimentos invasivos que
incluam tocar em outras partes do corpo do mesmo doente (ex. cuidados bucais,
canalização de veias, avaliação ou cuidados de feridas);
 Servir ou ingerir alimentos.

Deve ainda ser realizada depois de:

 Qualquer situação onde as mãos possam ficar contaminadas, tais como:

 Manipulação de instrumentos e outros objectos sujos;


 Contacto com membranas mucosas, sangue ou outros fluidos corporais
(secreções ou excreções);
 Ter qualquer contacto com objectos do ambiente do doente (leito/cama,
mesa de cabeceira, cadeira, todo o equipamento ou mobiliário);
 Ter contacto prolongado ou intenso com um doente.

 Remover as luvas;
 Usar a casa de banho;
 Depois de assoar ou cobrir a boca durante a tosse ou espirro (etiqueta da
tosse).

16
Lembre-se: Lave as mãos com água limpa e sabão (ou esfregue as
mãos com preparação alcoólica, sempre que as mãos não estiverem
visivelmente sujas) depois de descalçar as luvas. As luvas podem
apresentar pequenos orifícios que facilitam a penetração e
multiplicação de bactérias nas mãos devido ao ambiente húmido e
quente.

Veja na próxima página uma forma fácil para se compreender e recordar os


momentos para a realização da higiene das mãos.

17
Figura 3: Os Cinco Momentos para a Higiene das Mãos

Adaptado de: WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care 2009.

18
Quando e Porquê?

1. ANTES DO QUANDO? Ao aproximar-se de um doente


CONTACTO COM O certifique-se de ter as mãos limpas antes de o
DOENTE tocar
POR QUÊ? Para proteger o doente contra os
germes prejudiciais presentes nas nossas mãos
2. ANTES DE UMA QUANDO? Imediatamente antes de realizar
TAREFA ASSÉPTICA qualquer tarefa asséptica
POR QUÊ? Para proteger o doente da entrada
de quaisquer germes prejudiciais, incluindo os
germes do próprio doente
3. DEPOIS DO RISCO QUANDO? Imediatamente depois de qualquer
DE EXPOSIÇÃO A risco de exposição a fluidos corporais (e depois
FLUIDOS de descalçar as luvas)
CORPORAIS PORQUÊ? Para proteger os TS e o ambiente
dos germes prejudiciais presentes nos doentes
4. DEPOIS DE QUANDO? Depois de tocar num(a) doente ou
CONTACTO COM O na zona imediatamente ao redor dela(e) e
DOENTE quando se sair da área do (a) doente
PORQUÊ? Para proteger os TS e o ambiente
dos germes prejudiciais presentes nos doentes
5. DEPOIS DE QUANDO? Depois de tocar em qualquer objecto
CONTACTO COM AS ou mobiliário das zonas ao redor do doente e
ZONAS AO REDOR quando sair do local, - mesmo que não tenha
DO DOENTE tocado no doente
PORQUÊ? Para proteger os TS e o ambiente
dos germes prejudiciais presentes nos doentes

PROCEDIMENTOS PARA A HIGIENE DAS MÃOS

LAVAGEM DAS MÃOS COM ÁGUA E SABÃO:


A lavagem das mãos remove mecanicamente da pele qualquer sujidade e detrito,
assim como reduz o número de microrganismos transitórios presentes nas nossas
mãos. A lavagem das mãos com água limpa e sabão é tão eficaz quanto a lavagem
com sabões antimicrobianos e provoca menos irritação na pele.

Os passos para a lavagem das mãos com água e sabão, são:

 Molhe bem as mãos.


19
 Aplique o agente para lavagem das mãos (sabão ou detergente simples).
 Esfregue vigorosamente todas as partes das mãos e dedos durante 10-15
segundos, prestando especial atenção às unhas e ao espaço interdigital.
 Enxague bem as mãos com água corrente limpa.
 Seque as mãos com uma toalha de papel ou uma toalha individual limpa, ou
deixe-as secar ao ar livre.
 Para se evitar recontaminação das mãos pós-lavagem, quando não houver um
pedal ou um fecho automático da torneira, use a toalha de papel ou a toalha
individual que usamos para secar as mãos para fechar a torneira.

NOTA:
 Quando se utilizar sabão em barra deve-se fornecer
barras pequenas e saboneteiras com escoadouro,
garantindo que o sabão permaneça o mais seco
possível.
 Use água corrente e evite mergulhar as mãos numa
bacia contendo água parada; os microrganismos
conseguem sobreviver e multiplicar-se mesmo com a
adição de um agente antisséptico.
 Não se deve acrescentar sabão num recipiente de sabão
líquido vazio. Esta prática de se “voltar a encher” os
economizadores pode levar à contaminação do sabão
com bactérias.
 Quando os doseadores de sabão forem reutilizados,
devem ser cuidadosamente limpos antes de se voltar a
encher.
 Caso não exista um sistema de escoamento disponível,
a água utilizada para a lavagem das mãos deve ser
recolhida para uma bacia e despejada numa sanita.

A lavagem das mãos é possível e é obrigatória mesmo onde não haja água
canalizada.

Quando não houver água canalizada deve-se ponderar o uso de:


 Balde com torneira;
 Jarro ou caneca para deitar a água sobre as mãos;
20
Fig. 4 Representação Esquemática da
lavagem das mãos usando balde com
SECAGEM DAS MÃOS torneira

Secar as mãos depois de as lavar é um


aspecto importante da higiene das mãos. A
forma mais eficaz de secar as mãos é usar
toalhas de papel ou uma toalha de pano de
uso individual porque evitam que o pessoal
termine de secar as mãos no vestuário. O
uso de secadores mecânicos com ar quente
que exigem que se esfregue as mãos uma
contra a outra para facilitar a secagem é
contraproducente e caro. O acto de esfregar
as mãos traz à superfície as bactérias que
vivem dentro da pele e elas podem ser
depois transferidas para outras superfícies
(Snelling et al., 2010).

NOTA: O uso de toalhas comuns que estão geralmente sujas e


com microrganismos, podem contaminar as mãos devidamente
lavadas
 Deve-se evitar o uso de toalhas de uso comum,: toalhas usadas
ou sujas possuem microrganismos que contaminam as mãos
depois de uma lavagem correcta. Recomenda-se, caso não
estejam disponíveis toalhas de papel, o uso de uma pequena
toalha de pano individual que seja substituída depois de utilizada
ou, que seja lavada todos os dias ou com maior frequência, e
sempre que estiver húmida ou visivelmente suja;
 As mãos devem ser SEMPRE lavadas com água e sabão
quando estiverem visivelmente sujas ou quando se suspeite da
presença de C. difficile. A preparação alcoólica não é suficiente
para matar ou inactivar os C. difficile (Oughton et al., 2009).

21
Figura 5: Técnica de Higiene das Mãos com Água e Sabão

Fonte: WHO, 2009

22
FRICÇÃO DAS MÃOS COM PREPARAÇÃO ALCOÓLICA

A anti-sepsia das mãos é usada para remover sujidades e reduzir a flora transitória
e a flora residente presentes nas mãos.

 A técnica é similar à lavagem simples, à excepção do facto de envolver o uso de


um agente anti-microbiano, em vez de sabão ou detergente comum.

Realize a anti-sepsia das mãos ANTES de:

 Examinar ou prestar cuidados a doentes altamente susceptíveis (ex. bebés


prematuros, idosos doentes ou pessoas em estado avançado do SIDA);
 Realizar um procedimento invasivo tal como a colocação de um dispositivo
endovenoso; e
 Sair do quarto de doentes sob Precauções de Contacto (ex. doentes com gripe,
Hepatite A ou E, ou que tenham infeções multi-droga resistentes (ex.
Staphylococcus aureus resistente a meticilina).

Para reduzir a “acumulação” do emoliente nas mãos pelo uso repetido da


preparação alcoólica, lave as mãos com água e sabão de 5 em 5 ou de 10
em 10 aplicações.

A anti-sepsia das mãos deve ser realizada utilizando um sabão com anti-
séptico como a clorexidina ou iodo povidona. Alternativamente, se as mãos não
estiverem visivelmente sujas, pode-se usar o preparação alcoólica para friccionar as
mãos. Os produtos a base de álcool são mais eficazes em matar a flora transitória e
a flora residente do que os sabões com anti-sépticos, sabões líquidos ou em gel, ou
o sabão simples e água. Além disso, o seu uso é mais rápido e mais fácil e oferece
uma maior redução inicial da flora presente nas mãos, desde que as mãos não
estejam visivelmente sujas. No entanto, as soluções para a higiene das mãos que só
contenham álcool como ingrediente activo têm um efeito residual limitado (isto é,
capacidade de prevenir o crescimento de bactérias após o uso) relativamente
àquelas que contêm álcool mais um agente anti-séptico, tal como o gluconato de
clorexidina.

As preparações alcoólicas para a higiene das mãos contêm uma pequena


quantidade de um emoliente que protege e amacia a pele, porque repõem os óleos e

23
outras substâncias removidas nas repetidas lavagens com detergentes (com ou sem
agente anti-séptico) e água.

Técnica para a higiene das mãos por fricção com preparação alcoólica:
 Aplique preparação alcoólica suficiente para cobrir toda a superfície das mãos e
dos dedos (cerca de uma colher de chá ou 5cc).
 Esfregue vigorosamente a preparação nas mãos (cobrindo os polegares, as
palmas e as costas das mãos, a incluir os espaços interdigitais, as pontas dos
dedos e por baixo das unhas) até que as mãos estejam bem secas.

NOTA: Pode-se criar pequenas quantidades de preparação alcoólica não


aquosa e não irritante ao acrescentar glicerina ou sorbital ao álcool (2 ml
em 100 ml de solução de álcool etílico ou isopropílico a 60-90%) (Veja no
Anexo 3 a fórmula da WHO para a produção de um grande volume de
preparação alcoólica para friccionar as mãos).

24
Figura 6: Como Usar Álcool Glicerinado para Friccionar as Mãos

Fonte: WHO, 2009.

25
LAVAGEM CIRÚRGICA DAS MÃOS
É necessária tanto para remover mecanicamente a sujidade, detritos e organismos
bem como para reduzir a níveis seguros a flora residente. Deve ser realizada antes
de procedimentos invasivos, tais como as cirurgias. O objetivo é prevenir a
contaminação da ferida com microrganismos provenientes das mãos e dos braços
do cirurgião e dos assistentes.

Durante muitos anos, os protocolos para lavagem pré-cirúrgica das mãos exigiam
pelo menos 6 a 10 minutos de esfrega vigorosa com uma escova ou esponja,
usando sabão com um agente anti-séptico (clorexidina ou um iodóforos). No entanto,
ficou demonstrado que esta prática danifica a pele e pode resultar em maior
descamação de bactérias provenientes das mãos (Dineen 1966; Kikuchi-Numagami
et al. 1999).

Vários estudos sugerem que para reduzir para níveis aceitáveis a contagem de
bactérias presentes nas mãos do pessoal cirúrgico não é necessário usar uma
escova, nem uma esponja. Por exemplo, friccionar as mãos com clorexidina a 4% ou
iodo povidona a 7,5% durante 2 minutos, seguida pela aplicação da preparação
alcoólica demonstrou ser tão eficaz quanto esfregar por 5 minutos com um sabão
anti-séptico (Kampf et al. 2003; Larson et al. 2001). Actualmente, esta técnica está
a substituir a lavagem cirúrgica das mãos com um sabão anti-séptico.

Como resultado, as directrizes para execução da técnica geral para lavagem


cirúrgica das mãos foram suavizadas e levam menos tempo a executar. Os passos
incluem:

 Remova anéis, relógios e braceletes;


 Lave cuidadosamente as mãos e antebraços, até os cotovelos, com água e
sabão;
 Limpe as unhas com um produto de limpeza específico;
 Enxague bem com água limpa e corrente;
 Aplique um agente anti-séptico;
 Esfregue vigorosamente todas as superfícies das mãos, dedos e antebraços
durante pelo menos 2 minutos. (Quando se usar uma escova macia, esta deve ser
limpa e esterilizada ou sujeita a desinfecção de alto nível antes de voltar a ser
usada; quando se usarem esponjas, elas devem ser descartadas.);
 Enxague bem as mãos e braços com água limpa, mantendo as mãos
relativamente mais elevadas do que os cotovelos;

26
 Mantenha as mãos para cima e afastadas do corpo, sem tocar em nenhuma
superfície ou artigo e secar as mãos com uma toalha limpa e seca ou deixá-las
secar ao ar livre;
 Calce, nas duas mãos, luvas cirúrgicas esterilizadas ou submetidas a DAN.

Alternativamente, o uso de um gel glicerinado, não aquoso que contenha clorexidina


demonstrou obter reduções significativamente maiores na contagem dos micróbios
presentes nas mãos, uma pele mais saudável e uma redução no tempo e recursos
necessários.

Antes de entrar no Bloco Operatório (BO) e de iniciar a preparação para


a lavagem cirúrgica das mãos:
 Mantenha as unhas curtas;
 Não use unhas artificiais ou verniz para as unhas;
 Remover todos os adereços (anéis, relógios, braceletes) antes de entrar no BO;
 Lave as mãos e braços com um sabão antes de entrar no BO ou repita a
operação no BO se as mãos estiverem visivelmente sujas;
 Limpe por baixo das unhas com um produto de limpeza específico. (Deve-se
evitar usar escovas porque podem danificar a pele e encorajar a descamação de
células);
 Seque bem as mãos com uma toalha de papel ou de pano limpa.

Passos para a execução da lavagem cirúrgica mais simples e curta das


mãos:
 Aplique nas mãos 5 ml (cerca de uma colher de chá) de gel alcoólico não
aquoso, contendo clorexidina e esfregar todas as superfícies das mãos, espaços
interdigitais e antebraços até estarem bem secos; repetir a aplicação e esfregar
mais 2 vezes por um total de pelo menos 2 minutos, usando um total de cerca de
15 ml (3 colheres de chá) do gel alcoólico (durante todo o procedimento as mãos
devem estar humedecidas com o gel alcoólico).
 Mantenha as mãos para cima e afastadas do corpo;
 Não toque em nenhuma superfície ou objecto antes de calçar luvas cirúrgicas
esterilizadas ou submetidas a DAN, em ambas as mãos.

Para mais informações acerca dos diferentes tipos de anti-sépticos e seu


potencial uso na lavagem cirúrgica das mãos, consulte o Capítulo 4:
Assepsia.

27
COMO MELHORAR AS PRÁTICAS DE HIGIENE DAS MÃOS

 Certifique-se da disponibilidade de água limpa, de sabão líquido e de anti-


sépticos, incluindo a preparação alcoólica;
 Sensibilize todos os trabalhadores de saúde sobre a importância de melhorar as
práticas de higiene das mãos, incluindo:
 Disseminação das práticas actuais para higiene das mãos;
 Envolvimento de todas as pessoas da unidade sanitária;
 Uso de técnicas educativas, incluindo monitoria, retro-informação positiva,
“cartazes” educativos afixados nas paredes e envolvimento dos
doentes/utentes na monitoria do cumprimento.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A HIGIENE DAS MÃOS

Loções e Cremes para as Mãos


Embora se deva encorajar aos trabalhadores de saúde a usarem loções, cremes e
hidratantes para as mãos, recomenda-se que os produtos sejam fornecidos em
recipientes pequenos, de uso individual que possam ser facilmente transportados ou
em doseadores com bomba que não possam ser enchidos para reduzir a
possibilidade de se contaminarem. (Para evitar confusão, estes doseadores não
devem estar localizados próximo dos doseadores de soluções anti-sépticas e devem
estar claramente rotulados). Em contrapartida deve-se evitar o uso de produtos a
base de óleo, tais como aqueles que contenham vaselina (Vaseline® ou lanolina) por
danificarem as luvas de latex.

Lesões e Cortes na Pele


As cutículas das unhas, a pele das mãos e antebraços não devem apresentar lesões
(dermatite ou eczema) nem cortes (abrasões e rachas). Os cortes e abrasões
devem ser cobertos com compressas à prova de água. Caso não seja possível cobri-
los desta forma, o pessoal cirúrgico com lesões na pele deve evitar operar até que
as lesões estejam cicatrizadas.

Unhas
Estudos demonstraram que a área ao redor da base das unhas (espaço subungueal)
contém a contagem microbiana mais elevada das mãos. Além disso, vários estudos
demonstraram que as unhas compridas podem servir de reservatório de bacilos
gram-negativos (P. aeruginosa), leveduras e outros patógenos. Além disso, as unhas

28
compridas, tanto naturais como artificiais, tendem a furar mais facilmente as luvas.
Consequentemente recomenda-se que as unhas sejam mantidas moderadamente
curtas - com menos de 3 mm (ou 1/8 polegada) de comprimento a partir da ponta
dos dedos.

Unhas Artificiais
As unhas artificiais (revestimentos, pontas, extensões de acrílico etc.) quando
usadas por trabalhadores de saúde podem contribuir para as infecções nosocomiais.
Além disso deve-se restringir o uso de unhas artificiais por parte dos trabalhadores
de saúde por existirem evidências de que elas podem servir de reservatório de
bacilos gram-negativos patogénicos, especialmente para os membros da equipa
cirúrgica e para aqueles que:

 Trabalham em áreas de especialidade tais como unidades de cuidados


intensivos neonatais (UCI)
 Cuidam de doentes altamente susceptíveis a infeções ou
 Manejam doentes que tenham infecções causadas por organismos resistentes.

Verniz para as Unhas


Embora não haja restrições para o uso de verniz de unhas, sugerimos que os
membros da equipa cirúrgica e o pessoal que trabalha nas zonas de especialidade
usem somente verniz transparente e recentemente aplicado. O verniz lascado facilita
o crescimento de microrganismos nas unhas. Vernizes escuros podem evitar a
visualização e remoção da sujidade e detritos presentes por baixo das unhas.

Adereços/Acessórios
Embora vários estudos tenham demonstrado que a pele por baixo dos anéis está
mais colonizada do que as não cobertas, atualmente desconhece-se se o uso de
anéis resulte numa maior transmissão de patógenos. Sugere-se que os membros da
equipa cirúrgica não usem anéis porque pode ser mais difícil calçar luvas cirúrgicas
sem rasgá-las.

29
NOTA: As indicações para a higiene das mãos são bem
conhecidas, mas as directrizes para as melhores práticas
continuam a evoluir. As recomendações actuais para os
trabalhadores de saúde são:

 Quando a pele estiver danificada ou quando for necessária


uma lavagem frequente das mãos, use um sabão suave
(sem agente antisséptico) para remover a sujidade e
detritos;
 Quando desejar uma acção antimicrobiana (ex. antes de um
procedimento invasivo ou do contacto com doentes
altamente susceptíveis, tais como pessoas com SIDA ou
recém-nascidos) e se as mãos não estiverem visivelmente
sujas, use uma preparação alcoólica em vez de lavar das
mãos com sabão anti-séptico;
 Nas áreas de alto risco, tais como a sala de operações, a
unidade de cuidados intensivos neonatais ou unidades de
transplantes, os protocolos devem substituir a esfrega
vigorosa durante 6-10 minutos com escovas ásperas por
escovas macias ou esponjas durante um espaço de tempo
curto (pelo menos 2 minutos) ;
 Forneça loção para todo o pessoal que lave as mãos com
frequência para evitar irritação e rachaduras na pele;
 Disponibilize álcool glicerinado a todos os TS:

- Este deve estar facilmente acessível;


- Deve estar disponível o mais próximo possível do local
onde terá lugar o contacto com o doente e
- Os TS não devem ter que sair da zona de
cuidados/tratamento para realizarem a higiene das mãos.

30
3 EQUIPAMENTO DE PROTECÇÃO
INDIVIDUAL

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir o termo equipamento de protecção individual (EPI)


 Explicar a importância do uso do equipamento de protecção individual
durante a prestação dos cuidados de saúde
 Descrever os vários tipos de EPI e seus respectivos usos
 Explicar de que forma o EPI impede a disseminação de microrganismos

DEFINIÇÃO

O equipamento de protecção individual (EPI) é uma barreira ou vestuário de


protecção que ajuda a evitar a disseminação de microrganismos de uma pessoa
para outra (doentes, utentes ou trabalhadores de saúde) e do equipamento,
instrumentos e ambiente para as pessoas. O EPI inclui: barretes, óculos, máscaras
cirúrgicas e faciais, aventais, batas, luvas, pijama cirúrgico e botas ou sapatos
fechados.

Os doentes/utentes e os TS são a principal fonte de microrganismos causadores de


infecções depois de procedimentos cirúrgicos ou outros procedimentos invasivos. As
fontes incluem o cabelo e o couro cabeludo, a pele, nariz e boca, sangue e fluidos
corporais e as mãos. Colocar esta barreira física ou mecânica (ex. luvas ou
máscaras) entre os microrganismos e a pessoa, quer seja um doente/utente ou
trabalhador de saúde, é um meio eficaz para a prevenção da disseminação de
infecções de uma pessoa para outra e do equipamento ou ambiente para as
pessoas.

É importante que os provedores de cuidados de saúde usem EPI, tal como luvas,
máscaras/respiradores, protecção ocular (máscaras faciais ou óculos de protecção),
barretes, batas, plainitos, aventais, botas e outros itens, sempre que houver risco de
entrar em contacto com materiais contaminados ou com sangue e fluidos corporais.
Os gestores das unidades sanitárias são responsáveis por garantir que todos os
31
sectores estejam equipados com vestuário de protecção, máscaras/protecção ocular
e luvas suficientes para todo o pessoal.

Lembre-se: Os barretes, máscaras ou campos cirúrgicos feitos de papel


nunca devem ser reutilizados porque não existe forma de os limpar
devidamente. Não reutilize materiais que não possam ser lavados.

Para mais informações, consulte o Capítulo 3 de: WHO, CDC, REDI Center e Jhpiego.
Prevenção e Controlo de Infecções Respiratórias em Unidades Sanitárias – Síntese das
Orientações – Versão preliminar. Tradução Revista em Português.

As barreiras de protecção mais eficazes são batas/aventais feitos de tecidos tratados


ou materiais sintéticos que não permitam a absorção de água ou líquidos. Em
Moçambique o tecido mais comum usado para vestuário cirúrgico é o pano de
algodão leve. Infelizmente o algodão leve não oferece uma barreira eficaz porque a
humidade pode atravessá-lo facilmente, permitindo a contaminação. Por outro lado a
ganga, tela e sarja pesadas são demasiado densas para permitir a passagem do
vapor (isto é, não podem ser esterilizadas), são difíceis de lavar e levam demasiado
tempo a secar. Para protecção do TS contra o contacto com sangue e outros fluidos
corporais (ex. durante um parto ou cesariana) e na indisponibilidade de batas
impermeáveis, pode-se vestir um avental de plástico por baixo da bata de algodão.
Os tecidos do EPI devem ser de cor branca ou de outra cor clara que mostrem
facilmente a presença de sujidade e contaminação.

LUVAS

As luvas protegem as mãos contra os materiais infecciosos e protegem os doentes


do contacto com os microrganismos presentes nas mãos dos membros da equipa de
saúde. Elas são a barreira física mais importante para prevenção da disseminação
de infecções, mas elas devem ser trocadas entre contactos com doentes/utentes
diferentes para evitar a contaminação cruzada. Normalmente as luvas devem ser
usadas durante o contacto com doentes/utentes sempre que haja probabilidade de
contacto com membranas mucosas, sangue, fluidos corporais, secreções ou
excreções ou durante a manipulação de lixo contaminado ou na limpeza e
desinfecção de instrumentos, equipamento e superfícies.

Durante procedimentos de rotina, tais como refazer camas, não é necessário usar
luvas a menos que os objectos ou superfícies estejam contaminados.

32
Princípios:

 Todo o pessoal deve calçar luvas apropriadas antes do contacto com pele não
íntegra, membranas mucosas, sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções
de qualquer doente/utente.

 Para evitar a contaminação cruzada deve-se usar um par de luvas para cada
doente/utente.

 Quando se estiver a usar luvas deve-se trocar ou descalçar as luvas durante os


cuidados aos doentes quando se passar de uma parte do corpo do mesmo
doente que esteja contaminada para outra que esteja limpa ou depois de tocar
em qualquer objecto (ex. varão da cama) no ambiente.

 De preferência deve-se calçar luvas novas e descartáveis (de uso único).

A escolha das Luvas:

 Na realização de exames médicos e procedimentos, tais como exames pélvicos


ou colheita de sangue ou troca de pensos, dá-se preferência às luvas de exame
descartáveis (Luvas reutilizáveis submetidas a DAN são aceites).

 Para os procedimentos cirúrgicos ou invasivos deve-se calçar luvas cirúrgicas


esterilizadas.

 As luvas cirúrgicas submetidas a DAN são a única alternativa aceitável


quando não houver luvas cirúrgicas esterilizadas disponíveis para a realização de
procedimentos cirúrgicos.

 Na limpeza de instrumentos e equipamento, além de superfícies contaminadas e


manipulação ou tratamento de lixo contaminado, pode-se usar luvas
domésticas grossas limpas.

33
Tabela 4: Luvas Apropriadas para Procedimentos Médicos e Cirúrgicos Comuns

Tarefa ou Actividade É Necessário Luvas Luvas


Usar Luvas? Preferíveisa Aceitáveis
Medição da tensão arterial Não

Medição da temperatura Não

Injecção Não
b d
Recolha de amostras de sangue Sim Exame Cirúrgicas DAN
b d
Inserção e remoção de cateteres Sim Exame Cirúrgicas DAN
endovenosos periféricos

Inserção de cateteres EV centrais, Sim Cirúrgicas Exame ou


c d
arteriais e da linha média Esterilizadas Cirúrgicas DAN

Exame pélvico Sim Exame Cirúrgicas DANd

Inserção do DIU Sim Exame Cirúrgicas DANd

Remoção do DIU Sim Exame Cirúrgicas DANd

Aspiração manual Sim Exame Cirúrgicas DANd

Inserção e remoção de implantes Sim Cirúrgicas Cirúrgicas DANd


Norplant® Esterilizadasc

Parto vaginal Sim Cirúrgicas Cirúrgicas DANd


Esterilizadasc

Cesariana ou laparotomia Sim Cirúrgicas Cirúrgicas DANd


Esterilizadasc

Vasectomia ou laparoscopia Sim Cirúrgicas Cirúrgicas DANd


Esterilizadasc

Manipulação e limpeza de Sim Utilitárias Exame ou


instrumentos Cirúrgicas DANd

Manipulação de lixo contaminado Sim Utilitárias Exame ou


Cirúrgicas DANd

Limpeza de sangue ou fluidos Sim Utilitárias Exame ou


d
corporais derramados Cirúrgicas DAN

34
a
Embora as luvas esterilizadas possam ser usadas para qualquer procedimento cirúrgico elas não são
sempre necessárias. Em alguns casos as luvas de exame ou luvas cirúrgicas submetidas a DAN são
igualmente seguras e mais económicas.
b
Inclui luvas de exame novas, “nunca” usadas ou embaladas a granel (desde que as caixas estejam
devidamente armazenadas)
c
Quando não houver equipamento de esterilização disponível (autoclave) a DAN é a única alternativa
aceitável
d
Luvas cirúrgicas reprocessadas

Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh [Link] for the Prevention of Intravascular
Catheter-Related Infeccions.

Quando for necessária protecção para os antebraços pode-se criar uma luva de
cano longo, a partir de uma luva cirúrgica nova ou anteriormente usada e
reprocessada, conforme demonstrado abaixo:

Figura 7: Criação de Luvas de Cano Longo a partir de Luvas Cirúrgicas reprocessadas

1 2

NOTA: Quando usar luvas de borracha de látex evite usar cremes ou


loções que contenham óleo mineral, vaselina ou lanolina para proteger as
mãos porque podem provocar o rompimento das luvas em poucos minutos.

35
Tabela 5: Directrizes para o Uso de Luvas

PROCEDIMENTOS TIPO DE LUVA DESCRIÇÃO

1. Luvas de exame Luvas descartáveis


Sempre que possa haver (recomendadas)
contacto com membranas 2. Luvas cirúrgicas As luvas cirúrgicas
mucosas e pele não íntegra esterilizadas ou reutilizáveis submetidas a
submetidas a DAN DAN são aceitáveis quando
(aceitáveis) não houver luvas de exame
1. Luvas cirúrgicas Luvas cirúrgicas descartáveis
esterilizadas
(recomendadas)
2. Luvas cirúrgicas As luvas cirúrgicas
reutilizáveis esterilizadas reutilizáveis esterilizadas são
(aceitáveis) aceitáveis quando não
Todos os procedimentos que houver luvas cirúrgicas
envolvam o contacto com descartáveis
qualquer tecido subcutâneo 3. Luvas cirúrgicas Quando não houver
reutilizáveis submetidas a equipamento de esterilização
DAN (aceitáveis somente disponível a DAN é a única
quando não houver luvas alternativa aceitável
esterilizadas)
1. Luvas domésticas grossas As luvas domésticas grossas
(recomendadas) são reutilizáveis, mas devem
ser descontaminadas e
limpas entre o seu uso
Manipulação e limpeza de 2. A sobreposição de duas Quando não houver luvas
instrumentos usados; luvas cirúrgicas ou de domésticas disponíveis, a
Limpeza de superfícies exame (aceitáveis) sobreposição de luvas
contaminadas; cirúrgicas reprocessadas ou
Manipulação ou tratamento de luvas de exame novas
de lixo contaminado. oferece alguma protecção

NOTA: NÃO é necessário usar luvas quando não há contacto com membranas
mucosas, sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções (ex. para medição
da tensão arterial ou da temperatura).
Para garantir a disponibilidade das luvas quando forem necessárias, use as
luvas apenas quando recomendado. Use luvas esterilizadas somente quando
for obrigatório – elas são caras.

36
Remoção e Descarte de Luvas

 As luvas devem ser descalçadas antes de se passar para outro doente ou depois
da conclusão de uma tarefa específica virando-as do avesso.

 As luvas devem ser trocadas entre actividades nos cuidados dos doentes e entre
os procedimentos com o mesmo doente.

 Depois de descalçar as luvas, deposite-as num recipiente com saco plástico


devidamente identificado como lixo infeccioso.

 Depois de descalçar as luvas realize a higiene das mãos (com água e sabão ou
álcool glicerinado quando as mãos não estiverem visivelmente sujas).

PRÓS e CONTRAS sobre o uso das luvas

 Calce luvas do tamanho correcto, especialmente as luvas cirúrgicas. Uma luva


que não sirva bem pode limitar a nossa capacidade para realizar uma tarefa e
pode danificar-se (rasgar ou cortar) com maior facilidade.

 Troque de luvas cirúrgicas periodicamente durante procedimentos longos (>1


hora). O efeito protector das luvas de látex diminui com o tempo permitindo a
ocorrência de rasgões minúsculos.

 Mantenha as unhas das mãos curtas (menos de 3 mm ou 1/8 polegada de


comprimento a partir da ponta do dedo) para reduzir o risco de rasgões.

 Puxe as luvas por cima das mangas da bata (quando usada) para proteger os
pulsos.

 Nas mãos use loções e hidratantes a base de água para evitar que as mãos
sequem, rachem e descamem devido à lavagem frequente das mãos e ao uso de
luvas.

37
 Evite usar loções ou cremes oleosos nas mãos porque eles danificam as luvas
cirúrgicas ou de exame em látex.
 Evite usar loções e hidratantes para as mãos com fragrância (perfume) forte uma
vez que irritam a pele.

 Evite guardar as luvas em locais onde haja temperaturas extremas (ex. ao sol ou
próximo do aquecedor, ar condicionado, lâmpada ultravioleta, lâmpada
fluorescente ou máquinas de raios-X). Estas condições podem danificar as luvas
(provocar ruptura do material de que são feitas) reduzindo a sua eficácia como
barreira.

Sobreposição de Dois Pares de Luvas

Mesmo as luvas de látex da melhor qualidade ou luvas novas podem não ser
impermeáveis em 4% dos casos.1 Além disso, as luvas de látex – especialmente
quando expostas à gordura presente nas feridas – enfraquecem gradualmente e
perdem a sua integridade.

Dica: Para prevenir cãibras, quando se sobrepuserem dois pares de luvas


deve-se calçar uma luva meio tamanho acima do tamanho correcto por
baixo de uma luva do tamanho correcto.

Embora a sobreposição de dois pares de luvas traga poucos benefícios na


prevenção de exposição ao sangue no caso de ferimentos por picada de agulha,
elas podem reduzir o risco de contacto entre a mão e o sangue. Veja abaixo as
directrizes para o uso racional de dois pares de luvas sobrepostas, para países com
alta prevalência de HIV/SIDA, hepatite B e hepatite C (WHO, 2006):

 Quando o procedimento envolver o contacto com grandes quantidades de


sangue ou outros fluidos corporais (ex. partos vaginais e cesarianas).

 Em procedimentos ortopédicos onde haja probabilidade de se encontrar


fragmentos de ossos afiados, agrafos e outros perfuro-cortantes.

1
A taxa de permeabilidade “aceitável” designada pelas agências reguladoras para as luvas cirúrgica ou de exame
novas é de até 4% (Davis 2001).

38
 Quando as luvas cirúrgicas são reutilizadas depois de reprocessamento. (A
possibilidade de existirem buracos ou perfurações invisíveis é maior em qualquer
tipo de luva reprocessada do que nas luvas novas).

Lembre-se: As luvas não devem ser usadas em substituição da higiene


das mãos. Deve-se sempre lavar as mãos ou usar álcool glicerinado
para higiene das mãos antes de calçar e depois de descalçar as luvas e
sempre antes de iniciar uma nova tarefa.

 Ao preparar e administrar medicamentos quimioterápicos ou anti-neoplásicos.


Usar luvas sem pó talco e fazer com que o par exterior cubra a manga da bata.
Trocar de luvas a cada 30 minutos.

Em geral a sobreposição de dois pares de luvas não é necessária em procedimentos


cirúrgicos curtos (30 minutos ou menos) e que envolvam uma exposição mínima ao
sangue ou secreções mucosas (ex. laparoscopia ou mini-laparotomia). A
sobreposição de dois pares de luvas por parte do cirurgião, do assistente ou do
enfermeiro deve ser cuidadosamente ponderada, especialmente quando as luvas
forem reutilizadas e nas zonas onde o risco de contrair agentes patogénicos
transmitidos por via sanguínea, tal como o HIV, seja elevado (prevalência de >5%).

PROTECÇÃO FACIAL

Os óculos protegem ao pessoal no caso de salpico acidental de sangue ou outros


fluídos contaminados. Os óculos de protecção podem ser de plástico transparente,
de segurança, protectores faciais e viseiras. Os óculos com lentes grandes e simples
também são aceites se tiverem escudos laterais. As máscaras cirúrgicas e óculos de
protecção devem ser usados quando se pretende realizar qualquer tarefa onde
possa ocorrer um salpico acidental para o rosto (ex. realização de uma cesariana ou
parto vaginal ou na limpeza de instrumentos) e sempre que os doentes estiverem
sob precauções para gotículas. Quando não houver protectores faciais disponíveis,
podem-se usar óculos de protecção juntamente com uma máscara cirúrgica.

39
Figura 8: Óculos de protecção e protectores faciais

Fonte: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003

MÁSCARAS

As máscaras devem ser suficientemente


Figura 9: Máscara cirúrgica
grandes para cobrir o nariz, a parte inferior do
rosto, o maxilar e a barba. Elas são usadas para
tentar conter as gotículas de humidade expelidas
pelos trabalhadores de saúde durante a fala ou
tosse (precauções para gotículas), além de evitar
que salpicos acidentais de sangue ou outros
fluídos contaminados entrem na boca ou nariz
dos trabalhadores de saúde. No entanto, a Fotografia cedida pelo Dr. Rafael
menos que as máscaras sejam feitas de Joaquim
materiais impermeáveis, elas não serão muito
eficazes nesta prevenção.

40
Os respiradores são tipos de máscaras Figura 10: Respiradores de
especializadas, denominadas de respiradores partículas N-95
de partículas (tais como o N-95 ou seu
equivalente Europeu, EU FFP2), que são
recomendados para situações em que se
considere importante a filtragem do ar inalado
(ex. nos cuidados de um doente com
tuberculose pulmonar, além de todos os
doentes sob precauções para aerossóis). Eles
contêm várias camadas de material de filtragem Adaptado de: WHO, 2004.
e encaixam bem no rosto do utilizador para
evitar fugas de ar em redor da máscara durante
a respiração.

41
Colocação do respirador N-95 e efectuação do teste de selamento

Passo 1
Segure no respirador com as mãos em concha, com a parte do
encaixe do nariz na ponta dos dedos e permita que os elásticos
fiquem pendurados livremente abaixo das mãos.

Passo 2
Posicione o respirador abaixo do queixo com o encaixe do nariz
para cima. Puxe o elástico superior sobre a sua cabeça
posicionando no topo da cabeça.

Passo 3
Puxe o elástico inferior sobre a cabeça e posicione na nuca (abaixo
das orelhas).

Passo 4
Coloque os dedos de ambas as mãos sobre o encaixe do nariz.
Molde o encaixe do nariz (usando dois dedos de ambas as mãos)
de acordo com o formato do seu nariz. Moldar o encaixe somente
com uma mão pode resultar na menor eficiência do respirador.

Passo 5
Cubra a frente do respirador levemente com ambas as mãos e
tenha cuidado para não tirar o respirador da sua posição.

Passo 5a) Teste do selamento positivo


Expire agudamente. Se houver pressão positiva dentro do
respirador significa que não há escape. Se houver escape,
ajuste a posição e a tensão dos elásticos. Teste novamente a
selagem. Repita os passos até que o respirador esteja seguro.

Passo 5b) Teste de selamento negativo


Inspire profundamente. Se não houver escape, a pressão
negativa fará o respirador aderir à sua face.
O escape de ar resulta em perda de pressão negativa

Adaptado de: Summary Guidance-Information on Respiratory Infection Prevention and Control in


Healthcare Facilities. WHO, 2008. (Traduzido por: Luciana Brondi, Jhpiego)

42
BATAS E PIJAMAS CIRÚRGICOS
NOTA: Por os uniformes e batas laboratoriais já terem sido implicados
como vectores, o pessoal deve trocá-los diariamente ou sempre que estes
ficarem contaminados ou estiverem molhados. A lavagem do pijama
cirúrgico deve ser feita na lavandaria do hospital (AORN 2010). Também
sabe-se que as gravatas podem ficar contaminadas e albergar bactérias,
portanto não devem ser usadas durante os cuidados ou exames de
doentes.

As batas ou pijamas cirúrgicos são vestidos por cima ou no lugar do vestuário


normal. A finalidade principal das batas e pijamas cirúrgicos é proteger o vestuário e
a pele dos trabalhadores de saúde. Os pijamas cirúrgicos normalmente consistem
em calças com cintura ajustável por cordão e uma camisa. As camisas com decote
em V não devem ter um decote acentuado para evitar descair do ombro do utilizador
e expor os pelos do peito dos homens.

Quando os TS vestem pijamas cirúrgicos durante os cuidados aos doentes, eles


devem trocar de bata ao passarem de um doente para outro (ex. durante os
cuidados para bebés na unidade de cuidados intensivos neonatais).

As batas cirúrgicas inicialmente eram usadas para proteger os doentes contra os


microrganismos presentes no abdómen e nos braços do pessoal de saúde durante
as cirurgias. As batas cirúrgicas feitas com materiais impermeáveis também
desempenham um papel importante para evitar o contacto entre a pele do pessoal e
sangue ou outros fluidos corporais, especialmente nas salas de operações, salas de
parto e urgências. No entanto, as batas de algodão leve, que geralmente estão
disponíveis na maioria dos hospitais, oferecem pouca protecção. Os TS podem vestir
um avental de plástico ou de borracha por baixo de uma bata para evitar que a pele
entre em contacto com sangue ou fluidos corporais. No caso de ocorrência de um
grande derrame de sangue, a melhor coisa a fazer é o TS tomar um duche ou banho
o mais cedo possível depois de ter terminado o procedimento.

43
AVENTAIS

Os aventais de plástico são normalmente usados para proteger o vestuário ou as


superfícies contra a contaminação. Os aventais feitos de borracha ou plástico
oferecem uma barreira impermeável na parte frontal do corpo do TS e também
devem ser vestidas durante procedimentos onde haja probabilidade de salpicos ou
derrames de sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções (ex. na realização
de partos).

Figura 11: Avental

CALÇADO

O calçado protege os pés contra ferimentos causados por itens perfuro-cortantes


ou pesados, ou contra fluidos que possam cair ou pingar acidentalmente sobre os
44
pés. Por este motivo, as sandálias, “chinelos” ou sapatos feitos de materiais macios
(pano) não são aceitáveis. As botas de borracha ou sapatos de couro fechados e
laváveis são aceites, mas devem ser mantidos limpos e livres de qualquer
contaminação resultante de derrames de sangue ou de outros fluidos corporais. Os
plainitos são desnecessários quando se usar calçado resistente para uso exclusivo
dentro do bloco operatório. Quando estiverem previstas grandes quantidades de
fluidos (durante um parto ou cesariana) devem-se fornecer botas de borracha, mas
até sacos plásticos simples colocados por cima do calçado protegem os TS do
contacto com sangue e fluidos corporais.

Tabela 6: Equipamento de Protecção Individual

Tipo de EPI Deve ser usado para Protege primariamente

Situações onde seja provável o salpico


Pijama cirúrgico ou ou derrame de sangue, fluidos Trabalhador de saúde
avental, luvas corporais, secreções ou excreções

Botas ou sapatos Situações que envolvam instrumentos


fechados (as sandálias perfuro-cortantes onde seja provável o Trabalhador de saúde
abertas não são derrame de agentes infecciosos (ex.
aceitáveis) partos, procedimentos cirúrgicos)

Barretes, batas, Procedimentos invasivos onde haja Trabalhador de saúde e


conjuntos cirúrgicos, exposição de tecido subcutâneo (ex. doente/utente
máscaras, luvas procedimentos cirúrgicos)

Óculos de protecção, Situações onde seja provável o salpico Trabalhador de saúde


máscaras cirúrgicas e de sangue, fluidos corporais,
protectores faciais, secreções ou excreções
luvas

Pijama cirúrgico e luvas Cuidados em um doente sob Trabalhador de saúde


precauções para contacto

Respirador de Situações que exijam precauções para Trabalhador de saúde e


partículas (N-95 ou aerossóis ou para gotículas doente/utente
equivalente Europeu,
EU FFP2)

45
Veja abaixo como vestir e como despir o equipamento de protecção individual.

COMO
Vestir Equipamento de Protecção Individual
(quando forem necessários todos os itens de EPI)

Passo 1
 Identifique os perigos e avalie o risco.
Reúna o EPI necessário;
 Planifique o local onde vai vestir e despir
o EPI (quarto do doente, entrada ou
antessala);

Passo 2
 Vista a bata.

Passo 3
 Coloque uma máscara.

Passo 4
 Coloque a protecção ocular, ex.
Máscara facial, óculos de protecção
(devem-se considerar óculos de
protecção à prova de gotas ou resistente
ao embaciamento). Os barretes são
opcionais: quando usados devem ser
colocados depois da protecção ocular.

Passo 5
 Calce as luvas (por cima dos punhos).

46
COMO
Despir o Equipamento de Protecção Individual

Passo 1
 Evite contaminar de si próprio, aos
outros e ao ambiente;
 Retire primeiro os itens mais
contaminados;
 Dispa as luvas e a bata ao virá-las ao
contrário;
 Descarte as luvas e a bata em
segurança.

Passo 2

 Retire o barrete (quando vestido);


 Retire a protecção ocular de trás para a
frente;
 Deposite a protecção ocular num
recipiente separado para
reprocessamento.

Passo 3
 Remova a máscara a partir de trás.

Passo 4
 Realize a higiene das mãos.

47
4 ASSEPSIA

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir anti-sépticos e assepsia


 Explicar os motivos da preparação da pele antes dos procedimentos
cirúrgicos
 Identificar os tipos de anti-sépticos e as suas indicações
 Identificar critérios para a selecção de anti-sépticos
 Descrever o procedimento da assepsiada pele
 Descrever os procedimentos de preparação cervical e vaginal para
pequenos procedimentos
 Explicar os procedimentos para armazenamento e doseamento de
anti-sépticos

DEFINIÇÕES

Anti-sépticos: Agentes anti-sépticos ou anti-microbianos são produtos químicos que


são aplicados à pele ou a outros tecidos vivos para inibir o crescimento ou eliminar
os microrganismos (tanto transitórios como residentes), reduzindo assim a contagem
bacteriana total.

Anti-sepsia é o processo de redução de microrganismos na pele, membranas


mucosas ou em outros tecidos corporais através da aplicação de um agente anti-
séptico.

FUNDAMENTAÇÃO PARA A ASSEPSIA

Embora a pele não possa ser esterilizada, a aplicação de uma solução anti-séptica
minimiza o número de microrganismos em redor do sítio cirúrgico, reduzindo o risco
de contaminação dos tecidos e destes causarem infecções.
49
Os anti-sépticos foram concebidos para remover o maior número possível de
microrganismos sem danificar ou irritar a pele ou membrana mucosa onde quer que
seja aplicado. Além disso, algumas soluções anti-sépticas possuem um efeito
residual, o que significa que o seu efeito letal prolonga-se para além do momento da
aplicação na pele ou membranas mucosas.

USO DE ANTI-SÉPTICOS

Os anti-sépticos são usados para:

 Higiene das mãos

 Preparação da pele ou das membranas mucosas antes de procedimentos


cirúrgicos ou invasivos (ex. inserção de um cateter EV ou de um acesso
venoso central)

 Preparação para procedimentos cervicais ou vaginais

 Limpeza e tratamento (pensos) de feridas

Critérios para a Selecção de Anti-sépticos

 Na selecção de um anti-séptico deve ser considerado:

 A segurança;

 O conhecimento da sua actividade microbiana;

 A existência de instruções claras de uso;

 Conhecido efeito residual;

 Deve ter um custo razoável;

 Quando descartado não deve ser perigoso para o ambiente;


50
 Deve ser adequado para o utilizador (de fácil uso).

Tipos de Anti-sépticos (vide o Anexo 1)

 Soluções alcoólicas (tinturas) de iodo ou clorexidina

 Álcoois (etílico ou isopropílico com concentração de 60-90%)

 Gluconato de clorexina (2-4% de concentração) (ex. Hibitane ®, Hibiscrub®,


Hibiclens®)

 Gluconato de clorexidina com concentração de 2% com álcool isopropílico a


70% (ChloraPrep®, miniPrep® etc.)

 Gluconato de clorexidina e cetrimida em várias concentrações superiores a


2% (ex. Savlon®)

 Iodo (3%); iodo aquoso e produtos alcoólicos (tintura de iodo)

 Iodóforos (7,5-10%) várias outras concentrações (ex. Betadine®)

Instruções para a Assepsia

 Não rape os pelos em redor do sítio cirúrgico. A raspagem dos pelos


aumenta o risco de infecção porque os pequenos cortes na pele oferecem um
local ideal para o crescimento e multiplicação dos microrganismos. Caso
tenha que cortar os pelos, estes devem ser aparados próximo da superfície
da pele usando tesoura ou máquina de barbear imediatamente antes da
cirurgia. (Se utilizar uma maquina de barbear eléctrica, esta deve ser limpa e
desinfectada antes desta voltar a ser usada);

 Pergunte ao doente sobre reacções alérgicas (ex. a preparados de iodo)


antes de seleccionar uma solução anti-séptica;

51
 Se a pele ou a genitália externa estiverem visivelmente sujas, lave com água
limpa e sabão e seque a pele antes de aplicar o anti-séptico.

 Não deixe que o anti-séptico se acumule por baixo do corpo do doente; o


iodo pode irritar ou queimar a pele.

 Limpe cuidadosamente a pele usando pinças secas, desinfectadas a alto


nível ou esterilizadas e bolas de algodão ou gaze embebidos em anti-séptico.
Aplique do sítio cirúrgico para fora cobrindo vários centímetros. (Um
movimento circular do centro para fora ajuda a prevenir a recontaminação do
sítio cirúrgico por bactérias da pele). Além disso, agora existem novos
produtos contidos em aplicadores que recomendam o uso de um padrão de
limpeza de trás para a frente começando num lado da zona a ser preparada
para o outro. Verifique sempre as instruções dos novos produtos.

 Não é necessário que as bolas/rectângulos de algodão ou gaze sejam feitos


de itens esterilizados. Pode-se usar bolas de algodão limpas, novas (não
reprocessadas), porque não contêm organismos prejudiciais e só entrarão
em contacto com zonas não críticas (pele intacta) e semi-críticas
(membranas mucosas).

 Antes de iniciar o procedimento, deixe o anti-séptico actuar por tempo


suficiente para fazer efeito. Por exemplo, quando se usar um iodóforo, antes
de prosseguir espere 2 minutos ou até a pele estar visivelmente seca porque
o iodo, o agente activo, é de libertação lenta.

 Faça com que o doente/utente tome um banho ou se lave na noite anterior à


cirurgia. Além disso, foi demonstrado que o uso da escova com gluconato de
clorexidina reduz ainda mais as infecções dos sítios cirúrgicos.

Instruções para Preparação Cervical ou Vaginal

Para a assepsia cervical e vaginal, antes da inserção de um elevador uterino para


mini-laparatomia ou de realizar uma biópsia endometrial, selecione um anti-séptico
aquoso (à base de água) tal como um iodóforo (iodo povidona) ou gluconato de
clorexidina com concentração de 2-4% (ex. Hibiclens ou Savlon, quando
devidamente preparados). Não use preparações alcoólicas ou que contenham
álcool, tal como o Dettol. Os álcoois provocam ardor para além de secarem e
52
irritarem as membranas mucosas, que por sua vez promovem a proliferação de
microrganismos. Além disso, o hexaclorofeno (pHisoHex®) é neurotóxico e não deve
ser usado em membranas mucosas, tais como as mucosas vaginais, por ser de
rápida absorção.

 Pergunte à doente sobre reacções alérgicas (ex. a preparados de iodo) antes


de selecionar uma solução anti-séptica.

 Caso a genitália externa esteja visivelmente suja, lave com água limpa e
sabão e seque a pele antes de aplicar o anti-séptico.

 Depois de inserir o espéculo, aplique livremente a solução anti-séptica duas


vezes no colo do útero apenas, tendo o cuidado para não tocar nas regiões
vizinhas. Se a genitália externa aparentar estar limpa não é necessário
preparar a zona com solução anti-séptica.

 Se for usado um iodóforo, espere (2 minutos) antes de prosseguir.

