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Finanças Públicas e Economia para Concursos

A apostila aborda conceitos fundamentais de Finanças Públicas e Economia, incluindo tributação, tipos de impostos, e seus impactos na sociedade. Discute a importância da equidade na tributação e os princípios que devem guiar a arrecadação de tributos. Também explora a macroeconomia, incluindo modelos econômicos e suas implicações para o crescimento e a política fiscal.

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Finanças Públicas e Economia para Concursos

A apostila aborda conceitos fundamentais de Finanças Públicas e Economia, incluindo tributação, tipos de impostos, e seus impactos na sociedade. Discute a importância da equidade na tributação e os princípios que devem guiar a arrecadação de tributos. Também explora a macroeconomia, incluindo modelos econômicos e suas implicações para o crescimento e a política fiscal.

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FINANÇAS PÚBLICAS E ECONOMIA

ASSUNTO
FINANÇAS PÚBLICAS:
1- Os princípios teóricos de tributação.
2- Impostos, tarifas, contribuições fiscais e parafiscais: definições.
3- Tipos de impostos. Progressivos, Regressivos, Proporcionais. Diretos e Indiretos.
4. Impactos sobre o consumidor e a indústria de cada tipo de imposto.
5- Carga Fiscal. Progressiva. Regressiva. Neutra. Carga Fiscal Ótima.
6- Efeitos da ausência ou do excesso de cobrança de impostos. A curva reversa. O efeito de curto, médio
e longo prazos da inflação e do crescimento econômico sobre a distribuição da carga fiscal.
7- Lei de Responsabilidade Fiscal; Ajuste Fiscal; Contas Públicas – Déficit Público; Resultado nominal e
operacional; Necessidades de financiamento do setor público.
8-PROVAS DA ESAF DE FINANÇAS PÚBLICAS
ECONOMIA
1- Introdução à Macroeconomia. Conceitos Macroeconômicos Básicos. Identidades Macroeconômicas
fundamentais. Formas de mensuração do Produto e da Renda Nacional. O produto nominal x o produto
real. Números índices. O Sistema de contas nacionais. Contas nacionais no Brasil. Noções sobre o
balanço de pagamentos. As contas do sistema financeiro e o multiplicador bancário.
2- Macroeconomia keynesiana. Hipóteses básicas da macroeconomia keynesiana. As funções consumo e
poupança. Determinação da renda de equilíbrio. O multiplicador keynesiano. Os determinantes do
investimento.
3. O modelo IS-LM. O Equilíbrio no Mercado de Bens. A demanda por Moeda e o Equilíbrio no Mercado
Monetário. O equilíbrio no modelo IS/LM. Políticas econômicas no Modelo IS/LM. Expectativas no modelo IS/LM.
48
4- Modelo de oferta e demanda agregada, inflação e desemprego. A função demanda agregada. As
funções de oferta agregada de curto e longo prazo. Efeitos da política monetária e fiscal no curto e longo
prazo. Choques de oferta. Inflação e Emprego. Determinação do Nível de Preços. Introdução às Teorias
da Inflação. A curva de Phillips. A Rigidez dos reajustes de preços e salários. A Teoria da Inflação
Inercial e a análise da Experiência Brasileira Recente no combate à inflação.
5- Macroeconomia aberta. Estrutura do balanço de pagamentos. Regimes Cambiais. Crises Cambiais. O
Modelo IS/LM numa economia aberta. Política monetária e fiscal numa economia aberta. Política Cambial
no Plano Real.
6- Crescimento de longo prazo: O modelo de Solow. O papel da poupança, do crescimento populacional
e das inovações tecnológicas sobre o crescimento. "A regra de ouro".
7- A economia intertemporal. O consumo e o investimento num modelo de escolha intertemporal. A
restrição orçamentária intertemporal das famílias. A restrição orçamentária intertemporal do governo e a
equivalência ricardiana. A restrição orçamentária intertemporal de uma nação e o endividamento
externo.
8-PROVAS DA ESAF DE ECONOMIA

I
1-FINANÇAS PÚBLICAS: OS PRINCÍPIOS TEÓRICOS financiado tanto por fontes de recursos do Tesouro,
DE TRIBUTAÇÃO derivadas de impostos, taxas, etc como por fontes de
A ESAF tem repetidamente cobrado em suas provas o recursos diretamente arrecadados, originados, por
tema “Financiamento dos Gastos Públicos“ ou “Princípios exemplo, da venda de um serviço.
Teóricos da Tributação”. Posso afirmar aos candidatos que Algumas fontes de recurso são compostas por vários
a fonte principal para este assunto têm sido, há muitos tributos, como acontece com a fonte 100 – Recursos
anos, o livro de Alfredo Filellini, intitulado Economia do Ordinários, que agrega diversos impostos como o Imposto
Setor Público, da Editora Atlas, um livro fácil e simples de de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos
entender. Mas também há outro livro mais recente, de Industrializados (IPI). Outras fontes são compostas por
Fábio Giambiagi, intitulado Finanças Públicas, que tem apenas uma receita, ou mesmo, como vimos, por recursos
sido cobrado nas provas. diretamente arrecadados pelo órgão.

Os conteúdos dos livros têm sido cobrados tanto em O Manual Técnico do Orçamento (MTO-02) da Secretaria
Finanças Públicas como em outras disciplinas de de Orçamento Federal contém uma tabela, já
concursos públicos, como Administração Financeira e demonstrada, indicando as fontes de recurso que
Orçamentária - AFO ou Economia do Setor Público, nas financiam os gastos públicos (que não é necessário
provas para Analista de Finanças e Controle do Ministério decorar para a prova!!!).
da Fazenda, Gestor e Analista de Planejamento e
Orçamento do MPO. TRIBUTAÇÃO E EQÜIDADE

O que ocorre é que as três disciplinas são semelhantes em Desde a Idade Média, os reis exigiam de seus cidadãos
conteúdo e abordam basicamente os mesmos tópicos determinados valores em troca da simples proteção ou da
relacionados à teoria das finanças públicas, como os extensão de algumas prerrogativas da Corte. Daí se
tributos, a dívida pública ou o federalismo fiscal. originou o conceito do jus imperis estatal, da
compulsoriedade no pagamento de tributos, sem nada
O FINANCIAMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS efetivamente em troca, ou apenas a mera prestação de
O fluxo de arrecadação de receitas do Governo Federal algum serviço.
praticamente determina o processo de liberação dos Muito se discute na doutrina até hoje sobre quais seriam
recursos junto aos órgãos, realizado pela Secretaria do os princípios que deveriam alicerçar a tributação ou a
Tesouro Nacional (STN). Como toda empresa responsável cobrança de tributos. Discute-se, até mesmo, em dias
pela gestão de recursos, o Governo Federal também atuais, sobre quais os métodos mais eficientes ao Estado
administra e gere seus recursos, liberando verbas para que este efetivamente arrecade mais, sem sacrificar
orçamentárias mediante a arrecadação de receitas. Hoje, a população com onerosas cargas tributárias, que
o fluxo de liberação de recursos do Governo Federal é comprometam a produção ou o PIB e, consequentemente,
fixado pela STN via Decreto, no que denominamos de a própria arrecadação de tributos.
Decreto de Programação Financeira Alguns princípios são aplicáveis na cobrança de tributos.
Todo início de ano, a STN publica o decreto, impondo Outros, entretanto, carecem de uma razão mais lógica ou
tetos (limites) mensais aos órgãos, e contingenciando o coerente que permita sua aplicação efetiva. Os estudiosos
Orçamento, com base na expectativa de arrecadação. A convergem, entretanto, para um ponto em comum: a
este processo, denominamos de programação financeira eqüidade no tratamento tributário.
de desembolso. A eqüidade impõe o que poderia chamar de justeza
Para que o Governo efetivamente cumpra os programas tributária ou tributação com a máxima justiça entre os
consignados no Orçamento, é fundamental a busca por cidadãos. Neste sentido, haveria igualdade de tratamento
novas receitas e uma melhoria contínua no processo de tributário para aqueles que se encontrassem em
arrecadação. Todo o esforço de arrecadação provém de condições iguais (eqüidade horizontal) e desigualdade de
órgãos arrecadadores como a Secretaria da Receita tratamento tributário para aqueles considerados em
Federal (SRF), do Instituto Nacional de Seguridade Social situação de desigualdade (eqüidade vertical). Ou seja, aos
(INSS) e dos próprios órgãos executores (Ministérios, iguais, tratamento igual, com alíquotas ou faixas de
Secretarias, etc) mediante o recebimento de tributos e tributação iguais. Aos desiguais, tratamento desigual,
recursos próprios. com alíquotas diferenciadas, na mesma medida de suas
A Secretaria de Orçamento Federal (SOF), responsável diferenças.
pela elaboração do Orçamento Público, previamente
classifica todas as receitas públicas, em fontes de recurso. NEUTRALIDADE e EQUIDADE
As fontes de recurso são agrupamentos de determinadas Neutralidade: a implantação de tributos não deve
receitas como as derivadas de impostos, taxas, distorcer o sistema de preços relativos, pois este é o
contribuições, etc e/ou originadas por empréstimos orientador da alocação dos recursos produtivos. Contudo,
externos, tarifas, etc., que são utilizadas para financiar os um tributo poderia ser instituído para corrigir uma
gastos públicos. distorção existente, ou seja, ele seria PARCIALMENTE
Cada projeto ou atividade do Orçamento pode conter uma neutro;
fonte única ou mais de uma fonte de recurso financiando
o programa. Um programa do Orçamento pode ser Equidade: Deve haver equidade horizontal e vertical
Horizontal: quando se dá tratamento igual para iguais;
1
Vertical: quando se dá tratamento desigual para desiguais extrafiscalidade, ou seja, o objetivo não é arrecadar, mas
Os CRITÉRIOS DE OPERACIONALIZAÇÃO da Equidade sim, coibir uma atividade ou regular o próprio mercado.
são: Exemplo disto é o imposto de importação, não destinada
Critério do Benefício: em que há uma proporcionalidade propriamente à arrecadar, mas sim, coibir a entrada de
entre o tributo cobrado e o benefício ao tributado. Difícil produtos estrangeiros com preços mais baratos que os
na prática, dada a própria natureza dos bens públicos nacionais, reduzindo as chances da produção própria e
(indivisíveis), exceto para taxas e em alguns impostos consequentemente a oferta de empregos no país.
específicos (energia, transportes); Tributos com características parafiscais (atuam
Critério da Capacidade de Contribuição: a “igualdade de paralelamente aos fiscais)
sacrifício” existiria no caso da progressividade tributária, Empréstimo Compulsório – É exigido a partir de
considerando-se o fato de a Renda possuir também investimento relevante efetuado pela União (princípio da
utilidade marginal decrescente. anterioridade da lei) ou por motivo de guerra externa ou
iminência de guerra, ou, ainda, por calamidade pública.

2-IMPOSTOS, TARIFAS, CONTRIBUIÇÕES FISCAIS E No caso de guerra ou calamidade pública, o empréstimo


PARAFISCAIS: DEFINIÇÕES. compulsório não fica sujeito ao princípio da anterioridade,
ou seja, da antecedência que deve haver entre a
Tributos com características fiscais publicação da lei e a cobrança efetiva do tributo. A
Imposto – É um tributo independente de qualquer competência para a instituição do empréstimo
atividade estatal específica relativa ao contribuinte ou compulsório é exclusiva da União e é necessário Lei
independente da contraprestação de um serviço. Decorre Complementar (maioria absoluta de parlamentares) para
do jus imperis estatal, de exigir-se compulsoriamente um instituição do tributo
tributo com a finalidade de financiar os gastos do Contribuição – As contribuições previstas na Constituição
Orçamento. A competência, segundo a CF/88 é privativa Federal podem ser sociais, de interesse de categorias
da União, Estados, DF e Municípios, ou seja, cada ente profissionais ou econômicas, de intervenção no domínio
detém uma competência própria de impostos já definidos econômico ou da seguridade social, sendo que estas
e elencados na Constituição. Por exemplo, aos Estados, últimas necessitam de 90 dias de prazo entre a lei que as
compete o ICMS, à União, o IPI, aos Municípios, o ISS, instituiu e a sua efetiva cobrança. A competência para
etc. Cada ente possui um conjunto de impostos instituição de contribuições é exclusiva da União.
específicos já previamente determinados. Não pode o Aqui cabe um comentário sobre a situação jurídica das
Estado instituir ou cobrar imposto de competência da tarifas ou preços públicos. As tarifas são valores cobrados
União, ou do Município, por isso dizemos que a por um bem ou serviço prestado, mas não compulsório
competência é privativa para cada ente, ou seja, só o ente como a taxa, que é um tributo exigido do contribuinte,
determinado na CF pode cobrar o imposto que lhe é independentemente da utilização do serviço, bastando a
atribuído. potencialidade de uso para a cobrança. As tarifas são
Taxa – É um tributo cobrado tendo em vista a prestação preços públicos cobrados por algum serviço efetivamente
de serviços públicos específicos e divisíveis, efetivamente prestado ou consumido, como o que se consome em
prestados ou potencialmente colocados à disposição do energia elétrica ou no uso do sistema telefônico. As tarifas
contribuinte, ou, ainda, pelo simples exercício do poder de envolvem um contrato entre o fornecedor (concessionário
polícia. Os serviços tem que ser específicos e divisíveis, ou do serviço público) e um consumidor (usuário) do serviço.
seja, tem que estar claramente definidos na lei e poderem O usuário paga o que consome, nada além disto.
ser medidos no consumo por cada usuário efetivo ou Geralmente as tarifas de serviços vem discriminadas para
potencial. Não podem ser serviços genéricos nem nós de alguma forma, como em nossas eternas contas
indivisíveis, como a cobrança da taxa de iluminação telefônicas, que mostram os diferentes períodos de
pública, por exemplo, repetidamente argüida como consumo e o valor cobrado. As tarifas não são tributos!!!
inconstitucional pelos cidadãos, pela sua não divisibilidade Não tem caráter compulsório, nem podem ser exigidas ao
entre os contribuintes beneficiados. O poder de polícia livre arbítrio. Ou seja, paga quem quer o serviço! Cuidado
vem definido no CTN e corresponde a uma série de com esta proposição!
atividades de fiscalização, não se aplicando apenas à
polícia federal ou fardada, mas a todas as formas de Outra classificação dos tributos:
repressão de atividades nocivas ao interesse público, Tributos Diretos - aplicados ao contribuinte diretamente,
como a própria vigilância sanitária, por exemplo. A sobre a renda e a riqueza sem transferências tributárias.
competência de instituir taxas é comum da União, Ex. IPTU, IPVA, IR, IOF.
Estados, DF, Municípios, ou seja, tanto a União, como Tributos Indiretos – são aqueles cobrados sobre a
Estados, DF ou Municípios, podem instituir taxas com o produção, sobre o consumo, sobre vendas ou circulação
mesmo nome em suas esferas (nunca sobre a mesma de bens e mercadorias e repassados para o consumidor.
base de cálculo dos impostos). Quem arca é o consumidor final, não o produtor ou
Contribuição de melhoria – É um tributo cobrado somente vendedor, que repassa o imposto. Ex. IPI, ICMS, ISS.
nos acréscimos de valor de imóveis, decorrente de alguma
obra pública. A competência é comum entre a União,
Estados, DF e Municípios.

Alguns tributos apresentam característica de


2
3-TIPOS DE IMPOSTOS: PROGRESSIVOS, classes de renda mais altas da população. Sobre o
REGRESSIVOS, PROPORCIONAIS, DIRETOS E princípio da regressividade, quanto maior a renda, menor
INDIRETOS. seria o percentual da alíquota. Já o princípio da
O princípio do benefício é o princípio que teoriza que cada neutralidade ou proporcionalidade implica dizer em
contribuinte pagaria um valor correspondente ao seu tributos proporcionais aos ganhos, ou seja, alíquotas
próprio benefício pelo bem ou serviço gerado pelo Estado, iguais e únicas em qualquer faixa. resultariam em maiores
conforme a proporção que faria uso. valores arrecadados, conforme a situação individual de
Sob este princípio, os impostos seriam vistos apenas renda de cada um.
como preços pagos por serviços públicos utilizados. Se Os modernos sistemas fiscais consagram a
usasse o serviço, pagaria. Do contrário, estaria isento. progressividade na tributação. A incidência progressiva
O valor total do gasto seria financiado com recursos de leva a coletividade ao mínimo sacrifício agregado. O rico
todos os contribuintes beneficiados. Se determinado gasto deve pagar proporcionalmente mais e o pobre
não influenciasse a vida do cidadão, ele não precisaria proporcionalmente menos.
pagar. Os impostos não precisam ser equivalentes aos Este princípio também baseia-se na hipótese de que a
benefícios totais recebidos pelos cidadãos, mas renda é sujeita a lei de utilidade marginal decrescente, ou
proporcionais a estes. Ou seja, não se deve cobrar, seja, quanto maior os acréscimos de renda dados ao
segundo a ótica, o custo total de uma ponte ou obra, em consumidor, menor será a utilidade daquela renda.
valores idênticos para cada cidadão, mas na medida Exemplificando, se um consumidor ganha o suficiente
proporcional ao uso do bem por cada um deles. apenas para se manter, a utilidade que dará a sua renda
Os impostos deveriam ser distribuídos de acordo com os será maior do que aquele que ganha muito, cuja renda
benefícios marginais recebidos, ou seja, de acordo com a permite até mesmo uma aplicação financeira. Para o
potencialidade para uso do bem ou obra, neste caso. menos favorecido, a renda é essencial para a
Ainda que defensável do ponto de vista lógico, não sobrevivência e ele tentará maximizar o consumo, devido
existem meios práticos que permitam operacionalizar o a sua restrição orçamentária e ao grau de utilidade que dá a
princípio do benefício. É um princípio de difícil aplicação sua renda.
na prática, devido ao princípio da exclusão, pois há 4-IMPACTOS SOBRE O CONSUMIDOR E A
pessoas que se beneficiam do bem ou serviço, mesmo INDÚSTRIA DE CADA TIPO DE IMPOSTO
não pagando nada em tributos.
Tipos de impostos: progressivos, regressivos,
Dando um exemplo trivial, se fosse construída uma ponte, proporcionais, diretos e indiretos:
não se poderia assegurar quantos atravessariam a ponte Progressivo: carga superior para quem ganha ou detém
ou seriam beneficiados com a sua construção. Não se mais;
poderia impedir, também, que alguém que não tivesse Regressivo: o inverso (em termos percentuais do valor
contribuído, atravessasse a ponte, pois tal prática revelar- tomado como base, em ambos os casos)
se-ia inconstitucional.
Neutro (Proporcionais): carga (percentual ou alíquota)
Além do mais, o princípio, se aplicado, estaria em rota de igual para todas as faixas de renda;
colisão com outros dois princípios mais amplos aplicados Diretos: o sujeito passivo reúne em si as obrigações de
às finanças públicas, como o princípio da distribuição de direito e de fato perante o sujeito ativo;
riquezas ou da alocação de recursos, que arrazoam pelo Indiretos: o sujeito passivo de direito é um e o de fato é
privilégio na distribuição do Orçamento às pessoas com outro. O primeiro é o que carreia o numerário ao erário
piores condições de renda ou menor capacidade de público e possui as demais obrigações acessórias
pagamento. (registros contábeis).
Segundo o princípio mais comum na teoria das
finanças públicas, o princípio da capacidade econômica, as Impactos de cada tipo de tributo:
pessoas devem contribuir segundo a sua capacidade real Também chamados de INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. quanto
de pagamento, ou seja, quem recebe mais ou detém a este aspecto, devem ser distintos 3 fatores:
maior patrimônio, paga mais. Caso contrário, paga Impacto inicial: que recai sobre o responsável legal pelo
menos. recolhimento e obrigações acessórias (impacto legal);
A preferência moderna é pela aplicação do princípio da Transferência: que é o repasse do ônus via alteração de
capacidade de pagamento, pois ele representa uma maior preços. Pode ser “para a frente” (sobre o consumo) e
justiça tributária, num sentido mais aproximado de “para trás” (sobre o mercado de insumos);
eqüidade de tratamento entre iguais e desiguais. A renda Impacto Final: que é a incidência EFETIVA, que recairá
é preferencialmente o indicador da capacidade econômica, sobre os agentes econômicos que tiverem suas rendas
mas o patrimônio também pode servir para se aplicar o reduzidas em função do tributo (o que depende da
princípio. elasticidade do bem: quando maior for a elasticidade da
NEUTRALIDADE, REGRESSIVIDADE E demanda sobre a da oferta, menor será o impacto final
PROGRESSIVIDADE sobre o comprador – e vice-versa). Ressalte-se que os
Sobre o princípio da progressividade, as maiores alíquotas DIRETOS, em princípio não são objeto de transferência.
seriam aplicadas às camadas mais favorecidas ou em
CASO ESPECIAL: Indústria com custos decrescentes (Pmg
3
cresc.) = logo, o Cmg<Cme: haverá transferência do redução da taxa de impostos sobre a renda nos EUA no
imposto maior do que 100% (vide gráfico) início da década dos 80 (governo Reagan). Julgava-se,
5-CARGA FISCAL: PROGRESSIVA, REGRESSIVA, então, que o aumento da renda, resultante do maior
NEUTRA: incentivo para trabalhar, compensaria (ou mais) o valor
não arrecadado por causa da taxa menor.
Carga fiscal progressiva: Mas não foi isso o que ocorreu. A arrecadação de fato
Ocorre quando a relação Fato Gerador/Renda é crescente diminuiu e o déficit público aumentou.
perante uma alíquota constante; regressiva, quando O erro estava não na Curva de Laffer e suas premissas,
aquela relação é decrescente; neutra quando a citada mas em achar-se que a economia norte-americana estava
relação é constante. funcionando à direita da alíquota ótima antes da redução
da taxa.
Carga fiscal ótima:
Ocorre quando propicia um equilíbrio orçamentário, O EFEITO DE CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZOS DA
concomitantemente com a manutenção constante dos INFLAÇÃO E DO CRESCIMENTO ECONÔMICO SOBRE
níveis de poupança e investimento no setor privado. A DISTRIBUIÇÃO DA CARGA FISCAL;
6-EFEITOS DA AUSÊNCIA OU DO EXCESSO DE da Inflação: Leva os indivíduos a mudarem para
COBRANÇA DE IMPOSTOS. A CURVA REVERSA. O patamares superiores de carga tributária, portanto,
EFEITO DE CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZOS DA ceteris paribus, provoca REGRESSIVIDADE TRIBUTÁRIA.
INFLAÇÃO E DO CRESCIMENTO ECONÔMICO SOBRE Isso exige uma correção dos limites mínimo/máximo das
A DISTRIBUIÇÃO DA CARGA FISCAL faixas. do Crescimento: por um lado, o crescimento
EFEITOS DA AUSÊNCIA OU DO EXCESSO DE econômico leva à elevação da Receita Tributária; por
COBRANÇA; outro, se o crescimento da Renda for CONCENTRADO,
A ausência de cobrança tende a minimizar os gastos aumenta a progressividade – e vice-versa. De todo modo,
sociais, deixando a economia de mercado tratar desiguais a carga tributária real (efetiva) tende a descolar-se da
de modo igual; o excesso, contudo, produz a sonegação, carga nominal em processos de crescimento econômico.
a má alocação dos fatores produtivos e o desestímulo à
poupança, ao investimento e ao trabalho. EFEITO TANZI:
REAÇÃO DA PESSOA FÍSICA E JURÍDICA A CARGAS Quando o orçamento público é deficitário, o nível geral de
FISCAIS ELEVADAS preços sofre pressões altistas (inflação). Se existir um
Quando um Governo decide aumentar sua receita de hiato temporal entre o fato gerador do imposto e seu
tributos, as autoridades podem modificar a ALÍQUOTA efetivo recolhimento ao erário público, haverá
mas não podem controlar a RECEITA RESULTANTE. Se o naturalmente uma corrosão de seu valor real, p que
imposto distorce a opção da pessoa física entre trabalho e contribuirá para elevar ainda mais o déficit público. Isso
lazer, o nível de receita poderá até mesmo ser inferior à foi observado, por exemplo, na Bolívia, por Olivera e
que vigia antes da majoração tributária (mas não Tanzi. Para driblar esse efeito, alguns governos
necessariamente). Igualmente para as empresas, uma estabelecem os tributos em uma moeda de conta que
elevação tributária poderá causar danos às mesmas e, acompanha a inflação (exemplos: UFIR; UFM) ou então
consequentemente, reduzir a receita tributária. Tudo isso estabelecem indexadores (tipo a taxa over-selic).
sem falarmos da possibilidade sempre presente da 7. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL; AJUSTE
SONEGAÇÃO FISCAL, que costuma ocorrer quando o FISCAL; CONTAS PÚBLICAS – DÉFICIT PÚBLICO;
contribuinte julga exorbitante o tributo. RESULTADO NOMINAL E OPERACIONAL;
NECESSIDADES DE FINANCIAMENTO DO SETOR
PÚBLICO.
A CURVA REVERSA (DE LAFFER)
Arthur Laffer é o autor da Curva Reversa, que ilustra o
LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL
fenômeno acima descrito, instrumento esse bastante
popular entre uma corrente de economistas norte-
Lei Complementar – regula o art. 163 da CF.
americanos (os “reaganomics”) ou economistas adeptos
Normas de finanças públicas voltadas para a
da “supply side” (“economia do lado da oferta”). A idéia é
responsabilidade na gestão fiscal
a de que a Receita Tributária é progressiva somente até
Abrange União, Estados e Municípios, seus Poderes e suas
um dado nível de alíquota, a partir da qual, qualquer
entidades da Administração indireta, excluídas as
aumento desta produzirá sonegação e/ou redução das
empresas que não dependem do Tesouro do ente ao qual
atividades que formam a base tributária, reduzindo-se,
se vinculam.
por conseguinte, a receita pública.

VERACIDADE E FALÁCIA DA CURVA DE LAFFER:


PRINCÍPIOS / OBJETIVOS

Esse argumento foi parcialmente responsável pela grande


Ação planejada e transparente
Prevenção de riscos e correção de desvios capazes de
afetar o equilíbrio das contas públicas
4
Cumprimento de metas de resultados entre receitas e a) 2,5% para o Legislativo, incluído o TCU;
despesas b) 6% para o Judiciário;
Obediência a limites e condições (renúncia de receita, c) 40,9% para o Executivo, destacando-se 3% para as
geração de despesas com pessoal, da seguridade social e despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os
outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e o art. 31 da
crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de EC no 19, repartidos de forma proporcional à média das
garantia e inscrição em Restos a Pagar). despesas relativas a cada um destes dispositivos, em
Combater o déficit limitando as despesas de pessoal, percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três
dificultando a geração de novas despesas, impondo exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da
ajustes de compensação para a renúncia de receitas e publicação desta Lei Complementar;
exigindo mais condições para repasses entre governos e
destes para instituições privadas. d) 0,6% para o Ministério Público da União;
Reduzir o nível da dívida pública induzindo a obtenção de
superávits primários, restringindo o processo de II - na esfera estadual:
endividamento, nele incluído o dos Restos a Pagar, a) 3% para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do
requerendo limites máximos, de observância contínua, Estado;
para a dívida consolidada. b) 6% para o Judiciário;
c) 49% para o Executivo;
DESPESAS COM PESSOAL d) 2% para o Ministério Público dos Estados;
Despesa total com pessoal: somatório dos gastos do ente
da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, III - na esfera municipal:
relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou a) 6% para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do
empregos, civis, militares e de membros de Poder, com Município, quando houver;
quaisquer espécies remuneratórias, tais como b) 54% para o Executivo.
vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, Poderes Legislativo e Judiciário de cada esfera - limites
proventos da aposentadoria, reformas e pensões, repartidos de forma proporcional à média das despesas
inclusive adicionais, gratificações, horas extras e com pessoal, em percentual da receita corrente líquida,
vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como verificadas nos 3 exercícios financeiros imediatamente
encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às anteriores ao da publicação desta Lei Complementar.
entidades de previdência. É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento da
Despesa total - soma da do mês com as dos 11 meses despesa com pessoal e não atenda:
anteriores, pelo regime de competência. I - as exigências da LRF e disposto na CF;
Não pode exceder os percentuais da receita corrente II - o limite legal aplicado às despesas com pessoal
líquida: inativo.
Também é nulo de pleno direito o ato de que resulte
I - União: 50% ; aumento da despesa com pessoal expedido nos 180 dias
II - Estados: 60% ; anteriores ao final do mandato do titular do respectivo
III - Municípios: 60% Poder ou órgão.
Verificação do cumprimento - realizada ao final de cada
Despesas não computadas: quadrimestre.
Indenização por demissão de servidores ou empregados;
Incentivos à demissão voluntária; Despesa total com pessoal > 95% do limite – Vedações:
Aplicação do disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou
Constituição; adequação de remuneração a qualquer título, salvo os
derivados de sentença judicial ou de determinação legal
Decisão judicial de período anterior ao da apuração Pessoal, ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do
do DF, Amapá e Roraima, de recursos
transferidos pela União. art. 37 da Constituição;
Inativos, mesmo por intermédio de fundo específico com
recursos de contribuições dos segurados; da compensação II - criação de cargo, emprego ou função;
financeira e receitas diretamente arrecadadas por fundo III - alteração de estrutura de carreira que implique
vinculado, inclusive o produto da alienação de bens, aumento de despesa;
direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro. IV - provimento de cargo público, admissão ou
Despesas com sentenças judiciais - incluídas no limite. contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a
Contratos de terceirização (substituição de servidores e reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de
empregados públicos) - Outras Despesas de Pessoal. servidores das áreas de educação, saúde e segurança;
V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto
no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição e as
situações previstas na LDO.

