História e Importância dos Centros Espíritas
História e Importância dos Centros Espíritas
anos de Fundação da
de
ISSN 1413 - 1749
R$ 5,00
reformador Abril 2008 - [Link] 22/4/2008 10:56 Page 3
Expediente Sumário
4 Editorial
O Primeiro Centro Espírita
13 Entrevista: Marival Veloso de Matos
Fundada em 21 de janeiro de 1883 Centenário da União Espírita Mineira
Fundador: Augusto Elias da Silva
16 Presença de Chico Xavier
Em louvor do livro – Irmão X
Revista de Espiritismo Cristão
Ano 126 / Abril, 2008 / N o 2.149 17 Livro Espírita – Alfredo Nora
ISSN 1413-1749 21 Esflorando o Evangelho
Propriedade e orientação da
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA Socorre a ti mesmo – Emmanuel
Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI
Diretor-substituto e Editor: ALTIVO FERREIRA 34 A FEB e o Esperanto
Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO
CESAR PERRI DE CARVALHO, EVANDRO Jubileu centenário da Associação Universal de Esperanto –
NOLETO BEZERRA E LAURO DE OLIVEIRA SÃO THIAGO
Secretário: PAULO DE TARSO DOS REIS LYRA Affonso Soares
Gerente: ILCIO BIANCHI
Gerente de Produção: GILBERTO ANDRADE
Equipe de Diagramação: SARAÍ AYRES TORRES, AGADYR
42 Seara Espírita
TORRES E CLAUDIO CARVALHO
Equipe de Revisão: MÔNICA DOS SANTOS E WAGNA
CARVALHO
5 A doutrina da reencarnação – Juvanir Borges de Souza
REFORMADOR: Registro de publicação
o 8 Mente e vida – Joanna de Ângelis
n 121.P.209/73 (DCDP do Departamento de Polí-
cia Federal do Ministério da Justiça), 10 Da primeira Sociedade aos Centros Espíritas da
CNPJ 33.644.857/0002-84 • I. E. 81.600.503
atualidade – Antonio Cesar Perri de Carvalho
Direção e Redação: 18 Caráter da Revelação Espírita – Christiano Torchi
Av. L-2 Norte • Q. 603 • Conj. F (SGAN)
70830-030 • Brasília (DF) 22 A identidade histórica de O Livro dos Espíritos –
Tel.: (61) 2101-6150 Licurgo Soares de Lacerda Filho
FAX: (61) 3322-0523
Departamento Editorial e Gráfico: 23 Lançamento de livros em alemão e Seminário na
Rua Souza Valente, 17 • 20941-040
Rio de Janeiro (RJ) • Brasil Suíça
Tel.: (21) 2187-8282 • FAX: (21) 2187-8298 24 Cinqüentenário do Lar Fabiano de Cristo – Momento
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sublime (Cárita) – A caridade e o amor (Fabiano de
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Cristo)
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26 Revista Espírita e Sociedade Espírita de Paris –
PARA O BRASIL Orson Peter Carrara
Assinatura anual R$ 39,00
Número avulso R$ 5,00 28 Em dia com o Espiritismo – A dor física –
PARA O EXTERIOR Marta Antunes Moura
Assinatura anual US$ 35,00 31 Cristianismo Redivivo – História da Era Apostólica –
Assinatura de Reformador: A fé transporta montanhas – Haroldo Dutra Dias
Tel.: (21) 2187-8264 • 2187-8274
E-mail: 33 Fé e cultura – Emmanuel
[Link]@[Link]
36 Os outros em mim – Carlos Abranches
Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA 38 Identidade revelada após 150 anos – General X... –
Capa: AGADYR TORRES PEREIRA
Enrique Eliseo Baldovino
reformador Abril 2008 - [Link] 22/4/2008 10:56 Page 4
Editorial
O Primeiro
Centro Espírita
D
urante vários anos, especialmente a partir de 1975, os Centros Espíritas
foram estudados pelos representantes do Movimento Espírita, em nível
estadual, nacional e internacional. A conclusão desse estudo, que procurou
ser o mais fiel possível às suas potencialidades, consta de textos que estão sendo
divulgados pelos órgãos federativos, os quais observam:
“Os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas:
• são núcleos de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho, praticados
dentro dos princípios espíritas;
• são escolas de formação espiritual e moral, que trabalham à luz da Doutrina
Espírita;
• são postos de atendimento fraternal para todos os que os procuram com o
propósito de obter orientação, esclarecimento, ajuda ou consolação;
• são oficinas de trabalho que proporcionam aos seus freqüentadores opor-
tunidades de exercitarem o próprio aprimoramento íntimo pela prática do
Evangelho em suas atividades;
• são casas onde as crianças, os jovens, os adultos e os idosos têm oportu-
nidade de conviver, estudar e trabalhar, unindo a família sob a orientação
do Espiritismo;
• são recantos de paz construtiva, que oferecem aos seus freqüentadores
oportunidades para o refazimento espiritual e a união fraternal pela práti-
ca do ‘Amai-vos uns aos outros’;
• são núcleos que se caracterizam pela simplicidade própria das primeiras casas
do Cristianismo nascente, pela prática da caridade e pela total ausência de
imagens, símbolos, rituais ou outras quaisquer manifestações exteriores;
• são as unidades fundamentais do Movimento Espírita.” *
Ao relacionarmos todas as possibilidades de realização dos Centros Espíritas e,
mais ainda, a sua fundamental importância para o estudo, a divulgação e a prática
da Doutrina Espírita, colocando-a ao alcance e a serviço de todos os seres humanos,
estamos prestando uma singela homenagem ao primeiro Centro Espírita do
mundo, criado pelo Codificador com o nome Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas, exatamente há 150 anos, em 1o de abril de 1858.
Que os Centros Espíritas – “Postos Avançados” dos Espíritos superiores na Terra
– possam continuar a prestar os seus nobres serviços em favor da construção do
Mundo de Regeneração, para o qual estamos destinados.
*Fonte: Texto “Divulgue o Espiritismo”, aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB e pelo
Conselho Espírita Internacional (CEI).
A doutrina da
reencarnação J U VA N I R B O R G E S DE SOUZA
A
Doutrina Espírita adota e ção como uma das leis naturais pode explicar o futuro e firmar
ensina a reencarnação – ou divinas necessárias à evolução as nossas esperanças, pois que
– a pluralidade das existên- do Espírito imortal. nos oferece os meios de resga-
cias – como uma das leis naturais. Prova cabal do imediato con- tarmos os nossos erros por no-
Na questão 166-b, de O Livro vencimento do Codificador, dian- vas provações. A razão no-la in-
dos Espíritos (Ed. FEB), o Codifi- te das explicações recebidas, são dica e os Espíritos a ensinam.
cador indaga aos Espíritos revela- seus comentários formulados em
dores, após obter esclarecimentos aditamento à questão 171 da obra Pelo ensino dos Espíritos, as
sobre a forma de depuração das básica da Doutrina, nos quais ex- diversas existências nem sempre
almas: “A alma passa então por pressa sua convicção sobre a justi- ocorrem todas no mesmo mun-
muitas existências corporais?”. ça de Deus, ao determinar a su- do material.
A resposta é peremptória, termi- cessividade da vida corporal, en- As almas podem reencarnar em
nante, sobre a realidade das vidas quanto necessária ao aperfeiçoa- um mesmo globo material, como
sucessivas: “Sim, todos contamos mento do ser espiritual. a Terra, ou podem passar de um
muitas existências. Os que dizem o São palavras do Codificador: mundo para outro.
contrário pretendem manter-vos O que determina a necessidade
na ignorância em que eles próprios Todos os Espíritos tendem para das reencarnações, seja em um
se encontram. Esse o desejo deles”. a perfeição e Deus lhes faculta os mesmo, ou em diferentes mun-
O ensino, seguido de outros es- meios de alcançá-la, proporcio- dos, é o imperativo da evolução,
clarecimentos, não deixou dúvi- nando-lhes as provações da vida do progresso, lei divina aplicável a
das sobre a divina determinação corporal. Sua justiça, porém, lhes todos os Espíritos, como uma das
da sucessividade das vidas corpo- concede realizar, em novas exis- determinações da Justiça Divina.
rais como forma de expiação e tências, o que não puderam fazer A crença nas existências suces-
melhoramento progressivo de ca- ou concluir numa primeira prova. sivas não é exclusividade do Espi-
da Espírito, lei que atinge toda a .................................................... ritismo. Foi admitida, sob formas
Humanidade. A doutrina da reencarnação, isto diversificadas, desde a mais remo-
É interessante assinalar que é, a que consiste em admitir pa- ta antigüidade, por doutrinas es-
Allan Kardec, que antes das expli- ra o Espírito muitas existências piritualistas de diversos povos, ou
cações dos Espíritos reveladores sucessivas, é a única que corres- por personalidades eminentes, que
não aceitava a pluralidade das ponde à idéia que formamos da se destacaram pelas suas idéias.
existências, modificou, desde en- justiça de Deus para com os ho- Os ensinos do Cristo, embora
tão, sua opinião, passando a ad- mens que se acham em condi- não tenham explicitado a dou-
mitir a necessidade da reencarna- ção moral inferior; a única que trina reencarnacionista como a
entendemos na atualidade, deixa- as que dizem respeito às vidas os espíritas conhecem bem, por ser
ram referências ao renascimento sucessivas. muito citada: “Em verdade, em ver-
do Espírito em diversos relatos Se pesquisarmos o histórico de dade vos digo, ninguém verá o rei-
evangélicos, como é do conheci- vários povos antigos, vamos en- no de Deus, sem nascer de novo”.
mento dos espíritas. contrar a questão da palingenesia Por mais que se procure inter-
Entretanto, o Cristianismo dos formulada de diferentes formas, pretar as palavras do Mestre Jesus
homens, as Igrejas Romana, Orien- de conformidade com o entendi- em outros sentidos figurativos,
tal, e as resultantes da Reforma mento de determinados grupos como o fazem os seguidores de re-
não aceitam as vidas sucessivas. humanos e as idéias de alguns fi- ligiões que não admitem a reen-
Admitindo a criação da alma lósofos e pensadores. carnação, a expressão “nascer de
no momento do nascimento e Na Índia, desde tempos longín- novo” é peremptória, decisiva, pa-
diante das desigualdades morais, quos, a pluralidade das existências ra caracterizar um renascimento
intelectuais e sociais dos indiví- era entendida com bastante apro- novo do ser, máxime atentando-
duos, evidenciando uma injustiça ximação da realidade, o que ocor- -se na circunstância de que Jesus
flagrante às criaturas, formula- re até os dias atuais. não desconhecia uma crença co-
ram as igrejas e outras religiões, No Bhagavad Gita e nos Vedas mum a vários povos antigos, in-
da atualidade e do passado, idéias encontram-se citações e referên- clusive, o hebreu.
que se contrapõem inteiramente à cias que não deixam dúvida sobre Por isso, diante da dú-
Justiça Divina: o inferno eterno, a percepção que os hindus tinham vida de Nicodemos,
ou o céu de delícias, também eter- e ainda têm sobre a reencarnação. que objetou:
no, como conseqüências irrecusá- Na Pérsia antiga, o Masdeísmo
veis de uma vida na Terra, que se dava ao povo uma noção bem
alonga por algumas décadas, ou se realista das vidas sucessivas, para
limita a dias ou poucos anos. a redenção de todas as criaturas
A incoerência dos ensinos des- humanas.
