Revisão PGDF - Civil Ponto A Ponto PDF
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721-11
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CIVIL PONTO A PONTO
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SUMÁRIO
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CIVIL PONTO A PONTO
a) Natureza Jurídica da LINDB: Regra de sobredireito, metanorma, ou seja, são normas que definem a
aplicação de outras normas.
b) Vigência das normas: É o período que medeia entre a publicação e o início de vigência da norma. A regra é
a de que a vigência da lei terá início 45 dias após a publicação, salvo se dispuser em contrário.
Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de
oficialmente publicada.
§ 1o Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses
depois de oficialmente publicada.
CESPE/CEBRASPE, PGM CAMPO GRANDE-MS, 2019: Salvo expressa disposição em contrário, a lei entrará em
vigor no primeiro dia útil após a sua publicação no Diário Oficial da União.
Errado.
Validade: É qualidade da norma que obedeceu às condições formais e materiais de sua produção
(competência para a elaboração da Lei, tramitação pelo devido processo legislativo, etc.) e consequente
integração no sistema jurídico da sociedade. Para ter validade, a lei precisa ser compatível formal
(procedimento) e materialmente (conteúdo) com a própria Constituição Federal.
Vigência: É a qualidade da norma no que diz respeito ao seu tempo de validade. É o período de vida da lei,
que vai do momento em que ela entra em vigor até o momento em que é revogada, ou em que se esgota o
prazo prescrito para sua duração (lei temporária).
Eficácia: É a qualidade da norma que está em vigor no tocante à possibilidade de produção de efeitos
concretos, seja porque foram cumpridas as condições exigidas para isso (eficácia jurídica), seja por que estão
presentes as condições fáticas exigíveis para sua observância espontânea ou imposta, ou para a satisfação dos
objetivos visados (eficácia social).
OBS.: Diferente de efetividade: Produção dos efeitos desejados por quem produziu a lei.
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Veja o seguinte quadro para compreender melhor o tema:
Ato formal e solene que atesta a existência e validade da norma (como uma
homologação). Segundo Cristiano Chaves, a lei só “existe” quando é “promulgada”.
PROMULGAÇÃO
É a divulgação oficial que possibilita que todos tenham ciência do conteúdo da norma,
tornando-a inescusável pelo não conhecimento; em regra, feita um tempo antes à
PUBLICAÇÃO
entrada em vigor pelo princípio da não surpresa.
EFICÁCIA A eficácia ocorre, assim, quando a lei está apta para produzir qualquer efeito, que pode
ocorrer antes da vigência (retroeficácia ou eficácia retroativa) ou após a sua vigência
(ultraeficácia ou ultratividade da lei).
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CESPE/CEBRASPE, PGE-RO, 2022 (Adaptada): Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a
regra geral, quando aplicável, é que a lei brasileira, depois de oficialmente publicada, inicia sua vigência em
45 dias em todo o país e em 3 meses nos Estados estrangeiros.
Certo.
Norma corretiva:
Art. 1º (...)
§ 3º. Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo
deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
§ 4º. As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
c) Revogação:
Princípio da continuidade:
Art. 2º. Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
§ 1º. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível
ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
§ 2º. A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem
modifica a lei anterior.
AB-ROGAÇÃO DERROGAÇÃO
É a revogação total. Decorar: Ab é É a revogação parcial.
absoluta.
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Tanto a revogação total (ab-rogação) como a parcial (derrogação) podem ser:
a) expressas ou diretas: ocorre quando há comando legislativo expresso na nova norma, retirando a
eficácia de uma norma anterior.
b) tácita, indireta ou oblíqua: ocorre quando há incompatibilidade ou uma nova norma regula
inteiramente a matéria tratada na anterior de forma colidente.
d) Irretroatividade da lei:
Lei nova produz efeito geral e imediato, não se aplicando a fatos pretéritos.
Repristinação:
§ 3º. Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência.
IMPORTANTE! O Brasil NÃO admite o instituto da repristinação tácita das normas. Neste sentido: Salvo
disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência (artigo 2º,
§ 3º da LINDB).
CESPE/CEBRASPE, FUNPRESP-EXE, 2022: Caso a lei B, que revogou a lei A, venha a ser revogada, a primeira
volta a reger a matéria.
Errado.
TAIS EFEITOS RETROATIVOS NÃO ATINJAM O ATO JURÍDICO PERFEITO, A COISA JULGADA E O DIREITO
ADQUIRIDO
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ANALOGIA
Aplicação de uma norma a um fato análogo que não recebeu tratamento jurídico.
COSTUMES
(iii) contra legem: é o desuetudo, retira a eficácia social, mas não revoga a norma, que, pelo princípio da
continuidade das leis, permanecerá formalmente vigente até que outra lei a revogue.
Os costumes Contra Legem NÃO são admitidos no direito brasileiro, pois consistem naqueles que se
contrapõem às leis.
São princípios universais e gerais, veiculados em conceitos vagos, ou até mesmo implícitos no ordenamento
jurídico, utilizados para preencher as lacunas.
CESPE/CEBRASPE, PGDF/ANALISTA, 2021: No direito brasileiro, os costumes são considerados uma fonte do
direito que sempre prevalece sobre a lei.
Errado.
CESPE/CEBRASPE, PGM CAMPO GRANDE-MS, 2019: Diante de omissão legal, o juiz decidirá de acordo com a
analogia, os costumes e os princípios gerais de direito, visando atender aos fins sociais da lei e às exigências
do bem comum.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, PGE-PI, 2014: O sistema jurídico brasileiro admite que, devido ao desuso, uma lei possa
deixar de ser aplicada.
Errado.
f) Antinomia: As antinomias aparentes são sanadas com os seguintes critérios na seguinte ordem:
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HIERÁRQUICO
ESPECIALIDADE
CRONOLÓGICO
g) Antinomia de segundo grau: ocorre quando envolve dois dos critérios acima analisados. Ou seja, consistem
em choques entre os próprios critérios metajurídicos enunciados. Veja:
No conflito de uma norma especial anterior e uma geral posterior, prevalecerá o critério da especialidade,
sendo aplicável a norma especial anterior, pois o critério metajurídico da especialidade é mais forte do que o
cronológico.
Caso haja conflito de norma superior anterior e outra inferior posterior, prevalece à primeira, pois o critério
hierárquico se sobrepõe ao cronológico.
Havendo conflito de uma norma geral superior e uma especial inferior, segundo Bobbio vence o critério
hierárquico ao da especialidade, aplicando-se a norma superior.
h) Territorialidade mitigada: aplica-se a lei civil brasileira aos fatos aqui ocorridos. Contudo, o Brasil adota o
princípio da territorialidade mitigada, porque existem exceções a tal aplicação previstas na LINDB.
i) Territorialidade mitigada:
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e
a coisa julgada.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como
aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio
de outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.
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ATO JURÍDICO PERFEITO DIREITO ADQUIRIDO COISA JULGADA
ART. 6º, § 1º ART. 6º, § 2º ART. 6º, § 3º
Reputa-se ato jurídico perfeito o já Consideram-se adquiridos assim Chama-se coisa julgada ou caso
consumado segundo a lei vigente os direitos que o seu titular, ou julgado a decisão judicial de que já
ao tempo em que se efetuou. alguém por ele, possa exercer, não caiba mais recurso.
como aqueles cujo começo do
exercício tenha termo prefixo, ou
condição preestabelecida
inalterável, a arbítrio de outrem.
CESPE/CEBRASPE, PGE-PI, 2014: Há direito adquirido quando já tiverem sido praticados todos os atos ou
realizados todos os fatos exigidos pela lei para a obtenção do direito pretendido. Nesse contexto, é correto
afirmar que nem todo direito adquirido surge de uma relação jurídica, a exemplo do direito de apropriar-se
de coisa sem dono.
Certo.
RETROATIVIDADE DEFINIÇÃO
A lei nova atinge os direitos que, embora exigíveis desde antes da sua vigência,
MÉDIA ainda não foram efetivados. (ex.: Normas de Ordem Pública como a Função
Social do Contrato no CC/02)
A lei nova incide apenas sobre os efeitos futuros dos atos passados. (ex.: Regra
MÍNIMA do CC/02)
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j) Normas de segurança jurídica e eficiência na criação e na aplicação do Direito Público:
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições
para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não
se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam
anormais ou excessivos.
CESPE/CEBRASPE, PGM JOÃO PESSOA-PB, 2018 (Adaptada): Em resposta a consulta sobre a validade de
determinado ato administrativo, o procurador municipal responsável recomendou a nulidade do ato. Na
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recomendação, devem estar indicadas, de modo expresso, as consequências jurídicas e administrativas da
decretação do ato de invalidação.
Certo.
(...)
Art. 22 [...]
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas
- a natureza e a gravidade da infração cometida,
- os danos que dela provierem para a administração pública,
- as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente.
CESPE/CEBRASPE, FUNPRESP-EXE, 2022: Ainda que possa causar prejuízo aos administrados, a interpretação
pelo gestor de norma de gestão pública será realizada de acordo com as exigências das políticas públicas.
Errado.
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Por conta da nova interpretação, será imposto novo dever ou novo condicionamento de direito;
O regime de transição mostra-se, no caso concreto, indispensável para que o novo dever ou
condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente;
O regime de transição não pode acarretar prejuízo aos interesses gerais.
(...)
Art. 28 O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo
ou erro grosseiro.
CESPE/CEBRASPE, TC-DF, 2021: Valorizando a transparência e a clareza normativa, secretário municipal pode
proceder à consulta pública prévia para manifestação dos cidadãos da localidade com a finalidade de editar
ato normativo exclusivo para a organização interna de sua secretaria.
Errado.
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2. PESSOA NATURAL
Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro.
O que é personalidade?
O conceito de personalidade está umbilicalmente ligado ao de pessoa. Todo aquele que nasce com vida torna-
se uma pessoa, ou seja, adquire personalidade. Esta é, portanto, qualidade ou atributo do ser humano. Pode
ser definida como aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obrigações ou deveres na ordem civil.
CESPE/CEBRASPE, PC-RJ - Delegado de Polícia, 2022: Os direitos da personalidade são direitos essenciais à
dignidade e integridade e dependem da capacidade civil da pessoa, podendo ser citados os direitos a vida,
liberdade, privacidade e intimidade.
Errado.
Certo.
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A personalidade jurídica se inicia com a concepção, muito embora alguns
direitos só possam ser plenamente exercitáveis com o nascimento.
CONCEPCIONISTA O STJ tende a adotar a teoria concepcionista (ver julgado abaixo).
A Lei de Biossegurança e de Alimentos Gravídicos evidenciam essa teoria.
Enunciado n. 1, do CJF/STJ: A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne
aos direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura.
CESPE/CEBRASPE, DPE-RO - Analista da Defensoria Pública - Jurídica, 2022: Segundo a teoria natalista,
majoritariamente adotada pela legislação brasileira e pela doutrina contemporânea, o recém-nascido
adquiriu seus direitos à personalidade na ocasião exata do parto, no momento em que respirou pela
primeira vez.
Errado.
Errado.
CESPE/CEBRASPE, DPE-RO - Analista da Defensoria Pública - Jurídica, 2022: Segundo a atual interpretação da
lei e a doutrina majoritária contemporânea, o recém-nascido adquiriu os direitos à personalidade por ter
nascido com vida, mas teve todos seus direitos extintos a partir da data do seu óbito.
Errado.
CESPE/CEBRASPE, TJ-ES, 2011: Apesar de não reconhecer a personalidade do nascituro, o Código Civil põe a
salvo os seus direitos desde a concepção.
Certo.
De fato, o código civil não reconhece a personalidade jurídica do nascituro, mas lhe reserva alguns direitos
desde a concepção. Literalidade do código civil.
CESPE/CEBRASPE, ANTT, 2013: De acordo com o Código Civil, que adotou a teoria natalista, o nascituro não é
sujeito de direitos, sendo vedado, portanto, a ele realizar doação.
Errado.
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Sem entrar na celeuma se a teoria adotada é a natalista ou a concepcionista, o erro da questão mais evidente
é dizer que o nascituro não é sujeito de direitos, pois, a segunda parte do art. 2º do CC, resguarda direitos ao
nascituro.
ATENÇÃO! Embora haja uma forte doutrina que defende a teoria natalista, há que se ressaltar que o STJ
reconhece a incidência dos direitos da personalidade a partir da CONCEPÇÃO (REsp. 399.028/SP).
O que é capacidade?
Capacidade jurídica é a aptidão de alguém para praticar atos jurídicos (da vida civil). Exemplo: para casar,
adquirir propriedade, etc. Afirmar que o homem tem personalidade é o mesmo que dizer que ele tem
capacidade para ser titular de direitos.
A norma em questão trata da capacidade de direito ou de gozo, que é aquela para ser sujeito de direitos
e deveres na ordem privada, e que todas as pessoas têm sem distinção.
Ocorre que nem todas as pessoas têm, contudo, a capacidade de fato, também denominada capacidade de
exercício ou de ação, que é a aptidão para exercer, por si só, os atos da vida civil. Existe, ainda, uma outra
capacidade, aquela para exercer direitos, denominada como capacidade de fato ou de exercício, e que
algumas pessoas não têm. São os incapazes, especificados pelos arts. 3.º e 4.º do CC.
CESPE/CEBRASPE, INSS, 2008: A capacidade de fato ou de exercício da pessoa natural é a aptidão oriunda da
personalidade para adquirir direitos e contrair obrigações na vida civil.
Errado.
CESPE/CEBRASPE, TJ-CE, 2008: A capacidade de exercício ou de fato pressupõe a de gozo, mas esta pode
subsistir sem a capacidade de exercício.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, TJ-CE, 2008: A capacidade de fato ou de exercício da pessoa natural é a aptidão oriunda da
personalidade para adquirir direitos e contrair obrigações na vida civil.
Errado.
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Qual a diferença de personalidade para capacidade?
PERSONALIDADE CAPACIDADE
CAPACIDADE DE FATO:
CAPACIDADE PLENA:
São absolutamente incapazes de exercer São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira
pessoalmente os atos da vida civil os menores de de os exercer:
16 (dezesseis) anos. I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente,
não puderem exprimir sua vontade;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será
regulada por legislação especial.
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Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem
obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes.
Portanto, essa responsabilidade civil do incapaz é subsidiária, isto é, quando o responsável não dispor de
meios suficientes ou a obrigação for personalíssima, o incapaz responderá pelos prejuízos causados com o seu
próprio patrimônio.
Mas além de subsidiária, essa responsabilidade civil do incapaz também é condicional e equitativa, veja:
CC, Art. 928. [...] Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser equitativa, não terá
lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem.
A outro giro, a ação, ordinariamente, não pode ter um litisconsorte passivo, pois a responsabilidade NÃO é
solidária e sim subsidiária.
Enunciado n. 40 do CJF: o incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou
excepcionalmente, como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que
praticarem atos infracionais, nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente, no âmbito das
medidas socioeducativas ali previstas”.
Enunciado n. 41 do CJF: a única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18
anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5.º, parágrafo único, I, do novo Código Civil.
A responsabilidade civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária, condicional, mitigada e equitativa.
Os incapazes (ex: filhos menores), quando praticarem atos que causem prejuízos, terão responsabilidade
subsidiária, condicional, mitigada e equitativa, nos termos do art. 928 do CC.
Subsidiária: porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios para ressarcir a vítima.
Condicional e mitigada: porque não poderá ultrapassar o limite humanitário do patrimônio mínimo do
infante.
Equitativa: tendo em vista que a indenização deverá ser equânime, sem a privação do mínimo necessário para
a sobrevivência digna do incapaz. A responsabilidade dos pais dos filhos menores será substitutiva, exclusiva
e não solidária.
STJ. 4ª Turma. REsp 1436401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2.2.2017 (Info 599).
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b) Emancipação:
Emancipação antecipa os efeitos da maioridade, mas não induz à maioridade.
Emancipação por outorga dos pais ou por do casamento, o divórcio, a separação judicial e o
sentença do juiz; restabelecimento da sociedade conjugal;
Interdição por incapacidade absoluta ou relativa; Atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou
CC, Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de
todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver
dezesseis anos completos;
II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
CESPE/CEBRASPE, TC-DF, 2021: De acordo com o Código Civil, a emancipação voluntária do menor, por
concessão de ambos os pais, será feita por instrumento público, independendo de reconhecimento judicial
para produzir efeitos.
Certo.
Responsabilidade dos Pais pelos danos causados pelos seus filhos menores:
Os pais são responsáveis pelos atos praticados pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em
sua companhia. Ex.: pai permite que filho dirija sem habilitação; havendo um acidente, o pai deve responder
pela conduta do filho.
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Essa responsabilidade independe de culpa.
CESPE/CEBRASPE, INSS, 2008: A responsabilidade civil dos pais e tutores por ato ilícito praticado pelo incapaz
independe da imputação de culpa.
Certo.
Não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não estava
fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta:
O art. 932 do CC prevê que os pais são responsáveis pela reparação civil em relação aos atos praticados por
seus filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia.
O art. 932, I do CC, ao se referir à autoridade e companhia dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o
poder familiar (a autoridade parental não se esgota na guarda), compreendendo um plexo de deveres, como
proteção, cuidado, educação, informação, afeto, dentre outros, independentemente da vigilância
investigativa e diária, sendo irrelevante a proximidade física no momento em que os menores venham a causar
danos.
Em outras palavras, não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato
de que ele não estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta.
STJ. 4ª Turma. REsp 1436401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2.2.2017 (Info 599).
CESPE/CEBRASPE, DPE-BA, 2010: O mero afastamento de filho de 16 anos de idade da casa paterna não é
suficiente para elidir a responsabilidade dos pais.
Certo.
OBS.: Cuidado com o REsp 1232011-SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17.12.2015 (Info 575),
precedente em sentido um pouco diverso envolvendo uma mãe que morava em outra cidade.
A emancipação legal proveniente de relação empregatícia, prevista no art. 5º, parágrafo único, V, parte
final, do CC/2002, pressupõe: i) que o menor possua ao menos dezesseis anos completos; ii) a existência de
vínculo empregatício; e iii) que desse liame lhe sobrevenha economia própria.
Por decorrer diretamente do texto da lei, essa espécie de emancipação prescinde de autorização judicial, bem
como dispensa o registro público respectivo, bastando apenas que se evidenciem os requisitos legais para a
implementação da capacidade civil plena.
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Além disso, a autorização judicial não é pressuposto de validade de contratos de gestão de carreira e de
agenciamento de atleta profissional celebrados por atleta relativamente incapaz devidamente assistido pelos
pais ou responsável legal.
STJ. 3ª Turma. REsp 1872102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Belizze, julgado em 02.03.2021 (Info 687).
CESPE/CEBRASPE, MPE-SC/PROMOTOR, 2019: Consoante o Código Civil, a emancipação voluntária faz cessar
a responsabilidade dos pais para com atos ilícitos de filho menor.
Errado.
c) Fim da Personalidade:
Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos
em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.
Morte presumida:
MORTE PRESUMIDA COM AUSÊNCIA MORTE PRESUMIDA SEM AUSÊNCIA
Morte presumida é a presunção legal de morte daquele que desapareceu sem deixar notícias, gerando
dúvidas quanto à sua sobrevivência.
A ausência é um procedimento judicial a ser Existem dois casos em que será declarada a morte
seguido para a arrecadação e administração dos presumida SEM decretação de ausência anterior, quais
bens do desaparecido, abertura de sucessão sejam:
provisória, declaração de sua morte presumida e
(i) quando extremamente provável a morte de quem
abertura da sucessão definitiva. Tutela o interesse
estava em perigo de vida (ex.: pessoa sequestrada,
patrimonial do ausente (evitando-se o
acidente de avião ou navio);
perecimento de seus bens) e, principalmente, de
seus sucessores.
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OBS.: A ausência dissolve a sociedade conjugal. (ii) quando desaparecido em campanha ou feito
Art. 1571, §1º, CC. prisioneiro, não for encontrado até 02 anos após o
término da guerra.
A ausência tem três etapas:
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Em regra, tal fase dura 10 anos.
Mas será de 05 anos quando o ausente contar
com mais de 80 anos de idade, e de 05 anos
datarem suas últimas notícias.
Se durante a sucessão provisória provar o efetivo
falecimento do ausente, a mesma será
convertida em sucessão definitiva a qualquer
momento.
Sucessão definitiva
O que é comoriência?
CESPE/CEBRASPE, TJ-AM, 2019: No que concerne à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, à pessoa
natural, aos direitos da personalidade e à desconsideração de pessoa jurídica, julgue o item a seguir.
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Na hipótese de dois cônjuges, com idades diferentes, terem falecido na mesma ocasião e não ser possível
identificar com precisão quem faleceu primeiro, deve-se presumir que a morte do comoriente mais velho
precedeu a do mais novo.
Errado.
d) Direitos da Personalidade:
Os direitos fundamentais da personalidade são atributos e prerrogativas considerados essenciais ao pleno
desenvolvimento da pessoa humana (física, psíquica e moralmente). Pertencem à esfera extrapatrimonial do
indivíduo, valores não redutíveis pecuniariamente.
Os direitos da personalidade submetem-se a um rol taxativo? Todo o direito da personalidade deve estar
previsto em lei?
NÃO. Podemos correlacionar direitos da personalidade e dignidade humana, o que denota não se submeterem
a um rol taxativo.
Enunciado n. 724 da Jornada de Direito Civil: Os direitos da personalidade, regulados de maneira não
exaustiva pelo Código Civil, são expressões da cláusula geral da tutela da pessoa humana, contida no artigo
1º, III, da Constituição Federal.
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Enunciado n. 286 da Jornada de Direito Civil: Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais
à pessoa humana, decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas titulares de tais direitos.
Características:
Os direitos da personalidade são:
Impenhoráveis (não havendo impedimento para a penhora do crédito dos direitos patrimoniais);
Vitalícios (até a morte. No entanto, há direitos da personalidade que podem existir após o seu
falecimento, a exemplo da lesão a honra do indivíduo, cujo cônjuge sobrevivente ou qualquer parente em
linha reta ou colateral até o 4º grau tem legitimidade para requerer a medida que cesse o atentado à sua
memória).
CC, Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e
irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
Enunciado 4 da I Jornada de Direito Civil: Art. 11 - O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer
limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral.
Enunciado 139 da III Jornada de Direito Civil: Art 11: Os direitos da personalidade podem sofrer limitações,
ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu
titular, contrariamente à boa-fé objetiva a aos bons costumes.
Conforme o artigo 11 do Código Civil, o exercício dos direitos da personalidade não pode sofrer limitação
voluntária.
Segundo o entendimento das Jornadas de Direito Civil, pode haver uma limitação voluntária a esse exercício,
desde que não seja permanente nem geral.
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CESPE/CEBRASPE, PGE-AM, 2016: Uma pessoa poderá firmar contrato que limite seus direitos da
personalidade caso o acordo seja-lhe economicamente vantajoso.
Certo.
Titularidade:
Por excelência, é do ser humano, mas alcança também os nascituros, que, embora sem personalidade, têm
direitos ressalvados desde a concepção. O natimorto detém direito ao nome e a sepultura, por exemplo.
No tocante aos absolutamente incapazes, ainda quando impassível de detrimento anímico, sofrem dano
moral, pois o sofrimento é consequência e não causa, decorrendo o dano de uma lesão objetiva ao direito
da personalidade (STJ).
Súmula n. 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. (devemos acrescentar, para ficar perfeita, a
expressão “no que couber” a esta súmula).
A pessoa jurídica de direito público terá direito à indenização por danos morais sob a alegação de que sofreu
violação da sua honra ou imagem?
NÃO. Em regra, pessoa jurídica de direito público não pode pleitear, contra particular, indenização por dano
moral relacionado à violação da honra ou da imagem. Nesse sentido: REsp 1.258.389/PB, REsp 1.505.923/PR
e AgInt no REsp 1.653.783/SP.
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Suponha, contudo, que uma autarquia foi vítima de grande esquema criminoso que desviou vultosa quantia
e gerou grande repercussão na imprensa, acarretando descrédito em sua credibilidade institucional.
Neste caso, os particulares envolvidos poderiam ser condenados a pagar indenização por danos morais à
autarquia?
SIM. Pessoa jurídica de direito público tem direito à indenização por danos morais relacionados à violação
da honra ou da imagem, quando a credibilidade institucional for fortemente agredida e o dano reflexo sobre
os demais jurisdicionados em geral for evidente.
Nos três julgados acima mencionados nos quais o STJ negou direito à indenização, o que estava em jogo era a
livre manifestação do pensamento, a liberdade de crítica dos cidadãos ou o uso indevido de bem imaterial do
ente público. No caso concreto é diferente. A indenização está sendo pleiteada em razão da violação à
credibilidade institucional da autarquia que foi fortemente agredida em razão de crimes praticados contra ela.
STJ. 2ª Turma. REsp 1722423-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24/11/2020 (Info 684).
Nos julgados nos quais o STJ negou direito à indenização, o que estava em jogo era a livre manifestação do
pensamento, a liberdade de crítica dos cidadãos ou o uso indevido de bem imaterial do ente público.
Porém, recentemente o STJ julgou um caso excepcional, reconhecendo o direito à indenização para pessoa
jurídica de direito público em razão da violação à credibilidade institucional, que foi fortemente agredida por
prática de crimes contra ela.
No REsp 1.722.423-RJ, o STJ criou o seguinte distinguishing, para fins de dizer que, presente o seguinte
arcabouço fático, é possível a indenização por dano moral à pessoa jurídica de direito público:
3. Que derivem de crimes e não do exercício legítimo de outros direitos fundamentais, tais como a
liberdade de expressão e pensamento.
Dessa forma, o STJ acabou reconhecendo a possibilidade de dano moral à pessoa jurídica de direito público e,
por isso, você deveria defender tal possibilidade, salientando os critérios fáticos delineadores do
“distinguishing”. Afinal, a adoção do entendimento jurisprudencial tradicional acabaria por proteger uma
conduta criminosa e não o exercício de direitos fundamentais. Veja trecho da ementa do julgado:
7. Também não afasta a pretensão reparatória o argumento de que as pessoas que integram o Estado não
sofrem "descrédito mercadológico".
8. O direito das pessoas jurídicas à reparação por dano moral não exsurge apenas no caso de prejuízos
comerciais, mas também nas hipóteses, mais abrangentes, de ofensa à honra objetiva. Nesse plano, até
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mesmo entidades sem fins lucrativos podem se atingidas.
9. Transcreve-se no acórdão recorrido trecho da condenação criminal, relativa aos mesmos fatos, em que o
Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro afirmou: "além do descrédito da Justiça, as
conseqüências concretas dos delitos, representadas pelas perdas patrimoniais, foram extremamente graves.
Somente pelas cifras apuradas nestes autos evidencia-se o colossal prejuízo causado ao erário, que será
impossível reparar cabalmente, a despeito das medidas assecuratórias adotadas" (fl. 2.366, e-STJ).
10. Não se pode afastar a possibilidade de resposta judicial à agressão perpetrada por agentes do Estado
contra a credibilidade institucional da autarquia. STJ. 2ª Turma REsp 1722423-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 24.11.2020 (Info 684).
Recentemente, no dia 11.02. 2021, o STF finalizou o julgamento do RE 1010606 (TEMA 786), julgando
incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento que possibilite impedir, em
razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos em meios de comunicação. Ficou
assentado, ainda, que eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação
devem ser analisados caso a caso, com base em parâmetros constitucionais e na legislação penal e civil.
O Supremo, por maioria dos votos, negou provimento ao RE 1010606, com repercussão geral reconhecida,
em que familiares da vítima de um crime de grande repercussão nos anos 1950 no Rio de Janeiro buscavam
reparação pela reconstituição do caso, em 2004, no programa “Linha Direta”, da TV Globo, sem a sua
autorização.
O direito ao esquecimento só pode ser apurado caso a caso, em uma ponderação de valores, de maneira a
sopesar qual dos dois direitos fundamentais (a liberdade de expressão ou os direitos de personalidade) deve
ter prevalência.
Tese firmada:
É incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o
poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente
obtidos e publicados em meios de comunicação social – analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos
no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos
parâmetros constitucionais, especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e
da personalidade em geral, e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível
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Biografias não autorizadas: O STF entendeu que é inexigível o consentimento de pessoa biografada
relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo por igual desnecessária a autorização de
pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes. Nesse
caso, o direito à imagem cede à liberdade de expressão e a vedação à censura (STF. Plenário. ADI 4815, Rel.
Min. Cármen Lúcia, julgado em 10.06.2015).
IMPORTANTE! Alguns atributos da personalidade admitem a cessão de seu uso, como a imagem, que
pode ser explorada comercialmente mediante retribuição pecuniária. Pode-se concluir, pois, que a
indisponibilidade dos direitos da personalidade não é absoluta, mas relativa.
Enunciado 4 da I Jornada de Direito Civil: O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação
voluntária, desde que não seja permanente nem geral.
Quanto à possibilidade de dispor dos direitos da personalidade nos casos previstos em lei, surge o
seguinte questionamento: O titular do direito da personalidade pode dispor de seu direito da
personalidade mesmo que não exista previsão normativa?
Enunciado 139 da III Jornada de Direito Civil: Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda
que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular,
contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes.
NÃO. O ato de disposição dos direitos da personalidade encontra limites. Estes limites são traçados de forma
absolutamente clara. Vejamos quais são estes limites:
A questão do caráter permanente: o titular pode ceder os seus direitos da personalidade por um
determinado tempo, mas não pode ceder para sempre.
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Exceção: Para o STJ há um único caso de pretensão patrimonial que não prescreve, que é o caso de
indenização por tortura (STJ REsp 816.209/RJ e Artigo 14 da lei 9.140/95). IMPRESCRITIBILIDADE DA
PRETENSÃO REPARATÓRIA DECORRENTE DE TORTURA.
CC, Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar
diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida
em lei especial.
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou
em parte, para depois da morte.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.
Consenso Afirmativo é o nome dado doutrinariamente ao aludido princípio que consiste na consagração do
direito da pessoa capaz de manifestar sua vontade e de dispor gratuitamente do próprio corpo, no todo ou
em parte, após a sua morte, com objetivo científico ou terapêutico, disposto no art. 14 do Código Civil.
Enunciado n. 277 da Jornada de Direito Civil: O artigo 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da disposição
gratuita do próprio corpo, com o objetivo científico ou altruístico, para depois da morte, determinou que a
manifestação expressa do doador de órgão em vida prevalece sobre a vontade dos familiares, portanto, a
aplicação do artigo 4º da Lei n. 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do potencial doador.
CC, Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a
intervenção cirúrgica.
CC, Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem
pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da
imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber,
se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.
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Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção
o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
Enunciado n. 275 da IV Jornada de Direito Civil do CJF: O rol dos legitimados de que tratam os artigos 12,
parágrafo único, e 20, parágrafo único, do Código Civil, também compreende o companheiro.
O uso da imagem de torcedor inserido no contexto de uma torcida não induz a reparação por danos
morais quando não configurada a projeção, a identificação e a individualização da pessoa nela
representada1:
Em regra, a autorização para uso da imagem deve ser expressa; no entanto, a depender das
circunstâncias, especialmente quando se trata de imagem de multidão, de pessoa famosa ou ocupante
de cargo público, há julgados do STJ em que se admite o consentimento presumível, o qual deve ser
analisado com extrema cautela e interpretado de forma restrita e excepcional.
