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Fundamentos do Direito Processual Penal

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

FUNDAMENTOS

1
Autor: Portal Educação S.A.
Conteúdo: Direito Processual Penal Fundamentos
Palavras-chave: Ensino; Aprendizagem; EAD; Internet; Tecnologia.

Todos os direitos reservados. É expressamente proibido o


arquivamento impresso ou em qualquer sistema de banco de dados,
bem como a reprodução e/ou a transmissão parcial ou total desta
obra por qualquer meio e/ou forma (distribuição na web, gravação,
fotocópia e/ou meio eletrônico ou mecânico), conforme
pressupostos da lei 9.610/1998, sem a permissão por escrito do
Portal Educação.

Portal Educação

2
SUMÁRIO

SUMÁRIO ................................................................................................... 3
1 DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................... 4
1.1 DEFINIÇÃO ..................................................................................................................... 5
1.2 CONCEITO E ATRIBUIÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL ........................................ 8
1.2.1 Conceito ..................................................................................................................... 8
1.2.2 Atribuição ................................................................................................................. 10
1.2.3 Polícia ....................................................................................................................... 12
1.3 CARACTERÍSTICAS E FINALIDADE DO INQUÉRITO POLICIAL ...................... 14
1.3.1 Características ........................................................................................................ 14
1.3.2 Finalidade ................................................................................................................ 16
1.4 FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL .................................. 17
1.4.1 Portaria do delegado .............................................................................................. 17
1.4.2 Auto de prisão em flagrante .................................................................................. 20
1.4.3 Representação do ofendido ou requisição da vítima ........................................ 21
1.4.4 Requisição do juiz ou do Ministério Público ....................................................... 22
1.5 ENCERRAMENTO E ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL ................ 22
1.5.1 Encerramento .......................................................................................................... 22
1.5.2 Arquivamento .......................................................................................................... 24
1.5.3 Participação do Ministério Público no inquérito policial .................................... 26

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 31

3
1 DIREITO PROCESSUAL PENAL

Antes de adentrarmos no tema sobre o inquérito policial faremos breves


considerações sobre o Direito Processual Penal brasileiro. O processo penal brasileiro
iniciou-se por meio da descoberta do Brasil por Portugal com as ordenações
afonsinas. Entretanto, essas ordenações afonsinas não foram bem aplicadas no país.

Em seguida, foram editadas as ordenações manuelinas, por meio das quais,


Afonso de Souza formou as bases de organização judiciária na colônia, quando os
processos criminais passaram por delações de crimes feitas em juízo por particulares
de acordo com as que foram implantadas em Portugal.

Mais tarde, entrou em vigor o Código de D. Sebastião, com duração bastante


curta, passando a ser substituído em 1603 pela promulgação das ordenações filipinas,
que também foi substituída em 1832 pelo Código de Processo Criminal do Império.

Tal legislação retratava em partes o direito medieval, onde os ricos e


poderosos detinham vantagens, utilizando – se de seus poderes financeiros para se
isentarem de sanções penais.

Em 1609 foi criado o Tribunal das Relações:

[...] que se destinava a conhecer dos recursos das decisões dos


Ouvidores Gerais, os quais, por sua vez, conheciam das apelações
interpostas às sentenças proferidas pelos Ouvidores das capitanias e
dos juízes ordinários. (p.18, 2000).

No ano de 1751, no Rio de Janeiro, foi criado o Tribunal de Relação:

[...] instância superior aos corregedores de comarcas, ouvidores


gerais, os quais, ouvidores de comarca, chanceleres de comarcas,
provedores, contadores, juízes ordinários e de órfãos, juízes de fora,
vereadores, juízes de vintena e demais auxiliares da Justiça. (p. 22,
2000,).

4
SAIBA MAIS

Após a chegada de Dom João VI ao Brasil, foi criado o Supremo Conselho Militar, no
qual o Tribunal de Relação do Rio de Janeiro foi constituído como o Superior
Tribunal de Justiça.

Com Constituição, que foi promulgada em 1824, deu organização ao Poder


Judiciário brasileiro, no qual em 1832, foi editado o Código de Processo Criminal,
alterado pela Lei n. 261, de 1841, tendo sido regulada pelo Decreto n. 120, de 1842.

A partir daí, deixou de existir as querelas, passando a se chamar de queixas e


ainda as denúncias seriam oferecidas pelo Ministério Público ou por qualquer pessoa
do povo. A competência para o julgamento era centrada no júri.

O primeiro Código de Processo Penal entrou em vigor em 1811 (Code


d’instruction criminelle), promulgado por Napoleão.

Com a Proclamação da República e, de acordo com a Constituição de 1891,


cada estado passou a contar com legislação e constituição próprias, contudo a maior
parte deles não se utilizou desta feita para legislar.

1.1 DEFINIÇÃO

Direito Processual Penal é um o ramo do direito público cujo objetivo é a


regulação da função jurisdicional do Estado em relação às infrações penais e
aplicação das penas. Tem por objetivo o estudo das normas por meio das quais se
realiza a prestação jurisdicional, a fim de resolver os conflitos de interesses (lide) entre
os particulares e entre estes e o Estado.

Desta forma, o Direito Processual Penal é um conjunto de normas e princípios


que visam a tornar realidade o Direito Penal. Ou seja, é o ramo do Direito que informa
quando, por que e de que forma uma pessoa pode ser presa.

