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Práticas do dizer 2: um exercício da linguagem

Práticas do dizer 2: um exercício da linguagem

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Publicado portisabrandao1768
Apresentação
Caro(a) Aluno(a)
Os exercícios deste Caderno de Exercícios visam dar continui¬dade ao trabalho proposto em Práticas do Dizer: um exercício da linguagem, de nossa autoria.
Você terá contato com diversidade de textos e de linguagens através de questões as quais pretendem conduzi-lo(a) a uma maior re¬flexão sobre a língua materna.
Ademais, acrescentamos algumas sugestões para a elaboração de respostas às questões analítico-expositivas por entendermos que nelas interessam não só o conteúdo da resposta como também a qualidade da expressão já que, para cada questão, é preciso elaborar uma resposta com¬pleta, sintética, clara, organizada, atendendo às normas prescritas pelas gramáticas normativas e ao comando do enunciado proposto.
Sucesso
Um abraço
As autoras
Apresentação
Caro(a) Aluno(a)
Os exercícios deste Caderno de Exercícios visam dar continui¬dade ao trabalho proposto em Práticas do Dizer: um exercício da linguagem, de nossa autoria.
Você terá contato com diversidade de textos e de linguagens através de questões as quais pretendem conduzi-lo(a) a uma maior re¬flexão sobre a língua materna.
Ademais, acrescentamos algumas sugestões para a elaboração de respostas às questões analítico-expositivas por entendermos que nelas interessam não só o conteúdo da resposta como também a qualidade da expressão já que, para cada questão, é preciso elaborar uma resposta com¬pleta, sintética, clara, organizada, atendendo às normas prescritas pelas gramáticas normativas e ao comando do enunciado proposto.
Sucesso
Um abraço
As autoras

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06/25/2013

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Impresso no Brasil

Tiragem: 300 exemplares © Copyright 2002 – Laís Maria Passos Rodrigues e Teresinha dos Santos Brandão

Layout, editoração eletrônica e digitalização das imagens: Nara Rejane da Silva Capa: Flávia Garcia Guidotti Atualização de dados: Ana da Rosa Bandeira

Esta obra complementa outra anterior, denominada Práticas do Dizer: um exercício da linguagem, publicada em 1999 pelas mesmas autoras, em edição assinada por L. M. P. Rodrigues. Pedidos para Av. República do Líbano, 160 – Bairro Três Vendas – Pelotas, RS – CEP 96055-710.

F O

A L E I P R O í B E T O C O P I A R E S

É proibida a reprodução de parte ou do todo desta obra sem a prévia autorização das autoras.
T A O B R A

Esta obra encontra-se no prelo e o pedido de seu número de inscrição junto à Biblioteca Nacional já foi encaminhado.

Sumário

♦ Apresentação.......................................................................................5 ♦ Algumas sugestões para a elaboração de respostas às questões analítico-expositivas.................................................................................7 ♦ Sugestões para uso de vocabulário.....................................................8 ♦ Ia PARTE .............................................................................................9 ♦ Questões ♦ Questões ♦ Questões de nalítico-expositivas.......................................................9 bjetivas........................................................................66 estibulares..........................................................84 ♦ IIa PARTE ..........................................................................................66 ♦ IIIa PARTE..........................................................................................84 ♦ Referências Bibliográficas...............................................................118

dsfsf.

Apresentação

Caro(a) Aluno(a) Os
exercícios deste Caderno de Exercícios visam dar

continuidade ao trabalho proposto em Práticas do Dizer: um exercício da linguagem, de nossa autoria.

Você

terá contato com diversidade de textos e de

linguagens através de questões as quais pretendem conduzilo(a) a uma maior reflexão sobre a língua materna.

Ademais,

acrescentamos algumas sugestões para a

elaboração de respostas às questões analítico-expositivas por entendermos que nelas interessam não só o conteúdo da resposta como também a qualidade da expressão já que, para cada questão, é preciso elaborar uma resposta completa, sintética, clara, organizada, atendendo às normas prescritas pelas gramáticas normativas e ao comando do enunciado proposto.

Sucesso Um abraço As autoras

.

respostas às questões analítico-expositivas
1) Para explicar, relacionar:

Algumas sugestões para a elaboração de
ALUDE A (...) CONCERNE A FAZ REFERÊNCIA A REFERE-SE A CRITICA SUGERE REPRESENTA/SIMBOLIZA

O conteúdo do texto/ da charge/ da propaganda

2) Para definir: O termo “X” EVIDENCIA CONSTITUI SIGNIFICA (...)

3) Para explicar o efeito de sentido: O uso do termo “X” 4) Para comparar:
• • • •

PROVOCA OCASIONA DESENCADEIA

(...)

No texto I ocorre “X”, ENQUANTO no II percebemos “Y”. O texto I critica “X”; JÁ o II, “Y”. Em ambos os textos notamos “X”. TANTO no texto I, QUANTO no II, observa-se “X”.

5) Para transcrever (*usar aspas): PERCEBE-SE a falta de paralelismo no trecho “X”. OBSERVA-SE a ambigüidade no trecho “X”. NOTA-SE haver incoerência no trecho “X”. EIS o trecho que apresenta uso de vocábulo inadequado ao contexto: (...)
• • • •

6) Para reescrever (*não usar aspas):
• •

EIS uma possibilidade de reescritura: (...) REESCREVENDO, obtemos: (...)

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• • • •

Laís Maria Passos Rodrigues & Teresinha dos Santos Brandão

7) Para justificar: JUSTIFICA-SE a alteração à norma culta EM RAZÃO DE (...)/ DEVIDO A (...) O autor lança mão desse recurso estilístico POR CAUSA DE (...) A incoerência é provocada POR (...) O problema de coesão É VISÍVEL em “X”, POIS o elemento coesivo, ao contrário de expressar “Y”, DENOTA “Z”.

8) Para indicar finalidade:
• • • • •

A INTENÇÃO do autor (...) O OBJETIVO do texto (...) O autor OBJETIVA (...) O texto VISA (A) (...) Com tal comparação, o autor PRETENDE (...)
C
A

D
B

Sugestões para uso de vocabulário

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usuário da língua (= falante); estrutura frasal (= frase); impropriedade vocabular (= vocabulário inadequado); registro/ nível de linguagem (= heterogeneidade lingüística).

Lembre-se!!!!
Identificar
ou reconhecer significa assinalar os elementos fundamentais de uma argumentação, uma época, um processo etc.

Comparar

significa descobrir as relações de semelhança e/ou diferença entre determinadas épocas, processos, argumentações etc.

Analisar é construir uma reflexão
objetiva baseada em argumentos válidos. Analisar é tecer argumentos ou fundamentações que justifiquem e tornem válidas as nossas reflexões.

Interpretar é reproduzir o conteúdo do
texto, de maneira resumida, parafraseandoo.

Resumir é identificar idéias centrais e
secundárias de um texto. É apresentar a síntese do texto que corresponde à compreensão do que foi lido.

Comentar é relacionar os conteúdos de
um texto com uma determinada realidade, de maneira opinativa.

O raciocínio de causalidade parte de uma situação cujas causas são dadas e que nos
levam a estabelecer conseqüências, conclusões a partir e através das premissas ou causas dadas.

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Ia PARTE

Questões a

nalítico-expositivas

1) José Simão, colunista da Folha, utilizou em seu texto, de 19/12/99, um recurso estilístico bastante explorado em textos humorísticos – a paronomásia – uso de palavras com sons semelhantes e sentidos diversos. Após lê-lo, explique o jogo de palavras “Piaget” e “Pinochet”, considerando as informações implícitas no texto, assim como as que a ele seguem.

José Simão
Em tempos de peru, solte a franga!

B

uemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! E como gritava a Tiazinha chegando numa festa de Natal: “Happy News Year! Happy News Year!”. E como disse um amigo meu: “Estou educando os meus filhos pelo método Piaget* e, quando o saco estoura, apelo pro método Pinochet.**” (...)

* Piaget: famoso pedagogo e psicólogo suíço, conhecido principalmente por seus estudos acerca de aspectos particulares da psicologia infantil. Tais estudos evidenciam uma preocupação em educar sem apelo à agressividade. ** Pinochet: ex-ditador chileno, conhecido por seus métodos violentos de governar. No ano de 1999, o senador vitalício foi alvo de processo judicial na Inglaterra, devido sobretudo às torturas e perseguições, na época de seu mandato, sofridas pelo povo do Chile. Tendo sido liberado, retornou a seu país de origem e, em junho de 2000, perdeu a imunidade parlamentar para que pudesse ser processado por seus crimes contra a humanidade.

2) A regência verbal enfoca o relacionamento entre os termos da oração, verificando se os verbos requerem uma ligação direta do complemento como em “Ver filmes”, ou seja, sem o uso da preposição, ou, ao contrário, ligando-se, indiretamente, ao complemento como, por exemplo, em “Aspirar ao cargo”. Na norma culta, deve-se observar atentamente o relacionamento entre os verbos e seus complementos. Nos trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, essa relação é inadequada. Reescreva-os de acordo com o esperado pelas gramáticas normativas.
“As organizações envolvem e dão exemplo à população a fim de (...)” “Deve-se apoiar e colaborar com as instituições filantrópicas (...)” (assunto: dar esmolas: uma medida eficaz ou não?; ano: 1999) “Após ler e refletir sobre algumas matérias, publicadas em jornais e revistas, as quais tinham por tema gerador o trabalho realizados pelas ONGs, resolvi escrever-lhe (...)”
(carta dirigida ao presidente da ABONG; assunto: terceiro setor; ano: 2002)

“Sendo assim, peço-lhe que considere e lute por minhas propostas, exigindo a obrigatoriedade do cumprimento das leis criadas pelo CONAR.”
(carta dirigida ao presidente do CONAR; assunto: censura no meio publicitário; ano: 2003)

3) A maneira como alguns textos são estruturados pode produzir certos efeitos de incoerência, conforme podemos observar em um trecho do texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 01/03/99:
“O objetivo é substituir as brincadeiras e a violência do trote tradicional por trotes que envolvam os calouros em ações de cidadania. Na semana passada, várias faculdades deram início a esses trotes, que incluíram a limpeza de praças e margens de rios, visita a creches e orfanatos, o plantio de árvores e até um encontro com os sem-terra de um acampamento do MST. A maior parte das faculdades manteve a doação de alimentos e de sangue de anos anteriores, mas algumas ampliaram as tarefas e criaram ações inusitadas.”

a) Transcreva o trecho incoerente. b) Explique o porquê da incoerência. c) Explique o que, do ponto de vista sintático, provocou a incoerência. d) Reescreva-o de forma a desfazer o problema, realizando apenas as modificações indispensáveis. 4) Na tira abaixo, a lesma Flecha manifesta duas opiniões contraditórias.

Observe:
(Extraída de: VERÍSSIMO, Luís Fernando. As cobras em: se Deus existe que eu seja atingido por um raio. Porto Alegre: LP&M, 1997, p.37)

a) Quais são essas opiniões? b) Em qual delas ele realmente acredita? Justifique. 5) Observe, no texto abaixo, extraído da Folha, de 24/12/99, como se dissimulam os sentidos implícitos:

Memórias eqüestres
No início de dezembro, um almoço de diplomatas e presidentes comemorou os 40 anos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, no hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ). Em uma das mesas, um dos executivos do BID, nascido na Argentina, começou a fazer perguntas sobre João Figueiredo,* de quem se dizia amigo. Os comensais ficaram curiosos, e o argentino então explicou que, na adolescência, morara em Brasília, onde o pai era diplomata. Na época, contou, adorava cavalos, e o lugar que mais freqüentava era a hípica. − Ia de manhã, e lá estava o Figueiredo. Ia de tarde, também. De noite, a mesma coisa. Acabaram ficando tão amigos que, segundo ele, o jovem era a única pessoa que Figueiredo deixava montar em seu cavalo. Anos depois, já morando em Buenos Aires, o jovem interrogou o pai, que ia para Brasília. − Vou à posse do Figueiredo, lembra dele? Virou presidente... E o jovem: − Da hípica?

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*O ex-presidente João Figueiredo declarou, certa vez, que preferia o cheiro dos cavalos ao do povo brasileiro.

Agora responda: a) Explicite o comentário que estaria de acordo, no último período, com a expectativa. b) Explique o que podemos depreender dessa pergunta. 6) A impropriedade vocabular pode ser responsável pela incoerência de um texto. Observe o problema no trecho abaixo, extraído de redação de aluno: “Além do mais, vale ressaltar que os únicos culpados por um atropelamento provocado por um adolescente, irresponsável, seriam seus pais. Até porque, nesta idade, o jovem é penalmente imputável.”
(assunto: projeto do deputado Sérgio Carneiro − possibilidade de se conduzir veículos, legalmente, aos 16 anos; ano:1999)

Agora responda: a) Cite o termo o qual ocasiona incoerência. b) Explicite a intenção do autor ao utilizar tal termo. c) Explique o que ele realmente afirmou ao utilizá-lo. d) Reescreva o trecho incoerente, de modo a desfazer o problema. 7) Há determinadas estruturas gramaticais as quais obedecem a uma lógica interna. O texto abaixo, extraído de redação de aluno, expressa um sentido oposto ao pretendido, decorrente do uso de tal estrutura. Observe: “(...) pois é inaceitável que um país, visando vencer os obstáculos do subdesenvolvimento não pode permanecer impassível diante de um problema de tanta relevância.”
(assunto: combate ao narcotráfico; ano:1999)

a) Reescreva o texto de forma a desfazer o mal-entendido. b) Explique a ocorrência desse tipo de estrutura inadequada. 8) Um problema de coesão, decorrente da conexão inadequada entre as idéias, pode ocasionar incoerência textual. Observe no texto abaixo:

a) Transcreva do texto o elemento de coesão responsável pela “Um incoerência. exemplo que pode ser analisado é o caso do senador ACM; este tolera o familismo, ao passo que, hoje, aproximadamente, 15 dos b) Reescreva o texto de forma a eliminar tal problema. seus parentes exercem algum cargo escrevermos, cometemos alguns deslizes 9) Muitas vezes, ao falarmos ou de poder político na Bahia.” decorrentes de uma distração, de aluno; assunto: nepotismo; ano:1999) (redação de uma falha por parte do usuário da língua, o qual, quando a percebe, tenta desfazê-la. No entanto, tais deslizes podem ser vistos, ainda, como fruto de uma ação deliberada, com intenções específicas. Aviso aos socialites
Quer dizer que a CNBB pediu aos fãs, digo, aos fiéis das missas pop do padre Marcelo que se comprometam com os pobres e com o aprofundamento da catequese? Sei, sei, sei.
(Folha de São Paulo, 21/12/98)
*

Marcelo Rossi, padre da Igreja Católica, é conhecido por sua maneira não convencional de rezar missas. Tem, por um lado, o respaldo de muitos, e, por outro, é duramente criticado por sua atuação, na mídia, pois alegam que ele acabou por relegar a um segundo plano os princípios fundamentais da Igreja Católica.

Agora responda: a) No caso do texto acima, como pode ser encarado o deslize: uma falha não intencional ou intencional? b) Qual a marca lingüística responsável pela identificação de tal deslize? c) Que função tal marca exerce no texto? d) Há marcas lingüísticas de ironia no texto. Identifique-as. e) O autor do texto deu preferência ao uso do discurso indireto. Que efeito de sentido ele provoca no leitor, levando-se em conta tratarse de um texto irônico?
Obs.: Questão extraída do artigo “A heterogeneidade em Arthur-Revuz: da teoria à prática escolar”, de autoria de Teresinha dos Santos Brandão e Luiz Gustavo Ribeiro Araújo. Em: Leffa, Vilson J. Produção de materiais de ensino: teoria e prática. Pelotas: Educat, 2003.

10) A maneira como certos textos/frases/enunciados são escritos pode produzir efeitos de incoerência, como no caso abaixo, extraído de uma manchete, seguida de um comentário. Observe, ademais, o trecho que acompanha a manchete: Domingo, 28 de fevereiro de 1999 • CIDADE DIÁRIO POPULAR

Cães começam a ser questionados
Pedestres e crianças sentem-se mais ameaçados principalmente pelos ferozes Pitbulls

Cães de pequeno e de grande porte passeiam constantemente pelas ruas da cidade, levados pelos seus donos. Muitos não causam nenhum temor, mas outros, princi-

palmente pelo tamanho, assustam crianças e adultos. É constante ver jovens passeando com cachorros da raça Pitbull, considerados agressivos e violentos. Em diver-

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sos países da Europa é proibido criar este siva e a mordida deste cachorro tem o dotipo de cachorro. De acordo com o veteribro da força da de outros cães. Ele pode nário Listi Turino Farias, esta raça é agresmatar um cão de raça Fila. (...) _________________________________________________________________________ Agora responda:

a) Se tomada literalmente, a manchete leva a uma interpretação absurda. Qual é ela? b) Qual a interpretação pretendida pelo autor? c) Reescreva a manchete, explicitando a intenção do autor e fazendo as alterações absolutamente indispensáveis. 11) Freqüentemente, o usuário da língua intencionalmente “não diz” para que o interlocutor o compreenda. É devido a essa atitude que percebemos o quanto o silêncio significa. Baseando-se nessas informações e na tira abaixo, aponte um sentido possível para justificar o silêncio que se estabelece entre Helga e Hagar.
HAGAR – Dik Browne

(Folha de São Paulo, 26/11/99)

12) É um recurso muito utilizado para incitar a curiosidade do leitor o uso de uma estrutura isolada que contenha uma incoerência a qual, na verdade, é intencional. Foi o que ocorreu no Diário Popular, em sua capa, no dia 5/6/99. Observe:

“PAZ É ACEITA MAS A GUERRA VAI PROSSEGUIR”
No entanto, ao nos reportarmos à matéria em questão, vemos que a manchete não contém uma incoerência. “A GUERRA CONTINUARÁ ATÉ QUE SE CONCRETIZE A PAZ

DETALHES DO ACORDO ESTÃO SENDO DISCUTIDOS PELA ALIANÇA”

É somente lendo trechos da matéria que conseguimos entender tais manchetes:
Bruxelas – Esperando a paz, cujos detalhes eram objeto ontem de várias discussões entre os ocidentais, os aviões da Otan prosseguiram os bombardeios, num nível relativamente intenso, segundo a Aliança. Por enquanto, a Aliança não tem nenhuma prova de que as tropas iugoslavas estejam se retirando de Ko-

sovo, disse o porta-voz da Otan, Jaime Shea. A aceitação de um plano de paz, na quinta-feira, por Belgrado, não interrompeu os bombar-

deios. (...) Porém, os aliados se negam a prever uma suspensão da guerra, enquanto não estiverem seguros de que

sua aplicação possa ser feita de maneira irreversível por parte de Belgrado, que deve acatar as condições impostas.

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Baseando-se nas informações da reportagem, responda: a) Explique por que não há verdadeiramente uma incoerência na manchete da capa. b) Refaça a manchete que se encontra nas páginas do interior do jornal, de modo que ela não se torne óbvia. c) Que informações da reportagem você levou em conta para responder ao item b) desta questão? 13) Leia o texto abaixo e responda às questões propostas:

F “Ser ou Não Ser” HC
Josias de Souza
São Paulo – A indecisão é um atributo congênito de FHC. A dúvida é, no seu caso, uma condição de vida. Como as escamas do peixe. Ou as penas na ave. FHC não é propriamente um presidente. É a ausência de decisão com doutorado. É a dúvida com PhD a contemplar-nos do Palácio do Planalto. Não há notícia de ponto de interrogação que tenha ido tão longe na carreira política. A mente de FHC é uma espécie de latifúndio improdutivo, invadido por ACM. O cargo de presidente tirou de FHC a proteção de habitar o mundo acadêmico. Para um “scholar”, habituado a observar os paradoxos da sociedade de longe, com distanciamento brechtiano,* até uma ida ao restaurante pode significar um martírio. “E para beber, Excelência?” “Vinho, por favor.” “Branco ou tinto?” “Você tem uísque?” “Doze anos ou oito anos?” “Uma Coca. Vou de Coca-Cola.” “Diet ou normal?” “Hummm... esquece. Quero só água mineral.” “Com gás ou sem gás?” “A conta. Traga-me a conta.” “Mas o senhor não tomou nem mesmo um cafezinho.” “Está bem. Traga-me um café.” “Com adoçante ou com açúcar?” “A conta.” “Mas, mas...” “A conta. E não se fala mais nisso.” FHC sempre poderá alegar que não está só em sua indecisão. Poderá invocar, por exemplo, a companhia ilustre do príncipe que Shakespeare** imaginou para a Dinamarca. Poderá até mesmo tomar por empréstimo a estrutura do solilóquio*** de Hamlet. “ACM or not ACM? Eis a questão.” Ou ainda: “Ford or not Ford?”. Enquanto estiver se divertindo com a sensação de que sua reflexão é útil para o país, FHC se livra de tarefas menores. Trabalhar, por exemplo.
(Folha de São Paulo, 1999) *brechtiano: referente a Brecht, dramaturgo alemão, que resistiu ao regime totalitário fascista. **Shakespeare: dramaturgo inglês, em cuja peça teatral o personagem Hamlet usa uma expressão de dúvida existencial profunda: “Ser ou não ser?” ***solilóquio: fala de alguém consigo mesmo; monólogo.

a) Na frase “A indecisão é um atributo congênito de FHC”, qual o significado da palavra assinalada? Transcreva outra(s) frase(s) do

texto que serviu (serviram) de “pista” para você chegar a essa conclusão. b) Shakespeare foi citado por Josias de Souza, autor do texto acima, para estabelecer que tipo de comparação com FHC? c) Tomando por base o diálogo transcrito por Josias, no qual FHC faz uma série de pedidos ao garçom, levante uma hipótese que justifique a fala do ex-presidente: “A conta. E não se fala mais nisso.” d) Substitua os trechos em que há o discurso direto para o discurso indireto. 14) Observe o texto abaixo:

Vereadora rebate crítica maldosa
A sessão especial sobre o Dia Internacional da Mulher, proposta pela vereadora Miriam Marroni (PT), foi alvo de artigo nesta semana na imprensa. A parlamentar lamenta a desinformação e malícia do autor, que não aborda o conteúdo da sessão, restringindo-se ao traje da parlamentar. Miriam caracterizouse como “bruxa” para identificar a história da trajetória feminina, comparando com a atualidade. A parlamentar ocupou a tribuna para rebater o teor do articulista. “É pena que se trata de jornalista, pois está denegrindo a profissão. O texto pode ser classificado em três aspectos: simplório; ignorância e má fé. Talvez falte conhecimento mais profundo para compreender a forma como me apresentei na sessão. A imprensa tem liberdade para exercer a crítica, mas não pode omitir o debate que ocorreu. O autor agiu maldosamente, preocupando-se com a roupa, e não com as mulheres queimadas que carregamos como herança (...)”
(Diário Popular, 28/03/99)

Há nele um trecho em que a estrutura gramatical utilizada não respeita o paralelismo gramatical por não serem usados elementos de mesmo valor sintático. a) Transcreva o trecho onde isso ocorre. b) Reescreva-o de forma a haver respeito ao paralelismo gramatical. 15) Um assunto que deve ser levado em conta no estudo dos verbos é o valor dos modos e tempos verbais para que possamos melhor entender o funcionamento dessa categoria gramatical.

