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FATEC

FACULDADE DE TECNOLOGIA
DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO VOLTADAS PARA PESSOAS


COM DEFICIÊNCIA VISUAL

DANIELA RAGAZZI DOS SANTOS

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP


2006
Santos, Daniela Ragazzi dos
Tecnologias de Informação voltadas para pessoas com
deficiência visual/ Daniela Ragazzi dos Santos. – São José do Rio
Preto : [s.n.], 2006.

Trabalho de Conclusão de Curso (Informática – Ênfase Gestão

de Negócios) – Faculdade de Tecnologia de São José do Rio Preto –

FATEC.

Bibliografia: f.85.

1. Acessibilidade. 2. TI. 3. Inclusão Digital. I. Qualidade de


Software. II. Faculdade de Tecnologia de São José do Rio Preto.
III. Título
FATEC
FACULDADE DE TECNOLOGIA
DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO VOLTADAS PARA PESSOAS


COM DEFICIÊNCIA VISUAL

DANIELA RAGAZZI DOS SANTOS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade de Tecnologia de
São José do Rio Preto - FATEC, para
obtenção do grau de tecnólogo do Curso
de Informática – Ênfase em Gestão de
Negócios, sob orientação do (a) Professor:
M. Sc. Sérgio Ricardo Borges.

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP


2006
FATEC
FACULDADE DE TECNOLOGIA
DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

BANCA EXAMINADORA:

Nota Final: _______ ( ) em ___/___/2006

_________________________________
Prof. M.Sc.Sérgio Ricardo Borges

_________________________________
Profª. M.Sc. Maria Sueli Ribeiro da Silva

_________________________________
Profª. Maria de Fátima dos Santos

São José do Rio Preto


2006
À minha família, Joaninha, Ricardo e Fabiano, e a
todos que enxergam o mundo com os olhos do
coração.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, pelo dom da vida e do conhecimento;

À minha família, por todo apoio, carinho e afeto que me deram no decorrer de minha vida;

Ao professor Sérgio Borges, pelo apoio e orientação no presente projeto;

À professora Maria Sueli, por ter auxiliado na elaboração desta monografia ;

Ao Kleber, pela ajuda e o apoio dados na pesquisa;

A todos os colaboradores e responsáveis do Instituto Riopretense dos Cegos Trabalhadores,

especialmente para o Sr. Ferreira, Fabiana (assistente social),

Thiago (professor de informática), Sra. Neiva (diretora do instituto),

que me receberam com todo carinho e atenção;

Às pessoas que participaram dos testes e das entrevistas: Doraídes, Guilherme e Nei, pelo

seu interesse e dedicação apresentados durante a realização de cada tarefa;

A Rosy, Maíra e todos os colegas de minha classe, meus companheiros nesta jornada;

Aos pais do Guilherme, que permitiram com que ele viesse;

A todos os professores, funcionários e alunos da FATEC.


“A vitória sobre si mesmo é a maior das vitórias.”

PLATÃO
RESUMO

A exclusão digital é um dos maiores problemas que assolam o país. O fato se agrava mais
quando se trata do acesso de tecnologias voltadas para deficientes visuais. O presente
trabalho consiste em fazer uma análise das ferramentas tecnológicas existentes no mercado
para auxiliar o deficiente visual a interagir com um sistema computacional, assim como
apresentar estas ferramentas de acessibilidade em meio à sociedade para garantir a inclusão
destas pessoas dentro do mundo digital. Estes softwares foram selecionados por meio de
pesquisa bibliográfica e foram submetidos a testes de laboratório com usuários, onde foram
analisados diversos aspectos durante o seu funcionamento, como qualidade, facilidade,
operabilidade, com base no Teste de usabilidade, dentro da Engenharia de Software. A
principal motivação deste projeto se deu pelo fato da grande exclusão digital do deficiente
visual existente no país, dificultando o acesso à informação e aos meios digitais de
aprendizado.

Palavras-chave: acessibilidade, deficiência visual, teste de usabilidade.


ABSTRACT

The digital exclusion is one of the largest problems that devastate the country. The fact
becomes worse more when it is the access of technologies returned for deficient visual. The
present work consists of doing an analysis of the existent technological tools in the market
to aid the deficient visual to interact with a computational system, as well as presenting
these accessibility tools amid society to guarantee these people's inclusion inside of the
digital world. These programs were selected through bibliographical research and they were
submitted to laboratory tests with users, where several aspects were analyzed during her
operation, as quality, easiness, operability, with base in the usability test, inside of the
Engineering of Software. The main motivation of this project felt for the fact of the great
digital exclusion of the deficient visual existent in the country, hindering the access the
information and to the digital means of learning.

Keywords: accessibility, visual deficiency, usability test.


LISTA DE TABELAS

Tabela 3.1 – Avaliação Geral dos Softwares........................................................................ 66


Tabela 3.2 – Número de usuários que conhecem os softwares ............................................ 67
Tabela 3.3 – Quadro comparativo entre os softwares .......................................................... 72
LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1 – Tabela de Snellen ............................................................................................. 22


Figura 1.2 - O Alfabeto em LIBRAS ................................................................................... 30
Figura 1.3 - O Alfabeto em Braille....................................................................................... 31
Figura 1.4 – Numeração em Braille...................................................................................... 31
Figura 1.5 – Pontuação em Braille ....................................................................................... 32
Figura 1. 6 – Louis Braille.................................................................................................... 34
Figura 1.7 – Linha ou Terminal Braille................................................................................ 47
Figura 1.8 - Scanner de mesa............................................................................................... 47
Figura 1.9 – NoteTaker Braille............................................................................................ 48
Figura 1.10 - Impressora Braille........................................................................................... 48
Figura 1.11 - Circuito fechado de televisão ou Lupa TV .................................................... 49
Figura 2.1 – Lente de aumento do Windows........................................................................ 58
Figura 3.1 – Média Geral dos Softwares .............................................................................. 66
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 13
CAPÍTULO I - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.......................................................... 15
1.1 A Deficiência.............................................................................................................. 15
1.2 Histórias e Conquistas ................................................................................................ 28
1.3 Definições importantes sobre Tecnologia da Informação .......................................... 39
CAPÍTULO II – METODOLOGIA ................................................................................. 50
2.1 Problema e Hipóteses ................................................................................................. 50
2.2 Objetivos..................................................................................................................... 50
2.3 Tipo de Pesquisa......................................................................................................... 51
2.4 Material e Métodos..................................................................................................... 51
CAPÍTULO III – APLICAÇÃO ....................................................................................... 63
3.1 Sobre a pesquisa ......................................................................................................... 63
3.2 Sobre o perfil dos usuários ......................................................................................... 64
3.3 Sobre os Testes ........................................................................................................... 64
3.4 Apresentação dos Dados............................................................................................. 65
3.5 Discussão dos Resultados........................................................................................... 67
CONCLUSÃO..................................................................................................................... 73
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 75
ANEXO 1............................................................................................................................. 79
ANEXO 2............................................................................................................................. 82
13

INTRODUÇÃO

Uma pessoa é considerada portadora de deficiência visual quando possui perda de


visão parcial ou total, que pode ser ocasionada por diversos motivos, como acidentes,
problemas congênitos ou conseqüência do envelhecimento do indivíduo. No entanto, o fato
de uma pessoa ter deficiências visuais não significa que ela seja isolada do mundo em sua
volta.
Com a disponibilidade de recursos que permitam uma melhor interação entre o
indivíduo e o meio, as pessoas com deficiência visual podem ter uma vida mais
independente. Isto é um direito garantido no Decreto n.º 3.298, de 20 de dezembro de 1999
(Anexo 1).
Atualmente, é crescente a necessidade de softwares voltados para auxiliar os
deficientes visuais na utilização de um sistema computacional.
Existem ferramentas computacionais no mercado que permitem uma melhor
interação entre homem e máquina, mas são, em sua grande maioria, desconhecidas pela
sociedade e, em muitos casos, necessitam ser mais acessíveis aos deficientes visuais. Além
disso, é necessário que os deficientes visuais possam conhecer as potencialidades e
fragilidades de cada uma, e também em quais casos são recomendadas, ou seja, uma
ferramenta pode ser melhor para uma determinar tarefa do que outra.
O presente trabalho visa analisar as principais ferramentas computacionais
disponíveis no mercado, com base em uma avaliação criteriosa sobre as principais
características de cada uma, tais como: portabilidade, facilidade de uso, praticidade,
acessibilidade, funcionalidade e configuração mínima para sua instalação e utilização,
dentre outras, de forma a apontar quais são as potencialidades e fragilidades de uso e
também em quais casos são recomendadas cada uma delas. Além disso, um estudo
envolvendo testes com usuário portadores de deficiência visual será realizado e também
analisado.
O presente trabalho está organizado da seguinte maneira: no Capítulo I, serão
descritos os principais tipos de deficiência, como deficiência motora, deficiência auditiva,
deficiência mental e deficiência visual (público alvo do projeto). Também será apresentado
um breve histórico sobre as conquistas dos deficientes físicos, a invenção da língua de
sinais e do sistema Braille. Para uma melhor compreensão do trabalho, o último item do
14

capítulo apresenta algumas definições importantes em Tecnologia de Informação, como as


principais tecnologias existentes para auxiliar os deficientes a utilizar o computador. No
Capítulo II, serão apresentados os objetivos do presente trabalho, bem como suas hipóteses
e problemas e o tipo de pesquisa aplicada. Também serão descritas as principais
ferramentas informatizadas existentes no mercado, voltadas para o deficiente visual. No
Capítulo III, serão apresentados e discutidos os dados obtidos pela pesquisa realizada com
um usuário, em que foram avaliados os softwares escolhidos para os testes desta
investigação.
E, por fim, a conclusão do presente trabalho, onde será apresentado o resultado final
do projeto, bem como a sugestão de novas soluções e rumos para o problema em questão.
15

CAPÍTULO I - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A deficiência, desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, vem sendo um


julgo pesado nas costas de quem a carrega, não só pelas limitações que ela impõe ao
indivíduo, mas também pelo preconceito que o portador de deficiência é obrigado a
suportar em seu dia-a-dia.
O presente capítulo tem como objetivo mostrar não só as limitações dos portadores
de necessidades especiais, dando ênfase aos deficientes visuais, mas também as trajetórias
das realizações durante a história, sejam no ambiente educacional ou na conquista de leis e
direitos a uma vida mais digna.
A seguir serão apresentados o universo dos portadores de deficiência e os tipos de
deficiência: motora, mental, auditiva, visual. Também serão abordadas as conquistas dos
deficientes visuais no decorrer dos séculos e as definições de alguns termos importantes
como tecnologia da informação, sistemas de informação, software, hardware, sistemas de
reconhecimento e síntese de fala e as ferramentas tecnológicas existentes para auxiliar os
deficientes visuais a interagir com o computador.

1.1 A Deficiência

(1)
O termo deficiência, segundo o Dicionário Aurélio significa “falta, carência,
insuficiência”. Já a deficiência dentro do universo da saúde significa alguma restrição ou
perda, resultante do impedimento físico ou mental, para desenvolver habilidades
consideradas normais para o ser humano. (CONCEITO, 2006)
De acordo com a OMS - Organização Mundial da Saúde - estima–se que existam
cerca de 610 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo, sendo que
aproximadamente 386 milhões destas pessoas participam da população ativa mundial e
80% vivem em países em desenvolvimento. (GIL, 2002)
O último censo do IBGE (apud Gil, 2002), realizado no ano de 2000, revelou que
existem no Brasil cerca de 24,6 milhões de portadores de deficiência, correspondendo a
14,5% da população brasileira. Um número bastante significativo e preocupante pelo fato
de que nem todas estas pessoas possuem acesso à escola e encontram dificuldades na hora
(1)
Cf. FERREIRA, 2004, p.289.
16

de arrumar um emprego. Mesmo com leis que garantam educação e trabalho para os
portadores de deficiência, isto se torna difícil por causa da falta de informação da
população e de condições para que estas pessoas tenham uma vida digna e independente.
Também foi divulgado, neste censo, o percentual de pessoas que possuem algum tipo de
deficiência, apresentando a seguinte distribuição:
• 8,3% possuem deficiência mental;
• 4,1% deficiência física;
• 22,9% deficiência motora;
• 48,1% visual, sendo que, entre 16,5 milhões de deficientes visuais, 159.824 são
incapazes de enxergar;
• 16,7% auditiva, sendo que, entre 5,7 milhões portadores deficiência auditiva,
176.067 não ouvem.
Existem diversos fatores que aumentam os riscos de uma pessoa adquirir uma
deficiência física ou mental. Segundo Gil (2002) e Souza (apud Deficiência Física, 2006),
os principais agentes causadores dessas deficiências são:
• Problemas congênitos e predisposição genética;
• Uso exagerado e drogas lícitas (cigarros, álcool e medicamentos
psiquiátricos) e ilícitas;
• Acidentes no trânsito e no trabalho;
• Violência urbana;
• Falta de saneamento básico e desnutrição;
• Agentes tóxicos, poluição;
• Sedentarismo;
• Doenças como câncer, sífilis, meningite, etc.
Quando uma pessoa que adquire algum tipo de deficiência, começa a enfrentar uma
nova vida, cheia de limitações e preconceitos, um fator agravante que o portador de
deficiência encontra no decorrer de sua vida são os obstáculos que dificultam sua inclusão
em meio à sociedade, como a falta de acesso à informação e adaptações nas vias públicas
para facilitar a sua locomoção.
É importante que mais ações governamentais e privadas sejam feitas para que, não
só as pessoas deficientes sejam amparadas, mas para que as causas sejam combatidas,
17

reduzindo os números alarmantes de pessoas que adquiriam algum tipo de deficiência por
razões externas, como agressões, acidentes de trânsito e violência urbana.
A seguir serão apresentados os diversos tipos de deficiências e suas principais
características.

