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Gestão de Propriedades Rurais 7° Edição

Enviado por

Angélica
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Prefácio

Estabelecimentos agropecuários, como ou- A Parte II apre e nta a ferrame ntas bá-
tros pequenos negócios, precisam de uma boa s icas necessári as para med ir o de empen ho
gestão para sobreviver e prosperar. O desen- gerencial, o progre so fin anceiro e a condição
volvimento contínuo de novas tecnologias fi nanceira do negócio rural. Ela discute como
agropecuárias significa que os gestores rurais coletar e organi zar dados co ntábe i e como
precisam estar informados acerca dos últimos elaborar e analisar demons traçõe fi nancei ras.
progressos e decidir se irão adotá-los. Adotar No capítulo obre análise do e tabeleci mento
uma tecnologia arriscada e não testada que agropecuário, são usado dado de um exem-
não satisfaça as expectativas pode provocar plo para demonstrar o processo de aná li e.
dificuldades financeiras ou mesmo o fecha- A Parte III contém três capítulos sobre
mento da empresa rural. Por outro lado, deixar princípios básicos de microeco nomia. O
de adotar tecnologias novas e lucrativas colo- tópicos dessa parte proporciona m as ferra-
ca o negócio em desvantagem competitiva, o mentas necessárias para tomar boas decí õe
que também pode ser desastroso no longo pra- gerenciais. Os estudantes aprenderão como
zo. Além disso, a mudança de poüticas de pro- e quando os princípios econôm icos podem
teção ambiental, impostos e subsídios de pre- ser usados na tomada de deci ão, bem como
ço pode tornar certas alternativas e estratégias a importância dos diferente tipos de custo
mais ou menos lucrativas do que eram antes. econômico. A exposição sobre economias de
Por fim, mudanças nos gostos do consumidor, tamanho foi revisada e expandjda.
na composição demográfica da população e O uso prático do orçamento é enfatizado
nas políticas de comércio agropecuário mun- na Parte IV. A exposição inclui capítulos so-
dial afetam a demanda pelos produtos. bre orçamentos de empreendimento, parcial,
A necessidade contínua de os gestores ru- do estabelecimento completo e de flux o de
rais atualizarem e renovarem suas habilidades cruxa. Discutem-se detalhadamente o formato
nos motivou a escrever esta sétima edição. e a aplicação de cada tipo de orçamento, as
Este livro está dividido em seis partes. A fontes de dados a serem utilizadas e téc nicas
Parte I começa com o capítulo "Gestão rural de análise de ponto de equilíbrio.
no século XXI" . Ele descreve algumas das Tópicos necessários para refinar ma i a
forças tecnológicas e econômicas que dire- habilidades de tomada de dec isão do ,=,oe tor
cionam as mudanças na agropecuária. Nesse aparecem na Parte V. Oi cutem- e organização
capítulo, os estudantes têm uma exposição da empresa rural, controle de risco, gestão de
sobre as habilidades de que os gestores rurais imposto de renda, análise de investimento e
modernos precisam. A Parte I conclui com análise de empreendimento. O capítulo obre
uma explicação do conceito de gestão e do análise de investimento inclui uma di cu- ão
processo de tomada de decisão, com ênfase na sobre os conceitos de equivalente anual e ala-
importância do planejamento estratégico e da res de recuperação de capital. Foi incorporado
tomada de decisão. a esta edição um novo capítulo obre separação
vlli Prefácio

da análi e completa do estabelecimento agrope- e sugestões foram cuidado amente analisado ,


cuário em centros de lucro e centro de custo. sendo muitos deles incorporados a esta edi-
A Parte VI fala obre estratégias de aqui- ção. Sugestões para aperfeiçoamentos fut uros
sição de recursos em estabelecimentos rurais, são sempre be m-vindas. Fazemos um agra-
contendo capítulos sobre capital e crédito, decimento especial aos eguintes revisore
terra, recursos humanos e maquinário. O ca- da McGraw-Hill pela muitas ideia e pelos
pítulo sobre recursos humanos contém seções comentários inteligentes que forn eceram du-
sobre aprimoramento da capacidade gerencial rante a preparação desta edição:
e superação das barreiras culturais.
Nicole Klein
Esta edição disponibiliza o manual do
South Dakota Srate U11iversity
professor, apresentacões em PowerPoint®,
Dennis Toalson
um banco de perguntas de teste, exercícios de
Southeast Co1111111mity College
aula e respostas às perguntas de fim de capí-
Mallory Vestal
tulo (em inglês). Procure pela página do livro
West Texas A&M U11iversiry
em [Link] e clique em Material
Barry Ward
para o Professor. O professor deverá se cadas-
trar para ter acesso.
The Ohio State U11iversity
Os autores gostariam de agradecer aos
professores que adotaram a edição anterior em
suas disciplinas e aos muitos estudantes que a Ronald D. Kay
uúlizaram tanto dentro quanto fora das salas William M . Edwards
de aula das instituições. Os seus comentários Patrícia A. Duffy
Sumário

Parte 1 Parte li
Gestão 1 Mensuração do desempenho
gerencial 31
CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 3
Gestão rural no século XXI 3
Estrutura do estabelecimento Aquisição e organização de
agropecuário 4 informação gerencial 33
Novas tecnologias 7 Finalidade e uso dos registros 34
A era da informação 8 Atividades do negócio rural 36
Controle de ativos 9 Termos básicos de contabilidade 37
Recursos humanos 1O Opções ao escolher um sistema
Produção para atender às demandas contábil 38
do consumidor 1O Fundamentos de contabilidade em
Contratos e integração vertical 12 regime de caixa 41
Questões ambientais Fundamentos de contabilidade em
e de saúde 12 regime de competência 42
Globalização 13 Um exemplo de caixa contra
Resumo 14 competência 43
Perguntas para revisão e reflexão 14 Recomendações do conselho de
padrões financeiros rurais 45
CAPÍTULO 2 Plano de contas 46
Resultado de um sistema contábil 46
Gestão e Resumo 50
tomada de decisão 15 Perguntas para revisão e reflexão 50
Funções da gestão 16
Gestão rural estratégica 17 CAPÍTULO 4
Tomada de decisão 23
Características das decisões 26 O balanço patrimonial
O ambiente de tomada de decisão e sua análise 51
da agropecuária 27 Finalidade e uso do balanço
Resumo 29 patrimonial 52
Perguntas para revisão e reflexão 29 Formato do balanço patrimonial 52
---

X Sumário

Avaliação de ativos 56 Parte Ili


Balanço patrimonial com base no custo
Aplicação de
contra com base no mercado 57
Exemplo de balanço patrimonial 59
princípios econômicos 113
Análise do balanço patrimonial 63
CAPÍTULO 7
Demonstração das alterações do
patrimônio líquido 67 Princípios econômicos - escolha
Resumo 69 de níveis de produção 115
Perguntas para revisão e reflexão 69
A função de produção 116
Análise marginal 117
CAPÍTULO 5 Lei dos retornos marginais
decrescentes 11 8
A demonstração de resultados
Quanto insumo usar 119
e sua análise 71
Uso de conceitos marginais 120
Identificação de receitas e despesas 72 Valor do produto marginal e
Depreciação 75 custo de insumo marginal 124
Formato da demonstração de O princípio da igualdade marginal 124
resultados 79 Resumo 127
Ajustes por competência em uma Perguntas para revisão e reflexão 127
demonstração de resultados com base
em caixa 80
Análise da renda rural líquida 82 CAPÍTULO 8
Mudança do patrimônio líquido 90
Princípios econômicos -
Demonstração dos fluxos de caixa 91
escolha de combinações de
Resumo 93
insumo e produto 129
Perguntas para revisão e reflexão 93
Combinações de insumos 130
Combinações de produtos 134
CAPÍTULO 6
Resumo 139
Análise do negócio rural 95 Perguntas para revisão e reflexão 140
Tipos de análise 96
Padrões de comparação 96 CAPÍTULO 9
Diagnóstico de um problema
comercial rural 98 Conceitos de
Medidas de lucratividade 99 custo em economia 141
Medidas de tamanho 102 Custo de oportunidade 141
Medidas de eficiência 104 Despesas monetárias e não
Medidas financeiras 107 monetárias 143
Resumo 111 Custos fixos, variáveis e totais 144
Perguntas para revisão e reflexão 112 Aplicação dos conceitos de custo 147
Sumárío xi

Economias de escala 151 Outras questões 196


Curva de custo médio de longo Resumo 198
prazo 156 Perguntas para revisão e reflexão 199
Resumo 157 Apêndice: exemplo gráfico de
Perguntas para revisão e reflexão 158 programação linear 200
Apêndice 159
CAPÍTULO 12
Parte IV
Orçar para Orçamento parcial 203
obter mais lucro 163 Aplicações do orçamento parcial 203
Procedimento do orçamento
CAPÍTULO 10 parcial 204
O formato do orçamento parcial 205
Orçamento de Exemplos de orçamento parcial 207
empreendimento 165 Fatores a considerar ao calcular
Finalidade, aplicação e formato de mudanças na receita e nos custos 21 O
orçamentos de empreendimento 166 Análise de sensibilidade 211
Elaboração de um orçamento de Limitações do orçamento parcial 212
empreendimento agrícola 168 Considerações finais 212
Elaboração de um orçamento de Resumo 213
empreendimento pecuário 173 Perguntas para revisão e reflexão 213
Comentários gerais sobre orçamentos
de empreendimento 176
CAPÍTULO 13
Interpretação e análise de orçamentos
de empreendimento 177
Orçamento de
Resumo 179
fluxo de caixa 215
Perguntas para revisão e reflexão 179
Características do orçamento de fluxo
de caixa 215
CAPÍTULO 11 Elaboração do orçamento de fluxo de
caixa 218
Planejamento completo Aplicações do orçamento de fluxo de
do estabelecimento caixa 227
agropecuário 181 Monitoramento dos fluxos de caixa
O que é o plano completo do efetivos 228
estabelecimento agropecuário? 181 Análise de investimento por meio de
O procedimento de planejamento 182 orçamento de fluxo de caixa 228
Exemplo de planejamento completo do Resumo 231
estabelecimento agropecuário 186 Perguntas para revisão e reflexão 232
XII Sumário

Parte V
CAPÍTULO 16
Aperfeiçoamento das
habilidades gerenciais 233 Gestão de
imposto de renda 281
CAPÍTULO 14 Tipos de imposto de renda 282
Objetivos da gestão tributária 282
Natureza jurídica e
Regimes de contabilidade tributária 283
transferência do negócio
O sistema tributário e as alíquotas 286
agropecuário 235 Algumas estratégias de gestão
Ciclo de vida 236 tributária 287
Propriedade individual 237 Depreciação 290
Joint ventures 238 Ganhos de capital 295
Contratos operacionais 239 Resumo 298
Sociedades de responsabilidade Perguntas para revisão e reflexão 298
pessoal 241
Corporações 245 CAPÍTULO 17
Sociedades de responsabilidade
limitada 248 Análise de investimento 299
Cooperativas 250 Valor do dinheiro no tempo 300
Transferência do negócio Análise de investimento 305
agropecuário 251 Viabilidade financeira 311
Resumo 254 Imposto de renda, inflação e risco 312
Perguntas para revisão e reflexão 255 Resumo 315
Perguntas para revisão e reflexão 316
CAPÍTULO 15 Apêndice: um exemplo de análise de
investimento 317
Gestão do risco
e da incerteza 257 CAPÍTULO 18
Fontes de risco e incerteza 258
Capacidade e atitude de tolerância ao Análise de
risco 260 empreendimento 321
Expectativas e variabilidade 261 Centros de lucro e de custo 322
Tomada de decisão sob risco 265 O exercício contábil 323
Ferramentas de gestão do risco 269 Tipos de empreendimento 324
Resumo 278 Custos da terra 329
Perguntas para revisão e reflexão 279 Verificação da produção 331
Sumário xiii

Sistemas de contabilidade 332


CAPÍTULO 21
Resumo 333
Perguntas para revisão e reflexão 333 Gestão de recursos
humanos 385
Parte VI Características da mão de obra
Aquisição de agropecuária 386
recursos gerenciais 335 Planejamento de recursos de mão de
obra rural 387
CAPÍTULO 19 Medição da eficiência da mão de
obra 392
Capital e crédito 337 Melhoria da eficiência da mão de
A economia do uso do capital 338 obra 393
Fontes de capital 339 Melhoria da capacidade gerencial 395
Tipos de empréstimo 342 Obtenção e gestão de empregados
O custo do endividamento 348 rurais 395
Fontes de fundos de empréstimo 349 Regulamentações trabalhistas
Estabelecimento e desenvolvimento de agropecuárias 403
crédito 351 Resumo 406
Liquidez 353 Perguntas para revisão e reflexão 406
Solvência 354
Resumo 357 CAPÍTULO 22
Perguntas para revisão e reflexão 357
Gestão de maquinário 407
CAPÍTULO 20 Estimativa de custos de maquinário 408
Exemplos de cálculo de custo de
Terra: controle e uso 359 maquinário 414
Fatores que afetam os valores da terra Fatores da seleção de máquinas 415
rural 360 Alternativas de aquisição
A economia do uso e da gestão da de máquinas 418
terra 361 Melhoria da eficiência do maquinário 423
Controle da terra: propriedade ou Resumo 427
arrendamento? 363 Perguntas para revisão e reflexão 428
Compra da terra 365
Arrendamento da terra 371 Apêndice 429
Conservação e questões ambientais 381
Resumo 383
Glossário 435
Perguntas para revisão e reflexão 384 Índice 447
PARTE 1
Gestão

Essas tendências provavelmente se es-


U ma boa gestão é um fator crucial para o
sucesso de qualquer negócio, e os estabe-
lecimentos agropecuários não são uma exce-
tenderão por todo o século XXI. Os agrope-
cuaristas tomarão o mesmo tipo de decisões
ção. Para ter sucesso, os gestores de hoje pre- do passado, mas conseguirão tomá-las com
cisam passar mais tempo tornando decisões e mais rapidez e precisão. Os progressos na
desenvolvendo habilidades do que seus pais e capacidade de coletar, transferir e armazenar
avós precisavam. dados sobre condições de cultivo, problemas
Isso porque a produção de agropecuária com pragas e doenças e qualidade de produ-
nos Estados Unidos e em outros países está to darão aos gestores mais sinais aos quais
1~udando nas seguintes linhas: mais meca- reagir. Além disso, os futuros operadores de
nização, estabelecimentos maiores, adoção estabelecimentos agropecuários terão que
contínua de novas tecnologias, aumento equilibrar suas metas pessoais de estilo de
do investimento de capital por trabalhador, vida independente, segurança financeira e
mais capital emprestado ou arrendado, no- vida no campo com interesses sociais acerca
~as alternativas de comercialização e maior de segurança alimentar, qualidade ambiental
risco. Esses fatores criam novos problemas e valores rurais.
gerenciais, mas também apresentam novas A direção de longo prazo de um estabele-
~P0 rtunidades para os gestores com as habi- cimento agropecuário é determinada por meio
lidades certas. de um processo chamado planejamento estra-
2 Parte I Gestão

tégico. Famílins de agropccuarista estabele- Os recursos serão uma mistura de ativo pró-
em meta para si e seus negócios com base prios, arrendados e emprestados. Os produtos
em valore pessoais, habilidades e interesses deverão ser mais diferenciados para atender
individuai . recursos financeiros e físicos e aos gostos do consumidor e atender ao pa-
a condições econômica e sociais previstas drões de segurança. O usos indu triai de
para a agropecuária na próxima geração. Elas produtos agrícolas aumentarão em relação ao
podem privilegiar margens de lucro maiores usos alimentícios. A rentabilidade de uma tec-
ou volumes mais altos de produção, ou, en- nologia nova precisará ser detem1inada veloz e
tão, gerar serviços e produtos especiais. Após rigorosamente ante de ela ser adotada. O ges-
selecionar estratégias para alcançar suas me- tor do século XXI também precisará de nova
tas, os operadores agropecuários empregam habilidades humana à medida que o número
gestão tática para levá-las adiante. Há muitas e a diversidade dos empregados aumentarem.
decisões a serem tomadas e muitas alternati- O Capítulo 2 explica o conceito de ges-
vas a analisar. Por fim, os resultados dessas tão, incluindo planejamento estratégico e
decisões precisam ser monitorados e avalia- tomada de decisão tática. O que é ge tão?
dos, aplicando medidas de controle quando os Quais funções os gestores desempenham?
resultados não forem aceitáveis. Como os gestores devem tomar decisões?
O Capítulo I expõe alguns fatores que Quais conhecimentos e habilidades são ne-
afetarão a gestão rural no século XXI. Esses cessários para ser um gestor bem-sucedido?
fatores exigirão um novo tipo de gestor, que As respostas às três primeiras perguntas são
saiba absorver, organizar e utilizar grandes discutidas no Capítulo 2, e, para chegar a res-
quantidades de informação - especialmente a postas à última pergunta, é necessário estudar
informação relacionada a novas tecnologias. o restante do livro.

- .........
CAPÍTU[01

Gestão rural
no século XXI

Objetivos do capítulo
1. Discutir como as mudanças na estrutura e 2. Identificar as habilidades gerenciais de
na tecnologia da agropecuária no século que os futuros agropecuaristas precisarão
XXI afetarão a próxima geração de gesto- para responder a essas mudanças
res agropecuários.

O que os futuros gestores rurais estarão fazen- Alguma coisa das decisõe gerenciai do
do à medida que atravessarmos o século XXI? futuro será diferente? Sim. Embora o· tipo de
Estarão fazendo o que fazem hoje: tomando decisões sejam os me mo , os detalhe e as
decisões. Eles ainda estarão usando princípios informações utilizada mudarão. A tecnologia
econômicos, orçamentos, resumos contábeis, continuará a proporcionar no o in umo para
análises de investimento, demonstrações fi- empregar "produtos novo e mais especializa-
nanceiras e outras técnicas gerenciais para dos para comercialização". Sistemas de ge -
ajudá-los a tomar essas decisões. Que tipos de tão da informação, auxiliado por ino açõe
próximas decisões serão tomados pelo gesto- eletrônicas, oferecerão dado mai exatos e
res nas décadas? Eles ainda estarão decidindo ágeis para uso na tomada de decisõe geren-
níveis e combinações de insumo e produto e ciais. Agricultores e pecuari ta terão que
quando e como adquirir mais recursos. Conti- concorrer mai agre ivamente com negócio
nuarão analisando os riscos e retornos da ado- não agrícolas por uso de terra, mão de obra e
ção de novas tecnologias, novos investimentos recursos de capital. Como no passado, o me-
de capital, ajuste do tamanho do estabeleci- lhores gestores e adaptarão a e a mudanças
mento, troca de empreenctimento e busca de e produzirão de forma eficiente as commodi-
novos mercados para seus produtos. ties que os con umidore e a indú tria qu rem.
4 Parte I Gestão

ESTRUTURA DO rurais substitui r mão de obra por capital em


ESTABELECIMENTO várias áreas de produção.
AGROPECUÁRIO Terceiro, operadores agropecuário a pi-
ram a obter níveis de renda maiores e u ufru ir
O número de estabelecimentos agropecuários de um padrão de vida comparáve l àquele da
no L tados Unidos vem caindo desde 1940, famílias não rurais. Um mod o de obter mai
como mo trado na Figura 1-1 . A quantidade renda é que cada famíl ia cont role mai recur-
de terra cm estabelecimentos agropecuários sos e gere mais produtos ao me mo tempo cm
é relativamente constante; isso significa que que mantém os nívei de custo un itário (o u
a produção média por estabelecimento agro- mesmo os diminua). Outros ge tore , con tu-
pecuário aumentou consideravelmente, como do, trabalharam para aumen tar as margens de
exibido na Figura 1-2. Diversos fatores contri- lucro por unidade, man tend o igual o tama-
buíram para essa mudança. nho do seu negócio. O desejo de um melhor
Primeiro, tecnologia poupadora de mão padrão de vida trouxe muito da moti vação
de obra, na forma de maquinário agrícola para aumentar o tamanho do e tabelecimento
maior, sistemas de plantio e colheita mais efi- agropecuário, e a nova tecnologia ofereceu os
cazes, equipamento automatizado e constru- meios para o crescimento.
ções especializadas para pecuária possibilita- Quarto, algumas das novas tecnologias
ram que menos trabalhadores rurais produzam só estão disponíveis em um tamanho ou uma
mais cultivas e animais. Segundo, as oponu- escala mínimos, o que encoraja os produtores
nidades de emprego fora da agropecuária se rurais a expandir a produção e distribuir os
tornaram mais atrativas e abundantes, estimu- custos fi xos da tecnologia por unidades sufi-
lando a mão de obra a sair da agropecuária. cientes para ela ser economicamente eficiente.
Também nesse período de mudanças, o custo Exemplos incluem sistemas de secagem e ma-
da mão de obra subiu mais do que o custo do nuseio de grãos, tratores com tração nas qua-
capital, tomando lucrativo para os gestores tro rodas, colheitadeiras grandes, construções

--.......,__...._____,..__........---

Figura 1-1 Número de estabelecimentos rurais nos Estados Unidos.


Fonte: Censo da Agropecuária, Ministério da Agricultura dos Estados Unidos.
Capítulo 1 Gestão rural no século XXI 5

~ 140.000
::>
E 120.000
~
~ 100.000
Ql
E
·u
Ql
80.000
Ql
.o 60.000
ca
i 40.000
8.
VI
~ 20.000
e
Ql
> US$ L...-....L.----1_..J__i__J..._....1....----1- -'-----'--.,____,____,____ . _ ~ ~
b>.~ _t..'=> b~ ~ bOJ !ob>. !oOJ ~b>. ~~ fb'l, ~ P>'l, _&. -"'l, .&
..._C!J "'!f , q; ,q; ,q; ,C?J ,C?J ..._OJ ..._OJ ..._C!l ,q; , C!i ....~ - '1,<J' 'l,"
Ano

Figura 1-2 Vendas totais por estabelecimento rural , em dólares de 2002.


Fonte: Censo da Agropecuária, Ministério da Agricultura dos Estados Unidos. Definição ajustada em 1997.

de confiname nto pecuário e currais de engor-


Agropecuaristas em
da de gado automati zados. Talvez ainda mais tempo parcial
importantes sejam o tempo e o empenho exi-
gidos para que um gestor adquira novas habi-
Produtores de
lidades de produção, comerc ialização e fi nan- volume alto e
ças. Essas habilidades também repre e nta m margem baixa

um investimento fixo, gerando, a im, um re-


torno maior para o ope rador quando aplicada Fornecedores d e
produtos e serviços
a mais unidades de produção. O Capítul o 9 especializa dos
conté m mais discussão sobre econo mi a de
escala na agropecuária. Figura 1-3 Estratégias alternativas para ne-
Operadores que não de ejam fazer eu gócios agropecuários.
negócios individuais crescer buscarão alianças
e parce rias, tanto fonna is quanto in formais,
Produtores de volume baixo e
com outros produtore , a quai pe rmitirão
ating ir as mesmas eco no mi as de operações
valor alto
ma iores . Exe mpl os inclue m propried ade A fal ta de acesso a mai terra. mão de obra e
conjunta de maquin ário e equipame nto com capital efetivamente limita o pote ncial de mui-
o utro produtores, terce iri zação de algumas tos agropecuaristas de expandirem eu- negó-
tare fas (como colhe ita ou criação de matrizes cios. Para ele , , a chave para lucro ma i alto
ubstituta ) e adesão a cooperativas pequenas é produzir commodiries mai alorizadas. Al-
e fechadas. g uns vão em busca de empreendime nto ~ não
Como ilustrado na Figura 1-3, os agricul- tradicionai , como emus, bi õe . aspargo o u
tores e pec uaristas do século XXI escolherão abóboras. Promoção, padrõe de q ualidade e
d e ntre quatro es tratégia · gerai de negócio: marketing tornam-se vitai para eu u e o.
produtores de volume ba ixo e valor alto; pro- O utros tenta m variaçõe de commodities tra-
dutores de volume a lto e margem baixa; for- dic ionai , como produtos de c ulti o orgân i o,
necedores de produtos e serviços especializa- soj a para tofu , galinha caipi ra ou culti de
dos ; e ope radores em te mpo parc ial. semente . A margen podem er aumc nt das
6 Parte I Gestão

ainda mai por meio de mai proces amento e nos EUA, segundo dados do Cen o da Agro-
omercialização direta. Es cs empreendimen- pecuária dos EUA. Entretanto, eles produzem
to costumam en olver altos riscos de produ- apenas 15% das venda rurais totais. Muitas
ção, mercado incenos e gestão intensiva, mas dessas operações de pequeno porte ão e tabele-
podem er bastante lucrativos até mesmo em cimentos rurais de "e tilo de vida", gerido por
pequena cala. pessoas que gostam de produzir cultivo e criar
animais mesmo quando os lucro potenciai ão
Produtores de volume alto e baixos. Suas principais preocupações de geslão
margem baixa são limitar seu risco financeiro e equilibrar ne-
cessidades de mão de obra agropecuária com o
Sempre haverá demanda por grãos alimentí- trabalho fora do campo. Uma combinação de
cios genéricos, sementes oleaginosas, frutas trabalhos rural e não rural pode proporcionar
e hortaliças, algodão e produtos pecuários. um nível mais aceitável de segurança financeira
Muitos produtores preferem se ater aos em- e satisfação profissional para muitas fanu1ias.
preendimentos clássicos e expandir a produ- Estabelecimentos agropecuários de todos
ção como meio de aumentar sua renda. Para os tipos continuarão a ter seu nicho na agrope-
eles, é vital poupar cada centavo dos custos de cuária dos EUA. Naturalmente, os estabeleci-
produção. Fazer o negócio crescer geralmente mentos maiores contribuem com a mais alta
envolve alavancagem com ativos emprestados proporção de vendas totais de produtos rurais,
ou arrendados. As margens de lucro são ma- como mostrado na Tabela 1-1. A consolida-
gras; logo, é crucial pôr um piso sob os preços ção de pequenos e médios estabelecimentos
de mercado ou a receita total por meio de se- agropecuários em unidades maiores provavel-
guro e contratos de comercialização. mente continuará, à medida que os operado-
res mais velhos se aposentarem e sua terra for
Fornecedores de produtos e combinada às unidades agrárias existentes.
serviços especializados A gestão e a operação de estabelecimen-
tos agropecuários por unidades familiares
Uma terceira estratégia é se especializar em
continuarão a ser a regra. Isso é especialmente
apenar uma ou duas habilidades, tomando-se o
melhor nelas. Exemplos são colheita customi-
zada, alimentação de gado personalizada, culti- Tabela 1-1 Distribuição das vendas dos
vo de sementes ou matrizes substitutas, reparo estabelecimentos agropecuários nos Estados
e recondicionamento de equipamentos, trans- Unidos
pone e aplicação de adubo e aplicação de pesti- Percentual dos Percentuw
cidas e fertilizantes. Até o "agroturismo ' pode Classe de venda estabelecimentos das vendas
ser considerado um serviço especial para os Menos de 78,l 4,7
consumidores. Muitas vezes, um componente- US$50.000
-chave dessa estratégia é fazer uso máximo de 3, 1
US$50.000- 5,7
equipamentos e instalações caros e altamente 99.999
especializados. Fazer o marketing dos serviços
US$ l 00.000- 6 ,7 8,3
do negócio e interagir com os clientes também
249.999
são ingredientes importantes para o sucesso.
US$ 250.000- 7,0 25,8
999.999
Operadores em tempo parcial
US$ 1.000.000 2,5 58,l
Muitos produtores rurais têm outras ocupações ou mais
além da agropecuária. Agricultores e pecuaristas
Fome: Censo da Agropecuária de 2007, Ministério da
em tempo parcial totalizam quase 59% do total Agricultura dos Estados Unidos.
Capítulo 1 Gestão rural no século XXI 7

verdadeiro para empreend imento ru rai<; que biotecnologia oferece po ívei'i ganhoc; cm e-
não podem concent rar a produção cm um a fi ciência de produção, o que pode inc luir va-
área geográfi ca pequena, como produção de riedade<; de cultivas com engen haria para e
cultivo ou pa to cxten ivo de bovinos ou adaptar ~ cond içõe · agrícolas de determinada
ovino . Empreendimento que podem con- localidade , re istente a dano de herbicida.
centrar a produção, como criação de galináce- ou a certo in eLO e doença . ou po. uir uma
o e uíno ou confinamento de gado, podem compo ição química de mai valor. como um
er mai facilmente organizado cm entidades maior teor de proteína ou óleo. O desempenho
comerciai de grande escala. A ge tão des- pecuário pode er aprimorado introduzindo-se
es e tabelecimento agropecuários erá se- nova caracterí ticas genéticas ou aperfeiçoan-
gregada em diversa camada , e a áreas de do- e o u o do nutriente . ovo u o não al i-
re ponsabilidade serão mai especializada . A mentícios de produtos agrícolas, como o bio-
maioria dos gestore de empreendimento de die el e o etanol, abri rão novo mercado • mas
produção centralizada será composta por em- também podem causar mudanças na campo. i-
pregados assalariados em vez de por operado- ção ou na caractcrí tica de ejada de produ-
res-proprietários. tos criado e pecificamente para cs e u o .
Alguns negócios rurais familiare desco- Um exemplo de tecnologia recente é o
brirão que, cooperando com seus vizinhos e u o de i tema de po icionamento global
parentes, podem atingir muitas das me mas (GPS) para indicar a localização exata de um
vantagens de que as operações de grande es- equipamento no campo. Combinado com ou-
cala gozam. Décadas atrás, os agropecuaristas tra tecnologias, i o pode ter ampla apl icação
formavam equipes de debulha ou fenação para no éculo XXI. Combinando- e recepção por
aproveitar a nova tecnologia de colheita. Hoje, atélile com um monitor de rendimento no
muitos agropecuaristas se juntam para garan- equipamentos de colheita, pode- e medir e
tir um suprimento constante e uniforme de registrar conúnuamente o rendimento da la-
animais ou cultivos em uma quantidade que voura em qualquer ponto do campo. Variaçõe
possa ser transportada e proces ada eficiente- de rendimento devidas a tipo de olo, lavou-
mente. À medida que o número de fornecedo- ras anteriorc , métodos diferente de aração e
res de insumos e empresas de proces amento proporções de fertili zante podem er idenú-
diminui, os produtores preci am colaborar fic ada rapidamente, endo feitas recomenda-
para manter sua posição de barganha. Esse é ções para corrigir problemas. Es a tecnoloeia
um exemplo de como um esforço cooperati- está sendo u ada hoje para ajustar autom; ti-
vo ou aliança estratégica pode proporcionar camente as proporções de aplicação de fen ili-
benefícios econômicos. Outro exemplo é di- zante e químico à medida que o aplicador e
versos operadores formarem um grupo de desloca pelo campo. Com e e equipamento,
aquisição de insumos para obter descontos por fenili zante e químico ão aplicado omente
quantidade. Uma pequena porção de indepen- na proporçõe e no locai nece · ário .
dência gerencial precisa ser sacrificada para O GPS automatizado também pode man-
se adaptar às necessidades do grupo. EnLretan- ter as máquina de produção da la oura em
to, preservam-se a propriedade e a operação um rumo regular quando u ado com i temas
pessoais de cada negócio. de orientação automáúca em tratore ~, olhei-
tadeiras e pul erizadore . O tempo no ·ampo
e a fadiga do operador ão reduzidos, e h um
NOVAS TECNOLOGIAS u o mais eficaz dos in umos agrícolas de r-
rente de menos sobreposição de aplica - e .
A tecnologia rural vem evoluindo há muitas Também ão diminuídos os erro do · opera-
décadas e conLinuará a fazê-lo. O campo da dores ao uúlizar equipamento à noite.
8 Parte I Gestão

Es as tecnologia e outras ainda a erem pecuários individuais nece ário para u á-los
desenvolvidas oferecerão um desafio cons- não estavam disponíveis ou, e ntão, o proce so
tante ao gestor rural do século XXI. Essa ou de análise dos dados era complexo d e m ais.
qualquer outra tecnologia deve ser adotada? Os últimos anos viram mud ança velozes nos
O cu to de uma tecnologia nova precisa ser métodos de coleta, análise c inte rpretação de
considerado em relação a seus benefícios, dados. Sensores eletrônicos e proccs adores
que podem vir de diversas fomrns. Pode ha- usados em indústri as de grande e cala agora
ver maiores rendimentos, um aprimoramento são acessíveis e viáveis para e tabelecimentos
da qualidade do produto, menos variação de agropecuários, assim como para compradores
rendimento ou impacto ambiental reduzido. de produtos rurais.
Decisões quanto a se e quando adotar uma Não apenas haverá mais dados disponí-
nova tecnologia afetarão a rentabilidade e a veis sobre todo um estabelec ime nto, mas da-
viabilidade de longo prazo do negócio agríco- dos específicos para pequenas áreas de terra
la ou pecuário. ou animais específicos se tornarão mais co-
muns. Esses dados específicos ajudarão os
gestores a customizar o tratamento de cada
A ERA DA INFORMAÇÃO acre de terra ou cada cabeça de gado. Os ren-
dimentos podem ser monitorados e registra-
Muitos princípios de tomada de decisão e fer- dos à medida que as colheitadeiras se deslo-
ramentas orçamentárias foram subutilizados cam pelo campo. O GPS pode usar sinais de
no passado. Dados de estabelecimentos agro- satélite para identificar a posição exata das

Quadro 1-1 Um exemplo do século XXI: Berllll Farms

A Benlll Farms, lnc. consiste em umas poucas Os Berilli utilizam sofisticados modelos
centenas -de acres. Esses acres foram trans- computadorizados de simulação de lavoura
formados, passando da plantação de grãos para elaborar essas recomendações, levan-
comuns para a produção de lavouras espe- do em conta os preços atuais dos Insumos
cializadas de alto valor. Verduras frescas são e os preços de venda dos produtos contrata-
vendidas a um atacadista de alimentos local. dos ou protegidos por hedge. A cada sema-
Alfafa de alta protefna é vendida por contrato a na, eles reexaminam sua posição de fluxo de
um produtor de laticínios do condado vizinho. caixa e transferem eletronicamente fundos
Semente de relvado de turfa de alta qualidade operacionais para sua conta empresarial. To-
val para uma rede de viveiros. das as suas lavouras são protegidas contra
Manter uma equipe de trabalho estável de diversos sinistros por seguro agrícola, estando
25 operadores de máquina, tratoristas, esco- comprometidas para entrega de acordo com
lhedores e víglas de lavoura é um verdadeiro um detalhado contrato de produção.
teste das habilídades de relações humanas da Os mercados, produtores de lacticínios e
família Berllll. Todos os seus empregados são viveiros aos quais eles fornecem lhes enviam
treinados para coletar dados sobre crescimen- dados em tempo real sobre os resultados dos
to e o rendimento da lavoura nos monitores testes de qualidade realizado com seus pro-
Instalados nas máquinas ou nos campos, bai- dutos e sobre quais são as variedades que
xando-os para seus computadores portáteis. vendem mais rápido. No fim de cada ano, os
Toda manhã, antes de químicos ou fertilizan- Berilli analisam os custos e retornos de cada
tes serem aplicados, um plano de aplicação lavoura, campo e comprador e trocam os em-
de taxa variável é lido pelas unidades de con- preendimentos menos lucrativos por outros
trole dos apllcadores. mais promissores.
Capítulo 1 Gestão rural no século XXI 9

unidades colheitadeira quando os dados são na picape ou no trator, a c;im com no cc;critó-
coletado . Máquinas automatizadas podem rio. Os primeiro. computadores eram usados
retirar uma amostra de solo a cada tanto me- primordialmente para clru . ificar dados e fa, er
tro , analisá-la instantaneamente e regi trar cálcul o , mas os compu tadore ão cada ve7
os re ultado por localidade no campo. Fo- mai projetados e usados co mo ferramenta
tografia de satélite e outra téc nica podem de comunicação. tecnologia de tran mi c;ào
fornecer informações obre a localização e - em lio e a rede globai de computadores
pecífica de infestaçõe de ervas daninhas e in- e tão aumentando adi poni bilidade, veloci-
etos ou de umidade, permitindo uma aplica- dade e exatidão do compartilhamento de in-
ção limitada e localizada de pe ticida ou água formaçõe sobre meteorologia. mercados e
de irrigação. outro acontecimento cruciai .
Sensores eletrônicos cm miniatura con- O gestores do século pa ado, muit~ vc-
seguirão coletar e registrar informações de ze , achavam fru trante a falta de informação
animais por meio do monitoramento contínuo preci a, ágil e completa. O ge tore do sécu lo
dos níveis de desempenho, ingestão de ração e XXI também podem ficar fru trado com a in-
situação de saúde de cada animal. Quando fo- formação, mas a cau a da ua fru tração _erá a
rem detectadas mudanças indesejáveis, pode grande quantidade e o fluxo contínuo de infor-
haver ajuste automático das condições am- mação disponível a ele . Uma tarefa vi tal do
bientais e rações. Essas informaçõe também gestore do éculo XXJ erá determinar quai
podem ser relacionadas a histórico genético, informações são críticas para ua tomada de
instalações físicas, rações, programas de saúde decisão, quai ão útei e quai são irrelevan-
e outros fatores gerenciais, a fim de aprimorar te . Me mo quando is o é feito, as infonna-
e refinar o desempenho dos animais. Brincos, çõe críticas e úteis preci am er anali adas e
implantes eletrônicos e registros detalhados armazenadas de maneira facilmente ace ível
de produção podem proporcionar preservação para con ulta futura.
de identidade de cultivas e animai , do produ-
tor original ao consumidor final.
Transações financeiras podem ser regis- CONTROLE DE ATIVOS
tradas e automaticamente transferidas para
contas mediante cartões de débito e códigos de Continuará sendo preciso capital externo para
barras, sempre que houver compras e vendas. financiar operaçõe de grande e cala. A ge tão
Compras menores podem ser feitas com car- das fonte tradicionais de crédito agropecuá-
tões pré-pagos. Essas tran ações também po- rio, como o banco rurai , e tá e tornando
dem ser lançadas automaticamente no sistema mais verticalmente integrada, e vi rão fundo
de contabilidade de um dado estabelecimento de mercados monetários nacionai . Também
agropecuário, sendo elas ificadas por empre- haverá crédito di poní el de fonte não tra-
endimento, período de produção, fornecedor dicionais, como fornecedore de in -umo e
ou unidade de negócio. Esse progressos tec- processadores. O ge tore rurai terão que
nológicos significam que a informação do sis- concorrer cada vez mais com negócio não
tema contábil de um agropecuarista consegue rurais por ace so a capital, à medida que o
estar exata e atualizada ao fim de cada dia. mercado financeiro rural e urban ficarem
Computadores pes oais otimizaram gran- mais intimamente ligado . E a concorrência
demente a capacidade de receber, processar lornará neces ária uma documentação mai
e armazenar informações e de se comunicar detalhada obre de empenho financeiro e ne-
com fontes externas de dados. Computadores ce sidades de crédito e mai onfom1idade
pessoais e gravadores pessoais de dados pos- com princípio contábci gcralmence aceit • e
sibilitam que sejam tomadas decisões precisas medida de desempenho. O agrope uari ta
1O Parte I Gestão

t rôo que utilizar método e princípios con- trabalhador no manejo de químicos e equipa-
tábei padronizados e talvez até mesmo de- mentos rurais, além de garantir que os empre-
mon trnções financeiras auditadas para obter gados sejam devidamente treinados no uso das
a o a mercados de capital comercial. novas tecnologias. Muitas dos estabelecimen-
Regi tros padronizados e bases de dados tos agropecuários mai eficientes do éculo
online ajudarão a tomar mais significativa a XXI serão aqueles com um número pequeno
análi e omparativa com estabelecimentos de operadores ou empregados, com re ponsa-
agropecuários semelhantes. O gestor rural bilidades especializadas. Eles terão dominado
terá que decidir entre treinar um empregado as habilidades de comunicação e trabalho em
para realizar a contabilidade e análise neces- equipe necessárias nessas operações.
sárias ou contratar essa especialidade fora do Os gestores modernos precisarão aprovei-
negócio. Mesmo se for usado aux.t1io externo, tar a competência especializada de consulto-
o gestor precisa possuir as habilidades e o co- res e conselheiros pagos. Por algumas razões
nhecimento para ler, interpretar e utilizar es- muito técnicas, como diagnóstico de doenças
sas informações contábeis. animais e vegetais, elaboração de contratos
Controlar ativos está se tornando mais ou execução de estratégias de precificação de
importante do que ser dono deles. Os agro- commodiries, o gestor poderá pagar um con-
pecuaristas há muito obtêm acesso à terra sultor para dar recomendações. Em outros ca-
arrendando-a. O arrendamento de maquiná- sos, o gestor rural obterá informações de fon-
rio, construções e animais é menos comum, tes externas, mas fará a análise e a tomada de
mas provavelmente terá seu uso ampliado. decisão. Exemplos incluem a formulação de
Agàcultura customizada e produção pecuária programas de ração para animais ou fertilida-
por contrato são outros meios pelos quais um de de lavouras com base em resultados de tes-
bom gestor pode aplicar sua competência sem tes laboratoriais. Em ambos os casos, o gestor
assumir os riscos financeiros da propriedade. de sucesso precisa aprender a se comunicar
Quando terceiros proveem uma boa parte do clara e eficazmente com o consultor. Isso sig-
capital, o operador pode produzir um volume nifica compreender a terminologia e os prin-
maior com menos risco, embora a margem de cípios envolvidos e sintetizar informações de
lucro possa ser menor. forma concisa antes de apresentá-las.

RECURSOS HUMANOS PRODUÇÃO PARA ATENDER ÀS


DEMANDAS DO CONSUMIDOR
Os gestores rurais do século XXI estão depen-
dendo mais de uma equipe de funcionários ou A agropecuária há muito é caracterizada pela
parceiros para cumprir deveres específicos da produção de commodities "não diferencia-
operação. Trabalhar com outras pessoas se das". Historicamente, produtos agrícolas e
constituirá em um fator mais importante para pecuários de estabelecimentos agropecuários
o sucesso da operação. Motivação, comuni- diferentes são tratados de forma igual pelos
cação, avaliação e rreinamento de pessoal se compradores, desde que os produtos saúsfa-
tomarão habilidades essenciais. çam padrões e classificações básicos de qua-
Negócios rurais terão que oferecer salá- lidade. A tendência é oferecer ao consuntidor
rios, benefícios e condições de trabalho com- produtos alimentícios altamente especializa-
petitivos com as oportunidades de emprego dos e processados; Jogo, os compradores estão
não rurais. Eles provavelmente terão que seguir começando a aplicar padrões de produto mais
mais regulamentos a respeito de segurança do rigorosos para os produtores.
Capítulo 1 Gestão rural no século XXI 11

Produção customizada de suínos:


Quadro 1-2
produzindo para o mercado

Howard Berkmann continua produzindo suí- Alguns anos atrás, Howard deu inicio a
nos magros tradicionais, uniformes e de raça um grupo especializado de sufnos berkshlre
híbrida para a fábrica embaladora local. Uma concebido para o mercado japonês. A colora-
manhã por semana, ele entrega uma carga ção e a marmorização peculiar da carne lhe
de suínos e, à noite, recebe por e-mail um conferem um preço melhor. Ele negociou um
resumo dos dados das carcaças e da fórmu- contrato com um criador de berkshire em um
la de preciflcação do embalador. Ele baixa Estado vizinho para que ele o suprisse com
as informações para seu software de produ- um fluxo regular de porcas sem cria substitu-
ção de suínos e imprime um resumo atua- tas. Várias vezes por semana, ele verifica os
lizado para a instalação da qual os su ínos mercados pecuários japoneses em relação a
vieram e para o grupo genético que eles re- oportunidades de preços a prazo, e já visitou
presentavam. seu contato de comercialização em Tóquio.

Por exemplo, processadores pecuários que- Mais produto rurai crão u ado para
rem animais uniformes, com característica es- fins industriai , como biocombu tf e i e ner-
pecíficas de tamanho e teor de gordura para e g ia renovável, produtos farmacêutico em-
adequar a seus equipamentos de processamen- balagens biodegradávei . I o exigirá mai
to, padrões de embalagem e níveis de qualidade. atenção à qualidade do produto, à egregação
Aparelhos de medição aprimorados, identifica- de produtos, à manutenção de regi tro ao
ção de produto e processamento de dados facili- contrato de comercialização. O cana i de
tarão o pagamento de preços diferentes ao pro- comercialização e padrõe de preço tradicio-
dutores com base nas características do produto nais mudarão.
e o rastreio de cada lote até seu ponto de origem. O chamados mercados de nicho também
Com os processadores investindo em fábricas ganharão mais importância. Produtos orgâni-
de maior escala, eles precisam operá-las a plena co , carne extrarnagra, fru ta e erduras pe-
capacidade a fim de diminuir os custos e con- ciais e produto de agricultura cu tomizada
tinuar competitivos. Produtores que puderem para restaurantes e erviço alimemício terão
garantir ao embalador um suprimento contínuo mais demanda. Com a barreiras comerciai
de animais uniformes e de alta qualidade con e- internacionais continuando a cair, o merca-
guirão um preço melhor. Os que não consegui- dos estrangeiros também erão m i impor-
rem podem acabar sendo excluídos de muitos tantes. Esses mercados podem exigir produto
mercados ou forçados a aceitar um preço menor. com característica e peciais. O gestore · ru-
Na produção agrícola, o teor de proteína rais que forem atrás de e mercados e apren-
e óleo de grãos e forragens está ficando mais derem a técnica de produção nece - ári
fácil de ser medido, poss ibilitando precifica- para atisfazer suas e pecificaçõe poderão
ção diferenciada. A pesquisa em biotecnolo- extrair um retomo mai alto de eu recu o .
gia permitirá que as características dos vege- O gestor terá que avaliar os custo extras e ri -
tais sejam alteradas, produzindo variedades co maiore a ociados aos mercado e pecia-
geneticamente modificadas para aplicações, li zados, comparando-os ao retorno poten-
regiões e tecnologias de produção específicos. cialmente maiore .
12 Parte I Gestão

CONTRATOS E INTEGRAÇÃO biente nem sempre são bem quanti fi cados ou


VERTICAL compreendidos. Com mais pe soas decidindo
morar em zonas rurais, o conta to entre habi-
A im como alguns agricullorc e pecuari tas tantes agropecuari stas e não agropecuaristac;
produzirão produtos específicos, outros se espe- aumentará. Isso levará a mais preocu pação
cializarão em uma fase específica da produção com resíduos agrícolas e seus e feit o sobre a
de produto mais genéricos. Exemplos incluem qualidade do ar e da água. A pressão por parte
criação de novilhas leiteiras substitutas, colheita de habitantes rurais não agropecuari tas pode
de lavouras com base em contratação customi- até fazer com que algun si ternas produtivos,
zada ou produção de plantas de canteiro para como a alimentação pecuária concentrada,
jardins residenciais. Esses operadores podem desloquem-se para regiõe menos povoada .
desenvolver um alio grau de competência espe- Os gestores rurais terão que escolher en-
cializada em sua área específica, aplicando-a a tre descontinuar es es empreendimentos ou
um alto volume de produção. transferir suas atividades.
Muitos desses gestores produzem um pro- À medida que a pesquisa e a experiência
duto ou serviço intermediário, de modo que melhorarem a compreensão das interações en-
talvez não haja um mercado amplo com um tre diversos sistemas biológicos, serão usadas
preço de mercado estabelecido. Para assegurar educação e regulamentação para ampliar a
que consigam vender seu produto, eles podem margem de segurança de preservação de re-
celebrar um contraio de comercialização com cursos para as gerações futuras . Os grandes
um processador, distribuidor atacadista ou ou- gestores rurais atuais reconhecem a necess i-
tros agropecuaristas. O contraio pode garantir dade de se estar a par das implicações ambien-
que um suprimento constante de produto com tais de suas práticas de produção, muitas vezes
uma qualidade e um tipo mínimos seja entre- sendo líderes no desenvolvimento de sistemas
gue. Em alguns casos, o comprador pode pro- de produção sustentável. Todos os gestores ru-
ver alguns dos insumos e parte da gestão, como rais do século XXI precisam estar cientes dos
quando suínos ou frangos de corte são finali- efeitos que suas práticas produtivas têm sobre
zados em instalações contratadas de estabele- o meio ambiente, tanto dentro quanto fora do
cimentos agropecuários independentes. Esses estabelecimento agropecuário, e tomar as me-
arranjos são chamados de imegração vertical. didas necessárias para manter nossos recursos
rurais produtivos e ambientalmente seguros.
O valor dos ativos rurais, especialmente
QUESTÕES AMBIENTAIS da terra, será afetado pelas condições e re-
E DE SAÚDE gulamentações ambientais. Quando estabe-
lecimentos agropecuários são vendidos ou
Com a disponibilidade de uma quantidade avaliados, vistorias ambientai s estão se tor-
adequada de alimento tomando-se cada vez nando rotineiras, a fim de advertir potenciai s
mais um pressuposto, as questões relativas à compradores sobre custos em que podem
qualidade e à segurança dos alimentos, assim incidir para eliminar riscos ambientais . A
como às situações presente e futura do nos- combinações e práticas de produção agrícol a
so solo, água e ar, continuarão recebendo alta permitidas pelo plano de conservação de um
prioridade por parte da população não rural. estabelecimento agropecuário também afetam
Agricultores e pecuaristas sempre tiveram um seu valor. Os gestores rurais terão que pe ar
forte interesse em manter a produtividade dos cada decisão em termos de rentabilidade e
recursos naturais sob seu controle. Enlretanto, como ela afeta o meio ambiente. Os gesto re
os efeitos cxtrarrurais e de longo prazo das no- de sucesso serão aqueles que conseguirem ge-
vas tecnologias produtivas sobre o meio am- rar lucro ao mesmo tempo em que sustentam
Capítulo 1 Gestão rural no século XXI 13

o recur o do e tabelccimento e minimizam seu cidadão . . Da rncc;ma forma, o Méx ico


os problemas ambientai fora dele. pôde fornecer mai s frutas e verdura.e; fresco
ao mercado norte-americano e canaden e.
Es e são exemplo de um grupo muito maior
GLOBALIZAÇÃO de mudanças, conhecido corno globalização.
Juntamente com a ate nuação das barrei-
O produtore agropecuários de todo o mundo ras comerciai , a OMC está trabalhando para
estão de cobrindo que cu uces o ou fraca so reduzir subsídio e outros tratamento de f -
e tá cada vez mais ligado ao clima, à políti- vorecimento de agropecuari ta por parte do
ca pública e ao gosto de consumidore que governo nacionai que o e tirnulariarn a pro-
estão a milhares de quilômetro de di tância. duzir uma maior quantidade de um detenni-
A expansão dos mercados por meio do comér- nado produto do que o que faria m com base
cio internacional há muito é uma via pela qual apena em preço de mercado compeútivo .
os agropecuaristas buscam otimizar o preços I so é para evitar que a políticas de algun
de seus produtos e canalizar mai s produção países puxem para baixo o preços de commo-
aos consumidores. No entanto, os governos de diries internacionai para produtore de outro
muitos países (incluindo o dos E lados Uni- países. A perda de apoio de preço ou ub. f-
dos) vêm tentando proteger eus agropecua- dio de in umo cau ará perdas fi nanceiras de
ristas da concorrência estrangeira mediante curto prazo para algun agropecuari tas, mas
o uso de barreiras comerciais, como tarifas, aumentará a eficiência da agropecuária mun-
quotas e regulamentos sanitários. dial no longo prazo.
Nos últimos anos, muitas dessas barreira
foram atenuadas ou eliminadas. A Organização
Mundial do Comércio (OMC) é uma organiza- Oportunidade ou ameaça?
ção internacional dedicada a negociar um co- Alguns produtores e grupo de commodities
mércio mais livre em todo o mundo, de modo reconhecem a globalização como uma opor-
a aumentar a eficiência da produção de alimen- tunidade para expandir o mercado de seus
tos e aprimorar o padrão de vida de milhões de produtos. Outro veem a tendências como
pessoas. Outros acordos cooperativo , como o uma ameaça, e pecialmente e não con e-
Tratado Norte-Americano de Livre Comércio guirem produzir tão eficientemente quanto
(NAFfA), conseguiram alcançar objetivos pa- os agropecuari ta do outros paí e e não
recidos entre grupos menores de paíse . desfrutarem mais da proteção da barreira
O efeito de longo prazo desse esforços é comerciais. Eles podem ter que desen oi er
que países e regiões se especializem em pro- um plano estratégico en oi endo redução de
dutos nos quai possuem uma vantagem com- custos de produção, bu car no o empreen-
petitiva, isto é, aquele que seu clima, olo ou dimentos ou encontrar mercados altemati
mão de obra específicos lhes permitem produ- em que pos am concorrer melhor.
zir com mai eficiência do que outras regiõe . Além de modificar o fluxo do comércio
Esses países podem, então, trocar commodities internacional, a globalização pode afetar o
entre i, e os cidadãos de ambos os países aca- gostos e preferências do con umidore . Co-
bam com um padrão de vida mais alto e mais municação e transporte aperfeiçoado podem
variado. Por exemplo, desde que a implemen- apresentar ao consumidore pr duto e tipo
tação do NAFTA iniciou, em 1994, os Estados de alimento que ele ante não onhe iam.
Unidos e o Canadá vendem quantidades cres- Uma década atrás, bananas e outras fruta tro-
centes de cereais alimentícios ao México, pos- picais não eram comun no paí e do Le te
sibilitando que o México amplie ua produção Europeu. Da mesma forma, o con umid re-
pecuária e a quantidade de carne na dieta de de E tudo Unido não e tavam familiari za-
14 Parte I Gestão

do com o kh i ou algun tipos de queijo im- A mão de obra rural cruzará fronteiras para
ponado. satisfazer a demanda por trabalhadores, ape-
A globalização também significa que sar das leis de migração. O capital de inves-
os agropecuari tas e demais produtores do timento fluirá para onde houver os retornos
mundo competirão cada vez mais pelas mes- mais altos. Todas essas mudança forçarão
mas matérias-primas. PetTóleo e outras for- os agricultores e pecuaristas de sucesso a
mas de energia estão ficando cada vez mais estar sempre avaliando eus ambientes ex-
escassos e caros. Os custos mais altos do ternos e recursos internos para atingir suas
transpone alterarão os padrões de comércio. metas de longo prazo.

RESUMO
Os agricultores e pecuaristas do século XXI tomarão a maioria das mesmas decisões básicas que tomavam
no século passado. A diferença é que eles as tomarão mais rapidamente e com informações mais precisas.
Os negócios rurais continuarão tomando-se maiores, e seus operadores terão que adquirir habilidades espe-
cializadas para gerenciar pessoas, interpretar dados, concorrer com negócios não rurais por recursos e cus-
tomizar produtos para satisfazer as demandas de novos mercados. As mudanças nas políticas do comércio
mundial e a globaJjzação da agropecuária terão efeitos tanto positivos quanto negativos, aos quais os agro-
pecuaristas precisam reagir. Tudo isso deve ser feito enquanto se equilibra a necessidade de auferir lucro no
cuno prazo com a necessidade de preservar recursos rurais e a qua]jdade ambiental futuro adentro. Embora
alguns gestores rurais vão ver essas tendências como ameaças à forma como tradicionalmente operaram
seus negócios, outros as verão como novas oponunidades para obter vantagem competitiva e prosperar.

[Link] PARA REVISÃO E REFLEXÃO


J. Que forças fizeram com que os estabelecimentos agropecuários ficassem maiores? Quais delas têm
chances de continuar? Como os negócios menores podem concorrer com êxito?
2. Como o acesso rápido a mais informação ajudará os gestores rurais do século XXI a tomar decisões
melhores?
3. Dê dois exemplos de mercados agropecuários especializados e as mudanças que um produtor con-
vencional terá que fazer para satisfazê-los.
4. Que produtos rurais de outros países você consome? Algum deles compete com produtos produzidos
por agropecuaristas do seu país?
5. Relacione outros novos desafios, não discutidos neste capítulo, que você pensa que os gestores rurais
terão que enfrentar no futuro.
APÍTU

Gestão e
tomada de decisão

Objetivos do capítulo
1. Compreender as funções da gestão. rio e mostrar como elas afetam a tomada
2. Apresentar as etapas do desenvolvimento de decisão.
de um plano de gestão estratégica para 4. Descrever algumas características exclu-
um estabelecimento agropecuário. sivas do ambiente de tomada de decisão
3. Identificar algumas metas comuns dos da agropecuária.
gestores de estabelecimento agropecuá-

Gestores de sucesso não podem implesme nte como produzi-las; quai in umo. u ar; quanto
memori zar respostas a problemas, nem po- usar de cada insumo; como financiar eu ne-
dem fazer exatamente o que seus pais faziam. gócios; e como, onde e quando comercializar
Alg uns gestores tomam decisões por hábito. seus produtos. lnforrnaçõe no as ão itai
O que func ionou no ano passado func ionará para tomar nova decisõe , frequen temente
também neste ano, e talvez no ano que vem fazendo com que e recon iderem elha
nova me nte. No e ntanto, os bons gestores tratégias gerenciai .
aprende m a estar sempre repe nsando suas Podem ocorrer mudança importante · n
decisões à medida que as condições econô- clima, tempo, programas e políticas governa-
mi cas, tecnológicas e ambientais mudam. mentais, importaçõe e exportaçõe , a onteci-
Agricultores e pecuaristas são constantemente mentos internacionais e muito outros fatore
bo mbardeados por novas informações relati- que afetam a ituação de ofena e demanda d
vas a preços, clima, tec nologia, regulame n- commodiries rurai . Tendênc ias de longo prazo
tações públicas e gostos dos consumido res. devem ser reconhecidas e le adas em conta.
Essas informações afetam a organização de A tecnologia também é urna fonte on -
seus negócios; quais commodities produzir; tante de mudança. Exemplo incluem o de en-
16 Parte I Gestão

oi im nto de no a variedade de semente ; líquida e de retomo sobre os ativos não pode


novo método para controle de ervas dani- ser completamente explicada pelas quantida-
nhas e in eto ; novo produtos para a sanida- des diferentes de recursos disponíveis. A ex-
de animal e ingredientes alimentares; e novos plicação deve estar na capacidade gerencial
d igns, controles e monitores de maquiná- dos operadores dos estabelecimento agrope-
rio. Outras mudanças ocorrem nas regras de cuários.
imposto de renda, regulamentações ambien-
tai e programas de commodiries rurais. Todos
es es fatores são fontes de informações novas FUNÇÕES DA GESTÃO
que o gestor deve levar em conta ao formular
estratégias e tomar decisões. Gestores de estabelecimentos rurais desempe-
Alguns gestores obtêm resultados melho- nham muitas funções. Muito do seu tempo é
res do que outros, mesmo quando enfrentam gasto em trabalhos e tarefas de rotina. Entre-
as mesmas condições econômicas, clima e tanto, as funções que distinguem um gestor de
escolhas tecnológicas. A Tabela 2-1 apre- um mero trabalhador são as que envolvem um
senta evidência disso a partir de um grupo teor considerável de pensamento e julgamen-
de estabelecimentos agropecuários de uma to. Elas podem ser resumidas nas categorias
associação de negócio rural. Estabelecimen- gerais de p/a11ejame11to, implementação, con-
tos agropecuários no terço superior do grupo trole e ajuste.
tinham uma média de retomo sobre gestão e
um percentual médio de renda rural muitas Planejamento
vezes maiores que os dos estabelecimentos do A mais fundamental e importante das fun-
terço inferior. Entretanto, os estabelecimentos ções é o planejamento, que sigru fica escolher
de alto lucro tinham apenas um pouco mais uma linha de ação, política ou procedimento.
de terra e mão de obra do que os de lucro bai- Não acontece muita coisa sem um plano. Para
xo. Portanto, a grande variação de renda rural formular um plano, os gestores precisam pri-
meiro estabelecer meras, ou compreender cla-
Tabela 2-1 Comparação de ramente as metas do proprietário do negócio.
estabelecimentos rurais produtores de cereais Segundo, eles devem identificar a quantjdade
de médio porte no Kentucky e a qualidade dos recursos disponíveis para a
Terço satisfação das metas. Na agropecuária, recur-
Terço mais mais baixo sos incluem terra, água, maquinário, animais,
Item alto (média) (média) construções e mão de obra. Terceiro, os recur-
uss 1.155.847 uss 700.672 sos precisam ser alocados entre diversos usos
Retomo rural
bruto concorrentes. O gestor precisa identificar to-
das as alremativas possíveis, analisá-las e es-
Retomo sobre uss 327.3!0 -USS 42.264
colher as que mais se aproximam da consecu-
gestão
ção das metas do negócio. Todas e sas etapas
Renda líquida 37,8% 5,9%
exigem que o gestor tome cuidadosas decisões
como % da bruta
de longo e curto prazos.
Acres cultivá eis l.547 1.414
trabalhados
Implementação
Me es de mão de 42,8 41,6
obra uúlizados Após se desenvolver um plano, ele precisa ser
Fonte: Programa de Gestão Comercial Rural do Kentucky,
implementado. Isso inclui adquirir os recursos
Dado do Resumo Anual de 2008, Universidade do e materiais necessários para efetivar o plano,
~ntucky. além de inspecionar todo o processo. Coorde-
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 17

nar, definir pe oal, comprar e uperv1 1onar co ntrole podem ser usada! para rcvi,;ar plano
ão etapas que se encaixam na função de im- futuros. E. se proces,;o c irc ul ar de constante
plementação. melh oria e refinamento de dccísõe pode pros-
seguir por muitos c iclos. Contu do, primei ro,
Controle devem ser tomadas algum ru deci õc básica.
sobre por que exatamente o negócio ex i te
A função de controle inclui monitoramento me mo e para onde ele e tá rumando.
de resu ltado , regi tro de informações e com-
paração dos resultado a um padrão. Ela as-
segura que o plano está sendo eguido e pro- GESTÃO RURAL ESTRATÉGICA
du zindo os resultados desejados, ou, em caso
negativo, avisa a tempo para que sejam feitos A gestão do e tabelecimento rural pode ser di-
ajustes. Resultados e outros dados relaciona- vidida em dua categorias amplas: e tratégica
dos tornam-se uma fonte de novas informa- e tática. A gestão estratégica con iste e m tra-
ções para o aprimoramento de plano futuros. çar o rumo geral de longo prazo do negócio. A
gestão tática con i te em ações de curto prazo
Ajuste que mantêm o negócio e movendo no rumo
escolhido até que o objetivo eja alcançado.
Se as informações reunidas durante o proces-
Sempre fazer certo as coi as não é ufi-
so de controle mostrarem que os resultados
ciente para garantir o uce o na agropecuári a
não estão satisfazendo os objetivos do gestor,
Agricultore e pecuari ta precisam também
devem ser feitos ajustes. Isso pode envolver
fazer as coi as certas. A ge tão e tratégica
aperfeiçoar a tecnologia em uso ou, então,
busca descobrir quais ão as coi a certas para
exigir a troca de empreendimentos. Em alguns
um negócio específico em um dado momento.
casos, dados mais detalhados de produção e
Simplesmente fazer o que a geração anterior
custos terão que ser coletados para se identifi-
fazia não manterá o e tabelecimento competi-
carem problemas específicos.
tivo no longo prazo.
A Figura 2-1 ilustra o fluxo de ação, desde
A gestão estratégica é um proces o con-
o planejamento, passando pela implementação
tínuo. No entanto, es e proce o pode er de-
e o controle, até o ajuste. Ela também mostra
compo to em uma série de etapas lógicas:
que informações obtidas a partir da função de
1. Definir a mis ão do negócio.
2. Formular as metas do negócio.
r------- Planejamento
3. Avaliar os recursos do negócio (vasculha-
1
1 mento interno).
1 4. Fazer o levantamento do ambiente de ne-
1
1 Implementação gócios ( asculhamento externo).
1
1
5. Identificar e selecionar estratégia que
1 atinjam as metas.
1
1 6. Implementar e refinar a e tratégia ele-
cionadas.

Ajuste Definição da missão do negócio


Uma declaração de missão é uma curta de -
crição de por que um negó io e. i te. Para
Figura 2-1 Fluxograma de gestão baseado algun s e tabelecimento agropec uário , a
nas quatro funções da gestão. declaração de mis ão traz co n idera õe
18 Parte I Gestão

Quadro 2-1 uma declaração de missão


George e Connle Altman ordenham vacas e negócio: MNossa missão é produzir leite segu-
cultivam lavouras desde seus vinte e poucos ro e nutritivo a um custo razoável, a fim de
anos. Aos 25 anos, eles decidiram avaliar manter e aprimorar a qualidade dos recursos
onde sua operação rural estava e até onde naturais sob nosso controle e contribuir para
eles queriam que ela fosse. Eles escolheram tornar nossa comunidade um lugar satisfató-
a seguinte declaração de missão para seu rio para viver".

tritamente comerciais. Para negócios de pro- Quando as metas estiverem sendo estabe-
priedade e operação familiares, a missão do lecidas, tenha em mente os seguintes quesitos
estabelecimento pode ser apenas um compo- importantes:
nente da missão geral da família, que pode
1. Metas devem ser escritas. Isso permite
refletir valores sociais, religiosos e culturais,
que todos os envolvidos as enxerguem e
assim como considerações econômicas. De-
cheguem a um acordo sobre elas, dando-
clarações de missão devem enfatizar os talen-
-lhes um registro para reexame posterior.
tos e as necessidades especiais de cada negó-
cio rural e seus gestores. 2. Metas devem ser específicas. "Ser proprie-
tário de 240 acres de terra rural de classe
I no Condado de Washington" é uma meta
Formulação das metas do negócio mais útil do que "Ser proprietário de ter-
Metas proporcionam um ponto de referên-
cia para tomar decisões e medir o progresso.
Tabela 2-2 Valores comuns entre
Para um estabelecimento rural de propriedade agropecuaristas
e operação familiares, as metas do negócio
podem ser um subgrupo das metas gerais da Você concorda ou discorda?
família. Para estabelecimentos agropecuários 1. Um estabelecimento rural é um bom lugar para
maiores, em que são empregados gestores criar uma família.
contratados, os proprietários podem definir as 2. O estabelecimento agropecuário deve ser toca-
metas, ao passo que o gestor se esforça para do como um negócio.
atingi-las. 3. É aceitável que agropecuaristas tomem dinhei-
ro emprestado.
Nem todos os gestores rurais têm as mes-
4. O agropecuarista deveria ter ao menos duas se-
mas metas, mesmo quando seus recursos são
manas de férias por ano.
semelhantes. Isso porque as pessoas têm va-
5. É melhor ser autônomo do que trabalhar para os
lores diferentes. Valores influenciam as metas outras pessoas.
que as pessoas estabelecem e as prioridades 6. É aceitável que o agropecuarista também traba-
que elas lhes atribuem. A Tabela 2-2 relaciona lhe fora do estabelecimento rural.
alguns valores típicos sustentados por agricul- 7. É mais agradável trabalhar sozinho do que com
tores e pecuaristas. O maior ou menor apego outras pessoas.
deles a cada um afetará suas metas comerciais 8. Os agropecuaristas deveriam tentar conservar
e familiares. Quando há mais de uma pessoa o solo e manter os recursos hídricos e aéreos
envolvida no estabelecimento de metas, é im- limpos.
portante reconhecer diferenças de valores e 9. Estabelecimentos rurais familiares deveriam s~r
estar dispo to a meios-termos, se eles forem passados para a próxima geração.
necessários para que se chegue a um conjunto 1O. Todos os membros da família deveriam se en-
volver na operação.
de metas mutuamente aceitável.
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 19

ra". Isso aj uda o gestor a verilicar e uma • Aumentar o tempo livre e de lazer;
meta foi alcançada, proporcionando uma • Aumentar o tamanho do estabelecimento,
sensação de reali zação e uma oportuni - expandir, acrescentar ac res;
dade para pensar em definir novas melas. • Manter ou mel horar a qualidade do re-
3. Meta devem ser mensuráveis. A meta de cur os de solo, água e ar;
possuir 240 acre é mensurável , e o gestor • Ser proprietário e gerir meu próprio ne-
pode aferir o progresso rumo à meta todos gócio.
os anos.
Essas metas e tão enunciadas de uma ma-
4. Metas devem possuir um cronograma.
neira geral e teriam que er mai e pecffica
"Ser proprietário de 240 acres em ci nco
para poder ser mai útei para um determinado
anos" é mais útil do que uma meta com
uma data de conclusão em aberto ou vaga. negócio. Raramente existe uma única meta: o
O prazo ajuda a manter o gestor focado na operadore rurai costumam ter vária . Quan-
consecução da meta. do isso ocorre, o gestor preci a decidir quai
metas são mais importante . Algumas com-
Um estabelecimento agropecuário opera- binações de meta podem ser impo ívei de
do por uma unidade familiar geralmente possui er alcançadas simultaneamente, o que torna o
mais de um conjunto de metas, em razão do processo de priorização ainda mai importan-
envolvimento íntimo e direto dos membros da te. Outra incumbência do gestor é equi librar
família com o negócio rural. Pode haver metas os trade-offs entre metas conflitante
pessoais, além das comerciais, e cada pessoa da
família pode ter diferentes metas. Nessas situa-
Priorização de metas
ções, é importante realizar uma reunião ou dis-
cussão familiar para entrar em acordo quanto às Qualquer uma das metas listadas pode vir em
metas comerciais, no mínimo. Sem um acordo, primeiro lugar para um determinado indi íduo,
cada um pode ir em uma direção diferente, e ne- dependendo do momento e das circun tâncias.
nhuma das metas comerciais será atingida. Isso As mela podem mudar, e de fato mudam, com
também se aplica a estabelecimentos agropecu- mudanças de idade, situação financeira, e ta-
ários com vários sócios ou quotistas. do civil e experiência. Além dis o, as metas de
As pessoas e os negócios que elas ge- longo prazo podem diferir das de curto prazo.
renciam são diferentes, e, por isso, existem Geralmente, assume-se que a maximização do
muitas metas possíveis. Pesquisas com opera- lucro é a meta principal de todo o negócio .
dores rurais identificaram as seguintes metas Porém, os operadores rurais, muita veze ,
comuns em estabelecimentos rurais: põem a sobrevivência ou permanência acima
• Sobreviver, continuar trabalhando, não fa- da maximização do lucro. Obter lucro de em-
lir, evitar arresto; penha um papel direto (ou, no mínimo, indire-
to) na satisfação de muitas outras meta po -
• Maximizar os lucros, obter o melhor re-
síveis, incluindo a sobre i ência do negócio.
torno sobre o investimento;
O lucro é necessário para pagar a de pe-
• Manter ou melhorar o padrão de vida, ob-
sas de sustento e impo tos da fam.ília aumen-
ter uma renda familiar desejável;
tar o patrimônio líquido, diminuir a dí ida e
• Possuir terra, acumular bens; expandir a produção. Entretanto, di er as po -
• Reduzir a dívida, ficar sem dívida; síveis metas da lista implicam minimizar ou
• Evitar anos de lucro baixo, manter uma evitar risco, o que pode entrar em conflito com
renda estável; a maximização do lucro. Os planos e e traté-
• Passar todo o estabelecimento à próxima gias de produção de longo prazo mai lucrati-
geração; vos geralmente estão entre o mais arri cad
20 Parte I Gestão

também. Lucro altamente variáveis de ano contabilidade. De mesma importância é o grau


para ano podem diminuir muito as chances de em que cada pes oa da operação gosta ou não
obrevivência, entrando em conflito com o de- de fazer certos serviços. É uma boa ideia rea-
ejo de uma renda estável. Por essas e outras lizar uma auditoria meticulo a das habilidades
razões, a maximização do lucro nem sempre é e preferências pes oais antes de identificar e: -
a meta mais importante para todos os operado- tratégias competitivas para um negócio rural.
res rurais. O lucro pode ser maximizado com o Recursos fina11 ceiros Mesm o quando
atingimento de níveis minimamente aceitáveis estão presentes os recur os físico e humano
nas outras metas como segurança, lazer e res- para levar a cabo detenninados empreendi -
ponsabilidade ambiental. Ainda assim, a ma- mentos, o capital pode ser um fator limitador.
ximização do lucro possui a vantagem de ser Recursos financeiros podem ser avaliados
facilmente mensurável, quantificada e compa- elaborando-se um conjunto de demonstrações
rada entre diferentes negócios. financeiras e explorando-se a possibilidade de
obter capital adicional de mutuantes ou inves-
Avaliação dos recursos tidores externos. Essas ferramentas e estraté-
do negócio gias serão discutidas em detalhes em capítulos
posteriores.
Os estabelecimentos agropecuários variam Uma estimativa justa e meticulosa dos
muito na quantidade e na qualidade dos re- pontos fortes e fracos físicos, humanos e fi-
cursos ffsicos, humanos e financeiros que têm nanceiros do estabelecimento rural o guiarão
disponíveis. Uma avaliação justa e meticulo- rumo a estratégias realistas. Deve ser dada
sa desses recursos ajudará o gestor a escolher atenção especial à identificação de recursos
estratégias realistas para alcançar as metas do que darão ao estabelecimento agropecuário
negócio. Esse processo é, muitas vezes, cha- uma vantagem competitiva sobre os demais
mado de vasculhamento interno. negócios. Se for constatado que há recursos
Recursos físicos A base fundiária é pro- cruciais em escassez, devem ser elaboradas
vavelmente o recurso físico mais importante. estratégias para preencher essas lacunas.
Produtividade, topografia, escoamento e ferti-
lidade são apenas algumas das qualidades que
Levantamento do ambiente
determinam o potencial de uso agrícola que
uma terra apresenta. O número de acres dis- comercial
poníveis e sua localização também são impor- Analisar criticamente o ambiente comercial
tantes. Em muitos Estados, existem bases de em que um estabelecimento rural opera é cha-
dados pormenorizadas que descrevem as carac- mado de vasculhamento externo. Embora os
terísticas importantes de uma região específica. principais tipos de rebanhos e cultivas criados
Outros recursos físicos que devem ser em várias partes do mundo não mudem rapi-
avaliados incluem animais reprodutores, cons- damente, muitas das suas característica mu-
truções e cercas, maquinário e equipamentos, daram. As mudanças no gosto do consumidor
instalações de irrigação e cultivas perenes es- e a expansão dos mercados internacionais le-
tabelecidas, como pomares, vinhedos e pasto. varam alguns clientes a pagar um preço maior
Recursos humanos As habilidades dos por carne magra ou cereais ricos em proteína,
operadores e outros empregados, muitas ve- por exemplo.
zes, determinam o sucesso ou o fracasso de Outras tendências afetam a disponibili-
certos empreendimentos. Alguns trabalha- dade de novos recursos e as escolhas de tec-
dores têm talento com máquinas, enquanto nologia. Mudanças nos regulamentos gover-
outros lidam melhor com animais. Há outros namentais podem criar novas restrições (ou
ainda que são bons em comercialização ou mesmo eliminar algumas). O gestor prudent
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 21

Quadro 2-2 Vasculhamentos Interno e externo

June e Carl Washington cultivam milho, fumo A associação dos produtores bovinos do
e feno há quase 18 anos em sua fazenda de seu condado está negociando um contrato para
460 acres de terreno ondulado. Eles também vender novilhos de engorda de alta qualidade
têm 50 vacas de cria em seus pastos nativos e para um confinamento fora do Estado, reunin-
criam e vendem suínos de engorda a partir de do novilhos de todos os seus associados. Carl
35 porcas todo ano. Com trabalho duro e orça- sempre gostou de trabalhar com gado. Após
mento cuidadoso, eles conseguiram pagar sua comparar uma série de orçamentos completos
hipoteca e a faculdade dos filhos. do estabelecimento agropecuário desenvolvi-
Neste ano, eles perderam sua quota de dos com a ajuda do consultor da sua associa-
fumo, e está ficando mais difícil vender os ção de negócio rural, os Washington decidiram
suínos de engorda por meio dos currais de liquidar sua operação de suinocultura e adquirir
venda locais. Eles gostariam de vender suí- 30 vacas com somente uma cria. Eles também
nos diretamente a uma das operações de fi- planejam ir gradualmente renovando seus pas-
nalização da região, mas todas elas querem tos, subdividi-los e aumentar seus acres de
um volume maior de suínos, entregue em feno. Escolhendo suas melhores novilhas para
intervalos regulares. Sem seus filhos por per- substituição, eles esperam criar um rebanho
to para ajudar, June e Carl acham que não de até 100 fêmeas em cinco anos. Eles man-
conseguem dar conta de mais serviço com os terão registros de Análise Supervisionada de
suínos. Além disso, eles teriam que comprar Desempenho (SPA) para medir a produção e o
mais milho. sucesso financeiro da sua empreitada.

deve estar ciente de todas essas mudanças no da natureza e da localização e pecíficas do


ambiente externo e reagir a ela rapidamente. e tabelecimento. A atenuação da barreira
Se a maioria dos produtores adotar novas prá- ao comércio internacional pode expor agro-
ticas produtivas que diminuam os cu tos uni- pecuaristas à concorrência estrangeira da qual
tários, a operação que não mudar logo estará antes estavam protegido . Por outro lado, um
em desvantagem competitiva. comércio mais livre pode abrir novo merca-
Os preços de alguns insumos vitais, como dos para produto para os quai o produtore
combustível e fertilizante, podem subir mais possuem uma vantagem comparati a.
rapidamente do que outros. Isso pode afetar as
práticas produlivas agrícolas e pecuária uti-
Identificação e seleção
lizadas, a escolha dos produtos e os canais de
comercialização usados.
de estratégias
Algumas tendências podem representar Todo mundo ligado à propriedade de e fazer
ameaças ao estabelecimento rural, o que pode brai11stormi11g sobre po ívei plano para o
reduzir os lucros se não forem tomadas me- futuro. Associando as oportunidade mai pro-
didas corretivas. Por exemplo, o consumo de- missoras ao pontos fortes do estabelecimento
crescente de um cultivo como o de fumo pode rural em questão, pode- e formular uma e tra-
exigir que se considerem cultivas alternativos. tégia geral de negócio com alta chance - d
Outras tendências, como o desejo de dietas sucesso. Podem ter que er feitas mud n a ,
com menos gordura, podem representar opor- ma elas serão parte de um plano deliberad
tunidades para um estabelecimento, ajudando- e integrado, e não ape nas rea - irrefletida .
-o a atingir suas metas mais rapidamente. Foram identificadas di er a e ·tratégi
Se uma tendência representa uma opor- gerais no Capítulo 1: produtor de olume bai-
tunidade ou uma ameaça depende, às vezes, xo e valor alto; produtor de o lume alto e mar-
22 Parte I Gestão

Quadro 2-3 Criação de um plano de negócio

Após haver executado o processo de plane- • Recursos disponíveis: terra própria e


jamento estratégico, talvez você queira orga- arrendada, linha de máquinas, constru-
nizar suas conclusões em um plano de negó- ções úteis, animais reprodutores;
cio. Um plano de negócio bem escrito pode • Mercados potenciais: onde os produtos
ser útil para justificar um pedido de emprés- podem ser vendidos, base de clientes
timo a fim de obter o capital necessário para para produtos especializados ou serviços;
cumprir seu pia-no, para convencer possíveis • Pessoal: quem estará envolvido na ope-
sócios e proprietários de que o seu estabele- ração, experiência, habilidades especiais
cimento rural tem viabilidade de sucesso no e treinamento, disponibilidade;
longo prazo e para guiar suas próprias deci- • Demonstrações financeiras: demons-
sões no futuro. trações de patrimônio líquido e lucro líqui-
Um plano de negócio agropecuário pode do, projeções de fluxo de caixa, fontes de
incluir os seguintes elementos: capital;
• Estratégias de gestão de risco: como o
• Resumo executivo: um breve panorama
risco será limitado a um nível compatível
da situação atual e das suas aspirações
com os recursos financeiros;
para o futuro;
• Cartas de referência: vinda de pessoas
• Declaração de missão: por que o negó- que conhecem a operação agropecuária
cio existirá; e os gestores.
• Descrição do negócio: localização, prin-
cipais empreendimentos, história, estrutu- Recursos online para desenvolver um pla-
ra jurídica; no de negócio agropecuário podem ser encon-
• Produtos e serviços: o que o negócio irá trados junto à Purdue University e à Universi-
produzir e vender; dade de Minnesota.

gem baixa; prestador de serviços especiais; e terra propícia para produção tanto de cultivas
operador em tempo parcial. Alguns negócios quanto de animais, havendo, então, mais alter-
podem expandir suas opções formando alia11- nativas. À medida que aumenta o número de
ças estratégicas com outros estabelecimentos alternativas para os recursos limitados do esta-
agropecuários que possuem habilidades com- belecimento agropecuário, também aumenta a
plementares, como um produtor de suínos de complexidade das decisões do gestor.
corte e um finalizador customizado de suínos.
Também podem ser formadas alianças com Implementação e refinamento
processadores e atacadistas.
das estratégias escolhidas
Alguns negócios têm mais estratégias
possíveis para alcançar suas metas do que ou- Mesmo a melhor das estratégias não acon-
tros. Nas regiões áridas do Oeste dos Estados tece sozinha. O gestor precisa formular eta-
Unidos, por exemplo, os recursos fundiários pas de ação, colocá-las em um cronograma
são tais que a única alternativa talvez seja usá- e executá-las assim que possível. Em alguns
-los como pasto para produção pecuária. No casos, um plano de negócio fom1al é desen-
entanto, mesmo nessa situação, o gestor ainda volvido e apresentado a potenciais mutuantes
precisa decidir se vai usar o pasto para pro- ou sócios. Alguns elementos comuns presen-
dução de vacas/terneiros, pasto de novilhos tes em planos de negócio de estabelecimen-
castrados para engorda no verão ou produção tos agropecuários são esboçados no Quadro
de ovelhas e cabras. Outras regiões possuem 2-3. Devem ser fixados objetivos concretos
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 23

e de curto prazo, para que se pos a medir o 4 . Analisar as alternativa e tomar uma deci -
progre o rumo à meta de longo prazo. O são;
gestor preci a, então, decidir quais informa- 5. Implementar a decisão;
ções serão necessária para avaliar o uce o 6. Monitorar e avaliar os re ultado :
ou o fraca o da estratégia e como coletar e 7. Aceitar a respon abilidade.
analisar os dados. Seguir e a etapa não to rn ará tod~
Acima de tudo, a gestão e tratégica não a deci õe perfeita , ma porém, ajudará o
deve er um processo individual, limitado. gestor a agir de maneira lógica e organi1ada
Ela é uma atividade contínua na qual o gestor
quando confrontado com escolhas.
e tá constantemente alerta a novas ameaça e
oportunidades, pronto para aproveitar novos
recursos e disposto a adaptar as estratégias Identificação e definição do
do estabelecimento a mudanças no valores e problema ou oportunidade
metas das pessoas envolvidas. Muitos são o problemas com que o ge tor
agropecuário e depara. A maioria dele ão
Gestão tática deci ões tática • como e colher qual emen-
te usar. selecionar uma ração animal. decidir
Após ter sido desenvolvida uma estratégia ge-
como comercializar a produção ou decidir
ral para o estabelecimento rural, o ge tor pre-
como obter aces o a terra.
cisa tomar decisões táticas sobre como imple-
Podem- e identificar problemas compa-
mentá-la. Decisões táticas incluem quando e
rando-se resultados do negócio com o nívei
onde comercializar os cultivas, que rações dar
que poderiam ser atingido ou que e tabele-
aos animais, quando trocar de maquinário e
cimento agropecuano emelhante e tão
quem contratar para o galpão de ordenha. Ela
alcançando. Por exemplo, um e tabeleci-
podem ser muito específicas, como qual cam-
mento pode ter um rendimento de algodão de
po lavrar em um certo dia ou qual operadora
100 libras por acre menor do que a média do
telefônica contratar.
outro e tabelecimentos no me mo condado
Há muitas táticas diferente pos íveis de
com o me mo tipo de olo. E a diferença en-
se executar para a mesma estratégia de negó-
tre o que é (o rendimento do estabelecimen-
cios. Posteriormente, examinaremo algumas
to) e o que deveria ser (o rendimento médio
ferramentas orçamentária úteis para tomar
do condado ou mais) identifica uma condição
decisões táticas.
que merece atenção. O que parece er um pro-
blema, muita vezes, é um interna de um pro-
TOMADA DE DECISÃO blema mais profundo. Os baixos rendimento
do algodão podem er cau ado por fertilidade
Sem deci ões, nada acontece. Até mesmo baixa ou por controle de pragas incorreto. E -
deixar a coisas eguirem como estão impli- ses, por ua ez, podem er cau ado por pro-
ca uma decisão (talvez não uma boa decisão, blemas produti o ainda mais fundamentai .
mas, mesmo assim, uma decisão). O gestor deve estar con tantemente alerta
O processo de tomada de deci ão pode para identificar problema o mai rapidamente
er decomposto em diver as etapa lógicas e possível. A maioria do problemas não d a-
ordenadas: parece sozinha. Uma ez que uma área pro-
blemática é idenúlicada, ela de e er definida
1. Identificar e definir o problema ou a opor- com o máximo de especificidade po~ í cl.
tunidade; Uma boa definição de problema minimi za o
2. Idemificar soluções alternativas; tempo nece sário para con luir o re tante da
3. Coletar dados e informações; etapas da tomada de de i ão.
"

24 Parte I Gestão

Identificação de soluções mos técnicas de gestão de risco q ue gestores


alternativas agropecuários uti lizam para atenuar os efeito
de predições de condições fu turas que e re-
A elapa dois é começar a listar potenciais so-
velam erradas.
luções para o problema. Algumas talvez sejam
Coletar dados e fatos e transformá-los em
ób ias após se definir o problema, enquanto
informações útei s pode ser um a tare fa sem
que outras podem demandar tempo e pesqui-
fim. O gestor pode nunca ficar atisfeito com
a. Outras, ainda, podem tornar-se aparentes
durante o processo de coleta de dados e infor- a precisão e a confiabilidade dos dados e com
mações. Esse é o momento de fazer brainsror- as informações resultantes. Entretanto, essa
mi11g e listar todas as ideias que vierem à men- etapa precisa terminar e m algum mome nto.
te. Costume, tradição ou hábito não devem Coletar dados tem um custo em termos de
restringir o número ou tipos de alternativas tempo e dinheiro. Tempo demais gasto na co-
consideradas. Aquelas mais exequíveis podem leta e na análise de dados pode resultar em um
ser destacadas mais tarde. custo maior do que o que pode ser justificado
pelo benefício extra recebido. Bom julgamen-
to e experiência prática podem ter que entrar
Coleta de dados e informações
no lugar de infom1ações indisponíveis ou dis-
A próxima etapa é reunir dados, informações poníveis somente a um custo maior do que o
e fatos sobre as alternativas. Podem ser obti- retorno adicional provindo de seu uso.
dos dados de muitas fontes, incluindo serviços
de extensão universitária, boletins e informa- Análise das alternativas e tomada
tivos de [Link]ções de experimentação agrícola,
de decisão
serviços eletrônicos de dados, representantes
de insumos agropecuários, vendedores de in- Cada alternativa deve ser analisada de manei-
sumos agropecuários, rádio e televisão, redes ra lógica e organizada. Os princípios e proce-
de computador, revistas e circulares agrope- dimentos expostos na Parte III dão o funda-
cuárias e vizinhos. A fonte mais útil de dados mento para métodos analíticos sólidos.
e informação talvez seja um conjunto preciso Escolher a melhor solução para um pro-
e completo dos registros passados do próprio blema nem sempre é fácil, tampouco a melhor
estabelecimento agropecuário do gestor. No- solução é sempre óbvia. Às vezes, a melhor
vas tecnologias de coleta e análise de dados solução é não mudar nada, ou voltar, redefinir
facilitaram muito a disponibilização de in- o problema e percorrer novamente as etapas
formações atualizadas e completas. Qualquer da tomada de decisão. Essas são ações legí-
que seja a fonte, a precisão, a utilidade e o timas, mas não devem ser usadas para evitar
custo das informações obtidas devem ser cui- tomar uma decisão quando há uma alternativa
dadosamente considerados. promissora à mão.
A tomada de decisão geralmente exige Após analisar cuidadosamente cada al-
informações sobre acontecimentos futuros, ternativa, normalmente seleciona-se aquela
pois planos de produção agropecuária pre- que melhor preenche as melas estabe lecidas.
cisam ser elaborados muito antes de os pro- Alguns gestores criam uma lista de resultados
dutos finais estarem prontos para o mercado. desejados e atribuem uma pontuação a cada
O tomador de decisão pode ter que formular estratégia alternativa, dependendo de quão
algumas estimativas ou expectativas sobre os bem ela satisfaz cada meta. As pontuações de
preços e rendimentos futuros. Observações todas as alternativas podem depois ser soma-
passadas dão um bom ponto de partida, mas das e usadas para classificá-las.
seguidamente precisam ser ajustadas às con- Ocasionalmente, nenhuma das alter-
dições atuais e projetadas. Depois, estudare- nativas parece ser definitivamente m e lhor
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 25

Quadro 2-4 O processo de tomada de decisão: um exemplo

Etapa 1. Identificar o problema Etapa 4. Analisar as alternativas e escolher


As taxas de erosão do solo nas partes mais uma
íngremes da propriedade estão acima do Levando em conta os custos de longo prazo
aceitável. e os efeitos sobre o rendimento, a aração re-
duzida parece ser o modo mais lucrativo de
Etapa 2. Identificar alternativas
baixar a erosão do solo a um nível aceitável.
Alguns vizinhos usam plantio em terraços ou
faixas em elevações semelhantes. Muitos agri- Etapa 5. Implementar a decisão
cultores estão fazendo experimentos com prá- Comprar uma nova plantadeira e modif,car os
ticas de aração reduzida ou nula. Implementas de aração.
Etapa 3. Coletar informações Etapa 6. Monitorar os resultados
Estudar resultados de pesquisa com solos Comparar os rendimentos, calcular os custos
semelhantes, comparando aração reduzida, com máquinas e químicos e medir as taxas de
terraços e plantio em faixas. Obter preços erosão por vários anos.
para diferentes equipamentos e para a cons-
Etapa 7. Aceitar a responsabilidade pelos re-
trução de terraços. Visitar vizinhos para saber
sultados
sobre seus resultados. Consultar especialis-
Os rendimentos e a erosão estão aceitáveis,
tas em extensão para saber quais seriam as
mas os custos aumentaram. Aperfeiçoar as
práticas de produção e a fertilidade de lavou-
aplicações de fertilizante e pesticida.
ra necessárias.

que as outras. Se a maximização do lucro Implementação da decisão


for a meta primordial, a alternativa que re-
Nada acontece e nenhuma meta é alcançada
sultar no maior lucro ou no maior aumento
simplesmente tomando- e uma deci ão. Essa
de lucro será escolhida. Todavia, a seleção,
deci ão preci a ser implementada correta e rapi-
muitas vezes, é complicada pela incerteza
damente, o que significa fazer alguma coi a. Re-
quanto ao futuro, especialmente quanto aos
cursos precisam ser adquiridos; financiamento,
preços futuros. Se diversas alternativas pos-
obtido; um cronograma, elaborado; e expectati-
suírem praticamente o mesmo potencial de
vas, comunicadas a sócios e empregado . Is o
lucro, o gestor terá que avaliar a probabili-
exige habilidades de organização. Lembre- e de
dade que cada uma tem de atingir o resulta-
que não implementar uma deci ão tem o me mo
do esperado e os problemas potenciais que
resultado que não tomar decisão nenhuma.
podem surgir se isso não ocorrer.
Tomar decisões nunca é fácil, mas é o que
as pessoas precisam fazer quando se tornam Monitoramento e avaliação
gestores. A maior parte das decisões será to- dos resultados
mada com um nível de informação inferior ao Os gestores precisam conhecer os re ultado
desejado. Deve-se escolher uma alternativa das suas decisões. Quanto mai demorar para
de um conjunto de ações possíveis, todas elas que os resultados de uma deci ão ejam conhe-
possuindo algumas desvantagens e trazendo cidos, mais provável erá que o re ultado e-
algum risco. Porém, o fato de uma decisão jam diferentes do e perado. À ezc , até uma
ser diffcil, não é motivo para adiá-la. Muitas decisão boa tem resultado ruin . O bon g -
oportunidades já foram perdidas por atraso e tores monitoram os re ultado de uma de i ão
hesitação. de olho em sua modificação ou sua mudança.
26 Parte I Gestão

Quanto mais frequentemente uma decisão todos os caso . Algumas deci sões podem ser
é repetida, mais útil é avaliá-la. Decidir onde tomadas qua e instantaneamente, enquanto
comercializar cultivos ou quais linhas genéticas outras podem levar meses ou anos de investi-
escolher na pecuária é algo que se faz toda hora. gação e pensamento.
Monitorar os preços recebidos ou os traços de Algumas das características que afetam
de empenho pemlite que alternativas melhores como as etapas do processo de tomada de de-
ejam identificadas ao longo do tempo. Deci- cisão são aplicadas a um problema específico
sões que podem facilmente ser revertidas tam- incluem:
bém merecem ser avaliadas mais de perto do
1. Importância
que aquelas que não podem ser mudadas.
Os gestores devem estabelecer um sistema 2. Frequência
para avaliar os resultados de qualquer decisão, 3. Iminência
de modo que desvios do resultado esperado pos- 4. Revogabilidade
sam ser rapidamente identificados. Isso faz parte 5. Número de alternativas
da função de controle da gestão. Demonstrações
de lucros e prejuízos resumem o impacto econô- Importância
mico de uma decisão, registros de rendimento
medem o impacto sobre a produção da lavoura Algumas decisões agropecuárias são mais im-
e diários de eficiência de leite ou ração monito- portantes do que outras. A importância pode
ram o desempenho dos animais. Uma observa- ser medida de diversas maneiras, como o di-
ção cuidadosa e bons registros fornecem dados nheiro envolvido na decisão ou o tamanho do
novos a serem analisados. Os resultados dessa ganho ou da perda potenciais. Decisões que
análise dão novas infonnações para usar na mo- põem em risco pouco dinheiro, como distri-
dificação ou correção da decisão original e na buir suínos em chiqueiros ou comprar peque-
tomada de novas decisões. Avaliar decisões é nas ferramentas, podem ser feitas bastante ro-
um jeito de "aprender com seus erros passados". tineiramente. Para elas, é preciso usar pouco
tempo coletando dados e percorrendo as eta-
pas do processo de tomada de decisão.
Aceitação da responsabilidade
Por outro lado, decisões envolvendo um
A responsabilidade pelo resultado de uma de- grande montante de capital ou de lucros e pre-
cisão recai sobre o tomador de decisão. A relu- juízos potenciais precisam ser analisadas com
tância em arcar com a responsabilidade talvez mais cuidado. Decisões relativas à aquisição
explique por que alguns indivíduos acham tão de terra, instalação de um sistema de irrigação
difícil tomar decisões. Às vezes, até decisões e construção de um novo edifício de confina-
boas trazem resultados ruins, por causa das in- mento total de suínos facilmente justificam
certezas dos mercados e da produção. Culpar mais tempo empregado na coleta de dados e
o governo, o tempo ou os fornecedores e pro- na análise das alternativas.
cessadores quando uma decisão dá errado não
melhorará os resultados da próxima decisão. Frequência
O gestor deve tentar controlar o dano e, então,
voltar sua atenção ao futuro. Algumas decisões podem ser feitas apenas
uma vez na vida, como escolher a agricultura
ou a pecuária como carreira ou comprar um
CARACTERÍSTICAS DAS estabelecimento rural. Outras decisões são
DECISÕES Lomadas quase diariamente, como programar
atividades de trabalho de campo, balancear
O tempo e o empenho que o gestor dedica a rações de animais e definir agendas de repro-
tomar uma decisão não serão os mesmos em dução. Decisões frequentes são, muitas vezes,
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 27

feita com base e m algum a regra prática ou mais fáceis e menos dispendi oc;as cm termoc; de
no julgamento intuitivo do operador. Ai nd a tempo do que outra que possue m muita. -;o-
assim, pequenos erros em deci ões frequente luçõe ou linha , de ação alternati vas. Quando
podem e acumular, levando a um problema existem muitas alternativa . como escolher va-
considerável ao longo do tempo. riedade de e mente, o ge. tor pode se r fo rçado
a pas ar um tempo con iderável identificando
as alternativa e analisando cada uma .
Iminência
O ge tor frequentemente tem que tomar uma
decisão rapidamente ou até um prazo para evi- O AMBIENTE DE TOMADA DE
tar um prejuízo potencial. Preço de cereais DECISÃO DA AGROPECUÁRIA
subindo ou cai ndo rapidamente pedem ação
rápida. Outras decisões não tê m prazo, e há Gerenc iar um e tabelecimento rural é mu ito
pouca ou nenhuma punição por postergar a diferente de gerenciar o utro tipos de negó-
decisão até que haja mai informaçõe e se c io ? A funções, os princípio e as técnic
possa passar mais tempo analisando a alter- básicos de gestão ão o mesmo em toda par-
nativas. A meticulosidade com que uma de- te, mas um negócio agropecuário típico po ui
cisão é tomada depende do tempo di ponível a lgumas caracterí ticas exclusivas que afetam
para to má-la. o modo como as deci õe são tomada .

Revogabilidade Processos biológicos e clima


Algumas decisões podem er facilmente rever- Uma caraclerí tica di tintiva da agropecuária é
tidas ou modificadas se observações posteriores a limitação impo ta às decisões do ge tor pelas
indicarem que a primeira decisão não foi a me- leis biológica e físicas da natureza. O ge tore
lhor. Exemplos disso são calibrar uma semea- logo descobrem que há algumas coisas que eles
deira ou ajustar um cocho, o que pode ser modi- não podem controlar. Nada pode er feito para
ficado mais tarde rápida e faci lmente. Ge tores encurtar o período de gestação na produção pe-
podem passar menos tempo tomando a decisão cuária, há um limite de quanta ração um uíno
inicial nessas situações, pois podem ser feitas pode consumir por dia e a lavoura preci am
correções rapidamente e com pouco custo. de um tempo mínimo para alcançar a matura-
O utras decisões podem não ser reversí- ção. Até mesmo tentati as de controlar o efei-
veis, ou somente podem ser modificadas a um tos do clima com equipamento de irrigação e
custo alto. Exemplos seriam a deci são de per- construções de confinamento podem er frus-
furar um novo poço de irrigação ou construir tradas por tempe tade e nevascas úbi1as.
um novo edifício para animais. Uma vez to- A imprevisibilidade do proce o produti-
mada a deci ão de levar esses projetos adian- vo é exclusiva da agropecuária. em me mo o
te e que eles estejam concluídos, a e colha é melhor dos gestore pode pre er com certeza
usá-los ou abandoná-los. Pode ser difícil ou os efeitos da variação de precipitação, 1empe-
impossível reaver o dinheiro investido. Essas ra1ura, doença ou combinaçõe genéticas. Is o
decisões irreversíveis fazem jus à dedicação introduz um elemento de risco que a maioria
de muito mais tempo do gestor. dos negócios extrarrurni não enfrenta.

Número de alternativas Oferta fixa de terra


Algumas decisões só têm duas alternativas Na maioria das indú tria , uma e mpre a
possíveis. São do tipo "sim ou não" ou "ou isto, pode comprar mais matéria-primu o u repli-
ou aquilo". O gestor pode achar essas decisões car instalações de produção quando de-
28 Parte I Gestão

manda por cus produtos sobe. Contudo, a tribui com a maioria ou toda a mão de obra.
oferta do recurso mais valioso da produção Isso toma difícil separar a atividade gerencial
agropecuária, a terra, é essencialmente fixa. do trabalho, pois os me mo indi víduos estão
Os ge tores rurajs só podem tentar aumentar envolvidos. Também oca iona a constante
a produtividade da base fundiária existente necessidade de mão de obra "para fazer o
ou oferecer mai do que as outras proprieda- serviço", relegando a gestão a um papel se-
de pela quantidade limitada de terra à ven- cundário, com decisõe sendo constante-
da ou para arrendar. Isso torna as decisões mente postergada ou ignoradas. Além di so,
sobre compra, venda e arrendamento de ter- quando a residência e a vida ca eira do gestor
ra especialmente importantes. Também faz estão localizada na propriedade, as metas
com que os preços de venda e arrendamento e atividades pessoais e proft sionais ftcam
de terra rural sejam especialmente sensíveis mais interligadas.
a modificações nos preços das commodiries
e de insumos agropecuários. Concorrência perfeita
A agropecuária de produção é, muitas ve-
Tamanho pequeno zes, usada como exemplo de uma indústria
Quase 58% dos estabelecimentos rurrus dos de concorrência perfeita. Isso significa que
Estados Unidos têm apenas um operador cada estabelecimento rural individual é ape-
(Tabela 2-3), e somente 1,5% por cento pos- nas um de muitos, representando uma peque-
sui mrus do que três. Nenhum outro setor da na porção da indústria total. A maioria dos
economia é tão dorrunado por operações de produtos agropecuários é heterogênea, isto é,
peciuena escala. Em contraste, em uma gran- os grãos, frutas, verduras ou animais de uma
de companhia, os acionistas são donos do ne- propriedade são praticamente idênticos aos
gócio, enquanto o conselho de administração de outra. Portanto, o gestor individual geral-
estabelece metas, define políticas e contrata mente não pode afetar os preços pagos pelos
diretores para cumpri-las. Geralmente, é fá- recursos nem os preços recebidos pelos pro-
cil identificar três grupos distintos: proprie- dutos vendidos. Os preços são determinados
tários, gestores e mão de obra. Esses grupos pelos fatores de oferta e demanda nacionais e
distintos não existem na propriedade familiar internacionais, sobre os quais o gestor indi-
rípica, em que uma pessoa ou um grupo pe- vidual possui pouco controle (salvo, talvez,
queno é dono do negócio, faz a gestão e con- por meio de algum tipo de ação coletiva). Al-
guns gestores tentam superar isso encontran-
do mercados de nicho ou localizados, onde
Tabela 2-3 Número de operadores por
estabelecimento rural nos Estados Unidos
eles são os únicos fornecedores. Exemplos
incluem criadores de produtos sil vestres ou
1'úmero de operadores Percentual
pecuária não tradicional.
Um operador 57,7 Tomados conjuntamente, todos esses fa-
Dois operadores 35,7 tores criam um ambiente único para a tomada
de decisões gerenciais na agropecuária. Os
Trés operadores 5,1
demais capítulos explicarão em mais porme-
Quatro ou mais operadores 1,5 nores os princípios e as ferramentas utilizados
Fonll': Censo da Agropecuária de 2007, Ministério da por gestores rurais e os tipos específicos de
Agricultura do Estados Unidos. problemas aos quais eles os aplicam.
Capítulo 2 Gestão e tomada de decisão 29

RESUMO
Uma boa gestão geralmente é a diferença entre auferir lucro ou sofrer prejuízo cm um negócio agropecu-
ário comercial. Os gestore precisam fazer planos para o negócio rural, implementar o plano . monitorar
seu ucesso e fazer ajustes onde ncce ário.
A direção geral cm que o e tabelecimento rural ruma é definida pelo procc so do planejamento es-
tratégico. Um plano e tratégico inicia com uma declaração de visão de por que o negócio exi te. Metas
dão a direção e o foco ao processo. refletindo os valores dos gestores. Apó avaliar o recurso internos
e o ambiente externo do negócio, estratégias podem ser identificada e escolhida . Por fim, as e tratégias
devem ser implementadas, e os resultados, monitorado . O plano estratégico é executado tomando- e um
grande número de decisões táticas de curto prazo. Decisões tática ão tomadas definindo-se o problema.
reunindo-se informações sobre soluçõe alternativas e analisando-se essas, escolhendo- e e implementan-
do-se uma alternativa e avaliando-se os resultados.
Gestores agropecuários operam em um ambiente diferente dos ge tore de outro negócio . A agro-
pecuária depende fortemente de processos biológico : a oferta da terra rural é es encialmente fixa: muitas
das mesmas pessoas combinam propriedade. mão de obras e gestão; e os negócio costumam operar em um
ambiente econômico de concorrência perfeita.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


---------------
1. Qual é a sua definição de gestão? E de gestor rural?
2. Gestores agropecuários precisam de habilidades diferentes das de gestores de outro negócio ? Em
caso afirmativo, quais habilidades são diferentes? Quais são iguais?
3. Qual é a diferença entre gestão estratégica e gestão tática?
4. Você classificaria as seguintes decisões como estratégicas ou táticas?
a. Decidir se um campo está molhado demais para lavrar
b. Decidir se especializa-se em produção de carne ou de leite
e. Decidir se admite um sócio no negócio
d. Decidir se vende cevada hoje ou espera até mais tarde
5. Por que metas são importantes? Relacione alguns exemplos de metas de longo prazo para um negócio
agropecuário. Elas devem ser específicas e mensuráveis, incluindo um cronograma.
6. Quais são algumas metas comuns de estabelecimentos agropecuários familiares que podem entrar m
conflito umas com as outras?
7. Quais são suas metas pessoais para a semana que vem? E para o ano que vem? E para o próximo
cinco anos?
8. Quais características internas do estabelecimento rural devem ser consideradas pelo gestor ao d en-
volver um plano estratégico?
9. Identifique diversas tendências de tecnologia ou gostos do consumidor que um gestor rural de e on-
siderar ao desenvolver um plano estratégico.
1O. Liste as etapas do processo de tomada de decisão. Quais etapas fazem parte da função de planejam n-
to da gestão? E da implementação'? E do controle? E da avaliação?
11 . Quais características de uma decisão afetam quanto tempo e empenho o gestor dedica parn tomá-! .
12. Quais são algumas das características da agropecuária que tomam a gestão de um tabelecimemo
rural diferente da gestão de outros negócios?
)

li
Mensuração do
desempenho gerencial

D ois argumentos propostos no Capítulo 2


foram: ( 1) estabelecer metas é importan-
te; e (2) controle é uma das funções da ges-
apenas como o negócio está indo, ma tam-
bém como o ge torou age tão está e aindo.
Essa discu são introduz a nece idade da
tão. Na Parte II, descreveremo como medir e manutenção de regi tros ou de um istema con-
analisar o lucro e outras características finan- tábil para o negócio agropecuário. Há muita ·
ceiras de um negócio agropecuário. Os resul- escolhas e opções no projeto e na implemen-
tados das análises pos ibilitarão que o gestor tação de um sistema de regi tro agropecuá-
estabeleça quão bem e em que grau as metas rios, indo do simple ao complexo. O melhor
financeiras estão sendo satisfeitas. sistema para um negócio dependerá de ário
Essa discussão também se relaciona à fatores, incluindo o tamanho do negócio, a for-
função de controle da gestão. Controle é um ma de organização empresarial, o monumte de
sistema de monitoramento usado para ava- capital emprestado, exigências do mutuante e
liar se o plano de negócio está sendo seguido quais demon trações financeira e pecífica
e como o estabelecimento agropecuário está são necessária (e em que nível de detalhe ).
se saindo na consecução das metas do plano. O Capítulo 3 discorre obre a finalida-
Muitos dos mesmos registros necessários para des e partes de um istema de regi tro agro-
medir o lucro e a situação financeira do negó- pecuário. Os dois capítulo seguintes cobrem
cio também são necessários para desempenhar os dois relatório [Link] mai comun : o
a função de controle da gestão. Os registros balanço patrimonial e a demon tração de re-
proporcionam um método para mensurar não sultado . O Capítulo 4 res alta que a inten ã
32 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

do balanço patrimonial é medir a situação fi- cuário. Sem uma mensuração precisa, os efei-
nanceira do negócio em um ponto no tempo. tos das decisões gerenciais anteriores serão
O Capítulo 5 introduz a demonstração distorcidos, e serão usadas informações ru ins
de resultados, que oferece uma estimativa do para tomar as decisões futuras.
valor dos produtos e serviços gerados em um As ferramentas desenvolvida nos Capí-
exercício contábil e dos custos dos recursos tulos 4 e 5 podem ser usada nas funções de
utilizados para gerá-los. A precisão do lucro controle da gestão. Essas são consolidadas no
infonnado depende de muitos fatores, incluin- Capítulo 6, sendo combinadas com algumas
do o tipo de sistema de registro empregado e o outras men urações analíticas para realizar
empenho despendido para manter bons regis- uma análise completa do e tabelecimento
tros. Discutem-se o registro correto de transa- agropecuário. Medidas de saúde financeira e
ções de caixa e como elas são sintetizadas na lucratividade do negócio podem ser compa-
demonstração de fluxos de caixa e explica-se radas a metas e padrões. Podem-se identificar
a diferença entre fluxos de caixa e renda/des- áreas de pontos fortes e fracos, bem como re-
pesas. Será enfatizada a compreensão do que solver problemas específicos para melhorar o
é necessário para medir com exatidão o lucro desempenho geral do negócio e atingir as me-
ou renda líquida do estabelecimento agrope- tas do operador.
PÍTULO 3
Aquisição e organização
de informação gerencial

Objetivos do capítulo
1. Reconhecer a importância e o valor de 4. Apresentar os conceitos básicos da con-
estabelecer um bom sistema contábil tabilidade em regime de competência,
agropecuário. comparando-o ao regime de caixa.
2. Discorrer sobre algumas escolhas que de- 5. Examinar algumas recomendações do
vem ser feitas ao se selecionar um siste- Conselho de Padrões Financeiros Rurais
ma contábil. relacionados à escolha do regime contábil.
3. Expor os conceitos básicos da contabili- 6. Apresentar alguns registros financeiros
dade em regime de caixa. que podem ser obtidos com um bom sis-
tema contábil.

Um negócio com registros ruins ou inexisten- podem ser utilizadas para corrigir ou emendar
tes pode ser comparado a um navio no meio do decisões passadas e para melhorar a tomada de
oceano que perdeu o uso de seu leme e de seus decisão futura. Desse modo, eles, no mínimo,
instrumentos de navegação. Ele não sabe onde influenciam a direção futura do negócio.
esteve, aonde está indo nem quanto demorará Por uma porção de razões, os regi tro
para chegar lá. Os registros dizem ao gestor agropecuários são tradicionalmente malfeito .
onde o negócio esteve e se agora ele está no Mesmo o melhores sistemas de regi tros não
caminho para gerar lucros e criar estabilidade são totalmente conforme ao padrõe que a
financeira. Os registros são, de cena forma, o profissão contábil segue para outros tipo de
"boletim de notas" do gestor, pois mostram negócio. Problemas financeiro em estabele-
os resultados das decisões gerenciais dos pe- cimentos rurais no ano 1980 chamaram a
ríodos passados. Tal vez os registros não mos- atenção para o mau registros mantido por
trem diretamente aonde o negócio está indo, muito agricultores e pecuaristas, o ário
mas podem dar informações consideráveis que estilos e formato diferentes do relatório fi-
34 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

nanceiro endo u ados, diferenças em termi- dividir despesas en tre arrendante e arren-
nologia e tratamento díspar de algumas tran- datário, relatórios para sócio e acionistas
ações contábeis e ·clusivas da agropecuária. e desenvolver planos de marketing . Bons
regi stros também ão e senciais para divi-
dir renda e despe a em negócio com vá-
FINALIDADE E USO rios donos, como aquele com proprietários
DOS REGISTROS ausentes, e para auxiliar na di tribuição de
participações no lucros e arranjos de parce-
Já foram mencionados diversos usos dos re- ria rural. Entretanto, os eis u os da lis ta ão
gi tros. Uma lista mais detalhada e expanclida os mais comuns e erão discutidos em mais
da finalidade e do uso dos registros rurais é detalhes.
possível. Eis uma lista:

1. Medir o lucro e avaliar a condição finan- Medir o lucro e avaliar a


ceira; condição financeira
2. Oferecer dados para a análise comercial; Estas duas razões para manter e usar registros
3. Assistir na obtenção de empréstimos; rurais estão entre as mais importantes. O lucro
4. Medir a lucratividade de empreendimen- é estimado desenvolvendo-se uma demonstra-
tos inclividuais; ção de resultados (o tópico do Capítulo 5 ). A
5. Assistir na análise de novos investimentos; condição financeira do negócio, como exibida
6. Elaborar declarações de imposto de renda. no balanço patrimonial, será coberta em deta-
lhes no Capítulo 4.
Essa não é uma lista completa das razões
possíveis para manter e usar registros rurais.
Outros usos possíveis incluem demonstrar Oferecer dados para a
conformidade a regulamenlos ambientais, análise comercial
estabelecer necessidades de seguro, planejar Após a demonstração de resultados e o ba-
e avaliar patrimônios, monitorar estoques, lanço patrimonial serem elaborados, o próxi-

Quadro 3-1 Conselho de padrões financeiros rurais

A wcrise da dívida ruraln de 1983 a 1987 com- Segundo seu site, a missão do conselho
provou que os métodos de escrituração e as é "criar e promover uniformidade e integridade
análises financeiras rurais da época, muitas nos relatórios e análise financeiros para pro-
vezes, eram inadequados ou subutilizados. dutores rurais".
Após a crise da dívida, a educação financei- O primeiro relatório desse grupo foi publi-
ra rural aumentou, levando ao crescimento no cado em 1991, objetivando tornar os relatóríos
número de livros à disposição, sistemas de financeiros rurais mais uniformes e teórica
escrituração rural e serviços, mas os novos e tecnicamente corretos. Foram publicadas
métodos, via de regra, não eram padroniza- revisões em 1995, 1997 e 2008. Em 2006,
dos. Em 1989, foí formada a Força-Tarefa de o FFSC desenvolveu um relatório a respeito
Padrões Financeiros Rurais (Farm Financial de diretivas de contabilidade gerencial para
Standards Task Force - FFSTF) para resolver produtores agropecuários. Este capítulo e os
problemas de contabilidade e escrituração em seguintes seguem as recomendações de con-
estabelecimentos agropecuários. Posterior- tabilidade financeira do FFSC.
mente, ela trocou de nome para Conselho de
Padrões Financeiros Rurais (FFSC).
Capítulo 3 Aquisição e organização de informação gerencial 35

mo pa o lógico é utili zar es as informaçõe a chancec; de ter um empréc;timo aprovado e


para fazer uma análi e comercial em profun- receber todo o valor pedido .
didade. Existe diferença e ntre obter " lucro"
1-
e ter um negócio " lucrativo". O negóc io é Medir a lucratividade de
lucrativo? Quão lucrativo? Quão saudável empreendimentos individuais
exatamente é a situação financeira do negó-
U m e tabelecimento agropecuário com lucro
cio? A resposta a essas e outras perguntas
pode abranger d iferente empreendimentos.
rel acionada exigem mais do que apenas ela-
É pos ível que um ou doi s empreendimento
borar uma demon tração de resultados e um
estej am produzi ndo todo ou a maior parte do
balanço patrimoni al. Uma análise financeira
lucro e um ou mai do o utros e tejam perden-
do negócio pode oferecer inforrnaçõe obre
os resultados de decisões passadas, e es as in- do dinhei ro. Pode er projetado um i tema
formações podem ser úteis ao tomar deci ões de registros que mo tre receita e de pe a não
apenas para todo o negóc io. ma para cada
atuais e futuras.
empreendimento. Com essas infonnaçõe , o
empreendimento não lucrativo ou pouco lu-
o Assistir na obtenção
crativo podem ser suprimidos. redirecionan-
de empréstimos do-se recur os para uso nos mai lucrativo .
Os mutuantes precisam e exigem informações
financeiras sobre o negócio rural para assisti-
Assistir na análise de
-los em suas decisões de empréstimo. Após
novos investimentos
as dificuldades financeiras dos anos 1980,
muitos mutuantes rurais e analistas bancários Uma decisão de comprometer um grande mon-
e xigem cada vez mais e melhores registro tante de capital em um novo inve timento pode
rurais. Bons registros podem aumentar muito ser difícil, exigindo uma grande quantidade de

Quadro 3-2 Blossegurança e registros rurais

Após diversos problemas de contaminação lamentados pela Lei Federal de Inspeção de


alimentar de alta visibilidade nos últimos anos, Carne, Lei de Inspeção de Produtos de Avicul-
o interesse em segurança alimentar cresceu tura e Lei de Inspeção de Produtos de Ovos.
bastante. De especial interesse é a rastreabill- Por preocupação com doenças, es-
dade de produtos, ou a capacidade de verificar pecialmente na esteira da descoberta da
onde Itens alimentícios foram cultivados, como doença da uvaca louca" no Estado de Wa-
foram cultivados e como e onde foram proces- shington, em 2003, há também um interesse
sados depois. Para ganhar força de mercado, crescente no rastreamento de gado e aves.
alguns produtores (principalmente os agricul- O Sistema Nacional de Identificação de Ani-
tores) estão participando voluntariamente de mais (National Animal ldentiflcation System
processos de certificação que exigem a ma- - NAIS) foi implementado pelo Ministério da
nutenção de muitos registros. Uma lei (atual- Agricultura dos Estados Unidos em 2004. A
mente no Congresso) pode tornar esse tipo meta de longo prazo é tornar possível a iden-
de registro obrigatório para muitos tipos de tificação, em 48 horas, de todos os animais
operações. Segundo a legislação proposta, os e locais que tiveram contato com uma dada
agropecuaristas teriam que manter registros doença. O NAIS atualmente é um programa
detalhados por, no mínimo, dois anos. Ficariam voluntário, mas é possível que o governo exi-
isentos das exigências desse projeto de lei os ja rastreamento obrigatório de animais em
produtos alimentícios de origem animal regu- algum momento futu ro.
36 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

infonn3çào para uma análise adequada. Os re- conseguir lidar com transaçõe relacionadas
gi tro dn operação passada do negócio podem não apenas às atividades de produção do ne-
ruma excelente fonte de infom1ação para as- gócio, mas também às atividade de investi-
i tir na análi e do investimento potencial. Por mento eji11anciame11to.
e ·emplo, registro sobre investimentos idênti-
cos ou emelhantes podem fornecer dados so- Atividades de produção
bre lucratividade esperada, vida útil esperada e
reparos típicos ao longo da vida útil. As transações contábeis de atividades de pro-
dução são aquelas relacionadas à produção de
cultivas e animais. A receita oriunda de sua
Elaborar declarações de venda (e outras receitas rurais, como verbas
imposto de renda de programas governamentais e trabalho cus-
As regulamentações do fisco exigem a ma- tomizado feito para terceiros) seria incluída
nutenção de registros que tornem possível a aqui. Despesas tidas ao produzir essa renda -
declaração correta de rendas e despesas tribu- como ração, fertilizante, químicos, combustí-
táveis. Esse tipo de controle geralmente pode vel, juros e depreciação - também fazem parte
ser feito com um grupo mínimo de registros, das atividades de produção que devem ser re-
impróprio para fins gerenciais. Um sistema gistradas no sistema de contabilidade.
contábil gerencial mais detalhado pode resul-
tar em benefícios de imposto de renda. Ele Atividades de investimento
pode identificar deduções e isenções adicio-
Estas atividades são aquelas relacionadas a
nais, por exemplo, e possibilitar uma melhor
compra, depreciação e venda de ativos de vida
gestão da renda tributável de ano a ano, dimi-
útil longa. Exemplos seriam terra, edifícios,
nuindo os impostos de renda pagos ao longo
máquinas, pomares, vinhedos e animais repro-
do tempo. No caso de uma auditoria fiscal,
dutores. Os registros mantidos para cada ati-
bons registros são inestimáveis para compro-
vo devem incluir data de aquisição, preço de
var e documentar todas as rendas e despesas.
compra, valor da depreciação anual, valor con-
tábil, valor de mercado atual, data de venda,
ATIVIDADES DO NEGÓCIO RURAL preço de venda e ganho ou perda ao vender.

Ao conceber um sistema contábil rural, é útil Atividades de financiamento


pensar nos três tipos de atividade comercial
As atividades de financiamento são todas as
que devem ser incorporados ao sistema. A Fi-
transações relativas a tomar dinheiro empres-
gura 3-1 indica que um sistema contábil deve
tado e pagar juros e principal sobre dívidas de
toda ordem. Isso inclui dinheiro emprestado
para financiar novos investimentos, capital
operacional emprestado para financiar as ati-
AtiVldades de Atividades de Atividades de
produção investimento financiamento vidades de produção do ano e contas a pagar
para estabelecimentos de suprimentos rurais.
Dividir as atividades do negócio rural
nesses três tipos ilustra a ampla gama de tran-
sações que devem ser registradas em todo
sistema contábil e também mostra certa inter-
-relação entre essas atividades. A despesa com
Figura 3-1 Atividades do negócio rural que juros vem das atividades financeiras, mas é
devem ser incluídas no sistema contábil. uma despesa de produção ou operação. A de-
Capítulo 3 Aq uisição e organização de iníormação gerencial 37

preciação re ulta do investimento em um ativo Crédito Em contabilid ade, um lança-


depreciável, mas também é uma de pe a de mento no lado direito de um livro-ra, ão
produção ou operação. Logo, um bom istema de partidas dobrada . Um lançamento de
contábil deve er capaz de não apena regi - crédito é u ado para escriturar um dcc ré,;-
trar todos os vário tipo de tran açõe , mas cimo no valor de um ativo, ou um acré~ci-
também atribuí-las à ati vidade e ao empreen- mo em uma conta de pas ivo, património
dimento apropriado da operação. líquido ou renda.
Débito Um lançamento no lado e quer-
TERMOS BÁSICOS DE do de um livro-razão de partida dobra-
CONTABILIDADE da . Um lançamento de débito é u ado
para e criturar um aumento em uma conta
Uma pes oa não precisa ser fonnada em con- de ati vo ou despe a ou um decré cimo
tabilidade para manter e analisar um conjun- em uma conta de pas ivo ou patrimônio
to de regi tros agropecuários. Porém, é útil líquido.
possuir algum conhecimento de contabili- Despesa a pagar (despesa p,vvisionada.
dade básica e terminologia contábil. Isso é despesa acumulada, despesa incorrida e
necessário para entender completamente e não paga) Uma de pe a que acu mula
usar qualquer sistema de contabilidade eco- diariamente, mas que ai nda não foi paga.
municar informações contábeis ao outros Uma despesa a pagar geralmente não foi
com exatidão. Os seguintes tennos e defini- paga ainda porque a data de vencimento
ções dão a base para compreender o material ou pagamento está no futuro. Exemplo
ao longo deste capítulo e nos que o seguem. são juro sobre empré timo e impo to
Outros termos serão definido à medida que imobiliário .
forem apresentados.
Despesa antecipada Um pagamento
Ativo Qualquer item de valor, tangível feito por um produto ou erviço em um
ou financeiro. Em um e tabelecimento exercício contábil anterior àquele que
agropecuário, exemplos seriam maquiná- será u ado para gerar receita.
rio, terra, contas bancárias, edificações,
grãos e animais. Despesa Um cu to ou dispêndio ofrido
na produção da renda.
Conta a pagar Uma despesa em que
se incorreu, ma que ainda não foi paga. Esroque A quantidade fí ica e o alor fi-
Contas a pagar típicas são de iten com- nanceiro dos produtos gerado para venda
prados em estabelecimentos de uprimen- que ainda não foram vendido . Exemplo
tos rurais quando o comprador tem de 30 agropecuário eriam grão e tocado ou
a 90 dias para pagar o valor devido. animais prontos para venda (ou que pode-
riam ser vendido no momento em que o
Conta a recebe r Receita de um produ- estoque é inventariado).
to que foi vendido ou de um serviço que
foi prestado, mas pelo qual ainda não foi Lucro Receita meno de pe a . O me -
recebido pagamento. Exemplo seriam o mo que a renda rural líquida.
trabalho customizado executado para um Passivo Uma dí ida ou outra obriga ão
vizinho que combinou de fazer o paga- financeira que deve er paga no futuro.
mento no fim do mês seguinte ou grão Exemplo incluüiam empré Limo de
vendidos com um contrato de pagamento bancos ou outras in lituiçõc mutuante ,
diferido. contas a pagar e despe as a pagar.
38 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Patri111ô11io l(q11ido A difcrença entre os traste, a contabi lidade por exerc(cio fis cal usa
ativo e o pas ivos do negócio. Repre- um período de 12 meses que pode começar
senta o valor líquido do negócio para seus cm qualquer data. Pode-se fazer a contabili-
proprietários. dade com base no exercíc io fi scal para fin
gerenciais e também de imposto de renda.
Receita O valor dos produtos e servi-
Quando se escolhe um exercício menor, como
ços gerados por um negócio durante um
relatórios trimestrais, ainda assim, tudo deve
exercício contábil. A receita pode ser
ser consolidado cm relatórios anuai s.
monetári a (caixa) ou não monetária (não
caixa). Geralmente, recomenda-se que o exercí-
cio contábil de uma e mpresa siga o ciclo de
Renda rnra/ líquida Receita menos des- produção dos principais e mpreendimentos e
pesas. O mesmo que lucro. termine cm uma época e m qu e as at ividades
comerciais ficam devagares. Para a maioria
das atividades agrícolas e algum as das pecu-
OPÇÕES AO ESCOLHER árias, uma data fin al em 3 1 de dezembro e
UM SISTEMA CONTÁBIL encaixa nessa recome ndação; ass im , a maio-
ria dos agropecuaristas utili za um exercício
Antes de se poderem inserir transações em contábil de ano-calendário. Entre ta nto, trigo
um sistema contábil, devem ser tomadas di- de inverno, cítricos e verduras de inverno* são
versas decisões quanto ao tipo de sistema a exemplos de culturas em que produção inten-
ser usado. Há diversas opções à disposição. sa ou atividades de colheita podem estar em
eoeralmente se encaixando nas seguintes andamento por volta de 3 1 de dezembro. Es-
áreas: ses produtores talvez queiram considerar um
l. Qual exercício contábil deve ser usado? exercício contábil de exercício fi scal que ter-
2. Deve ser um sistema em regime de caixa mine após a colheita estar concluída. Grandes
ou de competência? produtores de leite e confiname ntos comer-
3. Deve ser um sistema de partidas dobradas ciais com atividades contínuas de alimentação
ou de partida simples? teriam dificuldades para encontrar um mês em
que as transações comerciais fossem mais len-
4. Deve ser um sistema contábil básico ou
tas do que os outros meses. Eles podem esco-
completo?
lher qualquer exercício contábil conve nie nte.
Muitas vezes, é difícil fazer cenos tipos de
mudança em um sistema contábil após ele es- Contabilidade em regime de caixa
tar estabelecido e os usuários estarem familia- ou de competência
rizados com ele. Ponanto, deve-se pensar bas-
tante e obter orientação ao se fazer a escolha Este tópico será coberto novame nte ao se dis-
inicial de um sistema contábil. correr sobre impostos de renda, no C ap ítu lo
16. Entretanto, a di scussão aqui será re tri ta à
contabilidade para fin s gerenciais, e não para
Exercício contábil
imposto de renda. Embora os concei tos sejam
Um exercício contábil é um período de tem- os mesmos cm ambos os casos, as vantagen e
po, como um trimestre ou um ano, para o qual desvantagens de cada método contábi l podem
se elabora uma demonstração financeira. No ser di ferentes, depende ndo do uso para fin
período contábil de a110-ca/e11dário, todas as gerenciais ou de imposto de re nda. O s funda-
transações que ocorrem entre l º de janeiro e
31 de dezembro de cada ano são organizadas e * N. de T. : O autor se refere ao i nve rno do Ht:misfério
re umidas cm relatórios financeiros. Em con- Norte, naturalmente.
Capítulo 3 Aquisição e organização de informação gerencial 39

Quadro 3-3 Débitos e créditos

É fácil cair na armadilha de pensar que todos exemplo, tanto o débito quanto o crédito são
os débitos são "ruins", ou diminuições, e que "bons", significando um aumento tanto em
todos os créditos são "bons", ou aumentos. vendas quanto em caixa. Quando se passa
Os procedimentos contábeis não fazem essas um cheque para pagar uma conta, a conta da
distinções. Um débito é um lançamento naco- despesa equivalente tem um lançamento a
luna esquerda de uma conta de duas colunas débito, e a conta-corrente, um lançamento a
de livro-razão, e um crédito é um lançamento crédito. Um lançamento a débito em uma con-
na coluna direita. Se um débito ou crédito é ta de despesa a aumenta, e o lançamento a
"bom" ou "ruim", ou um aumento ou diminui- crédito na conta-corrente a diminui. Ambas as
ção, depende do tipo de conta. Por exemplo, entradas a débito e a crédito possuem resulta-
uma conta-corrente é uma conta de ativo em dos "ruins": um aumento nas despesas e uma
que um débito é um aumento e um crédito é diminuição no caixa.
uma diminuição no saldo da conta. O rece- LEMBRE-SE: débito signtfica coluna
b imento de caixa por uma venda seria lan- esquerda, e crédito significa coluna direita.
çado na coluna de débito da conta-corrente; Nada mais pode ser deduzido até que se sai-
o mesmo valor, na coluna de crédito de uma ba algo sobre quais contas são afetadas pela
conta de vendas, uma conta de receita. Nesse transação.

mentos da contabilidade em regime de caixa e sações sendo escrituradas no exercício contá-


competência serão discutidos em seções pos- bil, mas possui duas vantagens importantes:
teriores deste capítulo.
l . Mais precisão, pois a conta podem e r
mantidas e m equilíbrio com mai faci li-
Partidas dobradas contra dade;
partida simples 2. A possibilidade de elaborar demon tra-
Com um sistema de caixa de partida simple , ções financeiras completas (incluindo ba-
só é feita uma entrada nos livro para escri- lanço patrimonial) a qualquer momento,
turar um recebimento ou dispêndio. Uma diretamente a partir do dado já regi tra-
venda de trigo teria seu montante registrado dos no sistema.
sob a coluna "Vendas de grãos" do livro-ra- A maior precisão da contabilidade em
zão. Um cheque passado para pagar ração te- partidas dobradas advém das dua e ntrada
ria seu valor lançado sob a coluna "Despesa em contrapartida, o que significa que os dé-
com ração". Assume-se que o outro lado da bitos devem ser iguais aos créditos para cada
transação sempre seja caixa, o que muda o transação escriturada. Também ignifica que a
saldo da conta-corrente. Na prática, o canho- equação contábil básica de
to do talão de cheques pode ser visto como a
outra entrada, apenas não sendo incluída no Ativos = Passivos + Patrimônio líquido
livro- razão. será mantida. O istema em partida dobrad
Um sistema de partidas dobradas registra mantém os valores atuais do ativo e pas i o
as mudanças no valor dos ativos e passivos, no sistema concábil, pos ibilitando que ejam
além de receitas e despesas. Deve haver lan- geradas demon traçõe financeiras diretamen-
çamentos iguais em contrapartida para cada ce a partir do si tema contábil, em nece ida-
transação. Esse sistema resulta em mais tran- de de inforrnaçõe externa .
40 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Sistema básico contra completo acompanhado de diver os módulos periféricos


opcionais. Assim, o usuário pode se famili arizar
O i tema contábil mais básico e simples seria
com o programa e cu resultado básico cm ser
manual, u ando apenas contabilidade de caixa.
assoberbado por sua complexidade. Mais tarde,
Um si tema completo seria computadorizado,
se necessário ou desejado, podem er acrescen-
com recursos tanto para contabilidade em
tados módulos de estoque, depreciação, fo lha de
regime de caixa (para fins tributários) como
pagamento e registros de produção.
para contabilidade em regime de competência
Quão completo o sistema de conta bili-
(para fins gerenciais). Ele também consegui-
dade deve ser para um determinado negócio
ria acompanhar estoque, calcular depreciação,
acompanhar empréstimos, realizar análise de rural depende basicamente das respostas a trê
empreendimentos e lidar com toda a contabi- perguntas:
lidade da folha de pagamento de empregados. 1. Quanto conhecimento de contabilidade o
Entre esses dois extremos, há muitas pos- usuário possui?
sibilidades. Por exemplo, pode-se manter um 2. Quais são o tamanho e a complexidade do
sistema básico simples em um computador com negócio rural e de suas atividades finan-
qualquer um dos vários programas de finanças ceiras?
pessoais disponíveis. O próximo passo seria 3. Quanta e que tipo de infonnação é neces-
um dos vários programas de contabilidade de sário ou desejado para a tomada de deci-
pequenas empresas, que podem ser usados para sões gerenciais?
contabilidade rural modificando-se os nomes
das contas. Esses programas podem fazer conta- A falta de treinamento em contabilidade não
bilidade em regime de caixa ou em regime bási- deve impedir agropecuaristas de usar um pro-
co de competência. Eles são, na maioria, progra- grama de contabilidade dos mais completos.
mas baratos, mas relativamente eficientes, que Muitos deles só exigem um conhecimento li-
costumam fazer um bom trabalho de "disfarçar" mitado de contabilidade. Pode-se obter mais
o fato de que o usuário está tratando de débitos informação sobre contabilidade na forma de
e créditos. É preciso muito pouco conhecimen- manuais de aprendizado autônomo, cursos
to de contabilidade para usar esses programas e para adultos e institutos especiais de ensino
para conseguir um resultado útil e preciso. superior. O preço dos programas de contabi-
A maioria dos agropecuaristas que desejam lidade rural mais completos (e, portanto, mais
um sistema completo utiliza programas de con- caros) pode incluir treinamento sobre o uso do
tabilidade feitos especificamente para uso rural. programa em questão, assim como assistência
Esses programas usam terminologia rural e são técnica gratuita por algum tempo.
projetados para lidar com muitas das situações Quanto maior o negócio rural, mais em-
exclusivas da agropecuária, como contabiliza- preendimentos envolvidos, mais funcioná-
ção de animais reprodutores criados, verbas de rios contratados, mais ativos depreciáveis
programas rurais do governo e empréstimos de detidos e mais dinheiro tomado emprestado,
co11v1wdities e quantidade de produtos vendidos mais necessidade há de um sistema contábil
ou cm estoque. Muitos também permitem que completo. Programas de computador que cal-
o usuário mantenha, no mesmo programa, es- culam depreciação, acompanham estoques e
crituração em regime tanto de caixa quanto de preparam folhas de pagamento de funcioná-
competência para cada ano. Isso facilita o pa- rios como parte do sistema de contabilidade
gamento de impostos de renda em regime de estão se fazendo cada vez mais necessários e
caixa, ao mesmo tempo em que ainda se tem es- úteis. O tipo e a quantidade das informações
crituração completa em regime de competência fornecidas pelo sistema de contabilidade de-
para tomar decisões gerenciais. Algumas em- penderão do conhecimento e do interesse do
presas de software vendem um programa básico usuário e do tamanho do negócio. Entretanto
Capítulo 3 Aquisição e organização de Informação gerencial 41

u uário que começam com um i tema con- daquele cm que o produto ou c;crv iço adquiri-
tábil computadori zado bá · ico seguidamente do gerou um produto e a recclla relacio nada.
acabam achando que mais resultado seriam Pode-se comprar itens e pagá- toe; no fim de um
útei e, tal vez, neces á ri as . Essa é um a van- exercício, não sendo usados até o próximo. e
tagem de começar com um i tema com pleto iten usado. c m um ano podem e r pago no
ou que po sa facilmente pa ar por upgrades. ano cguin te. O primeiro cac;o é um exemplo
de de pesa antecipada (pré-paga). e o segu ndo,
de conta a pagar (devida). Uma de pc a a pa-
FUNDAMENTOS DE gar (despesa acum ulada), como j uro , é outro
CONTABILIDADE EM exempl o. Aqui, um item (caixa emprestado)
REGIME DE CAIXA es tá sendo u ado e m um ano, mas o cu to da-
quele item (j uros) só será pago no ano eguin-
1
O termo "caixa'' no nome talvez seja a melhor te, quando vence o pag amento anual.
descrição deste regime contábil. Com algu- Exi te, poré m, um a exeção importante à
mas poucas exceções, nenhuma transação é regra: apenas despe as de caixa são regi tra-
escriturada sem que haja caixa (dinheiro) gas- da e m um si tema de contabilidade em re-
to ou recebido. gi me de caixa. Ape a r de a depreciação não
ser uma despesa de caixa, ela geralmente é
Receita considerada uma de pe a quando e utiliza a
contabilidade e m regime de caixa.
Só se registra receita quando se recebe caixa
pela venda de produtos gerados ou serviços
prestados. O exercício contábil no qual os pro- Vantagens e desvantagens
dutos foram gerados ou os serviços foram pre - O regime de caixa é um i tema relaúvamente
tados não é considerado ao se registrar a receita. imple e fácil de usar, exigindo muito pouco
A receita é registrada no exercício contábil em conhecimento de contabilidade. Ele po ui al-
que se recebe caixa, não importando quando o gumas vantage n evidente para muito agro-
s produto foi gerado ou o serviço foi prestado. pecuaristas ao calcularem o lucro tributável
A contabilidade em regime de caixa pode para fin de impo to de renda.l
fazer (e muitas vezes faz) com que a receita Co ntudo, es a vantage n ão co ntra-
seja escriturada em um exercício contábil dife- balanceadas por uma grande de antagem.
rente daquele em que o produto foi produzido. Como assinalado, é comum que e e ritu-
Um exemplo comum é uma afra produzida rem receitas e despesas em um ano djferente
em um ano, armazenada e vendida no ano se- daquele em que o produto foi gerado ou em
guinte. Contas a receber no fim de um exercí- que a despesa foi u ada para gerar o produto.
cio contábil também resultam em caixa sendo
recebido em um exercício contábil posterior à
'Contudo, o fisco [Link]!ricano (lRS) impõe [Link] li-
produção do produto ou prestação do serviço. mites às despesas na contabilidade em regime: de caixa em
casos em que o pagamento em caixa ocorre muito ant do
Despesas benefício de produção ou quando o bcnefT io é de I nga
duração. Ele dão um e empto de um concrato de eguro
e A contabilidade em regime de caixa escritura de 36 mese pago no fim de um ano-calendário. men-
as despesas no exercício contábil em que elas te uma porçllo proporcional dc:ssa de pl!Sa em cai, ria
são pagas, isto é, quando o dinheiro é gasto. pennitida como dedução lribuuiria. ide Farmu 's Teu
G11ide. Publicaçilo 225, Depanamento do Te uro, Cnp. 2.
O exercício contábil em que o produto ou ser- 2
Pode haver diferenças entre receita de caixa cont b1l
viço foi adquirido não é considerado. Logo,
e receita de caixa para lin de impo 10 de re nda. ide
as despesas podem ser registradas cm um ano Fanner's Teu G11ide, Publicação __5, Depanam nto do
ou exercício contábil completamente diferente Tesouro. Cap. 2.
42 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Portanto. pode ser que nem a receita, nem as O regime de competência registra o estoque
despesas tenham qualquer relação direta com como receita. Um imples exemplo mostrará
as atividades de produção efetivas de um dado por que isso é importante . Imag ine q ue um
ano. O resultado é um lucro estimado que tal- agricultor produz uma afra, mas a armazena
vez não represente verdadeiramente o lucro inteira para vendê-la no ano seg uinte, quando,
advindo das atividades produtivas do ano. espera-se, os preço estarão maiorc . No ano
Essa falha do regime de caixa em fazer de produção, não haveria venda cm caixa,
corresponder receita e despesas no mesmo mas pre umivelmcntc haveria algumas despe-
ano em que a produção relacionada ocorreu as de caixa. No regime de caixa, haveria um
é uma grande desvantagem desse método. lucro negativo (prejuízo) no ano. Ore ultado
Comparado ao lucro real, o lucro acusado pela é um mau indicador do resultados das ati i-
contabiljdade em regime de caixa pode ser dades produtivas do ano, ignorando completa-
muito distorcido: ele pode ser superestimado mente o valor da safra armazenada.
em alguns anos e subestimado em outros. Se O regime de competência inclui uma es-
essa estimativa de lucro é usada para tomar timativa do valor da safra armazenada como
decisões gerenciais para o futuro, o resultado receita no ano em que ela foi produzida. Isso
costuma ser decisões ruins. é feito acrescentando-se um aumento de esto-
que, do início ao fim do ano, a outras receitas.
Uma diminuição de estoque é deduzida de ou-
FUNDAMENTOS DE tras receitas. O resultado é um lucro estimado
CONTABILIDADE EM REGIME que representa mais precisamente os resulta-
DE COMPETÊNCIA dos financeiros das atividades produtivas do
ano. Da mesma maneira, e pela mesma razão,
A contabilidade em regime de competência é valores não cobrados relativos a serviços pre-s-
o padrão da profissão contábil. Ela exige mais tados (contas a receber) também são registra-
lançamentos e conhecimento de contabilidade dos como receita.
do que o regime de caixa, mas entretanto, dá
urna estimativa do lucro anual muito mais pre- Despesas
cisa do que o regime de caixa.
Um princípio da contabilidade é a confron-
tação. Esse princípio diz que, uma vez que a
Receita receita de um ano seja determinada, todas as
A contabilidade em regime de competência despesas feitas na produção daquela rece ita
escritura como receita o valor de todos os pro- devem ser escrituradas no mesmo ano. Os re-
dutos gerados ou serviços prestados no ano. sultados para itens adquiridos e pagos nomes-
Quando os produtos são produzidos, vendidos mo ano são os mesmos nos regimes de caixa e
e o caixa é recebido tudo no mesmo ano, ela competência. Surgem diferenças quando itens
não difere do regime de caixa. A diferença se são comprados no ano anterior àquele em qu e
dá quando o produto é gerado em um ano e produzem receita (despesas antecipadas) ou
vendido no próximo ou quando o caixa por quando o pagamento só é feito no ano poste-
um serviço só é recebido em um ano posterior. rior àquele em que os itens são usados (contas
O regime de competência enfatiza que o valor a pagar e despesas a pagar).
do produto ou serviço deve ser contado como Para confrontar despesas com receitas no
receita no ano em que é gerado, não importan- ano correto, o lançamento contábil deve fazer
do quando o caixa é recebido. com que: l) as despesas antecipadas surjam
O tratamento do estoque é uma gran- como despesas no ano subsequente àquele em
de difcrença entre os regimes de caixa e de que o item ou serviço foi adquirido e pago;
competência em estabelecimentos rurais . 2) as contas a pagar sejam registradas como
Capítulo 3 Aquisição e organização de informação gerencial 43

d pesas, e mbora ainda não tenha sido desem- UM EXEMPLO DE CAIXA CONTRA
bol ado caixa para pagar pelos iten ; e 3) as COMPETÊNCIA
de pe a a pagar no fim do exercício ejam
in critas como despesas, embora não tenha As diferença entre 0 5 regime de cai xa e de
sido de embol ado caixa. Um exemplo típico competência, e o efeito decorrente obre o
deste último caso ão o j uro acumulados do lucro anual , ão mai bem expli cadas c m
último pagamento de juros até o fim do exer- um exemplo. Imagi ne que as informações na
cício. Es a despe a acumu lada reconhece que tabela a eguir co ntê m a mai o ri a das tra n. a-
o capital emprestado foi u ado para produzir çõe relevantes as ociadas à produção de uma
receita em um exercício, mas o próximo paga- afra no ano de 2012. Ob erve, contudo. que
mento de juro em caixa pode só vencer vários a Lran açõe relacionadas ao ano da afra de
meses depois, já no exercício segui nte. 2012 ocorrem cm Lrês ano . Como e as tran-
ações seriam tratadas no regime de caixa e
de competência e qual seria o lucro e. timado
Vantagens e desvantagens
em cada método? Cada tran ação erá exami-
Uma grande vantagem do regime de nada individualmente, e, então, erá calculado
competência é que ele dá uma estimativa mai o lucro de 2012 em cada regime.
precisa do lucro do que aquela obtida com
o regime de caixa. A isso se associa a infor- (a) Novembro de 2011
mação apurada fornecida para análise finan- Caixa: Aumentar a despe a co m fer-
ceira e tomada de decisão gerencial. Essa tilizante em US$ 8.000. O re ultado é
vantagens fazem do regime de competência o uma de pesa com fertilizante em 201 1
padrão da atividade contábil, geralmente sen- US$ 8.000 mais alta do que de eria poi
do exigida de todas as empresas com capital e se fertilizante 6 erá u ado para produ-
aberto em bolsa. Essa exigência assegura que zir safra ou receita em 2012.
os potenciais investidores possam ba ear ua Competência: Diminuir o cai a e m
decisão de investimento nas melhore infor- US$ 8.000 e aumentar a despe as an-
mações financeiras possíveis. tecipada no me mo valor. O re uhado
As desvantagens do regime de competência é a troca de um ativo (caixa) por outro
são, principalmente, o tempo e o conhecimen- (despe a a ntecipada), em efeito obre
a to extras necessários para utilizar corretamente a despesa com fertilizante de 20 l l.
esse método. Além disso, a contabilidade em
regime de competência pode não ser a melhor (b) Maio de 2012
e· opção para todos os agropecuaristas usare m ao Caixa: Despesa com e mente • quí-
s· calcular seu lucro tributável. micos e combu tível acre cida na
e

Mês/ano Transação
Novembro de 2011 Fenilizante comprado, pago e aplicado, a ser usado na afra de grãos de 2012, US~ .000
Maio de 2012 Sementes, químicos, combustível etc. comprado e pago . USS 23.000
Outubro de 2012 Combustível para secagem comprado e lançado na conta. US 3.000
Novembro de 2012 Metade dos grãos vendida e pagamento recebido, US 50.000. outra metade é
annazenada e tem um valor estimado de USS 50.000
Janeiro de 2013 Conta do combustível usado para secar os grão paga. US 3.000
Maio de 2013 Grãos restantes de 2012 vendido , USS 60.000
44 Parte li Mensuração do desempenllo gerencial

prnporçno ndcquadn dclns sobre os embora só tenha sido recchido o caixa de


us 25.000. metade deles.
Compctêncin: Cnixu é diminuído cm (f) Jonciro de 2013
US$ 25.000, e ns despesas com semen- Coixo: Aumentar a despesa com combu. -
tes. químicos e combustível são acresci- tível cm US$ 3.000.
das na proporção adequada delas sobre
Competência: Diminuir o caixa cm
os US$ 25.000.
US$ 3.000, e aumentar as contas a pagar
(e) Maio de 2012 cm US$ 3.000. Isso elimina a conta a
Em algum ponto de 2012, a despesa an- pagar, mas não aumenta a despesa com
tecipada deve ser convertida cm despesa combustível, pois isso foi feito em outu-
com fertili zante. bro de 2012.

Caixa: Sem lançamento. Já foi contabili- (g) Maio de 2013


zada como despesa. Caixa: Aumentar a receita com grãos cm
Competência: Diminuir a despesa anteci-
US$ 60.000.
pada e aumentar a despesa com fertilizantc Competência: Aumentar o caixa em
cm US$ 8.000 cada. A despesa antecipada US$ 60.000, aumentar a receita com
é eliminada, e a despesa com fertilizante grãos cm US$ 10.000 e diminuir o es-
de US$ 8.000 agora aparece como uma toque cm US$ 50.000. Essa venda indi-
despesa de 2012, como deveria. ca que havia mais grãos no lote do que
o estimado cm novembro de 2012. Para
(d) Outubro de 2012
ajustar cm relação a um ou ambos desses
Caixa: Sem lançamento para o combustível resultados, a receita com grãos deve ser
de secagem, pois não foi despendido caixa. aumentada cm US$ 10.000. O estoque
Competência: Aumentar a despesa com é diminuído pelo valor original para dar
combustível e aumentar a conta a pagar um saldo de US$ O. Ele deve possuir um
em US$ 3.000 cada. O resultado põe a saldo de US$ O, pois agora todos os grãos
despesa com combustível no ano correto foram vendidos.
(ele foi usado para secar grãos de 2012) Pode-se ver, a partir desse exemplo, que o
e cria um passivo, uma conta a pagar na regime de competência exige mais lançamen-
quantia de US$ 3.000. tos e mais conhecimento sobre contabilidade
(e) Novembro de 2012 do que o regime de caixa. Todavia, diversos
benefícios decorrem desses trabalho e conhe-
Caixa: Aumentar os grãos vendidos em
cimento extras. O mais importante é uma esti-
US$ 50.000.
mativa mais exata dos lucros.
Competência: Aumentar o caixa em Examine as transações mais uma vez.
US$ 50.000 e a receita com grãos cm O negócio produziu grãos com um valor
US$ 50.000. Como parte desse lançamen- de US$ 100.000 em 2012, mas só vendeu
to, ou como um lançamento separado, a metade. A outra metade estava estocada no
receita com grãos deve ser aumentada cm fim do ano. As despesas para produzir e -
mais US$ 50.000, e o estoque (um ativo ses grãos totalizaram US$ 36.000. Contudo,
novo) também deve ser aumentado cm US$ 8.000 desse valor foram pagos em 2011 ,
US$ 50.000. Esses lançamentos resultam e US$ 3.000 só foram pagos em 2013. Uma
na inclusão de todos os US$ 100.000 dos comparação do lucro de 2012 sob os regime
grãos de 2012 na receita de 2012, muito de caixa e competência mostrará como es ·a
Capítulo 3 Aquisição e organização de Informação gerencial 45

Lucro de 2012
Regime de cnlxn Regime de competência

Vendas de grilos cm caixa 50.000 (e) 50.000 (e)

A11me11ro do estoque de grãos NA 50.000 (e)


Receita total US$ 50.000 US$ 100.000

Fertilizante o 8.000 (c)


Sementes, químicos, combustível 25.000 (b) 25.000 (b)
Combustível para secagem o 3.000 (d)
Despesas totais 25.000 36.000

Renda rural líquida (lucro) US$ 25.000 US$ 64.000

distribuição da receita de caixa e gastos de trabalanceados por um decréscimo de estoque


caixa afeta o lucro. de US$ 50.000, pois não há grãos em estoque
O regime de caixa inclui apenas os re- no fim de 2013. Assim, a receita total líquida
cebimentos de caixa e gastos de caixa em seria apenas o valor dos grãos de 20 l 3 mais o
2012; portanto, só há dois lançamentos. O lu- aumento de US$ l 0.000 no valor dos grãos de
cro calculado é de US$ 25.000. O regime de 2012. Novamente, o regime de competência
competência, utilizando uma mudança no es- resultaria em uma estimativa mais precisa de
toque, inclui o valor de todos os grãos produ- como as atividades produtivas de 20 l 3 contri-
zidos cm 2012, embora nem tudo tenha sido buíram à posição financeira do negócio do que
vendido. De forma semelhante, ajustes por o regime de caixa.
meio do uso de uma despesa antecipada e uma
conta a pagar escrituram todas as despesas so-
fridas para produzir esses grãos como despe- RECOMENDAÇÕES DO
sas de 2012. O resultado é um lucro de US$ CONSELHO DE PADRÕES
64.000. Essa é uma estimativa muito mais FINANCEIROS RURAIS
precisa de como as atividades produtivas de
2012 contribuíram à situação financeira desse O relatório do Conselho de Padrões Financei-
negócio do que os US$ 25.000 estimados pelo ros Rurais norte-americano (Farm Financial
regime de caixa. Standards Council - FFSC) pressupõe um
Enquanto o regime de caixa exibe um lu- sistema baseado em competência em toda sua
cro menor do que o regime de competência discussão e suas recomendações sobre medidas
para 2012, o oposto pode ocorrer cm 2013. de análise financeiras. Entretanto, ek tamb~m
Imagine que todos os grãos produzidos cm reconhece que u grande maioria cios agropcc u-
20 13 sejam vendidos quando da colheita. aristas atualmente usa contabilidade cm regime
O re ultado ão rece bimentos de caixa para de cnixa e continurmí fazendo-o por um bom
rncti:ide dos grãos ue 2012 e pura toda a sa- tempo. Simplicidade, facilidade de u o I.!, fre-
fn.1 de 20 13 se ndo recebidos no mesmo ano. quentemente, vantagens de impos to de renda
Ore •ime de cuixa mostraria grandes rcce bi- süo J\:sponsáve is pelu popularidade do regi-
rncn to de caixu, despesas de cai xa de upc- me de cai u. Por conseguinte, o FFSC aceita
na um uno e, porlunto, um lucro grande. O o uso do regime de caixa durante o ano, ma ·
r girnc de competência mostrari a os mesmos recomenda veementemente que ·cjam feito
rcccbim ·ntos de cuixu, ma · eles scrium c.:on- ajustes de l'i111 de uno para rnnvcn cr o lucro
46 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Quadro 3-4 l!.ucro anual contra de vida útil

Os resultados diferentes oriundos de se usar glmes só servem para dividir o lucro da vida
regime de caixa ou de competência só surgem útil total de forma diferente entre os diferentes
nas estimativas anuais do lucro. Ao longo de anos da vida útíl do negócio. O lucro antes de
toda a vida útil do negócio rural, o lucro antes impostos da vida útil total poderia ser diferente
de impostos da vida útil total seria o mesmo por causa de diferenças de momento de inci-
com qualquer um dos regimes. Ambos os re- dência e valores do imposto de renda anual.

do regime de caixa em um lucro "ajustado por e assim por diante. Esse tipo de s istema de nu-
competência". Este último deve, então, ser usa- meração permite que a pessoa que está fazen-
do para análise e tomada de decisão gerencial. do os lançamentos rapidamente ache, organi-
O tipo e a natureza de alguns desses ajus- ze e controle as contas. Ao escolher nomes de
tes por competência talvez sejam evidentes no contas, pode ser útil consultar o Anexo F, For-
exemplo dado de regime de caixa contra regi- mulário 1040 do IRS, utilizado para declarar
me de competência. Uma discussão completa renda e despesas rurais para fins de imposto
desses ajustes e de como eles devem ser feitos de renda. Se o plano de contas contiver os
será adiada até o Capítulo 5, "A demonstração mesmos nomes do Anexo F, será fácil trans-
de resultados e sua análise". ferir valores do sistema de contabilidade para
o Anexo F.
A Tabela 3-1 é um exemplo de um pla-
PLANO DE CONTAS
no de contas básico para um negócio rural.
Seriam necessárias muito mais contas para
Um plano de contas (ou elenco de contas)
um negócio grande com vários empreendi-
relaciona e organiza todas as contas usadas
mentos, pois um negócio assim necessitaria
pelo sistema contábil. Ele inclui as categorias
de uma análise gerencial financeira porme-
maiores de ativos, passivos, patrimônio líqui-
norizada.
do, receita e despesas, tendo cada uma delas
subcontas, e talvez havendo subcontas dentro
dessas. Por exemplo, reparos seriam uma sub- RESULTADO DE UM SISTEMA
conta de despesas, podendo ter suas próprias CONTÁBIL
subcontas para reparos em edificações e ma-
quinário. O número de contas varia de negó- Todo sistema contábil deve conseguir pro-
cio para negócio, dependendo do tamanho, duzir alguns relatórios financeiros básicos.
número de empreendimentos, necessidades Sistemas computadorizados em regime de
do gestor e muitos outros fatores. Mais contas competência geram muitos relatórios diferen-
dão lugar a uma análise mais detalhada, mas tes. A Figura 3-2 expande a Figura 3-1 , mo -
demandam mais tempo e conhecimento de trando os produtos possíveis de um sistema
contabilidade. contábil. O balanço patrimonial e a demons-
Geralmente atribui-se a cada conta um tração de resultados vêm primeiro por duas ra-
número para auxiliar no seu controle. Esses zões. Primeira, eles são os dois relatórios mais
números são atribuídos a partir de um espec- comuns que saem de um sistema contábil; se-
tro alocado a cada categoria maior. Por exem- gunda, eles são os temas dos dois próximos
plo, lodos os ativos podem receber números capítulos. Outros relatórios possíveis, muitas
entre 100 e 199, os passivos, entre 200 e 299, vezes, são necessários e úteis, mas podem não
Cap ítulo 3 Aquisição e organização de informação gerencial 47

Tabela 3-1 Exemplo de plano de contas


Conta Descrição Tipo

Contas relacionadas a ativos


1010 Dinheiro cm espécie Caixa
1020 Conta-corrente Caixa
1100 Conta a receber Contas a receber
1200 Cultivas estocados E toque
1205 Animais estocados E toque
1400 De pesa antecipada Outros ativo circul ante
1470 Outros ativos circulante Outros ativos c irculantes
1500 Equipamento Ativos fixo
1510 Construção Ativos fixos
1690 Terra Ativos fixo
1710 Depreciação acumulada Depreciação acumulada

Contas relacionadas a passivos


2000 Contas a pagar Contas a pagar
2420 Porção circulante da dívida de longo prazo Outro pas ivos circulante
2480 Outros passivos circulantes Outro pa ivos circulante
2600 Passivos não circulantes - terra Pa sivo não circulante
2740 Outros pas ivos não circulante Pa ivo não circulante

Contas relacionadas a receitas


4020 Cultivo vendidos Renda
4080 Animais vendidos Renda
4l00 Verbas governamentais Renda
4200 Outras rendas Renda
5000 Ganho/perda com venda de ativos Renda

Contas relacionadas a despesas


6400 Despesa agrícola De pe as
6600 Despesa com depreciação Despesas
6750 Despe a com ração e grãos De pesas
6760 Reparos De pe a
7010 Impostos imobiliários Despesas
7050 Despe a de seguro De pesa
7100 Despesa de juros Despesa
8900 Outra despesa Despesas

ser possíveis em todos os sistemas, nem ser de fin anceira de um negócio em um ponto
3
uso generalizado. do tempo. Uma di cus ão pormenorizada
desse relatório e de eu u o erá feita no
Balanço patrimonial O balanço patrimo-
Capítulo 4.
nial é o relatório que apresenta a situação
Demonstração de resultados Uma de-
monstração de re uhado é um relatório
3
Os 12 relatórios possíveis discutidos aqui foram adapta- de recei ta e despe a , terminando co m
do de J. F. Guenthncre R. L. Witunan: Se/ecrim1 and /111 -
uma e timaliva da renda rural líquida.
ple111entario11 of a Farm Record Sysrem, Westem Regional
Extension Publication WREP 99, Cooperntive Extension Esse relatório crá di cut ido em detalhe~
Service, Univcrsity ofOhio, 1986. no Capítulo 5.
48 ração do desempenho gerencial

. . desde " Atividades de 1 Atividades de :


...,___,_º
. ,1 investimento i, financiamento 1
._ _ _ .JJ
-
t,
S- e a
co tá i1
--
Demonstração 1
de resultados
1

- - -- --- -- - ----------
,_

l
Diârio de Livro-razão
transações geral
'
l
l
Plano de Inventário
depreciação de estoque

Re!atõrios de íl Registros de
empreen e to
'•
funcionários
1
h

l
Declarações de Demonstração
imposto de renda dos fluxos d e caixa
1
De onstra?o
das aheraçoes
n Relatório de d espesas
do património liquido ll de sustento familiar

Figura 3-2 Doze relatórios possíveis de um sistema contábil.

Diário de transações É um registro de resultados, e saldos nas contas de ali os,


todas as transações fi nanceiras, incluindo passivos e patrimônio líquido são usados
número de [Link] e depósitos, datas, para elaborar um balanço patrimonial.
sacadores e sacados, quantias e descriti-
Plano de depreciação O pla no de de-
vos. Um canhoto de talão de [Link] é
preci ação é uma parte necessária de
uma forma de diário de transações, mas
qualquer sistema de contabilidade. A de-
não contém todas es as informações. Esse
preciação anual de todos os ativos depre-
diário é uúlizado para fazer lançamentos
ciáveis deve ser calculada e escritu rada
no livro-razão geral e para oferecer uma
como despesa antes de se poder elaborar
pi ta de auditoria.
uma demonstração de resultados. Isso se
Livro-razão geral O livro-razão geral aplica tanto em regime de caixa quanto
mostra as diferentes contas financeiras do e~ regi~e de competência. A deprecia-
negócio e o saldo dessas contas. Saldos çao e as m~ormações constantes no plano
nas contas de receita e despesas são usa- de depreciação são discutidas e m deta-
dos para elaborar uma demon tração de lhes no Capítulo 5.
Capítulo 3 Aquisição e organização de informação gerencial 49

ln entá rio de estoque E e é um rela- si temas, será nece sário pegar alares do
tório útil, e pecialmente para operaçõe relatóri o cont.ábei e in c ri-los no Anexo
agropecuárias de grande porte. Ele con- F do Formulário 1040 do IRS. O proce ~
trola a quantidade e o valor da safras e pode er mai simple se as con tas do li-
do animai à mão, registrando compras, vro-razão geral tiverem o me mo nome
endas, nascimento , morte , quantidade e organização das categori as de se anexo.
colhidas e quantidade de ração dada. É útil Alirnn i tema cont.ábei computadori-
para monitorar a di ponibilidade e o u o zado con cguem compilar e imprimir
de ração desenvolver um programa de co- informações fi cai no mesmo formato. fa-
mercialização e monitorar estoques onera- cilitando a tran ferência do dados. Outro
do como garantia de um empréstimo. programas duplicam o Anexo F e impri-
mem uma declaração preen hida
Relatórios de empreendimento São
como demon trações de re ultado para Demonstr ação do fluxo de caixa Essa
cada empreendimento eparado. São demon tração intetiza todas font
úteis para verificar quais empreendimen- e o uso de caixa durante o exercí io
tos estão contribuindo com mais lucro ao contábil, endo útil para anali ar ati-
negócio, sendo, portanto, candidatos a ex- vidade comerciai dura nte o xercí io.
pansão. Empreendimentos identificado Se realizada mensalmente, permite com-
como não lucrativos tomam- e candida- parar o fluxo de caixa reai om or-
tos a elimi nação. çado . Ela também é importante como
fonte de dados ao e elaborar um orça-
Registros de funcionários Toda empre-
mento de fluxo de caixa para o pró imo
sa com func ionários precisa manter uma
exercício contábil.
quantidade considerável de dado obre
cada fu ncionário. Isso inclui não apenas Demonstração das alterações do pa-
informações como horas trabalhadas, mas trimônio líquido Tran ações finan ei-
dados financeiros sobre salário bruto, de- ra durante o e ercício contábil afetam o
duções de imposto de renda e pre idência patrimônio líquido (ou valor lfqujdo) do
social, e assim por diante. Vários relató- negócio. E ta demon tração identifi a e
rios de folha de pagamento devem ser resume a font de as mudan
protocolizados dentro do prazo em órgão
Relatório de despesas de sustento fami-
estaduais e federais. Todo e se trabalho
liar Embora não eja realmente uma par-
relacio nado à folha de pagamento pode
te das ati idade financeiras do neg io,
ser fei to à mão, mas há muito programas
é desejável manter regi rro derolh do
computacionais projetados especialmente
das de pe as de u tento da família. o
para calcular e regi trar alário bruto, de-
se aplica especialmente a g to que po-
duçõe e salário líquido. Se o programa
dem er dedutí ei do impo to de renda.
de folha de pagamento faz parte do pro-
o amente, i o pode er feito manual-
gr ama de contabilidade geral, toda essa
mente ou incl uído como parte d tema
informação pode ser inserida automatica-
de contabilidade rural, desd que tome
me nte no livro-razão geral.
cuidado para que os regi tr0 merc1a1
Declarações de imposto de renda A e pe soai não e mi turem. E i t m tam-
informações pro e nientes de qu alque r bém program de omputador b tam
sistema de contabilidade rural devem er barato projetad unicamente para reg· -
suficientes para preencher a declaração de trar, intetizar e analisar de pe em e -
imposto do estabelecimento. Em algun timento pe ai .
50 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

RESUMO
---
Este capítulo di correu sobre a importância. a finalidade e o uso da escrituração como ferramenta gerencial.
Regi tros dão a informações necessárias para medir como o negócio está indo em termo da consecução
de suas metas. Eles também dão um retomo para a avaliação dos re ultados das decisões pa adas, assim
como da capacidade de tomada de decisão do gestor. Por fim. registros individualizados por estabelecimen-
to agropecuário talvez sejam a melhor fonte de informação necessária para tomar decisões atuai e futuras .
Todo sistema de contabilidade ou escrituração precisa conseguir lidar com transaçõe oriundas das
atividades de produção. investimento e financiamento do negócio rural. As e colhas de exercício contábil,
regime de caixa ou de competência, partidas dobradas ou partida simples e i tema bá ico ou completo são
importantes. Elas afetam a quantidade, a qualidade e a precisão das informações oferecida pelo sistema
contábil e o tempo exigido para a escrituração. Também se deve considerar o resultado exigido ou desejado
do sistema de contabilidade ao se fazerem essas escolhas.

PERGUNil'AS PARA REVISÃO E REftEXÃO


1. Que fatores afetam a escolha do exercício contábil para agropecuaristas?
2. Como se faria um balanço patrimonial com uma contabilidade de partida simples em regime de caixa?
3. É possível usar partidas dobradas em um sistema de regime de caixa? Se sim, quais são as vantagens
e desvantagens?
4. É possi'vel utilizar partida simples em um regime de competência? Por quê?
5. Examine o material de publicidade de diversos software de contabilidade rural. São sistemas em regi-
me de caixa ou competência? Partidas simples ou dobradas? Qual é a disponibilidade dos 12 relatórios
de sistema contábil discutidos neste capítulo em cada programa? São possíveis outros relatórios?
6. Coloque um X em cada espaço para indicar se um evento comercial é uma atividade de operação,
investimento ou financiamento.

Evento Operação Investimento Financiamento


Pagar em caixa por reparos em um trator
------
Tomar USS 10.000 emprestados
Pagar juros sobre um empréstimo
Debitar USS 1.000 de ração
Depreciação do equipamento
Vender USS 12.000 de milho
Comprar uma picape
Pagar o principal de um empréstimo

7. Explique a diferença entre uma conta a pagar e uma conta a receber.


8 _ Quais produtos um estabelecimento agropecuário típico possui em estoque ao fim do ano?
9. Qual é a equação básica da contabilidade?~ dono de um negócio estaria mais interessado em ver qual
de suas partes aumentar ao longo do tempo.
1O. Por que se recomenda usar os resultados de um sistema contábil em regime de competência para tomar
decisões gerenciais?
O balanço patrimonial e
sua análise

Objetivos do capítulo
1. Discutir a finalidade do balanço patrimonial. 5. Definir patrimônio líquido ou valor líquido
2. Ilustrar o formato e a estrutura do balanço e mostrar sua importância.
patrimonial. 6. Analisar a solvência e a liquidez de uma
empresa por meio do uso de diversas
3. Discutir os diferentes métodos de avaliar
ativos e os métodos de avaliação reco- razões financeiras derivadas do balanço
mendados para diferentes tipos de ativos. patrimonial.
4. Mostrar a diferença entre um balanço pa- 7. Introduzir a demonstração de alterações
trimonial com base no custo e com base do patrimônio líquido e explicar sua cons-
no mercado. trução.

O Capítulo 3 introduziu o balanço patrimo- monial se concentra em estimar o valor líqui-


nial e a demonstração de resultados como doi do ou patrimônio líquido, a aliando e organi-
dos produtos ou resultados de um sistema de zando ativos e pas ivos.
contabilidade. Eles fazem parte de um grupo A maioria das transações afeta tanto o ba-
completo de demonstrações financeiras, mas lanço patrimonial quanto a demon tração de
servem a diferentes finalidades . O balanço resultados. Podem ocorrer tran açõe diaria-
resume a condição financeira do negócio em mente; por is o, o balanço pode mudar diaria-
11111 momento, enquanto a demonstração de mente. É por isso que o conceito do 1110111e11to
resultados resume as transações financeiras é enfatizado ao e falar sobre o balanço pa-
que afetaram receitas e despesas ao lo11go de trimonial. Embora concebidos com diferente
um período. A finalidade da demonstração de propó itos, há uma relação ou conexão it 1
resultados é dar uma estimativa do lucro ou entre essas duas demon ·truçõe financeira ,
renda rural líquida, enquanto o balanço patri- como será di cutido no Capítulo 5.
52 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

FINALIDADE E USO DO BALANÇO uma demonstração de fim de ano para um exer-


PATRIMONIAL cício contábil e uma demonstração de início
de ano para o próximo exercício. Para fins de
Um balanço patrimonial é a organização siste- comparação e análise, é necessário po suir um
mátka de tudo que é "possuído" e "devido" por balanço patrimonial disponível para o início e
uma empresa ou pessoa em um dado momento. para o fim de cada ano.
Qualquer coisa de valor pertencente a uma em- A medição da posição financeira de um
presa ou pessoa é chamada de ativo, e qualquer negócio em um momento é feita csscncial-
dívida ou outra obrigação financeira devida a menle utilizando-se dois conceitos:
outrem é chamada de passivo. Portanto, um ba-
1. Solvência, que mede os pa sivos do negócio
lanço patrimonial é uma lista de ativos e passi-
em relação ao patrimônio líquido investido
vos que termina com uma estimativa do valor lí-
no negócio. Ela lambém dá uma indicação
quido ou patrimônio líquido, obtido tirando-se a
da capacidade de quitar todas as obrigações
diferença entre o valor dos ativos e passivos. Ele
financeiras ou passivos se todos os ativos
é o valor que os proprietários têm investido no
fossem vendidos; isto é, mede o grau em
negócio. Embora ambos os termos signifiquem
que os ativos são maiores que os passivos.
a mesma coisa, convenciona-se que "patrimônio
Se os ativos não forem maiores que os pas-
líquido" é geralmente usado para um balanço
sivos, o negócio é insolvente, sendo um pos-
patrimonial possuindo apenas ativos e passivos
sível candidato a processo de falência.
comerciais, enquanto "valor líquido" é usado
para um balanço patrimonial pessoal ou que 2. Liquidez, que mede a capacidade do ne-
combine infonnações comerciais e pessoais. O gócio de honrar as obrigações financeiras
"balanço" do balanço patrimonial vem do requi- à medida que vencerem sem interromper
sito de que o livro-razão esteja em equilíbrio por as operações normais do negócio. A li-
meio da equação contábil básica de quidez mede a capacidade de gerar caixa
nos valores necessários e nos momentos
Ativos = Passivos + Patrimônio líquido necessários. Esses requisitos de caixa e
possíveis fontes de caixa geralmente são
Reordenar essa equação permite que se co-
medidos somente em relação ao próximo
nheça o patrimônio líquido quando são conhe-
exercício contábil, fazendo da liquidez
cidos os ativos e passivos:
um conceito de curto prazo.
Patrimônio líquido= Ativos - Passivos
Pode-se elaborar um balanço em qualquer mo- FORMATO DO BALANÇO
mento de um exercício contábil. Uma das van- PATRIMONIAL
tagens dos sistemas computadorizados de con-
tabilidade é a facilidade com que um balancete Um . formato
. geral e condensado d e b a 1anço
pode ser elaborado, como, às vezes, é neces- patnmomal é exibido na Tabela 4- 1 O .
fie . s auvos
sário para um pedido de empréstimo. Contudo, am na part~ esquerda ou superior do balan-
a maioria dos balanços é elaborada no fim do ço, e os passivos são colocados à d. .
exercício contábil (na maioria das propriedades abaixo dos ativos. ire11a ou
rurais, 31 de dezembro).* Esse procedimento
faz com que um único balanço patrimonial seja Ativos
Um ativo possui valor por um d
• N. de R. T. Entretanto. nos países do Hemisfério Sul, - p · ·
zoes. nme1ra: pode ser vendido
ª estas duas ra.-
é frequente a consideração do ano agrícola, iniciando xa, ou; segunda· podes para gerar cai-
em 1° de julho e terminando em 30 de junho do ano cívil . er usado .
outras mercadorias que para produzir
subsequente. ' 'por sua vez, podem ser
Capítulo 4 O balanço patrimonial e sua análise 53

vendidas em troca de caixa em algum momento ati vo . Outros ativoc; circulante incluem ações
futuro. Mercadorias que já foram produzidas, e títulos de dívida imed iatamente negociáveis;
como grãos ou animais de engorda, podem ser contas e promissórias a receber (que represen-
vendida rápida e faci lmente, sem interromper tam dinheiro devido ao negócio cm razão de
a atividades de produção futuras. São o cha- empréstimo concedido , produtos ve ndido
mados ativos lfquidos. Valores mobiliário ne- ou serviço prestado ); e estoq ue de ração,
gociáveis (açõe , título de dívida, etc.) e o valor grãos, uprimentos e animai de engorda. Es-
em dinheiro do seguro de vida também ão fá- te último ão animai mantidos basicamente
ceis de converter em caixa, endo considerado para ve nda, e não para fi n reproduti vos.
ativos líquidos também. Ativos como máquinas, Ganho ou perda de hedging, e for o
animais reprodutores e terra são mantidos basi- caso, é colocado abaixo da eção de ativo cir-
camente para produzir commodities agropecuá- culante do balanço. Se, por exemplo, o agri-
rias, que, então, podem ser vendidas para pro- cultor vende 10.000 saca de milho no mer-
duzir renda em caixa. Vender ativo produtores cado de futuro a US 3,50 por saca, endo
de renda para gerar caixa afetaria a capacidade o preço de futuros atual US 3,40, um ganho
da empresa de produzir renda futura; assim, eles de US 1.000 (US$ O, 1O x 10.000) eria in-
são menos líquidos, ou ilíquidos. Esse ativos formado no balanço patrimonial. Se, por ou-
são também mais difíceis de vender rápida e fa- tro lado. o preço de futuros atual ubis e para
ci Imente ao seu valor de mercado integral. US$ 3,60, -US$ 1.000 criam inform ado
no balanço cm ativos circulantes. A 10.000
Ativos circulantes sacas de milho que foram protegida eriam
Os princípios contábeis exigem que se sepa- incluídas no estoque atual de gênero , endo
rem ativos circulantes de outros ativos no ba- avaliada ao preço atual de mercado.
lanço patrimonial. Ativos circulantes são os
ativos mais líquidos, que serão utilizados ou Ativos não circulantes
vendidos no próximo ano como parte das ati- Todo ativo não classificado como circulante
vidades comerciais normais. Dinheiro vivo e é, por definição, um aúvo não circulante. Em
saldos de contas-correntes ou poupança são uma propriedade rural, esse ati o incluiriam
ativos circulantes, sendo os mais líquidos dos basicamente máquinas e equipamento • ani-
mai reprodutores, edificaçõe e terra.

Tabela 4-1 Formato geral de um balanço


patrimonial Passivos
Ativos Passivos Um passivo é uma obrigação ou dí ida de ida
a outrem. Representa a preten ão de um ter-
Ativos uss 100 Passivos USS60
ceiro sobre um ou mais ali o do negócio.
circulantes circulantes
Ativos nilo 400 Passivos não _2QQ Passivos circulantes
circulantes circulantes
Passivos circulantes de em er eparado de
Total de US$ 260
todo os demais passivos para que o balanço
passivos
patrimonial iga princípio contábeis b ' ic •.
Patrimônio 240 Passivos circulante ão obrigaçõe financei-
líquido
ras que ve ncerão dentro de um ano a partir
Total de USS500 Tmal de uss 500 da data do balanço, portanto exigindo que
ativo passivos e haja caixa di poní el naquele valor den-
patrimônio tro do próximo no. Exemplos t!riam cont
líquido
a pagar em estabelecimento de ·uprimento
54 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

rurai por mercadoria e serviços recebidos, acumulados (ou impo tos de renda a pagar),
ma ainda não paga , e o montante total de como um passivo circulante.
principal e juro ac umulados sobre todos os
empré timo de curto prazo ou promis órias Passivos não circulantes
a pagar. Empréstimos de curto prazo são os Incluem toda a obrigações que não têm
que demandam pagamento integral do prin- que ser pagas integralmente no próximo ano.
cipal em um ano ou menos. Geralmente são Como dito, todos os principais que vencem no
empréstimos usados para comprar insumos de ano seguinte seriam mo trados como pa ivo
produção agrícola, animais de engorda e ração circulante, e o saldo restante da dívida seria
para animais de engorda. relacionado como passivo não circulante.
Empréstimos obtidos para a compra de Deve-se tomar cuidado para que a porção cir-
maquinário, animais reprodutores e terra cos- culante desses pas ivos eja deduzida, escritu-
tumam ter prazo maior que um ano. Os pa- rando-se como passivo não circulante apenas
gamentos do principal podem se estender por o valor restante a ser pago após o pagamento
três a cinco anos para máquinas e até 20 anos de principal do ano seguinte.
ou mais para terra. Entretanto, geralmente
vence um pagamento do principal a cada ano
ou semestre, e esses pagamentos exigem cai-
Patrimônio líquido
xa no ano seguinte. Portanto, todos os paga- O patrimônio líquido representa a quantia de
mentos de principal a vencer no ano seguinte, dinheiro que sobraria para o proprietário do
não importando se para empréstimos de curto negócio caso os ativos fossem vendidos e to-
prazo ou não circulantes, são incluídos como dos os passivos fossem pagos na data do balan-
passivos circulantes. ço patrimonial. É tan1bém chamado de valor
O conceito de momento exige que se líquido, sobretudo quando o balanço contém
identifiquem todos os passivos que existem informações financeiras da família, além do
na data do balanço patrimonial. Em outras negócio. O patrimônio pode ser encontrado
palavras, que obrigações teriam que ser satis- subtraindo-se os passivos totais dos ativos to-
feitas se o negócio fosse liquidado e deixasse tais, sendo, assim, o valor "balanceador", que
de existir hoje? Algumas despesas tendem a faz os ativos totais serem exatamente iguais
acumular diariamente, mas só são pagas uma aos passivos totais mais o patrimônio líquido.
ou duas vezes ao ano. Exemplos disso são ju- O património líquido é o investimento ou pa-
ros e impostos imobiliários. Para contabilizá- trimônio atual do proprietário no negócio.
-las adequadamente, despesas acumuladas O patrimônio líquido pode mudar, e
são incluídas como passivos circulantes. Se- muda, por diversas razões. Uma mudança co-
riam incluídos nessa categoria juros que acu- mum e periódica advém do uso de ativos para
mularam desde o último pagamento de juros produzir cultivas e animais, com o lucro des-
de cada empréstimo até a data do balanço sas atividades produtivas sendo, então, usado
patrimonial. Impostos imobiliários acumu- p_ara comprar mais ativos ou reduzir os pas-
lados seriam tratados da mesma maneira, sivos. Esse processo produtivo toma tempo,
e pode haver outras despesas acumuladas, e u~a da_s razões para comparar um balanço
como salários e retenções tributárias empre- patrimonial do início do ano com um do fim
gatícias, que incidiram, mas ainda não foram
pagas. Os impostos de renda sobre renda ru-
do ano é estuda~
ano sobre o
º:
patnmomo
~feitos da produção do
líquido e a compos1- .
_ . .
ral costumam ser pagos vários meses após o çao de ativos e passivos · o patri' m omo 11qm
A • , 'd o
fechamento do exercício contábil. Portanto, também mudará
. se houver mud ança no va 1or
o balanço do fim de um exercício contábil de um atJvo, for recebida uma d _
. . oaçao ou he-
também deve apresentar impostos de renda rança, contnbu1r-se ou reti'rar dº h .
-se in e1ro ou
Capítulo 4 O balanço patrimonial e sua análise 55

bens do negócio o u um ativo for vendido por Contudo, e le não re. tringe todos o itens não
ma i o u menos do que seu valor no balanço c irculantes a uma única categoria. Pe rmi te-. e
pat rimoni al. um balanço de três categorias se a pessoa c rê
E ntretanto, mudança na composição de que e se formato ac re centa informação e se
ati vo e passivos podem não ocasionar uma for informada a defin ição usada para ativo e
mud ança no patrimôni o líquido . Por exe m- pas ivos intermediários.
plo, se fore m usados US$ 10.000 e m caixa As categorias com uns do balanço agrope-
para co mprar um a máquina nova, o patrimô- c uário tradicional ão exibida na Tabela 4-2.
nio líqu ido não muda. Agora há US$ 10.000 At ivo e passivos circulante ão e parado
a menos de ati vo ci rculantes (caixa), mas há do demai ativos e pa ivo , como exigido
US$ 10.000 a mais de ativos não circul antes (a pelos princípios contábeis . E as categorias
máquina). Os ativos totais continuam os me - conteriam exatamente o me mo iten men-
mos, e, portanto, o patrimônio líquido também. cionados na d i cussão da Tabela 4-1. A dife-
Se fore m tomados emprestados US$ 10.000 rença entre o dois formatos re ide na divi ão
para comprar essa máquina, ativos e passivos de ativos e passivos não circulante em duas
aumentarão no mesmo valor, deixando a dife- categorias: intermediários e fixo (ou de longo
rença, ou patrimônio líquido, igua l a antes. A prazo).
aquisição não afetará o patrimônio líqu ido. No Ativo intermediários geralmente ão de-
entanto, ao longo do tempo, a perda de valor u nidos como meno líquidos do que ati o
do item, registrada pela depreciação, afetará o c irculantes, com uma vida útil maior que um
patrimônio líquido. Usar os US$ 10.000 para a no, porém me nor que 1O anos. Maquinário.
fazer um pagamento de principal sobre um em- equ ipame nto, c ul tives perene e a nimai re-
prés timo também não afeta o patrimônio. Os prod utore seriam o ativos intermediário
ativos foram reduzidos em US$ l 0.000, mas os usuais encontrados em balanço agropecuá-
passivos também. O patrimônio fica igual. rios. Ativos fixos ão o meno líquido , po -
Esses exemplos ilustram um ponto impor- suindo uma vida útil maior que l O ano . Terra
tante. O patrimônio líquido de um negócio só e edi ficações são os ativos fixo usuai .
muda quando o proprietário coloca mais capi-
tal pessoal no negócio (incluindo doaçõe ou
Tabela 4-2 Formato de um balanço
heranças), re tira capital do negócio ou quan-
patrimonial com três categorias
do o negócio apresenta um luc ro ou prej uízo.
Ativos Passivos
Mudanças nos valores de ativos de idas a mu-
danças nos preços de mercado também afetam Alivo USS I 00 Pa ivo USS60
o patrimônio se os ativos forem avaliados ao circulantes circulante
valor de mercado. Contudo, muitas transações Ativo 120 Passi os 75
comerc iais só mudam a combinação ou com- intennedi:irios intem1ediário
posição de a tivos e pass ivo , não afetando o Ativos fixos 280 Passivo de IL5
patrimônio líquido. longo prdZo
Total de S 260
Formato alternativo passi o ·

Ba la nços agropecuá rios , por tradição, in- Patrimônio S 2-40


cluem três categorias de ativos e passivo , en- líquido
qua nto a profissão contábil utiliza duas, como Total de USS 500 Total de S 00
mostrado na Tabe la 4- 1. O FFSC reforça o a tivos passi o e
patrirnõnio
pr incípio contábil de separar ite ns circulantes
líquido
dos não circ ulantes no balanço patrimonial.
56 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Pa sivo intermediário ão obrigações método do valor justo de mercado ou do preço


de dívida em que o pagamento do principal se líquido de mercado. Todos os valores norm ais
dá ao longo de um período superior a um ano, de comercialização, corno frete, comissões
estendendo-se até 1O anos. Nom1almente, um de venda e outras cobranças, são ubtraídos
'
pouco do principal e dos juros vence todo ano, encontrando-se o valor de mercado liquido.
e o pagamento de principal do ano corrente Este método pode ser usado para muito tipos
seria exibido como passivo circulante, como de propriedade, mas funciona especialmente
exposto anteriorrnente. A maioria dos passivos bem para itens que poderiam ou serão vendi-
intermediários seria empréstimos em que o di- dos em um prazo relativamente curto como
nheiro foi usado para comprar máquinas, ani- parte normal da atividades comerciais e para
mais reprodutores e outros ativos interrnediá- os quais há preços atuais de mercado dispo-
rios. Passivos de longo prazo são obrigações níveis. Exemplos são feno, grãos, animai de
de dívida em que o período de pagamento se engorda, ações e títulos de dívida.
estende por mais de 1O anos. Hipotecas rurais
e contratos de compra de terra são os passivos Custo
de longo prazo usuais, com período de paga-
mento podendo ser de 20 anos ou mais. Itens que foram comprados podem ser avalia-
Ativos e passivos intermediários, muitas dos ao seu custo original. Este método funcio-
vezes, são uma parte considerável e impor- na bem para itens que foram adquiridos recen-
tante dos ativos totais e passivos totais dos temente e para os quais ainda há registros de
estabelecimentos agropecuários. Além disso, custo disponíveis. Para uma avaliação conser-
os valores da terra podem ser voláteis em al- vadora, geralmente avalia-se terra pelo custo.
gumas regiões, sendo afetados por condições Ração, fertilizante, suprimentos e animais de
econômicas e de mercado não relacionadas à engorda comprados costumam ser avaliados
produção rural. Esses fatores talvez expliquem pelo custo. Itens como edificações e maqui-
por que o balanço patrimonial de três catego- nário, que normalmente perdem valor ou de-
rias veio a ser usado na agropecuária. Entre- preciam-se ao longo do tempo, não devem ser
tanto, o FFSC incentiva o uso do formato de avaliados por este método. Animais criados e
duas categorias e prevê um distanciamento do safras cultivadas não podem ser avaliados por
uso do balanço patrimonial de três categorias. custo, pois não há preço de compra para usar.

