Compartilhar A Proposta - O Prazer e Todo Meu
Compartilhar A Proposta - O Prazer e Todo Meu
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são
produtos da imaginação do(a) autor(a). Quaisquer semelhanças com nomes, datas e acontecimentos
reais são mera coincidência. É proibido o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte destas
obras, através de quaisquer meios - tangível ou intangível - sem o consentimento escrito do(a)
autor(a) ou da editora. Todos os direitos reservados. Criado no Brasil
Sumário
Sinopse
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Epílogo (Noite de autógrafos)
Agradecimentos
Sabrina Mendes com seus trinta anos, solteira e sonhadora, tem suas inseguranças, adora
escrever romances mais doces que mel. Imprime em seus livros seus sonhos de ideal romântico, até
conhecer seu futuro agente literário.
Sérgio Alcântara tem quarenta anos com uma carreira sólida e com ar de conquistador invade
a vida de Sabrina. Ao ler um livro tão doce, mas com cenas que tiram seu fôlego, seu mais novo
objetivo é mostrar a ela o quanto pode crescer. Mas para isso ele tem uma proposta a fazer e sabe
que não será fácil convencê-la.
Descubra qual proposta é essa e se Sabrina aceitará lendo “A proposta – O prazer é todo
meu”.
Sabe aquela sensação de frustração? É exatamente o que sinto quando olho os resultados de
vendas dos meus livros. Tanta dedicação para receber um balde de água gelada todo final de mês,
ainda bem que não abandonei meu trabalho de freelance na editora, não é uma fortuna, mas consigo
sobreviver, apesar de Júlia ter que me ajudar algumas vezes. Ela divide o apartamento comigo desde
que decidimos que morar com os pais já não dava mais, foi a pior decisão que tomamos. Que
saudade deles!
Bom, vocês devem estar se perguntando quem é essa “doida” que vos fala? Sou Sabrina, uma
escritora frustrada que ainda sonha em ter seus livros espalhados pelo mundo. Minha mãe fala que eu
nasci pra isso, pena que meu talento não paga as contas. Meus pais são meus maiores fãs, mas minha
mãe suspira ao ler minhas histórias e lembra sua adolescência com os romances melosos que tinha.
Apesar de todo o romantismo nos livros, minha vida estava bem longe disso. Eu tinha o
famoso dedo podre, só atraía traste e que me atrasava a vida. Coloco em meus romances tudo o que
sonho que aconteça comigo, patético né? Minha autoestima tem defeito desde minha infância quando
recebia apelidos muito carinhosos como, “rolha de poço, baleia, saco de areia", passei por
momentos bem constrangedores durante esses anos todos. Encontrei nos livros meu abrigo e foi uma
consequência entrar no mundo da escrita.
Porém, tive momentos bem legais na minha vida, me diverti em baladas, fiz muito sexo (nem
sempre de qualidade), fui até noiva, olha que incrível. Foi depois do término desse noivado que tudo
meio que desmoronou, fiquei sem rumo e só entrei em furada, então decidi parar de procurar. Júlia
não concorda com minha linha de pensamento, nos conhecemos ainda crianças e desde o dia que nos
vimos ela é meu anjo da guarda, safado, no entanto quer me ver feliz.
Júlia um belo dia me disse: “Você lê tanto, porque não escreve sua própria história?” Isso foi
há uns cinco anos e não consigo viver sem a escrita, reclamo horrores, todos os dias, mas parece uma
necessidade biológica. Só desejo que um dia eu possa bater no peito e dizer que vivo do trabalho que
amo fazer.
— Sabrina, pela última vez, se arrume e vamos sair. Daqui alguns dias você se fundirá a
essas paredes e fará parte desse apartamento. – Júlia andava bem impaciente comigo.
— Haha, muito engraçada. Pare de me pressionar, quando eu tiver vontade de sair te aviso.
Não tenho mais paciência de ver gente se enganando com uma noite de sexo, tenho meus
brinquedinhos que já são o suficiente. – Realmente prefiro um vibrador que me satisfaça, do que um
cara desconhecido que mal sabe o que fazer com o pau dele, quiçá com meu corpo.
— Bem que você gostou do Henrique da última vez. – Isso ela tem razão, esse cara sabia o
que fazer, tive um orgasmo acima da média, mas o que ele disse depois foi o suficiente pra acabar
com minha noite. “Eu sempre tive curiosidade de sair com uma “gordelícia”, você é muito gostosa.”
— Sair para encontrar mais um curioso a fim de uma “experiência”? – pude ver a tristeza no
olhar da minha amiga.
— Nem todos os homens são assim, Sa você tem que tentar.
— Minha época de tentar já passou, prefiro meus crushes literários e meus personagens.
— Vamos fazer um trato. Você sai comigo hoje e nunca mais eu te infernizo. – Ela estende a
mão pra selar o trato e eu aceito. – Então, corre pra se arrumar.
Quando coloquei os pés pra fora do condomínio o arrependimento bateu e quase desisti, mas
saber que depois desta noite o martírio acabaria me incentivou.
Escolhi um vestido bem curto e preto, todo com detalhes brilhantes, Júlia me deu e usei
apenas uma vez, não era meu look preferido, mas eu realmente ficava uma gata nele e com a
maquiagem certa o conjunto deu certo.
Júlia conhecia bem o local, sua presença era assídua na Hell, nós chamávamos de inferninho.
Pense em local com mais gente gostosa por metro quadrado, esse era Hell.
Entramos pela área VIP e alguns amigos estavam nos aguardando, já com suas bebidas na
mão e observando suas presas, preparando o ataque.
— Que milagre! A rainha saiu do castelo! – esse era Miguel, o garanhão da turma, passava o
“rodo".
— Falou o rei da putaria. Já pegou a primeira vítima? – não pense que sou uma pessoa doce
por ser romântica e sonhadora, muito pelo contrário. Sou conhecida como a rainha má.
— Resolvi ir com calma hoje, quero qualidade nesta noite. – Não quero julgar meu amigo,
mas tenho raiva desse machismo dele, já discutimos muito por isso.
— Sexo não é tudo, né? Logo essa vitalidade toda vai embora e vai sobrar o quê?
— Eu não acredito que você veio em uma balada e quer pregar o celibato. Vou dar uma volta
pra não estragar minha noite. – E como sempre eu sou a chata da balada. O clima ficou pesado e
todos olhando pra mim. Nada bom.
— Vou descer na pista e pegar uma bebida. – Preciso de uma cerveja urgente.
— Desço com você.
— Não precisa, Júlia. Eu volto logo.
Gosto de dançar, beber, me divertir, no entanto, a cobrança em ficar com alguém acabava com
meu ânimo. Então, decidi curtir sozinha na pista, não antes de pegar minha cerveja. Tinham muitos
homens no balcão, tentei abrir espaço, mas um idiota não queria deixar eu passar. Fiquei uns trinta
minutos espremida e nada de conseguir fazer meu pedido, até perder minha paciência.
— Oh seu idiota! – gritei a plenos pulmões e finalmente fui notada.
— Quem é idiota? – perguntou analisando meu corpo com nojo.
— Você. Só quero fazer meu pedido.
— Nem deveria estar na Hell, então espere sua vez. – Juro que iria dar um soco nesse filho
da puta, porém alguém me tirou esse prazer.
O soco foi certeiro no queixo do cara e meus olhos foram direto para onde surgiu meu herói,
ele era alto, tinha um corpo esguio, um porte elegante, estava vestindo um terno bem alinhado na cor
chumbo e subindo meu olhar me deparei com um olhar penetrante que me deixou de pernas bambas.
Tudo ao nosso redor parecia paralisado e então ele quebrou o encanto com sua voz rouca em meu
ouvido.
— Agora pode fazer seu pedido, senhorita. – Quem chamava uma mulher de senhorita em
pleno século XXI? Não tive reação e o vi arrumando o terno e se misturar entre as pessoas.
— Sa, você está bem? Vi tudo lá de cima. Quem era aquele cara? Seu príncipe? – Júlia não
perdia uma oportunidade.
— Nada disso. Foi muito rápido, nem sei como ele surgiu.
— Pareceu coisa dos seus livros, menina. Ainda bem que os seguranças pegaram o outro
cara. O que ele fez pra levar o soco.
— O babaca, não queria deixar eu passar e disse que eu não deveria estar aqui. Achou que
meu perfil não combina com o lugar.
— Sorte dele que não cheguei a tempo, teria levado mais que um soco. – Esse era Miguel, o
mesmo que quase me fuzilou na área VIP. Vai entender, nos amamos, mas as brigas são homéricas,
pior que irmãos.
— Já passou, agora só quero pegar minha cerveja, entrar naquela pista e me acabar de
dançar. Voltar pra casa um trapo. – Nós finalmente fomos pra pista.
Eu amo música eletrônica, meu corpo estava extasiado recebendo em cada célula aquele som
alucinante, no entanto, a imagem daquele homem não saía da minha mente, cada vez que fechava os
olhos era um detalhe que eu lembrava. Enquanto ele me olhava tinha certeza de que capturou minha
alma. Quem é aquele homem? Poderia ser uma alucinação, mas não fui apenas eu que o vi.
Em um momento de lucidez pude ver meu amigo se dando bem entre braços e bocas. Alguns
homens dançaram comigo, apenas isso, pois quando tentavam me beijar, logo os afastava. Será que se
ele tentasse me beijar eu recusaria? Provavelmente, sim. Como minha sorte é enorme, o cara se
desintegrou e tenho certeza de que nunca mais o encontrarei.
Depois de horas dançando decidimos ir embora, todos estavam exaustos, incluindo os
homens. Pedimos dois carros de aplicativo e eu finalmente cheguei à minha caverna, meu esconderijo
e meu forte.
Juro que eu queria dormir, mas depois de tomar banho e deitar minha mente começou a voar
entre cenas imaginárias com meu herói sendo protagonista. O que uma escritora faz quando isso
acontece? Isso mesmo, saí da cama imediatamente, liguei meu notebook e escrevi por horas, que se
dane meu corpo pedindo socorro, eu precisava escrever.
Júlia passa pelo corredor meio sonolenta e me vê em frente ao computador.
— O que você está fazendo a essa hora acordada? – diz enquanto esfrega seus olhos.
— Estou escrevendo, você sabe que quando vem inspiração não existe hora – converso
enquanto escrevo, meus dedos dançam sobre o teclado.
— Povo doido esse que escreve, mas eu te amo mesmo assim.
— Engraçadinha, agora me deixa em paz. – Ela se recusa a ir embora e para ao meu lado.
— Afinal de contas, sobre o que está escrevendo?
— Não consegui parar de pensar no misterioso desta madrugada e resolvi escrever sobre ele.
— Que genial! Quero ler depois. Será que dessa vez você escreve uma cena quente? –
pergunta com cara de safada.
— Você sabe que não tem chance, nunca vou conseguir escrever essas cenas doidas e tão
irreais.
— Para com esse preconceito.
— Não é isso e está cansada de saber, eu leio, porém, escrever...
— Realmente, seus livros não combinam com cenas de sexo. Meu sonho é ler um livro seu de
mais dezoito anos.
— Pode esperar deitada, porque sentada vai ficar com a bunda quadrada. – Rimos alto.
— Vou te deixar em paz, meu estômago está me matando.
— Quer mais uma bebida?
— Quero distância dessas merdas.
— Até o próximo fim de semana.
— Cala a boca e escreve.
Graças a Deus ela foi embora, a escrita está fluindo muito e isso infelizmente é raro. Tento
ser disciplinada e escrever todos os dias, no entanto a procrastinação impera em minha vida.
Só consigo parar de escrever quando minha barriga começa a fazer barulhos estranhos. Acho
que preciso comer alguma coisa. Quando levanto e olho para a janela o sol está a pino,
provavelmente já é hora do almoço. Que loucura!
— Sai desse quarto e vem comer, sua louca.
— Já saí, não precisa gritar.
— O almoço já está pronto, graças ao restaurante da esquina, porque estou um bagaço pra
pensar em fazer algo. Pedi aquela lasanha de quatro queijos que você ama.
— Obrigada, estou morta de fome, essa história está sugando minha alma.
— Espero que valha a pena. Estou cansada de ver seu talento sendo jogado fora. Tenta
mandar para mais editoras, você só manda para uma e sempre leva um não na cara.
— Editoras sempre vão querer o que os leitores pedem e minhas histórias estão longe de
serem best-sellers.
— Eles que são burros, tenho certeza de que muita gente amaria ler seus livros, basta o
marketing certo.
— Estou confiante com essa história, tem uma pegada diferente.
— Como assim? Me conta.
— Tem uma aura de mistério sobre o protagonista.
— Você está escrevendo a visão do homem?
— Pois é, quando percebi já tinha começado assim.
— Tenho certeza de que vai arrasar.
— Pode ser.
— Já estou visualizando a noite de autógrafos na Martins Fontes[1], com toda pompa.
