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NR-18 COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE SEGURANÇA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

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  • 1. INTRODUÇÃO
  • 1.1 Objetivos
  • 1.2 Justificativa
  • 2. REVISÃO DE LITERATURA
  • 2.1 Acidentes de Trabalho
  • 2.2 Conceito Legal do Acidente do Trabalho
  • 2.3 Conceito Prevencionista do Acidente de Trabalho
  • 3. METODOLOGIA
  • 3.1 Análise Setorial da Indústria da Construção
  • 3.2 Estatísticas de Acidentes de Trabalho
  • 3.3 Estatísticas de Acidentes de Trabalho no Brasil
  • 3.4 Estatísticas de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção
  • 3.6 Metodologias de Proteção
  • 3.6.1 Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC’s
  • 3.6.2 Equipamentos de Proteção Individual - EPI
  • 3.7 Programas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho
  • 3.8 Riscos Ambientais na Indústria da Construção
  • 3.8.1 Riscos Físicos
  • Tabela 3.12 – Riscos Físicos na Indústria da Construção
  • 3.8.2 Riscos Químicos
  • Tabela 3.13 – Riscos Químicos na Indústria da Construção
  • 3.8.3 Riscos Biológicos
  • Tabela 3.14 – Riscos Biológicos na Indústria da Construção
  • 3.8.5 Riscos de Acidentes ou Mecânicos
  • 3.9.1 Demolição
  • 3.9.2 Movimentação de Terra
  • 3.9.3 Fundações e Estruturas
  • 3.9.4 Coberturas
  • Figura 7 – Andaime Tubular Móvel
  • 3.9.5 Fechamento e Alvenaria
  • Figura 9 – Operação de Fechamento e Alvenaria Interna
  • 3.9.6 Instalações e Acabamentos
  • 3.9.7 Máquinas de Elevação
  • 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
  • Figura 14 - Canteiro de obra que não implementa a NR-18
  • 4.2 A Aplicação prática da NR-18 nos Canteiros de Obras
  • 4.3.1 Dimensionamento das Áreas de Vivência
  • 4.3.1.1 Instalações sanitárias
  • Figura 18 - Piso provido de estrados de madeira
  • 4.3.1.2 Vestiário
  • 4.3.1.3 Alojamento
  • Figura 19 - Vestiário com armários individuais, bancos e iluminação natural
  • Figura 20 - Alojamento em canteiro de obra
  • 4.3.1.4 Local para as refeições
  • Figura 21 - Local destinado às refeições (refeitório)
  • 4.3.1.5 Cozinha
  • 4.3.1.6 Lavanderia
  • Figura 24 - Lavanderia com tanques coletivos
  • 4.3.1.7 Área de Lazer
  • Figura 26 - Área de lazer organizada no canteiro
  • Figura 25 - Televisão colocada no refeitório
  • 4.3.1.8 Ambulatório
  • 4.4 A Aplicação e Implementação da NR-18 nos Canteiros de Obras
  • 4.5 Propostas de Revisões na NR-18
  • 5. CONCLUSÕES
  • 6. RECOMENDAÇÕES
  • 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DANIEL ZARPELON LEOBERTO DANTAS ROBINSON LEME

A NR-18 COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE SEGURANÇA, SAÚDE, HIGIENE DO TRABALHO E QUALIDADE DE VIDA PARA OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

São Paulo 2008

FICHA CATALOGRÁFICA

Leme, Robinson A NR-18 como instrumento de gestão de segurança, saúde, higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da indústria da construção / R. Leme, D. Zarpelon e L. Dantas. -São Paulo, 2008. 122 p. Monografia (Especialização em Higiene Ocupacional). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Programa de Educação Continuada em Engenharia. 1. Construção civil (Medidas de segurança) 2. Saúde ocupacional 3. Qualidade de vida no trabalho I. Zarpelon, Daniel II. Dantas, Leoberto III. Universidade de São Paulo. Escola Politécnica. Programa de Educação Continuada em Engenharia IV. t.

DANIEL ZARPELON LEOBERTO DANTAS ROBINSON LEME

A NR-18 COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE SEGURANÇA, SAÚDE, HIGIENE DO TRABALHO E QUALIDADE DE VIDA PARA OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

Monografia apresentada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para a obtenção do título de Especialista em Higiene Ocupacional