O Direito Processual Penal, segundo José Frederico Marques (2004):

5
[...] é ciência autônoma no campo da dogmática jurídica, uma vez
que tem objeto e princípios que lhe são próprios. A sua designação
científica atual (Direito Processual Penal) bem demonstra essa sua
autonomia, ao revés do que antes sucedia, quando se falava pura e
simplesmente em processo penal. (p. 118, 2004).

Já Magalhães de Noronha (2002), diz que:

[...] é o Estado o titular do direito de punir ou “jus puniendi”. Tendo em


vista que o crime não lesa tão-somente direitos individuais, mas,
sobretudo sociais também e perturba as condições de harmonia e de
estabilidade. (p. 22, 2002).

REFORÇANDO

O processo penal é o que se refere à palavra crime. No sentido estrito, é o conjunto


de atos, indicados na lei processual penal, que se fazem necessários para o
cumprimento e a efetividade de todo o procedimento penal, pelo qual se movimenta
a ação da justiça pública para punição ou castigo dos crimes e dos delitos cometidos.

Importante frisar que o Direito Processual Penal brasileiro é regido


principalmente pelas garantias e pelas determinações encontradas na Constituição
Federal de 1988.

O Processo Penal é o instrumento necessário e suficiente à jurisdição penal,


pois a Constituição brasileira em seu art. 5º, LIV, afirma que "[...] ninguém será privado
da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.

Conforme o art. 1° do CPP atual (Código de Processo Penal) é aplicado em


todo o território nacional, ressalvados:

6
[...] os Tratados, as Convenções e as regras de Direito Internacional
de que o Brasil é signatário, desde que compatíveis com a legislação
vigente no país.

As prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos


Ministros de Estado nos crimes conexos com os do Presidente da
República e dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos
crimes de responsabilidade.

Os processos de competência, da Justiça Militar. (p. 14, 2009).

No Processo Penal:

 A absolvição, quando provado que o acusado não é autor do fato


tipificado, ou ainda quando sobre o agente incide uma ou mais excludentes
de antijuridicidade ou culpabilidade, a absolvição do sujeito implica na
liberação das obrigações com o Estado ou quaisquer das partes
envolvidas no processo;
 A condenação quando provado que o acusado é autor do fato típico,
antijurídico e culpável; a antijuridicidade ocasiona, em grande parte dos
casos, que a sanção penal prevista em abstrato para o delito de que o
sujeito seja considerado culpado, além de predispor responsabilidade civil
ex delicto do réu para com a vítima;
 Nos casos em que a aplicação de medida de segurança, determinar que
mesmo que o autor da ação ou omissão típica e antijurídica, o réu é
inimputável, ou seja, não possuía, no momento do fato, capacidade mental
de entender a ilicitude de sua ação ou conduzir-se de acordo com este
entendimento;
 No que tange a aplicação de medida de segurança, o entendimento que
o réu deve ser considerado perigoso para a sociedade devido ao
transtorno mental que o torna inimputável, pelo que se decide interná-lo
em instituição psiquiátrica para tratamento de sua patologia.
 Ou ainda, a aplicação de medida educativa, quando o acusado é autor
do fato típico e antijurídico, porém, por não ter a idade mínima legal para
sujeição à sanção penal, que no Brasil é de 18 anos, sendo submetido à
medida educativa de acordo com o ECA.

7
ATENÇÃO

Dessa forma, o Direito Processual Penal estuda o conjunto de normas previstas em


lei, para aplicação do Direito Penal na esfera judiciária, tendo por fim não só a
apuração do delito e a atuação do direito estatal de punir o réu, mas também a
aplicação das medidas de segurança adequadas às pessoas socialmente perigosas e
a decisão das ações conexas à penal.

A apuração de um delito é feito num processo penal. Contudo, para que


exista ação penal, são necessários dois requisitos: indícios de autoria e materialidade
do crime.

Por esta razão, o legislador muniu o Estado de um procedimento


administrativo preparatório. Denominou-o Inquérito Policial. Trata-se de procedimento
administrativo através do qual a Polícia Administrativa busca confirmar a presença dos
daqueles requisitos da Ação Penal.

Estudar-se-á, abaixo, os requisitos da Ação Penal e, posteriormente, a própria


via processual penal.

1.2 CONCEITO E ATRIBUIÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL

1.2.1 Conceito

No Código de Processo Criminal, de 1832, não se tratava de inquérito policial,


havia apenas dispositivos que informavam sobre o procedimento informativo. Nessa
época, eram traçadas normas sobre as funções dos inspetores de quarteirões, mas
estes não exerciam atividade de polícia judiciária.

8
O inquérito policial surgiu na legislação positiva brasileira, em 20 de setembro
de 1871, pela Lei nº 2.033, regulamentada pelo decreto-lei nº 2.824, de 28 de
novembro de 1871. Dessa forma, o artigo 42 da referida lei acima chegou inclusive a
defini-lo como: "Inquérito Policial consiste em todas as diligências necessárias para o
desenvolvimento dos fatos criminosos, de suas circunstâncias e de seus autores e
cúmplices, devendo ser reduzido a instrumento escrito".

Mas somente com a promulgação do Código de Processo Penal de 1941 que


o inquérito policial, quando foi previsto e disciplinado, é que ele ficou, de fato,
consolidado.

ATENÇÃO

O inquérito policial é um procedimento administrativo prévio, instrumento de que se


vale o Estado, por meio da polícia, órgão integrante da função executiva para iniciar
a persecução criminal, que consiste em todas as diligências necessárias para o
descobrimento dos fatos criminosos, de suas circunstâncias e de seus autores e
cúmplices, devendo ser reduzido a instrumento inscrito. Ou seja, o inquérito policial
é um conjunto de diligências efetuadas pela polícia judiciária, para a apuração
circunstanciada do fato tido como criminoso e sua autoria, tudo isso para que o
titular da ação penal possa promovê-la perante a justiça.

