DIREITO PROCESSUALPENAL
O Direito Processual Penal é o corpo de normas jurídicas cuja
finalidade é regular o modo, os meios e os órgãos encarregados de
punir do Estado, realizando-se por intermédio do Poder Judiciário,
constitucionalmente incumbido de aplicar a lei ao caso concreto – Nucci.
- “Jus puniend” (direito de punir do estado); e
- Vingança privada (autotela, punição com as próprias mãos).]
- Direito Penal objetivo é o que define infrações penais e comina penas
(sanções);
- Direito Processual Penal é o que viabiliza a aplicação jurisdicional do
Direito Penal objetivo, gerando a pacificação social e limitando o poder
punitivo do Estado (Princípio Democrático).
Objetivos constitucionais do Direito Processual Penal:
* Aplicação jurisdicional do Direito Penal
* Pacificação social e
* Limitação do “jus puniend”.
Evolução do Direito Processual Penal no Brasil
- Ordenações;
- Carta Constitucional de 1824;
- Código de Processo Criminal de 1832 (1ª instância); e
- Código de Processo Penal de 1941.
SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS
SISTEMA ACUSATÓRIO – Predominou na Antiguidade Clássica e se
estendeu até a Idade Média.
Principais características:
a) Órgão julgador composto por pessoas do povo.
b) O acusador era particular, e só a ele cabia a iniciativa do processo.
c) O acusado tinha direitos assegurados, inclusive a defensor.
d) A valoração da prova era pela íntima convicção.
e) As provas não podem ser determinadas pelo órgão julgador.
f) O processo era oral e público.
SISTEMA INQUISITIVO – Vigência com predominância na Europa
Continental do Século XIII ao XVIII.
Principais características:
a) O julgador era o próprio monarca ou príncipe, ou ainda funcionários
delegados;
b) A acusação era de responsabilidade do próprio rei, ou de seus
“procuradores”;
c) O réu não tinha direitos, nem defensor, sendo mero “objeto de
investigação”;
d) A prova tinha valor estabelecido previamente, cada prova tinha um
valor. A tortura era utilizada para obter a prova maior, a confissão;
e) O órgão julgador tinha plena liberdade na produção de prova; e
f) O processo era escrito e secreto.
SISTEMA MISTO – Vigência a partir de 1808, na França.
Principais características:
a) Há juízes togados e, em alguns casos, juízes leigos;
b) O acusador é uma entidade pública (MP), cabendo ao particular
somente em casos excepcionais;
c) O acusado tem direitos e defensor;
d) A valoração da prova era em livre convicção motivada. Somente aos
leigos cabe a íntima convicção; e
e) A produção de prova cabe tão-somente às partes.
SISTEMA PROCESSUAL BRASILEIRO
A Constituição Federal adota um modelo acusatório.
O Código de Processo Penal, por sua vez, possui várias disposições de
caráter nitidamente inquisitivo.
“Ao Sistema Acusatório lhe corresponde um juiz-espectador, dedicado,
sobretudo à objetiva e imparcial valoração dos fatos e, por isso, é mais
sábio que esperto; o rito Inquisitivo exige, sem embargo, um juiz-ator,
representante do sistema punitivo e, por isso, um enxerido, versado no
procedimento e dotado de capacidade de investigação”. Luidi Ferrajoli
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL
Fonte material ou de produção
Cabe a União fazer o direito penal, na vertente do Estado.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - Direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho.
Fontes formais ou de cognição
O que a fonte material produziu. Meios pelos quais se dá conhecimento da
norma processual penal
Imediata:
Lei.
Mediatas:
Costume;
Princípios gerais do direito; e
Súmula vinculante do STF.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL
Princípio do devido processo legal
Art. 5º, LIV, da Constituição Federal - LIV - ninguém será privado da
liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
Garantia de observância e obediência a todos os atos processuais
estabelecidos na legislação, além de todas as outras garantias processuais
(Ex.: juiz natural, contraditório, ampla defesa).
