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Escola Secundária Jaime Cortesão

Coimbra

Formando: Joaquim Rodrigues

Dissertação sobre o Código de Trabalho/ Economia

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O Código de Trabalho é um conjunto de normas pelas quais se orienta a
relação empregado/empregador. É a elas que se recorre para dirimir
quaisquer conflitos entre aqueles. Por isso, todas as partes deveriam ser
chamadas a contribuir com a sua experiência e saber para a sua
elaboração. Trata-se de um documento com primordial importância para o
desenvolvimento do País, pelo que dever-se-á acautelar os direitos e
deveres de todas as partes.

Ao longo dos tempos sempre se verificaram disputas entre empregados,


empregadores e dirigentes políticos, com os primeiros a reivindicarem mais
direitos (menor carga horária, vencimentos mais altos, melhores regalias
sociais etc.); os segundos sempre desejaram/desejam remunerar o menos
possível, uma maior carga horária do funcionário e suportar cada vez menos
encargos sociais. Por vezes reclamam também a atribuição de mais
subsídios da parte do Governo.

A este exige-se ponderação, neutralidade e medidas que visem o interesse


comum.

O antagonismo patrão/empregado, mais ou menos acentuado, vai continuar


a verificar-se, visto que os interesses em disputa, a maioria das vezes,
colidem entre si. Um pretende mais lucro com menor dispêndio de custos,
ao contrário, o outro sempre vai exigir, regra geral, menos trabalho e maior
rendimento.

São conhecidas as acções de trabalhadores na luta dos seus direitos ao


longo dos tempos, algumas com resultados históricos.

Esta relação mais não é que um negócio, que consiste na oferta do trabalho
de cada um em troca de uma remuneração. Um factor decisivo em qualquer
negócio é, sempre foi, a regra da oferta e da procura. Quanto maior é a
oferta, menor é o custo; e por exclusão de partes, quanto menor for a oferta
maior é a procura (regra geral).

Hoje temos milhares de pessoas na situação de desemprego. O empregador


tem oferta bastante, não precisa de melhorar a sua capacidade de inovar
neste aspecto. Está estagnado. Pode dele desfrutar sem qualquer esforço. O
mercado liberta-o dessa preocupação. O mercado de mão-de-obra é
abundante. A este factor acresce também a utilização da máquina em
substituição do homem e a reduzida capacidade de inovar dos nossos
empregadores. Veja-se o caso do Luxemburgo que tem dos maiores PIBs da
U. E.. A maioria dos trabalhadores são Portugueses. Porque será?

Pelo contrário, o funcionário actualmente cede com alguma facilidade nos


seus direitos em troca da possibilidade de auferir um rendimento. Corrompe
facilmente a sua dignidade em favor da sua necessidade.

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Além disso, o mercado de trabalho hoje é muito mais vasto. Com a abertura
das fronteiras e a livre circulação de pessoas entre Estados, o empregador
dispõe de bastante mão-de-obra disponível.

No caso português (do meu ponte de vista) este factor veio beneficiar mais
os empregadores do que os empregados, porque, a mão-de-obra, regra
geral, que entra é mais qualificada e menos exigente. Não são raras as
notícias de emigrantes que consentem a sua exploração, umas vezes de
forma clara, outras, de forma mais discreta.

O empregador dispõe também de um mercado de trabalho mais alargado.


Não só dispõe de maior número como também poderá efectuar a
deslocalização das instalações no espaço da União Europeia.

Actualmente discute-se a alteração do Código de trabalho. Uns, os liberais,


defendem uma maior amplitude na faculdade de despedir, ou seja, poder
despedir mais facilmente sem ter que recompensar. Outros, os mais
conservadores, sustentam que, a ser assim, passará a haver uma maior
vulnerabilidade do empregado. Está latente a supremacia da economia em
desfavor da estabilidade do emprego. Sobrepõe-se o grande patronato ao
interesse da classe mais desfavorecida.

Não me é fácil distinguir qual dos interesses deverá prevalecer, no entanto,


qualquer que seja a opção orientadora, não se deverá descurar os
interesses dos trabalhadores, porque são também o motor da economia.
Aqui e em qualquer parte do mundo. São os trabalhadores que compram os
bens de primeira necessidade, são eles que também fazem férias, são eles
que adquirem o automóvel etc.

Ora, assim, o Código de Trabalho deverá, por um lado ter em conta a


situação económica, por outro terá que ter em conta a classe trabalhadora
que é motor da economia.

Se for por diante a teoria da maior liberalização do despedimento, dever-se-


ão tomar medidas no sentido de acautelar a estabilidade financeira do
trabalhador, assegurando-lhe os recursos estritamente necessários para
manter a sua dignidade e a daqueles que dele dependem.

Neste caso o trabalhador vai sentir-se menos estável no seu emprego e


talvez menos motivado para o trabalho. A sua instabilidade emocional
constante. Impede-o mesmo de tomar decisões a longo prazo, tendo em
conta que não consegue prever, com alguma precisão, o seu futuro.

