ADMINISTRAÇÃO RURAL E PLANEJAMENTO
O QUE É ADMINISTRAÇÃO RURAL?
O conceito clássico de administrar compreende uma série de funções e
atribuições que buscam, como objetivo final, o lucro. Ou seja, administrar pelo
menor custo, com a maior produtividade para obter-se o melhor resultado. O
resultado obtido, muitas vezes, pode estar representado na forma de dinheiro, de
tempo, de esforço, de materiais, de energia, de ganhos marginais e tantos outros.
As funções do Administrador para o atendimento desses objetivos,
portanto, devem ser:
Planejar
Envolve a seleção de objetivos e a definição de programas e procedimentos
necessários para atingi-los. Planejar é tomar decisões sobre o que irá acontecer, é
buscar, gerar e escolher entre alternativas possíveis ao negócio que esta sendo
desenvolvido.
Organizar
Envolve a enumeração das atividades necessárias para alcançar os
objetivos. É gerenciar os fatores que envolvem os negócios para que o mesmo
realmente atinja seu propósito.
Designar Pessoal
Consiste em preencher, com pessoas certas, os cargos existentes na
atividade que será desenvolvida. Pessoas certas devem ser capazes ou
capacitadas para desenvolverem as funções para as quais são designadas.
Dirigir
Envolve a orientação e supervisão dos subordinados. O superior tem a
responsabilidade contínua de guiar e motivar seus subordinados para o melhor
desempenho. Lembre-se que a autoridade deve ser conquistada e nunca imposta.
Controlar
É medir desempenho, corrigir desvios negativos e assegurar a realização
dos planos. O bom administrador deve se instrumentalizar de forma adequada
para poder controlar com efetividade. Controle depende de organização. Somente
é possível de ser controlar aquilo que pode ser medido, que pode ser plenamente
mensurável.
Cada uma das funções acima citadas, é um exercício de coordenação que
deve ser executada, permanentemente, pelo administrador. Como você já deve
Ter pensado, todas elas estão inter-relacionadas e devem ser executadas de
forma integrada uma com as outras.
Nos dias de hoje, o conceito geral de Administração Rural está sendo
relacionado à necessidade de controlar e gerenciar um número cada vez maior de
atividades que podem ser desenvolvidas dentro de uma propriedade do setor
agropecuário.
Basicamente qualquer tipo de ação tomada pelo proprietário ou
administrador de uma propriedade no sentido de CONTROLAR alguma coisa
(seja o pedigree de seus animais, o balanceamento das rações utilizadas ou suas
despesas com mão-de-obra), vem sendo considerada como uma atividade ligada
a práticas de Administração Rural.
Administrar será lidar com o dinheiro, com a parte econômica das
propriedades rurais e cada uma das atividades produtivas envolvidas.
Praticamente todas as informações que podem ser obtidas no campo, no
dia-a-dia de uma propriedade, são úteis para o controle e gerenciamento da
mesma, como, por exemplo:
> Ocorrência com semoventes: (compra, venda, nascimento, mortes,
mudanças de peso,...etc.). Lembre-se que estas movimentações são também
conhecidas como Superveniências ( crescimento natural do rebanho) e
Insubsistência (decréscimo natural do rebanho);
> Horas Trabalhadas: por máquinas ou implementos, de preferência
registrando-se também os operadores e tipos de operações utilizadas;
> Controle de Estoques: dos produtos utilizados (entrada, saída e
baixa por utilização);
> Quantidades Colhidas: nas culturas;
> Quebras Ocorridas: nas quantidades colhidas;
> Variação dos Valores: mercado dos produtos comercializados (Kg
carne, sacos de arroz, saco de soja, saco de milho, caixas de legumes... etc.).
A IMPORTÂNCIA DA ADMINISTRAÇÃO RURAL
Em simpósios, artigos publicados, conversas e bate papo ouve-se
freqüentemente a seguinte frase: “Não podemos mais ser simplesmente
“Fazendeiros” precisamos nos tornar Empresários Rurais”.
Mas realmente o que significa esta frase? Como ela pode mexer com o dia-
a-dia e, principalmente, com nossa realidade a campo?
Em primeiro lugar, a palavra “fazendeiro” soa sempre de forma pejorativa,
querendo significar o proprietário de terras que não realiza uma exploração
intensiva dos recursos disponíveis em sua propriedade, levando o seu negócio de
uma maneira amadora.
De outra parte, os chamados de “empresários rurais” seriam aqueles
proprietários de terras que exploram de maneira intensiva os recursos disponíveis
em suas propriedades, e que investem em tecnologia e em controle de
informações, levando seu negócio de maneira empresarial e obtendo, assim,
maior rentabilidade. Mas não é só isto: o verdadeiro empresário rural deve visar
também que sua propriedade cumpra a função social da terra, cumpra a função
ecológica e de meio ambiente e que atinja os índices de produção determinados
por órgãos governamentais (tais como Grau de Utilização da Terra GUT e Grau de
Eficiência de Exploração GEE). Somente desta forma é que este proprietário
estará de bem com seu bolso e com aqueles que fiscalizam o que ele faz.