Custo ou mercado
AVALIAÇÃO DE ATIVOS o menor dos dois '
Antes de elaborar um balanço patrimonial, ESre_método de avaliação exige que se avalie
muitas vezes, é necessário estimar o valor dos um Hem tanto por seu custo quanto por seu
ativos comerciais. Esses valores podem ser valor de mercado, utilizando-se, então o que
necessários para ativos existentes ou recém- for. menor.
. . Este é u m méto do conservador, ' pois
.
-adquiridos ou para aqueles que foram produ- n:1m1m1za as chances de se pôr um valor exces-
zidos na atividade comercial normal. Diversos s1véatond1entbc alto e~1 um item. Utilizando-se este
m o, .ens CUJO valo r esteJa· aumentando por
métodos de avaliação podem ser usados, e a
escolha depende do tipo de ativo e da finalida- causa da inflação terão um v 1 •
custo original A . a or igual ao seu
de da avaliação. · · · va 1iar esses bens pelo custo
ehmma os aumentos no v 1
.
po causad os unicamente ela i
ª or ao longo~ do tem-
Valor de mercado um aumento geral d P nflaçao ou por
os preços Se
Este método avalia um ativo utilizando seu va- rarn desde que O item r . · os preços caf-
01 comprado t é
lor atual de mercado. Às vezes, é chamado de do resulta em avaliação 1 • es e m to-
O
pe valor de mercado .


Capítulo 4 O balanço patrlmonlal e sua análise 57

Custo de produção rural co ntábil atual. Método de depreciação são


discutido cm detalhes no Capítulo 5.
Itens produzidos no estabelecimento agropec uá-
Qualq uer que eja o método de ava li ação
rio podem ser avaliados pelo custo de produção
usad o para um ativo, os co ncei tos contábcic;
ru ral. Esse custo é igual aos custos acumulado
de "conservadoris mo'' e "con is tência" de-
de produção do item, mas não deve incluir j u-
vem ser lem brados. O conscrvado ri mo aler-
ros ou qua lquer custo de oportunidade associa-
ta para não se a tribuir um val o r alto demai
do à produção. G rãos, f ena , silagem e animais
criados pode m e r avaliados por este método a um ati vo, e nqu anto a consis tência e nfatiza
e houver bo ns reg is tros de custo de produção que se use o mes mo método o u méto d o de
ou de empreendimento. C ultivas estabelecidos, ava liação ao lo ngo do tempo. O u o de e
mas verdes, que estão crescendo no campo ge- conce itos tom a as de mo n trações fi nanceiras
(;
ralmente são avaliados desta forma, sendo ova- c omparáveis de ano para ano, evitando uma
lor igual às despesas diretas efetivas realizadas represe ntação exces ivamente oti m is ta da 1-
até o momento. Não é correto avaliar um culti- tuação fi nancei ra da firm a.
vo em cresci mento usando rend imento e preço
esperados, pois mau tempo, granizo ou preços
baixos podem mudar drasticamente o valor an-
BALANÇO PATRIMONIAL COM
tes da colheita e da venda fin al. Este procedi- BASE NO CUSTO CONTRA COM
mento é outro exemplo de conservadorismo na BASE NO MERCADO
avaliação. Entretanto, seria necessário um con-
junto pormenorizado de contas de empreendi- Há muito e debate a abordagem geral à ava-
mento para usar este método. liação de ativos na agropecuári a e o métod o
adequado a se usar para ativo específico .
M uito da discussão di z respeito a se a agrope-
Custo menos depreciação
cuária deve usar balanço com base no cu to ou
acumulada
com base no mercado.
A depreciaç ão é um método de contabil izar a
perda de valor de determinado ativos duráveis
Base no custo
ao longo de seus anos de utilização esperada
no negóc io. Assim, o método de avaliação de O balanço com base no cu to aval ia ativo
custo me nos depreciação só é usado para ati- usando os métodos de custo, custo me nos de-
vos como m áquinas, edificações e ani mais re- p reciação ou custo de produção rural. A única
produtores comprad os, cujo valor deverá cair exceção geral eriam e toques de grãos e ani-
ao lo ngo de seus anos de uso. O valor contábil mais desti nados ao mercado. Grão e tocados
é de finido co mo custo menos depreciação acu- podem ser avaliados pelo valor de mercado
mulada. Po rtanto, este método resulta em um me nos os custo de venda, de de que ati fa-
valo r estimado de um be m igual ao seu valor çam diversas condiçõe gerai , o q ue geral-

Quadro 4-1 Avaliação de estoques agropecuários

Os prlncfpios contábeis permitem que grãos e realizável; (2) possuir despesas de venda relati-
algumas outras commodities sejam avaliados vamente pequenas e conhecidas; (3) estar pron-
pelo valor de mercado no balanço, desde que. to para entrega imediata após a venda. Como
preencham as seguintes condições: (1) possuir o FFSC sugere, alguns animais destinados ao
um preço de mercado confiável, determinável e mercado também satisfariam essas condições.
58 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

mente e verifica. Embora animais destinados produtores resultantes do número de animai .


ao mer; ado não ejam mencionados especi- Quando se usa o método de va lor de ba e, os
ficamente no princípio contábeis, o FFSC reprodutores criados não ão depreciado . Em
ugere que há pouca diferença entre grãos e vez disso, os custo a ociado à criação dos
animais destinado ao mercado, especial- animais são tomado como de pe a no ano
mente quando os animais estão praticamente em que são despendidos.
prontos para o mercado. Eles recomendam As vantagens dos balanço patrimoniais
a aliação de mercado para animais destinados com base no custo incluem conformidade a
ao mercado criados, mesmo em um balanço princípios contábei geralmente aceitos, con-
com base em custo. Para animais destinados servadorismo e comparabilidade direta com
ao mercado comprados, a avaliação de mer- balanços de outros tipos de negócio que usam
cado é aceitável, mas se prefere avaliação de base de custo. Além disso, modificações no
custo ou mercado, o menor dos dois. patrimônio só decorrem de renda líquida au-
Animais reprodutores criados podem gerar ferida e mantida no negócio ou, então, de mais
um problema de avaliação especialmente di- ativos pessoais postos no negócio (p. ex., por
fícil em um balanço patrimonial com base no meio de herança), mas não de mudanças no
custo. O FFSC recomenda que o pecuarista use preço do ativo.
ou um método de "absorção do custo integral ',
ou uma abordagem de "valor de base" para
Base no mercado
informar valores de reprodutores criados. Na
absorção de custo integral, todos os custos de O balanço patrimonial com base no mercado
criação do reprodutor são acumulados ao lon- possui todos os ativos avaliados pelo valor
go do tempo, até o animal atingir sua condição de mercado, menos os custos de venda esti-
atual (p. ex., uma vaca fénil). Tanto os custos mados. A inflação de longo prazo pode fazer
diretos quanto os indiretos necessários para co- com que terra possuída durante muitos anos
locar animais reprodutores na produção devem tenha um valor de mercado maior que seu cus-
ser incluídos nos custos acumulados ao se usar to. Inflação e métodos de depreciação rápida
esse método. Esses custos não são colocados também resultariam em valores de mercado
como despesas na demonstração de resultados de máquinas e reprodutores superiores a seus
do exercício em que ocorrem, mas capitaliza- valores contábeis. Portanto, um balanço com
dos no valor do animal. Após o animal alcançar base no mercado geralmente apresentaria um
a maturidade, seu valor acumulado é subse- valor de ativos total maior e, consequente-
quentemente depreciado ao longo da vida útil, mente, um patrimônio maior do que usando
como seria o caso com reprodutores adquiri- avaliação por custo. Uma exceção seriam pe-
dos. Obviamente, esse método de avaliação de ríodos de preços decrescentes, com diminui-
reprodutores criados requer muitos registros. ções correspondentes nos valores dos ativos.
O método de ·'valor de base" é considera- A principal vantagem dos balanços com
velmente mais simples. Nesse plano de avalia- base no mercado é uma indicação mais pre-
ção, o produtor pode usar: ( 1) o custo efeúvo cisa da situação financeira atual do negócio e
ou estimado de criar o animal até sua condição do valor dos bens di sponíveis como garan tia
atual; (2) o valor de mercado de animais se- de empréstimos. Uma utilidade básica do
melhantes, quando o valor de base é estabele- balanç~s agropecuários é mostrar a situação
cido; (3) valores infonnados pelo fisco; ou (4) financeira de uma operação quando O opera-
um valor padronizado específico do negócio. dor está solicitando um empréstimo· assim a
O importante é que o valor escolhido perma- avaliação com base no mercado , qu e' mos t ra' o
neça relativamente fixo ao longo do tempo, de valor atual dos bens disponívei·s p .
. ara garantia,
modo que só haja mudanças no valor dos re- Lem uso generali zado.
Capítulo 4 o balanço patrimonial e sua análise 59

Avaliação da condição financeira nial. A avaliação com ba e no custo, como u a-


do estabelecimento rural da ne a tabela, representa um de três métodos
da avaliação: cu to, cuslo meno<; depreciação ?u
O FFSC considerou ambos os tipos de balan- cu to de produção rural. Cu to menos deprecia-
ço patrimonial e concluiu que são necessárias ção (ou valor ~ont_ábil) seria usad_o ~~ra to~os ~s
informações de valor tanto de custo quanto de ativos deprcc1áve1 • como maqumano, anima,
mercado para a análise correta da condição li- reprodutores comprado e edificações. Cu to de
nanceira de um negócio agropecuário. As dire- produção rural, ou as despesas diretas acumula-
tivas do FFSC informam como formatos aceitá- das até o momento, seria o valor utilizado para o
veis: ( 1) um balanço com base no mercado, com investimento no cultivo de lavouras.
informações de custo constando como notas de Me mo em um balanço com ba e no
rodapé ou exibidas em anexos de apoio; ou (2) mercado, nem todo ativo é avaliado segundo
um balanço de duas colunas, uma contendo va- o mercado. Contas a receber e de pesas an-
lores de custo, e a outra, valores de mercado. tec ipadas são avaliada segundo o cu to, seu
A Tabela 4-3 apresenta os métodos reco- valor real em dinheiro. Em ambo os método
mendados ou aceitos pelo FFSC para avaliar de avaliação, o investimento no cultivo de la-
ativos em ambos os tipos de balanço patrimo- vouras é avaliado em um valor igual às des-
pesas diretas sofridas para aquela lavoura até
Tabela 4-3 Métodos de avaliação de o momento. Avaliá-lo pelo valor de mercado
balanços patrimoniais com base no custo e "esperado" seria uma abordagem otimi ta.
com base no mercado não estando em conformidade com princípios
Com base Com base contábeis conservadores.
Ativo no custo no mercado

Valores mobiliários Custo Mercado


negociáveis
EXEMPLO DE BALANÇO
PATRIMONIAL
Estoques de grãos e Mercado• Mercado
animais destinados ao
mercado
A Tabela 4-4 é um exemplo de balanço patri-
monial com formato e rubricas seguindo as re-
Contas a receber Custo Custo
comendações do FFSC. Ela usa o formato de
Despesas antecipadas Custo Custo coluna dupla para apresentar valore de cu to
Investimento no Custo Custo e de mercado em um único balanço. Por que -
c ultivo agrícola tão de simplicidade, só foram incluídos o ati-
Reprodutores Custo Mercado vos e passivos comerciai do estabelecimento.
comprados Muitos balanços agropecuário incluem ativo
Reprodutores criados Custo ou Mercado
e passivos pessoai e comerciai . É frequente-
valor de mente difíci l separá-lo , e o credores podem
base preferi-lo combinados para ua análi e.
Maquinário e Custo Mercado
apresentação de um balanço patrimonial com-
equipamento pleto, com valores de cu to e de mercado, en-
volve algumas rubricas e conceito novo- que
Construções e Custo Mercado
beníeitorias devem ser di cu tidos juntamente com uma re-
visão do processo de a aliação de ativos.
Terra Custo Mercado
* Mercado é um método aceitável para grãos e animais Seção de ativos
destinados ao mercado criados. O método preferenciul
para grãos e animais desúnados ao mercado comprados é Sendo o estoque a aliado pelo mercado em
custo ou mercado, o menor dos dois. ambos os caso , geralmente há pouca ou ne-
60 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Tabela 4-4 Balanço patrimonial da E. U. Agropecuária, 31 de dezembro de 2012

Ativos Passivos
Ativos circulantes: Custo Mercado Passivos circulantes: Custo Mercado
Caixa/ uss 7.000 US$ 7.000 Contas a pagar US$ 3.500 uss 3.500
conta-corrente
Promissórias a pagar 6.000 6.000
Valores mobiliários 1.350 3.000 dentro de I ano
negociáveis
Porção circulante da 22.250 22.250
Estoques dívida a prazo
Agricultura 40.640 40.640 Juros acumulados 12.300 12.300
Pecuária 22.400 22.400 Imposto de renda a 2.300 2.300
Suprimentos 860 pagar
860
Contas a receber 3.570 3.570 Outras despesas a pagar 1.800 1.800
Despesas 780 780 Porção circulante dos 13.698 13.946
antecipadas impostos diferidos

lnveslimento no 5.000 5.000


Total do passivo uss 61.848 uss 62.096
cultivo agricola circulante

Outros ativos 2.500 2.500 Passivos não circulantes:


circulantes
Promissórias a pagar
Total do ativo US$ 84.100 uss 85.750 Maquinário 18.000 18.000
circulante
Afüros não circolantes:
Reprodutores o o
Dívida imobiliária 177.500 177.500
Maquinário e 108.000 120.000
equipamento Porção não circulante
dos impostos diferidos 17.010 74.318
Reprodutores 8.550 9.000
(comprados) Total de passivos US$ 212.5IO US$ 269.818
não circulantes
Reprodutores 113.400 144.000
(criados) Total de passivos US$ 274.358 US$ 331.914
Construções e 56.000 80.000 Patrimônio líquido:
ben feitorias Aportes de capital 160.000 160.000
Terra 3 15.000 630.000 Lucros acumulados 250.692 250.692
Outros ativos não o o Ajuste de avaliação
circulantes 326. 144
Total de US$4I0.692
Total de ativos USS600.950 US$ 983.000 US$ 736.836
patrimônio líquido
não circulantes
Tola) de passivos e US$ 685.050
Total de ativos uss 685.050 uss 1.068.750 patrimônio líquido US$ 1.068.750

nhuma diferença entre o valor total dos ativos valores de mercado cons'd
d 1 eravelmente dife-
circulantes segundo os dois métodos de ava- rentes e seu c usto origin· 1 N
liação. Entretanto, valores mobiliários nego- a difere nça de US$
1 650
ª · esse exemplo,
ciáveis, como ações e títulos de dívida que liações dos a tivos cir~ula ;ntre ~s ~uas ava-
podem faci lmente ser vendidos, podem ter devida aos p apé is negocíá:~s~ é inteiramente
Capítulo 4 o balanço patrimonial e sua análise 61

A m a io r pa rte da diferença no valore despesa dedut íveis do impo to. ão chama-


de ati vo entre ba lanços com base no custo dos de impostos diferidos porque os ativo
e no mercado urge na eção de ativos não ainda não fo ram vend ido · nem a, de. pesa
c irc ul antes. U ma combinação de iníl ação e fo ram paga . Logo, não há impoc;to devido
depreciação rápida pode faze r com que os va- no momento. Se for u ado o reg ime de caixa
lo res contábe i de máquina , equipamento , para fi ns tributários, o impostos ão diferido
reprodutores comprados e edificações sejam para um exercício contábil futu ro, q uando o
muito menores do que seu valores de merca- ativos forem convertido. em caixa e a de pe-
do. Te rra possuída há muitos anos, tempo em sas forem paga . No entanto, co mo o ativo.
que 6 houve inflação moderada, ainda as im existem e a de pe a foram ofrida , não há
pode ter um valor de me rcado consideravel- dú vida de que haverá fatos geradore de tribu-
mente mais alto do que eu custo ori ginal. tos no futuro.
Es e s fatores podem e combinar para tornar Em geral, iten que aumentam a renda in-
o valor dos ativos não circulantes muito mais cluem: ( l ) e toque de afras, ração, animai
alto na avaliação por mercado do que na ava- de engorda e produtos pecuári o : (2) contas a
liação por custo. Também é po sfvel que os receber; (3) investimento de caixa no cultivo
valores de mercado sej am inferiores ao cu - agrícola; e (4) despe as antecipadas. A di fe-
to em períodos em que os valores dos ati vos renças entre o valores de balanço e as base
declinam. tributárias (em regime de caixa. geralmente
zero) para e ses ite ns ão total izada ; então, as
Seção de passivos despesa acumuladas que reduziriam o pas i-
vo fiscal quando pagas ão subtraídas. Depois.
Há pouca diferença na avaliação dos passi- o impo to de renda federal e e tadual ti-
vos comuns em um balanço com base em mados e a contribuições previdenciárias ão
custo ou mercado. Entretanto, há diverso calculados u ando- e uma alíquota e timada.
lançamentos relacionados a imposto de ren- Para o e tabeleci mento do exemplo, o
da na seção de passivo deste balanço que valores dos estoques de culti o e animais,
ainda não foram di scutidos. Impos tos de as contas a receber, o investimento no cultivo
renda a pagar dentro de passivos circulan- agrícola e a despesa anteci padas totalizam
tes representam tributos devidos sobre ren- US$ 72.390. Desse montante, ubtrae m- e
das rurais líquidas tribut ávei do exercício US$ 17 .600 para as co nta a pagar, o j uro
passado. Os tributo sobre renda rural geral- acumulado e outras despe a acumuladas. O
mente são pagos vários me e após o exer- líquido de US$ 54 .790 é, então, ujeito a uma
cício terminar, mas devem ser pago . Gera- alíquota estimada de 25% para e obter a por-
dos pela atividade do exercício anterior, mas ção atual de impo tos diferido , USS 13.69 ,
ainda não pagos, eles são como uma conta que é mostrada no balanço patrimonial com
a pagar, que teria que ser paga me mo se o base em custo.
negócio deixasse de operar em 3 1 de dezem- Em um balanço com ba e em mercado,
bro. É preciso contabilizar os impostos de outros impostos diferido re lacionado ao
re nda a pagar, qualquer que seja o método ativos circulantes talvez tenham q ue er cal -
de avaliação empregado. culado , caso haj a ati os circ ulante que es-
tariam sujeito a ganho de capital e endi-
Impostos diferidos dos. Para iten pa í e i de er tratado como
A porção atual de impo to de renda di feridos ganhos de capital, a alíquota e timada geral-
representa os tributos que seriam pagos sobre mente é menor, e e se ganho não estariam
a receita advinda da venda dos ativos circulan- sujeito a contribuiçõ previdenciária , como
tes menos os passivos circulantes que seriam erá discutido no Capítulo 16. (Por enquanto
62 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

ba ta aber que a alíquota co tuma er menor pio, a umiu-se que o reprodutore criado
do que obre renda comum.) O possível tribu- tinham um valor em base de custo determ i-
to obre ganhos de capital da venda dos ativo nado usando-se o método do "valor de ba e".
circulante é acre centado a esse total. Nes- A im, a sumindo- e uma ba e de cálculo de
te exemplo, a diferença de US$ 1.650 entre zero para reprodutorc criado e ignorando-
ati o circulantes cm avaliação por mercado -se despe as de venda, os impo to diferidos
contra por custo é sujeita a uma alíquota es- associados aos reprodutores criado eriam de
timada de impo to sobre ganhos de capital de US$ 17.010 no balanço com base em custo e
15%, dando mais US$ 248 na porção atual dos de US$ 21.600 no balanço com ba e em mer-
impostos diferidos. Portanto, no balanço patri- cado, supondo- e uma alíquota de 15%. Para
monial com base em mercado, a porção atual o balanço patrimonial com base em custo, os
dos impostos diferidos totaliza US$ 13.946. reprodutores criados são a única fonte de im-
Animais reprodutores criados podem ser postos diferidos não circulantes.
outra fonte de impostos diferidos, uma fonte No balanço com base no mercado, surgi-
não circulante. Se os custos de criação dos re- rão impostos diferidos não circulantes tam-
produtores forem assumidos como despesas bém da diferença entre os valores de custo
na declaração de imposto do exercício incor- e de mercado dos ativos não circulantes. Os
rido, então a base de cálculo dos reprodutores valores de mercado, muitas vezes, são maio-
criados será zero. Toda a renda oriunda de sua res do que o custo, resultando em um balanço
venda (menos os custos de venda) é tributada com base no mercado que apresenta uma posi-
como ganho de capital, não estando sujeita a ção financeira mais forte do que com base no
imposto de autônomo. Para ser considerado custo. Se os ativos fossem vendidos ao preço
reprodutor, um animal precisa ser mantido de mercado, o negócio teria que pagar impos-
para fins de reprodução ou ordenha por ao me- tos sobre ganhos de capital sobre a diferença
nos 24 meses para bovinos e equinos ou por entre o valor de mercado e o custo ou base de
ao menos 12 meses para outras espécies. (Se cálculo de cada ativo. Ignorar esses impostos
for usado um método de absorção de custo in- em um balanço com base no mercado resulta
tegral, somente a porção do valor que exceder em patrimônio líquido superior ao que resul-
a base de cálculo será sujeita a tributação.) No taria de uma liquidação completa do negócio.
estabelecimento agropecuário do nosso exem- Por conseguinte, esses impostos diferidos não

Quadro 4-2 Observações do balanço

Os números apresentados no balanço dão tábels usados e se o balanço é baseado


pouca informação sobre a natureza do ne- em valores de mercado ou de custo.
gócio, seus procedimentos contábeis e os 2. Natureza da operação Uma descrlção
cálculos realizados para chegar ao valor do curta sobre a operação, lnclulndo a área
balanço. Os princípios contábels exigem que própria ou arrendada, tipos e número de
essas e outras informações sejam dadas em cultlvos e animais produzidos e a nature-
observações incluídas no balanço. za jurldíca do negócio.
O FFSC recomenda que, no mfnímo, três 3. Métodos de depreciação Informações
tipos de informação sejam incluídos no balan- sobre os anos de vida útil depreciável e
ço como observações: os métodos de depreciação usados para
cada tipo de ativo depreciável.
1. Base contábil Uma descrição curta dos
métodos, procedimentos e políticas con-
Capítulo 4 O balanço patrimonial e sua análise 63

circul ante ão incluídos no balanço patrimo- e m que a renda rural líq uida íor maior que
nial com base no mercado. endo uma estima- o total combi nado de impostos de renda pa-
tiva do tributos que resultariam de um a liqui- go e retiradas lfquidac;. Se e c;es dai. último.
dação dos ati vos ao seu valor de mercado. Para itens forem maiore que a renda rural líquida.
o balanço com base no mercado do exemplo, a os lucros acumu lados e o patrimônio líquido
diferença entre os valores com base no merca- com base no c usto dimjnuirão. No exemplo.
do e os valores com base no custo de todo o foi retido um total de US$ 250.692 de de que
ativos não circulante (afora os reprodutores o negócio iniciou . Lucro ac umul ados serão
criados) é calculada e sujeita a uma alíquota discutido novamente, em mais detalhe , no
es timada de 15%. Quando esse valor é acres- Capítulo 5.
centado aos impostos diferidos as ociado aos Não exi te aj uste de avaliação em um ba-
reprodutores criados, os impostos diferidos lanço com base em cu to. O patrimô nio líqui-
não circulantes totalizam US$ 74.318 para o do só muda quando há muda nça no capital
balanço patrimonial com base no mercado. de aporte ou nos lucros acumul ados. Sempre
que um balanço patrimonial com ba. e no
Seção de patrimônio líquido mercado inclui um ativo avaliado em mais do
que eu custo, e le cria um patrimônio que não
O patrimônio líquido possui três fontes bási- é nem aporte de capital, nem lucro acumula-
cas: (1) aportes de capital do proprietário ao dos. Por exemplo, cm período inflacionário ,
negócio; (2) rendimento ou lucro comercial o valor de mercado da terra pode aume n1ar
que foi deixado no negócio, em vez de reti- consideravelmente. Um balanço de mercado
rado; e (3) mudanças causadas por valore de com valore de mercado incluiria um aumen-
mercado flutuantes, quando se usa avaliação to no valor da terra a cada ano, o que ocasio-
por mercado, e não por custo. O FFSC reco- naria um aumento igual no patrimônio. Entre-
menda apresentar todas as três fontes de pa- tanto, esse aumento só se deve à propriedade
trimônio separadamente em vez de combiná- da terra, e não a eu u o dfreto na produção
-las em um só valor. Essa discriminação dará de gêneros agropecuários. A diferença entre
mais informações a quem analisar o balanço os valores de custo e de mercado, que podem
patrimonial. er positivas ou negativa , devem er exibi-
O exemplo da Tabela 4-4 acu a das como um ajuste de avaliação na eção de
US$ 160.000 de capital de aporte. Esse é o patrimônio do balanço. Um lançamento de
valor do dinheiro ou dos bens pessoais que ajuste de avaliação facil ita que um anal i ta
o proprietário usou para começar o negócio determine qual parte do patri mô nio total de
mais qualquer um que lenha s ido ajuntado um balanço com base no me rcado é re ultado
desde então. Na ausência de outros aportes ou de diferenças de avaliação. No balanço com
retiradas debitadas contra o capital contribuí- base no mercado, o patrimônio liquido total é
do, esse valor permanecerá o mesmo em todos igual à soma de aporte de capital, lucro retido
os balanços patrimoniais futuros. e ajuste de avaliação.
Toda renda rural líquida antes de impos-
tos não utilizada para despesas de sustento da
família, impostos de renda ou retiradas para ANÁLISE DO BALANÇO
outros fins fica no negócio. Esses lucros acu- PATRIMONIAL
mulados serão usados para ampliar os ativos
(não necessariamente o caixa), diminuir os O balanço patrimonial é utili zado para medir
passivos ou fazer uma combinação de am- a condição financeira de um negócio e, mai
bos. Os lucros acumulados (e, portanto, o especificamente, sua liquidez e ua oi ência
patrimônio líquido) aumentam em todo ano Analista , muitas vezes, querem comparar a
64 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

condi ão financeira relativa de diferentes ne- Razão de liquidez corrente


gócios e do mesmo negócio ao longo do tem- A razão de liquidez corrente é uma das medi-
po. Diferenças no tamanho do negócio cau- das mais comuns de liquidez, sendo calculada
sam diferenças potencialmente grandes nos a partir da equação:
valore em dinheiro do balanço, assim causan-
do problemas na comparação de sua condição Razão de Valor do ativo circulante
financeira relativa. Um negócio grande pode liquidez = Valor do passivo circulante
ter sérios problemas de liquidez e solvência, corrente
assim como um negócio pequeno, mas a di- A razão de liquidez corrente para o balanço
ficuldade é medir o tamanho do problema em patrimonial exemplificado na Tabela 4-4 seria:
relação ao tamanho do negócio.
Para contornar esse problema, são usa- US$ 85.750
das razões (índices, quocientes ou coeficien- Razão de liquidez - - l ,38
corrente US$ 62.096
tes) na análise de balanços patrimoniais. Elas
proporcionam um procedimento padrão para
Essa razão mede a quantidade de ativos circu-
análise e possibilitam a comparação ao longo
lantes em relação aos passivos circulantes. Um
do tempo e entre negócios de tamanhos dife-
valor de 1,0 significa que os passivos circulan-
rentes. Um negócio grande e um pequeno te-
tes são iguais aos ativos circulantes, e, embora
riam diferenças consideráveis nos valores em
haja ativos circulantes suficientes para cobrir
clinheiro de seus balanços, mas o mesmo valor
os passivos circulantes, não há margem de se-
de razão indicaria o mesmo grau relativo de
gurança. Os valores do ativo podem mudar (e
saúde financeira. Valores de razões podem ser
de fato mudam) com as alterações dos preços
usados como metas, sendo facilmente compa-
de mercado; assim, preferem-se valores maio-
rados aos mesmos valores de outros negócios.
res que 1,0 para dar uma margem de seguran-
Além disso, muitas instituições mutuantes
ça para alterações de preço e outros fatores.
usam análises de razões derivadas de informa-
Quanto maior o valor da razão, mais líquido
ções do balanço patrimonial para tomar deci-
o negócio, e vice-versa. Não existe uma regra
sões de empréstimo e monitorar o progresso
simples e rápida para quão alta deve ser a ra-
financeiro de seus c)jentes.
zão. Se uma razão de liquidez corrente indica
A maioria dos balanços agropecuários
liquidez suficiente, isso dependerá de muitos
é usada para fins de empréstimo, quando os
fatores, inclusive os momentos de venda pla-
valores de mercado são os de maior interesse
nejada do estoque e o cronograma de paga-
para o mutuante. Portanto, a análise do ba-
mentos de emprésúmo. Um orçamento de flu-
lanço patrimonial utiliza valores da coluna
xo de caixa, que será discutido em pormenores
"mercado". no Capítulo 13, fornece muito mais informa-
ção sobre possíveis problemas de liquidez.
Análise de liquidez
Capital de giro
A análise de liquidez se concentra nos ~tjv~s
circulantes e passivos circulantes. Os ~nme1- O capital de giro é a diferença entre ativos cir-
ros representam a necessidade de caixa nos culantes e passivos circulantes:
.
pr6 x1mos 12 meses·, os últimos,
. as .fontes de
_
. L1·quidez é um conceito relativo, e nao Capital de giro= Ativos circulantes
caixa. · é
absoluto, pois é difícil dizer se u~ neg6cio - Passivos circulantes
líquido ou não. Com base em aná.hse, por~m, Essa equação calcula o dinheiro que restaria
é possível dizer se um negócio é mais líquido após a venda de todos os aúvos circulantes e
do que OUlTO. o pagamento de todos os passivos circulantes.
Capítulo 4 O balanço patrimonial e sua análise 65

É uma indicação da margem de segurança de espectro de valores aceitávei varia de m utu-


liquidez, medida em unidades monetária . O ante para mutu ante, de pendendo da variabili-
balanço patrimonial da E. U. Agropecuária dade da re nd a e outro<; riscos prod uti vos dos
da Tabela 4-4 apre enta um capital de giro de empree ndimentos agropec uário-;, do tipo de
US$ 23.654, obtido ubtraindo- e US$ 62.096 ativo pos uído pelo negócio e de potenciais
de US$ 85.750. ílutuaçõcs nos val ore dos ati vos rurai
O capital de giro mede o dinheiro que po-
deria, em Lese, estar di ponível para comprar Razão de endividamento
novos insumos ou outro itens após a venda A razão de endividamento é calculada a partir
dos ativos circulantes e o pagamento dos pas- da equação:
sivos circulantes . O capital de giro também
. . Pa s ivo totais
está à disposição para pagar despesas de sus- Razão de end1v1damento = - -- - - -
tento íamiliar se o negócio e a família não são Ati vo totai s
tratados separadamente. O capital de giro é
e mede qual parte dos ativo totais é devida a
um valor em dinheiro, e não uma razão. Isso
mutuantes. Esta razão deve ter um valor igual
torna difícil usar o capital de giro para com-
a 1,0, e valores ainda menores são preferíveis.
parar a liquidez de negócios com tamanhos
Uma razão de endividamento de 1,0 significa
diferentes. Espera-se que um negócio maior
que a dívida ou passivo é igual aos ativo , e,
tenha ativos e passivos circulantes maiores,
portanto, o patrimônio é zero. Obtêm- e ra-
precisando de mais capital de giro para ter a
zões maiore que 1,0 em negócios in ol vente .
mesma liquidez relativa de um negócio me-
A E. U. Agropecuária pos ui uma razão de en-
nor. Portanto, é importante relacionar o valor
dividamento de US$ 331.914 / US$ 1.068.750,
do capital de giro ao tamanho do negócio.
ou 0,3 1, usando valores de mercado.

Análise de solvência Razão de patrimônio sobre ativo


A solvência mede as relações entre ativos, Esta razão é calculada a partir da equação:
passivos e patrimônio. É um jeito de analisar
a dívida do negócio e ver se todos os passi- Razão de patrimônio = Patrimônio total
vos poderiam ser quitados pela venda de sobre ativo Ativo Lotai
todos os ativos. Isso exigiria que os ativos
fossem maiores que os passivos, indicando e mede qual parte dos ativos totai é financia-
um negócio solvente. Entretanto, a solvência da pelo capital próprio do proprietário. Valo-
geralmente é discutida em termos relativos, res altos são preferíveis, ma a razão de patri-
medindo-se o grau em que os ativos excedem mônio sobre ativo não pode exceder 1,0. Um
os passivos. valor de 1,0 é obtido quando o patrimônio é
Comumente, três razões são usadas para igual aos ativos, o que quer dizer que o pas-
medir a solvência, endo recomendadas pelo sivos são zero. Um negócio insol ente teria
FFSC. Cada uma delas usa dois dos itens uma razão de patrimônio sobre ati o negati a,
mencionados anteriormente, relacionando-os pois o patrimônio eria negativo. o exemplo
todos uns aos outros. Qualquer uma dessas da Tabela 4-4, a razão de patrimônio obre
razões, quando calculada e analisada correta- ativo é de US$ 736.836 / US$ 1.068.750, ou
mente, dará informações completas sobre sol- 0,69, usando valores de mercado.
vência. Porém, todas as três são de uso geral, e
algumas pessoas preferem uma à outra. Razão de dívida sobre patrimônio
Não há padrões uniformes para essas A razão de dívida · obre patrimônio (ou capital
medidas de solvência. Segundo o FFSC, o de terceiros sobre capital próprio , també m ha-
66 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

mada de índice de alavancagem por alguns ana- Tabela 4-5 Resumo da condição financeira
li tas, é calculada a partir da seguinte equação: da E. U. Agropecuária
Com base
Razão de capital p . . Medida
. b ass1vos totais no mercado
d e terceiros so re =------
capital pr6prio Patrimônio total Liquidez:
Razão de liquidez corrente 1,38
Esta razão compara a proporção de financia-
mento provido por mutuantes com aquele pro-
Capital de giro uss 23.654
vido pelo proprietário do negócio. Quando a ra- Solvência:
zão de dí ida sobre patrimônio é igual a 1,0, os Razão de endividamento 0,31
mutuantes e o proprietário proveem uma porção Razão de patrimônio sobre ativo 0,69
igual de financiamento. São preferíveis valores
Razão de dívida sobre 0,45
menores, e a razão de dívida sobre patrimônio
patrimônio
se [Link] de zero quando os passivos se apro-
ximam de zero. Valores grandes decorrem de Outros:
patrimônio pequeno, o que significa uma pos- Razão de estrutura de 0,19
sibilidade maior de insolvência. A E. U. Agro- endividamento
pecuária possui uma razão de dívida sobre patri-
mônio de US$ 331.914 / US$ 736.836, ou 0,45.
Todas as três medidas de solvência estão serem menores, acusariam uma situação mais
ligadas matematicamente pelas seguintes fór- fraca de solvência. Esses resultados seriam
mulas: comuns. A avaliação por mercado tem pouco
efeito sobre as medidas de liquidez, mas pode
Passivos/Ativo = ter um impacto forte nas medidas de solvência.
(Passivos/Patrimônio) x (Patrimônio/ Este exemplo ilustra a importância de saber
Ativos) como os ativos foram avaliados no balanço pa-
trimonial sob análise e mostra por que o FFSC
e
recomenda que constem informações tanto de
Patrimônio/Ativos= 1 - (Passivos/Ativos) valores de custo quanto de mercado. Apresen-
tar informações completas garante uma análise
Resumo da análise mais completa e elimina possíveis confusões
quanto ao método de avaliação utilizado.
A Tabela 4-5 sintetiza os valores obtidos na
análise do balanço patrimonial da E. U. Agro-
Outras medidas
pecuária. Esses valores mostram que os ativos
circulantes são 38% superiores aos passivos O FFSC recomenda o uso das cinco medidas
circulantes. Usando valores de mercado, o fi- analíticas já apresentadas. Contudo, existem
nanciamento do negócio é quase um terço fi- outras que foram e ainda são amplamente usa~
nanciado por dívida, vindo o resto de capital das. Uma delas é a razão de capital líquido,
societário. outra medida de solvência. Ela é calculada
Realizar uma análise desse balanço usan- pela seguinte equação:
do valores de custo apresentaria dois resulta-
dos gerais. Primeiro, haveria pouca diferença Razão de capital líquido = Ativos totais
nas medidas de liquidez, pois há pouca dife- Passivos totais
rença nos valores dos ativos circulantes e pas- Uma. razão de capital líquido de 1,0 resu 1ta d e
~ .
ivos circulantes segundo os dois métodos de patnmomo zero, e valores mai·ores m
. d"1cam um
.
avaliação. Segundo, os valores de custo, por grau maior de solvência· Por exem p1o, um va-
Capítulo 4 O balanço patrimonial e sua aná lise 67

lorde 2,0 ignifica que os passivos ão metade Um exemplo


dos ativos e iguai ao patrimônio. Esse é geral-
O balanço patrimonial da E. U. Agropecuária
mente con iderado o valor míni mo eguro.
na Tabela 4-4 apresenta um patrimô ni o líquido
Outro coeficiente popular é a razão de es-
de US$ 736.836, usand o avaliação com bru e
trutura de dívida, calculada como:
no mercado. Entretanto, e le não mostra como
Razão de estrutura Pass ivos ci rculante esse total m udo u ao lo ngo do ano pas ado.
de dívida
= Com um balanço de um a no anterior, a mudan-
Pas ivos totais
ça poderia er calcu lada por ubtração, mas a.
Esse índice mostra qual é a proporção de fo ntes ou causa de alterações ainda não fica-
passivos circulantes sobre os pas ivo totais, riam evidentes. Para mo trar a fo nte e o va-
podendo ser convertido cm porcentagem mul- lore das mudanças, é nece sária uma dem on -
tiplicando-se por 100. Ele não pode ser maior tração das al teraçõe do patrimônio líquido.
que um ou 100%, que seria o caso quando to- A Tabela 4-6 é um exemplo de dcmon -
dos os passivos são passivos circulantes. To- tração das alterações do patrimônio líquido
dos os passivos circulantes devem ser pagos da E. U. Ag ropec uári a. Ela regi tra um patri-
no ano posterior, então se preferem números m ônio líquido de US$ 7 14.739 no início do
menores. Valores maiores significam que uma ano de 2012, que ubiu para US$ 736.836 no
grande proporção dos passivos totai s deve fim do ano. De onde veio e e a umento de
ser paga no ano posterior, o que pode exigir US$ 22.097? Um item que empre afeta opa-
mais caixa do que o que estará à disposição. trimônio é a renda rural líquida no ano, que.
Isso pode indicar a necessidade de converter no caso, foi de US$ 46.286. Porém, hou ve im-
alguns passivos circulantes em não circulan- posto de renda em caixa pago durante o ano,
tes, o que reduziria os pagamentos circulan- e uma alteração nos imposto a pagar, totali-
tes ao espalhar os pagamentos ao longo de zando US$ 12.800. Logo, o efeito líquido do
mais anos . Contudo, uma razão de estrutura 1ucro após impostos do a no é um aumento de
de dívida relativamente alta pode não indicar US$ 33.486 no patrimônio.
um problema se tanto os passivos circulantes Todo o dinheiro que a E. U. tira do negó-
quanto os não circulante forem quantias pe- c io, para uso pes oal ou outro, reduz o patri-
quenas. No estabelecimento do exemplo, ara- mônio do estabelecime nto agropecuário. Um
zão de estrutura de dívida é de O, 19, ou 19%. acréscimo de US$ 1.600 na porção corrente
dos impostos de renda diferido , a ociado
a valores maiores de ativo circula nte e/ou
DEMONSTRAÇÃO DAS níve i me nores de dívidas com de pe as cir-
ALTERAÇÕES DO PATRIMÔNIO c ulantes ao longo do exercício contábil, re-
LÍQUIDO duz o valor líquido, sendo la nçado omo um
número negativo. Es a demon tração mo tra
O balanço patrimonial mostra o valor do pa- que foram retirados US$ 36.000 do neg ' io
trimônio líquido em um momento do tempo, durante o ano. Entretanto, uma renda não rural
ma não o que causou mudanças nesse valor de US$ 9.500 foi colocada como apone no ne-
ao longo do tempo. Assim, o FFSC recomen- gócio, deixando-no com uma retirada líquida
da que uma demonstração das alterações do de US$ 26.500. Essa retirada líquida é mo -
patrimônio líquido faça parte do conjunto trada como um alor negati o porque reduz o
completo de registros financ eiros. Esta de- paLrimônio. Também podem ir o utras po ~í-
monstração mostra as fontes de alterações no veis alterações no patrimônio pro enientes de
patrimônio líquido e o valor oriundo de cada outros aporte para ou do negócio. Pode m er
fonte. Também serve para conciliar o patrimô- feitos aportes ao negócio na forma de doa õc
nio líquido inicial com o final. ou herança , em dinheiro o u ben . D me ma
68 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

. ô . lf Ido da E u Agropecuária no
Tabela 4-6 Demonstração das mutações do patnm nio qu · ·
exercício com fim em 31 de dezembro de 2012 (avaliação pelo mercado)
uss 7 14.739
Patrimônio líquido em 1° de janeiro de 2012
46.286
Renda rural líquida em 2012
Meno ajuste de imposto de renda pago e devido ( 12.800)
33.486
Renda rural líquida após impostos
(1 ,600)
Menos aumento da porção circulante do imposto de renda diferido
Retiradas do negócio rural por parle do proprietário (36,000)

Renda não rural contribuída ao negócio rural 9.500

Retiradas líquidas do negócio rural por parte do proprietário (26,500)

Outras contribuições de capital ao negócio rural o


Outras distribuições de capital por parle do negócio rural o
Aumento no valor de mercado dos ativos rurais 19.660
Menos aumento da porção não circulante do imposto de renda diferido (2,949)
Aumento líquido do patrimônio avaliado l 6. 7 11
Patrimônio líquido em 31 de dezembro de 2012 US$ 736.836

fonna, podem-se reúrar bens do negócio, do- efeito líquido sobre o patrimônio. Estimam-
ando-os a alguém ou convertendo-os para uso -se os impostos de renda adicionais devidos
pessoal, e não comercial. Aportes ao negócio em US$ 2.949. Esse valor deve refletir o au-
aumentariam o patrimônio, e aportes partindo mento, entre 1º de janeiro 31 de dezembro,
do negócio diminuiriam o patrimônio. da porção não circulante dos impostos diferi-
A demonstração das alterações do patri- dos. Portanto, o efeito após impostos líquido
mônio líquido de alguém usando balanços do aumento nos valores de mercado durante
com base no custo tenni naria aqui, registran- o ano é um aumento de US$ 16. 71 J • Esse va-
do um aumento de patrimônio de US$ 5.386. lor, [Link] a renda rural líquida após impostos
As únicas coisas que afetam o patrimônio em de US$ 33.486, menos as retiradas líquidas
um balanço com base no custo são a renda ru- do proprietário de US$ 26,500, menos o au-
ral líquida, reúrada pelo proprietário, e outros ~ento de l!S$ 1.600 na porção corrente de
aportes para ou partindo do negócio. Todavia, •mpost0s diferidos, justifica e concilia o au-
quando se usam valores de mercado, modifi- mento de US$ 22 ,097 no patrimônio líquido
cações no valor de mercado dos ativos afetam em valor de mercado em 2012 _
o patrimônio. A J>:- d~m?n slração das alterações do patri-
Esse balanço assume que o aumen- mon_10 hqu1do reúne informações contábeis
to nos valores de mercado no ano totali zou de diversas fontes para documen ..
US$ t 9.660. Um aumento nos valores da as razões por t ás d lar e conc1liar
líquido Não : . e mudanças no patrimônio
terra, um aumento na diferença en~e valor · xp1tear complet
de mercado e valor contábil de auvo~ d~- danças indica um . amente as mu-
abaixo do adequad p . s1stema de c on t a b 1' J'd
1 ad e
preciáveis e outros fatores podem contn?u1r o. recisa se d .
para esse aumento. Porém, ca~o es~es auvos de contabilidade que . - e um sistema
ejam vendidos, seriam devidos •m~ostos detalhado e consistentSeJa completo, preciso,
de renda sobre esse aumento, diminuindo o mações necessárias. e para se obter as infor-
-----

Capítulo 4 O balanço patrimonial e sua análise 69

RESUMO
O balanço patrimonial apresenta a po ição financeira de um negócio cm um momento no tempo. Ele o
faz mostrando uma relação organizada de todo os ativo. e passivos pertencentes ao negócio. A diferença
entre ativos e passivos é o patrimônio líquido. que repre enta o inve timento que o proprietário po ui no
negócio.
Uma consideração importante ao elaborar e analisar balanços patrimoniais é o método u ado para ava-
liar ativos. Eles podem ser avaliado usando- e métodos de custo. que geralmente refletem o valor ou cu to
do investimento original. ou usando-se avaliações pelo mercado alllal. Este último geralmente re ulta cm
valores de ativos mais alto e, portanto, maior patrimônio líquido, mas reflete com mais exatidão o valor
atual dos ativos como garantia. Cada método tem suas vantagens. e o FFSC recomenda informar valore
de custo e de mercado em balanço patrimoniais agropecuários. 1 o fo rnece informaçõc completas ao
usuário do balanço.
São utilizados dois fatore , liquidez e solvênci a, para analisar a posição financeira de um negócio.
como apresentada no balanço patrimonial. A liquidez diz respeito à capacidade de gerar o caixa nec ário
para satisfazer os requisitos de caixa do ano seguinte sem interromper as atividade produtivas do negócio.
A solvência mede a estrutura de endividamento do negócio e se todo o passivos poderiam er pago
vendendo-se todos os ativos, isto é, se os ativos são maiores que o passivos. São u adas diversas razões
para medir a Liquidez e a solvência e para analisar a saúde relativa do negócio nessas áreas.
A demonstração das alterações do patrimônio líquido completa a análi e do balanço. e ibindo as
fontes e os valores das alterações no patrimônio líquido durante o exercício contábil. Sem os detalhes
apresentados por essa demonstração, é difícil identificar e explicar o que fez o patrimônio líquido mudar e
o valor e m dinheiro de cada fator de mudança.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Verdadeiro ou falso? Se a razão de passivos obre patrimônio aumentar, a razão de endividamento
também aumentará. Justifique.
2. Verdadeiro ou falso? Um negócio com mais capital de giro também terá um maior índi e de liquidez.
Justifique.
3. Use seu conheci mento sobre balanços patrimoniais e análise de quocientes para completar o eguinte
balanço abreviado. A razão de liquidez é 2,0. e a razão de dívida sobre patrimônio é 1,0.

Ativos Passivos
Ativos circulante US$ 80.000 Pas ivos circulante
Ativos não circulantes Passivos não circulant
Passivos totais
Patrimônio líquido us 100.000
Ativos totais Pu sivos totais e
patrimônio líquido

4. Um negócio pode ser solvente sem ser líquido? E líquido sem er oi ente? Como~
5. O balanço patrimonial mostra a renda rural líquida unual do negócio agropecuário~ P r quê'?
6. Verdadeiro ou falso? Ativos+ passivos= patrimônio líquido?
70 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

7. Imagine que você é gerente de empréstimos mrais de um banco, e um cliente pede um cm_préstimo
com base no seguinte balanço. Execute uma análise de coeficientes e apresen te cus moti vos para
conceder ou ncg~ar um empréstimo adicional. Qual é a parte mai fraca da condição financeira do seu
cliente?

Ativos Passivos
Ativos circulantes USS 40.000 Passivos circulante us 60.000
Ativos não circulantes USS 240.000 Passivo não circulante US$ 50.000
Passivos lotai US$ 110.000
Patrimônio líquido US$ 170.000
Ativos totai s uss 280.000 Passivos totai s mais US$ 280.000
patrimônio

8. Por que não há aj uste de valores em um balanço patri monial com base em custos?
9. Imagine que foi cometido um erro e o valor dos animais destinados ao mercado no bala nço está
US$ 10.000 superior ao que deveria. Como esse erro afeta as medidas de liquidez e solvência?
Ocorreriam os mesmos resultados se a terra tivesse sido supervalorizad a em US$ 10.000?
10. Os seguintes lançamentos cm um balanço rural seriam classificados como ativos ou passivos? Circu-
lantes ou não circulantes?
a. Galpão de máquinas
b. Conta de ração na loja de rações
c. Contrato de hipoteca rural de 20 anos
d. Cenificado de depósito de 36 meses
e. Terneiros recém-nascidos
A demonstração de
resultados e sua análise

Objetivos do capítulo
1. Discutir a finalidade e a utilidade da de- 5. Mostrar como o lucro (ou renda rural líqui-
monstração de resultados. da) é calculado a partir da demonstração
2. Ilustrar a estrutura e o formato da de- de resultados, o que ele significa e o que
monstração de resultados. ele mede.
3. Definir depreciação e ilustrar os diferentes 6. Analisar a lucratividade do estabeleci-
métodos de cálculo de depreciação. mento agropecuário calculando retorno
sobre ativos e patrimônio e estudando ou-
4. Definir as fontes e os tipos de receitas e
tras medidas de lucratividade.
despesas que devem ser incluídos na de-
monstração de resultados.

A demonstração de resultados é um resumo monstração de resultado re ponde à pergun-


das receitas e despesas de um dado exercício ta: o estabelecimento agropecuário te e lucro
contábil. Às vezes, é chamada de demonslTa- ou prejuízo no último exercício contábil, e de
ção de resultado do exercício ou demonsu·ali- que magnitude?
vo de lucros e perdas. Contudo, demonSITação O balanço patrimonial e a demonstra ão
de re ultados é o termo preferencial, sendo de resultados são dua demon trações finan -
utilizado pelo Conselho de Padrões Financei- ceiras diferent , porém relacionada . O ba-
ros Rurais (FFSC). Sua finalidade é medir a lanço apresenta a posição financeira em um
diferença enlTe receitas e despesas. Uma dife- momento 110 tempo, enquanto a demon troção
rença positiva indica um lucro, ou renda rural de re ultados é um re umo das receitas e d -
líquida positiva, e um valor negativo indica pesas registradas ao longo de um período de
um prejuízo, ou renda rural líquida negati a, tempo. E sa di tinção é mo Lrada na Fig ura
para aquele exercício contábil. Portanto, a de- 5- 1. Usando um exercício contá bil de ano a-
72 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

lendário, elabora-se o balanço no fim de cada de introduzir o formato e a elahornção de um


ano, podendo também servir corno o balanço cJcmonstrnçiio de resultado .
do início do ano seguinte. O resultado é um
rcgisLro dn posição financeira no início e no Receitas
fim de cada exercício contábil. Porém, compa-
A demonstração de resultado deve incluir,~
rar esses balanços não possibilita um cálculo
direto da renda líquida rural do ano. Essa é a das as receitas comerciais auferidas durante o
finalidade da demonstração de resultados. exercício contábil, mas não outra receitas. O
Embora o balanço palrimonial e a de- problema é determinar quando a receita de e
monstração de resultados contenham informa- ser reconhecida, isto é, em que exercício fi _.
ções diferentes e possuam finalidades e utili- cal ela foi auferida. Esse problema é agra ado
dades diferentes, ambos são demonstrações porque a receita pode ser tanto em caixa quan-
financeiras para o mesmo negócio. É bastante to não em caixa.
lógico que receitas, despesas e o lucro ou pre- Quando a receita é recebida na forma de
juízo resultante afetem a posição financeira do caixa por uma commodity produzida ou ven-
negócio, e de fato o fazem . Contudo, a expli- dida no mesmo exercício contábil, o reconhe-
cação dessa relação será postergada até o fim cimento é fácil e direto. No entanto, também
do capítulo, após uma exposição completa da se deve reconhecer receita sempre que urnn
estrutura e dos componentes da demonstração commodity agropecuária esteja pronrn para
de resultados. vender. Estoques de grãos e animais de mer-
cado se encaixam nessa classificação, e alte-
rações nesses estoques (valor final meno a-
IDENTIFICAÇÃO DE RECEITAS E tor inicial) são incluídas na demonstração d
DESPESAS resultados por competência. Contas a receber
representam receita ganha, que deve ser reco-
Para elaborar uma demonstração de resultados nhecida, mas é receita para a qual ainda não
que mostre a difcrença entre receitas e despe- recebeu pagamento em caixa. Qualquer mu-
sas, um primeiro passo necessário é identi- dança cm seu valor entre o início e o fim do
ficar todas as receitas e despesas que devem ano deve ser incluída como receita. Esses dois
ser incluídas no cálculo da renda rural líqui- itens representam fontes de receita que podem
da. A exposição sobre regime de caixa contra ser reconhecidas em um dado exercício cont -
competência do Capítulo 3 introduziu algu- bil mesmo que só se vá receber caixa em um
mas das dificuldades que podem surgir nessa exercício posterior.
tarefa aparentemente simples. O Capítulo 4 Quando um estoque ou conta a receber e
apresentou o problema da avaliação de ativos reconhecido como receita, é receita não mo-
e introduziu o conceito de depreciação. Esta netária (não caixa) naquele momento, m
seção expandirá essas ideias anteriores antes algo pelo qual normalmente se receberá um

Elaboração de Elaboração de
balanço patrimonial balanço patrimonial
Exercício contábil de 1 ano
1 1
1° Jan. 31 dez.

Demonstração de resultados
1
Renda, despesas e lucro do exercício

Figura 5-1 Relação entre o balanço patrimonial e a demonstração de resultados.


Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 73

Todos os recebimentos de caixa são


Quadro 5-1
contados como receita?

A resposta é: NÃO! Nem todos os recebimen- tada como receita comercial rural. Vendas de
tos de caixa resultam em receita. Caixa rece- terra ou ativos depreciáveis só resultam em
bido de doação ou herança obviamente não receita na medida em que forem realizados
é receita comercial. Um novo empréstimo do ganhos ou perdas. A receita comercial rural só
banco resulta em recebimento de caixa, mas vem da produção de commodlties agropecuá-
também não é receita. Renda não rural, como rias, serviços prestados e ganho ou perda na
renda de salário e investimento, não seria con- venda de ativos utilizados nessa produção.

pagamento monetário (cm caixa) em uma data ativo é vendido exatamente por eu valor con-
posterior. Todavia, às vezes, podem ser rece- tábil, não há ganho ou perda. A depreciação
bidos pagamentos na forma de mercadorias ou ao longo de ua vida útil corre pondeu perfei-
serviços em vez de dinheiro. Esse pagamen- tamente a seu declínio e m valor de mercado .
.1 Um preço de venda mai or que o valor contábil
to não monetário deve ser tratado da mesma
a maneira que um pagamento em caixa. O valor implica que foi computada muita depreciação
da ração ou do animal recebido em pagamento total (talvez por cau a de força imprevi ta do
por trabalho customizado deve ser incluído na valores de mercado) e que as de pe a de de-
receita, pois uma commodity foi recebida no preciação anual anteriores foram altas demai .
lugar de dinheiro. Reconhecer o ganho como rece ita corrige o
fato de que a despesa de depreciação não esta-
Ganho ou perda na venda de va correta nos ano anteriore . Vender um ati-
ativos de capital vo depreciável por menos que eu valor contá-
bil significa que ele perdeu valor de me rcado
O ganho ou perda na venda de um ativo de mais rapidamente do que o contabilizado pela
capital (ou bem de capital) é um lançamento depreciação anual. Deveria ter havido uma
que amiúde surge na seção de receita de uma despesa de depreciação mai alta no pas ado,
demonstração de resultados. É a diferença en- e é feito um ajuste na forma de um lançamen-
tre o preço de venda e o custo de um ativo de to de ''perda na venda" na demonstração de
capital, como terra. Para ativos depreciáveis, resultados.
como maquinário, pomares e animai repro- Dado que ( 1) vida útei e valores re i-
dutores comprados, é a diferença entre o pre- duais são apenas estimativas fei tas no mome n-
ço de venda e o valor contábil do ativo. Só e to da compra e que (2) a e colha do método
reconhece ganho ou perda quando o ativo é de depreciação afeta o valor da depreciação
efetivamente vendido. Antes disso, o valor de anual, geralmente há que e reco nhe er um
mercado ou preço de venda está sujeito a uma ganho ou perda quando um ativo depreciá el
incerteza considerável. é vendido.
Todo ganho ou perda na venda de um ati- Quando um ati o de capital j po uído
vo não depreciável, como terra, é resultado é trocado por outro ati o emelh nte, como
direto de um aumento ou decréscimo do preço uma nova peça de equipamento, não e re-
de mercado desde sua aquisição. Para ativos conhece ganho ou perda. O alor co ntá bil
depreciáveis, mudanças no valor de mercado do ativo u·ocado é ornado ao dinh iro pago
afetam ganhos e perdas, assim como a preci- para conclui r a Lroca, a fim de e calcula r o
são com que se estimou a depreciação. Se um valor inicial do item novo. P r e. empl , e
74 Parte II Mensuração do desempenho gerencial

um agricultor troca um pulverizador u. ado, crá de pendido o caixa para seu pagamento.
om valor cont ábi l de U 30.000, por um A diferença de tempo entre o ano em que se
novo. prcci . ando pagar ao revendedor mais incorreu na despesa e o ano e m que ela será
U 60.000 em aixa, o valor in icial do paga cria a necessidade de e lançamentos.
novo item é de U 90.000. Só e reconhece A contas a pagar e despe a acumuladas
um ganho ou perda de api tai quando o ativo ão paga em um exercício contábil posterior
de apitai é vendido diretamente. àq uele cm que o produto ou erviços foram
utilizados. É o opos to da de pesas a nteci-
Despesas pada , mercadoria e serv iço pagos em um
Uma vez que toda a receita de um exercício ano, mas só usado para produzir receita no
contábil tenha ido identificada, o próximo ano segu inte. Exemplo de de pesas a ntecipa-
pas o é identificar toda as despesas assumidas das seriam ementes, fertilizante, pesticidas e
na produção daquela receita. Podem er de pe- ração adquirido e pagos em dezembro para
a em caixa ou não. Por exemplo, despe as aprovei tar desconto no preço, deduções de
cm caixa incluiriam compra e pagamento de impo 10 de renda ou para garantir di sponi -
ração, fertilizante, ementes, animais de mer- bilidade. Contudo como ó erão usados no
cado e combu tível. De pe a não monetária ano-calendário seguinte, a despesa deve ser
incluiriam depreciação, con tas a pagar, juros difcrida até lá, para confrontar adequadamen-
acumulado e outra despe a acumuladas. Há te a de pesa com a receita gerada por elas.
também um ajuste para despesas antecipadas. A cronologia do pagamento da despesa e do
A depreciação é uma de pesa não mone- u o do produto é exatamente o oposto de uma
tária que reflete diminuições no valor de ativos conta a pagar; assim, o procedimento contábil
usado para produzir a receita. A depreciação é o opo to. Despesas a ntecipadas não devem
erá discutida em pormenores no fi m deste er incluídas nas de pesas desse ano, pois não
capítulo. Contas a pagar, j uros acumulado e produziram receita ne se a no. Elas devem ser
outras despesas acumuladas, como impostos incluídas na despesa do a no seguinte, garan-
imobiliários, são despesas que incidiram no tindo que a escrituração do negócio confronte
exercício contábil anterior, mas que ainda não corretamente a despesas com sua receita rela-
foram pagas. Para confronLar corretam enLe a cionad a no mesmo exercício.
despesas com a receita que elas ajudaram a O FFSC recomenda q ue os impostos de
produzir, as despesas devem ser incluídas na renda sejam inclu ídos na demonstração de
demonstração de re ultados desse ano. E la resultados, tornando o res ultado final a ren-
também devem er ubtraídas da demon stra- da rural líquida após impostos. Porém, e les
ção de re ultados do ano segui nte, quando reconhecem que pode er difícil estim ar o s

Quadro 5-2 Todos os gastos de caixa são uma despesa?

A resposta é: NÃO! Nem todos os gastos de despesa, pois representa somente a devolu-
caixa são despesas comerciais. Gastos de ção de bens emprestados. Juros, porém, são
caixa com a limentação, vestuário, presentes uma despesa, pois são o "aluguel" pago pelo
e outros itens pessoais não são despesas co• uso do bem emprestado. Caixa pago para ad-
merciais. Despesas comerciais são apenas os quirir ativos depreciáveis não é uma despesa
itens necessários para produzir commodlties no ano da compra. Entretanto, é convertido em
agropecuárias e serviços, e, portanto, recei- despesa ao longo do tempo por meio de uma
ta. Principal pago de emp réstimos não é uma despesa de depreciação anual.
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 75

tributos devidos sobre a renda rural, especial- desgaste, dano, idade e obsolescência técni-
mente quando também houver renda não rural ca. É tanto uma despesa comercial que reduz
a se considerar. Para simplificar e por outras o lucro anual como uma redução no valor do
razões, os exemplos utilizados neste texto ativo. Que tipos de ativos seriam depreciados?
omitirão impostos de renda da demonstração Para ser depreciável, um ativo precisa ter as
de resultados, concentrando-se em estimar a seguintes características:
renda rural líquida antes de impostos. Toda a l. Vida útil superior a um ano;
discussão e o uso do termo renda rural líquida 2. Vida útil determinável, mas não ilimitada;
se referem à renda rural líquida antes de im- 3. Utilidade no negócio, para que a depre-
postos, salvo se indicado de outra forma. ciação seja uma despesa comercial (perda
de valor de um automóvel ou residência
pessoal não é uma despesa comercial).
DEPRECIAÇÃO
Exemplos de ativos depreciáveis em um
Maquinário, construções e ativos semelhan- estabelecimento rural seriam veículos, máqui-
tes são comprados porque são necessários ou nas, equipamentos, construções, cercas, poços
úteis na produção dos produtos agropecuários, para animais e de irrigação e reprodutore
que, por sua vez, produzem renda. Seu uso no comprados. Terra não é um ativo depreciável,
processo produtivo ao longo do tempo faz pois tem uma vida útil ilimitada. Contudo,
com que eles envelheçam, desgastem-se e se algumas benfeitorias da terra, como leitos de
tornem menos valiosos. Essa perda em valor drenagem, podem ser depreciadas.
é considerada uma despesa comercial, pois é Quanto um ativo deprecia a cada ano? Po-
um resultado direto do uso do ativo na produ- dem ser usados diversos métodos ou equações
ção de receita e lucro. matemáticas para calcular a depreciação anual.
A depreciação é frequentemente defini- Entretanto, sempre se deve lembrar que são ape-
da como a perda anual de valor devida a uso, nas estimativas da perda real de valor. A depre-

Quadro 5-3 Estimativa rápida da depreciação econômica

Um jeito rápido e fácil de estimar a deprecia- é US$ 345.000, um item avaliado em


ção econômica, utilizado pela Associação Co- US$ 80.000 é adquirido e outro item avaliado
mercial Rural de Iowa, é somar todos os valo- em US$ 50.000 é vendido, a depreciação eco-
res de máquinas e equipamentos no início do nômica de todas as máquinas e equipamentos
ano, ajustar para compras, trocas ou vendas e, seria aproximada como:
então, retirar 10% do valor. Para edificações, a
Associação usa o mesmo tipo de fórmula, mas (US$ 345.000 + US$ 80.000 - uss 50.000) x
10% = US$ 37.500
com um fator de 5% para se aproximar de um
cálculo de saldo decrescente de 20 anos. Uma Este método se aproxima de um método
vantagem do uso deste método é que não é de saldo decrescente de 100% em uma vida
necessário controlar o valor de cada item. útil de 1 O anos.
Após contabilizar a depreciação, o valor
Para maquinário e equipamento, a fórmula é:
final das máquinas e equipamentos ao fim do
Depreciação econômica = (Valor inicial + ano seria:
Compras ou trocas - Vendas) x 10%
(US$ 345.000 + US$ 80.000 - US$ 50.000 -
Por exemplo, se o valor total de má- US$ 37.500) = US$ 337.500.
quinas e equipamentos em 1º de janeiro
76 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

eia ão vcrdndcirn s pode ser dc1crminada cn- os negócios ou todos os ativos. A opção cena
ontrando-. e o vnlor de mercado aluai do ativo dependerá do tipo de ativo, seu padrão de uso
e amparando-o ao custo original. L o exigiria ao longo do tempo, a velocidade com que seu
uma avalia ão prolis·ional ou a venda do ativo. valor de mercado declina e outros fatores. Os
Divcr-o tcm10 utilizado cm depreciação dois métodos de depreciação mais comuns são
prc i am er definido ante de examinarmos ilustrados nesta seção. Esses dois métodos,
o métodos de depreciação. O custo é o preço que podem ser usados para fins gerenciai ,
pago pelo ativo, incluindo tributo , frete, in ta- também formam a base dos métodos de depre-
lação e demai de pesa diretamente relaciona- ciação u adas para fins de imposto de renda,
da à colocação do ativo em u o. A vida 1ítil é como exposto no Capítulo 16.
o número e. perado de anos em que o ativo será
usado no negócio. Pode er um pouco menor Linear
do que a vida potencial lotai do ativo, caso ele O método de cálculo de depreciação Jinear é
eja trocado ou vendido antes de er completa- amplamente usado. Este método fácil de usar
mente e gotado. O valor resid11a/ é o valor de atribui a me ma depreciação anual para c ada
mercado esperado do ativo ao fim de ua vida ano inteiro da vida útil do item .
útil atribuída. Portanto, a difcrença entre custo A depreciação anual pode ser calculada a
e valor re idual é a depreciação total ou perda partir da seguinte equação:
de valor e perada ao longo da vida útil.
O valor residual co tuma ser um valor po- Depreciação Custo - Valor residual
itivo. Conrudo, pode ser zero e o ativo for anual
= --- ------
Vida útil
usado até e tar completamente esgotado, não
possuindo valor como sucata ou ferro-velho A depreciação linear também pode ser
naquele momento. Deve haver uma relação en- calculada por um método alternativo, usando-
tre vida útil e valor residual. Quanto mais curta -se a equação:
a vida útil, maior o valor residual , e vice-versa.
Valor contábil é outro termo relacionado Depreciação = (Custo - Valor residual) x R
anual
à depreciação. Ele é igual ao custo do ativo
menos a depreciação acumulada. Esta última tal que Ré a taxa percentual linear anual, encon-
é toda a depreciação entre a da1a de aquisição trada dividindo-se 100% pela vida útil ( 100% /
e a data corrente. O valor contábil está sem- vida útil). Por exemplo, imagine a compra de
pre entre o custo e o valor residual. Ele nu nca uma máquina por US$ 100.000, à qual é atri-
é inferior ao valor residual, e é igual ao valor buído um valor residual de US$ 20.000 e uma
residual no fim da vida útil do ativo. Embora o vida útil de I Oanos. A depreciação anual usan-
valor contábil seja um modo de determinar o do a primeira equação seria:
valor de um ativo, ele não deve ser confundido US$ 100.000 - US$ 20.000
com valor de mercado. Tanto vida útil quanto - - - - - - - - = US$ 8.000
valor residual são apenas estimativas fcitas no 10 anos
momento em que o ativo é adquirido. É pouco
Uti lizando a segunda eq uação, a taxa percen-
provável que um ou ambos realmente sejam os
tual seria 100% / 1O, ou 10%, e a depreciação
valores efeúvos. Portanto, o valor contábil e o
anual seria:
valor de mercado só são iguais por acaso.
(US$ 100.000 - US$ 20.000) x 10%
Métodos de depreciação = US$ 8.000
Podem er empregados diver os métodos ou O res ultado é o mesmo em ambos o
equações para calcul ar a depreciação anual. procedimentos, e a depreciação to tal ao lon-
Não há uma única escolha correta para todo go de IO anos seria US$ 8.000 x 1O ano =
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análíse 77

US$ 80.000, reduzindo o valor contábil da No ano 8, se fossem descontado


máquina ao seu valor residual de US$ 20.000. US$ 4.194 como depreciação, o valor contá-
bil cairia para US$ 16.777, US$ 3.223 a me-
Saldo decrescente nos do que o valor residual de US$ 20.000.
Há algumas variações ou tipos de depreciação Correspondentemente, a depreciação no ano
de saldo decrescente. A equação básica de to- 8 deve ser ajustada para US$ 972, o valor de
dos os tipos é: depreciação restante após se atingir o valor
residual. Nos anos 9 e 10, não há depreciação
Depreciação restante.
anual = (Valor contábil no início do ano) x R
Esse exemplo não é incomum, já que o
tal que R é um valor ou taxa percentual cons- saldo decrescente duplo, com um valor residu-
tante. al diferente de zero, geralmente faz com que a
é O mesmo valor R é usado para cada ano depreciação permissível máxima seja registra-
da vida útil do item, sendo multiplicado pelo da antes do fim da vida útil, com a deprecia-
valor contábil, que decresce todo ano em um ção devendo parar quando o valor contábil se
valor igual à depreciação do ano anterior. Por- iguala ao valor residual.
tanto, a depreciação anual decresce todo ano Observe também que o método do saldo
neste método. A taxa percentual é multiplica- decrescente nunca reduz o valor contábil a
da pelo valor contábil de cada ano, e não pelo zero. Com um valor residual de zero, é neces-
custo menos valor residual, como era feito sário passar para depreciação linear em algum
pelo método linear. momento, a fim de obter toda a depreciação
Os diversos tipos de saldo decrescente permissível ou tomar toda a depreciação per-
advêm da determinação do valor de R . Em missível no último ano. A prática comum é
todos os tipos, o primeiro passo é calcular passar para linear sobre o valor restante pela
a taxa percentual linear (em nosso exemplo vida útil restante quando resulta uma deprecia-
anterior, 10%). O método do saldo decres- ção igual ou maior em comparação a continuar
cente usa, então, um múltiplo da taxa linear, usando saldo decrescente duplo. Se a máquina
como 200% (ou o dobro), 150% ou 100%, de US$ 100.000 do exemplo anterior tives e
como o valor de R. Se for escolhido um um valor residual de zero, então, no ano 7,
saldo decrescente duplo, R seria 200%, ou aplicar linear ao valor restante (US$ 26.214)
duas vezes a taxa linear. O valor de R se- pela vida útil restante (4 anos) resultaria em
ria determinado de forma semelhante para uma depreciação de US$ 6.554, o mesmo que
as outras variações da depreciação de saldo o saldo decrescente duplo, e a troca eria feita
decrescente. aí. Nesse método, para os ano 7, 8, 9 e IO, a
Utilizando o exemplo anterior, a taxa do depreciação anual seria, então, de USS 6.554,
saldo decrescente duplo seria 2 vezes 10%, ou sendo atingido um valor residual de zero.
20%, e a depreciação anual seria calculada da Se for usado um aldo decre -cente de
seg uinte maneira: 150%, R é uma vez e meia maior que a ta'<a
linear, ou 15%, no ca o. A depreciação anual
Ano 1: US$ 100.000 x 20% = US$ 20.000 dos 3 primeiro anos seria:
Ano 2: US$ 80.000 x 20% = US$ 16.000
Ano 3: US$ 64.000 x 20% = US$ 12.800 Ano 1: US$ 100.000 x 15% = US$ 1- .000
Ano 4 : US$ 51.200 x 20% = US$ 10.240 Ano 2: US$ 85.000 x 15% = US$ 12.750
Ano 5 : US$ 40.960 x 20% = US$ 8.192 Ano 3: US$ 72.250 x 15% = US 10. 38
Ano 6: US$ 32.768 x 20% = US$ 6.554 A depreciação de cada ano é menor do que
Ano 7: US$ 26.214 x 20% = US$ 5.243 e fo se usado o aldo dccre cente duplo, e, p r-
Ano 8: US$ 20.791 x 20% = US$ 4.194 tanto, o valor contábil cai numa taxa mai lenta.
78 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Depreciação para ano parcial idual de US$ 20.000 e v ida útil de I O a n o .


A depreciação anual é difere nte nos doi s m é-
O exemplo u ado aqui prcs upô que o ativo
todo . O saldo decrescente duplo possui um a
fora omprado no início do ano. com uma de-
depreciação anu al mais a lta nos primeiro an o
preciação de ano omplcto naquele ano. Um
do que a linear, e ndo o inverso v erda d e iro
ativo adquirido durante o ano teria a deprecia-
no último anos.
ão do pri meiro ano dividida proporcionalmen -
te de acordo com a porção do ano em que foi A e colha do método de depreci ação não
po uído. Por exemplo. um trator comprad o muda a depreciação rotai ao lon g o d a v ida
cm 1º de ahril fari a j u a 9/1 2 da depreciação útil. I o é determinado pe lo c u to e pelo va-
de um ano inteiro, e uma picape comprada em lor re idual (US$ 100.000 - US$ 20.000 =
1º de outubro 6 teria 3/1 2 da depreciação anu- US$ 80.000, nesse exemplo), sendo o mes m o
al no ano da compra. Sempre que houver uma qualq uer que eja o mé todo de depreciação.
deprecia ão de ano parcial no primeiro ano, ha- O difcrente métodos só esp alham ou aloc am
verá meno que um ano inteiro de depreciação o USS 80.000 em padrões difere ntes ao lon-
no ano fi nal de depreciação. Como erá di cu- go da vida útil de I O anos . O m é todo de de-
tido no Capítulo 16, o ft co norte-americano preciação mai apropriado dependerá do tipo
po ui regra e pecíftca para deprec iação de de ativo e do uso a ser feito do valor contábil
iten com ba e na data de aqui ição. re ultante. Por exemplo, o valor de mercado
de veíc ulo , tratores e outras máquinas mo-
torizada te nde a cair ma is rapidamente nos
Comparação dos métodos
primeiro anos de vida e mais lentamente nos
de depreciação último . Se for importa nte que a depreciação
A F igura 5-2 traça a depreciação anual em de e itens e aproxi m e o máxjmo poss ível
ambos os método de depreciação, com ba e de e u declínio em valor, provavelmente se
em um ativo de US$ 100.000. com valor re- deverá u ar o saldo decrescente. Ativos como

17.500

~ 15.000
2.
iij
~ 12.500
ai
o
·~
10
10.000
'ü Linear
~
á} 7.500
o
5.000

2.500

2 3 4 5 6 7 8 9 10
Anos

Figura 5-2 Comparação da depreciação anual com dois métodos de depreciação.


Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 79

cercas e edificações possuem pouco ou ne- específicos que devem ser u ados e que tal vez
nhum valor de mercado sem a terra à qual não reflitam a depreciação econômica. Esses
estão ligados e proporcionam um fluxo de ser- métodos serão apresentados no Capítulo 16.
viços produtivos razoavelmente uniforme ao
longo do tempo. A depreciação linear talvez
seja o método de depreciação mais adequado FORMATO DA DEMONSTRAÇÃO
para usar. Uma vez que o valor da depreciação DE RESULTADOS
anual depende do método de depreciação uti-
A maioria dos lançamentos da demonstração
lizado, o mesmo vale para o valor contábil ao
de resultados já foi mencionada, mas diver os
fim de cada ano. Com a linear, o valor contá-
itens ainda precisam ser mais bem explicados.
bil diminui na depreciação anual constante de
As linhas gerais da demonstração de resulta-
cada ano, por exemplo, de US$ l 00.000 para
dos apresentada na Tabela 5-5 seguem um dos
US$ 20.000 ao longo da vida útil. Usar o sal-
formatos recomendados pelo FFSC. De forma
do decrescente duplo faz com que o valor con-
muito condensada, a estrutura básica é:
tábil diminua mais rapidamente nos primeiros
anos, pois a depreciação anual é mais alta. O Receita total
valor contábil cai mais devagar nos anos finais i'vlenos despesas totais
da vida útil do que com a linear. Qualquer que
Igual a renda rural líquida das operações
seja o método empregado, o valor contábil
será igual ao valor residual no fim da vida útil. Mais ou menos ganho/perda com venda
Também deve ser observado que o fi sco norte- de ativos de capital
-americano possui métodos de depreciação Igual a renda rural líquida

Tabela 5-1 Formato da demonstração de resultados


Receita: Impostos imobiliários
Seguro
Venda de cultivos à vista
Arrendamento de terra à vista
Venda de animais à vista
Outros: - - - - -
Vendas de produtos pecuários
Verbas de programas governamentais
Outras rendas rurais
Aj ustes
Mudanças no estoque:
Mudança nas contas a pagar
Cullivos
Mudança nas despesas acumuladas
Animais destinados ao mercado
Mudança nas despe a antecipadas
Alteração no valor do rebanho reprodutor criado
Mudança nos suprimentos não usados
Ga nho/pe rda com venda de rebanho
Mudança no investimento no cultivo aoricola
o
reprodutor para abate
Depreciação
Mudança nas contas a receber
Total de despesas operacionai
Receita total
Juros pagos em caixa
Despesas: Mudança nos j uros acumulado
Despesa total com juros
Ração e grãos comprados
Despesas totais
Animais destinados ao mercado comprados
Renda rural líqujda de operaçõe'
Outras despesas operacionais de caixa:
Ganho/perda com venda de ativos de capital:
Despesas agrícolas
Maquinário
Despesas pecuárias Tem,
Combustível, óleo
Outro
Mão de obra
Renda rural líquida
Re paros, manute nção
80 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Todo o ganho. /perda com a venda de Me nos custo de animai s destinad o ao


animai de cria ão de. cartada. são exi bido. mercado adquiridos
na cção de receita, , mas ou tro · ganhos/per- Igual a valor da produção rural
da con tam cm uma e ão eparada no li m
Menos todas as outras despesas
da demon tra ão de re ultado . A razão para
colo ar e te último na receita é que a venda Igual a renda rural líquida das operações
de animai de cria ão de cartada é uma parte Mais ou menos ganho/perda com venda
normal, e perada e u uai da atividade pro- de ativo de capital
dutiva corrente do negócio. Embora o FFSC Igual a renda rural líquida
recomende a inclu ão de todo o ganhos/per-
das na renda rural líquida, ele recomenda que O valor da produção rural mede o valor em
aquele relativos a maquinário e terra - j un- dinheiro de todas a mercadorias e serviços pro-
tamente com benfeitoria , como edilicaçõe duzidos pelo negócio rural. Toda a ração, g rãos
e cultivo permanente - ejam apresentado e animais de mercado comprados foram produ-
eparadamente. Ganho /perdas advindo da zido por outro e tabelecimento agropecuário,
venda de e ativo ão meno freq uente , não devendo er creditados a este negócio. Sub-
re ultam de inve timento, cm vez de ativida- trair o custo desses itens da receita total resulta
de produtiva , e podem ser grandes. Logo, em um valor de produção "líquido". Qualquer
a renda rural líquida da operações é o lucro aumento no valor obtido dando-se ração e grãos
ori undo da atividade produtivas corrente e comprado a animais comprados acabará sendo
nom,ai . A renda rural líq uida inclui es e va- creditado ao negócio analisado por meio de re-
lor mais todos os ganhos/perda com venda de ceita com vendas ou aumento de estoque.
terra e uas benfeitorias, edifícios e maquiná- O valor da produção rural é uma medi-
rio. Apresentar e es itens separadamente no da útil da escala do estabelecimento ao se
final da demon tração de rc uhados permite anali ar um negócio rural, sendo usado tam-
que o usuário veri liquc rapidamente e eles bém para calcular outras medidas. Embora o
ti veram um efeito desmesurado sobre a renda FFSC não exija o uso do formato que a pre-
rural líquida. senta o valor da produção rural, e le reconhe-
Juro de caixa pago , juros acumulado e ce sua utilidade. Portanto, para o formato
j uro totais são postos separado das demai mostrado na Tabe la 5-1 , eles recome ndam
despe as. Embora amiúde categorizado como que o custo da ração e dos grãos comprados
uma de pesa operacional, a posição do FFSC e animai destinados ao mercado comprados
é de que j uros ão um rc ultado de atividade seja aprese nLado prime iro, separado das ou-
linanceiras, e não produtivas. Portanto, não de- tra despesas operacionais. Isso facilit a ao
vem er incluídos nas de pesas operacionais di - u uário encontrar os valores necessários para
retas a sociada à produção agropecuária. E sa calcular o valor da produção rural.
eparação também faci lita ao usuário encontrar
e registrar o alor da despesa com juros ao reali-
AJUSTES POR COMPETÊNCIA
zar uma análi e da demonsLração de resultados.
EM UMA DEMONSTRAÇÃO
O outro formato de demonstração de re-
ul tados recomendado pelo FFSC calcula o DE RESULTADOS COM BASE
valor da produção rural como etapa interme- EM CAIXA
diária. De forma condensada, e se forma to
po ui a eguinte e Lru tura: Apesar de o FFSC incentivar o uso do regi-
me de competência, e le reconhece que o re-
Receita total gime de caixa ainda é usado e provavelmente
Menos cu to da ração e grãos adquiridos continuará endo u ado por algum tempo pela
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 81

maioria dos agropecuaristas. A simplicidade e Ajuste dos recebimentos


vantagens de imposto de renda explicam sua Há dois ajustes para recebimentos de caixa:
popularidade. No entanto, a renda rural líqui- mudança nos valores de estoque e nas contas
da obtida com um sistema contábil por caixa a receber. Devem ser feitos ajustes nos esto-
pode ser enganosa, resultando em decisões ques de grãos, animais de mercado e animais
ruins se usada para fins gerenciais. de criação própria. O valor inicial de estoque é
O FFSC recomenda que todos que usam subtraído dos recebimentos de caixa, pois esse
o regime de caixa convertam a renda rural lí- estoque foi vendido (ou consumido de outro
quida resultante para uma renda rural líquida modo) ao longo do ano, e as vendas foram in-
ajustada por competência ao fim de cada ano. cluídas como recebimentos de caixa. O valor
Esse valor pode, então, ser usado para análise final de estoque é somado aos recebimentos
e tomada de decisão. A demonstração de re- de caixa, pois essa é a produção do ano cor-
sultados com base em caixa só inclui recebi- rente que ainda não foi vendida.
mentos em caixa, despesas em caixa e depre- O processo para as contas a receber é o
ciação, então há diversos ajustes a se fazer. A mesmo. As contas a receber iniciais são sub-
Figura 5-3 mostra os ajustes necessários e o traídas dos recebimentos de caixa, já que esse
procedimento recomendado. valor foi cobrado durante o ano e lançado

BASE EM CAIXA AJUSTES BASE EM COMPETÊNCIA


- Estoques iniciais
. . + Estoques finais
Recebimentos de caixa - - - - • { _ Contas a receber Iniciais
+ Contas a receber finais
} Receitas brutas

- Contas a pagar iniciais


+ Contas a pagar finais
- Despesas acumuladas Iniciais
+ Despesas acumuladas finais
+ Despesas antecipadas Iniciais
- Despesas antecipadas finais
Gastos de caixa - - - - - - - - .- + Suprimentos não usados Iniciais Despesas operacionais
(p. ex., combustível, pesticidas,
sementes)
- Suprimentos não usados finais
+ Investimento no cultivo
agrícola Inicial
- Investimento no cultivo agrícola
final (vide Observação 1)
Despesa de depreciação Não foram realizados ajustes Despesa de depreciação
{vide Observação 2)
Renda líqulda de caixa antes Renda líquida ajustada por
de Impostos competência antes de Impostos
Observação 1: Lembre-se de evitar a contagem dupla de Itens Incluídos em despesas antecipadas e suprimentos não usados ao
detemiinar o Investimento no cultivo agrícola.
Observação 2: Como a depreciação é uma despesa não monetária, tecnicamente ela não sena refletida em uma demonslrac;ão de
resultados com base em caixa. Em vez disso, a demonstração exibiria os pagamentos de caixa por bens, máquinas e equipamentos, no
lugar de alocar o custo do ativo ao longo de sua vida útil. No entanto, uma vez que o Código Tributário exige que os ativos de capital
sejam depreciados, mesmo para contribuintes com base em caixa, a prática comum é registrar a despesa de depreciação na
contabilidade da renda tanto com base em caixa quanto em competência.

Figura 5-3 Ajustes para obter a renda rural líquida ajustada por competência a partir de uma
demonstração de resultados com base em caixa.
Fonte: Adaptado de Financial Gu/delines for Agricultura/ Producers, Recomendações do Conselho de
Padrões Financeiros Rurais (Revisado), 1997.
82 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

orno rc ebimento de caixa. A conta a re- um sistema contábil em regime de caixa; assim,
ebcr fi nai ão ·ornada·. poi rcpre entam a preci am ser medidos e rcgistrndos de algum
pr du ão durante o ano pa ado que ainda não outro jeito. Esse processo de ajuste resultará na
apare cu no rc cbimcnto de caixa. Um pro- renda rural líquida ajustada por competência
cedimento alternativo para e toque e conta a correta somente se todo os ajustes lançado
rc eber é ubtrair o valores iniciai do valo- possuírem os mesmo valores que teriam tido
re linai e regi trar apena · a difcrença ou mu- se tivesse sido usado um sistema em regime de
dan a. Es a mudança pode er um aj uste po- competência. O método mais exato (e o que
itivo ou negativo ao recebimento de caixa. mantém todo os regi tros financeiros coeren-
tes e correlacionados) é usar valores retirados
Ajustes das despesas dos balanço de início e de fim de ano.
A Tabela 5-2 apresenta o cálculo dos ajus-
E ·i tem diver o aju tes ao de embolsas de te de competência que a E. U. Agropecuária
cai ·a ou de pe a , inclui ndo conta a pagar terá que fazer para e laborar sua demonstração
e de pesas acumulada . Ele frequentemente de resultado . Para completar uma tabela de
ão o maiore aj uste de despe a , e os juro ajuste de competência, são tirados valores dos
acumulado co tumam er a maior despe a doi balanço patrimoniais correspondentes ao
acumulada. Tanto conta a pagar quanto de - primeiro e ao último dia do exercício contábil
pe a acumulada são de pe a que aj udaram (no caso, um ano), encontrando-se a diferença
a produzir renda durante o exercício contábil, entre esse alares. Por exemplo, os estoques de
ma para a quai ai nda não foi gasto caixa. cultivo foram avaliados em US$ 32.000 no iní-
O caixa erá 2asto no ano e2uinte. Fazer os
~ ~
cio do ano e em US$ 40.640 no fim do ano - um
aju tes exibido na Figura 5-3 coloca e a aumento de US$ 8.640. Esse aumento é mos-
de pe a no ano correto, aq uele em que elas trado como um número positivo na coluna que
aj udaram a produzir receita. reflete a mudança em valor. Cálculos similares
De pesas antecipadas, uprimento e in- são realizados para todos os outros ajustes de
vestimento no cultivo agrícola são outros aju - competência. Para as contas a pagar, por exem-
te à despesas de caixa, ma pre te atenção ao plo, o valor inicial é subtraído, e o valor final
procedimento diferente de ajuste. Os valores é acrescentado, como indicado na Figura 5-3.
iniciais são acrescentados aos desembol os de Para despesas antecipadas, em contraste, o va-
caixa, enquanto o valore finais são ubtraf- lor inicial é acrescentado, e o valor final é sub-
dos. Este procedimento é diferente do outros traído para encontrar o ajuste de competência,
dois aj ustes de despesa, poi a cronologia dos como também é indicado na Figura 5-3.
de embolso de caixa é diferente. Nas de pe-
as antecipadas, estoques de suprimentos e in-
vestimento no cultivo agrícola, foi gasto caixa ANÁLISE DA RENDA RURAL
durante o exercício contábil anterior, mas ele LÍQUIDA
6 gerará receita no exercício seguinte. O si-
nai diferentes nos valore iniciais e linais dão A Tabela 5-3 contém uma demonstração de re-
conta de forma adequada da difcrença na cro- sultados completa com base em compe tência
nologia, re ultando nas despe a operacionais para a E. U. Agropecuária. Ela apre enta
aju tadas por competência correta . uma renda rural líquida de operações de US
E e proces o de ajuste é bastante simple , 45.486 e uma renda rural líquida de US
ma demanda algum e forço e atenção a de- 46.286. O negócio apresenta lucro no ano,
talhes. É prcci o aber o valor cm dinheiro de mas ele é um negócio " lucrativo"? A lucratj-
cada item no início do ano e, novamente, no vidade diz respeito ao tamanho do lucro em
fim do ano. E es alorc não faze m parte de relação ao tamanho do negócio. O tama nho é
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 83

Tabela 5-2 Ajustes de competência na demonstração de resultados


,, VaJor no início do Valor no fim Mudança
exercício do exercício no valor

Itens de receita
Estoques de cultives - 32.000 +40.640 = 8.640
l
Estoques de animais destinados ao mercado - 22.000 +22.400 = 400
Contas n receber - 2.120 +3.570 = 1.450
Itens de despesa acumulados e não pagos
Contas a pagar -3.620 +3.500 = - 120
Despesas a pagar - 1.290 +1.800 = 510
Juros acumulados -12.080 +1 2.300 = 220
Itens de despesa pagos e não acumulados
Despesas antecipadas +646 -780 = -134
Suprimentos não usados +520 - 860 = - 340
Investimento no cultivo agrícola +5.000 -5.000 = o

medido pelo valor dos recursos empregados receitas excedem as despesas mais qualquer
para produzir o lucro. Um negócio pode re- ganho ou perda na venda de ativos de capital.
gistrar lucro, mas possuir uma classificação Ela também pode ser pensada como o valor
de lucratividade ru im se o lucro for pequeno disponível para dar um retorno ao operador
em comparação ao tamanho do negócio. Por pela mão de obra não remunerada, gestão e
d exemplo, dois estabelecimentos agropecuá- capital social usado para produzir aquela ren-
rios com a mesma renda rural líquida não são da rural líquida. Como discutido anteriormen-
igualmente lucrativos se um utilizou o dobro te, ela é um valor absoluto em dinheiro, o que
de terra, mão de obra e capital do que o outro dificulta a utilização da renda rural líquida por
para produzir seu lucro. si só como uma medida de lucratividade. Ela
A lucratividade é uma medida da eficiência deve ser considerada mais um ponto de par-
do negócio no uso de seus recursos para gerar tida para analisar a lucratividade do que uma
lucro ou renda rural líquida. O FFSC recomen- boa medida de lucratividade em si.
da cinco medidas de lucratividade: ( 1) renda
rural líquida; (2) taxa de retorno sobre ativos Rentabilidade dos ativos
rurais; (3) taxa de retomo sobre patrimônio ru-
ral; (4) razão de margem de lucro operacional; Rentabilidade dos ativos (RDA) é o termo
e (5) lucro antes de juros, impostos, depreciação usado pelo FFSC, mas o me mo conceito já
e amortização (LAJIDA). Também é possível foi chamado de retomo sobre capital ou retor-
calcular o retomo sobre a mão de obra não re- no sobre investimento (RSI). Ela mede a lu-
munerada e a gestão do operador, separadas ou cratividade por meio de um coeficiente obtido
juntas, oulra medida comum de lucratividade. dividindo- e o retorno em dinheiro do ativo
pelo valor médio do ~ ativo rurai durante o
ano. Este último valor é encontrado fazendo-
Renda rural líquida
-se a média entre o valore inicial final do
Como apresentado na demonstração de resul- ativo totais a partir do balan o patrimoniai
tados, a renda rural líquida é o valor em que as do estabelecimento. Expre ar a RD orno
84 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Tabela 5-3 Demonstração de resultados da E. U. Agropecuária no exercício com fim em 31 de


dezembro de 2012
RC'C'eita:

Venda de cultivo à vi ta uss 284.576 Reparos, manutenção 7.960


Venda de animai à vi ta 88.1 12 lmpo tos imobiliários 2.700
Venda de produto pecuário o Seguro 3.240
Verba de programa 22.500 Arrendamento de terra 8.500
govemamentai à vi la
Outra rendas rurai o Outros: Contas de 3.780
erviço e senci ais
1udan a no estoque: Ajuste
Cultivo 8.640 Mudança nas contas a (120)
pagar
Animais destinados ao 400
mercado Mudança na de pesas 510
acumulada
Alteração no valor do rebanho o Mudança nas despesas (134)
reprodutor criado antecipadas
Ganho/perda com venda de 870 1udança nos (340)
rebanho reprodutor para abate suprimentos não usados
1udança nas conta a receber 1.450 Mudança no o
investimento no cultivo
agrícola
Receita total uss 406.548 Depreciação 16.000
Total de despesas uss 342.991
Despesas: operacionai
Ração e grãos comprados 11 .550 Juros pagos em caixa 17.851
Animais de mercado comprados 22.720 Mudança nos juros 220
acumulados
Outras despesas operacionais de Despesa total com uss 18.071
caixa: juros
De pesas agrícolas 190.940 Despesas totais uss 361.062
Despe a pecuárias 43.845 Renda rural líquida de US$ 45.486
operações
Combustível, óleo 31 .840 Ganho/perda com venda de
ativos de capital
Mão de obra o Maq uinário 800
Terra o
Outros o
Renda rural líquida uss 46.286
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 85

uma porcentagem oferece uma comparação Assumindo-se um custo de oportunidade de


fácil com os mesmos valores de outras pro- US$ 40.000 pela mão de obra não remunerada
priedades, ao longo do tempo para a mesma fornecida por E. U. e outros familiares, mais
propriedade e com a rentabilidade de outros US$ 5.000 pela gestão, os cálculos ão:
investimentos. A equação é:
Renda rural líquida de
Rentabilidade Retomo dos ativos (US$) operações ajustada US$ 63 .557
d · (o/é)=
O
- - -- - - - X 100
os ativos Média dos ativos (US$) Menos custo de oportunidade da
A rentabilidade dos ativos é o retorno em di- mão de obra não remunerada US$ -40.000
nheiro sobre o capital próprio e de terceiros; Menos custo de oportunidade
portanto, a renda rural líquida de operações da gestão US$ -5.000
precisa ser ajustada. Os juros sobre capital de Igual a rentabilidade dos ativos US$ 18.557
terceiros foram deduzidos como despesa ao A etapa final é converter essa rentabilida-
se calcular a renda rural líquida de operações. de dos ativos em dinheiro para uma porcenta-
Esses juros devem ser acrescentados de volta
gem dos ativos totais, o valor em dinheiro de
à renda rural líquida de operações ao se cal-
todo o capital investido no negócio. Um pro-
cular o retomo dos ativos. Essa etapa elimfoa
blema imediato é: qual valor de ativos totais
as despesas provenientes do tipo e valor de fi-
usar, com base em custo ou mercado? Embora
nanciamento usado pelo negócio. O resultado
qualquer um deles possa ser utilizado, o va-
é igual ao que a renda rural líquida de opera-
lor com base no mercado é geralmente usa-
ções teria sido se não tivesse havido capital de
do, pois representa o investimento corrente no
terceiros e, portanto, despesas com juros. Para
negócio e possibilita uma comparação melhor
a E. U. Agropecuária, os cálculos são:
das RDAs entre estabelecimentos. Também
Renda rural líquida de operações US$ 45.486 torna a RDA resultante comparável à renta-
Mais despesa com juros US$ 18.071 bilidade que esses ativos poderiam atingir em
Igual a renda rural líquida de outros investimentos, caso os ativos fossem
operações ajustada US$ 63.557 convertidos em caixa aos valore de mercado
atuais e investidos alhures. Contudo, a base de
Essa teria sido a renda rural líquida de ope-
custo dá uma indicação melhor do retomo o-
rações da Agropecuária se não tivesse havido
bre os fundos reais investidos, endo o melhor
capital emprestado ou se tivesse havido 100%
indicador para análise de tendências.
de capital patrimonial no negócio.
Como mostrado no Capítulo 4, o valor
Também é preciso fazer um ajuste para a
total de ativos da E. U. Agropecuária, com
mão de obra não remunerada e a gestão provi-
base no mercado, era US$ 1.068.750 em lº
da pelo operador rural e sua família. Sem esse
de janeiro de 2012. Supondo- e um valor de
ajuste, a parte da renda rural líquida de ope-
US$ 1.030.755 em 31 de dezembro de _012,
rações creditada aos ativos também incluiria a
o valor médio dos ativos nesse período foi
contribuição da mão de obra e gestão à geração
US$ 1.049.753. Logo, a rentabilidade do ati-
daquela renda. Portanto, deve-se subtrair uma
vos da E. U. Agropecuária em 20 12 foi :
taxa de mão de obra não remunerada e gestão
da renda rural líquida de operações ajustada a US$ 18.557
fim de se encontrar a rentabilidade efetiva dos RDA = - - - - - = 0,0177 ou l ,77%
US$ 1.049.753
ativos em dinheiro. Não há como saber exata-
mente qual parte dessa renda foi obtida com Es a RDA de 1,77% repre enta o retomo do
essa mão de obra e gestão, então ão usados capital inve tido no negócio apó e ajustar a
custos de oportunidade como estimativas. renda rural líquida de operaçõe pelo cu to de
86 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

oportunidade de mão de obra e gestão. A "lucra- há uma mi stura de capital de dívida e patri-
tividade.. do tahelecime1110 agropecuário pode moni al (social ou societário). Outra medida
agora cr julgada comparando- e es a RDA à de importante da lucratividade é o retomo sobre
estahcle imento emclhante , à rentabilidades patrimônio (RSP), o retomo sobre a porção
de outro investimento po ívci , ao custo de do proprietário do capital investido . C a o o
oportunidade do capital do e tabelecimento e a negócio fosse liquidado e os passivos fossem
RDA anteriorc do mesmo cstaheleeimento. quitados, somente o capital patrimonial e ta-
ria di ponível para investimentos alternativos.
Outras considerações O cálc ulo do retorno sobre patrimônio
Devem cr ob ervadas vária coi a quando começa diretamente com a renda rural líqui -
e calcula e analisa a RDA. Primeiro, o FFSC da de operações. Não são necessários ajustes
recomenda que e u e a renda rural líquida de de despesa com j uros. Juros são o pagamento
operações em vez da renda rural líquida. Ga- pelo u o de capital emprestado e devem ser
nho ou perda com venda de ativos de capital deduzido como despesa antes de se calcular
incluído neste último valor são de natureza e - o retorno obre patrimônio. O s juros já foram
porádica, podem er muito grandes e não repre- deduzido ao se calcular a renda rural líqui-
entam a renda gerada pelo uso dos ativos nas da de operaçõe . Contudo, o custo de oportu-
atividade produtivas nommis do negócio, por- nidade da mão de obra e gestão do operador
tanto não devem er incluídos em cálculos da e ua famíl ia deve novamente ser subtraído~
eficiência do uso dos ativos na geração de lucro. assim, o RSP não incl ui a contribuição deles
Segundo, os custos de oportunidade de mão de para a geração de renda.
obra e gestão ão es1ima1ivas, e alterá-lo areta- Continuando com o exemplo da E. U.
Agropecuária, o retorno sobre patrimônio em
ria a RDA. Terceiro, só devem ser fcitas compa-
dinheiro seria:
rações de RDAs após e certificar de que toda
elas foram calculadas da mesma forma e que fo i Renda rural líquida de
u ado o mesmo método de avaliação de ativos. operações US$ 45.486
Recomenda- e avaliação por mercado para fins
Menos custo de oportunidade da
de comparação; avaliação por custo é recomen-
mão de obra não remunerada - 40.000
dada para a verificação de tendências no mesmo
e tabelecimento. Quarto, o valor de aúvos pes- Menos cus to de oportunidade
oais ou não rurais que tenham sido incluídos da gestão - 5.000
no balanço patrimonial deve ser subtraído dos Igual a retorno sobre patrimônio US$ 486
aúvos totais. Da mesma fomm, rendimentos não
A taxa de retorno sobre o patrimônio é calcu-
rurai , como j uros sobre poupança pessoais,
lada a partir da eq uação:
não devem e incluídos na renda rural. A RDA
calculada deve ser relativa a rendimento rurais Retorno sobre
gerados por ativos rurais. Por fim, a RDA é uma Taxa de retorno sobre patrimônio (US$)
patrimônio(%) = . ~ . X 100
rentabilidade média, e não marginal. Ela não Pa tnmomo
deve ser u ada ao e tomarem decisões sobre médio (US$)
inve timento em ativos adicionais, quando o re-
tomo marginal é o valor importante. O patrimôni o médio do a no é u sado como
divisor, sendo a média do patrimônio inicial
e fina l (com base em custo ou mercado) do
Taxa de retorno sobre patrimônio ano. O retorno sobre patr imô nio também é
O retorno sobre ativos é o retorno sobre todos expressado como porcentagem, p ara permitir
os ati vos ou capital investidos no negócio. Na uma fáci l comparação entre estabe leci m e nto
maioria do estabelecimentos agropec uários, e com outros investi me ntos .
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 87

Supondo um patrimônio médio com base dos juros. Muitos anos des a relação podem
no mercado de US$ 725.788, o retorno sobre levar à in olvência.
patrimônio da E. U. Agropecuária seria: Embora o RSP seja po itivo nc se exem-
plo, ele está muito próximo de zero, endo in-
US$ 486 fe rior à RDA. As im, ape ar de a renda rural
RSP = - - - - = 0,0007 = 0,07%
US$ 725.788 líquida desse estabelecimento agropecuário
te r sido positiva em 20 12, ele não parece mui-
O RSP pode ser maior ou menor que a to lucrativo. No próx imo capítulo, a lucrativi-
rentabilidade dos ativos, dependendo da rela- dade do estabelecimento será comparada à de
ção da RDA com a taxa de juros média sobre outros estabelecimentos semelhantes, e possí-
o capital emprestado. Se a RDA for maior que veis problemas serão inve tigado .
a taxa de juros paga sobre o capital empresta-
do, essa margem extra, ou retorno acima da
Razão de margem de lucro
taxa de juros, acumula em favor do capital
patrimonial. Seu retorno torna-se maior do operacional
que o retorno médio sobre ativos totais. Inver- Este índice calcula o lucro operacional como
samente, se o retorno sobre ativos for menor porcentagem da receita total. Um valor mais
que a taxa de juros sobre capital emprestado, alto quer di zer que o negócio está obtendo
o retorno sobre patrimônio será menor que o mais lucro por unidade monetária de receita.
retomo sobre ativos. Um pouco dos rendimen- A primeira etapa para calcular a razão de mar-
tos do capital patrimonial teve que ser usado gem de lucro operacional é encontrar o valor
para compensar a diferença quando os juros absoluto em dinheiro do lucro operacional. O
foram pagos, assim reduzindo o RSP. Sendo proce so é:
ia taxa de juros sobre a dívida, essa relações
podem ser sintetizadas como segue: Renda rural líquida de operações
Mais despe a com juros
Se RDA> i, então RSP > RDA
Se RDA < i, então RSP < RDA Menos cu to de oportunidade de mão de
obra não remunerada
Em ambas essas relações, a diferença ab-
soluta entre os dois valores depende de outro Menos cu lo de oportunidade de gestão
fator: o montante da dívida comparada ao pa-
Igual a lucro operacional
trimônio. Se RDA > i e a dívida for grande
e m relação ao patrimônio, o RSP poderá ser Acre centam-se o juro de volta à ren-
muito maior que a RDA. O montante relati- da rural líquida de operações para eliminar
vamente grande de dívida gera muito dinheiro o efeito da dívida sobre o lucro operacional.
de retorno ac ima do c usto dos juro , o que, Isso pos ibilita que a razão de margem de
por sua vez, contribui para o retorno auferi- lucro operacional se co ncentre excl u iva-
do pelo montante relativamente pequeno do me nte no lucro auferido com a produção
capital patrimonial e m si. Isso pode resultar de commodiries agropecuária , e m conta-
em um RSP grande. Contudo, uma combina- bilizar o montante da dívida, que pode va-
ção de dívida relativa grande e RDA < i tem riar con ideravelmente de e tab lecimento
o efeito oposto. Pode ser necessário todo ou para e tabe lecimento. Eliminar e a ariávc l
mais que o retorno sobre patrimônio para permite uma comparação álida de e oe-
compensar a di ferença entre o retorno gerado fici e nte entre diferente e tabel cim nto~.
pelo capital de dívida e os juro pagos por ele. Para reconhecer que a mão de obra nã re-
O RSP pode ficar negativo, significando que munerada e age tão o ntribuíram para gerar
deve ser u ado patrimônio para pagar parte o lucro, os c u to de op nunid 1d ã ub-
88 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

'
Quadro 5-4 Fontes de dados comparativos

Muitas vezes, é difícil julgar os pontos fortes ou fim do ano. Os valores médios e os dos quartos 1•
fracos dos resultados de uma análise de ren- ou terços superior e inferior de todos os asso-
da rural liquida sem comparar os resultados ciados geralmente são divulgados para o públí-
aos de estabelecimentos semelhantes. Uma co. Muitas vezes, os valores médios dos esta-
fonte de dados comparativos são associações belecimentos classificados por tamanho, região
de gestão de negócios rurais, que existem em ou principal empreendimento são disponibiliza-
muitos Estados com um número grande de dos também. Pode-se obter informação sobre
estabelecimentos agropecuários. Essas asso- as associações do seu Estado e informações
ciações auxiliam agricultores e pecuaristas em publicadas junto aos diretores de extensão do
sua escrituração durante o ano, fazendo uma seu condado ou no site do departamento de
análise financeira rural completa para eles no economia rural das faculdades de agronomia.

traídos. Is o torna o re ultado comparáveis Lucro antes de juros, impostos,


ao de negócio em que toda a mão de obra depreciação e amortização
e gestão é contratada, já que essas despesa O FFSC observa que os analistas comerciais
já foram deduzidas no cálculo da renda rural geralmente começam com o lucro an tes de
líquida de operações. juros, impostos, depreciação e amortização
A equação da razão de margem de lucro (LAJillA, também conhecido como EBITDA,
operacional é: do inglês eami11gs before interest, taxes, de-
Razão de . preciario11 a11d amortization) como uma me-
Lucro operacional dida da capacidade potencial de pagamento de
mar!:!em de Iucro = - - - - - - X I 00
ope;acional Receita total dívida, comparando essa cifra aos pagamentos
totais de juros ou aos pagamentos de principal
A razão de margem de lucro operacional da e j uros.1 A fórm ula básica é:
E. U. Agropec uária seria:
Renda rural líqu ida de
US$ 45.486 + 18.071 - 40.000- 5000 _ 0,0456 operações US$ 45.486
US$ 406.548 - ou 4,6% Mais despesa de j uros 18.071
Mais despesa de depreciação e
o significa que, em média, para cada dó-
amortização 16.000
lar de receita, restaram 4,6 centavos de lucro
após e pagar a despesa operacional neces- Igual a lucro antes de juros,
ária para gerar e se dólar. Estabelecimento impostos, depreciação e
com uma razão de margem de lucro opera- amortização (LAJJDA) US$ 79.557
cional baixa devem se concentrar em melho- O estabelecimento rural do nosso exem-
rar esse coeficiente antes de expandir a pro- plo não possui despesas de amortização.
dução. É de pouca val ia aumentar a receita Despesa de amortização podem decorrer do
total e há pouco ou nenhum lucro por dólar tratamento contábil de ativos intangíveis (ou
de receita. A renda rural líquida está rela- bens incorpóreos) , como patentes de inven-
cionada tanto à razão de margem de lucro
operacional , uma medida de lucratividade, 1
Nos termos dos GAAP (princípio con1ábeis geralmenle
quanto à receita lotai , que mede o volume aceitos), não há exigência jurídica de que empresas nego-
do negócio. ciadas em bolsa informem o LAJIDA.
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 89

ções, para distribuir o custo ao longo da vida custo de oportunidade de todo o capilal (valor
útil esperada do benefíc io associado. méd io dos ati vos) é de US$ 1.049.753 x 5"A
É importante observar que o LAJIDA ig- = US$ 52.488. Portanto, após ser atribuído a
nora gastos de capital, que podem ser grande todo o capital um retorno igual ao seu cu to de
cm algumas operações, assim superestimando o portunidade, a mão de obra e ge tão da E. U.
s ignificativamente o caixa à disposição para Agropecuária gerou US$ 63.557 - 52.488 =
capacidade de pagamento (pagamento de em- US$ 11 .069.
préstimos). Aprenderemos mais sobre medidas Assumindo-se que os cu to de oportuni -
de capacidade de pagamento no Capítulo 6, e, dade da mão de obra e ge tão da E. U. Agro-
no Capítulo 13, aprenderemos sobre o orça- pecuária eram de US$ 40.000 e US$ 5.000,
mento de fluxo de caixa, o modo ma is exato respectivamente, os US$ 11.069 indicam que
de estimar fluxo de caixa ao longo do próximo capital, mão de obra, gestão ou alguma com-
exercício contábil. binação dos três não recebeu um retomo igual
ao seu c usto de oportunidade. Infeli zmente,
não há como determinar qual teve ou não teve
Retorno sobre mão de um retorno ig ual ou superior ao eu custo de
obra e gestão oportun idade.
A renda rural líquida foi descrita como a quan-
tia disponível para dar retorno por mão de obra Retorno sobre mão de obra
não remunerada, gestão e capital patrimonial. O retomo sobre mão de obra e gestão pode ser
Foi calculada uma taxa de retorno sobre patri- usado para calc ular o retorno sobre mão de
mônio em uma seção anterior, e, de maneira obra apena . Com o custo de oportunidade do
parecida, é possível calcular um retomo sobre capital já deduzido, o único pas o remane cen-
mão de obra e gestão. Esta medida de lucra- te é subtrair o custo de oportunidade de ge tão.
tividade não é uma das recomendadas pelo
FFSC, mas é amplame nte usada. O retorno Retorno sobre mão de obra
sobre mão de obra e gestão é um montante em e gestão US$ 11.069
dinheiro que representa a parte da renda rural Menos custo de oportunjdade
líquida de operações que resta para pagar pe la da ge tão - 5 .000
mão de obra e gestão do operador depois que Igual a retorno sobre mão de obra US$ 6.069
todo o capital (valor total de ativo ) recebe um
retorno igual ao seu custo de oportunidade. O resultado é mais uma confirmação de
O procedimento é semelhante ao usado que, neste exemplo, a renda rural líquida não
para calcular retomo obre ativos e patrimônio, foi uficiente para dar à mão de obra, à ge -
exceto que o resultado é expre ado em moeda, tão e ao capital um retorno ao meno ioual
o ao
e não como razão ou porcentagem. O retorno seus cu to de oportun idade.
sobre mão de obra e gestão é calc ul ado como
Retorno sobre gestão
segue, usando-se a mesma renda rural líquida de
operações ajustada da seção obre RDA: A gestão, muitas veze , é con iderada o últi-
mo quesito com preten õe obre a renda rural
Renda rural líquida de operações ajustada líquida, por diver a razõe . Ela é difícil de
Menos custo de oportunidade de todo o estimar e, de certo modo, mede quão bem o
capital gestor organizou o outro recur o para gerar
lucro. O retorno obre ge tão do e tabeleci-
Ig ual a retomo sobre mão de obra e ge tão
mento agropecuário médi ou up1co , mui -
Se assumirmos o custo de oportun idade do tas veze , é informado em di cr as publica-
capital da E. U. Agropecuária como 5% , o çõe , endo calc ulado pela ubtra ão do cu t
90 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

de portuni dade da mão de obra do retorno deu um exemplo de como o patrimônio líqui-
sobre mão de obra e gc tão. do mudou para a E. U . A g ropecuária entre 1º
de j aneiro e 3 1 de dezembro d e 2 012 . A Fi-
Retom o o bre mão de obra gura 5-4 o ferece um di agram a que mos tra o
e g tão US 11.069 que acontece com a renda rural líquida e como
1eno cu to de oportun idade ela afeta o balanço p atrimoni a l. R e tira da
da mão de obra - 40.000 do negócio para cobrir des pesas d e s u te n -
Igual a retom o ~obre ge tão - US 28.93 1 to famili ar, impo to de re nda, contribuiçõe
previdenciária e para o utros fin s diminuem
O r tom o obre ge tão é altamente variável de o montante de rend a rural líquid a di s ponível
ano para a no. U m retomo negativo é ba lante para u o no negócio agropecu ário. O que resta
o mum cm muito e tabelecimentos, a u- e chama lucro rural acu11111lado (ou retido).
mind o- e (como e e proce o as ume) qu e Como o nome ugere, o luc ro rural acu-
apitai e mão de obra renderam eu cu to de mulado é a parte do lucro rural , após re tiradas
oportunidade. Todavia, um retorno negati vo pe oai e impo to , re tida para u so no negó-
quer dizer que a renda rural líquida não foi u- cio agropecuário. O valores de ativo e p assivo
fi iente para dar um retorno ao capital, à mão terão mudado, ma , e o lucro rural acumul ad o
de obra e à ge tão igual ou maior que c u fo r po itivo, o patrimô nio d eve te r a umenta-
u to de o portunidade. A renda rural líquida do. O lucro rural acumul ado representa ativos
pode ter ido um valor ub tancial, e pccia1- maiore ou passivos me nores, ou alguma outra
mente em um esta belecimento grande, ma comb inação de mudanças que ampliam a dife-
deveria ter ido melhor, a fim de dar à mão d e rença entre ativos e passivo s e, e m consequên-
obra. à ge tão e ao capi tal um retorno igual a cia, aumentam o patrimônio. E ssa alte ração no
eu cu to de oportunidade indi iduai . patrimônio pode não ser pos itiva. S e as des-
pe a de ustento, impostos e outras retiradas
forem uperiores à renda rura] líquida, o lucro
MUDANÇA DO PATRIMÔNIO rural retido erá negativo. N esse c a so, a tivos
LÍQUIDO tiveram que er retirados d o negócio a gropecu-
ário, ou foram nece sários m ais e mpréstimos
A pó calc ular e analisar a renda ru ral líquida , para fazer fre nte a despesas d e s u s te nto, im-
diversas que tões podem vir à mente . Em que po tos de renda e outras retirad as.
e usou e e lucro? Onde está es e dinheiro A relação d ireta entre lucro ru ral re tid o e
agora? E e lucro afeto u o balanço patrimo - mudança no patrimôni o mostrad a na F igu ra
nial? Se sim , como? As re po ta a essas per- 5-4 6 e aplica a balanços com base e m c u -
gu ntas estão relacio nadas e ilu trarn a relação to. Quando os ativo depreciáveis são avaliad o
entre a demon tração de re ultado e o balan- pelo valor con tábi l, e u decrésc imo e m valor
ço inicial e fi nal. corre ponde à despe a d e d e prec iação d a de-
Qualq uer renda rural líq uida deve acabar mon tração de resultado . O va lo r d a te rra n ão
em um de quatro uso : ( I ) retiradas pelo pro- muda, e se não houver novos a tivos rurais ad-
prietário para de pesas de suste nto famil iar e vindos de doações, herança o u re nda n ão rural,
o utros uso ; (2) pagamento de imposto de ren- o lucro rural retido será igual à a lteração d opa-
da e contribuiçõe previdenciárias (outro mo - trimônio líquido no ano. Nes as condiçõ , o
ti o para reti radas); (3) aumentos no caixa o u patrimônio em um balanço com ba e no cu to
o utro ativo ru rai ; o u (4) um a redução do 6 aumentará se o lucro rural retid o fo r po iti o,
passi, o por meio de pagamentos do pri nci- i to é, e a renda rural líqu ida for m aior d o que a
pal de empré timos ou pagamento de outro orna de despesas de ustento, impos tos e o utras
pa sivo . A Tabela 4-6, no capítul o anterior, retiradas. 1 o enfatiza ainda m ais a necessidad
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 91

de gerar um lucro substancial se o operador/ges- fluxos de caixa, j untamente com o balanço


tor da propriedade deseja viver bem e aumentar patrimonial, a demonstração da alterações
o patrimônio do negócio ao mesmo tempo. do patrimôn io líquido e a demonstração de
Em um balanço patrimonial com base no res ultados. A demonstração dos fluxos de cai-
mercado, ocorrerão alterações no patrimônio xa, corno o nome sugere, é uma íntese das
originárias não apenas de lucro rural retido, entradas de caixa e saídas de caixa reais ocor-
mas também de qualquer modificação no va- rida no negócio durante um exercício contá-
lor dos ativos devida a mudanças em seu valor bil. A Tabe la 5-4 é a demonstração dos fluxos
de mercado. Como mos trado na Figura 5-4, a de caixa da E. U. Agropecuária do exercício
alteração no patrimônio com base em custo com fim e m 3 1 de dezembro de 20 12. Es a
precisa ser aj ustada para qualquer mudança na demonstração é organizada em tomo de cinco
avaliação de mercado de ativos e impostos de grandes categorias: operacio nal, por exem-
renda diferidos relacionados. Estabelec imen- plo, despesas e receitas rurais de caixa; in-
tos agropecuários com uma grande proporção vestimento, por exemplo, ativos de capital ;
de seus ativos em terra podem ter rápidos ga- fin anc iamento, por exempl o, empréstimos e
nhos ou perdas de patrimônio em razão de flu- amortizações; itens não rurais; e uma seção de
tuações nos valores da terra. Sem esse ajuste, saldo para dinheiro em caixa. Transações não
é impossível correlacionar e contabilizar todas mo netárias, embora afetem o lucro ou valor
as mudanças no patrimônjo, líquido do estabelecimento, não são incluídas
na demonstração dos fluxos de caixa.
A E. U . Agropecuária registrou entradas
DEMONSTRAÇÃO DOS de caixa de US$ 395. 188 vindas de operações,
FLUXOS DE CAIXA US$ 372.688 de vendas de cultivas e animais
por caixa e US$ 22.500 por verba de progra-
O FFSC recomenda que o conjunto de de- ma govern amental. Ela pago u US$ 34.270
monstrações fi nance iras de uma operação em caixa por animais desü nado ao merca-
agropecuária inclua uma demonstração dos do comprados e rações e grãos adq uiridos,

Renda rural líquida


l
Menos despesas com sustento familiar
imp9sto de ~enda e contribuições '
prev1denclánas, e outras retiradas

Igual a lucros rurais retidos


lJ
Igual a mudança no patrimônio líquido com
base em caixa por melo de mudanças nos
ativos e passivos
l -
Ajustes relativos a mudanças nas avaliações de mercado
1
Igual a mudança no patrimônio
líquido com base no merca do
- 1

,1

Figura 5-4 Relação entre renda rural líquida e mudança no patrimônio líquido.
92 Parte l i Mensuração do desempenho gerencial

Tabela 5-4 Demonstração dos fluxos de caixa da E. U. Agropecuária no exercício com fim em 3 1
de dezembro de 2012
Caixa Caixa Fluxo de
entrando saindo caixa líquido
Operacional (renda c de pesa rurni cm caixa)
Caixa recebido de operaçõc US$ 395.188 NA
Caixa pago por animai de engorda, ração comprada e A US$ 34.270
outro iten para revenda
Caixa pago paro de pc a operacionais NA 292.805
Caixa pago para juros A 17.851
Caixa líquido - impo to de renda e contribuiçõc NA 10.500
previdenciária
Caixa líquido - outra renda variada o NA
Caixa líquido fornecido por atividades operacionais uss 39.762
lnYc timento (ativos de capital)
Caixa recebido da venda de animais reprodutorc 19.140
Caixa recebido da venda de máq uinas e equipamentos 8.600 NA
Caixa recebido da venda de imóveis o NA
Caixa recebido da venda de valores mobiliários negociáveis o NA
Caixa pago para comprar animais reprodutore NA 1.500
Caixa pago para comprar máq uina e equipamento A 53.400
Caixa pago para comprar imóveis NA o
Caixa pago para comprar valores mobiliários negociávei NA o
Caixa líquido fornecido por atividade de investimento (27. 160)
Financiamento (empréstimos)
ovos empréstimos recebido 238. 148
Principal pago 222.250
Caixa líquido fornecido por atividade de financiamento 15.898
ão rural
Renda não rural (salários, aluguéis, j uros, etc.) 9.500 NA
Gasto não rurais (su tento familiar, etc.) A 36.000
Caixa em espécie (caixa do e tabelecimento, conta-corrente, (26.500)
poupança)
Início do ano 5.000 NA
Fim do ano NA 7 .000 (2.000)
Discrepância
Total US$ 675.576 US$ US$ o
675.576

US$ 17.851 em juro de caixa e US$ 292.805 rios, esse gastos de caixa não corresponderão
cm caixa por outras de pesas operacionais. exatamente ao período em que os tr ibutos in-
Além dis o, recolheu US$ 10.500 em impos- cidiram.) Quando se subtraem despesas com
tos de renda e contribuiçõe previdenciária operações do recebimentos de caixa, há um
obre a renda tributável do ano anterior. (Por fluxo de caixa líquido do operacional, aj usta-
cau a da cronologia dos pagamento tributá- do pelos tributos pagos, de US$ 39.762.
Capítulo 5 A demonstração de resultados e sua análise 93

A próxima seção, sobre ativos de capi- rural de US$ 9.500 e os gastos não ru rais de
tal , mostra que a E. U. Agropecuária com- US$ 36.000 resultam em um fluxo de caixa
prou e vendeu alguns itens de capital nesse líquido negativo para atividades não rurais,
período. Gastos de caixa para itens de ca- isto é, uma quantia líquida de US$ 26.500
pital adquiridos excederam os recebimentos fo i retirada da conta ru ral. Se esses itens da
de caixa para itens de capital vendidos, en- coluna de flu xo de caixa líquido forem tota-
tão o fluxo de caixa líquido para as ativida- li zados, res ultam em um aume nto de caixa
des de ali vos de capital foi de US$ 27 . 160 de US$ 2.000, exatamente a d ifere nça entre
negativos. O total de novos empréstimos re- o dinheiro em caixa no início e no fim do
cebidos (US$ 238.148) foi maior do que o ano. O caixa tota l entrando, incluindo o sal-
montante de principal pago (US$ 222.250), do inicial de US$ 5.000, é exatamente igual
resultando em um fluxo de caixa líquido po- ao cai xa total saindo, inclu indo o saldo fi nal
sitivo para as atividades de financiamento de de US$ 7 .000. Logo, não há d iscrepância a
US$ 15.898. Por fim , a renda de caixa não conciliar.

RESUMO
A demonstração de resultados organiza e sintetiza as receitas e des pesas de um exercício contábil. calcu-
lando a renda rural líquida daquele exercício. Primeiro, toda a receita auferida durante o exercício deve ser
identificada e registrada. A seguir, a mesma coisa é fei ta para todas as despesas sofridas na produção da-
quela receita. A depreciação é uma despesa não mone tária que pode ser importante na agropecuária: logo.
devem ser mantidos registros precisos de depreciação. A re nda rural líquida é o valor em que as receitas
superam as despesas. Se a escriru ração é feita usando regime de caixa, devem ser realizados ajustes por
competência no fim de cada exe rcício contábil para deri var a renda rural líquida por competência. Uma
renda rural líquida em regime de caixa pode ser e nganosa, e decisões gerenciais só devem ser tomadas com
base em informações obtidas da renda rural líquida por competê ncia.
A renda ou lucro rural líquido é um montante efetivo em dinheiro, enquanto a lucratividade se refere
ao tamanho do lucro em relação aos recursos usados para prod uzi-lo. Deve-se realizar uma análise de lu-
cratividade todo ano para se ter um meio de comparar os resultados com os dos anos anteriores e co m os de
outros negócios rurais. A renda rural líquida. a re ntabilidade dos ati vos, a taxa de retorno obre patrimônio
e a razão de margem de lucro operacional são medidas de lucratividade recomendadas.
Parte da renda rural líquida é reti rada do negócio para cobrir despesas de sustento fa miliar. impostos
de renda, contribuições previdenciárias e outros itens. O restante da renda ru ral líquida é chamado de lu-
cro rural retido (ou acumulado). pois foi retido para uso no negócio agropecuário. Um lucro rural retido
positivo acaba sendo um aumento nos ativos. um decrésci mo nos passivos ou alguma outra combinação de
alterações nos ativos e pas ivos que faz o patrimônio aumentar. Inversamente, um lucro ru ral retido nega-
tivo significa que parte do patrimônio rural foi usada e m despesas de sustento, impostos e outras retiradas
pessoais. O patrimônio baseado em valores de mercado para ativos também se modifica com o valor da
modificação desses valores de mercado durante o ano. D eve-se desenvolver também uma dernon tração
dos fluxos de caixa como parte de um j ogo completo de registros.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Imagine que um novo trator é adquirido e m 1º de janeiro, por US$ 124.000, tendo um ator re idual de
US$ 20.000 e urna vida útil de oito anos. Qual eria a d preciação an ual para o doi primeiro ano
segundo cada método de depreciação?
94 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Ano 1 Ano 2
Lincnr
Snldo decrescente duplo

2. Para o problema anterior. qual eria o valor contábi I do trator no li m do ano 2 segundo cada método de
deprecia ão?
3. Reelabore as r po~tas à pergunta 1 assumindo que a data da compra foi 1º de maio.
4. Por que a mudança no estoque é incluída na demonstração de resultados por competência? Q ue efeito
um aumento no valor do estoque tem sobre a renda rural líquida? Um decréscimo?
5. Quai ão as diferenças entre a renda rural líquida calculada em regime de competência e aque la em
regime de caixa? Qual é a melhor medida da renda rural líquida? Por quê?
6. Quai fatore determinam a mudança no patrimônio com base no cu to? E no patri mônio com base no
mercado?
7. Por que alterações nos valore da terra não são incluída nas mudanças no estoque mostradas na de-
mon tração de resultados?
. Por que não há lançamentos para o preço de compra de máquinas novas em uma demonstração de
resultados? Como a compra de uma máquina nova afeta a demonstração de resultados?
9. Utilize as seguintes informações para calcular valores para cada um dos seguintes itens:

Renda rural líquida uss 36.000 Custo de oportunidade da mão de obra uss 16.000
Patrimônio médio uss 220.000 Cu ·to de oportunidade da gestão uss 8.000
alor médio dos ativos uss 360.000 Despesa de sustento familiar US$ 20.000
Despesa com juros uss 11.000 Impostos de renda e comribuições US$ 4.000
previdenciárias
Receita total uss 109.500 Custo de oportunidade do capital 10%

a. Rentabilidade dos ativos o/o


b. Taxa de retomo obre patrimônio ___%
e. Razão de margem de lucro operacional _ _ __ %
d. Alteração do patrimônio _ _ __ %
e. Retomo obre gestão _____%
1O. Uúlíze as seguintes informações para calcular os valores:

Despesas de caixa US$ 110.000 Valor inicial do estoque US$42.000


Receita de caixa uss 167.000 Valor fin al do estoque US$ 28.000
Depreciação uss 8.500 Custo do trator novo US$ 48.000
Contas a receber iniciai uss 2.200 Contas a receber finais US$0
Contas a pagar iniciais uss 7.700 Contas a pagar linais US$ 1.500

a. Renda rural líquida em regime de caixa US$ _ _ __


b. Receita total cm regime de competência US$ _ _ __
c. Renda rural líquida em regime de competência US$ _ _ __
Análise do negócio rural

Objetivos do capítulo
1. Mostrar como a análise do negócio rural 5. Examinar medidas que podem ser usadas
contribui para a função de controle da para analisar a solvência, a liquidez e a
gestão. lucratividade do negócio.
2. Sugerir padrões de comparação para utili- 6. Ilustrar o conceito de eficiência econômi-
zar na análise do negócio rural. ca e mostrar como ela é afetada por efi-
3. Identificar medidas de escala do negócio. ciência física, preços dos produtos e pre-
ços dos insumos.
4. Definir um procedimento para localizar
áreas de problemas econômicos ou finan-
ceiros no negócio agropecuário.

Gestores e economistas rurais sempre se in- As di ferenças de lucratividade de estabe-


teressaram pelas razões por que alg uns esta- lecimentos semelhantes podem ser ilustrada
belecimentos têm rendas líquidas mais altas de muitas formas. A Tabela 6- l apre enta al-
do que outros. A observação e o estudo dessas gumas diferenças ob ervadas entre e tabeleci-
di ferenças e suas causas começaram no início mentos de um grupo de bovinocultore do Ala-
dos anos 1900, marcando o início da anál ise brun a, mas diferenças do me mo tipo podem
da gestão rural e do negócio agropecuário. ser encontradas em outro Estado e para ou-
Diferenças de gestão são uma explicação co- tros tipos de es tabelecimentos rurai . A renda
mum para rendas rurais líquidas di ferentes, operacional líquida média por cabeça de gado
mas essa explicação não é completa. Ape nas era de - US$ 4 1 na criaçõe de lu ro baixo e
se di ferenças específicas de gestão puderem de US$ 137 no grupo mai lucrati o. Diversa
ser identificadas é que poderá haver recomen- perguntas pedem uma resposta: O que oca io-
dações precisas para aprimorar a renda líquida na as difere nça da operaçõe ? O que p de
de estabe lecimentos com " má gestão". ser fei to pum melhorar o retorno das criaçõe
96 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Tabela 6-1 Comparações de estabelecimentos bovlnocultores do Alabama por renda


operacional líquida
Terço inferior Terço Intermediário Terço superior
Renda operacional líquida (U S/vaca) -USS 4 1 uss 47 US$ 137
Pc. o médio do novilho (lb) 657 642 650
Lihra de novilho de engorda por vaca 520 528 576
Feno de ra ão (toneladas/ aca) 2,3 1,8 1,6
emente . fertilizante, químico (US /vaca) us 119 uss 9 1 uss 78
Ração comprada (US /vaca) uss 116 uss 9 1 uss 64
Preço de equilibrio (USS/lb) uss 1,29 us 0,99 uss 0,82
Número de Yaca.s reprodutoras 262 272 278
Fonre: A ociação de An3lisc Rural do Alabama.

mcno lucrativa ? Diferença na metas do TIPOS DE ANÁLISE


operadorc ou na qualidade dos recur o di -
ponívei podem erre po ta parciais. A análi e do negócio rural pode ser dividida
Outra informaçõe de a tabela lançam em quatro áreas de investigação:
alguma luz obre as diferenças de lucrativi-
1. L11crarividade A lucratividade é analisa-
dade. O número de cabeça de gado era mai
da comparando-se rendas e despesas. A
ou meno parecido em todos os três grupos,
renda rural líquida alta é geralmente uma
a im como o pe o médio dos novilhos de en-
meta importante do gestor rural, embora
gorda produzidos. Entretanto, o grupo de lu-
não necessariamente a única.
cro alto produziu mai libra * de novilho de
2. Escala da propriedade Não possuir recur-
engorda por vaca de cria, com menos feno de
sos adeq uados, muitas vezes, é motivo de
ração e meno dinheiro gasto em outros insu-
lucros baixos. Crescer rápido demais ou
mos adquiridos. Só se pode chegar a respostas
exceder a escala que o operador consegue
mais pormenorizada realizando-se uma aná-
gerir eficazmente também pode red uzir os
li e completa do negócio rural. I o faz parte
lucros.
da função de controle da gestão.
O controle é crucial para todo o negócio 3. Financeiro A análi se financeira se con-
rural , assim como para os empreendimentos centra na posição de capital do negócio,
individuais. Os três passos da função de con- incluindo solvência, liquidez e alteraçõe
trole são: (]) fixar padrões para comparar re- do patrimônio líquido.
ultados; (2) medir o desempenho efetivo do 4. Eficiência Baixa lucratividade, muitas ve-
negóc io; e (3) tomar medidas correti vas para ze , pode ter sua origem no uso ineficien-
melhorar o desempenho após serem identifi- te dos recursos cm uma ou mais áreas do
cadas as áreas com problemas. A recompensa negócio. Devem ser examinadas medidas
pelo tempo ga 10 controlando o negócio é a de eficiência econômica e física.
melhoria do desempenho.

PADRÕES DE COMPARAÇÃO

• . de T.: Uma libra (em inglês, pou11d; abreviatura: lb) O restante deste capítulo examinará alguma
pesa 453,6 gramas. medidas e índices que podem ser usados para
Capítulo 6 Análise do negócio rural 97

Quadro 6-1 Análise comercial rural: uma arte antiga

As seguintes conclusões sobre análise co- te necessita de ao menos 160 acres a fim de
mercial rural são retiradas de Iowa Farm Ma- aproveitar bem mão de obra, cavalos e máqui-
nagement Surveys, um estudo de 965 esta- nas. Muitos agropecuarlstas que possuem me-
belecimentos rurais do Centro-Norte de Iowa, nos que 160 acres arrendam mais terra a fim
sintetizado por H. B. Munger em 1913: de utilizar mão de obra, equipes e ferramentas
com eficiência.
Conclusões Bons rendimentos de safra são funda-
"De um ponto de vista comercial, não pode ser mentais para uma agricultura de sucesso. In-
chamada de bem-sucedida uma fazenda que dependentemente de outros fatores, a maioria
não paga despesas operacionais, uma taxa de das fazendas com safras ruins não era alta-
juros de hipoteca atual sobre capital e um retor- mente lucrativa. Deve-se almejar obter rendi-
no justo como paga pela mão de obra e gestão mentos ao menos um quinto melhores do que
do agricultor. Analisando os negócios de gran- a média das outras propriedades com solo
des números de fazendas em uma área, as ra- semelhante.
zões pelas quais algumas fazendas são mais lu- Em uma região onde a maioria das recei-
crativas do que outras se delineiam claramente. tas rurais vem da venda de animais, o retorno
A primeira consideração é ter um tipo de por cabeça é da mais alta importância. Não
agropecuária adaptado à região. Agropecua- importa o quão boas sejam as safras: se elas
ristas fazendo a coisa errada não devem es- servem de alimento para rebanhos improduti-
perar renda do trabalho. Mudança nas deman- vos, as chances de sucesso são parcas.
das do mercado, aumento do valor da terra e Os lucros mais altos vêm de um negócio
outros fatores tornam necessário um reajuste bem equilibrado. Deve-se ter uma fazenda
das culturas e rebanhos cultivados. No período grande o suficiente para proporcionar um uso
desta pesquisa, o fazendeiro dessa região que econômico de mão de obra, cavalos e maqui-
tem mais milho e porcos do que a média e me- nário moderno. Devem-se cu ltivar lavouras
nos pasto e gado de corte tem mais chances melhores do que a média e dá-las de comer
de sucesso. A maioria dos produtores leiteiros a animais que consigam usá-las lucrativamen-
estava bem nos negócios. te. Cada um desses fatores é importante, e a
Em Iowa, onde são cultivados os gêneros combinação de todos em uma propriedade só
e animais comuns, uma agropecuária eficien- traz o mais alto nível de sucesso."

executar uma análise rural completa. Apó uma objetivos ide nti ficados du rante o proce o de
medida ter sido calculada, o problema é ava- planejamento. Quando os resultado de algu-
liar o resultado. O valor é bom, ruim ou médio? ma área co nsta ntemente falham em re la ão
Comparado a quê? Ele pode er melhorado? aos objetivo , ou a área nece ita de mai tra-
Essas perguntas enfatizam a necessidade de se balho gerenci al, o u os orçamentos preci am
ter alguns padrões com os quais as medidas e ser mais realistas.
os coeficientes possam ser comparados. Há três
padrões bás icos a se usar na análise de resulta- Estabelecimentos comparáveis
dos de negócios rurais: orçamentos, estabele-
cimentos comparáveis e tendências históricas. In felizmente, mau tempo ou preço baixo po-
dem imped ir que um e tabelcci me nto alcan e
uas meta , me mo em ano~ em q ue não haja
Orçamentos problemas gerenciai sério . Portanto, uma · -
Na análise de orçame nto, a medidas ou ra- gunda fonte de padrõe~ útci de o mp'1ra · ã
zões são comparados com metas orçada , ou ão o re ultados de outro tab 1c ime nto
98 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

de tamanho e tipo , cmelhante_ no mesmo valore médios de um grupo de estabeleci-


ano. Ele talvez não repre cntcm os padrõc. mentas [Link]. i
ideais. ma indicarão e o e tahelccimento
endo anaJi-ado ficou a ima ou abaixo da mé-
dia. dada a_ condições meteorológica e de DIAGNÓSTICO DE UM PROBLEMA
mercado verificada . Serviço organizado de COMERCIAL RURAL
regi tro podem er obtido por meio de in ti-
tui õe mu tuante , escritório de contabilida- Pode-se realizar uma análise comercial comple-
de. cooperativa rurais e erviço de extensão ta do estabelecimento utilizando-se um proce-
universi tária. Uma da vantagcn de participar dimento si temático para identifi car a fonte do
de um ervi o de e é o re umo de registro problema. A Figura 6-1 ilustra um procedimen-
anual fornecido a todo o e tabelecimentos to que pode tomar o processo mais efi ciente.
que utilizam o erviço. A /11crarividode é geralmente a primei -
E '-e re umo contêm médias e variaçõe ra área de intere e. Baixa renda rural líquida
de valore para diferente medidas para todo ou mau retom o sobre ge tão podem te r mui-
o e tabclecimentos, a im como para grupo ta causa . O estabelecimento agropec uário
de e tabelecimento classificado por tama- pode não cr grande o suficiente para gerar o
nho e tipo. E e re ultado proveem um ex- nível de produção necessário para uma re nda
celente conj un to de padrões de comparação, adequada. Se recursos inapropriados forem u m
contanto que o e tabelecimentos comparados problema, o operador deverá procurar modos
cjam imilare e estejam na me ma área geo- de lavrar mais área, aumentar a oferta de mão
gráfica geral. de obra, expandir o rebanho ou obter mais ca-
pital. Se o tamanho do estabelecimento não pu-
der ser ampliado, então os custos fi xos (como
Tendências históricas depreciação de máquinas e edificações, j uros
Ao u ar análise de tendência , o gestor regi Lra e cu tos acessórios rurais gerais) devem ser
as diver a medidas e índice do mesmo e ta- cuidadosamente avaliados. Devem ser tomadas
belecimento rural por vário ano e ob erva providências para dim inuir os c ustos que te-
eventuai tendências no resultados. O ge tor nham o mai leve efeito no nfvel de produção.
procura melhoria ou deterioração em cada Emprego não rural ou outros Lipos de autoem-
medida ao longo do tempo. As área que apre- prego podem também ter q ue ser considerados
entam queda merecem anál i e majs de perto como um modo de aumentar a renda fam iliar.
para se verificarem a causas. Este método não Se houver recursos adequados à d isposição,
compara re ultados com padrões específicos, mas os níveis prod utivos estiverem baixos, os
apenas com o desempenho anterior. O objetivo recur os não estão sendo usados com eficiên-
é mostrar mel horia em relação aos res ultados cia. Calcular diversas medidas de eficiência
do pa ado. A análise de tendências deve levar eco11ô111ico pode ajudar a isolar o proble ma. Má
em conta mudanças anuai cm meteorologia, eficiência econômica pode ser devida a baixa
preço e outras variáveis aleatória . eficiência física, baixos preços de venda e/ou
Qualquer uma da medidas analít icas altos custo de insumos. Se a eficiê ncia dos e m-
di cutidas no re tante deste capítulo pode ser
usada em análi e de orçamento , estabeleci- 1
As medidas de anál ise expostas no restante deste capítulo
mentos comparávei e tendência históricas.
incluem aquelas recomendadas pelo Con elho de Padrões
Mui ta de a medidas são apresentadas cm Fi nanceiros Rurais, assim como di versas outra . Aquel
tabela nas quai constam resultados de um recomendada pelo Conselho são identjficadns pela abre-
e tabclecimcnto exemplificativo, assim como viatura (FFSC) inserida após seu nome.
Capítulo 6 Análise do negócio ru ral 99

Liquidez Lucratividade Solvência


Se lnsatlsfatórla: Se insatisfatória:
Se lnsatlsfatórla, verificar:
- Refinanciar dívida circulante - Reter mais renda líquida
- Desacelerar expansão - Vender ativos, reduzir dívida
- Liquidar ativos - Atrair patrimônio externo
- Arrendar ativos em vez - Melhorar lucratividade 1
de tê-los
- Reduzir dívida operacional
- Diminuir retiradas
Volume de produção
Se baixo demais, verificar:
-
- Melhorar lucratividade -
-
Volume de recursos
Se baixo demais:
- Buscar expansão
- Usar crédito
- Contratar mais mão de obra

Eficiência econômica 1--------,


-
Se baixa demais, verificar: ]

!
Preços de venda Eficiência física Preços dos insumos
Se baixos demais: Se baixa demais: Se altos demais:
- Usar outras ferramentas de - Melhorar práticas produtivas - Procurar outros fornecedores
comercialização - Usar insumos de maior qualidade - Comprar materiais brutos
- Procurar outros mercados - T rocar empreendimentos - Experimentar equipamentos usados 1
- Melhorar qualidade do produto

Figura 6-1 Procedimento para diagnosticar um problema comercial rural.

preendimentos atuais não puder ser melhorada, ciso reter mais da renda rural líquida no negó-
isso pode significar que há e mpreendimentos cio todo ano, ou podem-se vender alguns ativos
errados no plano atual do estabelecimento rural. para reduzi r os níveis de endividamento. As trê
Análise de empreendimentos e orçamentos por áreas da gestão comercial rural - lucratividade,
e mpreendimento podem ser empregados para solvência e liquidez - são todas intimamente re-
identificar os e mpreendimentos mais lucrativos lac ionadas, e os grandes ge tores rurai fazem
e desenvolver um novo plano completo do es- um trabalho acima da média em todas ela .
tabe lecimento agropecuário. Esse procedimen-
to deve aj udar os gestores a isolar e identificar
as causas de um problema de lucratividade de MEDIDAS DE LUCRATIVIDADE
fonna rápida e siste mática. Porém, mesmo esta-
belecimentos lucrativos precisam se preocupar A a nálise de lucratividade começa com a de-
com liquidez e solvência. Se o fl uxo de caixa monstração de resultados. como explicado no
parece estar sempre apertado, mesmo quando Capítulo 5, no q ual vária medida_ de lucra-
a renda rural líquida é satisfatória, a operação tividade foram expo tas. E a m <lida para
pode precisar refinanciar um pouco da dívida no so e tabelecimento exemp lificati o ' ão
a tual, desacelerar a expansão, vender alguns mo trada na Tabela 6-2, juntamente com va-
a tivos, diminuir as retiradas não rurais ou pagar lore ml!dios ba eado em um grupo de opera-
d ív ida operacional. Se a solvência não for tão çõe de gado e plantio e m linha do labama,
forte quanto o operador go ta ria, pode ser pre- q ue podem er u ado para comparação.
100 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Tabela 6-2 Medidas de lucratividade rural


MM ia cio grupo de osso
Item eompnraçiio estabelecimento Comentários
1. Rendo rnrnl líquida de opera õe, us 130.230 uss 45.486 muito menor
- · Retomo . obre mão de obra e gestão uss 87.320 us 11 .069 muito menor
: . Retomo . obre ge. tão us 64.654 - s 28.93 1 muito menor
4. Rentabi lidade dos ntivo rurni 5,5% 1,8% muito menor
. Rentahilidade do patrimônio rural 5,6% 0, 1% muito menor
6. Razão de margem de lucro operacional 20. 1% 4,6% muito menor
' úmeros do gru po de comp:irn ?lo hasc:idos cm informações da Associação de An:\lisc Rural do A l abama.

Renda rural líquida (FFSC)


U m método para e tabelecer uma meta de ren-
entos para
da rural líquida é e timar a renda qu e a mão edores
de obra, a ge tão e o capital do proprietári o ção,
ntes,
poderiam auferir cm uso não agropecuários. stivel, etc.
Em outras palavra , o c usto de oportunidade
total desses fatore de produção torn a-se a
meta ou padrão mínim o da renda rural líquida.
Em um ano em que a demonstração de resul -
Renda rural líquida
tados apresenta uma renda rural líquida ma.i s para o operador por
baixa, um ou mai des e fatore não rende u mão de obra não
remunerada, capital
e u c usto de oportun idade . Outra meta seri a patrimonial e gestão
atingir um nível de re nda e pecífico cm algum
ponto do futuro, como ao fi m de cinco anos. O
progresso rum o a e sa meta pode er medido
ao longo do tempo. Figura 6-2 Como é dividida a pizza da rec eita
E mbora a re nd a rural líq uida seja fo rte- total?
me nte infl uenciada pel a lucratividade do e -
tabelecimento rural , e la também depe nde de ser pago em primeiro lugar. O que sobra é
qua l proporção dos rec ur os totai s é de con- a renda rural líquida. Estabelecimentos com
tribuição do operad or. Sub tituir capital em- renda rural líquida alta geralmente são os que
pre tado por capita l próprio, terra arrendada ac umul aram um patrimônio grande ao longo
por terra própria ou mão de obra contratada do tempo ou que dependem fortemente da
por mão de obra d o operador pode aprim o- mão de obra do operador e sua família.
rar a re nda rural líquida. A Figura 6-2 mostra
como a ·'pizza" da re nda ru ral bruta é di vi-
Retorno sobre mão de
d ida e ntre aqueles que fornecem recursos ao
obra e gestão
negócio agropec uário. O tamanho da fati a de
pizza do agropec uari ta depende de quanto Algun negócios rurai s po s uem mais ativo
recur o ão de sua contribuição, a sim como ou tom am mai s dinhe iro emprestado do que
do tam anho da pizza. Outros contribuintes de outro . Como mostrado no Capítulo 5, uma
rec ur o , com o mutu ante , arrendantes, em- comparação justa exige que a despesa de juros
pregados e fornecedores d e in umos devem assumida pelo negócio seja acrescentada de
Capítulo 6 Análise do negócio rural 101

volta à renda rural líquida de operações para patrimônio rural será igual à rentabilidade dos
se obter a renda rural líquida ajustada. Em ativos rurais, pois eles são uma coisa só. Quan-
seguida, subtrai-se um custo de oportunjdade do é usado capital de dívida, porém, devem-se
do investimento em ativos rurais totais. O que pagar juros. O dinheiro disponível como retor-
sobra é o retorno sobre a mão de obra não re- no sobre patrimônio é, então, apenas a parte da
munerada e a gestão utili zadas pelo negócio. renda rural líquida que resta após os juros se-
Uma meta ou padrão de retorno sobre mão rem pagos. Também se subtraem os custos de
de obra e gestão é o custo de oportunidade da oportunidade de mão de obra e gestão antes de
mão de obra e gestão do operador em outra se calcular a taxa de retorno sobre patrimôruo.
aplicação. Consulte o Capítulo 5 para mais detalhes sobre
como calcular a RDA e o RSP.
Retorno sobre gestão
Razão de margem de lucro
O retorno sobre gestão é a porção da renda ru-
ral líquida ajustada que resta após se subtraí- operacional (FFSC)
rem os custos de oportunidade da mão de obra Como explicado no Capítulo 5, a razão de
não remunerada e do capital próprio. Ele repre- margem de lucro operacional (RMLO, do
senta o retorno residual para o proprietário pela inglês operating profit margin ratio) mede
contribuição de gestão, podendo ser altamente a proporção de receita bruta restante após se
variável de ano para ano. Retornos sobre ges- pagarem todas as despesas. Ele é encontrado
tão negativos em anos de preços ou produção dividindo-se o retorno em dinheiro sobre os
baixos não são incomuns, mas a meta deve ser ativos rurais (renda rural liquida ajustada me-
obter um retorno positivo no longo prazo. nos o custo de oportunidade de mão de obra e
gestão) pela receita bruta do estabelecimento.
Rentabilidade dos ativos Estabelecimentos com grandes investimentos
rurais (FFSC) em ativos fixos, como terra e prédios, e poucas
despesas operacionais, como cu to do dinhei-
A rentabilidade dos ativos rurais (RDA) foi ro, geralmente apresentam coeficientes alto
discutida no Capítulo 5. Esse valor pode ser de margem de lucro operacional. Inver amen-
comparado às rentabilidades de outros investi- te, estabelecimentos com mais ativos arrenda-
mentos de longo prazo, embora se devam con- dos geralmente têm uma rentabilidade de ati-
siderar diferenças de risco e ganhos potenciais vos rurais (RDA) mais alta, mas uma RMLO
nos valores dos ativos. Ele também permite a menor. Ativos arrendados e próprios são ub -
comparação entre estabelec imentos de tama- titutos uns dos outros. Quanto mai seu a um,
nhos e tipos diferentes. A RDA inclui o retorno mais a taxa de retorno do outro aumenta, via
tanto sobre capital patrimonial quanto sobre o de regra. Logo, es as dua medidas de lucra-
capital de dívida Uuros sobre empréstimos). tividade devem ser considerada junta . Uma
Contudo, inclui somente a renda líquida de operação pode ter um coeficiente alto e o outro
operações, e não ganhos ou perdas de capital. baixo por causa da campo ição de ativo pró-
prios e arrendado utili zada. Se ambas as me-
Taxa de retorno sobre patrimônio didas estiverem abaixo da média o u da meta,
rural (FFSC) há evidentes problema de lucrati idade.

\\
O retorno sobre patrimônio (RSP) talvez seja
mais indicativo do progresso fi nanceiro do que Comentários gerais
a RDA, pois mede o retorno percentual sobre o Há duas advertências pertinente ao · pro e-
patrimônio comercial líquido. Se o negócio ru- dimentos empregado para calcular retorno
ral não possui dfvidas, a taxa de retorno sobre sobre mão de obra, gestão, ativos e patrimô-
102 Parte li Mensuraçáo do desempenho gerencial

Tabela 6-3 Medidas do tamanho do estabelecimento agropecuário


Mrdin do grupo Nosso
Item de comparação estabelecimento Comentários

1. Rc-ccita bruta u :65.179 uss 406.548 menor


2. Total de ali"o rurais us 1.427.154 us 1.068.750 menor
3. Total de aercs eulti\"ávci trabalhados 930 720 menor
4. Número de ,·aca reprodutoras 180 150 menor
5. Total de mão de ohra (pc soa-ano) 2.2 1,5 menor

' úmeros do grupo de comparaç:io baseados cm infomrnçõcs da Associação de Análise Rural do Alabama.

nio. A primeira é a natureza um tanto arbitrá- do negócio rural , a fim de isolar áreas de pro-
ria da e timali\'a do cu to de oportunidade blema mai e pecíficas.
u ado no cálculos. Não há regras rígida a
erem eguida , e as pe oas podem ter opi -
niõe diferente quando ao valore apropria- MEDIDAS DE TAMANHO
do a usar. O retorno calculado sobre qual -
quer fator mudará se custo de oportunidade Problema de renda ou lucratividade podem
diferente forem u ado para o outro . A ocorrer em qualquer ano em que haja baixos
preço de venda ou maus rendi mentos de safra.
egunda advertência é que e e valore são
Se o problema per iste mesmo em anos com
retorno médios obre os fatores. e não o re-
preço e rendimentos acima da média, pode es-
tornos marginais. Por exemplo, a rentabilida-
tar endo causado por tamanho insuficiente do
de dos ativos é a taxa média do retorno obre
e tabelecimento. Historicamente, a renda rural
todo o capital invc tido no negócio, e não o
líquida tem alla correlação com o tamanho do
retomo marginal sobre cada dólar investido.
e tabelecimento. Estabelecimentos rurais pe-
As rentabilidade marginai eriam muito
queno , à vezes, fazem uso ineficiente de in-
mai s proveitosa para fin s de planejamen-
ve timentos de capital fixo e mão de obra. Esta-
to, especialmente para novos investimento .
belecimentos pequenos que fazem uso eficiente
Ainda assim , se os custos de oportunidade
de recur o podem, ainda assim, não conseguir
forem estimados cuidado amenle e usado
gerar renda líquida suficiente para sustentar o
coerentemente de ano para ano, tendo-se em
operador e sua família. Na Tabela 6-3, são aprc-
mente a natureza média do resultado, es a
entada diversas medidas comuns de tamanho
medida podem oferecer um meio sati fató-
do estabelecimento. Algumas registram a quan-
rio para fazer comparações de lucratividade
tidade ou o valor da produção gerada; já outra-
hi tórica e entre e tabelecimentos. São, con-
medem o volume de recursos utili zados.
tudo, menos úteis para avaliar as mudança
marginais na organização e operação do ne-
gócio rural.
Receita total ou bruta
As medidas de lucratividade presentes na O vol ume de produção de um estabelecimento
Tabela 6-2 podem ser usadas para identificar agropecuário que gera vários produtos diferen-
a exi tência de um problema. Contudo, es- tes pode ser medido pela receita total. A Tabela
as medidas não identificam a fon te exata do 5-3 do capítulo an terior mostra os cálculos, em
problema. É necessária mais análise para es- que receita total é definida como vendas totai
clarecer a cau a do problema e sugerir a ação ou outras rendas de caixa, ajustada pela mudan-
corretiva ncce sária. As próxima trê seçõe ças no estoque, contas a receber e eventuais ga-
se ocupam de uma análise mais aprofu ndada nhos/perdas com a venda de animais de criação.
Capítulo 6 Análise do negócio rural 103

..........
Ativos rurais totais obra providos pelo operador, sua família e mão
de obra contratada e dividindo-se o resultado
Outra medida de tamanho é o capital total
por 12. Por exemplo, se o operador trabalhar 12
investido em terra, edificações, maquinário,
meses, fami liares contribuírem com 4,5 meses
rebanhos, cultivas e outros ativos. O valor de
de mão de obra e forem contratados 5 meses de
mercado dos ativos rurais Lotais, retirado do
mão de obra, o equivalente em rrabalhador em
balanço patrimonial, é o lugar mais fácil para
tempo integral é 21 ,5 meses divididos por 12,
obter esse valor. Com todos os valores em ter-
ou 1,8 ano de mão de obra. Essa medida de ta-
mos monetários, essa medida possibilita uma
manho é afetada pela quantidade de tecnologia
comparação fácil do tamanho do estabeleci-
poupadora de mão de obra utilizada e, portan-
mento entre diferentes tipos de estabelecimen-
to, deve ser interpretada cuidadosamente ao se
to. Entretanto, não leva em conta o valor dos
comparar tamanho de estabelecimento.
ativos arrendados ou alugados.

Total de acres trabalhados Quantidade de vendas


Para estabelecimentos rurais especializados,
O número de acres trabalhados inclui terra
o número de unidades de produção vendidas
tanto própria quanto arrendada. É útil para
anualmente é uma medida conveniente de ta-
co mparar üpos semelhantes de estabeleci-
manho. Exemplos são 5.000 cabeças de suíno
mentos, mas não é muito bom para comparar
prontos para abate ou 25.000 caixas de maçãs .
estabelecimentos com tipos de terra diferen-
tes. Um estabelecimento na Califórnia com Em um estabelecimento diversificado, pode ser
rn necessário registrar as unidades vendidas de di-
200 acres de hortaliças irrigadas não é com-
parável a uma operação de 200 acres de trioo versos empreendimentos diferentes a fim de se
o
de sequeiro no Oeste do Kansas ou a um con- refletir mais precisamente o tamanho do estabe-
finamento de gado de 200 acres no Texas. O lecimento. Quando se está usando uma parceria
número de acres é mais bem usado para com- rural, as parcelas de produção tanto do proprie-
parar o tamanho de estabelecimentos agríco- tário quanto do arrendatário devem ser incluídas
las do mesmo tipo geral, em uma região com ao se comparar com outros estabelecimento .
clima e recursos de solo semelhantes.
Valor da produção rural
Número de animais Algumas operações pecuária compram ani-
É comum falar de uma criação de 500 bovi- mais de engorda e ração, enquanto outra pro-
nos, uma propriedade de gado leiteiro de 250 duzem todas as uas rações e eu animai . Para
cabeças ou uma criação de 500 suínos. Essas fazer uma comparação justa de tamanho de ne-
q· gócio, o valor da compra de ração e animai é
medidas de tamanho são úteis para comparar
º'° o tamanho de estabelecimentos com a mesma
classe de animais.
subtraído da receita bruta, chegando- e ao valor
da proc/11çdo rural. Ne ta medida, o mente o
valor ~gregado à ração e aos animai adquirido
é credllado ao valor da produção. Detalhe do
Mão de obra total usada
cálculo foram dados no Capítulo 5.
A mão de obra é um recurso comum a todos os O valor da produção ru ral de um dado
estabelecimentos rurais. Termos corno unidade e tabe lecime nto agropec uário pode vari:u-
de uma pessoa ou duas pessoas são frequente- con ide rave lme nte de ano para ano. depen-
mente empregados para descrever o tamanho dendo do tempo, doença , praga e preço de
de um estabelecimento agropecuário. O equiva- produção. Co ntudo, é uma forma convenie nte
le nte a um u·abalhador cm turno integral pode de comparar o ta manho de di ferentes tipo · de
cr calculado somando- e os meses de mão de estabelec imentos.
104 Pa rte li Mensuração do desempenho gerencial

MEDIDAS DE EFICIÊNCIA Eficiência econômica


Medid a de efic iê nc ia econô mica sã o c alcu-
lg un gc t re on. cguem gerar mai prod u- lada ou como valores em dinhe iro po r uni-
ão ou u ar meno recur o - do que . cus vi- dade de rec urso, o u com o alguma taxa o u
zinho por utilizarem cu recurso com ma i porcentagem relac ionad a a uso de capital. A s
cfi iênc ia. Uma definição geral de eficiência medida de efic iênc ia econô mica d evem er
é a q uant idade ou o valor de produção obtido interpretada com cuidado. Elas mede m a-
por unidade de recur o empregado.
tore médi o , não os valores marg inai ou o
Produção efei to que pequenas mudanças teriam sobre o
Efi iência = - - -- - -- - lucro geral. Algum a d as medidas discutidas
Recur o empregado
ão apre entada na Tabela 6-4.
Se uma comparação com outro e tabe-
lecimento ou com uma meta orçamentária Razão de giro de ativos (FFSC)
m o trar que uma operação possui um volume Este índice mede o quão eficientemente o ca-
adequ ado de recur o , ma não e tá atingindo pi tal inve tido em ativo rurai s está sendo usa-
uas meta de produção, então algun recur- do. Ele é obtido div idindo-se a receita bruta
o não e tão endo usado eficientemente . gerada pelo valor de me rcado dos ativos rurais
Um negócio agropecuário pode u ar muito totai . Por exemplo, uma razão de giro de ati-
tipo de recurso , portanto há muita manei- vo igual a 0,25, ou 25% , indica que a receita
ra de medi r eficiência econômica e fí ica. bruta do ano foi igual a 25 % do capital total
Alguma da mai útei e comun erão di - inve tido no negócio. A essa taxa, levaria qua-
cULida aqui. tro anos para se produzirem produtos agropc-

Tabela 6-4 Medidas de eficiê ncia econômica


Média do grupo osso
Item de comparação esta belecimento Comentários

E[iciência de cnpítal
1. Razão de giro dos ativos 0,40 0,38 quase o mesmo
2. Razão de de pesa operacional 0,67 0,80 muito maior
3. Razão de depreciação 0,07 0,04 menor
4. Razão de despesa de juros 0,03 0,04 um pouco maior
5. Razão de renda rural líquida de operações 0,23 0, 11 muito menor
Eficiência da mão de obra
6. ReceiLa bruta por pes oa US$ 256.899 US$ 27 1.032 maior
Comercialização
7. Preço recebido por novilhos (USS/cwt) USS 106,00 US$ 95,00 menor
8. Preço recebido por fi bra de algodão (USS/lb) uss 0,55 USS 0,56 quase o mesmo
Eficiência pecuária
9. Ração comprada (USS/vaca) US$ 68 uss 77 maior
IO. Produção por USS 100 de ração consumida USSI78 US$ 142 menor
Nú mtro~ do gru po de comparaç!lo baseados cm informações da Associação de Análise Rural do Alnbamn
Capítulo 6 Análise do negócio rural 105

cuários com um valor igual aos ativos totais. A Razão de renda rural líquida
razão de giro de ativos varia por tipo de esta- de operações (FFSC)
belecimento. Gado leiteiro, suinocultura e avi- Dividir a renda rural líquida de ope rações pela
cultura geralmente possuem índices maiores, receita bruta mede qual porcentagem da receita
gado de corte costuma possuir valores me- bruta resta após o pagamento de todas as despe-
nores e produção de cultives usualmente tem sas (mas antes da subtração dos custos de opor-
valores intermediários. Os estabelecimentos tunidade). Esses quatro quocientes operacionais
agropecuários que são donos da maioria dos somarão 1,00, ou 100%. Eles também podem
seus recursos geralmente terão razões de giro ser calculados usando-se o val or da produção
de ativos menores do que os que arrendam ter- rural como base em vez da receita bruta. Nesse
ra e outros ativos. Portanto, a razão de giro de caso, o custo de ração e animais adquirido não
ativos só deve ser comparada entre estabeleci- deve ser incluído nas despesas operacionais.
mentos do mesmo tipo geral. Utilizar o valor da produção rural como base
é mais preciso ao comparar operações que ad-
Razão de despesa operacional (FFSC) quirem grandes quantidades de ração e animais
São recomendados quatro índices para mos- com operações que não o fazem.
trar qual porcentagem da receita bruta foi
para despesas operacionais, depreciação, ju- Receita bruta por pessoa
ros e renda líquida. A razão de despesa ope- A eficiência com que a mão de obra está sen-
racional é calculada dividindo-se as despesas do usada pode ser medida dividindo-se a re-
operacionais totais (excluindo depreciação) ceita bruta do ano pelo número de equi valen-
pela receita bruta. Estabelecimentos com uma tes de turno integral da mão de obra uti lizada,
alta proporção de terra e máquinas arrendadas incluindo trabalhadores contratados. C apital e
ou mão de obra contrntada tenderão a possuir mão de obra substituem-se um ao outro, então
razões de despesa operacional maiores. as medidas de e fici ência de capital e mão de
obra devem ser avaliadas conj untamente.
Razão de despesa de
depreciação (FFSC) Produção pecuária por USS 100
Este coeficiente é calculado dividindo-se a de ração consumida
despesa de depreciação total pela receita bru- Esta é uma medida comum de eficiência eco-
ta. Estabelecimentos com um investime nto nômica na produção pecuária. Ela é calc ulada
relativamente grande em máquinas, equipa- dividindo-se o valor da produção pec uária em
mentos e edificações mais novos terão razões um período pelo valor total de toda a ração
de despesa de depreciação maiores. Um coe- consumida no mesmo período, multiplicando-
ficiente maior que a média pode apontar para -se o resultado por 100. O valor da produção
ativos de capital subutilizados. pecuária é igual a:
• Renda de caixa total originada de pecu-
Razão de despesa de juros (FFSC)
ária
A despesa total de juros rurais (ajustada pe- • Mais ou menos mudança no e toque pe-
los juros acumulados vencidos no início e no cuário
fim do ano) é dividida pela receita bruta para
• Menos valor do animais comprado
se encontrar este índice. Coe ficientes maiore
• Igual a valor da produção pecuária
que a média, ou maiores do que o de sejado,
podem indicar dependência excess iva de capi- A produção pecuária por US 100 de ra-
tal emprestado ou altas taxa de juros obre a ção consumida é culculada a partir da eguinte
I dívida existente. fórmula:
106 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

produção do ano devem ser iguais às libras


_ Valor
_ __ da pr
_du
_'iio
_ pecuária
__ _ X 100
vendida e con umid a . menos as libra com-
·alor dara ão con~umida pradas e mai ou menos as mudanças de es-
É imp nante incluir no denominador o toque. E. ta medid a é afetada pelos preço da
valor da ra -ão produzida no e tabcleci men- ração e pela eficiência da conver ão alimentar,
to. além da ra ão comprada. Um coeficiente e os valore ó devem er comparados entre
ir uai a ~ 100 indi a que o animai paga-
e tabeleci mcnto com o me mo empreendi-
r;m apenas ara ão con · umida, ma nenhuma mento pecuário.
outra de pc_a. O retorno por US 100 de ra-
i'io on umida também depende do ti po de Valor de cultivo por acre
animal, orno mo trado na seguin te tabela: E te valor mede a intensidade da produção
agrícola e e cultivo de alto_valor estão in-
Produção por 100 de cluído no plano agrícola. E calculado di-
Empreendimento ração con umida (média de vidindo- e o valor total de todos os cuhivos
pecuário 10 anos, 1999-2008) produzido no ano pelo número de acres cul-
tivado . O resultado não leva cm conta os cus-
Gado de cone us 172
to de produção e, por is o, não mede o lucro.
Gado leiteiro uss 205
Gado de engorda uss 159 Custo de maquinário por
Suíno (abate) uss 170 acre cultivado
Fome: Custo~ e Retornos Rurai cm Iowa. Uni1·crsidade
Para calcular essa medida, o total dos custos
Esudual de Iowa. 1999-200 . an uai relacionados a maquinário é dividido
pelo número de acres cultivados . Os custos
Valore maiore para algun empreend i- de maquiná rio anuais totais incluem todos
mento pec uário não nece ariamente igni- o cu to de propriedade e operação, mais
Ílcam que e e empreendimentos são mai o custo de trabalho customizado contrata-
lucrativo . Empreendime nto com cu to do e pagamentos de arrendamento e locação
maiore de in talaçõe e mão de obra ou outros de maquinário. O custo de máquinas usadas
custo além de ração (co mo produção leiteira majoritariamente para pecuária deve ser ex-
ou de suínos de engorda) nece si tam de retor- cluído. Esta é outra medida que pode ser alta
no obre ração maiores para erem tão lucra- ou baixa de mais. Um valor a lto indica que os
tivos quanto empreendimento com baixos investimento em maquinário talvez sejam e -
cu to além de ração, como finalização de ani- ce ivos, enquanto valores baixos podem indi-
mai de engorda. Por causa de as diferenças, car que o maquinário é velho demais e pouco
a produção por USS 100 de ração con um ida confiável, o u pequeno demai para os acres
deve er calculada para cada empreendimen- trabalhados. Existe uma importante interação
to pecuário individual , comparando- e apenas entre investimento e m maquinário, requi s ito
com valores para o me mo empreendimento. de mão de obra, tempestividade das operaçõ "
no campo e a qua ntidade de trabalho customi -
Custo de ração por 100 libras zado contratado. Es es fatores são examin a-
de produção do com mais cuidado no Capítulo 22.
O cu to de ração por 100 libras de ganho de
pe o ou por 100 libras de leite em um empre-
Eficiência física
endimento leiteiro é encontrado di vidindo- e
o c u to total de ração de cada empreendimen- Má efi ciência físi ca pode decorrer de diver o
to pela libra lotai de produção, rnulliplican- tipos de problema. A eficiência física, com
do- e o re ul tado por 100. A libras totais de a velocidade com que sementes, fertilizante e
Capítulo 6 Análise do negócio rural 107

água são convertidos em cultivos, ou a taxa à Preços de compra


qual ração é transformada em produtos pecu- Às vezes, a eficiência física é boa e os preços
ários, pode ser baixa demais. Medidas de efi- de venda são aceitáveis, mas os lucros são
ciência física incluem bushels* colhidos por baixos porque os recursos foram adquiridos a
acre, leitões desmamados por porca e libras de preços altos. Exemplo são comprar terra a um
leite vendidas por vaca. Exemplos de medidas preço maior do que o que ela sustentará, pagar
de eficiência física são apresentados na Tabe- aluguéis à vista altos, pagar preços altos por se-
la 6-5. Assim como as medidas de eficiência mentes e produtos químicos, comprar máquinas
econômica, são valores médios, devendo ser caras demais, comprar animais de engorda a
interpretados como tais. Não se deve usar um preços altos, tomar dinheiro emprestado a ta-
valor médio no lugar de um valor marginal ao xas de juros altas, e assim por diante. Os custos
se determinar o nível de insumo ou produção dos insumos podem ser reduzidos comparando-
maximizador de lucro. -se preços entre fornecedores diferentes, com-
prando-se equipamentos usados ou menores,
Preços de venda comprando-se quantidades maiores, quando
O preço médio recebido por um produto pode possível, e substituindo-se produtos refinados
ser menor que o desejado, por diversas ra- ou mais convenientes por matérias brutas.
zões. Em alguns anos, as condições de oferta Eficiência física, preço de venda e preço
e demanda fazem com que os preços em geral de compra se combinam para determinar a
sejam baixos. Entretanto, se o preço médio eficiência econômica, como mostrado pelas
recebido for inferior ao de outros estabeleci- seguintes equações:
mentos rurais semelhantes no mesmo ano, o Eficiência Valor do produto gerado
operador talvez faça bem em procurar canais
econômica Custo dos recursos utilizados
de venda diferentes ou passar mais tempo
aprimorando habilidades de comercialização.
Má qualidade do produto também pode fazer Quantidade de produto X Preço de venda
com que os preços de venda fiquem abaixo ou
Quantidade de recurso X Preço de compra
da média.

MEDIDAS FINANCEIRAS
• N. de T.: O bushel é uma medida do sistema imperial
para volumes secos, utilizada tradicionalmente para quan-
tificar cereais. O bushel dos Estados Unidos equi vale a Mesmo estabelecimentos lucrativos, à veze .
35,24 litros. sofrem com fluxos de caixa apertado ou altas

Tabela 6-5 Medidas de eficiência física


Média do grupo l OSSO
Item de comparação estabelecimento Comentários
l. Novilhos de engorda produzidos (lb/novilho) 650 540 menor
2. Novilhos de engorda produzidos (lb/vaca) 576 473 meno r

3. Feno de ração (toneladas/vaca) 1,6 2,1 maior


4. Rendimento do algodão (lb/acrc) 762 750 ligeiramente menor
5. Rendimento do milho (bu/acre) 118 120 qua t.:! o mes mo

Números do grupo de comparoçi\o buseudos em informações dn As ociaçi\o de Análi e Ruml do Alubam~.


108 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

·arga~ de dí"ida. A porção fi nanceira de uma caso ele e depare com um período de condi-
análise omplcta do e. tabclcci mento agrope- ções econômicas adversas. Porém, coefi cien-
u:'irio é con cbida para medir a solvência e a te de endividamento baixos podem tam bém
liquidez do negócio e idcntilicar ponto. fraco indicar que o gestor reluta em usar capital de
na e !rutura ou compo ição dos vári o tipo dívida para aprovei tar oportunidades lucra-
de ati\'O e pa. sivo . O balanço patrimonial e tiva de inve timento. Nesse caso, o índice
a dcmon. tra 'i'io de re ultados i'io as princi- baixo viria à custa de de envolver um negócio
pai. fonte · de dado- para calcular a medida potencialmente maior e gerar uma renda rural
relacionada - à po içi'io financeira do negócio. líquida mais alta. Uma discussão mais com-
E. - a medida e índice - íinanceiro fora m pleta obre ou o de capital de dívida e capital
apre entado no Capítulo. 4 e 5, mas erão ocial pode cr encontrada no C apítul o 19.
reexaminadas brevemente para mostrar como Dua outras medida comuns de solvência
e encaixam cm uma análi e completa do e - ão a razão de patrimônio sobre ativo (FFSC)
tabelccimento rural. É conveniente comparar e a razão de dívida obre patri mônio (FFSC).
o de empe nho íi nanceiro efetivo a valores Ela foram di cutidas no Capítulo 4. São trans-
de um grupo de comparação em uma forma formaçõe matemáticas da razão de endivida-
como a exibida na Tabela 6-6. Os valores cor- mento, dando as mesmas informações.
rente devem também ser comparado a valo-
re hi tórico , a fim de identificar tendência Alterações do patrimônio
que po ame tar se desenvolvendo.
Um indicador importante do progresso finan-
ceiro de um negócio é o aumento do patri-
Solvência mônio líquido ao longo do tempo. Ele é uma
A olvência diz re peito ao valor do ativo de indicação de que o negócio está gerando mais
propriedade do negócio comparado ao mon- renda líquida do que a que é retirada. Reinves-
tante de passivos, ou à relaçi'io entre capital tir lucros permite a aquisição de mais ativos ou
próprio e de dívida. a redução da dívida. Como exposto no Capítu-
lo 4, o patrimônio deve ser medido tanto com
Razão de endividamento (FFSC) quanto sem o benefício da inflação e seu efeito
A razão de end ividamento é uma medida co- sobre o valor de ativos como terra. Isso exige
mum de solvência comercial, sendo calculada um balanço patrimonial elaborado com base
dividindo- e o pa ivos rurais totais pelos ati- no custo e com base no mercado, de forma que
vos rurais totai , u ando-se valores atuai de aumentos no patrimônio possam ser separados
mercado para os ativos. Valores menores são em resu ltado de lucro gerados pe las ativida-
preferívei a maiores, pois indicam uma chan- des produti vas du rante o exercício contábil e
ce maior de manter a olvência do negócio cfeito de mudanças nos valores dos ativos.

Tabela 6-6 Análise da condição financeira do negócio


Média do grupo de Nosso
Item comparação estabelecimento Comentários
1. Valor líquido uss 1.013.210 uss 736.836 m enor
2. Razão de endividamento 0,29 0,3 1 maior
3. Razão de liquidez corrente 7, 18 1,38 muito m enor
4. Capital de giro uss 140. 187 uss 23.654 muito m enor
5. Razão entre capital de giro e receita bruta 24,8% 5,8% muito menor
Números do grupo de comparação baseados em infonnaçõcs da Associação de Análise Rural do Alnbamn.
Capítulo 6 Análise do negócio rural 109

Liquidez das contínuas durante todo o ano podem fun-


cionar com segurança com razões de liquidez
A capacidade de um negócio de honrar suas
corrente e margens de capital de giro menores.
obrigações de fluxo de caixa à medida que
O Capítu lo 13 discute como elaborar um
elas vencem é chamada de liquidez. Manter a
orçamento de fluxo de caixa e como utilizá-lo
liq uidez é importante para que as transações
para gerenciar a liquidez. Embora desenvo l-
financeiras do negócio se deem sem percalços.
ver um orçamento de fluxo de caixa leve mais
tempo do que calcular uma razão de liquidez
Razão de liquidez corrente
corrente, o primeiro leva em conta todas as
Este índice é um indicador rápido da liquidez
fontes e aplicações de caixa, assim como os
da propriedade. A razão de liquidez corrente é
momentos de sua ocorrência ao longo do ano.
calculada divid indo-se os ativos rurais circu-
Todo estabelecimento agropecuário com dú-
lantes pelos passivos rurais circulantes, como
vidas quanto à sua capacidade de satisfazer
mostrado no Capítulo 4. Os ativos circulantes
as necessidades de fluxo de caixa deve estar
(ou de curto prazo) serão vendidos ou conver-
sempre elaborando orçamentos de fluxo de
tidos em produtos comercializáveis no futuro
caixa e acompanhá-los em relação aos fluxos
próximo. Eles gerarão caixa para pagar os
de caixa efetivos ao longo ano. Assim, podem-
passivos circulantes, isto é, as obrigações de
-se detectar problemas de liquidez cedo.
dívida que vencem nos próximos 12 meses.
Testes de problemas de liquidez
Capital de giro (FFSC)
Quando o fluxo de caixa fica apertado, há vá-
O capital de giro é a diferença entre os ativos
rio testes simples que podem ser realizados
circulantes e os passivos circulantes. Repre-
para tentar identificar a fonte do problema.
senta o dinheiro que restaria dos ativos circu-
lantes após os passivos circulantes se rem pa- 1. Anali e a e trutura de endividamen to,
gos, como mostrado no Capítulo 4. Como as calculando o percentual de pas ivos ru-
necessidades de capital de giro podem variar rais totais classificados como circulante
com o tamanho da operação, o FFSC também e não circulantes. Faça o me mo com o
recomenda o cálculo do quociente de capital ativos rurais totais. Se a estrutura de endi-
de giro sobre receita bruta. Isso se obtém di- vidamento for "pesada em cima", i to é,
vidindo-se o capital de giro pela receita bruta. e uma proporção maior do pas ivo do
Índices mais altos apontam maior liquidez. e tabelecimento e tiver na categoria cir-
Essas medidas de liquidez ão fáceis culante do que do ativo , pode er reco-
de calcular, mas não levam em conta custos mendável converter uma parte da dí ida
operacionais futuros, despesas ace sórias, ne- circulante em um passivo de prazo maior.
cessidades de substituição de capital e gastos Isso reduzirá o pagamento anuai de
não comerciais. Também não incluem vendas principal e melhorará a liquidez.
originadas de produtos ainda a serem produzi- 2. Compare as mudança no ativo circulan-
dos, nem consideram a cronologia dos recebi- tes ao longo do tempo, e pccialmente o
mentos e gastos de caixa ao longo do ano. Uma estoq ue de cultivo e animai . I o pode
operação que concentra sua produção em uma er feito con ultando- e o balanço anuai
ou duas épocas do ano, como estabe lecimentos de fim de ano. Acumular e toque pode
focados em grãos, precisa ter um allo índice de ocasionar e ca ez temporária de tluxo de
liquidez corrente no início do ano, pois não ha- caixa. Por outro lado, e o fluxo d cai. a
verá produção nova para vender até peno do foi ati fei to redu zindo-se o e ·toque atual
fim do ano. Por outro lado, produtore de lati- por vários ano ucessi o , problema de
cínios ou outras operações pecu,1rias com ven- liquidez fo i meramente po, tergado.
11 O Parte li Mensuração do desempenho gerencial

3. Compare as aqui si ões de ativos de capi- operação de gerar os fundos necessários para
ial · om vendas e depreciação. Aumentar pagamento e/ou substituição da dívida.
con tinuamente o estoque de ativo ele ca- Ela é calculada por meio da segui nte fór-
pital pode não deixar caixa uficiente para mula:
fa zer frente a outras obrigaçõe . Por outro
• Renda rural líquida de operações
lado. li quidar ativo de capital pode aju-
dar a atisfazer nece sidade de íluxo de
• Mais ou menos ou tras receitas/despesas
totais
caixa no c urto prazo, ma pode afetar a
lucratividade no futuro. • Mais renda não rural total
4. Compare o montante de dívida operac ional • Mais de pe a de depreciação/amortização
po tergada de um ano para o ano egu inte • Men os retiradas lotais para sustento fami-
cm um pcnoclo de vário ano . Tomar em- liar e imposto de renda
pre tado mai. do que o que é amortizado a • Mais de pc a de j uros para dív ida a prazo
cada ano acabará reduzindo a capacidade e arrendamen to mercantis
de endividamento e aumentando os custo • Igual a capacidade de pagamento de d ívi -
com juro . tornando a amortização futura da de capital
ai nda mais difícil. ls o ó esconde o pro-
A margem de pagamento de dfvida de ca-
blema real de baixa lucrati vidade.
pital (FFSC) é a diferença em dinheiro entre a
5. Compare o !luxo de caixa necessário para
capacidade de pagamento de dívida de capital
terra (pagamentos de principal e j uro ,
e a aplicações totais da capacidade de paga-
impo to imobi li ário e aluguéi à vista )
mento. As aplicações totais da capacidade de
por acre com o valor de um arrendamen-
pagamento são calculadas assim:
to à vi ta típico para terra emelhante.
A umir d ívi da por terra demai s, tentar • Porção circulante do ano anterior da dív i-
amortizá-la rápido demais ou pagar alu- da de longo prazo
e0uéi s à vi ta alto podem causar 2raves
~ • Mais porção circulante do ano anterior de
problemas de liquidez. arrendamen tos mercantis
6. Compare retiradas para ustento familiar • Mais despesa de j uros da dívida a prazo
e impostos de renda pes oais com o custo • Mais dív ida operacio nal não paga do
de oportunidade da mão de obra não re- exercício anterior
munerada. O negócio pode estar tentan- • Mais pagamen tos anuais totai s sobre pas-
do s u Lentar mai pes oas do que as que sivos pessoai
e tão plenamente empregadas, ou em um
• Igual a aplicações totais da cap acidade de
nível mais alto do que o possibilitado pela pagamento
renda rural líquida. Qualquer desses sin -
tomas pode causar má liquidez, me mo A margem de reposição (FFSC) é encon-
em um e tabelecimento lucrativo, poden- Lrada subtraindo-se os gastos com provisão de
do levar a graves problema financeiros. reposição/capi tal não financiado da margem
de pagamento de dívida de capital. Essa medi-
da pode ser utili zada para avaliar a capacidade
Medidas de capacidade
da operação tanto de pagar dívida quanto de
de pagamento repor ativo .
São recomendadas diversas medidas para ava- A razão de cobert11ra de dfvida a pra~o
liar a capacidade de pagamento de emprésti- e arrendamento merca11 1il (FFSC) é encon-
mo do negócio. A primeira é a capacidade de trada dividindo-se a capacidade de paga-
pagamellTo de dfvida de capital (FFSC). Essa mento de dívida de capita l pelos pagamento
medida dá uma e tim ati va da capacidade da de dívida a prazo a vencer no a no seouinte
e
Capítulo 6 Análise do negócio rural 111

Quadro 6-2 Estudo de caso de análise do negócio rural

Nas Tabelas 6-2 a 6-6, nosso estabelecimento pelos novilhos também são baixos, indicando
exemplificativo foi comparado a um grupo de um problema de qualidade ou estratégias de
estabelecimentos semelhantes por meio de comercialização fracas. Os rendimentos do al-
uma variedade de medidas de lucratividade, godão, embora um pouco mais baixos do que
eficiência e saúde financeira. A renda rural lí- a média do grupo de comparação, não estão
quida do nosso estabelecimento era conside- terrivelmente fora do padrão, e o preço recebi-
ravelmente menor do que a média do grupo de do pelo algodão é aproximadamente o mesmo
comparação. O retorno sobre gestão era ne- do grupo de comparação.
gativo no nosso estabelecimento, e a taxa de O exame das medidas de eficiência eco-
retorno sobre patrimônio rural estava muito pró- nômica indica que esse estabelecimento rural
xima de zero. Além disso, como a rentabilidade parece estar gastando demais em despesas
dos ativos rurais era maior do que a taxa de operacionais em comparação ao que está
retorno sobre patrimônio rural, o dinheiro em- sendo produzido. O quociente de depreciação
prestado estava operando a um prejuízo médio. menor do que a média pode indicar que a pro-
O estabelecimento agropecuário que to- priedade possui máquinas mais velhas ou me-
mamos como exemplo tinha menos recursos nores do que o grupo de comparação, o que
do que a média dos estabelecimentos de com- pode contribuir para os rendimentos médios
paração; assim, pode-se explicar uma parte de algodão um pouco menores.
da causa da renda rural líquida menor pelo ta- A saúde financeira geral do negócio, medi-
manho. Entretanto, somente a diferença de ta- da pela razão de endividamento, é mais ou me-
manho provavelmente não explicaria o retorno nos a mesma do grupo de comparação. Toda-
sobre gestão negativo ou o valor extremamen- via, a razão de liquidez corrente é muito inferior
te baixo da taxa de retorno do patrimônio rural. à média do grupo de comparação, e o capital
A eficiência física parece ser um problema de giro também é consideravelmente menor.
no empreendimento de novilhos. Os novilhos Em suma: o empreendimento de novilhos
produzidos são consideravelmente mais leves parece estar operando com menos eficiência
do que os do grupo de comparação, levando a do que deveria, contribuindo para o lucro geral
baixa produção em termos de libras de novilho baixo. Uma análise em mais pormenores desse
por vaca. Ao mesmo tempo, o feno consumido empreendimento seria desejável. O operador
por vaca é maior do que no grupo de compara- talvez precise também examinar com cuidado
ção, talvez por causa de má qualidade do pasto o complemento das máquinas, para ver se elas
ou desperdício de ração. Os preços recebidos são adequadas para o estabelecimento.

