NT1 Introdução AdmRural 2023
NT1 Introdução AdmRural 2023
ADMINISTRAÇÃO RURAL
(versão - agosto de 2023)
Definição
Segundo Chiavenato (2004), Administração é a maneira de governar organizações ou parte delas. É o
processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos organizacionais para alcançar
determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz1.
Com base em Hoffmann et al. (1976), e Silva (2013), a Administração Rural é um ramo da Administração
que se utiliza das funções administrativas (Planejamento, Organização, Direção e Controle) visando ao uso
mais racional e eficiente dos recursos para obter resultados compensadores e contínuos na condução de uma
empresa rural.
1
Eficácia significa atingir objetivos e resultados. Eficiência significa fazer da melhor forma possivel.
Administração rural: aspectos introdutórios 2
A Administração Rural é o conjunto de atividades que permitem aos produtores rurais a tomada de decisões
ao nível de sua unidade de produção, a empresa agrícola, com o fim de obter o melhor resultado econômico,
mantendo a produtividade da terra (CREPALDI, 2016).
Objetivos
A Administração Rural, no âmbito das ciências sociais, visa adequar os fatores de produção a fim de otimizar
os resultados da empresa rural. Com base em Silva (2013), destaca-se como os principais objetivos da gestão
rural:
• Administrar com mais eficiência os fatores de produção disponíveis;
• Empregar a tecnologia adequadamente, em função das condições da propriedade e recursos do
produtor;
• Aumentar a produtividade das atividades exploradas na propriedade;
• Gerenciar os custos de produção da empresa rural;
• Minimizar os riscos de produção e do mercado;
• Criar um bom ambiente de trabalho, para que haja harmonia entre patrão empregados;
• Garantir melhoria na qualidade de vida de todos aqueles que trabalham na propriedade;
• Conservar e, se possível, aumentar o valor do patrimônio [Noronha (1987) coloca este como o
principal objetivo do proprietário: maximizar o valor atual do patrimônio líquido da empresa];
• Conservar áreas naturais protegendo o meio ambiente, principalmente mananciais e matas ciliares.
A disciplina abrange diversos aspectos das empresas agropecuárias e que influenciam sua eficiência. Um
dos propósitos da disciplina é apresentar um conjunto de métodos que sejam uteis para a tomada de decisões,
como os tipos de empreendimentos a serem combinados, os tipos de culturas e variedades a serem
cultivados, a dosagem de fertilizantes a serem aplicados, os implementos a serem utilizados, as formas como
as funções da empresa devem ser realizadas; tudo isso está dentro do escopo da administração rural.
torna as organizações mais ou menos capazes de utilizar corretamente seus recursos para atingir os objetivos
corretos.
No segundo capítulo de seu livro texto, Kay, et al. (2014) afirma que
... bons gestores aprendem a estar sempre repensando suas decisões à medida que
as condições econômicas, tecnológicas e ambientais mudam. Agricultores e
pecuaristas são constantemente bombardeados por novas informações relativas a
preços, clima, tecnologia, regulamentações públicas e gostos dos consumidores.
Essas informações afetam a organização de seus negócios; quais commodities
produzir como produzi-las; quais insumos usar; quanto usar de cada insumo;
como financiar seus negócios; e como, onde e quando comercializar seus
produtos. Informações novas são vitais para tomar novas decisões,
frequentemente fazendo com que se reconsiderem velhas estratégias gerenciais.
Os autores ressaltam que gestores de atividades agropecuárias devem estar sempre atualizados pois
suas atividades estão sujeitas a uma infinidade de fatores, que impõe riscos consideráveis e podem
comprometer os resultados obtidos. De acordo com os autores:
Podem ocorrer mudanças importantes no clima, tempo, programas e políticas
governamentais, importações e exportações, acontecimentos internacionais e
muitos outros fatores que afetam a situação de oferta e demanda das commodities
rurais. Tendências de longo prazo devem ser reconhecidas e levadas em conta. A
tecnologia também é uma fonte constante de mudança. Exemplos incluem o
desenvolvimento de novas variedades de sementes; novos métodos para controle
de ervas daninhas e insetos; novos produtos para a sanidade animal e ingredientes
alimentares; e novos designs, controles e monitores de maquinário. Outras
mudanças ocorrem nas regras de imposto de renda, regulamentações ambientais e
programas de commodities rurais. Todos esses fatores são fontes de informações
novas que o gestor deve levar em conta ao formular estratégias e tomar decisões.