Neste ponto, é muito importante apresentar quais são os principais
argumentos utilizados por aqueles que ainda não se tornaram “empresários rurais”
para continuarem a trabalhar de uma maneira primitiva em suas atividades. Após
cada um destes argumentos, uma contestação lógica aos mesmos será
apresentada para você possa refletir e tomar suas decisões:
• Argumento: a estrutura da minha atividade não comporta as despesas
necessárias para que eu possa estabelecer um modelo empresarial”.
• Contestação: os custos envolvidos para isto são muito baixos chegando
a poucos reais por hectare ou unidade/animal gerenciada. A relação custo X
benefício nestes casos é amplamente favorável.
• Argumento: “falta cultura do pessoal a campo para poder coletar os
dados necessários par uma boa administração rural, e isto é impossível de ser
modificado.”
• Contestação: nenhuma empresa moderna admite trabalhar com
funcionários despreparados e sem condições de executarem as tarefas para as
quais são designados. Investimento em formação e qualificação de funcionários
são tão importante como os insumos das lavouras ou a alimentação de gado.
• Argumento: “o investimento quer deve ser feito não compensará com a
lucratividade das atividades.
• Contestação: como já foi dito, este tipo de investimento apresenta uma
relação custo x benefício amplamente favorável. A média de redução em custos
de produção por administração efetiva do negócio gira em torno de oito a doze por
cento dos valores de custeio enquanto os custos para isso giram em torno de um
a dois por cento dos valores de custeio.
• Argumento: “meu avô e meu pai trabalhavam assim, por que eu tenho
que mudar?”
• Contestação: vivemos em outra época, em outra realidade, inseridos em
um mundo completamente diferente do de algumas dezenas de anos atrás. Assim,
você gosta, e muito, das facilidades e confortos do mundo moderno, também
devemos assumir as responsabilidades e novos comportamentos impostos pelo
nosso dia-a-dia.
• Argumento: “de que adianta controlar os custos se o preço quem faz é o
governo”
• Contestação: justamente aí reside a maior importância da elaboração de
custos de produção para o setor agropecuário. Ao contrário de empresas urbanas
que podem em muitos caso, aumentar seus preços de venda através de
estratégias que agregam valor a seus produtos, o setor primário, em sua maioria
não tem como atingir esses objetivos (salvo raras exceções que consegue esticar
sua participação dentro da cadeia do agribusiness e, assim, aumentar a renda de
seus negócios). Então, já que não temos como aumentar preços, nos resta então
reduzir custos e, com isso, incrementar a receita de nossos negócios.
Mas as se você pensa assim e continua concordando com todos os
argumentos expostos, você esta completamente enganado, andando na contra
mão da revolução que está acontecendo em todo o mundo e em todos os
negócios que existem sobre ele, a “revolução da informação”. Nos dias de hoje
crescer em meio a competitividade que existe nos negócios (e que já chegou ao
meio rural através dos grandes blocos comerciais criados entre os países, como o
MERCADO COMUM EUROPEU, o NAFTA e o MERCOSUL), é preciso, antes de
tudo, conhecer a si mesmo, saber detalhes por detalhes sobre o seu próprio
negócio.
Cabe dizer que, a correta administração das atividades rurais é fundamental
para sua sobrevivência na realidade atual do mundo competitivo em que vivemos.
Qualquer ou média empresa urbana precisa investir na sua estrutura
administrativa e nos controles de seus custos para poder ser competitiva no
mercado; se não o fizer certamente terá de fechar as suas portas, mais cedo ou
mais tarde. E note o capital movimentado nestas empresas urbanas é muito
menor do que o capital imobilizado e o investimento necessário para gerar uma
lavoura de médio ou grande porte.
Lembre-se que o dinheiro vale e custa muito, e a sua boa administração
sempre traz surpreendentes resultados positivos para quem investe nesta área.
Não se produz apenas administrando os meios de produção. Os recursos
financeiros merecem atenção igual ou maior de nossa parte.
ADMINISTRAÇÃO RURAL - UM ENFOQUE MODERNO
Enfoque tradicional de Administração Rural
Os primeiros estudos desenvolvidos de Administração Rural foram
desenvolvidos, conforme acentua Nix (1979), na Inglaterra e Estados Unidos, e
procuravam, sobretudo, analisar a viabilidade econômica de técnicas agrícolas
desenvolvidas em pesquisas biológicas (economicidade de fertilizantes, por
exemplo).
Essa visão permitiu avanços científicos, mas, por outro lado, enfocava
parcialmente a administração rural, tratando, prioritariamente, da denominada
"área de produção" e da função denominada "controle". Os estudos e trabalhos de
extensão abrangiam, em sua maioria, a alocação de recursos e o registro de
dados financeiros, principalmente.
Esse enfoque perdura, e vários autores, atualmente, dão ênfase à
administração da produção, privilegiando ora a aplicação de recursos, ora as
diversas formas de controlar a aplicação deles. Uma nova abordagem, que
considerasse as demais áreas empresariais (finanças, comercialização e
marketing e recursos humanos), as outras funções administrativas (planejamento,
organização e direção) e as interrelações de produção agrícola e ambiente,
deveria ser elaborada, não negando o enfoque anterior, mas, sobretudo,
ampliando-o e completando-o.
