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MÓDULO 6.1: COMPORTAMENTO ALIMENTAR
Prof. Me. João Roberto Lopes de Azevedo
Psicólogo CRP 06/175115
Especialista em Comportamento Alimentar pelo Instituto de Pesquisas, Ensino e Gestão em
Saúde (iPGS)
Mestre e doutorando em Psicobiologia pela Universidade de São Paulo (USP)
INTRODUÇÃO
A qualidade de nossa alimentação é essencial para um funcionamento
saudável do sistema nervoso. Uma alimentação balanceada, rica em nutrientes
essenciais como ácidos graxos, antioxidantes e vitaminas, não só apoia o
bem-estar físico, mas também exerce um impacto profundo no sistema
nervoso, contribuindo para a melhoria da memória, da concentração e na
redução do declínio cognitivo (Lewis et al., 2021).
Porém, dados alarmantes mostram que 27,6% da população brasileira
enfrenta insegurança alimentar, sem acesso adequado e contínuo a uma
nutrição adequada (IBGE, 2023). Esse cenário reflete a importância de promover
uma alimentação nutritiva como uma estratégia-chave para otimizar o
desempenho cognitivo, evidenciando a forte conexão entre saúde física e
mental para o bem-estar geral. Com isso, neste módulo, exploraremos a
neurobiologia do comportamento alimentar, o papel de uma nutrição
adequada no desempenho cognitivo e formas práticas de adotar uma
alimentação saudável e equilibrada.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
● Compreender as bases neurobiológicas do comportamento alimentar;
● Relacionar o Sistema Nervoso Entérico e sua associação enquanto
“segundo cérebro”;
● Listar razões biopsicossociais das escolhas alimentares;
● Identificar os principais nutrientes que afetam o desempenho cognitivo e
a saúde mental;
● Reconhecer o papel da microbiota e da alimentação para a aprendizagem
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e saúde mental;
● Utilizar estratégias práticas para uma alimentação adequada.
1 BASES BIOLÓGICAS DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR
Compreender as bases biológicas do comportamento alimentar é
fundamental para identificar os mecanismos que regulam quando, o que e
quanto comemos. Ao longo deste capítulo, exploraremos detalhadamente as
estruturas do sistema nervoso envolvidas no comportamento alimentar, os
neurônios e neurotransmissores, a regulação a curto e longo prazo, abordando a
questão central de "por que comemos o que comemos".
1.1 Estruturas do Sistema Nervoso relacionadas ao Comportamento
Alimentar
O hipotálamo é uma estrutura do encéfalo que desempenha um papel
fundamental na regulação do comportamento alimentar. Essa estrutura integra
sinais hormonais e neurais que informam o estado energético do corpo,
contribuindo para a regulação da ingestão de alimentos e da homeostase
energética. Além disso, o hipotálamo pode ser dividido em três zonas
funcionais: lateral, medial e periventricular, conforme ilustrado na Figura 1
(Bear, 2017). A Figura 2 complementa a Figura 1, destacando regiões
importantes e que serão discutidas posteriormente como o núcleo arqueado.
Figura 1. Hipotálamo e suas zonas funcionais, divididas em lateral, medial e periventricular
(Fonte: adaptado de Bear et al., 2017).
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Figura 2. Núcleos hipotalâmicos importantes para o controle do comportamento alimentar: o
núcleo arqueado, o núcleo paraventricular e a área hipotalâmica lateral (Fonte: adaptado de
Bear et al., 2017).
O hipotálamo lateral está diretamente envolvido na motivação para
comer. Neurônios nessa região são ativados em resposta a sinais de fome e
estão associados à busca ativa por alimentos, como forragear ou caçar. Em
humanos, isso se traduz, por exemplo, na procura de comida na geladeira. Por
outro lado, o hipotálamo ventromedial está relacionado aos sinais de
saciedade. Neurônios nessa área são ativados após a ingestão de alimentos,
inibindo a ingestão adicional e sinalizando ao corpo que já foi consumida uma
quantidade suficiente. No entanto, fatores motivacionais, o contexto social e o
estado emocional podem levar à ingestão de alimentos mesmo quando já
estamos saciados.