O inquérito policial é procedimento persecutório de caráter administrativo e


natureza inquisitiva instaurado pela autoridade policial. É um procedimento, pois é
uma sequência de atos voltados a uma finalidade, persecutório porque persegue a
satisfação do jus puniendi.

Persecução é a atividade estatal por


meio da qual se busca a punição e começa
oficialmente com a instauração do inquérito
policial. Também conhecido como informatio
delicti. Essa persecução criminal desenvolve-se
em duas fases: uma inicial, em que o fato será
provisoriamente apurado, para possibilitar o
processo penal, ou a ação penal. Essa prévia
investigação é uma atribuição da polícia

9
judiciária, e chamamos de inquérito policial. Guilherme de Souza Nucci define o
inquérito policial como: “Um procedimento preparatório da ação penal, de caráter
administrativo, conduzido pela polícia judiciária e voltado à colheita preliminar de
provas para apurar a prática de uma infração penal e de sua autoria”. (2006, p. 126).

Exsurge, então, um questionamento: e se sobrevierem vícios no curso do


Inquérito Policial?

Rogério Sanchez (2009), com o brilhantismo que lhe é peculiar, alude e


responde a esta problemática. Confira-se:

“Também por ser tratar de um procedimento administrativo é que se


entende que eventuais vícios existentes nesta fase não afetam a
ação penal, gerando efeitos apenas no âmbito do inquérito policial.
Desse modo se, por exemplo, na prisão em flagrante não se expedir
nota de culpa, a consequência será o relaxamento da prisão com a
liberação do preso, não evitando, contudo, que ele venha a ser
1
processado e condenado mais à frente.”

Sendo assim, o inquérito policial pode ser conceituado como um


procedimento administrativo, cujo objetivo é reunir os elementos necessários à
apuração da prática de um ilícito penal, bem como sobre sua autoria.

1.2.2 Atribuição

A atribuição do inquérito policial é distribuída, de modo geral, “ratione loci”, de


acordo com o lugar onde se consumou a infração, ou “ratione materae”, de acordo
com a natureza da infração. Conforme previsto no art. 4º do CPP:

“A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no


território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração
das infrações penais e da sua autoridade”.

Parágrafo único: “A competência definida neste artigo não excluirá a


de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a
mesma função”.

1
CUNHA, Rogério Sanchez; PINTO, Ronaldo Batista. Processo Penal – Doutrina e Prática. Editora
Juspodivm: Salvador. 2009, p. 71.

10
Salvo as exceções legais, a atribuição para presidir o inquérito policial é
deferida, agora em termos constitucionais aos delegados de polícia de carreira, de
acordo com as normas de organização policial dos estados.

REFORÇANDO

Assim, o inquérito de regra é policial, isto é, elaborado pela polícia civil ou pela
polícia federal, e é presidido pela autoridade policial, que é o delegado de polícia
judiciária, para apuração do fato ocorrido.

Diante disso, cabendo à polícia judiciária, a atividade destinada à apuração


das infrações penais e sua autoria, por meio do inquérito policial, preliminar ou
preparatório da ação penal.

A autoridade policial, então, elabora então um relatório de tudo aquilo que foi
feito durante a investigação e encaminha esses autos do inquérito a juízo, a fim de que
o Estado, por meio de outro órgão, que é o Ministério Público, manifeste-se sobre eles
ou iniciando a ação penal com o oferecimento da denúncia ou requerendo seu
arquivamento, por entender que o fato não constitui crime ou por ser de autoria
desconhecida, ou requerendo a extinção da punibilidade, ou solicitando sua devolução
à polícia, para que sejam feitas outras diligências, desde que indispensáveis ao
oferecimento da denúncia.

No inquérito policial, verificamos que não há um réu, ou seja, o que temos é


apenas um indiciado, uma pessoa que está sendo investigada quanto à autoria de
algum crime.

11
1.2.3 Polícia

Na sua origem, o vocábulo polícia traz o sentido de organização política e até


mesmo governamental, querendo exprimir a ordem pública, a segurança e a disciplina,
instituídas pelo povo com base política, formada pelo Estado.

A polícia é uma instituição de direito público a serviço da administração, com


a finalidade de manter e recobrar, na sociedade, a paz pública e a segurança
individual.

VOCÊ SABIA?

A polícia tem a função de investigar de forma circunstanciada, buscando esclarecer o


fato. Essa investigação é feita por meio de inquérito policial. A elaboração do
inquérito policial constitui uma das funções precípuas da polícia civil e da polícia
federal.

O Código de Processo Penal em seu art. 4° dispõe sobre a função, assim


como a CF em seu art. 144, § 1° IV e § 4°. Assim, a CF estabelece:

Que a segurança pública é dever do Estado, direito e


responsabilidade de todos, exercida para a preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

São órgãos da segurança pública, a polícia federal, a polícia


rodoviária federal, a polícia ferroviária federal, as polícias civis, as
polícias militares e corpos de bombeiros militares.

