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WOLNEY GONÇALVES DE LIMA

Eng. de Segurança do Trabalho e Engenheiro Mecânico


CREA-RJ: Coordenador-Adjunto (CEEST) Câmara
Especializada Engenharia de Segurança do Trabalho 

SOBES RIO: Vice Diretor do Departamento de Interface


da Engenharia Mecânica e de Segurança

Contato: e mail wolneydel@gmail.com


Celular : 97152-4555

Aula 1
Gerenciamento de Riscos
O que é Gerenciamento de Riscos?

Gerenciamento de riscos é o processo de planejar, organizar, dirigir e


controlar os recursos humanos e materiais de uma organização, no
sentido de minimizar ou aproveitar os riscos e incertezas sobre essa
organização.
Incertezas representam riscos e oportunidades, com potencial para
destruir ou agregar valor. O gerenciamento de riscos corporativos
possibilita aos administradores tratar com eficácia as incertezas, bem
como os riscos e as oportunidades a elas associadas, a fim de melhorar
a capacidade de gerar valor.

O valor é maximizado quando a organização estabelece estratégias e


objetivos para alcançar o equilíbrio ideal entre as metas de crescimento
e de retorno de investimentos e os riscos a elas associados, e para
explorar os seus recursos com eficácia e eficiência na busca dos
objetivos da organização.
Segundo a definição do que é gerenciamento de riscos ISO 31.000, uma
gestão de risco eficaz deve atender os seguintes princípios:
Conceito: 
Risco é a probabilidade de um evento acontecer, seja ele
uma ameaça, quando negativo, ou oportunidade,
quando positivo. É o resultado obtido pela efetividade
do perigo.

Perigo é uma ou mais condições que têm o perfil de


causar ou contribuir para que o Risco aconteça. Não se
mede e não há como eliminar o Risco. 
O Risco é um evento, ele está lá e pode acontecer a
qualquer momento.
Devemos trabalhar os Perigos. Esses devem ser
mitigados, prevenidos, analisados, mensurados e
corrigidos. São eles que ocasionam os Riscos.
Exemplo prático e fácil para entendermos a diferença
entre Perigos e Riscos:

Ação: Dirigir por um trajeto.


Resultado esperado dessa ação: Chegar ao destino com
segurança.
Risco: Acidente de trânsito
Perigos:
Não saber dirigir
Dirigir em alta velocidade
Não respeitar as leis de trânsito
Não fazer a manutenção preventiva do automóvel
Entre outros.
Ações preventivas e/ou corretivas para minimizar
os perigos: Ter carteira de motorista, respeitar as leis
de trânsito, fazer a manutenção do automóvel, etc.
Objetivos:

Entender a relação do homem com o risco e a


evolução do prevencionismo.

Compreender a questão do erro humano no


processo de tomada de decisão.

Aprender os termos e conceitos utilizados em


gerência de riscos.
A evolução do homem e o risco
As atividades inerentes ao ser humano, desde os primórdios, estão
intrinsecamente ligadas com um potencial de riscos. E, com relativa
frequência, elas resultaram em lesões físicas, perdas temporárias ou
permanentes de capacidade para executar as tarefas e morte. Nesse
contexto, as atividades de caça e pesca, cruciais à sobrevivência do
homem primitivo, eram afetadas pelos acidentes que, muitas vezes,
diminuíam a capacidade produtiva devido a lesões físicas. Quando o
homem das cavernas se transformou em artesão, descobrindo o
minério e os metais, ele pôde facilitar seu trabalho pela fabricação das
primeiras ferramentas. E, dessa forma, surgiram as primeiras doenças
do trabalho, provocadas pelos materiais utilizados para confecção de
artefatos e ferramentas. Conhecer os perigos, encontrar maneiras de
controlar as situações de risco, desenvolver técnicas de proteção,
procurar produtos e materiais mais seguros, aplicar os conhecimentos
adquiridos a uma filosofia de preservação, foram passos importantes
que caracterizaram a evolução humana ao longo da sua existência. A
princípio, a necessidade de proteção dominava as preocupações
individuais.
Conceituação e definição de termos
A seguir, serão apresentados alguns conceitos relevantes para o
prosseguimento dos estudos sobre o processo de gerenciamento de
riscos.

 Perigo  Sinistro
 Desvio  Incidente
 Segurança  Perdas
 Dano  Ato inseguro
 Causa  Condição insegura

 Sistema  Fator pessoal de insegurança


 Probabilidade  Nível de exposição
 Confiabilidade  Acidente
 Risco
Perigo:

Fonte ou situação (condição) com potencial para provocar danos em termos de


lesão, doença, dano à propriedade, dano ao meio ambiente, ou uma combinação
desses. Condições de uma variável com potencial para causar danos tais como:
lesões pessoais, danos a equipamentos, instalações e meio ambiente, perda de
material em processos ou redução da capacidade produtiva.

Desvio:

É uma ação ou condição com potencial para conduzir, direta ou indiretamente,


a danos pessoais, patrimoniais ou causar impacto ambiental, em
desconformidade com as normas de trabalho, procedimentos, requisitos legais
ou normativos, requisitos do sistema de gestão ou boas práticas. O conceito de
desvio é similar ao de perigo, apresentando a diferença que um desvio está
associado a uma não conformidade com requisitos pré-definidos. Dessa forma,
todo desvio é um perigo, mas nem todo perigo é um desvio, como perigos
naturais, ou aqueles oriundos de mudanças e processos inovadores, que não
estejam padronizados. Desvios são usualmente evidenciados por inspeções in
loco, e são um importante conceito na auditoria comportamental. Perigos
podem ser identificados tanto in loco quanto por análise a priori ou técnicas de
análises de risco. O encadeamento de perigos ou desvios normalmente são os
causadores de acidentes.
Segurança:

Segurança é a garantia de um estado de bem-estar físico e mental, traduzido por


saúde, paz e harmonia. E a segurança do trabalho é a garantia do estado de bem-
estar físico e mental do empregado no trabalho para a empresa, e, se possível,
fora do ambiente dela. É um compromisso acerca de uma relativa proteção da
exposição a perigos.