São Paulo 2008

é uma legislação discutida e aprovada de forma tripartite (empregadores.RESUMO O principal objetivo deste trabalho é analisar a aplicação e implementação da NR-18 como instrumento de gestão de segurança. minuciosa e técnica por alguns profissionais das áreas de engenharia civil e de segurança e saúde do trabalho. O setor é caracterizado por seu potencial de empregabilidade e absorção de mão-de-obra não qualificada. com maior produtividade e melhoria contínua da qualidade de vida para os trabalhadores do setor. por sua vez. Os canteiros de obras são considerados locais perigosos e com pouca qualidade de vida para os trabalhadores. em detrimento ao crescimento profissional dos trabalhadores. Apesar de 12 anos de sua publicação. gerenciais e de segurança e saúde. . porém traz em seu perfil o retrato de um setor desorganizado. higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. Saúde ocupacional. buscou-se analisar que embora a NR-18 apresente algumas deficiências. trabalhadores e governo). mas através da aplicação e implementação de suas diretrizes e do Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção é possível avançar nas questões de segurança e saúde. Palavras-chave: Construção civil (Medidas de Segurança). impossibilitando a modernização e melhoria da produtividade. principalmente nas pequenas construções e nas localidades com pouca fiscalização do trabalho e atuação dos sindicatos dos trabalhadores. a NR-18 ainda não é aplicada e implementada em sua totalidade. com dificuldades em utilizar novas abordagens de gestão: construtivas. Qualidade de vida no trabalho. A norma é considerada: detalhista. Com isto. o que resultará na redução dos acidentes de trabalho. A NR-18. que revisada em 1995 traz em seu texto medidas para a melhoria das condições e meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. saúde.

and work hygiene and life quality to the workers from Construction Industry. mainly in the small constructions and in the places with little work supervision and labor union performance. Key words: civil construction (security measures). Although it has been 12 years since its publication. . health. The NR-18 is a legislation discussed and approved by the employers. although the NR-18 presents some deficiencies. which was revised in 1995 and it brings in its text measures to improve the conditions and environment of the work in the Construction Industry. workers and government. with a bigger productivity and continuous improvement of life quality to the workers of the sector. it is possible to move forward in the issues concerning health and security through the application and implementation of its rules and the Program of Conditions and Environment of Work in the Construction Industry. although bringing in its profile the portrait of a disorganized sector. occupational health. The places where they work are considered dangerous and with little life quality to the workers. being harmful to the professional improvement of the workers. health and security ones.ABSTRACT The present paper aims at analyzing the application and implementation of NR-18 as an instrument of security management. These difficulties make impossible the modernization and improvement of productivity. Based on that. it was analyzed that. life quality in the work. Such sector is characterized by its potential for employment of workforce which is not qualified. with some difficulties when using new approaches of management: constructive. which will result in a reduction of work accidents. the NR-18 is still not applied and implemented in its totality. The norm is considered detailed and technical by some professionals from civil engineering area and work security and health area.

.........2 Estatísticas de Acidente de Trabalho............................... 1................... 42 43 44 45 47 49 50 52 56 57 59 25 28 28 33 34 36 12 14 14 15 18 21 22 ..........................................................5 Autuações de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo (NR-18) ..................................................................................1 Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC’s..................................... 3..... 3............................7 Programas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho............................1 Riscos Físicos...... 3.................................................................................................................................................. 1............................. 2.............................8..........8 Riscos Ambientais na Indústria da Construção.....................4 Estatísticas de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção....8............................................................ 3....1 Objetivos...........8............ 3.........3 Estatísticas de Acidentes de Trabalho no Brasil.................................3 Conceito Prevencionista do Acidente de Trabalho.................................................8................................2 Riscos Químicos.....2 Conceito Legal do Acidente de Trabalho...................................... 3..............................................6....................................... METODOLOGIA.3 Riscos Biológicos. 3............ 3.4 Riscos Ergonômicos....... 3.............1 Acidentes de Trabalho..... 3.......................................................................4 NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção....................8.............2 Justificativa. 3.........................6......................................SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS LISTA DE QUADROS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LISTA DE SÍMBOLOS 1.......................1 Análise Setorial da Indústria da Construção.................................................................................................. 3...................... 3.......................... 2...................................2001 a 2007.................. INTRODUÇÃO.... 3.................................................................5 Riscos de Acidentes ou Mecânicos....................................................... 2......... 2.............. 3...............................6 Metodologias de Proteção......................................... REVISÃO DE LITERATURA..2 Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s........................ 2....... 3...

..............................................................................................9.......4 A Aplicação e Implementação da NR-18 nos Canteiros de Obras........... 85 87 88 89 90 91 93 94 94 95 97 100 104 106 108 79 83 60 61 63 66 70 72 74 76 79 .. 4.......1...3...............3.................................................4 Coberturas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................ 4..............6 Lavanderia........................ RECOMENDAÇÕES.........4 Local para as Refeições........1..................5 Propostas de Revisões na NR-18............................1.......................................................... 3........................................................................ 3...... 4.................................. 3.....................................8 Ambulatório. 4....................1 A Implementação da NR-18 como Instrumento de Gestão de Saúde..1 Dimensionamento das Áreas de Vivência................... 3...1 Demolição...........2 A Aplicação Prática da NR-18 nos Canteiros de Obras............... 7....3..... 6..............5 Cozinha...................................................... 4...........................................................9................................................ 4.........9.........3....2 Vestiário..3.................... Segurança e Higiene do Trabalho................1 Instalações Sanitárias.....................2 Movimentação de Terra...........................................................................................3 Alojamento...................1............................... CONCLUSÕES............. RESULTADOS E DISCUSSÕES..........9..................................................................................7 Máquinas de Elevação...................................................1........................ 3...... 4.........................................9 Reconhecimento dos Riscos na Indústria da Construção por Fase da Obra.................................9................. 4........... 4.3...........................................................................9..... 4............................................................1................................3 Qualidade de Vida na Indústria da Construção – Áreas de Vivência................................ 4............................1........................................................................3.................3 Fundações e Estruturas.. 3.3...................................................7 Área de Lazer..................................................................................................................... 4............ 5................... 3.....................6 Instalações e Acabamentos.............. 4...................3...........................1.......................... 4......................................................3....9.......................................................5 Fechamento e Alvenaria....................... 4......