Assim, segundo a CF, pode-se classificar a polícia como veremos a seguir:

12
 Polícia Rodoviária Federal: destinada ao patrulhamento ostensivo das
rodovias federais;
 Polícia Ferroviária Federal: destinada ao patrulhamento ostensivo das
ferrovias federais;
 Polícia Militar: destinada à atividade ostensiva e à preservação da
ordem pública, ou seja, evitar que o crime ocorra;
 Corpo de Bombeiros Militar: além das atribuições definidas em lei,
incumbe-lhe a execução de atividade de defesa civil.

A polícia judiciária, por meio do delegado de polícia, não é um mero auxiliar,


senão o titular, verdadeiro diretor da instrução preliminar, com autonomia para dizer as
formas e os meios empregados na investigação e, inclusive, não se pode afirmar que
exista uma subordinação funcional em relação aos juízes e aos promotores.

Assim, a polícia judiciária é destinada a cumprir as requisições de juízes e


membros do Ministério Público, como se infere do art. 13 do CPP. Tem, dessa forma,
por finalidade, investigar as infrações penais e apurar a respectiva autoria, a fim de
que o titular da ação penal disponha de elementos para ingressar em juízo. Tal
procedimento tem natureza jurídica de um procedimento de índole meramente
administrativa, de caráter informativo, preparatório da ação penal.

SAIBA MAIS

Faz parte da atribuição da polícia judiciária indagar todos os fatos suspeitos, receber
avisos, notícias, formar o corpo de delito para comprovar a existência dos atos
criminosos, representar pelo sequestro dos instrumentos dos crimes, coligir todos os
indícios e provas que pode conseguir rastrear os delinquentes, capturá-los nos
termos da lei e entregá-los à justiça criminal.

13
1.3 CARACTERÍSTICAS E FINALIDADE DO INQUÉRITO POLICIAL

1.3.1 Características

Característica do inquérito policial é aquilo que o caracteriza e o distingue dos


demais institutos, dadas as suas particularidades, para que se possa entender seu real
objetivo, como se verá a seguir:

 Inquisitorial – O inquérito policial é inquisitivo, quando durante o seu


tramitar não vigora o princípio do contraditório. Assim, nessa fase busca-se
investigar o fato criminoso e sua autoria, não se sujeitando ao princípio
contraditório e amplo defesa. Este só existe após o efetivo início da ação
penal, quando já formalizada uma acusação contra o autor da infração.

Segundo o art. 14 do CPP: “O ofendido, ou seu representante legal, e o


indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da
autoridade”.

Dessa forma, permite o requerimento de diligência pelo indiciado. Porém, isto


não se traduz em permissão de contraditório, mas tão somente na oportunidade de
esclarecimento de fatos por parte do agente sujeito da investigação. O deferimento
ficará a critério da autoridade.
O STF, contrariando entendimento da
doutrina, admitiu a possibilidade do contraditório
no inquérito policial, quando do julgamento do
habeas corpus n° 92.599 pertencente à Bahia,
por votação unânime, foi deferido o pedido de
habeas corpus e, de ofício, estendeu a ordem,
para o mesmo efeito, em favor de todos os
pacientes que figuram como indiciados no
inquérito n° 544/BA. (HC 92 599/BA – Relator
Min. Gilmar Mendes).

14
 Sigiloso – Pelo fato de ser um procedimento de investigação, por sua
própria natureza, o sigilo se faz necessário para a elucidação da autoria e
também da materialidade, conforme o art. 20 do CPP: “Visa a evitar que a
publicidade em relação às provas já colhidas e àquelas que a autoridade
pretende obter prejudique a apuração do ilícito”.

Mas tal sigilo não alcança ao advogado nos termos do art. 7°, III, XIV e XV da
Lei 8.906\94 c\c Súmula Vinculante n° 14 do STF:

[...] é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso


amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

 Escrito – De acordo com o artigo 9° do CPP:

[...] se exige como formalidade, todas as peças do inquérito policial


serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas, ou
seja, o inquérito policial é escrito, podendo ser manuscrito ou
datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

ATENÇÃO

Dizer que o inquérito policial é procedimento escrito, obviamente não significa dizer
que nele se produzam atos orais, e sim que tudo que for produzido oralmente deve
ser transladado para a forma escrita, ou seja, um depoimento é oral, mas será
obrigatoriamente reduzido a escrito.

 Dispensável – A ação penal poderá ser proposta com base em peça de


informação que demonstre a existência de indícios de autoria e de
materialidade. O inquérito policial é peça meramente informativa, nele se
apura a infração penal com todas as suas circunstâncias e a respectiva
autoria;
 Discricionário – Ao iniciar uma investigação, a autoridade policial não
está atrelada a nenhuma forma previamente determinada. Tem a liberdade
de agir, para apuração do fato criminoso, dentro dos limites estabelecidos
em lei. Discricionariedade não é arbitrariedade. Esta é a capacidade de

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operar ou não, movido por impulsos nitidamente pessoais, sem qualquer
arrimo na lei.

1.3.2 Finalidade

O inquérito policial tem por finalidade permitir que o titular da ação penal seja
o Ministério Público, seja o ofendido, possa iniciar a ação penal. Sendo assim, a
finalidade do inquérito é reunir os subsídios para encaminhá-los para a justiça para
que lá o titular possa prover a ação penal, ou seja, tem a finalidade de colher provas
que servirão de base à propositura da ação penal, mostrando-se totalmente
dispensável ao oferecimento da denúncia ou da queixa.

Por exemplo, se o promotor de justiça já tem a prova da autoria e da


materialidade do delito, formando sua opinio delicti, ele de plano oferece a denúncia,
consoante o disposto no art. 46, § 1° do CPP.

