Educação Inclusiva – Um Olhar Sobre a inclusão nas Escolas Públicas
Autor: Poliene Cilene da Silva Nascimento1
Tutor externo: Marcele Silva Cruz2
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Estágio Curricular Obrigatório II
Turma: FLC9149LPS
06/12/2023
RESUMO
Ao adentrar a Escola Municipal Alberto Luiz Russo, situada no Bairro de Jardim
Muribeca, Município de Jaboatão dos Guararapes, deparei-me com um cenário
dinâmico e repleto de desafios e oportunidades no que diz respeito à implementação
efetiva da Educação Inclusiva. Este ambiente tornou-se o palco central para a coleta de
dados, entrevistas, registros visuais e depoimentos que compõem a base deste estudo.
Partindo do Programa de extensão "O Acesso à Educação Inclusiva" e do Projeto de
extensão "Conscientização à Necessidade da Prática da Inclusão", minha pesquisa
centrou-se em compreender os mecanismos e práticas que promovem a inclusão efetiva
dos estudantes com necessidades especiais. Busquei lançar luz sobre os desafios
enfrentados tanto pelos alunos quanto pelo corpo docente, destacando os aspectos que
muitas vezes escapam aos olhares superficiais.
Palavras-chave: Educação. Acesso. Inclusiva.
1 INTRODUÇÃO
Embora a inclusão tenha se tornado um tópico recorrente nas discussões
educacionais, a distância entre o discurso e a prática é notável, especialmente em
instituições educativas, com destaque para o cenário das escolas públicas. Leonardo
(2007) “ Pode-se afirmar que, mesmo depois de muitas discussões em torno da inclusão
social, continua o deficiente sofrendo estigma e preconceito por sua diferença.”.
(Leonardo, 2007).
Esta linha entre a pauta da inclusão e a realidade enfrentada pelas pessoas com
deficiência destaca desafios persistentes que permeiam o sistema educacional e a
sociedade em geral. A falta de efetivação da inclusão pode ser atribuída a uma série de
1
Acadêmico do Curso de Licenciatura em Psicopedagogia ; E-mail: E-mail:
3205716@uniasselvi.com.br
2
Tutor Externo do Curso de Licenciatura em Psicopedagogia – Polo Jaboatão dos Guararapes;
E-mail: 100106487@tutor.uniasselvi.com.br
fatores complexos, que vão desde a ausência de recursos adequados até atitudes
arraigadas de discriminação.
Apesar de estarmos no século XXI, lamentavelmente, indivíduos com diferenças
ou limitações físicas e intelectuais ainda são frequentemente encarados como um
problema e, injustamente, desvalorizados pela sociedade. O ambiente escolar, sendo
uma influência fundamental na formação dos cidadãos, deveria estar devidamente
preparado para acolher esse público específico, desenvolvendo estratégias que
promovam a conscientização sobre o tema. A transição da exclusão escolar para a
inclusão é um desafio que requer o envolvimento de todos os atores, desde a
comunidade escolar até a sociedade em geral, para efetivar ações que transformem essa
visão em realidade.
O tema "Um Olhar Sobre a Inclusão nas Escolas Públicas" proporciona uma
oportunidade única para compreendermos a realidade daqueles que desempenham um
papel crucial na promoção da inclusão, bem como das pessoas que são diretamente
beneficiadas por essa prática. Este estudo visa explorar a dinâmica existente nesse
contexto, identificando não apenas os desafios enfrentados, mas também as práticas
bem-sucedidas que podem servir de modelo para iniciativas futuras.
Ao abordar essa temática, pretendemos não apenas documentar a situação atual,
mas também inspirar ações positivas. A inclusão não é apenas uma meta a ser
alcançada, mas um compromisso coletivo que requer esforços persistentes e uma
mudança de mentalidade em toda a sociedade. A partir desse olhar atento sobre a
inclusão nas escolas públicas, almejamos contribuir para uma transformação progressiva
e concreta em direção a uma sociedade mais inclusiva e justa.
2 Educação Inclusiva na Legislação Brasileira
Podemos consultar, na Constituição Federal de 1988 os artigos 205 e 206
determina que:
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: [...]
III- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.