Lesões nas regiões laterais e ventromediais do hipotálamo resultam em
mudanças drásticas no comportamento alimentar. Lesões na área lateral, por
exemplo, podem causar ingestão insuficiente de alimentos, levando à anorexia,
enquanto lesões no hipotálamo ventromedial resultam em ingestão exagerada
de alimentos, culminando em obesidade, conforme observado em estudos com
roedores (Figura 3). Essas descobertas reforçam o papel central do hipotálamo
na regulação do comportamento alimentar, mostrando que ele é crucial para o
equilíbrio entre a ingestão de alimentos e a manutenção do peso corporal.
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Figura 3. Representação
esquemática das lesões no
hipotálamo lateral e
ventromedial e seus efeitos no
comportamento alimentar em
roedores. Lesões no hipotálamo
lateral (a) resultam em
síndrome hipotalâmica lateral,
caracterizada por hipofagia e
perda de peso, enquanto lesões
no hipotálamo ventromedial (b)
levam à síndrome hipotálamo
ventromedial, caracterizada por
hiperfagia e ganho de peso. O
roedor em estado normal é
mostrado para comparação
(centro) (Fonte: adaptado de
Bear, 2017).
1.1.1 Neurônios e neurotransmissores envolvidos no Comportamento Alimentar
O comportamento alimentar é regulado por uma complexa rede de
neurônios e neurotransmissores, que interagem para controlar a fome, a
saciedade e as preferências alimentares (Bear, 2017). No núcleo arqueado do
hipotálamo (vide Figura 2), encontramos dois grupos de neurônios com
funções opostas no controle da ingestão alimentar: os neurônios AgRP
(Proteína Relacionada ao Agouti) e NPY (Neuropeptídeo Y), que estimulam o
apetite, e os neurônios POMC (Pró-opiomelanocortina) e CART (Transcrição
Regulada por Cocaína e Anfetamina), que promovem a saciedade.
Os neurônios AgRP e NPY são ativados em condições de privação
energética, aumentando a sensação de fome e reduzindo o gasto energético.
Em contraste, os neurônios POMC e CART, ativados pela presença de
hormônios como a leptina, inibem o apetite e sinalizam que as reservas de
energia do corpo são suficientes.
Entre os principais neurotransmissores que modulam o comportamento
alimentar, destaca-se a serotonina (5-hidroxitriptamina, 5-HT), que
desempenha papel tanto na regulação do humor quanto na saciedade (Bear,
2017).
Baixos níveis de serotonina estão associados ao aumento do apetite,
especialmente por carboidratos (Wurtman & Wurtman, 1995), o que pode
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explicar por que muitas pessoas recorrem a alimentos ricos em carboidratos em
situações de estresse (Singh, 2016). A serotonina também influencia a
alimentação emocional, podendo estar ligada a distúrbios alimentares que
envolvem consumo excessivo ou restrição alimentar em resposta a alterações
de humor.
A via de regulação do humor mediada pela serotonina envolve sua
interação com receptores específicos, como o 5-HT1A e o 5-HT2C. Esses
receptores modulam a liberação de neurotransmissores em áreas do encéfalo,
como o córtex pré-frontal e o hipotálamo, regiões envolvidas no controle do
humor e do apetite. A serotonina desempenha um importante papel na
promoção da saciedade e na modulação do humor, contribuindo para um
equilíbrio entre o bem-estar emocional e o comportamento alimentar (Sharma
& Sharma, 2012).
A dopamina, por sua vez, está intimamente ligada ao sistema de
recompensa do cérebro (vide módulo 5). A via mesolímbica da dopamina, que
envolve a projeção de neurônios da área tegmental ventral para o núcleo
accumbens e o córtex pré-frontal, é ativada quando consumimos alimentos
altamente palatáveis, como aqueles ricos em açúcares e gorduras (De Jong et
al., 2016).
