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A otite média é uma inflamação do ouvido médio que afeta principalmente crianças menores de dois anos, com formas agudas e crônicas apresentando diferentes sintomas e etiologias. A condição é frequentemente causada por infecções virais e bacterianas, sendo a introdução da vacina pneumocócica uma estratégia eficaz na redução de sua prevalência. O tratamento envolve antibióticos, analgésicos e, em casos graves, procedimentos como paracentese, além de medidas preventivas como vacinação e inserção de tubos de ventilação.

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A otite média é uma inflamação do ouvido médio que afeta principalmente crianças menores de dois anos, com formas agudas e crônicas apresentando diferentes sintomas e etiologias. A condição é frequentemente causada por infecções virais e bacterianas, sendo a introdução da vacina pneumocócica uma estratégia eficaz na redução de sua prevalência. O tratamento envolve antibióticos, analgésicos e, em casos graves, procedimentos como paracentese, além de medidas preventivas como vacinação e inserção de tubos de ventilação.

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Brazilian Journal of Health Review 1

ISSN: 2595-6825

Otite média: uma revisão sobre a etiologia, diagnóstico e avanços no


tratamento

Otitis media: a review of etiology, diagnosis, and advances in treatment

Otitis media: una revisión de etiología, diagnóstico y avances en el


tratamiento

DOI:10.34119/bjhrv7n4-409

Submitted: Jul 26th, 2024


Approved: Aug 16th, 2024

Ana Cecília Alves Pinto


Graduada em Medicina pela Faculdade Ciencias Médicas de Minas Gerais
Instituição: Hospital Municipal de Medeiros Neto
Endereço: Medeiros Neto, Bahia, Brasil
E-mail: anasedlmayer@gmail.com

Fernanda Lima Froes


Graduada em Medicina pela Universidade Anhembi Morumbi
Instituição: UPA Matao
Endereço: Sumaré, São Paulo, Brasil
E-mail: fernandalimafroes@hotmail.com

Betânia Nogueira da Silva


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Endereço: Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil
E-mail: betania.nogueiraa@gmail.com

Isabella Duarte Bassetti


Graduanda em Medicina
Instituição: Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)
Endereço: Colatina, Espírito Santo, Brasil
E-mail: isabelladuartebb@gmail.com

Eduarda Almeida Lyrio


Graduada em Medicina pelo Centro Universitário UNIFTC
Instituição: UBS Drº Plínio de Almeida Lyrio
Endereço: Muniz Ferreira, Bahia, Brasil
E-mail: eduardalyrio1208@gmail.com

RESUMO
A otite média é uma inflamação do ouvido médio que afeta principalmente crianças menores
de dois anos, embora possa ocorrer em pessoas de todas as idades. A otite média aguda (OMA)
é caracterizada por dor intensa, febre e secreção purulenta, com um rápido desenvolvimento de
sintomas. Em contraste, a otite média com efusão é uma forma crônica, onde há acúmulo de
líquido no ouvido médio sem os sintomas agudos típicos. A anatomia da tuba auditiva, mais

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horizontal em crianças, facilita a entrada de patógenos e contribui para a alta incidência em


jovens. A OMA é causada por uma combinação de infecções virais e bacterianas, sendo
Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae os principais agentes bacterianos. Fatores
como alergias e refluxo gastroesofágico também podem contribuir para a condição. A
introdução da vacina pneumocócica reduziu significativamente a prevalência de OMA. O
tratamento inclui antibióticos para infecções bacterianas, analgésicos para alívio da dor e
descongestionantes para reduzir o edema. Procedimentos como paracentese podem ser
necessários para casos graves, e o manejo de condições subjacentes é essencial para prevenir
recorrências. A vacinação e a inserção de tubos de ventilação em casos persistentes são
estratégias eficazes na prevenção e tratamento da OMA.

Palavras-chave: otite média, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamento.