[BRASIL, 1988, Art. 205, Art. 206)
A emergência do movimento social pela inclusão reflete a crescente
conscientização sobre a importância da educação inclusiva como um pilar fundamental
para a garantia dos direitos humanos. O reconhecimento de que todos os indivíduos,
independentemente de suas diferenças, têm direito a uma educação de qualidade
impulsiona esse movimento, visando criar ambientes educacionais mais equitativos e
acessíveis.
Apesar das discussões em diversos órgãos educacionais, a efetiva igualdade de
direitos de aprendizado tem se revelado desafiadora. Argumentos a favor de uma
educação especializada para pessoas com disfunções intelectuais ou físicas persistem,
contrastando com a visão da inclusão que advoga pela coexistência de todos os alunos
na mesma sala de aula, compartilhando experiências educacionais.
O decreto 10.502, de 30 de setembro de 2020, parágrafo 2º item VII, exemplifica
a complexidade desse debate. Ao incentivar a criação de escolas bilíngues para surdos,
com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e o português como
segunda língua escrita, o decreto introduz uma abordagem que, para alguns, pode ser
interpretada como uma forma de educação mais especializada. Isso evidencia um
possível descompasso com a perspectiva da inclusão, que preconiza a participação de
todos os alunos em ambientes comuns, aprendendo conteúdos e compartilhando
vivências de maneira integrada.
Segundo Mittler (2003, p. 159):
Quanto á formação de professores para inclusão escolar entendemos que
inicialmente se faz necessário desconstruir algumas concepções tais como a
ideia de que a escola inclusiva requer muito treinamento e só é possível
concretizá-la com especialistas em educação especial; a ideia de que somente
turmas homogêneas de alunos garantem o desenvolvimento de um bom
trabalho, como se todos os alunos assimilassem da mesma forma e numa
proporção o que lhes foi repassado, e finalmente, a ideia de que o domínio da
teoria precede a prática como se formação a prior, sem conhecer o aluno
concreto e real, assegurasse ao professor facilidades para o trabalho.
Para viabilizar a implementação bem-sucedida de um modelo de ensino
inclusivo em um país, é essencial um investimento robusto. As leis e políticas
educacionais devem alocar uma parcela significativa do orçamento destinado à
educação, especificamente direcionada para esse propósito. Esse comprometimento
financeiro é fundamental para criar infraestrutura adequada, capacitar professores,
desenvolver materiais adaptativos e promover a acessibilidade, garantindo que todos os
alunos, independentemente de suas necessidades, tenham uma educação de qualidade e
igualitária.
A efetiva promoção da inclusão requer um planejamento estratégico que
integre setores, como saúde, educação, mobilidade e segurança. Esses elementos devem
ser construídos de maneira interligada, possibilitando uma melhor abordagem para
garantir uma inclusão mais abrangente. Um exemplo concreto dessa abordagem é a
criação de núcleos de apoio às pessoas com deficiência, onde profissionais
especializados, incluindo médicos, colaboram para assegurar a emissão de laudos
precisos e oferecer tratamentos adequados. Essa interligação de esforços entre diferentes
setores fortalece a base para uma sociedade verdadeiramente inclusiva, abordando as
necessidades diversas de maneira coordenada e eficaz.
Barjas Negri apresentando sua pauta a respeito do assunto, enfatiza o seguinte:
Queremos argumentar que o nosso problema não é que se gaste pouco
com educação, principalmente a pública, mas que se aplicam mal seus
recursos. Ao lado dos baixos salários, das péssimas condições de muitas
escolas públicas, principalmente de 1º e 2º graus, e da carência de bons
laboratórios e bibliotecas, convive excessivo gasto com inativos e com
atividades-meio, como compras, controle, supervisão, gestão administrativa
e financeira, distribuição e armazenagem de material (...) caso fossem
aplicados efetivamente em educação, contribuiriam de forma
significativa para reduzir os seus indicadores negativos. (NEGRI, 1997,
p.11).
A Educação Especial no Brasil é regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional nº 9.394/1996. Em um de seus artigos, a lei define a Educação
Especial da seguinte forma: 'Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei,
a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de
ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades ou superdotação' (Art. 58, Brasil, 1996). Essa definição reforça o
compromisso de proporcionar uma educação inclusiva, preferencialmente dentro do
sistema regular de ensino, atendendo às necessidades de estudantes com diferentes
condições e habilidades.
