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Teoria Geral Do Processo

O documento aborda a evolução do direito processual civil, desde suas origens vinculadas ao direito material até a fase contemporânea, onde é regido pela constituição. Discute também as fontes do direito processual, princípios constitucionais, normas fundamentais e formas de resolução de conflitos, além de detalhar a tutela definitiva e provisória. Por fim, apresenta os sujeitos processuais, destacando o papel do juiz na condução do processo.

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Teoria Geral Do Processo

O documento aborda a evolução do direito processual civil, desde suas origens vinculadas ao direito material até a fase contemporânea, onde é regido pela constituição. Discute também as fontes do direito processual, princípios constitucionais, normas fundamentais e formas de resolução de conflitos, além de detalhar a tutela definitiva e provisória. Por fim, apresenta os sujeitos processuais, destacando o papel do juiz na condução do processo.

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Caderno de Teoria Geral do Processo. (2023.

2)

1.0 A evolução do direito processual civil no mundo.


1. Praxismo ou Sincretismo (séc XV até 1868)
Nesse período, o direito processual era apenas vinculado ao direito material, ou
seja, não possuía existência autônoma. Logo, o direito era visto apenas como
prática forense, e não de maneira a entendê-lo como ciência. Por esse motivo, essa
fase se caracteriza por existir uma relação meramente de autor-réu.
2. Processualismo Científico (1868)
Essa fase entende o direito processual como área do direito público e, nesse
momento, o direito já seria considerado uma ciência. Além disso, a relação jurídica
processual seria de juiz-autor-réu.
3. Instrumentalista
Nessa fase há um aprofundamento quanto ao direito processual. O direito começou
a ser visto como instrumento de pacificação social e, mais além, como ciência de
aplicação ao caso concreto. Logo, o processo seria o meio de efetivar uma norma
jurídica aplicada pelas partes.
4. Neoconstitucionalismo e Neoprocessualismo
Nessa fase a constituição é vista como a principal norma do processo. Logo, o
processo é regido pela constituição, por isso alguns autores chamam de normas
processuais constitucionais.
CPC - Art. 1º O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme
os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República
Federativa do Brasil.

2.0 Panorama geral da evolução do direito processual civil no Brasil.


1. Ordenações Filipinas
No contexto internacional estava a fase do praxismo. Nessa fase a legislação de
Portugal era aplicada no Brasil, ou seja, o ordenamento jurídico se baseava muito no
direito português.
2. Regulamento 737 (1850)
Ainda estamos no contexto internacional do praxismo, entretanto, houveram novas
determinações processuais, ainda que o direito ainda fosse visto apenas como
prática forense, e não uma ciência autônoma.
3. Códigos de processo estaduais.
Nessa fase era de competência dos estados legislar sobre matéria de processo.
4. Primeiro código de processo civil do Brasil. (1939)
Nessa fase a União começou a legislar sobre processo para todo o Brasil. Nesse
momento já entende-se o processo como ciência autônoma.
5. Segundo código de processo civil do Brasil. (1973) chamado código de
Buzaid.
Esse CPC se caracterizava por dividir uma ação em três diferentes processos:
PROC. DE CONHECIMENTO - PROC. CAUTELAR - PROC. DE EXECUÇÃO
No futuro ele viria a sofrer diversas alterações, principalmente ao que tange a fase
de execução.
6. Terceiro código de processo civil do Brasil. (2015)
Esse CPC foca em um processo sincrético, ou seja, há um processo único cabendo
em si as três fases de:
FASE DE CONHECIMENTO - FASE DE EXECUÇÃO - FASE SE SENTENÇA

