CENTRO UNIVERSITARIO MAURÍCIO DE NASSAU – UNINASSAU
LUCINEIDE MEDEIROS DE SOUZA LOUREIRO
O PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO COM
DEFICIÊNCIA VISUAL NO ENSINO REGULAR
MACEI
Ó 2019
LUCINEIDE MEDEIROS DE SOUZA LOUREIRO
O PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO COM
DEFICIÊNCIA VISUAL NO ENSINO REGULAR
Anteprojeto de pesquisa apresentado ao Curso
de Pedagogia do Centro Universitário Maurício
de Nassau – Uninassau Maceió, como requisito
parcial para obtenção de nota na disciplina
Trabalho de Conclusão de Curso I, sob
orientação do Prof. Dr. José Allan Nogueira
Cavalcante.
MACEI
Ó 2019
INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA
Na década de 1990 deu início a trajetória da inclusão no momento
em que foram realizadas diversas convenções
internacionais em vários países e
continentes. Nessa convenção as Nações Unidas aprovaram em
assembleia importantes artigos que passaram a garantir direito e
democratização do ensino para todos, independentemente das diferenças
particulares ou individuais dos estudantes.
É evidente, ainda segundo pesquisas que nossos educadores ainda
não estão incluídos, ou seja, a inclusão escolar não é uma garantia para
todos.
As escolas precisam encontrar uma maneira de educar com sucesso
essas crianças com deficiências. No Brasil é difícil vermos grandes
investimentos no que se refere à formação e qualificação dos docentes
para trabalharem nas escolas que possuem estudantes com alguma
deficiência.
Além disso, trabalhar conceitos matemáticos não é uma tarefa fácil,
principalmente quando a formação deve partir de alunos com deficiência
visual que se quer são incluídos nas aulas de matemática.
Entretanto, ao pensarmos neste contexto, nós vem à pergunta: Quais
os desafios enfrentados pelos professores, diante da inclusão das pessoas
com deficiência visual? Além disso, priorizamos a questão de saber quais
as dificuldades esses aluno vem passando, e em quais atitudes os
educadores devem tomar quando se deparam com o aluno deficiente
visual em sala de aula. Em diversos momentos ouvimos e lemos relatos de
professores que declaram não ter formação para lidar com alunos cegos,
ou reclamam da falta de recursos didáticos para ensiná-los. Além disso, as
aulas de matemática costumam ser expositivas, criando a concepção de
uma aprendizagem construída apenas com a visão, justamente o sentido
que falta nesses alunos.
Enfim é aprovada a LBI - Lei Brasileira de Inclusão (ou Estatuto da
Pessoa com Deficiência), que entrou em vigor em 2016. Foi criada a
partir da adaptação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com
Deficiência da ONU.
Segundo Lima (2006) “incluir exige que a sociedade se transforme
para respeitar, acolher e atender às necessidades de todos os seus
membros”. O processo de inclusão é a transformação consciente que deve
começar por nós, modificando nossas atitudes.
A LBI representa uma vitória para nossa legislação, pois garante aos
deficientes um grande avanço em relação aos seus direitos que devem ser
respeitados. A lei é dividida em três grandes partes:
1. Direitos fundamentais das pessoas com deficiência, como
educação, transporte e saúde.
[Link] que as pessoas com deficiência tenham acesso à
informação e à comunicação
3. O acesso à Justiça e o que acontece com quem infringe as
demais exigências. Brasil,2015
Sendo assim, os professores precisam está preparados para receber
estes alunos, com o objetivo de procurar estratégias para facilitar a
formação de conceitos matemáticos em deficientes visuais, contribuindo
para uma efetiva inclusão escolar, entendo que será a partir de uma
educação inclusiva responsável, que acontecerão transformações sociais
importantes, pois o processo educativo acontece não somente na escola,
mas nas experiências de aprendizagem cotidianas, estabelecendo vínculos
entre os conteúdos escolares e o desenvolvimento social das pessoas.
Neste processo de inclusão escolar locados em diferentes contextos
de aprendizagem, se deve constituir a nós educadores verdadeiramente
engajados no processo de inclusão, sendo assim, temos o dever de
sermos os criadores e defensores de novos valores, e que para isso
necessitamos sermos criativos e éticos.