sas religiões é flagrante e foi per- Entre os hebreus, a idéia do re-
cebida pelos pensadores indepen- nascimento das almas encontra-
dentes, no decorrer dos séculos. -se veladamente admitida no Ve-
A preocupação com a origem e lho Testamento, especialmente nos
o destino da criatura humana escritos de alguns profetas.
vem desde as eras mais recuadas. Mas nos Evangelhos há referên-
Religiões e filosofias, as mais cias explícitas em algumas passa-
antigas e as atuais, interessaram- gens, como a resposta de Jesus aos
-se por esse problema que, somen- seus discípulos, a respeito da volta
te com as revelações do Consola- de Elias: “Elias já veio e não o reco-
dor, prometido e enviado pelo nheceram, antes fizeram-lhe tudo
Cristo de Deus, ficou esclarecido o que quiseram”. (Mateus, 17:12.)
em suas múltiplas faces. O comentário do Evangelista é
Foram necessárias, entretanto, que os discípulos compreende-
ao lado do progresso da Huma- ram que o Mestre se referia a João
nidade, sob diversos aspectos, as Batista, como Elias reencarnado.
revelações da Espiritualidade su- Outra passagem clara, registra-
perior, essenciais à elucidação de da no Evangelho de João (3:3), é a
questões transcendentais, como resposta de Jesus a Nicodemos, que
“Como pode ser isso?”, o Mestre dos, com justa razão, precursores mundo Ocidental foi dominado
respondeu: “Tu és mestre de Israel do Cristo e do Espiritismo. pela poderosa Igreja Católica Ro-
e não sabes isso?” (João, 3:9-10). Na “Introdução”, item IV, de O mana, a doutrina palingenésica, ou
Certo é que existiam, nas socie- Evangelho segundo o Espiritismo das vidas sucessivas, foi proscrita e
dades antigas, ensinos ocultos ao (Ed. FEB), peça notável que os se- praticamente esquecida. Somente
comum dos homens, mas conhe- guidores da Doutrina Consolado- algumas sociedades secretas trans-
cidos e aceitos pelos iniciados. A ra devem reler sempre, por seus mitiam oralmente esse conheci-
crença na imortalidade da alma e esclarecimentos importantes, o mento tradicional de uma realida-
nas vidas sucessivas eram ensinos Codificador refere-se aos dois fi- de que acompanha a Humanidade
cultivados, independentemente lósofos gregos como verdadeiros desde tempos imemoriais.
da aprovação dos detentores dos “precursores da idéia Cristã e do Nem a divisão da Igreja, com a
poderes constituídos. Espiritismo”. separação da Igreja Oriental, nem
Na Grécia, Pitágoras tomou Acrescenta Kardec que Sócra- a Reforma iniciada por Martinho
conhecimento da sucessividade tes, assim como Jesus, o Cristo, Lutero e que resultou nas Igrejas
dos renascimentos das almas, em nada deixaram escrito: “[...] Assim Protestantes, espalhadas pelo Oci-
suas viagens à Pérsia e ao Egito, como a doutrina de Jesus só a co- dente, favoreceram a aceitação da
introduzindo essa crença em sua nhecemos pelo que escreveram doutrina reencarnacionista, que
pátria. seus discípulos, da de Sócrates só ficou adstrita às antigas religiões e
Mas, entre os gregos, não temos conhecimento pelos escri- filosofias orientais (Índia) e aos
podemos omitir a doutrina de tos de seu discípulo Platão. [...]”. iniciados em ciências ocultas, que
Sócrates e Platão, considera- Os romanos receberam a in- sempre existiram.
fluência dos gregos, especialmen- Somente com a conquista da li-
te no que se refere aos conheci- berdade de pensamento e de ex-
mentos e às crenças. pressão, cujo símbolo maior é a
No poderoso império, pelo me- Revolução Francesa, nos fins do
nos dois nomes se destacaram na século XVIII, tornou-se possível a
aceitação da idéia reencarnacio- propagação das idéias, das verda-
nista: Virgílio e Ovídio. des e dos conhecimentos, aos
Nas Gálias, território da França quais se opunham os poderosos.
atual, a religião dos druidas ensi- Por isso é que a sabedoria
nava a existência de Deus e a cren- do Cristo só determinou a vinda do
ça nas vidas sucessivas. outro Consolador, que podemos
Vale recordar que o Codifica- identificar na Doutrina dos Espí-
dor da Doutrina dos Espíritos, o ritos, na época apropriada – mea-
professor Hippolyte Léon Deni- dos do século XIX – para ficar de-
zard Rivail, viveu entre os drui- finitivamente com os homens que
das, com o nome Allan Kardec, tiverem olhos e ouvidos para per-
conforme lhe foi revelado, o que cebê-lo e dele fazerem a orienta-
lhe inspirou a idéia de adotar, co- ção para suas vidas.
mo pseudônimo, seu antigo no- Deste modo, sejam quais forem
me, o qual ficaria ligado, para as provações em nossas vidas,
sempre, à Doutrina Consoladora. agradeçamos a Deus por suas leis
No período da Idade Média, a justas, entre as quais se insere a
longa noite de mil anos, quando o reencarnação.
Mente e
vida
A
usina mental é possuido- não tenha sido responsável pelo direcionamento dessas grandio-
ra de inimaginável poder seu desenvolvimento e progresso. sas forças.
gerador de energia, man- Todos os grandes líderes reli- Nada obstante, graças ao co-
tendo-a neutra até o momento giosos do passado, nos primór- nhecimento do cérebro, cada dia
em que o Espírito a movimenta, dios das civilizações, porque mais mais desvendado pelas neuro-
conforme as aspirações que aga- evoluídos do que os seus concida- ciências, vêm sendo identificadas
salha e o direcionamento que lhe dãos, aos quais orientavam, utili- as áreas onde se sediam esses
compraz. zaram-se da energia mental para campos de força que, bem condu-
Conhecido, esse poder, desde lograr êxito nos cometimentos a zidos, moverão montanhas...
épocas imemoriais nas civilizações que se entregavam. O conceito de Jesus acerca da
do Oriente, apresentava-se então Com Jesus, porém, esse poder fé, que é capaz de todas as realiza-
revestido de mistério nas cerimô- atingiu o clímax, em razão da Sua ções, centraliza-se na dinâmica da
nias religiosas, produzindo fenôme- superioridade moral e grandeza energia mental. Ter fé representa
nos que deslumbravam as massas. espiritual de Governador do pla- possuir a coragem de lutar em
Para bem canalizá-lo, surgiram neta terrestre, demonstrado nos favor da concretização daquilo a
os cultos e as doutrinas esotéricas, notáveis momentos da multiplica- que se aspira e entregar-se em con-
que estabeleceram regras de com- ção dos pães e dos peixes, da tem- fiança aos resultados que serão al-
portamento e técnicas para a sua pestade acalmada no mar da Ga- cançados.
aplicação, mediante cujas práti- liléia, da pesca milagrosa, das curas O brocardo popular, que esta-
cas, depois de largo período de extraordinárias, da visão a distân- belece o querer é poder, possui
iniciação, elegiam os seus sacer- cia, da precognição em torno do validade incontestável, porquan-
dotes, que se responsabilizavam Seu martírio, dos acontecimentos to a aspiração, quando carrega-
pela condução dos povos. futuros, do fim dos tempos... da da energia mental, culmina
Entre as culturas primitivas, Depois dEle, ao largo dos por concretizar aquilo que anela.
os xamãs encarregavam-se de séculos, homens e mulheres su- A princípio, as fórmulas de
aplicar os valiosos recursos men- periores espiritualmente ao bió- controle mental passaram de ge-
tais, que conseguiam identificar tipo comum, aplicaram essa for- ração a geração envoltas em enig-
neles próprios, abrindo espaço ça poderosa de maneira edifican- mas, a fim de não serem enten-
para as comunicações espiri- te e salutar, logrando demons- didas pelos não iniciados, os
tuais que comprovaram a imor- trar que o ser humano é o seu exotéricos.
talidade da alma. Tornaram-se, pensamento. À medida que a cultura adqui-
desse modo, muito importantes De Mesmer a Allan Kardec, riu cidadania e as doutrinas psi-
nos grupos sociais, nos quais passando por eminentes estudio- cológicas aprofundaram a investi-
mourejavam. sos da energia mental, pôde-se gação na psique, mais fácil se fez o
Não existe um povo no qual, constatar que a vida se expressa entendimento e a aplicação dessas
nas raízes de sua origem, a mente no mundo objetivo, conforme o fabulosas energias.
Igualmente, vastas faixas de tomem conta das tuas paisagens
infelicidade e de dissabores são mentais, e ser-te-ão menos pe-
Mente é também vida. sustentadas pelas mentes confli- nosas as horas de purificação.
Todos nos encontramos mer- tivas e negativistas que as origina- Ninguém transita no mundo
gulhados no pensamento exterio- ram e as preservam. físico sem a experiência de algum
rizado pela Mente Divina, que tu- É necessário, portanto, pensar- tipo de sofrimento, porquanto es-
do orienta e conduz com seguran- -edificando o bem, a fim de que o te é um planeta de provas e de ex-
ça, desde as colossais galáxias às bem se edifique nos teus senti- piações e não o paraíso, onde a dor
micropartículas. mentos. e o desespero não vigem, não se
Conforme penses, assim viverás. O Evangelho de Jesus é fonte apresentam sequer.
Se te permites o pessimismo inexaurível de alegria e de satisfa- A maneira, porém, de vivê-lo é
contumaz, permanecerás na an- ções emocionais, de auto-realiza- que o tornará razão de desdita ou
gústia, a um passo da depressão. ções e de felicidade. de satisfação, em face da perspec-
Se anelas pela felicidade, já te Aborda, também, é claro, o so- tiva de próxima libertação.
encontras fruindo as bênçãos que frimento, o martírio, não porém
dela decorrem, como prenúncio de maneira masoquista, mas sim,
do que alcançarás mais tarde. como recursos de libertação das Quando Jesus afirmou que Ele
Se delineias sofrimentos para a mazelas anteriormente armaze- e o Pai são Um, demonstrou que,
existência, sob o conceito da aflição nadas, facultando a conquista da na Sua perfeita sintonia com a
que agasalhas, a jornada terrestre harmonia interior e propiciando vontade de Deus, mergulhara to-
ser-te-á assinalada pelo sofrimento. a perfeita vinculação com Deus. talmente no projeto que fora de-
Se reflexionas em torno do Pensa, portanto, de forma sau- senhado para a Sua existência en-
bem-estar e da alegria de viver, dável, edificante, e receberás as al- tre as criaturas da Terra, sem quei-
mesmo que ocorram acidentes de tas cargas de estímulos que proce- xa ou mal-estar.
percurso em forma de dor, des- dem das faixas nobres da vida, Quando consigas, por tua vez,
frutarás de mais tempo de con- através do pensamento. entregar-te ao amor e vivê-lo em
tentamento do que de aflição. Vivencia as experiências pro- totalidade, poderás assinalar, qual
Se projetas insucesso pelo ca- vacionais dolorosas com o pen- o fez o apóstolo das gentes: Já não
minho, seguirás uma trilha assi- samento em harmonia, sem dei- sou eu que vivo, mas o Cristo que
nalada pelo fracasso elaborado xar que o dissabor e o desalento vive em mim.
pelo teu próprio pensamento. Aprofunda, portanto, reflexões
Se arrojas em direção do futuro em torno do pensamento, deixa-te
o êxito, encontrá-lo-ás à tua espe- potencializar pela sua força e cana-
ra, à medida que avances no rumo liza-o para a felicidade que te está
dos objetivos superiores. destinada, e a experimentarás
A mente produz aquilo que desde este momento.
o pensamento direciona.