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Na tira abaixo, explique o valor da locução verbal “está indo” e do

verbo “foi”.
(Folha de São Paulo, 26/01/99)

A partir da fala de Hagar (“Já foi”), aponte uma característica possível a ser atribuída a esse personagem. 16) O texto abaixo é um exemplo de que o pronome “cujo” (e variações) é pouco usual, tanto em textos orais quanto escritos. Observe: TIROTEIO
De João Paulo Cunha (PT-SP), sobre FHC e os líderes governistas terem comemorado a aprovação da reforma da Previdência com champanhe no Planalto: – É um deboche com os milhares de trabalhadores que a política econômica deste governo colocou na informalidade e que agora terão ainda mais dificuldades para se aposentar.
(Folha de São Paulo, 16/02/98)

Reescreva o trecho em que deveria, de acordo com a norma culta, ser empregado adequadamente tal pronome. 17) É comum, devido a determinados “erros” gramaticais, compreender-se um texto de forma diferente da pretendida pelo seu autor. Observe:

“Tim Maia depõe a CPI e acusa gravadoras”
(Folha de São Paulo, agosto de 95)

a) Qual o “erro” gramatical presente na manchete acima? b) Reescreva-a, explicando a intenção do autor. c) Quais os sentidos desencadeados pelo verbo “depor”: – antes de você reescrever a frase; – após sua reescritura? 18) Observe o texto abaixo: Mórmons têm vida mais longa
Os mórmons, adeptos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Último Dia, não fumam, não bebem, não tomam café nem refrigerantes com cafeína, não usam drogas e só têm sexo com a esposa. Em compensação, eles vivem mais do que outras pessoas (...)
(Jornal da Tarde, São Paulo, maio de 90)

Há nele o uso de uma expressão a qual ocasiona uma incoerência se descartarmos o uso da ironia. a) Transcreva tal expressão. b) Explique por que seu uso provoca tal incoerência. c) Reescreva-a de forma a desfazer o mal-entendido.
*

Os textos das questões 17 e 18 foram extraídos de: JAPIASSU, Moacir. Jornal da imprença: a notícia levada açério. São Paulo: Jornal dos Jornais Editora, 1997, p.103 e 110.

19) Leia a tira abaixo e, considerando que ela encerra uma crítica ao

funcionamento do sistema televisivo de nosso país, explique-a.
(Jornal dos Jornais: a revista da Imprensa, ano I, p.49, mar. 1999)

20) Leia o texto seguinte e responda às questões propostas. TEXTO I:

José
1a “E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? 2a Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? 3a E agora, José? sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora? 4a Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?

1 9
5a Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, José! 6a Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?”
(Carlos Drummond de Andrade)

a) Por que aparece repetidamente a expressão “E agora José?” no decorrer do poema? b) Relacione o título da poesia com o seu conteúdo. c) Qual é o verso que exprime concisamente a idéia de que José é “ninguém”? d) Existe, nos versos de 9 a 11, uma contraposição entre a habilidade de “José”, capaz de tantas proezas, e a sua dificuldade para superar os obstáculos colocados pela vida. O que evidencia essa dificuldade? e) José teria, segundo o poeta, possibilidades de alterar seu destino. Em que versos essas possibilidades estão evidenciadas? Entre elas, qual seria a mais extremada? f) José demonstra ser uma pessoa sem norte. Em que versos isso fica mais evidente? g) Quais os sentimentos expressos na figura de José que perpassam toda a poesia? O que esses sentimentos evidenciam? h) Na 2a estrofe, a preposição “sem” e o advérbio “não” exercem uma função determinada. Qual é ela?

21) Substitua a expressão grifada por aquelas sugeridas nos parênteses. Faça as adaptações necessárias. a) Algo deteve José, mas e se não detivesse? (reter / conter) b) José não fez nada para mudar sua vida, mas e se ele fizesse? (eu / nós / vocês / tu) c) Se José gritasse, mudaria seu destino. (tu / nós / eu) d) José não obteve sucesso na vida, mas e se ele obtivesse? (eu /eles /tu / nós) e) Se José retiver seus sentimentos, poderá agravar sua crise existencial. (nós / eu / tu) f) Se José refizer seu universo interior, mudará seu destino. (tu / nós / eu) g) Se José repuser seus sentimentos em ordem, poderá alterar seu destino. (vocês / tu / nós / eu) h) Quando José transpuser suas barreiras interiores, alterará sua história de vida. (nós / eu / tu) i) Se eu intervier na vida de José, poderei ajudá-lo. (tu / nós / vocês / alguém) j) Ninguém propôs nada para alterar a vida de José; mas e se tu propuseres? (eu / nós / vocês)

2 1
l) José adia suas decisões; mas e se ele não adiar? (eu / tu / nós) m) José anseia por uma vida melhor, e você? (eu / nós / tu / eles) n) José remedeia seus conflitos interiores; adiantará? (eu / tu / vocês / nós)

22) Todo texto mantém relações com outros textos, ele é formado por uma série de textos que se cruzam na sua constituição, em relações diversas de ruptura, reiteração (confirmação) ou transformação. Existem textos, portanto, que só fazem sentido quando entendidos em relação a outros textos de cujo conhecimento dependem. A esse processo de “cruzamento” de textos, dá-se o nome de intertextualidade. A paródia consiste basicamente na apropriação de um texto primitivo com intenções críticas, humorísticas ou apelativas. Nesse processo estilístico, emprega-se o dizer do outro com o objetivo de se opor ao texto original. Observe o texto a seguir e compare-o com o texto original de Drummond. TEXTO II:

Um novo José
Josias de Souza
1
a

São Paulo – Calma, José. A festa não recomeçou, a luz não acendeu, a noite não esquentou, o Malan não amoleceu. Mas se voltar a pergunta: e agora, José? Diga: ora, Drummond, agora Camdessus.* Continua sem mulher, continua sem discurso, continua sem carinho, ainda não pode beber, ainda não pode fumar, cuspir ainda não pode, a noite ainda é fria, o dia ainda não veio, o riso ainda não veio, não veio ainda a utopia, o Malan** tem miopia, mas nem tudo acabou,

nem tudo fugiu, nem tudo mofou. Se voltar a pergunta: e agora, José? Diga: ora, Drummond, agora FMI. 3a Se você gritasse, se você gemesse, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... O Malan nada faria, mas já há quem faça. Ainda só, no escuro, qual bicho-do-mato, ainda sem teogonia, ainda sem parede nua, para se encostar, ainda sem cavalo preto que fuja a galope, você ainda marcha, José! Se voltar a pergunta:

2a

4a

José, para onde? Diga: ora, Drummond, por que tanta dúvida? Elementar, elementar.
*

Sigo pra Washington. E, por favor, poeta, não me chame de José. Me chame Joseph.
(Folha de São Paulo, 4/10/99)

**

Camdessus era o diretor-gerente no FMI. Ex-ministro da Fazenda, de FHC, negociante com o FMI.

a) Nos últimos versos do poema de Drummond há a reiteração (confirmação) de que José encontra diante de si obstáculos intransponíveis, não conseguindo, dessa forma, encontrar saída para seus problemas. Já no texto de Josias, o que expressa o verso “por que tanta dúvida?” ? b) A expressão “novo”, no título do texto II, pode ser lida como uma ironia? Explique por quê. c) Transcreva da 4a estrofe desse texto uma das marcas lingüísticas que sugere tal ironia.

23) Observe o texto abaixo e compare-o com o texto original de Drummond. TEXTO III: E agora José? A fechadura encrencou A geladeira quebrou A pia vazou A enceradeira queimou A mulher reclamou e agora José? Desculpe, José é claro que isso tudo não vai acontecer de uma vez Mas que de vez em quando acontece, acontece. Daí a mulher pede para você Providenciar o conserto Você não tem tempo, você esquece, Você não encontra quem arrume E como depois de uma ligeira reclamação sempre vem uma grande bronca, a coisa fica feia. Até que Páginas Amarelas faz as pazes. Basta uma rápida consulta e você Acha o que precisa

2 3
De serviços e de produtos De A até Z Páginas Amarelas tem de tudo.
(Catálogo Telefônico de Belo Horizonte, 1985)
(Extraído de: SOUZA, Luiz Marques, CARVALHO, Sérgio Waldeck de. Compreensão e produção de textos. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.)

a) Nos dois textos há, evidentemente, referência a situações que se identificam. Sucintamente, explique quais são elas. b) Por outro lado, em determinados trechos do texto III, percebe-se um afastamento total das situações presentes no texto I. Explique tal afastamento.
Obs: você pode ilustrar suas explicações citando alguns versos dos poemas e comparando-os.

24) Leia o texto a seguir, extraído da IstoÉ, de 04/02/04, e responda às questões a ele referentes.

a) O texto apresenta um recurso comumente usado em peças publicitárias: o emprego de expressões em seu sentido nãoliteral, metafórico. Explicite a expressão que serviu de base para esse recurso e explique seu significado no contexto. b) Indique três argumentos usados no texto como justificativa para comprovar que a escravidão não foi abolida no Brasil. c) Transcreva do texto duas marcas lingüísticas que permitam reconhecer, no processo de interlocução, o locutor (aquele que se

2 5
dirige ao interlocutor) e duas as quais digam respeito interlocutor (aquele a quem a peça publicitária se dirige. ao d) Identifique os termos aos quais se referem os elementos sublinhados no texto. e) Transcreva do texto pelo menos um trecho que justifique o uso do termo “ilegal” em “desmatamento ilegal”. f) Substitua os dois-pontos empregados após o termo “história” por um nexo que garanta a coesão e a coerência do texto. Além disso, indique a idéia que tal nexo expressa. g) Considerando o valor dos tempos e modos verbais, explique qual o efeito de sentido provocado pelo uso do gerúndio nas palavras “explorando”, “derrubando” e “queimando”. h) Acrescente um nexo de conclusão no último parágrafo e explicite como justificativa para o uso de tal nexo a relação semântica (de significado) existente entre este parágrafo e o restante do texto. i) Em quase todo o texto os verbos estão flexionados no presente do indicativo ou gerúndio, à exceção de “A escravidão não foi abolida”. Chama atenção, no entanto, o verbo “funcionava”, empregado no pretérito imperfeito do indicativo. Se substituíssemos “funcionava” por “funciona”, usado no presente do indicativo, que relação haveria entre “aula de história” e “funciona”? Qual o efeito de sentido que provocaria essa substituição no texto em sua totalidade? 25) No jornal Folha de São Paulo, de 27/01/99, Angeli explora a ambigüidade (possibilidade de mais de uma leitura), evidentemente, de forma intencional, como recurso humorístico. Observe:
CHICLETE COM BANANA – Angeli

Sobre a tira pergunta-se: a) Como o segundo personagem interpretou a fala do primeiro? b) Como o segundo personagem deveria ter interpretado tal fala? c) Transcreva a fala da tira a qual desencadeia a ambigüidade.

26) Peter Burke, historiador inglês e colaborador da Folha, em um artigo intitulado Na Estrada da Vida, analisa temas, provérbios e outros tipos de mensagens, veiculados nas traseiras dos caminhões brasileiros, textos os quais são tidos como expressão da filosofia popular de nosso país. Observe algumas dessas mensagens, extraídas de tal artigo, de 17/01/99, e responda ao que é solicitado. a) Quais as informações implícitas em 1, 2, 4 e 9? 1) “A mulher é como lenha verde, chora, mas pega fogo.” 2) “Se me vires abraçado com mulher feia, pode apartar que é briga.” 3) “O melhor remédio contra Aids é comida caseira.” 4) “Não me inveje porque sou rico, apenas trabalho.” 5) “100 destino.” 6) “A morte me namora, mas eu amo a vida.” 7) “Minha escola é a vida, meu professor é Deus.” 8) “Nas curvas do teu corpo, capotei meu coração.” 9) “O sapo tem olho grande, mas vive na lama.” 10) “Enquanto os cães ladram, a caravana passa.”

b) Em 3, explique a que se refere “comida caseira”. c) Em 5, há um jogo de palavras com o uso de “cem” e “sem”, assim como o duplo sentido da palavra destino. Explique o duplo sentido. d) Explique, através das metáforas existentes em 6, 7 e 8, as mensagens veiculadas. e) Em qual das mensagens observa-se o uso da prosopopéia? Explique qual a temática que a mensagem encerra. f) A que faz referência a mensagem 10? g) Já que as mensagens acima visam a transmitir parte de nossa cultura popular, é comum a “mistura” de tratamento – “tu” X “você”. Como a mensagem 2 seria reescrita, em outro contexto, se evitássemos tal mistura?

2 7
27) Em 24/09/99, a Folha publicou um histórico, acompanhado de reportagem, o qual tratava da evolução das campanhas contra a Aids, elaboradas por ONGs e Ministério da Saúde. (Obs.: o histórico não está apresentado na íntegra.)

A evolução das campanhas
80 a 85
− Ênfase na prevenção; início da difusão da imagem da camisinha

1) “Aids, você precisa saber evitar.”

2) “Cuide-se:
a Aids leva qualquer um para a cama.”
(mostra a imagem de um paciente terminal num leito hospitalar)

3) “Aids não tem cura e mata. Use a camisa-de-vênus, ela
afasta da Aids mas não afasta você de quem você gosta.”

85 a 90

− Campanhas ganham agressividade e usam a imagem da morte para conscientizar

4) “A Aids mata sem piedade – e está se espalhando por
aí. Não deixe que esta seja sua última viagem.”

5) “A noite traz perigos. Quem vê cara, não vê Aids. Use
camisa-de-vênus.”

6) “Eu tive tuberculose, eu tive cura.
Eu tive sífilis, eu tive cura. Eu tive câncer, eu tive cura. Eu tenho Aids, eu não tenho cura.”

7) “Se você não se cuidar, a Aids vai te pegar.”

90 a 95

− A universalidade do risco domina as campanhas do período

8) “No mundo todo, acontecem 100 milhões de
relações sexuais por dia. Os casos de Aids entre jovens no Brasil aumentaram dez vezes em seis anos. Não existe grupo de risco, o que existe é comportamento de risco. Aids não discrimina.”

9) “Não dá para falar de sexo sem falar de Aids. A
Aids é transmitida através de relação sexual e do uso de drogas injetáveis. Não existem grupos de risco, existem práticas de risco.”

95 a 98

− A prevenção volta ao primeiro plano, dessa vez adequando-se ao

comportamento tradicional do brasileiro

10) “Vira, vira, mexe, rola. E bota camisinha.” 11) “Aperto de mão pega? Não pega.
Alicate de unha sem esterilizar pega? Pega. Usar mesma toalha pega? Não pega. De mãe para feto pega? Não pega. Sexo oral pega? Não pega. Sentar no mesmo lugar do ônibus pega? Não pega. Evite a Aids.”

12)

13)

“A mulher de casa nem sempre é santinha, use a camisinha com ela também.”

2 9
1998

14) “Há várias gerações os jovens se vestem
para defender seus ideais. Agora, chegou a sua vez. Use sempre camisinha.”

15) “Sabe em que grupo de pessoas a Aids aumentou nos
últimos anos: homens e mulheres, solteiros e casados.”

1999 16) “Viver sem Aids só depende de você.”
(Regina Casé)

a) Identifique, a partir das mensagens contidas nas propagandas, assim como de seus próprios conhecimentos sobre o assunto, a característica comum para se evitar a Aids, em que se assentam as informações dos textos. b) Como você pôde observar, o tom das campanhas, bem como sua finalidade, foram se transformando com o passar do tempo. Levando em conta a conjuntura em que foram criadas, resuma, embasandose nos quatro blocos – anos 80 a 90; 90 a 95; 95 a 98; 98 a 99 – as idéias, os objetivos das mensagens neles veiculadas. c) O uso de algumas expressões pode ocasionar uma dupla interpretação. Explique a que se refere, na mensagem 2, a expressão “levar para a cama”. d) Ainda na mensagem 2, substitua os dois-pontos (:) por um nexo (conector) que mantenha o sentido veiculado na propaganda. Ademais, identifique a idéia que tal nexo explicita. e) Na mensagem 3, se reuníssemos os dois períodos em um só, que nexo poderia ser utilizado no lugar do primeiro ponto-final? Que relação existe entre o primeiro e o segundo períodos? O nexo utilizado por você expressa idéia de quê? f) Fazendo apelo a um recurso próprio da linguagem – a polissemia –, em 4, nota-se a possibilidade de atribuirmos à palavra “viagem”, no mínimo, dois sentidos. Explique-os.

g) A propaganda 5 faz alusão a um dito popular. Cite-o. Ademais, explique o motivo da comparação do ditado com o fato de se evitar a Aids. h) Num texto argumentativo, a enumeração dos fatos obedece a uma orientação de enunciados no sentido de uma determinada conclusão. A enumeração pode, pois, ser organizada com argumentos de menor peso aos de maior, ou, ao contrário, de maior peso para os de menor. No caso de 6, explique como se deu a ordenação dos argumentos. Além disso, justifique o uso de tal ordenação em se tratando do assunto posto. i) Transcreva a tese, ou seja, a afirmação básica que o autor toma como verdadeira e defende em 8. Após, cite o argumento que o autor utilizou para defender sua tese. Para elaborar tal tese, ele levou em conta uma idéia em anos anteriormente aceita, mas hoje vista como ultrapassada. Explicite-a. j) Observe a frase: “Não existe grupo de risco, o que existe é comportamento de risco.” Reescreva-a, primeiramente, usando a expressão “embora”; depois, reelabore a frase original, usando o nexo “mas”. k) Atente-se à frase: “Aids não discrimina.” Agora, crie duas frases, mantendo a informação anterior; a primeira, referindo-se à existência ou não de grupos de risco; a segunda, aludindo a preconceitos relacionados à doença. l) Explique a ressalva feita em 9 “Não existem grupos de risco, existem práticas de risco.” m) Há marcas lingüísticas nas propagandas as quais reiteram (confirmam) a idéia de que não há grupos de risco. Transcreva-as das seguintes mensagens: 2, 4, 13, 15. n) A propaganda 11 caracteriza-se, ao veicular as informações, pelo uso de um estilo bastante informal de linguagem, isto é, há nela estruturas típicas da linguagem coloquial oral, objetivando, com o uso deste estilo, aproximar-se do interlocutor. Imaginemos um outro contexto em que tais informações poderiam ser utilizadas: um médico, reconhecido mundialmente por suas pesquisas em torno da Aids, deverá apresentar essas mesmas informações, em um congresso internacional, em nosso país, sobre a doença. Para tanto, o estilo de linguagem a ser empregado deverá ser outro, ou seja, o formal, com o uso de regras prescritas pelas gramáticas normativas.

3 1
Reescreva o texto, mantendo as informações, com exceção daquelas que, de acordo com as pesquisas feitas posteriormente à propaganda, devem ser revistas. OBS.: É importante ressaltar que algumas dessas informações veiculadas pelas propagandas devem ser revistas já que o avanço das pesquisas acerca da Aids renovou tais informações. o) Também se nota um estilo informal de linguagem, com a mistura de tratamento, na propaganda 7. Compare o uso deste estilo com aquele previsto ao se usar a norma culta, reescrevendo a frase de acordo com a última modalidade. Depois de reescrevê-la, responda: a frase reescrita ocasiona o mesmo efeito de sentido ao interlocutor? Justifique. p) Explicite as informações implícitas na propaganda 13. Ademais, levante uma hipótese que justifique a propaganda utilizar-se de uma ressalva. q) Se recorrermos a um dicionário, percebemos que o verbo vestir possui várias acepções. Na frase “Há várias gerações os jovens se vestem para defender seus ideais.”, qual o sentido desse verbo? Que outro sentido pode ser atribuído a tal verbo, levando em conta o sentido global da propaganda? r) A mensagem 15 retoma idéia(s) de outras propagandas. Que idéia(s) é (são) essa(s)? Cite quais propagandas são retomadas.

28) Abordar o tema Aids sem ralacioná-lo ao amor e à sexualidade é limitar-lhe o sentido, simplificando-o, reduzindo-o. O texto abaixo, extraído da Folha, de 20/09/99, apesar de criado há alguns anos, retoma, pela sua atualidade, a temática mencionada. Podemos estabelecer uma relação entre os três últimos versos e as conseqüências do ato sexual, sem a devida prevenção, as quais podem gerar o risco de contaminação do HIV. Após ler o poema, compare os três últimos versos com as informações que você tem sobre a tríade Aids/ sexualidade/ amor.

Texto de Gibran
“Quando o amor vos chamar, segui-o, Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados; E, quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe, Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos; E, quando ele vos falar, acreditai nele, Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.”

29) Observe as mensagens abaixo, contidas nos Agradecimentos, do CD Stonewall Celebration Concert, de Renato Russo, ex-integrante do também ex-grupo Legião Urbana: “A ignorância é vizinha da maldade.” (provérbio árabe) “Buscar informação é o melhor caminho. Força sempre.” Relacione tais mensagens com o conteúdo das campanhas extraídas da Folha, de 24/09/99.

30) O caso de uma menina, 11 anos, estuprada em Sapucaia (RJ), foi alvo de críticas, na coluna Painel do Leitor, por parte de alguns leitores da Folha de São Paulo. Observe: ÉTICA NA IMPRENSA
Não entendo por que a Folha trata o caso de M. da seguinte forma: “M. diz que foi estuprada” (...) Elisa Sayez (São Paulo, SP) (...) Causa repulsa também a maneira (...) pela qual a Folha fere (...) por meio de frases como “suposto estupro” e “afirma ter sido estuprada” (...) Juliana Schiel (São Carlos, SP)
(Folha de São Paulo, 01/01/98)

Explique por que, em termos argumentativos, as críticas dos leitores ao jornal Folha de São Paulo são pertinentes.

3 3
31) Na propaganda abaixo, notamos a sobreposição de textos em uma mesma peça publicitária. Observe:
(Folha de São Paulo, 12/03/98)

Agora, responda: a) De que forma esse entrecruzamento se faz representar? b) Qual o efeito de sentido de tal representação? c) Nota-se a presença da ironia como recurso argumentativo. Identifique as marcas lingüísticas verbais indicadoras de tal recurso e explique o efeito de sentido que elas produzem na propaganda. d) Uma outra maneira de introduzir um novo texto nesta peça publicitária, em especial, ocorreu através de uma “nota-de-rodapé”, não no seu sentido convencional, mas claramente identificável pela disposição gráfica do comentário “Todo mundo sonha (...) nem todo sonho é possível”. A que remete a expressão “Todo mundo” e qual a função por ela exercida? e) Na mesma nota (ver “d”), a escolha do verbo sonhar, comparada ao substantivo sonho, constrói sentidos diferenciados. Que sentidos são esses?

f) Ainda referente à nota mencionada em “d”, observa-se a presença da ironia através de uma marca lingüística. Transcreva-a, explicando a possível intenção do seu uso. g) Há também a intervenção de um “outro texto” manifesta na assinatura da matéria publicitária: “Ponto Frio. Faz melhor. E ponto”. Levando em conta o aspecto global do texto – o discurso escrito e visual –, qual a função exercida pela frase “E ponto”?
Obs.: Extraído do artigo “A heterogeneidade em Arthur-Revuz: da teoria à prática escolar.” Em: Leffa, Vilson J. Produção de materiais de ensino: teoria e prática. Pelotas: Educat, 2003.

32) A Folha de São Paulo criou um espaço em suas páginas, denominado Erramos, para retificar problemas diversos detectados nas publicações de suas matérias, tentando, dessa forma, melhorar a qualidade desse prestigioso jornal. Leia o trecho problemático, bem como a solução proposta para reparar o dano, publicados na edição de 06/05/98. ERRAMOS
Está incorreto o trecho “Os resultados do projeto Genoma (...) deverão revolucionar a prevenção da saúde dos seres humanos”, da coluna de Luís Nassif, publicada na pág. 2-3 (Dinheiro) da edição de 27/04. O correto seria “deverão revolucionar a prevenção de doenças nos seres humanos”.

Lendo o trecho publicado em 27/04/98 e comparando-o com a correção feita, notamos a alteração de sentido. Explique-a.

33) Observe atentamente a manchete da capa do Diário Popular, de 17/02/2000:

Pelotas pega o Caxias hoje com o técnico novo
Lendo a manchete da capa, isoladamente, percebemos nela uma dupla interpretação (ambigüidade). Explique-a. 34) Leia os comentários da Folha, de 11/01 e 14/01, respectivamente, da coluna de José Simão, e leve em conta as informações posteriores a ele para responder às questões.
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! Urgentíssimo! A Anameba Brega* falou menas. É verdade! Eu ouvi: Menas! Menas farinha! Rarará! A Globo lulou. Lulou da Silva.** Agora é só mudar o nome do programa de “Mais Você” para “Menas Você”. (...) E um outro me falou que estou sendo injusto com a Anameba Brega! Ela mandou botar “menas farinha” porque tava muito desperdício. MENAS FARINHA diminui a

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PERCA! Rarará! E uma leitora foi operada e fica na cama fazendo marcação cerrada com a Anameba: “Em vez de olhar 43, ela falou olhar 33”. E ainda disse: “Dá pra compretar a receita com leite”. Essa nem o
* **

Louro José agüentou: “Então compreta aí que eu vou dar uma volta de bicicreta”. Rarará! Sensacional. A Anameba Brega devia fazer um quadro cômico. (...)