Dano:

É a consequência negativa do acidente que gera prejuízo. Gravidade da perda


humana, material ou financeira que pode resultar se o controle sobre um risco é
perdido. A probabilidade e a exposição podem manter-se inalteradas, e mesmo
assim, existir diferença na gravidade do dano. Os danos podem ser:

• Pessoais – lesões, ferimentos, perturbação mental.


• Materiais – danos em aparelhos, equipamentos.
• Administrativo – prejuízo monetário, desemprego em massa.
Causa:

Origem, de caráter humano ou material, relacionada com o evento


catastrófico ou acidente, pela materialização de um perigo, resultando em
danos. É aquilo que provocou o acidente, sendo responsável por sua
ocorrência, permitindo que o risco se transformasse em dano. Antes do
acidente existe o risco. Após o acidente existe a causa. Existem três tipos de
causas: atos inseguros, condições inseguras e fator pessoal de insegurança.

Sistema:

É um arranjo ordenado de componentes que estão inter-relacionados e que


atuam e interagem com outros sistemas, para cumprir uma determinada
tarefa ou função (objetivo) previamente definida, em um ambiente. Um
sistema pode conter ainda vários outros sistemas básicos, chamados
subsistemas.

Probabilidade:

É a chance de ocorrência de uma falha que pode conduzir a um determinado


acidente. Essa falha pode ser de um equipamento ou componente do mesmo,
ou pode ser ainda uma falha humana.
Confiabilidade :

É quantitativamente definida como sendo a probabilidade que um componente,


dispositivo, equipamento ou sistema desempenhe satisfatoriamente suas
funções por um determinado espaço de tempo e sob um dado conjunto de
condições de operação.

Sinistro:

É o prejuízo sofrido por uma organização, com garantia de ressarcimento por


seguro ou por outros meios.

Incidente:

Qualquer evento ou fato negativo com potencial para provocar danos, que por
algum fator, não leva ao acidente. Também denominado de quase acidente. Esse
evento é muitas vezes atribuído ao anjo da guarda. O estudo dos incidentes leva
ao conhecimento sobre as causas, que poderiam vir a tornar-se acidentes.
Perdas:

As perdas podem ser tangíveis, quando se referem a prejuízos mensuráveis, ou


intangíveis, quando se referem a elementos de difícil mensuração como a
imagem da empresa.

Ato inseguro:

É todo ato, consciente ou não, realizado pelo trabalhador ou empresa, capaz de


provocar dano ao trabalhador, a seus companheiros ou a máquinas, materiais e
equipamentos. Está diretamente relacionado a falha humana. Os atos inseguros
são cometidos por imprudência, imperícia ou negligência. Exemplo: a falta de
treinamento, excesso de trabalho, pressa, teimosia, curiosidade, improvisação e
autoconfiança.

Condição insegura:

Consiste em irregularidades ou deficiências existentes no ambiente de trabalho


que constituem riscos para a integridade física do trabalhador e para a sua
saúde, bem como para os bens materiais da empresa. A falta de limpeza e
ordem no ambiente de trabalho, assim como máquinas e equipamentos sem
proteção ou a segurança improvisada, são fatores que produzem a condição
insegura.
Fator pessoal de insegurança :

Problema pessoal do indivíduo que pode vir a provocar acidentes, tais como
problemas de saúde, problemas familiares, dívidas, alcoolismo, uso de
substâncias tóxicas, entre outros.

Nível de exposição:

É relativo à exposição a um risco que favorece a sua materialização como causa


de um acidente e dos danos resultantes. O nível de severidade varia de acordo
com as medidas de controle adotadas, ou seja:

Nível de Exposição= __________ _Risco______________


Medidas de Controles Adotadas
Acidente:

Toda ocorrência não programada que pode produzir danos. É um acontecimento


não previsto, ou se previsto, não é possível precisar quando acontecerá. Há
diferentes conceitos para acidente, os principais são o legal e o prevencionista.

 Conceito legal – acidente é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a


serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que
cause morte, perda ou redução permanente ou temporária da capacidade
laboral para o trabalho.