(inc luindo principal e juros) para e mprés- que essa medida não indica e o · pagamen-
timos amonizados mais pagamentos de ar- to podem er fei to no prazo. É nece " ário
re nda mento mercantil. Quanto mais o coe fi - um orçame nto de fl uxo de caixa para eri-
c ie nte passar de 1,0, maior é a margem para fica r po ívei proble ma com pagamento
cobrir pagamentos. É importante ass inala r po ntuai .

RESUMO
Uma análise comercial completa do e tabelecimento rural é parecida com um exame m 'dico completo:
deve ser reali zada peri odicamen te para ver se existem sintoma que indiquem que o neg cio não e tá
funcionando como deveri a. Padrões de comparação podem cr metn orçadas, resultados di: utro e·ta-
belec imentos emelhantes ou resultados antcriorc do me mo estabelecimento. Pode- e empregar unu
abordagem sistemática para comparar e " C. padrões nos re ultados rcai .
112 Parte li Mensuração do desempenho gerencial

Pode-se medir a lucratividade por meio da renda rural líquida e retornos sobre mão de obra, gestão, ativos
totai e patrimônio. e for eon tatado um problema de renda ou lucratividade, a primeira área a ser examinada é
o tamanho do e tabelccimento. Uma anfü e de tamanho verifica se há recursos suficientes para gerar uma renda
líquida adequada e quanto dos recursos são de contribuição do operador. Em seguida, podem ser calculadas
diversas medida relativas ao uso eficiente de máquinas. mão de obra, capital e outros insumos. A eficiência
econômica depende da eficiência ffsica. do preço de venda dos produtos e do preço de compra dos insumos.
A análise financeira util iza os valores do balanço patrimonial para avaliar a solvência e a liquidez d o
negócio. As várias medida calcul adas para uma análise completa do e tabelecimento agropecuário fazem
pane da função de controle da gestão. Como tais, ela devem ser usadas para identificar e isolar um proble-
ma ames que ele tenha um impacto negativo sobre o negócio.

, PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Quai são as etapas da função de controle da gestão rural ?
2. Que tipo de padrões ou valores podem ser usados para comparar e avaliar medidas de eficiência e lucra-
li\'idade para um estabelecimento rural específico? Quais são as vantagens e desvantagens de cada um?
3. Quais são as diferenças entre "receita bruta" e "valor da produção rural"? E entre "renda rural líquida"
e ·•retomo sobre gestão"?
4. Use os segui ntes dados para calcular as medidas de lucratividade e eficiência listadas:

Receita bruta uss 185.000


Valor da produção rural uss 167.000
Renda rural líquida uss 48.000
Despesa com juros uss 18.000
Valor da mão de obra não remunerada uss 3 1.000
Custo de oportunidade do patrimônio rural uss 17,300
Valor total dos ativos: inicial USS400.000
final USS430.000
Patrimônio rural: inicial uss 340.000
final uss 352.000
a. Rentabilidade dos ativos_%
b. Taxa de retomo sobre patrimônio_%
c. Razão de giro dos ativos_
d. Retomo sobre gestão US$ _ _
e. Razão de renda rural líquida de operações _ __
5. Quais três fatores gerais determinam a eficiênci a econômica?
6. Diga se cada uma das seguintes medid as de análise comercial di z respeito a volume de negócios, lu-
cratividade, efi ciéncia econômica ou efi ciéncia física.
a. Libras de algodão colhidas por acre
b. Retomo sobre gestão
c. Retorno pecuário por USS 100 de ração consumida
d. Receita bruta
e. Ativos rurais Lotais
f. Razão de giro dos ati vos
7. Um estabeleci mento agrícola que arrenda à vista 1.200 acres cultiváveis e é dono de 240 acres tem
mais chances de possuir uma razão de giro dos atil'os ou uma razão de despesa operacio11al me lhor
que a média? Justifique.
8. Explique a diferença entre solvéncia e liquidez. Liste trés testes que podem ser usados para diagnosti-
car problemas de liqu idez.
Aplicação de
princípios econômicos

decrescentes. Usa-se análise marginal para de-


O s Capítulos 7, 8 e 9 discorrem sobre prin-
cípios econômicos e conceito de cu to e
sua aplicação na tomada de decisão na agro-
terminar os níveis maximizadores de lucro de
insumo e produto. No Capítulo 8, a análi e mar-
pecuária. Os princípios econômicos são im- ginal é estendida para responder às perguntas
portantes porque oferecem um procedimento de qual combinação de in umos maximiza o
sistemático e organizado para identificar a lucros para um dado nível de produto e qual
melhor alternativa quando a meta é maximi- co mbinação de empreendimento maximiza
zação de lucro. A regras de dec isão deriva- os lucros para um dado conj unto de recurso .
das desses princípio exigem a compreensão Diverso conceitos de custo ão explorado no
de alguns conceitos marginais e diferentes ti- Capítulo 9, incluindo c u to total, margi nal e
pos de custo. Entretanto, após serem aprendi- médio e custos fixo e variávei . Por fim, u am-
dos, eles podem ser aplicados a muitos tipos -se conceito de cu to para explicar omo o au-
diferentes de problemas gerencia is. mento da escala do e tabelecimento agropecuá-
O Capítulo 7 introduz o conceito de fun- rio pode re ullar em economia e de economia~
ção de produção e a lei dos retornos marginais da escala para diferente nívei de produto.
Princípios
econômicos - escolha
de níveis de produção

Objetivos do capítulo
1. Explicar o conceito de análise marginal. 5. Mostrar como obter a quantidade maxi-
2. Mostrar a relação entre um insumo variá- mizadora de lucro de um insumo variável
vel e um produto usando uma função de usando os conceitos de receita marginal e
produção. custo marginal.
3. Descrever os conceitos de produto físico 6. Explicar o uso do princípio da igualdade
médio e produto físico marginal. marginal para alocar recursos limitados.
4. Ilustrar a lei dos retornos marginais decres-
centes e sua importância na agropecuária.

O co nhecime nto de princípios econô- c 1p10 econômicos oferecem dire tiva para
micos dá ao gestor um conjunto de proced i- tran formar os dado em info rmaçõe · útei e
mento e regras de to mada de deci ão. E se para analisar a altem ati as potenciai .
conhecimento é útil ao elaborar planos de or- Os princípios econômico co n i tem em
ganização e operação de um negócio agrícola um conj unto de regras para fazer uma e colha
o u pec uário. E le ta mbém dá auxílio e orien- ou decisão que re ultará no lucro máximo. á-
tação ao e passar pelas etapas do processo rio desse princípios erão apre entado no
de to mada de decisão. Após um problema ser próx imos dois capítulo . A aplica ão de a
ide ntificado e definido , o próximo passo é ob- regra cg uc Lrê etapa : ( l ) adquirir dados
ter dado e informações. As in formações ne- fí ico e biológicos e ob er ar orno ·erto ~
cessári a para aplicar princípio econô mico rec ur o criam produto comercializ, ci ; (_)
dão foco e direção a essa busca, evitando que adq uiri r dado de preço para recur · s · pro-
se perca tempo procurando dados desnecessá- duto ; e (3) aplicar a rcgr, de tomada de deci-
rios . Após o dado crem adquirido , o prin- são econômica apropriada para ma. imizar o
116 Parte Ili Aplicação de princlpios econômicos

lucr . O leitor deve pro urar ada uma dcs as Tabela 7-1 Função de produção para
etapa, à medida que cada prin ípio econômi- fertilizante de nitrogênio e milho - um acre
o nov apre cntado. Produto Produto Produ to
Nitro- ítsico físico f'lsico
ívcl gênio Rendi- total médio marginal
A FUNÇÃO DE PRODUÇÃO de oplicn- mento (PFT) (PFMe) (PFMg)
insumo do (Ih) (bu ) (bu) (bu) (bu)
ba e fundamental da agropecuária é o pro- o o 130 o
e,_ o biol gi o de combinar diver o recur o
18
para produzir um produto útil. A Figura 7-1
25 148 18 18.00
ilu_tra um emplo de · e proce o produtivo.
m m odo i temático de apre entar a relação 14
entr o recur o ou in umos que podem c r 2 50 162 32 16.00
u ado para produzir um produto e o resul tado 8
corre pendente é a chamado def,mção de pro-
3 75 170 40 13,33
dução. Em algumas di ciplinas agropecuária ,
a me m a relação pode er chamada de curva 7
de rc po ta. curva de rendimen to ou relação 4 100 177 47 11,75
in uma/prod uto. Uma função de produção 3
pode er apre entada na fom1a de tabela, grá-
5 125 180 50 10,00
fico ou equação matemática.
2
A trê primeiras colu nas da Tabela 7- 1
ão uma apre e ntação tabular de uma função 6 150 182 52 8,67
de produção. Fertilizante nitrogenado é um in-
umo, e o milho é o produto. Assume-se que 7 175 183 53 7,57
todo o demais insumos possuem oferta fixa.
o
Ja egunda coluna, são exibidos diferente ní-
ei de nitrogênio. Para implilicar a análise, 8 200 183 53 6,62
o in umo de ni trogênio é medido em unidades Fonte: Dcpanam~lllo de Agronomia. Universidade Estadun.l
de 25 libras por acre . A quantidade de produ- de Iowa.
ção de milho e perada (com base em testes de
rendimento do uso de cada nível de insumo
de nitrogênio é apresentada na terceira colu- na. Na qu arta coluna, o rendime nto adic iona ]
fruto da apl icação d e nitrogêni o é c h a m ad o de
" Produto fís ico tota l", a brev ia do c omo PFf.
Semente Mão de obra Sem ne nhum nitrogênio acrescentad o, esp era-
-se um rendimento de 130 bushe /s d e milh o
por acre . Isso porque já há um certo n íve l de
Maquinário ,
fer1ilid ade presente no solo. Apl icar m a i ni -
Fertilizante
trogêni o, porém, possibilita um re ndime nto
ai nda maior.
..... -
.....
É possfvel calcul ar a qua ntida d e m é d ia d e

~
Algodão
prod uto gerado por unidade d e in s um o para
cada nível de insumo. Esse valo r é c h a m ado
de produto Jfsico médio ( PFM e), se ndo exibi-
Figura 7-1 Ex_emplo de processo produtivo na do na qu inta coluna da Tabe la 7- 1. O PFMe é
agricultura. calculado pela seguinte fórmul a:
Capítulo 7 Princípios econômicos - escolha de níveis de produção 117

Produto físico total rença entre um valor original e o novo valor


PFMe = que resultou da mudança no fator controlador.
Nfvel de insumo
Em outras palavras, precisa-se da mudança
Nesse exemplo, podem ser produzidos 148 em algum valor causada pela mudança margi-
bushels de milho aplicando-se uma unidade (25 nal em outro fator. Em todo este texto, um pe-
libras) de nitrogênio. São produzidos centro e queno triângulo (a letra grega delta) será usa-
trinta bushe/s sem aplicar nitrogênio, então 18 do como abreviatura de "a mudança em". Por
bushe/s são o produto físico que pode ser atri- exemplo, !). rendimento do milho seria lido
buído à primeira unidade de nitrogênio apli- como "a mudança no rendimento do milho",
cada. O produto físico médio do acréscimo da sendo a diferença em rendimento do milho an-
primeira unidade de nitrogênio, portanto, é 18 / tes e depoi s de uma mudança em um insumo
J = 18,00. Da mesma forma, aplicar 4 unidades que afetasse o rendimento, como semente, fer-
de nitrogênio produz 177 - 130 = 47 bushels a tilizante ou água de irrigação. Embora talvez
mais de milho, então o PFMe por unidade de sejam necessários outros insumos, assume-se
25 libras é 47 /4 = 11,75. A função de produção que eles estão presentes em uma quantidade
da Tabela 7-1 possui um PFMe que cai conti- fixa ou constante no curto prazo. Isso não quer
nuamente após a primeira unidade de insumo, dizer que eles não sejam importantes: essa su-
uma ocorrência comum na agropecuária. posição serve para si mplificar a análise.

ANÁLISE MARGINAL Produto físico marginal


Podem-se usar dados de análise marginal e
Muito da economia da produção agropecuária função de produção para derivar informações
está relacionado ao conceito de análise margi- extras sobre a relação entre o insumo e o PFr.
nal. Economistas e gestores, muitas vezes, in- O primeiro conceito marginal a ser intro-
teressam-se em quais mudanças ocorrerão com duzido é o produto físico marginal (PFMg),
a alteração de um ou mais fatores sob seu con- mostrado na sexta coluna da Tabela 7- 1. Lem-
trole. Por exemplo, eles podem se interessar em brando que marginal significa adicional ou
como o rendimento do algodão muda com o uso extra, o PFMg é o PFf adicional ou extra pro-
de 50 libras a mais de fertilizante, como 2 libras duzido usando-se uma unidade adicional de
a mais de grão na ração diária afetam a produ- insumo. Ele exige que se meçam a mudanças
ção de leite de uma vaca ou como o lucro muda no produto e no insumo.
quando se cultivam 20 acres a mais de milho e
O produto físico marginal é calculado
se reduz a produção de soja em 20 acres.
como:
O termo marginal será usado extensiva-
mente em todo este capítulo. Ele se refere a !::,,. produto físico total
mudanças incrementa is, aumentos ou dimi- PFMg=
!::,,. nível de in umo
nuições que ocorrem no limite ou na margem.
Talvez seja útil substituir mentalmente a pala- O numerador é a mudança no PFT cau ada por
vra marginal por "extra" ou "adicional" sem- uma mudança no in umo variável, e o deno-
pre que ela ocorrer, lembrando que o "extra" minador é o valor real de mudança do in urno.
pode ser um valor negativo ou mesmo zero. Por exemplo, a Tabela 7- 1 indica qu utilizar
Além disso, toda mudança marginal sendo 4 unidade de nitrogênio em vez de 3 faz com
medida ou calculada é o resultado de uma mu- que o PFT aumente em 7 bushels. Logo, o a-
dança marginal em algum outro fator. lar do PFMg ne e Ilível é d 7 / l = 7. O pro-
Para calcular uma mudança marginal de duto físico marginal pode er positivo ou nega-
qualquer tipo, é necessário encontrar a dife- tivo. Também pode ser zero, e alt rar nível
118 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

do in. umo não oca ionar mudan a no PFf. o


exemplo da Tabela 7- 1, o in ·umo aumenla cm Estágio 1 : Estágio li : Estágio 111
incremcn1os de 1 unidade, o que si mplifica o 1 1
cálculo do PFMc.. Outro. exemplos e proble- 1 --.....--.PFT
1 1
ma podem apre enlar o in umo aumenlando o
1 1
em incrcmen10 de valores variáveis. :5 1

O re ultado para o PFMg não é uma detcr- ~ 1


1
a.
mi na ão e ·ata para a última libra de nitrogênio, 1
1
ma um PFMg médio para a úllima unidade de 1
_5 libra acr cen1ada. Mui1a vezes, e e cál-
culo dará informaçõe ufi ciente para a !orna-
da de deci ão, salvo e a mudança em insumo
entre os doi nívei possíveis de insumo for B:l
"Cl
ba tante grande. e e ca o, ou devem- e obter e
a.
mai informaçõe obre o nívei esperado de
produto para nívei intermediários do in umo PFMe
variável ou devem er usada outra técnicas
' 1
matemática , como gráficos ou cálculo.

Figura 7-2 Ilustração gráfica de uma função


LEI DOS RETORNOS MARGINAIS de produção.
DECRESCENTES

A Tabela 7-1 e a Figura 7-2 podem ser usadas para definir a função de produção e, portanto,
para ilustrar um princípio importante de um para ilu trar os reLOrnos marginais decrescen-
ponto de vista tanto teórico quanto prático. O tes. Segundo: a definição não impede que os
termo retornos marginais decrescentes é usa- retomo marginais decrescentes comecem com
do para descrever o que acontece com o PFMg a primeira unidade do insumo variável. É fre-
quando e usa mai insumo. A lei dos retornos quentemente o caso em aplicações rurais dessa
marginai decrescentes diz que, à medida que lei. Terceiro: essa lei se baseia nos processos
mais uni dades de um insumo marginal forem biológicos verificados na produção agropecu-
usadas em combinação com um ou mais insu- ária. Ela resulta da incapacidade das plantas e
mo fixos, o produto físico marginal acabará dos animais de darem a mesma resposta indefi-
caindo. Quando o PFMg começa a cair depen- nidamente a aumentos sucessivos de nutrientes
de inteiramente das carac1crísticas biológicas ou algum outro insumo.
do processo produtivo sob análise. Devemos Existem diversos exemplos de retornos
al ientar três propriedades dessa lei e de sua marginais decrescentes na produção agro-
definição. Primeiro: para existirem retornos de- pecuári a. À medida que se aplicam unidade
cre centcs, devem-se usar um ou mais insumos adicionais de semente, fert ilizante ou água de
fixos no processo de produção, além do insu- irrigação em uma área fixa de um c ultivo, o
mo variável. Um acre de terra ou uma cabeça produto adicional ou PFMg acabará começan-
de gado muita vezes é o in umo fixo utilizado do a cair. O PFMg fica cada vez me nor com
a aproximação do cultivo à sua capacidade
1
0 leitor que liver cun,ado uma disciplina de Cálculo de- biológica de utilizar o insumo. Um resultado
verá reconhecer que, para urna função de produção ex-
semelhante é obtido com a ração diária adicio-
pressa como uma equação matemática contínua, o valor
1
exato do PFMg pode ser encontrado pela l derivada do nal consumida por vacas leite iras, suínos ou
PFT com rel ação ao ní\'cl do insumo. gado em engorda. A importância e a s ig nifica-
Capítulo 7 Princípios econômicos - escolha de níveis de produção 119

ção prática desses exemplos ficarão aparentes importância desses estágios na determinação
nas próximas duas seções. da quantidade correta de insumo a usar será
discutida mais adiante. O estágio I começa no
nível de insumo zero, continuando até o ponto
Uma análise gráfica
em que o PFMe está no máximo e igual ao
Uma função de produção (PFf) e seus PFMg PFMg. O estágio II inicia onde o PFMe está
e PFMe correspondentes também podem ser no máximo, terminando onde o PFMg é zero
apresentados de forma gráfica, como na Figu- (ou o PFf está no máximo). O estágio II é o
ra 7-2. A porção superior da Figura 7-2 mostra espectro de valores de in umo onde o PFMg é
0 PFf, ou produto, aumentando a uma taxa neoativo e o PFf está caindo absolutamente.
o
crescente à medida que o nível de insumo au- Os dados da Tabela 7-1 mostram somente o
menta a partir do zero. Com o nível de insu- estágio II da função de produção de nitrogênio
mo continuando a aumentar, o PFf continua e milho, isto é, o estágio onde o PFMg e tá
a subir, mas a uma taxa decrescente, e acaba caindo, mas ainda não é negativo.
chegando a um pico e começando a cair.
A Figura 7-2 ilustra várias relações im-
portantes entre PFf, PFMe e PFMg. Enquanto QUANTO INSUMO USAR
o PFf estiver crescendo a uma taxa crescente,
tanto o PFMg quanto o PFMe crescem tam- Uma aplicação importante das informações de-
bém. No ponto em que o PFf passa de subir a rivadas de uma função de produção é determi-
uma taxa crescente a subir a uma taxa decres- nar quanto usar do insumo variável. Dada uma
cente, o PFMg chega a seu máximo, passando meta de maximizar o lucro, o gestor precisa
a cair continuamente. Onde o PFT chega ao escolher, dentre todos os níveis possíveis de in-
seu máximo, o PFMg tem valor zero, e onde o umo, aquele que resultará no maior lucro.
PFf está caindo, o PFMg é negativo. Pode- e obter algum auxílio para esse
O produto físico médio sobe ao longo proce so de eleção con ultando- e o trê e · -
de um espectro ligeiramente maior do que o tágio da Figura 7-2. Podem-se de considerar
PFMg antes de começar a cair, o que demons- todos o níveis de insumo do estágio m, poi
tra uma relação interessante entre PFMe e mais in umo faz com que o PFMg ligue nega-
PFMg. Sempre que o PFMg for uperior ao tivo e o PFf caia.
PFMe, o PFMe estará crescendo, e sempre O e tágio I abrange a área em que acre -
que o PFMg for inferior ao PFMe, o PFMe centar mai unidades de insumo faz com que o
estará diminuindo. Essa relação pode ser ex- produto fí ico médio aumente. e e e tag10,
pi icada rememorando que, para aumentar adicionar outra unidade de in umo aumenta
(diminuir) um valor médio, o valor adicional a produtividade de todo o in umo anterio-
ou marginal usado para calcular a nova média res, medindo- e pela produtividade média o u
precisa estar acima (abaixo) da média anti- PFMe. Se deve- eu ar um in umo, parece ra-
ga. O único modo de um jogador de beisebol zoável que o ge tor gostaria de u ar ao mcno
aumentar uas médias de rebatidas é ter uma o nível de in umo que resulta se no maior pro-
média diária de rebatidas (o valor marginal ou duto fí ico médio por un idade de in umo. Es ·e
adicional) acima da sua média na temporada ponto é a fronteira entre o e tágio I e o e ·tágio
atual. A curva de PFMe está no eu máximo II, repre entando a maior eficiên ia no u ·o do
onde a curva de PFMg a cruza. in umo variável. Contudo, o lu ·ro gcralm nte
A relação enu·e PFf, PFMe e PFMg, mui- pod er aumentando ainda mai utilizand -
tas vezes, é utilizada para dividir esse tipo mai in umo, me mo que o PF le esteja ain-
específico de função de produção em três da junto co m o PFMg. la , u and omente
es tágios, como mostrado na Figura 7-2. A as informa ·õc, fí ica~ disponibilizada · p 'lo
120 Pa rte Ili Aplicação de princípios econômicos

Quadro 7-1 Outros retornos decrescentes

A lei é descrita expressamente como a lei dos PFMe também podem começar a cair, sendo o
retornos marginais decrescentes, sendo defi- termo "retornos decrescentes" ocasionalmente
nida em termos de PFMg. Contudo, após um usado para descrever esses resultados. Porém ,
certo n ível de insumo, tanto o PFT quanto o o PFMg é o conceito mais Interessante e útil.

PFf, PFMe e PRvtg, não é pos ível determinar a si m como na Tabela 7-1. Todavia, foram
qual nível de insumo no estágio II maximizará acrescentadas colunas de custo total (CT), re-
o lucro. Preci a- e de mais informação: infor- ceita total (RT) e lucro.
mações específica obre preços de insumo e No nível de nitrogênio zero, o custo total é
produto, amada a alguma forma de incorpo- de US$ 500. Ele representa todos os outros cus-
rá-las ao processo de tomada de deci ão. tos de e produzir milho (além do nitrogênio).
Presumiremos que eles permanecem constantes
Custo total, receita total e lucro enquanto acrescentamos mai s nitrogênio. Se
multiplicarmo cada nível de nitrogênio pelo
Se presumirmo que a meta do gestor é ma-
preço de uma libra de nitrogênio (assuma US$
ximizar o lucro, ao menos no que tange ao
0,35) e acre centarmos isso aos demais custos
u o de fertilizante, precisamo saber quanto de US$ 500, podemos apresentar o CT da pro-
o fertilizante custará e por que preço o milho dução de milho para cada nível de nitrogênio
poderá ser vendido. Na Tabela 7-2, é mostrado usado na quarta col una da Tabela 7-2.
o nível esperado de produção de milho (PFT) Da mesma forma , se multiplicarmos os
para cada nível de aplicação de nitrogênio, bushels produzidos em cada nível de nitro-
gênio aplicado pelo preço do milho (assuma
US$ 3,50), podemos mostrar a RT em cada
Tabela 7-2 Custo total, receita total e lucro nível da quinta coluna. Por fim, subtraindo o
=
(preço do nitrogênio US$ 0,35/lb; preço do
CT da RT em cada nível, chegamos ao lucro,
=
milho USS 3,50/bu)
apresentado na sexta coluna. Uma compara-
Pro- ção rápida mostra que o nível de lucro máxi-
itro- duto mo é US$ 86,25, que ocorre quando 125 libras
. Í\'el gênio Ílsico Custo Receita Lucro
total (US$) de nitrogênio são aplicadas para produzir 180
de apli- total total
cado (PFT) (CT) (RT) (RT- bushels de milho por acre.
iosu-
mo (lb) (bu) (US$) (US$) CT)

o o 130 500,00 455,00 (45,00) USO DE CONCEITOS MARGINAIS


25 148 508,75 518,00 9,25

51 7,50 567,00 49,50 O nível maximizador de lucro de uso de um


2 50 162
insumo também pode ser encontrado exami-
3 75 170 526,25 595,00 68,75
nando-se as mudanças marginais ou incre-
4 100 177 535,00 619,50 84,50 mentais em custos e receitas à medida que se
5 125 180 543,75 630,00 86,25 adiciona [Link] insumo.
637,00 84,50
A Tabela 7-3 é semelhante à tabela ante-
6 150 182 552,50
rior, salvo que as duas últimas colunas agora se
7 175 183 561,25 640,50 79,25
chamam receita marginal e custo marginal. A
8 200 183 570,00 640,50 70,50 receita 111argi11al (RMg) é definida como a mu -
Capítulo 7 Princípios econômicos - escolha de níveis de produção 121

Tabela 7-3 Receita marginal, custo marginal e níveís ideais de produto (preço do nitrogênio =
US$ 0,35/lb; preço do milho= US$ 3,50/bu)
Produto Receita Custo
tisico Produto Custo marginal marginal
Nível Nitrogênio total tisico Receita total (RMg) (CMg)
de aplicado (PFT) marginal total (RT) (CT) (US$) (óRT/ (US$) (óCT/
insumo (lb) (bu) (PFMg) (US$) (US$) PFMg) PFMg)

o o 130 455,00 500,00

18 3,50 > 0.49

25 148 518,00 508,75

14 3,50 > 0 ,63

2 50 162 567,00 517,50

8 3,50 > 1,09

3 75 170 595,00 526,25


7 3,50 > 1,25

4 100 177 619,50 535,00


3 3,50 > 2,92

5 125 180 630,00 543,75


2 3,50 < 4.38

6 150 182 637,00 552,50


3,50 < 8,75

7 175 183 640,50 561,25


o 3,50 < infinito

8 200 183 640,50 570,00

dança na receita total ou a renda extra recebida o preço do produto não mude em função de
com a venda de uma unidade a mais de produ- se é vendido mais ou menos produto, o que
to. E la é calculada a partir da seguinte equação: é o normal para um agricu ltor ou pecuari ta,
a RMg será sempre igual ao preço do produ-
6. receita total to. E nlretanto, se o preço de venda varia com
RMg=-- - - - - - -- - - mudanças na quantidade de produto vendida.
6. produto físico total (PFMg)
a RMg precisa ser calculada, utilizando- e a
equação dada antes, para cada nível de produ-
Por exemplo, quando se adiciona a pri- to. Um exemplo é quando suíno e gado ão
meira unidade de 25 libras de nitrogênio, a RT engordado a pe os cada vez maiore , endo
cresce US$ 63, e o PFMg é de 18 bushels, por- que o preço recebido por libra acaba caindo
tanto RMg =US$ 63 / 18 = US$ 3,50. É apa- devido a desconto .
rente a partir da Tabela 7-3 que a RMg é cons- O custo marginal (CMg) é definido como
tante para todos os níveis de insumo e igual ao a mudança em cu to, ou o cu to adicional que
preço de venda do produto, isto é, US$ 3,50 incide, com a produção de mai uma unidade
por bushel de milho. Isso não deveria surpre- de produto. Ele é calculado a partir da eguin-
ender, dada a defi nição de RMg. De de que te equação:
122 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

6. custo total Na Tabela 7-3, quando o nível d e N apli-


o= - -- - - -- - -- -
~ 6. produto ff ico total (PFMg) cado é aumentado de 100 para 125 libras, a
RM g é US$ 3,50, e o CMg é som ente US$
tal que cu to total é o me mo definido ante- 2,92, então claramente vale a pena acrescentar
rionncnte na Tabela 7-2. Por exemplo, quando mais nitrogênio. Entretanto, aumentar a taxa
o nível de nitrogênio apl icado obe de zero a
de aplicação de N de 125 para 150 libras tem
uma unidade, o cu to total cresce USS 0,35 x um CMg de U S$ 4,38, o que p assa da RMg
25 libra = U S ,75, e o PFMg é de 18 b11shels, de US$ 3,50. L ogo, o lucro é max imi zad o
então CMg = USS .75 / 18 = US$ 0,49. Na Ta-
apli cando-se 5 un idades ( 125 libras) de nitro-
bela 7-3, o cu to marginal começa a subir à me-
gênio por acre. Com o era de se esp erar, essa
dida que e u a mai insumo. Ob ervc a relação
é a mesma conclusão obtida comparando-se o
inver a entre P™g e CMg. Quando o PFMg
lucro e perado de cada nível de uso d e i nsumo.
e tá caindo (retornos marginai decre centes), o
Neste exemplo, não é possível determinar o n í-
CMg e tá ubindo, pois é preciso relativamente
vel de aplicação de nitrogênio cm que o custo
mai insumo para produzir uma unidade amai
m arginal é exatamente i gual à recei ta m argi-
de produto. Portanto, o cu Lo adicional de mais
nal , então preci sam os ver o nde o CMg p assa
uma unidade de produto está crescendo.
de menos que a RMg para m ai s que a RMg.
O que aconteceria com o nível maximi za-
Regra de decisão dor de lucro se um ou mais preços mudassem ?
A seguir, RMg e CMg são comparados para se Uma mudança no preço do nitrogênio faria com
encontrar os nívei maximizadores de lucro de que o CM g mudasse, e uma mudança no preço
in umo e produto. Contanto que a RMg seja do milho faria com que a RMg mudasse. Essas
maior que o CMg, uma unidade extra de pro- alterações provavelmente mudariam a solução
duto aumenta o lucro, pois a renda extra excede maximizadora de lucro. Assumindo que o preço
o custo extra de produzi -la. I nversam ente, se a do milho é constante em US$ 3,50 e que o pre-
RMg for inferior ao CMg, produzir a unidade ço do ni trogênio aumentou para US$ 0,60 por
adicional de produto diminui o lucro. O nível de libra, o custo marginal de aumentar a aplicação
produto maximizador de lucro, portanto, é onde de N de 100 para 125 libras por acre agora é
a receita marginal é igual ao custo marginal. de US$ 5,00 por bushel de mi lho (rabeia 7-4),

Quadro 7-2 Novas tecnologias e decisões de produção

No passado, os agropecuaristas tinham e equipamentos de aplicação de precisão


pouca opção além de otimizar os níveis de que ajustam taxas de aplicação de sementes,
insumo e produto utilizando valores margi- fertilizantes e pesticidas "em trânsito", com
nais calculados a partir da resposta "média" base na localização no campo. Os produto-
do campo a mudanças nos níveis de insumo. res rurais hoje possuem novas informações
Porém, a maioria dos campos possui áreas e os equipamentos necessários para aplicar
com diferentes tipos de solo, níveis de fertílí- os princípios marginais e otimizar os níveis
dade, inclinação, escoamento, pH, problemas de insumo e produto em cada área d ife rente
com inço, e assim por diante. Agora há novas do campo. Isso pode ser feito de acordo com
tecnologias à disposição, inclusive sistemas tipo de solo, nível de fertilidade, pH do solo ou
de posicionamento global (GPS) para encon- qualquer outro fator que afete a produtivida-
trar localizações exatas em um campo; mo- de. Otimizar a aplicação de insumos agríco-
nitores de rendimento que usam GPS para las em pequenas áreas de terra é chamado
registrar rendimento por local em um campo; de agricultura de precisão.
Capítulo 7 Princípios econômicos - escolha de níveis de produção 123

Tabela 7-4 Receita marginal e custo marginal com preços variantes


Receita Receita
Produto marginaJ Custo marginal Custo
físico (RMg) (US$) marginal (RiVlg) (US$) marginaJ
Nível total (preço do (CMg) (US$)* (preço do (CMg) (US$)*
de Nitrogênio (PFT) milho= US$ (preço do N = milho= (preço do =
insumo aplicado (bu) 3,50) US$ 0,60) US$ 4,50) US$ 0,35)

o o 130
3,50 > 0.83 4,50 > 0.49
25 148
3,50 > 1,07 4,50 > 0,63
2 50 162
3,50 > 1,88 4,50 > 1.09
3 75 170
3,50 > 2,14 4,50 > 1,25
4 100 177
3,50 < 5,00 4,50 > 2,92
5 125 180
3,50 < 7,50 4,50 > 4,38
6 150 182
3,50 < 15,00 4.50 < 8,75
7 175 183
3,50 < infinito 4,50 < infinito
8 200 183
* O custo [Link] é obtido dividindo-se o custo de 25 libras de N pdo PFMg.

muito mais alto do que o preço do milho (RMg). cionalmente mais do que o ouLro, permanecer
Assim, o nível maximizador de lucro agora é constante ou se movimentar na direção opo ta
100 libras de N, onde o CMg é igual a US$ 2,14, para causar uma mudança no preço relativos.
aplicadas para produzir 177 bushels de milho.
De fom1a semelhante, se o preço do N fi-
Razões de preço e maximização
casse em US$ 0,35 por libra, mas o preço do
de lucro
milho subisse para US$ 4,50 por bushel, po-
deríamos aplicar até 150 libras de N e produzir A relação entre preços e a função de produção
182 bushels de milho antes que o cus to margi- pode ser vista de outra forma. Dado preço
nal excedesse a receita marginal. Isso é mos- constante , RMg = PP' onde PP é o preço do
trado nas últimas duas colunas da Tabela 7-4. produto, e CMg = P/ PFMg, onde P, é o preço
Deve haver uma mudança nos preços relativos. do in umo. Inserindo-se e a igualdade no
Dobrar ambos os preços ou diminuí-los pela lugar de RMg e CMg na regra [Link]
metade muda os números da Tabela 7-4, mas de lucro MRg = MCg, obtém- e Pr = P/ PF lg.
não muda a escolha dos níveis de insumo e pro- Em , eguida, divida cada lado de · a equa ão
duto. Um preço deve se movimentar propor- por P1 e multiplique por PFMg. O n.: sultado é:
124 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

PFMir~ = P1 / Pp maxi mizador de lucro, e a regra VPMg =CIMg


deveria ser utili zada para encontrar o nível de
o que di z que o PF 1g . crá igual à razão do
in uma maximi zador de lucro. Contudo, após
pre o do in ~umo e do prc o do produto no ní-
um dcs es níveis er obtido, o outro pode er
vel ma ·imi zador de lucro de in umo.
encontrado recorrendo-se ao valor correspon-
O que acontece ~C a razão muda? e ela di-
dente da fun ção de produção. O importante
minui (P, ai ou Pr obe). o PFMg deve er me-
é ser coerente ao compará-las. Sempre use
nor para maximizar o lucro. Deve- eu ar mai
VPMg e CIMg juntos, pai ambo são calcula-
in umo. poi o PFMg diminui com níveis maio-
do por unidade de insumo . Da mesma forma ,
r' de in umo. Inver a mente, e a razão de prc-
sempre use RMg e CMg j untos, pois ambos
o aumenta (Pi aumenta ou Pr diminui), deve- ão calculados por unidade de produto.
- e u a.r meno insumo para chegar a um PFMg
mais alto, nece ária para manter a igualdade.
E e re ultado mostram a importância dos O PRINCÍPIO DA IGUALDADE
preço , e pecialmente a relação entre o preço MARGINAL
de in uma e produto, na determinação do nível
de in uma maximizador de lucro. Até e te ponto do capítulo, a discussão presu-
Olhe de novo a Tabela 7-3. A razão de pre- miu que há in uma suficiente disponível ou
ço de e exemplo é de US$ 8,75 por unidade de para e comprar para tomar a RMg igual ao
nitrogênio (25 libras a US$ 0,35) dividido por CMg para cada acre ou cabeça. Outra situação,
US$ 3,50, o preço do mi lho, ou 2,5. Contan- certamente mai provável, é quando só há uma
to que o PFMg eja maior que 2,5, compensa quantidade limitada de insumo à disposição, o
acrescentar mais . Porém, assim que o PFMg que impede que se alcance o ponto RMg =CMg
cai abaixo de 2,5 (passando do nível 5 para o para toda as aplicações possíveis. Aí, o gestor
nível 6). adicionar mais N red uz os lucros. precisa decidir como o insumo limitado deve ser
alocado ou dividido entre diversas aplicações ou
altemaúvas possíveis. Devem ser tomadas deci-
VALOR DO PRODUTO MARGINAL sões sobre a melhor alocação da mão de obra
E CUSTO DE INSUMO MARGINAL em muito acres, campos e cultivas diferentes;
água de irrigação entre campos e cultivas; e pas-
Para alguma deci ões, é conveniente com- to entre difcrentes tipos e pesos de animais. Se
parar a receita extra e o custo extra medidos o capital é limitado, ele deve, de alguma forma,
em termos de US$ por unidade de insumo, em ser alocado entre compras de animais, máqui-
vez de produto. O valor da receita produzida nas, terra e outros insumos.
acre centando-se uma unidade a mais de insu- O princfpio da igualdade marginal provê
mo é chamado de valor do produto marginal as direúvas e regras para que a alocação seja
(VPMg). Ele é calculado dividindo-se a mu- feita de tal forma que o lucro geral seja ma-
dança em receita ao se passar de um nível de ximizado a partir do uso de qualquer insumo
in uma para o próximo pelas unidades de in- limitado. O princípio pode ser enunciado as-
sumo ad icionadas. O VPMg pode ser compa- sim: um insumo limitado deve ser alocado en-
rado ao custo de insumo marginal (CJMg), o tre aplicações alternativas de tal modo que os
preço unitário do insumo endo acrescentado. valores do produto marginal da última unida-
O CIMg é semelhante ao custo margi nal , mas de usada em cada alternativa sejam iguais. A
é medido em US$ por unidades de insumo, e Tabel a 7-5 mostra uma aplicação desse princí-
não por unidade de produto. pio, em que água de irrigação precisa ser alo-
Teoricamente, a regra RMg = CMg deveria cada entre três plantações em três campos de
ser utilizada para encontrar o nível de produto tamanho igual. Os VPMg são obtidos a partir
Capítulo 7 Princípios econômicos - escolha de níveis de produção 125

Tabela 7-5 Aplicação do princípio da sucessivo de 400 acres-polegada seria alocado


igualdade marginal na alocação de água de ao campo com o VPMg mais alto após a alo-
irrigação• cações anteriores.
Valores do produto marginal (US$) A alocação final é de 4 acres-polegada em
trigo, 8 em sorgo granífero e 12 em algodão.
Água de
irrigação Trigo Sorgo Algodão Cada incremento final de 4 acres-polegada
(acre- (100 granífero (100 em cada cultivo possui um VPMg de US$
-polegada) acres) (100 acres) acres) 1.200, o que satisfaz o princípio da igualdade
marginal. Se houvesse mais água, a alocação
o
10 final poderia ser diferente. Por exemplo, se
1.200~· 1.6002" 1.800
houvesse 3.600 acres-polegada disponíveis,
4 seriam alocados 8 acres-polegada em trigo,
1
800 1.2005" [Link] • 12 em sorgo granífero e 16 em algodão. Isso
iguala os YPMg do último incremento de 4
8
60 acres-polegada de cada cultivo em US$ 800,
600 800 1.200
o que, mais uma vez, satisfaz o princípio da
12 igualdade marginal. Quando os insumos de-
300 500 800 vem ser aplicados em incrementas fixos, pode
não ser possível igualar exatamente o VPMg
16
das últimas unidades aplicadas em todas as
50 200 400
alternativas. Porém, o YPMg da última unida-
20 de alocada deve sempre ser igual ou maior do
• Cada aplicação de 4 acres-polegada cm um cultivo é um uso que o VPMg disponível com qualquer outro
toUll de 400 acres-polegada (4 polegadas veze 100 acres). uso alternativo.
Ao se alocar um insumo que e considera
limitado, deve-se tomar cuidado para não u á-
das funções de produção que relacionam o -lo além do ponto em que o VPMg é igual ao
1 uso da água ao rendimento de cada plantação CIMg em qualquer alternativa. Isso re ultaria
e dos respectivos preços de safra. Imagine em um lucro menor que o máximo. O in u-
que há um máximo de 2.400 acres-polegada mo não é realmente limitado e houver uma
; de água disponível, podendo er aplicados quantidade suficiente para alcançar ou uperar
apenas em incrementas de 4 acres-polegada. o ponto em que o YPMg e iguala ao CIMg.
A oferta limitada de água eria alocada entre A propriedade maximizadora de lucro
os três cultivas da seguinte maneira, usando des e princípio pode er demon rrada para o
os VPMg para tomar as decisõe : os 400 pri- exemplo de 2.400 acres-polegada dado. Se o
> meiros acres-polegada (4 acre -polegada em 4 acres-polegada u ados no trigo fo em alo-
·' 100 acres) seriam alocado ao algodão, pois cados a orgo granífero ou algodão, U 1.200
I► ele po sui o YPMg mais alto, de US$ 1.800. de renda eriam perdidos e US ~ 00 eri am
6' Os segundos 400 acres-polegada seriam alo- ganho , dando uma perda líquida de U 400.
iv cado ao sorgo granífero, pois ele possui o A me ma perda ocorreria e o último incre-
~ segundo VPMg mais alto, de US$ 1.600. De mento de 4 acre -polegada fo e retirad do
.~ forma semelhante, os terceiros 400 acres- sorgo granífero ou do algodão e real ado a
1, -polegada seriam usados no algodão (VPMg outro culti o. Quando o VP lg ão iguai. ,
1, = US$ 1.500), e o quarto, quinto e sexto incre- não e pod~ aumentar o lucr m um~ ·tl ·a-
~ menta de 400 acres-polegada eriam usado ção diferente do in umo limitado.
~- em trigo, sorgo granffero e algodão, rc pecti- O prindpio da igualdade marginal tam-
t vamcnle (US$ 1.200 cada). Cada incremento bém po le · cr uprc ntado de r rm t gráfica,

~-
126 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

Uso B

li)

;a~ f - - - - - - -...::,,,...-- - -- - - - + - ---=-,""'""""--


0
VPMg

VPMg

o a o b
Insumo Insumo

Figura 7-3 Ilustração do princípio da igualdade marginal.

Produção pecuária e retornos marginais


, Quadro 7-3
decrescentes

A lei dos retornos marginais decrescentes se dá em aproximadamente 1.220 libras na figura


aplica à pecuária, além da agricultura. A Figura apresentada. É o custo marginal de acrescen-
7-4 mostra como o custo de produzir uma libra tar a última lib ra que deve ser considerado, e
a mais de ganho em gado de corte aumenta à não o custo médio de ganho até o momento.
medida que o gado fica mais pesado. São usa- A decisão sobre o peso no qual se vende
dos mais nutrientes da ração para manutenção o gado é complicada pelo fato de que o preço
e menos para mais ganho, de forma que a taxa de mercado do boi muda todo dia. Além disso,
de conversão de ração em peso fica menos o preço de venda provavelmente será ajustado
eficiente. Quando o custo marginal de ganho com base no tipo e rendimento do gado. Ainda
fica maior do que a receita marginal recebida assim, quem engorda gado precisa monitorar
por mais uma libra de carne (o preço de venda diária e cuidadosamente o consumo diário de
é USS 0,85 por libra), não vale mais a pena ração e a taxa de ganho, para evitar ficar com
engordar o gado até um peso superior. Isso se animais acima do peso de venda ideal.

uss 1,00
uss 0,95
uss 0,90
e
g uss 0,65
& uss 0,60
~
tfl
C/)
2. uss 0,75
uss 0,70
Preço de venda (RMg)
uss 0,65 Custo do ganho (CMg)

uss º·60 ,....__1.......os-0---,.1. .o-o- - -


, ......, 5_0---,. 20
. . .-0----'---,__,_2'-so- - -,-.3.1.o_o_
Peso de venda (libras)

Figura 7-4 Peso ideal de venda de gado de corte.


Capítulo 7 Princípios econômicos - escolha de níveis de produção 127

como na Figura 7-3, onde 6 há dois usos al- O princípio da igualdade marginal e apli-
ternativos para o insumo limitado. O problema ca não apenas a insumos adquiridos, mas tam-
é alocar o insumo entre os dois usos, manten- bém àqueles já detidos ou di ponívei , como
do os VPMg iguais, de forma que a quantida- terra, tempo do gestor e tempo de maquinário.
de de insumo Oa mais a quantidade Ob chegue Sua utili zação também evita o erro de maxi-
a se igualar à quantidade total de insumo dis- mi zar o lucro de um empreendimento e não
ponível. Se Oa mais Ob for inferior ao insumo ter insumo s uficiente de sobra para utilizar em
lotai disponível, deve-se alocar mais para cada outros empreendimentos. Maximizar o lucro
uso, novamenle manlendo-se os VPMg iguais, do negócio total exige a alocação correta de
até que o insumo seja totalmente utili zado. Te- ins umos limitados entre empreendimento
ria que haver um aumento no insumo usado concorrentes, o que não necessariamente re-
cm ambas as alternativas se Oa mais Ob exce- sultará na maximização do lucro de um dado
desse o insumo total disponível. empreendimento avulso.

RESUMO
Princípios econômicos que usam o conceito de análise marginal oferecem diretivas úteis para a tomada de
decisão gerencial. Eles possuem aplicação direta nas decisões básicas de quanto produzir. como produzir e
o que produzir. A função de produção que descreve a relação entre níveis de insumo e os níveis correspon-
dentes de produto fornece algumas informações técnicas básicas. Quando essas informações são combina-
das com informações de preço, podem-se encontrar os níveis maxünizadores de lucro de insumo e produto.
Receita marginal e custo marginal são equacionado para se obter o nível maximizador de lucro de
insumo/produto. Esses são conceitos marginais que medem as mudanças em receita e custo que resultam
ISi:ll
de pequenas mudanças nos níveis de insumo. Quando há uma quantidade limitada de in uma à disposição
'J2 (
~, e há diversos usos alternativos para ele. o princípio da igualdade marginal dá a regra para alocar o insumo
e maximizar o lucro nessas condições.
ãêJS
O gestor, muitas vezes, não pos ui informaçõe uficientes para utilizar completamente o princípios
G'jQ
econômicos expostos neste capítulo. Isso não desfaz da importância desses princípio . mas sua aplicação
e seu uso, muitas vezes. são prejudicado por dado físicos e biológicos insuficiente . O preços também
devem ser estimados antes de o produto estar à venda, o que traz mais incerteza ao proce o de tomada de
deci são. Contudo, uma compreensão completa dos princípios econômico permite que e façam alteraçõe
na direção certa. respondendo-se ao preço e a outra mudanças. O ge to r deve estar continuamente bu cando
informações melhores para utilizar no refinamento da decisões tomadas por meio dou o de se princípio
econômicos básico .

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


I. a Tabela 7-2. as uma que o preços do insumo e do produto dobraram. Calcule o novo CT e RT
e determine o nível maximizador de lucro de insumo para o novo preço . Então, as uma que ambo
os preços caíram pela metade e repila o proce o. Explique eus re ultado .
2. Utilize vária outras combinações de preço para os dados de fu nção de produção da Tabela 7-~. encon-
trando o insumo e o produto maximizadore de lucro para cada combi nação de preço ~. Pre te muita
atenção ao que acontece comes es nívei quando o preço do in umo aumenta ou diminui ou quando o
preço do produto aumenta o diminui .
3. a Tabela 7-3, qual cria o nível de in umo maximizador de lucro o preço do in · umo fo se O?
O que e poderia dizer sobre o PFT e o PF lg ne e ponto'?
4. Como a lei do retorno marginais decrescente · faz com que o lg aumente?
5 . Encontre uma publicação de um erv iço de cxten ão ou e taçào <lc xpcrimcnto · 1:111 eu Lado que
128 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

mo. trc o. rei ultado de umrt experiência com taxa de semeadura. fenilização ou irrigação. Os resulta-
do aprc. e111am retomo. dccre centcs? Empregue os conceitos deste capítulo e os preços atuais para
obter a quantidade maximizadora de lucro do insumo a ser usada.
6. O princípio da igualdade marginal se aplica a decisões pc soais quando você possui renda e tempo
limi tado ? Como rncê aloca uma quantidade limitada de tempo de estudo quando tem três provas no
m mo dia?
7. Freda Agro pode inve tir capital cm incremcntos de US$ 100 e tem três usos alternativos para o capi-
tal. como mo trado na tabela a cguir. Os valores da tabela são os valores do produto marginal de cada
U 100 suce ivo de capital investido.

Capital inv tido Ferlifü..ante (US$) Sementes (US$) Químicos (US$)


Primeiro incremento de USS 100 400 250 350
egundo incremento de USS 100 300 200 300
Terceiro incremento de USS 100 250 150 250
Quarto incremento de USS 100 150 105 200
Quinto incremento de USS 100 100 90 150

a. Se Freda tem uma quantidade ilimitada de capital à disposição e nenhum uso alternativo para ele,
quanto ela deveria alocar para cada alternativa?
b. Se Freda pode tomar emprestado todo o capital de que precisar durante 1 ano. a juros de 10%,
quanto ela deveria pegar emprestado e como deveria usá-lo?
e. Imagine que Freda só tem USS 700 di ponívei . Como es a quantidade limitada de capital deve
ser alocada entre os três u os? A sua resposta satisfaz o princípio da igualdade marginal?
d. Imagine que Freda só tem US$ 1.200 disponíveis. Como esse valor deve ser alocado? QuaJ é a
renda total vinda de usar os US$ 1.200 dessa forma? Uma alocação diferente aumentaria a renda
total ?
Princípios econômicos -
escolha de combinações
de insumo e produto

Objetivos do capítulo
,..
1 1. Explicar o conceito de substituição como 4. Descrever as caracterfsticas de empreen-
ele é usado em análise marginal e toma- dimentos concorrentes, suplementares e
da de decisão. complementares.
2. Demonstrar como calcular uma razão de 5. Mostrar o uso da substituição de produto
substituição e uma razão de preço para e razões de lucro para encontrar a com-
dois insumos. binação maxlmizadora de lucro de dois
3. Mostrar como usar substituição e razões produtos.
de insumo para encontrar a combinação
minimizadora de custos de dois insumos.

A substituição ocorre no dia a dia da A s ubstituição também ocorre na produ-


maioria das pessoas. Ela acontece sempre que ção de mercadorias e serviços. Geralmente, há
um produto é adquirido ou utili zado no lugar m ais de um modo de produzir um produto ou
de outro, ou quando gasta-se renda pessoal em prestar um serviço. Máquinas, computadore
um tipo ou classe de produto em vez de em e robótica podem substituir mão de obra, e um
outro. Filé substitui o hambúrguer na mesa de ingrediente de ração animal pode er ub Li-
jantar, um carro novo e ntra no lugar do mo- tuído por outro. Preços, e pecificamente o
delo antigo na garagem e uma marca nova de preços relativos, desempt:nham um papel im-
sabonete ou pasta de dente é comprada em vez ponante para decidir se e quanta ub tituição
da marca antiga. Algumas substituições ou re- deve ocorrer. E m muita atividade produti-
posições são feitas por causa de um aumento vas, inclusive em e tabelecimento agrope-
(o u diminuição) na renda pessoal. O motivo cuários, a substituição não é uma deci ão d
para outras vem de mudanças nos preços re- tudo ou nada. Freq uenteme nte, é uma que tão
lativos ou di fere nças percebida de qualidade. de e fetuar algumas mudança relativamen-
130 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

te pequena. na propor ão ou composição de Razão de substituição de insumo


doi ou mai insumos cndo u ado . Portanto, A primeira etapa ao analisar um problema de
a ub. tituiç:'io 1..: outro tipo de análise margi- substituição é determinar se é fisicamente pos-
nal que lcYa cm con idcração a mudanças cm sível fazer uma substituição e a que taxa. A Fi-
cu to clou receitas ao e tomar a dcci ão de gura 8- 1 ilu tra os tipos mais comuns de subs-
. ub, titui ão. tituição entre dois insumos. Na Figura 8- la, a
linha PP ' é uma isoquanta (de isoquantidade,
querendo di zer "mesma quantidade") e mostra
COMBINAÇÕES DE INSUMOS
o número de combinações possíveis de milho
Uma dec i ão básica de produção que o gestor e cevada em uma ração animal. Essa linha é
rural preci a tomar - quanto produzir de um chamada de isoquanta porque qualquer uma
produto - foi discutida no Capítulo 7. dessas combinações gerará a mesma quanti-
Uma egunda decisão básica é quais re- dade de produto (ou ganho de peso, no caso).
A razão de substituição de insumo, ou a
cur o utilizar para produzir uma dada quan-
tidade de um produto. A maioria dos produtos taxa à qual um insumo substitui o outro, é de-
terminada pela seguinte equação:
exige dois ou mais insumos no processo pro-
dutivo, ma o ge tor, muitas vezes, pode e co-
Razão de Quan tidade de insumo substituído
lher a combinação ou proporção de insumos substituição = - - - - - - - - - - - - - -
que vai usar. O problema é detem1inar se mais de in uma Quantidade de insumo adicionado
de um insumo pode substituir menos do outro
e, ponanto, reduzir o custo total de insumos.
onde tanto o numerador quanto o denomina-
Isso leva à combinação de menor custo de in- dor são as diferenças ou mudanças na quan-
sumos para produzir um a dada quantidade de
tidade de insumos sendo utilizados entre dois
produto. pontos diferentes da isoquanta PP', medidas
A substitui ção de um insumo por outro
em unidades físicas.
ocorre frequentemente na produção agrope-
cuária. Um tipo de grão pode substitu ir ou-
tro em uma ração animal. Herbicidas podem Razão de substituição constante
substituir capi na mecânica, e computadores Na Figura 8- 1a, passar do ponto A ao ponto
podem sub titu ir mão de obra. O gestor pre- B significa que 4 libras de milho estão sendo
ci a selecionar a combinação de insumos que substituídas por 5 libras adicionais de cevada
produzirá uma dada quantidade de produto ou para produzir o mesmo ganho de peso ou pro-
executará uma determinada tarefa pelo cus- duto. A razão de substituição de insumo é 4 /
to mínimo. Em outras palavras, o problema 5 = 0,8, o que quer dizer que 1 libra de cevada
é encontrar a combinação menos custosa de substitu i 0,8 libra de milho. PP' é uma linha
insumos, pois essa combinação maximizará o reta, então a razão de substituição de insumo
lucro de se produzir uma dada quantidade de será sempre 0,8 entre quaisquer dois ponto
produto. O gestor alerta está sempre procuran- dessa isoquanta. Esse é um exemplo de uma
do uma combinação diferente de insumos que taxa constante de substituição entre dois insu-
faça o mesmo serviço com menos custo. mos. Sempre que a razão de substituição de
A combi nação de insumos de menor cus- insumo for igual ao mesmo valor numérico ao
to nem sempre é a mesma. Mudanças no preço longo de toda a gama de combinações possí-
de um ou mai insumos podem fazer com que veis de insumo, os insumos apresentam uma
seja mais lucrativo substituir um recurso por taxa constante de substituição. Isso ocorre
outro, ou ao menos mudar a proporção em que com mais frequência quando os dois insumo
ele são usados. contribuem com o mesmo (ou quase o mes-
Capítulo 8 Princípios econômicos - escolha de combinações de insumo e produto 131

p p

li)
~
o
~
1-
1
AI
1
1
1
P'
Cevada Forragem Arados de cinzel

(a) (b) (e)

Figura 8-1 Três tipos possíveis de substituição.

mo) fator ao processo produtivo. Milho e ce- mantendo o mesmo nível de produto. É ne-
vada, por exemplo, contribuem ambos com cessário mais e mais do insumo acrescenta-
energia à ração. do para substituir uma unidade do insumo
sendo substituído, o que faz com que a razão
de subs tituição de insumo caia. Isso é uma
Razão de substituição decrescente
indicação de q ue os insumos funcionam me-
Outro exemplo, talvez mais comum, de subs- lhor j untos quando utilizados em uma com-
tituição física é apresentado na Figura 8- l b. binação contendo uma proporção relativa-
Ali, a isoquanta PP ' mostra as diferentes mente grande de cada. Em níveis baixo de
combinações de milho e forragem que podem um deles, há um quase excesso do outro, e
produzir o mesmo ganho de peso em um boi essa geralmente não é uma combinação efi-
castrado ou a mesma produção de leite em cie nte ou produtiva.
uma vaca leiteira. A quantidade de milho que
pode substituir uma dada quantidade de forra-
gem muda, dependendo se é usado mais milho Ausência de substituição possível
ou mais forragem. A razão de substituição de Uma outra situação é quando não há ub -
insumo é 4 / 1 = 4 quando se passa do ponto A tituição possível. A Figura 8- l c ilu tra um
para o ponto B na isoquanta PP ', mas é 1 / 3 = exemplo com tratores e arado de cinzel. É
0,33 quando se passa do ponto C para o ponto preciso um de cada para formar uma combi-
D. Nesse exemplo, a razão de substituição de nação operante, como mo trado pelo ponto A.
insumo depende da localização na isoquanta, A isoquanta em ângulo reto indica que mai
caindo com movimentos para baixo e para a que um trator com apena um arado de cin-
direita da c urva. Essa é uma ilustração de uma zel não aumenta a produção, ma aumenta
taxa decrescente de substituição. os custos. O mesmo e aplica amai que um
Muitos problemas de substiLuição agro- arado de cinzel. Portanto, a única combina-
pecuária possuem uma razão de substiluição ção eficiente, e de menor cu to, ' um trator e
de insumo decrescente, o que ocorre quando um arado de cinzel. Outro exemplo eriam a
os dois ins umos são distintos ou co ntribuem combinação de in umo de mourõe e arame
com fatores dife re ntes ao processo de pro- para um da lo tipo de cerca e muita reaçõe
dução. À medid a qu e mais de um insumo química que exigem uma proporção ri a de
s ubs titui o outro, torna- se cada vez mais químico para e obter a reação química e o
difícil fazer qu alquer s ubstiLUi ção a mai pro luto de ejado .
132 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

A regra de decisão pode ser verilicado calculando-se o custo total


de cada ração, como exibido na última coluna
ldcntilicar o tipo de ub ·ti1uição física que
da Tabela 8- 1. A combinação de ração de me-
e i te e calcular a ra1ão de . ub 1i1uição de in-
nor cu to é 1.125 libras de grão e 625 libras de
umo ão etapa_ ncce sária , mas ó ela não
feno, tendo um cu to de US$ 92,50 .
pcm1itcm determinar a combinação de in umos
A regra de deci ão di z que a combinação
de menor u ·to. ão nece ária também o
de menor cu to é a em que a razão de substitui-
preço do. in umo , e a razão do preço do
ção de insumo e iguala à razão de preço de in-
in umo preci. a er comparada à razão de subs-
sumo. Contudo, na Tabela 8-1 e cm muitos ou-
titui ão de in umo. A razão de preço de insumo
tro problema em que as escolhas envolvem
é cal ulada por meio da eguinte equação:
um número di ereto, e não infinito, de combi-
Raz5o de Preço do in umo endo adicionado nações, não há nenhuma combinação na qual
preço de= - - - - - -- - - - -- - a dua razõe s5o exatamente iguais. Nesses
Preço do in umo endo sub tituído ca o , e colha a combinação em que a razão
in umo
de ub tituição de insumo muda de maior que
Ela. à vezes é chamada de razão de preço a razão de preço de insumo para menor do que
inversa, poi é a razão do preço do in umo a razão de preço de insumo. Assim, a Ração E
adicionado dividida pel o preço do in umo é a combinação de menor custo para esse pro-
substituído. I so é o inver o da razão de ubs- blema. Pas ando- e da Ração E para a próxi-
Lituição de in umo - a quantidade do in umo ma escolha, a Ração F, a razão de substituição
substituído dividida pela quantidade do in u- fica menor do que a razão de preço, assim re-
mo adicionado. pre entando um deslocamento para uma ração
Com e e quociente, pode-se encontrar a de cu to maior: US$ 0,50 maior - US$ 93,00
combi nação de in urnos com o menor cu to. contra US$ 92,50 pela Ração E.
A regra de deci ão para encontrar essa combi- Utilizar as razões de substituição e de
nação é quando preço de insumo é um método prático de
Razão de substituição _ Razão de preço comparar o custo adicional de usar mais de
de in uma de in uma um insumo contra a redução de custo de usar
menos do outro. Sempre que o custo adicional
A Tabela 8- 1 é urna aplicação desse pro- for inferior à redução de custo, o custo total
cedimento. Cada uma da raçõe é uma com- erá menor, e a substituição deverá ser feita.
binação de grão e fe no que engorda o mesmo É o caso quando a razão de substituição do
número de (jbra em um boi castrado de en- insumo é maior do que a razão de preço do
gorda. O problema é elecionar a ração que insumo.
gera esse ganho com o menor custo. A quarta
e quinta colunas da Tabela 8-1 contêm a razão
Mudanças nos preços
de ubstituição de insumo e a razão de preço
de in umo para cada ração. A razão de substi- Em todo problema de subst ituição de insumo,
tu ição de insumo decresce à medida que é usa- a combinação de menor custo depende dn ra-
do mai grão e menos feno, enquanto a razão zão de substituição e da razão de preço. As ra-
de preço de insumo é constante para os preços zões de substituição permanecerão as me mas
dados. Enquanto a razão de substituição for ao longo do tempo enquanto as relações físi-
maior do que a razão de preço, o custo total da cas ou biológicas subjacentes não mudarem .
ração poderá er reduzido passando-se para a EnLretanto, a razão de preço muda sempre que
próxi ma combinação de ração abaixo na tabe- os preços relativos dos insumos mudam, o que
la. O in erso é verdadeiro se a razão de substi- faz com que uma combinação diferente de in-
tuição for menor do que a razão de preço. I o sumos se torne a nova combinação de menor
Capítulo 8 Princípios econômicos - escolha de combinações de Insumo e produto 133

Tabela 8-1 Seleção da ração de menor custo•


Razão de
Grãos Feno substituição Razão de preço Custo total
Ração (lb) (lb) de insumos de insumos** d.a ração••

A 825 1.350 uss 103,50


2,93 > 1,50

B 900 1. 130 US$ 99,20

2,60 > 1,50

e 975 935 uss 95,90


2,20 > 1,50

D 1.050 770 uss 93,80


1,93 > 1,50

E 1.125 625 US$ 92,50

1,33 > 1,50

F 1.200 525 uss 93,00


1,07 > 1,50
G 1.275 445 uss 94,30
* Pressupõe-se que cada ração proporciona o mesmo ganho de pe o para um boi de engorda com um
dado peso inicinl.
n O preço dos gràos é USS 0,06 por libra, e o preço do feno é USS 0.04 por libra.

c usto. À medida que o preço de um insumo A regra diz para fazer essa subslituição e passar
aumenta em relação ao outro, a nova combi- para o próximo ponto, onde o resultado é exa-
nação de insumos de menor custo tende a ter tamente o mesmo. Quando o eixo horizontal é
menos do insumo de preço alto e mais do in- alcançado, o resultado é uma ração feita toda de
sumo que agora é relativamente mais barato. cevada, sem milho. Se a razão de preço de in-
Quando dois insumos apresentam uma sumo deve ser maior que 0,8 (digamos, 1,0 - o
razão de substituição de insumo decrescente, preços por libra de milho e cevada ão iguai ),
como na Tabela 8-1, a combinação de menor todos os pontos da isoquanta po suem uma ra-
custo geralmente incluirá ao menos um pouco zão de substituição menor do que a razão de
de ambos os insumos. Porém, são obtidos re- preço. Cada movimento para baixo na i oquan-
sultados diferentes quando a razão de substi- ta representa uma ração de maior cu to do que
tuição de insumo é constante. a anterior. Portanto, a alução de menor cu to é
O painel (a) da Figura 8-1 é um exemplo apenas milho, sem cevada.
de uma razão de substituição de insumo cons- Se a razão de substituição e a razão de
tante: no caso, 0,8 libra de milho substitui 1,0 preço forem exatamente iguai , qualquer
libra de cevada entre quaisquer dois pontos da combinação de milho e cevada teria o me mo
isoquanta. Assuma que o preço da cevada é custo. Isso aconteceria e o preço da c vada
US$ 0,03 por libra e o preço do milho é US$ fosse US$ 0,04 por libra e o preço do milho
0,05 por libra, para uma razão de preço de insu- fo se US$ 0,05 por libra, por e emplo.
, mo de 0,6. Começando no topo da isoquanta e Esses rc ultado , e o da razão decre cen-
indo para baixo, qualquer ponto teria uma razão te de sub tituição de in uma, p dem er ~inte-
de substituição maior do que a razão de preço. tizados da seg uinte forma:
134 Parte 111 Aplicação de princípios econômicos

Quadro 8-1 Preços de insumos, razão de preço e lucro

A combinação de insumos de menor custo sem- preço e na mesma combinação de menor custo.
pre depende dos preços relativos, como infor- Porém, dobrar os preços dos insumos reduz o
mado pela razão de preço de insumo, e não dos lucro, e cortar pela metade os preços aumenta
preços absolutos. Dobrar ou cortar pela metade o lucro, embora a combinação de insumos de
ambos os preços resulta na mesma razão de menor custo permaneça intocada.

1. Dada uma taxa con lante de ub tituição un s pouco e m detem1inados estabelecimen-


entre doi - in. umo , a combi nação de me- tos agropecuários . E m outros, o gestor pode
nor cu to erá apenas um insumo ou ape- ter um grande número de empreendimento
nas o outro. A única exceção se dá quando possívei dentre o quais escolher a combina-
a razõe de ub ·tituição e de preço do ção maximi zadora de lucro. Em todos os ca-
in- um o ão iguai . Aí, qualquer combi- os, a sume- e que um ou mais insumos são
na ão erá a de menor cu to, pois toda limitados, o que impõe um limite máximo a
po _uem o me mo cu to total. quanto pode ser produzido de um produto ou
" Com um a taxa decre cente de sub titui- de qualquer combinação de produtos.
ção entre doi s in umos, a combinação de
menor custo geralmente inclui um pouco Empreendimentos concorrentes
de cada in umo. Primeiro, o tipo de in-
O primeiro passo para determinar uma com-
sumo que po uem uma taxa decre centc
binação de empreendimentos maximizadora
de s ub tituição geralmente preci sam er
de lu cro é determinar a relação física entre
u ado · cm alguma combinação para pro-
du zir um produ to. Apena um ou ape na o empreendimentos sob análise. Dada uma
quantidade limitada de terra, capital ou outro
o outro talvez nem seja uma opção. Se-
insumo, a produção de um empreendimen-
gundo. me mo que eja fí ica e biologi-
to geralmente só pode ser aumentada dimi-
camente po ível produzir o produto com
nuindo-se a produção de outro. Uma porção
apena um do in umo , a razão de sub ti -
do in umo limita do precisa ser passada de
tuição de insumo nesse ponto será tão alta
ou tão baixa, que um a razão de preço de uso em empreendimento para uso em outro,
in umo provavelmente nunca alcançari a oca ionando as mudanças nos níveis de pro-
dução. Há um rrade-off, ou substituição, a se
e se extremos.
considerar quando se muda uma combinação
de e mpreendimentos. Eles são chamados de
COMBINAÇÕES DE PRODUTOS empree11di111e11tos concorremes, pois concor-
rem pelo u o do mesmo insumo limitado ao
A terceira deci ão básica a ser tomada por um mesmo tempo.
ge tor rural é o que produzir, ou qual combi- A Figura 8-2 ilustra dois tipos de empre-
nação de produtos maximiza o lucro. Deve- e endime ntos concorrentes . No primeiro gráfi-
fazer uma e colha entre todos o empreendi- co, milho e soja concorrem pelo uso dos m -
mentos po sívei s, o que pode incluir hortali- mos 100 acres de terra. Plantar apenas mi lho
ça , trigo, oja, algodão, gado de corte, s uínos, resultaria na produção de 15.000 bush e/s de
galináceos e o utros. Clima, olo, vegetação milho, e pla ntar apenas soja produziria u m
nati va e outro in sumos fixos podem restrin- total de 5.000 bushels de soja. Outras com-
gir o elenco de empreendim entos pos íveis a binações de milho e soja que totalizem l 00
Capítulo 8 Princípios econômicos - escolha de combinações de insumo e produto 135

15.000 15.000

o Soja (bushe/s) 5.000 o Soja (bushe/s) 5.000

Figura 8-2 Curvas de possibilidades de produção para empreendimentos concorrentes.

acres produziriam as combinações de milho e da curva, ubindo para 200 / 5 = 4,0 próximo
soja mostradas na linha que conecta esses dois ao final do arco. Esses empreendimentos ain-
pontos. Essa linha é chamada de curva de pos- da ão concorrentes, ma possuem uma razão
sibilidade de produção (CPP): ela mostra to- crescente de substituição de produto.
das as combinações possíveis de milho e soja
que podem ser produzidas com os 100 acres. Exemplo de combinação de
Começando com produção apenas de mi-
empreendimentos
lho, substituir um acre de milho por um acre
de soja resulta na perda de 150 bushels de mi- O dado da Tabela 8-2 apresentam os re ul-
lho e em um ganho de 50 b11shels de oja. O tado de várias combinaçõe de dois cultivo
trade-off, ou razão de substituição de produto, concorrente : alfafa e sorgo granífero. O nú-
é 3,0, pois deve-se abrir mão de trê b11shels mero de acres que podem er cultivado com
de milho para ganhar um bushe/ de soja. Com cada culti vo pode ser limitado pela di ponibi-
uma curva de possi bilidade de produção em lidade de diversos recur o fixo , como terra
linha reta, essa razão de sub tituição é a mes- própria para cultivo, mão de obra na época de
ma para quaisquer duas combinações. E se é colheita e água para irrigação. Se somente um
um exemplo de empreendimentos concorren- cul tivo é plantado, a área máxima po ível é
tes com uma razão de ubstituição constante. 1.000 acre de orgo granífero ou 800 acre
Ao longo do tempo, uma combinação de de alfafa. À medida que o recur o ão de -
e mpreendimentos agrícola pode beneficiar viado da produção de sorgo granífero para a
ambos, em razão de melhor controle de pra- produção de alfafa, é nece sário um decré ci-
gas, fertilidade do solo, controle de erosão mo cada ez maior do acre de orgo granífe-
e mais agilidade no plantio e na colheita de ro para aumentar a alfafa em 100 acre .
áreas extensas. Essa ituação é mostrada no A terceira e a quarta coluna da Tab la
eg undo gráfico da Figura 8-2. A c urva de 8-2 mo tram o lucro total de cada culti o, a -
po si bilidade de produção arqueada indica sumindo que a alfafa gera um lucro de U 50
que a produção total de milho aumenta a uma por acre e o sorgo granífero produz um lucro
taxa mais lenta à medida que e u a uma pro- de US 30 por acre. A últim. o luna m ·tra o
porção maior de terra com produção de milho. lucro total de ambo o ulti o .
A situação inversa é verdadeira para a oja. Comparar o lucro total parn cada ombina-
I o faz com que a razão de substituição de ção de acre mo tra que o lu ·ro é maximizado
produto eja di feren te para diferente combi- quando 600 acres ão dedi ad s à alfafa e -t-70
nações do dois empreendimentos. A razão de acre são dedicado' ao ' Org granífero. A dl:-
ub tituição é 150 / 100 = 1,5 próximo ao topo mais combi nnçõ geram um lucro total men r.
136 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

Tabela 8-2 Lucro de várias combinações de allafa e sorgo gran ífero•


Acrcs de sor-go Lucro da nlfnfa Lucro do sorgo Lucro total
cres dr nlfafa granífero (US$) granífero (US$) (USS)
o 1.000 o 30.000 30.000
100 9r 5.000 29.250 34.250
_oo 925 10.000 27.750 37.750
300 ➔- 15.000 25.350 40.350
400 745 20.000 22.350 42.350
500 620 25.000 18.600 43.600
600 470 30.000 14.100 44.100
700 270 35.000 8. 100 43. 100
00 o 40.000 o 40.000
• O lu ro é de USS 50 por acre de alfafa e USS 30 por acre de sorgo granífero.

Razões de substituição e lucro Tabela 8-3 Combinação maximizadora de


lucro de dois empreendimentos concorrentes
A ombina ão mai lucrativa de dai empre-
endimento concorrente também pode er Acres Acres Razão de Razão
de de sorgo substituição de
determinada comparando- e a razão de ub ti-
alfafa granífero de produto• lucro••
tui ão de produto e a razão de lucro de produ-
to. A razão de sub tituição de produto é calcu- O 1000
lada por meio da eguinte equação: 0,25 < 1,67
100 975
Razão de Quantidade de produto reduzida
ub tituição = 0,50 < 1,67
Quantidade de produto aumentada
de produt o 200 925
0,80 < 1,67
onde as quantidade aumentada e reduzida são
as mudanças na produção entre dois ponto da 300 845
CPP. A razão de lucro de produto é encontrada 1,00 < 1,67
por meio da eguinte equação: 400 745

Lucro do produto aumentado 1,25 < 1,6 7


Razão de lucro
de produto
=-----------
Lucro do produto reduzido 500 620
1,50 < 1,67
A regra de decisão para encontrar a com-
600 470
binação maximizadora de lucro de dois empre-
endimento concorrente é o ponto em que: 2,00 > 1,67
700 270
Razão de ub tituição Razão de lucro
2,70 > 1,67
de produto de produto
800 O
A Tabela 8-3 apresenta o mesmo exem-
• Decréscimo dos acrcs de sorgo dividido pelo aumento dos
plo de doi empreendimen tos concorrentes, ncr.:s de ai fnfn.
alfafa e orgo granífero, que possuem uma •• O lucro é de USS 50 por acre de nlfnfa e USS 30 por a ri!
ra7,ão crescente de ubstituição de produto. de sorgo gr:rnffero.
Capítulo 8 Princípios econômicos - escolha de combinações de insumo e produto 137

Quadro 8-2 Razão de preçe ou razão de lucro?

Tradicionalmente, os exemplos de dois em- produto obtidos. Por essas razões, o exemplo
preendimentos concorrentes pressupõem que da Tabela 8-2 assume que podem-se produzir
podem ser produzidas diversas combinações combinações diferentes de acres de dois cul-
de produtos de dois empreendimentos a partir tivas a partir de um conjunto fixo de recursos,
do mesmo conjunto de recursos fixos. Isto é: como mão de obra e máquinas, comparando-
os custos totais de produção são os mesmos -se o lucro por acre de cada cultivo. Os custos
para todas as combinações. Dessa forma, a de produção e a receita bruta por acre são
combinação maxlmlzadora de lucro pode ser constantes (um pressuposto mais realista) .
obtida comparando-se a razão de substituição Obter a combinação para a qual a razão de
dos produtos (como bushels) à razão inver- substituição (usando acres como unidade) é
sa do preço de venda dos mesmos produtos. igual à razão inversa de lucro por acre leva
Na vida real, contudo, dois empreendimentos ao lucro máximo. Se os dois empreendimen-
quase sempre utilizam insumos variáveis dife- tos usam os mesmos recursos fixos, a razão
rentes, e o custo total muda junto com as al- de suas respectivas margens brutas pode ser
terações do número de unidades de produto usada no lugar da razão de lucro.
geradas. No exemplo da Tabela 8-2, a alfafa O Capítulo 12 contém uma discussão de
e o sorgo granífero precisam de quantidades como se pode usar programação linear para
diferentes de sementes, fertilizante e outros In- obter combinações maximizadoras de lucro
sumos. Além disso, o custo total de produção de mais de dois empreendimentos utilizando
está mais diretamente relacionado ao número a mesma abordagem. Para os empreendimen-
de acres plantados com cada cultivo do que tos agrícolas, usa-se um acre como a unidade
com o número de toneladas ou bushels de orçamentária.

O método para detenninar o empreendimento ca passe para uma nova combinação quando
maximjzador de lucro é basicame nte o mesmo a razão de sub tituição de produto for maior
f
para determinar a combinação de insumos de do que a razão de lucro de produto. Embora
menor custo, mas com uma exceção impor- os valores da razões fiquem mais próximos
tante. Para combinações de empreendimentos, da igualdade, o lucro será inferior àquele da
quando a razão de lucro de produto é maior combinação a nterior.
do que a razão de substituição de produto, a Dadas as nove combinações po sívei da
substituição deve prosseg uir deslocando-se Tabela 8-3, a combinação maximizadora de
para baixo e para a direita da CPP, até a pró- lucro novamente é 600 acres de alfafa e 470
xi ma combinação inferior da Tabela 8-3 . In- acres de sorgo granífero. A razão de lucro é
versamente, uma razão de lucro menor do que igual ao lucro da alfafa por acre (US 50) di-
a razão de substüuição significa que foi fei ta vid ido pelo lucro do orgo granífero por acre
s ubstituição demais, e deve ser fe ito um aj uste (US$ 30), o u 1,67. À medida que é produzido
para cima e para a esquerda na CPP, até a pró- menos sorgo granífero e mai alfafa, a razão
xima combinação superior da tabela. de substituição de produto aumenta de O _5
Enquanto a razão de lucro for maior que a para 1,50 com 600 acre de ai fa ra,
o que ai n-
razão de substituição, o lucro continuará cres- da é inferior à razão de lu ro. Pas ar p:[Link] 700
( cendo. A última combinação em que es a re- ac re de alfafa altera a razão de ub tituição
lação passa de maior do que quando vi nha da para 2,00, porém, indi ando uma diminui ã
última combinação para menor do que qua ndo no lucro total.
se passar para a próxi ma combinação será a Uma razão cn.: centc de ub titui ão g -
combinação maximi zaclora de lucro. Nun - rnlme nle re ulta na produ ão de uma ombi-
138 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

nação de empree nd imen tos, com a combina- empree ndimentos são uplem e nt ares e a pro-
ão dependendo da ra7.ão de lucro atual. Toda du ão de um pode er aumentad a sem afeta r 0
altera ·ão nos pre · o ou cu~to do. empreen- nível de produção do outro.
dimento que mude a razão de lucro afctará a O exemplo da Figura 8-3 m ostra qu e a
ombin:1 ão de cmprc ndimcnto. maxi mi za- produção de carne de bois de c ria e m pasto
dor::i de lu ro quando há uma razão crc ente de trigo de inverno pode ser a mpl iada den-
de _ub. titui ão de produto. im como na tro de um e pectro em a fetar a q u a ntidade
ub titui ão de in umo , o importante é a ra- de trigo produzida. Contudo, a CPP m ostra
::êio de lucro. e não :ip na o nível de lucro. uma relação que acaba to m ando- e concor-
Quando o. empreendi mento po ucm rente, pois a prod ução de carne n ão pode c r
uma razão con tante de ub tituição de pro- ampliada indefi ni dame nte sem afeta r a p ro-
duto, a oluçào m ax imi zadora de lucro é dução de trigo. U m exem p lo de doi s e mpre-
produzir apena um ou apena outro empre- endimento puramente uple m e n tares pode-
endimento, e não uma combi nação. 1 o por- ria ocorrer em E tado o nde os proprie tá rio
que a razão de lucro crá ou maior, ou menor de terra podem arrendar di reitos de c aç a a
do que a razão de ub tituição para todas a caçadores. E e empreend ime nto d e a rre n-
combinaçõc•. damen to poderia ser uple me ntar à produção
o Capítulo 12, é expo ta um a técnica pecuária ou agrícola.
para e colher entre mai de doí empreendi- O ge tor deve aprove itar as relações su-
mento concorrente . A programação linear pleme ntare , aumentando a produção do em-
u a o mesmo princípio de com parar razõc de preendimento supl e me nta r. Isso deve pros-
ubstituição e razõe de lucro de produto, ma eguir até, no mínimo, o ponto e m que o s
pode comparar um número maior de empreen- empreendimento se to rna m concorre ntes .
dimento po ívei de uma vez. A ol ução ma- Se o empreendimento suple me nta r apresentar
ximizadora de lucro leva em conta o limite lucro, por menor que seja, o luc ro total será
de ofen a do principai rec urso . aumentado prod uzi ndo-se um pouco d e le,
poi a produção do e mpreendime nto principa l
não e altera. Podem-se obter duas conclusões
Empreendimentos suplementares gerai obre a combinação m ax imi zadora de
Embora empreendimentos concorrente ejam lucro de e mpreendim e ntos s upl e mentares.
o mai com un , exi tem outro tipos de rela- Primeira, es a combinação não estará dentro
çõe entre empreendimento . Uma dessas é a do espec tro supleme ntar. Estar á, no mínimo,
relação suplementar, e um exemplo é mo tra- no pon to em q ue a re lação passa d e suple-
do no diagrama e querdo da Figura 8-3. Doi mentar para concorrente. Segunda, muito pro-

1
1
Complementar
Suplementar '

o
OI
·e:
1-

Gado de corte (bois de cria)

Figura 8-3 Relação suplementar e complementar entre empreendimentos.


Capítulo 8 Princípios econômicos - escolha de combinações de insumo e produto 139

vavelmente estará na porção concorrente da aquela do plantio de todos os acres com trigo
curva de possibilidade de produção. O local todos os anos.
exato dependerá (como sempre é o caso com Um empreendimento complemen tar deve
empreendimentos concorrentes) das razões de ser aumentado, no mínimo, até o ponto em
substituição e do lucro de produto. que a produção do empreendimento principal
(nesse exemplo, trigo) esteja no máximo. Is o
se aplica mesmo se o empreendimento com-
Empreendimentos
plementar não possuir valor, pois a produção
complementares do empreendimento principal está aumentan-
Outro tipo possível de relação entre empreen - do ao mesmo tempo. Via de regra, empreendi-
dimentos é o complementar. Esse tipo de re- mentos só são complementares dentro de um
lação se verifica sempre que aumentar a pro- espectro limitado, depois do qual se tornam
dução de um empreendimento faz com que a concorrentes.
produção do outro aumente ao mesmo tempo. Assim como para os empreendimentos
O gráfico à direita da Figura 8-3 ilustra uma suplementares, podem ser extraídas duas con-
relação complementar possível entre produ- clusões sobre a combinação maximizadora
ção de trigo e terra em pousio. de lucro de empreendimentos complemen-
Em muitas regiões de produção de trigo tares. Primeira, essa combinação não estará
de sequeiro, uma parte da terra é deixada em dentro do espectro complementar. Estará, no
pousio (ou sem plantio) a cada ano, como um mínimo, no ponto em que a relação passa de
modo de annazenar parte da precipitação plu- complementar para concorrente. Segunda, as-
vial de um ano para que seja usada pela safra sumindo- e que ambos os empreendimentos
de trigo do ano seguinte. Deixar alguns acres produzam alguma receita, estará em algum lu-
em pousio reduz os acres de trigo, mas o ren- gar dentro do espectrn concorrente. A combi-
,- dimento por acre pode crescer por causa da nação certa pode ser encontrada utilizando-se
umidade extra à disposição. Essa ampliação a regra de decisão da razão de ubstituição e
do rendimento pode ser suficiente para que da razão de lucro para empreendimentos con-
a produção total de trigo seja maior do que correntes.

RESUMO
Este capítulo deu continuidade à discussão dos princípios econômicos iniciada no Capítulo 7. Aqui. a ênfase
foi no uso do princípio de substituição para proporcionar ao gestor um procedimento para responder às
pr.· perguntas de como e o que produzir. A pergunta de como produzir diz respeito a encontrar a combinação
menos custosa de insumos para produzir uma dada quantidade de produto. Foi mo trado o cálculo e o u o
das razões de substituição e de preço de insumos. assim como a regra de deci ão para enconLrar o ponto no
qual esses dois valore são iguais. Essa regra de decisão determina a combinação de menor custo de doi
in umas. A perspectiva marginal ainda é um conceito importante aqui, poi as razõe de ub titu ição de in-
sumo são calculadas a partir de mudanças pequenas ou marginais nas quantidades dos doi in umo · u ado .
A pergunta de o que produzir trata de encontrar a combinação maximizauora de lucro de empreendimen-
tos quando a quantidade de um ou mais insumos é limitada. E sa combinação depende, cm primeiro lugar.
do tipo de relação entre empreendimentos que e verilica: concorrente, ·uplementar ou complementar. A
combinação maximizadora de lucro para empreendimento concorrente é encontrada calculando- e razões
de substituição de produto e a razão de lucro de produto. Achar o ponto no qual ele · ão iguai determina a
combinação correta. Empreendimentos suplementare e complcmentarc · po ·suem propriedades cxctu iva
dentro de um espectro limitado, mas acabam se tomando concorn:ntes quando o meçam a concorrer pelo uso
de algum insumo limitado. A combinação maximizadora de lucro para cs e · doi tipos de relação entre em-
preendimentos não estará dentro desses e pectros, costLJmanclo estar dentro de seu espectro de concorrência.
140 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Primeiro dobre. depois cone peln metade ambos o preços utili zados na Tabela 8 - 1 e obte nha a no va
ombinaçiio de in umo de menor custo para cada ca o. Por que não há mudança? E o que ocorreria
com o lucro cm cnda ca. o?
, Existe cmpre uma ração animal que é a ·•melhor"? Ou depende dos preço ? Você acha que os fa-
bricante de ração conhecem ub tituição de in umos e combinações de in umo de meno r cus to?
Explique como eles poderiam aplicar es e conheci mento.
3. Explique como a inclinação da isoquanta afeta a razão de sub tituição de in umos.
-4. Explique mcticulo amente a diferença entre uma i oquanta e uma cu rva de pos ibilidade de produção.
5 . Reduza o lucro com alfafa da Tabela 8-2 para US$ 36 por acre. ca lcule a nova razão de lucro d e pro-
duto e obtenha a nova combinação maxi mizadora de lucro. Você produz mais o u me nos do e m p reen-
dimento com o lucro agora inferi or? Por quê? Qual cria o efeito de dobrar ambos os lucros po r acre?
E de conar pela metade ambo os lucros por acre?
6. Por que a combinação maximizadora de lucro até me mo de empreendimentos suplementares e c o m-
plementare geralmente fica no e pectro de concorrência?
7. Onde o clima e a precipitação pluvial permitem. a maioria do estabelecimentos rurais produz dois ou
mai cultivas. Explique o mmivo de a prática prod utiva em termos da fo rma da C PP e da razão de
lucro de produto.
Para doi in umos cmclhantes. como fare lo de soja e farelo de algodão e m uma ração a nimal. você
e pcraria que a razão de substitui ção fosse praticamente constante ou caísse abruptamente quando u m
insumo é substi tuído pelo outro? Por quê?
PÍTUL0 g
Conceitos de
custo em economia

Objetivos do capítulo
1. Explicar a importância do custo de opor- 4. Identificar custos fixos e mostrar como
tunidade e sua utilização na tomada de calculá-los.
decisão gerencial. 5. Demonstrar o uso de custos fixos e variá-
2. Esclarecer a diferença entre curto prazo e veis na tomada de decisões de produção
longo prazo. de curto prazo e de longo prazo.
3. Discutir a diferença entre custos fixos e 6. Explorar economias e deseconomias de
variáveis. tamanho e como elas ajudam a explicar
mudanças em tamanho do estabeleci-
mento e lucratividade.

Uma boa compreensão dos custos de produ- CUSTO DE OPORTUNIDADE


ção é importante na economia e muito útil
para tomar decisões gerenciais. Custos po- Custo de oportunidade é um conceilO econô-
dem ser classificados de diferentes maneiras, mico, e não um custo que e encontra no li ro-
dependendo se são fixos ou variáveis e de -razão de um contador ou em uma declaração
caixa (monetários) ou não. Custo de oportu- de imposto de renda. No entanto, é um concei-
nidade é outro tipo de custo que não consta to importante e bá ico, que deve er levado em
nas despesas contábeis do negócio, mas é consideração ao tomar deci ões gerenciai . O
um custo econômico importante, de qualquer cus to de oportun idade e fundamenta no fato
maneira. Ele será muito usado nos capítulo de que, apó um ativo er adquirido, ele pode
posteriores, sendo o primeiro custo discutido ter um ou mai u o al ternativo . Apó~ o ali o
neste capítulo. ser comprometido com um determinado u ·o,
142 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

não e tará mai di ponível para um u o alter- Gestão


nativo, e perde- e a renda ad inda da alterna- A gc tão é o proce o de tom ar e executar
tiva. deci õe ; é diferente da mão de obra física usa-
O u to de oportunidade pode er defi ni- da na agropecuária. O custo de o portunidade
do de uma entre dua maneira : da ge tão é difíci l de e limar. P o r exemplo,
1. renda que poderia ter ido obtida com qual é o valor de ge tão por acre de planta-
a venda ou o aluguel do in umo a ou- ção? Geralmente, usa- e uma po rce ntagem de
trem; ou todo o outro cu to , o u a re nda bruta por
2. A renda e ·tra que teria ido recebida e o acre, mas qual é a porcentagem certa? Em ou-
in umo tives e ido utilizado em eu u o tro casos, é preciso um c u to de oportunidade
alternativo mai lucrativo. anual de ge tão. Ne se e e m outros casos, o
anali ta deve tomar cuidado para cxc1uir a mão
E ta última definição talvez eja a mai co- de obra da e timativa. Por exe mplo, se o cus-
mum, mas amba devem ser lembrada quan- to de oportunidade da mão de obra é es timado
do o ge tor toma deci õe obre u o de in u- em US$ 30.000 por ano, e a pessoa poderia
ma . O cu to real de um in umo pode não er con eguir um trabal ho de "ges tão" que paga-
eu preço de compra. Seu cu to real, ou cu to ria USS 40.000 por a no, o custo de oportuni-
de oportunidade, em qualquer u o e pecífico dade da gestão é estimado como a diferença,
é a renda que ele teria auferido em eu me- US$ 10.000 por ano. O custo de oportunidade
lhor u o alternativo. Se ele for maior do que da mão de obra mais o da gestão não pode ser
a renda esperada do u o planejado do in u- maior do que o salário total no melhor trabalho
ma, o ge tor deve recon iderar a decisão: a alternativo. É di fíc il estimar o custo de opor-
alternativa parece er um uso mai lucrativo tunidade da gestão, então os custos de opor-
do in umo. tunidade de mão de obra e gestão são, muitas
Custo de oportunidade ão muito u ado vezes, combinados em um só valor.
em anáJi e econômica. Por exemplo, o cu to
de oportunidade da mão de obra, gestão e ca- Capital
pital de um operador rural ão util izados em
O capital apresenta um grupo diferente de
vários tipos de orçamentos empregados para
problemas na estimativa de custos de opor-
a nalisar a lucratividade do e tabelecimento
tun idade . Há usos d e ma is para o c apital, e
agropecuário.
geralmente um espectro g rande de possíveis
retornos. Contudo, uso s alternativos de capital
Mão de obra com retornos esperados maiores podem trazer
O custo de oportun idade da mão de obra do um grau maior de risco, também. Para evitar o
operador ru ral (e talvez da mão de obra de problema de identificar um uso c om um ní e l
o utros parentes não remu nerado ) seria o comparável de risco , o c us to de oportunidade
q ue essa mão de obra renderia em seu me- do capi tal rural geralme nte é ig ualado à taxa
lhor u o al ternat ivo. Esse uso al tern ativo de j uros da po upança ou ao c usto corre nte do
poderia er emprego não rural, mas, depe n- capital emprestado. Isso pressupõe que o capi-
dendo das habilidades, qu alificação e expe- tal investido em um e mpreendime nto agrícola
riência, pode também er emprego em outro o u pecuário poderia ter ido de pos itado e m
empreendimento agrícola o u pecuário. A l- poupança ou util izado para p agar dívida e n-
gun operadore dizem q ue seu próprio te m- cid a. Isso representa um c us to d e oportuni-
po é ·'gratuito", mas ele deve ser valorado ao dade mínimo, sendo uma a bordagem um tanto
meno tão alto quanto o valor q ue eles dão a conservadora. Se a re ntab ilidade espe rada de
e u tempo de lazer. um investimento com nível comparável de ris-
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 143

co puder ser determinada, seria adequado usar


- /, .
total pode ser despesas nao moneUtnas, como
essa taxa ao analisar investimentos rurais. mostrado na Tabela 9- 1.
Um problema especial é como determi- Depreciação e custos de oportunidade são
nar o c usto de oportunidade do serviço anu- sempre despesas não monetárias, pois não há
al fornecido por insumos de vida útil longa, um dispênd io anual em caixa para eles. Con-
como terra, prédios, animais reprodutores e sertos e impostos imobi liários são sempre des-
máquinas. Talvez seja possível usar preços de pesas de caixa, e j uros e seguros podem ser
alugue l para terra e serviços de maquinário. qualquer um dos dois. Se for tomado dinheiro
E ntretanto, isso não fu nciona bem para todos emprestado para comprar um ativo, haverá
esses itens, e o custo de oportunidade desses despesa de juros em caixa.
insumos, muitas vezes, deve ser dete rminado
pelo uso alternativo mais lucrativo do capital
neles investido fora do negócio ruraJ. Esse é o Tabela 9-1 Itens de despesa monetária e
custo real ou verdadeiro de usar insumos para não monetária
prod uzir produtos agropecuários. Despesa
Alguns ativos rurais, como máquinas, Despesa não
edificações, cercas e equipamento pecuário, Item de despesa monetária monetária
perdem valor ao longo do tempo - eles depre- X
Depreciação
ciam. O custo de oportunidade deles deve ser
aj ustado todo ano, multiplicando-se a taxa de Juros (capital próprio) X
retorno do custo de oportunidade pelo valor Juros (capital X
pelo qual o ativo poderia ser vendido, também emprestado)
c hamado de valor residual. Às vezes, uma Valor da mão de obra X
análise de investimento de longo prazo usa o do operador
valor residual médio de um ativo ao longo da Salário da mão de obra X
sua vida útil para calcular o custo de oportuni- con1ratada
dade de se investir capital nele. Isso será ilus-
Ração produzida no X
trado mais adiante no capítulo. estabelecimento
Ração comprada X
DESPESAS MONETÁRIAS Terra própria X
E NÃO MONETÁRIAS Terra arrendada à vista X
Sementes, fertilizan te, X
Custos fixos podem ser despesas monetárias
cornbusúvel, reparos
(caixa) ou não monetárias (não caixa). E les
pode m facilmente ser ignorados ou subesti- Impostos patrimoniais, X
seguro
mados, pois uma grande parte do custo fi xo

Quadro 9-1 Despesas monetárias e não monetárias

Distinções entre despesas monetárias (caixa) brir as despesas circulantes. No entanto, se se


e não monetárias (não caixa) não Implicam quer que o negócio sobreviva, prospere, subs-
que as despesas não monetárias sejam me- titua ativos de capital e obtenha lucro econô-
nos Importantes do que as monetárias. No mico, a renda deve bastar para cobrir todas as
curto prazo, despesas não monetárias signi- despesas no longo prazo.
ficam que é necessário menos caixa para co-
144 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

Quando o i1cm é adquirido in1cirnmcn1e Curto prazo e longo prazo


com o apitai pr prio do omprador, o valor Ante de esses c ustos serem di scutidos em
equivalente ao juro · cria o cus10 de opor- mais detalhe , é preciso di stinguir entre o qu e
tunidade de. e capi1al, não havendo paga- os economi ta chamam de curto prazo e lo n-
mcn10 em caixa a um mu1uantc. O eguro go prazo. E les ão conceitos cronológico ,
ria uma de pc a de caixa e fo e reali - ma não são definidos como períodos fixos de
zado com uma cguradora ou não monclári a tempo no calendário. Curto prazo é o período
e o ri · co do prejuízo fo se a, um ido pelo em que a quantidade di ponível de um ou m ais
proprietário. e 1e último exemplo, não ha- in umo de prod ução é fixa e não pode ser
veria di pêndio an ual de caixa, ma o pre- alterada. Por exempl o, no início da época de
ço do cguro ainda a im eria inclu ído no planti o, pode er tarde demais para aumentar
cu · to fixo para cobrir a po ibilidade de ou diminuir a quantidade de terra de cultivo
dano ou perda do item por cau a de in cên- própria ou arrendada. O ciclo atual de produ-
dio, tempc tade, roubo, e tc. ção agríco la eria um pe ríodo de curto prazo,
Algun cu 10 variávei podem er cu - poi a quantidade de terra à disposição é fixa.
Lo não monetário também. Quando ão Ao longo de um período maior, pode-se
produzido culti vo para alimentar ani mai comprar, ender ou arrendar terra, ou o prazo
produzido no me mo e tabelecimento, não do arrendamentos pode acabar, fazendo com
há di pêndio de caixa, como seria oca o para que a quantidade de terra disponível aumente
ração comprada. Entretanto, há um cu to ou diminua. Longo prazo é definido como o pe-
de oportunidade igual à receita que poderia ríodo em que a quantidade de todos os insumos
ter ido recebida com a venda do cultivo no produtivos necessários pode ser alterada. No
mercado. longo prazo, o negócio pode expandir, adqui-
rindo mai insumos, ou desaparecer, vendendo
todos os seus insumos. Gestores e empregados
CUSTOS FIXOS, VARIÁVEIS podem chegar ou ir embora. O comprimento
E TOTAIS real do longo prazo no calendário, assim como
do curto prazo, varia de acordo com a situação
Di ver o importan1es conceitos de custo fo- e as circunstâncias . Dependendo de quais insu-
ram apresentado no Capítu lo 7. Sete concei- mos ão fixo , o curto prazo pode ir de vários
tos útei de c usto e sua abreviatura são: dias a vário anos. Um ano ou um ciclo produ-
1. Custo fixo 101al (CFf) tivo agrícola ou pecuário são períodos de curto
prazo comuns na agropecuária.
2. C u to fixo médio (CFMe)
3. Custo variável total (CYT)
4 . Cu to variável médio (CYMe)
Custos fixos
5. Cu to total (CT) Os custos associados à propriedade de um insu-
6. Cu to total médio (CTMe) mo fixo são chamados de custos fixos. São os
custos que incidem mesmo se o insumo não é
7. Cu to marginal (CMg)
usado. Depreciação, seguro, impostos (imposto
E ses cu tos estão relacionado ao produto. imobiliários, e não de renda) e taxa de juros são
Cu to marginal , também e tudado no Capítu- os custos comuns que se consideram fixos. Re-
lo 7, é o custo adicional de produzir uma uni - paros e manutenção também podem ser incluí-
dade adic ional de prod uto. Os demais são o u dos como custo fixo . (Vide Quadro 9-2.) Custo
o c usto total, ou o custo un itário de produzir fixos não mudam com as mudanças do nfvel de
uma dada quantidade de produto. produção no curto praz o, mas pode m mudar no
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 145

longo prazo à medida que a quantidade do insu- em que a taxa de juros é o custo do capital
1
mo fixo variar. Por definição, não é preciso que para o estabelecimento agropecuário. Essa
q haja recursos fixos próprios no longo prazo, en- equação informa os juros cobrados pelo va-
tão custos fixos existem apenas no curto prazo. lor médio do item ao longo de sua vida útil,
Outra característica dos custos fixos é que refletindo seu decréscimo em valor ao longo
eles não estão sob o controle do gestor no cur- do tempo. A depreciação está sendo cobrada
to prazo. Eles existem, e ficam no mesmo ní- para dar conta desse declínio em valor. Para
vel a despeito de quanto do recurso é usado. O encontrar o custo de juros do ano atual, em vez
único jeito de evitá-los é vender o item, o que do custo médio ao longo de toda a vida útil do
pode ser feito no longo prazo. ativo, util ize a seguinte fórmula:
Custo fixo total (CFf) é a soma dos di-
Juros= Valor atual do ativo x Taxa de juros
versos tipos de custos fixos. Calcular o CFf
anual médio para um insumo fixo exige que se Outros custos de propriedade de recursos
obtenha a depreciação anual média e os custos fixos, como impostos imobiliários e seguro,
de juros, entre outros. O método de deprecia- podem ser estimados como uma porcentagem
ção linear exposto no Capítulo 4 também dá a do valor médio do ativo ao longo de sua vida
depreciação anual média a partir da seguinte útil (custo de longo prazo) ou de seu valor
equação: atual (custo do ano corrente). A quantia mo-
netária efetiva de custo pago ou a ser pago em
. _ Preço de compra - Valor residual
Depreciaçao = - - - - - - -- - - - -- impostos e seguro também pode ser usada.
Vida útil Como exemplo, imagine a compra de
uma colheitadeira por US$ 120.000, com um
em que o preço de compra é o custo inicial
valor residual de US$ 50.000 e uma vida útil
do ativo, vida útil é o número de anos pelos
de 5 anos. Estimam-se os impostos imobi-
quais se possuirá o item e valor residual é seu
liários anuais em US$ 400 e o seguro anual
valor esperado no fim dessa vida útil. Embora
em US$ 500, e o custo do capital é de 8%.
possam ser utilizados outros métodos para es-
Aplicando-se esses valores e as duas equaçõe
timar a depreciação para cada ano da vida útil
precedentes, obtém-se o seguinte custo fixo
do ativo, como exposto no Capítulo 5, essa
total anual:
equação sempre pode ser usada para obter a
depreciação anual média. Valor médio USS 120.000 +50.000
O capital investido em um insumo fixo 2
= uss 85.000
tem um custo de oportunidade, então os juros
sobre esse investimento também são incluídos Juros = US$ 85.000 X 8% = uss 6. 00
como parte do custo fixo . Entretanto, não é Depreciação US$ 120.000 - 50.000
correto aplicar juros sobre o preço de com- = _
.) ano
= uss 14.000
pra ou custo original de um ativo depreciável Impostos 400
todo ano, pois seu valor está caindo ao longo Seguro 500
do tempo. Portanto, o componente de juros do Custo fixo total anual US$ 21.700
custo fixo total costuma ser calculado a partir
das seguintes fórmulas: 1
Essa equaç ào e' muito
. usada. mas é apena uma boa apro-
ximação do verdadeiro c us10 de oponunidade. O mé10-
Valor médio Preço de compra + Valor residual
dos de l\!cupernçilo de capitul di cutido no Cnpítulo 17
do ativo =-- - - - -2- - - -- - podem ser usados para obter o mon1ante verdadeiro. que
combinn dep1~ciaçilo e juros em um ó valor. E se valor
recupera o investimen10 no ativo. mais j uro- compostos
Juros= Valor médio do ativo x Taxa de juros ao longo de sua vida útil.
146 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

' .
Quadro 9-2 Reparos como custo fixo?

Reparos, às vezes, são encontrados em Na prática, todos os reparos de maqui-


listas de custos fixos. Porém, reparos ge- nário costumam ser considerados custos va-
ralm ente aumentam à medida que o uso riáveis, pois a maioria dos consertos se faz
do ativo aumenta, o que não se encaixa na necessária pela utilização. Reparos em cons-
definição de custo fixo. O argumento para a truções provavelmente serão registrados como
inclusão de reparos nos custos fixos é que é custo fixo. Esses consertos derivam mais fre-
necessário um nível mínimo de manutenção quentemente da manutenção de rotina cau-
para manter o ativo em condições de traba- sada por tempo e intempérie do que do uso.
lho, mesmo se ele não estiver em utilização. Isso se aplica especialmente a Instalações de
Logo, essa despesa de manutenção está armazenagem e muitos prédios de uso geral.
mais para um custo fixo. O problema prático Para fins de conveniência, todos os custos de
disso é calcular qual parte da despesa total reparo serão classificados como custos variá-
com reparos e manutenção do ativo deve ser veis quando desenvolvermos orçamentos nos
....
um custo fixo. capítulos posteriores deste livro.

Os cu to fixo totai s anuai ão qua e ção. Itens como ração, fertilizante, sementes,
209é do preço de compra. Em geral, o custos pesticidas, combu tível e despesas veterinárias
fixo anuai s totai perfazem de 1517c a 25% do ão exemplo de custos variáveis. O gestor tem
preço de compra de um ativo depreciável. controle sobre essas despesas no curto prazo, e
O cu to fixo pode er exprc ado como elas não ão realizadas se não há produção.
um cu sto médio por unidade de produto. O O custo variável total (CVT) pode ser en-
cu to fixo médio (CFMe) é obtido por mei o contrado somando-se os custos variáveis indi-
da segui nte equação: viduai , sendo cada um deles igual à quantida-
de do in umo usado vezes seu preço. O custo
CTT
CFMe = ariável médio (CVMc) é calculado por meio
Prod uto
da seguinte equação:
em que o produto é medido em unidade físicas,
CVT
como bushels, fardo ou qui ntais curto . A cres CVMe= - --
ou horas, muitas vezes, ão usado como a me- Produto
dida de produto para máq ui nas, embora não
em que o produto é novamente medido em uni -
sejam unidades de produção. Por definição,
dades físicas. O custo variável médio pode ser
o CTT é um val or fixo ou constante; logo, o
crescente, constante ou decrescente, dependen-
CFMe cai continuamente à medida que o pro-
do da função de produção que lhe serve de fun-
duto aumenta. U m modo de abai xar o custo
damento e do nível de produto. Para a função
unitário de produzir uma dada co111111odity é
de produção ilustrada na Figura 7-2, o CVMe
extrair mais prod uto do recur o li xo. Isso sem-
começa caindo quando o produto é aumentado,
pre diminui o CFM e por unidade de produto.
e depois aumenta, começando no ponto no qual
o produto físico médio começa a cair.
Custos variáveis Existem custos variáveis tanto no cur-
Custos variávei são aquele obre os quai o to quanto no longo prazo. Todos os custo
gestor tem controle em um dado momento. Ele podem ser considerados variáveis no longo
podem ser aumentados ou diminuídos a critério prazo, poi s não há in sumos fixos. A distin-
do gestor, subi ndo com a ampli ação da produ- ção entre custos fixos e variáveis também de-
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 147

pende do momento exato em que a próxima 6CT 6CVT


decisão será tomada. Fertilizante costuma ser CMg = - - - ou CMg =
6 Produto 6 Produto
um custo variável. Ainda assim , após ser com-
prado e aplicado, o gestor não tem mais ne- Ele também é igual à mudança no custo variá-
nhum controle sobre o taman ho desse gasto. vel total dividida pela mudança no produto. CT
E le deve ser considerado um custo fixo pelo = CFT + CVT, e o CFT é constante; assim, o
restante da safra, o que pode afetar decisões único jeito de o CT mudar é com uma mudança
futuras durante o período da safra. Custos de no CVT. Portanto, o CMg pode ser calculado
mão de obra e arrendamento de terra à vista de ambos os modos, com o mesmo resultado.
são exemplos semelhantes. Após um contrato
de trabalho ou de arrendamento ser firmado, o
gestor não pode alterar o montante de dinhei- APLICAÇÃO DOS CONCEITOS
ro empenhado, e o salário ou aluguel deve ser DE CUSTO
considerado um custo fixo por todo o prazo do
contrato. Custos que são fixos porque já foram A Tabela 9-2 é um exemplo de algumas cifras
incorridos ou pagos são ocasionalmente cha- de custo para o problema comum de determi-
mados de custos irrecuperáveis. nar a taxa de lotação maximizadora de lucro
para bois em uma quantidade fixa de pasta-
gem. Ela ilustra muitos problemas simjlare
Custos totais
em que a compreensão do diferentes concei-
O custo total (CT) é a soma do custo fixo to- tos e relações de c us to aj uda o gestor no pla-
tal com o custo variável total (CT = CFT + nejamento e na tomada de deci ão.
CVT). No curto prazo, ele sobe só quando o O tamanho do pasto e a quantidade de
CVT sobe, pois o CFT é um valor constante. forragem disponível são ambo limi tados;
O custo total médio (CTMe) pode er obtido a im, acrescentar mais bois acabará fazendo
por meio de dois métodos. Para um dado nível com que o ganho médio de pe o por boi caia
de produto, ele é igual a CFMe + CVMe. Ele ao longo de um período fixo. Isso e reflete
também pode ser calculado por meio da eq ua- em retorno decrescentes e em um PFlvlo em
:::::
ção abaixo: queda quando mai de 30 boi ão colocado
CT no pasto. Os quintai curto de carne vendido
CTMe = - - - des e pasto continuam cre cendo, mas a uma
Produto
taxa decre cente à medida que mai boi~ di -
o que dá o mesmo re ultado. O custo total putam a forragem limitada.
médio geralmente erá decre cen te em nívei O c u to fixo tota i ão fixado em
baixo de produto, já que o CFMe está cain- US$ 5.000 ao ano ne e exemplo. I o cobriria
do rapidamente e o CVMe tal vez esteja cain- o cu to de oportunidade anual da tem1 e demai
do também. Em níveis maiore de produto, o benfeitoria , deprec iação de cerca e in tala-
CFMe estará diminuindo menos rapidamente, çõe hídricas e ' eguro. O cu to ariávei ão
e o CVMe acabará aumentando, e a uma taxa fixados em US$ 495 por boi (boi ão o um o
mais veloz do que a taxa de aumento do CFMe. insumo variável de e exe mplo). l ' o inclui o
Essa combinação faz com que o CTMe suba. c u to do boi, Lran ' porte, de pc a ve terinária .
raç ão, juro obre o inve time nto no boi e de-
Custos marginais mai de pe a que aumentam Jiretamente j un-
to co m o número de boi adquirido .
O c us to marginal (CMg) é definido como a O número. de c u to total e m~dio da
mudança no custo total dividida pela mudança Tabela 9-2 po · ucm o padrão comu m ou e ·-
no produto: pcrndo à medidn qu ' ·e aument·1 a produção
148 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

ou o produto. O cu to fixo total permanece lucro de insumo e produto para esse exemplo.
on tantc por defini ão, enquanto tanto o Quando o CMg é maior que a RMg, o custo
CVT quanto o CT e. tão crescendo. O custo adicional por quintal curto de carne produzi-
fixo médio cai velozmente no início e depoi do a partir dos 1O bois extras é maior do que
continua caindo, ma a uma taxa menor. O a renda adicional por quintal curto. Portanto,
cu _to variável médio e o cu to margi nal ão colocar 70 bois no pasto resultaria em menos
con ·tantc enquanto o número de boi sobe de lucro do que colocar 60 bois.
O a 30. e dcpoi começam a aumentar. O ponto maximizador de lucro dependerá
do preço de venda (ou RMg) e do CMg. Os pre-
Produto maximizador de lucro ços de venda mudam frequentemente, e o CMg
pode mudar com alterações do custo variável
O nível de produto maxim izador de lucro foi (principalmente por causa de alteração no custo
definido no Capítulo 7 como e tando onde do boi, no caso). Os valores da coluna CMg in-
RMg = CMg, mas es e ponto exato não exi - dicam que o número mais lucrativo de bois seria
te na Tabela 9-2. Entretanto, o CMg é inferior 70 e o preço de venda for superior a US$ 90,00,
à RMg quando se passa de 50 para 60 bois, ma inferior a US$ 99,00. O número cairia para
mas é uperior à RMg quando e passa de 60 50 boi se o preço de venda caísse para qualquer
para 70 bois. I so torna 60 bois e 420 quintai ponto entre US$ 76, 15 e US$ 82,50. Como mos-
curto de carne o níveis maximizadores de trado no Capítulo 7, os níveis maximizadores de

Quadro 9-3 Mão de obra é um custo variável ou fixo?

O custo da mão de obra usada na agropecu- zes ocorre com mão de obra não remu-
ária nem sempre é fácil de classificar como nerada por parte do operador, e se usá-la
custo variável ou custo fixo. A mão de obra só em um empreendimento reduz a mão de
é usada se um determinado empreend imento obra à disposição para outro empreendi-
é realizado, e a quantidade de mão de obra mento, então ela pode ser considerada
utilizada depende do tamanho do empreendi- um custo variável.
mento. Isso se encaixa na definição de custo 4. Se há recursos laborais permanentes
variável. Por outro lado, os recursos de mão em oferta excessiva, Isto é, eles não
de obra devem ser pagos a despeito de quan- possuem um custo de oportunidade s ig-
to trabalho foi executado, e certos serviços nificativo, eles podem ser tratados como
rurais, como escrituração e manutenção, têm recursos fixos, sendo seu custo ignorado
que ser feitos sem depender de quais empre- na análise de curto prazo.
endimentos são realizados.
Podem ocorrer diversas situações: Alguns produtores utilizam os custos de sus-
tento familiar como uma estimativa do valor
1. A mão de obra é contratada somente con- da mão de obra não remunerada. Embora as
forme necessária, sendo paga por hora, retiradas feitas para o sustento da família de-
dia ou quantidade de trabalho realizado. vam constar no orçamento dos fluxos de caixa
Neste caso, é um custo variável. (consulte o Capítulo 13), a quantia retirada de-
2. A mão de obra recebe um salário fixo, a pende do tamanho da família, padrões de con-
despeito de quanto é usada, caso em que sumo, localidade e outras fontes de renda d is-
pode ser considerada um custo fixo, ao poníveis. Contudo, não há razão para crer que
menos pelo prazo do contrato de trabalho. os custos de sustento reflitam precisamente o
3. Se a mão de obra é avaliada pelo seu custo econômico da mão de obra utilizada na
custo de oportunidade, como muitas ve- operação agropecuária.
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 149

lucro de insumo e produto sempre dependem 360 quintais curtos. O CTMe por quintal curto
dos preços do insumo e do produto. nesse ponto é de US$ 82,64, o que significa-
ria uma perda de US$ 4,64 por quintal curto
Lucro total (US$ 78,00 - US$ 82,64 = -US$ 4,64), ou uma
Para o preço de venda de US$ 87,50 por quin- perda total de US$ 1.670,40 (US$ 4,64 x 360
tal c urto e uma taxa de lotação de 60 bois, a RT quintais curtos). O que o gestor deveria fazer
é de US$ 36.750 (420 quintais curtos x US$ nessa situação? Devem ser comprados bois se
87,50), e o CT é de US$ 34.700, deixando um o preço de venda esperado for menor do que o
lucro de US$ 2.050. Para um preço de US$ CTMe, resultando em uma perda?
78,00, contudo, a regra RMg = CMg indica A resposta é "sim" para algumas situações
um ponto maxi mizador de lucro de 50 bois e e "não" para outras. Os dados da Tabela 9-2 in-

Tabela 9-2 Ilustração de conceitos de custo aplicados a um problema de taxa de criação•


Custos totais Custos médios Custos marginais
Produto
(quintal CFMe CVMe CTMe CMg RMg Lucro
Número curto de CFf CVT CT (US$)/ (US$)/ (US$)/ (US$)/ (US$)/ total
de bois carne) PFMg (US$) (US$) (US$) cwt cwt cwt cwt cwt (US$)

o o 5.000 o 5.000 (5,000)


7,5 66,00 < 87 ,50
10 75 5.000 4.950 9.950 66,67 66,00 132.67 (3.387)
7,5 66,00 < 87,50
20 150 5.000 9.900 14.900 33,33 66,00 99,33 ( 1.775)
7,5 66,00 < 87,50
30 225 5.000 14.850 19.850 22,22 66,00 88,22 (162)
7,0 70,71 < 87,50
40 295 5.000 19.800 24.800 16,95 67, 12 84,07 1.012
6,5 76, 15 < S7.50
50 360 5.000 24.750 29. 750 13,89 68,75 82,64 !.TO
6,0 82,50 < 7.50
60 420 5.000 29.700 34.700 11,90 70,71 82,62 2.050
5,5 90,00 > 1.-0
70 475 5.000 34.650 39.650 10,53 72,95 83.47 1.912
5,0 99,00 > S7,50
80 525 5.000 39.600 44.600 9,52 75,43 84,95 1.337
4,5 110,00 > 1,-0
90 570 5.000 44.550 49.550 8, 77 78, 16 6,93 32
4,0 123,T > 7.50
100 6 10 5.000 49.500 54.500 8,20 1,15 '9,34 ( 1.125)
• O custo fixo 10 1al é USS 5.000, e os custos vnriáv~is silo USS -195 por boi. ssume-sc que o pn:ço de venda do bois é de
USS 87,50 por quintal c urto.
150 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

dicam que haveria uma perda igual ao CTT de Regras de produção


U 5.000 se não fo. sem comprado boi . Esse para o curto prazo
prejuí7o ocorreria no curto prazo. con1an10 que A discus ão anterior leva a trê regras para tomar
a terra fo se própria. Ele poderia er evitado no decisõe de produção no curto prazo. São elas:
longo prazo vendendo-se a terra. o que elimina-
na o u to lixos. Porém, o custo !ixo. não 1. O preço de venda esperado é maior do
podem er evitados no curto prazo. e a pergun- que o CTMe mínimo (preço de venda de
ta rclernn1e é: pode-se obter lucro ou reduzir a US$ 87,50 na tabela que segue). Pode- e
perda para mcno que U S 5.000 no curto pra- obter e maximizar o lucro produzindo- e
zo comprando-se algun bois? Não devem er onde RMg = CMg.
comprado boi sei o resultaria em uma perda 2. O preço de venda esperado é inferior ao
maior que U 5.000, pois a perda pode er mi- CTMe mínimo, mas superior ao CVMe
nimizada a U 5.000 não comprando nenhum. mínimo (preço de venda de US$ 78,00 na
O cu tos variáveis estão sob o controle do tabela que segue). A perda não pode ser
ge tore podem ser [Link] a zero não com- evitada, mas é minimizada prod uzi ndo-se
prando nenhum boi. Portanto, só devem incidir no nível de produto em que RMg = CMg.
cu to variávei e o preço de venda esperado A perda ficará em algum ponto entre zero
for ao menos igual ou maior que o CVMe mí- e o custo !ixo total.
nimo. Isso gerará receita total suficiente para 3. O preço de venda esperado é inferior
cobrir o custos variávei lotais. Se o preço de ao CVMe mínimo (preço de venda de
venda for maior do que o CVMe mínimo, ma US$ 63,00 na tabela que segue). A perda
menor do que o CTMe mínimo, a renda cobrirá não pode ser evitada, mas é minimizada não
10do os cu tos variáveis, com um resto para se produzindo. A perda será igual ao CFf.
pagar parte dos custos fixos. Haveria uma per-
da. mas ela seria menor que US$ 5.000 nes e
Preço de úmrro
exemplo. Para responder à pergunta anterior: ,·enda de bois :i Rrceitn Custos Lucro
sim, devem ser comprados bois quando o preço (USS/c"1) comprar total (USS) totais (USS) (USS)
de venda mínimo for menor que o CTMe mí-
uss 87.50 60 uss 36.750 uss 34.700 uss 2 050
nimo, mas somente e estiver acima do CVMe
mínimo. Essa ação resultará em uma perda,
uss 78.00 50 USS 28.080 USS 29.750 -USS 1.670

ma ela será menor do que a perda que ocorre- uss 63.00 o USS O USS 5.000 -USS 5.000

ria e não fossem comprados bois.


Se o preço de venda esperado for infe- A aplicação dessas regras é ilustrada grafica-
rior ao CVMe mínimo, a receita total será mente na Figura 9-1. Com um preço de venda
inferior ao CVT: haverá uma perda, e ela igual a RMgi, a interseção de [Link] e CMg está
será maior que US$ 5.000. Nessas condi- bem aci ma do CTMe, e está sendo obtido lucro.
ções, não devem ser comprados bois, o que Quando o preço de venda é igual a RMg 2 , a ren-
minimizará a perda a US$ 5.000. Na Tabela da não será suficiente para cobrir os custos to-
9-2, o CVMe mai s baixo é US$ 66,00, e o tais, mas cobrirá todos os custos variáveis, com
CTMe mai s baixo é US$ 82,62. A perda se- um resto para pagar parte dos custos fixos. Nes-
ria minimizada não comprando bois quando sa situação, a perda é minimizada produzindo-
o preço de venda esperado fosse menor que -se onde RMg = CMg, pois a perda será inferior
US$ 66,00 e comprando bois quando o preço ao CTT. Se o preço de venda fosse baixo como
de venda esperado estivesse entre US$ 66,00 RMg3, a renda sequer cobriria os custos variá-
e US$ 82,62. Nesta última situação, o nível veis, e a perda seria minimizada interrompendo-
de produto minimizador de perda está onde -se completamente a produção. Isso minimi w-
RM g = CMg. ria a perda a um valor igual ao CFf.
Capítulo g Conceitos de custo em economia 151

Custo total médio

Custo variável médio

Produto

Figura 9-1 Ilustração de decisões de produção de curto prazo.

Regras de produção para duzir ou não é tomada, como quando há um


o longo prazo contrato a termo disponível. Na maior parte do
tempo, contudo, o gestor precisa decidir com
As três regras de decisão de produção se apli-
base em uma previsão ou estimativa do preço
cam somente ao curto prazo, em que existem
de venda final. No Capítulo 15, serão di cuti-
custos fixos. E quanto ao longo prazo, em que
das algumas técnicas que o gestor pode utilizar
não há custos fixos? Perdas contínuas sofridas
para lidar com o efeito de preço incerto .
pela produção no longo prazo acabarão levan-
do a firma à falência.
Só há duas regras para tomar decisões de ECONOMIAS DE ESCALA
produção no longo prazo:
1. O preço de venda é maior que o CTMe Economi ta e gestores se intere am pelo
(ou a RT é maior que o CT). Continue tamanho do estabelecimento rural e pela rela-
produ zindo, porque está sendo obtido lu- ção entre custos e escala, por diver a razões.
cro. Esse lucro é maximizado produzin- Seguem exemplos de pergunta relacionada
do-se no ponto em que RMg = CMg. a e cala e cu tos: Qual é o tamanho de e ta-
2. O preço de venda é menor que o CTMe belecimento mai lucrativo? E tabelecimen-
(ou a RT é menor que o CT). Haverá uma tos maiore produzem alimento e fibra - mai
perda contínua. Pare a produção e venda barato ? Estabelecimento grande ão mai
os ativos fixos, o que elimina o custos eficiente ? O e tabelecimento familiare de-
fixos. O dinheiro recebido deve ser inves- saparecerão e erão ub tituído por grande
tido em uma al ternaliva mais lucrativa. e tabelecimento corporativo ? O número de
agropecuari ta e e tabelecimento continuará
Isso não quer dizer que os ativo devem ser caindo? A re po ta a e a pergunta depen-
vendidos na primeira ocorrência de perda. dem, ao menos em parte, do que a ontece com
Perdas de cw"to prazo ocorrem sempre que há o cu to e o cu to unitário de produto à medi-
uma queda temporária no preço de venda. A da que o e tabelecimcnto aumenta de tamanho.
regra número doí para o longo prazo ó deve Primeir : como e mt:de o tannnho do e -
ser invocada quando a queda de preço parece tabclccimento? úmero de animais, número
cr duradoura ou permanente. de acre , número de trabalhad re - l.!111 turno
Em alguns caso , o preço ele venda é co- integral. patrimônio, ati os lotai. , lucro c ou-
nhecido no momento cm que a deci ão ele pro- tros futorc · ·ão u ado. para medir tamanho, e
152 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

10dos po - uem uas vantagen e de, vantagen . . duza a q uan tidade Oa. E ntre tanto, e ssa pode
Por exemplo, o número de a rc é uma medida não cr a q uanti dade maximi zadora de lucro,
omum e conveniente de tamanho de e, 1ahcle- pois o lucro é max imi zad o no nível de produ-
imen10. nu- só deve . er u. ada para comparar to cm que a receita marg ina l é ig ua l ao c u to
tamanh o de c -1abeleci mcnto cm um a região marginal. A receita margi nal é ig ual ao preço
gcográfi a onde o tipo de e 1abeleci men10, o, do produto, então um preço de P' fari a com
tipo de -olo e o clima ão cmelhante . Por q ue o lucro fo e maximi zado produ z indo- e
e ·emplo, 100 a re de hortaliça irrigada na a quantidade de Ob. U m preço m aior o u menor
alifórnia não po. uem a me ma e cala de faria com que o produto c resce se o u d imi-
opera ão de 100 acre de terra árida nativa no nuís e para corre ponder ao po nto e m que o
E -1ado vizi nho de Arizona ou evada. novo preço é igual ao custo marg ina l.
Em irtude de um ins um o fixo , como a
Escala no curto prazo terra, o prod uto só pode ser a ume nta do no
curto prazo intcn ificando-se a produção. Isso
o curto prazo. a quantidade de um ou mai
ig nifica que mai insum os variáveis, c o m o
in uma é lixa, om a terra. mu ita vcze , en-
ferti lizante, q uím ico , água para irrigação,
do o in urna lixo. Dado e e in um o fixo, ha-
mão de obra e tempo de m aquinário, precisam
verá um a curva de cu 10 total médi o de curto
cr u ado . Porém , o ins umo fixo limitado
prazo, como exibido na Figura 9-2. A curva
tende a aumentar os cus tos m édio e marginal
de cu 10 médio de curto prazo co tumam ter
à medida que a produção é ampliada além de
forma de U. com o custo médi o aumentando
um certo ponto e um limite de produção abso-
no nívei [Link] de produção, pai o in u-
luta acaba sendo alcançado. Produção ex tra só
mo fixo limitado tom a a produção adicional
é po ível adq uirindo-se mais do insumo fi xo,
cada vez mai difícil, as im ampliando o cu to
um problema de lo ngo prazo .
médi o por unidade de produto.
Por que tõe de implicidade, o tam anho
é medido pela produção de um prod uto espe- Escala no longo prazo
cífic o na Figura 9-2. O produto pode ser gera- A economia do tamanho do esta be lecimento
do com o menor cu 10 unitário médio que pro- é mai interessante se a na lisada e m um con-
texto de lo ngo prazo. Isso d á ao gestor tempo
para aj ustar todos os ins umos ao nível que
re nderá o tamanho de esta be lecime nto d ese-
jado. Uma medida da re lação e ntre produto e
cu to à med ida q ue o tamanho do esta be le-
cimento aumenta é expre sad a pe la seguinte
razão:
p
r;; Mudança porcentua l d os c ustos
(/)
2. de curto prazo
o
;;;
M udança porce ntua l no valor d o produto
:::,
u Amba as m udanças são calcul a d as em
termo monetários, para q ue se po sa combi-
o B b nar o custo dos diversos ins umos e o valo r de
Escala (nível de produção) diver o produtos e m uma cifra. E se q uocien-
te pode ter três resultados possíveis, c ham ados
Figura 9-2 Tamanho do estabelecimento no de custos decrescentes, c us tos cons ta ntes ou
curto prazo. custos cre centes.
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 153

Valor dn razão Tipo de custo lecimentos agropecuários com um tamanho


em que os custos médios de longo prazo estão
<1 Decrescente
caindo têm um incentivo para se tomar maio-
=1 Constante
>1 Crescente
res. Estabelecimentos tão grandes, que seus
rl custos médios de longo prazo estão aumentan-
do têm menos incentivo para crescer, e logo
Esses três retornos poss íveis também
alcançarão seu tamanho maximizador de lucro
são denominados, respectivamente, retornos
de longo prazo, se é que já não o alcançaram.
crescenles da escala, retornos constantes da
escala e retornos decrescentes de escala. Cus-
tos decrescentes significam relornos crescen- Causas das economias de escala
tes de escala, e vice-versa. Essas relações são Muitos es tudos de estabelecimen tos rurais
mostradas na Figura 9-3 usando a curva de norte-americanos documentaram a existência
custo médio de longo prazo por unidade de de economias de escala ao menos dentro de
produto. Quando ocorrem custos decrescen- um espectro ini cial de tamanho. O que nem
tes, o custo médio por unidade de produto sempre é claro são as causa exatas desses cus-
é decrescente, de forma que o lucro médio tos médios menores à medida que o tamanho
por unidade de produto é crescente. Portan- cresce. Seguem algumas possíveis razões das
to, diz-se que existem retornos crescentes de economias de escala que foram identificadas.
escala. A mesma linha de raciocínio explica
a relação entre custos constantes e relomos Uso pleno dos recursos existentes
constantes e entre custos crescentes e retor-
Uma das causas básicas das economias de es-
nos decrescentes.
cala é o uso mais completo da mão de obra,
Economias de escala ocorrem sempre
maquinário, capital e gestão existentes. Esses
que a curva de custo médio de longo prazo cai
recursos possuem custos fixos, não importan-
dentro de um certo espectro de produto (cus-
do se são utilizados ou não. Seu uso pleno não
tos decrescentes e retornos crescentes de esca-
aumenta os custos fixos totais, mas abaixa
la). Deseco11omias de escala ocorrem quando
o custo fixo médio por unidade de produto.
os custos médios de longo prazo sobem (cus-
Pense no agricu ltor que arrenda um pouco de
tos crescentes e retornos decrescentes de esca-
terra extra e a lavra com a mão de obra e as
la). A existência ou inexistência de cada uma
máquinas que já tem. O custo fixo médio por
e o espectro de tamanhos de estabelecimento
unidade de produto agora é menor não ó para
em que cada urna ocorre ajudam a explicar e
a produção adicional, mas também para toda a
prever o Lamanho do estabelecimento. Estabe-
produção original.

Tecnologia
Tecnologia nova costuma er cara, mas pode
1 1
Custos 1 Custos 1 Custos
reduzir o cu to médio por unidade de produto,
.,;- decrescentes 1 constantes 1 crescentes combinando substituição de algun in umo
VJ 1 1
2. 1 1
atuais e ampliação da produção por ac re ou
~
:::,
1 1 cabeça. Entre tanto, em virtude do alto inve -
u 1 1
limento inicial, a nova tecnologia, muita ve-
1 custo médio
1 de longo prazo zes, precisa ser u ada e m um número maior de
1
acres ou cabeças para obteres e c u tos meno-
1
o Escala re . l so gera economia de e cala para e ta-
belecimento maiore , ma dei, a o menore
Figura 9-3 Possíveis relações tamanho/custo. com tecnologia mai - antiga e meno - e liciente.
154 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

Economias de engenharia Preços de insumo


medida que unidades maiore. de maquiná- Desconto ao comprar quantidades grandes
ri rural são di. ponibilizadas, o pre o de com- de in umo e por compra a granel são comun
pra geralmente não crc cc tão rápido quanto na maioria da indústri as, incluindo a agro-
a apacidade. 1 o porque algun. componen- pecuária. Estabelec ime ntos grandes podem
te orno cabine , rnecani mo de direção e obter de contos consideráveis comprando ra-
controle eletrônico. cu tam mais ou meno ção por carga comple ta de caminhão em vez
o me mo para qualquer tamanho de máqui - de algum a aca por vez, por exemplo. Pes-
na. O me-mo . e aplica a muita cdiíicaçõc . ticida . ferti li zante , e mentes, combustível e
ó . ão ncce ária dua parede tran ver ais suprimento como vacinas animais e peças o-
para qualquer comprimento de construção, e bre salcnte também podem ter descontos por
i tema de alimentação e manejo de estrume compra em volume. E es descontos, muitas
podem não dobrar quando o espaço fí ico é veze , ~ão o re ultado de menores custos uni-
dobrado. 1 o leva a cu to fixo menore por tário com frete e manu cio por parte do forne-
unidade de capacidade. cedor ou do de ejo do fornecedor de aumentar
ua participação de me rcado. Mesmo se não
Uso de recursos especializados houver desconto por compra a granel, a mão
Em e tabelecimento agropecuários mcno- de obra poupada pela comodidade, facilidade
re . mão de obra e equipamento frequente- e velocidade de manu seio do material pode
mente preci am er usado para muitas tare- facilme nte compe nsar o armazenamento e o
fa diferentes e em vário empreendimento equipamento de manuseio extras necessários.
diferente , talvez tanto para agric ultura
quanto para pecuária. Nenhum empreendi- Preços de produto
mento é grande o uficiente para justificar Produtores de grandes volumes podem tam-
equ ipamento especiali zado que poderia fa- bém ter uma vantagem de preço em relação
zer o serviço com mai s eficiência e meno ao menores quando vendem sua produção.
c u 10. A mão de obra preci a executar tan- Produtore de cerea is podem receber um
ta tarefa diferentes, que as pe soas não preço melhor se entregarem uma quantidade
têm tempo para obter experiência sufi cien te grande de uma só vez ou se garantirem a en-
para e tom ar q ual ifi cada em qualq uer uma trega de um a quantidade fixa Lodo mês a um
dela . É gasto tão pouco tempo e m cada ta- co nfin amento, fábrica de ração ou usina de
refa individual durante o ano que é difícil e tanol. Pec uaristas que conseguem entregar
ju tifi car o treinamento laboral neces ário um a carga completa de gado com peso unifor-
para e to rnar mai s proficien te. Estabeleci- me diretamente a um confinamento costumam
mento maiore conseguem fazer u o inte- receber um preço líquido maior do que aque-
gral de equipamentos e peciali zados, e um les que vende m alg un s por vez por meio de
trabalhador pode trabalhar todo o tempo em um lei lão de gado local.
um só empreendimen to, talvez em uma só Nos últimos a nos, foram desenvo lvidas
tarefa. Um grande produtor de lei te, onde al- muitas nova varie dades de grãos de uso e -
guns trabalhadore podem trabal har o tempo pecial. Os agricultores conseguem um preço
todo no galpão de o rdenha, enquanto out ro melhor ao c [Link] esses g rãos especializado ,
ficam na á rea de alimentação, é um exem- mas eles exigem manuseio especial e arma-
plo. A especiali zação, muita vezes, aumen- ze nagem separada das demais variedade .
ta a eficiência e reduz os custo por unidade Muitas vezes, colheitadeiras e caminhões pre-
de produto . c isam ser minuciosamente limpos antes e de-
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 155

pois de ceifar e transportar essas variedades. eficiente, e os custos médios aumentam por
Esse é outro caso em que apenas produtores meio de uma combinação de despesas cre cen-
de grande volume conseguem juslificar ades- tes e produção decrescente.
pesa de armazenagem separada e adeq uada e
outras despesas relacionadas a fim de receber Supervisão da mão de obra
o preço adicional por produzir o cultivo. Relacionada à gestão, há a dificuldade maior
de ooerenciar uma mão de obra maior à medida
Gestão que o tamanho aumenta. Em muitos tipos de
Muitas das funções e tarefas de gestão podem agropecuária, isso é ai nda mais complicado
contribuir às economias de escala. Compra de quando há pessoas trabalhando sozinhas ou
insumos, comercialização de produtos, conta- em pequenos gru pos espalhados pelo campo
bilidade, coleta de informações, planejamento ou muitos campos diferentes em vários esta-
e supervisão do trabalho são exemplos disso. belecimentos diferentes. Isso talvez exija mais
Duplicar o tamanho do negócio pode aumen- s upervisores ou bastante tempo improdutivo
tar o tempo empregado em cada urna dessas de viagem por parte de um único supervisor.
atividades, mas não em 100%. Aprender novas
habilidades de gestão pode demorar o mesmo Dispersão geográfica
tempo, a despeito do número de unidades de Operações rurais como produção em estufa,
produção às quais são aplicadas. currais de engorda de gado, confinamento de
suínos e produção avicultora podem ter uma
Causas das deseconomias grande operação concentrada em uma área
de escala relativamente pequena. Porém, aumentar o ta-
manho de uma operação de plantio demanda
É claro que existem economias de escala em mais terra, que pode não estar dispon ível nas
um espectro inicial de tamanhos de estabe- imediações. Isso aumenta o tempo e as de pe-
lecimento para quase todos os tipos de agro- sas necessárias para transportar mão de obra
pecuários. A existência de deseconomia de e equipamentos de estabelecimento para esta-
escala é menos clara, assim como o tamanho belecimento e os produtos do campo para a
em que as deseconomias podem começar. Po- instalações centralizadas de armazenamento
dem ocorrer deseconomias por qualquer dos ou processamento.
seguintes motivos.
Riscos biológicos
Gestão
Controle de odores, descarte de esterco e maior
Capacidade limitada de gestão sempre foi risco de doenças em concentrações grandes de
considerada uma causa clássica de deseco- animais são fontes potenciai de deseconomia
nomias de tamanho. À medida que o negócio e m operações pecuária grande . Regulamen-
agropecuário fica maior, torna-se mais difícil o tações estaduais e federai , muitas vezes, exi-
gestor conhecer todos os aspectos de todos os gem que operaçõe acima de um determinado
empreendimentos e organizar e supervisionar tamanho implantem procedimento rigoro ~o
corretamente todas as atividades. Múltiplos de controle de odore e de carte de e terco, o
operadores podem não ter tanta facilidade para que pode aumentar o cu ta ~ em comparação
chegar a um acordo sobre decisões gerenciais com uma operação menor a alvo de a nor-
ou para reagir rapidamente a problemas. A agi- ma . Pode ser preci o controlar mai terra ad-
lidade das operações e a aLenção aos detalhes jacentes para descartar e terco e evitar que os
começam a piorar. O negócio se torna meno odores cheguem a vizinho .
156 Parte Ili Aplicação de princípios econômicos

CURVA DE CUSTO MÉDIO DE dio geral mente caem rapidamente e alcançam


LONGO PRAZO o mínimo com um tamanho geralmente asso-
ciado a um agropecuarista familiar em tempo
om o aumento de tamanho do e tabelcci - integral, que contrata ao menos um pouco de
mcnto_ rurai , mu ita da economia e de e- mão de obra extra, em turno integral ou meio
conomia de e cala ocorrem imultaneamcnte, turno, e utiliza completamente um conjunto de
compcn ando- e mutuamente, em certa me- máquina . Quando o tamanho aumenta além
dida. O re ultado é que a eficiência, medida de se ponto, o c usto médio fica constante ou
em cu to médio de longo prazo (CMeLP) por qua e constante dentro de uma ampla gama de
unidade de produto, pode ficar relativamente tamanho , com o gestores replicando conjun-
con tante dentro de um e pectro amplo de ní- to eficientes de máquinas, edificações e tra-
vei de produto. balhadores. Es es estudos registram pouco ou
Dua curva de CMeLP po ívei ão nenhum aumento nos custos médios dentro do
mo tradas na Figura 9-4. A Figura 9-4a a - e pectro de tamanhos estudado.
ume que a economia de e cala dominam O dados da Figura 9-5 exibem trê s
à medida que um negócio pequeno aumen- exemplos de como os custos por unidade de
ta. Em um determinado tamanho, toda a produção se relacionam ao tamanho do es-
economia terão ido realizada , e tando o tabelecimento, com base em dados recentes
CMeLP no mínimo. É po sível que es e cu - de regi tros rurais. Nas Figuras 9-5a e 9-5b,
to mínimo eja constante, ou qua e, dentro milho e soja cullivados em estabelecimento
de uma gama de tamanho . (Vide Fig. 9-3.) agrícolas de M innesota apresentam os clás-
Porém, as deseconomias acabam domi nando sico custos tota is médios decrescentes por
quando o tamanho cresce além de um deter- bushel produzido nos quatro primeiros grupos
minado ponto, com o CMeLP começando a de tamanho de estabelecimento, mas depois
cre cer. A ge tão como o insumo limitador regi tram um aumento para o maior grupo de
é frequentemente citada como o motivo dos tamanho de estabelecimento. Os estabeleci-
custos cre centes. mento leiteiros de Minnesota, por outro lado,
A curva de CMeLP da Figura 9-4b é se- regi tram custos totais médios decrescentes
guidamente chamada de cu rva em forma de L. por unidade de leite produzida para todos os
Ela descreve os resultados obtidos com diver- tamanhos de estabelecimento, salvo um ligei-
os estudo de custo sobre e tabelecimentos ro aumento no grupo de estabelecimentos de
rurai de diferente tamanhos. Os cu tos mé- tamanho médio.

Curva de custo médio


m
2. Curva de custo médio
de longo prazo o
üí de longo prazo
8

o Tamanho o Tamanho
(a) (b)

Figura 9-4 Duas possíveis curvas de CMeLP.


Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 157

US$ 3,30 US$ 3,28

US$3,25
qj
j US$ 3,20
US$ 3,1 7
uss 3,18
US$ 3,1 5
&_ US$ 3,16
US$ 3,12
~
Õ US$ 3,10

US$3,05

uss 3 •OQ L..-.J..o-_1_0__.o___,'--1_._01---2--'-50____._2....


51---5.J..oo__.__5_0L..
1--1-
.0......0_0_._
1.'""'oo.__1___
5_
~00
--,
0

Acres cultivados
(a)
US$ 8,00
US$ USS 7 ,79
7180
Qi US$ 7 ,60

1 uss 7 ,40
uss 7,38
USS 7,17
8.. US$ 7,20
o uss 7,03 uss 6,95
cií uss 7 ,00
a US$ 6,80
US$ 6,60
uss 6,40 .___.__..__..____.__.___.___.__..___.__.__....__._~--~
0-100 101-250 251-500 501-1 .000 1.001-5.000
Acres cultivados
(b)
US$19,00
uss 18,63 uss 18,46
US$18,50
Qj uss 18,24 uss 18,10
-5i US$18,00
uss 17,62
~
~ US$17,50

!
cií
USS 17,00

8 uss 16,50
US$16,00
uss 15,50
US$ 15,00 .___.____.._......___.____.___.._..____.___.__,____.___.__L..___.___.
1-50 51-100 101 - 200 201-500 maisde500
Vacas no rebanho
(e)

Figura 9-5 Custos por unidade de produção por tamanho de estabelecimento para (a) milho,
(b) soja e (e) leite.
Fonte: Centro de Gestão Financeira Rural, Universidade de Minnesota, 2008.

RESUMO
Esle capflulo discorreu sobre os diferenle cuslos econômicos e ·cu uso na lomada de dl!c h1o gercn ial.
Custos de oportunidade são frequenlcmente u ado · em orçamenlo e na an li e fin anceira do e Labeleci-
mento agropecuário. Esse cuslo não monelário provém de in umo qu po ·uem mai que um u o. cilizar
um insumo de um modo sign ifica que ele não poderá ·cr empregado em um u o allernalivo, e preci a-se
renunciar à renda oriunda da allernnliva. A renda renunciada é o cu 10 de oportunidade do in um .
158 Parte Ili Aplicaçã o de princípios econômicos

A análi se de cus tos é import ant e para com preender e aperfeiçoar a lucratividade d o negócio. Adis-
tinção entre custo fixos e vari ávei s é import ante e úti l ao tomar decisões de produção de curto prazo. No
curto prazo. só deve haver produçfio se a renda esperada for exceder os custos vari áveis. Senão, as perdas
serão mi ni mizada não se p rod uzindo. D eve haver produção no longo prazo somente se a renda for alta 0
sufi cient e para pagar todos os custos. Se não se cobrirem todos os custos no longo prazo. o negócio acabará
dando er rado ou receberá menos do que o cu Lo de oportunidade de um ou mai s insumos.
Entender os custos é necessári o também para analisar as econo mias de escala. A relação entre custo
por unid ade de produto e tam anho do negócio determina se há retornos de tamanho crescentes, decrescentes
ou constantes. Se o s custos unitári os caem enquanto o tamanho cresce, há retornos de escala crescentes, e o
negócio teri a um i ncenti vo para crescer. e vice-versa. O tipo de retornos que existe para um dado estabeleci-
m ento determina. cm grande parte. o sucesso ou o fracasso da ex pansão do tamanho do estabeleci mento. As
tendênci as futuras cm tam anho de estabeleci mento, número de estabelecimentos e forma de propri edade e
controle do negócio serão i nfluenciadas por economias e dcscconomi as nos negócios agropecuários.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. C om o você estimaria o custo de oportunid ade de cada um dos itens seguintes? Qual você acha que
seria o custo de oportunidade efeti vo?
a. Capital investido em terra
b. Su a m ão de obra utili zada em um negócio ru ral
c. Sua gestão utili zada cm um negócio ru ral
d. U ma hora de tempo de trator
e. A hora que você desperdiçou cm vez de estudar para sua próxima prova
f. O tempo que você passou na faculdade
2. Para cada um dos seguintes itens, indique se se trata de um custo fi xo ou vari ável e de uma despesa de
cai xa ou não. (A ssuma curto prazo.)

Fixo ou variável? Caixa ou não?

a. Gasolina e óleo
b. D epreciação
c. Impostos imobili ários
d. Sal e minerais
e. Mão de obra contratada por hora
f. Mão de obra contratada antecipadamente por I ano

g. Prêmios de seguro
h. E letricidade

3. Imagi ne que Freda Agro recém adquiriu uma nova co lheitadei ra conjugada. E la re·calculou O custo
fi xo total com o US$ 22.500 ao ano e estima 11111 custo variável total de U$ 9,50 por acre.
a. Qu al será seu custo fi xo médio se ela traba lhar 1.200 acrcs por ano? E 900 acres por ano?
b. Qual é o custo adicional de trabalhar um acre extra?
c. I magine q ue Preda planeje usar a conj ugada somente para trabalho customizado em 1.000 ncn:s
por ano. Quanto ela deve cobrar por acre para qu e todos os custos sejam cobertos? E se ela tizes e
co lheita customi zada de 1.500 acrcs por ano?
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 159

4. Imagine a compra de uma colheitadeira por US$ 152.500. com um valor residual estimado em
US$ 42.000 e uma vida útil de 8 anos. O custo de oportunidade do capital é de 10%. Ao calcular o
custo fixo total anual, quanto se deve incluir a título de depreciação? E de juros?
5. Uti li zando os dados da Tabela 7-3 e um CFf de US$ 50, calcule os três custos lotai e os três cu to
médios.
a. Qual é o lucro máximo que pode ser obtido com os preços informados?
b. Para continuar produzindo no longo prazo. o preço do produto deve ser igual ou maior que
US$_.
c. No curto prazo, a produção deve ser encerrada sempre que o preço do produto cair abaixo de
US$_.
6. Por que os juros são incluídos como custo fixo mesmo quando não é tomado emprestado runheiro para
comprar o item?
7. Qual será o lucro se a produção se der onde RMg = CMg, exatamente no ponto em que o CTMe é
mínimo? E no ponto em que Ri\ltg = CMg e o CVMe está em seu mínimo?
8. Explique por que e em quais circunstâncias é racional que um agropecuarista gere um produto com
prejuízo.
9. Imagine um estabelecimento agropecuário típico da sua região. Suponha que ele dobre de tamanho.
passando a gerar o dobro de cada produto em relação a antes.
a. Se o custo total também dobra. o resultado são retornos de escala crescentes. decrescentes ou
constantes? E se o custo total ó aumenta 90%?
b. Você esperaria que quais custos específicos dobrassem exatamente? Qual poderia aumentar em
mais de 100%? E em menos de 100%?
c. Você esperaria que esse estabelecimento rural tivesse retorno de escala crescentes. decrescentes
ou constantes? Economias ou de economias de escala? Por quê?

APÊNDICE
Curvas de custo
As relações entre os sete conceitos de custo relacionados ao produto podem ser ilustradas graficamente por
uma série de curvas. A forma de as curvas de custo depende das características da função de produção
subjacente. A Figura 9-6 contém curvas de custo que representam a função de produção geral exibida na
Figura 7-2. Outros tipos de funções de produção teriam curvas de custo com formas diferente .
As relações entre os trê · cu tos totais são exibidas na Figura 9-6. O custo fixo total é con tante e não é
afetado pelo nível do produto. O custo variável total é sempre crescente. primeiro a uma taxa decrescente.
depois a uma taxa crescente. O custo total é a soma do custo fixo total e do custo variável total. então sua
curva possui a me. ma forma da curva de cu to variável total. Porém, ela é empre mai alta, com uma di -
tância vertical exatamente igual ao custo fixo total.
A forma e a relação gerai das curvas de cu tos médio e marginal são mostradas na Figura 9-7. O cu to
., fixo médio está sempre caindo, mas a uma taxa decrescente. A cur a do cu to variável médio (C Me) tem
forma de U, primeiro caindo, alcançando um mini mo, e depois aumentando no nívei mai alto de produ-
to. A curva do custo lotai médio (CTMc) possui uma forma semelhante à da curva do C 1\1 . Elas não tem
uma distância igual entre si. A distância vertical entre ela é igual ao cu to fix o médio, que ·e altera com
o nível de produto. isso é responsável por sua forma ligeiramente diferente e pelo fato de que ·cu - pont ·
mínimos estão em níveis de produto diferente .
A curva de custo marginal (CMg) geralmente será crescente. Porém, para e·ta fun1r o de produção •m
particular, ela cai ao longo de uma cu11a exten ão ante de começnr acre cer. A curva de cu to rn rginal
corta ambas as curvas média em eu ponto mínimos. Enquanto o nlor do cu_to marginal e· tivcr abaixo
do valor do custo médio, o custo médio crá decrescente. t: , ice-versa. Por ·a mtã . a ·urva Lle cu · 10
margi nal sempre corta as curva de cu to variável médio e cu to total médio ·m ·cu · p nto mínirnu ·.
160 Parte Ili Aplicação de princ(pios econômicos

vi
C/)
2.
o
êií
::,
ü
Custo
Custo fixo total variável médio
Custo fixo médio

o Produto o Produto

Figura 9-6 Curvas de custo total típicas. Figura 9-7 Curvas de custo médio e marginal.

Outras curvas de custo possíveis


Como afirmado anteriormente. a forma das curva de cu to está diretamente relacionada à natureza da
função de produção ubjacente. A curvas de custo das Figura 9-6 e 9-7 ão todas derivadas da forma da
função de produção generalizada da Figura 7-2. Existem outros tipos de funçõe de produção na agropecu-
ária. cm especial aquelas que começam com uma taxa decrescenre a partir da primeira unidade de insumo.
Elas não po uem um e tágio I. portanto iniciam com retomo marginai decrescentes. Os dados da Tabela
7-1 ilustram uma função desse tipo.
A Figura 9-8 mostra as curva de custos total. médio e marginal para esse tipo de função de produção.
A função de produção começa de verdade no estágio II. com retornos marginais decrescentes; assim, a
curva do CYT obe a uma taxa crescente a partir do início. I so. por sua vez, faz com que a curva do CVMe
cmpre suba a uma taxa crescente. No entanto, como a curva do CTMe é a soma do CVMe e do CFMe,
ela começa alta por causa do alto CFMe. Inicialmente, o custo fixos médios caem a uma taxa veloz, com
mai rapidez do que o aumento do CV Me. Essa combinação resulta em um CTMe que inicialmente di mi-
nui. mas acaba cre cente à medida que a curva do CV Me começa a aumentar a uma taxa mais veloz do que
o decréscimo da curva do CFMc.
Podem ocorrer curva de custo com uma forma diferente quando o produto é medido de uma forma
diferente das commodilies agropecuárias normai . O produto de serviços de maquinário é um exemplo.
É difíci l. e não impossível, medir produto de máquinas em bushels, libras ou toneladas, especialmente
se a máquina é usada na produção de diversos produtos. Portanto, o produto de tratores, especificamente
(e. em muitos casos, de outras máquinas). é medido em horas de uso ou acre trabalhados no ano. ão há
um produto marginal decrescente nesse caso, pois outra hora é outra hora da mesma duração, e a mesma

Custo total médio


vi
C/)
2.
o Custo
êií
::,
() variável
variável médio
total

Custo fixo lotai

o Produto o Produto

Figura 9-8 Curvas de custo para uma função de produção com retornos marginais decrescentes.
Capítulo 9 Conceitos de custo em economia 161

ú;
~ (/)
2 2
o
lii ~
B
o E
iii Bcn
8 ::,
(..)

o Acres ou horas por ano o Acres ou horas por ano

(a) (b)

Figura 9-9 Curvas de custo para uma função de produção com retornos marginais constantes.

quantidade de trabalho pode ser executada naquela hora. Surge um produto físico marginal constante com
cada hora adicional de uso, isto é, outra hora de trabalho executado.
A Figura 9-9 ilustra as curvas de custo para esse exemplo. Com um produto físico marginal constante.
o CVT aumenta a uma taxa constante, o que, por sua vez, faz com que o CVMe seja constante por hora de
uso. Todavia, o CFMe está caindo à medida que as horas de uso aumentam. O CTMe é a soma do CYMe
e do CFMe, portanto também estará constantemente diminuindo à medida que as horas anuais de uso au-
mentarem. (Vide Capítulo 22 para mais explanações sobre custos de maquinário.)
Orçar para
obter mais lucro

Parte lll discorreu sobre alguns princí- de empreendimentos para um estabelecimen-


A pios econômicos básicos e conceito de
custo. Uma aplicação prática desses conceitos
to rural. Eles também podem desempenhar
um papel na função de controle da ge tão.
é seu uso em diversos tipo de orçamento. Os Os resultado reais podem ser comparado às
orçamentos são uma poderosa ferramenta de projeções nos orçamento , examinando- e a
planejamento antecipado, utilizada para com- discrepâncias.
parar alternativas no papel antes de compro- São explorados quatro tipos de orça-
meter recursos em um determinado plano ou mento nos Capítulos l O, 11 , 12 e 13. o Ca-
linha de ação. Eles podem ser aplicado a um pítulo 1O, explicam-se e examinam- e orça-
único insumo, a todo um empreendimento ou mentos para um único empreendimento. o
a todo o negócio agropecuário. Capítulo 1 1, discutem- e planejamento e or-
O s orçamentos refletem a melhor estima- çamento de todo o estabe lecimento agropecu-
tiva do gestor quanto ao que acontecerá no ário. Orçamento parciai . o tema do Capítulo
futuro se um certo plano for seguido. Papel, 12, proporcionam um marco para anali ar
lápis, calculadoras e computadores são as fer- mudanças no plano do e tabelecimento en-
ramentas orçamentárias e, como tais, talvez volvendo interações entre diverso empreen-
sejam as ferramentas mais importantes usadas dimentos. Orçamento de flu o de caixa o
pelo gestor. Podem-se usar orçamento para tópico do Capítulo 13.
comparar a lucratividade de diferentes empre- O princípio e<.:onômicos, combinado
endimentos e encontrar a melhor combinação com o orçamento de empreenôiment , de
164 Parte IV Orçar para obter mais lucro

flu ·o de ai ·a e de parte ou todo o e tabele- escolher alternativas a incluir nos planos ge-
cimento rural, dão ao gc tor rural um pode- renciai . Um orçamento cuidadoso pode apri-
ra o conj unto de ferramenta para anali ar e morar os lucros e evitar erros dispendiosos.
Orçamento de
empreendimento

Objetivos do capítulo
1. Definir orçamento de empreendimento e 4. Apresentar problemas e etapas extras a
discutir suas finalidade e aplicação. serem considerados na elaboração de um
2. Ilustrar as diferentes seções de um orça- orçamento de empreendimento pecuário.
mento de empreendimento. 5. Mostrar como dados de um orçamento de
3. Aprender a elaborar um orçamento de empreendimento podem ser analisados e
empreendimento agrfcola. utilizados para calcular custo de produção
e preços e rendimentos de equilíbrio.

Um orçamento de empreendimento dá pecuária, alguns gestores desenvolvem orça-


uma estimativa das receitas, despesas e lu- mentos de empreendimento com base no nú-
cro potenciais de um empreendimento sepa- mero de animais (cabeças), enquanto outro
rado. Cada cultivo ou tipo de rebanho que e colhem uma operação de tamanho ·'típi-
pode ser produzido é um empreendimento. co" (p. ex., uma operação de novilhos de 30
Portanto, pode haver orçamentos de empre- cabeças) como base orçamentária. Utilizar
endimento para algodão, milho, trigo, gado unidades comuns permite comparação fácil
de corte, gado leiteiro, suíno para abate, e justa entre diferentes empreendimento . O
melancia, soja, amendoim, e assim por dian- escritório de Exten ão Cooperati a do con-
te. Eles podem er criados para diferentes dado ou do Estado co tuma di poni bilizar
níveis de produção ou tipos de tecnologia; orçamentos para muito empreendimento .
logo, pode haver mais de um orçamento Esses orçame ntos, elaborado para repre-
para um dado empreendimento. A unidade entar uma situação ''típica", podem ou não
básica dos orçamentos de empreendime nto er exato para um l dada operação, amiúde
costuma ser um acre para agricultu ra. Para tendo que er aj u cados.
166 Parte IV Orçar para obter mais lucro

FINALIDADE, APLICAÇÃO E Tabela 10-1 Exemplo de orçamento de


FORMATO DE ORÇAMENTOS DE empreendimento para produção de me lancia
(um acre)
EMPREENDIMENTO
Item Valor por acre
A finalidade prccípua do orçamento de em- Receita
preendimento é e timar o custos, retomo e lu-
cro unitário projetado para o empreendimen-
250 cwt a USS 5.50 uss 1.375,00
por cwt
to . Apó i o er fcito, o orçamento po uem
Custo variáveis
vária aplicaçõe . Eles ajudam a ide111ificar os
empreendimento mai lucrativo a serem in- Sementes uss 80 ,00
cluído no plano completo do e 1abelccimen10 Fertilizante 95 ,50
agropecuário . Um plano completo do e tabe- Pe ticidas 97,75
lecimento agropecuário co tuma consistir cm
Combu tível, 35, 15
vário empreendimentos; a im, os orçamentos
1ubri fica nte
de empreendimento, muitas vezes. são chama- e reparos da
do de ·'componentes'' do plano e orçamento m:iquinas
completo do e 1abelecimen10 agropec uário.
Pulverização 8,00
( ide Capítulo 11 para mai obre orçamento customizada
completo do estabelecimento agropecuário.)
Colheita e 500,00
Embora o preparo de um orçamento de em-
tran porte
preendimento exija uma grande quantidade
de dado , após concluído, ele é fon te de dado Mão de obra 320,00
para outro tipo de orçamentos. O gestor c- Juros a 10% por 56,82
guidamente con uha orçamentos de empreen- 6 meses
dimento para conseguir informaçõe e dados ao Custo variável uss 1.193,22
lOmar muitos tipos de deci ões. Adiaremos a total
ilustração de outras aplicações dos orçamentos Renda acima do uss 18 1,78
de empreendimento para depois da discussão custo variável
acerca de suas organização e elaboração.
Custos fixos
Depreciação uss 62,00
Exemplo de orçamento do maq uinário,
de empreendimento juros, impostos
e seguro
A Tabela 10-1 é um exemplo que será empre-
gado para discutir o teor, a organização e a es- Ónus da terra 100,00
trutura de um orçamento de empreendi mento Custos fixos uss 162,00
agrícola. Embora não haja uma única organi- totai
zação ou estrutura usada por todos, a maioria Custos totais uss 1.355,22
dos orçamentos contém as seções ou partes
Lucro estimado US$ 19,78
constantes na Tabela I0-1. Esse exemplo não
(retorno sobre
incl ui todos o pormenores sobre quantidades gestão)
físicas e preço geralmen te presentes em um
orçamento de empreendimento, mas servirá
para ilustrar a organização e o teor básicos. rnento cobre um ano ou menos, mas, para algun
O nome do empreendimento sendo orça- empreendi mentos com processo produtivo lon-
do e a unidade de orçamento são mostrados no go, um orçamento de vários anos é mais útil. Se
início. A maioria dos orçamentos de empreendi- o período for maior do que um ano, vale a pena
Capítulo 1o Orçamento de empreendimento 167

informar o período coberto. Em geral, a renda dade. Via de regra, haveria custos de oportu-
ou receita advinda do empreendimento é mos- nidade por mão de obra do operador, capital
Lrada em seguida. Quantidade, unidade e preço usado em custos variáveis, capital investido
devem ser incluídos para dar ao usuário uma em máquinas e, possivelmente, capital inve ti-
informação completa. A seção de custo vem do em terra. Por conseguinte, o lucro ou retor-
a seguir, sendo geralmente dividida em duas no apresentado no orçamento de empreendi-
parles: custos variáveis (operacionais) e custos mento é um lucro econômico estimado. Esse
fixos (ou de propriedade). Alguns orçamentos lucro é diferente do lucro contábil, em que o
dividem ainda os custos variáveis em custos custos de oportunidade não ão reconhecidos.
variáveis pré-colheita (os que ocorrem antes da Ao trabalhar com orçamentos de empreendi-
colheita) e custos de colheita (ou aqueles que mento desenvolvidos por outros, os gestores
resultam diretamente da colheita). A renda ou devem se certificar se foram incluídos os cus-
receita acima dos custos variáveis é um cálculo tos de oportunidade nas cifras de custo.
intem1ediário, registrando a receita remanescen- Orçamentos de empreendimento e de
te a ser aplicada aos custos fixos. A renda acima outros tipos frequentemente empregam uma
dos custos variáveis é ocasionalmente chamada terminologia ligeiramente diferente para des-
de margem bruta do empreendimento. crever os vários tipos de custos. Custos eco-
Os custos fixos de um orçamento de empre- nômicos variáveis podem er chamado de
endimento agrícola costumam incluir os custos cu tos operacionais ou diretos, salientando
fixos do maquinário necessário para produzir o que eles decorrem da operação concreta do
cultivo e uma quantia pelo uso da terra. Esses empreendimento. Esses custos não existiriam
custos provavelmente são os mais difícei de es- se não fosse pela produção por parte de se
timar, e a discussão sobre os procedimentos a empreendimento.
empregar será adiada até a próxima seção. Custo fixos podem ser chamado de cu to
O lucro unitário estimado é o valor final, de propriedade ou indireto . O termo "custo de
sendo encontrando subtraindo-se o cu tos to- propriedade" diz respeito aos custos fixo origi-
tais da receita total. Todos estão intere sados nário da propriedade de máquinas, edificaçõe
nesse valor, sendo importante que ele eja in- ou terras. Eles ão resultado de e po uir ati-
terpretado corretamente. vos próprio e ocorreriam me mo se e te não
fos em usados no empreendimento em que tão.
Incluem coi a como o cu tos füw econô-
Orçamento econômico micos comun e outras de pe as rurai , como
A maioria dos orçamentos de e mpreendi- seguro imobiliário e de re pon abilidade civil,
mento como o da Tabela 10-1 são orçamen- honorários jurídico e contábei , de pe as com
tos econômicos. Isso quer dizer que, além das picape e a inaturas de publicaçõe rurai . São
despesas de caixa e da depreciação, devem-se de pe as nece árias e adequadas ma não e -
incluir também alguns custos de oportuni- tão diretamente atrelada a n nhum empreen-

Quadro 10-1 Custo de oportunidade da gestão


'

O custo de oportunidade da gestão, muitas ve- Se não é Informado um custo de oportunidade


zes, é omitido no orçamento de empreendimen- de gestão no orçamento, o lucro estimado deve
to. Embora seja apropriado incluí-lo, a gestão ser Interpretado como "retorno sobre gestão e
possui um custo de oportunidade difícil de esti- lucro estimados". Essa terminologia é emprega•
mar. Isso talvez explique sua omissão frequente. da em alguns orçamentos de empreendimento.
168 Parte IV Orçar para obter mais lucro

dimcnto ~ 1ccí!i o. A ·sim, é difícil :Hribuí-la Algun cultivo po suem duas fontes de recei-
orretamentc quando e faz um orçamento de ta, como fibra e caroço de algodão ou grão e
empreendimento. Geralmente, ela ão rateada palha de aveia. Em alguns anos e para algun
de alguma fomrn entre todo o empreend imen- cultivas, pagamento de programas governa-
to , para que toda a dc·pc a rurai , direta, e mentais podem ser incluídos como uma fonte
indireta , cjam contabilizada na conta do em- de receita. Todas as receitas monetárias devem
preendimento rurai . De pe a com máquina , ser incluídas, e o conceito de custo de oportu-
por exemplo, podem cr rateada com ba e no nidade deve er utilizado para avaliar todas as
número de hora. que cada máqui na é usada cm fonte não monetária de receita, como resí-
cada empreendimento e pecífico. Outra de pc- duo de cultivo usado por animais.
a operacionai gerai , à vezc , ão atribuídas A exatidão do lucro projetado para o em-
com base na quota do empreendimento obre o preendimento talvez dependa mais das es-
cu to variávei lotai ou a receita total do e ta- timativa feita ne ta eção do que cm qual-
bclecimento agropecuário. quer outra. É importante que as estimativas de
É importante recordar que o orçamento de rendimento e de preço sejam as mais precisas
empreendimento é uma projeção de como o gc - po ívei . O rendimento projetado deve seba-
tor acha que o retomo bruto , cu tos e lucro ear em rendimentos históricos, tendências de
e apre entarão cm um período de tempo futu- rendimento e tipo e quantidade dos insumos
ro. Em contraste. a e timaliva de cu to e retomo que erão u ado . O preço de venda apropria-
(ECER) trata do cu tos efetivo incorrido pelo do depende, em certa medida, de se o orça-
produtor em um dado período de tempo. mento é ape nas para o ano que vem ou para
fin de planejamento de longo prazo. Para que
o orçamento eja utilizado para planejar a pró-
ELABORAÇÃO DE
xima afra, preços de futuros ou de contratos
UM ORÇAMENTO DE ,
a 1em10 podem oferecer boas estimativas do
EMPREENDIMENTO AGRICOLA preço de venda. Em um orçamento para plane-
jamento de longo prazo, deve-se realizar uma
A primeira etapa da elaboração de um orçamen-
revisão dos preços históricos. 1
to de empreendimento agrícola é estabelecer
práticas de preparo de olo e manejo dos culti-
vo , nívei de in umo, tipos de insumo, e as im Despesas operacionais
por diante. Qual taxa de semeadura? E nívei ou variáveis
de [Link]? Tipo e quantidade de herbicida? Esta seção inclui os custos que só incidirão se
úmero e úpo de operaçõe de aração? Todas as o cultivo for produzido. O montante a ser gas-
decisões agronómica , produtivas e técnica de- to em cada caso está sob o controle do toma-
vem ser tomadas antes de e começar a trabalhar dor de decisão, podendo ser reduzido a US$ O
no orçamento de empreendimento. se o cultivo não for produzido.
A Tabela 10-2 é um orçamento de empre-
endimen to que erá empregado para discutir Sementes, fertilizante,
a etapas de elaboração de um orçamento de calcário e pesticidas
empreendimento agrícola. Es e orçamento
Os cu tos desses itens são relativamente fá-
pres upõe um proprietário/operador que paga
ceis de preci ar após os níveis desses insumos
todas a despesas e recebe a afra inteira.
terem sido escolhidos. Os preços podem ser
obtidos mediante contato com fornecedores
Receita de in umas, e o cu to total por acre de cada
A eção de receita deve incl uir toda a receita item é encontrado multiplicando-se quantida-
monetária e não monetária advi nda do cultivo. de por preço.
Capítulo 1O Orçamento de empreendimento 169

Tabela 10-2 Orçamento de empreendimento de milho (um acre)


Item Unidade Quantidade Preço Valor

Receita
Mi lho cm grãos bu 120 uss 4,00 uss 480,00
Receita total USS480,00

Despesas operacionais
Sementes milhares 26 uss 1,95 uss 50,70
Taxas téc nicas acre 20,00 20,00

Ferti lizante: Nitrogênio lb 167 0,60 100,20

Fósforo lb 60 0,57 34,20

Potássio lb 60 0,62 37,20

Calcário (proporcional) toneladas 0,33 28,00 9,24

Pesticidas acre 38,00 38,00


Custos variáveis de maquinário acre 24,93 24,93
Mão de obra horas 1,6 10,00 16,00
Transporte bu 120 0,25 30,00
Seguro de colheita acre 25,00 25,00
Juros (despesas operacionais durante 6 me e ) uss uss 192,74 6,5 % 12,53
Despesa operacional total 398,00
Renda acima dos custos variáveis 82,00
Despesas de propriedade
Depreciação do maqu inário acre 11 ,00 11.00
Juros sobre o maquinário acre 10,50 10,50
Impostos e seguro do maquinário ac re 2,50 2,50
Ônus da terra acre 50,00 50,00
Outros custos acessórios acre 4,00 4,00
Despesas de propriedade lotai
7 Ἴ
Despesas totais -476,00
Lucro (retorno sobre gestão) uss -4,00

Custos variáveis de maquinário bustível e lubrificante pelo número de acre do


Os custos variáveis de maquinário incluem cus- cultivo. Entretanto, e se método não é exato e
tos de combustível, óleo e lubrificantes, assim uma parle do maquinário também é u ada em
como reparos. A despesa com combu tível e produção pecuária e e algun cultivo tomam
lubrificantes está relacionada ao tipo e ao tama- mai tempo de maquinário do que outro .
nho das máquina utilizada e ao número e ao Um método mais pre i o determinar o
tipo de operações com máquina realizadas nesse con umo de combu ·tível por acre para ·ada
cultivo. Um jeito rápido e simples de obteres e opera ão com máquina e, então, -ornar o u o
valor é dividir a despesa rural lotai com com- ele combustível de todas a, opernçõc progrn-
170 Parte IV Orçar para obter mais lucro

mada. para o cultivo. O rc ult;ido pode er o custo da mão de obra, e não d a gestão. Um a
multiplicado pelo preço do combustível para se taxa de gestão pode er ex ibida co rno uma ru-
obter o custo por acre. Outro método é calcular brica eparada do orçamento o u (o que é m a is
o om,umo de comblUível por hora de uso de comum) er incl uída no reto rn o líqu ido esti-
Lrator e. então, determinar quantas hora erão mado. A im, o "resultado final" é chamado
ne e. :iria. para cxe utar a opcraçõc com de retorno obre ge tão.
máquina . E e método é utilizado por mu ito
programa · computacionai - feito para calcular Juros
cu to de or amen to de empreendimento. A despe a com juros d iz resp e ito ao capi tal
A e tim ativa do reparo de maquinário empenhado na de pesas operacio nais . P ara
por acre pos ui muito do me mos problema cultivo anuais, geralmente decorre mcno de
da e timativa de u o de combu tível. Deve-se um ano entre o tempo do gasto e a colheita,
onceber um método que aloque a despe a quando a renda é ou pode ser recebida. L ogo,
com reparo em relação ao tipo de máquina o juro ão cobrados por um período in fe-
u_ado e à quantid ade de u o. Todos o méto-
rior a um ano. E e período deve ser o tempo
do apre entado para e limar a despesa com
médio enlre o ponto em q ue os c us tos o pera-
combu tível também podem ser u ados para
cionai incidem e a colhei ta. Cobram -se j uros
estimar a despe a com reparo de máquinas. O
obre as de pe a operacio na is a des peito de
Capítulo 22 co ntém método mai detalhados
quanto é tomado emprestado, o u m esmo d e se
para estimar o cu to de reparo de todo o
é emprestado. Mesmo se não hou ver capi tal
tipo de maqui nário.
emprestado, há um custo de oportunidad e so-
bre o capital do operador rural. Se o monta nte
Mão de obra
de capi tal emprestado e capital p a trimo ni al
Algun orçamento de empreendimento en - que erá u ado é conhecido, pode-se usar u ma
tram em detalhe uficiente para dividir o média ponderada da taxa de juros do dinhei-
requisito de mão de obra naqueles providos ro emprestado e do custo de oportunidad e do
pelo operador ru ral e naq uele provido por capital patrimonial. E m nosso o rç a m e nto d e
mão de obra contratada. Porém, a maiori a u a milho, os juros das despesas operacionais são
apena uma e timati va de mão de obra, em calculados para um período d e seis m eses.
indicação da fonte. A mão de obra total nece -
sária para a produção agrícola é fo11emente in- Transporte e seguro de colheita
fluenciada pelo tamanho do maquinário usado
- I. . Pode haver despe as relativas ao transpone
e pelo número de operaçoes co m maqutn a.
da afra ao mercado. Essas despesas, normal-
Além da mão de obra neces ári a para ope-
mente, e tão re lac ionadas ao volume d e pro-
rar máquinas no campo, deve-se cuidar para
dução. O c usto do combustível e o u tros fato-
incluir no orçame nto de empreendimento o
tempo nece ário para ir e voltar dos campos, res aíetam es es lançame ntos.
aj u tare consertar máqu inas e executar outra Nos EUA, seguradoras privadas oferecem
tarefas diretamente relacionadas ao cult ivo. seguro de colhe ita para a m aior parte dos prin-
Frequentemente, u a- e o cu to de oportu- cipais c ultivas. Adquirir eguro de colhei ta é
nidade da mão de obra do operador rural para um modo de redu zir o risco associado à pro-
e avaliar a mão de obra. Se for usada mão de dução agrícola. O Capít ulo 15 dá ma is infor-
obra conLratada, o cu to de oportunidade deve mações sobre gestão do risco.
certamente ser, no mínimo, ig ual ao custo da
mão de obra conLratada, incluindo benefícios Renda acima dos custos variáveis
indireto . Ao estim ar o custo de oportunidade E te va lor, que também pode ser denom ina -
da mão de obra, é importante incluir omente do margem bruta, mostra q uan to cad a acre do
Capítulo 1O Orçamento de empreendimento 171

empreendimento contribuirá para o pagamen- Impostos e seguro do maquinário


to das despesas fixas ou de propriedade. Ele Em alguns caso s, as máq ui nas estão sujeitas a
também mostra quanta receita pode diminuir impostos sobre be ns móveis, e a maioria dos
até que o empreendimento não mais c ubra agricultores possui algum tipo de seguro para
suas despesas variávei s ou operacionais. suas máquinas. A despesa anu al com essas ru-
bricas deve ser calculada e, então, alocada por
Despesas de propriedade ou fixas meio do mesmo método dos o utros custos de
propriedade de maquinário .
Esta seção inclui os custos que exi stiriam
mesmo se o cultivo em questão não fosse pro-
Ônus da terra
duzido. São custos que incidem devido à pro-
priedade de máquinas, equipame ntos e terras Há diversos modos de calcular o ô nus da terra:
utilizados na produção agrícola. (1) quanto custaria arre ndar à vista uma terra
semelhante ; (2) o c usto líquido de uma par-
Depreciação do maquinário ceria agrícola p ara esse cultivo e m uma terra
seme lhante; e, (3) para te rra própria, o custo
A quantidade de depreciação de maquinário a
se descontar de um empreendimento agríco- de oportunidade do capital investido, isto é, o
la depende do tamanho e do tipo das máqui- valor de um acre mu ltipl icado pelo custo de
nas usadas e do número e do tipo de opera- oportun idade do capital patri monial. O s trê
ções com máquina. Assim como nas despesas métodos podem levar a valores muito diferen-
operacionais de maquinário, o problema é a tes. É especia lme nte o caso do terceiro méto-
necessidade de alocar corretamente a depre- do, se ut ilizado e m pe ríodos em que o valor
ciação total do maquinário a um empreendi- da terra esteja ubindo velozmente. E m tem-
mento específico. A primeira etapa é calcular pos de inflação, o valor da terra reflete tanto
a depreciação anual média para cada máqui- o potencial de valorização da terra q uanto seu
na. Isso pode ser feito rápida e facilmente por valor para a produção agrícola.
meio do método de depreciação linear. Em se- A maioria dos o rçamentos de empreendi-
guida, a depreciação anual de cada máquina me nto usa um dos valo res de arrendamento,
pode ser convertida em um valor por acre ou mes mo quando se trata de terra própria. Pre -
por hora, com base nos acres ou horas util iza- supo ndo um orçamento de empreendimento
dos por ano. Então, ela pode ser rateada pro- d e c urto prazo, o proprietário/operador da
porcionalmente a um empreendimento agríco- terra não pode vender o acre e investir o capi-
la específico com base no uso. tal resultante. Se a terra fo r própria e não esti-
ver sendo cultivada pelo dono, a alternativa é
Juros sobre maquinário arrendá-la a o utro produtor rural. O valor do
O s juros sobre maquinário são baseados no arrendame nto tom a-se aí o cus to de oportuni-
investime nto médio na máquina ao lon go de dade de c urto prazo do ô nus da terra.
sua vida útil, sendo calculados da mesma for-
m a, não importando se o u quanto dinheiro foi Outros custos acessórios
tomado e mprestado para adquiri-la. Deve-se M uitos o rçamentos de empreendimento po -
e mpregar a equação utili zada no Capítulo 9 suem uma rubrica para o utra de~pe~a ace 6-
para calc ular o componente de j uros dos cus- rias. Essa rubrica pode er utilizada para cobrir
tos fixos tota is para o bter a quantia de juros muitas de pesas, como uma porção das despe-
a nua is m édios. E m seg uida, deve-se ratear sas de picape, seguro de respon ·abilidade c ivil
proporc ionalme nte esse valor de juros entre os rural, despesa no comércio rural, e a im vai .
e mpreendimentos, por meio do mes mo méto- São de pe as q ue não p dem er as ' oc iadas
do usado para depreciação. diretamente a um empreendimento específico,
172 Parte IV Orçar para obter mais lucro

ma ainda a -im ão de pc a agropecuária cialização, e não de produção. Entretanto,


nc e .-, ria e importantes. Com frequência, me mo com venda logo após a colheita,
e - a, de, pc a, são alo adas com base no qui- pode haver despesas com transporte e co-
nhão do empreendimento obre a receita total mercialização. Se forem incluídos custos
ou obre o cu to variávei lotai . de armazenagem no orçamento, o preço de
venda deverá ser aquele esperado ao fim
Lucro e retorno sobre gestão do tempo de armazenamento, e não o pre-
ço quando da colheita.
O lucro e limado é encontrado ubtraindo- e a
de pe, as lotai da receita total. Se não consta no 3. Custos de e tabelecimento de cultivas
orçamento um valor de ge tão, deve- e assumir perene , pomares e vi nhedos apresentam
o retomo obre ge tão e o lucro como esse valor. outro problema. Esses e outros cultivas
A ge tão é um cu to econômico, devendo ser podem levar um ano ou mais para come-
reconhecida cm um orçamento econômico ou çar a produzir, mas seus orçamentos de
como uma de pe a específica, ou como parte do empreendimento costumam ser para um
retomo ou prejuízo líquido re idual. No ca o do ano de produção completa. Muitas vezes,
no o exemplo de empreendimento de milho, o é proveito o desenvolver orçamentos sepa-
retomo obre gestão é po itivo, querendo dizer rado para a fase de estabelecimento e para
que a receita gerada pela venda do milho foi u- a fa e de produção. Este último orçamento
ficiente para cobrir todos os custo (inclu ive o preci a incluir uma despesa por uma por-
cu to de oponunidade) da produção do cultivo. ção proporcional dos custos de estabeleci-
mento e demais custos incorridos antes do
recebimento de receita. Isso é feito acumu-
Outras considerações sobre
lando-se custos para todos os anos antes
orçamentos de empreendimentos
do início da produção e, então, fixando o
agrícolas valor presente desses custos. Esse valor
O exemplo do milho u ado para descrever o pode ser usado para determinar o equiva-
processo de elaboração de um orçamento de lente anual, incluído como uma despesa
empreendimento agrícola é bastante simples. anual no orçamento do empreendimento.
Outros cultivas podem ter muito mais insu- (Vide o Capítulo 17 para uma discussão de
mo variáveis ou receitas e despesas específi - valor presente e equivalente anual.)
cas do cultivo. Eis alguns problemas especiais 4. Os métodos de cálculo de depreciação e
que podem ser encontrados ao elaborar um juro de máquinas discutidos anteriormen-
orçamento de empreendimento agrícola: te ão de fácil aplicação e uso dissemina-
1. Cultivo duplo, em que dois cultivas são do. No entanto, eles não geram os valores
produzidos na mesma terra no mesmo exatos necessários para cobrir a depre-
ano. Neste caso, deve- e desenvolver um ciação e resultar nos juros sobre o valor
orçamento para cada culti vo, sendo os remanescente da máq uina de cada ano. O
cu tos de propriedade anuais da terra di- método de recuperação de capital, muito
vididos entre os dois cultivas. embora mais complexo, informa o valor
2. De pesas de armazenagem, transporte e certo. A recuperação de capital combina
comercialização podem ser importantes depreciação e juros em um só valor.
para algun cultivas. A maioria dos orça- A eq uação geral para o valor de recupera-
mento de empreendimento pre ume ven- ção de capital anual é:
da logo após a colheita, não considerando
cu tos de am1azenamento. Assume- e que (DT x fator de amortização)
eles são parte de uma decisão de comer- + (valor residual x taxa de juro )
Capítulo 1O Orçamento de empreendimento 173

Quadro 10-2 Computadores e orçamentos de empreendimento

Computadores e planilhas estão bem adapta- Os orçamentos de empreendimento são o


dos e são amplamente usados para elaborar ponto de partida de alguns grandes software de
orçamentos de empreendimento. Multas fa- planejamento financeiro rural. Após eles serem
culdades de agronomia e serviços de exten- elaborados, é produzido um plano de estabe-
são utilizam computadores para desenvolver lecimento agropecuário selecionando-se o nú-
orçamentos de empreendimento anuais para mero de acres ou cabeças para cada empre-
os principais empreendimentos de seu Estado. endimento. Então, o programa calcula rendas e
Seus programas de computador, muitas ve- despesas a partir dos orçamentos e transfere
zes, calculam custos de máquinas e constru- os resultados para um orçamento de fluxo de
ções com base em custos típicos, tamanhos, caixa, demonstração de resultado projetada e
aplicação e outros fatores de engenharia agrí- outras demonstrações financeiras. Aí é fácil fa-
cola. Muitos produtores agropecuários desen- zer pequenas alterações no plano rural e obser-
volveram seus próprios modelos de planilha var os efeitos sobre os fluxos de caixa e lucros
orçamentária de empreendimento. antes de escolher um plano rural definitivo.

tal que DT é a deprec iação total ao longo da Unidade


vida útil da máquina, ou o capita l que deve ser
A unidade orçame ntária em pecuária geral-
recuperado. O fator de amortização correspon-
mente é uma cabeça, mas podem ser usadas
dente à taxa de juros utilizada e à vida útil da
unidades diferentes, como uma ninhada de
máquina pode ser encontrado na Tabe la I do
suínos, uma unidade bovina ou 100 aves. Em
Apêndice ou com uma calculadora fi nanceira.
alguns casos, podem ser elaborados orçamen-
O montante de recuperação de capital obtido
tos pecuários para diferentes tamanhos típico
com essa equação é o dinhe iro necessário no
do empreendimento (como 30 cabeças, 50 ca-
fim de cada ano para pagar os j uros sobre o va-
beças, etc.), para refletir economias de escala.
lor remanescente da máqu ina e para recuperar
o capital perdido por depreciação. Como o va-
lor residual será recuperado ao fi m da vida útil Período
da máquina, some nte juros são contabi lizados Embora muito empreendimento pecuanos
sobre esse valor. (Vide CapíLUlos 17 e 22 para ejam orçados para um ano, algun empreendi-
discussões sobre recuperação de capital.) mentos de engorda e terminação exigem meno
um ano. Alguns tipos de animais, como suíno ,
dão cria mai de uma vez ao ano. Qualquer que
ELABORAÇÃO DE
eja o período e colhido, o importante é que to-
UM ORÇAMENTO DE
dos o custo e as receita do orçamento eJam
EMPREENDIMENTO PECUÁRIO calculados para o me mo período.
o O s orçame ntos de e mpreendimentos pec uários
possue m mu itas das mesmas rubricas e proble- Produtos múltiplos
mas dos agrícolas. Porém , orçamento pecuá- Muito empreendimento pe uan o po ucm
rios també m têm alg uns problemas exclus ivos mai de um produ to gerador de receita. Por
e particulares, que serão expostos nesta seção. exemplo, um bovinocultor tem receita oriunda
O orçam en to de vaca/novilho da Tabela 10-3 de vaca de abate, novilho e le ite, enqu nto
será usado como o fundamento da d iscus ão. um reban ho ovino tem receita o riunda de re-
174 Parte IV Orçar para obter mais lucro

produtores de abate, cordeiros e lã. Algumas do, então, rateadas proporcionalmente para 0
opcraçõe podem possuir receita advinda da animal individual médio do empreendimento.
venda de esterco, que também deve constar O orçamento de vaca/novilho da Tabela
no orçamento do empreendimento. Todas as 10-3 apresenta a receita média de vacas de
fontes de receita devem ser identificadas, sen- abate, novilhas e novilhos por unidade bovina

Tabela 10-3 Exemplo de um orçamento de vaca/novilho para uma unidade bovina•


Item Unidade Quantidade Preço Valor
Receita
Vaca para abate (0. 1Ocabeça) cwt 10,00 US$ 49,00 USS49,00
Novilhas (0,33 cabeça) cwt 5,20 94,20 161 ,65
Novi lhos (0,45 cabeça) cwt 5,40 98 ,50 239,35
Receita total 450,00
De pesas operacionais
Feno ton 1,75 uss 68,00 119,00
Suplemento cwt 1,50 12,00 18,00
Sal, minerais cwt 0,40 9,00 3,60
Manutenção do pasto acre 2,00 65,00 130,00
Despesas veterinárias cabeça 1,00 10,00 10,00
Reparo das instalações dos animais cabeça 1,00 6,50 6,50
Maquinário e equipamento cabeça 1,00 16,00 16.00
Despesas de reprodução cabeça 1,00 5,56 5,56
Mão de obra horas 6,00 10,00 60,00
Outros cabeça 1,00 11,00 11,00
Juros (sobre metade das despesas operacionais) uss 189,83 6,5% 12,34
De pesa operacional total 392,00
Renda acima das despesas operacionais 58,00
Despesas de propriedade
Juros obre o rebanho reprodutor US$ 750,00 5% 37,50
Jnstal ações dos animais
Depreciação e juro cabeça 1,00 10,00 10,00
Maquinário e equipamento
Depreciação e juros cabeça 1,00 9,50 9,50
Ônus da terra acre 2,00 25,00 50,00
Despe as de propriedade totais 107,00
De pesas totais 499,00
Lucro (retorno sobre gestão) (USS 49,00)
•( 1 un idade bovina = 1 voca, 0,04 touro. 0,9 novilho, 0.1 2 novilha sem cria para substituição)
Capítulo 1o Orçamento de empreendimento 175

do rebanho produtivo. Uma unidade bovi na pra de uma substiluta, dividido pela vida úLil ,
inclui a vaca e uma porção dos novil hos, Lou- pode ser lançado como uma despesa, e a receita
ros e novilhas sem cria para substi LU ição. Há ori unda de animais de abate, dividida pela vida
uma taxa de substituição implíci ta de 10% ao útil, pode ser lançada como receila. A diferença
a no, com base na taxa de O, 1O vaca de abate entre esses dois valores deve ter o mesmo valor
vendida por vaca produúva. Vende-se menos da depreciação anual do primeiro mélodo.
de um novilho por un idade bovina por causa
d e vários pressupostos: ( 1) a porcentagem de Ração e pasto
pa rição é inferior a 100%; (2) algumas no-
Mui los empreendi mentos pecuários consomem
vilhas são retidas para substitu ir as vacas de
tanto ração adquirida quanto cultivada no pró-
aba te; e (3) sofre-se algum a perda por morte.
prio estabelecimento. A ração comprada é fa-
cilmente avaliada pelo c usto. A ração cultivada
Substituição do rebanho no estabelecimento deve ser avaliada pelo seu
reprodutor custo de oportunidade, ou seja, pelo quanto ela
Uma consideração importante nos orçamentos seria vendida fora do estabelecimento. Deve-se
de empreendimento de rebanhos reprodutores tomar cuidado para incluir despesas com sal e
é contabilizar corretamente a substituição dos minerais, valores anuais de custos de estabe-
animais produtivos. O exemplo da Tabela 10-3 lecimento, fertilizante, pulverização ou sega
presume que as fêmeas substitutas são criadas de pastos e a ração necessária para manter o
e m vez de compradas. Com uma taxa de pari- rebanho reprodutor se estiverem sendo criados
ção de 90%, há 0,45 novilho disponível para para substituição. Custos de pasto também in-
ll venda por vaca, devendo haver também 0,45 cluiriam um ônus pela terra usada, com base no
t: novilha. No entanto, ao me nos O, 1O novilha custo do arrendamento do pasto ou, se próprio,
,,,_ por vaca precisa ser retida para substitu ição. em eu custo de oportunidade.
Esse exemplo mostra que O, 12 (0,45 disponí-
vel menos 0 ,33 vendida) é retida. As novilhas
Instalações dos animais
adicionais re tidas cobririam uma perda de 2%
por morte entre as substitutas e o rebanho pro- Instalações dos animais incluem ed ificaçõe ,
IJ
dutivo. Sempre que se criam os ani mai substi- cercas, currais, cochos, bebedouros, poço ,
tutos, o número de crias fêmeas vendidas deve moinhos de vento, annazéns de ração, equi-
ser ajustado para refle tir a porcentagem retida pamento de ordenha e outros itens especiali-
a fi m d e substi tuir animais abatidos do reba- zados empregados na produção pecuária. A
nho re produtor e a perda por morte. despesas operacionais de se itens incluem
Se as substitutas fossem adquiridas, o or- consertos e o combustível ou eletricidade ne-
f cessário para operá-los.
çam e nto do empreendimento acusaria receita
ad vinda da venda de todas as crias fêmeas como Esses itens também oca ionam cus tos
novi lhas. A inclusão do custo líquido das subsli- fixos, apresentando alguns do me mo pro-
tutas pode ser realizada de duas formas. Primei- blemas de cálcu lo e alocação apre entado
ro, pode-se incluir como despesa uma quantia qua ndo fa lamos obre máquina agrícola .
de de prec iação, calc ulada pelo método linear. Devem-se calcular depreci aç ão anual, j uro .
Isso leva em consideração o declínio no valor impostos e seguro para cada instalação de ani-
e ntre o preço de compra e o valor de mercado mais. Para iten especializado~ utilizado- por
na é poca de abate para uma vaca típica do re- somente um empreendimento pecuário. o cu -
ba nho. Não seria acusada recei ta originária de tos fixo anuai lotai podem imple mente cr
ani ma is de abate nem despesa para compra de dividido pelo número de cabeças que os usam
/
substitutas. Como alternativa, o preço de com- cada ano para obter o valor por cabeça. Quan-
176 Parte IV Orçar para obter mais lucro

domai ~ de um empreendimento pecuário u a o cionar o níveis de insumo que satisfaçam o


item. deve-. e ti. ar algum método para alocar o princípio da igualdade marginal.
custo. fixos entre os empreendimento . As e timativa de cu to fixo em orçamen-
to de empreend imento costumam se basear
Maquinário e equipamento cm um tamanho de estabelecimento ou nível
deu o pre umido. Podem ser necessárias di-
Tratorc -. pi ape e outra máquina e equipa- feren te e tim ativas caso os custos fixos sejam
mento podem cru ado tanto para produção di tribuídos por muito mais ou muito mcno
agrí ola quanto pecuária. A despe a opera- unidade de produto do que o nível pres umj do
ionai e de propriedade devem amba er di - pelo orçamento.
vididas entre o empreendimento agrícolas e Orçamento de e mpreendimento de-
pecuário de acordo com cu uso proporcio nal mandam um a grande quantidade de dado .
do item. Regi tro an teriore do estabelecimento
agropecuário ão uma fonte excelente, caso
e tejam di ponívei com detalhes suficien-
COMENTÁRIOS GERAIS
te e para o empreendimento sendo orçado.
SOBRE ORÇAMENTOS DE Muito E tados publicam um resumo anual
EMPREENDIMENTO da renda e de pesas médias de estabele-
cimento rurais que participam de serviços
É preci o con iderar diver os fatores ao ela- e taduai de registro.
borar e u ar orçamentos de empreendimento. Esses resumos podem conter detalhes su-
o- princípio econômico da igualdade entre ficientes para ser uma útil fonte de dados para
valor do produto marginal (YPMg) e custo do orçamentos de e mpreendimento. Pesquisas
in umo marginal (CIMg) e da combinações realizadas por faculdades de agronomia, pelo
de insumo de menor cu to devem ser levado Mini tério da Agricultura dos Estados Unidos
em conta ao e col her os níveis de in umo em e por empresas de agronegócio são publicados
um orçamento. Porém, não as uma que todos em boletins, panfletos, relatórios especiais e
o orçamentos publicado por terceiro fo- revistas rurais. Essas informações geralmente
ram elaborados valendo-se de e princípio . trazem rendimentos médios e requisitos de in-
Me mo e tiverem sido, os níveis podem não sumo para empreendimentos específicos.
er correto para uma dada ituação indi vi- Os dado corretos de preço e rendimento
dual. Os nívei de in umo típico ou médios talvez dependam da fin alidade do orçamento.
aplicado em muitos orçamentos publicados Um orçamento que vai ser utilizado apenas
talvez não sejam o nívei maximizadores de para fazer ajustes no plano agropecuário do
lucro para um estabelecimento agropecuário ano cguinte deve possuir estimativas sobre
e pecífico. o preço e o re ndime nto esperado do ano se-
É pos ível utilizar diversos níveis e com- guinte. Devem-se usar estimativas de preços
binaçõe de insumos diferentes, mesmo em e rendimentos de longo prazo em orçamentos
um único estabelecimento agropecuário; por- fei tos para auxj)iar no desenvolvime nto de um
tanto, não há um único orçamento para cada plano de longo prazo para o negócio. O rendi-
em pree ndimento. Existem tantos orçamentos mento adequado para um dado orçame nto de
potenciais quantos nívei e combinações pos- empreendimento também dependerá dos tipos
sívei de insumo . I o, mais uma vez, ressalta de insumos inclu ídos no orçamento e dos ní-
a importância de escolher o níveis de insumo veis de insumo. Níveis mais altos de insumos
maximizadores de lucro para a ituação indi - devem ser reíletidos por re ndimentos maiores,
vid ual ou, caso o capital eja limitado, ele- e vice-versa.
Capítulo 1o Orçamento de empreendimento 177

INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE tipos de análises. Entre e las, encontram-se o


DE ORÇAMENTOS DE cálculo do custo de produção e o cálcul o dos
EMPREENDIMENTO preços e rendimentos de equilíbrio.