MODERNO ENFOQUE DA ADMINISTRAÇÃO RURAL
Para apresentar uma nova abordagem à Administração Rural, necessário
se torna entendê-la conceitualmente. Para tanto, buscar-se-á apoio em Lima, que,
após analisar diversos enfoques e definições sobre a Administração Rural,
elaborou uma conceituação que permite uma visão ampla e integrada desta
ciência (ou arte?) . Segundo este mesmo autor, a Administração Rural é "um ramo
da ciência administrativa que estuda os processos racionais das decisões e ações
administrativas em organizações rurais".
Ao considerar a Administração Rural como ramo da ciência administrativa,
o autor possibilita o acesso às suas teorias, desde a abordagem clássica de Taylor
até a moderna teoria do desenvolvimento organizacional.
Este novo enfoque vai além do estudo de combinação de fatores e de
instrumentos de controle, pois permite com a consideração de "organizações
rurais", o estudo de cooperativas agrícolas, sindicatos rurais, empresas públicas e
privadas, que, como componentes do ambiente da unidade de produção agrícola,
possibilitam uma visão sistêmica do complexo agropecuário.
Algumas considerações, que não chegam a constituir em restrições para
este novo enfoque, devem ser levantadas. A principal delas, conforme ressalta
Lima (1982), é a necessidade de se formularem quadros teóricos peculiares, pois
a agricultura, como objeto de estudo, apresenta características próprias que
exigem a adequação dos princípios e teorias da ciência administrativa,
desenvolvidas principalmente para o setor urbano.
Algumas características peculiares da agricultura que merecem ser citadas
são as seguintes:
Terra como fator de produção:
Terra não se constitui apenas em suporte para as atividades produtivas,
mais do que isto, é o solo, o local onde se processam as diversas
produções agrícolas;
Tempo de produção maior que o tempo de trabalho:
Devido às características biológicas, o processo produtivo na
agropecuária, em algumas fases, desenvolve-se independentemente da
existência ou não do trabalho. Nos outros setores da economia, só o
trabalho modifica a produção; portanto, o tempo consumido em trabalho é o
tempo gasto para a obtenção do produto final;
Irreversibilidade do ciclo produtivo:
A produção agrícola é irreversível, dadas as suas características
biológicas. Por exemplo, não se pode interromper a produção de uma
"roça" de milho, para obter soja, feijão ou arroz;
Ciclo de produção dependente de condições biológicas:
O ciclo de produção da agricultura depende de condições biológicas do
produto, e, conseqüentemente, nada valem esforços ou providências que
normalmente são utilizadas em setores não-agrícolas para incrementar a
produção, como terceiro turno, pagamento de horas extras, etc. A não ser a
pesquisa agrícola, na busca de variedades mais produtivas ou mais
precoces, nada pode modificar as leis biológicas ("um ovo só produz um
pinto após 21 dias de incubação");
Dependência do clima:
A grande maioria de produtos agrícolas depende do clima, quer direta
ou indiretamente. Diretamente, o clima condiciona épocas de plantio,
determina a estacionalidade de produção. Indiretamente, mesmo no caso
de produção de leite, em estábulos da suinocultura e avicultura em nível
empresarial, pode existir certa estacionalidade, visto que os alimentos para
estes animais sofrem a dependência direta do clima.
No Brasil, e mesmo no exterior, ainda são poucos os estudos visando à
adequação das teorias da administração para o setor agrícola. Em Lavras, na
ESAL, professores e estudantes de mestrado em Administração Rural têm
elaborado diversas teses neste sentido, as quais atestam a possibilidade desta
adequação, bem como contribuem para a formação dos conhecimentos
específicos em Administração Rural.
O novo enfoque da Administração Rural pode, portanto, ser assim
resumido:
a) A Administração Rural é um ramo da ciência administrativa;
b) A existência de características peculiares da agricultura exige uma postura
crítica e adaptativa das teorias e princípios administrativos, quando de sua
utilização para a agricultura;
c) O ambiente, com suas organizações e instituições interagindo com as
unidades de produção agrícola, é também objeto do estudo da administração
rural.
ASPECTOS CONCEITUAIS DO ENFOQUE DA ADMINISTRAÇÃO RURAL
No enfoque da administração rural, considera-se a unidade de produção
como a estrutura central e mais importante de todo o processo da administração.
Todas as demais estruturas e organizações devem viver em função e para as
unidades de produção. Como unidade de produção, considera-se as organizações
rurais, as quais participam do mercado com a renda de seus produtos e compras
de insumos que, para efeito deste trabalho, serão denominados empresa rural.
A EMPRESA RURAL
Para administrar qualquer organização, o primeiro passo é conhecer esta
organização e o mundo em que ela vive, para que o administrador possa tomar
decisões fundamentais em fatos que representem a realidade. Quanto mais
conhecimentos da empresa e do ambiente em que ela vive tiver o administrador,
maior chance de tomar decisões acertadas ele terá.
A empresa rural possui certas características peculiares, conforme já
mencionado, que são de fundamental importância para o tomador de decisões.