De um lado, o uso da imagem da torcida - em que aparecem vários dos seus integrantes - associada à
partida de futebol, é ato plenamente esperado pelos torcedores, porque costumeiro nesse tipo de
evento; de outro lado, quem comparece a um jogo esportivo não tem a expectativa de que sua imagem
seja explorada comercialmente, associada à propaganda de um produto ou serviço, porque, nesse caso,
o uso não decorre diretamente da existência do espetáculo.
A imagem é a emanação de uma pessoa, a forma com a qual ela se projeta, se identifica e se
individualiza no meio social. Não há violação ao direito à imagem se a divulgação ocorrida não configura
projeção, identificação e individualização da pessoa nela representada.
No caso concreto, o autor não autorizou ainda que tacitamente a divulgação de sua imagem em
campanha publicitária de automóvel. Ocorre que, pelas circunstâncias, não há que se falar em utilização
abusiva da imagem, tampouco em dano moral porque o vídeo divulgado não destaca a sua imagem,
mostrando o autor durante poucos segundos inserido na torcida, juntamente com vários outros
torcedores.
1
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O uso da imagem de torcedor inserido no contexto de uma torcida
não induz a reparação por danos morais quando não configurada a projeção, a identificação e a
individualização da pessoa nela representada. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
70832>. Acesso em: 08/02/2021
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STJ. 3ª Turma. REsp 1772593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/06/2020 (Info 674).
Súmula n. 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da
imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
A proteção à intimidade:
CC, Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as
providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. (Vide ADIN 4815)
Função social da imagem: é a primeira parte do artigo 20 do Código Civil (“salvo se autorizadas, ou se
necessárias à administração da justiça ou manutenção da ordem pública”). Quando necessário à
administração da justiça ou manutenção da ordem pública, é possível o uso da imagem alheia. Exemplo:
Programa Linha Direta, que vinculava a imagem de foragidos da justiça.
Cessão expressa e tácita e o uso em local público. Exemplo: pessoa olhou para a câmera e sorriu – é cessão
tácita. Exemplo 2: o uso de foto em contexto genérico, não podendo haver individualização (STJ, Resp 85.905);
Exemplo 3: o top less na Praia de Balneário Camboriú captada pelo jornal, não há indenização, pois, estava em
local público. A foto era da praia, não era dela somente (STJ, Resp 595.600/SC). Não pode haver desvio de
finalidade, ou seja, a pessoa não pode estar em local público, captando-se a imagem dela, por exemplo, para
fazer propaganda (STJ, Resp 74.473).
Imagem das pessoas públicas (celebridades): as pessoas públicas sofrem relativização do direito de imagem.
O ofício ou profissão impõe essa relativização. Aqueles que acompanham as pessoas públicas também tem o
direito à imagem relativizado.
Inexistência do direito à indenização em razão da divulgação, no jornal, de imagem do cadáver morto em via
pública:
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Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública.
Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que houve
violação aos direitos de imagem.
O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura, o que
afronta a liberdade de informação jornalística.
STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018 (Info 921).
e) Domicílio
O conceito de domicílio civil é composto de dois elementos:
1. RESIDÊNCIA: A residência é apenas um elemento componente do conceito de domicílio, que é mais amplo
e com ela não se confunde. Residência é simples estado de fato, sendo o domicílio uma situação Jurídica.
CC, Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á
domicílio seu qualquer delas.
CC, Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde
esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio
para as relações que lhe corresponderem.
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for
encontrada.
CC, Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar.
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que
deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a
acompanharem.
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Classificação do domicílio da pessoa natural:
Domicílio voluntário: é aquele fixado pela vontade da pessoa, como exercício da autonomia privada,
tendo em vista as regras anteriormente estudadas.
Domicílio necessário ou legal: é o imposto pela lei, a partir de regras específicas que constam no art. 76
do Código Civil. Deve ficar claro que o domicílio necessário não exclui o voluntário, sendo as suas
hipóteses, de imposição normativa:
o O domicílio dos absolutamente e relativamente incapazes (arts. 3.º e 4.º do CC) é o mesmo dos seus
representantes;
o O domicílio do servidor público ou funcionário público é o local em que exercer, com caráter
permanente, as suas funções;
c) Domicílio contratual ou convencional: é aquele previsto no art. 78 do CC, pelo qual, “nos contratos
escritos, poderão os contratantes especificar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações
deles resultantes”.
f) Nome
CC, Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome.
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a
exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória.
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial.
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome.
Retificação de erros que não exijam qualquer indagação para sua constatação imediata: art. 110 da LRP.
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Averbação do nome abreviado, usado como firma comercial ou em atividade professional: § 1º do art. 57 da
LRP.
Pessoas incluídas no programa de proteção a vítimas e testemunhas: art. § 7º do art. 57 da LRP e no art. 9º
da Lei n. 9.807/99.
Por via judicial, com motivo declarado, por sentença, após oitiva do MP: caput do art. 57 da LRP.
Retificar o patronímico constante do registro para obter a nacionalidade de outro país (o STJ já
reconheceu o direito de suprimir incorreções na grafia do patronímico para que a pessoa pudesse obter a
cidadania italiana. REsp 1138103/PR)
STJ/2015: Autorizou o filho a retirar o patronímico do pai que o abandonou quando criança. Segundo
a Corte, a manutenção do sobrenome lhe trazia amargas memórias e sofrimento, justificando a exceção à
regra.
1. Prenome: identifica a pessoa. É um componente permanente. Pode ser simples (José, João) ou composto.
3. Agnome: é um elemento componente do nome diferenciado, pois é o traço distintivo de pessoas que
compõe a mesma família e que possuem o mesmo nome. Exemplo: Júnior, Filho, Neto, 2º, 3º, etc. É a
partícula diferenciadora de pessoas que são da mesma família e que possuem o mesmo nome. É um
componente eventual.
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No nosso país o pseudônimo (cognome/heterônimo) não é elemento do nome, trata-se do nome utilizado
para atividades profissionais. Exemplo: Sílvio Santos é pseudônimo. Zezé de Camargo é um pseudônimo, pois
seu nome é Mirosmar.
Pseudônimo não é elemento do nome, mas merece proteção.
Hipocorístico é um apelido que termina por notabilizar alguém profissional e pessoalmente. Exemplo: Lula,
Xuxa, Pelé. Servem para identificar não só profissionalmente, mas também pessoalmente.
1. Pelo casamento (art. 1.565, § 1º, do CC) e pela união estável (art. 57, § 2º, da Lei de Registros Públicos e
art. 1.578 do Código Civil), desde que não suprimam todos os sobrenomes;
2. Pelo divórcio;
3. Pela nulidade ou pela anulação do casamento (art. 1.571, §§ 2º e 3º, do Código Civil);
4. Pelo reconhecimento de paternidade ou de maternidade (art. 2º, § 3º, da Lei n.8.560/1992; arts. 1.607 a
1.617 do Código Civil);
6. A pedido do enteado ou enteada em conformidade com o disposto no art. 57, § 8º, da Lei de Registros
Públicos; e
7. Quando presente fundado motivo, nos termos do art.57 da Lei de Registros Públicos.
Compilado de jurisprudências:
Súmula n. 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
Súmula n. 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de
imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
O direito ao esquecimento é considerado incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro. Logo, não é
capaz de justificar a atribuição da obrigação de excluir a publicação relativa a fatos verídicos. Precedente: REsp
1961581-MS (Info 723).
Depois do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que alterou os arts. 3º e 4º do Código
Civil, não é mais possível declarar como absolutamente incapaz o maior de 16 anos que, em razão de
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enfermidade permanente, encontra-se inapto para gerir sua pessoa e administrar seus bens de modo
voluntário e consciente.
A Lei nº 13.146/2015 teve por objetivo assegurar e promover a inclusão social das pessoas com deficiência
física ou psíquica e garantir o exercício de sua capacidade em igualdade de condições com as demais pessoas.
A partir da entrada em vigor da referida lei, só podem ser considerados absolutamente incapazes os menores
de 16 anos, ou seja,o critério passou a ser apenas etário, tendo sido eliminadas as hipóteses de deficiência
mental ou intelectual anteriormente previstas no Código Civil.
O instituto da curatela pode ser excepcionalmente aplicado às pessoas com deficiência, ainda que agora sejam
consideradas relativamente capazes, devendo, contudo, ser proporcional às necessidades e às circunstâncias
de cada caso concreto (art. 84, § 3º, da Lei nº 13.146/2015). Precedente: REsp 1927423/SP (Info 694).
Não se admite a declaração de incapacidade absoluta às pessoas com enfermidade ou deficiência mental.
Precedente: REsp 1927423/SP (Info 694).
É admissível o retorno ao nome de solteiro do cônjuge ainda na constância do vínculo conjugal. Precedente:
REsp 1927423/SP (Info 694).
Pessoa jurídica de direito público tem direito à indenização por danos morais relacionados à violação da
honra ou da imagem, quando a credibilidade institucional for fortemente agredida e o dano reflexo sobre os
demais jurisdicionados em geral for evidente. Precedente: REsp 1722423-RJ (Info 684).
É admissível a exclusão de prenome da criança na hipótese em que o pai informou, perante o cartório de
registro civil, nome diferente daquele que havia sido consensualmente escolhido pelos genitores. Precedente:
REsp 1905614-SP (Info 695).
É incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o
poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente
obtidos e publicados em meios de comunicação social – analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos
no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos
parâmetros constitucionais, especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da
personalidade em geral, e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e civel”. Precedente:
RE 1010606, julgado em 11/02/2021
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O uso da imagem de torcedor inserido no contexto de uma torcida não induz a reparação por danos morais
quando não configurada a projeção, a identificação e a individualização da pessoa nela representada. STJ. 3ª
Turma. REsp 1772593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/06/2020 (Info 674).
É imprescritível a pretensão de recebimento de indenização por dano moral decorrente de atos de tortura
ocorridos durante o regime militar de exceção. Precedente: Info 523 do STJ.
Para que seja publicada uma biografia não é necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das
demais pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura, não
sendo compatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. Precedente: Info 789 do STF.
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3. PESSOA JURÍDICA
a) Pessoas jurídicas:
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo
no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
Aquisição de personalidade
A Pessoa Jurídica ganha personalidade no momento da constituição na forma da lei, que se dá pelo registro
(que ocorre ordinariamente no Cartório de Pessoas Jurídicas ou na Junta Comercial – a depender da
finalidade). Obs.: escritório de advocacia, o registro é na OAB.
Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores.
Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e
segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração
de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos.
Em suma, o registro é que vai conferir personalidade jurídica. Em nosso país o registro ocorre com
retroatividade de 30 dias para acobertar os atos desenvolvidos pela “Empresa” durante o seu processo de
constituição.
Essa questão é muito bem resolvida pelo artigo 52 do CC: Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a
proteção dos direitos da personalidade.
A pessoa jurídica pode sofrer dano moral, conforme súmula 227 do STJ (pois tem honra objetiva).
Teorias da Ficção
Teoria da Ficção Legal Desenvolvida por Savigny, a pessoa jurídica constitui uma
criação artificial da lei.
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Teoria da Ficção Doutrinária A pessoa jurídica constitui uma criação artificial da doutrina
dos Juristas.
Teorias da Realidade
Teoria da Realidade Objetiva A pessoa jurídica é tão pessoa quanto as pessoas naturais,
tem corpus (conjunto de bens) e animus (vontade própria)
nasce da imposição das forças sociais.
Embora tenha posições contrárias, prevalece que a teoria da realidade técnica é a adotada pelo CC/02.
São grupos humanos ou destinações de patrimônio com finalidade específica, mas que NÃO foram
constituídos na forma da lei. Exemplos de entes despersonalizados:
Sociedade de fato: duas pessoas que se juntam para vender cerveja no carnaval de Salvador. Operam
informalmente. Eles não quiseram levar a registro.
Condomínio edilício: tem até CNPJ, contrata, mas a lei veda o seu registro.
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Classificação das pessoas jurídicas:
QUANTO À NACIONALIDADE
ATENÇÃO! O que define a nacionalidade de uma empresa é o local onde se realizou o seu registro, mesmo
que a origem do capital seja estrangeira ou a nacionalidade dos sócios sejam estrangeiros. Exemplo: A Coca-
Cola está registrada no Brasil, mas usa dinheiro que veio dos EUA e os seus sócios são norte-americanos.
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próprios. São corporações as sociedades, as
associações, os partidos políticos e as entidades
religiosas.
FUNDAÇÃO Patrimônio personalizado
É o conjunto de bens arrecadados com finalidade e
interesse social.
DIREITO PÚBLICO
(ii) direito público interno (administração direta –
União, Estados, DF, Municípios e Administração Indireta
– criados por lei, com personalidade jurídica própria
para o exercício de atividades de interesse público, ex.:
Autarquias, Agências Reguladoras.
São as corporações (associações, sociedades simples e
empresárias, partidos políticos, organizações religiosas
Os administradores das pessoas jurídicas são aqueles previstos nos seus estatutos. Caso seja omisso a
representação caberá aos seus sócios, administradores ou gerentes. Na falta, ainda, o juiz poderá nomear
administrador, a pedido de qualquer interessado.
CC, Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes
definidos no ato constitutivo.
Enunciado n. 145 da III Jornada de Direito Civil: O art. 47 não afasta a aplicação da teoria da aparência.
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Nos termos do art. 48 do CC, quando a pessoa jurídica for administrada por órgão coletivo, as decisões serão
tomadas pela maioria dos votos presentes, ressalvadas as hipóteses legais (sociedades simples, empresárias
e anônimas). O parágrafo único prevê prazo decadencial de 3 anos para que qualquer dos sócios questionem
ou busquem a anulação das decisões tomadas pela maioria dos sócios ou administradores, quando o fizerem
com violação de lei, estatuto ou foram eivados de erro, dolo, simulação ou fraude.
CC, Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos
dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando
violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude.
DEVO LEBRAR! Os prazos decadenciais estão relacionados com ações constitutivas (direitos potestativos).
Direito potestativo é aquele que não depende de uma prestação a ser realizada pela outra parte. Em outras
palavras, pode ser exercido independentemente da atuação da outra parte.
Obs.: Apesar de o art. 48, parágrafo único, do CC mencionar a simulação, ela constitui vício de nulidade e não
de anulabilidade, conforme o art. 167 do CC:
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e
na forma.
A depender da espécie de violação à lei ou ao estatuto, o vício não será de anulabilidade, mas sim de nulidade.
Nesse sentido:
A impossibilidade jurídica do objeto da deliberação assemblear acarreta a sua nulidade e não anulabilidade.
O vício de nulidade pode ser conhecido de ofício e suscitado a qualquer tempo, não se sujeitando a prazos
prescricionais ou decadenciais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.776.467-PR, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em
25.11.2021.
CC, Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e em
seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meios eletrônicos, inclusive para os fins
do disposto no art. 59, respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. (Incluído Pela
Medida Provisória nº 1.085, de 2021)
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Associações:
As associações são grupos de pessoas humanas que se unem para a consecução de atividades sociais,
sem pretensão de distribuição de lucro.
CC, Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não
econômicos.
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
Enunciado n. 534 da VI Jornada de Direito Civil: As associações podem desenvolver atividade econômica,
desde que não haja finalidade lucrativa.
Art. 55 do CC:
Regra: devem ter os mesmos direitos,
DIREITOS DOS ASSOCIADOS Exceção: o estatuto poderá instituir categorias com
vantagens especiais (nada impede que determine
tratamentos diferenciados entre os associados. Exemplo:
sócio contribuinte, sócio honorário, sócio remido etc.)
CC, Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento
que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei nº
11.127, de 2005)
CC, Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a
transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao
herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto.
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Dissolução da Associação:
Pode ser convencional (extinção na forma do ato constitutivo); ou legal (decorre da disposição legal).
Qual o destino do patrimônio residual (remanescente) de uma associação após a sua dissolução?
CC, Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o
caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do artigo 56, será destinado à entidade de fins
não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição
municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes.
Enunciado n. 615 da VIII Jornada de Direito Civil: As associações civis podem sofrer transformação, fusão,
incorporação ou cisão.
Associações civis sem fins lucrativos com finalidade e atividades econômicas detêm legitimidade para requerer
recuperação judicial.
STJ. 4ª Turma. AgInt no TP 3654-RS, Rel. Min. Raul Araújo, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
15.03.2022 (Info 729).
Fundações:
As Fundações são destinações patrimoniais para uma finalidade NÃO lucrativa.
ELEMENTOS DA FUNDAÇÃO
CC, Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação
especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-
la.
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A elaboração dos Estatutos pode ser direta (quando o próprio
Fundador faz) ou indireta/fiduciária (quando determina que
um terceiro o faça no prazo assinalado, e não havendo prazo
assinalado, deverá fazê-lo em 180 dias – que é o limite).
Finalidades da Fundação:
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial
de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de:
I – assistência social;
III – educação;
IV – saúde;
IX – atividades religiosas;
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X – (VETADO).
Nos termos do art. 62 do CC/2002, as fundações são criadas a partir de escritura pública ou testamento.
CC, Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo
não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante.
E se a Fundação atuar em mais de um Estado será o Ministério Público Federal que exercerá a fiscalização?
Alteração na Fundação:
Toda e qualquer alteração Fundacional deve ser aprovada por maioria de 2/3.
ATENÇÃO! A minoria vencida disporá do prazo decadencial de 10 dias para impugnar judicialmente a
modificação do Estatuto (desde que aprovada a modificação pelo Ministério Público).
NÃO. A finalidade é IMUTÁVEL (nem por unanimidade é possível alterar a finalidade). Se não quiser mais
aquela finalidade, deve extinguir aquela Fundação e constituir outra.
CC, Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma:
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o
qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado.
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Extinção da Fundação:
Havendo extinção da Fundação, o seu patrimônio terá o destino indicado no Estatuto (REGRA).
CC, Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de
sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção,
incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em
outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.
Uma fundação pode ser sócia de uma Pessoa Jurídica com finalidade lucrativa?
SIM. Desde que o lucro que ela receba seja investido na sua finalidade.
Responsabilidade civil:
Há possibilidade de responsabilidade civil da pessoa jurídica, que vai bifurcar-se em dois diferentes campos:
a) Pessoa jurídica de direito privado: a regra geral é a responsabilidade SUBJETIVA, desde que provada
a culpa do seu agente ou preposto. Prazo prescricional para ser responsabilizada: 3 anos.
Exceções: dano ambiental (responsabilidade objetiva), dano ao consumidor (responsabilidade objetiva) e a
lei 12.846/13 que estabelece a responsabilização objetiva civil e administrativa das pessoas jurídicas pela
prática de atos contra a Administração Pública, nacional ou estrangeira (artigo 1º).
b) Pessoa jurídica de direito público (essa responsabilidade vem do artigo 37, § 6º da CF/88). O STF
entendeu que esta responsabilidade OBJETIVA das pessoas jurídicas de direito público alcança também as
pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público (STF, RE 179.147/SP). Essas pessoas
jurídicas de direito público têm direito de regresso contra o agente causador do dano, desde que provado o
dolo ou culpa do agente.
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IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou
onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
§ 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado
domicílio para os atos nele praticados.
§ 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica,
no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no
Brasil, a que ela corresponder.
Teoria Maior: de acordo com a teoria maior só será possível a desconsideração quando houver um requisito
específico previsto na legislação. Divide-se em: I) Teoria maior SUBJETIVA: quando o requisito específico for
a culpa; II) Teoria maior OBJETIVA: quando o requisito não for a culpa.
Teoria Menor: entende que qualquer hipótese de atribuição de responsabilidade pessoal ao sócio é
desconsideração.
O artigo 28, § 5º do CDC estabelece que se a empresa fornecedora por algum motivo não tiver condições de
pagar indenização ao consumidor os seus sócios respondem. Não tem requisito específico. Portanto, o CDC
adotou a Teoria Menor.
O STJ, neste sentido, diz que o Código Civil adotou a Teoria Maior, ao passo que o CDC adotou a teoria
menor – STJ, Resp 279.273/SP.
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Faz o mesmo o art. 4º da Lei de Crimes Ambientais (Lei n. 9.605/1998), ao prever que “poderá ser
desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
causados à qualidade do meio ambiente”.
Os dois critérios alternativos previstos no caput do art. 50 do CC/02 são o desvio de finalidade e a confusão
patrimonial.
As inclusões promovidas pela Lei n. 13.874/2019 trazem critérios objetivos para a incidência da
desconsideração nas relações entre civis, em prol de uma suposta certeza e segurança jurídica.
Art. 50. Em caso de ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber
intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações
sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta
ou indiretamente pelo abuso.
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito
de
- lesar credores e
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios
ou de administradores à pessoa jurídica.
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo
NÃO AUTORIZA a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.
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§ 5º NÃO CONSTITUI DESVIO DE FINALIDADE a mera expansão ou a alteração da finalidade original da
atividade econômica específica da pessoa jurídica.
A desconsideração da personalidade jurídica NÃO pode ser determinada de ofício pelo juiz, precisando ser
provocada pelo interessado ou pelo Ministério Público. Inclusive, o NCPC prevê um incidente de
desconsideração da personalidade jurídica nos arts. 133 a 137.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão
patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no
processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam
estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou
indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)
Um sócio, que não tenha tido qualquer benefício com a fraude praticada por outros membros da pessoa
jurídica, poderá ser responsabilizado por dívidas da empresa pela via da desconsideração da personalidade
jurídica?
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NÃO. A Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019) alterou o caput do art. 50 do CC para deixar clara a
questão de ser viável a desconsideração da personalidade jurídica somente quanto ao sócio ou administrador
que, direta ou indiretamente, for beneficiado pelo abuso.
SIM.
Posição do STJ:
Desconsideração da personalidade jurídica inversa. (...) Anota, após essas considerações, que a
desconsideração inversa da personalidade jurídica caracteriza-se pelo afastamento da autonomia
patrimonial da sociedade, para, contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade
propriamente dita, atingir, então, o ente coletivo e seu patrimônio social, de modo a responsabilizar a
pessoa jurídica por obrigações de seus sócios ou administradores. Assim, observa que o citado dispositivo,
sob a ótica de uma interpretação teleológica, legitima a inferência de ser possível a teoria da desconsideração
da personalidade jurídica em sua MODALIDADE INVERSA, que encontra justificativa nos princípios éticos e
jurídicos intrínsecos à própria disregard doctrine, que vedam o abuso de direito e a fraude contra credores.
Dessa forma, a finalidade maior da disregard doctrine contida no preceito legal em comento é combater a
utilização indevida do ente societário por seus sócios.2
2
Precedentes citados: REsp 279.273-SP, DJ 29.03.2004; REsp 970.635-SP, DJe 1°.12.2009, e REsp 693.235-MT, DJe
30.11.2009” (STJ, REsp 948.117/MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 22.06.2010).
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Através dela é possível estender os efeitos da desconsideração da personalidade jurídica aos “sócios ocultos”
para responsabilizar aquele indivíduo que coloca sua empresa em nome de um terceiro ou para alcançar
empresas de um mesmo grupo econômico.
“(...) A inexistência ou não localização de bens da pessoa jurídica NÃO é condição para a instauração do
procedimento que objetiva a desconsideração, por não ser sequer requisito para aquela declaração, já que
imprescindível a demonstração específica da prática objetiva de desvio de finalidade ou de confusão
patrimonial. STJ. 4ª Turma. REsp 1729554/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 08/05/2018
Já o Enunciado n. 282 do CJF/STJ aduz que o encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si
só, não basta para caracterizar abuso de personalidade jurídica.
ATENÇÃO! NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL, o STJ entende que se presume dissolvida irregularmente a
empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes,
legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente (Súmula 435).
Dizer o Direito3:
O encerramento das atividades ou dissolução, ainda que irregulares, da sociedade não é causa, por si só, para
a desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1306553/SC, Rel.
Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/12/2014.
Obs: Não se quer dizer com isso que o encerramento da sociedade jamais será causa de desconsideração de
sua personalidade, mas que somente o será quando sua dissolução ou inatividade irregulares tenham o fim
de fraudar a lei, com o desvirtuamento da finalidade institucional ou confusão patrimonial (Min. Maria
Isabel Gallotti). Em outras palavras, o encerramento irregular pode ser um indício de que houve abuso da
personalidade (desvio de finalidade ou confusão patrimonial), mas serão necessárias outras provas para
que se cumpra o que exige o art. 50 do CC.
O raciocínio do enunciado 435 do STJ não pode ser aplicado para as relações de Direito Civil por duas razões:
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1) O Código Civil traz regras específicas sobre o tema, diferentes das normas do CTN, que inspiraram a edição
da súmula. Como vimos acima, cada diploma legislativo, cada microssistema jurídico trouxe suas regras
próprias para a desconsideração, devendo isso ser considerado pelo intérprete.
2) A Súmula 435 do STJ não trata sobre desconsideração da personalidade, mas sim sobre redirecionamento
da execução fiscal à luz de regras próprias do CTN, não sendo possível que as normas de um sejam aplicadas
indistintamente ao outro.
Enunciados:
Enunciado 7 do CJF: Só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de ato
irregular e, limitadamente, aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido.
Enunciado 146 do CJF: Nas relações civis, interpretam-se restritivamente os parâmetros de desconsideração
da personalidade jurídica previstos no art. 50 (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial).
Enunciado 281 do CJF: A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código Civil, prescinde
da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
Enunciado 282 do CJF: O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para
caracterizar abuso da personalidade jurídica.
Enunciado 283 do CJF: É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para
alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a
terceiros.
Enunciado 284 do CJF: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não-econômicos
estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica.
Enunciado 285 do CJF: A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada pela
pessoa jurídica, em seu favor.
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4. DOS BENS
Quanto à tangibilidade:
a) Bens corpóreos, materiais ou tangíveis: são aqueles bens que possuem existência corpórea, podendo ser
tocados. Exemplos: uma casa, um carro.
b) Bens incorpóreos, imateriais ou intangíveis: são aqueles com existência abstrata e que não podem ser
tocados pela pessoa humana.
Quanto à mobilidade:
a) Bens imóveis (arts. 79 a 81 do CC): São aqueles que não podem ser removidos ou transportados sem a sua
deterioração ou destruição. São subclassificados da seguinte forma:
• Bens imóveis por natureza ou por essência: são aqueles formados pelo solo e tudo quanto se lhe
incorporar de forma natural (art. 79 do CC). A título de exemplo pode ser citada uma árvore que nasce
naturalmente.
• Bens imóveis por acessão física industrial ou artificial: são aqueles bens formados por tudo o que o
homem incorporar permanentemente ao solo, não podendo removê-lo sem a sua destruição ou
deterioração.
• Bens imóveis por acessão física intelectual: conceito relacionado com tudo o que foi empregado
intencionalmente para a exploração industrial, aformoseamento e comodidade. São os bens móveis que
foram imobilizados pelo proprietário, constituindo uma ficção jurídica, sendo tratados, via de regra, como
pertenças.
• Bens imóveis por disposição legal: tais bens são considerados como imóveis, para que possam receber
melhor proteção jurídica. São bens imóveis por determinação legal, nos termos do art. 80 do CC: o direito
à sucessão aberta e os direitos reais sobre os imóveis, caso da hipoteca, como regra geral, e do penhor
agrícola, excepcionalmente.
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b) Bens móveis (arts. 82 a 84 do CC): Os bens móveis são aqueles que PODEM ser transportados, por força
própria ou de terceiro, sem a deterioração, destruição e alteração da substância ou da destinação
econômico-social. Subclassificação:
• Bens móveis por natureza ou essência: são os bens que podem ser transportados sem qualquer dano,
por força própria ou alheia. Quando o bem móvel puder ser movido de um local para outro, por força
própria, será denominado bem móvel semovente, como é o caso dos animais. Conforme o art. 84 do CC,
os materiais destinados a uma construção, enquanto não empregados, conservam a sua mobilidade sendo,
por isso, denominados bens móveis propriamente ditos.
• Bens móveis por antecipação: são os bens que eram imóveis, mas que foram mobilizados por uma
atividade humana. Exemplo típico é a colheita de uma plantação. Há uma situação oposta à imobilização
por acessão física industrial. A segunda parte do art. 84 do CC prevê que, no caso de demolição, os bens
imóveis podem ser mobilizados, ocorrendo a antecipação.
• Bens móveis por determinação legal: situações em que a lei determina que o bem é móvel, como a
previsão que consta do art. 83 do CC, envolvendo os direitos reais e as ações respectivas que recaiam sobre
bens móveis, caso do penhor, em regra; as energias com valor econômico, como a energia elétrica; os
direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações, caso dos direitos autorais, nos termos do art.
3.º da Lei 9.610/1998.
ATENÇÃO! Os navios e aeronaves são bens móveis especiais ou sui generis. Apesar de serem móveis pela
natureza ou essência, são tratados pela lei como imóveis, necessitando de registro especial e admitindo
hipoteca.
Quanto à fungibilidade:
a) Bens infungíveis: São aqueles que NÃO podem ser substituídos por outros da mesma espécie, quantidade
e qualidade.
b) Bens fungíveis: Nos termos do art. 85 do CC, fungíveis são os bens que podem ser substituídos por outros
da mesma espécie, qualidade e quantidade.
Quanto à consuntibilidade:
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a) Bens consumíveis: São bens móveis, cujo uso importa na destruição imediata da própria coisa
(consuntibilidade física), bem como aqueles destinados à alienação (consuntibilidade jurídica) – art. 86 do CC.
b) Bens inconsumíveis: São aqueles que proporcionam reiteradas utilizações, permitindo que se retire a sua
utilidade, sem deterioração ou destruição imediata (inconsuntibilidade física), bem como aqueles que são
inalienáveis (inconsuntibilidade jurídica).
Quanto à divisibilidade:
a) Bens divisíveis: O CC/2002, em seu art. 87, preconiza que os bens divisíveis “São os que se podem fracionar
sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam”.
Exemplifica-se com sacas de cereais, que podem ser divididas sem qualquer destruição. Ademais, prevê o art.
88 do CC que, a qualquer momento, os bens naturalmente divisíveis podem se tornar indivisíveis, por vontade
das partes (autonomia privada) ou por imposição legal. Os bens divisíveis geram obrigações divisíveis, nos
termos do art. 257 do CC.
b) Bens indivisíveis: São os bens que NÃO podem ser partilhados, pois deixariam de formar um todo perfeito,
acarretando a sua divisão uma desvalorização ou perda das qualidades essenciais desse todo. Os bens
indivisíveis geram obrigações indivisíveis, conforme o art. 258 do CC. A indivisibilidade pode decorrer da
natureza do bem, de imposição legal ou da vontade do seu proprietário, conforme exemplos abaixo:
Indivisibilidade natural: caso de uma casa térrea, bem imóvel, cuja divisão gera diminuição do seu valor;
Indivisibilidade legal: caso da herança, que é indivisível até a partilha, por força do princípio da saisine, nos
termos dos arts. 1.784 e 1.791, parágrafo único, do CC;
Indivisibilidade convencional: se dois proprietários de um boi convencionarem que o animal será utilizado
para a reprodução, o que retira a possibilidade de sua divisão (touro reprodutor).