Processo justo (atualidade)
- É um superprincípio, que coordena os demais princípios.
Princípio da ampla defesa
Art. 5º, LV, CF - LV - aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes.
Direito reconhecido às partes de oferecer argumentos e seu favor e de
demonstrá-los, nos limites da lei.
Defesa pessoal + defesa técnica
Princípio do contraditório
Art. 5º, LV, CF - LV - aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes.
Necessidade de ciência bilateral dos atos processuais, com possibilidade de
contrariá-los.
Igualdade processual – ambas as partes devem ser ouvidas em igualdade
de condições.
Duas dimensões:
a) formal: direito de ser ouvido e de participar do processo;
b) substancial: direito de influenciar na decisão, através da
participação.
Princípio do estado de inocência
Art. 5º, LVII, CF - LVII - ninguém será considerado culpado até o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
Art. 8, 2, da CADH – 2 - Toda pessoa acusada de delito tem direito a
que se presuma sua inocência enquanto não se comprove
legalmente sua culpa.
Princípio da publicidade
- Art. 5º CF - LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o
exigirem;
Princípio da oficialidade
- Participação de agentes oficiais
- Órgãos e agentes com estruturação e atuação previstas na CF
Princípio do juiz natural
- Art. 5º, XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
- Conhecido também como juiz constitucional
- Obediência à prévia demarcação de competência
- Proibição de criação de órgão para julgar casos específicos (tribunal
de exceção)
Princípio da imparcialidade
- Dever de os magistrados serem imparciais; ‘
- Casos de impedimento, suspeição e incompatibilidade
Garantias: vitalidade, após 2 anos; inamovibilidade, salvo por motivo de
interesse público; e irredutibilidade de subsídio.
Vedações: exercer outro cargo ou função, salvo magistério; receber custas
ou participação; receber auxílios e contribuições de pessoas físicas,
entidades públicas ou privadas, salvo em exceções; e exercer advocacia no
juízo ou tribunal no qual se afastou, antes de 3 anos do afastamento do
cargo, por exoneração ou aposentadoria.
Princípio da proibição de revisão “pro societate”
Proibição de novo processo e julgamento de quem já foi absolvido
por decisão definitiva, devido segurança jurídica.
Ex.: Certidão de óbito falsa – Julgado do STF
Princípio da motivação das decisões
- Art. 93, IX- todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de
nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos
quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não
prejudique o interesse público à informação;
Persuasão racional: significa que o juiz forma o seu convencimento de
maneira livre, embora tenha que fundamentar suas decisões no processo.
- Exceção: julgamento pelo Tribunal do Júri
Princípio do duplo grau de jurisdição
- Garantia de revisão de uma decisão, via recurso, por outro órgão
judicial.
- Implícito na CF: existência de órgãos com competência recursal.
- Exceção: julgamento pelo pleno do STF.
Princípio da proibição de provas ilícitas
- Art. 5º, LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos;
- Provas ilegítimas (quando for obtida mediante violação à norma
de direito processual)
- Provas ilícitas por derivação: são os meios probatórios que, não
obstante produzidos, validamente, em momento posterior,
encontram-se afetados pelo vício da ilicitude originária, que a eles se
transmite, contaminando-os, por efeito de repercussão causal.
Princípio do “nemo tenetur se detegere”
- Art. 5º, LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência
da família e de advogado;
Princípio da não autoincriminação
Não sou obrigado a produzir prova contra mim mesmo. Ex.: posso negar a
fazer exame de dna caso não haja processo.
Princípio da oralidade
- Palavra falada nas declarações prestadas em juízo.
- Princípio da concentração: deve-se, em regra, fazer tudo em uma só
audiência.
Princípio da obrigatoriedade
- Obriga a autoridade policial a instaurar inquérito e o Ministério
Público a propor ação penal em caso de crime de ação penal
pública.
- Exceções: Lei 9.099/1995 e art. 28-A do CPP.
Princípio da Indisponibilidade
Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de
inquérito.
Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir da ação penal.
o MP não pode desistir da ação penal que tenha intentado, ou mesmo de um
recurso que tenha interposto.
Somente aplicável à ação penal pública.
Princípios do “favor rei” e do “in dubio pro reo”
O “favor rei” aplica-se à interpretação da lei processual penal, de modo
que, havendo dois ou mais sentidos interpretativos, deve-se optar
pelo mais favorável ao réu.
Já o “in dubio pro reo” opera no campo da apreciação da prova, dispondo
que, na dúvida acerca da culpa do réu, deve-se inocentá-lo.
Princípio da identidade física do juiz
Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora
para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu
defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do
assistente.
§ 2º Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio
requerimento das partes.
O juiz dever fazer o julgamento dos processos que fez a audiência
de instrução.
APLICABILIDADE DA NORMA PROCESSUAL PENAL
Eficácia da lei processual penal no tempo.
Princípio do efeito imediato.
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo
da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior-
“Tempus regit actum”.
a) Os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior
consideram-se válidos;
b) as normas processuais têm aplicação imediata, regulando o
desenrolar restante do processo – mesmo que mais severa, a lei aplica-
se imediatamente.
Irretroatividade e proibição de ultratividade da lei processual
penal.
A lei processual, ainda que mais benéfica, não retroage e nem se aplica
após a perda de sua vigência.
- Normas heterotópicas ou mistas, são as que abrangem o direito penal
e também o direito processual penal em um caso concreto.
Vigência, validade e revogação da lei processual penal.
Vigência: possui até o momento que outra lei a revogue.
Validade: em relação a constitucionalidade; e
Revogação: ab-rogação – revogação parcial e derrogação – revogação
total.
Eficácia da lei processual penal no espaço.
Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por
este Código, ressalvados:
I - Os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - As prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos
ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da
República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de
responsabilidade;
III - os processos da competência da Justiça Militar;
IV - Os processos da competência do tribunal especial; e
V - Os processos por crimes de imprensa
INQUÉRITO POLICIAL (ART.4 AO ART.23 DO CPP)
O procedimento administrativo levado a cabo pela Polícia Judiciária que se
destina a apurar todas as circunstâncias e a autoria de um fato que
apresenta contornos de infração penal.
O procedimento é um conjunto ordenado de atos.
O inquérito policial é um procedimento prévio ao processo penal. É
administrativo, pois é conduzido por agentes administrativos.
No âmbito estadual, o chefe dos policiais é o secretário de
segurança. No âmbito federal, o chefe dos policiais federais é o
Ministério de Justiça. A polícia está vinculado ao executivo, sendo então,
agentes administrativos e seguindo regras administrativos. Somente o
procedimento é administrativo.
Possui natureza administrativa; não se confunde com processo, pois não
há sanção ou julgamento; destina-se a fornecer ao titular da ação penal o
mínimo de elementos possíveis para a formação de sua “opinio delicti”; não
há acusação; e possui natureza inquisitiva, pois não há partes,
existindo somente uma investigação.
Tem finalidade de apurar todas as circunstâncias e autoria de um fato em
tese criminoso; e serve de base à ação penal.
Chamado de queixa-crime, caso iniciado pela vítima.
Polícia judiciária
Polícia militar é uma polícia preventiva, age após o ocorrido.
Somente faz inquérito policial militar, referente a crimes cometido por
militares.
Não se pode processar penalmente alguém sem que haja os
requisitos mínimos, que serão apresentados ao MP, para que possa iniciar
o processo.
Assim que recebido pelo MP o inquérito policial, o membro do MP fará
uma primeira análise, verificando o crime, quem é o possível autor
e qual a circunstância. Com isso, analisará se há os requisitos
mínimos, se o MP entender que seja o caso de ação penal, entrará
com a ação.
O titular da ação penal será o MP, em ações penais públicas.
Em ações penais privados, (ex. injuria, calúnia etc.) o titular da ação
penal é a vítima.