............. Fornecimento de vestimenta de trabalho.............................. Grua...... Aquecimento de refeições........................ 53 63 66 66 70 70 72 72 74 75 77 77 83 83 88 88 89 89 90 91 92 92 92 94 95 95 96 96 96 96 .................. Local destinado às refeições (refeitório)............................................................................. Operação de Bate-estacas................. Piso provido de estrados de madeira...................................................... 1 Chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores...............................................LISTA DE FIGURAS Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 Figura 12 Figura 13 Figura 14 Figura 15 Figura 16 Figura 17 Figura 18 Figura 19 Figura 20 Figura 21 Figura 22 Figura 23 Figura 24 Figura 25 Figura 26 Figura 27 Figura 28 Figura 29 Figura 30 Relação Comprimento X Diâmetro de Partícula........................................................................ Vaso Sanitário........................... Serra Circular de Bancada..................................................... Obra de Demolição............................................................... Televisão colocada no refeitório......................................................... Canteiro de Obra que não implementa a NR-18...... Lavatório instalado dentro do refeitório......................................................................... Operação de Fechamento e Alvenaria Interna.............................................................................................................................................................................. Fornecimento de vestimenta de trabalho e EPI’s......... Lavanderia com tanques coletivos.......................................... Lavatório e Mictório....................... bancos e iluminação natural Alojamento em canteiro de obra...................................... Medicamentos destinados a primeiros socorros..................................................................................................................................................... Canteiro de obra que implementa a NR-18.... Vestiário com armários individuais....... Andaime Tubular Móvel................................................................ Ambulatório............................................................................... Quadro de Força em Canteiro de Obras............ Movimentação de Terra e Terraplenagem....................... Operação de Concretagem. Área de lazer organizada no canteiro de obra............................................. Operação de Cobertura de Telhado........................................ Elevador com Sistema de Pinhão e Cremalheira.....................

................................ de 1999 a 2006................................10 Taxa de Mortalidade – Brasil e Estado de São Paulo – 1999 a 2006........................... Tabela 3..8 Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006........................... Tabela 3....5 N° de Trabalhadores da Indústria da Construção – Brasil e São Paulo – 1999 a 2006.................. Tabela 3............................7 Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – Afastamentos e Incapacidades de 1999 a 2006......6 Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – 1999 a 2006............. segundo a posição na ocupação no trabalho principal ............................................................ Tabela 3......................... Tabela 3..14 Riscos Físicos na Indústria da Construção..................12 Tabela 3................ Riscos Biológicos na Indústria da Construção................................................ 43 51 54 56 41 41 40 40 39 39 36 33 30 29 ..... Tabela 3..... Tabela 3...................4 Acidentes de Trabalho ocorridos no Brasil....................................................1999 a 2006........ Tabela 3................... Tabela 3...........LISTA DE TABELAS Tabela 3....................13 Tabela 3.................. Riscos Químicos na Indústria da Construção..................................... segundo classe de atividade em 2006 ............Brasil – 2006.....................................2 PIB Brasil e participação da Indústria da Construção Civil no PIB 2004 a 2006..........................1 Distribuição dos trabalhadores do setor de Construção........ Tabela 3...................São Paulo e Brasil............................ Tabela 3.............3 Distribuição dos ocupados na construção...............................................11 Subitens mais autuados da NR-18 pelo MTE no Estado de São Paulo ..9 Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006.....................

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACGIH ADC American Conference of Governmental Industrial Hygienists Investigação e Análise de Acidentes de Trabalho Pelo Método da Árvore de Causas AF ANS APAEST Acidente Fatal Agência Nacional de Saúde Suplementar Associação Paulista de Engenheiros de Segurança do Trabalho ART AT CAT CBO CID CIPA CF/88 CLT CNAE CONAMA CNTI CPN Anotação de Responsabilidade Técnica Acidente de Trabalho Comunicação de Acidente de Trabalho Código Brasileiro de Ocupações Código Internacional de Doença Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Consolidação das Leis do Trabalho Código Nacional de Atividade Econômica Conselho Nacional do Meio Ambiente Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria Comitê Permanente Nacional Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção CPR/SP Comitê Permanente Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção do Estado de São Paulo CREA/SP Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Estado de São Paulo CTPP CTPS DOU EPC’s EPI’s EPR FAP Comissão Tripartite Paritária Permanente Carteira de Trabalho e Previdência Social Diário Oficial da União Equipamentos de Proteção Coletiva Equipamentos de Proteção Individual Equipamento de Proteção Respiratória Fator Acidentário Previdenciário .