Numa escola inclusiva não se permite atitudes preconceituosas,
formas de discriminações estereótipos. O processo de inclusão tem como
foco, rejeitar a exclusão, ela deve permitir que todos possam contribuir
para a formação de um conhecimento compartilhado, sem preconceito
entre os diversos seguimentos da escola.
É papel do docente numa sala de aula inclusiva não ter receio,
insegurança e preconceito para com as pessoas deficientes. Lembrando
que não é função do docente assumir o papel de terapeuta, isso estaria
muito além dos seus limites.
Ainda numa escola inclusiva, o papel primordial do docente é
contribuir para que os estudantes, na perspectiva da inclusão mesmo
sendo diferentes, não sejam vistos como o problemático ou o obstáculo no
âmbito escolar, proporcionando e promovendo o acesso ao processo de
ensino e de aprendizagem.
Segundo Mantoan (2003):
A escola, para muitos alunos é o único espaço de acesso aos
conhecimentos. É o lugar que proporciona condições de se
desenvolverem e se tornarem cidadãos, alguém com uma
identidade sócia cultural que lhes conferirá oportunidades
de ser e de viver dignamente.
Devemos ressaltar que as crianças cegas são como quaisquer outras.
Este é o objetivo principal a ser compreendido por todos os educadores,
que trabalhem com deficientes visuais, pois essas pessoas possuem
basicamente as mesmas necessidades emocionais, intelectuais e físicas
relativas a todo ser humano. Portanto cabe ao professor, perceber essa
similitude sem esquecer-se da individualidade de cada um.
Mais que isso, vemos que o conceito de Educação Especial proposto
pela LDB 9394/96 trata de uma modalidade de educação escolar, que
reafirma a escola como local privilegiado de aprender. Assim, um dos
grandes méritos que a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional traz nesse aspecto é a evidência da fragilidade da formação de
professores para assumirem tal tarefa.
Em nosso caso especificamente, existem ainda muitas controvérsias
quanto à implantação da Educação Inclusiva nas escolas, tem-se
evidenciado desinformação, preconceitos e a produção de novos tipos de
exclusão. Porém, já existem escolas que incluem esse aluno com
deficiência visual, como a Escola Municipal Maria do Carmo em Messias -
AL.
A inclusão dos alunos com Deficiência Visual nas escolas de Maceió
não acontece como prevê a LDB Lei 9394/96 que diz que “Toda criança
tem direito a Educação” e as crianças com necessidades especiais que são
amparadas pela mesma Lei têm direito a frequentar a escola regular,
porém são poucas as que têm um aluno com deficiência visual.
Portanto cabe ao professor, perceber essa similitude, sem esquecer-
se da individualidade de cada um. Sendo assim, o Professor precisa
entende e aprender como uso do Sistema Braille e primordial pois permite
ao aluno ler e escrever de forma independente, assim facilitando a
comunicação e o acesso a informações. A inclusão da criança cega na
escola beneficiará a mesma em vários aspectos. Sendo assim, exclusa da
sociedade, por esses motivos, é de grande importância a capacitação dos
profissionais nas redes de ensino tanto públicas, como privadas e a
conscientização da sociedade em que a pessoa cega é vista como um ser
humano com limitações que pode e deve conviver na sociedade.
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Analisar a inclusão escolar de estudantes com deficiência visual por
meio do ponto de vista de seus professores.
Objetivos Específicos:
Identificar meios de ensinar a matemática ao Deficiente Visual
listando recursos que poderão ser usados com toda a turma da Educação
Básica.
Evidenciar as fragilidades da formação de professores e suas
repercussões na facilitação do ensino da matemática ao deficiente visual.
Demonstrar como se dá a inclusão do deficiente visual na Escola
Municipal Maria do Carmo - Messias – AL.
BASE TEÓRICA
Todas as crianças têm direito à educação pela atual LDB - 9394/96
(Lei de Diretrizes e Bases da Educação) e às que possuem necessidades
especiais, amparadas pela mesma lei têm direito a frequentar a escola
regular. Ou seja, para que este aluno seja incluso verdadeiramente em
sala de aula é preciso que todos os membros da escola estejam unidos
para a realização de tal missão.