Referência a Ana Maria Braga, apresentadora do programa de tevê Mais Você, da Rede Globo. Referência ao presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Algumas transgressões às normas prescritas pelas gramáticas normativas – tanto em termos gramaticais, lexicais ou fonológicos – são alvo de críticas. Após ler o texto de Simão, explique o motivo de Ana Maria Braga ter sido alvo de ironia.

35) Lendo isoladamente a manchete abaixo, percebemos a possibilidade do duplo sentido (ambigüidade). Porém, as informações posteriores a ela encarregam-se de desfazer a dupla leitura. Observe:

Garoto quer saber se pode beijar a namorada com herpes no lábio
“Minha namorada tem 20 anos e está com herpes na boca. Gostaria de saber como se pega essa doença. Não sei o que pensar; somos virgens, e não tenho coragem de falar sobre o assunto com ela.”

Agora responda: a) Explique a dupla possibilidade de leitura da manchete quando observada isoladamente. b) Após confrontar a manchete com as informações posteriores a ela, descarte uma possibilidade de leitura, desfazendo, dessa forma, a ambigüidade. c) Reescreva a manchete com base nas informações posteriores a ela.

Leia o texto abaixo, extraído de Folha de São Paulo, de 02/01/00, e responda às questões 36 e 37:

MULTIMÍDIA

Condenados à morte são tema da nova campanha da Benetton
da “France Presse”
Depois dos doentes de Aids, dos deficientes e das vítimas de guerra, em sua próxima campanha publicitária, a Benetton vai publicar fotos de norte-americanos condenados à morte. Oliviero Toscani, o famoso e polêmico diretor artístico da empresa de moda italiana, é o autor da campanha, intitulada “Encarar a morte”. Toscani ganhou a fama de provocador desde que, em 82, passou a usar imagens da realidade (refugiados, combatentes, doentes) com fins publicitários. Desta vez, Oliviero Toscani pôs suas câmaras nos corredores da morte de penitenciárias de sete estados dos EUA. A campanha estréia no número de fevereiro da nova revista norte-americana “Talk”, da qual Toscani é diretor artístico. A revista publicará sete páginas de fotos de condenados à morte, com nomes, idades e datas da condenação, além da marca United Colors of Benetton. As fotos serão impressas em um suplemento de 96 páginas, com os retratos e uma entrevista de cada um. A Benetton “deseja favorecer o debate sobre a pena de morte” com a campanha, afirma a empresa. “A campanha não significa que os dirigentes da empresa estejam engajados na luta pela abolição da pena de morte”, disse Mark Major, diretor de comunicação da Benetton nos EUA.

36) No texto acima, o jornalista utilizou alguns adjetivos para marcar sua posição diante da postura profissional de Toscani, organizador da campanha da Benetton – “Encarar a morte”. a) Que adjetivos são esses?

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b) A escolha de tais adjetivos indica uma tendência nas campanhas da Benetton. Qual é ela? 37) Uma ressalva, em um texto argumentativo, pode assumir mais de uma função: flexibilizar o ponto de vista do autor, conciliar com o “adversário”, no caso da contra-argumentação, defender o autor de possíveis acusações, entre outras. Transcreva o trecho em que se percebe claramente o uso de uma ressalva. b) Qual é o objetivo de tal ressalva?
a)

38) Carlos Heitor Cony é um excelente cronista da Folha. Em suas crônicas, ora usa uma linguagem formal, em consonância com a norma culta da língua, ora coloquial. Se o cronista, em seus textos, só usasse uma variedade da língua – a culta –, haveria, no texto abaixo, um trecho com um problema de regência verbal.
No que me tange e concerne (perdão pela frase do finado Jânio Quadros), não gosto nem aprovo o atual governo, mas não me lembro de ter gostado ou aprovado qualquer governante. Do síndico do meu prédio ao presidente da República, todos me parecem deficientes ou maus. Mas admito cordialmente que a mulher do síndico, seus filhos, genros e noras gostem dele e o admirem. Tem mais: deixando de ser síndico, topo até ser amigo dele, e admirá-lo como cidadão e vizinho.
a) b)

Transcreva esse trecho. Reescreva-o levando em conta a hipótese contida no enunciado da questão.

39) Elio Gaspari, no texto abaixo, extraído da Folha, de 16/01/00, cria um neologismo, ou seja, uma palavra, frase ou expressão nova, ou palavra antiga com sentido novo.
A fpilantropia e o atraso riram por último Há fortes indícios de que o governo prepara alguma coisa para voltar a cassar o benefício fiscal dado às entidades fpilantrópicas (...) que drena o cofre da Viúva *. Desde 1952, eles não pagam a contribuição patronal da Previdência e hoje estima-se (sem que se saiba direito como essa conta foi feita) que a benemerência custe R$2,3 bilhões à Viúva.
*

Referência à Previdência Social.

Transcreva o neologismo. b) Para criá-lo, o autor usou um determinado tipo de processo, o qual “mistura” palavras diferentes. Quais são elas? c) Há um problema de coesão relativo à expressão “eles” em “eles não pagam”. Substitua tal expressão por outra que garanta a coesão e o sentido do texto.
a)

40) A maneira como se estruturam os enunciados pode produzir certos efeitos de incoerência, conforme se observa nos trechos abaixo, extraídos de redações de alunos e textos de jornais.
I – “(...) é preciso mobilizar a opinião pública para que se crie uma consciência sobre o planejamento familiar, evitando, assim, os problemas que o País vem tentando superar como, por exemplo, ter crianças e adolescentes nas ruas sem estudo.” (assunto: planejamento familiar; ano: 2000) “A proposta do governo brasileiro de reservar vagas nas universidades para negros demonstra sua incapacidade em resolver com eficiência as questões sociais (...).” (assunto: proposta do Brasil na conferência sobre racismo, em Durban, na África; ano: 2001)

II –

III – “Não concordo com a manifestação de Tarcísio de Natal, opondo-se à reserva de vagas nas universidades para os negros.” (carta de leitor, assunto: cotas nas universidades e racismo; Zero Hora, 07/09/01) IV – “A partir de agora meu coração tem uma cor só: rubro-negro.” (declaração do zagueiro baiano, Fabão, ao chegar para jogar no Flamengo) V – “Clássico é clássico e vice-versa.” (declaração de Jardel, ex-atacante do Grêmio)

VI – “Quando o jogo esta a mil, minha naftalina sobe.” (idem ao item IV) VII – “CONTAS DE LUZ EXCESSIVAS” (Diário Popular, 31/01/92; manchete)

Transcreva, de cada trecho, a passagem incoerente. b) Explique o porquê da incoerência. c) Explique, do ponto de vista gramatical, o que provocou a incoerência em cada trecho. d) Reescreva-as de forma a desfazer o problema, realizando as modificações indispensáveis.
a)

41) Numa manchete do Diário Popular, de dezembro de 2001, publicou-se:
PORTUGAL

PONTE CAI, MATA CINQÜENTA E DERRUBA MINISTRO

3 9
a) Lendo a manchete isoladamente, o que podemos entender?
b)

Ao confrontar a manchete com a matéria, o leitor é capaz de desfazer a dupla leitura, pois entende-se que o ministro não foi vítima do acidente. Levando em conta essa informação, reescreva a manchete de modo a evitar a ambigüidade.

42) Os trechos abaixo, amostras de redações de alunos, apresentam um problema semelhante. Explique que problema é esse e reescreva-os, de maneira a desfazê-lo.
I – “Assim, torna-se conveniente que o governo invista e incentive o uso racional do lixo, através de projetos (...).” (assunto: o lixo como fonte de renda nacional; ano: 2001) II – “Frente à passividade das pessoas e, até mesmo, à aceitação, a mídia aproveita-se e aumenta, gradativamente, seu controle (...).” (assunto: influência da mídia no cotidiano das pessoas; ano: 2001) III – “Assim, há necessidade de reverter essa supervalorização da imagem. A sociedade deve decidir e selecionar suas escolhas, optando por programas culturais, além de (...).” (idem ao II)

43) Leia o texto abaixo, extraído da Folha, de 17/4/01, e responda ao que é solicitado.
CONTRAPONTO

Sorriso amarelo
Nas eleições de 90 para o governo de Pernambuco, Joaquim Francisco derrotou o candidato de Miguel Arraes. Uma rádio local, após muita insistência, conseguiu marcar uma entrevista ao vivo com Arraes, então governador, para que comentasse o resultado. – Governador, como o senhor analisa o resultado da eleição? – iniciou o entrevistador. – Ganhou quem teve mais votos – respondeu Arraes. O jornalista não se abateu: – Mas a que se deve tamanho sucesso da oposição? – Deve-se ao fato de ter tido mais votos – repetiu Arraes. Preocupado, o entrevistador fez mais uma tentativa: – Mas como o candidato apoiado pelo senhor conseguiu perder a eleição? – Perdeu porque teve menos votos. O radialista encerrou a entrevista e chamou os comerciais.

Percebe-se claramente nas respostas de Arraes uma determinada intenção a qual possivelmente foi atingida já que o radialista viu-se forçado a interromper a entrevista. Levando em conta o contexto em que

esta foi feita, explique o tipo de estratégia argumentativa que Arraes usou em suas respostas e por que o fez.

44) Se nos atentarmos apenas a uma interpretação literal, ou seja, ao pé da letra, do trecho abaixo, observamos uma ambigüidade apesar de, numa segunda leitura, percebermos a intenção do autor. Observe:
“Convém salientar que essa guerra biológica acarreta conseqüências maléficas à população que, além de provocar mortes, dissemina pânico entre as pessoas à medida que surgem novas vítimas.” (assunto: bioterrorismo; ano: 2001)

Agora responda:
a)

Identifique o trecho ambíguo. Reescreva-o, atentando-se à intenção do autor.

b) O que se compreende de tal trecho?
c)

45) O pronome “cujo” (e variações) raramente é empregado na linguagem oral, a não ser em situações de formalidade. Talvez por isso, na escrita, alguns usuários da língua apresentem dificuldades em utilizá-lo. Nos trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, esse pronome deveria ter sido empregado. Reescreva-os, introduzindo “cujo” (e variações) e fazendo as alterações absolutamente indispensáveis.
I – “(...) ao contrário dos países subdesenvolvidos que, muitas vezes, as famílias não têm nem carro (...).” (assunto: relação lazer/trabalho; ano: 2001) “No entanto, o combate a esse tipo de violência será reforçado nos principais meios de acesso através dos quais tais grupos planejam seus ataques, que, por meio da tecnologia, suas ações ficaram facilitadas.” (assunto: terrorismo; ano: 2001)

II –

III – “Em decorrência disso, existe um alto índice de professores desempregados, que a qualificação deixa a desejar porque, com salários defasados, não podem freqüentar cursos de especialização ou adquirir livros para se atualizar.” (assunto: educação; ano: 2000) IV – “A Internet a qual a possibilidade de acesso no Brasil é ainda restrita, tem provocado alterações na conduta dos usuários tais como...” (assunto: uso da Internet; ano: 1999)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

4 1

Texto referente à questão 46:
Foto: Sebastião Salgado – Amazonas Imagens

ROUBA, MAS FAZ

Você sabe quanto custa fechar uma das piores distribuições de os olhos? renda de todo o mundo. A conta é simples: se a corAgora, se você ainda não rupção no Brasil fosse reduzida a está indignado, é melhor parar índices semelhantes aos do Canade ler este anúncio. Porque dadá, por exemplo, a renda média qui em diante só os verdadeiros anual de cada brasileiro aumentacidadãos brasileiros poderão ria em cerca de 6 mil reais. Muita participar. Cidadãos como os diferença para uma população mais de um milhão de eleitores que nem bem consegue sustentar que ajudaram a aprovar a prisuas famílias. meira Lei de Iniciativa Popular Com esse dinheiro milhões de Contra a Corrupção, que afasta crianças estariam estudando, miimediatamente das eleições o lhões de pessoas não estariam candidato que comprar votos ou passando fome, teriam acesso ao que usar o dinheiro da adminissistema de saúde, poderiam viver tração pública em campanha POBREZA com dignidade e, o mais imporeleitoral. tante, com esperança em um futuVoto não tem preço, tem ro melhor. conseqüências. Não venda seu voto, não vote em corruptos. Se você não ficou indignado, Ajude a fazer do Brasil um país lembre-se de que todo esse dimais justo, mais rico e melhor nheiro sai da população mais capara todos nós. rente e vai para poucos privilegiados. É por isso que o Brasil tem
Para participar do Movimento Mundial de Combate à Corrupção, acesse a nossa página www.transparencia.org.br

CORRUPÇÃO. CUSTA CARO PARA O PAÍS E MUITO MAIS CARO PARA NOSSA GENTE. (Grifos das autoras.)

46) Depois de ler o texto, responda.
a)

Se lida isoladamente, a frase “Rouba, mas faz” sugere uma determinada postura política. No entanto, quando lida na seqüência “Rouba, mas faz pobreza”, percebe-se uma mudança significativa de sentido. Explique em que consiste tal mudança. Para atingir seus objetivos, a propaganda utiliza um slogan que, de tão habitual, tornou-se “aceitável” em nossa sociedade. Certamente, esses objetivos poderiam ter sido alcançados através de outros recursos argumentativos. Justifique a escolha do slogan pela agência publicitária. O uso inteligente de determinantes, como artigos e pronomes, é recurso importante na argumentação. Levando-se em conta que a propaganda veicula informações sobre uma organização nãogovernamental, explique a diferença de uso entre o artigo o em “custa caro para o País” e o pronome nossa em “mais caro para nossa gente”. As palavras alteram seu sentido conforme o contexto em que se inserem e a finalidade com que são empregadas. No período “Você sabe quanto custa fechar os olhos?”, o verbo custar remete a um sentido determinado. Que sentido é esse? Quais os outros sentidos possíveis de serem atribuídos a esse verbo no decorrer da leitura do texto? Embora a palavra “se”, grifada no texto, apareça três vezes, em cada ocorrência nota-se um funcionamento diferente: no primeiro caso, ela convida o interlocutor a imaginar um mundo hipotético; no segundo, o interlocutor é chamado a engajar-se no mundo real, o que é reforçado através do terceiro uso. Corresponde ao emprego de cada uma dessas ocorrências uma correlação verbal. Explicite que tempo e modo acompanham cada uma das ocorrências e o valor assumido por eles. A relação de causa/conseqüência aparece repetidamente no texto. No 4º parágrafo, o nexo conclusivo por isso enfatiza essa relação. Reescreva o parágrafo, mantendo a relação (causa/conseqüência), substituindo tal nexo por outro de causa. Faça as adaptações indispensáveis. Os adjetivos exercem função determinada em textos argumentativos: marcar a posição, a visão de mundo do locutor. Nesse texto, o adjetivo “verdadeiros”, reforçado pelo uso da expressão “só”, no 5º parágrafo, aponta para a exclusão de alguns e a inclusão de outros no exercício da cidadania. Explique, levando em conta a finalidade da propaganda, como se dá esse processo.

b)

c)

d)

e)

f)

g)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

h)

Observe a frase “Voto não tem preço, tem último parágrafo, comparando-a com os estabeleceu para o verbo custar, na resposta quais desses sentidos você associaria tal frase?

conseqüências.”, no sentidos que você à pergunta (d). Com Justifique.

4 3

i)

O ponto-final empregado após o período referente à pergunta (h) poderia ser substituído por ponto-e-vírgula, seguido de um nexo conclusivo que o uniria à oração seguinte. Explicite-o. Como você explicaria o uso das expressões enfatizadoras “mais” e “melhor”, no último período do texto, considerando a série de argumentos expostos anteriormente?

j)

Obs.: O exercício 46 foi elaborado pelo professor Luiz Gustavo Ribeiro Araújo e pelas autoras e cedido gentilmente por ele para publicação nesta obra.

47) A tira abaixo contém implícita uma crítica. Relacione seu conteúdo implícito ao do texto da questão 46.

(VERÍSSIMO, L. F. As aventuras da Família Brasil II. Porto Alegre: L&PM.)

48) A impropriedade vocabular é um problema grave em um texto já que, muitas vezes, o autor acaba por expressar o contrário do que realmente quer dizer, ou então, afirma algo que nada tem a ver com o assunto em foco. Observe a declaração abaixo e responda às questões.

A luxúria é um horror. As pessoas ficam ricas e compram sete Cherokees.
(Núbia Ólive – ex Núbia de Oliveira. Declaração no programa Casa dos Artistas. Em Veja, 14 de nov. de 2001.)

a)

Identifique o termo usado impropriamente.

b) c)

Explique o que a artista quis dizer ao usar tal termo. Explique o que ela realmente disse.

49) A Internet tem se mostrado um meio de comunicação com finalidades diversas: informar, aproximar ou afastar as pessoas, divertir, entre outras. O texto que segue é de autoria desconhecida, tendo circulado na rede, no ano de 2001, através do redirecionamento de e-mails, um dos quais chegou às autoras do livro. Percebe-se que seu objetivo é satirizar as posições diversas assumidas pela mídia impressa, sendo que as inferências as quais podem ser feitas através da leitura das manchetes denunciam tais posições. Após lê-las, escolha seis manchetes para explicar qual a posição assumida pelos citados jornais e revistas acerca da seguinte questão: Como a imprensa noticiaria o fim do mundo? Times (Londres) RAINHA TEME VER DIANA DEPOIS DO FIM DO MUNDO El Pais (Madrid) SE HÁ GOVERNO NO OUTRO MUNDO, SOMOS CONTRA O Globo (Brasil) GOVERNO ANUNCIA O FIM DO MUNDO Folha de São Paulo (Brasil) SAIBA COMO VAI SER O FIM DO MUNDO (ao lado de imenso gráfico) O Estado de São Paulo (Brasil) CUT E PT* ENVOLVIDOS NO FIM DO MUNDO Notícias Populares (Brasil) PSICOPATA MATA A MÃE, DEGOLA O PAI, ESTUPRA A IRMÃ E FUZILA O IRMÃO AO SABER QUE O MUNDO VAI ACABAR! Tribuna de Alagoas (Brasil) DELEGADO AFIRMA QUE FIM DO MUNDO SERÁ CRIME PASSIONAL Zero Hora (Brasil) OLÍVIO** ACABA MUNDO PARA IMPEDIR ATIVIDADES DA FORD NA BAHIA Folha Universal (do Bispo Edir Macedo, Brasil) PAGUE DÍZIMO ANTES DE PARTIR Nova (Brasil) O MELHOR DO SEXO NO FIM DO MUNDO Sexy (Brasil) COMO TRANSAR NO ALÉM Diário do Congresso (Brasil)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

ACABOU A MAMATA!

4 5

* O PT ainda não havia assumido a presidência da República na época. ** Olívio Dutra era governador do RS e a presidência da República estava a cargo de FHC. A Ford acabou por se instalar na Bahia, onde ACM era governador.

50) Freqüentemente o usuário da língua usa de forma intencional determinadas estratégias evitando “desviar-se” daquilo que não quer responder, manipulando, desse modo, alguma pergunta que lhe foi feita e respondendo a ela conforme lhe convém. Observe como isso ocorre no texto abaixo.
CUBA

FIDEL CASTRO FALA SOBRE MULHERES E PAIXÕES
das agências internacionais

Fidel Castro, presidente de Cuba, declarou ser um homem “eternamente atraído pelo sexo feminino”, e que ainda se apaixona muito, mas “de maneira platônica”. As frases foram publicadas na revista “Juventud Rebelde”, semanário da União de Jovens Comunistas de Cuba. Castro, 70, sempre reticente com sua vida pessoal, revelou alguns de seus pontos de vista sobre o amor e as mulheres. “As mulheres nunca devem demonstrar

demais que querem um homem”, afirmou. O presidente cubano disse ainda que “a diferença é o mais estimulante para o amor”. À pergunta se alguma mulher o fez perder a paciência, respondeu que “todas”. Castro comentou ainda a natureza das mulheres cubanas, que para ele “são muito doces”. Falando sobre o homem cubano, brincou: “Bom, não sei. Nunca tive um namorado cubano.”
(Folha de São Paulo, 24/03/97)

Imaginando que o repórter tenha indagado a Castro sobre a natureza do homem cubano, e, levando em conta a série de observações feitas anteriormente no texto, por Fidel, acerca das mulheres cubanas e do amor, levante uma hipótese que justifique o fato de o líder cubano “desviar-se”, no último parágrafo, da intenção da pergunta.

51) Leia o texto abaixo, respondendo à questão que segue.
CONTRAPONTO

SE TENTAR MELHORAR, PIORA
Há cerca de um mês, os pefelistas Antonio Cabrera, ex-ministro da Agricultura de Collor e candidato ao Senado, e o deputado Corauci Sobrinho, que tentará se reeleger, participaram de debate sobre desemprego, em Ribeirão Preto (SP). Cabrera disse que, para criar empregos, o governo deveria estimular a criação de pequenas e médias empresas. E citou de cabeça o ex-presidente dos EUA, Ronald Reagan: — Reagan dizia que nenhum país em que é mais fácil conseguir o divórcio do que criar uma empresa vai para frente. É verdade! Em seguida, disse que defenderia essa idéia em Brasília. Nessa hora, Corauci, que esperava pela sua vez de falar, não insistiu e interrompeu, provocando gargalhadas na platéia: — É melhor deixar quieto. Se você falar isso em Brasília, em vez de facilitar a criação

de empresas, só vai conseguir que dificultem o divórcio.

(Folha de São Paulo, 07/05/98)

Tomando por base as informações implícitas dissimuladas na comparação entre divórcio e estímulo à criação de pequenas e médias empresas, explique a ironia expressa no último parágrafo do texto. 52) Uma mesma palavra pode revelar diferentes valores a respeito das realidades de que se fala, assim como um mesmo referente pode ser expresso por meio de diferentes palavras. Tal fato leva-nos a lidar, muitas vezes, com ideologias, interesses e preconceitos de diversas ordens. Tomando por base essas considerações, leia a anedota e o texto transcritos abaixo e responda à questão proposta.

Perguntaram a um branco: – O que é uma zebra? Ele respondeu: – É um animal branco com listras pretas. Perguntaram a um negro: – O que é uma zebra? Ele respondeu: – É um animal preto com listras brancas.

QUESTÃO DE NOMES
Carlos Heitor Cony Rio de Janeiro — Não, não se trata de nomes para a sucessão presidencial, é assunto que considero chato e, honestamente, não me preocupa. Falo de nomes, nomes de verdade, que a gente engole como necessários e que sempre são relativos, dependentes de circunstâncias além da semântica. Dou exemplos: num balé famoso, coreografado por Leonid Massine, com música de Offenbach, há um personagem ridículo que é mencionado como “o brasileiro”. Quando o balé veio ao Brasil, o personagem virou, sem mais nem menos, “o peruano”. Agora, esse peruano comparece num palco americano como “o iraquiano”. Coisas. Experiência pessoal minha. Certa vez, em Copenhague, fui a um restaurante especializado em comida afrodisíaca. Pratos complicados que levantam defunto, tanto que, ao lado, havia um cabaré para receber a sobra do apetite dos clientes. Bem, escolhi uma coisa simples, mas que o maître me garantiu como eficaz: codornas “à Mme. Pompadour”. Por sinal, muito gostoso, molho levemente picante, avermelhado e rude, que combinava estupendamente com um vinho pastoso e quase sem perfume. Por causa do molho à Mme. Pompadour ou porque sou mesmo depravado, fui dar uma espiada no tal cabaré e lá passei o resto da noite. Anos depois, vergado ao peso de muitos pecados, fui fazer um retiro espiritual numa casa especializada em Verona, à margem do lago. Piedosos dominicanos davam a logística, incluindo as três refeições principais. Logo na primeira noite fui surpreendido por um prato de codornas com um molho avermelhado e

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

rude. Por Júpiter! Já conhecia aquilo! Chamei o frade-dispenseiro e perguntei pelo nome daquele molho. O frade gostou da pergunta, era especialidade do convento. E revirando os

olhos, como Dorival Caymmi, informou-me que era o famoso, o inigualável molho “à Santa Terezinha do Menino Jesus”. (Folha de São Paulo, 09/12/97)

4 7

Os dois textos apresentam aspectos comuns. Comente sobre tais aspectos. 53) Há informações as quais, mesmo implícitas, são percebidas por um leitor atento. Observe: Responda: Por que a declaração de Lula causou constrangimento à delegação brasileira e desencadeou tantas críticas na mídia?
Diário Popular, 09/11/03

54) A morte de Frei Damião, no início de junho de 1997, abalou profundamente muitos nordestinos que viam o religioso como um santo na Terra. A jornalista Roseann Kennedy reuniu algumas frases dos repórteres que fizeram plantão no hospital onde frei Damião permaneceu em coma durante 20 dias, no Recife. Essas frases são verdadeiras gafes jornalísticas, ou seja, grupos de palavras impensadas, que acabam acarretando um significado desastroso. Analise-as e dê-lhes uma nova redação que explicite o significado pretendido.
a) “Frei Damião está em morte vegetativa.” b) “Caso piore, frei Damião vai entrar na tubulação.” c) “A situação de frei Damião é muito grave, mas ele passa bem.” d) “Frei Damião permanece em coma artificial.” e) “Estou em cima de você, no bom sentido.” (de um

repórter que estava num helicóptero sobrevoando o hospital para outro repórter que estava em terra, IstoÉ; 07/06/97, p.16)

55) O jornal Folha de São Paulo, de 13/01/2000, ao tentar explicar o processo de possível extradição do ex-general Pinochet, do Chile, entre outras informações veiculou as seguintes:

Entenda o caso Pinochet

Quem é Augusto Pinochet
Comandante do Exército durante a Presidência do socialista Salvador Allende, de 1970 a 1973. Liderou o golpe que derrubou Allende (11.set.73) e instituiu uma ditadura que durou até 1990. Fez modificações na Constituição para garantir uma vaga vitalícia, com imunidade, no Senado. Tem hoje 84 anos.

