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Material de Estudo.

RESENHA

1
RODRIGUES, Agnes dos Santos Scaramuzzi
ass.rodrigues@santanna.br
2
NOGUEIRA, Hélita A. M. Vieira Nogueira
hamv.nogueira@santanna.br

O presente texto tem o objetivo de oferecer uma breve reflexão sobre a


produção de gêneros acadêmicos e, assim, contribuir com as atividades textuais dos
graduandos do curso de Letras inseridos na UniSant‟Anna em 2010.

Segundo literatura relativamente recente sobre essa questão3, a base para a


produção de um bom texto acadêmico é uma leitura e entendimento do texto fonte
seguida da elaboração de um resumo. Esse registro poderá, então, servir de alicerce na
construção de outros gêneros encontrados na área acadêmica. No esquema a seguir
pode-se observar com maior clareza como essa relação ocorre;

 Resenha
 Projeto de pesquisa
 Relatório de pesquisa
 Artigo Resumo
 Apresentação em Congresso
 Monografia
 Dissertação
 Tese

Agnes dos Santos Scaramuzzi Rodrigues


Mestra -PUC-SP / LAEL 3

1
Mestra em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC-SP / LAEL) e Docente nos cursos de
Letras; Pedagogia e Enfermagem na Uni Sant‟ Anna.
2
Mestra em Textualidade (PUC-SP) e Docente no curso de Letras na UniSant‟Anna.
3
Anna Rachel Machado at all (2004), Resumo e Resenha.
Material de Estudo.

Desse modo, verifica-se que os gêneros mencionados no slide são


frequentemente solicitados por professores, sendo necessário que o aluno domine as
técnicas de elaboração dos mesmos. E quais seriam esses caminhos para elaborar uma
resenha?

Antes de se responder essa questão é fundamental esclarecer que o modo como


cada professor pede esses trabalhos pode ser diferente. O resumo crítico, ou seja, aquele
que apresenta um resumo do texto fonte, mas que deve conter uma crítica sobre o que
nele tenha sido discutido é o que se nomeia, atualmente, como resenha.

Para responder a questão acima se faz necessário entender que há diferenças


pontuais entre esses gêneros, resumo e resenha. A seguir destaca-se as principais:

 Gênero Resumo;

o Não aceita nenhum tipo de reflexão;

o Não é permitido alterar a ordem em que o texto fonte foi construído;

o Há marcas textuais muito claras que permitem ao leitor não confundir


quem é o autor do texto fonte e quem é o autor do resumo, tais como:

 Este resumo;

 Segundo o Rodrigues (2007);

 A autora conclui que...

 Gênero Resenha;

o É um trabalho de síntese que revistas e jornais científicos publicam


geralmente logo após a edição de uma obra;

o Tem por objetivo a divulgação dessa obra;

o Não se trata de um simples resumo, porque ela vai além: resume a obra e
faz uma avaliação sobre ela, apresentando suas linhas básicas e
avaliando-a ao mostrar seus pontos fortes e fracos;

o A resenha pode ser:

 de um ou mais capítulos, de uma coleção ou mesmo de um filme;


 apresenta falhas, lacunas e virtudes;
 explora o contexto histórico em que a obra fora elaborada;
 faz comparações com outros autores.
o Todas as etapas do resumo são seguidas, porém;

 O autor da resenha apresenta sua opinião em relação ao que foi


resumido;
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 A conclusão deve, necessariamente, apresentar uma crítica, uma


reflexão sobre o texto fonte e o impacto do mesmo sobre algum
processo de amadurecimento ou contribuição na formação do
autor da resenha;

o De uma boa resenha devem constar;

 A referência bibliográfica da obra, preferencialmente seguindo a


ABNT;

 Alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação, vínculo


acadêmico e outras obras, por exemplo);

 O resumo da obra, ou síntese do conteúdo, destacando a área do


conhecimento, o tema, as idéias principais e, opcionalmente, as
partes ou capítulos em que se divide o trabalho. Deve-se deter no
essencial, mostrando qual é o objetivo do autor, evitando recorrer
a detalhes e exemplos, seja conciso. Este momento é mais
informativo que crítico, embora a crítica já possa estar presente;

 As categorias ou termos teóricos principais de que o autor se


utiliza, precisando seu sentido, o que ajuda evidenciar seu
fundamento teórico, situando-o no debate acadêmico e
permitindo sua comparação com outros autores. Aqui não só se
deve expor claramente como o autor conceitua ou define
determinado termo teórico, mas já se deve introduzir críticas, seja
à utilização ou à própria conceituação feita pelo autor (em uma
resenha para revistas especializadas, esta parte pode ser
dispensada, até por economia de espaço, mas é essencial em
trabalhos acadêmicos);

 A avaliação crítica, é o ponto alto da resenha, pois nela o


“resenhista” mostra seu conhecimento, dialoga com o autor e/ou
com leitor.

Segundo Hêndricas, “a resenha crítica (também denominada recensão crítica,


quando mais longa e acompanha de aparato crítico) consiste num conjunto de
comentários sobre um livro no seu todo ou sobre os aspectos mais relevantes da obra. É
um artigo de divulgação científica em que se dá uma idéia sobre o conteúdo de uma
obra por meio de um resumo de seu conteúdo e, também, se exerce análise crítica,
observando a expressão lingüística, os métodos, os conceitos, os seus valores de acordo
com os objetivos do texto resenhado. Para maior validade de análise crítica, apóia-se
com citações bibliográficas, nas opiniões de outros estudiosos de reconhecida
autoridade no assunto.”