— Sonhei muito alto no passado, os baldes de água fria me trouxeram para a realidade.
— Parando agora com esse pessimismo. Se delicie com essa lasanha e depois vamos assistir
um bom filme.
— Boa ideia.
O restante do dia foi bom demais, regado a muito filme e comida. Amanhã retornamos à
rotina de sempre.
Tudo começa como sempre, ligo meu computador para continuar meus trabalhos de revisão,
era um trabalho cansativo, mas ver meu nome nos livros impressos é muito gratificante. Meu café já
estava na mesa, não conseguia me concentrar sem meu cafezinho pela manhã.
Para minha surpresa recebo uma ligação da minha chefe, ela nunca ligava, só falava comigo
por mensagem, a coisa deveria ser séria, então atendo rapidamente.
— Pronto.
— Sabrina, bom dia. Tenho uma ótima notícia para você. Lembra que comentei sobre um
agente muito renomado que gostava de ler livros de iniciantes?
— Claro que lembro, quase te matei quando disse que mandou um dos meus livros pra ele. –
Meu coração estava eufórico.
— Pois pode comemorar, ele achou seu livro bem interessante e quer uma reunião com
você ainda esta semana.
— Você só pode estar brincando com a minha cara. – Será que finalmente o sol estava
nascendo pra mim?
— Isso mesmo que ouviu, mulher. Ainda hoje ele ligará para marcar dia e horário. Seja
esperta e aproveite essa oportunidade, Sérgio é o salvador da sua carreira e finalmente poderá
realizar seu sonho. Estou muito feliz por você. Agora tenho que desligar, estou abarrotada de
coisas pra fazer. Boa sorte.
— Muito obrigada, nem sei como agradecer.
— Aproveite essa chance, já está de bom tamanho. Tchau.
— Tchau. – Desliguei e fiquei paralisada, sem saber o que fazer. Minha amiga olha para mim
ainda sonolenta e percebe minha aflição.
— Aconteceu alguma coisa?
— Um agente literário quer conversar comigo sobre meu trabalho, estou sem reação.
— Meu Deus! Finalmente! – gritando, ela me levanta e rodopiamos pela sala como duas
crianças. – Estou tão feliz por você, Sabrina. Tanto tempo esperando, minha amiga merece todo
sucesso do mundo.
— Vamos com calma, nem conversei com o homem. Ele é um cara bem exigente e muito
conhecido, não irá manchar a carreira dele com um livro ruim.
— Se ele te chamou é por que gostou do seu trabalho. Não se menospreze, eu a proíbo. O
momento é de comemorar. Quando vai encontrá-lo?
— Quem contou a novidade foi minha chefe, ele vai ligar marcando a reunião.
— Então fique atenta a esse celular, você fica tão concentrada no trabalho que nem escuta
quando ele toca.
— Não vou desgrudar dele hoje. Estou até com medo de trabalhar, minha concentração está
péssima.
— Então, espere um pouco e deixe o trabalho para depois.
— Vou tentar trabalhar, se não conseguir eu paro.
Eu estava extremamente tensa e toda hora meus olhos caíam sobre o celular. Isso parecia um
sonho ou pesadelo, tudo muito surreal. Tentava ficar feliz, mas minhas inseguranças não deixavam.
Estou nessa jornada da escrita há um bom tempo, calejada é a palavra. O meu celular toca e meu
coração quase para. Atendo-o com minhas mãos tremendo.
— Alô!
— Posso falar com a Sabrina? – Uma voz profunda fala do outro lado da linha e meu corpo
se arrepia.
— Está falando com ela.
— Bom dia, Sabrina. Não sei se Ester já entrou em contato, mas li um de seus livros e estou
bem interessado em te agenciar, mas precisamos conversar com urgência em particular. Está
ocupada amanhã às 19 h?
— Ester ligou logo cedo me avisando sobre seu interesse. Pode ser sim, amanhã nesse
horário. Só me passe o endereço de onde será a reunião.
— Peço que envie seu endereço por mensagem, eu a busco e vamos para a reunião.
— Certo, logo que finalizarmos a ligação envio o endereço. Muito obrigada pela
oportunidade.
— Prefiro que agradeça depois de dizer meus termos na reunião.
— Até amanhã, Sérgio.
— Até, Sabrina.
Eu estava sozinha em casa, Júlia já tinha saído para o trabalho, então me dou ao luxo e grito
feito louca sem me importar com os vizinhos. Meu dia chegou. Estou pronta Deus, pode mandar!
Momentos depois me pego imaginando como esse Sérgio seria. Se for bonito como sua voz estou
perdida, não vou conseguir manter a postura de profissional. Acho que nem tenho uma roupa
adequada pra isso, preciso da ajuda de alguém. Na hora do almoço de Júlia vou atrás dela, tenho
certeza de que vai enlouquecer comigo no shopping.
Tento trabalhar mais um pouco para não atrasar tanto a revisão e a hora passa voando, já
chegou a hora do almoço. Liguei para a louca da minha amiga e vamos direto para as lojas perto do
seu trabalho.
— Você precisa arrasar o coração desse homem.
— Não sei se te expliquei, mas não é um encontro.
— Aparência é tudo em uma reunião, tem que conquistar ele para que seus livros façam
sucesso.
Ela faz com que eu experimente vários vestidos bem indiscretos, mas acabo escolhendo um
preto básico, não posso exagerar. Então, para agradá-la decido comprar um sapato de salto
vermelho. O máximo de ousadia que me permito em uma reunião de negócios.
Passei praticamente a noite em claro, estou muito ansiosa, curiosa para saber o que me espera
para essa reunião. Quando ele disse que tinha uma proposta, um arrepio me arrebatou, foi estranho,
como se esse encontro fosse mudar minha vida completamente, espero que para melhor.
Júlia queria faltar ao trabalho para ajudar com a minha preparação para o grande dia. Achei
um exagero e acabei colocando-a pra fora de casa. Eu tinha que trabalhar também. Tomei café e fui
direto para meu computador. Depois de muito custo consegui me concentrar, minha manhã graças a
Deus foi produtiva. Só fiz meu intervalo de almoço e continuei trabalhando, quando percebi já se
passava das 18 h e Júlia entrava pela porta da sala.
— Não acredito que ainda está trabalhando! Corre para aquele chuveiro agora! – Nem
protesto e vou correndo para o banheiro.
Quando saio enrolada na toalha Júlia já está a postos no meu quarto. Sua maleta de
maquiagem aberta, o secador ligado e roupa no cabide.
— Pronta para se tornar uma best-seller?
— Sinceramente, não. Estou muito nervosa.
— Confie no seu trabalho e arrase nessa reunião. Mostre a esse homem que os seus livros
precisam ser lidos por todos. – Como eu amo minha amiga. – Agora se senta nesta cadeira e me deixe
trabalhar.
Ela fez um verdadeiro milagre na minha cara e no meu cabelo. Quase não me reconheci no
espelho.
— Essa mulher estava escondida dentro de você, deixe-a aparecer, não a prenda mais.
— Se você quer manter seu trabalho intacto não me faça chorar. – Então, ela me abraça. – Eu
te amo, sabe disso, né?
— Claro que eu sei. Você não vive sem mim, sua boba. — Sua voz estava embargada como a
minha. – Trate de se vestir, te espero na sala.
Coloco o vestido, um brinco que amo em formato de gota e por fim o sapato com o salto
vermelho, fico pensando se não exagerei na escolha da cor, mas agora já era tarde demais, logo ele
chegaria, então fui até a sala.
— Meu Deus! – Júlia está eufórica. – Eu sou mesmo demais.
— Isso que é autoestima. – Não resisto e rio.
— Você está linda demais. Tenho vontade de te bater.
— Credo, que violência.
— A partir de hoje não vou mais deixar você se esconder. Será uma nova Sabrina, a
verdadeira.
— Tudo bem, acho que você tem razão.
— Vou pegar uma taça de vinho para comemorarmos.
— Só um pouco, não quero estar bêbada na minha primeira reunião.
— Apenas um pouco para relaxar. – Brindamos e esperamos o homem chegar.
— Você não achou o sapato exagerado? – Antes que ela responda o interfone toca e ela vai
atender.
— Ele chegou, autorizei a entrada dele. – Minhas pernas começam a tremer. Tento me
controlar, tenho que conseguir esse contrato, meu futuro depende disso. Então, ativo meu lado
profissional e me levanto.
— Confie em você, nos anos de estudo e trabalho. – Nesse momento a campainha toca.
Respiro fundo e vou atender.
— Boa... – Não é possível! – Você?
— Você me conhece? – Era o meu herói e para a grande surpresa da nação, ele não se lembra.
Mal comecei e já cometi uma gafe.
— Desculpe, acho que te confundi com outra pessoa. – Seus lábios formam um sorriso
malicioso.
— Podemos ir?
— Claro. – Ele dá um passo para o lado e eu saio pela porta.
Seguimos em um silêncio constrangedor até seu carro, que inclusive era maravilhoso. Ele
abre a porta para mim e depois entra pelo lado do motorista. Para quebrar o silêncio, meu herói
decide conversar.
— Curiosa para saber onde vou te levar?
— Muito, espero que minha roupa esteja de acordo.
— Você está perfeita. – Estranho o elogio e agradeço.
O trajeto foi um pouco demorado, afinal estamos em São Paulo. Ele para seu carro em frente
a um prédio discreto, mas muito elegante e deixa sua chave com um manobrista. Ajuda-me a descer
do carro e vamos em direção ao restaurante.
Somos atendidos por uma mulher muito elegante que nos leva até uma mesa isolada de todas
as outras.
— Fiquem à vontade, logo um garçom irá atendê-los. – Agradecemos e ela nos deixa a sós.
— Surpresa pelo local?
— Na verdade, encantada. – Logo depois o garçom chega com a carta de vinhos e antes que
eu fale algo ele já faz o pedido. Isso é típico, escolher pela mulher, porém hoje não é dia para refletir
sobre machismo.
— Vamos aproveitar o jantar e depois falamos de negócios. Fale um pouco sobre você. Estou
curioso para conhecer a mulher por trás do livro que li.
— Sempre gostei muito de ler e estudar. Então, optei pela faculdade de Bacharel em Letras.
Deixei minha família um pouco frustrada, esperavam outra escolha mais rentável. – Ele abre um
sorriso e concorda com um aceno. – Ao longo dos períodos da faculdade começo a escrever, meus
primeiros manuscritos são horrendos, mas guardo com carinho.
— Tenho certeza de que não são tão ruins assim. Escritores tendem a ser muito autocríticos,
sofro pra convencer meus clientes de que o livro está bom.
— É porque você não teve a oportunidade de colocar seus olhos neles.
— Li um livro seu e já foi o suficiente para perceber seu talento, não estou aqui à toa, meu
tempo é precioso e não o gasto por nada. – Acho que falei besteira. Mostre confiança, mulher!
— O livro que leu foi muito bem trabalhado, dediquei longos meses para que ficasse perfeito.
Agradeço muito os elogios, isso mostra que meu trabalho não foi em vão. – O garçom chegou com
nossa comida.
Comemos em silêncio, mas sinto seus olhos cravados em mim o tempo todo, parecia observar
cada movimento do meu corpo, isso estava me deixando inquieta e perigosamente excitada. Seu
corpo era esguio e elegante, o olhar penetrante, os olhos claros e profundos, os lábios finos e que a
todo momento pareciam formar um sorriso discreto, os cabelos loiros penteados para trás, a roupa
extremamente elegante que moldava perfeitamente ao seu corpo. Ele usava um terno azul, camisa
branca e uma gravata azul-marinho.
Não apenas ele que observava, meus olhos não conseguiam se desviar de sua beleza elegante.
Só consigo me recordar dos personagens de romances de época, ele parecia um lorde inglês, com sua
postura altiva. Nosso jantar termina e ele se pronuncia.
— Como disse anteriormente tenho uma proposta a lhe fazer.
— E qual seria?
— Li o seu livro e tenho muitos elogios quanto a ele, mas acho que falta algo para que o
mercado o aceite. – Ele faz uma pausa dramática e continua. – Como deve ter percebido a tendência
atual são os romances eróticos ou como as leitoras denominam “Hot”. E minha proposta é tornar o
seu romance delicado em um romance erótico, mas claro com toda sua marca nele, sua escrita é de
muita sensibilidade e isso ficaria perfeito em uma cena mais quente. – Meu sangue ferve, que merda
de proposta é essa?
— Meu gênero é esse e não vou alterá-lo.
— Pense comigo. Você já teve sucesso com algum livro seu?
— Isso acontece, só preciso de mais tempo para criar uma imagem minha no meio editorial.
— E quanto tempo acha que isso vai levar, uns dez anos, quinze talvez? Temos que ser
práticos, escreva o que o público quer e será sucesso. Isso não quer dizer que está traindo sua
essência, pelo contrário. Você tem um diferencial, escrever diferente de todas as autoras “hot” que
estão no mercado. Imagine uma cena de sexo escrita da sua forma, isso vai ser uma explosão.
