LINDB – LEI 4.
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VIGÊNCIA
As leis possuem um ciclo vital: nascem por meio de um projeto de lei (PL), têm um
período de “vida” denominado vigência e “morrem” através da revogação.
A retirada de uma lei do ordenamento jurídico só ocorre por meio da revogação.
As lei são regidas pelos seguintes princípios:
- Obrigatoriedade das leis: quando uma lei está em vigor/vigência, ela é obrigatória a
todos. A pessoa não pode praticar um ato alegando o desconhecimento da norma.
Esse princípio visa garantir a segurança jurídica
OBS: existem excepcionalidades aplicadas ao princípio da obrigatoriedade, a exemplo,
o erro de direito que só pode ser alegado em raríssimas ocasiões (art. 139, III).
- Continuidade das leis: a partir de sua vigência a lei possui eficácia continua, até que
outra norma a modifique ou haja sua revogação. O decursos do tempo ou o seu
desuso (costume negativo) não faz com que a lei perca sua aplicabilidade.
OBS: no Brasil não se admite o costume negativo.
Criação de Lei:
- Decorre de procedimento próprio, oriundo do processo legislativo:
1) Iniciativa: a CF confere legitimidade para diversos indivíduos apresentarem
projetos de lei (art. 59 a 69 CF).
2) Deliberação parlamentar: após apresentado o PL, são realizados estudos,
debates, correções e ele será submetido a votação pelos parlamentares.
3) Deliberação executiva: chefe do executivo dará sanção ou veto ao PL.
4) Promulgação: se o PL for sancionado haverá a promulgação. Promulgar significa
declarar existência da Lei, contudo, com a promulgação ainda não há a
produção de efeitos.
5) Publicação: é o ato de divulgação da lei nova, visa garantir que norma seja
conhecida por todos. Publicação é uma condição de vigência. Finaliza o
processo legislativo.
OBS: após a publicação há um período de Vacatio legis.
Vacatio Legis
- É o período de vacância da norma, ou seja, a lei foi promulgada (já existe), porém,
ainda não entrou em vigência. É o intervalo de tempo entre a publicação e a vigência
da norma, em que a lei está num período latente.
- A vacatio legis, em regra, perdura pelo período de 45 dias, salvo, no caso da própria
lei estipular período diverso. O legislador deve modular o período de vacatio de acordo
com a complexidade da lei.
OBS: a contagem é continua (em dias corridos), deve-se incluir o dia da publicação e o
último dia do prazo (dia do vencimento). A lei passa a ter vigência no dia seguinte ao
final da contagem, o qual não precisa ser dia útil.
Vigência
É o tempo durante o qual uma coisa vige ou vigora. Durante o período de vigência a
lei entra em vigor, ou seja, passa a ter força vinculante e dá início a obrigatoriedade.
-Vigência sincronizada e simultânea: via de regra, a lei passa a ter vigência em todo
território nacional ao mesmo tempo, salvo disposição em contrário de vigência
progressiva.
OBS: Vigência (período de existência) X Vigor (força normativa), esses institutos não
são sinônimos, porém o próprio legislador os utiliza como se fossem.
OBS: é possível que uma lei não tenha mais vigência, porém, continue tendo vigor em
alguns aspectos, mesmo após a sua revogação. Tal fenômeno é denominado ultra
atividade da norma ou pós atividade da norma. Isso ocorre pois a lei anterior continua
regendo relações que foram consolidadas durante sua vigência. Ex.:regime de bens do
casamento escolhidos na vigência do Código Civil de 1916; Enfiteuses (não existe no
Código Civil de 2002).
OBS.: quando a lei nova entre em vigência ela possui aplicação geral e imediata
- Validade: é uma qualidade da norma, decorre da obediência as condições formais e
matérias do seu processo legislativo (produção). Validade constitucional.
- Eficácia: qualidade da norma que está em vigor e é capaz de produzir efeitos
concretos (eficácia jurídica ou social).
OBS: O prazo de 45 dias não se aplica a atos normativos administrativos (Ex.:
decretos, portarias, regimentos, regulamentos, resoluções, instruções normativas,
etc.), os quais passam a ter vigência (produzir efeitos) imediatamente após a sua
publicação.
- Obrigatoriedade de lei brasileira em território estrangeiro: quando admitida, sua
vigência no Estado estrangeiro iniciará 3 meses depois da publicação.
- Se durante o período de vacatio legis ocorrer uma correção/alteração em algum dos
dispositivos da lei, reiniciará a contagem a partir da nova publicação para que a
referida norma entre em vigência.