Preparação da Pele para Injecções

 Se o local da injecção estiver visivelmente sujo, lave-o com água e sabão e


seque com uma toalha de papel ou de pano limpa e só depois administre a
injecção. De acordo com a Organização Mundial da Saúde e com a Rede
Global para Injecção Segura (WHO/SIGN, 2010), antes de se dar uma
injecção não é necessário passar um algodão com solução anti-séptica sobre
pele limpa.

 As utentes que recebam injecções regularmente (ex. que usem


Medroxiprogesterona para contracepção) devem ser ensinadas a lavar o local
da injecção (braço ou nádegas) com sabão e água limpa antes de se
dirigirem ao serviço de saúde.

Armazenamento e Doseamento de Anti-sépticos

Todos os anti-sépticos podem ser contaminados por microrganismos capazes de


provocar infecções subsequentes, quando usados para lavagem das mãos e
53
preparação da pele. Assim sendo, para prevenir a contaminação da solução anti-
séptica, recomenda-se o seguinte:

 Use pequenas quantidades de anti-séptico de cada vez:

 Se os anti-sépticos forem fornecidos em recipientes grandes, retire uma


pequena quantidade para um recipiente mais pequeno e fechado para o
uso diário.

 Não “volte a encher” os doseadores de anti-sépticos.

 Nunca deixe nem guarde gaze ou bolas de algodão embebidas em anti-séptico.

 Prepare regularmente soluções frescas (pelo menos uma vez por semana).

 Lave e seque bem os recipientes de anti-séptico antes de usar (isto é, antes de


os voltar a encher).

NOTA: A eficácia dos anti-sépticos e o tempo necessário para se tornarem


efectivos, antes do início do procedimento, varia de acordo com o
antisséptico.

Embora a clorexidina tenha sido recomendado pelo CDC como o melhor


anti-séptico para a colocação de cateteres, ela não é até ao momento
recomendada como o melhor anti-séptico para a preparação do sítio
cirúrgico.

 As soluções anti-sépticas devem ser armazenadas num local fresco e escuro.


Nunca os armazene em locais com luz do sol directa ou com calor excessivo
(ex. prateleiras de cima num edifício com cobertura de zinco).

54
Sugestões para Uso de Anti-sépticos na Prevenção de Infecções

 A zona a ser preparada não deve apresentar sujidade visível nem material
orgânico. A limpeza é o primeiro passo necessário antes de se obter a assepsia
da pele.

 Deixe a solução anti-séptica de preparação secar antes de iniciar o


procedimento (ex. penetrar a pele através da inserção de um cateter EV, incisão
cirúrgica etc.). Mantenha uma técnica asséptica ou esterilizada depois da
aplicação do anti-séptico cutâneo. Evite tocar na zona preparada com luvas não
esterilizadas ou com as mãos sem luvas.

 Quando usar um anti-séptico para limpar zonas em redor de feridas abertas,


durante a troca de pensos, deixe a solução anti-séptica secar antes de aplicar as
compressas.

55
5 INJECÇÃO SEGURA

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir o que é uma injecção segura;


 Explicar como descartar em segurança agulhas e seringas;
 Explicar como preparar a pele para administração da injecção;
 Explicar como extrair a medicação de frascos multi-dose;
 Explicar como extrair a medicação usando uma seringa auto-bloqueante;
 Explicar o uso correcto dos frascos de dose única;
 Explicar o uso correcto dos frascos multidose;
 Explicar o uso apropriado dos frascos ou balões endovenosos/seringas de
medicação; e
 Explicar o uso correcto das canetas para insulina.

DEFINIÇÕES

Injecção Segura é aquela que:

 Não provoca dano ao utente/doente;

 Não expõe o TS a nenhum risco que seja evitável; e

 Não produz lixo perigoso para a comunidade.

Ferimento por picada de agulha: Punção da pele por uma agulha hipodérmica ou
de sutura.

Ferimento por objectos perfuro-cortantes: Um ferimento provocado pela punção


da pele por um objecto/instrumento perfuro-cortante, incluindo agulhas hipodérmicas.

57
Seringa auto-bloqueante (AB): Seringa de plástico, modificada com uma agulha
fixa que é automaticamente destruída depois de uma única utilização.

Dispositivo de segurança: Um objecto ou dispositivo perfuro-cortante sem agulha


usado para colher fluídos corporais, ter acesso a uma veia ou artéria ou administrar
medicamentos e outros fluídos, com uma função/ mecanismo de segurança
embutido e que reduz eficazmente o risco de acidentes (OSHA).

Caixa de segurança (objectos perfuro-cortantes) também designada Caixa


Incineradora: Um recipiente resistente a perfuração/estanque concebido para conter
objectos perfuro-cortantes em segurança durante a sua colecta, descarte e
destruição.

Seringa de segurança: Seringa plástica modificada e descartável concebida para


que o trabalhador de saúde possa inactivá-la de forma que a agulha fique protegida
e não possa ser reutilizada.

RECOMENDAÇÕES DE SEGURANÇA PARA USO DE AGULHAS E


SERINGAS HIPODÉRMICAS

As agulhas hipodérmicas (cano cilíndrico) causam a maior parte dos acidentes por
perfuro-cortantes nos TS e em estudantes dos diferentes cursos de ciências de
saúde e de medicina, nas US independentemente do seu nível de atenção.

A prática da injecção segura protege o TS, o utente e a comunidade contra riscos


desnecessários.

 Use a agulha e a seringa uma única vez.

 Inspeccione a embalagem da seringa e agulha, certificando a sua integridade e


prazo de validade. Descarte-a caso não cumpra os requisitos.

 Não desmonte/desarticule a agulha e a seringa depois de utilizadas.

 Não reemcape, não dobre nem parta agulhas antes de as descartar.

 Descarte a agulha e seringa num recipiente resistente a perfuração, logo após ao


uso.

58
 Sempre que apropriado, encoraje o uso de medicação oral em vez da
injectável (ex. antibióticos) eliminando assim a necessidade do uso da
seringa.

Prática de prevenção e controle de infecção para uma injecção segura:

 Preparação da pele para injecções:

 Se o local da injecção estiver visivelmente sujo, lave-o com água e sabão e


seque com uma toalha de papel ou compressa/algodão seco e depois
administre a injecção. De acordo com a Organização Mundial da Saúde e
com a Rede Global para Injecção Segura (SIGN), não é necessário passar
um algodão embebido em solução anti-séptica sobre pele limpa antes de se
dar a injecção. Caso passe o algodão com anti-séptico, use uma bola de
algodão limpa e mantenha o contacto recomendado para o produto;

 Utentes que recebam injecções regularmente (ex. que usem Depo-Provera®


para contracepção) devem ser ensinadas a lavar o local da injecção (braço
ou nádega) com sabão e água limpa antes de se dirigirem ao serviço de
saúde.

NOTA: Nunca use bolas de algodão armazenadas húmidas em recipientes


multi-uso.

 Descontamine a agulha e seringa três vezes numa solução clorada a 0,5% antes
do descarte;

 Descarte a agulha e seringa num recipiente resistente a perfuração ou caixa


incineradora;

 Nunca deixe uma agulha inserida na tampa de um frasco de medicamento (ex.


frasco da penicilina ou de clorafenicol) para retirar várias doses;

 As agulhas não devem ser habitualmente reemcapadas. Caso seja necessário


reemcapar, por exemplo: depois de colher sangue com recurso a um
Vacutainer® ou de colher amostra para gasometria, use a técnica mais segura
“de uma só mão”:

59
 Primeiro, coloque a tampa sobre uma superfície rígida e plana e retire a mão;

 A seguir, segure a seringa com uma mão e use a agulha para “apanhar” a
tampa; e

 Por fim, quando a tampa cobrir completamente a agulha, use a outra mão
para prender a tampa à agulha, mantendo-a perto do centro.

 Evite ultrapassar a capacidade dos recipientes de descarte – enchê-los acima de


três quartos do limite de capacidade, pois pode resultar em ferimentos por picada
de agulha. Descarte o recipiente assim que atingir três quartos do limite da sua
capacidade.

 Evite aplicar injecções caso a integridade da pele do TS estiver comprometida.

 Avalie sempre a pertinência da medicação injectável e principalmente se a


integridade da pele estiver comprometida.

Figura 12: Método para Reemcapar Agulhas com uma Só Mão

Lembre-se: Mantenha
sempre os seus dedos
afastados da agulha e não
deixe que a agulha toque
em qualquer superfície
contaminada.

Adaptado de: Tietjen L, Bossemeyer D and McIntoshN. 2003. Infection Prevention Guidelines for
Healthcare Facilities with Limited Resources. Jhpiego: Baltimore, MD.

Se estiver a usar seringas reutilizáveis, elas devem ser devidamente


descontaminadas (ex: passadas três vezes por uma solução clorada com a 0,5%),
60
limpas e esterilizadas ou submetidas à desinfecção de alto nível antes da
reutilização. Não reutilize seringas que não tiverem sido ser reprocessadas.

NOTA: As seringas e agulhas auto bloqueantes SoloShot FX ou as


Uniject podem ser descontaminadas aspirando cerca de 0,1 ml de
solução clorada na seringa ou bolha depois do uso. Esta quantidade é
suficiente para encher toda a agulha além de cobrir a superfície do
êmbolo e o fundo da seringa ou bolha.

As seringas e agulhas auto-bloqueantes (ex. SoloShot FXTM ou UnijectTM) estão


disponíveis nas USs. Estas seringas não podem ser reutilizadas, por isso minimizam
o risco para os doentes, mas nenhuma delas elimina o risco de ferimento por picada
de agulha para os TS, incluindo o pessoal de higiene e limpeza e a comunidade, a
menos que estas sejam descontaminadas antes de serem depositadas num
recipiente para objectos perfuro-cortantes resistente a perfuração (caixa
incineradora).

Como Extrair Medicação de um Frasco Multi-dose Esterilizado

 Verifique o prazo de validade;

 Limpe a parte de cima do frasco com uma bola de algodão embebida em álcool
com concentração de 60-90%. Deixe secar;

 Abra uma embalagem nova de agulha e seringa descartável;

 Aplique a agulha à seringa, caso não venha já colocada;

 Remova a tampa da agulha e mantendo a seringa ao nível dos olhos, recue o


êmbolo até ao volume de medicação desejado;

 Injecte o ar lentamente ao colocar a agulha no centro do frasco. Não provoque


turbulência;

61
 Inverta o frasco e retire lentamente o medicamento, usando pressão negativa
suave. Mantenha a ponta da agulha no líquido;
 Com a seringa à altura dos olhos, verifique pelo volume se chegou à dose
pretendida;

 Retire lentamente a agulha do frasco; e

 Administre o medicamento imediatamente ou reemcape a agulha usando o


método de uma só mão.

 Descontamine, aspirando três vezes uma solução clorada a 0.5% e descarte a


seringa e agulha na caixa incineradora.

Como Extrair Medicação usando uma Seringa Auto-Bloqueante

As instruções abaixo são específicas para a agulha e seringa SoloShot FX:

 Abra a embalagem esterilizada que Figura 13: Como Extrair


contém a agulha e seringa e coloque Medicação com uma Seringa Auto-
firmemente a agulha; Bloqueante (SoloShot FX)

 Retire a tampa da agulha e insira a ponta


da agulha até tocar no fundo do frasco,
conforme ilustrado na Figura 11. (Para
evitar a entrada de ar na seringa,
certifique que a ponta da agulha
permaneça abaixo do nível de fluido no
frasco);

 Enquanto segura no frasco com uma mão,


recue lentamente o êmbolo da seringa e
retire fluido até chegar à marca da "linha
de enchimento";

 Retire a agulha e seringa do frasco e mantenha a seringa na vertical (agulha a


apontar para o tecto) para verificar se a seringa contém ar;

62
 Se houver bolhas de ar, empurre lentamente o êmbolo, mas somente até chegar
à marca da “linha de enchimento”;

 Certifique que o nível de fluido na seringa está na marca da “linha de


enchimento” ou ligeiramente acima desta. Se estiver abaixo, pode não haver
medicamento suficiente para ser eficaz pelo que não deverá administrar a
injecção. Nesta situação injecte o medicamento de volta para o frasco de dose
única e volte a aspirar o medicamento usando uma nova seringa e agulha auto-
bloqueante ou descarte a seringa parcialmente cheia e use um frasco e uma
seringa auto-bloqueante nova;

 Administre de imediato o medicamento;

 Descontamine, aspirando a quantidade máxima possível (0,1 ml) de solução


clorada a 0,5% e descarte a seringa e agulha na caixa incineradora.

Considerações para frascos de dose única 1

 Siga a técnica asséptica;

 Use somente uma vez, e para um único procedimento;

 Aspire usando uma agulha e seringa novas (esterilizadas);

 No fim do procedimento descarte toda a medicação que sobrar no frasco;

 Ao comprar, selecione o menor frasco disponível;

 Não reaproveite os restos de vários frascos de dose única;

 Descarte os frascos fechados que estiverem fora do prazo, respeitando os


prazos de validade definidos pelo fabricante.

1
Adaptado de: Pugliese et al. 2010. [Link]/injectionpractices.
63
Tradicionalmente, os frascos de dose única não contêm preservantes para evitar a
proliferação microbiana, que pode ocorrer depois da abertura inicial do frasco.

Considerações para frascos multi-dose

 Devem estar rotulados pelo fabricante como sendo “frascos multi-dose”;

 Siga a técnica asséptica. Limpe o diagrama de acesso dos frascos friccionando


com uma bola de algodão embebido em álcool isopropílico a 70%. Deixe o
diafragma secar antes de inserir qualquer dispositivo de aspiração (agulha) no
frasco;

 Quando utilizado para mais do que um doente, use uma agulha e seringa
esterilizada e nova. Não reutilize as seringas. A contaminação patogénica não é
visível a olho nu e entra na seringa depois da injecção;

 Não manipule os frascos multi-dose nas zona imediatamente próximas do doente


(ex. zona de tratamento, Bloco Operatório, quartos dos doentes), o que significa
preparar a medicação numa zona afastada dos cuidados ao doente (sala de
tratamento ou zona separada por uma parede ou ecrã);

 Rotule escrevendo:

 Nome do medicamento;
 Data e hora de preparação;
 Prazo de validade (data de descarte obrigatório) de no máximo 28 dias
depois da abertura ou retirada da primeira dose, ou antes disso em
conformidade com os prazos definidos pelo fabricante;
 Iniciais de quem preparou a medicação.

 Nunca se deve deixar uma agulha ou outro dispositivo de aspiração inserido no


diafragma do frasco de medicação, para múltiplas utilizações, pois fornece uma
via directa para os microrganismos entrarem no frasco e contaminarem o fluido.

64
Frascos ou Balões Endovenosos/Seringas de Medicação

 Não use os frascos ou balões de soluções endovenosas (EV) para vários


doentes;

 Assim que o frasco ou balão for picado deve ser utilizado no prazo (ideal) de 1
hora. Descarte o sistema e o frasco ou balão;

 Não use a mesma seringa para injectar medicamentos nos sistemas EV de


vários doentes. Todos os componentes dos frascos ou balões de medicação EV
do doente (agulha/cateter, etc.) devem ser considerados como uma única
unidade. Todos os componentes que foram, directa ou indirectamente expostos
ao sangue do doente, não podem nem devem ser usados em outro doente;

 Use jogos de infusão e administração de fluidos (ex. frascos ou balões


endovenosos, sistemas e conectores) somente para um doente e descarte
devidamente depois da utilização (lixo infeccioso);

 Assim que tiverem sido usadas para perfurar ou conectar um frasco ou balão de
infusão endovenosa de um doente, considere a seringa ou agulha/cânula como
estando contaminadas, portanto não podem ser usadas em outro doente;

 Todas as seringas de medicação que não sejam para uso imediato devem ser
rotuladas conforme o acima descrito (nome do medicamento, iniciais do nome de
quem fez a preparação, dia e hora da preparação e sua validade – dia ou hora).

Caneta para Insulina

 As canetas para insulina que contenham múltiplas doses, devem ser usadas por
um único doente e NUNCA devem ser partilhadas;

 A identificação da caneta para insulina com o nome e outros dados de


identificação do doente, fornece um mecanismo para a garantia da utilização da
caneta correcta no doente certo e pode ajudar a minimizar erros de medicação;

65
 A agulha descartável deve ser retirada da caneta de insulina e imediatamente
descartada depois de cada injecção. Antes de cada nova injecção deve-se
colocar uma nova agulha na caneta;

 Os doentes devem ser informados do risco que a partilha das suas canetas para
insulina pode trazer-lhes (transmissão dos vírus da hepatite, do HIV ou de outros
agentes patogénicos transmitidos por via sanguínea).

66
6 MANIPULAÇÃO SEGURA DE OBJECTOS
PERFURO-CORTANTES DURANTE OS
PROCEDIMENTOS

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir o que são objectos perfuro-cortantes;


 Explicar a importância do manuseio seguro dos objectos perfuro-
cortantes;
 Descrever a técnica das mãos livres; e
 Explicar o descarte seguro dos objectos perfuro-cortantes.

DEFINIÇÕES

Objectos perfuro-cortantes: Os instrumentos perfuro-cortantes são todos aqueles


que podem puncionar a pele (tesouras, agulhas, bisturis ou lâminas, ferros
cirúrgicos, vidros partidos, etc.)

Os acidentes com instrumentos perfuro-cortantes podem facilmente ocorrer em


qualquer sector que preste cuidados de saúde, especialmente durante
procedimentos cirúrgicos e durante o descarte de agulhas. O manuseio apropriado
dos objectos perfuro-cortantes previne a ocorrência dos acidentes de trabalho e a
exposição às infecções transmitidas pelo sangue.

OS INSTRUMENTOS QUE PROVOCAM ACIDENTES

A grande maioria dos acidentes causados por objectos perfuro-cortantes que


ocorrem nas US acontecem na sala de operações e são na sua maioria, ferimentos
causados por bisturis e agulhas de sutura. Em Moçambique, o pessoal de
enfermagem que trabalha nas maternidades e nas enfermarias reportam ferimentos

67
causados por agulhas hipodérmicas. É provável que o número de incidentes seja
superior ao conhecido, uma vez que muitos dos ferimentos provocados por picada
de agulha não são reportados pelo pessoal. Os ferimentos provocados por objectos
perfuro-cortantes reportados pelos serventes ocorrem durante o descarte de lixo
perigoso (manipulação de sacos/recipientes).

Muitos outros objectos perfuro-cortantes podem provocar ferimentos e rasgões nas


luvas que expõem as mãos do TS ao sangue, nomeadamente:

 Agulhas hipodérmicas;

 Agulhas em borboleta;

 Fio metálico para sutura;

 Lâminas de bisturi;

 Instrumental laparoscópico e de drenagem;

 Brocas, parafusos, pregos, arames e serras ortopédicas;

 Pontas do eletrocautério;

 Agrafo para a pele e campos cirúrgicos;

 Tesouras de ponta afiada e pinças mosquito;

 Pinças de dissecção; e

 Tenáculos com dentes afiados.

Os acidentes com bisturi ocorrem:

 Durante a colocação e remoção de lâminas descartáveis;

68
 Ao passar o bisturi para a mão de outros membros da equipa;

 Durante os cortes (ex. quando se usam os dedos para segurar ou separar


tecidos, ou ao cortar na direcção dos dedos do cirurgião ou do
assistente);

 Antes e depois do uso do bisturi: ao pousá-lo sobre o campo cirúrgico,


quando cai em cima do próprio pé ou do pé do assistente, ou ao tentar
alcançar bisturis que estejam a deslizar pelo campo cirúrgico;

 Ao descartar o bisturi num recipiente para objectos perfuro-cortantes que


tenha ultrapassado o limite de capacidade ou que esteja mal localizado; e

 Durante o descarte de lixo perigoso (transporte e manuseio de sacos ou


caixas contendo objectos perfuro-cortantes).

Os acidentes com agulhas de sutura ocorrem:

 Ao colocar ou reposicionar agulhas no suporte;

 Na passagem manual de agulhas entre os membros da equipa;

 Durante a sutura: ao usar os dedos para segurar tecidos ou para guiar a


agulha, ao costurar na direcção do cirurgião ou do assistente, ou quando
cirurgião ou assistente afasta outros tecidos;

 Ao atar os nós com a agulha ainda presa ou se a agulha estiver pousada


no campo cirúrgico;

 Antes e depois do uso da agulha: ao pousá-la no campo cirúrgico, quando


a agulha cai no próprio pé ou sobre o pé do assistente ou ao tentar
apanhar agulhas de sutura que estejam a deslizar pelo campo cirúrgico; e

 Ao descartar agulhas num recipiente para objectos perfuro-cortantes que


tenha ultrapassado o limite de capacidade ou que esteja mal localizado.

69
Não nos surpreende que quase todos os acidentes possam ser facilmente evitados e
a baixo custo. Por exemplo:

 Usar uma pequena pinça Mayo (e não os dedos) para segurar a lâmina
do bisturi, durante a colocação ou remoção da lâmina ou ao conectar a
agulha de sutura. (Alternativamente pode-se usar bisturis descartáveis
com uma lâmina permanente que não possa ser removida);

Figura 14: Exemplos de acções para prevenção de acidentes com instrumentos


perfuro-cortantes

Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003.

 Anunciar verbalmente a passagem de objectos perfuro-cortantes (ex.


dizer “objecto perfuro-cortante” ou “bisturi”);

 Usar agulhas cilíndricas para sutura (quando possível);

 Usar sempre as pinças, e não os dedos, para segurar os tecidos durante


o uso do bisturi ou durante a sutura;

 Usar a técnica das mãos livres para passar ou transferir objectos perfuro-
cortantes (bisturi, agulhas e tesouras com ponta) ao criar uma zona
segura ou neutra no campo operatório (veja abaixo);

 Depositar os objectos perfuro-cortantes com o cabo virado para a pessoa


que os vai levar;

 Remover sempre os objectos perfuro-cortantes da bandeja imediatamente


após o uso; e

70
 Certificar que os recipientes específicos para descarte de objectos
perfuro-cortantes sejam substituídos quando contiverem três quartos do
limite da capacidade e que os mesmos estejam localizados o mais
convenientemente possível, próximo do local de uso (isto é, dentro do
alcance de um braço) nas enfermarias, salas de tratamento e na sala de
operações.

TÉCNICA DAS MÃOS LIVRES

A técnica das mãos livres é o método mais seguro para a passagem de instrumentos
perfuro-cortantes durante os procedimentos cirúrgicos ou invasivos.

Instruções para a Técnica das Mãos Livres


Figura 15: Exemplos da
Usar sempre a técnica das mãos livres para passagem de instrumentos
passar instrumentos cirúrgicos cortantes. com a técnica das mãos livres

 Use um recipiente adequado e esterilizado


(zona segura ou neutra) - que possa ser
segurado sem pôr os dedos dentro.

 Designe uma área para colocar os objectos


perfuro-cortantes e onde o TS possa ir buscá-
lo.

 O recipiente deve estar colocado sobre o


campo esterilizado e entre o cirurgião ou
clínico e o assistente.

 O assistente coloca cada um dos instrumentos


no recipiente à medida que forem necessários.

 O cirurgião ou clínico retira os instrumentos e


devolve-os para a bandeja depois do uso. Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer
and McIntosh 2003.

71
NOVOS DISPOSITIVOS CONCEBIDOS PARA MAIOR SEGURANÇA:

Foi concebida/desenhada uma grande variedade Figura 16: Dispositivos de


de dispositivos com características de segurança
segurança que reduzem as probabilidades de
uma pessoa se ferir durante o uso. Os exemplos
incluem seringas com agulhas retrácteis, com
guardas, bainhas corrediças, agulhas
protegidas, cilíndricas ou agulhas de sutura
rombas e lâminas cirúrgicas com coberturas de
protecção.

No ano 2000 tornou-se obrigatório o uso destes


dispositivos com características de segurança Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer
(ex. dispositivos de segurança ou retrácteis) nos and McIntosh 2003
EUA e estima-se que tenham reduzido a
incidência de ferimentos provocados por objectos perfuro-cortantes (Jagger et al.
2008). Recentemente, o Reino Unido e a Europa também tornaram obrigatório o uso
de dispositivos concebidos para melhorar a segurança.

DESCARTE DE OBJECTOS PERFURO-CORTANTES

O princípio do descarte de objectos perfuro-cortantes é a prevenção de potenciais


acidentes e da transmissão de doenças causadas por ferimentos provocados por um
objecto perfuro-cortante contaminado.

 Os objectos perfuro-cortantes devem ser sempre descartados num


recipiente específico resistente a perfuração.

 Os objectos perfuro-cortantes não devem ser manuseados sem


necessidade – eles devem ser descartados directamente sem
manipulação (ex. não reencapar, remover ou dobrar agulhas).

 Os objectos perfuro-cortantes devem ser descartados imediatamente


depois do uso.

72
 Os recipientes específicos para objectos perfuro-cortantes devem ser fáceis
de reconhecer e usar. Devem estar claramente identificados para que as
pessoas não os usem inadvertidamente como recipiente de lixo comum.

 Os recipientes específicos para objectos perfuro-cortantes devem estar


prontamente disponíveis e convenientemente localizados o mais próximo
possível do local onde serão usados para que os trabalhadores não tenham
que percorrer qualquer distância a transportar os objectos perfuro-cortantes
antes do descarte.

 Devem estar a uma altura conveniente para que o pessoal possa facilmente
usar e substitui-los.

 No recipiente deve estar assinalado o nível de três quartos do limite de


capacidade.

 Não sacuda o recipiente para assentar o conteúdo e criar espaço para


mais objectos perfuro-cortantes.

 Evite tentar manipular os objectos perfuro-cortantes depois do descarte.

 Não ultrapasse a capacidade dos recipientes de descarte; enchê-los


acima de três quartos do limite de capacidade pode resultar em
ferimentos por picada de agulha.

 Evite colocar os recipientes em zonas de muito movimento (corredores


fora dos quartos dos doentes ou das salas de procedimentos) onde as
pessoas possam esbarrar neles.

 Evite colocar os recipientes no chão ou em qualquer outro local onde


possam ser derrubados ou fiquem ao alcance das crianças.

 Evite colocar os recipientes próximo de interruptores de luz ou dos


controlos de ventoinhas de tecto ou do termóstato, para que as
pessoas não esbarrem acidentalmente.

73
 Descarte o recipiente para objectos perfuro-cortantes como uma
unidade completa (por incineração, autoclave/triturador, enterro ou
encapsulamento).
Figura 17: Exemplo de Recipiente para
Objectos Perfuro-cortantes

NOTA: Também já foram usados


garrafões de vidro para descarte
de perfuro-cortantes, mas o seu
uso não é recomendado devido
ao risco de se partirem e por
serem de difícil incineração.

Os recipientes para descarte dos perfuro-cortantes são uma componente


fundamental da minimização de acidentes com perfuro-cortantes – tais como
agulhas hipodérmicas, bisturis e agulhas de sutura – que são usados em todos os
níveis do sistema de saúde. Em Moçambique, em alguns serviços de saúde, estão
disponíveis recipientes fabricados especificamente para o descarte de perfuro-
cortantes disponíveis. Esta é a melhor solução para o descarte seguro dos perfuro-
cortantes. Caso não estejam disponíveis os recipientes específicos para este fim,
eles podem ser facilmente fabricados a partir de uma caixa de cartão grosso, uma
lata com tampa ou um garrafão de plástico pesado com um gargalo suficientemente
pequeno para evitar que a retirada de qualquer objecto cortante que tenha sido
previamente descartado. Embora uns sejam mais seguros do que outros, todos
fornecem uma fonte sustentável e de baixo custo para o descarte de perfuro-
cortantes em pequenos serviços de saúde, centros de saúde e hospitais distritais
com orçamentos limitados.

74
7 HIGIENE E LIMPEZA
OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir higiene e limpeza;


 Identificar os critérios para a selecção dos produtos de limpeza;
 Descrever os métodos de limpeza; e
 Explicar as directrizes para higiene e limpeza.

DEFINIÇÃO

Higiene e limpeza significam limpeza geral do ambiente da unidade sanitária, que


inclui a limpeza dos pavimentos, paredes, mobiliário e outras superfícies, para além
das passadeiras e jardins das zonas exteriores.

A higiene e limpeza geral é importante para:

 Reduzir o número de microrganismos que entram em contacto com os utentes ou


TS;

 Reduzir o risco de acidentes através da prevenção de quedas provocadas por


um pavimento escorregadio depois do derramamento de fluidos corporais ou
soluções; e

 Oferecer uma atmosfera agradável.

COMO SELECCIONAR OS PRODUTOS DE LIMPEZA

Existem vários tipos de produtos de limpeza disponíveis e cada um deles com


propriedades diferentes, nomeadamente: sabão e detergentes líquidos,
desinfectantes e combinações (detergente e desinfectantes). Um produto ideal de
limpeza deve provocar o seguinte:

75
 Suspensão das gorduras (gordura suspensa na água);

 Saponificação das gorduras (torna as gorduras solúveis em água);

 Surfacção (reduzir a tensão superficial da água e permitir uma penetração maior


do agente na sujidade ou detrito);

 Dispersão (fragmentação da sujidade em partículas menores);

 Destruição (decomposição) de proteínas; e

 Descalcificação (remoção do cálcio e magnésio) da água.

EQUIPAMENTO DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL (EPI) PARA AS TAREFAS


DE HIGIENE E LIMPEZA

Os TS que realizem a higiene e limpeza devem vestir equipamento de protecção


individual (EPI) para se protegerem dos microrganismos infecciosos ou da
contaminação através de sangue ou outros fluidos corporais dos doentes, para além
dos produtos químicos. Veja na Tabela 7 o EPI recomendado para uso durante
actividades de higiene e limpeza.

Tabela 7: Equipamento de Protecção Individual Recomendado para as Tarefas de


Higiene e Limpeza

TIPO DE EPI QUANDO DEVE SER USADO

Luvas (de preferência luvas domésticas)  Manipulação de soluções


sapatos fechados e impermeáveis que desinfectantes de limpeza
protejam aos pés contra os objectos,  Limpeza das áreas de cuidados aos
sangue e fluidos corporais deixados cair doentes
acidentalmente  Limpeza de áreas muito contaminadas
 Manipulação de roupa suja
 Manipulação de objectos e
instrumentos sujos
 Manipulação ou descarte do lixo
Avental de plástico ou de borracha,  Quando se prevê a ocorrência de
máscara e protecção ocular derramamentos ou salpicos

76
MÉTODOS DE LIMPEZA

Critérios de Selecção de Métodos de Limpeza

Os métodos de limpeza devem ser determinados pelo:

 Tipo de superfície;

 Quantidade e tipo de matéria orgânica presente;

 Finalidade da área.

A maioria das áreas dos serviços de saúde pode ser limpa com detergente e água
(áreas de baixo risco, tais como salas de espera e áreas administrativas).

As áreas de alto risco onde se prevê uma contaminação elevada, incluem:


 Casas de banho e latrinas;
 Áreas contaminadas com sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções; e
 Áreas que tenham sido ocupadas por doentes suspeitos ou com a infecção por
Clostridium difficile (C. difficile).

Nestes tipos de áreas de alto risco deve-se usar um desinfectante, tal como a
solução clorada a 0,5%. Em outras áreas de alto risco, tais como a sala de
operações, sala de preparação (pré-operatória) e de recobro, também se recomenda
o uso de solução clorada a 0,5% adicionado ao detergente1.

Métodos de Limpeza Comuns

Lembre-se: Não passe uma mopa ou vassoura seca nas áreas de


cuidados ao doente. (Levanta pó, detritos e microrganismos que são
transportados por via aérea e contaminam as superfícies limpas).

1
Não misture soluções cloradas com detergentes à base de amónio porque pode resultar na libertação de gás
tóxico.
77
Mopa ou Pano Húmido

É o método mais comum e preferido para a limpeza de pavimentos. Existem três


técnicas:

 Técnica de um balde: Usa-se um balde com solução de limpeza. A solução


deve ser trocada quando estiver suja. (O poder do produto de limpeza diminui
com o aumento da carga de sujidade e do material orgânico presente.)

NOTA: Para limpeza das US recomenda-se o uso das técnicas de dois


e três baldes, especialmente nas áreas críticas como a sala de
operações e as enfermarias.

 Técnica de dois baldes: Usam-se dois baldes diferentes, um contendo a


solução de limpeza e o segundo contendo água para enxaguar. A mopa deve ser
sempre enxaguada e espremida antes de ser mergulhada na solução de limpeza.
A técnica de dois baldes prolonga a vida da solução de limpeza (são necessárias
menos trocas) poupando trabalho e custos materiais.

 Técnica de três baldes: O princípio é similar a técnica de dois baldes. O terceiro


balde deve conter água limpa e deve ser usado para espremer a mopa antes de
enxaguar no segundo balde, o que prolonga a vida da água de enxague.

Limpeza com Pano Húmido

A limpeza com pano húmido é normalmente usada para a limpeza das paredes,
tectos, portas, janelas, mobiliário e outras superfícies.

 Molha-se o pano ou mopa limpa em solução de limpeza contida numa bacia ou


balde.

 Não se recomenda a limpeza com pano seco para evitar que se espalhe
microrganismos; o pano de pó e mopa nunca devem ser sacudidos.

78
 A limpeza com pano húmido deve ser realizada de forma sistemática, usando um
ponto de partida como referência, garantindo que todas as superfícies tenham
sido limpas.

 Ao tirar o pó das superfícies altas (azulejos do tecto e paredes) procure por


manchas que possam indicar possíveis infiltrações. (As infiltrações devem ser
reparadas logo que possível pois a humidade dos tectos cria locais ideais para o
crescimento de fungos).

 Calce luvas domésticas sempre que limpar superfícies que possam ter entrado
em contacto com sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções.

Lembre-se:

 A limpeza deve ser sempre feita da área menos suja para a área mais
suja e das superfícies mais altas para as mais baixas.
 Saiba que o uso de material de limpeza que não esteja devidamente
cuidado pode contribuir para a disseminação de agentes infecciosos.
 Por isso, seque completamente o material de limpeza antes da sua
reutilização; o ideal é secar a mopa e os panos ao sol, porque os raios
ultra violetas do sol podem ajudar a matar os microrganismos (os panos
e mopa molhados estão altamente contaminados com microrganismos).

LIMPEZA DAS SUPERFÍCIES SUJEITAS A DERRAMAMENTOS

As superfícies que entram em contacto com os utentes, tais como marquesas,


camas e mesas-de-cabeceira devem ser mantidas limpas para evitar a
contaminação cruzada entre os utentes e os TS.
 Todas as superfícies que possam ter entrado em contacto com sangue, fluidos
corporais, secreções ou excreções (ex. marquesas para exame pélvico ou mesas
cirúrgicas) devem ser descontaminadas com uma solução desinfectante (solução
clorada a 0,5%) e posteriormente limpas com água e sabão depois de cada
utente, independentemente de estarem ou não visivelmente contaminadas.

79
 Imediatamente depois de cada procedimento toda a superfície que esteja
visivelmente contaminada deve ser descontaminada, usando uma solução
clorada a 0,5%.

 Derramamentos de sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções:

 Os pequenos derramamentos devem ser descontaminados pela limpeza com


um pano molhado em solução desinfectante (solução clorada a 0,5%)
 Os grandes derramamentos devem ser cobertos com a solução desinfectante
(solução clorada a 0,5%); quando exequível, deixe ficar durante 10 minutos
antes de passar a mopa, mas sem criar o perigo de acidente por queda.

Calce luvas (recomenda-se o uso das luvas domésticas) sempre que limpar
superfícies que possam ter entrado em contacto com sangue, fluidos corporais,
secreções ou excreções.

Tabela 8: Directrizes para Higiene e Limpeza

ÁREA/SUPERFÍCIE FREQUÊNCIA PROCESSO

Pavimentos Duas vezes por dia e Use uma mopa limpa e humedecida
sempre que necessário em solução detergente fresca.
Quando houver presença de
sangue/fluidos corporais use uma
solução desinfectante.
Lavatórios Diariamente e sempre Esfregue separadamente com uma
que necessário mopa, pano ou escova e uma
solução desinfectante.
Casas de banho e Duas vezes por dia ou Esfregue separadamente com
latrinas sempre que necessário mopa, pano ou escova e uma
solução desinfectante.
Lâmpadas, cadeiras, Diariamente e sempre Passe um pano húmido – limpe com
mesa e balcões que visivelmente sujos um pano molhado em solução
detergente fresca.
Paredes, janelas, tectos e Semanalmente e sempre Limpe os pontos sujos com um pano
portas que visivelmente sujos húmido – passe um pano molhado
em solução detergente fresca.
Salas de tratamento e de Após cada procedimento Passe um pano com solução
exame e sempre que estiver desinfectante pelas superfícies
visivelmente sujo horizontais, equipamento e
mobiliário utilizado nos

80
ÁREA/SUPERFÍCIE FREQUÊNCIA PROCESSO

procedimentos. A roupa ou papel


sobre a marquesa deve ser trocado
depois de cada doente. Limpe o
sangue ou outros fluidos corporais
derramados de acordo com a
descrição abaixo.
No início do dia Todas as superfícies horizontais
(mesa, cadeiras etc.) devem ser
limpas com um pano húmido limpo
para remover o pó e teias de aranha
que se tenham acumulado durante a
noite.
No intervalo entre Passe um pano com solução
Sala de operações doentes desinfectante em todas as
superfícies e colchões. Passe um
pano com solução desinfectante
em todas as superfícies que tenham
entrado em contacto directo com o
doente ou fluidos corporais. Limpe o
sangue ou outros fluidos corporais
derramados de acordo o acima
descrito.
Todos os dias e no fim do A limpeza total ou de encerramento
dia (passar uma mopa pelo pavimento
e esfregar todas as superfícies de
cima para baixo) da sala de
operações deve ser feita
diariamente no fim do dia. (Lembre-
se de limpar as maçanetas,
interruptores etc.)
Equipamento de limpeza Entre cada utilização Lave com água e sabão ou
(mopas, escovas, etc.) detergente, antes da sua
reutilização; deixe secar ao sol até
estar completamente seca.
Recipientes de lixo Sempre que forem Lave com solução clorada a 0,5%,
esvaziados enxague bem com água limpa.

81
As sugestões abaixo citadas tornam a limpeza das US mais eficaz, tanto para
as áreas de baixo como para as de alto risco:

 Os melhores materiais de limpeza são os panos e mopa de microfibra. Quando


não disponíveis, opte por material de algodão; descarte-os quando estiverem
gastos ou rasgados.

 A limpeza por fricção (esfrega) é a melhor forma de remover a sujidade e os


microrganismos.

 Continue a esfregar a superfície ou objectos até que estejam visivelmente limpos,


mas lembre-se que quando se limpa uma superfície – três é o número mínimo de
vezes que se deve passar o pano.

 Calce luvas domésticas sempre que limpar áreas altamente contaminadas, tais
como sanitários e derramamentos de sangue e fluidos corporais.

 Use um pano ou mopa húmida ou molhada para limpar as paredes, pavimentos e


corredores; evite varrer e limpar o pó a seco porque estas práticas espalham no
ar o pó, detritos e microrganismos e sobre superfícies limpas.

 Use material separado (escovas, panos) para limpar áreas de alto risco ou
potencialmente contaminadas (ex. sanitários).

 Troque a solução de limpeza quando estiver visivelmente suja (o poder de acção


dos desinfectantes diminui com o aumento da carga de sujo e materiais
orgânicos) e quando passar de um compartimento para outro.

 Lave de cima para baixo para que os detritos que forem caindo no chão sejam
limpos por último.

 Entre as reutilizações, lave e seque as mopas, escovas e outro material de


higiene e limpeza.

 Ao usar desinfectantes, siga as instruções para diluição; demasiada ou pouca


água podem reduzir o poder de acção dos desinfectantes.

82
Limpeza de rotina: Faça um plano e escrevendo as instruções para a limpeza das
diferentes áreas do sector. Os planos de limpeza devem ser elaborados de acordo
com as necessidades de cada área da US.

Manutenção do equipamento de limpeza (mopa, baldes etc.):

 O uso do material de limpeza que não esteja devidamente conservado pode


contribuir para a disseminação dos agentes infecciosos.

 Todo o material deve ser limpo pelo menos uma vez por dia e sempre que estiver
contaminado ou visivelmente sujo.

 Descontamine o material de limpeza que tenha estado em contacto com qualquer


fluido corporal (sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções) deixando
mergulhado por 10 minutos na solução clorada a 0,5%.

 Lave a mopa, os panos e as escovas de limpeza com detergente e água entre


utilizações ou antes se estiver visivelmente sujo (para materiais de microfibra,
não use lixívia ou amaciadores durante a limpeza).

 Enxague o material de limpeza com água limpa.

 Seque completamente antes da sua reutilização; o ideal é secá-los ao sol porque


os raios ultra violeta podem ajudar a matar os microrganismos (os panos e
mopas molhados estão altamente contaminados com microrganismos).

83
8 GESTÃO DO LIXO

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir os termos mais usados no tratamento de lixo hospitalar,


incluindo a separação/segregação, recolha, redução, reciclagem e o
aproveitamento do lixo na fonte.
 Explicar os requisitos para a melhoria da gestão do lixo hospitalar
 Explicar os passos da gestão do lixo hospitalar
 Explicar as directrizes para manipulação do lixo hospitalar perigoso
 Explicar a manipulação e descarte de objectos perfuro-cortantes.

DEFINIÇÕES

Lixo hospitalar: Todo o lixo produzido pelas Unidades Sanitárias (US) - Hospitais, e
Centros de Saúde. Pode ser dividido em duas grandes categorias: lixo hospitalar
perigoso e lixo hospitalar não perigoso ou lixo comum.

Lixo Hospitalar não Perigoso: Lixo que não apresenta riscos infecciosos ou
ambientais para as pessoas que o segregam, recolhem ou manuseiam. O lixo
hospitalar não perigoso é vulgarmente designado por lixo comum, pois é similar ao
lixo gerado por empresas (principalmente papel), restaurantes (lixo orgânico e
embalagens), hotéis (lixo geral), armazéns (embalagens de plástico e cartão) e
construção (materiais de construção e embalagens) para além de outros itens (lixo)
encontrados em qualquer lixeira municipal geral. Nas unidades sanitárias também
existe lixo não perigoso gerado no cuidado do doente (ex. toalhas de papel usadas,
garrafas ou sacos de solução EV e tubagem de oxigénio, além de caixas de
medicamentos). O lixo hospitalar não perigoso não requer manipulação ou
tratamento especial e pode ser recolhido e transportado em segurança juntamente
com outro lixo para o descarte ou para um aterro.

Lixo Hospitalar Perigoso: Lixo que seja potencialmente infeccioso (ex. perigo para
a biossegurança) ou tóxico (ambiental).

85
Tipos de Lixo Hospitalar Perigoso
Infeccioso:
 Sangue, derivados do sangue e outros fluídos corporais ou itens contaminados por
fluídos (ligaduras ou compressas cirúrgicas)
 Culturas e vidros dos laboratórios
 Lixo de doentes em isolamento
 Vacinas vivas atenuadas descartadas

Lixo Anatómico:
 Tecidos e partes do corpo humano

Lixo perfuro-cortante (usado ou não):


 Seringas, agulhas, lâminas de bisturi, agulhas de sutura, agulhas EV
 Caixas para descarte de objectos perfuro-cortantes

Lixo químico:
 Formaldeído, produtos químicos para fotografia, solventes, produtos químicos
orgânicos e inorgânicos

Lixo farmacêutico:
 Medicamentos expirados e medicamentos não usados e outros agentes
quimioterápicos
 Itens contaminados por produtos farmacêuticos

Lixo radioactivo:
 Contaminação por isótopos radioactivos

Lixo genotóxico:
 Vómito, urina ou fezes de doentes tratados com medicamentos citotóxicos e
materiais químicos e radioactivos

Recipientes sob pressão:


 Explosão de cilindros que contenham gases ou aerossóis

Lixo com conteúdo elevado de metais pesados:


 Pilhas, termómetros partidos e medidores de tensão arterial

Lixo Infeccioso: Lixo capaz de produzir uma doença infecciosa. Constitui cerca de
10% do lixo hospitalar (itens à esquerda na Figura 17). Os mais perigosos e
encontrados com maior frequência incluem: picadas por objectos perfuro-cortantes
contaminados (ex. agulhas hipodérmicas, lancetas, bisturis e agulhas de sutura);
contacto com lixo laboratorial (ex. instrumentos de vidro partidos, frascos ou placas
de cultura, lâminas de microscópio e pipetas); e contacto com sangue, fluídos
86
corporais, secreções e excreções. O lixo infeccioso deve ser tratado por incineração
(câmara dupla) ou esterilizado numa autoclave/trituradora para torná-lo não
infeccioso.1 Depois do tratamento, o lixo deixa de ser infeccioso e pode ser
descartado num aterro seguro.

Figura 18: Subdivisão dos Tipos de Lixo Hospitalar e Quantidade de Cada Tipo (%)

Tratamento do Lixo Hospitalar


L. Hosp.
(100%)
Infeccioso Ambiental
L. Hosp. Per L. Hosp. Per.
(10%) Separação (10%)

Lixo Comum
Sangue & (80%) Pb, Cd
Perf-Cort Lixo Lab. Tecidos Medc Plástico
& Hg

Redução na Fonte (20%)

Recuperação & Reciclagem (40%)

Aterro (20%)

Lixo hospitalar perigoso ambiental: Consiste principalmente em medicamentos


expirados, agentes quimioterápicos não usados, produtos químicos (solventes
orgânicos usados e plásticos), metais pesados (chumbo e mercúrio) e itens
potencialmente explosivos (recipientes de aerossóis) ou isótopos radioactivos (itens
no lado direito da Figura 17). O lixo hospitalar perigoso ambiental pode também
incluir as emissões de aerossóis potencialmente carcinogénicos ou tóxicos que
resultem da combustão incompleta a temperaturas reduzidas (abaixo dos 600 oC) em
incineradoras de câmara única ou fornos de tijolo, para além dos produtos tóxicos
presentes na cinza depois da incineração.

1
Pequenas quantidades de HHCW infeccioso (ex. de centros de saúde rurais) pode ser enterrado em zonas
designadas para HHCW.
87
Descarte de Lixo Hospitalar Perigoso Ambiental

Na maioria dos países em desenvolvimento actualmente existem poucas opções


para o descarte seguro (ou destruição) do lixo ambiental: Actualmente as melhores
práticas para estes itens são as seguintes:

 Lixos farmacêuticos (medicamentos fora do prazo ou não usados etc.) requerem


encapsulamento e enterro em zonas designadas, devolução ao fabricante para
destruição ou incineração a alta temperatura em incineradoras de câmara dupla.
Não deve ser despejado em drenos de águas negras nem descarregado na
sanita pois podem atingir (e contaminar) os cursos de águas subterrâneas.
1
Aplica-se ao descarte doméstico de medicamentos velhos/por usar . Os
medicamentos por usar também não devem ser descartados no lixo comum
porque crianças ou mendigos podem encontrar e levar, ou vendê-los.
 O lixo químico (solventes antigos etc.) precisa de ser segregado na fonte, de
acordo com o seu potencial e compatibilidade de reciclagem; aqueles que não
sejam recicláveis podem exigir estabilização, neutralização, encapsulamento ou
incineração a temperaturas elevadas em incineradores de câmara dupla.
 Metais pesados, tais como mercúrio, são mais bem manipulados por redução na
fonte (ex. substituição dos termómetros de vidro contendo mercúrio por
termómetros digitais) e reciclagem (ex. pilhas que contêm chumbo e/ou cádmio).
 Lixo explosivo (recipientes de aerossóis vazios etc.) é mais bem manipulado por
redução na fonte (ex. sprays de bomba no lugar de sprays por aerossóis) e
descarte num aterro seguro.
_____________________________
1
Muitos países promovem dias de destruição de medicamentos (dias D3) para que as pessoas possam
trazer os seus medicamentos expirados e/ou por usar para destruição num local designado.

FORMAS PARA REDUÇÃO DO LIXO HOSPITALAR

O lixo hospitalar pode ser minimizado através de:

 Separação ou segregação na Fonte: Separe os diferentes tipos de lixo (ou seja


separado em lixo comum e lixo hospitalar perigoso – infeccioso, anatómico,
perfuro-cortante, tóxico/ambiental) no local de produção e mantenha-os isolados.
A separação do lixo no local da sua produção permite a recuperação e
reciclagem de cada tipo de lixo. Se o lixo não for segregado no local da sua

88
produção, todo o lixo hospitalar e médico deverá ser tratado como lixo
potencialmente infeccioso. (A mistura dos diferentes tipos de lixo aumenta a
quantidade do lixo que deve ser tratado como infeccioso, aumentando
consequentemente os custos de tratamento e descarte, assim como os riscos
associados a manipulação e descarte do lixo pelos TS.

 Redução da Fonte: A substituição dos produtos perigosos por outros não


perigosos, tal como a substituição de termómetros de vidro que contêm mercúrio
por termómetros digitais.

 Recuperação e Redução de Recursos: Por grande parte do lixo hospitalar ser


similar ao dos escritórios ou hotéis – vidro, plástico, papel, cartão e lixo orgânico,
as US podem implementar programas relativamente simples
transformação/reciclagem do lixo hospitalar não perigoso, reduzindo assim os
custos de descarte do lixo hospitalar.

TRATAMENTO DE LIXO HOSPITALAR

NOTA: Todas as US, independentemente do seu tamanho, devem ter o seu


plano de gestão do lixo. O plano deve incluir as etapas para uma adequada
gestão do lixo: papeis e responsabilidades de cada interveniente;
prioridades e aspectos a serem monitorados.

Práticas inadequadas de tratamento de lixo hospitalar levaram a riscos elevados


de transmissão de doenças infecciosas e riscos ambientais (ex. emissões de
carcinogéneos, toxinas e metais pesados provenientes da incineração incompleta do
lixo hospitalar perigoso). A meta de melhoria do tratamento de lixo hospitalar exige:

 Compreensão daquilo que constitui lixo hospitalar perigoso e não perigoso

 Elaboração de políticas e directrizes nacionais e regionais

 Elaboração de um plano de gestão do lixo da US

 Priorização das componentes integrantes do plano de tratamento do lixo


hospitalar

89
 Determinação da melhor forma para gerir as componentes, assinalando o papel e
a responsabilidade de cada um dos intervenientes
 Garantia da segurança dos trabalhadores (formação no local e orientação
profissional)

 Monitoria da adesão às políticas e directrizes.

