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Antropologia e Sua Relação Com o Direito

O documento explora a intersecção entre Antropologia e Direito, destacando como a compreensão das práticas culturais e sociais enriquece a interpretação das normas jurídicas. Aborda temas como Antropologia Forense, Cultural e Jurídica, enfatizando a importância de um olhar antropológico na formulação e aplicação das leis. Conclui que a Antropologia é crucial para entender a diversidade de sistemas jurídicos e a resolução de conflitos em diferentes contextos sociais.

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luccaborssato
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Antropologia e Sua Relação Com o Direito

O documento explora a intersecção entre Antropologia e Direito, destacando como a compreensão das práticas culturais e sociais enriquece a interpretação das normas jurídicas. Aborda temas como Antropologia Forense, Cultural e Jurídica, enfatizando a importância de um olhar antropológico na formulação e aplicação das leis. Conclui que a Antropologia é crucial para entender a diversidade de sistemas jurídicos e a resolução de conflitos em diferentes contextos sociais.

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antropologia e sua

relação com o direito


Informações :

Alunos: Orientadora:
Maria do Carmo Assumpção
Felipe Pereira Fernandes
Gustavo Andrade Mainenti
Lucca Cerqueira Viana
Pedro Henrique De Carvalho
Rivelo
Kauê Freitas Pinheiro

Instituição:
Universidade Veiga de Almeida
Campus Botafogo.

Proposta:
A interface entre Antropologia e Direito: um olhar cultural sobre as normas jurídicas e a resolução de
conflitos.
Objetivo Geral:
Analisar como a Antropologia contribui para a compreensão do Direito a partir das práticas culturais,
sociais e simbólicas dos grupos humanos, destacando a importância de um olhar antropológico na
formulação, aplicação e interpretação das leis.
Assuntos tratados
no trabalho:

Antropologia
Antropologia Forense
Antropologia Cultural
Antropologia Social
Etnografia
Antropologia Jurídica
Introdução
Introdução
Para compreender o Direito no contexto da antropologia, é essencial primeiro entender a antropologia de forma
geral, pois nenhum estudo antropológico é isolado — seja ele sobre leis, geopolítica ou cultura. Todos esses
aspectos estão interligados e ajudam a explicar a evolução humana em suas diversas dimensões. Cada
sociedade desenvolve um conjunto de leis que varia de acordo com as necessidades específicas de
convivência dentro de seu grupo social, assim como sua relação com a natureza e com outros grupos. Esses
elementos refletem as diferenças de problemas, costumes e religiões, o que exige regras distintas para garantir
a convivência. O estudo da origem de costumes, comportamentos, regras e leis ao longo do tempo dentro de
uma sociedade é a base do Direito na antropologia.
antropologia forense
Conceitos:

Medicina legal: é uma especialidade concomitantemente médica e jurídica que utiliza conhecimentos
técnico-científicos da medicina para o esclarecimento de fatos de interesse da justiça;
Antropologia: ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimento
físico, material e cultural, fisiologia, psicologia características raciais, costumes sociais, crenças, etc;
Forense: relativo aos tribunais e à justiça; jurídico, judiciário, judicial;
Antropologia forense: é a área científica que estuda e aplica métodos para individualização e identificação
de raça, cor, idade, sexo em indivíduos ou restos cadavéricos.

A antropologia forense é uma área da ciência que analisa principalmente restos humanos com o objetivo de
identificar a pessoa e determinar as possíveis causas da morte, auxiliando na resolução de crimes e
possibilitando apontar o culpado. As principais áreas de atuação da antropologia forense incluem:

Determinação de sexo, idade, estatura, ancestralidade, mão dominante e outras


características

InterpretaAnálise de ossos, dentes, impressões digitais e outros vestígios para


identificar a pessoa
ação de traumas e lesões

Estimativa do tempo desde a morte

Auxílio na recuperação de restos mortais


Com o auxílio da antropologia forense, foi possível identificar, mesmo em uma
época sem os avanços tecnológicos de hoje, o culpado, estimar o momento da
morte e entender os motivos que levaram Giuseppe Pistone a matar sua esposa,
Maria Fea, possibilitando sua condenação a 31 anos de prisão.
Antropologia Cultural
e Social
Os fundamentos da antropologia cultural envolvem o estudo das culturas humanas em suas diversas formas,
com o objetivo de compreender como os seres humanos vivem, pensam, se organizam e atribuem significados
ao mundo ao seu redor.
os principais fundamentos sao:
-Cultura
- conjunto de conhecimentos, crenças, costumes, normas, valores, símbolos, linguagem e práticas que
caracterizam um grupo social.
-A cultura é aprendida, transmitida socialmente (não genética) e está em constante transformação.
Alguns exemplos de crenças cultural

exemplos de praticas cultural:


Como as normas jurídicas refletem valores culturais e tradições de diferentes sociedades

Impacto na Aplicação e Interpretação das Leis


A cultura jurídica de uma sociedade influencia a forma como as leis são interpretadas e aplicadas. O
respeito ou não às normas jurídicas depende, em parte, da cultura jurídica das pessoas às quais tais
regras são direcionadas .​
Em resumo, as normas jurídicas não são entidades isoladas; elas estão intrinsecamente ligadas aos
valores culturais e tradições das sociedades, refletindo e, ao mesmo tempo, moldando a identidade e a
coesão social.​
Diversidade Cultural e Sistemas Jurídicos
Diferentes culturas desenvolvem sistemas jurídicos que refletem suas particularidades. Por exemplo,
práticas legais em sociedades ocidentais podem diferir significativamente daquelas em sociedades
orientais, evidenciando como as normas jurídicas são adaptadas aos contextos culturais específicos.​

Como o direito influencia e é influenciado por transformações culturais ?


O direito e a cultura estão intrinsecamente ligados, pois as normas jurídicas refletem valores culturais e,
ao mesmo tempo, moldam práticas e comportamentos sociais.

Como o direito influencia transformações culturais ?


Regulação de comportamentos sociais: Normas jurídicas muitas vezes incentivam mudanças culturais,
como leis sobre igualdade de gênero, criminalização do racismo e proteção dos direitos LGBTQIA+.

A existência de sistemas jurídicos distintos dentro de uma mesma sociedade?


Essa ideia está relacionada ao conceito de pluralismo jurídico, que reconhece que dentro de uma mesma
sociedade podem coexistir múltiplos sistemas normativos e jurídicos.

Sistemas jurídicos estatais e não estatais


Proteção do patrimônio cultural: O direito preserva e valoriza tradições e manifestações culturais,
impedindo sua extinção ou apropriação indevida.
Imposição de novos valores: Reformas legislativas podem impulsionar valores progressistas na
sociedade, mesmo em contextos mais conservadores.

Como as transformações culturais influenciam o direito ?

-daptação das leis às novas realidades: Mudanças sociais e culturais frequentemente levam
a revisões legislativas, como a regulamentação de novas formas de família ou proteção de
minorias antes marginalizadas.

-Mobilização social e ativismo: Movimentos sociais desempenham um papel essencial na


pressão por mudanças jurídicas, como ocorreu com o reconhecimento de direitos civis e
trabalhistas ao longo da história.

-Interpretação das normas jurídicas: O direito é dinâmico e sua aplicação varia conforme os
valores predominantes de uma época, influenciando decisões judiciais e interpretações
legais.
Direito indígena e comunitário
Povos indígenas e comunidades tradicionais frequentemente têm suas próprias normas de
organização, solução de conflitos e aplicação da justiça.

No Brasil, a Constituição reconhece costumes e tradições indígenas como parte do ordenamento


jurídico.

Direito à Igualdade e Antirracismo


-eis que proíbem a discriminação racial em espaços públicos e privados.
-Criminalização do racismo e mecanismos de denúncia.
Políticas afirmativas, como cotas raciais em universidades e concursos públicos.

Direitos da das mulheres


Igualdade perante a lei, sem discriminação de gênero.
Direito ao voto e participação política.
Proteção contra assédio e violência de gênero.
Igualdade salarial entre homens e mulheres.
Licença maternidade e proteção à gestante no ambiente de trabalho.
Combate ao assédio moral e sexual no trabalho.

