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Toros Com Curvatura Media Constante Imersos No Espaço Euclidiano

Toros Com Curvatura Media Constante Imersos No Espaço Euclidiano

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Dissertação de Mestrado do Professor João Batista Ponciano
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Jo˜ ao Batista Ponciano

Toros com curvatura m´ edia constante imersos no
Espac¸o Euclidiano
Manaus - AM
Dez / 2004
Jo˜ ao Batista Ponciano
Toros com curvatura m´ edia constante imersos no
Espac¸o Euclidiano
Dissertac¸ ˜ ao apresentada ` a Coordenac¸ ˜ ao do
Mestrado em Matem´ atica da Universidade
Federal do Amazonas para a obtenc¸ ˜ ao do
t´ıtulo de Mestre em Matem´ atica.
Orientador:
Prof. Dr. Renato de Azevedo Tribuzzy
Mis+n.no ix M.+ix´ .+it.
Dir.n+.xiN+o ni M.+ix´ .+it.
INs+i+i+o ni Ciˆ iNti.s Ex.+.s
UNivinsin.ni Finin.i no Ax.zoN.s
Manaus - AM
Dez / 2004
Dissertac¸ ˜ ao de Mestrado sob o t´ıtulo “Toros com curvatura m´ edia constante imersos no
Espac¸o Euclidiano”, defendida por Jo˜ ao Batista Ponciano e aprovada em 28 de dezembro
de 2004, em Manaus, Amazonas, pela banca examinadora constitu´ıda pelos doutores:
Prof. Dr. Renato de Azevedo Tribuzzy
Orientador - UFAM
Prof. Dr. Jos´ e Kenedy Martins
Membro - UFAM
Prof. Dr. Greg´ orio Pacelli Bessa
Membro - UFC
A Dona Ana, Ana Elisa e Daniela
pec¸o desculpas por n˜ ao ter querido brilhar.
Agradecimentos
Meus sinceros agradecimentos aos professores e colegas do mestrado.
De maneira especial, gostaria de agradecer:
– ao Professor Dr. Ivan Tribuzzy, por mostrar que eu deveria tentar;
– ao coordenador do curso Professor Dr. Renato Tribuzzy, por achar que eu iria
conseguir;
– a DEUS, Senhor de todo o Conhecimento; criador da Geometria do Universo; que
atendendendo ` as minhas preces, permitiu que eu cumprisse mais essa etapa!
Resumo
Em 1951 Heinz Hopf [9] conjecturou que ”todas as superf´ıcies compactas imersas
emR
3
com curvatura m´ edia constante, eram esferas redondas. ”
Em 1986 Henry C. Wente [15] mostrou, atrav´ es de um contra-exemplo, que existem
superf´ıcies compactas imersas emR
3
, com curvatura m´ edia constante, que n˜ ao s˜ ao es-
feras redondas, ou seja, que a conjectura de Hopf n˜ ao era verdadeira. Nesta dissertac¸ ˜ ao
ser´ a mostrada a ”mais simples ”destas superf´ıcies: o toro de Wente com trˆ es l ´ obulos.
Abstract
In 1951 Heinz Hopf [9] conjectured that ”all compact surfaces immerged in R
3
with
constant mean curvature, were round spheres. ”
In 1986 Henry C. Wente [15] showed, through an counterexample, the existence of
compact constant mean curvature surfaces embedded in R
3
besides the round spheres,
that is to say, that Hopf’s conjecture was not true. In this Master’s thesis it will be
shown the simplest of these surfaces: the Wente tori with three lobes.
Sum´ ario
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
1 Introduc¸ ˜ ao p. 11
2 Preliminares p. 14
2.1 Introduc¸ ˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 14
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies . . . . . . . . . . . . . . . p. 14
2.2.1 Curvas Parametrizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 14
2.2.2 Curvatura e Torc¸ ˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 15
2.2.3 Movimentos no R
3
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 15
2.2.4 Teoria b´ asica das Superf´ıcies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 16
2.3 An´ alise Complexa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 21
2.3.1 Func¸ ˜ oes Anal´ıticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 21
2.3.2 Singularidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 21
2.3.3 Classificac¸ ˜ ao das singularidades isoladas . . . . . . . . . . . . . p. 22
2.3.4 Func¸ ˜ ao El´ıptica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 22
2.4 Conceitos Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 23
3 Geometrial Diferencial Cl´ assica p. 24
3.1 A equac¸ ˜ ao senh-Gordon . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 24
3.1.1 Pontos n˜ ao umb´ılicos em H-superf´ıcies . . . . . . . . . . . . . . p. 25
3.1.2 Determinac¸ ˜ ao de uma imers˜ ao atrav´ es de ω . . . . . . . . . . . p. 25
3.1.3 Condic¸ ˜ ao para ω descrever um toro . . . . . . . . . . . . . . . . p. 28
3.1.4 O ˆ angulo θ
j
e a distˆ ancia
j
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 28
4 Soluc¸ ˜ oes expl´ıcitas da equac¸ ˜ ao senh-Gordon p. 29
4.1 Introduc¸ ˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 29
4.2 Um sistema auxiliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 29
4.3 Uma fam´ılia de func¸ ˜ oes el´ıpticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 33
4.4 O espac¸o param´ etrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 35
4.4.1 Existˆ encia de soluc¸ ˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 35
5 Interpretac¸ ˜ ao Geom´ etrica das soluc¸ ˜ oes ω p. 39
5.1 Introduc¸ ˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 39
5.2 Descric¸ ˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares . . . p. 42
5.2.1 Condic¸ ˜ ao para as λ
1
-linhas de curvatura serem fechadas . . . . p. 44
5.2.2 Condic¸ ˜ ao para as λ
2
-linhas de curvatura serem fechadas . . . . p. 45
5.2.3 Teorema Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 47
6 Apˆ endice A p. 48
Referˆ encias p. 51
Lista de Figuras
1 Superf´ıcies de Delaunay . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 11
2 O retˆ angulo R
ab
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 27
3 As diferentes pec¸as do espac¸o param´ etrico B . . . . . . . . . . . . . . . p. 37
4 O espac¸o B e a discuss˜ ao de ”ser fechado”em termos de θ
1
,
1
, θ
2
, e
2
p. 46
5 O Toro de Wente... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 48
6 ... com trˆ es l ´ obulos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 48
7 O interior do... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 49
8 ... toro visto... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 49
9 ...atrav´ es de cortes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 49
10 Imagem do toro transparente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 50
11 Interior do toro visto atrav´ es de corte nos l ´ obulos . . . . . . . . . . . . p. 50
12 Imagem da intersecc¸ ˜ ao do toro com um plano escolhido adequadamente p. 50
Lista de Tabelas
11
1 Introduc¸ ˜ ao
As superf´ıcies com curvatura m´ edia constante tˆ em sido, historicamente, o ponto
de chegada em v´ arias pesquisas da Geometria Diferencial Cl ´ assica. A soluc¸ ˜ ao do
problema isoperim´ etrico; problemas de capilaridade; etc., s˜ ao alguns exemplos cujas
soluc¸ ˜ oes s˜ ao superf´ıcieis com curvatura m´ edia constante.
As mais simples destas superf´ıcies s˜ ao o plano, o cilindro e a esfera. Todas elas
s˜ ao invariantes por rotac¸ ˜ oes. Com esta mesma propriedades incluem-se o caten´ oide,
o nod´ oide e o ondul ´ oide; superf´ıcies cujo perfil ´ e gerado por um foco de uma sec¸ ˜ ao
cˆ onica (para o caten´ oide, par´ abolas; para o nod´ oide, hip´ erboles e para o ondul ´ oide,
elipses). Coube a Delaunay, em 1841 [7], a observac¸ ˜ ao dessa propriedade para tais
superf´ıcies. Por isso, elas s˜ ao conhecidas nos dias atuais como ”superf´ıcies de Delaunay”.
Curva perfil do Ondul ´ oide
Fig. 1a Fig. 1b Fig. 1c
Ondul ´ oide (corte) Ondul ´ oide
Curva perfil do Nod´ oide
Fig. 1d Fig. 1e Fig. 1f
Nod´ oide (corte) Nod´ oide
Figura 1: Superf´ıcies de Delaunay
Manfredo do Carmo e Dajczer descreveramuma s´ erie de superf´ıcies comcurvatura
m´ edia constante, invariantes por movimentos helicoidais.
1 Introduc¸˜ ao 12
Muitos outros pesquisadores tˆ em publicado resultados de pesquisas sobre as
descobertas de novas caracter´ısticas dessas superf´ıcies.
Observando os exemplos acima, nota-se que a ´ unica superf´ıcie compacta com cur-
vatura m´ edia constante, dentre os exemplos, ´ e a esfera. Os pesquisadores matem´ aticos
j ´ a haviam observado este fato h´ a bastante tempo.
Em 1951 Heinz Hopf [9], demonstrou o seguinte teorema:
Teorema 1.1. Se Σ : S
2
→R
3
´ e uma imers˜ ao com curvatura m´ edia constante. Ent˜ ao Σ(S
2
)
´ e uma esfera redonda.
Atribuiu-se a Hopf, ent˜ ao, uma intrigante quest˜ ao:
”Todas as superf´ıcies compactas imersas emR
3
com curvatura m´ edia constante H,
s˜ ao esferas redondas?”
Essa quest˜ ao passou aos anais da matem´ atica sob a denominac¸ ˜ ao de ”Conjectura de
Hopf ”.
O teorema de Hopf responde a quest˜ ao afirmativamente, desde que a superf´ıcie
seja homeomorfa ` a esfera.
Alguns anos depois, em 1958 A.D. Alexandrov [2] mostrou que eram esferas re-
dondas todas as superf´ıcies compactas com curvatura m´ edia constante, mergulhadas
emR
3
. Ali´ as, o trabalho seminal de Alexandrov, no que diz respeito ` a t´ ecnica utilizada
nas demonstrac¸ ˜ oes, iniciou uma nova abordagem em pesquisa matem´ atica.
Em 1984, J.L. Barbosa e Manfredo do Carmo [3], impondo a condic¸ ˜ ao de estabili-
dade para tais superf´ıcies, chegaram ` a conclus˜ ao que eram redondas.
No ano anterior Hsiang, Teng e Yu mostraram exemplos de hipersuperf´ıcies com-
pactas, n˜ ao esf´ ericas, imersas emR
2k
, com curvatura m´ edia constante.
Mas, para a quest˜ ao atribu´ıda a Hopf, as evidˆ encias conduziam a uma resposta
afirmativa.
Entretanto, em 1984, Henry C. Wente mostrou [15], com base em soluc¸ ˜ oes especiais
da equac¸ ˜ ao senh-Gordon, que estas soluc¸ ˜ oes formavam uma superf´ıcie fechada. Na
verdade, a imers˜ ao de um toro com curvatura m´ edia constante; respondendo negati-
vamente, ` a ”Conjectura de Hopf ”.
Baseado em uma aproximac¸ ˜ ao num´ erica desta soluc¸ ˜ ao, Uwe Abresch produziu a
plotagem de um H-toro. Ou seja, um toro com curvatura m´ edia constante H, e obser-
vou, nas imagens geradas por computador, que as linhas de curvatura para a menor
curvatura principal pareciam planares. Ent˜ ao ele decidiu fazer um estudo restrito aos
1 Introduc¸˜ ao 13
H-toros com uma fam´ılia de linhas de curvatura planares.
Em Abril de 1986, Abresch em [1], mostrou como obteve uma classificac¸ ˜ ao de todos
os H-toros emR
3
com uma fam´ılia de linhas de curvatura planares.
No ano seguinte R. Walter [14], obteve de forma expl´ıcita as equac¸ ˜ oes que possibili-
taram gerar em computador, usando softwares ”comuns”como o Mathematica imagens
do toro descrito por Wente.
O objetivo deste trabalho ´ e exibir o ”mais simples”dos toros de Wente. Para isso,
o artigo de Abresch [1] serviu de base matem´ atica para mostrar a existˆ encia de tal toro
e o artigo de Walter [14], atrav´ es das referˆ encias [10] e [13] forneceu as equac¸ ˜ oes que
levaram ` a plotagem do toro no Mathematica. V´ arios sites, artigos e softwares foram
pesquisados. Al´ em disso, em [8] foi obtido um v´ıdeo sobre o toro. Em [11] e [12] foram
obtidos v´ arias imagens e c´ odigos em realidade virtual para a explorac¸ ˜ ao do toro.
A dissertac¸ ˜ ao est´ a dividida em cinco partes. Na primeira parte, est˜ ao as definic¸ ˜ oes
e dados importantes de Geometria Diferencial,
´
Algebra, An´ alise Complexa e concei-
tos gerais da Matem´ atica, necess´ arios para a compreens˜ ao do que ser´ a abordado. Na
segunda parte, ser´ a mostrado como conseguir a imers˜ ao de um toro com curvatura
m´ edia constante no espac¸o euclidiano R
3
, usando para isso a teoria de Frenet para
as superf´ıcies. Na terceira parte, ser´ a exibida uma fam´ılia de soluc¸ ˜ oes expl´ıcitas da
equac¸ ˜ ao senh-Gordon, definidas em um espac¸o param´ etrico apropriado. Significa
dizer: com os parˆ ametros que pertencem a este espac¸o param´ etrico, as linhas de cur-
vatura que tˆ em, em cada ponto da superf´ıcie, o menor valor para uma das curvaturas
principais, s˜ ao curvas fechadas. Finalmente, ser´ a dada a interpretac¸ ˜ ao geom´ etrica des-
tas soluc¸ ˜ oes e a consequente classificac¸ ˜ ao das superf´ıcies obtidas a partir delas. No
Apˆ endice A, ser˜ ao mostradas v´ arias imagens do toro.
14
2 Preliminares
2.1 Introduc¸ ˜ ao
Neste cap´ıtulo introduziremos a notac¸ ˜ ao que ser´ a utilizada no texto, e relacionare-
mos alguns resultados b´ asicos da Teoria das Curvas e Superf´ıcies em R
3
. Al´ em disso,
recordaremos conceitos em An´ alise Complexa,
´
Algebra e demais ramos da matem´ atica
que ser˜ ao necess´ arios para a compreens˜ ao do que ser´ a abordado.
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies
Os detalhes de todas as afirmac¸ ˜ oes feitas nesta sec¸ ˜ ao podem ser obtidos em [5].
2.2.1 Curvas Parametrizadas
Definic¸ ˜ ao 2.1. Uma curva diferenci´ avel parametrizada, ´ e uma aplicac¸˜ ao diferenci´ avel α : I →
R
3
de um intervalo aberto I = (a, b) da reta real R em R
3
Uma curva diferenci´ avel α : I → R
3
´ e regular se α

