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Princípios e Inquerito

O documento aborda as normas processuais penais, destacando a função do Estado em garantir a paz e a proteção de bens jurídicos, além do direito de defesa do acusado. Apresenta os sistemas processuais penais, enfatizando o sistema acusatório adotado no Brasil, e discute princípios fundamentais como a legalidade, publicidade e o devido processo legal. Também menciona a aplicação das leis processuais no tempo e no espaço, incluindo a interpretação das normas e a inadmissibilidade de provas ilícitas.

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Princípios e Inquerito

O documento aborda as normas processuais penais, destacando a função do Estado em garantir a paz e a proteção de bens jurídicos, além do direito de defesa do acusado. Apresenta os sistemas processuais penais, enfatizando o sistema acusatório adotado no Brasil, e discute princípios fundamentais como a legalidade, publicidade e o devido processo legal. Também menciona a aplicação das leis processuais no tempo e no espaço, incluindo a interpretação das normas e a inadmissibilidade de provas ilícitas.

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Introdução e alcance das normas processuais penais

- Introdução: o Estado é um ente soberano e tem o poder de ditar


as regras de convivência e de aprovar normas que tenham por
finalidade manter a paz e garantir a proteção aos bens jurídicos
relevantes: vida, honra, saúde pública, patrimônio, meio ambiente,
consumidor etc.

- essas normas são de caráter penal e estabelecem previamente


punições aos infratores, ou seja, no exato instante em que ela é
desrespeitada pela prática concreta do delito, surge para o Estado o
direito de punir (jus puniendi), mas não de forma arbitrária,
respeitando-se o direito de defesa do acusado.

- existirá um conflito de interesses: de um lado, o Estado


pretendendo punir o agente e, de outro, a pessoa apontada como
infratora exercendo seu direito de defesa constitucionalmente
garantido.

- quem soluciona a lide é o Poder Judiciário, após lhe ser


apresentada uma acusação formal pelo titular do direito de ação,
caso aceita está denúncia, estará iniciada a ação penal que,
obedecendo toda formalidade prevista em lei (citação, defesa
preliminar, audiência com oitivas da vítima, testemunhas de
acusação e de defesa e interrogatório do réu) irá terminar com a
decisão sobre o caso concreto.

- conceito de direito processual penal- conjunto de princípios e


normas que disciplinam a persecução penal para a solução das lides
penais.

- CF- contém diversos princípios que garantem o pleno direito de


defesa do acusado (princípio do contraditório, da ampla defesa, da
presunção de inocência, da vedação das provas ilícitas etc); - CPP-
Decreto-lei nº. 3.689/41 (aplicação da lei processual no tempo e no
espaço, IP, diversas formas de ação penal, competência dos órgãos
jurisdicionais, sujeitos do processo, forma de coleta de provas,
modalidades de procedimentos de acordo com a espécie de crime e a
gravidade da infração penal, nulidades, recursos etc).
- leis penais especiais- que cuidam da apuração de crimes ou
temas processuais específicos (Lei de Tóxicos, Lei dos Juizados
Especiais Criminais, crimes falimentares, Estatuto do Idoso, Lei Maria
da Penha, Lei da Interceptação Telefônica etc).

- sistemas processuais penais- inquisitivo, acusatório e misto. (i)


sistema inquisitivo- cabe a um só órgão acusar e julgar. O juiz dá
início à ação penal e, ao final, ele mesmo profere sentença; era muito
criticado por não garantir a imparcialidade do julgador. Não existe no
nosso ordenamento jurídico.

(ii) sistema acusatório- existe a separação entre os órgãos


incumbidos de realizar a acusação e o julgamento, o que garante a
imparcialidade do julgador e assegura a plenitude de defesa e o
tratamento igualitário das partes.

(iii) sistema misto- neste sistema há uma fase investigatória e


persecutória preliminar conduzida por um juiz (não confundir com o
IP, de natureza administrativa, presidido pela autoridade policial, o
delegado de polícia), seguida de uma fase acusatória em que são
assegurados todos os direitos do acusado e a independência entre
acusação, defesa e juiz. Adotado em diversos países europeus.

- sistema adotado no Brasil- foi o sistema acusatório, pois há clara


separação entre a função acusatória do Ministério Público nos
crimes de ação penal pública e a julgadora.

- Princípios informadores do processo penal:

- verdade real: no processo penal o juiz tem o dever de investigar


como os fatos se passaram na realidade, não se conformando com a
verdade formal constante dos autos (CPP, art. 156, II);
*lembremos que, no processo civil, vige o princípio da verdade
formal, podendo o juiz se conformar com a verdade trazida pelas
partes (p. ex: revelia no cível implica na veracidade dos fatos
trazidos pelo autor; no crime, a revelia do réu não induz essa
veracidade, devendo haver a instrução do feito).
- legalidade: os órgãos incumbidos da persecução penal não podem
possuir poderes discricionários para apreciar a conveniência ou
oportunidade da instauração do processo ou inquérito; a autoridade
policial, nos crimes de ação pena pública, é obrigada a proceder às
investigações preliminares, e o órgão do Ministério Público é
obrigado a apresentar a respectiva denúncia.

- Oficialidade: a pretensão punitiva do Estado deve se fazer valer


através de órgãos públicos, quais sejam, a autoridade policial, no
inquérito, e o Ministério Público, no caso de ação penal pública.

- Oficiosidade:os órgãos incumbidos da persecução penal devem


proceder de ofício, não devendo aguardar provocação de quem quer
que seja (salvo nos casos de ação penal privada).

- Autoritariedade: os órgãos investigantes e processantes devem ser


autoridades públicas (delegado de polícia e promotor ou procurador
de justiça).

- Indisponibilidade: a autoridade policial não pode determinar o


arquivamento do inquérito policial (CPP, art. 17) e o Ministério
Público não pode desistir da ação penal pública, nem do recurso
interposto (CPP, art. 42 e 576).

- Publicidade:
em processo penal vigora a publicidade absoluta, pois
as audiências, sessões e atos processuais são franqueados ao
público em geral (CPP, art. 792).

- Contraditório: o réu deve conhecer a acusação que lhe é imputada


para poder contrariá-la, evitando ser condenado sem ser ouvido
(CPP, arts. 261, 263).

- Iniciativa
das partes: o juiz não pode dar início ao processo sem a
provocação das partes; cabe ao Ministério Público promover
privativamente a ação penal pública e ao ofendido a ação penal
privada, inclusive subsidiária da pública.

- Neeat judex ultra petita partium : o juiz deve pronunciar-se sobre


aquilo que lhe foi pedido; o que vincula o juiz são os fatos descritos
na denúncia.
- identidade física do juiz: trata-se da vinculação do juiz ao processo
cuja instrução ele acompanhou (CPP, art. 399, §2º); não existia esse
princípio até a reforma de 2011.