Inicialmente o foco das actividades da gestão do lixo hospitalar deve ser o/a:

 Controlo de objectos Perfuro-cortantes;

 Separação do lixo infeccioso no local de produção;

 Recolha e transporte seguro do lixo dentro da unidade sanitária;

 Formação contínua as TS (a todos os níveis) e aos Utentes sobre a bio-


segurança e envolvendo mudança de comportamento relativamente aos riscos e
uso de equipamento de protecção individual (EPI) apropriado;

 Monitoria contínua das actividades.

Conforme ilustrado na Figura 17, quando o lixo hospitalar é eficazmente gerido (ex.
separação no local de produção e controlo de objectos perfuro-cortantes) e
monitorizado regularmente, o lixo hospitalar perigoso só deve corresponder a cerca
de 20% do lixo hospitalar (10% infeccioso e 10% ambiental). Além disso, quando
associado à redução na fonte e à implementação completa da recuperação na
fonte e aos programas de reciclagem, a quantidade total de lixo hospitalar ainda
pode ser reduzida em cerca de 60% (ou seja, somente 20% do lixo hospitalar deve
ser transportado para aterros seguros).

Conseguir isto não só reduz os riscos para os trabalhadores de saúde, mas também
reduz significativamente o custo do transporte do lixo hospitalar para os aterros
seguros.

90
Separação do Lixo Hospitalar

Os itens do lixo hospitalar devem ser separados no local (ou seja antes de saírem do
quarto do doente, sala de exame, sala de operações ou laboratório) como lixo
hospitalar perigoso (infeccioso, anatómico ou ambiental) ou lixo comum. Isto reduz o
risco de exposição a materiais infecciosos, aos utentes e aos TS a todos os níveis,
incluindo ao pessoal da higiene e limpeza e ao da manutenção. As directrizes para a
manipulação do lixo infeccioso são:

 Colocar todo o lixo potencialmente infeccioso em sacos plásticos e em


recipientes rotulados “Lixo infeccioso” durante ou imediatamente depois do
procedimento.

 Fechar bem os sacos ou recipientes de lixo infeccioso dentro do compartimento


onde foi produzido.

NOTA:
Tente sempre separar/ segregar o lixo no local onde é produzido.
Nunca tente separar o lixo hospitalar depois de ter sido misturado.

 Não depositar os sacos ou recipientes de lixo infeccioso ou anatómico com o lixo


comum (ex. papel e lixo).

 Os objectos perfuro-cortantes devem ser depositados em recipientes à prova de


perfuração marcados com um símbolo de lixo biológico (caixas incineradoras).

91
Regras para a Manipulação e Descarte de Objectos Perfuro-cortantes

O objectivo da manipulação segura de objectos perfuro-cortantes é prevenir


ferimentos acidentais por punção de um objecto perfuro-cortante contaminado
resultando na potencial transmissão de doenças graves transmitidas por via
sanguínea (ex. VHB ou HIV). Antes de iniciar qualquer procedimento que envolva
objectos perfuro-cortantes, planifique a manipulação segura e o descarte depois
do uso.

CERTO:
 Use recipientes à prova de perfuração para objectos perfuro-cortantes e
práticas de trabalho que minimizem a manipulação desnecessária de objectos
perfuro-cortantes.
 Descarte os objectos perfuro-cortantes NO LOCAL num recipiente aprovado
para objectos perfuro-cortantes (caixa incineradora).
 Ao descartar, mantenha sempre os dedos longe da agulha ou objecto perfuro-
cortante.
 Antes de iniciar um procedimento, certifique-se de que o recipiente para
objectos perfuro-cortantes esteja posicionado o mais próximo possível do local
de utilização.
 Certifique-se que os recipientes para objectos perfuro-cortantes estejam fora do
alcance das crianças.

ERRADO:
 Voltar a encapar agulhas, excepto quando se usar uma
agulha Vacutainer ou quando se colher sangue arterial
para a gasometria, mas certifique-se de usar o método de
uma só mão para reemcapar a agulha (veja o Capítulo 6,
Manuseio Seguro de Objectos perfuro-cortantes durante
os Procedimentos)
 Encher os recipientes de objectos perfuro-cortantes acima
do limite de capacidade (isto é, substitua quando atingir
três quartos do limite de capacidade).
 Segurar os recipientes para objectos perfuro-cortantes
junto ao corpo durante o transporte ou selagem.
 Tentar abrir um recipiente para objectos perfuro-cortantes
selado.

Uma grande vantagem da separação do lixo hospitalar infeccioso é a redução


significativa do volume de lixo hospitalar perigoso infeccioso que requer tratamento
especial, reduzindo assim os custos de descarte.

92
Recolha do Lixo Hospitalar

Cada sala de tratamento, de procedimentos e quartos dos doentes (ou enfermaria)


devem possuir recipientes para cada um dos tipos de lixo produzido, geralmente –
um para o lixo infeccioso (devidamente identificado) e um segundo para o lixo
comum (igualmente identificado).

Além disso:

NOTA:
Todos os TS e utentes devem ser instruídos e recordados sobre o
recipiente a ser usado para cada tipo de lixo.

 Não se deve deixar que o lixo hospitalar (perigoso ou comum) acumule no local.
 O lixo hospitalar deve ser recolhido diariamente ou com a maior frequência
possível.
 Nenhum saco plástico ou recipiente deve ser recolhido ou movimentado a menos
que esteja devidamente rotulado e/ou identificado.
 Os sacos e recipientes devem ser imediatamente substituídos por novos do
mesmo tipo. (Não encha demasiado os sacos para evitar que se rasguem e
entornem o seu conteúdo).
 Devem estar disponíveis sacos ou recipientes novos de recolha nos locais onde
se produza lixo hospitalar. Os recipientes devem ser preferencialmente feitos de
plástico pesado ou metal não corrosivo (galvanizado), ser impermeável.
NOTA:
Se a US possuir apenas uma fossa para o tratamento final do lixo
anatómico, recomenda-se que os sacos plásticos não sejam
depositados na fossa. Nesse caso recomenda-se que os baldes para o
lixo anatómico não sejam revestidos por sacos plásticos .
 Depois do uso, os recipientes de lixo devem ser lavados com solução clorada a
0,5% e passados em água limpa.
 Todas as pessoas que manipulem o lixo infeccioso devem vestir EPI apropriado
(isto é, luvas domésticas, avental e protecção ocular).
 Se um doente ou familiar quiser levar para casa partes do corpo (ou placenta)
para enterrar, primeiro coloque-os num saco plástico e depois dentro de um
recipiente rígido (pote de barro, metálico ou plástico) para o transporte.

93
Sugestões para Redução do Lixo Hospitalar
 Limite o uso de itens que produzam lixo hospitalar excessivo (ex. arrastadeiras ou
pratos e utensílios descartáveis).
 Quando viável, use produtos recicláveis.
 Use todo o conteúdo de cada recipiente antes de abrir outro.
 Centralize a gestão de medicamentos e produtos químicos e:
 Verifique o prazo de validade durante a entrega
 Use primeiro o lote mais antigo (regras [PEPS] primeiro a chegar, primeiro a sair).

Transporte do Lixo Hospitalar dentro do Hospital

Os sacos e recipientes de lixo hospitalar perigoso e de lixo comum devem ser


transportados em carrinhas identificadas que:

 Sejam usados apenas para este fim;


 Sejam fáceis de carregar e descarregar;
 Não sejam sobrelotados;
 Não tenham pontas aguçadas que possam danificar os sacos ou recipientes
durante a carga e descarga;
 Sejam fáceis de limpar e desinfectar depois do uso.

Armazenamento do Lixo Hospitalar (Perigoso e comum) Antes do


Descarte

A zona de armazenagem deve:

 Ter um pavimento impermeável com boa drenagem; ser fácil de limpar e


desinfectar, depois da remoção diária do lixo;
 Possuir uma fonte de água, equipamento de limpeza, vestuário de protecção e
sacos de lixo próximos ao local (os derramamentos devem ser imediatamente
limpos);
 Estar facilmente acessível para o pessoal e viatura de recolha de lixo;

94
NOTA:
Deve-se ter próximo um kit de derramamento que contenha
absorventes, desinfectantes, sacos plasticos e EPI, e instruir os TS
sobre o uso do kit para derramamentos.

 Ter portas que possam ser trancadas para impedir o acesso de pessoas não
autorizadas;
 Estar inacessível para animais, insectos e aves;
 Estar situada longe dos alimentos frescos ou das zonas de preparação de
comida;
 Não se deve permitir que o lixo se acumule na zona de armazenagem por mais
de um (1) dia.

Diferenciação por Atribuição de Cores

O uso de sacos e recipientes de cores diferentes ajuda a garantir uma identificação


imediata e inequívoca de conteúdos perigosos (ou não perigosos). Como tal, o
sistema de codificação cromática deve ser simples e apropriado.

Em Moçambique, usa-se a cor amarela para identificar os contentores ou


recipientes de o lixo infeccioso, a cor preta para o lixo comum e a cor vermelha
para o lixo anatómico. Independentemente do sistema de codificação de cores o
importante é que este: a) seja uniformemente aplicado em todo o país, b) os
materiais necessários estejam disponíveis pronta e continuamente e c) o pessoal
seja formado para compreender e usar o sistema.

95
9 DESCARTE DO LIXO HOSPITALAR

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir os termos frequentemente utilizados no descarte de lixo hospitalar


 Explicar os passos do descarte do lixo hospitalar perigoso
 Descrever o tipo de lixo hospitalar que pode ou não ser incinerado
 Explicar uma nova alternativa para a incineração no descarte do lixo
hospitalar infeccioso.

DEFINIÇÕES

 Lixo Hospitalar Infeccioso (Lixo Contaminado ou Lixo Infeccioso): Todo o lixo


hospitalar que potencialmente contenha patógenos (microrganismos) capazes de
causar infecções ou doenças.

 Encapsulamento: Processo de combinação de lixo hospitalar, tais como


objectos perfuro-cortantes ou líquidos, com cimento, argamassa ou barro para
que os itens incluídos se solidifiquem e possam ser descartados em segurança
num aterro seguro.

 Queima: A queima deve ser realizada num aterro a céu aberto ou forno de tijolos
localizados em locais protegidos e vedados. Este método só deve ser usado para
materiais com capacidade de combustão (ex. Papel e cartão), pois produz
temperaturas reduzidas (menos de 600 oC) ocorrendo frequentemente uma
combustão incompleta. Em consequência, alguns materiais não são destruídos e
as emissões por via aérea (fumo) podem ser elevadas. A queima de plásticos
feitos de cloreto polivinílico (ex. seringas e tubagem EV) só deve ser feita em
pequenas quantidades para reduzir a libertação de produtos químicos tóxicos
(ex. dioxinas e furano) para a atmosfera juntamente com outros poluentes e
odores nocivos.

97
 Incineração: As incineradoras (ex. Pennram, Vulcan ou Mediburner) de câmara
dupla foram correctamente concebidas e quando correctamente utilizadas e
mantidas são eficazes na destruição de todos os tipos de lixo hospitalar
infeccioso e da maioria do lixo hospitalar perigoso ambiental. Elas não devem ser
usadas para a destruição de medicamentos citotóxicos, metais pesados (ex.
mercúrio ou chumbo) ou de materiais radioactivos. Para a incineração ser eficaz,
deve atingir temperaturas elevadas (isto é 600-800 oC na câmara primária e 900-
1.200 oC na câmara secundária). As desvantagens incluem: elevado custo inicial
e de montagem, para além dos custos de manutenção e de operacionalização.
Os dispositivos de controlo da poluição (APCDs), tais como depuradores ou
filtros geralmente são necessários para o cumprimento dos limites de emissão de
produtos químicos tóxicos (ex. SO2, CO2, NO e Hg). Além disso, as incineradoras
devem estar localizadas em áreas de baixa densidade populacional.

 Cinza: Resíduo resultante da queima ou incineração. Se a quantidade de cinza


for pequena exigirá um descarte num aterro seguro ou deve ser enterrado (ex.
centro de saúde rural). As cinzas não devem ser usadas em hortas nem em
machambas.

 Aterro seguro: Aterro municipal ou rural concebido para protecção ambiental,


dotada de acesso controlado destinado apenas para o lixo hospitalar sólido e não
perigoso.

DESCARTE DO LIXO HOSPITALAR

Na maioria dos países em desenvolvimento a quantidade (volume e peso) do lixo


hospitalar gerado pelas US varia de acordo com a dimensão e volume de actividades
realizadas. Por exemplo, os centros de saúde e postos de saúde rurais produzem
somente cerca de 11 kg de lixo infeccioso (ex. maioritariamente agulhas e seringas
usadas e lixo laboratorial) por mês. As quantidades médias de lixo hospitalar gerado
pelos hospitais são:

 Hospitais distritais (cerca de 1 kg/cama/dia)


 Hospitais regionais (cerca de 2 kg/cama/dia)
 Hospitais do nível terciário ou grandes hospitais de referência (3-4 kg/cama/dia)

98
Tratamento e Descarte do Lixo Infeccioso

Veja abaixo o fluxograma do tratamento e descarte do lixo infeccioso. Os Centros de


Saúde (CS) por gerarem somente pequenas quantidades de lixo infeccioso e quando
se aplica a separação e recolha a partir do local de produção, é aceitável que a
queima do lixo infeccioso seja feita numa incineradora de câmara única (tijolo) ou
que o lixo seja enterrado num local vedado, nas zonas rurais. (Se os itens estiverem
molhados deve-se acrescentar combustível tal como diesel ou gasolina em
quantidade suficiente para garantir uma combustão completa.)

Lembre-se: O lixo e resíduos provenientes de escritórios (papel, cartão


etc.) ou de cozinhas não são infecciosos e podem ser enviados para o
aterro municipal sem tratamento prévio.

Tanto o local da incineradora, assim como o aterro devem estar vedados para
impedir que estes sejam vasculhados por animais e pessoas. A acumulação de lixo a
céu aberto deve ser evitada porque:

 Apresentam riscos de infecção e perigo de incêndio;

 Produzem odores desagradáveis;

 Atraem insectos;

 Dão mau aspecto à Instituição.

99
Figura 19: Fluxograma do Tratamento e Descarte do Lixo Infeccioso

LIXO SECO LIXO HÚMIDO


agulhas, algodão, sangue e seus
compressas, gaze, derivados, outros fluidos
frascos, lâminas de corporais, tecidos
bisturi e seringas1 cirúrgicos, placenta,
partes fetais e sistemas
2
para transfusões

RECOLHA EM
RECIPIENTES
DIFERENCIADOS NO
HOSPITAL

QUEIMA NUMA
INCINERADORA3

DESCARTE AS CINZAS
DESCARTE NUM
(contendo vidro e itens
BURACO PROFUNDO
não queimados)
E COM TAMPA
NUM BURACO COM
TAMPA

1
Nos centros de saúde, pode-se queimar pequenas quantidades de seringas e outros itens de plástico
feitos de polietileno ou polipropileno no exterior numa incineradora de câmara única ( tijolo) sem
provocar um perigo à saúde ambiental.
2
As seringas, sistemas para transfusão e outros itens feitos de cloreto de polivinil (PVC) só devem ser
incineradas em incineradoras de câmara dupla com APCDs apropriados porque se não estiverem
totalmente queimadas libertam produtos químicos tais como dioxinas e furano.
3
Nos centros de saúde, o descarte por enterro numa zona vedada é aceitável.

Fonte: Juncker T. et al. 1994. ICDDR: Bangladesh.

100
Descarte do Lixo Líquido Infeccioso

As opções para descarte do lixo líquido infeccioso incluem:

 Os líquidos devem ser descartados ao verter cuidadosamente num lavatório


apropriado ou numa sanita com descarga, quando existe um sistema fechado ou
séptico de esgotos. Enxague cuidadosamente a sanita ou lavatórios com água
para remover os resíduos residuais. Evite salpicos e desinfecte as superfícies;

 Caso não exista um sistema de esgoto, descarte os líquidos num aterro fundo e
com tampa e não os descarte em drenos a céu aberto;

 Todas as pessoas que manipulem recipientes de lixo devem usar luvas


domésticas e equipamento de protecção individual apropriado (EPI) para prevenir
a contaminação por salpicos.

No caso de uma epidemia de cólera, o esgoto hospitalar também deve ser tratado
e desinfectado. O Vibrio cholerae, o agente que provoca a cólera é facilmente
eliminado e não exige o uso de desinfectantes fortes. Os baldes que contenham
fezes de doentes com diarreia aguda podem ser desinfectados com solução clorada
ou óxido de cal desidratado.

Fig.20: Representação
Descarte Final do Lixo Infeccioso (Incineração
esquemática de um forno de
ou Enterro)
tijolos para queima de lixo

Centros de Saúde Rurais

O descarte do lixo hospitalar infeccioso, incluindo


objectos perfuro-cortantes por queima ou enterro em
aterro sanitário, minimiza a disseminação da infecção
para os TS assim como para a comunidade local.

 Queima

Os CS rurais podem queimar o lixo infeccioso num


forno de tijolos (veja a foto ao lado) de acordo com
as directrizes do MISAU. Além disso, eles requerem
101
manutenção regular (ex. as portas metálicas frequentemente empenam e
oxidam, e os tijolos e argamassa caem) por isso devem ser utilizados apenas nas
zonas rurais.

A queima a céu aberto não é aceitável porque geralmente a queima é


incompleta devido às baixas temperaturas que atinge, produzindo grandes
quantidades de fumo e odores nocivos e pelo facto do vento poder dispersar o
lixo não queimado e as cinzas. Se for necessário realizar a queima do lixo
infeccioso a céu aberto, queime-o em áreas pequenas, bem demarcadas e
identificadas: transporte o lixo para o local pouco tempo antes da queima e
permaneça no local até que o fogo se apague. Depois de a queima estar
concluída, a zona deve ser coberta com areia para prevenir a dispersão da cinza.

 Enterro

Se a incineração não for possível, todo o lixo infeccioso deve ser enterrado num
aterro e tapado com areia diariamente. Os CS rurais podem usar esta opção para
descartar placentas e outro lixo anatómico.

102
1
Como fazer e usar um pequeno aterro para o descarte do lixo e das cinzas

1. Identifique um local apropriado e vede a zona.


2. Cave um aterro de 1 metro (3 pés) quadrado e 2 metros (6 pés) de profundidade.
O fundo do aterro deve ter no mínimo 2 metros (6 pés) acima do lençol freático.2
3. Todos os dias descarte o lixo contaminado dentro do aterro e cubra o lixo com 11-
15 cm (4-6 polegadas) de areia. A última camada de areia deve ter 50-60 cm (20-
24 polegadas) e deve ser compactada para evitar odores e atracção de insectos e
para impedir que animais desenterrem o lixo.
4. Dependendo do volume de lixo e da frequência do uso, o aterro deve ser
suficiente para 30-60 dias.

Fig. 21: Representação esquemática: Corte Sagital de um Pequeno Aterro para


Enterrar o Lixo

1
Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003; WHO 2009.
2
Enterrar o lixo só pode ser usado como um método de descarte nos locais onde o lençol freático
esteja a mais de 2 metros (12 pés) abaixo da superfície.

Hospitais

Em Moçambique, a gestão de resíduos com particular o biomédico sujeita-se aos


decretos 13/2006 de 15 de Junho e ao 8/2003 de 18 de Fevereiro. Assim sendo,
103
alguns hospitais em Moçambique já estão equipados com incineradoras de câmara
dupla e os TS receberam formação para as operar e fazer a devida manutenção
(veja abaixo, Pennram E-75 com carregador hidráulico; capacidade 111 kg/h). (O
consumo estimado de combustível para o funcionamento de uma incineradora de
câmara dupla como esta é de cerca de 0,1 a 0,4 l de combustível por kg de lixo ou
cerca de 30.000 l todos os anos para destruir 800 kg de lixo/dia).

Itens que Podem ser Incinerados em Figura 22: Incineradora


Incineradoras de Câmaras Duplas:

 Sacos e tubagem EV;

 Sacos de sangue para transfusão (pequenas


quantidades se forem feitos de PVC);

 As seringas descartáveis (plástico) e


pequenas quantidades de vidro devem ser
queimados no fim do dia ou no fim do ciclo);
 Objectos perfuro-cortantes (agulhas, bisturis,
trocartes e lancetas) usados;

 Itens de borracha (mangueiras, cateteres e


luvas);

 Batas e luvas descartáveis, máscaras,


compressas, ligaduras, esponjas, roupa e outros itens que entraram em contacto
com sangue ou outros fluídos corporais;

 Lixo cirúrgico e de autópsia (tecidos ou partes de corpos humanos);

 Lixo anatómico:

 Tecido, órgãos, partes de corpo;


 Placentas e fetos;
 Sangue e fluídos corporais.

104
 Lixo produzido por doentes infectados em enfermarias de isolamento:

 Fezes;
 Compressas de feridas infectadas ou de feridas cirúrgicas.

 Lixo resultante do contacto com doentes submetidos a hemodiálise ou cirurgia:

 Tubagem, filtros e toalhas descartáveis;


 Luvas, batas, máscaras, roupa de laboratório descartáveis;
 Animais infectados provenientes dos laboratórios de pesquisa.

 Itens laboratoriais usados (ex. culturas, placas e tubos de culturas, lâminas de


microscópico e tampas etc.);

 Solventes (diluente de tinta, naftaleína, benzeno, acetona, formaldeído ou outros


líquidos que não possam ser reciclados);

 Lixo farmacêutico (pequenas quantidades – menos de 1% do lixo queimado:

 Medicamentos, vacinas e soros ou plasma expirados, por usar,


estragados ou contaminados;
 Frascos de medicamentos, ampolas, tubagem, recipientes e embalagens
em contacto com este lixo.

 Lixo genotóxico/citotóxico (resíduos humanos, tais como fezes, urina e vómito de


doentes em quimioterapia.

Itens Que NÃO Devem ser Incinerados Por Risco ou Motivo de gerarem
Emissões Perigosas

 Itens que contenham mercúrio:

 Termómetros partidos;
 Medidores de tensão arterial que contenham mercúrio.

105
 Itens que contenham prata (ex. produtos químicos para fotografia);

 Itens que contenham chumbo ou cádmio (ex. pilhas);

 Os plásticos que contenham PVC (ex. sacos EV ou de sangue) em grandes


quantidades, a menos que a incineradora esteja equipada com dispositivos de
controlo da poluição do ar, tais como depuradores e filtros, para eliminar as
emissões tóxicas (ex. dioxinas e furanos);

 Lixo radioactivo:

 Fontes abertas (isótopos, frascos da radioterapia ou de investigações


laboratoriais);
 Itens de vidro, embalagens ou papel absorvente contaminados;
 Urina e excreções de doentes tratados ou testados com radio-nucleótidos
de fonte aberta;
 Fontes seladas provenientes das unidades de radiologia e radioterapia.

 Recipientes sob pressão:

 Cilindros/garrafas de gás contendo óxido nitroso, óxido etileno, oxigénio,


nitrogénio, dióxido de carbono, ar comprimido e outros gases;
 Latas de aerossóis (as latas de aerossóis vazias são aceitáveis).

Itens que NÃO Devem Ser Incinerados Porque Não São Infecciosos e
Por ser um gasto desnecessário de dinheiro

O lixo hospitalar não perigoso – Lixo Comum não precisa ser incinerado e deve ser
descartado num aterro seguro. Inclui:

 Lixo doméstico e detritos (folhas e ramos de árvores);

 Restos de comida;

106
 Lixo de escritório (papel, cartão) para reciclagem;

 Garrafas e recipientes de plástico para reciclagem;

 Pneus de viaturas (devem ser reciclados);

 Vidro (diferente das seringas;

 Latas de alumínio (devem ser recicladas).

Sugestões para o Descarte de Lixo Hospitalar Perigoso

 Capacite os TS que manuseiem, carreguem, transportem e/ou descartem o lixo


infeccioso ou ambiental da US em bio-segurança e promova a mudança de
comportamento sobre os riscos e sobre o uso apropriado do EPI, incluindo sobre
o uso das luvas domésticas, aventais, calçado de trabalho e protecção ocular.

 Lave sempre as mãos depois de remover as luvas.

 Manipule e transporte o lixo com cuidado para evitar derramamentos ou salpicos.

 Evite transferir o lixo de um recipiente para outro.

 Descarte devidamente os recipientes usados para produtos químicos:

 Metal: enxague bem com água;

 Vidro: podem ser lavados com detergente, enxaguados e reutilizados;

 Os recipientes de plástico que continham substâncias tóxicas, tais como


glutaraldeído (ex. Cidex ® ou Sporicidin® devem ser enxaguados três
vezes com água e descartados por incineração e/ou enterro. (Estes
recipientes podem ser usados como recipientes de descarte de objectos

107
perfuro-cortantes, mas não devem ser reutilizados para qualquer outro
fim).

 Os recipientes e equipamento usados para armazenar e transportar o lixo


infeccioso e ambiental não devem ser usados para qualquer outro fim;

 Os recipientes de lixo infeccioso devem estar claramente rotulados (perigo


biológico ou ambiental);

 Depois de cada utilização, descontamine e lave os recipientes de recolha do lixo


com solução clorada a 0,5% e enxague bem com água;

 O cumprimento das práticas de descarte do lixo devem ser continuamente


monitoradas.

Alternativa para a incineração no descarte do lixo infeccioso

Até há cerca de 10 anos, a única forma de descartar o lixo infeccioso era a


incineração ou, se o volume de lixo fosse pequeno, enterro ou encapsulamento. Nos
EUA e noutros países industrializados, o uso de incineradoras para o tratamento e
descarte do lixo infeccioso está a diminuir rapidamente. O que se deve em grande
parte a:

 Estarem actualmente disponíveis outras tecnologias de tratamento mais seguras


e mais económicas, tais como a combinação da autoclave/trituradores
esterilizadores do lixo que podem estar localizados nas US e apresentar zero
emissões atmosféricas;

 O funcionamento das incineradoras de câmara dupla é dispendioso e requer


pessoal formado para as operarem e fazerem a sua manutenção diariamente;

 Os regulamentos sobre as emissões da incineração tornaram-se muito restritas


exigindo o uso de tecnologias complexas e dispendiosas para controlo da
poluição do ar (ex. purificadores de gás ácido e filtros para controlo de partículas,
dioxinas e mercúrio).

108
As novas tecnologias mais promissoras e disseminadas são os esterilizadores de
grande volume (50 a 110 kg por ciclo) que combinam autoclave/triturador (A/G) (veja
abaixo). Estas máquinas automáticas e pequenas são relativamente fáceis de
manipular. Primeiro carregam-se os sacos de lixo infeccioso para dentro da câmara
do lado esquerdo e fecha-se a porta. Assim que a porta estiver fechada, a máquina
funciona automaticamente. Durante o ciclo de 30- a 40- minutos todos os tipos de
lixo infeccioso (vidro, plástico, metal, sangue e líquidos, tecidos, pano etc.) são
repetidamente triturados (ou retalhados), transformando-os em material
progressivamente menor (<20 mm de diâmetro). O lixo é simultaneamente
esterilizado (por vapor pressurizado) tornando-o não infeccioso. A água
esterilizada, incluindo sangue e outros líquidos nele contido, é posteriormente
extraído (lado direito da figura) e o lixo retalhado, tornando-se irreconhecível,
podendo ser manipulado, transportado e descartado em segurança com o lixo
normal num aterro seguro.

Figura 23: Combinação de Autoclave/Triturador de Grande Volume

Os esterilizadores autoclaves/trituradores (A/G) são as tecnologias mais económicas


(por volume de lixo manipulado). As máquinas de dimensões médias podem
processar 700-900 kg durante um dia de trabalho de 8 horas, não produzem
derivados perigosos, não geram emissões para o ar e podem estar localizadas numa
sala dentro do hospital ou próximo das zonas onde o lixo infeccioso é gerado. A sua
instalação exige: água, drenagem para a descarga esterilizada, electricidade e
ventilação.

109
10 PROCESSAMENTO DE INSTRUMENTOS

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir os termos usados no processamento de instrumentos:


descontaminação, limpeza, desinfecção de alto nível (DAN) e
esterilização
 Explicar os principais passos no processamento de instrumentos
 Preparar solução clorada criada a partir do cloro líquido
concentrado ou em pó
 Explicar como monitorar os procedimentos de esterilização
 Explicar como armazenar itens esterilizados e submetidos a
descontaminação de alto nível (DAN)

DEFINIÇÕES

Descontaminação: Processo que torna mais segura a manipulação de objectos


inanimados pelos TS antes da limpeza (isto é, inactiva ao VHB, VHC e ao HIV e
reduz o número de outros microrganismos, mas não os elimina).

Limpeza: Processo que remove fisicamente dos objectos inanimados toda a poeira
visível, sujidade, sangue ou outros fluídos corporais além de remover uma
quantidade de microrganismos suficientes para reduzir os risco para as pessoas que
toquem a pele ou manipulem o objecto. Consiste na lavagem cuidadosa com sabão
ou detergente e água, enxague com água limpa e secagem.

Desinfecção de Alto Nível (DAN): Processo que elimina microrganismos dos


objectos inanimados, com a excepção de alguma endóspora bacteriana, através da
fervura, vaporização ou do uso de desinfectantes químicos.

Esterilização: Processo que elimina todos os microrganismos (bactérias, vírus,


fungos e parasitas) incluindo endóspora bacteriana presente em objectos

111
inanimados, por vapor de alta pressão (autoclave), estufa, esterilizantes químicos ou
radiação.

Desinfectante: Um produto químico que destrói ou inactiva microrganismos


presentes em objectos inanimados e sobre as superfícies.

Figura 24: Principais Passos no Processamento de Instrumentos Contaminados, Luvas


e Outros Itens

Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003

112
Descontaminação

A descontaminação é o primeiro passo na manipulação de instrumentos e luvas


usadas. É importante descontaminar os instrumentos e objectos que possam ter
entrado em contacto com sangue ou outros fluídos corporais de forma que a sua
manipulação seja mais segura para o pessoal que os limpa. Há mais de 20 anos, foi
demonstrado que a descontaminação reduz de grande modo os níveis de
contaminação microbiana nos instrumentos cirúrgicos. Por exemplo, num estudo do
Nyström (1981) 75% de instrumentos previamente sujos tinham menos de 10
microrganismos e 98% tinha menos de 100 microrganismos, depois de serem
descontaminados antes da limpeza. Por causa destas constatações, foram feitas
fortes recomendações para que os instrumentos e outros itens que se preveja serem
limpos à mão, devam ser primeiro descontaminados para minimizar o risco de
infecção por ferimento acidental/exposição do pessoal de limpeza, para além de
reduzir a contaminação microbiana das suas mãos.

Actualmente existem recomendações (AORN 2010) para que depois do uso, todos
os instrumentos não devem ser tocados/lavados a mão, mas sim colocados
directamente num lavatório de instrumentos onde serão descontaminados e lavados
imediatamente. Depois deste processo, o pessoal pode tocá-los em segurança.
Estes lavatórios de instrumentos encontram-se geralmente na Central de
Esterilização, nas enfermarias da maternidade ou em outras áreas de alto volume de
actividade.

Quando os lavatórios de instrumentos não estiverem disponíveis, os instrumentos e


outros itens podem ser lavados à mão desde que o pessoal use o EPI apropriado. O
EPI deve incluir luvas domésticas, protector facial ou óculos e máscara, avental
impermeável, barrete e calçado fechado.

Todos os instrumentos devem ser imediatamente depositados num desinfectante


aprovado (tal como solução clorada a 0,5% por ser económica e estar localmente
disponível) durante 10 minutos para inactivar os organismos, especialmente o VHB e
HIV (Crutcher et al. 1991; Nyström 1981).

Procedimento de Descontaminação com Uso de Desinfectante (ex.


solução clorada a 0,5%)

 Continue a usar luvas cirúrgicas ou de exame após o procedimento ou antes de


calçar luvas domésticas.

113
 Imediatamente após a conclusão do procedimento deposite todos os
instrumentos em solução clorada a 0,5%1 durante 10 minutos para
descontaminação.

 Se estiver a usar luvas cirúrgicas ou de exame, mergulhe as duas mãos antes de


retirar as luvas na solução clorada a 0,5%:

 Tire as luvas ao vire-as ao avesso;


 Se for descartar as luvas, deposite-as num recipiente para lixo infeccioso
revestido com um saco de plástico;
 Se for reutilizar as luvas cirúrgicas, submerja-as em solução clorada a 0,5%
durante 10 minutos para descontaminação.

 Descarte o lixo infeccioso em recipiente rotulado revestido de saco de plástico.

 Descarte o lixo comum em recipiente rotulado e revestido de um saco plástico.

 Descontamine todas as superfícies contaminadas durante o procedimento,


limpando-as com um pano embebido em solução clorada a 0,5% ou outro
desinfectante apropriado.

 Depois de 10 minutos, remova os instrumentos da solução clorada a 0,5% e


enxagúe-os imediatamente em água fria para remover a matéria orgânica visível
antes de serem cuidadosamente lavados. Alguns serviços de saúde usam dois
baldes nas áreas de procedimentos ou salas de operações, um cheio de solução
clorada a 0,5% e outro com água, para que os instrumentos possam ser
passados por água depois de 10 minutos, ajudando a prevenir a corrosão.
Lembre-se que deixar os instrumentos mesmo em água simples durante mais de
1 hora, pode levar ao enferrujamento.

 Troque a solução de descontaminação, sempre que necessário (troque quando


ficar turva) ou, nas áreas de menor movimento, uma vez por dia ou por sessão
clínica.

1
Não misture soluções cloradas com formaldeído nem com soluções à base de amónio para evitar a libertação de
gases tóxicos.
114
 O pessoal também pode usar uma pequena bacia para os instrumentos usados
durante um procedimento (tal como a AMIU - Aspiração Manual Intra-Uterina):

 Depois de concluir o procedimento, coloque os instrumentos na bacia usando


somente solução clorada suficiente para cobrir os instrumentos;
 Limpe a área do procedimento;
 Prepare os consumíveis para o doente seguinte (se prever o atendimento do
doente seguinte dentro de 10 minutos);
 Remova a bacia com os instrumentos, despeje a solução clorada e enxague
os instrumentos com água;
 Lave os instrumentos ou coloque-os de lado para serem lavados ou então
processados a DAN ou esterilizados mais tarde no turno.

Recomendações para a Descontaminação com Recurso a um


Desinfectante

 Na descontaminação use um recipiente de plástico e não corrosivo para ajudar a


evitar:

 Que os objectos perfuro-cortantes (ex. tesouras) percam o corte por entrarem


em contacto com recipientes metálicos;
 O enferrujamento dos instrumentos devido a reacções químicas (electrólise)
que pode ocorrer entre dois materiais diferentes (isto é, o instrumento e o
recipiente) quando colocados em água.

 Não deixe os instrumentos metálicos galvanizados (isto é, não sejam 100% aço
inoxidável) mergulhados em qualquer solução nem mesmo em água simples por
mais de uma hora, porque pode ocorrer o enferrujamento.

Como Preparar uma Solução Clorada a 0,5% para Descontaminação

A solução clorada com concentração de 0,5% pode ser facilmente criada a partir de
cloro líquido ou em pó.

Concentrado líquido:

115
 Determine a concentração (% de concentrado) da solução clorada.
 Determine as porções totais de água necessárias (utilizando a fórmula abaixo).

Figura 25: Fórmula para Criar uma Solução Diluída a partir de uma Solução
Concentrada

Verifique a concentração (% concentrado) do produto de cloro que estiver a usar.

%
Total de Partes (TP) de água = -1
%

Misture porção de lixívia/Javel (Cloro) concentrada (L) com o total de partes de


água necessárias (A).

Exemplo: Como fazer uma solução diluída (0,5%) a partir de solução concentrada
a 3,5%.

, %
PASSO 1: Calcule o TP de água: -1 = 7 – 1 = 6
, %
PASSO 2: Tire 1 parte de solução concentrada e acrescentar 6 partes de água.

L A A A A A A
+

116
Tabela 9: Preparação de Soluções Diluídas de Cloro a Partir de Lixívia/ Javel (cloro)
Líquido (Solução de Hipoclorito de Sódio) para Descontaminação e DAN
CONCENTRAÇÃO DO PARTES DE ÁGUA A ADICIONAR PARA 1 PARTE DE
a
CLORO LIXÍVIA/ JAVEL
DAS DIFERENTES Para Preparar Solução Para Preparar Solução
b
SOLUÇÕES DISPONÍVEIS Clorada a 0,5% Clorada a 0,1%
2.4% 4 23
3.5% 6 34
3.6% 6 35
5% 9 49
6% 11 59
8% 15 79
10% 19 99
15% 29 149
a
Leia como uma porção (ex. chávena ou copo) de lixívia/javel concentrada para x partes de água (ex.
JIK [solução 0,5%] – misture 1 chávena de lixívia/Javel com 6 chávenas de água para um total de 7
chávenas).
b
Utilizar água fervida ao preparar uma solução de cloro a 0,1% para DAN porque a água da torneira
contém matéria orgânica microscópica que inactiva o cloro.

Adaptado de: WHO 1989.

Concentrado em pó:

 Determine a concentração (% concentrado) do pó disponível para o uso.


 Determine os gramas de cloro necessários (usando a fórmula abaixo).

Verifique a concentração (% concentrado) do pó disponível para uso.

%
Gramas/Litro = × 1000
%

Misture a quantidade de cloro em pó medida com 1 litro de água.

Exemplo: Faça uma solução diluída que liberte cloro (0,5%) a partir de pó concentrado (70%).

PASSO 1: Calcule os gramas/litro:


0,5%
× 1000 = 7,1 /
70%

PASSO 2: Acrescente 7,1 gramas do pó concentrado a 1 litro de água.

117
Tabela 10: Preparação de Soluções de Cloro a Partir de Cloro e Pó

CLORO DISPONÍVEL 0.5% 0,1%b


NECESSÁRIO
Hipoclorito de sódio (70% de 7,1 g/La 1,4 g/L
cloro disponível)
Hipoclorito de sódio (35% de 14,2 g/L 2,8 g/L
cloro disponível)
NaDCCc (60% de cloro 8,3 g/L 1,5 g/L
disponível)
d d
Comprimidos de cloramina 20 g/L (20 comprimidos/litro) 4 g/L (4 comprimidos/litro)
(1g de cloro disponível por
comprimido)
Comprimidos com base em 4 comprimidos/litro 1 comprimido/litro
c
NaDCC (1,5 g de cloro
disponível por comprimido)
a
Para pós secos, deve-se ler x gramas por litro (ex. hipoclorito de cálcio – 7.1 grama misturado com 1
litro de água).
b
Utilize água fervida para preparar uma solução de cloro a 0,1% para DAN porque a água da torneira
contém matéria orgânica microscópica que inactiva o cloro.
c
Dicloro isocianurato de sódio
d
A cloramina liberta cloro a um ritmo mais lento do que o hipoclorito. Antes de usar a solução certifique-
se de que o comprimido esteja totalmente dissolvido.

Adaptado de: WHO 1989.

Assim que os instrumentos e outros itens tiverem sido descontaminados, podem ser
processados em segurança. O que consiste em limpeza e por fim esterilização ou
DAN.

LIMPEZA

A limpeza é importante porque é uma forma eficaz de se reduzir o número de


microrganismos, especialmente endósporos que provocam tétano, presentes nos
instrumentos e equipamento sujo. Nem a esterilização nem a DAN são eficazes sem
uma limpeza prévia.

Uma lavagem cuidadosa com água limpa e sabão também remove fisicamente o
material orgânico, tal como sangue e fluídos corporais. Isto é importante porque o
material orgânico seco pode aprisionar microrganismos, incluindo endósporos num
resíduo que os proteja da esterilização ou desinfecção. A matéria orgânica também

118
pode inactivar parcialmente alguns desinfectantes de alto nível, tornando-os menos
eficazes.

O uso de sabão é importante para uma limpeza eficaz porque só água não remove
as proteínas, óleos e gorduras.

 Prefira o sabão líquido pois mistura-se à água com maior facilidade do que os
sabões em barra ou em pó. Além disso, os sabões líquidos decompõem e
dissolvem ou suspendem a gordura, óleo e outras matérias estranhas na
solução, dificultando o processo de limpeza.

 Use o sabão em barra apenas se não houver outra alternativa. Não se aconselha
o uso do sabão em barra porque os ácidos gordos presentes na barra de sabão
reagem com os minerais da água, deixando resíduos ou espuma (sal de cálcio
insolúvel) que são de difícil remoção.

 Os instrumentos devem ser lavados com água e sabão e com uma escova macia
para remover toda a matéria estranha, até que estejam visivelmente limpos.

 Não use detergentes abrasivos (ex. Polivim®) ou palha-de-aço porque estes


produtos podem riscar o plástico ou danificar o metal ou aço inoxidável. Estes
riscos podem transforma-se em ninhos de microrganismos, dificultando ainda
mais a limpeza, além de aumentar a corrosão (enferrujamento) dos instrumentos.

 Assim que um item tiver sido lavado, precisa ser enxaguado e seco. O enxague
cuidadoso remove todos os resíduos de sabão que podem interferir com a
esterilização por DAN. Depois do enxague os itens devem também ser secos,
especialmente se forem posteriormente esterilizados ou submetidos a
desinfecção de alto nível com produtos químicos. A água nos instrumentos irá
diluir a solução e pode fazer com que o processo se torne ineficaz.

Tal como ilustrado na tabela abaixo, estudos científicos demonstraram que a maioria
dos microrganismos (até 80%) presentes no sangue e outro material orgânico são
removidos durante o processo de limpeza. O que confirma que a limpeza minuciosa
é mais eficaz do que se assumia anteriormente e documenta a importância da
limpeza na produção de um material seguro para procedimentos invasivos.

119
Tabela 11: Eficácia dos Métodos de Processamento de Instrumentos

Método Eficácia Quando Terminar

Descontaminação Mata o VHB e o HIV e a Deixar de molho por 10


maioria dos microrganismos minutos
Limpeza (só com água) Até 50% Até estar visivelmente limpo
Limpeza (água e sabão) Até 80% Até estar visivelmente limpo
Esterilização 100% Vapor de alta pressão, estufa
ou química pelo tempo
recomendado
Desinfecção de Alto Nível 95% (não inactiva parte da Fervura, vaporização ou
endóspora) química durante 20 minutos

Regras para a Limpeza

 Durante a limpeza de instrumentos e equipamento use luvas. (É suficiente o uso


de luvas domésticas grossas). As luvas devem ser descartadas quando
estiverem rasgadas ou danificadas; caso contrário, no final de cada dia devem
ser limpas e deixadas a secar para o seu uso no dia seguinte.

 Durante a limpeza de instrumentos e equipamento use óculos de protecção


(protectores faciais de plástico e máscara), sapatos fechados ou botas e um
avental de plástico, quando disponíveis.

 Lave os instrumentos com uma escova macia (uma escova de tipo dentífrica ) em
água e sabão. Deve-se dar especial atenção aos instrumentos com dentes,
juntas ou parafusos onde se acumula material orgânico. Deve-se ter cuidado
especial com instrumentos de borracha ou de plástico (ex. cânulas) para certificar
que não sejam riscados. Depois da limpeza, os instrumentos devem ser
cuidadosamente lavados em água limpa para remover os resíduos de sabão que
podem interferir com os desinfectantes químicos utilizados na DAN ou na
esterilização.

 As seringas (vidro) quando reutilizadas só devem ser desmontadas depois da


descontaminação e de serem limpas em água e sabão. Elas devem ser
120
posteriormente passadas por água limpa pelo menos duas vezes para remover o
sabão ao expelir a água para outro recipiente através da seringa (para prevenir a
contaminação da água) e finalmente seque-as.

 As luvas cirúrgicas reutilizáveis devem ser lavadas em água e sabão. Tanto o


interior como o exterior devem ser lavados e passados por água limpa até não
restar mais sabão. Teste as luvas ao inflá-las a mão e mantê-las submersas em
água para detectar possíveis furos. (Se houver furos aparecerão bolhas de ar).

Lembre-se: Se um item não puder ser limpo, não deve ser reutilizado e deve
ser descartado.

 Tubagem de borracha ou de plástico, tais como os tubos de aspiração


nasogástrica para recém-nascidos, só devem ser reutilizados se puderem ser
minuciosamente limpos, enxaguados, secos e depois esterilizados ou
submetidos a desinfecção de alto nível.

 Nunca se devem misturar os termómetros orais e rectais. Depois da limpeza


devem ser lavados separadamente e armazenados em recipientes separados.

Esterilização

A Esterilização destrói todos os microrganismos, incluindo endóspora


bacteriana. Deve ser usada para instrumentos, luvas cirúrgicas e outros itens que
entrem em contacto direto com a corrente sanguínea ou tecidos normalmente
estéreis. Os endósporos bacterianos são particularmente difíceis de matar devido ao
seu revestimento duro. As bactérias que formam os endósporos incluem a espécie
clostridium, que provoca o tétano e gangrena.

Lembre-se: Embora a flambagem (passar um item por álcool e incendiá-lo) às


vezes seja vista como um método de esterilização, ela não é eficaz.

A esterilização pode ser obtida por alta pressão (autoclave), calor seco (estufa) ou
esterilizantes químicos, tais como soluções de glutaraldeído e formaldeído ou
agentes físicos (radiação). Por a esterilização ser um processo e não um evento
121
único, todas as componentes deste processo devem ser correctamente executadas
para que ocorra a esterilização.

Esterilização por Autoclave

Condições Básicas para a Esterilização


Térmica NOTA: Os valores
Esterilização a vapor (por gravidade): A predefinidos para a pressão
temperatura deve ser de 121 ºC (250 ºF); a
(kPa ou libras/polegada2)
pressão deve ser de 106 kPa (15
2
libras/polegada ); 20 minutos para itens não podem variar ligeiramente,
embalados; 30 minutos para itens embalados. Ou dependendo do esterilizador
a uma temperatura mais elevada 132 ºC (270 ºF); usado. Quando possível, siga
a pressão deve ser de 30 libras/polegada2); 15 as recomendações do
minutos para itens embalados. Deixe todos os fabricante.
itens (pacotes) secarem antes de removê-los do
esterilizador.

A esterilização com vapor de alta pressão é o método de esterilização mais


económico e eficaz, mas também o mais difícil de fazer corretamente. Normalmente
é o método de eleição para esterilização de instrumentos e outros itens usados nas
US. Não coloque instrumentos de plástico ou de borracha na autoclave porque
podem derreter, a menos que as instruções do fabricante o recomendem. Quando a
electricidade for um problema, os instrumentos podem ser esterilizados numa
autoclave a vapor não eléctrico usando petróleo ou outro combustível como fonte de
calor.

 Embale os instrumentos duas vezes em panos recentemente lavados ou papel


usando a técnica de embalagem por envelope ou quadrado (a camada única não
é aceitável).

 Dobre as mangas das luvas cirúrgicas, coloque gaze ou papel dentro da luva e
debaixo da dobra da manga e embrulhe em pano ou papel.

 Coloque as luvas embaladas, com os polegares para cima, de lado num cesto de
arame.

122
 Disponha os pacotes de instrumentos num carrinho ou prateleira da autoclave;
coloque dentro da câmara da autoclave para permitir que o vapor circule
livremente e penetre em todas as superfícies (deixe pelo menos 7,5 cm) entre os
itens e as paredes da autoclave.

 Esterilize os itens embalados. quando a temperatura alvo tiver sido alcançada no


manómetro:

 121 ºC (250 ºF) durante 30 minutos


 132 ºC (270 ºF) durante 15 minutos

 Espere até que o contador da temperatura indique zero para abrir a tampa ou
porta 14-16 cm (5-6 polegadas); pode levar 20-30 minutos quando se usa uma
autoclave de deslocação por gravidade.

 Antes da remoção, deixe os pacotes secarem completamente; processo que


pode levar até 30 minutos; as embalagens devem ser reprocessadas se entrarem
em contacto com qualquer item não esterilizado.

 Coloque as embalagens esterilizadas sobre uma superfície revestida com papel


ou pano para evitar condensação.

 Antes de armazenar, deixe que as


embalagens atinjam a temperatura Lembre-se: O tempo de
ambiente.
exposição só começa a
contar depois de a
 Registe as condições de esterilização
autoclave ter atingido a
(hora, temperatura e pressão) num diário.
temperatura alvo.
 Cada carga deve ser monitorada com Não sobrecarregue a
indicadores mecânicos (hora, temperatura
e pressão) e químicos (faixas de teste
autoclave. (Deixe pelo
químico interno e externo). menos 7,5 cm [3 polegadas]
entre os itens e as paredes
 As autoclaves devem ser testadas da autoclave). A sobrecarga
diariamente com um teste de retirada de ar altera a convecção do calor
(Bowie-Dick Test). e aumenta o tempo
necessário para esterilizar.
123
 As autoclaves devem ser testadas semanalmente, usando indicadores biológicos
disponíveis no mercado.

Prevenção da Humidade nas Embalagens

A ocorrência de embalagens húmidas pode ser minimizada através das seguintes


acções: (Spry 20; AORN, 2010)
 Prepare a carga ao depositar os instrumentos dentro da autoclave a vapor com a
porta fechada durante 10-15 minutos antes de iniciar o ciclo.

 Coloque uma toalha no fundo das bandejas de arame e entre as camadas de


instrumentos (a menos que seja contraindicado pelo fabricante).

 Divida os conjuntos se forem excessivamente pesados ou densos.

 Não inclua nos jogos de instrumentos as bolsas de abertura fácil.

 Não sobrecarregue a autoclave.

 Inspecione a linha de vapor para detectar entupimento.

O peso total de um instrumento não deve exceder 25 libras (aproximadamente 11,34


Kg). Os jogos que pesem mais de 25 libras são difíceis de secar sem um tempo de
secagem prolongado. (AORN, 2010)

124
Figura 26: Técnicas Normais de Embalagem

Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003

125
Tipos de Materiais que Podem ser Usados como Embalagem

 Material tecido (pano de musselina feita 100% de algodão e com 140 fios):
Use duas embalagens de dupla espessura (quatro camadas no total) porque
este é o material de embalagem menos eficaz. Use para esterilização a vapor
e na estufa.

 Material não tecido: fibras de celulose, polímeros de plástico e/ou polpa de


papel interligada para formar uma película) recomenda-se a embalagem
dupla (duas camadas). Use somente para esterilização a vapor e não reutilize
(AORN, 2007).

 Na esterilização a vapor não embale itens em qualquer material à prova de


água, tal como o plástico ou tela porque o vapor não penetrará no material e
o item não será esterilizado.