Esse processo gera uma intensa sensação de prazer, reforçando a
motivação para buscar esses alimentos repetidamente. A dopamina não apenas
sinaliza a recompensa imediata, mas também promove a repetição do
comportamento alimentar, especialmente quando associado a alimentos
densos em energia (Volkow et al., 2003).
Em casos extremos, a ativação desse sistema pode levar à compulsão
alimentar, já que o cérebro passa a associar o consumo de determinados
alimentos com uma recompensa desproporcional, criando um ciclo de busca
contínua por prazer alimentar (Bello & Hajnal, 2010).
1.1.2 Sistema entérico: nosso segundo cérebro
A noção de que o intestino é o “segundo cérebro” é baseada no conceito
de que o sistema digestivo possui um sistema nervoso próprio, conhecido como
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pequeno encéfalo ou divisão entérica do sistema nervoso visceral (Figura 4).
O sistema nervoso entérico é capaz de operar de forma autônoma e se
comunica com o cérebro através do eixo cérebro-intestino, utilizando as vias
neurais, hormonais e imunológicas previamente expostas. Apesar de não ser
um cérebro no sentido tradicional, a analogia é utilizada devido ao importante
papel deste sistema na regulação da saúde mental e física.
Esta divisão está presente no revestimento do esôfago, estômago,
intestinos, pâncreas e vesícula biliar, e é composta por dois plexos. O primeiro, o
plexo submucoso, que controla a secreção das glândulas da mucosa e
submucosa, além de coordenar a absorção de nutrientes e controle do
ambiente químico da mucosa intestinal. O segundo, o plexo mioentérico,
controla os movimentos peristálticos, que empurram o alimento pelo trato
digestivo, facilitando a mistura do bolo alimentar com enzimas digestivas. O
sistema entérico possui cerca de 500 milhões de neurônios, quantidade
equiparável com os da medula espinhal (Bear, 2017).
Figura 4. Divisão entérica do
sistema nervoso visceral no
intestino delgado, destacando os
plexos submucosos e
mientéricos (Fonte: adaptado de
Bear, 2017).
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As estruturas e neurotransmissores vistos neste tópico são responsáveis
pela regulação do comportamento alimentar a curto prazo, envolvendo
respostas imediatas a sinais de saciedade e disponibilidade energética, e a
longo prazo, ajustando o balanço energético do corpo ao longo do tempo.
Assim, o sistema nervoso coordena essas respostas dinâmicas, promovendo
adaptações às necessidades energéticas imediatas e de longo prazo (Bear,
2017). Veremos como esta regulação funciona a seguir.
1.2 Regulação a Curto prazo do Comportamento Alimentar
A regulação a curto prazo do comportamento alimentar é fortemente
influenciada por sinais imediatos, como fome e saciedade, que dependem do
tempo desde a última refeição e da quantidade e tipo de alimento consumido.
Nesse contexto, hormônios orexigênicos, como a grelina, são liberados
quando o estômago está vazio, estimulando o hipotálamo, região do cérebro
que regula o apetite e outras funções corporais, o que aumenta a fome e a
ingestão de alimentos. A grelina também interage com o sistema de
recompensa, ativando a liberação de dopamina, o que reforça o desejo por
alimentos, especialmente os altamente calóricos (Bear, 2017). Um esquema de
como este processo ocorre está disponível na Figura 5.
Figura 5. Modelo de regulação a curto prazo do comportamento alimentar, com consumo de
alimentos (linha preta contínua), sinais de saciedade (linha preta pontilhada) e sinais
orexigênicos (linha vermelha) (Fonte: adaptado de Bear, 2017).
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Por outro lado, hormônios anoréticos, como a leptina, são liberados em
resposta ao aumento dos níveis de gordura corporal, inibindo o apetite e
promovendo a sensação de saciedade. No entanto, em algumas pessoas com
obesidade, a resistência à leptina prejudica esse mecanismo, levando ao
consumo excessivo de alimentos, mesmo quando as reservas energéticas são
adequadas.