(t) 0 para todo t ∈ I. Onde
t ∈ I ´ e o parˆ ametro da curva e α

(t) = (x

(t), y

(t), z

(t)) ∈ R
3
´ e o vetor velocidade (ou vetor
tangente) de α em t.
Dado t ∈ I, o comprimento de arco de uma curva parametrizada regular α : I →R
3
, a
partir do ponto t
0
, ´ e definido por
s(t) =

t
t
0

(t)| dt,
onde

(t)| =

(x

(t)
2
+ y

(t)
2
+ z

(t)
2
)
´ e o comprimento do vetor α

(t). Como α

(t) 0, o comprimento de arco s ´ e uma func¸ ˜ ao
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies 15
diferenci´ avel de t e
ds
dt
= |α

(t)|.
Uma curva plana fechada ´ e uma curva parametrizada regular α : [a, b] → R
2
tal que
α e todas as suas derivadas concidem em a e b; isto ´ e
α(a) = α(b), α

(a) = α

(b), α

(a) = α

(b), . . .
2.2.2 Curvatura e Torc¸ ˜ ao
Definic¸ ˜ ao 2.2 (Curvatura). Seja α : I → R
3
uma curva parametrizada pelo comprimento de
arco s ∈ I. O n´ umero |α

(s)| = k(s) ´ e chamado a curvatura de α em s.
Definic¸ ˜ ao 2.3 (Torc¸ ˜ ao). Seja α : I →R
3
uma curva parametrizada pelo comprimento de arco
s ∈ I, tal que α

(s) 0. O n´ umero τ(s) dado por
τ(s) = −
α

(s) ∧ α

(s) · α

(s)
|k(s)|
2
´ e chamado a torc¸ ˜ ao de α em s.
Mostra-se facilmente na teoria local das curvas paramentrizadas pelo comprimento
de arco que se α ´ e uma curva plana (isto ´ e, α(I) est´ a contida em um plano) ent˜ ao τ ≡ 0.
Reciprocamente, se τ ≡ 0 e k 0 ent˜ ao α(s) est´ a contida em um plano.
2.2.3 Movimentos no R
3
Definic¸ ˜ ao 2.4 (Translac¸ ˜ ao no R
3
). Uma translac¸ ˜ ao por um vetor v ∈ R
3
´ e a aplicac¸˜ ao
A : R
3
→R
3
que ´ e dada por
A(p) = p + v, p ∈ R
3
Definic¸ ˜ ao 2.5. Um movimento ´ e uma translac¸˜ ao, uma rotac¸˜ ao, uma invers˜ ao ou qualquer
combinac¸˜ ao das trˆ es.
Aaplicac¸ ˜ ao linear ρ : R
3
→R
3
´ e uma transformac¸ ˜ ao ortogonal quando ρu·ρv = u·v
para todos os vetores u, v ∈ R
3
.
Um movimento r´ıgido emR
3
´ e o resultado da composic¸ ˜ ao de uma translac¸ ˜ ao com
uma transformac¸ ˜ ao ortogonal com determinante positivo.
Mostra-se que o comprimento de arco, a curvatura e a torc¸˜ ao de uma curva parametri-
zada s˜ ao invariantes sob movimentos r´ıgidos.
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies 16
2.2.4 Teoria b´ asica das Superf´ıcies
Definic¸ ˜ ao 2.6 (Superf´ıcie Regular). Um subconjunto S ⊂ R
3
´ e uma superf´ıcie regular se,
para cada p ∈ S, existe uma vizinhanc¸a V em R
3
e uma aplicac¸˜ ao x : U → V ∩ S de um aberto
U ⊂ R
2
sobre V ∩ S ⊂ R
3
tal que
1. x ´ e diferenci´ avel. Ou seja, se escrevermos
x(u, v) = (x(u, v), y(u, v), z(u, v)), (u, v) ∈ U
as func¸˜ ose x(u, v), y(u, v) e z(u, v), ter˜ ao derivadas parciais cont´ınuas de todas as ordens
em U.
2. x ´ e um homeomorfismo. Como x ´ e cont´ınua, pela condic¸˜ ao 1, isto significa que x tem
uma inversa x
−1
: V ∩ S → U que ´ e cont´ınua; isto ´ e, x
−1
´ e a restric¸˜ ao de uma aplicac¸˜ ao
cont´ınua F : W ⊂ R
3
→R
2
definida em um aberto W contendo V ∩ S.
3. (A condic¸˜ ao de regularidade) Para cada q ∈ U, a diferencial dx
q
: R
2
→R
3
´ e injetiva.
A aplicac¸ ˜ ao x ´ e chamada uma parametrizac¸˜ ao local ou um sistema de coordenadas local
em p. A vizinhanc¸a V ∩ S de p ´ e chamada vizinhanc¸a coordenada.
Seja S uma superf´ıcie regular emR
3
e p ∈ S um ponto arbitr´ ario. O vetor tangente a
S em p, ´ e o vetor α

(0) de uma curva parametrizada diferenci´ avel α : (−, ) → S com
α(0) = p. O conjunto de vetores tangentes a S em p ∈ S ´ e chamado de plano tangente a S
em p e ´ e denotado por T
p
S. Observe que T
p
S ´ e o plano dx
q
(R
2
), que passa por x(q) = p,
como consequˆ encia da
Proposic¸ ˜ ao 2.7. Seja x : U ⊂ R
2
→ S uma parametrizac¸˜ ao de uma superf´ıcie regular S e seja
q ∈ U. O subespac¸o vetorial de dimens˜ ao 2,
dx
q
(R
2
) ⊂ R
3
,
coincide com o conjunto de vetores tangentes a S em x(q)
Demonstrac¸˜ ao. Ver [5] p´ agina 83.
Uma parametrizac¸ ˜ ao local x determina uma base
{x
u
, x
v
}
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies 17
de T
p
S chamada uma base associada a x.
No plano tangente temos a m´ etrica induzida do ”espac¸o ambiente ”R
3
com a forma
quadr´ atica I
p
: T
p
S → R, chamada a primeira forma fundamental de S em p ∈ S. Dada
uma parametrizac¸ ˜ ao local x de S e uma curva parametrizada α(t) = x(u(t), v(t)) para
t ∈ (−, ) com p = α(0), ent˜ ao
I
p

(0)) = x
u
u

+ x
v
v

, x
u
u

+ x
v
v

= x
u
, x
u

p
(u
2
) + 2 x
u
, x
v

p
u

v

+ x
v
, x
v

p
(v

)
2
(2.1)
= E(u

)
2
+ 2Fu

v

+ G(v

)
2
onde os valores de E, F e G s˜ ao calculados em t = 0, e
E(u
0
, v
0
) = x
u
, x
u

p
F(u
0
, v
0
) = x
u
, x
v

p
G(u
0
, v
0
) = x
v
, x
v

p
s˜ ao os coeficientes da primeira forma fundamental na base {x
u
, x
v
} de T
p
S.
Pelacondic¸ ˜ ao3., dadefinic¸ ˜ aode umasuperf´ıcie regular (2.6), dada uma parametrizac¸ ˜ ao
local x de uma superf´ıcie S em R
3
em um ponto p ∈ S, a aplicac¸ ˜ ao N : S →S
2
definida
por
N(p) =
x
u
∧ x
v
|x
u
∧ x
v
|
(p)
est´ a bem definida. Esta aplicac¸ ˜ ao ´ e conhecida como aplicac¸˜ ao de Gauss de S.
Definic¸ ˜ ao 2.8 (Segunda forma fundamental). A forma quadr´ atica II
p
, definida em T
p
S por
II
p
(v) = −
¸
dN
p
(v), v
¸
´ e chamada a segunda forma fundamental de S em p.
Dada uma parametrizac¸ ˜ ao local x em S em um ponto p ∈ S e, considerando uma
curva parametrizada α tal que α(t) = x(u(t), v(t)) para t ∈ (−, ) com p = α(0) =
x(u(0), v(0)), temos
dN
p

) = N

(u(t), v(t)) = N
u
u

+ N
v
v

Como N, N = 1 temos que N
u
, N
v
∈ T
p
S e, portanto
N
u
= a
11
x
u
+ a
21
x
v
N
v
= a
12
x
u
+ a
22
x
v
(2.2)
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies 18
para algumas func¸ ˜ oes a
i j
.
Por outro lado, a express˜ ao da segunda forma fundamental na base {x
u
, x
v
} ´ e dada
por
II
p