Limites: Despesa total com pessoal > limite - o excedente terá de


ser eliminado nos 2 quadrimestres seguintes, sendo pelo
I - na esfera federal: menos um 1/3 no primeiro. O objetivo poderá ser
5
alcançado tanto pela extinção de cargos e funções quanto ultrapassar o respectivo limite ao final de um
pela redução dos valores a eles atribuídos. quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término
É facultada a redução temporária da jornada de trabalho dos 3 subseqüentes, reduzindo o excedente em pelo
com adequação dos vencimentos à nova carga horária. Não menos 25% no primeiro.
alcançada a redução no prazo estabelecido, e Enquanto perdurar o excesso:
enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá: I – proibição de operação de crédito interna ou externa,
I - receber transferências voluntárias; inclusive por antecipação de receita, ressalvado o
II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente; refinanciamento do principal atualizado da dívida
III - contratar operações de crédito, ressalvadas as mobiliária;
destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária e as II - obterá resultado primário necessário à recondução da
que visem à redução das despesas com pessoal. dívida ao limite, promovendo, entre outras medidas,
LIMITES DA DÍVIDA PÚBLICA E DAS OPERAÇÕES DE limitação de empenho, na forma do art. 9o.
CRÉDITO Vencido o prazo para retorno da dívida ao limite, e
Dívida pública consolidada ou fundada: montante total, enquanto perdurar o excesso, o ente ficará também
apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do impedido de receber transferências voluntárias da União
ente da Federação, assumidas em virtude de leis, ou do Estado.
contratos, convênios ou tratados e da realização de
operações de crédito, para amortização em prazo superior Operações de Crédito
a doze meses; O ente interessado formalizará seu pleito fundamentando-
Dívida pública mobiliária: dívida pública representada por o em parecer demonstrando a relação custo-benefício, o
títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central interesse econômico e social da operação e o atendimento
do Brasil, Estados e Municípios; das seguintes condições:
Operação de crédito: compromisso financeiro assumido I - existência de prévia e expressa autorização para a
em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite contratação, no texto da lei orçamentária, em créditos
de título, aquisição financiada de bens, recebimento adicionais ou lei específica;
antecipado de valores provenientes da venda a termo de II - inclusão no orçamento ou em créditos adicionais dos
bens e serviços, arrendamento mercantil e outras recursos provenientes da operação, exceto no caso de
operações assemelhadas, inclusive com o uso de operações por antecipação de receita;
derivativos financeiros; III - observância dos limites e condições fixados pelo
Concessão de garantia: compromisso de adimplência de Senado Federal;
obrigação financeira ou contratual assumida por ente da IV - autorização específica do Senado Federal, quando se
Federação ou entidade a ele vinculada; tratar de operação de crédito externo;
Refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos V - (REGRA OURO) – vedação da realização de operações
para pagamento do principal acrescido da atualização de crédito que excedam as despesas de capital, salvo as
monetária. autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais
Dívida pública consolidada da União – inclui títulos de com finalidade precisa, aprovada pelo Legislativo por
responsabilidade do Bacen. maioria absoluta;
VI - observância das demais restrições estabelecidas na
Dívida pública consolidada – inclui as operações de crédito Lei.
de prazo inferior a 12 meses cujas receitas tenham
constado do orçamento. Vedações
Refinanciamento do principal da dívida mobiliária - não Operação de crédito entre ente da Federação, diretamente
excederá, ao término do exercício, o montante do final do ou por intermédio de fundo, autarquia, fundação ou
exercício anterior, somado ao das operações de crédito empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas
autorizadas no orçamento para este efeito e efetivamente entidades da administração indireta, ainda que sob a
realizadas, acrescido de atualização monetária. forma de novação, refinanciamento ou postergação de
dívida contraída anteriormente.
LIMITES DA DÍVIDA
Fixados em percentual da receita corrente líquida para Excetuam-se da vedação a que se refere o caput as
cada esfera de governo e aplicados igualmente a todos os operações entre instituição financeira estatal e outro ente
entes da Federação que a integrem, constituindo, para da Federação, inclusive suas entidades da administração
cada um deles, limites máximos. indireta, que não se destinem a:
Apuração do montante da dívida consolidada - efetuada I - financiar, direta ou indiretamente, despesas correntes; II
ao final de cada quadrimestre. - refinanciar dívidas não contraídas junto à própria
PR - envio ao Senado Federal ou Congresso Nacional, de instituição concedente.
proposta de manutenção ou alteração dos limites e Operações de Crédito por Antecipação de Receita
condições previstos. Orçamentária
Precatórios judiciais não pagos no orçamento - integram a A operação de crédito por antecipação de receita destina-
dívida consolidada, para fins de aplicação dos limites. se a atender insuficiência de caixa durante o exercício
Se a dívida consolidada de um ente da Federação financeiro e cumprirá as exigências mencionadas no art.
32 e mais as seguintes:
6
I - realizar-se-á somente a partir do 10º dia do início do a) receitas, por categoria econômica e fonte,
exercício; especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para
II - deverá ser liquidada, com juros e outros encargos o exercício, a receita realizada no bimestre, a realizada no
incidentes, até o dia dez de dezembro de cada ano; exercício e a previsão a realizar;
III - não será autorizada se forem cobrados outros b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza
encargos que não a taxa de juros da operação, da despesa, discriminando dotação inicial, dotação para o
obrigatoriamente prefixada ou indexada à taxa básica exercício, despesas empenhada e liquidada, no bimestre e
financeira, ou à que vier a esta substituir; no exercício;
IV - estará proibida: c) despesas, por função e subfunção.
a) enquanto existir operação anterior da mesma natureza Os valores referentes ao refinanciamento da dívida
não integralmente resgatada; mobiliária constarão destacadamente nas receitas de
b) no último ano de mandato do Presidente, Governador operações de crédito e nas despesas com amortização da
ou Prefeito Municipal. dívida.

RESTOS A PAGAR Outros demonstrativos do Relatório:

É vedado ao titular de Poder ou órgão nos últimos 2 I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida
quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de no inciso IV do art. 2o, sua evolução, assim como a
despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro previsão de seu desempenho até o final do exercício;
dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o
seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa inciso IV do art. 50;
para este efeito. III - resultados nominal e primário;
Na determinação da disponibilidade de caixa serão IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4o; V
considerados os encargos e despesas compromissadas a - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão os
pagar até o final do exercício. valores inscritos, os pagamentos realizados e o montante
a pagar.
TRANSPARÊNCIA DA GESTÃO FISCAL
RELATÓRIO DE GESTÃO FISCAL
Instrumentos - ampla divulgação, inclusive em meios
eletrônicos de acesso público: Publicado até 30 dias do encerramento do período com
Planos orçamentos e LDO amplo acesso ao público, inclusive por meio eletrônico.
Prestações de contas e parecer prévio
Relatório Resumido da Execução Orçamentária O relatório conterá:
Relatório de Gestão Fiscal e as versões simplificadas
desses documentos. I - comparativo com os limites de que trata esta Lei
Incentivo à participação popular e realização de Complementar, dos seguintes montantes:
audiências públicas, durante os processos de elaboração e a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos
de discussão dos planos, LDO e orçamentos. e pensionistas;
Contas do PR - disponíveis, durante o exercício, no b) dívidas consolidada e mobiliária;
Legislativo e no órgão técnico de elaboração, para c) concessão de garantias;
consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da d) operações de crédito, inclusive por antecipação de
sociedade. receita;
Prestação de contas da União - demonstrativos do e) despesas de que trata o inciso II do art. 4o;
Tesouro Nacional e das agências financeiras oficiais de II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a
fomento, incluído o BNDEs, e, no caso das agências adotar, se ultrapassado qualquer dos limites;
financeiras, avaliação circunstanciada do impacto fiscal de III - demonstrativos, no último quadrimestre:
suas atividades no exercício. a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e
um de dezembro;
A Administração Pública manterá sistema de custos que b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas:
permita a avaliação e o acompanhamento da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial. 1) liquidadas;
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem
Relatório Resumido da Execução Orçamentária a uma das condições do inciso II do art. 41;
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do
Publicação - até 30 dias após cada bimestre saldo da disponibilidade de caixa;
I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria 4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e
econômica, as: cujos empenhos foram cancelados;
a) receitas por fonte, informando as realizadas e a c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b
realizar, bem como a previsão atualizada; do inciso IV do art. 38.
b) despesas por grupo de natureza, discriminando a Prestações de Contas
dotação para o exercício, a despesa liquidada e o saldo; Será dada ampla divulgação dos resultados da apreciação
II - demonstrativos da execução das: das contas, julgadas ou tomadas.
Os Tribunais de Contas emitirão parecer prévio conclusivo
sobre as contas no prazo de 60 dias do recebimento, se
7
outro não estiver estabelecido nas constituições estaduais (NFSP). A linha referida é aquela linha imaginária do total
ou nas leis orgânicas municipais. quando subtraimos um valor de outro. Mede-se o déficit
No caso de Municípios que não sejam capitais e que acima desta linha ou abaixo, pelas necessidades de
tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo será de financiamento de um país
180 dias.
Os Tribunais de Contas não entrarão em recesso enquanto Pelo primeiro critério (acima da linha) pode-se calcular:
existirem contas de Poder, ou órgão pendentes de parecer Déficit Nominal = é a diferença entre as receitas totais
prévio. arrecadadas e os gastos totais do governo.
Os créditos nas instâncias administrativa e judicial, bem Déficit Primário = são apenas os gastos não financeiros
como as demais medidas para incremento das receitas deduzidos das receitas não financeiras, ou seja, é a
tributárias e de contribuições. arrecadação de impostos do governo retirando-se apenas
Fiscalização da Gestão Fiscal os gastos correntes e o investimento governamental, sem
O Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais subtrair-se as despesas e receitas financeiras. Exclui do
de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder déficit nominal os juros pagos e as amortizações da
e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das dívida, que são despesas financeiras, entre outras.
normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se Déficit Operacional = é o Déficit primário + pagamento de
refere a: juros reais. Esta medida exclui do cálculo o pagamento
dos juros nominais da dívida, além dos efeitos da correção
I - atingimento das metas estabelecidas na LDO; monetária.
II - limites e condições para realização de operações de O déficit nominal é usado por todos como o indicador
crédito e inscrição em Restos a Pagar; fiscal por excelência. O BC deixou de divulgar
III - medidas adotadas para o retorno da despesa total mensalmente o resultado do déficit operacional.
com pessoal ao respectivo limite No setor público, há uma certa restrição orçamentária.
IV - providências tomadas, para recondução dos Para manter em equilíbrio o Orçamento, os gastos devem
montantes das dívidas consolidada e mobiliária aos ser iguais à arrecadação. Caso isto não ocorra, estará
respectivos limites; gerando-se um superávit ou déficit no orçamento.
V - destinação de recursos obtidos com a alienação de No caso de superávit, o governo acumula poupança e
ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e as pode emprestar recursos para o setor privado. No
desta Lei Complementar; segundo caso, com o governo gastando mais do que
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos arrecada, gera uma necessidade de financiamento junto
legislativos municipais, quando houver. ao setor privado e/ou Banco Central.
Tribunais de Contas - alertarão quando constatarem:
I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas Pelo critério "abaixo da linha", os principais conceitos são:
no inciso II do art. 4o e no art. 9o; Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) : É a soma das
II - que o montante da despesa total com pessoal dívidas interna e externa do setor público (governo
ultrapassou 90% do limite; federal, Estados e municípios e empresas estatais) junto
III - que os montantes das dívidas consolidada e ao setor privado, com a inclusão da base monetária e a
mobiliária, das operações de crédito e da concessão de exclusão dos ativos do setor público, tais como reservas
garantia se encontram acima de 90%dos limites; internacionais, créditos com o setor privado e os valores
IV - que os gastos com inativos e pensionistas se das privatizações.
encontram acima do limite definido em lei; Ajuste patrimonial: é a diferença entre passivos do
V - fatos que comprometam os custos ou os resultados governo, contraídos no passado e posteriormente
dos programas ou indícios de irregularidades na gestão reconhecidos (“esqueletos"), e os resultados da
orçamentária. privatização.
Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os
cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada Dívida Fiscal Líquida (DFL) : É a diferença entre a DLSP e
Poder e órgão. o ajuste patrimonial.

CONTAS PÚBLICAS – DÉFICIT PÚBLICO; Necessidades de Financiamento do Setor Público: é o


RESULTADOS; NFSP mesmo conceito de déficit nominal apurado pelo critério
"acima da linha". Refere- se a variação da DFL entre dois
O déficit público em um país pode ser financiado ou pela períodos de tempo.
venda de títulos públicos ao setor privado, com a Necessidades de Financiamento do Setor Público no
transferência de poupança privada ao setor público, ou conceito operacional: Exclui das necessIdades de
pela venda de títulos públicos ao Banco Central, que fInancIamento nominais a correção monetária (efeito
representa um endividamento do setor público, com inflacionário) sobre a DFL. É o mesmo conceito "acima da
rolagem de dívidas e pagamentos de juros. linha" do déficit operacional.
Existem dois critérios de cálculo para o déficit público. O Necessidades de Financiamento do Setor Público no
primeiro é chamado "acima da linha", no qual são conceito primário: Exclui das necessidades de
diminuídas as receitas totais das despesas. O segundo financiamento nominais, o pagamento de juros nominais
critério é denominado de "abaixo da linha", que calcula o
déficit com base na variação da dívida pública, ou seja,
pelas necessidades de financiamento do setor público
8
que incide sobre a DFL. Equivale ao defícit primário
apurado pelo critério "acima da linha".

O problema do cálculo das necessidades de financiamento


é que não se tem certeza absoluta dos valores de receita
e despesa de todo o governo. De qualquer forma, a
diferença negativa entre receita e despesa sempre será
financiada por endividamento. As autoridades, mesmo
não tendo certeza das receitas e despesas de estados e
municípios bem como das empresas estatais,
acompanham a evolução dos passivos junto sistema
financeiro público e privado.

Assim, pela variação do endividamento (ou conceito


abaixo da linha), pode-se ter certeza de quanto foi
necessário para cobrir o déficit do governo. No Brasil, as
NFSP são medidas pelo conceito abaixo da linha, ou seja,
a partir das alterações no valor do endividamento público
é que se sabe se a diferença entre receitas e despesas
aumentou ou diminuiu.

No Brasil, as necessidades de financiamentos são


apuradas pelo conceito de caixa, exceto pelas despesas de
juros, apuradas pelo com conceito de competência
contábil. Entretanto há dificuldades de se obter valores
precisos nas contas públicas.

O Brasil utiliza o conceito de DLSP nas estatísticas


oficiais, computando a variação da dívida fiscal e da base
monetária para chegar ao déficit público. Muitas dívidas
de caráter não-fiscal foram reconhecidas recentemente e
contribuíram para o aumento do déficit brasileiro, como
esqueletos que ainda não haviam sido registrados. As
dívidas de estados e municípios também contribuiram
para a elevação do déficit público no passar dos anos.
Entretanto, o maior problema da dívida pública brasileira
sempre foi o prazo de maturação, sendo que a maior
parte dos títulos era emitido com prazo de 1 a 2 anos.

A dívida pública pode ser definida como a dívida


no período anterior mais os juros nominais menos o
superávit primário do exercício e a receita de
senhoriagem. Senhoriagem é o poder de compra
resultante do fluxo de emissão de base monetária.

Na evolução da relação dívida/pública PIB deve-se


ter em conta o tamanho do resultado operacional e não
do resultado nominal do Governo, que se perde em
ambientes de alta inflação.

9
LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE indiretamente, a ente da Federação;
III - empresa estatal dependente: empresa
2000. (Estabelece normas de finanças públicas controlada que receba do ente controlador recursos
financeiros para pagamento de despesas com pessoal ou
voltadas para a responsabilidade na gestão
de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último
fiscal e dá outras providências). caso, aqueles provenientes de aumento de participação
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o acionária;
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei IV - receita corrente líquida: somatório das receitas
Complementar: tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais,
agropecuárias, de serviços, transferências correntes e
outras receitas também correntes, deduzidos:
CAPÍTULO I a) na União, os valores transferidos aos Estados e
Municípios por determinação constitucional ou legal, e as
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no
Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas de inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição;
finanças públicas voltadas para a responsabilidade na b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios
gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da por determinação constitucional;
Constituição. c) na União, nos Estados e nos Municípios, a
§ 1o A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema
ação planejada e transparente, em que se previnem riscos de previdência e assistência social e as receitas
e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das provenientes da compensação financeira citada no § 9o do
contas públicas, mediante o cumprimento de metas de art. 201 da Constituição.
resultados entre receitas e despesas e a obediência a § 1o Serão computados no cálculo da receita
limites e condições no que tange a renúncia de receita, corrente líquida os valores pagos e recebidos em
geração de despesas com pessoal, da seguridade social e decorrência da Lei Complementar no 87, de 13 de
outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de setembro de 1996, e do fundo previsto pelo art. 60 do Ato
crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de das Disposições Constitucionais Transitórias.
garantia e inscrição em Restos a Pagar.
§ 2o As disposições desta Lei Complementar obrigam § 2o Não serão considerados na receita corrente
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de
Roraima os recursos recebidos da União para atendimento
§ 3o Nas referências: das despesas de que trata o inciso V do § 1o do art. 19.
§ 3o A receita corrente líquida será apurada
somando-se as receitas arrecadadas no mês em
I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos referência e nos onze anteriores, excluídas as
Municípios, estão compreendidos: duplicidades.
a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste
abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o
Ministério Público; CAPÍTULO II
b) as respectivas administrações diretas, fundos,
autarquias, fundações e empresas estatais dependentes;

II - a Estados entende-se considerado o Distrito DO PLANEJAMENTO


Federal;
Seção I
III - a Tribunais de Contas estão incluídos: Tribunal
de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado e, Do Plano Plurianual
quando houver, Tribunal de Contas dos Municípios e
Tribunal de Contas do Município. Art. 3o (VETADO)
Art. 2o Para os efeitos desta Lei Complementar,
entende-se como:
Seção II

I - ente da Federação: a União, cada Estado, o


Distrito Federal e cada Município; Da Lei de Diretrizes Orçamentárias
Art. 4o A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o
II - empresa controlada: sociedade cuja maioria do
disposto no § 2o do art. 165 da Constituição e:
capital social com direito a voto pertença, direta ou

I - disporá também sobre:

10
a) equilíbrio entre receitas e despesas; § 4o A mensagem que encaminhar o projeto da
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser União apresentará, em anexo específico, os objetivos das
efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os
deste artigo, no art. 9o e no inciso II do § 1o do art. 31; parâmetros e as projeções para seus principais agregados
e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício
subseqüente.
c) (VETADO)
Seção III
d) (VETADO)
e) normas relativas ao controle de custos e à Da Lei Orçamentária Anual
avaliação dos resultados dos programas financiados com Art. 5o O projeto de lei orçamentária anual,
recursos dos orçamentos; elaborado de forma compatível com o plano plurianual,
f) demais condições e exigências para transferências com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas
de recursos a entidades públicas e privadas; desta Lei Complementar:
I - conterá, em anexo, demonstrativo da
compatibilidade da programação dos orçamentos com os
II - (VETADO) objetivos e metas constantes do documento de que trata
o § 1o do art. 4o;
III - (VETADO) II - será acompanhado do documento a que se
§ 1o Integrará o projeto de lei de diretrizes refere o § 6o do art. 165 da Constituição, bem como das
orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão medidas de compensação a renúncias de receita e ao
estabelecidas metas anuais, em valores correntes e aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado;
constantes, relativas a receitas, despesas, resultados III - conterá reserva de contingência, cuja forma de
nominal e primário e montante da dívida pública, para o utilização e montante, definido com base na receita
exercício a que se referirem e para os dois seguintes. corrente líquida, serão estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias, destinada ao:
§ 2o O Anexo conterá, ainda:
a) (VETADO)
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao b) atendimento de passivos contingentes e outros
ano anterior; riscos e eventos fiscais imprevistos.
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com § 1o Todas as despesas relativas à dívida pública,
memória e metodologia de cálculo que justifiquem os mobiliária ou contratual, e as receitas que as atenderão,
resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas constarão da lei orçamentária anual.
nos três exercícios anteriores, e evidenciando a § 2o O refinanciamento da dívida pública constará
consistência delas com as premissas e os objetivos da separadamente na lei orçamentária e nas de crédito
política econômica nacional; adicional.
III - evolução do patrimônio líquido, também nos § 3o A atualização monetária do principal da dívida
últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do
dos recursos obtidos com a alienação de ativos; índice de preços previsto na lei de diretrizes
orçamentárias, ou em legislação específica.
§ 4o É vedado consignar na lei orçamentária crédito
IV - avaliação da situação financeira e atuarial: com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada.
a) dos regimes geral de previdência social e próprio § 5o A lei orçamentária não consignará dotação para
dos servidores públicos e do Fundo de Amparo ao investimento com duração superior a um exercício
Trabalhador; financeiro que não esteja previsto no plano plurianual ou
b) dos demais fundos públicos e programas estatais em lei que autorize a sua inclusão, conforme disposto no
de natureza atuarial; § 1o do art. 167 da Constituição.
V - demonstrativo da estimativa e compensação da
renúncia de receita e da margem de expansão das
§ 6o Integrarão as despesas da União, e serão
despesas obrigatórias de caráter continuado.
incluídas na lei orçamentária, as do Banco Central do
Brasil relativas a pessoal e encargos sociais, custeio
§ 3o A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo administrativo, inclusive os destinados a benefícios e
de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos
contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas
públicas, informando as providências a serem tomadas,
caso se concretizem.

11
assistência aos servidores, e a investimentos. dívida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes
orçamentárias.
§ 7o (VETADO) § 3o No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o
Ministério Público não promoverem a limitação no prazo
estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a
Art. 6o (VETADO) limitar os valores financeiros segundo os critérios fixados
Art. 7o O resultado do Banco Central do Brasil, pela lei de diretrizes orçamentárias.
apurado após a constituição ou reversão de reservas, § 4o Até o final dos meses de maio, setembro e
constitui receita do Tesouro Nacional, e será transferido fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o
até o décimo dia útil subseqüente à aprovação dos cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre, em
balanços semestrais. o
do art. 166
§ 1o O resultado negativo constituirá obrigação do
audiência pública na comissão referida no § 1
Tesouro para com o Banco Central do Brasil e será da Constituição ou equivalente nas Casas Legislativas
consignado em dotação específica no orçamento. estaduais e municipais.
§ 2o O impacto e o custo fiscal das operações
realizadas pelo Banco Central do Brasil serão
o
demonstrados trimestralmente, nos termos em que No prazo de noventa dias após o encerramento
dispuser a lei de diretrizes orçamentárias da União. §5
§ 3o Os balanços trimestrais do Banco Central do de cada semestre, o Banco Central do Brasil apresentará,
Brasil conterão notas explicativas sobre os custos da em reunião conjunta das comissões temáticas pertinentes
remuneração das disponibilidades do Tesouro Nacional e do Congresso Nacional, avaliação do cumprimento dos
da manutenção das reservas cambiais e a rentabilidade de objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e
sua carteira de títulos, destacando os de emissão da cambial, evidenciando o impacto e o custo fiscal de suas
União. operações e os resultados demonstrados nos balanços.
Art. 10. A execução orçamentária e financeira
identificará os beneficiários de pagamento de sentenças
Seção IV judiciais, por meio de sistema de contabilidade e
administração financeira, para fins de observância da
Da Execução Orçamentária e do Cumprimento das ordem cronológica determinada no art. 100 da
Metas Constituição.
Art. 8o Até trinta dias após a publicação dos
orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de CAPÍTULO III
diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea c
do inciso I do art. 4o, o Poder Executivo estabelecerá a
programação financeira e o cronograma de execução DA RECEITA PÚBLICA
mensal de desembolso.
Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados Seção I
a finalidade específica serão utilizados exclusivamente
para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em
exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso. Da Previsão e da Arrecadação
Art. 11. Constituem requisitos essenciais da
Art. 9o Se verificado, ao final de um bimestre, que a
responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e
realização da receita poderá não comportar o
efetiva arrecadação de todos os tributos da competência
cumprimento das metas de resultado primário ou nominal
constitucional do ente da Federação.
estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o
Parágrafo único. É vedada a realização de
Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos
transferências voluntárias para o ente que não observe o
montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes,
disposto no caput, no que se refere aos impostos.
limitação de empenho e movimentação financeira,
Art. 12. As previsões de receita observarão as
segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes
normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das
orçamentárias.
alterações na legislação, da variação do índice de preços,
§ 1o No caso de restabelecimento da receita
do crescimento econômico ou de qualquer outro fator
prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações
relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua
cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma
evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois
proporcional às reduções efetivadas.
seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de
§ 2o Não serão objeto de limitação as despesas que
cálculo e premissas utilizadas.
constituam obrigações constitucionais e legais do ente,
§ 1o Reestimativa de receita por parte do Poder
inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da
Legislativo só será admitida se comprovado erro ou
omissão de ordem técnica ou legal.
§ 2o O montante previsto para as receitas de
operações de crédito não poderá ser superior ao das

12
despesas de capital constantes do projeto de lei II - ao cancelamento de débito cujo montante seja
orçamentária. inferior ao dos respectivos custos de cobrança.

§ 3o O Poder Executivo de cada ente colocará à


disposição dos demais Poderes e do Ministério Público, no
mínimo trinta dias antes do prazo final para CAPÍTULO IV
encaminhamento de suas propostas orçamentárias, os
estudos e as estimativas das receitas para o exercício
subseqüente, inclusive da corrente líquida, e as DA DESPESA PÚBLICA
respectivas memórias de cálculo.
Art. 13. No prazo previsto no art. 8o, as receitas Seção I
previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em
metas bimestrais de arrecadação, com a especificação,
em separado, quando cabível, das medidas de combate à Da Geração da Despesa
evasão e à sonegação, da quantidade e valores de ações Art. 15. Serão consideradas não autorizadas,
ajuizadas para cobrança da dívida ativa, bem como da irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de
evolução do montante dos créditos tributários passíveis de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o
cobrança administrativa. disposto nos arts. 16 e 17.
Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de
ação governamental que acarrete aumento da despesa
Seção II será acompanhado de:
I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no
Da Renúncia de Receita exercício em que deva entrar em vigor e nos dois
Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou subseqüentes;
benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia II - declaração do ordenador da despesa de que o
de receita deverá estar acompanhada de estimativa do aumento tem adequação orçamentária e financeira com a
impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano
iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias.
disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos
uma das seguintes condições: § 1o Para os fins desta Lei Complementar, considera-
se:
I - demonstração pelo proponente de que a renúncia I - adequada com a lei orçamentária anual, a
foi considerada na estimativa de receita da lei despesa objeto de dotação específica e suficiente, ou que
orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará esteja abrangida por crédito genérico, de forma que
as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio somadas todas as despesas da mesma espécie, realizadas
da lei de diretrizes orçamentárias; e a realizar, previstas no programa de trabalho, não
II - estar acompanhada de medidas de sejam ultrapassados os limites estabelecidos para o
compensação, no período mencionado no caput, por meio exercício;
do aumento de receita, proveniente da elevação de II - compatível com o plano plurianual e a lei de
alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou diretrizes orçamentárias, a despesa que se conforme com
criação de tributo ou contribuição. as diretrizes, objetivos, prioridades e metas previstos
§ 1o A renúncia compreende anistia, remissão, nesses instrumentos e não infrinja qualquer de suas
subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em disposições.
caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de § 2o A estimativa de que trata o inciso I do caput
base de cálculo que implique redução discriminada de será acompanhada das premissas e metodologia de
tributos ou contribuições, e outros benefícios que cálculo utilizadas.
correspondam a tratamento diferenciado. § 3o Ressalva-se do disposto neste artigo a despesa
§ 2o Se o ato de concessão ou ampliação do considerada irrelevante, nos termos em que dispuser a lei
incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo de diretrizes orçamentárias.
decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só
entrará em vigor quando implementadas as medidas § 4o As normas do caput constituem condição prévia
referidas no mencionado inciso.

§ 3o O disposto neste artigo não se aplica:


para:
I - às alterações das alíquotas dos impostos
previstos nos incisos I, II, IV e V do art. 153 da
I - empenho e licitação de serviços, fornecimento de
Constituição, na forma do seu § 1o;
bens ou execução de obras;

13
II - desapropriação de imóveis urbanos a que se inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos,
refere o § 3o do art. 182 da Constituição. cargos, funções ou empregos, civis, militares e de
membros de Poder, com quaisquer espécies
remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas
e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria,
reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações,
Subseção I horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza,
bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo
Da Despesa Obrigatória de Caráter Continuado ente às entidades de previdência.

Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter § 1o Os valores dos contratos de terceirização de


continuado a despesa corrente derivada de lei, medida mão-de-obra que se referem à substituição de servidores
provisória ou ato administrativo normativo que fixem para e empregados públicos serão contabilizados como "Outras
o ente a obrigação legal de sua execução por um período Despesas de Pessoal".
superior a dois exercícios. § 2o A despesa total com pessoal será apurada
§ 1o Os atos que criarem ou aumentarem despesa somando-se a realizada no mês em referência com as dos
de que trata o caput deverão ser instruídos com a onze imediatamente anteriores, adotando-se o regime de
estimativa prevista no inciso I do art. 16 e demonstrar a competência.
origem dos recursos para seu custeio.
§ 2o Para efeito do atendimento do § 1o, o ato será Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art.
acompanhado de comprovação de que a despesa criada 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em
ou aumentada não afetará as metas de resultados fiscais cada período de apuração e em cada ente da Federação,
previstas no anexo referido no § 1o do art. 4o, devendo não poderá exceder os percentuais da receita corrente
seus efeitos financeiros, nos períodos seguintes, ser líquida, a seguir discriminados:
compensados pelo aumento permanente de receita ou
pela redução permanente de despesa.
§ 3o Para efeito do § 2o, considera-se aumento I - União: 50% (cinqüenta por cento);
permanente de receita o proveniente da elevação de
alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou II - Estados: 60% (sessenta por cento);
criação de tributo ou contribuição.
§ 4o A comprovação referida no § 2o, apresentada
pelo proponente, conterá as premissas e metodologia de III - Municípios: 60% (sessenta por cento).
cálculo utilizadas, sem prejuízo do exame de § 1o Na verificação do atendimento dos limites
compatibilidade da despesa com as demais normas do definidos neste artigo, não serão computadas as
plano plurianual e da lei de diretrizes orçamentárias. despesas:
I - de indenização por demissão de servidores ou
empregados;
§ 5o A despesa de que trata este artigo não será
executada antes da implementação das medidas referidas
no § 2o, as quais integrarão o instrumento que a criar ou II - relativas a incentivos à demissão voluntária;
aumentar.
§ 6o O disposto no § 1o não se aplica às despesas III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II
destinadas ao serviço da dívida nem ao reajustamento de do § 6o do art. 57 da Constituição;
remuneração de pessoal de que trata o inciso X do art. 37 IV - decorrentes de decisão judicial e da
da Constituição. competência de período anterior ao da apuração a que se
§ 7o Considera-se aumento de despesa a refere o § 2o do art. 18;
prorrogação daquela criada por prazo determinado. V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados
do Amapá e Roraima, custeadas com recursos
Seção II transferidos pela União na forma dos incisos XIII e XIV do
art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda
Constitucional no 19;
Das Despesas com Pessoal
VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo
Subseção I específico, custeadas por recursos provenientes:

Definições e Limites a) da arrecadação de contribuições dos segurados;


Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, b) da compensação financeira de que trata o § 9o do
entende-se como despesa total com pessoal: o somatório art. 201 da Constituição;
dos gastos do ente da Federação com os ativos, os
14
c) das demais receitas diretamente arrecadadas por § 2o Para efeito deste artigo entende-se como
fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da órgão:
alienação de bens, direitos e ativos, bem como seu
superávit financeiro.
I - o Ministério Público;
§ 2o Observado o disposto no inciso IV do § 1o, as
despesas com pessoal decorrentes de sentenças judiciais
serão incluídas no limite do respectivo Poder ou órgão II- no Poder Legislativo:
referido no art. 20.
a) Federal, as respectivas Casas e o Tribunal de
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 Contas da União;
não poderá exceder os seguintes percentuais:
b) Estadual, a Assembléia Legislativa e os Tribunais
I - na esfera federal: de Contas;

a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o
para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União; Tribunal de Contas do Distrito Federal;
d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal
de Contas do Município, quando houver;
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por
cento) para o Executivo, destacando-se 3% (três por III - no Poder Judiciário:
cento) para as despesas com pessoal decorrentes do que
dispõem os incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da
o art. 31 da Emenda Constitucional no 19, repartidos de Constituição;
forma proporcional à média das despesas relativas a cada b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando
um destes dispositivos, em percentual da receita corrente houver.
líquida, verificadas nos três exercícios financeiros § 3o Os limites para as despesas com pessoal do
imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Poder Judiciário, a cargo da União por força do inciso XIII
Complementar; do art. 21 da Constituição, serão estabelecidos mediante
aplicação da regra do § 1o.
d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério § 4o Nos Estados em que houver Tribunal de Contas
Público da União; dos Municípios, os percentuais definidos nas alíneas a e c
do inciso II do caput serão, respectivamente, acrescidos e
reduzidos em 0,4% (quatro décimos por cento).
II - na esfera estadual:
§ 5o Para os fins previstos no art. 168 da
Constituição, a entrega dos recursos financeiros
a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o correspondentes à despesa total com pessoal por Poder e
Tribunal de Contas do Estado; órgão será a resultante da aplicação dos percentuais
definidos neste artigo, ou aqueles fixados na lei de
diretrizes orçamentárias.
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;

c) 49% (quarenta e nove por cento) para o


Executivo;

d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos § 6o (VETADO)


Estados;

Subseção II
III - na esfera municipal:
Do Controle da Despesa Total com Pessoal
a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque
Tribunal de Contas do Município, quando houver; aumento da despesa com pessoal e não atenda:

b) 54% (cinqüenta e quatro por cento) para o I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei
Executivo. Complementar, e o disposto no inciso XIII do art. 37 e no
§ 1o Nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada § 1o do art. 169 da Constituição;
esfera, os limites serão repartidos entre seus órgãos de II - o limite legal de comprometimento aplicado às
forma proporcional à média das despesas com pessoal, despesas com pessoal inativo.
em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de
três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da que resulte aumento da despesa com pessoal expedido
publicação desta Lei Complementar.
15
nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20.
titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.

Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites


estabelecidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de
cada quadrimestre.
Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal
exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são Seção III
vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver
incorrido no excesso: Das Despesas com a Seguridade Social
I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou Art. 24. Nenhum benefício ou serviço relativo à
adequação de remuneração a qualquer título, salvo os seguridade social poderá ser criado, majorado ou
derivados de sentença judicial ou de determinação legal estendido sem a indicação da fonte de custeio total, nos
ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do o
do art. 195 da Constituição, atendidas
art. 37 da Constituição; termos do § 5
ainda as exigências do art. 17.
II - criação de cargo, emprego ou função;
III - alteração de estrutura de carreira que implique § 1o É dispensada da compensação referida no art.
aumento de despesa; 17 o aumento de despesa decorrente de:
IV - provimento de cargo público, admissão ou I - concessão de benefício a quem satisfaça as
contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a condições de habilitação prevista na legislação pertinente;
reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de II - expansão quantitativa do atendimento e dos
servidores das áreas de educação, saúde e segurança; serviços prestados;
V - contratação de hora extra, salvo no caso do III - reajustamento de valor do benefício ou serviço,
disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição e a fim de preservar o seu valor real.
as situações previstas na lei de diretrizes orçamentárias. § 2o O disposto neste artigo aplica-se a benefício ou
Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou serviço de saúde, previdência e assistência social,
órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos inclusive os destinados aos servidores públicos e militares,
no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no ativos e inativos, e aos pensionistas.
art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado nos
dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço
CAPÍTULO V
no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências
previstas nos §§ 3o e 4o do art. 169 da Constituição.
§ 1o No caso do inciso I do § 3o do art. 169 da DAS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS
Constituição, o objetivo poderá ser alcançado tanto pela Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar,
extinção de cargos e funções quanto pela redução dos entende-se por transferência voluntária a entrega de
valores a eles atribuídos. recursos correntes ou de capital a outro ente da
§ 2o É facultada a redução temporária da jornada de Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência
trabalho com adequação dos vencimentos à nova carga financeira, que não decorra de determinação
horária. constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de
§ 3o Não alcançada a redução no prazo estabelecido, Saúde.
e enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá: § 1o São exigências para a realização de
transferência voluntária, além das estabelecidas na lei de
diretrizes orçamentárias:
I - receber transferências voluntárias;

II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente; I - existência de dotação específica;


III - contratar operações de crédito, ressalvadas as
destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária e as II - (VETADO)
que visem à redução das despesas com pessoal.
§ 4o As restrições do § 3o aplicam-se imediatamente III - observância do disposto no inciso X do art. 167
se a despesa total com pessoal exceder o limite no da Constituição;
primeiro quadrimestre do último ano do mandato dos

IV - comprovação, por parte do beneficiário, de:


a) que se acha em dia quanto ao pagamento de
tributos, empréstimos e financiamentos devidos ao ente
transferidor, bem como quanto à prestação de contas de
recursos anteriormente dele recebidos;
16
b) cumprimento dos limites constitucionais relativos constituídos pelas instituições do Sistema Financeiro
à educação e à saúde; Nacional, na forma da lei.

c) observância dos limites das dívidas consolidada e § 2o O disposto no caput não proíbe o Banco Central
mobiliária, de operações de crédito, inclusive por do Brasil de conceder às instituições financeiras operações
antecipação de receita, de inscrição em Restos a Pagar e de redesconto e de empréstimos de prazo inferior a
de despesa total com pessoal; trezentos e sessenta dias.

d) previsão orçamentária de contrapartida. CAPÍTULO VII

§ 2o É vedada a utilização de recursos transferidos DA DÍVIDA E DO ENDIVIDAMENTO


em finalidade diversa da pactuada.
§ 3o Para fins da aplicação das sanções de
Seção I
suspensão de transferências voluntárias constantes desta
Lei Complementar, excetuam-se aquelas relativas a ações
de educação, saúde e assistência social. Definições Básicas
Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são
adotadas as seguintes definições:
CAPÍTULO VI
I - dívida pública consolidada ou fundada: montante
DA DESTINAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS PARA O
total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras
SETOR PRIVADO
do ente da Federação, assumidas em virtude de leis,
Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou
contratos, convênios ou tratados e da realização de
indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou
operações de crédito, para amortização em prazo superior
déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei
a doze meses;
específica, atender às condições estabelecidas na lei de
II - dívida pública mobiliária: dívida pública
diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou
representada por títulos emitidos pela União, inclusive os
em seus créditos adicionais.
do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios;
§ 1o O disposto no caput aplica-se a toda a
III - operação de crédito: compromisso financeiro
administração indireta, inclusive fundações públicas e
assumido em razão de mútuo, abertura de crédito,
empresas estatais, exceto, no exercício de suas
emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens,
atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco
recebimento antecipado de valores provenientes da venda
Central do Brasil.
a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e
§ 2o Compreende-se incluída a concessão de
outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de
empréstimos, financiamentos e refinanciamentos,
derivativos financeiros;
inclusive as respectivas prorrogações e a composição de
IV - concessão de garantia: compromisso de
dívidas, a concessão de subvenções e a participação em
adimplência de obrigação financeira ou contratual
constituição ou aumento de capital.
assumida por ente da Federação ou entidade a ele
Art. 27. Na concessão de crédito por ente da
vinculada;
Federação a pessoa física, ou jurídica que não esteja sob
V - refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de
seu controle direto ou indireto, os encargos financeiros,
títulos para pagamento do principal acrescido da
comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos
atualização monetária.
definidos em lei ou ao custo de captação.
§ 1o Equipara-se a operação de crédito a assunção,
Parágrafo único. Dependem de autorização em lei
o reconhecimento ou a confissão de dívidas pelo ente da
específica as prorrogações e composições de dívidas
Federação, sem prejuízo do cumprimento das exigências
decorrentes de operações de crédito, bem como a
dos arts. 15 e 16.
concessão de empréstimos ou financiamentos em
desacordo com o caput, sendo o subsídio correspondente
o
consignado na lei orçamentária. Será incluída na dívida pública consolidada da
Art. 28. Salvo mediante lei específica, não poderão §2
ser utilizados recursos públicos, inclusive de operações de União a relativa à emissão de títulos de responsabilidade
crédito, para socorrer instituições do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil.
Nacional, ainda que mediante a concessão de
empréstimos de recuperação ou financiamentos para o
Também integram a dívida pública consolidada
mudança de controle acionário. §3
§ 1o A prevenção de insolvência e outros riscos as operações de crédito de prazo inferior a doze meses
ficará a cargo de fundos, e outros mecanismos, cujas receitas tenham constado do orçamento.
§ 4o O refinanciamento do principal da dívida
mobiliária não excederá, ao término de cada exercício
financeiro, o montante do final do exercício anterior,
17
somado ao das operações de crédito autorizadas no II do caput.
orçamento para este efeito e efetivamente realizadas, § 6o Sempre que alterados os fundamentos das
acrescido de atualização monetária. propostas de que trata este artigo, em razão de
instabilidade econômica ou alterações nas políticas
monetária ou cambial, o Presidente da República poderá
Seção II
encaminhar ao Senado Federal ou ao Congresso Nacional
solicitação de revisão dos limites.
Dos Limites da Dívida Pública e das Operações de § 7o Os precatórios judiciais não pagos durante a
Crédito execução do orçamento em que houverem sido incluídos
Art. 30. No prazo de noventa dias após a publicação integram a dívida consolidada, para fins de aplicação dos
desta Lei Complementar, o Presidente da República limites.
submeterá ao:
I - Senado Federal: proposta de limites globais para
Seção III
o montante da dívida consolidada da União, Estados e
Municípios, cumprindo o que estabelece o inciso VI do art.
52 da Constituição, bem como de limites e condições Da Recondução da Dívida aos Limites
relativos aos incisos VII, VIII e IX do mesmo artigo; Art. 31. Se a dívida consolidada de um ente da
II - Congresso Nacional: projeto de lei que Federação ultrapassar o respectivo limite ao final de um
estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término
federal a que se refere o inciso XIV do art. 48 da dos três subseqüentes, reduzindo o excedente em pelo
Constituição, acompanhado da demonstração de sua menos 25% (vinte e cinco por cento) no primeiro.
adequação aos limites fixados para a dívida consolidada § 1o Enquanto perdurar o excesso, o ente que nele
da União, atendido o disposto no inciso I do § 1o deste houver incorrido:
artigo. I - estará proibido de realizar operação de crédito
interna ou externa, inclusive por antecipação de receita,
§ 1o As propostas referidas nos incisos I e II do ressalvado o refinanciamento do principal atualizado da
caput e suas alterações conterão: dívida mobiliária;
I - demonstração de que os limites e condições II - obterá resultado primário necessário à
guardam coerência com as normas estabelecidas nesta Lei recondução da dívida ao limite, promovendo, entre outras
Complementar e com os objetivos da política fiscal; medidas, limitação de empenho, na forma do art. 9o.
II - estimativas do impacto da aplicação dos limites § 2o Vencido o prazo para retorno da dívida ao
a cada uma das três esferas de governo; limite, e enquanto perdurar o excesso, o ente ficará
III - razões de eventual proposição de limites também impedido de receber transferências voluntárias
diferenciados por esfera de governo; da União ou do Estado.
IV - metodologia de apuração dos resultados § 3o As restrições do § 1o aplicam-se imediatamente
primário e nominal. se o montante da dívida exceder o limite no primeiro
§ 2o As propostas mencionadas nos incisos I e II do quadrimestre do último ano do mandato do Chefe do
caput também poderão ser apresentadas em termos de Poder Executivo.
dívida líquida, evidenciando a forma e a metodologia de § 4o O Ministério da Fazenda divulgará,
sua apuração. mensalmente, a relação dos entes que tenham
§ 3o Os limites de que tratam os incisos I e II do ultrapassado os limites das dívidas consolidada e
caput serão fixados em percentual da receita corrente mobiliária.
líquida para cada esfera de governo e aplicados § 5o As normas deste artigo serão observadas nos
igualmente a todos os entes da Federação que a casos de descumprimento dos limites da dívida mobiliária
integrem, constituindo, para cada um deles, limites e das operações de crédito internas e externas.
máximos.
Seção IV
§ 4o Para fins de verificação do atendimento do
limite, a apuração do montante da dívida consolidada será Das Operações de Crédito
efetuada ao final de cada quadrimestre.
§ 5o No prazo previsto no art. 5o, o Presidente da
República enviará ao Senado Federal ou ao Congresso Subseção I
Nacional, conforme o caso, proposta de manutenção ou
alteração dos limites e condições previstos nos incisos I e Da Contratação
18
Art. 32. O Ministério da Fazenda verificará o II - saldos atualizados e limites relativos às dívidas
cumprimento dos limites e condições relativos à realização consolidada e mobiliária, operações de crédito e
de operações de crédito de cada ente da Federação, concessão de garantias.
inclusive das empresas por eles controladas, direta ou § 5o Os contratos de operação de crédito externo
indiretamente. não conterão cláusula que importe na compensação
§ 1o O ente interessado formalizará seu pleito automática de débitos e créditos.
fundamentando-o em parecer de seus órgãos técnicos e Art. 33. A instituição financeira que contratar
jurídicos, demonstrando a relação custo-benefício, o operação de crédito com ente da Federação, exceto
interesse econômico e social da operação e o atendimento quando relativa à dívida mobiliária ou à externa, deverá
das seguintes condições: exigir comprovação de que a operação atende às
I - existência de prévia e expressa autorização para condições e limites estabelecidos.
a contratação, no texto da lei orçamentária, em créditos § 1o A operação realizada com infração do disposto
adicionais ou lei específica; nesta Lei Complementar será considerada nula,
II - inclusão no orçamento ou em créditos adicionais procedendo-se ao seu cancelamento, mediante a
dos recursos provenientes da operação, exceto no caso de devolução do principal, vedados o pagamento de juros e
operações por antecipação de receita; demais encargos financeiros.

III - observância dos limites e condições fixados pelo § 2o Se a devolução não for efetuada no exercício de
Senado Federal; ingresso dos recursos, será consignada reserva específica
IV - autorização específica do Senado Federal, na lei orçamentária para o exercício seguinte.
quando se tratar de operação de crédito externo; § 3o Enquanto não efetuado o cancelamento, a
amortização, ou constituída a reserva, aplicam-se as
sanções previstas nos incisos do § 3o do art. 23.
V - atendimento do disposto no inciso III do art. 167
§ 4o Também se constituirá reserva, no montante
da Constituição;
equivalente ao excesso, se não atendido o disposto no
VI - observância das demais restrições estabelecidas
inciso III do art. 167 da Constituição, consideradas as
nesta Lei Complementar.
disposições do § 3o do art. 32.
§ 2o As operações relativas à dívida mobiliária
federal autorizadas, no texto da lei orçamentária ou de
créditos adicionais, serão objeto de processo simplificado Subseção II
que atenda às suas especificidades.
Das Vedações
§ 3o Para fins do disposto no inciso V do § 1o,
considerar-se-á, em cada exercício financeiro, o total dos
Art. 34. O Banco Central do Brasil não emitirá títulos
recursos de operações de crédito nele ingressados e o das
da dívida pública a partir de dois anos após a publicação
despesas de capital executadas, observado o seguinte:
desta Lei Complementar.
I - não serão computadas nas despesas de capital as
Art. 35. É vedada a realização de operação de
realizadas sob a forma de empréstimo ou financiamento a
crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por
contribuinte, com o intuito de promover incentivo fiscal,
intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa
tendo por base tributo de competência do ente da
estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da
Federação, se resultar a diminuição, direta ou indireta, do
administração indireta, ainda que sob a forma de
ônus deste;
novação, refinanciamento ou postergação de dívida
contraída anteriormente.
II - se o empréstimo ou financiamento a que se
refere o inciso I for concedido por instituição financeira
§ 1o Excetuam-se da vedação a que se refere o
controlada pelo ente da Federação, o valor da operação
caput as operações entre instituição financeira estatal e
será deduzido das despesas de capital;
outro ente da Federação, inclusive suas entidades da
administração indireta, que não se destinem a:
III - (VETADO)
§ 4o Sem prejuízo das atribuições próprias do
I - financiar, direta ou indiretamente, despesas
Senado Federal e do Banco Central do Brasil, o Ministério
correntes;
da Fazenda efetuará o registro eletrônico centralizado e
II - refinanciar dívidas não contraídas junto à própria
atualizado das dívidas públicas interna e externa,
instituição concedente.
garantido o acesso público às informações, que incluirão:

§ 2o O disposto no caput não impede Estados e


I - encargos e condições de contratação; Municípios de comprar títulos da dívida da União como
19
aplicação de suas disponibilidades. b) no último ano de mandato do Presidente,
Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma Governador ou Prefeito Municipal.
instituição financeira estatal e o ente da Federação que a § 1o As operações de que trata este artigo não serão
controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo. computadas para efeito do que dispõe o inciso III do art.
Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe 167 da Constituição, desde que liquidadas no prazo
instituição financeira controlada de adquirir, no mercado, definido no inciso II do caput.
títulos da dívida pública para atender investimento de § 2o As operações de crédito por antecipação de
seus clientes, ou títulos da dívida de emissão da União receita realizadas por Estados ou Municípios serão
para aplicação de recursos próprios. efetuadas mediante abertura de crédito junto à instituição
Art. 37. Equiparam-se a operações de crédito e financeira vencedora em processo competitivo eletrônico
estão vedados: promovido pelo Banco Central do Brasil.
I - captação de recursos a título de antecipação de § 3o O Banco Central do Brasil manterá sistema de
receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda acompanhamento e controle do saldo do crédito aberto e,
não tenha ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7o do no caso de inobservância dos limites, aplicará as sanções
art. 150 da Constituição; cabíveis à instituição credora.
II - recebimento antecipado de valores de empresa
em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente,
Subseção IV
a maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros
e dividendos, na forma da legislação;
III - assunção direta de compromisso, confissão de Das Operações com o Banco Central do Brasil
dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de bens, Art. 39. Nas suas relações com ente da Federação, o
mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou Banco Central do Brasil está sujeito às vedações
aval de título de crédito, não se aplicando esta vedação a constantes do art. 35 e mais às seguintes:
empresas estatais dependentes; I - compra de título da dívida, na data de sua
colocação no mercado, ressalvado o disposto no § 2o
IV - assunção de obrigação, sem autorização deste artigo;
orçamentária, com fornecedores para pagamento a
posteriori de bens e serviços. II - permuta, ainda que temporária, por intermédio
de instituição financeira ou não, de título da dívida de
ente da Federação por título da dívida pública federal,
Subseção III bem como a operação de compra e venda, a termo,
daquele título, cujo efeito final seja semelhante à
Das Operações de Crédito por Antecipação de permuta;
Receita Orçamentária
III - concessão de garantia.
Art. 38. A operação de crédito por antecipação de
receita destina-se a atender insuficiência de caixa durante
§ 1o O disposto no inciso II, in fine, não se aplica ao
o exercício financeiro e cumprirá as exigências
estoque de Letras do Banco Central do Brasil, Série
mencionadas no art. 32 e mais as seguintes:
Especial, existente na carteira das instituições financeiras,
I - realizar-se-á somente a partir do décimo dia do
que pode ser refinanciado mediante novas operações de
início do exercício;
venda a termo.
II - deverá ser liquidada, com juros e outros
§ 2o O Banco Central do Brasil só poderá comprar
encargos incidentes, até o dia dez de dezembro de cada
diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a
ano;
dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua
III - não será autorizada se forem cobrados outros
carteira.
encargos que não a taxa de juros da operação,
§ 3o A operação mencionada no § 2o deverá ser
obrigatoriamente prefixada ou indexada à taxa básica
realizada à taxa média e condições alcançadas no dia, em
financeira, ou à que vier a esta substituir;
leilão público.
§ 4o É vedado ao Tesouro Nacional adquirir títulos da
IV - estará proibida: dívida pública federal existentes na carteira do Banco
a) enquanto existir operação anterior da mesma Central do Brasil, ainda que com cláusula de reversão,
natureza não integralmente resgatada; salvo para reduzir a dívida mobiliária.

Seção V

Da Garantia e da Contragarantia
20
Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em indiretamente, quanto às operações de seguro de crédito
operações de crédito internas ou externas, observados o à exportação.
disposto neste artigo, as normas do art. 32 e, no caso da § 9o Quando honrarem dívida de outro ente, em
União, também os limites e as condições estabelecidos razão de garantia prestada, a União e os Estados poderão
pelo Senado Federal. condicionar as transferências constitucionais ao
§ 1o A garantia estará condicionada ao oferecimento ressarcimento daquele pagamento.
de contragarantia, em valor igual ou superior ao da § 10. O ente da Federação cuja dívida tiver sido
garantia a ser concedida, e à adimplência da entidade que honrada pela União ou por Estado, em decorrência de
a pleitear relativamente a suas obrigações junto ao garantia prestada em operação de crédito, terá suspenso
garantidor e às entidades por este controladas, observado o acesso a novos créditos ou financiamentos até a total
o seguinte: liquidação da mencionada dívida.
I - não será exigida contragarantia de órgãos e
entidades do próprio ente;
Seção VI

II - a contragarantia exigida pela União a Estado ou


Dos Restos a Pagar
Município, ou pelos Estados aos Municípios, poderá
consistir na vinculação de receitas tributárias diretamente
arrecadadas e provenientes de transferências Art. 41. (VETADO)
constitucionais, com outorga de poderes ao garantidor Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão
para retê-las e empregar o respectivo valor na liquidação referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu
da dívida vencida. mandato, contrair obrigação de despesa que não possa
§ 2o No caso de operação de crédito junto a ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha
organismo financeiro internacional, ou a instituição federal parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que
de crédito e fomento para o repasse de recursos externos, haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito.
a União só prestará garantia a ente que atenda, além do Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade
disposto no § 1o, as exigências legais para o recebimento de caixa serão considerados os encargos e despesas
de transferências voluntárias. compromissadas a pagar até o final do exercício.

§ 3o (VETADO) CAPÍTULO VIII

§ 4o (VETADO) DA GESTÃO PATRIMONIAL


§ 5o É nula a garantia concedida acima dos limites
fixados pelo Senado Federal.
Seção I
§ 6o É vedado às entidades da administração
indireta, inclusive suas empresas controladas e Das Disponibilidades de Caixa
subsidiárias, conceder garantia, ainda que com recursos Art. 43. As disponibilidades de caixa dos entes da
de fundos. Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3o
§ 7o O disposto no § 6o não se aplica à concessão de do art. 164 da Constituição.
garantia por: § 1o As disponibilidades de caixa dos regimes de
I - empresa controlada a subsidiária ou controlada previdência social, geral e próprio dos servidores públicos,
sua, nem à prestação de contragarantia nas mesmas ainda que vinculadas a fundos específicos a que se
condições; referem os arts. 249 e 250 da Constituição, ficarão
II - instituição financeira a empresa nacional, nos depositadas em conta separada das demais
termos da lei. disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições
de mercado, com observância dos limites e condições de
proteção e prudência financeira.
§ 8o Excetua-se do disposto neste artigo a garantia
o
É vedada a aplicação das disponibilidades de
§2
que trata o § 1 o em:
prestada:

I - títulos da dívida pública estadual e municipal,


I - por instituições financeiras estatais, que se
bem como em ações e outros papéis relativos às
submeterão às normas aplicáveis às instituições
empresas controladas pelo respectivo ente da Federação;
financeiras privadas, de acordo com a legislação
II - empréstimos, de qualquer natureza, aos
pertinente;
segurados e ao Poder Público, inclusive a suas empresas
II - pela União, na forma de lei federal, a empresas
de natureza financeira por ela controladas, direta e
21
controladas. Seção I

Seção II Da Transparência da Gestão Fiscal

Da Preservação do Patrimônio Público Art. 48. São instrumentos de transparência da


Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação,
derivada da alienação de bens e direitos que integram o inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os
patrimônio público para o financiamento de despesa planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as
corrente, salvo se destinada por lei aos regimes de prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o
previdência social, geral e próprio dos servidores públicos. Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o
Art. 45. Observado o disposto no § 5o do art. 5o, a Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas
lei orçamentária e as de créditos adicionais só incluirão desses documentos.
novos projetos após adequadamente atendidos os em Parágrafo único. A transparência será assegurada
andamento e contempladas as despesas de conservação também mediante incentivo à participação popular e
do patrimônio público, nos termos em que dispuser a lei realização de audiências públicas, durante os processos de
de diretrizes orçamentárias. elaboração e de discussão dos planos, lei de diretrizes
orçamentárias e orçamentos.
Parágrafo único. O Poder Executivo de cada ente
encaminhará ao Legislativo, até a data do envio do Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder
projeto de lei de diretrizes orçamentárias, relatório com as Executivo ficarão disponíveis, durante todo o exercício, no
informações necessárias ao cumprimento do disposto respectivo Poder Legislativo e no órgão técnico
neste artigo, ao qual será dada ampla divulgação. responsável pela sua elaboração, para consulta e
apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade.
Art. 46. É nulo de pleno direito ato de
desapropriação de imóvel urbano expedido sem o Parágrafo único. A prestação de contas da União
atendimento do disposto no § 3o do art. 182 da conterá demonstrativos do Tesouro Nacional e das
Constituição, ou prévio depósito judicial do valor da agências financeiras oficiais de fomento, incluído o Banco
indenização. Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,
especificando os empréstimos e financiamentos
concedidos com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e
Seção III
da seguridade social e, no caso das agências financeiras,
avaliação circunstanciada do impacto fiscal de suas
Das Empresas Controladas pelo Setor Público atividades no exercício.
Seção II
Art. 47. A empresa controlada que firmar contrato
de gestão em que se estabeleçam objetivos e metas de
desempenho, na forma da lei, disporá de autonomia Da Escrituração e Consolidação das Contas
gerencial, orçamentária e financeira, sem prejuízo do Art. 50. Além de obedecer às demais normas de
disposto no inciso II do § 5o do art. 165 da Constituição. contabilidade pública, a escrituração das contas públicas
Parágrafo único. A empresa controlada incluirá em observará as seguintes:
seus balanços trimestrais nota explicativa em que I - a disponibilidade de caixa constará de registro
informará: próprio, de modo que os recursos vinculados a órgão,
I - fornecimento de bens e serviços ao controlador, fundo ou despesa obrigatória fiquem identificados e
com respectivos preços e condições, comparando-os com escriturados de forma individualizada;
os praticados no mercado; II - a despesa e a assunção de compromisso serão
II - recursos recebidos do controlador, a qualquer registradas segundo o regime de competência, apurando-
título, especificando valor, fonte e destinação; se, em caráter complementar, o resultado dos fluxos
III - venda de bens, prestação de serviços ou financeiros pelo regime de caixa;
concessão de empréstimos e financiamentos com preços, III - as demonstrações contábeis compreenderão,
taxas, prazos ou condições diferentes dos vigentes no isolada e conjuntamente, as transações e operações de
mercado. cada órgão, fundo ou entidade da administração direta,
autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal
dependente;
CAPÍTULO IX IV - as receitas e despesas previdenciárias serão
apresentadas em demonstrativos financeiros e
DA TRANSPARÊNCIA, CONTROLE E FISCALIZAÇÃO orçamentários específicos;

22
V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a) receitas, por categoria econômica e fonte,
a Pagar e as demais formas de financiamento ou assunção especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para
de compromissos junto a terceiros, deverão ser o exercício, a receita realizada no bimestre, a realizada no
escrituradas de modo a evidenciar o montante e a exercício e a previsão a realizar;
variação da dívida pública no período, detalhando, pelo b) despesas, por categoria econômica e grupo de
menos, a natureza e o tipo de credor; natureza da despesa, discriminando dotação inicial,
VI - a demonstração das variações patrimoniais dará dotação para o exercício, despesas empenhada e
destaque à origem e ao destino dos recursos provenientes liquidada, no bimestre e no exercício;
da alienação de ativos.
§ 1o No caso das demonstrações conjuntas, excluir-
c) despesas, por função e subfunção.
se-ão as operações intragovernamentais.
§ 1o Os valores referentes ao refinanciamento da
§ 2o A edição de normas gerais para consolidação
dívida mobiliária constarão destacadamente nas receitas
das contas públicas caberá ao órgão central de
de operações de crédito e nas despesas com amortização
contabilidade da União, enquanto não implantado o
da dívida.
conselho de que trata o art. 67.
§ 2o O descumprimento do prazo previsto neste
§ 3o A Administração Pública manterá sistema de
artigo sujeita o ente às sanções previstas no § 2o do art.
custos que permita a avaliação e o acompanhamento da
51.
gestão orçamentária, financeira e patrimonial.
Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido
Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até
demonstrativos relativos a:
o dia trinta de junho, a consolidação, nacional e por esfera
I - apuração da receita corrente líquida, na forma
de governo, das contas dos entes da Federação relativas
definida no inciso IV do art. 2o, sua evolução, assim como a
ao exercício anterior, e a sua divulgação, inclusive por
previsão de seu desempenho até o final do exercício;
meio eletrônico de acesso público.
II - receitas e despesas previdenciárias a que se
§ 1o Os Estados e os Municípios encaminharão suas
refere o inciso IV do art. 50;
contas ao Poder Executivo da União nos seguintes prazos:
I - Municípios, com cópia para o Poder Executivo do
respectivo Estado, até trinta de abril; III - resultados nominal e primário;
IV - despesas com juros, na forma do inciso II do
art. 4o;
II - Estados, até trinta e um de maio.
V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão
§ 2o O descumprimento dos prazos previstos neste
referido no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos
artigo impedirá, até que a situação seja regularizada, que
realizados e o montante a pagar.
o ente da Federação receba transferências voluntárias e
contrate operações de crédito, exceto as destinadas ao
o
refinanciamento do principal atualizado da dívida O relatório referente ao último bimestre do
mobiliária. §1
exercício será acompanhado também de demonstrativos:

Seção III
I - do atendimento do disposto no inciso III do art.
167 da Constituição, conforme o § 3o do art. 32;
Do Relatório Resumido da Execução Orçamentária

II - das projeções atuariais dos regimes de


Art. 52. O relatório a que se refere o § 3o do art. previdência social, geral e próprio dos servidores públicos;
165 da Constituição abrangerá todos os Poderes e o
III - da variação patrimonial, evidenciando a
Ministério Público, será publicado até trinta dias após o
alienação de ativos e a aplicação dos recursos dela
encerramento de cada bimestre e composto de:
decorrentes.
I - balanço orçamentário, que especificará, por
categoria econômica, as:
o
Quando for o caso, serão apresentadas
§ 2
a) receitas por fonte, informando as realizadas e a
justificativas:
realizar, bem como a previsão atualizada;
b) despesas por grupo de natureza, discriminando a
dotação para o exercício, a despesa liquidada e o saldo; I - da limitação de empenho;
II - da frustração de receitas, especificando as
medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal,
adotadas e a adotar, e as ações de fiscalização e

II - demonstrativos da execução das:


23
cobrança. atenderem a uma das condições do inciso II do art. 41;

Seção IV 3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o


limite do saldo da disponibilidade de caixa;
4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa
Do Relatório de Gestão Fiscal
e cujos empenhos foram cancelados;
Art. 54. Ao final de cada quadrimestre será emitido
c) do cumprimento do disposto no inciso II e na
pelos titulares dos Poderes e órgãos referidos no art. 20
alínea b do inciso IV do art. 38.
Relatório de Gestão Fiscal, assinado pelo:
§ 1o O relatório dos titulares dos órgãos
mencionados nos incisos II, III e IV do art. 54 conterá
I - Chefe do Poder Executivo; apenas as informações relativas à alínea a do inciso I, e
II - Presidente e demais membros da Mesa Diretora os documentos referidos nos incisos II e III.
ou órgão decisório equivalente, conforme regimentos § 2o O relatório será publicado até trinta dias após o
internos dos órgãos do Poder Legislativo; encerramento do período a que corresponder, com amplo
III - Presidente de Tribunal e demais membros de acesso ao público, inclusive por meio eletrônico.
Conselho de Administração ou órgão decisório
equivalente, conforme regimentos internos dos órgãos do
§ 3o O descumprimento do prazo a que se refere o §
Poder Judiciário; 2o sujeita o ente à sanção prevista no § 2o do art. 51.
§ 4o Os relatórios referidos nos arts. 52 e 54
IV - Chefe do Ministério Público, da União e dos deverão ser elaborados de forma padronizada, segundo
Estados. modelos que poderão ser atualizados pelo conselho de
Parágrafo único. O relatório também será assinado que trata o art. 67.
pelas autoridades responsáveis pela administração
financeira e pelo controle interno, bem como por outras
Seção V
definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão referido
no art. 20.
Das Prestações de Contas
Art. 55. O relatório conterá:
Art. 56. As contas prestadas pelos Chefes do Poder
Executivo incluirão, além das suas próprias, as dos
I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e
Complementar, dos seguintes montantes: Judiciário e do Chefe do Ministério Público, referidos no
a) despesa total com pessoal, distinguindo a com art. 20, as quais receberão parecer prévio,
inativos e pensionistas; separadamente, do respectivo Tribunal de Contas.
§ 1o As contas do Poder Judiciário serão
b) dívidas consolidada e mobiliária; apresentadas no âmbito:

c) concessão de garantias; I - da União, pelos Presidentes do Supremo Tribunal


Federal e dos Tribunais Superiores, consolidando as dos
respectivos tribunais;
d) operações de crédito, inclusive por antecipação
de receita;
II - dos Estados, pelos Presidentes dos Tribunais de
o Justiça, consolidando as dos demais tribunais.
e) despesas de que trata o inciso II do art. 4 ;
II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a § 2o O parecer sobre as contas dos Tribunais de
adotar, se ultrapassado qualquer dos limites; Contas será proferido no prazo previsto no art. 57 pela
comissão mista permanente referida no § 1o do art. 166
da Constituição ou equivalente das Casas Legislativas
III - demonstrativos, no último quadrimestre: estaduais e municipais.
a) do montante das disponibilidades de caixa em § 3o Será dada ampla divulgação dos resultados da
trinta e um de dezembro; apreciação das contas, julgadas ou tomadas.

b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas: Art. 57. Os Tribunais de Contas emitirão parecer
prévio conclusivo sobre as contas no prazo de sessenta
1) liquidadas; dias do recebimento, se outro não estiver estabelecido
nas constituições estaduais ou nas leis orgânicas
municipais.
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por
24
§ 1o No caso de Municípios que não sejam capitais e V - fatos que comprometam os custos ou os
que tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo resultados dos programas ou indícios de irregularidades
será de cento e oitenta dias. na gestão orçamentária.