Por fim, as orexinas, produzidas no hipotálamo, também desempenham
um papel importante na regulação do comportamento alimentar. Além de
estimular o apetite, as orexinas influenciam o ciclo sono-vigília e o nível de
alerta, mostrando como diferentes sistemas corporais estão interconectados no
controle da alimentação.
As fases da digestão também desempenham um papel fundamental na
regulação a curto prazo. A fase cefálica ocorre antes mesmo de o alimento ser
consumido, sendo desencadeada por estímulos sensoriais e pensamentos
relacionados à comida. Durante essa fase, o sistema nervoso parassimpático
(vide módulo 4) é ativado, aumentando a salivação e a secreção de sucos
gástricos no estômago, preparando o corpo para a digestão.
Posteriormente, a fase gástrica começa quando os alimentos chegam ao
estômago, envolvendo processos como mastigação, deglutição e digestão tanto
mecânica quanto química. Nesse estágio, hormônios como a colecistocinina
(CCK) e a gastrina são liberados para facilitar a digestão e preparar o corpo para
o próximo estágio.
Por fim, a fase de substrato, o quimo (mistura de alimento e secreções
digestivas) se move para o intestino delgado, onde os nutrientes são absorvidos
pelas células da mucosa intestinal e transportados para a corrente sanguínea.
Nutrientes como glicose, aminoácidos e ácidos graxos são assimilados, e à
medida que isso ocorre, hormônios como a insulina e a CCK ajudam a sinalizar
a saciedade, interrompendo a ingestão alimentar (Bear, 2017).
1.3 Regulação a Longo prazo do Comportamento Alimentar
A regulação a longo prazo do balanço energético envolve a ação de
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hormônios metabólicos, como a leptina, que controlam tanto a ingestão
alimentar quanto o gasto energético, contribuindo para a manutenção da
massa corporal ao longo do tempo. Altos níveis de leptina sinalizam saciedade e
aumentam o gasto energético, enquanto baixos níveis deste hormônio
estimulam o apetite e diminuem o gasto energético.
Esse mecanismo desempenha um papel crucial na manutenção da
homeostase energética, ou seja, no equilíbrio entre a quantidade de energia
ingerida e a quantidade de energia gasta pelo organismo. O corpo ajusta a
ingestão de alimentos e o gasto energético com base nas reservas de gordura,
assegurando que haja energia suficiente para atender às necessidades
fisiológicas.
Além disso, o corpo pode se adaptar a mudanças nas condições
ambientais, como a disponibilidade de alimentos. Durante períodos de
escassez, a redução dos níveis de leptina pode aumentar o apetite e reduzir o
gasto energético, ajudando a preservar a massa corporal e as reservas de
energia (Bear, 2017).
1.4 Por que comemos o que comemos?
A escolha dos alimentos que consumimos é influenciada por uma
interação de fatores fisiológicos, psicológicos, sociais e culturais – ou seja, é
um processo biopsicossocial (Almeida et al., 2022).
Comer não é apenas uma ação para saciar a fome. O ato de se alimentar
está muitas vezes associado a experiências de prazer e recompensa, como o
prazer ao consumir alimentos saborosos. O sistema de recompensa é um dos
principais responsáveis por nos levar a comer mais do que o necessário,
especialmente quando somos expostos a alimentos ricos em açúcar ou
gordura, que ativam os circuitos de prazer no encéfalo.
Além dos aspectos neurobiológicos, o ambiente em que vivemos
também exerce uma grande influência sobre o que e quanto comemos. Fatores
como a disponibilidade de alimentos, sua apresentação e as normas sociais
desempenham um papel significativo nas nossas escolhas alimentares.
Outro fator importante é o papel das emoções na alimentação. Muitas
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vezes, comemos em resposta a estados emocionais, como estresse, tristeza,
ansiedade ou felicidade – um comportamento conhecido como alimentação
emocional. A comida pode servir como uma forma de lidar com emoções,
proporcionando um alívio temporário de sentimentos negativos. Contudo, esse
padrão de comportamento pode levar ao desenvolvimento de
comportamentos alimentares desordenados e ao ganho de peso,
especialmente quando a comida é utilizada como a principal estratégia para
lidar com emoções (Bear, 2017).