Supondo-se que um leitor, o qual não estivesse acompanhando o caso e, portanto, de nada soubesse tratar-se as informações acima tivesse, no momento, interesse em interpretá-las, responda: a) Qual das três justificativas dadas pelas três autoridades não seriam suficientemente claras para elucidar o caso em questão? Por quê? Após responder a essa pergunta, confronte-a com a explicação abaixo a fim de assegurar se você estava certo em seu raciocínio.
11.jan.2000 Exames indicam que ex-ditador não teria condições físicas de enfrentar um processo prolongado na Espanha.

56) Construções do tipo “Se o governo propor medidas eficazes, resolverá o problema” ou “Xuxa e as Paquitas entreteram as crianças durante a apresentação do show” são comuns na linguagem coloquial e aceitáveis na oralidade. Tais estruturas, consideradas incorretas pela gramática normativa, no entanto, já estão sendo utilizadas na modalidade escrita, conforme se observa nos trechos abaixo.
a) Os 108 anos de tradição no ensino em Pelotas não impediram o Colégio Gonzaga – hoje, Colégio La Salle Gonzaga – de entrar em uma crise financeira sem precedentes, assumida pela direção ontem, mas que se arrasta desde 1999. Hoje, o déficit acumulado chega a R$ 900 mil. O educandário pode fechar as portas definitivamente a partir do próximo ano se a Sociedade Porvir Científico, mantenedora da instituição, não intervir e promover uma reestruturação administrativa. (...) (Diário Popular, 10/10/03) b) (...) Genoíno concedeu entrevista a uma emissora de tevê e criticou a senadora Heloísa Helena (PT-AL), que tem se posicionado contra a reforma da Previdência proposta pelo Governo. Segundo Genoíno, se a senadora se abster ou votar contra a reforma da

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Previdência no Senado estará automaticamente expulsa do partido. “Ela é madura o suficiente e sabe que no PT a lei funciona assim: ou vota com o partido ou está fora.” (Diário Popular, 09/08/03) c) É lei – Todas as roupas devem ter uma etiqueta com especificação de como lavar. Se não conter essas informações, pergunte ao vendedor, na hora da compra, como deve ser feita a manutenção. (ZH Donna – Zero Hora, 14/01/01) d) (...) A SQA avalia que com o Plano Diretor haveria a construção de uma política de estruturação e qualificação dos hortos municipais, o que permitiria aumento da produção de mudas e incremento da arborização. Mas atingir níveis aceitáveis de área verde no Município não será tarefa fácil, pois, conforme Rampazzo, “se mantermos nossa área de cinco a dez mil mudas plantadas por ano demoraremos cerca de 50 anos para chegar perto da recomendação da OMS”. (Diário Popular, 26/10/03)

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Reescreva os trechos cuja conjugação verbal foge aos princípios das gramáticas normativas.

57) Alguns textos pecam pela estruturação inadequada dos períodos, sobretudo quanto à ordem dos termos, causando, portanto, dificuldades à leitura e, conseqüentemente, à interpretação. É o que acontece nos textos/trechos abaixo.
I – MEIOS DE COMUNICAÇÃO Sílvio Santos anuncia venda do SBT para grupo mexicano Empresário fez a revelação à revista Contigo. Grupo Televisa* confirma estudar a aquisição de 30% da rede de televisão brasileira (Diário Popular, 11/07/03)
* Empresa mexicana de TV

II –

“Concordo que a ignorância e a falta de diálogo e de esclarecimento de dúvidas sobre sexo entre pais e filhos contribuem para a formação sexual precoce das crianças.” (tema: “O excesso de erotismo e pornografia promovido pela publicidade e programas de TV deformam a sexualidade infantil?”; ano: 1999)

III – O casório de Paulo Ricardo Nos últimos meses, o cantor Paulo Ricardo tem vivido uma das melhores fases da sua vida. Além de retornar com os amigos à frente do grupo RPM, o músico se casa com a arquiteta e socialite Raquel Silveira, ex-mulher do publicitário Nisan Guanaes, com quem já mora há alguns meses. (Diário Popular, 04/08/02)

Levando em conta o assunto dos textos, reescreva-os e altere a ordem dos termos de forma a torná-los mais claros e elegantes.

58) A polissemia – propriedade que a palavra tem de assumir vários significados num contexto – liga-se intimamente à homonímia, o emprego de expressões com som igual, mas com grafia e significado diferentes. Assim, um mesmo termo, como evidencia o cartum abaixo, extraído do

Jornal do Brasil, de 27/01/91, pode manifestar sentidos polissêmicos e homonímicos. Após analisá-los, explique a crítica feita pelo cartunista em relação à guerra do Golfo Pérsico.

59) Observe o cartum abaixo, de autoria de Jaguar:

Nele, há uma expressão cujo som é semelhante mas a grafia é diferente. a) Que expressão é essa? b) Qual a expressão que estaria de acordo com a expectativa? c) Que outro exemplo você pode citar com o processo semelhante ao do cartum?

60) Os neologismos não se criam aleatoriamente, mas sim a partir do sistema lingüístico (por exemplo: radicais, prefixos, sufixos etc.) A charge abaixo, produzida por Henfil, ainda muito atual, evidencia o uso de um neologismo. Observe:

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Agora responda: a) Qual é esse neologismo?

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b) Como se deu lingüisticamente a formação de tal neologismo? c) O que a oposição desencadeada pelo uso do neologismo provoca em termos de humor?

61) A manchete abaixo, se lida isoladamente, permite ao leitor uma dupla interpretação. Observe:

Acidente deixa pedestre ferida na área central
Somente após lermos algumas informações sobre o fato, conseguimos desfazer a ambigüidade. Leia outros trechos da notícia e responda às questões propostas.
Um atropelamento registrado na tarde de ontem na área central, deixou ferida a pedestre Nair Munhoz dos Santos, de 47 anos. A vítima tentava atravessar a rua quando foi colhida por um automóvel. O acidente aconteceu por volta das 16h, no cruzamento das ruas Tiradentes, com Félix da Cunha, no Centro. De acordo com as informações fornecidas pela Brigada Militar (BM), o VW/Gol placas BJB 9258, de Pelotas, se deslocava pela Félix da Cunha e logo após cruzar a sinaleira atropelou a vítima. Nair foi encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal (PSM) por uma ambulância da Secretaria de Saúde e Bem-Estar Social (SMSBES). Até o começo da noite a vítima permanecia internada no setor de emergência do hospital. As circunstâncias em torno do acidente passam a ser investigadas pela Delegacia de Delitos de Trânsito (DDT).
(Diário Popular, 04/03)

Transcreva o trecho que dá margem a apenas uma interpretação. b) Explique a ambigüidade da manchete. c) Desfaça tal ambigüidade reescrevendo a manchete com base no item “a”.
a)

62) Levando em conta o sentido global do texto, explique a inclusão do último período.

Leite azedo
Voltaire de Souza

A solidão ataca quem vive na cidade grande. Mariano estava separado da mulher. Recorreu a uma agência de encontros. “Depois da Cilmara, qualquer uma vai ser melhor”. Interessou-se por uma tal Morena Carinhosa. A fim de relacionamento estável. Combinaram o primeiro encontro numa lanchonete árabe. Na

hora marcada, a surpresa. Em vez da Morena Carinhosa, era Cilmara quem esperava Mariano. “Lamento avisar, Mariano, mas grampeei teu telefone. E a tal Morena expulsei daqui a tapa.” Os dois se beijaram e dividiram uma coalhada. De leite azedo, é possível criar delicadas sobremesas.
(Folha de São Paulo, 01/12/99)

63) Quando temos um texto, podemos tirar conclusões (inferências), a partir de dados que se encontram implícitos. Leia o anúncio publicitário abaixo, indicando uma inferência possível.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Há 40 anos dizendo aonde você deve ir, o que ler e o que assistir. Não, não é a sua mulher.

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Homenagem da Companhia das Letras aos 40 anos da Folha Ilustrada.
(FSP, 10/12/98)

64) Leia o texto abaixo, extraído de Folha de São Paulo, de 17/10/99:
“(...) PS – Por causa da violência, assistimos, semana passada, uma proposta que mostra até onde estamos perdendo o controle. Na impossibilidade de garantir segurança para quem freqüenta os caixas eletrônicos dos bancos, o Ministério da Justiça sugere: acabem com os caixas eletrônicos. Deveriam ficar apenas em lugares mais seguros como os aeroportos ou se tiverem câmeras por todos os lados. Parece aquela piada em que o marido, flagrando a mulher com outro homem no sofá, lançou uma inusitada vingança: queimou o sofá.”
E-mail: gdimen@uol.com.br

Nesse texto, o autor lança mão de uma estratégia argumentativa bastante peculiar, o suficiente para provocar risos ao leitor. Sobre isso responda: a) Que estratégia é esta?
b) c) d)

Cite os trechos que ilustram, de forma bastante explícita, o uso de tal estratégia. Qual o efeito de sentido que causa no leitor o uso de tal estratégia dado o contexto apresentado? Qual o sentido veiculado pelo uso do nexo em negrito?

65) No mesmo texto referente à questão anterior, nota-se que o autor não se preocupou em estabelecer relações paralelas de mesma função sintática, ocasionando uma falta de paralelismo gramatical. a) Identifique em que trecho isso ocorre. b) Reescreva-o, evitando a falta de paralelismo.

Leia o belíssimo poema a seguir e responda às questões 66 e 67.

Guerra, Paz, Vida e Fé
Há nos teus passos Um cansaço Que me angustia Há nos teus gestos Uma lentidão Que me preocupa Há nos teus olhos Uma busca Que me oprime Há no teu corpo mutilado Restos de dor Que me revoltam Há nas tuas mãos O apelo de quem Tem fome, frio, Carência de vida e afeto Há mil bombas Que explodem no teu espaço e me consomem Imagens de guerra Perpassam nos meus caminhos Ao longe, desolação e medo Guerra, armas, gente, competição, sofrimento. E a guerra de todo dia? nos teus passos nos teus gestos nos teus olhos no teu corpo nas tuas mãos A silenciosa e violenta guerra da sobrevivência, meu Irmão... E a pergunta surge solta e breve E a paz? É a ausência da guerra? É equilíbrio de forças? Ah! A Paz é a luta É a tua presença na busca da justiça construída Com teus passos, gestos, olhos, corpo, mãos, sofrimento e alegria. É a consciência do possível do encontro das gentes cansadas, sofridas, mas, prontas para a VIDA ainda que desiludidas, mas refeitas na FÉ.

(Primeiro Concurso de Poesia e Prosa Poética Mário Quintana)

66) A antítese é uma figura de linguagem definida como o emprego de palavras ou expressões contrastantes, ou seja, de sentidos opostos. Nesse poema, explora-se bastante tal recurso estilístico, principalmente pelo uso da expressão “guerra/paz”. Sobre isso pergunta-se:
a)

A palavra “guerra” pode ser entendida como “luta armada entre nações ou partidos; conflito bélico” (AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, 2a.ed. revista e aumentada). Considerando o sentido global do texto, assim como a definição contida no dicionário, que outro significado possível pode ser conferido ao termo “guerra”?

b) Qual o verso que melhor sintetiza o outro significado atribuído por você no item “a”?
c)

Selecione do texto palavras – verbos, adjetivos, substantivos – que podem expressar o significado o qual contemple o termo “guerra” tanto em relação ao sentido veiculado no dicionário quanto àquele estabelecido por você no item “a”. (Cite, no mínimo, 6 expressões)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

d) Os termos “silenciosa e violenta guerra”, em princípio, podem constituir uma antítese. No entanto, o texto evidencia outra possibilidade. Qual é ela?
e)

5 5

Dado o texto em seu sentido global, responda à pergunta do eulírico e justifique sua resposta: “E a paz/ É a ausência da guerra?”

67) No poema, o eu-lírico dirige-se a alguém que é seu interlocutor. Indique quatro marcas lingüísticas que permitam identificar o eu-lírico e quatro que se relacionem ao interlocutor. Texto referente às questões de 68 a 70
HAGAR – Dik Browne

(Folha de São Paulo, 02/04/99)

68) Há, na tira acima, a manifestação de duas posições contraditórias expressas por um mesmo personagem – Hagar. Quais são elas? Qual delas é a implícita e qual é a explícita? Em qual delas Hagar realmente acredita? 69) Substitua as palavras sublinhadas no trecho “A menos que seja diferente do seu, é claro!” por outra expressão que lhe garanta o sentido. Faça as alterações indispensáveis. 70) Qual a idéia expressa pelo nexo “A menos que” referente à questão 69? 71) Os textos abaixo apresentam um recurso de estilo que torna a mensagem mais expressiva, sobretudo pela escolha do vocabulário e a ordem das palavras. Observe:

I–

“O karaokê é uma coisa completamente sem propósito, dolorosamente humilhante e divertidíssima. Experimente: faz bem para a alma.”

II –

“Na verdade, é muito fácil ficar incrivelmente rico. Faça aquilo que você realmente ama e as recompensas logo virão.”

Agora responda: Explique em que consiste tal recurso. b) Nesses textos, qual o valor do modo imperativo nas expressões “Experimente” e “Faça”? c) Reescreva o último período do texto I, substituindo os dois-pontos por um nexo que respeite sua coesão e coerência. Explicite a idéia que tal nexo expressa. d) Reescreva o último período do texto II utilizando um nexo de conclusão e mantendo a relação causa/conseqüência.
a)

72) O eufemismo costuma ser definido como o ato de suavizar a expressão de uma idéia, substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável, mais polida. No texto abaixo, lançou-se mão desse recurso.

“Você só é tão velho quanto se sente (e lembre-se de que você não tem rugas, só marcas de expressão).”

a) Qual o trecho evidente? b) Com que finalidade usou-se tal recurso?

em

que

seu

uso

é

Obs.: Os textos e imagens das questões 71 e 72 foram extraídos de “Um dia ‘daqueles’”/ Agenda 2004, elaborada por Bradley Trevor Greive. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2003.

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73) Leia a tira seguinte:
HAGAR – Dik Browne

5 7

(Folha de São Paulo, 04/03/97)

Nem sempre quando se utiliza a linguagem o entendimento entre os interlocutores é bastante simples. Ao contrário disso, na maioria das vezes em que um enunciado é proferido, seu sentido literal e o que ele adquire no contexto não coincidem. Assim sendo, o uso de alusões, insinuações, ironias, metáforas, ambigüidades, entre outros, são recursos comuns na linguagem cotidiana. Observe o exemplo acima no qual consta uma expressão idiomática que é usada em seu sentido não-literal. Agora responda: a) Que expressão é essa? b) Levando em conta o sentido não-literal, explique seu significado no contexto.

74) Nos trechos abaixo, extraídos de redações de alunos e em jornais, há impropriedade vocabular, ocasionando problemas de coerência. Reescreva-os eliminando tais problemas. a) “Na minha opinião o nepotismo não poderia ser uma lei tão radical.” (assunto: nepotismo; ano: 1999) b) “Assim, quando as mudanças se mostram impossíveis, os adolescentes procuram saídas eficazes, geralmente imediatistas, que os libertem da realidade social e econômica imperante.” (assunto: descriminalização da maconha; ano: 1999) c) “Além disso, haverá um decréscimo na comercialização de produtos ibéricos, diminuindo, assim, o número de beneficiados com o comércio de armas.” (assunto: projeto de desarmamento no Brasil; ano: 1999) d) “É necessário analisar a atitude dos policiais em Eldorado de Carajás, os quais são acusados de massacrar e matar protestantes.” (assunto: julgamento dos envolvidos no episódio citado – sem-terra e policiais) e) “(...) Quando tocou a música ‘Começar de Novo’ e Silvio perguntou quem era a cantora que estava interpretando a canção, a mascarada disse: ‘Ah, essa é a Simone! A

voz dela é irreconhecível’...” (declaração de “Tiazinha” ao apresentador Silvio Santos no quadro “Qual é a Música?”; publicado em Folha de São Paulo, em 05/09/99) f) “Na última terça-feira, em uma reportagem sobre a origem italiana de alguns atores do elenco de ‘Terra Nostra’, Letícia Nascimento perguntou a Ana Paula Arósio e Antônio Calloni se eles tinham descendência italiana.” (publicado em Folha de São Paulo, em 18/07/99) g) “Medidas profícuas, por parte das autoridades governamentais, não resolverão o problema do desemprego; por isso urge a mobilização da sociedade para tentar amenizar tal situação.” (assunto: desemprego; ano: 1999) h) “A saúde em nosso país, é um sério problema (...)” (assunto: saúde pública; ano: 1998) 75) Encaixe B em A, substituindo o elemento repetido por um pronome relativo, com ou sem preposição. 1) A- “Carandiru” alcançou alto índice de audiência. B- “Carandiru” aborda os problemas carcerários no Brasil. 2) A- A exploração da mão-de-obra infantil tem preocupado diversos setores da sociedade. B- A exploração da mão-de-obra infantil é uma realidade cruel. 3) A- A pedofilia é um crime. B- Devemos todos lutar contra a pedofilia. (LUTAR CONTRA) 4) A- Os atentados do World Trade Center mudaram os rumos da humanidade. B- Países do mundo inteiro insurgiram-se contra os atentados do World Trade Center. (INSURGIR-SE CONTRA) 5) A- O turismo sexual tem sido objeto de debate entre os membros da Embratur. B- As autoridades devem se opor ao turismo sexual. (OPOR-SE A) 6) A- A crise na Argentina afeta vários outros países. B- A mídia referiu-se à crise na Argentina. (REFERIR-SE A) 7) A- A crise no Oriente Médio não pode ser resolvida senão por meio de acordos de paz. B- Muito se fala da crise do Oriente Médio. (FALAR DE) 8) A- Os vícios na atividade política nacional poderão prejudicar a candidatura de alguns políticos. B- Devemos nos livrar dos vícios na atividade política nacional. (LIVRAR-SE DE) 9) A- O 3º Fórum Social Mundial foi realizado na Índia. B- Muitos debates aconteceram no 3º Fórum Social Mundial. (ACONTECER EM) 10) A- O Afeganistão foi alvo de ataques dos EUA. B- Muitos conflitos ocorreram no Afeganistão. (OCORRER EM)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

11) A- “O Continente” é de autoria de Érico Veríssimo. B- Comentamos sobre “O Continente”. (COMENTAR SOBRE) 12) A- A Palestina vive em conflito com Israel. B- Abate-se forte crise sobre a Palestina. (ABATER-SE SOBRE)

5 9

13) A- Moacyr Scliar não desistiu de sua candidatura à Academia Brasileira de Letras. B- Muitos escritores simpatizam com Moacyr Scliar. (SIMPATIZAR COM) 14) A- O stress pode ocorrer devido a um problema de ordem emocional. B- Muitas pessoas convivem atualmente com o stress. (CONVIVER COM) 15) A- A paz entre os povos deve ser fruto de um esforço conjunto de todos os países. B- Tanto esperamos pela paz entre os povos. (ESPERAR POR) 16) A- A aprovação no vestibular depende de múltiplos fatores. B- Muitos vestibulandos se empenham pela aprovação no vestibular. (EMPENHAR-SE POR)

76) Una os períodos A e B em um só, usando o pronome relativo “cujo” (e variações) com ou sem preposição. 1) A- Madre Tereza de Calcutá tornou-se um exemplo para a humanidade. B- Ninguém questiona o perfil caridoso de Madre Tereza de Calcutá. 2) A- Guga tem o respeito de muitos tenistas mundiais. B- Muitos têm se empenhado pelo sucesso de Guga. 3) A- Tony Blair tem recebido muitas críticas por sua intervenção no conflito entre o Iraque e os EUA. B- Os EUA contam com o apoio de Tony Blair. (CONTAR COM) 4) A- O alcorão é para muitos uma obra sagrada. B- Nas páginas do alcorão se assentam os princípios do povo muçulmano. (ASSENTAR-SE EM) 5) A- A ONU é uma organização internacional. B- Muitos cientistas políticos desconfiam da imparcialidade da ONU. (DESCONFIAR DE)

77) Observe a declaração de um jogador da Seleção Brasileira de Futebol ao justificar os motivos pelos quais o Brasil não foi classificado para as próximas Olimpíadas.

“Sabíamos que seria difícil por estarmos em outro país, comendo outra comida”
Robinho, artilheiro, sobre a derrota do Brasil no Pré-Olímpico do Chile (IstoÉ, 04/02/04)

a) A justificativa contém implícita uma estratégia argumentativa. Qual é ela? b) Qual o efeito de sentido que ela produz?

78) A charge abaixo trata das homônimas. Identifique os termos homônimos e explique a crítica dissimulada por seu emprego.

(Zero Hora, 17/10/1997)

79) O paralelismo é uma das condições para que a frase seja clara. É uma convenção da linguagem que consiste em apresentar idéias similares de uma forma gramatical idêntica. Para que seja mais elegante, é importante que, na sua organização, o período contenha elementos de uma mesma função sintática e estes sejam formados por palavras de classe gramatical idêntica. Assim, uma oração adjetiva deve estar paralela a outra; uma forma verbal deve estar paralela a outra também (em modo, tempo e pessoa). Observe alguns casos em que há problemas de falta de paralelismo gramatical. Em seguida, modifique os períodos, evitando-os. Alimente-se bem
 Fuja de alimentos gordurosos, pesados. Nada de encarar um rodízio de carnes ou de pizza
amanhã

 Procure fazer refeições leves e não mude seu padrão de alimentação. Se você nunca comeu
frango, por exemplo, não é amanhã que vai comer

 Evite bebidas alcoólicas. O álcool diminui o reflexo, a concentração e sua disposição física  O ideal é acordar cedo no domingo (mais ou menos às 8h), tomar um café simples e fazer um
almoço leve

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

6 1

 Mas como a maioria vai acordar apenas depois das 10h, é recomendável tomar um café
reforçado com cereais matinais, frios, pãozinho, frutas e iogurte

 Não vá fazer a prova sem comer nada, mas também evite comer na porta do local do exame.
Nunca se sabe o que o tio da barraquinha põe no cachorro-quente

 Não se esqueça de levar água
(Folha de São Paulo, 26/11/99)

80) Em textos humorísticos, é muito comum que o significado implícito seja mais expressivo do que o explícito. Após lê-los atentamente, explique a crítica implícita que as charges contêm. I– AS AVENTURAS DA FAMÍLIA BRASIL

II – AS COBRAS

L.F. Veríssimo

III – AS COBRAS

L.F. Veríssimo

81) Esta charge, criada por Angeli, faz-nos lembrar do Festival de Woodstock, ocorrido há aproximadamente 35 anos nos Estados Unidos, e revolucionou o mundo. Depois de analisar sua linguagem verbal e nãoverbal, responda às questões que seguem.