1.1.1 Deficiência física ou motora

Deficiência motora é a disfunção ou interrupção – paralisia ou paresia – dos


movimentos de um ou mais membros: superiores, inferiores ou ambos, conforme o grau do
comprometimento.
Segundo o artigo Deficiência Física (2006), define-se como paralisia “toda a perda
da capacidade de contração muscular voluntária, por interrupção funcional ou orgânica em
um ponto qualquer da via motora, que pode ir do córtex cerebral até o próprio músculo.”
Enfim, a paralisia ocorre quando todo tipo de movimento nestas proporções são
impossíveis.
A paresia ocorre quando o movimento está apenas limitado ou fraco. O termo
paresia vem do grego paresis e significa “relaxação”, “debilidade”. Nos casos de paresias,
a mobilidade se apresenta apenas num padrão abaixo do normal, no que se refere à força
muscular, precisão do movimento, amplitude do movimento e a resistência muscular
localizada, ou seja, refere-se a um comprometimento parcial, a uma semiparalisia.
Dependendo do número e da forma como os membros são afetados pela paralisia,
foi sugerida por Wyllie (apud Deficiência Física, 2006), a seguinte classificação:
a) Monoplegia: ocorre apenas quando um membro é afetado;
b) Diplegia: quando são afetados os membros superiores;
c) Hemiplegia: quando são afetados os membros do mesmo lado;
d) Triplegia: condição rara em que três membros são afetados;
e) Tetraplegia/ Quadriplegia: quando a paralisia atinge todos os membros; sendo que a
maioria dos pacientes com este quadro apresenta lesões na sexta ou sétima vértebra;
f) Paraplegia: quando a paralisia afeta apenas os membros inferiores; podendo ter
como causa resultante uma lesão medular torácica ou lombar. Este trauma ou
doença altera a função medular produz como conseqüências, além de déficits
sensitivos e motores, alterações viscerais (órgãos internos, como intestino, bexiga,
entre outros) e sexuais.
18

A deficiência motora pode ocorrer por diversas causas, como lesões cerebrais ou
espinhais, paralisia cerebral, lesões ósseas e/ou musculares graves causadas por doenças
degenerativas ou acidentes, etc.
A dificuldade de se locomover muda completamente a vida doe quem adquire
deficiência motora. O fato de encontrar obstáculos, sejam eles físicos ou sociais, perante a
sua vida, pode causar depressão nas pessoas com dificuldades de locomoção. Por isso, é
necessário não só um apoio clínico, mas também psicológico, moral e ações
governamentais e privadas para uma melhoria da vida do deficiente físico.
A seguir, será apresentada a definição de deficiência mental e quais são os seus
principais tipos.

1.1.2 Deficiência Mental

Segundo o a definição retirada do artigo Conceito (2006), a deficiência


mental ocorre quando o funcionamento intelectual é significativamente inferior à média,
com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de
habilidades adaptativas, tais como:
• Comunicação;
• Cuidado pessoal;
• Habilidades sociais;
• Utilização da comunidade;
• Saúde e segurança;
• Habilidades acadêmicas;
• Lazer;
• Trabalho.

Dos diversos tipos de deficiência mental existentes, os mais conhecidos são:

a) Síndrome de Down:

É uma anormalidade congênita resultante de uma falha cromossômica do óvulo


fecundado, gerando um embrião com 24 cromossomos ao invés de
19

23. Os indivíduos que nascem com Síndrome de Down, além de apresentarem diversos
graus de deficiência mental, possuem características físicas, como cabeça pequena,
mandíbula proeminente, mãos pequenas e largas e nariz curto e achatado. Este tipo de
deficiência ocorre, na maioria dos casos, em filhos de mulheres acima de 40 anos, porém,
podem ocorrer casos em gestações de mulheres mais novas devido a predisposição
genética. (ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA..., 1996).

b) Autismo:

É um transtorno do desenvolvimento mental que surge durante a infância, a partir


do 1º ano de vida. Este transtorno compromete o desenvolvimento psiconeurológico,
afetando a capacidade de comunicação do indivíduo e seu convívio social, apresentando, na
maioria dos casos, retardo mental. (O QUE É AUTISMO..., 2006)

c) Paralisia Cerebral:

Doença que surge a partir de danos no cérebro, que pode ter diversas causas, como:
• Falta de oxigênio antes ou depois do nascimento;
• Traumas durante o parto;
• Hemorragia cerebral;
• Deformações congênitas;
• Doenças como a meningite;
• Convulsões ou coma.

A pessoa com paralisia cerebral possui dificuldade no aprendizado e no


desenvolvimento mental, debilidade motora, movimentos involuntários, problemas visuais,
auditivos e dificuldade de falar e engolir. É preciso um bom acompanhamento médico, para
que, além de auxiliar a pessoa com paralisia cerebral, buscar meios de tratar este tipo de
doença. (ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA..., 1996)
Na seqüência, será definido o que é deficiência auditiva e quais são seus principais
tipos e causas.
20

1.1.3 Deficiência Auditiva

Segundo o artigo Conceito (2006), conhece–se por deficiência auditiva toda perda
parcial ou total das possibilidades auditivas e sonoras, variando em grau e nível na forma
seguinte:
• De 25 a 40 db (decibéis) – surdez leve;
• De 41 a 55 db – surdez moderada;
• De 56 a 70 db – surdez acentuada;
• De 71 a 90 db – surdez severa;
• Acima de 91 db – surdez profunda;
• Anacusia – perda total da audição.

De acordo com o artigo Informações Básicas sobre Deficiência Auditiva (2006),


existem quatro tipos de deficiência auditiva:

a) Deficiência Auditiva Condutiva:

Qualquer interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo até


a orelha interna (cóclea). A orelha interna tem capacidade de funcionamento normal, mas
não é estimulada pela vibração sonora. Esta estimulação poderá ocorrer com o aumento da
intensidade do estímulo sonoro. A grande maioria das deficiências auditivas condutivas
pode ser tratada através de tratamento clínico ou cirúrgico.

b) Deficiência Auditiva Sensório-Neural:

Ocorre quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células
ciliadas da cóclea ou do nervo auditivo. Os limiares por condução óssea e por condução
aérea, alterados, são aproximadamente iguais. A diferenciação entre as lesões das células
ciliadas da cóclea e do nervo auditivo só pode ser feita por meio de métodos especiais de
avaliação auditiva. Este tipo de deficiência auditiva não tem cura.
21

c) Deficiência Auditiva Mista:

Ocorre quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial
associado à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma (exame de
avaliação de audição) mostra geralmente limiares de condução óssea abaixo dos níveis
normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares de condução
aérea.

d) Deficiência Auditiva Central, Disfunção Auditiva Central ou Surdez Central:

Este tipo de deficiência auditiva não é, necessariamente, acompanhado de


diminuição da sensibilidade auditiva, mas pode ocorrer por diferentes graus de dificuldade
na compreensão das informações sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de
processamento da informação sonora no tronco cerebral (Sistema Nervoso Central).

A deficiência auditiva pode ter como principais causas: acidentes domésticos e


naturais (perfuração ocasionada por objetos colocados no ouvido, traumas que afetem o
funcionamento do órgão auditivo, mudanças na pressão atmosférica, etc.), doenças infecto
– contagiosas (otite interna, otite externa, meringite – infecção na membrana do tímpano,
etc.) e a própria degeneração do órgão auditivo ocasionada pela idade avançada. Para evitar
estas causas, é preciso um controle preventivo, buscando sempre informações sobre o
assunto com um médico especializado. Muitos fatores de risco podem ser evitados com
educação, saneamento básico e tratamento adequado com atenção especial.

1.1.4 Deficiência Visual

Segundo Masini e Isaac (apud Deficiência Visual, 2006), a deficiência visual refere
– se “a uma situação irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de causas
congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ ou cirúrgico e uso de óculos
convencionais.”
A diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada, severa, profunda (que
compõem o grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual
(cegueira).
22

Para que seja avaliado o grau de deficiência visual, os médicos oftalmologistas


utilizam um instrumento conhecido como tabela de Snellen – que consiste em um cartaz
com símbolos de diversos tamanhos, onde o paciente visualiza cada símbolo, sempre
utilizando um olho de cada vez, informando se estão enxergando nitidamente ou não. De
acordo com o nível de linhas visualizadas pelo paciente, o médico avalia o grau do
problema visual e chega a um diagnóstico. O indivíduo é diagnosticado com deficiência
visual quando sua percepção visual é igual ou inferior a 20/200 na tabela de Snellen, ou
seja, campo visual de 20º. A figura abaixo mostra como é constituída a tabela de Snellen:

Figura 1.1 – Tabela de Snellen


Fonte: Instituto de Psicologia da USP, 2006.

Estudos desenvolvidos por Barraga (apud Deficiência Visual, 2006), distinguem


três tipos de graus de deficiência visual:

a) Cegos: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão, precisam
aprender através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam
relacionados com o uso da visão.

b) Portadores de visão parcial: têm limitações da visão à distância, mas são capazes
de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou, no máximo, a meio metro
de distância.
23

c) Portadores de visão reduzida: são considerados com visão reduzida indivíduos


que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.

Segundo Chapman e Stone (apud Alegre, 2006), os problemas visuais mais


conhecidos na literatura médica atualmente são:

a) Catarata congênita:

É uma doença que, na maioria dos casos, é adquirida por herança genética, porém,
há casos onde o uso de medicamentos, desnutrição ou infecção causada pelo vírus da
Rubéola durante a gestação pode ocasionar este tipo de doença. A catarata congênita ocorre
quando as lentes do cristalino existentes no globo ocular se tornam opacas,
impossibilitando o indivíduo de enxergar normalmente. Em alguns casos, este problema
pode ser resolvido com uma cirurgia, mas em casos especiais, ele pode se tornar
irreversível.

b) Nistagmus:

É o movimento involuntário do globo ocular, o que acaba comprometendo a visão


da pessoa portadora deste tipo de doença. Pode ou não estar associado com outros tipos de
doenças e causa, além do cansaço e da irritabilidade, dificuldade de visualizar objetos a
longa distância.

c) Retinopatia:

É uma doença hereditária, normalmente progressiva, que afeta a retina. Os sintomas


principais são: a perda gradativa da capacidade visual periférica e a cegueira noturna O
indivíduo portador deste tipo de doença começa a sentir os sintomas principalmente na
adolescência, havendo a necessidade de se iniciar o ensino do Braille. Além destes
sintomas, surgem também problemas emocionais e comportamentais agravados pela idade.
24

d) Glaucoma Congênito:

É o aumento da pressão interna do globo ocular causado pelo distúrbio na drenagem


do humor aquoso. Apesar de ser um problema congênito, o glaucoma pode resultar de uma
situação crônica ou mesmo súbita. Pode ser tratado por meio de medicamentos de uso
tópico e oral. Também pode ser corrigido por cirurgias com laser ou corretivas, onde os
canais de drenagem são limpos ou alargados para reverter a alta da pressão intra-ocular.
Como toda doença, o glaucoma deve ser diagnosticado e tratado desde cedo, pois a demora
no tratamento pode comprometer o funcionamento do nervo óptico, causando danos
irreversíveis a visão do indivíduo. O controle da luminosidade e um bom tratamento
ajudam a conter a fotofobia (irritabilidade, temor a luz) ocasionada pela doença.

e) Atrofia óptica:

Consiste na degeneração das fibras do nervo óptico. O nervo óptico transmite


informações elétricas da retina ao cérebro e o cérebro traduz estas informações em visão.
Sempre que o nervo óptico é afetado há atrofia óptica. A perda de visão conseqüente pode
ir de um leve enevoamento da imagem até grave perda de visão afetando um olho ou os
dois. Se as fibras ópticas da mácula são atingidas, a capacidade de definir imagens
localizadas no centro do campo visual será afetada, uma vez que a mácula é a parte da
retina responsável pela visão central. A visão periférica não será afetada, podendo ser
desenvolvidas técnicas de treino visual conducentes a um melhor uso desta visão e,
portanto, a melhorar a visão funcional. É aconselhável uma boa iluminação e bom
contraste.

f) Miopia:

Ocorre quando a pessoa começa a ter dificuldade em visualizar objetos a longa


distância. É causada por um defeito na refração combinada entre a córnea e o cristalino,
apresentados de forma irregular e exagerada em relação ao comprimento do globo ocular, e
pode aparecer associada a outras doenças, como o glaucoma e a catarata. Pode ser
corrigida, se detectada ainda na infância, com o uso de óculos e desaparecer no decorrer do
crescimento. Porém, quando a miopia é de alto grau, há o risco de perda gradativa da visão
25

causada com alterações no fundo do olho, quando esta deformidade causa estrago ou
deslocamento da retina.

g) Estrabismo:

Normalmente, quando olhamos para alguma coisa, a imagem desse objeto cai
simultaneamente nas fóveas (a fóvea é o centro da mácula). Quando os dois olhos não estão
alinhados, só um está realmente a olhar para o objeto e o outro está a olhar para outra
direção. Dá-se o nome de estrabismo a qualquer desvio de um perfeito alinhamento ocular.
Este desvio pode ser para dentro, para fora, para cima , para baixo ou uma combinação
destes. O estrabismo leva a que cada fóvea receba uma imagem diferente. Assim, diferentes
coisas serão vistas no mesmo lugar, o que provoca "confusão visual" ou vistas a dobrar em
diferentes localizações, o que é chamado "diplopia". As crianças pequenas que usam
sempre o mesmo olho quando olham, enquanto o outro está constantemente numa posição
de desvio, sofrem diminuição de capacidade visual ou ambliopia (diminuição da percepção
visual de um ou dos dois olhos, que geralmente não é diagnosticada por exame
oftalmológico, e tem como seqüela a má formação visual) no olho não usado, que fica
"preguiçoso". Para prevenir o desenvolvimento de desta anomalia visual nas crianças, é-
lhes vendado o olho melhor. O objetivo deste tratamento é permitir o desenvolvimento da
visão normal no olho afetado através do estabelecimento das ligações funcionais entre o
olho e o cérebro.

h) Aniridia:

É um defeito congênito provocado por uma formação incompleta da íris. Causa


perda de visão, geralmente nos dois olhos, embora os efeitos variem de indivíduo para
indivíduo. Pode encontrar-se associada à nistagmus, glaucoma, cataratas, etc. Alguns bebês
com aniridia podem ser sensíveis à luz enquanto outros sofrem de opacidade.
Essas doenças podem levar um indivíduo a se tornar um deficiente visual. Dessa
forma, o presente trabalho visa concentrar os estudos nas dificuldades e limitações das
pessoas portadoras de deficiência visual, principalmente na busca de softwares especiais,
que facilitem o uso do computador e reduzir o número destas pessoas excluídas do meio
digital e do ambiente social, permitindo sua inclusão, atualização nos estudos e participação
26

no mercado de trabalho. Além disso, possibilitam devolver a auto-estima, a motivação e a


dignidade às pessoas portadores de deficiência visual.

1.1.5 Surdocegueira

A surdocegueira ocorre quando o indivíduo:

(...) apresenta a perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas
deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades
especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas
educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessar informações e
compreender o mundo que o cerca. (2)

A surdocegueira pode se manifestar das seguintes formas:


• Cegueira congênita e surdez adquirida;
• Surdez congênita e cegueira adquirida;
• Cegueira e surdez congênita;
• Cegueira e surdez adquirida;
• Baixa visão com surdez congênita ou adquirida.