§ 2o Os Tribunais de Contas não entrarão em § 2o Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar
recesso enquanto existirem contas de Poder, ou órgão os cálculos dos limites da despesa total com pessoal de
referido no art. 20, pendentes de parecer prévio. cada Poder e órgão referido no art. 20.

Art. 58. A prestação de contas evidenciará o § 3o O Tribunal de Contas da União acompanhará o


desempenho da arrecadação em relação à previsão, cumprimento do disposto nos §§ 2o, 3o e 4o do art. 39.
destacando as providências adotadas no âmbito da
fiscalização das receitas e combate à sonegação, as ações
CAPÍTULO X
de recuperação de créditos nas instâncias administrativa e
judicial, bem como as demais medidas para incremento
das receitas tributárias e de contribuições. DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 60. Lei estadual ou municipal poderá fixar
limites inferiores àqueles previstos nesta Lei
Seção VI
Complementar para as dívidas consolidada e mobiliária,
operações de crédito e concessão de garantias.
Da Fiscalização da Gestão Fiscal
Art. 61. Os títulos da dívida pública, desde que
Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o devidamente escriturados em sistema centralizado de
auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle liquidação e custódia, poderão ser oferecidos em caução
interno de cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão para garantia de empréstimos, ou em outras transações
o cumprimento das normas desta Lei Complementar, com previstas em lei, pelo seu valor econômico, conforme
ênfase no que se refere a: definido pelo Ministério da Fazenda.
I - atingimento das metas estabelecidas na lei de Art. 62. Os Municípios só contribuirão para o custeio
diretrizes orçamentárias; de despesas de competência de outros entes da
II - limites e condições para realização de operações Federação se houver:
de crédito e inscrição em Restos a Pagar; I - autorização na lei de diretrizes orçamentárias e
III - medidas adotadas para o retorno da despesa na lei orçamentária anual;
total com pessoal ao respectivo limite, nos termos dos II - convênio, acordo, ajuste ou congênere,
arts. 22 e 23; conforme sua legislação.
IV - providências tomadas, conforme o disposto no Art. 63. É facultado aos Municípios com população
art. 31, para recondução dos montantes das dívidas inferior a cinqüenta mil habitantes optar por:
consolidada e mobiliária aos respectivos limites;
I - aplicar o disposto no art. 22 e no § 4o do art. 30
V - destinação de recursos obtidos com a alienação ao final do semestre;
de ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e
as desta Lei Complementar;
II - divulgar semestralmente:
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos
legislativos municipais, quando houver.
§ 1o Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou a) (VETADO)
órgãos referidos no art. 20 quando constatarem:
I - a possibilidade de ocorrência das situações
b) o Relatório de Gestão Fiscal;
previstas no inciso II do art. 4o e no art. 9o;
II - que o montante da despesa total com pessoal
ultrapassou 90% (noventa por cento) do limite; c) os demonstrativos de que trata o art. 53;
III - que os montantes das dívidas consolidada e III - elaborar o Anexo de Política Fiscal do plano
mobiliária, das operações de crédito e da concessão de plurianual, o Anexo de Metas Fiscais e o Anexo de Riscos
garantia se encontram acima de 90% (noventa por cento) Fiscais da lei de diretrizes orçamentárias e o anexo de que
dos respectivos limites; trata o inciso I do art. 5o a partir do quinto exercício
IV - que os gastos com inativos e pensionistas se seguinte ao da publicação desta Lei Complementar.
encontram acima do limite definido em lei;
o
A divulgação dos relatórios e demonstrativos
§1
deverá ser realizada em até trinta dias após o
encerramento do semestre.

o
Se ultrapassados os limites relativos à despesa
§2
25
total com pessoal ou à dívida consolidada, enquanto Art. 67. O acompanhamento e a avaliação, de forma
perdurar esta situação, o Município ficará sujeito aos permanente, da política e da operacionalidade da gestão
mesmos prazos de verificação e de retorno ao limite fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal,
definidos para os demais entes. constituído por representantes de todos os Poderes e
Art. 64. A União prestará assistência técnica e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades
cooperação financeira aos Municípios para a modernização técnicas representativas da sociedade, visando a:
das respectivas administrações tributária, financeira,
patrimonial e previdenciária, com vistas ao cumprimento
I - harmonização e coordenação entre os entes da
das normas desta Lei Complementar.
Federação;
§ 1o A assistência técnica consistirá no treinamento e
II - disseminação de práticas que resultem em maior
desenvolvimento de recursos humanos e na
eficiência na alocação e execução do gasto público, na
transferência de tecnologia, bem como no apoio à
arrecadação de receitas, no controle do endividamento e
divulgação dos instrumentos de que trata o art. 48 em
na transparência da gestão fiscal;
meio eletrônico de amplo acesso público.
III - adoção de normas de consolidação das contas
§ 2o A cooperação financeira compreenderá a
públicas, padronização das prestações de contas e dos
doação de bens e valores, o financiamento por intermédio
relatórios e demonstrativos de gestão fiscal de que trata
das instituições financeiras federais e o repasse de
esta Lei Complementar, normas e padrões mais simples
recursos oriundos de operações externas.
para os pequenos Municípios, bem como outros,
necessários ao controle social;
Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública
reconhecida pelo Congresso Nacional, no caso da União,
IV - divulgação de análises, estudos e diagnósticos.
ou pelas Assembléias Legislativas, na hipótese dos
§ 1o O conselho a que se refere o caput instituirá
Estados e Municípios, enquanto perdurar a situação:
formas de premiação e reconhecimento público aos
I - serão suspensas a contagem dos prazos e as
titulares de Poder que alcançarem resultados meritórios
disposições estabelecidas nos arts. 23 , 31 e 70;
em suas políticas de desenvolvimento social, conjugados
II - serão dispensados o atingimento dos resultados
com a prática de uma gestão fiscal pautada pelas normas
fiscais e a limitação de empenho prevista no art. 9o.
desta Lei Complementar.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput no
§ 2o Lei disporá sobre a composição e a forma de
caso de estado de defesa ou de sítio, decretado na forma
funcionamento do conselho.
da Constituição.
Art. 68. Na forma do art. 250 da Constituição, é
criado o Fundo do Regime Geral de Previdência Social,
Art. 66. Os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e vinculado ao Ministério da Previdência e Assistência
70 serão duplicados no caso de crescimento real baixo ou Social, com a finalidade de prover recursos para o
negativo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, regional pagamento dos benefícios do regime geral da previdência
ou estadual por período igual ou superior a quatro social.
trimestres.
§ 1o O Fundo será constituído de:
§ 1o Entende-se por baixo crescimento a taxa de
variação real acumulada do Produto Interno Bruto inferior I - bens móveis e imóveis, valores e rendas do
a 1% (um por cento), no período correspondente aos Instituto Nacional do Seguro Social não utilizados na
quatro últimos trimestres. operacionalização deste;
§ 2o A taxa de variação será aquela apurada pela II - bens e direitos que, a qualquer título, lhe sejam
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ou adjudicados ou que lhe vierem a ser vinculados por força
outro órgão que vier a substituí-la, adotada a mesma de lei;
metodologia para apuração dos PIB nacional, estadual e III - receita das contribuições sociais para a
regional. seguridade social, previstas na alínea a do inciso I e no
§ 3o Na hipótese do caput, continuarão a ser inciso II do art. 195 da Constituição;
adotadas as medidas previstas no art. 22. IV - produto da liquidação de bens e ativos de
§ 4o Na hipótese de se verificarem mudanças pessoa física ou jurídica em débito com a Previdência
drásticas na condução das políticas monetária e cambial, Social;
reconhecidas pelo Senado Federal, o prazo referido no
caput do art. 31 poderá ser ampliado em até quatro
quadrimestres. V - resultado da aplicação financeira de seus ativos;

VI - recursos provenientes do orçamento da União.

26
§ 2o O Fundo será gerido pelo Instituto Nacional do
Seguro Social, na forma da lei.

Art. 69. O ente da Federação que mantiver ou vier a


instituir regime próprio de previdência social para seus
servidores conferir-lhe-á caráter contributivo e o
organizará com base em normas de contabilidade e
atuária que preservem seu equilíbrio financeiro e atuarial.

Art. 70. O Poder ou órgão referido no art. 20 cuja


despesa total com pessoal no exercício anterior ao da
publicação desta Lei Complementar estiver acima dos
limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 deverá enquadrar-
se no respectivo limite em até dois exercícios, eliminando
o excesso, gradualmente, à razão de, pelo menos, 50%
a.a. (cinqüenta por cento ao ano), mediante a adoção,
entre outras, das medidas previstas nos arts. 22 e 23.

Parágrafo único. A inobservância do disposto no


caput, no prazo fixado, sujeita o ente às sanções previstas
no § 3o do art. 23.

Art. 71. Ressalvada a hipótese do inciso X do art. 37


da Constituição, até o término do terceiro exercício
financeiro seguinte à entrada em vigor desta Lei
Complementar, a despesa total com pessoal dos Poderes
e órgãos referidos no art. 20 não ultrapassará, em
percentual da receita corrente líquida, a despesa
verificada no exercício imediatamente anterior, acrescida
de até 10% (dez por cento), se esta for inferior ao limite
definido na forma do art. 20.

Art. 72. A despesa com serviços de terceiros dos


Poderes e órgãos referidos no art. 20 não poderá exceder,
em percentual da receita corrente líquida, a do exercício
anterior à entrada em vigor desta Lei Complementar, até
o término do terceiro exercício seguinte.

Art. 73. As infrações dos dispositivos desta Lei


Complementar serão punidas segundo o Decreto-Lei no
2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei no
1.079, de 10 de abril de 1950; o Decreto-Lei no 201, de
27 de fevereiro de 1967; a Lei no 8.429, de 2 de junho de
1992; e demais normas da legislação pertinente.

Art. 74. Esta Lei Complementar entra em vigor na


data da sua publicação.

Art. 75. Revoga-se a Lei Complementar no 96, de 31


de maio de 1999.

Brasília, 4 de maio de 2000; 179o da Independência e


112o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Pedro Malan

Martus Tavares

Este texto não substitui o publicada no D.O. de 5.5.2000

27
8-PROVAS DA ESAF DE FINANÇAS PÚBLICAS manifesta sob a forma de conflito nas relações
intergovernamentais. Escolha a opção incorreta
Controladoria-Geral da União – AFC/CGU relacionada à globalização, regionalismo e federação.
2003/2004 a) Em um novo pacto federativo, a autonomia deverá
estar mais associada à flexibilidade no uso e à
estabilidade dos recursos financeiros do que a liberdade
FINANÇAS PÚBLICAS
para tributar.
01- A necessidade de atuação econômica do setor público
b) A harmonização da política tributária não afeta a
prende-se à constatação de que o sistema de preços não
autonomia dos entes federados, centrada na repartição
consegue cumprir adequadamente algumas tarefas ou
das competências impositivas e no mecanismo de
funções. Assim, é correto afirmar que
repartição de receitas constitucionalmente definidos.
a) a função distributiva do governo está associada ao
c) O período 1988-1998 sofreu influência de uma instável
fornecimento de bens e serviços não oferecidos
conjuntura econômica que afetou fortemente o campo
eficientemente pelo sistema de mercado.
fiscal e acabou por reverter parte significativa dos
b) a função alocativa do governo está relacionada com a
avanços alcançados no rumo da descentralização.
intervenção do Estado na economia para alterar o
d) A manutenção do federalismo requer a existência de
comportamento dos níveis de preços e emprego.
instituições independentes em cada um dos níveis de
c) o governo funciona como agente redistribuidor de
governo.
renda através da tributação, retirando recursos dos
e) Quando as desigualdades regionais são grandes, o
segmentos mais ricos da sociedade e transferindoos para
equilíbrio entre repartição de competências e a autonomia
os segmentos menos favorecidos.
federativa depende de um eficiente sistema de
d) a função estabilizadora do governo está relacionada ao
transferências compensatórias.
fato de que o sistema de preços não leva a uma justa
05- A justificativa para o que foi denominado ciclo político
distribuição de renda.
invertido baseou-se no argumento da existência de
e) a distribuição pessoal de renda pode ser implementada
restrições políticas ou sociais à adoção de medidas fiscais
por meio de uma estrutura tarifária regressiva.
impopulares. A promoção do desenvolvimento e o esforço
02- É de conhecimento geral que, por várias razões
no sentido de minimizar os conflitos sociais formam,
históricas, o Estado assumiu em vários países de
naturalmente, parte do ideário de qualquer governo. O
industrialização tardia ou subdesenvolvidos uma função
que caracteriza as políticas populistas, de acordo com
central na promoção do desenvolvimento econômico,
seus críticos, seria a combinação de quatro fatores.
inclusive no Brasil. Identifique a opção falsa.
Identifique o fator que não é pertinente.
a) No Brasil, o Estado, para viabilizar o processo de
a) O ativismo governamental.
industrialização, assumiu a incumbência de desenvolver o
b) O redistributivismo a qualquer custo.
setor de bens intermediários e gerar a infra-estrutura.
c) A afirmação das conseqüências positivas decorrentes
b) As empresas estatais, no período do II Plano Nacional
de elevados déficits fiscais.
de Desenvolvimento (II PND), conforme determinação
d) A tentativa de promover o crescimento econômico,
governamental, só podiam ter acesso ao crédito interno.
independentemente das condições de contexto.
c) O Estado brasileiro atuou no desenvolvimento do setor
e) A ausência da percepção da existência de restrições
siderúrgico, da exploração de petróleo, do setor
macroeconômicas.
petroquímico, entre outros.
06- Com base na Teoria das Finanças Públicas, assinale
d) Além do grande esforço na tentativa de
a única opção falsa.
redirecionamento da poupança interna para os projetos do
a) Um bem público puro é caracterizado por ter seu
II PND, houve uma grande participação de empréstimos
consumo não rival e não excludente.
externos no financiamento dos programas de
b) Bens privados são aqueles cujo consumo é tanto rival
investimentos.
quanto excludente e são providos eficientemente em
e) Observou-se, ao longo do processo de desenvolvimento
mercados competitivos.
nacional brasileiro, a constituição de um estavam ao
c) A exclusão permite que o produtor do bem privado
alcance do setor privado propriamente dito.
possa ser pago sempre que um consumidor fizer uso do
03- Se a dívida pública de um país era de 25% do PIB no
mesmo.
ano t e passou a ser 32,0% do PIB no ano (t+5),
d) Um exemplo de bem público puro é segurança
determine qual foi o crescimento real anual médio dessa
nacional.
dívida, entre esses dois anos, considerando que o PIB
e) Há rivalidade no consumo de um bem se o consumidor
teve um aumento real de 2,3% ao ano.
desse bem por parte de uma pessoa aumenta a
a) 7,5 % ao ano
disponibilidade do mesmo para as outras.
b) 10,5 % ao ano
07- Para atingir os objetivos de política econômica, o
c) 15,0 % ao ano
governo dispõe de um conjunto de instrumentos. Entre
d) 7,3 % ao ano
eles estão a política fiscal, monetária e cambial.
e) 8,7 % ao ano
Assinale a opção incorreta.
04- Nos últimos anos, tem-se assistido a freqüentes
manifestações sobre a necessidade de um novo pacto
federativo, que elimine a tensão que volta e meia se
28
a) A política cambial corresponde a ações do governo que b) Quanto ao poder de tributar, a receita é dividida
atingem diretamente as transações internacionais do país. conforme a discriminação constitucional das rendas, em
b) A política fiscal pode ser dividida em política tributária federal, estadual e municipal.
e política de gastos públicos. c) Quanto à coercitividade, as receitas podem ser
c) Para controlar as condições de crédito, o governo utiliza divididas em originárias e derivadas.
a política monetária. d) Quanto à regularidade, as receitas podem ser
d) Quando o governo aumenta seus gastos, diz-se que a desdobradas em ordinárias e extraordinárias.
política monetária é expansionista e, caso contrário, é e) Na classificação quanto à natureza, diz-se que as
contracionista. receitas tributárias e as receitas de contribuições são
e) Por meio da política cambial, o governo pode atuar no exemplos de receitas correntes.
mercado de divisas de vários países. 12- O Plano Plurianual de 2000-2003 do governo
08- Os modelos macroeconômicos procuram analisar o brasileiro, que recebeu o nome de Avança Brasil, continha
comportamento dos gastos públicos durante o tempo. Os mudanças de grande repercussão no sistema de
modelos que tentam associar o crescimento dos gastos planejamento e orçamento do Governo Federal. Segundo
públicos com os estágios de crescimento do país foram o conteúdo desse plano, identifique a única opção que não
desenvolvidos por é pertinente.

a) Peacock , Wiseman e Wagner. a) Os Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento


b) Adolpho Wagner. balizaram a organização espacial das ações e a seleção de
c) Peacock, Wiseman e Herber. empreendimentos estruturantes que aportam ao Plano
d) Musgrave, Rostow e Herber. Plurianual a dimensão de um projeto de desenvolvimento
e) Musgrave, Rostow e Kay. nacional.
09- De acordo com a teoria da tributação, aponte a única b) O desenvolvimento sustentável contava com a grande
opção incorreta. capacidade de geração de poupança interna e com a força
a) Os impostos específicos são aqueles cujo valor do do mercado de capitais para o financiamento de longo
imposto é fixo em termos monetários. prazo, necessário para viabilizar os novos investimentos
b) Os impostos ad-valorem são aqueles em que se tem em infraestrutura e ampliar o número de empresas
uma alíquota de imposto e o valor arrecadado depende da instaladas no País.
base sobre a qual incide. c) Diante das restrições fiscais, os recursos foram
c) Os impostos específicos são pró-cíclicos. alocados para setores essenciais à retomada do
d) O sistema tributário deve poder conter o processo de crescimento e para as demandas sociais mais críticas.
crescimento desajustado, atuando, muitas vezes, de d) Os investimentos necessários ao desenvolvimento não
forma contracíclica. seriam somente tarefa do setor público. A parceria entre
e) Um sistema tributário é progressivo quando a governo, iniciativa privada e a sociedade organizada seria
participação dos impostos na renda dos agentes diminui indispensável para alcançar os objetivos econômicos e
conforme a renda aumenta. sociais.
10- Pesquisando as experiências na área orçamentária e) Para crescer de forma consistente, o país precisaria
podem-se encontrar diversos processos de elaboração de consolidar a estabilidade econômica e essa estabilidade só
orçamento nos quais a presença de maior ou menor grau estaria garantida com um efetivo ajuste fiscal.
de ação planejada provoca grandes contrastes. Assinale a 13- Com relação à despesa pública, identifique a que
definição que identifica o orçamento de desempenho. natureza de categoria de programação orçamentária
a) Processo orçamentário que se apóia na necessidade de corresponde o pagamento de sentenças judiciais.
justificativa de todos os programas cada vez que se inicia a) atividades
um novo ciclo. b) projetos
b) Processo orçamentário em que é explicitado apenas o c) programas
objeto de gasto. d) planejamento prévio
c) Processo orçamentário que representa duas dimensões e) operações especiais
do orçamento: objeto de gasto e um programa de 14- Com relação à análise custo-benefício de projetos e
trabalho, contendo as ações desenvolvidas. programas governamentais, identifique a opção incorreta.
d) Orçamento elaborado por meio de ajustes marginais a) O valor econômico dos benefícios tangíveis de um
nos seus itens de receita e despesa. projeto em um mercado de competição perfeita é avaliado
e) Processo orçamentário que se apóia no critério de pelos preços de mercado e os benefícios precisam ser
alocação de recursos por meio do estabelecimento de um ajustados adequadamente.
quantitativo financeiro fixo. b) Se os benefícios excedem os custos, o projeto pode
11- A receita da administração pública pode ser conduzir a uma mais eficiente alocação de recursos.
classificada quanto à natureza, ao poder de tributar, à c) A análise de custo-benefício não é um substituto para o
coercitividade, quanto à afetação patrimonial e quanto à processo político, uma vez que é um método de escolha
regularidade. Marque a opção falsa. para projetos alternativos, depois que o valor dos
a) Quanto à afetação patrimonial, as receitas são benefícios é determinado.
classificadas em orçamentárias e extra-orçamentárias. d) Na identificação e mensuração de custos e benefícios, a
questão mais importante refere-se ao tratamento das
externalidades.
29
e) Benefícios reais de um projeto são aqueles derivados (PIN).
de seus usuários finais. 13- Com base na imposição de um imposto, assinale a
15- O processo de privatização no Brasil pode ser dividido única opção falsa.
em três fases: a que ocorreu ao longo dos anos 80, a que a) Quando um imposto é aplicado num mercado, há dois
foi de 1990 a 1995 e a que se iniciou em 1995. Com preços de interesse: o que o demandante paga e o que o
relação ao processo de privatização no Brasil, aponte a ofertante recebe.
única opção falsa. b) O imposto sobre a quantidade é uma taxa cobrada por
a) A primeira fase correspondeu a um processo de “re- cada unidade vendida ou comprada do bem.
privatização”, cujo principal objetivo foi o saneamento c) O imposto sobre o valor é uma taxa expressa em
financeiro da carteira do Banco Nacional de unidades percentuais.
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). d) A parte de um imposto que é repassada aos
b) A segunda fase privilegiou a venda de empresas dos consumidores independe das inclinações relativas das
setores industriais, como a siderurgia, petroquímica e curvas de oferta e demanda.
fertilizantes. e) A produção perdida é o custo social do imposto.
c) A terceira fase caracterizou-se, principalmente, 14- A forma como são estruturados os sistemas
pela privatização dos setores públicos, com destaque para tributários determina o impacto dos impostos tanto sobre
os setores de energia elétrica e telecomunicações. o nível de renda como sobre a organização econômica.
d) A terceira fase apresentou como ponto importante o Quanto ao aspecto de afetar a distribuição de renda, não
lançamento do Plano Nacional de Desestatização (PND). se pode afirmar que:
e) A partir de 1990, o processo de privatização esteve a) os impostos indiretos aumentam a desigualdade na
inserido em uma estratégia geral de governo, que distribuição do produto nacional.
contemplava a promoção das chamadas “reformas de b) a implantação de um sistema tributário em que todos
mercado”. pagam 7% de sua renda como imposto caracteriza um
sistema proporcional.
c) os impostos diretos, tais como o ICMS e o IPI, que não
AFRF - 2003 incidem sobre a renda, mas sobre o preço das
11- A tributação é um instrumento pelo qual a sociedade mercadorias, são impostos regressivos.
tenta obter recursos coletivamente para satisfazer às d) com impostos regressivos, os segmentos sociais de
necessidades da sociedade. De acordo com a teoria da menor poder aquisitivo são os mais onerados.
tributação, aponte a opção falsa. e) a estrutura tributária, baseada em impostos
a) O mecanismo da tributação, associado às políticas progressivos, onera proporcionalmente mais os
orçamentárias, intervém diretamente na alocação dos segmentos da sociedade de maior poder aquisitivo.
recursos, na distribuição de recursos na sociedade e pode 15- Suponha uma alíquota tributária de 50%, incidente
reduzir as desigualdades na riqueza e na renda. sobre um produto que agrega valor a matériasprimas,
b) O sistema tributário é o principal instrumento de sem o uso de outros produtos que tenham passado
política fiscal do governo. previamente por algum processo de transformação. O
c) Por princípio, o sistema de tributação deve ser o mais valor por unidade do produto é de R$ 100,00. O preço do
justo possível. produto quando o imposto é calculado “por dentro” será:
d) Os tributos devem ser escolhidos de forma a maximizar a) R$ 125,00
sua interferência no sistema de mercado, a fim de não b) R$ 175,00
torná-lo mais ineficiente. c) R$ 150,00
e) A análise da aplicação da tributação baseia-se no d) R$ 155,00
princípio do benefício e no princípio da habilidade de e) R$ 200,00
pagamento.
16- Sob o ponto de vista da distribuição da incidência
12- As contribuições sociais, de intervenção no domínio tributária, indique a opção errada.
econômico e de interesse das categorias profissionais ou a) Um imposto sobre os vendedores desloca a curva de
econômicas, obedecem a algumas exigências e princípios oferta para cima, em montante maior ao do imposto.
constitucionais. Aponte qual contribuição tem como fato b) Quando um bem é tributado, compradores e
gerador o faturamento operacional das empresas privadas vendedores partilham o ônus do imposto.
com ou sem fins lucrativos e a utilização do trabalho c) A única diferença entre tributar o consumidor e tributar
assalariado ou de quaisquer outros que caracterizem a o vendedor está em quem envia o dinheiro para o
relação de trabalho. governo.
d) A incidência tributária depende das elasticidades-preço
a) Contribuição para o Financiamento da Seguridade da oferta e da demanda.
Social (COFINS). e) O ônus do imposto tende a recair sobre o lado do
b) Contribuição para o Programa de Integração Social mercado que for menos elástico.
(PIS). 17- A curva de Demanda Agregada-Inflação (DAI) mostra,
c) Contribuição Social s/ o Lucro Líquido da Pessoa para cada taxa de inflação, o nível do produto de
Jurídica (CSLL). equilíbrio determinado pela análise de renda-demanda.
d) Contribuição Provisória s/ a Movimentação Financeira
(CPMF).
e) Contribuição para o Programa de Integração Nacional
30
Um exemplo básico de fator que desloca a curva DAI é a c) A Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária
política fiscal. Assinale a opção incorreta no que diz Anual deverão conter um demonstrativo da estimativa e
respeito aos fatores que diminuem a demanda agregada a das medidas de compensação da renúncia de receita.
cada taxa de inflação, deslocando a curva DAI para a d) Cada nível de governo deverá demonstrar que a
esquerda. renúncia de receita foi considerada na Lei Orçamentária
a) Aumento das aquisições do governo. Anual e que não afetará as metas previstas na Lei de
b) Aumento dos impostos. Diretrizes Orçamentárias.
c) Diminuição da riqueza. e) No prazo previsto, as receitas previstas serão
d) Aumento do pessimismo de empresas ou famílias. desdobradas pelo Poder Executivo em metas bimestrais
e) Aumento da taxa de juros a cada taxa de inflação. de arrecadação.

18- Aponte a única opção incorreta no que diz respeito


a impostos, déficit público e seus impactos. AFRF/2002.2

a) As despesas do governo e os impostos afetam o 11- Uma forma de avaliar a eqüidade de um sistema
mercado de capitais. tributário é chamada de princípio de capacidade de
b) Aumentos nos impostos reduzem a renda disponível. pagamento. Segundo o princípio de eqüidade vertical, diz-
c) O déficit público reduz a poupança nacional, se que o sistema tributário é regressivo quando:
provocando alta das taxas de juros reais. a) os contribuintes com altas rendas pagam proporção
d) Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa menor de sua renda, mesmo que a quantia paga seja
obter empréstimos para financiar seu déficit. maior.
e) O déficit público provoca um aumento do investimento b) os contribuintes com a mesma capacidade de
privado. pagamento arcam com o mesmo ônus fiscal.
19- O forte ajuste fiscal realizado na economia brasileira no c) os contribuintes com capacidade de pagamento
fim da década de 90, notadamente no ano de 1999, ano similares pagam a mesma quantia.
de grande austeridade fiscal, resultou em diversos d) os contribuintes pagam tributos de acordo com o
benefícios nas contas públicas. Sob a ótica do ajuste montante de benefícios que eles recebem.
fiscal, aponte qual opção é incorreta. e) o percentual do imposto a ser pago aumenta quando
a) Para uma mesma taxa de juros, após a desvalorização aumenta o nível de renda.
de 1999, o superávit primário requerido para estabilizar a 12- Compete à União, exclusivamente, com exceção do
relação dívida/ PIB aumentou. disposto no Parágrafo Único do Art.149 da Constituição
b) Apesar da virtual estagnação do PIB em 1999 e do Federal, instituir contribuições sociais, de domínio
aumento da ordem de 4% do número de indivíduos que econômico e de interesse das categorias profissionais ou
recebiam benefícios do INSS, a relação despesa com econômicas. Segundo a classificação das receitas públicas
benefícios/PIB diminuiu ligeiramente nesse ano. brasileiras, indique a opção que é classificada como uma
c) O critério de desempenho para avaliar a política fiscal, receita de contribuição do governo.
no contexto do acordo do FMI de 1999, foi o valor da
Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP) no a) Contribuição para o Instituto de Colonização e Reforma
conceito nominal. Agrária.
d) Permissão em 1999, para as empresas acertarem as b) Contribuição Social para o Salário Educação.
suas dívidas com o fisco, sem pagamento de multas, c) Contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem
permitiu uma cobrança de atrasados equivalente a Industrial.
aproximadamente 0,5% do PIB. d) Contribuição para o Serviço Social da Indústria.
e) A diminuição da taxa SELIC nominal de 45% para 19% e) Contribuição para o Programa de Integração Nacional e
entre o auge da crise econômica, no início de 1999 e o para o Programa de Redistribuição de Terras e de
final do mesmo ano, se deu pela redução do risco-Brasil. Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste.

20- Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na 13- Identifique a única opção incorreta no que tange aos
gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva tipos de impostos.
arrecadação de todos os tributos da competência a) Tributos diretos são aqueles cujo ônus de pagamento
constitucional do ente da federação. Deste modo, na Lei recai sobre o próprio contribuinte.
de Responsabilidade Fiscal, foram definidos b) Os impostos indiretos costumam ser proporcionais ou
procedimentos e normas a serem observados pelo poder seletivos, de acordo com a essencialidade do produto ou
público. Com base na referida Lei, identifique a opção serviço em que incidem.
incorreta com relação à receita. c) Os impostos diretos costumam ser progressivos,
a) O Poder Legislativo somente poderá efetuar a incidindo de forma graduada, de acordo com a capacidade
reestimativa de receita se ficar comprovado erro ou econômica do contribuinte.
omissão de ordem técnica e legal. d) Os impostos indiretos, por não serem transferíveis a
b) Se o montante previsto para as receitas de operação terceiros, permitem que a carga tributária seja distribuída
de crédito ultrapassarem o das despesas correntes de forma eqüitativa.
constantes do projeto de lei orçamentária, o Poder e) A diferenciação entre tributos diretos e indiretos é
Legislativo poderá efetuar a reestimativa de receita. importante para a análise da eqüidade.