A abundância da Joanna de Ângelis
Vida encontra-se em
toda parte do Uni- (Mensagem psicografada pelo mé-
verso, assim como a dium Divaldo Pereira Franco, na ses-
paz e a saúde, por- são mediúnica da noite de 20 de junho
que procedem de de 2007, no Centro Espírita Caminho
Deus, o Criador. da Redenção, em Salvador, Bahia.)
Da primeira Sociedade
aos Centros Espíritas
da atualidade
A N TO N I O C E S A R P E R R I DE C A RVA L H O
A
pós o lançamento de O Li- em sede própria, na passagem Sain- [...]” (destacamos os cinco pri-
vro dos Espíritos foi inten- te-Anne, na rua Sainte-Anne, 59.1 meiros). Kardec realiza o primei-
so o interesse pela Doutri- Allan Kardec divulgou muitas ro estudo sobre a “proporção rela-
na nascente. Allan Kardec foi informações sobre a SPEE nas pá- tiva dos espíritas”, analisando vá-
muito procurado por aqueles que ginas da Revista Espírita, adaptan- rios fatores e as categorias em que
queriam conhecê-lo pessoalmen- do-as depois, em forma de orien- “[...]o Espiritismo encontrou, até
te e com ele trocar idéias. tações para reuniões, em capítulos hoje, mais aderentes”.
O Codificador já realizava reu- de O Livro dos Médiuns, onde tam- O trabalho de difusão das idéias
niões às terças-feiras, há seis me- bém transcreve o “Regulamento da espíritas também se concretizou
ses, em sua residência, na rua dos Sociedade Parisiense de Estudos com as viagens feitas pelo Codifi-
Mártires, 8, em Paris. No início, Espíritas”.2 cador à França e Bélgica, dirigin-
ali compareciam de 8 a 10 pessoas, A SPEE foi um autêntico labo- do-se, entre outros, aos espíritas
chegando, às vezes, até 30, movidas ratório, viabilizando a experiência de Lyon, Bordeaux, Tours, Antuér-
pelo desejo de conhecer o Espiritis- com atividades espíritas valiosas pia e Bruxelas.
mo e o próprio Kardec. Este e seus para o Codificador e, sem dúvida, Léon Denis, que conheceu Kar-
companheiros chegaram à conclu- ponto de referência para os interes- dec durante visita deste a Tours,
são de que deveriam organizar uma sados na novel Doutrina Espírita. em 1862, e depois esteve com ele em
sociedade, o que se efetivou com a Quase no final de sua jornada mais duas oportunidades no ano
fundação, em 1o de abril de 1858, física, inclui na Revista Espírita3 in- de 1867,4 veio a se transformar no
da Sociedade Parisiense de Estu- teressante matéria intitulada “Es- grande divulgador do Espiritismo
dos Espíritas (SPEE), que começou tatística do Espiritismo”. O Codi- e consolidador do Movimento Es-
a funcionar na galeria de Valois, ficador destaca que “do ponto de pírita francês, visitando inúmeros
no Palais-Royal. Um ano depois e vista da difusão das idéias espíritas, grupos espíritas e neles fazendo
até 1o de abril de 1860 a SPEE rea- e da facilidade com que são acei- palestras. O Espiritismo se firmou
lizou suas sessões numa outra ala tas, os principais Estados da Eu- em várias localidades francesas.
do mesmo edifício, em salão do res- ropa podem ser classificados co- Léon Denis considerou que “Lyon
taurante Douix, na galeria Mont- mo se segue: é a muralha do Espiritismo”. Esta
pensier. A partir desta última da- 1o França. – 2o Itália. – 3o Espa- cidade chegou a possuir uma cre-
ta, a Sociedade passou a funcionar nha. – 4o Rússia. – 5o Alemanha che espírita fundada em 1903.5
Entrevista M A R I VA L V E LO S O DE M ATO S
Centenário da
União Espírita Mineira
Marival Veloso de Matos, presidente da União Espírita Mineira, analisa o Movimento
Espírita de seu Estado, com destaque para os 100 anos da Federativa Estadual
Reformador: Qual sua visão so- evitando que, de forma afoita, o convivência fraterna, do amor ao
bre as novidades no Movimento tradicional e outros reais valores próximo.
Espírita? sejam sepultados. Neste ponto, a Certa feita, um radialista inda-
Marival: Somos conscientes de cautela e o bom senso têm que gou a Chico Xavier: “Não corre-
que ser um tarefeiro da imensa estar presentes. É imperioso, sim, mos o risco de ficar defasados com
Seara do Cristo, onde os trabalha- buscarmos a atualização, mas sem relação ao avanço científico, se per-
dores ainda são poucos, represen- perder o foco, as bases do simples, manecermos preocupados apenas
ta, antes que tudo, a extrema bon- do autêntico. Em termos práticos, com a Consolação?”. Chico Xavier
dade do Pai em favor de todos, referimo-nos ainda ao fato de não respondeu com a cautela e preste-
certos de que “servir se situa co- nos distanciarmos do respeito, da za que lhe eram peculiares, mas
mo a melhor maneira de ganhar”. bastante incisivo: “Se praticarmos
No sentido de nos adaptarmos ao oitenta por cento de amor ao pró-
moderno, na sua expressão mais ximo e vinte por cento de tecno-
autêntica, sem perdermos o foco logia, é o quanto basta”.
da evolução, tomemos por base Para que não venhamos a co-
esta Revista, permita-me o nobre meter equívocos, será sempre opor-
entrevistador. Nas últimas déca- tuno saber discernir o que é Movi-
das tem ela passado por modifica- mento Espírita, do que seja Dou-
ções profundas, atualizando-se trina Espírita. Movimento Espí-
quanto à elaboração, visando rita, o próprio nome diz: é a di-
atender ao leitor no tocante à me- nâmica, o modus vivendi que rea-
lhoria gráfica, mas sem abrir mão lizamos a fim de que o Espiri-
do seu conteúdo doutriná- tismo seja divulgado, por meio
rio. Em razão disso, dos recursos de que dispomos,
faz-se necessá- inclusive e principalmente pelo
rio que nos exemplo, uma vez que o ver-
estruture- dadeiro espírita deve ser
mos ade- reconhecido “pela sua
quada- transformação moral
mente, e pelos esforços que
emprega para domar suas inclina- prossigamos pondo em prática os 1.200, mas estimamos que alcan-
ções más”, como ensina Allan Kar- ensinamentos de Jesus e Kardec, cem 1.400 instituições espíritas.
dec. Doutrina Espírita é esse arca- recordando com Emmanuel: “Je-
bouço, esse monumento forma- sus, a porta. Kardec, a chave”. Fa- Reformador: Quais são as princi-
do pela sublime trilogia Ciência, zemos também nossa homenagem pais comemorações pelo Centená-
Filosofia e Religião, que a Codifi- e momento de saudade. Entre se- rio da União?
cação kardequiana nos oferece. O tembro e novembro do ano passa- Marival: Novamente tomamos a
Movimento Espírita, por força das do, retornaram à Pátria Maior dois liberdade de mencionar nosso que-
mais variadas tendências de natu- dos mais valorosos companheiros rido Honório de Abreu. Não há
reza cultural ou regional, apresen- espíritas, molas mestras, lidima- como abdicarmos de nos referir
ta características diferenciadas no mente integrados ao Movimento a ele, principalmente ao nos vir à
modo de ser posto em prática. O Espírita federativo. Referimo-nos lembrança o empenho, o carinho,
ideal, todavia, é que a conceitua- aos sempre queridos Martins Pe- o entusiasmo quando o assunto
ção espírita-cristã seja a mesma ralva e Honório de Abreu. Se por era relativo aos 100 anos da União
em toda parte. Às vezes insinua- um lado deixaram um vazio imen- Espírita Mineira. Entre as inúme-
mos defasagem na estrutura dou- so, por outro souberam nos legar ras providências comemorativas,
trinária espírita. Na verdade, isso patrimônio incomensurável de di- duas se destacam sobremodo: a
ocorre porque nossos estudos têm namismo, de realizações e de subli- realização do IV Congresso Espí-
sido periféricos e superficiais. mados exemplos. rita Mineiro, programado para os
dias 3 a 6 de abril do ano em cur-
Reformador: Como está o Movi- Reformador: No momento, quan- so. Este evento deverá ser um mar-
mento Espírita em Minas Gerais? tos centros espíritas estão integrados co positivo para consolidar cada
Marival: Nossa Federativa, por à União Espírita Mineira? vez mais a convivência fraterna e
força das dimensões relativamente Marival: Em nosso Estado as casas amiga com o Movimento Espírita
avantajadas do território mineiro, espíritas se inscrevem nas Alian- em nosso país, embora seja uma
tem tido a responsabilidade de co- ças Municipais Espíritas que, por promoção de âmbito estadual.
brir áreas imensas, com fronteiras região, formam os Conselhos Re- Pretendemos que o evento seja le-
longínquas. Por isso, a setorização gionais Espíritas, os quais aderem gítimo catalisador do que preco-
que se convencionou implantar à UEM, conforme estrutura apro- niza o tema central “Espiritismo:
através do 3o Congresso Espírita vada no já mencionado 3o Con- Amor e Educação”. Temos a espe-
Mineiro, além de outras resolu- gresso Espírita Mineiro. No orga- rança de que todos os Estados se
ções, representou um avanço alta- nograma que compõe o Movimen- farão representar. Todos foram
mente positivo. Posteriormente, a to Espírita federativo, olhado da convidados com muita convicção
partir do 77o Conselho Federativo base para o cume, vamos encon- de nossa parte. Além do Congres-
de Minas Gerais (COFEMG), cria- trar cada Casa Espírita como a cé- so, daremos início à construção
ram-se as Comissões Regionais lula fundamental do Movimento. de nossa segunda sede, cujo pro-
sob a inspiração das Comissões Para sermos mais objetivos na res- jeto arquitetônico é simples, prá-
Regionais do Conselho Federativo posta à oportuna pergunta, infor- tico, mas bem original. Com a
Nacional da FEB. Pode-se conside- mamos que, presentemente, atra- nova sede, o objetivo maior é ofe-
rar que novo vigor, novo alento foi vés do Departamento de Assistên- recermos melhores condições de
dado às atividades relacionadas ao cia e Promoção Social Espírita, operacionalidade aos trabalhos fe-
Movimento. O mérito está em se está se processando novo cadas- derativos. A atual consiste na cria-
saber administrar tais diferenças, tramento junto às AMEs. Pelo ção de um centro de referência
fazendo com que, apesar delas, último levantamento, chegavam a onde existe rico acervo histórico e
Em louvor
do livro
E
stranha você, meu irmão, que os Espíritos quer pergaminho destinado à posteridade; no en-
desencarnados façam coro com os intelec- tanto, não parece haver desconhecido o valor do
tuais de nosso tempo, devotando-se à organi- ensinamento repetido e multiplicado. Não foi o
zação de livros que concorram no mercado das próprio Jesus que recomendou, certa vez, aos
idéias e das letras e acrescenta: aprendizes: “Ide e pregai o Evangelho a todas as
– “Não precisamos de novos livros e sim de mãos nações”?
e pés, consagrados à caridade positiva, a fim de que Diz você, com veemência e austeridade:
os famintos e os doentes, os desabrigados e os infe- – “Cristo não necessita de propaganda. Cristia-
lizes tenham alimento e remédio, casa e consolo”. nismo é caridade”.