Análise de situações concretas onde cultura e direito se entrelaçam, como direitos


indígenas, liberdade religiosa e costumes locais.
O direito e a cultura estão interligados em diversas situações concretas, moldando sociedades e
influenciando relações humanas. Aqui estão alguns casos emblemáticos que ilustram essa interação:

Direitos Indígenas e o Reconhecimento Territorial


Em muitos países, incluindo o Brasil, povos indígenas lutam pelo reconhecimento de seus territórios
tradicionais, enfrentando disputas com governos e empresas.
O direito deve equilibrar a proteção das terras indígenas e os interesses econômicos, muitas vezes
resultando em conflitos e decisões jurídicas importantes.
A Constituição Brasileira reconhece os direitos dos povos indígenas, mas a aplicação prática enfrenta
desafios políticos e sociais.
2. Liberdade Religiosa e os Limites da Lei
O princípio da liberdade religiosa garante que indivíduos possam praticar suas crenças sem perseguição,
mas há debates sobre até onde essas práticas podem ir sem violar direitos de terceiros.

Exemplo disso são os casos de vestimentas religiosas em escolas e ambientes de trabalho, como o uso do
hijab em países com políticas de vestuário padronizadas.

Outro caso emblemático envolve tratamentos médicos baseados em crenças religiosas, como recusas de
transfusões de sangue por motivos de fé.

3. Costumes Locais e o Direito


Em diversas culturas, tradições influenciam normas sociais e jurídicas, como casamentos arranjados,
sistemas de justiça comunitária e práticas de herança.

Em algumas regiões, o direito formal pode entrar em conflito com costumes tradicionais. No Brasil, as
comunidades quilombolas têm regras próprias de organização e resolução de conflitos, às vezes
divergindo das normas estatais.

A coexistência entre costumes locais e o sistema jurídico é um desafio para a legalidade e os direitos
humanos, exigindo adaptações e interpretações para garantir justiça e respeito cultural.

Esses casos demonstram como cultura e direito estão em constante diálogo, moldando políticas e
relações sociais.
etnografia

Introdução A etnografia é um método de estudo amplo, bastante utilizado nas ciências sociais,
especialmente na antropologia, permitindo o conhecimento das práticas culturais, sociais e econômicas dos
grupos humanos. Na área do Direito, a etnografia oferece ferramentas para captar como normas jurídicas são
interpretadas e aplicadas em diferentes culturas. Este trabalho busca analisar a etnografia como uma
ferramenta de análise jurídica, destacando sua importância no entendimento da convivência social e na
aplicação do Direito.

Definição e Características da Etnografia A etnografia é um modo de pesquisa detalhada que envolve a


observação participante, entrevistas e registros detalhados sobre as práticas de um grupo social. O
antropólogo se insere na comunidade estudada para entender suas visões internas e como as interações
sociais influenciam comportamentos e crenças. No Direto, esse ponto de vista permite analisar como as
normas são vivenciadas pelas pessoas e como o ordenamento jurídico influencia a vida cotidiana.

A Relação Entre Etnografia e Direito A etnografia contribui para o Direito ao revelar aspectos não captados
pelos métodos tradicionais da ciência jurídica. Alguns pontos de interseção incluem: Direito Consuetudinário: A
etnografia auxilia na compreensão dos sistemas jurídicos informais baseados nos costumes de povos indígenas
e comunidades tradicionais. Direitos Humanos e Pluralismo Jurídico: O estudo etnográfico permite identificar
como diferentes grupos sociais percebem e reivindicam direitos, demonstrando a coexistência de múltiplos
sistemas normativos. Acesso à Justiça: A etnografia investiga os desafios enfrentados por grupos vulneráveis
no acesso ao sistema jurídico formal

Estudos de Caso Povos Indígenas e Justiça: Pesquisas etnográficas sobre povos indígenas no Brasil
demonstram como suas normas e valores entram em conflito ou são adotados ao sistema jurídico nacional.
Direito Penal e Comunidades Periféricas: A etnografia tem sido utilizada para compreender como o Direito
Penal afeta grupos vulneráveis, revelando práticas de criminalização seletiva e resistência social

Conclusão A etnografia, ao permitir uma interpretação aprofundada das dinâmicas sociais e culturais,
torna-se uma ferramenta essencial para o Direito, especialmente em contextos de pluralismo jurídico e
diversidade cultural. Seu uso contribui para a formulação de políticas públicas mais eficientes e para a
promoção da justiça social, fortalecendo a conexão entre a Antropologia e o Direito.
Antropologia Jurídica
Segundo o autor Shelton Davis a Antropologia do Direito é caracterizada como “a investigação comparada da
definição de regras jurídicas, da expressão dos conflitos sociais e dos modos através dos quais tais conflitos
são institucionalmente resolvidos”. Davis quer evidenciar que a Antropologia estuda como as leis são
formuladas, como as sociedades tentam combater seus conflitos e como essas disputas são tratadas de
maneira institucional, realizando comparações entre diferentes contextos.