Exploração Florestal e Aqüicultura NTEP OIT OMS ONU PAIC PCMAT Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Organização das Nações Unidas Pesquisa Anual da Indústria da Construção Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na .Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA NR-15 NR-17 NR-18 Norma Regulamentadora – Atividades e Operações Insalubres Norma Regulamentadora – Ergonomia Norma Regulamentadora .Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho NR-31 Norma Regulamentadora – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura. Pecuária. Silvicultura.FETICOM-SP Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo FGTS GPL IBGE MS IN INSS MPAS MTE NR NR-4 Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Gás Liquefeito de Petróleo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística Ministério da Saúde Instrução Normativa Instituto Nacional de Seguro Social Ministério da Previdência e Assistência Social Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Norma Regulamentadora – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT NR-5 Norma Regulamentadora – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA NR-9 Norma Regulamentadora .Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção NR-24 Norma Regulamentadora .

Indústria da Construção PCMSO PED PIB PPP PPRA PTA PVC SAT SEBRAE/RJ Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional Pesquisa de Emprego e Desemprego Produto Interno Bruto Perfil Profissiográfico Previdenciário Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Plataforma de Trabalho Aéreo Poli Cloreto de Vinila Seguro de Acidente de Trabalho Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro SESMT Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho SINDUSCON-SP Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo SGSST SST Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho Segurança e Saúde do Trabalho .

LISTA DE SÍMBOLOS m2 µm Metro quadrado Micrômetro .

. aliada a sofisticadas práticas de gestão ambiental. de materiais. Por tais características. 1998a). e sofrendo com a pouca profissionalização da sua mão-de-obra. pela dificuldade de construção.12 1. A obra foi construída em quatro anos e três meses e inaugurada 150 dias antes do prazo contratual. a Indústria da Construção tem se destacado na geração de acidentes do trabalho (POZZOBON. a integridade física do trabalhador e a continuidade ao trabalho de prevenção de acidentes na construção civil é um desafio. INTRODUÇÃO A Indústria da Construção é um dos ramos de atividade mais antigos do mundo. No Brasil podem-se destacar como grandes obras a Hidroelétrica de Itaipu. HEINECK. a Rodovia dos Imigrantes. e mais recentemente a construção da pista sul da Rodovia dos Imigrantes. ed. valendo o Certificado Ambiental ISO-14001 à Concessionária ECOVIAS (JORNAL PERSPECTIVA. A construção civil representa um dos segmentos empresariais de maior absorção de mão-de-obra e forte poder econômico que gera grande oportunidade de emprego. e o processo de transformação cultural para empresários. com construções que atualmente são símbolos de muitas cidades e países. O setor. as quais se sobressaem pela beleza. Nos últimos 200 anos grandes obras foram construídas. Esta exigiu investimentos de U$ 300 milhões e transformou-se em referência para a engenharia nacional. em todo o mundo. Com característica de não continuidade do processo industrial. PROTEÇÃO. 2002). pelo custo. está sujeito a riscos devido às suas singularidades características de indústria sem linha de montagem e destinada a gerar produtos sem as condições aparentemente mais seguras das fábricas industriais. seja na área de pessoal (SAMPAIO. 2006). pois a cada obra as equipes são mobilizadas e desmobilizadas. em que desde quando o homem vivia em cavernas até os dias de hoje passou por um grande processo de transformação. 2003 apud GONÇALVES. por utilizar soluções tecnológicas inéditas. seja na área de projetos. 2006). de equipamentos. 1998a). há bastante tempo. 115. trabalhadores e entidades envolvidas devem ser sistematicamente incorporados no cotidiano das pessoas e das instituições e ao processo produtivo da Construção Civil (SINDUSCON/SEBRAE. a Cidade de Brasília e o Estádio do Maracanã (Sampaio. pelo tamanho. como também pelo arrojo do projeto (SAMPAIO. 1998a).

emprego intensivo de mão-de-obra. De acordo com Barkokébas Jr. et al (Proteção. entre elas: transitoriedade de processos e instalações.529 Acidentes de Trabalho – AT no setor da construção. a qual é emitida para os trabalhadores que possuem registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social . respondendo por elevado índice de acidentes graves e fatais e suas conseqüências incapacitantes. baixa qualidade de vida nos canteiros de obras e pouco investimento em SST e formação profissional (NASCIMENTO. sendo 27. 2007). precariedade na contratação de trabalhadores. igualmente detentora de significativa contribuição no perfil acidentário nacional.OIT.MPS (Brasil. no qual 33. 2002). entre eles pode-se citar a subnotificação. O setor da construção possui um alto índice de acidentes graves e fatais. pois apresentam diversos riscos devido à mutação constante do ambiente de trabalho e a confusão que se faz em acreditar que o provisório significa improvisado. 3.147 típicos. As estatísticas resumem-se às ocorrências informadas através da Comunicação de Acidente de Trabalho . pois de acordo com a Organização Internacional do Trabalho . O setor possui algumas características que desafiam a melhoria das condições de Segurança e Saúde do Trabalho .CAT.CTPS. opera sob intensa pressão de tempo e custos. a não emissão do documento e o fato de que aproximadamente 70% dos trabalhadores do setor não contribuem para a Previdência Social (DIEESE.30% dos acidentes registrados no ano de 2006 referem-se às ocorrências com lesões mais graves ou que geraram algum tipo de incapacidade. 2008). terceirização. excesso de jornada de trabalho.417 de trajeto e 965 doenças ocupacionais. Vários fatores contribuem para a falta de informação e o não preenchimento da CAT. 2001).SST. as condições e meio ambiente de trabalho na construção civil podem ser citadas como fator de risco para a ocorrência de acidentes. no qual cada canteiro de obras tem a sua . De acordo com Ministério da Previdência Social . diminuindo o número dos registros e ocorrências acidentárias no setor. a Indústria da Construção brasileira é. no ano de 2006 foram registrados 31. Heineck (Proteção. no Brasil estima-se que as ocorrências provocadas por AT podem ser multiplicadas por três. como a perda de membros ou a redução da capacidade de trabalho. 2006).13 Para Pozzobon.