Alguns gestores obtêm resultados melhores do que outros, mesmo quando enfrentam as mesmas
condições econômicas, clima e escolhas tecnológicas. Utilizando informação de um programa de
gestão comercial rural do estado de Kentucky nos EUA, Kay, et al. (2014) mostram que o grupo
de estabelecimentos rurais mais lucrativos (terço superior da distribuição de retornos) tinham
apenas um pouco mais de recursos como terra e mão-de-obra do que os estabelecimentos com
lucros considerados baixos (terço inferior).
Observe o Tabela 1 abaixo e note que a diferença de recursos (acres cultiváveis e meses de mão de
obra) não é muito grande, até porque os autores estão analisando empreendimentos de tamanho
semelhante. Mas quando observamos as diferenças no retorno médio sobre gestão e a renda rural
média (como percentual da renda bruta), estas são significativas.
Administração rural: aspectos introdutórios 4
A diferença de renda e de retorno não podem ser completamente explicadas pelas quantidades
diferentes de recursos disponíveis. A explicação deve estar na capacidade gerencial dos operadores
dos estabelecimentos agropecuários.
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As expressões "empresa rural" ou "empresa agrícola" são usuais na literatura para designar fazendas,
propriedades agrícolas ou estabelecimentos agropecuários, organizados com a finalidade de produção
comercial.
Uma empresa rural pode ser caracterizada como uma unidade de produção onde são realizadas atividades
de exploração da capacidade produtiva do solo por meio de culturas agrícolas, criação de animais e culturas
florestais. Assim como qualquer empresa, elas possuem a finalidade de geração de renda.
O Novo Código Civil (NCC), instituído pela Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002, em seu artigo 966 define o
conceito de empresário nos seguintes termos: “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada
para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”.
Dessa forma, o empresário rural é a pessoa física ou jurídica que realiza a atividade de exploração da
capacidade produtiva da terra ou da água. Seus objetivos podem estar ligados à produção vegetal, à criação de
animais e à industrialização de produtos obtidos de ambos, ou seja, produtos agroindustriais.
Podemos perceber, então, que as atividades rurais são divididas em três grupos distintos:
1. produção vegetal — atividade agrícola;
2. criação animal — atividade zootécnica;
3. indústrias rurais — atividade agroindustrial
De acordo com o artigo 249 da Instrução Normativa (IN RFB) n.º 1700 de 14 de março de 2017, são
consideradas atividades rurais:
I. agricultura;
II. pecuária;
III. extração e exploração vegetal e animal;
IV. exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura,
sericicultura, piscicultura e outras culturas animais;
V. cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização;
VI. venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes;
VII. transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição
e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador. A atividade deve
ser feita com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando
exclusivamente matéria-prima produzida na área rural explorada.
A IN 1700 também determina as atividades que não são consideradas rurais embora sejam desenvolvidas no meio
rural, como é o caso do arroz beneficiado em máquinas industriais e da fabricação de bebidas alcoólicas em geral.