14- Ao discutir eficiência e eqüidade de um imposto sobre


31
a renda, podem ser distinguidos dois conceitos de c) Os custos dos impostos são, até certo ponto,
alíquota: alíquota média e alíquota marginal. Neste inevitáveis, porque os impostos são necessários para
contexto, assinale o único conceito correto de alíquota arcar com os gastos governamentais.
marginal. d) O efeito deslocamento diz que as famílias terão menos
a) É a alíquota mais útil quando se tenta aferir o sacrifício lazer quando ficarem mais pobres, em decorrência do
feito pelo contribuinte, porque mede a parcela de renda aumento de imposto sobre a renda.
paga em impostos pelo mesmo. e) Impostos sobre a pessoa jurídica afetam decisões de
b) É a alíquota que determina o peso morto de um investimento.
imposto sobre a renda. 18- Com relação aos impactos de um déficit orçamentário
c) É a alíquota menos útil quando se deseja avaliar as do governo na economia, aponte a única opção falsa.
distorções causadas pelo sistema tributário. a) O déficit orçamentário do governo reduz a poupança
d) É a alíquota que mede o quanto o sistema tributário nacional.
encoraja o trabalho árduo. b) O déficit orçamentário do governo representa poupança
e) É a alíquota obtida pela divisão do imposto total pago e pública negativa.
a renda total. c) Os déficits orçamentários do governo não afetam o
15- Modelos simples de oferta e demanda podem ser mercado de câmbio.
utilizados para analisar uma ampla variedade de políticas d) Os déficits orçamentários do governo expulsam o
governamentais. Com base no impacto de um imposto, investimento interno.
aponte a única opção falsa. e) Os déficits orçamentários do governo aumentam as
a) O impacto de um imposto depende das elasticidades da taxas de juros.
oferta e da demanda. 19- Identifique a única opção errada relativa à Lei
b) Se a demanda for muito inelástica em relação à oferta, Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, conhecida
a carga fiscal recairá principalmente sobre os como Lei de Responsabilidade Fiscal.
compradores. a) O governante deve demonstrar que a renúncia de
c) Se a curva da oferta for horizontal, nenhuma parcela receita será compensada somente por alteração de
do imposto será repassada aos consumidores. alíquotas dos impostos e contribuições.
d) Se a demanda for muito elástica em relação à oferta, a b) O governante deverá demonstrar que a renúncia de
carga fiscal incidirá principalmente sobre os vendedores. receita foi considerada na Lei Orçamentária Anual.
e) O ônus de um imposto é a perda líquida do excedente c) O governante de qualquer esfera de governo poderá
dos consumidores e produtores resultante da aplicação do instituir, prever e efetivamente arrecadar todos os
imposto. tributos de sua competência institucional.
16- Com base na evolução da carga tributária no Brasil, d) O governante de cada esfera de governo deverá
nos últimos 30 anos, aponte a única opção incorreta. explorar adequadamente sua base tributária e ter
a) Ao longo dos anos 70 e 80, a carga tributária brasileira capacidade de estimar sua receita.
oscilou entre 23% e 26% do PIB. e) Para o governante que não prever, arrecadar e cobrar
b) A menor arrecadação verificada em alguns anos pode tributos que sejam de sua competência, serão suspensas
ser atribuída ao chamado “efeito Tanzi”, que corresponde as transferências voluntárias.
à queda de arrecadação real do governo, observada em 20- Ao longo do período 1995/1998, o Governo Federal
períodos de aceleração inflacionária. Brasileiro foi aperfeiçoando os seus mecanismos de
c) Em 1990, ocorreu significativo aumento da carga controle sobre os déficits dos governos estaduais. Entre as
tributária, provocado pelo Plano Collor, chegando a atingir mudanças, assinale a única opção não pertinente.
quase 30% do PIB. a) O fim do uso dos bancos estaduais para o
d) Houve forte escalada tributária após a implantação do financiamento dos tesouros estaduais, seja por via da
Plano Real, passando a carga tributária a representar mais privatização ou da sua transformação em banco de
de 30% do PIB no final da década de 90. fomento, com regras rígidas de funcionamento.
e) A elevação da carga tributária ocorrida nos anos 90 b) O aumento da utilização de empresas estatais
deveu-se, basicamente, ao aumento da carga dos tributos estaduais para o financiamento permanente dos tesouros
incidentes sobre o patrimônio e a renda. estaduais.
17- Distorcendo opções entre trabalho e lazer, ou entre c) O maior controle das antecipações de receitas
consumo e investimento, os impostos criam custos para a orçamentárias, amplamente utilizadas até 1995 como
economia. Com relação às perdas provocadas pelos forma de os tesouros estaduais se financiarem junto ao
impostos, identifique a única opção incorreta. sistema bancário.
a) Como resultado dos impostos sobre certos bens e d) A inibição do instrumento dos denominados
atividades, as pessoas trabalham muito pouco, ou “precatórios”.
poupam muito pouco, ou compram muito pouco as e) A renegociação das dívidas mobiliárias estaduais.
mercadorias muito tributadas e muito mais as que são
pouco tributadas.
b) Ações decorrentes das distorções causadas pelos
impostos sobre os preços relativos fazem com que o bem-
estar econômico diminua.
32
1-INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA. CONCEITOS PIB x PNB
MACROECONÔMICOS BÁSICOS. IDENTIDADES O produto interno bruto é a somatória de todos os bens e
MACROECONÔMICAS FUNDAMENTAIS. FORMAS DE serviços FINAIS produzidos internamente em uma
MENSURAÇÃO DO PRODUTO E DA RENDA economia em dado período de tempo.
NACIONAL. O PRODUTO NOMINAL X O PRODUTO Já o PNB-Produto Nacional Bruto é similar, mas para se
REAL. NÚMEROS ÍNDICES. O SISTEMA DE CONTAS chegar ao mesmo, deduzem-se do PIB as remessas de
NACIONAIS. CONTAS NACIONAIS NO BRASIL. pagamentos de fatores produtivos de não-residentes e,
NOÇÕES SOBRE O BALANÇO DE PAGAMENTOS. AS adicionam-se os ingressos de remunerações de fatores
CONTAS DO SISTEMA FINANCEIRO E O produtivos de residentes no país.
MULTIPLICADOR BANCÁRIO. O PIL cf é idêntico em valor à Renda Interna. O PNL cf, à
Renda Nacional.
CONCEITOS MACROECONÔMICOS BÁSICOS:

Identidades macroeconômicas fundamentais: PRODUTO NOMINAL X PRODUTO REAL


Valor Bruto da Produção (VBP): é a somatória dos valores O produto real ou a preços constantes é o valor do
de tudo o que foi produzido em uma economia em dado produto de um ano a preços de um ano-base, de modo a
período. eliminar-se a variação causada unicamente pela inflação.
No Brasil, o IBGE primeiramente calcula a variação física
do produto de um ano para outro, a partir de vários
Produto: é a soma dos valores dos bens e serviços FINAIS
levantamentos estatísticos.
produzidos por uma economia em dado período.
Valor Adicionado ou Agregado: É a contribuição que cada
unidade produtiva acrescenta sobre o input para repassar Uma vez obtido o crescimento físico entre dois anos,
calcula o DEFLATOR IMPÍCITO DO PIB, que é uma medida
o bem ou serviço para a frente.
de inflação do valor agregado. Assim:
DI = PQ / Q = P
1. PRODUTO PELA ÓTICA DO VALOR AGREGADO:
A seguir, utiliza-se esse deflator para retirar a inflação do
O somatório das contribuições adicionais de todas as
ano II/I e, assim, obtem-se o produto do ano II a preços
unidades produtivas é o Valor Agregado (ou Adicionado)
do ano anterior I.
da economia e é um dos meios de se aferir o valor do
Esse valor é o do "produto real".
Produto, pois se confunde com este. Assim: Produto = VAI
+ VAII + VAIII (soma dos VA’s dos 3 Setores Produtivos
da economia) NÚMEROS ÍNDICES:
Um número-índice é uma ferramenta estatística usada
para medir variações relativas em agregados de preços ou
2. PRODUTO PELA ÓTICA DA RENDA
de quantidades em períodos definidos.
Renda: é o total das remunerações pagas aos
Os índices mais conhecidos são: Laspeyres; Paasche;
proprietários dos fatores produtivos em cada etapa de
Geométrico. Para o onteresse da Economia, são mais
produção.
usados os índices de preços.

Renda = Salários + Juros + Lucros + Aluguéis + Royalties LASPEYRES: no qual o numerador é a soma dos preços
+ Lucros
correntes ponderados pelas quantidades de um período-
Adicionando-se a Depreciação, passamos do PIL a custo
base, e o denominador é a soma dos preços do período-
de fatores para o PIB a custo de fatores;
base ponderados da mesma forma:
I.L. =  Pn. Qo
Mais os Impostos Indiretos e Menos os Subsídios (ou seja,  Po. Qo
mais os impostos indiretos LÍQUIDOS) = PIB a preços de PAASCHE, por sua vez, usa como ponderação não as
mercado. quantidades do período-base, mas sim as do próprio
Qual a diferença entre PIB e PNB (para qualquer modo de período analisado:
apresentação) ?
PNB = PIB + RLE (em que RLE = RRE – REE)
I.P. =  Pn. Qn
Se dividirmos pela População, teremos esses agregados  Po. Qn
“per capita”. Finalmente, FISCHER, também conhecido como índice
geométrico ou “ideal”: tem por finalidade eliminar o viés
Assim, PIB / Pop = PIB per capita. para cima do índice de Laspeyres e o viés para baixo do
índice de Paasche, calculando a média geométrica do
produtos dos mesmos.
3. PRODUTO PELA ÓTICA DE: DISPÊNDIO
(DEMANDA) AGREGADO(A): I.F. = vIL.IP
É o total de despesas efetuadas pelos agentes econômicos
em dado período, a saber: DA = Consumo das famílias +
Investimento das Empresas + Gastos Públicos Líquidos +
Demanda Externa Líquida (Exportações – Importações).
Este é outro método de se achar o valor do produto, visto
que o item Investimentos inclui as Variações de Estoques.
33
O SISTEMA DE CONTAS NACIONAIS – CONTAS As TRUs vinculam-se às CEIs por apresentar os resultados
NACIONAIS DO BRASIL agregados de Oferta e Demanda total e renda por setores
O novo Sistema de Contas Nacionais do Brasil está de atividades. Nelas as unidades produtivas são
centrado nas CONTAS ECONÔMICAS INTEGRADAS (CEIs); classificadas segundo as atividades permitindo visualizar
e nas TABELAS DE RECURSOS E USOS (TRUs). As CEIs as trocas entre os setores. As
são formadas por um conjunto de contas de operações e TRUs são a base de construção das matrizes de insumo-
também de contas de ativos e passivos dos setores produto.
institucionais e do Resto do Mundo.
Elas são divididas em:
As TRUs apresentam os agregados macros de Produto,
Renda e Despesas, por setores de atividades. Tabela de Recursos de Bens e Serviços, que apresenta a
oferta total da economia (produção e importação);
As CEIs constituem a estrutura central do Sistema. Elas
são construídas em torno de uma seqüência de contas de Tabela de Usos de Bens e Serviços, com o consumo
fluxos inter-relacionadas com as contas de patrimônio. As intermediário e a demanda final (Exportação, Consumo
primeiras descrevem como as atividades ocorrem num Final e FBK) totalizando a Demanda da economia;
dado período. As de patrimônio, registram os valores de Componentes do Valor Adicionado por setor.
ativos e passivos detidos pelos diversos setores no início e Há, finalmente, a CONTA DE OPERAÇÃO DE BENS E
no fim de um período. A ligação entre elas é dada pelo SERVIÇOS (classificada no Sistema como Conta 0),
saldo de uma conta que é transportado para a conta apresentada separada das CEIs. Ela é a base de todo o
seguinte. O novo Sistema usa os conceitos de Usos x Sistema, retratando a atividade de produção por
Recursos; e Ativos x Passivos, ao invés de débito e categorias de demanda final. Os recursos e usos se
crédito. equilibram, não havendo saldo contábil. Trata-se, pois de
As CEIs estão estruturadas em três subconjuntos de uma conta de síntese.
contas: Contas Correntes, Contas de Acumulação; e
Contas de Patrimônio.

BRASIL: ECONOMIA NACIONAL – CONTA DE BENS E SERVIÇOS – 1999 – R$ 1.000

RECURSOS OPERAÇÕES USOS


1.680.344 Produção
112.501 Importação de bens e serviços
104.163 Impostos sobre produtos
7.859 Imposto de Importação
96.304 Demais impostos sobre os
produtos
Consumo intermediário 823.649
Consumo final 775.098
Formação bruta de capital fixo 181.813
Variação de estoques 14.639
Exportação de bens e serviços 101.809
1.897.008 TOTAL 1.897.008

34
Quadro 1 - Economia Nacional - Contas de produção, renda e capital - 1999

(1 000 000 R$)

Usos Operações e saldos Recursos

Conta 1 - Conta de produção

Produção 1 680 344


823 649 Consumo intermediário
Impostos sobre produtos 104 163
Imposto de importação 7 859
Demais impostos sobre produtos 96 304
960 858 Produto interno bruto

Conta 2 - Conta da renda

2.1 - Conta de distribuição primária da renda

2.1.1 - Conta de geração da renda

Produto interno bruto 960 858


360 096 Remuneração dos empregados
359 793 Residentes
303 Não-residentes
157 273 Impostos sobre a produção e de importação
(-) 3 106 Subsídios à produção ( - )
446 596 Excedente operacional bruto inclusive rendimento de autônomos
49 003 Rendimento de autônomos (rendimento misto)
397 593 Excedente operacional bruto

2.1.2 - Conta de alocação da renda

Excedente operacional bruto inclusive rendimento de autônomos 446 596


Rendimento de autônomos (rendimento misto) 49 003
Excedente operacional bruto 397 593
Remuneração dos empregados 360 347
Residentes 359 793
Não-residentes 554
Impostos sobre a produção e de importação 157 273
Subsídios à produção ( - ) (-) 3 106
41 873 Rendas de propriedade enviadas e recebidas do resto do mundo 6 799
926 035 Renda nacional bruta

2.2 - Conta de distribuição secundária da renda

Renda nacional bruta 926 035


2 241 Outras transferências correntes enviadas e recebidas do resto do mundo 4 468
928 261 Renda disponível bruta (1)

2.3 - Conta de uso da renda

Renda disponível bruta (1) 928 261


775 098 Consumo final
153 163 Poupança bruta (1)

Conta 3 - Conta de acumulação

3.1 - Conta de capital

Poupança bruta (1) 153 163


181 813 Formação bruta de capital fixo
14 639 Variação de estoque
25 Transferências de capital 48
(-) 43 266 Capacidade ( + ) ou Necessidade ( - ) de Financiamento
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Contas Nacionais.

35
Quadro 2 - Economia Nacional - Conta do resto do mundo (conta das transações externas) - 1999

(1 000 000 R$)

Usos Operações e saldos Recursos

Conta 1 - Conta externa de bens e serviços

101 809 Exportação de bens e serviços


101 250 Exportação de bens e serviços com emissão de câmbio
559 Exportação de bens e serviços sem emissão de câmbio
Importação de bens e serviços 112 501
Importação de bens e serviços com emissão de câmbio 108 438
Importação de bens e serviços sem emissão de câmbio 4 064
10 692 Saldo externo de bens e serviços

Conta 2 - Conta externa de distribuição primária da renda e transferências correntes

Saldo externo de bens e serviços 10 692


554 Remuneração dos empregados 303
6 799 Rendas de propriedade 41 873
4 064 Juros 31 585
2 735 Dividendos 10 062
Lucros de investimento direto estrangeiro, reinvestido 226
4 468 Outras transferências correntes 2 241
0 Prêmios líquidos de seguros não-vida 251
251 Indenizações de seguros não-vida 0
4 217 Transferências correntes diversas 1 990
43 289 Saldo externo corrente

Conta 3 - Conta externa de acumulação

Saldo externo corrente 43 289


48 Transferências de capital enviadas e recebidas do resto do mundo 25
Variações do patrimônio líquido resultantes de poupança e de transferências de capital 43 266
43 266 Capacidade ( + ) ou Necessidade ( - ) líquida de financiamento
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Contas Nacionais.

Quadro 4 - Componentes do PIB pela ótica da despesa - variação real anual - 1994-1999

(Em %)

Componentes do Produto Interno Bruto 1994 1995 1996 1997 1998 1999

Produto interno bruto 5,85 4,22 2,66 3,27 0,22 0,79

Consumo final 5,87 7,01 3,13 2,90 0,13 (-) 0,25

Consumo das famílias 7,50 8,71 3,70 3,13 (-) 0,52 (-) 1,02

Consumo da administração pública 0,33 1,34 1,38 2,11 2,38 2,31

Formação bruta de capital 13,03 8,09 2,83 8,28 (-) 0,60 (-) 6,41

Formação bruta de capital fixo 14,25 7,29 1,20 9,33 (-) 0,69 (-) 7,65

Exportação de bens e serviços 4,01 (-) 2,03 0,64 11,15 6,57 12,04

Importação de bens e serviços(-) 20,35 30,68 5,39 17,83 2,55 (-) 14,79

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Contas Nacionais.

36
TABELAS DE RECURSOS E USOS – TRU

As tabelas de recursos e usos oferecem informações detalhadas por atividade e produtos. Trata-se, na verdade, de uma
desagregação da Conta de Produção, ou seja, é possível não só o cálculo do Valor Adicionado (PIB) a preços básicos e a
custo de fator por atividade econômica, mas também, por exemplo, a análise da composição dos insumos de cada atividade. Da
mesma forma, é possível desagregar o PIB a preços de mercado pela ótica da despesa em seus componentes (Consumo Final
das Famílias e das Administrações Públicas, Formação Bruta de Capital Fixo, Variação de Estoques, e Exportações menos
Importações) e em termos de sua composição por grupo de Bens e Serviços.

Tabela de recursos e
usos - 1998

1 - Tabela de
recursos de
bens e
serviços
Valores
correntes em
1 000 R$
Oferta de bens e Produção das atividades Importaç
serviços ão
Ser Tot Imp Imp
viço al orta orta
s - -
Ofer Mar Mar Imp Ofer Agr Extr Tra indu Con Co Tra Co Inst Alu Ad Out Du Tot da ção ção
ta gem gem osto ta ope ativ nsfo stri stru mér nsp mu ituiç guéi mini ros mm al sem de
tota s to- - a r- ais ção cio orte ni- ões s stra y da
l -
a de de tal cuá min maç de caç fina ção serv fina ativi eco emi ben
preç a ria eral ão utili civil ões ncei públ iços ncei dad no ssã s e
o de pre- dad ras ica ro e mia o
e
con com tran ço de serv
sum érci spor bási públ câm iços
idor o te co ica bio

Agropecu 9 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0
ária 123 860 496 807 108 104 821 563 105 856
508 525 893 890 343 101 909 073 486 371
422 114 761 743
Extração 20 2 17 27 13 3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 14

mineral 397 114 046 430 806 355 084 970 082 723
470 513 042 876 039 544 776 675 364
Transform 65 10 72 7 0 0 20 4 0 0 4 0 67
ação 739 293 035 346 591 865 134 490 861 398 366 801 238 524 307
539 049 787 148 864 619 696 283 651 263 687 973 556 879
336 352 186 473
Serviços
industriais de
utilidade pú-
blica 46 0 0 4 42 0 11 1 39 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 41
(S.I.U.P.) 176 026 149 525 628 372 012 137
772 972 800 981 209 715 085
Construçã 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
o civil 138 442 138 138 138
689 637 246 246 246
566 929 929 929
Comércio 10 (-) 0 85 3 19 0 22 84 0 0 0 0 25 0 85
643 75 185 725 440 615 699 040 669 622 411 152 573
541 268 653 975 343 784 543 432
087
Transport 42 0 (-) 1 55 0 0 0 0 0 52 2 0 0 0 25 0 0 52
e 698 14 801 475 156 724 549 906 569
379 578 195 906 631 201 381 525
722
Comunica 28 0 0 2 25 0 0 0 0 0 0 0 25 0 0 0 0 0 25
ções 208 421 787 672 672 114
615 089 526 726 726 800
Instituiçõ 81 0 0 3 77 0 0 0 0 0 0 0 0 77 0 0 0 0 77
es 226 637 588 369 369 218
financeira 314 957 357 640 640 717
s
Aluguéis 0 0 3 0 45 1 2 0 1 0 0 7
132 766 132 421 255 506 470 351 128 193 270 132 232
807 803 925 768 759 476 701 667 817 796
453 687 620 455

37
Administr
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
ação
159 159 159 159
pública
931 931 931 931
515 515 515 515
Outros 0 0 5 0 0 59 0 6 1 58 0 0 7 0 12
serviços 185 072 180 970 257 112 310 768 398 153 168 324
908 314 836 107 106 845 427 314 511 608
450 136 305 528
Operações
com o
exterior sem
e-
missão
de câmbio 2 (-)
726 2
664 726
664
## 0 0 ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## 0 ## 2 ##
Total ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## 726 ##
## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## 664 ##
# # # # # # # # # # # # # # # # #

Fonte: IBGE, Diretoria


de Pesquisas,
Departamento de
Contas Nacionais.

2 - Tabela de
usos de bens
e serviços

Consumo intermediário das atividades Demanda final


Ofer Mar Mar Ofer Ser Tot Exp Exp Con For
ta gem gem ta viço al orta orta sum maç
tota to- s - - o ão
l
a de de Imp tal Agr Extr Tra indu Con Co Tra Co Inst Alu Ad Out Du Tot da ção ção da Con brut Vari De
preç osto a ope ativ nsfo stri stru mér nsp mu ituiç guéi mini ros mm al sem de maad sum a de açã
o de s pre- - a r- ais ção cio orte ni- ões s stra y da mini o o nda
- s-
con com tran ço cuá min maç de civil caç fina ção serv fina atiiv eco emi ben traç das capi de final

sum érci spor bási ria eral ão utili ões ncei públ iços ncei idad no ssã se ão tal esto
idor o te co dad ras ica ro e mia o pú- que
e
públ de serv blic fam fixo
ica câm iços a ílias
bio

Agropecu 18 13 58 14 0 0 0 0 0 0 1 2 0 81 3 0 32 2 3 42
ária 123 836 925 258 502 829 227 180 092 922 774 537 328
508 006 901 775 049 158 632 918 784 930 264
422
Extração 20 14 59 0 0 0 0 0 0 0 0 16 44 0 0 0 (-)
mineral 397 427 879 027 752 628 023 612 238 373
470 923 707 481 905 768 309 607 702
Transform 20 3 2 44 24 17 1 1 13 36 0 53 0 848
ação 739 542 245 211 151 962 989 980 796 745 306 688 103 378 338 250 287 971 361
539 167 964 021 201 636 723 341 072 740 897 549 924 534 368 407 355 931 005
336 045 259 423 077
Serviços
industriais de
utilidade pú-
blica 46 8 12 1 3 1 0 29 0 0 16 0 0 16
(S.I.U.P.) 176 459 562 464 796 165 577 250 168 419 202 096 820 984 192 192
772 688 478 633 669 593 002 955 799 259 669 158 511 414 358 358
Construçã 3 5 0 3 0 12 0 0 0 0
o civil 138 652 113 914 133 265 293 324 126 992 961 501 631 126
689 664 743 947 283 026 800 857 450 305 796 523 058
566 043
Comércio 10 7 0 1 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0
643 156 260 318 153 651 595 135 507 507
541 928 198 025 262 363 903 679 862 862
Transport 42 1 6 97 4 6 4 1 0 22 0 19 0 0 20
e 698 256 369 409 381 186 344 398 377 880 873 290 618 234 503 960 463
379 417 981 420 851 366 295 577 173 571 860 765 289 325 614
Comunica 28 44 4 2 1 66 1 2 0 14 0 13 0 0 14
ções 208 509 159 511 105 364 724 995 236 615 905 330 042 195 180 832 012
615 098 909 160 394 034 173 473 441 234 545 875 253 487 740

38
Instituiçõ 81 6 2 1 7 1 1 41 63 48 0 17 0 0 17
es 226 642 724 105 599 540 509 248 323 226 218 137 007 682 965 148 212 260
financeira 314 029 281 803 140 820 285 884 977 231 037 860 198 205 750 416 564
s
Aluguéis 18 2 4 1 54 1 0 11 12 0 0 0
132 269 120 044 315 210 847 471 298 375 719 028 985 771 740 121 121
807 231 256 434 892 884 883 196 646 395 393 198 023 036
453 515 255
Administr 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0
ação 159 159 997 159
pública 931 920 931
515 518 515
Outros 1 1 12 1 2 11 2 1 11 23 7 0 78 4 0 2 0
serviços 185 715 610 234 199 999 937 913 546 687 134 101 351 431 566 100 082 107
908 588 056 649 951 450 753 474 368 195 121 264 430 299 409 828 408 477
450 334 151
Operações
com o
exterior sem
e-
missão 0 (-)
de câmbio 354 354
595 595
## ## ## ##
## 8 ## ## ## ## ## 4 ## 4 ## ## ## ## #### ##
Total ## ## 059 ## ## ## ## ## 874 ## 980 ## ## ## ## 354 ## ## ## #### ##
## ## 583 ## ## ## ## ## 319 ## 671 ## ## ## ## 595 ## ## ## #### ##
# # # # # # # # # # # # # # # # #
Componentes do valor adicionado
Valor 93 67 5 22 82 58 23 21 52 (-)
adicionad 176 891 220 163 156 790 432 926 223 771 123 124 101 41 806 899
o bruto ( 497 999 218 729 181 883 063 398 438 431 720 879 577 682 637 814
PIB ) 581 949 526 173 205 635 132
Remunera 9 1 49 9 8 25 13 4 27 1 53 0
ções 164 643 094 871 945 550 167 638 006 559 123 884 328 328
939 299 762 860 997 444 406 358 725 006 683 536 210 210
184 516 516
Salários 8 1 38 6 7 21 10 3 21 1 77 44 0

055 129 634 692 448 047 532 509 024 350 988 213 241 241 TABELA DE
281 376 273 624 218 892 986 565 686 339 867 887 627 627 RECURSOS E
994 994 USOS
Contribuições 1 10 3 1 4 2 1 5 8 9 0 49 49
sociais efetivas 109 513 460 179 497 502 634 128 982 208 664 670 553 553
658 923 489 236 779 552 420 793 039 667 954 649 159 159
1 9 1 1 4 2 4 8 9 0 44 44 I - Tabela de
Previdênci 104 266 483 760 485 473 426 746 815 208 501 584 856 856 recursos de
a oficial 124 494 300 309 766 153 960 524 175 667 309 696 477 477 bens e
/FGTS serviços
5 1 12 29 1 0 85 0 4 4 Ofer Pro Imp
Previdênci 534 247 977 418 013 399 207 382 166 163 953 696 696 ta duç orta
a privada 429 189 927 460 269 864 645 682 682 ão ção
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 37 0 0 37 A237
Contribuiç 029 029 029 A A1
ões 363 363 363 = +
sociais
imputada
s
Excedente operacional
bruto inclu-
sive rendimento de 59 3 11 70 29 10 15 23 0 42 (-) II - Tabela de usos
autônomos 655 182 100 070 068 672 278 831 057 121 545 41 445 445 de bens e serviços
406 283 467 698 421 692 488 776 044 446 934 682 594 594
040 740 205 317 317
3 0 4 16 5 0 2 0 16 0 49 49 Ofer Con De
Rendimen 331 100 105 448 056 846 285 449 995 620 620 ta sum ma
to de 619 570 931 270 853 113 830 313 962 461 461 o nda
autônomo
s
Excedente 59 3 97 11 65 13 4 15 20 0 25 (-) inte final
operacional 323 081 361 070 620 615 432 831 771 120 549 41 395 395 rme
bruto (EOB) 787 713 109 698 151 839 375 776 214 997 972 682 973 973 diár
Impostos 427 205 856 856 io
líquidos B2
de A B1
subsídios = +
so-

39
bre a 93 (-) 14 1 3 3 2 1 5 0 32
produção 176 928 394 167 213 776 208 480 753 707 715 196 146 832 126
e a 497 346 636 779 623 465 927 504 304 662 203 342 703 802 009
importaçã 299
o
Impostos 93 93 Compone
líquidos 176 176 ntes do
sobre 497 497 valor
produtos
Outros 2 14 3 1 3 1 2 1 5 0 36 36 adicionad
impostos sobre 627 394 655 295
951 636 782 802 707 715 196 146 o
287 287
a produção 636 981 653
349 029 864 788 662 203 342 703 837 837
Outros (-) 0 (-) (-)
(-) (-) (-) (-) 0 0 0 0 0 (-) C(-)
subsídios 930 488 382
174 427 1 49
à 973 202 030
884 102 302 484 455 455
produção 360 035 035
Valor da 13 39 54 26 77 1 0 1
produção 111 279 495 629 138 113 510 097 721 128 172 154 525 525
995 801 040 318 268 306 203 757 116 701 939 235 726 726
175 446 969 499 620 540 879 323 323
Pessoal 13 7 3 8 2 5 17 0 59 59
ocupado 758 222 400 217 632 789 454 162 765 274 132 067 877 877
000 600 600 000 600 900 600 800 100 000 500 600 300 300

40
41
NOÇÕES SOBRE BALANÇO DE PAGAMENTOS

Balanço de Pagamentos é o registro contábil de todas as transações efetuadas em dado período entre agentes econômicos
internos (públicos e privados) e o Resto do Mundo. São variáveis fluxo, isto é, “zeram” ao final de cada período.

Os dados do balanço de pagamentos são publicados em milhões de dólares norte-americanos, em valores correntes, sem
ajustamento sazonal. Compreendem o país como um todo e estão compilados de acordo com os critérios estabelecidos na 5ª
edição do Manual de Balanço de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional – BPM-5.

As seguintes informações são publicadas mensalmente:

transações correntes: exportações, importações e saldo da balança comercial; receita, despesa e saldo de serviços e rendas;
receita, despesa e saldo de serviços totais e os relacionados a transportes, viagens internacionais, seguros, financeiros,
computação e informação, royalties e licenças, aluguel de equipamentos, governamentais e outros serviços; receita, despesa e
saldo de rendas, incluindo salários e ordenados, renda de investimento direto (lucros e dividendos e juros de empréstimos
intercompanhia), renda de investimento em carteira (lucros e dividendos e juros de títulos de dívida) e renda de outros
investimentos (incluem juros de empréstimos, financiamentos, depósitos e outros ativos e passivos); saldo de transferências
correntes; e saldo de transações unilaterais correntes;
conta de capital: saldo da conta capital (inclui as transferências de patrimônio e compra e venda de ativos não
produzidos/não-financeiros);

conta financeira: total da conta financeira;

receita, despesa e saldo de investimentos diretos; retorno, saída e saldo de investimentos diretos brasileiros no exterior
(retorno, saída e saldo de participação no capital e amortização, desembolso e saldo de empréstimos intercompanhia);
ingresso, saída e saldo de investimentos diretos estrangeiros no país; ingressos de investimentos diretos estrangeiros no
país destinados a participação no capital na forma de moeda (autônomos e privatizações), conversões (autônomos e
privatizações) e mercadorias; retornos de participação no capital; desembolso, amortização e saldo de empréstimos
intercompanhia

receita, despesa e saldo de investimentos brasileiros em carteira, receita, despesa e saldo de investimento brasileiros em
ações - com destaque para o programa BDR – Brazilian Depositary Receipts – e receita, despesa e saldo de títulos de renda
fixa (bônus, notes, commercial papers), com destaque para as aplicações em bônus relativos à formação de colaterais
(plano Brady); receita, despesa e saldo de investimento estrangeiro em carteira negociados no país e negociados no
exterior; receita, despesa e saldo investimentos estrangeiros em ações; receita, despesa e saldo de investimentos
estrangeiros em títulos de renda fixa (bônus, notes e commercial paper), com destaque para a troca de bônus; receita,
despesa e saldo de investimentos estrangeiros em títulos de curto prazo

total de operações com derivativos, ativos e passivos;

total de outros investimentos (inclui os créditos comerciais, empréstimos, moeda e depósitos, outros ativos e passivos e
operações de regularização); total de outros investimentos brasileiros, classificados em: empréstimos – receita, despesa e
saldo de empréstimos de longo prazo, saldo de empréstimos a curto prazo, moeda e depósitos separados por bancos e
demais setores (destaque para a movimentação das garantias colaterais – plano Brady) e outros ativos, com receita,
despesa e saldo de ativos de longo prazo e ativos de curto prazo pela movimentação líquida; total de outros investimentos
estrangeiros, compreendendo desembolso, amortização e saldo de crédito comercial de longo prazo e o líquido de crédito
comercial a curto prazo, desembolso, amortização e saldo de empréstimo de longo prazo da Autoridade Monetária –
destaque para as operações de regularização (FMI e demais instituições) – desembolsos, amortizações e saldo dos
empréstimos a longo prazo dos demais setores, discriminados pelos credores externos (organismos internacionais, agências
governamentais, créditos de compradores e empréstimos diretos); moeda e depósitos pelas variações líquidas e os saldos de
outros passivos de longo e curto prazos;

erros e omissões;

variação dos haveres da Autoridade Monetária (= Saldo do Balanço de Pagamentos)

A balança comercial é compilada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) com base nos registros
alfandegários no SISCOMEX. Os dados de serviços e rendas, transferências correntes, conta capital e financeira são
compilados com base nas operações de câmbio realizadas nas instituições autorizadas a operar no mercado de câmbio,
considerando, também, as transações em moeda nacional realizadas entre residentes e não residentes. Essas operações são
compulsoriamente registradas no Sistema de Informações Banco Central (SISBACEN-CÂMBIO). Adicionalmente, são
consideradas informações provenientes de pesquisas em empresas privadas, relatórios de órgãos governamentais e dos
balancetes de instituições financeiras.