Cada palavra sua me irritava mais, não quero ver meus livros iguais a de todos. Não
conseguirei escrever assim, meus personagens são discretos de mais para isso. Então, olho para ele e
lembro do meu herói e o personagem que criei na noite em que o vi pela primeira vez. Ele não era
discreto, seus olhares queimavam a pele da protagonista, causavam sensações estranhas. Minha
imaginação vai longe e imagino cenas bem impróprias entre o herói e eu.
— Sabrina, você está bem?
— Estou e minha resposta definitiva é não. Se gostou tanto do meu livro, trabalhe com ele
dessa forma ou não assino contrato para seu agenciamento.
— Certo, vou te agenciar, mas quero que pense com mais calma sobre o que te disse. A
proposta continuará de pé. Vamos até meu carro, a pasta está lá. Assinamos e te levo até seu
apartamento.
Leio cada linha do contrato, tiro algumas dúvidas e finalmente assinamos. Queria ir logo pra
casa, meus nervos estavam à flor da pele e seus olhares já estavam me irritando ao extremo.
— Entregue. Logo que obtiver resposta de alguma editora, entro em contato. Porém, vamos
nos falando por e-mail, caso tenhamos alguma dúvida. Boa noite.
— Boa noite. – Despeço-me e corro para o elevador. Esse homem é muito perigoso.
Dou um grito quando vejo Júlia me esperando na sala apenas com o abajur ligado.
— Que susto do caralho, mulher. Parece um fantasma no escuro. – Acendo a luz e vou até a
cozinha beber água e me acalmar.
— Desculpa. Agora me conte todos os detalhes.
— Resumo, ele é um babaca como a maioria dos homens.
— Ele te assediou?
— Claro que não, mas me fez uma proposta totalmente desconfortável.
— Explica isso.
— Quer que eu transforme meu livro de romance em um livro erótico. Pode isso? – Minha
amiga começa a rir sem controle. – Isso, virei chacota da pessoa que mora comigo, muito legal.
Quero saber qual é a graça.
— A graça é que já sei que posso me tornar agente literária. Já dei esse conselho várias
vezes, poderia ser apenas uma cena sensual.
— Tenho outro detalhe pra te contar. – Respiro fundo e conto. – Ele é o cara do barzinho. –
Ela solta um grito.
— Isso que é o destino. Ele estava destinado a te ajudar. Você assinou com ele?
— Sim, não poderia deixar essa oportunidade passar.
— Então, vai escrever cena de putaria?
— Claro que não. Ele disse que aceita meus termos, mas pediu para que pensasse melhor e
que a proposta continua em aberto.
— Bora colocar essa imaginação pra funcionar. Aposto que aquele personagem que criou por
causa dele, vai te trazer várias inspirações.
— Esquece isso, já é tarde. Vou tomar um banho e dormir. Obrigada por tudo. Não sei o que
seria de mim sem você.
— Te amo, amiga. Faço tudo pra te ver bem.
— Também te amo. Boa noite.
Depois do banho me deitei e cenas de sexo pipocam em minha cabeça, mas não me atrevo a
escrevê-las. Não darei esse gostinho pra ele. Pego no sono e o que parece segundos depois, o
despertador toca.
Tomo meu café e Júlia só fala de Sérgio, que eu deveria seguir o que ele falou, que tem
experiência e que escrever uma cena de sexo não é nada demais.
— Eu estaria traindo a essência dos meus personagens. Eles não gostam de se expor.
— Eles ou você? Faz isso com medo do que as pessoas vão pensar isso sim. Não te conheci
ontem. Apesar dessa couraça que tu criou existe uma donzela aí dentro, que sonha com seu príncipe
encantado chegando em um cavalo branco. – Odeio quando ela joga as coisas na minha cara. O pior é
que ela não estava errada. – Você coloca nos seus personagens um pouco do que é e, o que gostaria
que acontecesse em sua vida.
— Falou a psicóloga. Mas me diz o que tem de errado nisso?
— E o que tem de errado escrever um trecho mais sensual. Você sabe como é bom um sexo
bem-feito, tenho certeza de que seus personagens adorariam, principalmente seu herói. – Depois dos
flashes que tive, a resposta era sim.
— Para de tagarelar e deixe-me tomar meu café, logo mais tenho que trabalhar e você
também, ainda não ganhamos na loteria.
— Se escutasse ele, talvez ganharíamos... – Olho pra ela e imediatamente para de falar.
Sentei-me em minha cadeira e quando liguei o computador uma notificação de e-mail
apareceu. Era do Sérgio, no corpo do e-mail vários links de autoras de romance hot que ele
agenciava, eu conhecia todas e lia a maioria. Acho que ele me via como uma puritana, mas estava
muito enganado, só não conseguia escrever sobre, não se encaixava nos meus livros. No final do e-
mail, um recado.
“Precisamos conversar, existem algumas editoras interessadas, mas elas têm condições antes
de assinarem algo”.
Depois de ler isso fico muito agitada, não passou nem um dia e o cara já consegue contatos,
como assim? Decido responder agora mesmo.
“Bom dia, Sérgio.
Referente aos links que enviou, conheço todas e já li a maioria. Sei da existência dos livros
eróticos e adoro, não sou uma puritana como deve estar pensando, apenas sou fiel à personalidade
dos meus personagens.
Fiquei curiosa sobre as editoras que se interessaram. Qual melhor dia e horário para nos
encontrarmos?
Atenciosamente,
Sabrina
Preparadora e revisora de textos”
Envio o e-mail e começo meu trabalho. Meu dia parece estar rendendo, consigo finalizar uma
das revisões e já comecei outra que é de um conto, esse seria mais simples, terceira revisão de
prova, somente alguns detalhes para analisar.
Faço meu almoço tranquilamente, mas minha cabeça se agita pensando no que ele pensou
quando leu meu e-mail. Deveria estar bem ocupado, até agora nada de resposta. Não consigo parar
de lembrar do nosso jantar, dos seus olhares, o momento da proposta. Fiquei muito irritada na hora,
no entanto agora vejo que ele estava apenas fazendo seu trabalho, o meio literário te engole vivo se
não o segue, infelizmente meu agente tinha razão.
Após muitas páginas revisadas e muito café o e-mail chega e para minha surpresa é bem
descontraído.
“Boa tarde, Sabrina.
Estou bem contente em saber que conhece minhas agenciadas, já é um bom caminho para você
se inspirar. Você cria seus personagens, converse com eles e comunique o que vai acontecer na
história, pronto, problema resolvido.
Podemos nos encontrar amanhã às 10h em meu escritório. O endereço é Av. Paulista, 2202 —
Bela Vista. Quando chegar lá apenas dê seu nome na recepção.
Sérgio
Agente Literário”
Será que ele também escreve? Não é fácil assim convencer os personagens, eles que contam
as histórias, eu apenas escrevo, sou uma mediadora que possibilita mostrar aos leitores quem eles
são.
Respondo o e-mail confirmando minha presença na reunião, mas não falo sobre a sua
provocação. Acho que amanhã vou pedir algumas dicas de como ter essa conversa, quem sabe eu
tente. Não posso ser tão inflexível, meu futuro está em jogo.
— Cheguei, Sabrina! – Júlia grita. – Como foi seu dia? – Tinha terminado meu trabalho de
revisão por hoje e estava tentando escrever.
— Foi tudo como sempre. Amanhã vou no escritório do Sérgio, parece que têm algumas
editoras interessadas no meu trabalho – falo como se fosse a coisa mais normal do mundo e ela surta,
me levanta da cadeira e pula abraçada a mim. Não resisto e comemoro também.
— Sabia que conseguiria, seus livros serão um sucesso. Tenho até que comprar umas roupas
melhores para os eventos que acontecerão – ela fala pelos cotovelos, imaginando nosso futuro.
— Menos, Júlia. Ainda não assinei nada. Não sonhe muito alto, é perigoso.
— E o pessimismo mostra sua cara.
— Não é isso, gosto de ter certeza das coisas. Acredita que Sérgio indicou romances hot para
mim? – Nós duas rimos.
— É que ele não viu a sua estante e nem seu kindle. Iria se assustar, essa carinha e os livros
que escreve enganam bem.
— Respondi dizendo que já conheço esses livros e o atrevido disse para que me inspirasse
neles, ainda sugeriu que eu apenas comunicasse meus personagens sobre a mudança, como se fosse
fácil. – Júlia começa a rir.
— Esse agente mexe mesmo contigo, estou gostando de ver.
— Para de palhaçada, tudo você leva na maldade.
— Sua cabeça que deve estar lotada de cenas de sexo para escrever e fica com implicância.
— O pior que estou mesmo. – Cubro meu rosto com as duas mãos.
— Eu sabia!
— Desde ontem, só me vem isso na cabeça, mas quando vou escrever, travo.
— Diga a ele amanhã, talvez ele consiga te ajudar. – Olho desconfiada. – Estou falando sério
agora. Precisa da ajuda de um profissional.
— Será que vou mesmo conseguir?
— Relaxe um pouco, desliga esse isso. Vamos jantar, conversar sobre outras coisas, assistir
um filme.
Fizemos exatamente isso e me sinto mais calma, pronta para dormir. Amanhã tudo será
resolvido, tenho certeza.
Não foi nada fácil acordar e não saber o que me esperava naquele escritório. Acordei
decidida a pedir a ajuda de Sérgio, mas com um medo do cão. Tenho que ser inteligente e acabar com
essa marra, ele como profissional sabe o que diz, só tenho a ganhar com isso.
— Bom dia, flor do dia! – Essa era Júlia a maioria dos dias pela manhã. Isso às vezes me
irrita? É claro, porém ela consegue mudar meu humor quase sempre. – Ansiosa para daqui a pouco?
— Até demais. Preciso de um café de levantar defunto, pra chegar lá com força total.
— Tem certeza? Você também precisa estar calma.
— Sabe que sem meu café não sou nada.
— Mas não exagere. Tenho certeza de que essa reunião será um sucesso.
— Estou com medo, nunca fiz isso. E se me enganarem? Sou muito inexperiente nesse sentido,
vejo tantos escritores se ferrando, não quero isso pra mim.
— Escute o que eles têm a dizer, pondere se é o que você quer pra sua vida, peça um tempo,
não assine nada hoje, só analise e converse com seu agente. Ai como minha amiga é chique! Tem até
agente. – Não aguentei e ri feito louca, essa mulher é demais.
— Vou seguir seu conselho. Agora me diz uma coisa. O que achou da minha roupa. – Estou
usando um terninho chumbo, o cabelo solto em ondas e um sapato preto bem discreto, maquiagem
bem discreta.
— Se eu fosse você caprichava mais nesse batom, coloca mais cor nessa boca pra tirar um
pouco dessa seriedade. – Ela foi até seu quarto e trouxe um batom na cor vinho, passou em meus
lábios e comemorou. – Agora sim está pronta para sua reunião de negócios. Boa sorte, amiga.
Qualquer coisa me liga. – Nos abraçamos e segui meu rumo.
Já estou ficando tensa, o trânsito está péssimo e vou chegar lá em cima da hora. Não posso
chegar atrasada. Eu moro praticamente do outro lado da cidade, o ruim de São Paulo é que tudo fica
longe. A burra aqui deveria ter pegado o metrô, mas não, tinha que pegar um carro de aplicativo.
Alguns minutos depois recebo uma ligação.
— Bom dia, Sabrina. Já está chegando? Estamos esperando por você.
— O trânsito está terrível, mas logo chegarei. Peça perdão a todos.
— Não se preocupe, vai dar tudo certo. Até.
— Espero que sim. Até mais. – Desligo o celular e posso ver minhas mãos trêmulas e suadas.
Não sinto isso desde o vestibular. – Tento técnicas de respiração e consigo me acalmar um pouco.
Graças a Deus o carro chegou ao destino.
Respiro fundo entro no prédio imenso, aprecio por um momento aquela beleza e me dirijo a
recepção.
— Bom dia, tenho uma reunião com o senhor Sérgio.
— Bom dia, você é a Sabrina? – Respondo com um aceno de cabeça. – Ele já aguarda em seu
escritório. – Ela me dá um crachá de visitante. – Décimo andar, primeira à direita. Fale com Angela,
a secretária dele.
— Obrigada. – Minhas pernas tremem loucamente e eu sigo até o elevador. Olho no relógio e
estou atrasada cinco minutos, odeio me atrasar. O elevador parece demorar uma eternidade. Mil anos
depois chego no andar do Sérgio, virando à direita me deparo com uma mulher linda, seu sorriso
perfeito irradia o local.
— Bom dia! Você deve ser Sabrina. Seja bem-vinda.
— Obrigada. – Seu sorriso é contagiante e me sinto acolhida.
— Acompanhe-me, por favor, te levarei até a sala de reuniões. Quer alguma coisa para beber,
posso te levar logo em seguida.