126
Figura 27: Carregamento da Esterilizadora a Vapor

Fonte: AAMI 1990

Instruções Gerais para Operação do Esterilizador a Vapor por


Deslocação de Gravidade (Tipo Panela de Pressão)

A autoclave a vapor deve funcionar a 121 ºC (250 ºF) 106 kPa (15 libras/polegada2)
durante 20 minutos para itens não embalados e 30 minutos para itens embalados.
Visto que o calor húmido é o agente esterilizante (isto é, mata os microrganismos) o
regulador da temperatura na linha do escape deve ser usada para monitorar quando

127
deve iniciar a contagem do ciclo de esterilização, e não somente como regulador de
temperatura (DHEW 1975).

Figura 28: Esterilizador por Deslocação de Gravidade (Não Eléctrica)

Adaptado de: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003

Instruções:

PASSO 1: Descontamine, lave e seque todos os instrumentos a serem


esterilizados.

PASSO 2: Deposite todos os instrumentos articulados abertos ou não fechados.


Desmonte os instrumentos constituídos por mais de uma peça ou
peças deslizantes. Para ajudar a prevenir que as pontas cortantes
percam a lâmina, embrulhe-as em gaze.

PASSO 3: Embrulhe os instrumentos limpos ou outros objectos numa camada


dupla de musselina ou invólucro de papel. Os instrumentos não
devem ser mantidos presos por elásticos ou qualquer outro meio que
impeça o vapor de entrar em contacto com todas as superfícies.

PASSO 4: Disponha as embalagens na câmara de forma a permitir a livre


circulação e penetração do vapor em todas as superfícies.
128
PASSO 5: Ao utilizar uma panela de pressão ou esterilizadora a petróleo, aqueça
a água até a fervura, somente até o vapor sair pela válvula de
pressão; depois reduza o calor mantendo o vapor a sair da válvula de
pressão. Não deixe ferver até secar. Deve haver sempre vapor a sair
pela válvula de pressão.

PASSO 6: Esterilize os objectos embalados durante 30 minutos e 20 minutos


para os objectos não embalados. Cronometre o tempo com um relógio
ou temporizador. A temperatura deve ser 121 ºC (250 ºF); a pressão
deve ser de 106 kPa (15 libra/polegada2).

PASSO 7: Aguarde cerca de 30 minutos (ou até o controlo de pressão indicar


zero) para permitir que a autoclave arrefeça suficientemente antes de
abrir a tampa e deixar o vapor sair. Antes da remoção deixe que as
embalagens sequem completamente; pode levar mais 30 minutos. (As
embalagens húmidas actuam como pavio atraindo os microrganismos
do ambiente). As embalagens de instrumentos empacotados não
devem ser aceites se houver gotículas ou humidade visível no exterior
da embalagem no momento de remoção da câmara da autoclave.

PASSO 8: Para evitar contaminação por condensação, coloque as bandejas e


embalagens esterilizadas sobre uma superfície revestida com papel
ou tecido antes de remover da câmara. (Não armazene as bandejas
ou embalagens numa capa de plástico à prova de poeira até atingirem
a temperatura ambiente; isto normalmente leva uma hora).

PASSO 9: Depois da esterilização, os objectos embalados em pano ou papel


devem ser considerados esterilizados se forem estiverem secos e se
a embalagem estiver intacta. Selar as embalagens em sacos de
plástico pode ajudar a evitar que fiquem danificadas e permite uma
vida de prateleira maior. Os objectos não embalados devem ser
imediatamente usados ou colocados num recipiente esterilizado com
tampa.

129
Esterilização na Estufa

Estufa:

 170 ºC (340 ºF) durante 1 hora (o tempo total do ciclo – colocação dos
instrumentos na estufa, aquecimento até 170 ºC, cronometrar 1 hora e depois
arrefeça em 2-2,5 horas) ou

 160 ºC (320 ºF) durante 2 horas (o tempo total do ciclo é entre 3-3,5 horas).

A esterilização por estufa é feita pela condução térmica (calor). Inicialmente, o calor
é absorvido pela superfície exterior de um item e posteriormente passado para a
camada seguinte. Eventualmente, todos os objectos atingem a temperatura
necessária para esterilização. A morte dos microrganismos ocorre com o calor seco,
através de um processo de destruição lenta da proteína. A esterilização por estufa
leva mais tempo que a esterilização por vapor porque a humidade no processo de
esterilização a vapor acelera significativamente a penetração do calor e encurta o
tempo necessário para matar os microrganismos.

 Coloque os instrumentos metálicos ou seringas de vidro num recipiente metálico


com tampa; feche a tampa.

 Não coloque instrumentos ou equipamento de plástico ou de borracha na estufa


porque podem derreter, a menos que as instruções do fabricante digam que seja
seguro.

 Deposite os recipientes tapados na estufa e aqueça até a temperatura desejada.

 Depois de atingir a temperatura desejada, inicie a cronometragem. Recomenda-


se a temperatura/tempo abaixo:
170C (340F) 60 minutos
160C (320F) 120 minutos
150C (300F) 150 minutos
140C (285F) 180 minutos
 Depois de arrefecer, remova os recipientes e armazene

130
ESTERILIZAÇÃO QUÍMICA

NOTA: Não se recomenda a esterilização de agulhas e seringas porque os


resíduos químicos que permanecem depois da passagem repetida por
água fervida podem interferir na acção dos medicamentos.

A esterilização química (frequentemente chamada de “esterilização a frio”) é uma


alternativa para a esterilização de alta pressão ou de estufa. Se os objectos
necessitarem de esterilização, mas o uso de vapor a alta pressão ou de esterilização
por estufa danifica-os ou se não houver equipamento disponível e funcionante, eles
podem ser esterilizados quimicamente.

 Prepare uma solução fresca de esterilizante químico de acordo com as


instruções do fabricante ou verifique para certificar que a solução não tenha
expirado.

 Quando usar produtos químicos para esterilização use uma sala bem ventilada.

 Submerja os itens limpos e secos em solução de glutaraldeído com concentração


de 2-4% (isto é Cidex®) ou de formaldeído2 com concentração de 8% tapando
completamente todos os itens.

 Feche o recipiente e deixe de molho o tempo apropriado (8-10 horas para o


glutaraldeído ou pelos menos 24 horas para o formaldeído).

 Retire os itens da solução química usando luvas esterilizadas ou uma


pinça/pegas esterilizada.

 Enxague cuidadosamente os itens com água esterilizada para remover todos os


vestígios do esterilizante químico.

 Use o item imediatamente ou deposite-o num recipiente esterilizado com tampa.


2
Por questões de toxicidade, irritação e carcinogenicidade o formaldeído é aceitável, mas não
recomendado e a área de utilização deve estar bem ventilada.
131
DESINFECÇÃO DE ALTO NÍVEL

Embora a esterilização seja o método mais seguro e eficaz para processamento final
de instrumentos, quando esta não for possível ou for contraindicada, a DAN é a
única alternativa aceite para processamento de instrumentos ou luvas que sejam
reutilizadas. O processo da DAN destrói todos os microrganismos (incluindo
bactérias vegetativas, a tuberculose, leveduras e vírus) com a excepção de alguns
endósporos bacterianos.

A desinfecção de alto nível pode ser alcançada através da fervura da água,


vaporização (calor húmido) ou imersão dos instrumentos em vários desinfectantes
químicos. Para ser eficaz todos os passos da execução de cada método devem ser
cuidadosamente monitorados.

DAN por Fervura

A fervura em água é uma forma eficaz e prática para se processar instrumentos e


outros itens por desinfecção de alto nível. Embora a fervura dos instrumentos em
água durante 20 minutos mate todas as formas de bactérias vegetativas, vírus
(incluindo o HBV e o HIV), leveduras e fungos, a fervura não mata todos os
endósporos e portanto não alcançará a esterilização.

 Descontamine e limpe todos os instrumentos e outros itens a serem processados


por desinfecção de alto nível.

 Quando possível, mergulhe completamente os itens em água.

 Ajuste o nível da água para haver pelo menos 2,5 cm (1 polegada) de água
acima dos instrumentos. Além disso, certifique-se de que as bacias e recipientes
a serem fervidas estejam cheios de água. Os utensílios virados ao contrário
podem conter bolsas de ar. A água deve entrar em contacto com todas as
superfícies para processá-las por desinfecção a alto nível.

 Coloque a tampa na panela e faça a água ferver lenta e progressivamente.

 Baixe o calor para manter a água em fervura constante (uma fervura vigorosa
desperdiça combustível e evapora a água rapidamente e pode danificar
instrumentos ou outros itens delicados).
132
 Inicie a cronometragem; anote no diário da DAN a hora do relógio e registe a
hora de início da fervura).

 Assim que a contagem iniciar, não abra a panela nem acrescente ou remova
instrumentos.

 Mantenha a fervura constante durante 20 minutos.

 Retire os itens com pinças/pegas submetidos a desinfecção de alto nível; nunca


deixe instrumentos fervidos repousarem em água que já não esteja a ferver; à
medida que a água arrefece e o vapor condensa, o ar e partículas de poeira são
arrastados para dentro do recipiente e podendo contaminar os instrumentos
(Perkins 1983).
Lembre-se: Uma fervura em constante e suave é suficiente e evitará que os
instrumentos ou outros itens se movimentem e se danifiquem ao embaterem em
outros instrumentos ou nas paredes laterais da panela

Use os instrumentos e outros itens imediatamente ou deposite, com ajuda de pinças


ou luvas submetidas a DAN, num recipiente submetido a DAN e deixe secar
naturalmente; assim que os instrumentos estiverem secos, se houver um pouco e
água restante no fundo do recipiente, retire os itens secos e deposite-os em outro
recipiente submetido a DAN que esteja seco e bem fechado.

Protecção da Vida dos Instrumentos que Sejam Fervidos com


Frequência:

Depósitos de cal podem formar-se nos instrumentos metálicos que sejam fervidos
com frequência. É difícil evitar esta formação de escamas, provocada pelos sais da
cal na água. No entanto, ao cumprir-se os passos seguintes pode-se minimizar o
problema dos depósitos de cal:

 Ferva a água durante 10 minutos no princípio do dia antes da utilização. (O que


precipita grande parte da cal na água antes de se acrescentarem os objectos).

 Use a mesma água ao longo do dia, acrescentando somente a suficiente para


manter a superfície pelo menos 1 polegada acima dos instrumentos a serem
submetidos a DAN. (Despejar e substituir a água com frequência; assim como a

133
fervura demasiado vigorosa aumenta o risco de depósitos de cal nos
instrumentos).

 Despeje e lave a caldeira ou panela no final de cada dia, para remover os


depósitos de cal.

DAN por Vaporização

Tanto a fervura como a vaporização usam calor húmido para matar os


microrganismos. No processamento final das luvas cirúrgicas e outros itens, tais
como cânulas de plástico e seringas, a vaporização possui várias vantagens
comparativamente à fervura. Ela é menos destrutiva e, por usar muito menos
combustível do que a fervura ela é mais económica. Por exemplo, para se vaporizar
luvas ou instrumentos só é necessário cerca de 1 litro de água, enquanto a para a
fervura são necessários 4-5 litros. Também não ocorre descoloração nos
instrumentos devido ao cálcio e outros metais pesados contidos na água da torneira,
porque o vapor só contém moléculas de água pura. Por fim, embora a fervura e
vaporização das luvas seja igualmente fácil de fazer, não é prático secar as luvas
fervidas porque é difícil prevenir a contaminação enquanto estiverem a secar
naturalmente. Com a vaporização é menos provável que as luvas fiquem
contaminadas porque permanecem dentro da panela de vaporização fechada.

Para que a vaporização seja eficaz, a panela de baixo deve conter água suficiente
para continuar a ferver ao longo do processo de vaporização. Ao contrário, as
panelas de fervura grandes são fáceis de usar para instrumentos metálicos e não
precisam ser continuamente monitorizadas para garantir que o processo esteja a ser
executado corretamente.

 Depois das luvas ou outros itens terem sido descontaminados e minuciosamente


lavados, eles estão prontos para DAN por vaporização.

 Deposite os itens numa bandeja do vaporizador com perfurações no fundo.

 Repita este processo até encher três bandejas do vaporizador com itens; coloque
as bandejas do vaporizador por cima de uma bandeja inferior que contenha água
para fervura; deve-se colocar uma segunda bandeja (vazia) sem perfurações do
lado contrário próximo da fonte de calor.

134
 Coloque uma tampa na bandeja de cima e leve a água a uma fervura completa
(quando a água está em lume brando forma-se muito pouco vapor e a
temperatura pode não ser suficientemente elevada para matar os
microrganismos).

 Baixe o calor para que a água continue em fervura (quando ferve com demasiada
violência evapora rapidamente e desperdiça combustível).

 Quando começar a sair vapor pelas bandejas e pela tampa, inicie o temporizador
ou leia a hora num relógio e registe-a no diário da DAN.

 Vaporize os itens durante 20 minutos.

 Retire a bandeja de cima do vaporizador e coloque uma tampa na panela que


permanece na parte superior da panela; sacuda suavemente a água em excesso
nas luvas dentro da bandeja que acabou de retirar.

 Coloque a bandeja que contém as luvas numa segunda bandeja (vazia); repita
até todas as bandejas que contêm os itens sejam sobrepostos sobre esta
bandeja vazia (este passo permite que os itens arrefeçam sem ficarem
contaminados).

Lembre-se: Certifique-se de que haja água suficiente na panela de baixo para


a totalidade dos 20 minutos de vaporização.

 Antes de reutilizar, deixe os itens secarem naturalmente dentro das bandejas do


vaporizador.

 Usando pinças submetidas a DAN, transfira os itens secos para um recipiente


submetido a DAN e com tampa (os itens também podem ser armazenados em
bandejas de vaporizador empilhadas e com tampa).

135
DAN Química
NOTA: Não se recomenda a DAN química para agulhas e seringas porque
os resíduos químicos que permaneçam depois da passagem repetida por
água fervida podem interferir na acção dos medicamentos.

Embora na maioria dos países estejam disponíveis comercialmente vários


desinfectantes, normalmente quatro desinfectantes: cloro, glutaraldeído, formaldeído
e peróxido de hidrogénio, são normalmente usados como desinfectantes de alto
nível. Estes produtos químicos podem alcançar a desinfecção de alto nível se os
itens submetidos a desinfecção forem minuciosamente limpos antes da imersão. Um
desinfectante de alto nível deve ser seleccionado com base nas características dos
itens a serem desinfectados, a área física a ser usada (isto é, estar bem ventilada) e
o pessoal disponível para realizar o processamento.

Principais Passos na Desinfecção de Alto Nível com Produtos Químicos

 Descontamine os instrumentos e outros itens que possam estar contaminados


com sangue e fluídos corporais, lave e seque-os minuciosamente antes de
mergulhá-los na solução desinfectante.

 Prepare uma solução fresca de desinfectante químico de alto nível (2% de


glutaraldeído [Cidex] ou 8% de formaldeído3 ou solução de cloro com
concentração de 0,1% misturada com água limpa4) conforme prescrito pelo
fabricante ou verifique para certificar que a solução não tenha expirado.

 Submerja os itens limpos e secos no desinfectante de alto nível apropriado.

 Tape o recipiente e deixe de molho por 20 minutos.

 Retire todos os itens da solução química usando luvas submetidas a DAN ou


esterilizadas, ou uma pinça/pega esterilizada.

3
Por questões de toxicidade, irritação e carcinogenicidade o formaldeído é aceitável, mas não
recomendado.
4
Para evitar a libertação de gás tóxico, evite misturar soluções cloradas com formaldeído ou com
soluções à base de amónio; use água submetida a DAN (fervida durante 20 minutos) ou esterilizada
para preparar o cloro com concentração de 0,1%.
136
 Enxague minuciosamente os itens três vezes em água submetida a DAN (água
fervida durante 20 minutos) para remover todos os vestígios do desinfectante
químico.

 Deposite num recipiente submetido a DAN com tampa e deixe secar


naturalmente.

 Use imediatamente ou armazene num recipiente seco submetido a DAN.

Modo de Preparação de Um Recipiente de Armazenagem Submetido à DAN


Os instrumentos ou outros itens submetidos à DAN podem ser armazenados num
recipiente com uma tampa justa que tenha sido submetido a DAN.

Existem duas formas para preparar um recipiente submetido à DAN: por fervura ou
por deixar de molho em solução de cloro com concentração de 0,1% preparada de
fresco com água fervida ou uma solução de cloro com concentração de 0,5%
preparada de fresco com água da torneira.

A fervura é o método preferido para pequenos recipientes. Para recipientes grandes,


é mais fácil usar uma solução de cloro com concentração de 0,5% para desinfectar o
interior do recipiente por DAN.

Procedimento para Fervura

 Deposite o recipiente limpo e a sua tampa numa caldeira ou panela com tampa.

 Leve a água ao ponto de fervura.

 Inicie o temporizador ou consulte a hora num relógio.

 Ferva durante 20 minutos.

 Retire com pinças ou pegas secas submetidas a DAN.

 Deixe o recipiente e a tampa secarem naturalmente.

137
 Use imediatamente ou armazene num recipiente com tampa até serem
necessários.

Procedimento Químico

 Encha um recipiente de plástico (os metálicos tendem a enferrujar) limpo com


solução clorada a 0,1% ou 0,5%.

 Tape e deixe de molho por 20 minutos.

 Despeje a solução de cloro. A solução de 0,5% pode ser usada para


descontaminação e a de 0,1% para DAN durante a sessão clínica.

 Enxague minuciosamente pelo menos duas vezes em água fervida para remover
todos os vestígios da solução de cloro.

 Deixe o recipiente e a tampa secarem naturalmente.

 Use imediatamente ou armazene num recipiente com tampa até serem precisos.

SELECÇÃO DOS DESINFECTANTES

Os desinfectantes são classificados com base na sua capacidade de matar ou


imobilizar alguns microrganismos (baixa ou intermédia) ou todos os microrganismos,
excluindo endóspora (alto nível). Os produtos químicos que podem matar todos os
microrganismos além de todos os endósporos são denominados esterilizantes. A
opção de uso de um desinfectante específico depende daquilo que pretenda
desinfectar. O fenol, cloro e os compostos de amónio quaternários (CAQs) são
utilizados para desinfectar superfícies não críticas, tais como o pavimento, paredes e
outras superfícies. Os glutaraldeídos e formaldeídos são usados para desinfecção de
alto nível ou esterilização de instrumentos e outros itens de uso crítico.

Os anti-sépticos são produtos químicos que inibem o crescimento e reprodução dos


microrganismos em tecidos vivos, para além de destruírem alguns deles. Enquanto
os desinfectantes são prejudiciais para tecidos humanos e não devem ser usados na
pele ou tecido vivo, os anti-sépticos são usados para preparar a pele ou tecido antes
138
de um procedimento invasivo ou para limpeza de feridas. (Dois produtos químicos, o
álcool e o iodo/iodóforos, podem ser usados tanto como anti-séptico como
desinfectante. Consulte os Anexos 1 e 2).

Os desinfectantes devem ser:

 Bactericidas;
 Activos contra uma gama variada de microrganismos (largo espectro anti-
microbiano);

 Resistente à inactivação por material orgânico (ex. fibras de algodão, sangue);

 De acção rápida;

 Não tóxico para os seres humanos;

 Não corrosivo (para objectos metálicos) e não provocar deterioração (para tecido,
borracha, plásticos);

 Económicos e disponíveis.

Armazenagem de Desinfectantes

 Os desinfectantes químicos devem ser armazenados numa área fresca e escura.

 Nunca armazene os produtos químicos em locais com luz do sol directa ou com
calor excessivo (ex. prateleiras de cima num edifício com cobertura de zinco).

Descarte de Recipientes de Produtos de Químicos Vazios

 Os recipientes de vidro podem ser lavados com sabão, enxaguados, secos e


reutilizados. Alternativamente, enxague cuidadosamente os recipientes de vidro
(pelo menos duas vezes) em água e descarte por enterro.

139
 Os recipientes de plástico usados para substâncias tóxicas, tais como
glutaraldeídos ou formaldeído devem ser enxaguados (pelo menos três vezes)
em água e descartados por queima ou enterro.

Descarte de Produtos de Químicos Usados

Despeje cuidadosamente os resíduos no dreno de um lavatório de serviço ou numa


sanita com descarga e enxague ou passe por água. Os resíduos líquidos também
podem ser despejados numa latrina. Evite salpicos. Enxague cuidadosamente a
sanita ou lavatórios com água para remover os resíduos.

Produtos que Não Devem Ser Usados como Desinfectantes

Muitas soluções anti-sépticas são incorrectamente usadas como desinfectantes.


Embora os anti-sépticos (às vezes denominados de “desinfectantes da pele”) sejam
adequados para limpeza da pele antes de procedimentos cirúrgicos, eles não são
apropriados para a desinfecção de instrumentos e luvas cirúrgicas. Não se pode fiar
na sua capacidade de destruir as bactérias, vírus ou endóspora. Por exemplo, o
Savlon (gluconato de clorexidina, com ou sem cetrimida), que está disponível em
todo o mundo, muitas vezes é erradamente usado como desinfectante.

Anti-sépticos que não devem ser usados como desinfectantes:

Lembre-se: Processos de esterilização diferentes têm requisitos de


monitoria diferentes.

A manutenção regular (de acordo com instruções do fabricante) do


equipamento de esterilização deve ser marcada, executada e documentada.

 Derivados de acridina (ex. Cristais ou Violeta de genciana);


 Cetrimida (ex. Cetavlon®);
 Gluconato de clorexidina e cetrimida em várias concentrações (ex. Savlon);
 Gluconato de clorexidina (ex. Hibiscrub, Hibitane);
 Cal clorizada e ácido bórico (ex. Eusol®);
 Cloroxilenol em álcool (ex. Dettol);
140
 Hexaclorofeno (ex. pHisoHex);
 Compostos de mercúrio.

As soluções de mercúrio (tal como o laureato de mercúrio) embora sejam


desinfectantes de baixo nível, provocam defeitos de nascença e são demasiado
tóxicos para uso como desinfectantes ou anti-sépticos.

Outros produtos frequentemente usados para desinfectar equipamento são o fenol


com concentração de 1-2% (ex. Phenol®), ácido carbólico com concentração de 5%
(Lysol®) e cloreto de benzalcónio, um composto de amónio quaternário (Zephiran®).
Estes são desinfectantes de baixo nível e só devem ser usados para descontaminar
superfícies ambientais (ex. pavimentos ou paredes).

MONITORIA DOS PROCEDIMENTOS DE ESTERILIZAÇÃO

Os procedimentos de esterilização podem ser rotineiramente monitorizados com


recurso a uma combinação de indicadores biológicos, químicos e mecânicos como
parâmetros.

Indicadores Biológicos

É altamente recomendada a monitoria regular do processo de esterilização com


indicadores biológicos. As medições devem ser executadas com um indicador
biológico que empregue esporos de uma resistência estabelecida e com uma
população conhecida. Os tipos de indicadores biológicos e os intervalos mínimos
recomendados devem ser:

 Autoclaves a vapor: Bacillus stearothermophilus, semanalmente e quando


necessário

 Estufas : Bacillus subtilis, semanalmente e conforme necessário

Indicadores Químicos

Os indicadores químicos incluem fitas e rótulos indicadores que monitoram o tempo,


temperatura e pressão da esterilização a vapor e o tempo e temperatura da
141
esterilização com estufa. Estes indicadores devem ser usados por dentro e fora de
cada embalagem ou recipiente.

Os indicadores externos são usados para verificar se os itens foram expostos às


condições correctas do processo de esterilização e que a embalagem específica
tenha sido esterilizada.

Os indicadores internos são colocados dentro de uma embalagem ou recipiente na


área de acesso mais difícil para o agente esterilizante (isto é, no meio de uma
embalagem de pano). Este é o indicador que diz se o item ficou esterilizado.

NOTA: Antes de usar qualquer item esterilizado, olhe para a embalagem e


certifique que o selo não está aberto e que a embalagem está intacta,
limpa e seca (além de não apresentar manchas de água). Se a
embalagem estiver seca e intacta, então pode-se ter a certeza razoável de
que esta esteja esterilizado, independentemente de quando foi
esterilizado.

Os indicadores químicos, tais como fita termo-sensíveis ou frascos de vidro


contendo pastilhas que derretam a uma determinada temperatura por um certo
tempo, não garantem que a esterilização tenha sido alcançada. No entanto, eles
indicam a ocorrência ou não de problemas mecânicos ou de procedimento no
processo de esterilização.

Indicadores Mecânicos

Os indicadores mecânicos para esterilizadores oferecem um registo visível do


tempo, temperatura e pressão para esse ciclo de esterilização. Normalmente trata-se
de uma impressão ou gráfico do esterilizador ou pode ser um registo do tempo,
temperatura e pressão mantidos pela pessoa responsável pelo processo de
esterilização nesse dia.

142
ARMAZENAMENTO DOS INSTRUMENTOS ESTERILIZADOS OU
SUBMETIDOS A DAN

Prazo de Validade
O prazo de validade de um item (isto é, quanto tempo os itens podem ser
considerados esterilizados) depois da esterilização está associado aos eventos e
não ao tempo. O item permanece esterilizado até que algo faça com que a
embalagem ou recipiente fique contaminado – o tempo passado desde a
esterilização não é o factor determinante. Um evento pode ser um rasgão ou uma
zona desgastada na embalagem, a embalagem ficar molhada ou qualquer outra
coisa que permita que os microrganismos entrem na embalagem ou recipiente. Estes
eventos podem ocorrer em qualquer altura.

Lembre-se: Ao colocar os itens na prateleira para depois usá-los, use o


método Primeiro a Entrar/ Primeiro a Sair (PEPS).

Os factores que podem destruir a esterilidade ou comprometer a eficiência do


material de embalagem como barreira bacteriana são:
 Poeira;
 Humidade;
 Buracos, de selo quebrado ou rompido;
 Abertura da embalagem.

Portanto, o prazo de validade da esterilização depende dos seguintes fatores:


 Qualidade do embrulho ou recipiente;
 Número que vezes que a embalagem é manipulada antes do uso;
 Número de pessoas que manipularem a embalagem;
 O facto de a embalagem estar armazenada em prateleiras abertas ou fechadas;
 Estado da área de armazenagem (ex. humidade e limpeza);
 Uso de capas contra poeira e métodos de selagem.

A maioria dos eventos de contaminação estão relacionadas à manipulação


excessiva ou imprópria das embalagens. Três é o número ideal de vezes que um
item deve ser manipulado:
1. Ao removê-la do carrinho esterilizador e colocá-la numa prateleira para
armazenagem;,

143
2. Ao transportá-la para o local onde possa ser usada;
3. Ao seleccioná-la para ser aberta para utilização.

Lembre-se: Toque ou manipule as embalagens esterilizadas o menos


possível.

Em algumas US onde a reposição de consumíveis seja limitada e o pano usado para


embalagem seja de baixa qualidade, o tempo como factor limitante também serve
como margem de segurança. Se não estiverem disponíveis capas de plástico
(sacos) para os itens esterilizados, limitar o tempo na prateleira por um período
específico (ex. 1 semana ou 1 mês) pode ser uma decisão razoável, desde que a
embalagem permaneça seca e intacta.

Manipule e armazene os instrumentos de acordo com a forma como são


processados, mantendo pelo menos o mesmo nível de processamento.

Os instrumentos esterilizados:
 Só devem ser manipulados com instrumentos esterilizados (ex. quando
removidos de soluções de esterilização química);

 Devem ser armazenados em recipientes esterilizados.

Os instrumentos submetidos a DAN:

 Devem ser manipulados com instrumentos submetidos a DAN ou esterilizados


(ex. quando retirados da autoclave/panela ou dos produtos químicos);

 Devem ser armazenados em recipientes submetidos a DAN ou esterilizados.

Armazenamento de Instrumentos Esterilizados

 Todos os itens esterilizados devem ser armazenados numa área e modo em que
as embalagens ou recipientes estejam protegidos contra o pó, sujidade,
humidade, animais e insectos. Esta área de armazenagem fica melhor localizada
próximo ou ligada a onde ocorre a esterilização, numa área separada e fechada
com acesso limitado e que possa ser usada somente para armazenar os
consumíveis esterilizados e limpos para os cuidados ao doente. Nas US
144
menores, esta área pode ser apenas um quarto perto da Central de Esterilização
ou dentro da sala de operações.

 De preferência a armazenagem deve ser em armários fechados.

 Todas as embalagens ou recipientes de instrumentos armazenados devem estar


claramente rotuladas com a data de processamento.

 Faça a rotação dos consumíveis (primeiro a entrar/primeiro a sair). Este processo


serve de lembrete, mas não garante a esterilidade das embalagens.

 Controle a temperatura e humidade (temperatura aproximada de 24 ºC e


humidade relativa <70%) quando possível.

 Armazene as embalagens e recipientes com itens esterilizados (ou submetidos a


DAN) a 20 ou 25 cm (8 a 10 polegadas) acima do pavimento, 45 a 50 cm (18 a
20 polegadas) abaixo do tecto e 15 a 20 cm (6 a 8 polegadas) de uma parede
exterior.

 Não use caixas de cartão para armazenagem. As caixas de cartão descamam pó


e detritos e podem albergar insectos.

Armazenamento de Instrumentos Submetidos a DAN

 Os instrumentos submetidos a DAN devem ser armazenados num recipiente


seco, submetido a DAN e com tampa (tanto a tampa como o recipiente devem
estar DAN).

 Para manter os itens desinfectados a alto nível, os recipientes DAN devem


permanecer fechados (sem espreitar) até que os instrumentos sejam
necessários.

 Se os instrumentos não tiverem sido usados, volte a reprocessá-los depois de 1


semana.

145
 De preferência a armazenagem deve ser feita num armário fechado, numa zona
onde se minimize a presença de poeira.

 Todas as embalagens ou recipientes de armazenamento de instrumentos devem


estar claramente rotuladas com a data de processamento.

146
11 CENTRAL DE ESTERILIZAÇÃO

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Descrever uma central de esterilização (CE); e


 Descrever as quatro áreas da central de esterilização.

DEFINIÇÃO
A CE é a zona onde os instrumentos e equipamento são processados e onde o
pessoal deve estar especialmente treinado para manipular, processar e armazenar
instrumentos, equipamento e outros itens limpos, esterilizados ou desinfectados a
alto nível. A CE é considerada uma zona semi-restrita portanto, na CE devem ser
seguidas todas as recomendações para o fluxo padronizado das actividades e o uso
de trajes apropriados.

ÁREAS DA CE

A CE consiste em quatro áreas:

1. Área de recepção/limpeza;
2. Área “limpa” de trabalho;
3. Área de armazenamento do material limpo; e
4. Área de armazenamento do material esterilizado.

FUNÇÕES E EQUIPAMENTO NECESSÁRIOS

Veja abaixo o resumo das quatro áreas de uma CE padrão.

147
Área de Recepção/Limpeza

Nesta área os materiais sujos são recebidos, descontaminados, desmontados e


lavados, enxaguados e secos.

A área deve apresentar:

 Um balcão de recepção;
 Uma máquina de lavar automática para os instrumentos (quando possível);
 Dois lavatórios (um para limpeza e outro para enxaguar) com fonte de água
limpa; e
 Uma área/balcão limpo para secagem do equipamento.

Área “Limpa” de Trabalho (idealmente separada da área de recepção)

Nesta área os materiais limpos são:

 Inspeccionados para detectar defeitos ou danos e se estão efectivamente


limpos; e
 Embalados (quando indicado).

Esta área deve apresentar:

 Uma mesa de trabalho grande; e


 Prateleiras para armazenar os consumíveis limpos, equipamento e instrumentos
adicionais e os materiais embalados.

Deve haver uma área ou sala separada para a esterilização ou equipamento de


DAN, com:

 Uma autoclave a vapor de alta pressão, um vaporizador ou uma caldeira; e


 Carrinha onde as embalagens esterilizadas possam secar antes de serem
enviadas para armazenagem.

148
Área de Armazenamento do Equipamento Limpo

Um local onde o equipamento limpo é armazenado em prateleiras (se possível deve


estar fechado). Esta área deve possuir uma secretária para manutenção de registos
e nesta área só deve ser permitida a entrada do pessoal da CE.

Área de Armazenamento Esterilizado

Nesta área são armazenados as embalagens esterilizadas e materiais


esterilizados tapados. Esta área deve estar separada das outras dentro da CE.

 Limite o acesso à zona de armazenagem. Armazene os materiais em armários


com prateleiras e fechadas. Deve dar-se preferência aos armários com
prateleiras e fechados, uma vez que estes protegem as embalagens e
recipientes do pó e detritos. As estantes com prateleiras são aceites se a área
tiver acesso um limitado e se as práticas de higiene e limpeza e de ventilação
forem controladas.

 Mantenha a área de armazenamento limpa, seca, livre de pó e teias de aranha


ao seguir um calendário regular de higiene e limpeza.

 Armazene as embalagens e recipientes com materiais esterilizados a 20 ou 25


cm (8 a 10 polegadas) acima do pavimento, 45 a 50 cm (18 a 20 polegadas)
abaixo do tecto e 15 a 20 cm (6 a 8 polegadas) de uma parede exterior.

NOTA: Se os consumíveis forem entregues no bloco operatório, estes


devem ser passados pela porta por uma pessoa parada fora do bloco e
recebidos por outra pessoa dentro do bloco operatório.

 Não use caixas de cartão para armazenagem. (As caixas de cartão descamam
pó e detritos e podem albergar insectos).

 Coloque a data e faça a rotação dos consumíveis (Primeiro a Entrar, Primeiro a


Sair [PEPS]). Este processo serve para lembrar que a embalagem está

149
susceptível à contaminação e conserva espaço de armazenagem, mas não
garante a sua esterilidade.

 Lembre-se que os pacotes permanecerão esterilizados desde que a integridade


da embalagem seja mantida. Os recipientes esterilizados permanecem
esterilizados até serem abertos.

 Entregue os artigos esterilizados aos sectores a partir desta área.

Figura 29: Planta tipo das Áreas de Limpeza de Instrumentos, Áreas de Desinfecção a
Alto Nível e Esterilização para US Maiores

150
Figura 30: Planta tipo da Central de Esterilização de um Hospital

Fonte: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003.

A figura 27 ilustra uma CE que consiste em quatro áreas:

1. A área de recepção/limpeza;
2. A área “limpa” de trabalho;
3. A área de armazenamento do equipamento de limpeza; e
4. A área de armazenamento de materiais esterilizados ou desinfectados a alto
nível.

151
12 PROCESSAMENTO DA ROUPA

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir os termos frequentemente utilizados no processamento da roupa


 Descrever o equipamento de protecção individual (EPI) necessário
durante o processamento de roupa
 Descrever os passos do processamento da roupa

DEFINIÇÕES

Roupa: Roupa significa itens de pano usados pelos TS e pelos doentes/utentes


(roupa de cama, toalhas, panos de limpeza, batas, barretes, máscaras, pijamas e
batas cirúrgicas, campos cirúrgicos e envoltórios).

Sabões ou Detergentes (termos usados alternadamente): São produtos de limpeza


(ex. sabão líquido e em pó) que reduzem a tensão superficial, ajudando a remover a
sujidade, detritos e microrganismos presentes na roupa.

Roupa Suja ou Contaminada: São roupas provenientes de várias fontes dentro da


US que foram recolhidas e trazidas para a lavandaria para o processamento,
independente de estarem visivelmente sujas ou não.

Triagem: É o processo de inspecção e remoção de objectos estranhos e em alguns


casos perigosos (ex. objectos perfuro-cortantes ou vidro partido) presentes na roupa
suja antes da lavagem. Este passo é extremamente importante porque a roupa suja
proveniente do bloco operatório ou dos diferentes serviços ocasionalmente contém
objectos perfuro-cortantes (ex. bisturis, tesouras de ponta cortante, agulhas
hipodérmicas e de sutura e clipes de toalha).

Ao processar a roupa, os TS devem estar devidamente formados e serem


regularmente supervisionados para reduzir o risco de contaminação; o pessoal de
cada US deve determinar a melhor forma para manipular, processar e armazenar a
roupa.

153
USO DO EQUIPAMENTO DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL

A tabela 12 menciona o equipamento de protecção individual (EPI) recomendado


para os TS que executem as diferentes tarefas associadas ao processamento da
roupa.

Tabela 12: Recomendações para o Uso de Equipamento de Proteção Individual para o


Processamento da Roupa

Tipo de EPI Quando Usar


Luvas (de preferência luvas domésticas Manipulação de soluções desinfectantes de
grossas e de cano longo) e sapatos/botas limpeza
fechados que protejam os pés contra os Recolha e manipulação da roupa suja
objectos (perfuro-cortantes), sangue ou Transporte da roupa suja
fluídos corporais que acidentalmente Triagem da roupa suja
possam cair Lavagem da roupa suja a mão
Carregamento das máquinas de lavar
automáticas
Avental de plástico ou de borracha, Triagem da roupa suja
protecção ocular/máscara ou escudo Lavagem da roupa suja a mão
facial Carregamento das máquinas de lavar
automáticas

154
PRINCIPAIS PASSOS DO PROCESSAMENTO DA ROUPA

Tabela 13: Principais Passos no Processamento da Roupa


 Garantir que durante a recolha, manipulação, transporte, triagem e lavagem da roupa suja
os TS da higiene e limpeza e da lavandaria usem luvas e outro EPI recomendado.

 Ao recolher e transportar roupa suja, manipule-as e tenha o mínimo contacto possível de


forma a evitar acidentes, ferimentos e a disseminação de microrganismos.

 Considere infecciosa toda a roupa usada durante os procedimentos cirúrgicos (ex.


campos cirúrgicos, batas, envoltórios). Mesmo que não haja contaminação visível, a
roupa deve ser lavada.

 Para prevenir derramamentos e salpicos, transporte a roupa suja em recipientes com


tampa ou em sacos plásticos para as áreas definidas (áreas de armazenagem temporária)
até que sejam transportadas para a lavandaria.

 Antes da lavagem, faça a triagem cuidadosa da roupa na lavandaria.

 Não faça a pré-triagem nem lave a roupa no local onde foi usada.

Recolha e Transporte da Roupa Suja

A roupa suja deve ser recolhida depois dos procedimentos médicos invasivos, dos
procedimentos cirúrgicos, ou após a mudança dos lençóis nos quartos dos doentes.

 Recolha a roupa usada em recipientes ou carrinhas fechadas. Se a roupa estiver


muito contaminada com sangue ou fluídos corporais, enrole cuidadosamente a
roupa na área contaminada e coloque dentro de um saco plástico.

 Esteja ciente de que os sacos de pano são adequados para a maioria da roupa
para cuidados ao doente e o mesmo igual processamento que o seu conteúdo.

 Manipule a roupa suja o menos possível e não a sacuda. Isto ajuda a prevenir a
dispersão de microrganismos para o ambiente, para os TS e para os utentes.

 Não use o saco duplo nem use precauções adicionais para roupa usada
proveniente de doentes em isolamento; estas medidas não são necessárias.

155
 Não faça a triagem nem lave a roupa suja nas áreas de prestação de
cuidados aos doentes (Centros para a Prevenção e Controlo de Doenças
[CDC] 1988; Administração para Segurança e Saúde Ocupacional [OSHA] 1991).

 Recolha e remova diariamente a roupa suja dos quartos dos doentes


depois de cada procedimento, e sempre que necessário.

 Transporte a roupa suja recolhida para a área de processamento em sacos


fechados, recipientes com tampa ou carrinhas fechadas diariamente ou sempre
que necessário.

 Transporte a roupa suja separada da roupa limpa. Se houver carrinhas ou


recipientes separados para roupa suja e roupa limpa, estes devem estar
devidamente rotulados. Caso não, limpe cuidadosamente os recipientes ou
carrinhas usados para transportar roupa suja antes de usá-los para roupa limpa.

 Limpe todos os objectos utilizados para o transporte da roupa diariamente.

Triagem da Roupa Suja

A área de processamento para roupa suja deve estar separada das outras áreas,
tais como aquelas usadas para a dobragem e armazenagem da roupa limpa,
cuidados ao doente e preparação das refeições. Deve existir uma ventilação
adequada e barreiras físicas (paredes) entre as áreas definidas para o
processamento das roupas sujas ou limpas.

Deve fazer-se a triagem da roupa suja por classificação em lotes de lavagem


apropriados, tais como cor, tipos de tecido, tipo de sujidade, quantidade de sujidade
ou tipo de roupa, tais como fraldas, lençóis, batas dos doentes, etc..

A triagem deve ser cuidadosamente executada porque a roupa suja (campos


cirúrgicos e panos grandes) provenientes do bloco operatório ou outras áreas de
procedimentos ocasionalmente contêm objectos perfuro-cortantes (ex. bisturis,
tesouras de ponta, agulhas hipodérmicas e de sutura, clipes de toalha com ponta).
Além disso, a roupa de cama dos quartos dos doentes pode conter compressas
sujas e apresentar manchas de sangue ou estar molhada com outros fluídos
corporais.

156
Lavagem da Roupa

Toda a roupa (ex. lençóis, campos cirúrgicos, máscaras, batas) usada nos cuidados
directos ao doente devem ser cuidadosamente lavados antes de reutilizados. A
roupa suja deve ser imediatamente lavada para evitar manchas. A descontaminação
antes da lavagem não é necessária a menos que a roupa esteja muito suja e seja
lavada a mão (deixar a roupa repetidamente de molho em cloro, mesmo que em
soluções diluídas, fará com que o tecido se deteriore mais rapidamente). Além disso,
os TS não devem transportar roupa suja junto aos seus corpos, mesmo se estiverem
a vestir aventais de plásticos ou de borracha.

Lavagem da Roupa a Mão

Passo 1: Lave a roupa muito suja separada da restante (para a roupa muito suja
proveniente do bloco operatório, sala de partos ou das urgências pode ser
necessário uma pré-lavagem).

Passo 2: Lave toda a roupa com água com detergente/sabão para remover toda a
sujidade, mesmo que não esteja visível. Quando disponível, use água
quente. Acrescente lixívia para ajudar a limpeza e a ação bactericida. Se
desejar, acrescente alvejante (um agente ácido suave) para evitar o
amarelecimento da roupa.

NOTA: Para lavagem da roupa em água quente:

Use água quente acima dos 71 ºC (160 ºF) e sabão para ajudar a soltar a
sujidade.

Como acima, acrescente lixívia (2 ml por litro de água) e sabão.

Ajuste a duração do ciclo da máquina de acordo com as instruções do


fabricante

Passo 3: Verifique se a roupa está limpa. Se continuar suja ou manchada volte a


lavá-la.

157
Passo 4: Enxague e item em água limpa.

Lavagem da Roupa a Máquina

Passo 1: Lave a roupa muito suja separadamente (para a roupa muito suja,
proveniente do bloco operatório, sala de partos ou das urgências pode
ser necessário um ciclo de enxague pré-lavagem).

Passo 2: Ajuste a temperatura e o tempo do ciclo da máquina de acordo com as


instruções do fabricante e com o tipo de sabão ou outro produto de
lavagem usado. Os ciclos de água fria ou quente que incluam lixívia (2 ml
de lixívia/Javel por litro de água) reduzem a contagem bacteriana
presente na roupa.

Passo 3: Quando o ciclo de lavagem estiver concluído, verifique se a roupa está


limpa. Se estiver suja ou manchada, volte a lavá-la. (A roupa muito suja
pode exigir dois ciclos de lavagem).

Os passos para a secagem, verificação e dobragem da roupa lavada a mão ou


a máquina são os mesmos:

Passo 1: Seque completamente ao ar livre ou a máquina antes do passo seguinte.


Se possível, deixe secar diretamente ao sol, mantendo o tecido fora do
pavimento e protegido contra poeira e humidade.

NOTA: Todas as máquinas da lavandaria requerem manutenção preventiva


para a certificação do seu correcto funcionamento (isto é, temperatura,
quantidade de água, duração do ciclo de lavagem, enxague e secagem etc.)
e devem ser usadas respeitando as instruções do fabricante para prolongar
a sua vida útil.

Passo 2: Depois de a roupa estar completamente seca, verifique a presença de


rasgões e de áreas desfiadas. Se estiverem presentes, a roupa deverá ser
descartado ou reparado antes da sua reutilização ou armazenagem. (Se
houver rasgões ou muitos remendos, a roupa não deve ser usada como

158
campo cirúrgico. Pode ser cortado aos pedaços para ser usado como pano
de limpeza.)

Passo 3: A roupa limpa e seca deve ser passada a ferro e dobrada. Por exemplo, se
for aceitável, um campo cirúrgico limpo e seco pode ser engomado antes
de ser colocado numa prateleira ou recipiente para o seu armazenamento.

ARMAZENAMENTO, TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO DA ROUPA LIMPA

Armazenamento da Roupa Limpa

 Mantenha a roupa limpa em áreas de armazenamento


 Use barreiras físicas para separar as salas de dobragem e armazenamento das
áreas para roupa suja
 Mantenha as prateleiras limpas.
 Manipule a roupa armazenada o menos possível.

Transporte da Roupa Limpa

 As roupas limpas e sujas devem ser transportadas separadamente.


 Durante o transporte, a roupa limpa deve ser embalada ou tapada para evitar a
sua contaminação.

Lembre-se:

 A lavagem a máquina é mais eficiente se esta não estiver sobrelotada.


Idealmente a máquina deve estar apenas com 2/3 do limite de capacidade
cheios.
 Os pijamas cirúrgicos, barretes tal como outro EPI, não devem ser levados
pelos TS para serem lavados em casa. Devem ser lavados na US.
 Para prolongar a vida útil as roupas cirúrgicas, tais como batas, panos etc.
não devem ser engomados antes de serem esterilizados.

159
Distribuição da Roupa Limpa

 Proteja a roupa limpa até que esta seja distribuída para utilização.
 Não deixe roupa extra nos quartos dos doentes.
 Manipule a roupa limpa o menos possível.
 Evite sacudir a roupa limpa. Isto liberta pó no quarto.
 Limpe os colchões sujos passando um pano com solução clorada a 0,5% antes
de colocar roupa de cama limpa.

DIRECTRIZES PARA PROCESSAMENTO DO EPI

Tabela 14: Directrizes para o Processamento de Roupa e de Equipamento de Protecção


Individual (EPI)
Desinfecção
Item Descontaminação Limpeza Esterilização
de Alto Nível
Passe um pano Lave com água e
com solução sabão líquido.
clorada a 0,5% e Enxague com água
Aventais enxague com água limpa, seque Não é Não é
(plástico ou limpa entre naturalmente ou com necessária necessária
borracha) procedimentos ou uma toalha no fim do
sempre que forem dia ou quando
retirados. estiver visivelmente
sujo.1
Passe um pano Lave com água e
com solução sabão líquido.
Calçado clorada a 0,5% e Enxague com água
(sapatos e enxague com água limpa, seque Não é Não é
botas de limpa sempre ao naturalmente ou com necessária necessária
borracha) final do dia ou uma toalha no fim do
sempre que dia ou quando
visivelmente sujo. estiver visivelmente
sujo.1
Não é necessária. Lave com água e
(Quando manipular sabão, removendo
itens sujos o todas as partículas
Roupa pessoal da de sujidade.
(barretes, lavandaria deve Enxague com água
máscaras, vestir aventais de limpa, deixe secar Não é Não é
pijamas plástico, luvas e naturalmente ou a necessária necessária
cirúrgicos) calçado e óculos de máquina.1 O

160
Desinfecção
Item Descontaminação Limpeza Esterilização
de Alto Nível
proteção) vestuário seco
naturalmente pode
ser engomado antes
de usado.
Passe um pano Lave com água e
com solução sabão, enxague com
Proteção clorada a 0,5% e água, depois deixe
ocular enxague com água secar naturalmente Não é Não é
(óculos de depois de cada ou na máquina1 necessária necessária
plástico e procedimento ou depois de cada
protectores quando procedimento ou
faciais) visivelmente suja quando estiver
visivelmente sujo.

Não é necessária. Lave com água e


(Quando sabão, removendo
Batas manipularem itens todas as partículas
cirúrgicas, sujos o pessoal da de sujidade. Não é prática De
campos e lavandaria deve preferência
envoltórios usar aventais de Enxague com água
de pano plástico, luvas e limpa, deixe a secar
calçado e óculos de naturalmente ou na
proteção). máquina.
1
Se a água da torneira estiver contaminada, deve-se usar água que tenha sido filtrada para remover
matéria particulada ou usar água tratada com cloro – água tratada com uma solução de lixívia
(hipoclorito de sódio) diluída para criar uma concentração final de 0,001%.

Fonte: Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003.

161
13 CUIDADOS COM A ÁGUA

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Explicar como preparar a água limpa por fervura


 Explicar como preparar a água limpa por cloração
 Descrever as formas de armazenamento de água limpa e segura
 Descrever as formas de prevenção da disseminação da cólera.

DEFINIÇÃO

Água limpa é uma água natural ou tratada quimicamente e filtrada que seja segura
para beber e para usa-la para outros fins (ex. lavagem das mãos e limpeza de
instrumentos médicos) porque cumpre com os padrões específicos da saúde pública.
Estes padrões incluem: zero níveis de microrganismos, tais como bactérias
(coliformes fecais e E. coli), parasitas (Giardia lamblia) e vírus (hepatite A ou E);
turvação reduzida (turvação provocada por matéria particulada e outros
contaminantes); e níveis mínimos de desinfectantes, derivados dos desinfectantes,
produtos químicos inorgânicos e orgânicos e materiais radioactivos. No mínimo, a
água limpa deve estar livre da presença de microrganismos e possuir uma baixa
turvação (seja clara e não turva).

NOTA: As US devem ter água limpa disponível para os seus doentes e TS.

PREPARAÇÃO DA ÁGUA LIMPA

Por Fervura

A água fervida durante 5 minutos é considerada segura para consumo ou uso na


preparação de sais de reidratação oral (SRO) e de leite para lactantes.

163
Lembre-se:

 A cloração não é tão eficaz na água turva porque o material orgânico


combina-se ao cloro livre, reduzindo assim a concentração do cloro
presente na água tratada.
 A água fervida é facilmente recontaminada porque, ao contrário da
água clorada, não possui nenhuma capacidade residual para
inactivar os microrganismos

Por Cloração

A água pode ser desinfectada ao se acrescentar uma pequena quantidade de


composto com libertação de cloro, tal como o hipoclorito de sódio (sem odor). Por
exemplo, só são necessários 10 ml de solução clorada a 0,5% para fazer 20 litros de
água segura para o consumo. Misture bem a água e o cloro e deixe repousar por 30
minutos antes de usar.

Água turva:

 Se a água da torneira ou poço estiver turva, filtre-a ou deixe que a matéria


particulada (sedimento) se deposite.