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Universalidade de direito: é o conjunto de bens singulares, tangíveis ou não, a que uma ficção legal,
com o intuito de produzir certos efeitos, dá unidade individualizada. Pelo teor do art. 91 do CC há um
complexo de relações jurídicas de uma pessoa, dotadas de valor econômico. São exemplos: o patrimônio, a
herança de determinada pessoa, o espólio, a massa falida, entre outros conceitos estudados como entes
despersonalizados no capítulo anterior.
OBSERVAÇÃO:
01) Na universalidade de fato a destinação é dada pela vontade humana; na universalidade de direito a
destinação é dada pela norma jurídica.
02) Nas coisas coletivas, se houver o desaparecimento de todos os indivíduos, menos um, ter-se-á a extinção
da coletividade, mas não o direito sobre o que sobrou.
FRUTOS PRODUTOS
Os frutos se renovam quando são utilizados ou Já os produtos se exaurem com o uso, sendo que a
separados da coisa, não alterando a substância da extração do produto determina a progressiva
coisa principal. Ex.: colhendo as frutas de um pomar, diminuição da coisa principal. Ex.: a extração do
as árvores não diminuem e continuam produzindo nas minério de ferro de uma mina faz com que a mesma
próximas safras. vá diminuindo a produção, até o seu esgotamento.
CESPE/CEBRASPE, PGE-SE, 2017: De acordo com a classificação doutrinária dos bens, o valor pago a título de
aluguel ao proprietário de um imóvel é denominado fruto.
Certo.
Pertenças: São bens destinados a servir um outro bem principal, por vontade ou trabalho intelectual do
PROPRIETÁRIO. Com efeito, prevê o art. 93 do CC: “São pertenças os bens que, não constituindo partes
integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro”.
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O negócio jurídico do bem principal atinge as pertenças?
Dispõe o art. 94 do Código Civil que “Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal NÃO
ABRANGEM AS PERTENÇAS, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das
circunstâncias do caso”.
CESPE/CEBRASPE, AGU, 2007: Em regra, os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não
abrangem as pertenças.
Certo.
Partes integrantes: De acordo com Maria Helena Diniz, as partes integrantes são os bens acessórios que
estão unidos ao bem principal, formando com este último um TODO INDEPENDENTE.
Benfeitorias:
Benfeitorias necessárias: Sendo essenciais ao bem principal, são as que têm por fim conservar ou evitar
que o bem se deteriore. Exemplo: a reforma do telhado de uma casa.
Benfeitorias úteis: São as que aumentam ou facilitam o uso da coisa, tornando-a mais útil. Exemplo:
instalação de uma grade na janela de uma casa.
Benfeitorias voluptuárias: São as de mero deleite, de mero luxo, que não facilitam a utilidade da coisa,
mas apenas tornam mais agradável o uso da coisa. Exemplo: construção de uma piscina em uma casa.
b) Bens públicos ou do Estado: São os que pertencem a uma entidade de DIREITO PÚBLICO INTERNO, como
no caso da União, Estados, Distrito Federal, Municípios, entre outros (art. 98 do CC).
Enunciado n. 287 do CJF/STJ: O critério da classificação de bens indicado no art. 98 do Código Civil não exaure
a enumeração dos bens públicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente à pessoa
jurídica de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos.
Nos termos do art. 99 do CC, os bens públicos podem ser assim classificados:
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Bens de uso geral ou comum do povo (art. 99, I, do CC): São os bens destinados à utilização do público
em geral, sem necessidade de permissão especial, caso das praças, jardins, ruas, estradas, mares, rios,
praias, golfos, entre outros. Os bens de uso geral do povo não perdem a característica de uso comum se
o Estado regulamentar sua utilização de maneira onerosa.
Bens de uso especial (art. 99, II, do CC): São os edifícios e terrenos utilizados pelo próprio Estado para a
execução de serviço público especial, havendo uma destinação especial, denominada afetação. São bens
de uso especial os prédios e as repartições públicas.
Bens dominicais ou dominiais (art. 99, III, do CC): São os bens públicos que constituem o patrimônio
disponível e alienável da pessoa jurídica de Direito Público, abrangendo tanto móveis quanto imóveis.
São exemplos de bens dominicais os terrenos de marinha, as terras devolutas, as estradas de ferro, as
ilhas formadas em rios navegáveis, os sítios arqueológicos, as jazidas de minerais com interesse público,
o mar territorial, entre outros.
Enuncia o art. 102 do CC que os bens públicos, móveis ou imóveis, NÃO ESTÃO SUJEITOS A USUCAPIÃO, eis
que há a IMPRESCRITIBILIDADE das pretensões a eles referentes, confirmando determinação que já constava
dos arts. 183, § 3.º, e 191, parágrafo único, da CF, quanto aos bens imóveis. A expressão contida no dispositivo
legal engloba tanto os bens de uso comum do povo como os de uso especial e dominicais.
Súmula n. 619 do STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária,
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.
Se o indivíduo ocupou irregularmente um bem público, ele terá que ser retirado do local e não receberá
indenização pelas acessões feitas nem terá direito a retenção pelas benfeitorias realizadas, mesmo que ele
estivesse de boa-fé. Isso porque a ocupação irregular de bem público não pode ser classificada como posse.
Trata-se de mera detenção, possuindo, portanto, natureza precária, não sendo protegida juridicamente.
Desse modo, quando irregularmente ocupado o bem público, não há que se falar em direito de retenção
pelas benfeitorias realizadas, tampouco em direito a indenização pelas acessões, ainda que as benfeitorias
tenham sido realizadas de boa-fé. Ex.: pessoa que construiu um bar na beira da praia (bem da União). STJ.
2a Turma. AgRg no REsp 1.470.182-RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 4.11.2014 (Info 551).
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Logo, não seria possível a utilização dos meios de defesa possessória por esse particular para proteger sua
utilização em face do Poder Público.
Conclusões:
• A ocupação indevida de bem público configura mera detenção de natureza precária.
• A mera detenção não confere ao detentor os mesmos direitos do possuidor.
• A mera detenção não gera direito de retenção ou de indenização por acessões e benfeitorias
realizadas no bem público.
CESPE/CEBRASPE, CNJ, 2013: A ocupação de bem público, ainda que dominical, não passa de mera detenção,
caso em que se afigura inadmissível o pleito de proteção possessória contra o órgão público.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, DPE-AC, 2012 (Adaptada): Segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível a
posse de bem público, pois sua ocupação irregular representa mera detenção de natureza precária; portanto,
na ação reivindicatória ajuizada pelo ente público, não há que se falar em direito de retenção de benfeitorias,
o qual pressupõe a existência de posse.
Certo.
Enunciado n. 2 da I Jornada de Direito Administrativo CFJ/STJ: O administrador público está autorizado por
lei a valer-se do desforço imediato sem necessidade de autorização judicial, solicitando, se necessário, força
policial, contanto que o faça preventivamente ou logo após a invasão ou ocupação de imóvel público de uso
especial, comum ou dominical, e não vá além do indispensável à manutenção ou restituição da posse (art. 37
da Constituição Federal; art. 1.210, § 1º, do Código Civil; art. 79, § 2º, do Decreto-Lei n. 9.760/1946; e art. 11
da Lei n. 9.636/1998).
Acima, foi dito que o particular não pode utilizar-se de ações possessórias frente ao Poder Público, quando
da ocupação de um bem público, mas, poderia usar da defesa possessória frente a outro particular, visando
defender a ocupação?
SIM. A posição acima exposta possui uma exceção: se dois particulares estão litigando sobre a ocupação de
um bem público, o STJ passou a entender que, neste caso, é possível que, entre eles, sejam propostas ações
possessórias (reintegração, manutenção, interdito proibitório).
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1) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face do PODER PÚBLICO: não é possível.
Não terá direito à proteção possessória. Não poderá exercer interditos possessórios porque,
perante o Poder Público, ele exerce mera detenção.
2) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face de outro PARTICULAR: terá direito,
em tese, à proteção possessória. É possível o manejo de interditos possessórios em litígio entre particulares
sobre bem público dominical, pois entre ambos a disputa será relativa à posse.
STJ. 4ª Turma. REsp 1296964-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/10/2016 (Info 594)4.
Súmula do STJ:
Súmula n. 637 do STJ: O ente público detém legitimidade e interesse para intervir, incidentalmente, na ação
possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o
domínio
Particular pode ajuizar ação possessória tendo com objeto bem público de uso comum do povo?
SIM. Há um precedente do STJ que discute o uso da possessória de particular contra particular para resguardar
bem de uso comum do povo. No caso analisado, havia uma discussão sobre o direito de uma comunidade de
acessar estrada rural que foi bloqueada por outra comunidade, o que limitou o acesso daquela.
O STJ, ao analisar a demanda, trabalhou a distinção entre bem dominical e bem de uso comum do povo, ao
entender que é possível particulares deterem a posse sobre bens públicos de uso comum, em que há posse
coletiva (composse).
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
(...) 6. O Código Civil de 2002 adotou o conceito de posse de Ihering, segundo o qual a posse e a detenção
distinguem-se em razão da proteção jurídica conferida à primeira e expressamente excluída para a segunda.
7. Diferentemente do que ocorre com a situação de fato existente sobre bens públicos dominicais - sobre os
quais o exercício de determinados poderes ocorre a pretexto de mera detenção -, é possível a posse de
4
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Particular que ocupa bem público dominical poderá ajuizar ações possessórias para
defender a sua permanência no local?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 13/11/2019
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particulares sobre bens públicos de uso comum, a qual, inclusive, é exercida coletivamente, como composse.
8. Estando presentes a possibilidade de configuração de posse sobre bens públicos de uso comum e a
possibilidade de as autoras serem titulares desse direito, deve ser reconhecido o preenchimento das
condições da ação. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (REsp
1582176/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20.09.2016, DJe 30.09.2016)
Se o devedor não alegar a impenhorabilidade do bem de família no momento oportuno, haverá preclusão?
NÃO. A impenhorabilidade do bem de família é matéria de ordem pública, dela podendo conhecer o juízo a
qualquer momento, antes da arrematação do imóvel, desde que haja prova nos autos. Logo, mesmo que o
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devedor não tenha arguido a impenhorabilidade no momento oportuno, é possível sua alegação desde que
antes da arrematação do imóvel (STJ. 4ª Turma. REsp 981.532-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
7.8.2012).
O benefício da impenhorabilidade do bem de família deve ser concedido ainda que o imóvel tenha sido
adquirido no curso da demanda executiva, salvo na hipótese do art. 4º da Lei 8.009/90:
Para o bem de família instituído nos moldes da Lei nº 8.009/90, a proteção conferida pelo instituto alcançará
todas as obrigações do devedor, indistintamente, ainda que o imóvel tenha sido adquirido no curso de uma
demanda executiva. STJ. 4ª Turma. REsp 1792265-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14.12.2021
(Info 723).
Súmula n. 486 do STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros,
desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família.
A penhorabilidade de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação também se aplica no caso
de locação de imóvel comercial. Recentemente, no entanto, o STF considerou que é constitucional a penhora
de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, seja residencial, seja comercial. RE
1307334/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8/3/2022 (Repercussão Geral – Tema 1127) (Info
1046).
É possível a penhora de fração ideal de bem de família, nas hipóteses legais, desde que possível o
desmembramento do imóvel sem sua descaracterização.
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1704667/SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 22/03/2021.
STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1655356/SPS, Rel. Min. Ricardo Villas Boas Cueva, julgado em 19/04/2021.
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Exceções à impenhorabilidade:
O art. 3.º da Lei 8.009/1990 traz as exceções à impenhorabilidade, quais sejam:
Admite-se a penhora do bem de família para saldar o débito originado de contrato de empreitada global
celebrado para promover a construção do próprio imóvel:
Exemplo hipotético: João tinha um terreno vazio e contratou uma construtora para edificar uma casa no local.
O contrato celebrado foi do tipo “empreitada global”, ou seja, a empresa foi contratada para construir a casa
fornecendo todo o material necessário. A casa foi entregue, mas João deixou de pagar as últimas parcelas do
contrato. Diante disso, a empresa ajuizou execução contra o devedor e o juiz determinou a penhora da casa,
mesmo sendo bem de família. Isso é permitido com base na inciso II do art. 3º da Lei nº 8.009/90:
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: (...) II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento
destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função
do respectivo contrato;
O intuito do legislador ao prever a exceção legal ora tratada foi o de evitar que aquele que contribuiu para a
aquisição ou construção do imóvel ficasse impossibilitado de receber o seu crédito. Nesse cenário, é nítida a
preocupação do legislador no sentido de impedir a deturpação do benefício legal, vindo a ser utilizado como
artifício para viabilizar a aquisição, melhoramento, uso, gozo e/ou disposição do bem de família sem nenhuma
contrapartida, à custa de terceiros. STJ. 3ª Turma. REsp 1976743-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
08.03.2022 (Info 728).
Pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com
o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela
dívida; (Redação dada pela Lei nº 13.144 de 2015)
Para a cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em relação ao imóvel
familiar.
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É possível a penhora de bem de família quando a dívida é oriunda de cobrança de taxas e despesas
condominiais com base no art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90. STJ. 2ª Seção. AR 5.931/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 09.05.2018.
Por outro lado, não cabe a penhora de bem de família para a cobrança de contribuições criadas por
associações de moradores (condomínio de fato). Isso porque tais débitos ostentam natureza de dívida fundada
em direito pessoal, oriunda do ato associativo ou de concordância com a despesa, não possuindo vinculação
com o bem, mas sim com o serviço contratado, posto à disposição do associado. STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp
1688721/DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20.02.2018.
Pode penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei 8.009/90 se o débito de natureza
tributária estiver relacionado com outro imóvel que pertencia ao devedor?
NÃO.
5
Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90
é preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio imóvel que se pretende penhorar.
Exemplo: João celebrou com Pedro contrato de “permuta de imóveis urbanos”. Ficou acertado que João
transmitiria a propriedade de sua casa para Pedro e, em troca, Pedro faria a transferência de seu apartamento
a João. Ficou consignado que cada parte iria transmitir o imóvel sem quaisquer dívidas tributárias. Depois da
permuta e da transferência da posse, Pedro constatou que a casa cedida por João possuía débitos de IPTU.
Para regularizar a situação, Pedro quitou essas dívidas. Em seguida, Pedro ajuizou ação contra João pedindo o
ressarcimento desses valores considerando que houve um descumprimento do contrato neste ponto. O
pedido foi julgado procedente. No cumprimento de sentença, Pedro pediu a penhora do apartamento que,
depois da permuta, passou a pertencer a João e que é seu bem de família. Essa penhora não pode ser deferida
porque não se enquadra no inciso IV do art. 3º da Lei:
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel
familiar;
Pode-se apontar três argumentos principais:
• A dívida era referente a outro imóvel (e não ao que se pretende penhorar).
5
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A impenhorabilidade do bem de família hipotecado não pode ser oposta nos casos
em que a dívida garantida se reverteu em proveito da entidade familiar. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível
em: <[Link]
Acesso em: 07/10/2018
65
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• Não se está cobrando um imposto devido em função do imóvel; o que se está pleiteando é o ressarcimento
decorrente de inadimplemento contratual.
• As hipóteses de exceção à regra da impenhorabilidade do bem de família são taxativas, não comportando
interpretação extensiva.
STJ. 3ª Turma. REsp 1332071-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 18.02.2020 (Info 665).
Para a execução de HIPOTECA sobre o imóvel, oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade
familiar.
O STJ só mantém essa exceção nos casos de o bem ser efetivamente oferecido como hipoteca para garantia
do casal ou da entidade familiar, lado outro, se o imóvel foi dado em garantia de uma dívida que beneficiou
um terceiro, este bem não poderá ser penhorado.
6
Assim, em regra, é possível a penhora do imóvel que tiver sido oferecido como garantia real pelo casal ou
pela entidade familiar.
O STJ, contudo, ao interpretar esse inciso, faz a seguinte observação: a penhora do bem de família somente
será admitida se o imóvel foi dado em garantia de uma dívida que beneficiou o casal ou entidade familiar.
Desse modo, a exceção prevista no art. 3º, V, da Lei nº 8.009/90 não se aplica aos casos em que a hipoteca é
dada como garantia de empréstimo contraído em favor de terceiro, somente quando garante empréstimo
tomado diretamente em favor do próprio [Link]. 4ª Turma. AgInt nos EDcl no AREsp 665.233/SC, Rel.
Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 06.02.2018.
Não é possível entender que a caução imobiliária prestada configuraria hipoteca. Isso porque, segundo a
jurisprudência do STJ, a penhorabilidade excepcional do bem de família, prevista no art. 3º, V, da Lei nº
8.009/90, só incide em caso de hipoteca dada em garantia de dívida própria, e NÃO de dívida de terceiro
(AgInt no AREsp 1.551.138/SP).
Exemplo hipotético: em um contrato de locação comercial de terceiro, Ricardo ofereceu sua casa como
caução (garantia) da relação locatícia (art. 37, I, da Lei nº 8.245/91). O terceiro (locatário) não pagou os
6
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não se pode penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei
8.009/90 se o débito de natureza tributária está relacionado com outro imóvel que pertencia ao devedor. Buscador Dizer
o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 31/07/2020
66
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aluguéis e o locador executou o locatário e Ricardo pedindo a penhora da casa objeto da caução. Ocorre que
se trata de bem de família onde Ricardo reside. Será possível a penhora?
Não. As hipóteses excepcionais nas quais o bem de família pode ser penhorado estão previstas,
taxativamente, no art. 3º da Lei nº 8.009/90. Tais hipóteses não admitem interpretação extensiva.
O escopo da Lei nº 8.009/90 não é proteger o devedor contra suas dívidas, mas sim a entidade familiar no seu
conceito mais amplo, razão pela qual as hipóteses permissivas da penhora do bem de família, em virtude do
seu caráter excepcional, devem receber interpretação restritiva.
A caução levada a registro, embora constitua garantia real, não encontra previsão em qualquer das exceções
contidas no art. 3º da Lei nº 8.009/90, devendo, em regra, prevalecer a impenhorabilidade do imóvel, quando
se tratar de bem de família.
Assim, não é possível a penhora do bem de família mesmo que o proprietário tenha oferecido o imóvel
como caução em contrato de locação. STJ. 4ª Turma. REsp 1789505-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em
22/03/2022 (Info 732).
A ausência de registro da hipoteca afasta a exceção à regra de impenhorabilidade prevista no art. 3º, V, da
Lei n. 8.009/90?
NÃO. Esse é o entendimento do STJ, vide:
3. A ausência de registro da hipoteca NÃO afasta a exceção à regra de impenhorabilidade prevista no art.
3º, V, da Lei n. 8.009/90; portanto, não gera a nulidade da penhora incidente sobre o bem de família
ofertado pelos proprietários como garantia de contrato de compra e venda por eles descumprido. 4. Recurso
especial provido. (REsp 1455554/RN, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado
em 14.06.2016, DJe 16.06.2016)
No caso de o imóvel ter sido adquirido como produto de crime ou para a execução de sentença penal
condenatória de ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
(...). Na execução civil movida pela vítima, não é oponível a impenhorabilidade do bem de família adquirido
com o produto do crime, AINDA que a punibilidade do acusado tenha sido extinta em razão do cumprimento
das condições estipuladas para a suspensão condicional do processo. REsp 1.091.236-RJ, Rel. Min. Marco
Buzzi, julgado em 15.12.2015, DJe 1º.2.2016 (Informativo n. 575).
ATENÇÃO! Para a incidência dessa exceção, é indispensável que a sentença penal condenatória já tenha
transitada em julgado, por não ser possível a interpretação extensiva (STJ. 3ª Turma. REsp 1823159-SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 13.10.2020)
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Por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação de imóvel urbano, exceção que
foi introduzida pelo art. 82 da Lei 8.245/1991.
O STF entendeu pela CONSTITUCIONALIDADE da norma (STF, RE 407.688/SP, Rel. Min. Cezar Peluso, j.
08.02.2006).
Súmula n. 549 do STJ: É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação.
E se o contrato de aluguel for de imóvel para fins comercial, ainda assim afasta-se a regra da
impenhorabilidade do bem de família? Em outras palavras, é possível a aplicação do art. 3º, inc. VII da Lei
8.009/90 com a finalidade de penhorar bem de família do fiador?
SIM.
ATENÇÃO! Havia entendimento da primeira turma do STF no sentido de não ser possível penhorar bem de
família do fiador no caso de contratos de locação comercial. (STF. 1ª Turma. RE 605709/SP).
Contudo, o caso foi apreciado pelo plenário do STF, com repercussão geral. Restou decidido que a
penhorabilidade de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação também se aplica no caso de
locação de imóvel comercial.
Tese fixada pelo STF:
É constitucional a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, seja residencial,
seja comercial.
STF. Plenário. RE 1.307.334/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8.3.2022 (Repercussão Geral –
Tema 1127) (Info 1046).
Imóvel bem de família oferecido como caução imobiliária em contrato de locação não pode ser objeto de
penhora?
Não. Cite-se o teor do recente julgado do STJ:
Caso concreto: em um contrato de locação de terceiro, João ofereceu sua casa como caução (garantia) da
relação locatícia (art. 37, I, da Lei nº 8.245/91). O terceiro (locatário) não pagou os aluguéis e a empresa
locadora executou o locatário e João pedindo a penhora da casa objeto da caução. Ocorre que se trata de bem
de família onde João reside. Será possível a penhora?
Não. As hipóteses excepcionais nas quais o bem de família pode ser penhorado estão previstas, taxativamente,
no art. 3º da Lei nº 8.009/90. Tais hipóteses não admitem interpretação extensiva.
A caução imobiliária oferecida em contrato de locação não consta como uma situação na qual o art. 3º da
Lei autorize a penhora do bem de família.
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Assim, não é possível a penhora do bem de família mesmo que o proprietário tenha oferecido o imóvel
como caução em contrato de locação.
STJ. 3ª Turma. REsp 1873203-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24.11.2020 (Info 683).
Súmula n. 364 do STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel
pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas.
Súmula n. 449 do STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui
bem de família para efeito de penhora.
Súmula n. 486 do STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros,
desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família. (BEM
DE FAMÍLIA INDIRETO)
1) A impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, III, da Lei n. 8.009/90 não pode ser oposta ao
credor de pensão alimentícia decorrente de vínculo familiar ou de ato ilícito.
2) Os integrantes da entidade familiar residentes no imóvel protegido pela Lei n. 8.009/90 possuem
legitimidade para se insurgirem contra a penhora do bem de família.
3) A proteção contida na Lei n. 8.009/1990 alcança não apenas o imóvel da família, mas também os bens
móveis indispensáveis à habitabilidade de uma residência e os usualmente mantidos em um lar comum.
4) É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda
obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família (Súmula n. 486/STJ).
5) A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para
efeito de penhora. (Súmula n. 449/STJ)
8) A exceção à impenhorabilidade prevista no artigo 3º, II, da Lei n. 8.009/90 abrange o imóvel objeto do
contrato de promessa de compra e venda inadimplido.
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9) É possível a penhora do bem de família para assegurar o pagamento de dívidas oriundas de despesas
condominiais do próprio bem.
10) O fato do terreno encontrar-se desocupado ou não edificado são circunstâncias que sozinhas não
obstam a qualificação do imóvel como bem de família, deveno ser perquirida, caso a caso, a finalidade a
este atribuída.
11) Afasta-se a proteção conferida pela Lei n. 8.009/90 ao bem de família, quando caracterizado abuso de
direito de propriedade, violação da boa-fé objetiva e fraude à execução.
12) A impenhorabilidade do bem de família hipotecado não pode ser oposta nos casos em que a dívida
garantida se reverteu em proveito da entidade familiar.
14) A preclusão consumativa atinge a alegação de impenhorabilidade do bem de família quando houver
decisão anterior acerca do tema.
15) É legítima a penhora de apontado bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, ante o
que dispõe o art. 3º, inciso VII, da Lei n. 8.009/1990 (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 -
TEMA 708) (Súmula n. 549/STJ)
16) É possível a penhora do bem de família de fiador de contrato de locação, mesmo quando pactuado antes
da vigência da Lei n. 8.425/91, que acrescentou o inciso VII ao art. 3º da Lei n. 8.009/90.
17) A impenhorabilidade do bem de família é questão de ordem pública, razão pela qual não admite
renúncia pelo titular.
18) A impenhorabilidade do bem de família pode ser alegada em qualquer momento processual até a sua
arrematação, ainda que por meio de simples petição nos autos.
19) A Lei n. 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência. (Súmula n. 205/STJ)
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5. FATOS JURÍDICOS
A compra e venda de bens IMÓVEIS pode ser feita por meio de contrato particular ou é necessária escritura
pública?
• Em regra: é necessária escritura pública (art. 108 do CC).
• Exceção: a compra e venda pode ser feita por contrato particular (ou seja, sem escritura pública) se o valor
do bem imóvel alienado for inferior a 30 salários-mínimos.
Para fins do art. 108, deve-se adotar o preço dado pelas partes ou o valor calculado pelo Fisco?
O valor calculado pelo Fisco. O art. 108 do CC fala em valor do imóvel (e não em preço do negócio).
Assim, havendo disparidade entre ambos, é o valor do imóvel calculado pelo Fisco que deve ser levado em
conta para verificar se será necessária ou não a elaboração da escritura pública. A avaliação feita pela Fazenda
Pública para fins de apuração do valor venal do imóvel é baseada em critérios objetivos, previstos em lei, os
quais admitem aos interessados o conhecimento das circunstâncias consideradas na formação do quantum
atribuído ao bem. Logo, trata-se de um critério objetivo e público que evita a ocorrência de fraudes.
Obs: está superado o Enunciado 289 das Jornadas de Direito Civil do CJF.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.480-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 2.12.2014 (Info 562).
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Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da
substância do ato.
Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer
o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.
Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária
a declaração de vontade expressa.
Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido
literal da linguagem.
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração.
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.
• FATO JURÍDICO: O fato jurídico pode ser identificado como qualquer tipo de acontecimento, natural ou
humano, relevante para o direito, ainda que não gere efeitos no mundo jurídico, como, por exemplo, um
testamento. É jurídico, por conseguinte, aquele fato que potencialmente pode gerar consequências para o
direito.
Pode ser:
Natural, denominado fato jurídico stricto sensu. Esse pode ser um fato ordinário ou extraordinário.
o Exemplo de fato natural ordinário: morte, nascimento, etc;
o Exemplo de fato natural extraordinário: Queda de um helicóptero decorrente de um raio que o
atingiu e o danificou, ensejando a morte de pessoas.
CESPE/CEBRASPE, DPE-AL/DEFENSOR, 2017 (Adaptada): Se, após uma tempestade, uma árvore cair sobre
um veículo e causar danos a alguém, esse evento será classificado como fato jurídico em sentido estrito.
Certo.
• ATO JURÍDICO: Para configuração do ato jurídico é imprescindível a presença da vontade exteriorizada e
consciente, dirigida à obtenção de um resultado. Ato Jurídico = Fato + Direito + Vontade + Licitude.
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seus efeitos, a exemplo dos contratos e testamentos. Negócio Jurídico = Fato + Direito + Vontade + Licitude +
Composição de interesses das partes com finalidade específica.
• ATO JURÍDICO STRICTO SENSU: configura-se quando houver objetivo de mera realização da vontade do
titular de um determinado direito, não havendo a criação de instituto jurídico próprio para regular direitos e
deveres, muito menos a composição de vontade entre as partes envolvidas. O efeitos da manifestação de
vontade estão predeterminados por lei, o que afasta, via de regra, a autonomia da vontade. Ex.:
reconhecimento de um filho.
CESPE/CEBRASPE, DIPLOMATA, 2018: O ato jurídico em sentido estrito é ato voluntário que produz os efeitos
já previamente estabelecidos pela norma jurídica, como, por exemplo, quando alguém transfere a residência
com a intenção de se mudar, decorrendo da lei a consequente mudança do domicílio.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, PGM FORTALEZA-CE, 2017: O ato jurídico em sentido estrito tem consectários previstos
em lei e afasta, em regra, a autonomia de vontade.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, SERPRO, 2008: A intimação e a notificação são atos jurídicos materiais ou reais em sentido
estrito.
Errado.
• ATO-FATO JURÍDICO: Em suma, pode-se dizer que o ato-fato jurídico é um fato jurídico qualificado por uma
vontade não relevante juridicamente em um primeiro momento; mas que se revela relevante por seus
efeitos. O fato jurídico se caracteriza pela produtividade de efeitos jurídicos, distinguindo-se do fato
material, que não os produz, não estando acobertado pela coercibilidade. Exemplo típico e claro é o raio
(relâmpago) que atinge uma casa. Esse acontecimento pode ser um fato jurídico (se a residência estava
acobertada com uma apólice de seguro) ou um simples fato material (se não estava assegurada a residência
contra o evento).
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Ato jurídico lato sensu x stricto sensu:
Em sentido lato sensu, o ato jurídico é o acontecimento jurídico cujo suporte fático tenha como cerne uma
exteriorização consciente de vontade, dirigida à obtenção de resultado juridicamente protegido, previsto
na norma ou eleito pela própria parte.
Já o ato jurídico em sentido estrito é o que gera consequências jurídicas previstas em lei (tipificadas
previamente), desejadas, é bem verdade, pelos interessados, mas sem qualquer regulamentação da
autonomia privada. Surge como mero pressuposto de efeito jurídico preordenado por lei.
Aquisição de direitos:
Originária: o direito nasce no momento em que o titular se apossa ou se apropria de um bem de maneira
direta, SEM a participação de outra pessoa.
Derivada: ocorre quando há uma transmissão do direito de propriedade, existindo uma relação jurídica entre
o anterior e o atual titular.
Gratuita: quando não há uma contraprestação na aquisição. Ex.: uma pessoa adquire um bem por uma
doação; neste caso não há uma contraprestação nesta doação; o mesmo pode ocorrer quando se recebe um
bem por herança.
Onerosa: quando há uma contraprestação na aquisição. Ex.: a pessoa adquire o bem por meio de uma compra
e venda → se por um lado recebeu o bem, por outro lado pagou por este bem, havendo, portanto, uma
contraprestação na aquisição; o mesmo ocorre em uma troca ou na locação.
A título universal, quando o novo titular substitui o anterior proprietário na totalidade dos poderes sobre a
coisa, como o herdeiro; ou
A título singular, sucedendo o novo titular apenas em determinadas coisas, certas e determinadas, como na
figura do legatário.
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- que surge da participação humana e
- projeta efeitos desejados e criados por ela,
- tendo por fim a aquisição, modificação, transferência ou extinção de direitos.