Administração rural: aspectos introdutórios 6
Qualquer tipo de Empresa Rural, seja familiar ou patronal, é integrada por um conjunto de recursos,
denominados fatores da produção. De forma geral, os principais fatores de produção são classificados em:
1. Terra;
2. Capital;
3. Trabalho.
A terra
O fator de produção mais importante para as atividades agropecuárias é a terra, pois nesta se aplicam os
capitais e se trabalha para obter a produção. A terra constitui o principal fator limitante das atividades, tanto
do ponto de vista qualitativo, quanto do ponto de vista quantitativo. Se a terra for ruim ou muito pequena,
dificilmente se produzirão colheitas abundantes e lucrativas, por mais capital e trabalho de que disponha o
agricultor. Desse modo, uma das preocupações fundamentais que deve ter o empresário rural é conservar a
capacidade produtiva da terra, evitando seu desgaste pelo mau uso e pela erosão.
O capital
O capital representa o conjunto de bens colocados sobre a terra com objetivo de aumentar sua produtividade
e ainda facilitar e melhorar a qualidade do trabalho humano. Assim, constitui o capital da empresa
agropecuária:
1. as benfeitorias (galpões, aramados, galinheiros, pocilgas, terraços etc.);
2. os animais de produção (bovinos de cria, bovinos de leite, suínos, aves) e os animais de serviço
(bois de serviço, cavalos e asininos);
3. as máquinas e implementos agrícolas;
4. os insumos agropecuários (adubos, sementes, inseticidas, fungicidas, sais minerais, vacinas etc.).
O empresário rural necessita conhecer exatamente a quantidade e o valor de cada bem que constitui o capital
da empresa que dirige. É fácil verificar que os diversos tipos de capital apresentam características bem
diferentes. Assim, as benfeitorias, os animais e as máquinas e implementos permanecem em uso na empresa
Administração rural: aspectos introdutórios 7
durante vários anos. Já os insumos, uma vez utilizados, desaparecem imediatamente, sendo, portanto,
consumidos dentro do ano agrícola em curso2. Esse fato é de enorme importância para quem dirige uma
empresa agrícola, porque o administrador deve ter especial cuidado com a conservação daqueles capitais
que permanecem por vários anos na empresa.
Esses capitais que permanecem durante vários anos na empresa são chamados de capital fixo. Os capitais
que são consumidos dentro do ano agrícola são denominados capital circulante. Essa separação entre
capital fixo e capital circulante é fundamental para o cálculo do resultado econômico da empresa.
O resultado econômico da empresa é calculado de forma periódica, de modo geral, é calculado anualmente.
Se determinado tipo de capital deve durar vários anos, não se pode incluir como gasto daquele ano o valor
total de sua compra. Por exemplo, quando se compra um trator ou se constrói uma cerca com financiamento
bancário, o valor do empréstimo solicitado é dividido em diversos pagamentos, em vários meses ou anos.
Cada parcela possui um componente da amortização da dívida e é essa quantia paga ao longo de determinado
período, que deve ser considerada como a despesa do mês ou ano. Mesmo que se tenha pago a despesa à
vista, no cálculo econômico se deve proceder como se fosse financiada, ou seja, dividir o total da despesa
em várias parcelas iguais, cada uma correspondendo a um ano (CREPALDI, 2016).
Hoffmann et al. (1976) também apresenta uma classificação do capital agrário em capital fundiário e capital
de exploração. O capital fundiário consiste em fatores relacionados à propriedade da terra, o solo e suas
qualidades, e de melhoramentos incorporados a ela como sistemas de irrigação, cercas, culturas
permanentes, casas, estradas.
O capital de exploração corresponde a fatores adicionais que tornam a propriedade produtiva do ponto de
vista econômico. Dentre estes fatores temos o capital de exploração fixo (animais de trabalho, máquinas e
implementos) e o capital de exploração circulante (sementes, adubos, animais de engorda e venda,
combustíveis).
2O ano agrícola, ou ano de atividade da empresa agrícola, é diferente do ano fiscal. Enquanto o ano fiscal abrange o
período de 12 meses, que vai de 1o de janeiro a 31 de dezembro, o ano agrícola corresponde ao período de 12 meses,
que engloba o início do cultivo até a colheita das principais culturas da região.