Em função dos recursos disponíveis, a empresa rural pode ser dividida em 4
áreas empresarias, a saber:
a) - Recursos físicos ou empresariais: área de produção - é a área da empresa
que se relaciona com a transformação dos insumos, energia, terra, mão-de-
obra, etc..., em produto, ou seja, na transformação do adubo, semente,
combustíveis, em milho, arroz, feijão.
b) - Recursos financeiros: área de finanças - constitui o dinheiro, sob a forma
de capital, que é necessário para a obtenção ou aquisição dos demais
recursos. Relaciona-se com o fluxo de caixa, capacidade de pagamento,
capital de giro, empréstimos, financiamentos, aplicações, etc. Inclui, também,
as análises de investimentos, receitas, despesas, apuração de resultados,
balanços, dentre outros. É uma área extremamente importante, pois todo
funcionamento da empresa é traduzido em valores monetários.
c) - Recursos mercadológicos: área de marketing - é a área que se relaciona
com os meios através dos quais a empresa localiza e influencia os seus
clientes. Envolve todas as atividades de análise de mercado, venda e entrega
dos produtos, definição de preços, propagandas, promoções, dentre outros.
Esta é a área que define o posicionamento da empresa em seu contexto geral,
pois toda estabilidade, crescimento e desenvolvimento dependem do mercado.
d) - Recursos Humanos: área de recursos humanos ou de pessoal - relaciona-
se com todo pessoal que trabalha ou participa da empresa, incluindo o
proprietário, os técnicos e os funcionários. Diz respeito ao emprego,
recrutamento, cargos, funções, motivação, recompensas, autoridade,
disciplina.
Para efeito de administração, a empresa rural pode ser classificada em 3
níveis, denominados de atuação da empresa:
a) Nível estratégico:
Constitui o nível mais elevado e envolve as pessoas que definem os
objetivos empresariais e as estratégias necessárias para atingi-los. Relaciona-
se com decisões de longo prazo, é mais voltado para o exterior da empresa e
é ocupado pelos presidentes e diretores, no caso das grandes empresas. Nas
pequenas, todos os níveis devem ser conhecidos e ocupados pelo
proprietário. As decisões estratégicas, normalmente, procuram definir o que e
o quanto produzir, em um determinado período de tempo.
b) Nível Gerencial:
É composto de pessoas que se preocupam em adequar as decisões
tomadas em nível estratégico, com as operações que serão realizadas em
nível operacional. É ocupado pelos gerentes que são pessoas que tem como
função transformar as estratégias elaboradas em programas de ação.
Relaciona-se com a elaboração de planos e programas específicos,
elaboração de projetos, definição de cargos e funções, dentre outros.
c) Nível Operacional:
É constituído de pessoas que estão envolvidas com a execução das
tarefas e operações da empresa. É ocupado pelos supervisores e operadores
e envolve o trabalho básico relacionado diretamente com a produção dos bens
da empresa. A ordenha, a capina, a aração, o plantio e adubação são
exemplos típicos de uma tarefa em nível operacional.
CONTEXTO EM QUE AS EMPRESAS RURAIS OPERAM
As empresas rurais operam em um mundo composto de uma série de
variáveis que continuamente se modificam e influenciam, ora direta, ora
indiretamente, em todo o processo produtivo, consequentemente, nos resultados
da empresa rural.
A EMPRESA RURAL E O AMBIENTE
É claro que toda empresa, seja ou não do setor rural, se acha localizada
em um ambiente.
O ambiente exerce grande influência sobre a empresa. Por outro lado, a
empresa tem pouca influência sobre o ambiente. No caso o ambiente é
representado por tudo o que é externo á empresa: as outras empresas, as
organizações existentes e os grupos sociais, por exemplo. Então, pode-se dizer
que é do ambiente que a empresa obtém os recursos e as informações para o seu
funcionamento e é no ambiente que ela coloca os resultados de suas operações .
No caso da empresa rural, ela compra insumos dos fornecedores, precisa
de mão-de-obra (que é obtida na sociedade como um todo), necessita de dinheiro
(encontrado nos bancos); é influenciada pelas medidas políticas e legais do
governo; vende sua produção no mercado atacadista ou diretamente ao
consumidor e executa uma série de outras transações no ambiente externo.
É fácil de perceber que qualquer mudança que ocorra nesse ambiente, tais
como problemas climáticos, tabelamentos de preços, fixação de preços mínimos,
se reflete no seu processo de produção.
O ambiente apresenta continuamente uma série de restrições, problemas e
ameaças, mas também boas oportunidades.
Por isso, cabe ao administrador estar sempre atento ao ambiente, para
poder aproveitar as oportunidades e evitar o que possa afetar os objetivos
da empresa.
Para que se compreenda melhor o ambiente, pode-se classificá-lo em:-
Variáveis Internas e Variáveis Externas
I - VARIÁVEIS INTERNAS
São aquelas sobre as quais o administrador exerce alguma influência e
dentre elas destacam-se:
a) A estrutura administrativa:
Que se refere à organização e composição dos cargos pelas pessoas
que participam e trabalham na empresa . A estrutura define a hierarquia e dá
poderes e autoridade aos diversos cargos existentes. A produtividade de mão-
de-obra depende de como ela está estruturada.
b) A infra-estrutura física:
Refere-se a toda organização e disposição física da empresa, no que
diz respeito ao arranjo dos campos e benfeitorias, aguadas, meios de
comunicação, energia elétrica, meios de transporte, estradas internas, dentre
outros.
c) A tecnologia:
Refere-se ao nível de tecnologia que é empregado na empresa e
determina o rendimento das culturas e criações, a produtividade das
máquinas, da mão-de-obra e de todo o processo produtivo. A tecnologia
associada à infra-estrutura física e aos objetivos empresariais define o
tamanho e volume dos negócios, a combinação e seleção de atividades e a
intensidade de exploração em uma determinada propriedade.
d) Os objetivos da empresa:
Referem-se aos propósitos da empresa, ou seja, o que a empresa
pretende ser e fazer ao longo de sua existência. Os objetivos da empresa
normalmente se confundem com os objetivos dos proprietários ou dirigentes,
mas devem ser bem definidos e explícitos. De acordo com Bethlem (1981), de
uma forma bastante genérica, uma empresa deve buscar um ou a combinação
de alguns dos objetivos seguintes:
> lucro
> sobrevivência
> crescimento
> prestígio.