3.0 Fontes do direito processual.


As fontes do direito processual com o conjunto de normas que vão originar o
processo civil.
1. Constituição Federal. Art 1 CPC
A Constituição traz os fundamentos do processo, além de versar sobre as
competências das diversas justiças. (trabalho, cível, criminal etc)
2. Leis Federais, tratando-se de leis ordinárias e leis complementares.
3. Tratados Internacionais, quando recepcionados pelo Brasil.
4. Medidas Provisórias. Art 24, X CF
Quando se tratando de medidas anteriores ao ano de 2001, devido ao parágrafo 1
do Art 62 CF.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I - relativa a:
b) direito penal, processual penal e processual civil;
5. Leis Estaduais.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
XI - procedimentos em matéria processual;
6. Precedentes.
Precedentes são decisões que vinculam ou não decisões judiciais, ou seja, servirá
de paradigma para outras decisões. Logo, é uma jurisprudência consolidada.
Ocorre do precedente não vincular decisões judiciais quando não há concordância
em juízo.
7. Negócio Processual Art 63 CPC
O negócio processual é um acordo feito entre as partes dentro de um processo.
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território,
elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
8. Resoluções Administrativas do CNJ
As resoluções administrativas possuem caráter coercitivo. Para exemplificar,
resolução de suspensão dos prazos devido à pandemia.
9. Regimento Interno dos Tribunais. Art 96, I + a
Os regimentos internos vão dispor sobre competência e criação de determinadas
varas.
10. Costumes.

4.0 Princípios constitucionais do processo.


- Princípio do devido processo legal. Art 5 ,inciso LIV CF
O devido processo legal informa como o processo vai se desenvolver, qual será o
juízo competente, se há contraditório, por exemplo. (due process of law)
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal;
A origem do devido processo legal está marcada em 1215 - Carta Magna Inglesa.
Esse princípio é considerado um supraprincipio, ou seja, dele decorrem outros
princípios formadores do processo. De acordo com o autor Alexandre Câmara o
devido processo legal é o princípio responsável por assegurar que o processo se
desenvolva conforme o modelo constitucional.
DPL SUBSTANCIAL - é aquele que observa a razoabilidade e a proporcionalidade.
DPL FORMAL - é aquele que observa os ditames legais, ou seja, a própria lei.

- Princípio da igualdade. CAPUT Art. 5, I CF


Esse princípio consiste em tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente
na medida correta. No que tange ao processo é possível identificar que pessoas
diferentes às vezes estão em situações de desigualdade, por exemplo, há a
diferença de pessoa física e pessoa jurídica, pessoas capazes e incapazes, pessoas
do direito público e direito privado. O princípio da igualdade não visa apenas o
aspecto formal de que todos são iguais, mas também o aspecto substancial de
equilibrar ou tentar equilibrar essas desigualdades.
Para exemplos práticos, a defensoria tem o dobro de tempo para contestar,
percebe-se que incapaz precisa de representação, aplicação de inversao do onus da
prova, gratuidade de justiça, entre outros. Essas coisas são a busca da paridade de
armas no processo.

- Princípio do juiz natural. Art 5,inciso 37 e 53


Esse princípio garante que o processo se instaure e se desenvolva perante um
órgão jurisdicional cuja competência tenha sido pré fixada. Logo, a competência
jurisdicional é pré-definida.
A emenda constitucional 45/2004 - é um exemplo de exceção, mas nesse caso
define que só tratariam de processo que viessem depois, entretanto, o entendimento
do STF é diferente. (agravo de instrumento 634.728 AGR/GO - súmula vinculante
22).

5.0 Normas fundamentais do processo civil. Art 1 - Art 12


O legislador inicia a parte geral do CPC com os conceitos iniciais, princípios e regras
fundamentais ao processo.
Art. 1º O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os
valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República
Federativa do Brasil.
O Art 1 ressalta a importância e observância da Constituição Federal. Alguns
doutrinadores criticam a utilização do termo valores no artigo, pois ele traz algo
subjetivo, eles defendem que deveria ser “normas” no lugar de valores.

- Princípio da inércia da jurisdição.


Esse princípio diz que cabe à parte impulsionar ou iniciar uma demanda,
exemplificando, se um juiz viu uma batida de um carro, A bateu no carro de B, A diz
que não vai pagar, o juiz vendo essa situação não pode iniciar com o processo.
As exceções, por exemplo, são os crimes contra a administração pública e outras.
Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial,
salvo as exceções previstas em lei.
Esse artigo diz que o processo inicia pelas partes mas se desenvolve de forma
oficial, isto posto, apenas o juízo dá andamento ao processo.

- Princípio da inafastabilidade da jurisdição


Esse artigo é uma repetição da constituição (Art 5 XXXV). Quer dizer que a
jurisdição é inafastável, ou seja, o cidadão tem o direito de acionar a jurisdição
quando quiser. Alguns doutrinadores dizem que a jurisdição é inevitável.
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
Os parágrafos 1, 2, 3 dizem respeito a conciliacao, mediacao e arbitragem. São
meios de resolução de conflitos sem precisar ajuizar uma ação.