e se aplicada resultará em menor custo econômico e humano. analisar a aplicação e implementação da Norma Regulamentadora 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (Brasil.14 particularidade. 1995) estabelece para sua prevenção. as obras de edificações levam a mudança constante do ambiente de trabalho. 1. mas para proporcionar uma visão crítica dos benefícios que podem ser produzidos para a redução dos acidentes de trabalho. bem como gerar subsídios para que a melhoria da SST seja um processo contínuo e duradouro.214 (Brasil. . bem como contribuir para a formação de opiniões críticas dos profissionais do setor. através da bibliografia pesquisada para a melhoria das condições de trabalho na Indústria da Construção. 1995) como instrumento de gestão de segurança.2 Justificativa A discussão da NR-18 (Brasil. e que medidas a NR-18 (Brasil. 1. Ainda. não só por ser exigência legal estabelecida pela Portaria n° 3. 1978). deve-se ter em mente que promover a Segurança do Trabalho é economicamente vantajoso. o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. pode causar danos a todos os segmentos: empresas. higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. 1995) como instrumento de gestão de segurança. trabalhadores e sociedade. além de ser obrigação legal e moral devido aos aspectos sociais envolvidos. saúde. foi escolhido no intuito de valorizar a aplicação e implementação da norma nos canteiros de obras. O trabalho também se propõe a analisar a que riscos ambientais os trabalhadores da Indústria da Construção podem estar expostos. e estimular outros pesquisadores a buscarem maior entendimento sobre o tema. Espera-se contribuir. saúde. 2007). higiene ocupacional e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. segundo Barkokébas Jr. et al (Proteção.1 Objetivos O trabalho tem como objetivo geral.

452. no qual ele espera que a norma atue como agente 1 Conforme a CLT (Brasil. As Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho – NR’s aprovadas pela Portaria n° 3.214 de 8 de junho de 1978. a qual aprova as Normas Regulamentadoras – NR’s relativas à Segurança e Medicina do Trabalho.15 2. REVISÃO DE LITERATURA A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Na década de 70. o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE publica a Portaria n° 3. 1995). 1943) estabelece como preceito as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho no Brasil. 1943) e estabelece princípios mínimos relativos à Segurança e Medicina do Trabalho.514 de 22 de dezembro de 1977. 1943).514 (Brasil. que traz em sua revisão ocorrida no ano de 1995 avanços significativos para a melhoria dos ambientes de trabalho. considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. sob a dependência deste e mediante salário. rurais. estes. Saurin (1997) reconhece que a revisão da NR-18 (Brasil. 1943). com a finalidade de proteger a vida e a saúde dos trabalhadores. que. Com a finalidade de atender a Lei n° 6. a qual atinge os trabalhadores urbanos. aprovada pelo Decreto Lei n° 5. 1995) representa um avanço importante no sentido de que o problema de segurança seja tratado seriamente pelas empresas. considera-se empregador a empresa. a qual altera o Capítulo V do Título II da CLT (Brasil. Atualmente a portaria contempla 33 (trinta e três) NR’s. De acordo com a CLT (Brasil. individual ou coletiva. admite. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. 1943) é o estatuto que regula as relações de capital e trabalho no Brasil. de 1 de maio de 1943 (Brasil. domésticos e funcionários da União. 1977). A CLT (Brasil. com a necessidade de reduzir o número de Acidentes de Trabalho é publicada a Lei n° 6. dos Estado e dos Municípios. quando não de regimes próprios de proteção ao trabalho. sendo que atualmente existem 33 NR’s As ações de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção devem seguir as diretrizes estabelecidas pela NR-18 (Brasil. a qual estabelece os direitos e deveres do empregador 1 e do empregado 2 . assumindo os riscos da atividade econômica.214 de 8 de julho de 1978 estabelecem as condições mínimas de SST que devem ser aplicadas e implementadas nos ambientes de trabalho no Brasil. 2 .