 Conceito prevencionista – acidente é uma ocorrência não programada,


inesperada ou não, que interrompe ou interfere no processo normal de uma
atividade, ocasionando perda de tempo útil, lesões nos trabalhadores ou
danos materiais.
História da segurança e saúde do trabalho no Brasil e no
mundo.
Vamos iniciar nosso estudo sobre a história da segurança e saúde no
trabalho no Brasil e no mundo, a partir do conceito de trabalho, sua
contextualização desde a Antiguidade e a relação trabalho-saúde-
doença, que sempre existiu.
A palavra “trabalho” surgiu a partir do vocábulo latino tripaliu –
denominação de um instrumento de tortura formado por três (tri) paus
(paliu).  Desde a Antiguidade até a Idade Média o trabalho sempre esteve
aliado a um sentido negativo, de castigo e sofrimento.
Aristóteles dizia que a “escravidão de uns é necessária para que outros possam
ser virtuosos”. Em outras palavras, o homem deveria ser livre para se
dedicar à própria perfeição. O trabalho o impede de consegui-lo. Só a vida
contemplativa, e não a vida ativa leva o homem à dignidade. Percebemos
então que a ociosidade era o valor e o trabalho, o desvalor.
Somente a partir do Renascimento, a noção negativa associada ao
trabalho vai aos poucos tomando uma feição positiva, quando surgiram
as ideias de valorização do trabalho como manifestação da cultura, e este
começou timidamente a ser visto como um valor da sociedade e do
próprio homem.
Sabe-se que a relação existente entre trabalho-saúde-doença já era
percebida desde a Antiguidade. Porém, como somente os escravos
trabalhavam (considerados não-cidadãos) eram eles que estavam
expostos aos riscos do trabalho. Por este motivo, não havia uma
preocupação efetiva no sentido de se garantir proteção ao trabalho, já
que a mão de obra era abundante.
O que se via naquela época eram alguns estudos isolados
de investigação das doenças do trabalho, como aqueles realizados pelo
médico e filósofo grego Hipócrates (460-375 a.c.), que em um de seus
trabalhos descreveu um quadro de “intoxicação saturnina” em um
mineiro (o saturnismo é o nome dado à intoxicação causada pelo
chumbo).
Plínio, O Velho, escritor e naturalista romano, que viveu no início da era
Cristã (23-79 d.C.), descreveu, em seu tratado “De Historia Naturalis“, as
condições de saúde dos trabalhadores com exposição ao chumbo e poeiras.
Ele fez uma descrição dos primeiros equipamentos de proteção
conhecidos, como panos ou membranas de bexiga de animais para o
rosto (improvisados pelos próprios escravos), como forma de atenuar a
inalação de poeiras nocivas; também descreveu diversas moléstias do
pulmão entre mineiros e envenenamento devido ao manuseio de
compostos de enxofre e zinco.
Em meados do século XVI, o pesquisador alemão George
Bauer publicou um livro chamado “De Re Metallica“, no qual que
apresentava os problemas relacionados à extração de minerais e à
fundição da prata e do ouro, com destaque para uma doença chamada
“asma dos mineiros“, que sabemos hoje tratar da silicose (doença
pulmonar caracterizada pela formação de tecido cicatricial, causada
pela inalação de poeira de sílica, por anos seguidos – os pulmões
perdem sua característica elástica, requerendo mais esforço para
respirar; é uma das mais antigas doenças ocupacionais).
Vejam que a maioria das observações se concentrava principalmente
nas atividades de extração mineral.
Em 1700, um médico italiano chamado Bernardino Ramazzini, publicou
um trabalho sobre doenças ocupacionais chamado De Morbis Artificum
Diatriba (Doenças do Trabalho), no qual relacionou os riscos à saúde
ocasionados por produtos químicos, poeira, metais e outros
agentes encontrados nas atividades exercidas por trabalhadores em
várias ocupações. Ele orientava os demais médicos a fazer a seguinte
pergunta ao paciente: “Qual o seu trabalho?” Por sua vida dedicada a
este assunto, Ramazzini ficou conhecido como o pai da Medicina
Ocupacional.
Ao longo dos anos, vários médicos e higienistas se ocuparam
da observação do trabalho (qualitativa, e não quantitativa ainda, devido
às limitações tecnológicas da época) em diversas atividades e
conseguiram chegar a várias descobertas importantes, como o médico
francês Patissier que recomendava aos ourives levantar a cabeça de vez em
quando e olhar para o infinito como modo de evitar a fadiga visual; e também
Rene Villermé, médico francês que foi além dos ambientes de trabalho
insalubres e associou a influência das jornadas excessivas, as péssimas
condições dos alojamentos, a qualidade da alimentação e o “salário abaixo das
necessidades reais”, sobre o estado de saúde dos trabalhadores.
 
Revolução Industrial
A Revolução industrial foi um processo de grandes transformações
econômicas, tecnológicas e sociais, que se iniciou em meados do século
XVIII na Europa Ocidental, mais precisamente na Inglaterra e
que revolucionou o modo como trabalhamos e vemos o mundo.
Entretanto, o avanço tecnológico dos meios de produção se contrastava
com o crescimento das doenças e mortes entre os trabalhadores
assalariados devido às precárias condições de trabalho.
Via-se também a utilização em massa do trabalho de mulheres e
crianças, (uma vez que a maioria da mão de obra masculina trabalhava nas
minas de carvão), todas elas submetidas a jornadas exaustivas de trabalho,
que não raro chegavam a quatorze ou até dezesseis horas de trabalho
diário.
Naquela época surgiram os primeiros movimentos operários contra
as péssimas condições de trabalho e ambientes insalubres. Os
trabalhadores passaram a se organizar em sindicatos para melhor
defenderem os seus interesses.
Apesar de vários riscos de várias atividades serem conhecidos, até
então pouco ou quase nada era feito para combatê-los ou reduzi-los.
Somente após muitos conflitos e revoltas, começaram a surgir as
primeiras leis de proteção ao trabalho, inicialmente das mulheres e
crianças.

Um dos marcos da legislação internacional relativa à proteção do


trabalho foi a aprovação, pelo parlamento britânico, a partir de 1802,
de várias leis conhecidas como Leis das Fábricas (do inglês, Factory
Law ou Factory Acts) com o objetivo de proteção do trabalho de
mulheres e crianças, tanto no que se refere a ambiente de trabalho
quanto às jornadas excessivas, comumente praticadas. Esta lei
abrangia inicialmente as indústrias têxteis, principal atividade
industrial naquela época, e somente em 1878 passou a valer para todas
as indústrias.
Uma destas primeiras leis chamada Factories Act 1802 (também
conhecida como Lei da Moral e Saúde dos Aprendizes) trazia as seguintes
obrigações para os proprietários das fábricas: (não se assustem com a
lista a seguir, ela dos dá uma ideia das condições de trabalho da época):

