Finanças Públicas e Economia para Concursos
Finanças Públicas e Economia para Concursos
com
ASSUNTO
FINANÇAS PÚBLICAS:
1- Os princípios teóricos de tributação.
2- Impostos, tarifas, contribuições fiscais e parafiscais: definições.
3- Tipos de impostos. Progressivos, Regressivos, Proporcionais. Diretos e Indiretos.
4. Impactos sobre o consumidor e a indústria de cada tipo de imposto.
5- Carga Fiscal. Progressiva. Regressiva. Neutra. Carga Fiscal Ótima.
6- Efeitos da ausência ou do excesso de cobrança de impostos. A curva reversa. O efeito de curto, médio
e longo prazos da inflação e do crescimento econômico sobre a distribuição da carga fiscal.
7- Lei de Responsabilidade Fiscal; Ajuste Fiscal; Contas Públicas – Déficit Público; Resultado nominal e
operacional; Necessidades de financiamento do setor público.
8-PROVAS DA ESAF DE FINANÇAS PÚBLICAS
ECONOMIA
1- Introdução à Macroeconomia. Conceitos Macroeconômicos Básicos. Identidades Macroeconômicas
fundamentais. Formas de mensuração do Produto e da Renda Nacional. O produto nominal x o produto
real. Números índices. O Sistema de contas nacionais. Contas nacionais no Brasil. Noções sobre o
balanço de pagamentos. As contas do sistema financeiro e o multiplicador bancário.
2- Macroeconomia keynesiana. Hipóteses básicas da macroeconomia keynesiana. As funções consumo e
poupança. Determinação da renda de equilíbrio. O multiplicador keynesiano. Os determinantes do
investimento.
3. O modelo IS-LM. O Equilíbrio no Mercado de Bens. A demanda por Moeda e o Equilíbrio no Mercado
Monetário. O equilíbrio no modelo IS/LM. Políticas econômicas no Modelo IS/LM. Expectativas no modelo IS/LM.
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4- Modelo de oferta e demanda agregada, inflação e desemprego. A função demanda agregada. As
funções de oferta agregada de curto e longo prazo. Efeitos da política monetária e fiscal no curto e longo
prazo. Choques de oferta. Inflação e Emprego. Determinação do Nível de Preços. Introdução às Teorias
da Inflação. A curva de Phillips. A Rigidez dos reajustes de preços e salários. A Teoria da Inflação
Inercial e a análise da Experiência Brasileira Recente no combate à inflação.
5- Macroeconomia aberta. Estrutura do balanço de pagamentos. Regimes Cambiais. Crises Cambiais. O
Modelo IS/LM numa economia aberta. Política monetária e fiscal numa economia aberta. Política Cambial
no Plano Real.
6- Crescimento de longo prazo: O modelo de Solow. O papel da poupança, do crescimento populacional
e das inovações tecnológicas sobre o crescimento. "A regra de ouro".
7- A economia intertemporal. O consumo e o investimento num modelo de escolha intertemporal. A
restrição orçamentária intertemporal das famílias. A restrição orçamentária intertemporal do governo e a
equivalência ricardiana. A restrição orçamentária intertemporal de uma nação e o endividamento
externo.
8-PROVAS DA ESAF DE ECONOMIA
I
1-FINANÇAS PÚBLICAS: OS PRINCÍPIOS TEÓRICOS financiado tanto por fontes de recursos do Tesouro,
DE TRIBUTAÇÃO derivadas de impostos, taxas, etc como por fontes de
A ESAF tem repetidamente cobrado em suas provas o recursos diretamente arrecadados, originados, por
tema “Financiamento dos Gastos Públicos“ ou “Princípios exemplo, da venda de um serviço.
Teóricos da Tributação”. Posso afirmar aos candidatos que Algumas fontes de recurso são compostas por vários
a fonte principal para este assunto têm sido, há muitos tributos, como acontece com a fonte 100 – Recursos
anos, o livro de Alfredo Filellini, intitulado Economia do Ordinários, que agrega diversos impostos como o Imposto
Setor Público, da Editora Atlas, um livro fácil e simples de de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos
entender. Mas também há outro livro mais recente, de Industrializados (IPI). Outras fontes são compostas por
Fábio Giambiagi, intitulado Finanças Públicas, que tem apenas uma receita, ou mesmo, como vimos, por recursos
sido cobrado nas provas. diretamente arrecadados pelo órgão.
Os conteúdos dos livros têm sido cobrados tanto em O Manual Técnico do Orçamento (MTO-02) da Secretaria
Finanças Públicas como em outras disciplinas de de Orçamento Federal contém uma tabela, já
concursos públicos, como Administração Financeira e demonstrada, indicando as fontes de recurso que
Orçamentária - AFO ou Economia do Setor Público, nas financiam os gastos públicos (que não é necessário
provas para Analista de Finanças e Controle do Ministério decorar para a prova!!!).
da Fazenda, Gestor e Analista de Planejamento e
Orçamento do MPO. TRIBUTAÇÃO E EQÜIDADE
O que ocorre é que as três disciplinas são semelhantes em Desde a Idade Média, os reis exigiam de seus cidadãos
conteúdo e abordam basicamente os mesmos tópicos determinados valores em troca da simples proteção ou da
relacionados à teoria das finanças públicas, como os extensão de algumas prerrogativas da Corte. Daí se
tributos, a dívida pública ou o federalismo fiscal. originou o conceito do jus imperis estatal, da
compulsoriedade no pagamento de tributos, sem nada
O FINANCIAMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS efetivamente em troca, ou apenas a mera prestação de
O fluxo de arrecadação de receitas do Governo Federal algum serviço.
praticamente determina o processo de liberação dos Muito se discute na doutrina até hoje sobre quais seriam
recursos junto aos órgãos, realizado pela Secretaria do os princípios que deveriam alicerçar a tributação ou a
Tesouro Nacional (STN). Como toda empresa responsável cobrança de tributos. Discute-se, até mesmo, em dias
pela gestão de recursos, o Governo Federal também atuais, sobre quais os métodos mais eficientes ao Estado
administra e gere seus recursos, liberando verbas para que este efetivamente arrecade mais, sem sacrificar
orçamentárias mediante a arrecadação de receitas. Hoje, a população com onerosas cargas tributárias, que
o fluxo de liberação de recursos do Governo Federal é comprometam a produção ou o PIB e, consequentemente,
fixado pela STN via Decreto, no que denominamos de a própria arrecadação de tributos.
Decreto de Programação Financeira Alguns princípios são aplicáveis na cobrança de tributos.
Todo início de ano, a STN publica o decreto, impondo Outros, entretanto, carecem de uma razão mais lógica ou
tetos (limites) mensais aos órgãos, e contingenciando o coerente que permita sua aplicação efetiva. Os estudiosos
Orçamento, com base na expectativa de arrecadação. A convergem, entretanto, para um ponto em comum: a
este processo, denominamos de programação financeira eqüidade no tratamento tributário.
de desembolso. A eqüidade impõe o que poderia chamar de justeza
Para que o Governo efetivamente cumpra os programas tributária ou tributação com a máxima justiça entre os
consignados no Orçamento, é fundamental a busca por cidadãos. Neste sentido, haveria igualdade de tratamento
novas receitas e uma melhoria contínua no processo de tributário para aqueles que se encontrassem em
arrecadação. Todo o esforço de arrecadação provém de condições iguais (eqüidade horizontal) e desigualdade de
órgãos arrecadadores como a Secretaria da Receita tratamento tributário para aqueles considerados em
Federal (SRF), do Instituto Nacional de Seguridade Social situação de desigualdade (eqüidade vertical). Ou seja, aos
(INSS) e dos próprios órgãos executores (Ministérios, iguais, tratamento igual, com alíquotas ou faixas de
Secretarias, etc) mediante o recebimento de tributos e tributação iguais. Aos desiguais, tratamento desigual,
recursos próprios. com alíquotas diferenciadas, na mesma medida de suas
A Secretaria de Orçamento Federal (SOF), responsável diferenças.
pela elaboração do Orçamento Público, previamente
classifica todas as receitas públicas, em fontes de recurso. NEUTRALIDADE e EQUIDADE
As fontes de recurso são agrupamentos de determinadas Neutralidade: a implantação de tributos não deve
receitas como as derivadas de impostos, taxas, distorcer o sistema de preços relativos, pois este é o
contribuições, etc e/ou originadas por empréstimos orientador da alocação dos recursos produtivos. Contudo,
externos, tarifas, etc., que são utilizadas para financiar os um tributo poderia ser instituído para corrigir uma
gastos públicos. distorção existente, ou seja, ele seria PARCIALMENTE
Cada projeto ou atividade do Orçamento pode conter uma neutro;
fonte única ou mais de uma fonte de recurso financiando
o programa. Um programa do Orçamento pode ser Equidade: Deve haver equidade horizontal e vertical
Horizontal: quando se dá tratamento igual para iguais;
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Vertical: quando se dá tratamento desigual para desiguais extrafiscalidade, ou seja, o objetivo não é arrecadar, mas
Os CRITÉRIOS DE OPERACIONALIZAÇÃO da Equidade sim, coibir uma atividade ou regular o próprio mercado.
são: Exemplo disto é o imposto de importação, não destinada
Critério do Benefício: em que há uma proporcionalidade propriamente à arrecadar, mas sim, coibir a entrada de
entre o tributo cobrado e o benefício ao tributado. Difícil produtos estrangeiros com preços mais baratos que os
na prática, dada a própria natureza dos bens públicos nacionais, reduzindo as chances da produção própria e
(indivisíveis), exceto para taxas e em alguns impostos consequentemente a oferta de empregos no país.
específicos (energia, transportes); Tributos com características parafiscais (atuam
Critério da Capacidade de Contribuição: a “igualdade de paralelamente aos fiscais)
sacrifício” existiria no caso da progressividade tributária, Empréstimo Compulsório – É exigido a partir de
considerando-se o fato de a Renda possuir também investimento relevante efetuado pela União (princípio da
utilidade marginal decrescente. anterioridade da lei) ou por motivo de guerra externa ou
iminência de guerra, ou, ainda, por calamidade pública.
É vedado ao titular de Poder ou órgão nos últimos 2 I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida
quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de no inciso IV do art. 2o, sua evolução, assim como a
despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro previsão de seu desempenho até o final do exercício;
dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o
seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa inciso IV do art. 50;
para este efeito. III - resultados nominal e primário;
Na determinação da disponibilidade de caixa serão IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4o; V
considerados os encargos e despesas compromissadas a - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão os
pagar até o final do exercício. valores inscritos, os pagamentos realizados e o montante
a pagar.
TRANSPARÊNCIA DA GESTÃO FISCAL
RELATÓRIO DE GESTÃO FISCAL
Instrumentos - ampla divulgação, inclusive em meios
eletrônicos de acesso público: Publicado até 30 dias do encerramento do período com
Planos orçamentos e LDO amplo acesso ao público, inclusive por meio eletrônico.
Prestações de contas e parecer prévio
Relatório Resumido da Execução Orçamentária O relatório conterá:
Relatório de Gestão Fiscal e as versões simplificadas
desses documentos. I - comparativo com os limites de que trata esta Lei
Incentivo à participação popular e realização de Complementar, dos seguintes montantes:
audiências públicas, durante os processos de elaboração e a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos
de discussão dos planos, LDO e orçamentos. e pensionistas;
Contas do PR - disponíveis, durante o exercício, no b) dívidas consolidada e mobiliária;
Legislativo e no órgão técnico de elaboração, para c) concessão de garantias;
consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da d) operações de crédito, inclusive por antecipação de
sociedade. receita;
Prestação de contas da União - demonstrativos do e) despesas de que trata o inciso II do art. 4o;
Tesouro Nacional e das agências financeiras oficiais de II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a
fomento, incluído o BNDEs, e, no caso das agências adotar, se ultrapassado qualquer dos limites;
financeiras, avaliação circunstanciada do impacto fiscal de III - demonstrativos, no último quadrimestre:
suas atividades no exercício. a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e
um de dezembro;
A Administração Pública manterá sistema de custos que b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas:
permita a avaliação e o acompanhamento da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial. 1) liquidadas;
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem
Relatório Resumido da Execução Orçamentária a uma das condições do inciso II do art. 41;
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do
Publicação - até 30 dias após cada bimestre saldo da disponibilidade de caixa;
I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria 4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e
econômica, as: cujos empenhos foram cancelados;
a) receitas por fonte, informando as realizadas e a c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b
realizar, bem como a previsão atualizada; do inciso IV do art. 38.
b) despesas por grupo de natureza, discriminando a Prestações de Contas
dotação para o exercício, a despesa liquidada e o saldo; Será dada ampla divulgação dos resultados da apreciação
II - demonstrativos da execução das: das contas, julgadas ou tomadas.
Os Tribunais de Contas emitirão parecer prévio conclusivo
sobre as contas no prazo de 60 dias do recebimento, se
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outro não estiver estabelecido nas constituições estaduais (NFSP). A linha referida é aquela linha imaginária do total
ou nas leis orgânicas municipais. quando subtraimos um valor de outro. Mede-se o déficit
No caso de Municípios que não sejam capitais e que acima desta linha ou abaixo, pelas necessidades de
tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo será de financiamento de um país
180 dias.
Os Tribunais de Contas não entrarão em recesso enquanto Pelo primeiro critério (acima da linha) pode-se calcular:
existirem contas de Poder, ou órgão pendentes de parecer Déficit Nominal = é a diferença entre as receitas totais
prévio. arrecadadas e os gastos totais do governo.
Os créditos nas instâncias administrativa e judicial, bem Déficit Primário = são apenas os gastos não financeiros
como as demais medidas para incremento das receitas deduzidos das receitas não financeiras, ou seja, é a
tributárias e de contribuições. arrecadação de impostos do governo retirando-se apenas
Fiscalização da Gestão Fiscal os gastos correntes e o investimento governamental, sem
O Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais subtrair-se as despesas e receitas financeiras. Exclui do
de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder déficit nominal os juros pagos e as amortizações da
e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das dívida, que são despesas financeiras, entre outras.
normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se Déficit Operacional = é o Déficit primário + pagamento de
refere a: juros reais. Esta medida exclui do cálculo o pagamento
dos juros nominais da dívida, além dos efeitos da correção
I - atingimento das metas estabelecidas na LDO; monetária.
II - limites e condições para realização de operações de O déficit nominal é usado por todos como o indicador
crédito e inscrição em Restos a Pagar; fiscal por excelência. O BC deixou de divulgar
III - medidas adotadas para o retorno da despesa total mensalmente o resultado do déficit operacional.
com pessoal ao respectivo limite No setor público, há uma certa restrição orçamentária.
IV - providências tomadas, para recondução dos Para manter em equilíbrio o Orçamento, os gastos devem
montantes das dívidas consolidada e mobiliária aos ser iguais à arrecadação. Caso isto não ocorra, estará
respectivos limites; gerando-se um superávit ou déficit no orçamento.
V - destinação de recursos obtidos com a alienação de No caso de superávit, o governo acumula poupança e
ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e as pode emprestar recursos para o setor privado. No
desta Lei Complementar; segundo caso, com o governo gastando mais do que
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos arrecada, gera uma necessidade de financiamento junto
legislativos municipais, quando houver. ao setor privado e/ou Banco Central.
Tribunais de Contas - alertarão quando constatarem:
I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas Pelo critério "abaixo da linha", os principais conceitos são:
no inciso II do art. 4o e no art. 9o; Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) : É a soma das
II - que o montante da despesa total com pessoal dívidas interna e externa do setor público (governo
ultrapassou 90% do limite; federal, Estados e municípios e empresas estatais) junto
III - que os montantes das dívidas consolidada e ao setor privado, com a inclusão da base monetária e a
mobiliária, das operações de crédito e da concessão de exclusão dos ativos do setor público, tais como reservas
garantia se encontram acima de 90%dos limites; internacionais, créditos com o setor privado e os valores
IV - que os gastos com inativos e pensionistas se das privatizações.
encontram acima do limite definido em lei; Ajuste patrimonial: é a diferença entre passivos do
V - fatos que comprometam os custos ou os resultados governo, contraídos no passado e posteriormente
dos programas ou indícios de irregularidades na gestão reconhecidos (“esqueletos"), e os resultados da
orçamentária. privatização.
Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os
cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada Dívida Fiscal Líquida (DFL) : É a diferença entre a DLSP e
Poder e órgão. o ajuste patrimonial.
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LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE indiretamente, a ente da Federação;
III - empresa estatal dependente: empresa
2000. (Estabelece normas de finanças públicas controlada que receba do ente controlador recursos
financeiros para pagamento de despesas com pessoal ou
voltadas para a responsabilidade na gestão
de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último
fiscal e dá outras providências). caso, aqueles provenientes de aumento de participação
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o acionária;
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei IV - receita corrente líquida: somatório das receitas
Complementar: tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais,
agropecuárias, de serviços, transferências correntes e
outras receitas também correntes, deduzidos:
CAPÍTULO I a) na União, os valores transferidos aos Estados e
Municípios por determinação constitucional ou legal, e as
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no
Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas de inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição;
finanças públicas voltadas para a responsabilidade na b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios
gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da por determinação constitucional;
Constituição. c) na União, nos Estados e nos Municípios, a
§ 1o A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema
ação planejada e transparente, em que se previnem riscos de previdência e assistência social e as receitas
e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das provenientes da compensação financeira citada no § 9o do
contas públicas, mediante o cumprimento de metas de art. 201 da Constituição.
resultados entre receitas e despesas e a obediência a § 1o Serão computados no cálculo da receita
limites e condições no que tange a renúncia de receita, corrente líquida os valores pagos e recebidos em
geração de despesas com pessoal, da seguridade social e decorrência da Lei Complementar no 87, de 13 de
outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de setembro de 1996, e do fundo previsto pelo art. 60 do Ato
crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de das Disposições Constitucionais Transitórias.
garantia e inscrição em Restos a Pagar.