1. Unilaterais: quando a declaração de vontade emana de uma ou mais pessoas, mas sempre na mesma
direção visando um único objetivo. Ou seja, o ato se aperfeiçoa com uma única manifestação de vontade;
havendo apenas um polo na relação jurídica. Ex.: testamento, renúncia, desistência, promessa de recompensa,
confissão de dívida, instituição de uma fundação, etc. Eles podem ser subdivididos em:
2. Bilaterais: quando a declaração de vontade emana de duas manifestações de vontade, em sentido oposto,
mas coincidentes sobre o objeto (consentimento mútuo ou acordo de vontades). Neste caso há dois polos na
relação jurídica. Ex.: perdão (“A” pode perdoar “B”; mas este perdão somente surtirá efeitos se “B” aceitar o
perdão); contratos como a compra e venda (comprador e vendedor), ou a locação (locador e locatário), etc.
Podem ser subdivididos em:
a) Simples: quando somente uma das partes aufere vantagens, enquanto a outra arca com os ônus (ex.:
doação).
b) Sinalagmáticos: quando há uma reciprocidade de direitos e obrigações para as partes (gera obrigações
para ambas), estando elas em situação de igualdade (ex.: compra e venda, locação, etc.).
3. Plurilaterais: contratos que envolvem mais de duas partes. Ex.: contrato de sociedade com mais de dois
sócios, consórcios de bens móveis e imóveis, etc.
Quanto às vantagens:
1. Gratuito: só uma das partes aufere vantagem. A pessoa assume determinada obrigação sem aguardar
qualquer espécie de contraprestação. São atos de liberalidade. Ex.: doação simples.
2. Oneroso: ambos os contratantes possuem ônus e vantagens recíprocas. A pessoa somente assume a
obrigação por esperar em contrapartida a outra obrigação. Ex.: locação (paga-se o aluguel e usa-se a coisa
alheia), compra e venda (paga-se o preço para se obter a coisa), etc.
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Os contratos onerosos se dividem em:
Observação: Alguns autores referem-se aos negócios bifrontes: são os que podem ser gratuitos ou onerosos
de acordo com a vontade das partes. O contrato de depósito pode ser gratuito ou oneroso, dependendo do
que for estipulado.
CESPE/CEBRASPE, TJ-DFT, 2013: Negócio jurídico bifronte é o que tanto pode ser gratuito quanto oneroso,
cabendo às partes contratantes convencionarem como ele irá ocorrer.
Certo.
Quanto à subordinação:
1. Principais: são aqueles que têm existência própria e não dependem de qualquer outro. Ex.: compra e
venda, locação, doação, etc.
2. Acessórios: são aqueles que têm a sua existência subordinada à de um contrato principal. Exemplo
clássico: fiança. A fiança só existe por causa de um contrato principal; ela não tem existência jurídica autônoma
(lembrem-se da regra: “o acessório segue o principal”).
Quanto às formalidades:
1. Solenes (formais): obedecem a uma solenidade especial, a uma forma prescrita em lei para se
aperfeiçoarem. Ex.: casamento, testamento, etc. Em alguns casos a formalidade é a própria essência do ato,
como a escritura pública de compra e venda de imóvel acima de 30 vezes o maior salário mínimo vigente (art.
108, CC).
2. Não solenes (forma livre): a lei não exige formalidades para seu aperfeiçoamento, podendo ser celebrado
por qualquer forma, inclusive verbal. Ex.: locação, compra e venda de bens móveis, etc. Em regra, os contratos
têm forma livre, salvo exceções expressas na lei.
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Quanto à duração:
1. Instantâneo (cujos efeitos são exauridos em momento único, podendo ser lembrada como exemplo a
compra e venda à vista);
2. Duração ou trato sucessivo (hipótese em que os efeitos são protraídos no tempo, como na compra e venda
em prestações). Releva a distinção porque somente o negócio de trato sucessivo admite a resolução ou
revisão judicial por onerosidade excessiva, nos termos dos arts. 478 a 480 do Código Civil.
Regras de interpretação:
O art. 113 do Código Civil prevê, expressamente, que os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme
a boa-fé.
Trata-se de requisitos cumulativos previstos no novo § 1º do art. 113 do Código Civil:
Vontade;
Objeto;
Forma.
Não havendo algum desses elementos, o negócio jurídico é inexistente (“um nada para o direito”), conforme
defendem aqueles que seguem à risca a teoria de Pontes de Miranda.
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No segundo plano, o da validade, os substantivos recebem adjetivos, nos termos do art. 104 do CC/2002, a
saber:
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina
o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes;
entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao
puro arbítrio de uma das partes.
Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias.
Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa
impossível.
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar,
não se terá adquirido o direito, a que ele visa.
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela
novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis.
Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo
exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.
Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe;
mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em
contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição
pendente e conforme aos ditames de boa-fé.
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente
obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição
maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento.
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Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido praticar
os atos destinados a conservá-lo.
Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.
Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do
começo, e incluído o do vencimento.
§ 1º Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil.
§ 2º Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia.
§ 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata
correspondência.
§ 4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em proveito do
devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu
a benefício do credor, ou de ambos os contratantes.
Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, salvo se a execução tiver de
ser feita em lugar diverso ou depender de tempo.
Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e
resolutiva.
Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente
imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.
Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante
da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.
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• Defeitos nos negócios jurídicos:
Erro:
O erro é um engano fático, uma falsa noção, em relação a uma pessoa, ao objeto do negócio ou a um direito,
que acomete a vontade de uma das partes que celebrou o negócio jurídico. São negócios anuláveis.
Enunciado n. 12 da CJF – Art. 138: Na sistemática do art. 138, é irrelevante ser ou não escusável o erro,
porque o dispositivo adota o princípio da confiança.
A pessoa engana-se sozinha, parcial ou totalmente, sendo anulável o negócio toda vez que o erro ou a
ignorância for substancial ou essencial, nos termos do art. 139 do CC, a saber:
a) Interessar à natureza do negócio (error in negotia), ao objeto principal da declaração (error in corpore), ou
a alguma das qualidades a ele essenciais (error in substantia). Exemplo: comprar bijuteria pensando tratar-se
de ouro (comprar gato por lebre).
b) Disser respeito à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade,
desde que tenha influído nesta de modo relevante (erro quanto à pessoa ou error in persona). Exemplo:
ignorar um vício comportamental de alguém e celebrar o casamento com essa pessoa. O art. 1.557 do CC traz
as hipóteses que podem motivar a anulação do casamento por erro.
c) Constituir erro de direito e não implicar em recusa à aplicação da lei, sendo o motivo único ou causa
principal do negócio jurídico (erro de direito ou error iuris).
CC, Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.
CC, Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade.
CC, Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de
vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante.
Dolo:
O dolo pode ser conceituado como sendo o artifício ardiloso empregado para enganar alguém, com intuito
de benefício próprio. O negócio praticado com dolo é anulável, no caso de ser esta a sua causa.
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CC, Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito,
o negócio seria realizado, embora por outro modo.
Não só o dolo do próprio negociante gera a anulabilidade do negócio, mas também o dolo de terceiro.
Resumindo: tendo conhecimento o contratante ou negociante beneficiado, haverá dolo ESSENCIAL. Não
havendo tal conhecimento, o dolo é ACIDENTAL, o que logicamente depende de prova.
O CC trata também do dolo do representante legal, em seu art. 149. Dessa forma, o dolo do representante
LEGAL de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que
teve. Mas se o dolo for do representante CONVENCIONAL, o representado responderá solidariamente com
ele por perdas e danos.
CC, Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou
reclamar indenização.
Coação:
A coação pode ser conceituada como sendo uma pressão física ou moral exercida sobre o negociante, visando
a obrigá-lo a assumir uma obrigação que não lhe interessa.
a) Coação física (vis absoluta): “constrangimento CORPORAL que venha a retirar toda a capacidade de querer
de uma das partes, implicando ausência total de consentimento, o que acarretará nulidade absoluta do
negócio”.
b) Coação moral ou psicológica (vis compulsiva): coação efetiva e presente, causa fundado temor de dano
iminente e considerável à pessoa do negociante, à sua família, à pessoa próxima ou aos seus bens, gerando a
anulabilidade do ato (art. 151 do CC).
Enuncia o art. 154 do CC que também a coação exercida por terceiro gera a anulabilidade do negócio, se o
negociante beneficiado dela tiver ou devesse ter conhecimento, respondendo ambos solidariamente perante
o prejudicado pelas perdas e danos. Por outro lado, o negócio jurídico permanecerá válido se o negociante
beneficiado pela coação dela NÃO tiver ou NÃO devesse ter conhecimento (art. 155 do CC), regra em
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consonância com a conservação dos negócios em geral. Mas isso não afasta o dever de indenizar do coator
que responderá por todas as perdas e danos que tiver causado.
a) A ameaça relacionada com o exercício regular de um direito reconhecido, como no caso de informação de
prévio protesto de um título em cartório, sendo existente e devida a dívida.
b) O mero temor reverencial ou o receio de desagradar pessoa querida ou a quem se deve obediência.
Exemplo: casar-se com alguém com medo de desapontar seu irmão, grande amigo. O casamento é válido.
Estado de perigo:
De acordo com o art. 156 do CC, haverá estado de perigo toda vez que o próprio negociante, pessoa de sua
família ou pessoa próxima estiver em perigo, conhecido da outra parte, sendo este a única causa para a
celebração do negócio.
Tratando-se de pessoa não pertencente à família do contratante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias
fáticas e regras da razão (art. 156, parágrafo único, do CC).
Requisitos:
Lesão:
Dispõe o art. 157, caput, da atual codificação privada que “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta”. O § 1º, do art. 157, do CC, recomenda que a desproporção seja apreciada de acordo com
os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. Desse modo, evidencia-se que a lesão
é um vício de formação.
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Enunciado n. 149 do CJF/STJ: Em atenção ao princípio da conservação dos contratos, a verificação da lesão
deverá conduzir, sempre que possível, à revisão judicial do negócio jurídico e NÃO à sua anulação, sendo
dever do magistrado incitar os contratantes a seguir as regras do art. 157, § 2.º, do Código Civil de 2002.
Em suma, é plenamente possível que a parte prejudicada ingresse diretamente com uma ação fundada na
lesão, pleiteando a revisão do negócio.
Pois bem, para a caracterização da lesão é necessária a presença de um elemento objetivo, formado pela
desproporção das prestações, a gerar uma onerosidade excessiva, um prejuízo a uma das partes; bem como
um elemento subjetivo: a premente necessidade ou inexperiência, conforme previsto no caput do art. 157.
A fórmula a seguir serve como luva:
Elemento subjetivo: premente necessidade ou Elemento Subjetivo: perigo que acomete o próprio
inexperiência. negociante, pessoa de sua família ou amigo íntimo,
sendo esse perigo de conhecimento do outro
negociante.
Aplica-se a revisão negocial pela regra expressa do Há entendimento doutrinário de aplicação analógica
art. 157, § 2°, do CC, hipótese de subsunção. do art. 157, §2°, do CC, visando a conservação negocial.
Adotada essa tese, há hipótese de integração, não de
subsunção.
Simulação:
Na simulação há um desacordo entre a vontade declarada ou manifestada e a vontade interna. Em suma, há
uma discrepância entre a vontade e a declaração; entre a essência e a aparência.
CC, Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância
e na forma.
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A simulação pode ser alegada por terceiros que não fazem parte do negócio, mas também por uma parte
contra a outra, conforme reconhece o Enunciado n. 294 do CJF/STJ, aprovado na IV Jornada de Direito Civil. A
simulação, em qualquer modalidade, passou a gerar a nulidade do negócio jurídico, sendo questão de ordem
pública.
Como foi destacado, o art. 167 do CC reconhece a nulidade absoluta do negócio jurídico simulado, mas prevê
que subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. O dispositivo trata da simulação
relativa, aquela em que, na aparência, há um negócio; e na essência, outro. Dessa maneira, percebe-se na
simulação relativa dois negócios: um aparente (simulado) e um escondido (dissimulado).
a) De negócios jurídicos que visam a conferir ou a transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais
realmente se conferem ou transmitem (simulação subjetiva).
b) De negócios que contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira (modalidade de
simulação objetiva).
c) De negócios cujos instrumentos particulares forem antedatados ou pós-datados (outra forma de simulação
objetiva).
a) Simulação absoluta: situação em que na aparência se tem determinado negócio, mas na essência a parte
não deseja negócio algum.
b) Simulação relativa: situação em que o negociante celebra um negócio na aparência, mas na essência almeja
um outro ato jurídico, conforme outrora já exemplificado quanto ao comodato e à locação. A simulação
relativa, mais comum de ocorrer na prática, pode ser assim subclassificada:
• Simulação relativa subjetiva: caso em que o vício social acomete o elemento subjetivo do negócio,
pessoa com que este é celebrado (art. 167, § 1.º, I, do CC). A parte celebra o negócio com uma parte
na aparência, mas com outra na essência, entrando no negócio a figura do “testa de ferro”, laranja ou
homem de palha, que muitas vezes substitui somente de fato aquela pessoa que realmente celebra o
negócio jurídico ou contrato. Trata-se do negócio jurídico celebrado por interposta pessoa.
• Simulação relativa objetiva: caso em que o vício social acomete o elemento objetivo do negócio
jurídico celebrado, o seu conteúdo. Celebra-se um negócio jurídico, mas na realidade há uma outra
figura obrigacional, sendo mascarados os seus elementos verdadeiros.
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A reserva mental ou reticência essencial, prevista no art. 110 do CC, quando ilícita e conhecida do
destinatário, é vício social similar à simulação absoluta gerando a NULIDADE do negócio jurídico.
A nulidade de negócio jurídico simulado pode ser reconhecida no julgamento de embargos de terceiro?
SIM. A nulidade de negócio jurídico simulado pode, sim, ser reconhecida no julgamento de embargos de
terceiro.
A simulação provoca a nulidade absoluta do negócio jurídico. É o que prevê o caput do art. 167 do CC.
Diante disso, como se trata de matéria de ordem pública, a simulação pode ser declarada até mesmo de ofício
pelo juiz da causa (art. 168, parágrafo único, do CC).
Como negócio jurídico simulado é nulo, o reconhecimento dessa nulidade pode ocorrer de ofício, até mesmo
incidentalmente em qualquer processo em que for ventilada a questão.
Logo, é desnecessário o ajuizamento de ação específica para se declarara nulidade de negócio jurídico
simulado.
Dessa forma, não há como se restringir o seu reconhecimento em embargos de terceiro.
Para casos posteriores ao Código Civil de 2002, não é mais possível aplicar o entendimento da Súmula 195 do
STJ às hipóteses de simulação.
STJ. 3ª Turma. REsp 1927496/SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 27/04/2021 (Info 694).
• Prescrição x decadência:
CAPÍTULO I
Da Prescrição
Seção I
Disposições Gerais
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a
que aludem os arts. 205 e 206.
Art. 190. A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão.
Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de
terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado,
incompatíveis com a prescrição.
Art. 192. Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes.
Art. 193. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita.
Art. 194. (Revogado pela Lei nº 11.280, de 2006)
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Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou
representantes legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente.
Art. 196. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor.
Seção II
Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição
Art. 197. Não corre a prescrição:
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal;
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela.
Art. 198. Também não corre a prescrição:
I - contra os incapazes de que trata o art. 3 o ;
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios;
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.
Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:
I - pendendo condição suspensiva;
II - não estando vencido o prazo;
III - pendendo ação de evicção.
Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição
antes da respectiva sentença definitiva.
Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a
obrigação for indivisível.
Seção III
Das Causas que Interrompem a Prescrição
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo
e na forma da lei processual;
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;
III - por protesto cambial;
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores;
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo
devedor.
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último
ato do processo para a interromper.
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Art. 203. A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado.
Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a
interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados.
§ 1 o A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada
contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.
§ 2 o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros
ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis.
§ 3 o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.
Seção IV
Dos Prazos da Prescrição
Art. 205. A prescrição ocorre em DEZ ANOS, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor (PRAZO
GERAL).
Art. 206. Prescreve:
§ 1º Em UM ANO:
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio
estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos;
II - a pretensão do SEGURADO contra o SEGURADOR, ou a deste contra aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder
à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência
do segurador;
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela
percepção de emolumentos, custas e honorários;
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de
sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembleia que aprovar o laudo;
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo
da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.
§ 2º Em DOIS ANOS, a pretensão para haver PRESTAÇÕES ALIMENTARES, a partir da data em que se
vencerem. (Atenção! O direito ao alimento não prescreve, mas as prestações alimentares sim!)
§ 3º Em TRÊS ANOS:
I - a pretensão relativa a ALUGUÉIS de prédios urbanos ou rústicos;
II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias;
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III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos
não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela;
IV - a pretensão de RESSARCIMENTO DE ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA;
V - a pretensão de reparação civil;
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em
que foi deliberada a distribuição;
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o
prazo:
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima;
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em
que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembleia geral que dela deva tomar
conhecimento;
c) para os liquidantes, da primeira assembleia semestral posterior à violação;
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as
disposições de lei especial;
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de
responsabilidade civil obrigatório.
§ 4º Em QUATRO ANOS, a pretensão relativa à TUTELA, a contar da data da aprovação das contas.
§ 5º Em CINCO ANOS:
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular;
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos
seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou
mandato;
III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo.
Art. 206-A. A prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de prescrição da pretensão, observadas as
causas de impedimento, de suspensão e de interrupção da prescrição previstas neste Código e observado o
disposto no art. 921 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. (Redação dada Pela
Medida Provisória nº 1.085, de 2021)
CAPÍTULO II
Da Decadência
Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem,
suspendem ou interrompem a prescrição.
Art. 208. Aplica-se à decadência o disposto nos arts. 195 e 198, inciso I.
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Art. 209. É nula a renúncia à decadência fixada em lei.
Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei.
Art. 211. Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de
jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação.
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA
- Extingue a pretensão - Extingue o direito
- Relacionada com direitos subjetivos, atinge - Relacionada com direitos potestativos, atinge ações
ações condenatórias (cobrança e reparação de constitutivas positivas e negativas (principalmente
danos, principalmente) ações anulatórias)
- Prazos somente estabelecidos em lei - Prazos estabelecidos em lei (decadência legal)
- Prazos estabelecidos por convenção das partes
(decadência convencional)
- Deve ser reconhecida de ofício pelo juiz. - A decadência legal deve ser reconhecida de ofício
pelo magistrado.
- A decadência convencional não pode ser
reconhecida de ofício pelo magistrado.
- Prazo geral de 10 ANOS (art. 205, CC). - Não há prazo geral de decadência. Para anular
negócio jurídico, há prazo geral de 2 ANOS (art. 179,
CC), contados da celebração.
- Prazos especiais em anos, de 1, 2, 3, 4 e 5 anos - Prazos especiais em dias, meses, ano e dia e anos (1
(art. 206, CC). a 5 anos), todos previstos fora dos arts. 205 e 206, CC.
A interrupção da prescrição ocorre somente uma única vez para a mesma relação jurídica, isto é,
independentemente de seu fundamento:
Exemplo hipotético: Montago Ltda deveria pagar, em setembro de 2012, R$ 300 mil à Galícia Comércio Ltda.
Essa quantia estava materializada em três duplicatas mercantis de R$ 100 mil cada. Não houve pagamento na
data do vencimento. Logo, iniciou-se a contagem do prazo prescricional para a credora exigir o pagamento da
quantia.
Em outubro de 2012, a credora (Galícia) levou as duplicatas a protesto. Isso interrompeu a prescrição (art.
202, III, do CC).
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Em dezembro de 2014, a devedora (Montago) ajuizou, contra a credora, ação declaratória de inexigibilidade
dos débitos. O pedido foi julgado improcedente. Isso, em tese, tem o condão de interromper a prescrição. No
entanto, no caso concreto, essa ação não teve o condão de interromper porque a prescrição já havia sido
interrompido uma vez antes e o art. 202 do CC somente admite uma única interrupção da prescrição.
Em suma: não é possível a interrupção do prazo prescricional em razão do ajuizamento de ação declaratória
de inexigibilidade dos débitos pelo devedor quando já tiver havido anterior interrupção do prazo prescricional
pelo protesto das duplicatas.
STJ. 3ª Turma. REsp 1963067-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 727).
Incide o prazo de prescrição anual às pretensões relativas ao contrato de transporte terrestre de cargas
antes e depois da vigência do Código Civil de 2002.
STJ. 3ª Turma. REsp 1448785-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
Imagine a situação em que uma pessoa ingressa com uma ação de indenização contra a construtora pleiteando
a condenação da ré ao pagamento de danos materiais em virtude da metragem a menor da vaga de garagem,
do que foi previsto no contrato de compra e venda.
Há incidência de prazo prescricional ou decadencial? De quanto seria o prazo para ingressar com a ação?
A pretensão seria de natureza indenizatória (de ressarcimento pelo prejuízo decorrente dos vícios do imóvel),
não havendo incidência de prazo decadencial, sujeitando-se a ação ao prazo de prescrição.
Assim, a orientação do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de se aplicar o prazo prescricional
disposto no art. 205 do Código Civil à pretensão indenizatória decorrente do vício construtivo.
STJ. 3ª Turma. AgInt-REsp 1.889.229, Rel. Min. Ricardo Villas Boas Cueva, julgado em 15/06/2021.
CUIDADO! O prazo será decadencial de 1 anos, se a pretensão da parte autora for: a) complemento da área;
b) reclamar a resolução do contrato; ou c) o abatimento proporcional do preço.
Na hipótese em que as dimensões de imóvel adquirido não correspondem às noticiadas pelo vendedor, cujo
preço da venda foi estipulado por medida de extensão (venda ad mensuram), aplica-se o prazo decadencial
de 1 (um ano, previsto no art. 501 do CC/2002 para exigir:
• o complemento da área;
• reclamar a resolução do contrato; ou
• o abatimento proporcional do preço.
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STJ. 3ª Turma. REsp 1890327/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/04/2021 (Info 693)
No entanto, a MP n. 1.085/2021, cujo conteúdo não apresenta nexo temático com a prescrição, alterou o art.
206-A, acrescentando a parte final:
Art. 206-A do CC. A prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de prescrição da pretensão,
observadas as causas de impedimento, de suspensão e de interrupção da prescrição previstas neste Código
e observado o disposto no art. 921 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil.
(Redação dada Pela Medida Provisória nº 1.085, de 2021)
Nulidade e anulabilidade:
Nulidade:
Em sentido amplo, a nulidade é a consequência prevista em lei, nas hipóteses em que NÃO estão preenchidos
os requisitos básicos para a existência válida do ato negocial. São espécies de nulidades: nulidade ABSOLUTA
(nulidade stricto sensu) e nulidade RELATIVA (ou anulabilidade).
Na nulidade absoluta o negócio jurídico não produz efeitos, pela ausência dos requisitos para o seu plano de
validade (art. 104 do CC). São defeitos de ordem pública.
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III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
O negócio simulado também é NULO, subsistindo apenas o que se dissimulou (art. 167 do CC).
Em havendo nulidade absoluta, deve ser proposta uma ação declaratória de nulidade que segue, regra geral,
o rito ordinário. Diante de sua natureza predominantemente declaratória, é imprescritível, ou melhor
tecnicamente, não está sujeita a prescrição ou decadência.
IMPORTANTE! Embora entenda-se que a ação para declarar o ato nulo é sempre imprescritível, aplica-se a
prescrição para outras PRETENSÕES DECORRENTES DA NULIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO. Enunciado n. 536,
da VI Jornada de Direito Civil, evento de 2013: “Resultando do negócio jurídico nulo consequências
patrimoniais capazes de ensejar pretensões, é possível, quanto a estas, a incidência da prescrição”.
Como se trata de vício não convalidável, o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem
convalesce pelo decurso do tempo (CC, art. 169).
Enunciado n. 537, da VI Jornada de Direito Civil: “A previsão contida no art. 169 não impossibilita que,
excepcionalmente, negócios jurídicos NULOS produzam efeitos a serem preservados quando
justificados por interesses merecedores de tutela”.
Entretanto, anote que é possível o instituto da conversão substancial. Assim, se o negócio nulo contiver os
requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido,
se houvessem previsto a nulidade (art. 170 do CC).
CESPE/CEBRASPE, TELEBRÁS, 2015: O negócio jurídico nulo pode ser convertido em outro negócio jurídico
válido se os requisitos da substância e forma desse último estiverem presentes e se o fim que objetivavam as
partes permitir supor que teriam desejado a conversão caso tivessem previsto a nulidade.
Certo.
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As nulidades absolutas, por envolverem ordem pública, podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo
Ministério Público, quando lhe couber intervir (art. 168 do CC). Também por envolverem o interesse de todos,
as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos (art.
168, parágrafo único, do CC).
Já a nulidade relativa é de ordem privada, de interesse das partes. O reconhecimento da anulabilidade deverá
ser pleiteado por meio da denominada ação anulatória
Tal ação tem natureza constitutiva negativa, estando relacionada com direitos potestativos, o que justifica
os prazos decadenciais a elas referidos.
Em regra, o prazo (decadencial) para pleitear a anulação de negócio jurídico, nos termos do art. 178, é de
quatro anos. Entretanto, quando a lei dispuser que determinado ato é anulável sem estabelecer prazo para
pleitear-lhe a anulação, considerar-se-á que o prazo (decadencial, repita-se!) será de dois anos, contados a
partir da data da conclusão do ato ou do negócio jurídico (CC, art. 179).
Convalidação:
Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de
mantê-lo.
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente
do vício que o inquinava.
Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos termos dos arts. 172 a
174, importa a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor.
Efeitos:
Em relação à sentença da ação anulatória, tem efeitos inter partes.
Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os
interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade
ou indivisibilidade.
No entanto, há posicionamento orientando que os efeitos da sentença na ação anulatória (negócio anulável)
também seriam retroativos (ex tunc) parciais, com fundamento no art. 182 da atual codificação (Pablo Stolze
Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, citando Humberto Theodoro Júnior e Ovídio Baptista).
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Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não
sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente.
CESPE/CEBRASPE, EMAP, 2018: A anulação do negócio jurídico restituirá as partes ao estado em que antes
dele elas se achavam, mas, se isso não for possível, elas terão de ser indenizadas pelo equivalente.
Certo.
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6. OBRIGAÇÕES
O direito das obrigações reúne o conjunto de normas reguladoras da relação jurídica pessoal que vincula o
devedor ao credor. A relação é pessoal.
Haftung (responsabilidade): Se o débito não é adimplido, surge a responsabilidade patrimonial. Surge esse
elemento.
IMPORTANTE! Haftung (responsabilidade) e Schuld (débito) geralmente caminham juntos. Porém, é possível
que uma pessoa tenha apenas Haftung e não tenha Schuld. É que dizer haver responsabilidade sem débito.
Exemplo: Fiança. É possível, também, identificar uma situação em que há Schuld sem Haftung (debitum sem
obligatio), qual seja, na obrigação natural, que mesmo existente não pode ser exigida, pois é uma obrigação
incompleta Ex.: Dívida prescrita, que pode ser paga (por existir), porém, não pode ser exigida.
CESPE/CEBRASPE, TJ-CE, 2004: A obrigação natural é um débito em que não se pode exigir, judicialmente, a
responsabilização patrimonial do devedor, mas que, sendo cumprido, não caracterizará pagamento indevido.
Certo.
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O que é obrigação propter rem?
Trata-se de um tipo especial híbrido de obrigação, com característica real e pessoal, na medida em que se
vincula a uma coisa, acompanhando-a, a exemplo da obrigação de pagar taxa condominial (STJ, RESP
846.187/SP).
Obrigação de dar:
As obrigações de dar coisa certa são aquelas cujo objeto da prestação é determinado, individualizado.
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, SEM culpa do devedor, antes da tradição, ou
pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes (status quo ante); se a
perda resultar de CULPA do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.
CESPE/CEBRASPE, EBSERH/ADVOGADO, 2018: Nas obrigações de dar coisa certa, caso a coisa restituível se
deteriore por culpa do devedor, o credor poderá aceitar a coisa no estado que estiver, com direito a reclamar
indenização por perdas e danos.
Certo.
Regras básicas:
Não apenas para as obrigações de dar coisa certa, mas especialmente para elas, deve se aplicar a regra de
ouro do art. 313 do CC:
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa
(princípio da exatidão ou da correspondência do pagamento).
Outro ponto importante, a obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios, salvo se o contrário resultar
do título ou da circunstância.
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Resumindo:
Regras acerca das consequências do inadimplemento das obrigações de dar coisa certa:
1ª Regra – Havendo obrigação de DAR coisa CERTA e perdendo-se a coisa SEM culpa do devedor, antes
da tradição ou pendente condição suspensiva, resolve-se a obrigação para ambas as partes, sem o
pagamento das perdas e danos (art. 234, primeira parte, do CC).
2ª Regra – Na obrigação de DAR coisa CERTA, ocorrendo a perda da coisa COM culpa do devedor, poderá
o credor exigir o equivalente à coisa e mais perdas e danos (art. 234, segunda parte, do CC). Em suma,
haverá resolução da obrigação com perdas e danos.
3ª Regra – Na obrigação de DAR coisa CERTA, se a coisa se deteriorar SEM culpa do devedor, o credor
terá duas opções: resolver a obrigação, SEM o direito a perdas e danos, já que não houve culpa genérica
da outra parte; ficar com a coisa, abatido do preço o valor correspondente ao perecimento parcial (art.
235 do CC).
4ª Regra – Nos termos do art. 236 do CC, na obrigação de dar coisa CERTA, havendo deterioração da
coisa, COM culpa do devedor, poderá o credor exigir o valor equivalente à coisa ou ficar com ela no
estado em que se encontrar, nos dois casos COM perdas e danos.
5ª Regra – Na obrigação de RESTITUIR coisa certa, ocorrendo a perda da coisa SEM culpa do devedor e
antes da tradição, aplica-se a máxima pela qual a coisa perece para o dono (res perit domino),
suportando o credor o prejuízo, conforme determina o art. 238 do CC. Pelo mesmo dispositivo, o credor,
proprietário da coisa que se perdeu, poderá pleitear os direitos que já existiam até o dia da referida perda.
6ª Regra – Determina o art. 239 que, na obrigação de RESTITUIR, se a coisa se perder por CULPA do
devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.
7ª Regra – Havendo deterioração SEM culpa do devedor na obrigação de RESTITUIR, o credor somente
pode exigir a coisa no estado em que se encontrar, SEM direito a qualquer indenização (art. 240,
primeira parte, do CC).
8ª Regra – Na obrigação de RESTITUIR coisa certa, havendo deterioração da coisa COM culpa do
devedor, o credor passa a ter o direito de exigir o valor equivalente à coisa, mais as perdas e danos que
o caso determinar (conforme o art. 240, segunda parte, que manda aplicar o art. 239 do CC).
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Inadimplemento:
Antes da tradição Sem culpa do Com culpa do
devedor devedor
Perda (extinção total) da coisa (art. Extingue a obrigação. Devolução da Indenização (valor da coisa)
234, CC). quantia paga. mais perdas e danos.
Deterioração (extinção parcial) da Extingue a obrigação ou Indenização (valor da coisa)
coisa (arts. 235/236, CC). abatimento proporcional do preço. mais perdas e danos ou aceita
a coisa mais perdas e danos.
A obrigação de dar coisa incerta, por sua vez, é aquela em que a coisa é indicada, ao menos, pelo GÊNERO e
pela QUANTIDADE.
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o
contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar
a melhor.
