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LINDB

A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) estabelece diretrizes para a interpretação e aplicação das leis no Brasil, sendo fundamental para a compreensão do sistema jurídico. A LINDB regula a criação, vigência e eficácia das normas, além de definir como as leis devem ser aplicadas no tempo e no espaço. O documento também aborda o processo legislativo, revogação de leis e a importância da vacatio legis.

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A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) estabelece diretrizes para a interpretação e aplicação das leis no Brasil, sendo fundamental para a compreensão do sistema jurídico. A LINDB regula a criação, vigência e eficácia das normas, além de definir como as leis devem ser aplicadas no tempo e no espaço. O documento também aborda o processo legislativo, revogação de leis e a importância da vacatio legis.

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LINDB Publicação:

A lei é publicada no Diário Oficial, o veículo


O que é a LINDB? oficial de divulgação. Só após a publicação
é que a lei passa a ser conhecida por
A Lei de Introdução às Normas do Direito todos e começa a produzir efeitos
Brasileiro (LINDB) é conhecida como a "lei jurídicos (salvo se for estipulado um prazo
das leis" porque serve como base para diferente, como a "vacatio legis").
interpretar e aplicar todas as outras leis no
Brasil, incluindo o Código Civil. Ela ajuda a Funções da LINDB:
entender como as leis funcionam, como devem
ser aplicadas e quais são as regras que regem o 1. Interpretação e Aplicação das
sistema jurídico. Normas:
Em outras palavras, o seu conteúdo interessa a. A LINDB indica como as normas
mais à Teoria Geral do Direito do que ao devem ser interpretadas e
Direito Civil propriamente dito. A LINDB, na aplicadas.
verdade, é um diploma legal multidisciplinar
que se aplica universalmente a qualquer ramo b. Ela define as condições de
do direito. É, portanto, um código geral sobre vigência e eficácia das normas.
a elaboração e aplicação das normas jurídicas;
tem como objetivo a elaboração, vigência e c. Regula as dimensões espaço-
aplicação de leis. temporais das normas, ou seja,
quando e onde elas são
Etapas de criação de uma lei no aplicáveis.
Brasil:
Elaboração (ou Processo Legislativo)

É a fase em que o projeto de lei é apresentado,


discutido, votado e aprovado pelo Poder
Legislativo (Câmara dos Deputados, Senado
ou Assembleias Legislativas, conforme o caso).
Esse processo pode envolver comissões 2. Divisão dos Temas Abordados:
temáticas, debates, emendas e votação em dois
turnos (dependendo do tipo de lei). Após
aprovado, o projeto é enviado ao Poder Vigência: Define o período de validade da
Executivo. norma.

Sanção ou Veto (Promulgação) Aplicação de Normas no Tempo: Regula


como as normas são aplicadas em diferentes
Após a aprovação pelo Legislativo, o projeto momentos históricos.
segue para o Presidente da República (ou
governador, ou prefeito), que pode sancioná- Aplicação de Normas no Espaço: Define
lo (aprovar) ou vetá-lo (recusar total ou como as normas se aplicam geograficamente.
parcialmente).
Normas Concernentes à Administração
Sanção: Ato pelo qual o chefe do Executivo Pública: Especifica as regras aplicáveis aos
concorda com o projeto aprovado. órgãos públicos.

Veto: Rejeição do projeto (total ou parcial), Validade:


que pode ser derrubado posteriormente pelo
Legislativo. Depois da sanção (ou derrubada O que é: Refere-se à compatibilidade da
do veto), vem a promulgação, que é o ato norma com o ordenamento jurídico vigente.
formal de reconhecer a existência e Uma norma válida é aquela que foi criada
validade da lei, permitindo sua entrada no de forma correta (seguindo o processo
ordenamento jurídico.
legislativo) e trata de matéria permitida Eficácia social: A norma funciona
pela Constituição. na prática, ou seja, as pessoas
conseguem cumpri-la.
Divisões:
Exemplo: Uma lei que exige o uso de um
Formal: Se a norma respeita os trâmites do equipamento de segurança que não existe
processo legislativo (ex: aprovação pelo no mercado ainda não tem eficácia
Congresso). social.