— Não precisa, está tudo bem. – Seguimos por um corredor e no final dele vejo duas portas
grandes de madeira maciça, deve ser a sala de reuniões. Ela abre as duas portas e anuncia minha
chegada.
— A senhorita Sabrina chegou. – Sérgio se levanta de sua cadeira e vem até mim. Meu
coração quase explode com a visão que tenho desse homem, ele está todo de preto e com óculos que
o deixa ainda mais sexy, sou tarada em homens com óculos. Vejo que seus lábios se mexem, porém
não o ouço. Ele me abraça e o encanto se quebra.
— Acalme-se e se concentre na reunião. – Ele sussurra isso no meu ouvido e minha pele
reage. Essa reunião vai ser bem complicada.
Sérgio me leva até uma das cadeiras, recomponho-me e consigo proferir algumas palavras.
— Bom dia, agradeço a presença de todos e a oportunidade dessa reunião.
Sérgio apresenta todos para mim, estão presentes três selos de um grupo editorial. Cada selo
com um gênero: romance de época, romance contemporâneo e romance erótico.
— Sabrina, quando Sérgio nos deu uma prévia do seu trabalho ficamos encantados e logo
marcamos essa reunião. Seu estilo de escrita é o que procuramos, uma pegada sensual, mas com
romantismo. – Olho para Sérgio e sua cara de pau. Sorte dele que não poderia dar um show nesta
reunião.
— Fico feliz que tenham gostado. Sou muito dedicada aos meus livros, procuro fazer um
trabalho bem-feito e agradar aos meus leitores, infelizmente autores nacionais independentes são
sugados no meio literário. Espero que com o agenciamento do Sérgio eu possa mudar esse cenário na
minha carreira.
— Pode ter certeza de que está em boas mãos. – Isso quem diz é uma morena escultural,
enquanto fala seu olhar malicioso vai em direção ao Sérgio e fico desconfortável. Ele apenas sorri
de volta.
— Estou ciente disso, por isso assinei com ele imediatamente. – Acho que acabo de fazer
besteira e novamente vejo aquele sorriso idiota na cara daquele homem.
— Agora, vamos ao que interessa. Mostrem as propostas para Sabrina.
A reunião transcorreu calma e meus olhos brilham a cada proposta, mas todas com a ideia de
um romance no mínimo sensual. Agora terei que me acostumar com isso e seguir o roteiro dessa
loucura que está acontecendo na minha vida.
— Quero dizer que estou bem empolgada com as propostas, porém peço alguns dias para dar
uma resposta.
— Tudo bem Sabrina, esperamos um retorno em breve. Estamos ansiosos para termos você
como nossa nova autora. Tenho certeza de que será um sucesso.
— Obrigada, pessoal. Logo entraremos em contato. – Nos despedimos de todos e ficamos
sozinhos na sala. Por incrível que pareça já era meio-dia. – Vamos até um restaurante aqui na
Paulista mesmo, estou morto de fome.
— Nem percebi a hora chegar. – Enquanto falo sua mão pousa em minhas costas e me conduz
até a saída. – Temos que conversar sobre a escrita sensual e romântica que você disse que tenho. – E
o baque veio, a gargalhada desse homem acabou com meu psicológico, a voz grossa reverberando
por aquele corredor era demais para mim, não tive reação.
— Foi a única forma de abrir seus olhos para a realidade. – O clima fica tenso no elevador,
um silêncio ensurdecedor. Só consigo sentir seu olhar predador sobre meu corpo, minha respiração
fica prejudicada, meu corpo entra em um estado de formigamento, parece que ondas elétricas passam
pelo meu corpo e cenas pra lá de quentes surgem em minha mente. Sérgio parece perceber, pois o
maldito sorriso aparece em seus lábios. Para minha sorte o elevador finalmente abre.
— Você está bem? – Pergunta segurando em meu braço, respiro fundo e respondo.
— Tudo bem, acho que fiquei meio tonta, costumo comer esse horário.
— Então vamos logo a esse bendito restaurante. – E novamente sua mão toca minhas costas
conduzindo-me até a saída do prédio.
O restaurante fica bem próximo e é superaconchegante, nada da sofisticação do nosso jantar.
Logo somos atendidos, o lugar é bem movimentado, mas nada barulhento. Fazemos nosso pedido e o
silêncio impera novamente, até que Sérgio abre aquela boca linda.
— O que achou da reunião, gostou das propostas?
— São bem tentadoras, mas queria que me orientasse quanto a isso, pois não tenho nenhuma
experiência com editoras sendo escritora.
— Bom, acho que o selo de romance de época seria o mais apropriado para o seu perfil,
ainda mais com a explosão da série de Júlia Quinn na Netflix. Um romance muito romântico, porém,
com uma pegada mais adulta chama muita atenção. O que acha?
— Depois do nosso jantar pensei muito sobre o que me disse, sei que preciso mudar minha
visão, no entanto, não se conseguiria, preciso da sua ajuda. – Um sorriso enorme se forma nos seus
lábios e sinto-me sentada à frente do gato da Alice.
— O prazer é todo meu em ajudar, assinamos um contrato exatamente para isso. Qual ajuda
você precisa?
— Há alguns dias comecei a escrever um livro na visão de um homem, tive ideia de algumas
cenas mais sensuais, porém, não sei como começar. – Ele parece hipnotizado pela ideia.
— E como você imagina essas cenas?
— Não sei se esse seria o lugar apropriado para falar sobre isso? – Sinto meu rosto em
chamas.
— Ninguém está nos ouvindo. Mas se você não se sente à vontade podemos, depois do
almoço, ir até meu escritório, lá teremos total privacidade. – Essa palavra causou-me arrepios, no
entanto, tenho que ser profissional e enfrentar esse obstáculo.
— Será melhor assim. – Seguimos com o almoço tranquilamente.
Depois de sairmos do restaurante fomos até seu escritório. A decoração é de muito bom
gosto, séria, mas alguns quadros exibindo capas de autores que ele agencia trazem um ar
descontraído. Reconheço muitos livros e fico orgulhosa em dividir o mesmo agente com autoras que
amo ler.
— Logo a capa do seu livro estará nessa parede. – Fala atrás de mim tão perto da minha
orelha que me assusto. Nem percebi sua aproximação. – Pode se sentar. Estou ansioso para saber
quais as cenas que você imaginou para esse personagem.
— Vou avisando que é uma história bem clichê, minha mente de escritora funciona assim.
— Não tem problema algum, pode prosseguir. – Ele parecia realmente curioso.
— Bom, o protagonista é um homem da alta sociedade em Londres 1869. Como um libertino
ele detesta a ideia de se casar, mas é abrigado a comparecer em um baile. Seria o seu primeiro, seu
pai estava cansado de insistir na presença dele em outros, porém sempre conseguia escapar, não
dessa vez. – O olhar de Sérgio sobre mim deixava-me desconcertada, tive que tomar fôlego várias
vezes, mal sabia que minha maior inspiração é ele. – Logo que chega ao baile, o salão fervilha de
curiosos, ele nunca foi visto entre os nobres. Muitas mães casadoiras e suas filhas se aproximam. Sua
vontade era sair correndo pedindo por socorro.
— Acho que faria o mesmo. Esse tipo de cena me causa arrepios. – Não consigo conter o
riso, esse era exatamente o tipo de coisa que meu protagonista falaria. – Desculpe interromper, pode
continuar.
— Certo. Então ele vê uma mulher no fundo do salão, seu semblante não parecia nada
tranquilo, parecia aborrecida. Um homem estava ao seu lado e ria de um jeito sarcástico. Seu rosto
apesar de toda a situação era angelical, diferentes das moças comuns que ele já conhecera, seu corpo
era cheio de carnes, com certeza em momentos mais íntimos se fartaria naquelas curvas.
— Interessante, muitas mulheres adoram se sentir representadas, personagens fora do padrão
fazem sucesso nos livros.
— Eu sempre procuro fazer isso nos meus livros, eu como leitora também gosto de encontrar
isso nas minhas leituras. Posso continuar?
— Claro.
— Então para se livrar do mar de mulheres sem sua direção ele vai até a mulher que chamou
sua atenção. Se aproximando consegue ouvir as grosserias que o homem diz. Fica tão revoltado que
sua única reação foi chamá-la para uma dança, ele precisava tirar esse homem de perto dela. Ele
sente o seu receio, porém ela aceita. Seu corpo reage ao dela e sente um certo tremor nas mãos da
mulher. Os dois não soltam uma sílaba se quer, porém não é preciso para que ele saiba que precisa
dessa mulher em sua cama. – Eu respiro profundamente para tomar fôlego – Não consegui ir além
disso, escrevi outras cenas, mas com essa pegada sensual só foi isso. – Sérgio pareceu pensativo.
— Certo, acho que para o início você foi muito bem, consegui sentir o desejo dos dois nessa
cena, você não fugiu ao seu estilo em nenhum momento. Você agora só precisa criar alguma situação
em que os dois estejam sozinhos e criar uma ligação romântica, claro que não logo de cara, como
você descreveu ele é um libertino. Outra ideia é descrever uma cena dele em algum prostíbulo da
época ou um relacionamento com alguma viúva, isso era comum na época.
— Você acha necessário uma cena dele com outra? – Pergunto com uma careta.
— Acho que sim, temos que moldar sua personalidade, você o criou com esse
comportamento.
— Muito obrigada pelas dicas.
— Tenho uma ideia, não sei se aceitará.
— Pode falar.
— Você pode ir para meu apartamento, tenho algum material que ajudará a te inspirar, como
filmes, livros. Não precisa ser hoje, talvez no fim de semana. – Fico com receio, trabalhar fim de
semana e no apartamento dele. O que esse homem quer aprontar.
— Não sei se é muito apropriado.
— Posso te garantir que sairá viva de lá, sem nenhum pedacinho faltando. – E novamente
aquele sorriso do gato da Alice. Mesmo com medo eu não resisto.
— Eu aceito. E quando será a próxima reunião com o grupo editorial?
— Vou marcar com eles na próxima semana, fim de semana analisamos os contratos.
— Combinado, depois me mande seu endereço e o horário que devo estar lá.
— Eu busco você no sábado às 20. – Sinto que estou perdida com esse homem. Nesse
horário, sozinha com ele no seu apartamento. Só me vem merda na cabeça.
— Até sábado. – Saio como um furacão daquele prédio, decido voltar de metrô, por incrível
que pareça chego mais rápido em casa do que de carro.
Graças a Deus não tinha ninguém em casa, tiro o sapato e me jogo na cama. Meu corpo está
tenso e sei muito bem o porquê. A conversa com Sérgio me deixou quente demais e preciso urgente
de um alívio. Olho na direção de uma das gavetas da mesa de cabeceira e sei bem o que tem em seu
interior, meu amigo que me socorre quando estou em apuros como agora.
Não resisto, retiro ele dá gaveta. Então tiro minha roupa, deito-me na cama, fecho meus
olhos. Começo a me tocar imaginando as mãos do Sérgio sobre meu corpo e ele não demora a estar
fervendo de desejo. Parece tão real, ele agora está sobre mim, posso até sentir o calor do seu corpo,
meu agente ainda está vestido e eu nua, entregue totalmente a ele.
Suas mãos agora dessem até meu sexo provocando espasmos em meu corpo. Ele é delicado e
firme ao mesmo tempo, explora toda a região e chega ao meu ponto de prazer, deixando-me toda
molhada e louca por mais. Enquanto isso sinto seus lábios em meu pescoço, começa com beijos leves
e pequenas mordidas, até que as mordidas se intensificam, as fisgadas se reverberam pelo meu
corpo. É muito estímulo e acabo explodindo em um orgasmo que há muito tempo não tenho. Abro
meus olhos e estou novamente sozinha no quarto. Estou literalmente fodida com esse homem na minha
vida.
Depois de tirar toda a tensão sexual que Sérgio provocou vou para meu chuveiro, coloco
meus trapos de dormir. Quem dorme de pijama não sabe o quão confortável e dormir com uma roupa
velha. Vou para a sala esperar Júlia chegar, não tenho cabeça para trabalhar hoje. Estou louca pra
assistir a uma série bem legal e contar tudo pra minha amiga, ela vai surtar.
Depois de assistir a muitos vídeos aleatórios na internet, ouço a porta se abrir e minha amiga
gritar por mim.
— Conta logo tudo, mal consegui trabalhar só pensando na bendita reunião.
— Boa tarde pra você também.
— Corta a frescura e conta logo.
— Está pior do que as fofoqueiras da era vitoriana. – Ela não aguenta e ri. – Também estou
louca pra falar.
Conto todos os detalhes e as expressões da Júlia são hilárias demais. Ela quase enlouquece
quando conto o que aconteceu no escritório e sobre o convite.
— Se você não der pra esse homem eu dou.
— Para de ser doida. Eu vou lá pra ele me ajudar, é trabalho e não diversão.