OBS: caso o dispositivo alterado seja de baixa relevância a contagem será reiniciada
somente sobre aquela parcela da norma. Contudo, caso seja um instrumento de alta
relevância a contagem da vacatio legis reiniciará para a lei em sua totalidade.
- É necessário uma “lei nova” para realizar correções/alterações legislativas em uma
norma que já esteja em vigência (Art. 1º, §4º, LINDB).
- Até quando a lei tem vigência? Art. 2o da LINDB institui que “não se destinando à
vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue”. Portanto,
a lei terá vigência até que uma lei nova a revogue (Eficácia continua- princípio da
continuidade).
REVOGAÇÃO
- Tornar sem efeito a obrigatoriedade da lei, ou seja, a revogação retira a eficácia da
norma. Somente lei poderá revogar outra lei.
- No Brasil não se admite costume negativo como forma de revogação
(desuetudo).
- Haverá revogação quando: a lei nova expressamente declarar; a lei nova for
incompatível com a anterior; ou quando a lei nova passe a regular inteiramente a
matéria de que tratava a lei anterior.
- Espécies de revogação:
1) Total (ab-rogação): quando a lei nova revoga integralmente a anterior, logo, a
norma anterior perde sua eficácia na totalidade.
2) Parcial (derrogação): quando apenas uma parte da norma perde seu efeito.
3) Expressa (por via direta): a lei nova taxativamente declara revogada a lei
anterior ou aponta quais dispositivos serão suprimidos.
4) Tácita (por via indireta ou oblíqua): ocorre quando a lei nova é incompatível
com a anterior ou quando a lei nova passe a regular inteiramente a matéria de
que tratava a lei anterior.
- Em regra, a revogação deve ser expressa. A revogação tácita decorre,
principalmente, da interpretação jurisprudencial.
OBS: é possível a ultratividade ou pós-atividade da norma. Exemplo: art. 1046, §1º,
CPC.
REPRISTINAÇÃO
- Ocorre quando há a restauração da eficácia de uma norma anterior em razão da lei
revogadora ter perdido sua vigência.
- Tal fenômeno só ocorre se houver determinação expressa de outra norma. Logo, no
Brasil, via de regra, não há repristinação automática.
- Efeito repristinatório: ocorre quando o STF declara inconstitucional uma lei
revogadora e por essa razão a lei revogada volta a produzir efeitos a fim de se evitar
uma lacuna normativa.
OBS: Efeito repristinatório é diferente do fenômeno da repristinação, o citado efeito
decorre do controle de constitucionalidade realizado pelo STF. Nessa hipótese,
restaura-se os efeitos da norma revogada, uma vez que a lei revogadora foi declarada
inconstitucional, ou seja, é tida como se nunca houvesse existido.
Leis gerais X Leis especiais
- Norma especial: tem um conteúdo especializado dentro de um certo ramo do direito.
Ex.: Lei de alimentos.
- Norma geral: aborda todo um ramo específico do direito. Ex.: Código Civil.
- Se há uma lei geral e uma lei especial é possível que as duas existam
concomitantemente. Logo, verifica-se que a lei especial não revoga a lei geral,
bem como a lei geral não revoga a especial.
- Art. 2º, § 2º, da LINDB: Lei geral e lei especial vão coexistir.
- A lei geral e a lei especial podem “conviver”, salvo, se houver previsão expressa ou
tácita em uma das legislações determinando a revogação da outra (lei nova
revogando anterior).
Métodos de Integração
- Subsunção: é aplicação da lei ao caso concreto.
- O juízo não pode deixar de julgar caso concreto se não houver no ordenamento
jurídico uma norma que regulamente determinada questão.
- Para solucionar o problema da ausência de previsão legal a LINDB estabelece
métodos de integração.
OBS.: Métodos de integração é diferente de métodos de interpretação. No caso da
interpretação existe a lei, porém, o magistrado deve interpretá-la para que seja
melhor aplicada ao caso concreto.
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais de direito.
- Portanto se não houver lei regulamentando determinado caso concreto, o juiz poderá
solucionar a demanda aplicando a analogia, os costumes ou os princípios gerais do
direito.
- Deve seguir a ordem constante na norma:
1. Analogia: quando existem normas ou conjuntos de normas que se
aproximam do caso concreta. Existe a analogia legal e jurídica.
2. Costumes
3. Princípios gerais do direito
Art. 140 do CPC: O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou
obscuridade do ordenamento jurídico. Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade
nos casos previstos em lei.