Francamente, não somos contrário ao seu pro- Que a Boa Nova é amor santificante, em ação,
grama. não duvidamos; mas, ao que se nos afigura, Jesus
Acreditamos, com o Apóstolo, que a fé sem obras não subestimou a propaganda, quando esteve pes-
é um cadáver bem adornado; entretanto, admiti- soalmente entre nós. Se efetivamente multiplicou
mos que você não é justo para com a sementeira da os pães e os peixes no monte, se curou leprosos e
educação. cegos, obsidiados e paralíticos, em nenhuma cir-
Que seria o mundo sem a bênção do livro? Exis- cunstância menosprezou a pregação do Reino de
tiria, acaso, qualquer civilização sem ele? Deus. Depois da Ressurreição, quando os trabalhos
Veículo do pensamento, confia-nos a luz espiri- da caridade já funcionavam harmoniosamente em
tual dos grandes orientadores do passado. Jerusalém, ei-lo que volta das Esferas Celestiais, em
Graças a ele, Hermes e Moisés, Sócrates e Platão pessoa. Para encher novos cestos de saborosa vian-
acham-se vivos na Terra, com a mesma sabedoria e da ou para transformar a água em vinho, satisfa-
com a mesma sublimidade do momento remoto zendo aos caprichos do povo? Não. Regressava o
em que passaram entre os homens. Senhor, a fim de chamar Paulo de Tarso, nominal-
Reporta-se você, muitas vezes, ao necessário mo- mente, para atender à extensão dos serviços evan-
vimento da piedade cristã; contudo, que seria do gélicos, comprometidos pelo acúmulo das obras de
Cristianismo sem o Evangelho registrado em ca- alimentação e assistência hospitalar.
racteres de forma? E diga-se, com franqueza, com toda reverência
Realmente, o nosso Divino Mestre, segundo re- aos demais componentes do colégio apostólico,
corda a sua palavra conselheiral, não escreveu qual- que a Boa Nova não encontraria mais digno agente
Livro Espírita
Livro espírita – alegria Livro espírita – colmeia
Da verdade clara e boa, De apelos à nova idéia,
Escola que aperfeiçoa, Templo, lâmpada, charrua...
Instrui, consola, auxilia...
Onde serve de atalaia,
Socorro – beneficia, A morte recebe vaia
Refúgio – guarda e abençoa, E a vida se perpetua.
Ampara toda pessoa
Que à luz dele se confia.
Alfredo Nora
(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, na noite de
26/2/69, em Uberaba, Minas.)
Fonte: Reformador, abril de 2002, p. 9(103).
Caráter da
Revelação Espírita
C H R I S T I A N O TO RC H I
E
ste é um dos mais impor- te materiais e tratam das proprie- encontram muito próximos do ní-
tantes temas para a compre- dades da matéria, que se pode vel fenomênico,4 havendo atraves-
ensão correta da Doutrina examinar e manipular livremente. sado incólume as radicais mudan-
Espírita, porque abrange a estru- O Espiritismo, que tem base ças de paradigma5 ocorridas nas
tura teórica da Ciência da Alma científica própria, “é uma ciência primeiras décadas do século XX.
ou da Ciência do Infinito, que é que trata da natureza, origem e des- Ademais, a revelação é gradual
o Espiritismo. Como este espaço tino dos Espíritos, bem como de e apropriada ao estágio evolutivo
não nos permite tratar do assunto suas relações com o mundo corpo- da Humanidade. De Moisés ao
com profundidade, esboçaremos ral”,3 cujos fenômenos repousam na Espiritismo, passando por Jesus,
algumas noções básicas que esti- ação de inteligências dotadas de temos cerca de 4.000 anos de saga
mulem o leitor à pesquisa. vontade própria e livre-arbítrio, as evolutiva, e ainda não superamos
A Revelação Espírita tem por quais, geralmente, não estão
característica essencial a verdade e dispostas a se submeter ao
possui natureza dúplice: é divina, papel de cobaias nem
por um lado, porque a sua inicia- permanecem ao sabor
tiva é dos Espíritos superiores; é das exigências e dos
científica, por outro, porque a sua caprichos dos in-
elaboração compete aos homens. vestigadores hu-
A Doutrina Espírita “[...] não manos. Apesar de
foi ditada completa, nem imposta serem indepen-
à crença cega; porque é deduzida, dentes, a Ciência
pelo trabalho do homem, da ob- e o Espiritismo se
servação dos fatos que os Espíri- completam reci-
tos lhe põem sob os olhos e das procamente.
instruções que lhe dão, instruções Embora tenha
que ele estuda, comenta, compa- surgido em meados
ra, a fim de tirar ele próprio as ila- do século XIX, após o
ções e aplicações. [...]”.1 que, houve um espan-
“[...] o Espiritismo não é da al- toso surto de progres-
çada da Ciência”,2 porque esta re- so científico, a Doutri-
fere-se às ciências ordinárias (Fí- na Espírita não está de-
sica, Química, Biologia etc.), que satualizada. A razão disso é
estudam os fenômenos puramen- que os seus princípios se
Socorre a
ti mesmo
“Pregando o Evangelho do reino e curando
todas as enfermidades.”
(MATEUS, 9:35.)
C
ura a catarata e a conjuntivite, mas corrige a visão espiritual de teus olhos.
Defende-te contra a surdez, entretanto, retifica o teu modo de registrar
as vozes e solicitações variadas que te procuram.
Medica a arritmia e a dispnéia, contudo, não entregues o coração à impul-
sividade arrasadora.
Combate a neurastenia e o esgotamento, no entanto, cuida de reajustar as
emoções e tendências.
Persegue a gastralgia, mas educa teus apetites à mesa.
Melhora as condições do sangue, todavia, não o sobrecarregues com os resíduos
de prazeres inferiores.
Guerreia a hepatite, entretanto, livra o fígado dos excessos em que te comprazes.
Remove os perigos da uremia, contudo, não sufoques os rins com os venenos de
taças brilhantes.
Desloca o reumatismo dos membros, reparando, porém, o que fazes com teus
pés, braços e mãos.
Sana os desacertos cerebrais que te ameaçam, todavia, aprende a guardar a mente
no idealismo superior e nos atos nobres.
Consagra-te à própria cura, mas não esqueças a pregação do Reino Divino aos
teus órgãos. Eles são vivos e educáveis. Sem que teu pensamento se purifique e sem
que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos
remédios humanos não passará de medida em trânsito para a inutilidade.
Fonte: XAVIER, Francisco C. Pão nosso. Ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 51, p. 115-116.
A identidade histórica de
O Livro dos Espíritos
L I C U R G O S OA R E S DE L AC E R DA F I L H O
“D
e que maneira pode Assim, as idéias materialistas então – que, algumas vezes, trou-
o Espiritismo contri- ganhavam força em todas as so- xeram inegáveis benefícios sociais
buir para o progresso? ciedades, e o homem se aprofun- –, as doutrinas materialistas pro-
Destruindo o materialismo, dava no egoísmo social. vocaram muito mais estragos do
que é uma das chagas da socieda- Os Espíritos superiores conhe- que melhoramentos para a vida
de, ele faz que os homens compre- ciam bem o caminho que seguiria em sociedade.
endam onde se encontram seus a Humanidade caso fosse condu- Coube a Kardec intermediar a
verdadeiros interesses.[...]” zida unicamente pela motriz das revelação de uma Nova Luz, o ro-
Esta foi a resposta recebida por idéias materialistas. Na Antigüi- teiro para a libertação moral e in-
Kardec, daquela que se tornou a dade, no início do primeiro milê- telectual da Humanidade, enfei-
pergunta 799 de O Livro dos Es- nio, o imperador Otávio Augusto xado em O Livro dos Espíritos.
píritos. transformara a sua capital, Roma, Era a reação espiritual a tantas
A preocupação dos Espíritos na “Cidade de Mármore”, expres- mensagens materialistas e ime-
superiores estava bem fundamen- são máxima do domínio da maté- diatistas que desviavam o homem
tada, pois era o reflexo de uma si- ria, que terminou por prenunciar de seu caminho natural e acaba-
tuação alarmante que dominava a derrocada dos valores humanos, riam por conduzi-lo em meio a
todo o mundo civilizado no mea- levando o mundo a viver a cha- pesados fardos sociais, provo-
do do século XIX. mada Idade das Trevas. cando profundas diferenças que
Decepcionados com as amarras Mil e oitocentos anos depois, o resultaram na miséria moral e
descabidas, criadas pelos dogmas momento histórico suscitava preo- material.
estabelecidos pela religião oficial, cupações. Muitas eram as opiniões Passados cento e cinqüenta anos
filósofos e pensadores realizavam que surgiram apregoando a supre- desde a publicação da obra básica
uma revisão geral no pensamento macia da matéria. Por não com- do Espiritismo, o roteiro perma-
humano, influenciando cientistas, preenderem a essência da ação e nece oculto à grande maioria da-
políticos, artistas, e significativa do pensamento divinos, muitos in- queles que buscam explicações pa-
parcela da população. telectuais optavam por ignorar as ra a vida e para a ineficaz procura
Entretanto, a transformação opiniões que conduzissem à espi- pela felicidade terrena. Cabe a nós
que se operava, quase sempre, se ritualização da Humanidade. espíritas tornar amplamente co-
revestia do radicalismo dos que Independentemente dos bene- nhecido este Divino Roteiro, não
se frustraram com os efeitos de fícios que possam ter sido obtidos somente compartilhando as ver-
velhos paradigmas que se rompiam com os novos conceitos que re- dades ali contidas, mas, essencial-
tão tardiamente. volucionaram o pensamento de mente, vivenciando-as.