A norma é dinâmica e tem evoluído de acordo com as inovações tecnológicas da Indústria da Construção. 2003) durante a elaboração do PCMAT. que são reflexos do atual estágio da normalização técnica no Brasil. O PCMAT deve contemplar as exigências contidas na NR-9 (Brasil. o qual visa preservar a saúde e a integridade dos trabalhadores através da . Segundo Sherique (Proteção. a informação e o treinamento dos operários podem ajudar a reduzir as chances dos acidentes e reduzir suas conseqüências quando são produzidos. lesões perfurantes. engenheiros de produção. deve-se priorizar o envolvimento de todos os profissionais que terão responsabilidade direta pelo resultado do programa: direção da empresa. os riscos de acidentes de trabalho devem ser priorizados. 1998a). A prevenção dos riscos. Para Saurin (1997) a NR-18 (Brasil. orçamentistas. engenheiros e técnicos de segurança. a qual ainda está bastante atrasada em relação aos países desenvolvidos. mestres-de-obras e encarregados (SAMPAIO. no qual as doenças do trabalho são aspectos importantes na elaboração do programa. Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional . 1994). 1998a). na qual esta mudança rápida é mérito do Comitê Permanente Nacional – CPN e dos Comitês Permanentes Regionais – CPR’s. gerentes. O PCMAT tem como objetivo principal garantir a saúde e a integridade dos trabalhadores. soterramento e choque elétrico. sendo que os riscos devem ser previstos e controlados no processo de execução de cada fase da obra (SAMPAIO.PCMSO e a análise ergonômica dos postos de trabalho. 1998b). e prioriza as questões voltadas ao projeto e aos métodos de execução da obra (SAMPAIO. Considera-se importante à necessidade de elaborar e implementar o Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT e observa que as exigências do programa pode ser um excelente ponto de partida para a elaboração de programas abrangentes de segurança do trabalho (SAURIN. 1997). em que deve existir interface com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais . queda de altura.PPRA. 1995) é prescritiva e limitada.16 difusor de uma nova consciência sobre o assunto. máquinas e equipamentos sem proteção. projetistas. Em sua elaboração. de tal modo que se dispense à segurança a mesma importância dispensada aos assuntos da produção. médicos do trabalho. principalmente os relacionados com elevadores.

Pontes (Proteção. 1994). Paiva (Proteção. condições de higiene e integração dos operários na sociedade. químicos e biológicos. no qual os riscos ergonômicos e de acidentes podem ser inseridos no programa. mas também refletem na produtividade da empresa. inerentes ou não ao processo produtivo. químicos. o número de acidentes do trabalho (MENEZES. 2003). 1995) e em sua aplicação e implementação nos canteiros de obras (PEREIRA. ou serem identificados através do Mapa de Riscos 3 .17 antecipação. quanto às principais áreas de risco (SESI. para informação e orientação de todos os que ali atuam e de outros que eventualmente transitem pelo local. . Outro aspecto discutido após a reedição da NR-18 (Brasil. 2005). biológicos e ergonômicos presentes nos locais de trabalho. com a finalidade de avaliar as condições ambientais e de organização dos postos de trabalho com as características psicofisiológicas dos trabalhadores. devido ao ônus que ela provoca no custo final do empreendimento. os quais atingem a qualidade de sua implementação e a forma descritiva e detalhada de seu texto. As Bancadas que compõem os comitês tripartites e os profissionais da área de Segurança e Saúde do Trabalho devem ter uma participação mais efetiva na discussão da NR-18 (Brasil. SERRA. As áreas de vivência é uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores da Indústria da Construção. deve ser elaborada uma análise ergonômica do trabalho. 2005). O PPRA deve contemplar obrigatoriamente os riscos físicos. 3 O mapa de riscos é a representação gráfica dos riscos: físicos. sendo estas responsáveis por garantir as boas condições humanas para o trabalho. e conseqüentemente. 2005). reconhecimento. de fácil visualização e afixado em locais acessíveis no ambiente de trabalho. avaliação e controle dos riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho. além de identificados. As áreas de vivência para a qualidade de vida dos trabalhadores da Indústria da Construção. Em relação aos riscos ergonômicos. 2005) a NR-18 (Brasil. PROTEÇÃO. Ramalho (Proteção. 2005). 1995) é em relação à dificuldade de aplicação e implementação da norma nos canteiros de obras. através da elaboração do PPRA. 1995) mudou o perfil de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção. 2005) e Rosa (Proteção. influenciando o bem-estar do trabalhador. não só garantem a qualidade de vida. porém existem vários pontos que devem ser revistos. Para Araújo (Proteção.