Apesar das inúmeras iniciativas relacionadas ao tema, a plena realização da
inclusão nas escolas públicas ainda parece distante. Mesmo com os esforços de alguns,
é crucial o engajamento de todos, não apenas na teoria para atingir metas estatísticas,
mas com o objetivo de incorporar no corpo docente e em toda a comunidade escolar um
senso genuíno de acolhimento e inclusão. É necessário transcender o discurso e cultivar
uma cultura inclusiva que permeie todas as camadas da educação, proporcionando um
ambiente verdadeiramente acolhedor para todos os estudantes, independentemente de
suas diferenças.
...a criação de uma cultura inclusiva não depende estritamente da criação de
leis específicas, mas exige um tipo de engajamento de todos e da dialetização
dos impasses e conflitos advindos desse engajamento na direção da
construção de um novo tipo de laço social. Esse engajamento não pode ser
apenas moral, ou seja, suportado em uma declaração de apoio à causa, mas
ético, quer dizer, baseado em um exame de nossas próprias implicações no
processo segregativo (VOLTOLINI, 2019, p.02)
Na realidade das escolas públicas, a escassez de recursos para adaptar o
ambiente escolar e criar materiais que apoiem o aprendizado tem provocado atrasos
consideráveis na efetivação da prática inclusiva. Professores e psicopedagogos
frequentemente se veem na necessidade de investir recursos financeiros próprios para
colocar em prática projetos e atividades inclusivas.
Além disso, a falta de preparo do corpo docente é uma questão relevante, pois
esses profissionais carregam a responsabilidade de identificar as necessidades dos
alunos e tornar o processo de aprendizado mais eficaz e menos estressante. A ausência
de preparo pode impactar negativamente na qualidade da educação oferecida.
As gestões municipais, por vezes, demonstram mais preocupação com as
estatísticas do que com a fiscalização, orientação e alocação adequada de verbas. É
essencial que haja um redirecionamento do foco, garantindo que as verbas necessárias
sejam direcionadas corretamente para que os estudantes com necessidades especiais
possam desfrutar plenamente de seus direitos educacionais.
3 VIVÊNCIA DO ESTÁGIO
O estágio de observação foi conduzido na Escola Municipal Alberto Luiz
Russo, situada no Bairro da Integração da Muribeca, no Município de Jaboatão dos
Guararapes. Nas horas de observação, pude realizar anotações detalhadas e ampliar meu
entendimento sobre o tema escolhido.
Durante o período de intervenção, concentrei-me no que aprendi vendo a
atuação da profissional responsável pela sala de Atendimento Educacional
Especializado – AEE, a Neuro Psicopedagoga Ademilsa, que gentilmente me concedeu
espaço e orientação integral. Coloquei em prática também, o que vivenciei nesses
longos períodos de aprendizado.
Nesse contexto, minha experiência foi singular, especialmente ao trabalhar
com uma criança autista durante o estágio. A oportunidade de realizar intervenções
utilizando o método E.O.C.A. (Estimulação, Organização e Controle do Ambiente)
revelou-se extraordinária, permitindo-me não apenas compreender como um
psicopedagogo opera, mas também vivenciar a intervenção direta com a criança,
gerando impactos notáveis em meu aprendizado e crescimento profissional.
Foi muito bom perceber um progresso positivo no criança ao longo do tempo e
ver a evolução e o desenvolvimento foi uma das partes mais gratificantes de trabalhar
com intervenções psicopedagógicas.
4 IMPRESSÕES DO ESTÁGIO (CONSIDERAÇÕES FINAIS)
As experiências durante o estágio foram incrivelmente positivas, servindo como um
estímulo adicional para continuar meus estudos e aspirar à excelência profissional. Essa
vivência reforçou minha determinação em me tornar uma profissional comprometida e
apaixonada pela área. Estou motivada a seguir adiante, aproveitando cada oportunidade
de aprendizado para contribuir de maneira significativa na minha futura carreira.
Enfrentar diversas barreiras, incluindo a dificuldade em encontrar uma
instituição acolhedora, fez parte do desafio, mas a gestão da escola superou minhas
expectativas ao me receber de braços abertos. Nos dias em que estive lá, fizeram
questão de me integrar à equipe, proporcionando uma experiência extremamente
positiva. Em um cenário onde muitas instituições relutam em receber estagiários, essa
receptividade foi um ponto positivo crucial.