ABSTRACT
Otitis media is an inflammation of the middle ear that primarily affects children under the age
of two, although it can occur in individuals of all ages. Acute otitis media (AOM) is
characterized by intense pain, fever, and purulent discharge, with a rapid onset of symptoms.
In contrast, otitis media with effusion is a chronic form, where there is fluid accumulation in
the middle ear without the typical acute symptoms. The anatomy of the Eustachian tube, which
is more horizontal in children, facilitates the entry of pathogens and contributes to the high
incidence in young individuals. AOM is caused by a combination of viral and bacterial
infections, with Streptococcus pneumoniae and Haemophilus influenzae being the primary
bacterial agents. Factors such as allergies and gastroesophageal reflux can also contribute to the
condition. The introduction of the pneumococcal vaccine has significantly reduced the
prevalence of AOM. Treatment includes antibiotics for bacterial infections, analgesics for pain
relief, and decongestants to reduce edema. Procedures such as paracentesis may be necessary
for severe cases, and managing underlying conditions is essential to prevent recurrences.
Vaccination and the insertion of ventilation tubes in persistent cases are effective strategies in
the prevention and treatment of AOM.

Keywords: otitis media, diagnosis, epidemiology, etiology, treatment.

RESUMEN
La otitis media es una inflamación del oído medio que afecta principalmente a niños menores
de dos años, aunque puede presentarse en personas de todas las edades. La otitis media aguda
(OMA) se caracteriza por dolor intenso, fiebre y secreción purulenta, con rápido desarrollo de
síntomas. Por el contrario, la otitis media con derrame es una forma crónica, en la que hay
acumulación de líquido en el oído medio sin los síntomas agudos típicos. La anatomía de la
trompa auditiva, más horizontal en los niños, facilita la entrada de patógenos y contribuye a la
alta incidencia en los jóvenes. La OMA es causada por una combinación de infecciones virales
y bacterianas, siendo Streptococcus pneumoniae y Haemophilus influenzae los principales
agentes bacterianos. Factores como las alergias y el reflujo gastroesofágico también pueden
contribuir a la afección. La introducción de la vacuna neumocócica redujo significativamente
la prevalencia de OMA. El tratamiento incluye antibióticos para infecciones bacterianas,
analgésicos para aliviar el dolor y descongestionantes para reducir el edema. En casos graves,
pueden ser necesarios procedimientos como la paracentesis, y el tratamiento de las afecciones
subyacentes es esencial para prevenir las recurrencias. La vacunación y la inserción de tubos
de ventilación en casos persistentes son estrategias eficaces para prevenir y tratar la OMA.

Palabras clave: otitis media, diagnóstico, epidemiología, etiología, tratamiento.

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1 INTRODUÇÃO

A otite média é definida como uma inflamação do ouvido médio. Trata-se de um


evidente problema de saúde pública, visto que essa é a doença infecciosa mais comumente
encontrada em crianças menores de dois anos (Jamal et al., 2022). Contudo, apesar de estar
frequentemente presente em crianças, pode afetar indivíduos de todas as idades. A otite média
aguda (OMA) é caracterizada pela presença de fluido na região do ouvido médio, com rápida
evolução, e está associada a sinais e sintomas de inflamação aguda, como otalgia, irritabilidade
e febre, principalmente. A otite média recorrente é definida pela presença de episódios repetidos
de OMA, sendo caracterizada por três eventos nos últimos seis meses ou quatro ou mais
episódios nos últimos doze meses. Ademais, a otite média pode se apresentar como otite média
com efusão, um subtipo de otite média considerada crônica. Tal apresentação é caracterizada
pela presença de líquido na cavidade do ouvido médio, sem os sinais e sintomas da OMA (Jamal
et al., 2022).
O ouvido médio equivale a uma cavidade dentro do osso temporal, posterior à
membrana timpânica, revestida por mucosa respiratória. A conexão entre o ouvido médio e a
nasofaringe é realizada através da tuba auditiva, responsável por controlar a drenagem de
fluidos e a pressão no ouvido médio. A anatomia da tuba auditiva apresenta pequenas diferenças
nos bebês e crianças quando comparada à do adulto; a estrutura, que é mais curta e
horizontalizada, propicia a oclusão e ascensão de secreções da cavidade nasal à região do
ouvido médio. Esse fenômeno justifica o motivo pelo qual crianças entre seis meses e dois anos
são mais suscetíveis à infecção. Ademais, anormalidades craniofaciais, prematuridade, baixo
peso ao nascer e exposição ao tabaco são fatores de risco associados à ocorrência da otite média
(Gavrilovici et al., 2021).
Diversas etiologias têm sido associadas à otite média. Entre os microrganismos mais
importantes na gênese dessa infecção, destacam-se os vírus respiratórios, que podem causar a
otite de forma direta ou predispor à proliferação bacteriana (El et al., 2023). Embora a
incidência de otite média aguda tenha diminuído consideravelmente após a introdução das
vacinas pneumocócicas conjugadas, acredita-se que os patógenos bacterianos ainda sejam os
principais agentes causadores da OMA (Jamal et al., 2022). O objetivo de iniciar o tratamento
para a otite média, além de oferecer analgesia, é reduzir o risco de possíveis complicações
associadas ao quadro. Tais consequências podem ser classificadas como extracranianas e
intracranianas, e podem evoluir desde a perfuração da membrana timpânica até mastoidite e