 Verta cuidadosamente a água limpa para outro recipiente antes de a ferver ou


tratar. (Deite fora o sedimento)

Adaptado de: WHO 2011.

ARMAZENAMENTO DA ÁGUA LIMPA E SEGURA

Mantenha a água fervida/clorada num recipiente limpo (desinfectado), de preferência


com um gargalo estreito para evitar que as mãos ou utensílios toquem na água
limpa.

Os recipientes devem ser limpos e desinfectados antes de reutilizados:

164
 Lave com detergente e água.

 Prepare 5 ml de um hipoclorito de sódio (concentração de 5-6%) a 1 litro de


água, misture e espere 30 minutos.

 Deite esta solução para o recipiente de armazenamento, agite vigorosamente.


Deixe repousar por pelo menos 30 segundos e depois descarte a solução.

 Deixe o recipiente secar naturalmente antes de usar.

Adaptado de: CDC, 2011b.

Nas US, controle regularmente a qualidade da água disponível para o consumo.


Elabore um plano da US para a limpeza dos tanques e reservatórios de água; e
periodicidade de controlo químico e microbiológico da água (lavar e controlar a
qualidade a cada 6 meses), definindo a responsabilidade das actividades. Desenhe e
implemente medidas correctivas para a resolução dos problemas detectados.
Arquive os resultados de controlo de qualidade.

A US deve ainda possuir uma directriz escrita detalhando os passos para a limpeza
dos reservatórios e tanques, que deve utilizar.

A água distribuída pela rede pública é tratada e geralmente possui a concentração


de cloro a 0,001%. As US sem água potável corrente devem preparar a água
diariamente, filtrando e depois clorando a água a uma concentração de 0,001% para
o uso geral – beber, preparação do leite, etc.

A preparação de água limpa contendo 0,001% de solução de hipoclorito de sódio é


económico, fácil e muitas vezes necessário durante situações de emergência (ex.
durante cheias ou outras calamidades naturais que possam levar a uma grande
contaminação do sistema de abastecimento de água e alerta de surto de cólera). A
água a esta concentração ainda possui um sabor agradável, sendo mais segura (o
teor acrescido do cloro assegura que mesmo existindo matéria orgânica que inactive
parte do cloro, o cloro residual é suficiente para tornar a água segura)

165
Tabela 15: Directrizes para Uso da Água Limpa (Desinfectada)
PRÉ-
DE CONCENTRAÇÃO
FINALIDADE TRATAMENTO ALTERNATIVO
PREFERÊNCIA (percentagem)
(filtragem)

CONSUMO,
PREPARAÇÃO +
DE SRO E FERVURA CLORAÇÃO 0,0001
LEITE

USO DE
EMERGÊNCIA +
E SURTOS DE CLORAÇÃO FERVURA 0,001
CÓLERA

USO MÉDICO CLORAÇÃO 0,001


(DAN) +

PREVENÇÃO DA DISSEMINAÇÃO DE CÓLERA

A cólera é disseminada através de água contaminada. Há vários anos que se sabe


que organismos microscópicos presentes na água, denominados de plâncton, são o
reservatório da Vibrio cholerae, a bactéria que provoca a cólera.

Trate a água para beber para diminuir a incidência da cólera. Primeiro, filtre a água
por várias camadas de pano de algodão ou com uma rede de nylon fina e depois
acrescente hipoclorito de sódio para criar uma concentração final de 0,001%.
(Colwell et al. 2003).

166
14 FLUXO E PADRÕES DE ACTIVIDADES

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir o fluxo e padrões de actividades nos diferentes sectores de prestação de


cuidados de saúde;
 Explicar os requisitos em espaço físico e o equipamento necessário para a
prevenção e controlo de infecções;
 Descrever a organização de um bloco operatório; e
 Explicar as directrizes de trabalho na sala de operações.

DEFINIÇÃO

Fluxo e padrões de actividade significa regulamentar o fluxo das visitas, doentes e


TS para evitar a transmissão de doenças nas US. O número de microrganismos nas
diferentes zonas tende a estar associado ao número de pessoas presentes e as
actividades realizadas.

Lembre-se:
A contaminação pode ser minimizada ao reduzir o número de pessoas (TS
e utentes) com acesso autorizado a um determinado local e ao definir as
actividades que nele se realizam.

Uma meta importante da prevenção de infecções é minimizar o nível de


contaminação microbiana nos locais onde têm lugar actividades “limpas”, tais como:

 Salas de exame ou realização de procedimentos: onde se administram injecções,


fazem-se pensos ou onde se executem outros pequenos procedimentos;

 Sala de partos e enfermaria (é importante que durante o trabalho de parto nas


US, esteja presente de um acompanhante escolhido pela parturiente, garantindo-
se porém a privacidade de todas as outras utentes);

167
 Blocos operatórios onde sejam executados grandes e pequenas cirurgias,
incluindo salas pré-operatórias e de recobro;

 Nas áreas de trabalho onde os instrumentos sejam processados, incluindo as


zonas sujas e limpas onde se faça a primeira limpeza dos instrumentos,
equipamento e outros itens sujos para posterior desinfecção de alto nível ou
esterilização e finalmente armazenados.

Veja abaixo as práticas recomendadas para prevenção de infecções e para


minimizar a contaminação microbiana de zonas específicas das US:

TRIAGEM

Salas de Triagem na Unidade Sanitária - Sala de Espera de Diagnóstico e


de Tratamento

 Sala de triagem e de espera (doentes com sintomas respiratórios agudos e/ou


ainda infecciosos, tais como com TB):

 Sinalizar logo na fachada principal da US, próximo da entrada, orientando os


doentes com sintomas respiratórios (tosse, espirros, nariz entupido e/ou
febre, tosse, perda de peso, suores nocturnos e fraqueza) para uma Triagem
ou Serviços Especiais de Espera e Tratamento (sector da TB ou também
designada PNCTL) localizado próximo da entrada; a zona de espera deve
estar aberta e bem ventilada.
 Estas zonas devem permitir a manutenção de uma distância de pelo menos 1
metro entre doentes.

 Nas US pequenas, o sector da TB deve ter: sala de consulta, exame e


tratamento, assim como um laboratório específico para a testagem da TB.
Sempre que possível, o doente deve ter uma atenção prioritária e não se deve
permitir que este espere em nenhum local fechado antes do tratamento (todos os
compartimentos devem possuir taxas de ventilação natural:> 12 trocas de ar por
hora):

 Faça o diagnóstico, defina e inicie o tratamento da forma mais rápida e


adequada possível;

168
NOTA:
Para mais informações sobre a triagem e sobre as Precauções para
a Transmissão por Aerossóis (como a TB), consulte o Capítulo 15 e
também OMS, CDC, REDI Center and Jhpiego. Prevenção e
Controlo de Infecções Respiratórias em Unidades Sanitárias –
Síntese das Orientações – versão preliminar. Tradução Revista em
Português.

 Registe os doentes e, quando estiver indicado o internamento admita-os em


quartos de isolamento ou enfermarias, se a US tiver serviços de internamento
disponíveis; caso não, transfira-os para o hospital de referência; e
 Caso não seja indicado o internamento, dê alta aos doentes directamente do
sector da TB sem passar pela secretaria, para o registo e emissão de cartão,
cobrança e farmácia.

 Configuração do sector da TB:

 Zona de espera: aberta e espaçosa (sem enchente) com um tecto alto por
cima da unidade para garantir o máximo de ventilação; e
 Os corredores através dos quais os doentes são frequentemente
transportados, devem ser bem ventilados.

Salas de Procedimentos

 Limite sempre o tráfego, permitindo somente a passagem de pessoal autorizado


e de doentes.

 Na sala de procedimentos permita apenas a entrada do doente e dos TS que irão


executar ou assistir os procedimentos (nos procedimentos obstétricos e
pediátricos deve-se limitar o número de acompanhantes).

 Informe aos doentes que podem vestir a sua própria roupa desde que limpa.

 Certifique-se de que o pessoal vista o EPI apropriado para os procedimentos


executados.

169
 Providencie recipientes com solução clorada a 0,5% para descontaminação
imediata dos instrumentos e outros itens assim que já não forem necessários.
 Providencie um recipiente com tampa para o descarte de lixo e itens
contaminados (algodão, gaze, compressas) no local.

 Providencie um recipiente resistente a perfuração para o descarte seguro dos


objectos perfuro-cortantes.

 Nas salas de procedimentos organize um espaço para o armazenamento de


consumíveis limpos, submetidos a DAN e esterilizados.

ESPAÇO FÍSICO E EQUIPAMENTOS PRÉ-REQUISITOS PARA OS


PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS

As US apresentam uma grande variabilidade nos serviços que oferecem. Os


requisitos físicos/ infra-estrutural e equipamentos necessários para a realização dos
diferentes tipos de cirurgia, são geralmente os mesmos e incluem o seguinte:

 Vestiário e área de lavagem para o pessoal clínico;

 Zona pré-operatória onde os utentes são examinados e avaliados antes da


cirurgia;

 Sala de operações;

 Zona de recobro para observação dos utentes depois da cirurgia (pode estar
combinada com a zona pré-operatória);

 Zona de processamento para limpeza e esterilização ou desinfecção a alto nível


dos instrumentos e outros itens;

 Espaço para armazenamento de embalagens esterilizadas e/ou recipientes


desinfectados a alto nível para instrumentos e outros itens.

170
Fluxo do Bloco Operatório
Frequentemente o bloco operatório subdivide-se em quatro zonas que são
designadas e definidas de acordo com as actividades nelas executadas:

 Zona não restrita: Esta zona é a entrada do corredor principal e está isolada das
outras zonas do bloco operatório. Este é o ponto através do qual os TS, utentes e
materiais entram no bloco operatório.

 Zona de transição: Esta área consiste primariamente em vestiários e cacifos. É


onde os TS vestem o EPI que lhes permite a passagem das zonas não restritas
para as zonas restritas ou semi-restritas no bloco operatório. Só deve ser
permitida a entrada nesta zona, o pessoal autorizado.

 Zona semi-restrita: Esta é a zona periférica de apoio ao bloco operatório e inclui


as salas pré-operatórias e de recobro, os arrumos para itens esterilizados e
desinfectados a alto nível e os corredores que levam para a zona restrita. Nesta
zona deve-se cumprir o seguinte:

 Limitar sempre o tráfego permitindo somente a passagem de pessoal


autorizado e de doentes;
 Providenciar uma zona de trabalho para processamento dos instrumentos
limpos;
 Providenciar espaço de armazenagem para consumíveis esterilizados ou
desinfectados a alto nível, com armários fechados para minimizar o depósito
de pó e partículas sobre os itens armazenados;
 Providenciar portas para limitar o acesso à zona restrita do bloco operatório;
 Garantir que o pessoal que trabalha nesta zona vista roupa e barretes
cirúrgicos; e
 Garantir que o pessoal calce sapatos limpos e fechados que protejam os
seus pés contra fluídos e itens que possam cair.

 Zona restrita: Esta zona consiste na (s) sala (s) de operações e lavatórios para
a lavagem cirúrgica das mãos. Nesta zona deve-se cumprir o seguinte:

 Limitar sempre o tráfego permitindo somente a passagem de pessoal


autorizado e de doentes;
 A porta deve ser sempre mantida fechada, excepto durante a movimentação
dos TS, doentes, consumíveis e equipamento;
171
 Os TS que tenham realizado a lavagem cirúrgica das mãos devem vestir o
pijama cirúrgico completo, cobrir a cabeça e a barba com um barrete e uma
máscara;
 Os TS devem calçar sapatos limpos e fechados que protejam os seus pés
contra fluídos e itens que possam eventualmente cair;
 É necessário usar máscaras cirúrgicas quando se abrirem consumíveis
esterilizados e quando se estiver a operar;
 Os doentes que entrem no bloco operatório, devem vestir batas limpas ou
estarem cobertos com lençóis limpos e devem ter o cabelo coberto; e
 Durante o transporte não é necessário que os doentes vistam máscaras (a
menos que necessitem de Precauções para Aerossóis).

DIRECTRIZES PARA SE TRABALHAR NUMA SALA DE OPERAÇÕES

Preferencialmente, a sala de operações deve ser fechada para minimizar o pó e


eliminar a presença de moscas e possuir ar condicionado (se as janelas forem o
único meio de ventilação, providencie redes bem ajustadas). A sala de operações
deve estar localizada longe dos locais mais movimentados da US.

Antes de Procedimentos Cirúrgicos

 Caso pretenda utilizar a descontaminação química, coloque num recipiente limpo


e com tampa, a solução clorada a 0.5% ou outro desinfectante aprovado
disponível no local, para descontaminação imediata dos instrumentos e outros
itens assim que já não forem necessários.

 Coloque um saco plástico num balde preferencialmente com tampa para o lixo
contaminado (algodão, gaze, compressas usadas).

 Coloque um recipiente à prova de perfuração para o descarte seguro de objectos


perfuro-cortantes (ex. agulhas de sutura, agulhas e seringas hipodérmicas, e
lâminas de bisturi descartáveis) no local, mas fora do campo esterilizado.

 Coloque um recipiente preferencialmente com tampa, para roupa suja longe dos
itens esterilizados (ou pode ser trazido depois da conclusão do procedimento).

172
 As mesas Mayo e os anéis de cada um dos lados devem estar afastados num da
zona de tráfego e pelo menos a 45 cm (18 polegadas) das paredes, armários e
outras superfícies não esterilizadas.

 Coloque um lençol limpo por cima da mesa de operações.

 Verifique e monte o equipamento de sucção, oxigénio e de anestesia.

 Coloque os consumíveis e embalagens prontas para usar por cima das mesas, e
não no chão ou nos parapeitos das janelas.

 A mesa de mayo e outras superfícies não esterilizadas que irão ser utilizadas
durante o procedimento devem ser cobertas com um lençol ou pano esterilizado.

Durante os Procedimentos Cirúrgicos

 Limite o número de TS que entra na sala de operações – autorize somente as


pessoas necessárias para a realização do procedimento. Faça com que a equipa
cirúrgica seja auto-suficiente para que não seja necessária ajuda externa.

 As portas devem ser sempre mantidas fechadas, excepto durante a


movimentação dos TS, doentes, consumíveis e equipamento.

 Restrinja o número de pessoas e a sua movimentação ao mínimo; o número de


microrganismos (por descamação) aumenta com a actividade.

 Reduza as conversas para o mínimo dentro do campo esterilizado e por cima da


mesa operatória.

 Cada membro da equipe cirúrgica deve vestir o equipamento cirúrgico completo,


incluindo:

 Bata cirúrgica esterilizada por cima do pijama e um barrete cirúrgico limpo


que tape a cabeça e todo o cabelo;
 Sapatos fechados e limpos (ou botas que possam ser limpas com um pano),
para a protecção dos pés contra eventuais fluídos e itens que possam cair; e
173
 Luvas cirúrgicas, protecção ocular e máscaras que cubram a boca, nariz e
todos os pelos faciais.

 O pessoal que tenha feito a lavagem cirúrgica das mãos deve manter sempre os
braços e as mãos dentro do campo operatório e só tocar nos itens ou zonas
esterilizadas.

 OS membros da equipe que não realizaram a lavagem cirúrgica das mãos devem
vestir o equipamento cirúrgico completo, incluindo:

 Pijama cirúrgico limpo;


 Barrete cirúrgico limpo que cubra a cabeça (e todo o cabelo);
 Sapatos fechados e limpos para proteger os pés contra fluidos e itens que
eventualmente caiam; e
 Uma máscara que cubra a boca, nariz e todos os pelos faciais.

 Os membros da equipe que não realizaram a lavagem cirúrgica das mãos devem
permanecer na periferia da sala de operações, mantendo-se longe das zonas
esterilizadas; não devem inclinar-se nem tocar o campo operatório.

 Limpe o mais rapidamente possível os derramamentos acidentais com resíduos


contaminados que ocorram nas zonas fora do campo cirúrgico, usando a solução
clorada a 0,5% (A limpeza deve ser feita por um TS que não realizou a lavagem
cirúrgica das mãos e usando luvas domésticas).

Depois dos Procedimentos Cirúrgicos

 Imediatamente a seguir ao procedimento, coloque os instrumentos de volta na


caixa/carrinho para transporte para a Central de Esterilização (CE) ou coloque
em solução de cloro a 0.5% durante 10 minutos para a descontaminação.

 O TS que irá realizar a higiene e limpeza da sala deve calçar luvas domésticas e
realizar o seguinte:

 Recolher todo o lixo e retirá-lo da sala em recipientes fechados;

174
 Fechar e retirar os recipientes à prova de perfuração quando estiverem com
três quartos do limite de capacidade;
 Remover da sala os recipientes contendo os instrumentos e luvas cirúrgicas
mergulhados na solução clorada a 0,5%;
 Remova a roupa suja em recipientes fechados;

Remova o lixo, roupa suja, instrumentos e equipamento sujos, e os consumíveis que


foram abertos mas que não foram usados, em recipientes fechados. (Certifique-se
que estes itens não voltem a ser reintroduzidos na zona restrita).

175
15 PRECAUÇÕES BASEADAS NA VIAS DE
TRANSMISSÃO

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Definir as precauções baseadas nas vias de transmissão;


 Explicar quando usar as precauções baseadas nas vias de transmissão
em função dos sintomas e sinais apresentados por um utente; e
 Descrever as precauções para transmissão de doenças por aerossóis, por
gotículas e por contacto.

DEFINIÇÕES

Para além das precauções básicas que devem ser usadas com todos os doentes,
existe um segundo nível de precauções que deve ser aplicado aos doentes com
infecção ou colonização confirmada ou altamente suspeita por patógenos
transmitidos por:

 Aerossóis (tuberculose, varicela, sarampo etc.);

 Gotículas (gripe, papeira, meningite e rubéola); e

 Contacto (Hepatite A ou E, e outros patógenos entéricos [inclui a transmissão


fecal/oral], herpes simplex e infeções cutâneas ou oculares).

177
USO EMPÍRICO DAS PRECAUÇÕES BASEADAS NAS VIAS DE
TRANSMISSÃO

Se houver alguma dúvida sobre um processo infeccioso num doente com


diagnóstico desconhecido deve-se ponderar a implementação das precauções
baseadas nas vias de transmissão em função dos sinais e sintomas apresentados
(base empírica), até que se tenha o diagnóstico definitivo. Além disso, na prática as
precauções de isolamento baseadas no diagnóstico não são úteis para os locais que
contam com recursos limitados para os cuidados de saúde, incluindo para a
realização de análises laboratoriais. Nessa circunstância, o sistema de isolamento
deve basear-se completamente nos achados clínicos (sinais e sintomas). Veja na
Tabela 16 uma ilustração do “uso empírico” destas precauções.

Tabela 16: Uso Empírico das Precauções Baseadas nas Vias de Transmissão (pelos
sinais e sintomas)

Aerossóis Gotículas Contacto


 Tosse, febre e achados  Tosse severa e  Diarreia aguda num
no lobo superior do tórax persistente durante doente incontinente ou
(macicez e diminuição períodos em que haja com fralda
dos ruídos respiratórios) casos de tosse
convulsa/gripe na  Diarreia num adulto com
 Tosse, febre e achados comunidade histórico recente de uso
torácicos em qualquer de antibióticos
área numa pessoa  Meningite (febre, vómitos
infectada pelo HIV ou e rigidez na nuca)
com alto risco de HIV  Bronquite e CRUP em
 Rash hemorrágico com lactentes e crianças
 Erupções cutâneas febre pequenas
(vesiculas e pústulas)
 Rash generalizado de  Antecedentes de
 Indução da expectoração causa desconhecida infecção por organismos
ou broncoscopia nos multi-droga resistente
casos de TB confirmada como o staphylococcus
ou suspeita aureus (com a excepção
da TB)

 Rash vesicular

 Abcesso ou ferida
drenante que não
possam ser cobertos

178
PRECAUÇÕES PARA A TRANSMISSÃO DE AEROSSÓIS

Estas precauções foram desenhadas para reduzir a transmissão de partículas muito


pequenas (de dimensões iguais ou inferiores a 5 µm) que podem permanecer no ar
durante várias horas e dispersar-se para longas distâncias (Tabela 16). Estas
partículas são por vezes designadas por aerossóis. Os microrganismos que se
disseminam total ou parcialmente por via de aerossóis incluem uma das causadoras
da tuberculose (M. tuberculosis), varicela (varicella virus) e o sarampo. As
precauções para aerossóis são recomendadas para os doentes com infecções
confirmadas ou suspeitas de serem causadas por estes agentes. Por exemplo,
uma pessoa infectada pelo HIV que apresente tosse, suores nocturnos ou febre, e
achados clínicos ou radiográficos nos pulmões deve ser submetida as precauções
para a transmissão por aerossóis até que seja excluído o diagnóstico de TB.

Tabela 17: Precauções para a Transmissão por Aerossóis

Usadas juntamente com as precauções básicas para doentes com infecção confirmada
ou suspeita causada por microrganismos transmitidos por aerossóis.

 Quarto privativo.
 Porta fechada.
Acomodação dos doentes  O ar do quarto deve ser extraído para o exterior
(pressão negativa do ar) com recurso a um exaustor
ou sistema de filtração, tal como ventilação natural
com grandes trocas de ar.
 Se não houver quartos privativos disponíveis,
coloque o doente num quarto com doentes com
infecção activa da mesma doença, mas sem
qualquer outra infecção (coorte),Ou o mais longe
possível dos outros doentes numa parte bem
ventilada da enfermaria ou quarto (próximo da
janela).
 Restrinja as visitas, especialmente se forem
mulheres grávidas, pessoas imuno-deprimidas ou
crianças.
 Verifique a susceptibilidade de todas as visitas antes
de permitir a sua entrada.

 Se houver suspeita ou confirmação de TB ou de um


novo organismo (um novo vírus da gripe) use um
179
Usadas juntamente com as precauções básicas para doentes com infecção confirmada
ou suspeita causada por microrganismos transmitidos por aerossóis.

respirador de partículas (Máscara N-95, o


Protecção Respiratória equivalente europeu EU FFP2 ou um Respirador
Motorizado de Purificação do Ar {PAPR} quando
disponível.
 Durante procedimentos de indução de aerossóis,
como a indução da expectoração use o N95.
 No caso de varicela ou sarampo:
- Pessoas imunes – não têm necessidade de usar
máscara
- Pessoas susceptíveis – não devem entrar no
quarto.
 O respirador N95 ou PAPR podem ser reutilizados
apenas pela mesma pessoa. Mantenha-o seco, sem
dobrar ou amassar.

Transporte do doente
 Limite o transporte do doente somente para os fins
essenciais.
 Durante o transporte o doente deve máscara
cirúrgica
 Alerte a área que irá receber o doente.

Adaptado de: ETNA Communications 2000; CDC Isolation Guidelines 2008.

Os TS devem lembrar-se que nos locais onde a TB ou TB-MDR (multidroga


resistente) é prevalente, é importante dispor de rotinas que assegurem uma triagem
rápida dos doentes suspeitos de TB, uma vez que foi demonstrado que o
diagnóstico tardio, faz com que estes doentes não sejam separados, podendo ser
um factor importante para a transmissão nosocomial da TB. Os doentes com TB
devem ser tratados em ambulatório, sempre que possível.

Os trabalhadores de saúde devem:

 Fazer rapidamente a triagem e avaliação;

 Orientar os doentes sujeitos às Precauções para Aerossóis para TB sobre o


mecanismo de transmissão da M. tuberculosis e o motivo de serem colocados

180
separados dos demais, de forma a ajudá-los a cumprirem com as
recomendações da equipa de saúde.

 Ensinar aos doentes a taparem o nariz e a boca com um lenço descartável (ou
pano) sempre que tossirem ou espirrarem para prevenir que as gotículas se
dispersem no ar (etiqueta da tosse).

 Separar o doente com suspeita do doença transmitida por aerossóis dos outros
doentes e da equipa de saúde. Os utentes das consultas externas, devem ser
colocados em locais bem ventilados, longe dos demais. Se os suspeitos
necessitarem de ser internados e não houver quartos com pressão de ar
negativa disponíveis, deve-se colocar o doente num quarto privativo, manter a
porta fechada e fazer com que o ar seja extraído para fora ao colocar uma
ventoinha ou exaustor na janela, ou com ventilação natural. Circular o ar do
quarto apenas não basta!

Lembre-se: As pessoas com TB-MDR permanecem infecciosas por


longos períodos de tempo, até mesmo quando estão em tratamento.
Enquanto forem bacilíferas é necessário manter a aplicação das
Precauções para Aerossóis (isolamento). Consulte a equipa da PCI
sobre o momento para interromper o isolamento.

 Priorizar o atendimento. Estes doentes não devem esperar nas salas de espera,
e devem ser imediatamente encaminhados para a realização dos procedimentos
ou testes logo à chegada. Sempre que possível deve-se realizar os
procedimentos no quarto do doente.

 Interromper as precauções por aerossóis nos doentes hospitalizados quando se


tiver eliminado a possibilidade de TB, isto é após duas a três semanas de
tratamento e com doente clinicamente melhor e/ou dois BK negativos.

 Certificar que os resultados laboratoriais do doente sejam avaliados logo que


estejam prontos.

181
NOTA: Para mais informações sobre o controlo da infecção por TB,
consulte: OMS, CDC, REDI Center and Jhpiego: Prevenção e Controlo de
Infecções Respiratórias em Unidades Sanitárias – síntese das orientações-
versão preliminar. Tradução revista em Português.

Higiene Respiratória/Etiqueta da Tosse

As seguintes medidas para a contenção das secreções respiratórias são


recomendadas para todas as pessoas (equipa de saúde, doentes e visitas) com
sinais/sintomas de infecção respiratória.

 Cobrir o nariz/boca sempre que tossir ou espirrar.

 Usar lenços de papel para conter as secreções respiratórias e deita-los depois de


usados no recipiente para lixo mais próximo:

 Caso não haja lenços de papel disponíveis, tossir para a manga da camisa é
melhor do que para as mãos.

 Realizar a higiene das mãos (ex. lavagem das mãos com água e sabão, ou
fricção das mãos com álcool glicerinado depois de ter contacto com secreções
respiratórias e objectos/materiais contaminados.

As US (unidades sanitárias) devem garantir a disponibilidade de materiais para


adesão à etiqueta da tosse para todos os doentes e visitas nas áreas de espera e de
prestação de cuidados:

 Oferecer lenços de papel e disponibilizar baldes para lixo para deitar os lenços
de papel usados;

 Disponibilizar doseadores de álcool glicerinado convenientemente localizados


para a fricção das mãos. Onde houver lavatórios disponíveis, assegurar que
estejam disponíveis os consumíveis para lavagem das mãos (isto é, sabão e
toalhas descartáveis); e

182
 Oferecer máscaras cirúrgicas a todas as pessoas que tenham tosse (doentes e
visitas).

Afixar cartazes na entrada e dentro das consultas externas (ex. urgências, gabinetes
médicos, serviços de consulta externa, laboratório e RX) com orientações para os
acompanhantes sobre a etiqueta da tosse e sobre a importância dos utentes
informarem aos trabalhadores de saúde, o mais cedo possível, se tiverem sinais e
sintomas de infecção respiratória. As pessoas com tosse devem receber máscaras
cirúrgicas.

Mensagem a transmitir aos doentes e visitantes

As doenças respiratórias graves tais como a gripe, o vírus sincicial respiratório (VSR),
a tosse convulsa e SRAS (gripe das aves) são disseminadas através de:

 Tosse ou espirros
 Mãos que não são limpas após contacto com secreções/excreções respiratórias

Para ajudar a interromper a disseminação de germes:

 Cubra a boca e o nariz com um lenço de papel sempre que tossir ou espirrar.
 Se não tiver um lenço de papel, tussa ou espirre para a parte superior da manga de
sua camisa e não para as mãos.
 Deite o seu lenço de papel usado num recipiente para lixo.

Realize a higiene das mãos depois de tossir ou espirrar:

 Lave com água e sabão ou


 Friccione as mãos com álcool glicerinado.

NOTA: Informe ao doente que lhe pode ser pedido que use uma máscara
cirúrgica para a protecção das outras pessoas.

É fácil lembrar o que fazer quando os doentes com TB ou outras doenças


transmitidas por aerossóis chegam a US, ao recordar o acrónimo RESPI:

R: Rastrear rapidamente os suspeitos de TB ou outra doença transmitida por


aerossóis
E: Educar os utentes sobre a etiqueta da tosse e a sua importância na prevenção da
transmissão da doença
183
S: Separar os doentes suspeitos numa sala bem ventilada e se possível usando as
máscaras
P: Priorizar o atendimento destes doentes, minimizando o tempo gasto na US
I: Investigar imediatamente e/ou referir os suspeitos para locais com testes
diagnósticos

(WHO, 1990)

PRECAUÇÕES PARA GOTÍCULAS

Fig. 31 Cartazes educativos para prevenção da TB

Estas precauções reduzem total ou parcialmente os riscos de transmissão dos


patógenos disseminados por gotículas com mais de 5 µm dimensão (elas são
suficientemente grandes para caírem no chão num raio de um metro e não se
transformam em aerossóis). Elas são maiores e mais pesadas que as partículas do
ar. Para infectarem uma pessoa as gotículas têm que entrar em contacto com as
membranas mucosas do nariz, da boca ou da conjuntiva de uma pessoa susceptível.
Estas gotículas são geradas durante a tosse, espirro, fala ou durante alguns
procedimentos, tal como a aspiração da traqueia. Entre as doenças para as quais se
necessita utilizar as precauções para gotículas estão as transmitidas pelos vírus N.
meningitides (meningite) e H. influenza, gripe, papeira e da rubéola. Assim como
para as seguintes condições clínicas: difteria, tosse convulsa e faringite
estreptocócica (escarlatina nos bebés ou crianças pequenas). O uso das precauções
para gotículas, visa proteger o tracto respiratório alto, para além da conjuntiva dos
olhos e das membranas mucosas da boca e do nariz.

As precauções para gotículas são mais simples do que as precauções para


aerossóis porque estas partículas permanecem no ar apenas por um curto espaço
de tempo e só se deslocam cerca de um metro. Portanto, para que um hospedeiro
184
susceptível possa ficar infectado, o contacto com a fonte deve ser próxima (no raio
de 1 metro e geralmente face-a-face) (Tabela 17).

Duração do isolamento para algumas doenças comuns – uso para doentes sob
Precauções para Gotículas:

 Meningite bacteriana: Até 24 horas depois da primeira dose de antibióticos


 Faringite estreptocócica: Até 24 horas depois da primeira dose de antibióticos
 Gripe sazonal: Até 5 dias depois do aparecimento dos sintomas, 7 dias para
crianças
 Papeira: Até 9 dias depois do início do inchaço
 Rubéola: Até 7 dias após o aparecimento da rash

Lembre-se:

 O uso das precauções baseadas nas vias de transmissão, incluindo o seu


uso empírico, foi criado para reduzir o risco de disseminação de infecções
entre os doentes hospitalizados e TSs. Os doentes podem necessitar de
precauções que envolvam mais do que uma via de transmissão, a
depender da forma como se propaga a doença. (ex. O Síndroma
Respiratório Agudo Severo [SRAS] exige precauções básicas, precauções
para gotículas e para contacto).
 A transmissão por vectores refere-se à transmissão de organismos
através de animais (ratos, ratazanas) ou insectos (mosquitos, moscas). A
US deve garantir um ambiente seguro para os doentes (eliminar roedores
e outras pragas) e disponibilizar redes mosquiteiras nas camas (para a
protecção contra os mosquitos) a todos os doentes internados.

185
Tabela 18: Precauções para Gotículas

Devem ser usadas em adição às Precauções Básicas nos doentes com infecção
confirmada ou suspeita por microrganismos transmitidos por gotículas (partículas
maiores que 5 µm).
Acomodação dos doentes
 Quarto privativo; a porta pode ser deixada aberta.
 Caso não esteja disponível o quarto privativo,
coloque o doente num quarto doentes de igual
patologia e sem qualquer outra infecção (coorte).
 Se não houver outra opção, mantenha uma
separação de pelo menos 1 metro entre os
doentes.
 Limite as visitas durante o período de isolamento

Protecção respiratória e
ocular/Membranas mucosas  Use a máscara cirúrgica e óculos de protecção ou
máscara facial quando estiver menos de 1 metro do
doente, incluindo as visitas.

Transporte do doente
 Limite o transporte do doente somente para fins
essenciais.
 O doente deve usar durante o transporte uma
máscara cirúrgica.
 Alerte a área que irá receber o doente.

Adaptado de: ETNA Communications 2000. CDC Isolation Guidelines 2007.

PRECAUÇÕES PARA CONTACTO

Estas precauções reduzem o risco de transmissão de organismos através de


contacto directo ou indirecto com um doente infectado ou colonizado (Tabela 17).
Elas são particularmente úteis se o doente possuir alguns dos factores que
aumentam a probabilidade de transmissão de gotículas, tais como: uso de fraldas,
diarreia ou muitas feridas com secreções. Elas são indicadas para doentes
infectados ou colonizados por patógenos entéricos (vírus da Hepatite A, da Hepatite
186
E ou vírus eco), vírus do herpes simplex e da febre hemorrágica, e bactérias multi-
resistentes aos antibióticos tais como a Staphylococcus aureus resistente a
meticilina (MRSA) ou enterococo resistente a vancomicina (VRE) e Clostridium
difficile. A varicela pode ser disseminada tanto por aerossóis como por contacto,
dependendo do estágio da doença. Em crianças existem inúmeros vírus transmitidos
por contacto directo (rinovírus que provocam resfriados ou rotavírus que provocam
diarreia). Além disso, as precauções para contacto devem ser utilizadas em doentes
com lesões húmidas ou com secreções que possam ser contagiosas (ex. abcessos
supurantes, herpes zóster, impetigo, conjuntivite, escabiose, piolhos e feridas
infectadas).

Tabela 19: Precauções para Contacto

Use conjuntamente com as precauções básicas em doentes com infecção ou


colonização confirmada ou suspeita por microrganismos transmitidos por contacto
directo com as secreções/excreções do doente ou do contacto indirecto com
superfícies ambientais ou objectos dos cuidados para o doente.

Acomodação dos doentes  Em quarto privativo; a porta pode ser deixada aberta.
 Caso não estejam disponíveis quartos privativos,
coloque o doente num quarto com apenas doentes de
igual patologia e sem outra infecção (coorte).
 Se não for possível nenhuma das opções, coloque o
doente longe dos outros doentes e se possível próximo
do lavatório para facilitar a higiene das mãos e os
cuidados ao doente.

 Calce luvas de exame limpas, não esterilizadas (ou


Uso de luvas luvas cirúrgicas reprocessadas) ao entrar no quarto.
 Troque de luvas depois do contacto com material
infeccioso (ex. fezes ou secreções de feridas)
 Realize a higiene das mãos e calce novo par de luvas
sempre que mudar o sítio de realização do
procedimento no mesmo doente.
 Descalce as luvas antes de sair do quarto do doente.

Lavagem das mãos  Lave as mãos com água e sabão, ou friccione as mãos
com álcool glicerinado depois de descalçar as luvas.
 Evite tocar em superfícies potencialmente contaminadas
ou em outros objectos antes de sair do quarto.

187
Use conjuntamente com as precauções básicas em doentes com infecção ou
colonização confirmada ou suspeita por microrganismos transmitidos por contacto
directo com as secreções/excreções do doente ou do contacto indirecto com
superfícies ambientais ou objectos dos cuidados para o doente.
 Vista uma bata limpa e não esterilizada ao entrar no
Batas e Vestuário de quarto (ou leito) do doente e sempre que preveja
Protecção contacto ou se o doente for incontinente, tiver diarreia,
uma ileostomia, colostomia ou ferida com drenos e que
não sejam contidos por uma compressa.
 Dispa a bata antes de sair do quarto ou leito do doente.
Não é permitido que seu vestuário toque em superfícies
potencialmente contaminadas ou em objectos enquanto
estiver no quarto

 Limite o transporte do doente somente para fins


essenciais.
Transporte dos Doentes  Durante o transporte, garanta a manutenção das
precauções para contacto para minimizar o risco de
transmissão de organismos a outros doentes, TS ou ao
ambiente.
 Limpe e desinfecte o equipamento de transporte depois
do uso antes de voltar a usar com outros
doentes/utentes.

Equipamento para Cuidados


ao Doente  Quando possível, reserve o equipamento não crucial
para cuidados ao doente para uso individual no doente.
 Limpe e desinfecte todo o equipamento partilhado entre
doentes/utentes (infectados ou não) depois de cada
uso.

Adaptado de: ETNA Communications 2000; CDC Isolation Guidelines 2007.

188
PREVENÇÃO E CONTROLO
DE INFECÇÕES
NAS UNIDADES SANITÁRIAS

TEMAS ESPECIAIS
16 PREVENÇÃO DE INFECÇÕES ASSOCIADAS
AO USO DE CATETERES INTRA-
VASCULARES

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Explicar o mecanismo de ocorrência das infecções associadas ao uso


de cateteres intra-vasculares;
 Explicar as principais recomendações para minimizar o risco dos
doentes adquirirem uma infecção associada ao uso de cateteres intra-
vasculares; e
 Descrever como cuidar de um cateter intra-vascular (selecção do local
de inserção, preparação da pele, cuidados e mudança do penso).

ANTECEDENTES E PRINCIPAIS CONCEITOS

Os cateteres intra-vasculares podem provocar infecções locais e ou sistémicas.


Constituem a principal fonte de infecções da corrente sanguínea associada aos
cateteres centrais que têm uma elevada taxa de mortalidade e morbidade (Crnich
and Maki 2012). Outras complicações que ocorrem frequentemente com o uso de
cateteres intravasculares são: a bacteriemia, a celulite, a endocardite e os abcessos.
Todos os tipos de cateteres intravasculares possuem um risco de causar infecção da
corrente sanguínea, cuja magnitude está dependente do tipo de cateter. Veja na
tabela 20, no final deste capítulo, uma descrição dos diferentes tipos de cateteres
usados para acesso venoso e arterial.

A maior parte das infecções associadas aos cateteres intra-vasculares são


provocadas pela contaminação do cateter (ou agulha) por microrganismos presentes
na pele do doente, no ambiente circundante ou nas mãos do TS durante a sua
inserção. O cateter fornece um acesso directo para a corrente sanguínea. Os
agentes patogénicos acedem a corrente sanguínea de quatro formas:

189
 Ao se deslocarem ao longo da interface entre o cateter e o tecido;

 Através da contaminação do bisel;

 Através de fluido de infusão contaminado, e

 Através da corrente sanguínea proveniente de outro local infectado.

Discutir pormenores do diagnóstico e tratamento das infecções associadas aos


cateteres intra-vasculares está além do âmbito destas directrizes. Contudo, por estas
infecções poderem comportar elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, alerta-se
para a necessidade do diagnóstico e tratamento precoce, com ênfase para o rápido
reconhecimento dos sinais e sintomas, especialmente dos sistémicos. Em muitos
casos, está indicado a remoção imediata do cateter intra-vascular, se este for a fonte
provável de infecção.

REDUÇÃO DO RISCO DE INFECÇÕES ASSOCIADAS AOS CUIDADOS


DE SAÚDE (IACS) E AO USO DE CATETERES INTRA-VASCULARES

Existem várias recomendações para a prevenção das infecções associadas ao uso


de cateteres intra-vasculares. Uma terapia intravascular não deve ser iniciada sem
uma clara indicação. Vias alternativas para hidratação ou terapia devem ser sempre
consideradas, se clinicamente indicadas. Assim que os cateteres intra-vasculares
forem inseridos, a sua indicação clínica deve ser diariamente avaliada, devendo ser
removidos logo que possível - logo que deixarem de ser necessários para os
cuidados dos doentes (Friedman and Newsom 2011). Quanto mais tempo o cateter
estiver inserido, maior será a probabilidade de infecção.

O risco de infecção associada ao uso de cateter intra-vascular pode ser reduzido ao


seguir-se as práticas recomendadas para prevenção de infecções relativas à sua
inserção (ex. o uso da técnica asséptica) e ao manejo correcto do cateter inserido.
Evidências recentes mostram que para reduzir as infecções da corrente sanguínea
associadas aos cateteres intra-vasculares é necessário aplicar-se uma abordagem
integral e sustentada em vez de uma iniciativa isolada.

Veja abaixo uma série de recomendações para a prevenção das infecções da


corrente sanguínea associada aos cateteres intra-vasculares:

190
1. Educação, formação e aprovisionamento de pessoal

 Oriente o pessoal envolvido com o uso, inserção e manutenção dos cateteres


intra-vasculares
 Avalie periodicamente a adesão às directrizes

 Atribua a tarefa de inserção e manutenção do cateter vascular, somente ao


pessoal formado e capaz de o fazer correctamente

 Garanta o número apropriado de enfermeiros nas Unidades de Cuidados


Intensivos, onde se faça o manejo de doentes com cateter venoso central
(CVC).

2. Selecção dos cateteres e locais de inserção

A. Cateteres periféricos e de linha média

 Seleccione os cateteres de acordo com cada caso particular, levando em


consideração as complicações e experiência do pessoal que os vai manipular

 Seleccione o local de acordo com a idade:

NOTA: Nos adultos, mude o local de inserção do cateter a cada 72-96


horas para reduzir o risco de flebite e de infecção.
Use agulhas rectas ou em borboleta só se estiver planeada uma infusão EV
de curto prazo (menos de 48 horas), pois estas são menos irritantes e
possuem menores taxas de infecção do que os cateteres plásticos.

 Adultos: Dá-se preferência às veias das mãos relativamente às dos


braços, e as veias dos braços em detrimento às das veias das pernas e
dos pés. (As agulhas e cateteres inseridos nas veias da perna e do pé têm
maior probabilidade de causar inflamação no local de inserção ou flebite).
 Crianças: Use as extremidades superiores ou inferiores (só substitua os
cateteres periféricos quando for clinicamente recomendado). Nos lactentes
e neonatos use as veias do couro cabeludo.

191
 Avalie o local de inserção diariamente, palpando o local através da gaze ou
adesivo opaco verificando a existência de endurecimento ou inspeccionando o
local através de um adesivo transparente:

 Palpe suavemente o local do cateter ou agulha para detectar possível


endurecimento.

 Não use agulhas rectas ou em borboleta para soluções que possam provocar
necrose dos tecidos (ex. dopamina, vancomicina ou potássio), uma vez que
estas infiltram com frequência.

 Remova imediatamente o cateter, caso haja sinais de flebite (calor,


endurecimento ou rubor), infecção ou obstrução do cateter.

B. Cateteres venosos centrais (CVC)

 Antes de inserir um cateter venoso central pondere os riscos e benefícios


desta intervenção. (Veja no final deste capítulo uma nota com indicações
para inserção do CVC).
 Adultos: opte pelos locais subclávios. Se o uso de uma veia subclávia não for
exequível, use uma veia jugular interna. Evite sempre o uso da veia femoral.

NOTA: Use uma lista de verificação para inserção de cateter para garantir a
adesão às práticas de prevenção de infecções durante a inserção dos CVC
(veja no anexo L um modelo de lista de verificação). use também uma
bandeja ou kit para cateteres centrais (certifique-se de ter todos os itens
necessários antes de iniciar o procedimento).

 Doentes pediátricos: a selecção do sítio depende da idade e estatura/peso do


lactente/criança, nos neonatos use a veia ou artéria umbilical.
 Nos doentes em hemodiálise ou falência renal crónica:

 Para diálise permanente use uma fístula ou enxerto em vez do CVC


 Evite a subclávia (risco de estenose)

192
 Remova imediatamente todos os cateteres desnecessários e use um cateter
com um número menor de portos.

3. Higiene das mãos e técnica asséptica

 Realize a higiene das mãos antes e depois de tocar qualquer uma das
componentes do conjunto EV (endovenoso). (Lave com água e sabão e seque
com toalhas de papel/toalha limpa, ou use álcool glicerinado para friccionar as
mãos)

 Realize a higiene das mãos antes de inserir, substitui, aceder, reparar ou fazer
um penso num cateter EV

 Calce luvas de exame limpas ou luvas esterilizadas antes de tocar no sítio da


inserção, no bisel da agulha ou cateter

 Depois de retirar as luvas, lave as mãos ou friccione com álcool glicerinado

 Mantenha uma técnica asséptica para a inserção e cuidado do cateter intra-


vascular

 Calce luvas esterilizadas para inserção de cateteres centrais, arteriais e de


linha média

 Calce luvas limpas para inserção de cateteres periféricos, se o local de


acesso não for tocado depois da aplicação de anti-sépticos cutâneos

 Calce luvas limpas ou esterilizadas ao trocar de compressa no cateter intra-


vascular

 Calce luvas esterilizadas novas quando for fazer a troca de fio guia

Lembre-se: A inserção deve ser realizada numa sala/área de


tratamento e não no leito/cama de uma enfermaria ou em quarto com
várias camas.

193
4. Precauções de barreira

 Todos os TS que participem na inserção do cateter devem usar as


precauções de barreira completas – luvas esterilizadas e sem pó, bata
esterilizada, máscara e barrete para o cabelo.

 Os TS que não estejam a participar activamente, mas estejam presentes na


sala devem usar uma máscara.

NOTA: Use a clorexidina com cautela nos doentes com menos de 2


meses.
Para cateteres umbilicais: Use um anti-séptico antes da inserção. Evite a
tintura de iodo, mas pode usar outros produtos iodados. Acrescente
pequenas doses de heparina (0,25-1,0 U/ml) ao líquido infundido pelos
cateteres umbilicais.

 O doente deve ser coberto com um campo cirúrgico esterilizado que cubra o
corpo inteiro e com uma abertura para o local da inserção. O doente deve
estar tapado da cabeça aos pés para evitar a descamação de detritos (células
epiteliais, bactérias, sujidade, pó, cabelo, linhaça etc.) para o local da
inserção. Deite o doente na posição de Trendelenburg, vire a cabeça do
doente para o lado contrário do local previsto para a inserção e tape todo o
corpo com o campo cirúrgico, cobrindo as expirações do nariz e da boca do
doente.

 Assim que o local tiver sido preparado, não reposicione o campo cirúrgico
nem deixe que o doente se mova, uma vez que pode resultar na
contaminação do local.

5. Preparação da pele:

 Se o local para inserção do cateter estiver visivelmente sujo, lave-o com água
limpa e sabão e seque-o antes de aplicar o anti-séptico cutâneo.

 Para um cateter venoso periférico, prepare a pele com um anti-séptico (álcool


com 60-90% [idealmente 70%], tintura de iodo, um iodóforo ou
álcool/gluconato de clorexidina).
194
 Para os CVC e arteriais, gluconato de clorexidina a 2-4%. Apenas se o
gluconato de clorexidina não estiver disponível, use iodopovidona a 10%,
tintura de iodo ou álcool de 60-90% (idealmente 70%) para preparação da
pele (O’Grady et al. 2011).

 Deixe o anti-séptico secar antes de iniciar a inserção. (Se usar a iodopovidona


como agente anti-séptico, deixe-a secar completamente depois de aplicar ou
espere pelo menos 2 minutos antes da inserção).

6. Cuidados e penso para o local do Cateter

 Use uma gaze esterilizada ou um adesivo esterilizado e se possível


transparente e semipermeável para cobrir o local do cateter. Se for mantido
seco, o penso deve ser trocado após um período máximo de 48 horas.
O penso deve ser imediatamente trocado se estiver húmido, sujo ou solto.

 A gaze e os adesivos devem ser trocados sempre que for necessário fazer
uma inspecção do local.

 Ao trocar de compressas, não deixe a fita adesiva nova ser contaminada pelo
ambiente (ex. ao colocar os pedaços cortados no canto da cama ou da
cabeceira).

 Os adesivos transparentes permitem a inspecção do sítio, servem de adesivo


para segurar o cateter ou agulha e podem ser mais confortáveis, mas não
existem evidências de que reduzam o risco de infecção, comparativamente a
uma gaze esterilizada ou limpa e adesivo cirúrgico.

 Troque os adesivos de 7 em 7 dias ou imediatamente se estiver húmido, sujo


ou solto.

 O local da inserção deve ser inspeccionado se o doente desenvolver dor ou


febre sem causa evidente.

 Não submerja o cateter ou o local do cateter em água. Se o doente tiver


necessidade de tomar banho, cubra o local.

195
 Use uma manga esterilizada para os cateteres da artéria pulmonar.

 Inspeccione o sítio da compressa do local de inserção pelo menos uma vez


por dia ao trocar de penso ou por palpação através de uma compressa
íntegra.

 Cuidados especiais para Cateteres Centrais:

 Certifique-se da adesão estrita da higiene das mãos antes e depois da


inspecção dos locais ou manipulação dos cateteres centrais;
 Antes de aceder ao cateter desinfecte os biséis dos cateteres, agulhas,
conectores e vias de entrada esfregando com álcool a 60-90% (idealmente
70%) – uma passagem rápida não é adequada;

NOTA: Com a excepção dos cateteres para diálise, não use cremes
antibióticos tópicos ou pomadas nos locais de inserção.
Antes da inserção ou durante o uso do cateter intravascular não se
recomenda a profilaxia antimicrobiana sistémica.

 Avalie diariamente a necessidade contínua do cateter; remova-o logo que


deixar de existir uma indicação médica estrita;
 Troque os adesivos e realize os cuidados do local de inserção com um
anti-séptico com base em clorexidina a cada 5 –7 dias ou imediatamente
se estiver húmida, suja ou solta, e
 Refaça o penso com compressas de gaze e anti-séptico com base em
clorexidina a cada 48 horas ou logo que esteja húmido, sujo ou solto.

Lembre-se: Se o doente desenvolver sensibilidade no local de


inserção, febre sem outra fonte óbvia ou outras manifestações
sugestivas de infecção, o penso deve ser removido para permitir um
exame minucioso do local.

196
7. Substituição

 Nas crianças, evite substituir regularmente os cateteres periféricos. Faça-o


somente quando for clinicamente indicado
 Não utilize o momento de mudança do fio guia para substituir um cateter
de lúmen único suspeito de infecção

 Use o momento da troca do fio guia para substituir apenas os cateteres


não tubulares e SE não houver sinais de infecção

8. Vias de Injecção e de Acesso

Para minimizar a contaminação dos fluidos EV e do doente durante o uso das


vias de entrada para injecção ou outros acessos (torniquetes, conectores sem
agulha), esfregue vigorosamente a via de acesso com álcool 60-90%
(idealmente 70%) antes de o usar.