- Princípio da celeridade.
Diz respeito sobre a observância de duração razoável, ou seja, o processo não pode
durar 1 dia a mais ou 1 dia a menos. Essa norma não quer dizer que o processo
deva ser rápido, mas sim durar o que é devido, duração razoável, observando as
garantias fundamentais do processo.
É dever das partes não retardar o processo, recorrendo em litigância de má fé.
Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do
mérito, incluída a atividade satisfativa.

- Princípio da boa fé objetiva


Nesse princípio é requerido que as partes façam o que a lei determina (art 77 a 80)
No processo civil falamos apenas de boa fé objetiva, ou seja,a observância da lei. A
boa fé subjetiva diz respeito sobre valores, fé, crença, sobre ser uma pessoa boa.
*Remissão Art. 322 paragrafo 2 CPC
Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de
acordo com a boa-fé.
6.0 Tutela definitiva e tutela provisória.
A tutela jurisdicional é o efeito prático que o processo produz na vida das partes,
protegendo aquele que é titular do direito material. Ou seja, a tutela é uma forma de
proteção do Estado quando um direito é violado.

6.1 Tutela definitiva.


A tutela definitiva é aquela em que se espera como resultado final do estado juiz, ou
seja, é o resultado final de um processo. É fundada na cognição exauriente acerca
do objeto da decisão, garantindo-se o devido processo legal, o contraditório e a
ampla defesa. Além disso, é predisposta a produzir resultados pela coisa julgada.
CPC - Art. 502 Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável
e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.

6.2 Tutela provisória.


A tutela provisória (Art 299 a 311 CPC) é aquela em que direitos podem ser
verificados após a tutela definitiva. Além disso, é fundada em cognição sumária
baseada em juízo de probabilidade, podendo assim ser modificada ou revogada, não
sendo capaz de formar coisa julgada. Além disso, a tutela provisória ou será
confirmada ou será revogada, com o indeferimento, ao fim do processo. Em caso de
deferimento de depois percebe-se no processo que não deveria ser a parte
beneficiada, ela deverá restituir os danos.

A tutela provisória pode ser de urgência, sendo cautelar ou antecipada, e de


evidência:
Na tutela de urgência há a probabilidade do direito (ou “fumaça do bom direito”, ou
seja, aquilo que se quer é muito provável que seja correto para o processo) e um
perigo na demora. Nesse caso o fator tempo é muito importante para o resultado do
processo.
- A tutela de urgência antecipada é a que possui perigo de dano, e ela é
satisfativa, logo, irá antecipar uma decisão.
- A tutela de urgência cautelar é a que possui risco de dano ao processo, logo,
irá assegurar o resultado final por meio de medidas processuais. Para
exemplificar, há uma discussão da posse de um imóvel. Indivíduo A acha que
B vai vender para se esquivar do processo. Indivíduo A pede a tutela cautelar
para que assegure o imóvel até o fim do processo, e que se descubra quem
verdadeiramente possui a posse do imóvel. Ou seja, a tutela cautelar não
antecipa resultado, mas assegura o devido processo.

As duas tutelas, antecipada e cautelar, podem ser antecedentes ou incidentais.


Antecedente, ou seja, antes da petição inicial. Incidental, ou seja, durante a petição
inicial ou no meio processo.

A tutela de evidência não possui o requisito de perigo da demora, o único critério é a


alta probabilidade do direito requerido.

7.0 Formas de resolução de conflitos.


Lide, na concepção mais clássica, corresponde a um conflito de interesses
qualificado por uma pretensão resistida. São formas de resolução da LIDE:

- Autotutela ou autodefesa
A autotutela é a forma primitiva de resolução de conflitos. Ocorre quando um
indivíduo impõe sua vontade por meio da força a outro indivíduo, e não há
participação do Estado. A autotutela não é permitida de regra, mas em casos
previstos em lei há permissão, por exemplo, a legítima defesa e o desforço
incontinente.