Para identificar se uma pessoa possui surdocegueira, são necessários exames


médicos e laboratoriais, assim como avaliações genéticas e diagnósticas diferenciais, para
que se busquem meios de melhorar a vida dos portadores deste tipo de deficiência.
Também é necessário evitar e controlar os fatores de risco, como epidemias, doenças
sexualmente transmissíveis e questões de saneamento básico.

1.1.6 Múltipla deficiência sensorial

Segundo o artigo Informações Básicas sobre Surdocegueira e Múltipla Deficiência


(2006), a múltipla deficiência sensorial ocorre quando o indivíduo:

(...) apresenta deficiência auditiva ou deficiência visual associadas a outras


deficiências (mental e/ou física), como também outros distúrbios (neurológico,

(2)
Cf. Informações Básicas sobre Surdocegueira e Múltipla Deficiência,2006.
27

emocional, linguagem e desenvolvimento global) que causam atraso no


desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, dificultando a sua
auto-suficiência. (3)

A deficiência múltipla pode ter diversas causas, como uso indevido de medicação,
doenças infecciosas, prematuridade ou mesmo síndromes congênitas. Fatores de risco que
devem ser observados com muita atenção e controlados são:
• Gravidez de risco;
• Falta de saneamento básico;
• Epidemias de doenças como sarampo, meningite e rubéola;
• Infecções hospitalares;
• Doenças sexualmente transmissíveis.

Como todo tipo de deficiência, é necessário que sejam feitos exames clínicos e
laboratoriais para que sejam diagnosticados quais membros do corpo e sentidos foram
afetados, podendo, assim, diagnosticar o tipo de deficiência múltipla que a indivíduo
possui.
Os tipos de deficiência múltipla são:
• Surdez com deficiência mental leve ou severa;
• Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais.
• Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais;
• Baixa visão com deficiência mental leve ou severa;
• Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais e de linguagem e conduta;
• Baixa visão com deficiência física (leve ou severa);
• Cegueira com deficiência física (leve ou severa);
• Cegueira com deficiência mental (leve ou severa);
• Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem.

Neste tópico, foi abordado o conceito de deficiência e seus tipos, assim como suas
principais causas e impactos sobre o individuo que a adquire.
A seguir serão apresentadas as histórias e conquistas dos deficientes físicos.

(3)
Cf. idem, 2006.
28

1.2 Histórias e Conquistas

A história das conquistas dos deficientes físicos foi construída em cima de árduas
lutas contra o preconceito e discriminação das sociedades dos séculos passados. Até nos
dias atuais, a discriminação e o preconceito assombram essas pessoas e, muitas vezes,
fazem com que elas sintam-se inferiores perante as pessoas que se consideram normais.
A discriminação e a falta de apoio por parte do governo e da sociedade nos séculos
passados, faziam com que as pessoas com deficiência fossem totalmente excluídas da
sociedade, sendo obrigadas a mendigar nas ruas para não morrerem de fome, por não serem
consideradas como seres humanos capazes.
Após muito sofrimento e exclusão social, a questão da deficiência acabou ganhando
adeptos pelo mundo com a intenção de acabar com a discriminação existente em meio à
sociedade. Escolas começaram a ser criadas para dar educação às crianças e as pessoas com
deficiência auditiva ou visual.
Muitas conquistas foram possíveis graças à persistência e ao espírito empreendedor
de pessoas que lutaram não só pelos seus direitos, mas também geraram benefícios a várias
pessoas com necessidades especiais e, por isso, são lembrados até hoje. Um destes
exemplos é Louis Braille (1809-1852), criador do Sistema BRAILLE de escrita e leitura
para cegos, o qual será relatada uma breve biografia sua no tópico seguinte.

1.2.1 Sistemas de comunicação utilizados pelos deficientes físicos

Durante várias épocas, os deficientes foram se adaptando ao mundo em que viviam.


Para que isto se tornasse possível, foram criadas diversas formas de comunicação,
utilizando símbolos especiais e linguagens gestuais, com o objetivo de auxiliar no
relacionamento das pessoas portadoras de deficiência com o mundo que as cerca.
Para um melhor embasamento teórico sobre a evolução do acesso ao conhecimento
pelos deficientes físicos no decorrer da história, serão tratadas, neste item, a linguagem de
sinais para surdos e mudos e o sistema Braille, método muito utilizado pelos cegos, público
alvo do presente trabalho.
29

a) A Linguagem de Sinais e a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS):

A linguagem de sinais consiste em diversos gestos manuais que facilitam a


comunicação entre pessoas que nunca ouviram o som da pronúncia das palavras ditas em
uma conversa convencional.
Durante a Idade Média, acreditava – se que os surdos eram incapacitados
mentalmente pelo fato de se comunicarem com muita dificuldade ou até perderem a fala
por não terem uma educação adequada na época. (MOORES apud LACERDA,1998)
Só a partir do século XVI que professores e mestres começaram a elaborar formas
e métodos de ensino voltados para as pessoas portadoras de deficiência auditiva, porém,
não há relatos consistentes da época por causa do não compartilhamento dos resultados de
estudos realizados entre os pesquisadores da época, pois havia uma grande rivalidade entre
eles .
Ao passar dos séculos, a educação para surdos tornou- se privilégio de poucos, pois
só os filhos de nobres e comerciantes ricos tinham o direito de ser educados por mestres
que desenvolveram seus próprios métodos de ensino. Mas , a partir do ano de 1775, o abade
francês Charles M. De L'Epée, após um estudo minucioso de como os surdos se
comunicavam, inovou a linguagem de sinais francesa, criando o primeiro instituto voltado
para a educação de jovens surdos, com classes coletivas e professores treinados na
linguagem gestual, a qual ele chamava de sinais metódicos. Os resultados foram tão
satisfatórios que até alguns de seus ex-alunos viraram professores na escola onde
estudaram.
Um século depois, em 1878, foi realizado o I Congresso Internacional sobre a
Instrução de Surdos, onde foram debatidas novas diretrizes de ensino para os surdos e uma
reflexão sobre as experiências e impressões de cada trabalho realizado até então. Foi
defendido que o ensino oral era essencial para que a criança pudesse se comunicar, mas a
linguagem de sinais deveria prevalecer para uma melhor comunicação dentro e fora das
salas de aula. Foi por meio deste Congresso que o os surdos tiveram algumas conquistas
importantes, “como o direito a assinar documentos, tirando-os da marginalidade social, mas
ainda estava distante a possibilidade de uma verdadeira integração social”. (LACERDA,
1998)
Quase dez anos depois, no II Congresso Internacional, realizado em Milão em 1880,
foram definidos novos rumos para a educação. Porém, houve um grande retrocesso em
30

relação à associação da língua falada, o sistema de sinais e a contratação de professores


surdos.
Muitos anos depois, na década de 60, começaram a surgir novos estudos sobre as
línguas de sinais utilizadas pelas comunidades de indivíduos com deficiência auditiva.
Mesmo com a proibição e as críticas dos oralistas, o ensino da linguagem de sinais
continuou se difundindo nas instituições voltadas para o ensino de crianças e jovens com
deficiência auditiva. Dezoito anos depois, William Stroke estudou as principais formas de
comunicação das comunidades de deficientes auditivos nos Estados Unidos e , com base
nos resultados, concluiu que se poderia diversificar ainda mais o sistema de gestos, apenas
mudando a posição, a forma de movimento e a maneira de como as mãos se
movimentavam e posicionavam durante os gestos.
Muitos estudos foram realizados em cima da linguagem de sinais, sempre com o
objetivo de incluir o surdo no meio social e dar a ele a oportunidade de desfrutar, mesmo
com algumas limitações, do direito ao acesso da informação.
No Brasil, a LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais,2006) foi criada a partir da
adaptação da linguagem de sinais francesa. Porém, sua difusão ainda sofre muitas
barreiras pelo fato de que só em 2002 ter sido reconhecida como meio legal de
comunicação e ser matéria obrigatória nas escolas com alunos surdos.
A figura abaixo mostra o alfabeto em LIBRAS:

Figura 1.2 - O Alfabeto em LIBRAS


Fonte: Ao Mestre, 2006.
31

b) O Sistema Braille:

O Sistema Braille, criado por Louis Braille em 1825, é o método universal e natural
de leitura e escrita para as pessoas cegas. A célula Braille é composta por 6 pontos
agrupados em duas colunas verticais de três pontos cada. Os pontos da 1ª coluna são os
pontos 1, 2 e 3 e os da 2ª coluna são os pontos 4, 5 e 6. Com esta célula básica, cujo
tamanho é perfeitamente abrangível pela área da polpa de um dedo, e reconhecível pelos
milhares de receptores ali localizados, podem-se construir 63 diferentes combinações. Com
estas combinações, facilmente identificáveis pelo tato, podem ser representadas (os) letras,
números, sinais de pontuação, sinais matemáticos, etc.
Uma página Braille típica contém de 26 a 28 linhas e 30 a 32 caracteres por linha.
Hoje em dia, existem livros impressos em Braille para facilitar o acesso dos portadores de
deficiência visual. Também existem livros gravados em fitas ou CDs, onde a pessoa pode
escutar o conteúdo de cada capítulo, mas ainda predominam as obras impressas transcritas
para o Braille. (ALEGRE, 2006)
As figuras abaixo mostram como é a grafia de letras, números e a pontuação em
Braille:

Figura 1.3 - O Alfabeto em Braille


Fonte: Alegre, 2006.

Figura 1.4 – Numeração em Braille


Fonte: NAI, 2006.
32

Figura 1.5 – Pontuação em Braille


Fonte: A Nova Grafia Braille: Observações e Normas de Aplicação, 2006.

Para auxiliar na escrita em Braille à mão, é utilizado um instrumento chamado


reglete, que consiste em uma placa de metal com 27 pequenos retângulos vazados
posicionados em quatro linhas, fixada em uma tábua de madeira, onde a pessoa coloca a
folha de papel e, por meio de um objeto semelhante a uma caneta, o punção, a pessoa vai
marcando os caracteres em braille no papel dentro de cada retângulo. Para datilografar
textos, existe a máquina de escrever em Braille, mais conhecida como máquina perkins.
Para auxiliar no cálculo aritmético, é utilizado o sorobã, um objeto com contas presas em
pequenas hastes de metal, fixadas em uma moldura de madeira, em que o deficiente vai
realizando cálculos, movendo o número de contas correspondentes a um valor numérico de
um lado para outro, de acordo com a operação matemática que foi solicitada. (NAI, 2006)
A história da educação especial para os portadores de deficiência visual teve seu
início no século XVIII, com os métodos inovadores de Valentin Haüy (1745-1822), um
homem não só conhecido por sua inteligência, mas também por sua solidariedade. Em
33

1784, Haüy fundou, na cidade de Paris, a primeira escola destinada à educação dos cegos e
à sua preparação profissional.
Ao ver uma cena chocante na Feira de Santo Ovídio, realizada em Paris, onde um
empresário montara um estrado e apresentava, de forma ridícula e desumana, dez cegos
sendo exibidos como fantoches para uma platéia, Haüy compadeceu – se daquela situação e
teve a idéia de criar um instituto para a instrução de pessoas portadoras de deficiência
visual.
Haüy adaptou o alfabeto tradicional para letras bordadas em alto relevo, para uma
melhor compreensão de seus alunos para a leitura, e fazia uso de letras móveis, (iguais às
usadas em jogos educativos de tabuleiro), para a montagem de palavras ou frases. Também
eram feitas leituras em voz alta para os alunos e estes repetiam as informações passadas
pelos professores. Apesar de seus esforços, seu método possuía algumas falhas que
dificultavam o aprendizado. Estas dificuldades só foram dribladas no ano de 1825, graças a
Louis Braille (1809-1852), responsável pela criação do Sistema Braille, um homem que,
desde a infância, sentiu na pele a vida difícil de quem carrega o fardo do preconceito e da
dificuldade por causa de sua deficiência.
Louis Braille nasceu no dia 4 de janeiro de 1809, na pequena cidade francesa de
Coupvray, pertencente ao distrito de Seine-Marne, situado a 45 km de Paris. Quando tinha
três anos de idade, sofreu um acidente enquanto brincava na oficina de selas e laços de seu
pai, ferindo o olho esquerdo. Devido à infecção, que se alastrou para o olho direito, Louis
Braille perdeu a visão dos dois olhos aos cinco anos de idade. Mesmo vivendo nesta
condição, o jovem Braille demonstrou ser um estudante brilhante e dedicado, conseguindo
uma bolsa de estudos na Instituição Real para Jovens Cegos, a primeira escola para cegos
de Paris, aos 10 anos de idade.
O sistema de ensino da escola onde Louis Braille estudava consistia na leitura de
livros com letras em alto relevo (sistema desenvolvido por Valentin Haüy) – método oficial
de leitura para cegos na época – e na repetição de tudo aquilo de que os professores
falavam. No instituto, Braille demonstrou grande desenvoltura e inteligência, e se tornou
um ótimo pianista.
Com a visita de Capitão da Artilharia de Louis XIII - Charles Barbier de la Serre,
Braille teve a inspiração de criar um sistema de leitura baseado nos códigos escritos em alto
relevo utilizados pelo exército francês, que consistia em um sistema de pontos que
simbolizavam sons e avisos de alerta em noites escuras e dias chuvosos. Braille teve a ajuda
34

de um amigo para aprender o sistema e o adaptou para a leitura para cegos, incluindo letras,
números, símbolos matemáticos e outros tipos de sinais ortográficos e de acentuação, em
uma combinação de 63 símbolos, sendo que o sistema original continha apenas fonemas e
sons.

Figura 1. 6 – Louis Braille


Fonte: Leonardo, 2006.