Segundo os autores. terceiros. o que confirma a eficácia dos investimentos para a implementação de sistemas de gestão. 2005) em uma empresa de grande porte. em contrapartida um canteiro bem organizado e planejado pode levar a uma economia de 10%. A certificação das organizações em Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho – SGSST pode auxiliar as empresas a darem maior confiabilidade às partes interessadas (colaboradores. porém não garante a redução de acidentes e doenças ocupacionais (PROTEÇÃO. . 2007a). 2. 1995) não ultrapassa 1. como a construção pesada. Porém.5% do custo total da obra. como fenômeno social ampliado e reconhecido. porém. De acordo com Barkokébas Jr. excedente em valor. é fruto do capitalismo que pode ser entendido como uma forma de organização econômica da sociedade que se fundamenta no trabalho livre e na extração de mais-valia. bem como a sociedade pode apresentar suas propostas de melhoria e alteração da norma através do CPN e dos CPR’s (PROTEÇÃO. a autora cita que o custo de implementação da NR-18 (Brasil. a implementação das diretrizes sobre sistemas de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho – ILO-OSH 2001 (FUNDACENTRO. et al (Proteção.1 Acidentes de Trabalho O acidente de trabalho convive com toda a história da humanidade. porém. em 2005 chegou a R$ 18 mil. 2007). ao lado dos métodos e formas de produção. deixando alguns setores da Indústria da Construção descobertos. sociedade) de que existe um comprometimento com a Segurança e Saúde do Trabalho e que é dada ênfase à prevenção. 2007b). 1995) foi pensada e elaborada para atender as obras de construção civil. A NR-18 (Brasil. 2000 apud GONÇALVES 2006). apresentou a redução de 97% nos riscos de acidentes de trabalho. fruto do trabalho. apropriada pelos proprietários dos meios de produção (BAUMECKER.18 Em pesquisas realizadas por Araújo (2002). entende-se que os profissionais da área de engenharia e SST. o passivo trabalhista da empresa que em 2003 atingiu a cifra de R$ 305 mil.

19 As determinações que incidem sobre a saúde do trabalhador na contemporaneidade estão fundamentalmente relacionadas às novas modalidades de trabalho e aos processos mais dinâmicos de produção implementados pelas inovações tecnológicas e pelas atuais formas de organização do trabalho (RBSO, FUNDACENTRO, 2007). Profundas transformações que vêm alterando a economia, a política e a cultura na sociedade por meio da reestruturação produtiva e do incremento da globalização, entre outros motivos, implicam também mudanças nas formas de gestão do trabalho que engendram a precariedade e a fragilidade das questões que envolvem a relação entre saúde e trabalho e as condições de vida dos trabalhadores (RBSO, FUNDACENTRO, 2007). Os acidentes de trabalho constituem o principal evento mórbido entre os trabalhadores brasileiros no exercício do seu ofício. A morte de indivíduos causada por acidentes de trabalho, em plena fase produtiva de suas vidas, traz corrosivas repercussões para a qualidade de vida de suas famílias e, por extensão, para a economia brasileira (WÜNSCH, 1999 apud GONÇALVES, 2006). No Brasil, já no início da década de 70, quando as atenções se voltaram para a construção da Ponte Rio-Niterói, o país conquistou o triste recorde de detentor da maior taxa mundial de acidentes fatais na construção civil (PROTEÇÃO, 2005). Em 1972, quase 1/5 da força de trabalho formal, ou seja, trabalhadores inscritos na Previdência Social, havia se acidentado, e isso foi a pior marca na história acidentária do Brasil (USP, 2007f). Diante dos números elevados de Acidentes do Trabalho, o Governo Federal promulgou a Lei n° 6.514 (Brasil, 1977), que deu a redação atual aos artigos 154 a 201, que constituem o Capítulo V: Da Segurança e da Medicina do Trabalho, do Título II: Das Normas Gerais de Tutela do Trabalho da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT (Brasil, 1943). A partir da alteração da CLT (Brasil, 1943), inicia-se a intensificação em escala nacional dos cursos de formação de profissionais em SST, os quais devem compor os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, que ao exemplo das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes - CIPA’s, devem ser organizados e mantidos em funcionamento nas empresas públicas e privadas que possuam empregados sujeitos ao regime da CLT,

20 conforme o grau de risco e o número de empregados que possuam, sempre objetivando a prevenção dos infortúnios laborais. No Brasil, o Sistema de Seguro de Acidente de Trabalho tem o monopólio Estatal, através do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, com a taxação da empresas de acordo com a probabilidade de ocorrer acidente de trabalho para aquela atividade econômica (USP, 2007c). Com a publicação do Decreto n° 6.042 de 12/02/2007, que altera o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999 cria-se o Fator Acidentário de Prevenção - FPA e do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP. O FPA consiste em um multiplicador variável num intervalo de 0,5 a 2,0 que será aplicado no Seguro de Acidente de Trabalho – SAT, o qual tem seu percentual definido no mesmo Decreto de acordo com a atividade preponderante da empresa, ou seja, se a empresa investe em SST, esta poderá ter sua alíquota reduzida, porém, se ela não coloca esta questão como prioridade terá sua alíquota elevada. O NTEP é a evidência causal entre a doença adquirida pelo trabalhador e o CNAE do segmento econômico a qual pertença, presumindo-se que seja ocupacional àquele beneficio cujo CID (Código Internacional de Doença) possua nexo epidemiológico com o CNAE da empresa empregadora do segurado, sem a necessidade da emissão da CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho. A Comunicação de Acidente de Trabalho - CAT é a principal fonte de informação sobre Acidentes de Trabalho existente no Brasil, a qual é processada pela Previdência Social para fins de benefícios aos trabalhadores acidentados (USP, 2007c). Os sistemas de registro de acidente de trabalho existentes fornecem uma informação não suficientemente explorada. Seu aprofundamento requer estudos interdisciplinares específicos; práticas de vigilância, com busca ativa de casos, identificação e implementação de serviços de referência; análises epidemiológicas e de alternativas tecnológicas, bem como, o dimensionamento das repercussões sociais dos acidentes e, principalmente dos óbitos por acidente de trabalho (MACHADO E GOMEZ, 1994).

