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O jogo e a educação infantil

O que diferencia o jogo da brincar são as suas especificidades. Um trabalho ou
competição esportiva são jogos, mas é preciso lembrar que uma mesma conduta pode
ser jogo ou não-jogo em diferentes culturas dependendo do significado a ela atribuído.
Ao jogo podemos atribuir algumas diferenciações:

1. Funciona dentro de um contexto social – cada sociedade, dependendo do lugar e da
época, atribui uma imagem, um sentido ao jogo, possuindo significações distintas; como
no Romantismo o jogo era tido como algo sério destinado a educação infantil. No Brasil
jogo, brincadeira e brinquedo não possuem distinção e demonstram uma baixa
conceituação neste campo.

2. Um sistema de regras – as regras são as estrutura seqüenciais que especificam as
modalidades do jogo, quando alguém joga logo se deve obedecer as estas regras.

3. Objeto – caracterizam o jogo.

No brinquedo não existe um sistema de regras. O brinquedo em si estimula a
expressão de imagens que traduzem aspectos da realidade, no jogo é necessário o
desempenho de certas habilidades definidas pelo próprio jogo e regras, o que não
acontece no brincar com o brinquedo. Além disso, o brinquedo reproduz o mundo
técnico e cientifico através dos aparelhos eletrodomésticos, naves espaciais, bonecos e
robôs, incorporando características de tamanho, formas, antropomorfismo, se
relacionando com a idade e publico destinado e o mundo imaginário e da ficção
cientifica criado pelos desenhos animados e seriados de TV. Os fabricantes de
brinquedos neles introduzem imagens que mudam de acordo com a cultura local e
contém diversas vezes uma referência ao tempo de infância do adulto, com
representações trazidas pela memória e imaginação.
O brinquedo e a brincadeira têm relação direta com a criança, no seu
desenvolvimento e na construção do conhecimento infantil, e não se confundem com o
jogo. A natureza livre do jogo se encontra na voluntariedade do ser humano, se imposta
deixa de ser jogo, este tem um importante papel na formação mental e da realidade. O
jogo acontece em um espaço e tempo determinado, com seqüência de brincadeira, onde
há a liberdade de ação do jogador, a separação do jogo em limites e tempo, a incerteza
que predomina e o caráter improdutivo de não criar, com relação a isto o que importa é
o processo de brincar, a criança não se preocupa com a aquisição de conhecimento ou
desenvolvimento de qualquer habilidade física ou mental. Características dos jogos
infantis:
Não-literalidade: a realidade interna da criança predomina sobre a externa, o ursinho de
pelúcia substitui o filhinho representado pela boneca.
Efeito positivo: o jogo infantil desperta o prazer e a alegria representados no sorriso,
trazendo efeitos positivos de ordem corporal, moral e social da criança.
Flexibilidade: as crianças ficam mais dispostas a aprender novas combinações de idéias
e de comportamento quando brincam do que em outras atividades não recreativas.
Prioridade do processo de brincar: quando a criança brinca concentra toda a sua
atenção nesta atividade e não em seus resultados ou efeitos. O jogo infantil só pode
receber este nome quando o objetivo da criança é brincar.
Livre escolha: o jogo infantil só pode ser jogo quando escolhido livremente pela
criança. Caso o contrário é trabalho ou ensino.
Controle interno: no jogo infantil as próprias crianças determinam o desenvolvimento
das ações.
Antigamente três visões estabeleciam as relações dos jogos infantis e a
educação: 1. recreação, 2.uso do jogo para favorecer o ensino e 3.identificação da
personalidade infantil para adequação as suas necessidades, e por muito tempo o jogo
infantil era apenas algo recreativo. No Renascimento esta visão mudou o jogo servia
para divulgar princípios morais e éticos, conteúdos de história, geografia, etc. passando
a ser uma conduta livre que favorecia o desenvolvimento da inteligência, linguagem e
imaginário e facilitava os estudos.
No século XIX com o darwinismo o jogo se torna cientifico. Visto como
elemento participante da seleção natural, a conduta lúdica parece incorporar à
adaptabilidade dos animais que se tornam mais capazes a sobrevivência. O jogo é um
pré-exercicio de instintos herdados, uma necessidade biológica e psicologicamente um
ato voluntario.
Na pedagogia atual, com o escolanovista Piaget, a brincadeira participa do
conteúdo da inteligência, à semelhança da aprendizagem, sendo o meio de estudar a
criança e perceber seus comportamentos. Brincadeiras como esconder o rosto com a
fralda estimulam a criatividade, conduzem a descoberta das regras e colaboram com a
aquisição da linguagem; é a ação comunicativa nas brincadeiras entre mãe e filho que da
significado as gestos levando a criança a aprender a falar.
O brinquedo educativo é o recurso que ensina, desenvolve e educa de forma
prazerosa. Quebra-cabeça ensina formas e cores, brinquedos de tabuleiro levam a
compreensão dos números e operações matemáticas, brinquedos de encaixe, trabalham
seqüência de tamanho e formato, etc. o jogo contempla varias formas de representação
da criança ou suas múltiplas inteligências, contribuindo para a aprendizagem e
desenvolvimento infantil, o educador ao estimular os jogos educativos esta
potencializando as situações de aprendizagem como:
1. Função lúdica: o brinquedo traz diversão, prazer e desprazer, quando escolhido
voluntariamente.
2. Função educativa: o brinquedo ensina a criança em seu saber, seus conhecimentos e
apreensão do mundo.
Por ser um elemento folclórico a brincadeira tradicional infantil traz
características de tradicionalidade, transmissão oral, conservação, mudança e
universalidade. Não conhecemos a origem da amarelinha, do pião ou das parlendas,
povos antigos na Grécia e do Oriente já brincavam com estes jogos e na atualidade as
crianças não o fazem diferente. A brincadeira tradicional garante a presença do lúdico e
do imaginário.
A brincadeira de faz-de-conta deixa presente a situação do imaginário,
permitindo a expressão de regras nos temas das demais brincadeiras. Ao brincar de faz-
de-conta a criança esta criando símbolos.
Os jogos de construção são muito importantes por enriquecer a experiência
sensorial, estimular a criatividade e desenvolver habilidades na criança. Transformando,
construindo e destruindo a criança mostram a sua imaginação, conflitos e permite aos
profissionais na área o diagnóstico das dificuldades bem como aos professores o
estímulo ao imaginário e o desenvolvimento afetivo e intelectual. Com os jogos de
construção a criança expressa suas representações mentais alem de manipular objetos.
Jogos, Brinquedos e Brincadeiras