Mesmo com a relutância dos professores da época, que preferiam o método de Haüy
para alfabetizar os portadores de deficiência visual, o primeiro livro em Braille foi
publicado e, aos poucos, o sistema foi se difundindo em segredo.
Em 1840, o Ministro Francês do Interior tomou a decisão final de que os estudos em
Braille deveriam ser encorajados, mas que eles não estavam prontos para a mudança do
sistema. Só em 1843, quando o Instituto Real para Jovens Cegos foi transferido para um
novo prédio, que o diretor passou a aceitar o sistema de Braille.
Braille tornou-se professor no instituto onde estudara, mas em 1850, terminou por
demitir-se de seu cargo e passou a dar apenas algumas aulas de piano. Um ano depois,
devido a uma forte crise de tuberculose, Braille falece em 1852, sem ver sua invenção
largamente adotada. Em 1952, seu corpo foi transferido a Paris, onde repousa no Panthéon.
(PIMENTEL, 2006)
No Brasil, a educação para cegos teve seu início em 1854, sendo também um ponto
de partida para a difusão do Sistema Braille fora da França. Nesse ano, na Instituição Real
dos Jovens Cegos, foi realizada a primeira impressão de um método de leitura em língua
portuguesa, registrado no Museu Valentin Haüy com o nG 1439.
A necessidade de se ter uma metodologia de ensino voltada para jovens e adultos
cegos no Brasil surgiu quando José Álvares de Azevedo, um jovem cego que retornou ao
35

Brasil depois de ter estudado durante seis anos em Paris, entrou em contato com o senhor
Xavier Sigaud, médico francês que esteve ao serviço da corte imperial brasileira e pai de
uma filha cega, Adélia Sigaud.
Dr.Sigaud apresentou Azevedo ao Imperador D. Pedro II, que ficou admirado ao ver
a força de vontade dos dois, despertando seu interesse para a educação dos cegos no Brasil.
O Dr. Sigaud não só incentivou o ensino para cegos no Brasil, como também foi o primeiro
diretor do Instituto Imperial dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant,
inaugurado no Rio de Janeiro em 17 de Setembro de 1854.
Em Portugal, a adoção brasileira do Sistema Braille e a perseverança de Adélia
Sigaud (conhecida em Portugal como Madame Sigaud Couto) e Léon Janet, organista da
Igreja São Luis dos Franceses, também formado no Instituto Real para Jovens Cegos, em
Paris motivaram um grupo de pessoas da sociedade portuguesa a fundar, em 1887, a APEC
(Associação Promotora do Ensino dos Cegos).
Foram fundados mais dois institutos voltados para a educação de cegos em
Portugal: o Instituto de Cegos Branco Rodrigues, em S. João do Estoril, no ano de 1897, e o
Instituto São Manuel, na cidade do Porto, também fundado no mesmo ano.
Além disso, com a colaboração de um habilidoso funcionário da Imprensa Nacional
Portuguesa, foi confeccionada a primeira impressão em Braille, no ano de 1898, de um
número especial do Jornal dos Cegos, comemorando o 4º Centenário do descobrimento do
caminho marítimo para a Índia.
Nos países germânicos (Alemanha, Inglaterra, Bélgica, etc.), apesar de já existirem
impressos em Braille circulando desde 1837, houve muita relutância quanto à adoção do
método Braille para o ensino de cegos, pois muitas correntes pedagógicas se posicionavam
contra o método por acreditarem que isto distanciava os cegos das pessoas com visão
normal.
Este impasse só teve fim com a realização do Congresso Internacional de Paris, em
1878, que acabou com estas diferenças por aprovação da grande maioria, inclinando a
balança para o sistema francês. Entre os participantes, havia representantes da Inglaterra,
França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Suécia, Suíça, Estados Unidos, entre outros
países interessados no assunto.
Os Estados Unidos, por causa de sua desconfiança quanto à eficácia do Sistema
Braille, levou muitos anos para a adoção completa do Braille em suas escolas. Na maior
parte das instituições norte- americanas utilizavam – se dos algarismos romanos juntamente
36

com o New York Point ou Wait System. Neste sistema, o retângulo Braille tinha três pontos
de largura por dois de altura. O acordo apenas surgiu no Congresso de Little Rock, em
1910. (A INVENÇÃO BRAILLE, 2005)
Nos dias atuais, apesar da dificuldade de acesso a informação em países
subdesenvolvidos, o sistema Braille continua sendo o principal meio de ensino de leitura e
escrita para alunos cegos em diversas partes do mundo. Os avanços tecnológicos também
asseguraram a sua disseminação pelo mundo, com a edição de obras literárias em Braille
por meio de gráficas com equipamentos específicos para este tipo de impressão, e
dispositivos eletrônicos construídos especialmente para a escrita e leitura em Braille no
computador, que serão descritos mais para frente deste capítulo.

1.2.2 As conquistas legais dos deficientes no meio internacional

Segundo Gil (2002), em nove de dezembro de 1975, a ONU - Organização das


Nações Unidas - aprovou a Declaração dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência,
defendendo o direito inerente das pessoas com deficiência ao respeito por sua dignidade e o
de ter suas necessidades levadas em consideração em todos os estágios do planejamento
socioeconômico.
A partir da década de 80, começaram a surgir leis e diretrizes com o objetivo de
melhorar a vida do deficiente físico, tendo como marco inicial a instituição da Década
Internacional das Pessoas com Deficiência. Em 1981, foi declarado pela ONU como o Ano
Internacional das Pessoas Deficientes. Dois anos depois, em 1983, a OIT (Organização
Internacional do Trabalho) organizou a Convenção 159, visando à inclusão da pessoa
portadora de necessidades especais ao mercado de trabalho.
Nos Estados Unidos, em 1990, foi adotada a ADA – Lei dos Deficientes dos
Estados Unidos – onde toda empresa, com mais de 15 empregados, deveria contratar
pessoas com deficiência física.
No ano de 1992, a ONU estabeleceu a data de 3 de dezembro como Dia
Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência. Dois anos depois (1994) foi elaborada
a Declaração de Salamanca, que traçaria as novas diretrizes para a educação das pessoas
com necessidades especiais.
37

Em 1995, a Inglaterra aprova uma legislação semelhante a dos Estados Unidos,


onde cada empresa com mais de vinte empregados deveria contratar pessoas com
deficiência.
Em 1997, foi criado o Tratado de Amsterdã, onde a União Européia se compromete
a facilitar inserção e a permanência de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
europeu. Com o intuito de acabar com todas as formas de descriminação nas Américas, foi
promulgada, na Guatemala, a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as
formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência.
Em março de 2002, na cidade de Madri, foi realizado o Congresso Europeu sobre
Deficiência, estabelecendo o ano de 2003 como o ano Europeu das Pessoas com
Deficiência. Dessa forma, em muitos países já havia legislação pertinentes para os
portadores de deficiência. A seguir serão apresentadas as conquistas conseguidas no Brasil.

1.2.3 As conquistas legais dos deficientes no Brasil

As conquistas dos deficientes físicos dentro do cenário nacional brasileiro tiveram


seu início a partir da década de 80. Segundo Gil (2002), o Brasil ratificou quase todos os
tratados e convenções internacionais realizados durante as décadas de 70 e 80.
Serão apresentadas, em ordem cronológica, as principais leis federais brasileiras
criadas para dar melhores condições aos deficientes físicos: (LEIS E NORMAS, 2006)
• 1982 - a Lei n.º 7.070, de 20 de Dezembro, dispõe sobre a pensão especial para
os deficientes físicos que especifica e dá outras providências;
• 1985 – a Lei nº 7.405, de 12 de novembro, torna obrigatória a colocação do
‘‘Símbolo Internacional de Acesso” em todos os locais e serviços que permitam
sua utilização por pessoas portadoras de deficiência e dá outras providências;
• 1988, a Constituição Federal incorporou garantias e direitos às pessoas portadoras
de necessidades especiais, proibindo a discriminação do deficiente físico existente
na sociedade brasileira;
• 1989 - foi elaborada a Lei nº. 7.853, que referendou a Convenção 159 da OIT,
definindo os direitos das pessoas portadoras de deficiência, disciplinando o
Ministério Público e criando a CORDE (Coordenadoria Nacional para Integração
das Pessoas Portadoras de Deficiência);
38

• 1990 - a Lei nº. 8.112, de 11 de dezembro do mesmo ano dispõe sobre o Regime
Jurídico dos Servidores Públicos, estabeleceu no artigo 5º, § 2º, que seriam
destinadas até 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos aos portadores de
deficiência, abrindo mais oportunidades no mercado de trabalho público para
essas pessoas;
• 1991 - é criada a Lei nº. 8.213, que estabeleceu cotas de contratação para
empresas do setor privado com mais de cem funcionários, dispondo também
sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social;
• 1995 - a Lei nº. 9.045, datada de 19 de Maio do mesmo ano, autorizou o
Ministério da Educação e do Desporto e o Ministério da Cultura a incentivarem a
obrigatoriedade de reprodução, pelas editoras de todo o País, de obras em
caracteres Braille, e a permitir a reprodução, sem fins lucrativos, de obras já
divulgadas, para uso exclusivo de cegos;
• 1999 - é feita a Edição do Decreto 3.298, regulamentando a Lei nº 7.853, fixando
uma Política Nacional para a Integração de Pessoas Portadoras de Deficiência no
mercado de trabalho e na sociedade. Além disso, conceitua o termo deficiência e
define os parâmetros de avaliação da deficiência física, visual, auditiva, mental e
múltipla;

2000 - é sancionada a Lei nº. 10.098, que estabelece normas e critérios básicos
para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com
mobilidade reduzida;
• 2001 - no dia 12 de fevereiro, é criada a Lei nº.10.182, que isenta os portadores de
deficiência física da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados na
aquisição de veículos nacionais e reduz o valor do imposto cobrado sobre os
automóveis importados adquiridos por essas pessoas.no mesmo ano, no dia 15 de
maio, surgiu a Lei nº10.226, que obriga aos Tribunais Eleitorais a expedir
instruções aos juízes eleitorais para a escolha de locais de fácil acesso para os
portadores de deficiência;
• 2002 - no dia 24 de abril, é criada a Lei nº 10.436, que reconhece a linguagem
brasileira de sinais (LIBRAS) como meio legal de comunicação, assim como
integra este tipo de linguagem ao currículo de educação especial e no treinamento
de profissionais das áreas da saúde e da educação;
39

• Em 5 de março de 2004, a Lei nº10.845 institui o Programa de Complementação


ao Atendimento Educacional Especializado às pessoas portadoras de deficiência,
como objetivo de inseri – los no ambiente escolar. No mesmo ano, entra em vigor
a Lei nº 10.877, que aumenta a pensão dada ao deficiente físico em 35% sobre o
valor pago;
• Em 2005 é dado o direito ao deficiente visual de permanecer em locais de uso
coletivo junto aos seus cães guias, que anteriormente era proibido pelos
estabelecimentos, por meio da Lei nº 11.126. Também no mesmo ano, em julho, é
instituído o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência Física, celebrado em 21
de setembro.

Após várias conquistas e desafios, ainda há muito que se fazer pelos deficientes
físicos. Muitos órgãos governamentais e do poder judiciário estão acordando agora para a
questão do deficiente, tomando decisões e aprovando leis que deveriam ter sido colocadas
em prática há muito tempo. Em questão ao acesso aos meios informatizados, muito pouco
foi feito para que todos sejam incluídos no universo digital.
Para uma melhor compreensão do objeto pesquisado, serão tratadas, a seguir, as
principais terminologias que irão aparecer no presente trabalho.

1.3 Definições importantes sobre Tecnologia da Informação

Para compreender o universo a evolução tecnológica da atualidade, é de extrema


importância ter um bom entendimento sobre os conceitos e definições existentes no mundo
da informação, principalmente ao que se refere sobre a Tecnologia da Informação.
Compreende-se como Tecnologia da Informação todo o conjunto de recursos de
hardware, software, telecomunicações, administração de bancos de dados e demais recursos
voltados para o processamento das informações utilizadas em um sistema de informação
computadorizado. (O’BRIEN, 2006, p.G - 26)
Neste tópico do capítulo, serão apresentadas algumas terminologias necessárias para
uma melhor compreensão dos recursos que serão estudadas no presente projeto, como
ferramentas tecnológicas, computador, software, hardware, reconhecimento e síntese de
fala e os principais recursos tecnológicos existentes para auxiliar o deficiente visual na
operação de um computador. A seguir esses recursos serão apresentados.
40

1.3.1 Ferramentas tecnológicas

(4)
Segundo a definição da Enciclopédia Livre Wikipédia , “ferramenta” é um
utensílio, que pode ser também um dispositivo, um mecanismo físico ou um instrumento
intelectual utilizado por trabalhadores das mais diversas áreas. Uma ferramenta pode ser
resultado ou instrumento de trabalho de um ou diversas áreas do conhecimento
pertencentes a tecnologia.
Quanto à tecnologia, em um sentido mais amplo, segundo (Goldemberg apud
Aguiar, 2006), consiste em um “conjunto de conhecimentos de que uma sociedade dispõe
sobre ciências e artes industriais, incluindo os fenômenos sociais e físicos, e a aplicação
destes princípios à produção de bens e serviços”.
Em outras palavras, “tecnologia” é um termo que envolve diversas áreas de
conhecimento técnico e científico e, as ferramentas, processos e materiais criados e/ou
utilizados a partir de tal conhecimento.
Partindo destas duas definições, constata-se que, desde os primórdios da história, a
tecnologia e as ferramentas utilizadas ou criadas a partir dela são objetos essenciais para a
vida do ser humano, tendo as mais diversas finalidades e usos, facilitando a execução de
tarefas que antes demandavam tempo e esforço árduo.
Graças aos avanços tecnológicos da humanidade, as ferramentas foram evoluindo e
tornando-se mais elaboradas, práticas e eficazes para a relização de tarefas dificeis, até a
criação das ferramentes tecnológicas.
Podem ser considerados como ferramentas tecnológicas todos os recursos
mecânicos, elétricos, eletrônicos e lógicos criados pelo homem para otimizar tarefas de
grande complexidade. Por exemplo, como cortar comprecisão uma chapa metálica ou
receber e processar grande quantidade de informações para realização de uma determinada
instrução.
Um outro exemplo de ferramenta tecnológica muito utilizada na atualidade é o
computador. Ele executa tarefas complexas, que exigiriam grande esforço mental e tempo
para sua relização, em questão de minutos ou segundos. Um computador é qualquer
equipamento ou dispositivo capaz de armazenar e manipular de forma lógica e

(4)
Cf. FERRAMENTA, 2006.
41

matematicamente, quantidades numéricas representadas fisicamente. (COMPUTADOR,


2006)
Já o computador, no mundo da informática, pode ser definido como uma máquina
que aceita a entrada de dados e os processa, transformando-os em informação útil,
apresentando-os em uma saída para o usuário. (CAPRON e JOHNSON, 2004)
Um computador pode também ser chamado de sistema computacional, pois exige
quatro aspectos principais para a manipulação de dados: entrada, processamento, saída e
armazenamento, que caracterizam esse tipo de sistema.
Segundo Laudon e Laudon (1999), o funcionamento do sistema do computador
depende dos seguintes componentes:
a) A Unidade Central de Processamento (UCP ou CPU), responsável pela execução
de cálculos e demais tarefas do sistema do computador. A CPU está dividida em
duas unidades: a Unidade Lógica Aritmética (ULA ou ALU) e a Unidade de
Controle. A ULA é responsável pela execução de operações lógicas e aritméticas
envolvendo dados alfanuméricos (letras, símbolos e números), como, por
exemplo, a comparação entre números de uma seqüência para descobrir qual
deles é o maior, ou a soma dos mesmos para se obter a média geral entre eles.
A Unidade de Controle é responsável pelo controle e coordenação os demais
componentes do computador. Ela é responsável pela leitura das instruções dos
programas, armazenadas uma de cada vez e, de acordo com as exigências dos
programas, ela orienta os demais componentes do computador para a realização
de uma tarefa e direciona estes para uma saída em um dispositivo de
entrada/saída, como imprimir um arquivo na impressora ou exibir uma
informação na tela do monitor, por exemplo.
b) A memória principal armazena as informações dos programas. A memória
principal que é responsável por armazenar o sistema operacional do computador.
Existem dois tipos de memórias: a RAM (Random Access Memory – Memória de
Acesso Aleatório) e a ROM (Read Only Memory – Memória Somente para
Leitura). A memória RAM armazena temporariamente os dados enquanto houver
energia alimentando o computador, enquanto que a memória ROM possui
informações gravadas somente para leitura, sem a possibilidade de alteração ou
perda deste conteúdo.
42