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deficiência auditiva. Apesar disso, após o advento dos antibióticos e da vacina pneumocócica,
a taxa dessas complicações reduziu de forma significativa (El et al., 2023).

2 OBJETIVO

O objetivo deste artigo é reunir informações, mediante análise de estudos recentes,


acerca dos aspectos inerentes à otite média, sobretudo a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia,
diagnóstico e tratamento.

3 METODOLOGIA

Realizou-se pesquisa de artigos científicos indexados nas bases de dados Latindex e


MEDLINE/PubMed entre os anos de 2019 e 2024. Os descritores utilizados, segundo o “MeSH
Terms”, foram: otitis media, etiology, diagnosis e management. Foram encontrados 2166
artigos, segundo os critérios de inclusão: artigos publicados nos últimos 5 anos, textos
completos, gratuitos e tipo de estudo. Papers pagos e com data de publicação em período
superior aos últimos 5 anos foram excluídos da análise, selecionando-se 11 artigos pertinentes
à discussão.

4 ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

A otite média aguda apresenta etiologias variadas e complexas. As infecções bacterianas


e virais frequentemente surgem como complicações de infecções do trato respiratório superior,
promovendo a invasão da orelha média e culminando em um quadro inflamatório com acúmulo
de exsudato purulento. Entre os agentes virais mais comumente implicados na OMA, destacam-
se o vírus sincicial respiratório, rinovírus, adenovírus, parainfluenza e coronavírus. Já entre os
agentes bacterianos, os principais são Streptococcus pneumoniae, Moraxella catarrhalis e
Haemophilus influenzae. O edema mucoso subsequente a essas infecções pode comprometer a
função da tuba auditiva, levando à disfunção tubária, otorreia e otalgia. Além das causas
infecciosas, outras etiologias da OMA incluem fatores não infecciosos, como alergias, doença
do refluxo gastroesofágico, traumas e exposição ao tabaco, que podem resultar no acúmulo de
líquido na orelha média mesmo na ausência de patógenos, predispondo ao surgimento da OMA
(Brattström et al., 2023; El et al., 2023).

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A anatomia da orelha média também desempenha um papel crucial na suscetibilidade à