§ 2o As disposições desta Lei Complementar obrigam § 2o Não serão considerados na receita corrente
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de
Roraima os recursos recebidos da União para atendimento
§ 3o Nas referências: das despesas de que trata o inciso V do § 1o do art. 19.
§ 3o A receita corrente líquida será apurada
somando-se as receitas arrecadadas no mês em
I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos referência e nos onze anteriores, excluídas as
Municípios, estão compreendidos: duplicidades.
a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste
abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o
Ministério Público; CAPÍTULO II
b) as respectivas administrações diretas, fundos,
autarquias, fundações e empresas estatais dependentes;
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a) equilíbrio entre receitas e despesas; § 4o A mensagem que encaminhar o projeto da
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser União apresentará, em anexo específico, os objetivos das
efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os
deste artigo, no art. 9o e no inciso II do § 1o do art. 31; parâmetros e as projeções para seus principais agregados
e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício
subseqüente.
c) (VETADO)
Seção III
d) (VETADO)
e) normas relativas ao controle de custos e à Da Lei Orçamentária Anual
avaliação dos resultados dos programas financiados com Art. 5o O projeto de lei orçamentária anual,
recursos dos orçamentos; elaborado de forma compatível com o plano plurianual,
f) demais condições e exigências para transferências com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas
de recursos a entidades públicas e privadas; desta Lei Complementar:
I - conterá, em anexo, demonstrativo da
compatibilidade da programação dos orçamentos com os
II - (VETADO) objetivos e metas constantes do documento de que trata
o § 1o do art. 4o;
III - (VETADO) II - será acompanhado do documento a que se
§ 1o Integrará o projeto de lei de diretrizes refere o § 6o do art. 165 da Constituição, bem como das
orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão medidas de compensação a renúncias de receita e ao
estabelecidas metas anuais, em valores correntes e aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado;
constantes, relativas a receitas, despesas, resultados III - conterá reserva de contingência, cuja forma de
nominal e primário e montante da dívida pública, para o utilização e montante, definido com base na receita
exercício a que se referirem e para os dois seguintes. corrente líquida, serão estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias, destinada ao:
§ 2o O Anexo conterá, ainda:
a) (VETADO)
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao b) atendimento de passivos contingentes e outros
ano anterior; riscos e eventos fiscais imprevistos.
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com § 1o Todas as despesas relativas à dívida pública,
memória e metodologia de cálculo que justifiquem os mobiliária ou contratual, e as receitas que as atenderão,
resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas constarão da lei orçamentária anual.
nos três exercícios anteriores, e evidenciando a § 2o O refinanciamento da dívida pública constará
consistência delas com as premissas e os objetivos da separadamente na lei orçamentária e nas de crédito
política econômica nacional; adicional.
III - evolução do patrimônio líquido, também nos § 3o A atualização monetária do principal da dívida
últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do
dos recursos obtidos com a alienação de ativos; índice de preços previsto na lei de diretrizes
orçamentárias, ou em legislação específica.
§ 4o É vedado consignar na lei orçamentária crédito
IV - avaliação da situação financeira e atuarial: com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada.
a) dos regimes geral de previdência social e próprio § 5o A lei orçamentária não consignará dotação para
dos servidores públicos e do Fundo de Amparo ao investimento com duração superior a um exercício
Trabalhador; financeiro que não esteja previsto no plano plurianual ou
b) dos demais fundos públicos e programas estatais em lei que autorize a sua inclusão, conforme disposto no
de natureza atuarial; § 1o do art. 167 da Constituição.
V - demonstrativo da estimativa e compensação da
renúncia de receita e da margem de expansão das
§ 6o Integrarão as despesas da União, e serão
despesas obrigatórias de caráter continuado.
incluídas na lei orçamentária, as do Banco Central do
Brasil relativas a pessoal e encargos sociais, custeio
§ 3o A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo administrativo, inclusive os destinados a benefícios e
de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos
contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas
públicas, informando as providências a serem tomadas,
caso se concretizem.
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assistência aos servidores, e a investimentos. dívida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes
orçamentárias.
§ 7o (VETADO) § 3o No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o
Ministério Público não promoverem a limitação no prazo
estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a
Art. 6o (VETADO) limitar os valores financeiros segundo os critérios fixados
Art. 7o O resultado do Banco Central do Brasil, pela lei de diretrizes orçamentárias.
apurado após a constituição ou reversão de reservas, § 4o Até o final dos meses de maio, setembro e
constitui receita do Tesouro Nacional, e será transferido fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o
até o décimo dia útil subseqüente à aprovação dos cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre, em
balanços semestrais. o
do art. 166
§ 1o O resultado negativo constituirá obrigação do
audiência pública na comissão referida no § 1
Tesouro para com o Banco Central do Brasil e será da Constituição ou equivalente nas Casas Legislativas
consignado em dotação específica no orçamento. estaduais e municipais.
§ 2o O impacto e o custo fiscal das operações
realizadas pelo Banco Central do Brasil serão
o
demonstrados trimestralmente, nos termos em que No prazo de noventa dias após o encerramento
dispuser a lei de diretrizes orçamentárias da União. §5
§ 3o Os balanços trimestrais do Banco Central do de cada semestre, o Banco Central do Brasil apresentará,
Brasil conterão notas explicativas sobre os custos da em reunião conjunta das comissões temáticas pertinentes
remuneração das disponibilidades do Tesouro Nacional e do Congresso Nacional, avaliação do cumprimento dos
da manutenção das reservas cambiais e a rentabilidade de objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e
sua carteira de títulos, destacando os de emissão da cambial, evidenciando o impacto e o custo fiscal de suas
União. operações e os resultados demonstrados nos balanços.
Art. 10. A execução orçamentária e financeira
identificará os beneficiários de pagamento de sentenças
Seção IV judiciais, por meio de sistema de contabilidade e
administração financeira, para fins de observância da
Da Execução Orçamentária e do Cumprimento das ordem cronológica determinada no art. 100 da
Metas Constituição.
Art. 8o Até trinta dias após a publicação dos
orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de CAPÍTULO III
diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea c
do inciso I do art. 4o, o Poder Executivo estabelecerá a
programação financeira e o cronograma de execução DA RECEITA PÚBLICA
mensal de desembolso.
Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados Seção I
a finalidade específica serão utilizados exclusivamente
para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em
exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso. Da Previsão e da Arrecadação
Art. 11. Constituem requisitos essenciais da
Art. 9o Se verificado, ao final de um bimestre, que a
responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e
realização da receita poderá não comportar o
efetiva arrecadação de todos os tributos da competência
cumprimento das metas de resultado primário ou nominal
constitucional do ente da Federação.
estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o
Parágrafo único. É vedada a realização de
Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos
transferências voluntárias para o ente que não observe o
montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes,
disposto no caput, no que se refere aos impostos.
limitação de empenho e movimentação financeira,
Art. 12. As previsões de receita observarão as
segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes
normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das
orçamentárias.
alterações na legislação, da variação do índice de preços,
§ 1o No caso de restabelecimento da receita
do crescimento econômico ou de qualquer outro fator
prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações
relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua
cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma
evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois
proporcional às reduções efetivadas.
seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de
§ 2o Não serão objeto de limitação as despesas que
cálculo e premissas utilizadas.
constituam obrigações constitucionais e legais do ente,
§ 1o Reestimativa de receita por parte do Poder
inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da
Legislativo só será admitida se comprovado erro ou
omissão de ordem técnica ou legal.
§ 2o O montante previsto para as receitas de
operações de crédito não poderá ser superior ao das
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despesas de capital constantes do projeto de lei II - ao cancelamento de débito cujo montante seja
orçamentária. inferior ao dos respectivos custos de cobrança.
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II - desapropriação de imóveis urbanos a que se inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos,
refere o § 3o do art. 182 da Constituição. cargos, funções ou empregos, civis, militares e de
membros de Poder, com quaisquer espécies
remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas
e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria,
reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações,
Subseção I horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza,
bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo
Da Despesa Obrigatória de Caráter Continuado ente às entidades de previdência.
a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o
para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União; Tribunal de Contas do Distrito Federal;
d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal
de Contas do Município, quando houver;
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por
cento) para o Executivo, destacando-se 3% (três por III - no Poder Judiciário:
cento) para as despesas com pessoal decorrentes do que
dispõem os incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da
o art. 31 da Emenda Constitucional no 19, repartidos de Constituição;
forma proporcional à média das despesas relativas a cada b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando
um destes dispositivos, em percentual da receita corrente houver.
líquida, verificadas nos três exercícios financeiros § 3o Os limites para as despesas com pessoal do
imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Poder Judiciário, a cargo da União por força do inciso XIII
Complementar; do art. 21 da Constituição, serão estabelecidos mediante
aplicação da regra do § 1o.
d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério § 4o Nos Estados em que houver Tribunal de Contas
Público da União; dos Municípios, os percentuais definidos nas alíneas a e c
do inciso II do caput serão, respectivamente, acrescidos e
reduzidos em 0,4% (quatro décimos por cento).
II - na esfera estadual:
§ 5o Para os fins previstos no art. 168 da
Constituição, a entrega dos recursos financeiros
a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o correspondentes à despesa total com pessoal por Poder e
Tribunal de Contas do Estado; órgão será a resultante da aplicação dos percentuais
definidos neste artigo, ou aqueles fixados na lei de
diretrizes orçamentárias.
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
Subseção II
III - na esfera municipal:
Do Controle da Despesa Total com Pessoal
a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque
Tribunal de Contas do Município, quando houver; aumento da despesa com pessoal e não atenda:
b) 54% (cinqüenta e quatro por cento) para o I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei
Executivo. Complementar, e o disposto no inciso XIII do art. 37 e no
§ 1o Nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada § 1o do art. 169 da Constituição;
esfera, os limites serão repartidos entre seus órgãos de II - o limite legal de comprometimento aplicado às
forma proporcional à média das despesas com pessoal, despesas com pessoal inativo.
em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de
três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da que resulte aumento da despesa com pessoal expedido
publicação desta Lei Complementar.
15
nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20.
titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.
c) observância dos limites das dívidas consolidada e § 2o O disposto no caput não proíbe o Banco Central
mobiliária, de operações de crédito, inclusive por do Brasil de conceder às instituições financeiras operações
antecipação de receita, de inscrição em Restos a Pagar e de redesconto e de empréstimos de prazo inferior a
de despesa total com pessoal; trezentos e sessenta dias.
III - observância dos limites e condições fixados pelo § 2o Se a devolução não for efetuada no exercício de
Senado Federal; ingresso dos recursos, será consignada reserva específica
IV - autorização específica do Senado Federal, na lei orçamentária para o exercício seguinte.
quando se tratar de operação de crédito externo; § 3o Enquanto não efetuado o cancelamento, a
amortização, ou constituída a reserva, aplicam-se as
sanções previstas nos incisos do § 3o do art. 23.
V - atendimento do disposto no inciso III do art. 167
§ 4o Também se constituirá reserva, no montante
da Constituição;
equivalente ao excesso, se não atendido o disposto no
VI - observância das demais restrições estabelecidas
inciso III do art. 167 da Constituição, consideradas as
nesta Lei Complementar.
disposições do § 3o do art. 32.
§ 2o As operações relativas à dívida mobiliária
federal autorizadas, no texto da lei orçamentária ou de
créditos adicionais, serão objeto de processo simplificado Subseção II
que atenda às suas especificidades.
Das Vedações
§ 3o Para fins do disposto no inciso V do § 1o,
considerar-se-á, em cada exercício financeiro, o total dos
Art. 34. O Banco Central do Brasil não emitirá títulos
recursos de operações de crédito nele ingressados e o das
da dívida pública a partir de dois anos após a publicação
despesas de capital executadas, observado o seguinte:
desta Lei Complementar.
I - não serão computadas nas despesas de capital as
Art. 35. É vedada a realização de operação de
realizadas sob a forma de empréstimo ou financiamento a
crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por
contribuinte, com o intuito de promover incentivo fiscal,
intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa
tendo por base tributo de competência do ente da
estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da
Federação, se resultar a diminuição, direta ou indireta, do
administração indireta, ainda que sob a forma de
ônus deste;
novação, refinanciamento ou postergação de dívida
contraída anteriormente.
II - se o empréstimo ou financiamento a que se
refere o inciso I for concedido por instituição financeira
§ 1o Excetuam-se da vedação a que se refere o
controlada pelo ente da Federação, o valor da operação
caput as operações entre instituição financeira estatal e
será deduzido das despesas de capital;
outro ente da Federação, inclusive suas entidades da
administração indireta, que não se destinem a:
III - (VETADO)
§ 4o Sem prejuízo das atribuições próprias do
I - financiar, direta ou indiretamente, despesas
Senado Federal e do Banco Central do Brasil, o Ministério
correntes;
da Fazenda efetuará o registro eletrônico centralizado e
II - refinanciar dívidas não contraídas junto à própria
atualizado das dívidas públicas interna e externa,
instituição concedente.
garantido o acesso público às informações, que incluirão:
Seção V
Da Garantia e da Contragarantia
20
Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em indiretamente, quanto às operações de seguro de crédito
operações de crédito internas ou externas, observados o à exportação.
disposto neste artigo, as normas do art. 32 e, no caso da § 9o Quando honrarem dívida de outro ente, em
União, também os limites e as condições estabelecidos razão de garantia prestada, a União e os Estados poderão
pelo Senado Federal. condicionar as transferências constitucionais ao
§ 1o A garantia estará condicionada ao oferecimento ressarcimento daquele pagamento.
de contragarantia, em valor igual ou superior ao da § 10. O ente da Federação cuja dívida tiver sido
garantia a ser concedida, e à adimplência da entidade que honrada pela União ou por Estado, em decorrência de
a pleitear relativamente a suas obrigações junto ao garantia prestada em operação de crédito, terá suspenso
garantidor e às entidades por este controladas, observado o acesso a novos créditos ou financiamentos até a total
o seguinte: liquidação da mencionada dívida.
I - não será exigida contragarantia de órgãos e
entidades do próprio ente;
Seção VI
22
V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a) receitas, por categoria econômica e fonte,
a Pagar e as demais formas de financiamento ou assunção especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para
de compromissos junto a terceiros, deverão ser o exercício, a receita realizada no bimestre, a realizada no
escrituradas de modo a evidenciar o montante e a exercício e a previsão a realizar;
variação da dívida pública no período, detalhando, pelo b) despesas, por categoria econômica e grupo de
menos, a natureza e o tipo de credor; natureza da despesa, discriminando dotação inicial,
VI - a demonstração das variações patrimoniais dará dotação para o exercício, despesas empenhada e
destaque à origem e ao destino dos recursos provenientes liquidada, no bimestre e no exercício;
da alienação de ativos.
§ 1o No caso das demonstrações conjuntas, excluir-
c) despesas, por função e subfunção.
se-ão as operações intragovernamentais.
§ 1o Os valores referentes ao refinanciamento da
§ 2o A edição de normas gerais para consolidação
dívida mobiliária constarão destacadamente nas receitas
das contas públicas caberá ao órgão central de
de operações de crédito e nas despesas com amortização
contabilidade da União, enquanto não implantado o
da dívida.
conselho de que trata o art. 67.
§ 2o O descumprimento do prazo previsto neste
§ 3o A Administração Pública manterá sistema de
artigo sujeita o ente às sanções previstas no § 2o do art.
custos que permita a avaliação e o acompanhamento da
51.
gestão orçamentária, financeira e patrimonial.
Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido
Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até
demonstrativos relativos a:
o dia trinta de junho, a consolidação, nacional e por esfera
I - apuração da receita corrente líquida, na forma
de governo, das contas dos entes da Federação relativas
definida no inciso IV do art. 2o, sua evolução, assim como a
ao exercício anterior, e a sua divulgação, inclusive por
previsão de seu desempenho até o final do exercício;
meio eletrônico de acesso público.
II - receitas e despesas previdenciárias a que se
§ 1o Os Estados e os Municípios encaminharão suas
refere o inciso IV do art. 50;
contas ao Poder Executivo da União nos seguintes prazos:
I - Municípios, com cópia para o Poder Executivo do
respectivo Estado, até trinta de abril; III - resultados nominal e primário;
IV - despesas com juros, na forma do inciso II do
art. 4o;
II - Estados, até trinta e um de maio.
V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão
§ 2o O descumprimento dos prazos previstos neste
referido no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos
artigo impedirá, até que a situação seja regularizada, que
realizados e o montante a pagar.
o ente da Federação receba transferências voluntárias e
contrate operações de crédito, exceto as destinadas ao
o
refinanciamento do principal atualizado da dívida O relatório referente ao último bimestre do
mobiliária. §1
exercício será acompanhado também de demonstrativos:
Seção III
I - do atendimento do disposto no inciso III do art.