- devido processo legal: consiste em assegurar ao acusado o direito


de não ser privado de sua liberdade e de seus bens, sem a garantia
de um processo desenvolvido na forma que a lei estabelece.

- inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos : (CF, art. 5º.,
LVI)- ao não admitir as provas ilícitas, a CF vedou tanto a prova ilícita
quanto a ilegítima;
- ilícita é aquela produzida com violação a regra de direito material,
ou seja, mediante a prática de algum ilícito penal, civil ou
administrativo (Ex.: busca e apreensão sem a prévia autorização
judicial ou durante a noite);
- prova ilegítima é aquela produzida com violação a regras de
natureza meramente processual (Ex.: documento novo exibido em
Plenário do Júri).

* provas ilícitas por derivação- são aquelas em si mesmas lícitas, mas


produzidas a partir de outra ilegalmente obtida; a Suprema Corte
Americana, com base na teoria dos frutos da árvore envenenada
(fruits of the poisonous tree): o vício da planta se transmite a todos os
seus frutos.

- estado de inocência: (CF, art. 5º., LVII)- ninguém será considerado


culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.
* este princípio está em amplo debate, em razão do recente
posicionamento do STF, permitindo o início do cumprimento da
execução da pena após a confirmação da sentença condenatória em
segundo grau, mesmo havendo a interposição de recurso pela parte.
- favor rei- a dúvida sempre beneficia o acusado (in dubio pro
reo); somente a defesa possui certos recursos, como embargos
infringentes; só cabe ação rescisória penal em favor do réu (revisão
criminal).

- brevidade processual: recomenda-se sejam evitadas questões


demoradas e protelatórias, adotando-se a decisão mais rápida de
acordo com o que normalmente acontece.
- promotor natural: o promotor ou procurador não pode ser
designado sem obediência ao critério legal, a fim de garantir
julgamento imparcial, isento.

- lei processual penal no espaço: (art. 1º, CPP)- o processo penal


vale em todo território nacional, conforme preceitua o artigo 1º, do
CPP, o que demonstra ter o legislador adotado o princípio da
territorialidade, salvo as seguintes exceções:

I) tratados, convenções e regras de direito internacional- os tratados,


convenções e regras de direito internacional, firmados pelo Brasil,
mediante aprovação por decreto legislativo e promulgação por
decreto presidencial afastam a jurisdição brasileira, ainda que o fato
tenha ocorrido no território nacional, de modo que o infrator será
julgado em seu país de origem (Ex.: é o que acontece quando o delito
é praticado por agentes diplomáticos e consulares).

- tratados- é um acordo resultante da convergência de vontades de


dois ou mais sujeitos de direito internacional, formalizada por escrito.

- convenção- acordo sobre determinada atividade, assunto etc,


que obedece a entendimentos prévios e normas baseadas na
experiência recíproca.
- Ex.: Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, impondo
que agentes diplomáticos gozam de imunidade de jurisdição penal no
Estado onde exercem suas atividades, devendo ser julgados no país
que representam.

- regras de direito internacional- regem o direito internacional e


podem ser consideradas para a aplicação excepcional em território
brasileiro as regras de direito internacional não abrangidas pelos
tratados e convenções como, por exemplo, domínio do mar, relativos
à guerra e outros conflitos etc.

II) as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos


ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da
República, e dos ministros do STF, nos crimes de responsabilidade-
este dispositivo refere-se aos crimes de natureza político-
administrativa e não aos delitos comuns;
- o julgamento dessas infrações não é feito pelo Poder Judiciário, e sim
pelo Legislativo e as consequências são a perda do cargo, cassação
do mandato, a suspensão dos direitos políticos etc; a condenação não
gera reincidência nem o cumprimento de pena de prisão (vide artigos
86 e 52, I, CF).

III) processos da competência da Justiça Militar - os crimes militares


estão previstos no Código de Processo Penal Militar (Decreto-lei nº.
1.002/69) e não na legislação penal comum.

IV) processo da competência do tribunal especial - dispositivo


revogado, pois a CF atual veda a criação de tribunais de exceção.

V) processos por crimes de imprensa- o STF já declarou que os


crimes previstos na Lei de Imprensa (Lei 5.250/67) não foram
recepcionados pela nova CF; portanto, deverão ser enquadrados,
quando possível, na legislação penal comum, ocorrendo a apuração
através das normas do CPP, ou seja, essa exceção não existe mais.

- lei processual penal no tempo (art. 2º)- o CPP adotou o princípio da


imediata aplicação da lei penal processual, ou seja, os novos
dispositivos processuais podem ser aplicados a crimes praticados
antes da entrada em vigor da lei processual.
- Ex.
um fato praticado antes da mudança do CPP, que a partir de
2008 previu a possibilidade de citação por hora certa no processo
penal;
- Ex.:um réu condenado há mais de 20 anos, contudo não mais
poderá usar o revogado protesto por novo júri que previa a
interposição do recurso, bastando ser a pena superior a 20 anos.

- não importa se a lei processual é favorável ou prejudicial à defesa.


Entrada em vigor a lei processual ela passa a ter aplicação imediata;
- lembremos que, a CF, em seu artigo 5º., XL, estabeleceu que “a lei
penal (e não a processual penal) não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu”.

normas híbridas ou mistas- são aquelas que possuem conteúdo


concomitantemente penal e processual, gerando consequências em
ambos os ramos do direito.
-Ex. 1: os institutos da decadência e da prescrição são regulados pelo
CPP e pelo CP; têm natureza processual porque impedem a
propositura ou o prosseguimento da ação privada e, ao mesmo
tempo, penal, porque geram a extinção da punibilidade.
-Ex. 2: instituto da suspensão processual do processo (art. 89, L.
9.099/95) igualmente tem natureza híbrida, porque sua natureza
processual é evidenciada em razão de gerar a suspensão da ação em
andamento, enquanto a consequência penal é a extinção da
punibilidade, decorrente do cumprimento de todas as condições
durante o período de prova.

- validadedos atos praticados anteriormente à vigência da nova lei


processual (art. 2º., parte final)- os atos praticados de forma
diferente na vigência da lei anterior consideram-se válidos, isto é,
não necessitam ser repetidos de acordo com a nova lei.

- formas de interpretação da lei processual - classificação:


* quanto à origem- autêntica, doutrinaria e jurisprudencial.
(i) autêntica- quando a própria lei, através de dispositivos,
esclarece o significado de outros. Ex: os §4º. e §5º. do artigo 150 CP
definem a extensão do conceito de casa para os crimes de violação
de domicílio;
(ii) doutrinária- é a interpretação feita pelos estudiosos, professores
e autores de obras, por meio de livros, artigos jurídicos, palestras etc.;
(iii) jurisprudencial- intepretação realizada pelos tribunais e juízes
em seus julgamentos, em especial, pelo STF e STJ, responsáveis pela
interpretação final dos dispositivos constitucionais e da legislação em
geral.