Administração rural: aspectos introdutórios 8
Deve-se salientar que o texto de Hoffmann et al. (1976) trata o capital do ponto de vista da empresa agrícola,
incorporando o fator terra no conceito de capital fundiário.
O trabalho
O trabalho é o conjunto de atividades desempenhadas pelo homem. A tarefa de administrar é também
considerada trabalho, assim como lavrar a terra, cuidar de animais, construir cercas etc. A diferença
fundamental entre a administração e a execução de práticas agrícolas é que para a primeira há uma exigência
de conhecimento maior. O empresário deve ter sempre em vista a totalidade da empresa, enquanto o
executor de tarefas específicas necessita apenas saber fazer aquilo para o que foi designado. A tarefa do
empresário é, portanto, muito mais complexa. A ele cabe não somente a função de coordenar a atividade
dos demais trabalhadores, como também de combinar a utilização de todos os fatores de produção, com a
finalidade de obter resultados econômicos satisfatórios e manter elevada a produtividade daqueles fatores.
Para isso o empresário deve-se preocupar com dois aspectos: a organização e o manejo da empresa agrícola
(CREPALDI, 2016).
Entende-se por organização da empresa agrícola a combinação das atividades desenvolvidas em função das
características dos fatores de produção disponíveis. Isso quer dizer escolher todas as culturas e criações que
serão exploradas de modo a aproveitar da melhor maneira possível a terra, as benfeitorias, as máquinas e
implementos e a mão de obra. Um excelente exemplo de organização é o que vem ocorrendo nas empresas
que cultivam trigo e soja em sucessão. Essas duas culturas permitem a utilização da terra e das máquinas e
implementos em forma contínua durante o ano agrícola. Não há, por conseguinte, ociosidade na utilização
desses fatores da produção (CREPALDI, 2016).
Já, o manejo da empresa agrícola é o conjunto de medidas que deve tomar o administrador para que todas
as práticas agropecuárias sejam realizadas a tempo e de maneira eficiente. Assim, as máquinas e
implementos devem estar em perfeitas condições de funcionamento ao iniciar seu serviço. Os insumos
(adubos, sementes, vacinas etc.) devem ser adquiridos com antecedência, para evitar que, por falta no
Administração rural: aspectos introdutórios 9
mercado, fique prejudicada a produção da empresa. O serviço dos trabalhadores deve ser controlado
permanentemente para impedir que práticas mal executadas causem graves prejuízos à Empresa Rural
(CREPALDI, 2016).
As atividades agropecuárias sofrem a interferência de uma série de fatores que são próprios do ambiente
onde a atividade está inserida. Nesse sentido, algumas características importantes devem ser consideradas
para a análise da produção de empresas rurais (agrícolas e/ou pecuárias).
De certo modo, administrar um estabelecimento rural não é muito diferente de gerenciar outros tipos de
negócios. As funções, os princípios e as técnicas básicos são os mesmos, mas um negócio agropecuário
típico possui algumas características exclusivas que afetam o modo como as decisões são tomadas.
podem até mesmo levar à perda total da produção. Além disso, algumas doenças que ocorrem em animais
podem também ocorrer nos seres humanos, o que adiciona complicadores adicionais.
A partir do momento em que as pragas ou as doenças provocam danos econômicos, há a necessidade de
combatê-las, sob pena de perda da produção. O combate a elas implica o uso de insumos (inseticidas,
fungicidas e outros), predominantemente químicos, com implicações importantes sobre custos de produção,
riscos à saúde de operadores, danos ao meio ambiente, contaminação de produtos utilizados na alimentação
humana.
A perecibilidade dos produtos agropecuários exige planejamento rigoroso das atividades de produção e
comercialização, além de armazenamento e conservação.
Devido a essas especificidades, o agronegócio passa a envolver outros segmentos da economia, tornando-
se muito mais complexo que a produção agropecuária propriamente dita e passando a necessitar de uma
compreensão muito mais ampla, envolvendo o desenvolvimento de tecnologia, colheita cuidadosa,
classificação e tratamento dos produtos, estruturas apropriadas para armazenagem e conservação,
embalagens mais adequadas, logística específica para distribuição etc (ARAÚJO, 2017).