O empregador vai sentir com uma maior amplitude para despedir quem e
quando bem entender, tendo sempre a faculdade de evocar os mais
variados formalismos.

Por outro lado, se vingar a teoria defendida pelos mais conservadores,


grosso modo, privilegiando a estabilidade do emprego, no que ao
trabalhador diz respeito terá um efeito completamente oposto, ou seja
maior estabilidade, maior previsibilidade, permitindo-lhe por isso a tomada

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de medidas com um menor risco. Considero também que terá um melhor
desempenho profissional. Pelo contrário, a outra parte argumentará sempre
que não produz porque os normativos na lei do Trabalho são rígidas e por
isso um entrave à competitividade.

Por isso, é tão importante o Código de Trabalho. É com o que nele


consta/vier a constar que se vai dirimir quaisquer situações de conflito
laboral, elo que a sua elaboração deverá ser ponderada e atender a ambas
as partes, levando em linha de conta que os mais desfavorecidos, segundo
nos indica o passado, têm sido os trabalhadores.

Creio que uma boa forma para dirimir este conflito empregador/empregado
seria a partilha de resultados. Ou seja, divisão equitativa de lucros/prejuízos
por todos. Daí poderia resultar uma maior concertação de esforços, a
responsabilização e compreensão das partes e consequentemente um
menor desperdício de tempo em acções de protesto.

Paralelamente, poderia ser criada uma figura neutral de fiscalização


efectiva, a qual teria por missão o acompanhamento/fiscalização das
empresas, atribuindo-lhe o poder de atribuir prémios aos empregados mais
produtivos e empregadores mais inovadores.

Qualquer que seja o via seguida pelo C.T. tem sempre que se levado em
linha de conta duas situações:
- A liberalização do despedimento, sem qualquer outra medida que acautele
a sobrevivência digna do trabalhador será o caos.

Teremos um mais que provável aumento da criminalidade, maior agitação


social, pessoas a mendigar e a vender a sua dignidade, além do efeito
carrossel para a economia, dado que o trabalhador também é consumidor e
se não trabalha não tem recursos, logo não consome, quebra a cadeia
produtor/consumidor, não compra.

O trabalhador não teria também suporte económico para sustentar os seus


filhos. A escolarização/educação destes não seria garantida. Nem lhes daria
uma alimentação adequada.
Não efectua descontos para a Segurança Social, tornando-a menos forte.

Acentuar-se-iam ainda mais os desequilíbrios sociais, contribuindo para


concentrar nas mãos de uns poucos, a riqueza que deveria contribuir para o
bem-estar de todos. Hoje assiste-se ao contínuo crescimento dos abastados
e a um crescente atirar para a miséria da maior parte dos trabalhadores.

Mesmo aqueles que se arvoram como defensores de quem trabalha muito


têm contribuído para o seu mal-estar, porque, nomeadamente, defendendo
aumentos salariais à percentagem, estão a cavar o fosso entre os ricos e os
pobres. Deste modo, quem ganha mais passa a ganhar muito mais em
relação ao que menos aufere.

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Em resultado disso crescem as fortunas nas mãos de cada vez menos
famílias e aumenta o número daqueles que nada têm, acentuando o
domínio daquelas sobre estes. Aquelas permitem-se até chantagear os
governos, impondo-lhes normativos que lhes possam ainda acentuar a sua
influência. Revoltante é ver tantos a aplaudir.

Se bem atentarmos, reparamos que dificilmente se publicitam artigos


destinados às classes altas. Sim porque essas, com poderio económico, não
precisam de publicidade para formarem a sua opinião. Dispõe do poder,
dinheiro, podendo assim procurar o que mais os satisfaz e negoceiam.
Chantageiam até.

A deriva do C.T. nesta direcção, penso, acentuará ainda mais as diferenças


entre rico/pobre, criando incertezas e mal-estar nestes.

-A manutenção dos postos de trabalho a todo o custo poderá ter um efeito


negativo na economia, tendo em conta que, assim, os custos de produção
poderão aumentar tendo em conta que terão que suportar mão-de-obra
eventualmente desnecessária.
O emprego a todo custo, sem mecanismos de incentivo, poderá criar
também um menor empenho no trabalhador e por conseguinte uma menor
produtividade, porque este sabe que não poderá ser penalizado/despedido.
Daí poderá advir também uma impunidade por parte do funcionário, criando
uma sensação de impunidade.
Conclusão:
As pessoas deverão tornar-se mais participativas/interventivas nas decisões
que as poderão afectar. Umas por falta de sensibilidade, talvez por
desânimo outras e a maioria por falta de formação/escolarização.
Do meu ponto de vista, o substrato desta questão está na
formação/escolarização das pessoas. A formação não é benéfica apenas
para se possuírem títulos, beneficia essencialmente a capacidade de ajuizar
e perceber o alcance das questões. Só com base neste pensamento, o
regime anterior conseguiu permanecer na direcção deste meu País.
Sonegou a formação/informação da maior parte das pessoas e para isso
retirou-lhe, sobretudo, a possibilidade de conseguir autonomia económica.

Coimbra, 09 de Outubro de 2008.

Joaquim Rodrigues

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