OMA. A orelha média é composta pela membrana timpânica, cavidade timpânica, ossículos e
tuba auditiva (ou tuba de Eustáquio), que conecta a orelha média à nasofaringe. Em crianças, a
tuba de Eustáquio é mais curta, estreita e posicionada horizontalmente, o que facilita a entrada
de patógenos da nasofaringe para a orelha média, podendo comprometer a drenagem de fluidos
e criando, assim, um ambiente suscetível para infecções. Além disso, as células mastoides e o
antro mastoide, espaços ocos ao redor da cavidade timpânica, desempenham funções
importantes na ventilação e na proteção da orelha média e da tuba auditiva. Em crianças,
condições especiais como fenda palatina, anomalias craniofaciais, síndrome de Down e
hipertrofia das adenóides estão em maior risco de desenvolver OMA (Hidaka et al., 2023).
A OMA apresenta alta prevalência, especialmente em crianças, com implicações
significativas para a saúde pública. Nos Estados Unidos, cerca de 60% das crianças
experimentam pelo menos um episódio de OMA antes dos três anos de idade, e até 80% terão
pelo menos uma infecção ao longo de suas vidas. Globalmente, a taxa de incidência de OMA é
estimada em aproximadamente 10,85% (El et al., 2023). Em contraste, a prevalência de OMA
em adultos é consideravelmente menor, refletindo diferenças anatômicas, fisiológicas e
imunológicas entre crianças e adultos, bem como variações na predisposição a fatores de risco
e na resposta imunológica.
Estudos também demonstraram uma diminuição na prevalência da OMA após a
implementação da vacina pneumocócica. Izurieta et al. analisaram dados de crianças menores
de dois anos que receberam a vacina conjugada contra pneumococo (PCV13) e relataram uma
redução substancial de 47–51% nos casos de OMA em comparação aos períodos anteriores à
introdução da PCV13. Essa redução evidencia a eficácia das vacinas conjugadas na prevenção
de infecções otológicas, refletindo uma melhoria geral na saúde infantil e uma diminuição
significativa na carga de OMA (LH et al., 2020; Hidaka et al., 2023).

5 FISIOPATOLOGIA

A conexão entre o ouvido médio, que é cheio de ar e revestido com mucosa respiratória,
e a nasofaringe é realizada através da tuba auditiva, que controla a drenagem de fluidos e a
pressão no ouvido médio. A anatomia da tuba auditiva é ligeiramente diferente em bebês e
crianças do que em adultos; o tubo mais curto e inclinado encontrado em bebês e crianças se
transforma em sua versão adulta quando a criança atinge a idade de sete anos. O tubo geralmente
é fechado em repouso, e o movimento esporádico da mandíbula devido ao bocejo e à deglutição

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o abre. Qualquer disfunção anatômica ou fisiológica na tuba auditiva pode causar otite média
aguda. A cavidade do ouvido médio é normalmente um local estéril. A presença de patógenos
virais ou bacterianos, juntamente com reações alérgicas, é geralmente o fator inicial para a
inflamação da tuba auditiva, que eventualmente se desenvolverá em uma sequela da OMA.
Outros fatores, como o uso de chupeta, que agrava a disfunção da tuba auditiva devido à pressão
de sucção, também estão associados à OMA recorrente, assim como a falta de amamentação e
o tabagismo passivo (Jamal et al., 2022).
A OMA e a otite média com efusão (OME) podem causar alterações estruturais na
membrana timpânica, com alterações histológicas observadas nas camadas fibrosas da lâmina
própria. Essas alterações afetam a elasticidade da membrana timpânica, criando condições que
podem resultar em retração ou perfuração da membrana timpânica (Khairkar et al., 2023). A
otite média crônica (OMC) que se desenvolve na idade adulta também pode ser resultado de
OMA. O mecanismo subjacente à conversão de OMA em OMC ainda não está claro, mas os
fatores de risco para o desenvolvimento de OMA e OME também podem ser fatores de risco
para a cronicidade. A inflamação aguda do ouvido médio causa transformação patológica e
hiperplasia da mucosa do ouvido médio. Essa hiperplasia, bem como o influxo de várias células
inflamatórias na membrana mucosa, é principalmente reversível. Após o desaparecimento da
estimulação associada à otite média, a membrana mucosa recupera sua forma normal por meio
da desdiferenciação. Entretanto, a ocorrência repetida e a cronicidade de condições patológicas,
como hiperplasia da mucosa do ouvido médio, efusão do ouvido médio devido a reações de
hiperproliferação, atelectasia, timpanoesclerose e colesteatoma do ouvido médio, podem causar
alterações estruturais irreversíveis na cavidade do ouvido médio. Embora a OMA seja
geralmente curada sem sequelas, alguns pacientes podem apresentar inflamação recorrente,
resultando em otite média recorrente ou OME persistente, levando ao desenvolvimento de
OMC (Jung et al., 2021).