* quanto ao modo- gramatical, teleológica, histórica e sistemática.


(i) gramatical- leva em conta o sentido literal das palavras contidas
no texto legal. Seu instrumento de interpretação é a gramática, o
dicionário;
(ii) teleológica- tenta descobrir o significado da norma mediante
análise dos fins a que se destina o dispositivo (qual seria a verdadeira
intenção do legislador?);
(iii)
histórica- avalia os debates que envolveram a aprovação da
norma e os motivos que levaram à apresentação do projeto de lei;
(iv) sistemática- busca o significado da norma por sua integração
com os demais dispositivos de uma mesma lei ou com o sistema
jurídico como um todo.

* quanto ao resultado- declarativa, restritiva e extensiva.


(i) declarativa- o interprete da lei conclui que a letra da lei
corresponde exatamente àquilo que o legislador pretendia
regulamentar;
(ii) restritiva- a conclusão que se chega é que o texto abrangeu
mais do que o legislador queria, de modo que o intérprete reduz seu
alcance no caso concreto;
(iii) extensiva- o intérprete conclui que o legislador adotou redação
cujo alcance ficou aquém de sua real intenção e, por isso, a
interpretação será no sentido de que a regra seja também aplicada a
outras situações que guardem semelhança. - Ex: art. 260 CPP dispõe
que, caso o acusado não atenda à intimação para ser interrogado, a
autoridade poderá determinar sua condução coercitiva. Embora a lei
se refira a acusado,
admite-se, por interpretação extensiva, que o dispositivo seja aplicado
também ao indiciado na fase de inquérito policial.

- interpretação extensiva, interpretação analógica e analogia (art. 3º)-


o CPP permite a interpretação extensiva e o uso da analogia, pouco
se importando se é para beneficiar ou prejudicar o réu.
- OBS- lembremos que, ao contrário do que ocorre no Direito Penal,
em que só é admitida a analogia in bonam partem (em favor do
réu), em matéria processual penal não existe limitação, pois é
necessário que haja eficácia na persecução penal, que não pode
restar prejudicada pela omissão legislativa.

*interpretação extensiva- é a ampliação do conteúdo da lei, efetivada


pelo aplicador do direito, quando a norma disse menos do que
deveria.
- Ex: quando se cuida das causas de suspeição do juiz (art. 254 CPP),
deve-se incluir também o jurado, que não deixa de ser um
magistrado, embora leigo; onde o CPP fala em réu, para o fim de
obter a liberdade provisória, é natural incluir o indiciado.

*interpretação analógica- é um processo de interpretação, usando a


semelhança indicada pela própria lei.
- Ex: o mesmo artigo 254, inciso II, ao tratar das razões de suspeição
do juiz, usa a expressão “estiver respondendo a processo por fato
análogo”.

*analogia- é um processo de integração do direito, utilizado para


suprir lacunas; aplica-se uma norma existente para uma determinada
situação a um caso concreto semelhante, para o qual não há qualquer
previsão legal.

- Ex:
Súmula 696 STF: “reunidos os pressupostos legais permissivos
da suspensão condicional do processo, mas se recusando o
promotor de justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a
questão ao Procurador Geral, aplicando-se por analogia, o art. 28 do
CPP”.

- analogia # interpretação extensiva- analogia é forma de integração


da lei decorrente de lacuna do direito, de omissão legislativa em
torno de determinado assunto; interpretação extensiva é forma de
interpretação da lei que confere maior alcance a determinado
dispositivo.
- Ex: o art. 581, I, CPP prevê o cabimento de recurso em sentido
estrito contra a decisão que rejeita a denúncia ou queixa, sendo
que, por interpretação extensiva, entende-se que abrange também
as hipóteses de rejeição de aditamento.

- costumes- no âmbito do direito processual, os costumes referem-se


aos usos comuns, aplicados em todos os juízos, no tramitar das
ações penais, ainda que não previstos expressamente na legislação.
- por exemplo, o costume de dar vista ao Ministério Público em
inquérito que apura crime de ação privada para que verifique
eventual conexão com crime de ação pública ou a ocorrência de
causa extintiva da punibilidade; a concessão de prazo às partes para
localizarem testemunhas não encontradas pelo oficial de justiça,
etc.

- princípiosgerais de direito- são regras que se encontram na


consciência dos povos e são universalmente aceitas, mesmo que
não escritas.
- Alguns dos princípios gerais do processo penal são tão importantes
que foram elevados à condição de norma constitucional, como o
princípio do estado de inocência, do contraditório e da ampla
defesa, enquanto outros continuam não escritos, mas
unanimemente aceitos, como o princípio da verdade real, do favor
rei, da defesa falar sempre por último etc.

- fontes do direito processual penal- quanto à origem das normas


processuais, elas podem ser dividas em duas fontes: material e
formal.

*fonte material- são as entidades criadoras do direito, por isso


chamadas de fontes de criação ou de produção. A fonte criadora
(material) das leis processuais é a União (art. 22, I, CF) e,
subsidiariamente, os Estados e o Distrito Federal (art. 22, parágrafo
único).
OBS- o processo criativo da norma se dá pela aprovação do projeto de
lei pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, bem como
pela sanção do Presidente da República.
*fonte formal- também chamada de fontes de revelação ou de
cognição, e diz respeito aos meios pelos quais o direito se exterioriza.
- Subdividem-se em:
- fontes formais imediatas (são as leis em sentido amplo, abrangendo
o texto constitucional, a legislação infraconstitucional – leis
ordinárias, complementares etc – e os tratados, as convenções e as
regras de direito internacional, além das súmulas vinculantes do STF
(sobre a Súmula
vinculante, vide Art. 103-A, CF) e as
- fontes formais mediatas (que são a analogia, os costumes e os
princípios gerais de direito).

Inquérito Policial

- conceito- trata-se de um procedimento investigatório instaurado em


razão da prática de uma infração penal, composto por uma série de
diligências, que tem como objetivo obter elementos de prova para
que o titular da ação possa propô-la contra o criminoso.

- funcionamento- cometido um delito, o Estado, através da polícia


civil, deve buscar provas acerca da materialidade e autoria para
apresenta-las ao titular da ação penal (Ministério Público ou
ofendido), para que este, apreciando-as, decida se oferece ou não
denúncia ou queixa-crime.

- diz-se que, o destinatário imediato do inquérito policial é o titular da


ação penal (Ministério Público ou ofendido) e o destinatário mediato
é o juiz.

- diferença entre Inquérito policial e termo circunstanciado - o

inquérito policial é instaurado para apurar infrações penais que


tenham pena superior a 2 anos; o termo circunstanciado será lavrado
quando acontecerem infrações de menor potencial ofensivo (crimes
com pena máxima não superior a 2 anos e todas as contravenções
penais).