Desta forma, a finalidade precípua do inquérito policial é a apuração da


autoria, isto é, descobrir quem foi o autor do crime e da infração penal, a fim de que o
titular da ação penal disponha de elementos que o autorizem a promovê-la.

Assim, o inquérito policial é sempre sigiloso, deve ser feito com discrição e
sem alarde publicitário, até para que as provas não desapareçam, ou os criminosos,
sabendo do inquérito, não sumam com as provas
e os indícios de seu envolvimento.

Isso não quer dizer que o advogado não


tenha acesso às peças escritas, ou aos atos do
inquérito. O advogado deve ter livre acesso tanto
às peças escritas do inquérito, como deve ser
permitida sua presença em interrogatório do
indiciado ou suspeito, das testemunhas, vítima,
enfim, das diligências do inquérito. Mesmo
incomunicável, o indiciado poderá conversar com
seu advogado.

16
O inquérito é importante. Trata-se de procedimento dispensável ao
oferecimento da denúncia. Sendo uma peça simplesmente informativa, mas não é
imprescindível, pode haver ação penal sem ter havido o inquérito, não é comum, mas
há situações em que isso ocorre.

REFORÇANDO

O inquérito policial é uma peça útil, porém não imprescindível. Não é fase obrigatória
da persecução penal. Poderá ser dispensado sempre que o MP ou o ofendido tiver
elementos suficientes para promover a ação penal. Nesse caso, o inquérito é judicial
e não policial.

1.4 FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

O Código de Processo Penal estabelece as diversas maneiras que indicam


que o inquérito policial pode ser iniciado, mas dependerá da natureza do crime. Assim,
o inquérito policial pode ser instaurado da seguinte forma:

1.4.1 Portaria do delegado

Portaria é uma peça em que a autoridade policial registra o conhecimento da


prática de um crime de ação pública incondicionada, especificando, se possível, o
lugar, o dia e a hora em que foi cometido o crime, o pronome do autor e o da vítima, e
conclui determinando a instauração do inquérito policial.

Assim, portaria é quando o delegado de ofício instaura o procedimento, sem


que tenha havido prisão do suspeito.

17
Os incisos I e II do art. 5° do CPP estabelece que o inquérito policial seja
iniciado:

I – de ofício;
II – mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério
Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade
para representá-lo.

REFORÇANDO

Sendo assim, tendo a autoridade policial conhecimento, por meio de suas atividades
de rotina, da existência de um crime, terá que ser examinado, para ver se se trata
de crime de ação pública incondicionada.

Confirmado, a autoridade policial terá o dever jurídico de instaurar o inquérito,


ou seja, serão feitas investigações para apurar o fato e a autoria, isto por iniciativa
própria. Nesse caso, o delegado de polícia é quem deve baixar uma portaria, que nada
mais é que uma peça inicial do procedimento inquisitorial.

A Notitia Criminis (notícia crime) é o que faz com que o delegado de polícia
inicie; às investigações, que tendem à elucidação prévia do fato e das circunstâncias
que o envolveram.

Notitia Criminis e Delatio Criminis, Guilherme de Souza Nucci (2004),


conceitua como sendo:

[...] a ciência da autoridade policial de um fato criminoso, podendo


ser: direta quando o próprio delegado de polícia, investigando por
qualquer meio, descobre o acontecimento; indireta, quando a vítima
provoca a sua atuação, comunicando-lhe a ocorrência, bem como
quando o promotor ou o juiz provocar a sua atuação. (p. 64, 2004)

Notitia Criminis é a comunicação, espontânea ou provocada, à autoridade


policial, de fato tido como delito. Assim, é com a notícia-crime que a autoridade policial
dá início às investigações. Essa notícia-crime pode ser de cognição imediata, de
cognição mediata, e até mesmo de cognição coercitiva.

18
Sendo que a primeira ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento
do fato por meio das suas atividades rotineiras. A segunda ocorre quando a autoridade
policial sabe do fato por meio de requerimento da vítima ou de quem possa
representá-la, requisição da autoridade policial ou Ministério Público, mediante
representação ou requisição do ministro da justiça no caso de ação penal pública
condicionada.

A terceira ocorre nas hipóteses de prisão em flagrante, visto que, nesse caso,
ao tempo em que a autoridade policial toma conhecimento do fato criminoso, o seu
autor lhe é apresentado, conduzido que foi sob coerção.

A iniciativa do delegado poderá ser de ofício. Como visto a própria autoridade


policial toma conhecimento do fato de forma direta, ou pode ser provocada, quando a
autoridade recebe a notícia do crime por terceira pessoa.

Além da modalidade Notitia Criminis apresentada acima de se iniciar o


inquérito policial, nos crimes de ação penal pública incondicionada, também será
possível por meio de Delatio Criminis, nos termos do art. 5°, § 3° do CPP:

Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de


infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por
escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

Portanto, qualquer pessoa pode noticiar um crime e pedir a instauração do


inquérito policial, assim como o ofendido. Mas precisa ser feita a verificação da
procedência das informações (VPI).

Para isso, a autoridade policial tem o direito de instaurar o inquérito policial,


quando não houver fundada razão para a instauração da investigação, pois muitas das
vezes para se ter certeza dos fatos narrados procede a uma investigação preliminar,
ou seja, procura descobrir se o fato ocorreu e procura saber quem cometeu o crime.
Isto se dá porque o inquérito policial é um constrangimento, assim como o processo
penal.