— Quer coisa mais gostosa que misturar trabalho com prazer. Aproveita Sa deixa de ser
boba. Não precisa transar com ele, apenas esse ar de sedução, é tão gostoso. Tenho certeza de que
vai te inspirar muito, já que ele é seu muso. – Dessa vez Júlia foi longe demais e eu explodo em uma
gargalhada. – Qual a graça? – Tomo fôlego e respondo.
— Muso é demais pra mim, Júlia.
— Apenas estou abrindo seus olhos. Estou cansada de ver você desperdiçando sua vida. Não
é mais aquela estudante que se escondia pra ninguém sentir sua presença. – Ela sabia tudo da minha
vida e tirou-me de muitas situações que nem gosto de lembrar.
— Obrigada por estar na minha vida e pode deixar que vou tentar seguir seus conselhos,
porém do meu jeito. – Tenta protestar e a interrompo. — Eu sei o que fazer, vou sugar tudo que esse
homem me der, em todos os sentidos.
— Surgiu uma coisa na minha cabeça. – Diz pensativa.
— Lá vem seus pensamentos impuros.
— Prometo que dessa vez não é. Será que ele lembra de você no Hell?
— Tenho quase certeza que não. Estava muito escuro e nos olhamos por pouco tempo.
— Você lembrou perfeitamente.
— Sabe que sou muito observadora e não iria me esquecer de uma pessoa que me defendeu
daquele jeito sem ao menos conhecer.
— É tão fofo quando fala dele desse jeito. Sabia que seus olhos brilham quando está
pensando no seu herói?
— Aquele homem agora existe apenas no meu novo livro, nada além disso. – Não quero que
meu coração se iluda. Sei o que Sérgio provoca em mim, mas se algo acontecer será apenas uma
aventura, não quero desperdiçar minha futura carreira e machucar meu coração, quero os dois
intactos.
— Está certo, não quero te aborrecer com isso. Aproveite cada segundo e aprenda muito,
tenho certeza de que será um sucesso. – Diz isso e me abraça com seu carinho de sempre.
— Agora vamos deixar de papo. Vou preparar algo para comermos e assistir Loki, já estreou
a série e nada de assistirmos. Eu amo esse homem.
— Ama tanto que até atraiu um igual a ele. – Olho em dúvida. — Seu agente é a cara dele,
fiquei até assustada.
— Caramba, nem tinha reparado nisso. – Rimos muito e fomos para a cozinha.
Adoramos cozinhar juntas, resolvemos fazer uma pipoca doce que aprendemos na internet,
quase explodimos a cozinha, mas deu tudo certo e ficou uma delícia.
Nós nos acomodamos no sofá e ligamos a TV, a cada cena de Loki nós ficamos mais
apaixonadas. Não sei o que Tom Hiddleston tem que nos deixa desse jeito.
É inevitável assistir essa série e não lembrar de Sérgio, aquele ar misterioso, observador e
irônico. Cada olhar que ele dirige em minha direção mexe comigo. Como consigo conversar em sua
presença? Pode parecer ridículo o que sinto, mas não vou mentir pra mim mesma.
— Terra chamando Sabrina, terra chamando Sabrina...
— Estou aqui, chata.
— Você praticamente perdeu metade do primeiro episódio. O que te distraiu mais que nosso
deus preferido?
— Estou pensando no meu futuro, se darei conta de tudo. Devo mesmo me jogar nisso tudo?
Tenho medo de me frustrar e ficar sem rumo.
— É normal sentir isso, você não está acostumada a se arriscar. Pense naquela menina que
sonhava em ser escritora, agora coloque toda sua dedicação na realização desse sonho, o transforme
em realidade.
— Tem razão, não existe outra forma, tenho que trabalhar para isso. Escrever também é
trabalho e vou colocar isso na minha vida.
Depois dessa pequena conversa mergulhamos nessa série maravilhosa, ainda bem que
acumulamos alguns episódios.
Os dias estão bem lentos, está complicado esperar sábado, a tensão aumenta a cada áudio ou
mensagem que Sérgio manda. A mínima insinuação me deixa toda arrepiada e desconcentrada. Ele
vem me dando várias dicas para algumas cenas e tenho conseguido introduzir no livro, são bem sutis,
mas no meu caso é um grande avanço.
Outra coisa que ele sugeriu é investir nas minhas redes sociais. Como muitos dizem “Quem
não é visto, não é lembrado”. Tenho um grupo no Facebook, mas está praticamente fantasma. Com a
ajuda da Júlia criei um perfil no Instagram, mas ainda não tive coragem de postar nada, ela disse que
vai me ajudar com algumas ideias. Vamos ver no que vai dar.
Hoje é sexta-feira e estou exausta, enfiei minha cara no trabalho, pois sábado quero estar
livre de qualquer problema. Para minha surpresa Júlia chegou mais cedo e bem animada.
— Boa tarde, minha mais nova escritora famosa!
— Oi, Jú. Qual o motivo da animação?
— Fiz um reels com fotos suas e de seus livros e está bombando. – Diz pulando no meio da
sala e eu paralisada sem saber o que dizer. – Não vai me agradecer? Olha logo seu perfil. – Abro e
quando vejo a quantidade de curtidas e visualizações tenho que sentar-me no sofá.
— Você é louca?! Como faz isso sem me consultar?!
— Calma, Sa. Peguei suas melhores fotos, você está linda nelas. – Respiro fundo várias
vezes, mas está bem difícil assimilar o que está acontecendo. Tem comentários até do pessoal da
faculdade, pessoas que nem se davam o trabalho de me dirigir a palavra. Muito surreal. Meu celular
toca e é Sérgio.
— Finalmente postou algo. Foi você mesma que fez o vídeo? Ficou muito bom.
— Foi a Júlia, acho que vou excluir, ela fez sem minha permissão.
— Aconselho que não faça isso, está um sucesso, isso dá visibilidade ao seu trabalho. Hoje
o autor tem que aparecer, o público quer conhecer os autores dos livros que tanto gostam. Você
quer viver da escrita?
— Sabe que eu quero.
— Então se acostume a mostrar mais de você. Podemos tirar algumas fotos amanhã. O que
acha?
— Onde?
— Em alguma livraria, na minha casa ou na rua mesmo.
— Vou pensar, não sou muito fotogênica.
— O vídeo de hoje me diz o contrário. Descobri outra Sabrina naquelas imagens e fiquei
bem curioso.
— Sou eu mesma, nada demais. Eu topo fazer as fotos, já estou passando vergonha mesmo. –
Não conseguimos segurar o riso. Sua risada rouca ao telefone me provoca arrepios e não são de
medo.
— Ansioso para que amanhã chegue logo. Já que aceitou as fotos, busco você logo cedo,
pra aproveitar a luz do dia. Ah! E não esqueça de responder os comentários no vídeo, isso é muito
importante.
— Sim, senhor. – Brinco e logo me dou conta da besteira que fiz.
— Gosto dessa obediência. Até amanhã. - Ele desliga e fico um tempo digerindo tudo que
disse.
— Conta tudo e não me esconda nada. – Júlia está se mordendo de curiosidade.
— Fica quieta, preciso pensar. – Amanhã será meu fim. Não vou conseguir resistir a esse
homem. Meu medo é interpretar os sinais de forma errada e perder meu agente sem nem ao menos
conseguir lançar um livro. Minha amiga parece que vai explodir, seus pés não param de bater no
tapete da sala.
— Eu não aguento mais esperar, fala logo.
— Tá bom, eu conto. Ele ficou muito contente com o vídeo e se ofereceu para tirar umas fotos
minhas amanhã.
— Sa, esse homem está caidinho por você.
— Para de viagem, está apenas fazendo o trabalho dele.
— Acho que o trabalho dele não inclui ser fotógrafo e muito menos levar uma agenciada para
a casa dele.
— Não quero pensar nisso, preciso focar no meu objetivo. Quero viver da escrita e para isso
preciso trabalhar. Se trabalhar significa tirar fotos e ir para a casa do meu agente, que seja.
— Isso mesmo. Desculpe querer colocar dúvidas na sua cabeça, precisa ter foco nesse
momento.
Depois disso tudo fui responder os comentários como Sérgio orientou. Deu um trabalho
danado, alguns comentários me deixaram surpresa, como um que elogiava minha beleza e pedia meu
telefone, outros estavam curiosos querendo ler meus livros e perguntavam onde poderiam comprar.
Quando terminei fui comer, já era tarde e meu estômago estava gritando. Não conseguia parar
de pensar no dia de amanhã.
Após horas na cama contemplando o teto do meu quarto, consegui adormecer.
O despertador toca e parece que dormi cinco minutos. O sol entra pela minha janela e obrigo-
me a levantar, vou até o banheiro e minhas olheiras não são nada agradáveis. Para meu desgosto
tenho que me maquiar em pleno sábado de manhã. Se bem que nunca vou aparecer sem maquiagem na
frente do meu agente.
Não faço a mínima ideia de onde ele pretende me levar. Enquanto me arrumo penso em mil
possibilidades. Lembro de um dia em que Júlia e eu passamos em frente a Martins Fontes,
fantasiamos várias cenas na minha noite de autógrafos ali, foram tantos sonhos e nenhum realizado até
hoje.
— Bom dia, flor do dia! – Enquanto termino de me arrumar Júlia aparece muito animada
como todos os dias. – Nem parece que vai passear com seu muso inspirador.
— Quase não dormi respondendo aqueles comentários.
— Falando em comentários, lembra do Jorge, aquele carinha que eu ficava na época da
faculdade?
— Foram tantos carinhas...difícil lembrar de apenas um. – Não resisto a cara de indignada
dela e dou risada.
— Quem ouvi isso vai pensar que sou uma piranha.
— Desculpa, foi só uma brincadeira. Você é esperta e aproveita a vida. Mas me conta, o que
esse cara tem a ver com meu vídeo.
— Ele me encontrou nos comentários e conversou comigo no direct e marcamos de nos ver
hoje à noite. Para ser sincera não lembro muito como ficamos, mas ele é tão lindo que não resisti.
— Cuidado, não quero que se dê mal, sabe como são esses caras. Quer que eu vá com você?
— Não é para tanto Sa, marquei em um lugar público. Jorge não é um maníaco. Além do que
não vou atrapalhar seu encontro com o Sérgio, quer dizer, seu dia de trabalho.
— Para de palhaçada. Meu celular estará ligado, se precisar de mim é só ligar. – Ela fica sem
graça, porém concorda.
— Mudando de assunto. Vai tomar café antes de sair?
— Acho melhor, ele não deu um horário específico e prefiro sair de boca cheia pra não
passar vergonha.
— Vou fazer umas panquecas pra gente. – Desde que Júlia aprendeu na internet a fazer
panqueca americana não perde a oportunidade.
— Adoro suas panquecas, me sinto nas séries americanas.
Logo que ela coloca as panquecas na mesa o interfone toca e vou atender. O porteiro anuncia
a chegada de Sérgio, já era meu café da manhã.
— Esquece as panquecas. Ele chegou.
— Nem pensar, chama seu agente para o café.
— Não é uma má ideia. – A campainha toca e vou atender.
Ele estava totalmente diferente, usava uma camiseta branca, uma calça de moletom cinza e um
par de tênis. Em uma das mãos uma sacola cheia de pães e na outra a chave do carro. Que homem é
esse? Apossou-se do meu agente e está na porta do meu apartamento com um sorriso radiante nos
lábios. Seu perfume amadeirado e marcante domina o ambiente me deixando embriagada, sem saber
o que fazer.
— Bom dia, Sérgio. Desculpe o mau jeito da Sabrina, acho que ainda não acordou direito.
Dei-me a sacola, vou colocar os pães na mesa, venha tomar um café conosco. Estou preparando umas
panquecas.
— Obrigado, devem estar deliciosas. – Ouvindo sua voz rouca saio do transe.
— Desculpe, Sérgio. Bom dia. Essa é Júlia, minha amiga.
— Não foi nada demais. Eu que peço desculpas por ter vindo tão cedo, é que quero
aproveitar esse sol maravilhoso para tirar suas fotos. Trouxe até uma máquina, está no meu carro.
— Que incrível! Você gosta de tirar fotos? – Júlia pergunta empolgada.
— É minha paixão, depois dos livros, claro.
Enquanto eles conversam, eu apenas observo a interação. Os dois se deram muito bem. Júlia
me olha várias vezes com um sorriso de quem diz “Não solta esse homem, você tirou a sorte grande”.
— Não é Sa?
— Desculpe, não escutei.
— Estava contando para seu agente sobre a livraria dos seus sonhos. Hoje você está em outro
mundo, mulher.
— Acho que o sono bateu.
— Poço voltar mais tarde e deixar você descansar. Não suporto quando não me deixam
dormir. – Diz preocupado.
— Imagina, não quero perder esse dia lindo dormindo. – Pode ser impressão minha, mas seus
olhos brilham quando falo isso e um sorriso espontâneo surge nos meus lábios.