- exceções ao termo circunstanciado- algumas hipóteses de crimes


perpetrados com pena máxima não superior a 2 anos não ensejarão
a lavratura de Termo Circunstanciado (TC):
(a) aqueles casos onde, apesar da infração prever pena não
superior a 2 anos, mas que se revestem de alguma
complexidade, inviabilizando sua apuração mediante TC;

(b) todas as infrações que envolvam violência doméstica ou


familiar contra a mulher, independentemente da pena, serão
apurados mediante inquérito policial.

- OBS- não é necessária prévia representação do ofendido para


que seja elaborado o Termo Circunstanciado no caso de infração de
menor potencial ofensivo, pois nos casos da Lei 9.099/95, a
representação da vítima é colhida posteriormente, na fase do artigo
75, caput.

- características do Inquérito Policial- realizado pela Polícia


Judiciária, inquisitivo, sigiloso, escrito e dispensável ou prescindível.

(a) realizado pela Polícia Judiciária (civil ou Federal)- a presidência do


IP fica a cargo da autoridade policial (delegado de polícia civil ou
federal) que é auxiliado por investigadores de polícia, escrivães,
agentes policiais nas diligências necessárias.
- no caso de crime militar, será instaurado IP militar, de
responsabilidade da própria Polícia Militar ou das Forças
Armadas, dependendo do autor da infração;
- também não será instaurado IP quando for cometido crime por
membro do MP ou juiz de direito, ficando a investigação a cargo da
própria chefia da instituição ou do Judiciário.

(b) caráter inquisitivo- o IP é um procedimento investigatório onde


não vigora o princípio do contraditório que, nos termos do art. 5., LV,
CF, só existe após o inicio efetivo da ação penal.
- mesmo assim, é possível que o réu proponha a autoridade
diligências ou apresente documentos que entenda pertinentes,
cabendo ao delegado decidir acerca da realização da diligência
solicitada ou não, juntada do documento etc; aliás, a própria vitima
também pode requerer diligências (art. 14, CPP).
- justamente por não ter o contraditório, o IP não pode constituir
fonte única para prolação de sentença condenatória, sendo sempre
necessária alguma prova produzida em juízo, em conjunto com o IP,
para embasar a procedência da ação (CPP, art. 155).
(c) caráter sigiloso (CPP, art. 20)- a finalidade é a de evitar que a
publicidade em relação às provas colhidas ou àquelas que a
autoridade pretende obter prejudique a apuração do ilícito.
- o Estatuto da OAB (Lei 8.906/94), em seu artigo 7º., XIV, possibilitou
ao advogado o acesso ao IP; isso tudo foi confirmado pela Súmula
vinculante nº. 14 STF

(d) é escrito (art. 9º)- os atos do IP, na sua maioria, devem ser
reduzidos a termo para que haja segurança em relação ao seu
conteúdo.
- existe ressalva expressa contida no artigo 405, §1º e §2º, CPP, que
possibilita o registro do depoimento do investigado/indiciado,
ofendido e testemunhas através de gravação magnética (inclusive
audiovisual), sem necessidade de posterior transcrição.

(e) é dispensável ou prescindível- a existência do IP não é obrigatória


e nem necessária para o desencadeamento da ação penal, aliás, há
vários dispositivos no CPP permitindo que a denúncia ou queixa sejam
apresentadas com base nas chamadas peças de informação que, na
verdade, podem ser quaisquer documentos que demonstrem a
existência de indícios suficientes de autoria e de materialidade da
infração penal (vide artigo 39, §5º e artigo 40).

- Ex.:sindicância instauradas no âmbito da Administração Pública


para apurar infrações administrativas, onde acabam também sendo
apurados ilícitos penais, de modo que os documentos são
encaminhados diretamente ao MP; art. 28., que trata da
discordância entre juiz e promotor quando ao pedido de
arquivamento do último, faz menção expressa às peças de
informação.

- local
onde o IP deve tramitar- é o local da infração. Se o crime
aconteceu em Suzano o IP deve tramitar na Comarca de Suzano.

- conceitode circunscrição (art. 4º)- é o território dentro do qual as


autoridades policiais e seus agentes desempenham suas atividades.

- suspeição do delegado (art. 107, CPP)- não cabe pedido de


suspeição do delegado ao juiz de direito; em caso de dúvida, a parte
interessada poderá pedir o afastamento do delegado diretamente ao
seu superior hierárquico.
JUIZ DE GARANTIAS – (Arts. 3º-A até F) – (acrescentado pelo Pacote
Anticrime – Lei 13.964/19)

- Art. 3º-A- é dada estrutura acusatória ao processo criminal, ficando


proibida a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição
da atuação probatória do órgão de acusação.
- contudo, pontualmente, nos limites legalmente autorizados, pode
determinar a realização de diligências suplementares, para fim de
dirimir dúvida sobre questão relevante para o julgamento de mérito.

- Art.3º-B- este dispositivo foi declarado constitucional pelo STF,


fixando-se prazo de 12 (doze) meses para que sejam adotadas
medidas legislativas e administrativas necessárias a adequação das
leis de organização judiciária, à efetiva implantação e ao efetivo
funcionamento do juiz das garantias em todo país. Este prazo
poderá ser prorrogado uma única vez por mais 12 (doze) meses.
- atribuições do juiz de garantias: controle da legalidade da
investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais.
- rol de atribuições:
I- ser comunicado imediatamente sobre a prisão de alguém; II-
receber o auto de prisão em flagrante para controle da legalidade da
prisão (audiência de custódia – art. 310);
III- zelar pela observância dos direitos do preso, em especial,
determinar sua condução à presença do juiz a qualquer tempo; IV- ser
informado sobre instauração de investigação criminal; V- decidir sobre
requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar;
VI- prorrogar, substituir ou revogar a prisão provisória ou medida
cautelar, assegurado, no primeiro caso, o contraditório em audiência
pública e oral;
VII- decidir sobre requerimento de produção antecipada de provas
urgentes e não repetíveis, assegurado o contraditório e a ampla
defesa em audiência pública e oral;
VIII- prorrogar prazo de duração do IP, estando o investigado preso;
IX- determinar o trancamento do IP quando não houver
fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento; X-
requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia
sobre andamento de investigações;
XI- decidir sobre: interceptação telefônica, do fluxo de comunicações
em sistema de informática e telemática ou de outras formas de
comunicação; afastamento do sigilo fiscal, bancário ou de dados e
telefônico; busca e apreensão domiciliar; acesso a informações
sigilosas; outros meios de obtenção de prova que restrinjam direitos
fundamentais do investigado; julgar HC impetrado antes do
oferecimento da queixa ou denúncia; determinar instauração de
incidente de insanidade mental; decidir sobre o recebimento da
denúncia ou queixa; assegurar o acesso ao investigado e seu
advogado a todos os elementos informativos e provas produzidos no
âmbito da investigação criminal, salvo aqueles que dizem respeito a
diligências em andamento; deferir a admissão do assistente de
acusação; decidir sobre homologação de ANPP ou de colaboração
premiada, quando formalizados durante a
investigação;

- Art.
3º-C- competência: todas as infrações penais, exceto as de
menor potencial ofensivo.
- as normas relativas ao juiz de garantias não se aplicam as seguintes
situações: a) processos de competência originária dos tribunais,
regidos pela Lei 8.038/90; b) processos de competência do Tribunal
do Júri; c) casos de violência doméstica e familiar (em agosto de
2023); e d) infrações penais de menor potencial ofensivo.