O computador foi evoluindo de acordo com as necessidades que surgiam no


mercado, tornando-se um item indispensável às organizações e às diversas áreas do
conhecimento.
Desde o surgimento das primeiras máquinas gigantescas com pouco poder de
processamento, muitos estudos, pesquisas e testes foram feitos, até chegar a grande
quantidade de máquinas existentes hoje, mais velozes e potentes.
A seguir, serão definidos os conceitos de hardware e software e seus principais
tipos.

a) Hardware

Compreende-se por hardware todas as partes físicas do computador, ou seja,


circuitos integrados, equipamentos eletrônicos e placas que comunicam-se se entre si por
meio de um circuito de circuitos e linhas de comunicação que estão ligadas aos demais
componentes do computador com o objetivo de possibilitar a expansão de periféricos e a
instalação de novas placas da máquina. (HARDWARE, 2006)
Além do próprio computador (máquina) e seus componentes internos serem
considerados como hardware, existem os periféricos de entrada e saída. Estes dispositivos
são responsáveis pela entrada e sáida de informações do computador. Como exemplos de
periféricos de saída, tem-se: impressoras, caixas de som, monitores de vídeo, e de
periféricos de entrada: teclado, mouse, scanners (dispositivos que digitalizam documentos e
imagens impressas), leitores ópticos (leitoras de códigos de barras, por exemplo),
microfones, camêras digitais e webcams (camêras de vídeo que podem transmitir
informações visuais em tempo real).

b) Software

Quanto à definição de software, segundo Pressman (1995,p.12), consiste em “um


conjunto de instruções que, quando executadas, resultam em uma função e desempenho
desejados”, ou seja, desempenham o processamento da informação para um determinado
fim.
43

Os softwares são indispensáveis para o funcionamento do computador, assim como


o computador e seus dispositivos são necessários para que os programas possam executar
suas tarefas e exibir seus resultados.
De acordo com Laudon e Laudon (1999), são exemplos de software:
a. Software de sistema: conjunto de programas que controla e apóia as operações
de um sistema computacional. São exemplos de Software de Sistema: o Sistema
Operacional (SO, gerenciador de todos os recursos de hardware e software do
computador), os programas utilitários (compactadores de arquivos,
gerenciadores de pastas), os tradutores de linguagens (compiladores) e as
interfaces gráficas com o usuário.
b. Software Aplicativo: são programas para aplicações específicas do dia-a-dia do
usuário. São exemplos de aplicativos: planilhas de cálculos, processadores de
texto, editores de gráficos, gerenciadores de bancos de dados, etc.
c. Ferramentas de Programação: são softwares voltados para a construção de
outros programas, ou seja, é através da utilização deles que um programador ou
demais programadores podem construir um outro software, por meio de linhas
de código e instruções, compilando ou interpretando o mesmo, até ser finalizada
a sua construção. Para que isso seja possível, é preciso que seja utilizada uma
linguagem de programação. Entende-se por linguagem de programação como:

(...) um conjunto de regras sintáticas e semânticas usadas para definir um


programa de computador. A linguagem permite que um programador
especifique precisamente sobre quais dados um computador vai atuar, como
estes dados serão armazenados ou transmitidos e quais ações devem ser tomadas
sob várias circunstâncias. (LINGUAGENS...,2006)

Para que o software execute suas funções, é necessário que haja uma entrada de
dados. Compreende-se por dados toda a matéria-prima que forma a informação. Pode-se
encontrá-los em diversas formas: dados alfanuméricos (números e caracteres alfabéticos),
dados em forma de texto (orações e parágrafos utilizados em comunicação escrita), dados
de imagem (formas e cifras gráficas) e dados auditivos, como a voz humana e demais tipos
de sons. Estes dados podem ser armazenados, de forma organizada, em bancos de dados e
bases de conhecimento.
O presente trabalho é voltado aos softwares destinados aos deficientes visuais.
Dessa forma, a seguir serão apresentados os conceitos e aplicações dos sistemas baseados
44

em reconhecimento de voz e síntese de fala, devido ao fato de que boas partes destes
softwares utilizam – se deste tipo de sistema.

1.3.2 Sistemas de Reconhecimento e Síntese de voz

A voz humana é um tipo de dado sonoro ou auditivo que pode entrar em um


sistema, ser processado e ser transformado em uma saída para o usuário. Para realizar estas
tarefas, existem os sistemas de reconhecimento de voz.
Segundo O’brien (2006), um sistema de reconhecimento de voz consiste na
conversão direta da voz humana para um formato eletrônico adequado para a entrada em
um computador.
Um sistema de reconhecimento de voz captura o som da voz por meio de um
microfone ou telefone, digitaliza, analisa, classifica um discurso e seus padrões sonoros e
compara seus padrões de discurso a um banco de dados de padrões sonoros em seu
vocabulário, passando as palavras para o software aplicativo.
Existem dois tipos de sistemas de reconhecimento de voz: os sistemas de palavras
descontínuas e os sistemas de palavras contínuas.
Os sistemas de palavras descontínuas trabalham com palavras isoladas e os usuários
devem sempre fazer uma pausa entre as palavras ditas. Apesar da precisão destes sistemas,
a demora na entrada e na resposta pode ser uma grande desvantagem quando o usuário
deseja executar uma tarefa que exija um discurso longo, como digitar um texto ou uma
carta. Para resolver este problema, foram criados os sistemas de palavras contínuas, que
podem interpretar palavras ininterruptamente, ou seja, permitindo ao usuário operar o
computador com mais facilidade utilizando o padrão normal de fala, sem pausas entre as
palavras, e executar tarefas mais extensas e complexas, como ditar um documento para ser
escrito automaticamente por um processador de textos ou falar valores numéricos para uma
planilha eletrônica de cálculos. (CAPRON e JOHNSON, 2004)
Os sistemas de reconhecimento de voz evoluíram muito nos últimos anos para
atender diversas necessidades existentes no mercado. Eles contam com um banco de
palavras e padrões de discurso para análise e comparação de toda entrada de voz que o
sistema recebe.
Para que estes sistemas possam reconhecer diversos tipos de palavras, eles passam
por treinamentos, que podem levar horas, para assimilar palavras diferentes não
45

relacionadas em seu banco de dados. Isso é necessário para que haja uma melhor interação
entre usuário, software e máquina. Mesmo assim, há uma pequena margem de erro, que
varia de 1% a 5%, até nos softwares mais conceituados do mercado. A interpretação
perfeita da voz humana, sem nenhuma margem de erro, ainda é um grande desafio para os
desenvolvedores de sistemas de reconhecimento de voz.(O’BRIEN, 2006)
A interpretação perfeita da voz humana, sem nenhuma margem de erro, ainda é um
grande desafio para os desenvolvedores de sistemas de reconhecimento de voz.
Do mesmo modo que existem sistemas de reconhecimento de voz, também são
encontrados no mercado os sintetizadores de voz, ou seja, softwares que convertem os
dados armazenados no computador em sons de fácil compreensão para os seres humanos.
Estes sistemas são muito utilizados em terminais de aeroportos ou rodoviários, em bancos,
corretoras de valores e até mesmo em alguns automóveis.
Exemplos do uso comercial da síntese de voz são os menus reproduzidos nos
sistemas de atendimento a clientes, que são ouvidos logo que uma pessoa liga solicitando
uma informação sobre um saldo bancário ou apenas desejando saber qual é o próximo
horário de vôo. Nestes casos, pode haver também a captura de informações faladas pelo
cliente ou digitadas pelo teclado do telefone.
Segundo Capron e Johnson (2004), existem duas abordagens básicas para que um
computador possa sintetizar a fala humana:

a) Síntese pela análise, em que o dispositivo analisa a fala de uma pessoa real, grava
o som falado e o reproduz quando necessário;

b) Síntese pela regra, em que o dispositivo aplica um conjunto complexo de regras


lingüísticas para criar uma fala artificial, que pode ser usada para ler um texto
contido em uma página na Internet, por exemplo.

Assim como um sistema de reconhecimento de voz não consegue interpretar 100%


a voz humana, os sistemas de síntese de fala não conseguem reproduzir perfeitamente a fala
de uma pessoa real. Mesmo nos sistemas baseados em síntese pela análise, o som da voz
reproduzida parece estranho e deselegante para o ouvido humano. Apesar de algum
pequeno desconforto ser ocasionado pela falta de familiaridade com a fala sintetizada, isso
não prejudica a compreensão dos sons emitidos pelo computador para o usuário.
46

Alguns softwares utilizam-se da síntese de fala para facilitar a vida de pessoas com
deficiência visual, com o objetivo tornar mais simples o uso do computador por elas.
A seguir serão descritas as principais tecnologias utilizadas, na atualidade, para
auxiliar na interação entre o usuário portador de deficiência visual e o computador.

1.3.3 Tecnologias voltadas para os deficientes visuais

Na atualidade, existem diversos tipos de ferramentas, sejam softwares ou


hardwares, que permitem ao deficiente visual operar um computador e realizar tarefas
comuns, como ler um e-mail.
Essas ferramentas apresentam-se como conquistas alcançadas graças ao empenho de
pessoas que utilizaram seu conhecimento tecnológico para confeccionar equipamentos e
programas, com o objetivo de melhorar a vida daqueles que enxergam o mundo de maneira
diferente.
Segundo Alegre (2006), os recursos existentes na atualidade para auxiliar os
deficientes visuais mais conhecidos são:
a) Voz sintetizada - transmite oralmente a informação que está na tela. Obtém-se
através de software para leitura de tela (screen reader) instalado em computador
equipado com placa de som e colunas ou na sua falta com sintetizador de voz;
b) Programas de Ampliação - software que amplia a informação que aparece no
monitor do computador;
c) Linha ou terminal Braille - equipamento eletrônico ligado ao computador por cabo,
que possui uma régua de células Braille, cujos pinos se movem para cima e para
baixo, representando uma linha de texto da tela computador. O número de células
da régua pode variar entre 20 e 80. A figura abaixo mostra como é um terminal
Braille e o modo como ele está acoplado no Note book:
47

Figura 1.7 – Linha ou Terminal Braille


Fonte: Acessibilidade para a Deficiência Visual, 2006.

d) OCR (Optical Character Recognition) - software de reconhecimento de caracteres


que transforma a imagem digitalizada pelo scanner em um texto que possa ser
editado e lido por um sintetizador de fala;
e) Scanners: dispositivos que permitem a digitalização de textos e imagens,
transformando - os em informação que pode ser lida e alterada no computador. A
figura abaixo mostra como é um scanner:

Figura 1.8 - Scanner de mesa


Fonte: Scanners, 2006.

f) NoteTaker Braille - dispositivo portátil que permite escrever com teclas Braille,
ouvir e/ou ler o que se escreveu, armazenar informação, descarregar a informação
para o computador e ser ligado a uma impressora a tinta ou Braille para imprimir
o que se deseja. Ligado ao computador, pode ser usado como sistema de saída de
voz ou de Braille, caso seja um NoteTaker equipado com voz ou com um terminal
Braille ou com ambas as possibilidades. Pode ter calculadora, relógio, etc. O
48

NoteTaker pode ser considerado como uma evolução da máquina de escrever em


Braille.A figura abaixo mostra como é a aparência de um Notetaker Braille:

Figura 1.9 –NoteTaker Braille


Fonte: Notetaker Braille, 2006.

g) Impressoras Braille: impressoras especiais que imprimem, em Braille, um texto


digitado no computador em caracteres normais. A figura 1.11 mostra como é
uma impressora Braille:

Figura 1.10 - Impressora Braille.


Fonte: Impressora Braille, 2006.

h) Circuito fechado de televisão (CCTV) ou Lupa TV – é um dispositivo que permite


a leitura e a observação de objetos com um grande leque de escolha de grau de
ampliação, cor e tipo de fundo. Ele facilita a visualização de pequenos objetos,
textos manuscritos ou impressos, imagens, pequenos animais; assim como auxilia
na escrita e na realização de tarefas minuciosas, como fazer renda ou prender
botões. Pode estar equipado com uma câmara apenas para visão de perto ou ter
uma 2ª câmara apontada para longe. A figura 1.12 mostra como é um CCTV em
funcionamento:
49

Figura 1.11 - Circuito fechado de televisão ou Lupa TV


Fonte: Manual Digital, 2006.

O presente capítulo apresentou o universo dos deficientes abordando os tipos e as


classificações das deficiências, bem como as conquistas dos direitos dos deficientes físicos,
como o acesso à informação e aos meios profissionais e sociais. Também foram abordados
neste capítulo os conceitos de sistemas e tecnologia de informação, software, hardware e as
principais ferramentas tecnológicas existentes, para auxiliar pessoas portadoras de
deficiência visual na operação de um sistema computacional.
A seguir será apresentada a metodologia do trabalho, abordando os principais
softwares voltados para os portadores de deficiência visual.
50

CAPÍTULO II – METODOLOGIA

Atualmente, existem diversos aplicativos com a finalidade de auxiliar o deficiente


físico a interagir melhor com o computador.
Na Internet, podem ser encontrados aplicativos para determinadas funções, como ler
telas do computador, ampliar as letras e as telas de programas para uma melhor
visualização ou mesmo converter arquivos digitalizados por scanners em textos editáveis
para leitura em voz alta por meio de voz sintética.
Neste capítulo serão abordados os problemas e hipóteses do presente projeto, bem
como seus objetivos, tipo de pesquisa e os principais softwares voltados para os deficientes
visuais utilizados como material para pesquisa.