Como forma de minimizar alguns destes problemas, faz-se uso cada vez mais frequente de técnicas e
tecnologias (para armazenagem e pré-processamento, por exemplo); no entanto, na maioria das vezes, o
custo elevado pode inviabilizar a atividade para muitos agricultores.
Administração rural: aspectos introdutórios 12
- Mão-de-obra
Na maioria das atividades desenvolvidas, não existe um fluxo contínuo de produção. Além disso, as
atividades em uma propriedade rural podem ser dispersas, sem qualquer relação uma com a outra.
Essa característica exige planejamento e controle rigoroso da utilização racional da mão-de-obra da
propriedade.
Obs: Os serviços da terra e de outros fatores naturais (energia solar e precipitação pluviométrica) utilizados na produção
agropecuária também não são diretamente remunerados, com exceção dos casos de aluguel ou arrendamento.
Administração rural: aspectos introdutórios 14
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De modo geral, a administração (ou gestão) é um processo de tomada de decisões e realização de objetivos,
envolvendo não apenas a decisão de alocação de insumos, mas também a por meio da coordenação de
esforços. De forma mais específica, a literatura estabelece que a administração compreende quatro processos
principais e interligados:
1. Planejamento
2. Organização
3. Direção (ou execução)
4. Controle
Estes são os chamados processos administrativos ou funções administrativas. Também podem ser citadas
as funções de coordenação, comunicação e participação, mas estas são funções complementares, que
contribuem para a realização dos quatro processos principais.
Assim, a administração consiste nos processos de planejar, organizar, dirigir e controlar os esforços
realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para alcançar
os objetivos estabelecidos.
Funções Administrativas.
a) Planejamento
A mais fundamental e importante das funções é o planejamento, que significa escolher uma linha de ação,
política ou procedimento de acordo com os objetivos da organização. Segundo Stoner (1999):
Planejar significa que os administradores pensam antecipadamente em seus objetivos e
ações, e que seus atos são baseados em algum método, plano ou lógica, e não em palpites.
São os planos que dão à organização seus objetivos e que definem o melhor
procedimento para alcançá-los.
O gestor precisa identificar todas as alternativas possíveis, analisá-las e escolher as que mais se aproximam
da consecução das metas do negócio.
b) Implementação/ Organização
Após se desenvolver um plano (pelo planejamento), ele precisa ser implementado. Isso inclui adquirir os
recursos e materiais necessários para efetivar o plano, além de inspecionar todo o processo. Coordenar,
Administração rural: aspectos introdutórios 16
definir pessoal, comprar e supervisionar são etapas que se encaixam na função de implementação (KAY, et
al, 2014).
Segundo Stoner (1999) organizar é o processo de arrumar e alocar o trabalho, a autoridade e os recursos
entre os membros de uma organização, de modo que eles possam alcançar os objetivos estabelecidos da
melhor forma, ou seja, com eficiência.
c) Direção
A direção é uma função difícil de se definir, devido sua complexidade e variedade de conceitos. Dirigir uma
empresa está relacionada com a capacidade de liderar, de empregar habilidades técnicas e humanas, para
motivar pessoas que constituem a empresa a buscarem o resultado esperado.
Uma boa colocação é dada por Chiavenato (2000):
Definido o planejamento e estabelecida a organização, resta fazer as coisas andarem e
acontecerem. Este é o papel da direção (liderança): acionar e dinamizar a empresa. A
direção está relacionada com a ação, com o colocar-se em marcha, e tem muito a ver
com as pessoas. Ela está relacionada diretamente com a atuação sobre os recursos
humanos da empresa.
d) Controle
A função de controle inclui monitoramento de resultados, registro de informações e comparação dos
resultados a um padrão. Ela assegura que o plano está sendo seguido e produzindo os resultados desejados,
ou, em caso negativo, avisa a tempo para que sejam feitos ajustes. Resultados e outros dados relacionados
tornam-se uma fonte de novas informações para o aprimoramento de planos futuros.