— Prometo que vamos nos divertir muito e tirar frutos desse dia para criar sua identidade
visual de autora. Vou honrar o contrato que assinou.
Depois de muita conversa estou mais à vontade. Finalmente saímos do apartamento,
convidamos Júlia, porém disse que tinha muita coisa para preparar, estava bem empolgada com seu
encontro.
Entro no seu carro e uma música suave começa a tocar. Observo a paisagem enquanto ele
dirige pelas ruas de São Paulo. Todos reclamam do caos que é essa cidade, mas sou apaixonada por
ela. Você encontra de tudo em apenas uma rua e isso me encanta. A diversidade desse lugar é
fascinante.
— Pensei em tirar umas fotos na sua livraria dos sonhos. Tenho certeza de que ficarão
perfeitas.
— Mas eles permitem esses ensaios?
— Não se preocupe com isso, fui contratado para isso.
— Já que disse, vou confiar.
Nosso trajeto foi bem longo, no entanto, valeu cada segundo. Enquanto Sérgio conversava
com o gerente olhava para cada canto daquele lugar. Adoro viajar entre aquelas prateleiras, pego um
dos livros, folheio, sinto seu cheiro e suspiro. Nesse momento olho para o lado e vejo Sérgio por trás
da lente de sua câmera me fotografando, não sei como reagir.
— Esqueça que estou aqui e continue o que estava fazendo.
— É impossível.
— Por quê?
— Sua presença me perturba às vezes.
— No bom ou no mau sentido?
— Ainda não consegui decifrar. – Novamente ele me surpreende.
— Você fica linda quando está distraída. Venha ver as fotos. – Sérgio mostra as fotos e tenho
quase certeza de que ele capturou minha alma naquelas imagens. – Precisa se permitir mais, esquecer
todas as suas inseguranças e viver.
— Não sabia que entre seus serviços tinha o de terapeuta. – Tento disfarçar o clima meio
tenso.
— Ficaria surpresa com o que já tive que fazer para que meus clientes se sentissem mais
seguros e confiantes. – Tenho certeza de que nesse momento meu rosto está bem vermelho, pois
depois de seu comentário, só pude imaginar ele em uma cama, trabalhando com a confiança de
alguma cliente. – Ainda não precisei fazer isso que está imaginando, senhorita Sabrina. – Quando ele
fala senhorita fico toda arrepiada e sei que quando chegar em casa, com certeza escreverei uma cena
bem tórrida do meu protagonista.
— Eu não imaginei nada, pode ficar tranquilo.
— Tudo bem. O que acha de tirarmos algumas fotos pela Paulista?
— Vamos pagar mais mico! Como estou feliz! – Comemoro com um sorriso amarelo e ele ri
do meu desanimo.
Passamos horas na avenida e me diverti como nunca, ele faz cada palhaçada para que eu me
solte nas fotos que é impossível não rir. Sérgio tem um poder sobre mim que me causa medo. Desde
o momento que o conheci até agora ele vem me desmontando a cada mensagem, ligação e encontro.
Já imaginou um homem como esse em um fast food? Não né? Pois eu consegui esse feito.
Sérgio queria almoçar em um restaurante, no entanto, o convenci do contrário.
— Você quer me transformar em uma autora bestseller e estou aberta para essas mudanças, só
estou pedindo que saia um pouco da sua zona de conforto e seja uma pessoa normal.
— Na minha vida comi muito essas porcarias, garota. Não me subestime.
— Só acredito vendo. – Digo e entro na lanchonete rindo.
Fazemos nossos pedidos e fico surpresa com a vontade que Sérgio come o lanche enorme que
ele pediu.
— Tinha esquecido o quanto essas porcarias são gostosas. – Ele fala de boca cheia. É muito
engraçado, mas quando vejo aquele molho no canto de seu lábio inferior minha vontade é lamber com
gosto. – Não me olhe assim, parece que está olhando uma aberração.
— Pelo contrário, está é muito gostoso. – Imediatamente cubro minha boca com a mão.
— Tem fetiche com homens gulosos, senhorita Sabrina.
— Que vergonha, desculpa. Exagerei.
— Então não me acha gostoso?
— Não! Quer dizer sim... – Estou tão envergonhada que corro para o banheiro.
Fico um bom tempo no banheiro, olhando minha cara de pau no espelho e culpando-me. Às
vezes sinto-me uma mulher adulta sem receios, decidida, no entanto, existem momentos que pareço
uma adolescente atrapalhada. Será que isso é normal? Nunca fiz terapia, mas acho que agora seria
importante.
— Sabrina, desculpe te deixar constrangida. Prometo não tocar mais no assunto. Só
preciso que saia daí, temos que ir embora.
Para não chamar mais a atenção das pessoas decido sair do banheiro e enfrentar a realidade.
— Já estava preocupado, pensei até que tinha fugido pela janela do banheiro.
— Engraçadinho. Até pensei nisso, mas daria muito trabalho. – O clima descontraído volta e
entramos no carro.
— Está escrevendo uma comédia romântica e não me informou? Seu humor está uma beleza.
— Não, mas obrigada. Para aonde vamos agora?
— Para meu apartamento, estou louco para te mostrar o material que separei para você.
Meu coração dá um salto e tento segurar minha respiração a mais natural possível.
— Finalmente conhecerei o covil do Loki.
— O que disse?
— Nada.
O momento é tenso no elevador do prédio, a expectativa grande do que veria ao abrir a porta
do apartamento do meu agente. Não sei explicar o mistério que ronda esse homem, talvez seja pela
circunstância em que o vi pela primeira vez. Nunca precisei de um salvador ou um príncipe na minha
vida, mas aconteceu e eu gostei de me sentir protegida.
— Chegamos. – Saímos do elevador e ele abre a porta para que eu entre. – Fique à vontade,
vou até meu quarto e já volto.
Ao entrar já pude localizar a sala ampla com um sofá confortável, uma mesa de centro e a
esquerda posso ver um divã em couro na cor caramelo e uma estante repleta de livros. As cores que
dominam o ambiente é o preto, cinza, branco e marrom.
A visão que tenho de sua janela ampla deixa-me embriagada, o céu limpo contrastando com
os prédios enormes é impressionante. Vou até à varanda e fico em silêncio observando aquela
imensidão.
— Vejo que gostou da vista. Quando visitei esse apartamento a primeira vez tive a mesma
reação. – Meu corpo reage a sua proximidade.
— Isso tudo causa uma paz.
— Parece estranho sentirmos paz diante de tanta bagunça e stress que esse lugar nos causa. –
Nosso sorriso é quase cúmplice.
— Se ficarmos contemplando sua vista não teremos tempo para trabalho.
— Tem razão, a hora da festa acabou. Vamos até à sala que tenho algumas cenas que separei
para te mostrar.
— Espero que não sejam fortes demais.
— Pode confiar, tenho certeza de que vai adorar.
A tela de sua TV é gigante. Pensei que tinha exagerado na minha de 50’’, mas vejo que não.
Ele a liga e começamos com o filme Orgulho e Preconceito.
— Como se essa história fosse novidade para uma romancista com meu perfil.
— Fique em silêncio e preste bastante atenção na próxima cena.
Quem assistiu ao filme se lembrará quando Darcy toca a mão de Elizabeth a primeira vez. Ele
parece ter levado um choque, essa cena sempre me deixou sem fôlego, porém dessa vez sinto a
tensão sexual que isso me provoca. Então o vídeo acaba.
— O que sentiu vendo essa cena?
— Já assisti a esse filme muitas vezes, mas vendo essa cena senti a tensão entre os dois.
— Exato, isso mostra que não é preciso a descrição detalhada de uma cena de sexo para
mostrar o que duas pessoas sentem ao se tocarem. Por isso te disse que é possível sim você escrever
um livro mais quente, você já faz isso.
— Nunca pensei nesse ponto.
— Quando li alguns trechos do seu livro cheguei a ficar arrepiado e senti que essas cenas
poderiam ser mais trabalhadas, mostrar mais o que um sentia pelo outro, não apenas romanticamente.
— Estou tentando fazer isso no novo livro e com sua ajuda.
— Fico muito contente. Agora quero te mostrar uma cena mais marcante.
Em segundos surge na tela um certo Duque agradando sua esposa em um belo oral na escada
da mansão. Na mesma hora meu corpo esquenta com os gemidos da moça que se delicia com o
momento. Um desconforto se instala entre minhas pernas e tento uma posição mais confortável no
sofá.
Sinto Sérgio observando minha reação e tudo piora. O que eu queria agora mesmo é
reproduzir essa cena com meu agente nesse sofá e sentir o mesmo que a personagem a minha frente. A
respiração mais pesada de um certo homem aproxima-se do meu ouvido.
— O que sente com essa cena, senhorita Sabrina.
— Muito calor. – Não consigo raciocinar com esse homem perto de mim.
— Já fez isso com alguém? – Ao mesmo tempo que ele pergunta uma de suas mãos deslizam
pela minha nuca alertando todo o meu corpo.
— Claro que sim. – Olho para ele surpresa.
— E nunca se inspirou para escrever uma cena parecida? – Ele continuava muito perto de
mim.
— Minha vida particular não interfere nos personagens.
— Quero fazer um teste com você.
— Olhe bem o que vai fazer.
— Confie em mim. – Seus olhos me passam confiança e concordo com o teste. – Feche seus
olhos. Lembre-se do seu novo protagonista e aquela mulher que ele defendeu no baile. Agora
imagine-se no lugar dela. – Consigo fazer isso facilmente, para minha surpresa. – Depois daquele
baile eles vêm se encontrando, o interesse vai crescendo. Um dia o destino dá uma pequena ajuda e
eles estão sozinhos em uma biblioteca. – Isso naquela época acabaria com a reputação dela, consigo
sentir a preocupação da moça, no entanto, o desejo que ela sente é muito maior. – Ele se aproxima e
toca em sua cintura com muita delicadeza e diz “Eu queimo por você todas as noites desde que
coloquei os olhos em você”. – Sinto as mãos de Sérgio em minha cintura e isso me faz abrir os olhos.
— Acho que está indo longe demais. – Ele está muito perto e isso me deixa ofegante. Sérgio
não está diferente.
— Feche os olhos, pense apenas neles. - Tento resistir, mas o desejo por mais me vence. –
Ela tenta afastar-se, porém seu corpo não permite. Os lábios dele deslizam suavemente da sua nuca
até o início de seu decote. – Meu agente faz a mesma coisa no meu corpo e um gemido desesperado
escapa entre meus lábios. – Eles se perdem em cada toque. Seu amante a coloca sobre um dos sofás
na biblioteca e suas mãos magicamente sobem pelas coxas da moça embriagada de desejo como ele.
— É melhor pararmos por aqui, você está indo longe demais.
— Esqueça tudo que representamos na realidade e apenas sinta. – Seu corpo está grudado ao
meu e é impossível não pensar que é ele ali, dominando meu corpo, causando reações que me deixam
perturbada. Como conseguirei olhar para ele depois de me render a esse desejo? – Vem comigo. –
Sigo esse homem sem ao menos protestar. Andamos por um corredor e acho que estamos em seu
quarto. É bem espaçoso e no centro está sua cama, ela é enorme e parece ser bem aconchegante.
Ele me conduz até sua cama, nós nos sentamos nela. Com muita delicadeza, Sérgio tira meus
sapatos, massageia meus pés e o prazer é indescritível, não resisto e deito-me sobre a cama. Suas
mãos percorrem sobre a extensão das minhas pernas vagarosamente e depois de uma eternidade ele
está sobre o meu corpo.
Sérgio segura meu rosto com as duas mãos, crava seus olhos nos meus e vejo um azul
profundo que me consome, perco-me nesse olhar.
— Eu sei quem é você. Sua imagem me perturba desde aquela noite. Imagina meu espanto ao
te encontrar no seu apartamento. – Minha respiração acelera descompassada. – Quando descreveu
aquela cena para mim, sabia que você também se lembrava e enlouqueci.
— Por que não me disse nada? – Pergunto com um fio de voz que ainda me resta.
— Tentei ser profissional, no entanto, toda vez que ouvia sua voz ou estava perto de mim,
perdia a compostura e te provocava. Eu acredito no seu trabalho e não quero te prejudicar. Acho
melhor pararmos por aqui. – Ele tenta se afastar, mas é tarde demais e quero ir até o fim, então o
puxo para a cama.
— Você provocou um vespeiro que estava quietinho, agora aguente as consequências. – Subo
no seu colo, mas logo ele muda nossa posição e me rendo a ele.
— Nunca fujo de um desafio, aprenda isso sobre mim, senhorita Sabrina.
Ele ataca minha boca em um beijo selvagem, meu corpo se arrepia, estou entregue a esse
homem como nunca estive em toda a vida. Isso me causa medo, porém a adrenalina correndo pelas
veias é viciante.
Enquanto ele me devora suas mãos estão abrindo os botões da minha calça e o ajudo a tirá-la.
