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PLANO NACIONAL DE

EDUCAÇÃO
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-
Campinas)
Prof. Ms. Regilson Borges
Curso: Pedagogia
Instalação da República (15/11/1889) surgimento das primeiras
ideias de um plano.

◦ Plano: é uma etapa que antecede a concretização de alguma coisa.


◦ Um Plano é proposto para que sejam cumpridos uma ou várias
finalidades; o plano tem um caráter dirigente ao viabilizar que metas
e objetivos sejam atingidos.
1932 – Manifesto dos Pioneiros da Educação: propunha a reconstrução
educacional “de grande alcance e de vasta proporções... Um plano com
sentido unitário e de bases científicas” .
1934 – Constituição Federal – art. 150 declarava ser competência da
União “fixar o plano nacional de educação [...].
Todas as Constituições posteriores (1946; 1967; 1969;1988), exceto a
de 1937, incorporaram a ideia de um Plano Nacional de Educação.
Havia a ideia subjacente de que o Plano devia ser fixado por lei.

HISTÓRICO
1962 – Surge o primeiro PNE, elaborado já na
vigência da primeira LDB (n.4.024/61).
Não foi proposto na forma de um projeto de lei, mas
apenas como uma iniciativa no MEC.
Era basicamente um conjunto de metas quanti e
qualitativas a serem alcançadas num prazo de 8 anos.
Sofre uma revisão em 1965 (introdução de normas
descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de
planos estaduais).
Em 1966, nova revisão (introduziu alterações nas
distribuições de recursos federais, beneficiando a
implantação de ginásios orientados para o trabalho e o
atendimento de analfabetos com mais de 10 anos).
OS PRIMEIROS PLANOS
Aideia de uma lei ressurgiu em 1967, novamente proposta pelo
MEC.
Com a Constituição de 1988, ressurgiu a ideia de um plano
nacional de longo prazo (art. 214).
A LDB (n.9394/96), determina nos artigos 9 e 87 que cabe a
União, a elaboração do Plano, em colaboração com os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios.
Em 10 de fevereiro de 1998, o deputado Ivan Valente apresentou
no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei n.4.155 que
aprova o PNE.
Em 11 de fevereiro de 1998, o Poder Executivo enviou ao
Congresso Nacional a mensagem 180/98, relativa ao projeto de lei
que “institui o PNE”.
Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados com Projeto de
Lei n.4.173/98, apensado ao PL n.4.155/98.

PNE – PROJETO DE LEI


O PNE (2001) resultou de grandes embates e
discussões na sociedade e de dois projetos de
lei: o do MEC e o da sociedade brasileira.
O PNE do MEC foi elaborado pelo INEP, teve
apenas alguns interlocutores como o CONSED e
a União Nacional dos Dirigentes Municipais
(UNDIME), 1998.
O PNE da sociedade brasileira foi construído pela
sociedade civil, a partir do Congresso Nacional
da Educação (CONED II), em BH, 1997.

PNE (2001-2010) - LEI N.10.172,


DE 9 DE JANEIRO DE 2001
A tramitação do PNE (2001) foi
disputada e o texto final, elaborado
pelo relator Nelson Marchezan
(PSDB/RS), procurou fundir os dois
projetos – o que levou alguns
comentadores a caracterizá-lo como
um Frankenstein (VALENTE;
ROMANO, 2002, P.98 Apud TRÓPIA,
2011, p.21).
PNE (2001-2010) - LEI N.10.172,
DE 9 DE JANEIRO DE 2001
Este Plano estabelecia como objetivos:

i. O desenvolvimento de ações que


contribuem para a diminuição das
desigualdades sociais e regionais;
ii. A universalização da formação escolar
mínima compatível com as necessidades da
sociedade democrática moderna;
iii. A elevação global do nível de escolaridade
da população e da melhoria geral da
qualidade do ensino.
PNE (2001-2010) - LEI N.10.172,
DE 9 DE JANEIRO DE 2001
O PNE apresentava as seguintes prioridades:
1. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a
todas as crianças de 7 a 14 anos, assegurando o ingresso e
a permanência na escola e a conclusão desse ensino;
2. Garantia do ensino fundamental a todos os que a ele não
tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram;
3. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a
educação infantil, o ensino médio e a educação superior;
4. Valorização dos profissionais da educação;
5. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação
em todos os níveis e modalidades de ensino, inclusive a
educação profissional.