• Todos os ambientes da fábrica devem ser ventilados


• O “limo” – sujeira deve ser removido duas vezes por ano
• As crianças(!) devem receber duas mudas completas de roupa
• A jornada diária de crianças entre 9 e 13 anos deve ser no máximo 8
(oito) horas, e no caso de adolescentes entre 14 e 18 anos a jornada
não deve ultrapassar 12 (doze) horas.
• É proibido o trabalho de crianças menores de 9 (nove) anos, que
deverão frequentar as escolas a serem abertas e mantidas pelos
empregadores
• Crianças devem ocupar quartos de dormir separados por sexo, sendo
que cada cama deve ser ocupada por no máximo duas crianças
• Os empregadores são responsáveis pelo tratamento de doenças
infecciosas.
Apesar de ser considerado um avanço sobre a proteção do trabalho, o Ato
de 1802 não regulamentou a inspeção nas fábricas para verificação do
cumprimento de suas disposições, o que aconteceu somente em 1833.
Se por um lado os proprietários das fábricas, detentores dos meios de
produção, faziam forte oposição à aprovação desta lei, por outro lado eles
sabiam da necessidade de se preservar o potencial humano como forma de
garantir a produção.
Anos mais tarde, foi publicado o Ato 1831, que proibia o trabalho
noturno para jovens menores de 21 (vinte e um) anos.
Em 1833, foi aprovado o Labour of Children, etc., in Factories Act, com as
seguintes determinações:

• Obrigação de concessão de uma hora de almoço para crianças –


mantendo-se a jornada máxima de doze horas para crianças entre 14 e 18 anos
e oito horas para crianças entre 9 e 13 anos.
• Crianças entre 9 e 13 anos deve ter duas horas de aulas por dia
• Proibição do trabalho noturno para menores de 18 (dezoito) anos
Introdução de rotinas de inspeção do trabalho nas fábricas
Em 1844 houve novamente um grande “avanço” (!) na legislação
britânica, com a publicação do Factories Law 1844, com a inclusão de
requisitos expressos de proteção do trabalho das
mulheres, obrigatoriedade de comunicação e investigação de
acidentes fatais e de proteção de máquinas. É claro que a proteção
das máquinas era tão precária quanto a própria redação da lei que
obrigava sua implantação, mas de qualquer modo, já era um avanço.
Nesta época também surgiam na Alemanha as primeiras leis
de prevenção de acidentes do trabalho, o que também começou a
acontecer nos outros países da Europa.
No século XX foram criados vários organismos com o objetivo final
de proteção do trabalho.
SST no Brasil
Enquanto no início do século XIX, a Inglaterra já se preocupava com a
proteção dos trabalhadores das indústrias têxteis, (ainda que com
obrigações absurdas para a nossa referência atual, porém aplicáveis à
época), somente no final daquele século, por volta de 1870 é que se
tem notícia da instalação da primeira indústria têxtil no Brasil, no
estado de Minas Gerais.

E somente vinte anos depois é que surgiria no Brasil um dos primeiros


dispositivos legais relativos à proteção do trabalho, mais precisamente
em 1891, com a publicação do Decreto 1.313 que tratava da proteção do
trabalho de menores. Os trabalhadores adultos não eram abrangidos por
este decreto.
Estávamos nos primeiros anos da república velha e o Brasil começava a
dar os primeiros passos, ainda bastante tímidos, em direção à proteção
do trabalho. (Enquanto isso, na Inglaterra já havia, há mais de oitenta
anos, uma regulamentação sobre o trabalho infantil, através da Factory
Law!..)
Veremos a seguir, a partir da publicação do Decreto 1.313/1891 os
principais eventos e dispositivos legais relativos à Segurança e Saúde do
Trabalho no Brasil.
1891 – Publicação do Decreto 1.313:
“Estabelece providências para regularizar o trabalho dos menores
empregados nas fábricas da Capital Federal” (na época, o Rio de Janeiro)
O Decreto 1.313/91 é considerado o marco da Inspeção do Trabalho no
Brasil, pois instituiu a fiscalização permanente de todos os
estabelecimentos fabris em que trabalhavam menores. Esta fiscalização
deveria ficar a cargo de um “inspector geral”.
Apesar de sua importância, este decreto nunca foi cumprido, tendo-se
notícia que os primeiros inspetores gerais (os primeiros auditores fiscais
do trabalho!) foram nomeados somente em 1930!…
O principal objetivo deste decreto era regulamentar o trabalho de
menores do sexo feminino (de 12 a 15 anos) e do sexo masculino (de 12 a
14 anos), tanto com relação à jornada quanto ao ambiente de trabalho. Neste
último caso, vocês verão nos comentários a seguir o alto grau de
subjetividade presente na sua redação, principalmente na identificação de
determinadas condições ambientais, que na maioria das vezes era feita “à
juízo do inspetor”.
O inspetor geral era obrigado a visitar cada estabelecimento ao menos
uma vez por mês e apresentar, anualmente, ao Ministro do Interior
(ainda não existia um “Ministério do Trabalho”), um relatório no qual
deveriam constar as ocorrências mais notáveis relativas às condições dos
menores, dados pessoais, incluindo “nota de analphabeto ou não” (sic).
O decreto proibia o trabalho de menores de 12 anos, exceto no caso
de aprendizes, nas fábricas de tecidos, a partir dos 8 (oito) anos. Instituiu
jornadas de 7 (sete) a 9 (nove) horas para os menores.
O elevado grau de insalubridade presente nas fábricas fez com que a
redação deste Decreto obrigasse as oficinas a disponibilizar para cada
operário, pelo menos, 20 metros cúbicos de ar respirável. Obviamente
não havia naquela época equipamentos capazes de medir a qualidade do
ar, cabendo esta “verificação” ao próprio inspetor.
Outras obrigações constantes do decreto:
A ventilação das oficinas deveria ser franca e completa, a juízo do
inspetor, que poderia obrigar empregador o (chamado de dono da
fábrica), quando fosse preciso, a empregar qualquer dos diferentes
processos de ventilação artificial, de modo que nunca houvesse risco de
confinamento e impurificação do meio respiratório.
O solo das oficinas deveria ser perfeitamente seco e impermeável,
os detritos inconvenientes removidos e as águas servidas esgotadas.
– Proibição aos menores de exercer qualquer operação que, dada sua
inexperiência, os expusesse a risco de morte, tais como: a limpeza e
direção de máquinas em movimento, o trabalho ao lado de volantes,
rodas, engrenagens, correias em ação, ou qualquer trabalho em fosse
necessário esforço excessivo.
– Proibição de trabalho de menores em depósitos de carvão vegetal ou
animal, em quaisquer manipulações diretas sobre fumo, petróleo,
benzina, ácidos corrosivos, preparados de chumbo, e outros descritos
no decreto.
1919 – Publicação do Decreto 3.724
O Decreto 3.724 publicado em 1919, também foi uma das legislações
pioneiras no Brasil no que se refere aos cuidados sobre a segurança e saúde
do trabalho.
Este decreto apresentou uma grande evolução com relação ao decreto
1.313/1891. Apesar de ainda considerar a possibilidade de trabalho de
menores de idade e abranger somente determinadas categorias de
trabalhadores, sua redação tratava de vários assuntos que constam
atualmente na lei previdenciária 8213/91 (que dispõe sobre os planos de
benefícios da Previdência Social). Vejam o conceito de “operários” segundo
este decreto (redação original!…):
“todos os indivíduos, de qualquer sexo, maiores ou menores, uma vez que
trabalhem por conta de outrem nos seguintes serviços: construções, reparações e
demolições de qualquer natureza, como de prédios, pontes, estradas de ferro e de
rodagem, linhas de tramways elétricos, rêdes de esgotos, de iluminação, telegráficas
e telephonicas, bem como na conservação de todas essas construcções; de transporte
carga e descarga; e nos estabelecimentos industriaes e nos trabalhos
agrícolas em que se empreguem motores inanimados.”
Observem então a abrangência limitada deste decreto, que se
aplicava somente aos operários da construção civil, transporte de
carga e descarga, indústrias e trabalhos agrícolas. Trabalhadores
da saúde por exemplo, não estavam abrangidos. Mas por outro
lado, se pensarmos bem, naquela época não havia tantas outras
categorias como temos hoje…
Alguns pontos importantes do Decreto 3.724/19:
– Indenização máxima de apenas três anos de salário do operário
nos casos de morte ou incapacidade total ou permanente
– Introdução da obrigação da “Declaração de Acidente” (primeira
versão da nossa atual Comunicação de Acidente do Trabalho –
CAT!): que somente deveria ser feita nos casos de acidentes que
“obriguem o operário a suspender o serviço ou se ausentar”. A
Declaração de Acidente deveria ser encaminhada à autoridade
policial para instauração de processo judicial frente à Justiça
Comum (a Justiça do Trabalho foi instituída anos depois, com a
promulgação da Constituição de 1934), com prazo de 12 (doze)
dias para encerramento e decisão referente à indenização.
1943 – Decreto 5.452/43 – Consolidação das Leis Trabalhistas
A CLT foi um marco na legislação trabalhista no Brasil
pois consolidou em um único documento as legislações esparsas sobre
direito do trabalho e segurança e saúde no trabalho. Em sua redação
inicial, a CLT já possuía o Capítulo V – Da Higiene e Segurança do
Trabalho, que, em 1977 teve seu título alterado para “Da Segurança e da
Medicina do Trabalho.”
Apesar da obrigatoriedade de constituição de SESMT (chamado
inicialmente de Serviço Especializado em Segurança e Higiene do
Trabalho) ter sido incluída na CLT em 1967 (com a publicação do
Decreto Lei 229/67), somente em 1972 é que foi publicada a Portaria
3.237 que detalhava a instituição do SESMT pelas empresas, e proibia a
terceirização destes serviços.