O CC, no art. 246, estabelece que o gênero não perece, de maneira que o devedor da coisa incerta, antes da
escolha não pode pretender se eximir alegando caso fortuito ou força maior:
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por
força maior ou caso fortuito.
Obrigação de fazer:
Busca-se, como objeto, a prestação de um fato, podendo ser personalíssima (infungível) ou NÃO
personalíssima (fungível).
a) Obrigação de fazer fungível, que é aquela que ainda pode ser cumprida por outra pessoa, à custa do
devedor originário, por sua natureza ou previsão no instrumento. Ex.: obrigações de pintar um muro, que, em
tese, pode ser pintada por qualquer pessoa, por isso fungível.
Havendo inadimplemento com culpa do devedor, o credor poderá exigir:
1º) O cumprimento forçado da obrigação, por meio de tutela específica, com a possibilidade de fixação de
multa ou “astreintes” (art. 536 do CPC e art. 84 do CDC, em havendo relação de consumo).
2º) O cumprimento da obrigação por terceiro, à custa do devedor originário (art. 249, caput, do CC).
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3º) Não interessando mais a obrigação de fazer, o credor poderá requerer a sua conversão em perdas e danos
(art. 248 do CC).
b) Obrigação de fazer infungível, que é aquela que tem natureza personalíssima ou intuitu personae, em
decorrência de regra constante do instrumento obrigacional ou pela própria natureza da prestação. Ex.: a
contratação de um artista famoso para pintar um quadro.
Em casos de inadimplemento com culpa do devedor, o credor terá as seguintes opções:
1º) Exigir o cumprimento forçado da obrigação, por meio de tutela específica, com a possibilidade de multa
ou “astreintes” (art. 536 do CPC e art. 84 do CDC, se a relação for de consumo).
2º) Não interessando mais a obrigação de fazer, exigir perdas e danos (art. 247 do CC).
Obs.: Segundo o art. 248 do CC/2002, caso a obrigação de fazer, nas duas modalidades, torne-se impossível
sem culpa do devedor, resolve-se a obrigação sem a necessidade de pagamento de perdas e danos.
Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só
imposta, ou só por ele exequível.
Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, SEM culpa do devedor, se lhe torne impossível
abster-se do ato, que se obrigou a não praticar.
Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça,
sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos.
Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de
autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.
IMPORTANTE! À luz da boa-fé objetiva, avulta a importância do instituto do duty to mitigate com o propósito
de coibir abusos. Por meio dele, impõe-se ao próprio credor (titular do direito), a obrigação de, sempre que
possível, atuar para mitigar a situação de prejuízo experimentada pelo devedor. No Brasil, foi pioneiro o
estudo da professora Véra Jacob de Fradera, havendo, inclusive, aplicação pelo próprio STJ (RESP 758.518/PR).
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Resumindo: descumprimento da obrigação de não fazer.
A) Sem culpa (impossibilidade da abstenção do fato sem culpa do devedor: alteração de uma lei): exoneração
do devedor.
B) Com culpa (inexecução culposa do devedor): desfazimento do ato à sua custa e ressarcimento das perdas
e danos ou reparação do prejuízo, ante a impossibilidade de desfazimento do ato.
Obrigação natural:
A obrigação natural é aquela desprovida de exigibilidade jurídica, a exemplo de uma dívida prescrita ou de
uma dívida de jogo. A obrigação natural, a despeito de ser juridicamente inexigível, admite o efeito jurídico
da soluti retentio (retenção do pagamento), ou seja, caso o devedor pague a dívida, NÃO poderá exigir
devolução (art. 882 do CC).
Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente
inexigível.
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação DIVISÍVEL, esta presume-se
dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
Art. 258. A obrigação é INDIVISÍVEL quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis
de divisão, por sua NATUREZA, por MOTIVO de ORDEM ECONÔMICA, ou dada a razão determinante do
negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela
dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, SUB-ROGA-SE NO DIREITO DO CREDOR em relação aos outros
coobrigados.
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou
devedores se desobrigarão, pagando:
I - a todos conjuntamente;
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.
Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de
exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só
a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente.
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou confusão.
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Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.
§ 1º Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de TODOS os devedores, responderão todos por
partes iguais.
§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.
Critérios de classificação:
Quanto ao conteúdo:
Obrigação de meio: aquela em que o devedor se obriga a empreender uma atividade, SEM garantir o
resultado esperado, por exemplo, advogado e médicos (com exceção de cirurgião plástico – estética).
Obrigação de resultado: aquela em que o devedor se obriga também a produzir o resultado esperado pelo
credor, cite-se, como exemplo, obrigação do transportador:
Art. 734. O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo
motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade.
1) Obrigações Instantâneas: são as que são cumpridas no momento em que o negócio é celebrado (ex.:
compra e venda à vista). Instantâneas são as obrigações cujo adimplemento é único e imediato.
3) Obrigações Diferidas: quando a execução é realizada em um único ato, porém em momento posterior ao
surgimento da obrigação (ex.: compra e venda com pagamento à vista, mas a entrega da coisa se dará em 30
dias).
4) Obrigações de Trato Sucessivo (ou periódicas ou execução continuada): quando o cumprimento se dá por
meio de subvenções periódicas (se protrai no tempo), resolvendo-se em intervalos de tempo (regulares ou
não). Ex.: obrigação do inquilino em pagar aluguel; a do condômino em pagar as despesas condominiais.
Quando uma parcela é paga a obrigação está quitada. Mas neste instante inicia-se a formação de outra
prestação que deverá ser paga no fim do próximo período.
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Quanto aos elementos acidentais:
1) Obrigações Puras e Simples: são as que não estão sujeitas a nenhum elemento acidental, como a condição,
o termo ou o encargo. Sua eficácia é IMEDIATA!
2) Obrigações Condicionais: são as que contêm cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e INCERTO
(ex.: eu lhe darei um carro se você entrar em uma universidade pública). Pode ser suspensiva e resolutiva.
3) Obrigações a Termo: são aquelas que contêm cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e CERTO
(ex.: eu lhe darei um carro no fim deste ano). Termo pode ser inicial (libera os efeitos) e final (extingue os
efeitos).
4) Obrigações Modais: são as oneradas de um encargo, um ônus à pessoa contemplada pela relação jurídica
(ex.: dou-lhe dois terrenos, mas em um deles deve ser construída uma escola).
1) Obrigações Principais: são as que independem de qualquer outra para ter validade (ex.: compra e venda,
locação, etc.); são dotadas de vida própria e autônoma.
2) Obrigações Acessórias: são as que têm sua existência subordinada a outra relação jurídica (ex.: a fiança é
uma obrigação acessória em relação ao contrato de locação; da mesma forma a multa contratual é acessória
em relação a uma obrigação qualquer, etc.). A extinção, ineficácia, nulidade ou prescrição da obrigação
principal reflete-se na acessória.
1) Cumulativas são as obrigações que contêm mais de um objeto a ser prestado (multiplicidade de
prestações). Trata-se de obrigação aditiva. O inadimplemento de uma prestação envolve o descumprimento
total da obrigação; o devedor só se desonera cumprindo todas as prestações.
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
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§ 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida em cada
período.
§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo
por este assinado para a deliberação.
§ 4º Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a
escolha se não houver acordo entre as partes.
3) Facultativas (com faculdade de solução) trata-se de obrigação simples, contendo UMA ÚNICA PRESTAÇÃO,
mas com uma faculdade para o devedor cumpri-la entregando coisa distinta. Finalidade de facilitar o
cumprimento obrigacional.
Quanto à divisibilidade:
As obrigações divisíveis são aquelas que admitem o cumprimento fracionado ou parcial da prestação; já as
obrigações indivisíveis só podem ser cumpridas por inteiro.
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação DIVISÍVEL, esta presume-se
dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
Art. 258. A obrigação é INDIVISÍVEL quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis
de divisão, por sua NATUREZA, por MOTIVO de ORDEM ECONÔMICA, ou dada a razão determinante do
negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela
dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, SUB-ROGA-SE NO DIREITO DO CREDOR em relação aos outros
coobrigados.
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou
devedores se desobrigarão, pagando:
I - a todos conjuntamente;
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.
Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de
exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só
a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente.
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou confusão.
Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.
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§ 1º Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de TODOS os devedores, responderão todos por
partes iguais.
§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.
Obrigações Solidárias: Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais
de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda (art. 264, CC).
IMPORTANTE! Nos termos do art. 265 do CC, jamais posso esquecer que a solidariedade não se presume,
resulta da LEI ou da VONTADE DAS PARTES.
Solidariedade passiva:
Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, PARCIAL ou
TOTALMENTE, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam
obrigados solidariamente pelo resto.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou
alguns dos devedores.
Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar
senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for INDIVISÍVEL; mas todos
reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.
Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida NÃO aproveitam aos
outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada.
Art. 278. Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores solidários e
o credor, não poderá AGRAVAR a posição dos outros sem consentimento destes.
Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o
encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado.
Art. 280. Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente
contra um; mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida.
Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a
todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor.
Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores.
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Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais.
Enunciado n. 348 do CJF: O pagamento parcial não implica, por si só, renúncia à solidariedade, a qual deve
derivar dos termos expressos da quitação ou, inequivocadamente, das circunstâncias do recebimento da
prestação pelo credor.
Enunciado n. 349 – Art. 282. Com a renúncia da solidariedade quanto a apenas um dos devedores solidários,
o credor só poderá cobrar do beneficiado a sua quota na dívida; permanecendo a solidariedade quanto aos
demais devedores, abatida do débito a parte correspondente aos beneficiados pela renúncia.
Enunciado n. 350 – Art. 284. A renúncia à solidariedade diferencia-se da remissão, em que o devedor fica
inteiramente liberado do vínculo obrigacional, inclusive no que tange ao rateio da quota do eventual co-
devedor insolvente, nos termos do art. 284.
Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua
quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as
partes de todos os co-devedores.
Art. 284. No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo
credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente.
Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela
para com aquele que pagar.
CESPE/CEBRASPE, PGM MANAUS-AM, 2018: Se o devedor solidário de uma dívida divisível falecer e deixar
três herdeiros legítimos, tais herdeiros, reunidos, serão considerados como um devedor solidário em relação
aos demais devedores, mas cada um desses herdeiros somente será obrigado a pagar a cota que corresponder
ao seu quinhão hereditário.
Certo.
Solidariedade ativa:
Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por
inteiro.
Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles
poderá este pagar.
Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago.
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Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e
receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível.
Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade.
Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que
lhes caiba.
Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros.
Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o julgamento
favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em
relação a qualquer deles.
Teoria do pagamento:
1. Condições subjetivas:
Quem deve pagar (art. 304 e 305 do CC);
o Devedor ou representante.
o Terceiro:
o Interessado;
o Não Interessado
A quem se deve pagar (art. 308 e 309 do CC);
o Credor ou representante;
o Terceiro: o pagamento feito ao terceiro só terá eficácia jurídica se...
▪ Se o credor ratificar o pagamento;
Ou
▪ Se o devedor provar que o pagamento reverteu em proveito do credor.
2. Condições objetivas:
Objeto (art. 313 a 326 do CC);
O credor não é obrigado a receber prestação diversa, ainda que mais valiosa (art. 313 do CC);
Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a
receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou (art. 314 do CC);
As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente (o fornecedor não
está obrigado a aceitar cheque, cartão de crédito ou de débito) e pelo valor nominal, salvo o disposto nos
artigos subsequentes (art. 315 do CC);
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Prova: a prova do pagamento opera-se por meio de um ato jurídico denominado de quitação, cujos
requisitos estão nos artigos 319 e 320 do CC (o recibo é o instrumento da quitação).
Os artigos 322 a 324 do CC estabelecem presunções relativas de pagamento.
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em
contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos. (Os juros são bens
acessórios. Se o credor deu a quitação pelo capital, presume-se que os juros foram pagos, haja vista que o
acessório segue o principal).
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do
pagamento.
CESPE/CEBRASPE, STJ, 2018: Nas obrigações de prestações sucessivas, a quitação da última parcela acarreta
a presunção absoluta de que as anteriores foram pagas.
Errado.
Lugar: a regra básica do lugar do pagamento é: o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor
(lembrar do seu Barriga indo buscar o aluguel na casa do seu Madruga), caso em que se diz que a dívida é
quesível ou querable.
CC, Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem
diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles.
Art. 328. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a imóvel, far-se-á no
lugar onde situado o bem.
Por exceção, a dívida pode ser paga no domicílio do credor, caso em que passa a ser chamada de dívida
portável ou portable. O parágrafo único do art. 327 do CC foge com toda a lógica do caput: em sendo
designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher entre eles!
CESPE/CEBRASPE, INSS, 2008: Se uma dívida é caracterizada como quesível, isso significa que competirá ao
devedor oferecer o pagamento no domicílio do credor.
Errado.
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Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente
ao previsto no contrato.
SUPRESSIO SURRECTIO
“Supressão”. Consiste em fenômeno inverso ao da supressio, pois dá
É a redução do conteúdo obrigacional em razão ensejo à ampliação do conteúdo obrigacional. A atitude
da decorrência de um longo período de tempo de uma parte ao longo do tempo faz surgir para a outra
(inércia prolongada) sem o exercício de um um direito não pactuado originariamente.
determinado direito ou da exigência de certa É ampliação do conteúdo obrigacional em razão da
obrigação por uma das partes da relação inércia prolongada da outra parte.
obrigacional. Ex.: Para a figura do locatário.
Ex.: Para o locador.
Tempo:
Quando deve ser feito o pagamento? O momento em que se pode reclamar a dívida chama-se vencimento,
que é o momento a partir do qual se verifica a exigibilidade da obrigação (princípio da pontualidade). A data
do pagamento também pode ser fixada livremente pelas partes no contrato.
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o pagamento, pode o
credor exigi-lo imediatamente.
Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo ao credor a
prova de que deste teve ciência o devedor.
Terceiros:
Outrossim, o terceiro interessado é aquele em face de quem a obrigação poderá repercutir, a exemplo do
fiador. O terceiro interessado possui interesse jurídico no pagamento da obrigação; mas, se o terceiro for
NÃO interessado, significa que carece de interesse jurídico no pagamento, caso em que duas situações podem
ocorrer:
Se o terceiro NÃO interessado pagar em seu PRÓPRIO nome, terá apenas direito ao reembolso do que
pagou, NÃO se sub-rogando em eventuais garantias ou privilégios do credor originário.
CESPE/CEBRASPE, TRE-TO, 2017 (Adaptada): No que se refere ao adimplemento das obrigações, terceiro não
interessado que pague dívida em nome próprio se sub-rogará nos direitos do credor.
Errado.
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Mas, se pagar em nome do próprio DEVEDOR, não terá direito a nada.
Diante disso, a fim de que haja critérios, o STJ afirma que são necessários três requisitos para a aplicação da
teoria:
c) deve ser possível a conservação da eficácia do negócio sem prejuízo ao direito do credor de pleitear a
quantia devida pelos meios ordinários”.
STJ. 4ª Turma. REsp 1581505/SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 18.08.2016.
Não se aplica a teoria do adimplemento substancial aos contratos de alienação fiduciária em garantia regidos
pelo Decreto-Lei 911/69.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.622.555-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 22.2.2017 (Info 599).
CC, Art. 356. O credor PODE consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.
Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regular-se-ão pelas
normas do contrato de compra e venda.
Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência importará em cessão.
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva,
ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros.
Requisitos:
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b) intenção de pagar o débito (animus solvendi7);
CESPE/CEBRASPE, TRF-5, 2017 (Adaptada): Na hipótese de um credor aceitar, em vez do valor prometido, a
entrega de um bem móvel pelo devedor, ocorrerá a dação em pagamento.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, DPE-AC, 2017 (Adaptada): A dação em pagamento constitui direito subjetivo do devedor.
Errado.
Novação: opera-se a novação quando uma nova obrigação é criada para SUBSTITUIR e EXTINGUIR a
obrigação anterior. Há um novo ajuste contratual, liquidando-se a obrigação anterior.
ATENÇÃO! Só haverá novação se houver um acordo, ou seja, vontade das partes (animus novandi), que não
pode ser presumida. Esse ânimo de novar pode ser expresso ou tácito.
CC, Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação confirma
simplesmente a primeira.
A novação extingue os acessórios e também as garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em
contrário.
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em
contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os bens
dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação.
Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal.
Art. 367. Salvo as obrigações simplesmente anuláveis, não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou
extintas.
7 Se o devedor entrega prestação diversa da devida sem ânimo de pagar não há dação em pagamento e sim animus
donandi (intenção de doar). Trata-se, pois de ato de liberalidade.
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CESPE/CEBRASPE, PGE-PE, 2018 (Adaptada): Uma obrigação foi extinta em virtude da constituição de uma
nova obrigação — com novo devedor — que ocupou o lugar da primeira. Nesse caso, a nova obrigação
representará renúncia a sua invocação se estiver prescrito o débito primitivo.
Certo.
Espécies:
Pagamento com sub-rogação legal (art. 346): opera-se em favor...
o Do credor que paga a dívida do devedor comum;
o Do adquirente do imóvel hipotecado, que paga ao credor hipotecário;
o Do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel;
o Do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo
ou em parte.
Pagamento com sub-rogação convencional (art. 347): a substituição de credores se dá por meio
de negócio jurídico.
o Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os
seus direitos;
o Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob
a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.
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Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor, senão
até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor.
O pagamento com sub-rogação não deve ser confundido com a novação (na espécie subjetiva por substituição
do credor), posto que o pagamento com sub-rogação promove apenas uma alteração da obrigação, mudando
o credor.
Já na novação o vínculo original se desfaz com todos os seus acessórios e garantias. Extingue-se a dívida
anterior e cria-se novo vínculo, totalmente independente do primeiro (salvo estipulação expressa em
contrário).
Compensação:
A compensação é uma forma de extinção das obrigações em que as partes são, reciprocamente, credora e
devedora uma da outra (art. 368 do CC).
Caso hipotético: João deve R$ 100 mil a Pedro. Essa dívida surgiu em 2018. Como não houve o pagamento,
em 2022, Pedro ajuizou ação de cobrança contra ele. Ao ser citado, João apresentou contestação admitindo
que existe a dívida. Alegou, contudo, que Pedro também lhe deve R$ 80 mil. Essa dívida surgiu em 2014. Diante
disso, João pediu a compensação das obrigações e que, ao final, só tenha que pagar R$ 20 mil. Pedro se
insurgiu contra isso argumentando que esses R$ 80 mil que João está cobrando estão prescritos desde 2019.
Logo, não é mais possível exigir a quantia ainda que para fins de compensação.
8 Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador pode compensar sua
dívida com a de seu credor ao afiançado.
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O argumento de Pedro deve ser acolhido?
Não. A prescrição somente obstará (impedirá) a compensação se ela for anterior ao momento da coexistência
das dívidas. Se o prazo prescricional se completou posteriormente a esse fato, tal circunstância não constitui
empecilho à compensação dos débitos. Foi justamente o exemplo dado acima. No momento em que surgiu a
dívida de João para com Pedro (2018), a dívida de Pedro para com João ainda existia. Logo, houve um período
de coexistência de dívidas exigíveis.
STJ. 3ª Turma. REsp 1969468-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 726).9
Confusão:
Cuida-se da incidência na mesma pessoa das qualidades de credor e devedor, operando a extinção do crédito,
pois ninguém pode ser credor e devedor de si mesmo. Ex.: Imagine uma empresa “A” que é credora da
empresa “B”. Posteriormente, “A” incorpora “B”. Nessa hipótese, haverá confusão.
9
Disponível em:
[Link]
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Não está na lei. Logo, é negócio jurídico atípico.
CESSÃO DE Transferência da inteira posição ativa e passiva do contrato.
CONTRATO Precisa de anuência, porque tem, dentro dela, uma assunção de dívida.
Subrogação x Novação.
Remissão x Remição.
Espécies de mora:
MORA EX RE MORA EX PERSONA
É aquela que ocorre de forma automática, o É aquela que exige a notificação do devedor, judicial ou
devedor não precisa ser notificado para ser extrajudicial, para constituição da mora.
constituído em mora.
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Cláusula penal (pena convencional):
CC, Art. 408. Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir
a obrigação ou se constitua em mora.
Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à
inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora.
Trata-se de uma penalidade, de natureza civil, imposta pela inexecução total ou parcial de um dever
patrimonial assumido. É uma obrigação acessória, que visa a garantir o cumprimento da obrigação principal.
Tanto é acessória, que o valor de uma cláusula penal não poderá ultrapassar o próprio valor da obrigação
principal, sob pena de haver enriquecimento sem causa.
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal.
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula
determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o
desempenho da obrigação principal.
Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta
converter-se-á em alternativa a benefício do credor.
Resumindo:
Cláusula penal é, pois:
Um pacto acessório;
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pelo qual as partes de um determinado negócio jurídico;
fixam, previamente, a indenização devida para o caso de total inadimplemento da obrigação principal
(cláusula penal compensatória); ou
para os casos de descumprimento de cláusula do contrato ou mora (cláusula penal moratória).
Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida
em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a
finalidade do negócio.
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Em um contrato no qual foi estipulada uma cláusula penal, caso haja o inadimplemento, é possível que o
credor exija o valor desta cláusula penal e mais as perdas e danos?
NÃO. Imagine que João e Maria celebrem um pacto de compra e venda de um imóvel com a construtora A.B.C
Engenharia LTDA, estipulando uma multa contratual de 1% ao mês por atraso na entrega do objeto.
Pois bem, no caso prático, os contratantes se resguardaram, por meio da multa contratual, de eventual mora
na entrega do objeto, caracterizando, portanto, a cláusula penal moratória.
Em relação à possibilidade de cumulação da multa contratual com lucros cessantes, o aluno seguir o
posicionamento atual da jurisprudência, que é pela impossibilidade.
O STJ possui um entendimento mais recente no sentido de que não é possível a cumulação de cláusula penal
moratória com os lucros cessantes, uma vez que a função da cláusula moratória é justamente
indenizar/ressarcir os prejuízos que a parte sofreu (STJ. 2ª Seção. EREsp 1341138-SP, Rel. Min. Maria Isabel
Gallotti, julgado em 09. 05.2018).
Reforçando ainda mais o posicionamento, a 2ª Seção do STJ fixou, no dia 22.05.2019, duas teses sobre
punições a construtoras que atrasam entrega da obra, vide:
Tema 970: “A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação,
e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes.”
Tema 971: “No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo
previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a
fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer
e de dar) serão convertidas em dinheiro, por arbitramento judicial.”
CC, Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou
outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação
devida, se do mesmo gênero da principal.
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as;
se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua
devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, juros e honorários de advogado.
Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras
como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos,
valendo as arras como o mínimo da indenização.
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Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou
sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra
parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a
indenização suplementar.
CESPE/CEBRASPE, PGE-ES, 2008: Se no contrato forem estipuladas arras penitenciais, a inexecução deste
facultará à parte inocente pedir indenização suplementar, se provar que o seu prejuízo foi maior que o valor
das arras. A parte inocente também poderá exigir a execução do contrato, acrescido de perdas e danos.
Errado.
CESPE/CEBRASPE, MC/DIREITO, 2008: As arras penitencias não admitem arrependimento; assim, se a parte
que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for
de quem recebeu as arras, poderá quem as deu ter o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o
equivalente, com atualização monetária, segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e
honorários de advogado e a parte inocente pode pedir, também, indenização suplementar, se provar maior
prejuízo, valendo as arras como taxa mínima.
Errado.
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Os juros fluem a partir do evento danoso.
Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora,
RESPONSABILIDADE desde que o praticou.
EXTRACONTRATUAL Súmula 54: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de
responsabilidade extracontratual.
Os juros são contados a partir do VENCIMENTO da
OBRIGAÇÃO LÍQUIDA obrigação (art. 397).
Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e
RESPONSABILIDADE líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora
CONTRATUAL o devedor.
Mora ex re.
Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação
OBRIGAÇÃO ILÍQUIDA inicial.
Mora ex persona.
Imputação do pagamento:
Na linha de pensamento do grande professor Álvaro Villaça Azevedo, trata-se da indicação ou determinação
dentre dois ou mais débitos líquidos e vencidos, devidos ao mesmo credor, em qual deles será efetuado o
pagamento.
CREDOR
Regras de ouro:
A imputação deve ser feita segundo a escolha do devedor (art. 352 do CC);
Se o devedor não fizer a imputação, o credor, ao emitir a quitação deverá dizer qual das dívidas
imputou o pagamento (art. 353 do CC);
Súmulas:
Súmula 286 do STJ: A renegociação de contrato bancário ou a confissão de dívida não impede a possibilidade
de discussão sobre eventuais ilegalidades dos contratos anteriores.
Súmula 397 do STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.
Súmula 530 do STJ: Nos contratos bancários, na impossibilidade de comprovar a taxa de juros efetivamente
contratada - por ausência de pactuação ou pela falta de juntada do instrumento aos autos-, aplica-se a taxa
média de mercado, divulgada pelo Bacen, praticada nas operações da mesma espécie, salvo se a taxa cobrada
for mais vantajosa para o devedor.
Súmula 596 do STJ: As disposições do Decreto 22.626/1933 não se aplicam às taxas de juros e aos outros
encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o Sistema
Financeiro Nacional.
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Súmula 54 do STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade
extracontratual.
Súmula 43 do STJ: Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.
Súmula 362 do STJ: A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do
arbitramento.
Compilado jurisprudencial:
Nos compromissos de compra e venda de unidades imobiliárias anteriores à Lei n. 13.786/2018, em que é
pleiteada a resolução do contrato por iniciativa do promitente comprador de forma diversa da cláusula penal
convencionada, os juros de mora incidem a partir do trânsito em julgado da decisão. Precedente: Info 654 do
STJ.
É válida a cláusula penal que prevê a perda integral dos valores pagos em contrato de compromisso de
compra e venda firmado entre particulares. Precedente: Info 653 do STJ.
A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, e, em
regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes.
Precedente: Info 651 do STJ.
Na hipótese de inexecução do contrato, revela-se inadmissível a cumulação das arras com a cláusula penal
compensatória, sob pena de ofensa ao princípio do non bis in idem. Precedente: Info 613 do STJ.
Em caso de mora, não é possível que o credor exija do devedor o pagamento da taxa SELIC (como juros legais
moratórios) e mais a correção monetária. Precedente: REsp 1403005/MG.
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Se a proporção entre a quantia paga inicialmente e o preço total ajustado evidenciar que o pagamento inicial
englobava mais do que o sinal, não se pode declarar a perda integral daquela quantia inicial como se arras
confirmatórias fosse, sendo legítima a redução equitativa do valor a ser retido. Precedente: Info 577 do STJ.
No caso de dívida composta de capital e juros, a imputação de pagamento (art. 354 do CC) insuficiente para
a quitação da totalidade dos juros vencidos não acarreta a capitalização do que restou desses juros.
Precedente: Info 572 do STJ.
Se a proporção entre a quantia paga inicialmente e o preço total ajustado evidenciar que o pagamento inicial
englobava mais do que o sinal, não se pode declarar a perda integral daquela quantia inicial como se arras
confirmatórias fosse, sendo legítima a redução equitativa do valor a ser retido. Precedente: REsp 1.513.259
MS.
Quando não houver, na sentença condenatória, a definição do termo inicial para a contabilização dos juros
moratórios decorrentes do inadimplemento de obrigação contratual, deverseá adotar na liquidação, como
marco inicial, a citação válida do réu no processo de conhecimento. Precedente: Info 545 do STJ.
Não se pode cumular multa compensatória prevista em cláusula penal com indenização por perdas e danos
decorrentes do inadimplemento da obrigação. Precedente: Info 540 do STJ.
Os juros moratórios contratuais, em regra, correm a partir da data da citação. No entanto, no caso de
obrigação positiva e líquida, com vencimento certo, os juros moratórios correm a partir da data do vencimento
da dívida. Precedente: Info 537 do STJ.
É abusiva a cláusula penal de contrato de pacote turístico que estabeleça, para a hipótese de desistência do
consumidor, a perda integral dos valores pagos antecipadamente. Precedente: REsp 1.321.655MG.
Ainda que o negócio jurídico de compra e venda de imóvel não se concretize em razão do inadimplemento
do comprador, é devida comissão de corretagem no caso em que o corretor tenha intermediado o referido
negócio jurídico, as partes interessadas tenham firmado contrato de promessa de compra e venda e o
promitente comprador tenha pagado o sinal. Precedente: REsp 1.339.642RJ.
O promitente comprador, no caso de atraso na entrega do imóvel adquirido, tem direito a exigir, além do
cumprimento da obrigação e do pagamento do valor da cláusula penal moratória prevista no contrato, a
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indenização correspondente aos lucros cessantes pela não fruição do imóvel durante o período da mora.
Precedente: REsp 1.355.554RJ.
Por meio da teoria do adimplemento substancial, defendese que, se o adimplemento da obrigação foi muito
próximo ao resultado final, a parte credora não terá direito de pedir a resolução do contrato porque isso
violaria a boafé objetiva, já que seria exagerado, desproporcional, iníquo. Precedente: Info 500 do STJ.
Não se aplica a teoria do adimplemento substancial aos contratos de alienação fiduciária em garantia regidos
pelo DecretoLei 911/69. Precedente: Info 599 do STJ.
A dívida de jogo contraída em casa de bingo é inexigível, ainda que seu funcionamento tenha sido autorizado
pelo Poder Judiciário. Precedente: Info 566 do STJ.
A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona legalmente no exterior é
juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a soberania nacional. Além disso,
permitir a cobrança, no Brasil, de dívida de jogo contraída no exterior é uma medida que está de acordo com
o art. 884 do Código Civil, que proíbe expressamente o enriquecimento sem causa. Aquele que visita país
estrangeiro, usufrui de sua hospitalidade e contrai livremente obrigações lícitas não pode retornar a seu país
de origem buscando a impunidade civil. Se não fosse permitido que o cassino cobrasse a dívida aqui no Brasil,
haveria lesão à boafé de terceiro, bem como o enriquecimento sem causa do devedor. Concluise, portanto,
que o pedido é juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a soberania
brasileira. Ademais, deve ser aplicada, no que respeita ao direito material, a lei americana. Precedente: Info
610 do STJ.
É possível a penhora no rosto dos autos de procedimento de arbitragem para garantir o pagamento de dívida
cobrada em execução judicial. A penhora no rosto dos autos consiste apenas numa averbação, cuja finalidade
é atingida no exato momento em que o devedor do executado toma ciência de que o pagamento ou parte
dele deverá, quando realizado, ser dirigido ao credor deste, sob pena de responder pela dívida, nos termos
do art. 312 do Código Civil. Assim, é possível aplicar a regra do art. 860 do CPC ao procedimento de arbitragem
a fim de permitir que o juiz oficie o árbitro para que este faça constar em sua decisão final, acaso favorável ao
executado, a existência da ordem judicial de expropriação. Ex: a empresa “A” ajuizou execução de título
extrajudicial contra a empresa “B”; a exequente sabia que a empresa “B” estava em procedimento de
arbitragem com a empresa “C” discutindo um contrato; diante disso, a exequente pediu e o juiz decretou a
penhora dos direitos, bens e valores que a empresa “B” eventualmente venha a receber caso seja vencedora
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no procedimento arbitral; assim, se a empresa “C” perder a arbitragem, ela irá pagar os valores não para a
empresa “B”, mas sim para a empresa “A”. Precedente: Info 648 do STJ.