Meus objetivos para esse estágio foram plenamente atingidos, especialmente ao
perceber que a inclusão é a chave para alcançar as crianças que mais necessitam de
apoio. A prática diária da inclusão não deve ser apenas uma teoria, mas sim uma meta
real para todas as instituições de ensino.
A sala do Atendimento Educacional Especializado (AEE), embora pareça
reservada para atendimentos exclusivos, desmistifica essa ideia ao capacitar os alunos a
absorverem os conteúdos da grade curricular, respeitando suas limitações. Priorizar a
autoestima dos estudantes é fundamental para que se sintam parte integrante da
comunidade escolar, e o AEE desempenha um papel fundamental nesse aspecto.
Os projetos realizados pela escola, apesar de nem todos os profissionais se
envolverem, destacaram-se pela excelência e dedicação daqueles que participaram. Ao
conversar com algumas pessoas, percebi que nem todos compartilham do mesmo
entusiasmo pelo tema da inclusão. Muitos ainda são favoráveis ao ensino exclusivo, o
que ressalta a necessidade de mudanças na visão de muitos profissionais. Em vez de
isolar, a verdadeira transformação está em incluir.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Resolução CEB. Resolução nº 2, de 7 de abril de 1998. Institui as Diretrizes
Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Brasília, DF: abril de 1998.
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/ rceb02_98.pdf>. Acesso
em: 5 jun. 2018.
MACHADO, J.; MARMITT, D. B. N. Conceitos de força: significados em manuais
didáticos. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 15, n. 2, p. 281-296,
2016.
MITTLER, Peter. Educação inclusiva: contextos sociais. São Paulo: Artmed, 2003.
NASCIMENTO, Poliene C. S. Socialização Estágio Curricular Obrigatório II –
Licenciatura em Psicopedagogia – Uniasselvi: Jaboatão dos Guararapes, 2023.
Disponível em>>> https://youtu.be/VgWI6Q9FBso?feature=shared
PINHO ALVES, J. P. Atividades experimentais: do método à prática construtivista.
Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina.
Florianópolis, 2000.
TAFNER, Elisabeth Penzlien; SILVA, Everaldo. Metodologia do trabalho
acadêmico. Indaial: UNIASSELVI, 2011.
ANEXO I
Produto virtual - Folder
ANEXO II
Anexo II
ANEXO III
Anexo IV
Ficha de Frequência
Anexo V
Croqui
Anexo VI
Anamnese
~
Anexo VII
Diário de Campo
Curso: Licenciatura em Psicopedagogia Turma: FLC9149LPS
Disciplina: Estágio Curricular Obrigatório Psicopedagogia Semestre: 2023/2
II
Tutor Externo: Marcele Silva Cruz
Acadêmico: Poliene Cilene da Silva Nascimento
Dia 1: 14 de novembro de 2023
No primeiro dia do meu estágio de observação, ao chegar à instituição, deparei-me com algo
notável no pátio da escola: um quadro repleto de fotografias tiradas durante dias de projetos
voltados à inclusão. Essa imersão revelou uma realidade que ainda não havia encontrado em
outras escolas públicas que já conheci.
Cada foto no quadro capturava a expressão dos alunos e do corpo docente envolvido,
evidenciando o impacto positivo desse tema em todo o ambiente escolar. À medida que
caminhei pela instituição, notei que, embora possua uma estrutura simples, característica de
escolas municipais em áreas rurais, essa escola, mesmo sendo modesta, está equipada com
meios de acessibilidade, como rampas e piso tátil. O que mais me chamou a atenção foi o
comprometimento com a inclusão, visto que crianças que necessitam de cuidados especiais
contam com apoio pedagógico, ou estagiários para auxiliá-las em suas atividades diárias. Essa
abordagem demonstra não apenas um ambiente acessível, mas também um compromisso prático
com a inclusão e suporte individualizado às necessidades dos alunos.