- CUIDADO- foi declarada a inconstitucionalidade da expressão


“recebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste
Código”, para assentar que a competência do juiz das garantias cessa
com o oferecimento da denúncia.

- após recebimento da denúncia ou queixa, todas as questões


pendentes serão resolvidas pelo juiz da instrução e julgamento. -
decisão do juiz de garantias NÃO vinculam o juiz da instrução, que
após o recebimento da denúncia, poderá revê-las.

-Art. 3-D e parágrafo único – foram declarados inconstitucionais pelo


STF.
-Art. 3-D- juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato dos
artigos 4º e 5º do CPP, ficará impedido de funcionar no processo.
- Parágrafo único- cuida das comarcas do interior onde há somente
um juiz - rodízio.

- Art.
3º-E- designação do juiz de garantias conforme normas de
organização judiciária da União, Estados e DF.
- juiz de garantias será investido, e não designado, conforme normas
de organização judiciária da União, dos Estados e do DF,
observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados
pelo respectivo tribunal.

- Art. 3º-F- (DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL) dever de


assegurar o cumprimento das regras para o tratamento dos presos,
impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade com órgãos
da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão,
sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal.
- Art. 3º-F- dever de assegurar o cumprimento das regras para o
tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer
autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem da
pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabilidade civil,
administrativa e penal.

- formas de instauração do IP (art. 5º)- a instauração do IP pode


acontecer de 5 maneiras: (FAZER TABELA)- de ofício, através de
requisição do juiz ou do MP, requerimento do ofendido e no caso de
flagrante delito.

(I) de ofício- ou seja, por ato voluntário da autoridade policial


(delegado de polícia), sem que tenha havido pedido expresso de
qualquer pessoa nesse sentido;

- a autoridade é obrigada a instaurar o IP sempre que tomar


conhecimento da ocorrência de crime de ação pública
(comunicação de outros policiais, matéria jornalística, boletim de
ocorrência lavrado em sua delegacia etc);

- o delegado vai baixar uma Portaria, que é a peça que dá início


ao procedimento inquisitorial, onde declara instaurado o IP e
determina as providências iniciais.

- Art. 5º., §3º- delatio criminis- qualquer pessoa do povo que


souber sobre um crime poderá, verbalmente ou por escrito,
comunica-lo à autoridade policial que, verificada a procedência das
informações, determinará a instauração do IP.

- em razão das várias formas como o delegado pode receber a


noticia criminis, a doutrina fez a seguinte classificação:
(a) de cognição imediata- autoridade fica sabendo da infração
penal em razão do desempenho de suas atividades;
(b) de cognição mediata- toma conhecimento por intermédio de
terceiros (requerimento do ofendido, requisição do juiz ou do
MP, delatio criminis etc.);
(c) de cognição coercitiva- quando decorre de prisão em flagrante.

- e no caso de denúncia anônima a respeito da ocorrência de um


crime??? Ele deve ou não instaurar IP???- Segundo o STF, o IP não
pode ser instaurado de imediato quando a autoridade policial recebe
a notícia anônima, desacompanhada de qualquer elemento de prova;
neste caso, deverá realizar diligências preliminares ao receber a
notícia apócrifa e, se confirmar a possibilidade de o crime realmente
ter ocorrido, é que poderá baixar a portaria dando início formal à
investigação.

(II) através de requisição judicial ou do MP - requisição significa


ordem; assim, quando o juiz ou o promotor de justiça requisitam a
instauração do IP, o delegado está obrigado a dar início às
investigações; neste caso, as autoridades requisitantes precisam
especificar, no ofício requisitório, o fato criminoso, que mereça ser
investigado (Ex. ao sentenciar, o juiz solicita a extração de cópias em
relação ao testemunho de alguém que mentiu em juízo e requisita ao
delegado a instauração de IP para apurar eventual crime de falso
testemunho - CP, art. 342).

(III) requerimento do ofendido- como vimos, qualquer pessoa pode


levar ao conhecimento da autoridade a ocorrência de um delito;
quando isso ocorre, normalmente é lavrado um boletim de ocorrência
que vai ser de base ao delegado dar início ao IP através da Portaria.
- em alguns casos, o legislador entendeu que o próprio ofendido pode
pedir a investigação de um crime através de requerimento que é
uma petição com a narrativa minuciosa acerca do fato criminoso em
razão da sua complexidade.
- requisitos
do requerimento do ofendido (§1º)- (a) narração do fato
com todas as suas circunstâncias, (b) individualização do
investigado com seus sinais característicos, (c) as razões de
convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, (d)
indicação de testemunhas.
- deferindo o requerimento, já está instaurado o IP sem necessidade
da autoridade baixar portaria.
- indeferimento do requerimento da vítima pelo delegado de polícia
(§2º)- neste caso, caberá recurso para o chefe de polícia (delegado-
geral ou secretário de segurança pública)

- instauração do IP no caso de prisão em flagrante - quando uma


pessoa é presa em flagrante ela é encaminhada à Delegacia de
Polícia, local onde é lavrado o auto de prisão em flagrante, que é um
documento onde fica constando as circunstâncias do crime e da
prisão; lavrado este auto, o IP está instaurado. Portanto, não precisa
de Portaria.

- representação do ofendido nos crimes de ação pública condicionada


à representação (§4º)- para instauração do IP, nos crimes em que a
ação penal pública depender de representação do ofendido, há
necessidade da prévia existência desse consentimento/desejo para
a instauração do procedimento investigativo.

- requerimentodo ofendido nos crimes de ação penal privada (§5º)-


neste caso, o IP somente pode ser instaurado se existir
requerimento de quem tenha titularidade da ação (ofendido ou
representante legal ou, em caso de morte, o cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão).

- prazos para conclusão do IP (art. 10)- depende da situação do


investigado:
- seestiver solto- prazo de 30 dias prorrogável, em caso de difícil
elucidação (§3º); neste caso, o pedido de dilação de prazo deve ser
encaminhado ao Juiz que, ouvido o MP, irá decidir.

- casoo MP concorde com a dilação, o juiz irá fixar prazo razoável


para as diligencias que deverão ser feitas;

- as vezes, o MP não concorda com a dilação e oferece denúncia ou


pede o arquivamento.
- caso o MP concorde com a dilação e o juiz indefira o pedido de
prazo, como o MP é o titular da ação, poderá ser interposto
correição parcial (recurso visando corrigir a falha).
- o pedido de dilação de prazo pode ser reiterado quantas vezes for
necessário.