167 da Constituição, conforme o § 3o do art. 32;
Do Relatório Resumido da Execução Orçamentária
b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas: Art. 57. Os Tribunais de Contas emitirão parecer
prévio conclusivo sobre as contas no prazo de sessenta
1) liquidadas; dias do recebimento, se outro não estiver estabelecido
nas constituições estaduais ou nas leis orgânicas
municipais.
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por
24
§ 1o No caso de Municípios que não sejam capitais e V - fatos que comprometam os custos ou os
que tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo resultados dos programas ou indícios de irregularidades
será de cento e oitenta dias. na gestão orçamentária.
§ 2o Os Tribunais de Contas não entrarão em § 2o Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar
recesso enquanto existirem contas de Poder, ou órgão os cálculos dos limites da despesa total com pessoal de
referido no art. 20, pendentes de parecer prévio. cada Poder e órgão referido no art. 20.
o
Se ultrapassados os limites relativos à despesa
§2
25
total com pessoal ou à dívida consolidada, enquanto Art. 67. O acompanhamento e a avaliação, de forma
perdurar esta situação, o Município ficará sujeito aos permanente, da política e da operacionalidade da gestão
mesmos prazos de verificação e de retorno ao limite fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal,
definidos para os demais entes. constituído por representantes de todos os Poderes e
Art. 64. A União prestará assistência técnica e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades
cooperação financeira aos Municípios para a modernização técnicas representativas da sociedade, visando a:
das respectivas administrações tributária, financeira,
patrimonial e previdenciária, com vistas ao cumprimento
I - harmonização e coordenação entre os entes da
das normas desta Lei Complementar.
Federação;
§ 1o A assistência técnica consistirá no treinamento e
II - disseminação de práticas que resultem em maior
desenvolvimento de recursos humanos e na
eficiência na alocação e execução do gasto público, na
transferência de tecnologia, bem como no apoio à
arrecadação de receitas, no controle do endividamento e
divulgação dos instrumentos de que trata o art. 48 em
na transparência da gestão fiscal;
meio eletrônico de amplo acesso público.
III - adoção de normas de consolidação das contas
§ 2o A cooperação financeira compreenderá a
públicas, padronização das prestações de contas e dos
doação de bens e valores, o financiamento por intermédio
relatórios e demonstrativos de gestão fiscal de que trata
das instituições financeiras federais e o repasse de
esta Lei Complementar, normas e padrões mais simples
recursos oriundos de operações externas.
para os pequenos Municípios, bem como outros,
necessários ao controle social;
Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública
reconhecida pelo Congresso Nacional, no caso da União,
IV - divulgação de análises, estudos e diagnósticos.
ou pelas Assembléias Legislativas, na hipótese dos
§ 1o O conselho a que se refere o caput instituirá
Estados e Municípios, enquanto perdurar a situação:
formas de premiação e reconhecimento público aos
I - serão suspensas a contagem dos prazos e as
titulares de Poder que alcançarem resultados meritórios
disposições estabelecidas nos arts. 23 , 31 e 70;
em suas políticas de desenvolvimento social, conjugados
II - serão dispensados o atingimento dos resultados
com a prática de uma gestão fiscal pautada pelas normas
fiscais e a limitação de empenho prevista no art. 9o.
desta Lei Complementar.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput no
§ 2o Lei disporá sobre a composição e a forma de
caso de estado de defesa ou de sítio, decretado na forma
funcionamento do conselho.
da Constituição.
Art. 68. Na forma do art. 250 da Constituição, é
criado o Fundo do Regime Geral de Previdência Social,
Art. 66. Os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e vinculado ao Ministério da Previdência e Assistência
70 serão duplicados no caso de crescimento real baixo ou Social, com a finalidade de prover recursos para o
negativo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, regional pagamento dos benefícios do regime geral da previdência
ou estadual por período igual ou superior a quatro social.
trimestres.
§ 1o O Fundo será constituído de:
§ 1o Entende-se por baixo crescimento a taxa de
variação real acumulada do Produto Interno Bruto inferior I - bens móveis e imóveis, valores e rendas do
a 1% (um por cento), no período correspondente aos Instituto Nacional do Seguro Social não utilizados na
quatro últimos trimestres. operacionalização deste;
§ 2o A taxa de variação será aquela apurada pela II - bens e direitos que, a qualquer título, lhe sejam
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ou adjudicados ou que lhe vierem a ser vinculados por força
outro órgão que vier a substituí-la, adotada a mesma de lei;
metodologia para apuração dos PIB nacional, estadual e III - receita das contribuições sociais para a
regional. seguridade social, previstas na alínea a do inciso I e no
§ 3o Na hipótese do caput, continuarão a ser inciso II do art. 195 da Constituição;
adotadas as medidas previstas no art. 22. IV - produto da liquidação de bens e ativos de
§ 4o Na hipótese de se verificarem mudanças pessoa física ou jurídica em débito com a Previdência
drásticas na condução das políticas monetária e cambial, Social;
reconhecidas pelo Senado Federal, o prazo referido no
caput do art. 31 poderá ser ampliado em até quatro
quadrimestres. V - resultado da aplicação financeira de seus ativos;
26
§ 2o O Fundo será gerido pelo Instituto Nacional do
Seguro Social, na forma da lei.
Pedro Malan
Martus Tavares
27
8-PROVAS DA ESAF DE FINANÇAS PÚBLICAS manifesta sob a forma de conflito nas relações
intergovernamentais. Escolha a opção incorreta
Controladoria-Geral da União – AFC/CGU relacionada à globalização, regionalismo e federação.
2003/2004 a) Em um novo pacto federativo, a autonomia deverá
estar mais associada à flexibilidade no uso e à
estabilidade dos recursos financeiros do que a liberdade
FINANÇAS PÚBLICAS
para tributar.
01- A necessidade de atuação econômica do setor público
b) A harmonização da política tributária não afeta a
prende-se à constatação de que o sistema de preços não
autonomia dos entes federados, centrada na repartição
consegue cumprir adequadamente algumas tarefas ou
das competências impositivas e no mecanismo de
funções. Assim, é correto afirmar que
repartição de receitas constitucionalmente definidos.
a) a função distributiva do governo está associada ao
c) O período 1988-1998 sofreu influência de uma instável
fornecimento de bens e serviços não oferecidos
conjuntura econômica que afetou fortemente o campo
eficientemente pelo sistema de mercado.
fiscal e acabou por reverter parte significativa dos
b) a função alocativa do governo está relacionada com a
avanços alcançados no rumo da descentralização.
intervenção do Estado na economia para alterar o
d) A manutenção do federalismo requer a existência de
comportamento dos níveis de preços e emprego.
instituições independentes em cada um dos níveis de
c) o governo funciona como agente redistribuidor de
governo.
renda através da tributação, retirando recursos dos
e) Quando as desigualdades regionais são grandes, o
segmentos mais ricos da sociedade e transferindoos para
equilíbrio entre repartição de competências e a autonomia
os segmentos menos favorecidos.
federativa depende de um eficiente sistema de
d) a função estabilizadora do governo está relacionada ao
transferências compensatórias.
fato de que o sistema de preços não leva a uma justa
05- A justificativa para o que foi denominado ciclo político
distribuição de renda.
invertido baseou-se no argumento da existência de
e) a distribuição pessoal de renda pode ser implementada
restrições políticas ou sociais à adoção de medidas fiscais
por meio de uma estrutura tarifária regressiva.
impopulares. A promoção do desenvolvimento e o esforço
02- É de conhecimento geral que, por várias razões
no sentido de minimizar os conflitos sociais formam,
históricas, o Estado assumiu em vários países de
naturalmente, parte do ideário de qualquer governo. O
industrialização tardia ou subdesenvolvidos uma função
que caracteriza as políticas populistas, de acordo com
central na promoção do desenvolvimento econômico,
seus críticos, seria a combinação de quatro fatores.
inclusive no Brasil. Identifique a opção falsa.
Identifique o fator que não é pertinente.
a) No Brasil, o Estado, para viabilizar o processo de
a) O ativismo governamental.
industrialização, assumiu a incumbência de desenvolver o
b) O redistributivismo a qualquer custo.
setor de bens intermediários e gerar a infra-estrutura.
c) A afirmação das conseqüências positivas decorrentes
b) As empresas estatais, no período do II Plano Nacional
de elevados déficits fiscais.
de Desenvolvimento (II PND), conforme determinação
d) A tentativa de promover o crescimento econômico,
governamental, só podiam ter acesso ao crédito interno.
independentemente das condições de contexto.
c) O Estado brasileiro atuou no desenvolvimento do setor
e) A ausência da percepção da existência de restrições
siderúrgico, da exploração de petróleo, do setor
macroeconômicas.
petroquímico, entre outros.
06- Com base na Teoria das Finanças Públicas, assinale
d) Além do grande esforço na tentativa de
a única opção falsa.
redirecionamento da poupança interna para os projetos do
a) Um bem público puro é caracterizado por ter seu
II PND, houve uma grande participação de empréstimos
consumo não rival e não excludente.
externos no financiamento dos programas de
b) Bens privados são aqueles cujo consumo é tanto rival
investimentos.
quanto excludente e são providos eficientemente em
e) Observou-se, ao longo do processo de desenvolvimento
mercados competitivos.
nacional brasileiro, a constituição de um estavam ao
c) A exclusão permite que o produtor do bem privado
alcance do setor privado propriamente dito.
possa ser pago sempre que um consumidor fizer uso do
03- Se a dívida pública de um país era de 25% do PIB no
mesmo.
ano t e passou a ser 32,0% do PIB no ano (t+5),
d) Um exemplo de bem público puro é segurança
determine qual foi o crescimento real anual médio dessa
nacional.
dívida, entre esses dois anos, considerando que o PIB
e) Há rivalidade no consumo de um bem se o consumidor
teve um aumento real de 2,3% ao ano.
desse bem por parte de uma pessoa aumenta a
a) 7,5 % ao ano
disponibilidade do mesmo para as outras.
b) 10,5 % ao ano
07- Para atingir os objetivos de política econômica, o
c) 15,0 % ao ano
governo dispõe de um conjunto de instrumentos. Entre
d) 7,3 % ao ano
eles estão a política fiscal, monetária e cambial.
e) 8,7 % ao ano
Assinale a opção incorreta.
04- Nos últimos anos, tem-se assistido a freqüentes
manifestações sobre a necessidade de um novo pacto
federativo, que elimine a tensão que volta e meia se
28
a) A política cambial corresponde a ações do governo que b) Quanto ao poder de tributar, a receita é dividida
atingem diretamente as transações internacionais do país. conforme a discriminação constitucional das rendas, em
b) A política fiscal pode ser dividida em política tributária federal, estadual e municipal.
e política de gastos públicos. c) Quanto à coercitividade, as receitas podem ser
c) Para controlar as condições de crédito, o governo utiliza divididas em originárias e derivadas.
a política monetária. d) Quanto à regularidade, as receitas podem ser
d) Quando o governo aumenta seus gastos, diz-se que a desdobradas em ordinárias e extraordinárias.
política monetária é expansionista e, caso contrário, é e) Na classificação quanto à natureza, diz-se que as
contracionista. receitas tributárias e as receitas de contribuições são
e) Por meio da política cambial, o governo pode atuar no exemplos de receitas correntes.
mercado de divisas de vários países. 12- O Plano Plurianual de 2000-2003 do governo
08- Os modelos macroeconômicos procuram analisar o brasileiro, que recebeu o nome de Avança Brasil, continha
comportamento dos gastos públicos durante o tempo. Os mudanças de grande repercussão no sistema de
modelos que tentam associar o crescimento dos gastos planejamento e orçamento do Governo Federal. Segundo
públicos com os estágios de crescimento do país foram o conteúdo desse plano, identifique a única opção que não
desenvolvidos por é pertinente.
a) As despesas do governo e os impostos afetam o 11- Uma forma de avaliar a eqüidade de um sistema
mercado de capitais. tributário é chamada de princípio de capacidade de
b) Aumentos nos impostos reduzem a renda disponível. pagamento. Segundo o princípio de eqüidade vertical, diz-
c) O déficit público reduz a poupança nacional, se que o sistema tributário é regressivo quando:
provocando alta das taxas de juros reais. a) os contribuintes com altas rendas pagam proporção
d) Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa menor de sua renda, mesmo que a quantia paga seja
obter empréstimos para financiar seu déficit. maior.
e) O déficit público provoca um aumento do investimento b) os contribuintes com a mesma capacidade de
privado. pagamento arcam com o mesmo ônus fiscal.
19- O forte ajuste fiscal realizado na economia brasileira no c) os contribuintes com capacidade de pagamento
fim da década de 90, notadamente no ano de 1999, ano similares pagam a mesma quantia.
de grande austeridade fiscal, resultou em diversos d) os contribuintes pagam tributos de acordo com o
benefícios nas contas públicas. Sob a ótica do ajuste montante de benefícios que eles recebem.
fiscal, aponte qual opção é incorreta. e) o percentual do imposto a ser pago aumenta quando
a) Para uma mesma taxa de juros, após a desvalorização aumenta o nível de renda.
de 1999, o superávit primário requerido para estabilizar a 12- Compete à União, exclusivamente, com exceção do
relação dívida/ PIB aumentou. disposto no Parágrafo Único do Art.149 da Constituição
b) Apesar da virtual estagnação do PIB em 1999 e do Federal, instituir contribuições sociais, de domínio
aumento da ordem de 4% do número de indivíduos que econômico e de interesse das categorias profissionais ou
recebiam benefícios do INSS, a relação despesa com econômicas. Segundo a classificação das receitas públicas
benefícios/PIB diminuiu ligeiramente nesse ano. brasileiras, indique a opção que é classificada como uma
c) O critério de desempenho para avaliar a política fiscal, receita de contribuição do governo.
no contexto do acordo do FMI de 1999, foi o valor da
Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP) no a) Contribuição para o Instituto de Colonização e Reforma
conceito nominal. Agrária.
d) Permissão em 1999, para as empresas acertarem as b) Contribuição Social para o Salário Educação.
suas dívidas com o fisco, sem pagamento de multas, c) Contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem
permitiu uma cobrança de atrasados equivalente a Industrial.
aproximadamente 0,5% do PIB. d) Contribuição para o Serviço Social da Indústria.
e) A diminuição da taxa SELIC nominal de 45% para 19% e) Contribuição para o Programa de Integração Nacional e
entre o auge da crise econômica, no início de 1999 e o para o Programa de Redistribuição de Terras e de
final do mesmo ano, se deu pela redução do risco-Brasil. Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste.
20- Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na 13- Identifique a única opção incorreta no que tange aos
gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva tipos de impostos.
arrecadação de todos os tributos da competência a) Tributos diretos são aqueles cujo ônus de pagamento
constitucional do ente da federação. Deste modo, na Lei recai sobre o próprio contribuinte.
de Responsabilidade Fiscal, foram definidos b) Os impostos indiretos costumam ser proporcionais ou
procedimentos e normas a serem observados pelo poder seletivos, de acordo com a essencialidade do produto ou
público. Com base na referida Lei, identifique a opção serviço em que incidem.
incorreta com relação à receita. c) Os impostos diretos costumam ser progressivos,
a) O Poder Legislativo somente poderá efetuar a incidindo de forma graduada, de acordo com a capacidade
reestimativa de receita se ficar comprovado erro ou econômica do contribuinte.
omissão de ordem técnica e legal. d) Os impostos indiretos, por não serem transferíveis a
b) Se o montante previsto para as receitas de operação terceiros, permitem que a carga tributária seja distribuída
de crédito ultrapassarem o das despesas correntes de forma eqüitativa.
constantes do projeto de lei orçamentária, o Poder e) A diferenciação entre tributos diretos e indiretos é
Legislativo poderá efetuar a reestimativa de receita. importante para a análise da eqüidade.
Renda = Salários + Juros + Lucros + Aluguéis + Royalties LASPEYRES: no qual o numerador é a soma dos preços
+ Lucros
correntes ponderados pelas quantidades de um período-
Adicionando-se a Depreciação, passamos do PIL a custo
base, e o denominador é a soma dos preços do período-
de fatores para o PIB a custo de fatores;
base ponderados da mesma forma:
I.L. = Pn. Qo
Mais os Impostos Indiretos e Menos os Subsídios (ou seja, Po. Qo
mais os impostos indiretos LÍQUIDOS) = PIB a preços de PAASCHE, por sua vez, usa como ponderação não as
mercado. quantidades do período-base, mas sim as do próprio
Qual a diferença entre PIB e PNB (para qualquer modo de período analisado:
apresentação) ?
PNB = PIB + RLE (em que RLE = RRE – REE)
I.P. = Pn. Qn
Se dividirmos pela População, teremos esses agregados Po. Qn
“per capita”. Finalmente, FISCHER, também conhecido como índice
geométrico ou “ideal”: tem por finalidade eliminar o viés
Assim, PIB / Pop = PIB per capita. para cima do índice de Laspeyres e o viés para baixo do
índice de Paasche, calculando a média geométrica do
produtos dos mesmos.