“A linguagem segue os padrões da linguagem científica das redações


acadêmicas, respeitando as opiniões expressas no texto estudado com fidelidade, sem
deformação das idéias nem procura de polêmica apaixonada. O autor da resenha deve
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conhecer bem o assunto e ter espírito crítico capaz de perceber, no conjunto e nas
partes, os valores criticados.”

A resenha distribui-se, geralmente, em partes que podem não estar indicadas


com títulos.

Introdução com as referências bibliográficas e dados sobre o autor.

Resumo do conteúdo.

Análise com julgamentos de valores dos pontos mais importantes e controversos. Em


obras literárias, estuda-se a construção das personagens, psicológicas e socialmente.
Conhecimentos culturais sobre o assunto tratado e sobre o autor da obra.

Apreciação da obra quanto ao seu valor científico ou estético em visão crítica objetiva,
imparcial, sem digressões, que mais ressaltam as idéias do resenhador que do
resenhado. Avalia-se a importância da obra dentro da área de atuação, ou seja, opinião
crítica sobre a obra.

“Conclusão que abranja o valor do conjunto todo da obra.”

Na sequência deste documento, o leitor encontrará, como proposta didática,


dois exemplos de resenha. As duas referem-se a livros. A primeira é destinada a um
público específico e a segunda é para um jornal, objetivando a divulgação daquela obra.

Primeiro exemplo:

Classificação de Textos: uma proposta didática

A obra a ser resenhada foi escrita por Ana Maria Kaufman e por Maria Elena
Rodrigues. A primeira autora, é uma profissional da área da Educação, mais
especificamente, trabalha com produção textual para crianças e é professora adjunta na
Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires. A segunda, também
professora na Universidade de Buenos Aires e é especialista em Linguística.

O livro é composto de quatro capítulos mais introdução e reflexões finais,


distribuídos da seguinte forma:

 Capítulo I;

o Rumo a tipologia dos textos.

 Capítulo II;

o Caracterização linguística dos textos escolhidos.

 Capítulo III;

o Os textos escolares: um capítulo à parte.


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 Capítulo IV;

o Planejamento de projetos didáticos que levem em consideração


as características dos textos.

Desde a introdução observa-se o uso intencional de uma linguagem formal e


culta. O que as autoras explanam reflete a preocupação de ambas em encontrar uma
ordem didática para os textos que circulam na esfera escolar. Desse modo, o objetivo
delas foi o de: facilitar o trabalho do professor que lida com escritos em sua rotina de
aulas; promover um incremento qualitativo nas interpretações de textos efetuados por
alunos e desenvolver as habilidades dos pequenos estudantes para que progridam como
produtores de textos, Mais especificamente, esta resenha tratará do capítulo I, deixando
os demais para outra oportunidade.

No capítulo referido, (aqui o autor da resenha fará um breve resumo das


questões abordadas pela autora apresentando suas reflexões sobre esses pontos).

Como considerações finais, aponto que a leitura do texto fonte configurou-se


numa ferramenta importante de amadurecimento pessoal e acadêmico, uma vez que ...

Segundo exemplo:
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Estudando a resenha acima “O dia de um escrutinador”

Introdução – O dia de um escrutinador. Ítalo Calvino. Tradução: Roberta Barni.


Companhia das Letras. 96 p., R$ 22,00.

Resumo – “Seus temas: comunismo, dor física e existencial, miséria humana,


deficientes físicos e mentais, alta e baixa política.” “Amerigo Ormea, o protagonista, é
historiador e comunista em crise.”

Análise – Primeiro parágrafo todo: “Escrito ao longo de dez anos (...) Os nossos
antepassados (composta de O visconde partido ao meio, O barão nas árvores e O
cavaleiro inexistente).”

Apreciação – “A diferença entre as duas trilogias reside na leveza que distancia uma da
outra. O dia de um escrutinador é um romance, se fosse possível dizê-lo, „naturalmente
pesado‟, a partir da escolha de seus temas.” E em outro trecho também: “De forma
rigorosa, esses e ouros temas são tratados por vários ângulos, segundo as premissas do
método dialético”. Também: “O dia de um escrutinador traz um pouco dessa transição”.

Conclusão - “Calvino começou a escrever o livro quando ainda comunista e o concluiu


já fora do Partido. O dia de um escrutinador traz um pouco dessa transição.”

Como consideração final, esclarece-se que este material teve o objetivo de


exemplificar a construção de resumos e resenhas por meio de uma didática participativa
por parte do aluno que deverá praticar a produção desses gêneros com os textos
sugeridos por seus professores, uma vez que, essa participação pode ser entendida como
um modo de estudo, o encontro da teoria com a prática.

Referências Bibliográficas

FRANÇA, Júnia Lessa et alii. Manual para normalização de publicações técnico-


científicas. Belo Horizonte, UFMG, 2000.

KAUFMAN, A. M. e RODRIGUES, M. E. Rumo a uma tipologia dos textos in Escola,


leitura e produção de textos. Trad. Inajara Rodrigues. Porto Alegra: Ed. Artes Médicas,
1995.

LANDEIRA, José Luís & BITTENCOURT, Sylvia Homem de & VIEIRA, Alice.
Língua Portuguesa. 2ª ed., Brasília: Cisbrasil – CIB, 2009.

MACHADO, Anna Rachel at all. Resumo e Resenha. 2004.

NALDÓLSKIS, Hêndricas. Comunicação redacional atualizada. 10a ed., São Paulo:


Saraiva, 2006.