Exemplo: Uma lei aprovada sem respeitar o Eficácia técnica: A norma pode ser aplicada
quórum exigido pela Constituição é do ponto de vista jurídico e técnico.
formalmente inválida.
Exemplo: Greve de servidores públicos — a
norma existe, mas depende de
regulamentação para aplicação efetiva.
Material: Se o conteúdo da norma é
compatível com a Constituição. Vigor:
Exemplo: Uma lei que estabelece pena de
O que é: É a força obrigatória da norma.
morte no Brasil é materialmente
Significa que, uma vez válida, vigente e eficaz,
inválida, pois vai contra a Constituição
ela deve ser cumprida.
Federal.
Importância: O vigor é o que confere
• Se não for válida: Pode ser autoridade e obrigatoriedade à norma.
considerada inconstitucional (se Sem vigor, a norma perde sua efetividade
infringe a Constituição) ou ilegal (se prática.
contraria uma lei superior).
Existência vs. Vigência da Lei
Vigência:
O que é: É o período durante o qual a norma • Existência da lei: Começa com sua
está em vigor, ou seja, quando ela pode ser promulgação. A lei já foi criada
aplicada. formalmente, mas ainda não é
obrigatória.
• Início da vigência: Pode ser imediata • Vigência da lei: Começa após o
(a partir da publicação) ou após um período de vacatio legis, quando a
período chamado vacatio legis (ex: 45 lei passa a produzir efeitos jurídicos e
dias após publicação). deve ser cumprida.

• Fim da vigência: A norma deixa de Iter legislativo até a vigência


vigorar quando é revogada, expira
seu prazo de validade ou é 1. Publicação (no Diário Oficial da
substituída por outra. União): torna a lei conhecida
oficialmente.
Exemplo: A Lei nº 13.979/2020, que
tratava da pandemia, vigorava enquanto 2. Vacatio legis: período entre a
durasse o estado de calamidade pública. publicação e a entrada em vigor
(normalmente 45 dias, salvo disposição
Eficácia: contrária).

3. Vigência: a lei entra em vigor e passa


O que é: É a capacidade da norma de produzir
a ter força obrigatória.
efeitos reais na sociedade.
Durante a vacatio legis, a lei existe, mas
• Duas dimensões: não vigora — ou seja, ainda não pode ser
exigido seu cumprimento.
Dispositivos legais: correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos
anteriores começará a correr da nova
Art. 1º. Salvo disposição contrária, a lei publicação.”
começa a vigorar em todo o país quarenta e
cinco dias depois de oficialmente Se uma lei ainda não entrou em vigor e ela
publicada. for corrigida (ou seja, republicada com
alterações antes da vigência), o prazo de
§ 1º Nos Estados estrangeiros, a vacatio legis recomeça do zero, a partir da
obrigatoriedade da lei brasileira, quando nova publicação corrigida. Isso garante
admitida, se inicia três meses depois de que as pessoas não sejam surpreendidas por
oficialmente publicada. mudanças de última hora.

§ 3º Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer 🔹 § 4º


nova publicação de seu texto, destinada à
correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos
anteriores começará a correr da nova “As correções a texto de lei já em vigor
publicação. consideram-se lei nova.”

§ 4º As correções a texto de lei já em vigor Se a correção for feita depois que a lei já
consideram-se lei nova. está em vigor, essa correção é tratada
como uma nova lei. Isso significa que ela
não retroage e precisa respeitar o
Comentários Explicativos: princípio da anterioridade, conforme o
caso.
Caput do Art. 1º
Para compreender bem o § 4º do art. 1º da
“Salvo disposição contrária, a lei começa a LINDB — “As correções a texto de lei já em
vigorar em todo o país quarenta e cinco dias vigor consideram-se lei nova” — realmente é
depois de oficialmente publicada.” necessário entender alguns conceitos
anteriores e fundamentais do Direito,
Esse é o famoso prazo da vacatio legis. A especialmente sobre vigência,
regra geral é: a lei só entra em vigor 45 dias retroatividade, irretroatividade e o que
após sua publicação. Esse prazo existe para se entende por nova lei. Aqui está uma
que a sociedade tenha tempo de tomar explicação clara e didática:
conhecimento da nova norma.
Conceitos necessários para
Exceção: a própria lei pode estabelecer um
prazo diferente ou dizer que entra em vigor
entender o § 4º da LINDB:
imediatamente (“na data de sua publicação”).
Nova lei

🔹 § 1º A expressão “nova lei” no Direito tem um


sentido técnico: é toda norma jurídica que
“Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade modifica ou substitui outra já existente
da lei brasileira, quando admitida, se inicia — ainda que essa mudança seja mínima (por
três meses depois de oficialmente publicada.” exemplo, trocar uma vírgula por um ponto que
mude o sentido de um artigo).
Quando uma lei brasileira tiver efeitos fora
do país, se isso for aceito, o prazo para Mesmo pequenas correções formais ou
começar a valer é maior: 3 meses. Isso leva gramaticais podem alterar o sentido jurídico
em conta a maior dificuldade de circulação da de um texto e, por isso, são tratadas como "lei
informação no exterior. nova" caso ocorram após o início da vigência.