Lançamento de livros
em alemão e
Seminário na Suíça
O Conselho Espírita Interna- Durante o dia mão, com o com-
cional (CEI) promoveu, nos dias 16 realizou-se parecimento
15, 16 e 17 de fevereiro, evento seminário so- de setenta
desdobrado em algumas ativida- bre Ativida- companhei-
des na sede do Centro de Estu- des Doutri- ros da Suí-
dos Espíritas Allan Kardec, em nárias e Ad- ça, Alema-
Winterthur, Suíça, com apoio da ministrati- nha, Áus-
União Espírita Alemã e da União vas dos Cen- tria, Bélgi-
dos Centros de Estudos Espíritas tros Espíri- ca, França
na Suíça. tas, desenvol- e Luxembur-
Houve reunião da Comissão vido por Nes- go. Na opor-
Executiva do CEI, quando foram tor João Masotti, tunidade, o CEI
tratados assuntos e planos de Antonio Cesar lançou obras de
ação, como definições para o 6o Perri de Carvalho O secretário do CEI, faz a entrega sua edição em
Congresso Espírita Mundial que e Charles Kempf, do livro em alemão ao lado de idioma alemão:
Josef Jackulak, da Áustria
ocorrerá nos dias 9 a 14 de outu- tendo como pú- O Livro dos Espí-
bro de 2010, em Valencia, Es- blico-alvo os dirigentes e colabo- ritos (Das Buch der Geister) e Nosso
panha, tendo como tema central radores de instituições, especial- Lar (Nosso Lar. Eine spirituelle
“Somos Espíritos Imortais”. mente dos países de idioma ale- Heimat).
Cinqüentenário do
Lar Fabiano de Cristo
No dia 6 de janeiro deste ano comemorou-se o Cinqüentenário do Lar Fabiano
de Cristo. Orientada pela Espiritualidade desde a origem, a instituição tornou-se
referência em serviço social, sendo reconhecida pela UNESCO como órgão de
educação básica. Atende diariamente a mais de 50.000 pessoas e, através
de convênios de complementação, a mais de 30.000 irmãos carentes. Dentro dos
festejos de tão relevante efeméride, manifestaram-se os venerandos Espíritos
Cárita e Fabiano de Cristo, através das mensagens aqui reproduzidas
S
aí, para realizar a jornada templar as árvores frondosas e sen- envolvi o alucinado com os meus
habitual entre as criaturas tir o aroma das flores perfumadas. braços e arrastei-o comigo na di-
humanas. Repentinamente, fui sacudida reção das árvores protetoras.
A cidade encantadora banha- pelo vozerio de altercação, de gar- Ninguém me viu o gesto, nem
va-se na rutilante luz do Sol. galhadas e zombarias estridentes. ele mesmo. Na sua aflição, ele re-
Tudo era beleza e encantamento, Acorri, precípite, na direção da lutava, exasperado, desejando fi-
muito diferente de quando as som- balbúrdia, estacando de chofre an- car para o enfrentamento.
bras da noite a vestem de trevas. te o espetáculo deprimente. Mas eu lhe balbuciei aos ouvi-
Nessa ocasião noturna, os po- Jovens maltrapilhos molesta- dos, porque aquele era o meu mo-
rões da miséria vomitam os seus vam um homem atormentado pe- mento sublime:
residentes nas ruas e praças para a la alienação mental, esbordoan- – Venha comigo! Você estará
sobrevivência através da prática do do-o e ferindo-o, ao tempo em que em segurança.
crime e da hediondez, como algozes o agrediam também moralmente. Os perseguidores, saciados na
ou sofredores transformados em O infeliz gritava, tentava reagir, sua sanha covarde, deixaram-no,
vítimas das circunstâncias aziagas. perdendo para os agressores que sem o seguirem.
Diante da luz e da movimenta- eram mais numerosos. Sentei-o sob um formoso ipê
ção contínua dos transeuntes, no As pessoas seguiam o seu ru- roxo, arrebentando-se de flores,
vaivém das suas necessidades e mo, indiferentes, e algumas mur- enquanto ele, acalmando-se, to-
deveres, dos veículos apressados, muravam, coléricas: mou de uma delas que estava no
os réprobos das sombras pare- – Todo dia é assim, a mesma chão, examinou-a, e falou-lhe bai-
ciam calmos e quase não chama- coisa. Onde anda a polícia que xinho: – Também você parece ter
vam a atenção. não toma providências? apanhado bastante até ficar dessa
Alegre, encaminhei-me na dire- Outras afastavam-se, resmun- cor, não é verdade?...
ção de uma praça famosa, para con- gando pragas. ...E sorriu, na sua insânia.
P
or mais se busquem defini- A caridade ilumina a consciên- em todas as vidas.
ções exatas, serão sempre in- cia humana e o amor dá-lhe re- Amor e caridade são manifes-
suficientes para traduzir toda sistência para conduzir todos os tações perenes de Deus nas traje-
a grandeza da caridade e do amor. seres. tórias de todos os seres.
A caridade é constituída de es- A caridade aplaina os cami- Ama sempre, nunca olvidando a
sência divina, enquanto o amor é nhos por onde transitam os que caridade libertadora, que verte dos
a força que a mantém no sublime sofrem e deixa ao amor a tarefa de Céus em favor da Humanidade.
ministério a que se dedica. os resguardar do mal.
Antes do amor não existia a A caridade abraça o desespero Fabiano de Cristo
Criação, porque, exteriorizando- e o amor o acalma.
-se de Deus, gerou o Universo. Se não houvesse a caridade de (Página psicografada pelo médium Dival-
A caridade seguiu-lhe em pós, Jesus no mundo, o Seu amor não do Pereira Franco, na sessão mediúnica
trabalhando em favor da harmonia conseguiria sustentar a esperança da noite de 7 de janeiro de 2008, no
e do progresso, no rumo da perfei- de felicidade. Centro Espírita Caminho da Redenção,
ção relativa que será alcançada. A caridade diminui as distân- em Salvador, Bahia.)
Revista Espírita e
Sociedade Espírita de Paris
ORSON PETER CARRARA
E
m 1858, por iniciativa de uma felicidade não ter tido quem ....................................................
Allan Kardec – o Codifica- me fornecesse fundos, pois assim A Sociedade ficou, em conse-
dor do Espiritismo –, surgi- me conservara mais livre, ao pas- qüência, legalmente constituída
ram a Revista Espírita, tradicional so que outro interessado houve- e passamos a reunir-nos todas
publicação por ele dirigida até sua ra querido talvez impor-me suas as terças-feiras no comparti-
desencarnação em 1869 e ainda idéias e sua vontade e criar-me mento que ela alugara, no
em circulação em vários idiomas, embaraços. Sozinho, eu não tinha Palais Royal, galeria de Valois.
e a Sociedade Parisiense de Estu- que prestar contas a ninguém, Aí esteve um ano, de 1o de abril
dos Espíritas (SPEE), o primeiro embora, pelo que respeitava ao de 1858 a 1o de abril de 1859.
Centro Espírita do Planeta. trabalho, me fosse pesada a tarefa. Não tendo permanecido lá por
Foi em janeiro daquele ano, con- mais tempo, entrou a reunir-se
forme expressa o próprio Kardec Já a Sociedade Parisiense de Es- às sextas-feiras num dos salões
em nota publicada posteriormen- tudos Espíritas foi fundada em 1o de do restaurante Douix, no mes-
te em Obras Póstumas,1 Segunda abril de 1858. Também de Obras mo Palais Royal, galeria Mont-
parte, com o título “A Revista Es- Póstumas,1 com o título “Fundação pensier, de 1o de abril de 1859 a
pírita”, em anotação de 15 de no- da Sociedade Espírita de Paris”, 1o de abril de 1860, época em
vembro de 1857: com anotação na mesma data de 1o que se instalou num local seu, à
de abril, extraímos parcialmente: rua e passagem Sant’Ana, 59.
NOTA – Apressei-me a redigir
o primeiro número e fi-lo circular Havia cerca de seis meses, eu
a 1o de janeiro de 1858, sem haver realizava, em minha casa, à rua
dito nada a quem quer que fosse. dos Mártires, uma reunião com
Não tinha um único assinante e alguns adeptos, às terças-feiras.
nenhum fornecedor de fundos. A Srta. E. Dufaux era o médium
Publiquei-o correndo eu, exclusi- principal. Conquanto o local
vamente, todos os riscos e não tive não comportasse mais de 15 ou
de que me arrepender, porquanto 20 pessoas, até 30 lá se juntavam
o resultado ultrapassou a minha às vezes. Apresentavam grande
expectativa. A partir daquela data, interesse tais reuniões, pelo ca-
os números se sucederam sem in- ráter sério de que se revestiam e
terrupção e, como previa o Es- pelas questões que ali se trata-
pírito, esse jornal se tornou um vam. Lá não raro compareciam
poderoso auxiliar meu. Reconhe- príncipes estrangeiros e outras
ci mais tarde que fora para mim personagens de alta distinção. Galeria de Valois
Formada a princípio de ele- dificuldades internas, transformou- ricos conteúdos à disposição, po-
mentos pouco homogêneos e -se, assim como a Revue, num im- deremos encontrar muitos temas
de pessoas de boa vontade, que portante foco de experiências pa- para apuradas reflexões, tais co-
eram aceitas com facilidade um ra amadurecimento das idéias e mo se encontram na citada obra.
tanto excessiva, a Sociedade se no intercâmbio entre os espíritas. A genialidade do Codificador,
viu sujeita a muitas vicissitudes, As duas datas históricas incen- tão bem expressa no seu alto bom
que não foram dos menores tivam o estudo e o conhecimento senso e discernimento, sua clare-
percalços da minha tarefa. espírita, mas, sobretudo, o envolvi- za e lucidez, ao lado da manifesta
mento de todos nós, com mais com- bondade da alma, entusiasma pe-
As duas ocorrências, pois, com- prometimento e dedicação à divul- la grande capacidade de síntese e
pletam 150 anos em 2008. Motivo gação e à vivência do Espiritismo. intelecto perfeitamente ajustado
de júbilo para a família espírita Já que falamos uma vez mais em à íntegra moral, ofertando textos
mundial, pelo significado de am- júbilos de sesquicentenário2, utili- que encantam pela profundidade
bas. A Revista Espírita das argumentações.
constitui extraordiná- Alegremo-nos, portanto, por
ria publicação que o ser contemporâneos
Codificador transfor- dessa expressiva efemé-
mou num verdadeiro ride do Sesquicente-
laboratório, em que nário, agora em 2008,
seus relatos e experiên- das expressivas ocor-
cias têm muito a ensi- rências da fundação
nar. Publicada sob sua da Revista Espírita e da
responsabilidade dire- Sociedade Parisiense
ta até sua desencarna- de Estudos Espíritas,
ção, e ainda em circu- num autoconvite para
lação, a Revue é des- continuarmos estudan-
conhecida da maioria do e nos esforçando in-
dos espíritas, que não tensamente pelo pro-
Galeria Montpensier
imaginam o tesouro gresso individual, ta-
que se encontra à disposição para refa prioritária da pre-
seus estudos e reflexões. Trata-se de Passagem Sainte-Anne, 59 sença do Espiritismo na
uma coleção (de 1858 a 1869) pa- Terra.
ra permanentes pesquisas, a qual foi zando trechos de Obras Póstumas,
publicada no Brasil, primeiramen- acima transcritos, importante que Referências:
te, pela Edicel, depois pelo Instituto voltemos nossa atenção aos esfor- 1Vale recordar que o livro Obras póstu-
de Divulgação Espírita (IDE), Ara- ços do Codificador. Suas impor- mas reúne estudos e anotações de Allan
ras (SP), e recentemente a Federa- tantes e sempre oportunas conside- Kardec e foi publicado em 1890, portan-
ção Espírita Brasileira (FEB) a pu- rações e argumentos, tão fartamen- to, após sua desencarnação, em 1869.
blicou em primorosa encaderna- te encontrados na Codificação, sur- 2Em 2007 foram comemorados os 150 anos
ção, traduzida por Evandro Noleto gem também em Obras Póstumas, de publicação de O livro dos espíritos.