Os objetivos empresariais é que devem definir os rumos da empresa, ou
seja, os objetivos contribuem no estabelecimento de estratégias e linhas de ação
da empresa.
I I - VARIÁVEIS EXTERNAS
São aquelas sobre as quais o proprietário rural exerce pouca ou quase
nenhuma influência. Essas variáveis compõem o próprio ambiente onde
sobrevivem as empresas, e este é dividido em geral e operacional.
a) O ambiente geral:
É composto de variáveis que interferem em todos os setores e em todas as
empresas contidas no ambiente. Destacam-se as:
1) Variáveis Tecnológicas: com toda tecnologia disponível para os diversos
setores, inclusive para o setor rural, através dos sistemas de pesquisas
(EMBRAPA, EPAMIG), de extensão (EMBRATER) e de ensino (universidades
e escolas);
2) Variáveis Políticas:
Com toda estrutura política do País, para a definição das diversas políticas,
inclusive agrícola;
3) Variáveis Econômicas:
Que dizem respeito aos preços, à oferta e demanda de produtos, aos índices
de inflação, às dívidas externas, enfim, a toda conjuntura econômica do país;
4) Variáveis Ecológicas:
que dizem respeito a todo ecossistema que, para o setor rural, é fator
determinante de todo o processo produtivo; e não menos importantes, e
5) variáveis demográficas, sociais, legais, estruturais, etc.
b) O ambiente operacional:
É constituído de empresas que atuam no mesmo setor e composto de
quatro variáveis: os clientes, os concorrentes, os fornecedores e os grupos
regulamentadores. É com base neste ambiente que as empresas se definem e
estabelece o seu domínio, isto é estabelece a sua área de atuação no que diz
respeito ao seu tamanho, quais os seus fornecedores, seus clientes e, a partir
daí, procura desenvolver suas atividades. O sucesso da empresa rural pode estar
exatamente na capacidade de seu dirigente definir bem o domínio dela. Para tanto
o caminho certo é, procurar conhecer os pontos fortes e os pontos fracos da
empresa e, com base nesses pontos, definir as vantagens que ela apresenta em
relação ás outras. Assim o empresário tem mais é que se basear nessas
vantagens e explorá-las da melhor forma possível, procurando sempre aumentar a
lucratividade do seu negócio.
Pontos fortes de uma Empresa rural :- citam-se uma boa aguada, a
topografia plana com baixa possibilidade de erosão, terras de alta fertilidade e sem
pedras, clima adequado, proximidade dos centros fornecedores e consumidores,
boas estradas vicinais, energia elétrica em abundância, disponibilidade de mão-
de-obra, área não sujeita a geadas, boa capacidade administrativa do produtor,
existência de recursos financeiros, etc.
Pontos fracos de uma Empresa Rural :- é o Inverso, a disponibilidade de
pouca água, topografia acidentada, baixa fertilidade do solo, falta de estradas ou
de energia elétrica e a ocorrência de geadas.
FIGURA 1:- A EMPRESA E SEU AMBIENTE: GERAL E OPERACIONAL
AMBIENTE
GERAL Variáveis
Políticas
Variáveis
Tecnológicas AMBIENTE Variáveis
OPERACIONAL Legais
Clientes Variáveis
Variáveis Fornecedor Demográficas
Econômicas
EMPRESA
Variáveis
Variáveis Grupos Ecológicas
Sociais Concorrentes Regulamen-
tadores
MUITOS FATORES INFLUEM NA RENDA DA AGROPECUÁRIA
Qual foi a renda conseguida? Quando se faz essa pergunta, o que quer
saber é o resultado total, em Reais, da atividade agropecuária explorada. Mas na
sua obtenção interferem numerosos fatores, alguns deles incontroláveis.
A renda bruta ou o valor da produção se calcula, como todos sabem, pela
multiplicação da quantidade de produto colhido pelo preço de venda conseguido
no mercado. Assim, por exemplo: qual a renda de uma atividade cafeeira, cuja
produção em um ano tenha sido de 100 sacas beneficiadas e o preço por saco de
R$ 50,00 = R$ 5.000,00 de renda bruta.
Vários fatores influenciam a renda dos agricultores e pecuaristas, além dos
fatores básicos do processo de produção (terra, capital e trabalho). São as
variações climáticas, as tecnologia empregadas, a utilização de máquinas, o
aproveitamento de mão-de-obra, etc. São esses fatores que fazem com que
propriedades sob condições semelhantes de clima, solo e mercado e que têm as
mesmas atividades e produções, obtenham diferentes rendas. Justamente por
essa razão é importante que o produtor, com a intenção de administrar bem sua
propriedade, procure ter conhecimento adequado de tais fatores, descobrindo,
através de uma análise cuidadosa, como aumentar sua renda.