- Autocomposição
A autocomposição ocorre quando a resolução do conflito se dá por obra dos próprios
litigantes. Dessa forma, surge a justiça multiportas ou meios adequados de
resolução de conflitos. Pode ocorrer por:
Renúncia, quando há uma renúncia em relação a um direito por parte do autor.
Submissão, quando o réu reconhece que de fato o direito assiste a outra parte.
Transação, quando as duas partes vão ceder em proporção aos seus direitos.

A mediação e conciliação são formas de autocomposição. (Art 3 CPC, a mediação


possui legislação própria Lei 13.140/15). Elas podem ocorrer em qualquer fase do
processo e, além disso, podem ocorrer de forma judicial e extrajudicial.
Mediação Conciliação

Envolve um terceiro imparcial Envolve um terceiro imparcial

Mediador facilitador da comunicação Conciliador que sugere uma solução


entre as partes. para as partes.

- Heterocomposição
É o caso da arbitragem e da jurisdição/estado juiz. A arbitragem possui legislação
própria na Lei 9.307/96. Logo, há um terceiro imparcial que vai dizer qual é a lei
aplicada ao caso concreto.

Arbitragem Jurisdição

As partes escolhem o terceiro imparcial A competência jurisdicional é


qualificado para arbitragem. pré-definida. O Estado que diz qual
direito vai ser aplicado.

O árbitro dará uma sentença, a qual


não precisa da homologação de um
juiz, irrecorrível.

Geralmente ocorre entre empresas,


mas nada impede que sejam pessoas
físicas.

No direito há a cláusula arbitral em que as partes dizem no contrato que em caso de


conflito se submeterão à arbitragem. As pessoas fazem isso devido a arbitragem
correr mais rápido que um processo normal, e os custos são menores.

8.0 Sujeitos processuais.


O autor e o réu são sujeitos parciais do processo,
logo, possuem interesses particulares. O juiz é o
sujeito imparcial, logo, não possui interesse no
processo.
8.1 Juiz.
CPC 139 - 143 trata dos poderes, deveres e responsabilidades do juiz.

A condução do processo prevista no caput do art 139 não diz respeito à hierarquia,
visto que o juiz está equidistante das partes do processo.
Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código,
incumbindo-lhe:
O estado juiz é responsável por entregar a tutela jurisdicional para a parte autora,
ele faz isso conduzindo o devido processo legal.

I - assegurar às partes igualdade de tratamento;


Esse inciso diz respeito à garantia constitucional e princípio processual da isonomia.

II - velar pela duração razoável do processo;


Esse inciso diz respeito ao princípio da celeridade, isso evita dilações indevidas no
processo.

III - prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça e indeferir


postulações meramente protelatórias;
Os atos contrários estão no art 77 CPC e deve o juiz reprimir esses atos, as
postulações protelatórias tem o objetivo de atrasar o processo, e o juiz deve reprimir
também. Envolve o princípio da boa-fé e o princípio da cooperação.

IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou


sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial,
inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária;
Medidas atípicas praticadas pelo juiz, por exemplo, apreensão de passaporte, CNH,
proibição de acesso a alguns lugares.
Enunciado 12 do FPPC, Fórum Permanente de Processualistas Civis:
A aplicação das medidas atípicas sub-rogatórias e coercitivas é cabível em qualquer
obrigação no cumprimento de sentença ou execução de título executivo extrajudicial.
Essas medidas, contudo, serão aplicadas de forma subsidiária às medidas
tipificadas, com observação do contraditório, ainda que diferido, e por meio de
decisão à luz do art. 489, § 1º, I e II
V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio
de conciliadores e mediadores judiciais;
Esse inciso diz respeito ao princípio do contraditório, o juiz sempre deve buscar
meios de autocomposição.

VI - dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de


prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior
efetividade à tutela do direito;
A dilatação precisa ocorrer antes do término do prazo. Além disso, a remição precisa
ser motivada, o juiz pode fazer por ofício ou por pedido. Remição parágrafo único do
Art 139.

VII - exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força policial, além
da segurança interna dos fóruns e tribunais;
O juiz pode e deve solicitar força policial ou mandar se retirar, por exemplo, quando
uma das partes está causando tumulto. Remição art 360.

VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para


inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de
confesso;
Se o juiz ficar em dúvida sobre algo ele irá chamar uma das partes para prestar
esclarecimentos.

IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de


outros vícios processuais;
Diz respeito ao princípio da primazia da decisão do mérito, quando o juiz tenta sanar
vícios processuais. Isso ocorre para que no final não tenha “julgo sem resolução do
mérito”. Remição Art 321 CPC.

Observação: Esses incisos do artigo 139 são um rol exemplificativo, há outros


deveres e poderes do juiz no decorrer do código.
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do
ordenamento jurídico.

Esse artigo diz respeito ao princípio da vedação ao “non liquet”, tradução “sem
solução”. Logo, o juiz não pode se negar a conduzir um processo.

Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.

Para caso não haja previsão legal para o fato, por exemplo, a questão de utilizar
inteligência artificial e pessoas mortas. Deve-se seguir o Art 4 da LINDB, analogia,
costumes e princípios.

Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe
vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da
parte.

Esse artigo diz respeito ao princípio da congruência, logo, a ação do juiz está restrita
ao pedido das partes.

Decisão
É aquela na qual o juiz vai além do que foi pedido pela parte. Por
ultra
exemplo, a pessoa pede perdas e danos e o juiz pede lucro cessante,
petita
ou seja, ele foi além do pedido.

Decisão
É aquela em que o juiz julga fora do que foi pedido. Por exemplo, a
extra
pessoa pede que a outra parte conserte seu carro e o juiz manda a
petita
outra parte comprar um carro novo.

Decisão
É aquela em que o juiz julga a quem. Por exemplo, a parte pediu dano
citra
moral e lucro cessante e o juiz só analisou o pedido do lucro cessante.
petita
Todas as decisões que vão além do mérito proposto pelas partes são vedadas pelo
Art 141, o juiz deve julgar estritamente todos os pedidos.

8.2 Impedimento e suspeição.


As causas de impedimento decorrem do dever de imparcialidade do juiz, mas se
referem à sua relação com o processo. Cabe destacar que o impedimento se trata
de uma questão de ordem pública, e pode ser vista e alegada pela parte a qualquer
momento, e em qualquer etapa, do processo. As hipóteses estão no Art 144.
O instituto da Suspeição delimita as hipóteses em que o magistrado fica
impossibilitado de exercer sua função em determinado processo, devido a vínculo
subjetivo (relacionamento) com algumas das partes, fato que compromete seu dever
de imparcialidade. Nesse caso, a parte precisa falar na primeira oportunidade que
tiver, e a partir do momento que tomou ciência do fato. As hipóteses estão no Art
145.

Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento do fato, a parte


alegará o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao juiz do
processo, na qual indicará o fundamento da recusa, podendo instruí-la com
documentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas.
Se a parte não falar no caso de suspeição, há preclusão, ou seja, quando um ato
não mais pode ser praticado.

A alegação do impedimento se dá perante o juiz por meio de um incidente, e o juiz


pode ou não reconhecer o impedimento ou a suspeição, dependendo das provas
apresentadas, e o tribunal decidirá sobre a nulidade total ou parcial dos atos do juiz,
no caso de incidente procedente.

Art. 143. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando:
I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II - recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de
ofício ou a requerimento da parte.
O dolo ou fraude citado no inciso I diz respeito à recusa, omissão ou retardamento
de providência que é de seu dever.
Cabe ressaltar que a hipótese de suspeição e impedimento são aplicáveis também
aos membros do Ministério Público; auxiliares da justiça (ex: servidores, peritos ); e
demais sujeitos imparciais do processo, como os jurados.

8.3 Auxiliares de justiça: servidores.


Previstos dos Artigos 150 a 155, tais figuras se classificam como permanentes, pois
sem as quais seria improcedente qualquer movimentação judicial, de forma que sua
organização, atos e procedimentos ficariam lesados.

Art. 155. O escrivão, o chefe de secretaria e o oficial de justiça são responsáveis,


civil e regressivamente, quando:
I - sem justo motivo, se recusarem a cumprir no prazo os atos impostos pela lei ou
pelo juiz a que estão subordinados;
II - praticarem ato nulo com dolo ou culpa.