São divididas conforme suas atribuições, quais são:
a. Polícia administrativa ou de segurança: possui caráter
preventivo e ostensivo.
b. Polícia judiciária: é uma atividade exercida pelos policiais civis e
policiais federais; é uma polícia investigativa, repressiva; e age
para reprimir o crime.
Características do inquérito policial
a. Procedimento escrito (art.9 -Todas as peças do inquérito policial
serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e,
neste caso, rubricadas pela autoridade);
b. Sigiloso (art. 20 - A autoridade assegurará no inquérito o sigilo
necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da
sociedade.
Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem
solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer
anotações referentes a instauração de inquérito contra os
requerentes);
c. Inquisitivo (pois não é uma acusação, então não há defesa)
d. Obrigatório (a autoridade é obrigada a instaurar, caso haja indícios,
requisitos);
e. Indisponível (art. 17 - A autoridade policial não poderá mandar
arquivar autos de inquérito).
Atribuição para condução do inquérito policial
- Delegados de polícia de carreira (Polícias Civis e Polícia Federal
(concurso público)).
Art. 4º - A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no
território de suas respectivas circunscrições e terá pôr fim a apuração das
infrações penais e da sua autoria.
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de
autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.
Art. 22 - No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma
circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos
inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de
outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim
providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer
fato que ocorra em sua presença, noutra circunscrição.
- Autoridades titulares de cargos com prerrogativa de função.
Valor probatório
Valor probatório relativo: art. 155 - O juiz formará sua convicção pela
livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas
as restrições estabelecidas na lei civil.
Art. 3º-C - A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações
penais, exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento
da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código.
§ 3º Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das
garantias ficarão acautelados na secretaria desse juízo, à disposição do
Ministério Público e da defesa, e não serão apensados aos autos do
processo enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os
documentos relativos às provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas
ou de antecipação de provas, que deverão ser remetidos para apensamento
em apartado.
- Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas
Dispensabilidade do inquérito policial
O inquérito policial é dispensável, prevê o artigo abaixo:
Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do
Ministério Público, nos casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe,
por escrito, informações sobre o fato e a autoria e indicando o tempo, o
lugar e os elementos de convicção.
Em algumas situações, já existem todas as informações necessárias para
entrar com ação, não precisando de um inquérito policial.
Geralmente o inquérito policial é usado como base do processo, mas outras
provas obtidas por outros meios, podem também ser base do processo,
caso tenha todas as informações necessárias.
Notícia do crime (“notitia criminis”)
O inquérito começa com a notícia do crime, ao contrário do processo, que se
inicia com o oferecimento da denúncia feita pelo MP.
É o conhecimento espontâneo ou provocado, por parte da autoridade
policial, de um fato aparentemente criminoso. É com base nessa notícia que
o delegado dá início às investigações.
Classificam-se em:
a. Notícia do crime de cognição imediata: conhecimento direto ou
por meio informal (ex. denúncia anônima);
b. Notícia do crime de cognição mediata: quando o conhecimento
do fato se dá por ato formal. (ex.: B.O., requisição do juiz, do MP, ou
representação do ofendido); e
c. Notícia do crime de cognição coercitiva: será iniciado o inquérito
policial nos casos do art. 302 – Prisão em Flagrante.
Instauração
NOS CRIMES DE AÇÃO PÚBLICA INCONDICIONADA (MARIA DA PENHA
SÃO TODAS INCONDICIONADAS):
Exemplos: Crimes contra menores de idade, Delitos eleitorais, Infrações
contra idosos, Homicídios, Tráfico de drogas, Violações da Lei Maria da
Penha etc.
Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I - De ofício;
II - Mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou
a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
NOS CRIMES DE AÇÃO PÚBLICA CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO
PARA SER INICIADO)
Exemplos: injúria racial, ameaça, lesão corporal de natureza leve e
estelionato
A representação criminal é uma manifestação da parte ofendida - a
vítima - deixando explícito o seu desejo de ver a punição do
acusado ou do investigado com relação ao delito praticado.
Representação do ofendido ou Requisição do Ministro da Justiça.