Essa série de fatores pode ser classificada em dois grandes grupos:
Fatores externos (ou incontroláveis). São aqueles sobre os quais o
produtor rural não exerce influência direta. Eis os principais:
. Preço.
. Políticas agrícolas.
. Mercado
. Sistema viário (estradas dentro e fora da propriedade).
. Crédito.
. Clima.
Fatores internos (ou controláveis)- São aqueles sobre os quais o
empresário exerce influência direta. Os principais:
. Tamanho ou volume dos negócios e intensidade de exploração.
. Rendimento das lavouras e criações.
. Eficiência de máquinas e equipamentos.
. Eficiência de mão-de-obra.
. Combinação e seleção de atividades.
. Arranjo dos campos e benfeitorias.
Cada um dos fatores desses dois grupos merecem alguns comentários.
Consideram-se primeiramente os fatores externos.
Fatores externos
O preço tanto de produtos como de insumos
É fator sobre o qual o produtor rural exerce pouca ou nenhuma influência,
mas é ele o principal responsável pelos rendimentos econômicos das atividades
agropecuárias. Sabe-se, contudo, que alguma influência sobre os preços pagos e
recebidos pode ser conseguida pela união dos empresários em grupos ou
associações.
É bom conhecer estudos sobre o comportamento dos preços dos produtos,
de suas tendências e variações esperadas. Esse conhecimento serve de guia ao
empresário, indicando a melhor época de comercializar seu produto, e também
auxiliando na decisão de o quê, quando e como produzir, orientando-o para a
situação mais conveniente e de maior renda.( Trabalho sobre preços agrícolas)
Mudanças nas políticas agrícolas e de crédito rural
É importante igualmente ficar a par das mudanças, com isso é possível
tomar melhor decisão sobre o quê e como produzir, tendo em vista a maior ou
menor disponibilidade de recursos para custeio, investimento e comercialização
bem como o aproveitamento da oportunidade do seguro rural (PROAGRO) e das
políticas de preço mínimo (AGF e EGF).
As características dos mercados e da comercialização
Podem afetar significativamente os resultados econômicos da empresa
rural. Há uma relação muito estreita entre mercado e sistema viário, uma vez que
o transporte exerce grande influência na comercialização de produtos agrícolas.
Sua oferta se dá em um curto período e por isso há necessidade de uma grande
capacidade de movimentação e de armazenamento, os quais, por sua vez, exigem
processos especiais e mais onerosos para sua execução. Quem compra insumos
e vende produtos em grandes quantidades necessita conhecer a estrutura de
mercado no qual opera para um melhor rendimento de seus negócios.
Cada região tem um determinado clima
É preciso que as atividades agropecuárias sejam instaladas em
conformidade com ele, principalmente no que diz respeito ás chuvas e á
temperatura, e com as exigências de cada exploração. Em outras palavras,
escolhem-se as culturas bem adaptadas a cada região, evitando, por exemplo,
instalar culturas perenes susceptíveis ao frio em locais sujeitos a geadas. Não
custa lembrar que a irrigação é uma possibilidade a ser considerada, levando em
conta a disponibilidade de água e de capital, a fim de que se possa reduzir os
riscos climáticos e aumentar as chances de maior renda.
Topografia
Outro fator fora de controle é a topografia existente na propriedade rural.
Mas é possível selecionar e escolher as áreas mais adequadas para cada
atividade e dessa maneira o empresário pode melhor conservar o solo e utilizá-lo
mais racionalmente. Assim, por exemplo, é mais apropriado instalar as culturas
anuais em áreas com menor declividade e formar as culturas perenes, pastagens
e reflorestamento, nas partes mais declivosas da propriedade.
Fatores internos
Como já se assinalou, fatores internos são aqueles sobre os quais o
produtor rural pode influir.
Tamanho ou volume dos Negócios Agropecuário
É a intensidade de exploração. A propósito, convém lembrar que as
propriedades rurais podem ser classificadas em termos de tamanho (área) e
volume de negócios (montante de dinheiro obtido em determinado período).
Entretanto, não existe uma relação direta entre tamanho e volume de
negócios. Nem sempre as maiores empresas em termos de áreas são as que
apresentam maior volume de negócios. Uma propriedade de pequena área, perto
de um grande centro consumidor, pode ter um volume ou tamanho de negócios
muito maior do que uma propriedade com grande extensão de terra. Como
exemplo pode-se citar a cultura do arroz, que exige grandes áreas, comparadas
com a suinocultura.
O aumento do volume dos negócios pode ser conseguido pelos seguintes
métodos:
- Extensivo :- Procura-se incrementar o volume dos negócios pelo
aumento da área explorada.
- Intensivo :- Procura-se aumentar o volume dos negócios mediante
a intensificação da produção, com o emprego da melhor tecnologia. Em outras
palavras, busca-se a obtenção de melhores rendimentos por intermédio de um
maior aproveitamento das técnicas e dos recursos de produção. Isso caracteriza
a intensidade de exploração.