) = −dN(α

), α

= −N
u
u

+ N
v
v

, x
u
u

+ x
v
v

= e(u

)
2
+ 2f u

v

+ g(v

)
2
, (2.3)
onde,
e = −N
u
, x
u
= N, x
uu
,
f = −N
v
, x
u
= N, x
uv
= N, x
vu
= −N
u
, x
v
,
g = −N
v
, x
v
= N, x
vv
,
pois,N, x
u
= N, x
v
= 0.
A partir de (2.1), (2.2) e (2.3) chegamos nas seguintes equac¸ ˜ oes:
a
11
=
f F − eG
EG − F
2
,
a
12
=
gF − f G
EG − F
2
,
a
21
=
eF − f E
EG − F
2
,
a
22
=
f F − gE
EG − F
2
,
As equac¸ ˜ oes (2.2) com os valores acima s˜ ao conhecidas como equac¸˜ oes de Weingarten.
Como N ´ e ortogonal aos vetores da base {x
u
, x
v
} de T
p
S, ent˜ ao {x
u
, x
v
, N} ´ e uma
base de R
3
. Escrevendo as derivadas dos vetores x
u
, x
v
e N com relac¸ ˜ ao a esta base,
obteremos
x
uu
= Γ
1
11
x
u
+ Γ
2
11
x
v
+ L
1
N,
x
uv
= Γ
1
12
x
u
+ Γ
2
12
x
v
+ L
2
N,
x
vu
= Γ
1
21
x
u
+ Γ
2
21
x
v
+ L
2
N,
x
vv
= Γ
1
22
x
u
+ Γ
2
22
x
v
+ L
3
N,
N
u
= a
11
x
u
+ a
21
x
v
,
N
v
= a
12
x
u
+ a
22
x
v
,
(2.4)
Os coeficientes Γ
k
i j
, i, j, k = 1, 2 s˜ ao chamados os s´ımbolos de Christoffel de S na
parametrizac¸ ˜ ao x. Um fato muito importante ´ e que todos os conceitos geom´ etricos
e as propriedades expressas em termos dos s´ımbolos de Christoffel s˜ ao invariantes por
isometrias( isto ´ e, podem ser calculados a partir da primeira forma fundamental ).
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies 19
Usando o fato que
(x
uu
)
v
− (x
uv
)
u
= 0,
(x
vv
)
u
− (x
uv
)
v
= 0,
N
uv
− N
vu
= 0,
podemos mostrar que
e
v
− f
u
= eΓ
1
12
+ f

Γ
2
12
− Γ
1
11

− gΓ
2
11
f
v
− g
u
= eΓ
1
22
+ f

Γ
2
22
− Γ
1
12

− gΓ
2
12
(2.5)
que s˜ ao conhecidas como equac¸˜ oes de Mainardi-Codazzi.
Definic¸ ˜ ao 2.9 (Curvatura Gaussiana e Curvatura M´ edia). Seja S uma superf´ıcie em R
3
e
p ∈ S um ponto arbitr´ ario. Seja dN
p
: T
p
S → T
p
S a aplicac¸˜ ao diferencial de Gauss. Ent˜ ao o
determinante de dN
p
´ e chamado a curvatura Gaussiana K de S em p. O sim´ etrico da metade
do trac¸o de dN
p
´ e chamado a curvatura m´ edia H de S em p.
Em termos da primeira e segunda formas fundamentais K e H s˜ ao dadas por
K =
eg − f
2
EG − F
2
(2.6)
H =
eG − 2f F + gE
2(EG − F
2
)
. (2.7)
Definic¸ ˜ ao 2.10. Seja C uma curva regular em S passando por p ∈ S, κ a curvatura de C em
p, e cos θ = n, N, onde n ´ e o vetor normal a C e N ´ e o vetor normal a S em p. O n´ umero
κ
n
= κcos θ ´ e chamado a curvatura normal de C ⊂ S em p.
Verifica-se que o valor da segunda forma fundamental II
p
para um vetor unit´ ario
v ∈ T
p
S ´ e igual ` a curvatura normal de uma curva regular passando por p e tangente a v.
E que para cada p ∈ S existe uma base ortonormal {e
1
, e
2
} de T
p
S tal que dN
p
(e
1
) = −κ
1
e
1
,
dN
p
(e
2
) = −κ
2
e
2
. Al´ em disso, κ
1
e κ
2
s˜ ao os valores extremos da curvatura normal em p.
Definic¸ ˜ ao 2.11. A curvatura normal m´ axima κ
1
e a curvatura normal m´ınima κ
2
s˜ ao as
curvaturas principais em p; as direc¸˜ oes correspondentes, ou seja, as direc¸˜ oes dadas pelos
autovetores e
1
e e
2
s˜ ao as direc¸ ˜ oes principais em p.
Definic¸ ˜ ao 2.12 (Linha de curvatura). Se uma curva regular conexa C em S ´ e tal que para
todo p ∈ C a reta tangente a C ´ e uma direc¸˜ ao principal em p, ent˜ ao C ´ e uma linha de curvatura
de S.
2.2 Geometria Diferencial de curvas e superf´ıcies 20
Em termos das curvaturas principais κ
1
, κ
2
, podemos escrever
K = κ
1
κ
2
, H =
κ
1
+ κ
2
2
.
Definic¸ ˜ ao 2.13 (Ponto umb´ılico). Se, em p ∈ S, κ
1
= κ
2
, ent˜ ao p ´ e um ponto umb´ılico de S.
Para finalizar esta sec¸ ˜ ao, recordemos as definic¸ ˜ oes de aplicac¸˜ ao conforme, imers˜ ao e
geod´ esica:
Definic¸ ˜ ao 2.14 (Aplicac¸ ˜ ao conforme). Um difeomorfismo ϕ : S → S ´ e uma aplicac¸ ˜ ao
conforme se para todo p ∈ S e todos v
1
, v
2
∈ T
p
S tivermos
¸

p
(v
1
), dϕ
p
(v
2
)
¸
= λ
2
(p) v
1
, v
2

p
,
onde λ
2
´ e uma aplicac¸˜ ao diferenci´ avel em S, diferente de zero em todos os pontos. Neste caso, as
superf´ıcies S e S s˜ ao ditas conformes.
Definic¸ ˜ ao 2.15 (Imers˜ ao). Uma aplicac¸˜ ao diferenci´ avel ϕ : S → R
3
de S em R
3
´ e uma
imers˜ ao se a diferencial dϕ
p
: T
p
S → T
p
R
3
´ e injetiva.
Se, al´ em disso, S tem a m´ etrica , e
¸

p
(v), dϕ
p
(w)
¸
ϕ(p)
= v, w
p
, v, w ∈ T
p
S,
ϕ ´ e uma imers˜ ao isom´ etrica.
Definic¸ ˜ ao 2.16 (Derivada covariante). Seja w um campo vetorial diferenci´ avel em um con-
junto aberto U ⊂ S e p ∈ U. Considere a curva parametrizada
α : (−, ) → U,
comα(0) = p e α

(0) = y. Seja w(t), t ∈ (−, ), a restric¸˜ ao do campo vetorial w ` a curva α. O
vetor obtido pela projec¸˜ ao normal de
¸
dw
dt

(0) no plano T
p
S ´ e chamada a derivada covariante
em p do campo vetorial w relativo ao vetor y. Esta derivada covariante ´ e denotada por

Dw
dt
¸
(0).
Um campo vetorial wao longo de uma curva parametrizada α : I → S ´ e dito paralelo
se
Dw
dt
= 0 para todo t ∈ I.
Definic¸ ˜ ao 2.17 (Geod´ esica). Uma curva parametrizada (n˜ ao constante) γ : I → S ´ e uma
geod´ esica em t ∈ I se o campo de seus vetores tangentes γ

(t) ´ e paralelo ao longo de γ em t; isto
´ e,

(t)
dt
= 0;
2.3 An´ alise Complexa 21
γ ´ e uma geod´ esica parametrizada se ela ´ e geod´ esica para todo t ∈ I.
2.3 An´ alise Complexa
Os detalhes de todas as afirmac¸ ˜ oes feitas nesta sec¸ ˜ ao podem ser obtidos em [6].
2.3.1 Func¸ ˜ oes Anal´ıticas
Definic¸ ˜ ao 2.18. Uma func¸˜ ao f : G ⊂ C → C ´ e anal´ıtica se f ´ e continuamente diferenci´ avel
em G.
Exemplo 2.1. e
z
=

¸
n=0
z
n
n!
´ e anal´ıtica emC.
Uma func¸ ˜ ao que, em cada ponto da reta real, pode ser expressa por uma s´ erie de
potˆ encias convergente ´ e chamada anal´ıtica real.
Se uma func¸ ˜ ao f : G → C definida em um subconjunto aberto G ⊂ C possui, no
ponto z
0
∈ G, uma derivada com respeito ` a vari´ avel complexa, ou seja: se para cada
ponto z
0
∈ G
f

(z
0
) = lim
z→z
0
f (z) − f (z
0
)
z − z
0
, existe;
ela ´ e chamada func¸˜ ao holomorfa.
Toda func¸ ˜ ao anal´ıtica f : G →C admite uma expans˜ ao em s´ erie de potˆ encias:
Se um disco D(z
0
, r) =
¸
|z − z
0
| < r
¸
est´ a contido em G, ent˜ ao
f (z) =

¸
n=0
c
n
(z − z
0
)
n
, ∀z ∈ D(z
0
, r)
Definic¸ ˜ ao 2.19 (Zeros de uma func¸ ˜ ao anal´ıtica). Se f : G →C ´ e anal´ıtica e z
0
∈ G satisfaz
f (z
0
) = 0, ent˜ ao z
0
´ e um zero de f , de ordem m ≥ 1, se existe uma func¸˜ ao anal´ıtica g : G →C
tal que f (z) = (z − z
0
)
m
g(z), com g(z
0
) 0.
2.3.2 Singularidades
Uma func¸ ˜ ao f tem uma singularidade isolada em z = z
0
∈ C se existir R > 0 tal que f
est´ a definida e ´ e anal´ıtica em B(z
0
; R) −{z
0
}, mas n˜ ao em B(z
0
; R). O ponto z
0
´ e chamado
uma singularidade remov´ıvel se existir uma func¸ ˜ ao anal´ıtica g : B(z
0
; R) ⊂ C →C tal que
g(z) = f (z) para 0 < |z − z
0
| < R.
2.3 An´ alise Complexa 22
Exemplo 2.2. f (z) =
senz
z
tem uma singularidade isolada em z = 0
Definic¸ ˜ ao 2.20 (Polo). Se z = z
0
∈ C ´ e uma singularidade isolada de f ent˜ ao z
0
´ e um polo de
f se lim
z→z
0

f (z)

= ∞. Isto ´ e, para qualquer M > 0 existe um n´ umero > 0 tal que

f (z)

≥ M
sempre que 0 < |z − z
0
| < .
Uma singularidade isolada que n˜ ao ´ e nem um polo, nem uma singularidade re-
mov´ıvel ´ e chamada singularidade essencial.
2.3.3 Classificac¸ ˜ ao das singularidades isoladas
Ocomportamentode f emuma vizinhanc¸a de umpontosingular isolado z
0
pode ser
precisamente determinado ao considerarmos a s´ erie de Laurent de f em0 <

z − z
0

< .
Como z
0
´ e um ponto singular isolado, deve existir um > 0 tal que z
0
´ e o ´ unico ponto
singular de f em 0 <