Até meados da década de 1970, a legislação da segurança no trabalho


existente no Brasil era basicamente corretiva e não, preventiva. Havia a
preocupação em se determinar as indenizações por acidentes de
trabalho, mas não em se investigar e prevenir as causas destes
acidentes, de forma efetiva.
Vimos que desde 1967 as empresas já eram obrigadas a manter
serviços especializados em segurança e higiene do trabalho (veja o
quadro a seguir), estes, porém, eram voltados para as doenças em
geral, sem foco no contexto ocupacional; e no que se refere à
segurança, não havia ainda regulamentos específicos a serem
seguidos.
A publicação da lei 6.514 em 1977 e posteriormente da Portaria 3.214
em 1978 que aprovou as normas regulamentadoras, representou então
um marco histórico para a segurança e saúde no trabalho no Brasil.

A tabela a seguir apresenta um resumo da evolução da legislação


referente à segurança e saúde do trabalho no Brasil.
ANO LEGISLAÇÃO OBJETO OBS
1891 Decreto 1.313 Regulamentava o trabalho dos menores empregados Considerado o marco da Inspeção do
nas fábricas da capital federal Trabalho no Brasil
1919 Decreto legislativo 3.754 Regulava as obrigações resultantes de acidentes do  
trabalho
1943 Decreto 5.452 CLT – Consolidação das Leis trabalhistas Consolidação das leis esparsas relativas a
direito do trabalho e proteção do trabalho.
Consolidação da Inspeção do Trabalho como
uma atividade administrativa de âmbito
nacional
1967 Decreto lei 299 Serviços Especializados de Segurança, Higiene e Alterou a redação do artigo 164 da CLT que
Medicina do Trabalho nas empresas. passou a ter a seguinte redação: “As
empresas que, a critério da autoridade
competente em matéria de segurança e
higiene do trabalho, estiverem enquadradas
em condições estabelecidas nas normas
expedidas pelo Departamento de Segurança
e Higiene do Trabalho, deverão manter
obrigatoriamente, serviço especializado em
segurança e em higiene do trabalho e
constituir Comissões Internas de Prevenção
de Acidentes (CIPAs)
1976 Decreto lei 79.037 Aprova o Regulamento do Seguro de Acidentes do Revogado pelo Decreto
Trabalho nº 3048, de 06/05/1999
1977 Lei 6.514 Altera o Capítulo V do Titulo II da Alteração do Capítulo V – Da Higiene e
Consolidação das Leis do Trabalho, relativo a Segurança do Trabalho para “Da Segurança
segurança e medicina do trabalho e dá outras e da Medicina do Trabalho”
providências.
1978 Portaria 3.214 Aprova as Normas Regulamentadoras – NR – do  
Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do
Trabalho, relativas a Segurança e Medicina do
Trabalho
1985 Lei 7.410 Institui a especialização de engenheiro de segurança  
do trabalho e a profissão de técnico de segurança do
trabalho.
Evolução da Segurança e Saúde do Trabalho nas Constituições
Brasileiras
As Constituições de 1824 (Brasil Império) e 1891 (Primeira
Constituição da República) não traziam nenhum dispositivo de
proteção ao trabalho. Na verdade, não havia nenhuma determinação
relativa ao próprio trabalho; neste período (até 1888) o Brasil ainda
era um país escravagista.
Podemos dizer então que a proteção do trabalho no Brasil, do ponto
de vista constitucional, começou a dar seus primeiros passos no
governo de Getúlio Vargas, com a Constituição de 1934. Mas a
expressão “higiene e segurança do trabalho” foi introduzida somente
na Constituição de 1946. Vejam a tabela a seguir:
Ano Artigo Objeto
  c) trabalho diário não excedente de oito horas, reduzíveis, mas só prorrogáveis nos casos previstos em lei.
    d) proibição de trabalho a menores de 14 anos; de trabalho noturno a menores de 16 e em indústrias insalubres, a
   