6 DIAGNÓSTICO

Os sinais mais comuns da otite média aguda incluem febre, dor intensa no ouvido
(otalgia), déficit auditivo, secreção purulenta (otorreia) e, ocasionalmente, distúrbios de
equilíbrio. Em crianças pequenas, a dor no ouvido pode se manifestar como um desconforto na
orelha, frequentemente evidenciado por comportamentos como puxar a orelha, o que serve
como um importante sinal de alerta para pais e cuidadores. Para o diagnóstico preciso da OMA,
é fundamental adotar uma abordagem que envolva critérios clínicos bem estabelecidos. As

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diretrizes atuais recomendam a utilização de vários parâmetros para confirmar a presença da


infecção. Entre esses critérios estão a evidência de efusão no ouvido médio, o abaulamento da
membrana timpânica (MT), a presença de otorreia e sintomas agudos. Especificamente, o
abaulamento leve da MT, associado ao início de dor de ouvido com duração superior a 48 horas
ou eritema intenso da MT, é considerado um sinal importante para o diagnóstico de OMA (El
et al., 2023).
Confirmar o diagnóstico de OMA requer a obtenção de evidências claras de efusão no
ouvido médio, que pode ser feita por meio de dois métodos principais: a otoscopia pneumática
e a timpanometria. A otoscopia pneumática é uma técnica crucial para a avaliação da MT,
permitindo observar a presença de efusão com uma sensibilidade de até 94% e uma
especificidade de 90%. Este exame envolve a aplicação de pressão no ouvido para observar a
movimentação da MT, ajudando a identificar a presença de líquido na cavidade do ouvido
médio. A otoscopia pneumática é essencial para diferenciar a OMA de outras condições, como
a otite média com efusão (OME), em que a movimentação da MT pode ser limitada. A
timpanometria, por outro lado, é um método complementar à otoscopia pneumática. Ela mede
a resposta da MT a mudanças de pressão e possui uma sensibilidade que varia entre 70% e 94%,
com uma especificidade de 90% para detectar efusão. Este exame é útil para confirmar a
presença de líquido e avaliar a função da MT, fornecendo informações adicionais que apoiam
o diagnóstico de OMA (Gaddey; Matthew Thomas Wright; Nelson, 2019).
Embora a timpanocentese, ou punção da MT para análise do fluido, seja considerada o
padrão diagnóstico para identificar os patógenos bacterianos no ouvido médio, seu uso é
frequentemente restrito a ambientes especializados. Esse procedimento é complexo e requer
equipamento especializado, tornando-o impraticável em ambientes de cuidados primários.
Além disso, a identificação dos patógenos bacterianos comuns é geralmente previsível, o que
reduz a necessidade de timpanocentese na maioria dos casos iniciais. No entanto, a
timpanocentese pode ser considerada em situações graves e persistentes, onde a identificação
do patógeno específico e sua suscetibilidade aos antibióticos pode fornecer informações
valiosas para ajustar o tratamento e melhorar os resultados clínicos (Gaddey; Matthew Thomas
Wright; Nelson, 2019).
É importante observar que a audiometria, que avalia a capacidade auditiva e pode revelar
uma diminuição na audição, não contribui diretamente para o diagnóstico de OMA nem ajuda
a distinguir a OMA da otite média com efusão (OME). Embora a audiometria possa indicar
uma perda auditiva associada à presença de líquido no ouvido médio, ela não fornece
informações específicas sobre a presença de infecção aguda nem ajuda a diferenciar entre OMA

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e OME. A audiometria é útil para avaliar o impacto da infecção na audição, mas não substitui
os exames diretos, como a otoscopia pneumática e a timpanometria, que são essenciais para o
diagnóstico preciso da OMA (Jamal et al., 2022).