Quando se trata de um aluno deficiente visual, vários cuidados
precisam ser tomados, sendo um deles o espaço físico da escola, que
precisa ser adequado e quando houver mudança, comunicado aos alunos.
Isto porque as crianças com necessidades especiais têm os mesmos
direitos que aquelas que não as possuem.
Segundo Baumel e Castro (2003, p. 97):
A deficiência visual é explicada em duas categorias a serem
consideradas no processo educativo: cegueira e baixa visão.
A cegueira é uma “alteração grave ou total de uma ou mais
das funções elementares da visão que afeta de modo
irremediável a capacidade de perceber cor, tamanho,
distância, forma, posição”.
A deficiência visual , assim como as outras assume na sociedade uma
classe em desvantagem , pois a pessoa cega fica tão restrita à limitação
visual, que deixa de ser vista como um ser humano integral e passa ser
visto como um ser imperfeito. Todavia, a pessoa cega mesmo com o
sentido prejudicado, tem capacidades de desenvolvimento como qualquer
pessoa, desde que sejam dadas as devidas condições.
No reino animal, a criatura cega é mais indefesa que a surda, pois as
informações da natureza são mais visuais que auditivas. No entanto, se no
aspecto biológico o cego perdeu mais que o surdo, no homem, no qual se
apresentam em primeiro grau as funções sociais e técnicas, o cego, como
personalidade, como unidade social, tem a linguagem e junto com ela a
possibilidade da validez social: “a palavra vence a cegueira” (Vygotsky,
1997, p. 108, apud Lira; Schlindwein, p.178,2008). Para Vygotsky (1997, p.
112. apud Lira; Schlindwein, p.178,2008), “(...) a educação da criança
cega deve ser organizada como a educação da criança capaz de um
desenvolvimento normal (...)”.
O princípio fundamental do Marco de Ação da Conferência Mundial
sobre Necessidades Especiais (Salamanca, 1994 p.08 ) é que:
(...) todas as escolas devem acolher a todas as crianças,
independentemente de suas condições pessoais, culturais ou
sociais; crianças deficientes e superdotados/altas
habilidades, crianças de rua, minorias étnicas, linguísticas ou
culturais, de zonas desfavorecidas ou marginalizadas, o qual
traça um desafio importante para os sistemas escolares. As
escolas inclusivas representam um marco favorável para
garantir a igualdade de oportunidades e a completa
participação, contribuem para uma educação mais
personalizada, fomentam a solidariedade entre todos os
alunos e melhoram a relação custo-benefício de todo o
sistema educacional. (BRASIL, 1994)
No entanto, deve-se levar em consideração que estas crianças
precisam de cuidados especiais. Em relação ao ensino, o professor deve
propor atividades onde todos os alunos trabalhem juntos. E para que a
aprendizagem ocorra de maneira significativa é necessário que se usem
os recursos didáticos e o professor os adaptem para a situação em que se
encontra o aluno com limitação visual.
A lei 7.853 de 24 de outubro de 1989 ampara a acessibilidade das
pessoas com deficiência visual, integração ao mercado de trabalho e
educação adequada e adaptada. (Brasil, 1989).
A lei nº 7853/89 trata dos direitos e deveres das pessoas com
deficiências, garantindo que em todo o território brasileiro ações sejam
desenvolvidas para melhorias em sua vida, saúde, educação, trabalho e
lazer. Em seu artigo 1º estabelece: “Ficam estabelecidas normas gerais
que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das
pessoas portadoras de deficiências, e sua efetiva integração social nos
termos dessa lei” (Brasil, 1989)
E assim como nas outras disciplinas, a Matemática também precisa
ser adaptada para os alunos com deficiência visual, tendo várias
alternativas, recursos e maneiras de torná-la interessante ao aluno. Jogos,
brinquedos e materiais adaptados ajudam para que os conteúdos
matemáticos tornem-se mais divertidos, fazendo com que estes alunos
aprendam esta disciplina.