3. PRODUTO PELA ÓTICA DE: DISPÊNDIO
(DEMANDA) AGREGADO(A): I.F. = vIL.IP
É o total de despesas efetuadas pelos agentes econômicos
em dado período, a saber: DA = Consumo das famílias +
Investimento das Empresas + Gastos Públicos Líquidos +
Demanda Externa Líquida (Exportações – Importações).
Este é outro método de se achar o valor do produto, visto
que o item Investimentos inclui as Variações de Estoques.
33
O SISTEMA DE CONTAS NACIONAIS – CONTAS As TRUs vinculam-se às CEIs por apresentar os resultados
NACIONAIS DO BRASIL agregados de Oferta e Demanda total e renda por setores
O novo Sistema de Contas Nacionais do Brasil está de atividades. Nelas as unidades produtivas são
centrado nas CONTAS ECONÔMICAS INTEGRADAS (CEIs); classificadas segundo as atividades permitindo visualizar
e nas TABELAS DE RECURSOS E USOS (TRUs). As CEIs as trocas entre os setores. As
são formadas por um conjunto de contas de operações e TRUs são a base de construção das matrizes de insumo-
também de contas de ativos e passivos dos setores produto.
institucionais e do Resto do Mundo.
Elas são divididas em:
As TRUs apresentam os agregados macros de Produto,
Renda e Despesas, por setores de atividades. Tabela de Recursos de Bens e Serviços, que apresenta a
oferta total da economia (produção e importação);
As CEIs constituem a estrutura central do Sistema. Elas
são construídas em torno de uma seqüência de contas de Tabela de Usos de Bens e Serviços, com o consumo
fluxos inter-relacionadas com as contas de patrimônio. As intermediário e a demanda final (Exportação, Consumo
primeiras descrevem como as atividades ocorrem num Final e FBK) totalizando a Demanda da economia;
dado período. As de patrimônio, registram os valores de Componentes do Valor Adicionado por setor.
ativos e passivos detidos pelos diversos setores no início e Há, finalmente, a CONTA DE OPERAÇÃO DE BENS E
no fim de um período. A ligação entre elas é dada pelo SERVIÇOS (classificada no Sistema como Conta 0),
saldo de uma conta que é transportado para a conta apresentada separada das CEIs. Ela é a base de todo o
seguinte. O novo Sistema usa os conceitos de Usos x Sistema, retratando a atividade de produção por
Recursos; e Ativos x Passivos, ao invés de débito e categorias de demanda final. Os recursos e usos se
crédito. equilibram, não havendo saldo contábil. Trata-se, pois de
As CEIs estão estruturadas em três subconjuntos de uma conta de síntese.
contas: Contas Correntes, Contas de Acumulação; e
Contas de Patrimônio.
34
Quadro 1 - Economia Nacional - Contas de produção, renda e capital - 1999
35
Quadro 2 - Economia Nacional - Conta do resto do mundo (conta das transações externas) - 1999
Quadro 4 - Componentes do PIB pela ótica da despesa - variação real anual - 1994-1999
(Em %)
Componentes do Produto Interno Bruto 1994 1995 1996 1997 1998 1999
Consumo das famílias 7,50 8,71 3,70 3,13 (-) 0,52 (-) 1,02
Formação bruta de capital 13,03 8,09 2,83 8,28 (-) 0,60 (-) 6,41
Formação bruta de capital fixo 14,25 7,29 1,20 9,33 (-) 0,69 (-) 7,65
Exportação de bens e serviços 4,01 (-) 2,03 0,64 11,15 6,57 12,04
Importação de bens e serviços(-) 20,35 30,68 5,39 17,83 2,55 (-) 14,79
36
TABELAS DE RECURSOS E USOS – TRU
As tabelas de recursos e usos oferecem informações detalhadas por atividade e produtos. Trata-se, na verdade, de uma
desagregação da Conta de Produção, ou seja, é possível não só o cálculo do Valor Adicionado (PIB) a preços básicos e a
custo de fator por atividade econômica, mas também, por exemplo, a análise da composição dos insumos de cada atividade. Da
mesma forma, é possível desagregar o PIB a preços de mercado pela ótica da despesa em seus componentes (Consumo Final
das Famílias e das Administrações Públicas, Formação Bruta de Capital Fixo, Variação de Estoques, e Exportações menos
Importações) e em termos de sua composição por grupo de Bens e Serviços.
Tabela de recursos e
usos - 1998
1 - Tabela de
recursos de
bens e
serviços
Valores
correntes em
1 000 R$
Oferta de bens e Produção das atividades Importaç
serviços ão
Ser Tot Imp Imp
viço al orta orta
s - -
Ofer Mar Mar Imp Ofer Agr Extr Tra indu Con Co Tra Co Inst Alu Ad Out Du Tot da ção ção
ta gem gem osto ta ope ativ nsfo stri stru mér nsp mu ituiç guéi mini ros mm al sem de
tota s to- - a r- ais ção cio orte ni- ões s stra y da
l -
a de de tal cuá min maç de caç fina ção serv fina ativi eco emi ben
preç a ria eral ão utili civil ões ncei públ iços ncei dad no ssã s e
o de pre- dad ras ica ro e mia o
e
con com tran ço de serv
sum érci spor bási públ câm iços
idor o te co ica bio
Agropecu 9 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0
ária 123 860 496 807 108 104 821 563 105 856
508 525 893 890 343 101 909 073 486 371
422 114 761 743
Extração 20 2 17 27 13 3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 14
mineral 397 114 046 430 806 355 084 970 082 723
470 513 042 876 039 544 776 675 364
Transform 65 10 72 7 0 0 20 4 0 0 4 0 67
ação 739 293 035 346 591 865 134 490 861 398 366 801 238 524 307
539 049 787 148 864 619 696 283 651 263 687 973 556 879
336 352 186 473
Serviços
industriais de
utilidade pú-
blica 46 0 0 4 42 0 11 1 39 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 41
(S.I.U.P.) 176 026 149 525 628 372 012 137
772 972 800 981 209 715 085
Construçã 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
o civil 138 442 138 138 138
689 637 246 246 246
566 929 929 929
Comércio 10 (-) 0 85 3 19 0 22 84 0 0 0 0 25 0 85
643 75 185 725 440 615 699 040 669 622 411 152 573
541 268 653 975 343 784 543 432
087
Transport 42 0 (-) 1 55 0 0 0 0 0 52 2 0 0 0 25 0 0 52
e 698 14 801 475 156 724 549 906 569
379 578 195 906 631 201 381 525
722
Comunica 28 0 0 2 25 0 0 0 0 0 0 0 25 0 0 0 0 0 25
ções 208 421 787 672 672 114
615 089 526 726 726 800
Instituiçõ 81 0 0 3 77 0 0 0 0 0 0 0 0 77 0 0 0 0 77
es 226 637 588 369 369 218
financeira 314 957 357 640 640 717
s
Aluguéis 0 0 3 0 45 1 2 0 1 0 0 7
132 766 132 421 255 506 470 351 128 193 270 132 232
807 803 925 768 759 476 701 667 817 796
453 687 620 455
37
Administr
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
ação
159 159 159 159
pública
931 931 931 931
515 515 515 515
Outros 0 0 5 0 0 59 0 6 1 58 0 0 7 0 12
serviços 185 072 180 970 257 112 310 768 398 153 168 324
908 314 836 107 106 845 427 314 511 608
450 136 305 528
Operações
com o
exterior sem
e-
missão
de câmbio 2 (-)
726 2
664 726
664
## 0 0 ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## 0 ## 2 ##
Total ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## 726 ##
## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## ## 664 ##
# # # # # # # # # # # # # # # # #
2 - Tabela de
usos de bens
e serviços
sum érci spor bási ria eral ão utili ões ncei públ iços ncei idad no ssã se ão tal esto
idor o te co dad ras ica ro e mia o pú- que
e
públ de serv blic fam fixo
ica câm iços a ílias
bio
Agropecu 18 13 58 14 0 0 0 0 0 0 1 2 0 81 3 0 32 2 3 42
ária 123 836 925 258 502 829 227 180 092 922 774 537 328
508 006 901 775 049 158 632 918 784 930 264
422
Extração 20 14 59 0 0 0 0 0 0 0 0 16 44 0 0 0 (-)
mineral 397 427 879 027 752 628 023 612 238 373
470 923 707 481 905 768 309 607 702
Transform 20 3 2 44 24 17 1 1 13 36 0 53 0 848
ação 739 542 245 211 151 962 989 980 796 745 306 688 103 378 338 250 287 971 361
539 167 964 021 201 636 723 341 072 740 897 549 924 534 368 407 355 931 005
336 045 259 423 077
Serviços
industriais de
utilidade pú-
blica 46 8 12 1 3 1 0 29 0 0 16 0 0 16
(S.I.U.P.) 176 459 562 464 796 165 577 250 168 419 202 096 820 984 192 192
772 688 478 633 669 593 002 955 799 259 669 158 511 414 358 358
Construçã 3 5 0 3 0 12 0 0 0 0
o civil 138 652 113 914 133 265 293 324 126 992 961 501 631 126
689 664 743 947 283 026 800 857 450 305 796 523 058
566 043
Comércio 10 7 0 1 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0
643 156 260 318 153 651 595 135 507 507
541 928 198 025 262 363 903 679 862 862
Transport 42 1 6 97 4 6 4 1 0 22 0 19 0 0 20
e 698 256 369 409 381 186 344 398 377 880 873 290 618 234 503 960 463
379 417 981 420 851 366 295 577 173 571 860 765 289 325 614
Comunica 28 44 4 2 1 66 1 2 0 14 0 13 0 0 14
ções 208 509 159 511 105 364 724 995 236 615 905 330 042 195 180 832 012
615 098 909 160 394 034 173 473 441 234 545 875 253 487 740
38
Instituiçõ 81 6 2 1 7 1 1 41 63 48 0 17 0 0 17
es 226 642 724 105 599 540 509 248 323 226 218 137 007 682 965 148 212 260
financeira 314 029 281 803 140 820 285 884 977 231 037 860 198 205 750 416 564
s
Aluguéis 18 2 4 1 54 1 0 11 12 0 0 0
132 269 120 044 315 210 847 471 298 375 719 028 985 771 740 121 121
807 231 256 434 892 884 883 196 646 395 393 198 023 036
453 515 255
Administr 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0
ação 159 159 997 159
pública 931 920 931
515 518 515
Outros 1 1 12 1 2 11 2 1 11 23 7 0 78 4 0 2 0
serviços 185 715 610 234 199 999 937 913 546 687 134 101 351 431 566 100 082 107
908 588 056 649 951 450 753 474 368 195 121 264 430 299 409 828 408 477
450 334 151
Operações
com o
exterior sem
e-
missão 0 (-)
de câmbio 354 354
595 595
## ## ## ##
## 8 ## ## ## ## ## 4 ## 4 ## ## ## ## #### ##
Total ## ## 059 ## ## ## ## ## 874 ## 980 ## ## ## ## 354 ## ## ## #### ##
## ## 583 ## ## ## ## ## 319 ## 671 ## ## ## ## 595 ## ## ## #### ##
# # # # # # # # # # # # # # # # #
Componentes do valor adicionado
Valor 93 67 5 22 82 58 23 21 52 (-)
adicionad 176 891 220 163 156 790 432 926 223 771 123 124 101 41 806 899
o bruto ( 497 999 218 729 181 883 063 398 438 431 720 879 577 682 637 814
PIB ) 581 949 526 173 205 635 132
Remunera 9 1 49 9 8 25 13 4 27 1 53 0
ções 164 643 094 871 945 550 167 638 006 559 123 884 328 328
939 299 762 860 997 444 406 358 725 006 683 536 210 210
184 516 516
Salários 8 1 38 6 7 21 10 3 21 1 77 44 0
055 129 634 692 448 047 532 509 024 350 988 213 241 241 TABELA DE
281 376 273 624 218 892 986 565 686 339 867 887 627 627 RECURSOS E
994 994 USOS
Contribuições 1 10 3 1 4 2 1 5 8 9 0 49 49
sociais efetivas 109 513 460 179 497 502 634 128 982 208 664 670 553 553
658 923 489 236 779 552 420 793 039 667 954 649 159 159
1 9 1 1 4 2 4 8 9 0 44 44 I - Tabela de
Previdênci 104 266 483 760 485 473 426 746 815 208 501 584 856 856 recursos de
a oficial 124 494 300 309 766 153 960 524 175 667 309 696 477 477 bens e
/FGTS serviços
5 1 12 29 1 0 85 0 4 4 Ofer Pro Imp
Previdênci 534 247 977 418 013 399 207 382 166 163 953 696 696 ta duç orta
a privada 429 189 927 460 269 864 645 682 682 ão ção
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 37 0 0 37 A237
Contribuiç 029 029 029 A A1
ões 363 363 363 = +
sociais
imputada
s
Excedente operacional
bruto inclu-
sive rendimento de 59 3 11 70 29 10 15 23 0 42 (-) II - Tabela de usos
autônomos 655 182 100 070 068 672 278 831 057 121 545 41 445 445 de bens e serviços
406 283 467 698 421 692 488 776 044 446 934 682 594 594
040 740 205 317 317
3 0 4 16 5 0 2 0 16 0 49 49 Ofer Con De
Rendimen 331 100 105 448 056 846 285 449 995 620 620 ta sum ma
to de 619 570 931 270 853 113 830 313 962 461 461 o nda
autônomo
s
Excedente 59 3 97 11 65 13 4 15 20 0 25 (-) inte final
operacional 323 081 361 070 620 615 432 831 771 120 549 41 395 395 rme
bruto (EOB) 787 713 109 698 151 839 375 776 214 997 972 682 973 973 diár
Impostos 427 205 856 856 io
líquidos B2
de A B1
subsídios = +
so-
39
bre a 93 (-) 14 1 3 3 2 1 5 0 32
produção 176 928 394 167 213 776 208 480 753 707 715 196 146 832 126
e a 497 346 636 779 623 465 927 504 304 662 203 342 703 802 009
importaçã 299
o
Impostos 93 93 Compone
líquidos 176 176 ntes do
sobre 497 497 valor
produtos
Outros 2 14 3 1 3 1 2 1 5 0 36 36 adicionad
impostos sobre 627 394 655 295
951 636 782 802 707 715 196 146 o
287 287
a produção 636 981 653
349 029 864 788 662 203 342 703 837 837
Outros (-) 0 (-) (-)
(-) (-) (-) (-) 0 0 0 0 0 (-) C(-)
subsídios 930 488 382
174 427 1 49
à 973 202 030
884 102 302 484 455 455
produção 360 035 035
Valor da 13 39 54 26 77 1 0 1
produção 111 279 495 629 138 113 510 097 721 128 172 154 525 525
995 801 040 318 268 306 203 757 116 701 939 235 726 726
175 446 969 499 620 540 879 323 323
Pessoal 13 7 3 8 2 5 17 0 59 59
ocupado 758 222 400 217 632 789 454 162 765 274 132 067 877 877
000 600 600 000 600 900 600 800 100 000 500 600 300 300
40
41
NOÇÕES SOBRE BALANÇO DE PAGAMENTOS
Balanço de Pagamentos é o registro contábil de todas as transações efetuadas em dado período entre agentes econômicos
internos (públicos e privados) e o Resto do Mundo. São variáveis fluxo, isto é, “zeram” ao final de cada período.