Nesse instante dou graças por estar usando uma calcinha razoável e não as de bichinhos que tenho em
minha gaveta.
Sérgio abandona meus lábios para se livrar da minha blusa, seus olhos estão pesados de
desejo. Ele paira sobre mim e contempla o meu corpo, meu instinto é tentar cobri-lo, porém meu
agente impede.
— Você é perfeita. Muito mais linda do que imaginava em meus sonhos. – Então ele tira meu
sutiã e toca meus seios com suas mãos quentes, com o polegar e o indicador gira meus mamilos já
duros pelo tesão que sinto por esse homem.
Para meu desespero literalmente ele cai de boca em meus seios, dessa vez a delicadeza passa
longe. Parece se fartar e seus gemidos me enlouquecem.
— Porra! Que delícia de mulher! – Diz enquanto abocanha meu seio direito e aperta o
esquerdo.
— Ahhhhh – Não consigo conter meus gemidos.
— Isso, entregue-se. – Sérgio pressiona sua ereção em minha coxa e sei nesse exato momento
que estou perdida.
Ele abandona meus seios e vai descendo pelo meu corpo, mordendo, lambendo e beijando até
chegar em minha calcinha. Parece uma eternidade até que tire ela. Eu estou encharcada, sedenta por
ele.
— Toda molhada para mim, é assim que eu gosto. – Seu dedo desliza sobre os lábios vaginais
até chegar ao clítoris, meu corpo reage ao seu toque íntimo e eu enlouqueço.
— Eu preciso de você, não me torture. – Tento puxá-lo, mas é inútil. Um sorriso sacana está
estampado em seu rosto.
— Tenha calma, o prazer requer paciência, minha querida. – Enquanto as palavras saem
calmamente de seus lábios, seu polegar trabalha o clítoris e dois dedos entram em meu canal.
Involuntariamente meu quadril se movimenta freneticamente na direção de sua mão a procura de mais
prazer. – Aproveite cada momento, sinta essa explosão de sensações, não tenha pressa. – Sua voz
parece calma, porém o sinto ofegante.
— Sei que quer se afundar em mim mais do que demonstra. Exige minha entrega, porém fica
se controlando. Mostre o que quer, pegue o que deseja. – Rebolo na direção da sua mão e sinto que
ele está por um fio.
— Primeiro quero você gozando na minha mão. Quero sentir seu gozo escorrendo pela minha
cama. – A cada palavra eu sentia meu orgasmo mais perto do que nunca, ele intensificou os
movimentos e finalmente chego ao clímax.
Meu corpo parece eletrificado, tenho espasmos incontroláveis. Sérgio precisa segurar-me na
cama.
— Que cena maravilhosa. Nunca vi uma mulher ficar tão linda gozando. – Abro os olhos
lentamente e o que vejo é admiração e desejo. Sérgio não fala mais nada, desce da cama, se livra da
calça e da cueca.
A visão do paraíso me alcança. O corpo esguio e bem definido definitivamente, combina com
esse pau maravilhoso, que mais parece uma obra de arte com suas veias sobressalentes. Minha boca
se enche com vontade de chupar tudo isso.
— Sei bem o que quer, mas não agora. – Sérgio abre uma gaveta ao lado da cama e pega uma
camisinha. Admiro seus movimentos enquanto ele a coloca em seu membro. – Já peço desculpa, pois
não conseguirei ser muito delicado, você está irresistível me olhando assim.
Seu corpo se encaixa entre minhas pernas, ele me instiga esfregando seu pau em mim e
quando menos espero entra em mim aos poucos. Sérgio fica parado dentro de mim, me sinto muito
preenchida, tento me mexer, mas ele me para.
— Calma, mulher, assim você acaba comigo.
— Eu quero mais, eu preciso de mais. – Digo enquanto aperto seus ombros e beijo seu
pescoço.
— Se eu me mexer agora não vou durar um minuto dentro de você.
Finalmente ele se movimenta, entra devagar, tira todo e entra de novo. Para minha felicidade
não resisti por muito tempo e seus movimentos aceleram até meter do jeito que eu pedi, com força.
Seu pau alcança em um ponto dentro de mim que nunca senti e isso me deixa alucinada.
— Mais! Eu quero tudo! Mais rápido! – Nossos corpos estão suados e sedentos pelo gozo.
— É assim que você gosta? Então tome tudo, gostosa! – Nosso orgasmo está por um fio, eu
posso sentir chegando e sei que ele também. – Abra os olhos agora. Quero que olhe para mim
enquanto gozamos.
Nunca tive uma ligação tão forte com um homem como agora. O orgasmo vem e nossos
corpos grudados tremem de desejo e urramos de prazer. Agora sei que estou totalmente fodida. Como
vou seguir minha vida sem esse homem na minha cama.
Acordo assustada sentindo alguém me tocando, abro os olhos e não reconheço o lugar onde
estou.
— Está tudo bem. – Reconheço sua voz e flashes da nossa transa vem como uma enxurrada
me deixando até zonza. – Já é bem tarde que tal tomarmos um banho e depois peço nosso jantar?
— Preciso ir para casa. – Não consigo olhar para Sérgio, isso não deveria ter acontecido.
— Posso te levar para seu apartamento, porém isso não vai apagar o que aconteceu aqui.
— Foi um erro, precisamos esquecer isso e continuar nosso trabalho...
— Nossa intimidade não precisa interferir no profissional. Aqui seremos apenas Sérgio e
Sabrina, um casal normal, lá fora seremos um agente e uma autora que logo brilhará na mídia
literária, e isso posso garantir. – Ele diz tudo isso fazendo carinho em meu rosto. Como resistir ao
meu herói?
— Não sei, é muito arriscado. E se brigarmos, como fica o lado profissional?
— Uma briga pode acontecer mesmo sem envolvimento emocional. Se acontecer
resolveremos como dois adultos. Pare de arrumar desculpas e viva, aproveite essa oportunidade de
nos conhecermos melhor. Já pensou que o que estamos vivendo pode te ajudar na escrita? Quando
começou a escrever o novo livro? – Fico hesitante em contar a verdade, mas não adianta esconder.
— Na noite em que te conheci. Sua imagem não saía da minha cabeça. Por que foi embora e
nem quis conversar?
— Meu dia tinha sido péssimo, fui apenas para beber algo e fiquei irritado com aquela
situação, reagi sem pensar. No entanto, passei a noite em claro pensando em você e lembrei que nem
sabia seu nome.
— O destino às vezes me irrita.
— Mas no nosso caso ele até ajudou. Fez com que eu lesse seu livro e aqui estamos. – Ele
aconchega meu corpo em seu peito e eu relaxo, me sinto segura ao lado dele. – Minha vontade é ficar
aqui, porém uma banheira quentinha nos chama.
— Que delícia, eu quero. – Digo manhosa e ele abre um sorriso enorme.
Sérgio me leva até seu banheiro, ele é todo de vidro e enorme. A banheira mais parece uma
piscina. Não estou acostumada com essas coisas sofisticadas. Meu muso entra na banheira e me
ajuda a entrar em seguida. A água está maravilhosa e sentir o corpo dele em minhas costas ajuda
bastante também.
Suas mãos deslizam sobre meu corpo com sutileza e ele fica todo arrepiado, não consigo
conter meus suspiros. Inclino minha cabeça sobre seu ombro e fecho os olhos, enquanto isso ele fala
sobre seu trabalho, suas experiências como agente. E fico curiosa em como ele chegou até aqui.
— Você sempre quis trabalhar nessa área?
— Desde a infância gosto muito de tudo relacionado a livros, no entanto minha família era
muito humilde e não tinha dinheiro para investir na minha educação.
— Foi complicado para mim também. Conta mais, estou curiosa.
— Um professor de literatura no meu ensino médio fez questão de me ajudar e com muito
esforço consegui chegar na faculdade de Jornalismo.
— Pensei que era meu colega de profissão.
— Uma das minhas opções era Letras, mas me identifiquei mais com meu curso. A minha
dedicação me levou até o mundo literário, comecei como estagiário em um jornal, na época ainda
impresso. Trabalhava junto a um crítico literário e com o tempo ele percebeu que minhas críticas
eram bem assertivas e quando percebi estava trabalhando como agente literário. Comecei bem
devagar e fui adquirindo uma lista de contatos invejável, graças a esse crítico que se tornou meu
padrinho no meio profissional. Sigo na profissão há quase quinze anos.
— Seus pais devem ter muito orgulho de você. – Seu corpo fica tenso, é impossível não
perceber.
— Infelizmente, não tiveram tempo. Minha mãe ainda esteve no meu primeiro evento
importante, fazia dois anos que meu pai havia falecido. Eles eram muito unidos, não viviam sem o
outro. A tristeza tomou conta da vida dela e um ano depois do evento, minha mãe se foi.
— Sinto muito.
— Obrigado. Agora vamos sair dessa banheira, meus dedos já estão enrugados.
— O que vou vestir?
— Por mim nada, mas para não ficar desconfortável pode usar um roupão. – Sérgio seca meu
corpo com muito carinho e fico pensando por que não o conheci antes, teria facilitado tanto minha
vida. Em nenhum momento ele fez algum comentário sobre meu corpo que não fosse minha beleza.
Será que estava sonhando? – Vou pedir nosso jantar. Que tal uma massa e um belo vinho?
— Ouviu meus pensamentos, adorarei.
— Já volto, fique à vontade.
Estou tranquila quando ouço meu celular tocando na sala. No caminho ele me entrega o
aparelho, vejo que é Júlia e logo atendo.
— Sa...desculpa ligar, mas...pode vir me buscar? – Sua voz estava embargada e fico com
medo do que possa ter acontecido.
— O que houve?
— O desgraçado me deu um golpe... – Não conseguiu conter o choro e isso corta meu
coração.
— Passa o endereço que vou te buscar.
— Perdão, não queria te atrapalhar, amiga.
— Que besteira é essa agora? Já estou saindo daqui. – Tiro o roupão e já vou colocando
minha roupa. – Sérgio, ela foi deixada em um motel, você me ajuda a tirar ela de lá.
— Claro. Ela passou o endereço?
— Sim, Júlia está desesperada. Eu vou matar aquele desgraçado.
— Acalme-se, o que importa agora é tirar sua amiga de lá.
Sérgio coloca o endereço no GPS e vai o mais rápido possível. Como ela foi parar nesse fim
de mundo? Será que ele a drogou? Cada minuto eu ficava mais tensa, ele tenta me acalmar segurando
minha mãe e respiro fundo.
— Muito obrigada por estar aqui comigo.
— Nunca te deixaria em uma situação como essa.
— Eu deveria ter insistido para ela não ir nesse encontro.
— Não se culpe, infelizmente existem pessoas assim no mundo. – Ele para o carro na entrada
do motel. – Ela deu o número do quarto?
— Sim, é o 45. – Ele informa para a recepcionista o que ocorreu, paga pelo quarto e ela
permite que apenas eu entre no quarto.
Ao entrar naquele quarto imundo a bile sobe em minha garganta. Júlia está encolhida no
centro da cama, sua maquiagem toda borrada e seu choro não cessa. Quando percebe que estou no
quarto pula em meus braços e choramos ainda mais. Nunca a vi tão frágil, essa mulher não é minha
amiga de anos.
Ficamos um bom tempo abraçadas, ela estava apenas de lingerie e isso acabou comigo. O que
será que aconteceu neste maldito quarto?
— O que ele fez com você, Júlia? – Minha amiga não conseguia dizer nada. – Precisa me
contar.
— Só quero ir para casa e tomar um banho, por favor.
— Está bem. – Ajudo ela a se vestir e saímos.
Sento-me no banco de trás com ela, o tempo todo abraçada a mim. Sérgio segue a rota e o que
parece uma eternidade chegamos ao nosso prédio e nos despedimos, prometo ligar no dia seguinte.
— Estraguei sua noite.
— Não estragou, pode ter certeza. Quando estiver melhor eu te conto.
— Deveria ter te ouvido e não dado bola pra aquele nojento. – Seu corpo treme. – No
encontro descobri que nunca ficamos, ele era um doente que era louco pra ficar comigo. Como sou
uma idiota decidi continuar com ele, depois de me oferecer uma bebida, fiquei sonolenta e quando
acordei estava quase pelada e com minha carteira vazia.
— Temos que ir até uma delegacia. Precisa fazer um corpo de delito. Esse cara tem que ser
preso.
— Não! Eu estou bem...vou ficar bem. – Júlia fala apertando minhas mãos. – De que adianta
ir até lá, ninguém nos ouvi. Vou tomar um banho, dormir e amanhã estarei nova em folha, eu prometo.
— Vou respeitar sua decisão, mas se mudar de ideia estarei aqui.
— Dorme comigo hoje, Sa?
— Como quando você tinha medo de escuro?
— Sim.
— Tome seu banho e te espero no quarto com um copo de leite quente.