MATERIAIS E MÉTODOS
Pelo fato de desenvolver uma pesquisa que trata da relação entre
professores, alunos e práticas de ensino voltadas à matemática,
considera-se uma abordagem de pesquisa qualitativa, que tem como
objetivo descrever e interpretar as práticas de ensino para professores de
Matemática do Ensino Fundamental da escola regular, assim como as
concepções que alunos e professores têm dessas práticas e suas
implicações no processo ensino-aprendizagem.
Partindo dos objetivos a atingir, verificamos que a metodologia
qualitativa é que melhor se adapta a realização este projeto, é, além
disso, é participativa, com o auxílio de entrevistas e observação, como
métodos e técnicas utilizadas na recolha dos dados e das informações.
Para Minayo (2001, p. 22,),
A pesquisa qualitativa trabalha com o universo de
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes,
o que corresponde a um espaço mais profundo das relações,
dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos
à operacionalização de variáveis.
A pesquisa de campo será realizada na Escola Municipal Maria do
Carmo em Murici – AL, que oferece Educação Infantil e Ensino
Fundamental 1º ciclo. Faremos uso de fontes primárias como professores,
alunos, pais e gestores, pois esses são os principais atores nessa
pesquisa. Além disso, faremos uso de instrumentos para coletar os dados,
fazendo uso de entrevista, observação dos procedimentos, didática
ofertada ao aluno e análise documental isso será realizado durante o
período da observação em sala de aula com o aluno deficiente visual.
Todos os processos utilizados serão realizados assim: entrevistas
com os professores, alunos e gestores, essas serão gravadas e feitas
durante o recreio em duração de no máximo 20 minutos. A entrevista com
os pais dependerá da disponibilidade do horário deles, para fazê-la e terá
duração no máximo de 20 minutos. Ressalta-se que a efetivação se
possível, será feita as entrevistas na residência dos mesmos.
Observações: Serão realizadas 10 observações diretas, haverá um
planejamento para a realização de algumas interversões com o aluno,
registraremos o que acontece durante as aulas, se a inclusão de fato
existe e ainda iremos observar e fazer análise da relação entre professor e
aluno.
Ao fim do processo pretendemos afirmar ou não, a inclusão das
pessoas com deficiência visual nas escolas de Alagoas.
CRONOGRAMA
ANO 2019/2020
ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Pesquisa X x x
Bibliográfica
Elaboração do x
Projeto de Pesquisa.
Leitura, pesquisa x x
e redação
do Artigo.
Levantamento x
e realização das
leituras necessária.
x
Pesquisa de Campo
na Escola Municipal
Maria do Carmo em
Messias – AL.
Desenvolvimento x x
do texto final do
artigo.
Entrega do Artigo. x
Apresentação x
do Artigo.
REFERÊNCIAS
BAUMEL, R. C. R. C; CASTRO, A. M de. Materiais e Recursos de Ensino para
Deficientes Visuais. In: RIBEIRO, M. L; BAUMEL, R. C. Educação Especial: Do
querer ao Fazer. São Paulo: Avercamp, 2003, p. 95 – 107.
BRASIL. Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989. Dispõe sobre o apoio às
pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a
Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de
Deficiência – Corde institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou
difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define
crimes e dá outras providências. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 08 de
Jun. 2019.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei n.º 9394/96.
Brasília, 1996.
BRASIL. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da
Pessoa com Deficiência) – Lei nº 13.146/15. Brasília, 2015.
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Princípios, Políticas e Práticas na Área das
Necessidades Educativas Especiais. Espanha, 1994.
Disponível em:
<[Link] Acesso em:
08 jun. 2019.
LIMA, P. A. Educação Inclusiva e Igualdade Social. São Paulo: Avercamp,
2006.
LIRA, Miriam Cristina Frey de, SCHLINDWEIN, Luciane Maria. A pessoa cega
e a inclusão: um olhar a partir da psicologia histórico-cultural, Cad.
Cedes Campinas, vol.28, n.75 ,p.178, maio/ago.2008. Disponível em:
<[Link] >.Acesso em 08 jun. 2019 .
MANTOAN, M.T.E. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São
Paulo: Ed. Moderna, 2003.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e
criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.