Bezerra. com detalhes impressionantes de Nota do autor: As transcrições foram ex-
A Sociedade Parisiense de Es- suas lutas, nas anotações pessoais, traídas do CD-ROM – A Codificação – Os
tudos Espíritas, o primeiro núcleo deixadas para a posteridade. E nós, Livros Básicos da Doutrina Espírita, edi-
espírita do Planeta, alvo de lutas e os espíritas da atualidade, com tão ção da Federação Espírita Brasileira.
A
prestigiosa Associação In- diversas nações, promovendo am- A dor física produz sensações;
ternacional para o Estudo pla discussão sobre o assunto pelo o sofrimento moral produz
da Dor (International Asso- envolvimento de cientistas, médi- sentimentos. [...]
ciation for the Study of Pain-IASP), cos, psicólogos, odontólogos, en- O prazer e a dor estão, pois,
localizada em Seattle-WA, nos Es- fermeiras, fisioterapeutas, farma- muito menos nas coisas exter-
tados Unidos, um dos mais impor- cêuticos, professores, pesquisado- nas do que em nós mesmos; in-
tantes fóruns do Planeta especiali- res, estudantes e outros profissio- cumbe, pois, a cada um de nós,
zado em ciência, prática médica e nais da saúde. O evento mais regulando suas sensações, disci-
educação no campo da dor, defi- aguardado é o Congresso Mun- plinando seus sentimentos, do-
niu 2008 como o “Ano Mundial dial sobre a Dor (12th World Con- minar umas e outras e limitar-
contra as Dores em Mulheres”. gress on Pain), a ser realizado en- -lhes os efeitos.5
Trata-se de uma campanha que tre 17 e 22 de agosto na cidade de
tem como finalidade analisar o Glasgow, Escócia.2 As principais manifestações da
considerável impacto das dores Dor física, segundo definição dor física são: a) neuropática – ca-
crônicas nas mulheres e definir da IASP, é uma “[...] experiência racterizada por alguma anomalia
tratamentos e condutas clínicas sensitiva e emocional associada a nas vias nervosas; b) pós-operató-
mais eficazes. A Campanha tem ra- uma lesão real ou potencial nos ria – dor intermitente, que se agra-
zão de ser, informa Troels S. Jen- tecidos. Assim, a dor inclui não va com a movimentação do doen-
sen, médico e atual presidente da só a percepção de um estímulo te; c) cancerígena – presente nos
IASP, professor de pesquisa clínica desconfortável, mas também a cânceres, porém variável conforme
e experimental sobre a dor, da Uni- resposta àquela percepção”.3 Para a intensidade e o tipo do tumor;
versidade de Aarhus, em Aarhus, Léon Denis “a dor é uma lei de d) psicogênica – relacionada a de-
Dinamarca: “As dores crônicas afe- equilíbrio e educação”.4 Esclarece sarmonias psicológicas nas quais
tam uma proporção maior de também: não se identifica lesão física corres-
mulheres que de homens, mas in- pondente. Denis acrescenta que,
felizmente elas têm menos proba- A dor e o prazer são duas for- independentemente do tipo ou da
bilidade de receber tratamento em mas extremas da sensação. Pa- intensidade de manifestação da dor
comparação com os homens”.1 ra suprimir uma ou outra se- física, ela sempre indica “[...] um
A IASP desenvolverá intensa ria preciso suprimir a sensibi- aviso da Natureza, que procura
programação ao longo do ano em lidade. [...] preservar-nos dos excessos. [...]”6
Sem intenção de fazer apologia sa e efeito, embora nem todo so- A experiência espírita não ig-
da dor e mesmo não desconhecen- frimento esteja relacionado a atos nora tal assertiva. A situação se re-
do a existência de conteúdos dou- cometidos em existências pretéri- pete entre pessoas portadoras de
trinários que extrapolam o sig- tas. Pode ser conseqüência de profundas dores ou sofrimentos,
nificado espírita, percebe-se que o ações praticadas na atual existên- produzidos por enfermidades ex-
processo educativo do sofrimento cia, conforme esta esclarecida in- piatórias, que buscam auxílio na
funciona como agente estimulador formação de Kardec: Casa Espírita. Nos contatos ini-
do progresso espiritual, uma vez ciais, elas se revelam profunda-
que – analisa Kardec – se “[...] toda Quantos homens caem por sua mente infelizes, sofridas, amargu-
imperfeição é fonte de sofrimento, própria culpa! Quantos são ví- radas, desesperançadas. Com o
o Espírito deve sofrer não somente timas de sua imprevidência, de passar do tempo, se o enfermo
pelo mal que fez como pelo bem seu orgulho e de sua ambição? persiste em seguir as prescrições
que deixou de fazer na vida terres- Quantos se arruínam por falta
tre”.7 À luz do entendimento espírita, de ordem, de perseverança, pelo
Emmanuel fecha a questão ao apre- mau proceder, ou por não terem
sentar a explicação que se segue. sabido limitar seus desejos! 9
médicas e as orientações espíritas, Mesmo que a doença não seja nem dor, porque já as primeiras
o quadro geral da doença modifi- debelada, ainda que surjam dias coisas são passadas”, ensina o após-
ca-se, em razão da renovação men- amargos, exigindo dose extra de sa- tolo João. (Apocalipse, 21:4.)
tal, emocional e espiritual ocorri- crifício, tais companheiros não se
da, como também devida à atua- entregam.“Arrastam-se” até o Cen- Referências:
1
ção misericordiosa dos benfeito- tro Espírita para receber os ele- INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR THE
res espirituais, importa destacar. mentos renovadores da fé e da es- STUDY OF PAIN (IASP). Declares the Glo-
A compreensão espírita das perança, momentaneamente abala- bal Year Against Pain in Women.
causas e dos mecanismos da dor dos. Mantêm-se sintonizados com htth://[Link]/arti-
representa oportunidade de rea- os planos vibratórios superiores, cles/[Link]
2
justamento do necessitado peran- pelos fios invisíveis da prece, de 12TH WORLD CONGRESS ON PAIN.
te a Lei de Deus. O aproveitamen- onde recebem o acréscimo de co- [Link]
to das lições oferecidas pela dor ragem necessário para prossegui- cfm? Section=Home
3
modifica-lhe a maneira de pensar, rem na sua luta provacional. DAVIS, F. A Dicionário médico enciclopé-
falar e agir, fazendo com que se Concluída a existência física, dico taber. Tradução de Fernando Gomes
torne pessoa mais reflexiva, calma são recebidos como vencedores no do Nascimento. 1. ed. brasileira (17. ame-
e paciente. Aprende a suportar o além-túmulo. Os seus exemplos ricana). São Paulo: Manole, 2000. p. 529.
4
sofrimento, age com certo grau de serão apontados como a referên- DENIS, Léon. O problema do ser, do des-
estoicismo. Passa, então, a ser cia de indivíduos que souberam tino e da dor. Rio de Janeiro: FEB, 2007.
guiada por uma força moral, que redimensionar a caminhada evo- Terceira parte, cap. XXVI, p. 520.
5
desconhecia possuir, própria dos lutiva, pela dor. A partir daí, o pro- Idem, ibidem. p. 520-521.
6
que revelam predominância do gresso continuará incessante para Idem, ibidem. p. 527.
Espírito sobre a matéria. eles. A recompensa pelos seus es- 7 KARDEC, Allan. O céu e o inferno. 60. ed.
forços não tarda a chegar, pois Rio de Janeiro: FEB, 2007. Primeira parte,
“[...] Deus limpará de seus olhos cap. VI, item Código penal da vida futura,
o
toda lágrima, e não haverá mais 6 código.
8
morte, nem pranto, nem clamor, XAVIER, Francisco Cândido. O consola-
dor. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. Rio
de Janeiro: FEB, 2007. Questão 239.
9
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o
espiritismo. 127. ed. Rio de Janeiro: FEB,
2007. Cap. V, item 4.
Cristianismo Redivivo
História da Era Apostólica
A fé transporta montanhas
“Acredita-me, mulher, vem a hora em que nem nesta montanha nem em Jerusalém
adorareis o Pai [...] Mas vem a hora – e é agora – em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade.” 1
A
passagem acima citada diz A fé transporta montanhas. trabalhos ingentes, inúmeros sa-
respeito ao encontro da Mudando o enfoque, urge re- crifícios e lutas acerbas, decorren-
mulher de Samaria com conhecer que a edificação do tes do esforço de superação das
Jesus. A samaritana indaga quan- “Reino de Deus” representa ver- nossas deficiências íntimas.
to ao verdadeiro local de adoração Desse modo, com o propósito
a Deus, se no monte Gerazim (Sa- de debelar o pessimismo, o de-
maria) ou, ao contrário, no mon- sânimo, a incerteza, a hesitação,
te Sião (Jerusalém). O Mestre Jesus nos ensina que: “[...] se
lhe responde, todavia, que tiverdes fé como um grão
os verdadeiros adoradores de mostarda, direis a esta
adoram a Deus em espí- montanha: transporta-te
rito e verdade, não em daqui para lá, e ela se
pontos geográficos fixos. transportará, e nada vos
Com o Cristo, trans- será impossível”.2
portam-se as montanhas A fé “é força que nas-
sagradas, da tradição bí- ce com a própria alma,
blica, para o interior da certeza instintiva na Sa-
alma. Assim, haverá um bedoria de Deus que é a
santuário espiritual erguido sabedoria da própria vida
ao Criador em todos os lugares [...]”,3 não obstante as adversi-
da Terra onde estiver presente um dades de cada dia. Consoante o
espírito sincero e fervoroso, visto ensino de Emmanuel:
que a adoração terá lugar portas
Jesus e a mulher samaritana
adentro do coração. 2
Idem, ibidem. Mateus, 17: 20, p. 1735.
dadeira obra divina a desdobrar- 3
XAVIER, Francisco C. Pensamento e
1
Bíblia de Jerusalém. 3. ed. São Paulo: -se, também, no coração dos se- vida. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio
PAULUS, 2004. João, 4: 21-24, p. 1851. res. No entanto, não raro, exige de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 6, p. 32.