De uma maneira geral, pode se considerar que o maior tamanho ou
volume de negócios de uma empresa rural permite:
Operações mais eficientes, pela melhor utilização de mão-de-obra, máquinas,
benfeitorias e a própria terra;
Custos mais baixo, na medida em que se aumentar o volume de produção,
ficam menores os custos de máquinas, benfeitorias, rebanho, etc;
Menor custo de aquisição de insumos, ao se fazer as compras em maiores
quantidades;
Maior renda, graças ao maior volume de produção e melhor nível tecnológico
empregado no processo produtivo.
Algumas medidas como área de atividade, número de animais, renda bruta,
renda líquida, capital da empresa, etc., são usadas para avaliar o volume de
negócios das empresas rurais, de acordo com a finalidade e a natureza da
propriedade.
Maior Rendimento das Culturas
É fácil perceber que a renda final da propriedade rural depende do volume
produzido e de seu preço de venda. Por sua vez, o volume produzido depende da
área cultivada e da sua produtividade ou rendimento.
O aumento da produtividade é conseguido quando, por meio do melhor emprego
da tecnologia e melhor administração, o empresário obtém maior volume de
produção em uma mesma unidade de área.
Um pequeno exemplo é suficiente para se estender bem esse ponto.
Admita-se que uma cultura de milho instalada em 10 ha, tenha produzido
420 sacas e que, na safra seguinte, tenha plantado 15 ha e conseguido 625
sacas. No último ano, ele voltou a plantar 10 ha, mas tendo utilizado sementes
melhoradas, a adubação correta, o espaçamento ideal, para surpresa sua, a
produção chegou a 600 sacas.
Observe-se que o aumento de produção de 420 sacas para 625 sacas se
deu pelo acréscimo de 5 ha na área plantada. Isso caracteriza um aumento de
produção .
A produtividade no primeiro ano foi de 420/10 = 42 sacas por ha e no
segundo de 625/15= 41,6 sacas por ha.
No último ano, porém, a produtividade foi de 600/10 = 60 sacas por ha, o
que relacionado com as 420 sacas do primeiro ano, obtidas em 10 ha, caracteriza
o aumento da produtividade, ou seja, um acréscimo de 18 sacas/ha no rendimento
da cultura do milho.
Desse exemplo percebem-se as vantagens decorrentes do aumento de
produtividade: com 50% menos de área cultivada, o produtor conseguiu,
praticamente, a mesma produção, além de reduzir os gastos com horas máquinas,
mão-de-obra, sementes, etc.
Os rendimentos das lavouras e criações podem ser medidos de acordo com
as explorações da propriedade e com os padrões adotados.
No caso de lavouras :- Kg/ha, sc/ha, ton/ha, cx/ha, cx/pé, etc.
No caso de pecuária :- Arroba/ha, litros de leite/ano, litros de leite/vaca, kg
de carne/kg de ração, dúzias de ovos/kg de ração, etc.
EFICIÊNCIA DA MÃO DE OBRA
A racionalização do trabalho na agricultura merece muita atenção de todo
administrador rural. A eficiência do trabalho será tanto maior quanto maior for a
produção obtida com unidades fixas de trabalho, e, em conseqüência, menor será
o custo da unidade produzida. Por eficiência do trabalho entende-se a relação
entre quantidade produzida e a unidade de tempo empregada sob a forma de
trabalho.
O estudo da distribuição anual da mão-de-obra na propriedade é
fundamental: como todos sabem há períodos em que sua necessidade é maior
que em outros e também ocasiões em que sua necessidade é maior do que a
quantidade disponível. Um bom planejamento da propriedade pode mostrar qual é
o caso, por período e por atividade.
Entre os meios que permitem uma melhora razoável no rendimento da mão-
de-obra destacam-se os seguintes:
Distribuição de tarefas de acordo com os conhecimentos e habilidades de cada
trabalhador.
Uso de máquinas e equipamentos apropriados.
Treinamento dos trabalhadores
Boa distribuição das benfeitorias e áreas produtivas.
Planificação do trabalho relativo a todas as explorações e atividades da
propriedade.
Estímulo aos trabalhadores: salários justos, compensação por melhores
resultados, melhoria do nível educativo e de saúde.
Acompanhamento e supervisão no momento da execução das tarefas.
Entre os métodos mais comuns para se medir a eficiência do trabalho rural,
citam-se os seguintes: hectares de cultura ou pastagem/equivalente-homem,
número de animais/equivalente-homem, sacas de milho/equivalente-homem, litros
de leite/equivalente -homem, arrobas ou sacas de café/equivalente-homem.
O equivalente-homem corresponde ao trabalho de um homem durante 300
dias, com uma jornada de oito horas.
MECANIZAÇÃO EFICIENTE
O alto investimento na aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas
geralmente é compensador, devido ao maior rendimento conseguido. Sua
utilização, no entanto, deve ser mais intensa possível de modo a contribuir para a
redução dos custos da produção. É bom insistir no fato de que o custo operacional
de um equipamento será tanto menor quanto mais intensivo for seu uso. Antes de
adquirir uma máquina é importante que o empresário rural tenha respostas
corretas a determinadas perguntas, estabelecendo os prós e os contras de cada
opção, a fim de evitar um investimento desnecessário ou um capital ocioso dentro
do processo produtivo.
A eficiência das máquinas pode ser avaliada através das seguintes
medidas:
- Área trabalhada pela máquina / unidade de tempo (hora, jornada, etc).
- Rendimento / horas (quantidade produzida por unidade de tempo).
exemplo: picadeira de forragem: kg de forragem / hora.