    menores de 18 anos e a mulheres;
   
     h) assistência médica e sanitária ao trabalhador e à gestante, assegurando a esta descanso antes e depois do parto,
1934 121, §1, letras c,d, h sem prejuízo do salário e do emprego, e instituição de previdência, mediante contribuição igual da União, do
 
empregador e do empregado, a favor da velhice, da invalidez, da maternidade e nos casos de acidentes de
trabalho ou de morte;
    Art 137 – A legislação do trabalho observará, além de outros, os seguintes preceitos:
    j) o trabalho à noite, a não ser nos casos em que é efetuado periodicamente por turnos, será retribuído com
   
    remuneração superior à do diurno;
   
    k) proibição de trabalho a menores de catorze anos; de trabalho noturno a menores de dezesseis, e, em indústrias
    insalubres, a menores de dezoito anos e a mulheres;
1937 137, letras j,k,l,m,n
l) assistência médica e higiênica ao trabalhador e à gestante, assegurado a esta, sem prejuízo do salário, um período
de repouso antes e depois do parto;
m) a instituição de seguros de velhice, de invalidez, de vida e para os casos de acidentes do trabalho;
n) as associações de trabalhadores têm o dever de prestar aos seus associados auxílio ou assistência, no referente
às práticas administrativas ou judiciais relativas aos seguros de acidentes do trabalho e aos seguros sociais.

    Art 157 – A legislação do trabalho e a da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que
    visem a melhoria da condição dos trabalhadores:
  VIII – higiene e segurança do trabalho;
1946 157, incisos VIII, IX,
XIV e XVII IX – proibição de trabalho a menores de quatorze anos; em indústrias insalubres, a mulheres e a menores, de dezoito
anos; e de trabalho noturno a menores de dezoito anos, respeitadas, em qualquer caso, as condições estabelecidas
em lei e as exceções admitidas pelo Juiz competente;
XIV – assistência sanitária, inclusive hospitalar e médica preventiva, ao trabalhador e à gestante;
XVII – obrigatoriedade da instituição do seguro pelo empregador contra os acidentes do trabalho.
    Art 158 – A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos,
    além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição
    social:
    IX – higiene e segurança do trabalho;
   
    X – proibição de trabalho a menores de doze anos e de trabalho noturno a
    menores de dezoito anos, em indústrias insalubres a estes e às mulheres;
    XV – assistência sanitária, hospitalar e médica preventiva;
1967 158, inciso IX, X e XV
XVII – seguro obrigatório pelo empregador contra acidentes do trabalho;

    São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
    melhoria de sua condição social:
    XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,
   
1988 7º higiene e segurança
XXVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir
a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

    Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos
  termos da lei:
200º VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.

 
SEGURANÇA DE SISTEMAS A EMPRESA COMO SISTEMA: SGI E PDCA
O que é um Sistema de Gestão Integrada?
O Sistema de Gestão Integrada é um método administrativo que permite que
todos os processos e dados de uma organização permaneçam transparentes.
Ok, mas o que é este método administrativo?
É o conjunto de políticas que tem como finalidade a otimização das metas e as
atividades internas que vão muito além de um sistema de automação de
processos.
Ou seja, é a integração dos diversos sistemas de gestão da empresa com o
objetivo de implementar suas políticas e atingir seus objetivos de forma mais
eficaz.
Assim, as necessidades da empresa são identificadas, de modo
a definir quais ações devem ser tomadas para atingir as metas definidas.

São objetivos do Sistema de Gestão Integral:

• Fornecer informações mais precisas e com maior qualidade;


• Tornar processos mais simples;
• Garantir maior eficiência e produtividade para a empresa;
• Automatização das atividades;
• Maior controle sobre dados e processos.
Qualquer empresa que queira melhorar seus processos internos e ainda minimizar
os riscos, pode adotar a gestão integrada. 
Para integrar sistemas de gestão é preciso:

• Realizar um diagnóstico amplo das principais necessidades da organização;


• Mapear planos de ação;
• Verificar métricas;
• Registrar indicadores;
• Verificar a produção.

Isto para que o modelo de gestão mitigue os riscos e erros e que de fato possa
impulsionar o crescimento dos negócios.
Implantação do SGI 
Assim como os demais sistemas de gestão, a implantação do SGI também deve
seguir o Ciclo PDCA e focar na parte de planejamento.
Planejamento
Devem ser feitos estudos sobre os processos internos da empresa e mapear o
caminho adequado para ser seguido durante a implantação.
Este é o momento de entender como está a atual situação da organização,
definir objetivos e criar estratégias para alcançá-los.