Os dados do balanço de pagamentos são publicados em milhões de dólares norte-americanos, em valores correntes, sem
ajustamento sazonal. Compreendem o país como um todo e estão compilados de acordo com os critérios estabelecidos na 5ª
edição do Manual de Balanço de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional – BPM-5.
transações correntes: exportações, importações e saldo da balança comercial; receita, despesa e saldo de serviços e rendas;
receita, despesa e saldo de serviços totais e os relacionados a transportes, viagens internacionais, seguros, financeiros,
computação e informação, royalties e licenças, aluguel de equipamentos, governamentais e outros serviços; receita, despesa e
saldo de rendas, incluindo salários e ordenados, renda de investimento direto (lucros e dividendos e juros de empréstimos
intercompanhia), renda de investimento em carteira (lucros e dividendos e juros de títulos de dívida) e renda de outros
investimentos (incluem juros de empréstimos, financiamentos, depósitos e outros ativos e passivos); saldo de transferências
correntes; e saldo de transações unilaterais correntes;
conta de capital: saldo da conta capital (inclui as transferências de patrimônio e compra e venda de ativos não
produzidos/não-financeiros);
receita, despesa e saldo de investimentos diretos; retorno, saída e saldo de investimentos diretos brasileiros no exterior
(retorno, saída e saldo de participação no capital e amortização, desembolso e saldo de empréstimos intercompanhia);
ingresso, saída e saldo de investimentos diretos estrangeiros no país; ingressos de investimentos diretos estrangeiros no
país destinados a participação no capital na forma de moeda (autônomos e privatizações), conversões (autônomos e
privatizações) e mercadorias; retornos de participação no capital; desembolso, amortização e saldo de empréstimos
intercompanhia
receita, despesa e saldo de investimentos brasileiros em carteira, receita, despesa e saldo de investimento brasileiros em
ações - com destaque para o programa BDR – Brazilian Depositary Receipts – e receita, despesa e saldo de títulos de renda
fixa (bônus, notes, commercial papers), com destaque para as aplicações em bônus relativos à formação de colaterais
(plano Brady); receita, despesa e saldo de investimento estrangeiro em carteira negociados no país e negociados no
exterior; receita, despesa e saldo investimentos estrangeiros em ações; receita, despesa e saldo de investimentos
estrangeiros em títulos de renda fixa (bônus, notes e commercial paper), com destaque para a troca de bônus; receita,
despesa e saldo de investimentos estrangeiros em títulos de curto prazo
total de outros investimentos (inclui os créditos comerciais, empréstimos, moeda e depósitos, outros ativos e passivos e
operações de regularização); total de outros investimentos brasileiros, classificados em: empréstimos – receita, despesa e
saldo de empréstimos de longo prazo, saldo de empréstimos a curto prazo, moeda e depósitos separados por bancos e
demais setores (destaque para a movimentação das garantias colaterais – plano Brady) e outros ativos, com receita,
despesa e saldo de ativos de longo prazo e ativos de curto prazo pela movimentação líquida; total de outros investimentos
estrangeiros, compreendendo desembolso, amortização e saldo de crédito comercial de longo prazo e o líquido de crédito
comercial a curto prazo, desembolso, amortização e saldo de empréstimo de longo prazo da Autoridade Monetária –
destaque para as operações de regularização (FMI e demais instituições) – desembolsos, amortizações e saldo dos
empréstimos a longo prazo dos demais setores, discriminados pelos credores externos (organismos internacionais, agências
governamentais, créditos de compradores e empréstimos diretos); moeda e depósitos pelas variações líquidas e os saldos de
outros passivos de longo e curto prazos;
erros e omissões;
A balança comercial é compilada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) com base nos registros
alfandegários no SISCOMEX. Os dados de serviços e rendas, transferências correntes, conta capital e financeira são
compilados com base nas operações de câmbio realizadas nas instituições autorizadas a operar no mercado de câmbio,
considerando, também, as transações em moeda nacional realizadas entre residentes e não residentes. Essas operações são
compulsoriamente registradas no Sistema de Informações Banco Central (SISBACEN-CÂMBIO). Adicionalmente, são
consideradas informações provenientes de pesquisas em empresas privadas, relatórios de órgãos governamentais e dos
balancetes de instituições financeiras.
42
DÉFICIT/SUPERÁVIT E AJUSTE DO BALANÇO DE Base Monetária: compõe-se do papel-moeda emitido e
PAGAMENTOS mais as reservas bancárias em depósito no BACEN. A base
Num sistema de taxas de câmbio flutuantes (ou flexíveis monetária é o passivo monetário do BACEN. É composta
ou livres), o BP ajustar-se-á automaticamente. Se houver também, desde 94, pelos saldos do BBC (Bônus do Banco
superávit, o excesso de divisas depreciará a moeda Central) e LBC (Letras do Banco Central), e todos os
estrangeira (tornando-a mais barata), o que conduzirá à títulos de emissão do Tesouro, criando o conceito de Base
elevação das nossas importações e queda nas nossas Monetária Ampliada.
exportações, anulando-se o superávit – e vice-versa.
Reservas Bancárias: são compostas por:
Nesse sentido, a política monetária torna-se livre, já que o a) papel-moeda guardado nas caixas e nos cofres dos
Banco Central não tem compromisso com a taxa cambial. bancos comerciais, e, são mantidos para compensar os
eventuais excessos de pagamentos sobre recebimentos
Mas a política fiscal, nesse sistema, perde sua eficácia. em papel-moeda pelos bancos.
Já num sistema de taxas cambiais fixas, tornar-se-á b) Depósitos compulsórios: são exigidos por lei ou
necessário um ajuste via política fiscal, pois este sistema regulamentação das Autoridades Monetárias (CMN e
engessa a política monetária. Se houver superávit, o BACEN) e recolhidos ao BACEN como uma proporção dos
Governo corta suas despesas e/ou aumenta seus tributos; depósitos à vista e a prazo. O depósito compulsório regula
e vice-versa. Outra alternativa seria simplesmente a o multiplicador bancário ( quanto maior a taxa de
desvalorização, pelo Banco Central, da moeda doméstica. recolhimento, menor o multiplicador), imobilizando uma
AS CONTAS DO SISTEMA FINANCEIRO E O parte maior ou menor dos depósitos bancários e os
MULTIPLICADOR BANCÁRIO recursos de terceiros que nelas circulem, restringindo ou
alimentando o processo de expansão dos meios de
Existem quatro séries distintas de Meios de Pagamento, e pagamento, sendo, portanto, um poderoso instrumento de
que recentemente, três destas, tiveram seu conceito política monetária.
alterado pelo BACEN, que são : M1, M2, M3 e M4.
Os novos conceitos de meios de pagamento ampliado
representam mudança de critério de ordenamento de seus SELIC – SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E
componentes, que deixaram de seguir o grau de liquidez CUSTÓDIA:
passando a definir os agregados por seus sistemas Desenvolvido pelo BACEN e pela ANDIMA (ASSOCIAÇÃO
emissores. NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DO MERCADO ABERTO),
Meios de Pagamento pelo conceito tradicional de liquidez operando com títulos do Tesouro e do Bacen. São feitos
imediata: negócios pelo sistema, que são acertados diretamente
M1 : Papel Moeda em poder do público (Moeda Manual) + entre os operadores das instituições financeiras
Depósitos à Vista nos Bancos Comerciais. credenciadas a operar no mercado, que repassam as
MEIOS DE PAGAMENTO AMPLIADOS (OU, “QUASE- informações, via terminal, ao SELIC, para que ocorram as
MOEDA”): transferências do dinheiro e dos títulos envolvidos. As
M2 : é o M1, mais as demais emissões de alta liquidez instituições que operam à conta do Banco Central são
realizadas primariamente no mercado interno por denominadas de “dealers”. As operações podem adquirir e
instituições depositárias. Sucintamente: M2 = M1 + vender títulos todos os dias criando uma taxa chamada de
Depósitos em Cadernetas de Poupança + Títulos emitidos “overnight”. Por ter liquidação prevista para o ato da
por instituições financeiras (CDBs; RDBs; LCs; LHs; LIs; negociação, a taxa é chamada também de D0.
etc) CETIP-CENTRAL DE CUSTÓDIA E DE LIQUIDAÇÃO
M3 : é o M2 mais captações internas por intermédio dos FINANCEIRA DE TÍTULOS PRIVADOS
fundos de renda fixa e das carteiras de títulos públicos Similar ao acima, só que abrigando apenas papéis
registrados no SELIC e que dão lastro às posições líquidas privados, como CDBs, debêntures, CDI, etc. Algumas
de financiamentos de operações compromissadas; vezes o sistema pode operar com títulos públicos que
M4 : é o M3 mais os títulos públicos em poder do setor estejam em carteiras de instituições privadas. Essas
não-financeiro. operações processam-se por transferências bancárias de
fundos e somente após suas quitações o sistema
ALGUNS CONCEITOS: providencia a transferência de custódia. Sua taxa é
conhecida como D1, pois toda compra de títulos somente
Papel-moeda em poder do público (PMPP): corresponde terá sua liquidação financeira efetuada no dia seguinte,
ao papel-moeda emitido menos o papel-moeda depositado mas, por ser liquidada mediante cheques administrativos
no BACEN, menos a caixa em moeda corrente dos bancos de bancos é ainda denominada de taxa ADM
comerciais. (administrativa).
Papel-moeda emitido: corresponde ao total da moeda
legal existente, autorizada pelo Governo ou BACEN. Fatores condicionantes da Base Monetária
São estes os fatores que alteram, em uma ou outra
direção, a Base Monetária:
Depósitos do Tesouro Nacional;
Operações com títulos públicos federais;
Operações do setor externo;
43
Assistência Financeira de Liquidez; Instrumentos de Política Monetária:
Aplicações da Reserva Monetária; A Autoridade Monetária dispõe de instrumentos que lhe
Depósitos de Instituições Financeiras e de Fundos. possibilitam atuar sobre a liquidez do sistema, elevando-o
Segue-se que, operações do BACEN que afetem as (ação de “irrigação” da economia) ou reduzindo-o
variáveis acima, impactam positivamente ou (“enxugamento” da liquidez). São eles, classicamente, 3
negativamente a Base Monetária. Assim, p.ex., se o BC (três):
adquirir haveres no mercado ou mesmo do Governo
(títulos, ouro, divisas) estará ampliando a BM; se vender,
Taxa da reserva (depósito ou recolhimento) compulsória
a estará reduzindo. Ressalte-se que, se a taxa cambial
(ou legal): se esta for elevada, o sistema bancário, além
subir (moeda interna desvalorizar-se/depreciar-se
de recolher um diferencial para ajuste de sua posição no
relativamente às moedas estrangeiras), também haverá
BACEN, passará a dispor de menor parcela sobre o
expansão da Base Monetária - e vice-versa.
incremento dos depósitos - e, assim, verá refreado o seu
poder de criar moeda escritural, visto que, na margem,
BALANÇO DOS BANCOS COMERCIAIS emprestará menos do que antes; e, vice-versa;
ATIVO PASSIVO
Caixa e Dep. Nas Aut. Depósitos do Público (= Taxa do redesconto (assistência) de liquidez: se esta for
Monetárias (= R) D) elevada, o sistema bancário passará a emprestar com
Crédito Interno (= Cib) mais cautela, reduzindo, dessarte, o risco da necessidade
de recorrer ao redesconto de liquidez, com efeito, similar
BALANÇO DA AUTORIDADE MONETÁRIA ao acima relatado; e, vice-versa;
ATIVO PASSIVO Operações no Mercado Aberto (Open market): se o BACEN
Reservas Internacionais (= F) Base Monetária (= B) efetuar aquisições líquidas de haveres financeiros, estará
Crédito Interno (= CIc) ampliando a liquidez; e, vice-versa.
No Brasil, o BACEN em algumas vezes recorreu a um
outro instrumento, menos usado, de contenção da
liquidez, que é o contingenciamento do crédito
BALANÇO CONSOLIDADO (estabelecimento de limites quantitativos à expansão
ATIVO PASSIVO deste pelos bancos).
Reservas Internacionais (= F) PMPP ( C = B – R)
Crédito Interno (CIb + CIc) Depósitos (=D)
Efeitos das variações na liquidez sobre as taxas de juros
OFERTA DE MOEDA = F + CI OFERTA DE MOEDA = C +
A moeda, tal como qualquer outra mercadoria
D
transacionada (demandada e ofertada) no mercado, tem
um preço, que é o custo de se obtê-la ou o ganho por
RELAÇÕES IMPORTANTES: cedê-la: a taxa de juros. Assim, quando há um aumento
B = C + R ; em que B é a Base Monetária em sua oferta, com demanda constante; ou, um aumento
BALANÇO DO BANCO CENTRAL EM EQUILÍBRIO: em sua oferta que venha a suplantar um eventual
B = F + CIC aumento em sua demanda, o excesso dessa mercadoria
BALANÇO DOS BANCOS COMERCIAIS EM EQUILÍBRIO: deprimirá seu preço - a taxa de juros cairá; e, vice-versa.
D = R + CIb Daí que o Banco Central, ao utilizar-se dos instrumentos
de política monetária citados, provocará oscilações, para
Multiplicador Bancário dos Meios de Pagamento cima ou para baixo, da taxa de juros.
(M1 / D):
m = 1 / 1 - (1-c).(1-r).
44
2-MACROECONOMIA KEYNESIANA. HIPÓTESES (inversamente) e da Eficiência Marginal do Capital (Taxa
BÁSICAS DA MACROECONOMIA KEYNESIANA. AS Interna de Retorno, em linguagem moderna), ou seja, o
FUNÇÕES CONSUMO E POUPANÇA. DETERMINAÇÃO Investimento cresce se a EMC for maior do que a taxa de
DA RENDA DE EQUILÍBRIO. O MULTIPLICADOR juros.
KEYNESIANO. OS DETERMINANTES DO
INVESTIMENTO.
MULTIPLICADOR SIMPLES DO INVESTIMENTO
MACROECONOMIA KEYNESIANA É uma constante que relaciona a VARIAÇÃO NA RENDA
NACIONAL (dY) causada pela variação no Investimento
Hipóteses básicas:
Economia fechada e sem governo; (dI). Assim:
Consumo e Poupança sendo funções do nível da Renda dY = dY/dI (dI), sendo o multiplicador do Investimento =
Absoluta dos indivíduos; dY/dI, que é dado pela seguinte relação: 1 / 1 – PMgC ;
O Investimento é tratado inicialmente como variável ou, o que dá no mesmo, o inverso da PGgS: 1/PMgS
dada. O multiplicador só causará efeitos efetivos na Renda real
se houver capacidade ociosa na economia. Se esta já
TEORIA DO CONSUMO estiver à plena capacidade, seu efeito será meramente
O problema é: Keynes formulou sua “função-consumo” de NOMINAL (isto é, monetário ou inflacionário).
maneira apriorística, isto é, não procurando comprovação Além disso, o multiplicador NÃO possui efeito “de uma vez
empírica., com: Propensão marginal a consumir positiva, para sempre”, isto é, ele esgota seu mecanismo ao final
porém inferior à unidade e também DECRESCENTE; além de um período. Para que haja variação CONTINUADA na
disso, propensão média a consumir maior do que a Renda teria que haver nova variação no Investimento.
propensão marginal a consumir, podendo inicialmente ser
maior do que a unidade, mas também decrescendo. OS DETERMINANTES DO INVESTIMENTO
Assim: C = f (Y), com PMeC = C/Y e PMgC = dC/dY,
sendo a primeira positiva para qualquer valor da Renda; I = f (EMC; r)
e, a segunda, positiva mas inferior à unidade.
Complementares à “Função-Poupança”: S = f(Y), em que Em que "r" é a taxa de juros do mercado de capitais;
PMeS = S/Y e PMgS = dS/dY, a primeira sendo positiva ou EMC é a Eficiência Marginal do Capital, ou seja, a taxa que
negativa e complementar à PMeC; e a segunda sempre iguala o total dos retornos líquidos esperados do
positiva e inferior à unidade (com PMgC + PMgS = 1). investimento ao valor do capital investido.
OBSERVAÇÃO: GRÁFICOS EM SALA Ao contrário da estabilidade da variável Consumo, Keynes
Modelo de Demanda Agregada de inspiração julgava que as crises econômicas eram causadas
keynesiana: exatamente pela instabilidade do Investimento, a qual,
Caracteriza-se por um conjunto de equações com o por seu turno, resultava dos humores do empresariado
objetivo de se determinar o nível de equilíbrio do mercado em suas projeções quanto ao futuro (“ espírito animal”)
de bens e serviços, ou seja, aquele nível em que não há
impactos recessivos nem inflacionários sobre o nível das
atividades de uma economia, conseguido se, “ex-ante”,
um conjunto de variáveis denominadas de “injeções”, em
SETOR GOVERNO E POLÍTICA FISCAL
seu somatório vier a igualar-se com o outro conjunto de
Com a introdução do Setor Público no modelo keynesiano,
variáveis denominadas de “vazamentos” ou “filtrações”
teremos:
(leakages).
Assim, a equação de equilíbrio seria (para economia
fechada e sem governo): Y=C+I+G
Y=C+I C = cYd (Yd=Renda Disponível; “c” é a PMgC)
Em que: Yd = Y – T + Tr
Y = Renda Nacional; T = Ta + tY (Ta são os Tributos autônomos e tY os
C = Consumo das famílias;
I = Investimento induzidos, com “t” sendo a PMgT)
Atribuindo-se os devidos valores às variáveis, obtém-se o Tr são as Transferências do Governo (tipo Pensões e
nível de equilíbrio do lado real da economia, visto que a Aposentadorias)
Renda Nacional terá como contrapartida a Demanda
Agregada. A Renda de Equilíbrio será:
45
Y = cY – cTa + ctY + cTr + I + G (que é o nível de Este é um exemplo de um argumento mais geral
equilíbrio). apresentado por James Tobin: deveria haver uma relação
Haverá equilíbrio na economia se: I + G + Tr = S + T (ou firme entre o mercado de ações e o investimento. Ao
seja: as injeções = vazamentos) decidir se iriam investir, argumentava, as empresas não
MULTIPLICADORES: precisariam recorrer a cálculos complexos como os que
se houverem apenas tributos do tipo autônomos, ou seja, vimos no texto. Com efeito, o preço das ações diz às em-
com alíquota “t” = 0: presas qual o valor que o mercado atribui a cada unidade
dY = ( dY/dTa)dTa multiplicador dos tributos de capital já instalada. A empresa tem então um
dY = ( dY/dG)dG multiplicador do Gasto Público problema simples: comparar o preço de aquisição de uma
Daí que se: dG = dT teremos o multiplicador unitário (ou, unidade adicional de capital com o preço que o mercado
de Haavelmo; ou, do orçamento equilibrado), isto é, se o está disposto o pagar por ela. Se o valor atribuído pelo
Gasto crescer no mesmo valor do Tributo, o nível da mercado de ações superar o preço de aquisição, a empre-
Renda crescerá NESSE MESMO VALOR; sa deveria adquirir a máquina; caso contrário não deveria
fazê-lo.