A cultura também desempenha um papel crucial na formação das
nossas preferências alimentares e nos padrões de consumo. Tradições
culinárias, normas sociais e experiências culturais moldam o que comemos.
Celebrações e festividades muitas vezes giram em torno de alimentos
específicos, e as regras sociais influenciam nossas escolhas alimentares em
diferentes contextos (Bear, 2017). Por exemplo, na festa junina, celebrada em
várias partes do Brasil, alimentos à base de milho têm grande destaque. No
entanto, o tipo de alimento e o nome dos pratos podem variar de acordo com a
região, como é o caso da canjica, que também é chamada de jimbelê ou curau
em diferentes áreas do país.
Portanto, compreender as razões pelas quais comemos é fundamental
para abordar questões relacionadas à saúde, como transtornos alimentares e
obesidade, assim como para nosso funcionamento cognitivo (Lewis et al.,
2021). Compreenderemos mais sobre como isto ocorre a seguir.
2 ALIMENTAÇÃO E DESEMPENHO COGNITIVO
A alimentação afeta diretamente o desempenho cognitivo, influenciando
funções como memória, atenção, aprendizagem e até o humor. Nutrientes
específicos (veja abaixo) desempenham um papel essencial no funcionamento
do sistema nervoso e na manutenção das capacidades cognitivas, como
descrito por Lewis e colaboradores (2021):
● Ácidos graxos ômega-3: Esses ácidos são componentes essenciais das
membranas celulares do sistema nervoso, essenciais para a transmissão
de sinais entre neurônios. Uma metanálise de ensaios clínicos
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randomizados indicou que o consumo regular de ômega-3 está associado
à melhora da memória e à proteção contra o declínio cognitivo em
pacientes com demências e perda de memória associadas à idade
(Mazereeuw et al., 2012).
● Antioxidantes: Nutrientes como vitamina C, vitamina E e flavonoides
parecem atuar na proteção do encéfalo contra o estresse oxidativo e a
inflamação, que podem danificar os neurônios. Uma revisão sistemática
não indicou que o consumo habitual de antioxidantes tenha efeito
protetor na população geral (Crichton et al., 2013), porém um estudo
recente indicou aumento no desempenho cognitivo em adultos idosos
(Beydoun et al., 2020).
● Vitaminas do complexo B: As vitaminas B6, B12 e o ácido fólico são
fundamentais para a produção de neurotransmissores (substâncias
químicas que transmitem sinais no sistema nervoso). Estudos parecem
indicar que essas vitaminas auxiliam em desacelerar a perda cognitiva em
idosos (van der Zwaluw et al., 2014), e maiores concentrações dessas
vitaminas estão associadas a melhores performances de memória (Riggs
et al., 1996).
● Glicose: O sistema nervoso utiliza glicose como sua principal fonte de
energia. Ela é necessária para sustentar funções como concentração e
foco em atividades prolongadas. No entanto, enquanto quantidades
adequadas de glicose são benéficas, o consumo excessivo de açúcares
refinados pode provocar picos e quedas bruscas nos níveis de energia,
afetando a memória e o desempenho cognitivo (Beilharz et al., 2015). O
consumo excessivo de açúcares também está associado a inflamação
crônica, que compromete as funções cerebrais (Wärnberg et al., 2009).
Além disso, certos tipos de gorduras, como as gorduras trans, podem
prejudicar a saúde do sistema nervoso, estando associadas ao declínio
cognitivo e a déficits de memória em idosos (Morris et al., 2004). Esses efeitos
parecem ocorrer em decorrência de processos inflamatórios na microglia e pela
alteração de fatores neurotróficos no hipocampo (Beilharz et al., 2015).