2.1 Problema e Hipóteses

O principal problema encontrado para o presente trabalho é de onde encontrar estes


softwares especiais para portadores de deficiência visual que sejam práticos e acessíveis
para esse tipo de público, permitindo sua inclusão digital.
A falta de uma maior divulgação dos softwares voltados para pessoas com
problemas visuais em meio à sociedade e à grande dificuldade de acesso a estas ferramentas
informatizadas, bem como o conhecimento e potencialidades disponíveis por elas para um
melhor uso e exploração dos recursos dos sistemas computacionais, que constituem nas
principais causas da exclusão digital dos portadores de deficiência visual.

2.2 Objetivos

O objetivo geral deste projeto é analisar, selecionar e comparar os softwares


(ferramentas computacionais) disponíveis no mercado para auxiliar a interação entre os
portadores de deficiência visual com um sistema computacional.
Já os objetivos específicos do presente projeto são de definir os principais softwares
(ferramentas computacionais) adequados com base na finalidade de aplicação, bem como
elencar os critérios a serem utilizados na avaliação destas ferramentas computacionais,
fazendo um estudo comparativo entre elas para identificar as principais potencialidades e
51

fragilidades de cada uma, estabelecendo requisitos mínimos para instalação e utilização


destes softwares.
Também são objetivos deste projeto avaliar os benefícios proporcionados aos
deficientes visuais na utilização destes softwares e divulgar, em meio à sociedade, estas
ferramentas para conhecimentos de todos.

2.3 Tipo de Pesquisa

No presente trabalho, foi realizada, primeiramente, uma pesquisa bibliográfica, em


que foram consultadas e analisadas fontes secundárias de informação, como documentos e
artigos eletrônicos, extraídos de sites que tratam sobre a questão da acessibilidade do
deficiente visual ao computador, bem como livros da área de Informática e trabalhos
realizados sobre o tema.
Também neste trabalho foi realizada a pesquisa de campo, que consiste: na
observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente na coleta de dados a
eles referentes e no registro de variáveis que se presume relevantes para analisá-los. A
pesquisa de campo é utilizada quando há a necessidade de se obter informações sobre um
determinado problema, o qual se procura uma resposta, hipótese, novos fenômenos ou as
relações existentes entre eles. (MARCONI e LAKATOS, 2005)
A pesquisa terá caráter exploratório, pois serão simuladas determinadas situações
cotidianas, como a digitação de um simples texto, por exemplo, para que possam ser
avaliados os critérios exigidos pela mesma.
O tipo de observação foi sistemático, pois cada passo do teste, cada evento que
ocorria e a opnião do usuário foram relatados por meio de anotações em um questionário
de avaliação.

2.4 Material e Métodos

Para a relização da pesquisa deste projeto serão utilizadas dois tipos de abordagens:
testes de campo realizado em laboratório com usuários portadores de diferentes graus de
deficiência visual; e entrevista, onde todas as informações foram anotadas em um
questionário de avaliação,cujo modelo está, em anexo, no presente trabalho. (Anexo 2)
52

Para a realização dos testes, foi utilizado o laboratório da Fatec de São José do Rio
Preto, onde, em três computadores, foram instalados os softwares utlizados para os testes.
Foram convidados usuários, que executaram tarefas simples no computador como digitar
um texto, acessar a Internet, abrir ou fechar um arquivo, calcular, dentre outras rotinas
comuns.
Todos estes procedimentos foram elaborados com base no teste de usabilidade, que
avalia a qualidade da interface homem-máquina existente dentro de um software por meio
da “verfificação e homologação individual do uso por um conjunto de usuários”. (INDG,
2006)
Durante os testes, serão avaliados:
• O grau de sonoridade das vozes sintetizadas oferecidas pelos softwares;
• Facilidade de compreensão das palavral lidas pelo software;
• Suporte para outros idiomas;
• Facilidade e operabilidade;
• Familiaridade como software;
• Qualidade dos recursos oferecidos pelos softwares;
• Interface com o usuário (se o ambiente oferecido pelo software é amigável ou não
para o usuário);
• Resolução de ampliação (se ela ajuda ou atrapalha a visualização dos componentes
dos demais aplicativos presentes no sistema);
• Quais softwares oferecem mais recursos e funcionalidades;
• Quais já são conhecidos pelo usuário;
• Quais obteram melhor desempenho;
• Quais obteram pior desempenho;
• Quais são os mais acessíveis para o usuário (avaliando principalmente as questões
financeiras e de disponibilidade do software pelo fabricante).

Os resultados dos testes serão apresentados no Capítulo III do presente trabalho.


Neste tópico do capítulo, serão apresentados alguns dos principais softwares
existentes na atualidade para facilitar o uso do computador pelos deficientes visuais. Eles
foram selecionados, por meio de uma pesquisa bibliográfica nos principais sites voltados
para deficientes visuais e das empresas que produzem e os distribuem.
53

Os softwares avaliados no presente trabalho serão:

• Leitores de telas:
– DOSVOX;
– Jaws;
• Navegadores (browsers):
– AudioBrowser;
– IBM Home Page Reader(também com a função de leitura de
telas para os demais aplicativos).
• Ampliadores de Telas
– Lente de Aumento do Windows (somente ampliação);
– Lunar Plus( conjuga as funções de leitura e ampliação);
– Supernova. (conjuga as funções de leitura e ampliação);
– MAGIC (conjuga as funções de leitura e ampliação).

A seguir, serão apresentados os softwares e as características e funcionalidades de


cada um.

a) O DOSVOX

O DOSVOX é um sistema para microcomputadores da linha PC que se comunica


com o usuário por meio de síntese de voz, tornando possível o uso de computadores por
deficientes visuais, que ganham um alto grau de independência no estudo e no trabalho com
o uso desta ferramenta. (DOSVOX, 2006)
O DOSVOX surgiu de um projeto do Núcleo de Computação Eletrônica da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para incluir os deficientes visuais no meio
digital acadêmico, e ganhou vários adeptos nos demais estados brasileiros e países de
mesmo idioma, por ser um leitor de telas disponível na língua portuguesa, gratuito e de
fácil aprendizado de uso e operabilidade.
Dados estatísticos mostram que, em dezembro de 2002, existiam cerca de 6000
usuários utilizando o sistema DOSVOX no Brasil e em alguns países da América Latina,
sendo que o número de usuários que acessavam a Internet era, aproximadamente, de 1000
usuários.
54

Sua história iniciou-se no ano de 1993, a partir da necessidade de um aluno portador


de deficiência visual em acompanhar as aulas de Computação Gráfica de seu curso na
universidade. Seu nome era Marcelo Pimentel e não só ele, mas outros sete alunos cegos
que freqüentavam a universidade tinham dificuldades de acompanhar certas disciplinas
dentro dos cursos oferecidos pela instituição.
O professor José Antônio Borges, que lecionava as aulas de Computação Gráfica na
época, pensou inicialmente em dispensar Marcelo da disciplina. Porém, a força de vontade
e a motivação do aluno em aprender fizeram com que o professor mudasse de idéia e
ajudasse no que fosse possível para incluir o jovem na disciplina.
O professor deu ao aluno a tarefa de criar um software que permitisse as pessoas
cegas a operarem o computador com independência e facilidade, orientando-o no projeto.
Este foi o ponto de partida para um trabalho que, logo em seguida, originaria o DOSVOX:
um ambiente que permite ao usuário portador de deficiência visual imprimir páginas em
Braille, escutar um texto por meio de voz sintetizada, acessar a Internet e demais tarefas
que antes eram difíceis para indivíduos com esta limitação. (HISTÓRICO..., 2006)
No início, o DOSVOX operava apenas no MS DOS, mas, aos poucos, foram feitas
versões para o Windows 95 e demais versões posteriores.
A cada versão disponibilizada, o ambiente DOSVOX ganhava mais aplicativos com
funções específicas. Atualmente, existem mais de 70 (setenta) programas compondo o
sistema, que se organizam nas seguintes funções (ibidem, 2006):
• Sistema operacional que contém os elementos de interface com o usuário;
• Sistema de síntese de fala para língua portuguesa;
• Editor, leitor e impressor/formatador de textos;
• Impressão/ formatação para Braille;
• Aplicações para uso geral : caderno de telefones, agenda, calculadora,
preenchimento de cheques, etc.;
• Jogos diversos;
• Utilitários de internet: FTP, acesso a WWW, um ambiente de "chat", um editor
html, etc.;
• Programas multimídia, como o processador multimídia, gravador de som,
controlador de volumes, etc.;
• Programas dirigidos à educação de crianças com deficiência visual;
55

• Um sistema genérico de telemarketing, dirigido à profissionais desta área;


• Ampliador de tela para pessoas com visão reduzida;
• Leitores de janelas para Windows.

Os requisitos mínimos para a instalação do DOSVOX são:


• Sistema Operacional Microsoft Windows 95 ou superior;
• Processador Pentium 133 ou equivalente, sendo possível executá-lo com menor
velocidade em máquinas a partir de 486;
• Placa de som ou a disponibilidade de som "on-board".

Estudos realizados por Sonza e Santarosa (2003) revelaram que o DOSVOX é o


software mais utilizado entre os portadores de deficiência visual no Brasil, por ser de fácil
uso, gratuito e de processamento mais rápido do que os demais existentes no mercado.
Também foram ressaltados, no mesmo estudo, a importância de ferramentas como o
DOSVOX no meio educacional para a inclusão do deficiente visual no meio digital, bem
como seus principais benefícios oriundos de sua utilização.
Borges (1997) ressalta sobre a importância do DOSVOX no Brasil e sua adoção em
diversas instituições de ensino voltadas para os portadores de deficiência visual.
Organizações como a Rede SACI (instituição que apóia a auxilia na inclusão do deficiente
no meio social e digital) e o Instituto Benjamin Constant, que o utiliza para a realização de
seus projetos de inclusão voltados para os deficientes visuais.
Atualmente, o DOSVOX está disponível na sua versão mais recente (3.3). Também
já estão disponíveis as versões do DOSVOX para o sistema operacional Linux: o LINVOX,
que possui as mesmas funcionalidades e pode ser adquirido gratuitamente no site (Dosvox,
2006) do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ nas versões 1.0 e 2.0.
56

b) O JAWS

O JAWS ® for Windows ® é software leitor de telas fornecido pela empresa


(5)
americana Freedom Scientific , sendo um dos mais conhecidos no mercado mundial e,
utilizado por mais de 50.000 pessoas em diversos países.
Esse software é compatível com quase todas as versões do Windows, desde o
Windows 95 até o Windows XP. Sua instalação, que também é falada, permite o uso de
grande maioria das aplicações desenvolvidas para o ambiente Windows, havendo
possibilidade de adequação do software para aplicações não desenvolvidas no mesmo
ambiente para seu uso.
De acordo com a Associação dos Deficientes visuais do Paraná - a ADEVIPAR (6) –
as principais características do JAWS são:
a) Suporte de voz durante a instalação;
b) Apesar de possuir sintetizador de software próprio, outros sintetizadores podem
ser utilizados;
c) Síntese de voz em várias línguas, incluindo o português do Brasil;
d) Indicação das janelas ativadas, do tipo de controle e suas características;
e) Leitura, integral, dos menus, com indicação da existência de submenus;
f) Fala as letras e palavras digitadas, estando adaptado ao teclado português;
g) A leitura pode ser feita por letra, palavra, linha, parágrafo ou a totalidade do
texto;
h) A leitura dos textos é possível em qualquer área de texto editável;
i) Fornece indicação da fonte, tipo, Estilo e tamanho da letra que está a ser utilizada;
j) Permite trabalhar com Correio Eletrônico e navegar na Internet, como se estivesse
num processador de texto;
k) Permite o controle do mouse no caso de funções que o exijam;
l) Permite o rastreamento do mouse, isto é, lê o que está por debaixo do ponteiro.
m) Possui uma ajuda de teclado, que fala as funções de cada tecla.

(5)
Cf. JAWS FOR WINDOWS, 2006.
(6)
Cf. ADEVIPAR, 2006.
57

n) Em qualquer ponto de uma aplicação, pode ter ajuda sobre as seqüências de


teclas, da aplicação e do JAWS, que pode usar;
o) Possui ajuda sensível ao contexto, que pode dar informações sobre o controle em
foco ou sobre a aplicação em execução;
p) Possibilidade de etiquetagem de gráficos;
q) Dicionários, gerais ou específicos, que permitem controlar a maneira como os
sons das palavras e das expressões são pronunciados;
r) As definições de configuração podem ser ajustadas para a generalidade das
aplicações, ou apenas para aplicações específicas.

Segundo Sonza e Santarosa (2003), o JAWS ainda precisa amadurecer muito no que
se refere à tradução na língua portuguesa. No entanto, ele vem demonstrando ser um leitor
de telas com mais recursos do que os existentes no mercado, como compatibilidade com
versões de aplicativos como o Acrobat Reader® eo Winap®, por exemplo.
Uma outra desvantagem que o JAWS apresenta é em relação ao preço. O software
comercial custa em média cerca de R$ 4.770,00, o que dificulta sua aquisição para pessoas
cegas com baixo poder aquisitivo. Porém, no site da Freedom Scientifc, o usuário pode
fazer um download das versões demo, optando por usar a versão grátis de 40 minutos para
teste ou, por um baixo custo, adquirir a versão demo para uso durante 60 dias.

c) O MAGIC

O MAGIC ®, assim como o JAWS®, é um software da empresa norte Freedom


Scientific (Magic, 2006) e tem como principal característica a função de ampliação de telas
e ícones do Windows para pessoas com problemas de visão. Sua versão mais atual, o
MAGIC 10, também fornece o recurso de leitura de telas para deficientes visuais em vários
idiomas, inclusive o português do Brasil.
Diferente da lente de aumento do Windows, que fornece apenas uma área para
ampliação do ambiente, o MAGIC fornece uma melhor visualização da área ampliada, além
de oferecer suporte com voz durante sua instalação.Sua resolução chega a 32 bits e sua
ampliação é de 2x16. Pode ser usado simultaneamente com o JAWS, sem problemas de
conflitos entre os dois programas. É compatível com as versões do Windows 9X, ME e XP.
(LAMARRA, 2006)
58

d) A Lente de Aumento do Windows

A lente de aumento do Windows permite ao usuário ampliar as informações


existentes nas telas dos aplicativos, facilitando sua visualização. Ele apresenta uma barra
onde todos os recursos aparecem ampliados, conforme pode ser visto no item (1) da Figura
2.1 abaixo. Para diminuir ou aumentar a resolução da Lupa, basta apenas mudar o tamanho
na configuração da Lente de Aumento, que pode chegar até 9. Na figura abaixo está sendo
usado o nível 2 (item 2).

(1)

(2)

Figura 2.1 – Lente de aumento do Windows


Fonte: Crawford (adaptação da autora deste trabalho), 2006.