Todo orçamento econômico de empreendi- Custo de produção


mento deve ser interpretado corretamente. Um Custo de produção é um termo empregado
orçamento econômico inclui custos de oportu- para descrever o custo médio de produzir uma
nidade de mão de obra, capital, terra e (tal vez) unidade da commodity. É o mesmo que o cus-
gestão como despesas. O lucro (ou prej uízo) to total médio apresentado no Capítulo 9 , des-
resultante é a receita que resta após se cobri- de que se usem os mesmos custos e nível de
rem todas as despesas, inclusive os custos de produção no cálculo dos dois. A equação do
oportunidade. Esse número pode ser pensa- custo de produção agrícola é:
do como um lucro econômico, o que não é o
mesmo que lucro contábil. Este último não Custo total
Custo de produção = ------
inclui custos de oportunidade como despesas Rendi mento
operacionais. Em vez disso, o lucro contábil é
a receita remanescente para pagar pelo uso de que é o mesmo que a do custo total médi o,
gestão, mão de obra não remunerada e capital sendo "produto" e "rendimento" termos in-
patrimonial. Um lucro econômico projetado de tercambiáveis. No exemplo da Tabela 10-2,
zero não é tão ruim quanto pode parecer. Esse o custo de produção do milho é de US$ 476
resultado quer dizer que toda a mão de obra, o divididos por 120 bushels, ou US$ 3,97 por
capital e a terra está rendendo exatamente seus bushel. O custo de produção muda sempre que
custos de oportunidade - nem mais, nem me- o custos ou rendimentos mudam.
nos. Um lucro projetado positivo significa que Custo de produção é um conceito útil, espe-
um ou mais desses fatores está auferindo mais cialmente ao comercializar o produto. Sempre
do que seu custo de oportunidade. que o produto pode ser vendido por mais do que
Os dados do orçamento de empreendi- seu custo de produção, está sendo obtido lucro.
mento podem ser usados para rea lizar vários Se os custos de oportunidade estão incluído

Quadro 10-3 Orçamentos de empreendimento de terceiros

Muitas vezes, é cômodo usar orçamentos de estaduais e outras organizações frequente-


empreendimento elaborados por outros. Con- mente usam formatos ligeiramente diferentes
tudo, é pouco provável que um orçamento para organizar e apresentar dados orçamen-
feito por um terceiro se encaixe exatamente tários. Todavia, as principais rubricas e itens
em uma situação agropecuária específica. A expostos neste capítulo devem ser incluídos,
maioria dos orçamentos elaborados utiliza va- qualquer que seja o formato escolhido.
lores típicos ou médios para uma dada área Orçamentos prontos só devem ser con-
geográfica. Porém, entre os estabelecimentos siderados como um guia, sendo vistos como
agropecuários, há diferenças em rendimentos, algo que precisa de ajustes para se aplicar a
níveis de insumo e outras práticas gerenciais. um estabelecimento agropecuário concreto.
Também é Importante conhecer os pressupos- Muitos orçamentos prontos possuem uma co-
tos e as equações aplicados em um orçamen- luna intitulada "Seus valores" ou algo do gê-
to, pois eles talvez não se encaixem em todas nero, para que o usuário possa fazer ajustes
as situações. Diferentes serviços de extensão específicos para seu estabelecimento.
178 Pa rte IV Orçar para obter mais lucro

na de pe, as. o lucro é um lucro econômico. O US., 476,00 d ivi didos por 120 bushel s, ou
lu ·ro contáhil rc ultante , erá ai nda maior. US$ 3,97. O preço de ponto de equilíbrio é
igual ao cus to de produção. São apen as du as
Análise de ponto de equilíbrio íom1as di stintas de ver o mesmo valor.
O preço de po nto de equilíbrio t ambém
Os dado con tante no orçamento de empre-
pode er calculado para uma gama de rend i-
endimento podem er aplicados para reali zar
men tos possívei , como na ta be la que segue.
uma an:íli e de ponto de equi líbrio de preço e
Rendi mento d ifere ntes ocas iona m preços d e
rendimento . A fómrn la para calcular o rendi-
ponto de eq uilíbrio (e cus tos d e produçã o ) d i-
mento de ponto de equilíbrio é:
ferentes, e e e preço podem var ia r b astante
. Custo total dependendo do nível de re ndimento. '
R end1mcn10 de ponto = - - -- - -
de eq uilíbri o Preço por prod uto
Preço de ponto de
E e é o rendimento ncccs ário para fazer Rendimento (bu) equilíbrio (US$)
frente a todos o custos a um dado preço de 80 5,95
produto. o exemplo da Tabela 10-2, seria US$ 100 4.76
476 dividido por US$ 4,00, ou 119 bushcls por 120 3,97
acre. O preço do produto é apena uma estima- 140 3,40
160 2,9 8
tiva; as im, muitas vezes. vale a pena calcular
o rendimento de ponto de equilíbrio para uma
gama de preços po síveis, como mo trado aqui: No orçame nto de empreendimento, o
re ndi mento e o preço de produto são valores
estimados, e não reais, portanto o cálculo d e
Rendimento de ponto
rendi mentos e preços de ponto de equilíbrio
Preço por busbel (USS) de equilíbrio (bu)
pode auxi liar na to mada de decisão gerencial.
3,00 158.7 Estudando as variadas combinações de rendi-
3,50 136,0
mentos e preços de ponto de equilíbrio, os ges-
4.00 119,0
4.50 105.8 tores podem formar s uas próprias expectativas
5,00 95,2 quanto à probabilidad e de conseguir uma com-
bi nação de preço e rendimento que cubra exa-
Essa abordagem pode tornar mai claro tamente os c ustos totais. Preços e rendimentos
como o rendimento de ponto de equ ilíbrio de ponto de eq uilíbrio també m podem ser cal-
é sensível a alterações no preço do produto. cul ados a partir dos c ustos vari áve is totais em
Como exibido nessa tabela, o ren dimento de vez dos custos to tais. Esses resultados pode m
ponto de equilíbrio pode ser sensível a altera- ajudar os gestores a to m ar as decisões discuti-
ções no preço do produto. das no Capítul o 9 a respe ito d e prosseguir o u
O preço de ponto de equi lib rio é o preço interromper a produção para minimi zar prej uí-
de produto necessário para cobrir exatamen te zos no curto prazo. Se a aná lise d e ponto de
todos os custos em um dado nível de prod uto, equil íbrio calc ulad a com c ustos vari áveis m os-
sendo encontrado a partir da seguinte eq uação: trar que os produ tores não c onseguirão fazer
fre nte aos custos vari áveis , s ua m e lhor provi-
Custo total dência econômica gera lme nte é não produ ú r
Preço d e ponto = - - - .- - - - -
de equi líbrio Rendimento esperado aquele e mpreendime nto naque le a no .
Qua ndo h á m últiplas fontes d e recei ta
ovamente tomando- e o exemplo da Tabe- no empreendime nto , pode-se e xecut a r a aná-
la 10-2, o preço de ponto de eq uilíbrio seria lise de po nto d e equilíbrio p a ra um produto
Capítulo 1o Orçamento de empreendimento 179

mantendo-se cons tantes os rendimentos e do for 800 libras por acre, o preço de ponto de
preços dos outros produtos. Por exemplo, se equil íbrio será 56,25 centavos por libra.
um produtor de algodão vende r fi bra e ca- Os cálculos de pontos de equi líbrio só são
roço de algodão, have rá du as fo ntes de re- relevantes para os níveis de insumo pressupos-
ceita. Se o re ndime nto espe rado do caroço tos nos orçamentos do empreendimento. Se os
de a lgodão for de 1.250 libras por acre e o níveis de insumo forem aumentados ou di mi-
preço espe rado do caroço fo r de US$ 0,08 nu ídos, não somente os custos, mas também
po r libra, o caroço de algodão co ntribui rá os rendimentos deverão mudar. Além disso,
à receita bruta com estimados US$ 100 por ao calcular rendimentos de ponto de eq uilí-
acre. Se os cus tos totais por ac re forem de brio e preços de venda para empreendimentos
US$ 550, a seguinte equ ação igualaria are- com mais de uma fo nte de receita, subtraia o
ceita total ao custo total: valor estimado das fon tes menores de receita
dos custos totais logo em seguida, dividin-
Preço da fibra x Rendimento da fibra
do pelo preço de venda esperado do produto
+ US$ 100 = US$ 550
pri nc ipal (para obter o rendimento de ponto
Preço da fibra x Rendimento da fibra de equilíbrio) ou d ividindo pelo rendimento
= US$450 esperado do produto pri ncipal (para obter o
O rendimento de ponto de equilíbrio pode preço de venda de ponto de equilíbrio do pro-
ser calculado dividindo-se US$ 450 pelo preço d uto principal). Um exemplo já apresentado
esperado. Se o preço esperado for US$ 0,60, é o algodão, em que o caroço de algodão é a
por exemplo, o rendimento de ponto de eq uilí- fo nte menor de receita, e a fi bra, a fonte prin-
brio da fibra será 750 libras por acre. Pode-se cipal de receita. O mesmo se aplicaria para os
obter o preço de ponto de equilíbrio da fibra pagamentos de commodities do Ministério da
de forma semelhante. Se o rendimento espera- Agricultura dos Estados Un idos.

RESUMO
Orçamentos de empreendimento são uma organização das rendas e despesas projetadas de um empreen-
dimento avulso. Eles são elaborados para uma única unidade do empreendimento. como um acre (para
empreendimento agrícola) ou uma cabeça (para empreendimento pecuário). A maioria dos orçamentos de
empreendimento constitui-se de orçamentos econômicos e. como tal, inclui todas as despesas variávei ou
operacionais, todas as despesas lixas ou de propriedade e custos de oportu nidade de fatores como mão de
obra do operador, capital e gestão.
Podem-se utilizar orçamentos de empreendimento para comparar a lucralividade de empreendimentos
alternativos, sendo eles especialmente úteis para elaborar um plano completo do estabelecimento agrope-
cuário. Eles também podem ser usado para fazer pequenos ajustes anuais no plano do e tabelecimento.
em resposta a mudanças de curto prazo nos preços e rendimento . Uma vez concluído, o orçamento de
empreendi mento contém os dados necessários para calcular custo de produção. rendimento de ponto de
equilíbri o e preço de ponto de equilíbrio.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Repasse o Capítulo 9 e sugira como o valor de "retorno acima dos cu to variávei " constante na
maioria dos orçamentos de empreendimento poderia er usado para tomar algumas decisõe de produ-
ção de curto prazo.
180 Parte IV Orçar para obter mais lucro

2. Os princípios econômicos para a determinação dos níveis maximizadores de lucro de insumo devem
ser aplicados antes ou depois da conclusão do orçamento de empreendimento? Por quê?
3. Um orçamento de empreendimento de soja registra um rendimento de 46 bushels, um preço de venda
de US$ 8,85 por bushel e um custo total de US$ 386,00 por acre. Qual é o custo de produção? E o
rendimento de ponto de equilíbrio? E o preço de ponto de equilíbrio?
4. Por que se devem incluir os custos de oportunidade da mão de obra do produto, do capital e da gestão
no orçamento de empreendimento?
5. Se a terra é própria, deve-se colocar um ônus da terra no orçamento de empreendimento? Por quê?
6. Seria de se e perar que dois estabelecimentos rurais de tamanhos muito diferentes tivessem os mes-
mos custos fixos em seus orçamentos para um mesmo empreendimento? As economias ou desecono-
mias de escala poderiam explicar as eventuais diferenças?
7. "Potencialmente, existem muitos orçamentos diferentes para um mesmo empreendimento." Defenda
ou refute essa assertiva.
8. Como um funcionário de empréstimos rurais poderia utilizar orçamentos de empreendimento? E um
avaliador de imóveis rurais? E um produtor, ao fazer o pedido de insumos para o ano segui me?
9. Em que o orçamento de empreendimento de um cultivo perene, ou de longo prazo, difere do de um
cultivo anual?
'l

'i.
Planejamento completo
do estabelecimento
, .
agropecuar10

Objetivos do capítulo
1. Mostrar em que o planejamento completo 4. Apresentar a programação linear como
do estabelecimento agropecuário difere uma ferramenta para escolher a combina-
do planejamento de empreendimentos ção mais lucrativa de empreendimentos.
avulsos. 5. Comparar os pressupostos empregados
2. Aprender as etapas e os procedimentos em orçamentos de curto prazo e de longo
a seguir no desenvolvimento de um plano prazo.
completo do estabelecimento agropecuário.
3. Compreender as diversas aplicações do
plano e do orçamento completos do esta-
belecimento agropecuário.

Após a gestão desenvolver um plano estra- O QUE É O PLANO COMPLETO


tégico para um negóc io rural , o próximo DO ESTABELECIMENTO
passo lógico é desenvolve r um plano tático AGROPECUÁRIO?
para executá-lo. Todo gestor tem um plano
de a lgum tipo - sobre o que produzir, como Como o nome ugere, um plano completo do
produ zir e qu a nto produzir - , me mo se estabelecimento agropec uário é uma inop ~
não tiver sido posto inteirame nte no papel. ou resumo da produção a er realizada em todo
Poré m , um procedime nto sistemático para o e tabelecimento rural do recur ·o ne e -
desenvolver um plano completo de e tabele- ários para tal. Ele pode entrar em detalhe:
cimento agropecuário pode gera r um plano uliciente para incluir taxa · de apli u ão de
que amplia os lucros rurais ou chega mai fertili zante, emente e pe, ti ida e a rnçõe
próximo de outra metas. dada ao animai , ou pode imple me nte
182 Parte IV Orçar para obter mais lucro

elen ar os empreendimento a crcm e ·ccu- Etapa 1


Determinar objetivos e
tado~ e cu ní ei de produção de ejado . especificar metas

Quando o u to e retomo e pcrado de cada


parte do plano ão organizado em uma pro- Inventariar recursos
Etapa 2
dispon ívels
jc ão detalhada. o re ultado é um orr;a111e11to
completo do estabelecimento agropecuário. Identificar poss1vels
O Capítulo I O falou obre orçamento Etapa 3 empreendimentos e
coeficientes técnicos
de empreendimento. O or amen to de em-
preendimento podem er empregado como
omponentc no de envolvimento do plano Etapa 4 Estimar margens brutas
completo do e tabelecimento agropecuário e
do orçamento corre pondente. O plano com- Escolher uma combinação
Etapa 5
pleto do e tabelecimento agropecuário pode de empreendimentos
er elaborado para o ano corrente ou para o
pró ·imo, ou, então, refletir um ano típico para Etapa 6 Elaborar um orçamento
um penado maior. Em algun ca o , pode er completo do estabelecimento

nece ário um plano tran itório para o tempo


que le a para implementar completamente Figura 11-1 Processo de desenvolvimento
uma grande mudança na operação. Também do plano completo do estabelecimento agro-
pecuário.
devem er con iderado os efeito de plano
alternativo obre a ituação financeira e a ex-
po ição a ri co do negócio. quantidade fixa. O objetivo usual de um plano
de um ano é maximizar a margem bruta to-
tal do estabelecimento agropecuário. Porém
O PROCEDIMENTO DE al ternativas que pressupõem um aumento n~
PLANEJAMENTO oferta de um ou mais dos principais recursos
podem também ser consideradas, assim como
O de envolvimento do plano completo do e - um complexo plano plurianual. No Capítulo
tabelecimento agropecuário pode er dividido I 7, di corremos sobre algumas técnicas mais
em eis etapas, como exibido na Figura 11-1: avançadas para analisar a lucratividade de no-
( I) determinar objetivos e especificar meta ; vos investimentos de capital.
(2) in entariar o recur o físicos, financeiro e
humanos à di po ição; (3) identificar possíveis
Determinação de objetivos e
empreendimentos e cu coeficientes técnicos;
(4) estimar as margen bruta de cada empre-
especificação de metas
endimento; (5) e colher um plano - a combi- A maioria das técnicas de planejamento pre-
nação viá el de empreendimentos que melhor ume que o gestor busca primordialmente
cumpre as metas fixada ; e (6) de envolver um maximização do lucro, mas esse objeti o e-
orçamento completo do estabelecimento agro- guidamente está ujeito a diversas restri õ
pecuário que projete o potencial de lucro e a pessoais e societárias. Manter a produtividad
nece sidade de recurso do plano. Cada etapa da terra no longo prazo, proteger o meio am-
erá discutida e ilu trada por um exemplo. biente, resguardar a saúde do operador e do·
Frequentemente, o plano do e tabele- trabalhadores, manter a independência finan-
cimento rural é elaborado para um ano, e ceira e ter tempo para ativ idades de lazer -
recur o como terra, mão de obra em turno questões que afetam o plano completo do e·-
in tegral, animai reprodutores, maquinário tabeleci mento rural. Certos empreendiment
e con truçõe ão con iderado recurso de podem er inclu ídos no plano por causa d
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 183

ati fação qu e o operador obtém com elas, a possíveis de e ·coamento supe rfic ial ou
de peito de e us resultados econômicos, en- subsuperficial.
quanto o utras podem ser excluídas por ra_zões 7. Práticas e estruturas de con ervação do
pc oais, muito e mbora po~s~m ser lu~rat1vas. solo, inclusive necessidades atuai e futu-
pó identifi car os obJettvos gerais, tanto ras de aperfeiçoamento.
profi io nai quanto pess~ais, o gestor _deve 8. O plano atual de conservação do solo e as
tar cm pos ição de especificar um conJunto limitações que ele possa impor ao uso da
de meta de de e mpenho. Essas podem ser de- terra ou à tecnologia.
fini da cm termos de rendimentos de cultivo, 9. Bases de cultivo, rendimentos estabele-
ta as de produção pecuária, custos de produ- cidos, contratos de longo prazo e o utras
ção, re nda líqu ida ou outras medidas. características relacionadas a programa
governamentais ou obrigações j urídicas.
Inventário de recursos 1O. Problemas existentes e potenciais com
A egu nda etapa do desenvolvimento do pragas e inço que possam afetar a eleção
plano co mpleto do estabelecimento agrope- de empreendimentos ou os rendimentos
cuário é inventariar com exatidão os recursos dos cultivos.
di pon íveis. O tipo, a qualidade e a quantida- 11. Regimes imobiliários e condições de ar-
de de recur os disponíveis determinam quais rendamento que possam afetar deci ões
empreendimentos podem ser considerados no de produção.
plano completo do estabelecimento agrope- Esta é também uma boa hora para traçar
cuário e quais não são viáveis. um mapa do estabelecimento rural, mostrando o
tamanho dos campos, disposições dos campos.
Terra cercas, vias e valas de escoamento, linhas de
O rccur o fundiário é geralmente o de maior drenagem e demais atributos físicos. Um mapa
alo r e o mais difícil de alterar. A terra é tam- pode auxiliar no planejamento de mudanças
bém um recurso complexo, com muitas carac- ou na documentação de práticas passadas. Se
terísticas que influenciam o tipo e o número de estiver disponível, a história de cultivo de cada
e mpreendimentos a considerar. Seguem alguns campo, incluindo cultivas produzidos, rendi-
iten importantes a incluir no inventário da terra: mentos obtidos, fenilizante e calcário aplicados
.,• l. úmero total de acres disponíveis em ter- e pesticidas utilizados, pode ser registrada em
uma cópia do mapa do campo ou em uma base
ra de c ulti vo, pasto, pomares e vinhedos,
m atas plantadas e nativas. de dados no computador. Essas informações ão
úteis para desenvolver um programa de culti o
2 . Fatore c limá ticos, incluindo temperatu-
em que se deseje rotação de cultivos ou onde
ra, prec ipitação a nual e duração da esta-
resíduos de herbicidas possam representar um
ção de c ultivo.
problema. Muitos países já possuem grande
3 . Tipo · d e solo e fatores como talude, tex-
bases de dados computadorizadas obre carac-
tura e profundidade.
terísticas de solo e terra que podem ser ace a-
4 . Níve i e n ece idade de fertilidade do das por meio de especialistas dos programa de
olo. Um prog rama de análise de solo pode extensão estaduais ou pela unidades do lini -
cr nece sário como parte do inventário. tério de Agricultura dos Estados Unidos.
5 . O suprime nto atual de água e o sistema de
irrigação (ou o potencial de seu desenvol- Instalações
vime nto). O inventário das instalações deve li tar to-
6 . Canai e linhas de dre nagem existentes, das as estruturas, juntamente com seu estado.
a lé m d e eve ntua is problemas reais ou capacidade e aplicações possívei . Empre-
184 Parte IV Orçar para obter mais lucro

cndimcnto, pecuário. e armazenamento de re e contratados, incluindo sua distribuição


ultivos podem cr gravemente limitado em azonal. A disponibilidade e o custo da mã
número e tamanho pela in talaçõc à dispo- de obra adicional em turno integral ou pareia~
i ão. Equipamento de manu cio de ração, também de_vem se~ _regi trados, pois O plano
am1azenagcm de forTagem e grão, suprimento agropecuário definrtrvo pode utilizar lucrativa-
de água, manu cio de e terco, e di po ição e mente mão de obra extra. A qualidade da mã
apa idade de in talaçõc pecuária devem de obra é mai difícil de medir, mas devem se~
er relacionado no inventário. regi trada qualificações especiais, trcinamc n _
• A ,

O potencial de produção pecuária pode to e expenencia que possam afetar O succ


er afetado tam bém pela localidade da pro- ' 1de detennmados
po rve . [Link]
priedade. Proximidade de riacho , açudes ou
habitante vizinho podem re tringir o tipo e o Gestão
volume de animai que podem er criado ou A última parte do inventário de recursos é
finalizado . Além di o, deve haver uma área u~1a a~a:iação das ~abilidades gerenciais à
de terra adeq uada para o de carte ambiental- dr po rçao do negócio. Quais são a idade e
mente correto do e. terco. expe~iência do gestor? Qual é o desempenh:
antenor do gestor e sua capacidade de tom
Maquinário deci õe gerenciais? Quais habilidades espe~
Máquinas podem er um recur o fixo no curto c1a1 ou pontos fracos críticos se verificam? s
- . e
prazo, e o número, o tamanho e a capacidade o g~ tor nao possuir treinamento, experiência
do maquinário disponível devem con tar no ou rnteresse em um dado empreendimento é
inventário. Deve- e pre tar atenção e pecial a provável que este seja ineficiente e não Juc;a-
máquinas e pecializada , de finalidade única. tivo. A qualidade do recurso gerencial deve
. ri· se
O limite de capacidade de uma máquina e pe- re íl ellr no coe 1c1entes técnicos incorporados
cializada, como uma colheitadeira de algodão, aos ?rçamentos do :stabelecimento agrope-
muitas vezes, determina o tamanho máximo do cuário. Sucesso antenor e registros são os me-
empreendimento em que ela erá empregada. lhore indicadores do desempenho por vir.

Capital Outros recursos

O capital, para fin tanto de curto quanto de Disponibilidade dos mercados locais, transpone
1

longo prazo, pode ser outro recurso limitador. consultores, quotas de comercialização e insu-
A falta de caixa imediato ou um acesso limi- mos especializado também são recursos impor- ,•
tado a crédito operacional pode afetar o tama- tames a considerar no desenvolvimento do plano
nho e a compo ição de empreendimentos es- completo do estabelecimento agropecuário.
colhidos. Relutância em comprometer fundos
em ativos fixo ou em alavancar o negócio por Identificação de empreendimentos
meio de empré timos de longo prazo também e coeficientes técnicos
pode limitar a expan ão da operação agrope-
cuária ou a compra de tecnologia poupadora
Para alguns produtores, a decisão de quai f
empreendimentos colocar no plano do estabe-
de mão de obra.
lecimento já é determinada pela experiênc1 e
Mão de obra preferências pe soais, investimentos fixo em
equipamento e instalações especializados
O recurso laborai devem er anali adas em pelas vantagens comparativas regionais de w·
termos de quantidade e qualidade. A quantida- to produto . Para esses produtores, o proce~
de pode er medida em me cs de mão de obra de planejamento completo do estabelecimento
atualmente di ponívcl entre operador, familia- agropecuário se concentra na elaboração do
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 185

orçamento completo do e tabelecimento agro- Para empreendimentos novos. às vcze , pode-


pecuário para seu plano. Outros gestores, po- -se obter informação sobre coeficiente téc-
rém. preferirão experimentar diferentes com- nicos a partir de orçamentos de empreendi-
binações de empreendimentos, desenvolvendo mentos de terceiros, do serviço de extensão
uma érie de orçamento e comparando-os. ou de organizações de commodities. Número
O in entário de recursos mostrará quais imprecisos de coeficientes técnicos podem le-
novo empreendimento agrícolas e pecuários var a planos de estabelecimento agropecuário
ão iá ei . O que exigem um recurso indis- distorcidos ou enganosos; assim sendo. coefi-
ponível podem ser descon iderados, salvo se cientes técnicos precisos são essenciais para
for po ívcl adq uiri -los ou alugá-los. Não se um processo correto de planejamento.
deve permitir que cos tumes e tradições res-
trinjam a lista de empreendimentos potenciais, Estimativa da margem
omente a limitações de recursos. Muitos es- bruta por unidade
1abelecimento rurai incorporaram empreen-
dimento alternativos ou incomuns em seus Os orçamentos de empreendimento, vi tos em
plano , e alguns são bastante lucrativos. detalhes no Capítulo IO, são ferramentas im-
O coeficiente técnico de um empreendi- portantes do planejamento rural. É nece ária
men to indicam quanto de um recurso é neces- um orçamento para cada empreendimento
ário para produzir uma unidade do empreendi- passível de ser escolhido para o plano do esta-
mento. Esses coeficientes técnicos, ou requisitos belecimento agropecuário, para os já em pro-
de recur os, são importantes para fixar tamanho dução e para as novas alternativas sendo con-
máximo possível dos empreendimentos e a me- sideradas. Os orçamentos de empreendimento
lhor combinação de empreendimentos. proporcionam as estimativas de margem bruta
O coeficientes técnicos são desenvolvi- necessárias para o processo de planejamento
dos para corre ponder à unidade orçamentária rural, também dando informações que podem
de cada e mpreendimento, que costuma ser um ser utilizadas para desenvolver os coeficientes
ac re para agricultura e uma cabeça para pe- técnicos discutidos anteriormente.
cuária. Em quase todos os empreendimentos, Como mostrado no Capítulo IO, a margem
crão necessários coeficientes técnicos para bruta é a diferença entre renda bruta e custos
terra, mão de obra e capital. Os coeficientes variáveis. Ela representa com quanto cada uni-
técnico para I cabeça de gado de corte, por dade de um empreendimento contribui para
exemplo, podem ser 2 acres de pasto, 6 horas os custos fixos e o lucro após serem pagos o
de mão de obra e US$ 332 de capital opera- custos variáveis de produção. Se a meta for a
cional. Em alg uns empreendimentos, tempo de maximização do lucro, usar a margem bruta, e
m áquina o u u o de edilicaçõe também podem não o lucro bruto, pode parecer estranho. En-
er rec ur os cruciai , devendo er explicita- tretanto, como o plano é para o curto prazo, os
mente levados cm conta no processo de plane- custos fixos são constantes, qualquer que cja
jamento rural. Logo, o coeficientes técnicos o plano agropecuário escolhido. Uma maroem
~

de I ac re de milho podem ser I acre de terra, bruta positiva representa uma contribuição para
J ,6 hora de mão de obra, US$ 382 de capital o pagamento desses custos fixos. Portanto, no
operacional e 1, l hora de tempo de trator. curto prazo, maximizar a margem bruta I! equi-
Muita vezes, podem-se obter números valente a maximizar o lucro (ou minimizar 0
prcci o de coe fi cientes técnicos (como a prejuízos), pois os custos fixo não mudarão.
quantidade de mão de obra necessária por acre Orçamentos de empreendimento preci 0
de c ultivo o u a quantidade de ração adquirida são de grande importância no planejamento
nccc ária por animal) em regi tros agropecu- completo do estabelecimento agropecuário.
ário pormenorizados mantidos pelo gestor. Uma boa estimativa da margem bruta de um
186 Parte IV Orçar para obter mais lucro

empreendi mento ex ige as melhores estimati vas rabelecímento agropecuário. P~


que o g tor po a ter de receita bruta e c usto o rçamento completo do ~ tabelecí
variá ei . É imponante que as estimativas de pecuário para:
preços de venda e rendimento sejam precisas 1. Es tim ar as rendas, des ar. e 11 e ~
e que as e timativas de rendimento reflitam as pe rados de um dado plano cfo ...._,,.,_
práticas de produção empregadas. As e tima-
mento agropecuário;
tivas de cu to variável também devem refletir
2. Estimar as e ntradas de cai~a. a~ '
as práticas de produção, sendo que essas esti-
c ai xa e a liq uidez de um dado plz:-r,
mativas devem identificar a quantidade de cad.a
e stabe lecimento agropecuário;
insumo variável, assim como o preço de co m-
pra unitário. Uti li zar orçamentos de empreen-
3. Comparar os efeit~ de planos
dimento imprecisos no proces o de planeja-
ternativos sobre lucratividade, r.
mento agropecuário pode resultar em um plano outras cons ide rações ;
menos que ideaJ e em uma redução no lucro. 4. Ava li ar os efeitos de expandir oo
de outra form a o plano awal do e-.-'..[Link]--
cimento agropecuário;
Escolha da combinação de
5. Es timar a necessidade e a dí.spon' · · ·
empreendimentos
de recursos com o t ~ capítaJ, -
Dadas as margens brutas dos empreendimen- obra, ração anima l ou água ím__
tos, a quan tidade de cada rec urso disponível 6. Comunicar o plano do estabeiec:u::~:.;
no estabelecimento e a quantidade de cada re- agropecuário a um mutuante, """_.,..,_~.._,
curso necessário por unidade de cada empre- de terras, sócio o u acionista.
endimento sendo considerado, o gestor deverá
tentar achar a combinação de empreendimen- O procedimento para desem ol er
to que dê o maior lucro to tal para o estabele- çamento e um plano completo do
cimento agropecuário. Quando há diversos c imento agropecuário será apresenl.2do -
empreendimentos a considerar ou muitas res- adiante neste ca pítu lo.
trições de recursos, usar papel e lápis para en- Muitas vezes, há fichas para OTZ: •
contrar a melhor combinação é difícil, quando reg istrar orçamen tos completos do [Link]-w..L.""'=
não impossível. Felizmente, existem software cimento agropecuário em livros \ , U l ~ X b
para ajudar os gestores rurais em sua tomada rais. O serviço de extensão do lado lz::::b:c
de decisão. Programação linear (PL) é uma pode ter publicações, fichas o so~
técnica matemática que pode ser utilizada para posição. O uso dessas fi lias o
encontrar a combinação ideal de empreendi- computador poupa tempo e dá mais ,.;....~~
mento dentro dos limites de recursos do e ta- às e timatí as orçamentárias.
belecirnento rural. Atualmente, soft ware de
programação linear estão amplamente dis poní-
EXEMPLO DE
veis como extensão de programas de planilha
eletrônica A programação linear será discutida PLANEJAMENTO COMPLETO
em pormenores mais adian te nes te capítulo. DO ESTABELECIMENTO
AGROPECUÁRIO
Elaboração do orçamento completo
O p rocedimento uúlizado no
do estabelecimento agropecuário
compl eto do estabelccim nto
A úl tima etapa do p rocesso de planejamento pode ser ílu Lrado por meio d o
é a e laboração do orçamento completo do es- segue.
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 187

Objetivos cientes para que se considerem os empreendi-


mentos pecuários.
O gestor do estabelecimento rural do exem-
plo deseja escolher uma combinação de ativi-
dades agrícolas e pecuárias que maximize a Empreendimentos e
margem bruta total do estabelecimento no ano coeficientes técnicos
seguinte. Por razões agronômicas, o operador Os empreendimentos agrícolas e pecuários
deseja lançar mão de uma composição de cul- potenciais são identificados e listados na Ta-
tivos com não mais que 50% de acres cultivá- bela 11-2. Empreendimentos obviamente não
veis C lasse A plantados com algodão por ano. lucrativos (p. ex., com margem bruta negativa)
ou que exijam um recurso indisponível devem
Inventário de recursos ser e liminados. Contudo, todos os empreendi-
A Tabela 11-1 contém o inventário de recursos mentos viáveis com uma margem bruta positi-
do estabelecimento agropecuário do exemplo. va devem er considerados, mesmo se um de-
O recurso fundiário foi dividido em três tipos: les, à primeira vista, parecer menos lucrativo
520 acres de terra cultivável Classe A, 200 do que outros. A disponibilidade de recurso
acres de terra c ultivável Classe B e 380 acres em excesso ocasionalmente faz com que um
de terra com pasto permanente. A mão de obra dos empreendimentos aparentemente menos
é o único outro recurso limitado, com 3.500 lucrativos acabe no plano definitivo.
horas d isponíveis por ano. Capital e máquinas Como ex ibido na Tabela 11 -2, o gestor
estão d isponíveis em q uantidades adequadas, do estabelecimento agropecuário do exemplo
e as poucas instalações à disposição são sufi- identificou três empreendimentos agrícolas
potenciais nas terras Classe A (algodão, soja e
milho) e dois nas terras Classe B (soja e milho).
Os empreendimentos pecuários ão limitados a
Tabela 11-1 Inventário de recursos do vacas de cria ou bois de corte, em função das
estabelecimento do exemplo construções disponíveis. O empreendimento de
Recurso
gado de corte também demanda um pouco de
Quantidade e comentários
t~rra Classe B para produção de feno. O requi-
Terra cultivável 520 acres (não mais que 50% com [Link] de recursos por unidade de cada empreen-
Classe A produção de algodão)
dimento, ou coeficiente técnico , também apa-
Terra cultivável 200 acres rece m na Tabela 11-2. Por exemplo, L acre de
Classe B algodão exige 1 acre de terra cultivável Cla e
Pasto 380 acres A, 4 h~ras de mão de obra e US$ 340 de capital
lnsialações Só há um paiol e um estábulo operacional. Embora o capi tal operacional não
sej~ limitado neste exemplo, ele é incluído para
Mão de obra 3.500 horas anuais disponíveis do
estimar as neces idades de fluxo de caixa.
operador e parentes
Capital Adequado para qualquer plano rural
Margens brutas
Maquinário Adequado para qualquer plano
agrícola possível A Tabela 11 -3 contém a renda, c u to varia-
Gestão veis e margen bruta e timado para O e te
O gestor parece ser capaz e tem
experiência com agricultura e e mpree ndime nto potenciai a e co n ide-
gado de corte rar no plano compl e to do e tabe lec ime nt
Outras agropecuário. Omitiram- e di criminativo
O feno produzido deve ervir de
limitações ração no estabelecimento, não detalhado cio c u to vari á e i para poupar
sendo vendido e paço, ma ~le coinariam no orç m1e nto
de e mpreendimento, que "ão feito, primeiro.
188 Parte IV Orçar para obter mais lucro

Tabela 11-2 Empreendimentos potenciais e requisitos de recursos


Terra cultivável Animais (por
Terra cultivável Classe A Classe B cabeça)
Bois
Quantidade Vacas de
Recurso disponível Algodão* Soja Milho Soja Milho de cria corte
Terra cultivável 520
Classe A (ncres)
Terra cultivável 200 0,2
Cla se B (acres)
Pasto (acres) 380 2 2
Mão de obra (horas) 3.500 4 1,7 1,6 1,7 1,6 6 4
Capital operacional 340 273 382 253 340 332 688
(US$)

*Limitado à metade da terra cultivável Classe A por questões de necessidade de rotação de cultivos.

Tabela 11-3 Estimativa das margens brutas por unidade


Terra cultivável Classe A Terra cultivável Classe B Animais
Vacas Bois de
Algodão Soja Milho Soja de cria corte
(acre) (acre) (acre) (acre) Milho (acre) (cabeça) (cabeça)
Rendimento 7501b 50 bu 120 bu 42 bu lOObu
Preço (USS) 0,60 7,50 4,00 7,50 4,00
Renda bruta (US$) 450 375 480 315 400 450 710
Custos variáveis 340 273 382 253 340 332 688
totai s (USS)
Margem bruta (US$) 110 I02 98 62 60 118 22

O Capítulo 10 possui orçamentos para milho A combinação de


em terra Classe A e para o empreendimento de empreendimentos
vaca/novilho. Entretanto, como o operador não
No Capítulo 8, apresentou-se um método para
paga caixa pela mão de obra nesse estabeleci- encontrar a combinação mais lucrativa de dois
mento agropecuário, usando seu próprio traba- empreendimentos. Na realidade, porém, os
lho e o de parentes, os custos variáveis foram produtores, muitas vezes, escolhem entre mui-
ajustados para baixo, excluindo custos de mão tos empreendimentos diferentes e geralmente
de obra para fins de planejamento rural. não possuem um conhecimento perfeito das
Deve-se sempre prestar atenção à estima- curvas de possibilidades de produção de seus
tiva de rendimentos, preços de produto, níveis estabelecimentos. Programação linear (PL)
de insumo e preços de insumo. A precisão do é um procedimento matemático que usa uma
plano completo do estabelecimento agrope- técnica sistemática para encontrar a "melhor"
cuário depende muito das margens brutas es- (leia-se: mais lucrativa) combinação possível
timadas. de empreendimentos. Os modelos de progra-
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 189

m ação linear possue m uma fu nção objetiva du zir. Devem-se incluir nas equ ações todo os
linear, que é m ax imi zada ou m inimizada de- empreendimentos sendo co ns iderados. É pre-
pendendo das restrições de recursos. ciso dese nvolver uma re trição para cada re-
c urso limitado. O gestor també m pode impor
Fundamentos de programação restrições ubjetivas, fi xando arbitrariame nte
um nível mínimo ou máxi mo para algun em-
linear
preendime ntos. Eis como e ria uma re trição
No planejamen to d o estabe lecimento rural , para lim itar um empreendime nto (diga mos,
o no rmal é q ue o objetivo eja max im izar a o e mpreendime nto 3) a não ma i do que um a
margem bruta total. Em termos matemáticos, certa qu antidade :
pod e mos escrever a função objeti vo (OBJ) da
segu inte forma: UN IDADES(3) $ LfMITE

OBJ = MB( 1) x UNlDADES( 1) + tal que UMITE é a q ua ntidade máxi ma do


MB(2) x UN IDADES(2) + e mpreendime nto 3 que o ge tor pe rm ite.
MB(3) x UNIDADES(3) Um mode lo de programação li near com
dois empreendimentos pode er re olvido gra-
em que BM( I) é a margem bruta por unidade ficame nte, como mostrado no Apêndice de te
(p. ex., acre de c ult ivo ou cabeça de animal) do capítu lo. Programas lineare pequenos tam-
prime iro e mpreend imento e UNlDADES( 1) é bém podem er resolvido à mão, u ando álge-
o número de unidades desse empreendimen- bra de matrize , mas o proce o é maçante e,
to (acres ou ca beças) produ zidas, e assi m por
caso haja mais do que algun pouco empreen-
di a nte para todos os empreendimentos endo
dimentos ou muitas re triçõe , é fáci l cometer
considerados no plano. Cada empree ndimento
erro . Um programa de computador con egue
(milho, soja, bois de corte, e tc.) deve er re-
re olver com rapidez e exatidão problema
presentado por um termo na equação. A ordem
grande de programação li near, com mui to
dos empreendimentos não importa, ma deve
empreendimento e re triçõe complexa .
ser regular em todo o modelo de program ação
linear. A qui, há três empree ndimento sendo
co ns iderados. Para ma is e mpree ndimento , O tableau de programação linear
devem-se aj untar mais termo . Há oftware de programação linear di · ponívei
D cse nvol ver as res triçõe de recur o como ex ten ão de programa de planilha e le-
para o modelo de program ação lim:ar exige trônica. Para re olve r um problema de PL co m
o u o d o coeficientes téc nico , j á di cutid os e e programas, é preci o q ue as informaçõe·
ne te capítulo, e do limite gerai de rec ur- ejam dispo ta em uma fom1a organizada, fre-
a s. A forma ge ra l da re trição é: q uente mente c hamada de rablea11 (quadro) de
PL. Um tableau de exemplo é mo trado na Ta-
X 1 x UN IDADES( 1) +
be la 11 -4. A primeira etapa do de en oi imen-
X2 x UNIDADES(2) +
to do tableau é criar na plan il ha uma coluna
X3 x UNIDADES(3) $ RECURSO
para cada ati vidade ou e mpreendi me nto po -
o nde X I representa a q ua nLidade um recurso íve l. São nece sária também dua o utra · a-
e pecífico necessária para produzir uma uni- luna , uma para o ti po de rc tri ·ão (menor ou
dade do primeiro empreendime nto, e a im igual a, maior ou igual a, ou igual a) e uma para
p o r d iante. A quantidade tota l do rec ur o di - o limite impo to a cada rec urso . A al una de
po nível para todo o u o , represe nLada por limite, à ezc , é hamada de "RH " porque,
RECU RSO na equação, limita o número de na relação matemática de ·çrita anteriorme nte,
unidades dos três e mpreendime nto pos ívei cs e valor est,\ no lado direi to (cm ingh: , ri ght-
que o estabelecimento ag ropec uário pode pro- -hand ·ide) do sinal de dcsigualda le .
190 Parte IV Orçar para obter mais lucro

Tabela 11-4 Tableau de programação linear para o exemplo de planejamento de estabelecimento


ag ropecuário
l\ lilho Sojn
Algodiio Soja Classe Classe Milho Vncns flois de
Clnsse Clnsse A ll Clnsse de crin corte
l 'nidndes A (ocre) A (IIC!"(') ( llC!"('} (ocre) ll (ocre) (cnbeçn) (cabeçn) Tipo Limite
r..-targcm u - US, 11 0 uss 102 uss 98 USS62 USS 60 uss 11 8 US$ 22 MAX
hrur:i unidade
TclT:l :icre o o o o s 520
Cl:i . e A
Terra acre o o o 0.2 o s 200
Cl:is e B

P:isto :icre o o o o o 2 2 s 380


Mão de hor:i 4 1.7 1.6 1.7 1.6 6 4 s 3.500
obr:i
Limite de acre o o o o o o s 260
rot:iç:io

A primeira linha do tableau de PL conte- cando- e a quantidade total de terra Classe A


rá o coeficientes de margem bruta da função di ponível, 520 acres, na coluna "Limite".
objetivo (OBJ). O tipo é ''MAX .. , de maximi- A próxima linha, de restrição da terra cul-
zação. ão haverá lançamen to na col una tivável Cla e B, é completada da mesma for-
..Limite·· da linha OBJ. A linhas sub equen- ma. Cada acre de Soja Classe B e Milho Clas-
te representarão as restrições de recurso. A se B ex ige um acre de terra Classe B. Além
coluna de cada empreendimento apre enta o di o, cada unidade vaca-novilho exige 0,2
coeficientes técnicos - a quantidade daquele acre de terra Classe B, como mostrado na Ta-
recurso que é neces ária para produzi r uma bela 11-2. A quantidade total de terra Classe
unidade do empreendimen to. A col una "Tipo" B disponível é 200 acrcs, então 200 é o limite
mo tra o tipo da restri ção (p. ex.. "menor ou para e sa restrição de recurso.
igual a"). e a coluna ·'Limite" mosLra a quanti- Para pasto, co mo exibido pela Tabela
dade total di ponível daquele rec urso. 11-2, cada vaca de cria exige 2 acres, e cada
O tableau de exemplo da Tabela 11-4 u a boi de corte exige 2 acres. O limite do pas-
as informações dada pela Tabelas 11-1, 11 -2 to é 380 acres. Esses coe ficientes técnicos e
e 11-3. A primeira linha é a fun ção objetivo, o limite aparecem nas colunas corresponden-
então os valore são as margens brutas de cada tes da linha de restrição do pasto. Os requi i-
empreendimento, retirados da Tabela 11 -3 . A to de mão de obra de cada empreendimento
próxima linha é a primeira restrição, terra culti- con tam na Tabela 11 -2, e a quantidade total
vável Classe A. Como exi bido na Tabela 11 -2, disponível, 3.500 horas, está na Tabela 11- 1.
cada cu lti vo Clas e A exige um acre des a ter- Esses valores são utili zados para preencher a
ra. Assim, é in erido " I" nas coluna de Algo- linha de restrição de mão de obra.
dão Classe A, Soja Classe A e Milho Cla se A. A última linha do tablcau é um limite so-
A quantidade de terra Cla se A usada deve ser bre a área de algodão, imposto por questõe
menor ou igual à quantidade total disponível, rotacionai . O capital, o maquinário e a gestão
então é colocado um •·5", de ''menor ou igual disponíveis são adequados para qualquer pla-
a" (cm inglês, lcss than or eq ual to), na coluna no de estabelecimento agropecuário, e ntão, no
..Tipo". Por fim , essa linha é completada colo- nosso caso, não são de envolvidas re trições
', Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 191

Tabela 11-5 Solução de programação linear para o exemplo de planejamento de


estabelecimento agropecuário
Custo Ociosidade Preço
reduzido Nível de (não sombra
.,_ Atividade Nível ideal (US$) Linhas uso usado) (US$)
" Algodão- 260 0,00 Margem bruta total uss
C lasse A 87.584
Soj a - Classe A 260 0,00 Terra cullivável Classe A 520 o 102.00
M i lho - Classe A o -4,00 Terra cul tivável Classe B 200 o 62,00

Soja - Classe B 162 0,00 Pasto 380 o 52,80


M i lho - Classe B o -2,00 Mão de obra 2.897 603 0.00
Vacas de cri a 260 o 8.00

.)
190
º·ºº Limite de rotação
Bois de corte o - 83,60

para esses recursos. Em outras situações, po- sos de mão de obra poderiam ser definidos
dem-se incluir restrições para esses recursos. mensalmente, e não anualmente, res ultando em
A Tabela 11-5 apresenta a solução ao pro- 12 restrições de mão de obra em vez de uma.
blema de PL do exemplo. O formato exato do Esse refinamento garante que pos íveis gar-
res ul tado computacional para a solução depen- galo de mão de obra nas épocas de pico não
de do pacote usado para reso lver o problema; sejam ignorados. Os limites de capital opera-
contudo, a maioria dos pacotes dá info rmações ciona l podem ser definidos de fo rma si mj)ar,
pa recidas às mostradas aqui. Para o exemplo, e o recurso fundiário pode er d ividido em vá-
a combi nação ideal de e mpreend imentos é: rias classes. Também podem ser incorporada
260 acres de algodão em terra C lasse A, 260 outras limitações que reflitam práticas de ejá-
acre s d e soja e m terra Classe A , 162 acre de veis de uso da terra, considerações ambientais,
soja em terra Classe B e 190 vacas de cria. A provisões de programas rurais ou preferê ncias
marge m bruta total (o valor objetivo) do esta- subjetivas do gestor. Podem er defi nidos di-
be lecime nto agropecuário é US$ 87.584. A co- versos empreendimentos para cada cultivo o u
luna d e oc iosidade mostra qua nto de rec ursos rebanho, representando diferentes tipos de tec-
sobraria se esse plano rural fosse c umprido. nologia, níveis de produção ou estágios.
No exemplo, todos os rec ur o são completa- Além das limitações impo tas por recur o
m e nte uti lizados, salvo a mão de obra. De mão fixos, como ten-a própria e mão de obra per-
d e o bra, são usadas 2 .897 das 3.500 horas à manente, a programação linear pode incorporar
dis p os iç ão, da ndo um valor de ociosidade de atividades que aumentam as oferta de certo
6 0 3 horas. Os o utros lançame ntos dessa tabela recursos. Es a atividades pode m incluir arren-
serão ex plicados mai adiante neste capítul o. dar terra, contratar mai mão de obra o u tomar
dinhc;iro emprestado. A o lução ideal ao pro-
Outras características da blema do planejamento inc luiria aí a aq ui ição
programação linear de mais recur os, na medida em que a margem
bruta total pude se er aumentada des a forma.
J á que rotinas computadorizadas de progra- Por exemplo, e quiséssemos que mão de o bra
m ação linear consegue m resolver rapidamente pudesse er contratada, inc luiríamo em no o
problemas grandes, muitos empreend imento tab leau uma coluna intitulada ·'Mão de o bra
podem ser considerados, incl uindo restrições contratada". e contratar mão de obra cu ' las e
de rec urso de talhadas. Por exemplo, o recur- US$ l0,00 por hora, o valor <la função objeti vo
192 Parte IV Orçar para obter mais lucro

nc a aluna seria -U " 10.00. O valor da run- gc tor e é ou não uma boa ideia adquirir mai
ào objcti\'O para ontratação de mão de obra do recurso. Se o preço sombra de um recur 0
cria negativo. l ois contratar mão de ohra é um for maior do que o custo de adquirir uma uni-
u to. a linha de re trição de mão de obra, co- dade a mais do recurso, o gestor pode conside-
lo aríamo um coeficiente técnico com o valor rar obter mai dele. Inversamente, se o preço
.._ 1·· na coluna "Mão de obra contratada·•. Es e ombra for menor do que o custo , não cri a
coeficiente . cria negativo, porque contratar lucrat ivo adquirir mai do recurso.
mão de obra aumenta a quantidade de mão de O preços sombra mostrado na última
obra di ponível cm vez de u ar uma hora. O coluna da Tabela 11 -5 indicam que possuir um
número negativo no lado e querdo da de igual- acre a mai de terra Classe B, por exemplo,
dade. portanto, eria equivalente a acre centar au mentaria a margem bruta cm US$ 62, exa-
a hora no lado direito. tamente o me mo valor da margem bruta para
Também é po sível tran ferir produção um acre de aja em terra Classe B, o cultivo
de um empreendimento para a ofcrta de re- mai lucrativo em terra Classe B. Por outro
cur o nece ária para outro empreendimento, lado, o valor de uma hora a mais de mão de
ampliando a im a quant idade disponível do obra é zero, pai nem toda a oferta original de
recur o. Por exemplo, pode- e tran ferir mi- mão de obra é u ada. Interpretações semelhan-
lho de um empreendimento de milho para um tes podem cr feita a respeito dos outros pre-
recur o de ração, aumentando a oferta de ra- ço ombra de recurso. Essas informações são
ção di ponível para produção pecuária. Uma útei para decidir quanto o gestor pode pagar
transferência de e tipo exige que e pen e por recursos adicionais. Por exemplo, só seria
com cuidado, para e ter certeza de que o mo- lucrativo arrendar mais terra Classe B se o cus-
delo não permi te também a venda do mesmo to fosse inferior a US$ 62 por acre. Em razão
milho que é tran fcrido ao recur o de ração. da horas não utilizadas da mão de obra atual,
não seria lucrativo contratar mais mão de obra.
O custos reduzidos, presentes próximo
Preços sombra e custos reduzidos
aos níveis do empreendimento na Tabela 11-5,
Além da escolha de empreendimento para o dizem ao gestor quanto a margem bruta total
plano ideal do e tabeleci men to agropecuário, (i . e., o valor objetivo) cairia ao se introduzir
a roti na de programação li near dão outra no pl ano uma unidade de um empreendimen-
informaçõe útei . De utilidade especial para to que não e tava no plano ideal. Apenas os
muitos gerente ão os valores chamados va- empreend imentos não escolhidos no plano
lores duais. Há dois ti po de valore duais: ideal possuirão um custo reduzido diferente
preços sombra e custos reduzidos. Preços de ze ro. O c usto redu zido de qualquer em-
ombra são os valore duai na re triçõe de preendimento que aparecer na solução (cm
recurso, e custo reduzidos são valores duais qualquer nível) sempre será zero. Ponanto, al-
na atividades. Valores duai - preço ombra godão Classe A, soja Classe A, soja Classe B
e cu to red uzido - para nosso exemplo de e vacas de cri a possue m valores de US$ 0,00
PL podem cr visto na Tabela 11-5. para seus custos reduzidos.
Para cada restrição de rec urso no table- Em no so exemplo, milho Cl asse A, mi-
au de PL, o oftware de PL calcula um preço lho Classe B e gado de corte possuem cu to
ombra, que representa o montante cm que a reduzidos di ferentes de zero, pois esses em-
margem bruta total aume ntaria se houves e preend imentos não fa ziam parte da solução
uma unidade a mais do rccur o. Para recursos ideal. Alguns pacote de software informam
não e gotado , esse valor cria zero. Se um todos o custos redu zidos difere ntes de zero
recu r o for e gotado pelo empreendi mento como números negativos (como se vê na Ta-
escolhido no plano, o preço ombra diz ao bela 11 -5), enquanto outros os informam
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 193

como números positivos. A interpretação é a gens brutas ou aos coefic ie ntes técnico . Pode
me ma, independentemente de o número ser acontecer també m de o gestor o mit ir ac ide n-
infom1ado com sinal negativo ou positivo. talmente um a re trição impo rtante, como te m-
O custo reduzido do milho na terra Classe po ou ta lento de gestão, levando a res ultado
A indica que introduzir um acre de milho em implausíveis. Os re ullados de se modelo
terra Classe A na solução reduz iria a margem computadorizado devem ser in terpretado
bruta total em US$ 4,00. Similarmente, os com cautela, portanto. Se o resultado não
custos reduzidos do milho na terra Cl asse B fi zerem entido, o gestor deverá verificar a
e dos bois de corte indicam que introdu zir um exatidão das margen brutas, coefi cientes téc-
acre de milho Classe B ou uma cabeça de boi ni cos e limites de recursos, reexec uta ndo o
de corte na solução reduziri a a margem bruta modelo, se necessário.
total em US$ 2 ,00 e US$ 83 ,60, re pectiva-
mente. Antes de esses empreendimento pode- Desenvolvimento do orçamento
rem concorrer por um lugar no pla no do e - completo do estabelecimento
tabelecimento agropecuário, a margem bruta
agropecuário
unitária desses empreendimentos teria que ser
aumentada nesses valores ou mai s. Após o produtor ter o pla no com pleto do e -
Apesar de a programação linear se r uma ta be lecime nto agropecuário, a etapa final é
boa ferramenta para encontrar a melhor com- desenvolver um o rçame nto comple to do e -
binação de empreendimento , ela não sub ti - tabe lecimento agropec uário. A renda e o
tui o julgamento humano. A maioria do mo- custos variáveis e mpregados para calcular as
delos de programação não c o nsidera outra margens bruta do e mpreendimento forne-
metas além de maximização da margem bruta, ce m in fo rmações im po rtante para o plano
embora algumas das técnicas de programação completo do e tabeleci mento agropecuário.
mais sofisticadas possam levar em conta in- Como mostrado na Figura 11-2, e e alore
teresses como redução de risco, con ervação ão multiplicados pelo número de unidade de
de recursos, interações e ntre empree nd imen- cada empreendimento do plano, a fim de obter
tos e as melhores estratégia de cre c imento uma primeira estimaliva da renda bru ta total e
ao longo do tempo. O s re ultado do mode- do cu tos variávei totai . Q uando e usa pro-
lo, às vezes, são altamente en ívci à mar- gramação li near para de envolver um plano

Empreendimento A Empreendimento B Empreendimento C

Nº de unidades de A .___
N_º_de
_ un_ld_a_d_es_de_B_--'I 1....._ _N_
º_d_e_u_ni_
da_d_e_
s_d_e_c_ _,J

X X X

Receita bruta por unidade Receita bruta por unidade Receita bruta por unidade
Custos variáveis po r unidade Custos variáveis por unidade Custos variáveis por unidade

Estabelecimento Completo

Renda bruta total


- Custos variáveis totais

= Margem bruta
+ Outras rendas
Custos fixos
= Renda liquida do estabelecimento

Figura 11-2 Construção do orçamento completo do estabelecimento agropecuário.


194 Parte IV Orçar para obter mais lucro

completo de cstal ek ci mento agropecuário, ram calculados multiplicando- e a renda e as


a fun ·:'io objeti vo Jo modelo de programação de pe as por unidade pelo número de unidade,;
linear deve ter um valor hem próximo à dife- a . erem produzida . A margem bruta total e li-
ren a entre renda bruta total e custo variávci mada é US$ 87.584, idêntica ao valor da fun -
lotai no plano completo de e tabelccimento ção objetivo do modelo de programação linear.
agropc uário. excluindo-_e renda· e cu to rc- Con ta no orçamento uma estimati va da
fcrente a atividade - n:'io incluídas no procc - renda de outras fonte , como trabalho cu to-
o de pr grama iio linear. mi zado realizado para vizinhos. Também são
Outras renda rurai que não provêm dire- regi. trada outra de pe as que não variam
tamente do empreendimento orçado , como diretamente cm função do número de acre
re nda de trabalho cu· tomi zado e restituições culti vados ou animai criados. Esses iten
de imposto ohre combu tível , também devem incluem impo tos imobi liários, seguro sobre
~er acre · centadas ao orçamento. Regi tros ben e re pon abi lidade civil, j uros sobre dí-
passados ão uma boa fo nte de informação vida fi xa, depreciação e outras despesas. Os
para e timar e a fon te adic ionai de ren- j uro obre capital operacional emprestado
da. O u to que já não foram inclu ído no podem er regi trado aqui, caso seja utili zada
cu to variávei do empreendimento devem uma linha de crédito ou empréstimo operacio-
agora er adic ionado . a prática. de pe as nal geral para todo o e tabclecimento rural.
como reparos de in talaçõcs, gastos com au- Entretanto, o juros sobre empréstimo opera-
tomóvei e carreta , juros, erviços público , cional atrelado a um empreendimento especí-
eguro e outros custos ace sório ão difícei fico. como para a compra de gado de engorda,
de alocar a empreendimento. específico , en- devem constar nos dados do orçamento de
do pouco afetado pela combinação final de empreendimento. Custos de oportunidade não
empreend imento . Muita veze , e e cu - aparecem nesse exemplo. A renda rural líqui-
lO fixo ão chamado de cu tos indireto . da e Limada do cumprimento desse plano é de
Outras despe a . como arrendamento à vi ta US$ 66.065.
ou imposto imobil iário , podem e aplicar a
parte do acre do plano, mas a outro , não. Planos alternativos
Embora e e e outros custo fixo não afetem
a seleção do plano max imi zador de lucro de A Tabela 11 -6 também contém orçamentos
curto prazo, eles podem con tituir uma gra nde completos do e tabelecimento agropecuário
porção da despesa totai , devendo er incluí- para dois outros planos rurais. O Plano 2 en-
do no orçamento completo do e tabelccimen- ol vc arrendar mai 300 acres de terra culti-
to agropecuário.
ável Cla se A, a serem divid ido igualmente
Orçamento ba eado em plano de e ta- entre algodão e oja. E se plano possui uma
belecimento agropecuário que incluem novo renda rural líquida projetada de US$ 71.3-l5,
in e timento em ati vos fixo adicionais de- um acréscimo de US$ 5.280 sobre o Plano 1.
vem ter eus cu to fi xos revisados de acor- Há de pesa adicionais com arrendamento à
do. Cu to de oportunidade podem ou não er vista e mão de obra adicional, já que a mão de
inclu ídos no orçamento completo do estabe- obra em exce o di ponívcl no plano original
lec imento agropecuári o. Se forem incluídos, não seria suficiente para dar conta de todo o ·
o lucro orçado é o lucro econômico. Senão, é acres extra cultivados.
lucro contábil ou renda rural líquida. O Plano 3 envolve arre ndar mai s 200
O orçamento completo do e tabelecimemo acres de pasto e adicionar mais 100 vacas de
agropecuário do nos o exemplo é apresentado cri a ao plano. Vinte acres de terra C lasse B ão
na Tabela 11-6, na eção Plano 1. A renda e os tirados da soja para produzir mais ração culti-
cu tos variávei de cada empreendimento fo- vada demandada pelas vacas adicionais. Nes e
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 195

Tabela 11-6 Exemplo de orçamento completo do estabelecimento agropecuário


Plano 1 Plano 2 Plano3
US$/unidade Unidades TotaJ Unidades TotaJ Unidades Total

Renda bruta
Algodão A USS450 260 uss 117.000 410 uss 184.500 260 uss 117.000
Soja A 375 260 97.500 410 153.750 260 97.500
Mi lho A 480 o o o o o o
Soja B 315 162 51.030 162 51.030 142 44.730
MilhoB 400 o o o o o o
Vacas de cria 450 190 85.500 190 85.500 290 130.500
Bois de corte 710 o o o o o o
Renda bruta total uss 351.030 uss 474.780 uss 389.730
Custos variáveis
Algodão A uss 340 260 uss 88.400 4 10 uss 139.400 260 uss 88..lOO
Soja A 273 260 70.980 410 111.930 260 70.980
Trigo A 382 o o o o o o
Soja B 253 162 40.986 162 40.986 142 35.926
Trigo B 340 o o o o o o
Vacas de cria 332 190 63.080 190 63.080 290 96.280
Bois de corte 688 o o o o o o
Custos uss 263.446 uss 355 .396 uss 291.586
variáveis totais
Margem bruta uss 87.584 uss 119.384 uss 98.1 +4
total
Outras rendas uss 22.500 uss 22.500 uss 22. -oo
Outras despesas
Impostos uss 2.700 uss 2.700 uss 2.700
imobi liários
Seguro 3.240 3.240 3.240
Juros fixos 9.799 9.799 13.549
Mão de obra o 2.520 o
contrada
Depreciação 16.000 16.000 16.000
Arrendamento 8.500 32.500 13.500
à vista
Outros 3.780 3.780 3.9S0
Total das uss 44.019 uss 70.539 u 52.969
outras
despesas
Renda rural uss 66.065 uss 71.345 u 67.6r
líquida
Redução de 10% - 35.103 -47 , ➔ 7 -3 .973
da renda bruta

~
Renda rural uss 30.962 us 23. 67 u - 2 ' . 702
líquida revisada
:•
196 Parte IV Orçar para obter mais lucro

·a o. presume-. e que a mão de obra di. ponfvel agropecuári o para anali ar a liquidez, além da
é suficiente para o plano, não sendo prcci ·o lucratividade. 1 o é especialmente importan -
contratar mai - trabalho. renda rural líquida te quando e tão endo considerados grande
projetada de .. e plano era U 67.675, U inve timento em ati vos fixo ou grandes alte-
1.61 O a mais do que o plano origi nal. raçõc na dívida não circulante. A Tabela 11-7
mo tra como o fluxo de caixa líquido pode ser
e timado a partir do orçamento completo do
OUTRAS QUESTÕES e tabelccimcnto agropecuário. Além da renda
rural em caixa, podem- e acrescentar às en-
O or amento completo do e tabelecimcnto trada de caixa totai a renda de trabalho não
agropecuário projeta a imagem de lucro mai rural e inve timento . Saídas de caixa incluem
pro\'ável com o cumprimento de um dado pla- de pe a rurais de caixa (mas não as despesas
no rural. Contudo, mai análi e pode trazer al- não monetária , como depreciação), dispê n-
guma infom1ação extra obre ri coe liquidez. dio de caixa para repor ativos de capital , pa-
game nto de principal de dívidas a prazo (os
Análise de sensibilidade juro já foram incluído nas despesas rurais de
Embora o orçamento completo do e tabelcci- caixa) e de pe a monetárias não rurais com
·u tento familiar e imposto de renda.
mento agropecuário po a projetar uma renda
líquida po itiva, altcraçõe ine perada no
preço ou no nívei de produção podem rapi-
Tabela 11-7 Exemplo de análise de
damente tran formá-la em prejuízo. Anali ar liquidez para um orçamento completo do
como alteraçõe no principais pre upo to estabelecimento agropecuário
orçamentário afetam a projeçõe de renda e
Plano 1 Plano 2 Plano3
cu to chama- e análise de sensibilidade.
o fim do exemplo da Tabela 11-6, foi rea- Entr.1das de caixa:

lizada uma análi e de ensibilidade muito im- Renda rural de uss 373.530 uss 497.280 USS412230
ple , reduzindo- e a renda rural bruLa previ ta caixa

em 10% e recalculando- e a renda rural líquida. Renda não rural 9.500 9.500 9.500
E a redução poderia er oca ionada por um de- uss 383.030 uss 506.780 uss 42 1.730
cré cimo na produção, no preço de venda ou Sa!d:i.s de caha:
em ambo . Apesar de o Plano 2 po uir a ren- Despe 35 uss 291 .465 uss 409.935 uss 328.55
da líquida projetada mais alta em um ano nor- rurai em caixa
mal, ele teria a renda rural líquida mai baixa Principal de 22.250 22.250 22.250
e houve e uma queda de 10% na renda bruta. dividas :i prazo
Pode- e realizar mai análi e de sen ibilidade Reposição de 15.000 15.000 15
elaborando- e diverso orçamento completo equipamentos
com valores diferente para o principai preço Despesas não 36.000 36.000 36.
e taXa de produção. o Capítulo 15, serão dis- rurais
cutidas vária abordagens mais avançada para U S 364.715 uss 483.185 uss 401 05
avaliar o risco de um plano agropecuário. Flu.\o de caixn uss 18.315 uss 23.595 uss 19 925
líquido

Análise da liquidez Redução de I O'il> - 35.103 -47.478 -3 .97.l


no renda de cai,i:a
A liquidez diz re peito à capacidade do ne- dos empreendi-
gócio de honrar sua obrigaçõc de fluxo de mentos

caixa à medida que elas vencem. Pode-se usar Fluxo de caixa - USS 16.788 -USS 23.883 -USS 19 043
o orçamento completo do estabe lecimento líquido revisado
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 197

Planos de estabelecimento agropecuário 2. Use rendimentos agrícolas e níveis de


lucrativos nem sempre poss uem um fluxo produção pecuária médios ou de lon-
de caixa positivo, especialmente quando têm go prazo. Utilize os registros anteriores
uma carga pesada de endividamento. Os paga- como guia. Para empreendimento novos,
mentos de juros serão especialmente grandes use taxas de desempenho conservadoras.
nos primeiros anos do prazo do empréstimo, 3. Ig nore estoques agrícolas ou pecuários,
então é sábio analisar a liquidez tanto para o contas a pagar ou receber e saldos de cai-
primeiro ano ou biênio do plano quanto para xa transportados do período anterior ao
um ano médio. Uma projeção de fluxo de estimar renda, despesas e fluxos de caixa.
caixa negativo indica que serão necessários No longo prazo, eles se neutralizarão de
alguns ajustes no plano para que o negócio ano para ano. Presuma que as unidades
consiga cumprir todas as suas obrigações no vendidas são iguais à produção em um
prazo. Todos os três planos do exemplo têm ano normal.
um fluxo de caixa líquido projetado posiúvo, 4. Pressuponha que a tomada e a amortização
mas todos os três teriam fluxos de caixa ne- de empréstimos operacionais podem ser
gativos se os preços ou rendimentos caíssem ignoradas ao projetar fluxos de caixa em
10% abaixo das expectativas. um ano normal, pois elas se compensarão.
Se forem previstos emprésúmos de curto
Orçamentos de longo prazo prazo signi ficativos, contudo, o custos
contra de curto prazo com juros resultantes devem ser incorpo-
Orçamentos de curto prazo que pressupõem rados à estimativa das despesas de caixa.
que alguns recursos são fixos geralmente in- 5. Presuma que em todo ano é feito inve ti-
corporam pressupostos sobre preços, custos mento de capital suficiente para, no mí-
e outros fatores que, espera-se, serão verda- nimo, manter os ativos depreci áveis em
deiros para o período de produção seguinte. seu nível atual , a fim de repor os que se
Porém, quando são contempladas grande desgastarem.
mudanças na oferta de terra, mão de obra ou 6. Assuma que o tamanho da operação não
outros ativos (ou no modo como eles ão fi- está nem aumentando, nem diminuindo.
nanciados), faz-se necessária uma per pecti- Is o é especialmente importante ao proje-
va de maior prazo. Pouco estabe lecimentos tar a liquidez do ano normal.
agropecuários dão lucro todo ano, mas um
Em algun ca os, o negócio rural pode
plano envolvendo um a decisão de investi-
precisar de vários ano para pa sar do plano
mento ou financiamento de longo prazo deve
atual para um plano futuro . Os lucros e !luxo
projetar uma renda líquida positiva para o ano
de caixa podem ser reduzido temporariamen-
médio ou normal.
te em função de acúmulo de e toque, cu to
Devem-se utili zar o seguintes procedi-
de início das atividade , baixo nívei de pro-
mentos ao se desenvolver um orçamento anual
típico: dução enquanto se aprendem tecnolooias no-
~

va e amortização rápida de dívida . Podem


1. Use preços médios ou planejados para o er nece ários diver o orçame nlo ' provi ó-
lon go prazo para produtos e in umo ·, e rios para anali ar a cond içõe que e verifica-
não preços esperados para o próximo ci- rão até que o plano do e tabelecimento aoro-~
clo de produção. Especificamente, utilize pecuário cja completamenlc implcm 'nlado.
preços que reflitam com precisão as rela- Em algun ano , a lucralividade real da
ções de preço de longo prazo entre diver- ?pcraçào poderá ficar abaixo dos nívci pro-
sos produtos e insumos. Jetndos pelo orçamento ompleto do tab •le-
198 Pa rte IV Orçar para obter mais lucro

Orçamentos completos de recursos do


Quadro 11-1
estabelecimento agropecuário

Embora a maioria dos orçamentos completos usando-se herbicidas para substituir a


do estabelecimento agropecuário seja empre- aração);
gada para projetar renda e despesas de um • aumentando-se temporariamente a ofer-
plano agropecuário específico, pode-se utilizar ta de recursos por meio de providênc ias
um procedimento semelhante para estimar as como contratação de m ão de obra em
quantidades dos principais recursos necessá- tempo parcial, arrendamento ou locação
rios. Exemplos seriam o uso de: customizada de máquinas ou aquisição
de ração junto a fontes externas.
• mão de obra
• rações À medida que se incluem mais empre-
• água para irrigação endimentos no plano completo do estabe-
• tempo de maquinário lecimento agropecuá rio, concorrendo pelos
mesmos recursos, torna-se mais importante
Pode-se usar um orçamento detalhado comple-
elaborar um orçamento que projete seus re-
to de recursos do estabelecimento agropecuá-
quisitos. É especialmente o caso quando as
rio para estimar as necessidades não apenas
necessidades de recurso são bastante variá-
para todo o ano, mas também para períodos
veis durante todo o ano, como mão de obra
críticos do ano. Elas podem ser comparadas
na colheita ou água para irrigação no auge
às quantidades fixas de recursos à disposição
do verão. Planejando-se à frente, podem ser
para ver se há gargalos potenciais. Se for espe-
feitas provisões com antecedência, para haver
rada escassez, isso pode ser resolvido:
recursos suficientes à disposiç ão no momen-
• mudando-se a composição de empreendi- to certo. A Tabela 21-4 do Cap itulo 21 mostra
mento para usar menos do recurso limitado; como se pode desenvolver um o rçam ento de
• mudando-se os coeficientes técnicos (p. recurso detalhado para todo um estabeleci-
ex., dando-se uma ração diferente ou mento agropecuário.

cimento agropecuário. Se isso for con sequén- cimento agropecuário escolhido, ainda assim,
ci a de tempo desfavorável ou ciclos de preço poderá ser o mai s l ucrativo no longo prazo .
baixo, porém , o plano completo do estabelc-

RESUMO
O plano completo do e tabelecimento agropecuário e o orçame1110 resullante anali am a lucratividade
combin ada de todo os empreendimentos da operação rural. O planej amento começa com determinação de
objeti vos, fi xação de metas e inventari ação do recursos di poníveis. Empreendimentos viáveis devem er
identi ficados, e sua renda bruta unitári a. cu tos variáveis e margen bruta de cm ser calcu lados.
Pode- e usar a programação linear para selecionar a combinação de empreendimentos que maximi za
a margem bruta sem exceder a oferta de recur os à disposição. Ela consegue lidar com problema de pla-
nejamento grandes e complexo com rapidez e preci ão, também dando informações como o al ar de obter
rccu r o adicionais ou o ônu de incluir determinados empreendimentos.
Após i o. a combinação de empreendimentos e. colhida pode ser usada para elaborar um orçamento
completo do e 1abeleci men10 agropecuário. Renda e cu tos vari ávei por unidade são multiplicados pelo
número de unidades a erem produzidas, endo, então, combinados com outras rendas rurais. cu to fi o
e demais custo vari áveis adicionai s a fim de e limar a renda rural líquida . O orçamento completo do
e [Link] mento agropecuário pronto é uma apre entação organizada das fontes e quantidade de renda e
de pe as. Orçamento completos do e tabelec imento agropecuário podem ser baseados em pressupo to
de planejamento de curto ou de longo prazo, podendo também ser usados para aval iar a li quidez.
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuário 199

Planejamento completo do estabelecimento


Quadro 11-2
agropecuário e sistemas agropecuários

A maioria dos procedimentos de planejamento e • Alimentar os animais com cultivas do pró-


orçamento completos do estabelecimento agro- prio estabelecimento agropecuário e nutrir
pecuário trata os diversos empreendimentos os cultivas usando esterco dos animais.
agrícolas e pecuários sob consideração como • Transferir animais jovens de um empreen-
atividades independentes. No máximo, eles po- dimento de cria para um de engorda do
dem ser considerados concorrentes por alguns mesmo estabelecimento rural.
dos mesmos recursos fixos. Todavia, pode haver
O termo análise de sistemas agropecu-
entre empreendimentos interações positivas ou
ários é aplicado ao estudo de como diversas
negativas que também precisam ser levadas em
atividades rurais interagem para a consecução
conta. Seguem alguns exemplos:
das metas gerais do estabelecimento agrope-
• Fixação de nitrogênio em leguminosas, cuário. Embora essas interações, às vezes,
disponibilizando nitrogênio para outros sejam deveras complexas, ignorá-las pode
cultivas futuros ou que são plantados em levar a planos que ficam consideravelmente
conjunção com as leguminosas. abaixo do potencial do estabelecimento rural.
• Interrupção de ciclos de pragas por meio Técnicas como análise de insumo/produto e
da rotação de cultivas diferentes. programação linear possibilitam que os pla-
• Sombreamento de cultivas baixos por cul- nejadores modelem essas interações e criem
tivas mais altos em um sistema de plantio planos e orçamentos completos do estabeleci-
consorciado. mento agropecuário mais realistas.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Por que devem ser fixadas metas ante de se desenvo lver o plano completo do e 1abelecimento a~ro-
pecuário? -
2. O que deve constar no invem:írio de recursos nece ários para o planejamento completo do e 1abeleci-
mento agropecuário?
3. Em que o orçamento completo do e tabelecimemo agropecuário difere do o rçamento de empreendimento?
4. ~or que e podem ignorar cu 10 lixo ao e elaborar o plano completo do e 1abelecimen10 agropecuá-
no. endo que eles são incluído no orçamento completo do e 1abelecimento agropecuário?
5. Dê algun exemplos e m que c u to ••fixo " mudariam na comparação de o rça mento · completo do
e tabelec imento agropecuário para plano agropecuários al1emati os.
6. U e ~m o~tw'.11"e de programação linear para encolllrar o plano completo do e ·1abclecimen10 agropc-
cuáno max1m1zador de lucro co m ba e nas seguintes informaçõc :

Requi itos de recurso por acre


Recursos Limite do n:cur o ~lilho oju
Terra (acre) 00
Capital (US$) 90.000 150 100
Mão de obra (hora) 3500
Margem bruta por acre U ' 100 U ' 'O
200 Parte IV Orçar para obter mais lucro

7. Quai va lore você poderia alterar cm um orçamento completo do estabelecimento agropecuário paro
realizar urna análi ~e ele sensibilidade?
8. Qual é a diferença entre analisar lucratividade e analisar liquidez?
9. Quai s preço e rendimentos você utilizaria ao desenvolver um plano completo do estabelecimento
agropecuário de longo prazo? E de curto prazo? Que outros pressupostos mudari am?

APÊNDICE: EXEMPLO GRÁFICQ DE PROGRAMAÇÃO LINEAR


A lógica básica para resolver um problema de programação linear pode ser ilustrada de forma gráfica para
um problema pequeno envolvendo dois empreendimentos (mil ho e soja) e três recursos limitados. A in-
formações necessárias constam na Tabela 11-8, sendo terra, mão de obra e capital operacional os recursos
limitadores. As margens brutas e os coeficientes técnicos também estão na tabela.
Os limites de recurso e os coeficientes técnicos são empregados para traçar o gráfico das combinações
possíveis de empreendimentos. exibido na Figura 11-3. A oferta de terra limita o milho e a soja a um máxi-
mo de 120 acres cada. Esses pontos, A e A'. são obtidos nos eixos e estão conectados com uma linha reta.
Qualquer ponto da linha AA' é uma combinação possível de milho e soja, dada somente a restrição de terra.
A mão de obra, contudo, restringe o milho a um máxi mo de 100 acres (500 horas divididas por 5 horas por
acre) e a soja a 166, 7 acres (500 horas divididas por 3 horas por acre). Esses pontos nos eixos são conecta-
dos pela linha BB'. Qualquer ponto da linha BB' é uma combinação possível de milho e soja permitida pela
restrição de mão de obra. De forma semelhante, a linha CC' conecta o máximo de acres de milho permitido
pela restrição de capital operacional (US$30.000/US$200 por acre= 150 acres) ao máximo de acres de soja
(US$30.000/US$ l 60 por acre= 187,5 acres). A linha CC' identifica todas as combinações possíveis, com
base apenas na restrição de capital operacional.
As seções das linhas AA;, BB' e CC' mais próximas à origem do gráfico (ou linha BDA') representam
o máximo de combinações possíveis de milho e soja quando todos os recursos limitados são considerados
juntos. A [Link] BDA' é uma curva de possibilidades de produção segmentada, parecida com as de empreen-
dimentos concorrentes discutidas no Capítulo 8 (vide Figura 8-2). O gráfico revela que o capital operacio-
nal não é um recurso limitador. Ele é tixo em quantidade, mas US$ 30.000 são mais do que suficiente para
qualquer combinação de milho e soja permitida pelos recursos de terra e mão de obra.
A próxima etapa é descobrir qual das combinações possíveis de milho e soja maximizará a margem
bruta total. A margem bruta total de plantar 100 acres de milho, a máxima quantidade possível se não for
cultivada soja (representada pelo ponto B), é US$ 12.000. Acrescentar um acre de soja aumenta a margem
bruta em US$ 96, mas demanda 3 horas de mão de
obra, o que. por sua vez, faz com que 0,67 acre a
menos de milho seja cultivado (lembre-se: não há
Tabela 11-8 Informações do exemplo de
mão de obra extra à disposição). Isso subtrai (0,67
programação linear
x US$ 120 = US$ 80) da margem bruta total. com
Requisitos de um acréscimo líquido de US$ 16.
recurso (pm· Essa substituição pode ser continuada até que
acre) não haja mais terra ociosa disponível (ponto D da
Limite do Figura 11-3). Nesse ponto, ampliar a soja em um
Recurso recurso Milho Soja acre a mai s exige que um acre a meno de milho
seja c ultivado, causando um decréscimo líquido
Terra (acres) 120
de marge m bruta de (US$120- US$96) = USS 2-4.
Mão de obra (horas) 500 5 3 Logo, o ponto D representa a combinação dos d i
Capiial operacional 30.000 200 160 cultivos que maximiza a margem bruta. Essa com-
(US$) binação é de 70 acres de milho e 50 acres de oja.
com uma margem bruta total de US$ 13.200. Pro-
Margem bruta (US$) 120 96 duzir mais acres de milho ou menos acre de ·t1:i
apenas reduziria a margem bruta total.
Capítulo 11 Planejamento completo do estabelecimento agropecuá rio 201

160
e
140

120
íi, 100
...u
Q)

.!!!. 80
o
=
i 60

40

20
e
20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
Soja (acres)

Figura 11 -3 Ilustração gráfica de restrições de recurso em um problema de programação linea r.

A Figura 11-4 apresenta a olução gráfica do exem pi o. Só é mo Irada a curva de po ibilidade de


produção releva nte, o segmento de linha BOA'. A solução gráfica de um problema de programação linear
maximizador de lucro é o ponto em que uma linha contendo ponto com marge m bruta total igual prati-
camente toca ou tangencia a curva de possibilidade de produção e m eu lado upcrior. Es e é o ponto D
d a Figura 11-4, tangente a uma linha repre entando todas as combinações possívei de milho e oja que
produzem uma margem bruta total de US$ 13.200. l ão são possíveis margen brutas mais alta . pois elas
exig iriam combi nações de empreendimento ou nívei de empreendimento que não são permitidos pelo
recursos limitados. São possívei outras combinaçõe além de 70 acre de milho e 50 acre de oja. porém
elas teriam uma margem bruta total inferior a USS 13.200.
A solução no ponto D foi obtida de fo rma seme lhante à u ada para obter a combinação de empre-
e ndimentos maximizadora de lucro no Capítulo 8. em que a razão de ub 1i1uição foi igualada à razão de
lucro. Uma difere nça básica é que a programação linear gera uma curva [Link] po sibilidades de produção com

120

100

i...u 80
.!!!.
o 60
=
~
40

20

20 40 60 80 100 140 160 180 200


Soja (acres)

Figura 11-4 S o lução grá fica para obter o p lano maximizador de lucro usando programação
lin ear.
202 Parte IV Orçar para obter mais lucro

seg mento. lincnrcs cm vez de tuna curva contínua uniforme, como na Figura 8-2. A solução geralmente
e. tnrá cm um dos cantos ou pontos da curva de possibi l idades de produção, então a razão de substituição
geralmente não será exatamente igual à razão de lucro. Apenas os custos variáveis mudam à medida que o
número de acre ele cada cultivo e altera. então compara-se a razão das margens brutas por acre de cada
cultivo cm vez da razão de lucro. A razão de margem bntta ficará entre as razões de substituição dos dois
recursos mais limitadores. No exemplo. a razão de substituição de soja por milho é de 0.67 ao longo do
segmento BD e de 1,0 ao longo do segmento DA'. A razão de margem bruta é ( US$96/US$120) = 0,80, o
que está entre as duas razões de substituição.
APÍTULO

Orçamento parcial

Objetivos do capítulo
1. Discutir a finalidade do orçamento parcial. 5. Observar a importância de incluir no orça-
2. Enfatizar as várias aplicações possíveis mento parcial apenas mudanças na recei-
do orçamento parcial. ta e nas despesas.
3 . Ilustrar o formato do orçamento parcial. 6. Demonstrar o uso do orçamento parcial
por meio de vários exemplos.
4. Mostrar que tipos de lançamentos são fei-
tos no orçamento parcial.

Orçamentos de empreendimento ão úteis, lucrativo dessas a lterações parciai - no plano


mas possuem limitações porque ão re ·tritos a completo geral do e tabelecimento agropecu-
um empreendimento. Um orçamento parcial ário é o uso de um orçamento parcial.
é, m u itas vezes, o jeito certo de analisar al-
terações envolvendo interações entre diversos
empreendimentos. APLICAÇÕES DO ORÇAMENTO
Muitas das deci sões gere nc iais cotidianas PARCIAL
tomadas pelos agropecuaristas ão, na verd a-
de, ajustes (ou sintonias fina ) de um plano Exemplos de deci õe que podem cr anali -
de estabelecimento agropecuário já exi le nte. sadas por meio de um orçamento parcial ·ão:
Mes mo o melhor plano rural acabará precisan- aume ntar ou não o tamanho (ou eliminar) um
do de alguma sintonia fin a quando ocorrerem peq ueno rebanho bovino de cone; pos ·uir
mudanças e novas informações forem dispo- equipamento de colheita próprio ou contratar
nibilizadas. Essas deci ões de aju te co tu - col heita custo mi zaJa; ou plantar mais cevaJa e
mam afetar as receitas e despesa . Um método menos trigo. A maioria ele- ·a - derisõc · poderia
co nveniente e prático de analisar o potencial ser avali aJa <.:omparanJo- 1.: doi - or,·umcntos
204 Parte IV Orçar para obter mais lucro

omplcto. de e ·tal ele imcnto agropecuário, in umos para gerar uma dada quantidade de
ma- seriam de. perdi ado. tempo e e forço na produto. Possíveis alterações nas combinaçõe
olcta e organiza ilo de informações que não de in umo podem ser faci lmente anali adas
mudarão e, portanto, não afetam a dcci ão. por meio de um orçamento parcial. Introdu zir
O orçamento parcial repre enta um méto- máquina maiore para usar menos mão de obra
do fom1al e e crente para calcular a alteração seria um exemplo. Outra aplicação recorrente
e p rada no lucro advinda de uma mudança do orçamento parcial é para anali ar a mudança
propo ta no negócio rural. Ele compara a lu- no lucro ori unda da ub tituição de um empre-
crati\'idadc de uma alternativa (via de regra, o endimento por mais de outro. Esse ajuste, mo -
que e tá endo feito no momento) com uma trado no terceiro painel, é feito por meio do
mudan a propo ta ou uma nova alternati a. movimento po ívei para cima ou para baixo
Durante toda a di cu ão obre orçamento na curva de po sibilidades de produção a panir
parciai , a ênfa e erá obre a 11111da11ça de re- da combinação atual (no ponto A). Um quarto
ceita e de pe a . Ore ultado final é a mudan- tipo geral de alternativa adaptada à análise de
ça e perada do lucro. orçamento parcial é a expansão ou contração de
Concebido para anali ar mudança relati- um ou mai empreendimento . Isso seria ilu -
\'amentc pequena no negócio agropecuário, Lrado pelo mo imento a uma isoquanta inferior
o orçamento parcial, na verdade, é uma far- ou uperior ou a uma curva de possibilidades de
ma de análi e marginal. A Figura 12-1 ilu tra produção inferior ou uperior.
e e ponto mo Lrando como alteraçõe típica
anali ada por meio de orçamento parcial e
relacionam com uma função de produção, PROCEDIMENTO DO ORÇAMENTO
uma i oquanLa e urna curva de po ibilidade PARCIAL
de produção. Presumindo que a combinação
atual de in um o/produto é o ponto A, a função A etapa do processo de tomada de decisão
de produção no primeiro painel da Figura 12-1 tática expo tas no Capítulo 2 abrangiam: iden-
mo tra o aumento ou decréscimos po ívei tificar e defini r o problema, identificar alterna-
daquela combinação. Exemplo eriam u ar ti a , coletar dados e informações e analisar
rnai ou meno fertili zante, água de irrigação, alternativa . O orçamento parcial se encaixa
mão de obra ou capital e anali ar o efei tos ne e proce o, com uma modificação. Ele é
obre produto, receitas, despesas e lucro. capaz de analisar somente duas alternativas
O segundo painel apre enta o movimen- por vez: a ituação atual e uma única alterna-
to po ívei subindo ou de cendo em uma tiva proposta. Podem ser usados diversos orça-
i oquanta, ou diferente combinações de dois mento parciais para avaliar várias alternativas.

2 3
o o o
:5 E :5
::, -o
"O
e
a.
V,
E e
a.

Insumo Produto

Figura 12-1 Orçamento parcial e análise marginal.


Capítulo 12 Orçamento parcial 205

Identificar a alternativa a ser analisada antes da em razão de um empreendimento novo ou


coleta de informações reduz a quantidade de expandido que exija a compra de insumo ex-
informações necessárias. A única informação tras. Outras causas seriam o aumento do nível
exigida são as mudanças nos custos e receitas atual de uso de insumos ou a sub ti tuição de
se a alternativa proposta for implementada. um insumo por mais de outro em um empre-
Não há necessidade de informações sobre ou- endimento existente. Cu tos adicionai podem
tras alternativas ou sobre custos e receitas que ser variáveis ou fix os, pois haverá custo fi-
não serão afetados pela mudança proposta. xos extras sempre que a alternativa proposta
As mudanças em custos e receitas neces- demandar mais investimento de capital. E es
sárias para o orçamento parcial podem ser custos fixos adicionais incluem depreciação,
identificadas mediante as quatro perguntas juros (c usto de oportunidade), impo tos e se-
abaixo. Elas devem ser respondidas com base guro de novos ativos depreciáveis.
no que aconteceria se a alternativa proposta
fosse implementada. Receita reduzida
l. Quais custos novos ou adicionais incidi- Esta é a receita atualmente sendo recebida,
rão? mas que será perdida ou reduzida caso a al-
2. Quais custos atuais serão reduzidos ou ternativa seja adotada. Pode-se reduzir a re-
eliminados? ceita se um empreendimento fo r eliminado
3. Quais receitas novas ou adicionais serão ou reduzido em tamanho, se a mudança oca-
recebidas? sionar uma redução de rendimentos ou nívei
4. Quais receitas atuais serão perdidas oure- de produção ou e o preço de venda for cair.
duzidas? A e timativa da receita reduzida exige muita
atenção a informações acerca de rendimento
Para muitos problemas, é mais fácil iden- físicos, taxas de parição e cre cimento do
tificar primeiro todas as mudança físicas que animais e preços de venda de produto.
ocorreriam se a alternativa fosse adotada. Po-
de-se, então, atribuir um valor em dinheiro a
Receita adicional
elas para uso no orçamento parcial.
Esta é a receita que só erá recebida e a alter-
nativa for adotada. Ela não e tá endo oblida
O FORMATO DO ORÇAMENTO com o plano atual. Pode- e receber receita adi-
PARCIAL cional: se um novo empreendimento for acres-
centado; se houver um aumento no tamanho
As respostas às pergunta anteriore são orga- de um empreendimento atual; ou e a mudan-
nizadas em uma das quatro categorias apre- ça fo r oca ionar o aume nto de rendimento ,
sentadas no modelo de orçamento parcial da nívei de produção ou preço de venda. Como
Tabela 12-1. Há diferentes modelo de orça- na receita redu zida, e timativa preci a de
mento parcial, mas todos po uem essa qua- rendimento e preços ão importantes.
tro categorias, dispostas de alguma forma.
Para cada categoria, só são levadas em conta Custos reduzidos
as mudanças, e não todos os custos ou receitas.
Custos reduzido· ào aquele - cu to· que hoje in-
cidem e que não mais cxi ·tiriam com o plano al-
Custos adicionais ternati vo ·endo consi<lerado. Reduçõc · <le custo
Estes são os custos que não existem no mo- podem rc ultar da eliminação de um empreendi-
mento presente, com o plano atual. Uma mu- mento, redução do tamanho de um emprcendi-
dança proposta pode causar custo adicionai mcnlo, redução do uso de in umo , sub titui -ão
206 Parte IV Orçar para obter mais lucro

de um insumo por 111:ii · de muro ou pos. ibi lida- do. dois lad o do modelo são o rnados e com-
dc de :idquirir insumos :i um preço mai. h:iixo. parado para e obter a mudança líquida do
O, custos rcd u7idos I odcm ser li xos ou variá- lucro. Se o total de receita adic ional e custo
, eis. Ocorrerá um a rcdu ·ão do custos fix o. red uzidos for maior do que o lotai de custos
se a altemati, a proposta redu7ir ou elimi nar o adi cionai. e receita redu zida, a mudança líqui-
in\'e timento atu:il cm m, quin:i , equ ipamento . da do lucro erá po iti va, e o lucro aumenta-
reprodutorc:,. terra ou con truçõcs. rá cm função da mudança. No ca o oposto, a
ategoria no lado e querdo do orça- mud ança líq uida do lucro erá negati va, e 0
mento parcial da Tabela 12- 1 ão a dua que lucro cairiam e a mudança fosse aplicada.
reduzem o lucro: cu. 10 ad icionai e receita re- Sempre que e incluem o cu tos de oportu -
duzida. o lado di reito do orçamento. e tão a nidade no orçamento parc ial , o resultado é a
dua - categoria - que aumentam o lucro: recei ta mudança e li mada no ''lucro econômico" . E ta
adi ional e cu to rcdu7ido . Os lançamento não erá igual à mudança no "lucro contábil".

Tabela 12-1 Modelo de orçamento parcial


ORÇA 1E TO PARClAL

Alternati va:

Custos adicionais: Receita adicional:

Receita red uzida: C ustos reduzidos:

A. Total de custos adicionais e receita red uzida B. Total de receita adicional e custos reduzido·
uss_ uss_
uss_
Mudança líquida do lucro (B menos A) uss_
Capítulo 12 Orçamento parcial 207

Quadro 12-1 Os custos fixos podem realmente "mudar''?

Pode parecer estranho falar sobre cálculo de de longo prazo no que tange a esse ativo, e os
mudanças em custos fixos quando o Capítulo custos fixos podem mudar entre um momento
9 enfatizou que os custos fixos não mudam. A e outro. O cálculo dos custos fixos que se ve-
explicação está na diferença entre curto prazo rificariam em um momento e os que existiriam
e longo prazo. No curto prazo, os custos fixos no outro, após a compra ou venda, indicaria a
não mudam. Contudo, analisar a compra ou diferença. É essa diferença, ou mudança, que
venda de um ativo de capital é uma decisão deve ser incluída no orçamento parcial.

EXEMPLOS DE ORÇAMENTO x 200). Não é preciso contratar mais mão de


PARCIAL obra, pois o plano original do estabelecimento
rural tinha um excedente de mão de obra de 603
Dois exemplos ilustrarão o procedimento e horas, que basta para o gado de corte adicional.
as aplicações possíveis do orçamento parcial. A receita adicional vinda do acréscimo de
O primeiro é um orçamento parcial relativa- l 00 vacas de cria totalizaria US$ 45.000 (1 00
mente simples, que examina a alternativa já x US$ 450). Na Tabela 12-2, essa receita é di-
considerada no Capítulo 11, na terceira colu- vidida em receita obtida com vacas de abate,
na da Tabela l l -6: acrescentar l 00 vacas ao nov il has e novilhos, seguindo o formato do
estabelecimento rural , arrendando 200 acres orçamento de empreendimento de bovinos de
de pasto e convertendo 20 acres de terra de corte (Tabela 10-3 ).
cultivo para produção de ração. Assume- e A receita reduzida e os custos reduzidos
que o pasto adicional pode ser arrendado por estão associados à redução de 20 acre da
US$ 25,00 por acre. O s retornos brutos por plantação de soja em terra Classe B. A receita
cabeça de gado de corte são US$ 450, como bruta e os custos variáveis desse empreendi-
mostrado na Tabela 10-3 (o orçamento do em- mento ão mostrado na Tabela 11 -3: USS 315
preendimento corres ponde nte) e também na e US$ 253 por acre, respectivamente. Se 20
Tabela 11-3. Os custos variáveis por cabeça acres forem co nvertidos em produção de ra-
são iguais a US$ 332, como exibido na Tabela çào, a receita reduzida eria igual a USS 6.300
11 -3. Recorde do Capítulo 1 1 que, como esse (20 x US$ 315). Os custos reduzido totaJ iza-
estabelecimento agropecuário possui ampla riam US$ 5.060 (20 x US$ 253).
mão de obra do operador e sua família, não é Para elaborar o orçamento parcial, a pri-
incluído um c usto variável de mão de obra nas meira etapa é somar o cu to adic iona i
despesas de produção, o que explica por que e a receita reduzida. Eles junto totalizam
os c ustos vari áveis são menores do que no or- US$ 48.450. Em eguida, totalizam- e recei-
çam e nto de empreendimento da Tabela 10-3. tas adicionai e cu · to reduzido . Ele junto
O s custos adicionais de mais 100 vacas somam US$ 50.060. Por fim, a soma do total
de c ria podem ser divididos em custos fixos e de custo adicionai e receita reduz ida é ub-
variáveis. O s custos fixos incluiriam um valor traída do total de receita adicional e c u to ·
de j uros a nual adiciona l de US$ 3.750 sobre as reduzidos. Nes e exemplo, a mudança liqu i-
vacas extras, assim como uma deprec iação adi - da do lucro é de US 1.61 O, o me mo valor
cional de touro no valor de US$ 200. Os custos que obtivemo com o formato de orçamento
variáveis incluem os c ustos variáveis aumen- completo do estabelecimento agropec uário.
tados de US$ 33.200 ( 100 x US$ 332), mais o Portanto, a mudança é ligeiramente mai , lu-
arrendamento de pasto de US$ 5.000 (US$ 25 crativa do que o plano rural orig inal.
208 Parte IV Orçar para obter mais lucro

Tabela 12-2 Orçamento parcial para acréscimo de 100 vacas


ORÇAMENTO PARCIAL
ltrmntirn: crcscrntar 100 n1cas de cria cm 200 ncrcs de terra arrendada e converter 20 acres de
trrrn de culti\'O pnrn produção de rnção

usto adicionais: Receita adicional:


Cu. to fi , o 1Ovaca de abate 4.900
Juro_ obre ,·acas/touro us 3.750 33 novi lhas 16.165
Dcprc ia ão do touro 200 45 novilhos 23.935
Custos variávei
Arrendamento do pa 10 5.000
Cu 10 de produção 33.200
Receitn reduzida: Cu to reduzidos:
Venda de soja. 20 acre 6.300 Cu to de produção de oja. 20 acres 5.060
A. Total de custo adicionai · B. Total de receita adicional e custos
e receita reduzida U $ 48.450 reduzido USSS0.060
US$48.450
1udança líquida do lucro (B -A) US$ 1.610

O exemplo mo Lrado na Tabela 12-2 é pítulo 11 . Aqui, assume-se que o produtor está
muito implcs, incluindo apena categoria pen ando em passar de algodão de sequeiro
gerai de cu to e retomo . Um discriminativo para algodão irrigado. Esse produtor atual-
mai pormenorizado pode er útil para fi n de mente planta 500 acres de algodão de sequeiro
planejamento. Além di so, para ser preci o, o e conveneria todos os 500 acres. O equipamen-
orçamento parcial deve incl uir um valor de ju- to de irrigação necessário para a mudança teria
ro obre o custo variávei . O valor de juro um cu to original de US$ 300.000, um valor
do cu to de produção já e tá contabilizado na residual de US$ 50.000 e uma expectativa de
quantia de US 332 por acre utilizada para cal- vida útil econômica de 15 anos. O seguro extra
cular os cu tos de produção, como consta na Ta- para a máquina custaria US$ 600 por ano.
bela 10-3. Porém, não foi incluído um valor de O algodão de sequeiro possui um rendi-
j uro obre o dinheiro empenhado no arrenda- mento de 600 libras por acre. Espera-se que
mento do pasto. Pre upondo uma taxa de juros o algodão irrigado tenha um rendimento de
de 5o/í e que o arrendamento é pago no início do 800 libras por acre. E pera-se que o cu to com
ano, é melhor contabilizar uma cobrança de ju- fertilizante, combustível e químicos e mão de
ro anuai de US$ 250 para haver mais precisão. obra aumente com a irrigação, como apresen-
tado a seguir.
Um exemplo mais detalhado
Sequeiro Irrigado
O segundo exemplo de orçamento parcial, mais
Ferti lizante US$ 100/acrc USS 120/acre
detalhado, é exibido na Tabela 12-3. E e orça-
mento parcial não e aplica ao e tabelccimento Combustível e US$ 70/acrc USS 100/acrc
agropecuário que usamo de exemplo no Ca- químico
Capítulo 12 Orçamento parcial 209

Tabela 12-3 Orçamento parcial para converter algodão de sequeiro em algodão irrigado
ORÇAMENTO PARCIAL
AltemaUvn: Converter 500 ncres de algodão de sequeiro em algodão irrigado

Custos adicionais: Custos reduzidos:


Custos fixos Custos variáveis
Depreciação uss 16.667 Fertili zante uss 50.000
Juros 10.500 Combustível e químicos 35.000

Seguro 600 Mão de obra 10,000

Juros sobre custos variáveis 2,850

C ustos variáveis
Fertilizante 60.000
Combustível e químicos 50.000
Mão de obra 15.000
Juros sobre custos variáveis 3.750
Receita reduzida: Receita adicional:
Produção de algodão de sequeiro USS 180.000 Produção de algodão irrigado em USS 240,000
em 500 acres x 600 lb x USS 0,60 500 acres x 800 lb x USS 0,60
A. Total de custos adicionais e B. Total de receita adicional e
receita reduzida US$ 336.517 custos reduzidos US$ 337,850
uss 336,517
Mudança liquida do lucro (B - A) US$ 1.333

Mão de obra USS 20/acre USS 30/acre custos de seguro també m são c usto fixos, sen-
do incluídos nessa seção do orçamento parcial.
O algodão deve ser vendido por US$ 0,60 Cus tos vari áveis ad ic io nais inc luem o
por libra, a despeito de ser irrigado ou de se- d ispêndi os co m fert ilizante, com bus tível e
queiro. qu ímicos e mão de obra. Os j uro obre c u -
A mudança proposta oca io nará custos tos variáveis são calculado sobre a me tade
fixos extras, assim como custos variáve i ex- do seu valor total vezes a taxa de j uro pre u-
tras. A depreciação d o equipamento, calculada mida de 6%. Os j uros são calculado apena
por depreciação linear, é de US$ 16.667 por sobre me tade do c u tos de produção. porque
se assume que e les erào pagos por 6 me e .
ano. Os juros anuais médios são estimados por
Presume-se que os demai custo variávei de
m eio da fórmu la apresentada no Capítulo 9:
produção não muda m, não se ndo, portanto,
(Preço de Compra + Valor Residual) incluídos no orçame nto parcial.
2 A receita reduz ida ad viria da perda da
ve nda de algodão de equeiro. ão 500 acre ~
Utilizando uma taxa de juros presumida multi plicados por 600 li bras por acre, m ul-
de 6 %, os juros fix os so bre o equipamento de tiplicado por US 0,60 por libra, t'cchando
irrigação pe rfazem US$ 10.500 por ano. Os US$ 180.000 c m rece ita reduzida. A oma de
21 O Parte IV Orçar para obter mais lucro

u to. adicionai. e re cita rcdu7ida é igual a obra, ma provavelmente em menos que 20%.
_ 36 . .:- 17. Além di o, como vimos na Tabela 12-2, se há
receita adic ional crá recebida com a um recurso não utilizado, como mão de obra,
venda do algodão irrigado. Obtém- e um total um empreendimento pode ser expandido até
de _, _40.000 cm re cita adicional multipli- um certo ponto sem haver aumento no custo
ando- e o 500 acre p lo rendimento de 800 monetário as ociado daquele recurso. Devem-
libra por acre e pelo pre o de US 0,60 por - e con iderar economia e deseconomia de
libra. O etUo reduzido ão alculado por e cala quando e e limam mudanças de cu to
onta do fertiliza nte, combu tível e químico e receita.
e mão de obra no acre de eq ueiro. Como Custo de oportunidade ão outra cai a
ant , calcula- e um valor de j uro an ave1 que faci lmente pa sa de percebida. Eles de-
obre metade do total de es cu tos, multpl i- vem er inc luído no orçamento parcial para
cado por uma taxa de juro pre, umida de 6~. que po a ha er uma comparação justa da
A oma de receita adicional e cu to alternativa . I o é de e pecial relevância se
reduzido dá U , 337. 50. De e total, a a diferença em requi itos de capital ou mão
oma de cu to adicionai e receita reduzida de obra for grande. O custos variáveis adi-
S 336.517) é ubtraída para obter a mu- cionaj repre entam capital que poderia ser
dança líquida e perada do lucro, US 1.333. inve tido alhures, en tão deve-se incluir seu
Como a diferen a é po itiva, a mudança pro- cu to de oportunidade como outro custo adi-
po ta aumentaria o lucro. cional. O inver o de se argumento é verdadei-
ro para custos variávei reduzidos, devendo-se
incluir seu c usto de oportunidade como um
FATORES A CONSIDERAR AO cu 10 reduzido. O cu to de oportunidade de
CALCULAR MUDANÇAS NA todo invc timento de capital adicional se torna
RECEITA E NOS CUSTOS parte do custos fixos adicionais, devendo, as-
im, ser parte dos custos fixos reduzidos caso
Além do problema com um de con eguir boa o in e timcn to de capital seja diminuído.
infonnaçõe e dados, há diverso outro pro- O cu to de oportunidade da mão de obra
blema possí ei na realização de um orça- do operador rural também pode ser necessário
mento parcial. O primeiro ão mudanças não no orçamento parcial. No entanto, diversas
proporcionai nos cu 10 e receitas. Esse pro- coisa devem ser consideradas ao se estimar
blema ocorre mai freq uentemente com c u - e e custo de oportunidade. Existe mesmo um
to , mas também é possível com receitas. Ima- custo de oportunidade para usar m ão de obra
gi ne que a mudança propo ta é um aume nto adicio nal, se ela atualmen te não é utilizada?
(dimjnuição) de 20% no tamanho de um em- Tempo livre ou de lazer seria perdido, e pode
preendimento. Seria fácil pegar os totais de haver um c usto de oportunidade para esse
cada despesa e receita existente e prc umir tempo. Altern ativamente, o operador agrope-
que cada um a eria 20% maior (menor). Is o cuário pode desejar um retorno mínimo ante
poderia ser fal o por du as razões. Os custos de usar mão de obra e m excesso em uma al-
fixos só se a lterariam e a mudança de 20% ternativa nova. A mesma perg unta existe para
cau a se um aumento ou decré ci mo no inves- o caso inverso, quando a a lte rnativa reduz o
timento de capital. Muita mudança relativa- requi sitos de m ão de obra. Existe um uso pro-
mente peq uena não fariam i o. Até mesmo dutivo para ma is 50 ou 100 horas de m ão de
o cu to variá ei podem não mudar pro- obra ou será apenas te mpo de lazer adicional?
porcionalmente. Por exempl o, acrescentar 20 O que e le re nde rá na aplicação alternati va
cabeça a um rebanho lei teiro ou de con e de ou , então : qual é o valor de uma hora extra de
100 bovino aumenta os requi itos de mão de tempo de lazer? As respostas a essas perg un-
Capítulo 12 Orçamento parcial 211

tas ajud am a dete rmina r o c u lo de oportuni - ção de preço ou re ndimento. I so dará ao ge -


d ad e correto da mão de o bra do o perador no tor uma ideia do risco e nvolvido na mudança
o rçam e nto parc ia l. proposta.
Outra cons ide ração é a unid ade de mu - Outro modo de faze r u ma a ná li e de
d a nça e mpregada no orçam e nto parc ia l. O or- sens ibi lid ade se ri a co ns iderar preços que,
ça mento é baseado e m muda nças na receitas por exemplo, são 10 %, 20% e 30% mai ores
e des pesas rurais totais o u e m um ac re ou ca- e me nores do q ue o preço médio esperado.
beça ? Em outras pa lavras, a unidade é lodo o Uti lizando es e método, um dos p reços pode
e stabelecimento agropecuário ou uma un idade causar uma alteração e perada no lucro próxi-
menor? Algumas alte rna tivas pode m ser a na- ma de zero, significando q ue está pró ximo do
lisadas de ambas as formas, caso tenham uma preço de eq ui líbrio. Em a lgu ns tipos de pro-
unidade fís ica comum, como acre . Outras, ble ma de orçamen to parcial, é po ível calcu-
em que a alternativa e nvol ve muda nças tan- lar o preço o u re ndimento de equi líbrio dire-
to em acres quanto em cabeças, não poss ue m tame nte, o que s implifica os cálcu lo s. Após
uma unidade comum de medida. Ela devem calc ular o valo r de eq uilíbrio, o ge tor pode
ser orçadas com base no estabelec ime nto rural decidi r e o preço ou rendimento futuro te m
completo. Orçar com base no estabelecimen- mais chances de ficar acima ou abaixo daque-
to agropecuário completo é sempre o mé todo le valor. Es a informação pode aj udar a toma r
mais seguro para evitar confusões a respeito a deci ão fin al.
da unidade orçamentária. O exe mplo da Tabela 12-3 pode ser utili-
zado para ilustrar a análise de sens ibilidade.
O p rincipal número de e problema é o re ndi-
ANÁLISE DE SENSIBILIDADE me nto espe rado do algodão irrigado . O re n-
dimentos atuais de sequeiro são co nhecido ,
Muitas vezes , é difíc il estimar os preços e ren- e informações sobre o c usto do equipame nto
dimentos m édios de que se precisa no orça- de irrigação podem ser obtida com basta n te
mento parcial. A e stima tiva é especial me nte facilid ade . Es peraríamo re ndime nto maio -
difícil se o orçame nto se projetar bastante no re para o algodão irri gado para favo recer a
futuro . Contudo, a precisão da a nálise e da de- compra do eq uipame nto , e vice-versa. Por
cisão resulta nte d e pe nde dire tame nte des e exe mplo, um re ndimento espe rado de algodão
valores. Uma a ná lise d e sensibi lidade do or- irrigado de 700 libras por acre e m vez de 800
çamento pode trazer m ais in formaçõe sobre libra por ac re reduziria a receita ad icio nal em
o quão d e pe nde ntes os re ultados são do pre- US$ 30.000, torna ndo a muda nça líquida do
ç o s e rendime ntos utilizados. luc ro US$ 28 .667 negativo .
A a ná lise d e sensibi lidade cons is te e m O re ndime n to de eq u il íbrio do a lgod ão
reali zar cálculos o rçam e ntário s diversas ve- irrigado é o valor que ig uala a mudança líqui-
zes, cad a vez com um co nj unto di stinto de da do luc ro a zero. I o exige um a red ução
preços ou re ndime nto s. O resultados mos- de US $ l .333 e m rece ita adic io nal. Portanto,
tra m como a m uda nça e stimada do luc ro é um re ndime nto de algo Ião itTigad o de cerca
s e ns íve l a a lterações nes es valores. Um j eito de 796 libras por acre é o valo r de equ ilíbrio.
de efetuar uma a ná lise de se ns ibilidade bás ica
é u sar p reços ba ixos, méd io s e altos, um cm
-
Qualquer re ndime nto d e a lgod ão irri uad
ma ior do que e e valor faz com que -eja lu-
~

cad a orçame nto parc ial d iferente . O mesmo c rativo pa sar para a produção irrigada.
pode ser feito com rendimentos baixos, mé- Da mes ma form a, pod e- e de ·c nv Iver
dios e a ltos, se fo r o ca o. Uma comparação uma anülise de sensibil id n lc pa ra o preço do
dos resultados mostra a s e n ibilidade da mu- algocliio. Preço · maio rc. favo receriam a con-
d a nça espe rad a no lucro cm re lação à varia- vcr· ào para produção irrigad a, e i e-ver a.
212 Parte IV Orçar para obter mais lucro

e o prc o do algodiio cair ahaixo de to. orçamento quando há muit as alternativas


0.5.'7. a produ iio de algodfo irrigado _cr, a considerar. O orçamento parcial ainda pode
mcno_ lucrativa do que cm equciro, dado ser u ado nessa ituação, mas pode consumir
os prc. suposto de rendimento e c u to de tempo.
equipamento. O dados do orçamento parcial são mu -
análi e de cn, ibilidade e os cálculo dança anuai médias esperada nas receitas
de equilíbrio também p dem er feito para o e de pesas econômica . Mes mo que uma al-
or amcnto da Tab la 12-2, ma é mai difícil tern ativa aumente o lucro com ba e nas mu-
em f un ão do grande número de preço e ren- danças média , há outros fatores para levar cm
dimento . Porém, é po, ível fazê-lo manten- conta quando as mudança não ão constante
do todo o valore de preço e rendimento de ano para ano. Um exemplo seria o plantio
con t:rnte . exceto aquele de interesse. Por de um pomar ou de outro cultivo do qual não
e ·emplo, , e todo o preço pecuário fo - e e pera receita por vários anos, havendo um
em mantidos con lantes. o preço ou ren- aumento anual que se estende por vários anos
dimento de equilíbrio da , oja poderi am er até que se atinja o nível máximo. Embora pos-
calculado . a er um a alternativa lucrativa com base em
O orçamen to indi a que o valor da pro- valore anuai médios, pode ser difícil cobrir
du ão de oja (partindo- e do preço ou do a de pe a agrícolas nos primeiros anos e pa-
rendimento) preci a ubir US 1.610 (ou US$ gar parcela de empréstimos. Em outras pala-
0.50 por acre) até que a mudança líquida do vras, a e ca ez de caixa nos primeiros anos
lucro torne- e zero. Se for pre supo to um não é reíletida no orçamento parcial. Todo
preço de US 7,50 por bu hei. o rendimen- tipo de alteração que exija um grande inves-
to teriam de ficar em cerca de 53 bu hei por timento de capital e receitas que variam ao
acre o u mai para que a alteração para mai longo do tempo deve ser analisado por meio
produção de gado de corte não fo e lucrativa. de procedimentos mais detalhados, devendo
Com um rendimento a umido de 42 bu hei incluir uma projeção de fluxo de caixa. (Vide
por acre, o preço teria de ubir para aproxi- Capítulo 13 e 17.)
madamente US$ 9,42 por bu hei para que a O orçamento parcial deve incluir os custos
mudança não fo e lucrativa. de oportunidade apropriados para contabilizar
A execução de uma análi e de sensibi li- todo os custos econômicos. Entretanto, eles
dade e o cálculo de valore de eq uilíbrio po- não são incluídos como custos contábeis, então
dem ex igir numero os cálc ul o . Entretanto, a mudança esperada do lucro líquido constante
o orçame nto parcial é relati vamente fácil de no orçamento parcial não deve ser interpretada
montar em uma planilha de computador. Apó como uma mud ança esperada no lucro con-
fazer i o, alterar um valor e ob ervar o re ul - tábil. A mudança esperada do lucro líquido
tado é fácil e rápido. precisa er aj ustada cm relação aos custos de
oportunidade considerados em seu cálculo para
e obter a mudança esperada no lucro contábil.
LIMITAÇÕES DO ORÇAMENTO
PARCIAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Orçamentos parc iai ão fácei de usar, exi-
gem um mf nimo de dados e ão prontamente O orçamento parcial da Tabela 12-3 pode ser
adaptávei a vári o tipo de dec i ões geren- utili zado para ilu Lrar mai s dois fatores im-
ciai . Porém, ele têm uas limitaçõe . Só é portantes para a decisão . Antes de adotar uma
pos fvel comparar o plano gerencial corre nte mudança propos ta que parece ampliar o lucro,
com uma alternati a por vez. I so exige mui - devem-se avaliar cuidadosamente o risco adi-
Capítulo 12 Orçamento pareia! 213

cional e os requisitos de capital. Se o risco é Se for emprestado, como i o afetará a es-


medido cm termos de vnrinbilidndc nnunl do trutura financeira do negócio, o ri co, os re-
lucro, o lucro advindo da área irrigada é mais qui itos de fluxo de caixa e a capacidade de
ou menos vnriávcl do que o lucro oriundo das amortização? Esse inve timento extra cau ará
áreas não irrigadas? A irrigação deve reduzir escassez de capital cm outra parte de negó-
n nrinbilidnde do rendimento, mas os custos cio? Essas questões devem er avaliada · com
maiores tomam o produtor mais vulnerável a cuidado antes de se tomar a deci ão final de
quedas de preço. O tomador de decisão preci- adotar a mudança. Uma mudança lucrativa
sa avaliar os efeitos potenciais do risco adicio- pode não ser adotada se o aumento do lucro
nal sobre a estabilidade financeira do negócio. for relativamente pequeno, se ela aumentar
O lucro médio adicional vale o maior risco ou o risco ou se tornar necessário mai investi-
variabilidade de lucro? O Capítulo 15 discute mento de capital. As alterações potenciai que
o risco em mais pormenores. demandam investimento de capital adicional
A compra do equipamento de irrigação também podem ser analisadas de outro mo-
exigirá um investimento de capital adicional. dos. Consulte o Capítulo 17 para ler sobre or-
O capital para adquirir o equipamento está çamento de capital e outro método de análise
disponível ou pode ser tomado emprestado? de investimento mais abrangentes.

RESUMO
O orçamento parcial é uma espécie muito útil de orçamento. Ele pode ser utilizado para analisar muito dos
problemas e oportunidades comuns e quotidianos com que se depara o gestor agropecuário. O propó ito
do orçamento parcial é analisar a lucratividade de mudanças propostas para u opcrnção do negócio cm que
a mudança afeta somente parte do plano ou da organização do estabelecimento rural. A ituação atual é
comparada à situação esperada após a implcmcntaçilo da altcrnçüo proposta.
O requi itos de dados silo bem pequenos, pois, no orçamento parcial, só do incluídas alteraçõc no
cu tos e receitas. A orna de custos adicionais e receita reduzida é subtraída da soma de receita adicional
e cu to reduzidos para obter a mudança cstimadn do lucro. Um resultado po itivo indica que a mudança
propo ta aumentaria o lucro. Entretanto. riscos e rcqui itos de capital adicionais devem ser con iderados
antes que se torne a decisão final.

PERGl!JNTAS PARA REVISÃO E REFL!EXÃO


1. Existem casos em que orçamentos parciai contêm algun custos de propriedade fixos? Em cuso po j .
tiva, dê um exemplo de um orçamento parcial que poderia incluir alguns cu 10 de propriedade fixos.
2. Li te os tipos de mudanças que apareceriam cm um orçamento parcial para determinar a lucratividade
da participação cm um programa rural do go crno. O programa exige que 10% da sua terra de plantio
fiquem ocio os em troca de um pagumcnto cm parecia única.
3. Por que as mudança no cu tos de oportunidade aparecem nos orçamento parcini '!
4. Imagine que uma mudança proposta reduzi riu os requi i10 de milo de obra cm 200 horas. Se tra va-
-sc da mão de obra do operador, e não de trabalho con1m1udo por hora, ocê contnbilizari um cu 1
reduzido de mão de obrn'! Qunis fatores determinariam o ator a li ar?
5. Diga se a assertiva 6 verdadcirn ou falsa e ju tifique: "Pode-se li ur o orçamento parei ui I nm de · 11 1-
/
vcr um plano completo do e tuhclccirncnto ogropccuruio" .
6. Além de lucro ndiclonal, quai outros fatores devem ser levados cm conta pclu op rndur ropccll Lrio
'I no avaliar urnn mudança proposta?
I
Orçamento de
fluxo de caixa

Objetivos do capítulo
1. Identificar o orçamento de fluxo de caixa 4. Descrever as semelhanças e diferenças
como uma ferramenta de tomada de deci- entre o orçamento de fluxo de caixa e a
são financeira e análise comercial. demonstração de resultados.
2. Compreender a estrutura e os componen- 5. Discutir as vantagens e aplicações poten-
tes do orçamento de fluxo de caixa. ciais do orçamento de fluxo de caixa.
3. Ilustrar o procedimento de elaboração do 6. Mostrar como utilizar o orçamento de flu-
orçamento de fluxo de caixa. xo de caixa ao analisar um possível novo
investimento.

Até mesmo os estabelecimentos agropecuários em que ele será necessário? Se não, quamo
mais lucrativos ocasionalmente ficam com precisará ser tomado emprestado? O plano ge-
pouco caixa. Prever esses momentos de escas- rará o caixa necessário para pagar o empré ti-
sez e ter um plano para lidar com eles é uma mos novos? Esses tipos de pergunta podem er
importante atividade gerencial. O orçamento respondidos elaborando-se e anali ando- e um
de fluxo de caixa é uma ferramenta de análise orçamento de fluxo de caixa.
financeira com aplicações tanto para planeja-
mento futuro quanto para a análise contínua
do negócio rural. Elaborá-lo é a próxima eta- CARACTERÍSTICAS DO
pa lógica após concluir o plano e o orçamento ORÇAMENTO DE FLUXO
completos do estabelecimento agropecuário. DE CAIXA
O orçamento de fluxo de caixa dá respostas
a algumas questões remanescentes. O plano O orçamento de íluxo d cai a um re umo
é financeiramente viável? Haverá capital su- da entrada · e aída de cai a projetad para
ficiente disponível nos momentos e pccfficos um negócio ao longo de um dado p nodo.
216 Parte IV Orçar para obter mais lucro

pe1íodo é normalmente um exercício contábil Duas coisas tornam o orçamento de flu-


futuro, sendo dividido em trimestres ou meses. xo de caixa essencialmente diferente do or-
Como ferramenta de planejamento futuro, sua çamento completo do estabelecimento agro-
finalidade precfpua é estimar a quantidade e a pecuário. Primeiro, o orçamento de fluxo
cronologia da necessidades f uturns de emprés- de caixa contém todos os fluxos de caixa (e
timo e a capacidade do negócio de pagar esses não apenas receitas e despesas) e não inclui
e outros empréstimos no prazo. Dada a grande itens não monetários. Por exemplo, entradas
quantidade de capital que os estabelecimentos de caixa incluiriam caixa oriundo da venda
rurai atuais fazem necessária e, muitas vezes, de itens de capital e proventos de novos em-
precisam tomar emprestada, o orçamento de préstimos, mas não as mudanças de estoque.
fluxo de caixa é uma importante ferramenta or- Pagamentos de principal de dívida e o custo
çamentária e de gestão financeira. integral de novos ativos de capital seriam re-
Uma discussão sobre orçamento de fluxo gistrados como saídas de caixa, mas a depre-
de caixa deve estar sempre enfatizando a pa- ciação, não. A ênfase é nos fluxos de caixa,
lavra caixa. Todos os fluxos de caixa devem qualquer que seja a fonte ou o uso, e sendo
ser identificados e registrados no orçamento. ou não receitas ou despesas comerciais. Por
Há caixa entrando no negócio rural por várias esse motivo, as receitas e despesas de caixa
fontes durante todo o ano, e é usado caixa para pessoais e não rurais também aparecem no
pagar as despesas comerciais e satisfazer ou- orçamento de fluxo de caixa, pois afetam o
tras necessidades de caixa. Identificar e medir montante de caixa à disposição para uso do
essas fontes e usos de caixa é o importante negócio rural.
primeiro passo da elaboração do orçamento de A segunda grande diferença entre o or-
fluxo de caixa. O conceito de fluxos de caixa é çamento completo do estabelecimento agro-
apresentado graficamente na Figura 13-1. Ele pecuário e o orçamento de fluxo de caixa é
presume que todo o caixa é movimentado por que este último se ocupa da cronologia das
meio da conta corrente do negócio, tornando- receitas e despesas. O orçamento de fluxo de
-a o ponto central de identificação e medição caixa registra também "quando" será rece-
dos fluxos de caixa. bido e pago caixa, assim como "para que"
e "quanto". Essa cronologia é mostrada ao
se elaborar o orçamento de fluxo de caixa
Entradas de caixa (vendas, mensal ou trimestralmente. Agricultura e pe-
novos empréstimos, etc.)
cuária são negócios sazonais; assim, a maio-
s s s ria dos orçamentos de fluxo de caixa rurais

\!;1/ é feita mensalmente, para possibilitar uma


análise detalhada da relação entre tempo e
fluxos de caixa.
As características exclusivas do orça-
Conta-corrente do mento de fluxo de caixa fazem com que ele
negócio rural
não possa substituir nenhum outro tipo de
orçamento, nem qualquer um dos registros
discutidos na Parte II. Ele preenche outras
n~cessidades, sendo utilizado com propósitos
diferentes. Porém, em breve, mostraremos que
s s s muita da informação necessária para o orça-
Saídas de caixa (despesas,
pagamentos de dívida, impostos, ele.) mento de fluxo de caixa pode ser obtida nos
registros e no orçamento completo do estabe-
Figura 13-1 Ilustração dos fluxos de caixa. lecimento agropecuário.
Capítulo 13 Orçamento de tlur.o de caír.a 217

Fluxos de caixa efetivos evi ta que iLCns ímportanLCHIU!jam ignorados


contra estimados no novo orçamcnLO.
Por definição, o orçamento de flu xo de caixa
e ntém estimativas dos flu xos de caixa cm Estrutura do orçamento
um período futuro. Todavia, é possível regis- de fluxo de caixa
trar e organi zar os flux os de caix a efeti vos de A estrutura e o formato do orçamen to de flux o
um período passado. O C nselho de Padrões de caixa i,ão exibidos na Tabela 13- 1 cm for-
Financeiros Ruraí. (FFSC) recomenda que se ma condensada. Esse orçamento condensado
dc~cnvolva uma Demonstração dos Fluxos de ilu,;tra as fontes e os usos de caíxa, que devem
Caixa como pane do conjunto padroni zado
de demonstrações fi nanceiras de fim de ano
do negócio agropecuári o. A Tabela 5-4 dá
Tabela 13-1 Orçamento de fluxo de caí.)ca
um exemplo de Demonstração dos Fluxos de sírnpfíficado
Caixa. Lembre-se de que a Demonstração dos
Período 1 Período 2
r Fluxos de Caixa é um registro financeiro, que
registra o que aconteceu, e não um orçamento, 1. Saldo de caixa uss 1.000 uss 500
que projet.a o que acontecerá no futu ro. Além inicial
dis o, cm comparação com o orçamento de Entrada de caixa:
flux o de caixa, a Demonstração dos Fl uxos 2. Vendas de uss 2.000 uss 12.000
de Cai xa costu ma ser muito condensada, nor- produtos rurais
malmente registrando apenas os totais anuais 3. Vendas de capital o 5.000
de caixa recebido e caixa gasto cm di versas
categorias gerais.
4. Outras rendas de o 500
caixa
Manter bons registros dos flux os de cai-
xa efetivos é importante por diversas razões. 5. Entrada de caixa uss 3.000 uss 18.000
total
Primeiro, se os registros de fluxo de caixa
são feitos e resumidos mensalmente, o fluxo Saída de caixa:
de caixa mensal pode ser comparado, no fim 6. Despesas uss 3.500 us 1.800
de cada mês, com os valores mensais orçados. operacionais rurais
Essa comparação pode servir como alert.a an- 7. Compras de capital 10.000 o
tecipado de evcntuai desvios consideráveis 8. Outras despesas 500 200
enquanto ainda há tempo para verificar as cau-
sas e fazer correções. Segundo, regi tros deta-
9. Saída de caixa total uss 14.000 uss 2.000
lhados dos flux os de caixa efeti vos podem dar 1O. Saldo de caixa - 11.000
esclarecimentos úteis quanto à estrutura fin an- (linha 5 - linha 9) 16.000
ceira do negócio e mostrar como as atividades 11 . Fundos uss 11 .500 o
de operação, financiamento e investi mento se emprestado
necessários
combinam e interagem como fontes e usos de
caixa. Terceiro, bons registros dos flu xos de 12. Amoniza.ções de o
caixa efeti vos proporcionam um bom ponto empréstimos
(principal e j uros) 11.700
de partida para de envolver o próximo orça-
mento de flu xo de caixa anual. Com os totais 13. Saldo de caixa final 500
e a cronologia dos flu xo de caixa passados, (linha I O+ linh a 4.300
1J - linha 12
é relati vamente fácil farer os aj ustes ncces á-
ríos para projetar flu xos de ca ixa no futuro. 14. Dívida cm aberto 11 .500 o
Repabsar os íluxos de caixa passado Lambém
218 Parte IV Orçar para obter mais lucro

constar em qualquer modelo de lluxo de cai- Só são mostrados dois períodos na Tabe-
xa. Há cinco fontes potenciais de caixa: la 13-1, mas, após o procedimento básico ser
entendido, o processo orçamentário pode ser
1. O saldo de caixa inicial, ou dinheiro em
estendido para qualquer número de períodos.
mãos no início do período;
No primeiro período, a entrada de caixa total
2. Vendas de produtos rurais ou receita em de US$ 3.000 inclui o saldo de caixa inicial.
caixa oriunda da operação do negócio A saída de caixa total é de US$ 14.000, re-
agropecuário;
sultando em um saldo de caixa projetado de
3. Vendas de capital, o caixa recebido com (US$ 11.000). Esse déficit exigirá que se to-
a venda de ativos de capital como terra, mem emprestados US$ 11.500 para garantir
máquinas, animais reprodutores e gado um saldo de caixa final mínimo de US$ 500.
leiteiro; A entrada de caixa total do segundo pe-
4. Recebimentos de caixa não comerciais, ríodo é estimada em US$ 18.000, resultando
o que incluiria renda de caixa não rural, em um saldo de caixa de US$ 16.000 após a
doações em dinheiro e outras fontes de subtração de uma saída de caixa total de US$
caixa; 2.000. Esse saldo de caixa grande permite que
5. Capital emprestado novo ou empréstimos se pague a dívida contraída no primeiro período,
recebidos. estimada em US$ 11.700 quando se incluem ju-
A última fonte não pode ser incluída na se- ros de US$ 200. O resultado é um saldo de cai-
ção de entrada de caixa, pois os requisitos de xa estimado em US$ 4.300 no fim do segundo
endividamento só são conhecidos quando as período. Seguir esse mesmo procedimento em
saídas de caixa são confrontadas com as en- todos os períodos subsequentes delineia o nível
tradas de caixa. e a cronologia projetados do potencial de endi-
A Tabela 13-1 também mostra os quatro vidamento e amortização de dívida.
usos gerais de caixa. São eles:
l . Despesas operacionais rurais, as despesas ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO
de caixa normais e comuns sofridas na DE FLUXO DE CAIXA
produção da receita rural;
2. Compras de capital, o preço de compra É necessária uma quantidade considerável de
integral dos novos ativos de capital, como informações para elaborar um orçamento de
terra, máquinas e animais leiteiros ou re- fluxo de caixa. Para fins de simplicidade e pre-
produtores; cisão, deve-se seguir uma abordagem lógica e
3. Despesas não comerciais e demais, o que sistemática. As seguintes etapas sintetizam o
incluiria caixa usado com despesas de processo e as necessidades de informação:
sustento, imposto de renda e previdência 1. Desenvolva um plano completo do esta-
social, e outros usos de caixa não previs- belecimento agropecuário. É impossível
tos alhures; estimar receitas e despesas de caixa sem
4. Pagamentos de principal de dívida. Paga- saber quais cultivas e animais serão pro-
mentos de juros também devem constar duzidos.
aqui, salvo se foram registrados como
2. Inventarie o estoque. Isso deve incluir o
parte das despesas operacionais.
cultivas e animais existentes e à venda
A diferença entre as entradas de caixa to- durante o período orçamentário.
tais e as saídas de caixa totais de um período 3. Estime a produção agrícola e, em estabe-
é apresentada como o balanço de caixa final lecimentos que combinam agricultura e
do período. pecuária, estime as necessidades de ração
Capítulo 13 Orçamento de fluxo de caixa 219

animal. Esta etapa projeta os cultives dis- integral de todas as aquisições planejadas
poníveis para venda após serem satisfei- de máquinas, edificações, reprodutores e
tos os requisitos de ração animal. Ela tal- terra, assim como o caixa total a ser rece-
vez acuse a necessidade de adquirir ração bido com a venda de ativos de capital.
caso a produção mais o estoque inicial 1O. Obtenha e registre os pagamentos progra-
seja inferior ao que é necessário para os mados de principal e juros da dívida exis-
animais. tente. Isto será majoritariamente dívida
4. Estime os recebimentos de caixa dos não circulante, caso em que os valores e
empreendimentos pecuários. Conside- as datas de cada pagamento são apresen-
re tanto os animais incluídos no estoque tados em um cronograma de amortização.
inicial quanto os que serão produzidos e Dívidas circulantes transportadas do ano
vendidos durante o ano. Também devem anterior também devem constar aqui.
ser contabilizadas as vendas de produtos
Os dados estimados e organizados nessas
pecuários, como leite e lã.
etapas podem, então, ser lançados em um mo-
5. Estime as vendas de cultivos em caixa. delo de lluxo de caixa. Com uns poucos cál-
Primeiro, determine um estoque final de- culos a mais, o resultado será uma estimativa
sejado para uso como ração e venda no ano
das necessidades de emprés timo do ano, da
seguinte. A seguir, calcule a quantidade capacidade cio negócio de pagar esses cmprés-
disponível para venda como estoque inicial
ti rnos e da cronologia de todos eles. O pres-
mais produção menos requisitos de ração
supostos principais acerca de preços de venda,
animal menos estoque final desejado. custos de insumos e níveis de produção devem
6. Estime outras rendas monetárias, como ser bem documentados para o plano poder ser
receita originária de trabalho custom iza- apresentado a um mutuante.
do ou pagamentos de programas rurais do
governo. Se o orçamento incluir fluxos de
caixa comerciais e pessoais, inclua alu-
Um modelo de orçamento de fluxo
gué[Link] e dividendos de investimentos de caixa
não rurais, além de qualquer outra fonte Modelos impressos para fazer um orçamento
não rural de receita monetária. de flu xo de caixa são oferecidos por vária
7. Estime as despesas operacionais rurais fontes, inclusive financeiras e o serviço de
de caixa. Revisar os fluxos de caixa efe- extensão agropecuária da maioria dos Esta-
tivos do ano anterior evita que se ignorem dos. Essas fontes, assim como empresas de
itens como impostos imobiliários, segu- software comercial, podem Ler programas de
ro, reparos e outras despesas monetárias computador que podem ser utilizados. Um
não diretamente relacionadas à produção orçamento de fluxo de caixa também pode
agropecuária. ser montado por qualquer pessoa familiari-
8. Es tim e as despesas de caixa pessoais e zada co m um software de planilha. A Tabela
não rurais. Aqui seria incluído o caixa 13-2 ilustra um tipo de modelo de orçamento
necessário para despesas de sustenLO, de lluxo de caixa. Para poupar espaço, só são
imposto de renda e previdência soc ial e mostrados os títulos das três primeiras colu-
outras despesas monetárias não rurais. Se nas. Outros modelos podem diferir em orga-
o orçamento tratar somente do negócio nização, títulos e detalhes, mas todos dão as
rural, simplesmente estime as retiradas de mesmas informações básicas.
,1
caixa que serão necessárias. As primeirus 13 linhas da licha servem
9. Estim e as compras e vendas de ativos de para registrar a entradas de caixa projeta-
capital. Contabili ze o preço de compra das ori undas de fontes rurais e não rurais. A ·
220 Pa rt IV Orçar para obt r mais lucro

Tebolo 13-2 Modelo de orçamento de fluxo de caixa


Orçamento de fluxo de cal-<a
Ollll': E. ll. Agrot>l'cm\rln Total Jan. Fev. Mar.
1 nldo de cnixn inicinl
Recebimentos operncionnis:
2 Grilos e rnçílo
3 Animais de engordn
4 Prod utos pecuih ios 1
5 Outro.
6
Recebimentos de cnpitnl:
7 Reprodutores
8 Maquin!\rio e equ ipnme nto
9
Renda niio mrnl:
10 Snlnrios e rcrnunc111çõcs
11 Investimentos 1

12 1
1
13 Entrada de caixn total
(some as linhas 1-12)
Despesas ope111cionais:
.
1

14 Sementes
15 Fertilizame e cnlcnrio
16 Pesticidas
17 Outras despesns de cultivo
18 Gasolina. óleo. lubrificantes 1
19 Miio de obrn contratada
20 Locnçi\o de m1\quinns 1
21 Rnçõcs e gnios
_2 Animais de engorda
1
_3 Despesns PL'Ct11irins 1

-4 Rcpnros - mnquimirio
_5 Reparos - constrnções 1

-6 A1Tcnd11mcnto i\ vislll 1
_7 Suprimentos
_s Impostos imobiliifrios
_9 Seguro
1
30 Serviços pt1blicos
'
•1 A u lOlll Vl'i ' C pi '1pes (p rç i\ d 1
cstnlxk ci mcnto rural) !
'.L Outrns des pesas mrnis
33
J-1
J5 Dcspesus opcmdonuis J c nlixn totais l
l

(:illlll , u · linh IS 14-. 4



Capítulo 13 Orçamento de flu~o de cai:1.a. 221

Tabela 13-2 Modelo de orçamento de fluxo de cai:1.a (Continuação)


Or ç.amentJ, de flu xo de caixa
~orne: E. U. Agropecuária Toúi l J an. Pev. .\1ar.
Gastos de capital:
36 Maquinário e equipamento
37 Reprodutores
38
Outros gastos:
39 Despesas de sustento familiar
40 Imposto de renda e previdência social
41 Outras despesas não rurais
42
43
Pagamentos de dívida programados:
44 Dívida circulante - principal
45 Dívida circulante - juros
46 Dívida não circulante - principal
47 Dívida não circulante - juros

48 Saída de caixa total


(some as linhas 35-47)
49 Caixa disponível (linha 13 - linha 48)
Kovos emprésúmos:
50 Circulantes
51 Não circulantes
52 Total de novos empréstimos:
Pagamentos da dívida circulante nova
53 Principal
54 Juros
55 Total de pagamentos de dívida
(linha 53 + linha 54)
56 Saldo de caixa final
(linhas 49 + 52 - 55 )

Resumo da dívida em aberto


57 Circulante
58 l\ão circulante
59 Total de dívida em aberto

rendas e despesas de caixa não rurais afetam coluna "Total". Es e montante é, então, aloca-
ambas o caixa disponível para uso no negócio do ao mês ou aos meses em que será recebido.
rural, então são incluídas no orçamento, muito As despesa operacionais rurais de caixa
embora não estejam diretamente relacionadas são relacionada<., nas linh de 14 a 34, om o
ao negócio rural. O montante anual total espe- total na linha 35. As ~im como cm todos o lan-
rado de cada entrada de caixa é registrado na çamento~ do orçamento de flux o de caixa, o to-
222 Parte IV Orçar para obter mais lucro I

tal projetado de cada item de de pe a é coloca- total de novos empréstimos é somado ao caixa
do na coluna 'Total", e esse montante é, então, disponível na linha 49 para obter o saldo de
alocado ao mês ou aos meses cm que se preci- caixa do final do mês. Não haveria caixa à dis-
ará do caixa. A soma das despesas totais de posição para pagar a nova dívida circulante,
cada mês deve sempre ser comparada à soma então a linha 55 será zero no caso.
na coluna "Total" da linha 35. Essa verificação Se o caixa disponível na linha 49 for
cruzada acusará erros cometidos ao alocardes- maior que zero, a entrada de caixa total do
pesas de caixa individuais a meses e pecíficos. mês foi maior do que a saída de caixa total.
Diversas outras aídas de caixa possíveis Esse montante pode ser usado para quitar par-
são exibidas nas linhas 36 a 47. Gastos de ca-
pital com reposição ou expansão de máquinas
te ou toda a nova dívida circulante contraída
anteriormente no ano, ou então pode ser trans-
.
.,
e equipamentos, reprodutores, terra e edifica- portada para um período futuro. O principal
ções exigem caixa. Deve-se registrar o preço e os juros são lançados nas linhas 53 e 54, e
de compra integral dos gastos de capital, mes- esses valores são ajustados para chegar a um .,.
mo quando serão tomados empréstimos para a saldo de caixa final positivo. Após o saldo de
aquisição. Uma das finalidades do orçamento é caixa final ser obtido subtraindo-se a linha
estimar o montante necessário desses emprés- 55 da linha 49 (no caso, a linha 52 é zero).
timos. Despesas de sustento familiar, impostos o resultado é lançado na linha 56. O mesmo
de renda e contribuições previdenciárias e de- montante é transferido para a linha I do mês
mais despesas de caixa não rurais devem ser seguinte, como saldo de caixa inicial.
lançados nas linhas 39 a 43. Todas as despe- As linhas 57 a 59 não são uma parte ne-
sas pessoais, como gastos com automóveis e cessária do orçamento de fluxo de caixa. En-
prêmios de seguro de saúde e de vida, devem tretanto, elas resumem a situação de endivida-
constar como despesas de sustento familiar. mento do negócio e dão algumas informações
As linhas 44 a 47 são utilizadas para lan- úteis. Para cada tipo de dívida, o valor em
çar os pagamentos programados de principal e aberto no fim de um mês será igual ao valor do
juros da dívida contraída nos anos anteriores. mês anterior, mais as dívidas novas, menos os
Aí seriam registrados os pagamentos da dívida pagamentos de principal feitos durante o mês.
não circulante, assim como de qualquer dívida As linhas 57 e 58 devem ser somadas em cada
circulante transportada do ano anterior. Nessa mês, sendo o total de dívida em aberto lan-
seção, só são lançados pagamentos programa- çado na linha 59. Esse valor mostra o padrão
dos de dívidas antigas, pois os pagamentos de da dívida total e suas alterações ao longo de
dívidas novas contraídas no ano seguinte serão todo o ciclo de produção anual. Esse padrão
calculados e lançados em uma seção posterior. costuma se repetir todo ano, em razão da na-
As linhas 35 a 47 são somadas para obter tureza sazonal da produção, rendas e despesas
as saídas de caixa anuais totais e os totais de agrícolas. Alguns mutuantes especificam um
cada mês, sendo a quantia lançada na linha 48. valor máximo de dívida que o operador pode
Em seguida, o caixa estimado total disponível ter em qualquer ponto do ano. Essa parte do
no fim do mês é calculado subtraindo-se a li- orçamento ajuda a prever se esse limite permi-
nha 48 da linha 13, sendo o resultado lança- tirá que e tome emprestado capital suficiente.
do na linha 49. Se a saída de caixa total for
maior do que a entrada de caixa total, o caixa
. - ,: .
disponível será negativo, e serao necess,mos
Exemplo de orçamento
novos empréstimos ou outros ajustes para ob- de fluxo de caixa
ter um saldo de caixa final positivo. Todos os Um orçamento de fluxo de caixa preenchido é
empréstimos novos são lançados nas li~has 50 mostrado na Tabela 13-3. Ele será usado para
ou 5 J, dependendo do tipo de empréstimo. O repassar as etapas do orçamento e para apontar
Capítulo 13 Orçamento de fluxo de caixa 223

diversos cálculos cspeciai . A primeiras esti - pio. Devem-se concluir cs,ms etapas antes de se
mativas nccc árias ão o saldo de caixa inicial tcnlar qualquer dos cálculos das linhas 50 a 59.
cm Jº de janeiro e toda a fontes e valores de Começando com o mes de janeiro, a entrada
entradas de caixa do ano. E. ses valore são in- de caixa total é de US$ 48.140, e a saída de cai-
crido na coluna "Total", sendo, cnlão, aloca- xa total é de US$ 36.730, deixando US$ 11 .41O
do ao mês ou ao me e cm que o caixa será cm caixa disponível no fim de janeiro (linha 49 .
recebido. Es e exemplo mo trauma entrada de A saída de caixa total incluí pagamentos agen-
caixa anual total estimada de US$ 541 .180, in- dados de dívida de US$ 9.500 em dívida circu-
cluindo o aldo de caixa inicial de US$ 7.000. lante, com US$ 475 de juros devidos ·obre essa
A entrada de caixa total de qualquer mês além dívida, mais US$ 9.625 de dívida não circulan-
de janeiro 6 pode er determinada quando seu te, com juros correspondentes de US$ 12.040.
saldo de caixa inicial é conhecido. O saldo de Como o caixa dí ponívcl é um número positi-
caixa final de cada mê torna-se o saldo de vo, não é preciso tomar cmpré timos novos cm
caixa inicial do mês seguinte. Isso torna neces- janeiro, sendo as linhas 50 a 55 todai; iguai a
ário que se conclua o orçamento de um mês zero. Os US$ 11.41 Otomam-se o saldo de caixa
antes de se iniciar o do mês eguintc. final, como mostrado na linha 56. A primeiras
A próxima etapa é e ti mar as despesa ope- colunas das linhas 57 a 58 indicam que havia
racionais de caixa lotais por tipo, colocando um saldo de dívida circulante de US$ 9.500 no
cada montante na coluna ''Total". Então, cada início do ano e US$ 217.750 cm dívida não cir-
estimati va de de pesa é alocada ao mês ou aos culante no início do ano. Em janeiro, foram pa-
mese adequados, sendo as despesas totais de gos US$ 9.500 da dívida circulante e US$ 9.625
cada mês lançadas na linha 35. No exemplo, da dívida não circulante, resultando em saldo
as despe as operacionais de caixa anuaí totais de US$ Ocm dívida circulante e de US$ 208.125
são projetadas em US$ 350.000, ocorrendo o em dívida não circulante.
maiores gastos em abril e etcmbro. O me - O próximo pa so é tran ferir o saldo de
mo procedimento é seguido para os gastos de caixa fin al de janeiro, de US$ 11.41 O, para o
capital, despesas de sustento familiar, impo to saldo de caixa inicial de fevereiro. Os cálculo
de renda e contribuições previdenciárias. Outro de fevereiro ão parecidos com os de janeiro.
importante requisito de caixa são os pagamen- A entrada de caixa é uficicnte para cobrir a
tos programados de principal e juros da dívida aída de caixa, e não é preciso contrair novas
em aberto no início de cada ano. Essas quantias dívidas. O saldo final , de US$ 6.360, toma-se
são mostradas nas linhas 44 a 47. Para algumas o saldo inicial de março.
dívidas a prazo, o pagamento total é o mesmo Em março, uma máq uina velha é vendida
em todos os meses, o que ignífica que, à medi- por US 12.000, comprando-se uma nova por
da que o montante devido diminuí , os juros de- US$ 52.000, em parte com um pagamento à
vidos cm cada mês também diminuem, de modo vista de US$ 12.000 (obtido com a venda da
que mais principal é pago a cada parcela. Em máquina velha), em parte com um empréstim
outros casos, podem ser devidos pagamento · não circulante adicional de US$ 40.000. O novo
iguais de principal a cada parcela, significando empréstimo não circulante leva o aldo de caixa
que o pagamento total diminuí ao longo do tem- final para um número po itivo, então não ·ão
po, à medida que os juro decrescem. No exem- neces ários novo empréstimo · circuluntc .
plo, presume- e que a dívida de maquinári o, saldo de caixa fina l, de U 4.440, ap s a in-
paga mensalmente, possui parcelas totai íguai ·, clu ão do empré. timo mo circulante, torna- e o
enquanto a hipoteca rural, paga duas vezes ao aldo de caixa inicial de abril. m març , n dí-
ano, teria parcelas de príncíp,d iguaí . vida nilo ci rculante aumenta para U 247.4 -l,
A aída de caixa t tal, obtida i,; omando- e porque o empréstimo garantido adiei nal d
as linhas 35 a 47, é de U · 5 l 4.927 no exe m- U · 40.000 é con ·idcravclmcnt muior d qu
Tabela 13-3 Orçamento de fluxo de caixa
Nome: E . U. Agropecuária
- Orçamento de fl uxo de caixa
Total Jan. Fev. Mar. Abr. Maio .Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. De;,_
1 Saldo de caiu [Link] 7.000 7.000 11.410 6.360 4.440 506 522 508 514 525 30.35 1 10.566 121.722
Recebimentos o,_.,,,.; onais:
2 Vendas de cultivas 362.680 40.640 o o o o o o o 181.640 o 140.400 o
3 Animau de cn11orda 117.500 o o 42.000 o o o o 75.500 o o o o
4 Produtos nrn•ários o o o o o o o o o o o o o
5 Outros 22-500 o o o o o o o o o 22.500 o o
6
Recebimentos de r2ni1,al:
7 Rcorodu [Link] 10.000 o o o o o o o 10.000 o o o o
8 MaQuinário e =ui,,,.m=to 12.000 o o 12.000 o o o o o o o o o
9
Renda [Link] mral:
10 Salmos e remu - 6.000 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500
li ln,-i:stimcntos 3.500 o o 875 o o 875 o o 875 o o 875
12
Entrada de caixa total
13 (wmc as linhas 1- 12) 541.180 48.140 11.910 61.735 4.940 1.006 1.897 1.008 86.5 14 183.540 53.351 151.466 123.097
Desn,-,;:.u ont-rnrionais:
14 Semcntc11 59.000 o o 16.000 34.000 o o o o o o o 9.000
15 í-crtiliwnt.e e calcário 64.000 o o 19.000 15.000 o o o o o o o 30.000
16 Oufmicos 65.000 o o o 25.000 25.000 o o o o o 15.000 o
17 Outras dcs- 0 • de cultivo 57.240 o o o 6.200 7.800 5.000 1.500 1.500 12.000 8.240 7.500 7.500
18 Gasolina. óleo. [Link] 15.700 o o o 3.000 2.000 2.200 750 750 4.000 1.500 1.000 500
19 Mão cJc obra contratada 2.250 o o o o 1.000 o o o 1.250 o o o
20 Locac,'lo de mf'ICluinas 5.000 o o o o o o o o 2.000 3.000 o o
21 R:tcllcs e c,r.!05 5.000 o o o o o o o o o 2.500 o 2500
22 Animai, de cn2orda o o o o o o o o o o o o o
23 !hrx~'IJI =rwlrias 18.000 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 1.500
24 Reoaro, rn,,auínlirio 3A50 50 100 (iOO 500 300 800 200 100 500 300 o o
25 R=ams - [Link]õal o () o () o o o o o o o o o
26 Arrendamento à vii ta [Link] o o o o o o 32.500 o o o
27 Su1,rimcn1os l .llR0 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90
2H lrnno,,1.0/1 imohili!írios 2.700 o o o o 1.350 o o o o 1,350 o o
29 S,,,,uro 3.2HO o (1 820 () o 8211 o o 820 o o 820
30 Scl"vir,HI ntíbllet» 4 .200 350 150 350 350 3~0 J,SO 350 350 150 JSO )SO 350
31 .Auwm6vcí• e plcapc. (porçllo 1.200 11,WJ 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100
do ca1l1~lcclnv:nlQ mmll
12 Oulr:tl d~•,,,.~o• fü~,1 . l fl.4()(1 íl n ~f!!! Q o R.000 o (1 Hflíl o o Hflíl

1 "\
\d
Nome: E. U. Agropecuária O~mncnlo de nuxo de caixa
Total .Jnn. Fe,,. Mnr. Abr. Maio .Jun. .Jul. Ago. SeL Out~ Nov. Dez.
35 ~ • ont=cioanis de C.-Ulln 101nis 350.000 2.090 2. 140 39.260 85.740 39.490 18.860 4.490 4.390 55.910 18.930 25.540 53. 160
(somens linhas 14-34)
Gastos de canital:
36 Maouia.'lrio e couioamen10 52.000 o o 52.000 o o o o o o o o o
37 Renrodulores 3.500 o o o o 3.500 o o o o o o o
38
Outros l'.'nstos:
39 de sustento familiar 36.000 3.000 3.000 3.000 J.000 3 .000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000
40 Imposto de renda e previdência 10.500 o o 2.625 o o 2.625 o o 2.625 o o 2.625
social
41 Oulra.S des""•~• não rurais o o o o o o o o o o o o o
42
43
Pn2amentos de dívida nro<>111mados:
44 Dívida circulante - orincinal 9 .500 9 .500 o o o o o o o o o o o
45 Dívida circulante - iuros 475 475 o o o o o o o o o o o
46 Dívida não circulante - nrincinal 27.804 9.625 320 32 1 874 897 910 914 917 921 10.250 925 930
47 Dívida não circulante - iuros 25.14S 12.040 90 89 320 297 294 290 287 283 10.605 279 274

Saída de caixa total


4S (some as linhas 35-47) 0514.927 36.730 5.550 97.295 89.934 47.184 25.689 8.694 8.594 62.739 42.785 29.744 59.989

49 Caixa disponível (linha 13 - linha 26.253 11.410 6.360 - 35.560 -84.994 -46.178 -23.792 - 7 .686 77.920 120.801 10.566 121.722 63. 108
48)

Novos emoréstimos:
50 Circulante 164.700 o o o 85.500 46.700 24.300 8.200 o o o o o
51 Não circulanie 40.000 o o 40.000 o o o o o o o o o
52 Total de novos emnrésúmos: 204.700 o o 40.000 85.500 46.700 24.300 8.200 o o o o o
Pagamentos da dívida circulante
nova
53 Princioal 164.700 o o o o o o o 74.700 90.000 o o o
54 Juros 3.145 o o o o o o o 2.695 450 o o o
Total de ruooamentos de d ívida nova
55 (linha 53 + li oba 54) 167.845 o o o o o o o 77.395 90.450 o o o
-
Saldo de caixa final
56 (linhas 49 + 52 55) 63.108 11.410 6.360 4.440 506 522 508 5 14 525 30.35 1 10.566 12 1.722 63. 108

Resumo da dívida em aberto


57 Circulante (inicial: US$ 9500) 9.500 o o o 85.500 132.200 156.500 164.700 90.000 o o o o
58 Não circulante (inicial: USS 2 17.750 208.125 207.805 247.484 246.610 245.7 13 244.803 243.889 242.972 242.051 23 1.801 230 .876 229.946
2 17.750)
59 Total de dívida cm aberto 227.250 208.125 207.805 247.484 332. 110 377.913 401.303 408.589 332.972 242.051 23 1.801 230 .876 229.946
226 Parte IV Orçar para obter mais lucro

o pagamento agendado de principal de dívida Não há caixa disponível suficiente cm


não circulante, no valor de US$ 321. agosto para amortizar toda a dívida circulante
Em abril, a saída de caixa excede a en- nova até o momento, incluindo os juros ven-
trada de caixa cm US$ 84.994. Para cobri r a cidos de US$ 2.695. Entretanto, há caixa u-
diferença, será necessário um novo emprésti- íicicnte à disposição para pagar US$ 74.700
mo circulante de US$ 85.500. O empréstimo do principal da dívida circu lante, reduzindo o
deixará um saldo final projetado pequeno, de saldo para US$ 90.000.
US$ 506. No caso de necessidades inespe- Em setembro, há dinheiro suficiente cm
radas de caixa, o operador agropecuário do caixa para amortizar o saldo remanescente du
exemplo deverá ter sempre ao menos US$ 500 dívida circulante, incluindo juros de um mês
de caixa disponível a cada mês. Após os ajus- sobre o total. Em outubro, novembro e dezem-
tes apropriados nos saldos de empréstimo das bro, a entrada de caixa é maior que a saída de
linhas 57 e 58, abril terminará com estimados caixa, então não são necessários empréstimo
US$ 332. l IOem dívidas cm aberto. novos. Estima-se que o saldo de caixa de lim
Esse exemplo mostra que mais emprés- de ano será de US$ 63.108.
timos novos serão necessários também cm Os saldos de caixa grandes mais para o
maio, junho e julho. Os pagamentos podem fim do ano sugerem diversas alternativas que
ser feitos em agosto, quando são vendidos os poderiam ser consideradas. Primeiro, pode-
animais de engorda e os bovinos de abate. Um riam ser tomadas providências para investir
total de US$ 77.920 cm caixa (linha 49) fica esse dinheiro durante vários meses em vez de
disponível. Porém, não se pode usar tudo para tê-lo parado na conta corrente. Quaisquer ju-
o pagamento de principal, poí haverá juros ro obtidos seriam renda adicional. Segundo, o
vencidos e é necessário um saldo final positi- caixa cm excesso poderia ser usado para pagar
vo de ao menos US$ 500. antecipadamente os empréstimos não circu-
No exemplo, US$ 85.500 são tomados em- lantes, diminuindo a carga de juros. Uma ter-
prestados em abril, US$ 46.700, em maio, US$ ceira alternativa diz respeito aos US$ 40.000
24.300, em junho, e US$ 8.200, em julho. Assu- cm dívida nova não circulante usado para
me-se que sobre esses empréstimos incide uma comprar máquinas cm março. Esse orçamento
taxa de juros de 6% ao ano. Os juros devidos projeta que a dívida adicional poderia er paga
são calculados por meio da seguinte equação: até novembro. Portanto, o operador poderia
ter usado empréstimos circulantes, e não um
Juros= Principal x Taxa x Tempo empréstimo novo não circulame, para adquirir
as máquinas.
Esta última alternativa exigiria que e pa-
Principal Juros gasse todo o custo do maquinário novo no ano
Abril
da compra, trazendo um risco considerável à
Tomado operação. Se os preços e rendimento fica. -
emprestado USS 85.500 x 6% x 4/ 12 de nno = USS 1.71 O sem abaixo das expectativas, poderia não ha-
Maio ver caixa disponível suficiente para pagar toda
Tomado a nova dívida circu lante. Por esse motivo, não
emprestado USS 46.700 x 6% x 3/ l 2 de ano= USS 701
é recomendado o uso de e.lívida circulante para
Junho
financiar a compra de itens de vida útil longa,
Tomado
empresuido USS 24,300 x 6% x 2112 de nno = USS 243 como máquina e con truçõcs. Uma prática
Julho melhor seria obter um empréstimo não cir-
Tomado cu lante, fazendo pagamentos de empréstimo
emprestado USS 8.200 x 6'.<, x 1/12 de nno = USS 4l adicionais nos anos cm que há caixa extra
Total USS 164,700 USS 2.695 disposição.
Capítulo 13 Orçamento de fluxo de caixa 227

Es e exemplo a sumiu que [Link] e ·cassez dos novos empréstimos de que o negócio pre-
de caixa men ai seria coberta por novos em- cisará durante o ano, assim como o momento
préstimos circulantes, Entretanto, primeiro e o montante dos pagamentos de empréstimo.
devem er investigadas outras so luções po- Outras aplicações e vantagens são:
tenciais para e ca sez mensal de caixa, Por
J. Pode-se desenvolver um plano de endivi-
exemplo, algun produtos podem ser vendidos
damento e amortização que se encaixe no
mais [Link] do que o projetado, a lim de cobrir
negócio agropecuário específico. O orça-
aldos de caixa negativos? Alguns gastos, es-
mento pode evitar endividamento exces-
pecialmente grandes gastos de capital, podem
sivo, mostrando como amortizar dívidas o
cr postergados para um ponto posterior do
mais rápido possível poupa juros.
ano? Seria possível postergar a data de venci-
2. O orçamento de fluxo de caixa pode suge-
mento de alguns gastos, como parecias de em-
rir modos de rearranjar compras e parce-
préstimo, prêmios de seguro e gastos familia-
las programadas de dívida para minimizar
rc ? Esses ajustes reduziriam ou eliminariam
o endividamento. Por exemplo, gastos de
o montante de novos empréstimos circulantes
capital e prêmios de seguro podem ser
necessários para alguns meses e reduziriam a
transferidos para meses em que se espera
despesa com juros. Um software ou planilha
uma grande entrada de caixa.
eletrónica torna relativamente fácil estimar
3. O orçamento de fluxo de caixa consegue
' . como essas alterações afetariam os juros Lotais
combinar assuntos financeiros comer-
pagos ao longo do ano. Por exemplo, as eco-
ciais e pessoais em um único plano com-
nomias com juros obtidas com menos emprés-
pleto.
timos novos podem ser mais que suficientes
para compensar o preço menor de se vender 4. Um banco ou outra instituição mutuante
um pouco antes do que o planejado. tem mais condições de oferecer orienta-
ção financeira e localizar possíveis pontos
fracos ou fortes do negócio com base em
APLICAÇÕES DO ORÇAMENTO um orçamento de fluxo de caixa comple-
DE FLUXO DE CAIXA to. Pode-se estabelecer uma linha de cré-
dito realista.
A aplicação principal do orçamento de fluxo 5. Planejando antecipadamente e sabendo
de caixa é projetar o momento e o montante quando haverá caixa disponível, os ges-

Quadro 13-1 Fluxo de caixa positivo significa lucro?

Não necessariamente! Embora um fluxo de Podem ocorrer um grande fluxo de caixa


caixa líquido positivo certamente seja preferí- líquido positivo e um lucro baixo sempre que
vel a um negativo, nem sempre significa um houver recebimentos originários de vendas de
lucro positivo. Existem Inúmeras diferenças ativos de capital, como terra e reprodutores,
entre um orçamento de fluxo de caixa e uma doações em dinheiro ou heranças, receita não
demonstração de resultados O orçamento de rural grande, novos empréstimos, depreciação
fluxo de caixa não traz Itens não monetários, grande ou decréscimos de estoque. Fluxo de
como mudanças de estoque e deprecíação, caixa negativo e lucro bom podem ocorrer por
que afetam o lucro. Ele Inclui Itens monetários, causa de consideráveis aumentos de estoque,
f como pagamentos de empréstimos, novos compras à vista de ativos de capital e paga-
empréstimos e retiradas para uso pessoal, mentos de dívida e retiradas pessoais maiores
"
,(: que não afetam o lucro. do que o normal.
228 Parte IV Orçar para obter mais lucro

tor p dem bter de onto em com- Es a comparação é um meio de ...,,.u..1.Jíl l


pra de in umo por meio de pagamento e controlar o fluxo de cai a (especi......,__-=-
à i ta. a aídas de caixa) ao longo do ano.
6. O orçamento de fluxo de caixa também além do valores orçado são rap.·.,..,,._~..::
pode compen ar no planejamento tribu- identificadas, podendo-se tomar pro1vr·ci~:É?s
tário, apontando o efeito do impo to para encontrar e anar as caus . .
de renda obre a cronologia de compras tiva para o resto do ano também tKXtem
vendas e gastos de capital. revi ada . O resultados efem - no
ano podem er utilizado para fazn ai·rmt~
7. O orçamento de fluxo de caixa pode aju-
no valores orçado para o ano seguin o
dar a localizar um desequilíbrio entre
dívida circulante e não circulante, suge- melhorará a precisão d proXIIDos Oi'CZI:3-
to . Além di o monitorar e a.tnaliz2r- os
rindo modos de melhorar a ituação. Por
xo de cai, a efetivos ao longo cio o J.J:CC.> =
exemplo, dí ida corrente demai em pro-
a elaboração da Demonstração d
porção à divida não circulante pode criar
Caixa anual do negócio. como a q
problemas de fluxo de caixa.
Tabela 5--4.
Outras aplicaçõe e vantagen do orça-
mento de fluxo de cai ·a poderiam ser rela-
cionadas, dependendo da ituação financeira ANÁLISE DE INVESTIMENTO POR
específica. O gestor alerta encontrará muitos MEIO DE ORÇAMENTO DE FLUXO
jeitos de aprimorar o planejamento e a gestão DE CAIXA
financeira do negócio por meio da utilização
do orçamento de fl uxo de caixa. Até aqui, a exposição disse respeito
um orçamento de fluxo de cai."ra
todo o negócio durante um ano_ E, · "'
MONITORAMENTO DOS FLUXOS outra aplicação importante
DE CAIXA EFETIVOS fluxo de caixa. Todo grande im=[Link].:oL..u
capital nO\-o, como compras e t
O orçamento de fluxo de caixa também pode nas ou edificações, pode ter um e
ser empregado como parte de um sistema para sobre os fluxos de caixa. especia·úmen:;
monitorar e controlar os fluxos de caixa du- tomado emprestado capital
rante o ano. A função de controle da gestão nanc1ar a compra.
foi discutida anteriormente, e ilustraremos Capital emprestado ex:i~
aqui um método de controle por meio do uso principal e juros, que rep
do orçamento de fluxo de caixa. Um modelo das de caixa. A pergunta a re.swm1,~
como o da Tabela 13-4 proporciona um modo de fazer um novo inve timent
organizado de comparar os fluxos de caixa or- vestimenta gerará renda
çados com os valores reais. suficiente para fazer frente
O fluxo de caixa anual tocai orçado de to de caixa adi ionai- .
cada rubrica pode ser lançado na primeira co- o in\'e timento é finan e·
luna. O fluxo de caixa orçado lotai até o mo- opo 1 ao a e nomi amen
mento é lançado na segunda coluna, e o tluxo exemplo ilu tra a apli
de caixa efetivo até o momento, na terceira de fluxo de [Link]. Ima~ ·
coluna. Se as cifras forem atualizadas mensal- agrope uári e tá pen
men1e, ou no mínimo trime tralmente, é fácil i tema de irriga ão p _
fazer uma comparação rápida do fluxo de F ran1 rec lbidas infonn -
caixa orçados e efetivos. análi e de flux de aixa:
Capítulo 13 Orçamento de fluxo de caixa 229

Custo do sistema de irrigação uss 90.000


Entrada à vis1a 30.000

Capital emprestado (a 7% por 3 anos) 60.000

Renda agrícola adicional do aumento do rendimento (USS 204 por acre) 24.480

Despesas agrícolas adicionais dos maiores níveis de insumo (USS 62 por acre) 7.440

Despesas de irrigação (USS 45 por acre) 5.400

A Tabela 13-5 sintetiza essas informa- Esse investimento, obviamente, irá causar
ções em formato de fl uxo de caixa. É um um problema de fluxo de caixa nos três pri-
investimento de capital de vida útil longa, meiros anos. Isso quer di zer que o investimen-
então é imponante observar o fl uxo de caixa to é ruim ? Não necessariamente. O sistema de
por vários anos, em vez de mês a mês durante irrigação deverá durar mais do que o cinco
um ano, como se fez com o orçamento com- anos mostrados na tabela, continuando a gerar
pleto de fl uxo de caixa do estabelecimento um fluxo de caixa positivo nos anos posterio-
agropecuário. res. Ao longo da vida útil total do sistema de
O novo empréstimo exige um pagamento irrigação, haveria um flux o de caixa líquido
de principal de US$ 20.000 a cada ano do pra- positivo, talvez considerável. O problema é
zo de três anos, mais juros sobre o saldo deve- como se virar nos três primeiros anos.
dor. Essa obrigação gera um grande requisito Nesse ponto, a compra do sistema de irri-
de saída de caixa duran te os três primeiros gação deve ser incorporada ao orçamento de
anos, ocasionando um íluxo de caixa líquido íluxo de caixa de todo o estabelecimento ru-
negativo nesses anos. Após o empréstimo ser ral. Esse orçamento tal vez mostre que outras
quitado, no terceiro ano, verifica-se um fluxo partes do negócio rural estão gerando caixa
de caixa líquido posi tivo nos anos segui ntes. em excesso suficiente para cobrir o !luxo de
Esse resu ltado é comum quando uma porção caixa negativo resultante da aquisição do sis-
grande do preço de compra é tomada empres- tema de irrigação. Caso contrário, uma pos-
tada e o empréstimo tem que ser quitado cm sibilidade seria negociar com o mutuante um
um prazo relativamente curto. empré timo mais longo, com parcelas anuai

Tabela 13-5 Análise de fluxo de caixa de um investímento em Irrigação


Ano
1 2 3 4 5

Entrada de caixa:
Aumento da renda agrícola uss 24.480 US$ 24.480 US$ 24.480 uss 24.480 uss 24..480
Saída de caixa:
Despesas agrícolas adicionais 7.440 7.440 7.440 7.4-W 7.440
Despesas lle irrigação 5.400 5.400 5.400 5.400 5.400
Pagamentos de principal 20.000 20.000 20.000 o o
Pagamentos de juros 4.200 2.800 1.400 o o
Saída de caixa 101n l 37.040 35.640 34.'.!-W 12.840 12.. 40
í-luxo de cnixu líq11ido ( 12.560) ( 11.160) (9.7 10) 11.640 11 .640
230 Parte IV Orçar para obter mais lucro

Tabela 13-4 Modelo para monitorar fluxos de caixa efetivos


Nome Ano
Total Orçado até Efetivo até
anunl o momento o momento
1 Saldo de cnixa inicial
Recebimentos operacionais:
2 Grãos e rnçiio
3 Animais de engorda
4 Produtos pecuários
5 Outros
6
Recebimentos de capital:
7 Reprodutores
8 MnquinMio e equipamento
9 Outro
Rendn niio 111rnl:
10 Salários e rcmuneroções
11 Investimentos
12 Outros
13 Entrada de caixa totnl (somar linhas l • 12)
Despesas operacionais:
14 Sementes
15 Fe11ilizante e calcário
16 Pesticidas
17 Outras despesas de cultivo
18 Gasolina, óleo, lubrificantes
19 Mão de obro contratnda
20 Locação de máquinas
21 Rações e grãos
22 Animais de engorda
23 Despesas pecuárias
24 Reparos - maquinário
25 Reparos - construções e benfeitorias
26 Arrendamento à vista
_7 Suprimentos
28 Impostos imobiliários
29 Seguro
30 Serviços públicos
31 Automó eis e picnpes (porçi\o do estabelecimento rural)
32 Ouu-ns despesas nimis
33
3-4
35 Despe~ns operacionni de caixa totais ( ·onuu· linhas 1-4·34)
Capítulo 13 Orçamento de fluxo de caixa 231

Quadro 13-2 Fluxo de caixa por empreendimento

Pode ser criado um orçamento de fluxo de cai- agropecuário. Uma vantagem desse métod? é
xa para cada empreendimento. Pode-se fazer que é mais difícil ignorar itens quando se lida
isso por unidade (p. ex., um acre de cultivo ou com um único empreendimento. Como conse-
uma cabeça de rebanho) e, então, multiplicar- quência, o orçamento de fluxo de caixa geral
-se pelo número de unidades. Então, esses provavelmente será mais exato. Outra vanta-
orçamentos de fluxo de caixa separados por gem é que o efeito sobre os fluxos de caixa
empreendimento podem ser empregados provenientes da eliminação, do acréscimo ou
como base para fazer o orçamento completo da alteração do nível de um empreendimento
do fluxo de caixa geral do estabelecimento fica fácil de estimar.

menores. Essa solução ajudaria a reduzir o paga uma entrada considerável. Novas instala-
problema de fluxo de caixa, mas estenderia os ções pecuárias podem exigir um caixa conside-
pagamentos de principal e juros por um pe- rável em construção, reprodutores e ração antes
ríodo maior, aumentando o montante total de de ser gerada renda em caixa adicional. Poma-
juros pagos. res e vinhedos podem demorar vários anos até
Essa análise de fluxo de caixa não con- se tornarem produtivos e gerarem receita em
siderou os efeitos que o investimento teria caixa. Esses exemplos ilustram a importância
no imposto de renda. Entretanto, um investi- de analisar um novo investimento por meio de
mento novo pode ter um impacto grande no um orçamento de fluxo de caixa. É sempre me-
imposto de renda pago, o que, por sua vez, lhor perceber e resolver um problema de flu xo
afeta os fluxos de caixa líquidos. Melhora-se de caixa antes do tempo do que ter uma surpre-
a precisão se os fluxos de caixa após impostos sa desagradável. Em alguns casos, pode não ha-
forem usados nesse tipo de análise. (Consulte ver jeito de resolver um flu xo de caixa negativo
o Capítulo 16 para uma discussão sobre im- projetado que vem com um investimento novo.
postos de renda.) Nessa situação, o investimento seria financeira-
Aquisições de terra costumam gerar fluxos mente inviável, pois os requisitos de fluxo de
de caixa negativos por vários anos, exceto se for caixa não podem ser cumpridos.