Organize documentos
Um dos segredos para não gastar muito tempo na parte inicial da implantação
do SGI é reunir as principais documentações que são exigências do sistema,
como:

• Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA);


• Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO);
• Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB);
• Controle de Resíduo Perigoso;
• Laudo Ergonômico.
Analisar os Requisitos Legais da empresa
É fundamental estudar os gaps existentes na organização e verificar quais 
requisitos legais serão aplicáveis ao negócio.
Desta forma, a empresa poderá identificar o que consequentemente deverá
atender.
Estruturação do SGI
A empresa deve:

• Criar um fluxograma das atividades;


• Determinar as responsabilidades;
• Elaborar a política do SGI que vai conduzir todo o processo.
• Aqui será preciso listar todos os procedimentos internos e externos da
empresa, instruções de trabalho, formulários e registros.

Uma dica para ajudar na implantação e integração dos setores é


promover treinamentos de conscientização da Cultura Organizacional.
Implementação 

Resumidamente, é a hora de colocar a estrutura e o planejamento em prática.


Ou seja, é a hora de implementar os procedimentos, controles, verificações.

Auditoria interna 

É aqui que a empresa irá avaliar e mapear a conformidade legal das


atividades.
Neste momento a empresa vai promover uma auditoria interna para
certificar:

• Que o processo está sendo positivo;


• Que está mitigando erros e riscos, identificando ações corretivas
necessárias.

Para assim investir no processo de certificação em normas internacionais.


Assim, neste momento será escolhido o organismo certificador e a empresa
irá acompanhar a auditoria de certificação.
Melhoria contínua
Melhoria contínua

A empresa deve acompanhar frequentemente o processo e adequação do SGI,


além de verificar se os requisitos do sistema estão corretos.
Quais são os benefícios do SGI?

Quando todos os sistemas de gestão estão integrados, há crescimento das


atividades de uma organização, porque os processos e as produções
se unificaram.

As decisões se tornam menos burocráticas e mais transparentes, há um


maior engajamento entre os colaboradores e alinhamento de regras.

Ou seja, são vários os benefícios deste processo.


Podemos considerar como os 12 principais:

• Rotina mais eficiente;


• Redução de duplicações e retrabalhos;
• Melhor controle de estoque;
• Redução de custos;
• Confiabilidade de dados e informações;
• Otimização e padronização de processos;
• Redução de erros e riscos;
• Melhoria da imagem da empresa no mercado;
• Aumento da competitividade;

Aumento da qualidade do serviço e dos produtos;


Redução de riscos de acidentes de trabalho e ambientais.
Explicarei melhor alguns desses benefícios abaixo:
Rotina mais eficiente.

Os processos serão otimizados e padronizados com o SGI, além das


demais características acima, o que torna a rotina mais eficiente e
produtiva.
Redução de duplicações e retrabalhos.

Com o SGI, pode-se constatar uma redução significativa de duplicações e


retrabalho.
Com o sistema, a informação será repassada pelos e para os diversos
setores da empresa de maneira transparente e com mais confiabilidade dos
dados.
Desta forma, os trabalhos repetitivos serão sistematizados, fazendo com
que o RH da empresa possa desempenhar tarefas mais complexas e
estratégicas para a empresa.

Redução de custos.

Os custos serão reduzidos.


Isso porque com a assertividade nas tarefas e eliminação do retrabalho,
além do maior controle dos processos, a empresa reduzirá em muito os
custos com multas e atrasos.
Confiabilidade de dados e informações.

Com o SGI, as informações são mais confiáveis.

Isso porque todos os setores da empresa devem fornecer informações mais


precisas e com maior qualidade, então os dados são mais claros.
Assim, o repasse para os órgãos fiscalizadores será mais simples.
Otimização e padronização de processos.

Com o SGI implantado em sua empresa, todos os processos devem estar sendo
controlados.

Assim, todas as operações são registradas, de modo que as informações e


atividades sejam monitoradas.
Métricas para calcular os resultados do SGI
Com a unificação de sistemas, é fundamental que haja um monitoramento
constante desde a implantação do processo.

O controle pode ser feito pelo cálculo de métricas do desempenho do SGI para
garantir a melhoria contínua, a sustentabilidade do negócio, o sucesso, a
qualidade e a satisfação do cliente.

Abaixo, listamos 4 principais métricas que precisam ser controladas no SGI:

ROI (Retorno de Investimento): é um indicador que mostra para as empresas o


quanto de lucro ou prejuízo ela está tendo com cada tipo de investimento.

Isso inclui também aquelas ações que visam lucro futuro, como estratégias de
Marketing, treinamentos e novos sistemas.

O objetivo do ROI é auxiliar os negócios a analisarem quais investimentos valem


a pena e como otimizá-los ainda mais.
Ou seja, essa métrica mostra os caminhos que devem ser seguidos dali por
diante.

Otimização dos processos: acompanhar as etapas dos processos internos


garante sua qualidade e eficiência.

É importante verificar se o follow up está ocorrendo de maneira adequada e


positiva, se as entregas estão sendo realizadas dentro do prazo, se o tempo
para atendimento está dando do prazo etc;

Satisfação do cliente: A satisfação do cliente é a consequência de um bom


trabalho, não é mesmo?!
E o SGI, além de incentivar a melhoria contínua dos processos, impacta
diretamente na relação com o cliente;

Integração dos profissionais: Os colaboradores possuem entendimento dos


objetivos e benefícios do SGI? Estão trabalhando em prol da colaboração?
Estão satisfeitos?
Existem muitas opções de ferramentas no mercado que auxiliam na gestão e no
atendimento aos requisitos legais.

Por isso sugerimos analisar com cautela cada uma delas.