- Renda bruta ou líquida / R$ investido em máquinas e equipamentos.
COMBINAÇÃO DE ATIVIDADES
O quê, como e quanto produzir em cada atividade? Decidir sobre esses
pontos talvez sejam uma das tarefas mais difíceis para o administrador rural. Mas
se puder conhecer bem os diferentes aspectos envolvidos na questão será menos
espinhoso para se tomar as decisões.
Para saber qual a melhor utilização que se deve dar aos recursos, o melhor
caminho é começar por dar respostas a algumas questões básicas.
Quais produtos poderão ser produzidos economicamente?
Como distribuir e comercializar os recursos adequadamente?
Qual a melhor maneira de comercializar os produtos?
Vários pontos pesam na decisão e os principais são estes:
preços dos produtos;
preços e disponibilidades de recursos ( terra, insumos, mão-de-
obra, máquinas, entre outros);
tradição nas atividades;
mercados ( local, regional, nacional e externo).
O ideal é que a distribuição de terra, trabalho e capital entre as lavouras e
criações seja feita em função da rentabilidade de cada atividade, dando prioridade
àquelas mais lucrativas. Para tanto, a escrituração ou contabilidade rural e outras
medidas de controle, acompanhadas de análise de custo são meios que fornecem
informações para essa decisão, mostrando os pontos de estrangulamento e os
lucros por atividade.
As atividades conduzidas na propriedade rural mantêm entre si certas
relações, podendo ser classificadas como :- Competidoras, Complementares ou
Suplementares.
Explorações competidoras
São aquelas que requerem ao mesmo tempo o uso de determinados
recursos, de tal modo que o acréscimo em uma atividade resulta no decréscimo
de outra. Assim pode ocorrer a competição por terra, como entre a cultura do café
e a de citros, que não admitem ser instaladas na mesma área. A competição
também pode registrar-se por mão de obra. É o caso em que duas ou mais
atividades requerem mão de obra ao mesmo tempo, devendo-se assinalar que o
controle da distribuição anual dela ajuda a resolver o problema. Finalmente pode
acontecer a competição por capital. Duas ou mais atividades requerendo, ao
mesmo tempo, certo capital e sendo este escasso, o empresário opta por
aplicação em uma delas, prejudicando as demais. como exemplo, pode citar a
necessidade do uso de trator para o plantio de milho e de arroz.
Explorações complementares
São aquelas em que se estabelece um relacionamento direto entre as
atividades, de tal modo que o aumento de um gera aumento da outra. Como
exemplos menciona-se a instalação de culturas forrageiras para a pecuária
leiteira; a exploração avícola visando obtenção de esterco para a cafeicultura e a
condução da apicultura em pomares.
Explorações suplementares
São aquelas em que uma pode ser conduzida sem prejuízo para as outras.
Nelas são aplicados os recursos que estão “sobrando’ ou estão ociosos em uma
atividade. O aproveitamento da terra, trabalho e capital disponíveis no inverno
para o plantio de trigo ou de batata inglesa em áreas cultivadas no verão
caracteriza bem uma atividade suplementar.
De acordo com as atividades desenvolvidas, as empresas podem ser
classificadas como :-
Especializadas
Quando o produtor rural tem a sua renda baseada em uma só exploração,
trata-se de uma empresa especializada.
Diversificadas
Entende-se a produção de vários gêneros, de tal forma que o empresário
tenha renda proveniente de várias atividades.
Para medir o grau de especialização ou diversificação de uma propriedade
utilizam-se estes critérios:
número de explorações;
porcentagem das áreas destinadas a cada atividade na propriedade;
dias/homem necessários em cada atividade;
renda bruta ( se mais da metade - 60 a 70% - dela vem de uma única
atividade, a empresa é considerada especializada ).
Para que se tenha uma combinação ideal de atividades dentro da empresa
agrícola, alguns fatores devem ser analisados. Estes são os fatores a considerar:
- Lucros relativos de diferentes culturas e criações em função do clima,
solo, tecnologia e mercado existentes.
- Distribuição de mão-de-obra, de acordo com sua disponibilidade e
utilização.
- Classificação das glebas de terra, de acordo com a capacidade de
uso do solo e das exigências de cada atividade.
- Aproveitamento de distribuição dos recursos e sub-produtos entre as
atividades competidoras, complementares e suplementares.
- Rotação e consorciação de culturas ou atividades, visando menor
desgaste de solo e à manutenção da produtividade.
- Diminuição dos riscos ( preços baixos, problemas climáticos, pragas e
doenças) com a condução de mais de uma atividade, pois os
prejuízos em uma podem ser compensados por outra.
- Utilização das benfeitorias e máquinas existentes, em mais de uma
atividade, na mesma época ou em épocas diferentes, para redução
de custos e melhor aproveitamento.
- Consideração das preferências pessoais e de tradição do empresário.
TUDO NO LUGAR CERTO
Uma das formas de aumentar a eficiência da mão-de-obra e do
equipamento é melhorar a disposição dos campos e das benfeitorias.
A localização planejada dos carreadores e das estradas internas, dos
armazéns, casas do colonos, garagem das máquinas, currais, piquetes,
pastagens, capineiras, culturas anuais e perenes permite diminuir o tempo gasto e
os deslocamentos necessários nas diversas operações.