- se estiver preso- prazo de 10 dias. Neste caso, o prazo de 10 dias e


contado do dia da prisão em flagrante ou do dia em que for
cumprida a prisão preventiva que for decretada posteriormente.
- este prazo é improrrogável; caso superado, a hipótese será a
impetração de habeas corpus diante do constrangimento ilegal.

- prisão temporária- a temporária, prevista na Lei 7.960/89, é


modalidade de prisão cautelar cabível somente na fase de IP; -
possuí prazo de 5 dias, prorrogável por mais 5, em caso de extrema
e comprovada necessidade nos crimes comuns e prazo de 30 dias,
prorrogável por mais 30, nos casos de crimes hediondos – esses
prazos referem-se a duração da prisão, e não da investigação.
Superados esses prazos, o investigado deve ser solto, prosseguindo-
se as investigações.

- prazos para conclusão de IP nas leis especiais-


* o artigo 51, caput, da Lei 11343/06 (Lei de Drogas), estipula que,
nos crimes de trafico, o prazo será de 30 dias, se o indicado estiver
preso, e de 90 dias se estiver solto; esses prazos poderão ser
duplicados pelo juiz, mediante pedido justificado da autoridade
policial, ouvido o MP.

*crimes de competência da Justiça Federal, o prazo será de 15 dias,


prorrogável por mais 15 (art. 66, Lei 5.010/66); no caso de tráfico
internacional de drogas, a regra é a disciplinada na Lei especial
(11.343/06), uma vez que a Lei de Tóxicos é especial.

- diligências que serão adotadas pela autoridade após instaurado


o IP, sempre visando o esclarecimento do fato delituoso (arts. 6º e
7º)- os artigos mencionados trazem um rol de diligências que devem
ser observadas:
I-dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado
e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais- isso
serve para preservação do local do crime, cuja finalidade é evitar
alterações feitas pelos autores do delito ou por populares possam
prejudicar a realização de perícia.
- isso só acontece nos crimes de maior gravidade (ex: homicídios,
latrocínios, extorsões mediante sequestro etc).
- o CP considera fraude processual (art. 347) a conduta de inovar
artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o
estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o
juiz ou o perito.
- da mesma maneira, o art. 312 da Lei de Trânsito considera
crime a conduta de inovar artificiosamente, em caso de acidente
automobilístico com vítima, na pendência do respectivo procedimento
policial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a
fim de induzir a erro o agente policial, o perito ou juiz.

II-apreender objetos que tiverem relação com o fato, após liberados


pelos peritos- o art. 11 do CPP estabelece que tais objetos deverão
acompanhar o IP, salvo se não mais interessarem à prova, hipótese
em que serão restituídos ao proprietário.
- o art. 175 CPP determina a realização de perícia nos objetos
apreendidos para ser constatada sua natureza e eficácia.

- somente serão apreendidos os objetos que tenham relação com


o fato criminoso, como por exemplo: a arma usada no roubo ou no
homicídio, a chave falsa utilizada no furto, o veículo com o qual foi
praticado o crime culposo de trânsito, o automóvel objeto da
receptação, o documento falso nos crimes contra a fé pública etc.

- através do incidente de restituição de coisas apreendidas, tanto


a autoridade policial como o Juiz poderão determinar a devolução da
coisa apreendida quando não houver dúvida quanto a propriedade e
desde que tenham sido periciados. Ex.: policiais prendem em
flagrante os assaltantes de um veículo, ainda em poder do carro
roubado; posteriormente, o veículo será restituído ao seu dono
mediante apresentação de documentação.

III- colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato


e suas circunstâncias- ouvir testemunhas, realizar avaliações de
objetos, representar para a decretação de interceptação telefônica ou
a quebra de sigilo bancário ou telefônico etc; lembremos que a lei não
permite a produção de provas ilícitas, objetivas com abuso de poder.
- a prova mais comum é a oitiva de testemunhas; ao contrário da
ação penal, no IP não existe número limitado de testemunhas que a
autoridade pode ouvir.
- defensor do indiciado pode acompanhar os depoimentos, mas
não pode fazer reperguntas as testemunhas; promotor de justiça
também pode acompanhar as inquirições (art. 26, IV, L. 8.625/93).
- no caso de flagrante, devem ser ouvidas ao menos duas
testemunhas por ocasião da lavratura do auto (CPP, art. 304).

- a testemunha tem o direito de ser ouvida na cidade onde


reside, de modo que se o IP tramita em outra cidade, deverá ser
expedida carta precatória.
- caso a testemunha notificada não compareça na data marcada,
poderá ser determinada sua condução coercitiva (art. 218).

IV-ouvir o ofendido- via de regra, é a vítima quem pode prestar os


esclarecimentos mais importantes em relação à autoria do ilícito
penal e suas circunstâncias.
- da mesma forma que as testemunhas, caso o ofendido seja
notificado e não compareça, poderá ser conduzido até o DP pela
autoridade, de maneira coercitiva (art. 201, §1º).

V- ouvir o indiciado- pessoa a quem se atribui a autoria do delito na


fase do IP.
- este interrogatório feito durante o inquérito deve ser realizado
nos moldes do interrogatório judicial (arts. 185 e ss CPP).
- a autoridade policial não pode proibir o defensor de
acompanhar o ato, contudo, este não poderá interferir ou influir no
andamento do interrogatório como perguntas ou manifestações.
- é direito do investigado permanecer em silêncio (art. 5ª., LXIII,
CF) e seu silêncio não poderá ser interpretado contra ele (art. 186,
parágrafo único, CPP).
- o termo de interrogatório no IP também deve ser assinado por
duas testemunhas que tenham presenciado a leitura da peça para o
indiciado.
- o art. 260 CPP permite a condução coercitiva do indicado na
fase investigativa; ele será qualificado e, se quiser, poderá
permanecer em silêncio.
- indiciado menor de 21 anos (art. 15)- apesar do artigo
determinar um curador ao acusado menor de 21 anos, com a entrada
em vigor do novo Código Civil, onde houve a redução da maioridade
civil para 18 anos (art. 5º), não é mais necessária a nomeação de
curador ao réu menor de 21 anos. Aliás, com a revogação do artigo
194 do CPP, também não há necessidade de nomeação de curador ao
réu menor na fase judicial.
- indiciamento- trata-se de ato formal realizado durante o IP que
decorre do fato da autoridade policial (ato exclusivo do delegado de
polícia) se convencer de que determinada pessoa é autora da infração
penal.
- se é ato exclusivo do delegado de polícia não há fundamento
jurídico para que tal providência seja adotada pelo juiz; e mais, ser ou
não indiciado não traz qualquer consequência para o desenrolar da
ação penal.

