0% acharam este documento útil (0 voto)
25 visualizações7 páginas

Módulo 2 - Processo Penal

Enviado por

Luiz F
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
25 visualizações7 páginas

Módulo 2 - Processo Penal

Enviado por

Luiz F
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS

| PROF. EDUARDO CARIOCA


799-EP

INQUÉRITO POLICIAL
1. CONCEITO

O inquérito policial compreende o conjunto de diligências realizadas pela polícia judiciária para a apuração de infrações
penais e sua autoria.
O IP é procedimento de natureza administrativa e é presidido pelo delegado de polícia no intuito de colher indícios de
autoria e prova da materialidade de delitos.

2. CARACTERÍSTICAS

2.1. Escrito
Estabelece o art. 9º do CPP que todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou
datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

2.2. Discricionariedade
Dispõe o art. 14 do CPP que “o ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência,
que será realizada, ou não, a juízo da autoridade”.

2.3. Sigiloso
O art. 20 do CPP estabelece que “a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido
pelo interesse da sociedade”.

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito
de defesa (Súmula Vinculante 14).

A Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 12.869/19) tipifica como crime a seguinte conduta:

Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação
preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento
investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias,
ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de
diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível:

É cabível o acesso aos elementos de prova já documentados nos autos de inquérito policial aos familiares das vítimas, por
meio de seus advogados ou defensores públicos, em observância aos limites estabelecidos pela Súmula Vinculante n. 14
(Informativo nº 775 do STJ).

2.4. Dispensável

2.5. Indisponível

Não pode a autoridade policial, por sua própria iniciativa, promover o arquivamento do inquérito policial (art. 17 do CPP).

2.6. Inquisitorial

Contudo, com o advento do “pacote anticrime”, entendemos que é obrigatória a assistência de advogado nos casos em
que servidores dos órgãos da Segurança Pública figurarem como investigados em inquéritos policiais, inquéritos policiais
militares e demais procedimentos extrajudiciais, cujo objeto for a investigação de fatos relacionados ao uso da força letal
praticados no exercício profissional, de forma consumada ou tentada, incluindo as situações envolvendo excludentes de
ilicitude (art. 14-A, CPP).

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 1

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301


PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS
| PROF. EDUARDO CARIOCA
799-EP

A necessidade de advogado ou defensor também se estende aos militares das forças armadas (art. 132 da CF), desde que
os fatos investigados digam respeito a missões para a Garantia da Lei e da Ordem (art. 14-A, § 6º, CPP).
Em tais situações, caso o indiciado não indique seu defensor no prazo de 48 horas (art. 14-A, § 1º), a autoridade
responsável pela investigação deverá intimar a instituição a que estava vinculado o investigado à época da ocorrência dos
fatos, para que essa, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, indique defensor para a representação do investigado.
Para o § 3º, do CPP, cujo veto foi recentemente rejeitado, havendo a necessidade de indicação de defensor por parte da
instituição do agente de segurança, “a defesa caberá preferencialmente à Defensoria Pública, e, nos locais em que ela não
estiver instalada, a União ou a Unidade da Federação correspondente à respectiva competência territorial do procedimento
instaurado deverá disponibilizar profissional para acompanhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa
administrativa do investigado”.
Segundo o § 4º, cujo veto também foi derrubado, a indicação do profissional a que se refere o já mencionado § 3º
“deverá ser precedida de manifestação de que não existe defensor público lotado na área territorial onde tramita o inquérito
e com atribuição para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado profissional que não integre os quadros próprios da
Administração”.
Por fim, o novo § 5º dispõe que, “na hipótese de não atuação da Defensoria Pública, os custos com o patrocínio dos
interesses dos investigados nos procedimentos de que trata este artigo correrão por conta do orçamento próprio da
instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos fatos investigados”.

2.7. Oficialidade (autoritariedade)

2.8. Oficiosidade
O inquérito policial poderá ser iniciado de ofício nos crimes de ação penal pública incondicionada (art. 5º, inciso I, do
CPP).

3. FORMAS DE COMUNICAÇÃO DA INFRAÇÃO PENAL

Formas de notitia criminis, vale dizer, notícia da infração penal levada ao conhecimento da autoridade policial:

a) Notitia criminis de cognição direta (imediata, espontânea ou inqualificada):


A autoridade policial toma conhecimento da existência da infração de forma direta.

b) Notitia criminis de cognição indireta (mediata, provocada ou qualificada):


A autoridade policial tem ciência do cometimento da infração através de um ato formal de comunicação do delito.

c) Notitia criminis de cognição coercitiva:


A autoridade policial tem ciência da infração através da lavratura do auto de prisão em flagrante.