Determinada empresa deu ao credor um terreno como pagamento da dívida (dação em pagamento); se não
foi feita nenhuma ressalva, presumese que a transferência do imóvel incluiu a plantação ali existente. Na
dação em pagamento de imóvel sem cláusula que disponha sobre a propriedade das árvores de
reflorestamento, a transferência do imóvel inclui a plantação. Precedente: Info 651 do STJ.
Em um contrato no qual foi estipulada uma cláusula penal MORATÓRIA, caso haja o inadimplemento, é
possível que o credor exija o valor desta cláusula penal e mais as perdas e danos? NÃO. Para o Min. Luis Felipe
Salomão, a natureza da cláusula penal moratória é eminentemente reparatória (indenizatória), possuindo
também, reflexamente, uma função dissuasória (ou seja, de desestímulo ao descumprimento). Tanto isso é
verdade que a maioria dos contratos de promessa de compra e venda prevê uma multa contratual por atraso
(cláusula penal moratória) que varia de 0,5% a 1% ao mês sobre o valor total do imóvel. Esse valor é escolhido
porque representa justamente a quantia que o imóvel alugado, normalmente, produziria ao locador. Assim,
como a cláusula penal moratória já serve para indenizar/ressarcir os prejuízos que a parte sofreu, não se pode
fazer a sua cumulação com lucros cessantes (que também consiste em uma forma de ressarcimento). Diante
desse cenário, havendo cláusula penal no sentido de prefixar, em patamar razoável, a indenização, não cabe a
sua cumulação com lucros cessantes. Se não houver cláusula penal, continua sendo possível a condenação por
lucros cessantes Nem sempre os contratos de promessa de compra e venda possuem cláusula penal
estipulando multa para a construtora em caso de atraso na entrega do imóvel. Assim, se não existir cláusula
penal e se houve efetivamente o atraso, será possível, em tese, condenar a construtora ao pagamento de
lucros cessantes: O atraso na entrega do imóvel enseja pagamento de indenização por lucros cessantes durante
o período de mora do promitente vendedor, sendo presumido o prejuízo do promitente comprador. Os lucros
cessantes serão devidos ainda que não fique demonstrado que o promitente comprador tinha finalidade
negocial na transação. Precedente: Info 626 do STJ.
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No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo previsão de
cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a fixação da
indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer e de dar)
serão convertidas em dinheiro, por arbitramento judicial. Precedente: Info 651 do STJ.
A cobrança de juros remuneratórios superiores aos limites estabelecidos pelo Código Civil é excepcional e
deve ser interpretada restritivamente. Apenas às instituições financeiras, submetidas à regulação, controle e
fiscalização do Conselho Monetário Nacional, é permitido cobrar juros acima do teto legal. A previsão do art.
2º da Lei nº 6.463/77 faz referência a um sistema obsoleto, em que a aquisição de mercadorias a prestação
dependia da atuação do varejista como instituição financeira e no qual o controle dos juros estava sujeito ao
escrutínio dos próprios consumidores e à regulação e fiscalização do Ministério da Fazenda. O art. 2º da Lei
6.463/77 não possui mais suporte fático apto a sua incidência, sendo, portanto, ineficaz, não podendo ser
interpretado extensivamente para permitir a equiparação dos varejistas a instituições financeiras e não
autorizando a cobrança de encargos cuja exigibilidade a elas é restrita. Precedente: REsp 1720656MG, (Info
671).
A imputação dos pagamentos primeiramente nos juros é instituto que, via de regra, alcança todos os
contratos em que o pagamento é diferido em parcelas. O objetivo de fazer isso é o de diminuir a oneração do
devedor. Ao impedir que os juros sejam integrados ao capital para, só depois dessa integração, ser abatido o
valor das prestações, evita que sobre eles (juros) incida novo cômputo de juros. Precedente: AgInt no REsp
1843073SP (Info 669).
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7. TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
a) Conceito:
Negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa à criação, modificação ou extinção, entre as partes, de
direitos e deveres que traduzem uma relação jurídica de conteúdo patrimonial.
1.º) O contrato está amparado em valores constitucionais, sobretudo na solidariedade social (art. 3.º, I, da
CF/1988). A premissa tem relação direta com a escola do Direito Civil Constitucional, que prega a análise dos
institutos civis a partir do Texto Maior. Por esse caminho metodológico, os princípios contratuais, caso da boa-
fé objetiva e da função social do contrato, amparam-se em princípios constitucionais.
2.º) O contrato pode envolver um conteúdo existencial, relativo a direitos da personalidade. A título de
exemplo, podemos citar a exploração patrimonial da imagem de um atleta profissional. Outro exemplo: o
contrato celebrado entre uma emissora de televisão e o participante de programa de realidade (reality show).
Aliás, a proteção dos direitos da personalidade e da dignidade humana no contrato tem relação direta com a
função social do contrato, conforme reconhece o Enunciado n. 23 CJF/STJ: “a função social do contrato,
prevista no art. 421 do novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou
reduz o alcance desse princípio quando presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo
à dignidade da pessoa humana”.
3.º) O contrato pode gerar efeitos perante terceiros, sendo essa, justamente, a feição da eficácia externa da
função social dos contratos.
b) Princípios contratuais:
AUTONOMIA PRIVADA: poder que os particulares têm de regular, pelo exercício de sua própria vontade, as
relações que participam.
Enunciado n. 23 CJF: A função social do contrato, prevista no art. 421 do novo Código Civil, não elimina o
princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio, quando presentes
interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana.
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Art. 3º São direitos de toda pessoa, natural ou jurídica, essenciais para o desenvolvimento e o crescimento
econômicos do País, observado o disposto no parágrafo único do art. 170 da Constituição Federal:
(...)
V - gozar de presunção de boa-fé nos atos praticados no exercício da atividade econômica, para os quais as
dúvidas de interpretação do direito civil, empresarial, econômico e urbanístico serão resolvidas de forma a
preservar a autonomia privada, exceto se houver expressa disposição legal em contrário;
O art. 421 do Código Civil, com redação dada pela Lei n. 13.874/19, preceitua que a revisão contratual somente
ocorrerá de maneira excepcional e limitada:
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. (Redação dada pela
Lei nº 13.874, de 2019)
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a
excepcionalidade da revisão contratual. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
A sistemática nas relações contratuais privadas é diferentemente dos contratos administrativos que são
classificados como instáveis, eis que a Administração possui a prerrogativa de alterar unilateralmente as
cláusulas regulamentares ou, até mesmo, rescindir os contratos administrativos, tendo em vista a necessidade
de atender o interesse público.
A Lei da Liberdade econômica também alterou o Código Civil fazendo constar previsão de que os contratos
são paritários, até que se prove o contrário. Assim, a questão está errada porque não se trata de presunção
absoluta, mas relativa, considerando que, a presença de elementos concretos, podem justificar o afastamento
dessa presunção.
Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a presença de
elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos
previstos em leis especiais, garantido também que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
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I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláusulas
negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e (Incluído pela Lei nº 13.874,
de 2019)
III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e limitada. (Incluído pela Lei nº 13.874, de
2019)
Trata-se de presunção relativa porque pode ser desconstituída por prova em sentido contrário, mas ressalta-
se a tendência de conservação contratual, sendo a extinção do contrato, a última medida a ser tomada, a
ultima ratio.
PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS DO CONTRATO: Esse princípio traduz a ideia de que o contrato
apenas deve repercutir juridicamente entre as próprias partes contratantes. Ex.: contrato entre A e B só
vincula a ambos e não a C.
Obs.: Parte da doutrina aponta, como exceções a tal princípio, a responsabilidade dos herdeiros do
contratante, bem como a estipulação em favor de terceiro, tratada nos artigos 436 e 438 do Código Civil.
FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS: a palavra função social deve ser visualizada com o sentido de finalidade
coletiva, sendo efeito do princípio em questão a mitigação ou relativização da força obrigatória das
convenções (pacta sunt servanda).
CONSERVAÇÃO DO CONTRATO
OBRIGATORIEDADE DA CONVENÇÃO
Um contrato é um negócio jurídico limitado por parâmetros de ordem pública. São princípios que limitam a
autonomia privada no contrato:
1. Função social
2. Boa-fé objetiva
Boa-fé:
Adimplemento substancial.
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Qual é a diferença entre boa-fé subjetiva e boa-fé objetiva?
Já a boa-fé objetiva (de comportamento), por sua vez, consagrada no art. 422 do CC10, traduz uma cláusula
geral principiológica de conteúdo ético e exigibilidade jurídica implícita em todo o contrato.
Lembre-se que o CC/02 possui 3 diretrizes: operabilidade, socialidade E eticidade. A boa-fé objetiva encontra-
se na diretriz da eticidade.
CONTROLE OU LIMITADORA DE DIREITOS (art. 187, CC): a função de controle da boa-fé visa EVITAR O ABUSO
DO DIREITO SUBJETIVO, limitando condutas e práticas comerciais abusivas, REDUZINDO, de certa forma, a
AUTONOMIA DOS CONTRATANTES.
INTEGRATIVA OU CRIADORA DE DEVERES LATERAIS/ANEXOS (art. 422, CC): a função insere NOVOS DEVERES
para as partes diante das relações de consumo, pois além da verificação da obrigação principal, surgem
NOVAS CONDUTAS A SEREM TAMBÉM OBSERVADAS. A violação a qualquer dos deveres anexos implica em
inadimplemento contratual.
A doutrina moderna tem considerado tão importantes esses deveres que, em caso de descumprimento
(violação positiva do contrato), a responsabilidade civil é objetiva (Enunciado 24 da I Jornada de Direito Civil).
Enunciado n. 24 do CJF: Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a
violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa.
A boa-fé objetiva no Código Civil brasileiro está disposta no art. 422 do CC:
10 Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípios de probidade e boa-fé.
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Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução,
os princípios de probidade e boa-fé.
De acordo com o Enunciado n. 25 CJF/STJ, da I Jornada, “o art. 422 do Código Civil não inviabiliza a aplicação,
pelo julgador, do princípio da boa-fé nas fases pré e pós-contratual”.
Venire contra factum Tratase de “uma regra de coerência, por meio do qual se veda que se aja em
proprium (teoria dos determinado momento de uma certa maneira e, ulteriormente, adotese um
atos próprio) comportamento que frustra, vai contra aquela conduta tomada em primeiro lugar”.
Tu quoque É a situação gerada de um abuso de direito, que se verifica quando uma das partes
viola a norma jurídica e, após tenta aproveitarse dessa conduta em benefício
próprio. Observa o seguinte brocardo: “o sujeito não pode valerse da própria
torpeza”.
Cláusula de Estoppel É a aplicação do venire contra factum proprium nas relações internacionais. Proíbe
comportamento contraditório entre Estados.
Violação positiva dos Com base na abstração e na generalidade do princípio da boa-fé, alarga-se o
contratos conceito de adimplemento. Adimplir significará atender a todos os interesses
envolvidos na obrigação, abarcando tanto os deveres ligados à prestação
propriamente dita, como àqueles relacionados à proteção dos contratantes em
todo o desenvolvimento do processo obrigacional. O descumprimento dos deveres
anexos provocará inadimplemento, com o nascimento da pretensão reparatória ou
o direito potestativo à resolução do vínculo.
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A violação positiva do contrato pode se manifestar de três formas distintas:
Violação dos deveres anexos à boa-fé objetiva;
Quebra antecipada do contrato (ou inadimplemento antecipado);
Cumprimento defeituoso.
d) Classificações:
RECIPROCAMENTE
CONSIDERADOS EM SI MESMOS
CONSIDERADOS
Formais ou reais
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Consensuais (aperfeiçoa pela simples manifestação de
Quanto à forma vontade das partes), formais ou reais (apenas aperfeiçoa
com a entrega da coisa).
Alienação de bens
Quanto ao objeto CONTRATOS
(conteúdo do direito ACESSÓRIOS ou
Transmissão de uso e gozo
conferido) CONTRATOS –
DERIVADOS
e) Elementos de validade:
A esses, acrescenta-se o CONSENTIMENTO (VONTADE), que tem que ser livre e desembaraçado.
Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e NÃO for
necessária a declaração de vontade expressa.
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REGRA: Consensualismo: ordinariamente os contratos são ajustados pelo CONSENSO. Salvo por disposição
normativa ou expressa disposições das partes, quando então tornam-se FORMAIS, precisando cumprir a
formalidade sob pena de NULIDADE, ex.: contratos imobiliários – compra e venda de imóveis.
Mitigação:
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos
que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor
superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da
prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo
que assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos
extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença
que a decretar retroagirão à data da citação.
Regra contratual:
Em princípio os contratos devem ser cumpridos exatamente como foram estipulados (pacta sunt servanda).
No entanto, a obrigatoriedade das convenções não é absoluta. Admite-se, excepcionalmente, a revisão
judicial dos contratos de cumprimento a prazo ou em prestações sucessivas, quando uma das partes vem a
ser prejudicada sensivelmente por uma alteração imprevista da conjuntura econômica. A finalidade é
restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro entre os contratantes, lastreada na chamada TEORIA DA
IMPREVISÃO.
No entanto, é possível a revisão ou até rescisão do contrato, caso ocorram fatos SUPERVENIENTES e
IMPREVISÍVEIS, desequilibrando a base econômica do negócio, impondo a uma das partes uma onerosidade
excessiva, ficando a parte liberada dos encargos originários.
Para se tornar viável a extinção ou a revisão do contrato por onerosidade excessiva, o Juiz, em cada caso,
sempre deve verificar a ocorrência dos seguintes elementos:
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• vigência de um contrato comutativo (as prestações são conhecidas e equivalentes entre si) de execução
continuada ou de trato sucessivo.
• desequilíbrio na base econômica do contrato, causando uma onerosidade excessiva para uma das
partes na execução do contrato, nas condições originalmente estabelecidas.
11
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Teoria da imprevisão e resolução do contrato por onerosidade excessiva.
Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 04/12/2018
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VÍCIOS REDIBITÓRIOS VÍCIOS DE CONSENTIMENTO
Coisa Vontade
Vícios objetivos Vícios subjetivos
Geram resolução ou abatimento Geram anulação do contrato
Repercutem no plano da eficácia Repercutem no plano da validade
e) Evicção:
Pode ser total ou parcial.
Hipóteses de cabimento.
Desnecessidade do trânsito em julgado.
Valor da indenização.
Desnecessidade da denunciação à lide.
Compilado de jurisprudências:
Em ação de extinção contratual com cláusula resolutiva, é lícito à parte lesada optar entre o
cumprimento forçado ou o rompimento do contrato, desde que antes da sentença. Precedente: REsp 1907653
RJ (Info 686).
Não se pode impor à parte já prejudicada pelo inadimplemento ter o ônus de ajuizar demanda judicial
para obter a resolução do contrato quando já existe uma cláusula resolutória expressa em seu favor. Exigir isso
seria impor ônus demasiado e obrigação contrária ao texto expresso da lei, desprestigiando o princípio da
autonomia da vontade, da não intervenção do Estado nas relações negociais, criando obrigação que refoge à
verdadeira intenção legislativa.
Fundamento legal: Código Civil / Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita
depende de interpelação judicial.
A cláusula resolutiva expressa é aquela expressamente estipulada pelas partes no momento da celebração do
negócio jurídico ou em oportunidade posterior (por meio de aditivo contratual), porém, sempre antes da
verificação da situação de inadimplência nela prevista, que constitui o suporte fático para a resolução do ajuste
firmado. Nesta cláusula, as partes indicam as hipóteses que geram a extinção do contrato. Precedente: REsp
1789863MS, (Info 704).
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Se o mandante (cliente) morre, quando se inicia o prazo prescricional para o advogado cobrar os
honorários advocatícios que não foram pagos?
• Regra geral: a partir da data em que o advogado toma ciência da morte.
Em caso de falecimento do mandante, o termo inicial da prescrição, em regra, é a data da ciência desse fato
pelo advogado (mandatário).
Desse modo, extinto o contrato de prestação de serviços advocatícios pela morte do cliente, nos termos do
art. 682, II, do CC/2002, nasce para o advogado a pretensão de postular a verba honorária em juízo.
• Exceção: se houver cláusula quota litis.
A existência de cláusula quota litis em contrato de prestação de serviços advocatícios faz postergar o início da
prescrição até o momento da implementação da condição suspensiva. Precedente: REsp 1605604/MG, (Info
693).
É lícito à parte lesada optar pelo cumprimento forçado ou pelo rompimento do contrato, não lhe
cabendo, todavia, o direito de exercer ambas a alternativas simultaneamente.
O art. 475 do Código Civil afirma que, “...a parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do
contrato, se não preferir exigirlhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas
e danos...”
Notese, portanto, que esse artigo dá o direito de a parte lesada optar pelo cumprimento forçado do contrato
ou então pelo seu rompimento. É um ou outro (e não os dois). A escolha, uma vez feita, pode ser alterada,
desde que antes da sentença. Precedente: REsp 1907653RJ (Info 686).
É válida a cláusula penal que prevê a perda integral dos valores pagos em contrato de compromisso de
compra e venda firmado entre particulares. Precedente: REsp 1723690DF (Info 653).
Os honorários advocatícios contratuais que adotarem a quota litis devem ser calculados com base na
quantia efetivamente recebida pelo cliente, em razão da cessão de seu crédito a terceiro, e não pelo valor
apurado na liquidação da sentença. Precedente: REsp 1.354.338SP (Info 650).
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A venda de bem entre ascendente e descendente, por meio de interposta pessoa, é ato jurídico
anulável, aplicandose o prazo decadencial de 2 (dois) anos previsto no art. 179 do CC/2002. Precedente: Info
667 do STJ.
É possível o cancelamento da cláusula de inalienabilidade de imóvel após a morte dos doadores se não
houver justa causa para a manutenção da restrição ao direito de propriedade. A doação do genitor para os
filhos e a instituição de cláusula de inalienabilidade, por representar adiantamento de legítima, deve ser
interpretada na linha do que prescreve o art. 1.848 do CC, exigindose justa causa notadamente para a
instituição da restrição ao direito de propriedade. Precedente: Info 646 do STJ.
É necessária a outorga conjugal para fiança em favor de sociedade cooperativa. Precedente: Info 664
do STJ.
É indevida a intervenção estatal para fazer constar cláusula penal genérica contra o fornecedor de
produto em contrato padrão de consumo. Precedente: Info 658 do STJ.
É válida a cláusula penal que prevê a perda integral dos valores pagos em contrato de compromisso de
compra e venda firmado entre particulares. Precedente: Info 653 do STJ.
A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, e,
em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afastase sua cumulação com lucros cessantes.
Precedente: Info 651 do STJ.
A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora. Precedente: Info 639 do
STJ.
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A franquia é um contrato empresarial e, em razão de sua natureza, não está sujeito às regras protetivas
previstas no CDC. Precedente: Info 591 do STJ.
Na estipulação em favor de terceiro, tanto o estipulante quanto o beneficiário podem exigir do devedor
o cumprimento da obrigação (art. 436, par. único, do CC/02 ou art. 1.098, par. único, do CC/1916). Com isso, o
terceiro, até então estranho à relação obrigacional originária, com ela consente e passa efetivamente a ter
direito material à prestação que lhe foi prometida. Nessas situações nem mesmo o estipulante pode lhe retirar
o direito de pleitear a execução do contrato (art. 437 do CC/02). Na hipótese específica dos autos, entende
se que a recorrente (promitente) não teria o direito de pleitear a resolução do contrato, mesmo que a empresa
(estipulante) não tenha cumprido a sua parte na convenção, pelas seguintes razões: a) a recorrida
(beneficiário) consentiu e aderiu de boafé à relação obrigacional; b) com a adesão, a recorrida adquiriu o
direito material à prestação prometida; c) a recorrida possui um direito de ação próprio, autônomo, podendo
exigir diretamente do promitente a prestação, sem a necessidade de interferência do estipulante; d) com a
adesão da recorrida (beneficiário), o promitente não tem a faculdade de privála do seu direito, o que ocorreria
por via indireta se admitida a resolução do contrato; e e) a resolução do contrato tornaria sem efeito o direito
do beneficiário já incorporado ao seu patrimônio jurídico – Não há de se confundir inadimplemento contratual
com ilicitude do objeto contratado. Como o acórdão recorrido confirmou tratarse de um contrato cujo objeto
seria a compra e venda de veículo em favor de terceiro, sem levantar qualquer dúvida sobre sua validade,
podese concluir que a formação contratual não se deu com ofensa à lei e à moral. Ademais, considerando que
a recorrente tem como atividade comercial a importação e exportação de veículos, não seria inoportuno
consignar que a celebração desse tipo de contrato seria prática comum e rotineira. Recurso especial não
provido. Precedente: REsp 1086989/RS.
A parte interessada em se tornar revendedora autorizada de veículos tem direito de ser ressarcida dos
danos materiais decorrentes da conduta da fabricante no caso em que esta — após anunciar em jornal que
estaria em busca de novos parceiros e depois comunicar àquela a avaliação positiva que fizera da manifestação
de seu interesse, obrigandoa, inclusive, a adiantar o pagamento de determinados valores — rompa, de forma
injustificada, a negociação até então levada a efeito, abstendose de devolver as quantias adiantadas. A
responsabilidade civil prénegocial, ou seja, a verificada na fase preliminar do contrato, é tema oriundo da
teoria da culpa in contrahendo, formulada pioneiramente por Jhering, que influenciou a legislação de diversos
países. No Brasil, o CC/1916 não trazia disposição específica a respeito do tema, tampouco sobre a cláusula
geral de boafé objetiva. Todavia, já se ressaltava, com fundamento no art. 159 daquele diploma, a importância
da tutela da confiança e da necessidade de reparar o dano verificado no âmbito das tratativas précontratuais.
Com o advento do CC/2002, dispôsse, de forma expressa, a respeito da boafé (art. 422), da qual se extrai a
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necessidade de observância dos chamados deveres anexos ou de proteção. Com base nesse regramento, deve
se reconhecer a responsabilidade pela reparação de danos originados na fase précontratual caso verificadas
a ocorrência de consentimento prévio e mútuo no início das tratativas, a afronta à boafé objetiva com o
rompimento ilegítimo destas, a existência de prejuízo e a relação de causalidade entre a ruptura das tratativas
e o dano sofrido. Nesse contexto, o dever de reparação não decorre do simples fato de as tratativas terem sido
rompidas e o contrato não ter sido concluído, mas da situação de uma das partes ter gerado à outra, além da
expectativa legítima de que o contrato seria concluído, efetivo prejuízo material. Precedente: REsp 1.051.065
AM.
O vício redibitório, da forma como sistematizado pelo CC/16, cujas regras foram mantidas pelo CC/02,
atinge a própria coisa, objetivamente considerada, e não a psique do agente. O erro substancial, por sua vez,
alcança a vontade do contratante, operando subjetivamente em sua esfera mental. – O art. 1.138 do CC/16,
cuja redação foi integralmente mantida pelo art. 503 do CC/02, deve ser interpretado com temperamento,
sempre tendo em vista a necessidade de se verificar o reflexo que o defeito verificado em uma ou mais coisas
singulares tem no negócio envolvendo a venda de coisas compostas, coletivas ou de universalidades de fato.
Recurso especial a que se nega provimento. Precedente: REsp 991.317/MG.
Para que o evicto possa exercer os direitos resultantes da evicção, na hipótese em que a perda da coisa
adquirida tenha sido determinada por decisão judicial, não é necessário o trânsito em julgado da referida
decisão. A evicção consiste na perda parcial ou integral do bem, via de regra, em virtude de decisão judicial
que atribua seu uso, posse ou propriedade a outrem em decorrência de motivo jurídico anterior ao contrato
de aquisição. Pode ocorrer, ainda, em razão de ato administrativo do qual também decorra a privação da coisa.
A perda do bem por vício anterior ao negócio jurídico oneroso é o fator determinante da evicção, tanto que
há situações em que os efeitos advindos da privação do bem se consumam a despeito da existência de decisão
judicial ou de seu trânsito em julgado, desde que haja efetiva ou iminente perda da posse ou da propriedade
e não uma mera cogitação da perda ou limitação desse direito. Assim, apesar de o trânsito em julgado da
decisão que atribua a outrem a posse ou a propriedade da coisa conferir o respaldo ideal para o exercício do
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direito oriundo da evicção, o aplicador do direito não pode ignorar a realidade comum do trâmite processual
nos tribunais que, muitas vezes, faz com que o processo permaneça ativo por longos anos, ocasionando
prejuízos consideráveis advindos da constrição imediata dos bens do evicto, que aguarda, impotente, o trânsito
em julgado da decisão que já lhe assegurava o direito. Com efeito, os civilistas contemporâneos ao CC/1916
somente admitiam a evicção mediante sentença transitada em julgado, com base no art. 1.117, I, do referido
código, segundo o qual o adquirente não poderia demandar pela evicção se fosse privado da coisa não pelos
meios judiciais, mas por caso fortuito, força maior, roubo ou furto. Ocorre que o Código Civil vigente, além de
não ter reproduzido esse dispositivo, não contém nenhum outro que preconize expressamente a referida
exigência. Dessa forma, ampliando a rigorosa interpretação anterior, jurisprudência e doutrina passaram a
admitir que a decisão judicial e sua definitividade nem sempre são indispensáveis para a consumação dos
riscos oriundos da evicção. Precedente: REsp 1.332.112GO.
Pessoa celebrou contrato de mútuo feneratício com instituição financeira. Por algum motivo (ex:
nulidade, ato ilícito, abusividade etc.) o mutuário ingressou com ação judicial pedindo a resolução do contrato
e a restituição das parcelas pagas. Se esta ação for julgada procedente, o mutuário terá direito de receber os
valores pagos acrescidos de juros remuneratórios no mesmo percentual que era previsto no contrato para ser
cobrado pelo banco mutuante? NÃO. O mutuário que celebrar contrato de mútuo feneratício com a instituição
financeira mutuante, não tem direito de pedir repetição do indébito com os mesmos índices e taxas de
encargos previstos no contrato. Tese aplicável a todo contrato de mútuo feneratício celebrado com instituição
financeira mutuante: “Descabimento da repetição do indébito com os mesmos encargos do contrato”.
Precedente: REsp 1.552.434GO.
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8. RESPONSABILIDADE CIVIL
Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade contratual, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que
prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade extracontratual, aplica-se o
disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos.
Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva,
abrangendo apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual.
• Responsabilidade civil extracontratual: 3 anos.
• Responsabilidade contratual: 10 anos.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1280825/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27.06.2018.
No CC, a responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana é baseada em dois conceitos: ato ilícito (art. 186) e
abuso de direito (art. 187). Veja:
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Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
Observe que a responsabilidade civil por ato ilícito é, em regra, subjetiva, vez que depende de dolo ou culpa.
Todavia, a responsabilidade civil por abuso de direito é objetiva. Veja:
CC, Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem
obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes.
Mas além de subsidiária, essa responsabilidade civil do incapaz também é condicional e equitativa, veja:
CC, Art. 928. Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser equitativa, não terá lugar
se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem.
A ação, ordinariamente, não pode ter um litisconsorte passivo, pois a responsabilidade NÃO é solidária e sim
subsidiária.
Enunciado n. 40 do CJF: O incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou
excepcionalmente, como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que
praticarem atos infracionais, nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente, no âmbito das
medidas socioeducativas ali previstas”.
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Enunciado n. 41 do CJF: A única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18
anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5.º, parágrafo único, I, do novo Código Civil.
CC. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Entretanto, convivendo com a regra geral, o sistema estabelece uma exceção, qual seja, a responsabilidade
objetiva, baseada no risco e não na culpa.
Art. 927 [...] Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor, por sua natureza, risco
para os direitos de outrem.
Integral
- risco criado
RESPONSABILIDADE RISCO - risco proveito
OBJETIVA Não integral - risco da atividade exercida
- risco da adm. pública,
- [...]
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A responsabilidade por dano ambiental é objetiva, informada pela teoria do risco integral. Não são
admitidas excludentes de responsabilidade, tais como o caso fortuito, a força maior, fato de terceiro ou
culpa exclusiva da vítima. (...) (STJ. 2ª Seção. REsp 1.354.536-SE, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 26.3.2014,
recurso repetitivo - Info 538).
Quanto à responsabilidade civil objetiva baseada no risco NÃO integral, há possibilidade de aplicação das
excludentes de caso fortuito e força maior, subdividindo-se em risco criado, risco proveito, da atividade
exercida, risco da administração pública, entre outros.
Teoria do risco administrativo: adotada nos casos de responsabilidade objetiva do Estado (art. 37, § 6º, da
CF/1988).
Teoria do risco criado: está presente nos casos em que o agente cria o risco, decorrente de outra pessoa ou
de uma coisa. Cite-se a previsão do art. 938 do CC, que trata da responsabilidade do ocupante do prédio
pelas coisas que dele caírem ou forem lançadas.
Teoria do risco da atividade (ou risco profissional): quando a atividade desempenhada cria riscos a terceiros,
o que pode se enquadrar na segunda parte do art. 927, parágrafo único, do CC.
Teoria do risco-proveito: é adotada nas situações em que o risco decorre de uma atividade lucrativa, ou seja,
o agente retira um proveito do risco criado, como nos casos envolvendo os riscos de um produto,
relacionados com a responsabilidade objetiva decorrente do Código de Defesa do Consumidor. Dentro da
ideia de risco-proveito estão os riscos de desenvolvimento, nos termos do Enunciado n. 43 do CJF/STJ.
Exemplificando, deve uma empresa farmacêutica responder por um novo produto que coloca no mercado e
que ainda está em fase de testes.
Fortuito interno: aquele que está ligado a questões da pessoa ou da atividade. Está dentro da proteção dos
riscos esperados da atividade empresarial desenvolvida. Gera o dever de indenizar.
Fortuito externo: aquele que está ligado às questões da natureza, estranhas às questões do agente ou da
atividade, ou seja, não guarda relação com a organização do negócio e os riscos da atividade. NÃO gera o
dever de indenizar.
O STJ afirma que quando o caso fortuito e a força maior servem como excludentes de responsabilidade civil,
estar-se-á se falar do caso fortuito e da força maior externos, dando-lhe o nome de fortuito externo. E isso
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porque o STJ entendeu que o fortuito interno não exclui a responsabilidade civil, porquanto faz parte da
atividade.
Súmula n. 187 do STF: A responsabilidade contratual do transportador, pelo acidente com o passageiro, não
é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.
Súmula n. 479 do STJ: As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito
interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.
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c) Nexo causal:
Em relação ao nexo causal, há três teorias mais importantes:
Teoria da equivalência das condições Qualquer fato que tenha contribuído para o dano gera
ou do histórico dos antecedentes responsabilidade civil.
(sine qua non) Essa teoria tem o grande inconveniente de ampliar em muito o
nexo de causalidade.
Não é adotada no Brasil.
Teoria da causalidade adequada Somente o fato relevante ao evento danoso gera a
responsabilidade civil.
A indenização deve ser dosada de acordo com os fatos que a
envolvem, especialmente nas hipóteses de concorrência de
causas.