19
ATENÇÃO

Se não existir nenhum elemento ou fundamento de indício da autoria, não se


procede à instauração do inquérito policial, podendo a VPI ser arquivada pelo
delegado de polícia. Mas verificando a VPI, a autoridade policial mandará instaurar o
inquérito policial.

Portanto, o processo de reconhecimento de identidade, de preferência, o


indiciado deve ser identificado pelo processo datiloscópico, conforme o art. 6°, VIII do
CPP. Mas já o civilmente identificado não será submetido novamente à datiloscopia,
conforme o art. 5°, LVIII, exceto se houver fundada dúvida, conforme tem decidido à
jurisprudência.

REFORÇANDO

Essa identificação é o processo utilizado para se estabelecer a identidade. Esta, por


sua vez, vem a ser o conjunto de dados e sinais que caracterizam o indivíduo. O
valor da datiloscopia está na imutabilidade e só são suscetíveis ao desaparecimento:
por amputação dos dedos, por largas e profundas cicatrizes das digitais e em certas
doenças como a hanseníase.

1.4.2 Auto de prisão em flagrante

Quando uma pessoa é presa em flagrante, deve ser encaminhada à


delegacia de polícia. Sendo lavrado o auto, o inquérito policial é instaurado, conforme
previsto nos artigos do CPP: “Art. 8º: Havendo prisão em flagrante, será observado o
disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro”.

Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o


condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este
cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá
à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do

20
acusado sobre a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada
oitiva, suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o
auto. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005).

1.4.3 Representação do ofendido ou requisição da vítima

De acordo com o art. 5°, inciso II, o inquérito policial pode se iniciado:

Mediante o requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade


para representá-lo.
§ 1º O requerimento a que se refere o nº. II conterá sempre que
possível:
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as
razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração,
ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e
residência.

Dessa forma, o legislador entendeu que nos crimes de ação penal pública
nada impede à vítima do delito ou seu representante legal (pais, tutor ou curador) ter a
possibilidade de endereçar uma petição, ou melhor, fazer um pedido, requerimento à
autoridade solicitando formalmente que esta dê início às investigações.

Essa petição é utilizada quando há necessidade de uma narrativa mais


minuciosa sobre o fato.

REFORÇANDO

Nada impede também que o fato seja relatado verbalmente, após o inquérito ser
instaurado. Nesse caso, a autoridade tomará declarações do ofendido ou do
representante legal. Com isso, a primeira peça do inquérito policial será o
requerimento, e poderá instaurá-lo mediante portaria, citando a requisição ou o
requerimento.

21
1.4.4 Requisição do juiz ou do Ministério Público

De acordo com o art. 5°, inciso II e art. 129, VIII da CF, o inquérito policial
pode se iniciado:

Mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público.


São funções institucionais do Ministério Público:
VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito
policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações
processuais.

Assim, quando o MP requisitar a instauração do inquérito, a autoridade


policial está obrigada a dar início às investigações, nos crimes de ação penal pública
incondicionada, sendo a primeira peça do inquérito policial a requisição.

A requisição deverá conter os necessários esclarecimentos sobre o fato


incriminado, a individualização do suposto culpado e o rol de testemunhas.

1.5 ENCERRAMENTO E ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL

1.5.1 Encerramento

Em relação aos prazos ou ao tempo para o delegado concluir o inquérito


policial, de acordo com o art. 10 do CPP.:

O inquérito deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias, se o indiciado


tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente,
contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a
ordem de prisão, ou no prazo de 30 (trinta) dias, quando estiver solto,
mediante fiança ou sem ela.

22
Esses prazos poderão ser prorrogados quantas vezes forem necessárias e
enquanto o crime não prescrever. Segundo a lei 11.343/2006:

[...] quando se tratar de crimes de tráfico ilícito de drogas e do seu


procedimento, o prazo para a conclusão do inquérito policial com o
indiciado preso será de 30 dias, e 90 dias, quando solto, podendo ser
duplicado pelo juiz ouvido o Ministério Público, mediante justificativa
da autoridade policial, na forma do art. 51 e seu § único.

No art. 28 da referida lei, a autoridade policial não instaurará inquérito


policial, devendo agir na forma do art. 69 da lei 9.099/95, conforme
determina o disposto no art. 48 da lei 11.343/06”.

Já nos crimes da competência da justiça federal, o prazo é de 15 dias,


prorrogáveis por mais 15 dias.

REVISANDO

Como vimos, poderá acontecer de o delegado policial pedir ao juiz a prorrogação do


prazo, o juiz concede-a, até porque não existe outro jeito, e o crime precisa mesmo
ser apurado. Por isso, é que todos sabem de inquéritos que se arrastam por meses.

É bom lembrar que o inquérito policial jamais poderá ser arquivado na


delegacia. Normalmente, ele deverá ser remetido ao fórum, e o promotor e o juiz é que
decidirão se será arquivado ou utilizado como prova numa ação penal.

23
1.5.2 Arquivamento

Como vimos, o inquérito policial inicia-se sempre que alguém leva ao


conhecimento da autoridade policial a ocorrência de um fato criminoso. Se o fato já
ocorreu e não é caso de flagrante delito, então a autoridade policial expedirá uma
portaria. Essa peça consiste em narrar o fato que lhe chegou ao conhecimento e
determinar ao escrivão de polícia que tome as primeiras providências.

REFORÇANDO

Mas se o fato é apresentado ao delegado de polícia, em condição de flagrante delito,


então ele deverá fazer o auto de prisão em flagrante delito, que é uma peça, em
que, ao mesmo tempo, que dá início ao inquérito policial, também determina o
aprisionamento do flagranciado.