4. FORMAS DE INSTAURAÇÃO O INQUÉRITO POLICIAL

A depender a espécie de ação penal imputada ao delito, o IP pode ser instaurado das seguintes maneiras.

a) crimes de ação pública incondicionada:


 De ofício
Nessa hipótese, o delegado de polícia expedirá Portaria, nos termos do art. 5°, I, do CPP.

 Requerimento do ofendido ou de qualquer pessoa

Nos termos do art. 5º, § 2º, do CPP, do despacho que indeferir o requerimento de abertura do IP caberá recurso
para o chefe de polícia. Trata-se de recurso inominado, de natureza administrativa.
Qualquer pessoa pode comunicar a ocorrência de um delito de ação penal pública (delatio criminis simples).

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 2

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301


PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS
| PROF. EDUARDO CARIOCA
799-EP

 Requisição do magistrado ou do Ministério Público

A requisição tem natureza imperativa, isto é, uma vez recebida, a autoridade policial deve instaurar o inquérito
policial e atender as diligências requeridas pelo MP;

 Através do auto de prisão em flagrante

b) crimes de ação penal pública condicionada à representação do ofendido:


 Representação do ofendido
Delatio criminis postulatória.

Delatio criminis
Simples Postulatória

Quando qualquer pessoa pode comunicar a ocorrência de A vítima, além de comunicar o fato delituoso, pleiteia a
um delito de ação penal pública instauração do IP.

 Requisição do magistrado ou do Ministério Público


A requisição deve estar acompanhada da representação do ofendido ou do seu representante legal;

 Através do auto de prisão em flagrante;


A requisição deve estar acompanhada da representação do ofendido ou do seu representante legal.

c) crimes de ação penal privada:


 Requerimento da vítima ou do seu representante legal

 Requisição do magistrado ou do Ministério Público

 Através do auto de prisão em flagrante


A requisição deve ser instruída com requerimento da vítima ou do seu representante legal.

 Denúncias anônimas

De olho na jurisprudência!
A Turma, de início, reafirmou o entendimento da Corte no sentido de que notícias anônimas não autorizam, por si sós, a
propositura de ação penal ou mesmo, na fase de investigação preliminar, o emprego de métodos invasivos de investigação,
como interceptação telefônica ou busca e apreensão. Entretanto, elas podem constituir fonte de informação e de provas que
não pode ser simplesmente descartada pelos órgãos do Poder Judiciário. Assim, assentou a inexistência de invalidade na
investigação instaurada a partir de notícia crime anônima encaminhada ao MPF (Informativo 819 do STF).

5. DILIGÊNCIAS INVESTIGATÓRIAS

Segundo o art. 6º do CPP, logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

a) Dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos
criminais;
b) Apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais;
c) Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;
d) Ouvir o ofendido;

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 3

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301


PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS
| PROF. EDUARDO CARIOCA
799-EP

e) Ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o
respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
f) Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
g) Determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
h) Ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de
antecedentes;
i) Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua
atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a
apreciação do seu temperamento e caráter.
j) Colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato
de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.

5.1. Reprodução simulada


A autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a
ordem pública (art. 7º do CPP).
Tal expediente pode ser realizado no curso do inquérito pela autoridade policial, por requisição do Ministério Público, ou
a requerimento da vítima ou do ofendido.
Entendemos que a reprodução simulada também pode ser realizada durante a ação penal.
O acusado não é obrigado a participar ativamente dos atos da reprodução simulada ou reconstituição, posto que
ninguém pode ser compelido a produzir provas contra si.

6. PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IP

Segundo o art. 10 do CPP, o inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante,
ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão.
Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o
Ministério Público, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a
investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada, nos termos do art. 3º-B, § 2º, do CPP, incluído pelo
pacote anticrime.
Estando o indiciado solto, mediante fiança ou sem ela, o prazo para conclusão do IP será de 30 dias.
Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos
autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz, consoante o art. 10, § 3º, do CPP.

1 2
Indiciado preso Indiciado solto
Regra: 10 dias 30 dias
Justiça Federal: 15 dias (+15 dias) 30 dias
Lei de Drogas: 30 dias (+ 30 dias) 90 dias (+ 90 dias)
Crimes Contra a Economia
10 dias 10 dias
Popular:
CPP Militar: 20 dias 40 dias (+ 20 dias)

7. INDICIAMENTO

Finda a investigação, o delegado de polícia fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz
competente. No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar
onde possam ser encontradas (art. 10, §§ 1º e 2º, do CPP).