Ter fé é guardar no coração a parte dos homens, ainda quan- de certeza, mas também o senti-
luminosa certeza em Deus, cer- do se trate das melhores coi- do de “ser fiel” (2 Crônicas 19:9).
teza que ultrapassou o âmbito sas. Os preconceitos da rotina, Por sua vez, no Novo Testa-
da crença religiosa, fazendo o o interesse material, o egoís- mento, utiliza-se o vocábulo “fé”
coração repousar numa energia mo, a cegueira do fanatismo para traduzir a expressão grega7
constante de realização divina e as paixões orgulhosas são “pistis” (fé, confiança depositada
da personalidade. outras tantas montanhas que nas pessoas ou nos deuses), e es-
Conseguir a fé é alcançar a pos- barram o caminho a quem pecialmente seu derivado “to
sibilidade de não mais dizer: trabalha pelo progresso da piston” (confiabilidade ou fideli-
“eu creio”, mas afirmar: “eu Humanidade.[...]5 dade daqueles que se obrigam
sei”, com todos os valores da por um contrato).
razão tocados pela luz do sen- A fé transporta montanhas. Nesse ponto, Humberto de
timento. Essa fé não pode es- Noutro giro, consultando o di- Campos vem em nosso socorro,
tagnar em nenhuma circuns- cionário constata-se que o vocá- reproduzindo belíssimo diálogo
tância da vida e sabe trabalhar bulo “fé” cobre um amplo espec- de Jesus com os discípulos:
sempre, intensificando a am- tro de significados, tais como:
plitude de sua iluminação, pe- “[...] confiança absoluta (em al- – Na causa de Deus, a fidelidade
la dor ou pela responsabilida- guém ou algo); [...] crédito, [cre- deve ser uma das primeiras vir-
de, pelo esforço e pelo dever dibilidade] (um homem digno tudes. Onde o filho e o pai que
cumprido. de fé); [...] asseveração, afirma- não desejam estabelecer, como
Traduzindo a certeza na assis- ção, comprovação de algum fato; ideal de união, a confiança in-
tência de Deus, ela exprime a [...] compromisso assumido de tegral e recíproca? Nós não po-
confiança que sabe enfrentar ser fiel à palavra dada, de cum- demos duvidar da fidelidade
todas as lutas e problemas, com prir exatamente o que se prome- do nosso Pai para conosco. Sua
a luz divina no coração, e sig- teu”.6 (Destaque do autor.) dedicação nos cerca os espíri-
nifica a humildade redentora A palavra “fé” é utilizada para tos, desde o primeiro dia. Ain-
que edifica no íntimo do espí- traduzir, na Bíblia hebraica (Ve- da não o conhecíamos e já Ele
rito a disposição sincera do dis- lho Testamento), o radical “aman” nos amava. E, acaso, podere-
cípulo, relativamente ao “fa- (confirmar, sustentar; estabele- mos desdenhar a possibilidade
ça-se no escravo a vontade do cer-se; ser fiel; estar certo, crer de retribuição? Não seria repu-
Senhor”.4 em), bem como os seus deriva- diarmos o título de filhos amo-
dos, em especial, os termos rosos, o fato de nos deixarmos
Sensível aos desafios que o pro- “omen” (verdade, fidelidade) e absorver no afastamento, favo-
gresso espiritual apresenta, Allan “emuna” (firmeza, fidelidade). recendo a negação?
Kardec asseverou: Vê-se que, no âmago dos sig- ...................................................
nificados dessa raiz, está a idéia [...] É certo que as forças destrui-
[...] As montanhas que a fé doras reclamarão a indiferença
desloca são as dificuldades, as e a submissão do filho de Deus;
5
resistências, a má vontade, em KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o
suma, com que se depara da Espiritismo. 127. ed. Rio de Janeiro: FEB, 7
Todos os manuscritos do Novo Testa-
2007. Cap. XIX, item 2.
mento, encontrados e catalogados até o
6
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de presente momento, estão redigidos na
4
XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Salles; FRANCO, Francisco M. M. Dicio- língua grega, excetuando-se os manuscri-
Espírito Emmanuel. 27. ed. Rio de Janeiro: nário Houaiss da língua portuguesa. 2. ed. tos referentes às diversas traduções desse
FEB, 2007. Questão 354. Rio de Janeiro: OBJETIVA, 2007. p. 1317. mesmo texto.
fusão os parasitos da Terra; ca- Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou
vará pacientemente, buscando as destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas aden-
entranhas do solo, para que sur- tro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência mo-
ja uma gota d’água onde quei- ral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um co-
me um deserto. Do íntimo desse ração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de he-
trabalhador brotará sempre um roísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, paten-
cântico de alegria, porque Deus teando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da per-
o ama e segue com atenção.8 quirição ou dos requisitos do progresso.
Munidos de fé sincera estare- A Ciência investiga.
mos em condições de atravessar A Religião crê.
esses difíceis momentos de transi- Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, in-
ção do orbe terrestre, bem como compatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoá-
triunfar nas provas e expiações, vel que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconci-
rumo à iluminação espiritual. liáveis com as suas exigências do raciocínio.
É preciso procurar “[...] as
águas vivas da prece para lenir o Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os
coração, mas não nos esqueçamos assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre
de acionar os nossos sentimentos, ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.
raciocínios e braços, no progresso
e aperfeiçoamento de nós mes-
mos, de todos e de tudo, compre- Auxiliemo-nos mutuamente.
Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para
endendo que Jesus reclama obrei-
falar com acerto.
ros diligentes para a edificação de
seu Reino em toda a Terra”.9
A fé transporta montanhas. Diz o Apóstolo Paulo: “Acolhei o que é débil na fé, não, porém,
para discutir opiniões”. É que para chegar à cultura, filha do tra-
balho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar,
8
XAVIER, Francisco C. Boa nova. Pelo examinar, experimentar e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha
Espírito Humberto de Campos. 3. ed. da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.
especial. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 6,
p. 49-50 e 53-54. Emmanuel
9
XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Fonte: XAVIER, Francisco C. Ceifa de luz. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.
Espírito Emmanuel. 36. ed. Rio de Janeiro: Cap. 38.
FEB, 2007. Cap. 69, p. 180-181.
A FEB e o Esperanto
Jubileu centenário da
Associação Universal
de Esperanto
A F F O N S O S OA R E S
A
maior entidade internacional do Movimen- dutor e orientador. Vaidades, personalismo, interes-
to Esperantista completa 100 anos de exis- ses menores, entre outros, se alinhavam entre os mo-
tência em 28 deste mês, e seus membros, in- tivos dos fracassos iniciais que, ao mesmo tempo, evi-
dividuais e coletivos, disseminados por 117 países, denciavam os verdadeiros fundamentos sobre os quais
comemoram dignamente o evento, bastante signifi- se levantaria a desejada organização dos esperantistas.
cativo, quando se trata da sustentação de um ideal Coube a um jovem suíço de apenas 21 anos a glo-
grandioso, destinado à confraternização dos povos, riosa missão de imprimir rumo definitivo aos desti-
portanto sujeito às vicissitudes que se erguem em nos do esperantismo mundial. Chamava-se Hector
nosso mundo contra o verdadeiro progresso, sobre- Hodler (1887-1920) e era filho do renomado pintor
tudo o progresso moral. Ferdinand Hodler (1853-1918).
Desde o surgimento Fortemente impressionado com os conflitos nos
do esperanto, em ju- quais o Movimento se debatia, Hodler iniciou, em
lho de 1887, até 1908, 1907, fecundo esforço de aglutinação de forças e, em
resultaram infrutífe- meio a uma das mais graves crises vividas pelos es-
ras as iniciativas de perantistas, convoca a todos para uma efetiva, concre-
organização do Mo- ta representação, através do periódico Esperanto, fun-
vimento nascente. dado em 1905 por Paul Berthelot (1881-1910) e tor-
Nem mesmo a sábia nado por Hodler, em 1908, órgão oficial da Associa-
e competente influên- ção Universal de Esperanto. Mais de 100 grupos
cia do criador da lín- aderem ao novo e democrático sistema por ele idea-
gua, Lázaro Luís Zame- lizado, cujo principal objetivo era repelir as dispu-
nhof (1859-1917), foi tas meramente teóricas em torno da língua e usá-la
suficiente para afastar as praticamente a serviço dos elevados ideais a que ela
causas de resistência dos se propunha. Numa palavra, de acordo com Edmond
adeptos às tentativas de con- Privat (1889-1962), em sua excelente obra Historio
gregar a família esperantista de la Lingvo Esperanto (1900-1927) – O Movimento,
em torno de um núcleo con- lançada na Alemanha, em 1927, por Hirt & Sohn:
“[...] ela [a Universala Esperanto-Asocio (UEA)] re-
Hector Hodler
presentará os que usam o Esperanto, não para dis-
Os outros
em
C A R LO S A B R A N C H E S
mim
A
s ações básicas de minha dos. Se o esquecimento das vivên- da”, deixo-me dominar por idéias
vida não são apenas resul- cias anteriores é necessário para de menos valia: de que por não ser
tado de atitudes instinti- reiniciar uma nova jornada, então tudo que esperava alcançar, na
vas e originais. Elas foram progra- vou dar o devido peso ao que me verdade não sou nada.
madas bem cedo, desde quando acontece nesta encarnação, sem fi- Minhas palestras deixam de ter
ouvi sugestões dos outros e como car buscando a toda hora explica- o brilho que algumas pessoas per-
as interpretei. ções no passado para o que me cebem, porque, por não me achar
É evidente que os impulsos do ocorre agora. Se tiver de recorrer a integralmente equilibrado e evo-
passado também agem no conjun- experiências anteriores a esta vida, luído, deixo transparecer minha
to geral de minhas manifestações propiciadas pelo conhecimento da condição de “impostor”, sem qua-
nesta vida, mas estou falando aqui Doutrina Espírita, o farei somente lidades morais para querer falar
de uma nova etapa de aprendiza- se for muito necessário. de virtudes que não possuo.
Assim, perco contato com o cin-
za que há entre o branco e o preto,
Se sou perfeccionista em exces- com o processo que caracteriza
so, por alguma pressão vinda de tudo o que evolui na vida, sobre-
figuras significativas como pais tudo deixo de reconhecer as infin-
ou educadores, posso me cobrar dáveis faixas de evolução dos seres
exageradamente, fazendo com humanos. Torno-me reprimido e
que a felicidade fique mais difícil repressor, absorvido pelos extre-
de ocorrer em minha vida. mos, sem considerar o tanto de
Se me comparo demais aos sombra e luz que ainda me habi-
outros, corro o risco de dei- tam e de agir com mais bom sen-
xar que surjam sentimen- so, pesando com auto-respeito a
tos de inferioridade. Aí relatividade das coisas.
fica mais difícil gostar
de alguma coisa quan-
do não gosto de mim. Se empurro para a frente a neces-
Caso permita que sidade de me autoconhecer, apenas
me ocorram pensa- transfiro a investigação do quanto
mentos típicos de as figuras importantes de minha
quem age com ba- história continuam influenciando
se no “tudo ou na- minha vida. Mesmo que já tenham
Identidade revelada
após 150 anos
O general X..., que obteve a autorização para o
funcionamento legal da Sociedade Espírita de Paris
No ano do Sesquicentenário da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, descobrimos
na Revista Espírita a identidade do célebre general X...