Para ativar este recurso do Windows, basta selecionar a opção de acessibilidade,


dentro da opção Acessórios do menu Todos os programas, no botão Iniciar.

e) O Supernova

O Supernova é um leitor de telas fornecido pela empresa Dolphin Computer Access,


localizada no Reino Unido. Este software além de realizar a leitura de telas de navegadores
web, planilhas de cálculos e demais programas, também oferece o recurso de ampliação de
tela, podendo ser utilizado por pessoas com problemas de visão baixa. É compatível com
dispositivos Braille, como terminais Braille, NoteTaker Braille e impressoras.
De acordo com o artigo Supernova (2006), suas principais características são:
a) Falar enquanto o usuário digita;
59

b) Leitura de documento apenas com uma tecla de atalho;


c) Além de ler, soletra a palavra e indica o tipo de letra;
d) Muda a velocidade, volume e tipo de voz;
e) Oferece suporte para 13 idiomas: português, inglês (britânico e americano),
holandês, francês, finlandês, alemão, italiano, norueguês, polaco, espanhol
(latino ou castelhano) e sueco;
f) É compatível com muitos sintetizadores de voz de software e hardware.

Para a instalação do Supernova, são necessários os seguintes requisitos:


a) Processador Pentium Intel II,400 MHZ (superior ou equivalente);
b) Memória de 128 MB ou superior;
c) Placa gráfica PCI ou AGP;
d) Placa de som compatível Sound Blaster;
e) Internet versão 5.0 ou superior.

O Supernova é um software comercial, que custa em média cerca de U$995, 00,


porém, pode-se adquirir a versão teste durante 30 dias no próprio site da empresa:
www.yourdolphin.com.

f) IBM Home Page Header

O IBM Home Page Reader ® é um software oferecido pela empresa IBM ® para
auxiliar pessoas com deficiência visual no acesso ao conteúdo das páginas de Internet. Sua
principal função é ler, por meio de um sintetizador de voz, as informações presentes na
página acessada pelo usuário.
O IBM Home Page Reader oferece suporte a sete idiomas, incluindo o português do
Brasil. Também oferece distinção entre o idioma inglês de origem britânica e o de origem
norte-americana. O usuário pode alterar a velocidade de leitura e o tipo da voz (masculina,
feminina e infantil) quando desejado. Para diferenciar o texto normal do que aparece na
página dos links de hipertexto, que direcionam o usuário para outras páginas quando
clicados, o programa emprega duas vozes diferentes: uma feminina e outra masculina.
60

A IBM fornece, em seu site, maiores esclarecimentos sobre o software e fornece


uma versão teste para download. Para que o IBM Home Page Reader possa ser instalado,
são necessários os seguintes requisitos: (IBM HOME PAGE READER, 2006)
• Processador Intel Pentium 233 MHZ, 300MHZ(recomendado), superior ou
equivalente;
• Memória Ram de 64 MB ou superior;
• Vídeo SVGA, resolução 800X600, 256 cores;
• CD-ROM compatível com Microsoft ® Windows®;
• Modem com capacidade de 28,8Kbps, Microsoft® Windows® compatível;
• Placa de som compatível com o Microsoft Windows;
• Sistema Operacional Windows® 2000 ou XP;
• Serviço de Provedor de conexão de Internet;
• Suporte para PDF (Acrobat Reader 6.0 ou superior) e Flash (Macromedia® Flash®
Player 7).

De acordo com o depoimento da especialista de Sistemas da IBM, Antônia de Maria


Vieira (apud Cruz, 2004), que é portadora de deficiência visual, o IBM Home Page Reader
oferece muita independência ao usuário portador de deficiência visual, porém, sua precisão
não é 100%. Um exemplo disto é o fato de que o software não sabe distinguir imagens
contidas na página web: ele somente lê o título delas.
Antônia usa o software desde 2001 e dá sua opinião sobre o s benefícios do IBM
Home Page Reader em sua vida: “antes não tinha acesso à Internet, dependia de um
voluntário para ler. Hoje é muito mais fácil. Eu precisei de muita ajuda e agora posso
ajudar. É como uma troca, um retorno.” Antônia também trabalha como voluntária no
Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, ensinando informática para crianças cegas.
São alunos de 6.ª a 8.ª série, divididos em pequenas turmas constituídas de 10 a 12
estudantes, que usam computadores equipados com o software. (op. cit., p.53)

g) Audiobrowser

O Audiobrowser é um navegador de Internet que, além de ler as páginas acessadas


pelo usuário, amplia as informações digitadas. Foi desenvolvido pelo Departamento de
61

Informática da Universidade de Minhos, em Portugal, com financiamento da Secretaria


Nacional para Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência.
(AUDIOBROWSER, 2003)
Estudos desenvolvidos pelo Grupo de Estudos Sociais, Tifológicos e Associativos
de Portugal, o Gesta (2003), observaram, por meio de testes para avaliação, as
funcionalidades do Audiobrowser, obtendo os seguintes resultados:
Potencialidades do software:
a) Facilidade e rapidez na instalação e remoção do programa;
b) Indicação de links internos e externos.
c) Leitura de cabeçalhos com voz diferente da utilizada nos parágrafos do
texto;
d) Leitura dos títulos das imagens;
e) Som indexado às imagens.

Fragilidades encontradas no software:


a) Síntese de voz em Português do Brasil: difícil compreensão de algumas
palavras;
b) Ampliação de caracteres feita só em uma linha;
c) Não possui um manual para o usuário.

O AudioBrowser é gratuito e pode ser adquirido no site do projeto (Audiobrowser,


2003) ou no site do grupo Gesta (Gesta, 2003). Na hora de efetuar o download, o usuário
pode optar pela versões com ou sem bibliotecas de voz (idiomas, outros tipos de voz, etc.).

i) O Lunar Plus

(7)
O Lunar Plus®, da Dolphin Access Computer , é um programa de ampliação de
telas, compatível com as versões do Windows 9x, ME, NT, 2000 e XP. Possui fácil
instalação e configuração, com suporte de voz para o usuário seguir as tarefas de instalação.
A capacidade de ampliação de imagem do Lunar Plus é 16 vezes em qualquer
aplicação do Windows. O Lunar pode utilizar todas as funcionalidades do Windows,

(7)
Cf. LUNAR PLUS, 2006.
62

incluindo o Windows Explorer, a Calculadora, o Bloco de Notas, o Wordpad, o Painel de


Controle e o navegador Internet Explorer.
O Lunar pode ser configurado de diversas formas. Pode ampliar a tela inteira ou
apenas uma parte selecionada. Além disso, permite escolher diferentes combinações de
cores para uma melhor visualização dos conteúdos gráficos.
A documentação incluída na ajuda do software explica como configurar o Windows
para uma melhor utilização sem o mouse. Para configurar o Lunar, basta abrir ao Painel de
Controle onde são realizados todos os ajustes. Para o idioma português, o Lunar Plus conta
com o recurso de voz sintética Madalena, em português natural.
Foram abordados no presente capítulo os principais softwares, existentes no
mercado, para auxiliar o deficiente visual a ter uma melhor interação com o computador.
Também foi apresentada a metodologia utilizada na pesquisa para obter os dados contidos
na aplicação do projeto.
No capítulo a seguir, serão apresentados os resultados obtidos nos testes de
laboratório realizados com os nove softwares pesquisado e as opiniões dos usuários sobre
as ferramentas estudadas.
63

CAPÍTULO III – APLICAÇÃO

O presente capítulo apresenta os resultados obtidos em laboratório e as opiniões dos


usuários sobre as ferramentas tecnologicas que facilitam o uso do computador pelos
deficientes visuais. Primeiramente será apresentado uma pequena apresentação de como foi
relizada a pesquisa e perfil do usuário convidado para a realização dos testes, assim como
os resultados obitidos nos testes, a opinião do usuário e discussão sobre os resultados
apresentados. Em seguida, será apresentada a pesquisa, seus resultados e a discussão sobre
os dados encontrados.

3.1 Sobre a pesquisa

Primeiramente, foi realizada uma visita no Instituto Riopretense dos Cegos


Trabalhadores, localizado na Rua Antônio de Godoy, nº 5.674, em São José do Rio Preto.
Dentro do instituto, o instrutor de informática (que já conhecia os programas DOSVOX e
JAWS) foi convidado para uma entrevista e se prontificou, junto à Diretora Neiva, a
convidar voluntários para os testes.
Os testes foram realizados no próprio laboratório da Faculdade de Tecnologia -
FATEC, localizada na Rua Fernandópolis, nº2510, no bairro Eldorado, município de São
José do Rio Preto.
Durante a realização dos testes, foram avaliados os seguintes softwares:
a. DOSVOX;
b. JAWS;
c. Supernova;
d. Lunar Plus;
e. MAGIC;
f. IBM Home Page Reader;
g. Audiobrowser.

Foi solicitado a cada usuário que digitasse trechos de um texto, salvar o mesmo em
uma pasta e ler as informações contidas nas telas do editor. Também foi pedido que cada
64

usuário visitasse uma página qualquer da Internet e ler o conteúdo por meio dos leitores de
telas.Também foi pedido que os voluntários abrissem outros aplicativos para leitura, como
o Adobe Reader.

3.2 Sobre o perfil dos usuários

Cinco pessoas foram convidadas para os testes, porém, apenas três voluntários
participaram dos testes, sendo que um deles foi indicado por uma pessoa da faculdade.
Quanto ao perfil de cada usuário, todos são freqüentadores do Instituto Riopretense
dos Cegos Trabalhadores, sendo:
a) Uma mulher com perda total de visão, com ensino superior, casada e aposentada;
b) Um estudante de 17 anos, esportista, com perda total de visão;
c) Um músico, com perda parcial de visão.

O professor de informática do instituto também foi convidado para participar dos


testes, mas não pode comparecer aos testes por motivos profissionais. Porém, ele se
prontificou a responder o questionário com base na sua experiência em relação a alguns
softwares que, no caso, eram o DOSVOX e o JAWS, e suas opiniões foram consideradas
para a pesquisa, pois eram de grande valor para o presente trabalho, sendo considerado no
grupo de amostragem.

3.3 Sobre os Testes

Durante os testes, os programas foram analisados por meio de uma lista de critérios,
com base nas funcionalidades de cada um, para diversos fins. Estes critérios foram
escolhidos tendo como referência as atividades de rotina realizadas pelos usuários, durante
o dia a dia, como ler e digitar textos, por exemplo.
Os critérios analisados durante a pesquisa foram:

a. Nível de compreensão das palavras lidas pelo software;


b. Qualidade da sonoridade da voz;
c. Qualidade da leitura de outros aplicativos (Word, Internet Explorer, etc);
d. Auxilio na navegação do usuário nas telas dos programas;
65

e. Nível de atendimento as necessidades do usuário;


f. Facilidade na operação do computador;
g. Melhoria no aprendizado e conhecimento em informática;
h. Independência no uso do computador.

Foram escolhidas, para esta avaliação, perguntas de opinião pessoal, para fins de
comparação entre os softwares. Estas perguntas foram escolhidas com base no nível de
familiarização dos voluntários com os programas estudados, bem como suas opiniões sobre
cada um deles.

a. Quais softwares o usuário já teve contato?


b. Quais não são conhecidos para ele?
c. Quais os aspectos bons (potencialidades) que o usuário observou durante os testes?
d. Quais os aspectos ruins (fragilidades) que o usuário observou durante os testes que
dificultaram na utilização dos recursos do computador?
e. Quais sugestões e melhorias o usuário sugeriria para os softwares apresentados?

Com base nos itens acima mencionados, o usuário teria que dar notas para cada uma
das questões, seguindo um critério de pontuação definido com os valores: 0 – não possui, 1
– ruim, 2 - regular, 3 – bom e 4 – ótimo. As questões com opções sim/não foram
consideradas com valor 1, quando afirmativo, e valor 0, quando negativo ou falta de
manifestação do usuário em relação ao software.
Quanto às opiniões do usuário que, em sua grande maioria, eram abertas e
dissertativas, tinham como principal objetivo coletar sugestões, críticas e elogios para fins
de comparação entre os softwares estudados.
A seguir, serão apresentados os resultados obtidos nos testes realizados no
laboratório e a discussão do que foi analisado.

3.4 Apresentação dos Dados

Após os testes realizados no laboratório, foi realizada uma entrevista com cada um
dos usuários, em que foram anotados o grau de satisfação do usuário e as opiniões
referentes a cada software. Os valores das questões 1 e 3 (a questão dois não foi
66

considerada na avaliação por causa da falta de usuários que pudessem utilizar os recursos
de ampliação de alguns dos softwares) foram calculados e, a partir da soma dos resultados,
foi obtida uma média geral para cada software, para fins de comparação do desempenho de
cada um.
Avaliação Geral dos Softwares
Média Geral de
Softwares Questão 1 Questão 3 Total cada software
DOSVOX 52 13 65 32,5
JAWS 55 16 75 35,5
IBM Home Page 38 8 46 23
Reader
MAGIC 36 8 44 22
Audiobrowser 20 0 20 10
Lunar Plus 20 0 20 10
Supernova 17 0 17 8,5
Tabela 3.1 – Avaliação Geral dos Softwares
Fonte: Elaboração da autora deste trabalho, 2006.

O gráfico abaixo ilustra as médias finais alcançadas pelas ferramentas, com base nas
respostas fornecidas pelos usuários, para fins de comparação.

Média Geral dos Softwares

40
35 DOSVOX
30 JAWS
25 Supernova
Média

20 IBM Home Page Reader


15 AudioBrowser
10 MAGIC
5 Lunar Plus
0
1
Softwares

Figura 3.1 – Média Geral dos Softwares


Fonte: Elaboração da autora deste trabalho, 2006.
67

Também foi calculado o número de softwares conhecidos pelos usuários


participantes da pesquisa, obtido nas questões quatro e cinco do questionário, como mostra
a tabela a seguir:

Softwares conhecidos pelo usuário


Software Número de usuários que Número de usuários que
conhecem o software desconhecem o software
DOSVOX 4 -
JAWS 4 -
IBM Home Page Reader 1 3
MAGIC - 4
Audiobrowser - 4
Lunar Plus - 4
Supernova - 4
Tabela 3.2 – Número de usuários que conhecem os softwares
Fonte: Elaboração da autora deste trabalho, 2006.

A seguir, será apresentada a discussão de cada resultado obtido no teste.