Art. 5º, § 4º - O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação, não poderá sem ela ser iniciado.
Quem pode oferecer a representação:
a. Ofendido, se maior e capaz;
b. Representante legal do ofendido;
c. No caso de morte do ou declarado ausente por decisão judicial, o
direito de representação passará ao cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão
d. Procurador com poderes especiais (advogados ou defensor)
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante
legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer
dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é
o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo
para o oferecimento da denúncia.
Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa ou
representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo
único, e 31.
Requisição do Ministro da Justiça:
a. Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede
mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência
resulta lesão corporal.
“Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro”
b. Não há decadência.
NOS CRIMES DE AÇÃO PRIVADA
Art. 5o - Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I - De ofício;
II - Mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério
Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade
para representá-lo.
§ 1o - O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:
a) A narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) A individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as
razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração,
ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
c) A nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e
residência.
§ 2o - Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito
caberá recurso para o chefe de Polícia.
§ 3º - Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da
existência de infração penal em que caiba ação pública poderá,
verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e
esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar
inquérito.
§ 4o - O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação, não poderá sem ela ser iniciado.
§ 5o - Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá
proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-
la.
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do
inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a
iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão
entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
- A legitimidade e o prazo de decadência são os mesmos da
representação.
- A instauração do inquérito policial não suspende ou interrompe o
prazo decadencial para a ação privada.
Peçais iniciais do inquérito policial:
1. Auto de prisão em flagrante
2. Requisição do MP ou Juiz
3. Representação do ofendido
4. Requisição do Ministro da Justiça (sem for o caso)
Homicídio precisa de representação, é condicionada. A partir do
conhecimento do sujeito sobre o crime, o prazo inicia-se para a possível
representação.
Fatos atípicos, poderá fazer que o delegado haja negativamente à
instauração do inquérito policial.
Atos instrutórios
Segunda parte do inquérito policial, busca-se as provas (Oral, pericial,
materiais etc.). Fazer a simulação do possível ocorrido, detectar a
vítima e o(s) possível(eis) suspeito(s).
Art. 6o - Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a
autoridade policial deverá:- Não pode o delegado determinar o exame de
insanidade mental do acusado (art. 149, § 1º).
I - Dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado
e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
II - Apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após
liberados pelos peritos criminais;
III - Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do
fato e suas circunstâncias;
IV - Ouvir o ofendido;
V - Ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto
no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser
assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
VI - Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações
(não colocar juntos as testemunhas);
VII - Determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de
delito e a quaisquer outras perícias;
VIII - Ordenar a identificação do indiciado pelo processo
datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de
antecedentes;
IX - Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista
individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e
estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer
outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento
e caráter.
X - Colher informações sobre a existência de filhos, respectivas
idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de
eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa
presa.
Indiciamento
É a imputação a alguém, no IP, da prática do ilícito penal, sempre
que houver razoáveis indícios de autoria. Havendo indícios, a
autoridade tem por obrigação indiciar o investigado.
Na prática, consiste num despacho onde o delegado faz considerações
sobre os elementos de prova até então colhidos e atribui a prática delitiva
ao suspeito.
Vem após o inquérito policial. Entretanto, há liberdade para promover o
indiciamento, podendo ser em qualquer momento, até mesmo no final.
Consequências:
a. interrogatório;
b. identificação civil ou criminal;
c. elaboração do cadastro de antecedentes.
Identificação criminal (Lei nº 12.037/2009)
Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de
determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à
reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a
moralidade ou a ordem pública.
Incomunicabilidade
Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho
nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade
ou a conveniência da investigação o exigir.
- Proibição pela CF. Art. 136, IV.
Prazo para conclusão
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o
indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso
preventivamente, contado o prazo a partir do dia em que se
executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver
solto, mediante fiança ou sem ela.
Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do
inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências,
imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
- Prazos diferentes em leis especiais, ex.: Lei 11.343/2006.
Prazo de 30 dias para prisão temporária de crime hediondo.