- como consequência do indiciamento - o nome e demais dados


são lançados no sistema de informações da Secretaria de Segurança
Pública relacionados àquele delito e passam, por isso, a constar da
folha de antecedentes criminais do indivíduo; em caso de futuro
arquivamento ou absolvição, o desfecho deverá também ser
comunicado à Secretaria de Segurança para que seja anotado na
folha de antecedentes.

- por causar constrangimento ao indiciado, admite-se a


impetração de habeas corpus para evitar a concretização ou para que
seja cancelado, sob argumento de que não há elementos suficientes
para o formal indiciamento.

VI- proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e acareações- o


reconhecimento de pessoa visa apontar o autor do crime e é feito
pela vítima e testemunhas que presenciaram a ação penal;
- o resultado positivo tem grande valor probatório, mas o
negativo não exclui a autoria; aliás, muitas vezes, seja em razão do
uso de toca, capacete ou algo similar, tipo camiseta, o reconhecedor
terá dificuldade para efetivar o reconhecimento; outras vezes, devido
ao tempo decorrido entre o crime e o ato, a dúvida também poderá
subsistir.
- o reconhecimento é ato passivo, de modo que o indiciado não
pode se recusar a dele participar; caso seja intimado e não
compareça, caberá condução coercitiva (CPP, art. 260) que não
depende de autorização judicial, ou seja, é levada a efeito por
determinação da autoridade policial.
- o procedimento de reconhecimento pessoal é aquele previsto
nos artigos 226 CPP; o procedimento de objeto está previsto no artigo
228 e está vinculado diretamente aos instrumentos do crime (arma
de fogo usada no roubo, faca usada no homicídio, pedaço de pau
usado no crime de lesão corporal etc) ou o próprio objeto material
(vítima de furto chamada para reconhecer objetos encontrados em
poder do acusado).
- OBS- a prerrogativa de não ser obrigado a fazer prova contra si
mesmo, princípio que só é aplicável a procedimentos ativos (Ex.:
prerrogativa de não fornecer material grafotécnico para perícia
comparativa de escrita) ou invasivos (ex.: negar-se a fornecer
amostra de sangue).
- acareação (arts. 229 e 230) é o confronto entre duas pessoas
que prestaram depoimentos divergentes em aspectos considerados
relevantes pela autoridade; elas serão colocadas frente a frente e
questionadas a respeito da divergência; a autoridade deverá lavrar
um termo constando os esclarecimentos prestados pelos acareados e
se eles mantiveram suas versões anteriores ou as retificaram.
VII- determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de
delito e quaisquer outras perícias- o exame de corpo de delito, nos
termos do artigo 158, é indispensável para prova de materialidade
dos delitos que deixam vestígios e sua ausência nesses casos é causa
de nulidade (art. 564, III, b).
- Exs. de perícias necessárias- autópsia no crime de homicídio, exame
de eficácia da arma de fogo nos crimes do Estatuto do
Desarmamento, exame documentoscópico para aferir a falsidade
documental, perícias no local do furto para comprovar as
qualificadoras do rompimento de obstáculo ou escalada, o exame
químico toxicológico nos crimes de tráfico ou porte de droga etc).

VIII- ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico,


se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes- o CPP
é anterior a CF; a CF estabelece em seu art. 5º., LVIII, que a pessoa
civilmente identificada não será submetida a identificação criminal,
salvo nas hipóteses previstas em lei. A norma constitucional proíbe a
identificação datiloscópica e fotográfica na hipótese do indiciado
apresentar documentação válida que o identifique eficazmente.
- todavia, a própria CF permite que, em
hipóteses expressamente previstas em lei especial, sejam
utilizadas aquelas formas de identificação.
- A Lei especial mencionada é a 12.037/09, que regulamenta a
matéria, estabelecendo quais documentos se prestam a identificação
civil: carteira de identidade, de trabalho,
profissional, passaporte, carteira de identificação funcional, outro
documento público que permita a identificação do indiciado (ex:
carteira de habilitação).
- essa mesma lei permite a identificação criminal quando um dos
documentos apresentados: (i) apresentar rasura ou tiver indício de
falsificação; (ii) for insuficiente para identificar cabalmente o
indiciado; (iii) o indiciado portar documentos de identidade distintos,
com informações conflitantes; (iv) a identificação criminal for
essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade
judiciária (Juiz de direito), que decidirá de ofício ou mediante
representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da
defesa; (v) constar de registros policiais o uso de outros nomes ou
diferentes qualificações; (vi) o estado de conservação ou a distância
temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado
impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.

IX- averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista


individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e
estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quais outros
elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento
e caráter- esse dispositivo é de suma importância, pois o juiz, em
caso de condenação, deverá fixar a pena base de acordo com as
circunstâncias do art. 59 CP (conduta social, personalidade,
antecedentes, circunstâncias do crime etc).
- na prática, em razão da exiguidade de tempo e do excessivo
número de IPs, as autoridades policiais limitam-se a fazer um
questionário ao próprio indiciado acerca dos tópicos mencionados no
inciso; portanto, o valor das respostas dada é praticamente nenhum.

- reprodução simulada dos fatos (art. 7º)- é a reconstituição - a


autoridade policial pode proceder a reprodução simulada dos fatos
com a finalidade de verificar a possibilidade de ter a infração sido
praticada de determinada forma; neste caso o indiciado não está
obrigado a participar do ato.
- tudo deve ser documentado por fotografias.

- outras funções da autoridade policial (art. 13)- (i) fornecer às


autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e
julgamento dos processos; (ii) realizar as diligências requisitadas
pelo juiz ou pelo Ministério Público; (iii) cumprir os mandados de
prisão expedidos pelo juiz; (iv) representar acerca da prisão
preventiva.
- além dessas, a autoridade policial também pode: (i) arbitrar fiança
nos delitos punidos com pena máxima não superior a 4 anos – art.
322; (ii) representar ao juiz para a instauração de incidente de
insanidade mental – art. 149, §1º; (iii) lavrar termo circunstanciado –
art. 69, L. 9.099/95; (iv) representar acerca da decretação da prisão
temporária – art. 2º., L. 7.960/89; (v) representar acerca da
interceptação telefônica – art. 3º., I, L. 9.296/96; etc.
- a Lei 13.344/16, inseriu novas regras no CPP, criando os artigos 13-A
(que trata das hipóteses de crimes de sequestro e cárcere privado
[148], redução a condição análoga à de escravo [149],
agenciamento, aliciamento, recrutamento etc, mediante grave
ameaça, violência etc, de pessoa [149-A],
constrangimento mediante restrição de liberdade [158, §3º] e
extorsão mediante sequestro [159] e art. 239 do ECA) e 13-B.