1
O prazo se inicia na data da realização da prisão e é contado na forma do art. 10 do CP. Assim, o dia do início inclui-se na contagem, não se
prorrogando o prazo caso o último dia não seja útil.
2
O prazo se inicia com a Portaria de Instauração do IP. Trata-se de prazo de natureza processual, contado na forma do art. 789, caput¸ e § 1º do
CPP.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 4

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301


PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS
| PROF. EDUARDO CARIOCA
799-EP

Ainda ao final do IP, a autoridade policial procederá ao indiciamento.

De olho na jurisprudência!

Não cabe ao juiz determinar indiciamento. Com base nessa orientação, a 2ª Turma superou o Enunciado 691 da Súmula
do STF para conceder habeas corpus e anular o indiciamento dos pacientes. No caso, diretores e representantes legais de
pessoa jurídica teriam sido denunciados pelo Ministério Público em razão da suposta prática do crime previsto no art. 1º,
I e II, da Lei 8.137/90. Após o recebimento da denúncia, o magistrado de 1º grau determinara à autoridade policial a
efetivação do indiciamento formal dos pacientes (Informativo 717 do STF).

7.1. Desindiciamento

Segundo Nestor Távora, “nada impede que a autoridade policial, ao entender, no transcurso das investigações, que a
pessoa indiciada não está vinculada ao fato, promova o desindiciamento, seja na evolução doo inquérito, ou no relatório de
encerramento do procedimento. É possível também que o desindiciamento ocorra de forma coacta, pela procedência de
habeas corpus impetrado no objeto de trancar o inquérito em relação a algum suspeito”.

8. DESTINO DO IP CHEGANDO EM JUÍZO

Após chegar em juízo, o magistrado, nos crimes de ação penal pública, dará vistas ao Ministério Público para a adoção das
seguintes providências:
I. Oferecer denúncia.
II. Requerer a devolução do IP para a realização de diligências imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. Segundo o
art. 16 do CPP, o Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas
diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
III. Promover o arquivamento do Inquérito Policial.

9. ARQUIVAMENTO DO IP

No dia 24/08/2023, o Supremo Tribunal Federal proclamou o resultado do julgamento das quatro Ações Diretas de
Inconstitucionalidade (ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305) que questionavam alterações no Código de Processo Penal (CPP) pelo
Pacote Anticrime (Lei 13964/2019), entre elas a nova regra sobre o arquivamento do inquérito policial.
A Suprema Corte considerou a norma de aplicação obrigatória e deu prazo de 12 meses, prorrogável por mais 12
meses, a partir da publicação da ata do julgamento, (19/12/2023), para a adoção das medidas legislativas e administrativas
necessárias à adequação das diferentes leis de organização judiciária, à efetiva implantação e ao efetivo funcionamento do
juiz das garantias em todo o país, conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Vejamos, a seguir, as novas regras sobre o arquivamento do IP, previstas no art. 28 do CPP, com redação dada pelo
“pacote anticrime” (Lei n. 13.964/2019).

Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza,


o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os
autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei (art. 28, caput).

Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inquérito policial, poderá, no
prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância
competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica (§ 1º).

Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e Municípios, a revisão do
arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua
representação judicial (§ 2º).

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 5

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301


PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS
| PROF. EDUARDO CARIOCA
799-EP

10. DESARQUIVAMENTO DO IP DIANTE DO SURGIMENTO DE NOVAS PROVAS

O arquivamento do inquérito policial por falta de provas faz coisa julgada formal.
Neste sentido, dispõe o art. 18 do CPP que depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade
judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas
tiver notícia.
Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal
ser iniciada, sem novas provas (Súmula 524 do STF).

10.1. Arquivamento do IP e coisa julgada material

3
a) Reconhecimento da atipicidade do fato ou inexistência do crime ;
4
b) Existência manifesta de causa extintiva de punibilidade, salvo certidão de óbito falsa ;
c) Existência manifesta de causa excludente de culpabilidade, salvo inimputabilidade.
d) Em relação ao arquivamento do IP em razão do reconhecimento de causa excludente de ilicitude, há divergência entre o
STF e o STJ:

STF STJ
O arquivamento de inquérito policial O arquivamento de inquérito policial em
em razão do reconhecimento de razão do reconhecimento de excludente
excludente de ilicitude faz coisa de ilicitude faz coisa julgada material.
julgada formal. Logo, surgindo novas Assim, não é possível desarquivá-lo.
provas, é possível reabrir o IP.