Retroatividade e Irretroatividade
🔹 § 3º
Esses são princípios fundamentais do
“Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer Direito:
nova publicação de seu texto, destinada à
• Irretroatividade da lei: regra geral Derrogação: É a revogação parcial da
— a lei nova não se aplica a fatos norma.
ocorridos antes de sua vigência.
Explicação detalhada:
Está no art. 5º, XL da Constituição Federal: “A
lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada.” 🔹 O que é revogação?

• Retroatividade da lei: Revogação é o ato pelo qual uma lei deixa


exceção — só pode acontecer quando de ter vigência por força do surgimento de
expressamente prevista e se não outra norma posterior, que a retira do
violar direitos adquiridos (por ordenamento jurídico.
exemplo, em leis penais mais
benéficas). 🔹 Formas de revogação
Aplicando isso ao § 4º Revogação expressa: Ocorre quando a nova
lei declara explicitamente que está
“As correções a texto de lei já em vigor
revogando a lei anterior (ou parte dela).
consideram-se lei nova.”
Revogação tácita: Quando a nova lei regula
Isso significa que qualquer correção feita em
inteiramente a mesma matéria da
uma lei após sua vigência não retroage. Ela
anterior ou é incompatível com ela, ainda
será considerada uma nova norma, com
que não diga expressamente que está
efeitos apenas a partir de sua nova publicação.
revogando.
Isso evita surpresas jurídicas e protege a
segurança jurídica, pois impede que uma Ex: nova lei trata da mesma situação com
correção posterior altere os efeitos de atos já regras contrárias às da anterior — a anterior
praticados com base no texto anterior. deixa de valer.

Exemplo prático:

Imagine que a lei “X” entrou em vigor em 1º Princípio da continuidade do


de janeiro, e no dia 15 de janeiro o ordenamento jurídico
legislador percebeu um erro de digitação e o
corrigiu. Esse princípio diz que uma norma
permanece válida e eficaz até que outra
Mesmo que seja apenas um erro de redação, se
a revogue. A revogação nunca é
essa correção mudar o sentido da
presumida: ela precisa ser clara ou resultar
norma, ela não se aplica
de conflito evidente.
retroativamente a fatos ocorridos entre 1º e
15 de janeiro. Ela valerá como lei nova a
partir de 15 de janeiro. Base legal: Art. 2º da LINDB

Revogação: Uma vez cumprida a vacatio Art. 2º. Não se destinando à vigência
legis e entrando em vigor, a lei continuará temporária, a lei terá vigor até que outra a
vigente até que outra a revogue, expressa ou modifique ou revogue.
tacitamente, conforme o princípio da
continuidade do ordenamento jurídico. § 1º. A lei posterior revoga a anterior quando
expressamente o declare, quando seja com ela
No sistema jurídico brasileiro, só se admite incompatível ou quando regule inteiramente a
a revogação de uma lei por meio de matéria de que tratava a lei anterior.
outra lei — nunca por decreto, portaria ou
outro ato infralegal. § 2º. A lei nova, que estabeleça disposições
gerais ou especiais a par das já existentes, não
Ab-rogação: É a derrogação total da norma. revoga nem modifica a lei anterior.
(Ex. o CC 02 revogou totalmente o CC 16)
§ 3º. Salvo disposição em contrário, a
lei revogada não se restaura por ter a lei
revogadora perdido a vigência. § 2º. A lei nova, que estabeleça disposições
gerais ou especiais a par das já existentes,
Art. 2º — Comentado não revoga nem modifica a lei anterior.