42
DÉFICIT/SUPERÁVIT E AJUSTE DO BALANÇO DE Base Monetária: compõe-se do papel-moeda emitido e
PAGAMENTOS mais as reservas bancárias em depósito no BACEN. A base
Num sistema de taxas de câmbio flutuantes (ou flexíveis monetária é o passivo monetário do BACEN. É composta
ou livres), o BP ajustar-se-á automaticamente. Se houver também, desde 94, pelos saldos do BBC (Bônus do Banco
superávit, o excesso de divisas depreciará a moeda Central) e LBC (Letras do Banco Central), e todos os
estrangeira (tornando-a mais barata), o que conduzirá à títulos de emissão do Tesouro, criando o conceito de Base
elevação das nossas importações e queda nas nossas Monetária Ampliada.
exportações, anulando-se o superávit – e vice-versa.
Reservas Bancárias: são compostas por:
Nesse sentido, a política monetária torna-se livre, já que o a) papel-moeda guardado nas caixas e nos cofres dos
Banco Central não tem compromisso com a taxa cambial. bancos comerciais, e, são mantidos para compensar os
eventuais excessos de pagamentos sobre recebimentos
Mas a política fiscal, nesse sistema, perde sua eficácia. em papel-moeda pelos bancos.
Já num sistema de taxas cambiais fixas, tornar-se-á b) Depósitos compulsórios: são exigidos por lei ou
necessário um ajuste via política fiscal, pois este sistema regulamentação das Autoridades Monetárias (CMN e
engessa a política monetária. Se houver superávit, o BACEN) e recolhidos ao BACEN como uma proporção dos
Governo corta suas despesas e/ou aumenta seus tributos; depósitos à vista e a prazo. O depósito compulsório regula
e vice-versa. Outra alternativa seria simplesmente a o multiplicador bancário ( quanto maior a taxa de
desvalorização, pelo Banco Central, da moeda doméstica. recolhimento, menor o multiplicador), imobilizando uma
AS CONTAS DO SISTEMA FINANCEIRO E O parte maior ou menor dos depósitos bancários e os
MULTIPLICADOR BANCÁRIO recursos de terceiros que nelas circulem, restringindo ou
alimentando o processo de expansão dos meios de
Existem quatro séries distintas de Meios de Pagamento, e pagamento, sendo, portanto, um poderoso instrumento de
que recentemente, três destas, tiveram seu conceito política monetária.
alterado pelo BACEN, que são : M1, M2, M3 e M4.
Os novos conceitos de meios de pagamento ampliado
representam mudança de critério de ordenamento de seus SELIC – SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E
componentes, que deixaram de seguir o grau de liquidez CUSTÓDIA:
passando a definir os agregados por seus sistemas Desenvolvido pelo BACEN e pela ANDIMA (ASSOCIAÇÃO
emissores. NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DO MERCADO ABERTO),
Meios de Pagamento pelo conceito tradicional de liquidez operando com títulos do Tesouro e do Bacen. São feitos
imediata: negócios pelo sistema, que são acertados diretamente
M1 : Papel Moeda em poder do público (Moeda Manual) + entre os operadores das instituições financeiras
Depósitos à Vista nos Bancos Comerciais. credenciadas a operar no mercado, que repassam as
MEIOS DE PAGAMENTO AMPLIADOS (OU, “QUASE- informações, via terminal, ao SELIC, para que ocorram as
MOEDA”): transferências do dinheiro e dos títulos envolvidos. As
M2 : é o M1, mais as demais emissões de alta liquidez instituições que operam à conta do Banco Central são
realizadas primariamente no mercado interno por denominadas de “dealers”. As operações podem adquirir e
instituições depositárias. Sucintamente: M2 = M1 + vender títulos todos os dias criando uma taxa chamada de
Depósitos em Cadernetas de Poupança + Títulos emitidos “overnight”. Por ter liquidação prevista para o ato da
por instituições financeiras (CDBs; RDBs; LCs; LHs; LIs; negociação, a taxa é chamada também de D0.
etc) CETIP-CENTRAL DE CUSTÓDIA E DE LIQUIDAÇÃO
M3 : é o M2 mais captações internas por intermédio dos FINANCEIRA DE TÍTULOS PRIVADOS
fundos de renda fixa e das carteiras de títulos públicos Similar ao acima, só que abrigando apenas papéis
registrados no SELIC e que dão lastro às posições líquidas privados, como CDBs, debêntures, CDI, etc. Algumas
de financiamentos de operações compromissadas; vezes o sistema pode operar com títulos públicos que
M4 : é o M3 mais os títulos públicos em poder do setor estejam em carteiras de instituições privadas. Essas
não-financeiro. operações processam-se por transferências bancárias de
fundos e somente após suas quitações o sistema
ALGUNS CONCEITOS: providencia a transferência de custódia. Sua taxa é
conhecida como D1, pois toda compra de títulos somente
Papel-moeda em poder do público (PMPP): corresponde terá sua liquidação financeira efetuada no dia seguinte,
ao papel-moeda emitido menos o papel-moeda depositado mas, por ser liquidada mediante cheques administrativos
no BACEN, menos a caixa em moeda corrente dos bancos de bancos é ainda denominada de taxa ADM
comerciais. (administrativa).
Papel-moeda emitido: corresponde ao total da moeda
legal existente, autorizada pelo Governo ou BACEN. Fatores condicionantes da Base Monetária
São estes os fatores que alteram, em uma ou outra
direção, a Base Monetária:
Depósitos do Tesouro Nacional;
Operações com títulos públicos federais;
Operações do setor externo;
43
Assistência Financeira de Liquidez; Instrumentos de Política Monetária:
Aplicações da Reserva Monetária; A Autoridade Monetária dispõe de instrumentos que lhe
Depósitos de Instituições Financeiras e de Fundos. possibilitam atuar sobre a liquidez do sistema, elevando-o
Segue-se que, operações do BACEN que afetem as (ação de “irrigação” da economia) ou reduzindo-o
variáveis acima, impactam positivamente ou (“enxugamento” da liquidez). São eles, classicamente, 3
negativamente a Base Monetária. Assim, p.ex., se o BC (três):
adquirir haveres no mercado ou mesmo do Governo
(títulos, ouro, divisas) estará ampliando a BM; se vender,
Taxa da reserva (depósito ou recolhimento) compulsória
a estará reduzindo. Ressalte-se que, se a taxa cambial
(ou legal): se esta for elevada, o sistema bancário, além
subir (moeda interna desvalorizar-se/depreciar-se
de recolher um diferencial para ajuste de sua posição no
relativamente às moedas estrangeiras), também haverá
BACEN, passará a dispor de menor parcela sobre o
expansão da Base Monetária - e vice-versa.
incremento dos depósitos - e, assim, verá refreado o seu
poder de criar moeda escritural, visto que, na margem,
BALANÇO DOS BANCOS COMERCIAIS emprestará menos do que antes; e, vice-versa;

ATIVO PASSIVO
Caixa e Dep. Nas Aut. Depósitos do Público (= Taxa do redesconto (assistência) de liquidez: se esta for
Monetárias (= R) D) elevada, o sistema bancário passará a emprestar com
Crédito Interno (= Cib) mais cautela, reduzindo, dessarte, o risco da necessidade
de recorrer ao redesconto de liquidez, com efeito, similar
BALANÇO DA AUTORIDADE MONETÁRIA ao acima relatado; e, vice-versa;
ATIVO PASSIVO Operações no Mercado Aberto (Open market): se o BACEN
Reservas Internacionais (= F) Base Monetária (= B) efetuar aquisições líquidas de haveres financeiros, estará
Crédito Interno (= CIc) ampliando a liquidez; e, vice-versa.
No Brasil, o BACEN em algumas vezes recorreu a um
outro instrumento, menos usado, de contenção da
liquidez, que é o contingenciamento do crédito
BALANÇO CONSOLIDADO (estabelecimento de limites quantitativos à expansão
ATIVO PASSIVO deste pelos bancos).
Reservas Internacionais (= F) PMPP ( C = B – R)
Crédito Interno (CIb + CIc) Depósitos (=D)
Efeitos das variações na liquidez sobre as taxas de juros
OFERTA DE MOEDA = F + CI OFERTA DE MOEDA = C +
A moeda, tal como qualquer outra mercadoria
D
transacionada (demandada e ofertada) no mercado, tem
um preço, que é o custo de se obtê-la ou o ganho por
RELAÇÕES IMPORTANTES: cedê-la: a taxa de juros. Assim, quando há um aumento
B = C + R ; em que B é a Base Monetária em sua oferta, com demanda constante; ou, um aumento
BALANÇO DO BANCO CENTRAL EM EQUILÍBRIO: em sua oferta que venha a suplantar um eventual
B = F + CIC aumento em sua demanda, o excesso dessa mercadoria
BALANÇO DOS BANCOS COMERCIAIS EM EQUILÍBRIO: deprimirá seu preço - a taxa de juros cairá; e, vice-versa.
D = R + CIb Daí que o Banco Central, ao utilizar-se dos instrumentos
de política monetária citados, provocará oscilações, para
Multiplicador Bancário dos Meios de Pagamento cima ou para baixo, da taxa de juros.
(M1 / D):

m = 1 / 1 - (1-c).(1-r).

em que "c" é a relação comportamental do público


chamada de preferência pela liquidez, ou seja, o
percentual dos seus ativos monetários que os indivíduos
preferem reter em moeda manual (MM/DV);
"r" é o percentual das reservas bancárias (voluntárias
mais legais).

Assim, um depósito efetuado em um banco, no valor de


200 milhões; "c" é 25% e "r" é 10%, então:
No exemplo dado, teríamos:
m = 1/ 1 - (0,75).(0,90)= 3,077 x 200 = 615,38; que
seria o aumento em M1.

Multiplicador da Base Monetária (M1 / B):


∆M1 = ∆B ( c + 1)/c + r
Exemplo: se “c” é 25% e r = 10%; e ∆B = 200 milhões,
então:
∆M1 = ((0,25 + 1) /( 0,25 + 0,1)) x 200 = 720 milhões.

44
2-MACROECONOMIA KEYNESIANA. HIPÓTESES (inversamente) e da Eficiência Marginal do Capital (Taxa
BÁSICAS DA MACROECONOMIA KEYNESIANA. AS Interna de Retorno, em linguagem moderna), ou seja, o
FUNÇÕES CONSUMO E POUPANÇA. DETERMINAÇÃO Investimento cresce se a EMC for maior do que a taxa de
DA RENDA DE EQUILÍBRIO. O MULTIPLICADOR juros.
KEYNESIANO. OS DETERMINANTES DO
INVESTIMENTO.
MULTIPLICADOR SIMPLES DO INVESTIMENTO
MACROECONOMIA KEYNESIANA É uma constante que relaciona a VARIAÇÃO NA RENDA
NACIONAL (dY) causada pela variação no Investimento
Hipóteses básicas:
Economia fechada e sem governo; (dI). Assim:
Consumo e Poupança sendo funções do nível da Renda dY = dY/dI (dI), sendo o multiplicador do Investimento =
Absoluta dos indivíduos; dY/dI, que é dado pela seguinte relação: 1 / 1 – PMgC ;
O Investimento é tratado inicialmente como variável ou, o que dá no mesmo, o inverso da PGgS: 1/PMgS
dada. O multiplicador só causará efeitos efetivos na Renda real
se houver capacidade ociosa na economia. Se esta já
TEORIA DO CONSUMO estiver à plena capacidade, seu efeito será meramente
O problema é: Keynes formulou sua “função-consumo” de NOMINAL (isto é, monetário ou inflacionário).
maneira apriorística, isto é, não procurando comprovação Além disso, o multiplicador NÃO possui efeito “de uma vez
empírica., com: Propensão marginal a consumir positiva, para sempre”, isto é, ele esgota seu mecanismo ao final
porém inferior à unidade e também DECRESCENTE; além de um período. Para que haja variação CONTINUADA na
disso, propensão média a consumir maior do que a Renda teria que haver nova variação no Investimento.
propensão marginal a consumir, podendo inicialmente ser
maior do que a unidade, mas também decrescendo. OS DETERMINANTES DO INVESTIMENTO
Assim: C = f (Y), com PMeC = C/Y e PMgC = dC/dY,
sendo a primeira positiva para qualquer valor da Renda; I = f (EMC; r)
e, a segunda, positiva mas inferior à unidade.
Complementares à “Função-Poupança”: S = f(Y), em que Em que "r" é a taxa de juros do mercado de capitais;
PMeS = S/Y e PMgS = dS/dY, a primeira sendo positiva ou EMC é a Eficiência Marginal do Capital, ou seja, a taxa que
negativa e complementar à PMeC; e a segunda sempre iguala o total dos retornos líquidos esperados do
positiva e inferior à unidade (com PMgC + PMgS = 1). investimento ao valor do capital investido.
OBSERVAÇÃO: GRÁFICOS EM SALA Ao contrário da estabilidade da variável Consumo, Keynes
Modelo de Demanda Agregada de inspiração julgava que as crises econômicas eram causadas
keynesiana: exatamente pela instabilidade do Investimento, a qual,
Caracteriza-se por um conjunto de equações com o por seu turno, resultava dos humores do empresariado
objetivo de se determinar o nível de equilíbrio do mercado em suas projeções quanto ao futuro (“ espírito animal”)
de bens e serviços, ou seja, aquele nível em que não há
impactos recessivos nem inflacionários sobre o nível das
atividades de uma economia, conseguido se, “ex-ante”,
um conjunto de variáveis denominadas de “injeções”, em
SETOR GOVERNO E POLÍTICA FISCAL
seu somatório vier a igualar-se com o outro conjunto de
Com a introdução do Setor Público no modelo keynesiano,
variáveis denominadas de “vazamentos” ou “filtrações”
teremos:
(leakages).
Assim, a equação de equilíbrio seria (para economia
fechada e sem governo): Y=C+I+G
Y=C+I C = cYd (Yd=Renda Disponível; “c” é a PMgC)
Em que: Yd = Y – T + Tr
Y = Renda Nacional; T = Ta + tY (Ta são os Tributos autônomos e tY os
C = Consumo das famílias;
I = Investimento induzidos, com “t” sendo a PMgT)

Atribuindo-se os devidos valores às variáveis, obtém-se o Tr são as Transferências do Governo (tipo Pensões e
nível de equilíbrio do lado real da economia, visto que a Aposentadorias)
Renda Nacional terá como contrapartida a Demanda
Agregada. A Renda de Equilíbrio será:

Esse equilíbrio se dá no nível da Renda em que a Y = c(Y – T + Tr) + I + G; ou: Y = cY – cT + cTr + I + G;


Poupança “ex-ante” foi igual ao Investimento “ex-ante”.
S=Y ou: Y = cY – c(Ta + tY) + cTr + I + G; donde, finalmente:
Para Keynes, o Investimento é menos estável do que o
Consumo, sendo dependente da taxa de juros

45
Y = cY – cTa + ctY + cTr + I + G (que é o nível de Este é um exemplo de um argumento mais geral
equilíbrio). apresentado por James Tobin: deveria haver uma relação
Haverá equilíbrio na economia se: I + G + Tr = S + T (ou firme entre o mercado de ações e o investimento. Ao
seja: as injeções = vazamentos) decidir se iriam investir, argumentava, as empresas não
MULTIPLICADORES: precisariam recorrer a cálculos complexos como os que
se houverem apenas tributos do tipo autônomos, ou seja, vimos no texto. Com efeito, o preço das ações diz às em-
com alíquota “t” = 0: presas qual o valor que o mercado atribui a cada unidade
dY = ( dY/dTa)dTa multiplicador dos tributos de capital já instalada. A empresa tem então um
dY = ( dY/dG)dG multiplicador do Gasto Público problema simples: comparar o preço de aquisição de uma
Daí que se: dG = dT teremos o multiplicador unitário (ou, unidade adicional de capital com o preço que o mercado
de Haavelmo; ou, do orçamento equilibrado), isto é, se o está disposto o pagar por ela. Se o valor atribuído pelo
Gasto crescer no mesmo valor do Tributo, o nível da mercado de ações superar o preço de aquisição, a empre-
Renda crescerá NESSE MESMO VALOR; sa deveria adquirir a máquina; caso contrário não deveria
fazê-lo.
Similarmente, se dTa = dT, a Renda não sofrerá variação Tobin construiu então uma variável correspondente ao
(dY = 0); valor de uma unidade de capital já instalada em relação a
mas, se ocorrerem os dois tipos de tributos: autônomos E seu preço de aquisição e observou como suas variações se
os induzidos, o resultado será ligeiramente diferente: a aproximavam daquelas do investimento. Ele utilizou a
Renda ainda cresce se dG = dT, mas proporcionalmente letra “q” para denominar a variável e esta se tornou co-
menos, pois haverá um vazamento para pagar o imposto nhecida como q de Tobin. Sua construção segue os
de renda. Exercício em sala. seguintes passos:
(1) Pegue o valor total das empresas dos EUA,
COM ECONOMIA ABERTA: segundo a avaliação dos mercados financeiros. Isto é,
ACRESCENTAM-SE AINDA DOIS NOVOS calcule a soma de seus valores de mercado (o preço da
MULTIPLICADORES: ação multiplicado pelo número de ações). Calcule também
o valor total de títulos em circulação (as empresas se
financiam não apenas por meio de ações mas também de
O das Exportações : 1 / denominador comum
títulos). Some o valor de ações e títulos.
I das Importações autônomas: 1 / denominador comum
2) Divida este valor total pelo valor do estoque de
se todas as Importações forem autônomas; Se ocorrerem
capital das empresas dos EUA a custo de reposição (o
também Importações induzidas (endógenas), acrescenta-
preço que as empresas pagariam para substituir suas
se no denominador a Propensão Marginal a Importar (
máquinas, instalações e assim por diante).
“m”);
A razão entre ambos nos proporciona o valor de uma
COM INVESTIMENTOS ENDÓGENOS OU INDUZIDOS
unidade de capital instalado em relação a seu preço
PELA RENDA:
corrente de aquisição. Essa razão o q de Tobin.
Intuitivamente percebemos que quanto mais elevado for q
O denominador dos multiplicadores será acrescentado da maior será o valor do capital em relação a seu preço
Propensão Marginal a Investir: (“-i”). corrente, e, portanto, maior terá que ser o investimento.
(No exemplo do início deste quadro, o q de Tobin é igual a
SUPERMULTIPLICADOR: 2, a empresa deveria, definitivamente investir.)
Qual a firmeza da relação entre o q de Tobin e o
Considerando todas as variáveis possíveis: investimento? A resposta é dada pela Figura 1, que
mostra as duas variáveis, ano a ano, de 1947 a 1990, nos
∆Y = Ca + Ia + G +cTa + cTG + X – Ma EUA.
((1-c)+ct+m-i)) No eixo vertical esquerdo está a taxa de variação da razão
NOVAS TEORIAS: INVESTIMENTO E MERCADO DE entre investimento e capital. No eixo da direita está
AÇÕES (JAMES TOBIN). medida a taxa de variação do q de Tobin. Esta variável
Imagine uma empresa que possua 100 maquinas e 100 está defasada de um ano. Em 1987, por exemplo, a figura
ações em circulação — uma ação por máquina. Imagine mostra a taxa de variação da razão entre investimento e
que o preço da ação seja de US$2 e o da máquina seja de capital de 1987 e o taxa de variação do q de Tobin do ano
apenas US$1. Obviamente a empresa deveria investir — de 1986— isto é um ano antes. O motivo desta
comprar uma nova máquina e financiar a compra por apresentação é que a relação mais firme dos dados é
meio da emissão de uma ação. Cada máquina custa para aquela entre o investimento deste ano e o q de Tobin do
a empresa US$1, mas os participantes do mercado de ano passado. Dito de outra forma, variações no taxa de
ações estão dispostos a pagar US$2 por ação investimento estão associadas mais estreitamente a
correspondente a essa máquina uma vez instalada na variações do mercado de ações no ano anterior do que no
empresa. ano corrente; isto pode ser a conseqüência de que as
empresas levam tempo para tomar decisões de
investimento, construir novas fábricas e assim por diante.

46
A mensagem da figura é clara: há uma relação firme
entre o q de Tobin e o investimento. Isto provavelmente
não seja porque as empresas seguem cegamente os sinais
do mercado de ações, mas porque as decisões de
investimento e os preços nos mercados de ações
dependem dos mesmos fatores — lucros futuros
esperados e taxas de juro frituras esperadas.

FIGURA 1

q de Tobin versus coeficiente investimento/capital.


Taxas anuais de variação, 1947-1990.

No eixo das Ordenadas:

TAXA DE VARIAÇÃO DA RAZÃO ENTRE INVESTIMENTO


E CAPITAL

ANOS

47
3–O MODELO IS-LM. O EQUILÍBRIO NO MERCADO Le (demanda especulativa) positiva, se R/r - R/r' for maior
DE BENS. A DEMANDA POR MOEDA E O EQUILÍBRIO do que R
NO MERCADO MONETÁRIO. O EQUILÍBRIO NO ou: r' > r / 1 - r
MODELO IS/LM. POLÍTICAS ECONÔMICAS NO Assim, por exemplo, se r = 6% haverá Le se r > 6,38%
MODELO IS/LM. EXPECTATIVAS NO MODELO
IS/LM. Ainda conforme Keynes, haveria um piso na taxa de juros
(uns 2% aa, arriscava). Neste ponto, só se poderia
esperar uma SUBIDA na taxa de juros, pelo que,
O LADO MONETÁRIO: possivelmente todos entesourariam moeda.
Antes de ingressarmos no modelo Hicks-Hansen (IS-LM), Tratando a Oferta de Moeda com dada, segue-se que o
também conhecido como “a Síntese Neoclássico- equilíbrio no mercado monetário será:
Keynesiana”, é necessário entendermos como os Lt + Lp + Le = Ms
economistas clássicos viam a questão monetária. Gráfico em sala.

Valia a chamada Teoria Quantitativa da Moeda, a qual


postulava que as variáveis NOMINAIS não afetavam as do O MODELO IS-LM (Gráficos em sala
lado real da economia, ligando-se apenas à outras
variáveis puramente nominais. Guardava-se moeda
apenas para transações, visto que a mesma seria um
ativo estéril.

A base desse pensamento é a chamada Equação de


Trocas:

MV = Py
Em que “M” são os Meios de Pagamento circulantes; “V” é
a velocidade de circulação da Renda; “P” é o nível médio
Lado real: o equilíbrio ocorre se as injeções equivalerem
dos preços; e “y” é o Produto físico (real).
aos vazamentos da Renda, ou seja:
Da equação acima, deduz-se facilmente (em sala) que há
uma relação direta entre as variações nos Meios de
Pagamento e nos Preços. I+G+X = S+T+M
Mais ainda: em uma primeira versão clássica, os Meios de
Pagamento deveriam variar na mesma proporção da taxa O lado real será determinado pela curva IS.
do Produto real. Se mais, haveria inflação; se menos,
deflação (veremos adiante, nas Teorias de Inflação). O Lado monetário ou nominal: pela curva LM.
A curva IS é o lugar geométrico que mostra as "n"
Contudo, na Revolução Keynesiana, a Demanda ou alternativas de combinações entre a taxa de juros e o
(Preferência) por Liquidez (Moeda) possui três nível da Renda, compatíveis todas com situações de
componentes: equilíbrio no lado real da economia;
Transacional = função da Renda A curva LM é o lugar geométrico que mostra as "n"
Precaucional = idem alternativas de combinações entre a taxa de juros e o
Especulativo (não existe para os clássicos, pois não nível da Renda, compatíveis todas com situações de
haveria razão para entesouramento perante taxas de equilíbrio no lado nominal (monetário) da economia.
juros positivas no mercado de capitais). A curva IS é descendente e sua inclinação depende da
elasticidade do Investimento em relação à taxa de juros.
Será menos inclinada se essa elasticidade for alta - e vice-
Porém Keynes argumenta que:
R = ganho anual de um título (exemplo: uma debênture versa;
perpétua); A LM é, basicamente, ascendente, embora na formulação
r = taxa de juros anuais mais antiga tenha dois trechos diferentes: na armadilha
Preço do título: P = R / r da liquidez é infinitamente elástica; à taxas de juros
Se o indivíduo julgar que no período seguinte r' deverá ser excepcionalmente elevadas pode tornar-se totalmente
maior do que hoje (r), então poderia deixar para comprar inelástica.
o título depois - mas perderia R do atual período. POLÍTICA ECONÔMICA NO MODELO IS-LM
Com um pouco de matemática, pode-se inferir que sua POLÍTICA MONETÁRIA
perda pelo adiamento, devido à baixa de cotação (preço) Curvas IS LM
do título, será: Muito inelástica Ineficaz ou Pouco Eficaz
R/r - R/r' Pouco inelástica Eficaz Ineficaz ou Pouco
Se essa perda for maior do que R do período atual, será
melhor entesourar, ou seja,

48
POLÍTICA FISCAL
Se as expectativas quanto ao nível da Renda esperada e
Curvas IS LM quanto à taxa de juros não se alterarem, então a IS se
Muito inclinada Eficaz Ineficaz ou Pouco deslocará para a esquerda e o nível da renda cairá;
Pouco inclinada Ineficaz ou Pouco Eficaz No MÉDIO PRAZO: a redução anterior levará à queda nos
Os GRÁFICOS EM SALA mostram os resultados juros, seguindo-se um aumento no Investimento.
acima. Teremos então dois movimentos: o corte nos Gastos
reduz a Renda e o dos juros a eleva. Possivelmente o
resultado disso será a estabilização da Renda no médio
prazo;

No LONGO PRAZO: os efeitos do aumento do


Investimento (multiplicadores) redundarão em incremento
na capitalização e, daí, aumento no nível da Renda.

EXPECTATIVAS NO MODELO IS-LM Voltando ao PRESENTE:


O anúncio do corte dos Gastos Públicos terá três efeitos:
Deslocamento da IS p/ a esquerda;
1. Expectativas e IS
Deslocamento da IS p/ a direita pelas perspectivas;
Quando se incorporam as expectativas dos agentes
Deslocamento da IS para a direita pela queda nos juros.
econômicos acerca do período posterior, temos o
Resultado líquido: Se a expectativa for de que o corte nos
seguinte:
Gastos se aprofundará nos períodos seguintes, a Renda
A curva IS continua descendente, porém é mais íngreme
poderá crescer mesmo no curto prazo.
do que antes, Dessa maneira, a taxa de juros corrente
Assim, medidas vistas pelo mercado como redutoras em
possui um efeito ainda menor sobre ela;
distorções vigentes, podem melhorar as expectativas e
As variações em G (Gasto Público) e/ou em T (Tributação)
deslocam a IS em proporção maior do que o normal, se fazer crescer a Renda. Exemplo: uma reforma
previdenciária que antecipe melhoria das contas públicas
são esperadas que no futuro persistam.
e, por isso, queda futura nos juros, poderá fazer crescer a
Em outras palavras: a política fiscal é mais eficaz com as
Renda.
expectativas e a monetária menos eficaz.

UM APÊNDICE: AS EXPECTATIVAS RACIONAIS


Expectativas e LM
O principal postulado da escola dos Novos Clássicos (a
A incorporação das expectativas NÃO altera a LM,
chamada escola das Expectativas Racionais) é o de que as
visto que as decisões sobre reter moeda para transações
variáveis reais são insensíveis, no longo e no curto prazo,
e para especulação são função apenas dos níveis de
tanto à política fiscal quanto à monetária.
Renda e de Taxa de Juros correntes.
As expectativas racionais são formadas com base em
todas as informações relevantes disponíveis sobre a
3. Política Monetária e Expectativas variável. Os indivíduos compreendem como cada variável
A taxa de juros REAL é a taxa de juros nominal menos
observada afetará outra.
a inflação esperada.
Exemplo: Uma política monetária expansiva apregoada.
Se há uma expansão monetária, a taxa nominal de juros
Os indivíduos sabem que isso irá elevar os preços e,
cairá. Mas o efeito dela sobre a taxa de juros REAL
conseqüentemente, deprimir o salário real. Portanto, os
dependerá:
trabalhadores ofertarão menos horas de trabalho
se o mercado revisar suas expectativas sobre a taxa de
(coerentes com a função oferta de emprego diretamente
juros nominal ESPERADA;
dependente do nível de salário real), trazendo como
se o mercado revisar suas expectativas sobre a taxa de
decorrência a curva de Oferta Agregada para trás -
inflação corrente e a futura.
anulando o deslocamento da demanda agregada pela
Se a taxa inflacionária (atual e prevista) é nula, então a expansão monetária.
taxa de juros nominal é igual à taxa real. Neste caso a
Se a expansão monetária for efetuada sem aviso, durante
expansão monetária deslocará a LM para baixo,
um curto lapso de tempo poderá surtir algum efeito, mas
produzindo pequeno impacto sobre a IS. Porém se a
logo será percebida e perderá o mesmo.
expectativa foi de maior baixa na taxa de juros no futuro
O mesmo ocorreria com qualquer alteração da política
e subida na Renda, a IS se deslocará e o efeito sobre a
fiscal.
Renda será maior.
Daí que os Novos Clássicos são inteiramente adeptos do
livre-mercado, pela absoluta ineficácia que atribuem às
4. Política Fiscal e Expectativas políticas econômicas, as quais, segundo eles, apenas
Aqui, imagine-se que o Governo anuncia que vai reduzir o trariam distúrbios inúteis à economia.
déficit público mediante corte nos Gastos presentes E
FUTUROS. O que poderá ocorrer ?