z − z
0

< . A s´ erie de Laurent de f em 0 <

z − z
0

< ´ e:
f (z) =

¸
k=−∞
b
k
(z − z
0
)
k
Se fizermos f
1
(z) =

¸
k=0
b
k
(z − z
0
)
k
e f
2
(z) =
−1
¸
k=−∞
b
k
(z − z
0
)
k
, f
2
(z) ´ e chamada a parte
principal de f em z
0
.
Teorema 2.21. f(z) tem um polo de ordem m em z
0
se, e somente se,
1
f (z)
tem um zero de ordem
m em z
0
.
2.3.4 Func¸ ˜ ao El´ıptica
Se G ⊂ C ´ e um aberto e f ´ e uma func¸ ˜ ao definida e anal´ıtica em G exceto nos polos,
ent˜ ao f ´ e uma func¸˜ ao meromorfa em G.
Uma func¸ ˜ ao f em C tem per´ıodo w ∈ C\{0} se f (z + w) = f (z). Se f tem per´ıodos
w
1
, w
2
com
w
1
w
2
∈/ R ela ´ e chamada duplamente peri´ odica.
Definic¸ ˜ ao 2.22 (Func¸ ˜ ao El´ıptica). Uma func¸˜ ao el´ıptica ´ e uma func¸˜ ao definida no plano
complexo que ´ e peri´ odica em duas direc¸˜ oes. Formalmente:
´ e uma func¸˜ ao meromorfa f definida em C para a qual existem dois n´ umeros complexos w
1
e w
2
tais que f (z + w
1
) = f (z + w
2
) = f (z), para todo z ∈ C com
w
1
w
2
∈/ R. Ou seja
f (z + mw
1
+ nw
2
) = f (z), z ∈ C e m, n ∈ Z.
2.4 Conceitos Gerais 23
2.4 Conceitos Gerais
Definic¸ ˜ ao 2.23 (Reticulado). Sejam b
1
, b
2
, . . . , b
n
∈ R
n
vetores linearmente independentes. O
conjunto
Λ = {a
1
b
1
+ a
2
b
2
+ . . . + a
n
b
n
: a
i
∈ Z, 1 ≤ i ≤ n}
´ e chamado um reticulado. O conjunto dos vetores geradores {b
1
, . . . , b
n
} ´ e uma base de Λ. Um
elemento b ∈ Λ ´ e um ponto de Λ.
Observac¸˜ ao 2.1.
1. Os vetores unit´ arios {e
1
, . . . , e
n
} ∈ R
n
formam uma base de Z
n
= {a ∈ R
n
; a
i
∈ Z}
2. Λ ´ e um subgrupo de R
n
, isto ´ e, se b,
¯
b ∈ Λ ent˜ ao b −
¯
b ∈ Λ
Um conjunto S ⊂ R
n
´ e chamado um conjunto discreto se existir um > 0 tal que
|s
1
− s
2
| ≥ para todos s
1
, s
2
∈ S, s
1
s
2
.
Teorema 2.24. S ⊂ R
n
´ e um reticulado se, e somente se, S ´ e um subgrupo discreto de R
n
contendo n vetores linearmente independentes.
Definic¸ ˜ ao 2.25 (Homomorfismo de grupos). Sejam (G, .) e (G, ×) dois grupos. Uma func¸˜ ao
f : G → G ´ e um homomorfismo se ela ´ e compat´ıvel com as estruturas dos grupos, isto ´ e, se
f (a.b) = f (a) × f (b), ∀a, b ∈ G
Definic¸ ˜ ao 2.26 (Espac¸o quociente). Uma classe de equivalˆ encia ´ e o conjunto de todos os
pontos que s˜ ao equivalentes por alguma relac¸˜ ao de equivalˆ encia. Chamamos espac¸o quociente
ao conjunto das classes de equivalˆ encia.
Exemplo 2.3. Considere R× R com a relac¸ ˜ ao (x, y) ∼ (u, v) se, e somente se, x − u e y − v
s˜ ao inteiros. O espac¸o quociente obtido a partir desta relac¸ ˜ ao de equivalˆ encia ser´ a um
toro.
Definic¸ ˜ ao 2.27 (Ac¸ ˜ ao de um grupo). O grupo G age sobre o conjunto X se para cada g ∈ G
existe uma aplaicac¸˜ ao x → gx de X em X, tal que
h(gx) = (hg)x para todo g, h ∈ G e x ∈ X
24
3 Geometrial Diferencial Cl ´ assica
Nesta sec¸ ˜ ao ser´ a mostrado como imergir um toro T
2
= R
2
/Λ com curvatura m´ edia
constante no espac¸o euclidiano tri-dimensional R
3
. A tarefa de encontrar H-toros ser´ a
reduzida a um problema anal´ıtico sobre a equac¸ ˜ ao senh-Gordon e ser´ a desenvolvida
atrav´ es da teoria de Frenet para as superf´ıcie.
Recordemos, inicialmente, o:
Teorema 3.1 (Hopf). Uma superf´ıcie compacta imersa M
2
R
3
com curvatura m´ edia cons-
tante H ou ´ e totalmente umb´ılica, logo uma esfera redonda, ou ter´ a apenas pontos umb´ılicos
isolados, cada um com ´ındice estritamente negativo.
A soma destes ´ındices ´ e exatamente a caracter´ıstica de Euler X(M
2
). Portanto, um
H−toro n˜ ao pode possuir pontos umb´ılicos.
3.1 A equac¸ ˜ ao senh-Gordon
A dimens˜ ao e a orientac¸ ˜ ao ser˜ ao normalizados, de forma que H ≡
1
2
. Al´ em disso,
ser˜ ao indexadas as curvaturas principais λ
1
e λ
2
tal que λ
1
< λ
2
. Finalmente, ser´ a
introduzida a func¸ ˜ ao ω : R →R
2
dada por e


2
− λ
1
) = 1.
3.1 A equac¸˜ ao senh-Gordon 25
3.1.1 Pontos n˜ ao umb´ılicos em H-superf´ıcies
Proposic¸ ˜ ao 3.2. Em qualquer H−superf´ıcie M
2
R
3

normalizada para H ≡
1
2
¸
uma pe-
quena vizinhanc¸a em torno de qualquer ponto p que n˜ ao ´ e umb´ılico, pode ser descrita por uma
aplicac¸˜ ao F : U⊂ R
2
R
3
tal que:
1. F(0) = p
2. as curvas s → F(s, t) e t → F(s, t) s˜ ao as λ
1
− e λ
2
linhas de curvatura, respectivamente;
isto ´ e, a aplicac¸˜ ao de Weingarten nestas coordenadas ´ e dada por:
A =

¸
¸
¸
¸
¸
¸
λ
1
0
0 λ
2

¸
¸
¸
¸
¸
¸
=

¸
¸
¸
¸
¸
¸
e
−ω
senhω 0
0 e
−ω
coshω

¸
¸
¸
¸
¸
¸
(3.1)
3. (s, t) ∈ R
2
s˜ ao coordenadas conformes que preservam orientac¸˜ ao; mais precisamente:
F


˙
F e |F

| = |
˙
F| = e
ω
= (λ
2
− λ
1
)

1
2
;
Aqui

e ˙ denotam a derivada com respeito ` as coordenadas s e t em U ⊂ R
2
, ou seja

∂s
e

∂t
, respectivamente.
Nestas coordenadas a equac¸˜ ao de Gauss torna-se a equac¸˜ ao senh-Gordon:
∆ω + senhω · coshω = 0, (3.2)
onde ∆ω = ω

+ ¨ ω.
3.1.2 Determinac¸ ˜ ao de uma imers˜ ao atrav´ es de ω
Proposic¸ ˜ ao 3.3. Qualquer soluc¸˜ ao ω da equac¸˜ ao (3.2) definida em uma vizinhanc¸a conexa
aberta U ⊂ R
2
de 0 = ( 0, 0 ) determina uma ´ unica imers˜ ao F : U →R
3
, com curvatura m´ edia
H ≡
1
2
, atrav´ es de (3.1) uma vez que os seguintes dados iniciais sejam especificados:
1. O ponto p = F(0) e
2. O referencial orientado e ortogonal {e
−ω
· F

(0), e
−ω
·
˙
F(0)}.
Como esta proposic¸ ˜ ao ser´ a a base da construc¸ ˜ ao do H−toro, ser˜ ao mostradas as
equac¸ ˜ oes de Frenet que determinam explicitamente F em termos de ωnas coordenadas
3.1 A equac¸˜ ao senh-Gordon 26
(s, t):
F

= ω

F

− ˙ ω
˙
F + e
ω
senh ω · N,
˙
F

= ˙ ωF

+ ω

˙
F,
¨
F = −ω

F

+ ˙ ω
˙
F + e
ω
cosh ω · N,
N

= −e
−ω
senh ω · F

,
˙
N = −e
−ω
cosh ω ·
˙
F,
(3.3)
Onde N denota o campo vetorial unit´ ario associado com a aplicac¸ ˜ ao de Weingarten
A. Posteriormente ser˜ ao usadas tamb´ em a curvatura κ
i
e a tors˜ ao τ
i
das λ
i
−linhas de
curvatura (i = 1, 2) vistas como curvas emR
3
:
κ
2
1
= e
−2ω
· ( ˙ ω
2
+ senh
2
ω), κ
geod
1
= −e
−ω
· ˙ ω,
κ
2
2
= e
−2ω
· (ω
2
+ cosh
2
ω), κ
geod
2
= e
−ω
· ω

,
κ
2
1
· τ
1
= e
−3ω
· (senh ω · ˙ ω

− cosh ω · ˙ ωω

)
κ
2
2
· τ
2
= e
−3ω
· (cosh ω · ˙ ω

− senh ω · ˙ ωω

).
(3.4)
O pr´ oximo teorema torna as descric¸ ˜ oes locais em um resultado global.
Teorema 3.4. As proposic¸˜ oes (3.2) e (3.3) determinam as seguintes aplicac¸˜ oes injetivas:
¸
H ≡
1
2
− toro T
2
R
3
com ponto base p
0
¸

¸
movimentos em R
3
¸
i
1

M=
¸
ω: R
2
→R| ω ´ e soluc¸˜ ao de (3.2) e ´ e invariante com respeito a algum reticulado Λ ⊂ R
2
¸
i
2

¸
H ≡
1
2
− imers˜ oes F : R
2
R
3
| F(0) = p
0
, e
−ω
· F

(0) = b
1
, e e
−ω
·
˙
F(0) = b
2
¸
,
Onde b
1
, b
2
, b
3
formama base canˆ onica do R
3
. Reciprocamente, a aplicac¸˜ ao i
2
determina umho-
momorfismo X
ω
: Λ
ω
=
¸
λ ∈ R
2
| ω(λ(x)) = ω(λ + x) = ω(x), ∀x ∈ R
2
¸

¸
movimentos emR
3
¸
,
e a imers˜ ao F = i
2
(ω) ´ e equinvariante sob Λ
ω
com respeito a X
ω
, isto ´ e,: X
ω
(λ) ◦ F =
F ◦ λ, ∀λ ∈ Λ
ω
Para ω ∈ M, de um modo geral, o grupo de simetrias translacionais ´ e um reticulado
emR
2
. Por´ em, este grupo pode n˜ ao ser discreto em casos especiais.
Definic¸ ˜ ao 3.5. Dados a, b > 0, dizemos que uma soluc¸˜ ao de ω: R
2
→ R da equac¸˜ ao senh-
Gordon(3.2) pertence a:
i) M
Γ
ab
se, e somente se, ela for invariante pela ac¸˜ ao do grupo Γ
ab
, gerado pelas reflex˜ oes
das quatro linha s = 0, s = a, t = 0 e t = b
ii) M
D
ab
, se, e somente se, o retˆ angulo R
ab
=


a
2
,
a
2
¸
×
¸

b
2
,
b
2

´ e uma componente
conexa de {(s, t) ∈ R
2
| ω(s, t) > 0}.
3.1 A equac¸˜ ao senh-Gordon 27
s
t
b
0
R
ab
a
Figura 2: O retˆ angulo R
ab
Observac¸˜ ao 3.1. 1. As soluc¸ ˜ oes ω ∈ M
D
ab
anulam-se na fronteira do retˆ angulo R
ab
e po-
dem ser reobtidas a partir de sua restric¸ ˜ ao ω|
R
ab
quando extendidas naturalmente
como uma func¸ ˜ ao ´ımpar com respeito a todas as extremidades da fronteira.
2. Observe que M
D
ab
⊂ M
Γ
ab
para todos a e b positivos.
Considerando que ω ∈ M
Γ
ab
para a, b > 0, o conjunto de ponto fixos de uma reflex˜ ao
τ ∈ Γ
ab
´ e uma linha horizontal ouvertical emR
2
, e portanto n˜ ao ´ e apenas uma geod´ esica,
mas tamb´ em uma linha de curvatura. Sob F ela ´ e, portanto, aplicada sobre uma curva
plana c
τ
emR
3
. Pelo teorema fundamental da existˆ encia e unicidade, a superf´ıcie imersa
´ e sim´ etrica com respeito ao plano que cont´ em c
τ
e ´ e perpendicular ` a superf´ıcie. Logo
obtem-se um homomorfismo Ψ
ab
: Γ
ab
→ Isom(R
3
) que coincide com X
ω
no subgrupo
de ´ındice finito Γ
ab
∩ Λ
ω
, e a imers˜ ao F ´ e equinvariante sob Γ
ab
com respeito a Ψ
ab
Como Γ
ab
preserva linhas de curvatura, foi provada a seguinte:
3.1 A equac¸˜ ao senh-Gordon 28
3.1.3 Condic¸ ˜ ao para ω descrever um toro
Proposic¸ ˜ ao 3.6. ω descreve um toro se, e somente se, todas as λ
1
− e todas as λ
2
−linhas de
curvatura fecharem-se. Ou, equivalentemente, se, e somente se, a λ
1
−linha de curvatura planar
c
1
: s → F(s, 0) e a λ
2
−linha de curvatura planar c
2
: t → F(0, t) ambas fecharem-se.
O que foi dito na Proposic¸ ˜ ao (3.6) pode ser interpretado da seguinte forma: a curva
planar c
j
fecha-se, se, e somente se, θ
j
∈ (Q\Z) · π ou
θ
j
∈ Z· π e
j
= 0; j = 1, 2.
Aqui utilizou-se as seguintes quantidades:
3.1.4 O ˆ angulo θ
j
e a distˆ ancia
j
1. o ˆ angulo θ
j
entre dois planos sim´ etricos consecutivos perpendiculares a c
j
, isto ´ e,
os ˆ angulos:
θ
1
= (F