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Além dos nutrientes diretamente envolvidos no funcionamento do
sistema nervoso, a alimentação também desempenha um papel fundamental
na composição da microbiota intestinal, que por sua vez influencia a saúde
mental e cognitiva. A comunicação entre o intestino e o encéfalo, chamada de
eixo cérebro-intestino, é cada vez mais reconhecida. O consumo de alimentos
ricos em fibras, probióticos (bactérias benéficas) e prebióticos (fibras que
alimentam essas bactérias) ajuda a manter uma microbiota saudável, o que
pode melhorar a cognição e o humor (Ye et al., 2022). Vamos compreender
como isto ocorre no tópico a seguir.
Em resumo, uma dieta equilibrada, rica em nutrientes essenciais, é crucial
para otimizar o desempenho cognitivo, proteger o sistema nervoso contra o
envelhecimento precoce e prevenir doenças neurodegenerativas. Para isso, é
importante priorizar o consumo de alimentos frescos e minimamente
processados, evitando o excesso de alimentos industrializados, ricos em
açúcares e gorduras prejudiciais. Uma alimentação saudável tem o poder de
melhorar tanto as capacidades cognitivas quanto a saúde mental ao longo da
vida.
2.1 Microbiota e saúde mental
Conforme vimos anteriormente, a microbiota intestinal pode afetar
diretamente a saúde mental de indivíduos. Vamos entender o que é a
microbiota e como isto acontece.
A microbiota intestinal refere-se a uma comunidade de microrganismos -
dentre eles bactérias, vírus e fungos - que habitam o trato gastrointestinal,
particularmente o intestino. Estes microrganismos atuam em diversas funções
corporais, como na digestão, no metabolismo, no sistema imunológico e no eixo
cérebro-intestino. Este último ponto será nosso foco de discussão.
Existe uma comunicação bidirecional entre o sistema nervoso e o
intestino. A microbiota intestinal pode influenciar em processos neurobiológicos
e no comportamento de indivíduos, o humor e a saúde mental, além de regular
o apetite e a digestão (Simpson et al., 2021).
A microbiota intestinal afeta a saúde mental através de sua influência em
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respostas estressoras, na função neuroendócrina e em funções do sistema
imunológico. Mais especificamente (Rieder et al., 2017):
● O nervo vago atua como uma das principais vias de comunicação
entre o intestino e o sistema nervoso. A ativação de neurônios
sensoriais no intestino influência na percepção da dor, no humor e
nos níveis de estresse;
● A microbiota intestinal afeta a liberação de cortisol, envolvido na
resposta ao estresse. Alteração nos níveis de cortisol impactam na
função encefálica e no comportamento de indivíduos;
● A microbiota intestinal também afeta a resposta imune,
influenciando a produção de citocinas que podem afetar a
inflamação do encéfalo. Inflamações crônicas têm sido relacionadas
à depressão e ansiedade.
O desequilíbrio da microbiota intestinal, conhecido como disbiose, está
relacionado a vários transtornos psicológicos por conta de alterações na
produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina (Rieder et al.,
2017). Ademais, o estresse pode levar a disbiose, que por sua vez pode acarretar
em respostas ao estresse exacerbadas, criando um ciclo vicioso. Parece também
haver um efeito da microbiota intestinal no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal
(HPA), responsável pela resposta ao estresse de nosso corpo e contribuindo para
o impacto na saúde mental, como detalhado no módulo 4.
2.2 Alimentação adequada e seus efeitos na aprendizagem e saúde mental
O consumo habitual de um café da manhã com bom valor nutricional
está associado com um melhor desempenho escolar em comparação com o
menor desempenho de alunos que não realizam essa refeição habitualmente
ou que estão subnutridos (Adolphus et al., 2013).
