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Do Livro

PRIMÍCIAS DO REINO
A mulher da Samaria
João 4:1 a 42

Médium – Divaldo Pereira Franco


Pelo Espírito – Amélia Rodrigues
Saindo de Jerusalém, indo a Galiléia, Jesus abandona a
estrada real, o tranqüilo curso do suave Jordão...
para galgar as montanhas de Efrain, penetrando os limites da
Samaria, evitados pelos nascidos em Judá.
A jornada do Mestre e seus discípulos fora
longa: cerca de cinqüenta quilômetros.
Ao chegarem as cercanias da
cidade, o Rabi assentou-se junto
ao tradicional “poço de Jacó”
nos terrenos que pertenceram a
esse venerando ancião.
Cântaro ao ombro,
mergulhada em íntimas
inqiuietações, uma mulher
desce ao poço sob o sol
queimante e a pino.
Surpreende-se com o
estranho olhar que lhe dirige
o forasteiro judeu, que ali,
parece aguardá-la.
Emoções desconhecidas
tumultuam-lhe o espírito.
Quando se dispõe a tomar o
vasilhame e retornar ao lar,
ouve:
Tenho sede...Dá-me de beber!
Volta-se surpresa, dominada por
estranhos e profundos
ressentimentos...
Como sendo tu judeu, me pedes de
beber a mim, que sou mulher
samaritana?
Jesus conhece as dimensões que
separam os dois povos: judeus e
samaritanos...
Não seria essa a única vez que ele
provocaria escândalo, afrontando
costumes odientos e convencionais.
Porém...o Mestre tem uma mensagem
a dar – mensagem de conciliação e
consoladora
Para isso deixara propositalmente a
estrada do Jordão e subira as serras.
Programara aquele encontro, desde
antes...
Responde-lhe, então, sem
aspereza nem revide, por
conhecê-la intimamente.
Se tu conhecesses o dom de
Deus, e quem é o que te diz: Dá-
me de beber, tu Lhe pedirias e
Ele te daria água viva.
Vibrações incomparáveis
estrugem no coração da
mulher.
Guardava ânsias de paz e não
sabia como ou onde encontrá-
la.
Senhor! Exclama – Tu não tens
com que a tirar, e o poço é
fundo; onde pois tem a água
viva?
A revelação não tarda.
Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas
aquele que beber da água que eu lhe der, nunca terá sede,
porque a água que eu lhe oferecer se fará nele uma fonte
de água que jorre para a vida eterna.
Dá-me dessa água- disse pressurosa – para que não mais
tenha sede, e aqui não venha tirá-la.
Vai chamar o teu marido e vem cá- ordena-lhe com
brandura e segurança.
Ela se perturba. Era uma pecadora e Ele o sabia,
imaginava...
Esse era o seu tormento
íntimo.Quanto se sentia ferida,
humilhada no seu amor,
receosa! As lágrimas afloram
e escorrem
abundantes...quase sem
fôlego esclarece:
Não tenho marido...
A vergonha estampa no seu rosto
moreno, a própria dor.
Disseste bem, não tenho marido, pois
que cinco maridos tivestes, e o que
agora tens não é o teu marido; isto
disseste com verdade.
Surpreendida, a samaritana não mais
oculta a alegria e a felicidade.
Senhor, vejo que és profeta!
Quantas dúvidas a atormentaram a
vida toda! ...
E ali se inicia toda explicação, na
doce vós do Rabi...
A mulher, perplexa, enche-se de
ventura.
Tão indigna se considerava, e no
entanto, fora chamada à verdade,
ouvindo o que nenhum ouvido jamais
escutara antes...
Transfigurada pelas revelações,
deseja informar-se com segurança e
indaga:
Eu sei que o Messias (que se chama
Cristo) vem; e quando vier, nos
anunciará tudo...
Eu o sou...Eu que falo contigo...
Já não há mais segredo. Não mais
silêncios. A mulher está
conquistada...
O Reino amplia fronteiras entre os “desgarrados”...
Deixando, pois o seu cântaro, a samaritana demanda a cidade e, aos
gritos proclama:
Vinde, vejam o homem que me disse tudo quanto tenho feito; por
ventura não é esse o Cristo?
Indagações explodem, espontâneas, em todos, admirados ante a
natural declaração da informante.
A convite dos moradores, Jesus ficou ainda por dois dias na
Samaria...A pregar...A curar, espalhando a certeza da Vida além da
vida.
E todos diziam a samaritana: - Já não é pelas suas palavras que nós
cremos; porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que este é
verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo...
Pela afeição com
que a samaritana
se ligou a Jesus,
primitivos cristãos
que se firmaram
na sua coragem
de proclamar suas
imperfeições,
denominaram-na
“A iluminadora".
Jesus é o nosso modelo de
Educador...No Evangelho encontramos
o título excelso de Mestre por 59
vezes...

Escolhemos esta
passagem da mulher
samaritana para
projetarmos em
nossas mentes e
corações o exemplo
do Educador por
excelência e sua
sublime lição...
Podemos traçar um
paralelo entre a didática e
prática pedagógica de
Jesus e a nosso desejo de
imita-Lo, em seus
exemplos de Educador,
em nosso esforço em
evangelizar...
Jesus em busca de seu objetivo, desvia-se de seu
caminho, confortável, para enfrentar sol
escaldante, maior distância e uma montanha para
estabelecer o reino nos corações...
As suas palavras aos apóstolos são que o seu
alimento é fazer a vontade de Deus e completar a
sua obra...
Ele chega antes da samaritana, a espera, a
aguarda...Programara este encontro muito antes...
O objetivo da mulher, a sua necessidade
momentânea, é a água...
Porém trás dentro de si, como todos nós, uma
necessidade real...
Jesus olha para a samaritana...Conhece
e sabe a sua necessidade real...
O diálogo se inicia...
Ele busca o interesse momentâneo da
samaritana para conduzi-la para o
esclarecimento e visão de sua
necessidade real...
Estabelece-se a conquista, a empatia, a
transformação...
A mulher com uma nova
visão e esclarecida deixa
o seu
cântaro...Desvencilha-se
de toda s suas dúvidas e
culpas para espalhar a
Boa Nova.
Os habitantes, que
creram por informações
da samaritana, passam a
compreender por si só,
passam a ter olhos para
ver...