Assim, o inquérito policial ou começa


por portaria da autoridade policial ou por auto de
prisão em flagrante delito. Mas se o inquérito
está sendo requisitado por um juiz ou por um
promotor de justiça, ele não começa por tal
requisição. Nessa hipótese, o delegado lerá a
requisição e, imediatamente, deverá baixar uma
portaria, ordenando a seu escrivão as primeiras
providências a serem tomadas.

E também, se for por requerimento do


interessado, nesse caso, a autoridade policial,
se deferir o pedido, terá que baixar uma portaria, ordenando a seu escrivão as
primeiras providências a serem tomadas. Para a instauração do inquérito policial, deve
ser considerado o crime, que se pretende apurar.

24
Quando se tratar de crime de ação penal condicionada, ou seja, aqueles em
que o Estado precisa de uma valorização do ofendido, para poder processar o
criminoso, o inquérito policial só pode ser instaurado se houver uma prévia
representação, autorização do ofendido. As providências a serem tomadas encontram-
se no art. 6° do CPP e seus incisos, como já citados.

No inquérito policial, o delegado de polícia pode se achar necessário para


verificar o modo certo como foi praticado o crime, mandar fazer a reconstituição do
crime. Essa reconstituição só será possível se não houver um atentado à moralidade
ou um prejuízo à ordem pública. Pois pensou no absurdo que seria o delegado mandar
fazer a reconstituição de um estupro, por exemplo?

Todas as diligências e os atos do inquérito deverão, necessariamente, ser


reduzidos a escrito, pois só assim vão ser permanentes, e não ficarão apenas na
memória do investigador ou do delegado de polícia.

REVISANDO

Vimos então que a competência para a instauração do inquérito policial será da


autoridade policial, ou seja, do delegado de polícia, cuja área de atuação,
atribuições, circunscrição, ocorrer o fato típico penal.

Depois de concluídas as investigações, o delegado deverá elaborar um


relatório minucioso do que foi apurado e enviar os autos ao juiz competente. Ou seja,
o delegado fará um relatório, explicando as providências que tomou, e enviará o
inquérito a Central de Inquéritos, onde será analisado, primeiramente, pelo promotor
de justiça, que ou requererá ao juiz novas diligências complementares, ou o
arquivamento, ou com base no inquérito promoverá a ação penal e o processo contra
o indiciado.

No relatório, é facultado à autoridade indicar as testemunhas que não foram


ouvidas nessa fase procedimental, mencionando o lugar onde elas possam ser
encontradas. Entretanto, quando o fato for de difícil elucidação e o indiciado estiver em
liberdade, a autoridade poderá requerer ao magistrado a devolução dos autos para
posteriores diligências a serem realizadas no prazo determinado pelo juiz.

25
Após o indiciamento, a autoridade policial ouvirá o indiciado. Mas é bom
lembrar que o interrogatório deverá observar as regras previstas no CPP.

Indiciamento é atribuição a uma pessoa da condição de autora de um suposto


ilícito penal. A autoridade policial indicia o indivíduo quando as provas colhidas no
inquérito e seus indícios apontam que a infração foi cometida por ele.

1.5.3 Participação do Ministério Público no inquérito policial

Segundo Júlio Fabbrini Mirabete na obra: “O destinatário imediato do inquérito


policial é o Ministério Público, e o destinatário mediato é o juiz de direito”. (Processo
Penal , 2006, p. 78)

De acordo com o art. 5°, inciso II e art. 129, VIII da CF, o inquérito policial
pode se iniciado:

Mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público.


São funções institucionais do Ministério Público:
VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito
policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações
processuais;

ATENÇÃO

A requisição deverá conter os necessários esclarecimentos sobre o fato incriminado,


a individualização do suposto culpado e o rol de testemunhas.

Assim, quando o MP requisitar a instauração do inquérito, a autoridade


policial está obrigada a dar início às investigações, nos crimes de ação penal pública
incondicionada, constituindo-se a primeira peça do inquérito policial a requisição.

A requisição deverá conter os necessários esclarecimentos sobre o fato


incriminado, a individualização do suposto culpado e o rol de testemunhas.

26
Recebendo o ofício requisitório, a autoridade policial mandará autuá-lo e
poderá determinar uma série de diligências.

Disse a então ministra Ellen Gracie (2009) que:

[...] a possibilidade de participação efetiva do MP no inquérito não


significa retirar da Polícia Judiciária suas atribuições, mas harmonizar
as normas constitucionais, para permitir não apenas a correta e
regular apuração dos fatos, mas também a formação da opinio delicti.
(Julgamento do HC 91.661/PE)

Portanto, na opinião dela, não se pretende reforma no sentido de que os


gabinetes dos promotores passem a constituir verdadeiras delegacias. Acredita sim
que a função de investigar deve permanecer com a polícia, porém com maior controle
externo.

DICAS

Naturalmente, traria maiores benefícios para todos. Ou seja, o Ministério Público


acompanharia o inquérito de perto e melhor ofereceria a denúncia. O investigado ou
acusado, tendo em vista que o controle pelo seu procurador traria maior segurança
ao constituído, assim, evitando lesões injustas a garantias individuais e maiores
subsídios para elaboração dos elementos e teses defensivas.