Similarmente, se dTa = dT, a Renda não sofrerá variação Tobin construiu então uma variável correspondente ao
(dY = 0); valor de uma unidade de capital já instalada em relação a
mas, se ocorrerem os dois tipos de tributos: autônomos E seu preço de aquisição e observou como suas variações se
os induzidos, o resultado será ligeiramente diferente: a aproximavam daquelas do investimento. Ele utilizou a
Renda ainda cresce se dG = dT, mas proporcionalmente letra “q” para denominar a variável e esta se tornou co-
menos, pois haverá um vazamento para pagar o imposto nhecida como q de Tobin. Sua construção segue os
de renda. Exercício em sala. seguintes passos:
(1) Pegue o valor total das empresas dos EUA,
COM ECONOMIA ABERTA: segundo a avaliação dos mercados financeiros. Isto é,
ACRESCENTAM-SE AINDA DOIS NOVOS calcule a soma de seus valores de mercado (o preço da
MULTIPLICADORES: ação multiplicado pelo número de ações). Calcule também
o valor total de títulos em circulação (as empresas se
financiam não apenas por meio de ações mas também de
O das Exportações : 1 / denominador comum
títulos). Some o valor de ações e títulos.
I das Importações autônomas: 1 / denominador comum
2) Divida este valor total pelo valor do estoque de
se todas as Importações forem autônomas; Se ocorrerem
capital das empresas dos EUA a custo de reposição (o
também Importações induzidas (endógenas), acrescenta-
preço que as empresas pagariam para substituir suas
se no denominador a Propensão Marginal a Importar (
máquinas, instalações e assim por diante).
“m”);
A razão entre ambos nos proporciona o valor de uma
COM INVESTIMENTOS ENDÓGENOS OU INDUZIDOS
unidade de capital instalado em relação a seu preço
PELA RENDA:
corrente de aquisição. Essa razão o q de Tobin.
Intuitivamente percebemos que quanto mais elevado for q
O denominador dos multiplicadores será acrescentado da maior será o valor do capital em relação a seu preço
Propensão Marginal a Investir: (“-i”). corrente, e, portanto, maior terá que ser o investimento.
(No exemplo do início deste quadro, o q de Tobin é igual a
SUPERMULTIPLICADOR: 2, a empresa deveria, definitivamente investir.)
Qual a firmeza da relação entre o q de Tobin e o
Considerando todas as variáveis possíveis: investimento? A resposta é dada pela Figura 1, que
mostra as duas variáveis, ano a ano, de 1947 a 1990, nos
∆Y = Ca + Ia + G +cTa + cTG + X – Ma EUA.
((1-c)+ct+m-i)) No eixo vertical esquerdo está a taxa de variação da razão
NOVAS TEORIAS: INVESTIMENTO E MERCADO DE entre investimento e capital. No eixo da direita está
AÇÕES (JAMES TOBIN). medida a taxa de variação do q de Tobin. Esta variável
Imagine uma empresa que possua 100 maquinas e 100 está defasada de um ano. Em 1987, por exemplo, a figura
ações em circulação — uma ação por máquina. Imagine mostra a taxa de variação da razão entre investimento e
que o preço da ação seja de US$2 e o da máquina seja de capital de 1987 e o taxa de variação do q de Tobin do ano
apenas US$1. Obviamente a empresa deveria investir — de 1986— isto é um ano antes. O motivo desta
comprar uma nova máquina e financiar a compra por apresentação é que a relação mais firme dos dados é
meio da emissão de uma ação. Cada máquina custa para aquela entre o investimento deste ano e o q de Tobin do
a empresa US$1, mas os participantes do mercado de ano passado. Dito de outra forma, variações no taxa de
ações estão dispostos a pagar US$2 por ação investimento estão associadas mais estreitamente a
correspondente a essa máquina uma vez instalada na variações do mercado de ações no ano anterior do que no
empresa. ano corrente; isto pode ser a conseqüência de que as
empresas levam tempo para tomar decisões de
investimento, construir novas fábricas e assim por diante.
46
A mensagem da figura é clara: há uma relação firme
entre o q de Tobin e o investimento. Isto provavelmente
não seja porque as empresas seguem cegamente os sinais
do mercado de ações, mas porque as decisões de
investimento e os preços nos mercados de ações
dependem dos mesmos fatores — lucros futuros
esperados e taxas de juro frituras esperadas.
FIGURA 1
ANOS
47
3–O MODELO IS-LM. O EQUILÍBRIO NO MERCADO Le (demanda especulativa) positiva, se R/r - R/r' for maior
DE BENS. A DEMANDA POR MOEDA E O EQUILÍBRIO do que R
NO MERCADO MONETÁRIO. O EQUILÍBRIO NO ou: r' > r / 1 - r
MODELO IS/LM. POLÍTICAS ECONÔMICAS NO Assim, por exemplo, se r = 6% haverá Le se r > 6,38%
MODELO IS/LM. EXPECTATIVAS NO MODELO
IS/LM. Ainda conforme Keynes, haveria um piso na taxa de juros
(uns 2% aa, arriscava). Neste ponto, só se poderia
esperar uma SUBIDA na taxa de juros, pelo que,
O LADO MONETÁRIO: possivelmente todos entesourariam moeda.
Antes de ingressarmos no modelo Hicks-Hansen (IS-LM), Tratando a Oferta de Moeda com dada, segue-se que o
também conhecido como “a Síntese Neoclássico- equilíbrio no mercado monetário será:
Keynesiana”, é necessário entendermos como os Lt + Lp + Le = Ms
economistas clássicos viam a questão monetária. Gráfico em sala.
MV = Py
Em que “M” são os Meios de Pagamento circulantes; “V” é
a velocidade de circulação da Renda; “P” é o nível médio
Lado real: o equilíbrio ocorre se as injeções equivalerem
dos preços; e “y” é o Produto físico (real).
aos vazamentos da Renda, ou seja:
Da equação acima, deduz-se facilmente (em sala) que há
uma relação direta entre as variações nos Meios de
Pagamento e nos Preços. I+G+X = S+T+M
Mais ainda: em uma primeira versão clássica, os Meios de
Pagamento deveriam variar na mesma proporção da taxa O lado real será determinado pela curva IS.
do Produto real. Se mais, haveria inflação; se menos,
deflação (veremos adiante, nas Teorias de Inflação). O Lado monetário ou nominal: pela curva LM.
A curva IS é o lugar geométrico que mostra as "n"
Contudo, na Revolução Keynesiana, a Demanda ou alternativas de combinações entre a taxa de juros e o
(Preferência) por Liquidez (Moeda) possui três nível da Renda, compatíveis todas com situações de
componentes: equilíbrio no lado real da economia;
Transacional = função da Renda A curva LM é o lugar geométrico que mostra as "n"
Precaucional = idem alternativas de combinações entre a taxa de juros e o
Especulativo (não existe para os clássicos, pois não nível da Renda, compatíveis todas com situações de
haveria razão para entesouramento perante taxas de equilíbrio no lado nominal (monetário) da economia.
juros positivas no mercado de capitais). A curva IS é descendente e sua inclinação depende da
elasticidade do Investimento em relação à taxa de juros.
Será menos inclinada se essa elasticidade for alta - e vice-
Porém Keynes argumenta que:
R = ganho anual de um título (exemplo: uma debênture versa;
perpétua); A LM é, basicamente, ascendente, embora na formulação
r = taxa de juros anuais mais antiga tenha dois trechos diferentes: na armadilha
Preço do título: P = R / r da liquidez é infinitamente elástica; à taxas de juros
Se o indivíduo julgar que no período seguinte r' deverá ser excepcionalmente elevadas pode tornar-se totalmente
maior do que hoje (r), então poderia deixar para comprar inelástica.
o título depois - mas perderia R do atual período. POLÍTICA ECONÔMICA NO MODELO IS-LM
Com um pouco de matemática, pode-se inferir que sua POLÍTICA MONETÁRIA
perda pelo adiamento, devido à baixa de cotação (preço) Curvas IS LM
do título, será: Muito inelástica Ineficaz ou Pouco Eficaz
R/r - R/r' Pouco inelástica Eficaz Ineficaz ou Pouco
Se essa perda for maior do que R do período atual, será
melhor entesourar, ou seja,
48
POLÍTICA FISCAL
Se as expectativas quanto ao nível da Renda esperada e
Curvas IS LM quanto à taxa de juros não se alterarem, então a IS se
Muito inclinada Eficaz Ineficaz ou Pouco deslocará para a esquerda e o nível da renda cairá;
Pouco inclinada Ineficaz ou Pouco Eficaz No MÉDIO PRAZO: a redução anterior levará à queda nos
Os GRÁFICOS EM SALA mostram os resultados juros, seguindo-se um aumento no Investimento.
acima. Teremos então dois movimentos: o corte nos Gastos
reduz a Renda e o dos juros a eleva. Possivelmente o
resultado disso será a estabilização da Renda no médio
prazo;
49
4-MODELO DE OFERTA E DEMANDA AGREGADA, No longo prazo:
INFLAÇÃO E DESEMPREGO. A FUNÇÃO DEMANDA O nível de preços aumenta porque os salários nominais
AGREGADA. AS FUNÇÕES DE OFERTA AGREGADA DE subiram com o aumento do emprego. Aquele aumento
CURTO E LONGO PRAZO. EFEITOS DA POLÍTICA reduzirá o estoque real de moeda (M/P) e com isso a taxa
MONETÁRIA E FISCAL NO CURTO E LONGO PRAZO. de juros aumentará retornando o Produto ao nível natural.
CHOQUES DE OFERTA. INFLAÇÃO E EMPREGO. Apenas W e P ficaram mais elevados (variáveis nominais,
DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE PREÇOS. não as reais).
INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DA INFLAÇÃO. A CURVA Obs.: Para os Novos Clássicos já no curto prazo a política
DE PHILLIPS. A RIGIDEZ DOS REAJUSTES DE monetária seria ineficaz, pois os agentes econômicos
PREÇOS E SALÁRIOS. A TEORIA DA INFLAÇÃO antecipam que a expansão trará aumento nos preços e
INERCIAL E A ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA por isso a oferta de emprego não aumentará.
BRASILEIRA RECENTE NO COMBATE À INFLAÇÃO.
Efeitos da Política Fiscal:
4.1 A função Demanda Agregada
Obs.: gráficos em sala Expansão dos Gastos Públicos e/ou Redução de Tributos:
No curto prazo:
Expansão monetária; juros menores; investimento maior;
demanda agregada maior; maior nível de Oferta.:
50
Ou seja: a DA é função crescente do estoque real de Para os Novos Keynesianos e similares (também
moeda e dos gastos públicos; e função decrescente dos chamados de Fiscalistas), a Moeda é “passiva” ou
tributos. endógena, normalmente sendo emitida em decorrência da
monetização do déficit público.
Oferta Agregada:
Inflação de Custos:
Pt = Pe (1 + m) f (1 – Y/L; z)
Ou seja: a OA é função crescente dos preços esperados, Ocorre:
da margem de lucro ou mark up (m); do nível de por pressões AUTÔNOMAS de custos (aumento do grau de
emprego (1 – Y/L); e das condições institucionais que mark up dos empresários);
afetam os contratos salariais (ex.: salário-desemprego). por pressões salariais: se um aumento salarial REAL
Equilíbrio geral e determinação dos preços: ultrapassar a taxa de crescimento da produtividade física;
por pressões nos preços dos insumos importados (ex.:
Ocorre na interseção das duas funções. petróleo).
Imagine que o Produto de equilíbrio encontra-se ACIMA (à
direita) do Produto “natural” (que corresponde ao nível de Inflação estrutural:
produção que iguala o desemprego existente à sua “taxa Ocorre por pressões de custos PERSISTENTES devidas a
natural”, que veremos adiante). vícios (distorções) na formação das economias periféricas,
Neste caso, o nível de Preços também será maior do que em especial:
o nível de Preços Esperados. Assim, os fixadores de a inelasticidade da oferta de alimentos devido ao
salários revisam suas expectativas de preços para cima e latifúndio e à produção voltada para fora;
a curva de AO se desloca para cima (esquerda): o Produto rigidez das importações concomitantemente com o baixo
se reduz e o nível de Preços aumenta, até que, no médio dinamismo das exportações, de bens primários,
prazo, o Produto de equilíbrio se iguala ao nível do ocasionando déficits externos e com estes a
produto dito “natural”. Na situação inversa teríamos os desvalorização cambial;
mesmos efeitos e deslocamentos. limitada capacidade do Estado em arrecadar versus
maiores necessidades de gastar.
INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DE INFLAÇÃO:
Inflação inercial:
Inflação de Demanda: Ocorre pelo conflito redistributivo entre os agentes
econômicos, o que os leva a procurar sempre indexar
“Pura”, quando a Demanda Agregada supera a Oferta de seus preços pela inflação anterior a fim de manter sua
Pleno Emprego. participação relativa na Renda: trabalhadores-salários;
“Estrangulada”, quando a Demanda Agregada se eleva empresários-preços; governo-impostos; exportadores-
mas a Oferta ainda pode responder, pois há capacidade taxa cambial. Quando há um novo choque, de oferta ou
ociosa no sistema. de demanda, a inflação sobe de patamar e passará a ser
por inércia empurrada para a frente nessa nova taxa.
Óticas diferentes:
Para os Neoquantitativistas ou Monetaristas, o excesso de INFLAÇÃO E DESEMPREGO: A CURVA DE PHILLIPS:
demanda ocorre quando há indisciplina monetária do
Banco Central, que expande a moeda além da conta. A versão original é de 1958, quando ªW.Phillips publicou
seu artigo mostrando o ajustamento que fez a partir de
Nesta ótica, a Moeda é dita “Ativa”. dados da economia britânica cobrindo cerca de um século
(1861/1913) relacionando as variações na taxa de
Na versão tradicional da Teoria Quantitativa da Moeda: desemprego e na dos salários nominais.
dP/P = (((1 + dM) / (1 + dy)) – 1 ) 100 Posteriormente as novas versões substituíram a taxa
O que implica que a expansão monetária deveria ser igual salarial nominal pela taxa de inflação, considerando a
à do Produto físico para se obter inflação nula. correlação forte entre estas duas variáveis. Estava criado
o famoso trade-off entre inflação versus desemprego
.
A chamada “reconstrução de Friedman” à TQM, temos sua
Uma outra versão, de origem Monetarista, é chamada de
“regra de ouro”:
“versão aceleracionista” da Curva de Phillips. Nesta, as
M/P (1/N) = k (Yp/n)
expectativas de inflação se formam a partir da inflação
M/P (1/N) é a Oferta real de Moeda per capita; "k” é a
passada. Se um aumento na oferta monetária produzir
velocidade de circulação da Renda; “Yp” é a Renda
uma taxa de inflação efetiva maior do que a projetada,
permanente na ótica friedmanniana; e “” é a elasticidade
haverá uma subida eufórica do Produto e do nível de
demanda de moeda em relação à Renda real permanente
emprego. Mas, no longo prazo, o sistema retorna ao
per capita.
equilíbrio, como visto anteriormente, às custas de queda
Assim, nessa visão a demanda real de moeda per capita é
nestas duas variáveis.
função da Renda real permanente per capita.
Para Friedman a Moeda é um bem de luxo, pois sua
elasticidade renda-demanda nos EUA é de 1,8.
51
É importante assinalar que a Curva apresenta uma faixa Lei de Okun:
totalmente inelástica que mantém um valor positivo no Preocupada com o hiato entre o Produto real e o Produto
eixo das abscissas, correspondente à: potencial (este, o de pleno emprego).
Ainda relativamente à questão do desemprego, por outro
Taxa Natural de Desemprego (TND): lado existe a Lei de Okun, preocupada com o hiato entre o
Produto real e o Produto potencial (este, o de pleno
Essa é a “taxa de desemprego de pleno emprego” ou emprego).
“taxa estrutural de desemprego”, obtida quando o Segundo os cálculos de Okun para a economia norte-
mercado está em equilíbrio. Nos EUA considerava-se americana, essa relação estaria conforme:
como período base referencial a metade da década dos 50 u = -0,4ppc (y – 2,5%);
(4% da PEA). Na verdade essa taxa é obtida como uma sendo u = taxa de desemprego; “y” é a taxa de
média ponderada das taxas naturais de desemprego dos crescimento do produto; e 2,5% a taxa tendencial do
subgrupos da força de trabalho. Assim, a dos Produto.
adolescentes será maior; para os homens de primeira
idade, mais baixa e assim por diante. Assim, a taxa de desemprego declina quando o
crescimento do produto estiver acima da taxa tendencial
Formulação analítica: de 2,5%.
Especificamente: para cada ponto percentual de
crescimento do Produto ACIMA da taxa tendencial, que for
0 = (m + z) - u
mantida por um ano, a taxa de desemprego cairá 0,4
em que “m” é a margem (mark up); “u” é a taxa de pontos percentuais. Supondo que o crescimento seja de
desemprego; e o coeficiente de sensibilidade nível de 5% (com mais os 2,5% da taxa tendencial = 7,5%) o
salários/taxa de desemprego., isto é, de quanto baixam desemprego será reduzido em 1%.
os salários, em média, quando aumenta a taxa de
desemprego.