(0, 0), F

(a, 0)) =

a
0
senh ω(s, 0) ds,
θ
2
= (
˙
F(0, 0),
˙
F(0, b)) =

b
0
cosh ω(0, t) dt,
(3.5)
e
2. a func¸˜ ao distˆ ancia orientada
j
entre tal par de planos, que ´ e definida no caso dos
planos serem paralelos, e ser´ a dada por:

1
= e
−ω(0,0)
· F

(0, 0), F(a, 0) − F(0, 0),

2
= e
−ω(0,0)
·
˙
F(0, 0), F(0, b) − F(0, 0).
(3.6)
Observac¸˜ ao 3.2. 1. Ofato de ser usado umgrupo de reflex˜ ao Γ
ab
e umhomomorfismo
Ψ
ab
em Isom(R
3
) implica diretamente que θ
1
∈ Z· π ou θ
2
∈ Z· π, isto ´ e, que no
m´ınimo um par de planos sim´ etricos ´ e paralelo.
2. No caso em que ω ∈ M
D
ab
⊂ M
Γ
ab
, ´ e claro, a partir da f ´ ormula acima, que θ
1
= 0
29
4 Soluc¸ ˜ oes expl´ ıcitas da equac¸ ˜ ao
senh-Gordon
4.1 Introduc¸ ˜ ao
Neste cap´ıtulo ser˜ ao classificadas todas as soluc¸ ˜ oes real anal´ıticas ω: R
2
→ R do
seguinte sistema:
∆ω + sinh ω · cosh ω = 0
senh ω · ˙ ω

− cosh ω · ˙ ωω

= 0
(4.1)
De fato, pela regularidade el´ıptica, ω ´ e automaticamente real anal´ıtica, uma vez que
ela ´ e assumida como sendo localmente limitade e mensur´ avel.
Asegunda equac¸ ˜ ao surgiu, basicamente, por raz˜ oes geom´ etricas; ela ´ e precisamente
a condic¸ ˜ ao que todas as λ
1
-linhas de curvatura da H-superf´ıcie correspondente sejam
planares (conforme (1.4)) e conduzir´ a ` as soluc¸ ˜ oes expl´ıcitas da equac¸ ˜ ao senh-Gordon;
al´ em disso ela induzir´ a uma separac¸ ˜ ao de vari´ aveis e reduzir´ a o sistema (4.1) a um
sistema de equac¸ ˜ oes diferenciaias ordin´ arias.
4.2 Um sistema auxiliar
Para analisar o sistema (4.1) considere, inicialmente, a func¸ ˜ ao W = cosh ω e as
respectivas soluc¸ ˜ oes, real anal´ıticas, do seguinte sistema:
(W
2
− 1) · ∆W− W· |∇W|
2
+ W· (W
2
− 1)
2
= 0
(W
2
− 1) ·
˙
W

− 2W·
˙
W· W

= 0
(4.2)
Teorema 4.1. As soluc¸˜ oes real anal´ıticas W : R
2
→ R do sistema (4.2) s˜ ao precisamente as
4.2 Um sistema auxiliar 30
func¸˜ oes dadas por
W = (1 + f
2
+ g
2
)
−1
· ( f

+ ˙ g), (4.3)
onde s → f (s) e t → g(t) s˜ ao func¸˜ oes meromorfas de uma vari´ avel que s˜ ao soluc¸˜ oes de
f
2
= f
4
+ (1 + c − d) f
2
+ c,
f

= 2f
3
+ (1 + c − d) f,
˙ g
2
= g
4
+ (1 − c + d)g
2
+ d,
¨ g = 2g
3
+ (1 − c + d)g.
(4.4)
para algumas constantes c, d ∈ R
Al´ em disso, f e g podem ser reobtidas a partir de W por
W

= −f (s) · (W
2
− 1),
˙
W = −g(t) · (W
2
− 1).
(4.5)
exceto quando W
2
≡ 1.
Observac¸˜ ao 4.1. 1. Quando W
2
≡ 1, ent˜ ao, claramente (1+c−d)
2
−4c = (1−c+d)
2
−4d =
0.
2. As equac¸ ˜ oes de segunda ordem para f e g em (4.4), n˜ ao podem ser retiradas, uma
vez que elas excluem certas soluc¸ ˜ oes envolvendo as equac¸ ˜ oes de primeira ordem.
3. Mostramos que W = ±1 nos polos de f e g.
Demonstrac¸˜ ao. - Passo 1
Uma func¸ ˜ ao W: R
2
→R, real anal´ıtica, ´ e soluc¸ ˜ ao do sistema (4.2) se, e somente se,
existem func¸ ˜ oes meromorfas f e g de uma vari´ avel tais que as equac¸ ˜ oes (4.3) e (4.5),
s˜ ao verificadas.
Considerendo, inicialmente, o caso em que W 1, tem-se, apartir de (4.5):
W

(W
2
− 1)
−1
=−f (s) ⇒

W

(W
2
− 1)
−1

˙
=0 e
˙
W(W
2
− 1)
−1
=−g(t) ⇒ (
˙
W

W
2
− 1)
−1

=0.
Como

W

(W
2
− 1)
−1

˙
=
˙
W

(W
2
− 1)
−1
− W

(W
2
− 1)
−2
· 2W
˙
W = 0, obtem-se
˙
W

(W
2
− 1) − 2W
˙
WW

= 0.
A equac¸ ˜ ao (W
2
− 1)∇W− W· |∇W|
2
+ W(W
2
− 1)
2
= 0 ser´ a obtida de W = (1 + f
2
+
g
2
)
−1
( f

+ ˙ g) atrav´ es de (4.5). De fato, de (4.5) tem-se que
W

= −f

(W
2
− 1) − 2f WW

e
¨
W = − ˙ g(W
2
(W
2
− 1) − 2gW
˙
W.
4.2 Um sistema auxiliar 31
Como ∆W = W

+
¨
W,
∆W = −(W
2
− 1)( f

+ ˙ g) − 2 f W

−f (W
2
− 1)

− 2gW

−g(W
2
− 1)

= −(W
2
− 1)( f

+ ˙ g) + 2 f
2
W(W
2
− 1) + 2g
2
W(W
2
− 1),
e como f

+ ˙ g = W(1 + f
2
+ g
2
),
∆W = −W(W
2
− 1)(1 + f
2
+ g
2
) + 2f
2
W(W
2
− 1) + 2g
2
W(W
2
− 1),
= −W(W
2
− 1) − f
2
W(W
2
− 1) − g
2
W(W
2
− 1) + 2 f
2
W(W
2
− 1) + 2g
2
W(W
2
− 1),
= −W(W
2
− 1) + f
2
W(W
2
− 1) + g
2
W(W
2
− 1)
= −W(W
2
− 1) + W(W
2
− 1)( f
2
+ g
2
).
Assim, (W
2
− 1)∆W = −W(W
2
− 1)
2
+ W(W
2
− 1)
2
( f
2
+ g
2
).
Mas, de (4.5), tem-se:
|∇W|
2
= f
2
(|W
2
− 1)
2
+ g
2
(W
2
− 1)
1
⇒ |∇W|
2
= f
2
(|W
2
− 1)
2
( f
2
+ g
2
)
Portanto, (W
2
− 1)∆W = −W(W
2
− 1)
2
+ W|∇W|
2
. Ou seja,
(W
2
− 1)∆W− W|∇W|
2
+ W(W
2
− 1)
2
= 0
Se W
2
≡ 1, a ´ unica condic¸ ˜ ao que n˜ ao ´ e a priori, nula ´ e a equac¸ ˜ ao
W = (1 + f
2
+ g
2
)
−1
( f

+ ˙ g).
Como, f

+ ˙ g = W(1 + f
2
+ g
2
) = W(α + f
2
) + W(β + g
2
), com α + β = 1, pode-se
considerar as equac¸ ˜ oes diferenciais ordin´ arias f

= W(α + f
2
) e ˙ g = W(β + g
2
).
Passo 2
As equac¸ ˜ oes (4.3) e (4.5) implicam que com constantes apropriadas ¯ c e
¯
d teremos:
f

= 2 f
3
+ ¯ c · f
¨ g = 2g
3
+
¯
d · g
(4.6)
Logo, f e g s˜ ao func¸ ˜ oes el´ıpticas.
Derivando a equac¸ ˜ ao (4.3) com respeito a s,
W

= −(1 + f
2
+ g
2
)
−2
(2 f f

)( f

+ ˙ g) + (1 + f
2
+ g
2
)
−1
· f

Por outro lado, −f (W
2
− 1) = −f ((1 + f
2
+ g
2
)
−2
( f

+ ˙ g)
2
− 1), de onde obtem-se
−f (W
2
− 1) = −f (1 + f
2
+ g
2
)
−2
· ( f

+ ˙ g)
2
+ f
4.2 Um sistema auxiliar 32
Como W

= −f (W
2
− 1), ent˜ ao
−(1 + f
2
+ g
2
)
−2
(2 f f

)( f

+ ˙ g) + (1 + f
2
+ g
2
)
−1
= −f (1 + f
2
+ g
2
)
−2
( f

+ ˙ g)
2
+ f
Ou seja,

2 f f

( f

+ ˙ g)
(1 + f
2
+ g
2
)
2
+
f

(1 + f
2
+ g
2
)
= −f
( f

+ ˙ g)
2
(1 + f
2
+ g
2
)
2
+ f. E assim,
f =
f

1 + f
2
+ g
2
+
f ( f

+ ˙ g)
2
(1 + f
2
+ g
2
)
2

2 f f

( f

+ ˙ g)
(1 + f
2
+ g
2
)
2
=
f

1 + f
2
+ g
2
+
f ( f

+ ˙ g)
(1 + f
2
+ g
2
)
2
· (( f

+ ˙ g) − 2f

)
=
f

1 + f
2
+ g
2

f ( f

+ ˙ g)
(1 + f
2
+ g
2
)
2
· (− ˙ g + f

)
=
f

1 + f
2
+ g
2
− f
f
2
− ˙ g
2
(1 + f
2
+ g
2
)
2
. (4.7)
Multiplicando por 2 f

os dois membros dessa igualdade, resulta em
2 f f

=
2 f

f

1 + f
2
+ g
2
− 2 f f

f
2
− ˙ g
2
(1 + f
2
+ g
2
)
2
.
Observando que
2 f

f

1 + f
2
+ g
2

2 f f

( f
2
− ˙ g
2
)
(1 + f
2
+ g
2
)
2
=
¸
f
2
− ˙ g
2
1 + f
2
+ g
2

,
e integrando esta express˜ ao com respeito a s, obtem-se
f
2
− ˙ g
2
1 + f
2
+ g
2
= f
2
+ k(t). Multi-
plicando por f esta igualdade e por (1 + f
2
+ g
2
) a equac¸ ˜ ao (4.7), obtem-se
f
f
2
− ˙ g
2
1 + f
2
+ g
2
= f
3
+ f k(t) e f