- incomunicabilidade do indiciado (parágrafo único, art. 21)- este


dispositivo prevê a possibilidade de o juiz decretar a
incomunicabilidade do indicado por prazo não superior a 3 dias,
visando que ele prejudique o andamento das investigações.
- estedispositivo está revogado tacitamente, diante do disposto na
CF, art. 136, §3º., IV, que veda a incomunicabilidade, até mesmo
quando decretado o estado de defesa.

- conclusão do IP- ao considerar encerradas as diligências, a


autoridade policial deve elaborar um relatório descrevendo as
providências tomadas durante as investigações; esse relatório é a
peça final do IP, que será remetido ao juízo.
-o delegado não deve nesse relatório manifestar-se sobre o mérito
das provas colhidas, pois isso é função do MP.

- arquivamento (art. 17)- a autoridade não pode determinar o


arquivamento do feito, pois essa é função exclusiva do juiz, em
razão de pedido do MP.

- IP e ação penal privada (art. 19)- neste caso, os autos do IP relatado


serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa
do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues a
eles, mediante traslado (cópias).

- instrumentos do crime (art. 11)- tanto os instrumentos do crime


como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos
do IP quando encaminhados a juízo.

- IP
e denúncia (art. 12)- o IP acompanhará a denúncia ou queixa
sempre que servir de base para o oferecimento de qualquer delas.
- desarquivamento do IP (art. 18)- após arquivado por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial pode realizar novas
diligências a fim de obter provas novas, se da existência delas tiver
notícia; caso obtidas novas provas relevantes, a ação penal poderá
ser proposta com fundamento nelas, desarquivando-se o IP.
- Súmula 524- “arquivado o IP, por despacho do juiz, a requerimento
do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem
novas provas”.
ANPP – Acordo de Não Persecução Penal (CPP, art. 28-A)

- conceito- trata-se de um pacto feito entre acusado, seu defensor e o


MP, visando o cumprimento de uma obrigação ou de algumas
condições e que, ao final, será julgada extinta a punibilidade do
agente.

- legitimidade- somente o MP.

- hipóteses-infração penal (crimes e contravenções) praticada sem


violência ou grave ameaça à pessoa, desde que com pena mínima
inferior a 4 anos (consideradas as causas de aumento e de
diminuição de pena aplicáveis ao caso concreto - §1º).

- finalidade- reprovação e prevenção do crime, ou seja, o ato deve ser


formalizado visando mostrar ao confessor que ele errou ao praticar o
delito, bem como, prevenir eventuais novos delitos. Em outras
palavras, o réu precisa saber que está recebendo um benefício que
visa sua não condenação.

- condições- podem ser ajustadas cumulativa e


alternativamente:
a) confissão do crime (caput)- tem que haver a confissão do delito por
parte do agente e também de seu defensor que terá que concordar
com a afirmação do réu.
- essa confissão tem que ser formal e circunstancial, ou seja, o ato de
confissão tem que ser formalizado por escrito, bem como o confessor,
se indagado, terá que descrever em detalhes como o crime aconteceu
e, inclusive, relatar sobre eventuais parceiros (é aqui que está o
grande problema, quando há mais de um indiciado, pois os demais, se
não quiserem o acordo, convencerão aquele que o quer a desistir de
fazê-lo).
b) reparação do dano ou restituição da coisa à vítima, exceto
impossibilidade de fazê-lo;
c) renúncia voluntária a bens e direitos indicados pelo MP como
instrumentos, produto ou proveito do crime;
d) prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por
período correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída
de 1/3 a 2/3, em local a ser indicado pelo juízo da execução penal;
e) pagamento de prestação pecuniária, a ser estipulada a entidade
pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução;
f) cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo
MP, desde que proporcional e compatível com a infração penal
imputada.

- o ANPP não terá cabimento quando (§2º):


I) se for cabível a transação penal prevista no artigo 76 da Lei
9.099/95 – Juizado Especial Criminal- sempre será preferível a
transação penal ao invés do ANPP;
II) no caso de reincidência ou se houver elementos probatórios que
indiquem que conduta criminal habitual, reiterada e profissional,
exceto se insignificantes as infrações penais anteriores- esse inciso
traz duas hipóteses: a primeira a reincidência (mais uma vez esse
instituto é usado para afastar qualquer benefício ao agente).
- conduta criminal habitual, reiterada e profissional- se o agente faz
da criminalidade um meio de vida, age como se fosse ladrão
profissional, por exemplo, não é merecedor do instituto.
III) ter sido o agente beneficiado nos 5 anos anteriores ao
cometimento da infração, em ANPP, transação penal ou suspensão
condicional do processo- o benefício anterior de qualquer um desses
três institutos inviabiliza novo benefício, desde que observado o lapso
temporal de 5 anos.

IV) crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar,


ou praticados contra mulher por razões do sexo feminino- violência
doméstica ou familiar, bem como delitos perpetrados contra mulher
inviabilizam a utilização do instituto da ANPP.

- Homologação (§4º)- para homologação desse acordo há


necessidade da realização de uma audiência onde o juiz irá verificar
sua voluntariedade, através da oitiva do investigado na presença do
seu defensor, e sua legalidade.
- execução do acordo sob fiscalização do MP (§6º)- após sua
homologação, o juiz devolverá os autos ao MP para que inicie sua
execução perante o juízo da execução penal.

- reformulação da proposta (§5º)- se o juiz considerar


inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições dispostas no
ANPP, devolverá os autos ao MP para que seja reformulada a proposta
de acordo, com concordância do investigado e do seu advogado.

- recusa de homologação (§7º)- se o juiz entender que a proposta


não atende aos requisitos legais ou quando não realizada a
adequação a que se refere ao §5º., poderá recusarse a homologa-lo.
- consequências da recusa de homologação (§8º)- o juiz
devolverá os autos ao MP para análise da necessidade de
complementação das investigações ou de oferecimento de denúncia.

- descumprimento das condições impostas (§10 e 11)- o MP


deverá comunicar imediatamente ao juízo a respeito do não
cumprimento de alguma das condições impostas, visando a rescisão
do pacto e posterior oferecimento de denúncia.
- outra consequência do descumprimento e rescisão do ANPP
vem a ser a utilização dessa quebra de pacto como justificativa para
o não oferecimento da suspensão condicional do processo.

- ANPP, antecedentes e reincidência (§12º)- a lei é muito clara


quanto a isso. A celebração do ANPP e seu cumprimento não
constarão na certidão de antecedentes criminais, exceto para
finalidade de não oferecimento de novo ANPP, no prazo de 5 anos.
Portanto, o ANPP não gera antecedentes nem reincidência.

- cumprimento integral do ANPP (§13º)- será decretada extinta a


punibilidade do agente.

- recusa do MP em oferecer o ANPP (§14º)- nessa hipótese, o


investigado poderá requerer a remessa dos autos ao órgão superior
do MP, na forma do artigo 28 do CPP.

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