HISTERESE:
A persistência histórica de alto nível de desemprego
Da equação acima: durante muito tempo (década dos 70 após o choque do
petróleo) levou a que, cessadas as políticas deflacionárias
u=m+z que o causaram, quando a inflação finalmente voltou ao
nível habitual a taxa estrutural de desemprego (natural)
Ou seja: quanto maior o mark up, ou quanto maiores os não mais retornou ao nível histórico anterior à crise,
efeitos institucionais sobre a determinação dos salários subindo de patamar. Isso possivelmente ocorreu devido a
(como os benefícios-desemprego), mais alta será a taxa que os contingentes de desempregados adicionais já
natural. haviam mudado de hábitos – tornando-se autônomos ou
Assim, essa taxa sofre variações a partir de fatores engrossando as atividades informais.
institucionais: A RIGIDEZ DOS REAJUSTES DE PREÇOS E
legislação anti-trust que baixe o grau de mark-up (a TND SALÁRIOS:
se reduz); Nas economias modernas, muitos preços e salários são
aumento dos benefícios-desemprego (a TND aumenta); fixados em termos nominais por algum tempo e NÃO
Há outros fatores: modificações na composição etária COSTUMAM SER REAJUSTADOS QUANDO HÁ MUDANÇA
e de gênero da população, por exemplo, fazendo variar o DE POLÍTICA ECONÔMICA.
coeficiente .
Assim, uma política monetária contracionista levaria a um
Relacionada a isso se encontra a conhecida: aumento no desemprego, não nos salários, pois estes já
embutiriam uma inflação antecipada nos acordos salariais,
NAIRU (nonaccelerating inflation rate of unemployment): que não poderia ser reduzida de maneira instantânea.
Ou seja, a taxa de inflação que não aumenta o Além disso, os contratos salariais das diversas categorias
desemprego, que seria a taxa de equilíbrio do nível de são escalonados no tempo. Por isso, alguns já estão em
preços compatível com a TND. Uma taxa menor de vigor há muito tempo e outros ainda no início, por isso,
inflação só seria obtida às custas do aumento da taxa de não há como muda-los igualmente.
desemprego. Outro argumento reside nos “salário-eficiência”. Para
manter a fidelidade e a produtividade, uma vez que
Formulação: investiu em qualificação dos empregados, a empresa
embute um plus em seus salários. Por isso, uma retração
Da equação acima, da Curva de Phillips: monetária não consegue com eficiência fazer com que
1 - t-1 = - (u1 – un) elas reduzam os salários, pois temem os perigos dessa
A variação da inflação depende da diferença entre a taxa medida.
de desemprego corrente e a natural. Quando a primeira Finalmente, muitas empresas mantêm os preços durante
for maior do que a segunda, a inflação cai – e vice-versa. algum tempo mesmo com mudanças na política
Ainda relativamente à questão do desemprego, por outro
lado existe a:
52
monetária, para não terem de arcar com os “custos do Metas modestas de estabilização da inflação e redução
menu (cardápio), que representa os gastos com as gradual do déficit público;
mudanças de suas listas de preços e avisos a clientes e Suspensos por dois meses os reajustes de tarifas e
fornecedores. salários de servidores públicos;
A TEORIA DA INFLAÇÃO INERCIAL E A Congelamento dos saldos de empréstimos bancários para
EXPERIÊNCIA BRASILEIRA RECENTE NO COMBATE À segurar a criação de moeda.
INFLAÇÃO
Janeiro/89: Plano Verão (de novo, Bresser Pereira):
FEV. 1986 – Gov. Sarney (Nova República): Plano
Cruzado: Congelamento temporário de preços e salários;
Congelamento de salários, preços, taxa de câmbio e Taxas de juros elevadas.
demais valores (proibida a indexação, substituída a ORTN Ao final do ano o país mergulhava na hiperinflação. Não
pela OTN de valor mensal constante); mais existiam praticamente “contas correntes” (DVBC,
componente principal do M1), mas sim “contas
Valores contratuais (salários, aluguéis, etc) corrigidos por remuneradas”, indexadas diariamente.
uma “tablita” para um valor médio do ano;
Instituição do “gatilho” salarial (quando a inflação 1990: Plano Collor (Plano Brasil Novo):
chegasse a 205); Retenção de cerca de 80% dos ativos financeiros para
Troca da moeda (cruzeiro pelo cruzado na razão 1000/1). conter a demanda e forçar a baixa dos preços.
A inflação de 230% em 1985 caiu para 58% em 1986. “Torneirinhas” abertas cada vez mais fizeram a moeda
retornar antes do prazo e a inflação retornou.
Mas a taxa cambial valorizada e o aumento da Renda
(pelo fim do imposto inflacionário), fizeram explodir o 1991: Plano Collor II (Marcílio Marques Moreira):
déficit externo trazendo a moratória em 1987;
Quebrara-se a inércia, mas não as causas estruturais da Elevadas taxas reais de juros
inflação: por isso o ágio surgiu e aos poucos as tabelas Renegociação da dívida externa;
foram abandonadas. Algumas mudanças no sistema financeiro.
1994: Plano Real (André Lara Rezende e Pérsio Arida –
Jul/set.1986: Cruzadinho: Plano LARIDA):
Tímido pacote fiscal para conter a demanda Âncora fiscal: criação do Fundo Social de Emergência
Empréstimos compulsórios sobre combustíveis e (análogo ao atual DRU);
automóveis; Âncora monetária: metas de expansão monetária; forte
Expurgo no índice de preços para procrastinar o gatilho. aumento dos depósitos compulsórios;
Âncora cambial: real (nova moeda) engessado ao dólar +
Nov/86 a jun/87: Cruzado II: abertura ao comércio externo, forçando pelas importações
Pacote fiscal: reajuste das tarifas de serviços públicos e baratas a redução das margens de lucro internas e a
aumento de impostos (sobre automóveis, bebidas e busca de maior produtividade. Enquanto o Índice de
cigarros); Preços no Atacado variou em 47,23% entre julho de 1994
Voltou a indexação cambial (minidesvalorizações do e dezembro de 1998 (período em que nossa taxa de
cruzado) e nos títulos públicos; câmbio foi engessada pelo BC no chamado “sistema de
Moratória em fev/97 para forçar uma renegociação da bandas”), a correção no valor do dólar (taxa de câmbio
dívida e ganhar a simpatia popular. real/dólar) no mesmo período foi de apenas 23,5%. Isso
significa que os exportadores tiveram uma perda real, no
Jul/87: Plano Bresser: período, em torno (na média) de 19,2%.
Choque deflacionário com a supressão do gatilho e busca Elevadas taxas de juros para inibir a demanda e fechar as
da redução do déficit público; contas externas, além de formar gigantescas reservas
Salários congelados por 3 meses com a introdução da URP para manter as “bandas cambiais”;
– reajustes com perdas reais para níveis salariais Quebra da inércia pelo realinhamento dos preços relativos
maiores; entre março e junho/94 com a introdução da URV, uma
Congelamento de 3 meses, mas precedido de vários moeda de conta que se atualizava a cada dia.
reajustes no início;
A inflação caiu de 26% em junho para 3% em julho; Resultados:
Mais perda de poder aquisitivo, pois no cálculo inicial para
a URP um mês foi “esquecido”; Inflação: contida;
Inflação voltou a subir para 14% em dezembro com o Saldo externo: piorou muito (Balança Comercial negativa
descongelamento. entre 1995 e 1999);
Orçamento Público: déficits crescentes aumentando a
Jan/dez.1988: Política do “Feijão-com-arroz” (Maílson da dívida interna.
Nóbrega):
53
5-MACROECONOMIA ABERTA. ESTRUTURA DO redução nas importações, eliminando-se o déficit. O
BALANÇO DE PAGAMENTOS. REGIMES CAMBIAIS. resultado final será o retorno ao equilíbrio embora com
CRISES CAMBIAIS. O MODELO IS/LM NUMA taxa cambial agora mais elevada.
ECONOMIA ABERTA. POLÍTICA MONETÁRIA E Graficamente: a curva BP se desloca até alcançar a
FISCAL NUMA ECONOMIA ABERTA. POLÍTICA intercessão da IS com a LM.
CAMBIAL NO PLANO REAL. Com câmbio fixo:
54
cambial; as exportações tenderão a aumentar e as Perante essa especulação, os investidores retiram seus
importações a cair; o objetivo expansionista logrará êxito. capitais do país; este passa a comprar moeda nacional
Conclui-se que, neste tipo de regime cambial, a política vendendo de suas reservas para sustentar o câmbio. Com
monetária é eficaz, mas não a política fiscal. essa atitude, as reservas se evaporam. É claro que o BC
MUDANÇA NA TAXA CAMBIAL SEMPRE RESOLVE ? reagirá aumentando os juros, mas isso não pode ocorrer
por muito tempo e nem com elevados percentuais para
Em princípio, se a moeda doméstica se desvaloriza deter a fuga e, enfim, o BC é obrigado a capitular e
(deprecia) é evidente que os produtos nacionais ficarão desvaloriza a moeda – além de socorrer-se de créditos
mais baratos (=aumento das exportações) e os produtos externos institucionais.
do exterior mais caros (=redução nas importações). VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS REGIMES
Contudo, há duas qualificações sobre isto: CAMBIAIS
CURVA J Câmbio flutuante:
É uma curva que descreve a deterioração inicial da Vantagem: ajuste automático do BP;
balança comercial causada por uma desvalorização, Desvantagens: reduz a eficiência do planejamento das
seguida por uma melhoria no saldo da mesma. empresas;
Por que / Porque o preço das importações aumenta, mas, Sujeita à economia a enormes flutuações,
em um período inicial, a Quantidade importada não cai inclusive dos juros e, portanto, das atividades;
logo, pois já há amarramentos contratuais e/ou não há
alternativas imediatas de substituição para certos Câmbio fixo:
produtos, com o que, DT = PQ tende a aumentar. Após os Vantagem: facilita o planejamento empresarial;
devidos ajustes, finalmente os efeitos se farão sentir. O Desvantagem: sujeita a economia a recessões e imobiliza
mesmo quanto às exportações: ficam mais baratas, mas a política monetária, além de exigir grandes reservas para
não se consegue desde logo tomar mercado dos outros. segurar a paridade.
Num período inicial, as receitas caem, mas depois chegam POLÍTICA CAMBIAL NO PLANO REAL: OS DÉFICITS
finalmente os reflexos positivos. GÊMEOS
CONDIÇÃO MARSHALL-LERNER-ROBINSON O Plano Real teve uma de suas principais âncoras no trato
externo: uma combinação de enorme abertura comercial
A desvalorização faz os preços dos produtos exportados (a alíquota efetiva real média na aduana caiu de 34% na
mais baratos e os dos importados mais caros. Mas, segunda metade dos anos 80 para apenas 7% no final do
imagine-se uma economia em que a Balanço Comercial governo FHC) com um engessamento do câmbio,
está equilibrada no momento zero, quando tal fato ocorre. tornando o real apreciado – tudo para aumentar a
Se esse país exportasse um bem de elasticidade-preço da competitividade e segurar os preços internos.
demanda igual a zero ou pelo menos menor do que a O déficit daí resultante nas Transações Correntes foi
unidade, isso significa que a receita com as exportações coberto com o ingresso de capitais via elevação nas taxas
irá CAIR. de juros internas (e, conseqüentemente, no “cupom
Igualmente, com as importações: imagine-se que se cambial”), além de privatizações para atrair investimento
tratam de bens de baixíssima elasticidade direto, basicamente nos segmentos de bens non-
(insubstituíveis). As importações pouco ou nada cairiam. tradeables, que não geram depois fluxos de ingressos,
A Condição M-L-R, a partir de um modelo matemático mas tão somente de saídas de dividendos.
demonstra que, uma desvalorização cambial só irá Essa elevação dos juros, só fez aumentar o déficit público
apresentar um resultado líquido positivo sobre a Balança e anular os esforços de superavits primários, fazendo a
Comercial, se “a soma das elasticidades-preço das dívida interna crescer exponencialmente;
demandas pelos produtos exportados + importados nessa Por seu turno, as entradas de divisas tinham que ser
economia for maior do que a unidade (em valor esterilizadas (isto é, trocadas por dívida externa para
absoluto)”. evitar uma explosão de demanda).
55
6-CRESCIMENTO DE LONGO PRAZO: O MODELO DE PROGRESSO TECNOLÓGICO
SOLOW. O PAPEL DA POUPANÇA, DO CRESCIMENTO
POPULACIONAL E DAS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
Aumenta a eficiência do trabalho à uma taxa constante
SOBRE O CRESCIMENTO. "A REGRA DE OURO".
"g" (resídual de Sollow)
CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO
56
7-A ECONOMIA INTERTEMPORAL. O CONSUMO E O As curvas de indiferença mostram as combinações de C1
INVESTIMENTO NUM MODELO DE ESCOLHA e C2 que proporcionam o mesmo nível de satisfação.
INTERTEMPORAL. A RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA Curvas mais altas, maiores níveis de satisfação.
INTERTEMPORAL DAS FAMÍLIAS. A RESTRIÇÃO
ORÇAMENTÁRIA INTERTEMPORAL DO GOVERNO E Gráficos em sala
A EQUIVALÊNCIA RICARDIANA. A RESTRIÇÃO
ORÇAMENTÁRIA INTERTEMPORAL DE UMA NAÇÃO
E O ENDIVIDAMENTO EXTERNO.
VARIAÇÃO NA RENDA
O fator (1+r) é a parcela de -C1 que se abre mão para A DÍVIDA PÚBLICA E A EQUIVALÊNCIA RICARDIANA
57
adiamentos ou antecipações de impostos de fato ocorram,
nem todos os consumidores acham que haverá as futuras
compensações e, por isso, não necessariamente adiarão
ou anteciparão seu consumo em função dessa
expectativa. Por isso, a política fiscal TEM DE FATO
EFEITOS sobre as atividades econômicas.
Analiticamente, teremos:
D = G1 – T1
T2 = (1+r) (G1 – T1) + G2
T2 = (1+r) (G1 – T1) + G2
T1 + (T2 / 1+r) = G1 + (G2 / 1+r)
O valor presente dos gastos públicos é igual ao valor
presente dos tributos.
58
8-PROVAS DA ESAF DE ECONOMIA renda líquida enviada ao exterior = 50;
formação bruta de capital fixo mais variação de estoques
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL - AFRF - = 150;
2003 POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA poupança líquida do setor privado = 50;
depreciação = 5;
saldo do governo em conta corrente = 35.
ECONOMIA
Com base nestas informações e considerando as
01-(AFRF/2003)- Considere os seguintes saldos do
identidades macroeconômicas de um sistema de contas
balanço de pagamentos para uma determinada economia
nacionais, é correto afirmar que as importações de bens e
hipotética, em unidades monetárias:
serviços não-fatores é igual a:
saldo da balança comercial: superávit de 100
a) 110
saldo em transações correntes: déficit de 50
b) 30
saldo total do balanço de pagamentos: superávit de 10
c) 80
Com base nestas informações e considerando que não
d) 20
ocorreram lançamentos na conta "erros e omissões", é
e) 200
correto afirmar que:
05-(AFRF/2003) Considere uma economia hipotética
a) o saldo da conta "transferências unilaterais" foi
aberta e sem governo. Suponha os seguintes dados, em
necessariamente superavitário.
unidades
b) independente do saldo da conta "transferências
monetárias:
unilaterais", podemos afirmar com certeza
que o saldo da balança de serviços foi superavitário.
c) o saldo dos movimentos de capitais autônomos foi renda líquida enviada ao exterior = 100;
negativo. soma dos salários, juros, lucros e aluguéis = 900;
d) se a conta "transferências unilaterais" foi superavitária, importações de bens e serviços não-fatores = 50;
podemos afirmar com certeza depreciação = 10;
que a balança de serviços apresentou saldo positivo. exportação de bens e serviços não-fatores = 100;
e) se a conta "transferências unilaterais" foi superavitária, formação bruta de capital fixo mais variação de estoques
podemos afirmar com certeza = 360.
que a balança de serviços apresentou saldo negativo. Com base nestas informações e considerando as
identidades macroeconômicas de um sistema de contas
nacionais, é correto afirmar que a renda nacional líquida e
02-(AFRF/2003) Considere
o consumo pessoal são, respectivamente,
c: papel-moeda em poder do público/meios de
a) 950 e 600.
pagamentos
b) 900 e 500.
d: depósitos a vista nos bancos comerciais/meios de
c) 900 e 600.
pagamentos
d) 850 e 550.