Essa teoria consta dos arts. 944 e 945 do CC.
Teoria do dano direto e imediato ou É o fato que determinou o resultado de maneira direta e imediata.
teoria da interrupção do nexo causal Há um vínculo de necessariedade.
Essa teoria foi adotada pelo art. 403 do CC.
Espécies de danos:
[Link] morais coletivos: atinge o direito de personalidade de várias pessoas. A indenização vai para as vítimas. O
dano extrapatrimonial coletivo dispensa a prova da dor, sentimento ou abalo psicológico sofridos pelos indivíduos.
[Link] sociais: causa um rebaixamento no nível da vida da coletividade. A indenização vai para um fundo de
proteção ou instituição de caridade.
O termo inicial da prescrição da pretensão de obter o ressarcimento pela perda de uma chance decorrente da
ausência de apresentação de agravo de instrumento é a data do conhecimento do dano:
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Exemplo hipotético: João contratou Marcelo para ajuizar uma ação ordinária contra o plano de saúde. Foi ajuizada
a ação, mas o juiz negou o pedido de tutela provisória de urgência. Marcelo, sem uma razão justificável, deixou de
interpor agravo de instrumento. Em 06/06/2016, transcorreu in albis o prazo recursal. O processo continuou
tramitando, no entanto, Marcelo sempre se mostrava negligente e sem compromisso para com seu cliente. Assim,
em 07/07/2017, João revogou os poderes conferidos a Marcelo e contratou outro advogado para acompanhar o
processo.
O termo inicial do prazo prescricional para a ação de indenização pela perda de uma chance é 07/07/2017.
No caso, não é razoável considerar como marco inicial da prescrição a data limite para a interposição do agravo de
instrumento, haja vista inexistirem elementos nos autos - ou a comprovação por parte do causídico - de que o cliente
tenha sido cientificado da perda de prazo para apresentar o recurso cabível. Portanto, o prazo prescricional não
pode ter início no momento da lesão ao direito da parte (dia em que o advogado perdeu o prazo), mas sim na data
do conhecimento do dano, aplicando-se excepcionalmente a actio nata em sua vertente subjetiva.
STJ. 3ª Turma. REsp 1622450/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/03/2021 (Info 689).
[Link] ricochete ou reflexo: é o prejuízo que atinge uma vítima indireta ligada à vítima direta.
Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força
maior.
Ruína de edifício:
Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de
falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta.
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Objetos lançados (defenestramento):
Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou
forem lançadas em lugar indevido.
Condomínio responde pelos danos causados por funcionário do condomínio que, em seu período de folga,
mas em razão do seu trabalho, pegou o carro do condomínio e causou danos:
O condomínio edilício responde pelos danos causados por seus empregados mesmo que fora do horário de
expediente, desde que em razão do seu trabalho.
No caso concreto, o evento danoso ocorreu com a participação do empregado do condomínio, tendo em vista
que o empregado permaneceu no trabalho e lá mesmo se embebedou, além de ter se locupletado da
informação adquirida em função de seu emprego para ingressar no veículo e causar o dano.
A situação se enquadra no art. 932, III, do Código Civil.
Trata-se de responsabilidade objetiva do empregador, ou seja, independentemente de culpa.
STJ. 3ª Turma. REsp 1787026-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
A entidade esportiva mandante do jogo responde pelos danos sofridos por torcedores, em decorrência de
atos violentos provocados por membros de torcida rival.
STJ. 3ª Turma. REsp 1924527-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/06/2021 (Info 701).
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Não gera direito à indenização a publicação de artigos de caráter informativo e opinativo que, apesar de
serem extremamente ácidos e irônicos, não desbordaram os limites do exercício regular da liberdade de
expressão:
Não caracteriza hipótese de responsabilidade civil a publicação de matéria jornalística que narre fatos
verídicos ou verossímeis, embora eivados de opiniões severas, irônicas ou impiedosas, sobretudo quando se
trate de figuras públicas que exerçam atividades tipicamente estatais, gerindo interesses da coletividade, e a
notícia e crítica referirem-se a fatos de interesse geral relacionados à atividade pública desenvolvida pela
pessoa noticiada.
Pessoas públicas estão submetidas à exposição de sua vida e de sua personalidade e, por conseguinte, são
obrigadas a tolerar críticas que, para o cidadão comum, poderiam significar uma séria lesão à honra. Assim, a
crítica a pessoas públicas somente pode gerar responsabilidade civil em situações nas quais é imputada,
injustamente e sem a necessária diligência, a prática de atos concretos que resvalem na criminalidade.
STJ. 4ª Turma. REsp 1729550-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/05/2021 (Info 696).
e) Abuso de Direito:
Teoria dos atos emulativos ou teoria dos atos próprios: Ampliase a noção de ato ilícito, para considerar como
precursor da responsabilidade civil aquele ato, originariamente lícito que foi exercido fora dos limites impostos pelo
seu fim econômico ou social, pela boafé objetiva ou pelos bons costumes.
Enunciado n. 413: Os bons costumes previstos no art. 187 do CC possuem natureza subjetiva, destinada ao controle
da moralidade social de determinada época; e objetiva, para permitir a sindicância da violação dos negócios jurídicos
em questões não abrangidas pela função social e pela boafé objetiva.
Enunciado n. 539: O abuso de direito é uma categoria jurídica autônoma em relação à responsabilidade civil. Por
isso, o exercício abusivo de posições jurídicas desafia controle independentemente de dano.
Enunciado n. 414: O abuso de direito tem fundamento constitucional nos princípios da solidariedade, devido
processo legal e proteção da confiança, aplicandose a todos os ramos do direito.
O simples fato de o condutor responsável pelo acidente de trânsito ter fugido sem prestar socorro à vítima não
configura dano moral in re ipsa; logo, o dano moral terá que ser demonstrado para que haja indenização:
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A omissão de socorro à vítima de acidente de trânsito, por si, não configura hipótese de dano moral in reipsa.
A evasão do réu do local do acidente pode, a depender do caso concreto, causar ofensa à integridade física e
psicológica da vítima, no entanto, para isso, deverão ser analisadas as particularidades envolvidas.
Haverá circunstâncias em que a fuga do réu, sem previamente verificar se há necessidade de auxílio aos demais
envolvidos no acidente, superará os limites do mero aborrecimento e, por consequência, importará na devida
compensação pecuniária do sofrimento gerado. Por outro lado, é possível conceber situação hipotética em que a
evasão do réu do local do sinistro não causará transtorno emocional ou psicológico à vítima.
Logo, o simples fato de ter havido omissão de socorro não significa, por si só, que houve dano moral. Não se trata de
hipótese de dano moral presumido.
STJ. 4ª Turma. REsp 1512001SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 27/04/2021 (Info 694).
e) Indenização:
Método bifásico para fixação de indenização por dano moral: primeiro, analisa-se o bem jurídico lesado e o que
usualmente se fixa como indenização para tal lesão. Em segundo lugar, analisa-se as circunstâncias do caso concreto.
Esse método é amplamente utilizado pelo STJ.
Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação
de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes.
Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser EQÜITATIVA, não terá lugar se privar do
necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem.
Para atender ao princípio da proteção integral, é dever do provedor de aplicação de internet proceder à retirada
de conteúdo que viola direitos de crianças e adolescentes assim que for comunicado do caráter ofensivo da
publicação, independentemente de ordem judicial:
Caso concreto: foi feito um post, no Facebook, trazendo a foto de uma criança com seu pai e uma acusação, no texto,
de que este último (o genitor), teria envolvimento com pedofilia e estupro.
O pai denunciou o fato à empresa, que, no entanto, se recusou a excluir a publicação, sob o argumento de ter
analisado a foto e não haver encontrado nela nada que violasse os “padrões de comunidade” da rede social.
Diante disso, foi ajuizada ação de indenização por danos morais, tendo o Facebook sido condenado.
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O provedor de aplicação que se nega a excluir publicação ofensiva a pessoa menor de idade, mesmo depois de
notificado – e ainda que sem ordem judicial –, deve ser condenado a indenizar os danos causados à vítima.
A divulgação da foto do menor sem autorização de seus representantes legais, vinculada a conteúdo impróprio, em
total desacordo com a proteção conferida pelo ECA, representou grave violação do direito à preservação da imagem
e da identidade.
O ECA possui caráter “especialíssimo” e prevalece como sistema protetivo, em detrimento da lei que rege o serviço
de informação prestado pelo provedor de internet.
Dessa forma, no caso julgado, não pode haver aplicação isolada do art. 19 do Marco Civil da Internet, que condiciona
a responsabilização civil do provedor ao prévio descumprimento de ordem judicial.
Em suma: responde civilmente por danos morais o provedor de aplicação de internet que, após formalmente
comunicado de publicação ofensiva a imagem de menor, se omite na sua exclusão, independentemente de ordem
judicial.
STJ. 4ª Turma. REsp 1783269MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 14/12/2021 (Info 723).
Facebook não é obrigado a fornecer os dados de todos os usuários que compartilharam post contendo fake News:
É vedado ao provedor de aplicações de internet fornecer dados de forma indiscriminada dos usuários que tenham
compartilhado determinada postagem, em pedido genérico e coletivo, sem a especificação mínima de uma conduta
ilícita realizada.
STJ. 4ª Turma. REsp 1859665/SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 09/03/2021 (Info 688).
Compilado de jurisprudência:
Súmula n. 221 do STJ: São civilmente responsáveispelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela
imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.
Súmula n. 54 do STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade
extracontratual.
Súmula n. 492 do STF: A empresa locadora de veículos responde, civil e solidariamente com o locatário, pelos danos
por este causados a terceiro, no uso do carro locado.
Súmula n. 491 do STF: É indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não exerça trabalho
remunerado.
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Súmula n. 362 do STJ: A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do
arbitramento.
Súmula n. 43 do STJ: Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.
Súmula n. 562 do STF: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor,
utilizandose, para esse fim, dentre outros critérios, os índices de correção monetária.
Súmula n. 246 do STJ: O valor do seguro obrigatório deve ser deduzido da indenização judicialmente fixada.
Súmula n. 261 do STF: Para a ação de indenização, em caso de avaria, é dispensável que a vistoria se faça
judicialmente.
Súmula n. 132 do STJ: A ausência de registro da transferência não implica a responsabilidade do antigo proprietário
por dano resultante de acidente que envolva o veículo alienado.
Se o provedor de aplicações (exs: Facebook, Instagram, Youtube) disponibilizar conteúdo gerado por terceiros e
a postagem feita causar prejuízos a alguém (ex: ofensa à honra), o que deve ser feito para a remoção do material?
Exige-se autorização judicial para a remoção do conteúdo?
Regra geral: SIM (exige-se ordem judicial). É a regra do art. 19 do MCI.
Exceção: se houver divulgação de imagens, vídeos ou outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais
de caráter privado (exposição pornográfica não consentida). Neste caso, basta que o provedor seja notificado
extrajudicialmente. É o que prevê o art. 21.
Caso concreto: “F”, modelo, realizou ensaio fotográfico de nudez para uma revista masculina. Ocorre que ela passou
a encontrar suas fotos de nudez em blogs hospedados pela Google sem que tivesse autorizado. Ela fez então a
notificação extrajudicial da Google para a retirada dos materiais dos blogs.
O STJ decidiu que, neste caso, não era suficiente a notificação, sendo necessária a ordem judicial. Em outras palavras,
não se aplica o art. 21, sendo situação que se amolda ao art. 19.
Para a aplicação do art. 21 é indiscutível que a nudez e os atos de conteúdo sexuais envolvam inerentes à intimidade
das pessoas, de modo reservado, particular e privativo.
Nem toda divulgação indevida de material de nudez ou de conteúdo sexual atrai a regra do art. 21, mas apenas
aquele que apresenta, intrinsecamente, uma natureza privada.
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O ensaio fotográfico de nudez realizado especificamente para sua exploração econômica por revista adulta, voltada
para público seleto mediante pagamento pelo acesso no seu website, não pode mesmo ser definida como de caráter
privado. Precedente: REsp 1930256-SP (Info 721).
Tendo e vista a obrigação legal de guarda de registros de conexão e de acesso a aplicações de internet, é possível,
desde que preenchidos os requisitos legais, impor aos provedores o dever de fornecer os nomes ou domínios das
sociedades empresárias que patrocinam links na ferramenta “Google Ads” relacionados à determinada expressão
utilizada de forma isolada ou conjunta, pois tal medida representa mero desdobramento daquelas obrigações. O
provedor de internet deve manter armazenados os registros relativos a patrocínio de links em serviços de busca pelo
período de 6 (seis) meses contados do fim do patrocínio e não da data da contratação. Precedente: REsp 1961480-
SP (Info 721).
Não é possível impor a provedores de aplicações de pesquisa na internet o ônus de instalar filtros ou criar
mecanismos para eliminar de seu sistema a exibição de resultados de links contendo o documento supostamente
ofensivo. Precedente: REsp 1593249-RJ (Info 719).
Os provedores de conexão à internet devem fornecer os dados cadastrais (nome, endereço, RG e CPF) dos usuários
responsáveis por publicação de vídeos no Youtube com ofensas à memória de pessoa falecida.
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Os provedores são obrigados a guardar os DADOS PESSOAIS do usuário?
Provedores de CONEXÃO à internet: SIM (devem guardar os dados pessoais).
Provedores de APLICAÇÕES de internet: NÃO (basta armazenarem o IP).
Precedente: REsp 1914596-RJ (Info 720).
O condomínio edilício responde pelos danos causados por seus empregados mesmo que fora do horário de
expediente, desde que em razão do seu trabalho.
No caso concreto, o evento danoso ocorreu com a participação do empregado do condomínio, tendo em vista que
o empregado permaneceu no trabalho e lá mesmo se embebedou, além de ter se locupletado da informação
adquirida em função de seu emprego para ingressar no veículo e causar o dano.
A situação se enquadra no art. 932, III, do Código Civil.
Trata-se de responsabilidade objetiva do empregador, ou seja, independentemente de culpa. Precedente: REsp
1787026-RJ (Info 717).
É cabível dano moral pelo defeito na prestação de serviço de transporte aéreo com a entrega de passageiro menor
desacompanhado, após horas de atraso, em cidade diversa da previamente contratada.
Precedente: REsp 1733136-RO (Info 711).
A entidade esportiva mandante do jogo responde pelos danos sofridos por torcedores, em decorrência de atos
violentos provocados por membros de torcida rival. Precedente: REsp 1924527-PR (Info 701).
A lei de regência veda expressamente a cessão de direitos no que tange às despesas de assistência médica e
suplementares, efetuadas pela rede credenciada junto ao Sistema Único de Saúde, quando em caráter privado (art.
3º, § 2º, da Lei nº 6.194/64).
A inviabilidade da cessão na espécie não se dá propriamente com base na restrição feita pelo art. 3º, § 2º, da Lei
6.194/64. Isto é, não é a ausência da vinculação da clínica fisioterápica ao SUS a base da conclusão adotada, mas sim
o fato de que não houve diminuição patrimonial dos segurados. Em não havendo o dispêndio de valores por parte
das vítimas, não há que se falar em reembolso pela seguradora e, via de consequência, inviável mostra-se qualquer
cessão de tais direitos. Precedente: REsp 1911618-PR (Info 699).
Não caracteriza hipótese de responsabilidade civil a publicação de matéria jornalística que narre fatos verídicos ou
verossímeis, embora eivados de opiniões severas, irônicas ou impiedosas, sobretudo quando se trate de figuras
públicas que exerçam atividades tipicamente estatais, gerindo interesses da coletividade, e a notícia e crítica
referirem-se a fatos de interesse geral relacionados à atividade pública desenvolvida pela pessoa noticiada.
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Pessoas públicas estão submetidas à exposição de sua vida e de sua personalidade e, por conseguinte, são obrigadas
a tolerar críticas que, para o cidadão comum, poderiam significar uma séria lesão à honra. Assim, a crítica a pessoas
públicas somente pode gerar responsabilidade civil em situações nas quais é imputada, injustamente e sem a
necessária diligência, a prática de atos concretos que resvalem na criminalidade. Precedente: REsp 1729550-SP (Info
696).
A omissão de socorro à vítima de acidente de trânsito, por si, não configura hipótese de dano moral in reipsa.
A evasão do réu do local do acidente pode, a depender do caso concreto, causar ofensa à integridade física e
psicológica da vítima, no entanto, para isso, deverão ser analisadas as particularidades envolvidas.
Haverá circunstâncias em que a fuga do réu, sem previamente verificar se há necessidade de auxílio aos demais
envolvidos no acidente, superará os limites do mero aborrecimento e, por consequência, importará na devida
compensação pecuniária do sofrimento gerado. Por outro lado, é possível conceber situação hipotética em que a
evasão do réu do local do sinistro não causará transtorno emocional ou psicológico à vítima.
Logo, o simples fato de ter havido omissão de socorro não significa, por si só, que houve dano moral. Não se trata
de hipótese de dano moral presumido. Precedente: REsp 1512001-SP (Info 694).
A responsabilização objetiva do empregador por danos decorrentes de acidentes de trabalho nos casos
especificados em lei ou quando a atividade normalmente desenvolvida, por sua natureza, apresentar exposição
habitual a risco especial é constitucional. Precedente: Info 969 do STF.
O STJ reconheceu a possibilidade de abuso do direito de litigar, que corresponde ao ajuizamento de sucessivas
ações judiciais, desprovidas de fundamentação idônea e intentadas com propósito doloso. Isso se chama de assédio
processual. Precedente: Info 658 do STJ.
Não cabe indenização de lucros cessantes se a atividade empresarial não teve início. Precedente: REsp 1750233/SP.
Em ação destinada a apurar a responsabilidade civil decorrente de acidente de trânsito, presumese culpado o
condutor de veículo automotor que se encontra em estado de embriaguez, cabendolhe o ônus de comprovar a
ocorrência de alguma excludente do nexo de causalidade. Precedente: REsp 1.749.954RO.
O tráfego de veículos com excesso de peso gera responsabilidade civil em razão dos danos materiais às vias públicas
e do dano moral coletivo consistente no agravamento dos riscos à saúde e à segurança de todos, sendo viável, como
medida coercitiva, a aplicação de multa civil (astreinte), ainda que já imputada multa administrativa. Precedente:
REsp 1.574.350SC.
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O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na Constituição da República e na Lei Civil,
não tendo sido afastado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF n. 130/DF. Precedente: REsp
1.771.866DF.
A concessionária de transporte ferroviário não responde por ato ilícito cometido por terceiro e estranho ao contrato
de transporte. Precedente: REsp 1.748.295SP.
Companhia aérea é civilmente responsável por não promover condições dignas de acessibilidade de pessoa
cadeirante ao interior da aeronave. Precedente: REsp 1.611.915RS.
Concessionária de rodovia não responde por roubo e sequestro ocorridos nas dependências de estabelecimento
por ela mantido para a utilização de usuários. Precedente: REsp 1.749.941PR.
Deve ser dotada de ineficácia para terceiros (garantia de responsabilidade civil) a cláusula de exclusão da cobertura
securitária na hipótese de o acidente de trânsito advir da embriaguez do segurado ou daquele a quem, por este, foi
confiada a direção do veículo. Precedente: REsp 1.738.247SC.
Na hipótese de atraso de voo internacional, não se admite a configuração do dano moral in re ipsa. Precedente:
REsp 1.584.465MG.
Os honorários advocatícios contratuais não se incluem nas despesas processuais do art. 20 do CPC/1973.
Precedente: REsp 1.571.818MG.
A mãe que, à época de acidente provocado por seu filho menor de idade, residia permanentemente em local
distinto daquele no qual morava o menor sobre quem apenas o pai exercia autoridade de fato não pode ser
responsabilizada pela reparação civil advinda do ato ilícito, mesmo considerando que ela não deixou de deter o poder
familiar sobre o filho. Precedente: REsp 1.232.011SC.
A aplicação da sanção civil do pagamento em dobro por cobrança judicial de dívida já adimplida (cominação
encartada no artigo 1.531 do Código Civil de 1916, reproduzida no artigo 940 do Código Civil de 2002) pode ser
postulada pelo réu na própria defesa, independendo da propositura de ação autônoma ou do manejo de
reconvenção, sendo imprescindível a demonstração de máfé do credor. Precedente: REsp 1111270/PR.
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Súmula n. 642 do STJ: O direito à indenização por danos morais transmitese com o falecimento do titular,
possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizar ou prosseguir a ação indenizatória. STJ. Corte
Especial. Aprovada em 02/12/2020.
Havendo pedido de indenização por perdas e danos em geral, pode o juiz reconhecer a aplicação da perda de uma
chance sem que isso implique em julgamento fora da pretensão autoral. Precedente: REsp 1.637.375SP.
Mesmo que o dano tenha sido decorrente de uma conduta de terceiro, persiste a responsabilidade da
concessionária. Isso porque a conduta do terceiro, neste caso, está inserida no risco do transportador, relacionando
se com a sua atividade. Logo, configura o chamado fortuito interno, que não é capaz de excluir a responsabilidade.
O contrato de transporte de passageiros envolve a chamada cláusula de incolumidade, segundo a qual o
transportador deve empregar todos os expedientes que são próprios da atividade para preservar a integridade física
do passageiro, contra os riscos inerentes ao negócio, durante todo o trajeto, até o destino final da viagem.
Assim, o ato de vandalismo que resulta no rompimento de cabos elétricos de vagão de trem não exclui a
responsabilidade da concessionária/transportadora, pois cabe a ela cumprir protocolos de atuação para evitar
tumulto, pânico e submissão dos passageiros a mais situações de perigo. Precedente: REsp 1.786.722SP.
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9. POSSE
Conceito:
Posse é o domínio fático (direto ou indireto) que uma pessoa exerce sobre uma coisa. Assim, possuidor é
aquele que tem, pelo menos, um dos atributos da propriedade (gozar, reaver, usar e dispor). Por isso, todo
proprietário é possuidor, mas nem todo possuidor é proprietário.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos
poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder
de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
Na linha do pensamento de SAVIGNY, a posse tem uma natureza híbrida, dúplice. Seria, ao mesmo tempo,
um fato e um direito. Moreira Alves leciona que para tal corrente, a posse, considerada em si mesmo, seria
um fato, mas quanto aos efeitos, seria um direito de natureza especial ou sui generis, não sendo nem direito
pessoal nem direito real.
Em sentido correlato, Maria Helena Diniz sustenta que a posse é direito (real) utilizando a Teoria
Tridimensional do Direito de Miguel Reale (fato, valor e norma). Para ela, a posse, sendo elemento fático, é
componente jurídico, traduzindo um direito.
Por outro lado, IHERING apontava no sentido de que a posse era um direito subjetivo real, pois contém os
seus três elementos estruturais:
(b) sujeição direta e imediata do objeto ao seu titular – o possuidor atua imediatamente sobre a coisa, sem
a necessidade da colaboração de terceiros;
(c) eficácia erga omnes – o possuidor tem a faculdade de exigir de todos da comunidade um dever de
abstenção, consistente em respeito à situação fática, permitindo-lhe o exercício dos elementos constitutivos
do direito que exterioriza.
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Detenção:
Considera-se detentor aquele que tem a coisa em nome alheio, diante de uma relação de dependência,
subordinação, cumprindo ordens e instruções dessa outra pessoa (SERVIDOR ou FÂMULO DA POSSE).
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro,
conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao
bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário.
Enunciado n. 493. O detentor (art. 1.198 do Código Civil) pode, no interesse do possuidor, exercer a
autodefesa do bem sob seu poder.
Haverá mera detenção nas hipóteses previstas no art. 1.208 e 1.224 do Código Civil:
Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua
aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.
Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele,
se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido.
É preciso observar que há uma possibilidade muito clara de uma mera detenção se tornar posse. E isso ocorre
quando houver o convalescimento, conversão ou transmutação, aniquilando-se o vício que pesava sobre ela.
A conversão da detenção em posse se dará pela ruptura da relação jurídica originária, da relação jurídica
base.
O Enunciado n. 301 da IV Jornada de Direito Civil do STJ possibilita a transmutação da detenção em posse:
Enunciado n. 301 do CJF: É possível a conversão da detenção em posse, desde que rompida à subordinação,
na hipótese de exercício em nome próprio dos atos possessórios.
Também, o convalescimento ocorrerá quando cessada a causa que lhe originou ou depois do prazo de ano e
dia.
Súmula n. 619 do STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária,
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.
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Se o indivíduo ocupou irregularmente um bem público, ele terá que ser retirado do local e não receberá
indenização pelas acessões feitas nem terá direito a retenção pelas benfeitorias realizadas, mesmo que ele
estivesse de boa-fé. Isso porque a ocupação irregular de bem público não pode ser classificada como posse.
Trata-se de mera detenção, possuindo, portanto, natureza precária, não sendo protegida juridicamente.
Desse modo, quando irregularmente ocupado o bem público, não há que se falar em direito de retenção
pelas benfeitorias realizadas, tampouco em direito a indenização pelas acessões, ainda que as benfeitorias
tenham sido realizadas de boa-fé. Ex.: pessoa que construiu um bar na beira da praia (bem da União). STJ.
2a Turma. AgRg no REsp 1.470.182-RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 4.11.2014 (Info 551).
Logo, não seria possível a utilização dos meios de defesa possessória por esse particular para proteger sua
utilização em face do Poder Público.
Conclusões:
• A ocupação indevida de bem público configura mera detenção de natureza precária.
• A mera detenção não confere ao detentor os mesmos direitos do possuidor.
• A mera detenção não gera direito de retenção ou de indenização por acessões e benfeitorias
realizadas no bem público.
CESPE/CEBRASPE, CNJ, 2013: A ocupação de bem público, ainda que dominical, não passa de mera detenção,
caso em que se afigura inadmissível o pleito de proteção possessória contra o órgão público.
Certo.
CESPE/CEBRASPE, DPE-AC, 2012 (Adaptada): Segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível a
posse de bem público, pois sua ocupação irregular representa mera detenção de natureza precária; portanto,
na ação reivindicatória ajuizada pelo ente público, não há que se falar em direito de retenção de benfeitorias,
o qual pressupõe a existência de posse.
Certo.
Enunciado n. 2 da I Jornada de Direito Administrativo CFJ/STJ: O administrador público está autorizado por
lei a valer-se do desforço imediato sem necessidade de autorização judicial, solicitando, se necessário, força
policial, contanto que o faça preventivamente ou logo após a invasão ou ocupação de imóvel público de uso
especial, comum ou dominical, e não vá além do indispensável à manutenção ou restituição da posse (art. 37
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da Constituição Federal; art. 1.210, § 1º, do Código Civil; art. 79, § 2º, do Decreto-Lei n. 9.760/1946; e art. 11
da Lei n. 9.636/1998).
Acima, foi dito que o particular não pode utilizar-se de ações possessórias frente ao Poder Público, quando
da ocupação de um bem público, mas, poderia usar da defesa possessória frente a outro particular, visando
defender a ocupação?
SIM. A posição acima exposta possui uma exceção: se dois particulares estão litigando sobre a ocupação de
um bem público, o STJ passou a entender que, neste caso, é possível que, entre eles, sejam propostas ações
possessórias (reintegração, manutenção, interdito proibitório).
1) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face do PODER PÚBLICO: não é possível.
Não terá direito à proteção possessória. Não poderá exercer interditos possessórios porque,
perante o Poder Público, ele exerce mera detenção.
2) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face de outro PARTICULAR: terá direito,
em tese, à proteção possessória. É possível o manejo de interditos possessórios em litígio entre particulares
sobre bem público dominical, pois entre ambos a disputa será relativa à posse.
STJ. 4ª Turma. REsp 1296964-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/10/2016 (Info 594)12.
Súmula do STJ:
Súmula n. 637 do STJ: O ente público detém legitimidade e interesse para intervir, incidentalmente, na ação
possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o
domínio
Particular pode ajuizar ação possessória tendo com objeto bem público de uso comum do povo?
SIM. Há um precedente do STJ que discute o uso da possessória de particular contra particular para resguardar
bem de uso comum do povo. No caso analisado, havia uma discussão sobre o direito de uma comunidade de
acessar estrada rural que foi bloqueada por outra comunidade, o que limitou o acesso daquela.
O STJ, ao analisar a demanda, trabalhou a distinção entre bem dominical e bem de uso comum do povo, ao
entender que é possível particulares deterem a posse sobre bens públicos de uso comum, em que há posse
coletiva (composse).
12
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Particular que ocupa bem público dominical poderá ajuizar ações possessórias para
defender a sua permanência no local?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 13/11/2019
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Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
(...) 6. O Código Civil de 2002 adotou o conceito de posse de Ihering, segundo o qual a posse e a detenção
distinguem-se em razão da proteção jurídica conferida à primeira e expressamente excluída para a segunda.
7. Diferentemente do que ocorre com a situação de fato existente sobre bens públicos dominicais - sobre os
quais o exercício de determinados poderes ocorre a pretexto de mera detenção -, é possível a posse de
particulares sobre bens públicos de uso comum, a qual, inclusive, é exercida coletivamente, como composse.
8. Estando presentes a possibilidade de configuração de posse sobre bens públicos de uso comum e a
possibilidade de as autoras serem titulares desse direito, deve ser reconhecido o preenchimento das
condições da ação. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (REsp
1582176/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20.09.2016, DJe 30.09.2016)
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito
pessoal, ou real, NÃO anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua
posse contra o indireto.
a) Posse plena é aquela não desdobrada. Acontece quando o proprietário exerce a posse sobre a coisa. Ex: o
proprietário morar no seu próprio apartamento. Não havendo desdobramento da posse, não se pode falar de
posse direta ou indireta, tratando-se de posse plena.
b) Posse direta ou imediata é aquela exercida mediante o poder material ou contato direto com a coisa, a
exemplo daquela exercida pelo locatário;
c) Posse indireta ou mediata é aquela exercida por via oblíqua, a exemplo daquela exercida pelo locador, que
frui ou goza dos aluguéis, sem que esteja direta e pessoalmente exercendo poder físico ou material sobre o
imóvel locado.
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Quanto à presença de vícios objetivos:
a) POSSE JUSTA: é a que NÃO apresenta os vícios da violência, da clandestinidade ou da precariedade, sendo
uma posse limpa.
Art.1.200, CC: É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.
b) POSSE INJUSTA: é a que se instala no mundo fático por modo proibido e vicioso, ou então, mesmo iniciada
de forma pacífica e pública, se converte em viciosa em momento posterior. Subdivide-se em três categorias:
b.1) POSSE VIOLENTA: a que se adquire por ato de força, seja ela natural ou física, seja moral ou resultante
de ameaças que incutam na pessoa sério receio. Tal violência pode ser física (vis absoluta) ou moral (vis
compulsiva). Além disto, poderá ser dirigida contra o proprietário, o possuidor ou o fâmulo da posse.