RESUMO
-----
O orçamento de fluxo de caixa é um resumo de todas as entradas e saídas de caixa durante um dado período
futuro. A ênfase é no dinheiro e em todos os fluxos de caixa, qualquer que seja o tipo, a fonte ou O uso. Tanto
as necessidades de caixa rurais quanto as pessoais constam no orçamento de fluxo de caixa. Não são incluí-
dos lançamentos não monetários. O orçamento de fluxo de caixa também inclui a cronologia das entradas
e saídas de caixa, para mostrar como elas se encaixam umas nas outras. O resultado dá uma estimativa das
necessidades de empréstimo do negócio, sua capacidade de amorti zação de dívida e a cronologia de ambas.
O orçamento de flu xo de caixa também pode ser usado para realizar uma análise de viabilidade finan-
ceira de um investimento proposto. O investimento pode causar grandes mudanças nas rendas e despesas
de caixa, especialmente se forem utili zados novos empréstimos para financiar a aquisição. Uma análise de
flu xo de caixa que se concentre apenas nos flu xos de caixa resultantes da aquisição indicará se O investi-
mento irá gerar o caixa necessário para cobrir as saídas de caixa que ele causará. Se não, a compra precisa
ser repensada, ou, então, deve-se fazer mais análise, para garantir que o caixa necessário seja disponibili-
zado por outras partes do negócio.
232 Parte IV Orçar para obter mais lucro

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFlEXÃO


-----------------J
1. Por que a depreciação do maquinário não aparece no orçamento de fluxo de caixa?
2. Identifique quatro fontes de entradas de caixa que não seriam incluídas em uma demonstração de
resultados, mas que constariam em um orçamento de fluxo de caixa. Por que elas aparecem no orça-
mento de fluxo de caixa?
3. Identifique quatro fontes de saídas de caixa que não seriam incluídas em uma demonstração de resul-
tados, mas que constariam em um orçamento de fluxo de caixa. Por que elas aparecem no orçamento
de fluxo de caixa?
4. Identifique quatro lançamentos não monetários encontrados na demonstração de resultados, mas não
no orçamento de íluxo de caixa.
5. Diga se a seguinte assertiva é verdadeira ou falsa e justifique: "O orçamento de fluxo de caixa é usado
primordialmente para mostrar o lucro do negócio" .
6. Explique como você usaria um orçamento de fluxo de caixa ao pedir um empréstimo para negócios
rurais.
7. Imagine que você gostaria de fnzer um investimento em terras de agricultura da sua região. Detennine
os preços locais da terra. as taxas de arrendamento à vista e as despesas de caixa que você teria como
proprietário da terra. Monte um orçamento de fluxo de caixa de 5 anos para o investimento, presumin-
do que 60% do preço de compra será tomado emprestado em um empréstimos de 20 anos, com juros
de 10%. O investimento seria financeiramente viável sem outra fonte adicional de entrada de caixa?
8. Um orçamento de fluxo de caixa viável deve projetar um saldo de caixa positivo para cada mês do ano,
assim como para o ano inteiro. Ao fazer ajustes no orçamento para alcançar isso, você deve começar
com o tluxo de caixa anual ou com os valores mensais? Por quê?
Aperfeiçoamento das
habilidades gerenciais

s habilidades gerenciais básicas apresen- da fanu1ia, metas, normas fiscais e condições


A tadas nas Partes I, TI, III e IV agora serão
estendidas e aplicadas a áreas específicas do
financeiras tornam necessários ajustes à estru-
tura organizacional do negócio.
negócio agropecuário. Além disso, alguns dos A agropecuária é um negócio com riscos.
pressupostos simplificadores, como ter ciên- São poucas as decisões que podem ser toma-
cia antecipada dos preços e da produção, se- das com infom1ações completas sobre o futu-
rão deixados de lado, discutindo-se a tomada ro. Via de regra, há incerteza quanto a preço,
de decisão em um ambiente com riscos. rendimentos e outras condições produtivas e
O agropecuarista iniciante precisa deci- financeiras. No Capítulo 15, são apresentados
dir qual tipo de natureza jurídica utilizar, e alguns métodos para aperfeiçoar a tomada de
essa decisão deve ser reexaminada por toda decisão em meio à incerteza, e são discutidas
a existência do negócio. A natureza jurídica algumas técnicas para reduzir o risco ineren-
diz respeito ao marco jurídico e operacional te à produção, à comercialização e a finanças
em que as decisões gerenciais são tomadas e agropecuárias.
executadas. As opções básicas são proprieda- Todo negócio agropecuário lucrativo aca-
de individual (sole proprietorship), sociedade bará tendo que usar parte de seus lucros para
de responsabilidade pessoal (parmership) , cumprir suas obrigações de imposto de renda.
corporação (corporatio11) e outros. Elas são Isso afeta o íluxo de caixa do negócio e desa-
discutidas no Capítulo 14. Ao longo do tem- celera o crescimento do patrimônio. O Capítu-
po, mudanças no tamanho e no envolvimento lo 16 discorre sobre como a decisões geren-
234 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

ciais afetam os impostos de renda e por que de retorno. Utilizar essas ferramentas ajuda
o gestor deve considerar os efeitos tributários os gestores rurais a tomar decisões melhores
de todas as decisões tomadas ao longo do ano. sobre investimento de capital de longo prazo e
Ele também fala sobre algumas estratégias bá- métodos de financiamento.
sicas de gestão tributária que podem ser úteis O Capítulo 18 apresenta informações so-
para atingir uma meta de maximização do lu- bre análise de empreendimento, ou seja, como
cro após impostos. analisar empreendimentos específicos como
Muitos recursos utilizados na agropecu- centros de lucro e/ou custo. Procedimentos de
ária são investimentos de longo prazo, que análise de lucratividade e eficiência de todo o
aplicam grandes quantidades de capital. Es- negócio foram expostos no Capítulo 6. Entre-
sas decisões de investimento podem afetar tanto, pode haver um problema causado por
a situação financeira do negócio por muitos apenas um ou dois empreendimentos. A aná-
anos. O Capítulo 17 explana várias técnicas de lise de empreendimento ajuda a isolar proble-
análise de investimento, como orçamento de mas do negócio, sendo assim uma ferramenta
capital, valor presente líquido e taxa interna importante para a função de controle da gestão.
Natureza jurídica e
transferência do negócio
, ■

agropecuar10

Objetivos do capítulo
1. Descrever a propriedade individual, a so- 4. Mostrar como os impostos de renda são
ciedade de responsabilídade pessoal, a afetados pela natureza jurídica.
corporação, a sociedade de responsabi- 5. Sintetizar os fatores importantes a consi-
lidade limitada e a cooperativa como as derar ao selecionar a natureza jurídica.
principais formas de natureza jurídica à
disposição dos produtores rurais. 6. Comparar esquemas alternativos para
transferir a renda, a propriedade e a ges-
2. Discutir a constituição e as características tão do negócio rural de uma geração para a
de cada natureza jurídica. outra.
3. Comparar as vantagens e desvantagens
de cada natureza jurídica.

Todo negócio, incluindo o rural, pode ser orga- organização durante a vida do negócio, para
nizado de várias formas jurídicas e comerciais melhor atingir metas e objetivos cambiantes.
diferentes.* Muitos gestores mudam o tipo de A três formas de organização comercial
mais comuns para estabelecimentos agrope-
• N. de T.: Os insli1utos e as naturezas jurídicas comem- cuários são: ( 1) propriedade individual (sole
piados neste capítulo não encontram correspondência proprietorship ou individual proprietorship ),
perfeita com os do nosso direito, por se basearem cm um
(2) sociedade de responsabilidade pes:soal
sistema jurídico exlrl!mamente diverso (o co111111011 lmv, e
não o direito romano-germânico, no qual se lilin o direi10 (partnership) e (3) corporação (corpora-
brasileiro). Assim, as opções de tradução aqui feitas silo tion). Cada uma delas possui caracterí tica
meras aproximações, mediante adaptação ou vertendo-se jurídicas e organizacionais diferentes, e tan-
as naturezas jurídicas usadas nos Estados Unidos pela do sujeitas a diferentes regulamentações de
que mais se aproximam das mesmas aqui, sem, 110 en1an-
to, haver idenlidade. A primeira ocorrl!ncia de cadu na- imposto de renda. Segundo o Censo da Aori-
tureza jurídica é acompanhada pelo termo original cntrt: cultura dos EUA de 2007, aproximadamen- º
parênteses, para situar o leitor no contexto do 01iginnl. te 87% dos e tabelccimcnto agropecuário
236 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

norte-americano e tão con tituídos corno O estágio de crescimento envolve a expan-


pr priedade individuai , cerca de 8% são são do tamanho do negócio, geralmente por
ciedades de responsabilidade pessoal e um meio da compra ou do arrendamento de mais
pouco mais de 4% são corporações. Dos esta- terra ou aumentando-se a escala dos empre-
belecimento con tituídos como corporações, endimentos pecuários. Também pode ocorrer
a maioria é de propriedade familiar, com 10 crescimento intensificando-se a produção cm
ou menos quoti tas. Além disso, alguns esta- uma base fundiária fixa . Este estágio amiúde
belecimento rurais são constituídos como so- usa capital de dívida para financiar a expansão,
ciedade de re ponsabilidade limitada ou coo- exigindo bom planejamento financeiro e ges-
perativas, ou po uem contratos operacionais tão do risco. Ele pode até incluir a fusão com
com outro negócios. outro operador. Após o estágio de crescimento,
A escolha correta da natureza jurídica de- a ênfase costuma se voltar à co11Solidação da
pende de fatore como tamanho do negócio operação. A redução da dívida toma-se uma
~ '
número de pessoas envolvidas, estágio de car- prioridade, e prefere-se mais eficiência a mais
reira e idade dos principais operadores e o de- tamanho. Planejamento antecipado e incorpo-
ejo dos proprietários de transmitir seus bens ração da próxima geração ao negócio, porém,
a eu herdeiro . Só se deve optar por uma op- podem possibilitar que ele continue no estágio
ção definitiva sobre a natureza jurídica após a de crescimento ou consolidação por algum tem-
análi e de todo os possíveis efeitos de longo po, sem apresentar um decréscimo de tamanho.
prazo obre o negócio e as pessoas envolvidas. Com o operador rural se aproximando da
aposentadoria, a atenção volta-se a reduzir o
risco, liquidar o negócio ou transferir a pro-
CICLO DE VIDA priedade à geração seguinte. Neste estágio de
saída, o tamanho do negócio talvez decline.
Cada negócio agropecuário possui um ciclo As consequências de imposto de renda da li-
de vida de quatro estágios: ingresso, cresci- quidação ou transferência devem ser levadas
mento, consolidação e saída. Esses estágios em conta, juntamente com a necessidade de
ão retratados na Figura 14-l. O estágio de uma renda de aposentadoria adequada. Outra
ingresso inclui escolher a agropecuária como questão é dispensar um tratamento justo a to-
carreira. selecionar empreendimentos, adqui- dos os filhos que escolherem a agropecuária
rir e organizar os recursos necessários e esta- como carreira, assim como àqueles que forem
belecer uma base financeira atrás de outros interesses.

Ingresso Crescimento Consolidação Saída

Tempo

Figura 14-1 Ilustração do ciclo de vida do negócio agropecuário.


Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 237

Quadro 14-1 O ciclo de vida do negócio agropecuário

Arthur e Beatrice Campbell começaram na Nenhum de seus filhos tinha interesse


agropecuária arrendando 240 acres do tio em agropecuária como carreira, então eles
de Arthur quando eles tinham vinte e pouco venderam o rebanho leiteiro ao chegarem
anos. Eles também ordenhavam diversas va- aos 65 anos de idade. Alguns anos mais tar-
cas que Beatrice adquirira em seus anos de de, eles venderam suas máquinas e arren-
4-H (um programa governamental dos EUA daram suas terras a um agropecuarista mais
voltado ao desenvolvimento e à qualificação jovem que vive nos arredores. Todavia, eles
de jovens). Dez anos depois, eles compra- continuam vivendo na propriedade e têm um
ram as terras do tio de Arthur e arrendaram papel ativo em sua comunidade. Nenhum de
mais 160 acres. Eles continuaram juntando seus filhos tinha interesse em agropecuária
mais vacas, até que o rebanho chegou a 60 como carreira, então eles venderam o reba-
cabeças. nho leiteiro ao chegarem aos 65 anos de ida-
Ao atingirem seus cinquenta e poucos de. Alguns anos mais tarde, eles venderam
anos, eles decidiram que sua operação rural suas máquinas e arrendaram suas terras a
já havia crescido o suficiente e se concentra- um agropecuarista mais jovem que vive nos
ram em quitar todas as dívidas que haviam arredores. Todavia, eles continuam vivendo
contraído, tornar seu sistema de ordenha mais na propriedade e têm um papel ativo em sua
eficiente e aprimorar a genética do rebanho. comunidade.

O estágio do ciclo de vida em que o esta- e prejuízos. Sua característica distintiva é o


belecimento rural está atualmente funcionan- proprietário único, que adquire e organiza os
do é uma consideração importante ao escolher recursos necessários, faz a gestão e é o único
sua natureza jurídica. Capital total investido, responsável pelo sucesso ou fracasso do negó-
tamanho da dívida, considerações de imposto cio, assim como pelo pagamento de todas as
de renda, metas dos proprietários e operadores dívidas do negócio. Muitas vezes, a proprie-
e outros fatores provavelmente diferirão em dade individual seria mais precisamente cha-
cada estágio. O produtor rural pode achar uma mada de propriedade familiar, pois, em muitos
natureza jurídica diferente a mais adequada estabelecimentos agropecuários, o marido, a
para cada estágio do ciclo de vida. Entretanto, mulher e os filhos estão todos envolvidos na
deve-se pensar com cuidado e antecedência propriedade, na mão de obra e na gestão.
quanto a como se lidará com a alteração de Es tabelece-se a propriedade individual
uma natureza jurídica para outra. começando-se a operar o negócio. Não são ne-
cessários procedimentos legais, alvarás ou li-
cenças especiais. A propriedade individual não
PROPRIEDADE INDIVIDUAL
tem limite de tamanho, seja pela quantidade de
insumos que podem ser usados, seja pela quan-
A propriedade individual (sole proprietorship)
tidade de co111111odities produzidas. O negócio
é fácil de cons tituir e operar, o que é responsá-
pode ter o tamanho que o proprietário desejar e
vel por muito da sua popularidade.
pode ter qualquer número de empregados. Po-
de-se contratar gestão adicional, bem como ha-
Organização e características ver bens em condomínio com terceiros. A pro-
Na propriedade individual, o proprietário priedade individual não necessariamente te m
tem o domínio e a gestão do negócio, as u- ativos próprios: ela pode existir me mo quando
me todos os riscos e fica com todos os lucros toda a terra e maquinários são arrendado .
238 Parte V Aperte1çoamento das hab1lldades
. gerenciais

Imposto de renda e altamente financiado em que o proprietário


O pro · ,. · possui diversos bens pessoai e não rurai . /\
. pnctano de um negócio orga ni zado
como propriedade individual paga imposto de derrocada comercial pode fazer com que ei; cs
re nd ª obre lodo O lucro comercial à alíquo- bens sejam passados aos credores para pagar
. vigor para de c1araçoc
ta cm ~ .in d.'1V1dua1s
. . ou as dívidas da propriedade individual.
conJuntas de imposto de pe soa física. Os lu- O tamanho da propriedade individual é
cro comerciais
· · e ganhos de capi tal são acres- restringido pelo capital à disposição do pro-
centados às demais rendas tributáveis auferi- prietário individual. Se só houver um montante
das para dctcnninar a renda tributável total da limitado disponível, o negócio pode ser peque-
pcs º:· A re nd a obtida e tá sujeita a tributos
de autonomo e seguro público de saúde.
no demais para reali zar muitas economias de
escala, dificultando a concorrência com esta-
belecimentos rurais maiores e mais eficientes.
Vantagens No outro extremo, as capacidades gerenciais e
o tempo do proprietário individual podem ser
As vantagens da propriedade individual são insuficientes para um negócio grande, dificul-
s~~ simplicidade e a liberdade que o proprie- tando que ele se tome um especialista em qual-
tano tem ao operar o negócio. Nenhum outro quer área. Portanto, uma propriedade individual
operador ou proprietário precisa ser consulta- grande pode necessitar contratar mais conheci-
d~ quando se deve tomar uma decisão geren- mento gerencial ou horas de consultoria.
cial. O proprietário está livre para organizar e Outra desvantagem da propriedade indivi-
operar o negócio de qualquer manei ra lícita, e dual é a falta de continuidade comercial. É difí-
todos os lucros e prejuízos do negócio perten- cil colocar filhos no negócio em outra condição
cem ao proprietário individ ual. além de funcionários ou arrendatários. A morte
A propriedade individual é flexível, tam- do proprietário também significa que o negó-
bém. O gestor pode rapidamente tomar deci- cio pode ter que ser liquidado ou reconstituído
sões sobre investimentos, compras, vendas, com uma nova forma de propriedade. Isso pode
combinações de empreendimentos e níveis de consumir tempo e dinheiro, resultando em uma
insumos baseadas exclusivamente em seu jul- herança menor e menos renda para os herdeiros
gamento. Ativos podem ser rapidamente com- durante o período de transição.
prados ou vendidos, dinheiro pode ser empres-
tado ou o negócio pode ser, inclusive, liquidado
JOINT VENTURES
se for necessário, embora isso possa demandar
o acordo de um arrendante ou mutuante. Embora a propriedade individual ofereça ao
gestor o máximo de flexibilidade e indepen-
Desvantagens dência, há outras naturezas jurídicas possí-
A liberdade gerencial inerente à propriedade veis. Elas permitem que dois ou mais opera-
individual implica também várias responsabi- dores combinem suas respectivas capacidades
lidades. Os proprietários individuais respon- e ativos para alcançar níveis de eficiência ou
dem pessoalmente por todas as dificuldades outras metas que poderiam ser inalcançáveis
jurídicas e dívidas relativas ao negócio. Os sendo cada um por si.
credores têm o direito de penhorar não apenas Esses negócios são chamados de joinr
os bens do negócio, mas também os bens pes- venrures (em tradução literal, empreendimen-
soais do proprietário para saüsfazer obriga- tos conjuntos). Dos diversos tipos dejoilll ven-
ções financeiras não pagas. Essa característica rure, os mais usados na agropecuária incluem:
da propriedade individual pode ser uma des- 1. Contratos operacionais (operating agree-
vantagem importante em um negócio grande menrs);
Capítulo 14 Natureza jurldica e transferência do negócio agropecuário 239

2- Sociedades de responsabilidade pessoal tivo ou por algum outro critério mutuamente


(pa11nerships); convencionado.
3. Corporações (corporarions); É importante distinguir entre pagamento
..i. Sociedades de responsabilidade limitada feitos como retornos sobre ativos arrendado ,
(/imired liability companies); capital emprestado, mão de obra e capital pa-
5. Cooperativas (cooperarives). trimonial, mesmo que todos ou alguns dos be-
neficiados sejam as mesmas pessoas. A Figura
Cada tipo de joint vellfure possui carac- 14-2 ilustra essa relação.
terísticas únicas no que toca a propriedade de As principais vantagens de umajoi11t ven-
bens. distribuição de renda, tributação, continui- ture em relação à propriedade individual e nvol-
<bde. responsabilidade e organização formal. vem a combinação de capital e gestão. Reunir
Em muitos casos, apenas parte do negócio rural o capital dos membros dajoint venture permite
completo é implicada najoi11t vellfure. Às ve- que se forme um negócio maior, o que pode ser
zes.. ajoilll venture afeta somente um empreen- mais eficiente do que dois ou mais negócios
rumento. Em outros casos, alguns ativos, como menores. Isso também pode aumentar a quanti-
terra, são excluídos para protegê-los da respon- dade de crédito disponível, possibilitando mais
sabilidade iJimitada dajoim venture ou para tor- aumentos no porte do negócio. A oferta total de
nar as quotas de propriedade mais iguais. gestão e mão de obra também é ampliada ao se
Deve-se tomar cuidado especial para dis- reunirem as capacidades de todos os membros.
tribuir a renda obúda pela joint vemure de O trabalho de gestão pode ser dividido, com
forma equitativa. Negócios com contrato ope- cada pessoa especializando-se em uma área do
racional podem dividir a renda bruta, como negócio, como agricultura, pecuária, comercia-
será ilustrado mais além. Em negócios mais lização ou contabilidade. Também é mai fáci l
complexos_, os proprietários de ativos que são para um operador se ausentar do negócio quan-
utilizados, mas não são de propriedade da do há outro operador para cobrir seu lugar.
Joillf ve11t11re, podem receber uma taxa de ar-
rendamen10 pelo valor justo de mercado. As
pessoas que emprestam dinheir~ ao negócio CONTRATOS OPERACIONAIS
recebem pagamentos de juros. Aqueles que
contribuem com mão de obra deve ser pago Às veze , dois o u mais proprietários individuais
um salário justo, muito embora Lambém se- realizam algumas atividades rurais j untos, ao
jam donos do negócio. Por fim, os lucros ge- mesmo tempo em que mantêm a propriedade
rados pelo negócio são distribuídos com base individual de seus próprios recur os. Essa ativi-
nos quinhões de propriedade, taxa de incen- dade, muitas vezes, é chamada de conlrato ope-

Estabele•

l
Terra 1l,J,..__
Arrendamento
_ _ _ _ _ cimento Salário

'[Link]==:::::::J agropecuário
- ~ 1
Lucros ou
dl,'tndos
Participantes ou
proprietários

Figura 14-2 Distribuição de renda de uma Joint venture.


240 Parte V Aperfeiçoamento das habllldades gerenciais

racional (operoting agreement). Esses contratos O orçamento de empreendimento pode


tendem a ser arranjos informais e limitados. ser uma ferramenta proveitosa para comparar
Na maioria dos contratos operacionais, as contribuições de recursos feitas por cada
todos pagam os custos relacionados à proprie- parte do contrato operacional. O exemplo da
dade de seus ativos individuais, como tributos Tabela 14-1 é baseado no orçamento de em-
imobiliários, seguro, manutenção e juros de preendimento de vaca/novilho da Tabela 10-3.
empréstimos. Despesas operacionais, como Nessa situação, a parte A é dona de todo o
gastos com sementes, fertilizantes, honorários pasto, instalações e cercas do rebanho bo\'ino.
de veterinário ou serviços públicos, podem ser assim como dos animais. A Parte A també
divididas entre as partes em uma proporção paga o custo de reparo da cercas e dcm
fixa, seguidamente a mesma proporção dos instalações dos animais.
custos fixos. Em outros casos, uma parte ou A Parte B fornece toda a ração e mão de
outra pode pagar a integralidade de determi- obra do empreendimento de vaca/no ilho,
nados custos operacionais, como combustível pagando todos os custos variáveis que nã.o a
ou sementes, por uma questão de conveniência. manutenção do pasto. Como a renda ad vinda
Em qua1quer um dos casos, o princípio geral do do gado vendido deve ser dividida? A Tabela
contrato operacional é dividir a renda na mes- 14-1 demonstra que a Parte A contribui co
ma proporção dos recursos totais contribuídos, 51 % dos custos totais, com a Parte B contri-
inclusive ativos fixos e custos operacionais. buindo com 49%. A renda pode er dividida

Tabela 14-1 Exemplo de orçamento de um empreendimento conjunto de vaca/novilho (uma cabeça)


Item Valor (USS) Part.c A (US$) Parte B (U
Despesas operncionais
Feno 119,00 I 19,00
Suplemento 18,00 18,00
Sal, minerais 3,60 3,60
Manu1enção do pasto 130,00 130,00
Despesas veterinárias 10,00 10,00
Reparo das Instalações dos animais 6,50 6,50
Maquinário e equipamento 16,00 16,00
Despesas de reprodução 5,56 5,56
Mão de obra 60,00 60,00
Outros 11 ,00 11 ,00
Juros (sobre metade das despesas operacionais) 12,34 4,62 7,72
Despesas de propriedade
Juros sobre o rebanho reprodutor 37,50 37,50
ln talaçõcs dos animais
Dcprecioçllo e juros 10,00 10,00
Maquinário e equipamento
Depreciação e juros 9,50 9,50
Ônus do terra 50,00 50,00
Despesas totais uss 499,00 uss 253,68 us 245,32
Contribuição percentual 100% 51 % 49'¼
Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 241

na mesma proporção, ou (para fins de como- des de responsabilidade pessoal podem er


didade) igualmente para cada pessoa, pois os constituídas para durar por um breve prazo ou
resultados estão próximos de uma divisão de por um longo período.
custos de 50-50. Há dois tipos de sociedade de responsabi-
Uma alternativa seria somar o valor dos lidade pessoal reconhecidos na maioria do es-
recursos não pagos trazidos por cada parte tados. A sociedade em nome coleúvo (general
(terra, instalações, animais, máquinas e mão partnership) é a mais comum, mas a sociedade
de obra, no exemplo) e dividir todas as ren- em comandita simples (/imited partnership) é
das e despesas operacionais de caixa na mes- usada em algumas situações. Ambos os tipo
ma proporção. No exemplo, as contribuições possuem as mesmas características, com uma
anuais da Parte A em animais, instalações, exceção: a sociedade em comandita simple
máquinas e terra são avaliadas em um total de precisa ter ao menos um sócio administrador
US$ 107,00 por unidade bovina, enquanto a (general parrner), mas pode ter qualquer nú-
contribuição laboral da Parte B é avaliada em mero de sócios investidores (limired parrners).
US$ 60,00. A Parte A está fornecendo 64% O sócio investidor não pode participar da ge -
dos recursos fixos, e a Parte B, 36%. Eles po- tão do negócio, e, em troca, sua re pon ab ili-
deriam combinar de dividir todos os demais dade financeira pelas dívidas e obrigações da
custos, assim como a renda bruta, na mesma sociedade é limitada ao seu investimento efe-
proporção. Isso pode não ser conveniente, tivo na sociedade. A responsabilidade do só-
contudo, salvo se for aberta uma conta ban- cio administrador, contudo, pode se estender
cária operacional conjunta. Além disso, o es- inclusive a seus bens pessoais.
quema aí começa a ficar parecido com uma A sociedade em comandita simples é usada
sociedade de responsabilidade pessoal , o que com mais frequência para negócio como desen-
pode não ser planejado ou desejável. volvimento imobiliário e engorda de gado, cm
Devem ser tomadas dois cuidados ao ava- que os investidores desejam limitar sua respon-
liar contribuições de recursos. Os custos de sabilidade financeira e não querem se envolver
oportunidade de todos os recursos não pagos, na gestão. A maioria das sociedades de respon-
como mão de obra e ativos de capital, devem abi lidade pessoal que operam na agropecuária é
ser incluídos juntamente com os custos mone- composta de sociedades em nome coletivo. Por
tários, e todos os custos devem ser calculados esse motivo, o exposto no restante desta seção
para o mesmo período (geralmente, um ano). se aplica apenas à sociedade em nome coletivo.
Não seria correto, por exemplo, avaliar a terra
pelo seu valor de mercado integral atual quan- Organização e características
do a mão de obra e os custos operacionais são
contabilizados por apenas um ano. Em vez Há muitos padrões e variações possíveis nos
disso, deve-se lançar mão de uma cobrança de esquemas de sociedade de responsabi lidade
juros anuais ou de um valor de arrendamento pessoal. Contudo, a natureza jurídica de socie-
dade de responsabilidade pes oal possui Lrê
da terra.
característica básicas:
1. Divisão dos lucros e prejuízos do negócio;
SOCIEDADES DE 2. Conlrole compartilhado dos bens, com pos-
RESPONSABILIDADE PESSOAL sibilidade de condomínio de alguns ben ;
3. Gestão compartilhada do negócio.
Uma sociedade de responsabilidade pessoal
(partnership) é uma associação de duas ou O esquema exato de companilhamen to de ada
mais pessoas que dividem a propriedade de uma dessas características é llexívcl, devendo
um negócio com fins lucrativos. As socieda- ser estabelecido no contrato ela ociedadc.
242 Parte V Aperte içoamento das f1abilidades gerenciais

Quadro 14-2 Um exemplo de sociedade de respqnsabllidacie


pessoal

McDonald e Garcia co nstituíram uma socieda- de finalização e pagará pelos cochos, bebe-
de de responsabilidade pessoal com o propó- douros, ventiladores e outros equipamentos.
sito de finalização de su ínos de engorda. Eles Garcia contribuirá com um trator e com maqui-
concordaram em cada um pôr US$ 30.000 de nário para manuseio de estrume. Esta tabela
capital operacional e a ração que eles tinham sintetiza o valor de seus aportes:
no mome nto. McDon ald edificará o galpão

Ath·os contribuídos Total McDonald Garcia


Capital operacio nal US$ 60.000 US$ 30.000 US$ 30.000
Estoque atual de ração 25.600 9.500 16.100
Equi pamento pecuários 21.500 20.200 1.300
Trato r e máqu in a 27.000 o 27.000
Galpão e armazenagem de esterco 85.000 85.000 o
Tota l US$ 2 19. 100 US$ 144.700 US$ 74.400
Quota de propriedade 100% 66% 34%

Após examinar os valores, eles concor- seu capital operacional. Os sócios podem fazer
daram em d ividir a renda e os prejuízos líqui- aportes de terra, capital, mão de obra, gestão
dos da sociedade à razão de dois terços para e outros ativos à conta de capital da socieda-
McDonald e um terço para Garcia. Todavia, de. A remuneração por mão de obra contribuí-
Garcia passará cerca de 25 horas por sema- da ou ativos arrendados à sociedade deve ser
na trabalhando na unidade de finalização, en- paga em primeiro lugar, pois pode não estar
quanto McDonald trabalhará apenas 5 horas nas mesmas proporções da propriedade. Os
por semana; assim, eles convencionaram que lucros remanescentes usualmente são dividi-
a sociedade pagará a cada um deles um sa- dos na proporção da propriedade da socieda-
lário justo pela sua mão de obra antes de se de, via de regra com base no valor inicial dos
calcular a renda líquida. Eles também acorda- ativos aportados ao negócio. Porém, alguns
ram em deixar metade da renda líquida na so- sócios preferem dividir os lucros da sociedade
ciedade durante o primeiro ano, para aumentar igualmente, a despeito das contribuições.

Contra tos verbais de sociedade são líci- (um conjunto de regulamentações aprovado
tos na m a iori a dos estados , mas não são re- pela maioria dos Estados para reger a operação
come ndados. Pontos importantes podem ser das sociedades de responsabilidade pessoal)
deixados de lado, e , ao long o do tempo, a presumem um quinhão igual em tudo, incluindo
di ssipação da me mória quanto aos detalhes do decisões gerenciais, quando não há um acordo
contrato verbal pod em ca usar a Lritos entre os escrito especificando um arranjo diferente. Em
sócios. Ta mbé m pode m ser enconLrados pro- toda situação não prevista pelo contrato escrito,
blemas ao se fazer a declaração de imposto de aplicam-se as regulamentações da lei estadual
renda da sociedade se os arranjos não estive- de sociedades de responsabilidade pessoal.
re m bem doc ume ntados. O contrato escrito deve prever no mínimo
Um contrato escri to de sociedade é espe- os seguintes quesitos:
cialmente importante quando os lucros não são 1. Gestc7o Di z quem é responsável por
divididos ig ualmente. Os juízes e a Lei Unifor- quais decisões gerenciais e como elas se-
me das Sociedades de Responsabilidade Pessoal rão tomadas.
Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 243

2. Propriedade e contribuição de bens Lis- permitam que a quota do sócio falecido passe
ta os bens que cada sócio aportará à so- ao espólio e, portanto, a seus herdeiros.
ciedade, descrevendo como se dará sua Além das três características básicas citadas
propriedade. anteriormente, fatores que indicam que um ar-
3. Quota de lucros e prejuízos Descreve ranjo comercial específico é juridicamente uma
meticulosamente o método de cálculo dos sociedade de responsabilidade pessoal incluem:
lucros e prejuízos e a quota que cabe a
1. Propriedade conjunta de ativos na conta
cada sócio, especialmente se houver urna
de capital da sociedade;
divisão desigual.
2. Operação sob uma razão social;
4. Registros Registros são importantes
3. Conta bancária conjunta;
para a divisão dos lucros e para manter
4. Conjunto único de registros comerciais;
um inventário de ativos e sua propriedade.
Eles designam quem manterá quais regis- 5. Participação de todos na gestão;
tros como parte do contrato. 6. Divisão de lucros e prejuízos.
5. Tributação Inclui uma contabilização A propriedade conjunta de bens não impli-
precisa da base de cálculo tributária so- ca, por si só, uma sociedade de responsabilida-
bre os bens de propriedade e controle da de pessoal. Entretanto, um arranjo comercial
sociedade e cópias das declarações fiscais com todas ou a maioria dessas características
informativas da sociedade. pode constituir, juridicamente, uma sociedade
6. Extinção Informa quando a sociedade de responsabilidade pessoal, mesmo que sem
será extinta se isso for sabido ou puder ser intenção. Essas características devem ser lem-
determinado. bradas quando se fazem acertos entre locador e
7. Dissolução A extinção da sociedade, em locatário, por exemplo. Pode-se criar uma so-
caráter voluntário ou involuntário, exige a ciedade de responsabilidade pessoal por meio
divisão dos ativos da sociedade. O método de acordos de arrendamento baseados em quo-
dessa divisão deve ser descrito a fim de que tas, salvo se forem tomadas providências para
não haja discordâncias e divisão injusta. evitar a maioria das condições mencionadas.

Os bens podem ser de propriedade da so-


ciedade, ou, então, os sócios podem manter a
Imposto de renda
propriedade de seus bens pessoais e arrendá- A sociedade de responsabilidade pessoal não
-los à sociedade. Quando a sociedade é dona paga impostos de renda diretamente. Em vez
dos bens, qualquer sócio pode vender ou dis- disso, ela protocoliza uma declaração infor-
por de qualquer ativo sem o consentimento e mativa de imposto de renda, relatando as ren-
a permissão dos demais sócios. Esse aspec- das e despesas da sociedade. Então, a renda da
to da sociedade de responsabilidade pessoal sociedade é informada pelos sócios em suas
sugere que manter a propriedade pessoal de declarações de imposto de pessoa física, com
alguns ativos e arrendá-los à sociedade pode base nas respectivas quotas sobre a renda da
ser desejável. sociedade, nos termos do contrato social.
A sociedade de responsabilidade pessoal Em uma sociedade 50-50, por exemplo,
pode ser extinta de diversos modos. O conu·ato cada sócio declara metade da renda social
'
social pode especificar uma data de extinção. ganhos de capital, despesas, depreciação,
Caso contrário, a sociedade é extinta quando perdas e assim por diante. Esses itens são in-
da incapacidade ou morte de um sócio, falên- cluídos juntamente com outras rendas que 0
cia ou acordo mútuo do sócios. A extinção sócio possuir, a fim de fixar o passivo total de
mediante morte de sócio pode ser evitada pre- imposto de renda. A renda da sociedade de
vendo-se disposições no contrato escrito que responsabil idade pessoal, portanto, é tributa-
244 Parte V Aperteiçoamento das habilidades gerenciais

da a alfquotas de pessoa física, sendo que a ros. Por esse motivo, no mínimo, é importan-
alfquota exata depende do valor da renda so- te conhecer e confiar nos seus sócios e fozcr
cietária e outra rendas obtida por cada sócio/ constar no contrato social os procedimento
contribuinte. de tornada de decisões gerenciais. Sócio de-
mais ou um sistema gerencial não estruturado
Vantagens podem facilmente criar problemas.
Como a propriedade individual, a socie-
É mais fácil formar uma sociedade de respon- dade de responsabilidade pessoal tem a de -
sabilidade pessoal do que uma corporação. vantagem de má continuidade comercial. Ela
Ela exige mais registros do que a proprie-
pode ser subitamente extinta pela morte de
dade individual , mas não tantos quanto uma
um sócio ou por desavenças entre os sócios. A
corporação. Embora os sócios possam perder
dissolução de qualquer negócio costuma con-
um pouco de liberdade pessoal ao tomar deci-
sumir tempo e dinheiro, especialmente quan-
sões gerenciais, um contrato bem-escrito pode
do causada pela morte de um amigo fntimo ou
manter a maior parte dessa liberdade.
sócio ou por um desentendimento que cau a
A sociedade de responsabilidade pessoal
sentimentos ruins entre os sócios. O compar-
é uma figurajutidica flexível, em que diversos
tipos de arranjos podem ser acomodados e in- tilhamento necessário da tomada de decisões
seridos em um contrato escrito. Ela se encaixa gerenciais e a perda de um pouco de liberdade
em situações como quando os pais desejam pessoal na sociedade de responsabilidade pes-
trazer os filhos e seus cônjuges para o negó- soal sempre são fontes potenciais de conflito
cio. Os filhos podem começar contribuindo entre os sócios.
apenas com mão de obra à sociedade, mas o As leis que regem a constituição e a tri-
contrato social pode ser alterado ao longo do butação das sociedades de responsabilidade
tempo para acomodar suas contribuições cres- pessoal são menos pormenorizadas do que
centes com gestão e capital. aquelas para corporações. Infelizmente, isso
possibilita que muitas sociedades de respon-
sabilidade pessoal rurajs funcionem com um
Desvantagens
mínimo de registros e pouca documentação
A responsabilidade ilimitada do sócio adminis- sobre como foram aportados os recursos e
trador é uma importante desvantagem da so- como a renda foi dividida. Isso pode dificultar
ciedade de responsabilidade pessoal. Um sócio uma dissolução justa da sociedade.
não pode responder pessoalmente pelas dívidas
pessoais dos outros sócios. Entretanto, todo
Operação da sociedade de
sócio pode ser responsabilizado pessoalmente
responsabilidade pessoal
pelos processos e pelas obrigações financei-
ras decorrentes da operação da sociedade. Se A sociedade de responsabilidade pes onl ge-
a sociedade não possuir ativos suficientes para ralmente é constituída com um prazo relati a-
cumprir suas obrigações jurídicas e financei- mente longo, então as contribuições à socieda-
ras, os credores podem acionar todos os sócios de podem ser avaliadas com base nos vulorc ·
solidariamente para cobrar deles o dinheiro de- de mercado aluais dos ativos aportados p r
vido. Em outras palavras, os bens pessoais de cada parte na época de formação da ocied 1-
um sócio podem ser reclamados por um credor de. Todas as despesas operacionai devem r
para pagar dfvidas da sociedade. pagas pela sociedade, via de regra por meio
Essa desvantagem adquire uma relevân- de uma conta separada da sociedade. Se um
cia especial, considerando que qualquer sócio, ou ambos os sócios contribuem com mão de
agindo individualmente, pode agir em nome obra, eles devem receber dn sociedade um 1-
da sociedade em negócios jurídicos e financei- lário representativo e justo.
Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 245

Em algumas sociedades de responsabili- O número de corporações agrícolas e


dade pessoal, ativos importantes, como terra pecuárias, embora ainda pequeno, vem cres-
e instalações, não são incluídos entre os bens cendo. A maioria é classificada como corpo-
da sociedade. Em vez disso, a sociedade paga rações rurais familiares, com um número rela-
aos proprietários desses ativos (que também tivamente pequeno de quotistas relacionados.
podem ser sócios) um aluguel por seu uso.
Nesses casos, os ativos alugados não são in- Organização e características
cluídos no cálculo dos quinhões relativos de
propriedade da sociedade. As leis que vigoram sobre a constituição e a
operação das corporações variam um tanto
A renda líquida pode ser distribuída ou
de estado para estado. Além disso, diversos
deixada na conta da sociedade para aumentar
estados possuem leis que impedem que uma
o patrimônio comercial. Contanto que todas
corporação se envolva com agricultura ou
as retiradas (excluindo-se salários e aluguéis)
pecuária ou que impõem restrições especiais
sejam feitas na mesma proporção da proprie-
a corporações agropecuárias. Por essas e ou-
dade da sociedade, as quotas de propriedade
tras razões, deve-se buscar orientação jurídi-
não se alteram. Contudo, se um sócio deixa
ca competente antes de se tentar formar uma
mais lucros no negócio (p. ex., deixando mais
corporação.
reprodutores) ou contribui com ativos adicio-
Apesar de as leis estaduais variarem, há
nais, as porcentagens de propriedade mudam.
algumas etapas básicas que geralmente se
Isso, às vezes, é feito para se aproximar mais
aplicam à formação de uma corporação rural.
de uma propriedade igual da sociedade.
São elas:
Quando a sociedade de responsabilidade
pessoal é liquidada, os proventos devem ser l. Os fundadores entram com um requeri-
distribuídos na mesma proporção da proprie- mento preliminar junto à autoridade esta-
dade. Por esse motivo, é importante manter dual competente. Esta etapa pode incluir
registros detalhados e precisos dos bens utili- reservar um nome para a corporação.
zados pela sociedade e de como salários, alu- 2. Os fundadores redigem um pré-contrato
guéis e renda líquida são distribuídos entre os de fundação, delineando os principais di-
sócios. reitos e deveres das partes após a corpora-
ção ser constituída.
3. O estatuto social é escrito e registrado
CORPORAÇÕES junto à autoridade estadual competente.
4. Os fundadores transferem bens e/ou di-
Uma corporação (corporation) é uma pes-
nheiro à corporação em troca de quota
soa j urídica distinta, que deve ser formada e
de capital social que representam seu qui-
operada de acordo com as leis do estado em
nhão de propriedade sobre a corporação.
que é constituída. É uma "pessoa" de direito,
5. Os quotistas se reúnem para organizar o
separada e distinta de seus sócios, administra-
negócio e eleger conselheiros.
dores e empregados. Essa separação da pes-
soa jurídica de seus proprietários distingue a 6. Os
.
co nselhe iros se reúnem para eleoer
o
corporação das demais naturezas jurídicas de dtretores, adotar regulamentos e iniciar
negócios . Como pessoa jurídica separada, a negócios em nome da corporação.
corporação pode ter bens, tomar dinheiro em- Há três grupos de pessoas envolvido na
pre tado, celebrar contratos, processar e ser corporação agropec uária: quoti tas, conse-
proce ada. Ela possui a maioria dos direitos e lheiros e diretores. Os quotista são os donos
dcverc jurídicos básicos da pessoa física. ela corporação. São emitidos certificados ele
246 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

a ão para ele cm troca ele bens ou dinheiro cicdade de rc pon abi lidade pc soai. Me mo
Lran ferido. à corpora ão. O número de quo- as assembleias do con. elho podem ser fcítas
li t t de . er apena um, cm alguns csL.1dos, informa lmente ao redor da mesa da cozinha
enquanto lr~ ~ o número mínimo em diversos ma deve-. e regi trar cm ata toda as embleia
uLro. e tado. . Como propri etários, os qu o- oficial.
ti ·tas p ucm o direito de dirigir os negócio Para fins de imposto de renda federal,
da corporação, por meio dos conselheiros o fi co reconhece dois tipos de corporação.
eleitos e cm assembleias anuais. Cada quo- O primeiro é a corporação comum, também
ti ta tem um voto por ação detida. Portanto, chamada de corporação C. O segundo tipo é
qualquer quotista com 51 % ou mai s da ações a corporação S, à veze chamada de corpora-
circulante com direito a voto possui contro- ção de opção fi scal. Ambos os tipos po suem
le majoritário sobre os assuntos comerciais muitas das mesmas características. No entan-
da corporação. Em algumas corporações, os to, há certa re trições para a constituição de
aportes de capital são trocado por títulos de corporaçõe S. Alguma das restrições mais
dívida em vez de por ações. Títulos de dívida importantes incluem:
possuem um retorno fixo, ma nenhuma prer-
rogativa de voto. 1. Há um limite ao número de quolistas. O
limite federal é 100, mas alguns estado
Os conselheiros são eleitos pelos acionis-
impõem limites menores, como 75. Mari-
tas em cada assembleia anual, tendo mandato
do e mulher podem ser considerados um
por todo o ano seguinte. Eles são responsáveis
perante o quotistas pela gestão do negócio. s6 acionista, mesmo se ambos detiverem
O número de conselheiros costuma ser fixa- ações.
do pelo estatuto social. São realizadas assem- 2. S6 podem ser quotistas as pessoas físicas
bleias do conselho para conduzir os negócios (estrangei ros excluídos), espólios e al-
comerciai da corporação e para fixar a polí- guns tipos de fundos patrimoniais. Outras
tica gerencial geral a ser executada pelos di- corporações não podem ter ações de uma
rctore . corporação S.
Os diretores da corporação são eleitos 3. Só pode haver uma classe de ação, mas o
pelo conselho de administração, podendo direitos de voto podem ser diferentes para
também ser destituídos por este. Eles são alguns quoti ta .
rc ponsáveis pela operação quotidiana do ne- 4. Todos os acionistas precisam anuir de -
gócio, dentro da diretrizes fixadas pelo con- de o início com a operação de uma cor-
selho. A autoridade dos diretores decorre do poração S.
conselho de administração, perante o qual são Tarnb6rn existem certas limitações quanto ao
responsáveis, cm última instância. O presi-
tipos e montantes de renda que a corporação
dente de corporação pode firmar certos con-
pode obter de algumas fontes e pecíficas e
tratos, tomar dinheiro emprestado e cumprir
ainda manter a condição de corporação S. A
outros deveres cm a aprovação do conselho,
tributação e pccíal da corporação S erá di -
mas normalmente necessita da autorização do cutidu cm urna seção posterior.
conselho antes de comprometer a corporação
cm grandes transações financeiras ou realizar
Imposto de renda
determinados atos.
Em muitas pequenas corporações rurais Uma dci,vantagem da corporação C é a pos í-
fam iliares, o acionistas, conselheiros e di - vcl bitributação da renda. Apó a corporação
retores são as mesmas pessoa . Para quem pagar o imposto sobre sua renda tributável a
vê de fora, o negócio pode parecer funcionar renda após imposto distribuída aos quotisi'as
como uma propriedade individual ou uma so- como di videndos é cem idcrada renda tributá-
Capítulo 14 Natureza jurídica 247

vcl _d~ ~uotistas. la é tríhutada à.11 alíqucw s ração. E a v,,nw crn p JÚ n, ufEJth ~,,
apltcuve1s de pcs oa ff11ica. Mui tas pequenas cx igid" que um dirct()r wa ~ít1c tfil1,umtc
corporaçõe rurai evitam uma certa medida uma nota promí -.~6ria parn c111r,ré, ÍN1 ~ fa
dcs a bitributação distribuindo a maioria da corporação. Nc,qc ca ,, <1 dircti,r rx,d r r, .,
renda corporativa aos acioni tas na forma de pon abilí[Link] p <J oalmcnl pd; dMdr, "' ;;
aluguel, alários, pro labore e bônus. Esses corporação nfü> con guír [Link] fr n li
iten ão de pe a · dedutívei s para a corpora- rci;ponsabilidadc .
ção, mas ão renda tributável para os acionis- A corporaçfo, c<,rno a ocí fí.KI •
ta /empregado . Entretant , salários e pro la- ponsabilidade pescioal, é um mcí, f'Yt1nt qu
bore pagos devem ser quantias razoáveis cm diversa · pe<4so,111 rcó11arr1 wu rccur.
troca de trabalho realizado cm boa-fé para a tão. negócio resultante, c:,,m m~íor f'{tr1c e
corporação, e não um expediente para evitar a possibíl icfade de gccitlfu e ~Ít1lí;1,' d.; , e H1.•
bitributação. segue ler [Link]~. cliciêncía cfo que doí ( )U mttí
As corporações S não pagam imposto de negócios menorc. . Tam bém pude ltf:r rmú
renda, mas são tributadas como uma socieda- fácil de obter crédito cm rnzão da VMW em
de de responsabilidade pes oal ; daí o nome de continuidade comercial cfa curpimu;álJ,
corporação "de opção fiscal ". A corporação O negócio não é cxtíntu com a morte de rri
entrega uma declaração fi scal informativa, acionista, pois , quotac; ímplc mente JYtt:
mas os acionistas informam sua quota na sam para os hcrdeíroc; e o ncg6cío con ínua,
renda, despesas e ganhos de capi tal da cor- Porém, deve existir um plano ck. contínuídmJc
poração, segundo a proporção das ações cir- [Link] , com uma ou mai~ pc 1-1,(, ~ cnvolví-
culantes Lotais que possuem. Essa renda (ou das na gestão e [Link],o·,cs de w ~umír a rc pon-
prejuízo) é aju ntada às outras rendas dos acio- sabi I idade.
nistas, sendo pago imposto sobre o total com A corporação é um modo convcnícntc de
base nas alíquotas aplicávei de pessoa física. dividir e transferir a propriedade d, ncg(icíu,
O tratamento de imposto de renda da corpo- Açõe podem facilmente w r comprmfa, ven-
ração S evita o problema de bitributação de didas ou doada!>, sem lran forêncía <.lc ítu l.i-
dividendos da corporação C. ridadc de áreas de terra c1,pccífica44 ou IJUlro
Aqui só é exposta parte das regulamen- ati vos. A tran sfcré!ncia de açõc não cau a
tações de imposto de renda que se aplicam perturbações ou reduz o támanhu de, ncg(x:ío,
aos doi s tipos de corporação. Existem mui- sendo um a maneira cômoda de um agn,pccu-
tas normas pertinentes a situ ações e tipos arista em [Link] gradualmente tran fe-
especiais de rendas e de pesas. Todas as re- rir parte de um negócio em andamcntü a gera-
gulamentaçõe fi scai aplicáveis devem ser ção seguinte.
examinadas com um con ultor tributário qua- Pode haver vantagens de impo'lto de ren-
lificado antes de se escolher a natureza jurí- da na corporação, dependendo do támanho tio
dica corporati va. negócio, de como ele é orgí.[Link] e tio nível
de renda dos quotísta~. Toda corporação é
uma pe soa jurídica contribuínLc .iutónvma,
Vantagens estando, como tal , :,ujcita a alíquota,, cJilcrcn-
A corporações proporcionam responsabilida- tes da!> de pcs:,oa ff ica. A alíquota atudt
de limitada a todo os acioni:,tas/proprietário. . para pcs-,oa') /'í')ica-, e jurfdii.:a: ão uprc ·nta-
Eles ão juridicamente rc ·pon ·ávei apena da · na Tabela 1 -2.
na medida do capital que invc tiram na cor- Urnti va ntagem da [Link]' , é que
poração, O bens pe soais do · quo tistw. nã o · pro prietári o geralmente llo ·mprc~r o
podem er penhorado · pelos c.: redorc · paru tamb6rn . b o pcrmit~ 11 úcdutihdiu· lc fi ·ai
ati · fa1,cr a obrigações fi nanccira · da corpo- de certo~ benefício in<l1rc10 com:cu1tlu "º
248 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

acionista/empregado, como prêmios de segu- Operação da corporação


ro de saúde, acidente e vida. Também é mais A corporação pode ser constituída e opera-
fácil alocar a renda enlre pessoas físicas, esta- da de maneira semelhante à da sociedade de
belecendo-se salários, aluguéis e dividendos. responsabilidade pessoal. As quotas da corpo-
ração são divididas na mesma proporção dos
Desvantagens aportes iniciais ao capital societário. Socieda-
des de responsabilidade pessoal e corporações
Corporações são mais dispendiosas de consti-
podem receber contribuições de dívida dos
tuir e manter do que a propriedade individual
sócios, além de ativos.
e a sociedade de responsabilidade pessoal.
O número de ações emitidas é uma deci-
São necessárias certas taxas legais ao formar
são ao arbítrio dos acionistas. O valor inicial
uma corporação, e será preciso recorrer conti-
de cada quota é obtido dividindo-se o patrimô-
nuamente a consultoria jurídica para cumprir
nio social inicial da corporação pelo número
os regulamentos estaduais. Também pode ser
de ações a ser emitido. Como na sociedade de
necessário um contador no período de consti-
responsabilidade pessoal, a corporação pode
tuição e durante a vida da corporação, a fim
pagar salários pela mão de obra realizada pe-
de lidar com registros financeiros e questões
los quotistas, assim como aluguéis pelo uso de
tributárias. A maioria dos estados exige várias
ativos que não são de propriedade da corpo-
taxas para o regisu·o do estatuto social, além
ração. As distribuições da renda líquida são
de alguma espécie de taxa ou tributo opera-
feitas na fomrn de dividendos.
cional anual sobre corporações, o que não é
A Tabela 14-3 sintetiza os atributos mais
cobrado das outras naturezas jurídicas.
importantes de cada uma das três principais
Trabalhar como corporação faz neces-
naturezas jurídicas. As vantagens e desvanta-
sário que sejam realizadas assembleias de
gens de cada atributo devem ser avaliadas cui-
acionistas e conselheiros, que sejam lavradas
dadosamente antes de uma delas ser escolhida.
atas das reuniões do conselho e que relatórios
anuais sejam entregues ao estado. Contudo,
se fundar uma corporação tiver como efeito SOCIEDADES DE
negócios melhores e a manutenção de regis- RESPONSABILIDADE LIMITADA
tros financeiros, isso pode ser visto como urna
vantagem, em vez de desvantagem, uma vez A sociedade de responsabilidade limitada
que haverá melhores informações para tomar (LTDA) ([imited liability compa11y - LLC) é
decisões gerenciais. uma natureza jurídica relativamente nova que

Tabela 14-2 Alíquotas de pessoa física e jurídica (201 O)


Pessoa física Pessoa Jurídica
Alíquota Renda tributável Alíquotn
Renda tributável (US$)• marginal(%) (US$) marglnal ( %)
Solteiro Casados cm declaração conjunta
Oa 8.375 Oa 16.750 10 On 50.000 15
8.375 a 34.000 16.750 a 68.000 15 50.000 a 75.000 25
34.000 a 82.400 68.000 a 137.300 25 75.000 a 100.000 34
82.400 a 171 .850 137.300 a 209.250 28 100.000 a 335.000 39
17 J.850 a 373.650 209.250 a 373.650 33 Acima de 335.000 34 a38
Acima de 373.650 Acima de 373.650 35
• As faixas fiscais de pessoa ffsica ser!lo majoradas nos anos vindouros para se ajustarem aos efeitos da inflação.
24S

Qund1"0 14-3 Um e mplo de corporação

, ,\·n
p lll ri )~
ln 1s
1 em1~t111 dl.'I • · tl'1 'ü

. l.'Olltrlbuídos
o

McDon ld teve qua pedir emprestados tir 1,631 ações, com um valor e
U 56.000 pam construir o galp o de finali- USS 100 cada. Essas ações sã
z o. Ness e so, os quotist s concordaram proporção dos aportes s ietári m1 ais:
com que corporaç o ssumlsse essa dívida ações para McDonald e 744 a -es para Gar-
e p gasse as p rcel s de principal e juros à cia.
rnedld que vence s m. A corpora ão pagará a cada um deles
Incluir o empréstimo de US$ 56.000 na salários baseados em suas contribui -es de
cepltallzaç o da corporaç o diminuiu o pa- mão de obra. Eventuais di idendos pag
trimônio Inicial do negócio a US$ 163.100. serão divididos na proporção do numero de
McDonald e Garcia concordar m em emi- ações detidas.

s' pur' muit co111 H ·u ·icdudc de r ' ' P n-


'I.! e m na ·ociedadc de re ·p n·abilidade pe· -
subilidnd I cssonl, mn · ofer ·<:e II cw · cios ·oaL Da mc~ma fonna , a renda rural líqui-
n vnntug 'Ili tlu r· ·ponsubilidud ' limitada.! ·o da da LTDA é trnn · ferida :i ' declarr- ,, d
1uor Jizcr que os ·rcdorc · e outro · requercn- impo ·to de pes ·oa ffsi a do · ·ó -i , na pr -
lc · pod •m r •dumur o · ativo · dn L'l D pura por ão d seus quinh-c de pr pried·[Link] ..-\
·utisfnzcr dívidus e oulru · obriga ·õe ·, ma~ LTDA é regulamentada por lei e ·tadual, ent·l
nilo pod ·m r ·dumur os bens pe ·soai ou co- a -· exigência formais viriam. Entret:int , é
mcrciuis d ' pru1 [Link]: individunl do ·ó ias ' empre uma b ·1 idcin manter um re::,i -u p r-
uu t.:roA. ➔ ssu e u111u m1lug ~111 consid ·r:ivel mc.::nori zudo da , contribui -- e di ·tribui -
purn p0Lonci11is invostidorc ·. de ati os ' rendas pôr po1· ..,... . 1·1· 1 as t gra •
'odcduuos Je n.!spo11suhilidud0 limitada de operação com enci nadas.
poli 111 ter qualquer 11ú111oro de · 1.:ios, sendo Ao cont nfrio da arpam ão, a LTDA
qu' todo · lll ·s pod --111 tomar pnrte na gestão. não pode deduzir o cu to do~ ben fí ia ·
A propricdud é [Link]ídn de ac relo com o indireto ( ·omo 1 !ano · de ~eguro u u
v11lor justo do 111or1.:udo dos ativos nportndos, de v fculo ·) con ·d idos :\ empregado ' qu
250 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

Tabela 14~ Comparação das naturezas jurídicas do negócio agropecuário


Propriedade Sociedade de
individual (sole rcs1>onsabiliclade pessoal
Categoria proprietorship) (partnership) Corporação (corporation)

Propriedade Uma única pessoa Duas ou mais pessoas Pessoa jurídica distinta, de
física ffsicas propriedade dos quotistas
\ ida do negócio Extinta com a morte Por prazo convencionado Ilimitada, salvo se fixado em
ou extinta com a morte de contrato; no caso de morte, as
um sócio ações passam aos herdeiros
Responsabilidade O proprietário é Cada sócio responde Os quotistas não respondem
responsável por todas as obrigações pelas obrigações corporativas; em
da sociedade, inclusive alguns casos, alguns acionistas
com bens pessoais (salvo podem ser solicitados a cofirmar
os sócios investidores notas promissórias da corporação
[limited part11ers])
Fonte de capital investimentos pessoais, Contribuições sociais, Contribuições dos quotistas, venda
empréstimos empréstimos de ações, venda de títulos de
dívida e empréstimos
Decisões Proprietário Acordo dos sócios Os quotistas elegem conselheiros
gerenciais que gerenciam o negócio ou
contratam um administrador
lmpostos de A renda comercial A sociedade protocoliza Corporação C comum: a corporação
renda é combinada com uma declaração protocoliza uma declaração de
as demais rendas na informativa para o fisco; a imposto e paga imposto de renda;
declaração de imposto quota de cada sócio sobre os salários pagos a quotistas
de pessoa física a renda da sociedade é empregados são dedutíveis; os
acrescentada à sua renda quotistas pagam imposto sobre os
tributável de pessoa física dividendos recebidos
Corporação de opção fiscal (S):
os quotistas declaram sua porção
sobre renda, prejuízo operacional
e ganhos de capital de longo prazo
nas declarações de pessoa física;
a corporação entrega ao fisco uma
declaração informativa

também são sócios da LTDA. Além disso, ristas que desejam a simplicidade e a flexibili-
ela não persiste automaticamente no caso de dade da sociedade de responsabilidade pessoal
morte de um sócio. combinadas com a responsabilidade financeira
Alguns estados permitem a formação da limitada oferecida pela corporação.
parceria de responsabilidade limitada (limited
liability parmership), semelhante à LTDA. As
sociedades e parcerias de responsabilidade li- COOPERATIVAS
mitada são relativamente novas, então ainda há
questões não exploradas no que tange à sua na- Os agropecuaristas usam as cooperativas (co-
tureza jurídica. No entanto, elas oferecem uma operatives) há muitos anos como um modo
alternativa atrativa para fanu1ias de agropecua- de obter insumos e serviços ou comercializar
Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 251

produtos conjuntamente. Em alguns países, as da corno coopcraliva "fechada" ou "da ~o~a


cooperativas com fins de produção rural são geração". Os cooperadoFJ rrccísam co~trrbu1r
formadas por grupos de possuidores de terras com urna qu antia significativa de capi tal r a-
de pequeno porte ou trabalhadores rurais a trirnoníal para entrar, concordando cm vender
fim de ganhar eficiência em produção. Muitos à cooperativa um determinado volume de pro-
dos estabelecimentos agropecuários estatai s dução cm prazos fixos. As associações podem
e coletivizados que existiam na antiga União ser compradas e vendidas. Essas novas coo-
Soviética e em países vizinhos foram reorga- perativas são constituídas majoritari amente
nizados cm grandes cooperativas de produção. para processamento de valor agregado, mas
Nos Estados Unidos, cooperativas rurais também incluem operações de terminação de
de produção agrícola ou pecuária são raras, animais e produção de ovos.
mas alguns Estados aprovaram leis que incen- Talvez o fator principal do sucesso de
tivam a formação de cooperativas de pequeno uma cooperativa agropecuária sej a o desejo
porte para essa finalidade. Elas são amiúde verdadeiro de cooperar. Cada cooperado deve
compostas de agropecuaristas independentes ter cm mente que trabalhar junto aos outros
que desejam realizar uma determinada opera- ajudará a obter benefícios que compensam a
ção conjuntamente. Exemplos incluem coope- necessidade de abrir mão de certo grau de in-
rativas de suinocultores que produzem leitões dependência gerencial.
para seus cooperados finalizarem ou coopera-
tivas que cultivam sementes de alta qualidade
para seus cooperados. TRANSFERÊNCIA DO NEGÓCIO
As cooperativas são um tipo especial de AGROPECUÁRIO
corporação. Elas precisam de estatuto, regula-
mento e registros detalhados. Os cooperados No começo deste capítulo, foi ilustrado o ci-
que contribuem com capital desfrutam deres- clo de vida do negócio agropecuário (Figura
ponsabilidade limitada sobre esses aportes. A 14- 1). Se o estágio de saída de um operador
renda líquida é repassada aos cooperados antes coincidir com o estágio de ingresso do próx i-
de ser submetida ao imposto de renda. As coo- mo, o processo de tran fcrência pode ser rela-
perativas também podem proporcionar benefí- tivamente simples. Animais, equipamentos e
cios de dedução fiscal para seus proprietários/ máquinas podem ser vendidos ou alugados ao
cooperativados. novo operador ou alienados cm lei lão. Terras
Ao contrário das demais corporações, as podem ser vendidas à vista, cm parcelas ou ser
I. •
cooperati vas podem pagar um retorno max1- arrendadas ao novo operador. O tamanho e a
mo de 8% anuais aos quotistas. A renda líqui- estrutura exteriores do negócio podem mudar
da restante é distribuída aos cooperati vados bem pouco nesse processo.
como "reembol so de incenti vo", com base na Em muitas situações de agropecuári a fa-
quantidade de negócios que cada cooperado miliar, contudo, a próx ima geração está pronta
faz com a cooperati va, e não em quotas de para ingressar no negócio, enquanto a geração
propriedade. O controle da cooperativa tam- atual ainda está no estágio de crescim ento ou
bém di fere das demais naturezas jurídicas, na consolidação. Isso levanta vári as que tõcs im-
medida cm que todos os cooperados possuem portantes.
um voto cada na hora de tomar decisões, a
dc&pcíto de quanto possuem da cooperati va. 1. O negócio é grande o ·ulicicme para em-
A maioria das cooperativas agropec uárias li - pregar produti vamcntc outra pessoa ou
mita a ai,sociação a produtores rurais ati vos. família? Se a oferta de mão de obra for
No& últimos anos, populari zo u-se uma diminu ída com a aposentadoria dos ope-
nova forma de cooperati va ru ral, co nheci- radores atuai!-1 ou com a redução da quan-
252 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

tidade de mão de obra contratada, o novo A renda pode ser transferida, em um pri-
operador pode ser utilizado clicienlcmen- meiro momento, pagando-se um salário ao
te. Senão, o negócio pode ter que se ex- novo operador, o que também pode incluir al-
pandir para prover mais emprego. gum tipo de bônus ou participação nos lucros.
2. O negócio é lucrativo o suficiente para À medida que a pessoa mais jovem adquire
sustentar outro operador? Colocar mais mais ativos, parte da renda pode também ser
mão de obra não necessariamente sig- baseada em um retorno sobre investimento.
nifica produzir mais renda líquida. Se A propriedade pode ser transferida per-
uma fome extra de renda (como bene- mitindo-se que a geração mais nova gradual-
fícios previdenciários) ficar disponível mente adquira bens, por exemplo, separando
reprodutores ou investindo em maquinário.
para a geração mais velha, a renda do
Ativos de vida útil mais longa podem ser ven-
estabelecimento agropecuário pode ser
didos em parcelas ou à vista. Bens também
canalizada mais facilmente para o novo
podem ser doados a seus futuros herdeiros,
operador.
mas se as doações anuais excederem certos
Se acrescentar outrn operador for exigir
limites, os tributos federais causa mortis de-
a expansão do negócio, deve-se elaborar
vidos quando o doador morrer poderão au-
um orçamento completo detalhado do
mentar. A doação de ativos também envolve
estabelecimento agropecuário. Deve-se encontrar um jeito de tratar com justiça os
analisar a liquidez, assim como a lucrati- herdeiros que não são agropecuaristas. Se o
vidade, especialmente se dívida adicional negócio rural for organizado como corpora-
for ser usada para financiar a expansão. ção, ações individuais podem ser vendidas
Deve-se projetar o fluxo de caixa líquido ou doadas ao longo do tempo. Isso é muito
que estará disponível em um ano normal mais fácil do que transferir ativos específicos
para cada pessoa, assim como para o ne- ou quinhões de propriedade de ativos. Por
gócio como um todo, para evitar proble- fim, um planejamento cuidadoso da sucessão
mas financeiros inesperados. garante uma transferência correta dos bens
3. As responsabilidades gerenciais podem quando da morte do proprietário.
ser compartilhadas? Se as pessoas envol- A gestão talvez seja a parte mais difícil de
vidas não possuírem personalidades com- transferir de uma operação rural. O novo ope-
patíveis e metas recíprocas, até mesmo rador pode ser incumbido com a responsabili-
um negócio lucrativo pode não represen- dade sobre um determinado empreendimento
tar uma carreira satisfatória. Agropecua- ou uma determinada área gerencial, como ali-
ristas acostumados a trabalhar sozinhos mentação, reprodução ou escrituração. Permi-
e tomar decisões independentemente po- tir que operadores mais jovens arrendem terra
dem ter dificuldades em se adaptar a um adicional ou produzam um grupo de animais
sócio. Pais e filhos podem ter dificuldades por si sós, usando as máquinas e instalações
especiais em trabalhar como sócios igua- do estabelecimento rural, ajuda-os a aprender
litários na gestão. habilidades gerenciais sem colocar em risco
toda a operação.
A geração mais velha precisa entender
Principais áreas a transferir
que existem muitos jeitos diferentes de rea-
Três áreas principais do negócio rural devem lizar empreendimentos agropecuários. Saber
ser transferidas: renda, propriedade e gestão. quando dar conselhos e quando ficar calado
Contudo, elas geralmente não são transferidas ajuda a fazer com que a transferência geren-
todas ao mesmo tempo. cial se dê tranquilamente. -
Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 253

Estágios da transferência 2. A opção da aquisição (takeover) ocorre


do negócio quando a geração mais velha gradu~l-
mente se retira da mão de obra e geS tao
Os acertos específicos escolhidos para trans-
ativas, geralmente para se aposentar ou
ferir renda, propriedade e gestão dependem do
assumir outra ocupação. A expansão do
tipo de organização que se deseja como resulta-
negócio pode não ser necessária. A trans-
do e quão rapidamente a família quer concluir
ferência pode se dar arrendando-se ou
a transferência. Recomenda-se um estágio de
vendendo-se o estabelecimento rural à
reste de um a cinco anos, no qual o operador
geração mais nova. Deve-se elaborar um
iniciante é empregado e recebe um salário e um
orçamento detalhado para verificar que
bônus ou incentivo, começando a arrendar ou
haverá renda suficiente para despesas de
possuir alguns ativos adicionais próprios. For-
sustento após as parcelas de arrendamen-
mas de natureza jurídica e aquisição de ativos
to ou hipoteca serem pagas.
que seriam difíceis de liquidar devem ser evita-
das até que ambas as partes fixem suas metas 3. Pode-se desenvolver uma operação con-
finais e vejam se conseguem trabalhar juntas. junta (joint operation) quando ambas as
Após o estágio de leste, são possíveis ao menos gerações desejam continuar produzindo
três tipos alternativos de arranjo, como ilustra- juntas. Esse acerto geralmente envolve
do na Figura 14-3. uma expansão do negócio a fim de em-
pregar e sustentar todos adequadamente.
1. A opção da cisão (spin-ojf) envolve a se- O estabelecimento agropecuário pode
paração dos operadores com suas próprias ser organizado por meio de um contrato
operações. A cisão funciona bem quando operacional conjunto, de uma sociedade
ambos os operadores desejam ser finan- de responsabilidade pessoal ou de uma
ceira e operacionalmente independentes corporação. Entre essas operações rurais
ou quando as possibilidades de expansão familiares com vários operadores encon-
do negócio original são limitadas. As ope- tram-se alguns dos negócios agropecuá-
rações distintas ainda podem trocar mão rios mais lucrativos e eficientes que há.
de obra e utilização de equipamento, ou No entanto, é crucial que sejam desenvol-
mesmo usar juntas alguns ativos, para vidas relações pessoais de trabalho e ges-
realizar economfas de escala. tão eficazes.

Estágio de teste

• Salário • Bônus
• Empreendimento separado • Contrato operacional

Separação Transferência Expansão

l
Cisão
1
Aquisição

• Negócio separado • Aposentadoria • Vários operadores


• Podem trocar mão de • Contrato de arrendamento • Sociedade de
obra e equipamentos • Contrato de compra e venda responsabilidade pessoal
• Corporação

Figura 14-3 Alternativa de transferência do negócio agropecuário.


254 Parte V Aperteiçoamento das habilidades gerenciais

Quadro 14-4 Morte e impostos

Quando uma pessoa morre, a propriedade ano, para qualquer pessoa, sem que incidisse
dos seus imóveis e outros bens pode ser pas- imposto sobre doação. Doações conjugais são
sada a herdeiros por testamento, instrumentos diferenciadas, o que, em essência, duplica o
jurídicos, seguros, fundos patrimoniais, doa- montante que pode ser doado por um cônjuge
ções e contratos. Entretanto, bens transferidos a uma pessoa sem que incida imposto sobre
a herdeiros podem estar sujeitos a impostos doação. Além disso, até US$ 1.000.000 em
federais e, em certos casos, estaduais. Os im- doações ao longo da vida ficavam isentas do
postos sobre transmissão causa mortis (esta- imposto sobre doação. Entre cônjuges, são
fe taxes) são tributos de recolhimento indireto permitidas doações ilimitadas.
sobre a transferência de imóveis e outros bens
a herdeiros. Impostos sucessórios (inheritance Avaliação de uso especial para
taxes) são aqueles cobrados sobre o privilégio estabelecimentos rurais e pequenos
de receber bens. negócios
Para fins de imposto sobre transmissão cau-
Leis em vigor
sa mortis, os ativos geralmente são avaliados
Deve-se pagar imposto sobre transmissão pelo seu valor justo de mercado. Para diminuir
causa mortis com alíquota progressiva sobre o valor avaliado e, portanto, os tributos devi-
espólios que ultrapassam um limite legal de dos, pode ser aplicada uma "Avaliação de Uso
valor. A Lei de Conciliação de Crescimento Especial" a estabelecimentos agropecuários e
Econômico e Desoneração do Contribuin- pequenos negócios. Terra e ativos agropecuá-
te, de 2001 , trouxe disposições específicas rios podem ser avaliados segundo seu uso na
para o imposto federal sobre transmissão produção rural, em vez de pelo valor justo de
causa mortis até 201 O. Em 2009, apenas mercado. O fisco possui requisitos especiais
espólios avaliados de USS 3.500.000 para que devem ser cumpridos para se beneficiar
cima estavam sujeitos ao imposto federal so- desse tratamento fiscal.
bre transmissão causa mortis. Em 201 O, não A Publicação 950 do fisco norte-america-
havia limite sobre o valor de espólios isentos no, "Introdução aos impostos sobre transmis-
do imposto federal sobre transmissão causa são causa mortis e sobre doaçãon, dá uma vi-
mortis - uma ab-rogação de um ano deste são geral das leis em vigor. Porém, atualmente
imposto. Entretanto, exceto se for aprovada a lei do imposto sobre transmissão causa mor-
uma nova legislação, em 2011, o imposto fe- tis está sendo discutida no Congresso, poden-
deral sobre transmissão causa mortis reverte do ser revista. O leitor deve sempre verificar as
à lei que estava em vigor antes das mudan- leis mais atualizadas. O estágio de teste tam-
ças de 2001 , sendo o valor isento fixado em bém pode acabar com a decisão da geração
uss 1 milhão. mais nova de não ingressar na carreira agro-
Impostos sobre doação são cobra- pecuária. Isso não deve ser considerado um
dos para impedir que as pessoas driblem o fracasso, mas uma ponderação realista dos
imposto sobre transmissão causa mortis. Em valores da pessoa e de suas metas na vida.
201o, USS 13.000 podiam ser doados a cada

RESUMO
Este capítulo é uma introdução à Pane V, que discute a aquisição e a gestão dos recurso necessários para
implementar um plano de produção agropecuária. Ante: de se adquirirem os recursos para implem otar o
plano, de e-se escolher uma na1;1r_ez.a jurídica para o neg6ci_o._A esco~ha de e_ er reexaminada de tempos
em tempos, à medida que o negocio cresce e percorre os estag10s do ciclo de ida
Capítulo 14 Natureza jurídica e transferência do negócio agropecuário 255

O ncgó io agropecuário pode ser organizado como propriedade individual, sociedade de responsabi-
lidade P ~onl. corpomçiio, sociedade de responsabilidade limitada ou cooperativa. Existem vantagens e
d-~vnntngcns cm cada uma dessas nnturczas jurídicas, dependendo cio tamanho do negócio, do estágio de
seu iclo de vida e dos desejos dos proprictót:ios. A natureza jurídica certa pode facilitar a transferênci a de
~ndn ruraJ. propriedade e gestão à próxima geração. Um estágio de teste, no qual os membros da geração
mnis j vem trnbnlhnm como empregados. pode levar a uma cisão separada, a uma aquisição do negócio
xi. tente ou numa operação conjunta.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E [Link]ÃO


1. Quais são as diferenças entre os quatro estágios do ciclo de vida do negócio agropecuário? Pense em
um estabelecimento mral com o qual você esteja familiarizado. Em que estágio ele está?
2. Por que você acha que a propriedade individual é a natureza jurídica com mais ocorrência no meio
rural?
3. Que vantagens gerais ajoint ve11t11re possui em relação à propriedade individual? E desvantagens?
4. Em que o contrato operacional difere da sociedade de responsabilidade pessoal?
5. 10 contrato operacional conjunto exemplificado na Tabela 14-1. como você dividiria a renda bruta se
a Parte A e a Parte B possuíssem metade dos animais cada?
6. Explique a importância de colocar por escrito um contrato de sociedade de responsabilidade pessoal.
O que deve constar nesse contrato?
7. Explique a diferença entre a sociedade em nome coletivo e a sociedade em comandita simples.
8. Uma sociedade de responsabilidade pessoal de duas pessoas precisa ser 50-50? Ela pode ser uma
sociedade de responsabilidade pessoal 30-70 ou 70-30? Como se determina a divisão da renda?
9. Explique as diferenças entre corporações C e S. Quando cada uma delas seria vantajosa?
10. Por que uma sociedade de responsabilidade pessoal ou corporação mantém registros mais volumosos
e melhores do que a propriedade individual?
11 . Compare as alíquotas para pessoas físicas e jurídicas apresentadas na Tabela 14-2 deste capítulo. Um
proprietário individual (declaração conjunta) ou uma corporação C pagaria mais imposto de renda
sobre uma renda tributável de US$ 25.000? De US$ 50.000? De US$ 150.000?
12. Quais características especiais possuem as sociedades de responsabilidade limitada e as cooperativas?
13. Qual natureza jurídica você escolheria se estivesse iniciando sozinho uma pequena operação agrope-
cuária? Quais vantagens essa natureza jurídica lhe ofereceria? E quais desvantagens?
14. Qual natureza jurídica seria preferível se você recém tivesse se formado na faculdade e estivesse se
juntando aos seus pais ou outro operador estabelecido em um estabelecimento rural existente? Com
que vantagens e desvantagens você se depararia? E seus pais?
Gestão do risco
e da incerteza

Objetivos do capítulo
1. Identificar as fontes de risco e incerteza 5. Demonstrar vários métodos que podem
que afetam os produtores rurais. ser empregados para ajudar a tomar deci-
2. Mostrar como o risco e a incerteza afetam sões sob condições com risco.
a tomada de decisão. 6. Discutír ferramentas que podem ser usa-
3. Discutir como valores pessoais e estabili- das para reduzir o risco ou controlar seus
dade financeira afetam a tolerância a risco. efeitos.
4. Ilustrar diversas maneiras de medir o grau
de risco associado a ações gerenciais al-
ternativas.

A tomada de decisão foi discutida no Capítu- Nós vivemos em um mundo com incer-
lo 2 como uma aúvidade crucial da ge tão, e tezas. Há um velho ditado que diz: "De certo,
os Capítulos 7 a J3 apresentaram alguns prin- só a morte e os impostos". Muitas decisões
cípios e técnicas úteis para tomar boas deci- agropecuárias têm resultados que ocorrem
sões gerenciais. Esses capítulos anteriores meses ou anos após se tomar a decisão inicial.
assumiam implicitamente que todas as infor- Os gestores, muitas vezes, verificam que suas
mações necessárias sobre preços de insumo, melhores decisões acabam se mostrando me-
preços de produto, rendimentos e outros da- nos que perfeitas por causa de mudanças que
dos técnicos estavam disponíveis, eram preci- se dão entre o momento em que a deci ão é
sos e conhecidos com certeza. Essa suposição tomada e o momento em que o re ultado da
de conhecimento perfeito simplifica a com- decisão se apresenta.
preensão de um princípio ou conceito novo, Agricultore precisam tomar deci õe so-
mas raramente se verifica no mundo real da bre quais cullivos plantar e quai taxas de se-
agropecuária. meadura, níveis ele fertilizante e outro nívci
258 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

de in umo utilizar no começo da estação de Risco de produção e técnico


culti vo. Os rendimentos e preços definitivos As empresas fabri s sabem que o uso de uma
ó serão conhecidos com certeza vários meses determinada coleção de insumos quase sem-
mais tarde, ou mesmo vários anos mais tarde, pre resultará na mesma quantidade e quali-
no caso de cullivos perenes. O pecuarista que dade de produto, somente com desvios me-
decidiu expandir um rebanho de gado de corte nores. Não é o caso da maioria dos processos
criando novilhas substituta precisa aguardar de produção agropecuária. O desempenho de
vários anos antes de receber as primeiras rendas cultivos e rebanhos depende de processos bio-
com os bezerros das novilhas retidas para ex- lógicos afetados pelo tempo, doenças, insetos,
pansão do rebanho. Infelizmente, agricultores e inços, metabolismo e genética. Esses fatore
pecuaristas pouco podem fazer para acelerar os não podem ser previstos com certeza.
processos biológicos da produção agropecuária A importância relativa de várias causas
ou para tomá-lo mais previ íveis. de perdas de safras seguradas é mostrada na
Quando um resultado é mais favorável Figura 15-1. Quase todas elas estão relacio-
do que o esperado, o gestor pode se arrepen- nadas ao tempo. Devem-se escolher progra-
der por não ter implementado a decisão com mas de cultivo, aplicar fertilizante e tomar
mais agressividade ou em uma escala maior. dinheiro emprestado antes de o tempo e eus
Entretanto nesse caso, a saúde financeira da efeitos sobre a produção serem conhecidos.
operação foi fortalecida, e não ameaçada. O As hortaliças, em especial, são suscetíveis a
risco real vem de situações inesperadas com geadas e congelamentos inesperados e a toda
resultados adversos, como preços baixos, es- uma gama de pragas e doenças. Os pecuaristas
úagem ou doenças. A gestão do risco se ocu- também se deparam com importantes riscos
pa essencialmente de reduzir a possibilidade de produção. Tempo frio e úoúdo na prima-
de resultados desfavoráveis, ou ao menos de vera ou tempo seco no verão podem ser de-
amenizar seus efeitos. vastadores na produção de ovelhas e bovinos
criados soltos. Irrupções de doenças podem
forçar o produtor a liquidar todo um rebanho.
FONTES DE RISCO E INCERTEZA Outra fonte de risco de produção são as
novas tecnologias. Sempre há um certo risco
Risco é um termo utilizado para descrever si- envolvido na troca de método produti os
tuações em que os resultados possíveis e as comprovados e confiáveis por algo novo. A
chances de ocorrência de cada um deles são nova tecnologia terá o desempenho esperado?
conhecidos. Incerteza, por outro lado, carac- Ela foi testada completamente? E se ela cus-
lL-ríza uma situação em que tanto os resultados tar mais? Essas e outras questões devem er
possíveí.s quanto suas probabilidades de ocor- consideradas antes de se adotar uma tecnolo-
rência são desconhecidos. gia nova. Entretanto, não adotar uma tecnolo-
São várias as fontes de risco e incerteza gia nova de sucesso ignifica que o operador
na agropecuária. Quais são os riscos associa- pode perder lucros extras e ficar menos com-
dos a selecionar empreendimentos, determi- petitivo. O risco as ociado à adoção de novas
nar os níveis corretos de ração e fertilizante tecnologias é captado pelo velho ditado: "~ro
a utilizar, contratar um novo empregado ou seja o primeiro com quem se testa o no o,
pedir dinheiro emprestado? O que torna os re- nem o último a deixar o velho de lado".
sultados dessas decisões difícei de prever? As ovos cultivos podem ser propagande-
fontes de risco na agropecuária são diver as, ado como tendo um alto potencial de lucro,
mas podem ser sintetizadas em cinco grandes mas sua reação a tempo seco ou insetos pode
áreas gerencfaí : produção e técnica, preço e não ter sido testada. e o mercados podem não
mercado, financeira, jurídica e pessoal. ser confiávei .
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 259

Frio, geada e geio Umidade excessiva


3% e alagamento
-----e....-;---=,------- 22%

Granizo
9%

furacão
4% Seca e calor
35%

Figura 15-1 Causas de perdas de cultivos segurados (2008).


Fonte: Agência de Gestão do Risco, Ministério da Agricultura dos EUA.

Risco de preço e de mercado Às vezes, o acesso ao mercado é uma


fonte de risco. Um processador ou embalador
A variabilidade do preço é outra grande incer-
pode fechar e não deixar nenhum canal de co-
teza na agropecuária. Os preços das commo-
mercialização viável. Ou, então, os comprado-
dities variam de ano para ano, assim como de
res podem impor padrões de qualidade e res-
dia para dia, por razões além do controle do
trições de quantidade aos quais o produtor não
produtor individual. A oferta das commodities consegue fazer frente com facilidade.
é afetada pelas decisões produtivas dos agro- O custo representa outra fonte de risco de
pecuaristas em muitos Estados e países, pelas preço. Os preços dos insumos tendem a ser
políticas governamentais e pelo tempo. A de- menos variáveis do que os preços dos produ-
manda por commodities é o resultado das pre- tos, mas ainda assim contribuem à incerteza.
ferências e rendas dos consumidores, taxas de Diversas vezes, nas décadas recentes, a escas-
câmbio, políticas de exportação, força da eco- sez de petróleo causou aumentos súbitos nos
nomia em geral e preço dos produtos concor- custos da energia, o que se alastrou aos preços
rentes. Alguns movimentos de preço seguem de combustível, fertilizantes e pesticidas. Da
tendências sazonais ou cíclicas, que podem mesma forma, pecuaristas que produzem ani-
ser previstas, mas mesmo esses movimentos mais de engorda e/ou ração são especialmente
apresentam uma boa dose de volatilidade. suscetíveis a preços voláteis de insumos.

Híbridos resistentes à broca do milho:


Quadro 15-1
um redutor de risco?

Foram introduzidas novas variedades de semen- to os dos híbridos tradicionais? A qualidade do


te de milho que possuem resistência intrínseca grão será tão boa quanto? Os benefícios contra-
à broca do milho europeia. Essa tecnologia au- balançarão o custo maior da semente? Os con-
menta ou diminui o risco de produção? O risco sumidores aceitarão variedades geneticamente
de perdas de rendimento devidas a dano pela modificadas do cultivo? Até que as novas varie-
I
1 broca do milho é diminuído. Contudo, os rendi- dades sejam amplamente testadas, essas ques-
mentos em um ano normal serão tão altos quan- tões representam novas fontes de risco.
260 Parte V Aperlelçoamento das habilidades gerenciais

Risco financeiro sn1ídc, cgurnnçn ou trnInmen10 de tr abnlhndo-


rc conlrntndos. O de conhecimento dn lei nuo é
rre-, e ri sco linnm:ciro quando é tomado
um pretexto nccitnvcl pnrn ni'io cumpri-ln; logo,
emprestado dinheiro paro lin ancinr a opcrnçiio
o. bon ge. tore precisnm e lar informado o-
do negócio. O ri sco é cau ado pela incerteza
bre n, normn e os regulamentos em vigor.
quanto à ta n, de j uro ruturas, udisposi ão
do mutuante de continuar emprestando no. ní-
vei · necessário ngorn e 110 futuro, às mudan- Risco pessoal
ça · 110 valores ele merendo da garnntia do cm- Ni'io importn quanto capital é in e tido em
pré tim o e à capacidade do negócio de gerar terrn, nnimnis ou máquina : o ativos mni in-
os !luxo de caixa necc sório purn as pmcelas substituíveis de um cslnbelccimcnto rural ·ão
da dívida. No Capítulo 19, o risco linnnceiro o gestor e os runcionfüios principnis. O ri co
criado pelo u o de capital emprestado é discu- ele que 11111 deles sofra umn lesão ou doença
tido cm detalhes. s1lbiln é rcnl - n agropecuária é, por tradição,
Exi te ri sco de produ ilo, comerciali za- umn ocupnç1io pcrigosn. A lgun problemas de
ção e fin anceiro na maioria dos estabeleci- saúde apnreccm npcnns npós expo içiio pro-
mentos rurais, estando ele inter-relacionados.
longndn n pó, odore ou oi.
A capacidade de pagar dívida depende dos
Funcionários importnntes também podem
níveis de produção e dos preços obtidos peln
ser perdidos devido n nposentndoria, mudnnçn
prod ução. O tinanciumcnto da produçi\o e n
de carreira ou mudança de rc idência. Se nin-
arm azenagem de co111111odiries clepcnclem dn
guém mnis tem conhecimento ou habilita ão
capacidade ele tomar cmprcstndo o cnpitnl ne-
na área de rcsponsnbilidndc do funcionário,
cessário. Portanto, todos os três tipos de risco
podem ocorrer consideráveis perda de produ-
devem ser levados cm conta juntos, espec inl-
ção nté que se contrate um substituto.
mcnte ao elaborur um plano completo de ges-
Por lim, dcsavcnçns fnmilinres ou ncor-
tão de risco do estabelecimento agropecuári o.
dos de divórcio podem retirar hens, ativo fi-
nnncciros ou cnixn do negócio rural, trazendo
Risco jurídico prejuízos econômicos, nssim como desgn te
À medida que ngropecuuri stns e não ngrope- pcssonl. Problemas de snúde mcnll\l entre
cuaristas cntrom cm contulo muis próx imo nns ugropecuaristns gcrnlmcnlc não ão tratndo~
áreas rurnis, é de se csperur mais rcgulnmen- 0 11 in l'ormndos, mas po 1cm ncnbnr levando n
wção d1:1 prod uçilo rural. Além disso, u eons- grnvcs pcrdns tinanccirns o p ssoais.
cienli zação muior sobre segurunça nlimentnr
está afctnndo u f'ormn como os produtos silo
cul tivudos e processndos. . pccuuri sllls prc- CAPACIDADE E ATITUDE DE
ci sum [Link]' cm mente os [Link]íoclos de retirndn de TOLERÂNCIA AO RISCO
antibiólicos, nsslm como normus acerc11 cio lo-
calizuçilo de unidades de produçilo e 11111nuscio Os u 1 ropo ·unri stns vnrin111 n rmem nte m
de esterco. Víoluçücs pmfom oc11sio11nr multas sua dlspos içilo II nssumir riscos m "lH\S n-
e proccNsos di [Link]. Tu111bém ocorrem p11cid11cfos de sohr viv r li r sultndos Llll ravo-
prejuízos quundo o leite prcc isu ser jo 111do rávols d · 11çO •s nrrls ·nclns. Porlrmto, o ttív l d
f'oru por cuusu de ultos níveis de resíduo ou ri st:o qu 11111 n •t~ ·io rnrnl I ve nc ltnr uma
quuudo curcuçus onimuis Nilo eondcnuclus. d ' ·Is, o d c11cl11 um. rtn111 tH , umn b \
s protluI ores ru ruis t11mbé111 pockm ostur •1,11 o do ris ·o nilo si niti ·n li mimu· tod
i;ujcitoi. u [Link] j urídl ·us ou uç 0s du rc1:1po11- ri sco. 11111 v z disso, si •nl ticn limltnr o ri o
·abilidudc por udd 111 ·s c1111s11dos por 111rtqulnut-i li um 11 ív ·I p11r11 o q11ul os np rn lor t nlrnm
ou unimoi,-; ou por dctircsp lI11r 1·is u rcsp ' ito du dlsposlç o ·npu ·ldud d tolornr.
Capítulo 15 Gestão do risco e da Incerteza 261

Capacidade de tolerância ao risco que inrt ucncinm n quantidade do risco que os


s rcsen ns finnn cirns desc mp nh nm um produlores acei tam assum ir.
Qrnn lc pnpcl nn dclennin n ílo dn c11pncid11clc
de tolerfin ·in no risco le umn opernçi\o, Es- EXPECTATIVAS E VARIABILIDADE
tnbclccim ntos ngropecuários com grnnclc cn-
1itul pntrimoninl con. gucm resistir n prcjuí- A cxistt ncia ele risco traz mais complexidade
10 maiores untes ele se tornnrcm in. oi ve ntes. u vl'irins decisões. Quando os gestores cslilo
Esrnhclecimentos agropecuários nlt nmcntc incerto quanto ao fu turo, eles costumam usar
nlnvnn ·ndos, com um nlt o vnlor de clívidn cm algum tipo de valor médio ou "esperado" de
rclnçiio no ntivos, podem rnpidnmente perder rendimentos, custos ou preços. Não há garan -
pntrimônio, pois seu volume de produção é tiu de que esse vnlor será sempre o resultado
nlto cm relação a cu cnpitnl. Eles tnmbém são real, mas as decisões precisam ser tomadas
mai. vulneráveis a ri cos fi nnnceiros, como com husc nas melhores informações disponí-
aume nto de tnxa de juros. veis. Para analisar decisões com riscos, o ges-
Os compromis os de !luxo de cnixn lnrn- tor precisa entender como formar expectativas,
bérn nfctarn a capacidndc de tolerância no como utilizar probabilidades e como analisar
risco. Famílias com altas despesas fixas de toda a distribuição dos rc ultados possíveis.
su tento, despesas educacionais ou cuslos mé- Probabilidades são úteis ao fo rmar ex-
dico · têm menos capacidade ele resisli r a um pectativas. As verdadeiras probabilidades de
nno de renda baixa, não devendo se ex por a diversos resultados raramente são conhecidas,
tnnto risco quanto outras operações. Agrope- mas podem-se derivar probabi lidades subje-
cuari ta que possuem mais de seus ativos cm tivas a partir das in formaçõc que esti verem
fonna líquida (como em conta de poupança ou à mão mais a experiência e o julgamento da
grão e animais comercializáveis), possue m pessoa. A probabil idade de chu va em uma
emprego não rural estável ou podem depender previsão do tempo ou as chances de que um
de parentes ou amigos para assistir-lhes cm contrato de futuros ultrapasse um determinado
uma emergência financeira também têm uma preço são exemplos de probabi lidade subjeti-
maior capacidade de tolerância a risco. vas. Cada pessoa teve experiências di fe rentes,
podendo interpretar as informações à disposi-
Disposição a tolerar risco ção de modo diferente; logo, as probabilida-
des subjetivas variam de pessoa para pc:soa.
Alguns agricultores e pecuari stas se recusam Esse é um moti vo paio qual pessoas di fere ntes
a as. umir riscos, mesmo quando não têm dí- tomam dec isões diferente quando se apresen-
vidas e possuem um fluxo de caixa forte. Eles tam a elas as mesmas alternativas arriscada,;;.
talvez tenham passado por reveses linuncciros
no pas ado ou estão preocupados cm ter ren-
Formação de expectativas
da suficiente para a aposentadoria. A maioria
dos operadores agropecuários ev ita o risco. Podem ser usados di versos métodos para for-
Eles estão dispostos a assumir alguns riscos, mar expectativas sobre eventos futuros. Após
mas somente se tiverem razões para esperar ser escolhida a "melhor estimati va", ela pode
aumento cm seus retornos ele longo prazo com er u ada para planejamento e tomada de de-
isso. Idade, patrimônio, compromissos fin an- cisão até que mais inf'o rmaçõe permitam que
cei ros, ex periências fin ance iras passadas, o se elabore uma estimativa melhor.
tamanho dos ganhos ou perdas em j ogo, res-
Maior probabilidade
pon abi lidadcs famili ures, famili aridade com
a proposta de ri sco, saúde emocional, val ore · Um jeito de formar uma expectativa é escolher
culturai e ati ludes comun itárias são fatores o vulor com maior probabi lidade ele ocorrer.
262 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

r roe
dimcnto e ·ige onhecimento das condições fundamentai s que afetam o rc ui -
prohabilidad li gada n cada re ultaclo pos f- do observado não tenham mudado, dcvem-'ic
vcl , ccjnm reai. ou , ubjeti va . Pode-se basear- usar todas as observações dispo níveis.
-0 cm o rrên ia antcriore ou na análise ela Em alguns ca os, as condições f undamen-
ondiçõe atuai . Ore ultado com a maior pro- tai s se alteraram . Tecnologias novas podem
l abilidnde é elecionado como o mais provável ter aumentado os rendimentos potenciai do
d o orrer. Um exemplo e tá na Tabela 15-1 , cultivo, e mudanças de longo prazo na ofcrta e
cm que ci fai ·as po sfvei de rendimento de demanda podem ter afetado os preços de mer-
tri_o ão apresentada , juntamente com as pro- cado. Nesses casos, pode-se usar um método
babilidade e Limadas de que o rendimento real que dá aos valores recentes mais importância
e encaixe em cada uma delas. Utilizando-se o do que aos mais antigos, calculando-se uma ml-
método da "maior probabilidade" para formar dia ponderada. Também se pode usar a média
uma expectativa, seria escolhido um rendimen- ponderada quando probabilidades verdadeiras
to de 29 a 35 bushels por acre. Para fins orça- ou subjetivas dos resultados esperados estão
mentários, poderíamos usar o ponto médio da disponíveis, mas não são todas iguais. Uma
faixa, 32 bushels. Não há garantias de que o média ponderada que usa probabilidades como
rendimento efetivo ficará entre 29 e 35 bushels pesos também é chamada de valor esperado. O
por acre em um dado ano, mas, se as proba- valor esperado é uma estimativa de qual seria o
bilidades estiverem corretas, isso acontecerá resultado médio se o evento fosse repetido mui-
em aproximadamente 35% das vezes no longo tas vezes. Porém, a precisão do valor esperado
prazo. O método da "maior probabilidade" é depende da precisão das probabilidades usadas.
especialmente útil quando só há um pequeno A Tabela 15-2 mostra um exemplo deu o
número de resultados possíveis a considerar. dos métodos de média simples e ponderada.
Usam-se informações de preço dos 5 últimos
Médias anos para prever o preço médio de venda do
Podem ser usados dois tipos de média para gado de corte para o ano que vem. Uma proje-
formar uma expectativa. A média simples pode ção é a média simples dos últimos cinco anos,
ser calculada a partir de uma série de resulta- US$ 79,94. Alternativamente, os valores mais
dos anteriores. O maior problema é escolher recentes podem receber pesos maiores do que
o comprimento da série de dados a uti lizar no as observações que ocorreram há muito tem-
cálculo da média simples. A média deve ser po, como exibido na última coluna da Tabela
dos últimos 3, 5 ou I O anos? Contanto que as 15-2. Os pesos atribuídos devem sempre so-
mar 1,00. Cada preço é multiplicado por seu
peso atribuído, sendo os resultados somados.
Tabela 15-1 Uso de probabilidades para
O preço esperado é de US$ 82,72 quando se
formar expectativas
usa o método da média ponderada. Esse mé-
Número de
todo assume que os preços recentes (que fo-
Possíveis anos em que
o rendimento
ram mais altos) refletem com mais exatidão
rendimentos
do trigo real esteve Probabilidade as condições atuais de oferta e demanda, en-
(bushcls/acrc) nessa faixa ( %) quanto a média simples trata os resultados de
todos os anos com igual importância.
0-14 5
15- 21 2 10
22- 28 5 25 Parecer de especialistas
29- 35 7 35 Existem muitos tipos de circulares, informe-
36-42 4 20 meteorológicos e previsões entreoues elelr -
1 5 . o
43- 51 mcamente para ajudar os produtores a proje-
Tot li 20 100
tar as condições de oferta e demanda. Algun
263
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza

Tabela 15-2 Uso de médias para formar um valor esperado do preço


do gado de corte
Média ponderada

Ano Preço anual médio Peso Preço x peso

5 anos atrás US$ 73,10 0,10 US$ 7,31

4 anos atrás 66,40 0,15 9,96

3 anos atrás 82,40 0,20 16,48

2 anos atrás 87,50 0,25 21,88

Ano passado 90,30 0,30 27,09

Somatório uss 399,70 1,00 US$ 82,72

uss 399,70
Média simples: = US$ 79,94 Média ponderada= US$ 82,72
5

até oferecem as probabilidades de que de- em relação à demanda local e aos custos de
terminados resultados ocorram. Preditores transporte.
profissionais geralmente têm acesso a mais
informações e a ferramentas de análise mais Variabilidade
sofisúcadas do que um produtor. Todavia, suas
recomendações podem não ser adequadas à si- O gestor que precisa selecionar entre duas ou
tuação produtiva ou à capacidade de tolerância mais alternativas deve considerar outro fator
a risco de um agropecuarista específico. além dos valores esperados. A variabilidade
dos resultados possíveis em torno do valor
Mercados de futuros e esperado também é importante. Por exemplo,
contratos a termo se duas alternativas possuírem o mesmo va-
Muitas commodities rurais são compradas e lor esperado, a maioria dos gestores escolherá
vendidas com entrega futura em um local cen- aquela cujos resultados potenciais possuem o
ual chamado de mercado de futuros. São ne- mínimo de variabilidade, pois haverá desvios
gociados vários contratos para cada produto, menores com os quais lidar.
cada um com uma data de entrega diferente. A variabilidade pode ser medida de vários
O preços de futuros representam os preços modos.
aproximados que as pessoas que compram e
vendem con tratos coletivamente pensam que
Amplitude
existirão em uma data futura. Posteriormente, Uma medida simples de variabilidade é adi-
será explicado o papel desempenhado pelos ferença entre o menor e o maior resultados
mercados de futuros para auxiliar os produto- possíveis, ou amplitude. Geralmente, prefe-
res a reduzir o risco de preço. rem-se alternativas com uma amplitude menor
Os compradores locais também podem àquelas com uma amplitude maior, caso seus
oferece r preços para entrega futura de culti- valores esperados sejam os mesmos. Porém a
vo e animais, por meio de contratos a termo amp litude não é a melhor medida de variabi-
(fonvard). Os preços dos contratos a termo lida~~• uma vez que não teva em conta as pro-
também representam as melhores estimati- bab1ltclades associadas ao menor e ao maior
vas dos compradores a respeito de quais se- va_lor, nem os outros resultados dentro da am-
rão o preços no futuro, mas são ajustados plttude e suas probabilidades.
264 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

Desvio padrão Tabela 15-3 Rendimentos históricos de


Uma medida estatística de variabi lidade é o milho e soja em um estabelecimento rural
1 específico
desvio padrão. Ele pode ser estimado partin-
do-se de uma amostra dos resultados efetivos Milho Soja
passado de um determinado evento, como (bushels/ (bushels/
Ano acre) acre)
dados históricos de preço para uma certa se-
mana do ano. Um desvio padrão maior indica 165 45
un~a maior variabilidade de resultados possí- 2 185 55
veis e, portanto, uma maior probabilidade de
3 181 48
que o resultado real difira do valor esperado.
4 128 38
Coeficiente de variação 5 145 43
O desvio padrão é difícil de interpretar, no 6 169 54
entanto, ao comparar dois tipos de ocorrência 7 158 50
que possuem médias diferentes. A ocorrência
8 115 31
com o maior valor médio geralmente possui
um desvio padrão maior, mas não necessaria- 9 172 47
mente é mais an-iscada. Nessa situação, é mais 10 167 58
proveitoso examinar a variabilidade relativa. O Média (valor esperado) 158,5 46,9
coeficiente de variação mede a variabilidade
Desvio padrão 22,7 8,2
em relação à média, sendo obtido dividindo-se
o desvio padrão pela média. Coeficientes de Coeficiente de variação 0,14 0,17
variação menores indicam que a distribuição
tem menos variabilidade em comparação com
sua média do que outras disLTibuições.
Desvio padrão tes de variação mostra que os rendimentos da
Coeficiente de variação = Média
soja foram mais variáveis do que os do milho
se comparados à média. Logo, o operador que
A Tabela J 5-3 apresenta dados históricos desejar reduzir o risco de rendimento preferiria
de rendimentos de milho e soja em um esta- milho a soja.
belecimento rural específico. Se presumirmos
que o potencial produtivo não foi alterado com Função de distribuição cumulativa
0 tempo, podemos utilizar as médias simples Muitos eventos arriscados da agropecuária pos-
como estimativas dos rendimentos esperados suem um número quase ilimitado de resultados
para o ano que vem e usar as variações em tor- possfveis, e a probabilidade de que qualquer de-
no da média para calcular os desvios padrão. les ocorra torna-se muito pequena. Um formato
O milho teve um desvio padrão maior do que conveniente para retratar um número grande de
0 da soja. Entretanto, o cálculo dos coeficien-
resultados possíveis é umajimção de distribui-
ção cwnulativa (FDC). A FDC é um gráfico dos
1 o desvio padrão é igual à raiz quadrada da variância. A valores de todos os resultados possfveis de um
equação da variância é : evento contra a possibilidade de que o resulta·
do real seja igual ou menor do que cada valor.
f,(x,-xf O resultado com o menor valor possível tem
Variância=.:.:
'"::....'- - -
n- 1 uma probabilidade cumulativa de quase zero,
cada um dos valores observados, X é n _média
enquanto o maior valor possível tem uma proba-
l aJ qu e X 1 é
dos valores observados e II é o número de observaçoes. bilidade cumulativa de 100%.
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 265

As etapas para criar uma FDC são as se- por todos os valores menores com a pro-
guintes: babilidade do valor em si. No exemplo,
l . Liste um conjunto de valores possíveis os rendimentos observados remanescen-
para o resultado de um evento ou estraté- tes teriam probabilidades cumulativas de
gia e estime as probabilidades deles. Por 15%, 25%, etc.
exemplo, os dados da Tabela 15-3 podem 5. Trace o gráfico de cada par de valores e
ser usados como um conjunto de valores conecte os pontos, como na Figura 15-2.
possíveis dos rendimentos de milho e A função de distribuição cumulativa ofe-
soja. Se for assumido que cada uma das rece uma visão de todos os resultados possí-
dez observações hi stóricas possui uma veis de um determinado evento. Quanto mais
chance igual de ocorrer novamente, cada vertical o gráfico, menor a variabilidade entre
uma representa 10% dos resultados possí- os resultados possíveis. As porções superiores
veis totais, ou distribuição. dos gráficos da Figura 15-2 são mais íngremes
2. Liste os valores possíveis em ordem, do do que as porções inferiores, indicando que
menor para o maior, como mostrado na as respostas positivas do rendimento a tempo
Tabela 15-4. bom não são tão significativas quando as res-
3. Atribua uma probabilidade cumulativa ao postas negativas a más condições de cultivo.
menor valor, igual à metade da amplitude
que ele representa. Cada observação repre-
senta um segmento ou uma amplitude da TOMADA DE DECISÃO SOB RISCO
distribuição total, então se pode assumir
que a observação ocorre no meio da am- Tomar decisões sob condições de risco exige
plitude. Por exemplo, o menor rendimento uma consideração cuidadosa das várias es-
verificado representa os primeiros 10% tratégias à mão e dos possíveis resultados de
da distribuição, então se pode atribuir-lhe cada uma. O processo pode ser decomposto
uma probabilidade cumulativa de 5%. em várias etapas:
4. Calcule as probabilidades cumulativas (a l. Identificar um evento que pode ser uma
probabilidade de obter aquele valor ou um possível fonte de risco.
menor) para cada um dos demais valores, 2. Identificar os resultados possíveis que
somando as probabilidades representadas podem decorrer do evento, como diversas
condições meteorológicas ou preços, jun-
Tabela 15-4 Distribuições de probabilidade
to com suas probabilidades.
cumulativa para rendimentos de milho e soja 3. Listar as estratégias alternativas à dispo-
sição.
Probabilidade
Milho Soja cumulativa 4. Quantificar as consequências ou os efei-
(bushels/acre) (bushels/acre) (%) tos de cada resultado possível para cada
5 estratégia.
115 31
128 38 15 5. Estimar o risco e os retornos esperados de
145 43 25 cada estratégia e avaliar as concessões re-
158 45 35 cíprocas de cada uma.
165 47 45
167 48 55 Pode-se utilizar um exemplo para ilu trar
169 50 65 essas etapas. Imagine que um plantador ele
172 54 75 trigo semeia um dado número de acre com
181 55 85 trigo no outono. Podem-se comprar bois de
185 58 95
cria no outono, que pastarão no trigo durante
266 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

100%

80%

60%

40%

20%

0%'-----'---'----l...--...J...._ _...L...JL---...L...--.!--_,J
40 60 80 100 120 140 160 180 200
Bushels por acre

100%

80%

60%

t'G
·o
CI) 40%

20%

0%...__ _ __,__ _ _ _...__ _ ___.__ ____._...__ _ __,


10 20 30 40 50 60
Bushels por acre

Figura 15-2 Funções de distribuição cumulativa para rendimentos de milho e soja.

o inverno e serão vendidos na primavera a um portante. Elas podem ser estimadas estudando-
preço contratado conhecido. A principal fonte -se os eventos meteorológicos passados, assim
de risco do agropecuarista (etapa 1) é o evento como as previsões de curto prazo.
meteorológico, pois ele afeta o pasto que esta- Se forem comprados poucos bois e o tem-
rá disponível. Presuma que há três resultados po for bom, haverá excesso de pasto à dispo-
possíveis para esse evento, tempos bom, médio sição, perdendo-se uma oportunidade de lucro
ou ruim (etapa 2), e que suas probabilidades adicional. Se forem comprados bois demais e
são estimadas em 20%, 50% e 30%, respecti- o tempo for ruim, não haverá pasto suficiente,
vamente. A seleção das probabilidades é im- será preciso comprar ração extra, e o lucro
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 267

será reduzido ou haverá prejuízo. A terceira para o exemplo anterior. Ela mostra três resul-
possibilidade é que ocorra tempo médio, com tados meteorológicos para cada uma das três
uma oferta normal de ração disponível. estratégias, a probabilidade de cada resultado
O agropecuarista está considerando três (que é a mesma, qualquer que seja a estratégia
ações alternativas: comprar 300, 400 ou 500 escolhida) e o retornos líquidos estimados de
bois (etapa 3). Essas escolhas são as estraté- cada uma da nove consequências potenciais.
gias de decisão. Os mesmos três resultados Por exemplo, e forem comprados 300 bois, o
meteorológicos são possíveis para cada es- retorno líquido será de US$ 20.000 com bom
tratégia, o que cria nove combinações poten- tempo, US$ 10.000 com tempo médio e ape-
ciais de efeitos a serem consideradas. Após nas US$ 6.000 com tempo ruim (etapa 4).
os elementos do problema serem definidos, é O valor esperado de cada estratégia é a
proveitoso organizar as informações de algum média ponderada dos resultados possíveis, ob-
modo. Duas maneiras de fazer isso são a árvo- tida multiplicando-se cada re ultado por ua
re de decisão e a matriz de ganhos.
probabi lidade e somando-se os efeitos. Com
base apenas ne ses valores, eria de e e perar
Árvore de decisão que o agropecuari ta selecionasse a e tratégia
Uma árvore de decisão é um diagrama que "Comprar 400", pois ela possui o maior valor
traça várias estratégias gerenciais pos fveis, esperado, US$ 12.200. Entretamo, i so ignora
os resultados potenciais de um evento e seus a possibi lidade de se ter mau tempo e omente
efeitos. A Figura 15-3 é uma árvore de cleci ão chegar ao ponto de equilíbrio. Maneiras de to-

Resultados Retornos Valor


Estratégia meteorológicos Probabilidades líquidos esperado

0,2 X US$ 20.000 US$ 4.000

0,5 X US$ 10.000 5.000

0,3 X US$ 6.000 1.800


US$ 10.800

0,2 X US$ 26.000 US$ 5.200

~-:..:..:..--E~------- 0,5 X US$ 14.000 7.000

0,3 X US$ o o
US$ 12.200

.,
1

0,2 X US$ 34.000 US$ 6.800


~~:.....__ _ _ _ _ _ 0,5 X US$ 15.000 7.500
0,3 X - US$ 10.000 - 3.000
US$ 11 .300

Figura 15-3 Arvore de decisão para o exemplo dos bois de cria.


268 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

mar uma de i ão lcvand e . e risco em conta Esses fatores variam muito entre os toma-
crão mosu·adas mai adiante (etapa 5). dores de decisão, tornando impossível dizer
que uma certa regra é a melhor para todos.
Matriz de ganhos
Resultado mais provável
matri z de ganhos (pa) [Link]) poss ui as mesmas
Esta regra de decisão identifica o resulta-
informaçõe da árvore de decisão, mas é orga-
do mais provável de ocorrer (o que possui a
ni zada na form a de uma tabela de contingên-
maior probabilidade) e escolhe a estratégia
cias. A parte uperi or da Tabela 15-5 mostra
com a melhor consequência para aquele resul-
a con equências de cada estratégia para cada
tado. A Tabela 15-5 indica que o tempo médio
um do resultados meteorológicos potenciais
tem a maior probabi lidade, com 0,5, e que a
para o exemplo dos bois de cria. Os valores
estratégia "Comprar 500" tem o maior retor-
esperados, assim como os valores mínimos e
no líquido para aquele resultado, US$ 15.000.
máximos e a amplitude dos resultados, apa-
Esta regra de decisão é fáci l de aplicar, mas
recem na parte inferior da matriz de ganhos.
não considera a variabilidade das consequên-
Pode-se usar tanto a árvore de decisão quanto
cias nem as probabilidades dos demais resul-
a matriz de ganhos para organizar as conse-
tados possíveis.
quências de um ou mais eventos relacionados.
No entanto, se cada evento possuir muitos
Máximo valor esperado
resultados possíveis, o diagrama ou a tabela
pode ficar bastante grande. Esta regra de decisão diz para selecionar a es-
tratégia com o maior valor esperado. O valor
esperado representa o efeito em média ponde-
Regras de decisão rada de uma determinada estratégia com base
Foram desenvolvidas diversas regras de deci- nas probabilidades estimadas de que cada
ão para ajudar a escolher a estratégia correta efeito possível se verifique.
quando se está enfrentando uma decisão que A Figura 15-3 e a Tabela 15-5 mostram
envolve risco. Usar regras diferentes pode re- que a estratégia "Comprar 400" possui o maior
sultar na seleção de estratégias diferentes. A valor esperado, de US$ 12.200; logo, ela seria
regra correta a utilizar depende da atitude do escolhida usando-se esta regra. Esta regra re-
tomador de decisão frente ao risco, da condi- sultará no maior retorno líquido médio ao lon-
ção financeira do negócio, dos requisitos de go do tempo, mas ignora a variabilidade dos
fluxo de caixa e de outros fatores específicos. resultados. No exemplo, o mau tempo só pos-

Tabela 15-5 Matriz de ganhos do problema dos bois de cria


Retorno líquido de cada estratégia de compra

Resultados meteorológicos Probabilidade Comprur 300 Comprar400 Comprar SOO

Bom 0,2 US$ 20.000 US$ 26.000 US$ 34.000


Médio 0,5 10.000 14.000 15.000
Ruim 0,3 6.000 o - 10.000
Valor esperado 10.800 12.200 11.300
Valor mínimo 6.000 o - 10.000
Valor máximo 20.000 26.000 34.000
AmpliLUde 14.000 26.000 44.000
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 269

sui 30% de chances de ocorrer. Entretanto, não conseguiria sobreviver às consequências até
há garantia de que ele não ocorrerá dois ou três mesmo de um único ano ruim.
anos seguidos, com o retomo líquido resultante
de US$ Opara cada ano. A regra de escolha do Probabilidade de equi/Jbrio
máximo valor esperado desconsidera a varia- Conhecer a probabilidade que cada estraté-
bilidade e só deve ser usada por gestores que gia tem de resultar em prejuízo financeiro
possuem uma boa capacidade de tolerância a também pode auxiliar o tomador de decisão
risco e que não evitam demais o risco. a escolher entre elas. Suponha, por exemplo,
que o produtor rural com os históricos de ren-
Comparação de risco e retornos dimento de milho e soja constantes na Tabela
Os gestores que não possuem uma capacida- 15-3 calculou que era necessário um rendi-
de alta de tolerância a risco devem considerar mento de 145 bushels por acre de milho ou 47
o risco associado a várias estratégias, assim bushels por acre de soja para conseguir cobrir
como os retornos esperados. Qualquer estra- todos os custos de produção. Partindo dos grá-
tégia que possuir um retorno esperado menor ficos de FDC da Figura 15-2, a probabilidade
e um risco maior do que outra estratégia deve de realizar menos do que o nível de equilíbrio
ser rejeitada. É o caso da estratégia "Com- de produção pode ser estimada traçando-se
prar 500" da Tabela 15-5. Ela tem um valor uma linha vertical do rendimento de equilí-
esperado menor do que a estratégia "Comprar brio (eixo x) até a linha da FDC e, então, uma
400", US$ 11.300, e também mais risco, pois linha horizontal até a escala de probabilidade
é a única alternativa que poderia ensejar um cumulativa (eixo y). Nesse exemplo, a pro-
prejuízo. A estratégia "Comprar 300" também babilidade de sofrer um prejuízo econômico
possui um retorno esperado menor do que a (produzir abaixo do rendimento de equilíbrio)
estratégia "Comprar 400", mas é menos an·is- é de aproximadamente 25% para milho e 45 %
cada. Por conseguinte, gestores conscientes para soja. Logo, a soja possui mais risco fi-
quanto a risco podem preferir essa estratégia. nanceiro. Enu·etanto, o risco de prejuízo tam-
bém deve ser pesado contra o retorno médio
Segurança primeiro esperado de cada cultivo.
A regra da segurança primeiro se concentra
no pior resultado possível de cada estratégia,
FERRAMENTAS DE
ignorando os demais resultados possíveis. O
tomador de decisão assume que resultados me-
GESTÃO DO RISCO
lhores que o esperado não apresentam proble-
Felizmente, os agropecuaristas possuem uma
mas sérios; já os resultados desfavoráveis são
diversidade de ferramentas gerenc iais à dis-
de se preocupar seriamente. Portanto, selecio-
posição para amenizar as consequências de
/ na-se a estratégia com o melhor efeito possí-
realizar atos arriscados. Algumas des a fer-
vel dentre os piores resultados - aquela com o
/ ramentas são usada para reduzir a quantida-
valor "menos pior". No tocante à Tabela 15-5,
de de risco enfrentada pelo gestor; já outras
aplicar a regra da segurança primeiro resultaria
ajudam a amortecer o impacto de um efeito
na seleção da estratégia "Comprar 300", pois
indesejável. Todas elas, porém, seguem uma
sua consequência mínima de US$ 6.000 de lu-
de quatro abordagens gerais:
cro é maior do que os outros mínimos - US$ O
de lucro ao comprar 400 bois e um prejuízo de l. Reduzir a variabilidade cios resultados pos-
US$ 10.000 ao comprar 500 bois. A regra da síveis. A probabilidade de um efeito ruim é
segurança primeiro é adequada para o negócio diminuída, ma a probabilidade de um efei-
que está em tal dificuldade financeira que não to bom, muitas vezes, é reduzida também.
270 Parte V Aperielçoamento das habilidades gerenciais

2. Estipular uma re nda ou um nível de preço dade que pode ser vendida de uma commodity.
mínimo, geralmente para um valor fixo. A Por exemplo, irTigação produzirá rendimento
maioria dos J)ro2.-ramas de eoo uro funcio-
~
ele cultivo mais estáveis do que agricultura em
na assim . O custo da redução do ri sco é sequeiro em áreas onde a precipitação plu vial
conhecido, e a probabilidade de obter um é marginal ou altamente variável durante a es-
efeito melhor que a média não é afetada. tação de cultivo. No outro extremo, empreen-
3. Manter a flexibilidade da tomada de deci - dimentos como finalização pecuária, em que
ão. Os gestores não "congelam" decisões os preços tanto de compra quanto de venda
por períodos longos, para o caso de as pers- podem variar, e cultivo de produtos perecíveis
pectivas de preço ou produção mudarem. como flores, frutas e verduras tendem a pos-
4. Melhorar a capacidade de tolerância ao suir rendas altamente variáveis.
1isco do negócio, de fomrn que efeitos ad-
versos tenham menos chances de afetar a Diversificação
sobrevivência da operação rural. Muitos estabelecimentos rurais geram mais do
Os produtores agropecuários empregam que um produto a fim de evitar que sua renda
muitos exemplos de todos os quatro tipos de dependa totalmente da produção e do preço de
ferramentas de gestão do risco. uma única co,nmodity. Se o lucro de um produ-
to for ruim, o lucro da produção e da venda de
outros produtos pode impedir que o lucro total
Ferramentas de risco de produção
caia abaixo dos níveis aceitáveis. Na produção
Rendimentos agrícolas variáveis, taxas incer- rural , diversificar produzindo duas ou mais
tas de produção pecuária e qualidade de pro- commodities reduzirá a variabilidade da renda
duto irregular são comprovações do risco de sempre que nem todos os preços e rendimentos
produção. Podem-se utilizar diversas estraté- estiverem baixos ou altos ao mesmo tempo.
gias para reduzir o risco de produção. A Tabela 15-6 mostra um exemplo de
como a diversificação pode operar para redu-
Empreendimentos estáveis zir a variabilidade da renda. Com base na renda
Alguns empreendimentos agropecuários pos- rural líquida média em um período de 17 anos
suem historicamente uma produção de renda de uma amostra de estabelecimentos agropecu-
mais estável do que outros. A tecnologia mo- ários do Kansas, a especialização em recria de
derna pode conseguir controlar os efeitos do bovinos de corte teve a renda líquida mais va-
tempo sobre a produção, ou, então, programas riável por operador, medida pelo coeficiente de
oovernamentais e dec isões sobre comerciali-
:= variação. Os estabelecimentos especializados
zação podem controlar os preços ou a quanti- de gado de corte e agricultura para fins comer-

Tabela 15-6 Comparação de estabelecimentos rurais especializados e diversificados


Tipo de estabelecimento
Gado de Recria de Agricultura para Gado de corte e
corte bovinos fins comerciais agricultura

Renda rural líquida por US$ 16.380 US$ 25.024 US$ 50.940 US$ 52.596
operador (média, 1992- 2008)
Desvio padrão 12.123 32.039 33.041 US$ 31.776
Coeficiente de variação 0,74 1,30 0,66 0,60

Fome: Associação de Gestão Rural de Kansas (2009).


Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 271

ciais tiveram menos variabilidade, mas os es- Planos de diversificação podem incluir
tabelecimentos diversificados de gado de corte atividades não rurais também. Invest ir em
e agricultura tiveram as rendas líquidas menos ações e títulos, realizar negócios ~~ tempo
variáveis. A falta de uma correlação forte de parcial sem relação com agropecuana ou ter
renda entre os empreendimentos "aplaina" a um emprego não rural pode fortalecer a es-
renda anual com diversificação. tabilidade da renda fanuliar. A diversificação
Em quanto a diversificação reduzirá pode também exigir que se abra mão dos b~-
a variabilidade da renda em uma situação neffcios de se especializar em um empreendi-
agropecuária real? A resposta depende das mento para obter os benefícios de menos va-
correlações de preço e rendimento entre os riabilidade na renda líquida.
empreendimentos escolhidos. Se os preços
ou rendimentos de todos os empreendimen- Seguro
tos tendem a subir ou baixar juntos, pouco Há diversos tipos de seguro que ajudam a re-
se ganha diversificando. Quanto menos esses duzir os riscos produtivo e financeiro. Pode-se
valores tenderem a se movimentar juntos, ou contratar seguro formal com uma seguradora
quanto mais eles se movimentarem em dire- para cobrir eventos que poderiam ameaçar o
ções opostas, mais a variabilidade de renda patrimônio e a sobrevivência do negócio. Uma
será reduzida pela diversificação. Da mesma alternativa é que o negócio se autossegure, man-
forma, juntar um empreendimento altamente tendo algum tipo de reserva financeira pronta-
variável a um que é estável pode aumentar o mente disponível ou líquida para o caso de um
risco total do estabelecimento agropecuário. prejuízo ocorrer. Sem essas reservas financeiras,
A meteorologia é o fator principal a in- uma safra malograda, uma grande tempestade
fluenciar rendimentos agrícolas, então culti- ou um incêndio pode causar tamanho revés fi-
vos com a mesma época de cultivo tendem a nanceiro, que o negócio não consiga ir adiante.
possuir uma forte correlação positiva de ren- Reservas financeiras mantidas em uma
dimento. As correlações de rendimento entre forma de fácil liquidação, como uma conta de
cultivos com épocas de cultivo diferentes e poupança, geralmente rendem uma taxa de re-
suscetíveis a insetos e doenças diferentes são torno menor do que se o mesmo capital fosse
um pouco menores. As taxas de produção investido no negócio agropecuário ou em al-
entre diferentes tipos de animais são menos gum outro investimento de longo prazo. Esse
estreitamente correlacionadas, e há pouca cor- sacrifício de lucros é o custo de oportunidade
relação entre rendimentos agrícolas e desem- de se autossegurar, devendo ser comparado ao
penho pecuário. custo do prêmio de uma apólice de seguro que
A maioria dos estudos sobre as correlações daria a mesma proteção.
de preço da maioria das commodities agrope- Os agropecuaristas empregam vários tipos
cuárias mostra que pares de commodities com comuns de seguro contra riscos de produção:
uma forte correlação de rendimento frequen-
temente possuem também uma correlação de 1. Seguro patrimonial O seguro patrimo-
preço positiva, pois as mudanças de produção nial protege contra a perda de prédios,
de um ano para o outro têm um impacto forte máquinas, animais e grãos armazenados
hObre os preços. Alguns cultives especializa- em razão de incêndio, raios, tempestades,
dos, como frutas e hortaliças, contudo, podem roubo e ouu·os riscos. O seguro patrimo-
aprc1>cntar uma correlação de preço fraca ou nial é relativamente barato, enquanto o
me~mo negativa com alguns dos principais prej uízo originário de um incêndio ou
cultívos de campo, e os preços agrícolas e pe- tempestade séria pode ser deva tador.
cuário são cs encialrnente independentes um Portanto, a maioria do agropecuari tas
do outro. prefere contratar ao menos um nível míni-
272 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

mo de seguro patrimonial para seus ativos - risco de produção não é tratado. A prolcç1lo
mais valiosos. de Ri sco Pecuário (cm ingles, livestock Rlfk
2. Seguro agr(cola de risco múltiplo O se- Protectíon - LRP) permite que o pccuaris,
guro agrícola de risco múltiplo (em inglês, ta de engorda adqu ira seguro para um preço
multiple peril crop insurance - MPCI) é de venda mínimo, para qualquer quantidade
um programa de seguro mantido pelo Mi- de vendas até um nível máximo. 11cguro de
nistério da Agricultura dos EUA, sendo as Margem Bruta Pecuária (em inglê , llvestock
apólices vendidas por meio de segurado- Gross Margin - LGM é semelhante à LRP,
ras privadas. Podem-se adquirir garantias mas possibilita que os produtorc garanlitm
de produção para até 85% do "rendimen- uma margem mínima entre seu prcç de ven-
to comprovado" do estabelecimento rural da e o custo das princípaís rações.
segurado. Quando os rendimentos efeti- Outro programa, chamado de seguro de
vos ficam abaixo da garantia, o produtor Receita Bruta Ajustada (cm ínglê , [Link]
recebe um preço fixo para cada bushel de Gross Revenue - AGR), permite que o agro-
prejuízo. Exemplos de prejuízos cobertos pecuarista adquíra uma renda bruta mínima
seriam os devidos a estiagem, enchentes, garantida para todo o estabelecimento rural . É
grani zo, geada e danos por insetos. Há especialmente útil para commoditíes agrícoJ·
também cobertura extra para riscos espe- e pecuárias que não são coberta por outro,
cíficos, como granizo e incêndio. Várias tipos de seguro de receita.
empresas privadas proveem esse tipo de
cobertura, e o custo depende da quantida- Capacidade de produção extra
de de cobertura desejada e da frequência Quando o mau tempo atrasa o plantío ou a co-
e da intensidade passadas de tempestades lheita de cultivas, muitos agricultores depen-
de granizo na área. dem de máquina ou de capacidade laboral
3. Seguro de receita Um outro tipo de apóli- extras para ajudá-los a correr atrás do prejuízo.
ce de seguro MPCI permite que os agricul- Em alguns anos, eles arcam com custos de prrr
tores adquiram uma garantia para um deter- priedade de máquina ou salários maíorc-s que o
minado nível de renda bruta por acre. Se o necessário como seguro contra pcrdac; agrfcola.t1
rendimento efetivo do produtor, multiplica- que poderiam ocorrer por cau a de plantio ou
do pelo preço real de mercado na colheita, colheita tardia cm outros anos. Alguns operado-
ficar abaixo da garantia, a seguradora lhe res também preferem ter máquínas maí novas
paga a dfferença. Assim, o produtor pode para diminuir o ri co de panes cm momen~
contar com ao menos um montante mínimo cruciais ou contas de con crto inesperadas.
de renda bruta por acre. Algumas apólices
de seguro de receita agrícola aumentam o Parceria rural •.
nível da garantia de receita se os preços de
Em muitos Estados, parcerias ruraü agrfco/aJ
mercado subirem entre a aquisição da apóli-
ou pecuárias são comuns, propríctárío da
ce e a colheita. Esse recurso é especialmen-
terra geralmente paga parte das dcspesé:1.1, opc,-
te útil para produtores que colocam preço
racionais e recebe urna porção do cultiv u
a termo em muito da sua safra antes da co-
animais produzidos no lugar de um pagamento
lheita ou que precisam de um suprimento
de arrendamento à vi ta. De i,c modo, o rí •
garantido de ração para seus animais.
co de produção ruím, prcçoi-. de venda baixo, '•
O conceito de seguro de receita foi es- ou cu tos alt s de [Link] é dí vídído enlíc o
tendido para gado de corte, lei teiro, ovino e arrendatário e o proprietário. a parcc.'fía ru-
suínos, também. Entretanto, só é incluída pro- ral , o arrendatário também precisa de mcno,
teção contra preços menores que o esperado capital operacional do que n arrendamento
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 273

,[Link] Alguns arrendatários utilizam um arren- ser analisados cuidadosamente para comparar
damen10 à vista variá, e/ para conseguir uma seus riscos e retornos potenciais aos de ser um
redução emelhante do risco. Ambos os tipos produtor e comercializador independente.
e arrendamento são descritos no Capítulo 20.
Fornecimento de insumos
Agricultura ou alimentação Alguns pecuaristas de engorda dependem de
customízada
uma fonte confiável de ração ou de animais
Em vez de se arriscar a preços e rendimentos de engorda para manter suas unidades cheias.
in ertos, alguns operadores preferem traba- Um contrato de longo prazo com um forne-
lhar com agricultura customizada. Eles exe- cedor reduz o risco de ter que operar abaixo
cutam todas as operações de campo com má- da capacidade. O preço pode ser determinado
quinas para um proprietário de terras em troca por uma fórmula fixa baseada em fatores de
de um pagamento fixo. O proprietário assume qualidade e preços atuais de mercado. Ou-
todo o risco de preço e rendimento. tros insumos vitais podem ser garantidos por
A alimentação customizada é um aceno contratos antecipados também, como equipes
semelhante. Produtores pecuários alimentam para colheita de frutas e honaliças.
animais de propriedade de investidores em
uas próprias instalações por um preço fixo
por cabeça ou por espaço, ou por uma taxa Ferramentas de risco de mercado
fixa por dia_ Também existem contratos para O risco de mercado existe em função da varia-
cria ou tratamento de reprodutores. Embora biljdade dos preços das commodítíes e porque
os contratos de produção pecuária customiza- o gestor não sabe quais serão os preços futu-
da passem a maior parte do risco de produção ros ao tomar a decisão de produzir uma com-
para o proprietário dos animais, alguns preve- modíty. Podem ser usados diversos métodos
em penalidades para perda excessiva por mor- para reduzir a ariabiljdade de preço ou para
te. Todos os contratos customizados de em fixar antecipadamente um preço satisfatório

Quadro 15-2 Gestão do risco com seguro agrícola

Paul Edmundson cultiva 1.200 acres de soja shels, a USS 7,50 por bushel, ou USS 67,50
por ano no Delta. Em um ano, para proteger por acre.
seu investimento, ele adquiriu seguro agrí- o ano seguinte, ele decidiu trocar para
cola de riscos múltiplos. O seu rendimento o seguro de receita agrícola. Sua seguradora
médio comprovado, com base nos registros lhe ofereceu uma apólice para 75% da sua
da produção anterior, era de 40 bushels por renda bruta projetada, com base em seu ren-
acre. Ele optou por segurar no nível de produ- dimento comprovado de 40 bushels por acre e
ção de 75%, então recebeu uma garantia de no preço de seguro daquele ano, USS 8,00 por
rendimento de (40 x 75%) = 30 bushels. Ele bushel. Sua garantia de receita era de (40 x
também escolheu a garantia de preço máxima USS 8,00 x 75%) = USS 240 por acre.
à disposição para aquele ano, USS 7,50 por No outono, a soja de Edmundson rendeu
bushel. O custo do prêmio para essa cobertura 42 bushels por acre, mas o preço de mercado
lol de USS 12,00 por acre. caiu para USS 5,00, então sua renda bruta efe-
Naquele ano, uma enchente de fim de ve- tiva foi de apenas (42 x USS 5,00) = USS 210
rão cortou seu rendimento médio para apenas por acre. Ele recebeu uma indenização por
21 shels por acre. Ele recebeu da segura- seu déficit de receita ígual a (U 240- 210) =
dora urna Indenização para (30 - 21 ) = 9 bu- USS 30 por acre.
274 Parte V Aperleiçoamento das habilidades gerenciais

par.'.\ quando o cultivo. ou animais esti verem


[Link] a incerteza de preço, mas não pcr-
pro nto I ara vender.
nllle que e venda a um preço mais alto caso
os mercados subam mais adiante no ano. Uma
Distribuição das vendas
exceção é o contrato de preço mínimo, que
Em vez de vender lodo o cultivo ele uma vez garante ao vendedor um determinado preço.
6. muito agricultore preferem vender partes usualmente um pouco abaixo dos níveis espe-
dele vária vezc du rante o ano. Por exemplo, rados, mas perm ite que a commodity seja ven-
25'7r do cultivo podem ser vendidos a cada 3 dida ao preço real de mercado caso ele fique
me es, ou um exto a cada 2 meses. Distribuir acima do mínimo. O contrato pode impor uma
a vendas evita que se venda todo o cultivo ao multa se o produtor não conseguir entregar a
preço mais baixo do ano, mas também impos- quantidade ou qualidade de commodity con-
ibilita qu e se venda lodo ele ao preço mais vencionada devido a problemas de produção.
alto. O resultado da distribui ção das vendas
seria um preço recebido médio próximo do Hedging
preço anual médio da commodity. Pode-se estabelecer um preço de mercado
As vendas pecuárias também podem ser antecipadamente por meio de hedging em um
distribuídas ao longo do ano. Pode-se fazer mercado de futuros de commodities. Hedging
isso alimentando diversos grupos durante é possível antes do plantio, assim como du-
o ano ou com di versas parições por ano. A rante a estação de cultivo ou enquanto o grão
distribuição das vendas de produtos lácteos é armazenado. Também pode-se fazer hed-
e ovos ocorre naturalmente, dada a natureza ging de animais no momento da compra ou
contínua de sua produção. em qualquer tempo durante o período de en-
gorda.
Vendas por contrato Hedging envolve vender um contrato de
Produtores de cultives como sementes, mu- futuros de commodity em vez da commodiry
das e frutas e hortaliças, muitas vezes, as- em si, geralmente porque o gestor não pode
sinam um contrato com um comprador ou ou não quer entregar a commodit) naque-
processador antes de plantar o cultivo. Esse le momento. O contrato é adquirido por um
contrato costuma especificar certas práticas comprador em uma bolsa de futuros em algum
gerenciais a ser seguidas, assim como o preço lugar, podendo estar representando um pro-
a ser recebido pelo cultivo e, possivelmente, cessador que quer fixar o preço da commodity
a quantidade a serem entregue. Um contra- para uso futuro ou um especulador que espe-
to dessa espécie elimina o risco de preço no ra vender o contrato mais tarde por um preço
momento do plantio e garante que o produtor maior. Embora os contratos de futuros de al-
terá mercado. Entretanto, os padrões de quali- gumas commodities prevejam entrega quando
dade podem ser rigorosos, criando mais risco o contrato se extingue, o contrato geralmence
de produção. é readquirido, e a commodiry é vendida no
Também é possível conseguir um con- mercado à vista local. Os preços à visca e de
rrato de preço a termo para muitos cullivos futuros tendem a subir ou descer juntos. Logo,
de campo e alguns tipos de animais. Muitos todo ganho ou perda ocorrido porque o mer-
compradores de grãos e animais contratam a cado à vista subiu ou desceu é contrabaJança-
compra de uma dada quantidade dessas com- do por um ganho ou perda correspondente no
modities a um preço fixo para entrega em data contrato de futuros detido.
posterior ou a intervalos regulares. Esses con- Antes de iniciar um programa de hed-
tratos geralmente estão disponíveis durante a ging, o gestor deve estudar cuidadosamente o
estação de cultivo, assim como após a safra processo de hedging e o mercado de fucuro ,
ser colhida e armazenada. A venda por contra- além de ter uma boa compreensão da base, ou
Capí lo 15 Gestão do risco e da incerteza 275

.zt.~">!"'?ol oormal emre o preço de comrato de agropecuarista é protegido contra preços d~s-
fr:::::ros e o preço do merc2do à •[Link] locat A cendentes. mas ainda assim pode se beneficiar
tomar-se mais larga ou estreita en- de preços ascendentes. A opção de comnwdity
'm oco lralo de fu uros, o que proporciona uma espécie de segur? de preço.
os ganhos e pen!as dos mercados Opções de compra são parecidas com ~
e furu:ros 020 se compensam [Link]- opções de venda, mas dão ao comprador o di-
_ ,_,,,. Essa ,.-arí~ é chamada "" risco de reito de adquirir um contrato de futuros a um
- -,_ O [Link] de base deYe ser I [Link] em con- preço especificado. Elas podem ser usadas
2 a base é menos ·ariãi.·eJ e mais pre-·isí- para definir um preço de compra máximo para
• é:o • ,. os preços à ºÍ.Sla. uma comnwdity, mas permitem que o compra-
O [Link]íng pode ser usado também para dor se beneficie caso o preço caia. Opções de
FT:-:- o preço dl! insumos que de1-,em ser com- compra são úteis para produtores que desejam
r- unrro, como rações ou animais de estabelecer um preço máximo para in umos
~ _-esse ca50, o contra10 de [Link] é como [Link] de engorda e ração animal.
. . 'o {em ·ez de ,.-e11dido) [Link]-
w::r..:.e, 2D1e5 de ser possível a entrega do in- Programas do Ministério da
.,. .o. e [Link]. - íe\·eruiído quando o insumo é Agricultura dos EUA
cfa:.J.=-r,~é':J"[P- ~ comprado. O _1jnistério da Agricultura dos EUA
(USD.-\) possuj uma longa história de ajuda
Opções de commodrties a agropecuaristas na gestão do risco de pre-
~ · :: com..~cíantes n?i.o gostam do fato de ço e de produção. Programas de calamidade
_..:: [Link] o coo ra10 a termo ou o hedging foram aproYados pelo Congresso várias vezes
o; . · co [Link] queda de preços, ele iambém ao longo dos anos, quando ocorrem esúagens
~ • e esse be eficiem da alta dos pre- ou doenças generalizadas. A lei rural de 2008
- ~ (..-e:·a o exemplo da Quadro I --3 J. Eles autorizou um programa permanente de cala-
ç:c:eran rúliz2r opções de commodiries que rrúdade onhecido corno Assistência de Re-
fuz:n ~...o mínimo em rroca do paga- ceita Suplementar (Supplemental ReYenue As-
, LaXa fixa, ou prêmio, mas [Link] sisrance - SURE), que dá cobertura para até
~q eles i-, enoam a um preço [Link] 159'c acima do nível de seguro agrícola que o
~ . se for o :aso. produtor compra Todos os cultivos e estabe-
O gestor q "' q r se prolêger omra uma lecimentos rurais operados pelo produtor ou
.--::-t...2. - eço5 geralmente ompra o direilO pessoajuridica são egurados conjuntamente.
~ \ é:" ·e; m comra o de fi ros a um pre- Outro programa, a O pção de R eceita
:cJ e-~- ro. chamado de opção de ,·enda Agrícola Média (A\·erage Crop Revenue Elec-
p J. Se o m- á:00 caí ( [Link] à ·ísta quanlO tion - ACRE), é emelhante ao SURE, mas
~ f _ , OSJ, o v- or da opção de ·enda sobe e obre culúYos e e tabele imentos individuai .
:r. ~ a perda · ,.-aJor da commodi · que As garantias ão baseadas no rendimentos
'J ~~- .- • -ia derem. Se o mer ado sobe, o e pre.ço médio do último ano . A receita
·,~' da orçá de ·enda ai, podendo hegar bruta preci a fi ar abaí.,xo de um determinado
;:; u:ro. Se o mf:r ~ sobe [Link] mais, o ·aJor nivel, tanto no e tabele imento agropecuário
~ o:,rr,modit:, detida continua crescendo, mas quanto no Estado, para de encadear O paga-
cifJ rz rr~ no rnJor da opção de venda mento. Tanto o ACRE quanto o SURE prote-
'V ~ já é Zi:WJ, e o prod cor ganha Quando gem ontra queda na re eita bruta do culti\·o
" ~ é; hora e r a comnwdi. ·• a opção e não contra perda de rendimento ou declíni~
~ ·• r. - ~bém é \'eodida, ainda li ·er d p o apenas.
~l-:n ·,.:for. Pofl.á.DlO, com o us10 d om- OuLro programa do SDA pagam ver-
~;:r, <>pçãi.i venda (o prémio, ou ágio), o bas a produtore de commodirie específi as,
276 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

como leite ou lã, quando os preços de merca- poder pos te rgar a comercia lização até que o,
do fi cam abaixo da média. preços se_jarn mais íavorávci s. No ca. o da pe-
cuária, os a nim ais podem ser vendido. com
Flexibilidade a nim ais de e ngorda ou fi nali zados pelo pe. o
Alguma e tratégias de gestão perm item que o no abate. O arre nd ame nto de certos ativo. ,
operador altere um a dcci ão . e as tendênc ias como terra ou maqui mfrio, em lugar ele com-
prá-los é outro exempl o de manute nção da fle-
d prc o ou a condiçõc. meteorológicas mu-
dam. Plantar cultivas anuais, em vez de culti- xibilidade gerenc ial.
vo perenes ou permanentes, é um exemplo.
Invc tir cm construções e equipame ntos Ferramentas de risco financeiro
q ue podem cr util izados em mais de um em- Redu zir o risco fin ancei ro de ma nd a estraté-
pree nd ime nto é outro. Muitos produtores de gias para manter liquidez e solvênc ia. Neces-
grão constroem silos de arm azenagem para si ta-se de liquidez para ter caixa para pagar

Quadro 15-3 Redução do risco de preço por hedging

A Plainview Feeders, lnc. recém ocupou um


de seus confinamentos com um novo grupo de Contrato de futuros vendido + US$ 84 por cwt
bovinos que possui o seguinte custo de produ- Contrato de futuros - 79
ção esperado: comprado de volta
Vendido pelo preço à vista + 75
Custo de compra médio do gado, US$ 450
= US$ 80 por cwt
por cabeça
Custo esperado da ração (500 libras 400 Embora o mercado tenha caído US$ 5,
de ganho, a US$ 0,80) eles ainda faturaram US$ 80, em razão dos
C ustos além de ração (200 dias, a 16 US$ 5 ganhos com o contrato de futuros.
US$ 0,08) E se o mercado tivesse subido, em vez dis-
so? Suponha que em junho o preço do mercado
US$ 866 de futuros era de US$ 90 por cwt e o preço à
vista era de US$ 85. Seu preço líquido teria sido:
A um peso de venda médio de 1.150 li-
bras, seu preço de venda de equilíbrio é de
US$ 75 por quintal curto (cwt). O mercado de Contrato de futuros vendido + US$ 84 por cwt
bovinos finalizados está agora ao redor de Contrato de futuros - 90
US$ 80 por cwt, e os contratos futuros de bo- comprado de volta
vinos para junho estão sendo vendidos a US$
Vendido pelo preço à vista + 85
84 por cwt. Eles decidem fazer hedging do
gado vendendo um contrato de futuros. = US$ 79 por cwt
Até junho, quando os bovinos estão pron-
tos para venda, o mercado caiu um pouco. A Seu preço de venda líquido teria sido pra-
Plalnvlew vende o gado por US$ 75 por cwt, ticamente o mesmo, a despeito de o mercado
comprando de volta o contrato de futuros por de bovinos ter subido ou caído. A única coi-
US$ 79 por cwt. Seu preço líquido é: sa a afetá-lo foi a base, ou a diferença entre o
preço de futuros e o preço à vista de quando
os bovinos foram vendidos: US$ 4 no primeiro
exemplo e US$ 5 no segundo.
' Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 277

brig - e de dívida e para cobrir necessida- Contudo, ela também tem um custo de opor-
de finance iras inespcrndns no c urto prazo. A tunidade, igual ao lucro adiciona l que esse
- \vên in di z respeito à , obrevivência comer- capiLal não utilizado poderia ter re ndido no
i l de l ngo prazo, ou po suir ativo suficien- negócio.
te. para garantir adequadamente a dívidas do
Patrimônio líquido
Em última análise, é o patrimônio ou valor
Taxas de juros fixas líquido do negócio que proporciona sua sol-
1uit ~ mutuantes oferecem empréstimos a vência e muito da sua liquidez. Portanto, o
ta-xa de juros tanto fixas quanto variáveis. A patrimônio deve ser gradual me nte amp lia-
ta-xa de j uros fixa pode ser mais alta quando do, especialmente durante os primeiros anos
empré timo é fei to, mas evita que o custo do negócio, retendo-se lucros no negócio ou
d empré timo aumente se as taxas de j uros atraindo-se capital externo.
ubirem.
Ferramentas de risco jurídico
Empréstimos autoliquidantes
Natureza jurídica
Empré timos autoliquidantes são aqueles que
Estabelecimentos agropecuários podem ser
p em ser quitados com a venda da garantia
organizados sob diversas naturezas jurídicas
do empré timo. Exemplos são e mprést imos
diferentes. Algumas delas, como corporações,
para a ompra de reprodutores e insumos de
sociedades de responsabilidade limitada eco-
produção agrícola. E mpréstimos pessoais
operativas oferecem mais proteção contra da-
e e mpréstimos para terra ou maquinário são nos e responsabilidade j urídica do que outras.
exemplos de e mpréstimos que não são auto- O Capítulo 14 traz mais detalhes.
Liquidantes. A vantagem dos empréstimos au-
toliquidantes é que a fonte do caixa que será Planejamento sucessório
u ado para a amortização é conhecida e relati-
Ter um testamento e um planejame nto su-
vamente confiá, el.
cessório que garantam a transição orde nada
do negócio rural aos herde iros, muitas vezes,
Reservas líquidas
poupa muito dinheiro em impostos de renda e
fanter uma reserva de caixa ou outros ati- sobre transmissão causa mortis ou em receita
vo fac ilmente conver íveis em caixa ajuda o perdida devido a gestão i nten-ompida e divi-
agrope uarista a lidar com os resultados ad- ão de um negócio de porte efi ciente. Possuir
verso de uma estratégia an·iscada. No entan- todos o arrendamentos rurais e contratos por
to, pode haver um custo de oportunidade em escrito também reduz os proble mas j urídicos
manter fundos em reserva no lugar de investi- ao longo do tempo.
-lo no negócio ou e m outro ativos de longo
prazo. Seguro de responsabilidade civil
O seguro de responsabil idade civil protege
Reserva de crédito contra proces os de terceiro em razão de da-
lui to agropecuari ta não contraem emprés- no pes oai ou materiai pelo quais o egu-
timo até o limite que lhe é imposto pelo mu- rado ou eu, empregado ejam con iderado
tuante. E e c rédito não utili zado, ou re erva responsáveis. ões de re pon-abilidade civil
de crédito, ig nifica que podem er obtido em um e tahelecimento rural p dem orrer
fundo extra no ca o de um re ultado de fa- quando animai vagam at · uma e trnda e cau-
vorável. E a técni ca não red uz o ri co dire- am um a ide nte u quando alguém ·e fere na
tamen te, ma dá uma marge m de . egurança. propriedade. O ri o de uma ação de re ~po n-
/
278 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

. abilidad ivit 1 ode cr pequeno. mas algun. gócio. Deve- e tomar cuidado pnra escolher 0
d o dano cnt n rndos· ~
. ao muito ornnd s tipo mni adequado de seguro de vidn para a'i
A maioria da. pcs oas eon. idera o s;guro d~ necessidades e os interesses de cadn pessoa.
r spon abilidade civi l um método b;·ato de
con gL'.ir paz de e Tírito e proteção contr:1 Precauções de segurança
acontc 1mcnto inc perado .
Bom senso, atenção ao erviço do momento
e não ter pressa fazem muito para evitar aci- •I
Ferramentas de risco pessoal dentes e lesões. Medidas comuns de seguran-
Seguro de saúde ça incluem manter guardas junto às máquina ,
Agricultore e pecuari ta autônomo oernl- desligar o maquinário antes de fazer reparos
mente têm dificuldade para obter cob;rtura ou ajustes, não deslocar equipamentos em es-
de eguro de saúde a um custo razoável. O tradas públicas após escurecer, seguir os pro-
cu - 10 apó impo to foi um pouco reduzido cedimentos indicados para aplicação de pes-
ao e tornar mai prêmio fiscalmente dedu- ticidas e fertilizantes e evitar a proximidade a
t~vei . Aumentar a franquias e an-anjar apó- animais perigosos.
hces por meio de organizações rurais também
pode reduzir o custos. Dado o alto custo dos Gestão de backup
tratamentos médico e a imprevisibilidade do Quando apenas uma pessoa está informada
problemas de saúde, nenhum gestor prudente sobre aspectos cruciais do negócio rural, um
deve ficar sem algum tipo de seguro de saúde. acidente ou uma doença grave pode causar
Isso também se aplica a seguro por acidente uma ruptura séria nas operações diárias e de
ou doença de trabalho do empregados. longo prazo. Os principais funcionários. côn-
juges e advogados devem saber onde estão os
Seguro de vida registros fiscais, linanceiros e jurídicos e po-
O eguro de vida serve para dar proteção con- der intervir quando o operador principal esti-
tra perdas que possam resultar da morte pre- ver incapacitado de continuar.
matura do operador rural ou de um membro Quais dessas muitas ferramentas de ges-
de sua família. A verba do seguro pode ser tão do risco serão empregadas por um estabe-
usada para pagar despesas de sustento fami- lecimento agropecuário específico depende do
liar, quitar dívida , pagar impostos sucessó- tipo de risco sendo enfrentado, da estabilidade
rios e cobrir outras despesas relacionadas à financeira do negócio e da atitude de tolerân-
transferência da gestão e propriedade do ne- cia a risco do gestor.

RESUMO
Vivemos em um mundo de incerteza. Raramente conhecemos exatamente o quê. quando. como e quanto
sobre as decisões e seus pos íveis resultados. Conrudo, decisões ainda precisam ser tomadas. utilizando-se
todas as informações e técnicas que estejam à mão. Ninguém toma a decisão correta sempre, mns a tomada
de decisão sob incerteza pode er aprimorada sabendo-se como identificar possíveis eventos e e trntégias.
estimando-se o valor dos re ultados possíveis e analisando-se sua variabilidade.
Árvores de decisão. matrizes de ganhos e funções de distribuição cumulativa podem ser usadas para
oroanizar os resultados de diferentes estratégias. Podem ser utilizadas várias regras de decisão para escolher
o
dentre alternativas arriscadas. Alguns consideram apenas os retornos esperados. outros levam cm conta a
variabilidade dos resultados acima e abaixo da média, e outros ainda só examinam os resultados adversos.
o risco de produção, comercialização. financeiro, jurídico e pessoal pode ser reduzido ou controlado
pelo uso de várias técnicas. Algumas diminuem a amplitude de resultados possfvei.. enqunnto outras l!ll·
Capítulo 15 Gestão do risco e da incerteza 279

mntem um resultado mínimo em troca de um custo fixo, proporcionam mais flexibilidade para tomada de
decisões ou aumentam a capacidade de tolerância a risco do negócio.

[Link]"AS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Relacione ao menos cinco fontes de risco e incerteza para os agropecuaristas da sua região. Classifique-as
como risco de produção, preço, financeiro, jurídico ou pessoal. Quais são as mais importantes? Por quê?
2. Como um jovem produtor rural com um alto endividamento enxerga o risco, se comparado a um pro-
dutor mais velho e estabelecido, com poucas dívidas?
3. Esses dois agropecuaristas podem Ler ideias diferentes sobre a quantidade de seguro de que precisam?
Por quê?
4. Como as probabilidades subjetivas diferem das probabilidades verdadeiras? Quais fontes de informa-
ções existem para ajudar a formá-las?
5. Escolha cinco preços que você acha quer poderiam ser o preço médio para suínos magros de mercado
(ou alguma outra commodity familiar) no ano que vem, incluindo tanto o preço mais baixo quanto o
mais alto que você esperaria. Peça que um colega faça o mesmo.
a. Quem tem a maior amplitude de preços esperados?
b. Calcule a média simples para cada grupo de preços. Como elas ficam uma em comparação com a
outra?
c. Atribua probabilidades subjetivas a cada preço da sua lista, recordando que a soma das probabili-
dades deve totalizar 1,0. Compare-as.
d. Calcule o valor esperado de cada conjunto de preços e compare-os.
e. Você esperaria que todos da classe tivessem o mesmo conjunto de preços e probabilidades subje-
tivas? Por quê?
6. Imagine que os preços anuais médios do trigo na sua região foram os seguintes nos últimos I Oanos:

Ano 1 US$ 3,45 Ano6 US$ 2,56


Ano2 3,51 Ano7 3,28
Ano3 3,39 Ano 8 3,87
Ano4 3,08 Ano9 2,64
Ano 5 2,42 Ano 10 2,80

a. Calcule a média simples. Calcule o coeficiente de variação, dado que o desvio padrão é 0,478.
b. Extraia umafimção de distribuição cumulativa (FDC) para o preço do trigo usando os dados da
tabela.
c. A partir da FDC, estime a probabilidade de que o preço médio anual do trigo seja de US$ 3,00 ou
menos em um dado ano.
7. Identifique as etapas da tomada de uma decisão arriscada, dando um exemplo.
8. Suponha que um consullor agrícola estime que há 20% de chances de uma grande infestação de in-
setos, que poderia reduzir sua margem bruta por acre em US$ 60. Se não ocorrer dano. você espera
receber urna margem bruta de US$ 120 por acre. O tratamento contra o inseto é eficaz, mas custa
US$ J5 por acre. Demonstre os resultados possíveis de lralar ou não tratar em uma árvore de decisão e
em uma matriz de ganho. Qual é a margem bruta esperada para cada escolha? Qual é a amplitude entre
os resullados alto e baixo de cada escolha?
9. Um gestor que não precisasse considerar risco escolheria tratar ou não tratar contra os inseto da Per-
gunta 8? E um gestor que não pudesse auferir uma margem bruta inferior a US$ 90 por acre?
280 Parte V Aperfeiçoamento das habllldades gerenciais

10. Dê doi exemplo de estratégias de gc tào do risco que se encaixam em cada uma das seguintes catc-
g ria gcraL:
a. [Link] a amplitude de re ultados po ívci .
b. Garanlir um resultado mínimo para um cu to fixo.
e. Aprimorar a flexibilidade da tomada de decisão.
d. Melhorar a capacidade de tolerância a risco.
11. De creva uma importante ferramenta ou estratégia de gestão do risco que ajudaria a arcar com cadn
um do eguintc tipos de risco em um estabelecimento rural.
a. Produção
b. Mercado
c. Financeiro
d. Jurídico
e. Pessoal
PÍTUt.O 16
Gestão de
imposto de renda

Objetivos do capítulo
1. Mostrar a importância da gestão do imposto 5. Examinar algumas estratégias de gestão
de renda em estabelecimentos rurais. tributária que podem ser utilizadas por
2. Identificar alguns objetivos da gestão do agropecuaristas.
imposto de renda. 6. Ilustrar como a depreciação é calculada
3. Apontar as diferenças entre os regimes para fins tributários e como ela pode ser
de caixa e de competência no cálculo da usada na gestão tributária.
renda tributável e as vantagens e desvan- 7. Mostrar a diferença entre renda ordinária
tagens de cada um. e de ganhos de capital e como cada uma
4. Explicar como as alíquotas marginais e de é tributada.
previdência social são aplicadas à renda
tributável.

Impostos de renda federais são recolhidos possuir uma compreensão básica das regul a-
nos Estados Unidos desde 1913, assim como mentações fiscais e conseguir analisar as po -
cm muitos outros países. Eles afetam todos síveis consequências tributárias das deci õe
os tipos de negócio, incluindo os estabeleci- gerenciais. Essas decisões são tomada ao
mentos agropec uários. Impostos de renda são longo de todo o ano, então a gestão tributária
um re ultado inevitável de operar um negócio é um problema que atravessa o ano, e não algo
lucrativo e ão necessários para manter as ins- a ser feito apenas q uando se preenche a decla-
tituiçõe e os serviços públicos funcionando. ração de imposto.
ntrctanto, a decisões gerenciais tomadas ao Gestores agropecuário não preci am
lo ngo do tempo podem afetar gra ndeme nte a possuir (e nem seria de ·e e perar que pos uí ·-
cronologia e o montante do imposto de renda ·em) um conhecimento comple to d t <la a
d vido. Por esse moti vo, o gcsLOr rura l prcci a rcg ula mc ntuçõcs !iscai . Toda i , uma m-
282 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

preensão e consciência bá icas dos tópicos fis- dos princípios e regulamentações mai bási-
cais discutidos neste capítulo possibilitam que cos podem ser cobertos por este capítulo. Eles
o gestor reconheça a , possfvei consequências serão expostos do ponto de vista de um negó-
fiscais de algumas decisões comerciai s co- cio agropecuário operado como propriedade
mun . Também aj udam o gestor a identificar individual (sole proprietorship). Sociedades
decisões que podem ter consequências fiscais de responsabilidade pessoal (partnerships ) e
grandes e complexas. Isso deve ser o sinal corporações (corporations) rurais estão su-
para procurar a 01ientação de um contador tri- jeitas a regulamentos diferentes em alguns
butário ou advogado experiente em questões casos, e quem contempla utili zar essas natu-
tributárias rurais. Orientação de especialistas rezas jurídicas deve obter orientação tributária
antes da implementação da decisão gerencial competente antes de tomar a decisão. O leitor
pode muito bem valer o custo e poupar tempo, também é aconselhado a verificar as regula-
incornodação e dinheiro mais tarde. mentações fiscais atualizadas para conhecer
as normas mais recentes. As normas e regula-
mentações tributárias podem mudar, e de fato
TIPOS DE IMPOSTO DE RENDA mudam, frequentemente.
A maioria dos Estados também cobra
Existem três tipos de impostos cobrados sobre imposto sobre a renda de pessoa física. Al-
a renda rural (Figura 16-1 ). O imposto sobre guns Estados têm alíquotas progressivas, isto
a renda ordinária é pago sobre a maior parte é, rendas mais altas são tributadas a alíquotas
da renda rural líquida após ela ser combina- maiores, enquanto outros Estados impõem
da com outros tipos de renda tributável. Uma uma alíquota fixa para todas as faixas de ren-
parte da renda oriunda da venda de certos ati- da. Devido à ampla diversidade de normas es-
vos, chamada de ganhos de capital, é infor- taduais de imposto de renda, a exposição do
mada separadamente, sendo frequentemente resto deste capítulo só se aplicará aos impos-
tributada a uma alíquota menor do que a renda tos de renda federais.
ordinária. Por fim, a renda obtida por meio de
atividades de autônomo, incluindo agricultura
e pecuária, também está sujeita a uma contri- OBJETIVOS DA GESTÃO
buição para sustentar os sistemas de previdên- TRIBUTÁRIA
cia social e saúde pública.
Os regulamentos de imposto de renda são Todo gestor com a meta de maximização do
numerosos, complexos e sujeitos a mudanças lucro precisa modificar essa meta ao consi-
à medida que novas legi slações fiscais são derar os impostos de renda. Essa meta ago-
aprovadas pelo Congresso. Somente alguns ra deve ser "maximização do lucro de lon-

Renda rural ordinária Renda líquida obtida como autônomo

- Despesas rurais e depreciação x Alíquota de autônomo


= Lucro rural líquido = Imposto de autônomo a pagar
+ Outras rendas tributáveis Renda com ganhos de capital
- Deduções e isenções pessoais
- Base tributária original
- Metade do imposto de autônomo
= Ganho tributável
= Renda tributável
x Alíquota de ganhos de capital
x Alíquotas sobre renda comum
= Imposto sobre ganhos de
= Imposto de renda comum a pagar capital a paaar

Figura 16-1 Três tipos de imposto de renda.


Capftulo 1a Ge tão de ímposto de renda 283

Quadro 16-1 Gestão tributária ou brecha trlbutária?

A ge tao tributária, ou minimização de im- o investimento em geral, como meío de pro-


po to , às vezes, é Igualada à Identificação mover uma economía em e-1:pansão e o pleno
o ao uso de "brechas tributárias". Esse é um emprego. Os contribuíntes não devem se sen-
Julgamento multas vezes Injusto. Embora lndu- tir relutantes ou culpados quando apro'leitam
b tavelmente existam Iniquidades nas regula- ao máximo todos os modos legais de reduzir
mentações fiscais, o que alguns chamam de o imposto de renda. Da mesma forma, não
brechas tributárias, multas vezes, foi Intencio- é realista esperar que haja modos legais de
nalmente legislado pelo Congresso para um se furtar completamente ao pagamento de
fim específico. impostos de renda no longo prazo se estiver
Esse fim pode ser estimular investimen- sendo operado um negócio lucrativo,
to e produção em certas áreas ou aumentar

go prazo após impostos". Paga mentos de vos de capital de forma a maximizar os lucros
imposto de renda representam uma saída de de longo prazo após impostos.
caixa para o negócio, deixando menos caixa Gestão tributária não é evasão fiscal, mas,
à mão para outras finalidades. O caixa que sim , evitar o pagamento de mais impostos
resta após pagar os impostos de renda é o do que os legalmente devidos e postergar o
único dinheiro disponível para despesas de pagamento de tri buto sempre que po sível.
sustento familiar, paga mento de dívidas e Ex istem diversas estratégiac; de gestão tri-
novos investimentos comerciais. Portanto, a butária que tendem a postergar ou atrasar os
meta deve ser a maximização do lucro após pagamentos de tributos, não necessariamente
impostos, já que é e se montante que, no fi - reduzi ndo o montante pago ao longo do tem-
nal, estará à di spoHição para uso ao critério po. Entretanto, Lodo pagamento de tributo que
do gestor ou proprietário. A meta não é mini- pode ser deixado para mais tarde repre enta
mizar os imposto de renda. Essa meta pode- mais caixa disponível para uso comerci al por
ria ser atingida tendo-se pouca ou nenhuma um ou mais anos.
rcndu rurul líquida todos os anos.
Um objetivo de curto prazo da gestão tri-
,,
1
butária é minimizar os tributos devidos sobre REGIMES DE CONTABILIDADE
li renda de um dado ano quando a declaração TRIBUTÁRIA
de imposto é preenchida e protoco li zada.
ontudo, essa renda é o resultado de decisões Um atributo único dos impostos de renda de
tomadas por lodo ano, e talvez cm anos an- negóc io agropecuário é a e colha do méto-
teriores. É tarde demais para mod ilicar essas dos de co ntabilidade tributária permitido ·.
decisões. A gestão tributária efi caz demanda Os agropcc uaristas podem declarar ua renda
umu avnliaçilo contínua de como cada decisão lributávcl usando regime contábil de caixa ou
ufewró os impostos de renda, não apenas no de competência. Todos o outros contribuinte
exercício corrente, mas tamhém nos exercí- envolvidos na produção e na venda de merca-
cios vindouros. Deve ser um objetivo de lon- dorias para as quai s pos am exi ·tir e toq ue
go pruzo, e nilo de curto prazo, e cor1arncnte devem usar o regime de competência. Muito
nl\o é algo a ser pensado sornenle uma vez por embora os agropecuari stas amiúde tenham e -
uno, ao entregar n dcc lurução. Por consegui n- toques, eles podem optar por utilizar qualquer
1 , u gcsti\o trihutárin consisle cm gerenciar um dos métodos. A escolha é fei ta quando a
renda, despesa e as compras e vendas de ati- pessoa física ou jurídica protocoliza a primei-
284 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

ra declaração fi scal do estabelecimento agro- No regime de contabilidade de caixa, a


pecuário. O método usado nessa primeira de- renda é tributável no exercício em que é re-
clara~ão deve ser utili zado nos anos seguintes. cebida como caixa, ou "recebida por ficção".
E possível trocar de regime contábil A renda é recebida de modo fictício quando
fi scal mediante permissão do fisco e paga- é creditada a uma conta ou está disponível
mento de uma taxa. A solicitação deve ser para uso antes do fim do exercício tributável.
feita em um formulário especial e dentro do Um exemplo desta última situação seria um
prazo correto. Ela também deve trazer a(s) cheque por venda de grãos que o silo estava
razão(ões) da mudança desejada, juntamente guardando para que o cliente recolhesse. Se o
com outras informações. Se a solicitação for cheque estava disponível até 31 de dezembro,
deferida, pode trazer mais complexidade aos mas só foi recolhido vários dias depois, ainda
procedimentos contábeis durante o período seria renda recebida fictamente em dezembro.
de transição. Portanto, é aconselhável estudar O cheque estava à disposição em dezembro,
cautelosamente as vantagens e desvantagens e o fato de não ter sido recolhido não difere a
de cada método e fazer a melhor escolha renda tributável para o exercício seguinte.
quando da entrega da primeira declaração No regime de caixa, as despesas são
fiscal do estabelecimento rural. dedutíveis do imposto no exercício em que
são efetivamente pagas, independentemente
O regime de caixa de quando o item foi comprado ou usado.
Um exemplo seria uma ração de dezembro
A maioria dos agricultores e pecuaristas em- comprada a prazo e paga apenas no janeiro
prega um exercício contábil fiscal igual ao ano- seguinte. Essa seria uma despesa dedutível
-calendário. Entretanto, podem pedir a autori- do imposto no exercício seguinte, e não no
zação do fisco para utilizar um exercício fiscal exercício em que a ração foi realmente adqui-
de declaração de imposto que comece em outra rida e utiljzada. Uma exceção a essa regra é o
data que não l º de janeiro, terminando um ano custo de itens comprados para revenda, o que
depois. Negócios com um ciclo de produção inclui animais de engorda. Essas despesas só
que começa regularmente em um ano-calendá- podem ser deduzidas no exercício fiscal em
rio e termina no seguinte podem preferir ter um que os itens são vendidos. Isso quer dizer que
exercício fiscal que termine após a maior parte a despesa de comprar gado de engorda ou
da sua produção ser vendida (veja a discussão outros itens adquiridos para revender preci-
sobre exercício contábil do Capítulo 3). sa ser transportada para o exercício seguinte,
Agropecuaristas possuem um cronogra- caso a compra e a venda não aconteçam no
ma de declaração de imposto de renda fede- mesmo exercício.
ral levemente diferente do de pessoas físicas No método de contabilidade tributária de
assalariadas. Se seu exercício fiscal é igual caixa, os estoques não são usados para determi-
ao ano-calendário, eles devem entregar sua nar a renda tributável. A renda é tributada quan-
declaração e pagar os impostos devidos até do recebida como caixa, e não à medida que se
J º de março do ano seguinte, em vez de 15 acumula em estoque de cultives e animais.
de abril. Abre-se uma exceção se eles regis- O regime de caixa possui diversas vanta-
tram uma estimativa do imposto que deve- gens.
rão até J 5 de janeiro e fazem um pagamento
nesse valor. Nesses casos, a declaração defi- Vantagens
nitiva e o pagamento só são devidos em 15 A grande maioria dos agropecuaristas utiliza
de abril. Contribuintes de ano fiscal têm pra- o regime de caixa para calcular a renda tribu-
zos semelhantes em relação ao início de seu tável. Há vá.rias vantagens que fazem desse o
exercício fiscal. método mais popular.
Capítulo 16 Gestão de imposto de renda 285

1· Simplicidade O uso da contabilidade de os itens não tenham sido revendidos. Seu cus-
cai~a exige um mínimo de registros, es- to é compensado pelo aumento no valor do
pecialmente porque não há necessidade estoque final para os mesmos itens.
de manter registros de estoque para fins
tributários. Vantagens
2. Flexibilidade A contabilidade de caixa A contabilidade fiscal por competência possui
dá_o máximo de flexibilidade para o pla- diversas vantagens em relação ao regime de
neJamento tributário no fim do exercício. caixa, as quais devem ser consideradas quando
A renda tributável de qualquer exercício se escolhe o método de contabilidade fiscal.
pode ser ajustada de acordo com a crono-
1. Melhor medição da renda No regime de
logia de vendas e pagamento de despesas.
competência, a renda tributável é calcula-
Uma diferença de poucos dias pode colo-
da de modo parecido com o qual a renda
car a renda ou despesa na renda tributável
rural líquida foi computada no Capítulo 5.
deste exercício ou do seguinte.
Por esse motivo, ela é uma medida mais
3. Ganhos de capital da venda de reproduto-
precisa para o cálculo da renda rural líqui-
res criados No regime de caixa, mais da
da do que o regime de caixa, mantendo os
renda advinda da venda de reprodutores
impostos de renda sempre quitados.
criados geralmente será classificada como
renda de ganho de capital de longo prazo. 2. Redução das flutuações de renda A in-
Essa renda não está sujeita a impostos de clusão de modificações de estoque evita
autônomo, sendo tributada a uma alíquota flutuações grandes na renda tributável,
inferior à da renda ordinária. Os ganhos caso o padrão de comercialização resulte
de capital serão discutidos em pormeno- na produção de dois exercícios sendo ven-
res em uma seção posterior. dida em um único exercício.
4. Postergação do imposto sobre estoque 3. Estoque decrescente Em exercícios em
crescente Um negócio em crescimento que o valor do estoque está caindo, como
com um estoque crescente pode postergar pode acontecer quando o produtor está
o pagamento de tributo sobre o estoque lentamente se afastando do neoócio
o , o
até que ele seja vendido e convertido em imposto será pago mais tarde no reoime
o
caixa. de competência. A queda do valor do es-
toque compensa alguns dos recebimentos
de caixa no curto prazo.
O regime de competência
a contabilidade tributária em regime de
Requisitos de registros tributários
competência, a renda é tributável no exercício
cm que é gerada ou produzida. A renda por Qualquer que seja o regime contábil esco-
competência inclui qualquer mudança, entre o lhido, registros completos e precisos são es-
início e o fim do exercício fiscal, no valor dos senciais tanto para uma boa gestão tributária
cultives e animais em estoque, assim como quanto para a declaração correta da renda
toda renda em caixa recebida. Portanto, todo tributável. A produção agropecuária e as re-
.,/ aume nto de estoque durante o exercício fiscal gulamentações fiscais se tornaram comple-
é incluído na renda tributável, e diminuições xas demais para que os registros sejam uma
de estoque reduzem a renda tributável. coleção de recibos e cheques ustados atira-
utra diferença em re lação ao regime de dos em uma caixa de sapatos. Registros ruins
cítixa é que o custo dos itens adquiridos para costumam ter dois res ultado relacionados e
/
revenda, como animais de engorda, pode ser indesejados: incapacidade de verificar recebi-
deduzido no exercício da co mpra, mesmo que mentos e despesas no caso de uma auditoria
286 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

Por quanto tempo devem ser mantidos os registros


Quadro 16-2
tributários?

Essa é uma pergunta comum, e, felizmente, a profissionais tributaristas recomendam qoo ~


resposta não é "para sempre". O contribuinte guarde uma cópia da declaração d 0 •
tem três anos a partir da data em que a decla- por um período maior. Se o; entreguB
ração foi ou devia ser protocolada para retificá- declaração fraudulenta ou se não toi ai ~
-la, e o fisco tem três anos a partir da mesma declaração nenhuma, o flSCO tem
data para lançar impostos adicionais. A pos- maior para lançar tnõutos.
sibilidade desses eventos significa que os re- Todos os registros refativos a custo, "
gistros devem ser mantidos por um mínimo de preciação, datas de compra/venda e fJí~ de
três anos a partir da data em que a declaração venda de terras e ativos depreciá11: ·
em questão foi entregue. Por exemplo, o pra- ser mantidos por três anos ap6s sua ver. ou
zo da declaração do ano-calendário de 2010 outra alienação. Terra costuma ser mantida
é 15 de abril de 2011. Portanto, os registros muitos anos, então os registros de com as~
do exercício de 201 O devem ser guardados terra geralmente precisam ser guardad . ~
até, no mínimo, 15 de abril de 2014. Alguns muitos an os.

fi scal e pagamento de mais tributos do que o ral, e outros conseguem imprimir uma ~
legalmente devido. Em ambos os casos, bons da declaração fiscal rural preenchida
registros não custam: eles pagam, na forma de
impostos de renda menores.
Registros tributários completos incluem O SISTEMA TRIBUTÁRIO
uma lista de recebimentos e despesas de [Link] E AS ALÍQUOTAS 1
no exercício. Também é preciso um cronogra-
ma de depreciação tributária para todos os bens O sistema de imposto de renda do Estados
depreciáveis, a fim de determinar a deprecia- Unidos é baseado em diversas alíquotas mar-
ção tributária anual e calcular ganhos, perdas ginais (o imposto adicional sobre uma uni-
ou recuperação da depreciação quando o item é dade monetária adicional de renda dentro ...
vendido. Devem ser mantidos registros perma- uma certa faixa). Embora as alíquotas efem
nentes para imóveis e outros itens de capital, e a fai xa de renda tributável de cada aliqtMr
incluindo data e custo da compra, depreciação ta mudem de tempos em tempo , as alíqucJt.u
descontada, custo de benfeitorias e preço de sempre foram marginais. Elas são denomina-
venda. Esses itens são importantes para deter- das alíquotas progressivas porque, à medida
minar ganhos ou perdas com a venda ou para que a renda tributável da pes oa aumenta,
fi ns de imposto sobre doação ou sucessão. alíquota à qual ela é tributada também aumen-
Um sistema de registros computadoriza- ta. A seg uinte tabela mo tra as alíquotas mar-
dos pode ser útil para manter registros tribu- ginais para uma declaração indr idual e urna
tários. Precisão, velocidade e comodidade são conjunta em 20 10.
algumas das vantagens. Além de manter um
1
registro de renda e despesas, alguns programas Novas leis lributárias podem alterar muitas nonm.; e
de contabilidade também conseguem manter quotas, incluindo alíquotas marginais, faixas u ·íbclzm:5-,
um cronograma de depreciação e calcular a de- alíquotas sobre renda de ganho de capilal. 1an,;:-am:c.,
como despesa da Seção 179 e outros íLens discmidos oe:s-
preciação tributária de cada exercício. Alguns te ca pftul~. O leitor de,·e sempre \'erificar as regnb:nra
imprimem a renda e despesas do exercício no çõe_s atuais do fisco para obter as informações •·
mesmo formato de uma declaração fiscal ru- mais recentes.
Capitulo 16 Gestão de Imposto de renda 287

Folxns de rcndn dn, todn a renda aplicável está sujeita H e,·sc


tributável"' Alíquotns mr11·~l1111ls imposto. Ele é aplicado à renda antes da sub-
Cusol com
Lruçuo de isenções pessoais ou deduções.
dcclornçüo 2010
O imposto de autônomo inclui contri-
conjunto (US$) Indlvlduul (US$) (%) buições para a previdência social e o sistema
público de saúde. Em 201 O, essas alíquotas
0- 16.750 0- 8.375 10
16.750- 68.000 8.375- 34.000 15 combinadas eram:
68.000- 137 .300 34.000- 82.400 25
137 .300- 209.250 82.400- 171.850 28 Rcndn s1~lcltu II Imposto de autônomo"' Alíquota
209.250-373.650 171 .850- 373.650 33
acima de 373.650 acimn de 373.650 35 $0- 106.800 15,3 %

* Os pontos divisores entre cndn alíquota mnrginnl sno Acima de 106.800 2,9%
aju tndos para cima todo ano. cm um valor igunl li inílnçno. •~ Esses volorcs sno füudos por lei, sendo gcrnlmcntc
aumcntndos todo ano.
..,. Renda tributável inclui renda rural e renda
auferida de outras fontes, como salários e re- Como os ganhos de capital não estão incluídos
munerações, juros, aluguéis e royalties, menos e não são subtraídas deduções e isenções pes-
isenções pessoais e deduções. soais, a renda sujeita ao imposto de autônomo
A alíquota mais alta de cada faixa se apli- será diferente daquela sujeita ao imposto de
ca apenas às unidades monetárias de renda renda. Entretanto, a combinação desses dois
daquela faixa. Por exemplo, um contribuinte tributos cria diversas faixas de renda e alíquo-
com US$ 80.000 de renda tributável pagaria o tas marginais combinadas, como exibido na
seguinte imposto: Figura 16-2.