Comentário:
Caput:
• Se a nova lei trata do mesmo tema,
Art. 2º. Não se destinando à vigência
mas de forma complementar, sem
temporária, a lei terá vigor até que outra a contrariar a anterior, as duas leis
modifique ou revogue. coexistem.
Comentário: • Isso evita revogação automática,
valorizando a harmonia entre
• Esse trecho traz o chamado princípio normas.
da continuidade da lei.
Exemplo: Uma lei geral sobre meio ambiente
• Uma lei não perde validade não revoga uma lei especial sobre proteção de
sozinha com o tempo (a não ser que rios, a menos que exista contradição direta
tenha vigência temporária fixada no seu entre elas.
texto).
• Portanto, uma lei só deixa de vigorar ------------------------------------------------------
se for expressamente ou
tacitamente revogada por outra. § 3º. Salvo disposição em contrário, a lei
revogada não se restaura por ter a lei
Exemplo: revogadora perdido a vigência.
Se a Lei nº 1.000/2000 não menciona quando
termina sua vigência, ela permanece válida Comentário:
por tempo indeterminado, até que outra a
revogue. Esse parágrafo trata da repristinação, que é
a ideia de uma lei voltar a vigorar
------------------------------------------------------ automaticamente depois que a lei que a
revogou deixa de existir.
§ 1º. A lei posterior revoga a anterior quando
expressamente o declare, quando seja com ela A regra geral no Brasil é que isso não
incompatível ou quando regule inteiramente acontece: se a lei nova (revogadora) for
a matéria de que tratava a lei anterior. revogada, a lei antiga não retorna
automaticamente ao ordenamento.
Comentário:

Aqui temos as três formas de revogação


no Direito brasileiro:

1. Revogação expressa: A nova lei diz O §3º da LINDB diz que a Lei A não volta a
claramente que está revogando a valer automaticamente. Para que ela volte
antiga. a produzir efeitos, a nova norma deve
dizer expressamente que a está
2. Revogação tácita por restaurando.
incompatibilidade: A nova lei traz
regras contrárias à anterior, mesmo Assim, só há repristinação se houver
sem mencionar a revogação. previsão expressa.

3. Revogação tácita por OBRIGATORIEDADE DA NORMA:


regulamentação total: Quando a
nova lei trata completamente da Art. 3º, LINDB:
mesma matéria de forma diferente. “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando
que não a conhece.”
O art. 3º da LINDB institui a presunção de A lacuna é da legislação, não do
conhecimento da lei por todos os ordenamento.
indivíduos. Assim, ninguém pode deixar
de obedecer a uma norma sob o É importante entender que a ausência de
argumento de ignorância de seu conteúdo. previsão legal em um ponto específico não
significa que o ordenamento está incompleto.
• Essa regra reforça a segurança Existem formas de suprir essa falta,
jurídica, ao impedir que o justamente por meio da integração da norma.
desconhecimento da lei seja utilizado
como desculpa para descumpri-la.
• Em consequência, todo destinatário da
O que o juiz deve fazer diante de
norma é considerado informado de seu
teor desde a efetiva publicação uma lacuna?
oficial.
A LINDB, em seu art. 4º, determina que,
• Trata-se de princípio basilar do
quando a lei for omissa, o juiz deve decidir
nosso ordenamento: a lei, uma vez
com base em:
publicada, vale para todos,
independentemente do grau de 1. Analogias:
instrução ou da condição social do Aplicação de norma que rege caso
indivíduo. semelhante ao que está sendo julgado.
Em suma: a lei é obrigatória para todos, e o Ex: Se há lei para guarda de filhos, mas não
argumento de que “eu não sabia” não exime para guarda de animais, o juiz pode aplicar por
ninguém de seu cumprimento. analogia.

2. Costumes:
Práticas reiteradas e aceitas pela
INTEGRAÇÃO DA NORMA: ART. 4º sociedade como obrigatórias.

Art. 4º, LINDB: Ex: Práticas comerciais costumeiras em


"Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o determinada região.
caso de acordo com a analogia, os costumes e
os princípios gerais de direito." 3. Princípios gerais do Direito:
Valores e diretrizes fundamentais que
Comentário e Explicação: orientam o sistema jurídico.

O art. 4º trata da chamada integração da Ex: Princípios da boa-fé, equidade, dignidade


norma jurídica, que ocorre quando o juiz da pessoa humana.
precisa preencher lacunas da legislação diante
de um caso concreto que não está previsto Vedação ao non liquet
expressamente na lei.
O ordenamento jurídico proíbe o juiz de
O que é integrar a norma? alegar ausência de norma para se
eximir de julgar o caso — essa vedação é
Integrar significa colmatar (preencher) conhecida como non liquet, expressão latina
lacunas legais, utilizando meios reconhecidos que significa: "não está claro".
pelo próprio ordenamento jurídico. Isso Assim, o magistrado não pode deixar de
ocorre porque o legislador, ao elaborar as leis, julgar, mesmo que não exista uma lei
não consegue prever todas as situações específica aplicável ao caso concreto.
possíveis da vida real.
Assim, a legislação pode ser lacunosa, mas o
ordenamento jurídico como um todo é
considerado completo, pois oferece INTERPRETAÇÃO DA NORMA: ART. 5º
instrumentos para resolver essas omissões.
Art. 5º, LINDB:
"Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins
sociais a que ela se dirige e às exigências do Porém, essa regra não atinge situações
bem comum." jurídicas consolidadas sob a lei
anterior.
Explicação:
Limites da aplicação da nova lei:
A interpretação da norma consiste em buscar
o sentido e o alcance da lei, ou seja,
A lei nova não pode atingir:
compreender o que ela quer dizer e até onde
ela se aplica.
Diferente da integração, que serve para 1. Ato jurídico perfeito
preencher lacunas legais, a interpretação se 2. Direito adquirido
aplica quando a norma já existe, mas precisa 3. Coisa julgada
ser compreendida corretamente.
Esses institutos funcionam como cláusulas
O juiz, ao interpretar a lei, deve considerar:
de proteção da segurança jurídica. Eles
impedem que a nova norma "volte no tempo"
• A finalidade social da norma para alterar ou anular efeitos já
(porque ela foi criada); consumados sob a legislação antiga.
• As exigências do bem comum (o
interesse coletivo, acima do individual).