49
4-MODELO DE OFERTA E DEMANDA AGREGADA, No longo prazo:
INFLAÇÃO E DESEMPREGO. A FUNÇÃO DEMANDA O nível de preços aumenta porque os salários nominais
AGREGADA. AS FUNÇÕES DE OFERTA AGREGADA DE subiram com o aumento do emprego. Aquele aumento
CURTO E LONGO PRAZO. EFEITOS DA POLÍTICA reduzirá o estoque real de moeda (M/P) e com isso a taxa
MONETÁRIA E FISCAL NO CURTO E LONGO PRAZO. de juros aumentará retornando o Produto ao nível natural.
CHOQUES DE OFERTA. INFLAÇÃO E EMPREGO. Apenas W e P ficaram mais elevados (variáveis nominais,
DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE PREÇOS. não as reais).
INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DA INFLAÇÃO. A CURVA Obs.: Para os Novos Clássicos já no curto prazo a política
DE PHILLIPS. A RIGIDEZ DOS REAJUSTES DE monetária seria ineficaz, pois os agentes econômicos
PREÇOS E SALÁRIOS. A TEORIA DA INFLAÇÃO antecipam que a expansão trará aumento nos preços e
INERCIAL E A ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA por isso a oferta de emprego não aumentará.
BRASILEIRA RECENTE NO COMBATE À INFLAÇÃO.
Efeitos da Política Fiscal:
4.1 A função Demanda Agregada
Obs.: gráficos em sala Expansão dos Gastos Públicos e/ou Redução de Tributos:

Esta função apresenta o nível de produto demandado para


No curto prazo:
cada nível de preço. É construída pelos pontos resultantes
Sobe a demanda agregada e, portanto, o Produto. A taxa
das interseções da IS com a LM, visto que:
de juros também sobe, inibindo o Investimento. Há um
M / P = L (Y; r)
fenômeno chamado crowding out, mas com alguma
elasticidade do Investimento em relação à taxa de juros,
Quando P aumenta, então isso desloca a oferta monetária mesmo baixa (porém maior do que zero) o impacto
(M/P) para a esquerda (porque esta se reduz em valor), o líquido é positivo.
que eleva a taxa de juros, deprimindo a Demanda O ajuste, no longo prazo, passa pelo aumento dos preços
Agregada. reduzindo a estoque real de moeda e por maior aumento
A curva da Demanda Agregada desloca-se quando variam dos juros reduzindo ainda mais as intenções de investir,
os fatores que alteram a IS ou a LM. Exemplos: Ms (com retornando o sistema ao equilíbrio inicial.
P constante); ou, ainda: G; T; X; M.
CHOQUES DE OFERTA
As funções de oferta agregada de curto e longo prazo
Causados por avanço tecnológico ou por aumento no
No curto prazo: preço de insumos externos. A OA sobe ou desce.
Exemplo: o aumento do preço do petróleo causa, tanto no
A função Oferta Agregada é ascendente (o Produto cresce curto quanto no longo prazo, a queda do Produto. No
a Preços mais elevados) porque para se produzir mais se curto prazo, faz com que os preços subam, o que leva à
precisa de mais mão-de-obra e esta só será mais ofertada redução do estoque real de moeda e à contração da
a salários mais altos, o que levará os preços também para demanda e do produto. No longo prazo, o salário real
cima. Os trabalhadores padecem de ilusão monetária, por pago pelas empresas aumenta a taxa natural de
isto não visualizam que o salário nominal mais elevado desemprego, o que, por sua vez, diminuirá o nível natural
trará um preço esperado (futuro) mais alto, trazendo o do produto. Sobre isto, veja-se o tópico a seguir:
salário real ao seu nível anterior.

No longo prazo: ESTAGFLAÇÃO:


O preço de um insumo importado aumenta; sua
A função OA (Oferta Agregada) deslocar-se-á quando importação cai, inclusive porque (X-M) reduz-se. Isso leva
relaxamos a condição ceteris paribus. Assim: à queda em Y e conseqüentemente em Dn (demanda por
As empresas produzem no ponto em que P = CMg Portanto, trabalho).
todo fator que aumentar o custo marginal para cada nível Mas, como o salário nominal é rígido, manter-se-á no
de produto, elevará a OA. nível original, deixando reduzida a demanda por trabalho
Ex.: uma mudança na expectativa dos trabalhadores e com ela a menor produção (estagnação) com maiores
quanto ao nível futuro de P. preços (inflação) = estagflação.
Extrapolando para os demais fatores, qualquer aumento
autônomo nos preços de qualquer um deles aumenta o INFLAÇÃO E DESEMPREGO:
CMg para cada nível de Produto e desloca a OA para a
esquerda (ex.: preços dos insumos) Determinação do nível de Preços

Podemos definir as funções da Demanda Agregada e da


Efeitos da política monetária e fiscal no curto e no longo Oferta Agregada, de maneira mais completa:
prazo: Demanda Agregada:

Política Monetária: Yt = Y (M/Pt ; G; T-) para economias fechadas;

No curto prazo:
Expansão monetária; juros menores; investimento maior;
demanda agregada maior; maior nível de Oferta.:

50
Ou seja: a DA é função crescente do estoque real de Para os Novos Keynesianos e similares (também
moeda e dos gastos públicos; e função decrescente dos chamados de Fiscalistas), a Moeda é “passiva” ou
tributos. endógena, normalmente sendo emitida em decorrência da
monetização do déficit público.
Oferta Agregada:
Inflação de Custos:
Pt = Pe (1 + m) f (1 – Y/L; z)
Ou seja: a OA é função crescente dos preços esperados, Ocorre:
da margem de lucro ou mark up (m); do nível de por pressões AUTÔNOMAS de custos (aumento do grau de
emprego (1 – Y/L); e das condições institucionais que mark up dos empresários);
afetam os contratos salariais (ex.: salário-desemprego). por pressões salariais: se um aumento salarial REAL
Equilíbrio geral e determinação dos preços: ultrapassar a taxa de crescimento da produtividade física;
por pressões nos preços dos insumos importados (ex.:
Ocorre na interseção das duas funções. petróleo).
Imagine que o Produto de equilíbrio encontra-se ACIMA (à
direita) do Produto “natural” (que corresponde ao nível de Inflação estrutural:
produção que iguala o desemprego existente à sua “taxa Ocorre por pressões de custos PERSISTENTES devidas a
natural”, que veremos adiante). vícios (distorções) na formação das economias periféricas,
Neste caso, o nível de Preços também será maior do que em especial:
o nível de Preços Esperados. Assim, os fixadores de a inelasticidade da oferta de alimentos devido ao
salários revisam suas expectativas de preços para cima e latifúndio e à produção voltada para fora;
a curva de AO se desloca para cima (esquerda): o Produto rigidez das importações concomitantemente com o baixo
se reduz e o nível de Preços aumenta, até que, no médio dinamismo das exportações, de bens primários,
prazo, o Produto de equilíbrio se iguala ao nível do ocasionando déficits externos e com estes a
produto dito “natural”. Na situação inversa teríamos os desvalorização cambial;
mesmos efeitos e deslocamentos. limitada capacidade do Estado em arrecadar versus
maiores necessidades de gastar.
INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DE INFLAÇÃO:
Inflação inercial:
Inflação de Demanda: Ocorre pelo conflito redistributivo entre os agentes
econômicos, o que os leva a procurar sempre indexar
“Pura”, quando a Demanda Agregada supera a Oferta de seus preços pela inflação anterior a fim de manter sua
Pleno Emprego. participação relativa na Renda: trabalhadores-salários;
“Estrangulada”, quando a Demanda Agregada se eleva empresários-preços; governo-impostos; exportadores-
mas a Oferta ainda pode responder, pois há capacidade taxa cambial. Quando há um novo choque, de oferta ou
ociosa no sistema. de demanda, a inflação sobe de patamar e passará a ser
por inércia empurrada para a frente nessa nova taxa.
Óticas diferentes:
Para os Neoquantitativistas ou Monetaristas, o excesso de INFLAÇÃO E DESEMPREGO: A CURVA DE PHILLIPS:
demanda ocorre quando há indisciplina monetária do
Banco Central, que expande a moeda além da conta. A versão original é de 1958, quando ªW.Phillips publicou
seu artigo mostrando o ajustamento que fez a partir de
Nesta ótica, a Moeda é dita “Ativa”. dados da economia britânica cobrindo cerca de um século
(1861/1913) relacionando as variações na taxa de
Na versão tradicional da Teoria Quantitativa da Moeda: desemprego e na dos salários nominais.
dP/P = (((1 + dM) / (1 + dy)) – 1 ) 100 Posteriormente as novas versões substituíram a taxa
O que implica que a expansão monetária deveria ser igual salarial nominal pela taxa de inflação, considerando a
à do Produto físico para se obter inflação nula. correlação forte entre estas duas variáveis. Estava criado
o famoso trade-off entre inflação versus desemprego
.
A chamada “reconstrução de Friedman” à TQM, temos sua
Uma outra versão, de origem Monetarista, é chamada de
“regra de ouro”:
“versão aceleracionista” da Curva de Phillips. Nesta, as
M/P (1/N) = k (Yp/n)
expectativas de inflação se formam a partir da inflação
M/P (1/N) é a Oferta real de Moeda per capita; "k” é a
passada. Se um aumento na oferta monetária produzir
velocidade de circulação da Renda; “Yp” é a Renda
uma taxa de inflação efetiva maior do que a projetada,
permanente na ótica friedmanniana; e “” é a elasticidade
haverá uma subida eufórica do Produto e do nível de
demanda de moeda em relação à Renda real permanente
emprego. Mas, no longo prazo, o sistema retorna ao
per capita.
equilíbrio, como visto anteriormente, às custas de queda
Assim, nessa visão a demanda real de moeda per capita é
nestas duas variáveis.
função da Renda real permanente per capita.
Para Friedman a Moeda é um bem de luxo, pois sua
elasticidade renda-demanda nos EUA é de 1,8.

51
É importante assinalar que a Curva apresenta uma faixa Lei de Okun:
totalmente inelástica que mantém um valor positivo no Preocupada com o hiato entre o Produto real e o Produto
eixo das abscissas, correspondente à: potencial (este, o de pleno emprego).
Ainda relativamente à questão do desemprego, por outro
Taxa Natural de Desemprego (TND): lado existe a Lei de Okun, preocupada com o hiato entre o
Produto real e o Produto potencial (este, o de pleno
Essa é a “taxa de desemprego de pleno emprego” ou emprego).
“taxa estrutural de desemprego”, obtida quando o Segundo os cálculos de Okun para a economia norte-
mercado está em equilíbrio. Nos EUA considerava-se americana, essa relação estaria conforme:
como período base referencial a metade da década dos 50 u = -0,4ppc (y – 2,5%);
(4% da PEA). Na verdade essa taxa é obtida como uma sendo u = taxa de desemprego; “y” é a taxa de
média ponderada das taxas naturais de desemprego dos crescimento do produto; e 2,5% a taxa tendencial do
subgrupos da força de trabalho. Assim, a dos Produto.
adolescentes será maior; para os homens de primeira
idade, mais baixa e assim por diante. Assim, a taxa de desemprego declina quando o
crescimento do produto estiver acima da taxa tendencial
Formulação analítica: de 2,5%.
Especificamente: para cada ponto percentual de
crescimento do Produto ACIMA da taxa tendencial, que for
0 = (m + z) - u
mantida por um ano, a taxa de desemprego cairá 0,4
em que “m” é a margem (mark up); “u” é a taxa de pontos percentuais. Supondo que o crescimento seja de
desemprego; e  o coeficiente de sensibilidade nível de 5% (com mais os 2,5% da taxa tendencial = 7,5%) o
salários/taxa de desemprego., isto é, de quanto baixam desemprego será reduzido em 1%.
os salários, em média, quando aumenta a taxa de
desemprego.
HISTERESE:
A persistência histórica de alto nível de desemprego
Da equação acima: durante muito tempo (década dos 70 após o choque do
petróleo) levou a que, cessadas as políticas deflacionárias
u=m+z que o causaram, quando a inflação finalmente voltou ao
 nível habitual a taxa estrutural de desemprego (natural)
Ou seja: quanto maior o mark up, ou quanto maiores os não mais retornou ao nível histórico anterior à crise,
efeitos institucionais sobre a determinação dos salários subindo de patamar. Isso possivelmente ocorreu devido a
(como os benefícios-desemprego), mais alta será a taxa que os contingentes de desempregados adicionais já
natural. haviam mudado de hábitos – tornando-se autônomos ou
Assim, essa taxa sofre variações a partir de fatores engrossando as atividades informais.
institucionais: A RIGIDEZ DOS REAJUSTES DE PREÇOS E
legislação anti-trust que baixe o grau de mark-up (a TND SALÁRIOS:
se reduz); Nas economias modernas, muitos preços e salários são
aumento dos benefícios-desemprego (a TND aumenta); fixados em termos nominais por algum tempo e NÃO
Há outros fatores: modificações na composição etária COSTUMAM SER REAJUSTADOS QUANDO HÁ MUDANÇA
e de gênero da população, por exemplo, fazendo variar o DE POLÍTICA ECONÔMICA.
coeficiente .
Assim, uma política monetária contracionista levaria a um
Relacionada a isso se encontra a conhecida: aumento no desemprego, não nos salários, pois estes já
embutiriam uma inflação antecipada nos acordos salariais,
NAIRU (nonaccelerating inflation rate of unemployment): que não poderia ser reduzida de maneira instantânea.
Ou seja, a taxa de inflação que não aumenta o Além disso, os contratos salariais das diversas categorias
desemprego, que seria a taxa de equilíbrio do nível de são escalonados no tempo. Por isso, alguns já estão em
preços compatível com a TND. Uma taxa menor de vigor há muito tempo e outros ainda no início, por isso,
inflação só seria obtida às custas do aumento da taxa de não há como muda-los igualmente.
desemprego. Outro argumento reside nos “salário-eficiência”. Para
manter a fidelidade e a produtividade, uma vez que
Formulação: investiu em qualificação dos empregados, a empresa
embute um plus em seus salários. Por isso, uma retração
Da equação acima, da Curva de Phillips: monetária não consegue com eficiência fazer com que
1 - t-1 = - (u1 – un) elas reduzam os salários, pois temem os perigos dessa
A variação da inflação depende da diferença entre a taxa medida.
de desemprego corrente e a natural. Quando a primeira Finalmente, muitas empresas mantêm os preços durante
for maior do que a segunda, a inflação cai – e vice-versa. algum tempo mesmo com mudanças na política
Ainda relativamente à questão do desemprego, por outro
lado existe a:

52
monetária, para não terem de arcar com os “custos do Metas modestas de estabilização da inflação e redução
menu (cardápio), que representa os gastos com as gradual do déficit público;
mudanças de suas listas de preços e avisos a clientes e Suspensos por dois meses os reajustes de tarifas e
fornecedores. salários de servidores públicos;
A TEORIA DA INFLAÇÃO INERCIAL E A Congelamento dos saldos de empréstimos bancários para
EXPERIÊNCIA BRASILEIRA RECENTE NO COMBATE À segurar a criação de moeda.
INFLAÇÃO
Janeiro/89: Plano Verão (de novo, Bresser Pereira):
FEV. 1986 – Gov. Sarney (Nova República): Plano
Cruzado: Congelamento temporário de preços e salários;
Congelamento de salários, preços, taxa de câmbio e Taxas de juros elevadas.
demais valores (proibida a indexação, substituída a ORTN Ao final do ano o país mergulhava na hiperinflação. Não
pela OTN de valor mensal constante); mais existiam praticamente “contas correntes” (DVBC,
componente principal do M1), mas sim “contas
Valores contratuais (salários, aluguéis, etc) corrigidos por remuneradas”, indexadas diariamente.
uma “tablita” para um valor médio do ano;
Instituição do “gatilho” salarial (quando a inflação 1990: Plano Collor (Plano Brasil Novo):
chegasse a 205); Retenção de cerca de 80% dos ativos financeiros para
Troca da moeda (cruzeiro pelo cruzado na razão 1000/1). conter a demanda e forçar a baixa dos preços.
A inflação de 230% em 1985 caiu para 58% em 1986. “Torneirinhas” abertas cada vez mais fizeram a moeda
retornar antes do prazo e a inflação retornou.
Mas a taxa cambial valorizada e o aumento da Renda
(pelo fim do imposto inflacionário), fizeram explodir o 1991: Plano Collor II (Marcílio Marques Moreira):
déficit externo trazendo a moratória em 1987;
Quebrara-se a inércia, mas não as causas estruturais da Elevadas taxas reais de juros
inflação: por isso o ágio surgiu e aos poucos as tabelas Renegociação da dívida externa;
foram abandonadas. Algumas mudanças no sistema financeiro.
1994: Plano Real (André Lara Rezende e Pérsio Arida –
Jul/set.1986: Cruzadinho: Plano LARIDA):

Tímido pacote fiscal para conter a demanda Âncora fiscal: criação do Fundo Social de Emergência
Empréstimos compulsórios sobre combustíveis e (análogo ao atual DRU);
automóveis; Âncora monetária: metas de expansão monetária; forte
Expurgo no índice de preços para procrastinar o gatilho. aumento dos depósitos compulsórios;
Âncora cambial: real (nova moeda) engessado ao dólar +
Nov/86 a jun/87: Cruzado II: abertura ao comércio externo, forçando pelas importações
Pacote fiscal: reajuste das tarifas de serviços públicos e baratas a redução das margens de lucro internas e a
aumento de impostos (sobre automóveis, bebidas e busca de maior produtividade. Enquanto o Índice de
cigarros); Preços no Atacado variou em 47,23% entre julho de 1994
Voltou a indexação cambial (minidesvalorizações do e dezembro de 1998 (período em que nossa taxa de
cruzado) e nos títulos públicos; câmbio foi engessada pelo BC no chamado “sistema de
Moratória em fev/97 para forçar uma renegociação da bandas”), a correção no valor do dólar (taxa de câmbio
dívida e ganhar a simpatia popular. real/dólar) no mesmo período foi de apenas 23,5%. Isso
significa que os exportadores tiveram uma perda real, no
Jul/87: Plano Bresser: período, em torno (na média) de 19,2%.
Choque deflacionário com a supressão do gatilho e busca Elevadas taxas de juros para inibir a demanda e fechar as
da redução do déficit público; contas externas, além de formar gigantescas reservas
Salários congelados por 3 meses com a introdução da URP para manter as “bandas cambiais”;
– reajustes com perdas reais para níveis salariais Quebra da inércia pelo realinhamento dos preços relativos
maiores; entre março e junho/94 com a introdução da URV, uma
Congelamento de 3 meses, mas precedido de vários moeda de conta que se atualizava a cada dia.
reajustes no início;
A inflação caiu de 26% em junho para 3% em julho; Resultados:
Mais perda de poder aquisitivo, pois no cálculo inicial para
a URP um mês foi “esquecido”; Inflação: contida;
Inflação voltou a subir para 14% em dezembro com o Saldo externo: piorou muito (Balança Comercial negativa
descongelamento. entre 1995 e 1999);
Orçamento Público: déficits crescentes aumentando a
Jan/dez.1988: Política do “Feijão-com-arroz” (Maílson da dívida interna.
Nóbrega):

53
5-MACROECONOMIA ABERTA. ESTRUTURA DO redução nas importações, eliminando-se o déficit. O
BALANÇO DE PAGAMENTOS. REGIMES CAMBIAIS. resultado final será o retorno ao equilíbrio embora com
CRISES CAMBIAIS. O MODELO IS/LM NUMA taxa cambial agora mais elevada.
ECONOMIA ABERTA. POLÍTICA MONETÁRIA E Graficamente: a curva BP se desloca até alcançar a
FISCAL NUMA ECONOMIA ABERTA. POLÍTICA intercessão da IS com a LM.
CAMBIAL NO PLANO REAL. Com câmbio fixo:

Se houver déficit externo, o Governo terá que vender suas


MODELO MUNDELL-FLEMING: reservas em divisas para manter a paridade cambial fixa.
Alia às conhecidas curvas IS e LM também a Curva BP, Ao faze-lo, retirará moeda doméstica de circulação,
que representa o elevando-se com isso as taxa de juros, com reflexos
lugar geométrico dos pontos de equilíbrio do Balanço de negativos sobre o Produto (Renda). Destarte, cairão as
Pagamentos (SBP = 0) compatíveis com pares de importações e aumentarão as entradas de divisas,
alternativas entre taxas de juros e nível de Renda. restabelecendo-se o equilíbrio.
(Ver gráficos em sala) Graficamente, a curva LM se desloca até a intercessão
com a IS e a BP o ajuste é em “r” e em “Y”.
ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS
POLÍTICA MONETÁRIA E POLÍTICA FISCAL NUMA
Já visto na Unidade I ECONOMIA ABERTA
O grau de eficácia das políticas anticíclicas fiscal e
monetária dependerá do regime cambial da economia.
REGIMES CAMBIAIS
Fixo: com o Banco Central comprometendo-se a manter Assim:
fixa uma paridade entre a moeda doméstica e uma moeda
conversível ou ouro; Câmbio Fixo:
Flutuante: na qual o BC deixa ao mercado (oferta e Imagine-se que o BC pretende executar uma política
demanda de divisas) a tarefa de estabelecer o nível da monetária expansiva (expansão da base monetária): ao
taxa cambial. fazê-lo, acabará provocando uma baixa na taxa de juros
Flutuação suja (dirty flotation): é um sistema de taxa interna. Tal queda provocará a evasão de divisas,
flutuante, mas monitorado pelo BC, que procura mantê-la ocasionando como conseqüência a apreciação da moeda
dentro de determinada amplitude a fim de evitar doméstica. Isto, por sua vez, reduzirá as exportações e
oscilações bruscas, para tanto, ofertando ou demandando aumentará as importações, provocando um movimento
a divisa escassa ou abundante. contracionista na Renda. Desse modo, com Câmbio Fixo,
o BC perde a liberdade de fazer política monetária.
Em contrapartida, se o Governo, alternativamente, optar
PARIDADE DO PODER DE COMPRA:
Devida a Gustav Cassel, estipula que, quando dois países por uma política fiscal expansiva (déficit orçamentário não
apresentam inflações diferentes, a prática da monetizado), ao vender seus títulos de dívida em troca de
ARBITRAGEM (compra de bens ou moedas onde o preço moeda doméstica, acabará por provocar uma elevação na
for baixo para venda onde o preço for mais elevado) taxa de juros, a qual, por seu turno, atrairá capitais
contribui para levar à equalização do poder de compra das externos. Este ingresso levaria a uma valorização da
diversas moedas dentro da paridade cambial. moeda nacional, mas como o BC, nesse regime, tem que
Usualmente, com câmbio fixo, cabe ao BC atualizar a taxa zelar pela paridade, comprará as divisas excedentes,
de câmbio obedecendo ao diferencial das inflações interna injetando a sua moeda na economia. Esta injeção reduzirá
x externa, a fim de que se mantenha o poder de compra os juros, o que fará estancar os referidos ingressos e, ao
dos exportadores e dos importadores: mesmo tempo, impelirá o Investimento Interno, com
reflexos positivos sobre o nível das atividades.
Conclui-se que, neste tipo de regime cambial, a política
TC1 = TCo x IPint / IPext fiscal é eficaz, mas não a política monetária.
Ou seja: a taxa de câmbio do período 1 deveria ser a do
período zero corrigida pelo diferencial do índice de preços
interno/externo. Câmbio Flutuante:
AJUSTE EXTERNO DE ACORDO COM O REGIME Um objetivo expansionista às custas de um déficit público
CAMBIAL não monetizado, ou seja, apenas com o aumento do
endividamento do Governo, elevará os juros. Com isso, o
capital estrangeiro será atraído para esta economia,
Com câmbio flutuante: causando a apreciação da moeda doméstica. Resultado:
cairão as exportações e aumentarão as importações ... e
O próprio mercado se encarrega de realiza-lo: se há lá se vai pelo ralo a intenção expansionista do Governo.
déficit externo, haverá uma saída líquida de divisas, o que
resultará na depreciação da moeda doméstica. Tal
Outrossim, se o BC quiser expandir as atividades pela
depreciação levará ao aumento das exportações e à
expansão monetária, os juros cairão; o capital estrangeiro
fugirá; em consequ6encia haverá uma depreciação

54
cambial; as exportações tenderão a aumentar e as Perante essa especulação, os investidores retiram seus
importações a cair; o objetivo expansionista logrará êxito. capitais do país; este passa a comprar moeda nacional
Conclui-se que, neste tipo de regime cambial, a política vendendo de suas reservas para sustentar o câmbio. Com
monetária é eficaz, mas não a política fiscal. essa atitude, as reservas se evaporam. É claro que o BC
MUDANÇA NA TAXA CAMBIAL SEMPRE RESOLVE ? reagirá aumentando os juros, mas isso não pode ocorrer
por muito tempo e nem com elevados percentuais para
Em princípio, se a moeda doméstica se desvaloriza deter a fuga e, enfim, o BC é obrigado a capitular e
(deprecia) é evidente que os produtos nacionais ficarão desvaloriza a moeda – além de socorrer-se de créditos
mais baratos (=aumento das exportações) e os produtos externos institucionais.
do exterior mais caros (=redução nas importações). VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS REGIMES
Contudo, há duas qualificações sobre isto: CAMBIAIS
CURVA J Câmbio flutuante:

É uma curva que descreve a deterioração inicial da Vantagem: ajuste automático do BP;
balança comercial causada por uma desvalorização, Desvantagens: reduz a eficiência do planejamento das
seguida por uma melhoria no saldo da mesma. empresas;
Por que / Porque o preço das importações aumenta, mas, Sujeita à economia a enormes flutuações,
em um período inicial, a Quantidade importada não cai inclusive dos juros e, portanto, das atividades;
logo, pois já há amarramentos contratuais e/ou não há
alternativas imediatas de substituição para certos Câmbio fixo:
produtos, com o que, DT = PQ tende a aumentar. Após os Vantagem: facilita o planejamento empresarial;
devidos ajustes, finalmente os efeitos se farão sentir. O Desvantagem: sujeita a economia a recessões e imobiliza
mesmo quanto às exportações: ficam mais baratas, mas a política monetária, além de exigir grandes reservas para
não se consegue desde logo tomar mercado dos outros. segurar a paridade.
Num período inicial, as receitas caem, mas depois chegam POLÍTICA CAMBIAL NO PLANO REAL: OS DÉFICITS
finalmente os reflexos positivos. GÊMEOS

CONDIÇÃO MARSHALL-LERNER-ROBINSON O Plano Real teve uma de suas principais âncoras no trato
externo: uma combinação de enorme abertura comercial
A desvalorização faz os preços dos produtos exportados (a alíquota efetiva real média na aduana caiu de 34% na
mais baratos e os dos importados mais caros. Mas, segunda metade dos anos 80 para apenas 7% no final do
imagine-se uma economia em que a Balanço Comercial governo FHC) com um engessamento do câmbio,
está equilibrada no momento zero, quando tal fato ocorre. tornando o real apreciado – tudo para aumentar a
Se esse país exportasse um bem de elasticidade-preço da competitividade e segurar os preços internos.
demanda igual a zero ou pelo menos menor do que a O déficit daí resultante nas Transações Correntes foi
unidade, isso significa que a receita com as exportações coberto com o ingresso de capitais via elevação nas taxas
irá CAIR. de juros internas (e, conseqüentemente, no “cupom
Igualmente, com as importações: imagine-se que se cambial”), além de privatizações para atrair investimento
tratam de bens de baixíssima elasticidade direto, basicamente nos segmentos de bens non-
(insubstituíveis). As importações pouco ou nada cairiam. tradeables, que não geram depois fluxos de ingressos,
A Condição M-L-R, a partir de um modelo matemático mas tão somente de saídas de dividendos.
demonstra que, uma desvalorização cambial só irá Essa elevação dos juros, só fez aumentar o déficit público
apresentar um resultado líquido positivo sobre a Balança e anular os esforços de superavits primários, fazendo a
Comercial, se “a soma das elasticidades-preço das dívida interna crescer exponencialmente;
demandas pelos produtos exportados + importados nessa Por seu turno, as entradas de divisas tinham que ser
economia for maior do que a unidade (em valor esterilizadas (isto é, trocadas por dívida externa para
absoluto)”. evitar uma explosão de demanda).

CRISES CAMBIAIS Assim:


O déficit interno aumenta as taxas de juros;
Usualmente ocorrem apenas quando uma economia Isto provoca o ingresso de capitais;
apresenta regime de câmbio fixo. Com isso a taxa de câmbio se aprecia;
Imagine-se que os especuladores esperam para breve que O que provoca saldos comerciais negativos;
vá ocorrer uma desvalorização cambial nesse país. Ou Para cobri-los, sobem-se os juros,
porque a moeda local está sobrevalorizada (inflação não ....etc...etc.!
transferida à taxa cambial); ou porque a economia precisa
reduzir sua taxa de juros, mas isso só será possível com
uma flexibilização do câmbio, o que irá provocar
desvalorização ante a iminência da referida queda nos
juros.

55
6-CRESCIMENTO DE LONGO PRAZO: O MODELO DE PROGRESSO TECNOLÓGICO
SOLOW. O PAPEL DA POUPANÇA, DO CRESCIMENTO
POPULACIONAL E DAS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
Aumenta a eficiência do trabalho à uma taxa constante
SOBRE O CRESCIMENTO. "A REGRA DE OURO".
"g" (resídual de Sollow)

O produto aumenta como se a força de trabalho crescesse


O modelo de Sollow: o papel da poupança, do crescimento
à essa taxa, que é "incorporadora de trabalho"
populacional e das inovações tecnológicas; a regra de
O salário real nos EUA tem aumentado à uma taxa
ouro
próxima de "g".
O modelo demonstra como interagem: o estoque de
COROLÁRIOS:
capital por trabalhador, a poupança, o crescimento
A taxa de poupança NÃO em efeito sobre a taxa de
populacional e o progresso tecnológico.
crescimento do produto NO LONGO PRAZO, que é igual a
zero. No longo prazo a taxa de crescimento da economia
Conceitos: é zero qualquer que seja o valor da taxa de poupança,
A PmgK é decrescente com o capital, pois a função- pois a economia alcança um estado estacionário,
produção apresenta rendimentos de escala constantes; crescendo à mesma taxa: capital e população =
O Investimento depende da Poupança; depreciação.
O Consumo é o Produto menos o Investimento Mas a taxa de poupança determina o NÍVEL de produto
A acumulação de Capital (∆k) = i - ∂k (Total do per capita no longo prazo, o que diferencia os países;
Investimento - Depreciação) O AUMENTO da taxa de poupança fará com que o
ou: PmgS (fK) - ∂k crescimento aumente até alcançar um novo estado
Assim, a acumulação de capital é a poupança descontada estacionário;
da taxa de depreciação.
Com progresso tecnológico é possível alcançar-se nível
Chega-se assim ao Estado Estacionário, que é aquele em mais elevado de produto per capita. Também tem sido
que I = Depreciação, um estado de equilíbrio estável demonstrado que a acumulação de capital humano têm
marshalliano. Nesse nível, o investimento é o suficiente efeito similar à do capital físico.
para manter estável a capitalização por trabalhador.
Qualquer avanço ou qualquer retrocesso fará a economia
retornar a esse nível.

Se a taxa de poupança se alterar, a economia move-se


para outro Equilíbrio de Estado Estacionário (e aí irá
parar, até novo impulso). Neste novo nível, pode-se
apenas dizer que a economia está mais rica, dada a maior
disponibilidade per capita de produto e do nível de
capitalização por trabalhador.

O NÍVEL DE CONSUMO E A REGRA DE OURO:

Demonstra-se que o Consumo de bens/serviços será


máximo quando:

PmgK = ∂ (se o estoque de capital for maior, então a


PmgK será menor do que a depreciação e o Consumo será
menor. Essa é a regra de ouro do consumo.

CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO

O crescimento da Poupança leva a um ponto de equilíbrio


estacionário, mas como garantir um crescimento
continuado? Isso dependerá do crescimento populacional
e do progresso tecnológico.

Introduzindo o crescimento populacional, a nova condição


de maximização do consumo será:
PmgK = ∂ + n (em que "n" é a taxa de crescimento
populacional)
Ou: PmgK - ∂ = n

56
7-A ECONOMIA INTERTEMPORAL. O CONSUMO E O As curvas de indiferença mostram as combinações de C1
INVESTIMENTO NUM MODELO DE ESCOLHA e C2 que proporcionam o mesmo nível de satisfação.
INTERTEMPORAL. A RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA Curvas mais altas, maiores níveis de satisfação.
INTERTEMPORAL DAS FAMÍLIAS. A RESTRIÇÃO
ORÇAMENTÁRIA INTERTEMPORAL DO GOVERNO E Gráficos em sala
A EQUIVALÊNCIA RICARDIANA. A RESTRIÇÃO
ORÇAMENTÁRIA INTERTEMPORAL DE UMA NAÇÃO
E O ENDIVIDAMENTO EXTERNO.