− f
f
2
− ˙ g
2
1 + f
2
+ g
2
= f + f
3
+ f g
2
, respectivamente.
Somando estas duas equac¸ ˜ oes, f

= 2 f
3
+ f (1 + g
2
+ k(t)). Como f n˜ ao depende de
t, pode-se considerar 1 + g(t)
2
+ k(t) = ¯ c, de onde conclui-se que
f

= 2f
3
+ ¯ c f.
De modo an´ alogo, mostra-se que
¨ g = 2g
3
+
¯
dg.
Passo 3
4.3 Uma fam´ılia de func¸˜ oes el´ıpticas 33
Observe que as equac¸ ˜ oes (4.6) tˆ em como integrais
f
2
= f
4
+ ¯ c f
2
+ c
˙ g
2
= g
4
+
¯
dg
2
+ d
(4.8)
Al´ em disso, qualquer soluc¸ ˜ ao de (4.6) e (4.8), define func¸ ˜ oes W: R
2
→R dadas por
W = (1 + f
2
+ g
2
)
−1
( f

+ ˙ g).
Afirmac¸ ˜ ao: As func¸ ˜ oes f , g, e W satisfazem as equac¸ ˜ oes (4.5) se f e g forem soluc¸ ˜ oes
das equac¸ ˜ oes (4.4).
Demonstrac¸˜ ao da afirmac¸˜ ao:
Substituindo
f

1 + f
2
+ g
2
− f ·
f
2
− ˙ g
2
(1 + f
2
+ g
2
)
2
= f em (4.6) e (4.8), obtem-se a equac¸ ˜ ao
equivalente a W

= −f (s)(W
2
− 1) dada por
0 = (¯ c +
¯
d − 2) f g
2
+ (d − c + ¯ c − 1) f (4.9)
De forma similar, encontra-se uma equac¸ ˜ ao equivalente a
˙
W = −g(t)(W
2
− 1) que
ser´ a dada por
0 = (¯ c +
¯
d − 2) f
2
g + (c − d +
¯
d − 1)g (4.10)
Isso demonstra a direc¸ ˜ ao ”se”da afirmac¸ ˜ ao.
Para obter o ”somente se”, considere, inicialmente, que W 0. Sem perda de gene-
ralidade, pode-se supor que g n˜ ao ´ e constante. Se, al´ em disso, f n˜ ao ´ e identicamente
nula, ent˜ ao segue-se da equac¸ ˜ ao (4.9) que ¯ c = 1 + c − d e
¯
d = 1 − c + d.
Se f ≡ 0, ent˜ ao a equac¸ ˜ ao (4.10) implica em
¯
d = 1−c+d. Como ¯ c pode ser modificada
arbitrariamente, a afirmac¸ ˜ ao est´ a provada.
O caso em que W ≡ 0 ´ e mais simples, pois as equac¸ ˜ oes (4.5) implicam diretamente
que f ≡ g ≡ 0. Logo c = d = 0, e tanto ¯ c como
¯
d poder˜ ao ser escolhidas arbitraria-
mente.
4.3 Uma fam´ılia de func¸ ˜ oes el´ıpticas
As func¸ ˜ oes s → W(s, t) podem ser vistas como uma fam´ılia de func¸ ˜ oes el´ıpticas
parametrizadas pela curva el´ıptica determinada por g.
Proposic¸ ˜ ao 4.2. Sejam f, g e W como no Teorema (4.1). Ent˜ ao W ´ e uma soluc¸˜ ao das seguintes
4.3 Uma fam´ılia de func¸˜ oes el´ıpticas 34
equac¸˜ oes diferenciais de primeira ordem:
W
2
= (W
2
− 1)

¸
¸
¸
¸
¸
c
1 + g
2
− (1 + g
2
)
¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸
˙
W
2
= (W
2
− 1)

¸
¸
¸
¸
¸
d
1 + f
2
− (1 + f
2
)
¸
W−
f

1 + f
2

2

¸
¸
¸
¸
¸
(4.11)
Demonstrac¸˜ ao. Ser´ a provado apenas (4.11)i, pois a demonstrac¸ ˜ ao de (4.11)ii ´ e inteira-
mente an´ aloga.
Como W

=−f (s)(W
2
− 1), W
2
1. Ent˜ ao W
2
= f
2
(W
2
− 1)
2
. Assim, para provar
(4.11)i basta mostrar que
f
2
(W
2
− 1) =
c
1 + g
2
− (1 + g
2
)
¸
W−
˙ g
1 + g
2

2
(4.12)
Para isto, observe que, a partir da equac¸ ˜ ao
W = (1 + f
2
+ g
2
)
−1
( f

+ ˙ g)
obtem-se,
(1 + f
2
+ g
2
)W = f

+ ˙ g
Adicionando −2 ˙ g aos dois membros dessa equac¸ ˜ ao, resulta em,
(1 + f
2
+ g
2
)W− 2 ˙ g = f

− ˙ g
Multiplicando a equac¸ ˜ ao acima por (4.3),
((1 + f
2
+ g
2
)W− 2 ˙ g)W = (1 + f
2
+ g
2
)
−1
( f

+ ˙ g)( f

− ˙ g)
(W
2
+ f
2
W
2
+ g
2
W
2
− 2 ˙ gW) =
f
2
− ˙ g
2
1 + f
2
+ g
2
f
2
W
2
+ W((1 + g
2
)W− 2 ˙ g) = f
2
− g
2
+ c − d (4.13)
pois, de (2.4),
f
2
− ˙ g
2
= f
4
+ (1 + c − d) f
2
+ c − (g
4
+ (1 − c + d)g
2
+ d)
= f
4
+ f
2
+ c f
2
− df
2
+ c − g
4
− g
2
+ cg
2
− dg
2
− d
= f
4
+ f
2
g
2
+ f
2
+ c f
2
− df
2
+ c − g
4
− f
2
g
2
− g
2
+ cg
2
− dg
2
− d
= (1 + f
2
+ g
2
) f
2
− (1 + f
2
+ g
2
)g
2
+ (1 + f
2
+ g
2
)c − (1 + f
2
+ g
2
)d
= (1 + f
2
+ g
2
)( f
2
− g
2
+ c − d)
4.4 O espac¸o param´ etrico 35
Continuando, de (4.13),
f
2
W
2
− f
2
= −W((1 + g
2
)W− 2 ˙ g) − g
2
+ c − d
f
2
(W
2
− 1) = −W
2
(1 + g
2
) + 2W ˙ g − g
2
+ c − d (4.14)
De (4.4)iii ˙ g
2
= g
4
+ (1 − c + d)g
2
+ d. Portanto
− ˙ g
2
+ c = −g
4
− g
2
+ cg
2
+ c − dg
2
− d = (1 + g
2
)(−g
2
+ c − d), ou seja,
−g
2
+ c − d = −
˙ g
2
1 + g
2
+
c
1 + g
2
Finalmente, substituindo em (4.14),
f
2
(W
2
− 1) = −W
2
(1 + g
2
) + 2W ˙ g −
˙ g
2
1 + g
2
+
c
1 + g
2
=
c
1 + g
2

¸
W
2

2W ˙ g
1 + g
2
+
˙ g
2
1 + g
2

(1 + g
2
)
=
c
1 + g
2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2
(1 + g
2
)

4.4 O espac¸o param´ etrico
Resta caracterizar as soluc¸ ˜ oes W que surgem como coshω para alguma soluc¸ ˜ ao real
anal´ıtica ω do sistema (4.1). Como W ≥ 1 e, portanto, c = α
2
≥ 0 e d = β
2
≥ 0 (cf.4.11).
4.4.1 Existˆ encia de soluc¸ ˜ oes
Teorema 4.3. O sistema (4.1), admite uma fam´ılia de soluc¸˜ oes ω real anal´ıticas, com dois
parˆ ametros, que est´ a definida em B = {(α, β) ∈ R
2
|α, β ≥ 0 e α + β ≥ 1} pelas equac¸˜ oes:
coshω = W = (1 + f
2
+ g
2
)
−1
· ( f

+ ˙ g), ω(0, 0) ≥ 0 (4.15)
ω

= −f (s) · senhω,
˙ ω = −g(t) · senhω
(4.16)
4.4 O espac¸o param´ etrico 36
onde f (s) e g(t) s˜ ao as func¸˜ oes el´ıpticas determinadas por:
f
2
= f
4
+ (1 + α
2
− β
2
) f
2
+ α
2
, f (0) = 0, f

(0) = α,
˙ g
2
= g
4
+ (1 − α
2
+ β
2
)g
2
+ β
2
, g(0) = 0, ˙ g(0) = β
(4.17)
Reciprocamente, se ω ´ e uma soluc¸˜ ao real anal´ıtica do sistema (4.1), ent˜ ao ω ´ e limitada
globalmente, |ω| alcanc¸a seu m´ aximo, e, a menos de translac¸˜ ao, ω ou −ω est´ a contida na fam´ılia
acima.
Observe que a ambiguidade de arccosh em uma vizinhanc¸a de um zero de ω ´ e
solucionada pelas equac¸ ˜ oes (4.16).
Discutiremos rapidamente as soluc¸ ˜ oes especiais na fronteira ∂B do espac¸o pa-
ram´ etrico. Verifica-se facilmente, que a soluc¸ ˜ ao trivial ω ≡ 0 corresponde a todo o
segmento α + β = 1, α, β ≥ 0 em ∂B. Os raios α = 0, β ≥ 1 e β = 0, α ≥ 1 parametri-
zam soluc¸ ˜ oes ω que s˜ ao unidimensionais no sentido em que dependem apenas de t ou
apenas de s. Elas descrevem os dois tipos de equac¸ ˜ oes de Delaunay mencionadas na
sec¸ ˜ ao inicial.
Por simplicidade, assumiremos agora que α, β > 0 e α + β > 1. O comportamento
qualitativo de f depende de forma crucial, se f
4
+ (1 + α
2
− β
2
) f
2
+ α
2
tem zeros reais ou
n˜ ao. De fato, sobre o eixo real, qualitativamente f assemelha-se ` as func¸ ˜ oes tangente,
tangente hiperb´ olica ou seno, quando β < α+1, β = α+1 ou β > α+1, respectivamente.
Outra forma de expressar esta diferenc¸a ´ e a seguinte: Como α 0, podemos falar do
menor zero positivo a = a(α, β), de f . Quando β > α + 1 (β < α + 1), ent˜ ao a(α, β) ´ e um
meio per´ıodo (respectivamente, um per´ıodo) de f . Sobre a linha do bordo β = α + 1 a
func¸ ˜ ao f n˜ ao tem zero positivo e a = +∞. Uma afirmac¸ ˜ ao similar ´ e v´ alida para o menor
zero positivo b = b(α, β) de g.
Demonstrac¸˜ ao. i) Recordemos que o sistema (4.2) foi obtido a partir do sistema (4.1)
quando substituimos W por coshω. Reciprocamente, uma soluc¸ ˜ ao real anal´ıtica W do
sistema (4.2) que ´ e ≥ 1 define uma soluc¸ ˜ ao ω do sistema original.
Devemos ter um pouco de cuidado nos lugares onde W = 1. Como, no teorema
(4.3) as func¸ ˜ oes f e g possuem apenas polos simples com partes principais (s

− s)
−1
e
(t

−t)
−1
, segue-se das equac¸ ˜ oes (4.5) que a soluc¸ ˜ ao W pode assumir o valor +1 apenas
com multiplicidade 2, exceto quando W ≡ 1. Logo, uma soluc¸ ˜ ao W que ´ e > 1 em algum
ponto, ´ e ≥ 1 em todos os pontos. Vemos que ω pode ter apenas zeros simples,
contanto que ω 0. E, que as equac¸ ˜ oes (4.16) s˜ ao uma mera forma de reobtermos (4.5)
na vari´ avel ω. Como W(0, 0) = α + β ≥ 1 e W ≡ 1 para α + β = 1, a afirmac¸ ˜ ao do ´ıtem i)
4.4 O espac¸o param´ etrico 37
est´ a provada.
ii) Basta mostrar que para qualquer soluc¸ ˜ ao real anal´ıtica W ≥ 1 que n˜ ao ´ e
identicamente 1, as func¸ ˜ oes f e g ter˜ ao zeros s
0
e t
0
tais que α = f