✔ interpretar é dar sentido à norma existente, § 1º – Ato Jurídico Perfeito


guiando-se por sua função social e pelo bem
comum. "Reputa-se ato jurídico perfeito o já
consumado segundo a lei vigente ao tempo
APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO – ART. em que se efetuou."
6º, LINDB
Comentário:
Art. 6º. A Lei em vigor terá efeito imediato e
É o ato praticado e concluído de forma
geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o
direito adquirido e a coisa julgada. válida conforme a lei vigente na época.
Não pode ser desfeito por uma nova legislação.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já
Exemplo: Um contrato de compra e venda
consumado segundo a lei vigente ao tempo em
que se efetuou. celebrado sob a antiga lei é um ato jurídico
perfeito. Mesmo que a nova lei traga requisitos
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os diferentes, o contrato continua válido.
direitos que o seu titular, ou alguém por ele,
possa exercer, como aqueles cujo começo do § 2º – Direito Adquirido
exercício tenha termo pré-fixado, ou condição
pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de "Consideram-se adquiridos assim os direitos
outrem. que o seu titular, ou alguém por ele, possa
exercer, como aqueles cujo começo do
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a exercício tenha termo pré-fixado, ou condição
decisão judicial de que já não caiba recurso. pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de
outrem."
EXPLICAÇÃO COMENTADA DO ART.
Comentário:
6º – LINDB
Direito adquirido é aquele que já integra o
Regra geral: patrimônio jurídico de alguém, mesmo
que ainda não esteja sendo exercido,
"A lei em vigor terá efeito imediato e geral..." desde que o início do exercício esteja
condicionado a termo ou condição já
Significa que uma nova lei se aplica aos fixada.
fatos futuros, ou seja, a partir de sua entrada
em vigor, ela já é obrigatória para todos.
Exemplo: Um servidor que já cumpriu todos Permite tanto a aplicação da lei brasileira a
os requisitos para aposentadoria tem um situações ocorridas fora do território
direito adquirido, mesmo que ainda não tenha nacional, quanto a aplicação de leis
formalizado o pedido. estrangeiras no Brasil, conforme os
critérios da LINDB.

APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO:


§ 3º – Coisa Julgada ART.7º à 19º

"Chama-se coisa julgada ou caso julgado a Art. 7º – A lei do país em que domiciliada a
decisão judicial de que já não caiba recurso." pessoa determina as regras sobre o começo e o
fim da personalidade, o nome, a capacidade e
Comentário: os direitos de família.

Refere-se à decisão judicial definitiva, Isso significa que:


contra a qual não cabe mais recurso. Nem
mesmo uma nova lei pode modificar os seus A lei do domicílio da pessoa (ou seja, onde
efeitos. ela vive com intenção de permanência) é a que
determina:
Exemplo: Uma decisão que reconhece a
propriedade de um imóvel a determinada o Quando a pessoa adquire ou
pessoa, e que já transitou em julgado, não perde personalidade
pode ser desfeita por nova legislação jurídica.
sobre posse ou propriedade. o Quais são os direitos sobre
seu nome.
PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE o Sua capacidade civil (se ela
DAS LEIS pode contratar, casar, fazer
testamento etc.).
No Direito Brasileiro, adota-se como regra o Questões sobre direitos de
geral a irretroatividade das leis. Ou seja: família (casamento, união,
adoção etc.).
As leis novas não podem atingir fatos
passados (anteriores à sua vigência). §1º – Casamento no Brasil
Exceção: A retroatividade expressa da lei só Realizando-se o casamento no Brasil, será
é admitida se não ferir direito adquirido, ato aplicada a lei brasileira quanto aos
jurídico perfeito ou coisa julgada. impedimentos dirimentes e às
formalidades da celebração.
Princípio da Territorialidade e
Extraterritorialidade Mesmo que os noivos sejam estrangeiros, se
casarem em território brasileiro, devem
obedecer:
• A regra geral é que a norma jurídica
vale dentro do território do
Estado que a criou. • Aos impedimentos legais
brasileiros (por exemplo, proibição
• Isso é o princípio da de casamento entre irmãos).
territorialidade.
• Às regras formais da celebração
• Contudo, há exceções: algumas leis conforme o Código Civil brasileiro.
podem ser aplicadas fora do
território do Estado ou leis §2º – Casamento de estrangeiros
estrangeiras podem ser aplicadas
fora do Brasil
no Brasil → isso se chama
extraterritorialidade. Pode ser celebrado perante autoridades
diplomáticas ou consulares do país de
O Brasil adota o princípio da
ambos os nubentes.
territorialidade moderada:
Isso autoriza que dois estrangeiros se estrangeiro só é válido no Brasil após 1
casem no exterior segundo a lei do país ano, salvo se já houve separação judicial
deles, mesmo estando em outro território, por igual prazo.
desde que isso ocorra em embaixadas ou
consulados.

§3º – Domicílios diferentes dos Além disso:


nubentes
• Precisa de homologação pelo STJ
Tendo os nubentes domicílio diverso, a lei do (Superior Tribunal de Justiça) para
primeiro domicílio conjugal rege os produzir efeitos aqui.
casos de invalidade do casamento. • Isso garante que o Brasil reconheça o
divórcio feito fora do país, desde
Ou seja: que respeitadas as regras brasileiras.

• Se o casal mora em países diferentes §7º – Domicílio familiar


antes do casamento, a lei do país
onde eles vão morar juntos pela Salvo abandono, o domicílio do chefe da
primeira vez será usada para analisar família se estende ao cônjuge e aos filhos
se o casamento é válido ou não. não emancipados. O domicílio do
tutor/curador se estende ao incapaz.
§4º – Regime de bens
Essa regra serve para unificar o domicílio
O regime de bens obedece à lei do país onde familiar e definir qual lei aplicar em certos
os nubentes têm domicílio, ou, se forem casos. Exemplo: se o chefe da família mora na
diferentes, à do primeiro domicílio Itália, presume-se que os filhos também têm
conjugal. domicílio lá (salvo abandono).

Exemplo: §8º – Pessoa sem domicílio

• Se uma brasileira e um francês casam- Se a pessoa não tiver domicílio, considera-


se e vão morar na França, aplica-se a lei se domiciliada:
francesa ao regime de bens.
• Se um mora no Brasil e o outro na • No lugar de sua residência habitual,
Argentina, e depois vão morar juntos ou
no Chile, vale a lei chilena. • Onde ela se encontra (último
recurso).
§5º – Naturalização e regime de
bens Essa é uma regra subsidiária, usada apenas
quando o domicílio não puder ser
O estrangeiro casado que se naturaliza identificado claramente.
brasileiro pode pedir ao juiz que se adote o
regime da comunhão parcial de bens,
com anuência do cônjuge e sem
prejudicar terceiros.

Essa é uma situação excepcional, que Art. 8º da LINDB – Conflito de Leis no


permite que o casal passe a seguir o regime Espaço Aplicado aos Bens:
de bens previsto no Brasil (comunhão
parcial), mesmo que tenha seguido outro Caput: “Para qualificar os bens e regular as
antes. relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei
do país em que estiverem situados.”
§6º – Divórcio estrangeiro
A lei do local onde o bem está
Se um ou ambos os cônjuges forem fisicamente situado (situs) é a que deve
brasileiros, o divórcio realizado no ser aplicada.
Exemplos: • Se uma joia é entregue em penhor a um
credor domiciliado em Portugal,
• Um imóvel situado na França será será aplicada a lei portuguesa,
regulado pela lei francesa, mesmo mesmo que o dono seja brasileiro e a
que o dono seja brasileiro. joia seja brasileira.
• Um quadro (bem móvel) que
permanece na Itália, será tratado O objetivo é proteger a relação
conforme a lei italiana, se não for obrigacional real, que depende da posse do
transportado. objeto dado em garantia.

