Ansiedade não é tudo igual: conheça 10 subtipos que precisam de tratamento:
De forma geral, a ansiedade, considerada um fenômeno biológico, é necessária para a
sobrevivência dos seres humanos e alguns animais.
Ela nos ajuda a reagir em situações de perigo, ficar vigilante e atingir metas. Quando ficamos
com frio na barriga antes de uma apresentação no trabalho, por exemplo, e a situação é
isolada, a ansiedade é considerada normal.
Mas se o sentimento toma conta da mente de forma exagerada e começa a atrapalhar nas
atividades diárias, devemos nos preocupar. São sinais que o quadro se tornou patológico,
chamado de transtorno de ansiedade, e um aconselhamento profissional é necessário.
Mas se engana quem pensa que todos que sofrem de ansiedade têm o mesmo transtorno. De
acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito pela
Associação Americana de Psiquiatria, existem 9 subtipos da doença, cada um deles com
diferentes sintomas.
Confira abaixo:
1. Transtorno de ansiedade generalizada:
Esse é o tipo o mais comum e frequente. É caracterizado por ansiedade e preocupação
excessivas frequentes causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no
funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes por pelo menos seis meses.
Para que ocorra o diagnóstico, o quadro precisa estar associado com três ou mais dos
seguintes sintomas: inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele, cansaço,
falta de concentração, irritabilidade, tensão muscular e dificuldade para adormecer.
2. Mutismo seletivo:
Ao se encontrarem com outros indivíduos em interações sociais, as pessoas com mutismo
seletivo não iniciam a conversa ou respondem reciprocamente quando os outros falam com
elas. O quadro é mais comum em crianças, mas pode persistir na vida adulta. As situações de
relacionamento interpessoal são marcadas por forte sensação de ansiedade e os indivíduos
costumam ser prejudicados em suas relações pessoais e desempenho acadêmico ou no
trabalho. A dificuldade na fala também pode interferir na comunicação social, embora as
crianças com esse transtorno ocasionalmente usem meios não verbais, como usar as mãos
para se comunicar.
[Link] de ansiedade de separação:
Assim como o mutismo seletivo, este transtorno é mais comum em crianças, mas existem
adultos com o problema também. Ele é caracterizado pelo medo ou ansiedade excessivo em
relação à separação por apego, podendo ser com uma pessoa, animais com objetos e até
lugares, como a mudança de casa. Quando separadas das figuras importantes de apego, as
crianças diagnosticadas podem apresentar dificuldade em socializar, apatia, tristeza ou
dificuldade de concentração. Dependendo da idade, elas também podem criar medos
excessivos de animais monstros, escuro, ladrões, acidentes e outras situações que lhes dão a
percepção de perigo. Os indivíduos com o quadro limitam suas atividades independentes longe
de casa ou das figuras de apego --muitas vezes não querem realizar tarefas básicas como ir à
escola ou supermercado sozinhos.
4. Transtorno de pânico:
É caracterizado por episódios de ataques de pânico recorrentes, cuja característica principal é
um surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e
costuma durar até meia hora. Os sintomas incluem taquicardia, sudoreses, tremores, falta de
ar, sensação de asfixia, dores no peito, náusea, tontura, calafrios, parestesias (anestesia ou
sensações de formigamento), desrealização (sensações de irrealidade) Medo de perder o
controle ou "enlouquecer" e medo de morrer. Apesar de serem pontuais, os ataques podem se
repetir sem gatilhos específicos, o que costuma gerar ansiedade e preocupação para sair de
casa em pacientes que sofrem do quadro. Confira dicas para lidar com um ataque de pânico.
5. Fobias específicas:
É o medo excessivo em situações específicas, como entrar em um elevador, encontrar um
rato, estar próximo de janelas altas... A resposta de medo, ansiedade e estresse é automática
nesses casos, que se repetem toda vez que o paciente não consegue evitar a situação. Mas o
que diferencia esse quadro do medo comum é a intensidade exagerada dos sintomas. Por
exemplo, se a pessoa tem fobia de injeções, ela não conseguirá nem deixar que outra pessoa
aplique uma vacina ou medicamento nela dessa forma, e já apresentará sintomas de pânico.
Uma pessoa que tem um medo não patológico de agulhas consegue lidar com isso de forma
um pouco melhor.
6. Fobia social:
É o nome dado ao medo ou ansiedade exagerados de ser exposto a possível avaliação por
outras pessoas em situações sociais. O desconforto vai além da fala em público: pessoas com o
diagnósticos se sentem constrangidas e humilhadas simplesmente ao serem observadas em
atividades comuns, como comer, beber e escrever. O grau e o tipo de ansiedade podem variar
em diferentes ocasiões.
7. Agorafobia:
É quando o indivíduo tem medo ou ansiedade de espaços que, em geral, não consideram
seguros. Nesses casos, a insegurança é desproporcional ao perigo do que realmente pode
acontecer. Pacientes com esse quadro sentem medo de serem atacados, não conseguirem sair
do local em que estão ou não serem socorridos, e passam a evitar lugares ou pedirem
companhia.
8. Transtorno de ansiedade induzido pelo uso de substâncias:
Acontece pelo uso excessivo de substâncias como drogas (maconha, ecstasy, cocaína...),
excesso de cafeína, álcool, medicamentos como opioide e anfetamina. Os pacientes
diagnosticados com este subtipo de ansiedade têm suas atividades diárias prejudicadas por
preocupações excessivas e até ataques de pânico que acontecem junto ou separadamente do
uso das substâncias.
9. Transtorno de ansiedade devido a outra condição médica:
O transtorno é desenvolvido por causa da descoberta (comprovada clinicamente) de uma
condição de médica, incluindo diferentes doenças e alterações físicas. Os sinais podem incluir
sintomas proeminentes de ansiedade ou ataques de pânico, que compromete o
funcionamento social do indivíduo.
10. Especificado e não especificado:
Esta categoria é destinada aos casos que, apesar do sofrimento persistente e avassalador, não
entram nos critérios das especificações dos subtipos acima, ou não tem o acontecem a tempo
suficiente para que ocorra o diagnóstico.
Fontes: Higor Caldato, psiquiatra pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Luiz
Vicente Figueira de Mello, médico supervisor do Programa Ansiedade do Instituto de
Psiquiatria FMUSP e médico assistente pela Fundação Faculdade de Medicina.... - Veja mais em
[Link]
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