3.5 Discussão dos Resultados

Dos resultados obtidos nos testes, observando cada item avaliado e as opiniões dos
envolvidos nos testes, pode – se notar que foram apresentadas diversas opiniões dos
usuários, que serão apresentadas na seqüência:

a) JAWS

O software JAWS obteve 35,5 pontos da média, alcançando o primeiro lugar na


avaliação. Ele mostrou – se ser um ótimo software para ser utilizado na plataforma
Windows por causa de sua flexibilidade na hora do uso e na facilidade na operação.
As principais potencialidades do JAWS apontadas pelos usuários durante os testes
foram:
- Compatibilidade com diversos aplicativos, tais como processadores de textos,
navegadores Web, planilhas, dentre outros;
68

- Facilidade de uso;
- Ótima ferramenta para ser usada dia-a-dia.

Como principais fragilidades encontradas durante os testes, para software JAWS,


foram:
- O preço inacessível para muitas pessoas;
- Algumas palavras não traduzidas para o português (por exemplo, ao invés de o
software dizer diretório durante a leitura, utiliza o nome em inglês, ou seja, folder)
- Sonoridade da voz, que é um pouco desagradável à audição.

Como melhorias no sistema, foram sugeridas:


- Preços mais acessíveis para instituições voltadas para o ensino de pessoas com
deficiência visual;
- Maior naturalidade da voz;
- Maior facilidade para navegação no que se refere à localização de ícones e botões
nas janelas dos programas e na área de trabalho, por exemplo.

b) DOSVOX

O DOSVOX ocupou o segundo lugar na avaliação, com uma média de 32,5


pontos.Ele apresentou um ótimo desempenho durante sua operação, oferecendo vários
recursos dentro do sistema.
Como principais potencialidades foram apontadas:
- Diversidade de recursos (como calculadora, editor de textos, agenda e demais
aplicativos existentes dentro do Sistema DOSVOX);
- Facilidade de digitação, principalmente na utilização do editor de textos EDIVOX.

As principais fragilidades apresentadas pelos usuários foram:


- Falta de abertura para leitura de softwares existentes fora do sistema DOSVOX
(como o Microsoft Word, por exemplo);
- Teclas de atalhos diferentes das utilizadas pelo sistema Windows;
- Dificuldade na leitura de páginas de Internet.
69

Como principais melhorias sugeridas pelos usuários:


- Abertura para a inclusão de outros sintetizadores de voz;
- Maior integração entre o leitor de telas do DOSVOX e demais programas existentes
dentro do ambiente Windows;
- Mais clareza na pronúncia e na voz;
- Maior facilidade para ler páginas web.

c) IBM Home Page Reader

O navegador web IBM Home Page Reader ocupou o terceiro lugar na pesquisa, com
23 pontos de média.
As principais potencialidades apontadas pelos usuários durante os testes foram:
- Nível de compreensão das palavras lidas;
- Auxílio na localização de componentes dentro de uma página Web.

Como fragilidades, a principal crítica feita pelos usuários foi em relação à qualidade
da voz, que dificulta a leitura dos textos contidos nas páginas de Internet. Quanto às
sugestões de melhorias, nenhum dos convidados se manifestou sobre a questão.

d) MAGIC

O software para leitura e ampliação MAGIC ficou em quarto lugar, com 22 pontos
na média.
Como potencialidades, segundo as opiniões dos usuários, foram apontadas:
- Bom nível de compreensão das palavras por parte dos usuários;
- Qualidade da sonoridade da voz emitida pelo sintetizador;
- Fácil compreensão do que é lido pelo programa;

Como fragilidades apontadas pelos usuários, foram apresentadas:


- Dificuldades na leitura dos demais aplicativos;
- Localização dos componentes existentes nas janelas dos programas.

Quanto a melhorias no software, não foram apresentadas sugestões.


70

e) Audiobrowser

O navegador web Audiobrowser ocupou o quinto na avaliação, apresentando uma


média 10. Nos testes realizados com o Audiobrowser, foram apontadas como
potencialidades à localização de ícones e links existentes em uma página de Internet e,
como principal fragilidade, a sonoridade da voz, que era incomoda para a audição dos
usuários. Não foram apresentadas sugestões de melhorias.

f) Lunar Plus

O software leitor e ampliador de telas Lunar Plus empatou com o Navegador


Audiobrowser , ficando na sexta posição na avaliação, com 10 pontos na média.
Como principal potencialidade apresentada pelo software durante a realização dos
testes, destacou –se o auxílio na localização de recursos, como botões e menus, por
exemplo.
Quanto às fragilidades, foram apontadas pelo usuário durante os testes:
- Dificuldade na compreensão das palavras lidas;
- Sonoridade da voz degradável para o usuário;
- Dificuldade na leitura dos demais aplicativos do Windows.

Por causa do alto grau de deficiência visual apresentada pelos usuários, não foi
possível testar as funções de ampliação do software, ficando para futuras avaliações. Os
usuários não apresentaram sugestões de melhorias para o Lunar Plus.

g) Supernova

Na última posição, em sétimo lugar, ficou o Supernova, que obteve uma média de
8,5 pontos. O software se apresentou regular em todos os quesitos, sendo de difícil
operação para o usuário. Vale lembrar que não foram testadas suas funções de ampliação
devido a restrições dos usuários, pois estes possuíam níveis altos de deficiência visual.
Porém, em uma outra avaliação futura, seria aconselhável explorar mais essa
funcionalidade do software.
71

Apesar das limitações dos usuários, estes se saíram bem na avaliação, opinando
sobre diversos aspectos sobre cada item dos softwares. Infelizmente, por causa da falta de
dois voluntários que não puderam comparecer por motivos maiores aos testes, o Lente de
aumento do Windows e algumas funcionalidades dos demais softwares não puderam ser
avaliadas, ficando para projetos futuros uma maior investigação das mesmas. Por isso,
cada resultado apresentado neste trabalho deve ser observado com atenção, para fins de
futuras comparações.
Com base em todas as informações apresentadas e discutidas neste tópico, bem
como a observação dos softwares desde sua instalação até os testes, obtém – se o quadro
comparativo, como mostra a tabela a seguir:

Softwares JAWS DOSVOX IBM H. MAGIC Audiobrowser Lunar Plus Supernova


P. Reader

Qualidade do S B B B R R R
Sintetizador
Facilidade de S S B R B B R
Navegação
Facilidade de S R B R R B R
Localização de Ícones
Facilidade de Uso da B S S B B I I
Internet
Facilidade na B S B B R R I
digitação e leitura
Quantidade recursos B S R R R R R
Compatibilidade com S R R R R R R
outros aplicativos
Interface amigável B B B B R R R
Familiarida S S B I I I I
de com o software
Material de apoio S S B B I R R
(manual, arquivo de
ajuda, etc.)
Site da S B S B R B B
empresa/instituição
que distribui o
software
72

Leitura de arquivos R R R R R R R
gráficos (como
figuras, por exemplo)
Instalação com apoio S R S B R B B
de voz
Independência B B R R R R R
proporcionada pelo
seu uso

Suporte para outros B B B B B R R


idiomas
Tabela 3.3 – Quadro comparativo entre os softwares
Fonte: Elaboração da autora deste trabalho, 2006.

Legenda:

S – Satisfatória
B – Boa
R – Regular
I – Insatisfatória

Assim, neste capítulo, foram apresentados os resultados obtidos na pesquisa em


laboratório e o perfil do usuário, bem como a comparação entre os softwares que foram
utilizados nos testes. A seguir, será apresentada a conclusão do trabalho.
73

CONCLUSÃO

O presente projeto teve como principal objetivo analisar e comparar as principais


ferramentas tecnológicas existentes na atualidade para auxiliar os deficientes visuais a
terem uma maior independência na utilização dos recursos informatizados .
Após os estudos realizados neste projeto, foi constatada a grande dificuldade do
deficiente visual em encontrar ferramentas que o ajudem a incluir-se no mundo digital.
Além disso, também existe uma grande carência de divulgação e acesso às tecnologias
existentes para essas pessoas, aumentando ainda mais os obstáculos a serem vencidos no
decorrer de suas vidas.
Conclui-se que, para a inclusão do portador de deficiência visual, não só no meio
digital, mas também nos meios sociais e profissionais, estas ferramentas seriam de grande
ajuda para a obtenção de independência, informação e liberdade para essas pessoas. No
entanto, para que para isso seja possível, é necessária uma maior intervenção por parte dos
órgãos públicos e privados, com ações que tenham como principal foco a responsabilidade
social e a melhoria de vida do deficiente em meio à sociedade.
Como sugestões para a inclusão do deficiente visual no universo digital, o que pode
ser feito são ações entre instituições de ensino técnico, superior, empresas e as organizações
não governamentais responsáveis pelo amparo dos deficientes, onde seria realizada a
divulgação destas ferramentas por meio de cursos e palestras. Também é aconselhável um
maior incentivo para a adequação de estabelecimentos, como cybercafés, lan-house (casas
de jogos e acesso a Internet) e salas de acesso à Internet gratuitas, a instalar e configurar
alguns computadores, para que sejam destinados as pessoas com problemas visuais.
A realização de trabalhos para a divulgação destas soluções, seja por meio de
palestras, eventos, imprensa e a conscientização das empresas sobre a importância de se
empregar pessoas com necessidades especiais e oferecer treinamento adequado a elas, com
o objetivo de amenizar a exclusão do deficiente visual em meio ao mercado de trabalho e
valorizá-lo como profissional, seriam ações de grande importância para a inclusão de
pessoas com deficiência visual.
As questões financeiras devem ser também analisadas, para que sejam feitas
parceiras entre empresas e escolas para adquirir softwares comerciais, a fim de ser utilizado
para o ensino de informática para os deficientes visuais matriculados nestas instituições.
74

Para que sejam explorados mais recursos dos softwares, aconselha-se que sejam
realizados maiores estudos e avaliações de todas as funcionalidades existentes em cada um,
bem como sua utilização em ocasiões mais específicas , como em meios profissionais.
75

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NOTETAKER BRAILLE. Disponível em: < http://www.visionaustralia.org.au/


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O´BRIEN, James A. Sistemas de Informação e as decisões Gerenciais na Era da


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PRESSMAN, R. S. Engenharia de Software. São Paulo: Pearson/ Makroon Books, 1995.

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T. F.de O.Louis Braille: sua vida e seu Sistema.2. ed São Paulo:Fundação para o Livro do
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PRODUTOS. Tecnologia de Apoio para Informática. Disponível em:


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SCANNERS. The Bliss Pages. Disponível em: < http://www.theblisspages.com/compu.


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TECNOLOGIA. Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia>.


Acesso em: 28 set. 2006.
79

ANEXO 1

Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999.

Regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a

Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e

VI, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989,

D E C R E T A:

CAPÍTULO I

Das Disposições Gerais

Art. 1 - A Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência compreendeo

conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e

sociais das pessoas portadoras de deficiência.

Art. 2 - Cabe aos órgãos e às entidades do Poder Público assegurar à pessoa portadora de

deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao

trabalho, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à previdência social, à assistência social, ao transporte, à

edificação pública, à habitação, à cultura, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que,

decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico.

Art. 3 - Para os efeitos deste Decreto, considera-se:

I - deficiência - toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica

ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado

normal para o ser humano;

II - deficiência permanente - aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de

tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de

novos tratamentos; e

III - incapacidade - uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com

necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora

de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao

desempenho de função ou atividade a ser exercida.


80

Art. 4 - É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias:

I - deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo

humano,acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de

paraplegia,paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia,

hemiplegia,hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com

deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam

dificuldades para o desempenho de funções;

72

II - deficiência auditiva - perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras, variando

de graus e níveis na forma seguinte:

a) de 25 a 40 decibéis (db) - surdez leve;

b) de 41 a 55 db - surdez moderada;

c) de 56 a 70 db - surdez acentuada;

d) de 71 a 90 db - surdez severa;

e) acima de 91 db - surdez profunda; e

f) anacusia;

III - deficiência visual - acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho, após a

melhor correção, ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen), ou ocorrência simultânea de

ambas as situações;

IV - deficiência mental - funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com

manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades

adaptativas, tais como:

a) comunicação;

b) cuidado pessoal;

c) habilidades sociais;

d) utilização da comunidade;

e) saúde e segurança;

f) habilidades acadêmicas;

g) lazer; e

h) trabalho;
81

V - deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências.


82

ANEXO 2

Questionário de avaliação dos Softwares

Software:__________________________

Questão Ruim Regular Bom Ótimo Não tem


1.Quanto à qualidade
da voz sintetizada,
responda:
Nível de compreensão
das palavras lidas pelo
software:
Sonoridade da voz:
Leitura dos aplicativos:
Auxílio na localização de
ícones e janelas:
2.Quanto à ampliação
das telas:
Visualização dos
recursos ampliados:
Demais recursos
disponibilizados pelos
programas:
Localização dos ícones e
janelas dos programas:

Facilidade de ampliação
das janelas
3.Quanto aos recursos Sim Não
oferecidos pelo
software:
Atende a suas
necessidades:
Facilita a operação do
computador:
Ajudou no
aprimoramento de seus
conhecimentos em
informática
Permite uma maior
independência na
operação do computador:
83

4. Dos softwares apresentados no teste, qual ou quais você teve contato pela primeira vez:
a) DOSVOX
b) LUNAR PLUS
c) SUPERNOVA
d) JAWS
e) MAGIC
f) LENTE DE AUMENTO DO WINDOWS
g) IBM HOME PAGE READER
h) AUDIOBROWSER

5. Dos softwares apresentados no teste, qual (is) você já teve contato ou ouviu falar:
a) DOSVOX.
b) LUNAR PLUS
c) SUPERNOVA
d) JAWS
e) MAGIC
f) LENTE DE AUMENTO DO WINDOWS
g) IBM HOME PAGE READER
h) AUDIOBROWSER

6. Quanto aos programas estudados, diga o que você achou de bom:

a) DOSVOX.:

b) LUNAR PLUS:

c) SUPERNOVA:

d) JAWS:
84

e) MAGIC:

f) LENTE DE AUMENTO DO WINDOWS:

g) IBM HOME PAGE READER:

h) AUDIOBROWSER:

7. Quanto aos programas estudados, diga o que você achou de ruim:

a) DOSVOX.:

b) LUNAR PLUS:

c) SUPERNOVA:

d) JAWS:

e) MAGIC:

f) LENTE DE AUMENTO DO WINDOWS:


85

g) IBM HOME PAGE READER:

h) AUDIOBROWSER:

5.Quais melhorias você sugeriria para serem feitas no programas analisados nesta pesquisa:

a) DOSVOX.:

b) LUNAR PLUS:

c) SUPERNOVA:

d) JAWS:

e) MAGIC:

f) LENTE DE AUMENTO DO WINDOWS:

g) IBM HOME PAGE READER:

h) AUDIOBROWSER: