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NOTA DO AUTOR

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Depois de seis anos da edição dos primeiros volumes deste manual, agora condensados
num único, consegui dar seqüência à obra, com a abordagem da parte especial do
Código Penal, em dois volumes. Por que tanta demora?

Em 1997, quando começava a escrever os comentários sobre a parte especial, fui


nomeado, pelo Ministro da Justiça, membro da Comissão de Reforma do Código Penal,
presidida pelo então Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro e integrada também pelos
juristas Ela Wiecko Volkmer de Castilho, Licínio Leal Barbosa, Miguel Reale Júnior,
René Ariel Dotti e Juarez Tavares, tendo como consultores o saudoso Evandro Lins e
Silva e o grande Damásio Evangelista de Jesus. Resolvi esperar.

Mesmo com a saída de três dos seus membros a Comissão conseguiu, com grande
dedicação e afinco, tomando como ponto de partida o esboço Evandro Lins e Silva,
fruto de intensa atividade de comissão anteriormente constituída com o mesmo fim,
concluir seus trabalhos e apresentar um anteprojeto de Código Penal, que foi levado ao
conhecimento de toda a sociedade, especialmente do mundo jurídico.

Após receber inúmeras sugestões e propostas, advindas de estudiosos e interessados de


todos os cantos do país, nova Comissão foi constituída pelos mesmos que elaboraram a
primeira proposta e enriquecida com as presenças do grande advogado e Conselheiro
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Antonio Nabor Areia Bulhões, dos
Profs. Dr. Luiz Alberto Machado e Dr. Sérgio Antonio Médici, e dos Desembargadores
Menna Barreto e Dirceu de Mello, então Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo, com a finalidade de revisar o trabalho da primeira, levando em conta as
inúmeras sugestões recebidas.

O anteprojeto de novo Código Penal foi entregue ao Ministro da Justiça no dia 8 de


abril de 1999.

Os quase dois anos de atividades nas duas comissões e a esperança de que o país
pudesse ter, em tempo razoável, um novo Código Penal levaram-me a adiar a tarefa de
dar continuidade à obra. Se um novo Código Penal estava a caminho, melhor esperá-lo.
Como fui ingênuo em pensar que o Congresso Nacional iria discutir e votar a proposta
em tempo razoável. Pouco depois da entrega do anteprojeto houve substituição do
então Ministro da Justiça, e o trabalho da Comissão foi engavetado.

Além disso, minhas atividades na advocacia, cada vez mais intensas e complexas,
tornaram ainda mais difícil a conclusão da obra que, felizmente, só agora posso
apresentar ao leitor. O advogado militante, diferentemente dos demais operadores do
Direito, é um escravo, com prazos a cumprir, os quais começam e terminam,
rigorosamente, segundo as normas processuais.

Mais uma vez a intenção é apresentar um simples manual, com a utilização da


linguagem mais acessível possível, para auxiliar não só o acadêmico de Direito, mas
também os bacharéis que se preparam para o ingresso no serviço público, os
advogados, juízes, promotores e demais operadores do Direito no seu dia-a-dia
profissional. Presentes estarão, sempre que pertinente, a discussão e a reflexão sobre os
temas mais interessantes e importantes do Direito Penal.

Agradeço, pela inestimável colaboração crítica, à Dra. Thaissa de Moura Guimarães.

O Autor