Os antropólogos do Direito veem três teoremas básicos:


- em toda sociedade existe um corpo de categorias culturais, de regras ou códigos que definem direitos e
deveres legais entre os homens;
- em toda sociedade disputas e conflitos surgem quando essas regras são rompidas;
- em toda sociedade existem meios institucionalizados através dos quais esses conflitos são resolvidos e
através dos quais as regras jurídicas são reafirmadas e/ou redefinidas
Esse pensamento deixa claro que o estudo antropológico do Direito não se baseia em um olhar individual dos
indivíduos, leis e organizações. E sim, analisando toda a sociedade com um olhar mais abrangente.

A Relação da Antropologia com o Direito


A antropologia estuda a cultura como um conjunto de símbolos que influencia a forma como as pessoas
pensam e agem dentro de um coletivo. Nesse sentido, cultura inclui a culinária, os mitos, a religião, a
economia, a educação, a política, o gênero e as artes. Ela representa a identidade de cada grupo social,
formada por um processo de heranças e influências externas, sempre ajustadas às condições históricas
específicas de cada sociedade.
Em contraste, o direito lida com a liberdade dos indivíduos, tanto de forma pessoal quanto coletiva, e
estabelece essa liberdade por meio de um sistema político e racional, com base na autoridade do Estado. O
Estado cria as leis em resposta às demandas da sociedade, visando proteger o bem-estar coletivo. Portanto, o
direito é um campo de conhecimento e prática que atua sobre a sociedade, intervindo em seus diversos
aspectos e segmentos.
Assim, enquanto Antropologia estuda o comportamento humano em sociedade a partir das experiências
individuais, focando nas particularidades de cada ser humano. Já o direito aborda o comportamento coletivo,
de forma mais impessoal, sem destacar as especificidades de quem é réu, juiz, acusador ou defensor. Assim,
essas áreas seguem caminhos opostos: a antropologia parte do individual para compreender a sociedade de
maneira mais ampla, enquanto o direito começa da generalidade das leis, buscando aplicá-las de maneira
igualitária a todos, ou seja, do coletivo para o particular.
Consclusões Finais
O Direito, de forma tradicional, se fundamenta em normas que são abstratas e universais, criadas para
assegurar a ordem, a justiça e os direitos fundamentais. Contudo, essas normas nem sempre correspondem às
realidades enfrentadas por todos os grupos sociais. É aqui que a Antropologia se torna muito importante, pois
ajuda a entender como as leis são vistas, interpretadas e aplicadas em diferentes contextos culturais. Isso é
especialmente relevante em sociedades indígenas, quilombolas, comunidades periféricas e outros grupos que
possuem suas próprias maneiras de se organizar social e juridicamente.

Por meio de abordagens como a etnografia, a Antropologia mostra como os conflitos são resolvidos fora dos
tribunais e como as regras de convivência se formam a partir de tradições orais. Além disso, ela revela como
alguns valores podem entrar em conflito com as leis atuais. Entender isso é fundamental para criar um sistema
jurídico mais inclusivo, que consiga dialogar com a diversidade de normas e modos de vida que coexistem em
um mesmo lugar.

Bibliografia :
[Link]
interlocucoes [Link]
si=64ecafb7870542ea [Link]
antropologia-forense-na-resolucao-de-crimes/509898522
[Link]

GEERTZ, Clifford. "A interpretação das culturas". Rio de Janeiro: LTC, 1989. MALINOWSKI, Bronislaw. "Os
Argonautas do Pacífico Ocidental". São Paulo: Abril Cultural, 1978. BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS. "O
Direito dos Oprimidos". São Paulo: Almedina, 2014

nstituto Humanitas Unisinos - IHU [Link]


possiveis-interlocucoes
Antropologia do Direito - Lucia Eilbaum, Simone Lahud Guedes

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