JOGO: Definição
Jogos políticos, de adultos, de crianças, de animais, etc.
Alguns são chamados jogos e outros brincadeiras.
Jogo: resultado de um sistema lingüístico, dentro da sociedade, uso diário e social da
linguagem. A sociedade da à imagem que quer ao jogo.
Sistema de regras: estrutura e seqüência que especifica uma modalidade.

Jogos infantis:
Não-literalidade: realidade interna predomina sobre a externa.
Efeito positivo: prazer e alegria
Flexibilidade: combinações de idéias e comportamentos
Prioridade do processo de brincar: atenção concentrada na atividade e não em
resultados.
Livre escolha: o jogo só e jogo se for escolhido pela criança.
Controle interno: as próprias crianças determinam o desenvolvimento do jogo
Jogo educativo: ensina qualquer coisa que complete o individuo em seu saber,
conhecimento e apreensão do mundo

Os jogos e sua importância na escola

Jogos de exercícios
Repetição. Voltado à formação de hábitos, principal forma de aprendizagem no
primeiro ano de vida. São à base das operações mentais futuras.

Jogos simbólicos
Vem depois dos jogos de exercícios. Importância fundamental para a produção de
conhecimento na escola. Base dos “porquês”.

Jogo de regras
Igual aos jogos anteriores. Tem caráter coletivo e regra própria.

Competitividade:
Competir por si só não é bom ou ruim. Significa poder ao mesmo temo ganhar ou
perder. O que modifica a competição e o modo que se reage a ela.

Competência:
Ser competente não significa ser individualista. As regras existem para todos, o
importante é saber o valor operativo.

BRINQUEDO: relação intima com a criança. Ausência de regras. Estimula a
representação, a expressão de imagens e da realidade.
Objetivo: dar a criança um substituto dos objetos reais para manipulação.
Reproduz o mundo cientifico e técnico. Propõe um mundo imaginário.

BRINCADEIRA: é a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo,
mergulhando no lúdico.
Reflexão sobre o tema: Jogos, brinquedos e brincadeira

Concordamos com a afirmação da importância do brincar na infância. Pelos muitos
benefícios que este traz para a criança no seu desenvolvimento social, intelectual e
motor. Com relação aos brinquedos infelizmente são muitos aqueles que demonstram
apenas o interesse comercial de seus fabricantes, e não trazem nada de bom as crianças,
como armas de brinquedos, bonecos assassinos e outros que disseminam a violência,
bonecas que ensinam fundamentalmente o valor do consumismo, da futilidade,
retratando um estilo de vida que privilegia o supérfluo, através de seus muitos
acessórios (sapatos, bolsa, carros, casa dos sonhos, etc.) transmitindo às crianças o
ensinamento de que só se atinge a felicidade através da aquisição de bens materiais
simbolicamente valorizados. Nos jogos competitivos mostramos nossa preocupação
com a frase “que vença o melhor”; acreditamos que muitas vezes a criança tão somente
interessada em vencer, porque afinal de contas vivemos numa sociedade capitalista que
visa a competição em vários âmbitos como econômicos e sociais, não perceba a
importância do apenas competir, do se divertir e vindo esta a uma derrota não saiba
trabalhar muitas vezes com este sentimento desenvolvendo um complexo de
inferioridade, porque se o que vence é o melhor e os que perdem o que são? Os piores?
E preciso trabalhar esta temática com muito cuidado em sala de aula.