Um estudo avaliou o impacto da alimentação na aprendizagem,
avaliando o impacto de um programa de café da manhã escolar em estudantes
de quarto ano do ensino fundamental em áreas rurais do Peru a partir de testes
de memória de curto prazo, aritmética e compreensão de leitura (Cueto &
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Chinen, 2008). Para isso, foi selecionada uma amostra de 590 alunos, sendo 300
do grupo de tratamento, que participava do programa de café da manhã, e 290
do grupo de contraste, que não recebia essa intervenção. Participaram deste
estudo turmas multisseriadas, onde alunos de diversas séries participam da
mesma aula, e turmas completas, onde todos os alunos eram da mesma série.
Os pesquisadores coletaram dados de fundo sobre os alunos, incluindo
informações sobre consumo de café da manhã e dados sobre frequência
escolar, matrícula e taxas de evasão, abrangendo do primeiro ao sexto ano.
Foram encontrados efeitos positivos e significativos do café da manhã em
várias dimensões da experiência educacional dos alunos. Primeiramente, a
análise dos dados indicou que a introdução do café da manhã nas escolas
resultou em uma redução nas taxas de evasão escolar e um aumento da
frequência escolar entre os alunos do grupo de tratamento em comparação
com o grupo de contraste
Os resultados também mostraram um efeito diferencial do café da manhã
em escolas com turmas multisseriadas em comparação com escolas com
turmas completas. Especificamente, o programa demonstrou um impacto
significativo e positivo nas habilidades de memória de curto prazo, aritmética e
compreensão de leitura nas escolas de classes multisseriadas. Estes dados estão
disponíveis na Figura 6.
Figura 6. Diferenças entre os grupos
contraste e tratamento em turmas completas
(azul) e multisseriadas (rosa). (1) O primeiro
gráfico representa as diferenças no teste de
memória de curto prazo, (2) o segundo no
teste de aritmética e (3) o terceiro no teste de
compreensão de leitura (Fonte: adaptado de
Cueto & Chinen, 2008).
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Uma revisão realizada por Kris-Etherton e colaboradores (2021) indicou
que uma alimentação inadequada em nutrientes como vitaminas B, C,
magnésio e zinco podem levar a psicopatologias como ansiedade e depressão.
Estes nutrientes são essenciais para produção de neurotransmissores e para o
funcionamento do metabolismo, fatores chave na regulação do humor.
Outro estudo realizado por Opie e colaboradores (2015) realizou uma
revisão sistemática de estudos clínicos randomizados sobre o efeito da
alimentação nos níveis de ansiedade e depressão, onde metade dos estudos
selecionados indicaram o efeito da alimentação adequada nos níveis de
depressão dos participantes, mas não na ansiedade.
Na contramão desses resultados, outros estudos também não
encontraram efeitos da alimentação na ansiedade (Firth et al., 2019), enquanto
outros indicaram efeito (Jacka et al., 2017).
Os dados destes estudos demonstram que a nutrição desempenha um
papel fundamental na aprendizagem, no engajamento escolar e na saúde
mental da população geral. Esses achados ressaltam a importância de
considerar estratégias práticas que possam ser adotadas em diferentes
contextos para garantir uma alimentação adequada.
3 ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA UMA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA
Uma alimentação adequada envolve o equilíbrio entre macronutrientes
(carboidratos, proteínas e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2020), uma dieta
saudável deve incluir cereais, grãos, leguminosas, frutas, vegetais e proteínas.
Para ajudar na organização de um prato balanceado, a Figura 7 ilustra as
porções adequadas de cada grupo alimentar.
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Figura 7. Porções e composições para um prato saudável e adequado. Copyright © 2011 Harvard
University. Para mais informações sobre o “Prato: Alimentação Saudável”, consulte: The Nutrition
Source, Department of Nutrition, Harvard T.H. Chan School of Public Health,
http://www.thenutritionsource.org and Harvard Health Publications, health.harvard.edu”.
(Fonte: https://nutritionsource.hsph.harvard.edu/healthy-eating-plate/translations/portuguese/)
No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira (Brasil, 2014),
desenvolvido pelo Ministério da Saúde, oferece orientações para escolhas
alimentares que visam a saúde individual e coletiva, levando em conta fatores
biopsicossociais (Ambrosi & Grisotti, 2022). O guia prioriza o consumo de
alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes,
grãos integrais e proteínas magras, que fornecem os nutrientes necessários para
o bom funcionamento do corpo e a prevenção de deficiências nutricionais.