NOTA: Ao inserir uma agulha ou um cateter numa veia não deixe que o
sangue pingue para a mão, antebraço, cama do doente ou para o chão!
O torniquete deve ser lavado com água e sabão, enxaguado e seco sempre
que estiver visivelmente sujo, e descontaminado com solução clorada a
0,5% ou álcool a 60-90% (idealmente 70%) entre doentes.
Escreva cuidadosamente no penso a data e hora da substituição do cateter
EV e a dimensão da agulha/cateter.

9. Troca de Sistemas para a Infusão ou Administração de Fluidos

 Substitua os sistemas de administração de soros com um intervalo não


superior a 96 horas, e pelo menos a cada 7 dias (troque imediatamente se
estiver danificado ou contaminado).

 Troque os frascos/balões de soros e os jogos de administração de soluções


parenterais a cada 24 horas.

 Troque os sistemas usados para a administração de sangue e seus derivados


ou emulsões de gordura nas primeiras 24 horas após o início da infusão.

197
 Substitua o sistema usado para administrar infusões de propofol a cada 6 ou a
cada 12 horas, ou quando trocar o frasco, de acordo com as recomendações
do fabricante.

Lembre-se: A síntese do “protocolo” para prevenção de infecções


da corrente sanguínea associadas ao uso de cateteres centrais
inclui:

 Educação para aos clínicos


 Garantia da higiene das mãos
 Uso das precauções máximas de barreira esterilizada
 Uso da clorexidina a 2-4% e álcool para antissepsia da pele
 Evitar a substituição de rotina
 Selecção do local e o sistema de administração apropriado
para o cateter (evitar a femoral)
 Padronização e disponibilização dos kits de inserção
definidos
 Implementação e lista de verificação para inserção do
cateter
 Empoderamento do pessoal
Adaptado de: O’Grady et al. 2002.

198
Tabela 20: Principais fontes de contaminação associada aos cateteres Intra-
vasculares e formas de prevenção

Principal Fonte de Prevenção


Infecção
Fluido de infusão Quando produzida no local:
 Monitore o processo de esterilização.
 Certifique-se que o fluido não contenha pirógenos.
 Evite que o recipiente seja danificado durante o
armazenamento.
 Inspeccione o recipiente para detectar rachas, fugas,
matéria particulada ou turvação.
Adição de Use a técnica anti-séptica (higiene das mãos, técnica de não
medicamentos tocar).
Use medicamentos esterilizados.
Sempre que possível, use frascos de dose única.
Execute o procedimento na farmácia ou sala de tratamentos.
Use um dispositivo esterilizado para aceder ao sistema
(sistemas, portos, conectores sem agulha, torniquetes,
seringas e agulhas).
Se for necessário usar frascos multidose:
 Refrigere quando abertos (sem prejuízo das
recomendações do fabricante)
 Limpe o diafragma (esfregue vigorosamente) com
álcool 70% antes de inserir uma cânula/agulha.
Aquecimento do Certifique que não haja contaminação causada pelo fluido
recipiente aquecedor.
Dá-se preferência pelos sistemas de aquecimento a seco.
Inserção do cateter Certifique-se da higiene rigorosa das mãos e do uso de luvas
esterilizadas, sem talco, por parte do TS.
Limpe cuidadosamente a pele no local de inserção e depois
aplique o anti-séptico e deixe secar.
Para os cateteres centrais:
 Higiene das mãos
 Precauções máximas de barreira
 Clorexidina e álcool para preparação da pele
Cubra com uma compressa esterilizada assim que possível.
Sítio do cateter Na presença de sinais de infecção, remova o cateter.
Inspeccione o local a cada 24 horas.
Só troque a compressa quando estiver suja, solta ou
húmida/molhada, usando uma técnica asséptica.
Não use pomadas antimicrobianas.
Limpe (esfregue) vigorosamente com álcool 60-90%
Vias de entrada (idealmente 70%) e deixe secar antes de usar.
Feche com torniquetes esterilizados as vias de entrada que
não sejam necessárias.

199
Principal Fonte de Prevenção
Infecção
Substitua com frequência não superior a 96 horas (sangue,
Troca do sistema de produtos sanguíneos e lípidos nas primeiras 24h, depois de
infusão iniciar a infusão).
Certifique que o TS cumpra a higiene das mãos.
Use a técnica asséptica.

Adaptado de: Friedman and Newsom 2011

Tabela 21: Tipos de Cateteres Intra-vasculares Usados para Acesso Venoso e


Arterial

Tipo de Sítio de Entrada Compriment Comentários


Cateter o

Normalmente inserido nas <7,6cm Flebite com o uso


Cateter veias do antebraço ou da prolongado; raramente
venoso mão; uso de curta associados a infecções
periférico duração da corrente sanguínea
Normalmente inserido na <7,6cm Risco reduzido de
artéria radial para o uso infecção; raramente
Cateter de curta duração: associado a infecção da
arterial monitorar o estado corrente sanguínea
periférico hemodinâmico e os níveis
de gases sanguíneos;
podendo eventualmente
ser colocado nas artérias
femoral, axilar, braquial
ou tibial posterior
Inserido por via da fossa 7,6-20,3 cm Foram reportadas
ante cubital (antebraço) reacções anafiláticas com
para as veias basilares ou cateteres feitos de
Cateter de cefálicas proximais; não hidrogel elastomérico;
linha média entra nas veias centrais índices menores de flebite
do que os cateteres
periféricos curtos
Cateter Inserido por via ≥8 cm Responsável pela maioria
venoso central percutânea nas veias dependendo das infecções da corrente
de lúmen centrais (subclávia, do tamanho sanguínea associadas a
único jugular interna ou do doente cateteres
femoral); normalmente
usa-se o cateter venoso
central (CVC)

200
Tipo de Sítio de Entrada Compriment Comentários
Cateter o

Inserido através de um ≥30 cm Normalmente ligado por


introdutor de Teflon® dependendo heparina; taxa de
Cateter da numa veia central do tamanho infecção da corrente
artéria (subclávia, jugular interna do doente sanguínea similar ao
pulmonar ou femoral) CVC; preferência pelo
sítio da subclávia para
reduzir o risco de infecção

Cateter Inserido através das veias ≥20 cm Taxa de infecção menor


venoso central periféricas (basilares, dependendo que o CVC de lúmen
inserido cefálica ou braquial) para do tamanho único e de fácil
perifericament a veia cava superior do doente manutenção
e (PICC)
Implantados ≥8 cm A manga inibe a migração
cirurgicamente nas veias dependendo de microrganismos para
subclávia, jugular interna do tamanho dentro do trato do cateter;
Cateter ou femoral com uma do doente taxa de infecção menor
venoso central manga por dentro da que os CVC sem túnel;
de túnel parte que sai da pele usado nos doentes para
acesso vascular de longa
duração
Um porto ou reservatório ≥8 cm Risco menor de infecção
subcutâneo com septo de dependendo da corrente sanguínea;
túnel auto-selável por do tamanho melhor autoimagem do
Totalmente baixo da pele. Acedido do doente doente; não necessita de
implantável através de uma agulha na cuidados locais no local
pele íntegra; implantado do cateter; necessária
na veia subclávia ou cirurgia para remoção do
jugular interna cateter
≥6 cm Risco de infecção da
Inserido na veia ou artéria dependendo corrente sanguínea
Cateter umbilical do tamanho similar entre os cateteres
umbilical do doente colocados na veia e na
artéria umbilical

Adaptado de: O’Grady et al. 2011; Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003

201
NOTA:

Lista de indicações para a inserção de cateteres venosos


centrais (CVC):

 O uso de cateteres venosos centrais (CVC) está


indicado quando precisa de administrar:
 Medicamentos vasoactivos potentes (com impacto
directo sobre a tensão arterial ou sobre o ritmo
cardíaco), tal como a norepinefrina ou dopamina
 Terapia antibiótica intravascular de longa duração ou
analgesia – terapia da dor
 Outros medicamentos que podem causar danos aos
vasos sanguíneos, provocando flebite ou necrose, tais
como quimioterapia ou potássio
 Soluções hipertónicas (concentrações de sal
superiores ao sangue) tal como a nutrição parenteral
 Ou quando for necessário:
 Hemodiálise
 Monitoria hemodinâmica
 Marca-passo cardíaco de aplicação trans-venosa
 Retiradas frequentes de sangue
 Terapia intravascular quando o acesso venoso
periférico for impossível

202
17 PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES
DO TRACTO URINÁRIO ASSOCIADAS
AO USO DAS ALGÁLIAS
OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Explicar como ocorrem as infecções associadas à algaliação; e


 Explicar como minimizar o risco dos doentes contraírem uma infecção
do tracto urinário associada ao uso da algália.

DEFINIÇÕES

Infecções do tracto urinário (ITUs) são o tipo mais comum de infecções


associadas aos cuidados de saúde, e são responsáveis por 36-40% de todas as
infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS). A maioria das ITUs está
associada aos procedimentos invasivos do trato urinário, principalmente à algaliação.
O risco de um doente algaliado desenvolver bacteriúria aumenta com a duração da
algaliação. Por exemplo, cerca de 50% dos doentes algaliados por mais de 7-10 dias
desenvolvem uma infecção, mas esta proporção aumenta para 100% nos doentes
algaliados por mais de 30 dias (4 semanas). Para além disso, todos os doentes cuja
urina é recolhida para um saco ou recipiente aberto desenvolvem bacteriúria em 4
dias (sintomática ou não). Muitos destes doentes progridem para uma infecção
clinicamente significativa (ex.: pielonefrite, cistite), que muitas vezes culminam em
infecção secundária da corrente sanguínea - uma infecção muito grave e
potencialmente letal.

A infecção do tracto urinário associada à algália (ITUAA) foi associada ao


aumento da morbidade, mortalidade, custos hospitalares e duração do internamento.
Além disso, normalmente a bacteriúria leva ao uso desnecessário de antibióticos e
tornam muitas vezes as vias urinárias reservatórios de bactérias multidroga
resistentes.

(Friedman and Newsom 2011; Gould et al. 2009; Rosenthal et al. 2010; Tietjen, Bossemeyer and
McIntosh 2003)

203
REDUÇÃO DO RISCO DE IACS ASSOCIADAS AO USO DE ALGÁLIAS

Com a excepção da extremidade da uretra ou do pénis, o sistema urinário


normalmente é estéril. A capacidade de esvaziar completamente a bexiga é uma das
formas mais importantes que o organismo possui para manter a urina estéril e
prevenir ITUs. O esvaziamento completo da bexiga impossibilita a multiplicação
bacteriana, perdendo estas a oportunidade de infectar os tecidos. Ou seja, as
defesas normais contra as ITUs são: uma uretra permeável (desobstruída), a
integridade das mucosas e a capacidade vesical de realizar um esvaziamento
completo. No entanto, a inserção de uma algália quebra estas defesas, e introduz
nas vias urinárias os microrganismos da extremidade da uretra ou do pénis,
facilitando o acesso dos microrganismos à bexiga.

NOTA:
Os microrganismos podem colonizar rapidamente (em poucos dias) o
exterior ou interior da algália criando uma película biológica, um
revestimento de protecção viscoso, parecido com a cola que protege aos
organismos do sabão, desinfectantes ou da esterilização. esta película
biológica torna os microrganismos resistentes aos antibióticos e a outras
defesas do hospedeiro, provocando o desenvolvimento de uma ITUAA. Daí
a importância da remoção da algália logo que seja clinicamente
possível.

Os microrganismos podem chegar à bexiga de duas formas: pelo interior da algália


(isto é, refluxo da urina) ou ao deslocar-se no espaço entre a superfície exterior da
algália e a mucosa uretral. Portanto, deve evitar-se qualquer movimento da
algália de frente para trás, elevação do saco de armazenamento acima do nível
da bexiga ou deixar que a urina seja recolhida num sistema de drenagem
aberto (saco ou recipiente) logo após à algaliação, porque cada uma destas
acções facilita o acesso dos microrganismos à bexiga.

O refluxo da urina na algália é o mecanismo mais comum de ITUs nos homens. Nas
mulheres a infecção é geralmente resultante da migração dos microrganismos para a
bexiga ao longo do exterior da algália, em parte devido ao curto tamanho da uretra.
Assim, a incidência de ITUs nosocomiais depende, em grande medida, da duração
da algaliação e do tipo de sistema de drenagem (fechado versus aberto).

A algaliação interna só deve ser feita quando os outros métodos de esvaziamento da


bexiga não se mostrarem eficazes. É especialmente importante limitar a duração da
algaliação.
204
As indicações aceites para a algaliação são:

 Manejo a curto prazo (dias) da incontinência (incapacidade de controlar o


urinar) ou da retenção (a incapacidade de urinar) não resolvida por outros
métodos.

 Medição a produção de urina ao longo de vários dias, em doentes críticos.

 Introdução de medicamentos.

 Tratamento da obstrução à saída da urina (desobstrução da uretra).

 Manejo pós-operatório de doentes cirúrgicos com função vesical deficiente


(indicação mais comum).

NOTA:
As equipas clínicas devem planificar-se para fazer a avaliação da
indicação clínica da algaliação, diariamente.

 Durante uma cirurgia prolongada (as algálias inseridas por este motivo
devem ser removidas após a cirurgia, na sala de recobro ou na unidade de
cuidados pós-anestésicos) ou, nos procedimentos cirúrgicos seleccionados
(tais como os do tracto geniturinário).

 Monitoria intra-operatória da produção de urina.

Outros métodos de manejo dos problemas do tracto urinário incluem: algaliação


intermitente usado algália “de borracha vermelha” recta e reutilizável, algálias com
preservativo para os doentes do sexo masculino, fraldas para adultos e re-
treinamento da bexiga.

Lembre-se: As algálias internas NÃO DEVEM ser usadas para o


manejo a longo prazo da incontinência nem por conveniência dos TS.

205
DICAS PARA PREVENÇÃO DE INFECÇÕES NOS DOENTES
ALGALIADOS

 Faça a higiene das mãos antes e depois de inserir ou manipular uma


algália ou um sistema de recolha de urina.

 Use uma técnica asséptica ao inserir uma algália:

 Use uma algália, luvas e sistema de recolha de urina esterilizados;


 Lave a zona púbica/pénis com água limpa e sabão antes de usar um anti-
séptico;
 Use um anti-séptico para preparar o meato urinário antes da inserção
(gluconato de clorexidina 2-4% ou iodopovidona a 2%).

 Tamanho da algália: Opte pela algália de menor diâmetro que permita o fluxo
livre da urina.

 Algalie quando a bexiga estiver cheia (efeito lavagem).

 Use um sistema fechado de recolha de urina (algália, tubagem de


drenagem, caso não possam ser separados):

 O sistema de recolha da algália deve permanecer fechado e não deve ser


aberto.

 Fixe a algália à perna para prevenir o movimento da algália dentro da uretra:

 Deixe folga na algália para permitir o movimento da perna e evitar a


tensão.
 Numa doente do sexo feminino, prenda a algália de Foley à parte interior
da coxa.
 Num doente do sexo masculino, prenda a algália de Foley à parte
superior da coxa ou ao abdómen.
 Avise ao doente para evitar puxar a algália.

 Avalie diariamente a indicação da algália para o doente e remova-a


assim que possível.

206
 Garanta um fluxo desobstruído (o fluxo da urina pela algália deve ser
verificado várias vezes por dia para garantindo a permeabilidade da algália).

 Não permita a estagnação da urina:

 Certifique que a tubagem não esteja pendurada abaixo do nível do saco


de drenagem.
 Não permita a sobre distensão da bexiga; a bexiga deve poder drenar
sempre.

 Evite elevar o saco de recolha acima do nível da bexiga:

 Se for necessário elevar o saco acima da bexiga do doente durante a


transferência do doente para uma cama ou maca, pince a tubagem.

 O saco de recolha nunca deve tocar o chão.

 Antes do doente se por de pé, drene toda a urina da tubagem para dentro
do saco.

 Os sacos de drenagem (recolha) da urina devem ser esvaziados asséptica e


regularmente:

Não toque na ponta do tubo de vazamento dentro do recipiente de recolha e não


deixe que a ponta toque na urina dentro do recipiente.

Melhores Práticas: cada doente deve ter o seu próprio recipiente de recolha com
uma abertura larga para prevenir a contaminação acidental.

 Se a tubagem de drenagem se desprender, não toque nas pontas da algália


ou da tubagem:

 Passe um pano/limpe vigorosamente as pontas da algália e da tubagem


com um lenço glicerinado ou gaze antes de voltar a conectá-los.

 As amostras de urina (bacteriológicas) devem ser retiradas da terminal de


amostragem usando uma técnica asséptica:

207
 Um álcool a 70% para desinfectar o porto antes de retirar a amostra.

NOTA:
A aplicação de anti-sépticos (ex. um iodóforo, tal como o betadine) ou
antibióticos tópicos na zona perineal (a zona uretral das mulheres e a
cabeça do pénis nos homens) não reduz o risco de infecções do
tracto urinário associadas às algálias.
 Nunca retire uma amostra de dentro do saco para cultura.

 Lave a glande e o orifício da uretra (nos homens) ou vulva (nas mulheres)


depois de cada dejecção ou se o doente for incontinente:
Mantenha a zona peri-uretral limpa e seca.

 Se a algália ficar bloqueada (obstruída), a algália e o sistema de recolha


devem ser trocados.

Forneça aos TS formação contínua sobre as ITUAA, outras complicações da


algaliação e as alternativas às algálias internas.

Lembre-se: Sempre que um doente tiver uma algália interna


aplicada, pode ocorrer infecção, incluindo septicemia gram-negativa,
portanto avalie diariamente para detectar sinais de infecção –
lombalgia ou dores na coluna, urina turva ou febre.

Adaptado de: Friedman and Newsom 2011; O’Grady et al. 2011; Rosenthal et al.
2010; Tietjen, Bossemeyer and McIntosh 2003

208
Figura 28: Áreas de Contaminação Frequente

Fonte: Friedman and Newsom 2011.

Resumo sobre prevenção de infeções do tracto urinário


associadas às algálias:

 Realize a higiene das mãos.


 Evite o uso desnecessário da algália – remova logo que for
clinicamente indicado.
 Use uma técnica de algaliação e cuidados assépticos.
 Mantenha um sistema fechado.
 Prenda a algália.
 Evite a obstrução da algália ao posicionar devidamente o
sistema de drenagem.
 Certifique-se de que a posição do saco de drenagem nunca
seja mais elevada do que a bexiga.

Adaptado de: O’Grady et al. 2002.

209
Figura 29: Cateter de Foley Fixo à Perna (Feminino e Masculino)

Fonte: Berman, Audrey, Snyder,S Jackson,C 2009 Skills in Clinical Nursing 6th Edition Pearson
Education Inc. Upper Saddle River, NJ

210
18 PREVENÇÃO DA PNEUMONIA
ASSOCIADA AOS CUIDADOS DE SAÚDE
E AO USO DO VENTILADOR
OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:


 Explicar quais os tipos de procedimentos mais frequentemente
relacionados com à pneumonia associada aos cuidados de saúde;
 Explicar a importância da contaminação cruzada (de doente para
doente ou dos TS para os doentes) como causa da pneumonia
associada aos cuidados de saúde e da pneumonia associada ao
uso do ventilador;
 Saber como minimizar o risco de desenvolvimento da pneumonia
associada aos cuidados de saúde; e
 Saber como prevenir a pneumonia associada ao ventilador, nos
doentes que necessitem de ventilação mecânica.

ANTECEDENTES E DEFINIÇÕES

Em todo o mundo, a pneumonia associada aos cuidados de saúde (PACS) é


responsável por 11-16% das IACS e por 25% das infecções que os doentes
contraem nas UCIs. A PACS também é a infecção mais propensa a ser fatal,
tendo-lhe sido atribuída uma taxa de mortalidade entre 27,5-50% (Hanes,
Gordon and Arroliga 2011; WHO 2010). Estas constatações reflectem
essencialmente a gravidade da doença de base, dos doentes em estado
crítico. Os doentes sujeitos à ventilação mecânica desenvolvem uma
pneumonia associada ao ventilador (PAV) com maior frequência e estão mais
propensos a terem um desfecho fatal do que aqueles que não requerem
respiração assistida (Coffin et al. 2008; Lynch et al. 1997). Os doentes que
desenvolvem PAV requerem períodos adicionais de ventilação mecânica,
prolongando a duração do seu internamento. Tanto a PACS como a PAV
requerem o uso excessivo de antibióticos e aumentam os custos médicos
directos (Coffin et al. 2008).

211
Embora possam variar, as definições que mais abaixo apresentamos podem
ajudar a compreender as questões relativas à prevenção das PACS.

Pneumonia adquirida na comunidade (PAC): ocorre em todos os


doentes provenientes da comunidade.

Pneumonia associada aos cuidados de saúde (PACS): é uma


pneumonia que se desenvolve 48 horas após à admissão no hospital ou
é adquirida na comunidade, mas associada ao ambiente ou
procedimentos de cuidados de saúde, tais como os seguintes:

(1) Pneumonia numa pessoa que tenha sido admitida numa US por
patologia aguda, por 2 ou mais dias, nos últimos 90 dias;

(2) Pneumonia numa pessoa residente numa US para cuidados de longo


prazo;

(3) Pneumonia em pessoas que foram sujeitas à terapia antibiótica


intravenosa, quimioterapia ou a realização de pensos em feridas nos
últimos 30 dias; ou

(4) Pneumonia numa pessoa que tenha frequentado um serviço de


hemodiálise ou hospital.

Os utentes, não internados, mas que usaram os serviços de saúde, tais


como os acima citados, podem transportar bactérias similares às dos
doentes internados, incluindo os microrganismos multi-droga resistentes
(MDR).

Pneumonia associada ao ventilador (PAV): Pneumonia associada aos


cuidados de saúde que ocorre em doentes que tenham estado entubados
e ventilados mecanicamente por mais de 48 horas.

A maioria das PACS ocorre por aspiração de bactérias, que crescem na parte
posterior da garganta (orofaringe) ou estômago. A entubação e a ventilação
mecânica aumentam o risco de infecção, porque elas:
Bloqueiam os mecanismos normais de defesa do organismo – a tosse, espirro
e o reflexo de regurgitação;

Previnem a acção de lavagem dos pelos (cílios) e do revestimento do sistema


respiratório alto que secreta muco; e
Oferecem um acesso directo para a entrada de microrganismos nos pulmões.

212
Outros procedimentos que podem aumentar o risco de infecção incluem: a
oxigenioterapia, respiração por pressão positiva intermitente, e o tratamento
ou aspiração endotraqueal.

EPIDEMIOLOGIA E MICROBIOLOGIA

A pneumonia é uma infecção grave, de diagnóstico diferencial difícil,


especialmente com a síndrome de dificuldade respiratória em adultos, a
bronquite, o enfizema e a insuficiência cardíaca congestiva. Os critérios mais
frequentemente aceites para a PACS (nosocomial), incluem: início do quadro
clinico após o internamento com febre, tosse, redução do murmúrio vesicular
ou macicez numa área específica dos pulmões, a expectoração purulenta
(infectada), em combinação com evidências radiologias sugestivas de uma
infecção. Sempre que laboratorialmente possível, o exame directo usando a
coloração gram numa amostra de expectoração, frequentemente revela
muitos glóbulos brancos, bactérias e poucas células epiteliais, mas esta
informação pode não ajudar para a confirmação diagnóstica. Em muitos
países, os testes adicionais de diagnóstico tais como as culturas da
expectoração, não estão geralmente disponíveis. (As amostras colhidas por
broncoscopia têm resultados mais específicos, contudo por ser uma técnica
invasiva, as potenciais complicações podem sobrepor-se às vantagens).

Metade das PACS ocorre após as cirurgias, especialmente em casos em que


foi necessário a ventilação mecânica pós-operatória. Os doentes sujeitos à
ventilação mecânica contínua, têm um risco acrescido de 6 a 21 de
contraírem PACS que os doentes não ventilados (ocorre em 8-28% dos
doentes ventilados) (Friedman and Newsom 2011; Schaefer et al. 1996). O
principal motivo da ventilação mecânica nos doentes cirúrgicos, esta ligada ao
tipo de cirurgia. Para os doentes de medicina interna está associada à
patologia do doente. Não nos surpreende, que o risco de pneumonia
bacteriana pós-operatória associada aos cuidados de saúde seja 38 vezes
mais alta nas cirurgias cardíacas e pulmonares (ex. bypass cardíaco e
ressecções pulmonares) comparativamente às cirurgias realizadas em outros
locais (CDC, 1994).

MICROBIOLOGIA

A maioria das PACS é causada por bactérias. O início de um episódio de


pneumonia geralmente envolve a flora do próprio doente, especialmente as
213
espécies streptococcus e haemophilus . Quando a pneumonia ocorre dias
após a hospitalização, é mais provável que esta seja devido a
microrganismos gram-negativos provenientes do ambiente hospitalar. A
combinação de doença severa, a presença de vários dispositivos invasivos
(cateteres intravenosos, algálias e ventiladores mecânicos) e o contacto
frequente com as mãos dos TS, levam frequentemente à contaminação
cruzada. Por exemplo, um estudo de Weinstein (1991) revelou que 20-40%
das pneumonias nosocomiais eram devidas à contaminação cruzada de
organismos de um doente para outro, e mais provavelmente proveniente das
mãos dos TS. A higiene das mãos continua a ser documentada pela
Organização Mundial da Saúde (2009) e pela CDC (Tablan et al. 2004) como
forma de reduzir o risco de PACS ou da PAV.

FACTORES DE RISCO

Muitos dos factores de risco para as PACS não são alteráveis (ex. mais de 70
anos de idade, doença pulmonar crónica, ferimentos cranianos graves com
perda de consciência, outros estados clínicos graves, tais como doença renal
em fase terminal ou cirrose hepática). Outros factores de risco não são
alteráveis durante a hospitalização (ex. fumar, alcoolismo, obesidade, grande
cirurgia cardiovascular ou pulmonar e doentes com tubos endotraqueais ou
em ventiladores). Embora seja impossível mudar estes factores de risco, é
importante conhece-los para a prevenção dos problemas e limitar sempre que
possível, o uso de dispositivos invasivos (ex. cateteres intravenosos e
algálias). Infelizmente, se o estado clínico ou cirúrgico subjacente for grave, o
tratamento da PACS pode não ter êxito.

REDUÇÃO DO RISCO DE PNEUMONIA ASSOCIADA AOS


CUIDADOS DE SAÚDE

Cuidados Pulmonares Pré-operatórios

Vários estudos demonstraram que ensinar aos doentes no pré-operatório a


forma de prevenir problemas pulmonares pós-operatórios (ex. inspiração
profunda, mudança frequente de posição na cama, tossir com frequência),
combinada ao movimento precoce (sentar-se e caminhar) e o uso limitado de
analgésicos e narcóticos por curtos períodos, podem reduzir o risco de
desenvolvimento da pneumonia.

214
Prevenção da Colonização e de Infecções com Organismos Novos

A transferência de organismos ocorre com frequência entre doentes


hospitalizados. Vários estudos demonstraram reduções acentuadas na
colonização e infecções nosocomiais, quando os TS fazem a higiene das
mãos antes e depois dos cuidados ao doente e calçam luvas (de exame
novas) limpas antes do contacto com as membranas mucosas. (Foglia, Meier
and Elward 2007; WHO 2009). Portanto, é importante prevenir a
contaminação cruzada (do TS para o doente) ao cuidar dos doentes ligados
aos ventiladores mecânicos ou que recebam tratamento com respiração por
pressão positiva intermitente, especialmente no pós-operatório da cirurgia
cardíaca ou pulmonar. Isto pode ser conseguido, ao fazer com que os TS
realizem a higiene das mãos antes e depois do contacto com o doente, com
secreções respiratórias e com o equipamento respiratório.

Uso do Equipamento para Terapia Respiratória

NOTA:
Os dispositivos de reanimação, tais como sacos Ambu, são difíceis
de reprocessar entre as utilizações. Por exemplo, se não estiverem
bem desinfectados e secos, os fluidos deixados dentro do saco ou
peça facial podem ser aerossolizados no uso seguinte. Para evitar
esta situação é necessário criar um bom sistema de
reprocessamento e retorno dos materiais.

Para minimizar a contaminação cruzada durante a aspiração dos doentes ou


quando usar equipamento de terapia respiratória:

 Lave as mãos ou use preparações alcoólicas para friccionar as mãos


antes de calçar as luvas;

 Calce luvas de exame ou cirúrgicas limpas e um escudo facial ou


máscara;

215
 Retire as luvas imediatamente depois da terapia estar completa e
descarte-as num balde para lixo infeccioso, devidamente revestido por
plástico e rotulado;
 Lave as mãos ou use preparações alcoólicas depois de retirar as luvas;
 Limpe cuidadosamente todo o equipamento respiratório antes da
esterilização ou desinfecção; e

Processe o equipamento respiratório por esterilização a vapor ou desinfecção


de alto nível antes da reutilização.

Prevenção do Refluxo Gástrico e da Distensão Gástrica

Mesmo com o uso de curta duração (poucos dias), os tubos de alimentação


nasal aumentam o risco de aspiração. Administrar pequenas e frequentes
quantidades pode ser menos arriscado do que administrar grandes
quantidades. Também, elevar a cabeceira da cama de forma que o doente
esteja semi-sentado, torna o refluxo menos provável.
A prevenção de úlceras gástricas provocadas pelo estresse (por exemplo,
recorrendo a inibidores da bomba de protões) também reduz o risco de
aspiração.

Manejo Pós-operatório

Tal como o acima mencionado, os doentes cirúrgicos devem ser ensinados a


prevenir problemas pulmonares pós-operatórios, tais como fluido nos pulmões
(derrames) e/ou áreas ventiladas (atelectasia), ainda no período pré-
operatório. As enfermarias cirúrgicas devem possuir planos eficazes para:

 Optimizar o uso de medicação para dor, para manter o doente


suficientemente confortável para tossir eficazmente;

 Elevar a cabeceira da cama, quando não for contraindicado;

 Garantir que os doentes realizem a higiene oral;

 Mobilizar e exercitar regularmente aos doentes;

216
 Encorajar a respiração profunda no período pós-operatório imediato e
ao longo dos dias subsequentes;

 Evitar a aspiração desnecessária das vias respiratórias; e


 Oferecer fisioterapia torácica (terapia física) – percussão e drenagem
postural para estimular a tosse.

Prevenção da Pneumonia Associada ao Ventilador


Veja abaixo, algumas sugestões para reduzir o risco de contaminação e
possível infecção, dos doentes que necessitam de ventiladores mecânicos e
outro equipamento:

 Quando possível, use a ventilação não invasiva em vez da entubação


endotraqueal;

 Prefira a entubação orotraqueal à nasotraqueal;

 Avalie a prontidão para o ‘desmame’:

 Adultos: Inicie a interrupção da sedação e avalie a prontidão para


desmame diariamente;
 Crianças: Avalie diariamente a prontidão para desmame através de
uma lista de verificação ou rondas de cuidados (a interrupção da
sedação não é recomendada);

 Eleve a cabeceira da cama/berço:

 Mantenha a cabeceira da cama/berço do doente, elevada num ângulo


de 30-45º;
 Para neonatos – mantenha a cama do berço/cama elevada num
ângulo de 15-30º;
 Sinalize para certificar que a cabeça do doente permaneça elevada;

217
 Ofereça profilaxia para trombose venosa profunda e doença péptica
ulcerosa (a menos que seja contraindicado pelo historial médico ou
idade);

 Realize a higiene oral/dental diária apropriada à idade do doente (4-6


vezes por dia) (Bouadma et al. 2010):

 Aspiração da cavidade oral necessária para impedir a acumulação de


secreções orais;
 Escove os dentes para remover a placa que pode promover o
crescimento bacteriano (use uma escova de dentes pequena);
 Nos doentes com mais de 2 meses de idade, use um produto para
cuidados orais com base em clorexidina (ou outra solução anti-séptica)
diariamente;
 Use água esterilizada e uma gaze limpa para os cuidados orais nos
doentes da UCIN (prematuros e recém-nascidos) (Curley et al. 2006);

 Previna a colonização da orofaringe, estômago e seios nasais:

NOTA:
Evite usar recipientes grandes de solução salina ou outros fluidos
para instilar ou enxaguar a sonda de aspiração. Sempre que
possível, use recipientes pequenos de soluções esterilizadas (ou
água fervida quando não houver fluidos esterilizados disponíveis),
que só podem ser usados uma vez e depois substituídos.

 Use tubos endotraqueais com lúmen dorsal acima da manga (para os


doentes com mais de 12 anos de idade);
 Realize a higiene frequente das mãos, sempre que manipular o
ventilador ou equipamento do ventilador e ao realizar os cuidados
orais do doente;
 Não troque rotineiramente os circuitos do ventilador: troque quando
estiverem visivelmente sujos ou se não estiverem a funcionar;

218
 Drene o condensado do ventilador a cada 2-4 horas; drene na
direcção oposta do doente;
 Drene o circuito do ventilador antes de reposicionar o doente;
 Use água esterilizada para encher os humidificadores de ar (APIC
2009c);

 Realize a aspiração devidamente:

 Os sistemas de sondas abertas são descartáveis; use apenas uma


vez e descarte;
 Ao aspirar, calce luvas de exame nas duas mãos;
 Use água esterilizada para enxaguar;
 Entre os usos, armazene as sondas de aspiração oral num saco
plástico não selado próximo do ventilador; e

Os sistemas de sondas de aspiração em linha são reutilizáveis – não troque


regularmente, mas somente quando estiverem visivelmente sujos ou
avariarem (somente para o mesmo doente).

Resumo das medidas para prevenção da pneumonia associada


ao ventilador:

 Higiene das mãos e equipamento de protecção individual para


os TS
 Elevação da cabeceira da cama num ângulo de 30-45º
 Descanso da sedação
 Avaliação diária da prontidão para desmame
 Profilaxia da trombose venosa profunda (a menos que seja
contra-indicada)
 Profilaxia do sangramento
 Cuidados bucais.

219
19 PREVENÇÃO DA INFECÇÃO DO SÍTIO
CIRÚRGICO

OBJECTIVOS

No final deste capítulo o trabalhador de saúde será capaz de:

 Compreender os factores que afectam o risco de infecção do sítio


cirúrgico (ISC) associada aos cuidados de saúde
 Saber como reduzir o risco dos doentes contraírem uma infecção do sítio
cirúrgico associada aos cuidados de saúde
 Compreender a justificação para a profilaxia antibiótica
 Saber as indicações da profilaxia antibiótica e as recomendações para
prevenção da ICS
 Conhecer as recomendações para prevenção da endocardite bacteriana

ANTECEDENTES

Apesar das melhorias realizadas nas diferentes práticas dentro do BO, tais como:
nos métodos de esterilização de instrumentos, na técnica cirúrgica e asséptica, e dos
esforços feitos pelos TS para a melhoria da prevenção de infecções, as ISC
continuam a ser uma das causas mais importantes das infecções associadas aos
cuidados de saúde. As ISC são a maior causa das complicações pós-operatórias
(APIC 2009c; Fry and Fry 2007). São também a segunda causa de IACS mais
comum nos Estados Unidos, e são responsáveis por 22% das IACS (Fry 2006). Uma
pesquisa bibliográfica feita em África revelou que, em muitos países as ISC foram
definidas como sendo a infecção mais comum, com taxas que atingiam os 45%
(Nejad et al. 2011). Embora Moçambique não tenha sido mencionado neste estudo,
faz sentido concentrarmo-nos na prevenção de ISC para os procedimentos
realizados, com maior destaque para aquelas que são reportadas nos diferentes
estudos como tendo as maiores taxas.

Para reduzir o risco de ISC deve-se aplicar uma abordagem sistemática e realista,
com a consciência de que este risco é influenciado tanto pelas características do
doente, assim como da cirurgia, dos TS e da US. Teoricamente reduzir o risco é
relativamente simples e económico, especialmente quando comparado ao custo das
próprias infecções, mas na prática requer empenho a todos os níveis do sistema de
cuidados de saúde.

221
DEFINIÇÕES

Infecção do sítio cirúrgico (ISC): Uma infecção na incisão ou órgão/espaço que


ocorre nos primeiros 30 dias depois de uma cirurgia ou no primeiro ano no caso da
colocação de implantes. Tal como demonstrado na Figura 5, as ISC incisionais
estão ainda divididas em incisionais superficiais (que envolvem apenas a pele e o
tecido subcutâneo)1 e incisionais profundas (envolvem os tecidos moles mais
profundos, incluindo camadas de fáscia e músculo).2

 ISC do Órgão/Espaço. É a ISC que ocorre em qualquer parte anatómica


para além da incisão, que foi manipulada durante a cirurgia.

É importante conhecer os diferentes tipos de feridas, uma vez que as taxas de ISC
dependem em parte do tipo de ferida cirúrgica em causa. O sistema de classificação
de feridas cirúrgicas inclui quatro categorias:

 Classe I: Limpa. Ferida cirúrgica não infectada sem inflamação e através da


qual não se penetrou no tracto respiratório, gastrointestinal, genital e urinário.
As feridas limpas são fechadas durante a cirurgia e, quando necessário,
drenadas por sistema fechado.

 Classe II: Limpa-contaminada. Ferida através do qual acedeu-se aos


tractos respiratório, gastrointestinal, geniturinário sob condições controladas,
sem contaminação anormal ou derramamento do conteúdo.

 Classe III: Contaminada. Ferida aberta, fresca e acidental ou resultante de


uma operação com grande(s) falha(s) na técnica asséptica (ex. massagem
cardíaca aberta) ou grande derramamento do tracto gastrointestinal. Também
estão incluídas nesta categoria as incisões com uma inflamação aguda, não
purulenta.

 Classe IV: Suja ou infectada. Feridas antigas com tecido necrosado e


aquelas que envolvem uma existente infecção clínica ou um intestino
perfurado, sugerindo que os agentes patogénicos que provocaram a infecção
pós-operatória estavam presentes na ferida antes da cirurgia.

1
Não inclui abcessos nos pontos, infecção da episiotomia ou circuncisão neonatal, ou queimadura
infectada. São usados critérios específicos para identificar e reportar estas infecções.
2
Para confirmação de todas as ISC são necessários achados clínicos (sinais ou sintomas de infeções)
e/ou resultados de análises laboratoriais (microrganismo isolado a partir de uma cultura obtida
assepticamente).

222
Figura 34: Corte Sagital da parede abdominal ilustrando a classificação da CDC para
infecções do sítio cirúrgico

Adaptado de: Horan et al. 1992.

EPIDEMIOLOGIA E MICROBIOLOGIA

As ISC são as complicações pós-operatórias mais comuns em doentes cirúrgicos.


Um doente com uma ISC terá provavelmente um tempo de internamento pós-
operatório prolongado; mais dor e desconforto; mas tempo de trabalho/cuidado da
família perdido, afectando assim toda a família; para além de maior custo hospitalar,
devido ao gasto acrescido em antibióticos, testes laboratoriais e consumíveis. Estes
doentes têm mais do que o dobro da propensão de falecerem do que outros doentes,
e são cinco vezes mais propensos a serem readmitidos no hospital (Kirkland et al.,
1999).

Os microrganismos associados às ISC variam com o tipo de procedimento e a


localização anatómica da cirurgia. O Staphylococcus aureus, da espécie enterecocos
(a flora intestinal normal dos seres humanos) e as enterobacteriaceae (ex.,

223
Escherichia coli e Klebsiella) e a espécie pseudomonas são os quatro agentes
patogénicos isolados e reportados com maior frequência como a causadores da ISC
em África (Nejad et al. 2011). Um número crescente de ISC é provocado por agentes
patogénicos resistentes aos anti-microbicidas (ex. SARM -Staphylococcus aureus
resistente a metacilina e enterecocos resistentes a vancomicina [ERM]) e as
causadas por fungos, cuja incidência aumentou significativamente, em parte devido
ao aumento dramático no número de doentes com HIV/SIDA. Para a maioria das
ISC, os microrganismos envolvidos são provenientes da pele, membranas mucosas
ou intestino do próprio doente e às vezes de outro sítio do corpo infectado (fontes
endógenas). As fontes exógenas de agentes patogénicos das ISC que são também
ocasionalmente responsáveis, incluem:

 Organismos provenientes de membros da equipa cirúrgica (ex. mãos, nariz,


cabelo e outras partes de corpo);

 Superfícies contaminadas no bloco operatório, até mesmo o ar; e

 Instrumentos, luvas cirúrgicas ou outros itens usados na cirurgia que não


estejam esterilizados ou que não tenham sido devidamente reprocessados.

Os microrganismos exógenos são primariamente as espécies estafilococos


aeróbicos ou estreptococos (com a excepção dos endósporos do tétano). Embora os
fungos estejam extensamente presentes no ambiente, eles raramente causam ISC.

Os mecanismos através dos quais os microrganismos infectam tecidos e produzem


doenças são complexos e não totalmente compreendidos. Por exemplo, alguns
agentes patogénicos podem conter ou produzir toxinas e outras substâncias que
aumentam a sua capacidade de invadir os tecidos de um doente, causar danos ou
sobreviver no tecido.

PATOGÉNESE

Durante e até ao fim da cirurgia, bactérias e outros microrganismos contaminam


todas as feridas cirúrgicas, mas somente um número pequeno de doentes acaba por
desenvolver uma infecção clínica (Fry and Fry 2007). A infecção não ocorre na
maioria dos doentes porque os seus mecanismos de defesa eliminam eficazmente
os microrganismos contaminantes do sítio cirúrgico. A ocorrência de uma potencial
infecção depende de vários factores, sendo os mais importantes:

 Número de bactérias que penetram na ferida;


224
 Tipo e virulência (capacidade de provocar infecção) das bactérias;

 Mecanismos de defesa do hospedeiro (ex. eficácia da resposta inflamatória e do


estado do sistema imunitário);

 As características do microambiente do sítio cirúrgico, tal como a inserção de um


implante ou a presença de tecido necrótico ou hematomas;

 Factores externos, tais como estar no hospital vários dias antes da cirurgia ou ter
uma cirurgia com duração superior a 4 horas.

Dois factores que podem ajudar a minimizar o número de organismos que entram na
ferida são: a habilidade e experiência do cirurgião, e o uso de uma boa técnica
cirúrgica. Embora o tipo e virulência das bactérias estejam fora do nosso controlo, os
outros factores podem, em grande medida, ser controlados. Por exemplo, a lesão do
tecido gerada pela realização da incisão, desencadeia uma cadeia de eventos,
denominada resposta inflamatória, que acontece antes da contaminação bacteriana.
A eficácia da resposta inflamatória para mobilizar os mecanismos de defesa do
doente (ex. activação de vários tipos de glóbulos brancos que contêm e destroem as
bactérias antes que a infecção possa ocorrer) depende em grande medida do estado
de saúde, idade, obesidade, hábitos tabágicos, algumas doenças crónicas e do
estado do sistema imunitário do doente.

REDUÇÃO DO RISCO DE INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO

Veja abaixo a lista de consenso das características dos doentes e das cirurgias, que
podem aumentar o risco de uma ISC.

CARACTERÍSTICAS DOS DOENTES

 Mau estado nutricional


 Fumar ou uso de produtos de tabaco
 Diabetes descompensada
 Hiperglicemia peri-operatória
 Obesidade
 Infecções coexistentes num sítio remoto do corpo
 Hipotermia
 Colonização por microrganismos
 Resposta imunológica alterada (HIV/SIDA e uso crónico de corticosteróides)

225
 Internamento pré-operatório prolongado
CARACTERÍSTICAS DA OPERAÇÃO

 Tricotomia pré-operatória
 Assepsia da pele pré-operatória inapropriada
 Higiene cirúrgica das mãos inapropriada
 Procedimento prolongado com profilaxia antibiótica ausente ou inapropriada
 Ventilação inadequada do bloco operatório
 Processamento inadequado de instrumentos (limpeza, DAN ou esterilização)
 Material estranho no sítio cirúrgico
 Drenos cirúrgicos
 Má técnica cirúrgica:

 Fraca hemóstase
 Falha em obliterar espaço morto
 Traumatismo no tecido
 Adaptado a partir de: APIC 2009c.

FACTORES DO DOENTE/PREPARAÇÃO DO DOENTE

 Estado nutricional: A obesidade aumenta substancialmente o risco quando


a camada de gordura abdominal subcutânea excede os 3 cm (1,5 polegada)
ou quando o índice de massa corporal é maior que 40. O risco é aumentado
pela necessidade de uma incisão maior consequente redução da circulação
do tecido adiposo e dificuldade técnica em operar através de uma camada
espessa de gordura. A desnutrição pode ou não ser um factor contribuinte.

 A infecção (coexistente) noutro sítio aumenta o risco de o doente


desenvolver uma ISC depois de qualquer tipo de cirurgia. Se possível, estas
infecções devem ser previamente tratadas ou a cirurgia adiada.

 Doentes imunodeprimidos (ex. Doentes com HIV/SIDA; os que usam


corticosteróides por longos períodos tais como os asmáticos; grandes
fumadores ou utilizadores de outros produtos derivados do tabaco) correm
um risco significativamente maior de contrair uma ISC.

226
 Controlo da glucose no sangue: Existe uma associação entre um aumento
nos níveis de glucose e o risco de desenvolver uma ISC. Evite a
hiperglicemia peri-operatória e controle a glicémia nos diabéticos.
 A normotermia reduz o risco de ISC. A hipotermia provoca vasoconstrição,
reduzindo o oxigénio nos tecidos e afectando a função leucocitária. Por isso
deve manter-se a temperatura basal do corpo acima dos 36,5 ºC durante a
cirurgia. É importante notar que a hipotermia pode ocorrer em algumas
cirurgias cardíacas e neurológicas.

 A colonização por microrganismos (transporte nasal da S. aureus) é um


risco para se desenvolver uma ISC. A realização da cultura da secreção
nasal pré-operatória e o tratamento com mupirocina nasal é difícil e onerosa,
por isso não é exequível em Moçambique.

Lembre-se: Sempre que possível, os efeitos dos estados clínicos que


podem complicar o recobro cirúrgico devem ser corrigidos ou
estabilizados antes da cirurgia. Por exemplo:

 Fumar ou usar produtos a base de tabaco, deve ser interrompido


pelo menos 30 dias antes da cirurgia electiva, uma vez que a
nicotina pode retardar a cicatrização da ferida.
 As mulheres que usem contraceptivos (orais ou injectáveis)
combinados (contendo estrogénio e progesterona) devem trocar
para um método não hormonal pelo menos 30 dias antes de uma
grande cirurgia electiva para minimizar o risco de tromboflebite
venosa profunda e embolia pulmonar não fatal (Blumenthal and
McIntosh 1996)
 Dê tempo para controlar devidamente a glicémia nos doentes
diabéticos

 A duração do período de internamento pré-operatório demonstrou


aumentar o risco de se desenvolver uma ISC depois da cirurgia. O que pode
dever-se ao facto do doente ficar colonizado por outros organismos
hospitalares ou porque um internamento prolongado pode indicar que o
paciente está gravemente doente.

 Preparação da pele: Um agente de preparação ideal deveria diminuir a


contagem de microrganismos presentes na pele, ser eficaz contra um largo

227
espectro de microrganismos, ser de rápida acção mas não secar e ter um
efeito persistente contra o retorno e novo crescimento (Zinn et al. 2008)

Um duche ou banho pré-operatório pode remover a grande contaminação e diminuir


o número de microrganismos presentes na pele do doente. Ensine ao doente a lavar
a área da futura incisão, assim como o corpo inteiro.
Prepare o sítio operatório com um anti-séptico para reduzir o número de
microrganismos no e em torno do sítio operatório de forma a minimizar a
contaminação:

 Opte entre: iodóforos (iodopovidona, tal como Betadine); base de iodo com
álcool (iodo povacrylex [0,7% de iodo disponível] e 74% de álcool
isopropílico); gluconato de clorexidina (GCH) com ou sem álcool; ou álcool
a 70-80%.

 Siga as instruções do produto porque alguns (GCH) requerem uma


preparação de trás para a frente durante 30 segundo; durante 2 minutos se o
sítio operatório estiver dentro de dobras da pele; e outros precisam ser
removidos assim que a cirurgia começar.

 Evite que o anti-séptico ensope o cabelo do doente ou lençóis.

 Evite que o anti-séptico faça uma poça por baixo do doente para reduzir o
risco de queimaduras químicas.

 Deixe em contacto com a pele por um tempo suficiente (até estar


completamente seco e deixe que os vapores se dissipem) antes de aplicar os
campos esterilizados.

 Quando usar iodóforos (Betadine) deixe pelo menos 2 minutos ou espere até
que a pele esteja visivelmente seca antes de prosseguir.

 Imediatamente antes de uma cesariana, prepare a vagina e o Colo do útero


com iodopovidona para reduzir o risco de endometrite pós-operatória (Haas,
Morgan Al Darei and Contreras 2010).

 Evite o hábito de remover os pelos do sítio operatório (foi provado que passar
a lâmina aumenta o risco de desenvolvimento de uma ISC). Se os pelos
interferirem com a cirurgia, remova os pelos usando uma tesoura ou máquina
momentos antes de entrar no bloco operatório.

228
 Profilaxia antibiótica: O uso apropriado de antibióticos pré-operatórios pode
reduzir a taxa de infecção do sítio cirúrgico depois de certas operações:

o Administre uma única dose 60 minutos antes de fazer a incisão


cirúrgica para concentrações bactericidas máximas no soro e tecidos.

Recomenda-se uma segunda dose se a cirurgia durar mais de 4 horas ou se houver


uma perda rápida de sangue.

Veja na Tabela 21 e na Tabela 22 os antibióticos e doses a usar na profilaxia


antibiótica para cirurgias específicas.

Equipa Cirúrgica

A lavagem cirúrgica das mãos é necessária para todos os membros da equipa


cirúrgica tanto para remover mecanicamente a sujidade, detritos e microrganismos,
assim como para reduzir a flora residente para um nível seguro. Esta deve ser
realizada antes de quaisquer procedimentos invasivos. O objectivo é prevenir a
contaminação da ferida por microrganismos provenientes das mãos e dos braços do
cirurgião e dos assistentes. (Veja no Cp. 3 Higiene das Mãos – Instruções para a
lavagem cirúrgica das mãos).