Sobre a finalidade do Controle, Stoner (1999) diz que: “Através da função de controlar, o administrador
mantém a organização no caminho escolhido”. De maneira semelhante, Chiavenato (2000) fala que a
finalidade do controle é assegurar que os resultados do que foi planejado, organizado e dirigido se ajustem
tanto quanto possível aos objetivos previamente estabelecidos.
Segundo os autores, por meio das informações reunidas durante o processo de controle é possível ter uma
avaliação dos resultados da empresa. Caso tais resultados revelem que os resultados não estão satisfazendo
os objetivos do gestor, ajustes devem ser feitos, de forma a corrigir o curso da empresa. Ajustes podem
envolver aperfeiçoamento da tecnologia em uso ou até mesmo a troca de empreendimentos (atividades,
culturas). Em alguns casos, dados mais detalhados de produção e custos terão que ser coletados para se
identificarem problemas específicos.
Kay, et al (2014) ilustra um fluxo de ação, desde o planejamento, passando pela implementação e o controle,
até o ajuste. Esse fluxo também destaca que informações obtidas a partir da função de controle podem ser
usadas para revisar planos futuros.
Esse processo circular de constante melhoria e refinamento de decisões pode prosseguir por muitos ciclos.
Contudo, os autores ressaltam que, em primeiro lugar, decisões básicas sobre a finalidade do negócio e sua
razão de existir, e onde ele quer chegar, devem ser tomadas.
Administração rural: aspectos introdutórios 18
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1.5. A gestão do estabelecimento rural
Segundo Kay, et al (2014), a gestão do estabelecimento rural pode ser dividida em duas categorias
amplas: estratégica e tática. Segundo os autores, a gestão estratégica é um processo contínuo, que
consiste em traçar o rumo geral de longo prazo do negócio. Por sua vez, a gestão tática consiste em
ações de curto prazo que mantêm o negócio se movendo no rumo escolhido até que o objetivo seja
alcançado.
Sempre fazer certo as coisas não é suficiente para garantir o sucesso na
agropecuária. Agricultores e pecuaristas precisam também fazer as coisas
certas. A gestão estratégica busca descobrir quais são as coisas certas para
um negócio específico em um dado momento. Simplesmente fazer o que a
geração anterior fazia não manterá́ o estabelecimento competitivo no longo
prazo (KAY, et al., 2014).
A gestão estratégica
Para Kay, et al (2014), o processo de gestão estratégica envolve as seguintes etapas lógicas:
desses recursos ajudará o gestor a escolher estratégias realistas para alcançar as metas do
negócio (KAY, et al., 2014).
A gestão tática
Após o desenvolvimento de uma estratégia geral (planejamento global) para o estabelecimento
rural, o gestor precisa tomar decisões táticas sobre como implementá-la.
Decisões táticas incluem quando e onde comercializar os cultivos, que rações dar aos animais,
quando trocar de maquinário e quem contratar para o galpão de ordenha. Elas podem ser muito
específicas, como qual campo lavrar em um certo dia ou qual operadora telefônica contratar (KAY,
et al., 2014).
Administração rural: aspectos introdutórios 20
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 6ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2004.
CREPALDI, S. A.. Contabilidade Rural - Uma Abordagem Decisorial. 8ª ed. São Paulo. Atlas,
2016.
D., KAY, R., EDWARDS, M., DUFFY, A.. Gestão de Propriedades Rurais. 7ª ed. Porto Alegre. AMGH,
Bookman, 2014.
STONER, J. A. F.; FREEMAN, R. E.. Administração. 5ª ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1999.
Administração rural: aspectos introdutórios 21
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EXERCÍCIOS 1
Os exercícios abaixo se referem ao texto do presente material e ao capítulo 2 do texto de Kay,
et al (2014).