Dia 2: 16 de novembro de 2023
Durante a observação em sala de aula, pude notar que o aluno apresenta características de
timidez e tem uma tendência a não interagir socialmente com seus colegas. Sua comunicação
verbal é bastante restrita, expressando-se com poucas palavras. Apesar desses aspectos, é
possível perceber que, embora perca o foco em algumas atividades, ele consegue acompanhar os
conteúdos apresentados.
A intervenção da professora, que atua como apoio pedagógico, é notável nesse contexto. Ela
demonstra adaptabilidade ao adaptar algumas atividades para atender às necessidades
específicas do aluno. Esse suporte personalizado contribui para a inclusão do aluno no ambiente
escolar, facilitando sua participação e compreensão dos conteúdos, mesmo diante dos desafios
de comunicação e concentração que ele enfrenta. Essa abordagem reflete um comprometimento
em promover um ambiente educacional mais inclusivo e adaptado às características individuais
de cada aluno.
Dia 3: 17 de novembro de 2023
Hoje foi a vez de observar o aluno Luiz do 6º ano. Durante a minha observação na turma do 6º
ano, conduzida pela professora Edileuza, foquei minha atenção no aluno Luiz (nome fictício),
que possui laudo de deficiência intelectual e dislexia. Luiz demonstrou habilidades destacadas
em matemática, porém enfrenta extrema dificuldade com atividades relacionadas às letras. Em
relação à interação social, embora apresente algum grau de sociabilidade, percebi que é bastante
retraído. Uma observação relevante é que os pais de Luiz demoraram a buscar ajuda para lidar
com as dificuldades enfrentadas pelo aluno. Esse aspecto ressalta a importância da
conscientização sobre as necessidades específicas de aprendizagem de cada criança e a busca
precoce por apoio e intervenção. A atenção personalizada dedicada ao desenvolvimento de
Luiz, considerando suas habilidades e desafios específicos, torna-se crucial para seu progresso
acadêmico e bem-estar emocional no ambiente escolar.
Dia 4: 21 de novembro de 2023
Durante a realização da anamnese com a mãe do Gabriel e a Neuro psicopedagoga, expliquei a
natureza do estágio supervisionado. No entanto, a mãe se mostrou resistente e não respondeu à
maior parte das perguntas apresentadas. Nesse contexto, a supervisora do estágio, Ademilsa,
desempenhou um papel fundamental, fornecendo informações cruciais contidas no Plano de
Desenvolvimento Individual (PDI) do aluno. Essa colaboração foi essencial para compreender
as necessidades e características específicas de Gabriel, permitindo uma abordagem mais
informada e adaptada durante o estágio.
Dia 5: 22 de novembro de 2023
Iniciei o projeto de estágio com uma observação detalhada dos elementos da sala, focando na
elaboração do croqui. Minha atenção foi direcionada principalmente para captar todos os
detalhes e peculiaridades do ambiente. Ao mesmo tempo, dediquei uma parte significativa do
tempo para desenvolver um roteiro meticuloso, visando descrever com clareza e excelência
minha visão em relação ao estágio. Esse cuidado na preparação do roteiro é fundamental para
assegurar uma compreensão abrangente e precisa das atividades a serem realizadas, bem como
para comunicar de maneira eficaz minha perspectiva e objetivos no contexto do estágio
supervisionado.
Dia 6: 23 de novembro de 2023
Iniciei a intervenção com o Gabriel, empregando o método EOCA. Apresentei-lhe uma caixa
simples, sem enfeites externos, contendo lápis de cor de madeira sem ponta, giz de cera,
desenhos da Patrulha Canina, lapiseira, cola e tesoura. Acrescentei algumas figuras de animais,
mas inicialmente, ele demonstrou maior interesse pelo desenho que, segundo a mãe, é o seu
favorito.
Gabriel prontamente escolheu o desenho de seu personagem preferido e apontou para a lapiseira
e para o lápis azul, que era a cor correspondente. Eu pedi para que ele verbalizasse o que queria
e ele bem baixinho me falou. Esse detalhe indicou sua atenção ao aspecto específico da cor do
lápis em relação ao desenho selecionado. Notavelmente, ele optou por não utilizar o giz de cera
ou outros lápis de madeira com cores diferentes, os quais deixei apontados para observar se ele
consideraria a substituição. Essa interação inicial proporcionou insights valiosos sobre as
preferências e concentração do Gabriel durante a atividade.