(Folha de São Paulo, 01/08/94)

a) Os dois termos – “Woodstock” e “Guerra do Paraguai” – são, no texto, marcas de referência. Existe alguma relação entre eles? Como se explica o fato de Wood ter usado o 1º termo e seu filho o 2º? b) Baseando-se no que você respondeu em “a”, explicite a crítica implícita na charge.

82) Na tira abaixo, seu autor utiliza a linguagem não-verbal para expressar suas opiniões acerca dos procedimentos a serem tomados em caso de estresse. Observe:

(Folha de São Paulo, 07/10/99)

Agora responda:
a)

Se o cartunista optasse por utilizar a linguagem verbal, com o emprego do imperativo, como tais procedimentos seriam escritos? (Utilize como interlocutor, primeiramente, “você”. Depois, reescreva sua resposta tratando o interlocutor por “tu”).

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

b) Qual(is) o(s) valor(es) expresso(s) pelo uso do imperativo na tira?

6 3

83) Substitua as locuções adverbiais em destaque por advérbios de sentido equivalente.
a) b) c) d) e)

O governo agiu com cautela e ética durante a greve dos professores universitários. O herbiatra “X” agiu sem pudor com os adolescentes durante as consultas médicas, por isso, foi acusado de pedofilia. De propósito, muitos manifestantes aproveitaram-se da situação de conflito entre ecologistas e polícia. Os funcionários públicos agiram com maturidade no decorrer das negociações com o governo. Pouco a pouco, alguns empresários estão se conscientizando quanto à responsabilidade social que lhes cabe, meta a ser desenvolvida ainda em muitas empresas.

84) Em carta publicada na revista Veja, de 18/02/04, uma leitora escreve sobre a situação lamentável provocada pelas enchentes em São Paulo. Após sua leitura, responda às questões propostas. “Infelizmente, Diogo Mainardi conseguiu descrever o sofrimento de uma grande parcela da população de São Paulo e também o descaso das autoridades locais perante essa situação que há tantos anos se repete. Precisamos de dirigentes competentes que estejam dispostos a construir um país melhor, e não de políticos demagogos que nada fazem para reverter situações caóticas.”
(Márcia Cristina de Andrade Jorge)
a)

O emprego do advérbio “Infelizmente”, no início da carta, seguido de uma série de comentários acerca das enchentes em São Paulo, acabou por tornar o texto incoerente. Explique por que e substitua-o por outro que possa desfazer a incoerência.

b) Qual o problema de argumentação presente no trecho sublinhado? Por que ele pode ser considerado um “problema” em termos argumentativos? c) Substitua a expressão mal “que nada fazem” por outra mais formal, mantendo o sentido manifesto no texto. d) Qual teria sido provavelmente a intenção da autora ao usar “Infelizmente” no texto?

85) Ao produzirmos textos, devemos ter o cuidado de estabelecer certas correlações entre os verbos a fim de que eles se ajustem adequadamente às várias possibilidades de emprego de tempos e modos. Além disso, essas correlações são responsáveis pela coesão textual. Os textos abaixo não atendem a essa exigência e, por isso, devem ser readaptados. Faça, portanto, as readaptações, considerando as informações anteriores.
I – “(...) portanto, para continuar a tradição deveria haver regulamentos por parte das universidades, para que sejam feitos somente trotes saudáveis como, por exemplo, (...)” (trecho de redação de aluno; carta argumentativa, dirigida ao editor do jornal Folha de São Paulo; assunto: trote universitário)

II – “Gostaria então, [sic] que a senhora reavalie a posição do governo frente a [sic] necessidade de criação de uma nova lei (...)” (trecho de redação de aluno; carta argumentativa dirigida à deputada Marta Suplicy; assunto: projeto de lei sobre assédio sexual) III – “Paralelamente ocorreu uma abertura descontrolada da economia, o que inviabiliza a união da estabilidade com um crescimento que gerasse empregos.” (dissertação ou carta argumentativa dirigida ao presidente da República; assunto: avaliação dos quatro anos do Plano Real/ 1998) IV – “Para isso, deveria existir um órgão que fiscalizasse a programação, pois só assim cenas de constrangimento entre os telespectadores poderão ser evitadas.” (carta argumentativa dirigida à deputada Marta Suplicy; assunto: censura na televisão brasileira) V – “Este ato irresponsável tem de ser reprovado pelo Congresso, pois caso for aprovado, com certeza, só traria malefícios à sociedade.” (dissertação; assunto: Legalização dos Cassinos)

86) Leia atentamente o texto abaixo, resolvendo as questões solicitadas.

Os 10 mandamentos de quem mora em uma república
1 – Procurarás manter sempre o bom humor. 2 – Não comerás a comida do próximo se vós não dividistes a conta do supermercado. 3 – Não ligarás o som alto se o próximo estiver dormindo ou estudando. 4 – Não se esquecerás de pagar as contas do mês que ficaram sob tua guarda e responsabilidade. 5 – Os ambientes comuns (sala, cozinha, banheiro) deverão ser mantidos em ordem “familiar”. 6 – Respeitarás o direito do próximo à privacidade, principalmente se dormires no mesmo quarto. 7 – Não avançarás nas roupas do próximo sem pedir autorização prévia. 8 – Manterás seus domínios em “alguma” ordem. 9 – Manterás a louça em estado de uso e NÃO sujarás todas as panelas, ou pratos, ou talheres simultaneamente. 10 – Não esconderás a correspondência do próximo no meio da tua nem deixarás de dar os recados.
Fonte: e-mail para o Fovest enviado pelos membros da república Arka! (Folha de São Paulo, 17/12/98)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

6 5

a)

O emprego das formas verbais, neste texto, corresponde adequadamente à definição de futuro como designando “um fato ocorrido após o momento em que se fala”? Justifique. b) Imagine a seguinte situação: dois estudantes chegam a uma cidade e procuram uma república a fim de se hospedarem. As personalidades de ambos diferem: o primeiro é bastante obediente, regrado, disciplinado e cauteloso. Já o segundo tem um comportamento irreverente, rebelde e indisciplinado. Levando em conta esses dados, aponte duas leituras possíveis que cada estudante faria do emprego do futuro.

87) Tomando por base o valor dos tempos e modos verbais, assim como o uso dos conectores, leia o texto abaixo e responda ao que é solicitado.

RISCO NO DISCO Agenda condicional
Ledusha Spinardi

Se Chico chegasse em surdina seria dançar nas nuvens. Se Alberto não existisse eu pularia da ponte. Se Manoel insistisse tomava chá de sumiço. Se Frederico ligasse lhe diria como é alto seu silêncio tão vizinho. Se Franco fosse só lindo correria pros seus braços. Se Marcelo me pedisse inventaria uma ilha. Se tivesse mais dinheiro iria com Marcos à Capri. Se Paulo um dia voltasse meu amor abafaria o rude galope das horas. Se meu coração falasse não usaria mais “blush”.
e-mail: ledusha@uol.com.br

a) Explique a relação estabelecida entre o título do texto e o valor expresso pelos verbos nele flexionados. b) O conector “Se” que, entre outras funções, pode introduzir orações indicando circunstâncias. Além disso, ele é capaz de expressar imposições, propostas, restrições, desejos, desencadear sentimentos, tais como os de culpa, ameaça etc. Depois de ler os enunciados abaixo, identifique o que a oração sublinhada, introduzida pelo conector “Se”, é capaz de expressar. (1) Se você fosse a Porto Alegre, iria também. (2) Somente se você for a Pelotas, irei também. (3) Não saberia o que fazer se você fosse a Pelotas...! (4) Se você for a Pelotas, com certeza, irei também! c) Escolha uma frase do texto, transcreva-a e, levando em conta o valor expresso pelo conector “Se”, identifique a circunstância por ele

manifesta. Para tanto, considere as explicações contidas em “b” deste exercício.

IIa PARTE

Questões
I– II –

bjetivas

“Eu tenho um ponto de vista com relação ao nepotismo. A meu ver (...)” “Hoje em dia a maior preocupação de todos os governos é o desemprego que, no Brasil, é o maior problema na atualidade, pois ele é o centro de tudo (...)”

III – “A carreira artística é difícil porque tem muitas dificuldades.” (declaração de Suzana Alves, a “Tiazinha”, em Veja, 07/04/99) IV – “É polêmico o caso do massacre de Eldorado de Carajás, pois, além de ser um fato que diz respeito ao MST – reforma agrária – diverge muito a opinião das pessoas.”
*OBS.: trechos de dissertações de alunos; assunto: I – nepotismo; II – desemprego no Brasil; IV – julgamento dos envolvidos no caso de Eldorado de Carajás – MST e policiais –, em 1996; ano: 1999.

1) Observe as proposições abaixo: Podemos afirmar, quanto à repetição de idéias, à circularidade de informações, que tais problemas aparecem em: a) II e III exclusivamente; b) I e II exclusivamente; c) I, II e III exclusivamente; d) III e IV exclusivamente; e) todas as proposições.

2) Observe as proposições abaixo:
I– “Mas devemos encarar que há um grande número de drogados, tal qual, a contaminação de doenças é muitas vezes fatal.” (dissertação de aluno; assunto: Projeto de Redução de Danos, da Secretaria de Saúde/RS – troca de seringas usadas por novas, a fim de evitar entre os drogados a transmissão de doenças; ano: 1998) “Penso, inicialmente, que o acesso ao sistema de saúde é o principal direito de qualquer cidadão, pois ela deve ser pública e gratuita.” (dissertação de aluno: saúde pública no Brasil; ano: 1999)

II –

III – “Vereador Rubens Ávila (PDT) estava entusiasmado ontem. Sugeriu a suspensão da sessão para que os vereadores acompanhassem a reabertura da rua Saturnino de Britto (...) Em sua manifestação, [o vereador] chegou a comparar o ato com a queda do Muro de Berlim.” (Diário Popular, 28/04/99) IV – “O trânsito registrou mais uma vítima fatal na manhã de ontem. A pedestre Celi Reys Morales, de 55 anos, residente na rua Um, número 216, na vila Virgílio Costa, foi atropelada por um veículo não identificado, uma vez que o condutor fugiu do local se omitindo de prestar socorro à vítima. (...)” (Diário Popular, 27/04/99)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Podemos afirmar sobre elas:

6 7

a) Somente I apresenta problema de comparação. b) I e III apresentam problema de comparação. c) Somente II apresenta problema de relação causa/efeito inadequada. d) II e IV não apresentam problema de relação causa/efeito inadequada. e) IV não apresenta problema de relação causa/efeito inadequada.

3) Na charge abaixo, percebe-se uma incoerência a qual é, efetivamente, fruto de uma ação intencional do autor. Observe:

Sobre ela é INADEQUADO afirmar: a) O trecho “ele liga o chuveiro e fica do lado de fora” é o que melhor revela a incoerência do personagem. b) Nesse trecho (referente ao item a), o nexo “e” expressa idéia de adição (conjunção aditiva). c) A charge critica o distanciamento entre o discurso e a prática de determinados políticos, revelando, neste caso, a hipocrisia do vereador. d) “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” é condizente com a crítica implícita na charge. e) A fala dos personagens, nos dois primeiros quadrinhos, são idênticas, exceto pelo fato de a palavra sublinhada – “sujeira” – diferençar o tipo de discurso produzido pelo vereador: no 2º quadro, discurso “inflamado”.

Leia o texto a seguir, referente às questões 4 e 5, o qual faz parte de um sermão do Pe. Antônio Vieira e data do Brasil Colônia (século XVII). Após, responda ao que é solicitado.
1 2 3 4 5 6 7 “Não são só ladrões, diz o Santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes, sem temor nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados; estes furtam e enforcam.”

4) Assinale a alternativa que melhor sintetiza a tese, isto é, a afirmação básica que o autor toma como verdadeira e defende nesse texto. a) Segundo o autor, os ladrões diferenciam-se dos governos porque enquanto aqueles são dignos, estes não o são. b) Para o autor, há ladrões que roubam o povo, assim como “pessoas do povo” que são ladrões. c) Conforme o autor, os governantes são piores ladrões do que os “ladrões comuns” pois os primeiros, além de praticarem atos bárbaros, não são punidos, enquanto os segundos roubam mas o são. d) O autor defende a idéia de que os verdadeiros ladrões são os governantes; os reis, os outros, são vítimas destes. e) Para o autor, o que diferencia os “ladrões comuns” dos governantes é apenas a gravidade dos crimes que praticam.

5) Antônio Vieira utiliza, em seu texto, determinados elementos coesivos, ou seja, termos que retomam outros anteriormente ou apontam para outros posteriores. Assinale a alternativa na qual a relação coesiva dos termos em negrito é feita de forma INCORRETA. a) este título: os ladrões (linha 2). b) os quais: os exércitos; o governo das províncias; a administração das cidades (linhas 3 e 4). c) os outros ladrões: os que cortam bolsas ou espreitam os que vão se banhar para lhes colher a roupa (linhas 1 e 2). d) estes: os exércitos; o governo das províncias; a administração das cidades (linhas 3 e 4). e) os outros: os exércitos; o governo das províncias; a administração das cidades (linhas 3 e 4).

Foram alvo da mídia, em 1999, dois projetos que objetivaram erradicar a miséria em nosso país: um de autoria do então senador ACM (PFL – Bahia) e outro do ex-presidente FHC. Ambos baseavam-se na criação de impostos/taxas a serem pagos pela camada mais privilegiada economicamente, a fim de beneficiar, em ambos os casos, uma outra camada menos abastada de nossa nação, ou seja, os pobres, miseráveis.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Levando em conta tais informações, responda às questões 6 e 7. 6) 1 (...) E esse súbito surto de amor aos pobres do Grande 2 Painho ACM? Quer criar até imposto contra a pobreza. 3 CPMF 2, a Missão. Contribuição Pecuniária pro Mal4 vadeza* Faturar. Combate a Pobreza em Momento Fa5 vorável. E Candidato Promete Mundos e Fundos! E, 6 como disse um leitor amigo meu: chega de tanta 7 malvadeza com o Toninho. O novo Pai dos pobres, Pai 8 dos pobres, avô de rico, tio de milionário e sogro de tri9 liardária. Rarará! (...)
(José Simão, Folha de São Paulo, 23/07/99)
*

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Malvadeza: apelido de ACM, cunhado durante o período do regime militar.

A ironia é um recurso de linguagem muito utilizado para se criticar ou satirizar, mesmo que, por vezes, de forma extremamente sutil. Atualmente, tal recurso vem se tornando bastante comum como estratégia argumentativa. Tomando por base o texto de José Simão, assim como as informações imediatamente anteriores a esse texto, assinale a alternativa cuja(s) expressão(ões) NÃO pode(m) ser considerada(s) relevante(s) para o autor obter o efeito irônico desejado a) “leitor amigo” (linha 6). b) “Pai dos Pobres” (linha 7). c) “malvadeza” (linha 7). d) “surto de amor” (linha 1). e) “súbito” (linha 1).

(Folha de São Paulo, 04/08/99)

7) Depois de ter lido o cartum na página anterior, considere as seguintes afirmações: I. O cartum comprova que a expressão “Contra a Miséria”, quando comparada às informações dos projetos de ACM e FHC, mencionadas anteriormente, aponta para mais de um sentido, dependendo do contexto em que foi enunciada..

II. Há diferenças de sentido entre os projetos de ACM e FHC e o mencionado no cartum: o dos políticos objetiva, pelo menos em tese, erradicar, combater a miséria; o do cartum visa a proteger-se dos miseráveis, evitá-los. III. A marca lingüística responsável pela ambigüidade na expressão “Contra a Miséria” é o uso da preposição “contra”, cujo sentido depende do contexto esclarecedor. Sobre elas é ADEQUADO afirmar que: a) só I e II estão corretas; b) só II e III estão corretas; c) só I e III estão corretas; d) todas estão corretas; e) nenhuma está correta.

Texto referente às questões de 8 a 10
Caco GalhardoOS PESCOÇUDOS

(Folha de São Paulo, 06/10/99)

8) Levando em conta o contexto e a tira em seu sentido global, use V ou F nos parênteses. ( ) Há nela um exemplo de polissemia, ou seja, uma característica da linguagem segundo a qual uma palavra pode ter mais de uma significação. ( ) Em havendo polissemia, uma palavra a qual ilustra tal característica da linguagem é “depressão”. ( ) A palavra “turbulência” apresenta, na charge, mais de um sentido.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Agora assinale a alternativa cuja seqüência é ADEQUADA. a) V-V-F b) V-F-F c) V-V-V d) F-F-V e) F-F-F

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9) Podemos narrar, através da linguagem verbal, as possíveis falas relacionadas às imagens da tira. Apresentam-se, em cada alternativa, empregos do uso da língua (grifados), seguidos de trechos referentes à tira. Assinale a alternativa em que a correspondência entre os termos em negrito e o respectivo trecho é feita de forma INADEQUADA.
*

Observe o uso da norma culta.

a) uso do discurso direto: A aeromoça aconselhou o passageiro: – Para vencer a depressão, puxe a cadeira para frente e curve um pouco seu corpo. Acrescentou: – Agora, tire os sapatos para ficar mais à vontade, puxe um pouco mais a cadeira para frente e curve igualmente seu corpo. – Por fim – acrescentou uma vez mais –, baixe totalmente a cabeça, coloque-a sobre as pernas e enlace seus braços em volta à cabeça. – Permita-se chorar o quanto necessitar, sussurrou, ao aproximar-se do passageiro. b) com o uso do discurso indireto: A aeromoça aconselhou o passageiro que tentasse vencer a depressão, puxasse a cadeira para frente e curvasse um pouco seu corpo. Sugeriu-lhe que tirasse os sapatos para ficar mais à vontade, puxasse um pouco mais a cadeira para frente e curvasse igualmente seu corpo. Propôs-lhe que baixasse a cabeça, colocasse-a sobre as pernas e enlaçasse seus braços em volta a ela. Finalmente, sussurrou, ao aproximar-se dele, que chorasse o quanto lhe fosse necessário. c) com o uso do imperativo, tratando o interlocutor por “tu”:
(*Observe, para tanto, as expressões em itálico e negrito na alternativa “a” desta questão)

(...) puxa (...) curva (...) teu; (...) tires (...) puxa (...) curva (...) teu; (...) baixa (...) coloca-a (...) enlaça (...) teus; (...) Permita-te (...) necessitas d) com o uso de estruturas frasais, observando o paralelismo gramatical: A aeromoça aconselhou o passageiro a tentar vencer a depressão. Sugeriu-lhe puxar a cadeira para frente e curvar um pouco seu corpo. Disse-lhe para tirar os sapatos a fim de ficar mais à vontade, puxar um pouco mais a cadeira para frente e curvar igualmente seu corpo. Propôs-lhe baixar a cabeça, colocá-la sobre as pernas e enlaçar seus braços em volta a ela. Finalmente, sussurrou-lhe, ao aproximar-se dele, poder chorar o quanto lhe fosse necessário. e) Nenhuma das anteriores.

10) Segundo as gramáticas normativas, em nossa língua, há verbos primitivos, ou seja, aqueles cuja conjugação serve de modelo a outros – seus derivados (rever: ver; convir: vir; propor: pôr; conter: ter; ...). Leia as frases abaixo e assinale a alternativa em que os verbos estão flexionados de acordo com a norma culta da língua. a) Se a aeromoça não intervir quando um passageiro estiver em estado de depressão emocional, provavelmente ele não vencerá suas angústias. b) Se a aeromoça não intervisse ajudando o passageiro, provavelmente ele se mantesse em estado de depressão emocional. c) A aeromoça disse ao passageiro: – Se tu não conteres tuas angústias, provavelmente não vencerás teu estado de depressão emocional. d) Se a aeromoça não interviesse ajudando o passageiro, provavelmente ele se mantivesse em estado de depressão emocional. e) A aeromoça disse ao passageiro que, se ele contesse suas angústias, provavelmente não venceria seu estado de depressão emocional. 11) Observe as definições abaixo: A metáfora é uma comparação em que não se explicita nem o termo comparado, nem o termo comparativo, nem o ponto de comparação. (Ex.: Aquela mulher é uma fera! = brava como uma fera.) A metonímia consiste na substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles algum relacionamento provocado por uma relação de sentido, por uma associação de idéias. (Ex.: Bebi um porto ontem à noite. = beber vinho do Porto)

Agora, leia o texto que segue, observando tais definições. Os sonhos e o real “Acabei lendo duas vezes o texto de Eduardo Giannetti (Ilustrada de ontem) sobre os sonhos e as dificuldades de realizá-los. Fiquei com os olhos marejados ao lembrar nosso país e suas dificuldades e os milhões de jovens que vivenciam o fogo dessas paixões, não tendo os materiais e as oportunidades necessários para realizá-las. Toda uma geração ficou diluída entre o sonho e o ‘real’.”
Elane C. Tonin (Sorocaba, SP)
(Folha de São Paulo, 29/01/99)

Assinale a alternativa ADEQUADA, levando em conta as definições do texto. a) A expressão “olhos marejados” ilustra o conceito de metonímia. b) “fogo dessas paixões” é um exemplo de metáfora. c) “o sonho e o ‘real’” é um caso de metáfora.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

d) O termo real aparece, no texto, entre aspas para enfatizar uma comparação implícita: o sonho é como o real. e) Não há caso de metonímia no texto. 12) Leia o texto a seguir, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 21/12/97, e responda ao que é solicitado.

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Professor bonzinho
Aconteceu nas provas da Duke University, nos Estados Unidos. Dois ótimos alunos de biologia tinham exame na segunda-feira, mas decidiram passar o fim-de-semana numa cidade próxima. Foram a uma festa, perderam a hora, e, quando chegaram, a prova já tinha terminado. Procuraram o professor, explicaramlhe que tinham viajado para longe e na volta um dos pneus do carro furou. Pediram uma nova prova e foram atendidos. No dia seguinte, o professor lhes entregou duas folhas com as questões. Impôs uma só condição. Que respondessem em salas separadas. A primeira pergunta, valendo um ponto, era tão fácil que a prova seria uma barbada. A segunda pergunta, valendo nove pontos, era a seguinte: – Qual pneu furou?

Os ditados e provérbios abaixo – alguns adaptados por escritores brasileiros – foram extraídos de fontes diversas. Observe: I – II – III – IV – V – “Malandro prevenido dorme de botina.” (Stanislaw Ponte Preta) “Elogia o bem, mas não esculhamba o mal.” (Millôr Fernandes) “Quando a cabeça não pensa o corpo padece.” “Quem semeia ventos colhe tempestades.” “Na enxurrada da vida, o que cai na rede é peixe.”

Levando em conta o conteúdo do texto do jornal, bem como os provérbios citados, é INADEQUADO afirmar que: a) a proposição I faz referência à atitude tomada pelo professor, exposta no final do texto; b) a proposição I diz respeito às atitudes dos alunos, não às do professor; c) a proposição II sugere uma crítica à atitude tomada pelo professor, explícita no final do texto; d) as proposições III e IV fazem alusão ao comportamento dos alunos, não ao do professor; e) a proposição V não tem uma relação semântica (de significado) direta com o conteúdo do texto. Texto referente às questões de 13 a 15

HAGAR – Dik Browne (Folha de São Paulo, 23/01/99)

13) É INADEQUADO afirmar sobre a tira: a) O uso do imperativo em “Alegre-se” tem o mesmo valor do que em “não se meta em brigas, nem tente escapar”. b) Ela expressa uma crítica à tirania dos reis. c) O verbo “concede”, utilizado pelo carcereiro, não pode ser interpretado como uma ironia. d) Compreende-se, na tira, o sentido de “bom comportamento” pela associação desse termo à imagem exposta de Hagar, o prisioneiro. e) Ao usar o termo “portanto” o que ocorre é a reiteração (confirmação) das idéias expostas anteriormente na tira.