7 TRATAMENTO

O tratamento farmacológico da otite média aguda é essencial para combater a infecção


e aliviar os sintomas. Em casos de infecções bacterianas, o uso de antibióticos é crucial para
erradicar o agente patogênico responsável. A seleção do antibiótico deve ser baseada no agente
causador identificado, sendo comum o uso de amoxicilina, ceftriaxona ou, em situações de
resistência, antibióticos de espectro mais amplo. Além disso, a analgesia é fundamental para o
manejo da dor intensa associada à OMA. Analgésicos como o paracetamol e anti-inflamatórios
não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno, são frequentemente utilizados para reduzir a dor e
a febre (Marom et al., 2022). Os descongestionantes, por sua vez, ajudam a diminuir o edema
da mucosa e a facilitar a drenagem de fluidos, aliviando a pressão no ouvido médio e
promovendo a recuperação (Gavrilovici et al., 2021).
O tratamento não farmacológico da OMA inclui procedimentos de drenagem e o
gerenciamento de condições subjacentes. Em casos graves, onde há acúmulo significativo de
fluido e dor intensa, a paracentese (punção da membrana timpânica) pode ser realizada para
aliviar imediatamente a pressão e drenar o exsudato (Hoberman et al., 2021). Este procedimento
proporciona alívio rápido dos sintomas e pode prevenir complicações (IINO, 2023). Além
disso, é crucial tratar condições subjacentes que possam predispor à OMA, como alergias e
disfunção da trompa de Eustáquio. O manejo dessas condições pode envolver a prescrição de
medicamentos antialérgicos ou descongestionantes e a realização de técnicas para melhorar a
função da trompa de Eustáquio (Khairkar et al., 2023).
Tratamentos preventivos e de reabilitação desempenham um papel vital na redução da
frequência e gravidade das infecções de ouvido. A vacinação contra patógenos comuns, como
a vacina contra a gripe e o pneumococo, pode significativamente diminuir o risco de OMA,
especialmente em crianças pequenas. Em casos de OMA recorrente ou persistente, a inserção
de tubos de ventilação (tubos de timpanostomia) pode ser considerada. Esses tubos ajudam a
manter a ventilação adequada do ouvido médio e a prevenir a acumulação de fluidos. Além
disso, a educação e a prevenção são fundamentais; orientações para evitar fatores de risco, como
exposição ao tabaco e práticas de amamentação adequadas, podem contribuir para uma melhor
saúde auditiva e redução das infecções (Suzuki et al., 2020).

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8 CONCLUSÃO

Em conclusão, a otite média representa um problema de saúde significativo,


especialmente entre crianças pequenas, embora possa afetar indivíduos de todas as idades. Esta
condição se caracteriza pela inflamação do ouvido médio, com a otite média aguda
apresentando início rápido de dor, febre e secreção, enquanto a otite média com efusão envolve
acúmulo de líquido sem os sintomas agudos. As diferenças anatômicas na tuba auditiva entre
crianças e adultos, juntamente com fatores de risco como alergias e exposição ao tabaco,
contribuem para a alta incidência de AOMA em crianças pequenas. Avanços na vacinação,
especialmente a vacina pneumocócica, levaram a uma redução notável na prevalência de
AOMA e suas complicações associadas, embora patógenos bacterianos ainda sejam
contribuintes significativos para a doença.
Olhando para o futuro, a pesquisa e a inovação contínuas em abordagens preventivas e
terapêuticas serão cruciais para o manejo e a redução do impacto da otite média. O
desenvolvimento de novas vacinas, estratégias de tratamento aprimoradas e medidas
preventivas abrangentes, incluindo um melhor manejo dos fatores de risco ambientais, serão
fundamentais para diminuir ainda mais a incidência e o impacto dessa infecção comum.
Iniciativas de saúde pública ampliadas e a educação contínua sobre a importância da vacinação
e do tratamento precoce desempenharão um papel essencial na realização desses objetivos e na
melhoria dos resultados gerais da saúde auditiva.

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