Imposto de renda devido ALGUMAS ESTRATÉGIAS DE


10% sobre os primeiros US$ 16.750 = US$ 1.675 GESTÃO TRIBUTÁRIA
15% sobre os próximos US$ 51.250 = 7.688
(US$ 68.000 - US$ 16.750) Existem diversas estratégias de gestão tribu-
25% sobre os próximos US$ 12.000 = 3.000
tária cm razão da natureza marginal das alí-
(USS 80.000 - US$ 68.000)
Tota l de imposto devido US$ 12.363 quotas de imposto de renda e de outras carac-
terísticas do sistema tri butário. As estratégia
de gestão tributária são, basicamente, de um
Apesar de o con tribuinte estar na faixa de destes dois tipos: as que reduzem os impostos
imposto marginal de 25%, apenas a renda acima e as que apenas postergam o pagamento dos
de US$ 68.000 é Lributada à alíquota de 25%. impostos. Porém, todo pagamento tributário
A renda recebida da venda de ativos depre- que possa ser postergado para o exercício se-
ciáveis e terras pode ser classificada como ren- guinte torna essa importância disponível para
da de ganhos de capital. Ela é declarada separa- uso comercial durante o exercício seguinte.
damente e costuma ser tributada a uma alíquota Esse valor estará disponível para investiml:nto
menor. Ganhos de capital serão discutidos cm ou para diminuir o montante de endividamen-
pormenores mais adiante neste capítulo. to necessário, o que gera renda de juros ou re-
Além dos impostos de renda, autônomos duz a despesa com juro .
(como agricultores e pecuaristas) estão sujei-
tos a imposto de autônomo. Apenas a renda
Natureza jurídica
originária de estabelecimentos rurais ou outras
atividades profissionais está sujeita ao i111posto omo exposto no Capítulo 14, a natureza
de <mtfJ1101110. Ao contrário do imposto de rcn- jurídica cio negócio tem cl'cito sobr, os tri-
288 Parte V Aperteiçoamento das habilidades gerenciais

45%

40%

35%

30%

25%

20%

15%

10%

5%

US$ 0a US$ 26.000 a US$ 42.750 a US$ 94.000 a US$ 106.800 a US$ 163.300 a
US$ 26.000 US$ 42.750 US$ 94.000 US$ 106.800 US$ 163.300 USS 235.250

j O Federal D Autônomo 1

Figura 16-2 Alíquotas marginais por nível de renda bruta (após a subtração da dedução padrão,
quatro isenções pessoais e metade de imposto de autônomo).

bulos pagos ao longo do tempo. As diferen- Para o exercício fiscal de 20 l O, cada contri-
tes naturezas jurídicas devem ser analisadas buinte tem uma isenção pessoal de US$ 3.650,
tanto ao abrir o negócio rural como quando e o mesmo valor para cada dependente. Há
houver uma grande alteração no negócio. Por também uma dedução padrão de US$ 11.400
exemplo, a Tabela 14-2 compara as alíquotas para casal com declaração conjunta. 2 Contri-
e faixas tributárias federais para rendimentos buintes que "discriminam" suas deduções pes-
pessoais e corporativos. Embora os impostos soais podem ter uma dedução ainda maior. Por-
possam não ser o único motivo (tampouco tanto, um casal com dois filhos dependentes
empre o mais importante) para alterar o tipo tem isenções e uma dedução mínima de (USS
de nalureza j urídica, são sempre um fator a 3.650 x 4) + US$ 11.400 = US$ 26.000. Renda
considerar na decisão. tributável é apenas a renda acima desse valor.
Se a renda familiar total for menor que USS
26.000, não é devido imposto de renda, mas
Nivelamento de renda
algumas (ou todas, caso a renda seja US$ Oou
Há duas razões para tentar manter um nível menos) das isenções e deduções permissíveis
estável de renda tributável. Primeiro, anos são perdidas. Elas não podem ser transportadas
com renda maior que o normal podem colocar para uso no exercício seguinte. Mesmo que não
o contribuinte cm uma faixa tributária margi- haja imposto de renda devido, ainda pode ha-
nal mais alta. Ao longo do tempo, será pago ver imposto de autônomo a pagar.
mais imposto do que com um nível de renda Porém, pode-se deduzir metade do
tributado a uma alíquota menor. Segundo, em imposto de autônomo devido da renda tribu-
anos de renda baixa, algumas isenções e dedu- tável ordinária.
ções pessoais podem não ser completamente
utilizadas. Essas não podem ser transportadas ~ànto a isençã~ pessoal quanto a dedução padrão são
para exercícios fi scais futuros. a1ustadits para cima todo ano, em fu nção da inflação.
Capítulo 16 Gestão de imposto de renda 289

Créditos tributários ser investido ou usado para reduzir o endivi-


Eventualmente, o Congresso Nacional Norte- damento no exercício seguinte. A renda tri-
-americano disponibiliza créditos tributários butável pode ser diferida aumentando-se as
de imposto de renda como um incentivo oure- despesas do exercício corrente e diferindo-se
compensa para detenninados atos ou tipos de as vendas até o exercício seguinte. Os regula-
contribuinte. Exemplos incluem créditos por mentos fiscais limitam o montante de despe-
ter filhos dependentes, investir em tecnologia sas antecipadas que pode ser deduzido, mas
poupadora de energia e dar seguimento à ins- ainda assim conferem uma flexibilidade con-
trução formal. Créditos tributários são muito siderável a muitos produtores rurais.
mais efetivos do que deduções fiscais, pois Nivelar renda ou diferir impostos exi-
cada unidade monetária de crédito reduz os ge flexibilidade na programação de rendas e
tributos em uma unidade monetária inteira em despesas. O contribuinte deve poder tornar a
vez de somente em uma certa porcentagem. despesa dedutível e a renda tributável no exer-
cício desejado. A flexibilidade é maior com o
regime de caixa de cálculo da renda tributável.
Cálculo da média de renda No regime de competência, muitas das deci-
Se for impossível manter uma renda tributável sões de programação de compras e vendas são
relativamente nivelada de exercício para exer- contrabalançadas por modificações nos valo-
cício, permite-se o cálculo da média da renda. res de estoque.
Isso é especialmente útil em um exercício em Os contribuintes devem ser cautelosos,
que a renda tributável fica bem acima da mé- considerando outras razões além de econo-
dia, tendo os três últimos exercícios ficado na mias tributárias ao ajustar a cronologia de
média ou abaixo dela, já que a renda pode ser compras e vendas. É fácil tomar uma má deci-
passada de exercícios com alíquotas marginais são econômica ou de comercialização quando
altas para exercícios com alíquotas baixas. se tenta poupar ou postergar um pouco de di -
Para utilizar a média de renda, os agrope- nheiro em tributos. As tendências de merca-
cuaristas selecionam o montante da renda tri- do esperadas são um fator a considerar. Por
butável do exercício corrente que querem usar exemplo, se é esperado que os preços de com-
no processo de cálculo da média. Esse valor modities baixem para o exercício seguinte, um
é deduzido da renda tributável do exercício agropecuarista pode tirar vantagem se vender
corrente, e um terço dele é acrescido à renda agora e pagar o tributo no exercício corrente.
tributável de cada um dos três exercícios an- Lembre-se de que o objetivo da gestão tribu-
teriores. Os impostos de renda são, então, re- tária é maximizar o lucro após impostos de
calculados para os três anos anteriores, assim longo prazo, e não minimizar os impostos de
como para o exercício corrente. Há algumas li- renda pagos em um dado exercício.
mitações quanto ao que pode e o que não pode
ter sua média calculada, e, em razão de outras Prejuízo Operacional
disposições do código tributário, as economias Líquido (POL)
fi scais podem ser menores do que o esperado.
As grandes flutuações nos preços e rendimen-
tos agropecuários podem ocasionar um pre-
Diferimento ou postergação juíza operacional líquido e m alguns exercí-
de impostos cios, apesar do e mpenho do produtor rural em
Impostos podem ser diferidos, ou posterga- nivelar a re nda tributável anual. Disposiçõe
dos, atrasando-se a renda tributável para um especiais a respeito de prejuízo operacio nai
exercício poste rior. Isso poupa impostos no l.íquidos permitem que e les sejam utilizados
exercício corrente, e o dinheiro poupado pode para reduzir a renda tributável pa ada e/ou
290 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

futura. Todo prejuízo operncional líquido ele pela vencia. Exi tem algumas regulamentações
um ncg6 io agropecuário pode , er usado pri - específica a respeito de permutas isenta de
meiramente para com pen ar a renda tributável impostos, então é necessária orientação tri-
de outra fontes . e o prejuízo for maior do butária competente para certificar-se de que a
que a renda não rnral , o prejuízo agropecuário permuta é considerada isenta de imposto.
r lante habilitado pode servir para compen - A permuta isenta ele impostos envolve a
a ão retroali\ a de 5 anos e prospectiva de 20 troca de bens. O estabelecimento rural que
ano . Os prejuízo não rurais só podem ser você deseja adquirir é comprado pela pes oa
tran portados 2 anos para trás. Entretanto, um que quer comprar o seu estabelecimento rural.
contribuinte com um prejuízo rural pode esco- Então, vocês trocam ou permutam os estabe-
lher usar a compensação retroativa de 2 anos, lecimentos, cada um terminando com o esta-
em vez de a de 5 anos. belecimento que deseja possuir. A conclusão
Na retroativa, o prejuízo operacional lí- de uma permuta isenta de impostos transfere
quido é usado para reduzir a renda tributável a base de cálculo do estabelecimento agro-
dos anos anteriores, solicitando-se uma resti- pecuário original para o novo, e não é devido
tuição tributária. Na prospectiva, ele é usado imposto se os preços de venda de ambos forem
para reduzir a renda tributável (e, portanto, os iguais. Na prática, isso raramente acontece,
impostos de renda) dos anos futuros. O contri- ficando algum imposto a pagar. Novamente,
buinte pode optar por abrir mão da disposição é preciso uma boa orientação tributária para
retroativa de 2 ou 5 anos e aplicar o prejuízo calcular os tributos devidos sobre a permuta.
operacional líquido apenas contra a renda tri- A permuta isenta de impostos não se aplica
butável futura, para até 20 anos. Contudo, essa a todas as situações em razão dos requisitos
escolha deve ser feita quando se entrega a de- rigorosos. Entretanto, ela é algo a considerar
claração de impostos, sendo irrevogável. Ao sempre que um ativo suscetível for ser substi-
fazer essa escolha, é importante aproveitar o tuído por um ativo novo ou diferente.
prejuízo ao máximo, aplicando-o a anos com
renda tributável acima da média.
Basicamente, o prejuízo operacional lí- DEPRECIAÇÃO
quido é um excesso de despesas dedutíveis
A depreciação desempenha um papel impor-
permissíveis em relação à renda bruta. Con-
tante na gestão tributária por duas razões.
tudo, há certos ajustes e normas especiais que
Primeira, é uma despesa não monetária, mas
se aplicam no cálculo do prejuízo operacional
dedutível do imposto, o que significa que ela
líquido. Pode ser necessária orientação tribu-
reduz a renda tributável sem precisar de uma
tária especializada para calcular e utilizar cor-
saída de caixa. Segunda, é pennitida uma
retamente o prejuízo operacional líquido com
certa flexibilidade no cálculo da depreciação
o máximo de vantagem.
tributária, fazendo dela outra ferramenta que
pode ser empregada para nivelar a renda e
Permutas isentas de impostos postergar impostos. Para uma boa gestão tri-
A venda de um ativo como terra geralmente butária, é preciso um conhecimento prático de
gera alguns impostos quando o preço de venda depreciação tributária, métodos de deprecia-
é superior ao custo ou base de cálculo tributá- ção e suas regras de uso.
ria do ativo (seu valor para fins fiscais). Se a A diferença entre depreciação tributária e
terra sendo vendida será substituída pela com- outros cálculos de depreciação deve ser lem-
pra de outro estabelecimento agropecuário, brada durante toda a exposição a seguir. De-
uma permuta isenta de impostos pode eliminar preciação tributária é a despesa de depreciação
(ou ao menos diminuir) o tributo ocasionado calculada para fins tributários. A depreciação
Capítulo 16 Gestão de imposto de re nd a 291

para fins contábeis e gerenciais normalmente o trator por um pouco menos do que o preço
usaria um dos métodos de depreciação discu- de catálogo integral.
tidos no Capítulo 5. Como será demonstrado, A base de cálculo do ativo é ajustada para
o método comum de depreciação tributária baixo todo ano, no valor da depreciação des-
é diferente, podendo empregar vidas úteis e contada. O res ultado é sua base de cálculo
valores residuais diferentes dos que seriam tributária ajustada. No exemplo, se forem des-
usados para contabilidade gerencial. Portanto, contados US$ 9.639 em depreciação tributária
pode haver uma diferença grande entre a de- no primeiro exercício, o trator teria uma base
preciação anual para propósitos fiscais e aque- de cálculo tributária ajustada de US$ 90.000
la para fins gerenciais. - US$ 9.639 = US$ 80.361 no fim do primei-
ro exercício. A base de cálculo do ativo seria
ajustada para baixo Lodo exercício seg uinte
Base de cálculo tributária
no valor da depreciação tributária descontada
Todo ativo comercial possui uma base de cál- naquele exercício. A base de cálculo aj usta-
culo tributária - o valor do ativo em lermos da não é o mesmo que o valor de mercado, e
fiscais a um dado momento. No momento da pode estar bem longe del e.
compra, ela é denominada base de cálculo ini- A base de cálculo de um ativo não depre-
cial; quando esse valor muda, torna-se a base ciável, como terra, geralmente continua igual
de cálculo ajustada. Todo ativo adquirido di- ao seu custo original por Lodo o tempo de sua
retamente, seja novo ou usado, tem uma base posse. Uma exceção seria se fossem realizadas
de cálculo tributária inicial igual a seu preço benfeitorias de capital na terra, quando o custo
de compra. Quando um novo ativo é compra- da benfeiloria não é dedutível do imposto do
do negociando-se um ativo usado mais caixa, exercício corrente nem depreciável. Terraços
a base de cálculo é determinada de forma dife- ou represas de terra são exemplos possíveis.
rente. A base de cálculo inicial do ativo novo é Nesse caso, o custo da benfeitoria é acrescido
igual ao caixa pago para completar o negócio à base de cálculo original para obter a nova
mais a base de cálculo ajustada remanescente base de cálculo ajustada.
do item negociado, se houver. Um registro preciso da base de cálcu-
Por exemplo, imagine que um trator ve- lo de cada ativo é importante ao vendê-lo ou
lho, com uma base de cálculo ajustada de permutá-lo. A base de cálculo ajustada atual
US$ 10.000, mais US$ 80.000 em caixa são é usada para determinar o ganho ou prejuízo
negociados por um trator novo, com um preço com a venda. Informações de custo e base de
de catálogo de US$ 120.000. Os US$ 80.000 cálculo de ativos como terra e construções,
são o saldo da troca, ou a diferença entre o que possuem uma vida útil longa e são vendi-
custo do trator novo e o valor de revenda do dos ou permutados raramente, podem ler que
velho. A base de cálculo tributária inicial do ser mantidos por muitos anos. Essa é o utra ra-
trator novo é de US$ 80.000, o saldo da troca zão para Ler um sistema de registros completo,
pago em caixa, mais a base de cálculo ajus- preciso e permanente.
tada de US$ 10.000 do trator velho, ou US$
90.000. Pode parecer pouco para um trator
Depreciação MACAS
com um preço de catálogo de US$ 120.000,
mas é o resultado de uma ou duas possibili- O sistema atual de depreciação tributária é cha-
dades. Primeiro, o trator velho tinha um valor mado de Sistema de Amonização Acelerada
de revenda maior do que sua base de cálculo Modificado, ou MACRS (do inglê Modified
tributária ajustada, o que é provável, dada a Accelerated Cost Recove ry System ). Existem
depreciação "acelerada" para fins tributários. diversas alternativas dentro do MACRS, ma
Segundo, a concessionária se dispôs a vender a nossa exposição se concentrará no MACRS
292 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

normal, usado com mais frequência do que os trimestre. Esta exige que a depreciação de cada
demais. Métodos alternativos de MACRS serão ativo recém-comprado inicie na metade do tri-
discutidos brevemente em uma seção posterior. mestre em que ele foi efetivamente comprado.
O MACRS contém diversas classes de A depreciação MACRS é calculada utili-
bens, que determinam a vida útil do ativo. zando-se taxas percentuais fixas de recupera-
Cada ativo depreciável é encaixado em uma ção, como mostrado na Tabela 16- 1, para a
classe específica, dependendo do tipo de ati- classes de 3, 5 e 7 anos. Para ativos agropecuá-
vo. Os ativos agropecuários geralmente se rios, essas porcentagens são baseadas no uso de
encaixam nas classes de 3, 5, 7, l O, 15 ou 20 um saldo decrescente de 150% para cada exer-
anos. Alguns exemplos de ativos de cada clas- cício sucessivo, até que a porcentagem da de-
se são: preciação linear resulte em uma porcentagem
maior. Nesse ponto, usam-se taxas lineares.
3 anos: suínos reprodutores
A depreciação MACRS normal para cada
5 anos: carros, picapes, gado reprodutor, ano da vida útil atribuída a cada ativo é obtida
cabras e ovelhas, gado leiteiro, computa- multiplicando-se a base de cálculo tributária
dores, carretas inicial do ativo pela porcentagem adequada.
Por exemplo, se é comprada uma nova pica-
7 anos: a maioria das máquinas e equipa-
pe (classe de 5 anos), possuindo uma base de
mentos, cercas, silos de cereais, mobília
cálculo inicial de US$ 25.000, a depreciação
10 anos: estruturas agrícolas e horticulto- seria calculada como segue:
ras de finalidade única, árvores frutíferas
ou de oleaginosas Ano 1: US$ 25.000 x 15,00% = USS 3.750
15 anos: terrenos pavimentados, poços, Ano 2: US$ 25.000 x 25,50% = uss
6.375
linhas de drenagem Ano 3: US$ 25.000 x 17 ,85% = uss
4.463
Ano 4: US$ 25.000 X 16,66% = US$ 4.165
20 anos: edificações de uso geral, como Ano 5: US$ 25.000 x 16,66% = uss
4.165
galpões de máquinas e celeiros de feno Ano 6: US$ 25.000 x 8,33% = uss
2.082

Esses são apenas alguns exemplos. As regula- Total uss 25.000


mentações fiscais devem ser verificadas para A depreciação de ativos de outras classes
conferir as classes corretas de outros ativos seria calculada de forma semelhante, usando-
depreciáveis específicos. -se as porcentagens apropriadas da classe.
Outra característica do MACRS é um va-
lor residual presumido de zero para todos os
Tabela 16-1 Taxas de recuperação de
ativos. Logo, os contribuintes não precisam
MACAS normal para ativos agropecuários nas
selecionar uma vida útil e um valor residual classes de 3, 5 e 7 anos (convenção do meio
ao utilizar o MACRS. Este método também ano)
inclui uma depreciação automática de meio
Porcentagens de recuperaç-Jo
ano no exercício da compra, a despeito da data
Exercício de Classe de Classe de Classe de
de aquisição. Essa é a chamada convenção do
recuperação 3 anos S anos 7 anos
meio ano, ou regra do meio ano. Ela beneficia
o contribuinte que compra um ativo no final do 1 25,00 15,00 10,71
exercício, mas é desvantajosa quando um ativo 2 37,50 25,50 19,13
3 25,00 17,85 15,03
é adquirido no início do exercício. Essa regra
4 12,50 16,66 12,25
do meio ano não se aplica quando mais de 40% 5 16,66 12,25
dos ativos comprados no exercício são coloca- 6 8,33 12,25
dos em serviço no último trimestre do exercí- 7 12,25
cio. Nesse caso, aplica-se a regra da metade do 8 6,13
Capítulo 16 Gestão de imposto de renda 293

Métodos alternativos de ção 179 permitido em um exercício é fixado


depreciação pelo Congresso todo ano.
Permite-se uma certa flexibilidade no cálculo Bens passíveis de lançamento como despe-
da depreciação tributária, pois há alternativas sa são definidos pelas regulamentações fiscais
ao método de MACRS normal discutido an- de forma um tanto diferente dos bens passíveis
teriormente. Todas essas alternativas resul- de depreciação. Entretanto, o resultado geral é
tam em uma depreciação mais lenta do que o que a maioria dos bens das classes de 3, 5, 7
MACRS normal, o que é um motivo pelo qual e I O anos adquiridos de uma pessoa não apa-
elas não são muito usadas. Entretanto, os con- rentada está habilitada. O montante passível de
tribuintes que desejam postergar uma parte da lançamento como despesa é igual ao custo ou
depreciação para anos futuros podem escolher base de cálculo inicial na compra direta, mas
um destes métodos alternativos: somente a diferença de caixa, ou "saldo da tro-
ca", é passível quando há permuta.
• Vida útil ou período de recuperação do O lançamento como despesa é tratado
MACRS normal, com depreciação linear como depreciação, portanto reduz a base de
• Períodos de recuperação de MACRS al- cálculo tributária do ativo. A base de cálculo
ternativo (geralmente mais longos do que inicial deve ser reduzida no montante do lan-
o do MACRS normal) e método do saldo çamento como despesa descontado antes de se
decrescente de 150% calcular a depreciação comum restante. Nesse
• Períodos de recuperação do MACRS al- procedimento, pode-se ver que a opção de fazer
ternativo com depreciação linear lançamento como despesa não aumenta o mon-
tante total de depreciação descontado ao longo
Este último seria o mais "lento" dos qua- da vida útil do ativo. Ela simplesmente deslo-
tro métodos possíveis. Uma depreciação mais ca mais depreciação para o primeiro exercício
lenta pode ser preferida por um produtor rural (lançamento como despesa mais depreciação
jovem, que espera ter mais renda tributável e normal no ano 1), o que deixa menos depre-
uma alíquota marginal maior nos anos futuros ciação anual para os exercícios subsequentes.
do que no curto prazo. Imagine que uma colheitadeira combina-
Se for utilizado um método alternativo da foi comprada por US$ 158.000, o que seria
para um ativo, os ativos daquela classe com- sua base de cálculo inicial. Se fossem des-
prados no mesmo exercício devem ser depre- contados US$ 108.000 de lançamento como
ciados empregando-se o método alternativo. despesa da Seção 179 (é opcional), a base
Também, após ser selecionado um método de cálculo da combinada seria reduzida para
alternaúvo para um ativo, ele não poderá ser US$ 158.000 - US$ 108.000 = US$ 50.000.
modificado em um exercício posterior. Isso é toda a depreciação restante, então a de-
preciação MACRS anual dos dois primeiros
Lançamento como despesa anos seria calculada como segue:
A Seção 179 das regulamentações fiscais
prevê uma dedução especial chamada "lança- Ano 1: US$50.000 X L0,7l % = USS5.355
mento como despesa" . Embora não seja cha- Ano 2: US$ 50.000 X 19,13% = US$ 9.565
mada explicitamente de depreciação, possui o
mesmo efeito sobre a base de cálculo e renda A depreciação se estenderia por mais ei
tributável. Lançamento como despesa é uma anos, usando porcentagens de ativos com
dedução opcional, que só pode ser escolhida vida útil da classe de 7 anos. A combinação
no exercício em que o ativo é comprado. O de lançamento como despesa e depreciação
máximo de lançamento como despesa da Se- normal resulla em uma de pesa u·ibutária de
294 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

US . 108.000 + US$ 5.355 = US$ 113.355 no cm um exercício e ainda assim descontar o


primeiro exercício. A opção de realizar lança- máximo de lançamento como despesa. Com-
mento como despesa não aumenta a deprecia- pras acima desse limite reduzem o lançamento
ção total ao longo da ida útil do ativo. Ela como despesa máxi mo que pode ser desconta-
apenas desloca mais da depreciação ela vida do por unidade monetária.
útil para o primeiro exercício, o que deixa me-
nos depreciação nos anos posteriores do que Depreciação, nivelamento de
se não tivessem sido descontados lançamen- renda e diferimento de imposto
tos como despesa. Ativos com um preço de
As escolhas facultadas aos contribuintes no
compra igual ou inferior ao máxi mo da Seção
cálculo da depreciação tributária permitem
179 podem ser lançados completamente como que a depreciação seja usada como um meio
despesa no exercício da compra, sem deixar ele ni velar a renda tributável ou diferir impos-
depreciação normal restante. Valores rema- tos. Se forem comprados ativos habilitados cm
nescentes do limite anual podem ser aplicados um exercício com renda tributável alta, pode-
a outro ativo habilitado. -se escolher o lançamento como despesa e
Existe um limite quanto ao valor de ati- utilizar o método MACRS normal usado para
vos habilitados que o negócio pode comprar depreciação para obter o máximo de deduções

Quadro 16-3 Nivelamento de renda e postergação fiscal

Estamos no início de dezembro, e Jason e Todavia, Kate observa que diferir tanta ren-
Kate Starko estão em reunião com sua con- da poderia colocá-los em uma faixa tribu-
sultora tributária. A sua estimativa preliminar tária mais alta no exercício seguinte. Se o
mostra que eles terão uma renda tributável exercício seguinte for semelhante a esse,
de US$ 50.000, o que gerará um passivo de eles poderiam ter US$ 100.000 de renda tri-
imposto de renda federal de US$ 6.663. butável, o que geraria um passivo fiscal de
US$ 17.363.
US$ 16.750 tributados a 10% = US$ 1.675
US$ 33.250 tributados a 15% = US$ 4 .988 US$ 16. 750 tributados a 10% = US$ 1.675
US$ 50.000 US$ 6.663 US$ 51.250 tributados a 15% = US$ 7.688
US$ 32.000 tributados a 25% = US$ 8.000
Entretanto, ela aponta que, como eles US$ 100.000 US$ 17.363
usam a opção de regime de caixa, eles têm
algumas alternativas. Postergando algumas Se, em lugar disso, eles declarassem US$
vendas de cereais, pagando antecípadamen- 50.000 em renda tributável em ambos os exer-
te algumas despesas e usando a opção d~ cícios, seus impostos totais seriam US$ 6.663
lançamento como despesa para alguns equi- para cada exercício, ou US$ 13.326. Logo,
pamentos pecuários que compraram, eles po- mesmo com a economia de US$ 500 em juros,
dem reduzir sua renda tributável a zero para eles sairiam perdendo US$ 17.363-13.326-
esse exercício. Essa é uma boa estratégia? 500 = US$ 3.537.
Antes de tudo, haveria os US$ 6.663 que Eles decidem diferir parte de sua renda
teriam que pagar em tributos para utilizar por tributável, sabendo que podem usar algumas
mais um ano. Isso ajudaria a reduzir seu em- das mesmas estratégias de diferimento tri-
préstimo operacional, que cobra juros de_7,5% butário novamente no exercício seguinte. Se
anuais. Jason estima que sua economia em eles tiverem renda abaixo da média no exer-
juros será de US$ 500. cício seguinte, podem optar por não diferir
renda e manter sua renda tributável bastante
US$ 6.663 x 7,5% = US$ 500 nivelada.
Capítulo 16 Gestão de imposto de re nd a 295

no impo to atual. Em anos cm que a renda tri- A renda ordinária engloba salários e remune-
\ utávcl fica abaixo da média, o lançamento rações, juros, aluguéis à vista e renda oriunda
como dcspcsn opcional não seria descontado, da venda de cultivas e animais de engo rd a. Os
podendo-se usar um dos métodos de deprccia- ganhos de capital podem advir da v~~da ou per-
uo alternativa mai lentos. Entretanto, o con- muta de certos tipos de ativos hab1htados. Em
tribuinte deve emprc recordar que, cm razão termos simplificados, ganho de capital é o ganho
do valor do dinheiro no tempo, um dólar de ou lucro obtido vendendo-se um ativo a um pre-
e a nomia tributária atual vale mais do que um ço superior ao preço de compra original. Tecni-
dólar de economia tributária no futuro. camente, é a diferença entre o preço de venda e
o custo do ativo ou sua base de cálculo ajustada
Recuperação da depreciação (o que for maior). Para bens depreciáveis, isso
quer dizer que primeiro se aplica a recuperação
A combinação de lançamento como despesa, a
da depreciação, sendo ganho de capital somente
depreciação veloz com o método MACRS nor-
o valor em que o preço de venda excede o custo
mal e o valor residual presumido de zero signi-
original ou a base de cálculo inicial. Também é
fica que a base de cálculo tributária ajustada de
possível ter uma perda de capital se o preço de
um ativo, muitas vezes, será menor do que seu
venda for inferior à base de cálculo ajustada.
valor de mercado. Sempre que um ativo depre-
Dois tipos de ativos podem se habilitar
ciável é vendido por mais do que sua base de
para obter tratamento de ganhos de capital.
cálculo ajustada, a difcrença é chamada de recu-
Ativos de capital incluem investimentos es-
peração da depreciação. Esse valor representa o
sencialmente não comerciais, como ações
excesso de depreciação descontado, pois o ativo
e títulos de dívida. Mais importantes para a
não perdeu valor de mercado tão rapidamente
maioria dos produtores rurais são os ativos
quanto foi depreciado para fins tributários. A re-
da Seção 1231, definidos como bens usados
cuperação da depreciação é incluída como renda
em negócio ou comércio. Em um negócio ru-
ordinária tributável no exercício da venda, mas
ral, os ativos da Seção 1231 incluiriam terra,
não está sujeita a impostos de autônomo. construções, cercas, máquinas, equipamentos,
Suponha que a picape mencionada ant_erior-
reprodutores e outros ativos depreciáveis em-
mente tenha ido vendida três anos depois por pregados no negócio.
US$ 15.000. A base de cálculo original era US$ Para que a renda seja considerada um ga-
25.000, mas, após três anos, um total de US$ nho de capital de longo prazo, o ativo deve ter
14.558 de depreciação tinha sido contabilizado, sido possuído por um tempo mínimo, ou en-
deixando uma base de cálculo ajustada de US$ tão o ganho será um ganho de capital de curto
25.000- US$ 14.558 = US$ 10.412. O preço de prazo. O período exigido de posse muda de
venda excedeu a base de cálculo ajustada, então tempos em tempos, mas atualmente está em
informa-se uma depreciação recuperada de US$ 12 meses para a maior parle dos ativos. Uma
15.000 - US$ l 0.412 = US$ 4.588. exceção são certos tipos de an imais, discuti-
A recuperação da depreciação ~ode ser dos posteriormente.
olicitada para a venda direta de um ativo, mas Tomando como exemplo a mesma pica-
não se ele for trocado por um ativo semelhan- pe de 3 anos com base de cálculo ajustada
te. Na permuta, u base de cálculo restante ~erá de US$ 10.412, suponha que ela foi vendida
somada à base de cálculo inicial do novo ativo. à vista por US$ 27 .500. Nesse caso, todos os
US$ 14.588 de depreciação que tinham sido
GANHOS DE CAPITAL descontados ao longo dos trê anos teriam que
·er recuperados como renda ordinária. Além
As normas tributários reconhecem dois tipos disso, o excc · o do preço de venda em rela-
de renda: renda ordinária e ganhos de capiwl. ção à base de cálculo original de U $ 25.000
296 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

(US$ 27.500 - US$ 25 .000 = US$ 2.500) se- tributárias atuais da renda de ganho de capital
1ia tributado como ganho de capital. de longo prazo são:
Se a picape fosse vendida por menos que J. A renda de ganho de capital (de curto e de
a ba e de cálcul o ajustada, dig amos, US$ longo prazos) não está sujeita a imposto
8.000, resultaria uma perda de capital de US$ de autônomo.
10.4 l2 - US$ 8.000 = US$ 2.412.
2. Com algumas exceções que não costumam
Terra é um caso à parte, pois não é passível se aplicar a es tabelecimentos agropecuá-
de depreciação. Por exemplo, imagine que ter- rios, a renda de ganho de capital de longo
ras rurais foram compradas por US$ 100.000, prazo é tributada a uma alíquota máxima
sendo vendidas 10 anos depoi s por US$ de 15%, comparada a um máximo atual de
150.000. Dessa transação, resultaria um ganho 35% para renda ordinária. Os contribuintes
de capital de longo prazo de US$ 50.000, mas na faixa de imposto de renda marginal de
não seria recuperada depreciação nenhuma. 15% pagam apenas 5% de imposto sobre
renda de ganho de capital de longo prazo.
Tributação de ganhos de capital de Essas alíquotas podem ser modificadas.
longo prazo
Com a exceção de não estar sujeita a con-
A distinção entre renda ordinária e renda de tribuições previdenciárias, a renda de ganhos
ganho de capital de longo prazo é importante de capital de curto prazo não recebeu nenhum
por causa do modo diferente em que os dois tratamento fiscal especial, pois é tributada
tipos de renda são tributados. As vantagens como a renda ordinária. Isso faz do conheci-

Quadro 16-4 Exemplo de impostos de renda e de autônomo

Frank e Eileen Brown possuem um pequeno US$ 10.000 dela puderam ser declarados como
estabelecimento leiteiro, também recebendo renda de ganho de capital de longo prazo. O
remunerações de fora. Eles têm três filhos em exemplo seguinte mostra sua renda tributável e
casa. Parte da sua renda rural veio da ven- o imposto devido nesse exercício, com base nas
da de suas vacas leiteiras para abate, então alíquotas e limites apresentados neste capítulo.

Renda rural ordinária uss 43.500


Renda não rural 16.300
Redução padrão para casal com declaração conjunta -11.400
Isenções pessoais ($3.650 x 5) -18.250
Metade do imposto de autônomo -3.328
Renda tributável uss 26.822
Tributo devido no primeiro $16.750 ($16.750 x 10%) US$ 1.675
Tributo devido sobre a renda tributável remanescente
($26.822 - 16.750 = $10.072 X 15%) 1.511
Imposto de Renda ordinária devido S 3.186
Imposto devido sobre a renda de ganho capital ($10.000 x 5%) soo
Imposto de autônomo devido {$43.500 x 15.3%) $ 6.655
Total de imposto devido S 10.341
os valores foram arredondados. O imposto devido pode ser reduzido por algum crédito tributário
aplicável
Capítulo 16 Gestão de Imposto de renda 297

menta e registro do período exigido de posse leiteiro, suínos ou ovinos que criam suas pró-
um fator importante. Os benefícios fiscais da prias reposições. O contribuinte em regime de
renda de ganhos de capital de longo prazo são competência perde a maior parte desse benefí-
perdidos mesmo quando se vende apenas um cio de ganho de capital para animais criados,
dia antes do período exigido de posse. Tam- pois eles têm uma base de cálculo derivada de
bém, quando há ganhos e perdas de curto e seu último valor de estoque, e seu aumento em
de longo prazos em um dado exercício fiscal, valor de estoque de exercício para exercício é
aplicam-se regras especiais para compensar os tributado como renda ordinária.
diversos ganhos com as perdas. Essas regras
devem ser estudadas com cuidado para extrair Animais comprados
o máximo de vantagem das perdas. Também é possível receber renda de ganho de
capital a partir da venda de reprodutores com-
Ganhos de capital e pecuária prados, mas somente se o preço de venda ficar
acima do preço de compra original. Por exem-
Os agropecuaristas têm oportunidades mais
plo, imagine que uma novilha de corte foi com-
frequentes de obter renda de ganho de capital prada por OS$ 500, sendo depreciada com uma
com vendas pecuárias do que vendendo outros base de cálculo ajustada de OS$ O ao longo de
ativos. Certos animais são classificados como uma vida útil da classe de 5 anos. Se o animal
ativos da Seção 1231, e sua venda ou permuta for vendido por OS$ 700, a venda resultaria
pode resultar em ganho ou perda de capital de em OS$ 500 de recuperação da depreciação e
longo prazo, desde que tenham sido possuídos OS$ 200 de ganho de capital de longo prazo.
para fins de tração, produção leiteira, repro- O ganho de capital que os contribuintes em
dução ou esporte. Além disso, bovinos e equi- regime de caixa podem receber vendendo ani-
nos precisam ter sido possuídos por ao menos mais reprodutores e leiteiros criados não neces-
24 meses, e suínos e ovinos, por ao menos 12 sariamente significa que as reposições devem ser
meses. A habilitação depende de ambos os re- criadas em vez de compradas. Existem também
quisitos: finalidade e período de posse. benefícios fiscais na compra de reposições. Re-
posições criadas podem ser depreciadas, inclu-
Animais de cria sive com o uso da opção de lançamento como
O dispositivo fiscal da Seção 1231 é de espe- despesa. Deve-se escolher um método de repo-
cial importância para agropecuaristas em regi- sição após a consideração cuidadosa de todos os
me de caixa que criam suas próprias reposições custos e fatores de produção, assim como dos
para o rebanho reprodutor ou leiteiro, depois os efeitos de imposto de renda. Esse é outro exem-
vendendo como animais de abate. Reposições plo da importância dos impostos de renda e das
criadas não possuem uma base de cálculo tri- diversas regras tributárias no ambiente de toma-
butária estabelecida por preço de compra nem da de decisão do gestor. Para maximizar o lucro
têm base de cálculo estabelecida por valor de de longo prazo após impostos, o gestor é obriga-
estoque, como ocorreria em contabilidade em do a considerar os impostos de renda juntamente
regime de competência. Portanto, os conu·i- com os custos e fatores técnicos de produção das
buintes em regime de caixa possuem uma base diversas alternativas em consideração.
de cálculo de zero para animais de reposição O Quadro 16-4 contém um exemplo de
de cria, e toda a renda vinda de sua venda é ga- como a renda rural ordinária, a renda de au-
nho de capital de longo prazo (preço de venda tônomo e a renda de ganhos de capital ão
menos base de cálculo de zero). Esse disposi- tributada cada uma a uma alíquota diferente
tivo da lei tributária torna a contabilidade em para se obter o imposto total devido. A renda
regime de caixa atrativa para contribuimes com não rural e certas deduções e isenções afotam
rebanhos reprodutores de gado de corte, gado apenas a renda tributável ordinária.
298 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

RESUMO
'
Umdnepgócio só pode gastar ou investir a porção de seu lucro que resta após s?re.m pagods os imposto de ,1
ren a. ortanto, a meta comum de maximização de lucro deve se tornar a max1mJzação o 1ucro de longo
prazo após impo tos. Para um negócio agropecuário, a gestão tributária necessária para atingir essa meta
começa com a eleção do regime contábil tributário de caixa ou de competência. Ela prossegue por todo o
ano. em razão das muitas decisões de produção e investimento que possuem consequências fi scais.
São possíveis muitas estratégias de gestão tributária. Elas incluem modos de aproveitar ao máximo
as normas tributárias existentes e de postergar ou diferir impostos. Alguns exemplos incluem nivelamento
de renda. diferimento de imposto, cálculo da média da renda, uso correto do prejuízo operacional líquido
e permutas isentas de impostos. O uso correto e integral da depreciação e do lançamento como despesa
relacionado a ela é outra estratégia comum de gestão tributária.
A renda de ganhos de capital de longo prazo não está sujeita a impostos de autônomo, sendo tributada
a uma alíquota inferior à da renda ordinária. Esse tipo de renda pode advir da venda ou permuta de um ativo
de capital ou de um ativo da Seção 1231. Urna fonte comum de renda de ganhos de capital para um contri-
buinte em regime de caixa é a renda originária da venda de animais reprodutores ou leiteiros criados. Pode
ser necessário um planejamento cuidadoso para que a venda ou permuta de animais reprodutores e outr s
ativos se habilite às alíquotas reduzidas aplicáveis à renda de ganho de capital de longo prazo.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


=----------------------
1. Como o produtor rural escolhe um regime contábil tributário? Ele pode ser alterado? Como?
2. Qual regime contábil você recomendaria para cada caso a seguir? Por quê?
a. Um agricultor cujas políticas de comercialização causam grandes variações nos recebimentos de
caixa e valores de estoque de exercício para exercício.
b. Um pecuarista com um rebanho de gado de corte reprodutor que cria todas as novilhas substitutas
necessárias.
3. Qual é a vantagem de diferir impostos de renda para o exercício seguinte? Se eles precisam ser pagos.
por que não pagá-los hoje?
4. Imagine que Fred Agrícola compra uma nova colheitadeira de algodão por US$ 232.500 em 1º de
março. Calcule o máximo lançamento como despesa da Seção 179 (assuma um limite de USS 200.000
para o exercício atual) e a depreciação normal para o exercício da compra usando o método MACRS
normal e calcule a base de cálculo tributária ajustada da colheitadeira no fim do exercício.
5. Repila os cálculos da Pergunta 4 sem lançamento como despesa e compare a depreciação anual.
6. Em um ano em que os preços e rendimentos agropecuários são bons, os revendedores de máquinas e
equipamentos geralmente têm vendas altas mais para o fim do ano. Como você explicaria esse aumen-
to nas vendas?
7. Explique como um produtor rural em regime de caixa pode aumentar ou diminuir a renda tributável
por meio de decisões de compra e venda tomadas em dezembro. Um produtor em regime de compe-
tência pode fazer a mesma coisa? Por quê?
8. Imagine que um pecuarista comprou um touro jovem por US$ 3.000. Três anos mais tarde, quando o
touro possuía uma base de cálculo tributária ajustada de US$ 1.785, ele foi vendido por USS 5.000.
Quanta recuperação da depreciação e/ou renda de ganhos de capital resultou dessa venda?
9. Suponha que um agropecuarista cometeu um erro e contabilizou US$ 10.000 de renda de ganhos d•
capital de longo prazo como renda ordinária na declaração de imposto rural. Quanto de impo 10 de
renda e de autônomo adicional esse erro custaria se o agropecuarista tivesse uma renda tributá, 1d·
US$ 45.000? E se tivesse uma renda tributável de US$ 125.000? (Utilize as alíquotas do exercício d
2010, na seção ·•o sistema tributário e as alíquotas".)
Análise de investimento

Objetivos do capítulo
1. Explicar o valor do dinheiro no tempo e 4. Discutir período de retorno do investi-
seu uso na tomada de decisão e análise mento, taxa de retorno simples, valor
de investimento. presente líquido e taxa interna de retorno,
2. Ilustrar o processo de capitalização ou de- comparando sua utilidade na análise de
terminação do valor futuro de uma quan- investimento.
tia de dinheiro ou série de pagamentos 5. Mostrar como aplicar esses conceitos a
presentes. diferentes tipos de alternativas de inves-
3. Demonstrar o processo de desconto ou timento.
determinação do valor presente de uma 6. Explicar como considerações de imposto
quantia de dinheiro ou série de pagamen- de renda, inflação e risco afetam a análise
tos futuros. de investimento.

Em um estabelecimento agropecuário, pode- de prod ução, via de regra um ano ou menos.


-se usar capital para fi nanciar não apenas Em contraste, investir em um ativo de capital
insumos operacionais anuais, como ração, costuma envolver uma grande de pesa inicial,
sementes, fertili zantes, pesticidas e combus- com os retornos resultantes distribuído por
tível, mas também ativos de capital, como diversos períodos futuros. Pode-se utilizar um
terra, maquin ário, edificações e pom ares. orçamento parcial para anali ar esses inve -
Devem-se empregar di ferentes métodos para timentos, examinando alteraçõe nos custo
analisar cada tipo de investimento, em f un- e retornos de um ano médio. Orçamento de
ção das diferenças na cronologia das despe- empreendimento e orçamentos parciais reco-
sas e seus retornos. Tanto as despesas quanto nhecem implicitamente o valor do di nheiro no
as rendas resultantes de investir em insumos tempo, incluindo custos de oportun idade de
operacionais anuais se dão dentro de um ciclo fundos investidos em insumo operacionai
300 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais /

anuais, mas os valores normalmente são pe- bens de consumo, com o uma nova TV,
quenos, dado o curto espaço de tempo. um carro ou um móvel, preferiríamos ter
Embora o tempo seja de importância me- o dólar agora para podermos desfrutar do
nor ao se analisarem insumos operacionai s produto novo imediatamente.
anuais, ele assume importância vital nos a(i- • Risco é outro motivo para preferir o dólar
vos de capital. Esses costumam exigir grandes agora, e não mais tarde. Alguma circuns-
somas de dinheiro, e as despesas e os retornos tância imprevista pode nos impedir de ,.,.:;-
ocorrem cm períodos diferentes, distribuídos obtê-lo no futuro.
por vários anos. Os valores podem ser irregu- • Por fim , a inflação no custo geral das
lares também . A análise correta desses inves- mercadorias e serviços pode diminuir o
timentos de capital requer consideração cui- que um dólar pode comprar no fu turo, se ...
dadosa do tamanho e da cronologia dos flu xos comparado a hoje.
de caixa relacionados.
Há outros moti vos para analisar cuidado- Este capítulo focará a explicação de in-
samente possíveis investimentos de capital an- vestimento para o valor do dinheiro no tem-
tes de eles serem efetuados. As decisões sobre po, muito embora o risco e a inflação também
insumos operacionais podem ser modificadas sejam discutidos. Esse conceito é importante
an ualmente. No entanto, investimentos de ca- para o gestor que precisa tomar decisões de in-

pital são, por definição, ativos de longa dura- vestimento comercial em um estabelecimento
ção, e decisões de investimento são tomadas agropecuário.
com menos freq uência. É mais difícil alterar
uma decisão de investimentos de capital ap6s Termos, definições e abreviaturas
o ativo ser adquírído ou construído. Portanto,
devem ser empregados mais tempo e Lécnicas Serão usados di versos termos e abreviaturas
analíticas mais precisas quando se tomam cs- na exposição e nas equações desta seção. Ei-
&ab decisões.
-los, com as abreviaturas que serão usadas
mostradas entre parênteses:
Valor presente (VP) O número de unida-
VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO
des monetá rias dísponiveis ou investidas
no momento atual, ou o valor atual de va-
Todus prcferírfamo,; ter US$ l 00 hoje a ter
lores a serem recebidos no futuro.
US$ 100 daquí a dnco anos. A s pe1,1,oas re-
Valor futuro (VF) O montante de dinhei-
conhecem ínstí ntivamcntc que dinheiro rece-
ro a ser recebido em um momento ÍUluro,
bido hoje vale mais do que o obtido cm um
ou o montante que um valor presente al-
momento futuro. Por quê? Um dólar recebido
cançará em uma data futura, quando in-
hoje pode ~cr inventido para render juros e,
vestido a uma dada taxa de juros.
P"rtan t.u, aumentará para um dólar mais juros
Pagamento (PMn O nú mero de unida-
até a data futura. Em outra~ palavrm,, os juros
des monetárias a serem pagas ou recebi-
rcprc~>Cnlt:lm o cwito de oportunidade de rccc-
das ao fim de cada um de um número de
cr um d61ar no futuro cm vez de hoje, F.s1;a é
períodos de tempo.
a [Link]ícaçãiJ de írwe&tímcnt.o do valor do dí-
Taxa de j uros (í) Também chamada ~
nhcím no tempo. Mw,, há outrw, cxplíca.çõcs
taxa de desconto em algumas aplicaçõe-.
de por que &ão cobrado· ou pagott juro&1wbre
É a taxa de juros usada para obter os
fumfo1,,
!ores presente e futuro, geralmente igual
• IJinhcim pude [Link] bc ílli e ervíço ao cu~to de oportunidade do capital. ; -
JYt1ra co1111umu. Se c1 d6for fot ~ ga!lto com fónnulas matemáticas apresentadas, i será
Capítulo 17 Análise de investimento 301

presso como um valor decimal em vez cada período, de forma que também renderão
de corno uma porcentagem. juros nos períodos posteriores. Por con eguin-
Períodos de tempo (n ) O número de pe- te, o valor futuro inclui o investimento origi-
nal e os juros que ele rendeu mai juros sobre
riodos de tempo a er u ado para calcular
'· os juros acumulados. O procedimento para
os \-alore presente e futuro. Os periodos
determinar valores futuros quando o juros
de cempo co tumam ter um ano de dura-
acumulados também rendem juros é chamado
ção mas podem er menore , como um
de capitalização. Ele pode er aplicado a um
mês. A taxa de juros anual, i, precisa ser
investimento único em parcela única (um VP)
ajustada para corresponder à duração dos
·'
ou a um investimento que se dá por meio de
períodos de tempo, i lo é: se os períodos
uma série de pagamentos (PMT) ao longo do
de tempo forem meses, deve-se usar uma
tempo. Cada caso será analisado em separado.
taxa de juros mensal.

Anuidade Um termo empregado para Valor futuro de um valor presente


de crever uma série de pagamentos A Figura 17-1 a ilustra graficamente essa si-
(PMD periódicos iguais. Os pagamentos tuação. Começando com uma dada quantia
podem ser recebimentos ou dispêndios. em dinheiro hoje, um VP, quanto ela valerá cm
o caso especial de um empréstimo com uma data futura? A resposta depende de três
amortização programada como uma série coisas: o VP, a taxa de juros à qual ele renderá
de pagamentos iguais, os pagamentos pe- e o espaço de tempo em que será investido.
riódicos são uma anuidade (vide a discus- Imagine que você recém investiu
ão do Capítulo 19). US$ 1.000 em uma conta de poupança que
rende 8% de juros, com capitalização anual.
Você gostaria de saber qual será o valor futuro
Valores futuros
desse investimento após 3 anos. Os dado da
O valor futuro do dinheiro diz respeito ao va- Tabela 17-1 ilustram as alterações do saldo da
lor de um investimento em uma data futura es- conta de ano em ano.
pecífica. Esse conceito presume que o inves- Todos os juros rendidos são deixados
timento rende juros durante cada período de acumulando na conta, de forma que rendem
1empo, que são, então, reinvestidos ao fim de juros nos anos restantes. Esse é o princípio

$ $

~
VF VF

? ?

-
VP
$
PMT
$
PMT
s
PMT
$
PMT
$

Tempo Tempo
(a) (b)

Figura 17-1 Ilustração do conceito de valor futuro de um valor presente (a) e de uma anuidade (b).
/
302 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

Tabela 17-1 Valor futuro de US$ 1.000 ( 1 + i )" para diferentes combinações de i e 11 •
'faxa A Tabela 2 do Apêndice serve para encontrar
Valor no de Juros Valor no o valor futuro de um valor presente. Qualquer
início do juros rendidos fim do valor futuro pode ser obtido multiplicando-se
Ano ano (%) (US$) ano (US$) o valor presente pelo fator da tabela que cor-
1.000,00 8 80,00 1.080,00 responde à taxa de juros e à duração de inves-
2 1.080,00 8 86,40 l .l 66,40 timento corretas . O valor para 8% e 3 anos é
3 1.1 66,40 8 93,30 1.259,70 1,2597, que, multiplicado pelos US$ 1.000 do
exemplo , dá o mes mo valor futuro de antes,
US$ 1.259,70.
da capitalização, demon strando os resulta- Uma regra prática, interessante e útil é a
dos do uso de juros compostos. No exemplo, "regra dos 72" . O tempo aproximado que de-
um valor presente de US$ 1.000 possui um mora para um investimento dobrar pode ser
valor futuro de US $ 1.259,70 quando in- encontrado di vidindo-se 72 pela taxa de juros.
ves tido a 8% de juros por 3 anos. Os juros Por exemplo, um inves timento de 8% dobraria
são compostos quando os juros acumulados em aproximadamente 9 anos (o valor da tabe-
também rendem juros nos períodos de tem- la é 1,9990). A 12% de juros, um valor pre-
po seguintes. sente dobraria em aproximadamente 6 anos (o
Se os juros tivessem sido sacados, apenas valor da tabela é 1,9738).
USS 1.000 teriam rendido juros a cada ano. O conceito de va lor futuro pode ser útil
Teria sido obtido um total de US$ 240,00 em de várias maneiras . Por exemplo, qual é o
juros, em comparação com os US$ 259,70 em valor futuro de US$ 1.000 depositados em
juros obtidos no exemplo . uma conta de poupança a 8% de juros por 10
Esse procedimento para encontrar o valor anos? O valor da Tabela 2 é 2,1589, o que dá
futuro pode se tomar maçante se o investi- um valor futuro de US$ 2.158,90. Outro uso
mento for de longo prazo. Felizmente, os cál- é para estimar valores futuros de ativos. Por
culos podem ser simplificados utilizando-se a exemplo, se é esperado que o preço da terra
seguinte equação matemática: aumente a uma taxa de juros compostos de
6%, quanto uma terra com valor presente de
VF = VP(l + it US$ 2.500 por acre valerá daqui a 5 anos?
onde as abreviaturas são as definidas ante- O valor da tabela é 1,3382, então o valor fu-
riormente. Aplicada ao exemplo, os cálculos turo estimado é de US$ 2.500 x 1,3382, ou
senam : US$ 3.345,50 por acre.

FV = US$ 1.000 X ( 1+ 0,08) 3 Valor futuro de uma anuidade


= US$ 1.000 X 1,2597 A Figura 17- l b ilustra o conceito do valor fu-
= US$ 1.259,70 turo de uma série regular de pagamentos. Qual
é o valor futuro de um número de pagamentos
dando o mesmo valor futuro de antes. (PMT) feitos ao fim de cada ano para um dado
Essa equação pode ser aplicada rápida e número de anos? Cada pagamento renderá
facilmente com uma calcu ladora com poten- j uros do momento em que é investido até o
ciação, uma calculadora financeira com f un- último pagamento ser efetuado. Suponha que
ções prontas ou uma planilha de computador. US$ 1.000 sejam depositados ao fim de cada
Sem essas ferramentas, a equação pode ser di- ano em uma conta de poupança que paga 8%
fícil de usar, especialmente quando n é grande. de juros anuais. Qual é o valor desse investi-
Para simplificar o cálculo de valores futuros, mento ao cabo de 3 ano ? Isso pode ser calcu-
foram elaboradas tabelas que dão valores de lado da seguinte forma:
Capítulo 17 Análise de investimento 303

Primeiro US$ [Link] 1.000 ( 1 + [Link])' = 1. 166.40 para 8% de taxa de juros e 3 anos é 3,2464.
pagamento Mu ltiplicar esse fator pelo pagamento anua l
Segundo US$ [Link] 1.000 (1 + 0.0S) 1 = 1.080.00 (ou anuidade) de US$ 1.000 confirma o va lor
pagamento futuro anterior de US$ 3.246,40.
Terceiro US$ [Link] 1.000 ( 1 + [Link])º = 1.000.00
pagamento
Valores presentes
Valor futuro uss 3.246.40
O conceito de valor presente di z rc peito ao
valor hoje de uma quantia que será recebida
O di nheiro é depositado no fim de cada
ou paga no futuro. Valores presen tes são ob-
ano, então os primeiros US$ 1.000 ren-
tidos por meio de um processo chamado des-
dem juros por apenas 2 anos, os segundos
conto. O valor fu turo é descontado de vo lta
US$ 1.000 rendem juros por 1 ano, e os tercei-
para o presente a fim de obter seu valor pre-
ros US$ 1.000 não rendem juros. É investido
sente ou atual. O desconto é reali zado por-
um total de U S$ 3.000,00, e os juros totais ob-
que uma quantia a ser recebida no futuro vale
tidos são US$ 246,40.
menos do que o mesmo montante di ponível
O valor futuro de uma anuidade pode ser
hoje. O valor presente pode ser interpretado
obtido empregando-se esse procedimento,
como a soma monetária que teria que er in-
mas uma anuidade com muitos pagamentos
vestida agora a uma determ inada taxa de juro
exige muitos cálculos. Um método mais fácil
para igualar um dado valor fu turo na mesma
é usar a seguinte equação:
data. Quando usada para obter valores presen-
(1 + i)" - tes, a taxa de juros, muitas vezes, é chamada
VF = PMT X - - - - de taxa de desconto.
Capitalização e desconto são procedimen-
tal que PMT é o montante investido no fim de tos opostos ou inversos, como mostrado na Fi-
cada período de tempo. É ainda mais fácil usar gura 17-2. Um valor presente é capitalizado
valores tabelados, como os da Tabela 3 do para se encontrar seu va lor futuro , e um valor
Apêndice, que abrange toda uma gama de ta- futuro é descontado para se encontrar seu va-
xas de j uros e períodos de tempo. Prossegui n- lor presente. Essas relações inversas ficarão
do com o mesmo exemplo, o valor tabelado ma is aparentes na exposição que segue.

VP

o 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Anos

Figura 17-2 Relação entre capitalização e desconto (US$ 1 a juros de 8%).


304 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

Valor presente de um valor futuro Um pagamento de US$ 1.000 a er rece-


A Figu ra 17-3a ilu. tra o conceito de valor pre- bido cm 5 anos possui um valor presente de
sente. O valor futuro é conhecido, e o problema US$ 680,58 a uma taxa de juros compo tos de
é ohtcr o valor presente desse montante. A Fi- 8%. Di to de outra forma, US$ 680,58 inve ti-
gura 17-3a é exatamente como a Figura 17- 1a, dos por 5 anos a uma taxa de juros campo lo
salvo a colocação do símbolo de dólar e do de 8% teriam um valor futuro de US$ 1.000.
ponto de interrogação. lsso também ilustra a Isso novamente mostra a relação inversa entre
relação inversa entre capitalização e desconto. capitalização e desconto. Uma explicação mais
O valor pre ·ente de um valor futuro de- prática é que um investidor não deve pagar mais
pende da taxa de juros e do espaço de tempo do que US$ 680,58 por um investimento que
até o r~ccbimento do pagamento. Taxas de ju- devolverá US$ 1.000 após 5 anos, caso se dese-
ros mais altas e períodos mai s longos reduzem je um retorno de 8%. A análise de investimento
o valor presente, e vice-versa. A equação para faz uso intenso de valores presentes, como será
encontrar o valor presente de um único paga- demonstrado posteriormente neste capítulo.
mento a ser recebido no futuro é: Também existem tabelas para auxiliar no
cálcu lo de valores presentes, como a Tabela 4
YP=_Y_F_ouYFx - - 1- do Apêndice. O fator da taxa de juros e nú-
(1 + i )11
( 1 + i )" mero de anos adequados é multiplicado pelo
valor futuro para resultar no valor presente.
onde as abreviaturas são as definidas anterior- Por exemplo, o valor presente de US$ l .000
mente.
a ser recebido em 5 anos a juros de 8% é igual
Essa equação pode ser usada para obter o a US$ 1.000 multiplicados pelo valor tabelado
valor presente de US$ 1.000 a serem recebi- de 0,68058, ou US$ 680,58.
dos em 5 anos, usando uma taxa de juros de
8%. Os cálculos seriam: Valor presente de uma anuidade
1 A Figura 17-3b ilustra o problema comum de
YP = US$ 1.000 X - -- - determinar o valor presente de uma anuidade
(1 + 0,08)5
= US$ 1.000 X (0,68058) ou de diversos pagamentos a serem recebidos
= US$ 680,58 ao longo do tempo. Suponha que será recebido
um pagamento de US$ 1.000 no final de cada

$ $
VF
$

VP
?

VP
? PMT PMT PMT

Tempo Tempo
(~) (b)

Figura 17-3 Ilustração do conceito de valor presente de um valor futuro (a) e de uma anuidade (b).
Capítulo 17 Análise de investimento 305

um ano , sendo a taxa de juros 8%. O va- ANÁLISE DE INVESTIM ENTO


i presente desse fluxo de renda, ou anuidade,
pod r brido como mostrado na Tabela 17- Investimento, na acepção em que se usará o
-. tL'[Link] valores da Tabela 4 do Apêndice. termo nesta seção, diz respeito a dispêndios
m valor presente de USS 2.577, l Orepre- que não anuais ou de curto prazo. Refere-se
""'nta o máximo que um in estidor de e pagar ao acréscimo ao negócio de ativos de longo
por um investimento que de, olverá US$ l .000 prazo, ou não circulantes. Esses ativos duram
e:: fim de cada um de 3 anos, caso se deseje vários anos, ou indefinidamente (no caso da
um retomo de 8% . Taxas de juros mais altas terra), então essas decisões de investimento
reduzirão o valor presente, e vice-versa. terão consequências duradouras, geralmen-
O valor presente de uma anuidade pode te envolvendo grandes importâncias. Esses
ser obtido diretamente por meio da seguinte investimentos devem ser analisados integral-
equação: mente antes de se tomar a decisão de inves-
timento.
1- (1 + i)-"
VP= P ITX-----
Informações necessárias
Como antes, é muito mais fácil utili- Análise de investimento (ou orçamento de ca-
zar valores tabelados, como os da Tabela 5 pital, como às vezes é chamada) é o processo
do Apêndice. O valor correspondente à taxa de determinar a lucratividade de um investi-
de juros e ao número de anos apropriados é mento ou comparar a lucratividade de dois ou
multiplicado pelo pagamento anual a fim de mais investimentos alternativos. Uma análise
encontrar o valor presente da anuidade. O va- integral de um investimento requer quatro in-
lor tabelado para 8% e 3 anos é 2,5771, que é formações: ( 1) o custo inicial do investimento;
multiplicado por USS l .000 para encontrar o (2) as receitas de caixa líquidas anuais realiza-
valor presente de USS 2.577, l O. das; (3) o valor terminal ou residual do inves-
alares presentes são mais úteis do que timento; e (4) a taxa de juros ou de desconto
valores futuros para analisar investimentos. a ser usada.
1 em todos os investimentos possuem as mes-
mas vidas úteis ou padrão igual de fluxos de Custo inicial
caixa líquido. Valores futuros que ocorrem em O custo inicial do investime nto deve ser o
anos diferentes e em montantes diferentes só desembolso total efetivo de sua aquisição, e
ão diretamente comparáveis após serem des- não o preço de catálogo ou apenas a entrada,
contados para um momento comum, como o caso seja financiado. Deve incluir o impo -
presente. tos pagos sobre a compra, a mão de obra para
instalar ou montar equipamentos e outros cu -
to iniciais. Dos quatro tipos de informa ão
necessários, este geralmente é o mai fácil de
Tabela 17-2 Valor de uma anuidade con eguir.
Fator Valor
Valor de valor presente Receitas de caixa líquidas
Ano s) presente (US ) De em ser estimada receitas de ·aixa líqui-
1.000 0,92593 925 ,93 da ·, ou íluxo de caixa, para cada perí d de
857,34
tempo da duração do in e timento. Re ebi-
2 1.000 0,85734
mento de cai · a meno de pe ·a· d ·ai a ão
3 1.000 0,79383 793,83 iguai" à receitas de caixa líquida g rada
Total 2.577, 10 pelo inve lime nto propo to. depre iaçào
306 Parte V Aperfeiçoamento da s habilidades gerenciais

não é inclu ída, poi, é urna de... pcsa não mone- Tabela 17-3 Receitas de caixa líquidas para
tária e já é cont ahili1,ada pela diferença entre dois Investimentos de USS 10.000 (sem valor
0 custo inicial e o va lor terminal do investi - terminal)
mento. Os paga ment os de juros e principíil l{cccltm, ,te culxn lír1ulda1
!-.Ohrc cmprót imos nccc,<;;irios para finan ciar (US$J
o in vcsti111cnto tamhé111 !-.iio omitido" no c61- 1nvcstlmcnto lnl'e~tlmrntfl
culo da receita de caixa líquida. Os métodos Ano A R
de análise de invc..,tirn ento 'ião util izados para 3,000 1 000
dcter111inar a lucrati vidade de um in vcstimcn-
2 3,000 2,()()()
to sem con<;iderar o método ou o montante
de financiamento necessário para adquiri-lo. 3 3.000 3.000
Entretanto, podem ser cmrregadas téc ni cas de 4 3,00<) 4.000
análise de investimento para comparar di ver- 5 3,000 (í ,()()()
as alternativas de financiamento de um inves-
Rece itas de caixa 15,000 16,()()()
timento. Um exemplo di sso para a compra ou towis
locação de um trator novo é apresentado no
Menos - 10,000 - 10.000
Capítulo 22.
investimento in icial

Valor terminal Recei tas de cnixa 5,000 6.000


líqu idas
O l'a!or terminal Lerá que ser estimado, sendo
Reccirn de [Link] 1,000 1.200
geralmente igual ao valor residual, no caso de
média/ano
ativo depreciável. Para um at ivo não depreci -
ável, corno terra, o valor terminal será o va lor
de mercado estimado do ativo no momento
do dinheiro emprestado e da taxa de custo de
cm que o investimento for encerrado, Por ou-
oportunidade do capital patrimonial. O ri co
tra, se a terra íor ser possuída indefinidamen- também precisa ser considerado, portanto a
te, seu valor terminal pode ser ignorado, pois taxa de desconto deve ser igual à taxa de re-
se presume que as receitas de caixa líquidas se torno esperada de um investimento altcmati,o
estenderão para sempre (vej a a abordagem de de mesmo risco. O ajuste da taxa de desconto
capitali zação de renda à avaliação da terra no por co nta de imposto de renda, risco e inflação
Capítulo 20), será discutido posteriormente neste capítulo.
Um exemplo das iníonnaçõcs necessárias
Taxa de desconto para análise de investimento consta na Tabela
A taxa de desconto costuma ser um dos va- 17-3. O investimento A dá um retorno lixo de
lores mai s difícei s de estimar. É o custo de US$ 3,000 ao ano por 5 anos. O investimen-
oportunidade do capital, representando a taxa to 13 também dura 5 anos, mas as receitas de
de retorno mínima necessária para justificar caixa líquidas são inicialmente menores. Elas
o investimento. Se o investimento proposto au mentam todo ano, porém, e acabam ul tra-
não for render essa taxa mínima, o capita l passando as do investimento A ao longo de
deve ser investido cm outro lugar. Se forem todo o pcríodo de 5 anos.
ser tomados emprestados íundos para finan - Para simplificar, presume-se que os va-
ciar o investimento, a taxa de desconto pode lores termi nais são zero. Sempre que houver
ser igualada ao custo do capital emprestado. va lores termi nais, eles devem ser acrescido à
Se for ser usada uma combinação de capital receita de caixa líquida do ano anterior, pois re-
emprestado e capital patrimonial, deve-se presentam um recebimento adicional de caixa.
usar uma média ponderada da taxa de juros As informações dos dois investimentos potcn-
Capítulo 17 Análise de investimento 307

ciais da Tabela 17-3 serão aplicadas para ilus- mo e rechaçar todos os investimentos que te-
trar quatro métodos que podem ser utilizados nham um período de retomo maior. Por exem-
para analisar e comparar investimentos. São plo, um gestor pode selecionar um período
eles: (1) o período de retorno do investimento; de retorno de 4 anos como padrão, investindo
(2) a taxa de retorno simples; (3) o valor pre- apenas em alternativas com retomo em 4 anos
sente líquido; e (4) a taxa interna de retorno. ou menos.
O método do período de retorno é fácil de
Período de retorno do usar e rapidamente identifica os investimentos
com os retornos monetários mais imediatos.
investimento
Contudo, ele também possui várias desvanta-
O período de retorno de um investimento é gens sérias. Esse método ignora os fluxos de
quantos anos ele levaria para devolver seu caixa que ocorrem após o fim do período de
custo original por meio das receitas de caixa retorno do investimento, assim como a cro-
líquidas anuais que ele gera. Se as receitas de nologia dos fluxos de caixa durante o período
caixa líquidas forem constantes todos os anos, de retorno do investimento. Escolher o inves-
o período de retorno pode ser calculado a par- timento A por meio desse método ignora os
tir da seguinte equação: retornos maiores do investimento B nos anos
c 4 e 5, assim como seu retorno total superior. O
PR=- método do período de retorno não mede real-
RE mente a lucratividade, sendo mais uma medi-
onde PR é o período de retorno do investimen- da da rapidez com que o investimento contri-
to em anos, C é o custo inicial do investimento buirá à liquidez do negócio. Por essas razões,
e RE é a receita de caixa anual esperada. Por ele só deve ser usado para comparar investi-
exemplo, o investimento A da Tabela 17-3 teria mentos com durações semelhantes e receitas
um período de retorno de US$ 10.000 dividi- de caixa líquidas relativamente constantes.
dos pela receita de caixa líquida de US$ 3.000
por ano, ou 3,33 anos . Taxa de retorno simples
Quando as receitas de caixa líquidas A taxa de retorno simples expressa a receita
anuais não são iguais, elas devem ser somadas de caixa anual média como uma porcentagem
ano a ano para encontrar o ano em que o total do investimento original. A receita líquida é
é igual ao montante do investimento. Para o obtida subtraindo-se o investimento inicial
investimento B da Tabela 17-3, o período de do total de receitas de caixa, depoi dividin-
retorno do investimento seria de 4 anos, pois do pelo número de períodos. Na Tabela 17-3,
as receitas de caixa líquidas acumuladas atin- mostra-se que a receita líquida anual média do
gem US$ 10.000 no quarto ano. Nesse caso, o investimento A é US$ 1.000, e do inve timen-
investimento A é preferível ao investimento B, to B, US$ 1.200. A taxn de retomo imple é
pois tem o período de retorno de investimento calculada por meio da seguinte equação:
mais curto.
O método do período de retorno do inves- Receita líquida anual média
Taxa de =- - ---=-------
timento pode ser utilizado para classificar in- retorno Cu 10 inic ial
ve limentos, como mostrado. Capital limitado
pode ser investido primeiramente no investi- Aplicar a equação no exemplo da 1à bcla 17-3
mento de classificação mai s alta, depoi s de - dá o eguinte rc ultados:
cendo a lista até que o capital de invc timento . U . 1.000
eja esgotado. Outra aplicação é estabe lece r lnve llmento A = - - - - = 10~
um período de retorno de investime nto máxi- us
10.000
308 Parte V Aper1eiçoamento das habilidades gerenciais /

. US$ 1.200 onde VPL é o valor presente líquido, Pn é o


Invest1mento B = - - --- = 12%
US$ 10.000 fluxo de caixa líquido no ano 11, i é a taxa de
desconto e C é o custo inicial do investimento.
Esse método classificaria o investimento Um exemplo de cálculo dos valores presentes
B acima do A, um resultado diferente daquele líquidos com uma taxa de desconto de 10% é
obtido com o método de período de retorno apresentado na Tabela 17-4. Os fatores de va-
do investimento. O método da taxa de retorno lor presente são valores tabelados da Tabela 4
imples é um indicador melhor de lucrativi- do Apêndice. Somar os VPLs de cada investi-
dade do que o método do período de retorno, mento e subtrair o custo inicial de US$ 10.000
pois considera os rendimentos do investimen- resulta em um VPL de US$ 1.370 para o in-
to por toda sua duração. Seu maior porém é vestimento A e US$ 1.272 para o investimen-
que ele usa rendimentos anuais médios, o to B. Nesse exemplo, o investimento A seria
que não leva em conta o tamanho e a crono- preferido, uma vez que possui um VPL maior.
logia dos rendimentos, podendo, portanto, Por meio desse procedimento, investi-
levar a erros na seleção dos investimentos. mentos com valor presente líquido positivo
Isso é especialmente verdadeiro quando há seriam acei tos, dado um capital de investi-
receitas líquidas crescentes ou decrescentes. mento ilimitado. Aqueles com valor presente
Por exemplo, o investimento A teria que ter a líquido negativo seriam rejeitados, e um valor
mesma taxa de retorno de 10% se não tivesse zero seria indiferente ao investidor. O racio-
receita de caixa líquida nos 4 primeiros anos e cínio por trás da aceitação de investimentos
US$ 15.000 no ano 5, porque a receita de cai- com valor presente líquido positivo pode ser
xa anual média ainda seria de US$ 1.000. En- exposto de duas formas. Primeiro, isso signifi-
tretanto, a consideração do valor do dinheiro ca que a taxa de retorno efetiva do investimen-
no tempo revelaria que o valor presente des- to é maior do que a taxa de desconto utilizada
ses investimentos é muito diferente. Por causa nos cálculos. Em outras palavras, o retomo
dessa deficiência, o método da taxa de retorno percentual é maior do que o custo do capital.
simples geralmente não é recomendado para Uma segunda explicação é que o investidor
analisar investimentos com receitas de caixa poderia pagar mais pelo investimento e ainda
líquidas anuais variáveis. assim conseguir uma taxa de retomo igual à
taxa de desconto usada no cálculo do valor
Valor presente líquido presente líquido. Na Tabela 17-4, um investi-
dor poderia arcar com um custo inicial de até
O método do valor presente líquido é um meio US$ 11.370 pelo investimento A e US$ 11.272
preferencial de avaliação, uma vez que leva em pelo investimento B e ainda assim receber um
conta tanto o valor do dinheiro no tempo quan- retorno de ao menos l 0% sobre o capital in-
to o tamanho dos fluxos de caixa ao longo de vestido. Esse método assume que os fluxos de
roda a duração do investimento. É também cha- caixa líquidos anuais podem ser reinvestidos a
mado de método do fluxo de caixa descontado. cada período para render uma taxa de recomo
O valor presente líquido de um investi- igual à taxa de desconto usada.
mento é a soma dos valores presentes do flu- Ambos os investimentos da Tabela 17-4
xo de caixa líquido de cada ano (ou receita de apresentam um valor presente líquido positi-
caixa líquidas) menos o custo inicial do inves- vo usando-se uma taxa de desconto de 10%.
timento. A equação para encontrar o valor pre- Em toda determinação de valor presente, a
sente líquido de um investimento é: seleção da taxa de desconto possui uma gran-
p1 p2 P,. de íníluência sobre os resultados. Os valores
VPL = + + · · · +--"-- - C presentes líquidos da Tabela 17-4 teriam sido
( 1 + i) 1 ( 1 + ,)2 () + i)" menores se tivesse sido usada uma taxa de
Capítulo 17 Análise de investimento 309

Tabela 17-4 Valor presente líquido e taxa interna de retorno de dois investimentos de US$
10.000 (taxa de desconto de 10% e sem valores terminais)
Investimento A Investimento B
Fluxo de caixa Fator de Valor presente Fluxo de caixa Fator de valor Valor presente
Ano líquido (US$) valor presente (US$) líquido (US$) presente (US$)

3.000 0,909 2.727 1.000 0,909 909

2 3.000 0,826 2.478 2.000 0,826 1.652

3 3.000 0,751 2.253 3.000 0,751 2.253

4 3.000 0,683 2.049 4.000 0,683 2.732

t. 5 3.000 0,621 1.863 6.000 0,62 1 3.726

Total 11.370 Total 11.272


.
Menos custo inicial 10.000 Menos custo inicial 10.000

Valor presente líquido 1.370 Valor presente líquido 1.272


:-.
(. Taxa interna de retorno 15,2% Taxa interna de retorno 13,8%
;

desconto maior, e vice-versa. Com uma taxa Em outras palavras, os retornos líquidos do
de desconto maior, os valores presentes líqui- investimento A seriam equivalentes a receber
dos cairiam a zero, e, a uma taxa ainda maior, US$ 361,41 ao ano por 5 anos e reinvesti-los
ficariam negativos. Portanto, deve-se ter cui- a uma rentabilidade de 10%. O investimento B
..:
dado para escolher a taxa de desconto correta. seria equivalente a receber US$ 335,55 ao ano,
continuando a ser a alternativa menos desejável.
O cálculo do valor equivalente anual torna
Equivalente anual e
possível a comparação de investimentos com
recuperação de capital
durações diferentes. Teria que ser usado um
O valor presente líquido de um investimen- fator de amortização diferente para converter
to pode ser convertido em um equivalente cada valor presente líquido. Implicitamente,
anual usando-se os fatores de amortização presume-se que cada investimento poderia ser
constantes na Tabela 1 do Apêndice. O equi- repetido com os mesmos resultados ao longo
valente anual é uma anuidade que possui o do tempo.
mesmo valor presente que o investimento Os valores equivalentes anuais também
'I sendo analisado. podem ser utilizados para converter o custo
Por exemplo, o investimento A da Ta- de investimento inicial de um ativo de capi-
bela 17-4 tinha um valor presente líquido de tal em um custo anual. Essa é uma alternativa
US$ 1.370, utilizando-se uma taxa de descon- a calcular a depreciação e os juros por me io
to de 10% por 5 anos. O fator de amortiza- dos métodos expostos no Capítulo 9, sendo
ção para 10% e 5 anos é 0,2638 (Tabela 1 do chamada de recuperação de capital. O valor
Apêndice). O equivalente anual é: de recuperação de capital é o montante anual
que recupera o custo inicial do ativo ao longo
US$ 1.370 x 0,2638 = US$361 ,41 de sua vida útil, incluindo juros sobre o aldo
não recuperado (valor residual), ocupando o
O equivalente anual do investimen to B é:
lugar do custos normai com depreciação e
US$ 1.272 x 0,2638 = US$ 335,55 juros. Um exemplo de uso da abordagem de
310 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais /

recuperação de capital para estimar custos O método da taxa interna de retomo pode
de propriedade anuais de maquinário rural é ser usado de várias maneiras na análise de in-
apresentado no Capítulo 22. vestimento. Todo investimento com TIR maior
Os fatores de valor equivalente anual tam- do que a taxa de desconto seria um investimen-
bém podem ser usados para calcular o paga- to lucrativo, isto é, teria um valor presente líqui-
mento periódico necessário para devolver um do positivo. Alguns investidores escolhem um
empréstimo amortizado pelo método da par- valor de corte arbitrário para a TIR e investem
cela total igual (vide exemplo no Capítulo 19). somente nos projetos que têm um valor maior.
O método da TIR tem diversas limitações
Taxa interna de retorno também. Ele assume implicitamente que os re-
tornos líquidos anuais (ou fluxos de caixa) do
O valor do dinheiro no tempo também é usado investimento podem ser reinvestidos a cada pe-
em outro método de análise de investimentos, ríodo para gerar um retomo igual à TIR. Se a
o da taxa inrema de retom o, ou TIR. Ele dá TIR for bastante alta, isso pode não ser possível,
algumas informações que não são propor- fazendo com que o método da TIR superesúme
cionadas diretamente pelo método do valor a taxa de retomo efeúva. Outra deficiência é que
presente líquido. Os investimentos A e B pos- a TIR não diz nada sobre o tamanho do invesú-
suem ambos um valor presente líquido positi- mento inicial. Um investimento pequeno pode
vo usando-se uma taxa de desconto de 10%. gerar uma TIR alta, mas possuir um VPL peque-
'
Mas qual é a taxa de retorno efetiva desses in- no, em termos monetários absolutos. As abor-
vestimentos? É a taxa de desconto que torna o daoens de análise de investimento apresentadas
o
valor presente líquido igual a zero. A taxa de nem sempre dão classificações concordantes,
retorno efetiva de um investimento, contabili- como mostrado no resumo da Tabela 17-5. To-
zando-se corretamente o valor do dinheiro no das elas devem ser levadas em conta antes de se
tempo, é a taxa interna de retomo. tomar uma decisão. No exemplo, o invesúmento
A equação para obter a TIR é a mesma do A parece mais favorável do que o invesúrnento r..- ,
valor presente líquido, com duas diferenças. B em todas as abordagens, exceto a da taxa de
Primeira, o VPL é igualado a zero; segunda, retomo simples, e via de regra seria o invesú-
a equação é resolvida para i. O VPL é zero, mento de preferência. ~
então o custo inicial do investimento, C, cos-
tuma ser colocado no lado esquerdo da igual-
dade. Nesse esquema, a solução da equação é
a taxa de juros, i, que iguala o valor presente Tabela 17-5 Comparação de dois .-
.._,!

líquido dos fluxos de caixa líquidos do inves- investimentos


timento ao seu custo inicial. A TIR geralmente Investimento
Investimento
é calculada com um programa de computador Medida A B
ou uma calculadora financeira. ..........
Período de 3,33 anos 4,00 anos
P1 P2 P,, retorno do
C= +-- - +· .. +----"-- investimento
( 1 + i) 1 ( 1 + i)2 ( l + i)"
Taxa de retorno 10% 12%
Os dois investimentos mostrados na Ta- simples
bela 17-4 possuem um YPL positivo quando Valor presente US$ 1.370,00 USS 1.272,00
descontados a uma taxa de l0%. Isso quer líquido
dizer que sua TIR deve ser maior que 10%.
Equivalente anual US$ 361,41 USS 335.55
Descobre-se que o investimento A tem uma
TIR de 15,2%, tornando-o novamente prefe- Taxa interna de 15,2% 13,8%
retorno
1ível ao B, que tem uma TIR de apenas 13,8%.
Capítulo 17 Análise de investimento 31 1

VIABILIDADE FINANCEIRA tam na coluna de pagamento da dívida, sendo


subtraídos da receita de caixa líquida para se
Os métodos de análise de investimento expos- obter o íluxo de caixa líquido.
tos até aqui são método para analisar a lucra- O investimento A apresenta um fluxo de
tividade econômica. Sua intenção é responder caixa líquido positivo em todos os anos, pois a
à pergunta: "O investimento é lucrativo?". A receita de caixa líquida é maior do que o paga-
pergunta de como o investimento foi finan- mento de dívida. No entanto, o investimento B
ciado era ignorada, salvo para calcular a taxa possui receitas de caixa líquidas menores nos
de desconto. Entretanto, quando o método e o 2 primeiros anos, causando fluxos de caixa
montante de financiamento usados para fazer negativos nesses anos. Ambos os investimen-
o investimento são incluídos na análise, inves- tos possuem um valor presente líquido positi-
timentos identificados como lucrativos podem vo, usando-se uma taxa de desconto de 10%.
ter anos de fluxos de caixa negativos. Assim, Entretanto, não é incomum encontrar investi-
além da lucratividade do investimento, uma mentos lucrativos que possuem fluxos de cai-
pergunta igualmente importante talvez seja: xa negativos nos primeiros anos se as receitas
"O investimento é financeiramente viável?". de caixa líquidas iniciarem lentamente e o in-
Em outras palavras: o investimento gerará vestimento exigir um grande montante de ca-
fluxos de caixas suficientes no momento cer- pital emprestado. O problema pode ficar ainda
to para cobrir as saídas de caixa exigidas, in- mais complexo se o empréstimo precisar ser
!· cluindo pagamentos de empréstimo? Esse pro- quitado em um prazo relativamente curto.
blema potencial foi discutido no Capítulo 13, Para que se execute um projeto como o
mas merece ser mais explorado aq ui. A deter- investimento B , deve-se fazer alguma coisa
minação da viabilidade financeira deve ser a para compensar os fluxos de caixa negativos.
etapa final de toda análise de investimento. Existem diversas possibilidades, que podem
Na Tabela 17-6, ilustra-se um problema ser usadas separadamente ou em combina-
potencial para os investimentos A e B usados ção. Primeiro, pode-se usar um pouco de
como exemplo em todo este capítulo. Suponha capital patrimonial para todo ou parte do
que cada investimento seja integralmente fi - custo inicial do investimento a fim de reduzir
nanciado com um empréstimo de US$ 10.000 o tamanho do empréstimo e os pagamentos
a juros de 8%, a ser devolvido ao longo de 5 anuais da dívida. Segundo, o programa de
anos com pagamentos anuais iguais de prin- pagamento do empréstimo pode ser esten-
cipal, mais juros. Os juros e o principal cons- dido para aproximar mais os pagamentos da

Tabela 17-6 Análise de fluxo de caixa dos investimentos A e B


Investimento A (US$) Investimento B (US$)

Receita de Pagamento Fluxo de Receita de Pagamento Fluxo de


Ano caixa líquida de dívida* caixa líquido caixa líquida de dívida* caixa líquido

3.000 2.800 200 1.000 2.800 - 1.800

2 3.000 2.640 360 2.000 2.640 - 640

3 3.000 2.480 520 3.000 2.480 520

4 3.000 2.320 680 4.000 2.320 1.680

5 3.000 2. 160 840 6.000 2.160 3.840


• Pres ume-se um empréstimo de US$ [Link] a juros de 8%, com pagamentos iguais de principal ao longo de 5 anos.
312 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

dívida das receitas de caixa líquidas. Oulras IMPOSTO DE RENDA, INFLAÇÃO E


possibilidades seriam combinar parcelas me- RISCO
nores com um pagamento concentrado no
vencimento ou parcelas apenas de juros nos Até agora, só foram expostos o procedime
primeiros anos. tos e métodos básicos empregados na análise
Se nenhuma dessas alternativas for viável , de investimento. Di versos outros fatore
os déficits de caixa terão de ser compensados cisam ser incluídos na análise completa de um
usando-se caixa em excesso de oulras partes investimento o u ao comparar inve tim e
do negócio ou de poupanças . Isso exigirá uma alternati vos. Enlre eles es tão o impo o ~
análise de fluxo de caixa de todo o negócio renda, a inflação e o risco .
para ver se haverá caixa disponível em mon-
tantes suficientes e nos momentos certos para Imposto de renda
cobrir os déficits temporários oriundos do in-
Os exemplos usados para il ustrar os mé.lodos
vestimento.
de análise de investimento não consideravam
os efeitos do imposto de renda sobre as recei-
Financiamento e valor presente tas de caixa líquidas. Os tribm os foram omiti-
líquido dos para simplificar a introdução e a clis U5S20
Os fluxos de caixa relacionados a financia- da análise de investimen to. P orém, m ui -
mento devem ser incluídos no cálculo do investimentos geram renda tributáve l. assim
VPL do investimento? Via de regra, não, como despesas dedutíveis do imposw. Os
pois a decisão de fazer um investimento e a impostos de renda podem alterar considcra-
questão de como financiá-lo devem ser con- velmeme as receitas de caixa líquidas crepe
sideradas à parte. Ocasionalmente, porém, dendo da faixa tributária marginal do im-es ·_
um investimento e o método de seu finan- dor e do tipo de investimento. Investime
ciamento podem estar intimamente ligados. diferentes podem afetar os impostos de re
Um exemplo seria a comparação da compra de modos diferentes, ponamo devem Ser
de um estabelecimento rural que só pode ser parados em temws após impostos.
obtido mediante um contrato de venda parce- Os impostos de renda reduzem as rece·
lada com outro estabelecimento que só pode de caixa líquidas quando a renda cri utáv-el = -
ser comprado por meio de um empréstimo rada pelo investimento excede as dedu ões, e
convencional. Nesse caso, os fluxos de caixa vice-versa. O valor real da mudança depe e
líquidos usados para calcular os VPLs deve- da faixa tributária marginal do contribuin e..
riam incluir a entrada, se houver, assim como Por exemplo, quando os ílu; os de cai'(a líqui-
os pagamentos de principal e juros, uma vez dos tributáveis forem positivos um im-es · · -
que as decisões de investimento e de finan- na faixa tributária marginal de _ 'if- terá _ ':t- :a..
ciamento estão atreladas. menos de receitas de caix a lí quidas em erm ·
Em alguns casos, pode ser possível finan- após impostos.
c iar o mesmo investimento de vários jeitos Se todas as entradas de caixa forem tribu-
diferentes. Uma vez que o investimento seja táveis e todas as saídas de caixa forem 'eci ·_
aceito, as alternativas de financiamento po- veis do imposto, então o VPL é implesme
dem ser comparadas descontando-se os fluxos reduzido pe la alíquota marginal. Todmi ..., _
de pagamento de cada uma e selecionando-se renda tributável líquida, muitas vez - n - é
aquela com o VPL menor. Um exemplo do igual à receita de caixa líquida. P r exe m
uso desse procedimento para comparar uma a depreciação não é incluída no ál ul
escolha de arrendar ou comprar um trator é receita de caixa líquida, pois é uma
apresentado no Capítulo 22. não monetária. Contudo, a deprecia à
Capitulo 17 Aná de investime o 313

despc-u dedutível que dímínui a renda tribu- e ante de impostos. Juro ão uma despesa
lável e. por [Link]íntc, o ím~to de renda comercial dedutível, e cada dólar de despesa
cconomfas tribu~ rewltantcs da depre- com juro reduz os impostos em 28% para
cizção asllOCÍada ao novo ínvestimcnto devem um contribuinte na faixa marginal de 28%.
§Ci'" ~esrerrtadas &S receita.e, de caixa líquidas. ·m investidor que paga 12% de juros sobre
Cenos ím·cstimerrtos reduzem ainda mais os capital emprestado teria um cu to de capital
impostos de renda se fi em passívci de crédi- após impostos de 8,64%, calculado por meio
tos uibu~ espeda.ís ou deduções eventual- da equação anterior.
mente cm vigor à época da compra.
Algumas entradas de caixa podem ser
Inflação
uibuta!izs de forma diferente de outras. Por
eumplo. a renda de ganhos de capital pode A inflação é um aumento geral nos níveis do
estar sujeita a um.a alíquota inferior à da ren- preços ao longo do tempo, afetando três fato-
da dfoária (vide Capíwlo 16J. Vendas de re- res da análise de invesúmento: receitas de cai-
produtor~ JYdra abate ou o valor terminal de xa liquidas, valor terminal e taxa de desconto.
·cnda do investimento original .seguidamente As receitas de caixa liquidas mudam ao longo
dw c-nsejo a ganhos de capital, devendo ser do tempo devido a altcrações nos preços dos
ajustados pela alíquota marginal apropriada. insumos e produtos, mesmo que aumentem a
Semp;e que se usam receitas de caíxa lí- taxas diferentes. A inflação também faz com
quidas após impostos, é ímponante que tam- que os valores temúnais sejam maiores do que
bém se use uma taxa de desconto após ím- o que seria de se esperar de outra forma. As
postoJ, Isso porqu!: os juros sobre capital de receitas também podem mudar por causa de
dívida geraJmeme são dedutíveis do imposto, alterações nas condições básicas de ofena e
e os rendimentos de invesúmentos altemati- demanda de insumos de produtos, além dos
·os geralmente s.ão tributáveis. A taxa de des- efeitos da inflação geral.
c.on10 ~ impostos JX>de ser obtida a partir Quando as receitas de caixa líquidas e o
da seguinte equ~; valor tcrminal são ajustados pela inflação, a
taxa de desconto também deve incluir a taxa
r = i / (1-t) esperada de inflação. Pode-se pen ar na taxa
tal q ré a taxa de desconto após impostos, de juros ou desconto corno consi úndo em, ao
í é a wa de desconto antes de impostos e I menos, duas panes: ( 1) uma taxa de juros real,
é a alíquota marginal. Falou-se sobre a alí- ou a taxa de juro que se verificaria na ausên-
quota marginal no Capítulo 16. Ela consístc cia de inflação, seja efeúva ou esperada; e (2)
valor agregado de impo-:>to de renda fede- um ajus te para a inflação, ou prêmio de infla-
ral, imposto de renda es tadual e municipal e ção. Em períodos inflacionários, um dólar re-
imposto de autônomo devido sobre cada unj - cebido no futuro poderá comprar menos bens
dé:de monetária agregada de renda tribulável. e serviços do que no presente. O prêmio de
Por exemplo, qual é a taxa de desconto inflação compensa esse poder aqui ítivo redu-
após ímpostos quando a taxa de desconto an- zido por meio de uma taxa maior de juro ou
w.i de ímpohtO!> é 12% e o contribuinte está na desconto. Pode-se estimar a taxa de desconto
faíxa tríbutáría marginal de 28%'! A resposta é: ajustada para inflação da seguinte maneira:

12% 1/ ( J,00 -0,28) = 8,64% Taxa de desconlO real 5%


O custo ap&, impostos do capital emprestado Taxa de inflação esperada
pode r obtido por meio da mesma equa-
Taxa ru: de5como ajustada
7,!J, !'.endo r e í íguais às taxas de juros após
314 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

A taxa ele desconto ajustada para inflação veis e difíceis de prever. Alterações inespera-
também é chamada de taxa ele elesconto 11omi- das desses valores podem rapidamente tornar
11al. Quando é usado o custo do capital para não lucrativo um fovestimento potencialmente
a taxa ele desconto, esse custo geralmente já lucrativo. Quanto maior a duração do investi-
inclui uma expectativa de inflação, e o ajuste é mento, mais difícil é estimar os custos e recei-
feito tacitamente. tas futuros com exatidão.
Em suma, existem dois jeitos básicos de Um método para incorporar o risco à aná-
tratar a inflação no orçamento de capital: lise é acrescentar um prêmio de risco à taxa
de desconto. Investimentos com risco maior
1. Estimar as receitas de caixa líquidas de
possuem um prêmio de risco mais alto. Isso
cada ano e o valor terminal , usando pre-
se baseia no conceito de que quanto maior o
ços atuais, e, então, descontá-los usando
risco associado a um investimento específico,
a taxa de desconto real (a taxa nominal
maior deve ser o retorno esperado para que
menos a taxa de inflação esperada). 1 Jsso
um investidor se disponha a aceitar esse ris-
elimina a inflação de todos os elementos
co. Em outras palavras: existe uma correlação
da equação.
positiva entre o grau de risco envolvido e ore-
2. Aumentar as receitas de caixa líquidas de torno que um investidor exigiria para aceitar
cada ano e o valor terminal para refletir a esse risco.
taxa de inflação esperada e, então, utilizar A taxa de retorno sem risco pode ser
uma taxa de desconto ajustada para inlla- definida como a taxa de retorno que se ve-
ção (nominal). Este método incorpora a rificaria para um investimento com um re-
inflação em todas as partes da equação. torno líquido garantido. Contas de poupança
Se a mesma taxa de inflação for usada seguradas e títulos mobiliários do governo
em todas as etapas, o valor presente líqui- dos EUA normalmente são considerados in-
do será o mesmo em ambos os métodos. vestimentos praticamente sem risco. Dando
Contudo, se for assumido que algumas seguimento ao exemplo da última seção, po-
receitas ou despesas inflacionam a taxas de-se acrescentar risco à taxa de desconto da
diferentes das outras, o VPL ajustado para seguinte forma:
inflação será diferente do VPL real, sen-
do a medida mais precisa. Por exemplo,
custos relacionados a energia podem ter Taxa de retorno real sem risco 4%
um aumento projetado mais veloz do que Taxa de inflação esperada + 3%
a inflação geral da economia, enquanto as Prêmio de risco + 1%
economias tributárias com depreciação
não inflacionam nada após o investimento
Taxa de desconto ajustada = 8%
ser feito.
Investimentos com uma maior quantidade
de risco seriam ligados a um prêmio de ris-
Risco co mais alto, e vice-versa. Esse procedimento
Existe risco em investimentos porque as recei- é coerente com a afirmação anterior de que a
tas de caixa líquidas estimadas e o valor ter- taxa de desconto deve ser a taxa de retorno
minal dependem da produção, de preços e de esperada de um investimento alternativo de
custos futuros, que podem ser altamente variá- mesmo risco. No entanto, o prêmio de risco é
uma estimativa subjetiva, e pessoas diferentes
1
Um método mais preciso para converter umu taxa nomi- podem empregar estimativas diferentes para
nal cm uma taxa real é (( 1 + /)/(l + ./)] - 1, onde i é a taxa o mesmo investimento. As taxas de juros de
nominal e fé a taxa de inflação. Contudo, o valor (/ - [) fundos emprestados costumam ter um prêmio
dá uma boa aproximação da taxa rcnJ. de risco já embutido para refletir a possibili-
Capítulo 17 Análise de Investimento 315

dade de que o mutuário não pague o emprés- tes dtí ao inve tidor unrn iclcin le quüo "sem;(.
timo. Mutuários com menos segurança linan- veis" os rcsultndos (e, portanto, n dccisílo de
ceira terão que pagar um prêmio de risco mais investimento) silo a 111odilicuçõe nos vulor ·s
elevado. sendo usados. A nntílise de sen. ibiliduclc fre-
Colocar um prêmio de risco na taxa de quentemente dá ao inve tidor mni · c lnreza
desconto não elimina o risco. É somente um quanto à probabiliclndc ele que o invc ·ti111c11-
modo de embutir uma margem de erro. Quan- to seja lucrativo, no · efeitos de nlleruçõe · nos
to maior o prêmio de risco empregado, maio- preços ou à taxa de desconto e, portanto, ao
res terão que ser as receitas de caixa líquidas teor de risco envolvido. Árvores de decisão,
para render um VPL positivo. tabelas de contingência e outrus l'errnmcntas
de análise aprcscntndns no Cupftulo 15 podurn
Análise de sensibilidade ser usadas para comparar investimentos alter-
nativos com risco.
Dada a incerteza que pode existir quanto aos O recálculo do YPL, do equivalente anual
preços e custos futuros utilizados para es- e da TIR pode er maçante e demorado, es-
timar as receitas de caixa líquidas e o valor pecialmente para inve timcnto de longu du•
terminal, muitas vezes, é útil examinar o que ração e recei tas de cnixu líquida variáveis.
aconteceria com o valor presente líquido ou Entretanto, com software linanceiro especia-
a TIR se os preços e custos fossem outros. A lizado ou programa de planilha eletrOnicu,
análise de sensibilidade é um processo em podem-se comparar rápida e l'acilmenle os
que se fazem diversas perguntas do tipo "E resultados de muitas combinações distintas de
.-,.. se?". E se as receitas de caixa líquidas fossem receitas de caixa líquidas, valores terminai · e
maiores ou menores? E se a cronologia das taxas de desconto.
receitas de caixa líquidas fosse diferente? E O apêndice deste capítulo uprcsenta u111
se a taxa de desconto fosse maior ou menor? exemplo completo de nnáli e de um investi -
A análise de sensibilidade envolve trocar mento por meio do métodos expostos. Fluxos
um ou mais valores e recalcular o VPL ou a ele caixa variáveis, efeitos tributários e i111'1u-
TIR. Recalcular com diversos valores diferen- ção são todos incorporados.

RESUMO
O valor futuro de uma quantia de dinheiro é maior do que o seu va lor pre ·ente, cm runçilo dos juros que ela
pode render com o tempo. Valores futuros são obtidos por meio de um processo chamado capitnli:wçilo.
valor presente de uma quantia de dinheiro é menor do que o seu valor ruturo, já que o di11hl!iro investido
hoje a juros compostos crescerá, tornando-se o valor futuro. Desconto é o processo de c11co11t rur os valores
presentes de quantias a serem recebidas no futuro , sendo o inverso da capitalizaçilo.
Investimentos podem ser analisados por quatro métodos: período de retorno cio i11vcstimc11to, taxa
de retomo simples, valor presente líquido e taxa interna de retorno. Os dois primeiros s1 o l'dceis ele usar,
mas têm a desvantagem de não incorporar com precisão à analise o valor do dinheiro uo tempo. Isso pud •
levar a erros na seleção ou classificação de investime11to alternati vos. O método do valor presente líquido
é amplamente usado, pois contabi liza corretamente o va lor do dinheiro 110 tempo. Um i11vesti11w11to co111
um valor presente liquido positivo é lucrativo, pois o valor presente dus entrudus de calxu excccl • o vulol'
presente das saídas de caixa. O método da taxa interna de retorno ('l'IR) também leva cm conl!I n valor dt
dinheiro no tempo. Ele representa a taxa de desconto à qual o VPL de um investimcmo < exata111 •11t • zcrn.
Uma TIR superior à taxa de desconto normal indica um investimento lucrnti vo.
Todos os quatro métodos de análise de investimento exigem a estimativa dus rcccitu · de cul II lfqu ldus
ao longo da duração do investimento, bem como dos valores tcrmi1~ais. [Link] do vnlor pr sente líquido
também exige que se escolha uma taxa de desconto. Em uma apl1cwi11o prfülcu desses 111 todw,, t1111tu us
I
316 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

receitas de caixa líquidas quanto a taxa de desconto devem estar cm termos após impostos. Os fluxos de
cai ·a e a taxa de desconto também podem ser ajustados para risco e inílação. A etapa final da análise de
qualquer investimento deve ser uma análise de viabilidade financeira, especialmente quando é usada uma
grande quantia de capital emprestado para financiar o investimento. Também se podem comparar métodos
alternativos de financiamento para o mesmo investimento, usando-se cálculos de valor presente líquido.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Conceitue valor futuro e valor presente em suas próprias palavras. Como você explanaria esses con-
ceitos para alguém que nunca ouviu falar deles antes?
2. Exp)jque a diferença entre capitalização e desconto.
3. Imagine que alguém deseja ter US$ 80.000 daqui a I Oanos como fündo de educação universitária para
um filho.
a. Quanto dinheiro teria que ser investido hoje a uma taxa de juros compostos de 6%? E a 8%?
b. Quanto teria que ser investido anualmente a urna taxa de juros compostos de 6%? E a 8%?
4. Se a terra rural atualmente vale US$ 2.150 por acre e espera-se que seu valor au mente a uma taxa
anual de 5%, quanto ela valerá em 5 anos? E em 10 anos? E em 20 anos?
5. Se você quer uma taxa de retomo de 7%, até quanto você poderia pagar por um acre de terra com
receitas de caixa líquidas anuais esperadas de US$ 60 por acre durante I O anos e um preço de venda
esperado de US$ 3.400 por acre ao cabo dos 10 anos?
6. Imagine que você tem apenas US$ 20.000 para investir e precisa escolher entre dois investimentos (na
tabela a seguir). Analise cada um deles usando todos os quatro métodos expostos neste capítulo e um
custo de oportunidade de capital (taxa de desconto) de 8%. Por qual investimento você optaria? Por
quê?

Investimento A (US$) Investimento B (US$)


Custo inicial 20.000 20.000
Receitas de caixa líquidas:
Ano 1 6.000 5.000
Ano2 6.000 5.000
Ano3 6.000 5.000
Ano4 6.000 5.000
Ano5 6.000 5.000
Valor terminal o 8.000

7. Discorra sobre lucro econômico e viabilidade financeira. Em que eles diferem? Por que ambos devem
ser considerados ao analisar um investimento potencial?
8. Quais duas abordagens podem ser usadas para contabilizar os efeilos dos impostos de renda na análise
de investimento?
9. Quais duas abordagens podem ser usadas para contabilizar os efeitos da inflação na análise de inves-
timento?
1O. Por que o orçamento de capital seria útil ao analisar um investimento de estabelecimento de um pomar
em que as árvores só se tomariam produtiva 6 anos após o plantio?
11. Quais vantagens as técnicas de valor presente teriam em relação ao orçamento parcial na análise do
investimento do pomar da Pergunta 1O?
Capítulo 17 Análise de Investimento 317
'

APÊNDICE: UM EXEMPLO DE ANALISE DE INVESTIMENTO


Joe e Sheila Mason possuem 5 acres de terra em declive que não é adequada para produção agrícola. Ela
está limpa e bem cercada. Eles estão considerando plantar árvores de Natal nela. Seus filhos adolescentes
poderiam ajudar. e a renda seria útil quando eles estiverem indo para a faculdade. Entretanto. Joe e Sheila
não têm certeza se o projeto das árvores de Natal seria melhor do que pôr o dinheiro todo ano em uma conta
de poupança. Com a ajuda de um especialista em silvicultura e seu consultor financeiro rural, eles elabora-
ram uma análise de investimento usando técnicas de valor presente líquido.

Custo inicial
Sua primeira tarefa é estimar o custo inicial de 5 acres de árvores de Natal. Seu orçamento para estabelecer
as árvores é o seguinte:

Quantidade por acre US$/acre Investimento total

Despesas de maquinário
Pulverizador 3 vezes 9,00 USS45
Cortador de grama 3 vezes 21,00 105
Plantadeira 1 vez 5,00 25
uss 175
Mão de obra, a US$ 10,00 por hora
Pulverização 2 horas 20,00 uss 100
Corte de grama 4 horas 40,00 200
Planiio 3 horas 30,00 150
US$ 450
Suprimentos
Herbicida dessecante 15,00 US$ 75
Herbicida pré-emergente 18,00 90
Pesticidas 15,00 75
Herbicida de outono 15,00 75
Mudas, a US$ 0,70 850 595,00 2.975
uss 3.290
Locação da plamadeira, a US$ 8,00 3 horas 24,00 120
Custo inicial total US$ 4.035

Estimativa de despesas e receitas de caixa


Joc e Sheila Mason agora querem projetar suas de pesas e receita de caixa dos próximo 8 ano para seu
investimento em árvores de Natal. Todo ano, eles terno que cortar a grama cm volta da árvores e pulverizar
o inço, Nos dois primeiros ano , eles terão que replantar algumas árvore à mão. A partir do terceiro uno,
eles terão que podar as árvores todos os ano . Eles pretendem pagnr uma remuneração de US IO por h ra
para parentes e trabalhadore contratados. Não é incluído nenhum cu to de terra, porque ele acham que os
custos fundiários não seriam afetado pelo inve. timcnto.
318 Parte V Aperlelçoamento das habilidades gerenciais

Nos anos 6, 7 e 8. ele e peram começar a vender Mvores. At6 o fim <lo oitavo ano, eles esper, m ter
vendido a última de sun firvore . Segue um resumo nno a ano de seus custo de rroduçt'lo esperado .

Opernçiio de Pcsticidns, Vendns no


Ano mnquinárlo Mudns hcrblcldns Müo deobrn varejo Custos totol.
us 115 US$ 672 US$ 350 US$ 500 US$ 0 us 1.637
2 115 35 350 1.000 o 1.500
3 115 o 350 1.500 o 1.965
4 115 o 350 1.800 o 2.265
5 115 o 350 2.200 o 2.665
6 115 o 350 2.900 535 3.900
7 115 o 350 4.750 2.000 7.215
8 115 o 350 2.600 850 3.915

Eles estimam que conseguirão obter um preço de venda médio de US$ 18 por árvore, com a maior
porção das vendas ocorrendo no ano 7. Segue uma estimativa ano a ano da sua renda cm caixa.

Ano Árvores vendidos (a US$ 18) Renda


6 535 US$ 9.630
7 2.000 36.000
8 850 15.300

A taxa de desconto
Agora que os Mason estimaram seus fluxos de caixa líquidos para o investimento em árvores de Natal, eles
precisam escolher uma taxa de desconto para calcular os valores presentes. Eles pretendem financiar cerca
de 60% dos custos com suas economias e pedir o resto emprestado. Eles estimam que sua conta de poupan-
ça renderá juros a uma taxa média de 5% ao ano. O seu mutuante prevê que a taxa de j uros média para seus
fundos emprestados será de aproximadamente 10%. Logo, seu custo ponderado de capital é:

(5% X 0,60) + (10% X 0,40) = 7 ,0%

Joe e Sheila não incorporaram os efeitos da inflação sobre as remunerações, preços dos insumos ou
preço de venda das árvores de Natal quando estimaram suas entradas e saídas de caixa. Portanto. suas
estimativas são valores reais. Assim, para ajustar sua taxa de desconto para um valor real, eles subtraem
2% (sua taxa de inflação anual antecipada sobre os preços dos próximos oito anos) do custo ponderado do
capital para obter a taxa de descomo real:

7,0% - 2,0% = 5,0%

Os Mason geralmente ficam na faixa marginal de 28% do imposto de renda federal e de 5% do


imposto de renda estadual. Além disso. eles terão que pagar o imposto de autônomo, à alíquota de aproxi-
madamente 15% de seus lucros. Sua alíquota marginal total é:

28% + 5% + 15% = 48%


Capítulo 17 Análise de investimento 319

Até que comecem a vender árvores, eles irão registrar uma renda tributável negativa, então seus im-
postos erão diminuídos a essa razão. Sua taxa de desconto real após impostos se torna:

5,0% X () ,00 - 0,48) = 2,6%

Por fim. os Mason se dão conta de que há diversas fontes de risco associadas a esse investimento,
como morte de árvores e preços de venda flutuantes . Eles deddem que gostariam de obter ao menos 3% a
mais de retorno após impostos para esse investimento, em comparação com sua conta de poupança, para
compensar o risco extra. Logo, sua taxa de desconto real ajustada para risco é:

2,6% + 3.0% = 5,6%

Receitas de caixa líquidas


Combinar a renda de caixa esperada para cada um dos 8 anos com as despesas de caixa esperadas dá as
estimativas de receita de caixa líquida apresentada na tabela a seguir. Para fins tributários, os Mason podem
deduzir o custo inicial do estabelecimento das árvores, US$ 4.035, como uma quota de exaustão quando
começarem a vender árvores. Eles esperam vender 3.385 árvores, então podem deduzir (US$ 4.035 7
3.385) = US$ 1, 192 de cada árvore vendida nos anos 6, 7 e 8. As suas despesas dedutíveis totais (despesas
de caixa mais exaustão) são mostradas na última coluna.

(a) Renda de (b) Despesas de Receita de caixa (d) Exaustão de (e) Dedução
Ano caixa caixa líquida (a - b) imposto de renda fiscal total (d - e)

usso uss 1.637 uss -1.637 usso uss 1.637


2 o 1.500 -1.500 o 1.500
3 o 1.965 -1.965 o 1.965
4 o 2.265 - 2.265 o 2.265
5 o 2.665 -2.665 o 2.665
6 9.630 3.900 5.730 638 -5.092
7 36.000 7.215 28.785 2.384 -26.401
8 15.300 3.9 15 11.385 1.013 - 10.372

Valor presente líquido


Os Mason podem deduzir as despesas operacionais de caixa mais exaustão da declaração de imposto de
renda de seu negócio todos os anos. Dada sua alíquota marginal de 48%, a economia com imposto de renda
é igual a 48% de suas deduções fiscai s totais de cada ano. Após começarem a vender árvores, sua renda de
caixa pas ará de seus custos dedutíveis. Eles terão que pagar impostos adicionais (economias negativas)
iguais a 48% da diferença entre renda e despesas dedutíveis. A receita de caixa líquida após impostos do
1ason é apresentada na tabela abaixo, juntamente com seu valor presente.
320 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

(g) Economias de (h) Receita de


(0 Receita de caixa líquida ap6s (i) Fator de O) Valor
imposto de renda
Ano caixa líquida (e X 48%) impostos (f + g) desconto* presente (h x 1)

US$ - 1.637 US$ 786 US$ - 851 0,947 US$ -806

2 - 1.500 720 -780 0,897 - 699

3 - 1.965 943 - 1.022 0,849 -868

4 -2.265 1.087 -1.178 0,804 - 947

5 - 2.665 1.279 - 1.386 0,761 - 1.055


6 5.730 - 2.444 3.286 0,721 2.369
7 28.785 -12.672 16.113 0,683 11 .003
8 11 .385 -4.978 6.407 0,647 4.143
Valor presente uss 13.140
Taxa interna de retomo 20,2%
* O fator de desconto é igual a ( 1 + i)""", tal que i é a taxa de desconto e II é o ano.

O valor presente da receita de caixa líquida após impostos de cada ano é obtido multiplicando-se pelo
fator de desconto do ano, com base na taxa de desconto anual estimada dos Mason, de 5,6%. Quando os
valores presentes de todos os 8 anos são somados, eles totalizam US$ 13.140. Subtrair o custo inicial de
US$ 4.035 desse valor dá um valor presente líquido de US$ 9.105 para o empreendimento de árvores de
Natal. Isso quer dizer que o valor líquido da receita gerada ao longo dos próximos 8 anos é igual a receber
US$ 9. 105 hoje, livres de impostos. Quando eles calculam a taxa interna de retomo projetada de seu inves-
timento, veem que ela é maior que 20% - consideravelmente superior ao seu custo de capital.
Os Mason decidem que isso é mais que suficiente para compensar-lhes o risco e a gestão e decidem
levar o projeto adiante.
Análise de
empreendimento

Objetivos do capítulo
1. Discutir como analisar empreendimentos 3. Ilustrar como podem ser atribuídos diver-
específicos definindo centros de lucro e sos tipos de receitas e custos, incluindo
de custo. transações internas.
2. Explicar como o exercício contábil de um 4. Demonstrar como valores de produção e de
empreendimento pode corresponder ao estoque podem ser verificados comparan-
ano-calendário ou ao ciclo de produção. do-se fontes e usos agrícolas e pecuários.

No Capítulo 6, foram discutidos procedimen- tados. O resultado é similar a uma demonstra-


tos de análise de lucratividade e eficiência ção de resultados para cada empreendimento,
de todo o negócio agropecuário. Entretanto, apresentando sua receita bruta, despesas e
mesmo quando a análise indica um proble- renda líquida.
ma, pode ser diffcil identificar a fonte dele se Existem ao menos três grandes justifica-
houver muitos empreendimentos diferentes tivas para a análise de empreendimento: ( 1)
no negócio. Diversos empreendimentos po- os dados coletados na análise de empreendi-
dem ser altamente lucrativos, enquanto ou- mento são extremamente úteis para desenvol-
tros não são lucrativos ou o são apenas mar- ver orçamentos de empreendimento para os
ginalmente. anos futuros; (2) eles podem ser usados para
A análise de empreendimento consegue ca lcular o custo unitário de produção, o que
identificar os empreendimentos menos lucra- auxilia a tomar decisões de comercialização;
tivos, de modo que se possa tomar algum tipo (3) quando recursos como terra, mão ele obra
de providência corretiva. A análise de empre- e capital têm oferta limitada, a análise de em-
endimento consiste em disLribuir todas as ren- preendimento pode mostrar quai atividades
das e de pesas do estabelecimento rural en u·e estão gerando os retorno mai altos para 0
o empreendimentos individuais sendo execu- recurso mais escasso.
322 Parte V Aperteiçoamento das habilidades gerenciais

CENTROS DE LUCRO E DE CUSTO Em estabelecimentos rurais menores, os cus-


tos desses serviços podem simplesmente ser
primeira etapa da contabilidade de empre- divididos entre os empreendimentos, com
endimento é definir o empreendimento que base no número de acres ou cabeças dedica-
, ii executndo no e tabelecimento agropecu- dos a cada empreendimento. Em operaçõe
nrio. omrnlmente, cada cultivo produzido e mais amplas, contudo, podem-se criar cen-
cnda e~pécie animal pre ente é considerado tros de custo separados no sistema contábil.
um empreendimento separado. Um termo Não é esperado que um centro de custo em si
ontábil comumente empregado para o em- oere renda ' mas ele incorre em vários custos
o
preendimento é centro de lucro. Um centro enquanto presta serviço aos centros de lucro.
de lucro tem tanto renda quanto despesas, e Alguns exemplos de centros de custo encon-
e pera- e que ele contribua para a lucrativida- trados na produção rural são:
de geral do negócio. • Serviços de maquinário agropecuário
' ~ veze , um tipo geral de cultivo pode • Mão de obra rural
ser dividido em múltiplos empreendimentos
• Processadora de ração
que exigem método produtivos diferentes ou
• Sistema de irrigação
vi am n mcr adas específicos. Um exemplo
• Atividades de aquisição de terra
' Cria dividir a produção de milho em milho
nnmel , milho branco, milho doce, milho ce- Todos os custos ligados ao centro de cus-
ra o e 1nilho para emente. Da mesma forma, to são acumulados separadamente no sistema
empreendimento pecuários podem ser di- de contabilidade, sendo alocados aos diver-
vidido em fa es de produção. Um estabeleci- sos centros de lucro no fim do ciclo contábil.
mento bovino ultor pode dividir seus custos e Deve ser mantida alguma medida de utiliza-
ret rno entre a fa e de cria (até a data de des- ção, como horas de tempo no campo ou to-
mama d bezerro ) e uma fase de terminação neladas de ração processada, a fim de que o
ou onfinnmento. Uma operação de suínos custos possam ser alocados com equidade e
para abate pode querer analisar separadamen- facilidade.
te a fa e de parição, criação e terminação, a Apesar de centros de custo não gerarem
fim de de cobrir qual delas está contribuindo renda, eles podem ser avaliados com base no
m:li para o lucro gera.!. custo dos meios alternativos para obter os
\lgun recurso e atividades talvez con- mesmos serviços. Por exemplo, em um cen-
tribuam para mni que um centro de lucro, tro de custo de maquinário, o custo total por
ma , cm auferir receita de fora do negócio. acre da realização de cada operação de campo

Quadro 18-1 Diretivas do conselho de padrões financeiros rurais

As diretivas desenvolvidas pelo Conselho de Esse relatório explíca em detalhes os vá-


Padrões Financeiros Rurais (FFSC) para a rios tipos de centros que podem ser definidos
elaboração de demonstrações financeiras de em um sistema contábil rural e como as infor-
estabelecimentos agropecuários e sua aná- mações derivadas deles podem ser utilizadas
lise foram apresentadas no Capítulo 3. Mais para tomar decisões gerenciais melhores. São
r centamente, o FFSC publicou um segundo incluídos um exemplo de plano de contas e
ral tório, intitulado voiretivas de contabilidade um processo passo a passo para implantar um
gerencial para produtores agropecuários". sistema. Cópias das publicações do FFSC es-
tão disponíveis em [Link].
Capítulo 18 Análise de empreendimento 323

pode ser comparado ao custo típico de con- vez do ano-calendário ou exercício fiscal. Isso
tratação de um operador customizado externo pode ser feito a partir de quando os primeiros
para realizar a mesma operação. Nesse caso, insumos são comprados até quando o último
o valor da mão de obra do operador teria de bushel de cereais ou a última cabeça é vendi-
ser incluído junto aos demais custos de ma- do. Pode incluir partes de diversos exercícios
quinário para se fazer uma comparação justa. contábeis, ou então ser menor do que um ano
Pode-se usar um orçamento parcial, como o inteiro. Os exercícios contábeis dos empreen-
descrito no Capítulo 12, para detem1inar quais dimentos podem até se sobrepor, como quan-
custos seriam realmente reduzidos pela con- do as sementes da próxima safra são adquiri-
tratação do serviço prestado por um externo e das antes de a safra atual ser vendida. Não são
compará-los aos custos extras. Alguns custos necessários ajustes por competência, dado que
fixos dos recursos usados para realizar o ser- todos os custos são pagos e toda a produção é
viço podem não variar, como a depreciação do vendida dentro do exercício contábil do em-
maquinário que ainda assim seria próprio. preendimento.
Algumas atividades podem ser um centro No caso de animais reprodutores, o exer-
tanto de lucro quanto de custo. Um exemplo cício contábil do empreendimento deve iniciar
comum seriam agropecuaristas que executam quando são realizadas as primeiras despesas
trabalhos customizados com máquinas para relativas às próximas crias, como custos de re-
outros produtores rurais, além de realizar to- produção. Entretanto, as despesas de alimen-
das as suas próprias operações. A renda ganha tação só deverão ser alocadas para o próximo
com trabalho externo normalmente é subtra- ciclo depois que os últimos animais forem
ída dos custos totais com maquinário antes desmamados.
de ser alocada a outros empreendimentos do Em empreendimentos pecuários de en-
estabelecimento, a fim de não superestimar o gorda, o exercício contábi l frequentemente
custo real da prestação de serviços de maqui- é menor que um ano. Se vários grupos utili-
nários a esses empreendimentos. zam as instalações, os custos de propriedade
anuais devem ser divididos entre eles. Por
exemplo, se três levas de suínos de engorda
O EXERCÍCIO CONTÁBIL são terminadas em um confinamento no mes-
mo ano, apenas um terço da depreciação anu-
Deve-se definir o exercício contábil da análise al, juros, seguro e reparos deve ser lançado
do empreendimento. Se o exercício contábil para cada grupo. Se as instalações de alimen-
do empreendimento for igual ao exercício fi- tação só são usadas para um grupo de animais
nanceiro de todo o estabelecimento agropecu- por ano, todos os custos de propriedade anuais
ário, é importante registrar o valor dos esto- devem ser lançados para esse grupo, mesmo
ques iniciais e finais de cullivos e animais no se as instalações forem usadas por menos do
cálculo da renda líquida. Também devem ser que 12 meses.
feitos todos os demais ajustes usuais de com- Muitos custos fixos são despesas do exer-
petência à renda e às despesas. Para atividades cício, isto é: acumulam-se ao longo de um
com produção contínua, como a produção lei- período de tempo e não estão diretamente
teira, essa abordagem faz sentido. ligados à produção de um empreendimento
No entanto, outros empreendimentos pos- específico ou ao uso de um recurso particu-
suem datas definidas de início e fim no ano, lar. Exemplos são depreciação, seguro patri-
como compra e venda de animais de engorda monial, juros sobre empréstimos e salários e
e de cria. Para esses empreendimentos, cos- benefícios da mão de obra de turno integral.
tuma ser mais proveitoso resumir os custos e Deve-se cuidar para que todas as despesas do
retornos ao longo do ciclo de produção, em exercício acabem cndo atribuída · a um em-
324 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

preendimento, mas que nenhuma seja contada Custos como combustível, reparos de má-
duas vezes. Elas costumam ser alocadas de quinas, depreciação, juros e remunerações são
acordo com a duração do ciclo de produção de mais difíceis de alocar equitativamente entre
cada empreendimento. os empreendimentos, salvo se hou ver bons
Para empreendimentos com apenas um registros sobre as horas de maquinário e mão
ciclo por ano, pode-se acrescentar um dígito de obra utilizadas por cada um. Se não existi-
extra (como o último dígito do ano-calendário) rem esses registros, os custos podem simples-
ao código da conta para indicar o ano de pro- mente ser alocados igualmente para todos os
dução ao qual os custos ou receitas devem ser acres plantados. No exemplo da Tabela 18- 1,
atribuídos. Por exemplo, seria atribuído um estimou-se que o amendoim ocupou 35% do
"l" a todos os custos da produção da safra de tempo de campo usado naquele ano; portanto,
2011, mesmo que tivessem incidido em 2010 35% dos custos anuais com maquinário e mão
ou 2012. Podem ser necessários dois dígitos de obra foram contabilizados para o empreen-
para empreendimentos agrícolas ou pecuários dimento de amendoim . Da mesma forma, 40%
que possuem mais do que um ciclo de produ- da terra agrícola foram plantados com amen-
ção por ano-calendário. Um estabelecimento doim; então, 40% do ônus da terra foram atri-
rural que produz três safras de cebola em 2013 buídos a esse cultivo.
pode atribuir-lhes os códigos 31, 32 e 33, por Custos acessórios e outros custos, como
exemplo. seguro patrimonial e de responsabilidade civil,
honorários de consultores, despesas de escritó-
rio e manutenção geral das edificações também
TIPOS DE EMPREENDIMENTO
são difíceis de atribuir a empreendimentos es-
pecíficos. Eles podem ser alocados na mesma
Serão apresentados vários exemplos para ilus-
proporção da contribuição de cada empreen-
trar como é a análise de empreendimento.
dimento à receita bruta ou a todas as outras
despesas, ou por meio de algum outro procedi-
Análise de empreendimento mento arbitrário. No exemplo da Tabela 18-1,
agrícola 30% da receita bruta do estabelecimento rural
Um exemplo de análise de empreendimento vieram do amendoim; então, 30% dos custos
para amendoim é mostrado na Tabela 18-1. acessórios foram atribuídos a esse cultivo.
São dados valores para todo o estabelecimen- Os dados do exemplo indicam que o em-
to agropecuário e por acre. O estabelecimento preendimento de amendoim teve um lucro to-
plantou 125 acres com amendoim, o que to- tal acima de todos os custos de US$ 12.255, ou
taliza 40% de sua área agrícola. O primeiro US$ 98,04 por acre. Esses valores podem ser
passo é calcular a renda total durante o exer- comparados com valores semelhantes de outros
cício contábil, começando com as vendas. empreendimentos agrícolas para determinar
Além disso, devem ser incluídos pagamentos quais estão contribuindo mais ao lucro total do
de seguro agrícola ou benefícios de programas estabelecimento rural. Caso um cultivo apresen-
governamentais recebidos que digam respeito te prejuízos contínuos por vários anos, deve-se
ao cultivo de amendoim. tomar uma providência para melhorar sua lucra-
Em seguida, os custos são sumarizados. tividade ou deslocar recursos para a produção
Os custos totais de itens como sementes, fer- de um outro cultivo mais lucrativo. Observe que
tilizantes e pesticidas são relativamente fáceis o valor da rnargem bruta também pode ser usa-
de calcular a partir dos registros contábeis do do para classificar ou eliminar empreendimen-
estabelecimento agropecuário, ou então po- tos, uma vez que os custos fixos (por defi nição)
dem ser estimados com base nas quantidades não serão afetados pela alteração da compo i-
efetivamente usadas. ção de empreendimentos (Capítulo 1O).
Capítulo 18 Análise de empreendimento 325

Tabela 18-1 Exemplo de análise de empreendimento para amendoim (125 acres)


Total do Percentual Total do
estabelecimento do amendoim amendoim Por acre

Produção de amendoim ( 125 acres) 387.625 lb 3.101 lb

Renda:
Venda de amendoim uss 109.643 100% US$ 109.643 uss 877,14
,.' Verbas do Ministério da Agricultura 2.500 100% 2.500 20,00
Renda total US$112.143 uss 897,14
Custos variáveis:
Sementes (apenas amendoim) US$ 9.782 100% uss 9.782 uss 78,26
:,,
'-,
Inoculação (apenas amendoim) 1.783 100% 1.783 14,26

,., Fenilizanle (apenas amendoim) 11.401 100% 11.401 91,21


Calcário 3.170 40% 1.268 10,14
Pesticidas (apenas amendoim) 17.404 100% 17.404 139,23
Combustível, lubrificação 9.680 35% 3,388 27,10
Reparos de maquinário 13.264 35% 4.642 37,14
i:
.;,. Transpon.e e secagem (apenas 11.920 100% 11.920 95,36
- amendoim)
Seguro agrícola (apenas amendoim) 2.732 100% 2.732 21,86
""
Mão de obra 20.000 35% 7.000 56,00
Juros sobre crédito operacional 6.383 30% 1.915 15,32
! Custos variáveis totais US$ 73.235 US$ 585,88

,
,
Margem bruta US$ 38.908 uss 311,26
Custos fixos:
Propriedade do maquinário US$ 49.100 35% uss 17.185 uss 137,48
Aluguel da terra 15.000 40% 6.000 48,00
Cusws acessórios rurais 11 .560 30% 3.468 27,74
Cu~tos fixos totais US$ 26.653 US$ 213,22
Custos totais US$ 99.888 uss 799,10
Lucro US$ 12.255 US$ 98,04
Renda média por libra (arredondada) US$ 0,29
Custo médio por libra (arredondado) uss 0,26

Análise de empreendimento apresente um exemplo para um rebanho lei-


pecuário teiro. Entretanto, vários problemas 1.:speciais
podem surgir na pecuária. Já que a receita da
P de- e realizar uma análise de empreendi-
venda de reprodutores ele abate geralmente é
mento pecuário de maneira semelhante à do
incluída como fonte de renda de caixu, altera-
empreendimentos agrícolas. A Tabela 18-2
ções no valor de estoque do rebanho reprodu-
I
326 Parte V Aperleiçoamento das habilidades gerenciais

Tabela 18-2 Exemplo de análise de empreendimento para um rebanho leiteiro de 250 vacas (anual)
,
Total do estnbelccimento Por vaca
Renda:
Venda de leite US$ 719.296 uss 2.877,18
Venda de animai não reprodutores 40.792 163,17
Venda de animais reprodutores 60.088 240,35
Verbas do Ministério da Agricultura para deficiência de leite 2.130 8,52
Alleração no estoque de reprodutores
Valor total do rebanho reprodutor, fim do ano 396.250
Valor total do rebanho reprodutor, início do ano - 392.000
Alteração no valor de estoque do rebanho reprodutor 4.250 17,00
Renda total US$ 826.556 uss 3.306,22
Despesas de caixa
Custos de reprodução uss 10.440 US$ 41,76
Remuneração dos empregados 47.015 188,06
Benefícios dos empregados 29.103 116,41
Forragem comprada 102.258 409,03
Custo da forragem cultivada no estabelecimento
Milho em grão, 25.000 bu, a US$ 3,2 1 80.250 321,00
Silagem de milho, 2.000 toneladas, a US$ 30,50 65.000 260,00
Feno de alfafa, 1.500 toneladas, a US$ 81,50 122.250 489,00
Frete e transporte 9.610 38,44
Quota da produção leiteira no seguro rural (metade) 8.175 32,70
Juros operacionais 7.520 30,08
Reparos de edificações, cercas e equipamentos 8.383 33,53
Suprimentos pecuários 29.810 119,24
Impostos imobiliários, quota da produção leiteira (metade) 6.840 27,36
Serviços públicos 25.560 102,24
Despesas veterinárias 23.953 95,81
Custos de comercialização 8.340 33,36
Compra de novilhas reprodutoras 62.228 248,91
Outras despesas pecuárias 4.850 19,40
Despesas monetárias totais uss 651.585 uss 2.606,34
Despesas não monetárias
Depreciação de edificações e equipamentos uss 94.183 uss 376,73
Alteração das despesas antecipadas -ó.140 -24,56
Despesas não monetárias totais US$ 88.043 uss 352.17
Despesas totais uss 739.628 USS 2.95S.S I
Renda rural líquida US$ 86.928 uss 347,71
Libras de leite vendidas 5.432.750 21.73 1
Preço de venda médio por qui ntal curto de leite uss 13,24
Capítulo 18 Análise de empree nd ;mento 327

tor também devem ser incluídas na renda. Se- .


no empreendimento pecu án·0 e como
. . custo no
não, taxas de abate maiores ou menores que o empreendimento agrícola que O ullltza.
nom1al em alguns períodos podem fazer esse
grupo parecer indevidamente lucrativo ou não Interações entre empreendimentos
lucrativo. Os valores por cabeça dos animais
Aqui, é necessária uma advertência. A a~ál!se
reprodutores devem ser mantidos constantes
de empreendimento não identifica ou avalia in-
de um período para outro, evitando-se o en-
terações complementares ou prejudic_iais entre
viesamento das estimativas de lucro.
empreendimentos. Por exemplo, o m1lh~ pode
Outro problema é como lidar com culti-
parecer ser mais lucrativo do que um cultivo le-
vas do estabelecimento dados como forragem
guminoso, como soja ou alfafa. Entretanto, cul-
aos animais ou usados como cama. As quan-
tivar milho continuamente pode, na verdade,
tidades de grãos, feno e silagem dados como
ser menos lucrativo do que uma rotação com
forragem e de palha usada devem ser medidas
outros cultivas que contribuem com nitrogênio
ou estimadas. Elas são, então, avaliadas de
para o solo, rompem ciclos de pragas ou distri-
acordo com os preços de mercado disponíveis
buem os picos de carga de trabalho. Quando a
durante o período de alimentação, menos os
l;__ presença de um empreendimento afeta consi-
custos potenciais com transporte até o merca-
deravelmente o desempenho de outro, deve-se
do e outros custos de venda. Isso representa o
empregar uma abordagem completa do estabe-
custo de oportunidade de não vender os culti-
lecimento, comparando-se diferentes rotações
vas para um comprador de fora do estabeleci-
de cultivas ou mesmo planos completos does-
mento agropecuário.
tabelecimento agropecuário.
Pode-se usar uma outra abordagem quan-
Por exemplo, cultivas plantados em ro-
do cultivas são plantados com o único propósi-
tação ou em combinação com outros cultivas
to de usá-los como forragem animal ou cama,
possuem necessidades de fertilidade e contro-
não havendo um mercado próprio real. Exem-
le de pragas diferentes dos mesmos cultivos
plos seriam silagem de milho, feno, ~alha de
plantados sozinhos ou continuamente na mes-
milho ou pasto. Nesses casos, os cult1vos po-
ma terra. As práticas de aração e o deflúvio de
dem ser tratados como um centro de custo, e
solo e terra também diferem. Empreendimen-
o preço de transferência seria simplesmente o
tos pecuários podem complementar empreen-
custo total de produção por unidade de ração
dimentos agrícolas por meio do uso eficiente
(bushel, tonelada, libra, etc.). Essa é a aborda-
de forragens com baixo valor de mercado e
gem seguida no exemplo de análise da Tabela
da devolução de fertilidade à terra por meio
18-2. Se todo um ceno cultivo é utilizado em
de descarle de esterco. Pode haver interações
um único empreendimento pecuário, ele pode entre práticas produtivas usadas em um único
simplesmente ser incluído como parte do em-
cultivo, como a aplicação de fertilizante e pes-
preendimento pecuário, em vez de ser conta- ticidas e o tipo de práticas de aração seguidas.
bilizado como um empreendimento separado.
Essas interações são difíceis de quantificar e
Todos os custos de produção do cultivo seriam de incorporar aos resumos padronizados de
incluídos nos custos de forragem dos animais. empreendimento. Entretanto, devem ser con-
O esterco animal possui um valor como
ideradas no planejamento e no orçamento
substituto de produtos fenilizantes comerciais. completos do estabelecimento rural.
Se uma quantidade significativa de esterco pro-
duzida por um empreendimento pecuário for
aplicada a cultivas, ele pode ser avaliado com
Transações internas
base no custo potencial dos nutrientes compra- A Tabela 18-3 apresenta um exemplo de de-
do que substitui menos os custos de seu mane- monstração de resultados líquidos anuais por
jo e sua aplicação. Isso apareceria como receita meio de contabilidade por empreendimento,
/
I

328 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais


1l
~
j'
.
Tabela 18-3 Exemplo de demonstração de resultados com contabilidade por empreendimento
Eslnbeleclmenlo
,
'
.i
completo Agricultura Gado Ma(Jlllnárlo Acessórios I
Renda !
j
Venda de cultivos li vista US$ 42.644 US$ 42.644 1
(,
;
Venda de animais i\ vista 72.271 72.271
Verbas governamentais 2. 100 2. 100 )'
1
Outra rendas 3.369 US$ 3.369 ,J
Con umo doméstico 427 427 J
Alteração no estoque pecuário (2.870) (2.870)
Alteração no estoque agrfcola 13.835 13.835
Receita total US$131.776 US$ 58.579 US$ 69.828 US$0 US$ 3.369
Despesas
Insumos agrícolas US$ 16.971 US$ 16.971
Locação de máquinas 4.693 4.693
Combustível, lubrificação 4.356 4.356
Reparos de maquinário 3.780 3.780
Reparos de edificações 3.224 1.156 2.068
Forragem comprada 6.031 6.031
Seguro, impostos patrimoniais 3.462 3.462
Serviços públicos 2.056 456 1.600
Juros pagos 19.433 15.000 3.000 1.433
Veterinária. suprimentos 1.228 1.228
Outros 4.021 4.021
Depreciação 19.058 1.688 3.351 12.944 1.075
Despe as totais US$ 88.313 US$ 35.271 US$ 17.278 uss 25.773 uss 9.991
Renda rural líquida não US$ 43.463 US$ 23.308 US$ 52.550 (USS 25.773) (USS 6.622)
ajustada
Transações internas
Cultivos próprios usados o 39.500 (39.500)
como forragem
Crédito de esterco o (4.500) 4.500
Trabalho com máquinas o (23.773) (2.000) 25.773
(alocado por horas)
Alocação dos acessórios o (2.357) (4.265) o 6.622
líquidos (proporcional à
receita bruta)
Renda rural líquida ajustada uss 43.463 US$ 32.178 uss 11.285 usso usso
Capítulo 18 Análise de empreendimento 329

com diversas transações internas. O valor da gam valor a produtos também agrega custos.
forragem cultivada no estabelecimento foi re- As atividades concebidas para agregar valor
gistrado como um custo do empreendimento podem ser analisadas como um empreendi-
pecuário que a consumiu e como uma renda do mento separado. O preço pelo qual o produto
empreendimento agrícola que a produziu. Da poderia ter sido vendido sem aprimoramentos
mesma fom1a, o valor do esterco produzido e pode ser usado para transferi-lo para o em-
espalhado na terra de plantio foi creditado como preendimento de valor agregado. No fim, a
renda da pecuária e despesa da agricultura. Os análise de empreendimento dirá ao gestor se
custos com máquinas foram registrados separa- o valor agregado ao produto é suficiente para
damente e depois divididos entre agricultura e pagar todos os custos agregados.
pecuária, de acordo com as horas estimadas de A comercialização também pode ser con-
uso de cada uma. Outras rendas e despesas não siderada um empreendimento de valor agre-
alocadas foram sumarizadas em um centro de gado. A análise do empreendimento de grão
custo separado. Seu valor líquido foi atribuído pode ser concluída na colheita, com o produto
aos empreendimentos bovino e agrícola na sendo avaliado ao preço da época da colheita
mesma proporção da receita bruta gerada. e transferido ao empreendimento de comer-
Outras transações internas que poderiam cialização. Itens como taxas de corretagem,
ocorrer na contabilidade por empreendimento prêmios de opções, preços de annazenagem,
incluem a transferência do valor dos animais transporte e custos extras de secagem po-
desmamados de um empreendimento de cria dem ser contabilizados no empreendimento
para um de engorda, ou a transferência do de comercialização. O preço de venda final ,
valor de novilhas leiteiras de substituição de incluindo ganhos derivado de hedging ou da
um empreendimento de cria de novilhas para compra de opções, constitui a receita de co-
o rebanho leiteiro. Observe que as transações mercialização. A renda líquida da comercial i-
internas não afetam o valor das rendas ou des- zação mostra se o gestor agregou valor ao pro-
pesas totais do estabelecimento agropecuário duto com suas habilidades de comercialização
completo. A renda de um empreendimento é ou se ele teria se dado melhor simplesmente
sempre compensada exatamente por um cus- vendendo na colheita.
to de um ou mais empreendimentos. Deve-se
tomar cuidado para escolher um preço justo
de mercado ao avaliar transações internas, de CUSTOS DA TERRA
/ modo a não enviesar injustamente os resulta-
dos em favor de um ou outro empreendimento. O uso da terra geralmente é adquirido por
meio de propriedade, aITendamento à vista ou
algum tipo de ajuste de parceria rural. Essas
Empreendimentos de valor allernalivas são descritas em mais pormcnore
agregado no Capítulo 20. Cada uma possui um tipo di-
A finalidade de algumas atividades é aumen- ferente de custo. A te1Ta própria, via ele regra,
tar a renda líquida obtida com uma co111111odity exige o pagamento de impostos imobiliários e
após o término do seu ciclo de produção. Elas custos de manutenção. O custo da terra arren-
gcraJmente podem ser descritas como e111pre- dada à vista é simple ·mente o montante pago
e11dime1110s de valor agregado. Exemplos são como aluguel. Terra arrendada mediante uma
o processamento de leite, frutas ou vegetais parceria agrícola típica não po. sui um cu ·to
para produtos alimentícios; triagem e embala- direto para o arrendatário. Entretanto, apenas
gem de produtos por tamanho ou qualidade; e o quinhão do arrendatário obre a rec ita e os
venda de animais como carne processada. En- custo ele produção deve ser incluído no resu-
tretanto, a maior parte dos processos que agre- mo do empreendimento.
330 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

e todo os cultivas produzidos pela uni- por todo os acres, sendo o mesmo cu lo por ,.1
dade rural podem ser cultivado em qualquer ncre contabilizado para cada cultivo. Entretanto 1

elas terras disponíveis, todos os custos da terra se determinados cultivas só podem ser planta-
podem simplesmente ser di tribufdos em média dos em determinados acres, um custo cparado

Quadro 18-2 Comparação de unidades fundiárias

A família Sorensen planta trigo no centro da pois eles não eram diretamente afetados pela
Dakota do Norte. Eles arrendam terras de cin- terra arrendada. De forma semelhante, não in-
co proprietários diferentes, mas andavam se cluíram despesas da sua terra própria, como
perguntando quais estabelecimentos de fato tributos patrimoniais.
contribuíam mais para seu lucro rural total. Todo o trigo era de qualidade parecida,
Após a colheita, eles separaram seus custos sendo misturado antes de ser comercializado,
diretos por estabelecimento e desenvolveram então eles atribuíram seu preço médio de co-
a comparação abaixo. Eles não alocaram cus- mercialização, US$ 5, 1O por bushel, para to-
tos acessórios, como depreciação de máqui- dos os estabelecimentos.
nas, serviços públicos ou seguro patrimonial,

Fazenda Município de Espólio de Tia Fazenda


Nome do estabelecimento Turner Richlnnd Olson Elizabeth Loflsted

Acres plantados 185 214 144 301 175

Tipo de regime imobiliário An·cndamento Arrendamento Arrendamento Parceria a Parceria a


à vista à vista à vista 70% 75%

Bushels produzidos por 49 64 59 53 63


acre
Rendá bruta, a US$ 5, 1O US$ 249,90 US$ 326,40 uss 300,90 uss 189,21 uss 240,98
(quota do operador)
Despesas diretas por acre
(quota do operador)
Sementes uss 10,97 uss 13,90 uss 12,63 uss 9,75 uss 10,95

Fertilizante 51,71 54,27 58,06 41 ,30 37,05

Pesticidas 16,73 33, 15 24,14 17,47 18,33

Seguro de colheita 21 ,70 31 ,61 27,03 17,50 18, 15

Combustível, óleo e 27,52 39,19 34,74 30,04 26,91


reparos
Aluguel da terra US$ 30,00 uss 44,00 uss 35,00 uss 0,00 $ 0,00

Retorno sobre despesas US$ 91,27 uss 110,28 uss 109,30 uss 73,15 uss 129,59
diretas e aluguel

Três dos seus cinco estabelecimentos gera- disponíveis em sua comunidade que pudessem
ram um bom retorno por acre. O lucro da fazen- dar um retorno melhor. Eles também resolveram
da Turner ficou abaixo da média, apesar de ter discutir com a tia Elizabeth se uma mudança
tido o menor ônus com arrendamento à vista. Os para uma parceria rural a 75% seria um acerto
Sorensen decidiram ver se havia outras terras mais justo para o estabelecimento rural dela.
Capítulo 18 Análise de empreendimento 331

1 m ~n h tipo d tc1Tn de, · s r stimud , ntri- ou que não produzem ao menos renda sufi-
t uiml · n ·u lt ivo corrcspondcnt . O mesmo ciente para pagar todos os custos variáveis
prin' pio e n1 licn n I nsto que pode ser u1ilizn- mais a locação da terra, devem ser retirados
l pm qunlqu r 'mpre ndim nto I ccu1hio ou da ba e fundi ária. Alguns arrendatários classi-
~nn, pnm um cmprc ndimcnto "ll\ pnrticulm. ficam todos os seus estabelecimentos arrenda-
dos por lucratividade, todos os anos, tentando
Comparação de unidades substituir as unidades fundiárias menos lucra-
fundiárias tiva . O resumo de custos e rendas também
pode ser usado para estimar qual seria um pre-
r\lgun l I dut r 'S u0 rf oln nrrcndnm terras ço razoável de arrendamento de cada estabe-
d vário proprietário , com preços de alu- leci mento rural. A Tabela 20-3 apresenta um
m1cl difcrent sou ob diforontcs Lipos de ar- exemplo desse tipo de análise.
n:-ndnmcnto. Alguns desses estabelecimentos
rurendnd podem ser mais produ1ivos do que
utro . É útil comparar a lucraLividnde de VERIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO
diferente~ unidades fundiári as, especialmente
e eu arrendamentos puderem ser renovados Para calcular muitas das medidas de eficiência
ou rescindidos anualmente. Cada cultivo de fís ica utilizadas em empreendimentos agríco-
nda e tabelecimento pode ser considerado las e pecuários, é necessária uma estimativa
um entro de lucro separado. Aplicam-se as precisa da quantidade de produção. Ela cos-
mesma regras discutidas anteriormente para tuma ser medida em bushels, toneladas, li-
alo ação de custos. Se os regisu·os permiti- bras ou cabeças. Pode-se verificar a exatidão
rem, os custos dos insumos podem ser ajus- desses números de estoque por meio da regra
tados para cada estabelecimenlo rural , como geral de que as fontes devem ser iguais aos
quando algumas unidades demandam taxas usos. A Tabela 18-4 mostra as medidas rele-
mniore de aplicação de fertilizante do que vantes de fontes e usos para um exemplo de
n outras. Em outros casos, o custo total de empreendimento agrícola, o sorgo granífero.
um certo insumo pode simplesmente ter que A maior parte das quantidades e valores pode
er di tribuído em média por todos os acres. ser medida diretamente ou derivada de recibos
É muito importante, porém, que a quantidade de venda ou registros de compra. No entanto,
do produto colhido em cada estabelecimento se forem conhecidas todas as quantidades ou
eja r gistrada com precisão, a tim de avaliar vnlores exceto um, o desconhecido pode ser
e omparar corretamente n lucrati vidade de encontrado calculando-se a diferença entre a
cada unidade fundiária. soma das fo ntes e a soma dos usos. Isso, às
Quando a qualidade do cultivo colhido vezes, é fe ito para estimar a quantidade de for-
varia por estabeleci mento, i ·so deve ser refle- ragem dada aos animais ou a quantidade de
tido no preço de venda ou estoque atri buído cullivos produzidos. Mesmo assim, alcança-se
a cada terreno. Se todo o grão for combinado uma precisão maior quando todas as quanti-
antes de ser comerc ializado, porém, o mes- dades físicas são medidas diretamente e a re-
mo preço de venda médio pode ser atribu ído lação de igualdade é usada para verificar sua
a todo o estabelecimentos. Por fim , pode-se precisão, isto é, se o total de fontes é igual ao
obter um lucro como média ponderada por total de usos.
acre d • cada unidade fundiária com ba e nas O valor total em dólares da produção
receitas, de pesas e número de acres de cada gerada no exercício contábil pode ser obtido
cultivo plantado na unidade. subtraindo-se o valor do estoque inicial e com-
E tubclecimentos agropecuários que r '- pras cio valor total de todos os usos. Observe
gistrnm continuame nte um prej uízo líquido, que es e valor pode incluir um ganho ou perda
332 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

Tabela 18-4 Verificação de estoques agrícol as (sorgo granífero)


Fontes Quantidade (cwt) Valor por cwt Valor (US$)

Estoque inicial 3.100 USS5, I0 US$ 15.810


Comprado nada
Proóuzido 13.250 US$ 74.262•
Total 16.350 uss 90.072
l".sos Q uan tidade (cwt) Valor por cwt Valor (USS)

Es oque final 5.300 uss 5,65 uss 29.945


Vendi 3.470 uss 5,24 uss 18.183
semente nada
forr..gem 7.480 uss 5,35 USS4l.944
Desperoício. OOtr2S perdas 100 uss 0,00 uss 0,00
16.350 USS90.072

" do =mo do culcr.-o (USS 90.072 - USS 15.810).

e rei , - eS oque em razão de mudanças SISTEMAS DE CONTABILIDADE


: durante o exercício co ntábil, assim
o o 2{hi nda de vendas. o entan- A maioria dos programas de contabilidade do
w . se o o d uçâo inteiro (por meio da estabelecimento agropecuário completo tam-
[Link] _:, - fi.n2l da safra) for usado como exer- bém é capaz de realizar análise básica de em-
- ·o oo ~ íl~ não ha: 'erá estoque inicial ou fi- preendimentos. Recebimentos e despesas va-
;-; O \ [Link] será simplesmente are- riáveis são identificados por empreendimento
. UN.a1 receb. de vendas e outras fontes. à medida q ue são inseridos, geralmente com
_ pecuários podem ser veri- um número de código ou uma lista em cascala.
procedírnento similar. Alguns programas também possuem um pro-
Quz.n · ·,, = ·ca.s geralmeme são medidas cedimento para alocar automaúcamente custos
e li . oo (!UIDI2Í5 curtos ( 100 libras), as- acessórios entre empreendimentos. O compu-
sim oomo po.- - :erode cabeças. Por esse tador consegue repassar rapidamente todos os
·· -o. é - F?!Í"' um2 coluna na Tabela recebimentos e despesas, reunir e organizar os
- . Bezem:J,s. . · - o cordeiros perdidos que pertencem a um empreendimento específi-
e valor firuris presumi- co e apresentar os resultados em dóiare totais
zero. . e aifara ís p<[Link] também por acre (ou outra [Link] de produção).
· a o esroque quando são re- Para fazer uma análise de empreendimen-
: ...· ~como fllliores fémeas e lecio- to corretamente, o sistema de c ontabilidade
=~•·•.....içzo de reprndatores ou deve controlar as quanúdade físicas de insu-
~ [S5]etru[l'(Jl5 cfo reb2nho para o confi- mo e produto , assim como o alore mo-
netári os, aceitando transaçõe internas entre
e ..--ar- prnd zido " empreendimentos. Ao implantar o isterna de
üãindo-se o wca.I de contabilidade, de,,e-se tomar bastante cuidado
s. As díferenças para definir claramente os empreendimentos a
- g' e o valor to- serem analisado e definir o plano de contas,
. [Link], de modo que eja fácil atribuir corretamente
Iábil. rendas e despesas.
Capítulo 18 Análise de empreendimento 333

Tabela 18-5 Verificação de estoques pecuários (gado)


Fontes Cabeças Peso (cwt) Valor por cwt Valor ({JS$)
E toque inicial 3 15 1.890 US$ 80 US$ 151 .200
Comprado 265 1.908 US$ 75 US$ 143. 100
Produzido no estabelecimento 175 2.843* US$ 194.398**
Total 755 6.641 US$ 488.698
Usos Cabeças Peso (cwt) Valor por cwt Valor (US$)
Estoque fi nal 296 1.702 US$84 US$ 142.968
Vendido 4 15 4.686 US$ 70 US$ 328.020
Perda por morte li
Novilhas transferidas 33 253 US$ 70 US$ 17.7IO
Total 755 6.641 US$ 488.698
• Igual ao ganho total produzido, cm quintais curtos (6.64 1 - 1.890 - 1.908).
.. lgunl ao valor total do aumento dos ani mais (USS 488.698 - US$ 15 1.200 - USS 143. 100).

RESUMO
A maioria dos estabelecimentos agropecuários gera mais de um produto. Dividindo-se o negócio em vários
empreendimentos, pode-se medir a contribuição de cada um para as metas financeiras do negócio. Centros
de lucro acumulam tanto receitas quanto despesas, enquanto centros de custo só possuem despesas, pres-
tando serviços aos demais empreendi mentos. O exercício contábil de um empreendimento pode ser igual
ao de todo o estabelecimento, mas frequentemente segue o ciclo de produção da commodity.
Podem ser usadas transações internas para mostrar o valor dos produtos gerados por um empreendi-
mento (como forragem), que, por sua vez, são usados por outro empreendi mento (como pecuária). Manter
registros meticulosos das quantidades físicas dos cultivas e animais produzidos e vendidos, bem como
aplicar a regra de que as fontes totais devem ser iguais aos usos totais, pode apri morar a exatidão da conta-
bilidade de empreendimentos.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Qual é a finalidade da análise de empreendimento?
2. Qual é a diferença entre um centro de lucro e um centro de custo?
3. Pense em um estabelecimento rural com o qual você esteja familiarizado. Liste todos os empreendi-
mentos diferentes que podem ser definidos para ele.
4. o que são "transações internas"? Como elas melhoram a precisão da análise de empreendimemo?
5. Como as despesas acessórias podem er alocadas entre os empreendimento ?
334 Parte V Aperfeiçoamento das habilidades gerenciais

6. Considere os segui ntes dados de estoque, compra e venda de um confinamento de gado de corte:

Cabeças Peso (lb) Valor (US$)


Estoque inicial 850 765.000 612.000
Estoque final 1. 115 936.600 730.548
Compras 1.642 1.018.040 865.334
Vendas 1.340 1.586.000 1.064.630
Perda por morte ? XXX XXX
Aumento de produção o
a. Qual foi a perda aparente por morte, em cabeças?
b. Quanta carne foi produzida, em libras?
c. Qual foi o valor desse aumento de produção?
VI
Aquisição de
recursos gerenciais

mbora o desenvolvimento de habilidades


E gerenciais rurais seja o tema central des-
te livro, poucas pessoas tiram seu sustento da
operadores cedem seus serviços de gestão por
contrato a terceiros. Determinar a composição
correta de recursos próprios e não próprios a
agricultura com base apenas em suas habilida- usar é uma decisão gerencial vital. Isso de-
des gerenciais. Uma grande porção da receita manda um plano estratégico e de longo prazo.
gerada pela pecuária e agricultura vai para os O Capítulo 19 discute o capital como um
fornecedores dos recursos físicos, financeiros recurso de produção agropecuária. O capital
e humanos necessários para que a produção em si não produz produtos agropecuários, mas
agropecuária ocorra. Quanto desses recursos pode ser usado para comprar ou alugar outros
está disponível para o gestor e como eles são recursos que o fazem. Fonte de capital in-
obtidos pode fazer a diferença entre operar um cluem o patrimônio do operador, empréslimo ,
negócio com lucro ou prejuízo. ativos arrendados e contribuições de sócios
A renda rural líquida é o retorno sobre ou investidores. O uso do crédito para adqui-
todo os recursos conu-ibufdos pelos operado- rir ativos de capital é comum na agropecuária,
res. Uma chave para melhorá-la é aumentar a mas exige planejamento e controle cuidado o
quantidade ou qualidade dos recursos próprios para ser usado de forma lucrativa e criteriosa.
do operador ao longo do tempo. Alguns recur- Em termos monetário , rerra é o rcL:ur ·o
so ão de contribuição do operador e sua fa- mai valio o usado na produção agr pecu -
mília. Outros são obtido por meio de emprés- ria. Controle e u o de terra rural é o tema do
timo, arrendamento ou contratação. Alguns Capít ulo 20. Fala-se obre compra e a ali l-
336 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

ção de teJTa, além dos vários tipos de arren- mento e gestão de mão de obra contratada e
damento e uas vantagens e desvantagens. do tempo do próprio operador.
A propriedade e uso da tetTa para produção A mecanização alterou a profissão agro-
agropecuária [Link] atenção à conservação de pecuária mais do que qualquer outra inovação
recur os e su tentabilidade ambiental, além do século passado. Ela provocou um rápido
do lucro. aumento na produtividade por pessoa, o que
Os recursos humanos na agropecuária resultou em menos mão de obra agropecuária
evoluíram da execução de trabalho físico pe- e estabelecimento rurais maiores. Máquinas
sado até a realização de tarefas altamente es- representam um grande investimento de capi-
pecializadas, com utilização de sofisticados tal em muitos estabelecimentos, e o Capítulo
equipamentos e tecnologias. Embora a mão 22 explora alternativas de aquisição do uso de
de obra usada na produção agropecuária tenha serviços de maquinário. Também são expostos
caído, sua produtividade aumentou muito. O métodos para calcular e controlar custos de
Capítulo 21 explana os conceitos de planeja- maquinário e para aprimorar a sua eficiência.
Capital e crédito

Objetivos do capítulo
1. Apontar a importância do capital na agro- 5. Mostrar como montar diversos planos de
pecuária. pagamento de empréstimos.
2. Ilustrar o melhor uso e alocação do capital 6. Explicar como estabelecer e desenvolver
3. Comparar diferentes fontes de capital e credibilidade.
crédito na agropecuária. 7. Examinar fatores que afetam a liquidez e
4. Descrever diferentes fontes de emprésti- a solvência de um negócio rural.
mos usados na pecuária e na agricultura.

Muitas pessoas pensam em capital como di- aumentou velozmente. Incrementas nos pre-
nheiro, saldos em contas co1Tentes e de pou- ços da terra foram respon áveis por muito
pança e outros tipo~ de fundos líquidos. Essa desse aumento. De l'orma semelhante, quando
é uma definição estreita de capital. Capital os preços ela terra caíram em muita pnrte: eh
também inclui dinheiro investido em animais, Estados Unidos no início du década de 1980,
maquinário, construções, terra e qualquer ou- o valor total cios ativos também caiu. Doseie
tro ativo comprado e vendido. então, ele voltou a crescer, mas n umn veloci-
A agropecuária possui um dos maiores dade mais modesta.
investimentos de capital por trabalhador en- O investimento de cnpit li por estai> -
tre as grandes indústrias norte-americanas. feci111 e1110 agropecuário subiu ai nda mai ,
Isso ajuda a tornar os operadores rurai s muito rapidamente cio que o investimento lotai na
produtivos. A Figura 19-1 mostra as mudan- agropecuária, uma vez que o ntllll 'l'O d.-. os-
ças que se deram no montante de capital in- tabelecimentos diminuiu no Estado Unidos.
vestido na agropecuária nos Estados Unidos, Muitos produtorc rurni cm l 'mpo intcgrnl
deílacionadas para dólares de 1982. Nos anos possuem invc timcnlo de cupitnl sup •ri ffos
1970, o valor dos ativos agropec uários totnis a US$ i .000.000. A torra rep resenta 111ui10
338 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

1.400 . - - - - - - - - - - - - - - - -- - - -- - ---,

1.200

:(l 1.000

:f:

E 800
Q)

1Z
:::, 600

400
Patrimônio

200

Figura 19-1 Investimento de capital na agropecuária dos EUA, 1° de janeiro (dólares de 1982).
(Fonte: Ministério da Agricultura dos EUA.)

desse investimento, mas edificações, animais pios econômicos expostos nos Capítulos 7 e 8.
e máquinas também são importantes. Esse As perguntas básicas a responder são:
grande investimento de capital por estabele-
1. Quanto capital total deve ser usado?
cimento exige uma compreensão sólida dos
2. Como se deve alocar capital limitado en-
princípios da gestão fin anceira para competir
tre seus vários usos potenciais?
na economia internacional atual.
Crédito é importante para a aquisição e
uso do capital. É a capacidade de tomar di- Uso total de capital
nheiro emprestado mediante a promessa de Quando há capital ilimitado à disposição,
devolver o dinheiro no futuro e pagar juros o problema é quanto capital o negócio deve
por sua utilização. O uso do crédito permite usar. No Capítulo 7, a pergunta de quanto in-
que os agropecuaristas adqui ram ativos pro- sumo utilizar foi respondida encontrando-se
dutivos e paguem por eles mais tarde, com a o nível de insumo em que o valor do produ-
renda que eles gerarem. to marginal (VPMg) ficava igual ao custo do
insumo marginal (CIMg). O mesmo princípio
pode ser aplicado ao uso do capital.
A ECONOMIA DO USO A Figura 19-2 é uma representação grá-
DO CAPITAL fica do VPMg e do CIMg, em que o VPMg
está caindo, como ocorre sempre que há re-
Em termos amplos, capital é o dinheiro inves- tornos marginais decrescentes. O YPMg é o
tido nos insumos físicos empregados na produ- retorno líquido adicional, antes do pagamento
ção agropecuária. Ele é necessário para com- de juros, que resulta de um investimento de
prar ou arrendar ativos produtivos, pagar mão capital adicional. Esse retorno adicional pode
de obra e outros insumos e fin anciar o sustento ser estimado empregando-se as técnicas de or-
familiar e outros dispêndios pessoais. O uso do çamento parcial descritas no Capítulo 12. O
capita l pode ser analisado utilizando os princí- YPMg é calculado de forma similar à renta-
Capítulo 19 Capital e crédito 339

que maximizaria o lucro total. O problema,


então, é alocar capital limitado entre seus usos
alternativos. Isso pode ser realizado usando-se
o princípio da igualdade marginal, discutido
no Capítulo 7.
A utilização do princípio da igualdade
marginal faz com que o capital seja alocado
Cunto do prouuto murylnol
entre usos alternativos de um modo que o va-
lor do produto marginal do último dólar seja
tJ igual em todos os usos. Mesmo se não houver
Ottpltol
capital adicional à disposição para investir,
pode haver oportunidades de transferir capital
Figuro 19-2 Uso doe princípios marginais entre usos para igualar mais os valores do pro-
poro cJolormlnar o uoo Ideal de capital.
duto marginal.
Esse princípio geralmente é difícil de
[Link] tios utivos (RDA), salvo que é ucrcs- aplicar em uma situação rural real. Primeiro,
[Link] u111 f'utor de 1,00 e que u RDA mede o talvez haja informação insuficiente disponí-
retorno 111édio, e níío murgínul. vel para calcular com exatidão os valores do
O custo do insumo marginal (CIMg) é produto marginal. Os preços e os custos estão
iguul 110 dól11r adicional de capital investido sempre mudando. Segundo, alguns usos alter-
11111i11 os juros que devcrn 11cr pagos pura usá-lo. nativos podem exigir grandes investimentos
Por conseguinte, o '!Mg é igual a 1 + i, tal que cm pagamento único, do tipo "tudo ou nada",
/ é u tuxu de juros Nobre 011 fundos emprestados como edificações pecuárias, estufas ou siste-
uu o cwllo de oportunidade de investir o capital mas de irrigação. Terceiro, capital investido
próprio do cstubelccímcnto. Nesse exemplo, o em ativos como terras ou construções não
lucro será muxirnizudo utilizando-se o montan- pode ser facilmente transferido para outros
te de cupitul n:prc!icntado por a, onde o VPMg usos. Isso torna difícil igualar os valores do
é lguu l uo IMg, i!itO é, onde o investimento produto marginal dessas alternativas com ou-
~cm rcccltu suficiente para cobrir o desembol- tras cm que o capital pode ser investido dólar
"º inicial de cupitul mais o custo dos juros. a dólar. Ainda assim, as dificuldades enfren-
Em ulgun f-l c.: 111,os, u tuxu de juros aumenta tadas na aplicação do princípio da igualdade
uo pus110 que mais capital é usado, como quan- marginal não devem de incentivar sua utili-
do o rmrtuunte elas ·ilíc11 o mutuário como pcr- zação. Sempre que capital limitado puder ser
lc11cente u urna catcgoríu 11111is alta de risco. realocado para deixar os valores do produto
Quumlo Íf-Jso acontece, u curva do IMg sobe marginal mais próximos da igualdade, o lucro
11 u111 nível rnuis 11110. O montante ideal de ca- total será ampliado.
pitul u utilizar seriH, então, inferior a quando a
tuxu de juros c o .f Mg Nilo constantes.
FONTES DE CAPITAL
Alocação de capital !Imitado Capital consiste em caixa e ativos comprados
Muitoi; ncgócio1, nilo possuem cupital próprio com caixa, então é relatívamente fácil combi-
ulic:ientc ou não conscgucm tomar dinheiro nar capital de fontes diferentes. Uma parte im-
c111prc111ado o sulicicntc pum ulingir o ponto portante ela gestão financeira agropecuária é a
c111 que o VPMg é iguul uo IMg para o ca- capacidade de obter capital de diversas fomes
pltul tutul 81.:ndo usado. Em outrns palavras, o e combiná-lo nas proporções certas em vários
c:upitul é li111i111do u menos do que o montante usos.
340 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

A crise do endividamento rural dos anos 1980: o que


Quadro 19-1
deu errado?

A década de 1980 foi um desastre financeiro mldor chegara a um pico de 13,5% em 1980).
para muitos agropecuarlstas norte-america- Ele restringiu o crescimento da base mone-
nos, Isso foi causado por uma gestão financei- tária, e as taxas de juros subitamente salta-
ra Irresponsável ou por uma combinação de ram para 15% a 20% ou mais. O subsequente
forças econômicas sobre as quais os produto- aumento no valor internacional do dólar oca-
res rurais não tinham controle? sionou a queda da demanda mundial por pro-
Do fim da Segunda Guerra Mundial até o dutos norte-americanos, e os preços das com-
Início dos anos 1970, a agropecuária dos EUA modltles agropecuárias despencaram, Muitos
aumentou a produção adotando rapidamente produtores rurais que tomavam emprestadas
tecnologias novas. O tamanho dos estabeleci- grandes quantias por melo de empréstimos
mentos rurais aumentou, enquanto o número a taxa de juros variável agora se deparavam
de unidades de produção caiu pela metade. com rendas menores e pagamentos maiores.
Mesmo assim, as baixas margens de lucro e Como a demanda por terra rural encolheu
as lembranças da Grande Depressão faziam e os agropecua ristas com dinheiro curto co-
com que os agropecuarlstas fossem muito meçaram a tentar vender terra, os valores dos
conservadores em seu uso do crédito. imóveis rapidamente caíram. Os credores pas-
Subitamente, a partir de 1973, a econo- saram a executar os inadimplentes antes que
mia rural dos EUA teve um boom. A deman- os valores das garantias ficassem menores
da mundial por commoditles agropecuárias, do que os saldos devedores. Duas estiagens
combinada com escassez de produção, fez rigorosas no Meio-Oeste, em 1983 e 1988,
com que os preços da maioria dos produtos corroeram ainda mais a situação financeira de
agrários duplicassem em menos de dois anos. muitos agropecuaristas.
Os produtores rurais viram suas rendas líqui- Estima-se que de 200.000 a 300.000 es-
das Ir às alturas e buscaram reinvestir seus tabelecimentos agropecuários tenham falido
lucros imprevistos em mais terras, máquinas na década de 1980. Muitos bancos rurais e
e animais. Uma oferta abundante de crédito e fornecedores de insumos também fecharam as
taxas de juros de um único dígito abasteceram portas. Muitos dos estabelecimentos rurais que
o boom (vide Figura 19-1 ). Os mutuantes fica- sobreviveram o fizeram com a ajuda de paren-
ram mais do que dispostos a estender crédito tes, por meio de baixa negociada da dívida por
quando os valores dos ativos, especialmente parte dos mutuantes ou porque tinham sido
os preços da terra, estavam aumentando a ta- muito conservadores em seu uso do crédito.
xas de 20% a 30% ao ano (vide Figura 20-1 ). Gradualmente, as taxas de juros caíram ,
No início dos anos 1980, uma série de os preços das commoditíes se recuperaram e
acontecimentos causou uma brusca revira- os mercados de ativos rurais estabilizaram. En-
volta na economia rural. O Banco Central dos tretanto, toda uma geração de agricultores, pe-
EUA (Federal Reserve System) tomou uma cuaristas e mutuantes rurais teve suas atitudes
decisão de reduzir a inflação da economia (o perante capital e uso de crédito profundamente
aumento anual do fndice de Preços ao Consu- influenciadas pela Crise Rural dos anos 1980.

Patrimônio líquido garantir ou acumular patrimônio. A maioria


O capita l próprio do agropecuarista é chama- dos agropecuaristas começa com um aporte
do de patrimônio líquido ou valor líquido. Ele de capital inicial adquirido por meio de eco-
é calculado como a diferença entre os ativos nomias, doações ou heranças. À medida que
totais e os passivos totais do negócio, como o estabelecimento gera lucros acima do que
registrados no balanço patrimonial discutido é retirado para pagar despesas pessoais e im-
no Capítulo 4. Há vários modos de o operador postos, os lucros retidos podem ser reinvesti-
Capítulo 19 Capital e crédito 341

d no negócio. Alguns operadores podem ter nanceiro, podem oferecer seus serviços como
rendimento externos, como um trabalho não empreiteiros de investidores agropecuários.
rural ou outra renda de investimento, que po- Exemplos incluem alimentação customjzada
dem ser in estidos na operação agropecuária. de gado, terminação de suínos por empreita-
Ati os já possuídos podem ter seu valor da, produção de frangos de corte ou ovos por
aumentado por meio da inflação ou de altera- empreitada e agricultura customizada. Nor-
ções na demanda. Isso não aumenta a quanti- malmente, o operador provê a mão de obra e
dade ou produtividade dos ativos físicos, mas gestão e alguns dos equipamentos ou constru-
pode-se obter mais caixa vendendo os ativos ou ções, enquanto o investidor paga os demais
usando-os como garantia de um empréstimo. insumos. O operador receber um pagamento
fixo por unidade de produção. As habilidades
Patrimônio externo especiais que o operador venha a ler podem
ser alavancadas ao longo de mais unidades de
Alguns investidores podem querer fazer apor- produção, sem ampliar o risco financeiro. En-
tes de capital a um negócio agropecuário sem tretanto, os retornos potenciais por unidade de
ser o operador. Em alguns tipos de contrato operação de empreitada podem ser mcnore
de parceria rural, o proprietário da terra con- do que em um negócio operador pelo proprie-
tribui com capital operacional para a compra tário que seja bem gerido.
de sementes e fertilizante, ou mesmo fornece
equipamentos e reprodutores, como explica-
do no Capítulo 20. Operações agropecuárias Crédito
maiores podem incluir sócios investidores Depois do patrimônio líquido, o capital obtido
ou ocultos, que fazem aportes de capital sem por meio de crédito é a segunda maior fonte
participar da administração. Estabelecimentos de capital agropecuário. Dinheiro emprestado
rurais em sociedade anônima podem vender pode ser um meio de:
ações a investidores externos. Esses sistemas
• rapidamente aumentar o porte do negócio;
aumentam o total de capital disponível para o
• aprimorar a eficiência de outros recursos;
negócio, mas também obrigam o negócio adi-
vidir os lucros com os investidores. • di tribuir o custo de compra dos ativos de
capital ao longo do tempo;
Arrendamento • resistir a períodos passageiros de fluxo de
caixa negativo.
Muitas vezes, é mais barato obter o uso de ati-
vos de capital arrendando-os ou alugando-os O endividamento agropecuário aumentou
em vez de tê-los como propriedade. Arrenda- rapidamente em fins dos anos 1970 e início
mentos de curto prazo facilitam que o opera- dos 1980 (vide Figura 19- 1). No entanto, na
dor altere a quantidade e o tipo de ativos uti- metade da década de 1980, muito produtorc
lizados de um ano para o outro. Entretanto, rurais venderam ativos para reduzir o endivi-
isso também cria mais incerteza a respeito da damento ou receberam remissão de pagamen-
disponibilidade de ativos como terra e deses- tos ele dívida quando não podiam pagar. De de
timula a realização de benfeitorias de longo então, os passivos rurais novamente cresce-
prazo. As vantagens e desvantagens de arren- ram, mas a uma taxa lenta.
dar ativos rurais são discutidas em mais por- O endividamento imobiliário, ou s ja,
menores nos Capítulos 20 e 22. empréstimo garantido por terra e cdi fíci ,
totaliza aproximadamente metade da dívida
Empreitada 10ml. Empréstimos garantidos por animai ,
Agropecuaristas com acesso restrito a capital máquinas e estoque de ccreai. reprc cn1am a
ou crédito, ou que desejam limitar seu risco fi- outra metade. A comparação cio endiviclan1cn-
342 /
Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

to rural total com os ativos rurais totais indi- Empréstimos de curto prazo
ca que a agropecuária dos EUA está com boa Empréstimos de curto prazo geralmente são
saúde financeira (vide Figura 19-3). Porém,
r'
utilizados para comprar insumos necessários 1)
i so não quer dizer que todo agropecuaris- para operar ao longo do ciclo de produção )
ta está com boa saúde financeira . Sempre há corrente. Compras de fertilizante, sementes,
pessoas e negócios com mais dívidas do que o animais de engorda e forragem são exemplos.
que poderiam pagar. Salários e aluguéis também são financiados
com crédito de curto prazo. O vencimen to
se dá quando a safra é colhida e vendida ou
TIPOS DE EMPRÉSTIMO
quando os animais de engorda são vendidos.
Empréstimos de curto prazo também são cha-
Os empréstimos agropecuários podem ser clas-
mados de empréstimos de produção ou opera-
sificados segundo a duração do pagamento, o
cionais, sendo elencados nos passivos circu-
uso dos fundos e o tipo de garantia dada. Todos
lantes do balanço patrimonial rural.
eles trazem certos termos empregados no setor
do crédito. Um candidato a mutuário precisa se
Empréstimos de médio prazo
familiarizar com esses termos para conseguir
se comunicar bem com os mutuantes. Quando um empréstimo vence em mais de
um ano, mas menos de l O anos, é classifica-
do como de médio prazo. Geralmente, um ou
Duração do pagamento mais pagamentos vencem a cada ano. Emprés-
A classificação dos empréstimos por duração timos de médio prazo costumam ser usados
do período de pagamento é amplamente usada para a compra de máquinas, animais leiteiros
na elaboração de balanços patrimoniais, como ou reprodutores e algumas construções. Esses
discutido no Capítulo 4. Três classificações ativos são usados na produção por vários anos,
por tempo são de uso comum nos emprésti- e não seria de se esperar que se pagassem em
mos agropecuários. um ano ou menos.

25%

20%

15%

10%

5%

2000 2005 2010

Figura 19-3 Razão de endividamento dos estabelecimentos agropecuários dos EUA, 1° de ja-
neiro.
(Fonte: Ministério da Agricultura dos EUA.)
Capítulo 19 Capital e crédito 343

Empréstimos de longo prazo condições de fazer os pagamentos necessários


Um empréstimo com prazo de 1O anos ou de principal e juros, o mutuante tem o direi-
mais é classificado como empréstimo de lon- to legal de tomar posse dos ativos dados em
go prazo. Ativos com vida útil longa ou inde- penhor ou hipoteca. Esses ativos podem ser
finida, como terra e edificações, muitas vezes, vendidos pelo mutuante, sendo os proventos
são adquiridos com fundos de empréstimos usados para quitar o empréstimo. Ativos em-
de longo prazo. Empréstimos para a compra penhados ou hipotecados são chamados de
de terra podem ter prazo de até 20 a 40 anos, garantia do empréstimo.
por exemplo. Normalmente, são exigidos pa-
gamentos anuais ou semestrais ao longo do Empréstimos garantidos
prazo do empréstimo. Nos empréstimos garantidos, um ativo é hipo-
O Conselho de Padrões Financeiros Ru- tecado ou penhorado para garantir o emprés-
rais recomenda que empréstimos de médio e timo. Os mutuantes obviamente favorecem
longo prazos sejam combinados e registrados empréstimos garantidos, pois têm mais se-
como passivos 11ão circulantes no balanço pa- gurança de que o empréstimo será pago. Em-
trimonial. préstimos de médio e longo prazo geralmente
são garantidos por um ativo específico, como
Uso um trator ou um terreno. Alguns empréstimos
são garantidos por uma declaração de garantia
O uso ou a finalidade dos fundos é outra ma- em aberto, podendo incluir até mesmo ativos
neira comum de classificar empréstimos. adquiridos ou produzidos após o empréstimo
ser concedido, como cultivos no pé.
Empréstimos imobiliários
Esta categoria inclui empréstimos para a aqui- Empréstimos sem garantia
sição de imóveis, como terras e edifícios, ou Um mutuário com bom crédito e um histórico
para os quais ativos imobiliários servem como de pagamento pontual de dívida pode conse-
garantia. Empréstimos imobiliários costumam guir tomar dinheiro emprestado com apenas
ser de longo prazo. uma "promessa de devolução", sem hipotecar
ou penhorar uma garantia específica. Seria um
Empréstimos mobil/ários empréstimo sem garantia, também chamado
Todos os empréstimos comerciais que não são de e111présti1110 quirografário, uma vez que a
imobiliários encaixam-se nesta categoria, ge- assinatura do mutuário é a única garantia dada
ralmente sendo de curto ou médio prazo. Sa- ao mutuante (em latim, chirographari11s é um
fras, animais, máquinas ou outros ativos mo- adjetivo relativo ao que é "escrito de próprio
biliários podem ser dados em garantia. punho"). A maior pane das práticas de emprés-
timo e regulamentações bancárias de estimula
Empréstimos pessoais a concessão de emprést imos sem garantia.
São empréstimos não comerciais utili zados
para comprar ativos pessoais, como casas, Planos de pagamento
veíc ulos e eletrodomésticos.
Existem muitos tipos e variações de planos de
pagamento de crédito agropecuário. O mu-
Garantia tuantes tentam encaixar o pagamento com a
A garantia do empréstimo são os ativos ofe- finalidade do empré timo, o tipo d, garantia
recidos ao mutuante para a segurnr o puga- usado pura as 1.:gurnr o empréstimo e tluxo
mcnto do cmpré timo. Se o mutuário não tiver de caixa projetado do mutuário.
Capítulo 19 Capital e crédito 343

Empréstimos de longo prazo condições de fazer os pagamentos necessários


Um empréstimo com prazo de I O anos ou de principal e juros, o mutuante tem o direi-
mais é classificado como empréstimo de lon- to legal de tomar posse dos ativos dados em
go prazo. Ativos com vida útil longa ou inde- penhor ou hipoteca. Esses ativos podem ser
finida, como terra e edificações, muitas vezes, vendidos pelo mutuante, sendo os proventos
são adquiridos com fundos de empréstimos usados para quitar o empréstimo. Ativos em-
de longo prazo. Empréstimos para a compra penhados ou hipotecados são chamados de
de terra podem ter prazo de até 20 a 40 anos, garantia do empréstimo.
por exemplo. Normalmente, são exigidos pa-
~amcntos anuais ou semestrais ao longo do Empréstimos garantidos
prazo do empréstimo. Nos empréstimos garantidos, um ativo é hipo-
O Conselho de Padrões Financeiros Ru- tecado ou penhorado para garantir o emprés-
-- -. rai recomenda que empréstimos de médio e timo. Os mutuantes obviamente favorecem
longo prazos sejam combinados e registrados empréstimos garantidos, pois têm mais se-
como passi\Os não circulantes no balanço pa- gurança de que o empréstimo será pago. Em-
trimonial. préstimos de médio e longo prazo geralmente
são garantidos por um ativo específico, como
Uso um trator ou um terreno. Alguns empréstimos
são garantidos por uma declaração de garantia

.,- -
O u o ou a finalidade dos fundos é outra ma-
neira comum de classificar empréstimos.
em aberto, podendo incluir até mesmo ativos
adquiridos ou produzidos após o empréstimo
ser concedido, como cultivos no pé.
Empréstimos imobiliários
Esta categoria inclui empréstimos para a aqui- Empréstimos sem garantia
sição de imóveis, como terras e edifícios, ou Um mutuário com bom crédito e um histórico
para os quais ativos imobiliários servem como de pagamento pontual de dívida pode conse-
garantia. Empréstimos imobiliários costumam guir tomar dinheiro emprestado com apenas
er de longo prazo. uma "promessa de devolução", sem hipotecar
ou penhorar uma garantia específica. Seria um
Empréstimos mobiliários empréstimo sem garantia, também chamado
Todos os empréstimos comerciais que não são de empréstimo quirografário, uma vez que a
imobiliários encaixam-se nesta categoria, ge- assinatura do mutuário é a única garantia dada
ralmente sendo de curto ou médio prazo. Sa- ao mutuante (em latim, chitvgrapharius é um
fras, animais, máquinas ou outros ativos mo- adjetivo relativo ao que é ''escrito de próprio
biliários podem ser dados em garantia. punho"). A maior parte das práticas de emprés-
timo e regulamentações bancárias desestimula
Empréstimos pessoais a concessão de empréstimos sem garantia.
São empréstimos não comerciais utilizados
para comprar ativos pessoais, como casas, Planos de pagamento
efculo e eletrodomésticos.
Exi tem muitos tipo e variações de plano · dl!
pagamento de crédito agropecuário. Os mu-
Garantia tuantes tentam encuixar o pagamento com u
garantia do empréstimo são os ativos ofc- finalidade do empré timo, o tipo de garantia
r ido ao mutuante para as egurar o paga- usado para a ·egurnr o empréstimo e o tlu, o
o cnto do empré timo. Se o mutuário não ti ver de caixa projetudo do mutuário.
344 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Quadro 19-2
Empréstimos espeelals para agropecuarlatas
1
Iniciantes r

Agropecuaristas iniciantes, muitas vezes, têm Muitas secretarias estaduais de agricul-


dificuldade para obter o crédito de que preci- tura oferecem aos produtores rurais iniciantes j
sam para começar suas próprias operações. empréstimos que são concedidos e pagos ',
Eles geralmente não têm as garantias, o valor por meio de mutuantes comerciais. Frequen-
líquido e a experiência que os mutuantes pro- temente, esses empréstimos são financiados
curam em um mutuário. Entretanto, existem di- vendendo-se "aggie bonds" isentos de impos-
versos tipos de programas especiais visando tos, que possibilitam que se cobre do mutuário
aos que estão ingressando na agropecuária. uma taxa de juros menor. Esses empréstimos
A Agência de Serviço Rural (FSA) sepa- normalmente são usados para a compra de
ra uma porção de seus fundos todos os anos terra, maquinário, reprodutores e outros ativos
para fazer empréstimos de propriedade ru- de capital.
ral e empréstimos operacionais diretos para A definição de agropecuarista iniciante
agropecuaristas iniciantes. A FSA também e os requisitos de candidatura são diferentes
dá garantias para empréstimos de mutuantes para cada programa de empréstimos para
comerciais ou particulares. Os Serviços de agropecuaristas iniciantes, mas todos eles
Crédito Rural também oferecem programas de visam a facilitar que a próxima geração de
empréstimos especiais para agropecuaristas agricultores e pecuaristas se estabeleça na
com menos de 1O anos de experiência. agricultura.

Quando um emprésLimo é negociado, o que haverá dinheiro disponível quando o em-


mutuário e o mutuante devem chegar a um préstimo vencer.
acordo sobre quando ele será devolvido. Em Os juros pagos sobre o empréstimo com
todos os casos, o total de juros pago aumen- pagamento único são chamados de juros
ta se o dinheiro é emprestado por um tempo simples. Por exemplo, se forem emprestados
maior. A equação fundamental do cálculo de OS$ 40.000 por exatamente um ano a 8%
juros é: de juros anuais, o pagamento único seria de
US$ 43.200, incluindo US$ 40.000 de princi-
l=PxíxT pal e US$ 3.200 de juros.
tal que I é o montante de juros a pagar, P é
US$ 40.000 x 8% x l ano = US$ 3.200
o principal (ou montante de dinheiro tomado
emprestado ou atualmente devido), í é a taxa Se o empréstimo for pago em menos ou
de juros por período de tempo e T é o número mais do que um ano, os juros só seriam calcu-
de períodos de tempo ao longo dos quais os lados sobre o tempo real em que o dinheiro foi
juros incidem. emprestado.