8.4 Auxiliares de justiça: perito.


O perito, previsto do Artigo 156 a 158, que será nomeado para assistir o juiz quando
as provas do fato depender de conhecimento técnico ou científico, obedecendo de
fato no que tange a nomeação, os profissionais cadastrados no tribunal, sua
experiência e técnica.
(Os peritos possuem seus próprios honorários, ele os apresenta no processo, o juiz
pede para as partes se manifestarem sobre o valor e ele só homologa)

Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá
pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias
no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais sanções
previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para
adoção das medidas que entender cabíveis.
Esse artigo trata da responsabilidade do perito, logo, caso seja constatado dolo ele
será impedido de atuar, além de responder no âmbito civil e penal.

8.5 Auxiliares de justiça: depositário e administrador.


Diante dos artigos 159 a 161 temos o depositário e o administrador, aos quais
incumbe a guarda e conservação de bens, penhoras, e sequestros, bem como
qualquer objeto ou fundo arrecadado, ficando suas remunerações a mercê do juiz,
que fixará visando o trabalho e a dificuldade das atividades.
O depositário é requisitado em casos de penhora, e tem sob seu domínio
determinada coisa. O administrador é requisitado em casos de falência ou
recuperação judicial, e o juiz determina-o para gerenciar bens e obrigações.

Art. 161. O depositário ou o administrador responde pelos prejuízos que, por dolo ou
culpa, causar à parte, perdendo a remuneração que lhe foi arbitrada, mas tem o
direito a haver o que legitimamente despendeu no exercício do encargo.

8.6 Auxiliares de justiça: intérprete e tradutor.


Eles serão nomeados pelo juiz para traduzir documentos e interpretar depoimentos
de partes que possuam deficiência auditiva. Importante dizer que o tradutor precisa
ser juramentado.

8.7 Auxiliares de justiça: conciliadores e mediadores.


Dos artigos 165 a 175 temos exposto em texto normativo os conciliadores e
mediadores bem como suas atribuições ao judiciário. A mediação possui legislação
própria na Lei 13.140/15.

Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos,


responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e
pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a
autocomposição.
Logo, a justiça buscará solucionar os litígios de forma pacífica, evitando muitas das
vezes delongas processuais ou até mesmo o próprio processo.

Art. 166. A conciliação e a mediação são informadas pelos princípios da


independência, da imparcialidade, da autonomia da vontade, da confidencialidade,
da oralidade, da informalidade e da decisão informada.
O processo civil possui um rito claro que deve ser observado pelo magistrado, mas
na conciliação e mediação não existe um rito clássico a ser seguido, por isso existe
o princípio da informalidade. Além disso, para o princípio da confidencialidade, os
conciliadores/mediadores devem manter sigilo sobre o que foi acordado durante as
audiências, por esse motivo não podem servir de testemunha caso haja um
processo posterior.

§ 5 Os conciliadores e mediadores judiciais cadastrados na forma do caput , se


advogados, estarão impedidos de exercer a advocacia nos juízos em que
desempenhem suas funções.
O art 167 § 5 demonstra que, caso um conciliador ou mediador seja advogado, a
sua atuação é restrita.

Art. 173. Será excluído do cadastro de conciliadores e mediadores aquele que:


I - agir com dolo ou culpa na condução da conciliação ou da mediação sob sua
responsabilidade ou violar qualquer dos deveres decorrentes do art. 166, §§ 1º e 2º ;
II - atuar em procedimento de mediação ou conciliação, apesar de impedido ou
suspeito.
Os casos previstos neste artigo serão apurados em processo administrativo.

Observação importante: a conciliação judicial não impede uma conciliação


extrajudicial posterior, ela pode ocorrer a qualquer tempo. (Art 175)
9.0 Breve resumo sobre ondas renovatórias de acesso à justiça.

1 Onda Foco em oferecer assistência jurídica aos pobres.

2 Onda Representação e defesa dos interesses metaindividuais, ou seja,


defesa dos direitos coletivos/difusos.

3 Onda Desburocratização do processo (custos, procedimentos processuais


e tempo de duração.

4 Onda Foco na dimensão ética e política do direito, e dos seus operadores.

5 Onda Foco na internacionalização da proteção dos direitos humanos.

6 Onda Foco em facultar a todos o acesso à tecnologia, para ampliar o


acesso à justiça.

7 Onda Busca superar a desigualdade de gênero e raça nos sistemas de


justiça.

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