Sobre o arquivamento do inquérito policial por meio do MP, ele ocorre da


seguinte forma:

 Requerido o arquivamento do inquérito policial pelo representante do


Ministério Público, discordando o juiz do requerimento formulado, enviará
os autos ao procurador-geral de justiça, que poderá tomar uma das
seguintes atitudes:
 Concordando com a manifestação do promotor de justiça, determinará o
arquivamento dos autos, estando o juiz obrigado a acatar essa decisão;
 Discordando da manifestação do promotor de justiça atuante em
primeira instância, ele próprio oferecerá a denúncia ou delegará a função a
outro promotor de justiça, que será obrigado a oferecer a denúncia.

27
Segundo o art. 28 do CPP, o MP, não se convencendo da existência do delito
ou mesmo de sua autoria, o representante do MP poderá requerer o arquivamento do
inquérito policial.

“Se o órgão do Ministério Público, em vez de apresentar a denúncia,


requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças
de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões
invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao
procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão
do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de
arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender”.

Sendo assim, se o inquérito for arquivado pelo juiz, ele não poderá ser
desarquivado. Apenas se novas provas surgirem é que será desarquivado e, com as
novas provas, será novamente analisado.

Como dito anteriormente, o delegado de polícia não possui competência para


arquivar o inquérito policial, cuja competência é do juiz.

SAIBA MAIS

Assim, concluído o inquérito policial, juntamente com o relatório, remeter-se-á o


processo ao juízo competente, em que o juiz criminal, por sua vez, abrirá vistas ao
representante do MP, que, analisando o respectivo inquérito, convencendo-se dos
fatos narrados e formando a opinio delicti, oferecerá a denúncia contra o indiciado,
e, uma vez recebida, o processo seguirá o rito previsto para o delito.

Assim, concluído o inquérito policial, juntamente com o relatório, remeter-se-á


o processo ao juízo competente, em que o juiz criminal, por sua vez, abrirá vistas ao
representante do MP, que, analisando o respectivo inquérito, convencendo-se dos
fatos narrados e formando a opinio delicti, oferecerá a denúncia contra o indiciado, e,
uma vez recebida, o processo seguirá o rito previsto para o delito.

É bom frisar que em regra o inquérito policial é presidido por delegado de


polícia judiciária de carreira. Portanto, a competência para presidir o inquérito será da

28
autoridade policial que o instaurou. O inquérito não será presidido pelo delegado de
polícia em caso de competência originária dos tribunais, já que, nesses casos, a
competência passa a ser do tribunal.

Este, depois de tomar contato com os autos, colherá parecer do MP, que
requisitará as diligências necessárias ao delegado, cabendo à polícia a colheita da
prova, sob a fiscalização direta do representante do MP.

Mas o CPP deixa claro que o inquérito realizado pela polícia judiciária não é a
única forma de investigação criminal, conforme o § único do art. 4° do CPP,
estabelecendo que “A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função”.
Esse dispositivo deixa entender a existência de inquéritos extrapoliciais, ou
seja, elaborados por autoridades que não as policiais, mas que têm a mesma
finalidade do inquérito policial, por exemplo:

 Comissões Parlamentares de Inquérito (art. 58, § 3.º, da CF/88);

 Crime cometido nas dependências da Câmara dos Deputados ou do


Senado Federal, conforme Súmula n. 397 do STF: “O poder de polícia da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido
nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em
flagrante do acusado e a realização do inquérito”.
 Inquérito judicial por crime falimentar sendo presidido pelo juiz.
 Inquérito Policial Militar.
Por fim, além do inquérito policial, vimos que o nosso Direito Processual
Penal contém outras formas de investigação, como inquérito policial militar (IPM), as
investigações no âmbito das comissões
parlamentares de inquérito (CPIs), o inquérito
civil público, dentre outros.

Importante mencionar que é impossível


à condenação com base em prova
exclusivamente do inquérito policial, via de
regra, por não ser esse baseado em princípio do
contraditório, o que impede o indiciamento de
contraditar as provas que estão sendo arroladas
contra si.

29
Tal resposta encontra-se na natureza jurídica do inquérito (peça de
informação), bem como na essência do princípio da verdade real, isso porque não se
admite verdade real ouvindo apenas uma das partes, pois se assim fosse, também
estaria infringindo vários princípios e garantias constitucionais, entre eles o princípio
da igualdade e da ampla defesa.

REVISANDO

Certifica-se, portanto, que de acordo com o disposto no art. 155 do CPP, o juiz
formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.

No indiciamento no inquérito policial não há um réu, ou seja, o que temos é


apenas um indiciado, uma pessoa que está sendo investigada quanto à autoria de
algum crime.

O fato de uma pessoa se tornar alvo de investigação, o simples indiciamento


em inquérito policial, não constitui constrangimento ilegal, desde que haja contra o
investigado uma fundada suspeita, sob pena de trancamento do inquérito policial pela
via estreita do habeas corpus, por falta de justa causa.

Finalizando este conteúdo, concluímos que o Direito Processual Penal é o


ramo do direito público que regula a função do Estado de julgar as infrações penais e
aplicar as penas, que a aplicação da lei em matéria processual penal terá eficácia
imediata, respeitando a validade dos atos sob vigência da lei anterior e que o CPP é
aplicado em todo o território nacional.

REVISANDO

Também vimos que o inquérito policial tem como finalidade reunir elementos
necessários à apuração da prática de um ilícito penal, bem como sua autoria. Sendo
um procedimento administrativo prévio, presidido pela autoridade policial, para
apuração das infrações penais e fundamentação da denúncia ou queixa. 30
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