14) O texto de Dik Browne deve ser modificado em razão da sugestão proposta. Sem alterar a idéia contida no texto, construa um novo, a partir do início proposto, de forma a escolher o elemento em destaque que melhor se ajuste ao novo período. Faça as mudanças indispensáveis. “Às vezes, o rei concede ao prisioneiro redução da pena (...) Portanto, não se meta em brigas, nem tente escapar”. INICIE COM: Não se meta em brigas, nem tente escapar... a) porém b) de forma que c) embora d) pois e) para que

15) É ADEQUADO afirmar que há na tira uma relação de: a) causa/conseqüência, evidenciada por um nexo de causa; b) condição, evidenciada por um nexo de condição; c) causa/conseqüência, evidenciada por um nexo de conclusão; d) oposição, evidenciada por um nexo de concessão; e) concessão, evidenciada por um nexo de oposição (adversativo).

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

16)

Einstein já dizia
“O grande cientista Albert Einstein disse uma vez: ‘Triste época a nossa, é mais fácil desintegrar um átomo do que romper um preconceito’.”
Pedro Paulo Castelo (via e-mail) (Folha de São Paulo, 25/10/99)

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Sobre o texto acima é INADEQUADO afirmar: a) Há nele uma comparação, não uma metáfora. b) A citação do nome de um eminente cientista, como Einstein, utilizada pelo leitor da Folha, tem a função de acrescentar ao seu ponto de vista sobre o preconceito o peso de autoridade de um teórico reconhecido e respeitado universalmente. c) A opção pelo uso do discurso direto ao citar o pensamento de Einstein pode ser vista como uma forma de criar maior realismo e veracidade à argumentação do texto e, desse modo, aumentar a credibilidade do interlocutor. d) A expressão “Triste época” revela, na verdade, uma ironia por parte de Einstein e da expressão “é mais fácil”. e) “desintegrar” e “romper” são verbos cuja carga semântica (de significado) reforça a idéia de dificuldade em se vencer o obstáculo em questão: o preconceito.

17) Leia a afirmação: “O deputado Elton Rohnelt pede a João Batista Campelo, da PF, para não depor em comissão de direitos humanos.”
(Folha de São Paulo, de 18/06/99)

Sobre o texto acima, é INADEQUADO afirmar: a) A frase sugere que o deputado não queria depor e pediu permissão a Campelo para tal. b) A frase sugere que o deputado não queria que Campelo depusesse. c) A frase é ambígua: pode-se entender tanto as afirmações contidas na alternativa “a” quanto na “b”. d) Em havendo ambigüidade, eis uma das formas de desfazê-la: O deputado Elton Rohnelt pede a João Batista Campelo que aquele não deponha... e) A frase não é ambígua pois, sintaticamente, “depor” refere-se a João Batista Campelo. 18) Observe o texto abaixo:

Vírgula

Fonte: www.keirsey.com

O nome de Paulo Henrique Amorim tem sido comentado na cúpula da Globo.

Por enquanto, o entusiasmo é comedido.
(Folha de São Paulo, 26/01/1999)

Agora, atente-se às proposições, usando, nos parênteses V ou F. ( )O título, neste contexto, contém uma ironia. ( )O uso da vírgula, no texto, deixa implícita a idéia de que, no futuro, o comentário sobre o nome de Amorim poderá ser amplamente comemorado. ( )Um significado possível para “comedido” é: prudente; moderado. ( )O uso da vírgula, no texto, de acordo com as gramáticas normativas, não procede. ( )A expressão “tem sido comentado” sugere uma certa cautela ao se veicular a informação do texto. A seqüência obtida na vertical é: a) b) c) d) e) V-V-V-F-V V-V-F-F-V F-F-V-V-V V-F-V-F-V F-V-F-V-F

19) A gradação é uma figura de linguagem que consiste na organização das idéias, em ordem ascendente ou decrescente. Observe: (...) E, como disse aquele empresário nordestino bemsucedido em São Paulo: “Vim, vi, venci”. E FALI! Vini, vidi, vinci e falici!
(Folha de São Paulo, 12/06/99)

Agora, leia atentamente as proposições abaixo. I – As gradações, neste texto, apresentam as idéias em forma crescente e decrescente, respectivamente. II – O humor do texto encontra-se no inusitado do uso de um termo: “FALI!” III –A ironia do texto consiste no uso das expressões paradoxais (em contraste) “nordestino” e “São Paulo”. Assinale a alternativa cuja seqüência é ADEQUADA. a) I e II estão corretas;

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

b) I e III estão corretas; c) II e III estão corretas; d) nenhuma é correta; e) todas são corretas.

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20) As declarações/trechos/textos abaixo apresentam problemas variados, dificultando ao leitor a interpretação. Depois de lê-los atentamente, responda ao que é solicitado. I– “Movimentos sociais organizam comitê contra a fome e a vida.” (título publicado em Correio Lageano, Lages-SC; março 94)

II – “Ao dar ré, o motorista de um mercedes preto quase encostou num modesto Palio (...). Ao volante, de boné e óculos escuros, estava Tom Cavalcante.” (Folha de São Paulo, 26/11/98: tal trecho foi extraído de uma carta de leitor o qual criticou a reportagem, usando o termo “quase notícia”). III – “A situação dos hospitais [psiquiátricos] é crítica, ao passo que muitos doentes sofrem agressões físicas por parte dos funcionários.” (carta argumentativa, redigida por aluno, sobre o tema “Reforma psiquiátrica; ano: 1999)
*

Obs.: I foi extraído de: JAPIASSU, M. Jornal da Imprença: a notícia levada açério. São Paulo: Jornais dos Jornais Editora, 1997, p.186.

Assinale a alternativa adequada. a) As proposições I e II apresentam problemas relativos à incoerência. b) A proposição II torna-se ambígua ao leitor devido ao uso da palavra “quase” em “quase encostou”. c) Na proposição III, há um problema de coesão/coerência. d) “por parte de”, na III, é uma expressão que aponta para uma incoerência. e) Na proposição II, há problema de coesão. 21) Freqüentemente, a exposição de um ponto de vista se dá através de uma comparação, provocando determinados efeitos em um texto. Leia os textos abaixo, e, levando em conta essa afirmação, responda ao que é solicitado. I – Juros altos: “Bem comparando, as taxas de juros praticadas pelo governo parecem aquela história do marido que cobre a amante de jóias (capital especulativo) e trata mulher e filhos a pão e água (sociedade brasileira). Desminta quem puder.” Maria Adelaide Rodrigues. (São Paulo) (Folha de São Paulo) II – “Partido político é que nem dança de São João: antes de começar tem que formar uma quadrilha.” (O Grande Livro dos Pensamentos de Casseta e Planeta. Em Veja, 29/12/94).

Agora, assinale a alternativa INADEQUADA. a) A comparação estabelecida no texto I foi um recurso utilizado pela autora para criticar a exploração e desigualdade existentes em nosso país. b) No texto I, podemos estabelecer as seguintes relações semânticas (de significado): “amante” está para exploração de riquezas; “mulher e filhos” está para contenção de despesas, assim como “marido” está para administrador, gerenciador de rendas. c) No texto II, além de uma comparação explícita, existe, implícita, uma condição, esta evidenciada pelo uso da expressão “é que nem”. d) Através da comparação, o texto II critica a falta de ética, de princípios dos integrantes dos partidos políticos: clientelismo, corrupção, entre outros. e) Em ambos os textos, a comparação tem uma finalidade determinada: criticar as autoridades políticas em nosso país. 22) Assinale a opção em que a mudança na ordem dos termos NÃO altera o sentido do enunciado. a) É bastante difundida a crença de que sexo só serve para procriar. A crença de que só sexo serve para procriar é bastante difundida. b) O terrorismo é apenas um dos exemplos de intolerância entre os povos da humanidade. O terrorismo não é senão um dos exemplos de intolerância entre os povos da humanidade c) O Projeto Genoma Humano é logicamente explicado pelos cientistas. Logicamente, o Projeto Genoma Humano é explicado pelos cientistas. d) Já não se acredita nos políticos como antigamente. Antigamente, já não se acreditava nos políticos. e) As pesquisas acerca da transgenia foram justificadas evidentemente pelos agrônomos. As pesquisas acerca da transgenia, evidentemente, foram justificadas pelos agrônomos.

23) Indique os valores ou tipo de relações estabelecidas pelas preposições ou locuções prepositivas sublinhadas, numerando os parênteses em branco de acordo com a numeração dos parênteses anteriores. A – ( 1 ) O secretário-geral da ONU entende de Direitos Humanos. ( 2 ) Mortas de fadiga, muitas crianças, após realizarem trabalho em carvoarias, ainda têm de ajudar na lida doméstica. ( 3 ) A distribuição de água no Planeta não deve ser prioridade da ONU. ( 4 ) Pelo protocolo de Kyoto, os países mais industrializados devem reduzir até 2012 a emissão dos gases-estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

( 5 ) Todos ficaram em silêncio diante das imagens de destruição das Torres Gêmeas, nos EUA, veiculadas pela televisão. ( ) causa ( ) conformidade ( ) limite ( ) assunto ( ) posse ( ) tempo ( ) modo ( ) lugar ( ) meio

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B – ( 1 ) Vários países fizeram o máximo esforço para evitar a guerra entre EUA e Iraque. ( 2 ) As idéias da ministra do Meio Ambiente foram ao encontro dos princípios do PT. ( 3 ) A proposta de reposição salarial dos funcionários públicos foi de encontro às idéias do partido durante as negociações na assembléia. ( 4 ) Temos de tomar medidas urgentes para evitar os casos de violência doméstica no Brasil. ( 5 ) A melhora da saúde do Papa é aguardada com ansiedade pelos fiéis. ( ) oposição ( ) obrigatoriedade ( ) finalidade ( ) tempo ( ) conformidade ( ) modo

C – ( 1 ) O discurso do presidente da República foi lido sem eloqüência por falta de motivação. ( 2 ) Não resta quase nada de mogno na Amazônia devido à pirataria. ( 3 ) Em discursos pré-eleitorais, é comum ouvir-se que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. ( 4 ) O Greenpeace manifestou-se contra a instalação, nos EUA, de mais uma usina nuclear. ( 5 ) A polícia federal procedeu à operação de Bangu I com armas sofisticadas. ( ) matéria ( ) origem ( ) ausência ( ) oposição ( ) causa ( ) causa ( ) instrumento

D – ( 1 ) Ante as reclamações e protestos dos que lidam com agronegócios, o governo decidiu liberar a comercialização da safra de transgênicos de 2003. ( 2 ) Um dos maiores problemas enfrentados por quem tem a responsabilidade de atacar a criminalidade é definir qual a melhor política de segurança pública a ser adotada. ( 3 ) Entre os antigos chineses, há muito já se pratica a acupuntura. No Brasil, para muitos, essa técnica ainda é um tabu. ( 4 ) No PT, sempre houve polêmica entre uma facção e outra.. ( 5 ) Chico Mendes, um defensor da Amazônia e pacifista, para não ser esquecido tão facilmente, deveria ter seu nome lembrado nos livros didáticos e nas aulas de História.

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

( ) especialidade ( ) meio social ( ) fim

( ) fim ( ) tempo ( ) conformidade

( ) reciprocidade ( ) fim ( ) conseqüência

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24) Faça o mesmo que fez no exercício 23 com as expressões sublinhadas, de valor adverbial. A – ( 1 ) De jeito algum os brasileiros devem pensar na hipótese de internacionalização da Amazônia. ( 2 ) Por certo, há países que pensam na internacionalização da Amazônia, mas é preciso que o Brasil fique alerta a isso. ( 3 ) Numa imprensa democrática, as opiniões devem ser essencialmente livres. ( 4 ) É absolutamente necessário lutar-se contra a escassez de água, considerada o problema ambiental grave deste milênio. ( 5 ) Finalmente, foi aprovado o Estatuto do Idoso com o intuito de garantir os direitos dos cidadãos da terceira idade. ( ) intensidade ( ) modo ( ) tempo ( ) negação ( ) afirmação ( ) intensidade ( ) fim

25) Faça como nos exercícios anteriores, levando em conta as expressões denotativas sublinhadas. A – ( 1 ) O governador do RS sequer mencionou a possibilidade de fazer qualquer aliança com outros partidos nas próximas eleições. ( 2 ) A cúpula do governo prometeu realizar uma reforma no Judiciário, aliás, admitiu tal possibilidade. ( 3 ) A pneumonia asiática centrou-se, em 2003, em dois focos de transmissão, a saber: China e Canadá. ( 4 ) O uso de preservativo durante as relações sexuais previne a gravidez inde-sejada, a aquisição do HIV, e, até mesmo, diferentes doenças sexualmente transmissíveis. ( 5 ) Eis o novo Código Civil ao alcance da população brasileira. ( ) explicação ( ) designação ( ) inclusão ( ) exclusão ( ) retificação

agafg

IIIa PARTE Questões de
1) (UNICAMP/00)

v

estibulares

O tema desta tira é, tecnicamente falando, um “neologismo semântico”, isto é, um novo sentido – surgido há alguns anos –, assumido por uma palavra que já existia. A palavra em questão é o verbo “ficar”, que ocorre três vezes neste caso. Qual (ou quais) das ocorrências representa(m) um sentido mais antigo do verbo “ficar”? Qual(is) representa(m) o novo sentido? b) Que palavra provavelmente preencheria as reticências da terceira fala? c) A última fala pode ser interpretada como sendo irônica. Por quê?
a)

2) (UNICAMP/00) Perguntado em fins de 1997 pelo Jornal das Letras (Lisboa) se seu nome seria uma boa indicação para o Prêmio Nobel de Literatura, junto com os nomes, sempre lembrados pela imprensa, de José Saramago e Antônio Lobo Antunes, o escritor português José Cardoso Pires deu a seguinte resposta:
“A Imprensa tem lá as suas razões. Durante anos e anos passei a vida a assinar papéis a pedir um Nobel para um escritor português e isso não serviu de nada. De modo que o facto da Imprensa agora prever isto ou aquilo... Uma coisa eu sei: o Prémio Nobel dado a um escritor português de qualidade beneficiava todos os escritores portugueses. Que todos gostariam de ter o Prémio Nobel também é verdade, mas se um ganhar ganhamos todos. De qualquer modo o critério actual é o dos mais traduzidos e os mais traduzidos são o Saramago e o Lobo Antunes. Eu sou menos. Mas isso não me preocupa nada. Sinceramente”.

a) Aponte, na resposta de Cardoso Pires, as características de acentuação e grafia que a identificam como um texto em português europeu.

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

b) Aponte, na mesma resposta, as construções que a caracterizam como um texto em português europeu, e dê os prováveis equivalentes brasileiros dessas construções. c) Sabemos que o Nobel de Literatura foi ganho em 1998 por José Saramago. A partir de qual passagem do texto poderíamos desconfiar de que, na opinião do entrevistado, não necessariamente o vencedor é o melhor?

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3) (UNICAMP/00) A edição de 30 de janeiro de 1998 do Noite e Dia (Feira de Santana, BA) trazia, na seção Zé Coió, a seguinte história:
“Vou pegar o talão!” Cansado de não vender nada na sua loja, João pegou o carro e saiu pelo interior para vender seus produtos. Depois de 15 dias sem tirar um só pedido, sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. De repente viu uma garrafa e chutou. A garrafa deu meia volta e chegou junto. João tornou a chutar e a garrafa deu outra meia volta e ficou bem ao seu lado. João pegou a garrafa, começou a acariciar e de repente surgiu uma voz que disse: – “Você tem direito a três pedidos!” João levantou correndo e disse: – “Espere aí que eu vou buscar o talão”. Cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá.

A fala de João, retomada no título, revela um equívoco fundamental na identificação de quem fala de dentro da garrafa. Em que consiste esse equívoco? b) Transcreva as palavras que, no diálogo entre as duas personagens, permitem articular a resposta de João com sua experiência prévia de vendedor itinerante.
a)

4) (UNICAMP/00) O texto abaixo foi extraído de uma seção que divulga “novidades científicas”. Leia-o e responda às questões que se seguem:
IDOSA PRECOCE – Dolly é uma cópia tão exata da ovelha de cuja mama os cientistas do Instituto Roslin tiraram uma célula para clonar, que já nasceu “velha”. Quando veio ao mundo, o interior de suas células já apresentava traços não de uma filhote, mas de um animal adulto. É o que os biólogos escoceses revelaram na revista Nature. O problema está nos telômeros, apêndices dos cromossomos que compõem o material genético. Os de Dolly são 20% mais curtos do que deveriam ser numa ovelha de sua idade. Sabe-se que o comprimento dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo da vida. Eventualmente, ficam tão pequenos que a célula perde essa capacidade. Nesse sentido, os telômeros estão fundamentalmente ligados ao envelhecimento. Como Dolly foi criada a partir de uma célula adulta, seus telômeros são curtos. Se essa anomalia pode acarretar o envelhecimento precoce da ovelha ou não é outra história ainda a investigar. A comparação com o drama dos replicantes do filme Blade Runner, andróides vigorosos, mas de vida curta, é inevitável.
(ISTOÉ, 1548, 02/06/99)

a) O que é caracterizado como problema e como ele é explicado? b) Cite a passagem do texto que expressa uma verdade genética conhecida de todos e transcreva a expressão que indica que esse conhecimento é compartilhado. c) Cite uma passagem do texto que expresse uma hipótese.

5) (UNICAMP/00) Leia o texto abaixo, que apresenta outra “novidade científica”:
RAPOSA NA PELE DE CORDEIRO – Os golfinhos sempre tiveram uma das mais agradáveis imagens do mundo animal. Dóceis e úteis, permeiam a literatura infantil com gestos dignos do melhor samaritano. Flipper que o diga. Bom, descobriu-se que a coisa não é bem assim. Seguindo um rastro de evidências perturbadoras, cientistas de vários países, que vêm estudando com mais cautela o comportamento desses mamíferos, chegaram a uma triste conclusão: os golfinhos estão longe de ser aquelas criaturas felizes e pacíficas. Foram observadas práticas de infanticídio – golfinhos adultos matando filhotes – e morte em série de outros mamíferos aquáticos. Em locais tão distan-tes entre si quanto a costa americana e a da Irlanda, os golfinhos usam seu bico pontudo e dentado como clavas para bater e retalhar suas presas. Mas, diferentemente de outros animais carnívoros, eles não comem um pedaço sequer de suas vítimas. Como a espécie é muito social com os humanos, teme-se que essa violência possa se repetir em parques aquáticos ou cidades costeiras, onde há muita proximidade com golfinhos.
(ISTOÉ 1554, 10/07/99)

a) Suponha que alguém não saiba nada sobre golfinhos. Como os classificaria, do ponto de vista da Zoologia, com base em informações fornecidas pelo texto? b) Qual o receio expresso na última frase do texto, e o que o justifica? c) Nas fábulas, o inimigo do cordeiro não é a raposa. Tendo isso em conta, qual deveria ser o título deste texto?

6) (UNICAMP/00) Millôr Fernandes, considerado um dos maiores humoristas brasileiros, escreveu o texto “Leite, quéqué isso?” em sua coluna no Caderno 2, no jornal O Estado de S. Paulo, de 22/08/99. Abaixo, está um excerto desse texto. Leia-o com atenção e responda:
Vocês, que têm mais de 15 anos, se lembram quando a gente comprava leite em garrafa, na leiteria da esquina? Lembram mais longe, quando a vaca-leiteira, que não era vaca coisa nenhuma, era uma caminhonete-depósito, vinha vender leite na porta de casa? Lembram mais longe ainda, quando a gente ia comprar leite no estábulo e tinha aquele cheiro forte de bicho, de bosta e de mijo, que a gente achava nojento e só foi achar genial quando aprendeu que aquilo tudo era ecológico? Lembram bem mais longe ainda, quando a gente mesmo criava a vaca e pegava nos peitinhos dela pra tirar o leite dos filhos dela, com muito jeito pra ela não nos dar uma cipoada? Mas vocês não lembram de nada, pô! Vai ver nem sabem o que é vaca. Nem o que é leite. Estou falando isso porque agora mesmo peguei um pacote de leite – leite em pacote, imagina, Tereza! – na porta dos fundos e estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina, é garantido pela embromatologia, foi enriquecido e o escambau.

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

A palavra “embromatologia” soa como um termo técnico, mas não é. Diga por que parece e por que não é. b) O texto mostra que a moda pode afetar nossos gostos. Em que passagem isso aparece? c) As informações técnicas que acompanham muitos produtos não necessariamente esclarecem o consumidor, mas o impressionam. Transcreva a passagem do texto em que o autor alude a esse problema.
a)

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7) (UNICAMP/01) Na coluna “De zero a dez”, de Rubem Tavares, publicada na revista Business Travell, 34, no primeiro semestre de 2000, p.13, encontram-se, entre outras, as seguintes notas, especialmente adaptadas: “Para os lunáticos que insistem em soltar balões de grande porte, causando incêndios e sérios riscos à segurança dos vôos: segundo o Controle de Tráfego Aéreo, em 1998 foram registradas 99 ocorrências em Guarulhos. Em todo o ano passado foram registradas 33 ocorrências e, neste ano, só no período de janeiro a abril, já foram 31. As autoridades deveriam enquadrar os responsáveis por crime inafiançável e trancafiá-los em presídios por longos anos.” “Não seria o caso de a Prefeitura pagar por cada nova pichação feita na cidade? É claro que sim. Se todos entrassem com uma ação simultaneamente, com certeza o prefeito encontraria novas atribuições para a Guarda Municipal. Vide sugestões na nota anterior que também poderia ser aplicada nestes casos.” Qual é a conclusão implícita na seqüência “neste ano, só no período de janeiro a abril, já foram 31” que se encontra na primeira nota? b) Explicite a sugestão dada no final da segunda nota.
a)

8) (UNICAMP/01) Quando o treinador Leão foi escolhido para dirigir a seleção brasileira de futebol, o jornal Correio Popular publicou um texto com muitas imprecisões, do qual consta a seguinte passagem:
“Durante sua carreira de goleiro, iniciada no Comercial de Ribeirão Preto, sua terra natal, Leão, de 51 anos, sempre impôs seu estilo ao mesmo tempo arredio e disciplinado. Por outro lado, costumava ficar horas aprimorando seus defeitos após os treinos. Ao chegar à seleção brasileira em 1970, quando fez parte do grupo que conquistou o tricampeonato mundial, Leão não dava um passo em falso. Cada atitude e cada declaração eram pensadas com um racionalismo típico de sua família, já que seus outros dois irmãos, Edmílson, 53 anos, e Édson, 58, são médicos.” (Correio Popular, Campinas, 20/10/2000)

O que aconteceria com Leão se ele, efetivamente, ficasse “aprimorando seus defeitos”? Reescreva o trecho de maneira a eliminar o equívoco. b) A expressão “Por outro lado”, no início do segundo período, contribui para tornar o trecho incoerente. Por quê? c) Por que o emprego da palavra “racionalismo” é inadequado nessa passagem?
a)

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9) (UNICAMP/01) A breve tira ao lado fornece um bom exemplo de como o contexto pode afetar a interpretação e até mesmo a análise gramatical de uma seqüência lingüística. a) Supondo que a fala da moça fosse lida fora do contexto dessa tira, como você a entenderia? Se a fala da moça fosse considerada uma continuação da fala do rapaz, poderia ser entendida como uma única palavra, de derivação não prevista na língua portuguesa. Que palavra seria e o que significaria?
b)

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As duas leituras possíveis para a fala da moça não estão em contradição; ao contrário, reforçam-se. O que significará essa fala, se fizermos simultaneamente as duas leituras?
Fonte: O Estado de S. Paulo, 24/09/2000.