Exemplo: movimento popular invade violentamente, removendo e destruindo obstáculos, uma
propriedade rural produtiva, que está sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua função social.
b.2) POSSE CLANDESTINA é a obtida às escondidas, de forma oculta, à surdina, na calada da noite. Por
analogia, é assemelhada ao crime de furto. Exemplo: movimento popular invade, à noite e sem violência,
uma propriedade rural que está sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua função social.
b.3) POSSE PRECÁRIA: é a obtida com abuso de confiança ou de direito. Inicia-se de forma lícita. Tem forma
assemelhada ao crime de estelionato ou à apropriação indébita, sendo também denominada esbulho
pacífico. Exemplo: locatário de um bem móvel que não devolve o veículo ao final do contrato. Opera-se,
no caso, uma alteração na natureza da posse exercida, até então lícita, passando a ser ilícita.
Interversão da posse:
Uma das regras mais cobradas na matéria em estudo é a concernente à possibilidade de alteração no caráter
da posse.
Por interversão (inversão) da posse entenda-se a MUDANÇA DA QUALIDADE DA POSSE.
Consagrando o princípio da continuidade do caráter da posse, estabelece o art. 1.203 do CC que, salvo prova
em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.
Tal presunção de manutenção do caráter de aquisição da posse é juris tantum, pois a norma retrocitada
excepcionalmente admite interversão (inversão) da posse.
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Quanto vício subjetivo ou intencional:
ATENÇÃO! Aqui estamos falando da Boa-fé subjetiva. A boa-fé pode ser objetiva, que é aquela de
comportamento e pode, também, ser subjetiva com base no conhecimento.
a) POSSE DE BOA-FÉ: presente quando o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos que lhe impedem a
aquisição da coisa ou quando tem um justo título que fundamente a sua posse.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.
Orlando Gomes a divide em posse de boa-fé real quando “a convicção do possuidor se apoia em elementos
objetivos tão evidentes que nenhuma dúvida pode ser suscitada quanto à legitimidade de sua aquisição” e
posse de boa-fé presumida “quando o possuidor tem o justo título”.
Enunciado n. 303 do CJF. Considera-se justo título, para a presunção relativa da boa-fé do possuidor, o justo
motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não materializado em instrumento público
ou particular. Compreensão na perspectiva da função social da posse.
b) POSSE DE MÁ-FÉ: situação em que alguém sabe do vício que acomete a coisa, mas, mesmo assim, pretende
exercer o domínio fático sobre esta. Neste caso, o possuidor nunca possui um justo título. De qualquer modo,
ainda que de má-fé, esse possuidor não perde o direito de ajuizar a ação possessória competente para
proteger-se de um ataque de terceiro.
A classificação da posse em justa e injusta não se confunde com posse de boa e má-fé. Em regra, há
equivalência entre posse justa e posse de boa-fé; posse injusta e posse de má-fé. Mas não necessariamente.
O art. 1.202 do Código Civil dispõe a respeito da transformação da posse de boa-fé em posse de má-fé:
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Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias
façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
É o que se dá, por exemplo, quando o possuidor, que até então ignorava o vício na sua posse, é citado na ação
reivindicatória. Quanto ao termo a quo, nada impede, entretanto, que o interessado prove outro fato que
demonstre que a parte contrária, mesmo antes da citação, já sabia que possuía indevidamente.
Quanto ao tempo:
Enunciado n. 238 da III Jornada de Direito Civil: Ainda que a ação possessória seja intentada além de "ano e
dia" da turbação ou esbulho, e, em razão disso, tenha seu trâmite regido pelo procedimento ordinário (CPC,
art. 924), nada impede que o juiz conceda a tutela possessória liminarmente, mediante antecipação de tutela,
desde que presentes os requisitos autorizadores do art. 273, I ou II, bem como aqueles previstos no art. 461-
A e parágrafos, todos do Código de Processo Civil.
Ação de força velha rito ordinário e NÃO cabe liminar (cabe tutela antecipada, caso cumpra com os
requisito autorizadores)
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a) POSSE “AD INTERDICTA”: constituindo regra geral, é a posse que pode ser defendida pelas ações
possessórias diretas ou interditos possessórios, mas não conduz à usucapião. Exemplificando: o locatário
pode defende a posse de uma turbação ou esbulho praticado por um terceiro, mas não pode usucapir o bem.
b) POSSE “AD USUCAPIONEM”: exceção à regra, é a que se prolonga por determinado lapso de tempo previsto
na lei, admitindo-se a aquisição da propriedade pela usucapião, desde que obedecidos os parâmetros legais.
Em outras palavras, é aquela posse com olhos à usucapião (posse usucapível), pela presença dos seus
elementos. Ela não é a regra, é exceção. Ela tem que ser:
Mansa/pacífica;
Com animus domini (Savigny);
Com determinado tempo (2 a 15 anos dependendo da modalidade de usucapião);
Ininterrupta.
Quanto ao fundamento:
a) “Jus POSSIDENDI” ou POSSE CASUAL: DIREITO À POSSE que decorre de propriedade, ou seja, é o próprio
domínio. Em outras palavras, é o direito conferido ao titular de possuir o que é seu.
b) “Jus POSSESSIONIS” ou POSSE FORMAL: DIREITO DE POSSE, ou seja, é o poder sobre a coisa e, a
possibilidade de sua defesa por intermédio dos interditos (interdito proibitório, de manutenção da posse ou
de reintegração de posse). Trata-se de conceito que se relaciona diretamente com a posse direta e indireta.
Ao possuidor direto é conferido o direito de posse.
Composse ou Compossessão:
Trata-se do exercício SIMULTÂNEO da mesma posse por duas ou mais pessoas. Dito de outra forma
caracteriza-se a composse quando duas ou mais pessoas exercem o mesmo direito de posse sobre o mesmo
bem.
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
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A composse pode ter como titulares pessoas físicas, jurídicas e, até mesmo, entes despersonalizados,
conforme comentários do art. 1.196.
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de
qualquer dos poderes inerentes à propriedade.
As formas de aquisição da posse que constavam do Código anterior servem somente como exemplo, a saber:
a) apreensão da coisa; b) exercício de direito; c) fato de disposição da coisa; e d) qualquer outro modo geral
de aquisição de direito.
Os modos de aquisição da posse costumam ser classificados em originárias e derivadas:
ORIGINÁRIOS: quando não há relação de causalidade entre a posse atual e a anterior. É o que acontece
quando há esbulho, e o vício, posteriormente, convalesce. Adquire-se a posse por modo originário,
segundo Orlando Gomes, quando não há consentimento de possuidor precedente.
DERIVADOS: quando há anuência do anterior possuidor, como na tradição precedida de negócio jurídico.
Neste caso ocorre a transmissão da posse ao adquirente, pelo alienante.
O art. 1.205 do CC preconiza que a posse pode ser adquirida: a) pela própria pessoa que a pretende ou por
seu representante; ou b) por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
A posse pode ser adquirida/transmitida, também, em virtude de sucessão inter vivos e sucessão mortis causa.
No tocante a transmissão da posse:
Art. 1.203. Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.
Art. 1.206. A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres.
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Perda da Posse:
Art. 1.223. Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao
qual se refere o art. 1.196.
Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia
dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido.
Quanto a perda da posse, o legislador civil mais uma vez preferiu utilizar expressões genéricas no seu art.
1.223: “Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao
qual se refere o art. 1.196”. Em suma, cessando os atributos relativos à propriedade, cessa a posse, que é
perdida, extinta.
O Código Civil anterior (1916), em vez de termos genéricos, previa expressamente (rol numerus apertus) os
casos de perda da posse. Tais situações, na atualidade, nos servem como exemplos ilustrativos:
• Pelo abandono da coisa (derrelição), fazendo surgir a coisa abandonada (res derelictae).
• Pela tradição, entrega da coisa, que pode ser real, simbólica ou ficta.
• Se a coisa for colocada fora do comércio, isto é, se for tratada como bem inalienável (inconsutibilidade
jurídica – art. 86 do CC).
• Pela posse de outrem, ainda que contra a vontade do possuidor, se este não foi manutenido, ou reintegrado
a posse, em tempo competente.
• Pelo constituto possessório ou cláusula constituti, hipótese em que a pessoa possuía o bem em nome próprio
e passa a possuir em nome alheio (forma de aquisição e perda da posse, ao mesmo tempo).
Efeitos da Posse:
Art. 1.217. O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa.
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Art. 1.218. O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo
se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante.
Percepção os frutos:
Relembremos que frutos são as utilidades econômicas que a coisa periodicamente produz, sem alteração ou
perda de sua substância. Quanto aos efeitos da posse, para a análise do direito aos frutos é fundamental que
a posse seja configurada como de boa ou má-fé.
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de
deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com
antecipação.
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Acessões Benfeitorias
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como,
quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e
poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o
direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
O art. 1.222 do Código Civil trouxe interessante inovação ao diferenciar o valor da indenização das benfeitorias
necessárias conforme a boa-fé ou má-fé do possuidor:
Art. 1.222. O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar
entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual.
Assim, o responsável pela indenização das benfeitorias necessárias terá o direito potestativo de optar entre o
seu valor atual e o seu custo quando realizadas as benfeitorias pelo possuidor de má-fé. Cuida-se de espécie
de obrigação alternativa fixada pela lei ao devedor.
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Por sua vez, a benfeitoria necessária efetivada de boa-fé, invariavelmente, será indenizada pelo valor real do
bem ao tempo da evicção.
Consideram-se como danos os prejuízos que possam ser atribuídos ao possuidor no decurso em que
manifestou o poder fático sobre o bem. Ilustrativamente, tendo efetuado desmatamento no terreno, a
desvalorização deve a ele ser imputada.
BOA-FÉ FRUTOS: Tem direito aos frutos, com exceção dos frutos pendentes.
BENFEITORIAS:
Tem direito as benfeitorias necessárias e úteis (indenização + retenção).
Pode levantar as voluptuárias (sem prejuízo do principal).
MÁ-FÉ FRUTOS: Não tem direito aos frutos e responde por eles, pelos que colheu e pelos que deixou
de colher.
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Direito à usucapião:
É um dos efeitos mais importantes da posse, pois é a via pela qual a situação fática do possuidor será
convertida em direito de propriedade e em outro direito real (v. g., usufruto, servidão). A usucapião será
examinada em apartado como modo de aquisição de propriedade imóvel e mobiliária.
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e
segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que
o faça logo (depois do fato); os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à
manutenção, ou restituição da posse.
§2º Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre
a coisa.
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10. PROPRIEDADE
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder
de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
Direito amplo e complexo: um feixe de poderes sobre uma coisa. Diz-se que a propriedade é a soma dos
poderes do domínio, quais sejam:
Uso
Gozo
Livre disposição e
Reivindicação
Percebe-se, de plano, que o direito de propriedade é um direito complexo, rico em essência e estrutura (a
propriedade corresponde à soma de diferentes poderes: uso, gozo, disposição, reivindicação). E a soma desses
quatro poderes, mais o título dominial (registro público, em cartório), é igual ao direito de propriedade.
Quem titularizar os 4 poderes, mais o título em cartório, vai ter propriedade. A propriedade, portanto, note
bem, é a soma dos quatro poderes que estão assinalados no art. 1.228, do Código Civil.
Quem dispuser de apenas um desses quatro poderes, especificamente o primeiro ou o segundo, tem posse.
CESPE/CEBRASPE, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2014: No momento em que é possível o exercício, em nome
próprio, de quaisquer dos poderes do proprietário, dá-se a aquisição da posse.
Certo.
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de
quem quer que injustamente a possua ou detenha.
§ 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais
e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as
belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do
ar e das águas.
§ 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam
animados pela intenção de prejudicar outrem.
§ 3º O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade
pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente.
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§ 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na
posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela
houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse
social e econômico relevante.
§ 5º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço,
valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores.
A propriedade presume-se exclusiva, até prova em contrário. Mas a exclusividade do direito de propriedade
não obsta a constituição de outros direitos. Até porque, atenção, esses poderes que compõem o direito de
propriedade são fracionáveis, ou seja, eu posso, por exemplo, fracionar o uso e a fruição. E se eu retirar do
proprietário o uso e a fruição, conferindo-os a terceiro, eu terei conferido parcela dos poderes do domínio a
terceiro e isto é direito real na coisa alheia.
Então, você acaba de descobrir que os direitos reais na coisa alheia decorrem de dois fundamentos:
2. Da possibilidade de fracionamento.
Art. 1.229. A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e
profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas,
por terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las.
Art. 1.230. A propriedade do solo NÃO abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais
de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais.
Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato
na construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial, obedecido o disposto em lei
especial.
CESPE/CEBRASPE, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2014: O proprietário pode opor-se a todas as atividades que
sejam realizadas por terceiros no espaço aéreo e no subsolo de sua propriedade.
Errado.
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Função social da propriedade:
A função social da propriedade é um ônus imposto ao titular. Todo bônus vem acompanhado de ônus. O
direito de propriedade privada foi consagrado na CF, junto com a necessidade de cumprimento de função
social (art. 5º, XXII, XXIII, CF e art. 1. 228, §1º, CC).
CC, Art. 1.228, § 1o: O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades
econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial,
a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como
evitada a poluição do ar e das águas.
Miguel Reale, na exposição de motivo do CC 2002, diz que este Código possui 3 PARADIGMAS (DIRETRIZES):
Socialidade
Operabilidade
Eticidade
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: [...]
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
Propriedade resolúvel:
A ideia é a de que toda propriedade é perpétua, significa: a propriedade se transmite para os herdeiros (não
extingue o direito à propriedade), ela se perpetua pelos herdeiros.
Existem exceções: Em alguns casos a propriedade pode perder essa característica de perpetuidade, e é a isso
que se dá o nome de PROPRIEDADE RESOLÚVEL. Propriedade resolúvel, portanto, é a possibilidade de
extinção da propriedade, afastando seu caráter perpétuo (é a propriedade com data certa para se extinguir,
sem transferência para os sucessores do seu titular).
175
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1. Causa originária (art. 1.359): quando a resolubilidade da propriedade constar do seu título aquisitivo.
Se o próprio título aquisitivo prevê quando a propriedade vai se extinguir é uma causa originária de
propriedade resolúvel. Ex.: Retrovenda: cláusula acessória, facultativa nos contratos de compra e venda de
imóveis, através desta o vendedor resguarda para si o direito de recompra da coisa dentro do prazo máximo
de 3 anos, pagando o preço. Outro exemplo: ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA, é um direito real de
garantia que transfere a propriedade de um bem para o credor até que uma dívida seja paga. Terceiros NÃO
podem alegar boa-fé.
2. Causa derivada (superveniente) – art. 1360 do CC: Se caracteriza quando o título NÃO indica uma
causa de resolução, que surge posteriormente. Essa causa de surge ulteriormente, nasceu perpétua, porém,
ocorreu algum motivo superveniente que a tornou resolúvel. Neste caso, terceiros pode alegar BOA-FÉ, pois
acreditavam que aquela propriedade era perpétua, mas por motivos supervenientes ela veio a se tornar
resolúvel. Ex.: revogação da doação por ingratidão do donatário (art. 557 do CC).
Registro:
O registro público enquanto modo aquisitivo de propriedade (derivado) pode derivar tanto de um ato inter
vivos quanto de um ato causa mortis. Ato inter vivos: contratos; ato causa mortis: sucessão. Nesse cenário
surge uma questão terminológica:
REGISTRO: é o ato praticado em cartório para escriturar os atos de aquisição ou declaração de propriedade e
de constituição de direitos reais na coisa alheia (ex.: compra e venda ou doação).
AVERBAÇÃO: é ato para escriturar as alterações e extinções do registro (ex.: habite-se da Prefeitura ou a
sentença de dissolução de casamento).
MATRÍCULA: é o ato praticado em cartório para individualizar um imóvel, ainda não levado a registro. Nela
incidem o registro e a averbação.
A escritura pública é tão somente um título translativo, um título de transferência. Agora, olha só, a
transferência de propriedade depende de registro. No Brasil a escritura pública não é suficiente para
transferir a propriedade, que gera a aquisição de propriedade. Na França, diferente do Brasil, a simples
ocorrência do negócio, com escritura pública, já gera a transferência da propriedade.
Portanto, o famoso contrato de gaveta NÃO gera a transferência de propriedade, porém, isso não quer dizer
que não há proteção nesse caso. Ela vai ter proteção da posse, e, através da posse, a pessoa pode adquirir a
propriedade pela usucapião.
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Todo imóvel precisa de registro! Sem registro não há aquisição de propriedade.
O modo originário de aquisição NÃO há translatividade, ou seja, não há relação jurídica entre o anterior e o
novo proprietário; já se o modo é derivado existe translatividade, relação jurídica, o proprietário transfere
seu direito a outrem (um é alienante outro é adquirente), ex.: sucessão, compra e venda (...).
Acessões:
As acessões são um modo de aquisição originária de propriedade consistentes em acréscimo da coisa, gerando
AMPLIAÇÃO ou AQUISIÇÃO da propriedade. O nosso CC/02 divide as acessões em dois grupos: naturais e
artificiais (humanas).
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ALUVIÃO PRÓPRIA – acréscimo de terras às margens de um curso de água, de forma lenta e
imperceptível; depósitos naturais ou desvios das águas. Esses acréscimos pertencem aos donos dos terrenos
marginais, seguindo a regra de que o acessório segue o principal. Pode-se dizer que na aluvião própria a terra
vem.
ALUVIÃO IMPRÓPRIA – as partes descobertas pelo afastamento das águas de um curso são assim
denominadas, hipótese em que a água vai, ou seja, do rio que vai embora.
Álveo abandonado: Pelo art. 9º do Código de Águas, álveo é o leito do rio ordinariamente encoberto pelas
águas. Acontece que, fenômenos da natureza podem aparecer, por exemplo, uma seca pode fazer com que
o álveo apareça (é justamente o álveo abandonado). A quem vai pertencer? Ao respectivo proprietário
ribeirinho na proporção de suas testadas.
Formação de ilhas: As ilhas são acúmulos de terras dentro de um rio ou de um mar. Regra geral, o regime
jurídico da ilha é de direito público, pois, as ilhas formadas nos mares e nos rios navegáveis pertencerão,
ordinariamente, à União. Mas um detalhe: se a ilha se formou em rio não navegável, a matéria é de direito
privado.
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as
sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização.
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Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que,
de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada
judicialmente, se não houver acordo.
Usucapião:
Usucapião é modo originário de aquisição de propriedade, que decorre da utilização do bem por determinado
tempo, preenchendo os requisitos legais. Como é modo originário, não tem translatividade.
Pode ser realizada usucapião de área que a União alega que é terreno de marinha, mas que ainda não
passou pelo processo de demarcação?
SIM. A alegação da União de que determinada área constitui terreno de marinha, sem que tenha sido realizado
processo demarcatório específico e conclusivo pela Delegacia de Patrimônio da União, não obsta o
reconhecimento de usucapião. STJ. 4ª Turma. REsp 1.090.847-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
23.4.2013.
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Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:
I - pendendo condição suspensiva;
II - não estando vencido o prazo;
III - pendendo ação de evicção.
DIZER O DIREITO
Alguns autores afirmam que a usucapião também pode ser chamada de prescrição aquisitiva. Assim,
existiriam em nosso ordenamento jurídico, duas formas de prescrição:
O § 5º do art. 219 do CPC 1973 prevê que “o juiz pronunciará, de ofício, a prescrição”.
Essa regra do art. 219, § 5º do CPC 1973 aplica-se apenas para a prescrição extintiva ou também para a
prescrição aquisitiva (usucapião)? O juiz pode reconhecer, de ofício, a usucapião?
NÃO. O § 5º do art. 219 do CPC 1973 não autoriza a declaração, de ofício, da USUCAPIÃO. Em outras palavras,
o juiz não pode reconhecer a usucapião a não ser que haja requerimento da parte. Não se aplica o § 5º do art.
219 do CPC 1973 à usucapião.
O disposto no § 5º do art. 219 está intimamente ligado às causas extintivas, conforme expressamente dispõe
o art. 220. Além disso, a prescrição extintiva e a usucapião são institutos diferentes, sendo inadequada a
aplicação da disciplina de um deles frente ao outro, uma vez que a expressão “prescrição aquisitiva” como
sinônima de usucapião, tem razões mais ligadas a motivos fáticos/históricos.
13
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Impossibilidade de declaração de ofício da usucapiãoo. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 16/10/2019
180
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Outrossim, surgiu em 2011 uma modificação no CC instituindo a Usucapião especial urbana por abandono do
lar, o que se tornou uma exceção à regra de aplicação dos prazos prescricionais, pois, haverá o transcurso do
prazo dessa usucapião mesmo na constância da sociedade conjugal, mas especialmente seguindo os
requisitos.
Posse ad usucapionem por 2 anos;
Posse direta;
Imóvel urbano com até 250m2;
Em condomínio com cônjuge ou companheiro, ou seja, copropriedade com cônjuge ou companheiro;
Abandono do lar;
Utilização para moradia sua ou de sua família;
Não pode ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural;
Só é possível uma vez.
A ação dessa modalidade de usucapião acima citada corre na vara cível e não na de família.
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à
sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos
do art. 1.242, com justo título e de boa-fé.
Enunciado n. 317 do CJF/STJ: A accessio possessionis de que trata o art. 1.243, primeira parte, do Código Civil
NÃO encontra aplicabilidade relativamente aos arts. 1.239 e 1.240 do mesmo diploma legal, em face da
normatividade do usucapião constitucional urbano e rural, arts. 183 e 191, respectivamente.
181
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Entendimento majoritário: o art. 1243 NÃO se aplica para usucapião constitucional agrária e nem para
usucapião constitucional urbano. No primeiro caso, ela tem que ser pessoal, exercida pela própria pessoa.
Na segunda, tem um tratamento específico no art. 9º, §3º, Estatuto da Cidade (lei 10257/2001).
IMPORTANTE! A citação na ação possessória julgada improcedente não interrompe o prazo para aquisição
da propriedade por usucapião14.
Súmula n. 619 do STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária,
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. STJ. Corte Especial. Aprovada em
24.10.2018, DJe 30.10.2018.
Súmula n. 340 do STF: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos,
não podem ser adquiridos por usucapião.
(...) 3. Mantida a sentença de procedência da ação de usucapião, uma vez que satisfeito pela
autora/agravada o requisito essencial à aquisição do domínio por meio da prescrição aquisitiva, restando
comprovado que possui o imóvel como seu, sem interrupção ou oposição, por mais de 20 anos, nos termos
do ad., 550 do Código Civil de 1916, aplicável ao usucapião extraordinário. 4. Os bens pertencentes a
sociedade de economia mista podem ser adquiridos por usucapião, uma vez que não pertencem à categoria
de bens públicos. Precedentes do STJ e desta Corte. (...) (STF - ARE: 1046097 RS - RIO GRANDE DO SUL
14
Julgados: AgRg no REsp 1010665/MS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em
16/10/2014, DJe 21/10/2014; AgRg no REsp 944661/MG, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,
julgado em 13/08/2013, DJe 20/08/2013; REsp 1088082/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,
julgado em 02/03/2010, DJe 15/03/2010; AREsp 1381453/GO (decisão monocrática), Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, ,
julgado em 12/02/2019, publicado em 15/02/2019; REsp 1388872/SC (decisão monocrática), Rel. Ministro MARCO
BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2017, publicado em 30/05/2017; REsp 1554227/SC (decisão monocrática),
Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, publicado em 01/09/2016. (Vide Informativo de
Jurisprudência N. 18)
182
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0001452-28.2008.4.04.7207, Relator: Min. DIAS TOFFOLI, Data de Julgamento: 26.05.2017, Data de
Publicação: DJe-115 01.06.2017)
Lapso temporal
Justo título:
Justo título é um título, documento público ou privado, que seria hábil a transferir a propriedade, se não fosse
um vício que pesa sobre ele. Exemplo: escritura pública inválida.
Enunciado 86 da Jornada de Direito Civil CJF/STJ: Art. 1.242: A expressão “justo título” contida nos arts. 1.242
e 1.260 do CC abrange todo e qualquer ato jurídico hábil, em tese, a transferir a propriedade,
independentemente de registro.
Boa-fé:
Espécies de usucapião:
CC, Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel,
adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o
declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis.
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Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido
no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. (extraordinária
posse-trabalho)
Requisitos obrigatórios + requisitos facultativos + prazo de 10 anos, podendo o juiz reduzir para 5 anos
se o usucapiente estiver morando ou estiver tornando a terra produtiva e se o justo título se constituir
com o documento público.
CC, Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com
justo título e boa-fé, o possuir por DEZ anos.
Parágrafo único. Será de CINCO anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido,
onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde
que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social
e econômico.
Usucapião especial rural (pro labore) – art. 191 da CF/88 e 1.239 do CC:
Prazo de 5 anos + Imóvel não superior a 50 hectares + o usucapiente não seja proprietário de outro
imóvel rural ou urbano + que esteja morando ou tenha tornado a terra produtiva.
CC, Art. 1.239. Aquele que, NÃO sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco
anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinquenta hectares (50 ha),
tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a
propriedade.
Se forem preenchidos os requisitos do art. 183 da CF/88, a pessoa terá direito à usucapião especial urbana e
o fato de o imóvel em questão não atender ao mínimo dos módulos urbanos exigidos pela legislação local para
a respectiva área (dimensão do lote) não é motivo suficiente para se negar esse direito, que tem índole
constitucional.
184
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Para que seja deferido o direito à usucapião especial urbana basta o preenchimento dos requisitos exigidos
pelo texto constitucional, de modo que não se pode impor obstáculos, de índole infraconstitucional, para
impedir que se aperfeiçoe, em favor de parte interessada, o modo originário de aquisição de propriedade.
STF. Plenário. RE 422349/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29.4.2015 (repercussão geral) (Info 783).
Prazo de 5 anos + imóvel não superior a 250 m2 + que o usucapiente não seja proprietário de outro
imóvel rural ou urbano + que sirva de moradia para si ou para a sua família.
Detalhe: essa usucapião especial urbana NÃO permite mais de uma aquisição pelo mesmo título; em outras
palavras, quem adquiriu uma vez não adquire de novo.
CC, Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados
(250 m²), por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família,
adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos,
independentemente do estado civil.
§ 2º O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma
vez.
JURISPRUDÊNCIA:
“(...) preenchidos os requisitos do art. 183 da CF, o reconhecimento do direito à usucapião especial urbana
não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na respectiva área
em que situado o imóvel (dimensão do lote).” (RE 422.349, rel. min. Dias Toffoli, julgamento em 29-4-2015,
Plenário, DJE de 5-8-2015, com repercussão geral.)
(...)
A usucapião especial urbana tem raiz constitucional e seu implemento não pode ser obstado com fundamento
em norma hierarquicamente inferior ou em interpretação que afaste a eficácia do direito constitucionalmente
assegurado. Recurso provido.
1. Módulo mínimo do lote urbano municipal fixado como área de 360 m2. Pretensão da parte autora de
usucapir porção de 225 m2 (que atende ao exigido pela CF, 250 m²), destacada de um todo maior, dividida em
composse.
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2. Não é o caso de declaração de inconstitucionalidade de norma municipal.
3. Tese aprovada: preenchidos os requisitos do art. 183 da Constituição Federal, o reconhecimento do direito
à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos
urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do lote).
“Usucapião de domínio útil de bem público (terreno de marinha). (...) O ajuizamento de ação contra o foreiro,
na qual se pretende usucapião do domínio útil do bem, não viola a regra de que os bens públicos não se
adquirem por usucapião." (RE 218.324-AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 20-4-2010, Segunda
Turma, DJE de 28-5-2010.)
A usucapião especial urbana apresenta como requisitos a posse ininterrupta e pacífica, exercida como dono,
o decurso do prazo de cinco anos, a dimensão da área (250 m² para a modalidade individual e área superior a
esta, na forma coletiva), a moradia e o fato de não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
O uso misto da área a ser adquirida por meio de usucapião especial urbana não impede seu reconhecimento
judicial, se a porção utilizada comercialmente é destinada à obtenção do sustento do usucapiente e de sua
família.
É necessário que a área pleiteada seja utilizada para a moradia do requerente ou de sua família, mas a lei não
proíbe que o autor a utilize também para seu sustento.
Assim, o fato de o autor da ação de usucapião utilizar uma parte do imóvel para uma atividade comercial que
serve ao sustento da família domiciliada no imóvel não inviabiliza a prescrição aquisitiva buscada.
STJ. 3ª Turma. REsp 1777404-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05.05.2020 (Info 671).
É possível o reconhecimento da usucapião quando o prazo exigido por lei se complete no curso do processo
judicial, conforme a previsão do art. 493, do CPC/2015, ainda que o réu tenha apresentado contestação.
Em março de 2017, João ajuizou ação pedindo o reconhecimento de usucapião especial urbana, nos termos
do art. 1.240 do CC (que exige posse ininterrupta e sem oposição por 5 anos). Em abril de 2017, o proprietário
apresentou contestação pedindo a improcedência da demanda. As testemunhas e as provas documentais
atestaram que João reside no imóvel desde setembro de 2012, ou seja, quando o autor deu entrada na ação,
ainda não havia mais de 5 anos de posse. Em novembro de 2017, os autos foram conclusos ao juiz para
sentença. O magistrado deverá julgar o pedido procedente considerando que o prazo exigido por lei para
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a usucapião se completou no curso do processo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.361.226-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05.06.2018 (Info 630).
Prazo de 2 anos + imóvel urbano não superior a 250m2 + que o usucapiente não seja proprietário de
outro imóvel rural ou urbano + que tenha fixado moradia + que o imóvel seja pertencente a uma
entidade familiar + que tenha ocorrido abandono de lar.
Exemplo: marido e mulher se separam de fato, o homem some de casa e não entra com o divórcio. Ele decide
pleitear o divórcio 4 anos depois. O imóvel já foi usucapido. Aqui um detalhe: se o imóvel pertencia ao pai de
marido que emprestou para o casal morar, pode ter usucapião? Não, vez que o imóvel precisa pertencer à
comunhão do casal.
É um típico caso de usucapião condominial, pois esta posse será estabelecida com exclusividade.
Obs.: Todas as categorias de usucapião, na permissão da súmula n. 237 do STF, podem ser alegadas como
matéria de defesa em sede de contestação.
Mas uma atenção: esta sentença que julga improcedente o pedido acolhendo a usucapião como argumento,
não pode ser levada à registro, pois não houve a publicação de editais, salvo se for usucapião especial rural
ou urbano, que é possível levar a registro, mesmo se alegado apenas em matéria de defesa.
CC, Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com
exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja
propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia
ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano
ou rural. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011)
§ 1º O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
Art. 10. Os núcleos urbanos informais existentes SEM OPOSIÇÃO HÁ MAIS DE CINCO ANOS e cuja área total
dividida pelo número de possuidores seja INFERIOR A DUZENTOS E CINQUENTA METROS QUADRADOS POR
POSSUIDOR são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam
proprietários de outro imóvel urbano ou rural. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 2017)
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§ 1º O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu
antecessor, contanto que ambas sejam contínuas.
§ 2º A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá
de título para registro no cartório de registro de imóveis.
§ 3º Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da
dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos,
estabelecendo frações ideais diferenciadas.
§ 4º O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo deliberação
favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no caso de execução de urbanização posterior
à constituição do condomínio.
§ 5º As deliberações relativas à administração do condomínio especial serão tomadas por maioria de votos
dos condôminos presentes, obrigando também os demais, discordantes ou ausentes.
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