E N R I Q U E E L I S E O B A L D OV I N O
E
studando as páginas histó- interessante e reveladora informa- na Guerra da Itália), e que o Codi-
ricas da Revista Espírita, ção inserida nas questões 4 e 5, en- ficador já conhecia de nome, por-
brilhante manancial doutri- tre as quais existe uma valiosa No- que esse oficial superior (o general
nário que acaba de cumprir seu ta de Allan Kardec (observação) X...) muito havia contribuído pa-
Sesquicentenário de lançamento, que identifica claramente o Espíri- ra ser obtida, em tempo recorde,
detivemo-nos atentamente no mês to comunicante (o mesmo aconte- a autorização legal, imprescindível
de julho do ano 1859, cujas con- ce na questão 13), identificação para o funcionamento e formação
clusões informamos nesta matéria que é a de um oficial superior fale- da Société Parisienne des Études
comemorativa.1 cido em combate na batalha de Spirites (SPEE), a qual foi conse-
Nesse artigo encontramos uma Magenta (em 4 de junho de 1859, guida em 13 de abril de 1858.2
Como também estamos no Observação – O oficial em ques- 13. Vós vos reconhecestes ime-
ano do Sesquicentenário da fun- tão tinha realmente auxiliado a diatamente no momento da
dação da SPEE, este estudo é, ain- Sociedade para a obtenção do morte?
da, uma pálida homenagem ao seu registro de funcionamento. Resp. – Quase que imediata-
incansável trabalho doutrinário 5. Sob que ponto de vista con- mente, graças às vagas noções
que Kardec teve ao dirigir com sideráveis a nossa Sociedade que possuía do Espiritismo.
mestria e perseverança o pri- quando concorrestes para a sua ....................................................
meiro Centro Espírita do mundo. formação? Observação – O conhecimento
Então, citemos, a seguir, algumas Resp. – Eu não estava ainda in- do Espiritismo auxilia o des-
questões ou partes da referida teiramente decidido, mas me prendimento da alma após a
Revue Spirite,3 na qual está regis- morte; assim, concebe-se que
trado o primeiro dos diálogos abrevie o período de perturba-
entabulados (são duas entrevis- ção que acompanha a separa-
tas) entre Kardec e a personagem ção; o Espírito conhecia anteci-
mencionada, que é objeto da nos- padamente o mundo em que ora
sa pesquisa. A data da evocação é se encontra.
10/6/1859, somente seis dias após ....................................................
a desencarnação (4/6/1859) do 15. Assististes à entrada de nos-
general X..., no terrível combate sas tropas em Milão?
de Magenta (cidade da Resp. – Sim, e com ale-
província de Milão, hoje gria. Fiquei encantado
pertencente à Itália). pela ovação com que
nossas armas foram
Um oficial acolhidas, a princípio
superior morto por patriotismo; de-
em Magenta pois, pelo futuro que
as aguarda.
(Sociedade, 10 de ..................................
junho de 1859) 20. Voltaríeis de bom
grado se vos pedísse-
1. Evocação. mos?
Resp. – Eis-me aqui. Resp. – Estou à vossa dispo-
2. Poderíeis dizer-nos como sição e prometo vir, mesmo
atendestes tão prontamen- sem ser chamado. A simpa-
te ao nosso apelo? tia que eu nutria por vós não
Resp. – Eu estava prevenido O general X... (Charles-Marie-Esprit Espinasse), fez senão aumentar. Adeus.
do vosso desejo. que obteve a autorização imprescindível para
3. Por quem fostes preve- o funcionamento legal da Sociedade de Paris O general X...
nido?
Resp. – Por um emissário de inclinava muito a crer; não fos- Vejamos agora o que o próprio
Luís. sem os acontecimentos que so- Codificador Allan Kardec nos fala,
4. Tínheis conhecimento da brevieram, por certo teria ido em Obras Póstumas,4 sobre a im-
existência de nossa Sociedade? instruir-me no vosso círculo. portantíssima autorização legal
Resp. – Vós o sabeis. .................................................... para o funcionamento e forma-
2
nome X..., por motivos óbvios Idem, ibidem. Ano I. Maio de 1858. 4.
e porque ademais o estatuto da ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. “Socie-
Sociedade de Paris impedia que dade Parisiense de Estudos Espíritas –
o
a atividade política partidária Fundada em Paris no dia 1 de abril
fizesse parte da mesma, por ser de 1858”, p. 233-234.
3
uma Sociedade de caráter apo- Idem, ibidem. Ano II. Julho de 1859.
lítico. Hoje, esta nova informa- 3. ed. “Um oficial superior morto em
ção sobre a identificação nomi- Magenta”, p. 283-287.
4
nal do general X... tem unica- ______. Obras póstumas. 40. ed. Rio
mente caráter de registro histó- de Janeiro: FEB, 2007. Segunda parte,
rico, com o objetivo de que co- “A minha primeira iniciação no Espiri-
nheçamos as personalidades tismo”, item Fundação da Sociedade
que fizeram parte dos anais do Espírita de Paris, p. 327.
5
Espiritismo. FEP. Círculo Parisiense de Estudos
Finalmente, tenhamos em Espíritas. Mundo espírita. Curitiba, PR,
conta, para compreender ano LXXIII, set./2005, p. 6-7. Arti-
melhor o contexto histó- Placa-homenagem ao general francês Espinasse, go de Enrique Eliseo Baldovino,
por parte da província de Milão (1859), em
rico, político e social da junto com o contexto histórico
gratidão à sua coragem e heroísmo, demonstrados
Guerra da Itália (1859), com a entrega da própria vida na batalha
extraído das Notas del Traductor y
o
da qual a França partici- vitoriosa de Magenta (Foto: Lettini.) de la USFF, n 150, sobre lei de
pou ativamente e, por con- segurança geral, da Revista espí-
seguinte, o general X..., que em mo os Espíritos anunciaram com rita: periódico de estudios psicológicos, ano
Obras Póstumas (Segunda parte, antecipação de três anos. 1858, de Allan Kardec, traduzida do francês
“Acontecimentos”, 7 de maio de ao espanhol por Enrique E. Baldovino. Bra-
1856, em casa do Sr. Roustan; mé- Referências: sília: CEI, 2005. p. XLIII-XLIV.
1 6
dium: Srta. Japhet) há uma clara KARDEC, Allan. Revista espírita: jornal CRONOLOGIA DOS MINISTROS DA FRAN-
referência a este grave conflito, de estudos psicológicos. Ano II. Julho de ÇA. Charles-Marie-Esprit Espinasse. Atlas
mensagem histórica em que os 1859. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Words, Itália, 1999-2008. Disponível em:
Espíritos já prediziam ao Codifi- “Um oficial superior morto em Magenta”, p. h t t p : / / w w w . a t l a s w o r d s . c o m / F R A N -
cador que a primeira centelha da 283-287. Artigo em seqüência: RE, set./1859: CIA%[Link] (acesso em 2 de janeiro de
guerra partiria da Itália, confla- “Conversas familiares de Além-Túmulo – 2008), junto com as pesquisas históricas
gração que tomaria grandes pro- Um oficial do exército da Itália (Segunda extraídas das Notas do Tradutor 116 e 129
porções, abrangendo a Terra. E entrevista – Sociedade, 1º de julho de 1859. (Guerra da Itália) da Revista espírita, ano
exatamente assim aconteceu, co- [Vide o número de julho] )”, p. 362-364. 1859, a ser publicada.
Seara Espírita
Amazonas: Curso para trabalhadores ma foi desenvolvido por Luc Moussu, Charles
Nos meses de janeiro e fevereiro, a Federação Espí- Kempf, Michel Buffet, Mickaël Ponsardin, Francis
rita Amazonense ofereceu cursos de aperfeiçoamen- Delattre e Antonio Cesar Perri de Carvalho, este últi-
to a Evangelizadores e Dirigentes Espíritas. No perío- mo do Brasil, atendendo aos temas: Doutrina e Mo-
do de 19 a 26 de janeiro, promoveu o Curso de Pre- vimento, União e Unificação; Objetivos e Atividades
paração para Evangelizadores de Infância e Juventu- dos Grupos e Centros Espíritas; Os Primeiros Passos
de em sua sede, com a presença de 30 participantes. para um Grupo Espírita, entre outros. Houve, tam-
No dia 22 de fevereiro, iniciou o curso de Capacita- bém, uma reunião plenária para discussão dos temas
ção Administrativa para Dirigentes Espíritas, com e delineamento de outra programação.
aulas presenciais e duração até o mês de novembro.
Informações: feamazonas@[Link], ou pelo Brasília: O dom da mediunidade
site: [Link] A Comunhão Espírita de Brasília e a Associação Mé-
dico-Espírita do Distrito Federal (AME-DF) promo-
Franca (SP): Encontro de Unificação veram na sede da Comunhão, no dia 15 de março, o
No dia 30 de março, o Movimento Espírita de Franca seminário “O dom da mediunidade”, seguido de pa-
e Região viveu um domingo especial. A cidade se- lestra sobre o tema “Construindo a Espiritualidade
diou o 3o Encontro Fraterno de Unificação, promo- na saúde do século XXI”, ambos desenvolvidos por
vido pela União das Sociedades Espíritas do Estado Marlene Rossi Severino Nobre. O evento comemo-
de São Paulo (USE). O Encontro teve como finalida- rou o primeiro ano de funcionamento da AME-DF.
de proporcionar um ambiente de troca de experiên-
cias doutrinárias, conhecimento das realidades e Rio de Janeiro: Semana sobre a paz
abraços fraternos. Durante o evento, desenvolveu-se O 34o Conselho Espírita Unificado, órgão do Con-
intensa programação; alguns temas foram tratados, selho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ),
como o opúsculo Orientação ao Centro Espírita; “A da região de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios,
adequação da USE Regional, para o melhor atendi- promoveu a 21a Semana Espírita, com o tema “A paz
mento de suas finalidades”; e a revitalização da – o grande desafio dos dias atuais”, de 24 a 30 de
Campanha “O Evangelho no Lar e no Coração”. O março. Foram abordados assuntos tais como educa-
Encontro Fraterno de Unificação foi uma oportuni- ção, paz interior, aborto, violência, drogas.
dade para os espíritas de Franca e Região conhecerem
as diretrizes de trabalho para o Movimento Espírita CEI: Salão do Livro de Paris
Estadual, Nacional e Internacional. O Conselho Espírita Internacional (CEI) participou
com um estande do Salão do Livro de Paris, de 14 a
França: Seminário sobre Movimento 19 de março, em Porte de Versailles, expondo 16
Espírita livros de sua edição em francês, como O Livro dos
Nos arredores de Lyon, em Denicé (França), ocorreu Espíritos, Allan Kardec – O Educador e o Codificador,
o seminário sobre “Formação de Responsáveis e Fu- e obras psicográficas de Francisco Cândido Xavier,
turos Responsáveis do Movimento Espírita”, promo- de autoria dos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Na
vido pelo Conselho Espírita Francês, nos dias 23 e 24 oportunidade foi lançada a mais recente edição em
de fevereiro. Compareceram quarenta dirigentes pro- francês do CEI, Je te Pardonne! (Perdôo-te), de Ama-
venientes de 14 grupos e centros espíritas franceses; lia Domingo Soler. Informações: [Link],
da União Espírita Belga e de Luxemburgo. O progra- ou pelo e-mail: spiritist@[Link]