PNE (2001-2010) - LEI N.10.172,


DE 9 DE JANEIRO DE 2001
 Em 15 de dezembro de 2010, o Governo Federal encaminha
ao Congresso Nacional O PL propondo a criação do novo PNE.
 Antes porém, foi realizado no período de 28 de março a 1° de
abril, a Conferência Nacional de Educação, “fruto de um
compromisso institucional assumido pelo MEC no transcorrer
da Conferência Nacional de Educação Básica” (SANFELICE,
2011, p.8).
 A CONAE não aprovou nem um PNE, mas diretrizes, metas e
estratégias para um possível plano que deveria ainda ser
concebido e submetido aos trâmites legislativos para se tornar
lei.
 O documento final da CONAE (2010, p.7) ressalta a parceria
estabelecida entre inúmeras esferas institucionais e da
sociedade que levaram a consolidação de seu conteúdo.

CONAE
O Documento Final estrutura-se em seis eixos
temáticos:
EIXO I - Papel do Estado na Garantia do Direito à
Educação de Qualidade: Organização e Regulação da
Educação Nacional
EIXO II - Qualidade da Educação, Gestão Democrática e
Avaliação
EIXO III - Democratização do Acesso, Permanência e
Sucesso Escolar
EIXO IV - Formação e Valorização dos/das Profissionais
da Educação
EIXO V - Financiamento da Educação e Controle Social
EIXO VI - Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão,
Diversidade e Igualdade

CONAE – DOCUMENTO FINAL


EIXO I - Papel do Estado na
Garantia do Direito à
Educação de Qualidade:
Organização e Regulação
da Educação Nacional
Efetivação do Sistema Nacional de Educação – cuja finalidade
essencial é a garantia de um padrão unitário de qualidade nas
instituições educacionais públicas e privadas em todo o país (p.24).
 O texto destaca o que o Sistema Nacional de Educação deve prover
(p.31-33).
 Apresenta aspectos que ratificam a necessidade do SNE (p.34-36).

Regulamentação do Regime de Colaboração - que explicite a


participação da União na cooperação técnica e, especialmente, na
determinação de transferências regulares e contínuas de recursos
financeiros às instituições públicas dos Estados, DF e Municípios (p.23).
 O texto apresenta algumas ações que devem ser aprofundadas para a
regulamentação do regime de colaboração entre os entes federados (e
os sistemas de ensino) (p.25-26).

Diretrizesa serem consideradas com vistas a um novo PNE


como política de Estado (p.36-38).

EIXO I
EIXO I - Qualidade da
Educação, Gestão
Democrática e Avaliação
Gestão democrática – um dos princípios constitucionais
do ensino público, art.206, inciso VI (CONAE, 2010,
p.41).

Na educação básica, a LDB repassa aos sistemas de


ensino a definição de normas da gestão democrática,
art.3°, inciso VIII: “gestão democrática do ensino público,
na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de
ensino”.
Na educação superior, a CF/88 articula o processo de
gestão como princípio da autonomia universitária,
art.207. A LDB prevê em seu art. 56: “as instituições
públicas de educação superior obedecerão ao princípio da
gestão democrática, assegurada a existência de órgãos
colegiados deliberativos, de que participarão os
segmentos da comunidade institucional, local e regional”.
EIXO II
A fundamentação da gestão democrática
está na consolidação de um espaço público
de direito, que deve promover condições
de igualdade, liberdade, justiça e diálogo
em todas as esferas [...](CONAE, 2010,
p.42).
A gestão democrática precisa ser assumida
como fator de melhoria da qualidade da
educação e de aprimoramento e
continuidade das políticas educacionais
(CONAE, 2010, p.43).

EIXO II
Uma perspectiva ampla de gestão
democrática da educação básica e superior,
deve considerar os níveis de ensino, as
etapas e modalidades educativas, bem como
as instâncias e mecanismos de participação
coletiva (CONAE, 2010, p.43).
Aspectos imprescindíveis no processo de
construção da gestão democrática: a
autonomia didático-científica, administrativa,
pedagógica, pedagógica e de gestão
financeira, a representatividade social e a
formação da cidadania (CONAE, 2010, p.43).
EIXO II
A gestão democrática da educação não
constitui um fim em si mesma, mas um
importante instrumento do processo de
superação do autoritarismo, do
individualismo e das desigualdades
socioeconômicas (CONAE, 2010, p.43).
O texto enfatiza a necessidade de
democratizar a gestão da educação e
das instituições educativas (CONAE,
2010, p.43).