10.2. Arquivamento implícito

Ocorre o arquivamento implícito quando o IP apura duas ou mais infrações penais e o MP oferece denúncia apenas
quanto a uma ou algumas, ficando silente quanto às demais, isto é, esquecendo-se de incluir na inicial acusatória algum dos
crimes imputados no indiciamento feito no inquérito policial. Também ocorre quando o IP indicia dois ou mais suspeitos e o
MP oferece denúncia apenas quanto a um ou alguns deles, silenciando-se quanto aos outros.
Segundo Norberto Avena, “constatando o magistrado a ocorrência destas situações, deverá restituir vista dos autos
ao parquet para que este se pronuncie, denunciando ou arquivando o procedimento em relação aos sujeitos do fato que
omitiu. Recusando-se o promotor a fazê-lo, caberá ao juiz encaminhar cópia dos autos ao Procurador Geral para as medidas
administrativas cabíveis, uma vez que o promotor não está cumprindo adequadamente sua função”.
Para Aury, Lopes Jr., ao ofendido cabe oferecer queixa-crime subsidiária em face do imputado não denunciado, pois
houve inércia do MP em relação a este acusado.

10.3. Arquivamento indireto

Dá-se o arquivamento indireto quando o membro do Ministério Público deixa de oferecer denúncia por considerar
incompetente o juízo, pleiteando a remessa dos autos ao juízo competente.

3
O trancamento por atipicidade do fato, baseado na aplicação do princípio da insignificância, considerando um dado valor,
que, posteriormente, se descobre equivocado, obsta a reabertura da ação e o oferecimento da denúncia. 2. A decisão que
determina o arquivamento de inquérito policial, por atipicidade da conduta, tem força de coisa julgada material. 3. Recurso
provido para determinar o trancamento da ação penal. (STJ - RHC: 18099 SC 2005/0120848-2, Relator: Ministro HÉLIO
QUAGLIA BARBOSA, Data de Julgamento: 07/03/2006, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJ 27/03/2006 p. 333).
4 O STF tem jurisprudência consolidada no sentido de que a extinção da punibilidade baseada em certidão de óbito
falsificada não faz coisa julgada. Nesse sentido: HC 55.901, Rel. Min. Cunha Peixoto, Primeira Turma, julgado em 16.5.1978;
HC 60.095, Rel. Min. Rafael Mayer, Primeira Turma, julgado em 30.11.1982; HC 84525, Rel. Min. Carlos Velloso, Segunda
Turma, julgado em 16.11.2004; HC 104998, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, julgado em 14.12.2010.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 6

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301


PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS
| PROF. EDUARDO CARIOCA
799-EP

11. VALOR PROBATÓRIO RELATIVO

O inquérito policial possui valor probatório relativo. Com efeito, não pode o magistrado proferir sentença
condenatória com base nas provas colhidas exclusivamente durante a fase investigativa.
Tais provas devem, portanto, ser corroboradas, isto é, ratificadas durante a ação penal para que possam ser utilizadas
pelo magistrado como elementos de convicção.
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as
provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

12. TERMO CIRCUNSTANCIADO

Segundo o art. 69 da Lei n. 9.099/95 (Juizados Especiais Criminais) a autoridade policial que tomar conhecimento da
ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima,
providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.

De olho na jurisprudência!
É constitucional — por ausência de usurpação das funções das polícias judiciárias — a prerrogativa conferida à Polícia
Rodoviária Federal de lavrar termo circunstanciado de ocorrência (TCO), o qual, diversamente do inquérito policial, não
constitui ato de natureza investigativa, dada a sua finalidade de apenas constatar um fato e registrá-lo com detalhes.
STF. Plenário. ADI 6245/DF e ADI 6264/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 17/02/2023 (Informativo 1083).

Segundo Nestor Távora, é mera irregularidade a realização de inquérito policial ao invés de termo circunstanciado. Em
algumas situações, como na hipótese da autoria da infração ser desconhecida ou da alta complexidade do fato, restará à
autoridade policial, como alternativa, a elaboração de inquérito.

13. SÚMULAS RELACIONADAS

Súmula 234 do STJ: A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu
impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.
Súmula 444 do STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base.
Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa.
Súmula 397 do STF: O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas
dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito.
Súmula 524 do STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a
ação penal ser iniciada, sem novas provas.

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 7

Licenciado para: Andr? Ponte | E-mail: eng.andres@yahoo.com | CPF: 01441568301

Você também pode gostar