R: encaixe total dos bancos comerciais/depósitos a vista
e) 800 e 500.
nos bancos comerciais
06-(AFRF/2003) Considere as seguintes informações
m = multiplicador dos meios de pagamentos em relação à
para uma economia fechada e com governo:
base monetária
Y = 1200
Com base nestas informações, é incorreto afirmar que,
C = 100 + 0,7.Y
tudo o mais constante:
I = 200
a) quanto maior d, maior será m
onde:
b) quanto maior c, menor será d
c) quanto menor c, menor será m
d) quanto menor R, maior será m Y = produto agregado;
e) c + d > c, se d for •‚ 0 C = consumo agregado; e
03-(AFRF/2003) Não fazem parte do ativo do balancete I = investimento agregado.
consolidado dos bancos comerciais Com base nestas informações, pode-se afirmar que,
considerando o modelo keynesiano simplificado, para que
a autoridade econômica consiga um aumento de 10% no
a) os encaixes em moeda corrente.
produto agregado, os gastos do governo terão que sofrer
b) os redescontos e demais recursos provenientes
um aumento de:
do Banco Central.
a) 60%
c) os empréstimos ao setor público.
b) 30%
d) os empréstimos ao setor privado.
c) 20%
e) os títulos privados.
d) 10%
04-(AFRF/2003) Considere as seguintes informações
e) 8%
para uma economia hipotética aberta e sem governo, em
07-(AFRF/2003) Com relação ao modelo IS/LM, é
unidades monetárias:
incorreto afirmar que
59
a) quanto maior a taxa de juros, menor é a demanda por dada pela expressão:
moeda.
b) na ausência dos casos clássico e da armadilha da
C1 + C2/(1 + r) = Y1 + Y2/(1 + r)
liquidez, uma política fiscal expansionista eleva a taxa de
juros.
c) na ausência dos casos clássico e da armadilha da onde:
liquidez, uma política fiscal expansionista eleva a renda. C1 = consumo no período 1;
d) no caso da armadilha da liquidez, uma política fiscal C2 = consumo no período 2;
expansionista não aumenta o nível de renda. Y1 = renda no período 1;
e) quanto maior a renda, maior é a demanda por moeda. Y2 = renda no período 2; e
r = taxa de juros. e
08-(AFRF/2003) Considere:
M/P = 0,2.Y - 15.r 2. uma curva de indiferença que representa as
Y = 600 - 1.000.r preferências intertemporais do consumidor.
YP = 500 Com base nestas informações e supondo que o
P=1 consumidor esteja no equilíbrio E, é correto afirmar que:
onde:
M = oferta nominal de moeda; a) no equilíbrio "E", C1 = Y1 e C2 = Y2.
P = nível geral de preços; b) o consumo no primeiro período é menor do que a
Y = renda real; renda no primeiro período.
YP = renda real de pleno emprego; e c) o modelo sugere a existência de restrições de crédito
r = taxa de juros. no primeiro período.
Com base nestas informações, pode-se afirmar que o d) o consumidor é devedor no primeiro período.
valor da oferta de moeda necessária ao pleno emprego é e) alterações nas taxas de juros não provocam alterações
de: nos consumos dos períodos 1 e 2.
a) 80,0
b) 98,5
c) 77,2 AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL - AFRF -
d) 55,1 2002.2 POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA -
e) 110,0 PROVA 3 2
09-(AFRF/2003) Com relação ao modelo de crescimento
de Solow, é correto afirmar que, no equilíbrio de longo ECONOMIA
prazo: 01-(AFRF/2002.2) Suponha uma economia que só
a) quanto maior for a taxa de depreciação, maior será o produza dois bens
estoque de capital por trabalhador. finais (A e B). Considere os dados a seguir:
b) a taxa de crescimento do produto por trabalhador é
igual à taxa de depreciação. Bem A Bem B
c) quanto maior for a taxa de poupança, maior será o
consumo por trabalhador.
quantidade preço quantidade preço
d) quanto maior for a taxa de crescimento populacional,
maior será o estoque de capital por trabalhador.
e) quanto maior a taxa de poupança, maior será o Período1 10 5 12 6
estoque de capital por trabalhador.
Período 2 10 7 10 9
10-(AFRF/2003) Considere o seguinte gráfico: Com base nestes dados, é incorreto afirmar que:
61
a) uma elevação na demanda tenderá a intensificar a a) independentemente do regime cambial, a política
queda no produto que decorre do choque de oferta. fiscal é a única capaz de exercer influência sobre o
b) o choque adverso de oferta aumenta os custos e, produto já que, no modelo, está implícita a hipótese
portanto, os preços. Se não houver alterações na de que a taxa esperada de inflação é zero.
demanda agregada, teremos uma combinação, no curto b) ambos os instrumentos exercem impactos sobre a
prazo, de preços crescentes com redução do produto. No renda, independente do regime cambial adotado, já
longo prazo, com a queda dos preços, a economia que as taxas de câmbio real e nominal são iguais.
retornará ao seu nível de pleno emprego. c) os impactos de um ou outro instrumento sobre a
c) se não ocorrer deslocamentos na curva de demanda renda agregada dependem do regime cambial adotado
agregada, o choque de oferta causará deflação. no modelo.
d) o choque de oferta alterará apenas o produto de pleno d) se o regime for de câmbio fixo, tanto a política
emprego. monetária quanto a política fiscal exercem influência
e) não ocorrerá alterações nem nos preços nem no nível sobre a renda agregada, já que as taxas de câmbio
do produto, tanto no curto quanto no longo prazo, uma nominal e real são iguais.
vez que, se o choque de oferta não desloca a curva de e) independentemente do regime cambial, a política
oferta de longo prazo, também não deslocará a curva de monetária é a única capaz de exercer influência sobre
oferta de curto prazo. o produto, já que se verifica uma situação de total
09-(AFRF/2002.2) Com relação ao modelo de Solow, é estabilidade no nível de preços internos.
incorreto afirmar que 02- (AFRF/2000)São medidas que tendem a corrigir
a) o estado estacionário que maximiza o consumo é déficits no balanço de pagamentos:
aquele definido pela denominada “regra de ouro”. a) elevação do nível de atividade econômica, redução
b) a taxa de poupança determina a quantidade do estoque das taxas internas de juros, redução no nível geral de
de capital por trabalhador e, portanto, o nível do produto preços internos
por trabalhador no estado estacionário. b) elevação do nível de atividade econômica, redução
c) quanto maior a taxa de poupança, maior o bem-estar das taxas internas de juros, desvalorização da taxa
da sociedade. nominal de câmbio
d) o estado estacionário pode ser considerado como um c) redução do nível de atividade econômica, redução
equilíbrio de longo prazo. das taxas internas de juros, desvalorização da taxa
e) somente o progresso tecnológico explica o crescimento nominal de câmbio
de longo prazo. d) redução do nível de atividade econômica, redução
10-(AFRF/2002.2) Considere os seguintes dados para o no nível geral de preços internos, elevação das taxas
modelo de crescimento de Solow: internas de juros
k = estoque de capital por trabalhador e) elevação do nível de atividade econômica,
ä = taxa de depreciação elevação das taxas internas de juros, elevação no
y = produto por trabalhador nível geral de preços internos
s = taxa de poupança 03-(AFRF/2000) Considere os seguintes dados que
Sabendo-se que y = (k)0,5 , ä = 0,1 e s = 0,4, os níveis refletem as relações de uma economia hipotética
de k e y no estado estacionário serão, respectivamente: com o resto do mundo, num determinado período de
a) 16 e 4 tempo, em unidades monetárias:
b) 16 e 8
- exportações com pagamento a vista: 100;
c) 4 e 16
- importações com pagamento a vista: 50;
d) 4 e 8
- entrada de investimento direto externo sob a
e) 4 e 12
forma de máquinas e equipamentos: 200;
- pagamento de juros de empréstimos, remessa de
lucros e pagamento de aluguéis: 80; e
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL - AFRF - - amortização de empréstimos: 50.
2000 POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Pode-se afirmar que
a) o saldo da balança comercial é de +50; o saldo da
ECONOMIA balança de serviços é de -130; o saldo em transações
01-(AFRF/2000) Considere o modelo IS/LM com as correntes é de -230; e o saldo total do balanço de
seguintes hipóteses: pagamentos é de -80.
i) economia pequena e aberta b) o saldo da balança comercial é de -150; o saldo da
ii) livre mobilidade de capital balança de serviços é de -80; o saldo em transações
iii) taxa de câmbio nominal igual à taxa de câmbio real correntes é de -230; e o saldo total do balanço de
Suponha que a autoridade econômica disponha dos pagamentos é de -80.
dois tradicionais instrumentos de política econômica: c) o saldo da balança comercial é de -150; o saldo da
política fiscal e política monetária. Pode-se então balança de serviços é de -130; o saldo em transações
afirmar que:
62
correntes é de -230; e o saldo total do balanço de Com base nesta equação, pode-se afirmar que
pagamentos é de -80.
d) o saldo da balança comercial é de +50; o saldo da
balança de serviços é de -80; o saldo em transações a) a trajetória da inflação dependerá de A e . Se A >
correntes é de -230; e o saldo total do balanço de
0 ou se > 0, a inflação será crescente; mas se A =
pagamentos é de -80.
0, independente de , a inflação será estável.
e) o saldo da balança comercial é de -150; o saldo da
b) não é possível, a partir da equação, prever uma
balança de serviços é de -80; o saldo em transações
situação de inflação inercial.
correntes é de +230; e o saldo total do balanço de
c) a trajetória da inflação dependerá principalmente
pagamentos é nulo.
de A. Neste sentido, a inflação será estável somente
04-(AFRF/2000) Com relação aos lançamentos no
se A = 0.
balanço de pagamentos, pode-se afirmar que
d) a trajetória da inflação, pela equação, será sempre
a) as amortizações de empréstimos fazem parte dos
crescente, independente dos valores de A e .
movimentos de capitais autônomos ao passo que o
e) a trajetória da inflação dependerá exclusivamente
pagamento de juros de empréstimos fazem parte do
do termo . Supondo a ausência de choques
balanço de serviços.
exógenos, se > 1, a inflação será explosiva; se =
b) qualquer operação envolvendo donativos deve
1 a inflação será inercial; e se < 1, a inflação
necessariamente ter como contrapartida lançamento
será decrescente.
na conta de importações.
c) qualquer operação de importação deve
necessariamente ter como contrapartida lançamento 07-(AFRF/2000) São consideradas operações ativas do
na conta "haveres a curto prazo no exterior". Banco Central:
d) as transferências unilaterais devem ter a) alterações nas reservas internacionais, operações
necessariamente como contrapartida lançamentos na de redescontos, alterações no Imposto sobre
conta "haveres a curto prazo no exterior". Operações Financeiras
e) é possível um lançamento no balanço de b) alterações nas reservas internacionais, operações
pagamentos se contrapartida de lançamento em outra de redescontos, empréstimos ao Tesouro Nacional,
conta, desde que tal lançamento não seja proveniente alteração dos impostos nas operações financeiras
de operações de exportação ou de importação. c) alterações nas reservas internacionais, operações
05-(AFRF/2000) Considere que tenha ocorrido uma de redescontos, empréstimos ao Tesouro Nacional,
desvalorização nominal da taxa de câmbio de 10% compra de títulos públicos federais
num determinado período. Considerando o conceito d) alterações nas reservas internacionais, alterações
de taxa de câmbio utilizada no Brasil e o conceito de na taxa de câmbio, operações de redescontos,
câmbio real que leva em conta a inflação interna e empréstimos ao Tesouro Nacional
externa, pode-se afirmar que, e) alterações nas reservas internacionais, operações
a) se a inflação externa foi de 10% no período e a de redescontos, empréstimos ao Tesouro Nacional,
inflação interna foi de 25% no período, houve uma alterações dos impostos nos mercados de capitais
desvalorização real da taxa de câmbio. 08-(AFRF/2000) São fatores que tendem a elevar a
b) se a inflação externa foi de 5% e a inflação interna oferta monetária na economia:
foi de 20% no período, houve uma valorização real da a) elevação das reservas internacionais do país;
taxa de câmbio. concessão, por parte do Banco Central, de
c) se tanto a inflação interna quanto a externa foram empréstimos aos bancos comerciais; compra de títulos
de 5% no período, não houve alteração na taxa de públicos pelo Banco Central
câmbio real. b) redução das reservas internacionais do país;
d) se a inflação externa foi de 20% e a inflação concessão, por parte do Banco Central, de
interna foi de 5% no período, houve uma valorização empréstimos aos bancos comerciais; compra de títulos
real da taxa de câmbio. públicos pelo Banco Central
e) se a inflação externa foi de 15% no período e a c) redução das reservas internacionais do país;
inflação interna foi de 30% no período, houve uma concessão, por parte do Banco Central, de
desvalorização real da taxa de câmbio. empréstimos aos bancos comerciais; venda de títulos
públicos pelo Banco Central
d) elevação das reservas internacionais do país;
concessão, por parte do Banco Central, de
06-(AFRF/2000) Considere a seguinte equação:
empréstimos aos bancos comerciais; venda de títulos
t - t-1 = A públicos pelo Banco Central
onde: e) elevação das reservas internacionais do país;
t = taxa de inflação em t (t-1 = taxa de inflação recebimento, pelo Banco Central, de empréstimos
em t -1); concedidos ao setor privado; venda de títulos públicos
A = choques exógenos; e pelo Banco Central
> 0.
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09-(AFRF/2000) Considerando o modelo de oferta e c) tanto da renda quanto da taxa nominal de juros.
demanda agregada; considere ainda que, no longo Assim, quanto maior a renda ou quanto maior a taxa
prazo os preços são flexíveis, mas no curto prazo, de juros, maior será a demanda por moeda
verifica-se rigidez total nos preços. Então, é correto d) exclusivamente da renda real. Assim, quanto
afirmar que: maior for a inflação esperada, maior será a demanda
a) tanto no curto quanto no longo prazo, por moeda
deslocamentos na demanda agregada afastam o e) exclusivamente da taxa esperada de inflação.
produto do seu nível de pleno emprego. A diferença Assim quanto maior for esta taxa, maior será a
está nos efeitos desses deslocamentos sobre a demanda por moeda
inflação. 12-(AFRF/2000) Considere as seguintes informações
b) deslocamentos na demanda agregada afetam o para uma economia hipotética, num determinado
produto agregado tanto no curto quanto no longo período de tempo, em unidades monetárias:
prazo. A diferença entre os dois casos está apenas no Consumo autônomo = 100;
grau de intensidade dos efeitos da demanda sobre o Investimento agregado = 150;
produto. Gastos do governo = 80;
c) no longo prazo, deslocamentos na demanda Exportações = 50; Importações
agregada afastam o produto agregado do seu nível de = 30.
pleno emprego. Tal efeito, entretanto, não ocorre no
curto prazo. Pode-se então afirmar que,
d) deslocamentos na demanda agregada no longo a) se a propensão marginal a consumir for 0,8, a
prazo só afetam o nível de preços; já no curto prazo, renda de equilíbrio será de 1700
tais deslocamentos só afetam o produto agregado. b) se a propensão marginal a poupar for 0,2, a renda
e) tanto no curto quanto no longo prazo, o produto de equilíbrio será de 1750
agregado encontra-se em seu nível de pleno emprego. c) se a propensão marginal a consumir for de 0,6, a
Assim, deslocamentos da demanda agregada só renda de equilíbrio será de 1730
causam efeitos sobre a inflação, cuja intensidade é d) se a propensão marginal a poupar for 0,3, a renda
maior no longo prazo. de equilíbrio será de 1700
10-(AFRF/2000) Considerando o modelo IS/LM com os e) se a propensão marginal a consumir for 0,7, a
casos denominados de "clássico" e da "armadilha da renda de equilíbrio será de 1800
liquidez", podemos afirmar que: 13-(AFRF/2000) Considere uma economia hipotética
a) no "caso clássico", deslocamentos da curva IS só que produza apenas 3 bens finais: arroz, feijão e
altera o nível do produto uma vez que a taxa de juros carne, cujos preços (em unidades monetárias) e
é fixa. quantidades (em unidades físicas), para os períodos
b) o "caso clássico" ocorre quando a demanda por 1 e 2, encontram-se na tabela a seguir:
moeda é totalmente insensível à taxa de juros; já o arroz feijão carne
caso da "armadilha da liquidez" ocorre quando a período
demanda por moeda é infinitamente elástica em
relação à taxa de juros.
c) no caso da "armadilha da liquidez", a política fiscal
é totalmente inoperante, ocorrendo o oposto no "caso
clássico". preço quant preço quan preço quant
d) tanto no "caso clássico" quanto no caso da . t. .
"armadilha da liquidez", elevações dos gastos públicos 1 2,20 10 3,00 13 8,00 13
causam alterações no produto. A diferença, entre os
dois casos, está apenas na possibilidade ou não de 2 2,30 11 3,50 14 15,00 8
alterações nas taxas de juros. Considerando que a inflação utilizada para o cálculo
e) tanto no "caso clássico" quanto no caso da do Produto Real Agregado desta economia foi de
"armadilha da liquidez", o nível do produto é dado. A 59,79% entre os dois períodos, podemos afirmar
diferença está apenas nos efeitos dos deslocamentos que:
da curva IS sobre as taxas de juros.
a) o Produto Nominal cresceu 17,76% enquanto o
11-(AFRF/2000) É correto afirmar que a demanda por Produto Real cresceu apenas 2,26%.
moeda depende b) o Produto Nominal cresceu 15,15% ao passo que o
a) tanto da renda quanto da taxa nominal de juros.
Produto Real caiu 59,79%.
Assim, quanto maior a renda ou quanto menor a taxa
c) o Produto Nominal cresceu 12,32% ao passo que
de juros, maior será a demanda por moeda
não houve alteração no Produto Real.
b) exclusivamente da taxa de juros real. Assim,
quanto maior for a taxa de inflação esperada, maior d) o Produto Nominal cresceu 15,15% ao passo que o
tenderá ser a demanda por moeda Produto Real caiu 42,03%.
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e) o Produto Nominal cresceu 17,76% ao passo que o
Produto Real caiu 26,26%.
14-(AFRF/2000) Considere:
Ipr = investimento privado
Ipu = investimento público
Spr = poupança privada
Sg = poupança do governo
Se = poupança externa
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