Atente-se para:

• Os tipos de serviços e módulos inclusos;


• Se você consegue administrar o software offline;
• Se as soluções são personalizadas ao seu modelo de negócio;
• Se as empresas de software de gestão possuem experiência e know-how.

Além disso, é importante que elas ofereçam suporte


técnico e jurídico disponíveis sempre que você precisar esclarecer dúvidas e em
conjunto desenvolver a melhor solução.
É possível anexar documentos, registros, gráficos?
Porque quanto mais possibilidades e interatividade possuir, melhor será a
ferramenta.
Classificação dos riscos
RISCOS PUROS E ESPECULATIVOS

Gestão de Riscos têm adotado diferentes classificações dos riscos que podem
atingir uma organização. Uma delas, que utilizo até hoje, agrupa basicamente os
riscos em: riscos especulativos (ou dinâmicos) e riscos puros (ou estáticos).
Um exemplo clássico que mostra essa diferença é o do proprietário de um
veículo, cujo risco (puro) que está associado a ele é o da perda potencial por
colisão. Se ocorrer eventualmente uma colisão, o proprietário sofrerá, no mínimo,
uma perda financeira. Se não ocorrer nenhuma colisão, o proprietário não terá,
obviamente, nenhum ganho.

Tradicionalmente falando, os riscos especulativos são divididos em três tipos:


riscos administrativos, políticos e de inovação.
Os riscos administrativos estão intimamente relacionados ao processo de tomada
de decisões: uma decisão errada pode gerar perdas consideráveis, enquanto que
uma decisão correta pode trazer lucros para a empresa. O problema maior está na
dificuldade de se prever, com exatidão, o resultado que advirá da decisão
adotada... Essa incerteza nada mais é do que aquela relacionada à própria 
definição de risco que está sendo adotada na nova ISO 31000 de Gestão de Riscos
Os riscos administrativos podem ainda ser subdivididos em:

- riscos de mercado: são certos fatores que tornam incerta a venda de um


determinado produto ou serviço, a um preço suficiente que traga resultados
satisfatórios em relação ao capital investido.

- riscos financeiros: dizem respeito às incertezas em relação às decisões


tomadas sobre a política econômico-financeira da organização;

- riscos de produção: envolvem questões e incertezas quanto a materiais,


equipamentos, mão-de-obra e tecnologia utilizados na fabricação de um
produto ou na prestação de um determinado serviço.

Os riscos políticos, por sua vez, derivam-se de leis, decretos, portarias,


resoluções etc., oriundos do Governo Federal, Estadual e Municipal, os quais
podem ameaçar os interesses e objetivos da organização.

Por último, os riscos de inovação referem-se às incertezas decorrentes,


normalmente, da introdução (oferta) de novos produtos ou serviços no
mercado, e da sua aceitação (demanda) pelos consumidores.
RISCOS PUROS
Os riscos puros, como já mencionado, existem quando há somente uma chance de
perda e nenhuma possibilidade de ganho ou lucro. As principais perdas acidentais
(diretas e indiretas) resultantes da materialização dos riscos puros que podem
ocorrer numa empresa podem ser agrupadas em:

 Perdas decorrentes de morte ou invalidez de funcionários;


 Perdas por danos à propriedade e a bens em geral;
 Perdas decorrentes de fraudes ou atos criminosos;
 Perdas por danos causados a terceiros (responsabilidade da empresa por poluir
o meio ambiente, responsabilidade pela qualidade de segurança do produto
fabricado ou do serviço prestado, entre outras).

Para dar uma ideia do significado, por exemplo, das perdas para o fabricante de
um determinado produto resultante de um acidente com danos ao consumidor,
vamos enumerar os itens mais importantes que incidiriam sobre a empresa:
Para dar uma ideia do significado, por exemplo, das perdas para o fabricante de
um determinado produto resultante de um acidente com danos ao consumidor,
vamos enumerar os itens mais importantes que incidiriam sobre a empresa:
 Pagamento de indenizações por lesões ou morte, incluindo o pagamento de
pensões aos dependentes do reclamante e honorário advocatício;
 Pagamento de indenizações por danos materiais não cobertos por seguro.
O risco puro é geralmente predominante em situações como desastres naturais,
incêndios ou morte. Essas situações não podem ser previstas e estão fora do
controle das pessoas. O risco puro também é chamado de risco absoluto.

Existem quatro maneiras de mitigar o risco puro: redução, prevenção, aceitação e


transferência. O método mais comum de lidar com o risco puro é transferi-lo para
uma companhia de seguros adquirindo uma apólice de seguro.

Muitas instâncias de puro risco são seguráveis. Por exemplo: uma companhia de
seguros protege o automóvel de um tomador de seguro contra roubo. Se o carro
for roubado, a companhia de seguros terá que suportar uma perda.
Seguro Contra Risco Puro
Diferentemente da maioria dos riscos especulativos, os riscos puros geralmente
são seguráveis ​por meio de apólices de seguros comerciais, pessoais ou de
responsabilidade. Os indivíduos transferem parte de um risco puro para uma
seguradora. Por exemplo, os proprietários adquirem um seguro residencial para
se proteger contra perigos que causam danos ou perdas. A seguradora agora
compartilha o risco potencial com o proprietário. Os riscos puros são seguráveis ​
em parte porque a lei de grandes números se aplica mais prontamente do que ao
risco especulativo. As seguradoras são mais capazes de prever antecipadamente
os números das perdas e não se estenderão ao mercado se as considerarem não
lucrativas.

Risco Especulativo

Diferentemente do risco puro, o risco especulativo tem oportunidades de perda


ou ganho e requer a consideração de todos os riscos potenciais antes de escolher
uma ação. Por exemplo: os investidores compram valores mobiliários
acreditando que irão aumentar em valor, mas a oportunidade de perda está
sempre presente. As empresas se aventuram em novos mercados, compram
novos equipamentos e diversificam as linhas de produtos existentes porque
reconhecem que o ganho potencial supera a perda potencial.