EIXO II
A gestão democrática visa:
 Garantir a participação de estudantes, profissionais
da educação, pais/mães e/ou responsáveis e
comunidade local na definição e realização das
políticas educacionais, de modo a estabelecer o pleno
funcionamento dos conselhos e órgãos colegiados de
deliberação coletiva da área educacional, por meio da
ampliação da participação da sociedade civil; instituir
mecanismos democráticos – inclusive eleição direta
de diretores/as e reitores/as, por exemplo –, para
todas as instituições educativas (públicas e privadas)
e para os sistemas de ensino; e, ainda, implantar
formas colegiadas de gestão da escola, mediante lei
específica (CONAE, 2010, p.43-44).
EIXO II
Considerando a gestão democrática como princípio
assentado no ordenamento jurídico, faz-se
necessário discutir permanentemente os processos
de organização e gestão das instituições educativas
e sistemas de ensino [..] (CONAE, 2010, p.44).
Para a efetivação dessa concepção ampla, faz-se
necessário garantir espaços articulados de decisão
e deliberação coletivas para a educação nacional:
Fórum Nacional de Educação, fóruns estaduais,
municipais e Distrital de educação, Conferência
Nacional de Educação, Conselho Nacional de
Educação (CNE), conselhos estaduais (CEE) e
municipais (CME); órgãos colegiados das
instituições de educação superior e conselhos
escolares (CONAE, 2010, p.44).
EIXO II
A composição do Fórum Nacional de
Educação deve refletir a composição da Comissão
Organizadora Nacional da Conae, constituída pela
ampla representação dos setores sociais envolvidos
com a educação (sociedade civil organizada) [...]
(CONAE, 2010, p.44).
 O Fórum Nacional de Educação deve ter pelo
menos as seguintes incumbências: convocar e
coordenar as próximas edições da Conae;
acompanhar a tramitação do novo PNE (2011-
2020) no Congresso Nacional; incidir pela
implementação das diretrizes e deliberações
tomadas nesta e nas demais edições da Conae
(CONAE, 2010, p.44).
EIXO II
 No quadro de uma política democrática, o MEC
será o órgão executivo/coordenador das políticas
nacionais do Sistema Nacional de Educação, e os
conselhos (o CNE, os CEEs, o CEDF e os CMEs)
terão caráter normativo, deliberativo e
fiscalizador das políticas de Estado (CONAE,
2010, p.45).
 O Sistema Nacional de Educação, para sua
concretização, necessita de uma política
nacional de educação, expressa no PNE e na
legislação em vigor, que garanta a participação
coletiva em todos os níveis, etapas e
modalidades educativas, envolvendo, inclusive,
os conselhos de educação (CONAE, 2010, p.45).
EIXO II
Urge definir, em lei nacional, diretrizes
gerais e mecanismos institucionais, que
regulamentem o artigo 206 da CF/88,
concretizando o princípio de gestão
democrática. Esses mecanismos devem
ser válidos, guardadas as
especificidades, para o sistema público e
para o setor privado de educação.

EIXO II
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
1988.
____. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da
União, 24 de dez. 1996.
____. Projeto de Lei n° Aprova o Plano Nacional de Educação para o
decênio 2011-2020, e dá outras providências. 2010.
CONSTRUINDO o Sistema Nacional articulado de educação: o Plano
Nacional de Educação, diretrizes e estratégias. In: CONFERÊNCIA
NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2010.
SANFELICE, José Luis. Da conferência nacional de educação – 2010
ao plano nacional de educação (2011-2020). Revista de
Educação da PUC-Campinas, v.16, n.1, p.7-18, jan./jun., 2011.
TRÓPIA, Patrícia. O plano nacional de educação em disputa no
governo Lula. Revista de Educação da PUC-Campinas, v.16,
n.1, p.19-30, jan./jun., 2011.

REFERÊNCIAS