Posso ouvir o choro da minha amiga no banheiro, meu coração está quebrado com essa
situação. Por agora só posso apoiá-la e fazer com que se sinta melhor.
Quando ela sai do banheiro já estou esperando com o seu leite quente e um filme na TV do
seu quarto.
— Te amo sabia?
— Eu sei, você não vive sem mim.
Ela toma seu leite e nos deitamos, em pouco tempo dorme e dou graças. Meu corpo se rende
também.
Os próximos dias passam bem rápido. Júlia vem se recuperando aos poucos, nunca mais
falou no assunto, mas todas as vezes que durmo em casa posso ouvir seu choro pela madrugada.
Todo final de semana durmo no apartamento do Sérgio. Minha escrita anda bem criativa, aos
poucos estou incluindo umas cenas mais quentes. A primeira noite do meu casal foi inspirada na
nossa noite e me sinto livre escrevendo sobre eles.
A cada encontro ele me leva a um lugar diferente. O lugar que mais gostei foi quando me
levou para Gramado, dois dias incríveis regados de muito sexo, chocolate e lareira.
Ele me surpreende cada vez mais, tanto no relacionamento como no profissional. Venho
seguindo suas orientações e atraindo mais seguidores e leitores. Finalmente assinamos o contrato
com o grupo editorial. Sérgio falou sobre o novo livro que graças a Deus está quase pronto e eles
amaram a ideia.
Ainda tenho muitas inseguranças sobre como os leitores receberão essa história. Estou
apaixonada pelos personagens, mas a antiga Sabrina ainda está aqui tentando sabotar tudo que
estamos construindo.
Hoje meus pais vêm me visitar e minha mãe insistiu para conhecer meu agente. Ela disse que
falo tanto dele que está curiosa. Confesso que tenho receio do que eles podem pensar se descobrirem
nosso relacionamento, nem ao menos sei o que somos, nunca conversamos sobre e nem quero
pressionar nada.
— Parece tensa, amor.
— Estou ansiosa, a hora não passa. – Sérgio está comigo em casa.
— Como me apresento a eles?
— Você é meu agente.
— Apenas isso? – Pergunta me abraçando.
— O que mais você seria? Meu amante, meu amigo ou quem sabe meu namorado?
— Gostei do título de namorado. – Sinto um frio na espinha. Será que é o certo? – Posso
dizer isso ao seus pais ou estou proibido?
— Que pedido de namoro estranho. – Não contenho o riso e ele me acompanha.
— Senhorita Sabrina, me daria a honra de ser minha namorada? – Ele faz o pedido segurando
uma de minhas mãos e se ajoelhando.
— Acho que chegamos na hora certa, Tereza. – Era meu pai e minha mãe. Fiquei tão
concentrada no pedido que nem vi Júlia abrindo a porta para eles. Todos estavam olhando para nós.
— Pai! Mãe!
— Não vai responder o rapaz, menina? Seja educada. – Minha mãe ralha comigo com um
sorriso largo no rosto. Então olho na direção do homem que virou minha vida de ponta cabeça.
— Aceito. – Nos beijamos e ao fundo ouço a comemoração da Júlia.
— Finalmente minha amiga tem o namorado que merece!
O dia foi maravilhoso ao lado das pessoas que mais amo nesse mundo. Sim, eu amo meu
namorado. O destino dessa vez foi generoso comigo. Sérgio se deu muito bem com meus pais, desde
que eles chegaram só os vejo sorrir e isso me deixa mais apaixonada por ele. Quando a noite chega
meu namorado se despede, diz que preciso de um momento só com meus pais.
— Filha, estou tão feliz que encontrou uma pessoa assim. Meu coração se apertava quando
ligava e ouvia sua voz tão desanimada. Ver esse sorriso no seu rosto não tem preço.
— Concordo com sua mãe. Isso nos tira um peso do peito. Agora podemos ficar tranquilos.
Mas se esse homem aprontar alguma é só me avisar e acabo com a raça dele.
— Amo vocês. Estava morrendo de saudade. – Abraço eles com muita força, quase os
sufocando.
— Larga, filha. Tô ficando velha, vai me quebrar todinha. – Percebo que Júlia está quietinha,
só observando e sorrindo. – Vem aqui menina, sei que quer um abraço também.
— Aí, tia. Sinto tanta falta dos meus pais, bem que eles poderiam aparecer. – Ela se joga no
nosso abraço.
— Tenho certeza de que eles sentem também, tanto que ligam quase todos os dias que eu sei.
— Eu sei, só bateu saudade vendo vocês juntos.
— Parece tão tristinha, aconteceu alguma coisa? – Júlia fica tensa com a pergunta do meu pai.
— Ela só anda trabalhando muito, né Jú?
— Verdade, tio. O povo me suga naquela empresa.
— Esses ricos são assim mesmo, arrancam o coro do trabalhador.
— Olha só, minha mãe quase citando Marx. – Caímos na risada. Minha mãe sempre amou ler
e de tudo um pouco.
— Em alguns pontos concordo com ele, mas no mundo em que vivemos é quase impossível o
trabalhador ser valorizado.
— Acho um tema bem pesado para um momento tão feliz, prometo colocar um sorriso na cara
e esquecer o cansaço.
— Falando em cansaço, preciso esticar as pernas. Onde vamos dormir, filha?
— Meu quarto já está prontinho para vocês, pai.
— Graças a Deus. Boa noite, meus anjinhos. Durmam bem.
— Vocês também.
Meus pais aproveitaram cada segundo ao meu lado, nos divertimos como há muito tempo não
fazíamos. Minha mãe adorou os passeios e meu pai as noites de carteado com Sérgio.
A despedida foi difícil e a promessa de mais finais de semanas assim já estava combinado.
Depois de uma semana terminei o livro e o momento de entregar o manuscrito chegou.
— Tudo está certo, tenho certeza de que eles vão amar. Eu conheço o trabalho deles e sei o
que estou dizendo.
— Seu amor por mim pode estar interferindo no julgamento. – Digo de forma irônica, porém
sua resposta é bem séria.
— O meu amor por você é imenso, coisa que nunca senti por outra mulher, mas são anos de
profissão e tem que confiar em mim. – Era a primeira vez que se declarava e não sei como reagir.
— Você me ama? Sério?
— Eu pedi você em namoro, conversei com seus pais e ainda tinha dúvida disso.
— Mas você nunca disse.
— Prefiro demonstrar, senhorita Sabrina. – Diz apertando minha bunda, adoro quando ele faz
isso.
— Pena que agora não podemos.
— Quem disse que não? – Estamos no elevador do prédio onde fica o grupo editorial.
— Não sei se tem conhecimento disso, mas elevadores tem câmeras.
— Para facilitar minha vida você está de vestido, o andar é o 58º e se ficar quietinha posso te
dar um belo de um orgasmo.
— Eu duvido que realize esse feito. – A provocação o atiça mais ainda. Nem ao menos tenho
tempo de pensar quando já sinto sua mão dentro de minha calcinha.
— Você adora o perigo, já está toda molhada. – Tento ao máximo não mexer, mas seus dedos
dentro de mim me enlouquecem. – Aconselho que não rebole tanto se não quer deixar os vigilantes
atentos a cena. – Sei que pode parecer loucura ou exagero, mas meu orgasmo estava muito próximo.
— Eu vou gozar. – O sorriso em seus lábios é de satisfação.
— Isso, goza pra mim. Quero sentir seu gosto nos meus dedos. – E assim eu me entrego ao
homem que amo.
— Você me paga por isso. Como vou nesse estado... – Não consigo continuar quando vejo ele
se deliciar com meu gozo.
— Chegamos, amor. Se eu fosse você iria até o banheiro retocar a maquiagem.
— Droga! – Sigo até o banheiro e ainda consigo ouvir sua risada gostosa.
Depois de alguns minutos e recomposta vamos até o escritório do editor chefe.
— Finalmente nossa estrela chegou! – Nunca me senti tão acolhida como por esse grupo.
Cumprimento a todos que estão presentes e entrego o manuscrito. – Tenho certeza de que essa história
vai abalar as estruturas do meio literário nacional.
— Posso garantir que dei tudo de mim nesse projeto e espero que esse casal decole. – Tento
ser confiante, estou ali vendendo meu peixe.
— Reitero as palavras de Sabrina. Conhecem o meu trabalho e posso garantir que esse livro
é uma mina de ouro.
— Confiamos em vocês, tanto que o manuscrito vai direto para a revisão. – Ele chama sua
secretária e o livro já é encaminhado. – Para comemorar vamos brindar ao sucesso!
Um deles estoura uma garrafa de champagne e todos comemoramos.
Eu finalmente consegui uma vitória. Sei que vem muita coisa pela frente, mas sinto que estou
no caminho certo.
Vejo todos vocês nas livrarias...
Noite de Autógrafos
Aqui estou na minha livraria preferida, sentada em uma cadeira em minha noite de autógrafos
rodeada de quem eu mais amo e dezenas de leitores me esperando.
“Meu herói” está na lista dos mais vendidos no Brasil e ainda não acredito que consegui, mas
não sozinha. Sérgio e o grupo editorial foram essenciais para que isso acontecesse.
Minhas redes sociais estavam bombando, aprendi a usar elas ao meu favor e o resultado
estava aí.
Meus pais e Júlia estavam lindos. Minha amiga ainda andava diferente, mas aos poucos
estava se abrindo comigo, espero que consiga um dia convencê-la a denunciar aquele monstro.
Sérgio parecia um deus naquele terno sob medida todo cinza chumbo. Esse meu namorado é
um lorde.
Antes dos autógrafos seria feita uma entrevista comigo para que os leitores conhecessem um
pouco mais sobre mim. A exposição ainda me deixa um pouco desconfortável, mas era o mínimo que
eu poderia fazer por aquelas pessoas.
— Boa noite a todas! Hoje como há muito tempo esperamos, Sabrina está conosco. – E todos
batem palmas. – Como está se sentindo diante de todo esse carinho.
— Primeiro quero agradecer a presença de todos e dizer que estou realizando um sonho de
criança graças a todos vocês.
— Ela não é uma graça, gente? Agora conta pra gente como chegou até aqui.
— Meus pais sempre incentivaram minha paixão pelos livros. Lutaram muito para que eu
concluísse a faculdade de Letras. Tentei por várias vezes emplacar como escritora, mas estava
fazendo errado. Até o dia que conheci meu agente e ele me ensinou tudo. – Pego em sua mão e a
mulherada vai à loucura.
— Só fiz meu trabalho. Sabrina tem todo o mérito, ela é brilhante.
— Posso fazer uma pergunta mais íntima? – Apenas concordo com um aceno. – Nas redes
sociais têm saído uns boatos sobre Sérgio ser seu namorado. Isso é verdade? – Olho nos olhos do
meu amor e decido responder a verdade.
— Vocês resistiriam a um homem desses, meninas? – Todas respondem alto e bom som
“NÃO”. – Eu também não.
— Somos namorados sim, foi complicado convencê-la, mas venci por insistência.
— Mentira, meninas. Fui bem fácil. – Todos riem e Sérgio me beija daquele jeito que só ele
sabe. E o povo vai à loucura novamente.
Depois de todos se acalmarem as leitoras fazem suas perguntas sobre o livro. Respondo a
todas com o maior carinho. Então chegou a hora dos autógrafos.
A cada autógrafo e foto meu coração ficava mais quente, cheio de tanto carinho de pessoas
que eu mal conheço, mas que estão levando para casa um pedacinho de mim.
Foram mais de cem livros só nessa noite, minhas mãos e pés estavam acabados, mas a
exaustão valia a pena. Desejo muitas noites assim e tenho certeza de que virão.
— Você foi perfeita, meu amor. Estou orgulhoso. – Diz me abraçando.
— Sérgio tem razão, filha. – Meus pais se juntam ao abraço e Júlia chega de fininho.
— Você é incrível, Sa. Sempre disse que conseguiria e aqui estamos, minha amiga.
— Eu te amo muito, Júlia. Não vivo sem você, lembra? – Não resistimos e todos choram de
emoção.
Esse é a vida que sempre sonhei para mim, cheia de amar e carinho. Todos merecem um
“Felizes para sempre” e aqui é só o começo disso tudo.
Depois de um ano sem escrever por causa desta pandemia escrevi essa noveleta que
conquistou meu coração e sem algumas pessoas isso não seria possível.
Agradeço as minhas amigas Luh Carvalho e Flávia Matos que me incentivam sempre a
continuar nessa jornada. Ao grupo “Hot? tô dentro” que faz um trabalho tão lindo exaltando as
autoras de hot nacional, a minha revisora Margareth que teve uma paciência incrível comigo e a Evy
Maciel que fez essa capa maravilhosa para mim.
Agradeço também a minha família que atura meus surtos todos os dias e aos meus leitores que
esperam uma eternidade por livros novos.
Josi Nascimento
[1]
Livraria famosa na cidade de São Paulo