Além disso, o guia recomenda reduzir o consumo de alimentos
ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras saturadas e sódio, que estão
diretamente associados ao aumento de doenças como obesidade, diabetes tipo
2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.
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Outro ponto importante é a valorização das tradições alimentares
regionais, promovendo uma alimentação culturalmente apropriada e
sustentável, o que facilita a adoção dessas práticas ao levar em conta
preferências e hábitos locais (Ambrosi & Grisotti, 2022). O guia também
incentiva escolhas que respeitam o meio ambiente, como optar por alimentos
sazonais e reduzir o desperdício, contribuindo para sistemas alimentares mais
sustentáveis.
O Guia Alimentar para a População Brasileira é uma ferramenta valiosa
para a educação alimentar e nutricional, fornecendo informações que ajudam
a população a fazer escolhas mais conscientes e informadas sobre sua
alimentação. Seguir as recomendações do guia pode ter um impacto positivo
na qualidade de vida, promovendo saúde e prevenindo doenças crônicas não
transmissíveis (Cerf, 2021). Além disso, o respeito aos aspectos culturais e
ambientais aumenta a relevância do guia, facilitando a adoção de hábitos
alimentares mais saudáveis na rotina diária.
RESUMO
● O comportamento alimentar é regulado por circuitos cerebrais complexos
envolvendo áreas como o hipotálamo e neurotransmissores, como
dopamina e serotonina. Neurônios no núcleo arqueado (AgRP, NPY,
POMC, CART) controlam a fome e saciedade, enquanto hormônios como
leptina e grelina também modulam o apetite.
● A regulação do comportamento alimentar ocorre a curto prazo, a partir de
hormônios orexigênicos, anoréticos e orexinas e com papel das fases da
digestão. Também ocorre a longo prazo, a partir da homeostase
energética e do ambiente.
● As escolhas alimentares são influenciadas por uma combinação de fatores
biológicos, psicológicos, emocionais e culturais. A dopamina desempenha
um importante papel no sistema de recompensa, enquanto o ambiente,
as normas sociais e o estado emocional influenciam fortemente o que,
como e por que comemos. A cultura, as tradições e os hormônios
também moldam as preferências alimentares, destacando a
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complexidade do comportamento alimentar.
● A alimentação impacta diretamente o desempenho cognitivo, com
nutrientes como ômega-3, antioxidantes, vitaminas B e glicose, que
promovem a saúde cerebral e a função cognitiva, enquanto o consumo
excessivo de açúcar e gordura trans pode causar declínios cognitivos.
● A microbiota intestinal, composta por microrganismos que habitam o
trato gastrointestinal, desempenha um papel fundamental na
comunicação bidirecional entre o cérebro e o intestino, influenciando o
humor, o comportamento e a saúde mental através do eixo
cérebro-intestino.
● O desequilíbrio da microbiota, ou disbiose, pode causar transtornos
psicológicos, como depressão e ansiedade, ao afetar a produção de
neurotransmissores e o sistema de resposta ao estresse, reforçando a
noção do intestino como "segundo cérebro" devido a sua autonomia e ao
seu impacto significativo no comportamento e na saúde mental.
● Uma alimentação adequada envolve o equilíbrio entre macronutrientes e
micronutrientes, a partir do consumo de diversos vegetais e frutas, assim
como o de proteínas saudáveis e grãos integrais. O Guia Alimentar para a
População Brasileira oferece diretrizes práticas para alcançar uma
alimentação adequada e saudável.
MATERIAL COMPLEMENTAR
● Livro “Guia Alimentar para a População Brasileira”:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_br
asileira_2ed.pdf
● Vídeo “Princípios do Guia Alimentar para a população brasileira”:
https://www.youtube.com/watch?v=thUMk4coJfo
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