Consumidores e a restrição intertemporal (Fisher)

A poupança de hoje (S), aplicada (1 + r) é o Consumo de


amanhã;
S = Y1 – C1
C2 = (1+r)S + Y2
(como neste exemplo não há período 3, não haverá nova
poupança).

O consumidor possui uma renda que significa sua


restrição intertemporal.
OTIMIZAÇÃO INTERTEMPORAL DO CONSUMIDOR:
Obs.: Gráficos em sala Quando com sua restrição intertemporal alcança a mais
alta curva de indiferença. A condição é:
TMS c2/c1 = 1 + r

VARIAÇÃO NA RENDA

Fisher difere de Keynes: o Consumo depende dos recursos


que o consumidor pretende auferir ao longo de sua vida.

VARIAÇÃO NOS JUROS:

Há uma rotação da reta de restrição intertemporal:


Em A o C1 é = Y1, logo, C2 = Y2 (não há S) Teremos dois efeitos: Efeito-renda: alcance de uma Curva
Em B o C1 = 0; e Y1 = S de Indiferença mais alta; Efeito-substituição: é a mudança
Em C, o C2 = 0; relativa na escolha C1 x C2

O fator (1+r) é a parcela de -C1 que se abre mão para A DÍVIDA PÚBLICA E A EQUIVALÊNCIA RICARDIANA

aumentar C2 O gasto público não financiado no presente por tributo


presente resultará em um endividamento que será pago
Assim: pelo lançamento de um tributo T (1+r) futuro.

C2 – (1+r) (Y1 – C1) + Y2; ou Assim, a Dívida Pública hoje é o equivalente a um


lançamento futuro de imposto. Ou seja, o mesmo que um
(1+r) C1 + C2 = (1+r) Y1 + Y2 imposto presente. Financiar o Governo através da Dívida
deste é o mesmo que pagar um imposto.
Contudo, para o consumidor dá no mesmo, pois seu
e, dividindo ambos por (1+r):
Consumo é função da Renda de uma vida. Logo, ele não
mudará seus gastos. Essa é a equivalência ricardiana (ou,
C1 + C2/1+r = Y1 + Y2/1+r Proposição de Ricardo-Barro, devido ao re-estudo desse
assunto em 1970 por Robert barro, um Novo Clássico),
O C de ambos os períodos depende das Y dos dois. que, no limite, pode ser interpretada como uma
declaração de inocuidade da política fiscal, já que nem
Se “r “ fosse igual a zero, então C1 + C2 = Y1 + Y2 déficit e nem dívida pública possuem efeito sobre a
Mas com “r” posiivo, então a Renda futura vale MENOS do atividade econômica.
que a Renda corrente. Isto seria verdadeiro se TODOS OS CONSUMIDORES
Como o C futuro é pago com os juros da Poupança (S), achassem que uma redução de impostos hoje seria
então C2 vale menos do que o presente. inevitavelmente compensada por novo aumento tributário
DEPOIS – e vice-versa – acarretando aumento ou corte no
consumo presente em relação ao futuro. Embora os
Preferência do Consumidor:

57
adiamentos ou antecipações de impostos de fato ocorram,
nem todos os consumidores acham que haverá as futuras
compensações e, por isso, não necessariamente adiarão
ou anteciparão seu consumo em função dessa
expectativa. Por isso, a política fiscal TEM DE FATO
EFEITOS sobre as atividades econômicas.

Analiticamente, teremos:

D = G1 – T1
T2 = (1+r) (G1 – T1) + G2
T2 = (1+r) (G1 – T1) + G2
T1 + (T2 / 1+r) = G1 + (G2 / 1+r)
O valor presente dos gastos públicos é igual ao valor
presente dos tributos.

Se o Governo hoje reduzir Tributo para aumentar a Renda


(Y) dos Consumidores ( C ) no valor de T, terá a
necessidade de, no futuro, aumenta-lo em 1+r = dT, o
que dá ao C o mesmo valor presente, não alterando o
Consumo total que é função da Renda permanente.

RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA INTEMPORAL E DÍVIDA


EXTERNA

Para esta Teoria, chamada de Teoria do Agente


Representativo, não há "déficits gêmeos".
Um déficit público (gasto não coberto por imposto) hoje
será visualizado pelos agentes econômicos como passível
de ser coberto no futuro (o endividamento) por um
imposto adiante. Por isso, supondo expectativas racionais,
os agentes econômicos não aumentarão suas importações
(isso ocorreria se despendessem mais no presente) e por
isso não haverá o déficit nas transações correntes
exigindo o ingresso de capitais estrangeiros. Neste caso, o
gasto público apenas substitui o gasto privado.

58
8-PROVAS DA ESAF DE ECONOMIA renda líquida enviada ao exterior = 50;
formação bruta de capital fixo mais variação de estoques
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL - AFRF - = 150;
2003 POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA poupança líquida do setor privado = 50;
depreciação = 5;
saldo do governo em conta corrente = 35.
ECONOMIA
Com base nestas informações e considerando as
01-(AFRF/2003)- Considere os seguintes saldos do
identidades macroeconômicas de um sistema de contas
balanço de pagamentos para uma determinada economia
nacionais, é correto afirmar que as importações de bens e
hipotética, em unidades monetárias:
serviços não-fatores é igual a:
saldo da balança comercial: superávit de 100
a) 110
saldo em transações correntes: déficit de 50
b) 30
saldo total do balanço de pagamentos: superávit de 10
c) 80
Com base nestas informações e considerando que não
d) 20
ocorreram lançamentos na conta "erros e omissões", é
e) 200
correto afirmar que:
05-(AFRF/2003) Considere uma economia hipotética
a) o saldo da conta "transferências unilaterais" foi
aberta e sem governo. Suponha os seguintes dados, em
necessariamente superavitário.
unidades
b) independente do saldo da conta "transferências
monetárias:
unilaterais", podemos afirmar com certeza
que o saldo da balança de serviços foi superavitário.
c) o saldo dos movimentos de capitais autônomos foi renda líquida enviada ao exterior = 100;
negativo. soma dos salários, juros, lucros e aluguéis = 900;
d) se a conta "transferências unilaterais" foi superavitária, importações de bens e serviços não-fatores = 50;
podemos afirmar com certeza depreciação = 10;
que a balança de serviços apresentou saldo positivo. exportação de bens e serviços não-fatores = 100;
e) se a conta "transferências unilaterais" foi superavitária, formação bruta de capital fixo mais variação de estoques
podemos afirmar com certeza = 360.
que a balança de serviços apresentou saldo negativo. Com base nestas informações e considerando as
identidades macroeconômicas de um sistema de contas
nacionais, é correto afirmar que a renda nacional líquida e
02-(AFRF/2003) Considere
o consumo pessoal são, respectivamente,
c: papel-moeda em poder do público/meios de
a) 950 e 600.
pagamentos
b) 900 e 500.
d: depósitos a vista nos bancos comerciais/meios de
c) 900 e 600.
pagamentos
d) 850 e 550.
R: encaixe total dos bancos comerciais/depósitos a vista
e) 800 e 500.
nos bancos comerciais
06-(AFRF/2003) Considere as seguintes informações
m = multiplicador dos meios de pagamentos em relação à
para uma economia fechada e com governo:
base monetária
Y = 1200
Com base nestas informações, é incorreto afirmar que,
C = 100 + 0,7.Y
tudo o mais constante:
I = 200
a) quanto maior d, maior será m
onde:
b) quanto maior c, menor será d
c) quanto menor c, menor será m
d) quanto menor R, maior será m Y = produto agregado;
e) c + d > c, se d for •‚ 0 C = consumo agregado; e
03-(AFRF/2003) Não fazem parte do ativo do balancete I = investimento agregado.
consolidado dos bancos comerciais Com base nestas informações, pode-se afirmar que,
considerando o modelo keynesiano simplificado, para que
a autoridade econômica consiga um aumento de 10% no
a) os encaixes em moeda corrente.
produto agregado, os gastos do governo terão que sofrer
b) os redescontos e demais recursos provenientes
um aumento de:
do Banco Central.
a) 60%
c) os empréstimos ao setor público.
b) 30%
d) os empréstimos ao setor privado.
c) 20%
e) os títulos privados.
d) 10%
04-(AFRF/2003) Considere as seguintes informações
e) 8%
para uma economia hipotética aberta e sem governo, em
07-(AFRF/2003) Com relação ao modelo IS/LM, é
unidades monetárias:
incorreto afirmar que

exportações de bens e serviços não-fatores = 100;

59
a) quanto maior a taxa de juros, menor é a demanda por dada pela expressão:
moeda.
b) na ausência dos casos clássico e da armadilha da
C1 + C2/(1 + r) = Y1 + Y2/(1 + r)
liquidez, uma política fiscal expansionista eleva a taxa de
juros.
c) na ausência dos casos clássico e da armadilha da onde:
liquidez, uma política fiscal expansionista eleva a renda. C1 = consumo no período 1;
d) no caso da armadilha da liquidez, uma política fiscal C2 = consumo no período 2;
expansionista não aumenta o nível de renda. Y1 = renda no período 1;
e) quanto maior a renda, maior é a demanda por moeda. Y2 = renda no período 2; e
r = taxa de juros. e
08-(AFRF/2003) Considere:
M/P = 0,2.Y - 15.r 2. uma curva de indiferença que representa as
Y = 600 - 1.000.r preferências intertemporais do consumidor.
YP = 500 Com base nestas informações e supondo que o
P=1 consumidor esteja no equilíbrio E, é correto afirmar que:
onde:
M = oferta nominal de moeda; a) no equilíbrio "E", C1 = Y1 e C2 = Y2.
P = nível geral de preços; b) o consumo no primeiro período é menor do que a
Y = renda real; renda no primeiro período.
YP = renda real de pleno emprego; e c) o modelo sugere a existência de restrições de crédito
r = taxa de juros. no primeiro período.
Com base nestas informações, pode-se afirmar que o d) o consumidor é devedor no primeiro período.
valor da oferta de moeda necessária ao pleno emprego é e) alterações nas taxas de juros não provocam alterações
de: nos consumos dos períodos 1 e 2.

a) 80,0
b) 98,5
c) 77,2 AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL - AFRF -
d) 55,1 2002.2 POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA -
e) 110,0 PROVA 3 2
09-(AFRF/2003) Com relação ao modelo de crescimento
de Solow, é correto afirmar que, no equilíbrio de longo ECONOMIA
prazo: 01-(AFRF/2002.2) Suponha uma economia que só
a) quanto maior for a taxa de depreciação, maior será o produza dois bens
estoque de capital por trabalhador. finais (A e B). Considere os dados a seguir:
b) a taxa de crescimento do produto por trabalhador é
igual à taxa de depreciação. Bem A Bem B
c) quanto maior for a taxa de poupança, maior será o
consumo por trabalhador.
quantidade preço quantidade preço
d) quanto maior for a taxa de crescimento populacional,
maior será o estoque de capital por trabalhador.
e) quanto maior a taxa de poupança, maior será o Período1 10 5 12 6
estoque de capital por trabalhador.
Período 2 10 7 10 9

10-(AFRF/2003) Considere o seguinte gráfico: Com base nestes dados, é incorreto afirmar que:

a) o produto nominal do período 2 foi maior do que o


produto nominal do período 1.
b) o crescimento do produto nominal entre os períodos 1
e 2 for de, aproximadamente, 31%.
c) não houve crescimento do produto real entre os
períodos 1 e 2, considerando o índice de Laspeyres de
preço.
d) a inflação desta economia medida pelo índice de
Laspeyres de preço foi de 30%.
e) não houve crescimento do produto real, entre os
períodos 1 e 2, considerando o índice de Fisher.

02-(AFRF/2002.2) Considere um sistema de contas


Este gráfico contém: nacionais para uma economia aberta sem governo.
1. a denominada "restrição orçamentária intertemporal" Suponha os seguintes dados:
de um consumidor num modelo de dois períodos,

Importações de bens e serviços não fatores = 100


60
Renda líquida enviada ao exterior = 50 b) 45.848
Renda nacional líquida = 1.000 c) 80.414
Depreciação = 5 d) 11.282
Exportações de bens e serviços não fatores = 200 e) 195.401
Consumo pessoal = 500 06-(AFRF/2002.2) Com relação aos determinantes do
Variação de estoques = 80 investimento, é
Com base nessas informações, é correto afirmar que a correto afirmar que:
formação bruta de capital fixo é igual a:
a) 375 a) as decisões de investir dependem do parâmetro “q de
b) 275 Tobim”. Se q <1, haverá incentivo
c) 430 por parte das empresas em aumentar o estoque de
d) 330 capital.
e) 150 b) o incentivo a investir depende da comparação entre a
03-(AFRF/2002.2) Com relação ao balanço de taxa de depreciação e a taxa de retorno do investimento.
pagamentos, é incorreto Se a taxa de retorno do investimento excede a taxa de
afirmar que: depreciação, então as empresas terão incentivos em
a) as exportações de empresas multinacionais instaladas aumentar o seu estoque de capital.
no Brasil são computadas na balança comercial do país. c) o incentivo a investir depende apenas do custo do
b) os investimentos diretos fazem parte dos chamados capital. Nesse sentido, as empresas terão incentivos em
movimentos de capitais autônomos. aumentar o seu estoque de capital enquanto o custo do
c) o saldo da conta “transferências unilaterais” faz parte capital for negativo.
do saldo do balanço de pagamentos em transações d) o incentivo a investir depende da comparação entre o
correntes. valor de mercado do capital instalado e o custo de
d) o saldo total do balanço de pagamentos não é reposição do capital instalado. Nesse sentido, as empresas
necessariamente nulo. terão incentivos em aumentar o seu estoque de capital se
e) as chamadas rendas de capital fazem parte do o custo de reposição do capital instalado for maior do que
denominado balanço de serviços não fatores. o valor de mercado do capital instalado.
04-(AFRF/2002.2) No ano de 2000, a conta de produção e) o incentivo a investir depende da comparação entre o
do sistema de contas nacionais no Brasil apresentou os custo do capital e o produto marginal do capital. Se o
seguintes dados produto marginal do capital excede o custo do capital,
(em R$ 1.000.000): então as empresas terão incentivos em aumentar o seu
Produção: 1.979.057 estoque de capital.
Consumo Intermediário: 1.011.751 07-(AFRF/2002.2) Com relação ao modelo IS/LM, é
Impostos sobre produto: 119.394 incorreto afirmar que:
Imposto sobre importação: 8.430 a) no chamado caso da “armadilha da liquidez”, em que a
Produto Interno Bruto: 1.086.700 LM é horizontal, uma elevação dos gastos públicos eleva a
renda sem afetar a taxa de juros.
Com base nestas informações, o item da conta b) excluídos os casos “clássico” e da “armadilha da
“demais impostos sobre produto” foi de: liquidez”, numa economia fechada a elevação dos gastos
a) 839.482 públicos eleva a renda.
b) 74.949 Esta elevação, entretanto, é menor comparada com o
c) 110.964 resultado decorrente do modelo keynesiano simplificado,
d) 128.364 em que os investimentos não dependem da taxa de juros.
e) 66.519 c) no chamado caso “clássico”, em que a LM é vertical,
05-(AFRF/2002.2) No ano de 1999, a conta de capital uma elevação dos gastos públicos só afeta as taxas de
do sistema de contas nacionais no Brasil apresentou os juros.
seguintes dados (em R$ 1.000.000): d) se a IS é vertical, a política fiscal não pode ser utilizada
para elevação da renda.
Poupança bruta: 149.491 e) na curva LM, a demanda por moeda depende da taxa
Formação bruta de capital fixo: 184.087 de juros e da renda.
Variação de estoques: 11.314
Transferências de capital enviada ao resto do mundo: 29 08-(AFRF/2002.2) Considere:
Transferências de capital recebida do resto do mundo: 91
Com base nessas informações, é correto afirmar que a curva de demanda agregada derivada do modelo IS/LM
necessidade de financiamento foi igual a: curva de oferta agregada de longo prazo horizontal
curva de oferta agregada de curto prazo vertical
a) 34.566 Considere a ocorrência de um choque adverso de oferta
como, por exemplo, uma elevação nos preços
internacionais do petróleo. Supondo que este choque não
desloca a curva de oferta agregada de longo prazo, é
correto afirmar que:

61
a) uma elevação na demanda tenderá a intensificar a a) independentemente do regime cambial, a política
queda no produto que decorre do choque de oferta. fiscal é a única capaz de exercer influência sobre o
b) o choque adverso de oferta aumenta os custos e, produto já que, no modelo, está implícita a hipótese
portanto, os preços. Se não houver alterações na de que a taxa esperada de inflação é zero.
demanda agregada, teremos uma combinação, no curto b) ambos os instrumentos exercem impactos sobre a
prazo, de preços crescentes com redução do produto. No renda, independente do regime cambial adotado, já
longo prazo, com a queda dos preços, a economia que as taxas de câmbio real e nominal são iguais.
retornará ao seu nível de pleno emprego. c) os impactos de um ou outro instrumento sobre a
c) se não ocorrer deslocamentos na curva de demanda renda agregada dependem do regime cambial adotado
agregada, o choque de oferta causará deflação. no modelo.
d) o choque de oferta alterará apenas o produto de pleno d) se o regime for de câmbio fixo, tanto a política
emprego. monetária quanto a política fiscal exercem influência
e) não ocorrerá alterações nem nos preços nem no nível sobre a renda agregada, já que as taxas de câmbio
do produto, tanto no curto quanto no longo prazo, uma nominal e real são iguais.
vez que, se o choque de oferta não desloca a curva de e) independentemente do regime cambial, a política
oferta de longo prazo, também não deslocará a curva de monetária é a única capaz de exercer influência sobre
oferta de curto prazo. o produto, já que se verifica uma situação de total
09-(AFRF/2002.2) Com relação ao modelo de Solow, é estabilidade no nível de preços internos.
incorreto afirmar que 02- (AFRF/2000)São medidas que tendem a corrigir
a) o estado estacionário que maximiza o consumo é déficits no balanço de pagamentos:
aquele definido pela denominada “regra de ouro”. a) elevação do nível de atividade econômica, redução
b) a taxa de poupança determina a quantidade do estoque das taxas internas de juros, redução no nível geral de
de capital por trabalhador e, portanto, o nível do produto preços internos
por trabalhador no estado estacionário. b) elevação do nível de atividade econômica, redução
c) quanto maior a taxa de poupança, maior o bem-estar das taxas internas de juros, desvalorização da taxa
da sociedade. nominal de câmbio
d) o estado estacionário pode ser considerado como um c) redução do nível de atividade econômica, redução
equilíbrio de longo prazo. das taxas internas de juros, desvalorização da taxa
e) somente o progresso tecnológico explica o crescimento nominal de câmbio
de longo prazo. d) redução do nível de atividade econômica, redução
10-(AFRF/2002.2) Considere os seguintes dados para o no nível geral de preços internos, elevação das taxas
modelo de crescimento de Solow: internas de juros
k = estoque de capital por trabalhador e) elevação do nível de atividade econômica,
ä = taxa de depreciação elevação das taxas internas de juros, elevação no
y = produto por trabalhador nível geral de preços internos
s = taxa de poupança 03-(AFRF/2000) Considere os seguintes dados que
Sabendo-se que y = (k)0,5 , ä = 0,1 e s = 0,4, os níveis refletem as relações de uma economia hipotética
de k e y no estado estacionário serão, respectivamente: com o resto do mundo, num determinado período de
a) 16 e 4 tempo, em unidades monetárias:
b) 16 e 8
- exportações com pagamento a vista: 100;
c) 4 e 16
- importações com pagamento a vista: 50;
d) 4 e 8
- entrada de investimento direto externo sob a
e) 4 e 12
forma de máquinas e equipamentos: 200;
- pagamento de juros de empréstimos, remessa de
lucros e pagamento de aluguéis: 80; e
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL - AFRF - - amortização de empréstimos: 50.
2000 POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Pode-se afirmar que
a) o saldo da balança comercial é de +50; o saldo da
ECONOMIA balança de serviços é de -130; o saldo em transações
01-(AFRF/2000) Considere o modelo IS/LM com as correntes é de -230; e o saldo total do balanço de
seguintes hipóteses: pagamentos é de -80.
i) economia pequena e aberta b) o saldo da balança comercial é de -150; o saldo da
ii) livre mobilidade de capital balança de serviços é de -80; o saldo em transações
iii) taxa de câmbio nominal igual à taxa de câmbio real correntes é de -230; e o saldo total do balanço de
Suponha que a autoridade econômica disponha dos pagamentos é de -80.
dois tradicionais instrumentos de política econômica: c) o saldo da balança comercial é de -150; o saldo da
política fiscal e política monetária. Pode-se então balança de serviços é de -130; o saldo em transações
afirmar que:

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correntes é de -230; e o saldo total do balanço de Com base nesta equação, pode-se afirmar que
pagamentos é de -80.
d) o saldo da balança comercial é de +50; o saldo da
balança de serviços é de -80; o saldo em transações a) a trajetória da inflação dependerá de A e . Se A >
correntes é de -230; e o saldo total do balanço de
0 ou se  > 0, a inflação será crescente; mas se A =
pagamentos é de -80.
0, independente de , a inflação será estável.
e) o saldo da balança comercial é de -150; o saldo da
b) não é possível, a partir da equação, prever uma
balança de serviços é de -80; o saldo em transações
situação de inflação inercial.
correntes é de +230; e o saldo total do balanço de
c) a trajetória da inflação dependerá principalmente
pagamentos é nulo.
de A. Neste sentido, a inflação será estável somente
04-(AFRF/2000) Com relação aos lançamentos no
se A = 0.
balanço de pagamentos, pode-se afirmar que
d) a trajetória da inflação, pela equação, será sempre
a) as amortizações de empréstimos fazem parte dos
crescente, independente dos valores de A e .
movimentos de capitais autônomos ao passo que o
e) a trajetória da inflação dependerá exclusivamente
pagamento de juros de empréstimos fazem parte do
do termo . Supondo a ausência de choques
balanço de serviços.
exógenos, se  > 1, a inflação será explosiva; se  =
b) qualquer operação envolvendo donativos deve
1 a inflação será inercial; e se  < 1, a inflação
necessariamente ter como contrapartida lançamento
será decrescente.
na conta de importações.
c) qualquer operação de importação deve
necessariamente ter como contrapartida lançamento 07-(AFRF/2000) São consideradas operações ativas do
na conta "haveres a curto prazo no exterior". Banco Central:
d) as transferências unilaterais devem ter a) alterações nas reservas internacionais, operações
necessariamente como contrapartida lançamentos na de redescontos, alterações no Imposto sobre
conta "haveres a curto prazo no exterior". Operações Financeiras
e) é possível um lançamento no balanço de b) alterações nas reservas internacionais, operações
pagamentos se contrapartida de lançamento em outra de redescontos, empréstimos ao Tesouro Nacional,
conta, desde que tal lançamento não seja proveniente alteração dos impostos nas operações financeiras
de operações de exportação ou de importação. c) alterações nas reservas internacionais, operações
05-(AFRF/2000) Considere que tenha ocorrido uma de redescontos, empréstimos ao Tesouro Nacional,
desvalorização nominal da taxa de câmbio de 10% compra de títulos públicos federais
num determinado período. Considerando o conceito d) alterações nas reservas internacionais, alterações
de taxa de câmbio utilizada no Brasil e o conceito de na taxa de câmbio, operações de redescontos,
câmbio real que leva em conta a inflação interna e empréstimos ao Tesouro Nacional
externa, pode-se afirmar que, e) alterações nas reservas internacionais, operações
a) se a inflação externa foi de 10% no período e a de redescontos, empréstimos ao Tesouro Nacional,
inflação interna foi de 25% no período, houve uma alterações dos impostos nos mercados de capitais
desvalorização real da taxa de câmbio. 08-(AFRF/2000) São fatores que tendem a elevar a
b) se a inflação externa foi de 5% e a inflação interna oferta monetária na economia:
foi de 20% no período, houve uma valorização real da a) elevação das reservas internacionais do país;
taxa de câmbio. concessão, por parte do Banco Central, de
c) se tanto a inflação interna quanto a externa foram empréstimos aos bancos comerciais; compra de títulos
de 5% no período, não houve alteração na taxa de públicos pelo Banco Central
câmbio real. b) redução das reservas internacionais do país;
d) se a inflação externa foi de 20% e a inflação concessão, por parte do Banco Central, de
interna foi de 5% no período, houve uma valorização empréstimos aos bancos comerciais; compra de títulos
real da taxa de câmbio. públicos pelo Banco Central
e) se a inflação externa foi de 15% no período e a c) redução das reservas internacionais do país;
inflação interna foi de 30% no período, houve uma concessão, por parte do Banco Central, de
desvalorização real da taxa de câmbio. empréstimos aos bancos comerciais; venda de títulos
públicos pelo Banco Central
d) elevação das reservas internacionais do país;
concessão, por parte do Banco Central, de
06-(AFRF/2000) Considere a seguinte equação:
empréstimos aos bancos comerciais; venda de títulos
t - t-1 = A públicos pelo Banco Central
onde: e) elevação das reservas internacionais do país;
t = taxa de inflação em t (t-1 = taxa de inflação recebimento, pelo Banco Central, de empréstimos
em t -1); concedidos ao setor privado; venda de títulos públicos
A = choques exógenos; e pelo Banco Central
 > 0.

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09-(AFRF/2000) Considerando o modelo de oferta e c) tanto da renda quanto da taxa nominal de juros.
demanda agregada; considere ainda que, no longo Assim, quanto maior a renda ou quanto maior a taxa
prazo os preços são flexíveis, mas no curto prazo, de juros, maior será a demanda por moeda
verifica-se rigidez total nos preços. Então, é correto d) exclusivamente da renda real. Assim, quanto
afirmar que: maior for a inflação esperada, maior será a demanda
a) tanto no curto quanto no longo prazo, por moeda
deslocamentos na demanda agregada afastam o e) exclusivamente da taxa esperada de inflação.
produto do seu nível de pleno emprego. A diferença Assim quanto maior for esta taxa, maior será a
está nos efeitos desses deslocamentos sobre a demanda por moeda
inflação. 12-(AFRF/2000) Considere as seguintes informações
b) deslocamentos na demanda agregada afetam o para uma economia hipotética, num determinado
produto agregado tanto no curto quanto no longo período de tempo, em unidades monetárias:
prazo. A diferença entre os dois casos está apenas no Consumo autônomo = 100;
grau de intensidade dos efeitos da demanda sobre o Investimento agregado = 150;
produto. Gastos do governo = 80;
c) no longo prazo, deslocamentos na demanda Exportações = 50; Importações
agregada afastam o produto agregado do seu nível de = 30.
pleno emprego. Tal efeito, entretanto, não ocorre no
curto prazo. Pode-se então afirmar que,
d) deslocamentos na demanda agregada no longo a) se a propensão marginal a consumir for 0,8, a
prazo só afetam o nível de preços; já no curto prazo, renda de equilíbrio será de 1700
tais deslocamentos só afetam o produto agregado. b) se a propensão marginal a poupar for 0,2, a renda
e) tanto no curto quanto no longo prazo, o produto de equilíbrio será de 1750
agregado encontra-se em seu nível de pleno emprego. c) se a propensão marginal a consumir for de 0,6, a
Assim, deslocamentos da demanda agregada só renda de equilíbrio será de 1730
causam efeitos sobre a inflação, cuja intensidade é d) se a propensão marginal a poupar for 0,3, a renda
maior no longo prazo. de equilíbrio será de 1700
10-(AFRF/2000) Considerando o modelo IS/LM com os e) se a propensão marginal a consumir for 0,7, a
casos denominados de "clássico" e da "armadilha da renda de equilíbrio será de 1800
liquidez", podemos afirmar que: 13-(AFRF/2000) Considere uma economia hipotética
a) no "caso clássico", deslocamentos da curva IS só que produza apenas 3 bens finais: arroz, feijão e
altera o nível do produto uma vez que a taxa de juros carne, cujos preços (em unidades monetárias) e
é fixa. quantidades (em unidades físicas), para os períodos
b) o "caso clássico" ocorre quando a demanda por 1 e 2, encontram-se na tabela a seguir:
moeda é totalmente insensível à taxa de juros; já o arroz feijão carne
caso da "armadilha da liquidez" ocorre quando a período
demanda por moeda é infinitamente elástica em
relação à taxa de juros.
c) no caso da "armadilha da liquidez", a política fiscal
é totalmente inoperante, ocorrendo o oposto no "caso
clássico". preço quant preço quan preço quant
d) tanto no "caso clássico" quanto no caso da . t. .
"armadilha da liquidez", elevações dos gastos públicos 1 2,20 10 3,00 13 8,00 13
causam alterações no produto. A diferença, entre os
dois casos, está apenas na possibilidade ou não de 2 2,30 11 3,50 14 15,00 8
alterações nas taxas de juros. Considerando que a inflação utilizada para o cálculo
e) tanto no "caso clássico" quanto no caso da do Produto Real Agregado desta economia foi de
"armadilha da liquidez", o nível do produto é dado. A 59,79% entre os dois períodos, podemos afirmar
diferença está apenas nos efeitos dos deslocamentos que:
da curva IS sobre as taxas de juros.
a) o Produto Nominal cresceu 17,76% enquanto o
11-(AFRF/2000) É correto afirmar que a demanda por Produto Real cresceu apenas 2,26%.
moeda depende b) o Produto Nominal cresceu 15,15% ao passo que o
a) tanto da renda quanto da taxa nominal de juros.
Produto Real caiu 59,79%.
Assim, quanto maior a renda ou quanto menor a taxa
c) o Produto Nominal cresceu 12,32% ao passo que
de juros, maior será a demanda por moeda
não houve alteração no Produto Real.
b) exclusivamente da taxa de juros real. Assim,
quanto maior for a taxa de inflação esperada, maior d) o Produto Nominal cresceu 15,15% ao passo que o
tenderá ser a demanda por moeda Produto Real caiu 42,03%.

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e) o Produto Nominal cresceu 17,76% ao passo que o
Produto Real caiu 26,26%.

14-(AFRF/2000) Considere:
Ipr = investimento privado
Ipu = investimento público
Spr = poupança privada
Sg = poupança do governo
Se = poupança externa

Com base nas identidades macroeconômicas


fundamentais, pode-se afirmar que:

a) déficit público = Spr + Ipr + Se


b) Ipr + Ipu = Spr + Sg
c) Ipr + Ipu + Se = Spr + Sg
d) déficit público = Spr - Ipr + Se
e) Ipr = Spr + Se

15-(AFRF/2000) Pode-se dividir as variáveis


macroeconômicas em duas categorias: variáveis
"estoque" e variáveis "fluxo". Assim, podemos
afirmar que
a) a renda agregada e o déficit orçamentário são
variáveis "fluxo" ao passo que o consumo agregado, o
investimento agregado, a dívida pública e a
quantidade de capital na economia são variáveis
"estoque".
b) a renda agregada, o investimento agregado, o
consumo agregado e o déficit orçamentário são
variáveis "estoque" ao passo que a dívida do governo
e a quantidade de capital na economia são variáveis
"fluxo".
c) a renda agregada, o investimento agregado, o
consumo agregado e o déficit orçamentário são
variáveis "fluxo" ao passo que a dívida do governo e a
quantidade de capital na economia são variáveis
"estoque".
d) o investimento agregado, o consumo agregado e a
dívida pública são variáveis "fluxo" ao passo que a
renda agregada, o déficit orçamentário e a quantidade
de capital na economia são variáveis "estoque".
e) a renda agregada, o investimento agregado, o
consumo agregado e a dívida pública são variáveis
"fluxo" ao passo que o déficit orçamentário e a
quantidade de capital na economia são variáveis
"estoque".

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