(s
0
) e β = ˙ g(t
0
) ≥ 0.
Uma vez que W ≥ 1 ent˜ ao
f

+ ˙ g ≥ 1 + f
2
+ g
2
⇒ f

(s
0
) + ˙ g(t
0
) ≥ 1 ⇒ α + β ≥ 1
Ser´ a mostrado, inicialmente, que f ter´ a umzero s
0
. Se olharmos a equac¸ ˜ ao (4.5)i
como uma equac¸ ˜ ao de Riccati, ou seja W

= −f (s)W
2
(W
2
−1), para as func¸ ˜ oes limitadas
s → W(s, t), segue-se que f n˜ ao pode ser, longe de zero, uniformemente limitada emR.
Passando ao limite f → 0 a condic¸ ˜ ao W ≥ 1 implica em ˙ g ≥ 1 + g
2
. Pois, como W =
(1+ f
2
+g
2
)
−1
·( f

+ ˙ g), quando f → 0, W =
˙ g
1 + g
2
≥ 1. Assim, por ˙ g
2
= g
4
+(1−c+d)g
2
+d,
tem-se d ≥ 1 Combinando essas desiguladades, f

= f
2
e ˙ g = 1 + g
2
. Logo W ≡ 1. Uma
contradic¸ ˜ ao.
β
α
β = α + 1
α = β + 1
1
1
ω

0
Superf´ıcies
de Delaunay
com meridianos −→

Superf´ıcies
de Delaunay
com meridianos
ω ∈ M
Γ
ab
Conjunto Nodal
= U linhas t = cte
= linhas ”horizontais”
ω ∈ M
Γ
ab
Conjunto Nodal
= U linhas s = cte
= linhas ”verticais”
linha de bifurcac¸ ˜ ao
a
=

b
=

ω ∈ M
D
ab
B
D
Figura 3: As diferentes pec¸as do espac¸o param´ etrico B
4.4 O espac¸o param´ etrico 38
Proposic¸ ˜ ao 4.4. (ver Figura3:). Suponha que α, β > 0 e α + β > 1.
i) Exceto quando |α − β| = 1, a soluc¸˜ ao ω ´ e invariante pela reflex˜ ao do grupo Γ
ab
com a e b
como acima (notac¸˜ ao como introduzida na sec¸˜ ao 1),
ii) Se |α−β| < 1, ent˜ ao as componentes conexas de {(s, t) ∈ R
2
| ω(s, t) 0} s˜ ao retˆ angulos;
mais precisamente ω ∈ M
D
ab
com a e b como acima. Caso contr´ ario β ≥ α + 1 ou α ≥ β + 1, e
o complemento do conjunto nodal de ω consiste de faixas horizontais ou verticais, respectiva-
mente.
iii) A faixa B
D
= {(α, β) ∈ B| |α − β| < 1} em torno da diagonal no espac¸o param´ etrico ´ e
aplicada difeomorficamente sobre o conjunto R
D
= {(a
0
, b
0
) ∈ R
2
+
| a
−2
0
+ b
−2
0
> π
−2
}. Este con-
junto contemas extens˜ oes de todos os retˆ angulos R
a
0
b
0
que possamsurgir como uma componente
conexa do complemento do conjunto nodal para uma soluc¸˜ ao ω da equac¸˜ ao senh-Gordon(3.2)
A parte iii) desta preposic¸ ˜ ao assegura que n˜ ao foi perdido nenhum retˆ angulo
quando da imposic¸ ˜ ao da condic¸ ˜ ao adicional (4.1)ii no ´ın´ıcio deste cap´ıtulo.
Demonstrac¸˜ ao. Para verificar os ´ıtens i) e ii) da Proposic¸ ˜ ao, basta olhar nas equac¸ ˜ oes
(4.16) que ω ´ e par em todos os zeros de f e g e ´ımpar em todos os p´ olos dessas
func¸ ˜ oes.
39
5 Interpretac¸ ˜ ao Geom´ etrica das
soluc¸ ˜ oes ω
5.1 Introduc¸ ˜ ao
No cap´ıtulo anterior foi mostrada a existˆ encia de uma fam´ılia real anal´ıtica, com
dois parˆ ametros, de soluc¸ ˜ oes ω = arccos W, do sistema
∆ω + sinh ω · cosh ω = 0
senh ω · ˙ ω

− cosh ω · ω

˙ ω = 0
De agora em diante, ser´ a usado U para denominar esta fam´ılia de soluc¸ ˜ oes.
´
E
natural supor, que se houver uma simples troca de cosh por senh, ´ e claro, com a con-
sequente mudanc¸a em um par de sinais, tamb´ em vai existir uma fam´ılia de soluc¸ ˜ oes
ω = arcsenh W, real anal´ıtica, com dois parˆ ametros, para o sistema
∆ω + sinh ω · cosh ω = 0 (5.1)
cosh ω · ˙ ω

− senh ω · ω

˙ ω = 0
De fato, tal fam´ılia existe, e ser´ a denominada V, definida emumespac¸oparam´ etrico
apropriado. Entretanto, alguns dos resultados que ser˜ ao obtidos para as H- superf´ıcies
ao usarmos as soluc¸ ˜ oes pertencentes ` a fam´ılia U, n˜ ao poderiam ser obtidos atrav´ es
da fam´ılia V. Por exemplo, a fam´ılia V n˜ ao contˆ em H- toro fechado, enquanto que a
fam´ılia U contˆ em! E ´ e exatamente a avaliac¸ ˜ ao do crit´ erio de ”ser fechado”a principal
meta deste cap´ıtulo.
Considerando as func¸ ˜ oes
ϕ(s, t) = (F

(s, t), F

(0, t) e (5.2)
U(s, t) = cos ϕ(s, t) = e
−ω(s, t)−ω(0, t)
· F

(s, t), F

(0, t)· (5.3)
5.1 Introduc¸˜ ao 40
Lema 5.1.
α · U = (1 + g
2
) · W− ˙ g = f

·
1 + g
2
1 + f
2
+ g
2
− f
2
·
˙ g
1 + f
2
+ g
2
· (5.4)
U
2
= (1 + g
2
)
−1
· (1 − U
2
) · ((αU + ˙ g)
2
− (1 + g
2
)
2
), (5.5)
˙
U
2
= (1 + f
2
)
−1
· (1 − U
2
) · ((βU + f

)
2
− (1 + f
2
)
2
) (5.6)
Demonstrac¸˜ ao. Podemos verificar que ϕ

= |F

| · κ
1
= e
ω

e
−2ω
( ˙ ω
2
+ senh
2
ω) = e
ω
·
e
−ω

˙ ω
2
+ senh
2
ω. Como ˙ ω = −g senh ω, ent˜ ao ˙ ω
2
= g
2
senh
2
ω.
Portanto ϕ

=

(g
2
+ 1) senh
2
ω =

g
2
+ 1 senh ω. Como W = cosh ω, ent˜ ao senh
2
ω =
W
2
+ 1 ou seja senh ω =

W
2
− 1
1
2
. Assim ϕ

=

1 + g
2
1
2
·

W
2
− 1
1
2
.
Por outro lado, da express˜ ao (4.11) tˆ em-se
W

=

W
2
− 1
1
2

¸
¸
¸
¸
¸
c
1 + g
2

1 + g
2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸
1
2
Logo,

dW
=
ϕ

W

=

1 + g
2

1
2

W
2
− 1

1
2
(W
2
− 1)
1
2

c
1+g
2

1 + g
2

W−
˙ g
1+g
2

2
¸1
2
=

1 + g
2
1
2

¸
¸
¸
¸
¸
c
1 + g
2

1 + g
2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

1
2
=
¸
1
1 + g
2


1
2

¸
¸
¸
¸
¸
c
1 + g
2

1 + g
2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

1
2
=

¸
¸
¸
¸
¸
c

1 + g
2

2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

1
2
.
Assim,

dW
= −

¸
¸
¸
¸
¸
α
2

1 + g
2

2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

1
2
Portanto,
ϕ = −

¸
¸
¸
¸
¸
α
2

1 + g
2

2

¸
W−
˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

1
2
dW
Fazendo A =
α
1 + g
2
e B =
˙ g
1 + g
2
⇒ ϕ = −

A
2
− (W− B)
2


1
2
dW
5.1 Introduc¸˜ ao 41
ϕ = −
¸
A
2
¸
1 −

W− B
A
¸
2


1
2
dW
= −
1
A
¸
1 −

W− B
A
¸
2


1
2
dW
Considerando
W− B
A
= cos φ ⇒ dW = −Asenφdφ. Logo,
ϕ = −
1
A

1 − cos
2
φ


1
2

−Asenφ


=

sen
2
φ


1
2
sen φdφ
=

senφ

−1
senφdφ
=

d φ
= φ
Como,
φ = arccos

W− B
A
¸
Ent˜ ao
ϕ = arccos

W− B
A
¸
Ou seja,
U = cos ϕ = cos

arccos(
W− B
A
)
¸
=
W− B
A
=
W−
˙ g
1 + g
2
α
1 + g
2
=
(1 + g
2
)W− ˙ g
α

αU = (1 + g
2
)W− ˙ g = (1 + g
2
)(1 + f
2
+ g
2
)
−1
( f

+ ˙ g) − ˙ g =
f

+ ˙ g + f

g
2
+ ˙ gg
2
1 + f
2
+ g
2
− ˙ g
De onde se conclui que,
αU = f

1 + g
2
1 + f
2
+ g
2
− f
2
˙ g
1 + f
2
+ g
2
Para verificar (5.5) observe que αU = (1 + g
2
)W − ˙ g. Portanto, W
2
=
¸
αU + g
1 + g
2

2
e
5.2 Descric¸˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares 42
(αU)

= (1 + g
2
)W

⇒ W

=
αU

1 + g
2
⇒ W
2
=
α
2
U
2
(1 + g
2
)
2
. Substituindo em (5.5)i,
αU

1 + g
2
=

¸
¸
¸
¸
¸
¸
(αU + g)
2
− (1 + g
2
)
2
(1 + g
2
)
2

¸
¸
¸
¸
¸
α
2
1 + g
2
− (1 + g
2
)
¸
αU + ˙ g
1 + g
2

˙ g
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

¸
¸
¸
¸
¸
1
2
=

¸
¸
¸
¸
¸
¸
(αU + g)
2
− (1 + g
2
)
2
(1 + g
2
)
2

¸
¸
¸
¸
¸
α
2
1 + g
2
− (1 + g
2
)
¸
αU
1 + g
2

2

¸
¸
¸
¸
¸

¸
¸
¸
¸
¸
1
2
=
¸¸
(αU + g)
2
− (1 + g
2
)
2
(1 + g
2
)
2
¸
α
2
1 + g
2

α
2
U
2
1 + g
2

1
2
Ent˜ ao,
α
2
U
2
(1 + g
2
)
2
=
¸
(αU + g)
2
− (1 + g
2
)
2
(1 + g
2
)
2
¸
α
2
(1 − U
2
)
1 + g
2