O pessoal da equipe cirúrgica com infecções activas ou lesões produtivas devem ser
excluídos da cirurgia até que as infecções sejam eliminadas/tratadas. O pessoal
infectado tem sido associado a surtos de infecções pós-operatórias.
Uma boa técnica cirúrgica inclui: a manutenção da técnica asséptica, o mínimo
traumatismo dos tecidos, o controle da hemorragia, a eliminação do espaço morto, a
remoção de tecidos mortos e corpos estranhos, o uso mínimo de fios de sutura e a
garantia de um fornecimento adequado de sangue e oxigenação, reduz o risco de
desenvolvimento de uma ISC. Especificamente, importante é:
Manusear os tecidos moles com delicadeza evitando o esmagamento que possa
resultar na morte de tecidos (necrose);

Usar a electrocoagulação para controlar hemorragias com moderação, porque


deixam tecido morto residual que tem grande probabilidade de ficar infectado;
Sempre que possível, usar fios de sutura absorvíveis em detrimento dos
permanentes (especialmente os fios de sutura de seda), pois os fios absorvíveis
reduzem o número de bactérias necessárias para provocar uma infecção; e

229
NOTA: O uso de dois pares de luvas esterilizadas pode oferecer mais
protecção tanto ao doente como a cada membro da equipe cirúrgica.

Usar drenos de sucção fechados que saiam através de uma ferida separada para
ajudar a prevenir a acumulação de fluido dos tecidos próximos da ferida. A
prevenção desta acumulação é particularmente importante nos doentes obesos e
pode reduzir as ISC (Fry 2003). (Os drenos passivos, tais como o dreno de Penrose,
que saem na parte inferior da incisão, devem ser evitados.)

À equipa cirúrgica recomenda-se que:


 Use vestuário de barreira (pijama/bata de manga comprida, barrete, máscara e,
quando estiver a operar, uma bata esterilizada) e luvas para evitar/reduzir a
contaminação bacteriana da ferida do doente através da pele, membranas
mucosas e do cabelo do pessoal da equipe cirúrgica:

- Use um barrete para cobrir todo o cabelo e couro cabeludo, o que inclui pelos
faciais (barbas e patilhas), usando uma máscara cirúrgica.

NOTA: Aplicar pomadas antibióticas tópicas sobre incisões cutâneas


fechadas não diminui o risco de ISC (Fry 2003).

- Quando os instrumentos esterilizados/bandejas estiverem abertos, ao entrar


no bloco operatório e ao longo da operação use uma máscara cirúrgica que
tape o nariz e a boca
- Calce luvas esterilizadas depois de vestir a bata cirúrgica esterilizada. Calce
sapatos limpos e fechados (que protegem o pessoal contra fluidos e objectos
cortantes deixados cair, mas não afecta as taxas de ISC).

Intra-operatório

Ventilação do Bloco Operatório (BO):

 Deve ter pressão positiva relativamente às zonas circundantes e ter pelo


menos 15 a 20 trocas de ar por hora, com ar filtrado.
 Se a única ventilação for através de janelas, providencie redes bem
ajustadas.
 Localize o BO longe das zonas de maior movimento da US.

230
NOTA:
O crescimento do tecido saudável é danificado com a remoção da gaze
seca; portanto, humedeça a gaze seca com uma solução salina normal
esterilizada antes de removê-la.

Tráfego no BO:

 Limite o tráfego ao pessoal autorizado e doentes.

 Mantenha o número de pessoas e os seus movimentos ao mínimo (o número


de pessoas e os seus movimentos aumentam a contagem microbiana no ar
dentro do BO).

 Mantenha as portas do BO fechadas durante as cirurgias, e abra excepção


conforme o necessário para a passagem de equipamento, equipe e do
doente.
 Na cirurgia, use instrumentos, fluidos e outros dispositivos esterilizados:
 Reprocesse os instrumentos correctamente e certifique-se de que sejam
bem limpos antes de embalados e esterilizados.
 Não use a esterilização relâmpago (Para mais informações, consulte o
Cap. 10 Processamento de Instrumentos)
 Os TS que tenham feito a lavagem cirúrgica das mãos devem manter
sempre os braços e as mãos dentro do campo operatório e tocar apenas
nos itens ou zonas esterilizadas.
 Entre operações, limpe e desinfecte as áreas contaminadas (sujidade
visível ou fluidos corporais) durante a cirurgia.

O prolongamento da duração dos procedimentos cirúrgicos está associado ao


aumento do risco de ISC. Reduza ao mínimo o tempo da cirurgia. Estima-se que a
taxa de infecção quase duplica a cada hora de cirurgia.

Cuidados pós-operatórios

Penso para a ferida cirúrgica: Proteja as incisões de sutura primária com uma
compressa esterilizada durante 24-48 h do pós-operatório.

231
Lembre-se: Lave as mãos ou use preparações alcoólicas para
friccionar as mãos antes de calçar e de remover as luvas, para evitar
exposição ao sangue e outros fluidos corporais potencialmente
infectados e para reduzir o risco de contaminação cruzada.

 Atraso na Cicatrização Primária/Secundária: Uma incisão cirúrgica que


seja deixada aberta a nível da pele durante alguns dias (normalmente 4-5
dias) antes de ser fechada (encerramento primário retardado) ou deixada a
cicatrizar aberta por segunda intenção (isto é, cicatrizar da base para cima
até chegar à superfície) deve ser inicialmente coberta com uma compressa
de gaze esterilizada e humedecida, que deve ser trocada regularmente.

Se for usada uma compressa de gaze humedecida com solução salina normal, a
compressa deve ser trocada usando à técnica asséptica (luvas esterilizadas ou de
exame novas) de 8 em 8 horas para evitar que a gaze seque.
Quando usar uma gaze esterilizada impregnada de vaselina ou outros agentes
humectantes para preparar e cobrir a incisão, esta pode ser trocada com menor
frequência (24-48 horas), dependendo do tipo de ferida e das instruções do
fabricante.
Mantenha a compressa e área circundante seca durante o banho.

 A alta pós-operatória imediata, logo que os doentes consigam regressar


para seguimento e tenham assistência em casa, reduz o risco de infecções.

Estes factores, juntamente com a experiência e habilidade de um cirurgião e do


assistente, demonstraram reduzir o risco de ISC.

PROFILAXIA ANTIBIÓTICA NA CIRURGIA

O uso apropriado de antibióticos pré-operatórios pode reduzir a taxa de ISC depois


de certas operações. No geral, só se recomenda a profilaxia antibiótica para os
procedimentos com taxas de infecção elevadas e naquelas cujas consequências da
infecção são particularmente graves. Veja na Tabela 5 as recomendações sobre
quando se deve considerar o uso de antibiótico profilático para os doentes de
cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia.

232
Directriz para a Selecção do Antibiótico Profilático

Idealmente, o(s) medicamento(s) profilático(s) devem estar direccionados para os


microrganismos infecciosos mais prováveis, e não precisam matar ou inactivar todos
os agentes patogénicos. Uma cefalosporina de primeira ou segunda geração é na
maioria dos procedimentos a escolha adequada e económica. A Cefazolina
(cefalosporina de primeira geração), possui uma vida média moderadamente longa e
é activa contra os estafilococos e estreptococos, e tem-se mostrado eficaz quando
administrada por via intravenosa (IV) 30 minutos antes da cirurgia. Excepções são as
apendicectomias ou exposição a anaeróbios intestinais, onde a cefoxitina ou o
cefotetan (ambos cefalosporinas de 2ª geração) são a escolha de eleição por serem
mais activas contra os microrganismos anaeróbicos intestinais do que a cefazolina.

Em locais onde os estafilococos resistentes a meticilina (SARM) estiverem


envolvidos em infecções pós-operatórias, pode-se usar a vancomicina, mas o seu
uso de rotina para profilaxia deve ser evitado, por poder promover o surgimento de
microrganismos resistentes. As cefalosporinas de terceira e quarta geração (ex.
cefotaxime ou cefepime) também não devem ser usadas na profilaxia cirúrgica de
rotina, porque:

 São dispendiosos e alguns são menos activos contra os estafilococos do que


a cefazolina;

 O seu espectro de acção inclui microrganismos raramente encontrados nas


cirurgias electivas; e

 O seu uso indiscriminado pode promover a emergência da resistência.

Cronograma e Número de Doses

Uma única dose endovenosa (EV) de um antibiótico cuja administração é concluída


60 minutos ou menos da incisão na pele, oferece níveis de antibióticos adequados
aos tecidos, ao longo da cirurgia com duração inferior a 4 horas. Se usar
vancomincina ou fluorquinolona, a infusão deverá iniciar 60-120 minutos antes da
incisão, para reduzir o risco de reacções associadas ao antibiótico, próximos ao
momento da anestesia e garantir a existência de níveis de antibióticos apropriados
nos tecidos, na altura da incisão. Se a cirurgia for prolongada (mais de 4 horas), se

233
ocorrer uma grande perda de sangue ou quando se usar um antibiótico com uma
meia-vida curta, tal como a cefoxitina, deve-se administrar uma ou mais doses
adicionais durante o procedimento (Medical Letter 2009).

Profilaxia antibiótica precoce para cesarianas. Uma nova recomendação para as


mulheres que se preveja que tenham um parto por cesariana é a administração de
rotina do antibiótico uma hora antes da incisão cutânea (já não se espera até que o
cordão umbilical seja pinçado). Nas cesarianas de emergência, deve administrar-se
a dose o mais cedo possível. Estudos demonstraram que as mulheres que recebem
uma dose precoce do antibiótico profilático apresentam uma incidência inferior de
endometrite e infecção da ferida (Medical Letter 2010).

Não se recomendam doses pós-operatórias adicionais por serem normalmente


desnecessárias e poderem aumentar o risco de resistência antimicrobiana (Medical Letter
2009).

234
Tabela 22: Profilaxia Anti-microbiana para Cirurgia

Natureza da Operação Patógenos Comuns Antimicrobianos Dosagem


Recomendados para Adultos
antes da
Cirurgia1
Cardíaca
Staphylococcus Cefazolina OU 1-2 g EV2
aureus, S. vancomicina3 1g EV
epidermidis
Gastrointestinal
Esófago, gastroduodenal Bacilos entéricos Somente de alto 1-2 g EV
4 5
gram-negativos, risco : cefazolina
cocos gram-positivos

Tracto biliar Bacilos entéricos Somente de alto 1-2 g EV


gram-negativos, risco6: cefazolina5
enterococos,
clostridia

Colonrectal14 Bacilos entéricos Oral:


gram-negativos, neomicina+base
anaeróbios, eritromicina7 OU +
enterecocos, metronidazole7
Parenteral:
cefoxitina5 ou
cefotetan5 ou 1-2 g EV
cefazolina 1-2 g EV
+metronidazole OU 0,5 g EV
ampicilina/sulbactam5 3 g EV
Apendicectomia não Igual ao colonrectal Cefoxitina5 ou 1-2 g EV
perfurada8 cefotetan5 OU
cefazolina + 1-2 g EV
metronidazole OU 0,5 g EV
ampicilina/sulbactam5 3 g EV
Geniturinário
Somente cistoscopia Bacilos entéricos Apenas de alto risco:
gram-negativos, Ciprofloxacina ou 500 mg PO ou
enterecocos cotrimoxazole 400 mg EV
1 comprimido
DS

Cistoscopia com Bacilos entéricos Ciprofloxacina 500 mg PO ou


manipulação ou gram-negativos, 400 mg EV
instrumentação do tracto enterecocos OU cotrimoxazole 1 DS
alto10 comprimido

235
Natureza da Operação Patógenos Comuns Antimicrobianos Dosagem
Recomendados para Adultos
antes da
Cirurgia1
5
Cirurgia aberta ou Bacilos entéricos Cafezolina 1-2 g EV
laparoscópica11 gram-negativos,
enterecocos
1. Os antimicrobianos parenterais profilácticos podem ser administrados como dose única iniciada 60 minutos ou
menos antes da operação. Para operações prolongadas (>4 horas) ou aquelas com perda de sangue
significativa, devem ser administradas doses intra-operatórias adicionais a intervalos de 1-2 vezes a meia-
vida do medicamente (ampicilina/sulbactam q2–4 horas, cefazolina q2–5 horas, cefuroxime q3–4 horas,
cefoxitin q2–3 horas, clindamicina q3–6 horas, vancomicina q6–12 horas e metronidazol q6–8 horas [DW
Bratzler et al. Clin Infect Dis 2004; 38:1706]) Quando se usar vancomicina ou uma fluoroquinolona, a
infusão deve ser iniciada 60-120 minutos antes da incisão inicial para se poder minimizar a possibilidade
de uma reacção à infusão próximo da hora de indução da anestesia e ter níveis adequados nos tecidos na
hora da incisão.
2. Alguns consultores recomendam uma dose adicional quando se retira o bypass aos doentes em cirugia de
coração aberto.
3. A Vancomicina pode ser usada nos hospitais onde o S. aureus and S. epidermidis resistentes a meticilina
sejam uma causa frequente de infecções pós-operatórias nas feridas;em doentes anteriormente colonizados
por SARM ou naqueles que sejam alérgicos à penicilina ou cefalosporinas. A rápida administração EV
pode provocar hipotensão, que pode ser particularmente perigosa durante a indução de anestesia. A
hipotensão pode ocorrer mesmo quando o medicamento é administrado ao longo de 60 minutos; para a
sua reversão pode ser útil a administração da difenhidramina (Benadryl e outros) e a redução da
velocidade da infusão. Alguns peritos administram 15 mg/kg de vancomicina aos doentes com peso
superior a 75 kg, até ao máximo de 1,5 g com uma velocidade de infusão mais lenta (90 minutos para 1,5
g). Para as operações em que os bacilos gram-negativos entéricos sejam os prováveis agentes patogénicos,
muitos consultores da Medical Letter acrescentariam outro medicamento, tal como um aminoglicosídio
(gentamicina, tobramicina ou amikacina).
4. Obesidade mórbida, obstrução esofagica, redução da acidez gástrica ou motilidade gastrointestinal.
5. Para os doentes alérgicos às penicilinas e cefalosporinas, a clindamicina com gentamicina, ciprofloxacina,
levofloxacina ou aztreonam são alternativas razoáveis. As fluorquinolonas não devem ser usadas para
profilaxia nas cesarianas.
6. >70 anos de idade, colecistite aguda, falência da visícula biliar, incterícia obstrutiva ou litíase nos ductos
comuns.
7. 1 g de neomicina mais 1 g de eritomicina às 13h00, 14h00 e 23h00 ou 2 g de neomicina mais 2 g de
metronidazol às 19h00 e 23h00 no dia anterior a uma operação marcada para as 8h.

236
Tabela 23: Profilaxia Anti-microbiana para Cirurgia

Natureza da Operação Patógenos Comuns Antimicrobianos Dosagem para


Recomendados Adultos antes
da Cirurgia1
Ginecológica e
Obstétrica
Vaginal, abdominal ou Bacilos entéricos Cefoxitina5, 1-2 g EV2
histerectomia gram-negativos, cefotetan5 ou 3g EV
laparoscópica anaeróbios, estrep B cafazolina5 OU
5
Gp ampicilina/subactam
5
Cefazolina 1-2 g EV
Cesariana Similar à
12
histerectomia Doxiciclina 300 mg PO
Aborto
Similar à
histerectomia
Cirurgia Cefálica e
Cervical
Incisões através da Anaérobos, bacilos Clindamicina OU 600-900 mg EV
mucosa oral ou faríngea entéricos gram- cefazolina 1-2 g EV
negativos, S. aureus + metronidazole 0,5 g EV

Neurocirurgia
S. aureus, S. Cefazolina 1-2 g EV
epidermidis OU vancomicina3 1 g EV

Oftálmica
S. epidermidis, S. Gentamicina, Várias gotas
aureus, tobramicina, topicamente ao
streptococos, bacilos ciprofloxacina, longo de 2 a 24
entéricos gram- gatifloxacina, horas
negativos, levofloxacina,
Pseudomonas spp moxifloxacina,
ofloxacina ou
neomicina-
gramicidina-
polimixina B 100 mg sub-
cafazolina conjuntivamente
Ortopédica
S. aureus, S. Cefazolina13 1-2 g EV
13
epidermidis ou cefuroxime 1,5 g EV
3,13
OU vancomicina 1 g EV

237
Natureza da Operação Patógenos Comuns Antimicrobianos Dosagem para
Recomendados Adultos antes
1
da Cirurgia

Torácica (Não-cardíaca)
S. aureus, S. Cefazolina 1-2 g EV
epidermidis, ou cefuroxime 1,5 g EV
estreptococos, OU vancomicina3 1 g EV
bacilos entéricos
gram-neg.
Vascular
Cirurgia arterial S. aureus, S. Cefazolina 1-2 g EV
3
envolvendo uma prótese, epidermidis, bacilos ou vancomicina 1 g EV
a aorta abdominal ou entéricos gram-
uma incisão na virilha negativos
Cefazolina 1-2 g EV
3
Amputação das S. aureus, S. ou vancomicina 1 g EV
extremidades inferior por epidermidis, bacilos
isquemia entéricos gram-
negativos, clostridia
1. Os antimicrobianos parenterais profilácticos podem ser administrados como dose única iniciada 60 minutos ou
menos antes da operação. Para operações prolongadas (>4 horas) ou aquelas com perda de sangue
significativa, devem ser administradas doses intra-operatórias adicionais a intervalos de 1-2 vezes a meia-
vida do medicamente (ampicilina/sulbactam q2–4 horas, cefazolina q2–5 horas, cefuroxime q3–4 horas,
cefoxitin q2–3 horas, clindamicina q3–6 horas, vancomicina q6–12 horas e metronidazol q6–8 horas [DW
Bratzler et al. Clin Infect Dis 2004; 38:1706]) Quando se usar vancomicina ou uma fluoroquinolona, a
infusão deve ser iniciada 60-120 minutos antes da incisão inicial para se poder minimizar a possibilidade de
uma reacção à infusão próximo da hora de indução da anestesia e ter níveis adequados nos tecidos na
hora da incisão.
2. Alguns consultores recomendam uma dose adicional quando se retira o bypass aos doentes em cirugia de
coração aberto.
3. A Vancomicina pode ser usada nos hospitais onde o S. aureus and S. epidermidis resistentes a meticilina
sejam uma causa frequente de infecções pós-operatórias nas feridas;em doentes anteriormente colonizados por
SARM ou naqueles que sejam alérgicos à penicilina ou cefalosporinas. A rápida administração EV pode
provocar hipotensão, que pode ser particularmente perigosa durante a indução de anestesia. A hipotensão
pode ocorrer mesmo quando o medicamento é administrado ao longo de 60 minutos; para a sua reversão
pode ser útil a administração da difenhidramina (Benadryl e outros) e a redução da velocidade da infusão.
Alguns peritos administram 15 mg/kg de vancomicina aos doentes com peso superior a 75 kg, até ao
máximo de 1,5 g com uma velocidade de infusão mais lenta (90 minutos para 1,5 g). Para as operações em
que os bacilos gram-negativos entéricos sejam os prováveis agentes patogénicos, muitos consultores da Medical
Letter acrescentariam outro medicamento, tal como um aminoglicosídio (gentamicina, tobramicina ou
amikacina).
4. Obesidade mórbida, obstrução esofagica, redução da acidez gástrica ou motilidade gastrointestinal.
5. Para os doentes alérgicos às penicilinas e cefalosporinas, a clindamicina com gentamicina, ciprofloxacina,
levofloxacina ou aztreonam são alternativas razoáveis. As fluorquinolonas não devem ser usadas para
profilaxia nas cesarianas.
6. >70 anos de idade, colecistite aguda, falência da visícula biliar, incterícia obstrutiva ou litíase nos ductos
comuns.
7. 1 g de neomicina mais 1 g de eritomicina às 13h00, 14h00 e 23h00 ou 2 g de neomicina mais 2 g de
metronidazol às 19h00 e 23h00 no dia anterior a uma operação marcada para as 8h.

238
PREVENÇÃO E CONTROLO
DE INFECÇÕES
NAS UNIDADES SANITÁRIAS

ANEXOS
ANEXO 1

Anti-sépticos: Actividades Microbiológicas e Potenciais Usos


ACTIVIDADE ANTIBACTERIANA POTENCIAIS
USOS

Endósporos
Maioria dos

por Matéria
Velocidade
Negativos

de Acção
Positivos

Cirúrgica

Assepsia
Orgânica

Lavagem
Afectado
Relativa
Fungos
COMENTÁRIOS

Gram-
Gram

Vírus
TB
GRUPO

Impróprio para uso em


Álcoois membranas mucosas

Para a maioria
(etílico ou

Moderada
isopropílico Impróprio para
Excelente

Excelente

Excelente

Excelente

Excelente

Nenhuma
a 60-90%) limpeza física da pele.

Rápida
Sem actividade

Sim

Sim
persistente
Gluconato
de Tem um efeito
clorexina persistente bom

Intermédia
(2-4%)
Excelente

Excelente

Nenhuma
Razoável

Razoável

(Hibitane, Toxicidade para

Leve
Hibiscrub) ouvidos e olhos
Boa

Sim

Sim
239
ACTIVIDADE ANTIBACTERIANA POTENCIAIS
USOS

Endósporos
Maioria dos

por Matéria
Velocidade
Negativos

de Acção
Positivos

Cirúrgica

Assepsia
Orgânica

Lavagem
Afectado
Relativa
Fungos
COMENTÁRIOS

Gram-
Gram

Vírus
TB
GRUPO

Gluconato Demonstrou reduzir


de mais infecções dos

30 segundos
Excelente

Excelente

Excelente

Nenhuma
clorexina sítios cirúrgicos e

Razoável

Razoável

Leve
2% com infeções

Sim

Sim
Álcool associadas ao uso
isopropílico de algálias do que
a 70% outros anti-sépticos.
Actividade residual
Soluções Impróprio para uso
iodadas em membranas

Acentuada
Intermédia
Excelente

Excelente

Excelente

Excelente

Razoável
(3%) mucosas;

Não
Boa

Sim
Pode queimar a
pele; evite que se
acumule sob o
doente
Iodóforos

Moderada
Excelente

Excelente

Nenhuma

Intermédi
Razoável

(7,5-10%) Pode ser usado em


Boa

Boa

Sim

Sim
(Betadine) membranas

a
mucosas

240
ACTIVIDADE ANTIBACTERIANA POTENCIAIS
USOS

Desconhe Endósporos
Maioria dos

por Matéria
Velocidade
Excelente Negativos

de Acção
Positivos

Cirúrgica

Assepsia
Orgânica

Lavagem
Afectado
Relativa
Fungos
COMENTÁRIOS

Gram-
Gram

Vírus
TB
GRUPO

Para-cloro- Penetra a pele e

Razoável

Razoável

Mínima
metaxilenol não deve ser usado

Lenta
cida

Não
Boa

Boa

Sim
(PCMX) em recém-nascidos
(0,5-4%)

Triclosan Aceitabilidade

Desconhe
Excelente

Excelente

Intermédi
Razoável

Mínima
(0,2–2%) variada para as

cida

Não
Boa

N/A

Sim
mãos

a
Adaptado de: Tietjen L, Bossemeyer D and McIntosh N. 2003. Infection Prevention Guidelines for Healthcare Facilities with Limited
Resources. Jhpiego: Baltimore, MD.; APIC Text 2009.

*Os Álcoois não matam alguns vírus, ex. vírus da Hepatite A, pólio vírus e norovírus; em caso de suspeita deve-se usar água e sabão para a
realização da higiene das mãos
241
ANEXO 2

Preparação e Uso de Desinfectantes Químicos


Desinfecta Tempo
Tempo
nte Irritaç Irritação Deixa Necessári
Concentra Como Irritação Corrosi Necessá Vida Útil
(solução ão Respirató Resíd o para
ção Eficaz Diluir Cutânea vo rio para Activaa
ou marca Ocular ria uo Esterilizaç
DAN
comum) ão
PRODUTOS QUÍMICOS PARA ESTERILIZAÇÃO OU DESINFECÇÃO DE ALTO NÍVEL
Cloro A diluição Sim Trocar
(quando se varia de (com o de 14
usa água 0,1% acordo contact Sim Sim Simc Sim 20 Não usar em
limpa ou com os o minutos 14 dias,
fervida) procedim prolong ou
entos b ado) antes
se
estiver
turvo
1 parte da Trocar
solução a de 14
Formaldeíd 8% 35-40% em
o (35-40%) para 4 Sim Sim Sim Não Sim 20 24 horas
partes de minutos 14 dias,
água ou
fervida antes
se
estiver
turvo
243
Desinfecta Tempo
Tempo
nte Irritaç Irritação Deixa Necessári
Concentra Como Irritação Corrosi Necessá Vida Útil
(solução ão Respirató Resíd o para
ção Eficaz Diluir Cutânea vo rio para Activaa
ou marca Ocular ria uo Esterilizaç
DAN
comum) ão
Trocar
Acrescent a cada
Glutaraldeí Variável (2- e Sim Sim Sim 20 10 horas 14–28
do 4%) activador (vapor Não Sim minutos para Cidex horas,
(Cidex® ) es) a 25 ºCd ou
antes
se
estiver
turvo
1 parte de Trocar
solução a diariam
Peróxido 6% 30% para ente; ou
de 4 partes Sim Sim Não Sim Não 20 Não usar sempre
hidrogénio de água minutos que
(30%) fervida estiver
turva

PRODUTOS QUÍMICOS PARA DESINFECÇÃO (ÁLCOOIS E IODÓFOROS NÃO SÃO DESINFECTANTES DE ALTO NÍVEL)
60–90% Sim Se o
Álcool - (Taxa de (pode recipien
etílico ou exterminaç resseca te
isopropílico ão em 1 Usar sem r a pele) Sim Não Não Não Não usar Não usar (frasco)
minuto) diluir estiver
Não fechado
elimina , pode-

244
Desinfecta Tempo
Tempo
nte Irritaç Irritação Deixa Necessári
Concentra Como Irritação Corrosi Necessá Vida Útil
(solução ão Respirató Resíd o para
ção Eficaz Diluir Cutânea vo rio para Activaa
ou marca Ocular ria uo Esterilizaç
DAN
comum) ão
esporos, se usar
alguns até
vírus acabar.
Se o
recipien
Iodóforos 1 parte de Não, a te
(iodopovid Aproximad PVI a menos (frasco)
ona a 10%) amente 10% para que Sim Não Sim Sim Não usar Não usar estiver
(PVI) 2,5% 3 partes exista fechado
de água alergia , pode-
se usar
até
acabar.

Se o
recipien
Fenóis Não A diluição te
(Não usar elimina o varia de Não Sim Cheiro Ligeira Sim Não usar Não usar (frasco)
na UCIN pólio vírus, acordo forte mente estiver
ou TB, com os fechado
berçários) esporos procedim , pode-
entos se usar
até
acabar.
245
Desinfecta Tempo
Tempo
nte Irritaç Irritação Deixa Necessári
Concentra Como Irritação Corrosi Necessá Vida Útil
(solução ão Respirató Resíd o para
ção Eficaz Diluir Cutânea vo rio para Activaa
ou marca Ocular ria uo Esterilizaç
DAN
comum) ão
Se o
Necessita recipien
Compostos de contacto te
Quaternári prolongado (frasco)
os de . Não estiver
Amónia elimina o Não diluir ? Sim Não Não Não Não usar Não usar fechado
(Quats) pólio vírus, , pode-
TB, se usar
esporos até
acabar.
a Todos os desinfectantes químicos são sensíveis ao calor e à luz e devem ser armazenados longe da luz solar directa e num local fresco
(<40 ºC).
c Só é corrosivo com contacto prolongado (>20 minutos) nas concentrações >0,5% se não for imediatamente enxaguado com água fervida.
d Várias soluções comerciais de Cidex e outros glutaraldeídos são eficazes a temperaturas mais baixas (20 ºC) e para uma vida útil activa.
Verifique sempre as instruções do fabricante.

Adaptado de: Rutala 2010.

246
ANEXO 3

Produção Interna de um Grande Volume de Álcool Glicerinado


para a Higiene das Mãos

As Directrizes da OMS para Higiene das Mãos nos Cuidados de Saúde


sugerem a composição de fórmulas alcoólicas para produção pela
farmácia de um hospital de uma solução glicerinada para as mãos.
A selecção de componentes abaixo levou em conta os constrangimentos
financeiros, eficácia e custo-benefício. Os produtos comercializáveis
mesmo quando o seu conteúdo difere daquele constante nas fórmulas
da Organização Mundial da Saúde abaixo descritas, devem obviamente
ser vistas como sendo aceitáveis. As duas fórmulas abaixo são
recomendadas para preparação interna na US ou numa instalação de
produção local (OMS 2007).

Fórmula I
Para produzir concentrações de etanol a 80% (V/V), glicerol 1,45%,
peróxido de hidrogénio 0,125% v/v.

Coloque dentro de um balão de 1.000 ml + 1,0 ml graduado:


 842,0 ml de Etanol 95% V/V
 14,5 ml de glicerol
 41,7 ml de peróxido de Hidrogénio 3%
Encha o restante do balão de 1.000,0 ml com água destilada ou fervida.
Método: Feche o balão com a tampa de vidro correspondente, agite bem
o conteúdo (total aproximado de 898,2 ml) e coloque o balão junto de
outro balão (contendo aproximadamente 200 ml de água destilada ou
fervida) num banho-maria a 20 ºC ± 1°C durante 30 minutos para

247
estabilizar a temperatura. Depois de 30 minutos encha o balão até 1.000
ml com a água destilada ou fervida e agite novamente o balão.
Fórmula II
Para produzir concentrações de álcool isopropílico a 75% (V/V), glicerol
1,45%, peróxido de hidrogénio 0,125%:
Coloque dentro de um balão graduado de 1.000 ml + 1,0 ml:
 751,5 ml de álcool isopropílico (com pureza de 99,8%)
 14,5 ml de glicerol
 41,7 ml de peróxido de Hidrogénio 3%
Encha o restante do balão de 1.000,0 ml com água destilada ou fervida.
Método: Feche o balão com a tampa de vidro correspondente, agite bem o conteúdo
(total aproximado de 807,7 ml) e coloque o balão junto de outro balão (contendo
aproximadamente 200 ml de água destilada ou fervida) num banho-maria a 20 ºC ± 1°C
durante 30 minutos para estabilizar a temperatura. Depois de 30 minutos, encha o resto
do balão até 1,000 com a água destilada ou fervida e agite novamente o balão.

248
ANEXO 4

DIRECTRIZES PARA PROCESSAMENTO DE INSTRUMENTOS, LUVAS CIRÚRGICAS E OUTROS


ITENS
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Mergulhe em solução Lave com água e
Vias respiratórias de cloro a 0,5% sabão. Enxague Vaporize ou ferva durante 20
(plástico) durante 10 minutos com água limpa, minutos
Não é necessária.
antes de limpar. deixe a secar ou
Enxague e lave limpe com uma
imediatamente. toalha.

Sacos ambu e Limpe as superfícies Lave com água e


máscaras faciais expostas com gaze sabão. Enxague
de reanimação embebida em álcool a com água limpa,
Não é necessária. Se possível vaporize ou ferva
60-90% ou cloro 0,5%; deixe a secar ou
durante 20 minutos
enxague. limpe com uma
toalha.
249
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Limpe com solução de Lave com água e
cloro a 0,5%. Enxague sabão líquido.
com água limpa. Entre Enxague com
Aventais (pesados
cada procedimento ou água limpa, seque
de plástico ou Não é necessária. Não é necessária.
sempre que forem naturalmente ou
borracha)
despidos. com uma toalha
no fim do dia ou
quando estiver
visivelmente sujo.

Lave em solução
desinfectante
(sabão e cloro a
Arrastadeiras, Não é necessária. Não é necessária. Não é necessária.
0,5%) com uma
urinóis ou cubas
escova. Enxague
em rim
com água limpa.

250
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Se estiver contaminado Se tiver sujidade,
com sangue ou fluidos lave com água e
corporais, limpe com sabão. Enxague
Manguito de
uma gaze ou pano com água limpa,
esfigmomanómetro
embebido em solução deixe a secar ou
de cloro a 0,5%. limpe com uma Não é necessária. Não é necessária.
Enxague com água toalha.
limpa.
Mergulhe em solução Lave com água e Não é necessária, mas Vaporize ou ferva durante 20
de cloro a 0,5% sabão. Enxague pode ser colocada na minutos.
durante 10 minutos com água limpa. estufa a 121 ºC (250 ºF) Submeta a desinfecção de
Diafragmas ou
antes de lavar. Deixe secar 106 kPa (15 lbs/in2) 20 alto nível química ao
anéis de medição
Enxague ou lave naturalmente ou minutos (sem embrulho). mergulhar durante 20
(usados para medir
imediatamente. com uma toalha. minutos em formaldeído a
os utentes)
8% ou em gluteraldeído 2-
4%. Enxague bem com água
que tenha sido fervida.
251
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Marquesas de Passe pano com Se permanecer
exame ou mesas solução de cloro a material orgânico Não é necessária. Não é necessária.
do bloco operatório 0,5%. depois da
ou outras áreas de descontaminação,
grande superfície lave com água e
(carrinhos e sabão.
macas)
Limpe com solução de Lave com água e
cloro a 0,5%. Enxague sabão líquido.
com água limpa. No Enxague com
Calçado (sapatos e
fim do dia ou quando água limpa, seque
botas de borracha) Não é necessária. Não é necessária.
tive sujidade visível. naturalmente ou
com uma toalha
no fim do dia ou
sempre que
visivelmente sujo.
Mantendo a agulha Desmonte e lave De preferência (somente Aceitável (vidro ou plástico):
submersa em solução com água e vidro): Vaporize ou ferva durante 20
de cloro a 0,5% sabão. Enxague  Estufa durante 2 horas minutos.
Agulhas
Preencha a agulha e as seringas com

252
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
hipodérmicas e seringa acopladas com água limpa, deixe depois de atingir os 160
seringas (de vidro a solução e deixe secar ou limpe a °C (320°F) (somente (A DAN química não é
ou plástico) actuar durante 10 uma toalha seringas de vidro), ou recomendada porque o
minutos. Enxague ao (somente as resíduo químico pode
 Autoclave a 121°C
passar por água limpa agulhas secas permanecer depois de se
(250°F) e 106 kPa
três vezes. naturalmente) 2 repetir o enxague com água
(15lb/in ) durante 20
fervida.) Estes resíduos
minutos (30 minutos
podem interferir com a acção
quando embalado).
dos medicamentos a serem
injectados).
Não é apropriada Não é recomendado. A
DIUs e aplicadores maioria dos DIUs e Não é recomendado.
(nunca reutilizar) aplicadores vêm em
Não é apropriada
embalagens esterilizadas.
Se o selo estiver violado,
descarte a embalagem.

Limpe as superfícies Desmonte e lave Esterilize diariamente Entre casos, mergulhe


expostas com gaze em água e sabão usando a esterilização durante 20 minutos em:
253
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Laparoscópios embebida em álcool a com uma escova. química. Deixe de molho  Um gluteraldeído
60-90%; enxague Enxague com em: (normalmente 2%) ou
imediatamente. água limpa, ou  Um gluteraldeído
limpe com uma  8% formaldeído, ou
(normalmente 2%)
toalha. durante 10 horas, ou  Solução de cloro a 0,1%
com água fervida e filtrada
 8% formaldeído durante (quando necessário).
24 horas
Enxague três vezes em água
Enxague três vezes em fervida durante 20 minutos.
água esterilizada ou
fervida durante 20
minutos.
Não é necessária. Lave com água
(Quando manipular quente e sabão.
roupa suja, os TSl da Enxague com
EPId
lavandaria devem água limpa, deixe
vestir aventais de a secar Não é necessária. Não é necessária.
plástico, luvas e naturalmente ou
calçado e óculos de na máquina.
protecção). Embrulhe para

254
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
reutilização.
Limpe com gaze Se tiver sujidade,
Estetoscópios embebida em álcool lave com água e Não é necessária. Não é necessária.
60-90% e deixe secar. sabão. Enxague
com água limpa,
deixe a secar ou
limpe com uma
toalha.
Recipientes de Mergulhe em solução Lave com água e  Estufa durante 1 hora Ferva o recipiente e a tampa
armazenamento de de cloro a 0,5% sabão. Enxague depois de atingir os durante 20 minutos. Se o
instrumentos durante 10 minutos com água limpa, 170°C (340°F) ou recipiente for demasiado
(metal ou plástico) antes de lavar. deixe a secar ou grande:
 Autoclave a 121°C
Enxague ou lave limpe com uma Encha o recipiente com
(250°F) e 106 kPa
imediatamente.c toalha. solução de cloro a 0,5% e
(15lb/in2) durante 20
minutos (30 minutos imerja durante 20 minutos.
quando embalado). Enxague com água que
tenha sido fervida por 20
minutos e deixe secar
naturalmente antes de usar.
255
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Ventosas Mergulhe em solução Lave com água e Dependendo do material,
(borracha) de cloro a 0,5% sabão. Enxague Não é necessária. podem ser vaporizadas ou
durante 10 minutos com água limpa, fervidas durante 20 minutos
antes de limpar. deixe a secar ou
Enxague e lave limpe com uma
imediatamente. toalha.
Cânulas de Mergulhe em solução Passe água Não é recomendado. (O Vaporize ou ferva durante 20
(plástico) de cloro a 0,5% ensaboada pelas calor da autoclave ou minutos.
aspiração manual durante 10 minutos cânulas três estufa danificará as
a vácuo (MVA) antes de lavar. vezes até cânulas).
Enxague ou lave remover todas as
imediatamente. partículas.
Sondas de Mergulhe em solução Passe água Não é recomendado. (O Vaporize ou ferva durante 20
aspiração de cloro a 0,5% ensaboada pela calor da autoclave ou dos minutos. (A DAN química não
(borracha ou durante 10 minutos sonda três vezes. fornos de calor seco irá é recomendada porque o
plástico) antes de lavar. Enxague três danificar as sondas resíduo químico pode
Enxague ou lave vezes com água plásticas; as sondas de permanecer depois de se
imediatamente. limpa (por dentro borracha podem ser repetir o enxague com água
e por fora). colocadas na autoclave). fervida.)

256
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Luvas cirúrgicas Mergulhe em solução Lave com água e Quando usadas para Vaporize durante 20 minutos
de cloro a 0,5% sabão. Enxague cirurgia: e deixe secar no vaporizador.
durante 10 minutos. com água limpa e Autoclave a 121°C
Enxague ou lave verifique a (250°F) e 106 kPa
imediatamente. presença de (15lb/in2) durante 20
furos. Se for para minutos.
esterilização,
Não use antes de 24-48
seque por dentro
horas.
e por fora
(naturalmente ou
com toalha) e
embale.
Não é necessária. Lave com água Autoclave a 121°C/250°F
(Quando manipular quente e sabão. e 106 kPa (15lb/in2)
roupa suja, os TS da Enxague com durante 30 minutos.
Batas cirúrgicas, Não é prática.
lavandaria devem água limpa, deixe
campos e
vestir aventais de a secar
envoltórios de
plástico, luvas e naturalmente ou
panod
calçado e óculos de na máquina.
protecção).
257
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS

Instrumentos Mergulhe em solução Lave com água e De preferência:


cirúrgicos de cloro a 0,5% sabão utilizando  Estufa durante 1 hora Aceitável:
(metálicos) durante 10 minutos. uma escova. depois de atingir os Vaporize ou ferva durante 20
Enxague ou lave Enxague com 170°C (340°F) ou
c minutos.
imediatamente. água limpa. Se for
para ser  Autoclave a 121°C Submeta a desinfecção
esterilizado, deixe (250°F) e 106 kPa química de alto nível através
secar ou limpe (15lb/in2) durante 20 de imersão durante
com uma toalha e minutos (30 minutos 20 minutos. Enxague bem
embale em quando embalado). com água fervida e deixe
pacotes ou Para perfuro-cortantes: secar naturalmente antes de
individualmente. Estufa durante 2 hora usar ou armazenar.
depois de atingir os 160°C
(320°F).e
Lave em solução
Termómetros desinfectante
(vidro) (sabão e cloro a
Não é necessária. Não é necessária. Não é necessária.
0,5%). Enxague
(Nunca misture
com água limpa,
orais e rectais –

258
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
reprocesse deixe a secar ou
separadamente) limpe com uma
toalha.

Pinças de Mergulhe em solução Lave com água e


transferência de cloro a 0,5% sabão utilizando De preferência: Aceitável:
(cheatle) e durante 10 minutos. uma escova.
Enxague ou lave  Estufa durante 1 hora Vaporize ou ferva durante 20
recipiente Enxague com
imediatamente. c depois de atingir os minutos.
(metálico) água limpa. Se for
(reprocesse por turno para esterilizar, 170°C (340°F) ou Submeta a desinfecção
ou sempre que ficarem seque  Autoclave a 121°C química de alto nível através
contaminadas) naturalmente ou a (250°F) e 106 kPa de imersão durante
uma toalha. (15lb/in2) durante 20 20 minutos. Enxague bem
minutos (30 minutos com água fervida e deixar
quando embalado). secar naturalmente antes de
usar.
Algálias (borracha Mergulhe em solução Lave com água e De preferência (somente Aceitável (borracha ou
e metálicas rectas) de cloro a 0,5% sabão utilizando metálicas): metálicas)
durante 10 minutos uma escova.  Estufa durante 2 hora Vaporize ou ferva durante 20
antes de lavar. Enxague três
259
Processo A descontaminação é A limpeza A Esterilização destrói A Desinfecção de Alto
o primeiro passo na remove todo o todos os microrganismos, Nível destrói todos os vírus,
manipulação dos itens sangue, fluidos incluindo endósporos. bactérias, parasitas, fungos e
usados; ela reduz o corporais e alguns endósporos.
risco dos vírus VHB, sujidade visível.
VHC e HIV.
a
INSTRUMENTOS DESCONTAMINAÇÃO LIMPEZA ESTERILIZAÇÃO DESINFECÇÃO DE ALTO
b
OU OUTROS NÍVEL
ITENS
Enxague ou lave vezes com água depois de atingir os minutos.
imediatamente.c limpa (por dentro 160°C (320°F) ou
e por fora).  Autoclave a 121°C
(250°F) e 106 kPa
(15lb/in2) durante 20
minutos (30 minutos
quando embalado).
Tubagem ou Não é necessária. Lave com água e Lave com água e sabão Aceitável
circuitos do sabão utilizando utilizando uma escova. Vaporize ou ferva durante 20
ventilador uma escova. Enxague com água limpa, minutos.
Enxague com deixar a secar.
Deixe secar naturalmente
água limpa, deixar
antes de usar.
a secar.

a
Se não estiver embalada, use imediatamente; se estiver embalada, reprocesse se a embalagem ficar danificada ou
contaminada.
b
Se a esterilização (estufa ou autoclave) não estiver disponível, estes itens podem ser submetidos a desinfecção de alto nível
por fervura, vaporização ou imersão num desinfectante químico.
c
Para minimizar a corrosão (enferrujamento) dos instrumentos e deterioração de produtos de borracha ou pano evite
exposição prolongada (> 20 minutos) à solução de cloro (> 0,5%).

260
d
Batas, barretes ou máscaras de papel ou plástico. Coloque num saco plástico ou recipiente de lixo impermeável e com tampa
para descarte.
e
Os instrumentos com bordos cortantes ou agulhas devem ser esterilizados a temperaturas acima de 160 °C para evitar que
percam o fio.
261
ANEXO 5

MICRORGANISMOS MAIS COMUNS E PROCEDIMENTOS DE


ISOLAMENTO PADRÃO ASSOCIADOS
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

ABSCESSO DRENANTE
Contacto Durante a doença
Drenagem não contida pelo curativo
01 semana após início
 Acima de 14 anos Contacto
sintomas
Adenovirus Contacto + Gotículas Durante a doença
ADENOVÍRUS, infecção por:
Durante a doença
lactente e pré-escolar Contacto + gotículas
 Adultos Básicas
 Adultos Gotículas Até 24 horas
 Adultos Básicas
AMEBÍASE Básicas
ANTRAX Básicas
Cutâneo e pulmonar
ASCARIDÍASE Básicas
ASPERGILOSE Básicas
Bacteriana gram negativos entéricos, Básicas
em neonatos
BACTÉRIAS MULTI - RESISTENTES
Colonização/infecção: solicitar
avaliação
Contacto
da comissão do PCI
BOTULISMO Básicas
BRONQUIOLITE / INFECÇÃO
RESPIRATÓRIA
Vírus Sincicial Respiratório e Vírus
Parainfluenza
 Lactente e pré-escolar Contacto Durante a doença
BRUCELOSE Básicas
Campylobacter, V. cholera,
Básicas
Criptosporidium spp
CANCRO MOLE (Chlamydia Básicas
trachomatis):
Conjuntivite, genital e respiratória
CANDIDÍASE Básicas
Todas as formas
Até 09 dias após início
CAXUMBA Gotículas
tumefação
263
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

CELULITE
Drenagem não contida Contacto Durante a doença
Chlamydia, Legionela spp, S. aureus Básicas
CISTICERCOSE Básicas
CITOMEGALOVIROSE Básicas
Neonatal ou em imunossuprimido
Clostridium botulinum (Botulismo) Básicas
Clostridium difficile Contacto Durante a doença
Clostridium difficile (Colite associada
Durante a doença
antibiótico) Contacto
Clostridium perfringens (Gangrena Básicas
gasosa e intoxicação alimentar)
Clostridium tetanii (Tétano) Básicas
CÓLERA Básicas
COLITE ASSOCIADA A
Contacto Durante a doença
ANTIBIÓTICO
Com secreção não contida Contacto Durante a doença
Congênita Contacto Durante o internamento
CONJUNTIVITE:
Bacteriana, gonocócica e Clamydia
trachomatis Básicas
TOSSE CONVULSA (B. pertussis) Gotículas Terapia eficaz por 05 dias
CREUTZFELDT – JACOB Básicas
 Criança < 03 anos Contacto Durante o internamento
02 semanas após início
 Crianças de 3 a 14 anos Contacto
sintomas
CRIPTOCOCOSE Básicas
Crise aplásica transitória ou de
Gotículas Durante 07 dias
células vermelhas
DENGUE Básicas
DERMATOFITOSE / MICOSE DE
Básicas
PELE / TÍNEA
DIARRÉIA Ver gastroenterite
DIFTERIA
02 culturas negativas em
Cutânea Contacto dias diferentes
DONOVANOSE (granuloma inguinal) Básicas
Drenagem contida pelo curativo Básicas
Em imunossuprimido Aerossóis Durante o internamento
Em imunossuprimidos Gotículas Durante o internamento
Em pacientes incontimentes ou uso
Contacto Durante a doença
de fraldas

264
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

Em pacientes incontinentes Contacto Durante a doença


ENCEFALITE Ver agente específico
Encefalite Básicas
Endometrite (sepsis pueperal) Básicas
ENDOMETRITE PUERPERAL Básicas
ENTEROBÍASE Básicas
ENTEROCOLITE
Clostridium difficile Contacto Durante a doença
Enterocolite Básicas
ENTEROVIROSE (Coxackie e
Echovirus) Básicas
Adulto
EPIGLOTITE (Haemophylus
Gotículas Terapia eficaz 24h
influenza)
ESCABIOSE Contacto Terapia eficaz 24h
Escarlatina: lactente e pré-escolar Gotículas Terapia eficaz 24h
Escherichia coli: Básicas
ESQUISTOSSOMOSE Básicas
ESTAFILOCOCCIA – Staphyloccocus
aureus
ESTREPTOCOCCIA – Streptococcus
Grupo A
ESTREPTOCOCCIA - Streptococcus
Grupo B Básicas
neonatal
ESTREPTOCOCOS MULTI -
Contacto Durante a doença
RESISTENTES
ESTRONGILOIDÍASE Básicas
EXANTEMA SÚBITO (Roseola) Básicas
Extra-pulmonar (suspeita ou Básicas
confirmada)
02 culturas negativas em
Faríngea Gotículas
dias diferentes
Faringite: lactente e pré-escolar Gotículas Terapia eficaz 24h
FEBRE AMARELA Básicas
FEBRE POR ARRANHADURA DE Básicas
GATO
FEBRE POR MORDEDURA DE Básicas
RATO
FEBRE RECORRENTE Básicas
FEBRE REUMÁTICA Básicas

265
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

FEBRE TIFÓIDE Básicas


Fúngica Básicas
Fúngica, Viral Básicas
FURUNCULOSE ESTAFILOCOCICA
Lactentes e pré-escolares Contacto Durante a doença
GANGRENA GASOSA Básicas
GASTROENTRITE
Giardia lamblia Básicas
GIARDÍASE Básicas
GONORRÉIA Básicas
GUILLAIN-BARRÈ, síndrome de Básicas
Haemophilus influenzae Básicas
Haemophilus influenzae (suspeita ou
Terapia eficaz 24h
confirmada) Gotículas
HANSENÍASE Básicas
HANTAVIRUS PULMONAR Básicas
Helicobacter pylori Básicas
HEPATITE VIRAL
Vírus A:
HERPES SIMPLEX
HERPES ZOSTER
Localizado em imunossuprimido, ou Até todas as lesões
disseminado Contacto+aerossóis tornarem-se crostas
HISTOPLASMOSE Básicas
HIV, infecção por Básicas
IMPETIGO Contacto Terapia eficaz 24h
INFECÇÃO DE CAVIDADE
Básicas
FECHADA
INFECÇÃO DE FERIDA CIRÚRGICA
Básicas
Com secreção contida
INFECÇÃO DO TRACTO URINÁRIO Básicas
INFLUENZA: A,B,C Gotículas Durante a doença
INTOXICAÇÃO ALIMENTAR POR Básicas
C. botulium, C. perfringens, C. welchii,
estafilocóccica
Lactente e pré-escolar Contacto Durante a doença
 Lactentes e crianças de
Gotículas Até 24 h
qualquer idade
 Lactentes e pré-escolares Gotículas Até 24 horas
 Lactentes e pré-escolares Básicas
02 BK negativos e/ou
Laríngea (suspeita ou confirmada) Aerossóis
terapia eficaz por 15 dias
266
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

LEGIONELOSE Básicas
LEPTOSPIROSE Básicas
LINFOGRANULOMA VENÉREO Básicas
Listeria monocytogenes Básicas
LISTERIOSE Básicas
Localizado em imunocompetente Básicas
LYME, doença de Básicas
MALÁRIA Básicas
Mantoux: reactor (> 5mm) sem Básicas
evidência de doença pulmonar ou
laríngea atual
MENINGITE Básicas
MENINGOCOCCEMIA Gotículas Terapia eficaz 24h
Meningocóccica Gotículas Até 24 h
MICOBACTERIOSE ATÍPICA
(não M. tuberculosis): pulmonar e Básicas
cutânea
MICRORGANISMOS MULTI - Ver bactérias
RESISTENTES multirresistentes
MOLUSCO CONTAGIOSO Básicas
MONONUCLEOSE INFECCIOSA Básicas
Mucocutâneo, disseminada ou Até todas as lesões
primária, grave Contacto tornarem-se crostas
Mucocutâneo, recorrente (pele, oral e
Básicas
genital)
MUCORMICOSE Básicas
Multiresistente Contacto Durante a doença
Mycoplasma (pneumonia atípica
Gotículas Durante a doença
primária)
Neisseria meningitidis (suspeita ou
Terapia eficaz 24h
confirmada) Gotículas
Neonatal Contacto Durante a doença
NOCARDIOSE Básicas
Outras bactérias citadas Básicas
OXIUROS, infecção por Básicas
 Pacientes com lesões de pele Gotículas + contacto Durante doença
Pacientes incontinentes ou uso de
Contacto Durante a doença
fralda
PARACOCCIDIOIDIMICOSE Básicas
[Link]

267
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

PARVOVÍRUS B19
Durante o internamento
Doença crónica em imunossuprimido Gotículas
PEDICULOSE Contacto Terapia eficaz 24h
Pele, ferida e queimadura com Básicas
secreção contida
Pele, ferida e queimadura com Básicas
secreção contida
Pele, ferida e queimadura com
Contacto Durante a doença
secreção não contida
Pele, ferida e queimadura com
Contacto Durante a doença
secreção não contida
05 dias após terapia
PERTUSSIS (coqueluche) Gotícula
eficaz
PESTE
Básicas
Bubônica
Pneumocócica Básicas
Pneumocócica Básicas
Pneumocystis carinii Básicas
PNEUMONIA
Pneumonia: lactente e pré-escolar Gotículas Terapia eficaz 24h
Pneumônica Gotículas Terapia eficaz 03 dias
POLIOMIELITE Contacto Durante a doença
02 BK negativos e/ou
Pulmonar (suspeita ou confirmada) Aerossóis
terapia eficaz por 15 dias
RAIVA Básicas
RIQUETSIOSE Básicas
ROTAVIRUS Contacto Durante a doença
Rotavirus e outros vírus Contacto Durante a doença
RUBÉOLA Gotícula Até 07 dias após rash
Salmonella spp (inclusive [Link]) Básicas
SARAMPO Aerossóis Por 04 dias
Shigella spp Básicas
SIDA Básicas
SÍFILIS:
Pele e mucosa (incluindo congênita, Básicas
primária e secundária)
Síndrome da pele escaldada Básicas
Síndrome do choque tóxico Básicas
Streptococcus, grupo A
TENÍASE Básicas
Terciária e soro-positivo sem lesões Básicas
TÉTANO Básicas

268
INFECÇÃO/CONDIÇÃO/ TIPO DE
PERÍODO
MICRORGANISMO PRECAUÇÃO

TIFO Básicas
Endêmico e epidêmico (não é por
Salmonella spp)
TINEA Básicas
TOXOPLASMOSE Básicas
TRACOMA AGUDO Básicas
TRICOMONÍASE Básicas
TRICURÍASE Básicas
Tuberculosa Básicas
TUBERCULOSE Básicas
Extra-pulmonar, meningite e outras
sem drenagem
Manter isolado durante
todo o [Link]
Tuberculose multi-droga resistente culturas negativas como
Aerossóis
(TB-MDR) criterio e consultar o PCI
antes de baixar o
isolamento
TULAREMIA Básicas
Lesão drenando ou pulmonar
Até todas as lesões
VARICELA Aerossóis e Contacto
tornarem-se crostas
Vibrio parahaemolyticus Básicas
Viral
Viral aguda (hemorrágica-adenovírus) Contacto Durante a doença
Vírus B (HBs Ag positivo), vírus C e
Básicas
outros
VIRUS PARAINFLUENZA: Contacto Durante a doença
VÍRUS SINCICIAL RESPIRATORIO: Contacto Durante a doença
Yersinia enterocolítica Básicas
ZIGOMICOSE (ficomicose /
Básicas
mucormicose)

269
ANEXO 6

Lista de Verificação para Procedimentos Cirúrgicos

MINISTÉRIO DA SAÚDE
Direcção Nacional de Assistência Médica

Nome do paciente: …………………………………………………… Idade: …….. anos Serviço: ………………………………………..


Tipo de anestesia: Anestesia Geral Locoregional Outra:……………………………………………..…… Data: ….../….../…...

Antes de Começar a Anestesiar Antes da Incisão Antes de o Paciente Sair da Sala


Participam enfermeiros e anestesista Enfermeiro, anestesista, cirurgião Enfermeiro, anestesista, cirurgião

Procedimentos iniciais Verificação Saída

O PACIENTE CONFIRMOU: O cirurgião / enfermeiro confirma


Confirmar que todos os membros da
verbalmente com a equipa:
O seu nome completo equipa se apresentaram pelo nome e
função O nome da intervenção realizada
Em que local do corpo vai ter a
incisão O cirurgião, o anestesista e a(o) Que os instrumentos, as compressas
Que sabe o que vai fazer enfermeira(o) confirmaram e agulhas foram contados e estão
verbalmente: certos.
Que deu o seu consentimento  A identidade do paciente Que todas as peças retiradas estão
 O local da incisão
com etiquetas indicando a origem e o
 O tipo de intervenção
nome do paciente
271
Antes de Começar a Anestesiar Antes da Incisão Antes de o Paciente Sair da Sala
Participam enfermeiros e anestesista Enfermeiro, anestesista, cirurgião Enfermeiro, anestesista, cirurgião

O LOCAL DA INCISÃO ESTÁ Previsão de acidentes Se há problemas com equipamento ou


MARCADO
O cirurgião avisou: situações críticas instrumentos a ser corrigidos
Sim e imprevistas, duração da operação e O cirurgião, anestesista e enfermeiro
Não perda de sangue
comentam verbalmente qualquer
A equipa de anestesia avisou: se o aspecto importante para a
Não é necessário
paciente apresenta algum problema recuperação e tratamento do
O controlo de segurança anestésico específico paciente
foi feito A equipa de enfermagem avisou:
O oxímetro de pulso está colocado que foi confirmada a esterilização
e a funcionar (pelos testemunhos) e se existem
dúvidas quanto aos instrumentos e
O PACIENTE TEM: equipamentos
Alergias conhecidas?
Não Administraram-se antibióticos nos
últimos 60 minutos?
Sim
Sim Transcrição da intervenção
Via aérea difícil ou risco de aspiração?
Não …………………………………………........
Não …………………………………………........
Não necessário …………………………………………........
Sim e há equipamento e assistência
disponível …………………………………………........
A presente lista não pretende ser exaustiva e
Há risco de hemorragia >500 ml (7 recomenda-se que seja completada e
ml/kg em crianças)? modificada para se adaptar às condições
Estão disponíveis imagens durante a
Não intervenção? locais.
Adaptada de: “WHO Surgical Safety
Sim e foi previsto acesso intra-venoso Sim Checklist,
adequado e líquidos/hemoderivados [Link]
Não necessário n
suficientes
© World Health Organization 2008”

272
GLOSSÁRIO

 Agrupamento ou Coorte: Prática de colocar os doentes com a mesma doença


infecciosa activa (por exemplo, varicela) e nenhuma outra infecção no mesmo
quarto ou enfermaria. (Capítulo Precauções baseadas na via de transmissão).

 Água limpa é uma água natural ou tratada quimicamente e filtrada que seja
segura para beber e para usa-la para outros fins (ex. lavagem das mãos e
limpeza de instrumentos médicos) porque cumpre com os padrões específicos da
saúde pública. Estes padrões incluem: zero níveis de microrganismos, tais como
bactérias (coliformes fecais e E. coli), parasitas (Giardia lamblia) e vírus (hepatite
A ou E); turvação reduzida (turvação provocada por matéria particulada e outros
contaminantes); e níveis mínimos de desinfectantes, derivados dos
desinfectantes, produtos químicos inorgânicos e orgânicos e materiais
radioactivos. No mínimo, a água limpa deve estar livre da presença de
microrganismos e possuir uma baixa turvação (seja clara e não turva). (Capítulo
15: Precauções baseadas na via de transmissão e água limpa) Animado:
Propriedade daquilo que tem vida ou está vivo (por exemplo, tecido ou órgãos
humanos).

 Anti-sepsia é o processo de redução de microrganismos na pele, membranas


mucosas ou em outros tecidos corporais através da aplicação de um agente anti-
séptico. (Capítulo 4: Assepsia).

 Anti-séptico à base de álcool, ou anti-séptico para esfregar as mãos (termos


usados indiferentemente): Anti-sépticos de acção rápida para esfregar as mãos
que não implicam o uso de água para remover a flora transitória, reduzem os
microrganismos residentes e protegem a pele. A maioria contém 60 –90% de
álcool, um emoliente e, frequentemente, um anti-séptico adicional (por exemplo,
gluconato de clorexidina a 2–4 %) que tem uma acção residual. (Capítulo 2:
Higiene das mãos).

 Anti-sépticos: Agentes anti-sépticos ou antimicrobianos são produtos químicos


que são aplicados à pele ou a outros tecidos vivos para inibir o crescimento ou
eliminar os microrganismos (tanto transitórios como residentes), reduzindo assim
a contagem bacteriana total. (Capítulo Assepsia).

273
 Assepsia cirúrgica: Preparação e preservação de um nível reduzido (seguro) de
microrganismos durante uma cirurgia pelo controlo das quatro principais fontes
de organismos infecciosos: o doente, o pessoal, o equipamento e o ambiente.
(Capítulo 4: Assepsia).

 Assepsia e técnica asséptica: Combinação de esforços realizados para


prevenir a entrada de microrganismos em qualquer área do corpo na qual
possam causar infecção. O objectivo da assepsia é reduzir a um nível seguro ou
eliminar o número de microrganismos tanto nas superfícies vivas (pele e tecidos)
como nos objectos inanimados (instrumentos cirúrgicos e outros itens). (Capítulo
4: Assepsia)

 Aterro sanitário: Método de engenharia de descarte de lixo sólido na terra de


forma a proteger o ambiente (por exemplo, a espalhar o lixo em camadas finas, a
compactá-lo até ao menor volume possí9: Gestão do lixo e Descarte do lixo
Hospitalar)

 Aterro seguro: Aterro municipal ou rural concebido para protecção ambiental,


dotada de acesso controlado destinado apenas para o lixo hospitalar sólido e não
perigoso. (Capítulo 8: Gestão do Lixo)

 Autoclave: Dispositivo que esteriliza instrumentos ou outros objectos pelo vapor


sob pressão. O tempo necessário para a esterilização depende da temperatura e
da pressão. (Capítulo 10: Processamento de Instrumentos e Central de
esterilização)

 Bactérias vegetativas: Bactérias que não têm esporos e podem ser


normalmente inactivadas por diversos
tipos de germicidas.

 Bactericida: Agente que mata as bactérias.

 Barreira protectora: Processo físico (mecânico ou químico) que ajuda a evitar a


propagação de microrganismos infecciosos de pessoa a pessoa (doente, utente
ou trabalhador de saúde), e de equipamentos, instrumentos e superfícies às
pessoas. (Introdução)

274
 Cabine de biossegurança (CB): Dispositivos que fornecem protecção ao
pessoal, a amostra que está a ser processada e ao ambiente. Variam em
complexidade, do nível I (câmaras de investigação geral para utilização com
microrganismos de risco baixo e moderado) até ao nível III (câmaras totalmente
fechadas à prova de gás que fornecem o máximo de protecção aos
trabalhadores e ao ambiente). (Capítulo 15: Prevenção Baseada nas Vias de
Transmissão)

 Caixa de segurança (objectos perfuro-cortantes) entre nós designada Caixa


Incineradora: Um recipiente resistente a perfuração/estanque concebido para
conter objectos perfuro-cortantes em segurança durante a sua colecta, descarte
e destruição. (Capítulo 5: Injecção Segura)

 CAQ: Abreviatura do termo composto de amónio quaternário; uma substância


desinfectante de nível baixo activa em superfície, solúvel em água, com quatro
átomos de carbono ligados a um átomo de azoto por ligações químicas
covalentes. (Capítulo Central de Esterilização e Anexos preparação e uso de
Desinfectantes Químicos)

 Carga biológica: Número de tipos de microrganismos viáveis com o qual um


item é contaminado; conhecida também como carga biológica ou carga
microbiana. (Capítulo 13: Cuidados com a Água)

 Central de Esterilização: A CE é a zona onde os instrumentos e equipamento


são processados e esterilizados e onde o pessoal deve estar especialmente
treinado para manipular, processar e armazenar instrumentos, equipamento e
outros itens limpos, esterilizados ou desinfectados a alto nível. (Capítulo 11:
Central de Esterilização)

 Cinza: Resíduo resultante da queima ou incineração de resíduos. (Capítulo 8:


Gestão do Lixo)

 Classificação de Spaulding: Estratégia para o reprocessamento de dispositivos


hospitalares e cirúrgicos contaminados. O sistema classifica os dispositivos em
críticos, semicríticos e não críticos, a basear-se no risco de contaminação num
dispositivo para a segurança do doente.

275
 Colonização: Os organismos patogénicos (causadores de doença) que estão
presentes em um indivíduo podem ser detectados por cultivos ou outros testes,
mas que não estão a causar sinais ou sintomas: resultados clínicos: alterações
ou danos celulares. (Introdução)

 Concentração eficaz mínima (CEM): Concentração mínima de um


desinfectante químico necessária para atingir a actividade germicida pretendida,
conforme determinada pelo teste de dose-resposta.

 Contaminado: Estado daquilo que esteve ou pode ter estado em contacto com
microrganismos. Quando utilizado no âmbito dos cuidados de saúde, este termo
geralmente refere-se à presença de microrganismos que seriam capazes de
produzir uma doença ou uma infecção.

 Controlos ambientais: Procedimento que especifica os padrões a seguir para


os cuidados, a limpeza e a desinfecção de rotina de superfícies, camas, traves
das camas, equipamentos adjacentes às camas e outras superfícies que são
frequentemente tocadas.

 Corrosão electrolítica: Processo químico que ocorre quando dois ou mais tipos
de metal diferentes (por exemplo, instrumentos em aço inoxidável numa panela
de alumínio) são colocados em água ou numa solução fraca de sal (cloreto de
sódio) ou cloro comercial (hipoclorito de sódio). Para evitar este fenómeno, os
instrumentos devem ser colocados em recipientes de plástico e os instrumentos
feitos de metais diferentes não devem se tocar.

 Corrosão: Acção das soluções químicas, como as que contêm sal (cloreto de
sódio) ou cloro comercial (hipoclorito de sódio em concentrações superiores a
0,5%), que fazem com que os instrumentos metálicos fiquem progressivamente
desgastados (enferrujados) pelo contacto prolongado (mais de uma hora).

 Cultivo: Crescimento de microrganismos dentro ou sobre um meio nutritivo.

 Descalcificação: Remoção do cálcio e magnésio da água. (Capítulo Cuidados


com a Água Limpa)

276
 Descarte: Deitar fora. Enterramento, depósito, descarga, despejo, colocação ou
libertação intencional de qualquer tipo de lixo no ar, terra ou água. O descarte é
efectuado sem intenção de recuperação. (Capítulo Gestão do lixo)

 Descontaminação: Procedimento que torna os objectos inanimados mais


seguros para manipulação pelo pessoal antes da limpeza, a inactivar os VHB,
VHC e HIV e a reduzir, mas não a eliminar, o número de outros microrganismos
contaminantes. (Capítulo 10: Processamento de instrumentos)

 Desinfecção de alto nível (DAN): Procedimento que elimina todos os


microrganismos excepto alguns tipos de endóspora bacteriana dos objectos
inanimados por fervura, vapor ou utilização de desinfectantes químicos. (Capítulo
1: Precauções básicas)

 Desinfectante de nível baixo: Agente que destrói todas as bactérias


vegetativas, excepto os bacilos da tuberculose, vírus lípídicos, alguns vírus não
lipídicos e alguns fungos, mas não os esporos
bacterianos. (Anexo 2: Preparação e Uso de Desinfectantes Químicos)

 Desinfectante de nível médio: Agente que destrói todas as bactérias


vegetativas, a incluir os bacilos da tuberculose, vírus lipídicos e alguns não
lipídicos e esporos de fungos, mas não os esporos bacterianos. (Anexo 2:
Preparação e Uso de Desinfectantes Químicos)

 Desinfectante: Produto químico que destrói ou inactiva os microrganismos. Os


desinfectantes são classificados em: de nível baixo, médio e alto, a depender da
sua capacidade para matar ou imobilizar alguns (nível baixo ou médio) ou todos
(nível alto) os microrganismos (mas não todos os esporos). Os fenóis, o cloro ou
compostos a conter cloro e os compostos de amónio quaternário (CAQ) são
classes de desinfectantes frequentemente utilizados para limpar superfícies não
críticas, como pisos, paredes e mobiliário.
(Capítulos Processamento de instrumentos e Higiene e limpeza e Anexo
Preparação e Uso de Desinfectantes Químicos)

 Destruição: Decomposição de proteínas. (Capítulo 13: Cuidados com a Água)

277
 Detergentes e sabões (termos usados indiferentemente): Produtos de limpeza
(em barra, líquido, em folha ou em pó) que diminuem a tensão superficial, a
ajudar a remover, das mãos, a sujidade, lixo e microrganismos transitórios. Os
sabões simples exigem fricção (esfregar) para remover mecanicamente os
microrganismos, enquanto os sabões anti-sépticos (antimicrobianos) também
matam ou inibem o crescimento da maioria dos microrganismos. (Capítulo 7:
Higiene e limpeza)

 Diarreia adquirida em unidades de saúde: Ocorrência de fezes soltas ou


aguadas, pelo menos, três vezes em pelo menos dois dias consecutivos, com
início há mais de 72 horas após a admissão no hospital ou mais, caso o período
de incubação do agente seja conhecido. (Capítulo 13: Cuidados com a Água)

 Dispersão: Fragmentação da sujidade em partículas menores. (Capítulo 13:


Cuidados com a Água)

 Dispositivo (ou item) médico crítico: Dispositivos que penetram na pele ou que
invadem partes do corpo normalmente estéreis (por exemplo, cateteres venosos
centrais). Estes itens entram em contacto com o sangue e requerem
esterilização. (Capítulo 1: Precauções básicas)

 Dispositivo (ou item) não crítico: Dispositivos que estão normalmente em


contacto com a pele íntegra do doente (por exemplo, tensiómetro, máscaras de
oxigénio). Estes dispositivos requerem uma desinfecção de nível baixo a médio,
e a sua reutilização acarreta poucos riscos. (Capítulo 1: Precauções básicas)

 Dispositivo (ou item) semi-crítico: Dispositivos que entram em contacto com


membranas mucosas ou pele não íntegra durante a sua utilização (por exemplo,
endoscópios, equipamento respiratório). Estes dispositivos requerem uma DAN,
caso a esterilização não seja possível, e a sua reutilização acarreta maior risco
de contaminação cruzada do que os itens não críticos. (Capítulos 1: Precauções
básicas)

 Dispositivo de segurança/Protecções concebidas contra ferimentos por


objectos perfuro-cortantes (ESIPs): Um objecto ou dispositivo perfuro-cortante
sem agulha usado para colher fluidos corporais, ter acesso a uma veia ou artéria
ou administrar medicamentos e outros fluidos, com uma função/ mecanismo de
278
segurança embutido e que reduz eficazmente o risco de incidentes de exposição
(OSHA). (Capítulo 5: Injecção Segura)

 Electrólito: Substância química, tal como sal (cloreto de sódio) ou cloro


comercial (hipoclorito de sódio) que, quando em solução, se separa em iões
positivos (sódio) e negativos (cloreto ou hipoclorito) e é capaz de conduzir uma
corrente eléctrica pelo movimento de iões positivos e negativos para eléctrodos
com cargas
opostas.

 Emoliente: Líquido orgânico, tal como o glicerol, propilenoglicol ou sorbitol, que


quando adicionados a produtos para esfregar as mãos e a loções para as mãos,
amaciam a pele e ajudam a prevenir danos na pele (gretas, pele seca, irritação e
dermatite) causados pelas lavagens frequentes das mãos com sabão (com ou
sem agente anti-séptico) e água. (Capítulo Higiene das mãos).

 Encapsulamento: Processo de combinação de lixo hospitalar, tais como


objectos perfuro-cortantes ou líquidos, com cimento, argamassa ou barro para
que os itens incluídos se solidifiquem e possam ser descartados em segurança
num aterro seguro. (Capítulo 8: Gestão do Lixo)

 Endóspora ou espora (termos utilizados indiferentemente): Célula em repouso


elíptica ou redonda, com baixo teor de água, composta por citoplasma
condensado e um núcleo envolvido por uma parede celular ou revestimento
impermeável. A espora é relativamente resistente aos desinfectantes e aos
esterilizantes, mais especificamente as espécies Bacillus e Clostridium.
(Capítulos 9 Processamento de Instrumentos e Anexo 1 Anti-sépticos:
Actividades Microbiológicas e Potenciais Usos)

 Endotoxinas bacterianas: Componentes lipopolissacarídeos das membranas


celulares de bactérias gram-negativas resultantes do metabolismo bacteriano. As
endotoxinas resistem à esterilização porque requerem calor seco a 132°C
(270°F) durante 1 hora para serem inactivadas. Pode provocar sintomas de
reacções pirogénicas, a incluir febre, calafrios e hipertensão.

 Enfermidade ou doença endémica: Doença infecciosa, como a cólera ou a


SIDA, que está continuamente presente a dado momento num determinado nível
(prevalência), num determinado país ou numa
determinada região.
279
 Epidemia: Disseminação rápida de uma doença infecciosa, como a cólera, entre
muitos indivíduos ao mesmo tempo, num hospital ou numa comunidade.

 Equipamento de protecção individual (EPI) é uma barreira ou vestuário de


protecção que ajuda a evitar a disseminação de microrganismos de uma pessoa
para outra (doentes, utentes ou trabalhadores de saúde) e do equipamento,
instrumentos e ambiente para as pessoas. (Capítulo 3: Equipamento de
Protecção Individual)

 Estéril ou esterilidade: Estado livre de qualquer microrganismo vivo. Na prática,


geralmente descrito como uma probabilidade (por exemplo, a probabilidade de
um microrganismo sobreviver à esterilização como sendo de uma em um
milhão). (Capítulo 11: Central de esterilização)

 Esterilização por calor seco: Forno para esterilizar instrumentos metálicos,


seringas e frascos de vidro e outros itens por calor seco. Os itens de plástico ou
de borracha não podem ser esterilizados pelo calor seco porque as temperaturas
utilizadas (160 –170C) são demasiado elevadas para esses materiais. (Capítulo
10 e 11: Processamento de instrumentos e Central de esterilização)
 Esterilização por vapor: Processo de esterilização que utiliza o vapor saturado
sob pressão, durante um período de tempo especificado e a uma temperatura
específica, tal como agente esterilizante. (Capítulo 10: Processamento de
instrumentos)

 Esterilização rápida: Processo concebido para a esterilização por vapor de itens


de cuidados aos doentes para utilização imediata.

 Esterilização: Processo que elimina todos os microrganismos (bactérias, vírus,


fungos e parasitas) incluindo endósporos bacterianos presentes em objectos
inanimados, por vapor de alta pressão (autoclave), estufa, esterilizantes químicos
ou radiação.

 Esterilização: Procedimento que elimina todos os microrganismos (bactérias,


vírus, fungos e parasitas) a incluir endóspora bacteriana dos objectos
inanimados, por vapor de alta pressão (autoclave), calor seco (forno),

280
esterilizantes químicos ou radiação. (Capítulos 10 e 11: Processamento de
Instrumentos e Central de Esterilização)

 Esterilizador: Aparelho utilizado para esterilizar instrumentos hospitalares, luvas


cirúrgicas, equipamentos ou produtos por exposição directa ao agente
esterilizante (autoclave ou forno de calor seco).
(Capítulo 11: Central de esterilização)

 Esterilizantes: Produtos químicos utilizados para destruir todas as formas de


microrganismos, a incluir endóspora. Os esterilizantes são também, na sua
maioria, desinfectantes de alto nível quando utilizados durante um período de
tempo menor. Os esterilizantes são apenas utilizados em objectos inanimados
(por exemplo, instrumentos cirúrgicos) que são utilizados em áreas semicríticas e
críticas (por exemplo, cirurgia). Os esterilizantes não devem ser utilizados para a
limpeza de superfícies. (Capítulo 10: Processamento de Instrumentos)

 Ferida de classe I: Limpa. Ferida cirúrgica não infectada sem inflamação e


através da qual não se penetrou no tracto respiratório, gastrointestinal, genital e
urinário. As feridas limpas são fechadas durante a cirurgia e, quando necessário,
drenadas por sistema fechado. (Capítulo 19: Prevenção da infecção do sítio
cirúrgico)
 Ferida de classe II: Limpa-contaminada. Ferida através do qual acedeu-se aos
tractos respiratório, gastrointestinal, geniturinário sob condições controladas, sem
contaminação anormal ou derramamento do conteúdo. (Capítulo 19: Prevenção
da infecção do sítio cirúrgico)

 Ferida de classe III: Contaminada. Ferida aberta, fresca e acidental ou


resultante de uma operação com grande(s) falha(s) na técnica asséptica (ex.
massagem cardíaca aberta) ou grande derramamento do tracto gastrointestinal.
Também estão incluídas nesta categoria as incisões com uma inflamação aguda,
não purulenta. (Capítulo 19: Prevenção da infecção do sítio cirúrgico)

 Ferida de Classe IV: Suja ou infectada. Feridas antigas com tecido necrosado
e aquelas que envolvem uma existente infecção clínica ou um intestino
perfurado, sugerindo que os agentes patogénicos que provocaram a infecção
pós-operatória estavam presentes na ferida antes da cirurgia. (Capítulo 19:
Prevenção da infecção do sítio cirúrgico)

281
 Ferimento por objectos perfuro-cortantes: Um ferimento provocado pela
punção da pele por um objecto/instrumento perfuro-cortante, incluindo agulhas
hipodérmicas (Capítulo 6: Manipulação segura de perfuro cortantes)

 Ferimento por picada de agulha: Punção da pele por uma agulha hipodérmica
ou de sutura. (Capítulo 6: Manipulação segura de perfuro cortantes)

 Flora residente: Microrganismos que vivem nas camadas mais profundas da


pele, assim como nos folículos pilosos, e não podem ser completamente
removidos, mesmo por lavagem vigorosa com sabão simples e água limpa.
(Capítulo 2: Higiene das Mãos)

 Flora transitória: Microrganismos adquiridos através do contacto com doentes,


outros trabalhadores de saúde ou superfícies contaminadas (mesas de
observação, chão ou casas de banho) ao longo de um dia normal de trabalho.
Estes organismos vivem nas camadas superiores da pele e são parcialmente
removidos pela lavagem com sabão simples e água limpa. (Capítulo 2: Higiene
das Mãos)

 Fluxo e padrões de actividade significa regulamentar o fluxo das visitas,


doentes e TS para evitar a transmissão de doenças nas US. O número de
microrganismos nas diferentes zonas tende a estar associado ao número de
pessoas presentes e as actividades realizadas. (Capítulo 14: Fluxo e Padrões de
Actividades)

 Gestão do lixo: Todas as actividades, administrativas e operacionais, a incluir as


actividades de transporte, envolvidas no manuseamento, tratamento,
acondicionamento, armazenamento e descarte de lixo. (Capítulo 8: Gestão do
Lixo)

 Hidrofílico (atrai a água): Substâncias capazes de se dissolverem, incorporarem


ou serem atraídas pela água, mas não pelas gorduras ou pelos óleos (sinónimo:
lipofóbico).

 Hidrofóbico (evita a água): Substâncias que não são capazes de se


dissolverem, incorporarem ou serem atraídas pela água, mas que são atraídas
pelas gorduras e pelos óleos (sinónimo: lipofílico).

282
 Higiene das Mãos: inclui a lavagem das mãos, uso do álcool glicerinado para
friccionar as mãos e a lavagem cirúrgica das mãos, têm a finalidade de prevenir
as infecções transmitidas pelas mãos ao remover a sujidade e inibir ou matar os
microrganismos presentes na pele. (Capítulo 2: Higiene das Mãos)

 Higiene e limpeza significam, limpeza geral do ambiente da unidade sanitária,


que inclui a limpeza dos pavimentos, paredes, mobiliário e outras superfícies,
para além das passadeiras e jardins das zonas exteriores. (Capítulo 7: Higiene e
limpeza)

 Inanimado: Objecto ou item (por exemplo, instrumento cirúrgico, luvas ou outros


itens) que não têm vida (não são animados). (Introdução)

 Incineração: Queima controlada de lixo sólido, líquido ou combustível gasoso


(que pode ser queimado) para produzir gases e resíduos, a conter pouco ou
nenhum material combustível. (Capítulo 8: Gestão do lixo)
 Indicador biológico: Dispositivo de monitorização do processo de esterilização
que consiste numa população viável de microrganismos (geralmente esporos
bacterianos) comprovadamente resistentes ao processo de esterilização que está
a ser monitorizado. Os indicadores biológicos destinam-se a demonstrar se as
condições são ou não adequadas para se obter a esterilização. Um indicador
biológico negativo não prova que todos os itens na carga estejam esterilizados,
nem que tenham sido expostos às condições de esterilização adequadas.
(Capítulo 10 e 11: Central de esterilização e Processamento de instrumentos)

 Indicador mecânico: Dispositivos automáticos que monitorizam o processo de


esterilização (por exemplo, gráficos, manómetros, impressões). (Capítulo 10:
Processamento de instrumentos)

 Indicador químico: Dispositivo de monitorização do processo de esterilização


concebido para responder com uma modificação química característica a uma ou
mais condições físicas dentro da câmara de esterilização. Os indicadores
químicos destinam-se a detectar potenciais falhas de esterilização, resultantes do
acondicionamento e carregamento incorrecto do esterilizador ou falhas no
funcionamento do mesmo. A resposta de “aprovação” de um indicador químico
não prova que o item acompanhado pelo indicador esteja esterilizado. (Capítulo
10: Processamento de instrumentos)
283
 Infecção associada aos cuidados de saúde ou nosocomial (termos usados
indiferentemente): Infecção que não estava presente, nem em incubação, na
altura em que o doente esteve no hospital. Nosocomial significa a associação
entre cuidados de saúde e o subsequente aparecimento da infecção. Trata-se de
um critério relacionado com o tempo, que não implica uma relação causa-efeito.
(Introdução)

 Infecção do tracto urinário associada à algália (ITUAA): são o tipo mais


comum de infecções associadas aos cuidados de saúde, e são responsáveis por
36-40% de todas as infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS)
(Capítulo 17: Prevenção das infecções associadas ao uso da algalia)

 Infecção nosocomial ou infecção associada aos cuidados de saúde (termos


usados indiferentemente): Infecção que não estava presente nem em incubação
na altura em que o doente esteve no hospital. Nosocomial significa a associação
entre cuidados de saúde e o subsequente aparecimento da infecção. Trata-se de
um critério relacionado com o tempo que não implica uma relação causa-efeito.
(Introdução e Capítulo 2: higiene das mãos)

 Infecções do sítio cirúrgico (ISC): Infecção de uma incisão ou de um


órgão/espaço que ocorre nos 30 dias seguintes a uma operação ou num período
de um ano caso esteja presente um implante. As infecções cirúrgicas de incisão
dividem-se, ainda, em IC de incisão superficial (a envolver unicamente a pele e o
tecido subcutâneo) e IC de incisão profunda, que envolvem tecidos moles mais
profundos, a incluir camadas de aponevrose músculos. (Introdução)

 Injecção Segura: É aquela que: Não provoca dano ao utente/doente; Não expõe
o TS a nenhum risco que seja evitável; Não produz lixo perigoso para a
comunidade. (Capítulo 5: Injecção Segura)

 Lavagem das mãos: Processo de remoção mecânica de sujidade e de restos da


pele das mãos, a usar sabão simples e água. (Capítulo 2: Higiene das mãos)

284
 Lesão ou infecção profissional: Lesão ou infecção adquirida pelos
trabalhadores de saúde durante a realização das suas funções normais.
(Capítulos 6: Manipulação segura de perfuro-cortantes)

 Limpeza: Procedimento que remove fisicamente todo a poeira, sujidade, sangue


ou outros fluidos corporais presentes em objectos inanimados, a remover
também um número suficiente de microrganismos de forma a reduzir os riscos
para aqueles que os tocam com a pele ou os manuseiam. (Capítulo 7 e 10:
Processamento de instrumentos, Higiene e limpeza)

 Lipofílico (atrai a gordura): Substâncias capazes de se dissolverem,


incorporarem ou serem atraídas pelas gorduras, mas que não são atraídas pela
água (sinónimo: hidrofóbico).
 Lipofóbico (evita as gorduras): Substâncias que não são capazes de se
dissolverem, incorporarem ou serem atraídas pelas gorduras, mas que são
atraídas pela água (sinónimo: hidrofílicas).

 Lixo Comum: Lixo de carácter geral para recolha pelas municipalidades (por
exemplo, as autoridades da vila ou da cidade), geradas principalmente pelos
lares, actividades comerciais e limpeza urbanas. (Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Lixo Hospitalar Infeccioso (Lixo Contaminado ou Lixo Infeccioso): Todo o lixo


hospitalar que potencialmente contenha agentes patogénicos (microrganismos)
capazes de causar infecções ou doenças. (Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Lixo Hospitalar Perigoso Ambiental: Consiste principalmente em


medicamentos expirados, agentes (Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Lixo Hospitalar Perigoso: Lixo que seja potencialmente infeccioso (ex. perigo
para a biossegurança) ou tóxico (ambiental). (Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Lixo hospitalar: Todo o lixo produzido pelas Unidades Sanitárias (US) -


Hospitais, e Centros de Saúde). Pode ser dividido em duas grandes categorias:
lixo hospitalar perigoso e lixo hospitalar não perigoso ou lixo comum. (Capítulo 8:
Gestão do lixo)

285
 Mãos com sujidade visível: Mãos que apresentam sujidade visível ou estão
visivelmente contaminadas com sangue ou fluidos corporais (urina, fezes,
escarros ou vómitos). (Capítulo 2: Higiene das Mãos)

 Média de tempo de influência (MTI): Média de todas as concentrações de um


produto químico às quais um trabalhador esteve exposto durante um tempo de
amostragem específico; apresentada como uma média em relação ao tempo de
amostragem. O limite de exposição permitido para o óxido de etileno é de 1 ppm
como uma MTI de oito horas. As exposições superiores ao limite em ppm são
permitidas caso sejam compensadas por exposições de duração igual ou
superior abaixo do limite no dia de trabalho de oito horas.

 Meio de cultivo: Substância ou preparação de laboratório utilizada para


multiplicar e cultivar microrganismos.

 Micobactérias: Bactérias com um revestimento espesso e ceroso que as torna


mais resistentes aos desinfectantes químicos do que os outros tipos de bactérias
vegetativas.

 Microrganismo: Agente causal da infecção. Incluem bactérias, vírus, fungos e


parasitas. Para efeitos de prevenção de infecções, as bactérias podem ainda ser
divididas em três categorias: vegetativas (por exemplo, estafilococos),
micobactérias (por exemplo, tuberculose) e endóspora (por exemplo, tétano). De
todos os agentes infecciosos comuns, a endóspora é o mais difícil de destruir
devido à sua cobertura de protecção. (Introdução)

 Microrganismos infecciosos: Microrganismos capazes de provocar doença em


hospedeiros apropriados.

 Musselina: Tecido 100% de algodão, de trama média. (Capítulo 10:


Processamento de Instrumentos)

 Não iónico: Partícula ou substância neutra (sem carga positiva ou negativa).

286
 No local de utilização: Equipamento, instrumentos e itens de abastecimento
que estão no local onde são necessários (por exemplo, recipientes para objectos
perfuro-cortantes colocados ao alcance da mão nos locais onde são
administradas as injecções). (Capítulo 6: Manipulação segura de perfuro-
cortantes)

 Objectos perfuro-cortantes: Os instrumentos perfuro-cortantes são todos


aqueles que podem puncionar a pele (tesouras, agulhas, bisturis ou lâminas,
ferros cirúrgicos, vidros partidos, etc.) (Capítulo 6: Manipulação seguro de
perfuro-cortantes)

 Órgão/espaço de ISC: Qualquer parte do corpo, excepto as partes das paredes


do corpo, que foram abertas ou manuseadas durante uma operação.

 Partes por milhão (ppm): As concentrações de vestígios de gases


contaminantes no ar (ou químicos num líquido) são geralmente medidas em
partes por milhão (ppm) por volume Para converter a concentração percentual
em ppm e vice-versa, utilizar a seguinte fórmula: ppm = percentagem (%) x
10.000. (Capítulo 13: Cuidados com a Água)

 Perigo: Propriedade potencial intrínseca ou capacidade de qualquer agente,


equipamento, material ou procedimento que pode causar danos. (Capítulo 8:
Gestão do lixo)

 Pneumonia adquirida na comunidade (PAC): ocorre em todos os doentes


provenientes da comunidade. (Capítulo 18: Prevenção da pneumonia associada
aos cuidados de saúde)

 Pneumonia associada ao ventilador (PAV): Pneumonia associada aos


cuidados de saúde que ocorre em doentes que tenham estado entubados e
ventilados mecanicamente por mais de 48 horas. (Capítulo 18: Prevenção da
pneumonia associada aos cuidados de saúde)

 Pneumonia associada aos cuidados de saúde (PACS): é uma pneumonia que


se desenvolve 48 horas após à admissão no hospital ou é adquirida na
comunidade, mas associada ao ambiente ou procedimentos de cuidados de
saúde. (Capítulo 18: Prevenção da pneumonia associada aos cuidados de
saúde)

287
 Precauções Baseadas na Via de Transmissão: Para além das Precauções
Básicas que devem ser usadas com todos os doentes, existe um segundo nível
de precauções que deve ser aplicado aos doentes com infecção ou colonização
confirmada ou altamente suspeita por agentes patogénicos transmitidos por:
aerossóis, gotículas, contacto. (Capítulo Precauções baseadas na via de
transmissão)

 Precauções Básicas: As Precauções Básicas são um conjunto de directrizes


práticas eficazes (que criam uma barreira física, mecânica ou química)
desenhadas para proteger aos trabalhadores de saúde (TS) e aos utentes contra
infecções provocadas por agentes patogénicos, incluindo agentes patogénicos
sanguíneos. Os TS devem utilizar estas precauções ao cuidarem de todos os
utentes, independentemente do diagnóstico. (Capítulo 1: Precauções Básicas)

 Priões: Agentes infecciosos a conter proteínas que requerem um manuseamento


e processamentos especiais porque são resistentes à esterilização por calor e
vapor as altas pressões. Os priões são os únicos agentes infecciosos conhecidos
que não contêm nem DNA nem RNA. (Capítulo 10: Processamento de
instrumentos)

 Produto para saneamento: Produto químico que reduz o número de


contaminantes bacterianos a níveis seguros em objectos inanimados, baseados
em exigências de saúde pública, ou seja, um produto químico que mata 99,999%
das bactérias especificadas no teste em 30 segundos nas condições do teste.

 Queima: A queima deve ser realizada num aterro a céu aberto ou forno de tijolos
localizados em locais protegidos e vedados. Este método só deve ser usado para
materiais com capacidade de combustão (ex. Papel e cartão), pois produz
temperaturas reduzidas (menos de 600oC) ocorrendo frequentemente uma
combustão incompleta. Em consequência, alguns materiais não são destruídos e
as emissões por via aérea (fumo) podem ser elevadas. (Capítulo 8: Gestão do
Lixo)

 Quimioterápicos não usados: produtos químicos (Capítulo 8: Gestão do Lixo)

 Reciclagem: Processo físico e/ou químico que recupera o material básico de um


produto (por exemplo, o papel dos jornais, o alumínio das latas de bebidas ou o

288
plástico das seringas descartáveis) para reutilização como um produto novo ou
um produto diferente. (Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Recipiente: Receptáculo no qual o lixo é colocado para manipulação, transporte,


armazenamento e/ou posterior descarte. (Capítulo Gestão do lixo)

 Re-esterilização: Aplicação repetida de um processo terminal destinado a


remover ou destruir todas as formas viáveis de vida microbiana, a incluir os
esporos bacterianos, a um nível de garantia de esterilização aceitável. Este
processo é realizado em dispositivos cuja data de validade expirou ou que foram
abertos e podem ter sido ou não utilizados num doente. (Capítulo 10:
Processamento de Instrumentos)

 Reprocessamento: Descontaminação, desmontagem (se necessário), limpeza,


inspecção, teste, empacotamento, nova rotulagem e esterilização ou DAN dos
dispositivos de utilização única (DUU) após terem sido utilizados num doente
para o fim pretendido. O reprocessamento é também realizado nos DUU que
foram retirados da embalagem (ou recipiente), mas que não foram utilizados num
doente ou cujo prazo de validade expirou. (Capítulo 10: Processamento de
Instrumentos)

 Roupa Suja ou Contaminada: São roupas provenientes de várias fontes dentro


da US que foram recolhidas e trazidas para a lavandaria para o processamento,
independente de estarem visivelmente sujas ou não. (Capítulo 12:
Processamento da Roupa)

 Roupa: Roupa significa itens de pano usados pelos TS e pelos doentes/utentes


(roupa de cama, toalhas, panos de limpeza, batas, barretes, máscaras, pijamas e
batas cirúrgicas, campos cirúrgicos e envoltórios). (Capítulo 12: Processamento
da Roupa)

 Roupas sujas ou contaminadas: Roupas de diversas origens dentro do hospital


ou da clínica que foram recolhidas e levadas à lavandaria para processamento.
Todos os itens, independentemente do facto de estarem ou não visivelmente
sujos ou terem sido utilizados num procedimento cirúrgico, devem ser lavados e
secos. (Capítulo 12: Processamento da roupa)

 Roupas: Itens de roupa utilizadas nas unidades de saúde pelo pessoal de


limpeza geral (lençóis, fronhas e toalhas), pelo pessoal da limpeza (panos de
289
limpeza, batas e gorros) e pelo pessoal cirúrgico (gorros, máscaras, roupas de
preparação, batas cirúrgicas, campos cirúrgicos e tecidos de acondicionamento),
bem como pelo pessoal que trabalha nas unidades de especialidades como as
UCI e outras unidades que realizam procedimentos invasivos (por exemplo,
anestesiologia, radiologia ou cardiologia). (Capítulo 12: Processamento da roupa)

 Sabões e detergentes (termos usados indiferentemente): Produtos de limpeza


(em barra, líquido, em folha ou em pó) que diminuem a tensão superficial, a
ajudar deste modo a remover das mãos a sujidade, lixo e microrganismos
transitórios. Os sabões simples exigem fricção (esfregar) para remover
mecanicamente os microrganismos, enquanto os sabões anti-sépticos
(antimicrobianos) também matam ou inibem o crescimento da maioria dos
microrganismos. (Capítulos 2 e 7: higiene das mãos e Higiene e limpeza)

 Sabões ou Detergentes (termos usados alternadamente). São produtos de


limpeza (ex. sabão líquido e em pó) que reduzem a tensão superficial, ajudando
a remover a sujidade, detritos e microrganismos presentes na roupa. (Capítulo
12: Processamento da Roupa)

 Sala de operações: Área ou espaço onde são realizados os procedimentos


cirúrgicos. (Capítulo 14: Fluxo e padrões de actividades)

 Saponificação das gorduras: Torna as gorduras solúveis em água. (Capítulo


13: Cuidados com a Água)

 Segregação: Separação sistemática do lixo sólido em categorias estabelecidas.


(Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Seringa de segurança: Seringa plástica modificada e descartável concebida


para que o trabalhador de saúde possa inactivá-la de forma que a agulha fique
protegida e não possa ser reutilizada. (Capítulo 5: Injecção Segura)

 Seringas auto bloqueante (AD): Seringa de plástico, modificada com uma


agulha fixa que é automaticamente destruída depois de uma única utilização.
(Capítulo 5: Injecção Segura)

290
 Sistema de esgotos: Sistema para a recolha e transporte de esgotos, a incluir
condutas, tubagens e estações de bombagem. (Capítulo 8: Gestão do lixo)

 Solução de limpeza desinfectante: Produtos que são uma combinação de um


detergente (sabão) e um desinfectante químico. Nem todos os detergentes e
desinfectantes são compatíveis. Encontram-se disponíveis no mercado várias
combinações ou podem ser preparadas, tais como detergentes alcalinos com
compostos de cloro, detergentes alcalinos com CAQ ou outros surfactantes não
iónicos e detergentes ácidos com iodóforos. (Capítulo 7: Higiene e limpeza)

 Solução de limpeza: Qualquer combinação de sabão (ou detergente) e água


utilizada para lavar superfícies, tais como pisos, paredes, tectos e mobiliário.
(Capítulo 7: Higiene e limpeza)

 Superfície inanimada: Superfície não viva (por exemplo, pisos, paredes,


mobiliário).

 Surfacção: Reduzir a tensão superficial da água e permitir uma penetração


maior do agente na sujidade ou detrito. (Capítulo 13: Cuidados com a Água)

 Surfactante: Agente que reduz a tensão superficial da água ou a tensão na


interacção entre a água e outro líquido; um agente molhante encontrado em
muitos esterilizantes e desinfectantes. (Capítulo 7: Higiene e limpeza)

 Suspensão das gorduras: Gordura suspensa na água. (Capítulo 13: Cuidados


com a Água)

 Técnica das Mãos livres: É o método mais seguro para a passagem de


instrumentos perfuro-cortantes durante os procedimentos cirúrgicos ou invasivos.
(Capítulo 6: Manipulação Segura de Perfuro cortantes)

 Tempo de contacto: Período de tempo que um desinfectante está em contacto


directo com a superfície ou item a ser desinfectado. Para a desinfecção de
superfícies, este período de tempo começa com a aplicação na superfície e
termina quando secar completamente. (Capítulo 7: higiene e limpeza)

291
 Tempo de exposição: Período de tempo durante o processo de esterilização em
que os itens são expostos ao esterilizante, com os parâmetros de esterilização
especificados. Num processo de esterilização por vapor, o tempo de exposição é
o período de tempo durante o qual os itens são expostos ao vapor saturado à
temperatura especificada. (Capítulo 10: Processamento de Instrumentos)

 Teste de Bowie-Dick: Teste de diagnóstico da capacidade de um esterilizador


em retirar ar da câmara num esterilizador de vapor de pré-vácuo. O teste de
retirada de ar ou teste de Bowie-Dick não é um teste da esterilização. (Capítulo
10: Processamento de Instrumentos)

 Tipo de detergente: Produtos comerciais de limpeza (líquidos ou pós) que são


compostos por um componente hidrofílico (atrai a água) e um componente
lipofílico (atrai a gordura) e que podem ser divididos em quatro tipos: detergentes
aniónicos, catiónicos, anfóteros e não iônicos. (Capítulo 7: Higiene e limpeza)

 Transmissão por contacto: O agente infeccioso (bactéria, vírus ou parasita),


frequentemente presente nas mãos contaminadas do trabalhador de saúde, é
transmitido directamente ou indirectamente de uma pessoa infectada ou
colonizada a um hospedeiro susceptível (um doente). (Capítulo 15: Precauções
baseadas na via de transmissão)

 Transmissão por gotículas: Contacto das membranas mucosas do nariz, boca


ou conjuntivas dos olhos com partículas infecciosas com mais de 5 µm de
tamanho que podem ser produzidas por tosse, espirros, ao falar ou por
procedimentos como a broncoscopia ou sucção. A transmissão por gotículas
requer um contacto próximo entre a fonte e a pessoa susceptível porque as
partículas permanecem pouco tempo no ar e deslocam-se apenas cerca de um
metro ou menos. (Capítulo 15: Precauções baseadas na via de transmissão)

 Transmissão por via aérea: Transferência de partículas com um tamanho de 5


µm ou menos para o ar, seja como gotículas ou partículas de pó no ar, a conter o
microrganismo infeccioso; pode ser realizada pela tosse, espirros, ao falar ou em
procedimentos como a broncoscopia ou a sucção; pode permanecer no ar
durante várias horas; e pode ser amplamente disseminada dentro de um quarto
ou em distâncias maiores. Para evitar a transmissão por via aérea, é necessário
292
tratamento do ar e ventilação especiais. (Capítulo 15: Precauções baseadas na
via de transmissão)

 Triagem da roupa: Procedimento de exame e remoção de objectos estranhos e,


em alguns casos, perigosos (por exemplo, objectos perfuro-cortantes ou vidro
partido) das roupas sujas antes da lavagem. Esta etapa é extremamente
importante porque as roupas sujas da sala de operações ou da clínica contêm
por vezes objectos perfuro-cortantes (por exemplo, bisturis, tesouras de ponta
fina, agulhas hipodérmicas e agulhas de sutura e grampos para roupa). (Capítulo
12: Processamento da roupa)

 Unidade cirúrgica: Toda a área cirúrgica, a incluir os armários e vestiários, salas


de pré-operatório e de recuperação, áreas periféricas de apoio como espaço de
armazenamento para itens esterilizados ou submetidos a DAN e outros
consumíveis, corredores que levam às áreas restritas, a(s) sala(s) de operação,
as áreas das pias de preparação e a área de assistência. (Capítulos 14: Fluxo e
padrões de actividades)

 Vigilância: Recolha sistemática de dados relevantes acerca dos cuidados aos


doentes, análise ordenada dos dados e rápida elaboração de relatórios dos
dados para aqueles que deles necessitam. A vigilância activa consiste na recolha
de informações directamente dos doentes ou dos trabalhadores hospitalares,
enquanto a vigilância passiva inclui o exame de relatórios, informações de
laboratórios e dados de outras fontes.

 Vírus lipídico: Microrganismo constituído por um núcleo de ácido nucleico


envolto por um revestimento proteico e um invólucro de lipoproteínas. Este tipo
de vírus (por exemplo, o HIV) é geralmente inactivado fácil e rapidamente pela
maioria dos desinfectantes (por exemplo, soluções de cloro diluídas). Também
conhecido como um vírus com invólucro ou lipofílico (atrai a gordura).

 Vírus não lipídico: Vírus que é mais resistente à inactivação do que um vírus
lipídico. Os vírus não lipídicos são também conhecidos como vírus sem invólucro
ou hidrofílicos (atraem a água).

 Zona segura (também zona neutra): Dispositivo ou área do campo esterilizado


para colocar, pegar, devolver e recuperar objectos perfuro-cortantes, por forma a

293
evitar a transferência mão a mão dos mesmos entre os membros da equipa.
(Capítulo 6: Manipulação segura de perfuro-cortantes)

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