Isso vale para a: Art. 9º da LINDB – Lei Aplicável às


Obrigações (Conflito de Normas no
• Classificação dos bens (móveis, Espaço)
imóveis, fungíveis etc.)
• Posse, propriedade, usufruto, hipoteca Caput: “Para qualificar e reger as
etc. obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que
se constituírem.”
• Transferência, aquisição, perda ou
extinção de direitos reais. Isso quer dizer que:
------------------------------------------------------ A lei que rege uma obrigação (como contrato,
dívida, prestação de serviço) é aquela do país
§1º: “Aplicar-se-á a lei do país em que for onde essa obrigação foi criada, ou seja, onde
domiciliado o proprietário, quanto aos bens nasceu o vínculo obrigacional.
móveis que ele trouxer ou se destinarem a
transporte para outros lugares.” Exemplo:
Se os bens móveis forem trazidos de um lugar • Um contrato é assinado por duas partes
a outro ou estiverem em transporte, aplica-se na Espanha, mesmo que uma delas
a lei do domicílio do proprietário.
seja brasileira → aplica-se a lei
espanhola.

Essa regra traz segurança jurídica


internacional, pois define um critério
Exemplo: objetivo e fixo: o local da constituição da
obrigação.
• Um brasileiro domiciliado no Brasil
------------------------------------------------------
compra um carro na Alemanha e o
importa para o Brasil. §1º: “Destinando-se a obrigação a ser
executada no Brasil e dependendo de forma
Nesse caso, aplica-se a lei brasileira para
essencial, será esta observada, admitidas as
tratar sobre a propriedade e posse durante o
peculiaridades da lei estrangeira quanto aos
transporte, não a lei alemã. Isso garante
requisitos extrínsecos do ato.”
segurança jurídica para o dono que transporta
seus bens de um país para outro. Essa parte trata da forma da obrigação, ou
seja, a maneira como ela se expressa
§2º: “O penhor regula-se pela lei do domicílio
(escrita, pública, autenticada,
que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre
registrada etc.).
a coisa apenhada.”
Se a obrigação for executada no Brasil e
Regra específica sobre penhor:
a forma for essencial (por exemplo, escritura
A lei aplicável ao penhor será a do domicílio pública), a forma brasileira deve ser
de quem está com a posse da coisa. seguida.

Exemplo:
No entanto, a lei estrangeira pode ser A lei aplicável à sucessão (ou seja, às regras
considerada quanto aos requisitos de partilha dos bens, testamento, ordem
externos, como: dos herdeiros etc.) é a lei do país do último
domicílio do falecido ou desaparecido —
• Idioma, não importa onde estejam os bens (se
• Reconhecimento de firma, são no Brasil ou no exterior, imóveis ou
móveis).
• Legalizações feitas no país de origem.
Exemplo:
Exemplo prático:
• Uma pessoa domiciliada na Itália
• Um contrato celebrado na Alemanha,
morre, deixando bens no Brasil e na
mas que será executado no Brasil e
França → a lei italiana rege toda a
exige escritura pública → a forma
sucessão, inclusive dos bens situados
deve seguir a lei brasileira, ainda
aqui.
que o contrato tenha sido formado na
Alemanha. ------------------------------------------------------

§1º: “A sucessão de bens de estrangeiros,


situados no País, será regulada pela lei
§2º: “A obrigação resultante do contrato brasileira em benefício do cônjuge ou dos
reputa-se constituída no lugar em que residir filhos brasileiros, ou de quem os represente,
o proponente.” sempre que não lhes seja mais favorável a lei
pessoal do de cujus.”
Essa norma complementa o caput ao
definir onde a obrigação contratual foi Essa parte traz uma exceção protetiva à
constituída: regra geral:

O local de constituição da obrigação contratual Quando o falecido for estrangeiro, mas os


é o domicílio de quem fez a proposta bens estiverem no Brasil, a lei brasileira
(proponente). se aplica para beneficiar o cônjuge ou
filhos brasileiros, se isso for mais
Exemplo: vantajoso do que a lei estrangeira.

• Um empresário brasileiro envia uma Esse dispositivo visa proteger os interesses


proposta de contrato para alguém na da família brasileira, mesmo que a
Itália. Se o italiano aceita, a obrigação sucessão devesse, pela regra geral, seguir a lei
nasce no Brasil, pois foi o domicílio estrangeira.
do proponente.
Exemplo prático:
Isso ajuda a resolver casos em que as partes
estão em países diferentes e não ficou claro • Um francês, domiciliado na França,
onde o contrato foi formado. falece e deixa bens no Brasil. Se ele tem
um filho brasileiro e a lei francesa for
Art. 10 da LINDB – Lei Aplicável à menos benéfica do que a lei
Sucessão (Conflito de Normas no brasileira, aplica-se a brasileira em
Espaço) favor desse filho.