U
2
=

αU + g)
2
− (1 + g
2
)
2

(1 − U
2
)(1 + g
2
)
−1
A verificac¸ ˜ ao de (5.5)ii ´ e an´ aloga!
5.2 Descric¸ ˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curva-
tura planares
Proposic¸ ˜ ao 5.2. 1. O ˆ angulo entre o vetor N, normal ` a superf´ıcie, e qualquer plano contendo
uma λ
1
-linha de curvatura ´ e constante ao longo desta curva: A tangente deste ˆ angulo ´ e a
func¸˜ ao g que foi introduzida na sec¸˜ ao 2 por motivos puramente anal´ıticos.
2. Quando β > α + 1, ent˜ ao θ
1
= π e < 0 (ver (1.6)) exceto quando α = 0. As λ
1
-linhas
de curvatura parecem uma sequˆ encia de letras l; deve-se imaginar que os c´ırculos das
superf´ıcies de Delaunay estourem, se tentarmos dobrar a superf´ıcie.
3. Quando β < α + 1, ent˜ ao θ
1
= 0 e o vetor tangente de uma λ
1
-linha de curvatura, oscila
em torno da normal sobre um plano de simetria, interceptado perpendicularmente pela
linha de curvatura. A amplitude do ˆ angulo ´ e menor que π. A ´ unica curva plana fechada
tem a forma de uma figura 8.
4. Quando β < α−1, ent˜ ao o vetor tangente das λ
1
-linhas de curvatura → F

s,

n +
1
2
¸
· b
¸
,
n ∈ Z, permanecem em um semi-espac¸o aberto fixo; sua projec¸˜ ao sobre F

0,

n +
1
2
¸
· b
¸
´ e positiva em todos os pontos. Portanto, nenhuma λ
1
-linha de curvatura planar pode ser
fechada.
5.2 Descric¸˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares 43
5. Para obter-se uma imers˜ ao com λ
1
-linhas de curvatura planares, ´ e necess´ ario que α =
0 (→ superf´ıcies de Delaunay), ou que (α, β) estejam na faixa diagonal aberta B
D
=
¸
(α, β) ∈ B; | α − β| < 1
¸
.
Demonstrac¸˜ ao. O ´ıtem 1) da Proposic¸ ˜ ao segue diretamente das equac¸ ˜ oes (3.4) e (4.16)
Para a demonstrac¸ ˜ ao dos ´ıtens 2) e 3) ser´ a usado o Lema. Por um argumento
homot ´ opico, basta considerar aquelas λ
1
−linhas de curvatura s → f (s, t) para as quais
g(t) = 0 e ˙ g(t) = β. Ent˜ ao, a express˜ ao no lado direito de (5.5), no Lema (5.1) tem zeros
em

1 − U
2

αU + β

2
− 1

2
= 0,
ouseja −1, 1,
−β − 1
α
, −
1 + β
α
. Portanto, para β < α+1,
1 − β
α
= −
β − 1
α
>
1 − α + 1
α
= −1.
Como
1 − β
α
> −
1 + β
α
, logo, para β < α + 1, a func¸ ˜ ao U = cos ϕ oscila entre
1 − β
α
e 1.
Provando o ´ıtem 3) da Proposic¸ ˜ ao.
Quando β > α + 1, temos que θ
1
= π e U oscila entre −1 e 1. Para verificar que

1
< 0, calculamos:

dF

=

F

ϕ

=
1
κ
1
.
Agora ´ e suficiente observar κ
1
=

1 + g
2
·
1
2
(1 −e
−2ω
) ´ e positiva e mon´ otona decres-
cente para s ∈ [0, a]
A hip´ otese β < α − 1 implica que G
2
+ (1 − α
2
+ β2) · G + β
2
tem uma menor raiz
positiva G no intervalo (0, α − 1). Logo a func¸ ˜ ao g deve oscilar entre −

G e +

G
levando seus valores extremos para t = (n +
1
2
) · b, n ∈ Z. Levando estas informac¸ ˜ oes
para a equac¸ ˜ ao (5.5), vemos que U

anula-se se, e somente se U = ±1 ou U = ±
1
α
· (G+1).
Como U(0) = 1, U oscila no intervalo
,
1
α
· (G + 1), 1
¸
. A afirmac¸ ˜ ao segue da definic¸ ˜ ao
de U e da Proposic¸ ˜ ao (3.6)
O ´ıtem v) ´ e obtido a partir das informac¸ ˆ oes contidas nos ´ıtens anteriores.

Para (α, β) ∈ B
D
, a func¸ ˜ ao g tem polos, e portanto, existem λ
1
-linhas de curvatura
especiais, que est˜ ao em planos tangente ` a superf´ıcie. Isto quer dizer que a condic¸ ˜ ao
para que uma λ
1
-linha de curvatura seja fechada, isto ´ e,
1
= 0, pode ser verificada
facilmente para esta λ
1
-linhas de curvatura ”singulares”.
´
E um c´ alculo direto, usando
5.2 Descric¸˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares 44
a f ´ ormula (2.9) para passar ao limite g → ∞nas equac¸ ˜ oes (4.2) e (4.3.i):
U

= f

− f
2
, (5.7)
U
2

= 2α · (U

+ q)(1 − U
2

), (5.8)
onde 1 + q =
1


2
− (α − 1)
2
). Recorde que |F

| = 1 ao longo destas linhas de curvatura
especiais. Assim elas s˜ ao, a menos de congruˆ encia, univocamente determinadas pela
func¸ ˜ ao U

= cos ϕ

. Observe que q ∈ (−1, 1) pois nos restringimos a (α, β) ∈ B
D
5.2.1 Condic¸ ˜ ao para as λ
1
-linhas de curvatura serem fechadas
Lema 5.3. A condic¸˜ ao das λ
1
-linhas de curvatura ”serem fechadas”´ e uma condic¸˜ ao em q, isto ´ e:
0 =

1
−q
UdU

(1 − U
2
)(U + q)
. (5.9)
Esta equac¸˜ ao determina um ´ unico q ∈ (0, 1), que ´ e aproximadamente 0, 652229 . . .
Onde q =
1


2
− (α − 1)
2
) − 1. O argumento acima mostra que o lado direito de
(5.9) ´ e exatamente
1
2

2α vezes a quantidade
1
introduzida em (3.6). Isso explica o
lema.
De fato, as λ
1
-linhas de curvatura especiais possuem uma interessante propriedade
geom´ etrica:
Proposic¸ ˜ ao 5.4. Todas as λ
1
-linhas de curvatura (da fam´ılia U) que est˜ ao em um plano que
tangencia a H−superf´ıcie s˜ ao el´ asticas, isto ´ e, pontos cr´ıticos de
F(c) =

c
|κ(s)|
2
ds.
Demonstrac¸˜ ao. Mostraremos que
κ
2
1
= −
1
4

κ
2
1
− 2α(1 + q)

κ
2
1
+ 2α(1 − q)

. (5.10)
Como κ
1
= ϕ

, temos:
κ
2
1
= (1 − U
2

)
−1
· U
2

= 2α(U

+ q),
e a express˜ ao (5.10) ser´ a obtida a partir da equac¸ ˜ ao (5.7)
Resta-nos investigar quando as λ
2
−linhas de curvatura tamb´ em s˜ ao fechadas.
Usando a Proposic¸ ˜ ao (4.2) e o Teorema (4.3), vemos que θ
2
, introduzida em (3.5),
5.2 Descric¸˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares 45
torna-se:
θ
2
=

b
0
(W, 0) dt =

b
0
α + ˙ g
1 + g
2
dt,
ou seja,
θ
2
=

¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
π +


−∞
α · dg
(1 + g
2
)

g
4
+ (1 − α
2
+ β
2
)g
2
+ β
2
para α < β + 1,

α+β
α−β
W dW

(W
2
− 1)(α + β − W)(β − α + W)
para α > β + 1.
(5.11)
Recordemos que no interior do espac¸o param´ etrico B o conjunto
1
= 0 ´ e dado pela
hip´ erbole:
β
2
= (α + q)
2
+ 1 − q
2
, (5.12)
onde q ´ e como no Lema 4.3. Esta curva claramente est´ a na faixa α < β < α+1; iniciando
no ponto (α, β) = (0, 1).
5.2.2 Condic¸ ˜ ao para as λ
2
-linhas de curvatura serem fechadas
Lema 5.5. 1. θ
2
´ e mon´ otona crescente ao longo da curva β
2
= (α + q)
2
+ 1 − q
2
.
2. θ
2
(0, 1) = π
3. lim
α→∞
θ
2
(α, α + ) = 2π, uniformimente para ∈ [0, 1]
Demonstrac¸˜ ao. 1) A partir da express˜ ao (5.11), para β > α

∂α
θ
2
=


−∞
(g
2
+ β
2
)dg

g
4
+ (1 − α
2
+ β
2
)g
2
+ β
2
> 0
¸

∂α
+

∂β

θ
2
=


−∞
(g
2
+ β · (β − α))dg

g
4
+ (1 − α
2
+ β
2
)g
2
+ β
2
> 0
O vetor tangente da curva
1
= 0 ´ e a combinac¸ ˜ ao convexa de

∂α
e

∂α
+

∂β
.
3) Como o fator
α

g
4
+ (1 + 2α +
2
)g
2
+ (α + )
2
5.2 Descric¸˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares 46
na express˜ ao (5.11) converge monotonicamente para 1 quando α → ∞, temos:
lim
α→∞
θ
2
(α, α + ) =


−∞
dg
1 + g
2
.
A uniformidade em segue da desigualdade:
θ
2
(α, α + 1) ≤ θ
2
(α, α + ) ≤ θ
2
(α, α)

β
α
β = α + 1
α = β + 1
β
2
= (α + q)
2
+ 1 − q
2

1
= 0
θ
2
= π

1
= π
ω

0
b
i
f
u
r
c
a

˜ a
o
θ
2

(
π
,

)

1

(
π
,

)
Superf´ıcies
de Delaunay
( Nod´ oide )
θ
2
= π

2
= 0

1
= 0 −→
θ
2
= π −→
Superf´ıcies
de Delaunay
(Ondul ´ oide)
θ
1
= π
θ
1
= 0
θ
1
= 0
θ
2

(
π
,
2
π
)

1
=


θ
2
=

1

(
0
,
π
)
Figura 4: O espac¸o B e a discuss˜ ao de ”ser fechado”em termos de θ
1
,
1
, θ
2
, e
2
5.2 Descric¸˜ ao das H-superf´ıcies com λ
1
-linhas de curvatura planares 47
Recordando que, por convenc¸ ˜ ao, λ
1
< λ
2
, a discuss˜ ao acima est´ a sintetizada no
teorema:
5.2.3 Teorema Principal
Teorema 5.6. Dado um θ ∈ (π, 2π) tal que
1

· θ ´ e racional, existe precisamente um toro com
H ≡
1
2
, as λ
1
−linhas de curvatura planares, e θ
2
= θ.
48
6 Apˆ endice A
As imagens desta e da pr´ oxima p´ agina, foramobtidas em[11]. As imagens seguintes
foram conseguidas atrav´ es do software javaview obtido em [12]
Figura 5: O Toro de Wente...
Figura 6: ... com trˆ es l ´ obulos
6 Apˆ endice A 49
Figura 7: O interior do...
Figura 8: ... toro visto...
Figura 9: ...atrav´ es de cortes
6 Apˆ endice A 50
Figura 10: Imagem do toro transparente.
Figura 11: Interior do toro visto atrav´ es de corte nos l ´ obulos
Figura 12: Imagem da intersecc¸ ˜ ao do toro com um plano escolhido adequadamente
51
Referˆ encias
[1] Abresch, U., Constant mean curvature tori in terms of elliptic functions , J. Reine
Angew. Math 374, 169-192, (1987).
[2] Alexandrov, A. D., Uniqueness theoremfor surfaces inthe large , V. Vestinik, Leningrad
Univerity (1958). Amer. Math. Soc. Trnas. (Series 2) 21, 412-416.
[3] Barbosa, L. e Carmo, M. do, Stability of hypersurfaces with mean curvature , Math. Z.
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[11] N. Schmit, CMCLab Software, Center for Geometry, Analysis, Numerics and
Graphics (GANG), University of Massachusetts at Amherst.
http://www.umass.edu/cmc/
[12] Polthier, K., Hildebrandt, K., Preuss, E., Reitebuch, U., JavaView Software Ver.
3.6.001
http://www.javaview.de
[13] Toyama, K., Self-Parallel Constant Mean Curvature Surfaces , (2004).
[14] Walter, R., Explicit examples to the H-problem of Heinz-Hopf, Geom. Dedicata 23,
(1987).
[15] Wente, H., Counterexample of a conjecture of H. Hopf , Pacific J. Math. 121, 193-243,
(1986).

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