Filosofia
A filosofia é dividida em períodos assim como a História, porem a diferença é que não há datas
exatas de início de um período a outro. Por tanto a filosofia é dividida em:
Filosofia antiga, medieval, moderna e contemporânea.
Filosofia Antiga
A Filosofia Antiga, especialmente a grega, é considerada o berço do pensamento racional e
crítico que moldou a cultura ocidental. Surgiu em um período de grandes transformações
sociais e culturais, quando a mitologia começou a ser questionada e a razão se tornou o
principal instrumento para compreender o mundo.
Períodos e Escolas Filosóficas
A Filosofia Antiga pode ser dividida em alguns períodos e escolas:
Pré-socráticos: Os primeiros filósofos, como Tales de Mileto, Heráclito e
Parmênides, buscavam um princípio unificador da natureza, o arkhé.
Clássica: Dominada por Sócrates, Platão e Aristóteles, este período é marcado
por uma profunda reflexão sobre a ética, a política e a metafísica.
Helenística: Após a morte de Alexandre, o Grande, surgem novas escolas, como
o epicurismo e o estoicismo, que buscam a felicidade e a serenidade individual.
Filósofos Chave
Sócrates: Conhecido por seu método de questionamento, Sócrates buscava a
verdade através do diálogo e da reflexão sobre a natureza da justiça, do bem e do
mal. É pai da filosofia e da ética. Venceu o relativismo dos sofistas defendendo a
essência. Criou o método dialético. Defendeu o racionalismo ético.
Platão: Discípulo de Sócrates, Platão desenvolveu a teoria das Formas, segundo
a qual o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita de um mundo ideal de
Formas perfeitas.
Aristóteles: Discípulo de Platão, Aristóteles elaborou uma vasta obra que
abrange a lógica, a metafísica, a ética, a política e as ciências naturais.
Filosofia Medieval
A filosofia medieval, que se desenvolveu na Europa durante a Idade Média (séculos V-
XV), é marcada pela busca por uma harmonia entre a fé cristã e a razão filosófica. Essa
busca por conciliar a religião com a filosofia foi uma característica marcante desse
período.
Características Principais
Predominância do Cristianismo: A Igreja Católica exercia grande influência sobre a
sociedade medieval, e a filosofia era profundamente influenciada pelos dogmas e
valores cristãos.
Conciliação entre fé e razão: Os filósofos medievais buscavam encontrar uma forma
de conciliar a fé religiosa com as investigações racionais, utilizando a filosofia como
ferramenta para compreender e defender os dogmas cristãos.
Herança da filosofia clássica: Os filósofos medievais se basearam nas obras de
filósofos gregos como Platão e Aristóteles, adaptando seus conceitos para o contexto
cristão.
Questões teológicas: A maior parte da filosofia medieval se dedicou a questões
teológicas, como a existência de Deus, a natureza da alma, a relação entre Deus e o
mundo, e o problema do mal.
Períodos e Pensadores
A filosofia medieval pode ser dividida em alguns períodos:
Patrística: Período inicial, marcado pelos Padres da Igreja, como Santo Agostinho, que
buscavam defender a fé cristã contra as heresias e desenvolver uma filosofia cristã
original.
Escolástica: Período de maior desenvolvimento da filosofia medieval, caracterizado
pelo uso da lógica aristotélica para analisar questões teológicas. Destacam-se
pensadores como Anselmo de Canterbury, Tomás de Aquino e Duns Scotus.
Importância da Filosofia Medieval
A filosofia medieval teve um papel fundamental na formação da cultura ocidental,
influenciando áreas como a teologia, a política, a ciência e a arte. Além disso, a filosofia
medieval contribuiu para o desenvolvimento da lógica, da metafísica e da ética.
Filosofia Renascentista
A Filosofia Renascentista marca uma transição crucial entre a Idade Média e a
Modernidade, caracterizando-se por uma profunda mudança de perspectiva em relação
ao mundo e ao ser humano. Este período, que se estende aproximadamente dos séculos
XV ao XVII, é marcado pelo renascimento do interesse pela cultura clássica greco-
romana e por uma valorização da razão e do individualismo.
Características Principais
Antropocentrismo: Em oposição ao teocentrismo medieval, o Renascimento coloca o
ser humano no centro das atenções. A filosofia renascentista celebra a dignidade
humana e suas capacidades.
Racionalismo: A razão é exaltada como a principal ferramenta para compreender o
mundo. Os filósofos renascentistas buscam explicações racionais para os fenômenos
naturais e sociais, em contraposição às explicações baseadas na fé.
Naturalismo: Há um crescente interesse pela natureza e pelo mundo físico. A
observação e a experimentação são valorizadas como meios para adquirir
conhecimento.
Humanismo: O humanismo renascentista valoriza o estudo das humanidades, como a
literatura, a história e a filosofia clássica. Os humanistas buscavam recuperar os
valores e o conhecimento da Antiguidade.
Individualismo: A individualidade é valorizada, e o ser humano é visto como um ser
único e capaz de autodeterminação.
Pensadores e Ideias-chave
Nicolau Maquiavel: Analisou a natureza do poder político e a relação entre o
governante e o governado, propondo uma visão realista e pragmática da política.
Michel de Montaigne: Defendeu o relativismo cultural e a dúvida como ferramentas
para a busca da verdade.
Francis Bacon: Defensor do método científico experimental, Bacon acreditava que o
conhecimento deveria ser adquirido através da observação e da experimentação.
René Descartes: Fundador da filosofia moderna, Descartes buscou um fundamento
sólido para o conhecimento, propondo o famoso "cogito, ergo sum" (penso, logo
existo).
Legado da Filosofia Renascentista
A Filosofia Renascentista teve um impacto profundo na cultura ocidental, preparando o
terreno para o desenvolvimento da ciência moderna, da filosofia moderna e do
humanismo. Algumas de suas principais contribuições foram:
Valorização da ciência: O método científico, desenvolvido durante o Renascimento,
revolucionou a forma como entendemos o mundo natural.
Desenvolvimento do individualismo: A ideia de que cada indivíduo possui direitos e
liberdades inalienáveis é uma herança direta do Renascimento.
Base para o Iluminismo: As ideias renascentistas sobre razão, liberdade e progresso
inspiraram os filósofos do Iluminismo.
Filosofia Moderna
A Filosofia Moderna, que se desenvolve aproximadamente entre os séculos XVII e
XVIII, marca uma ruptura significativa com o pensamento medieval e abre caminho
para a construção do mundo moderno. Caracterizada pela valorização da razão, da
ciência e do individualismo, a filosofia moderna busca respostas para as grandes
questões da existência humana a partir de uma perspectiva secular e racional.
Características Principais
Racionalismo: A razão é considerada a principal ferramenta para a compreensão do
mundo e a busca pela verdade. Filósofos como René Descartes e Baruch Spinoza
defenderam a ideia de que a razão é capaz de alcançar um conhecimento certo e
universal.
Empirismo: Em contraposição ao racionalismo, o empirismo valoriza a experiência
sensível como fonte do conhecimento. Filósofos como John Locke e David Hume
argumentavam que todo conhecimento se origina das experiências sensoriais.
Mecanicismo: A natureza é vista como um grande mecanismo, regido por leis
universais e causais. Essa visão influenciou o desenvolvimento da ciência moderna e a
compreensão da realidade física.
Individualismo: O indivíduo é colocado no centro das reflexões filosóficas. A filosofia
moderna busca compreender a natureza da consciência, da liberdade e dos direitos
individuais.
Dúvida metódica: A dúvida metódica, proposta por Descartes, consiste em duvidar de
tudo o que possa ser posto em dúvida, a fim de encontrar um ponto de partida
indubitável para o conhecimento.
Contratualistas: Os contratualistas foram filósofos que, durante a Idade Moderna,
desenvolveram teorias sobre a origem da sociedade e a legitimidade do poder político.
Eles postulavam que o Estado e as leis não surgiram de forma natural, mas sim a partir
de um contrato social voluntariamente estabelecido pelos indivíduos.
A ideia central é que, em um estado de natureza (uma condição hipotética anterior à
sociedade), os indivíduos viviam em um estado de conflito e insegurança. Para garantir
a paz e a proteção de seus direitos, eles decidiram renunciar a parte de sua liberdade e
estabelecer um governo, ou seja, um contrato social.
Principais contratualistas e suas ideias:
Thomas Hobbes: Em sua obra "Leviatã", Hobbes descreve o estado de natureza
como uma "guerra de todos contra todos". Para escapar dessa condição, os
indivíduos transferem todo o seu poder a um soberano absoluto, formando um
Estado forte e centralizado.
John Locke: Para Locke, o estado de natureza não era tão caótico quanto
Hobbes descrevia. No entanto, a falta de leis e de um poder coercitivo levava a
conflitos. O contrato social, segundo Locke, visava proteger os direitos naturais
à vida, à liberdade e à propriedade. O poder do governo seria limitado e poderia
ser revogado caso não cumprisse sua função.
Jean-Jacques Rousseau: Rousseau defendia que o homem é bom por natureza,
mas a sociedade o corrompe. O contrato social, segundo ele, não era um acordo
entre indivíduos isolados, mas sim entre todos os membros da comunidade,
visando o bem comum. A vontade geral, expressa através do povo, seria a base
da legitimidade do poder político
Pensadores e Ideias-chave
René Descartes: Fundador da filosofia moderna, Descartes buscou um fundamento
sólido para o conhecimento, propondo o famoso "cogito, ergo sum" (penso, logo
existo).
John Locke: Defensor do empirismo, Locke acreditava que a mente humana é uma
tábula rasa, uma folha em branco, que é preenchida pelas experiências sensoriais.
David Hume: Crítico do racionalismo, Hume argumentava que a crença em causalidade
e em um "eu" imutável não se baseia em evidências empíricas.
Immanuel Kant: Tentou conciliar racionalismo e empirismo, propondo que o
conhecimento é resultado da interação entre a mente e a experiência.
Legado da Filosofia Moderna
A Filosofia Moderna teve um impacto profundo na cultura ocidental, moldando a forma
como pensamos sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o conhecimento. Algumas
de suas principais contribuições foram:
Desenvolvimento da ciência moderna: A filosofia moderna forneceu as bases
filosóficas para o desenvolvimento da ciência moderna.
Emergência do Estado moderno: As ideias sobre o contrato social e os direitos
naturais influenciaram o desenvolvimento do Estado moderno.
Nascimento das ciências humanas: A filosofia moderna contribuiu para o surgimento
das ciências humanas, como a psicologia e a sociologia.
Filosofia Contemporânea
A filosofia contemporânea é um campo vasto e diversificado, englobando as reflexões
filosóficas que se iniciaram por volta do século XIX e se estendem até os dias atuais. É
um período marcado por profundas transformações sociais, científicas e culturais, que
impulsionaram novos questionamentos e abordagens filosóficas.
Características da Filosofia Contemporânea:
Diversidade de correntes: A filosofia contemporânea não se limita a uma única
escola ou corrente de pensamento. Ao contrário, ela é marcada por uma grande
diversidade de abordagens, como o existencialismo, o pós-estruturalismo, a
filosofia da linguagem, a filosofia da ciência, entre outras.
Crítica ao pensamento moderno: Muitos filósofos contemporâneos se dedicam
a criticar os pressupostos da filosofia moderna, questionando a noção de sujeito,
a busca pela verdade absoluta e a confiança na razão como única fonte de
conhecimento.
Interdisciplinaridade: A filosofia contemporânea estabelece diálogos com
outras áreas do conhecimento, como a sociologia, a psicologia, a antropologia e
as ciências naturais.
Engajamento com questões sociais: Os filósofos contemporâneos se
preocupam em analisar e compreender os desafios da sociedade contemporânea,
como as desigualdades sociais, a globalização, a tecnologia e as questões
ambientais.
Alguns dos principais temas da filosofia contemporânea:
A condição humana: A filosofia contemporânea busca compreender a natureza
da existência humana, a relação entre o indivíduo e a sociedade, e o significado
da vida.
O conhecimento: A filosofia contemporânea questiona os limites do
conhecimento, a relação entre sujeito e objeto, e a natureza da verdade.
A linguagem: A linguagem é vista como um instrumento fundamental para a
construção da realidade e para a comunicação entre os indivíduos. A filosofia
contemporânea investiga a relação entre linguagem e pensamento, os jogos de
linguagem e a construção de significados.
A ética: A filosofia contemporânea busca refletir sobre os valores morais, a
justiça, a liberdade e a responsabilidade individual.
A política: A filosofia contemporânea analisa as formas de organização social,
as relações de poder, a democracia e os desafios da vida em sociedade.
Alguns filósofos contemporâneos importantes:
Martin Heidegger: Um dos principais filósofos do século XX, Heidegger se
dedicou a investigar a questão do ser e a relação entre o homem e o mundo.
Jean-Paul Sartre: Exponente do existencialismo, Sartre defendia a liberdade
individual e a responsabilidade do indivíduo por suas escolhas.
Michel Foucault: Filósofo francês que se dedicou a analisar as relações de
poder e as formas de controle social.
Judith Butler: Filósofa feminista que desenvolveu a teoria do gênero e
questionou as categorias tradicionais de sexo e identidade.
Jacques Derrida: Um dos principais representantes do pós-estruturalismo,
Derrida se dedicou a analisar a linguagem e a deconstruir as oposições binárias.
A filosofia contemporânea é um campo em constante evolução, e novos pensadores e
novas ideias surgem a cada dia. Ao se familiarizar com os principais conceitos e
autores, você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre o pensamento filosófico
atual e refletir sobre as questões mais relevantes do nosso tempo.