Pagamento único Linha de crédito


Empréstimos de pagamento único colocam A utilização de empréstimos de pagamen-
todo o principal devido em um único paga- to único, muitas vezes, significa tomar mais
mento no vencimento do emprésLimo, mais dinheiro emprestado do que o que operador
juros. Empréstimos de curto prazo ou opera- realmente precisa de uma só vez ou ter que
cionais geralmente são deste tipo. Emprés- fazer vários empréstimos diferenles. Como
timos de pagamento único exigem um bom alternativa, alguns mutuantes permitem que
planejamento de fluxo de caixa para assegurar o mutuário negocie uma linha de crédito. Os
Capltulo 19 Capital e crédito 345

fundos emprestados são transferidos para a Uma linha de crédito diminui os cus-
conta do estabelecimento rural conforme ne- tos de juros do mutuário e resulta cm menos
cessários, até uma quantia máxima aprovada. tem po perdido no processo de aprovação do
Quando a renda rural é recebida, o mutuário empréstimo. Todavia, o mutuário precisa ter
primeiro paga os juros ac umulados do em- mai s disciplina ao decidir como empregar os
préstimo, para, então, aplicar o resto dos fun- fundos emprestados e quando e quanto tomar
e -:..
·;:~~
. dos ao principal. Não há um programa ou va- emprestado ou pagar.
lor fixos de pagamento.
A Tabela 19-1 apresenta um exemplo de Amortizado
linha de crédito. As importâncias empres- Um empréstimo amortizado é aquele que pos-
tadas são US$ 40.000 em 1º de fevereiro e sui pagamentos periódicos de juros e princi-
US$ 20.000 em l º de abril, a uma taxa de ju- pal. Também pode ser chamado de emprés-
ros anual de 9%. Em 1º de setembro, é feito timo em parcelas. À medida que o principal
um pagamento de US$ 32.850 ao mutuante. é pago e o saldo do empréstimo diminui, os
Os juros devidos são calculados como segue: pagamentos de juros também caem. Imagine
que são emprestados US$ 10.000, consistindo
,. ' : US$ 40.000 x 9% x 2/12 = US$ 600
o programa de pagamento em US$ 5.000 em 6
US$ 60.000 x 9% x 5/12 = US$ 2.250
meses e os US$ 5.000 restantes ao fim do ano.
US$ 2.850
Os cálculos de juros seriam os seguintes:

-
Foram cobrados juros sobre US$ 40.000 por
dois meses e sobre US$ 60.000 por cinco me- Primeiro pagamento: US$ 10.000 a 12% por
ses. Os US$ 30.000 restantes são usados para ½ ano = US$ 600
reduzir o saldo de principal de US$ 60.000 Segundo pagamento: US$ 5.000 a 12% por
.. ..- ½ ano = US$ 300
para US$ 30.000 .
Em 1º de outubro, a taxa de juros é redu- Total de juros: US$ 900
zida para 8%. É feito outro pagamento em 1º Os pagamentos totais seriam de US$ 5.600 e
de dezembro no valor de US$ 24.000. O cá! - US$ 5.300.
'
culo dos juros desse pagamento é o seguinte: Só são pagos juros sobre o saldo não pago
do empréstimo, e some nte pelo período de
_,, , US$ 30.000 x 9% x 1/12 = US$ 225
tempo em que esse valor ainda esteve empres-
US$ 30.000 x 8% x 2/1 2 = US$ 400
tado. Os juros lotais são menores do que se
US$ 625
todo o empréstimo fosse pago ao fim do ano,
Correm juros a 9% por um mês e a 8% já que só havia US$ 5.000 de saldo na segun-
por dois meses. Após os juros serem pagos, os do metade do ano.
US$ 23.375 remanescen tes vão para a redução Há dois tipos de planos de amortização: o
do saldo de principal. pagamento de principal igual e o pagamento

Tabela 19-1 Ilustração de uma linha de crédito


Valor Taxa de Principal
Data emprestado juros Valor pago .Juros pagos pago Suldo
1º de fevereiro US$ 40.000 9% US$ O US$ 0 US$ 0 U $ -10.000
l º deabril 20.000 9% o o o 60.000
1º de ~c1cmbro o 9% 32.850 2.850 30 .000 30.000
1º de outubro o 8'r'o o o o 30 .000
1" de d!!tembro o 8% 24.000 625 23.375 6.62
346 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

torai i uai. Um mpr6 limo amortizado com morar um pouco para gerar seu máximo flux o
pngmncnto de principal igual po ui o mes- de caixa potencial. Por essa razão, muitos em-
mo montante de pri ncipal vencendo cm cada préstimos de longo prazo possuem um progra-
data de pagamento, mais juros obre o pri nci- ma de pagamento amortizado com pagamen-
pal devido. Por exemplo, um empréstimo de tos totais iguais, em que todos os pagamentos
US l 00.000 por 1Oano a 8% teria pagamen- têm o mesmo valor. A Figura 19-4 também
to de principal anuais de US$ 10.000. O saldo exibe o montante de principal e j uros pagos
do empréstimo decresce com cada pagamen- a cada ano com esse plano em um emprésti-
to de principal, então os pagamentos de juros mo de US$ 100.000. Nos primeiros anos, uma
também caem, como mostrado na Figura 19-4. grande porção do pagamento total é composta
Os mutuários geralmente acham os pri- de juros, mas os juros dimi nuem e o principal
meiros pagamentos os mais difíceis de fazer, aumenta a cada pagamento, tornando o último
pois o negócio novo ou expandido pode de- pagamento quase só pri ncipal.

Pagamentos de prlnclpal Igual

US$1 8.000 --
US$16.000 ... - - - -
US$ 14.000 - ,~ 1 - -
US$1 2.000 ~
1
-
US$1 0.000
US$ 8.000
1-

1-
'--
- ~
'-- '-- >-- >-- >--
~

1-.

-- D Juros
D Principal
US$ 6.000 ...
US$ 4.000 ...
US$ 2.000 -
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
US$ O
2 3 4 5 6 7 8 9 10
Ano

Pagamento total Igual

US$16.000 - -
- - - - - - - - - -
US$14.000 ... -
US$12.000 ...
- -
>--
>--
US$ 10.000 1- '--

- - 1--

D Juros
US$ 8.000

US$ 6.000
1-

~
- D Principal '

US$ 4.000 -
US$ 2.000 -
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
US$ 0
2 3 4 5 6 7 8 9 10
Ano

Figura 19-4 Pagamento de empréstimo com dois tipos de amortização.


\ Capítulo 19 Capital e crédito 347

Para calcular o pagamento total de um A vantagem de pagamentos iniciais menores


empréstimo amortizado com pagamentos é parcialmente anulada por mais juros totais
totais iguais, pode-se usar uma tabela de fa- sendo pagos ao longo do prazo do emprésti-
tores de amortização. Esses fatores constam mo, pois o principal está sendo diminuído a
na Tabela 1 do Apêndice. O pagamento anu- uma taxa mais lenta nos primeiros anos.
al depende tanto da taxa de juros quanto da
duração do empréstimo. Por exemplo, o fator Empréstimos de pagamento final
de amortização de um empréstimo de 1Oanos
Alguns programas de amortização são monta-
a juros de 8% é O, 14903. Esse fator é multi-
dos com pagamentos periódicos menores, de
plicado pelo valor do empréstimo para obter
forma que nem todo o principal é pago até o
o pagamento anual total. Um empréstimo de
fim do prazo do empréstimo. Por exemplo, me-
US$ 100.000 teria um pagamento anual de
tade do principal pode ser paga com pagamen-
(0,14903 x US$ 100.000), ou US$ 14.903.
tos periódicos, ficando a outra metade devida
Esse é o fator e o procedimento descritos no
Capítulo 17 para converter uma quantia pre- ao fim do prazo do empréstimo. Em alguns
sente em um valor anualizado, ou anuidade. casos, os pagamentos periódicos podem ser
Pode-se usar uma calculadora financeira ou apenas de juros, ficando todo o principal devi-
um programa de computador em vez dos fa- do ao fim do prazo do empréstimo. Esses tipos
tores da tabela de amortização para calcular o de empréstimos são chamados de empréstimos
tamanho do pagamento. de pagamento final (balloon payment loans),
A Tabela 19-2 apresenta os pagamentos pois o último pagamento incha como um "ba-
reais de principal e juros para cada plano. O lão" (balloon, em inglês). Eles têm a vanta-
método do pagamento total igual possui um gem de pagamentos periódicos menores, mas
pagamento total do empréstimo menor do que a desvantagem de um pagamento final grande
o empréstimo com pagamento de principal e mais custo total com juros. Empréstimos de
igual nos 4 primeiros anos. Porém, paga-se pagamento final geralmente exigem alguma
um total de US$ 49.030 em juros, comparados forma de refinanciamento com outro emprés-
com apenas US$ 44.000 no primeiro plano. timo para fazer o pagamento final.

Tabela 19-2 Amortização de um empréstimo de US$ 100.000 ao longo de 1O anos, a 8% de juros


Pagamentos de principal iguais Pagamentos totais iguais
Principal Juros Pagamento Principal Pagamento Juros Principal Principal
Ano pago pagos total restante total pagos pago restante
US$ 10.000 US$ 8.000 US$ 18.000 US$ 90.000 US$ 14.903 US$ 8.000 US$ 6.90:i US$ 93.097
2 10,000 7.200 17.200 80.000 14.903 7.448 7.455 85.642
3 10.000 6.400 16.400 70.000 14.903 6.85 1 8.052 77.590
4 10.000 5.600 15.600 60.000 14.903 6.207 8.696 68.894
5 10.000 4.800 14.800 50.000 14.903 5.51 2 9.39 1 59. 03
6 10.000 4.000 14.000 40.000 14.903 4.760 10.143 49.360
7 10.000 3.200 13.200 30.000 14.903 3.949 10,954 38.406
8 10.000 2,400 12.400 20.000 14.903 3.07] 11 .830 26. 76
9 10.000 1.600 11 .600 10.000 14.903 2. 126 12.777 U .799
10 10.000 800 10,800 o 14.903 1.1 04 13.799 o
US$ 100.000 US$ 44.000 U $ 144.000 US$ 149.030 US$ 49.030 uss 100.000
348 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Os pagamentos do empréstimo de paga- Tabela 19-3 Amortização de um empréstimo de


mento final são calculados amortizando-se o US$ 100.000 ao longo de 1O anos, a 8% de juros,
com pagamento final
montante de principal a ser pago com paga-
mentos periódicos, usando-se ou o método do Prlnclpn l Juros Pagamento Principal
Ano pngo pagos total restante
pagamento principal igual, ou o do pagamento
total igual, ambos explicados anteriormen- US$ 5.177 uss 8.000 uss IJ.177 uss 94 823
te. Então, os juros sobre o principal incluído 2 5.591 7.586 13.177 89..232
no pagamento fina l são acrescentados a cada 3 6.039 7. 138 13.177 83.193
pagamento periódico. A Tabela 19-3 mostra 4 6.522 6.655 13.177 76.671
os pagamentos anuais de um empréstimo de 7.Q..14 6.134 13.177 69.627
5
pagamento total igual com um pagamento fi-
6 7.607 5.570 13.177 62.020
nal de 25% ao fim do décimo ano, amortizado
7 8.215 4.962 13.177 53.805
com pagamentos iguais nos anos J a 9.
A fórmu la geral para calcular o pagamen- 8 8.873 4.304 13. 177 44.932
to total anual de um empréstimo de pagamen- 9 9.583 3.595 13.177 35.349
to final com pagamentos totais iguais é:
o
10 35.349 2.828 38. 177 o

[(P-B) xi]+ (B xi)


uss 100.000 uss 56.772 uss 156.772

tal que Pé o principal original emprestado, B


é o montante de principal no pagamento final,
fé o fator de amortização e i é a taxa de juros.
timo original do valor presente dos pagamen-
Pagamentos finais também podem ser
tos resulta no valor presente Líquido (ou custo
usados com empréstimos amortizados por
efetivo) do empréstimo. O custo efetivo tam-
meio de pagamentos de principal iguais. r
bém pode ser expresso em tennos percentuais
calculando-se a taxa interna de retorno (TIR) EI
O CUSTO DO ENDIVIDAMENTO para o mutuante. Esses mesmos métodos po-
dem ser usados para calcular o custo efetivo
Os mutuantes empregam diversos métodos di- de um arrendamento mercantil (leasing ), em
ferentes para cobrar juros, tornando as compa- que um operador arrenda um equipamento por
rações difíceis. A taxa de juros verdadeira, ou vários anos e, então, adquire-o. Um exemplo
taxa percentual anual (TPA), deve ser infor- aparece no Capítulo 22.
mada no contrato de empréstimo. Alguns mu- Empréstimos de taxa fixa possuem urna
tuantes cobram taxas de fechamento, às vezes taxa de juros que permanece a mesma durante
chamadas de "pontos", taxas de avaliação ou todo o prazo do empréstimo. No entanto, al-
outras taxas para fazer um empréstimo. Essas guns mutuantes não gostam de fazer empré -
taxas, juntamente com as taxas de juros, afe- Limas de longo prazo com taxa de j uros fixa
tam o custo total do endividamento. pois a taxa que eles precisam pagar para obter
Um modo de comparar o custo de vários fundos de empréstimo pode mudar. Mutuário
planos de crédito é calcular a quantia monetá- não gostam de tomar emprestado a longo pra-
ria a ser paga em cada período de tempo (prin- zo com taxa fixa quando acham que as taxas
cipal, juros e outras taxas) e descobrir o valor de juros podem diminuir. Pre er as taxas de
presente descontado da série de pagamentos, juros futuras é difícil tanto para os rnutuiri s
como descri to no Capítulo 17. Se estiverem quanto para os mutuantes.
sendo comparadas várias alternativas de fi - Por essa razão, foram desenv lvidos em-
nanciamento, deve-se usar a mesma taxa de préstimos com taxas de juros rariá,·eis, que
desconto para todas elas. Subtrair o emprés- permitem o ajuste da ta, a de juro- periodi a-
Capítulo 19 Capital e crédíto 349

mente. muita vezes anualmente. Pode haver ro. As participações de mercado das fontes de
limites quanto à frequência com que a taxa fundos mais importantes de empréstimos ru-
pode er alterada, à alteração máxima cm um rais imobiliários e mobiliários são exibidas na
único ajuste e às taxas máximas e mínimas. Por Figura 19-5.
exemplo, o Sistema de Crédito Rural (FCS)
ofercce uma taxa variável atrelada à taxa de Bancos comerciais
juro média dos títulos de dívida que ele emi-
te para levantar seu capital de empréstimo. Ele Bancos comerciais são a maior fonte de em-
também faz empréstimos com taxa fixa por um préstim os mobiliári os para agropecuária e
prazo de vários anos, convencionando-se que também concedem alguns empréstimos imo-
essa taxa será ajustada no próximo prazo. biliários. Os bancos limitam seu empré ti-
Empréstimos com taxa de juro fixa cos- mo de longo prazo para manter a liquidez
tumam ter uma taxa de juros inicial maior do necessária para satisfazer a necc sidades de
que os empréstimos variáveis, para proteger o caixa de seus clientes e saques ine perados de
mutuante contra aumentos fu tu ros nas taxas. depósitos. Contudo, o uso de taxas de juros
O mutuário deve ponderar essa taxa mais alta, variáveis, pagamentos finai e sub-hipotecas
porém conhecida, contra a possibilidade de para mutuantes maiores permite que os ban-
que a taxa variável possa ficar ainda mais alta cos aumentem ua fatia de mercado de em-
do que a taxa fixa. A taxa variável também préstimos imobiliários rurais.
pode cair. Empréstimos de tax a variável são A grande proporção de empréstimos
um jeito de garantir que a taxa de juros sem- agropecuários mantidos por bancos deve-se
pre esteja próxima à taxa atual do mercado. parcialmente ao grande número de bancos lo-
cais cm comunidades rurais. A proximidade a
seus clientes permite que os bancários conhe-
FONTES DE FUNDOS DE çam bem se us clientes e suas nece sidades in-
EMPRÉSTIMO dividuais. O bancos também pre tam outros
serviços linancciros, como contas correntes
Os agropccuarista tomam dinheiro empresta- e de poupança, o que torn a conveniente que
do de muitas fontes diferentes. Algumas insti - seus clientes agropecuários resolvam todos os
tuições mutuantes se especializam cm certos se us negócios financeiros em um só lugar.
tipos de empréstimo, e outras prestam outros Ocasionalmente, bancos menores estão
serviços financeiros além de emprestar dinhei- juridicamente impossibilitados de estender

Empréstimos rurais Imobiliários Empréstimos rurais mobiliários


Indivíduos Indivíduos
Sistema de Sistema de
Companhias de e outros crédito rural e outros
crédito rural
seguro de vida
10% ----r---
8% 42% 13%

Bancos Agência de Bancos


comerciais serviço rural comerciais
38% 2% 53%

Figura 19-5 Participações de mercado do endividamento rural nos EUA, 1° de janeiro de 2008.
(Fonte: Ministério da Agricultura dos EUA.)
350 Part Iça.o de recursos gerenciais
----------------
réclíto , uíi ci nt pnrn finan ·inr um op rador qu ssas companhias di sponihili zam para
agropcculírio d grnndc port . EI s pod m empréstimos agropecuários varia de ano para
tom nr provicJ'ln i nc; pnrn qu s jn forn ecido nno, dcp ndcndo da taxn de retorno do11 cm-
er dil o por 111 io d um hnn ·o c<~ rT sponcJcn- préslimos ugropceuários cm comparação com
1 . s hnn ·o~ pod 111 stnh lc · ·r , ub-hipot c- in vestimentos alternativos. As companhia, de
cns sobre cmpré, limos imobiliários qu sílo se •u r·o de vida costumam preferir emprésti -
grand es demais ou t 111 pru7.n longo demai s mos irnohi .1iários rurais de grande porte, geral-
pnra o han o. mente acima de US$ 1 milhão.

Sistema de Crédito Rural (FCS) Agência de Serviço Rural (FSA)


O istema de rédito Rural (1-::trm Credit A Agência de Serviço Rural (Farm Service
ys tcm) foi fundado pelo ongresso do. Agcncy) é integrante do Ministério da Agri-
EUA cm 1916 para proporcionar uma f'on le cultura dos EUA, possui ndo escri tórios na
adicional de fundos para empréstimos agro- maior r artc dos condados rurais. Uma divisão
pecuários . Ini cialmente, fundo s govern a- de programas de cmpré timo rural da FSA
mentais eram usados para organi zar e or erar concede empréstimos a proprietários e opera-
o sistema, mas ele agora é uma cooperativa dores agropecuários. A maioria dos emprésti-
privada de propriedade de seus membros/mu- mos diretos feitos pela FSA hoje é concedida
tuários. O sistema é supervi sionado, fiscali - a agropecuaristas inici antes. A FSA também
zado e regulamentado pela Admini stração de tem o poder ele conceder empréstimos emer-
Crédito Rural, uma agência independente do gcnciais a agropecuaristas habilitados em zo-
governo federal. nas com calamidade pública declarada. São
O Sistema de Crédito Ru ral obtém fund os empréstimos temporários, utilizados para
de empréstimo vendendo títul os de dívida e restaurar as operações normais após um de-
notas promissórias nos mercados nacionais sastre natural, como enchentes ou estiagens.
de capital. Os proventos dessas vendas são Ao longo dos anos, a FSA foi passando de
di sponibili zados a quatro Bancos de Crédito empréstimos diretos feitos com dotações or-
Rural regionai s e um Banco de Crédito Agro- çamentárias do Congresso para empréstimos
pecuário espalhados pel o país. Esses bancos mais garantidos. Nestes, um mutuante priva-
regionai s proveem fundos a 99 assoc iações do fornece os fundos do empréstimo, e a FSA
locais, que, por sua vez, dão início e fi scali- garante até 95 % do pagamento no caso de
zam empréstimos a agricultores e pecuaristas. inadimplemento por parte do mutuário.
Os empréstimos do Sistema de Crédito Rural Para se candidatar a um empréstimo ou
podem ser empregados para comprar animais, garantia da FSA, o mutuário deve operar um
maquinário, edificações, residências rurais e estabelecimento rural familiar ou menor, rece-
terras. Também há crédito operacional de cur- ber uma parte considerável de sua renda fami-
to prazo à disposição. liar total por meio de agricultura ou pecuária
e não conseguir obter financiamento conven-
cional de outras instituições mutuantes. Este
Companhias de seguro de vida último requisito não quer dizer que os mutu-
Companhias de seguro de vida adquirem fun- ários da FSA sempre tenham maus riscos de
dos com os prêmios pagos por apólices de se- crédito. Muitos são produtores iniciantes, que
guro de vida e outros rendimentos e fundos de não possuem patrimônio suficiente para pedir
reserva. Elas colocam esses fundos em vários capital emprestado de outras fontes. Assim
investimentos, incluindo empréstimos imo- que os mutuários melhoram sua condição fi-
biliários rurais de longo prazo. O montante nanceira a ponto de fundos poderem ser ob-
Capítulo 19 Capital e crédito 351

tidos de uma fonte comercial, devem passar penhor. Esses empréstimos são fei tos a um a
para outro mutuante. taxa lixa por bushel ou libra, geralmente com
uma taxa de juros abaixo da do mercado. Se o
preço de mercado da commodity para a q ual o
Pessoas físicas e fornecedores
empréstimo íoi obtido cair abaixo da taxa de
Pessoas físicas , lojas de suprimentos agro- empréstimo mais juros, o valor que o mutuá-
pecuários, revendedoras e outros são fontes rio deve pagar é recalculado usa ndo-se o pre-
importantes de empréstimos rurais, como ço atual de me rcado. Na práti ca, isso oferece
mostrado na Figura 19-5. Empréstimos mobi- ao produtor rural um preço mínimo gara nt ido
liários podem vir de amigos ou parentes, lo- para a com111odity. A commodity precisa ser
jas de suprimentos agropecuários, fabricantes arm azenada até que o e mpréstimo seja pago,
de insumos ou empresas especiais de crédito sendo o máximo nove meses.
agropecuário. Muitos fornecedores dão aos A Administração de Pequenos Negócios
clientes 30, 60 ou 90 dias para pagar suas (SBA) também concede a lguns e mprésti mos
contas antes que se cobrem juros, podendo agropecuários, possuindo um programa de
financiar compras por um prazo maior me- emprés timos emergenc ia is para produ tores
diante juros. Essa política é, em essência, um em zonas específicas cm calamidade.
empréstimo, e os saldos totais dessas contas
podem ser grandes em certas épocas do ano.
Revendedores de equipamentos rurais e au- ESTABELECIMENTO E
tomóveis também concedem empréstimos ao DESENVOLVIMENTO DE CRÉDITO
financiar aquisições eles mesmos ou por meio
de fin anceiras associadas. Ao tentar estabe lecer o u desenvolver créd ito,
A porção relativamente grande de endivi- é bom pensar do ponto de vista do mutu a nte.
damento imobiliário devido a pessoas físicas e O que um mut uan te leva e m consideração ao
outros origina-se primordialmente de vendas tomar uma decisão a respei to de um ped ido
de terras finan ciadas pelo vendedor. Muitas de e mprés timo? Por q ue um negóc io pode
vendas de terras lançam mão de um contra- to mar e mprestado ma is d inheiro do q ue ou-
to de compra de terra em parcelas, e m que o tro o u co nseg uir taxas de j uros e condições
vendedor transfere a posse da terra e o com- de pagame nto d ife ren tes? O mu tuário deve
prador faz pagamentos periód icos diretamente estar consciente da necessidade de demons-
ao vendedor. É di ferente de uma venda à vis- trar e com uni car credibi lidade aos mu tuan-
ta, em que o comprador pede emprestado de tes. Segue m a lguns dos fatores mais impor-
um mutuante comercial, paga ao vendedor o tantes q ue e ntram na tomada de dec isões de
preço integral à vista e, então, faz pagamentos e mpréstimo:
periódicos ao mutuante . O conu·ato de com-
• Caráter pessoal
pra de terra pode trazer alguns benefícios de
• Capacidade gerencial
imposto de renda para o vendedor, e o co m-
prador pode conseguir negociar uma entrada • Posição fina nceira e progresso ao longo
menor, uma taxa de juros inferior e co ndições do tempo
de pagam ento mais fl exíveis. • Capacidade de pagamento
• Fi nalidade do empréstimo
Outras fontes • Garant ia

A Agência de Serviço Rural também com.:ede Ao ut ili zar esses fa tores como g uia para
empréstimos de comercialização de curt o pra- estahe lcc.:er e desenvo lve r créd ito, o candi dato
zo, usando cereais ou algodão es tocados co mo a mut uário eleve se le mbrar ele q ue mu tuantes
352 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

quer 111 faz r empréstimos. E se é o ncg6cio Capacidade de pagamento


deles. ontudo, eles procuram empróstimo.
Possuir um neg6cio lucrntivo não garante a
lucrati vo. e seguros, que serão pngo .
cnpncidade de pagamento. É preciso haver
r nela monetária su ficicnte para cobrir a
Caráter pessoal despesas ele sustento fnmiliar e o imposto de
Honestidade, integridade, juízo, reputnçiio e rendn, as im como os pagamentos de juros e
outras cnractcrf tica pessoais do solici lnnte principal de cmpré timos. A capacidade de
do empréstimo , empre são considerados pelos pagnmcnto é mai bem medida pelo fluxo de
mutunntes. Pode-se rnpidamente perder crédi- caixa gerado pelo negócio. Um orçamento
to cndo de onesto nas tratativas comerciais de fluxo de caixa projetado para um ou mui
e impontual no cumprimento de obrigações nno deve ser elaborado antes que e Lomem
t'innnceiras. Se o mutuante não conhecer o empre. tadas quantia grandes e se eslabele-
mutuário, referências de curfüer normalmente çn m programas de pagamento rígidos. Acon-
serão pedidas e verificadas. Para manter um tece muito de se emprestar dinheiro para um
bom histórico de crédito, os mutuários devem negócio lucrativo para depoi descobrir gue o
imediatamente informar aos mutuantes qual- lluxo de caixa dos primeiros anos não ba ta
quer alteração cm sua condição linanccira ou para o pagamento de juro e principal. Um
operação agropecuária que possa al'ctnr o pa- prazo maior ou um programa de pagamento
gamento de cmpré timos. É neces ária uma mni llexfvel pode resolver o problema, caso
relação honesta e frnnca com os mutunntes scjn iclcntificado a Lempo.
para manter a credibilidade.
Finalidade do empréstimo
Capacidade gerencial Empréstimos n11toliq11idnntes podem er
O mutuante deve tentar avaliar a capacidade mais rncei de obter. Empréstimo auroljqui-
gerencial do mutunrio. Agropccunristas esta- dantes ser cm para coisa como fertilizan-
belecidos são avaliados com base em sua li- te, semente e animai de engord , onde
cha anterior, mas os iniciantes só podem ser empréstimo pode ser pago com a venda do
julgados com base em seu histórico, educação cultivas ou animai . Por outro lado empré -
e instrução. Esses fatores afetam a probabili- timo de ativos de capital ão aquele utili-
dade e, portanto, a capacidade de pagar em- zncio' para adquirir ativo tangfvei de longo
pré timos. Mutuantes muitn vezes classifi- prazo, como terrn ou máquina , que de erào
cam má capacidade gerencial como o motivo gerar receie l adicional em ser vendid . Em-
número um para mutunrios se envolverem cm préstimos de ati,os de capital podem deman-
apuros financeiros. dar garantias extras.

Posição financeira Garantia


Balanços patrimoniais e demonstrações de re- Terra, edifica ões, nnimnis, nnquinári , ere-
sultados precisos e bem elaborados são neces- ais armazenados e ulti, , n amp p em
sário pura documentar n posição financeira todos ser u ado mo g,lrnntia de um em-
atunl do negócio e sua lucrntividade. Os mutu- préstimo. A quantidade e tip da gurnntiu
anles podem nprender muito obre um negó- clis1 nível sã fut l'C' imp rtnnte · de um ... _
cio a partirdes es regi tros. Um histórico de did d' cmpn5stim . • d,, em er ncedi-
bom progresso financeiro 110 longo do Lempo dos ou solicitud · empré ·cim s qu md p:1-
pode ser trio imporlllntc quanto a posição li- gmncnto puder ser pr jetnd n partir d 1 rendu
nanceiru atual. rural. Entr 'lnnt , s mutuante ' ainda ns -im
Capítulo 19 Capital e crédito 353

pedem uma garantia para dar suporte ao pedi- Renda e despesas não comerciais
do de empréstimo. Se o inesperado acontecer Estas são especialmente im portantes para
e o empréstimo não for devol vido, ela pode estabelecimentos familiares . As despesas bá-
ser o único meio de o mutuante rec uperar os sicas de s uste nto familiar devem ser pagas
fu ndos emprestados. Em alguns casos, o mu- mesmo quando os lucros agropecuários estão
tuante pode pedir que bens da pessoa física baixos. Em determi nados estágios da vida, as
sejam onerados como garantia de um emprés- famílias rurais podem ter altas despe as com
timo comercial ou solicitar que outro operador educação ou saúde. Em geral, os gastos não
avalize uma nota promissória. comerciais devem ser postergados até ha er
caixa sobrando. Contudo, reinvestir cada dó-
lar ganho de volta no negócio rural pode aca-
LIQUIDEZ bar causando desgaste familiar e impedi_r a
realização de metas pessoais.
A capacidade do negócio de honrar suas obri-
Ao longo do tempo, as fam íl ias rurai
gações de fluxo de caixa à medida que elas
vêm recebendo cada vez mais da sua renda
vencem é denominada liquidez. Manter a li-
total de emprego não rural e investimento .
quidez para cobrir pagamentos de empréstimo
Uma fo nte contínua e confiável de renda ex-
vincendos é uma parte importante do esta-
terna pode não apenas estabilizar o recurso
belecimento e da melhoria do crédito. Várias
para as despesas de sustento famil iar, como
medidas de Jjquidez que podem ser calculadas
também ajudar a suste ntar o estabelecimen-
com o balanço patrimonial foram expostas
to agropecuário em épocas de fluxo de caixa
nos Capítulos 4 e 6.
negativo.

Fatores que afetam a liquidez Características dos empréstimos


Um estabelecimento agropecuário lucrativo As taxas e cond ições de crédito podem afetar
geralmente tem boa liquidez de longo pra- o fl uxo de caixa tanto quanto o montante da
zo. Entretanto, mesmo negócios lucrativos dívida contraída. Buscar a menor taxa de j u-
passam por problemas de fl uxo de caixa em ros possível reduz os pagamentos da dívida.
alg un s momentos, em virtude de diversos Utilizar amortizações e empréstimos de paga-
fatores. men to final de prazo mais longo também re-
duz as obrigações fi nanceiras de curto prazo.
Crescimento do negócio Planej ar para que os pagamentos de dívidas a
Reter estoques continuamente crescentes de prazo vençam em épocas que coincidam com
reprodutores jovens ou forragem reduz o vo- as vendas de produtos ou outros recebimento
lume de produção vendido no curto prazo. A de caixa diminui a necessidade de empré ti-
construção de novas edificações ou aquisições mos operacionais de curro prazo.
de terras ou máquinas exigem grandes dispên-
dios de caixa à vista, mas podem ficar meses Estrutura da dívida
ou anos sem gerar renda de caixa adicional. Estrutura di z re peito à di tribuição da dí ida
Além do mais, quando há nova tec nologia entre pa ·ivos circulante , intermed iári e de
envolvida, podem passar vários ciclos de pro- longo prazo. Em geral, a condiçõe de pag -
dução a nte q ue se alcance um nível efi ciente menta da dív ida corre pondem à cl t: d ati-
de operação. Todos esses fatores produzem o que foram comprado om la. Finan i r
cscas ·cz temporária de caixa, devendo ser le- ativo in termedi ário · ou te longo prazo m
vados cm conta ao e planejar financ iamento e dívida de curto prnzo o tum·1 le ar a probl -
pagame nto de dív ida . ma de pagamento e flu os de caixa neguei o .
354 Parte VI Aquisição de recursos ge renciais
I

Algun balanços patrimoni ais são "con- 3. Pagar antecipadamente empréstimos cm


centrados no topo", com o percentual de pas- anos cm que a renda de caixa fique acima
sivos totais classifi cados como circul antes da médi a. ,1

maior do que o percentu al de ati vos classifi - 4. Reduzir os gastos não rurais ou aumentar
cados como ci rculantes. Refin anciar al gumas os rendimentos não rurais quando o ílu-
dívidas circulante com ativos de prazo maior xo de caixa rural estiver exíguo. Adqu irir
e amortizar o paga mento ao longo de vá rios mais instrução ou experiência de trabalho
anos pode melhorar a liquidez de curto prazo. pode facilitar a obtenção de emprego cx-
trarrural.
Plano de contingência financeira 5. Possuir cobertura adequada de seguro
ão importa qu ão bem o gestor orce ou contra perdas de safras, óbitos, problemas l:

quão efi cie ntemente o negócio sej a admi - médicos e responsabilidade civil.
nistrado, haverá épocas cm que o ílux o de 6. Vender ativos menos produtivos para le-
caixa será negati vo. A Figura 19-3 ilu strou vantar caixa. O princípio de que o custo
como o montante de dívida usado por agro- marginal é igual à receita marginal deve
pecuaristas expandiu-se drasticamente entre ser empregado para identificar os ativos
1981 e 1987. Porém, as taxas de juros subi - que terão o efeito menos negativo sobre os ,11

ram abruptamente no início dos anos 1980, lucros rurais totais quando vendidos. Em
chegando a nívei s que não eram previstos alguns casos, o fluxo de caixa pode ser
quando muitos dos empréstimos tinham sido melhorado sem reduzir a eficiência ven-
feitos. Isso, combinado com os preços agro- dendo-se ativos e, então, arrendando-os,
pecuários em geral mai s baixos, produ ziu o assim preservando o tamanho da operação.
que ficou conhecido como a "crise financeira 7. Confiar em parentes ou outros contatos
rural" da década de 1980. pessoais para financiamento emergencial
As lições aprendidas nessa época torna- ou para uso de maquinário ou edificações
ram mui tos produtores rurai s e mutuantes de graça, com pouco custo ou em troca de
mais conservadores acerca do uso do crédito. mão de obra.
Toda operação deve possuir um plano de con- 8. Pedir falência e elaborar um plano para
tingéncía finan ceira para cobrir uma escas- gradualmente pagar os credores enquanto
sez inesperada de fluxo de caixa. Em alguns prossegue com a atividade rural, ou reali-
casos, ações que não são lucrativas no longo zar uma alienação organizada de ativos e
pra7.o podem ter que ser realizadas para cobrir cancelamento de dívidas.
obrigações de fluxo de caixa de curto prazo.
As segui ntes providências são possíveis ações Essas medidas não substituem a operação
de conti ngência financeira: de um negócio lucrativo. Algumas delas po-
dem até reduzir a lucratividade de curto prazo
J. Manter economias ou cultivas e animai s do estabelecimento agropecuário, mas todas
estocados de uma forma cm que possam podem ser aplicadas, dependendo da gravida-
faci lmcntc ser convertidos cm caixa e de da condição financeira do estabelecimen-
com baixo risco de perda. to agropecuário, como um meio de continuar
2. Manter uma reserva de crédi to ou algum a operando até que os lucros aumentem.
capacidade de endi vidamento inutilizada
para empréstimos tanto circulantes como
não circulantes. Pod~se usar uma reserva SOLVÊNCIA
de crédito de longo prazo para refinanciar
pw.sÍ VO!, circulan tes cm excesso, 1,c surgir Enquanto a gestão da liquidez se concentra
a nCCC!,!.ídade. no íluxo de caixa, a solvência diz respeito ao
\ 355
Capítulo 19 Capital e crédito

montante de capital de dívida (empréstimos) imagine que uma firma tem US$ 100.000 em
us11do cm relação ao capital patrimonial e às capital patrimonial, como mostrado na parte
garantias di sponíveis para dar-lhe sustentação. superior da Tabela 19-4. Se forem tomados
A razão de endividamento e outras medidas emprestados mais US$ 100.000 a uma taxa de
de olvência foram discutidas no Capítulo 4. juros de t 0%, a razão de endividamento será
de 0,50. Se o negócio obtiver uma rentabilida-
Alavancagem e o uso do crédito de dos ativos (RDA) de 15%, ou US$ 30.000,
e o custo de juros de US$ I 0.000 for pago, os
Utilizar uma combinação de capital patri- US$ 20.000 restantes serão o retorno sobre
monial e capital emprestado permite que se patrimônio (RSP). A taxa de retorno sobre
possua um negócio maior do que o que se- patrimônio é de US$ 20.000 7 US$ 100.000,
ria po sível de outra forma. O grau em que ou 20%. Aumentar a alavancagem, ou razão
se usa capital emprestado para suplementar de endividamento, para 0,67 tomando-se em-
ou estender o capital patrimonial é chamado prestados US$ 200.000 resulta em um retorno
J. '
de alavancagem. A alavancagem cresce com sobre patrimônio ainda maior (25%), como
aumentos na razão de endividamento. Uma apresentado na coluna direita da Tabela 19-4.
razão de endividamento de 0,50, ou 50%, in- No entanto, existe o outro lado da moeda.
dica que metade do capital total usado pelo Se a taxa de retorno sobre ativos totais for in-
negócio é emprestado, sendo a outra metade ferior à taxa de juros do capital emprestado,
capital patrimonial. o retorno sobre patrimônio é diminuído ao se
Quando o retorno sobre o capital empres- usar alavancagem, podendo até ficar negativo.
tado for maior do que a taxa de juros, os lucros Isso é ilustrado na parte inferior da Tabela 19-
aumentarão e o patrimônio crescerá. Uma ala- 4, onde só se atinge um RDA de 5 %, sendo
vancagem maior aumentará os lucros e o patri- que o RSP cai para 5% negativos com a ala-
mônio ainda mais rapidamente. Por exemplo, vancagem alta. Logo, alavancagem alta pode

Tabela 19-4 Ilustração do princípio da alavancagem crescente


Razão de endividamento
0,00 0,33 0,50 0,67
'~°' Capital patrimonial (US$) 100.000 100.000 100.000 100.000
,1

í Cnpital emprestado (US$) o 50.000 100.000 200.000


ALivos totnis (US$) 100.000 150.000 200.000 300.000
~. Ano bom
1

,\ ' Rentnbilidnde dos ativos (15 %) 15.000 22.500 30.000 45.000


Juro pagos(l0%) o 5.000
I
. Retorno sobre patrimônio (US$) 15.000 17.500
10.000
20.000
20.000
25.000

! Retorno sobre patrimônio(%) 15,0 17,5 20,0 25,0
,,.
Ano ruim
i
Rentnbilidadc dos ativos (5%) 5,000 7.500 10.000 15.000
Juros pago ( 10%) o 5.000 10.000 20.000
Retorno sobre pntrimônio (US$) 5.000 2.500 o - 5.000
Retorno sobre putrimônio (%) 5,0 2,5 o.o - 5,0
356 Parte VI quisiçâo de recursos gerenciais

aumentar on. idcr.n·elrnentc o ri _co financei- _ábio. porém, sempre mantém uma margem
IYI do e. tahclccimcnto agropecuári o em que a de segurança.
t:i\~L de j uro . ão :ilta_ ou o retomo _obre o A agropecuária norte-americana. como
atiYo_ rurai é baixo. um todo, mantém uma carga de endividamen-
to bastante conservadora. os an os 1980, a
Razão de endividamento máxima razão de endividamento total passou de 0,20.
mas desde então vem caindo continuamente,
..\ mai oria do_ mutuantes usa a razão de endi- como mostrado pela Figura 19-3.
Yidamento ou alguma ,·ariação -ua para me-
dir a soh·ência. Entretanto. eles nem empre
Inflação e ganhos de capital
n ordarn quanto ao que constitui uma razão
.. _e!rnra". A lucratiYidade do ne2ócio e o cus- 1 ·osE tados Unidos, a taxa de inflação vem
- -
to dos fundos emprestado também entram na endo mantida em um nível baixo, cm geral,
deci ão. Uma relação imple entre esses fato- embora tenha ultrapassado os IOo/c em vários
re_ pode ser expressada como egue: ano da década de 1970. Alguns países tive-
ram inflações de mais de lOOo/c ao ano. Com
- de en d..
Razao 1, ·1damento RDA
=- - inflação alta, os gestores costumam preferir
máxima TR possuir ativos tangíveis, como terra, que au-
mentam de valor, em vez de ativos financei-
onde : Razão de endiYidamento má\ima = a ros, como dinheiro, contas de poupança ou
maior razão de endi,·idamento que o negócio útulos de dívida. Todavia, os ativos tangíveis
pode uponar sozinho: RD..\ = retorno per- também podem perder valor quando as condi-
enrual obre os ati,·os totais após a dedução ções económicas mudam, conforme mostrado
do ,·al or da mão de obra não remunerada; e pela Figura 19-1.
TR = ta\a de juro média sobre a dí,·ida do Q uando os produtores rurais investem
e tabelecimento rural. em ativos intermediários ou de longo pra-
Por exemplo, um estabelecimento que zo, seu grau de solvência e seu crescimento
obtém uma rentabilidade dos atirns média de de patrimônio em valor de mercado ficam
6':l e paga uma ta\a de juros média de l 2 'k intimamente ligados a m udanças nos valo-
sobre ua divida pode ustentar uma razão de res desses ativos de capital. Entretanto, as
endiYidamento má\._ima de 0.50 sem [Link] mudanças nos valores dos ativos em si só
seu patrimônio. Em ourras palanas, o rerorno têm efeito sobre liquidez ou fluxo de cai-
sobre cada ·ss I de atirns paga os j uros de xa se os ativos forem vendidos. Ponamo,
USS O. -o de dfrida, mas nada do principal. em épocas de valores crescentes da terra,
Se a RDA caí se para 3* . porém, e a taxa muitos proprietários rurais veem seu patri-
de j uro média ubi_se para l 5'k. só poderia mônio crescer velozmente sem um aumento
er ustentada uma razão de endiYidamemo correspondente da renda em caixa. Alguns
de 0.- 0. gestores vendem terras e transformam valo-
A razão de endiYidamento ·'máxima·· é o rização de ativos em ganhos de capital, em-
ní,·e l no qual o retomo sobre patrimônio fica bora se possa perder um pouco de dinheiro
i!rnal a zero. A dívida é paga -em reduzir o com imposto de renda. Outros utilizam seu
[Link]ónio ou usar renda externa. Estabele- novo patrimônio como garantia para tomar
~irnentos agrope uários que con eguem uma dinheiro emprestado, mas podem ter proble-
rentabilidade do - ativo· mais :[Link] ou que to- mas para gerar fluxo de caixa suficiente para
mam dinheiro emprestado a uma taxa de juros pagar os empréstimos.
menor podem arcar om uma arga de endi- Em geral , quanto mais longa a vida útil
, -idamento mais alta om segurança. O ge tor do ati,·o rural, menor é sua taxa de retomo
Capítulo 19 Capital e crédito 357

em caixa. Muitos operadores Lêm como meta equilibrar cuidadosamente a necessidade de


ser donos de terras e edificações, na expecta- liquidez de curto prazo com a segurança e o
tiva de que eles aumentem seu valor com o potencial de crescimento de investimentos de
tempo. O gestor financeiro prudente precisa longo prazo.

RESUMO
Capital inclui dinheiro investido cm maquinário, animais, construções e outros ativos, assim como dinheiro
e saldos de contas bancárias. Entre as fontes de capital à disposição dos agropccuari tas. encontram-se o
próprio patrimônio do operador. patrimônio de investidores externos, ativos arrendado ou contratados e
fundos emprestados. Os gestores rurais atuais devem estar capacitados para adquirir, organizar e utilizar
diferentes formas de capital. Os princípios econômicos expostos nos Capítulos 7 e 8 podem ser emprega-
dos para determinar qual é o capital total que pode ser usado lucrativamente e como alocar capital limitado
entre usos alternativos.
Existem empréstimos agropecuários para a compra de bens móveis e imóveis e para cobrir cu tos
operacionais. Eles podem ser pagos em prazos que vão de menos de um ano até 40 anos ou mais, cm paga-
mento único ou com diversos tipos de pagamentos amortizados. Taxas de juros, condições de empréstimo
e programas de pagamento variam de mutuante para mutuante e conforme o tipo do empré ti mo. O mutu-
ários devem comparar taxa percentual anual de juros, taxas de empréstimo. disposições sobre taxa variável
e outras condições de empréstimo ao pesquisar crédito.
Há empréstimos agropecuários disponíveis junto a bancos comerciais. o Sistema de Crédito Rural
(FCS), a Agência de Serviço Rural (FSA), companhias de seguro de vida. pessoas físicas e outra fontes.
Alguns mutuantes especializam-se cm certos tipos de empréstimo, mas todos estão interessados na credi-
bilidade do candidato a mutuário. Os mutuários devem trabalhar para melhorar seu crédito, mantendo um
bom caráter pessoal, aperfeiçoando suas habilidades gerenciais, demonstrando um bom progresso financei-
ro e capacidade de pagamento e dando garantias suficientes.
A liquidez, ou gestão de fluxo de caixa, é afetada pelo crescimento do negócio, pela rendas e despe-
sas não comerciais e pelas características e cstrntura da dívida contraída. De e-se montar um plano de con-
tingência financeira para cobrir uma escassez inesperada de fluxo de caixa. Solvência diz respeito ao grau
em que os passivos do estabelecimento agropecuário são garantidos por ativo . Uma maior alavancagcm
pode aumentar a velocidade à qual o patrimônio cresce, mas também amp lia o risco de perder patrimônio.
O montante de dívida que um estabelecimento rural pode suportar depende da rentabilidade obtida . obre os
ativos e da taxa de juros paga sobre o capital de dívida. A inílação aumenta o valor de mercado dos ati vos,
mas só contribui para o íluxo de caixa quando os ativo ' são vendidos.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Quais princípios econômicos são utilizados para determinar: (a) quanto capital usar: (b) como alocar
uma quantidade limitada de capital?
2. Qual é a maior fonte de capital utilizada na agropecuária dos EUA? Quais outras fo nte ão u ad, ?
3. Defina os seguintes termos:
a. Empréstimo garantido
b. Empréstimo amortizado
c. Empréstimo imobiliário
d. Garantia
e. Linha de crédito
f. Pagamento final
4. Como os empréstimos são c lassificado cm de curto, médio e longo prazo ? Relacione os tipos de
ativos que poderiam servi r de garantia pnra cada um deles.
358 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

:'i. lmngi nc que um cmpré. timo de US$ 200.000 será devolvido cm 30 pagamentos anuais, com juros
an uais de 9% sobre o nldo restante. Quant o de principnl e juros será devido no primeiro pagamenio
e o empréstimo for amortizado com paga mentos de principal iguais? E se ele for amortizado com
pagamentos tolais iguais? Como e es números mudariam no segundo pagamento de cada caso? Use
a Tabela I do Apêndice pnra obter o fator de amortização para o caso de pagamento total igual.
6. Quai são as vantagens e dcsv.-intagens de um empréstimo de IO anos. com um pagamento fin al de
50%, contra um empréstimo completamente amortizado com o mesmo valor, prazo e taxa de juros?
7. Identifique as diferentes fontes de empréstimos rurais em sua cidade ou região. Em que tipos de em-
préstimo cada mutu an te se especializa? Você pode entrevistar várias instituições de empréstimo para
saber mais sobre suas políticas e seus procedimentos.
8. Escolha um mutu ante agropecuário e descubra as taxas e condições atualmente disponíveis para um
empréstimo de médi o ou longo prazo. Há taxas de juros tanto fixas quanto variáveis? Quais taxas de
fechamento ou outras cobranças devem ser pagas?
9. Imagine que você é um pecuarista iniciante e necessita de capital para comprar anim ais reprodutores.
Quais informações e materiai s você preci saria dar a um mutuante para aumentar suas chances de con-
seguir um empréstimo? O que os mutu.-intcs estariam dispostos a financi ar para você?
1O. Liste várias razões pelas qu ais um pedido de empréstimo de um operador rural poderia ser indeferido.
enquamo um pedido semelhante de outro operador é aprovado.
11. Explique a diferença entre liquidez e lucratividade. Dê três razões pelas quais um estabelecimento
agropecuário lucrativo poderia passar por problemas de liquidez.
. ,

REAL ESTATE
ING
Terra: controle e uso

Objetivos do capítulo
1. Explorar as características exclusivas da 4. Comparar as características do arrenda-
terra e seu uso na agropecuária. mento à vista, parceria agrícola, parceria
2. Comparar as vantagens e desvantagens da pecuária e outros tratos de arrendamento.
propriedade e do arrendamento da terra. 5. Demonstrar como uma parceria rural justa
3. Explicar fatores importantes de decisões pode estimular o uso eficiente de insumos
de compra de terra, métodos de avaliação 6. Discutir sistemas lucrativos de gestão da
da terra e os aspectos jurídicos de uma terra que conservam recursos e susten-
compra de terra. tam o meio ambiente.

A agropecuária utiliza grande áreas de ter- Na década de 1980, juros altos, secas e
ra, o que a distingue da maior parte das de- baixos preços de commodities cau aram di-
mais indústrias. A terra é o recurso básico que ficuldades financeiras para muitos produto-
sustenta a produção de todas as commodities res rurais. Vários que tinham altas cargas de
agropecuárias, mesmo as pecuárias, pois elas endividamento não conseguiram honrar suas
dependem da terra para produzir a forragem e dívidas. O resultado foi uma queda súbita nos
os cereais que os animais consomem. A terra valores da terra, à medida que os agropecua-
é o ativo de mais alto valor do balanço patri- ristas tentavam liquidar terra rural, e os com-
monial da agropecuária dos EUA, totalizando pradores deixaram o mercado. Muitos agrope-
cerca de três quartos do valor dos ativos totais. cuaristas foram forçados a vender terra com
O índice de valores da terra apresentado na Fi- prej uízo, ou, então, seu patrimônio caiu com
gura 20-1 registra uma tendência ascendente a queda do valor de mercado da terra em eu
constante nos anos 1960, seguida de uma su- balanços patr imoniais. No fi m do anos 1980,
bida abrupta nos anos 1970, impulsionada pe- o valor da terra começou a se recuperar, e o
los altos preços dos grãos e pela inílação forte. valores ubiram lenta, ma reo ularmente até
o '
360 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

2.500

Valor real (dólares de 1990)


2.000 Valor nominal
~
u
...<li 1.500
8. ,,
~ -... - ... ', ,,
,,
::> 1.000
'' --- ---
500

Figura 20-1 Valores da terra rural nos Estados Unidos (excluindo Havaí e Alasca).
(Fonte: Ministério da Agricultura dos EUA.)

2004. Nos últimos anos, os valores da terra investidores não rurais, assim como agro-
rural novamente vêm subindo a taxas de dois pecuaristas, para o mercado da terra. Taxas
dígitos, em grande parte por causa da maior de juros e de retorno disponíveis de outros
demanda por grãos como matéria-prima para investimentos também afetam a demanda e
gerar etanol e outrns biocombustíveis. A lin ha o preço da terra rural.
tracejada mostra que mesmo os valores reais Em algumas áreas, a urbanização afetou
da terra (corrigidos pela inflação) subiram grandemente os valores da terra, fazendo com
velozmente nos anos 1970, depois caindo. que algumas terras agrícolas fossem endidas
A Figura 20-2 indica que os valores da terra a incorporadoras para outros fins. A maior
aumentaram na maioria dos anos desde 1960, urbanização pode ter efeitos negativos sobre
excetuando-se um declínio na metade dos a economia agropecuária em geral e sobre a
anos 1980. qualidade de vida em zonas anteriormente
rurais. A urbanização também pode levar a
conflitos com vizinhos não agropecuaristas
FATORES QUE AFETAM OS como veículos agrícolas lentos se [Link]
VALORES DA TERRA RURAL em estradas congestionadas ou problemas de
ruído e odor. No entanto, alguns proprietário
Diversos fatores importantes influenciam o de terras podem apreciar o maior valor da ter-
valor de mercado da terra rural. O lucro po- ra, pois isso aumenta o patrimônio que teriam
tencial por acre de produção de alimentos, para usar na aposentadoria no futuro. A pro-
combustível e fibras é a força mais determi- ximidade a áreas urbanas também pode fazer
nante por trás dos valores da terra. Maiores com que os produtores encontrem um lu rati-
rendimentos agrícolas possibilitados pelos vo mercado de nicho, como uma opera ã de
muitos progressos tecnológicos introduzi- "colha seu próprio alimento" ou uma op nu-
dos no sécu lo passado contribu íram para nidade de recreação agropecuária, mo um
isso. Na maioria dos anos, os aumentos nos labirinto cm um milharal. Também, a proxi-
valores da terra rural acompanharam ou ul- midade a uma área urbana pode ampliar adi -
trapassaram a inflação nos Estados Unidos, ponibilidadc de mã de obra.
fazendo da propriedade de terras umn boa Além da urbanização, perde-se um pou
proteção contra a inflação. Esse fator atrai de terra de produ ão rural por ausa de uma
Capítulo 20 Terra: controle e uso 361

l
1
!
~ 1975 1995 2000
~
::,
~

-10,0%

- 15,0%

Figura 20-2 Alteração anual percentual nos valores da terra rural dos Estados Unidos (excluin-
do Havaí e Alasca).
(Fonte: Ministério da Agricultura dos EUA.)

transferência pura usos recreacionais. Apesar A ECONOMIA DO USO E DA


de alguns usos recreacionais poderem coexis- GESTÃO DA TERRA
tir com a produção agropecuária, outros não
podem. Em algumas regiões, os produtores A terra tem uma porção de caracteríslicas ex-
p dcm obter renda extra m-rendando direitos clusivas ausentes em outros recursos. Essas
de cuçu. Dependendo dos empreendimentos e características iníluenciam grandemente a
da época do ano, es e arrendamentos podem economia do uso e da gestão da terra.
ter pouco ou nenhum impacto sobre as ativi-
dade produtiva trndicionai . Características da terra
Embora investidores e incorporadoras
não rurais sejam importantes comprado- A terra é um recurso permanente que não de-
res de terra em algumas regiões, a grande precia ou se desgasta, contanto que a fertili-
maioria do compradores de terra ainda é dade do solo seja preservada e sejam tomadas
ompo tu de agricultore e pecuaristas que medidas apropriadas de conservação. A gestão
de ejam expandir o porte de suas operações correta não apenas mantém a produtividade
para aumentar sua renda e aproveitar tec- inerente da terra, como até mesmo a aprimora.
nologias de maior escala. Ele reconhecem A terra é produtiva em seu estado natural, pro-
a economias de escala que podem alcançar duzindo povoamento ílorestal e relva nativa
'
com uma operação maior, a oportunidade de mas as medidas gerenciais dos agricultore
lucros maiores e o efeito do aumento do va- e pecuaristas aperfeiçoaram a produtividade
lor da terra sobre seu patrimônio. Apesar de agropecuária ele diversos tipos ele Lerra. Isso
a perda de terras rurai ser uma importan te foi alcançado por meio de desaterramento
'
questão local, em escuta nacional, ela não drenagem, boas práticas de con ervação, irri-
afetou a capacidade produtiva da agropecu- gação, introdução de espécie vegetai nov
ária do EUA. Ao longo ele todo o período e melhornclas e uso de calcário e fertili zante.
entre 1945 e 2007, a terra de lavoura caiu O custo da terra, muitas veze , muda omo re-
em IO'½, de 451 milhões de acres para 406 sullado dessas melhoria .
milhõe de acres. No mesmo período, a pro- Cada terreno possui uma descrição jurídi-
dução rurnl cresceu quase 2'¼ ao ano. ca, que identifica sua localização, seu tamanho
362 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

e seu formato peculiares. A terra é imóvel, não muito sensível a mudanças na demanda por
podendo ser deslocada para ser combinada seus produtos. Ao contrário de outros insu-
com outros recursos. Maquinário, sementes, mos agropecuários, não se pode fabricar mais
fertilizante, água e outros insumos precisam terra quando sua demanda cresce. Portanto,
ser transportados até a terra e combinados com alterações na lucratividade da produção rural
ela para produzir lavouras e animais. acabam tendo influência nos preços e aluguéis
Não somente a terra é um recurso único de teITa, e o proprietário de terras colhe os be-
em geral, mas cada estabelecimento rural ou nefícios ou prejuízos econômicos.
tetTeno específico é único. Uma área de tetTas
com muitos hectares frequentemente engloba Planejamento do uso da terra
dois ou mais tipos distintos de solo, cada um
com seu próprio conjunto de características. A diferença de recursos fundiários entre os
Topografia, escoamento, material orgânico e a estabelecimentos agropecuários explica por
existência de ri scos naturais, como alagamen- que um dos primeiros passos do planejamen-
to, erosão por vento e água e afloramentos ro- to completo do estabelecimento é extrair um
chosos, são outros fatores que se combinam inventário completo da terra, incluindo tipos
para tornar os recursos fundiários diferentes de solo, escoamento, inclinação e fertilidade.
de estabelecimento para estabelecimento. Sem essas informações, não se pode desenvol-
A oferta de terra adequada para a pro- ver o plano rural mais lucrativo. Os possíveis
dução agropecuária é essencialmente fixa, empreendimentos pecuários e agrícolas, ren-
embora pequenas quantidades possam entrar dimentos, requisitos de fertilidade e práticas
para a produção por meio de desmatamento de conservação necessárias estão diretamente
ou drenagem ou ser perdidas para usos não relacionados à natureza dos recursos fundiá-
rurais. Isso faz com que o preço da tetTa seja rios à disposição. O planejamento completo

MONT N.D.

WYO.
- S D. US$
US$ 1.020•.a.---,.
IOW/\
NEB.

UT/\H r cÕu) -
- MO.
1 US$ 922 K/\N
1

/ N.M TEX. OKLA.

Figura 20-3 Valor médio por acre da terra rural por região.
Fonte: Serviço Nacional de Estatísticas Agropecuárias, Ministério da Agricultura dos Estad u ld
(2oos). os n os
Capítulo 20 Terra: controle e uso 363

do estabelecimento agropecuário frequente- tomadas por qualquer agropecuarista. Erro


mente envolve maximizar o retomo do recur- cometidos nesse quesito podem afligir o ne-
so mais limitado. A natureza fixa da terra no gócio por anos. Muito pouca terra pode ig-
curto prazo faz dela o início da maioria dos nificar que o negócio é pequeno demais para
esforços de planejamento rural. utilizar completamente outros recur o . o
O uso da terra é afetado por diferenças outro extremo, terra demais pode demandar o
regionais na produtividade da terra. A Figura empréstimo de uma grande soma de dinheiro,
20-3 mostra a ampla variação de valores de causar sérios problemas de fluxo de caixa ou
terra rural em várias regiões dos Estados Uni- superar a capacidade gerencial e de maquiná-
dos. Mesmo dentro de uma mesma região, o rio do operador. Qualquer das situações pode
valor da terra rural pode variar muito, depen- levar a desgaste financeiro e até mesmo à der-
dendo da qualidade da terra, sua proximidade rocada do negócio.
a áreas urbanas e se ela é irrigada. Porém, o A aquisição de terras deve ser pen ada em
uso mais lucrativo da terra também depende termos de controle, e não apenas de proprieda-
dos preços relativos das commodities e da tec- de. Pode-se obter controle por meio de proprie-
nologia produtiva. Ambos podem mudar com dade ou de arrendamento. Aproximadamente
o tempo, ocasionando alterações no uso da 38 % da terra rural dos EUA são arrendado
terra. Na metade do século XX, a produção de pelo operador. Muitos agropecuari ta veem
algodão se deslocou do Sudeste dos Estados como desejável uma combinação de proprie-
Unidos rumo ao Oeste, em muitos casos sen- dade e arrendamento, especialmente quando o
do substituída por pasto e produção pecuária. capital é limitado. Eles costumam ter algumas
Depois, a área plantada com algodão voltou terras e instalações para possuir uma ·'base"
ao Sudeste na segunda metade do século XX, permanente e, então, arrendam mais terra para
após a implantação de um programa para re- chegar ao tamanho desejado do estabelecimen-
duzir ou eliminar a população do bicudo-do- to agropecuário. Esses proprietários parciais
-algodoeiro. A soja já foi um cultivo de menor representavam 25% dos estabelecimentos nor-
importância, mas se tomou o segundo cultivo te-americanos em 2007. Outros 61 % eram pro-
mais importante nas regiões do Meio-Oeste e prietários integrais, e 6% eram arrendatários
do delta do Mississippi. O desenvolvimento integrais, sem nenhuma propriedade.
da irrigação transformou antigas áreas de pas-
tagens em importantes regiões de produção Propriedade
agrícola. Um aumento na produção de cere-
Ter propriedade de terras é uma meta impor-
ais na região das Planícies do Sul, no Texas e
tante para muitos produtores rurais, a de peito
em Oklahoma, estimulou o desenvolvimento
da economia envolvida. Deriva-se uma certa
de operações de grande porte de engorda de
dose de orgulho, satisfação e prestígio da pro-
gado lá. Todas essas mudanças podem ser re-
priedade de terra. Ela também é um bem tan-
montadas a alterações nos preços relativos de
gível para tran mitir aos herdeiro .
produtos e insumos, novas tecnologias e usos
A propriedade da terra tem as eouinte
::,
concorrentes da terra. vantagens:
1. Segurança do regime imobiliário pro-
CONTROLE DA TERRA: priedade da terra elimina a inc neza de
PROPRIEDADE OU perder um arrendamen to e ter o tamanho
ARRENDAMENTO? do negócio ine peradament re luzid .
Ela também a segura que o op rnd r d -
Quanta terra controlar e como adquiri-la são frutará de toda a benfeitoria d I ngo
duas da decisões mai imponantes a serem prazo feita à terra.
364 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

2. Garnntin de empréstimos Patrimônio quinário, animajg e insumos operacionais


acumulado cm terra proporciona uma anuais, como fertilizante, sementes e ra-
excelente íontc de garantias para tomar ção, muitas vezes, geram urna taxa de re-
dinheiro emprestado. Valores de terra torno superior à do investimento em terra.
crescentes ao longo do tempo proveem 3. Menos capital de giro Um grande inves-
considerável patrimônio aos proprietá- timento ou ônus de endividamento em
rios, embora uma parte desse patrimônio terra pode restringir o montante de capital
possa ser perdida com quedas nos valores de giro disponível, limjtando gravemente
da terra, como as que ocorreram na meta- o volume de produção, escolha de empre-
de dos anos 1980. endimentos, níveis de insumos e lucros.
3. Independência gerencial e liberdade 4. Limites de tamanho Uma combinação
Proprietários de terras têm liberdade para de capital limitado e desejo de possuir
tornar decisões acerca de combinações de toda a terra operada limita o tamanho do
empreendimentos, medidas de conserva- negócio. Um porte menor pode evitar o
ção, níveis de fertilizante e outras esco- uso de certas tecnologias, resultando em
lhas sem consultar o arrendante ou um custos médios maiores.
gestor rural profissional. As desvantagens da propriedade prova-
4. Proteção contra a inflação No longo velmente afetam mais o produtor rural ini-
prazo, a terra oferece uma excelente pro- ciante com capital limitado. Com o acúmulo
teção contra a inflação, pois aumentos de capital e capacidade de endividamento ao
no valor da terra costumam ser iguais ou longo do tempo, elas se tomam cada vez me-
maiores que a inflação na economia dos nos importantes. Agropecuaristas mais velhos
EUA. Entretanto, o valor da terra não ne- tendem a possuir mais terra e ter menos dívi-
cessariamente sobe todo ano. das do que os mais jovens.
5. Orgulho de ser proprietário Ter uma
propriedade e aprimorá-la é uma fonte de Arrendamento da terra
orgulho. Isso garante um benefício futuro
advindo de anos de trabalho e investimento. Costuma-se aconselhar que agropecuaristas
iniciantes arrendem terra. Com capital limi-
A propriedade da terra controlada pelo tado, o arrendamento é um meio de controlar
negócio também pode ter algumas desvanta- mais área. Outras vantagens de arrendar terra
gens. Elas estão relacionadas especialmente à são:
posição de capital do negócio. Possíveis des-
vantagens são: 1. Mais capital de giro Quando o capital
não está empatado em aqujsições de ter-
1. Fluxo de caixa Uma grande carga de ra, há mais disponível para comprar má-
endividamento associada à aquisição de quinas, animais e insumos operacionais
terra rural pode criar sérios problemas de anuais.
fluxo de caixa. Os rendimentos de caixa 2. Gestão extra Um produtor rural inician-
da terra podem não bastar para cobrir os te pode ter poucas habilidades gerenciais.
pagamentos necessários de principal e ju- Pode-se obter assistência gerencial de um
ros, assim como outras obrigações mone- arrendante experiente ou de um gestor rural
táJfas do negócio. profissional empregado pelo arrendante.
2. Menor retorno sobre capital Quando o 3. Tamanho mais flexível Contratos de
capital é limitado, pode haver usos alter- an-endamento geralmente têm prazo de
nativos para ele que tenham um retorno apenas um ou, no máximo, alguns anos.
mais ulto do que investir em terra. Ma- Mudanças anuais no tamanho ou da loca-
Capítulo 20 Terra: controle e uso 365

lízação do negócío podem ser facílmente com terra tanw própria quanto arrendada. Em
calizadas abandonando-se arrendamen- últíma análise, a combinação certa de terra
tos antigos e arrendando-se maí terra. própria e arrendada é aquela que oferece terra
"l'. Obrigações finan ceiras mais Mexíveis suficiente para utílízar completamente a mão
Os pagamentos de arrendamento são maís de obra, maquinário, gestão e capital de giro
flex.íveís do que os hipotccáríos, que po- disponíveis sem que se crie um ri co financei-
dem ser fixo por um longo período. O ro excessivo.
,aJ do aJuguel da parceria agrícola varia
avtomatícamentc em função dos rendi-
mentos e preços dos cultívos. Aluguéís à COMPRA DA TERRA
vista são menos ílcxívcís, mas podem ser
negociados sempre que o arrendamento é A compra de um estabelecimento rural é uma
renovado, levando em conta a5 condíções dccísão importante, seguidamente envolvendo
[Link]ómicas atuais e projetadas. grandes quantias de dinheiro. Uma compra de
terra tem efeitos de longo prazo sobre a liqui-
Arrendar terra também possuí desvanta- dez e a solvência do negócio.
gen~. que assumem um sígnificado especial O primeiro passo de uma decisão de com-
quando toda a terra operada é arrendada. Es- prar terra é determinar o valor do terreno sen-
525 desvantagens são: do considerado. O potencial de renda é o de-
J. Incerteza Dado o prazo curto de muítos terminante mais importante do valor da terra,
arrendamentos, sempre ex íste o perigo mas muitos outros fatores contribuem para ele:
de que toda ou parte da terra trabalhada 1. Solo, topografia e clima Esses fatores
seja perdida mediante aviso de curta ante- combinados afetam o potencial de produ-
cedéncia. Essa possibilidade desencoraja ção agrícola e pecuária e, portanto, o flu-
ínvestímcntos de longo prazo e contribuí xo de renda esperado.
JYMa um sentimento generalizado de in- 2. Construções e benfeitorias O número,
[Link].a quanto ao futuro do negócio. tamanho, condição e utilidade das edifi-
2. Instalações ruins Alguns arrendantes rc- cações, cercas, estruturas de armaze na-
lulam em investir dinheiro em construções gem e demais benfeitorias afetam o valor
e outras benfeitorias. Os arrendatários não do terreno. Uma sede de fazenda cuidada
coni,eguem justificar o investimento em e atrati va, com uma casa moderna, pode
benfeítoríah fixadas aos bens de outrem. acrescentar muito ao valor de um e ta-
Logo, rcsídéncía familiar, instalações pe- bclccimento rural, enquanto construçõe
cuária,;, állTlaz.éns de grãos, cercas e abri- malcuidadas e obsoletas podem diminuí-
gos de máquinas podem ser obsoletos, es- -lo. Construções e benfeitoria rurai são
tar em más condições ou inexistir. passíveis de despesa de depre iação,
3. Acúmulo Jeoto de patrimônio Sem pro- criando um potencial de economia no
priedade de terra, só se pode acumular pa- imposto de renda.
trimónio cm máquinas , animais e econo- 3. Tamanho E tabelecimento · pcquen e
miru, de caü.a. m épocas cm que o valor médios podem ser vendidos por um preço
/. .
da terra c1>tá crescendo, os arrcn datanos por acre maí alto do que e:tabelc imen-
podem ter que pagar aluguéis mai s altos tos grande ·. Um preço de e mpra total
[Link] acumular patrimônio algum . menor coloca o estab lccim nt dcntr
ão cxiM.c uma vantagem evidente cm ser do alcance financ iro de um núme ro
prnpríctário ou arrendatário. ontru le ainda é mai or de compradorc ·. Di cr o::. pr <lu-
m fator importante, poii, podc-i,e obter renda torc\ ruraii, vizinhos polk: m con".lidcra.r a
Capítulo 20 Terra: controle e uso 367

como é chamada em avaliação) e V é o valor então a taxa correta deve ser escolhida com
estimado da terra. cuidado. A estimativa da renda líquida não
O primeiro passo é estimar o fluxo de envolve expectativas de inflação. Portanto,
renda líquida, R, que pode ser obtido com a como explicado no Capítulo l 7, a taxa de des-
propriedade. Isso exige que se detenninem os conto deve se basear na taxa de juros real , isto
rendimentos de longo prazo, preços de venda é, na taxa de juros nominal ou efetiva, menos
e custos de produção estimados da combina- a inflação prevista.
ção mais lucrativa de empreendimentos.Ré o A prática real de avaliação é primeiro esti-
retorno líquido sobre o investimento na terra, mar a rentabilidade média do investimento em
sendo igual à renda bruta estimada do esta- terras na região em relação a estabelecimentos
belecimento menos os custos de todos os re- agropecuários semelhantes, com preços de
cursos empregados para gerá-la. Esses custos venda recentes. Utilizar essa taxa no procedi-
incluem custos de propriedade da terra, como mento de capitalização dá um valor avaliado
impostos patrimoniais, depreciação e manu- que pode ser comparado aos preços de venda
tenção. O custo de oportunidade do capital in- recentes de outros estabelecimentos. Esse pro-
vestido na terra (e os juros que possam incidir cedimento costuma resultar em uma taxa de ca-
sobre um empréstimo usado para comprá-la) pitalização de 3% a 6%, dentro do espectro das
não é subtraído, uma vez que o objetivo é esti- rentabilidades históricas de terras rurais com
.t., mar os retornos sobre o investimento na terra. base em valores de mercado atuais. A previsão
Os resultados desse procedimento são de aumentos de longo prazo no valor da ter-
i
mostrados na porção superior da Tabela 20-1, ra ajuda a explicar por que os proprietários de
exemplificando com um terreno rural de 160 terra tradicionalmente estão dispostos a aceitar
,!...
acres. Ele possui 150 acres cultiváveis, após uma rentabilidade à vista atual sobre a terra
a dedução de estradas, valas e vias hídricas. que é inferior às taxas de outros investimentos
O plano agrícola de longo prazo é presumido que não possuem o potencial de valorização.
como consistindo em 90 acres de milho e 60 O terceiro passo é dividir o retorno líqui-
acres de soja, gerando uma renda bruta anual do esperado pela taxa de capitalização. Esse
de US$ 83.025. As estimativas de rendimen- processo é exibido na porção inferior da Ta-
to e preço são importantes. Elas influenciam bela 20-1 para três taxas de capitalização di-
fortemente a estimativa final da renda líquida. ferentes. O valor estimado da terra do exem-
Ambos os itens precisam ser estimados com plo, utilizando-se uma taxa de capitalização
exatidão para que se chegue a uma estimativa de 5%, é de US$ 25.965 divididos por 0,05 =
precisa do valor. Médias de rendimento da re- US$ 519.300, ou cerca de US$ 3.246 por acre.
gião e rendimentos baseados em tipos de solo
são bons pontos de partida para estimar ren- Dados de mercado
dimentos. Os preços devem refletir a melhor A segunda abordagem de avaliação compara
estimativa do avaliador quanto aos preços de as áreas da terra que foram vendidas rece nte-
longo prazo após um cuidadoso exame dos mente com a terra sob avaliação. Os preços
níveis de preço passados. As despesas anuais das vendas comparáveis são ajustados em
do plano agrícola totali zam US$ 57 .060, o relação a diferenças em fatores como tipo de
que torna o retorno líquido esperado igual a solo, produtividade, edificações e benfe ito-
US$ 25.965 por ano. rias, tamanho, proximidade a mercado ,, co-
O segundo passo do método de capitali- munidade, localização e u o co ncorrente
'
7.<tção da renda é selecionar a taxa de desconto co mo di sc utido an teriormente. Deve m- e
ou capitali zação. O efei to da taxa de capitali- cons iderar mais três fatore , quando va lore ·
zação sobre o valor é prontamente aparente, de venda comparávei estão sendo ajus tado ·
368 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Tabela 20-1 Renda e despesas anuais estimadas de uma avaliação (área de 160 acres, com 150
acres cultiváveis)
Renda Acres Rendimento (bu/acrc) Preço/bu Total

Milho 90 150 US$ 4,05 uss 54.675


Soja 60 45 US$ 10,50 28.350
Renda lotai uss 83.025
Despesas

Fertilizante uss 14.400


Sementes 11 .580
Pesticidas 5.400
Transporte 8 10
Secagem 1.800
Mão de obra e gestão 8.600
Custos de propriedade do maquinário 5.520
Custos operacionais do maquinário 4.650
Depreciação de construções, canais, cercas 800
Impostos patrimoniais e manutenção 3.500
Despesas totais uss 57.060
Renda líquida anual da terra uss 25.965
Capitalização da renda

Taxa de capitalização Valor total Valor por acre


7% 370.929 uss 2.3 18
5% 519.300 uss 3.246
3% 865.500 uss 5.409

para refletir o "valor justo de mercado" does- 2. Relações Se o comprador e o vendedor


tabelecimento em avaliação. tiverem uma relação próxima, como pais
1. Financiamento O método e as condições vendendo para filhos, o preço de venda,
dos esquemas de financiamento da com- muitas vezes, fica abaixo do preço que se-
pra afetam o preço de venda. Quando o ria convencionado por partes sem relação.
vendedor faz o financiamento, a terra 3. Época da venda Quanto mais tempo
pode ser vendida por meio de um con- houver passado desde que ocorreu a ve n-
trato de compra em parcelas. Os termos da comparável, mais provável será que o
do contrato podem incluir uma entrada preço tenha que ser ajustado para refletir
menor e/ou juros menores do que o fi- as condições atuais do mercado. Ele pode
nanciamento tradicional por hipoteca, au- ser ajustado para cima ou para baixo, de-
mentando o preço que o comprador estará pendendo se os valores da terra vêm su-
disposto a pagar por uma terra. bindo ou caindo nos últimos tempos.
Capítulo 20 Terra: controle e uso 369

Análl o de vlabllldade financeira custo de opr>rlunidadc por mão de obra não re-
cv '• e rcu li zur um u unli li Hc de viabil idade munerada. No exemplo, presume-se que os re-
,nn n ·ci rn (ou de flu xo de caixa) para qual- cebimentos e dispêndios [Link] caixa sofram infla-
quer omprn de lCl'ru po11H ível que envolva ção anual de 2%. Pressupõe-se, contudo, que
pu om ·nto de mpré,a irno ou contrato parce- 0 1, pagamentos de príncípal e a taxa de j uros se-
ludo. J,i;tc n1o é um método de determinação jam fi xos pelo prazo do empréstimo, contudo.
do valor dn [Link], mu mostrurá, parn um dado No primeiro uno, a renda operacional de
prc o de compro, Hc huvcrú l'luxo de caixa su- caixa não basta para cobrir as despesas opera-
ii icntc puru cobrir tanto us despesas opcra- cíonaís de caixa e os pagamentos necessários
clo11nl1i unuuhi quun10 os pagamentos de juros de principal e juros. Por causa dos recebimen-
principul. A 'fubclu 20-2 contém urna análise tos crescentes a cada ano, projeta-se que o flux o
r 'Umidu de f'lux o de caixa para a compra da de caixa líquido torne-se positi vo no segundo
árcu de 160 ucres [Link] exemplo por US$ 3.000 ano de propriedade. Nesse ínterim, o déficit de
por ucrc, totuli zundo US$ 480.000. fluxo de caixa do primeiro ano deve ser coberto
A unáli sc assum e uma entrada de com caixa de outras fontes, como outras terras
35% (US$ 168 .000) e um empréstimo [Link] cultivadas, animais ou renda não agrícola.
US 3 J 2.000 por 20 anos, com juros anuais de A situação apresentada pela Tabela 20-2
7,0% e pugu mcntos de principal iguais anuais. é típica de muitas aqu isições de terra. O pre-
Os recebimentos e dispêndios de caixa anuais ço da terra inclui expectativas de valorização,
no hn [Link] nas cifras da Tabela 20- 1. Embo- fluxo infinito de renda, segurança e orgulho
rn u depreciação seja uma despesa não monetá- de ser proprietário. Esses fatores provocam
ria, deve-se contabilizar alguma saída de caixa preços mais altos, mas não aumentam os re-
pnra reposição de máquinas de longo prazo. Os tornos em caixa. Assim , fl uxos de caixa nega-
cu1itos com mão [Link] obra devem refl etir ou o tivos oriundos de compra de terra fi nanciada
custo du mt'lo de obra contratada, ou uma por- por dívida tendem a ser a regra em vez de a
çno dos custos de sustento famili ar (estimados exceção. Os lucros freq uentemente são insufi-
c111 US$ 6.000 neste exemplo), mas nenhum cientes para cobrir tanto as despesas operacio-

Tobola 20-2 Análise de fluxo de caixa da compra de uma área de 160 acres por US$ 3.000 por
acre•
Jtcm Ano 1 Ano2 Ano3 Ano 4 A nos
En1111du de cuixa (US$J US$ 83.025 US$ 84.686 US$ 86.379 US$ 88.107 uss 89.869
uídu~ dl: culxu (US$J
Scn 1cnlcH, fcrtí lizunlc, US$ 33.990 US$ 34.670 US$ 35.363 uss 36.070 uss 36.792
pcbllcldu!í, tran!íportc, secagem
M(lqul11us 10.170 10.373 10.581 10.792 11.008
D 'PC UH de l,UHIClllO famíliur 6.000 6. 120 6.242 6.367 6.495
lrnpu 101, palrírnun laí!í c 3.500 3.570 3.64 1 3.714 3.7 9
m1111u1cnc; o
29.45 1 29.45 1 29.451 29.45 1 29.45 1

11hJ d· cuixu 10111I CUS$) US$ 83 .11 1 US$ 84 .184 US$ 85.278 u 6.394 u 7.535
l'lu~u li cu lxu Hquillo (lJS$) US$ (86) u $ 502 US$ 1. 1O1 u 1.713 u 2.334
• f'r" u, uc w UIIIU c,nrruJu du ~%. ~cndu O ~uldo ele US$ :i 12.000 fina11cludo por u,11 c111pn! tinto de 20 unas, ajuros wiuaí . tlc ? %.
/
370 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

n i. quanto o pagamento ela df ida . xi . tem e demai. rc trições locai ao uso da terra tam -
v rios modo. de redu zir o défici t de íluxo de bém devem ser verificados.
cnixn, inclusive um I rcço de compra menor, Dire itos hídricos ou minerai tran m1t1 -
uma taxa de juro menor, uma entrada maior do ao novo dono devem er cuidado amente
ou um prazo mai . longo de e mpréstimo. Um identificados e compreendidos. Os direito a
cmpr timo amortizado co m pagamento to- minerai ubterrâneos não são automatíca-
tai iguai. ou um pagamento maior no final mente tran sferido juntamente com o direi-
tamh m ajudaria a redu zir a saída de caixa tos sobre a superfície da terra. Onde petróleo,
no primeiros ano , como falado no Capítulo gás, carvão ou outros minerai são importan-
1 . Deve- e fazer uma projeção de íluxo de tes, a fração do direitos minerai recebidos
caixa para todo o negócio a fim de verificar pode ter um grande impacto sobre o valor da
e haverá caixa disponível de outras partes do terra. Nas áreas irrigadas do Oeste dos Esta-
negócio para aj udar a fazer o pagamentos do dos U nidos, o direito de usar ág ua para fin
empréstimo da compra da terra nova. de irrigação, muitas vezes, é limitado, sendo
concedido caso a caso. A quantidade, con-
fiabilidade e duração desses direitos hídricos
Aspectos jurídicos
devem ser conferidas com caute la. Além dis-
Comprar terra é uma transação jurídica, além so, um problema ambiental existente, porém
de finan ceira. A preci ão d a descrição jurídi- não detectado, pode cau ar desde dificuldades
ca da propriedade deve se r verificada, e sua em obter empréstimo até uma despesa grande
matrícula deve ser examinada quanto a pos- para eliminar o problema.
·ívei problemas, como impostos imobiliários Essa é ape nas uma lista parcial dos mui-
ou hipotecas em aberto. O comprador também tos modos como compradores de terra podem
deve e tar ciente de quaisquer servidões para obter menos custo-benefício do que espera-
e Irada , tubul açõe ou cabos elé tricos que vam em razão de uma restrição ou um pro-
possam interferir no uso da terra. Zoneamento blema desconhecido. Por essas e outra ra-

Quadro 20-1 Estudo de caso: Uma venda comparativa

A Western Land Managernent Cornpany foi so- US$ 550 x 85% = US$ 467 por acre
licitada a avaliar urna área de 750 acres perto
O valor da terra nessa parte do Estado
do Aio Frio, usado majoritariamente para culti-
cresceu gradualmente nos últimos anos, tota-
var trigo de sequeiro, sorgo e feno de capim. Os
lizando cerca de 7% desde que a fazenda An-
registros que eles obtiveram nos cartórios da
derson foi vendida. Para atualizar a venda dos
região mostram que diversas propriedades si-
Anderson, o avaliador da Western acrescenta
milares foram vendidas nos últimos cinco anos.
7% ao preço ajustado.
A fazenda Anderson , perto de Habeville,
tinha 480 acres, a maior parte deles cultivável, US$ 467 x 107% = US$ 500
tendo sido vendida três anos antes a US$ 550
por acre. Como era um estabelecimento rural O preço ajustado final de US$ soo por
pequeno, as ofertas para ela foram mais agres- acre pode agora ser usado como uma venda
sivas do que se espera para o estabelecimento comparável para dar suporte ao valor avaliado
do Rio Frio. Portanto, a Western decide des- das terras do Rio Frio.
contar o preço de venda da fazenda Anderson
em 15%, para obter uma venda comparável.
371

~. nc n. lh v ,1 que o. omprndor ~ d"' tndl qu, n m '111ôrin fo lhe, provocundo lcscn-


t~m1 ccmrrntcm crviço. d um ndvogado t 'ndimcntos n ·c1-c11 1lS t 'rnws do rnn trnto
:nn xp ri6n ia em trnnsn õcs d , t 'tTn~ nn- origi nal. A I <m cio mni. , lo 1' ser n' · 'SStfrin
t"..: de faz"'r f rtu. v rbai. ou _ rita pnrn 1 docum 'lltn i'io pnrn umn partilha nu u11u1 nu-
propricdnd . Jitoria lisrnl.
Um nrrcnclnm ' nto rurnl cl' • rnn t 'r, no
mínimo, ns [Link] ntcs informa l cs: 1) n 1'S-
ARRENDAMENTO DA TERRA cri iio jurídicn da tcrrn: - ) o prazo lo arr ·n-
dnmento: (3) o valor cio nlugu ·I n ser pm! O,
Obt r ·ontrolc de te1rn por meio de :trrendn- com dntu e formn ele pagnmento; (4) os nomes
m nto t m uma 1 nga hi tória nos Estados do proprietário (nrrendanle) e do lo<.:ntúrio
Unidos e em outros paf es. Nem todn essa (arrcndntório) ; e (5) as assinnturns de todas
hist riu foi boa. Em ulgun caso , mns práli- ns partes do nrrcndamento. Essns siio apenas
·u d arrendamento levaram à exploração de ns exigências mínimns de um arrnnclnm 'nto.
urrendat,1rios e par eiros rurais e a mau uso Um bom arrenclnmenlo inclui outras disposi-
d1 terrn. A propriedade integral da terra foi ções, espcci licando os direitos e as obri 'nçôcs
defendida por algun como uma maneira de do arrendante e do nrrcn latário. Muitos ar-
eliminar es e problemas. No entanto, não é rendame ntos tnmbóm preveem uma cl 1usuln
provável que um dia tenhamos uma estrutura descrevendo o procedimento de nrbitrngcm a
agrária em que todos os agropecmu-istas pos- ser observado no cnso de demandas niio re-
suam toda a te1Ta por eles operada. As exigên- solvidns. Tambóm devem ser incluídos cintas
cias de apitai são demasiadamente grandes, e procedimentos de notilicnçi'ío de renovação
e aperfei omnentos dos contratos de arrenda- e resci ·ão do arrendamento, e peciulmentc se
mento diminuíram ou eliminaram muitos dos clil'erirem cio disposto pela lei .
antigo problemas e ineficiências. Um exemplo típico de modelo de arren-
O arrendamento de terra rural é fortemen- damento é incluído no lim deste capítulo,
te influenciado pelos costumes e tradições mas hó muitas vari n õcs. Modelos de arren-
lo ais. O tipo, condições e prazo dos arren- damento em brnm;o são disponibilizados pclt
damentos costumam ser ba tante uniformes Serviço de Exten ão ooperativa de muitos
dentro de uma dada reg ião ou comunidade. Estados, assim como por advogados e gc to-
Essa dependência em relação a costumes e res rurais prolissionai ·. É importante alterar a
tradições tem como resultado acertos de ar- redação do modelo de arrendamento a lim de
rendamento razoavelmente e táveis ao longo adaptá-lo à caracter( ticu da propriedade cm
do tempo, o que é de ejável. Porém, também questão, as im como às lei cio Estado. 01110
ignifica que a condições de arrendamento para todos os documentos jurídicos, u partes
ão lenta · na resposta a condições econômica contrntantes podem dcsej:.u· orienta ·iio de um
cambiantes e novas tecnologia . O uso ineli- advogado antes de assinar o nrrcndamcnto. No
iente da terra pode ser uma consequência de longo prazo , porém, um bom arrendamento
UITendamentos ultrapassados. rural é bascudo cm conliança mútua e L'o111u-
Arrendamento é o contrato jurídico pelo nicução, assim corno cm termos ccon6mi<.:os
qual o proprietário dá ao arrendatário a po - justos puru ambns as pnncs.
e e o u o de um bem, como terra, por um O · três tipo · bá ·ico · de nrr· nd1111cn10
pruzo, em troca de um preço ajustado. Opa- co111u111cnl ' utili,.udos pan1 arr 'llli ,r terras de
•amento pode er em dinheiro, quota da pro- ug ropcc,driu s1o o arrc nd 1111 1110 1\ vista, a
duçà ou uma combinação cios dois . Arren- p ,r · ·ria ugrícolu e u pnr ·cri I pecuária . ada
damento verbais silo lícito na maiori a dos um traz algu111as va ntugcn · ' d ·svnntngcns
'·tudo , mas não são r omcndudo ·, É muito pnrn o proprietário e p 1rn o 111T ·n hlll rio.
372 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Arrendamento à vista 3. Risco O arrendamento à vista proporcio-


na ao arrendante uma renda de aluguel
Cerca de dois terços dos atTendamentos rurais
conhecida, estável e certa. O arrendatário
nos E tndo Unidos são à vista. Um arrenda-
arca com todo o risco da variabilidade de
mento com aluguel à vista determina que o alu-
rendimento, preço e custo. Essa inibição
guel será um pagamento à vista, em um valor
do risco é uma razão por que arrendamen-
fixo por acre ou uma quantia total fixa. O arren-
tos à vista geram para o proprietário re-
damento pode vencer antecipadamente, no fim
tornos médios de longo prazo menores do
da estação do cultivo ou em alguma combina-
que uma parceria agrícola em terras com-
ção desses. Se o arrendamento for estabelecido
por acre, deve-se informar o número de acres paráveis.
no arrendamento. Alguns arrendamentos à vista 4. Requisitos de capital O arrendante tem
registram separadamente aluguéis para terra e menos requisitos de capital no arrenda-
para edifícios. Em um atTendamento à vista, o mento à vista, já que não há divisão dos
proprietário fornece a terra e as construções, en- insumos operacionais anuais. Inversa-
quanto o a1Tendatário recebe toda a renda e ge- mente, o arrendatário tem um maior re-
ralmente paga todas as despesas, salvo impostos quisito de capital, incluindo todos os in-
patrimoniais, seguro pauimonial e os principais sumos operacionais e os pagamentos de
reparos de edificações e benfeitorias. O atTen- arrendamento à vista.
damento pode prever restrições ao uso da tetTa, 5. Uso da terra Com toda a renda reverten-
exigindo que o atTendatário aplique determina- do para o arrendatário, alguns podem se
das práticas de fertilização; controle o inço; e sentir tentados a maximizar os lucros de
mantenha as cercas, vias hídricas, terraços e ou- curto prazo advindos da terra à custa da
tras benfeitorias em suas condições atuais. produtividade de longo prazo, especial-
As características do arrendamento à vis- mente em arrendamentos de curto prazo.
ta criam tanto vantagens quanto desvantagens. Isso pode ser evitado incluindo-se no ar-
Algumas das mais importantes são: rendamento restrições justas e adequadas
ao uso da terra ou negociando-se contra-
1. Simplicidade Há menos chances de de-
tos de longo prazo.
sentendimento, porque os termos podem
facilmente ser postos por escrito e com- 6. Benfeitorias Ao utilizar arrendamento à
preendidos por ambas as partes. O ar- vista, os arrendantes podem relutar em
rendamento à vista também é fácil de ser investir em edificações e outras benfei-
fiscalizado pelo proprietário, uma vez que torias, visto que não têm participação na
há poucas decisões gerenciais a serem to- renda adicional que elas geram. Inversa-
madas. Por esse motivo, proprietários que mente, alguns proprietários podem espe-
vivem longe de seu estabelecimento ru- rar receber aluguel de edificações para as
ral ou que possuem pouco conhecimento quais o arrendatário não tem uso.
agropecuário costumam preferir o arren- 7. Termos rígidos Arrendamentos à 1s-
damento à vista. ta costumam ser inflexíveis e mudar
2. Liberdade gerencial Os arrendatários com lentidão. Salvo se eles forem re-
têm liberdade para tomar suas próprias negociados todos os anos para refletir
decisões no tocante a agricultura, pecuá- modificações de preços, valor da terra e
ria e outras decisões de gestão. Arrenda- tecnologias, em breve podem surgir desi-
tários que são gestores acima da média gualdades.
frequentemente preferem arrendamentos 8. Efeitos tributários Alguns arrendante
à vista, já que recebem todos os benefí- talvez prefiram arrendamento à vi
cios de suas decisões gerenciais. por questões fiscais. Quando O arrenda.o-
Capítulo 20 Terra: controle e uso 373

te não se envolve de perto na gestão do 1. Custos do proprietário No longo pra-


negócio, a renda de aluguel à vista pode zo, o proprietário quer receber ao me-
ser encaixada como renda de investimen- nos o suficiente para cobrir os custos,
to, e não como renda de autônomo. Não tanto de caixa quanto de oportunidade,
incide imposto de autônomo sobre renda da propriedade da terra. Pres uma que o
de investimento. O tipo de contrato de ar- proprietário do terreno do exemplo da Ta-
rendamento utilizado também pode afetar bela 20-1 ache que ele poss ui um valor
contribuições previdenciárias e impostos de mercado atual de US$ 3.000 por acre,
sobre transmissão causa mortis. ou US$ 480.000, e que a taxa de c usto
de oportunidade para investimentos se-
melhantes seja de 4%. Como mostrado
Fixação de um arrendamento
na Tabela 20-3, os custos totais do pro-
à vista justo prietário seriam 4% de US$ 480.000 (ou
Os arrendamentos à vista estabelecidos para US$ 19.200) pelo custo de oportunjdade
um dado terreno rural dependem, em última do investimento, US$ 3.500 por impostos
instância, da produtividade da terra, valor dos patrimoniais e seguro e US$ 800 por de-
cultivas produzidos, custos de produção, ofer- preciação, totalizando um custo de US$
ta e demanda por terra rural na região e posi- 23 .500 (ou US$ 157 por acre). Esse seria
ções de barganha do proprietário e do opera- o aluguel mínimo necessálio para pagar
dor. A Figura 20-4 apresenta o arrendamento à todos os custos do proprietário.
vista médio pago por acre de terra agrícola em 2. Residual do arrendatário Uma segunda
diferentes regiões dos Estados Unidos. abordagem é estimar quanta renda o ar-
Podem ser utilizadas diversas abordagens rendatário terá sobrando após pagar todos
diferentes para estimar um arrendamento jus- os demais custos. Utilizando o mesmo
to. Elas são ilustradas na Tabela 20-3. exemplo, o arrendatário teria uma renda

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..

Figura 20-4 Arrendamentos à vista médios por acre de terra agrícola, por região.
Fonte: Serviço Nacional de Estatísticas Agropecuárias, Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (200 9).
374 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Tabela 20-3 Fixação de um arrendamento à vista justo (150 acres para agricultura)
1. Custos do propdetárlo

Custo de oportunidade do investimento ( 160 acres) US$ 480.000 x 4% = US$ 19.200


Impostos patrimoniais e manutenção 3.500
Depreciação de construções, canais, cercas 800
Total uss 23.500
Custo total por acre cultivável US$ 157
2. Residual do arrendatário

Renda bruta uss 83.025


Despesas
Sementes, fertilizante, pesticidas, transporte e secagem uss 33.990
Mão de obra e gestão 8.600
Maquinário 10.170
Despesas totais uss 52.760
Renda líquida disponível para pagar o arrendamento uss 30.265
Renda líquida disponível por acre cultivável uss 202
3. Equivalente de parceria agrícola

Renda adicional USS 83.025 X 50% = USS 41.513


Despesas adicionais
Sementes, fertilizante, pesticidas, transporte e secagem USS 33.990 x 50% = USS 16.995
Renda líquida adicional uss 24.518
Renda líquida adicional por acre cultivável uss 163
4. Quota da renda bruta

Renda bruta uss 83.025


Quota dos custos totais da terra 30%
Quota da renda bruta da terra uss 24.908
Arrendamento estimado por acre cultivável uss 166

bruta de US$ 83.025 e despesas totais de poderia pagar, sem contabilizar retorno
US$ 52.760. A diferença é US$ 30.265, sobre risco ou lucro.
ou US$ 202 por acre. O arrendatário não 3. Equivalente de parceria agrícola Pode-
incluiria custos de propriedade da terra, -se empregar uma abordagem de orça-
como impostos patrimoniais. Se a terra mento parcial para estimar qual aluguel
arrendada puder ser trabalhada sem inves- à vista o arrendatário poderia pagar rece-
timento exu·a em maquinário, os custos bendo o mesmo retorno de uma parceria
de propriedade de máquinas poderiam ser agrícola. Suponha que, ao passar de uma
excluídos também. Esta abordagem esti- parceria agrícola de 50-50 para um arren-
ma o aluguel máximo que o arrendatário damento à vista, o arrendatário receberia
Capítulo 20 Terra: controle e uso 375

\
100 da safra em vez de 50%. Usando tabelecem que o arrendante receba uma certa
o mesmo exemplo, isso ampliaria a renda quota das safras produzidas, com os proventos
do arrendatário em US$ 41.513 (metade da venda tornando-se o aluguel. Quando o esta-
de US$ 83.025). No entanto, o proprie- belecimento rural está matriculado cm determi-
tário da terra não mais pagaria metade nados programas agropecuários do Ministério
dos custos com fertilizante, sementes da Agricultura dos Estados Unidos, as verbas
e pesticida, então o arrendatário teria recebidas geralmente são divididas na mesma
US$ 16.995 em custos extras. O ganho proporção da safra. O arrendatário normalmen-
líquido seria de US$ 24.518, ou US$ 163 te provê toda a mão de obra e o maquinário.
por acre. Esse é o aluguel à vista que o Em algumas áreas, os custos com fertilizante,
arrendatário poderia pagar e, ainda assim, sementes, pesticidas e irrigação podem ser di-
receber o mesmo retorno líquido de uma vididos, juntamente com custos de colheita e
parceria agrícola de 50-50. outros. Além de dividir produção e despesas, os
4. Quota da renda bruta A última aborda- arrendantes, muitas vezes, participam das deci-
gem estima um aluguel à vista como um sões gerenciais sobre práticas agrícolas.
percentual da renda bruta esperada da terra. A quota do arrendante sobre a safra varia
Por exemplo, se os custos da terra geral- dependendo do tipo de cultivo, costumes lo-
mente representam cerca de 30% do custo cais e divisão dos custos operacionais. Produti-
total da produção para determinados culti- vidade do solo e clima são fatores importantes,
vos em uma região, pode-se estimar o alu- pois muitos dos custos do arrendatário, como
guel em 30% da renda bruta esperada. No mão de obra e máquinas, serão praticamente
exemplo, isso seria igual a US$ 83.025 x os mesmos em qualquer situação. Portanto,
0,30 = US$ 24.908, ou US$ 166 por acre. os aiTendatários ficam com uma quota maior
da produção em áreas menos produtivas, visto
Essas várias abordagens não dão respos- que o valor da contribuição da terra é relati-
tas idênticas. Contudo, elas podem ajudar a vamente menos importante. No Meio-Oeste, a
definir uma faixa dentro da qual o proprietário quota do proprietário pode chegar a 50% ou
e o operador possam negociar. 60 % da safra, mas, em regiões mais áridas,
pode ser de apenas 25 %. Arrendantes cujos
Arrendamento de pasto estabelecimentos agropecuários contenham
Um aluguel justo de pasto é mais difícil de de- solos piores talvez tenham que ficar com uma
terminar, porque a renda potencial é incerta. quota menor e/ou pagar mais dos custos variá-
Devem ser considerados fatores como a qua- veis para atrair um bom arrendatário.
lidade do pasto presente, suprimento de água, As vantagens e desvantagens das parce-
estado das cercas, construções e locaJjzação. rias agrícolas podem ser sintetizadas como
Pasto pode ser arrendado por preço fixo segue:
por acre ou por mês . Um método com um
1. Risco O valor da safra varia com mudan-
é definir uma taxa por unidade animal mês
ças em rendimentos e preços, então o ris-
(UAM). Uma UAM é equivalente a um boi
co é dividido pelo arrendatário e pelo pro-
adulto pastando por um mês. Com esse méto-
prietário. Isso pode ser uma desvantagem
do, o aluguel pago é proporcional à capacida-
para o proprietário se o aluguel for uma
de de criação do pasto. parte importante de sua renda total, o que
é o caso para algumas pessoas aposen-
Parcerias agrícolas tadas. Aluguel variável é uma vantagem
Parcerias agrícolas são populares em áreas em para o arrendatário, uma vez que o valor
que estabelecimentos agrícolas voltados à co- cio pagamento varia com a ua capacidade
mercialização são comuns. Essas parcerias es- de pagar.
376 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

. Gestão rrcndantc que utilizam parce- lifica a re nda de aluguel como re nda de
ria agrícolas geralmente mantêm algum autônomo, o que ajuda a incrementar os
contr \e, direto ou indireto, obre a sele- proventos previde nciários. Isso também
ão de c ultivo e o utra decisões geren - pode encaixar o estabelecimento rural em
iais. I o pode cr um a vantagem para uma avaliação menor para fins de imposto
um a1Tendatário inexperiente, além de dar sobre transmissão causa mo,1is.
ao arrendante algum controle obre o uso
da terra. Parcerias pecuárias
3. Requisitos de capital Algumas despesas
A parceria pecuária é muito parecida com a
da produção agrfcola são compartilhadas
parceria agrícola, salvo que as rendas e des-
e não é preciso pagar aluguel à vista, en-
pesas pecuárias também são divididas entre
tão os requisitos de capital do arrendante
arrendante e arrendatário. O arrendatário ti-
aumentam, enquanto os do arrendatário
picamente fornece toda a mão de obra e má-
diminuem, se comparados a um arrenda-
quinas e uma quota dos insumos pecuários e
mento à vista.
operacionais, com o arrendante provendo a
4. Divisão de despesas Um problema da terra, construções e a quota restante dos insu-
parceria agrícola é fixar uma divisão jus- mos pecuários e operacionais. A maioria das
ta e equitativa de despesas. Como regra parcerias pecuárias é de parcerias de 50-50,
geral, as despesas variáveis devem ser di- embora outros tratos sejam possfveis, depen-
vididas na mesma proporção da safra, de dendo do tipo de rebanho e de como as despe-
modo a manter níveis ideais de insumos. sas são divididas.
A adoção de novas tecnologias, muitas Parcerias pecuárias podem ser complexas,
vezes, cria novos problemas para deter- e há uma variação considerável no número e
minar a maneira correta de dividir seus tipos de despesas que são divididas. Além de
c ustos e benefícios. Um exemplo disso é custos como ração e despesas veterinárias, o
apresentado mais adiante neste capítulo. arrendante pode compartilhar o custo das má-
5. Construções e pastos O arrendante não quinas e equipamentos relacionados à produ-
obtém benefícios diretos de construções ção pecuária. Exemplos seriam máquinas de
(salvo armazenamento de grãos) e pastos ordenha, moedores de ração, cochos, bebe-
para animais, então podem surgir proble- douros e equipamentos de colheita de forra-
mas quanto ao aluguel justo desses itens. gem. O contrato deve conter uma lista com-
Muitas vezes, o arrendatário paga um alu- pleta e detalhada das despesas divididas e da
g uel à vista, suplementando a parceria, porção a ser paga por cada parte.
pelo uso de construções e pasto. As vantagens, desvantagens e possíveis
6. Comercialização O proprietário normal - problemas da parceria agrícola são semelhan-
mente tem liberdade para vender sua quo- tes aos da parceria agrícola, com as seguintes
ta dos culúvos onde e quando quiser. Isso considerações a mais:
exige um certo conhecimento extra por 1. Construções A parceria pecuária dá ao
parte dele. Alguns proprietários deixam o arrendante algum retorno de construções
arrendatário ou um gestor rural profissio- e pastos compartilhados na produção pe-
nal tomar todas as deci sões de comercia- cuária. É mais provável que os arrendan-
li zação. tes forneçam e mantenham um bom acer-
7. Participação material Os proprietários vo de construções quando recebem parte
costumam se envolver mais nas decisões da renda. Entretanto, os arrendatários po-
gerenciais na parceria agrícola. Essa par- dem desejar mais benfeitorias às constru-
úcipação na gestão frequentemente qua- ções para diminuir seus requisitos de mão
Capítulo 20 Terra: controle e uso 377

de obra ou para ape1feiçoar o desempe- arrendante e arrendatário. No arrendamento


nho da produção pecuária compartilhada. à vista variável, o aluguel à vista anual pode
2. Registros A divisão das rendas e despesas ser atrelado ao rendimento efetivo, ao preço
agrícolas e pecuárias exige bons registros recebido ou a ambos esses fatores . Por exem-
para assegurar uma divisão correta. Deve plo, pode-se aumentar ou reduzir o aluguel à
haver prestação de contas periódica das vista cm um montante específico para cada
rendas e despesas, com pagamentos com- bushel do rendimento efetivo acima ou abajxo
pensatórios para equilibrar as contas. de um rendimento básico ou médio. O mesmo
3. Extinção da parceria Extinguir uma par- pode ser feito com preço ou com renda bru-
ceria pecuária pode ser complexo e tomar ta. O arrendamento à vista variável mantém a
tempo. Todos os equipamentos e animais maior parte das propriedades do arrendamento
compartilhados devem ser divididos de à vista fixo, mas abre a possibilidade de que
maneira justa e equânime. O contrato o arrendante e o arrendatário compartam ao
deve prever um método para efetuar a menos parte do risco de preço e/ou produção.
divisão e um procedimento para dirimir Um tipo de arrendamento à vista variável
demandas não resolvidas. fixa um aluguel com base no preço e rendi-
4. Gestão Na parceria pecuária, há mais mento mais prováveis, então aju 1ando-o em
necessidade e oportunidades de compar- proporção ao valor em que o preço e o ren-
tilhar decisões gerenciais, o que demanda di melllo efetivos excedem os valores de base.
uma boa relação de trabalho entre arren- No exemplo a seguir, o arrendamento básico é
dante e arrendatário. de US$ 50 por acre para um rendimento de tri-
go de 60 bushels por acre e um preço de US $
5,00. Prc uponha que o rendimento real aca-
Outros tipos de arrendamento be sendo 72 bushels por acre, mas o preço seja
São empregados vários outros tipos de arren- apenas US$ 4,75 . O arrendamento efeti vo é,
damento, além de variações dos tipos já ex- então, calculado como US$ 57 por ac re:
poslOs.
Rendimento
Arrendamento= USS 50 X - -'r=e=-=al' ---_ X Preço real
Parceria de mão de obra efeti vo 60 US$ 5,00
Na parceria de mão de obra, o arrendante pro-
vé toda a terra, maquinário e outros insumos = US$ 50 X 72 X USS 4,75 = US$ 57,00
60 US$ 5,00
variáveis. O arrendatário fornece apenas a
mão de obra, recebendo uma quota da produ- Outra fórmula comum de aluguel à vi ta
ção. Porém, essa quota é inferior à da demais é pagar uma porcentagem lixa da renda bruta
parcerias rurai s. Esse esquema fun ciona bem efeti va obtida com o culti vo da terra arren-
para um arrendatário que quer começar a tra- dada. A capacidade J e pagamento do arn;nda-
balhar no campo, ma possui capital limita- tário é afolada por preço e rendimento; a ·sim,
do, e para um arrendante que 1cm um acervo uma fórmula de aluguel à vista vari á cl que
completo de recursos agropecuários, mas está dependa de ,1111bo e ·cs fatores propor io na 0
querendo se aposentar. máx imo de redução de ri co. arr ' ndant e 0
arrendatário devem chegar a um a ·ordo pn.:vio
Arrendamento à vista variável 'Obre ·orn o aferi r o rc n limento e preço r'ai"
A rigidez dos aJuguéi à vista foi identificada usados no c.:ômputu do aluguel.
e m uma das desvantagens dos urrendurm;n-
tos à vista. Arrendamento à ista ariávc i Arrendamento por bushel
ot:a ionulment e usado · para superur e ·s~ Outro tipo de arrendame nto ~ o arr ' nd:uu , 11 •
r r bl ma e r>partir um pouco do risc.:o entre to por bu ·hl!I , lHI am::ndamcnto com ulug u ,1
378 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

constante. Neste arrendamento, o mutuante Eficiência e equidade em


normalmente não paga despesas de produção arrendamentos
agrícola, mas recebe um número específico Muitos arrendamentos são baseados em costu-
de bushels ou quantidade de produção como mes e tradições locais, o que pode causar ine-
aluguel. O risco de produção é arcado intei- ficiências, mau uso da terra e uma divisão não
ramente pelo arrendatário, pois deve entregar equitativa de renda e despesas. Já houve mui-
uma quantidade fixa de produto ao arren- tas críticas ao sistema de regime imobiliário
dante, qualquer que seja o rendimento real baseado em arrendamento em razão da exis-
obtido. Parte do risco do preço, contudo, é tência desses problemas. Pode não ser possível
divid ido com o arrendante, pois o valor rea l redioir um contrato de arrendamento perfeito,
o
do aluguel dependerá do preço receb ido pelo mas podem ser realizados aperfeiçoamentos.
produto. Há duas grandes áreas de interesse para me-
lhorar a eficiência e a equidade de um arrenda-
Agricultura customizada mento. A primeira é o prazo do arrendamento;
A prática da agricultura customizada não é a segunda é o esquema de divisão de custos.
um verdadeiro contrato de arrendamento, mas Arrendamentos rurais costumam ser ce-
representa outro arranjo alternativo entre pro- lebrados por um prazo de um ano, embora
prietário e operador. Normalmente, o opera- algumas parcerias pecuárias sejam celebra-
dor fo rnece todo o maquinário e mão de obra das por três a cinco anos. A maioria dos ar-
para as operações de campo e transporte em rendamentos de um ano contém uma cláusula
troca de um pagamento fixo. Pode haver um prevendo renovação automática anual caso
bônus por rendimentos acima da média. O nenhuma parte dê notificação de rescisão até
proprietário provê todos os insumos operacio- certa data. Muitos desses arrendamentos vigo-
na is, recebe toda a renda e arca com todos os ram por longos períodos, mas sempre existe
riscos de preço e rendimento. Outra variação é a possibilidade de que o arrendamento seja
o operador customizado receber uma porcen- resc indido com pouco tempo de aviso prévio
tagem da produção em vez de pagamento em se o arrendante vender o estabelecimento ou
din heiro. achar um arrendatário melhor. Isso coloca o
A Tabela 20-4 sintetiza as características arrendatário em uma posição de insegurança.
importantes dos tipos de arrendamento discu- Ele também fica tentado a empregar práticas
tidos nesta seção. e plantar cultivas que maximizem os lucros

Tabela 20-4 Comparação de tipos de arrendamento


Parceria
À visln Fixo por agrícola ou Agricultura
À visln lixo vurlt\vcl bushel pecuária cus tontizada
Risco de preço nrcndo por: All'endatikio Ambos Ambos Ambos Proprietário
Ri sco de produção arcado por: Arrendatário Ambos Arrendatário Ambos Proprietário
upitnl opcrncional fornecido por: [Link]ário Arrendatário Arrendatário Ambos Proprietário
Dccls(1cs gcrc11ci11is tomadas por: Arrendatário Arrendatário Arrendatário Ambos Ambos ~
Co111crci11liz11çilo feita por: Arrcndutário Arrcndntário Ambos Ambos Proprietário
011dlc;Ocs silo ajustadas: Le11ta111cntc Rnpid11mc111c Médio Rapidamente Lentamente
Capltul 379

Quadro 20-2 Estudo de caso: Negociação de um arrendamento

Chad e Maria Grabowskl começaram a tra- patrlmô11lo


balhar com agricultura há cinco anos. Eles pagamento do olu ,
possuem um trator e alguns equipamentos de o arrendamento d m
aração, mas dividem o uso de uma plantadel- parceria de 60-40, o. r
ra e colheitadeira com os pais de Maria, Eles decide que n o qu m
tomaram emprestado capital operacional sufi- manto de parte do os
ciente de um banco local para financiar seus da da sua quota da afra. Entr
insumos agrícolas, com garantia da Agência disposta a ajustar o nluguel
de Serviço Rural (FSA). anos, com base nos rendlment
Os Grabowskl têm a oportunidade de ar- e nos preços de vend disponíveis na c
rendar à vista 265 acres a alguns quilômetros Por fim, os Grabowskl cheg , ur •
de distância, A proprietária, cujos pais traba- do em que pagar o U $ 50 por e
lharam na terra por muitos anos, é advogada março para arrendar o estabe nt
em Atlanta, Ela está pedindo um aluguel à vis- um bônus Igual a 20 da rend
ta de US$ 90 por acre, pago antecipadamente. da, com vencimento em 1° d
Chad e Maria se reúnem com seu geren- obstante, o aluguel total n o a
te bancário e chegam à conclusão de que seu US$ 100 por acre.

imediatos em vez de conservar ou incrementar valor cio produto nrnrgi nal dck ap ·nas m •tn-
a propriedade ao longo do tempo. clc do totnl. Mostrumos isso na última coluna
Arrendamentos curtos também desesti- da Tnbeln 20-5. Ncssus comlh; cs, o lm:at~frin
.)
mulam o arrendatário de realizar benfeitorias, utilizan1 apon:1s 100 librns d • t'•rtili w nt • por
pois o arrendamento pode ser extinto antes de ncrc. Embora ·ssa qunntiuudc maxi miz0 o lu-
o custo poder ser recuperado. Esses problemas cro para o urrendat:irio, la reduz l) tu ·ro total
podem ser ao menos parcialmente resolvidos por ucre em rc ln\•fío no que seria obtidú ·uso
por arrendamentos de prazo maior ou acordos l'ossem npl knun · l•W libras de l'·nili ,.:1111 ' ,
para restituir ao arrendatário o custo não re- Por outro Indo, o l~rtilit'.:11\l' tem um ·ustn
cuperado. Benfeitorias à custa do arrendatário, nrnrginal de insumo d ' l crn parn o arrcndanl •.
)
como aplicação de calcário e construção de Mnis uso de t'•rtili w ntc nfío uu n1un1a os cus-
estruturas de conservação do solo, também po- tos do nrr nd:mt ', nrns num nlu o r ndimcnto.
dem ser abrangidas por um contrato desse tipo. que é ·ompnni llwdo. O nrrcnduntc [Link]
Também pode haver ineficiências dev idas de t'crtilizur m o rcndim ·nt ) m:himo, co1110
a maus acordos de divisão de custos, caso os u111:1 forma de 111axi 111izur l) lu ·ro. No ex •mph)
custos dos insumos que afetam diretamente os du Tubela - 0-5, i ·so s' duriu cm 160 1ibrns d,
/
rendimentos não sejam partilhados na 111es111.1 l'cni liz.t111l • pm u Te. Es ·cs tipns de · )llflill)
proporção da renda ou produção. Seme111es, pode111 ser ·li111inmk,s dividindlH,c o l'llStl)
ferti lizante, pesticidas e água de irrigação suo dos i11su111os d 'l ·rr11inunt 'S d0 r0ndi1ncn10 na
exemplos. Na Tabela 20-5, o nível maxirnizn- l))CSll\11 pl'O[lOl\i'IO 'Ili qu' li prodll\'(\I.) ( pnni-
dor de lucro de uso de fert ili za nte é onde o lhnda. Nt!ss' 'Xl.!11\plú, se ns ·ustos l:l)lll l'•ni -
valor do produlo marginal é igual uo seu custo lizu11ll! t'oss '11\ repart idos i •u 1lmcnl '. 11nbas
do insumo marginal (CIMg), o que se dá c111 ns pml ' S pnuminm nwtndc dl, i.:11stn ll, insu-
140 libras de fert ilizante por acre. ontudo, se 111<) 11wrginnl ( Hvti.1) e,' ·cb •riam n1ctnd , dl
o arrendatário receber apenas metade du su- valor dll prnd11tn 1111r 1 inul. A111hns •on~rn\la-
frn, mus pugar todo o custo de l'crtili zu rll , o rin111 qunnlo II l •IO llhrns d, r ,r1ili1:i11t, , ,,m,
380 Parte VI Aqu isição de recursos gerencia '

Tabela 20-5 Exemplo de uso ínefid en e de e íHzante em uma parce( a ríc,ola farr da
recebe metade da safra, mas não paga custos de fertilizante)
Casto d o Insumo alnr do produtn VakJT dl, r,rr,d ,
Fertilizante Rendimento margjnal ([Link],, a marginal total, mílhr,, a ~p~naJ do
(lb) (bu) ·s 0,33/Jb ( ·. $) ü.S 2,50 por tro ( J a r r ~ , f C:\ 1
60 97
80 104 6.60 17,50 ~.7
100 110 6,60 15,0'.'J 1, ,,
120 114 6,60 10,00 / /J
140 117 6,60 7,50 3,7
160 118 6,60 2,.50 1.25

o nível maximizador de lucro. É comp-rcen- valoração de todos os recur"iOS azíd<A pel"J


sível que os arrendatários relutem em ado tar arrendatário e pelo arrendante.
uma nova técnica ou tecnologia ampliadora de m método para determínzr a~ q ,. ~
rendimento se tiverem que pagar todos os cus-- corretas de uma parceria agrícola é,,...,...,.,...,.,~..,.,._
tos adicionais, mas receberem somente uma do na Tabela 20-6. O exemplo inicia
porção do aumento do rendimento. dívisão prcsumída de 50-50 das ~
Problemas semelhantes podem su rgi r ferti lizante, pesticídas e sementes, ~ ootf,A
quando a troca de tecnologia possibilita a custos são atribuídos ao arrendatário
s ubstituição de ins umos não partilhados por rendante com base em q uem é dono do~"'
insumos partilhados. Um exemplo é o uso de ou presta o serviço,
herbicidas ou seme ntes resistentes a prngas A parte mais difícil desse procedimen-
no lugar de controle mecânico de inço. Se o to é dar um valor aos 1íços ·,, - , ~ fi-
arrendatário pagar apenas metade do cus to xos, como mão de obra, terra e maq i ~ -
da semente ou he rbi cida e todo o custo de Devem-se aplicar os mesm05 procedímentlA
mão de obra e maquin ário, a combinação utilízados para estímar e- tos de caí , e «•
de ins umos maximizadora de lucro para oportuní[Link] em orçamentos rurau. O i . ~
ele conterá mais herbicida e menos mão de da terra podem incluir cu tos ,,. - ·y,a e ur
obra e maquinário do que em uma hipótese valor de oportunídade de j ur05. oo e:otoo
de arrendamento à vista o u de propríet.írío- podem 3Cr estímados a partir dos aJ gn.,~ ~
-operador. vís ta aluaís . Pagamentos de pri' ·pal e j °"•
porém, não devem .ser M:dos., uma e--
Determinação de presentam pagamento de df í~ e ,
económicos.
quotas de parceria
Es~e exe mplo p<>,Jui ma proporÇZí) I>
O objetivo de todo arrendamento deve ser dar dívisão de cu5tos de pratícame te 5'J-50.
um retorno justo e equitativo para amba.~ as pode estar tão próxima d ~l-0. a J)Ollto zm- Ó'

partes pelos insumos que eles contribuem para bas a.1; panes acharc.-m que ma dí ,,~ "'
toda a operação agropecuáría. Há um arranjo 50-50 dos produtos é j i ~ sem rru.ú.~ aj
justo e eq uitati vo de parceria quando amba,-, Se as quotas de cu ~ forem coM'der~ J-
as partes são pagac; pelo us o de seus ín umos, mc nte di ferentes, pode ser %Jo um de doi
conforme a contri buição que esse s íns um~ métodos ptUa [Link] ~j~t.e1. Pr'mciro, .s ~
fazem em prol da geração de renda. A aplí- que contribui com a p--dTle mtnoi IO\
cação desse princípio requer a ídentífícct.Ção e pode concordar cm fornec(;,( rn' · d<~ i ,.,
Capítulo 20 Terra: controle e uso 381

Tabela 20-6 Determinação das quotas de renda em uma parceria agrícola

Estabelecimento
Despesas como um todo Proprietário Arrendatário

Fertil i7Ãn te uss 14.400 uss 7.200 uss 7.200


Sementes 11 .580 5.790 5.790

Pesticidas 5.400 2.700 2.700

Tran porte 810 8 10

Secagem 1.800 1.800

Mão de obra e gestão 8.600 8.600


Custos de propriedade do maquinário 5.520 5.520

Custos operacionais do maquinário 4.650 4.650

Depreciação de construções, canais, cercas 800 800


Impostos patrimoniais e manutenção 3.500 3.500
Custo de opommídzde da terra 19.200 19.200
Despesas totais uss 76.260 uss 39.190 uss 37.070
Contribuição percentual 51 % 49%

de capital ou pagar mais dos custos variáveis, do tempo. Sistemas rurais que cumprem es as
tornando a divisão de custo mais próxima de metas são ocasionalmente denominados agro-
50-50. O segu ndo método seria modificar as pecuária sustentável.
quotas de produção para 60-40 ou alguma ou- As técnicas orçamentárias normais geral-
tra proporção mais correspondente às quotas mente não são adequadas para decidir a me-
de cusLOs. Deve- e também aJterar a di visão lhor maneira de atingir as metas de conserva-
de custos dos insumos variáveis na mesma ção. Ainda assim, os gestores agropecuários
razão, evitando as ineficiências disc utidas an- precisam ter consciência de como as suas
terionnente. Qualquer que seja a opção feita decisões afetam a qualidade de vida de lon-
para igualar as quotas de custo e produção, o go praz o, tanto deles como da ociedade. Há
resultado deve fazer com que o arrendatário e três grandes áreas em que as considerações de
o arrendante di vidam a renda rural na mesma agropecuária sustentável vão além da análise
proporção em que contribuem para o custo to- orçamentária convencional.
tal de produção.
Consequências de longo prazo
CONSERVAÇÃO E QUESTÕES contra de curto prazo
AMBIENTAIS Margens de lucro magras e fluxos de caixa
exíguos fazem com que eja tentador "minar"
Conservação pode ser definida como o uso de o solo para maximizar os retorno de curto
práticas agropecuárias que max..imizem o valor prazo. A maioria das prática de co n er a-
presen te do benefícios ociais e econômicos ção exige desembol o de caixa ex tra . E la
de longo prazo do uso da terra. Essa definição também podem diminuir te mporariamente o ·
não impede a terra de er u ada, mas exige a rendimento agrícola , já que o padrõe de
adoção de práúcas que mantenham a produti- solo e c ultivo são abalad . E a rcduçfo de
vidade do solo e a quaJídade da ág ua ao longo curto prazo do lucro pode cr ne ·e - áriu para
382 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

alcan ar lucro. mai s altos no futuro o u para a práticas de produção tê m consequê nc ias que
evi tar um dcclfnio de longo prazo na produção, vão muito além dos limites do e tabelcc imcnto
céi! o nã sejam adotadas práticas conscrvacio- rural. Acúmu lo de silte c m rios e lagos, poluição
nistac;. Os cfeitos de longo prazo do esgota- e contaminação da água ubterrânea, destruição
mento e erosão do solo na produtividade nem do habitat da fauna e presença de res íduos quí-
sem pre são bem conhecidos o u com preendi- micos e m produtos pecuários ão alguns exem-
dos. Da mesma forma, são necessários anos de plos. Esses efeitos são difíceis de avaliar em
e tudo para veri fi car os efeitos de longo prazo termos monetários, muitas vezes, sendo difícil
do uso contínu o de [Link] taxas de ferti lizante e remontá-los a práticas e fontes agro pecuária5
pesticidas no solo, água, fau na e human os. específicas. A pesquisa das causas e efeitos é
Práticas de co nservação como terraços, contínua. A agropecuária precisa considerar
valas de drenagem e estruturas de desvio de mais do que os custos dos insumos rurais ao to-
águas exigem grandes investimentos inic iai s. mar deci sões sobre uso de insumos. Os custos
O s méto dos de valor presente apresentados sociais totais da utilização de várias tecnologias
no Capítulo 17 podem ser us ados para avaliar estão rapidamente tomando-se um fator impor-
a lucratividade de uma prática específica. O tante na escolha de práticas produtivas.
custo de oportunidade do capital e o hori zonte
de planejamento do proprietário assumem im- Regulamentações e incentivos
portáncia na análise. Taxas de desconto mais
Os governos estaduai s e federal aprovaram
altas reduzem o val or presente d as rendas
leis para promover e, às vezes, exigir práticas
futuras maiores resultantes da conservação.
de uso da terra e produção pecuárias que pre-
Horizontes de planejamento menores também
servem e beneficiem os recursos aéreos, hídri-
desesúmulam a conservação, Por essa razão
- ' cos e o solo. Com mai s dessas regulamenta-
muitos agropecuaristas procuram alterações
ções sendo aprovadas, os esforços futuros de
nas práúcas de aração e rotações de culti vo s
conservação podem cada vez mais se tornar
como alternativas de menor custo para atingir
uma questão de selecionar a combinação me-
metas de conservação.
nos custosa de práticas para cumprir os requi-
Acordos de arrendamento também afetam
sitos relevantes.
o tipo de práticas de conservação seguidas.
Programas de desativação de terras por
Arrendamentos de um ano desencorajam os
longo prazo, como o Programa de Reserva de
arrendat.ários de considerar os efeitos de lon-
Conservação, oferecem verbas anuais garanti-
go prn.7..o de suas práticas agropecuárias. Por
das em troca da retirada da produção de terras
outro lado, os arrendantes podem relutar cm
faza grandes in estímentos em conser vação altamente erodíveis. O c usto de oportunidade
se acharem que o arrendatário receberá todos da produção perdida deve ser avaliado con-
o uma grande pane dos benefícios. Sempre tra as verbas de incentivo e o s benefícios de
que possf •eI. as parcerias rurais devem tentar conservação de longo prazo. Alguns progra-
h ·ídír os Cfill.05 e bcnefící01, dessas práticas. mas pagam aos proprietá rios por servidões de
Arrendantes e arrendalários de em d iscutir conservação que controlam o uso da terra. Ou-
[Link] as práticas [Link]ária.s ne- tr3: reg ulamentações, como as normas " papa-
~ JYdfa fazer jus às considerações con- -pantano" e " papa-capim", linútaram o direito
sen-ací~ e ambíenr.aís de longo prà.ZO. de produtores rurais de plantar em certas áreas
com histórico de u o como pas to ou charco.
Os agropecuaristas ta mbém são obrigados a
Efeitos enrarrurais
desen volver e seg uir um plano de conservação
Íl2:!> da5 ~ q . oo; [Link] agro~ aprov~ ª fim de participar de aJgun progra-
· Ol, tomam no que tange ao r,,o da terra e mas rurais do governo.
Capítulo 20 Terra: controle e uso 383

As restrições à aplicação de pesticidas, al- vação direta limitada dos efeitos ambientais
guns fertilizantes químicos e esterco animal va- combinam-se para explicar por que alguns
riam de Estado para Estado. Análises regulares proprietários de terras relutam em adotar
de solo e acompanhamento cuidadoso de pro- práticas ambientais corretas. No entanto, a
blemas com pragas asseguram que esses produ- sociedade tem interesse na conservação para
tos só sejam usados em níveis ambientalmente manter e expandir o potencial de longo pra-
seguros e economicamente lucrativos. Os prin- zo de produção de alimentos do país, assim
cípios do custo marginal e da receita marginal como para salvaguardar a segurança alimen-
podem ser empregados para determinar o limiar tar. O horizonte de planejamento da socie-
econômico em que os prejuízos potenciais de dade geralmente é mais longo e amplo do
uma praga justificam o custo de tratar dela. que o do produtor rural individual. Reconhe-
Alguns estabelecimentos agropecuários cendo isso e a posição de capital limitada de
descobrem riscos ambientais como tanques de muitos agropecuaristas, a sociedade conce-
armazenamento subterrâneo de combustível beu meios de incentivar práticas mais sus-
com vazamentos ou acúmulo de recipientes tentáveis. Os escritórios locais do Serviço de
descartados de pesticida. Os custos de limpe- Conservação de Recursos Naturais (NRCS)
za desses problemas podem reduzir conside- dá assistência técnica gratuita. Assistência
ravelmente o valor do estabelecimento. Antes financeira para cobrir parte dos custos de
de fechar a venda de uma propriedade agrope- determinadas estruturas de conservação é
cuária, o comprador prudente deve providen- disponibilizada pelo Ministério da Agricul-
ciar uma auditoria ambiental para identificar tura dos EUA e alguns programas estaduais.
possíveis problemas desse gênero e estimar os Além disso, há verbas de programas do Mi-
!..'. custos para saná-los. nistério da Agricultura dos Estados Unidos
Diversas leis estaduais e federais regu- para produtores que seguem algumas práti-
lamentam a descarga de poluentes em rios e cas de conservação.
lagos. A maior parte do deflúvio rural é con- Hoje em dia, os agricultores e pecuaris-
siderada poluição "de fonte não pontual". En- tas precisam pensar além do simples cumpri-
tretanto, operações de alimentação animal em mento das normas e maximização dos lucros
confinamento (em inglês, CAFOs) são con- atuais. A ética da conservação nos diz que
sideradas fontes pontuais, sendo controladas possu ir ou usar terra para fins agropecuários
mais rigidamente. traz consigo a responsabilidade de adotar
Alto custo de oportunidade do capital, práticas que deem suporte à sociedade futuro
horizonte de planejamento curto e compro- adentro.

RESUMO
Terra é um recurso essencial da produção agropecuária. Ela é um recurso permanente, com ofena e lo-
calização fixas. A decisão de comprar ou arrendar terra é importante, afetando a capacidade produtiva e
a condição financeira do negócio por muitos anos. A propriedade da terra tem muitas vantagens. Porém,
comprar terra exige uma posição de capital forte e um potencial adequado de fluxo de caixa. caso seja usa-
do crédito. Terras podem ser avaliadas com base em seus rendimentos líquidos ou comparando-se preços
de venda de terras parecidas.
Existe uma mistura de terra própria e arrendada em muitos negócios agropecuários. Arrendamento à
vista, parceria agrícola e parceria pecuária são os tipos mais corriq ueiros de arrendamento. Cada tipo de
arrendamento possui vantagens e desvantagens para o arrendatário e para o arrendante em termos da con-
tribuição de capital necessária, quantidade de risco de preço e rendimento a ser di vidida e tomada de deci-
sões gerenciais. As parcerias rurais devem fazer com que a partilha da renda se dê na mesma proporção em
384 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

que cada parte contribui para o custo total de produção. Os in umo variáveis também devem ser divididos
nessa proporção para que os recursos sejam alocados com eficiência.
As decisões sobre o uso da terra precisam considerar os efeitos ambientais de longo prazo e as conse-
quências que ocorrem além dos limites do estabelecimento mraJ, a fim de conservar recursos e sustentar a
agricultura no futuro .

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1. Liste o máximo de razões que conseguir para explicar por que as pessoas compram terra rural. Como
a sua lista (ou a importância de cada razão) diferiria entre um operador rural e um investidor não ope-
rador que vive em outro Estado?
2. Quais são as vantagens e desvantagens da propriedade da terra comparada com o arrendamento da
terra?
3. Usando avaliação pelo método de capitalização e uma taxa de desconto de 6%, qual é o máximo que
você pagaria por um acre de terra que deverá ter um retorno líquido de US$ 181 ao ano? Qual seria a
sua resposta para uma taxa de desconto de 4%?
4. Por que uma análise de íluxo de caixa é importante em uma decisão de compra de terra?
5. Liste três vantagens e desvantagens do arrendamento à vista e da parceria agrícola, tanto para o arren-
dante quanto para o arrendatário.
6. Quais são as condições típicas das parcerias agrícolas na sua comunidade? Analise-as lançando mão
da Tabela 20-6 como guia. As condições são justas? Que problemas você encontrou na análise?
7. Desenvolva um arrendamento à vista flexível para a sua região usando preço e rendimento como os
fatores variáveis nos quais o aluguel se baseia. Mostre como o aluguel varia para diferentes combina-
ções de rendimento e preço.
8. Quais questões ambientais estão associadas à agropecuária em sua área? Dê dois exemplos.
Gestão de recursos
humanos

Objetivos do capítulo
1. Descrever as tendências do uso de recur- 3. Esboçar métodos para medir e melhorar a
sos humanos na agropecuária. eficiência da mão de obra.
2. Ilustrar como planejar a quantidade e qua- 4. Sugerir modos de aprimorar a gestão dos
lidade de recursos humanos necessários empregados agropecuários, incluindo se-
para diferentes situações agrícolas e pe- leção, remuneração e motivação.
cuárias. 5. Sintetizar as leis que regulamentam os tra-
balhadores e empregadores agropecuários.

A mão de obra humana é um dos poucos in- realizadas pela mão de obra agropecuária exi-
sumos da agropecuária cujo uso vem caindo giram que empregados e gestores aprimoras-
consideravelmente com o tempo. A queda foi sem sua instrução, capacitação e treinamento.
especialmente drástica desde 1950, como mos- A mera disponibilidade das novas tec-
trado na Tabela 2 1-1. Contudo, a introdução da nologias, como máq uinas maiores, sistemas
mecani zação e ouu·as tecnologias poupadoras mecânicos de manejo de ração e esterco e
de mão de obra permitiram que a produção computadores, não explica por si só ua ado-
agropecuária cresce e apesar do decréscimo ção veloz e disseminada. Preci ~a haver uma
do uso de mão de obra. Energia na forma de justificativa econômica para que os produtores
aparelho elétricos e mecân icos substituiu ru rais utilizem uma tecnologia nova, se não ela
muito da energia física antes exercida por hu- "fica parada na estante". A maioria das tecno-
manos e animais de ti ro. Mai do in ·umo de
logia poupadoras de mão de obra foi adotada
mão de obra do estabelecimento ru ral atual é
por uma ou mai da eguinte · razõe ·:
ga to operando, supervi ionando e monito-
rando essas ati vidades mecânicas, e meno · é l . É mai barata do que a mão de obra que
ga to em e forço fí i o. Alteraçõe nas wrefa · substitui .
386 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Tabela 21-1 Trabalhadores nos de ubs titui ç ão, ta m bé m to rnand o luc ra ti -


esta lecimentos agropecuários dos Estados vo u ar ma i capita l e me nos mão de obra. A
Unidos (1950- 2009) qu antidade mai or de capital po r trabalhador na
OperndoN-.~ e agropec uária de u c au. a a um aume nto co ns i-
trnb11lhnrlon' derá e l na produtividade da mão de obra agro-
nlio Trnbalhadores Total de
Ano ren11111rrndo.
pecuá ri a, to rn ando viável e nece ssári o pagar
contrri lado. tr:ihnlhadores
alário mai altos. E sa produtividade ampli a-
1950 .597.000 2.329.000 9.926.000 da po ibilitou q ue os agropecuarista desfru -
1960 5. 172.000 1. 885.000 7.05 .000 ta em de um padrão de vida comparável ao
19 O 3,' 48.000 1.1 75.000 4.5-3.000 da família não rurai . A Tabela 2 1-2 apre en-
19 O 2.40 1.000 1.298.000 3.699.000
ta o alário médio , em outubro de 20 lO, dos
trabalhadores rurais por região do país.
1990 1.999.000 892.000 2.89 1.000
2000 2.062.000 890.000 2.9 -2.000

_009 739.300 CARACTERÍSTICAS DA MÃO DE


OBRA AGROPECUÁRIA
FmHt': Serviço acional de Estatísticas Agropecuárias.
linistério da Agricultura dos Estados Unidos. Toda discussão sobre a m ão de obra agrope-
cuária deve reconhecer as características úni-
ca que afetam seu uso e gestão nos estabe-
2. Possibilita que os agropecuaristas aumen-
lecimentos rurais. Mão de obra é um insumo
tem seu volume de produção e seu lucro de fluxo co ntinuo, ou seja, o serviço que ela
total. presta fica disponível hora a hora, dia a dia.
3. Toma o trabalho mais fácil e prazeroso. Ela não pode ser estocada para uso posterior:
4. Pe rmite que determin adas operações, precisa ser utilizada à medida que fica dispo-
como plantação e colheita, sejam concluí- nível, senão é perdida.
da a tempo, mesmo quando a meteorolo-
gia é desfavorável ou a mão de obra está
com oferta escassa. Tabela 21-2 Salários dos trabalhadores
rurais, por região, 201 O
5. Faz um serviço melhor do que o que po-
deria ser realizado manualmente. Salário médio por hora
Região (US$/h)
A substituição de insumos ocorre em fun-
Norde te 10,95
ção de uma mudança na taxa marginal de sub -
tituição física e/ou de uma alteração nos preços Apalaches 9,45
relativos dos insumos, como foi exposto no Ca- Sude- ce 9,43
pítulo 8. Ambos os fatores foram importante Lago 11,05
na ubstituição de mão de obra por tecnologia
Cinturão do milho li , 11
inten iva em capital na agropecuária. As taxas
marginais de s ub tituição mudaram à medida Delta 8,64
que novas tecnolog ias alteraram a fom1a das Planície do None 11,70
i oquanta relevante , tom ando mais lucrativo Planície do Sul 9,85
ut ilizar menos mão de obra e mai capital.
~lomanhas 10, 17
O juros e os salários c resceram de de
1950, ma o salário aument aran1 a uma p r- Pa, ífico 10,53
entagem mais alta, tornando a mão de obra [Link]- 10,-B
relativamente mai cara do que o capital. Es-a
funu: Seni ço Nacional de Estaústicas Agropecuárias.
mudança afeta a razão de preço do problema ~[Link] d:i Agricultura dos Estados Unidos. . OI O.
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 387

turno integral é tam- nO\'O trabalhador em plena ocupação. Quan-


iri o ... o que ignifica do outro recursos, como terra e maquinário,
1 em uni dade inteiras também vêm em unidades " inteiriças", fica di-
_e u a mão de obra fícil evitar e cas ez ou excesso de um ou mai s
r hora. mas a maioria recurso .
grn uária é fornecida por O operador e outros membro da famfüa
· rum integral e ano inteiro. A proveem toda ou grande parte da mão de obra
- -3 o _tra orno e di tribuíarn os utilizada na maioria dos estabelecimentos agrí-
- rurai_ em outubro de 201 O por colas e pecuário . Em geral, essa mão de obra
trabalhadore contratados. ela, não recebe um salário direto em dinheiro, então
_ u-abalhadore rurai contratados tra- seu custo e valor podem ser ignorados ou pos-
m e,;;cabel imento agropecuários tos de lado sem maiores problemas. No entan-
um empregado contratado, e to, como para todos os recursos, há um custo
h \'aID em e tabelecimentos com de oportunidade da mão de obra do operador e
lha res. No outro extremo, 58% sua farru1ia, que pode ser uma grande parte dos
balh ores rurai e tavam empregados custos fixos não monetários do estabelecimento
t le imento que contratavam mais rural. A remuneração da mão de obra do opera-
u l O trabalhador-e . Se a mão de obra só d or e sua família é recebida indiretamente por
r di ponfrel em turno integral, o acrés- meio de desembolsos para despesas de sustento
'im u a p rda de um empregado constitui familiar e outras retiradas de caixa. Esse salário
ma grande mudança na oferta de mão de ou remuneração indireta pode variar muito, es-
rn e tabele imento rural. Por exemplo, pecialmente em itens não essenciais, à medida
um proprietário individual q ue contrata seu que a renda rural líquida varia de ano para ano.
rime iro empregado está ampliando a oferta As despesas rurais de caixa têm alta prioridade
em-o de bra em 1007r, e um segundo em- quanto a qualquer renda de caixa, fazendo com
pre~ado repre- enta um aumento de 50% . Um que despesas de sustento não essenciais flutuem
problema que se apre enta a um negócio em junto com a renda rural.
-re - imento é quando e como adquirir os re- O fator humano é outra característica que
-urso - adi ionai ne e ários para manter um distingue a mão de obra dos demais recursos.
Se uma pessoa é tratada como um objeto ina-
nimado, a produtividade e a eficiência so frem .
Tabela 21--3 Número de empregados rurais Esperanças, medos, ambições, gostos, aver-
nos estabelecimentos dos EUA, 201 O, em
sões, preocupações e problema pessoai do
n · mero por estabelecimento
operador e dos empregados devem er conside-
. 'úmero de empregados Percentual de todos rados em todo plano de ge tão da mão de obra.
por tabelecimento os empregados
9
PLANEJAMENTO DE RECURSOS
2 9
DE MÃO DE OBRA RURAL
3- 6 16

7- 10 8 Planejar cuidadosame nte os re- ur ·o de mão


11- 20 12 de obn do c ·tabdecimento a!!ropccuürio aj u-
d a a e itar erro · carn ' e li lo ro ·os . Fig ura
21- 50 13
_ l - I itu ·tra c -- ·pro -e " o. primciropa.s ·o ,
3 aferir a · n ·cc ·: iuad ·s d· mn ueo bn uo esra-
J,., 11 Scn 11;-o 1 ·1 na! dt: b1.1ú ·ul·,e. Agro1 l·uárÍJ!>, lY-1' ·imc nto, ·ua qu mtidudc e Iual ida<.k I.! a·
[Link]'no [Link];n ullurado!,E l do~UniJo ,:!UIO. ·onlli<;õc · e m qu ·o · trabulhadorc · laborarão.
/
388 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Etopa 1 - Avaliar suo situação

Habilidades Necessidades Condições


de supervisão de pessoal de trabalho

Etapa 2 - Desenvolver descrições Descrições de Trabalhadores


de trabalho provisórias trabalho provisórias temporários
(empregados fixos)
Contratar
conforme
necessário

Etapa 3 - Encaixar empregados atuais Empregados


nas descrições de trabalho atuais

Alterar descrição Transferir Transferir


Bom
para se encaixar no empregado para empregado e 1
encaixe
empregado trabalho novo ajustar descrição

Etapa 4 - Desenvolver descrições Descrição dos


de trabalho para as demais demais trabalhos
tarefas

Etapa 5 - Contratar empregados Novos


que se encaixem nas empregados
descrições do trabalho

Figura 21-1 Fluxograma do processo de planejamento da mão de obra rural.


(Fonte: Thomas, Kenneth H., e Bernard L. Erven, Gestão de equipe rural, Publicação 329 da Extensão
Regional Central do Norte.)

Quantidade de mão de obra mão de obra para todos os empreendimentos


necessária do estabelecimento e a mão de obra mensal
fornecida pelo operador rural e um empregado
A maioria dos gestores rurais julga a quanti-
cm turno integral. Nesse exemplo, o operador
dade de mão de obra necessária por meio de
rural tem um problema comum a vários esta-
observação e experiência. Quando estão sen-
belecimentos agropecuários. A mão de obra
do introduzidos novos empreendimentos, po- do operador não dá conta dos requisitos em
dem ser usados os requi sitos típicos de mão alguns meses, mas o acréscimo de um em-
de obra publicados cm orçamentos de empre- pregado cm turno integral resulta em grandes
endimento. Uma planilha como a ilustrada na quantidades de excesso de mão de obra em
Tabela 21 -4 é útil para resumir as necessida- outros meses. Podem ser necessárias jorna-
des de milo de obra. das de trabalho mais longas, ajuda temporária
A sazonalidade da mí.10 de obra também ou contratação de um operador customizado
precisa ser com,idcrada. Por exemplo, os re- para realizar as tarefas necessárias a tempo.
quisitos de mlio de obra podem exceder a mão Uma solução mais permanente seria ampliar
de obra nos mesei; cm que ocorrem plunta- a capacidade das máquinas de campo ou equi -
ção, colheita e parição. A Figura 2 1-2 mostra pamentos de processamento, ou passar para
um exemplo dos rcqui 11i1os lotuii; mensais <.le empreendimentos diferentes. Quanta mão de
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 389

Tabela 21-4 Planilha de estimativa de mão de obra


Distribuição de horas
Total de
horas Dezembro- Abril- Julho- Setembro-
por ano março Junho agosto novembro

1 Operador (ou Sócio nº 1) 2.900 800 750 600 750

2 Sócio nº 2
3

4 Mão de obra familiar 1.300 200 300 500 300

5 Mão de obra contratada


6 Operadores de máquina customizados
7 Total de horas disponíveis de mão de obra 4.200 1.000 1.050 1.100 1.050

Horas de mão de obra direta necessárias para


empreendimentos agrícolas e pecuários
Empreendimentos agrícolas Acres h/acre
8 Trigo 700 1,8 1.260 10 100 750 400

9 Sorgo 300 2,1 630 o 400 o 230

10 Alfafa 200 6,2 1.240 o 400 700 140

11

12

13

14
15

16 Total de horas de mão de obra necessárias para 3. 130 10 900 1.450 770
agricultura
Empreendimentos pecuários Nºde h/unidade
unidade

17 Gado de corte 250 6,0 1.500 600 500 200 200

18 Recria 400 0,25 100 50 o o 50

19

20

21 Total de horas de mão de obra necessárias para 1.600 650 500 200 250
pecuária
22 To1al de horas necessárias para agricuhura e pecuária 4.730 660 1.400 1.650 1.020

23 Total de horas de mão de obra indireta necessárias 600 200 150 100 150

24 To1al de horas de mão de obra necessárias 5.330 860 1.550 1.750 1. 170

25 Total disponível (linha 7) 4.200 1.000 1.050 1.100 1.050

26 Horas de mão de obra adicional necessárias (linha 24 500 650 1'.!0


menos linha 25)
27 fiaras de mao de obra em excesso di ponívcis (linhn 140
25 menos linha 24)
fomr: Guia de planejamenlo rural do Missouri, Mnnual 75: fev. 1986. Departnmen10 de P. onomin Agropecuária, Universidade uo
Miuouri, Columbia, MO.
I

390 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Mão de obra de operador mais contratada


400 ------------------- - ------

.' 1

Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Sei. Out. Nov. Dez.
Meses

Figura 21-2 Perfil dos requisitos e disponibilidade de mão de obra.

obra deve ser usada para max imizar os lucros dade variável quando o aumento ou a diminui- J

depende de sua di sponibilidade, seu custo e se ção do tamanho de um empreendimento afeta


ela é um insumo fixo ou variável. a escala possível de outros ernpreendimento .
Quando a mão de obra é contratada cm
Mão de obra como um custo fixo tempo parcial ou conforme nece sária, deve
A oferta total de mão de obra do operador e/ sempre ser tratada como um custo variável. O
ou dos em pregados em turno integral pode custo dessa mão de obra, incluindo benefícios
ser fixa, mas não inteiramente util izada. Se e tributos sobre folha de pagamento, precisa
essa mão de obra estiver ganhando um salá- ser incluído em todas as decisões orçamentá-
rio fixo independente das horas trabalhadas, rias, assim como em análises de custo margi-
não há custo variável ou marginal para usar nal e receita marginal.
mai uma hora. Nessa si tuação, a mão de obra
pode ser tratada como um custo fixo . Em um
Qualidade de mão de obra
orçamento de empreend imento, os custos com
necessária
mão de obra não afetam a margem bruta nem
a escol ha de empreendimento. Em um orça- Nem toda mão de obra rural é igual em trei-
mento parcial , os custos com mão de obra não namento, capacidade e experiência. Novas
são incluídos nos custos aumentados nem nos tecnologias agropecuárias exigem habilidades
custos reduzidos. mais especializadas e sofisticadas. Algumas
atividades, como a aplicação de algu ns pes-
Mão de obra como um custo variável ticidas, podem inclusive exigir treinamento
Mesmo a mão de obra permanente pode ter e certificação especiais. A avaliação das ne-
um custo de oportunidade maior que zero, seja cessidades de mão de obra faz necessária a
de lazer ou emprego extrarrural. Ele se torna o identificação de capacidades especiais, como
rendimento mínimo acei tável, abaixo do qual operar certos tipos de máquinas, realizar ati i-
a pessoa preferirá não trabalhar horas a mais. dades veterinárias, balancear doses de ração,
A mão de obra possui um custo de oportuni- utilizar computadores ou aparel hos de contra-
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 391

le ektró · o fazer manutenção e consertos ou pecuária serem analisada , devem ser de-
mecânicos. Se o operador ou seus familiares senvolvida de_ ·ri ões provisórias dos tra-
não írem odas as habilidades especiais balhos. Operações maiores têm espaço para
nece , · as. deve-rão er contratados emprega- muito mais especialização de deveres do que
dos que as tenham, ou alguns serviços podem operaçõe menores, é claro. Depois, as habi-
er ter, [Link] para consultores externos, lidades do trabalhadores atualmente disponí-
oficinas o operadores customizados. Tam- veis devem ser comparadas às descrições dos
bém podem exi rir programas de treinamento trabalhos. Algun de eres talvez tenham que
para auxiliar trabalhadores rurais a adquirir ser redistribuído para corresponderem às ha-
DOYas habilidades. bilidades e intere e de certos empregados,
familiares ou sócios. Necess idades que não
Estilo gerencial possam ser satisfeitas pela equipe de trabalho
Algu g · ores agropecuários utilizam pes- atual precisarão ser preenchidas dando-se trei-
oas o trata as com mais eficácia do que namento profissional, providenciando-se tra-
ourro-. ~vi itos operadores estão acostumados balhadores extras ou contratando-se serviços
a trabalhar sozinhos, preferindo empregados externos.
que co - _ em trabalhar independentemente, Desemolver um quadro organizacional
com uma quantidade mínima de supervisão e é de especial utilidade quando há muitos em-
insuução. Outros empregadores preferem tra- pregados e gestores envolvidos. Em particular,
balhar à e perto com os trabalhadores, dando deve ficar claro se alguns empregados deverão
instruções especificas sobre como um serviço receber instruções de outros empregados ou
de ·e ~ eito. Ambos os estilos gerenciais po- de membros da família do operador. A Figura
dem ser eficazes, mas o bom gestor reconhece 21-3 apresenta um exemplo de quadro organi-
o seu esúlo e procura trabalhadores que fun- zacional para uma operação de porte médio.
cionam bem nele . Além de indicar quais membros da equipe de
.Após a quantidade e a qualidade da mão trabalho super\'isionam outros membros, o
de obra necessária pela operação agrícola quadro organizacional deve indicar as linhas

Sam (sócio) Charlotte (sócia)


- Produção agrícola
-Pecuária
----------- - Comercialização
- Contabilidade
- Finanças · Produção agrícola

Ram on (empregado em
Rod (filho na faculdade)
t mo integral)
- Suínos (reprodução e
-Suínos (alimentação) veterinária)
- Manutenção e reparos
• Gado

Kelly (tempo parcial) Chip (tempo parcial)


- Agricultura - Suínos
(operações de campo) - Gado

- - - Unhas de autoridade
- - - - Unhas de comunicação

FJgura 21-3 Quadro organizacional de um negócio rural.


392 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

de comunicnção que precisam ser mantidas tipo de organização e muitos outros fatores.
entre gestores e empregados. Devem ser empregadas medidas de eficiência
da mão de obra a fim de comparar e avaliar re-
Gestão dos riscos na contratação sultados somente de negócios rurais de porte e
de mão de obra tipo aproximadamente iguais.
Medidas de eficiência de mão de obra fre-
Como discutido em pormenores no livro Ag
quentemente usam o conceito de pessoa-ano
Help Wanted: G11ideli11 es for Ma11agi11g Agri- ou equivalentes de turno integral de mão de
c11/111ral Labor, cio Comitê de Extensão em obra empregada. Esse é um procedimento para
Gestão Rural do Oeste, há muitas fontes de ris- combinar mão de obra contratada, do operador
co na contratação de mão de obra . Uma grande e da sua família em um número total de mão
fonte de risco, normalmente bem compreen - ele obra, comparável entre estabelecimentos
dida na agropecuária, é quando não há mão de agropecuários. O exemplo registra 21 meses
obra disponível para executar tarefas cruciais, de mão de obra fornecidos por três fontes.
significand o que a produção e, portanto, o lu - Di vidir esse total por 12 converte-o em 1,75
cro sofrerão. Outra fonte de risco é a qualidade pessoa-ano, ou o equivalente a 1,75 pessoa
da mão de obra. Mão de obra de má qualidade trabalhando cm turno integral durante um ano.
pode advir de baixa capacitação dos emprega-
dos, comunicação ruim por parte dos gestores
Mão de obra do operador 12 meses
ou ince nti vos definidos incorretamente. Os
custo. indiretos da mão de obra são outra fon - Mão de obra familiar 4 meses
te possíve l de ri sco. Rotatividade excessiva e Mão de obra contratada 5 meses
ab ·enteísmo podem contribuir para custos in- Total 2 1 meses
diretos altos. Também pode advir risco de con-
21 + 12 = eq uivalente a 1,75 pes oa-ano
flito com empregados, o que pode consumir
tempo e dinheiro, especialmente se acompa-
As medidas de eficiência de mão de obra
nhado por processos judiciais. Contratar mão
convertem um total de produto físico, custo ou
de obra exige conformidade com leis estaduais
renda em um alar por pessoa-ano. As seguin-
e federais e cumprimento no prazo de declara-
tes medidas são de uso comum.
ções de imposto e outras burocracias, de forma
que má conformidade é outra fonte de risco Valor da produção rural por pessoa
para os empregadores. Os bons gestores pre-
cisam estar cientes de todas as fontes de risco Mede o valor total dos produtos agropecuários
da contratação de mão de obra e trabalhar para gerados pelo estabelc_ci mento rural por equi-
minimizar as chances de problemas. Bom pla- va lente pessoa-ano. E afetado pelo tamanho
do negócio, tipo de empreendimento e quanti-
nejamento, boa comunicação e cumprimento
dade de máquinas e outros equipamentos pou-
das leis e regulamentos aplicáveis são compo-
padore de mão de obra usados.
nentes vitais da gestão do risco.
Custo da mão de obra
MEDIÇÃO DA EFICIÊNCIA por acre cultivável
DA MÃO DE OBRA Obtém-se o custo da mão de obra por acre cul-
tiváve l dividindo- e o custo total da mão de
A eficiência da mão de obra depende não ape- obra agrícola no ano pelo número de acres em
nas das habilidades e treinamento da mão de cultivo e pousio. O custo de oportunidade da
obra utili zada, mas também do porte do negó- mão de obra do operador e da sua família é in-
cio, empreendimento, grau de mecanização, cluído no custo total da mão de obra. Os valo-
Capítulo 21 Gestão de recursos huma e.:,
393

res são afetados pelo tamanho do maquínMío, trabalhador, uso de maq uinário de Y--IYai, e-6-
tipos de c ul tives produz idos e se ~ãn u,;adoF> cala ou adoção de tecnologfa menos ím ~, a
operadore cu tom izados. em mão de obra. No entanto, se o objefr o fo
max imizar o lucro, e não apenas <tUmentar .a e-
Acres cultiváveis por pessoa fi ciência da mão de obra a quafquer CU3W, ~
O número de acre s cu ltivávcís p{ r pc~~oa é tão são as taxas margi naís de substituí ;uJ o,
encontrado dividindo-se o to tal de acrc!'i cul- preços da mão de obra e do capital q r, • ' em
úváveis pelo número de pessoaH-ano de mão determinar a combinação correta , umentar
de obra usado para atividades rclacíonadai, à o investimen to de capi tal por trabe.J~ au-
agricultura. me nta o lucro apenas se: (1 ) o e $W lJ;)ta) é
red uzido, enquanto a receita aumenta, J¼-"fTila-
Vacas ordenhadas por pessoa necc constante ou ao menos dimin rn me m do
O número total de vacas produtí[Link] do reba- que os custos; o u (2) a mão de obra JUJ)',:!da
nho lei teiro é d ividido pelo ncí mcro de pes- pode ser utili zada para aumentar o ·akrr do
soas-ano de mão de obra. Outros cmprccndí- produto em o utra parte, em mais do q o cus-
mentos pecuários usam medidas se melhantes to do investimento.
de eficiência de mão de obra. Quando a oferta de mão de obra é amplí11-
A Tabela 2 1-5 aprese nta alguns [Link]> da acrescentando-se um trabalhado em turno
de eficiência da mão de obra cm es tabclecí- integral, podem ser necessárias alg mas ní-
mentos agropec uários de Iowa. Os dados as- dades adi cionais de um empreendímen o para
sinalam que a produ tividade por pc1,i;-oa nor- utilizar completamente a mão de obra di~poní-
malmente cresce à medida que o tamanho do vcl. A Figura 2 1-4 mostra como os cusl.05 por
estabeleci me nto cresce, na maíor parle em vaca podem subir q uando um estabelecimento
decorrência de mais investimento cm máq ui- leitei ro adi ciona empregados, caso o n 'mero
nas e equipamentos maiores e de dís tribuíção de vacas não seja au mentado ao mesmo m-
dos custos acessórios da mão de obra por mais po. Isso ilustra a natureza "inteírica" da mão
unidades de produção. de obra em turno integral como in;umo,
Simpl ificar procedim entos e roti nas de
trabalho pode compe nsar m uíto em termos
MELHORIA DA EFICIÊNCIA de maior eficiênc ia da mão de obTa. Pode-se
DA MÃO DE OBRA poupar bastante tempo te ndo todas as ferra-
mentas e demais suprimento na ár a do tra-
A efi ciência da mão de obra pode ser melho- balho, não tendo que parar para abrir e f, har
rada com m a is inves tim ento de cap íta l por porteiras, mantendo o equ ipamentos em boa

Tabela 21 -5 Eficiê ncia da mão de obra por tamanho de estabelecimento em Iowa, 2008
Tamanho do estabelecimento por vend

It~m
Meses de mão de obra por es1abclecímento 9,8 12,7

VaJor da produção rural por pes oa ss 282.5 11 u 78. 133 t..: 571.210
Ubto de mão de obra por acre cul tivável s 56,09 44, O Li ,15
Acres cul1 lváveis por pc soa 430 539 71
F,J1t1e: us tos e retornos rurai s cJe Iowa em Uffd. f'ublu:~ao da b1enl4o da Universidade Estadual de Iowa, Alq,:,i1to Cl-lO.
394 Parte VI Aqui lção de recursos gerenciais

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BC/1 Uma pessoa Duas pessoas Três pessoas
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o 75 150 225
Ntlmero de vacas lei ei s

Figura 21-4 Custo da mão de obra por vaca leiteira para diferentes tamanhos de reban o.

ondi õ e possuindo pc as ~obre snlentes à moderno ajudam a reduzir a fadiga ori -


miio. Fazer ultcrn õ' na di po i ão du ·ede da de calor, frio, ujeira e barulho. erifi
pr jcto da - on tru õe , tamanh e formato e as proteções das máquinas tão arn
d s amp s lo alizu u do depósitos de as instalações pecuárias são bem ventil
materiais cm 1 la iio n onde eles serão usa- todas a medidas de egurança são segui
d tamb <m pode p upur temp e aumentar e,·ita tempo de trabalho perdido com lesões
n cíici~ncia da mão de obra. Onde materiais ou doen as. Os trabalhadores deYem recebcr
pr' isam ·cr dcslo ad ·. pen e cm usar tran - roupas adequadas e demais equipamen
p rtud 1-c , e 1rrinho· , pcquen veículo , ros- proteção ao trabalhar om quími - agrope-
a e outrn~ 1pnrclho· poupadore· de mão de ·uários ou realizar outros trabalh perigosos..
obras. Int "tTuptorc · automfüic se timers pode Planejar e programar o trabalh
eliminar tempo perdido com e pera. Levar tecedên ia ajuda a diminuir o d~-perdí1.. ·
rtidi ou tcl-1' ne celulares cm veículo · ou temp . Tarefas que precisam ser umpri •
trntorc pos · ibilila omuni ·a ão ágil, permite em um momento especí.fi deY-em ser progra-
a rdenu iio de mividnde em uma grande madas ante-, e aquelas que nã ·tão li6 • -
rcn u ·ogr, lica ' reduz a viugen ·. Os dados a um m memo. mo reparos e
de pr du i1 1odcm cr in ·erido diretamen- ou urras manuten - e
te cm um p qu n omputndor p rtátil ou d para me m fi _ m-
mi\ m v z d ·crcm trnns f ·1id s de regi tros tenha uma lista de s · a
m pnp 1. om cmprc, o ·u ·to ndi ional das atribuind uma pri rida um
mudun n-· dcv • s ·r p nderndo ontm o valor um. Essa li · ta de,· fi et
dn mi\o de obrn p upmJ 1. lhad re~ pos..,~ ,"ê-13 e as tare
efi iên ·i I dn mi de bnt rnmbcm p e de, m er ri . Panin disso pode-_
r 111 ri mor ,da dnndo-se no · trnb 1lhnd re plun jar um grama e ·• ·
' ondi - Je trnbnlh ·cgum · e nfom vei algun · minut - toda. rnanh- n ·
s m1 r' que I ssívd . Emb m I m 1i r parte p em re.::a p:u-a ~aniz:u- -
do trnb 1Jh ) .1~rop • m rio ainda · ~j 1 realizuda · .::uinte e u::i ordem e impo:n
no 11r li 1 "', 11hin s de m, quin 1 - \ " Í ul · m utili
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 395

MELHORIA DA CAPACIDADE Mui tos gestores rurais exí tosos são ativos
GERENCIAL cm organizações prof'issionuís e volun lárias
fora de seus ncg6cíos. Organizações de com-
Os rc ·ursos lnhornls nrnls imporlantcs de 111odltle.\' e políticas rurai s, conselhos de ensi-
q1111lq11 r II g lo si'lo os , ·storc1-1. Ernboru um no, igrcjus, cooperati vas e clubes de comércio
l'Stor pnssn ·om çnr com 111uiIn expcriC!nciu oferecem chances para desenvolver habilidades
li instr11çílo, isso nno hnsI11r~ pnrn umn carrcirn orgunizacionais e relações pessoais. Não so-
inI ir 1, /\s huhillclndcs gerenciais precisurn ser menlc a participação nesses grupos é um modo
·ontinunm ·111 r --forç11cl111-1 e nlllnlizadas. de contribuir para a com unidade, mac; algumas
A t cnologin 1\ ropcc11~ri11 cslá sempre evo- das melhores ideias e filosofiac; vêm da intera-
luindo. R 'P 1ir técnicas dit11cl11s não é suficiente. ção com ou tras pesso,Lc; ai Lamente capazes.
goslOr 11gropcc11ário ele sucesNo precisa com- Por fim , o gestor agropecuário precisa de-
pre ncl r os princípios por Irás da tecnologia, senvolver uma "visão mundial" . Mais de 20%
como 11111riçno nnimnl, fisiologia vegetal, gcné- dos produtos agropecuários dos EUA são con-
ti n e me ·0nicn rural. Aí, ns novas aplicações sumidos cm outros paí cs, então é importante
dc, sc. princípios scri'io mais fáceis de dominar. entender os gostos e costumes de outras cultu-
R•vi. 111. rurnis, seminários de ex tensão, cursos ras. Os produtores rurais de outros países tam -
ui.: cducnçi\o continu11d11 e exposições agropccu- bém fazem urna concorrência significativa no
rtrin · sí\o excclcnles fo111cs de informação sobre mercado. Viajar para o exterior, especialmente
novn. tecnologins. No lirn, porém, o gestor pode cm excursões concebidas para aprender mais
chegar II conclusão de que não é possível que sobre produção agropecuária, comércio e pre-
i.:
umn pcs on domine Ludo, e que delegar respon- f'crências dos consumidores, é um jeito eficaz
snhilidnde n muros no negócio ou contratar con- de aprender sobre o resto do mundo. Receber
·uhorc ex ternos é um modo proveitoso de ter visitantes internacionais e freq uentar progra-
li e so li conhecimento ex Ira. mas ou ler obre outras cultura,;; também ão
De envolver um escritóri o ou centro de maneiras valiosa<; de ampliar ua compreensão
,1
negócios cfi cienle também é urna marca do internacional.
bom g slor. A s inst11l11çõcs físicas devem ser
·onfortáveis e funcionai s, tornando possível o
OBTENÇÃO E GESTÃO DE
uso de comunicuções 111Uulizadas e tecnologia
dn iníonnnçito de ges1ilo. flu xo de conlas,
EMPREGADOS RURAIS
recibo ·, rellllório · e correspondência deve ser
Empregados pagos representam quase 30% da
rápido e frequente. O rcgislros devem ser
oferta Lolal de mão de obra cm estabelecimen-
elas ilicado e urquivndos lendo cm vi sta sua
Los agropecuári os dos E Lados Unidos, como
rápidn n:cupernçilo.
foi mostrado na Tabela 2 1- 1. Aqui sição, trei-
Opcrudore rurni s difi ci lmente fi cam
namento e retenção de trabalhadore contra-
ocioso ·. O 1rnbulho a ser feito sempre se ex-
tados são tem as de conversa com uns quando
pnndc pnrn preen cher o tempo di sponível ,
gestores de es tabelecimentos maiores e reú-
cniilo o estnbelccimcn to de prioridades é im-
nem. Os gc tores rurai s estão de ·cobrindo que
porlunte, É fáci l olhar cm volta e fazer a pri-
habilidades cm relaçõc humanas e ge. tão d
meira coisa que se vô pela f'renle. No cnlanlO, pessoa · são ativos de valor.
os prindpio · do i111ediatis1110 e do impacto
dcvon1 ser nplicudos parn dec idir quais larcl'as
Recrutamento
1eri10 mui s efei to sobre o negócio e/ou prccí-
·11111 ser concluídus primeiro. Elaborar listas O processo de contratação de um mprcgado
mcnsni · e scmunni s ujudu II ide11Iílicar e prio- eomeça com o recrutamento, incluindo anún-
rizar 11 • tarefas II serem cumpridas. cio da vaga de emprego, sua publicação e re-
396 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

cehimento de candidaturas. a locar anúncios E mbora o. empregadores te nh am grnnclc


no jornal , falar com outros agropecuaristAs, liberdade para dec id ir entre e mprcgnclos om
pare ntes, pro fi ssio na is do agro negócio ou base e111 seus nfvei. de capaci tnçi'ío e ·opn ·i-
con ultore · rurai da comuni dade ou entrar dade de rcali znr um trabalho, lei cstud u11is
e m contato com e cri tórios de trabalho uni - federai proíbem discrim inação co111 bn 'cm
ver itário e agênc ias de e mprego são maneiras característi ca que não afeta m o de mpenh
f
de informar a pe soas obre uma vaga de tra- laboral, inclu indo raça, cor, e1n in, r li gifto, ,,•'
balho e identificar potenciais candidatos para idade acima dos 40 anos, sexo, e Indo ivil.
preenchê-la. E m algumas áreas, o empregador deficiência e cond ição de saúde, nti idades
pode ter que negociar com um empre iteiro de indi cais, pri ões que não lcvarn111 n co nde-
mão de obra para fornecer um grande núme- nação, ele. Ao avaliar candidatos a c111pr ·go.
ro de trabalhadores temporários para colheita os empregadores devem ter cu idado parn níln
ou o utras atividades de mão de obra intensiva. fazer perguntas irrelevantes paru o desomp '·
O recrutame nto via Interne t vem tornando- nho no trabalho que poderiam er usadns purn
,,,,,
-se cada vez ma is comum nos últimos anos, classificar o e mpregados com bose cm uma
e existem d iversas e mpresas comerciais de das categorias protegidas me nc ionnda ·. Al-
recrutamen to para agronegócio que posta m guns E tados possuem exempl os de pergunltl"
vagas de emprego. a serem evitadas em entrev istas, como obre
O anúncio de emprego deve infonnar cla- fi lhos, estado c ivil ou pla nos de casamento e
rame nte as habilidades e a e xperiência dese- causas sociais, por exemplo.
j adas. Além disso, deve fazer a colocação pa-
recer desejável. Enfatize as razões por que o
Entrevista e seleção
candidato gostaria de trabalhar para esta ope-
ração e não para a vizinha. As (ichas de candidatura preenc hidos podem
C ostuma ser útil fornecer uma fi cha de ser usadas para selec ionar um peque no nú-
candidatura para cada candidato . Deve haver me ro de ca ndidatos para a próxima etupn, n
informações básicas sobre sua hi stóri a, expe- e ntrevista . A entrevista deve ser plnncjndn
riênc ia de trabalho, instrução, metas pessoai s, minuciosamente para uma aquisição e licicn-
referências e outros fatores. te de mais informações. Deve m ser d ados (\

Três anúncios para o mesmo trabalho:


Quadro 21-1 Para qual você se candidataria?

Procura-se: Trabalhador rural. Telefone: 123· A Fazenda Maple Grove está com uma
vaga em turno integral para uma pessoa,
456-7890
para auxiliar o proprietário/operador na ges•
Procura-se: Pessoa para trabalho rural tão e produção de agricultura e gado de cor•
em geral, em turno integral, en:i fazenda de te. O emprego oferece bastante variedade
agricultura e gado de corte. Ex1~em-se dois e oportunidade de crescimento. Exigem-se
anos de experiência rural ou eqwvalente e/ou no mínimo dois anos de experiência rural e/
dois anos de formação em agricultura além do ou formação em agricultura além do ensino
ensino médio. Bom salário e pacote de benefí- médio. Salário e pacote de beneficias basea-
cios. Ligue: 123-456-7890 dos na experiência e formação do candidato.
Mande seu currículo para a Fazenda Maple
Fonte: Shapley, A. E.: Farm Employer's Handbook,
Grave (endereço).
Michigan State Universlly.
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 397

tempo e oportunidade suficientes para que Remuneração


o candidato faça perguntas sobre o trabalho, Um pacote de remuneração competitivo é
seus deveres e responsabilidades. A entre- essencial para um programa exitoso de con-
vista envolve não apenas obter informações tratação de mão de obra. O valor total do
sobre candidatos, mas também lhes dar in- salário líquido, benefícios e bônus deve ser
formações para que possam avaliar seu inte- comparado com cifras comparáveis de outros
resse e qualificações para o trabalho. Para al-
empregos.
guns trabalhos técnicos, pode ser necessário
um teste de habilidades. Deve-se dar uma Salário
volta pelo local de trabalho, e o candidato
O salário monetário pago é o item mais im-
deve ter a possibilidade de conhecer os ou-
portante. A primeira decisão é pagar um salá-
tros empregados.
rio fixo ou variável. Cargos em que os deveres
As informações obtidas sobre cada can-
e horas trabalhadas serão razoavelmente cons-
didato por meio da ficha de candidatura, da
tantes por todo o ano geralmente recebem um
entrevista e das referências precisam agora ser
salário fixo semanal ou mensal. Outros cargos
avaliadas. Muitos fatores precisam ser levados
com horários altamente variáveis, como em
em conta ao escolher o candidato, incluindo
estabelecimentos agrícolas para produção de
compatibilidade pessoal. Empregadores rurais
grãos ou de frutas e hortaliças, geralmente são
frequentemente trabalham no dia a dia mais
pagos por hora, como a maioria dos empregos
de perto com seus funcionários do que os ou-
em tempo parcial. Trabalhadores empregados
tros empregadores, às vezes, em situações es-
em atividades de colheita, às vezes, são pagos
tressantes. Essa relação de trabalho próxima
por unidade.
aumenta as chances de atritos se as pessoas
Os salários dependem do cargo e das
não são compatíveis.
habilidades específicas do empregado que o
ocupa. O tamanho da operação rural, os de-
O contrato de trabalho veres realizados e o número de anos traba-
Após a oferta de emprego ser feita e aceita, lhados pelo empregado no estabelecimento
deve-se elaborar um contrato de trabalho es- são outros fatores que influenciam o nível de
crito, como mostrado no exemplo da Quadro remuneração.
21-2. A finalidade do contrato é esclarecer as Pagamento por qualificação é uma abor-
expectativas de trabalho do empregado e do dagem que fixa a remuneração com base no
empregador e servir como referência para ava- nível de responsabilidade que cada trabalha-
1iar o desempenho posteriormente. dor tem em vez de em deveres específicos.
O contrato de trabalho deve iniciar com a Características como autoridade de tomada de
descrição do emprego, incluindo deveres e res- decisão, supervisão de outros empregados e
ponsabilidades, linhas de autoridade e o nome habilidades especializadas são utilizadas para
da função. Outras informações importantes são classificar cada cargo e atTibuir-lhe uma faixa
salário e benefícios, horários e dias de trabalho, de rem uneração.
férias, licença de saúde e política de licença
pessoal, regras de segurança, usos permitidos Benefícios indiretos
dos bens do estabe lecimento rural, oportuni- Benefícios indiretos, muitas veze-, formam
dades de treinamento, planos de bônus ou in- uma gra nde parte da remuneração tota l cios
cen tivo e procedimento de ava liação para pro- empregados agropec uários. A Tabe la 2 l -6
moção ou demissão. Deve-se fazer uma revisão apresenta benefícios informado , por um e _
do contrato de trabalho uma ou duas vezes por tudo sobre empregados em e tabe lec ime n-
ano, como parte do processo de ava liação. los de suinoc ulLura de 2005. Mais que 7oc½
398 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Tabela 21-6 Benefícios recebidos por aposentadoria, seguros, moradia, serviços es-
empregados de estabelecimentos de senciais, produtos rurai s e uso de veículo, tor-
suinocultura, 2005
nam um menor salário monetário de trabalho
Percentual rural competitivo com empregos extrarrurais
Benefício que recebia que possuem um salário monetário maior, mas
Férias remuneradas 71,8 menos benefícios.
Seguro de saúde abrangente
Os benefícios indiretos são mais úteis
65,6
ainda quando o empregador pode fornecê-los
Feriados pagos 57,3 por menos do que custaria para o empregado
Indenização por acidente ou doença 54,5 obtê-los em outro lugar. Exemplos incluem o
do trabalho uso de moradias, veículos ou instalações pe-
Plano de aposentadoria/pensão 54, 1 cuárias já existentes. Alguns benefícios, como
Licença médica remunerada 44,1 seguro de saúde, são dedutíveis do imposto do
empregador, mas não são tributáveis para o
Carne processada 43,8
empregado.
Seguro de vida 36,5
Seguro odontológico 36,3 Programas de incentivo e bônus
Seguro-desemprego 33,8 Frequentemente usam-se bônus para suple-
Seguro de invalidez 25,4
mentar salários básicos, melhorar a produti-
vidade laboral e aumentar a permanência de
Veículo 21,3
empregados. Em 2001-2002, de acordo com
Moradia 21,1 a Pesquisa Nacional dos Trabalhadores Agro-
Educação continuada 19,9 pecuários, 4 7% dos trabalhadores agrícolas de
ano inteiro disseram que seu empregador atual
Plano de participação nos lucros 18,2
lhes dava um bônus em dinheiro como parte
Contas de serviços essenciais pagas 14,6
do pacote remuneratório. Bônus só ajudam a
Outros 6,4 aumentar a eficiência da mão de obra quando
Fonre: National Hog Farmer, Pesquisa Nacional de são intimamente ligados ao desempenho. Se-
Empregados e Produtores, 2005. não, os empregados logo começam a esperar
o bônus e a vê-lo como parte de seu salário
monetário básico. Quando o tamanho do bô-
desses empregados recebiam férias remune-
nus é atrelado ao lucro anual, o empregador
radas, e quase dois terços recebiam seguro
pode ter dificuldades em diminuir o bônus em
de saúde. Contudo, é muito menos provável
um ano ruim se os empregados tiveram vários
que trabalhadores agrícolas tenham seguro anos com um bônus maior.
de saúde, em comparação com empregados
A maioria dos planos de bônus baseia-se
de estabelecimentos de suinocultura. Apenas
em um ou mais fatores: volume, desempenho,
15% dos trabalhadores agrícolas em turno
estabilidade e lucratividade.
integral informaram receber planos de saú-
de pagos pelo empregador, de acordo com a 1. Volume pode ser medido pelo número to-
Pesquisa Nacional dos Trabalhadores Agro- tal de leitões desmamados, bezen-os des-
pecuários de 2001- 2002 do Ministério do mamados ou bushels colhidos. O salário
Trabalho dos EUA. do empregado cresce quando a carga de
Os candidatos a empregado devem ser trabalho cresce, dando-se um modesto
informados do valor de seus benefícios a fim incentivo à eficiência. Entretanto, deve-
de poder avaliar corretamente a oferta de tra- -se tomar cuidado para que não incidam
balho. Benefícios indiretos, como planos de custos maiores para aumentar a produção.
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos
399

~. De empenho pode ser medido pelo nú- • O pagamento do incentivo não deve _s~r
m ro de leitões desmamados por porca, visto como um substituto de um salano
porcentagem de parição, produção de básico competitivo e de boas relações de
leite por vaca ou rendimento agrícola por trabalho.
a re. O bônus, muitas vezes, é baseado Um bom pl ano de bônus não apenas re-
m quanto o desempenho efetivo excede compensa financeiramente os en:pregados,
um determinado nível básico. Este tipo mas também lhes confere reconhecimento por
de bônus pode ser um incentivo eficaz de
suas realizações. .
trabalho , contanto que seja baseado em
O pacote total de remuneraçã~ 0 :er~cido
fatores sobre os quais o empregado tenha
aos empregados precisa ter coerencta inter-
ao menos algum controle.
na, isto é, deve ser justo entre empregados do
3. Estabilidade é recompensada pagando-se mesmo negócio. Também deve ter coerência
um bônus com base no número de anos externa quando comparado a trabalhadores
pelos quais o empregado trabalha no ne- realizando tarefas semelhantes em outros es-
gócio . Isso reconhece o valor da expe-
tabelecimentos rurais.
riência e continuidade do trabalho para o
empregador, gratificando a lealdade.
4. Bônus de lucratividade costumam basear-
Treinamento da mão de obra
-se em um percentual da renda bruta ou contratada
líquida do negócio. Eles fazem com que o Gestores agropecuários, às vezes, contratam
empregado divida os riscos e recompensas trabalhadores não qualificados e esperam que
do negócio, mas podem depender de muitos eles executem tarefas altamente especializa-
fatores fora do controle dele. Também exi- das em manejo pecuário ou máquinas caras.
gem que o empregador divulgue algumas Eles também esperam que os empregados
informações financeiras ao empregado. automaticamente façam as coisas exatamente
O seguintes princípios básicos aper- do jeito que eles mesmos fariam. O resultado
fe içoam a eficácia de qualquer programa de é decepção, frustração, pesadas contas com
incentivo: consertos, má produtividade da mão de obra e
insatisfação do empregado.
• O programa deve ser simples e facilmente Estudos das práticas de emprego em es-
compreensível pelo empregado. tabelecimentos agropecuários apresentam
• O programa de ser baseado em fatores poucas evidências de programas de treina-
que, em grande parte, estejam sob o con- mento formalizados para novos empregados.
trole do empregado. Mesmo um empregado qualificado preci a de
• O program a deve recompensar o trabalho algumas instruções sobre as prática e roti-
q ue enha ao encontro dos interesses do nas a seguir em uma determinada operação e
empregador. o significado da terminologia especializada.
• O programa deve dar um retorno mone- Empregados com menos qualificação devem
tário grande o suficiente para motivar um receber instruções completas e uper isão
melhor de empenho. adequada durante um período de tre inamen-
• O pagamento do incenti vo deve ser fei- to . Os empregadores preci am ter paciência,
1 imed iatamente, ou a ·sim que possível comprccn ão e te mpo neces ári s para trei-
ap a con lusão do trabalho. nar e u p rv i io nar o e mpr gado no 0 ~.
Dcv -!.e dar um exemplo por e crito ele Inl'e lizmente, na agropecuária d produção, 0
como o bônu s rá calcul ado, utili za ndo período de trei namento pode ter que durar até
nívci típico de desempenho. um ano, ou até que o novo empregado tenha
400 Parte VI Aquisição de recu rsos gerenciais

Quadro 21-2 Exemplo de contrato de trabalho

CONTRATO DE TRABALHO RURAL 5. O empregado fará jus a 1O dias de férias


remuneradas anuais, que deverão ser go-
A Fazenda Beau Valley, de Greenville, Oregon,
zadas na estação de trabalho mais leve
concorda em empregar _ __ _ _ __ _
após concordância com o empregador,
(empregado) para que realize trabalho agro-
com 30 dias de antecedência.
pecuário no Condado de Jefferson, Oregon, e
adjacências, começando em (data) _ _ __ 6. o empregado terá direito a 5 dias de li-
e prosseguindo até que qualquer das partes cença médica remunerada por ano para
deseje encerrar este contrato, mediante aviso o tempo não trabalhado em virtude de
prévio com 30 dias de antecedência. O empre- doença efetiva, mais 1 dia de licença re-
gador e o empregado convencionam cumprir munerada por emergência pessoal.
as seguintes condições: 7. O empregado terá direito a utilizar um
veículo fornecido pela Fazenda Beau Val-
1. Pagar ao empregado US$__ por ho ra, ley para finalidades ligadas ao emprego,
dos quais serão retidos o imposto de ren- incluindo deslocamento até o trabalho e
da e as contribuições previdenciárias do uso pessoal dentro do Condado de Jeffer-
empregado, nos termos da lei. O salário son.
será pago nos dias 1° e 15 de cada mês. a. Os seguintes planos de seguro serão
2. Fornecer uma casa de três quartos, sen- contratados para o empregado: seguro
do as contas pagas pelo empregado. A médico e de saúde de ampla abrangên-
manutenção comum deverá ser realizada cia; cobertura de seguro de vida por prazo
pelo funcionário, sendo os materiais pa- limitado, até USS 100.000.
gos pelo empregador. Demais avenças a
9. Serão realizados um exame de desempe-
respeito da moradia do empregado serão
nho e uma avaliação escrita de desempe-
registradas no final do contrato.
nho uma vez durante os primeiros 6 me-
3. A semana normal de trabalho vai de se- ses de emprego e, posteriormente uma
gunda-feira a sábado. O horário normal vez a cada 12 meses.
de trabalho remunerado vai das 7h às 18h
10. Está previsto (excluído) um plano de bõ-
{12h nos sábados), com dois intervalos
nus ou incentivo. Se incluído, as disposi-
de descanso de 30 minutos e uma hora
ções estão assinaladas no apêndice des-
de almoço. Podem ser exigidos horários
te.
maiores para concluir trabalhos em curso.
Serão pagas horas extras para qualquer 11. Outras disposições não citadas anterior-
trabalho realizado após o horário normal mente são listadas no apêndice des e
modelo.
de trabalho, ao preço de 150% da taxa sa-
larial normal. Representante do empregador
4. Será dada folga todo domingo e feriado, Assinatura _ _ _ _ _ Data _ _ __
além de um sábado por mês. Para os fins Nº de previdência social _ _ _ _ _ _ __
deste contrato, são feriados: Dia de Ano- Funcionário
-Novo, Páscoa, Dia do Memorial, Dia da Assinatura _ _ _ _ _Data _ _ __
Independência, Dia do Trabalho, Dia de Nº de previdência social _ _ _ _ _ _ __
Ação de Graças e Natal.
Adaptado de: Thomas, Kenneth H., e Bernard L Er-
ven: Farm Emplo} Management.

tido a oportunidade de executar toda a tare- P de er nc e· ·ifi retrcinament n


fas de um ciclo completo de produção agríco- dico ati me m par, emprega · de l nb~\
la ou pecuária. data. ad ·ã de n vl'l ~te n 1 ~'
1•1· • • b uf r-
i
\
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 401

ma de máquinas diferentes, novos pesticidas, títulos que a maioria das pessoas associa a um
aditivos alimentares, variedades de sementes e status mais alto do que o de trabalhador rural.
coleta eletrônica de dados ou a introdução de Boas relações humanas são o fator mais
um novo empreendimento podem exigir trei- importante da gestão de mão de obra. Isso in-
namento extra para todos os empregados. Cur- clui coisas como atitude amigável, lealdade,
sos de extensão, informativos, revistas rurais, confiança, respeito mútuo, capacidade de de-
vídeos, sites, exposições agropecuárias e semi- legar autoridade e disposição a ouvir as suges-
nários podem ser utilizados para o treinamento tões e reclamações do empregado. As in tru-
dos empregados. A participação nessas ativi- ções de trabalho devem ser dadas em detalhes
dades aprimora não apenas as habilidades dos suficientes para que ambos os lados saibam
empregados, como também sua autoestima. O o que deve ser feito, quando e como. Todos
custo do treinamento deve ser arcado parcial respondem positivamente a elogios públicos
ou totalmente pelo empregador, como um in- por um serviço bem feito, mas críticas e su-
vestimento na produtividade futura. gestões de melhoria devem ser comunicadas
em particular. Serviços desagradáveis devem
Motivação e comunicação ser compartilhados por todos os empregados,
e todos devem ser tratados com igual respei-
Contratar e treinar novos empregados é dis- to. Empregadores que reservam o trator maior
pendioso em termos de tempo e dinheiro. Se e com ar-condicionado para seu próprio uso,
'f: a rotatividade da mão de obra for alta, esses enquanto os empregados dirigem tratores sem
custos podem se tornar excessivos, e a efi- cabine, por exemplo, provavelmente terão
r:: ciência laboral será baixa. Os empregadores mais problemas com mão de obra.
devem conhecer as razões da baixa permanên- À medida que os empregados crescem
cia de empregados e tomar providências para em capacidade e experiência, devem receber
consertar a situação. mais responsabilidades, além da oportunidade
Empregados rurais frequentemente rela- de tomar mais decisões. Da mesma forma, o
tam que são atraídos pelo trabalho agropecu- empregador precisa estar disposto a aceitar os
ário por experiência anterior no campo, opor- resultados dessas decisões ou cautelosamente
nmidade de trabalhar ao ar livre e interesse em sugerir mudanças.
lidar com agricultura e pecuária. Desvanta- O ambiente de trabalho também tem um
gens citadas são horários longos, pouca fol - grande impacto sobre a satisfação com o tra-
ga, trabalho cedo pela manhã e tarde à noite, balho. Uma pesquisa nacional com emprega-
condições de trabalho desconfortáveis e má dos de suinocultura concluiu que níveis mais
relação pessoal com o empregador. Pagamen- altos de gás e pó estavam associados a níveis
to baixo raramente fica no topo da lista de des- menores de satisfação com o trabalho.
vantagens, indicando que eles possuem metas
pessoais além de obter altos pagamentos.
Superação de barreiras culturais
Uma política fixa de férias e fo lgas apro-
priadas é importante para os empregados, as- A maior parte dos empregado agropecuário
sim como a oportunidade de trabalhar com são imigrantes há pouco nos E tado Unido
boas construções, animais e equipamentos. ou lilhos de imigrante . Um e tu lo com traba-
Os nomes dos postos também podem ser im- lhadores agrícola do, Estado Unido re !ou
portantes. O título "trabalhador rural" contri- que 77% na ·ceram no e ·terior, e e ~ infor-
bui pouco para a satisfação pes oal e imagem maram o espanhol como eu primeiro iui ma.
própria de um empregado. Superintendente ele Quando empregado e emprcgndore · não par-
rebanhos, administrador agrícola, líder de tur- tilham da · mesmas língua ~cultura, a ·01m111i-
ma e operador de máquinas são exemplos de cação e a motivação pod ~m fa ·ilmente falhar.
/
402 Parte VI Aquislç o de recursos gerenciais
.f
1

Quadro 21-3 Exemplo: Compreensão de diferenças cultural&

Os trabalhadores haitianos de um empreendi- xar o que pareciam ser maçãs boas no chão
mento de maçãs no norte do Estado tinham era um desperdício de comida que eles não
ouvido várias vezes que deveriam deixar à conseguiam entender. A mistura de varieda-
parte as maçãs que haviam caído, não as des era compreensível se considerarmos que
colocando junto com as colhidas da árvore. somente ricos podem comprar maçãs no Hai-
Também ocorriam problemas com diferen- ti. As diversas variedades de maçã eram tão
tes variedades de maçãs sendo postas nos desconhecidas para eles quanto seriam as
mesmos contêineres. O supervisor chegou diversas variedades de banana para trabalha-
mesmo a dizer para alguns não voltarem por dores nascidos nos EUA.
causa de sua insubordinação. Conversas com
os trabalhadores explicaram seus atos. No Fonte: Human Resource Management on the Farm,
de Kay Embrey, Serviço de Extensão Cooperatíva da
Haiti, a oferta de alimentos era escassa. Dei-
Cornell Unlverslty.