10) (FURG/01) A seguir, você tem uma relação de algumas expressões que integram os verbetes “homem” e “mulher” do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
Homem da lei. Magistrado, advogado, oficial de justiça. Homem de Deus. Homem piedoso, santo (usado como vocativo, traduz um sentimento de impaciência, enfado, ou de ironia: Deixe-nos e, paz, homem de Deus!). Homem de empresa. Indivíduo que tem a seu cargo os negócios duma empresa particular; empresário. Homem de Estado. Estadista. Homem de letras. Literato, intelectual. Homem de negócios. Pessoa que trata de grandes negócios e/ou que tem importantes relações no comércio. Homem de pulso. Homem enérgico, firme. Homem do povo. Indivíduo considerado como representativo dos interesses e opiniões do homem comum, homem da rua. Mulher à toa. Meretriz. Mulher da rótula. Meretriz. Mulher da rua. Meretriz. Mulher de César. Mulher de reputação inatacável. Mulher do amor. Meretriz. Mulher do fado. Meretriz. Mulher do fandango. Meretriz. Mulher do pala aberto. Meretriz. Mulher do piolho. Mulher muito teimosa (usado, em geral, comparativamente: Ô velhinha teimosa! É pior que a mulher do piolho.) Mulher errada. Meretriz. Mulher fatal. Mulher particularmente sensual e sedutora, que provoca ou é capaz de provocar tragédias. Mulher perdida. Meretriz. Mulher vadia. Meretriz.

Analisando as duas listas, você pode observar que alguns aspectos de ordem social ou individual foram levados em conta na elaboração dos verbetes. Compare as duas listas, considerando esses aspectos.

11) (UNICAMP/02) Considere a tira abaixo:

Jornal da Tarde, 8/2/2001.

Nessa tira, a crítica ao “estrategista militar” não é explícita. Para compreender a tira, o leitor deve reconhecer uma alusão a um fato histórico e uma hipótese sobre transmissão genética. a) Qual é o fato histórico ao qual a tira faz alusão? b) Qual é a explicação para as qualidades profissionais estrategista? c) Explicite o raciocínio da personagem que critica o estrategista. do

12) (UNICAMP/02) São comuns na imprensa manifestações de profissionais liberais transmitindo ao grande público informações sobre questões técnicas de interesse social. O texto a seguir, de autoria de um advogado, elabora uma distinção relevante para definir as responsabilidades de uma certa categoria profissional, em caso de insucesso:
[...] Os processos judiciais contra médicos são complexos em razão da dificuldade de aferição da culpa pelo dano sofrido. A responsabilidade civil dos médicos em ações de indenização é, em geral, de meios e não de resultado. A obrigação de meios ocorre quando um profissional assume prestar um serviço ao qual dedicará toda a sua atenção, cuidado e conhecimento através das regras consagradas pela prática médica, sem se comprometer com a obtenção de um certo resultado. A obrigação de resultado é aquela em que o profissional se compromete a realizar um certo fim, a alcançar um determinado resultado. As exceções consagradas pela jurisprudência são a cirurgia estética embelezadora e a anestesia, atos médicos tidos como obrigações de resultado. Desde que o ordenamento jurídico brasileiro, a dou-

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

trina e a jurisprudência consagraram a necessidade da prova de culpa para aquele que pretenda uma indenização por ato ilícito de outrem, a prova desta mesma culpa, no caso dos médicos, tendo obrigação geral de meios, reside na comprovação de que o profissional agiu com falta de cuidado ou deixou de aplicar a prática dos recursos usuais da ciência médica aplicáveis ao caso concreto.
(Rafael Maines, “Responsabilidade”. Diário Catarinense, 25/8/2001)

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a) Diga, sucintamente, qual é a distinção apresentada no texto, e como ela afeta a categoria profissional em questão.
b)

Nos dicionários, as palavras aparecem, em geral, associadas a vários sentidos. Para consagrar, o dicionário Houaiss anota, entre outros, os seguintes: “1. Investir(-se) de caráter ou funções sagradas, dedicando(-se), por meio de um rito, a uma ou mais de uma divindade; sagrar. 2. Entre os católicos e em certas seitas protestantes, operar a transubstanciação pelo rito da eucaristia. 3. Oferecer(-se) a Deus, a um santo, etc. por meio de voto ou promessa. [...] 6. Aclamar, eleger, promover, elevar. 7. Reconhecer como legítimo; acolher, sancionar. 8. Jurar pela hóstia consagrada”. Supondo que você tenha dúvidas sobre o sentido de “consagradas” (“exceções consagradas”) e “consagraram” (“a doutrina e a jurisprudência consagraram”), em qual das definições se apoiaria para aproximar-se da acepção que essas palavras têm no texto?

13) (UNICAMP/02) Alguém menos tolerante no que se refere a imprecisões de linguagem poderia dizer que a notícia abaixo (publicada no jornal Folha de S. Paulo, de 26/5/2001) faz referência a alguma coisa impossível.

FAÇANHA Erik Weihenmayer, 32, escala o monte Everest; ele tornou-se ontem o primeiro cego a escalar a montanha mais alta do mundo e pretende repetir o feito em outros continentes.

a) Que coisa é essa e por que é impossível? b) O que, provavelmente, a legenda da foto quer dizer?

14) (UNICAMP/02) Em julho de 1998, a sociedade brasileira tomou conhecimento pela imprensa de que as pílulas anticoncepcionais comercializadas por um determinado laboratório durante um certo período haviam sido fabricadas à base de farinha de trigo e não continham as substâncias que deveriam constituir seu princípio ativo. A charge abai-xo é alusiva a esse fato.

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

9 3

(Folha de S. Paulo, 14/7/1998)

Segundo o noticiário, qual era a relação entre farinha e pílulas anticoncepcionais? Como esta relação aparece na charge? b) O que sugere a expressão “Depois que virar pizza”, no segundo balão? c) Para responder a b), o leitor deve considerar uma expressão idiomática que não está no texto e que inclui a palavra “pizza”. Qual é a expressão e o que ela significa?
a)

15) (UNICAMP/02) Uma revista semanal brasileira traz a seguinte nota em sua seção A SEMANA: O HOMEM DAS BEXIGAS O britânico Ian Ashpole bateu no domingo, 28, o recorde de altitude em vôo com bexigas: subiu 3.350 metros amarrado a 600 balões, superando sua marca de 3 mil metros. Ian subiu de bexiga e voltou de páraquedas. “Quando eu era criança, assisti a um filme chamado Balão vermelho. Desde então me apaixonei por esse esporte”, disse ele.
(ISTOÉ, 7/11/2001)

O título poderia ser considerado ambíguo, dado que a palavra “bexiga” tem vários sentidos em português. Cite pelo menos dois desses sentidos. b) Em que passagem do texto se desfaz a ambigüidade do título? c) Dada a modalidade esportiva que Ian pratica, qual poderia ser o tema do filme mencionado?
a)

16) (UNICAMP/02) Os dois textos abaixo, extraídos do livro E os Preços Eram Commodos, de M. Guedes e R. de A. Berlink (São Paulo, Humanitas, 2000), representam um tipo de anúncio comum nos jornais do século passado e são muito semelhantes, embora tratem de assuntos que hoje consideraríamos bastante diferentes.
ESCRAVO FUGIDO Fugio no dia 30 de Junho pp o escravo de nome Anacleto; creoulo, representando idade de 30 a 35 annos, com os seguintes signaes: altura mediana, côr fula, corpo delgado, rosto comprido e um pouco entortado, boca regular e falta de 2 ou 3 dentes da parte de cima, um signal de cada lado das maçans do rosto, cabello cortado rente; a entrada da testa do lado esquerdo é maior do que a do lado direito, falla manso mostrando humildade. Sabe lêr e escrever e costuma inculcar-se forro e voluntário da pátria. Levou vestido paletot e calça de casimira preta com pouco uso e uma trouxa de roupa com calças e paletots brancos. Usa tambem de bigode e barba rapada. Quem o prender e trouxer em Campinas e pozer na Cadêa receberá de gratificação 100$000 do sr Joaquim Candido Thevenar. (Gazeta de Campinas, 17 de julho de 1870)
a)

ANIMAL DESAPARECIDO Na noite de domingo para segundafeira, foi roubado em frente do Chico Pinto um animal com os seguintes signaes: ruano, calçado dos quatro pés, tem no queixo um osso saliente para fora, andar de trote. O referido estava arreado com basto, novo, pellego imitação de carneiro, sobrexincha de cadarço verde. Quem der notícias certas ou entregar ao proprietário, será gratificado com 50$000. Antonio Victorino da Silva Jahú, 1º de agosto de 1897.
(Correio do Jahu, 08 de agosto de 1897)

Sem considerar as diferenças de ortografia, identifique no anúncio da Gazeta de Campinas duas expressões que hoje não seriam correntes e, portanto, para ser adequadamente compreendidas, exigiriam algum tipo de pesquisa histórica ou lingüística. b) Explicite pelo menos duas semelhanças no conteúdo dos dois anúncios. c) Que traço da mentalidade escravocrata pode ser identificado pela comparação dos dois anúncios?

17) (FUVEST/00) Ao se discutirem as idéias expostas na assembléia, chegou-se à seguinte conclusão: pôr em confronto essas idéias com outras menos polêmicas seria avaliar melhor o peso dessas idéias, à luz do princípio geral que vem regendo as mesmas idéias. Transcreva o texto, substituindo as expressões sublinhadas por pronomes pessoais que lhes sejam correspondentes e efetuando as alterações necessárias. b) Reescreva a oração Ao se discutirem as idéias expostas na assembléia, introduzindo-a pela conjunção adequada e mantendo a correlação entre os tempos verbais.
a)

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18) (UFPEL/INVERNO/00)

9 5

Dois dias antes da decisão da Copa, as duas frases abaixo apareceram em periódicos de circulação nacional, evidenciando diferentes opiniões dos redatores acerca da possibilidade da conquista do pentacampeonato.
I. II.

Os jogadores do time brasileiro ainda não sabem se conquistarão o penta. Os jogadores do time brasileiro ainda não sabem que conquistarão o penta.

Identifique a frase cujo redator acredita nessa conquista. Justifique à luz do nexo sublinhado.

19) (FUVEST/00) Orientação para uso deste medicamento: antes de você usar este medicamento, verifica se o rótulo consta as seguintes informações, seu nome, nome de seu médico, data de manipulação e validade e fórmula do medicamento solicitado. Há no texto desvios em relação à norma culta. Reescreva-o, fazendo as correções necessárias. b) A que se refere, no contexto, o pronome seu da expressão “seu nome”? Justifique sua resposta.
a)

20) (FUVEST/00) Ouvir alguém falar não é como tornar a ouvi-lo através de uma máquina: o que ouvimos, quando temos um rosto diante de nós, nunca é o que ouvimos, quando, diante de nós, há uma fita que gira. Um reluzir de olhos, um agitar de mãos, às vezes, torna aceitável a frase mais idiota. Mas sem aquelas mãos, sem aqueles olhos, a frase se desnuda em toda a sua desconcertante idiotice. (Oriana Fallaci. Os antipáticos) Complete, mantendo o sentido do texto, o segmento A frase mais idiota torna-se, às vezes, aceitável, a não ser que... b) Termine a frase A presença física de nosso interlocutor ... com uma conclusão que sintetize o texto.
a)

21) (FURG/01)
Brincadeiras de roda e com bonecas não estão mais fazendo parte do mundo de fantasia de meninas com menos de dez anos. Elas agora se reúnem para um estranho ritual: aprimorar coreografias sensuais ao som de grupos como É o Tchan e As Meninas, e a graça está em competir para ver quem dança melhor. O que, à primeira vista, parece uma brincadeira, ganha contornos sérios quando os próprios adultos estimulam a erotização precoce. Basta entrar em uma loja infantil. Na seção das meninas, é difícil encontrar moletons e outras roupas confortáveis, que permitam a liberdade de movimentos. Exemplo disso é um grande magazine de Porto Alegre. Lá os modelitos à disposição são a mais pura imitação de roupas de adultos. O mais sedutora possível, ainda que de mau gosto. O que dizer de blusas para meninas de dois a três anos, coladas ao corpo, num tecido vermelho brilhoso? Há, inclusive, marcas especializadas nessa transformação. Botas e sapatos de salto alto, tamancos com solados exagerados é o que mais se encontra. (Adaptado de Márcia Camarano, Extra Classe, n.44, ago. 2000)

Qual o tema central do texto acima? Qual a posição que a autora manifesta quanto a esse tema?

22) (UFPEL/00) No Diário Popular, do dia 16.5.1999, encontramos o seguinte texto: ESCLARECIMENTO Torno público, a quem interessar possa, que a intimação que me foi feita pelo Serviço Notarial e Registral ROCHA BRITO, relativa a protesto de título do Banco General Motors S.A., no valor de R$ 178,00, com vencimento para o dia 7/4/1999, deveu-se a extravio do carnê de pagamento e descuido da pessoa encarregada de pagar a dita prestação, sendo que a mesma foi, de pronto, liquidada. Pelotas, 14 de maio de 1999. W.S.R. (firma reconhecida) Embora se deva admitir que, em termos de sentido, o texto não deixa dúvidas acerca do que pretende o autor, uma determinada passagem, por ser ambígua, nos leva a uma interpretação cômica do que ocorreu. Com base em seus conhecimentos lingüísticos: a) explicite a hipótese absurda a que essa passagem pode levar o leitor; b) reescreva apenas o trecho problemático, eliminando a ambigüidade.

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23) (UFPEL/00)

9 7

De uso freqüente em língua portuguesa, o pleonasmo vicioso consiste na repetição desnecessária de uma informação, como, por exemplo, expressões do tipo “Ele saiu pra fora”, “Ele me deu pra mim...”, “Atualmente, nos dias de hoje...”. Entretanto, outras vezes, o uso repetido de uma informação pode denotar uma especial intenção por parte do autor da mensagem ou pode conter uma informação adicional. É o caso de uma frase proferida por um comentarista de futebol que, ao referir-se à dificuldade de o Flamengo vencer o adversário com chutes de longa distância, elogiou o gol de Romário, fruto de um cruzamento para a área, com a seguinte frase: “Romário cabeceou com a cabeça”. Embora a aparente obviedade, podemos perceber que, em função do contexto, a expressão com a cabeça nos remete a um outro significado: ele cabeceou, e isso, no jogo, foi uma atitude inteligente. No jornal Diário Popular, do dia 11.4.1999, encontramos o seguinte texto: TEMPO Passam, a cada 24 horas, cada um dos 15 dias de sobrevida do Pronto-Socorro da FAU. Numa primeira leitura do trecho acima, parece haver uma obviedade. No entanto, percebe-se que ela cumpre uma importante função de sentido dentro do texto. Com base nisso, responda: a) Qual é a obviedade? b) Que efeito de sentido ela confere ao texto?

24) (UFPEL/00) Na revista Época de 16.8.1999, encontramos a seguinte matéria acerca da campanha publicitária pelo desarmamento da população:

VAMOS DESARMAR OS BANDIDOS. NÃO OS CIDADÃOS DE BEM. Campanha de interesse público da Mainardi Propaganda. POLÊMICA Negro quem, cara-pálida?

Cinqüenta outdoors de uma campanha contra a proibição do uso de armas de fogo foram retirados das ruas de São Paulo sob a acusação de racismo. A imagem de um rapaz de pele escura com uma arma na mão e uma tarja negra nos olhos foi considerada preconceituosa por duas procuradoras paulistas que convenceram a Justiça a recolher os painéis. O jovem que

emprestou seu rosto à campanha colocou a decisão em xeque com uma declaração desconcertante. “Não sou negro”, avisou Deneílson Paulo, 25 anos, motociclista da agência responsável pela campanha. A certidão de nascimento confirma: sua cor, oficialmente, é branca. O publicitário Ênio Mainardi, criador da campanha, discorda de Deneílson. “Seria fácil escapar dizendo que ele é branco. Mas ele não é. É da mesma raça vira-lata de todos nós, brasileiros”, diz Mainardi. O publicitário está convencido de que o racismo foi só uma desculpa. “Queriam atacar a campanha e arrumaram um argumento. Vou processar as duas procuradoras por danos morais. Nunca fui racista”, afirma.

No conjunto da matéria, evidencia-se uma contradição por parte de Ênio Mainardi. a) Qual é essa contradição?

25) (UFPEL/00) Na revista Época, de 16.8.1999, aparece o trecho de uma carta, transcrito abaixo, que responde às críticas da cantora Rita Lee aos rodeios. Percebo que, além dos comerciais de telefone, Rita Lee já está precisando causar polêmicas para continuar na mídia. Se já foi provado que os animais de rodeio não são prejudicados em nada, por que atrapalhar o divertimento das pessoas com bobagens? Garanto que ser viciado em rodeios é melhor do que o ser em outras coisas. Ezio Fernando Molinar, São Paulo, SP Com base no texto e em seu conhecimento de mundo, responda: Qual seria a diferença de sentido, em relação à ironia presente no texto, se, ao invés de “já” (linha 1), tivesse aparecido “ainda”? b) A que palavra ou expressão do texto se refere o pronome em destaque?
a)

26) (UFPEL/00) Alguns defeitos de construção de um texto decorrem da nãoobservância do paralelismo gramatical, uma qualidade de estilo através da qual elementos da mesma função devem ser representados pela mesma espécie de construção. Distribuído por uma farmácia de manipulação da cidade, o texto abaixo, reproduzido com pequenas alterações, contém exemplos de falta de paralelismo.

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9 9

MÁSCARAS FACIAIS, O SEGREDO DE UMA MAGIA APLICANDO AS MÁSCARAS EM QUATRO ETAPAS 1. Devemos primeiramente misturar a máscara no pote, com o auxílio da espátula própria que acompanha o produto. 2. Retire, com o auxílio da mesma espátula, a quantidade necessária e coloque no rosto, distribuindo com a ponta dos dedos ou com um pincel largo. 3. Aguardar de 15 a 20 minutos; neste tempo o produto deverá agir, secar e formar uma máscara rígida sobre a pele. 4. Molhar a ponta dos dedos, decorrido o tempo determinado, e, com movimentos circulares, fazer uma leve massagem sobre a pele, dissolvendo aos poucos a máscara. (...)

Tomando como referência a construção do item 2, reescreva os itens que apresentam falta de paralelismo em relação a ele, fazendo apenas as modificações necessárias.

27) (UFPEL/00) Na edição do jornal Zero Hora, do dia 22.8.1999, encontramos, na coluna de Élio Gaspari, o seguinte texto: Curso Madame Natasha de piano e português
Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desgovernados do idioma e deu uma de suas bolsas de estudo aos diretores da General Motors. A firma, com sede nos Estados Unidos, fatura US$ 161 bilhões (duas vezes superior ao Produto Interno Bruto do Chile) e acaba de publicar um anúncio para seus fregueses. Nele, pede aos proprietários de carros Astra 99 GLS e GL, com coluna de direção regulável, das séries 0XB310 a 343.900 que os levem a uma oficina autorizada para que sejam inspecionados. Por quê? É a seguinte a explicação da GM: “Esse procedimento é necessário por existir a possibilidade de, em alguns veículos, a junta universal desacoplar-se da árvore de direção, levando à anulação do controle direcional.” Madame Natasha sabe que a GM, escrevendo em gemês, quis dizer o seguinte: “O carro pode se desgovernar.” O uso da linguagem empolada para esconder o significado do que se deve dizer é coisa antiga. No ano passado, por exemplo, o laboratório Schering descobriu que havia na praça cartelas do seu anticoncepcional Microvlar com pílulas de farinha. Recomendou às consumidoras que se cuidassem, usando “métodos de barreira”. Não quiseram dizer o que deveriam: quem toma anticoncepcional de farinha deve usar camisinha. A diretoria da GM sabe muito bem que essa conversa de “a junta universal desacoplar-se da árvore de direção” significa que um de seus fregueses pode vir a perder o controle do Astra que dirige, acoplando-se, a 80 quilômetros por hora, ao tronco de uma árvore da calçada. A enrolação foi deliberada. O que não se consegue entender é o seguinte: se a GM decidiu empulhar os clientes que lêem o seu anúncio, qual o seu nível de responsabilidade se todos os donos de Astras ameaçados forem enrolados? Poderá dizer que eles não sabem ler. Ou que não entendem gemês.

a) Com relação à linguagem, que crítica está presente em todo o texto, garantindo-lhe coesão?

28) (UFPEL/00) Como se sabe, o título e o subtítulo de uma matéria são responsáveis por chamar a atenção do leitor para ela. O texto abaixo, publicado nas principais revistas do país, ao referir-se a uma goleada sofrida pelo Brasil diante da sempre rival Argentina, utiliza a linguagem esportiva com o objetivo de chamar a atenção do leitor para o problema do não- pagamento dos direitos autorais.

ARGENTINA: 4 X BRASIL: 0

CULPA DO JUIZ
Em matéria de respeito ao Direito Autoral o Brasil está tomando de goleada da Argentina. A Argentina, com um território bem menor do que o do Brasil e uma população que é um quinto da brasileira, paga três vezes mais aos seus compositores e artistas do que o Brasil. Lá, as TVs a cabo e por assinatura sempre pagam o Direito Autoral. Aqui no Brasil, elas já existem há sete anos e nunca pagaram um tostão. Quando o grupo de rock U2 esteve na Argentina, foram arrecadados US$ 2 MILHÕES em Direito Autoral. Aqui no Brasil, o promotor do show se recusou a pagar e sumiu. Na Argentina, as emissoras de rádio e TVs abertas só funcionam se pagarem Direito Autoral. Aqui no Brasil, elas o sonegam, desrespeitando a Constituição Federal, a Lei de Direito Autoral e os tratados internacionais firmados pelo Brasil. E isso com a tolerância da própria Justiça. Da próxima vez que ouvir falar em Rock In Rio, pense que, para os seus artistas favoritos, melhor seria o Rock In Buenos Aires, já que do Rock In Rio II, realizado em 1994, os autores até hoje nunca viram a cor do dinheiro. Mas a maioria dos nossos juízes, indo contra um direito tão óbvio, protela as decisões e acaba protegendo os usuários de música que nos devem R$ 200 MILHÕES. E ainda lhes permitem continuar usando música que não lhes pertence, mesmo contra a vontade dos compositores e violando a nossa Constituição, que diz: “AOS AUTORES PERTENCE O DIREITO EXCLUSIVO DE UTILIZAÇÃO, PUBLICAÇÃO OU REPRODUÇÃO DE SUAS OBRAS.” Pelo menos nessa derrota do Brasil a gente sabe que a culpa é do juiz.

a) Diga quais foram, segundo o texto, os quatro gols feitos pela Argentina. b) Explique por que o texto atribui a culpa ao juiz.

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29) (UFPEL/98)

1 0

Também não é raro encontrar em periódicos, especialmente nos diários, estruturas ambíguas que, se não chegam a prejudicar a compreensão da frase, constituem, pelo menos, motivo de estranhamento. Observe: Dúvida I
Na quarta-feira passada, o canal escolhido para assistir aos jogos do Brasileiro foi a Bandeirantes. Cobertura completa e eficiente, diga-se de passagem. Em determinado momento, aparece aquele número do “DiskSport”, onde a gente concorre a uma grana com a marcação de gols, bola na trave, pênalti etc. E lá foi feita uma “fezinha”.
(Fonte: Diário Popular, 09/12/97)

Reestruture o primeiro período do texto, desfazendo a ambigüidade.

30) (UFPEL/INVERNO/00) No jornal Zero Hora de 24 de julho de 1999, encontramos a seguinte charge de Marco Aurélio:

Caso você não se recorde, ela alude à passeata do movimento dos “sem” (sem-teto, sem-emprego, sem-terra), que se manifestava contra a situação política do Brasil. Com base nisso, responda: Como você interpreta o fato de “os de sempre” estarem à frente dos outros grupos? b) A quem a crítica do chargista é dirigida? Que elementos visuais nos levam a essa conclusão?
a)

31) (UFPEL/INVERNO/00) O texto abaixo – que servirá de base para as questões (a) e (b) – contém um fragmento do artigo de Sérgio Abranches “O povo não quer só...”, publicado na revista Veja, de 29.09.99. O que é mais importante? Combater a pobreza ou preservar a liberdade? Acertou quem respondeu as duas. Basta ler o prêmio Nobel Amartya Sen, que não tem feito outra coisa senão estudar a difícil relação entre ética e economia. A maioria de seus estudos diz respeito à pobreza e à desigualdade. Se há um intelectual que entende de pobreza e de desigualdade é ele. E a miséria extrema tem sido sua principal preocupação.
a)

A transformação de verbos em nomes (valorizar  valorização; polir  polimento; aprender  aprendizagem) é recurso de que podemos lançar mão para expressar-nos de muitas formas diferentes. Reescreva as frases em que aparecem as formas verbais sublinhadas, substituindo-as pelo nome correspondente e fazendo apenas as alterações necessárias. No fragmento acima, aparecem formas verbais compostas (...não faz outra coisa senão...; ...a miséria extrema é sua principal preocupação), haveria uma certa mudança no sentido das frases originais. Que mudança de sentido haveria nelas?

b)

32) (UFPEL/INVERNO/00) Leia atentamente a tira abaixo, publicada em revistas de circulação nacional:

FOLHA DE SÃO PAULO
O jornal que mais se compra. E que nunca se vende. A tira acima apresenta, intencionalmente, possibilidade de duas leituras, uma delas superficial, contraditória. Essa dupla interpretação advém do emprego da palavra se em funções diferentes. a) Quais são as duas interpretações que podem ser depreendidas das frases da tira acima?
b)

A palavra nunca, na última delas, pressupõe que a Folha de São Paulo não se vende em momento nenhum. Entretanto, ainda podemos perceber uma outra informação implícita. Qual é essa informação?