Dia 7 : 24 de novembro de 2023
A continuidade da intervenção com o Gabriel incluiu o uso de bolinhas coloridas. Espalhei as
bolinhas, disponibilizei pratinhos e entreguei-lhe uma pinça. Propus que verbalizasse as cores,
visando promover a comunicação, e, de forma positiva, ele atendeu à solicitação, separando as
bolinhas corretamente. Durante a atividade, observei que, embora houvesse momentos em que
ele perdia o foco, conseguia retomar imediatamente. Optei por realizar a observação de maneira
silenciosa e discreta,
registrando cuidadosamente minhas observações sobre seu comportamento e participação na
atividade. Essa abordagem permitiu uma compreensão mais abrangente de seus padrões de
atenção e engajamento
Dia 8 : 27 de novembro de 2023
Na intervenção de hoje, estabeleci uma conversa com o Gabriel, fazendo algumas perguntas
sobre sua família e a escola. Propus uma atividade na qual ele deveria desenhar esses dois
cenários. Além disso, explorei a criatividade ao utilizar massinha de modelar, empregando as
letras de seu nome como molde. Inicialmente, ele expressou um certo desconforto com a textura
da massinha, mas, à medida que a atividade progredia, ele começou a se envolver e acompanhar
ativamente. Essa abordagem diversificada permitiu explorar diferentes habilidades,
proporcionando uma oportunidade única de expressão e participação para o Gabriel.
Dia 9 : 28 de novembro de 2023
No último dia de intervenção, que já havia se tornado parte da rotina do Gabriel, optei por
realizar brincadeiras de imitação de sons de animais, apresentando-lhe figuras correspondentes.
No entanto, ele estava um pouco mais reservado devido a uma noite de sono menos favorável.
Observando que ele estava desregulado naquele dia, ajustei a abordagem para respeitar seu
estado e permitir que a atividade fosse mais leve e adaptada às suas necessidades momentâneas.
Dia 10 : 29 de novembro de 2023
Hoje, ansiosa e repleta de expectativas, dei início à construção do meu paper. Comecei minha
jornada revisando e buscando por autores e artigos que fundamentarão meu trabalho. É
fascinante ler diversas perspectivas e teorias relacionadas à educação inclusiva. Ao buscar essas
fontes, pude aprofundar meu entendimento sobre as práticas
inclusivas na educação infantil e enriqueceram minha visão, proporcionando uma base sólida
para a construção do meu trabalho.
Dia 11 : 30 de novembro de 2023
Hoje, mergulhei ainda mais na construção do meu paper, dando continuidade ao registro das
minhas experiências e reflexões durante o estágio. O processo de escrita se revelou desafiador,
mas cada ajuste, cada palavra adicionada, aproximou-me mais da concretização deste projeto
significativo.
Ao refletir sobre minhas intervenções com o Gabriel, percebo como esses momentos singulares
enriquecem a narrativa. As brincadeiras, as atividades adaptadas e as observações discretas
ganham vida nas páginas do meu relato, evidenciando a aplicação prática dos conceitos teóricos.
Dia 12 : 01 de dezembro de 2023
Hoje, foquei na transição do meu diário de campo, transformando rascunhos manuscritos em
uma versão digital. Cada palavra digitada representa não apenas um registro, mas um passo em
direção à construção do roteiro que guiará meu trabalho.
Dia 13 : 04 de dezembro de 2023
Hoje, com um misto de satisfação e alívio, finalizei o relatório parcial do meu estágio. Cada
palavra, cada reflexão e cada detalhe compartilhado visa proporcionar uma visão clara e
significativa da minha jornada e aprendizado ao longo desse período. Espero que o relatório
transmita não apenas os eventos e atividades realizadas, mas também a complexidade das
experiências vivenciadas. Busquei deixar evidente não apenas o "o que" das minhas
intervenções e observações, mas também o "como" e, mais importante, o "porquê".
Dias 14 e 15: 05 e 06 de dezembro de 2023
Finalização do paper e recolhimento das assinaturas e avaliação do estágio. Estou muito grata
por ter tido a oportunidade de realizar este estágio que está sendo um divisor de águas na minha
formação acadêmica. Agora é só fazer os ajustes e realizar a apresentação.
Anexo VIII