Trabalhadore imigrante frcqucntcmcn- isso cja comum cm estabelecimentos agrope-


le de envolvem amplas rede de parente e cuário pequenos. Eles também podem achar
onhecido de ua comunidades nativa . A que fazer perguntas sobre seus deveres é um
lealdade é forte, 1 odcndo upcrur a lealdade sinal de ignorância ou desrespeito. Quando
ao trabalho ou ao empregador. Essas redes po- alguma coisa dá errado, muitas vezes, é atri-
dem er utilizada · com eficácia para recrntar buído ao destino, e não à falta de diligência do
novo · empregado que crão aceitos pela for- empregado. Pontualidade e agilidade podem
a de trabalho exi tente. Inversamente, mis- ser menos importantes do que relações pes-
turar u·abalhadore de paíse ou regiões dife- soais e responsabilidades familiares. Os Fe-
rente ' pode criar conflito , me mo quando as riados religiosos ou culturais observados por
diferença culturai não sejam aparentes para alguns grupos étnicos podem ser diferentes
o empregador. daqueles do empregador, devendo ser levados
Programa de treinamento si:ío muito mais em conta na elaboração do contrato de traba-
vitai para empregado que não são da região . lho ou calendário de trabalho.
N:io e podem as umir como conhecidos hábi-
to e onhecimento técnico . Mo u·ar no que
Avaliação
não iio falante nativos como renlizar tarefas
18 muito mui eficaz do que falar. Felizmente, Os empregadores estão constantemente ava-
muito mnnuni · t nico ·, regulamentos e con- liando o desempenho dos seus empregados.
tr to de trabalho já e tão disponfvci cm vá- No entanto, é comum que só haja comuni-
ria língua , e pecialmente cm espanhol. cação depois ele urgirem problemas sérios.
A ntüudcs cuhurai afetam as relações Devem ser agenciado momentos regulares de
riu-e empregndo e empregador. Em muitos comunicação e coordenação. Se ó forem rea-
paí' e' , O' locais de trnbalho po suem e trn- lizadas reuniões quando houver um problema,
turns hi rárquica ·. O · supervi ores exigem o empregado licará imediatamente na defen-
re peito do - mprc!!udo com base cm ·ua po- siva quando for convocada uma reunião. Al-
' i ão ou la os fnmilimc , e ni\o em cnpncida- guns gestor tomam café da manhã com seus
d ou I e1--onulidade. O - trabnlhadorcs podem empregados uma vez por ' emana ou por mês
n5o e cntir c nforuivei com cu cmpr'ga- pum dis ·utir planos e problemas. O emprega-
d r trabalhando ludo u lado com de ·, embora dor deve e cuhu· ntentumcnt"' às observações e
Capítulo 21 Gestão de recursos humanos 403

ideias de todos os empregados, mesmo se não gar ao menos o salário mínimo federal para
p!!derem ser tomadas providências quanto a todos os empregados, salvo parentes diretos,
!Odas elas. determinados colheiteiros manuais por uni-
Operações com uma força de trabalho dade e vaqueiros e pastores empregados em
'O)umosa devem utilizar avaliações escritas, produção de animais criados soltos. A isen-
sendo o desempenho medido em relação a ção para parentes não se aplica a sociedades
descrições de trabalho. Os empregados devem de responsabilidade pessoal e corporações. O
::,..
ach'ertidos caso seu desempenho seja in- salário mínimo está sujeito a aumentos com o
[Link]ório, primeiro oralmente e, depois, por passar do tempo. Esta lei também ordena que
escrito. tendo uma chance para melhorar. Caso os empregadores mantenham registros deta-
-.,.· a necessária a derrússão, documente meti- lhados de folha de pagamento para comprovar
losamente os motivos e dê aviso prévio por cumprimento da legislação de salário mínimo.
escrito. Tudo isso leva tempo, mas pode evitar Segundo as normais federais, empregadores
queixas e processos dispendiosos mais tarde. agropecuários não precisam pagar horas extras
Se um empregado pedir demissão, faça uma a empregados que trabalham mais que 40 ho-
~ -ista de desligamento. Converse sobre os ras semanas. Contudo, as leis estaduais podem
moú,·os da saída e decida se são necessárias fixar padrões mais rigorosos para remuneração
ificações nas práticas de recrutamento ou por hora extra e salários mínimos, devendo ter
ge51..ão de empregados. seu cumprimento verificado.

Previdência social
REGULAMENTAÇÕES Os empregadores devem reter tributos pre-
TRABALHISTAS AGROPECUÁRIAS videnciários (Lei Federal das Contribuições
Securitárias [FICA]) dos salários monetários
As regulamentações estaduais e federais que
do empregado e recolher o mesmo valor. Esta
afetam o emprego da mão de obra agrope- regulamentação se aplica a agropecuaristas
cuária tomaram-se um fator importante da com um ou mais empregados, quando o em-
gegão da mão de obra nos Estados Unidos. pregado recebeu US$ 150 ou mais em salários
S a \•anço estenderá aos trabalhadores rurais monetários durante o ano ou quando o empre-
, í10 da mesma proteção desfrutada pelos gador pagou US$ 2.500 ou mais em salários
trabalhadores não rurais. Para o empregador, totais para todos os empregados. Não são re-
os [Link] dessas regul amentações podem ser tidos tributos previdenciários para me nores de
-ws maiores por c ausa de mais salários e 18 anos empregados por pai ou mãe. Todos os
oonefícios, mais registros trabalhistas para outros empregados, incluindo parentes, estão
manter e in estimemos adicionais em seg u- sujeitos às normas de rete nção da FICA.
n · e proteção ambienta l, mas também uma A alíquota e os rendime ntos máx imos
força de trabalho majs satisfeita e produtiva. sujeitos a este imposto a ume nta m Lodo ano.
_;ão é possível listar e descrever em pou- Os empregadores deve m e ntrar e m contato
v.5 págína.s todas as normas estaduais e fede- com o escritório local do Ins ti tuto da Pre-
- ·~ pertinentes à mão de o bra agropecuária. vidência Social o u provide nc iar a C ircul ar
Ag j w serão dis cutidas brevemente algumas E da Sec reta ri a da Fazenda (I RS ), o Gu ia
&~ mais importantes e gerais. T ri butário do E mpregador, pa ra s ·ibe r a
alíq uotas atu ais. A alíq uota e os ato res má-
Lei do Salário Mínimo xi mos do tributo repres nta m a q uantias
Empregmios agropec uári os qu e utili zaram ret ida do pagamento cio emp regado. O em-
JJ - ·~ do que 500 pessoas-dia cm qu alq uer tri- pregador deve reco lher o mes mo valor para
me:,ue do ano-calendárío anterior devem pa- a Secretari a da Fazenda.
404 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Imposto de renda federal retido na -calendário. As leis esladuais variam, devendo


fonte ser verificadas junto ao órgão competente.
Os produtores rurais deverão reter na fonte o
impo to de renda federal sobre salários pagos Regulamentações de trabalho Infantil
para trabalhadores agropecuários sempre que As normas estabelecidas pela Lei de Padrões
o empregador e o empregado satisfizerem os Ju stos de Trabalho ex igem que o emprega-
mes mos critérios descritos para a retenção da do tenha ao menos 16 anos de idade para ser
contribuição previdenciária. A Circular E ou a empregado cm trabalho agropecuário cm ho-
Circular A, o Guia Tributário do Empregado rári o escol ar. A idade mínim a ~ ele 14 anos
Agropecuário, informa os detalhes. Para cada para emprego após o horário escolar, com
empregado, deve ser registrado nome, idade, duas exceções: crianças de 12 ou 13 anos po-
número de previdência social, pagamcnlos dem ser empregadas mediante consenlimento
monetários e não monetários recebidos e va- escrito dos país ou quando um dos pais está
lores retidos ou deduzidos. empregado no mesmo estabelecimento rural,
e crianças abaixo de 12 anos podem trabalhar
Indenização por acidente ou doença no estabelecimento dos pai .
do trabalho Também se aplicam restrições de idade a
Este é um sistema de seguro projetado para certos serviços classificados como perigosos.
proteger trabalhadores que sofrem lesões, Exemplos desses serviços são trabalho com
doenças, invalidez ou morte relacionados ao determinados químicos agropecuários, ope-
trabalho. Ele lambém exime o empregador de ração da maioria das máquinas rurai s, traba-
responsabilidade adicional por essas lesões. lhar dentro de estrnturas de armazenamento
Paga-se uma quantia fixa de indenização por e trabalhar com animais reprodutores. Em-
cada doença ou lesão. As leis relativas ao se- pregados menores de 16 anos não podem ser
guro por acidente ou doença de trabalho para empregados nesses serviços perigosos, com a
empregados rurais variam de Estado para exceção de que empregados de 14 ou 15 anos
estado, mas a maioria delas o exige de todo podem obter certificação para operar máqui-
operador rural com um ou mais empregados. nas rurais após cursarem cursos de segurança
Quando necessário, o empregador paga um cadastrados. O Boletim do Trabalho Infantil
prêmio baseado em um percentual da folha de nº 102 do Mini stério do Trabalho dos EUA
pagamento total dos empregados. traz mais detalhes. Os empregadores também
devem vcri ficar suas leis e regulamentos esta-
Seguro-desemprego duais, que podem ser mais rigorosos do que
A Lei Federal do Imposto de Desemprego os federais .
(FUTA), juntamente com sistemas estaduais
de desemprego, repõe parte da renda que a Lei da Segurança e Saúde
pessoa perde devido ao desemprego. A maio- Ocupacional (OSHA)
ria dos empregadores paga imposto de desem- A OSHA é uma lei federal aprovada para gn•
prego esladual e federal. Os benefícios são rantír a saúde e a segurança dos empregados,
financiados por um imposto sobre folha de dando condições seguras de trabalho. Exem-
pagamento pago pelo empregador. Os empre- plos são a exigência de que cquipamemos ru-
gadores rurais precisam contribuir se, no ano- rais de baixa velocidade trnfcgundo cm cstru-
-calendário corrente ou anterior: ( 1) emprega- das públicas cxíbum nu trase ira um uvi so de
ram 1O ou mais trabalhadores por 20 ou mais veículo de baixa vclocidudc (cm inglCs, SMV)
semanas; ou (2) pagaram US$ 20.000 ou mais e que haja burras de proLcçuo nu n,uiorin dos
em salários monetários em qualquer trimestre- tratores rnraís. Todos os crnprcgudorcs t1brn11-
405

gídos pel.a OSHA devem comunicar. dentro de res agro uári s onrratem trabalhnd res
oi o horas, qualquer incidente no local de tra- e trangeiro para [Link] temp rriri u
baJho que res ulte em óbito ou lesão grase de sazonal caso haja es assez mpro,· ·vc1 de
três ou mais empregados. Empregadore com trabalhadore para es_e s erYi s ..-\ntes de
mais de 1O empregado tam ém pre isam contratar trabaJhadore e trangciro_ nc, ter-
manter registros extras de le õe e doen ,as. mo desse di po_iti,· . o empregad r pre La
O empregadores rurai_ devem ,·erificar as solicitar uma cenifi a à de que não há trn-
regulamentações em vigor da OSH.A. para ga- balhadore quaJificad sufi ientc- que pos-
ranúr que cumprem tcxio o requisito atuais. sam e e di ponham a realizar o trabalho e de
que o emprego de trabalhadores ~ trnngeiros
Agência de Proteção Ambiental (EPA) não prejudicará o alários e a ndi - ~~ de
A EPA regulamenta o u o de pe úcidas em trabalho de trabalhadores em emprego~ se-
estabelecimentos agrícolas. A Norma Técnica melhantes nos Estados Unidos. O Yal r do_
de Proteção do Trabalhador rps ) para Pes- salários dos trabalhadores temp râri s de\"C
ú[Link] Agrícolas tem c omo fim reduzir o ris- ser fixado de forma a não prejudicar s _a-
co de envenenamentos e lesões por pe ticidas lários nacionai vigentes. E ste progr:ima 6
entre trabalhadores agrícolas e manuseadores autorizado pela Lei da Imigração e nc1ona-
de pesticidas. Todos o trabalhadores do es- lidade (INA), alterada peb Lei dn Refom1n e
tabelecimento devem realizar treinamento C ontrole da Imigração (IRCA) de 19 6. ~l:lis
de segurança para pestfridas, enquanto em- detalhes sobre os requisitos e restriç- es do
pregados designados como manuseadores de programa são fornecidos pelo 1\ l ini · t6rio d
pesticidas devem passar por um treinamento Trabalho dos EUA.
mais completo. O Manual de Como Cumprir
( HTC ) a WPS, de 2005, fornece aos empre- Leis de mão de obra migrante
gadores in formações sobre essas imponan- A Lei de Proteção ao Trabalhad r Rural ~li-
te<; normas. Os órgãos regulatórios estaduais grante e Sazonal dos EUA impõe ~qui -ito · de
podem impor normas adicionais sobre u o de moradia, eguran a e registr - a empregado-
pesticidas. res de trabalhadores agrnpe uári · mi 2r rntcs
ou azonai . .-\ lei estaduai t:1mbé m p dem
Lei da Reforma e Controle estipular padrõe mínimos de m oradia, ·egu-
da Imigração rança e aúde.
E sta lei exige que os empregadore verifi-
quem documentos para se certificar da iden- Direitos civis
tidade e idoneidade de todo os trabalhadores A legi lação federal de direito · c ivi - proíbe
que contratarem. O empregador e o emprega- di crimi nação trabalhi ta com ba -e e m r:i a
do devem preencher e guardar um Formulário cor, religião, exo, origem na ional, deli -iên~
I-9, di spo nibilizado pelos Serviços de Cida- e ia, a cendên ia ou idade. E sa- n rmas tam-
dania e Imigração dos E UA, que ate ta que bém e aplicam a práti a de re ·rutarnen1o e
o empregado é um cidadão norte-americano, contratação.
c ~trangeiro residente ou estrangeiro com per-
missão para trabalhar nos E tados nido . Deficiência
A Lei dos Americano - ·om Dctkifncia
Trabalho agropecuário temporário (ADA), de 1990, proíbe a <li ·nimina •:io
ou sazonal H2-A contra empr gado ou pos Í\"C i · empt '!.!ad )S
A Seção H2-A da Le i da Reforma e Con- com ba e m ddi ·i ~ncia - físirn · üu m ' nt l i ·.
trole da Imig ração permite que em pregado- Ca o haja partes do traba lho qu, n:i1.1 p,.' ·sam
406 Part VI Aquisição de recursos gerenciais

s r r'nli1 dns p r umn pc on com certn, de- cio que empregam 15 ou mai trabalhadores
li i n in , "111 dcv m onstnr nn de, ri çào por 20 ou mais semanas no ano. O emprega-
~Sl:ritn do mpr go nnt , que o candidato dores rurai devem verificar as regra atuai
, jnm entrevi- tndo, . A ADA e aplica a negó- para checar e estão em conformidade.

RESUMO
Emb rn o número de p . sons empregadas nn agropecuária renha caído drasticamente nos últimos 50 anos.
sun produti idnde e seu nível de capaci tação subiram ainda mais velozmente. O planejamento das neces-
sidnde de equipe rurnl envolve avaliar a quantidade. qualidade e azonalidade da mão de obra necessária
on ·idcrnr o custo da mlio de obra rnraJ como fixo ou variá el depende de ua disponibilidade e de custos
de oporluniclnde. Bons técnicas de gestão da mão de obra podem aprimorar a eficiência e sati fação da mão
d obrn. Os gcst rcs rurni s lnmbém prcci nm estar empre atuaJizando suas habilidades.
A ges1uo eficaz cios empregndos co111ratados começa com o processo de recrutamento. entrevista e
selcçi\o. Deve-se elaborar um ontmto ele trnbnlho que especifique regras e remuneração. incluindo salário.
b ncllcio e bônus. Os bônus elevem ser planejado cuidado :unente. a fim de darem os incentivos laborai
de ·ejauos. Os empregado ngropc uários também precisam ser treinados. moti ado e avaliados. Quando
existirem di !'crenças culturai , cnlrc gestores e empregados. deve-se tomar cuidado especial para que a
comunicnçflo sejn elicnz.
O gcs1or dn mão de obrn rural deve conhecer e cumprir as várias leis estaduais e federais que protegem
e rcgulnmcntnm os trnbulhndores ngropccudrios.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


-------------------
1. Por qu ' a quu111iclnde de recursos humano utilizados na agropecuária diminuiu?
2. Por qu o 1rcinamc11to e ns hnbilidndcs necessárias pura trabalhadores agropecuários são maiores hoje
do que no pn sacio?
J. Em quai s condiçõc , ~ lucrmivo ' llbstituir capital por mão de obra?
4. Por que hl\ grandes variações nos requisitos mensais de mão de obra de um estabelecimento agrí ola.
mns mcno · vnrinções cm um estabelecimento leiteiro?
5. Por que o ·uslo dn m!\o de obrn por acre ou por cnbeça costuma ser menor nos estabelecimentos gran-
des do que nos pequenos'?
6. Ohs rvc um n tnrcfn rural rotineiro. como ordenha ou alimentação de animais. Que suge 1- v
dnrin purn implificnr n tnrcfu n lim de poupar miio de obra? As suas ugestões aumentariam os custos?
Eln scrinm lucmtivns?
7. E · r •vn um unúncio n ser colo ndo cm um jornal ou revista pam recrutar um gestor pecuário para um
cs1nbcleci mc1110 grnmlc.
8. Rcdijn 1111111 eles ·riçi\o por111cnoriz11dn do tmbnlho pum e e mesmo cargo.
9. Discuta o qu vo inclu iri 1 •m um progmma de trein rn1ento de um novo empregado agropecuário.
1O. Dis ·uta alguns pr cuimcntos que podctium er usado para melhorar as relações pe soais entre um
•mpr gndor ou sup •rvisor e cmprcgudo ' rumi que vêm de uma cultura diferente.
11 . uc tipo [Link] progrnm Ide lm:entivo ·erln mai eficaz em um estabelecimento leiteiro com O objeti, e
uu111 ntur u I rodu._:l\o Llc leit • por vnc t'! E ·e o bjetivo fo e reter o melhores empregado p r mai
t ·mpo'/
12. Quuls lcli- e q 1_ul11111c1110 · trubul hi tas tratam de tributo retid ~? E d aúde e egurança? E de empre-
go de 111 ·nur • · LI~ lduu ·'l
Gestão de maquinário

Objetivos do capítulo
1. Ilustrar a importância da boa gestão do totais e execução tempestiva de opera-
maquinário em estabelecimentos rurais. ções.
2. Identificar os custos associados à proprie- 5. Comparar propriedade, locação, arrenda-
dade e operação de maquinário agrope- mento e locação customizada como dife-
cuário. rentes meios de adquirir o uso de máquinas.
3. Demonstrar procedimentos de cálculo de 6. Apresentar estratégias para aumentar a
custos de maquinário. eficiência do uso de máquinas.
4. Discutir fatores importantes da seleção 7. Explicar fatores que influenciam a reposi-
de máquinas, incluindo tamanho, custos ção de máquinas.

A mecanização te\'e um efeito sério sobre os tando que um ó operador [Link]:ilha - e muitos
custos de produção, níYei de eficiência, uso acres.
de energia, requisitos de mão de obra e qua- A qu alidade do ·erYiÇ feito pela má-
lidade de produto na agropecuária de todo o quinas agropecuária tambi:m ·ubiu drastica-
mundo. A queda da mão de obra rural neces- mente. As perdas de arnpo dur,uue a colhei-
sária e o aumento da mecanização ao longo do ta fora m grandemente reduzidas. A melhor
tempo foram disc utidos no Capítulo 2 1. Com apli cação de sementes e fertili zantes tornou
o aumento do tamanho dos tratores, o tama- possível a red ução d 1 quantidad, tk araçào
nho da outras máquina também teve que ser realizada. Monitore · de rendimento sensíveis,
aumentado para acompanhar. E ses aumentos pulveri zndore e n1 lica iore · mai · pn:ci ·os e o
contribuíram para um maior inve timento cm uso de tec nologia de po · i ·ionam ·nto por ·a11.: -
maq uin ári o por e tabelecimento rural e um lite geraram um nm o grupo de pr,üica - conhe-
u o mais efi ciente da mão de obra, possibili- cido como agrirnlwr I de> p, i · i ).

I
408 Parte VI Aqulsíção de recursos gerenciais

D iscussões sobre o maior uso da mecani - Custos de maquinário podem ser dividi-
zação na agropecuária fre<..juentemente enfa- dos cm custos de propriedade e operacionais.
tizam tratores e outras máquinas de produção Custos de propriedade também são chamados
agrícola. Mas o aumento do uso de eletricidade de custos acessórios, indiretos ou fixos, pois
e equipamentos na produção pecuária e manu- são Ílxos cm relação à quantidade de uso anu-
seio de materiais talvez não tenha sido menos al. Custos operacionais também são denomi-
impactante. Os rc<..Juisitos de mão de obra física nados custos variáveis ou diretos, pois variam
caíram cm muitas áreas cm virtude do uso de diretamente com a quantidade de uso da má-
pequenos mecanismos, motores elétricos, trans- quina. Custos fixos e variáveis foram discuti-
portadoras, computadores, sensores e timcrs. dos no Capítulo 9, mas serão repassados nas
Manejo de grãos, coleta e aplicação de esterco, seções seguintes na medida cm que se aplicam
alimentação de animais, trituração e mistura de ao maquinári o rural.
ração, man~jo de feno, contabi lidade e coleta de
dados foram lodos enormemen te automatizados Custos de propriedade
rara reduzir os requisitos de mão de obra e cus-
tos e para aprimorar o desempenho. Os custos de propriedade ou fixos têm início
A boa gestão de maquinário busca rrcstar com a compra da máquina, prosseguem en-
um serviço confiável aos diversos cmrrcendi- quanto ela for possuída e só podem ser evita-
mcntos agrícolas e pecuários a um custo míni- dos pelo gestor quando vende a máquina. Por
mo. Às vezes, o maquinário cm si é um centro esse motivo, é importante estimar os custos de
de lucro, corno para um operador customiza- propriedade resultantes antes de comprar uma
máquina.
do. Mais l'rcqucntcmcntc, porém, ele presta
serviço para outros empreendimentos. Isso f'az Os custos de propriedade podem repre-
com <..jue seja dif'ícil separar completamente a sentar até 60-80% [Link] custos anuais totais de
gestão do maquinário de urna análise de lodo um implemento não motori zado . Como reera ...,
o negócio. Este capítulo se concentrará no uso geral , os custos anuais de propriedade serão
de princípios cconôrnicoi; e orçamentários na cerca de 10-20% do custo original da máqui-
gestão [Link] maquinário, usi;im <.:orno nas rela- na, dependendo do tipo de máquina, sua ida-
ções entre maquinário, mão de obra, capital e de, vida úti l esperada e custo do capi tal.
os crnprecndirncntos produtivos.
Depreciação
1 cprcciação é urna despesa não monetária
ESTIMATIVA DE CUSTOS DE que rel'lcte uma perda no valor da máquina
MAQUINÁRIO devida u idade, desgas te e ob ale ·cência. É
ta111bé111 u111 procedimento contábil para rc1.:u-
Máquinas são carnHde c.:0111prnr, 11i..11Iler e ope- pcrar o custo de compra inicial de um ativo
rnr. U111 lnalor pode l'uc.:i l111e11Ie cuslur 111ais de por meio da distribuição de seu custo por todo
US$ 100.000, e uI111I c;o l11eiIadeirn de al gmlé o o período d0 propriedade . A lllaior par10 da
ou conju 1 ud11, 11111iHdc US$ J00.000, O •cslor dcpreciaçílo < pn)[Link] por icJ ide e obsok ·-
dcvc cHlur c.:ie11le doH c;IIHIOH di.: propriedade c0nci11; por1a11to, ·111 ~ considerada um cu ·to
e operai;t" [Link] 111 úq ui1111 · crJ111pri.:c 11der (;01110 lixo d ·sd · qul.l 11 111 6quinu ú t1Llquirida. on1u-
cleH si.: rcl11cion11111 c.:1 J11I uso de 1116q1ii1111, I11- do, p ·squisus d ·I11011strum que o dccr1.:sci1110
xa,-; dt: jurnH, vid11 aíl il e Olllf'OH l'11IOl'UH, (! J'rt ·il i.:l' ·I ivo do vulor de 111cr ·udo d , uma 11111qu i11u
Huhc,-;Ii111ur cusloH de 11111quin~rio, poi s 111ulI0,-; pod · v11rl11r ·m 111 10% , dcp ·11dc11do d I quu11-
d ·les i.:nvol v ·111 diHp 11di11M d· c11lx11 pou ·o 1id11d de 1Iso 11111111I.
f'n.:qu ·111 ·tt , por {111 r1111ll 'H, 1111 c11Hlrn111111 1110- l'udc-s ' 1-,1i11111r II d •pr • ·i l\i l u unuul por
11 ·I(irio1-1 , co11I0 d ·1w ·ci11~ 11. 111 lo cio 111 tudu l i 11 ur ou d1, 111 çlmlo Ju sal -
Capítulo 22 Gestão de maquinário 409

do decrescente, ex postos no Capítulo 5. No ca, ou queda real de valor, e não nas taxas de
entanto, se é necessária apenas a de preciação depreciação do imposto de renda. Os métodos
anual média, ela pode ser obtida com a mesma de depreciação tributária geralmente usados,
equação da depreciação linear: discutidos no Capítulo 16, resultam em depre-
ciação alta nos primeiros anos de propriedade
. _ custo inicial - valor residual
D cprec1açao = - -- - - - - - - - - e pouca ou nenhu ma depreciação nos últimos
vida útil anos. O Quadro 5-3 ilustra outra abordagem
simples para estimar depreciação de maquiná-
O valor residual em várias idades pode ser
estimado como um percentual do preço de ca- rio para toda uma linha de máquinas.
tálogo de uma máquina similar nova. A Tabela
22-1 registra valores que podem ser usados
Juros
para estimar o valor residual de vários tipos Investir em máquinas empata capital e impede
com uns de máquinas rurais. que ele seja utilizado em um investimento al-
A s normas do fi sco federal especifi cam ternativo. O capital patrimonial possui um custo
alguns mé todos que podem ser utilizados para de oportun idade, e esse custo faz parte do custo
calcular de preciação de máquinas para fi ns efetivo da propriedade de máquinas. O custo de
tributários. Entre tanto, os resultados podem oportunidade usado para capital de maquinário
não re fl etir a depreciação anual efetiva da deve refletir o retomo esperado do investimento
máqu ina. Os custos de propriedade devem se do capital no melhor uso alternativo. Quando é
basear no conce ito de depreciação econômi- usado capital emprestado para comprar máqui-

Tabela 22-1 Valor residual estimado como percentual do preço de catálogo de uma máquina
similar nova
Idade da
máquina, em 'Irator 80-149 'Irator 150
anos HP +HP Conjugada Enfardadeira Arado Plantadeira
68% 67% 70% 56% 61% 65%
2 62 59 59 50 54 60
3 57 54 51 46 49 56
4 53 49 45 42 45 53
5 49 45 40 39 42 50
6 46 42 36 37 39 48
7 44 39 32 34 36 46
8 41 36 29 32 34 44
9 39 34 26 30 31 42
10 37 32 22 28 30 40
11 35 30 21 27 28 39
12 34 28 18 25 26 38
Horas 400 400 275
[Link] ta
de uso anual
fo11lé: Baseado nas Normai. Técnica · de 2006 da AS BE, Sociedade A 111aicum1de Engenheiros Agrop.:cuários e
810 10 , , ias, SI. Joseph, MI, 2006.
41 O Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

na , o cu to com juros baseia-se na taxa ele juros ou qualquer responsabilidade civil. Deve-se
cio empréstimo. Dependendo da fonte de capi- incluir um valor de seguro nos custos de pro-
tal, a taxa de juros correta a ser usada é a taxa de priedade mesmo quando o proprietário não
retorno de investimentos alternativos, a taxa de tem seguro formal contratado e a sume pes-
juros esperada sobre capital emprestado ou uma soalmente o ri sco, pois esperam-se algumas
média ponderada de ambas. perdas ao longo do tempo. O valor correto
O componente de juros dos custos fixos de seguro depende da quantidade e do tipo de
anuais médios é calculado com as seguintes cobertura e dos preços de seguro de cada re-
equações: gião. Os estudos sobre custos de maquinário
aeralmente usam um valor de cerca de 0,5%
b
Custo+ valor residual do valor médio da máquina. Esse valor deve
Valor médio ----------
2 ser maior para veículos de estrada, por cau-
sa dos prêmios maiores por dano patrimonial,
Juros= valor médio x taxa de juros colisão e responsabilidade civil.
A primeira equação dá o valor médio da má-
quina ao longo de seu período de propriedade, Armazenagem J-
ou seu valor na metade da sua vida útil. O va- A maior parte das estimativas de custo de ma-
lor da máquina cai ao longo do tempo, então quinário inclui um custo anual de armazena-
seu valor médio é utilizado para determfoar gem da máquina. Estudos estimam os custos 1,I
o valor médio dos juros anuais. Esse proce- anuais com armazenagem em cerca de 0,5% a
dimento presume que o capital empatado no 1,5% do valor médio da máquina, então nor-
investimento na máquina decresce ao longo malmente se utiliza um valor de 1,0% para
da vida útil da máquina, assim como o saldo estimar os custos de armazenagem de maqu i-
devedor de um empréstimo usado para com- nário. Também se pode calcular um valor de
prar uma máquina decresce à medida que ele armazenagem estimando-se o custo anual por
é quitado. metro quadrado do galpão de máquinas (pos-
sivelmente incluindo um valor proporcional
Impostos por área de oficina) e multiplicando-o pelo
Alguns Estados cobram impostos patrimoniais número de metros quadrados que a máquina
sobre maquinário rural. O valor depende do pro- ocupa. Mesmo se a máquina não for arma-
cedimento de avaliação e da alíquota de cada zenada, deve-se computar um valor corres-
local específico. Os estudos sobre custos de ma- pondente ao desgaste adicional. Um estudo
quinário geralmente usam um valor de cerca de nacional concluiu que, após 1O anos, tratores
1o/o do valor médio da máquina como estimativa deixados ao ar livre tinham um valor de reven-
dos impostos patrimoniais anuais. Deve-se usar da 16% menor do que os guardados.
uma alíquota mais alta para picapes e carretas, a
fim de cobrir o custo do emplacamento e outras Arrendamento
cobranças pelo uso de estradas. O uso de algumas máquinas é adquirido com
Alguns Estados também cobram impos- um contrato de arrendamento de longo prazo.
tos sobre venda da compra de maquinário ru- Embora a máquina não seja realmente própria,
ral. Trata-se de um custo singular, então deve o pagamento anual de arrendamento deve ser •,,
ser acrescido ao custo de compra inicial. incluído junto com os demais custos fixos
ou de propriedade. Normalmente, o operador
Seguro também paga o prêmio de seguro da m,iqui-
Outro custo de propriedade é o valor anual na arrendada e a armazenagem. As vantagcn
do seguro para cobrir danos originários de e desvantagens do arrendamento de máquina
colisão, incêndio, roubo, granizo ou vento, serão discutidas posteriormente neste capítulo.
Capítulo 22 Gestão de maquinário 411

Custos operacionais Tabela 22-2 Custos médios de reparo por


100 horas de uso, percentual do preço de
Custos operacionais estão diretamente rela-
catálogo de novo
cionados ao nível de uso do maquinário. Eles
Percentual
são zero se a máquina não é usada, mas cres-
do preço de
cem diretamente com a quantidade de uso Máquina catálogo
anual. Ao contrário dos custos de proprieda-
de, eles podem ser controlados variando-se Trator com tração normal 0,83
a quantidade de uso anual , aprimorando-se a Trator com tração nas quatro rodas 0,50
eficiência e seguindo-se um programa correto Arado de aivcca 5,00
de manutenção.
Arado de disco tandem 3,00

Reparos Arado de cinzel 3,75

Os custos anuais com reparos variam com o Arado rotativo 5,33


uso, tipo de máquina, idade, programas de Cultivadeira de campo 3,50
manutenção preventiva e outros fatores. A Ta- Roçadeira rotativa 3,00
bela 22-2 apresenta alguns custos médios de
Cultivadeira de linhas 4,00
reparo por 100 horas de uso como um percen-
tual do preço de catálogo de novo para vários Semeadeira de grãos 5,00
tipos de máquina. Segadeira de barra de corte 7,50
Essas taxas são baseadas nos custos Segadeira rotativa 8,75
médios ao longo da vida útil da máqui-
Segadeira condicionadora 3,20
na. Por exemplo, um trator com tração nas
quatro rodas com um preço de catálogo de Enleirador motorizado 1,83

novo de US$ 150.000 teria custos estima- Rastelo 2,40


dos de reparo e manutenção de 0,50% x Enfardadeira quadrada pequena 4,00
US$ 150.000 = US$ 750 para cada 100 horas
Enfardadeira quadrada grande 2,50
de uso, ou US$ 7 ,50 por hora.
Enfardadeira redonda 6,00
Porém, os custos com reparo de máquinas
costumam subir com o tempo. Se uma máqui- Colheitadeira de forragem puxada 2,60
na nova é comprada com garantia, os custos Colheitadeira de forragem 1,25
com reparos do operador são baixos no início. motorizada
À medida que mais peças se desgastam, po- Colheitadeira de algodão 2,67
rém, os custos de reparo por hora ou por ano motorizada
sobem rapidamente. Os custos de reparo são Colheitadeira de beterraba 6,67
altamente variáveis, então deve-se ter cuidado
Colheitadeira de batata 2,80
ao usar qualquer regra geral para estimá-los.
A melhor fonte de informação são registros Conjugada motorizada 1,33
detalhados dos custos de reparo efeüvos de Carreta de grãos 2,67
cada máquina no nível atual de uso, padrão de Carreta de forragem 2,50
culüvo e programa de manutenção.
Pulverizador de barra 4,67
Combustível e lubrificação Pulverizador de pomar 3,00
Gasolina, óleo diesel, óleo e outros lubrifican- Di tribuidor de ferti lizante 6,67
te e Jiltros estão incluídos nesta categoria. Fonte: Hunt, Donnell: fo r111 Puwer mui Mach/11,:rv
E es custo são pequenos para eq uipamen tos Ma11age111e111, 9' ediçllo, com base c m dado d ~ie<l di:
em motor, mas são importantes para máqui- Aml!ricana de Engenhl!iros Agrop~ u:trio e Biologi ·ias.
412 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

nas motorizadas, como tratores, colheitadeiras realizada, da velocídade e eficiência no campo


e pulverizadores. O consumo de combustível e do tamanho das máquinas sendo utilizadas.
por hora depende do tamanho do motor, carga, Os custos com mão de obra normalmente são
velocidade e condições do campo. Podem-se estimados separados dos custos de maquiná-
usar registros do estabelecimento para estimar rio, mas precisam ser incluídos em toda es-
o consumo médio de combustível. Dados de timativa do custo total de realizar uma dada
testes com tratores indicam que o consumo operação com máquinas. Os custos com mão
médio de combustível, em galões por hora, de obra relacionados a maquinário são subes-
pode ser estimado a partir da tomada de po- timados quando só se considera o tempo gasto
tência máxima do trator, em hp, como segue: efetivamente operando a máquina no campo.
O valor total da mão de obra tem que incluir
Galões .
por hora = O,060 X PTO hp (gasolina) também o tempo empregado abastecendo,
lubrificando, consertando, ajustando e deslo-
Galões . cando as máquinas entre os campos e a sede
por hora= 0,044 X PTO hp (diesel)
do estabelecimento rural. Essas atividades
O custo do combustível por hora pode, então, acrescem de 10% a 25% ao tempo de campo
ser estimado multiplicando-se o uso estimado da máquina.
de combustível pelo preço de compra do com- O valor dado à mão de obra com maqui-
bustível. nário deve refletir os salários locais. Contu-
Os custos com lubrificantes e filtros ficam do, para várias operações, o nível de habili-
na média de l 0% a 15% dos custos com com- dade necessário deve ser levado em conta.
bustível para máquinas motorizadas. O custo Deve-se usar um valor maior para a hora da
com lubrificantes de máquinas não motoriza- mão de obra na aplicação de pesticidas, plan-
das geralmente é tão pequeno, que pode ser tação, colheita e outras operações de alta ca-
ignorado ao se estimarem custos operacionais. pacitação.

Mão de obra Contrato customizado ou locação


A quantidade de mão de obra necessária para Quando um operador customizado é contrata-
máquinas rurais depende da operação sendo do para executar determinadas operações com

Quadro 22-1 Recuperação de [Link]

Uma alternativa ao cálculo de depreciação e pagamento anual que recupera o investimento


juros é calcular o valor de anual de recupe- inicial perdido por meio de depreciação mais
ração de capital. O valor de recuperação de juros sobre o investimento. Essa quantia é ge-
capital inclui os custos anuais tanto de depre- ralmente um pouco mais alta do que a sonia
ciação quanto de juros. Ele pode ser obtido dos valores de depreciação anual média e
utilizando-se a equação abaixo. juros calculados com as equações anterio-
O fator de amortização é o valor da res, pois a recuperação de capital pressupõe
Tabela 1 do Apêndice que corresponde ao que os valores de juros são calculados sobre
período de propriedade e aos juros da má- quantias do Início de cada ano, sendo capitali-
quina. O valor da recuperação de capital é o zados anualmente.

Recuperação [ fator de . . . . ]
de capital = amortização X (valor m1c1al - valor residual) + (taxa de juros x valor residual)
Capítulo 22 Gestão de maquinário 413

máquina, es e custos devem ser incluídos nos ou variávci , contudo, aumentam com a quan-
u to variáveis ou operacionais do estabele- tidade deu o, geralmente a uma taxa constan-
imcnto agropecuário. O preços das máqui- te por acre ou por hora. O resultado é que os
nas cu tomizadas geralmente são orçados por custos totais anuais também aumentam a uma
a re hora, bushel ou tonelada e incluem ova- razão constante. Essas relações são mostradas
lor da mão de obra do operador customizado, na Figura 22-1 a.
além de todos os outros custos de propriedade Para fin s de tomada de decisão, muitas
e operac ionai . vezes, é proveitoso expressar custos de ma-
Em outros casos, o produtor rural aluga quin ári o cm termos do custo médio por acre,
uma máquina que será utili zada apenas por al- hora ou unidade de produto. Os custos fixos
guns dias ou semanas. O operador fornece a médios caem com o aumento dos acres, horas
mão de obra e o combustível e paga um valor ou unidades de produto por ano, enquanto os
por hora ou dia para usar a máquina. Essa des- custos variáveis médios são constantes se os
pesa de locação também tem que ser incluída custos variávei s totais aumentam a uma ra-
no custo total de maquinário do estabeleci- zão constante. O custo total médio é a soma
mento agropecuário. dos custos variáveis médios e custos fixos
médios, de forma que também cai com o uso
Outros custos operacionais adicional. Essas relações são apresentadas na
Figura 22-1 b, onde a distância vertical entre
Algumas máquinas especializadas possuem
as curvas de custo fixo médio e custo total
custos operacionais extras associados ao seu
médio é cons tante e igual ao custo variável
uso. Itens como cordel , embalagens plásticas
médio.
e sacos podem ter que ser incluídos nos custos
As estimati vas de custo de maquinário
variáveis de certas operações.
serão tão precisas quanto a estimativa do uso
anual for. Deve-se empenhar tanto esforço na
Custos e uso do maquinário estimativa desse valor quanto na estimativa
Geralmente, estima-se que os custos fixos ou dos vários componentes de custo. O uso de
de propriedade anuai s totais são constantes, registros reais de campo e contadores de tra-
qualquer que seja a quantidade de uso da má- tores aprim ora a precisão das estimativas de
quina durante o ano. Os custos operacionais uso anual .

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2. U)
o
V, "Õ
2 •<D
E
B VI
~ _g
VI
Íi) :,
:, (.)
o

Q At:res ou horas por ano o Acres ou horas por ano

(a) (b)

Flgura 22·1 Relações entre custos totais e médios com máquinas.


414 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

EXEMPLOS DE CÁLCULO DE atual no lugar do preço de compra. Entretanto,


CUSTO DE MAQUINÁRIO o preço de catálogo ainda deve ser de um mo-
delo novo e comparável.
A Tabela 22-3 apresenta um exemplo de como
calcular os custos anuais totais e custos médios Custos operacionais
por hora e por acre de uma conjugada nova.
Os custos operacionais totais, incluindo con-
sertos, combustível , lubrificação e mão de
Custos de propriedade obra, são calculados na etapa 3 da Tabela
A primeira etapa é listar todos os dados básicos, 22-3. O requisito de mão de obra foi aumen-
como preço de catálogo, custo de compra, valor tado em 20% em relação ao uso estimado da
residual, período de propriedade, uso anual es- máquina, para contabilizar o tempo necessário
úmado e taxa de juros sobre o capital investido. para assistência, ajuste e transporte da conju-
A seguir, os custos totais de propriedade são gada. O custo operacional médio por hora foi
calculados e conYenidos em um custo médio de estimado em US$ 62,60.
propriedade por hora de uso. Para a conjugada O total dos custos de propriedade e
d o exemplo, os custos médios de propriedade operacionais por hora é estimado em US$
são estimados em USS 2 1.579 por ano ao lon- 134,53 (etapa 4 ). Esse número pode ser con-
go de 1O anos. Com base nas 300 horas de uso vertido para um custo por acre ou por unidade
anual presumido, o custo de propriedade médio de produto, caso a capacidade de campo por
por hora é estimado em USS 71 ,93 . Lembre-se hora seja conhecida. Na etapa 5 do exemplo, a
de que esse valor mudará se as horas de uso fo- taxa de desempenho da conjugada é presumi-
rem maiores ou menores do que 300. da corno 8 acres por hora, resultando em um
Se tiYesse sido usado o método da recupe- custo total por acre de US$ 16,82.
ração de capital, a estimativa dos custos fixos Quando o mesmo trator é usado para tra-
teria s ido ligeiramente maior. O fator de re- cionar diversos implementas ou mais de um
cuperação de capital da Tabela 1 do Apêndice cabeçote de colheita é utilizado na mesma
para uma \i da útil de 1Oanos e j uros de 8% é unidade motorizada, os c ustos de propriedade
O, l-+903 , então o valor da recuperação de ca- e operacionais devem ser calculados separa-
pital seria: damente para a unidade motorizada e para o
implemento. Depois, eles podem ser somados
[O l-+903 X ( 160.000 - 38.500))
para dar o custo combinado de realizar a opera-
+ (0,0 X 3 .500) = SS 2 1. l 87
ção. a Tabela 22-4, foram estimados os custos
sanda esse método, os custos fixos totai e- de propriedade e custos operacionais por hora
nam SS _ 1.1 7 + SS 1.-+ 9) = SS 22.676 de um tra tor com 185 hp e um arado de cinzel
por ano, ou S S - -9 por hora. de 16 pés, empregando os métodos explicados.
O pre, o de atá.Jogo de uma máqui na Os custos com combustível de lubrifica-
no,·a ompará,·el àquela para a qual os usto ção e o valor da mão de obra foram atribuído
e tão endo e rimados é u -ado orno referên- apenas ao trator. O s c ustos por hora do trator
ia para e- timar o valor re idual e o usto de e do inzel são combinados para obter o custo
reparo. Em alguns os, o preço de ompra é total de aração por hora, s endo e te d ividido
igual ao píi o de aiálogo, mas geralmente se pela apacidade de ca mpo para o bte r o cu -
on -e.=: ue algum de - onto. J--o é quase -em- to por a re. Tão é correto combinar o cu to
pre Yerdade quando e e -rá omprando uma anuais das duas máquinas qu ando apen par-
máquina _ e o - u- to e tão sendo al- te do u o anual da un idade m o torizada -e dá
ulado - para um m ' quina que j á é de alguém, om e -e implemento. o lugar di o, o u -
u -e um e tim U\ e - u ,. 1or de merc o to horários de\'em er com binado- . Para um
Capítulo 22 Gestão de maquinário 415

Tabela 22-3 Cálculo dos custos de maquinário de uma conjugada nova


Etapa 1: Listar dados b{uílcos

Conjugada nova, cabeçote de 24 r~s. motor a diesel de 240 hr:


Preço de catálogo US$ 175.000
Preço de compra US$ 160.000
Valor residual (22% do preço de catálogo de novo, Tabela 22-1) US$ 3R}í00
Valor médio (USS 160.000 + 38.500) + 2 US$ ')9.250
Período de propriedade 10 nnos
Uso anual estimado 300 horns
Taxa de juros (custo do capital) 8%
Preço do combustível por ga lão US$ 2.25
Etapa 2: Calcular os custos de propriedade

Depreciação (USS 160.000 - 38.500) + 1Oanos US$ 12. 150


Juros (8% x US$ 99.250) US$ 7.'J40
Impostos, seguro e armazenagem ( 1,5% x US$ 99.250) U $ 1.489
Total anual de custos de propriedade US$ 2 1.579
Custos de propriedade por hora (US$ 2 1.579.;. 300 horas) US$ 71,93
Etapa 3: Calcular custos operacionais

Reparos ( 1,33%, da Tabela 22-2, x preço de catálogo de US$ 175.000 x 300 horas+ 100) US$ 6.98 3
Combustível diesel (240 hp x 0,044 ga!rio/hp-hora x US$ 2,25 por galão x 300 horas) US$ 7. 128
Lubrificação e filtros ( 15% dos custos com combus1fvcl) US$ l.(WJ
Mão de obra (300 horai; x US$ 10,00 por hora x 1,20) * US$ 3.600
Total anual de custos operacionais US$ 18.780
Custos operacionais por horn (US$ 18. 780.;. 300 horas) US$ 62,60
Etapa 4: Calcular custo total J)OI' horn

Custo de propriedade por hora US$ 7 1,93


Custo operacional por hora lJS$ 62,60
Custo total por horu US$ 1 -1,. :1
Etapa S: CalcuJur custo por 11crc
Taxa de desempenho: 8 acrc1, por horu (US$ 134,53.;. 8 ncrcs) US$ l (1,X 2
• Os requi sitos de mllo de obru silo 11ur11c11wdoij c,n 20% parn co111abili:rnr o tempo usudo com 1uls1C11l'in. njush.:, l ' llllhl'''º e
transporte da máquina.

máquina de propulsão própria ou um imple- FATO~ ES DA SELEÇÃO


mento solto, contudo, o custo ror ucrc pode DE MAQUINAS
ser encon trado dí[Link]-sc o cuHtn anual pe-
los acres anuais de uso, M.:m cu lcular pri111ciro Um dos pro~lcmas mai s tírduos da g •st1o
os custos horários. rural é sclcc1onar o maqui 11 ,rio l'O lll 1 , 11 _
416 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Tabela 22-4 Custo combinado de um trator tamnnho disponível. A fórmul a pnrn obter 11
e um implemento capacidade cm acre por hora é:
A1·odo de
Trntor ele cinzel ele
Capacidade de campo =
185 hp 16 pés Eficiencin de
Velocidade
Custo de propriedade uss 11 .900 $1 .540 (rnph) X Largura (pés) X campo(%)
anunis 8,25
Horas de uso nnunis 500 120
Por exemplo, um enleirador de 12 pés de lar-
Custo de propriedade US$ 23,80 $12,83
gura, operado a 8 milha por hora com uma
por hora
eficiência de campo de 82%, teria uma capa-
Custos operacionais cidade de campo efetiva de:
por hora:
Combustível e 8 mph X 12 ft. X 82%
18,70 = 9,5 ncres/horu
lubrificação 8 25
'
Reparos 6,50 6,73 A eficiência de campo é incluída na equa-
Mão de obra 12,00 ção para reconhecer que a máquina nem sem-
Custo total por hora US$ 61,00 $19,56 pre é usada a 100% de sua capacidade máxima,
Custo combinado por cm função de sobreposição de trabalho e tempo
US$ 80,56
hora gasto girando, ajustando, lubrificando e manu-
seando sementes e outros materiais. Operações
Capacidade de campo 9,0
(acres por hora) como plantação, que demandam paradas fre-
quentes para encher os tanques de sementes,
Custo combinado por US$ 8,95
pesticida e fertilizante, podem ter eficiência
acre
de campo de apenas 50% ou 60%. Por outro
lado, são possíveis eficiência de campo de até
85% a 90% para algumas operações de araçào,
pacidade certa. Esse processo é complicado
especialmente cm campos grandes, em que o
não apenas pela grande variedade de tipos e
tempo de giro e a sobreposição de trabalho são
tamanhos disponíveis, mas também pela dis-
minimizados. Máquinas maiores co tumam ter
ponibilidade de capital, requisitos de mão de
eficiências de campo mais altas por cau n de
obra, os empreendimentos agrícolas e pecuá-
menos sobreposição e menos tempo necessário
rios específicos do plano do estabelecimen-
para ajustes relacionados à área coberta.
to, práticas de aração e fatores climáticos. O
objetivo da seleção de máquinas é comprar a A próxima etapa da seleção de máquina é
máquina que realizará satisfatoriamente a ta- calcular a capacidade de campo mínima (acrcs
refa necessária, no tempo à disposição, com por hora) necessária para realizar o serviço
o menor custo total possível. No entanto, isso no tempo disponível. Esse valor é encontrado
não necessariamente resu lta na compra da dividindo-se o número de acres que a máqui-
menor máquina disponível. Os custos de mão n~ deve c~brir pelo número de horas de campo
de obra e de tempestividade também preci- d1sponívets para concluir a operação. Por outro
sam ser considerados, lado, o número de horas de campo disponíveis
depende de quantos dins lerão meteorologia
Tamanho da máquina
ªdequada para realizar a operação e do númern
de_horas d~ mão de obra ou de campo disponí-
A primeira etapa da seleção de máquinas é veis por drn. A fórmula para obter n capacida-
determinar a capacidade de campo de cada de de campo mínima em acrcs por horn é:
Capítulo 22 Gestão de maquinário 417

Capacidade de campo mínima = dia ou duas operações possam ser executadas


Acres a cobrir ao mesmo tempo; (2) reduzindo-se o núme-
Horas por dia X Dias disponíveis ro de operações de campo realizadas; ou (3)
produzindo-se diversos cultivos com diferen-
Imagine que o operador quer conseguir tes épocas principais de plantio e colheita em
enleirar 180 acres em 2 dias e pode operar o vez de apenas um cultivo. Muitas vezes, esses
en]eirador 1O horas por dia. A capacidade mí- ajustes são mais baratos do que adquirir má-
nima necessária é: quinas maiores.
A seleção de máquinas também pode en-
[ 180 acres + ( 1O horas X 2 dias)]
= 9,0 acres/hora. volver uma escolha entre uma máquina gran-
de ou duas pequenas. O custo de compra e os
O enleirador de 12 pés, com uma capaci- custos fixos anuais serão maiores para duas
dade de 9 ,5 acres por hora, parece ser grande máquinas, pois a mesma capacidade geral-
o suficiente. mente pode ser obtida a um custo menor com
Quando diversas operações de campo uma máquina grande. Também serão necessá-
precisam ser realizadas em um certo número rios dois tratores e dois operadores, caso es-
de dias, pode ser mais conveniente calcular os tejam envolvidos equipamentos puxados por
dias necessários para cada operação e, então, trator. A principal vantagem de possuir duas
somá-los para testar se um conjunto de máqui- máquinas é mais confiabilidade. Se uma má-
nas terá capacidade suficiente. A fórmula de quina quebra, o trabalho não é completamente
cada operação é: interrompido, podendo continuar à metade da
velocidade usando a máquina restante.
Dias de campo necessários =
Acres a cobrir
Tempestividade
Horas por dia X Acres por hora
Algumas operações de campo não preci-
Utilizando o mesmo exemplo, imagine sam ser executadas em um período fixo, mas
que o operador também possui uma enfarda- quanto mais tarde forem realizadas, menor o
deira com uma capacidade de campo efetiva rendimento colhido deverá ser. A redução no
de 5 acres por hora. Se só podem ser reali- rendimento pode ser em termos de qualidade,
zadas 8 horas de enfardamento por dia, 180 como frutas e hortaliças que passam do ponto,
acres exigem: ou em quantidade, como cereais que passam
por um tempo de crescimento curto demais
- - -180
- -acres
- - - - = 4 5 d ias
.
quando o plantio é tardio ou que têm muitas
8 horas X 5 acres/hora '
perdas no campo durante a colheita. A Figura
Logo, é necessário um total de 2,0 + 4,5 22-2 mostra uma relação típica entre tempo de
= 6,5 dias de campo adequados para cada vez plantio e rendimento potencial para trigo de
que os 180 acres sejam enleirados e enfarda- inverno, em que o plantio cedo ou tarde de-
dos. O operador precisa decidir se o padrões mais diminui o rendimento.
meteorológicos normais possibilitam tantos Uma diminuição do rendi mento diminui
dias di sponíveis sem o ri sco de pe rdas consi- o lucro, devendo ser incluída co mo pane do
deráveis para a safra. cu to de utili zar uma máquina menor. E se
O tamanho do maquinário necessário para cu lo é chamado de custo d tempesth idad .
realizar operações de campo de maneira tc m- O custo monet ári o de má lempe tividadc é
pcs ti va pode ser redu zido: ( J) aumcntando- dif'íc:il de estimar, poi varia de ano para uno,
-s a o~ rta de mão de obra, de modo que o depe nde ndo da · condiçõ s meteorológica ·
maquinário possa ser operado mais horas por dos preço ·. No l:ntanto, devt!- ' C incluir a lgu-
418 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais /

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8/ago. 17/set. 27/out. 6/dez.

Figura 22-2 Rendimentos de trigo vermelho duro de inverno em função da data de plantio,
Stillwater, Oklahoma.
Fonte: F. M. Epplin, O. E. Black e E. G. Krenzer, Current Farm Economics, vol. 64, nº 3, set. 1991.

ma estimativa ao comparar o custo de proprie- a cada ano para 1.000 acres. O valor desse
dade de máquinas de tamanhos diferentes. A rendimento extra, combinado a custos de mão
Figura 22-3 é um exemplo hipotético de como de obra e reparo ligeiramente maiores, resulta
a tempestividade e outros custos de maquiná- em um aumento projetado da renda líquida de
rio mudam quanto maiores forem as máqui- mais de US$ 2.000 por ano com a compra da
nas usadas para realizar a mesma quantidade semeadeira maior. A data do plantio também
de trabalho. No começo, máquinas maiores depende de quanto tempo leva para concluir a
reduzem os custos de tempestividade e mão aração e outras operações anteriores ao plan-
de obra e diminuem os custos totais. Após tio. Portanto, deve-se analisar o complemento
um certo ponto, não há mais ganhos em tem- total de maquinário quando fatores de tempes-
pestividade, e custos maiores de propriedade tividade estão sendo considerados.
fazem com que o custo total suba. Questões
de tempestividade e custos de mão de obra de-
vem ser pesados contra custos de propriedade ALTEf:INATIVAS DE AQ UISIÇÃO
maiores ao se selecionar o tamanho de máqui- DE MAQUINAS
na de menor custo.
O orçamento parcial é uma ferramenta Gestão eficiente de maquinário significa ter o
útil para usar ao tomar decisões sobre tama- tamanho e tipo corretos de máquina disponí-
nho de máquinas quando a tempestividade é veis para usar no momento certo com um cu ·to
importante. A Tabela 22-5 contém um exem- mínimo. Apó o tamanho e o tipo terem sid
plo que salienta a importância de considerar escolhidos, existem várias alternativas comuns
todos os custos. Passar de uma semeadeira para adquirir o uso de equipamento rural.
de grãos de 20 pés para uma de 40 pés du-
plica os custos anuais de propriedade. Porém, Propriedade
o gestor estima que a melhor tempestividade A maioria dos gestores agropecuários prefere
do plantio resultará em um aumento médio ser dona de uas máquinas. A propriedade lhes
de rendimento de I bushel de trigo por acre dá controle completo obre o uso e disp si , 1
Capítulo 22 Gestão de maquinário 419

Custos tola.íG

Custos de
propriedade

Cus1os
~ - - - - - - operacionais
- - - - - - - Custos de
tem estívídade
Tamanho de Tamanho do
menor custo maquinário

Figura 22-3 Efeito hipotético da tempestividade e do tamanho da máquina sobre o custo.

de cada máquina. No entanto, máquinas e veí- operador compra uma máquina nova e, então,
culos representam um grande investimento troca-a por outra nova todo ano. O custo do
em e~tabclcdmentos agropecuários comer- negócio dependerá do número de horas de uso
cíaís, chegando a US$ 150-200 por acre em da máquina anliga. O planos de renovação
muítas operações de cereai s para comerciali- preveem o uso de uma máquina nova por ano,
1..ação e passando de US$ 2.000 por acre em geralmente com garantia, a um custo certo.
alguns e!ltabclecimentos de hortaliças. Os
geMores devem prestar atenção para contro- Locação
lar o tamanho do investimento e dos custos
operacionais relacionados. O investimento Quando o capital de investimento é limita-
em máquínas pode ser reduzido: ( 1) usando- do ou os juros são altos, al ugar uma máq ui-
-se máquína menores; (2) aumentando-se o na pode ser preferível a possuí-la. Contratos
uso anual de máquinas para diminuir o custo de locação de curto prazo geralmente vão de
de propriedade médio por unidade de produ- alguns dias até uma estação inteira. O opera-
to; (3) ficando-se com as máquinas por mais dor paga um aluguel mais o custo do seguro e
tempo ante&de revendê-las; (4) comprando-se da manutenção diária, mas não os consertos
m~uínas u&adas; e (5) usando-se alternati vas grandes. A locação de maquinário é especial-
à propriedade, como locação, arrendamento e mente atrativa quando: ( 1) é nece sária uma
contraw cui,tomizado. máq ui na especializada para u o relativamen-
A troca frequente de máquinas por mode- te baixo; (2) é necessária capacidade extra ou
lo novo1> pode resultar em custos de proprie- uma máquina de reposição por um curto pe-
dade maiorc5 que a média. Porém, alguns ges- ríodo; ou (3) o operador quer te tar urna no a
tDreli go tam de ter seu maq uinário dentro da máq uina ou prática produti a em fa zer um
garantia do fabrican te, para evitar altos custos investimento de capital de longo prazo.
com rcparoH, preferindo sempre ter a tecnolo- Oca ·íonalrncmc, máquin gnn<lc ·a-
gia maí u uaL ras, como {; njugadas, ·ào alug, Ja , pum doí ,
Algun · [Link] de máquinas ofcre- ou mai es tabclecimen t no me mo uno,
CC.'ITI plano de "rcnovaçilo" da propriedade. O muitab czc!,, cm tados diforcnt s. Is ·o
420 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Tabela 22-5 Exemplo de orçamento parcial para selecionar a máquina mais lucrativa

ju te: Pnssnr de urnn semendeíra de grãos de 20 pés (euslo de compra de US$ 15.000) para uma de 40
p~s (preço de compra de USS 30.000). Assumem-se valor residual de 44 %, período de propriedade de 8
anos e juros de 10%. A máquina de 20 pés preci sa de 137 horas para semear 1000 acrcs; a máquina de 40 '
pés precisa de 65 horas. Presume-se que os custos com combustível e lubrílicação são iguais para ambas as f
scmeadein1s.

Receitn adicional:

Aumento de rendimento de I bushel por acre x 1.000 acres x US$ 3,75 por bushel
Receita adicional lotai uss 3.750 ,·1
Custos reduzidos: Propriedade Operacionais

Depreciação (US$ 15.000 - 6.600) -;- 8 anos US$ 1.050

Juros (US$ 15.000 + 6.600) 7 2, x 10% 1.080

Impostos e seguro (US$ 15.000 + 6.600) 7 2, x 1% 108


.,
Reparos (USS 15.000 x 5% x 137 horas 7 100) USS 1.028 .,.,,~
Mão de obra (72 horas a menos, a USS 7/hora) 504

Subtotal uss 2.238 uss 1.532


Custos reduzidos totais uss 3.770 .....~...
..-;' '
Total de receita adicional e custos reduzidos uss 7.520 c:11
·:
Custos adicionais: Propriedade Operacionais ~,..,
Depreciação (USS 30.000 - 13.200) + 8 anos uss 2. 100 j:"1
j r"
Juros (USS 30.000 + 13.200) 7 2, x 10% 2.160
~o
Impostos e seguro (USS 30.000 + 13.200) + 2, x 1% 2 16
-
Reparos (USS 30.000 x 5% x 65 horas + 100) uss 975
Subtotal uss 4.476 uss 975
Custos adicionais totais uss 5.451
Receita reduzida: o
Total de custos adicionais e receita reduzida uss 5.451
Alteração líquida da renda rural uss 2.069 :]·

funciona melhor quando a época de colheita empresa de locação, concede controle e uso
é diferente para cada locatário. A empresa de de uma máqui na ao usuário (o arrendatário)
locação geralmente fica responsável pela as- por um prazo específico, contra um pagamen-
sistência e transporte da máquina, mas o loca- to mensal, semestral ou anual. A maioria dos
tário deve devolvê-la até uma data fixa. arrendamentos de maquinário é de três a cinco
anos ou mais, com o primeiro pagamento nor-
Arrendamento malmente vencendo no início. Como qualquer
contrato formal, o arrendamento deve ser feito
Um arrendamento é um con trato de longo pra- por escrito, prevendo quesitos como valores e ·,.
zo em que o proprietário da máquina (o arren- datas de pagamento; multas por uso excessi-
dante), muitas vezes, uma concessionária ou vo; pagamento de consertos, tributos e seguro;
Capítulo 22 Gestão de maquinário 421

rcHpnn,rnhi lidadc por pcrdo1, ou dnnoR; e dlH- do prnzo sem pngar uma multa considerável.
ro lç cH i,obrc rcsd1,0o, O urrcndnmento não permite que o operador
AI 1 unR arrcndumcntoR p rmltcm que ngrcgue valor patrimonial à máquina. Salvo
o orrenclntt1rio compre o mrtquino no fim do RC n opção ele compra for exercida quando o
prnzo do arr ndumcnlo por um preço detcr- urrendurnento expira, a máquina volta ao dono
mlnudo, (! o chumndo / •a,\·i11g (ul'l'cndumento e o operador não tem participação financeira
mercanti l), Porn manlcr 11 dedutibilidade de nela,
impolito de renda dos po amenlos do lcmdng, A deciHilo entre equipamento arrendado
i:I compro uo lim do urrcndumento deve ser op- ou próprio deve ser estudada com cuidado,
ciorwl e por um valor aproxirnadarncnte igunl como mostrado no exemplo da Quadro 22-2.
ao vulor de mcrc1:1do da mllquinu li época, De O custo econômico (valor presente líquido de
outra forma, o arrendamen to pode ser consi- todos os pagamentos) e os requisitos de fluxo
[Link] um contrato de venda ou arrendumcnlo de caixa devem ser analisados, sendo ajusta-
financeiro, sendo que, cm vez dos pagamentos dos à situação linanceira do negócio.
do arrendamento, 1,üo a depreciação e os juroH
que ,;ão dedutíveis do imposto do arrendante, Contratação customizada
como ,;e o operador f'osfic o prnprictário da
máquina. A contratação customizada é uma prática im-
Arrendar maquinário pode ajudar os portante em algumas regiões para operações
operadores a diminuir o montante de capital como aplicação de pesticidas e colhei ta ele ce-
empatado cm ativos não circulantes. Embora rcais ou forragens. A decisão de possuir uma
ofi pagamentos de arrendamento represen- máquina ou contratar o serviço depende dos
tem uma obrigação de fluxo de caixa, exa- custos envolvidos, das habilidades necessárias
tamente como pagamentos de cmpré,;tirno, e da quantidade de trabalho a ser realizada.
ele coRtumam i;cr menores. O arrendamento Para máquinas que serão pouco usadas, costu-
reduz o rí,;co cJe obi;olcr;cCncia, pois o arren- ma ser muito mais econômico contratar o Lra-
datário não é obri gado a lícar com u máquina hulho customizado. Porém, a disponibilidade
além do prazo do contrato de arrendamcn- e a conliabilidade dos operadores customiza-
1.0, Al ém di sso, operadores qul: l'avorl:cem a dos precisam ser consideradas. O gestor pode
conlíabilídudc e o dc1,crnpcnho de uma má- não querer depender de um operador customi-
quína mai 11 nova gcrnlmenLc a arrendam por zado para uma tarefa como plantio, em que a
ai unli anoHe depoi s a trocam por uma nova. tempcstividade costuma ser crítica.
Para ulguns operadores que LBm pouca renda Os cu stos totai s por acre ou por unidade
/ rural tributável e não podem ui;ar deduções de produto devem ser comparados ao e de-
/
e depreciação, corno o lançamento como cidir enlrc propriedade da máquina ou con-
/

<lc1,pc,-;a da Seção J 79, o arrendamento, às tratação customizada. Os preços da contrata-


vczc , tem um custo apói,; impostos inferior ção normalmente se dão a uma taxa lixa por
at>da propriedade. acre, hora ou tonelada, enquanto o custo
'l'í:jrnbérn i.;xii;Lcrn dc1, van1agc11 1, no ar- de propriedade por unidade caem com m·1ior
r1,;11(lí:imcnl0 de maquinário rural. Em muitas uso. Bs,;as relações ão mostrada na Figu-
rc íõc , a prática n· o é rnuiLO difundida, e o ra 22-4 . Para níveis buixos de u o, contntar
11J1Jdelo dc1,cjado pode nilo cst;.1r di,-;ponível um operador customizado é mai bnr 110, •n-
p,.m.1 tirrcndwncnLo. OH pagamcntoHd<.: arrcn- quunto o cu ·to é menor com máquina pró-
1famc11t<J 1, o dei;pcHus opcrucionui H, e atnrno pl'ia no t.:uso de ulto uso. O ponto em qu , n
no pa umcnl , pode provocar u n;11ci1,1 o do ur- Virnlugl:111 dl: cu ·to mudn (ou ponto 1 ~qui-
, ·ndtun ·1110. Al ém do niuii:;, o arn:ndatúrio lul- líhrio) csti'Í indica lo como nf cl d produto a
v ? . n u po a rc cindir o um.: ndanwnto untes na 1 igurn 22-4.
422 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

Quadro 22-2 Exemplo de comparação entre compra e


arrendamento ·

A fam ília de agricultores Struthers precisa de US$ 11 .000 por ano. O primeiro ven-
substituir um de seus grandes tratores de ara- ce na assinatura do contrato, mas pode
ção. Eles identificaram o modelo que desejam ser pago abatendo-se o valor de revenda.
em uma concessionária local. A concessioná- Após 5 anos, eles podem comprar o trator
ria lhes oferece duas alternativas: por US$ 32.000.
1. Comprar o trator por US$ 65.000, menos Os Struthers têm um custo de capital de
um abatimento de US$ 11 .000 pelo va- 7% e uma alíquota marginal de imposto de ren-
lor de revenda do seu trator antigo, que da de 40%, de modo que sua taxa de desconto
tem uma base de cálculo tributária de após imposto é de 0,07 x (1 ,00 - 0,40) = 0,042,
US$ O. Eles podem quitar a diferença de ou 4,2%. Comprar o trator lhes permitiria apro-
US$ 54.000 em cinco pagamentos anuais veitar a opção de lançamento como despesa da
iguais de US$ 13.883, começando dali a depreciação da Seção 179, apresentada no Ca-
12 meses. Os juros anuais são de 9%. pítulo 16, até o preço integral de compra. Eles
2. Arrendar o trator por 5 anos. Os paga- também poderiam lançar como despesa o custo
mentos anuais do arrendamento seriam de compra no fim do prazo do arrendamento.

Compra com empréstimo Ano 1 Ano2 Ano 3 Ano4 AnoS Total

a) Pri ncipal do empréstimo US$ 9.023 US$ 9.835 US$ 10.720 US$ 11.685 uss 12.737 USS54.000

b) Juros do empréstimo 4.860 4.048 3. 163 2.198 1.146 15.415


e) Depreciação tributária 54.000 o o o o 54.000
d) Economias tributárias (b + c) x 0.40 23.544 1.6 19 1.265 879 459 27.766

e) Saída de caixa líquida (a+ b - d) -9.661 12.264 12.618 13.004 13.424 41.649
f) Fator de desconto 0.960 0,921 0,884 0.848 0.8 14

g) Valor presente (ex f) -9.275 11 .295 11.1 54 11 .027 10.928 35. 129

Ar rendamento mercantil Ano 1 Ano2 Ano3 Ano4 Ano s Tota l

a) Pagamento do arrendamento US$ 11.000 US$ 11 .000 US$ 11.000 US$ 11.000 USS44.000

b) Custo de compra uss 32.000 32.000


c) Depreciação tributária 32.000 32.000
d) Economias tributárias (a+ c) x 0,40 4.400 4.400 4.400 4.400 12.800 30,400
e) Saída de caixa líquida (a+ b - d) 6.600 6.600 6.600 6.600 19.200 45.600
f) Fator de desconto 0,960 0,92 1 0.884 0.848 0,8 14

g) Valor presente (ex f) 6.336 6,079 5.834 5.597 15.629 39.475

Utilizando as técnicas de análise de inves- arrendar o trator e, então, exercer a opção de


tim ento discutidas no Capítulo 17, eles conse- compra. Isso significa que, neste exemplo com-
guem calcular o valor presente líquido do cus- prar sai mais barato no longo prazo. Entr~tanto,
to de adquirir o trator com ambas as opções, nos ~nos 2, 3 e 4, a saída de caixa líquida é
como mostrado aqui. consideravelmente mais alta na compra do que
O valor presente lfquido de comprar o trator no arrendamento. Se for esperado que o fluxo
e quitar o empréstimo é de US$ 35. 129 após de caixa seja escasso nesses anos, a opção de
impostos, inferior aos US$ 39.475 do custo de arrendamento pode, ainda assim, ser preferível.
Capítulo 22 Gestão de maquinário 423

~
C/)

2.
.g Propriedade da máquina
s
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j t-----___;~__Co.::..:,_n..:..tra
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us.:..;to
.:..;m
_i..:.za..:..d...:...a
u

o a
Acres ou unidades de produto

Figura 22-4 Custo por unidade de produto com máquina própria ou contratação customizada.

Quando há os dados de custo necessá- customizado geralme nte fo rnece a mão de


rio , o ponto de equilfbrio pode ser obtido por obra necessária para operar a máquina, o que
meio da seguinte equação: libera a mão de obra do operador do estabele-
cimento para outros usos. Is o pode ser uma
Ponto de equílibrio = vantagem se reduzir a quantidade nece ária
Custos fixos totais anuais de mão de obra contratada o u e a mão de
Contratação customizada - obra do proprietário possuir um alto custo de
Custos variáveis por unidade oportunidade na época em que o trabalho cu· -
tomizado estiver sendo executado. Também
Por exemplo, os custos fixos ou de proprie- pode ser uma vantagem para opera õe que
dade da conjugada da Tabela 22-3 eram de exigem habilidade especiais para ua reali za-
US$ 21.579. Os custos variáveis para operá- ção, como a aplicação de pe ticida .
-la eram de US$ 7,82 por acre, a uma taxa de Muitos operadores com maquinário pró-
desempenho de 8 acres por hora (US$ 62,60 pria veem va ntagem em fazer trabalho c us-
por hora divididos por 8 acres por hora). Se a
tomizado para outro agropec uari ta . I o
taxa da contratação customi zada de uma con- ajuda a di stribuir por ma is a re eu custos
jugada similar fosse de US$ 30,00 por acre, o
fixo de propriedade. o entanto, e importan-
ponto de equilíbrio seria:
te que os operadore c ustomizado e timem
com preci ão eu c ustos, para chegar a um
US$ 2 1.579 = 973 acres preço ju to e lucrativo .
US$ 30,00 - 7,82

Se a máquina fosse ser usada em meno q ue


973 acres, eri a mais barato cont ratar o servi- MELHORIA DA EFICIÊNCIA
ço; para mai de 973 acres, ·eria mai s barato DO MAQUINÁRIO
ter a máquina. A determinação do ponto de
eq uilíbrio é um g ui a útil para ajudar os ge to- Podem ·cru ·ado diverso · valore · para mc.:dir
re a e colher entre propriedade de máquina · a cfi ·iên ·indo u - do maquinário. 111a dck ·
e contratação cu tomizada. ~ o i111•esri111e11ro e111 111 1q11i11 íriv pv r ll'rt.' t ·11 / .
O u ·o da mão de obra é outra con ·idcra- ril'<Íl'el, e 11l:u lnJo lividindo- · · o vai r atual
ção na o ntrat ação cu tomizada. O operador Jl! toda · a · llláquina · agrícolas p •lo mím •rn
424 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

de acrcs cu lLiváveis do eslabelecimenlo rural. US$ 1O e US$ 50 mais altos do que produto-
O valor aluai de todas as máquinas em um res de altos lucros.
dado ano pode ser obtido tirando-se a média Podem ser empregadas diversas técnicas
dos valores de mercado do estoque inicial e para aprimorar a eficiência das máqu inas.
linnl de máquinas no ano. Escolher o tamanho certo de máquina e a al-
Uma seg unda medida de eíiciência do ternativa mais barata de aquisição de serviços
maq uinário é o cusro do maquinário por acre de maquinário já foi discutido. Existem qua-
c11/riváve /. Ele é encontrado dividindo-se tro outras áreas com grande impacto sobre
os custos anuais totais do maquinári o (Lanto a eficiência: manutenção e operação, uso de
operacionais quanto de propriedade) pelo nú- maquinário, equipamentos novos ou usados e
mero de acres culliváveis. Algumas análises decisões de reposição.
de registros rurais também incluem nos cuslos
de maquinário despesas com picapes e carre- Manutenção e operação
tas, pagamentos de arrendamento de máqui-
nas e despesas com contratação customizada. Consertos constituem grande parte dos custos
Sempre que poss ível, o custo das máquinas variáveis do maquinário, mas são um custo
utili zadas para fins pecuários deve ser ex- que pode ser controlado com uso e manuten-
cluído, para que se faça uma comparação justa ção adequados. Engenheiros agrônomos re-
entre os estabelecimentos. latam que custos excessivos com reparos ge-
Esses valores devem ser empregados com ralmente se dão por causa de: ( 1) sobrecarga
cautela. Diversos estudos demonstraram que ou ultrapassagem da capacidade nominal da
o investimento por acre e o custo por acre máquina; (2) excesso de velocidade; (3) má
caem com aumentos no tamanho do estabe- manutenção diária e periódica; e (4) ajuste
lecimento, também variando com o tipo do incorreto. Essas coisas podem ser corrigidas
estabelecimento. Só compare valores com por meio de atenção constante e treinamen-
aqueles calculados da mesma forma para es- to apropriado dos operadores das máquinas.
tabelecimentos agropecuários de Lamanho e As máquinas rurais modernas possuem mais
tipo aproximados. A Tabela 22-6 exibe custos sistemas de monitoramento e controles de
recentes de maquinário por acre (excluindo ajuste automático que ajudam a manter níveis
mão de obra) para um grupo de produtores operacionais eficientes.
de cercais do Kentucky. Produtores com bai- Um sistema de agendamento e registro de
xos lucros tinham custos de maquinário entre consertos e manutenção é essencial para con-
trolar os custos de reparo. Seguir o programa
de manutenção recomendado pelo fabricante
Tabela 22-6 Custos totais com maquinário
de produtores de cereais do Kentucky (por
mantém as garantias em vigor, evita panes
acre cultivável) desnecessárias e reduz os custos de reparo ao
longo da vida útil. Registros completos de re-
Terço de Terço de
mnls ulto mais baixo
paros de cada máquina ajudam a identificar as
lucro lucro máquinas com custos de reparo maiores que a
média. Deve-se considerar a reposição anteci-
O a 999 acrcs US$ 103,58 uss 153,5 1 pada dessas máquinas.
1.000 a 1.999 acrcs US$ 103,99 uss 124,75 A maneira como a máquina é operada
Acima de 2.000 US$ 108,22 uss 118,81 afeta os custos com reparo e a eficiência no
acrcs campo. A velocidade deve ser ajustada para
Fo111e: Programa de Gestão Comercial Rurnl do Kentucky, exigir a máquina até o máximo, sem sobrecar-
Resumo Anual de 2008. Serviço de Extensão Cooperativa regá-Ia ou reduzir a qualidade do trabalho rea-
dn Universidade do Kentucky. lizado. Práticas que aprimoram a eficiência no
campo reduzem os custo~ p rqu po. • ibilitnm intcrt'crir na '()11 h1si\0 t , ,np . tiv I t 1\ :, -
que se realize mais trabalho em um dact tem- lho do propri t ri , t1 1 ren 1\ali ·iont)\ P",
po, seja permüindo que o me m trabalho seja nj udar i\ pngnr n, ust s l pt l r\' 1:\ 1\ \
realizado em menos tempo, cjn tornand pos- tnxn cot rndn d vc t "fl ,cir 0 u. t) 1 {' ,rt11•
sível o uso de uma máquina m •nor. ampo nidnd d\ mfi() te ht n n .' 'll lo I r( d ,
pequenos e com fom1ato incgular que exigem op rndor, n sim · me ,. ·ust d Pl\'fWi"-
voltas frequentes, paradas frequ nte e brc- dndc opcrn(;1o da m \quin \. AIJtrns P't \•
posição de trabalho reduzem a elici ncin n dores ·npncitnd r11 "tn tnhillh ' 11st mi n-
campo. Por exemplo, um arado de di de 30 do com máquinns m um 1 11! ·mnti\'n "ln
pés operado com uma sobrepo i ão de pé turno integral ou meio tum m tm1' 1\h 'm
perde l 0% de sua eficiência potencial s men- ua tcrm própria ou nn ·nd 11. • H'\ m ·n ).
te por esse fator. ri co linnn ·ei1 .

Uso do maquinário Máquinas novas ou usadas


Utilizar uma máquina especializada e cara em Existem mi'iquina_ rurni. 11sn l:1s pt 'IH ,m ·1H'
·-
1
uns poucos acres também contribui para alto di ponfveis junto n · nccssi n iri:1s • , ~n i ' ·
custos de maquinário. Por causa disso, algun dore parti ulm-es. Tamhém h, ,. Ü'il ~ sit 'S \U'
agropecuaristas compram máquinas de bai- publi am itens de mn 1uin iri, us .\ 1 t'\ , ·n ht.
xo uso em conjunto com outros operadores. As m íquina m!t p' u frins. ·s1 '·i ,lm •n,
Alguns produtores chegam a formar coopera- te tratores e outras nu1quinns m ,wri :1 l:\s.
tivas de máquinas, com 5 a 1O membros que perdem , 1lor de mercildo nm mnis rn1 i 1·
possuem todo o seu maquinário em condomí- nos primeiros anos k. un "' h \\til:\ [Link] IIH ,
nio. Isso não apenas diminui o custos fixos compmr máquinas us \d 1s ' uma num •it 1 ·1.,-
por unidade, como também reduz o inve ti- n mi a de nb:1ixnr o ·ustos 1, inY-. tim •n1, ~
mento exigido de cada pe soa. É importante propriedade d m,quin 1s. m 'l'll\!np ,si,fü,
que os condôminos tenham compatibilidade e a alguns dos tL tos mcno1 'S 1c 11 'tll'i • 1ml ',
cheguem a um acordo quanto ao detalhes do p de haver mni 1"t: ·ustos · )tl\ '1.)nS 'fü s • 1\-
uso da máquina. Antes de comprá-la, deve- e minui ão de conlinbili lild' e tcmp ·s1i\·id 11-.
convencionar quem terá seu trabalho fei to pri- Uma nuíqui na u ada! 'lmh ' I\\ p, 1, ti ' ,r 1.,h-,;1. -
meiro e a divisão de de pe as, como conser- lern mai cedo lo que um I n w 1. A • 1p~ ·i lu-
tos ' seouro
o
e impostos. Nonnalmente, os pe- de do pr prie1,ri omo m' · mi ·1., ':1 disp1.,-
radares fornecem seu próprio combustf, el e nibilidnde de in tal 1·• · ' 1•mp1., p 111\ r,,
,r
mão de obra, pagando uma taxa li ·a por acre, c nserto imporl unes 'm · 1s 1 ·1.,stunrnm s •r
; 1 que vai para um fundo utilizado para pagar fa tore cruci 1is n 1 pr0pri 'U 1 I • 1, tlH\ 1u i1rns
custos de propriedade e reparo . u ada ~. Máquina · usa l 1s dcY ' I\\ s ·r l ·,·n
las
Alguns proprietário fazem permuta do em con id--rn 'à qu li\ lo o • 1pil 1\ ' limita,fo,
uso de máquinas especiali zada . Se o u o ou O' juro ão 1\to • 1 mi 1uin \ pt)Ssui um us1.,
valor das máquina não for igual, pode- e tro- urna\ relutivam'nk P'lu~n) • \ ·1.,111i ,bilid:1-
car pagamento também. De qualquer forma, de ~a tempe ·1ivid 1d' nl\o si, \'it \is.
muitas operações, como olheita, ão realiza-
das com mais eficiência quando dua · ou mui ~ Decisões de reposição
pessoas trabalham junta .
Os custo de maquinário por unidud de Quando repor ou r'\'1.'111 r lll\HI m:\ llli11n ,
produto também podem r reduzido · r ali- uma d 1· dcl..'i ·"'i' · m 1i.' \ili· -i: l:1 ~• •st~ 1 d,,
1
zando-se trabalho cu tomi zado pnrn outro · maquin:hio. : n c:d · 1' 111nn r -~rn l':\ ·il \li ,
operadore . Se o traba lho cu 10111iLudo n io , · :1pliqut! tudo · l · 111 , · d' nu\ 1uim\ ~- · ,11-
426 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

<li ções . Al ém de cu tos e confíabilidade , as aproveitar os benefícios fi scai s de dedu-


dec i ões de repo ição também precisam con- çõe de deprec iação rápida ou porque o
siderar o cfeitos da compra ou troca sobre o proprietário tem uma alíquota marginal
impo to de renda e o fluxo de caixa. maior naquele ano. Porém , as dec isões de
A deci são de substituir uma máquina reposição não devem ser tomadas somen-
pode ser tomada por qualquer das seguintes te com base em economias tributárias.
razões : 6. Fluxo de caixa - muitas máquinas são
1. A máquina atual está desgas tada - sua substituídas em anos com renda mone-
idade e uso acumulado são tais que ela tária acima da média para evitar ter que
não consegue mais reali zar confiavelmen- tomar fundos emprestados mais tarde. Da
mesma forma, a reposição de máquinas
te o serviço necessário. r
geralmente é adiada em anos de fluxo de
2. A máquina está obsoleta - novos desen- e
caixa apertado.
volvimentos em tecnologia de máquinas
ou mudanças nas práticas agropecuárias 7. Orgulho e prestígio - existe um certo "or-
fazem com que uma máquina mais nova gulho de ser dono" envolvido na compra
faça o serviço melhor ou com mais segu- de máquinas novas e maiores. Embora
rança e conforto. isso possa ser importante para alguns,
pode ser um motivo caro e difícil de jus-
3. Os custos da máquina atual estão cres- l
tificar de um ponto de vista estritamente
cendo - reparos, combustível e custos de p
tempestividade estão aumentando veloz- econômico.
mente, tanto no total quanto por unidade Essas razões podem ser usadas indivi-
de produto. dualmente ou combinadas para determinar a
4. A capacidade é pequena demais - a área idade de reposição de uma máquina específi-
de produção aumentou ou a tempestivi- ca. O custo anual e os registros de consertos
dade tornou-se tão crítica, que a máquina de cada máquina são úteis para tomar a deci-
antiga não consegue executar o serviço a são de reposição. Na Figura 22-5, estimam-se
tempo. os custos anuais de um trator de 165 hp com-
5. Imposto de renda - em um ano de lucro prado novo para cada ano de um período de
alto, as máquinas podem ser repostas para propriedade de 20 anos. No início, os custos

US$ 60.000
□ Reparos
US$ 50.000 e Combustível e lubrificação
■ Juros
US$ 40.000 ■ Depreciação

US$ 30.000

US$ 20.000

US$ 10.000

Idade

Figura 22-5 Custo anual estimado de um trator de 165 hp.


Capítulo 22 Gestão de maquinário 427

totais caem, porque a depreciação e os juros tos mais novos e confiáveis. Às vezes, eles
declinam . . fai s tarde, porém, custos maiores concluem que arrendar máquinas e trocá-
om reparos mais que compensam os cus- -las a cada um ou dois anos por um modelo
los de propriedade descendentes. Os custos novo é a estratégia que melhor cumpre seus
anuais totais chegam ao seu núnimo por volta objetivos.
do ano 1O, mas isso depende de por quantas
horas o trator é usado por ano. Quanto maior Troca quando a renda é alta
o uso anual, mas rapidamente os custos anuais Gestores que querem evitar o uso de crédi to
com reparos sobem. podem esperar um ano de renda monetári a
A maioria dos gestores agropecuários tem acima da média para trocar o maquinário. Esta
uma estratégia geral de reposição de maquiná- estratégia também ajuda a reduzir a renda tri-
rio. A estratégia correta de cada operação de- butável em um ano de renda alla.
pende dos recursos fi nanceiros à disposição,
das habilidades mecânicas da equipe de tra- Investimento todo ano
balho e das prioridades e objetivos específicos
Por fim, alguns operadores preferem incre-
do gestor.
mentar parte da sua linha de máquinas todos
os anos, trocando ou alienando suas unidades
Manutenção e reparo
menos confiáveis. Isso evita ter que investir
Uma estratégia é manter e consertar os equi- grandes quantidades de capital em um ano só
pamentos pelo máximo de tempo possível. e funciona especialmente bem para negócios
Esta geralmente é a estratégia mais barata no com variações anuais pequenas de renda rural
longo prazo, especialmente se a maior parte de caixa.
dos reparos puder ser feita no estabelecimento Embora as decisões de investimento em
rural. Contudo, o risco de sofrer uma pane em maquinaria sejam tomadas com pouca fre-
momentos criticos é maior. quência, elas costumam envolver muito di-
nheiro. Analisar calmamente cada decisão
Troca frequente pode ler um grande impacto sobre a lucrativi-
Operações que enfati zam uso máx imo do dade de longo prazo do estabelecimento agro-
maquinário costumam preferir equipamen- pecuário.

RESUMO _,

Jnvesúmento em maquinário é o segundo maior investimento na maiori a dos estabeleci mentos rurais de-
pois dos imóveis. Os custos anuais com maquinário são uma parte grande dos custos anuais totais do
estabelecimento. Custos de propriedade incluem depreciação, juros, impostos, seguro, armazenamento e
pagamentos de arrendamento. Reparos, combustível, lubrificação, mão de obra, contratação customizada e
aJ uguéis são incluídos nos custos operacionais.
A seleção do tamanho certo de máquina a se possuir deve considerar os custos totais e os efeitos de
lempesúvidade na execução das operações. Locação, arrendamento e contratação customizada são outras
alternativas para adquirir o uso de maquinaria ru ral, especialmente para máquinas especializadas com
baixo uso an ual. Operadores com pouco capital ou com capacitação em conserto de máquinas podem e
beneficiar invesúndo em máquinas usadas em vez de em novas.
A efi ciência do maqu inário pode ser melhorada com manutenção e operação corretas. condomínio de
equipamen10s com ouLro operadores ou permut a de uso de máq uinas de propriedade indiv idual. O mo-
mento adequado para trocar o maquinário depende de custos com reparos, confi abi lidade. ob ·olc cência,
fluxo de caixa. considerações de imposto de renda e orgulho pessoal.
428 Parte VI Aquisição de recursos gerenciais

PERGUNTAS PARA REVISÃO E REFLEXÃO


1• Qual é o custo fi xo anual total de um trator de US$ 45.000 com vida útil de 12 anos e valor rc11ídual de
SS 9.000 quando o seguro e os impostos são 2% do valor médio e há um cui;to de oportunidade <.le
9% obre o capital? Qual é o custo fi xo médi o por hora se o trator é usado 400 horac; por ano? P, 11c é
usado 700 horas por ano?
2. Qual é a capacidade de campo, em acrcs por hora, de um arado de díc;co tandcm de 28 pé'! de largura, a
- milhas por hora, com eficiéncia de campo de 80%? Em quanto ela mudaria ,c;c a eliciência de campo
pudesse ser ampliada para 90%? Quan to tempo seria poupado para 800 acres?
3. Imagine que a propriedade e a operação de uma certa máquina para arar 850 acrcs tenham um cuqto de
propriedade de ü SS 5.000 por ano, mais custos operacíonaís de S'S 5,00 por acre. incl uindo mão de
obra Arrendar uma máquina com capacidade de campo de 5 acres por hora, que faz o mesmo scrvíço,
[Link] ·ss 40 por hora. mais os mesmos custos operacionais. Contratar a execução customizada do
mesmo trabalho [Link] [Link] 12 por acre. Qu al alternativa posr;uí o menor cuc;to tota l?
4. Suponha que um enleirador motorizado tenha custos fixos anuaís de ·ss 7. 150 e c:ustm variáveí.'l de
CS 4.L.5 por acre. Um operador customizado cobra SS 8,60 por acre. Qual é o ponto de equil íbrio,
em acres por ano?
-. Liste maneiras de melhorar a eliciéncia de campo de operações de grãos com máquinas como planta-
deira. arado de discos e conjugada
6. Quais w as ,·antagens e desvantagens da propriedade. arrendamento e contratação CU.'ltomízada de
i. ínas r rais?
7. Se nx:é cL-'"cidir usar sua [Link] de forragem para fazer trabalho cu5tomízado para os outros,
o que [Link]....ecera com seu custo total de propriedzde? E com o custo de proprícdad.e médio por acre
colhi · ? E croi o custo operacional 1012.J? E com o custo operacional médio por acre colhido?
. ()1 [Link] faores szo ím ii2ll1CS nas decisões d.e reposiç7a0 de maquínfrrío? Como você os cla.'lsificaria
L2D.ci2? A 5U2 classificaçw seria dííereme para típoc, diferentes de máquína?
9. · -é á.."h.2. . "2.g:ropecu.2:rLqas d,e,,em ínves ir em máquinas~? Quais são ai, vantagens e desvan-
~u5?
Apêndice
Tabela 1 Fatores de amortização para pagamentos totais iguais

Taxa de juros ~
(,,)
o
Anos 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14% 15% 16%

"C
II)>
l 1 1,04000 1,05000 1,06000 1,07000 1,08000 1,09000 1,10000 1,11000 1,12000 1,13000 1,14000 1,15000 1,16000 ::,
1- - a.
.- 2 0,53020 0,53780 0,54544 0,55309 0,56077 0,56847 0,57619 0,58393 0,59170 0,59948 0,60729 0,61512 0,62296 ff
CD
3 0,36035 0,36721 0,37411 0,38105 0,38803 0,39505 0,40211 0,40921 0,41635 0,42352 0,43073 0,43798 0,44526
4 0 ,27549 0,28201 0,28859 0,29523 0,30192 0,30867 0,31547 0,32233 0,32923 0,33619 0,34320 0,35027 0,35738
5 0,22463 0,23097 0,23740 0,24389 0,25046 0,25709 0,26380 0,27057 0,27741 0,28431 0,29128 0,29832 0,30541
6 0,19076 0,19702 0,20336 0,20980 0,21632 0,22292 0,22961 0,23638 0,24323 0,25015 0,25716 0,26424 0,271 39
7 0,16661 0,17282
0,15472
0,17914 º·18555 0,19207 0,19869 0,20541 0,21222 0,21912 0,22611 0,23319 0,24036 0,24761
8 0 ,14853 0,16104 0,16747 0,17401 0,18067 0,18744 0,19432 0,20130 0,20839 0,21557 0,22285 0,23022
9 0,13449 0,14069 0,14702 0,15349 0,16008 0,16680 0,17364 O,18060 0,18768 0,1 9487 0,20217 0,20957 0,21708
10 0,12329 0,12950 0,13587 o,14238 o, 14903 o,15582 0,16275 O, 16980 O,17698 o,18429 0,19171 O, 19925 0,20690
11 0,11415 0,12039 0,12679 O, 13336 0,14008 0,14695 0,15396 O,16112 O,16842 o,17584 0,18339 o,19107 0, 19886
12 0,10655 0,11283 0,11928 0,12590 O,13270 0,13965 0,14676 0,15403 0,16144 o,16899 O,17667 0,18448 O,19241
13 0,10014 0,10646 0,11296 0,11965 0,12652 0,13357 O,14078 0,14815 º·15568 0,16335 0,171 16 0,17911 0,18718

'
r
14 0,09467 º· 10102
0,09634
0,10758
0,10296
0,11434
o,10979
0,12130
0,11683
0,12843
0,12406
0,13575
0,13147
0,14323
0,13907
0,15087
o,14682
0,15867
0,15474
0,16661
0,1 6281
o,17469
O, 17102
O,18290
O,17936
15 0,08994
16 0,08582 0,09227 0,09895 0, 10586 0,11298 0,12030 0,12782 0,13552 0,14339 0,15143 0,1 5962 0,16795 O,17641
17 0,08220 0,08870 0,09544 O, 10243 o,10963 0,11705 0,12466 0,1 3247 0,1 4046 0,14861 O,15692 0,16537 o,17395
18 0,07899 0,08555 0,09236 0,09941 0,10670 0,11421 0,12193 0,12984 0,13794 0,14620 0,15462 0,16319 0,17188
19 0,07614 0,08275 0,08962 0,09675 0,10413 o, 11173 0,11955 0,12756 0,13576 0,14413 0,15266 0,16134 O, 17014
20 0,07358 0,08024 0,08718 0,09439 0,10185 o,10955 0,11746 0,12558 0,13388 0,14235 O,15099 0,1 5976 0,16867
21 0 ,07128 0,07800 0,08500 0,09229 0,09983 O,10762 0,11562 0,12384 0,13224 0,1 4081 0,1 4954 o,15842 O, 16742
22 0,06920 0,07597 0,08305 0,09041 0,09803 o,10590 o, 11401 0,12231 0,13081 0,13948 0,14830 0,1 5727 0,16635
.. 23 0,06731 0,07414 0,08128 0,08871 0,09642 0,10438 0,11257 0,12097 0,12956 0,13832 0,14723 0,15628 0,16545
'' 0,08719 0,09498 0,10302 O, 11130 0,11979 o, 12846 0,13731 0,14630 0,15543 0,16467
~ 2◄ 0,06559 0,07247 0,07968
25 0,06401 0,07095 0,07823 0,08581 0,09368 0,10181 O,11017 0,11874 0,12750 o, 13643 0,14550 O, 15470 0,16401
r 801 0,05783 0,06505 0,07265 0,08059 0,08883 0,09734 0,10608 o, 11502 0,12414 0,13341 O,14280 0,15230 0,16189
r
~ 35 0,05358 0,061 07 0,06897 0,07723 0,08580 0,09464 0,10369 o, 11293 o, 12232 0,13183 0,14144 0.15113 0,16069
,_ -
40 0,05052 0,05828 0,06648 0,07501 0,08386 0,09296 0,10226 º·11172 0,12130 º· 13099 0,14075 0,15056 0,16042

. • • • • ' •- - • . • ; . l ("i,-, t; "1


Tobolo 2 Valor futuro do um lnvosllmonlo do US$ 1

'l\ixu cio j111·0N

Anos 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14% 16% 16%

1 1,0400 1 0500 1,0600 1,0700 1,0800 1 0900 1.1000 1, 1100 1,1200 1, 1300 1, 1400 1,1500 11600
2 1,0816 1, 1025 1, 1236 1, 1449 1,1664 1, 1881 1,2100 1,2321 1,2544 1,2769 1,2996 1,3225 1,3456
3 1,1249 1, 1576 1, 1910 1 2250 1,2597 1,2950 1,3310 1,3676 1,4049 1,4429 1,4815 1,5209 1,5609
4 1,1699 1,2155 1,2625 1,3108 1,3605 1 4116 1,4641 1,5181 1,5735 1,6305 1,6890 1,7490 1,8106
5 1,2167 1,2763 1,3382 1,4026 1,4693 1,5386 1,6105 1,6851 1,7623 1,8424 1,9254 2,0114 2,1003
6 1,2653 1,3401 1,4185 1,5007 1 5869 1 6771 1,7716 1,8704 1,9738 2,0820 2,1950 2,3131 2,4364
7 1,3159 1,4071 1,5036 1,6058 1,7138 1,8280 1,9487 2,0762 2,2107 2,3526 2,5023 2,6600 2,8262
8 1 3686 1,4775 1,5938 1,7182 1,8509 1,9926 2,1436 2,3045 2,4760 2,6584 2,8526 3,0590 3,2784
9 1,4233 1,5513 1,6895 1,8385 1,9990 2, 1719 2,3579 2,5580 2,7731 3,0040 3,2519 3,5179 3,8030
10 1,4802 1,6289 1,7908 1,9672 2,1589 2,3674 2,5937 2,8394 3,1058 3,3946 3,7072 4,0456 4,4114
11 1,5395 1,7103 1,8983 2,1049 2,3316 2,5804 2,8531 3, 1518 3,4785 3,8359 4,2262 4,6524 5,1 173
~2 1,6010 1,7959 2,0122 2,2522 2,5182 2,8127 3, 1384 3,4985 3,8960 4,3345 4,8179 5,3503 5,9360
1.3 1,6651 1,8856 2, 1329 2,4098 2,7196 3,0658 34523 3,8833 4,3635 4,8980 5,4924 6,1 528 6,8858
l 14 1,7317 1,9799 2,2609 2,5785 2,9372 3,3417 3,7975 4,3104 4,8871 5,5348 6,2613 7,0757 7,9875
15 1,8009 2,0789 2,3966 2,7590 3,1722 3,6425 4, 1772 4,7846 5,4736 6,2543 7,1 379 8 ,1371 9,2655
.
16 1,8730 2, 1829 2,5404 2,9522 3,4259 3 9703 4,5950 5,3109 6,1304 7,0673 8,1372 9,3576 10,7480
17 1,9479 2,2920 2,6928 3, 1588 3,7000 4,3276 5,0545 5,8951 6,8660 7,9861 9,2765 10,7613 12,4677
18 2,0258 2,4066 2,8543 3,3799 3,9960 4,7171 5,5599 6,5436 7,6900 9,0243 10,5752 12,3755 14,4625
~
19 2, 1068 2,5270 3,0256 3,6165 4,3157 5, 1417 6,1159 7 2633 8,6128 10,1974 12,0557 14,2318 16,7765
20 2, 1911 2,6533 3,2071 3,8697 4,6610 5,6044 6,7275 8 ,0623 9,6463 11 ,5231 13,7435 16,3665 19,4608
21 2,2788 2,7860 3,3996 4,1406 5,0338 6,1088 7,4002 8,9492 10,8038 13,0211 15,6676 18,8215 22,5745
22 2,3699 2,9253 3,6035 4,4304 5,4365 6,6586 8,1403 9,9336 12,1003 14,7138 17,8610 21 ,6447 26,1864
5,8715 7,2579 8,9543 11,0263 13,5523 16,6266 20,3616 24,8915 30,3762 ►
"O
23 2,4647 3,0715 3,8197 4,7405 CD•
::J
24 2,5633 3,2251 4,0489 5,0724 6,3412 7,9111 9,8497 12,2392 15,1 786 18,7881 23,2122 28,6252 35,2364 a.
e=;·
25 2,6658 3,3864 4,2919 5,4274 6,8485 8,6231 10,8347 13.5855 17,0001 21 ,2305 26,4619 32,9190 40,8742 CD

30 3,2434 4,3219 5,7435 7,6123 10,0627 13,2677 17,4494 22,8923 29,9599 39,1159 50,9502 66,2118 85,8499
20,4140 28,1 024 38,5749 52,7996 72,0685 98,1002 133,1 755 180,3141 ~
35 3,9461 5,5160 7,6861 10,6766 14,7853 w
14,9745 21 ,7245 31,4094 45,2593 65,0009 93,0510 132,7816 188,8835 267,8635 378,7212
.....
40 4,8010 7,0400 10,2857
Tabela 3 Valor futuro de uma anuidade de USS 1
~
Taxa de juros (,,)
1\,)

Anos 6% 1 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14% 15% 6% )>


-o
a,.
::J
1 1.0000 1.0000 1,0000 1.0000 1.0000 1,0000 1,0000 1,0000 1.0000 1,0000 1.0000 1,0000 1,0000 a.
C1
2 2.0400 2.0500 2.0600 2.0700 2.0800 2.0900 2.1000 2,1100 2,1200 2,1300 2, 1400 2,1500 2,1600 <I>
,
3 3.1 216 3,1525 3,1836 3.2149 3.2464 3,2781 3,3100 3,3421 3,3744 3,4069 3,4396 3,4725 3,5056
4 4.2465 4.3101 4.3746 4,4399 4.5061 4,5731 4,6410 4,7097 4,7793 4,8498 4,9211 4,9934 5.0665
5 5,4163 5,5256 5.6371 5,7507 5,8666 5,9847 6,1051 6,2278 6,3528 6.4803 6,6101 6,7424 6,8771
6 6.6330 6.8019 6.9753 7,1533 7,3359 7,5233 7,71 56 7,91 29 8,11 52 8,3227 8,5355 8,7537 8.9775
7 7,8.983 8.1420 8.3938 8,6540 8,9228 9,2004 9,4872 9,7833 10,0890 10,4047 10.7305 11,0668 11 ,4139
8 9.2142 9.5491 9,8975 10.2598 10,6366 11,0285 11,4359 11,8594 12,2997 12,7573 13,2328 13.7268 14,2401
9 10.5828 11 ,0266 11.491 3 11,9780 12.4876 13,0210 13,5795 14,1640 14,7757 15,4157 16,0853 16.7858 17,5185
10 12.0061 12,5779 1 13, 1808 13,8164 14,4866 15,1929 15,9374 16,7220 17,5487 18,4197 19,3373 20,3037 21 ,3215
11 13.~ 14 .2068 14,9716 15,7836 16,6455 17,5603 18,5312 19,5614 20,6546 21,8143 23,0445 24,3493 25,7329
"12 15.02.58 15.9171 16,8699 17,8885 18,9771 20,1407 21 ,3843 22,7132 24,1331 25,6502 27,2707 29,0017 30,8502
1_3 16,6268 17,7130 18,8821 20.1406 2 1,4953 22,9534 24,5227 26,2116 28,0291 29,9847 32.0887 34,3519 36,7862
1,1 18,2919 19,5986 21 .01 51 22.5505 24,2149 26,0192 27,9750 30,0949 32,3926 34,8827 37,5811 40.5047 43,6720
15 20,0236 2 1.5786 23.2760 25,1290 27,1521 29,3609 31 ,7725 34,4054 37,2797 40,4175 43,8424 47,5804 51,6595
16 2 1,8245 23,6575 25,6725 27,8881 30,3243 33,0034 35,9497 39,1899 42,7533 46,6717 50,9804 55,7175 60,9250
17 23,6975 25.~ 28,2129 30,8402 33,7502 36,9737 40 ,5447 44,5008 48,8837 53,7391 59,1176 65,0751 71 ,6730
1a 25,6454 28, 1324 30,9057 33,9990 37,4502 41 ,3013 45,5992 50,3959 55,7497 61,7251 68,3941 75,8364 84,1407
19 27,671 2 30,5390 33,7600 37,3790 41 ,4463 46,0185 51 ,1591 56,9395 63,4397 70,7494 78,9692 88,2118 98,6032
2D 29,7781 33,0660 36,7856 40,9955 45,7620 51,1601 57,2750 64,2028 72,0524 80,9468 91 ,0249 102,4436 115,3797
' 21 31 ,969'2 35,71 93 39,9927 44,8652 50,4229 56,7645 64,0025 72,2651 81,6987 92,4699 104,7684 118,8101 134,8405
22 34,2480 38,5052 43,3923 49,0057 55,4568 62,8733 71 ,4027 81 ,2143 92,5026 105,4910 120,4360 137,6316 157,4150
23 36,6179 41 ,4305 46,9958 53,4361 60,8933 69,5319 79,5430 91 ,1479 104,6029 120,2048 138.2970 159,2764 183,6014
- 44,5020 50,8156 58,1757 66,7648 76,7898 88,4973 102, 1742 118,1552 136,8315 158,6586 184,1678 213,9776
2A 39,0826
2S 4 1,6459 47,7271 54,8645 63,2490 73,1 059 84,7009 98,3471 114,4133 133,3339 155,6196 181,8708 212,7930 249,2140
30 56,0849 66,4388 79,0582 94,4608 113,2832 136,3075 164,4940 199,0209 241 ,3327 293,1 992 356,7868 434,7451 530,31 17
73,6522 90,3203 111,4348 138,2369 172,3168 215,7108 271 ,0244 341,5896 431 ,6635 546,6808 693,5727 881.1702 1120.7130
35
95,0255 120,7998 154,7620 199,6351 259,0565 337,8824 442,5926 581,8261 767,0914 1013,7042 11342,0251 1779,0903 2360,7572
40
__ , .. .# .. , ,, _ _ , , , _ .. ,i_ .. . ...... ,, .. , .. ,.(" .. .. , .. ..-.. ... . .. .............. , ._ . i .... . . . . .. •

·--- ··- , ......... _ '--


Tabela 4 Valor presente de um pagamento único de US$ 1
'liu:a de juros

Anos 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14% 15¾ 1

1 0,96154 0,95238 0,94340 0,93458 0,92593 0,91743 0,90909 0,90090 0,89286 0,86496 0,87719 0,86957 0,86207
2 0,92456 0,90703 0,89000 0,87344 0,85734 0,64168 0,82645 0,81162 0,79719 0,78315 0,76947 0,75614 0,74316
3 0,88900 0,86384 0,83962 0,81630 0,79383 0,77218 0,75131 0,73119 0,71178 0,69305 0,67497 0,65752 0,64068
4 0,85480 0,82270 0,79209 0,76290 0,73503 0,70843 0,68301 0,65873 0,63552 0,61332 0,59208 0,57175 0,55229
5 0,82193 0,78353 0,74726 0,71299 0,68058 0,64993 0,62092 0,59345 0,56743 0,54276 0,51937 0.49718 0,47611
6 0,79031 0,74622 0,70496 0,66634 0,63017 0,59627 0,56447 0,53464 0,50663 0,48032 0,45559 0.43233 0.41044
7 0,75992 0,71068 0,66506 0,62275 0,58349 0,54703 0,51316 0,48166 0,45235 0,42506 0,39964 0 ,37594 0,35383
8 0,73069 0,67684 0,62741 0,58201 0,54027 0,50187 0.46651 0,43393 0,40388 0,37616 0,35056 0 ,32690 0,30503
9 0,70259 0,64461 0,59190 0 ,54393 0,50025 0,46043 0,42410 0,39092 0,36061 0,33288 0.30751 0,28426 0.26295
10 0,67556 0,61391 0,55839 0,50835 0,46319 0,42241 0,38554 0.35218 0.32197 0,29459 0,26974 0,24718 0,22688
11 0,64958 0,58468 0,52679 0,47509 0,42888 0,38753 0,35049 0,31728 0,28748 0,26070 0,23662 0 ,21494 º·19542
12 0.62460 0,55684 0.49697 0,44401 0,39711 0,35553 0,31863 0,28584 0,25668 0,23071 0,20756 0 ,18691 0,16846
13 0,60057 0,53032 0,46884 0.41496 0,36770 0,32818 0,28966 0,25751 0,22917 0,20416 0,18207 0 ,18253 º·14523
14 0,57748 0,50507 0,44230 0,38782 0,34046 0,29925 0,26333 0,23199 0,20462 0,18068 0,15971 0, 14133 0,12520
15 0,55526 0,48102 0,41727 0 ,36245 0.31524 0,27454 0,23939 0,20900 0,18270 0,15989 0,14010 o,12289 0.10793
16 0,53391 0,45811 0.39365 0,33873 0.29189 0.25187 0,21763 0,18829 0,16312 0,14150 0,12289 0,10686 0,09304
17 0,51337 0.43630 0,37136 0,31657 0,27027 0,23107 0,19784 0,16963 0,14564 0,12522 0,10780 0 .09293 0.08021
18 0,49363 0,41552 0,35034 0,29586 0.25025 0.21199 0,17986 0,15282 o,13004 O, 11081 0,09456 0 ,08081 0,06914
19 0,47464 0,39573 0,33051 0,27651 0,23171 0,19449 0,16351 0, 13768 0,11611 0,09806 0,08295 0,07027 0.05961
20 0,45639 0,37689 0,31180 0,25842 0,21455 0,17843 0,14884 o,12403 0,10387 0,08678 0,07276 0 ,06110 0.05139
21 0,43883 0,35894 0,29416 0,24151 0,19866 0,16370 0,13513 0,11174 0,09256 0,07880 0,06383 0 ,05313 0,04430
22 0,42196 0,34185 0,27751 0,22571 0,18394 0,15018 0,12285 0,10067 0,08264 0.06796 0,05599 0 ,04620 0,03819 ),
23 0,40573 0,32557 0,26180 0,21095 0,17032 0,13778 0,11168 0,09069 0,07379 0 ,06014 0,04911 0,04017 0,03292
24 0,39012 0,31007 0,24698 0,19715 O, 15770 0,12640 0,10153 0,08170 0,00588 0,05323 0.04308 0,03493 0,02838
25 0,37512 0,29530 0,23300 0,18425 0,14602 0,11597 0,09230 0,07361 0,05882 0,04710 0,03779 0 .030'1...8 0,02A47
30 0,30832 0.23138 0,17411 0,13137 0,09938 0,07537 0,05731 0,04388 0,03338 0,02557 0,01963 0,0 151 0 0,01165
35
-40
0,253-42
0,20829
0,18129
0,1 4205
0,13011
0,09722
0,09366
0,06678
0,06763
0,04603
0,04899
0,03184
0,03558
0.02209
0,02592
0,01538
0,01894
0,01075
0,01388
0,00753
0,01019
0,00529
0,00751
0 ,00373
0,00555
0,00264
~
Tabela 5 Valor presente de uma anuidade de US$ 1

Taxn dr juros
e
~
Anos 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14% 15% 16%
}>
uC!),
1 0,9615 0,9524 0,9434 0,9346 0,9259 0,9174 0 ,9091 0.9009 0,8929 0,8850 0,8772 0,8696 0,8621 :,
a.
2 1,8861 1,8594 1,8334 1,8080 1,7833 1,7591 1,7355 1,7125 1,6901 1,6681 1,6467 1,6257 1,6052 oCD
3 2,7751 2,7232 2,6730 2.6243 2,5771 2,5313 2,4869 2.4437 2,4018 2,3612 2.3216 2,2832 2,2459
' 4 3,6299 3,5460 3,4651 3,3872 3,3121 3,2397 3 ,1699 3,1024 3,0373 2,9745 2,9137 2,8550 2,7982
- 5 4,451 8 4,3295 4,2124 4,1002 3,9927 3,8897 3 ,7908 3,6959 3,6048 3,5172 3.4331 3,3522 3,2743
.. 6 5,2421 5,0757 4,9173 4,7665 4.6229 4,4859 4,3553 4,2305 4,1114 3,9975 3,8887 3,7845 3,6847
7 6 ,0021 5,7864 5,5824 5,3893 5,2064 5,0330 4 ,8684 4,7122 4,5638 4,4226 4,2883 4,1604 4,0386
8 6,7327 6,4632 6,2098 5,9713 5,7466 5,5348 5 ,3349 5.1461 4,9676 4,7988 4,6389 4.4873 4,3436
9 7.4353 7,1078 6,8017 6,5152 6,2469 5,9952 5 ,7590 5,5370 5,3282 5,1317 4,9464 4,7716 4,6065
JO 8,1109 7,7217 7,3601 7,0236 6,7101 6,4177 6 ,1446 5,8892 5,6502 5,4262 5,2161 5,0188 4,8332
.... 11 8,7605 8,3064 7,8869 7.4987 7,1390 6,8052 6,4951 6,2065 5,9377 5,6869 5,4527 5,2337 5,0286
---
12 9,3851 8,8633 8,3838 7,9427 7 5361 7,1607 6 ,8137 6.4924 6,1944 5,9176 5,6603 5,4206 5,1971
l 13 9,9856 9,3936 8,8527 8,3577 7,9038 7,4869 7 ,1034 6,7499 6,4235 6, 1218 5,8424 5,5831 5,3423
14 10,5631 9,8986 9,2950 8,7455 8,2442 7,7862 7 ,3667 6,9819 6 6282 6,3025 6,0021 5,7245 5.4675
15 11,1184 10,3797 9,7122 9,1079 8,5595 8,0607 7,6061 7,1909 6,8109 6,4624 6,1422 5,8474 5,5755
16 11 ,6523 10,8378 10,1059 9,4466 8,8514 8,3126 7,8237 7,3792 6,9740 6,6039 6,2651 5,9542 5,6685
[ 17 12, 1657 11 ,2741 10.4773 9,7632 9,1216 8,5436 8 ,0216 7,5488 7,1196 6,7291 6,3729 6,0472 5,7487
18 12,6593 11,6896 10,8276 10,0591 9,3719 8.7556 B,2014 7,7016 7,2497 6,8399 6.4674 6,1280 5,8178
19 13,1339 12,0853 11 ,1581 10,3356 9,6036 8,9501 8 ,3649 7,8393 7,3658 6,9380 6,5504 6,1982 5,8775
20 13,5903 12,4622 11.4699 10,5940 9,8181 9.1285 8,5136 7,9633 7,4694 7,0248 6.6231 6,2593 5,9288
21 14,0292 12,8212 11 ,7641 10,8355 10,0168 9,2922 8,6487 8,0751 7,5620 7,1016 6,6870 6,3125 5,9731

- -
22 14,4511 13,1630 12,0416 11 ,0612 10,2007 9,4424 8 ,7715 8,1757 7,6446 7,1695 6,7429 6,3587 6,0113
23 14,8568 13,4886 12,3034 11 ,2722 10,3711 9,5802 8,8832 8,2664 7,7184 7,2297 6,7921 6,3988 6,0442
1 24 15.2470 13,7986 12,5504 11,4693 10,5288 9,7066 8 ,9847 8,3481 7,7843 7,2829 6,8351 6,4338 6,0726
25 15,6221 14,0939 12,7834 11,6536 10,6748 9,8226 9,0770 8,4217 7,8431 7,3300 6,8729 6.4641 6,0971
3Õ 17,2920 15,3725 13,7648 12,4090 11,2578 10,2737 9,4269 8,6938 8,0552 7,4957 7,0027 6,5660 6,1772
35 18,6646 16,3742 14,4982 12,9477 11,6546 10,5668 9,6442 8,8552 8,1755 7,5856 7,0700 6,6166 6,2153
40 19,7928 17,1591 15,0463 13,3317 11,9246 10,7574 9,7791 8,9511 8,2438 7,6344 7,1050 6,6418 6.2335
Glossário

cada empreendimento é alocada uma porção


A d as rendas e despesas de todo o e tabeleci-
Acre cult iváveis Terra que é ou pode ser cul- mento agropecuário.
tivnda. Análise de sensibilidade U m procedime n-
gê n clo de Serviço Rural (FSA) Uma to para avali ar o ri sco de uma decisão usan-
agê nci a do Mi ni tério de Agric ultura dos d o diver os produtos possíveis de preço e/ou
E A que admini t ra progra mas de commo- produção para orçar os resultados e, e ntão,
dities e con crvação ru ral e concede emprés- compará-los.
ti mo dire to e com gara ntia a agric ultores e Análise de sistemas Uma ava liação dos em-
pcc uari tas. preendimentos e tecnologias individu ais que
Agricultura customizada Um arranjo em que
leva em conta suas interações com outros em-
o proprietário da terra paga a um operador
preendimentos e tecnologias.
uma qu anti a à vista fixa para que e le desem-
Análise de tendências Comparação do níve l
penhe todas a operações de mão de obra e
d e desempenho de um negócio rural com o de-
maqu inário nece sárias para produzir e colher
sempenho anterior do mesmo negócio.
uma safra.
Análise de viabilidade Uma análise das entra-
gricullura de precisão Um sistema de pro-
d as de caixa geradas por um investimento em
dução que u a equipamentos de posiciona-
mento global para aplicar com precisão di- comparação às saídas de caixa [Link].
fe rentes nívei de insumos a diferentes áreas Animais de engorda Animais j ovens compra-
de um campo, de acordo com seus requ isitos dos com a fi nalidade de serem alimentados até
indivi duai . alcançarem peso de abate.
Agricultura sustentável Prática de produção Ano fiscaJ Um exercício contábil anual que
ag n"cola que maxi mizam os benefícios sociais não corresponde ao ano-calendário.
e econômicos de longo prazo derivados do uso Anuidade U ma série de pagamentos periódi-
da terra e de outros recursos agropecuários. co anuais.
lavancagem A prática de usar crédito para Arrendamento Um contrato que permite que
aumentar o capita l total gerido além do mon- uma pessoa tenha o uso e/ou a posse dos bens de
tante do patrimônio líquido. o utrem em troca do pagamento de um aluguel.
Alíquota marginal O imposto adicional que Arrendamento à vista variável Um arranjo
resulta de uma unidade mo netária a mais de de arrendamento em que é feito um pagamen-
lucro tributáve l e m um dado ní e l de renda. to à vista em troca do uso da propriedade do
líquotas prog ressh•ns U ma estrutura fi scal dono; o montante do pagamento, porém, de-
que impõe uma a líqu ota marginal mais alta pende da produção efetiva e/ou do preço rece-
para níveis maiores de renda tributável. bido pe lo locatário.
nólisc comparativa A comparação do ní- Arrendamento com aluguel à vista Um ar-
vel de de empe nho de um negóc io rural com ranj o de locação em que o operador efetua um
o nível de de e mpenho de o utros estabeleci- pagamento à vista ao proprietário pe lo uso
mento agropecuários eme lhante da mesma de determinado bem, paga todos os custos de
região ou com outros padrões e tabelecidos. produção e fica com toda a renda gerada.
náli e de empreendimento U ma análise Arrendamento de capital Um contrato de
de um empreendimento individual, em que a arrendamento que permite que o arrendatário
436 Glossá ·o

mprc o equipamento arrendado ao fim do Base de cálculo (tributária) O valor de um


prazo do arrendamento. ativo para fin s de imposto de renda.
rrendamento por bus /rei m esquema de Base de cálculo ajustada A ba e de cálculo
arrendamento em que o aluguel é pago na de impo to de renda para um ativo, igual à
forma de um número e pcdfi co de [Link] de base de cálculo original, reduzida pelo mon-
grão entregue ao proprietário. tante da despesa de depreciação alegada e/
Arrendante lguém que arrenda bens pró- ou aumentada pelo custo das benfeitorias
prio a um arrendatário: locador. rea I izadas.
Arrendatário lguém que arrenda bens do Benefícios indiretos Remuneração dada aos
p prietário; locatário. empregados além do salário em dinheiro.
Árvore de decisão -m diagrama que traça Benfeitorias Reformas ou acréscimos a bens
todas as estratégias e resultado possíveis de de capital que aprimoram suas produtividades
uma decisão específi ca ou equêncía de deci- e/ou estendem suas vidas úteis.
sõe relacionadas. Bens imóveis Terra ou bens anexados perma-
Atirn Bem ff ico ou financeiro que pos ui a- nentemente à terra.
lor e que é de propriedade de uma empre a ou Bens móveis Todos os ativos que não terra e
pessoa. coisas anexadas à terra, como edificações e
Ath-o (hem de capital m ativo que, e pera- cercas.
-se. durará [Link] que um ciclo de produção e Bônus (salarial) Um pagamento feito a um
que pode ser usado para produzir outros ativos empregado, além do salário normal, com base (
ou sei.iços vendáveis. em bom desempenho ou outros critérios.
Atfro intermediário -m ativo com vida útil
superior a um ano, mas inferior a 7-10 anos.
Regi trado como aúvo não circulante, segun-
e
do as recomendações do FFSC. Capacidade de endividamento O vaJor má-
AtiTo não circulante Cm ativo que normal- ximo que uma pessoa ou empresa pode tomar
mente será detido ou utilizado ao longo de um emprestado com base em sua capacidade de
período maior que um ano. devolvê-lo e outros fatores.
Amo tangíTel Qualquer ativo que possua uma Capacidade de pagamento Uma medida da
presença fisica. como terra, edificações, má- capacidade de um mutuário de devolver em-
quinas, e assim por diante. Ativos intangíveis préstimos.
incluem direitos autorais, patentes e direitos Capacidade de pagamento de empréstimo A
de [Link]. capacidade de devolver empréstimos com
Ath-os circulantes Ati\·o normalmente utili- base em garantias e receitas. Muitas vezes,
zados ou vendidos dentro de um ano. usada para descrever o máximo de principal e
AtiTos fixos Ativos cuja \Ída útil produtiva de- juro que pode ser pago em um ano.
\·erá ser longa ou indefinida_ Capital Uma coleção de ativos físicos e finan-
Auditoria ambiental t;ma inspeção minucio- ceiros que possuem um valor de mercado.
sa uma área para determinar se existem ris- Capital de aporte Capital investido em um
cos ambienuú . negócio por seu(s) proprietário(s), que não lu-
A,·aliação O processo de e timar o alor de cro gerados e retidos no negócio.
mercado <k um atim. Capital de giro A diferença em valor entre
ativo circulantes e pa ivos circulantes; uma
B medida de liquidez.
CapitaJização O processo de determinação do
Balanço [Link] Cm relatório financeiro valor futuro de um inve timento ou emprésti-
me os ati os, p-- ims e património de mo em que são cobrados juros sobre os juro
um negócio em um momento no tempo. acumulado e sobre o capital original.
Base (comerriali:zação) A diferença enLre o pre- Centro de custo Uma unidade contábil de um
ço · ,. i5La local e o preço de conlralO de futuro negócio rural que gera cu to , mas não produz
~ a mtmta commodi · em um momemo. receita.
Glossário 437

entro de lucro ma unidade contábi l de um se forem comprados ativos de mais no último


ncglkio rural que gera cu tos e produz recei tas. trimestre do ano.
Co Ociente de nrinção Uma medida da va- Cooperativa Uma forma de organização de ne-
ri abi lid de do rc ultado de um dado evento· gócios em que são di tribufdos lucros como re-
igua l ao de vio padrão di vidido pela média.
'
embolsos, tendo cada membro um único voto.
oeficlcnte técnico taxa à qual unidade de Cooperativa fechada Uma cooperativa de
in umo . ão tran. formadas em produto. agropecuarisras em que os membros conven-
ommodity redit Corporntlon (CCC) U ma cionam vender uma quantidade fixa de produ-
orp ração de propriedade do Ministério da ção em prazo regulares.
Agricultura do EUA. Sua finalidade precfpua Corporação (corporation) Uma forma de or-
é u te ntar o preços agríco la por meio do g anização comercial em que os sócios possuem
u o de cmpr li mos sobre commodiries. quotas de uma pessoa jurídica distinta, que pode
Con elho de Pndrõcs Finnnceiros Rurais possuir bens e tomar dinheiro emprestado.
(FF C) m comitê de especialistas em fi- Corporação C Uma corporação (corporarion)
nança rurai que de cn o lveu um conjunto de ..normal" que entrega ua própria declaração
diretiva para re latório financeiros uniformes de imposto de renda. (Vide também Corpora-
e análi e de negócio rurai . ção S.)
Conta a pagar Uma de pe a incorrida, mas Corporação S Uma corporação (corporatio11)
a inda não paga. tributada como uma sociedade de res ponsabi-
Conto n receber Renda que já foi gerada, mas lidade pessoal (partnership). isto é: todas as
para a qual não se recebe u pagamento em caixa. rendas, de pesas e ganhos de capital são pas-
Contabilidade U m sistema abrangente de escri- sados pro rata aos acionistas, para que os in-
turação e intetização de transações comerciais. cluam em sua outras rendas tributáveis.
Contrato de compra e venda de terra Con- CrédJto (contábil) Um lançamento no lado
trato em que o comprado r da terra faz paga- direito de um livro-razão de contas que oca-
mento de principal e juros ao vendedor se- s iona um decréscimo nos ativos ou um acrés-
gundo um cronograma regular. cimo nos pas ivos e patrimônio.
Contrato de preço a termo (Jorward) Contra- Crédito (financeiro) A capacidade ou facul-
to entre comprador e vendedor que fixa o preço dade de tomar dinheiro emprestado.
de uma commodity ante de e la er entregue, Crédito fiscal A quantia em que um con-
possivelmente muitos mese antes da entrega. tribuinte pode reduzir o valor de impos to
Contrato de preço mínimo Um contrato de d e renda devido se certas condições forem
preço a te rmo que garante no vendedor um preenchidas.
preço mínimo, mas permite um preço mais Credor Alguém a quem se de e uma dívida:
alto e o mercado esti er acima do mínimo um mutuante.
quando a commodit)• é entregue. Curto prazo O período em que ao menos um
Contrato operacional Um contrato entre duas insumo de produção está disponível apenas
ou mai pe oa em que e las realizam algumas e m uma quantidade fixa.
de su~ atividade comerciai · juntas, ao mes- Curva de possibilidades de produçüo
mo tempo em que mantêm propriedade indi i- ( CPP) Uma linha em um gráfico que conec-
dual do recu rso e ndo utilizado . ta pontos que representam todas as possíveis
ontrolc O proce o de monitoramento do pro- combinações de produtos que podem ser pro-
gn:: o de um negócio rural e de tomada de pro- duzidas com um conjunto fixo de recursos.
, idénci o rreti as quando o níveis de desem- Custo de oportunidade A renda que poderia
penho de ejado não e tão sendo alcançados. er recebida e mpregando-se um recurso em
on enção do meio ano Um a di posição do s ua aplicação alternativa mais lucruti a.
i tema de d e preciação d o impo . to de renda Custo de tempcstividade Perda de receita
(M CR ) que permite m eio ano de deprecia- resultante de qualidade ou quantidade menor
ção no ano c m que o ativo 15 adquirido, ades- da safra colhida em razão de atraso no plantio,
pei to da data da compra. Pode não se aplicar colheita ou outras operações de campo.
438 Glossário

o lo do insumo mnrginnl ( Mg) O cu to D


adicional incidente pelo u o de umu unidade
adicional de in umo. Débito Em contabilidade, um lançamento no
u to fixo médio (CF 1c) u. to li ·o total lado e querdo do li vro-razão que aumenta os
dividido pelo produto total; cu to fixo médio ,lli vo ou diminui os passivos e o patrimônio.
por unidade de produto. Declaração de missão Uma declaração breve
u lo fixo total (CFT) A ama de todos o e de crili va de por que o negócio agrícola ou
cu to fi o . pecuário exi te e quai são uns meta .
Cu lo irrecuperável m cu to que não pode Deflação Um decréscimo geral no nível de to-
mai erre enido, modificado ou evitado: um do o preços.
cu to fixo. Demonstração dns nlterações do patrimônio
u to marginal (C 1g) O cu to adicional in- líquido Uma demonstração financeira que
cidente quando da produção de uma unidade apre enta as causas e montantes da mudança do
adicional de pr duto. patrimônio líquido cm um exercício contábil.
Cu lo reduzido Um valor advindo da solução Demonstração de resultados Um relatório
de um problema de programação linear que que resume a renda e despesas e calcula o
mo tra em quanto a margem bruta cria redu- lucro resu ltante de um negócio ao longo de um
zida introduzindo- e na al ução uma unidade exercício.
de um empreendimento não incluído no plano Demon tração dos fluxos de caixa Um re-
ideal do e tabclecimento agropecuário. uma da entradas e saídas de caixa efetiva-
Cu lo lotai (CT) A orna de custo fixo total e mente údas por um negócio cm um exercício
u to variável total. contábil.
Cu to total médio (CTMc) Cu ·to total dividi- Demonstração financeira pro forma Uma
do pelo produto total: cu to médio por unida- demon tração financeira que projeta ativida-
de de produto. des e re ultados financeiros futuros.
Cus to ariá el Cu to que ó ocorrerão e Demonstrações financeiras É, muitas vezes,
houver produção e que tendem a variar com o u ado como outro tem10 para balanço patrimo-
nível de produção. nial, ma é um termo geral para outros docu-
Custo , •ariável médio (C le) Cu to variá el mento relati os à condição financeira de um
total dividido pelo produto total; custo ariá- negócio, como demonstração de resultados,
vel médio por unidade de produto. demon tração de fluxos de caixa e demonstra-
usto va riável total ( VT) A soma de todos ção da mutações do patrimônio líquido.
o custo varifívcis. Depreciação Uma despesa anual não monetá-
Cu to acessório Custo não diretamente re- ria (não de caixa) que reconhece o montante
lacionado ao tipo e quantidade de produto em que um ativo perde valor devido a uso, ida-
produzidos; um tipo de cu 10 fixo. de e obsolescência. Também espalha o custo
Custos de propriedade Custos que decorrem original ao longo da vida útil do ativo.
da propriedade de ativos. independendo de Depreciação acumulada A soma de toda a
quanto eles ejam utilizados; cu to fixos. depreciação descontada do valor de um ativo
Custos fixos Custos que não mudarão no curto do momento da aquisição até o presenie.
praz.o, mesmo e não houver produção. Depreciação linear Um método de deprecia-
Custo indiretos Cu tos decorrentes da pro- ção que resulta em uma quantidade igual de
priedade de um ativo, endo pouco afetados depreciação em cada ano da vida útil de um
por u o ou produção. (Vide Cu tos fixo e ati vo.
Custo de propriedade.) Desconto O processo de reduzir o valor de
usto operacionai Custo da compra de in- uma oma a ser paga ou recebida no futuro
umos e serviço consumidos com relati va ra- pelo montante de juro que seriam acumula-
pidez, comumente cm um ciclo de produção. dos sobre ela até aquele momento.
cwt Abreviatura de quintal cuno (lw11dred111ei- Deseconomias de escala Uma relação de pro-
ght), igual a 100 libras (45,35 kg). Muitos pro- dução cm que o cu to total médio por unidade
dutos pecuários e algun cultivo são precili- de produto aumenta à medida que mais produ-
cados por esta unidade. to é gerado.
Glossário 439

De pesn Custos que incidem enquanto se pro- agropecuário costuma consistir em diversos
duz recei ta. Pode ser em caixa ou não. empreendi mentes.
D pesa acumulnda Urna despe a que inci- Empreendimentos competitivos Empreendi-
diu. à cze acumulando ao Jongo do tempo, mentos em que o nfvel de produção de um só
mas que não foi paga. pode ser aumentado diminuindo-se o nf vel de
Despesa antecipada Um pagamento feito por produção do outro.
um in urno ou serviço antes do exercício con- Empreendimentos complementares Empre-
tábi l em que ele erá usado. endimentos em que o aumento do nfvcJ de
Despesa não monetária Uma despesa que produção de um também aumenta o nfvel de
não cnvo l e o de embolso de caixa, como a produção do outro.
depreciação. Empreendimentos suplementares Empreen-
Despesas de caixa Despesas que exigem de- dimentos em que o nível de produção de um
scmbol o de caixa. pode ser aumentado sem afetar o nível de pro-
De pesas no exercício Despesas que se acu- dução do outro.
mu Iam ao longo do tempo. mas que não estão Empréstimo amortizado Um empréstimo
di retam ente relacionadas ao nfvel de produção programado para ser devol vido em uma série
de commodities específicas. de pagamentos periódicos.
Desvio padrão Uma medida da variabilidade Empréstimo autoliquidante Um emprésl..imo
do possfvci resultados de um dado aconteci- que será pago com a venda dos ativos que fo-
mento; igual à raiz quadrada da variância. ram comprados com os fundos do empréstimo.
Distribuição de probabilidade Um conjunto Empréstimo de comercialização Um em-
de possíveis resultados de um acontecimento préstimo que pode ser obtido da Agê ncia
e pecífico e a probabilidade de que cada um de Serviço Rural usando grãos ou aJgodão
dele ocorra. como garantia. O montante do empréstimo
Diversificação A produção de duas ou mais é uma taxa fixa por bushel ou tonelada, e a
commodities para as quais os níveis de produ- commodity deve ser armazenada até que o em-
ção e/ou os preços não têm correlação estreita. préstimo seja pago.
Dhida Uma obrigação a pagar, como um em- Empréstimo de curto prazo Um empréstimo
préstimo ou uma conta a pagar. cujo pagamento está programado para menos
de um ano.
E Empréstimo de pagamento final Um méto-
do de pagamento de empréstimo em que uma
Economias de escala Uma relação de pro- grande porção do principal vence no paga-
dução em que o custo unitário total médio do mento final.
produto cai à medida que o produto sobe. Empréstimo garantido Um empréstimo no
Eficiência Um índice que mostra o número de qual o mutuário concorda em deixar que o
unidades de produção geradas por unidade de mutuante tome posse e venda certos bens se os
recurso. termos de pagamento não forem cumpridos.
Eficiência econômica O quociente do valor de Empréstimo quirografário Um empréstimo
produto por unidade física de insumo ou por para o qual não se dá garantia.
cu to uni tário do insumo. Empréstimo sem garantia Um empréstimo
Eficiência física O índice de produto recebido em que o mutuário não dá ao mutuante o direi-
por unidade de insumo usada, tudo em unida- to de possuir certos bens se os termos de paga-
de fí icas. mento não forem cumpridos; não há garantia.
Eficiência no campo A taxa de rendimento Entrada A porção do custo de aquisição de
real de um implemento de campo, calculada um bem de capital financiada pelo patrimônio
como um percentual da taxa de rendimento líquido, geralmente na fomm de caixa.
teórica obtida e não se perdesse tempo com Equivalente pessoa-ano Um total de 12 me-
supcrpo ição, giro e aju te da máquina. ses de mão de obra contribuídos por uma ou
Empreenclimento Um cultivo ou tipo de pe- mais pessoas.
cuária específico, como trigo, leite ou alface. Estabelecimento agropecuário (ou rurol) A
O plano de produção de um estabelecimento definição utilizada pelo Ministério da Agri-
440 Glossário

cultura do EU é qualquer sociedade co- Gestão rurol O processo de tomar decisões


mercial que venda (ou teria vendido em um sobre a alocação de recursos escassos na pro-
ano normal) U 1.000 ou mai cm produtos dução agropecuária a fim de satisfazer deter-
agropecuário . minada metas gerenciais.
E tabelccimcnto pecuário Um ncl!ócio rural Gestão tática O processo de tomar e imple-
que lida com produção p"cuária e ·ten iva. mentar decisões de curto prazo que mantêm
Estoque ma li ta completa do número. tipo o estabelecimento agropecuário progredindo
e valor dos bens po uídos cm um momento. rumo às sua metas de longo prazo.
Execução Medida j udicial tomada por um cre- Globolização Uma tendência rumo a uma
dor para obter pos e de uma garamia quando o maior integração dos gostos dos consumido-
mutuário não tem condiçõe de fazer o paga- res, produção agropec uária e comércio entre
mento do empré timo. os países.
Exercício contábil O período ao longo do
qual a transaçõe contábci são intctizadas.
H
F Hedgi11g Uma e Lratégia para se proteger do
ri co de queda dos preços por meio da venda
Falência Uma medida j udi cial que uma em- de contrato de futu ros de commodity antes da
presa pode tomar quando não po ui mais o venda efetiva da commodity.
rccur os financeiro para pagar uas dívidas e Hipoteca Um contrato jurídico no qual um
precisa e reorganizar ou fechar. mutuante recebe o direito de adquirir um bem
Financiamento A aqui ição de fundos para imóvel do mutuário para satisfazer uma dívida
[Link] o req uisi tos de fluxo de caixa de caso o prazo de pagamento não seja cumprido.
um investimento ou atividade produtiva.
Fluxo de caixa O movimento de fundos de
caixa que entram e saem do negócio.
Fluxo de caixa descontado O valor presente Implementação O processo de execução de
de uma érie de fluxo de caixa líquidos a se- deci õe gerenciais.
rem recebidos ao longo do tempo. Frequente- Imposto de autônomo Um imposto sobre lu-
mente u ado cm análise de investimentos. cros obtidos por autônomos, usado para finan-
Função de distribuição cumulativa (FDC) Um ciar a previdência social e o sistema público
gráfico de todo os possíveis resultados de um de saúde.
dado evento e a probabilidade de que cada re- Impostos diferidos O montante em que os im-
sultado (ou aquele com o menor valor) ocorra. postos de renda aumenLarão ou diminuirão em
Função de produção Uma relação física ou um momento futuro quando os ativos e pas-
biológica mostrando quanto produto resulta do sivos constantes em um balanço patrimonial
uso de determinadas quantidades de insumos. atual forem vendidos ou pagos.
Incerteza Uma situação em que não se conhe-
cem nem os resultados possíveis de um even-
G to, nem suas probabilidades de ocorrência.
Ganho de capital O montante em que o valor Inflação Um aumento geral no nfvel de todos
de venda de um ati vo excede seu custo ou base os preços ao longo do tempo.
de cálculo tributária original. Insumo Um recurso usado para gerar um pro-
Garantia Ativo onerado para garamir um em- duto.
préstimo. Insumo indivisível Um recurso que só pode
Gasto Um dispêndio de caixa para fin s opera- ser obtido em determi nados tamanhos indivi-
cionais ou de investimento. Também pode ser síveis, como um trator ou um empregado de
uma despesa. turno integral.
Gestão ~stratégica O processo de mapear o Integração vertical Um contrato ou outro ar-
rumo geral de longo prazo do e tabelecimento ranjo comercial envolvendo dois ou mais está-
agropecuário. gios da produção de uma commodity.
Glossário 441

I oquantn Uma linha de um gráfico que co- Lucro econômico Lucro contábil menos o
necta ponto que representam todas as combi - custos de oportunidades de todos o recurso
naçõc po. íveis de insumos que podem gerar não remunerados (geralmente mão de obra,
o me mo produto. gestão e capital patrimonial) usados para pro-
duzir o lucro.
J Lucro rural retido Renda líquida gerada po r
um negócio agropecuário u ada para aumen-
J oi111 •1 e11t11reO nome de várias formas de tar o patrimônio líquido em vez de ser retirada
o pe ração come rcia l e m que mais de uma pes- para pagar despesas de sustemo, impostos ou
oa e tá e nvo lvida na propriedade e gestão. dividendos.
Juro O m ontante pago a um mutuante pelo
u o de d inhei ro e mprestado, ou o custo de
o po nun idade de investir capital patrimonial
M
cm uma a plicação alternati va. Margem bruta A diferença entre renda bruta
Juros compostos O reinvestimento de cada e custos variáveis; também chamada de renda
pag amento de j uros. de forma que ele se toma acima dos custos variáveis.
pan e do principal que renderá juros nos perío- Matriz de ganho (pay-off) Uma tabela de
do s futu ros. contingência que ilustra os possíveis resulta-
dos de uma ocorrência específica e suas res-
pectivas probabilidades.
L Média ponderada O resultado esperado de
Lei dos retornos marginais decrescentes Uma longo prazo de um evento, encontrado multi-
relação o bservada em muitos processos produ- plicando-se cada resultado possível por suares-
ti vos fís icos e biológicos, em que o produto fí- pectiva probabilidade e somando-se os resulta-
ico marg inal cai à medida que mais unidades dos. Também chamada de "valor esperado".
de um insumo variável são utilizadas em com- Mercado de futuros Um mercado central em
bi nação com um ou mais insumos fixos. que contratos de vendas futuras de commodi-
Lei Federal das Contribuições Securitárias ties agropecuárias são vendidos.
U ma lei federal que criou um programa de Método de capitalização Procedimento para
a posentadoria e invalidez comumente chama- estimar o valor de um ativo, dividindo-se o
do de previdê ncia social. rendimento líquido anual esperado por urna
Linha de crédito Um arranjo em que o mutu- taxa de desconto anual.
a nte trans fere fundos emprestados a um mu- Método do saldo decrescente Um método de
tuário à m edida que são necessários, até uma depreciação que resulta em alta depreciação
q uant ia m áx ima. nos primeiros anos de vida útil e quantidades
Liquidar C onven e r um ativo em dinheiro. menores nos últimos anos.
Liquidez A capacidade de um negócio desa-
tisfaze r suas obrigações financeiras em caixa à N
med ida que vencem. Nota promissória Um contrato jurídico que
Locatário U m operador rural que aluga terra, obriga um mutuário a devolver um empréstimo.
edificações ou outros bens de seu proprietário;
um arre ndatário.
Longo prazo Um pe ríodo longo o suficiente o
para que o ge tor mude as quantidades de todos Ônus (gravame) A pretensão jurídica de um
os insumos ou recursos disponíveis para uso. credor sobre bens (garantia) para assegurar o
Lucrati idade O grau ou medida em que o pagamento de uma dívida.
va lor da re nda deri vada de um conjumo de re- Opção Uma transação comercial em que um
c ur os excede seu custo. comprador paga a um vendedor um prêmio
Lucro contábil Receita bruta menos despesas (ágio) para adquirir o direito de vender ou
totais, sendo ambos os valores calculados usan- comprar um contrato de futuros a um preço
do-se princ ípios e práticas contábeis padrão. especificado.
442 Glossário

Opçiio de compra (ca/1) Um contrato que dá Partida simples Sistema contábil em que ren-
ao comprador o direito de comprar um con- das e despesas são escrituradas, mas mudan-
trato de futuro para uma commodiry ugrope- ça nos ativos e passivos não.
uária a um preço e. pecificado. É u ada para Partidas dobradas Um sistema contábil em
e. tabelecer com antecedência um preço de que, para cada transação, escrituram-se mu-
omprn miximo. dança nos ativos e passivos, assim como nas
Opção de vendn (plll ) Um contrato que d:í ao rendas e de pesas.
comprador o direito de vender um contrato de Pnssivo acumulado Um passivo que incidiu,
fut uro para uma commodiry agrícola a um mas ainda não foi pago, como juros acumu-
preço aju tado. É u ado para fixar anteci pada- lados.
mente um preço de enda mínimo. Pnssivo intermediário Um passivo garantido
Orçamento Uma e timativa da renda , de - por um ativo intermediário e com pagamentos
pe a ou fluxo de caixa futu ro . di tribuídos por 2-10 anos. Registrado como
Orçn mento completo do e tabelecimento pa ivo não circulante, segundo as recomen-
agropecuário Uma projeção da produção, daçõe do FFSC.
renda e despe a totai de um negócio rural Passivo não circulante Um passivo que nor-
para um dado plano completo do e tabeleci- malmente será pago ao longo de um período
mento agropecuário. maior que um ano.
Orçamento de capital O proce so de detem1i - Passivos Obrigações financeiras (dívidas) que
na ão da lucrati idade de um investimento de devem ser pagas em algum momento futuro.
apitai. Passivos circulantes Passivos normalmente
Orçamento de empreendimento Uma proje- pagos dentro de um ano.
ção de todo o cu to e retorno de um em- Passh•os contingentes Passivos que só exis-
preendimento separado. tirão se um acontecimento específico se der.
Orçamento de nuxo de caixa Uma projeção Um exemplo seria imposto de renda devido
da entrada e aída de caixa esperada em caso um ativo como terra seja vendido.
um negócio ao longo de um período. Passivos de longo prazo Passivos programa-
Orçamento parcial Uma e timativa da mu- dos [Link] serem pagos ao longo de um período
dança na renda e nas despesas que resulta- de dez anos ou mais.
riam da execução de uma mudança proposta Patrimônio O montante em que o valor dos
no atual plano do estabelecimento agrope- atj vos totais excede os passivos totais; o mon-
cuário. tante de capital do proprietário investido no
negócio.
p Patrimônio líquido A diferença entre o valor
total dos ativos de um negócio e o valor total
Pagamento por qualificação Uma aborda- de seus passivos; também chamado de valor
gem ao estabelecimento da remuneração do líquido.
trabalhador baseada em níveis de responsabi- Perda (prejuízo) Ocorre quando as despesas
lidade em vez de em devere específicos. excedem as receitas, o que causa uma dimi-
Parceria agrícola Um contrato de arrenda- nuição do patrimônio.
mento em que a produção de cultivas e certos Perda de capital O montante em que o valor
custos de in umos são divididos entre o opera- de venda de um ativo é inferior a seu custo ou
dor e o proprietário da terra. base de cálculo tributária ajustada.
Parceria rural de mão de obra Um contra- Período de retorno do investimento O tem-
to de arrendamento em que o operador recebe po que demora para que os retornos líquidos
uma pane da produção por contribuir apenas acumulados obtidos com um investimento se
com mão de obra. igualem ao investimento original.
Parceria rural pecuária Um contrato de ar- Permuta isenta de impostos A troca de um
rendamento em que o proprietário e o opera- bem rural por outro semelhante, de forma que
dor fazem apones de capital e di videm a pro- os ganhos tributáveis sejam reduzidos ou pos-
dução de culti os e animais. tergados.
Glossário 443

Plano completo do estabelecimento agrope- Programação linear Uma técnica mate-


cuário Um resumo dos tipos e tamanhos mática utilizada para encontrar um grupo
pretendido dos em pree ndime ntos que serão de atividades econômicas que maximi za ou
e. ecutado por um negócio rural. minimiza um determinado objetivo, dado um
Plano de contas Um elenco organizado com o conjunto de recursos limitados e/ou outras
nome e número de código de todos os itens de restrições.
ati vo. pa ivo, renda, despesa e patrimônio do Promissória a pagar Um passivo decorrente
i te rna contábi I rural. da assinatura de uma nota promissória. uma
Preço de equilíbrio (break-even) O preço de promessa jurídica escrita de devolver um em-
venda cm que a renda total se igualará às des- préstimo.
pesa totais para um dado nível de produção. Promissória a receber Um ativo decorren-
Preço sombra Um va lor obtido de uma solu- te do empréstimo de dinheiro a alguém e do
ção de programação linear que mostra o valor recebimento de uma nota promissória. ( Vide
c m que a margem bruta total seria aumentada Promissória a pagar.)
se houve se uma unidade a mais de um insu- Propriedade individual Uma forma de organi-
mo limitante. zação empresarial em que um operador ou fa-
Prejuízo operacional líquido (POL) Um lu- mília é proprietário dos recursos e faz a gestão.
cro rural líquido negativo para fins de imposto
de renda que pode ser utilizado para compen-
ar renda tributável passada e/ou futura.
a
Previdência social Um tributo sobre salários e Quadro organizacional Um diagrama que
renda de autônomo para prover renda de apo- mostra os trabalhadores envolvidos no negó-
sentadoria e invalidez para as pessoas. (Vide cio e as linhas de autoridade e comunicação
Lei Federal das Contribuições Securitárias.) entre eles.
Principal O valor tomado emprestado, ou a
parte do empréstimo original que ainda não R
foi paga.
Princípio da igualdade marginal O princípio Razão de dívida sobre patrimônio O quo-
de que um recurso Limitado deve ser alocado ciente dos passivos totais sobre o patrimônio
entre ap licações concorrentes de modo que o líquido; uma medida de solvência.
valor do produto marginal da última unidade Razão de endividamento O quociente de pas-
de cada aplicação seja igual. sivos totais sobre ativos totais; uma medida de
Probabilidade subjetiva Uma probabilidade solvência.
ba eada somente no julgamento e experiên- Razão de liquidez corrente O quociente entre
c ia anteriores da pessoa. ativos circulantes e passivos circulantes; uma
Produto O resultado ou rendimento de um medida de liquidez.
processo produtivo, como cultivas e animais. Razão de margem de lucro operacional O
Produto físico marginal (PFMg) O produto valor representado pela renda rural líquida de
físico adicional resultante do uso de uma uni- operações, mais despesa com juros, menos o
dade adicional de insumo. custo de oportunidade da mão de obra e gestão
Produto físico médio (PFMe) A quantidade do operador, expressado como uma porcenta-
média de produto físico gerada para cada uni- gem da receita bruta.
dade de in umo usada: produto total dividido Razão de patrimônio sobre ativo O quocien-
por insumo totais. te de patrimônio líquido sobre ativos totais;
Produto físico total (PFT) A quantidade de uma medida de solvência.
produto produzida por uma dada quantidade Razão de preço (insumo) O quociente entre o
de in umas. preço do insumo sendo acrescentado e o preço
Programa de incentivo Disposições em um do insumo sendo substituído.
contrato de trabalho que pagam ao empregado Razão de preço (produto) O quociente entre
um bô nus pelo atingimento de certo níveis de o preço do produto sendo ganho e o preço do
produto sendo perilido.
desempenho.
444 Glossário

Razão de ub titui ão O índice entre a quan- Renda rural líquida A diferença entre are-
tidade de um in. umo ub tituído e a quantida- ceita total e as despesas totais, incluindo ga-
de de outro in umo acre centado, ou entre a nhos ou perdas com a venda de todos os bens
quantidade de um produto perdido e a quanti - de capital ; também o retomo sobre patrimônio
dade de outro produto ganho. líquido, mão de obra não remunerada e gestão.
Rebanho comercial Animal alimentado para Renda rural líquida de operações A difc-
abate.. e não para a produção de cria. rença entre a receita total e as despesas totais,
Receita (Vide Renda.) não incluindo ganho ou perdas com a venda de
Receitn bruta O total de toda a receita recebi - bens de capital.
da por um neg io em um período; o me mo Rendimento de equilíbrio (break-even) O
que renda bruta. nível de rendimento cm que a renda total se
Receita marginal (RMg) A renda adicional igualará às despesas totais para um dado preço
recebida com a venda de uma unidade adicio- de venda.
nal de produto. Rentabilidade dos ativos (RDA) O valor rc-
R eita total (RT) A renda recebida do pro- pre entado pela renda rural líquida de opera-
duto fi ico total: o me mo que valor do pro- çõe , mais despesa com juros, menos o custo
duto total. de oportunidade da mão de obra e gestão do
Recuperação da depreciação Renda tributá- operador. Geralmente é expressada como uma
vel decorrente da venda de um ati vo depreciá- porcentagem do valor médio dos ativos totais.
vel por mais do que sua ba e de cálculo lribu- Reprodutores Animais mantidos com a finali-
tária aju tada. dade precípua de produzir cria.
Recuperação de capital O valor equivalente Retiradas pelo proprietário Ativos comer-
[Link] do cu to de inve timento inicial de ciais (geralmente caixa) transferidos para o(s)
um ativo de capital. proprie1ário(s) para uso pessoal.
Recuperação de cu to O ·i tema ou método Retorno sobre gestão O retomo líquido gera-
u ado para calcular depreciação para fin s de do por um negócio depois que todas as despe-
impo to de renda. as foram pagas e os custos de oportunidade
Regime de caixa Si tema contábil que reconhe- do palrimônio líquido e da mão de obra não
ce a renda quando ela é efetivamente recebida remunerada foram subtraídos.
e despesas quando elas ão efetivamente pagas. Retorno sobre patrimônio (RSP) O retorno
Reoime de competência Sistema contábil que líquido gerado pelo negócio antes que ganhos
reconhece renda quando é auferida e despesa ou perdas com ativos de capital sejam realiza-
quando incidem. dos, mas após a subtração do valor da mão de
Regime imobiliário A maneira pela qual um obra não remunerada e gestão. Geralmente é
operador ganha controle e uso de bens imó- expressada como uma porcentagem do valor
vei , como por arrendamento ou propriedade. médio do palrimônio líquido.
Renda Ganho econômico decorrente da pro- Retornos decrescentes Um declínio na taxa
dução de mercadorias e erviços, inclusive à qual o produto total aumenta à medida que
recebimento com a venda de commodities, mais insumos são usados; um produto físico
out ros pagamentos cm caixa, aumentos de es- marginal decrescente.
toq ue e contas a receber. Risco Uma ituação em que existe mais de um
Regra dos 72 Uma relação aplicada para esti- re ultado possível, sendo alguns desfavoráveis.
mar o tempo que levará para que um investi-
mento dobre de valor; é encontrada di vidindo-
-se 72 pela taxa percentu al de retomo rendida
s
pelo in esúmento. Saldo da troca Na troca de um ativo usado por
Renda bruta A renda total (monetária ou não) um novo, o montante pago para cobrir a dife-
auferida por um empreendimento ou negócio rença de valor.
ante de as dc!>pe a serem pagas. Seguro de receita Uma apólice de seguro que
Renda ordinária Para fins de imposto de ren- garante aos produtores agrícolas um nível míni-
da, qualquer renda tributável que não seja ren- mo de renda bruta por acre. Protege contra com-
da de ganho de capital. binaçõc de preços baixos e rendimentos ruins.
Glossário 445

eguro por acidente ou doença de trabalho Solvência O grau em que os passivos de um


m plano de seguro, exigido por lei na maio- negócio são cobertos por ativos; a relação en-
ria dos Estados, que protege os empregados tre dívida e capital próprio.
contra acidentes e doenças ocupacionais e es- Soma dos dígitos dos anos Um método de de-
tabe lece limites máximos de indenização para preciação que tem mais depreciação nos pri-
es a ocorrências. meiro anos de vi da úlil do que a linear e cai a
crviço da dívida O pagamento das dívidas uma quantidade fixa todo ano.
de acordo com uma prog ramação combinada. Sub-hipoteca (hipoteca subsidiária) Um
cr iço de Conservação de Recursos Natu- contrato jurídico em que o mutuante recebe
rais (N RC ) Urna agência do Ministério de o direito de adquirir bens imóveis do mutuá-
gric ultura do EUA que dá assistência técni- rio para satisfazer uma dívida somente após
ca e financeira para a execução de práticas de a dívida do mutuante principal ti ver sido
con ervação de solo e água. satisfeita.
erviço de Extensão Um erviço educacional
para agropecuari stas e outros, oferecido con-
juntamente pelo Ministéri o da Agricultura dos
T
EUA, faculdades estad uais de agronomia ego- Taxa de desconto A taxa de juros usada para
verno de condados. descobrir o valor presente de uma quantia a
istema de Amortização Acelerada Modifica- ser paga ou recebida no futuro.
do (MACRS) Um sistema de cálculo de de- Taxa de juros variável Uma taxa de juros que
preciação fi scal, conforme especificado pelos pode mudar durante o penado de pagamento
regulamentos de imposto de renda. do empréstimo.
Sistema de Crédito Rural (FCS) Uma coo- Ta"<a interna de retorno (TIR) A taxa de des-
perativa de c rédito, estabelecida pela autori- conto ou juros à qual o valor presente líquido
dade do Congresso norte-americano, que faz de um investimento se iguala a zero.
empré timos para produtores rurais. Taxa percentual anual (APR) A taxa anual
Sociedade de responsabilidade limitada efetiva à qual são cobrados juros sobre um
(limited liability company) Uma forma de empréstimo.
o rganização empresarial semelhante à socie- Tecnologia Um sistema específico de insumos
dade de responsabilidade pessoal (em inglês, e práticas produtivas.
parrnership ), mas oferecendo aos sócios a Trabalho customizado Um arranjo em que
vantagem de responsabilidade financeira um operador realiza uma ou mais operações
limitada. de maquinário para outrem por um preço
Sociedade de responsabilidade pessoal (part- fixo.
nersh ip ) Uma forma de organização em- Transação interna Um transação contábil não
presarial em que mais de um operador é pro- monetária realizada entre dois empreendimen-
prietário dos recursos e/ou faz a gestão. ( Vide tos do mesmo negócio.
Sociedade em nome coletivo e Sociedade em
comandita simples.)
Sociedade em comandita simples (limited
u
part11ership) Uma forma de empresa em que Unidade animal mês (UAl\1) Uma unidade usa-
mais de uma pessoa é proprietária, mas alguns da para arrendamento de pasto, igual a um boi
(os sócios limitados) não participam da gestão de corte ou equivalente pastando por wn mês.
e tê m re ponsabilidade limitada ao valor de USDA O Ministério da Agricultura dos Es-
e u inve timento. tados Unidos (United States Department of
ociedade em nome coletivo (general part11er- Agriculture), que supervisiona muitos pro-
ship ) Urna sociedade em que todos os sócios gramas e políticas federais relativos a agri-
são o lidários: todos eles participam da gestão cultura, incluindo programas rurais, exten-
e possue m responsabilidade financeira ilimita- são, pesquisa e programas de distribuição de
da pelos atos societários. alimentos.
446 Glossário

V Valor presente (VP) O valor atual de um con-


junto de pagamentos a ser recebido ou pago ao
Valor contábil O custo [Link] de um ativo longo de um período.
m no a deprecia no acumulada total descon- Valor presente líquido (VPL) O valor pre-
tada at o momento. sente dos fluxos de caixa líquidos que resulta-
Valor da produção rural O valor de mercado rão de um investimento menos o montante do
de todo o cultivo , animais e outras rendas ge- investimento original.
radas pelo neg io rural, medido por contabili- Valor residual O valor de mercado de um ati-
dade em regime de competência apó ser subtra- vo depreciável no momento em que é vendido
ído o [Link] do animai comprados e da ração. ou tirado de erviço.
Valor de mercado O valor pelo qual um ativo Valores mobiliários negociáveis Ações, títu-
eria vendido em uma transação de mercado los de dívida e outros in trumentos financeiro
abeno. que podem ser convertidos em dinheiro rápida
\ alor do produto marginal (VPMg) A renda e facilmente.
adicional recebida com o uso de uma unidade Valorização Um aumento no valor de merca-
adicional de in umo. do de um ativo.
Valor do produto total (VPn Produto fisico to- Vantagem comparativa A capacidade de uma
tal multiplicado pelo preço de venda do produto. empresa ou pafs de produzir uma mercadoria
Valor esperado O re ultado em média ponde- ou serviço a um custo relativamente menor.
rada de um acontecimento incerto, com ba e Variância Uma medida da ariabilidade dos
em seu po ívei resu ltados e sua respecti as resultados possíveis de um evento específico.
probabilidades. Venda comparativa Uma venda real de terra
alor futuro (VF) O valor que um pagamento usada em uma avaliação para ajudar a estimar
ou grupo de pagamentos terá em um momento o valor de mercado de uma área de terras se-
futuro, quando os juros são campo tos. melhante.
·a1or líquido A diferença entre o valor dos Vida útil O número de anos usados para de-
ativo de propriedade do negócio e o valor do preciar totalmente um [Link] depreciável. Pode
seu pas ivo . Também chamado de patrimô- ser diferente da vida produLiva do [Link].
nio líquido.
Índice

A Árvore de decisão, 266--268


Ativos, 52-53
Administração de Pequenos Negócios (SBA), 350-351 avaliaçilo, 56--58
Agência de Serviço Rural (FSA), 343- 344, 349-351 circulantes, 52-53
Agricultura customizadn, 272-273, 377- 378 intennediários, 55-56
Agricultura de precisão. 407-408 líquidos, 52-53
Agricultura sustentável. 381-382 não circulantes. 52-53
Alavancngem, 354-356 rentabilidade dos (RDA). 84-86
Alinnças estratégicas. 7-8, 21- 22 Avaliação de terras, 366-369
Anfilise de empreendimento. 324-329
agrícola. 324-325
pecuário,324-329 B
Análise de investimento. 305-311 Balanço patrimoninJ
e imposto de renda. 311-313 análise. 63-68
einílação,312-314 base de custo. 57-59
e risco, 314-315 base de mercado. 58-59
exemplo. 317-320 exemplo. 59-64
infonnações necessárias, 305-307 finalidade e aplicação. 5 1-52
período de retomo do investimento, 306-308 formato. 52-57
1.a,u de retomo simples, 307- 308 observnções.62-63
[Link] interna de retomo. 309-3 l l Bancos comerciais. 348-350
usando orçamento de fluxo de caixa. 227-231 Barreiras culturais. 401-403
valor presente Líquido, 307-310 Base de cálculo tributário. 290-292
Análise de ponto de equilíbrio (break-eve11). 178-179
Análise de sensibilidade, 194-196. 211 - 212. 315
Análise de sistemas. 198- 199
e
Análise de viabilidade finru1ceira. 310-312 Capacidade de pagamento de dívida. 351-352
de compra de terra, 368-370 Capital. 337
e fluxos de caixa, 227- 231 alocação de capital limitado. 338-339
Análi e do negócio rural economia do uso, 337-339
diagnóstico de problcmn, 97- 99 fomes de, 339- 342
medidas de eficiência, 103-108 Capital de giro, 64-65
medidas de lucrati idade. 99- 103 Capitalização de juros. 301
medidas financeiras, 107- 110 Ciclo de vida, 235- 238
padrões de comparaçl!o, 96- 98 Coeficiente de variação. 263-265
tipos, 95- 97 Combinação de insumos de menor custo. 129-131
Anuidade, 30 1 Combustível de maquinário, 4 l l-412
Arrendamentos, 364-366, 371 - 382 Conselho de Padrões Financeiros Rurais (FFSC). 33-34.
à "ista variável, 377- 378 45,217-218
al uguel à vi ta, 372- 376 Conservação, 381 - 383
arrendamento por bushel, 377- 378 Conrnbilidade, 37-49
eficiênc ia e equidade, 377- 381 débitos e creditas, 39--10
parceria agrícola, 375- 377 dcfiniçilo de tcnnos. 37- 39
parceria de mão de obra, 376--378 equaçilo, 39-40
parceria pecuária. 376--377 partida simples. 38-:19
teor. 366--367 panidns dobradas, 38-39
448 fndice

C ntrnu\ o. IJ - J_,_7.5-_76, 341-~2 D


[Link] de tr.1hnlho. 96-197. 400
Contrato opcrncionai . _ 9--4 Decisões
Contribui pl'C\'Í[Link]. 403-40-t cnrnctcrlstic • 2.5-27
Coopemth·as. 250--52 estratégicas. 22-23
rpom o (rorpnrorion), 244-245 táticns. 22-23
corpomçllo C. 245-246 Declarnçllo de visll.o, 17- 19
corpomçllo S. 245--47 Demandas do con urnidor, 10-12
,-antagen . 247-248 Demon traçllo dns mutações do patrimô nio líquido, 49,
emplo. 249 66--69
opcm o.247--4 Dcmon traçllo de resultado.
o~imçllo e [Link]:icterfsticns. 244-247 ajustes de competi:ncia para caixa, 80-82
\'[Link]'OS. 246-248 análise. 82- 89
Crédiro.34 1- 2 definiçllo. 71
alavancagem eu o. 354-356 d pe ns. 74-75
e c:ipxidadc ~ncial. 351 - 352 forrnnto, 78-80
e cani1er pcs o:il. 351-352 ganho e prejuízo . 72-74
cstabclecimemo e d nvolvimcnto. 350-354 receita. 71-73
linha de, 343-346 Demonstração de valor líquido. Vide Ba!Mço
reserva. Z7 7-27 patrimonial
Cunopmzo Dcprecinção, 75-76
defini !o. 144 ano parcial. 77
regras de produçAo. 150- 152 de maquinário. 407-409
Cun de po ibilidad de produçllo (CPP), 134-136 definiçlio. 75
Curvas de custo. 155- 157 lançamento como despesa. Seção 179, 293- 294
CUSlo de rruiqu inário por acre culuvável, 41 ~ 13 MACRS, 291-293
Custo de oponunidadc rccuperaçllo para impostos, 295-296
da gCSI o. 141 - 142 Desconto. 303
da mllo de obra. 141 - 142 Despesas na dcmon tração de resultados, 74-75
ddimç . 141- 142 Desvio padrão. 263-264
docopital, 141- 143 Diagnósúco de problema de renda rural, 97- 99
Custo de produç o. 177-178 Diversificação, 270-271
Custo do endindamento. 348-349
Custo do in umo marginoJ (CIMg). 124-125
E
Cu to fixo médio (CFMc), 145
Custo fixo total (CFT), 14 [Link] de tamanho. Vide Tnmanho
Cu 10 micial do imcstimcnio. 305 Eficiência
Cu to margil\3.I (CMg). 147-14 de mllo de obra. 392-394
Cu to to!Al (CTJ, 120 de mnquinório. 423-i27
CllilO roral médio (CTMc). 147- 14 e onômica. 103-107
Cusro variá, 1médJo (CVMeJ. 146-147 fT ICa, ) 06- l07
Custo vruüvcl lotnJ (CVf), 146-147 medidas, 103- 108
Cu'º Eficiéncia da mllo de obra
apli . 147- 152 mcdiçlio. 392-393
cun . 155- 157 melhoria. 393-394
de propncdllde, 167-168 Empreendimento
di~os. 167- 168 combinações, 134-139
fü()), 144-147 complcmcnuirc . 138- 139
mduetos. 167-168 concorrentes, 134- 136
IOtaa. J47-141S raLllo de lucro, 135-139
wuu~ médios. 147-148 rai.ão de sub tituiçllo, 135- 139
,ari -ca. 146- 147 [Link]:s, 138-139
Cu tm dcpropncdadc, 167- 168 Empréstimos
U ~ 0pe JOnaJ S, 166- 167 amortimdos. 3-15-347
Índice 449

01oliquidnn1cs. 276-278. 351-352 funções, 16-17


cuno prnzo, 342- 343 táúc.i, 17. 22-23
de pngnmcnto finnl, 346-349 Globalizaçllo. 12-13
de pagnmento único, 343-345
fontes, 348-351
garnntin, 35 1-354
H
garantido , 343-344 Hedglng. 273-276
imobiliários. 343-344
longo prazo, 342-343
médio prazo, 342-343
mobiliários. 343-344 lmposto de autônomo, 287-288
ollo garantidos. 343-344 Imposto de renda
pessoais. 343-344 alfquotas. 286-288
planos de pagamento, 342- 345 base de cálculo, 290-292
prazo. 342-343 cálculo da média de renda. 288-289
quirografário , 343-344 e dc:precillÇll.o. 291-293
tipos, 341-349 e ganho de capitnl. 295-298
Equivnlente anual, 309-31 O estratégias de gestão. 287-291
Era da informação, 8-10 la.nçimcnto com.o despesa da Seção 179. 293-294
Estabelecimentos agropecuários objetivos da gcstllo tributária. 282-283
estrutura. 3-5 [Link] iscnw de impo o, 289-291
estratégias de negócio, 4-6 prejuízo operacionaJ líquido, 289-290
número. 3-4 regimes de contabilidade. 282-287
produção, 10-12 requisito de registro, 285-287
Estoques tipos. 28 1-283
avaliação, 52-53. 57-58 lncatcza. 257- 258
verificação, 330-332 lnflação.312-314
Exercício contábil. 38-39 Insumos
Exercício fiscal, 38-39 [Link]ção de menor custo. 134
combinações. 129-134
[Link] de preço. 123- 124
F razão de sub tituiç!lo, 129-130
Ferramentas de gcstllo de ri co Integração vertical, 11-12
de mercado, 273-278 lsoquanta. 129-130
de produção, 269-274
jurídico, 277-278
J
pessoal, 277-278
Fluxo de caixa d contodo. 307-308 Joi11t ve111ure.s, 238-240
Fonnaçllo de expcctati os, 261- 264 Juro
Função de distribuiçllo cumulativa. 264-267 [Link]ção, 301
Função de produçlio, 115-117 custo fixo como. 145, 410-411
taxa percentual anual (TPA). 348-349
G
L
Ganho de capital. 295-298
e pecuária, 285-286, 296-29 Lançamento como de pesa da Seção 179. _93-294
tributação, 246-247 Lei da Refonna e Controle da Imigração, 4 ~ 5
Ganho ou prejuízo Lei da Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA),
impo 10 de renda. 290-292 404-405
na demonstração de re ultado • 72- 74 Lei do salário mínimo, 403--404
Garantia. 343- 344, 35 1-354 Lei dos retornos decrescente . 118-119
G tão Lei dos retomo marginai decre 1..-ent , 11 11 9
capacidade, melhoria da. 394--396 Lei federal das Contribui OI! Securiuiri (flC ). Vidt
estilo. 39 1- 392 Contribuição previdenciária
estratégica. 17- 23 Linha de credito. 3-U- 346
450 Índice

Liquidez.... 53- 355 simple , 262- 263


análise. 63- 65. 196- 197 Média, 262- 263
definição. 51 - 52 Medidas de eficiência econômica. 103- 107
fatore que afetam. 353- 354 Metas, formulação, 18- 20
teste de problema . 108- 11O Métodos de avaliação, 56- 58
Longo prazo Métodos de depreciação, 76- 77
curva de custo médio. 155- 157 comparação, 77
definição. 144 linear, 76
Lubrificação de maquinário, 411-412 saldo decrescente, 76-77
Lucratividade, medidas de, 99- 103 Monitoramento dos fluxos de caixa, 227-228
Lucro rural retido, 89- 90

N
M
Negócio rural
Mão de obra ambiente, 26-28
agropecuária, características, 386-387 atividades, 35-38
avaliação, 402-404 transferência, 251-255
comunicação, 401 Nível de insumo, quanto usar, 119-120
contrato de trabalho, 396-397 Nível de produto maximizador do lucro, 122-123,
entrevista e seleção, 392-393 147-149
motivação, 401
planejamento do uso no estabelecimento rural, 386-
393
o
recrutamento, 395-397 Opções de commodities, 275-276
regulamentações governamentais, 403-406 Orçamento completo do estabelecimento agropecuário,
remuneração, 396-399 181-183
superação de barreiras culturais, 401-403 Orçamento de capital, 305
treinamento, 398-401 Orçamento de empreendimento, 166-168
Maquinário agrícola, elaboração, 168-173
alternativas de aquisição, 418-424 análise de ponto de equilíbrio, 178-179
armazenamento, 410--41 1 despesas, 168-173
arrendamento, 410--411, 420--421 e computadores, 172-173
combustível, 411-412 externo, 177
contratação customizada, 412-413, 420--424 interpretação e análise, 177-179
custos de propriedade, 167-168 pecuário, elaboração, 173- 176
custos operacionais, 410--411 receita, 168-170
estimativa de custos, 407-413 Orçamento de fluxo de caixa,
impostos, 410--411 aplicações, 226-228
locação, 419-421 características, 215-219
lubrificação, 411-412 e análise de investimento. 227- 231
manutenção e operação, 423-425 elaboração, 218-222
melhoria da eficiência, 423-427 estrutura, 217-219
novo contra usado, 425 exemplo, 222-227
propriedade,418-420 forma, 219-223
reparos, 411-412 Orçamento parcial, 203
reposição, 425-427 análise de sensibilidade, 21 1-212
seguro, 410--411 aplicações, 203-204
seleção, fatores de, 414-419 cálculo de mudanças, 210-211
tamanho, 414-418 exemplos, 206- 211
tempestividade, 417-419 formato, 205-207
Margem bruta, 167- 168, 170-171 , 185- 186 [Link]ções, 212- 213
Margem de pagamento de dívida de capital, 109- 110 procedimento, 203-205
Marginal, 117 Orçamentos, 163
Matriz de ganho, 267- 268 completos, 181- 183
Média de longo pruzo contra c urto pra:z.o. 19 197
ponderada, 262- 263 parciuis, 203
Índice 451

p Razllo de dívida sobre patrimônio. 65-66


Razão de endividamento, 64-65, 107-109, 354-357
Pnrccria agrícola, 375- 377 Rnzllo de estrutura de endividamento, 65-68
Parcena pecuária. 376-377 Razllo de giro dos ativos, 104-105
P ivos, 51- 53 Razão de liquidez com:nte, 63-64, 108-109
circulantes. 52- 55 Razllo de mrugem de lucro operacional (RMLO). 86-88,
intcnncdiários, 55-56 l01
nllo circulantes, 54-55 RIW1o de patrimônio sobre 11tivo, 64-65
Pntrimõnio líquido, 339- 342
Razão de preço de insumo, 123-124
demonstrnçllo, 49, 66-69
Rnzilo de preço de produto, 123-124
e balanço patrimonial, 54-56, 61-63
Razllo de renda rural líquida de operações. !05- 106
fontes, 54-56
Razllo de substituiçilo de insumos, 129-130
mudança. 88- 91
Receita e demonsU':IÇilo de resuluidos, 71-73
Período de retomo do inves1imen10, 306-308
Receita marginal (RMg), 120-121
Pennuta Isenta de imposto, 289-291
RccchM de caixa líquidas do investimento, 305-307
Plano completo do estabelecimento agropecuário,
Recuperação da dcpreciaça.o, 295-296
181- 183
nnálisc de sensibilidade, 194-196 Rccupcraçllo de capital. 172-173, 309-310, 412-413
definição, 181-183 Recursos, inventnriaçllo de. 182-185
e sistemas rurais, 198-199 Rccu~os humanos. 9-11 . Vide também Mlio de obra
exemplo, 186-196 Regime de caixa, 40-42
procedimento de planejamento, 182- 187 Regime de competencia, 41-43
Plano de contingência financeira, 353-355 Registros, finalidade e aplicaçilo, 33-36
Preço de equilíbrio, 178 Regra dos 66-68, 302
Preju(zo operacional líquido (POL), 289-290 Renda rural líquida, 82
Preservação de identidade, 8-9 análise, 82- 89
Princípio da igualdade marginal, 124-126 da demonstração de resullados. 83
Princípio rnnrginnl, exemplo de, 120-124 Renda rural líquida ajustado porcompetencia. 80-82
Produto ITsico marginal (PFMg). 117- 118 Rendim:nto de equilíbrio, 178
Produto llsico médio (PFMe), 117 Rentabilidade dos ativos (RDA), 84-86
Produ10 fT ico 101111 (PFT), 115-117 Reparo de maquinário, 411-412
Prognunaçllo Linear, 189- 194 Retomo sobre gestão, 88-89, 1O1
nná.lise de sen ibilídade, 194-196 Retomo obre m!lo de obro, 88-89
cnractcrlsticas adicionais, 191- 193 Retomo sobre patrimônio (RSP), 85-87
cu tos reduzidos, 192- 194 Risco
exemplo gráfico, 199- 202 capacidade e disposição pnra tolerar. 261
fundamentos, 189 de preço e de mercado, 259-260
preço- ombra. 192- 194 de produção e técnico, 257- 259
tnbleau, 189-192 e andli e de investimento, 314-315
valore duni , 192- 194 financeiro, 260
Propriedade individual (so/1! propril!tursliip) fontes, 257-260
dcsvnnL gen • 238-239 jurídico, 260
e imposto de renda. 237- 239 na tomada de decisllo, 267-270
organizoçllo e cara 1erfs1icas, 237- 238 pcs oal, 260
, ntngen , 23 2 9 Ricos biológico • 155-156
Qu tões ambientais, 11-1 , 38 1- 3 3, 40+--l05
Quotas de parceria, determina llo, 380-382 s
cguro
R
gesti\o de ri co, 27 1-272
[Link] de capital líquido, 65- 66 tipo , 271- 272
Razão de cobenura de df ido a pmzo e um!ndamento de Seguro de n: pon abilidade ci li, 277- 27
capilnl, 109-110 Seguro de ida, 277- 278
Razlio de despe a com depn:cia 1\o, 104--105 Segu_ro por a iden1e ou doença de trabalho, .IQJ-....1~
Razão de d· pe a de juro , 104- 106 SerVH;o de Coo ervaçllo de Re urso turui ( 'R )
Razllo de despesa operncionnl, 104-105 382- 383 '
452 Índice

Si cmn d mortizn õo Aceh:mda Mod11icndo Tn~n ue retomo simples, 307-308


1ACR ). 291- - 93 Ta:<0 interno de retomo. 309- 3 11
Sistemn de ontahilidnde Tnxn percentual anual (TPA), 348-349
b ice e ntm completo. 39-l l Tecnologia. 7-8, 122- 123
opç . 8-4 J Terra
partida impl 38-39 arrendamento, 364-366, 37 1-382
[Link].s do rndas, 38- 39 nvaliaçõo, 366- 369
rc ultado gerado. 4~9 carncterísticas, 361
Sistemn de Credito Rural (FCS). 348-349 compra. 365-372
Sistema d posicionamento global (GPS). 7-8, 122- 123 controle, 363-366
tstemas rurai . 198-199. 381-382 ccononlia dou o. 36 1- 364
Sociedade de respon bilidadc pcssonl (pnrmersl,ip) planejamento dou o, 362- 364
dcsvillltagen • 243-245 propricdadc,363- 365
c:mplo. 242- 243 valores. 359- 361
imposto de renda. 243-244 viabilidade financeira da compra. 368-370
operação. 244-245 Tomada de decisão
orpnizaçiio e características. 241 - 244 ambiente na agropecuária. 26-28
regras de decisão. 267-270 etapas. 22- 26
ociedade em coniandita simpl (limited ob ri co, 267- 270
pam,uship). 241 - 243 táúca. 22- 2
sociedade em nome coleúvo (general pan11ership), Tmbnlho agropecuário ozonai. 404-406
-·H - -43 Tran fcrêncin do negócio agropecuário. 251 - 255
vantagens. _4 ~ 244 estágio . 252- 255
Sociedades de responsabilidade Imutada (/imited liabiliry principais áreas a transferir. 252-253
companies).241-251
oh ncia. 354-358
análise. 64--66
V
definição. 51-52 Valor contábil, 57- 58
Subsntuiçào alor da produção rural, 103-104, 392-393
constante. razão de. 129- 13 1 Valor do dinheiro no tempo, 300
de insumo, razão. 129- 130 Valor do produto marginal (VPMg), 124-125
Valor esperado, 262- 263
Valor futuro (VFJ, 301
T
de um valor presente, 301-302
Tamanho de uma anuidade. 302-303
cun o prazo. 144, 151 - 153 Valor líquido, 54-55
desecononlias. 153-154 Valor pn:semc ( VP), 303-305
e retornos constantes. 152-153 de umn anuidade. 301-302
e retomo crcsccnt~s. 152- 153 de valor futuro, 304
e: n:1 omo decrcscen1es. 152- 153 Valor pn::sentc líquido. 307- 3 1O
economias. 151- 156 Valor res idual, 75. 409-411
longo pnuo. 152- 154 Valor ti:nninal. 306-307
medidas. 102- 104 Variabilidade, medidas de, 263- 267
Tnmanho do c:stabc:lecimc:n10 agropecuário, medidas, Vasculhamento externo, 20-2 1
102- 104 Vasculhamento in1emo. 19- 20
Taxa de ~ onto, 303 Vida útil, 75

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