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33) (UFPEL/INVERNO/00)

1 0

As várias denúncias de medicamentos falsos, como as famosas “pílulas de farinha” (anticoncepcionais falsificados feitos à base de fubá), expuseram um dos mais terríveis desrespeitos ao cidadão cometidos no país. A esse tema reporta-se o texto abaixo, publicado no jornal Zero Hora, em 9 de agosto de 1998: Não só os remédios são falsos
Todos nós, médicos, estudamos e trabalhamos para salvar vidas. Perseguimos a cura. Sofremos com a morte e nos alegramos quando conseguimos adiá-la. É por isso que hoje, depois de publicamente exposta à miríade de crimes que envolvem os medicamentos, vimos a público manifestar nossa indignação. O quadro de crise da saúde pública já era de todos conhecido: pessoas esperam nas filas, horas, dias, meses, para obter um diagnóstico e, muitas vezes, morrem antes de consegui-lo; instituições superlotam, fecham. Fraudes roubam o dinheiro da saúde. Agora, soma-se outro quadro, onde a incompetência e o descaso escancaram brechas para a impunidade e ela, como que atendendo a um convite irresistível, instala-se sem controle. O próprio Poder Público compra os falsificados. O próprio Poder Público protege os falsificadores, quando se ausenta da fiscalização preventiva. Continuaremos, no entanto, nossa luta pela vida apesar dos fraudadores. E dos que permitem a fraude. Porto Alegre, 9 de agosto de 1998.
Dr. Marco Antônio Becker – Presidente do CREMERS Dr. Martinho Alvares Silva – Presidente da AMRIGS Dr. Paulo de Argollo Mendes – Presidente do SIMERS

Com base em sua leitura, responda: O termo “não só” pressupõe que haja algo mais falso além dos remédios. Que algo mais seria esse? b) No antepenúltimo parágrafo, a expressão “O próprio Poder Público” não precisaria ser repetida se o redator utilizasse o nexo “e”. Entretanto, qual o efeito de sentido conferido por essa recorrência?
a)

34) (UFPEL/01) O texto ao lado apresenta uma determinada visão sobre o mundo do trabalho, nos dias de hoje. a) Segundo a tira, qual é o perfil que deve ter o profissional para se adaptar a essa perspectiva? b) De que forma está presente a ironia, no texto?

35) (UFPEL/01) Revistas de circulação nacional têm publicado freqüentemente matérias sobre a necessidade de os pais ou responsáveis imporem limites às crianças. O quadro a seguir apresenta algumas sugestões a respeito do assunto. Observar o comportamento da criança. Manter o sim e o não que foram ditos. Conduzir a criança a compreender que seus direitos acabam quando começam os direitos dos outros. Inserir, no dia-a-dia, a terapêutica do elogio. Demonstrar, acima de tudo, bons exemplos.
(Isto É – nov/2000 – adaptado)

a) Reescreva o texto, transformando os verbos sublinhados em substantivos deles derivados (ex.: exibir – exibição), e fazendo as alterações necessárias.

36) (UFPEL/01) Observe o texto abaixo:
FOLGA PARA FAZER O EXAME

“Foi aprovado na Câmara e segue para o Senado estudo que prevê a falta ao trabalho, um dia por ano, para realizar o exame preventivo de câncer ginecológico”.
(revista Cláudia, novembro 2000, página 48 – adaptado)

a) Da leitura do fragmento acima, se podem depreender informações implícitas. Cite duas delas. b) Reescreva esse fragmento, colocando a palavra grifada no plural e fazendo as adaptações necessárias.

37) (UFPEL/INVERNO/01) Em comemoração ao Dia das Mães, a TIM CTMR CELULAR veiculou a seguinte mensagem: SE VOCÊ LIGA PRA SUA MÃE, DÊ UM TIM PRA ELA. Baseando-se na leitura do texto, que reproduz a nossa linguagem quotidiana, responda: a) Que palavra admite uma dupla interpretação?

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

b) Que conotação foi dada a essa palavra, na propaganda? 38) (UFPEL/02)

1 0

Leia o texto abaixo, de Moacyr Scliar, veiculado no jornal “Zero Hora”, em 07/10/2001.
“Acreditem: a batalha final não será travada entre as Forças da Luz e os Agentes das Trevas, mas sim entre aqueles que dizem: ‘Sim, os americanos são arrogantes e prepotentes, mas os ataques terroristas são horríveis’ e os que dizem: ‘Sim, os ataques terroristas são horríveis, mas os americanos são arrogantes e prepotentes’.”

No texto, há dois períodos em que, através da inversão na ordem dos segmentos introduzidos por “mas”, houve uma mudança na orientação argumentativa. a) Qual desses períodos poderia ser usado para justificar atos terroristas? Explique porquê.

39) (UFPEL/INVERNO/01) Observe atentamente o período abaixo:
Conforme esperam os promotores do espetáculo destinado a arrecadar fundos para ampliar a Escola X, se esse evento merecer a simpatia e a colaboração do povo e mostrar a esperança de minimizar o problema de crianças sem escola, terá atingido seus objetivos.

Copie novamente o período acima, fazendo as seguintes substituições: a) o verbo esperar pelo verbo prever; b) o verbo merecer pelo verbo obter; c) o verbo mostrar pelo verbo trazer.

40) (UFPEL/INVERNO/01) Estruturas como as seguintes são freqüentes na língua falada, já que a língua de todos os dias é mais solta, mais livre das amarras da normapadrão. I. Faltava alguns dias para esgotar o prazo de entrega da pesquisa, quando o professor pediu pra mim relatar as conclusões que cheguei. II. A criança, levaram ela para o hospital. III. O Dr. X. que eu não gostava dele, deu-me ótimas orientações a respeito do assunto. Reescreva as estruturas acima, de acordo com a língua formal.

41) (UFPEL/INVERNO/01) Na tira abaixo, pode-se depreender a crítica do autor a um dos problemas que comprometem a qualidade do texto.

fonte: ABAURRE & PONTARA, Português. Ed. Moderna, p.10

Com base nisso, responda: a) Qual é o problema apresentado pela redação de Calvin? b) Nessa redação, há uma crítica implícita. Que crítica é essa e a quem ela é dirigida? 42) (UFPEL/INVERNO/01)

a) Que interpretação se pode tirar do fato de o autor referir-se aos participantes da ALCA por “alcatéia”? b) Qual a posição do Brasil na ALCA, na interpretação do autor?

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

43) (FURG/00)
Rosto Das três dores de meu peito, só uma se mostra. Mas sem grito. Conciliados se encontram rosto e dor. É uma pedra lisa e fria o silêncio de meu rosto. Nem no retrato de ontem – corroído pelo tempo – nem no de agora – tão triste! – o grito transpõe a face. Costurados em silêncio, dor e rosto se confundem. São como o musgo na pedra, como a espada na bainha, como a semente na flor. Não sei se a dor vem do rosto ou o rosto vem da dor!
O poema é da poetisa Lila Ripoll (1905-1967)

1 0

Os dois últimos versos expressam uma dúvida: se o rosto que esconde um sentimento seria conseqüência ou causa da dor. Justifique esta interpretação com base no poema. 44) (FURG/00)
O funcionário público, acima de tudo, deve desfazer-se da roupagem antiga e abandonar a polidez forçada, tão inconsistente com a postura de homens livres, e que é uma relíquia do tempo em que alguns homens eram ministros e outros, seus escravos. Sabemos que as velhas formas de governo já desapareceram: devemos até esquecer como eram. As maneiras simples e naturais devem substituir a dignidade artificial que freqüentemente constituía a única virtude de um chefe de departamento ou outro funcionário graduado. Decência e genuína seriedade são os requisitos exigidos de homens dedicados à coisa pública. A qualidade essencial do Homem na Natureza é ficar de pé. O jargão ininteligível dos velhos ministérios deve dar lugar ao estilo claro, conciso, isento de expressões de servilismo, de formas obsequiosas, indiretas e pedantes, ou de qualquer insinuação no sentido de que existe autoridade superior à razão e à ordem estabelecida pelas leis – um estilo que adote atitude natural em relação às autoridades subalternas. Não deve haver frases convencionais, nem desperdício de palavras. (Apud LASSWELL, H., KAPLAN, A. A linguagem da
política. Brasília: Ed. da Universidade de Brasília, 1979.)

Este texto, que data de 1794, é de uma circular aos funcionários públicos da Fran-ça. Nos primeiros anos da Revolução Francesa, o governo tentava criar uma nova mentalidade para os serviços do Estado.

Resuma as diretrizes que o texto contém acerca da postura, das maneiras, da éti-ca e da linguagem recomendáveis aos servidores públicos. 45) (FURG/00) Resuma a relação que o texto a seguir estabelece entre ciência, tecnologia e sociedade.
Muitos culpam a tecnologia pela poluição generalizada, pelo esgotamento dos recursos naturais e até mesmo pela decadência da sociedade. No entanto, é melhor combater os perigos da tecnologia com o conhecimento, não com a ignorância. O poder da ciência e da tecnologia traz consigo a responsabilidade de manter o equilíbrio natural. Para tanto, devemos conhecer as regras básicas da natureza. É importante que os cidadãos estejam informados acerca de como o mundo lida com coisas do tipo chuva ácida, aquecimento global e lixo tóxico. Esse conhecimento é necessário no nível da comunidade quando ela avalia o impacto da construção de uma nova fábrica. E também no nível pessoal, quando se decide pela compra de um produto em aerosol, ou se põem no lixo materiais perigosos. O modo de pensar científico torna-se vital para a sociedade à medida que novos fatos são conhecidos e novas idéias sobre como cuidar do planeta são necessárias.
(Adaptado de HEWITT, P. Conceptual Physics.
Menlo Park: Addison-Wesley, 1992.)

46) (UFPEL/04) Leia atentamente a tira abaixo.
O MELHOR DE CALVIN / Bill Watterson

(http://www.estado.estadao.com.br; acesso em: 07/09/2003)

a) Calvin tece comentários em relação a diferentes tipos de expressão artística. De que recurso lingüístico se vale para expor suas idéias? b) O que se pode concluir das falas de Calvin, com respeito à sua concepção de arte?

47) (UFPEL/04)

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

O uso de palavras empregadas em sentido metafórico é recurso largamente utilizado no discurso publicitário. Transcreva do texto – uma propaganda da campanha Fome Zero – as palavras que comprovam o que foi dito acima, explicitando-lhes o sentido. b) O texto foi estruturado em linguagem coloquial. Identifique a(s) marca(s)
a)

1 0

(Zero Hora, 30/08/03)

dessa forma

(Zero Hora, 30/08/03)

de expressão. c) O texto conduz a uma idéia de inevitabilidade. Copie a palavra que traduz essa idéia.

48) (UFPEL/04)
O CÂNCER DA TRISTEZA A depressão que um diagnóstico de câncer acarreta pode encurtar a vida do paciente. A revista Psychosomatic Medicine publicou um estudo feito, ao longo de uma década, pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, com 205 vítimas da doença. Todas haviam recebido a notícia do câncer pouco tempo antes do início da pesquisa. Oitenta pessoas do grupo já morreram – a maioria delas apresentara os piores resultados em testes psicológicos. A conclusão dos autores é que pacientes de câncer também devem ter o acompanhamento de um psicólogo.
(Veja, 20/08/03)

a) O título da notícia pode levar a mais de uma leitura. Quais são elas? b) O uso do vocábulo “também”, na última linha do texto, permite que se recupere uma informação implícita. Explicite-a.

49) (UFPEL/04) Observe o trecho a seguir.
O ex-general iraquiano Izzat Ibrahim al Durin estaria coordenando os ataques no Iraque contra as tropas da coalizão anglo-americana, afirmou hoje um funcionário do Pentágono. Segundo o funcionário, que pediu para não ser identificado, o Pentágono teria informações de que Al Durin está coordenando os ataques de combatentes estrangeiros e iraquianos leais ao ex-presidente Saddam Hussein. [...]

(www.folha.com.br, Folha Online, 29/10/03; acesso em 29/10/03)

A locução verbal “estar coordenando” aparece, no texto, de duas formas diferentes. Comente a razão do uso de cada uma delas. b) Transcreva do texto uma forma verbal cujo emprego remete à mesma idéia de uma dessas locuções.
a)

50) (MAPOFEI-SP – adaptada) Observe a lista abaixo. tacitamente obscuramente sutilmente prolixamente radicalmente puerilmente

Escolha, nessa lista, o advérbio mais adequado a cada uma das ações a seguir enunciadas, de acordo com o modelo. MODELO: Falar com insolência.
1) 2) 3) 4) 5) 6)

=

Falar arrogantemente.

Dizer com palavras enigmáticas e difíceis de compreender. Exprimir-se com palavras excessivas. Concordar sem dizer palavras. Agir como criança. Insinuar com perspicácia e delicadeza. Eliminar pela base.

51) (UFPEL/INVERNO/02) Uma conhecida operadora de telefonia celular publicou a seguinte peça publicitária no jornal Diário Popular, edição do dia 24 de novembro de 2001: Pode-se perceber, no entanto, que o texto contém uma inadequação à modalidade padrão, que, embora comum na linguagem coloquial, modifica o sentido pretendido pela empresa. Com base nisso, faça o que se pede. a) Corrija o texto publicitário de acordo com o sentido pretendido. b) Se o texto fosse entendido ao pé da letra, qual serviço a empresa estaria obrigada a oferecer?

PRÁTICAS DO DIZER: um exercício da linguagem – caderno de exercícios

52) (UFPEL/03)
ANTINADA E ANTININGUÉM O Brasil de hoje, independentemente das sombras que pairam no horizonte do sistema financeiro internacional, revela um vigoroso desejo de renovação. No entanto, o clima de sinistrose renasce constantemente. A suposta implosão do Real e a iminente argentinização de nossa economia foi anunciada inúmeras vezes. A especulação, irresponsável e voraz, elevou a cotação do dólar e repercutiu no endividamento das empresas. Alguns ganharam, mas o Brasil perdeu. A situação é grave. Certamente. Mas está muito distante das previsões de certos urubus do mercado. [...]
(Di Franco, Carlos Alberto, Diário Popular, 10/10/02)

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Há contradição entre o conteúdo do texto e o título a ele atribuído? Justifique.

53) (UFPEL/INVERNO/02) Dada a recorrência de um determinado cenário socioeconômico mundial, o jornal Zero Hora republicou, em 22 de dezembro de 2001, uma charge que já o havia ilustrado em meados de junho daquele ano:

Com base na charge e em seus conhecimentos, faça o que se pede. a) Identifique a situação real ali caricaturizada. b) A charge traz, de forma implícita, um desfecho para essa situação. Explique, através dos elementos visuais, que desfecho seria esse.

54) (UFPEL/03) O fascículo 2 da série “Brasil 500 anos”, publicada pela Editora Abril, tem, como introdução, o texto “Colonização e Nova Ordem”, do qual foi retirado o fragmento a seguir.
Demorou algum tempo para que os portugueses tivessem idéia da extensão de seus domínios americanos e se apercebessem do que significariam para o Império Português, se fossem bem explorados. Mapearam o litoral e nele semearam pequenos pontos de apoio para a navegação. Deram-se conta rapidamente de que os índios nada produziam que pudesse interessar ao mercado europeu além do pau-brasil cortado e embarcado em troca de uns poucos produtos de valor medíocre.

Os tempos verbais utilizados no texto – por se tratar de um fragmento narrativo – são os tempos do passado. Para provocar uma atitude de maior engajamento do narrador, para aumentar a “tensão” em relação ao que está sendo relatado, é comum aparecerem, nos textos do mundo narrado, tempos do presente. Transcreva o parágrafo acima, utilizando tempos do presente.

55) (UFPEL/03) Algumas palavras da língua que pertencem à esfera semântica das relações, atuam na junção de elementos da frase. Este é o caso das preposições, que podem estabelecer relações de sentido com os elementos por elas conectados. Um exemplo disso é o que acontece com a preposição em, que pode trazer uma idéia de lugar (estar em casa) ou uma idéia de modo (estar em dificuldades). Examine as estruturas abaixo, todas elas apresentando a preposição por.
I. Todos lutam por melhores condições de vida. II. III. IV. V.

Os dois prédios são unidos por uma passarela. Muitos, por timidez, não conseguem dizer o que pensam. Por mim, podem fazer o que quiserem. Ela sorria, enquanto andava por todas as peças daquela casa.

Explicite a relação de sentido que o uso dessa preposição trouxe a cada uma das frases.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

56) (UFPEL/INVERNO/02)

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Poema da necessidade
É preciso casar João, é preciso suportar Antônio, é preciso odiar Melquíades, é preciso substituir nós todos. É preciso salvar o país, é preciso crer em Deus, é preciso pagar as dívidas, é preciso comprar um rádio, é preciso esquecer fulana. É preciso estudar volapuque*, é preciso estar sempre bêbedo, é preciso ler Baudelaire, é preciso colher as flores de que rezam velhos autores. É preciso viver com os homens, é preciso não assassiná-los, é preciso ter mãos pálidas e anunciar o FIM DO MUNDO.
Carlos Drummond de Andrade (Sentimento do mundo, 1940) * Língua auxiliar de comunicação internacional, lançada em 1879 pelo alemão Mons. Johann M. Schleyer. (Dicionário Aurélio, 1986)

Considere a totalidade do poema e o momento histórico em que foi escrito. a) Pode-se perceber a recorrência da expressão “é preciso” durante quase todo o texto. Qual o efeito de sentido que pode ser extraído dessa escolha do poeta? b) Analise a última estrofe, contextualizando-a.

(FURG/01) Instrução: as questões de números 57 e 58 referem-se ao texto abaixo.

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Laís Maria Passos Rodrigues & Teresinha dos Santos Brandão

TEXTO

Livro eletrônico: você ainda vai ler um
O avanço das novas tecnologias está revolucionando a relação entre os leitores e a literatura em todo o mundo
Carlos Corrêa 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 O acervo de toda a Feira do Livro de Porto Alegre – cerca de 210 bancas nesta edição – em uma banquinha só. Clássicos de Shakespeare, Machado de Assis ou Balzac, de graça, ao alcance de um clique. Uma estante inteira de livros dentro da memória do computador. (...) As infinitas possibilidades abertas pelos e-books devem transformar completamente a relação dos leitores com a literatura nos próximos anos. E essa revolução já começou. (Zero Hora, 4/11/00)

Você sabia? E-book é o livro eletrônico, que pode ser lido de três diferentes maneiras. As mais usadas são a leitura direta no computador ou então através de um aparelho específico, conhecido como ebook device. A outra maneira, menos comum, é através de um palm top, um pequeno computador de mão.

57) A propósito do texto, é INCORRETO afirmar que
a) b) c) d) e)

a expressão Livro eletrônico (título) é colocada em primeiro plano e seguida de dois pontos, para enfatizar o tópico a ser comentado. o vocábulo ainda (título) é portador de pressuposição, isto é, sugere idéia não explicitada. o termo revolucionando (subtítulo) poderia ser substituído por está causando impasse entre leitores e literatura. a palavra avanço (subtítulo) é derivada de um verbo. na palavra devem (linha 9) há marca do parecer de quem produziu o texto.

58) Considerando aspectos relativos ao uso da língua na construção do texto, é INCORRETO afirmar que o emprego do grau diminutivo em banquinha (linha 3) visa a opor as dimensões da banca à extensão e qualidade do acervo. b) a palavra clique (linha 5), por constituir-se na imitação de um som, é exemplo de onomatopéia. c) o termo Clássicos (linha 3) refere-se, no contexto, a obras que se caracterizam pelo mais alto padrão de qualidade, tendo sido produzidas por escritores famosos, legítimos representantes da melhor literatura, ao longo do tempo.
a)

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

o modificador adverbial completamente (linhas 9-10) refere-se à relação do leitor com a literatura. e) a expressão essa revolução (linha 11) funciona como mecanismo de coesão textual, remetendo o leitor a idéias expressas anteriormente.
d)

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(FURG/03) As questões de 59 a 61 são vinculadas ao texto abaixo.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Produtores da região criam peixes na lavoura de arroz Após a introdução da piscicultura não houve registro de ocorrência de bicheira da raiz, não sendo necessária a utilização de herbicida para seu controle. Também foi verificada uma melhoria nas condições de fertilidade do solo, o que pode ser constatado pelo aspecto e vigor das plantas, em comparação ao restante da área. (Adaptado de A Razão, Santa Maria, 29/09/02, p.4)

59) Assinale a opção que, sem alterar o sentido do texto, poderia substituir o segmento não sendo necessária a utilização de herbicida (linhas 5-6)
a) b) c) d) e)

à medida que não se aplicou herbicida. uma vez que não foi aplicado herbicida. o que dispensou a aplicação de herbicida. em detrimento da aplicação de herbicida. por não ter sido aplicado herbicida.

60) A palavra seu (linha 6) refere-se à expressão
a) b) c) d) e)

bicheira da raiz. utilização de herbicida. piscicultura. registro de ocorrência. introdução da piscicultura.

61) O segmento o que pode ser constatado (linha 8) refere-se à expressão

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a) b) c) d) e)

Laís Maria Passos Rodrigues & Teresinha dos Santos Brandão

introdução da piscicultura. fertilidade do solo. condições de fertilidade do solo. registro de ocorrência de bicheira da raiz. melhoria nas condições de fertilidade do solo.

(UCPEL) Texto referente às questões de 62 a 64

Geração Coca-Cola
Quando nascemos fomos programados A receber o que vocês nos empurraram Com os enlatados dos USA, de 9 às 6. Desde pequeno nós comemos lixo Comercial e industrial Mas agora chegou nossa vez Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês. Somos os filhos da revolução Somos burgueses sem religião Nós somos o futuro da nação Geração Coca-Cola Depois de vinte anos na escola Não é difícil aprender Todas as manhãs do seu jogo sujo Não é assim que tem que ser? Vamos fazer nosso dever de casa E aí então, vocês vão ver Suas crianças derrubando reis Fazer comédia no cinema com as suas leis.

62) O título do texto está associado, sobretudo, a) b) c) d) ao consumismo ditado pelas elites econômico-financeiras. ao domínio dos meios de produção de ciência e tecnologia. à falta de meios eficientes de produção. à falência do socialismo. e) aos efeitos nocivos que a ingestão de refrigerantes causam à saúde.

63) Um texto evoca relações com idéias não contidas nele, mas que a ele se ligam por oposição.

PRÁTICAS DO DIZER 2: um exercício da linguagem

Quanto ao texto acima, pode-se dizer que se relaciona por laços de oposição a a) um modelo socialista no qual a coletividade planeje livremente seus objetivos de consumo e seu modo de viver. b) um mundo onde não se beba Coca-Cola nem se coma enlatados. c) uma revolução em que os Estados Unidos deixe de existir e o comunismo volte à União Soviética. d) uma sociedade que elimine os meios de comunicação de massa e volte à comunicação tu a tu primitiva. e) um sistema de estruturação social em que não haja mais cinema, em que o teatro seja a forma culta de divertimento.

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64) Marque o item que está em desacordo com o conteúdo tratado na letra da canção. a) b) c) d) e) manipulação por meio da mídia falta de apoio do governo à cultura crítica nacional alimentação artificial protesto a um sistema político opressor influência do “American way of life” (modo americano de viver) na educação e no relacionamento social

Referências Bibliográficas
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