Você está na página 1de 5

Responsabilidade Social das Empresas/Lei do

Mecenato

A Responsabilidade social não é exclusivo das empresas, ela é,


outrossim, da responsabilidade de todos.

Cada um por si, no seu dia-a-dia poderá contribuir socialmente para o


bem comum desempenhando de modo consciente e empenhado a
sua missão profissional. Se efectuar uma gestão correcta e racional
dos meios que tem ao dispor para no desempenho da sua actividade,
estará a ser responsável do ponto de vista social, no âmbito
individual.

Enquadro como responsabilidade social de cada um a separação do


lixo doméstico, a utilização dos transportes púbicos em desfavor do
transporte particular, na utilização de forma racional da energia
eléctrica, nos consumos de água e de gás.

Todos estes procedimentos quase não implicam quaisquer sacrifícios


e em muito beneficiariam todos nós, ainda que de modo indirecto. A
responsabilidade social a este nível passaria por uma maior
sensibilização e consciencialização de cada um, com o objectivo do
bem comum.

Classificaria todos estes procedimentos, que se exigem diários, como


de grande responsabilidade social. Ao procedermos desta fora
estaremos indirectamente a contribuir para os menos favorecidos,
dado que as quantias não gastas poderiam ser canalizadas para o
apoio social.

Não excluindo as empresas daquele tipo de responsabilidade, é minha


opinião que deverão antes de mais, canalizar o seu esforço social
para os seus funcionários. São eles, em grande medida, os
responsáveis pela saúde financeira da sua entidade patronal. Sem o
empenho daqueles não poderá haverá distribuição de riqueza.

No plano da componente social, as empresas deveriam orientar a sua


política para a utilização de energias renováveis e ecológicas.
Deveriam também diversificar horários de trabalho, contribuindo

2
assim para uma menor concentração de pessoas em determinados
locais e à mesma hora.

Considero uma incongruência, qualquer empresa, canalizar quantias


monetárias ou bens de qualquer natureza para instituições diversas
ao mesmo tempo os seus próprios funcionários manifestam carências
de ordem vária. Preferencialmente, as empresas devem direccionar o
seu esforço na vertente social, para os seus funcionários e afins. Se
um trabalhador dispuser de uma boa assistência médica, se sentir o
seu trabalho devidamente compensado, sentir-se-á mais solto no seu
estado de espírito e apresentará uma maior apetência e
predisposição para o trabalho.

Se não ocupar a sua mente, com o bem-estar dos seus familiares,


com a incerteza no cumprimento dos seus compromissos financeiros,
provavelmente poderá dela dispor de forma mais liberta e assim
contribuir com uma melhor prestação para a empresa.

Se uma empresa disponibilizar aos seus funcionários de bom conjunto


de apoios sociais estará a afirmar a sua responsabilidade social.
Porém, seria bastante limitada a responsabilidade social das
empresas ficar-se apenas por aqui.

Além disso vejo os mecanismos de incentivo criados através da lei do


mecenato como uma faca de dois gumes, porque acabam por
beneficiar mais quem vai doar de aquele a quem se doa. Digamos
que é uma forma injusta de fazer justiça.

Penso que a lei do mecenato contribuiu assim também para acentuar


a concentração de grandes fortunas. Permitem àqueles que dispõem
de maiores recursos económicos multiplicá-los, utilizando a
fragilidade dos outros aproveitando-se de mecanismos previstos
naquela lei.

Num estudo recente, Portugal foi classificado em terceiro lugar, nos


Países da OCDE, com a distribuição da riqueza mais díspar. Para o
resultado deste estudo, em minha opinião, muito tem também
contribuído os sucessivos aumentos à percentagem, criando assim
um fosso cada vez maior entre os mais pobres e os mais ricos.
Também é do conhecimento geral que a riqueza está cada mais
concentrada um determinado número de famílias

Por exemplo, citando a lei, verificamos:


(Os donativos referidos nos números anteriores são considerados
custos em valor correspondente a 140% do respectivo total quando
se destinarem exclusivamente à prossecução de fins de carácter

3
social, a 120% se destinados exclusivamente a fins de carácter
cultural, ambiental, científico ou tecnológico, desportivo e
educacional ou a 130%quando atribuídos ao abrigo de contratos
plurianuais celebrados para fins específicos que fixem os objectivos a
prosseguir pelas entidades beneficiárias e os montantes a atribuir
pelos sujeitos passivos.
( In. estatuto do mecenato)

Outra vertente em que a responsabilidade social das empresas


deveria ser convertida era na forma como elaboram os seus produtos
e/ou serviços tendo em vista o bem comum. As empresas deveriam
ser mais responsabilidades na forma como confeccionam os produtos,
especialmente os alimentares, deforma a contribuir também para
uma população mais saudável.

Para isso dever-se-ia implementar também acções de sensibilização


no sentido de despertar as mentes para procedimentos mais
correctos ao mesmo tempo exercer uma fiscalização aturada nessas
empresas. Seria por isso necessária uma conjugação de factores para
melhorar este aspecto, nunca descurando que a formação e
informação das populações é a base para uma maior
consciencialização

Em minha opinião as empresas gastam demasiado dinheiro em


publicidade, muitas vezes enganosa, para promover os seus produtos
e descuram a sua qualidade. Responsabilidade social seria, talvez,
canalizar estas importâncias para melhorar os seus produtos.

Penso que a responsabilidade social deveria ser o valor primeiro a


orientar qualquer Governo, canalizando dinheiro para os mais
necessitados, de forma a permitir-lhes viver com dignidade e mais
interventivo na regulação do mercado, evitando a necessidade do
mecenato, no entanto, não sou propriamente adepto de acções de
caridade indefinidas no tempo.

O orçamento de estado para este ano já prevê, o abatimento à


colecta de quantias gastas com os passes sociais para os
funcionários, por parte das empresas. Se esta medida tiver algum
acolhimento dos intervenientes poderá ter um impacto positivo na
sociedade em geral.

Num estudo recente, Portugal foi classificado em terceiro lugar, nos


Países da OCDE, com a distribuição da riqueza mais díspar. Para o
resultado deste estudo, em minha opinião, muito têm contribuído os
4
sucessivos aumentos à percentagem, criando assim um fosso cada
vez maior entre os mais pobres e os mais ricos. Também é do
conhecimento geral que a riqueza está cada mais concentrada um
determinado número de famílias.

Contudo, não excluo na totalidade o meu assentimento a que


qualquer pessoa ou organização possa doar bens ou serviços àqueles
que mais precisem, porque no imediato estão-lhes a aliviar o
sofrimento, a suprimir-lhes uma carência, substituindo-se assim ao
Estado.

Coimbra, 27 de Outubro de 2008.

J. Rodrigues.