Caput: “A sucessão por morte ou por §2º: “A lei do domicílio do herdeiro ou


ausência obedece à lei do país em que legatário regula a capacidade para suceder.”
domiciliado o defunto ou o desaparecido,
Aqui se define qual lei diz se a pessoa pode
qualquer que seja a natureza e a situação dos
bens.” ou não herdar:

A capacidade sucessória (poder ou não


Regra geral:
receber herança) será regida pela lei do
país de domicílio do herdeiro ou Art. 15 – Execução de sentença
legatário. estrangeira no Brasil

Exemplo: Para ser executada no Brasil, a sentença


estrangeira precisa:
• Um herdeiro domiciliado no Japão será
avaliado segundo a lei japonesa para 1. Ser de juiz competente;
saber se tem capacidade jurídica 2. Ter citação válida das partes;
para herdar (idade, impedimentos 3. Estar transitada em julgado;
legais etc.). 4. Ser traduzida oficialmente;
5. Ser homologada pelo STF (hoje, é o
Art. 11 – Lei aplicável às organizações STJ que faz isso).
coletivas
Art. 16 – Aplicação da Lei Estrangeira
(sem reenviar a outra)
• Sociedades e fundações seguem a lei
do país onde foram constituídas. Quando a lei estrangeira for aplicável (ex.:
• Só podem ter filiais no Brasil após domicílio do falecido, local do bem etc.),
aprovação do governo brasileiro. aplica-se diretamente essa lei, sem
• Governos estrangeiros e suas considerar se ela remete a outra.
organizações não podem adquirir
bens imóveis no Brasil, exceto para Exemplo:
sedes diplomáticas e consulares. Se a lei francesa (a ser aplicada por força do
art. 10 da LINDB) disser que o caso deve ser
Art. 12 – Competência da autoridade julgado conforme a lei brasileira, o juiz
judiciária brasileira brasileiro ignora essa remissão e aplica
a lei francesa diretamente.
• O Brasil tem competência judicial
quando o réu for domiciliado aqui ou a Art. 17 – Limites à Aplicação de Leis
obrigação for cumprida aqui. Estrangeiras
• Somente a Justiça brasileira pode
julgar causas sobre imóveis Mesmo que a lei estrangeira seja aplicável,
localizados no Brasil. não será válida no Brasil se:
• O Brasil pode cumprir diligências de
• Violar a soberania nacional;
autoridades estrangeiras, desde
que observadas as leis brasileiras. • Ofender a ordem pública;
• Contrariar os bons costumes.
Art. 13 – Prova de fatos ocorridos no
exterior Exemplo:
Se uma sentença estrangeira admitir a
• A prova segue a lei do país onde os poligamia ou trabalho escravo, ela não terá
fatos ocorreram, quanto ao ônus e validade no Brasil, mesmo que seja válida
meios de prova. no país de origem.
• O Brasil não admite provas
Art. 18 – Atos Consulares de Brasileiros
proibidas pela sua própria lei,
no Exterior
mesmo se válidas no país de origem.
As autoridades consulares brasileiras
Art. 14 – Prova da lei estrangeira (ex: consulados) podem celebrar atos civis
de brasileiros no exterior, como:
• Se o juiz não conhecer a lei
estrangeira, quem a invocar deve • Casamento,
provar sua existência e vigência. • Registro de nascimento ou óbito,
• Separação e divórcio consensual (desde
que sem filhos menores ou incapazes).
§1º – Separação/Divórcio Consensual
no Consulado:

Pode ser feito, desde que:

• O casal não tenha filhos menores


ou incapazes,
• Seja tudo feito por escritura pública,
contendo:
o Partilha dos bens,
o Pensão alimentícia,
o Decisão sobre o nome após o
divórcio.

§2º – Necessidade de Advogado:

É obrigatória a presença de um
advogado, que pode ser:

• Um só para o casal (petição conjunta),


ou
• Um advogado para cada parte.

A assinatura do advogado não precisa estar


na escritura pública, basta que ele assine a
petição.

Art. 19 – Validade de Atos Consulares


Anteriores

Todos os atos consulares (como casamento ou


registro de nascimento) feitos por cônsules
brasileiros no passado (desde 1942) são
considerados válidos, desde que tenham
seguido os requisitos legais da época.

Parágrafo único:

Se, no passado, um ato consular foi recusado


com base no art. 18, o interessado pode
refazer o pedido dentro de 90 dias a
contar da publicação da nova lei.

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