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2.2 Conceito Legal do Acidente do Trabalho

Conforme o Art. 2º da Lei n° 6.367 (MPAS, 1976), “Acidente do trabalho é aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”. Integram o conceito de acidente o ato lesivo à saúde física e mental, o nexo causal entre este e o trabalho e a redução da capacidade laborativa. A lesão é caracterizada pelo dano físico-anatômico, ou mesmo psíquico. A perturbação funcional implica dano fisiológico ou psíquico nem sempre aparente, relacionada com órgãos ou funções específicas. Já a doença se caracteriza pelo estado mórbido de perturbação da saúde física ou mental, com sintomas específicos em cada caso. Por seu turno, com a nova definição dada pela nova Lei nº 8.213 (MPAS, 1991), dispõe o Art. 19 deste Diploma Legal, “verbis”:
Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

Analisando os dispositivos em comento infere-se que o conceito é sempre o mesmo. A diferença que se nota está na abrangência que a Lei n° 8.213 (MPAS, 1991) deu a uma classe especial de segurados 4 , até então sem direito aos benefícios pagos pela Previdência Social em caso de Acidentes de Trabalho. É preciso que para a existência do acidente do trabalho exista um nexo entre o trabalho e o efeito do acidente. Este nexo de causa-efeito é tríplice, pois envolve o trabalho, o acidente com a conseqüente lesão, e a incapacidade resultante da lesão. Deve haver um nexo causal entre o acidente e o trabalho exercido. Inexistindo esta relação de causa-efeito entre o acidente do trabalho, não se poderá falar em acidente do trabalho. Mesmo que haja lesão, mas que esta não venha a deixar o
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Conforme a Lei n° 8.213 (MPAS, 1991), como segurados especiais para fins do inciso VII são considerados o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam suas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 14 (quatorze) anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. (O garimpeiro está excluído por força da Lei nº 8.398, de 7.1.92, que alterou a redação do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24.7.91).

1991) estabeleceu as regras para o segurado ter direito aos benefícios da Previdência Social. a cargo do empregador. que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade. ao tratar da Previdência Social. Dando uma interpretação legal do acidente do trabalho. atenderão nos termos da Lei.22 segurado incapacitado para o trabalho. XXVIII – seguro contra acidentes do trabalho. o acidente do trabalho tem que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa.213 (MPAS. ocasionando perda de tempo útil e/ou lesões nos trabalhadores. . morte.367 (MPAS. mediante contribuição. No artigo 194 da CF (Brasil. incluídos os resultantes de acidentes do trabalho.3 Conceito Prevencionista do Acidente de Trabalho O acidente do trabalho definido pelo conceito prevencionista aborda o acidente do trabalho como uma ocorrência não programada. a: I – cobertura dos eventos de doença. o inciso I do artigo 201. 2. Tem que haver casualidade para que haja infortúnio do trabalho. 1976) no seu art. não haverá direito a qualquer prestação acidentária. além de outros que visem à melhoria de sua condição social”. De acordo com a Lei n° 6. quando incorrer em dolo ou culpa. 2º. trazendo significativas mudanças em matéria de acidente do trabalho. resta-nos entender o que reza o inciso XXVIII do artigo 7º da CF (Brasil. Na realidade. a Lei n° 8. à previdência e assistência social. 7º “São direito dos trabalhadores urbanos e rurais. 1988) tratou o legislador de Seguridade Social destinada a assegurar os seus direitos relativos à saúde. 1988) “verbis”: Art. sem excluir a indenização a que este está obrigado. 2002 apud RAGASSON 2002). doenças profissionais e do trabalho (tecnopatias e mesopatias) e quanto à forma de indenizar a incapacidade laborativa. Para isso a causa do acidente ou doença tem que ter relação com o trabalho e tem que ser no exercício da atividade para que se tenha relevância jurídica. invalidez. inesperada ou não. Por seu turno. e/ou danos materiais (GONÇALVES. velhice e reclusão.

as causas acidentárias têm sido agrupadas em duas categorias básicas: Condições Inseguras e Atos Inseguros. É da responsabilidade patronal a eliminação ou a neutralização das condições inseguras existentes nos locais de trabalho (GONÇALVES. que desenvolveram várias correntes . possíveis de ocasionar acidentes de trabalho. Condições Inseguras correspondem às deficiências. algumas visões e conceitos do acidente de trabalho contradizem o seu verdadeiro significado e seu entendimento como uma ocorrência multicausal. o qual tem a finalidade de amparar o trabalhador na ocorrência de acidentes e doenças do trabalho. predominantemente. segundo o autor. tal agrupamento possui relevância para fins didáticos. revelando um não funcionamento ou um funcionamento defeituoso do seu processo de produção. Atos Inseguros são atitudes. posto que muito simplista e. no fator humano (GONÇALVES. o qual depende de vários fatores para que este se materialize. ações ou comportamentos dos trabalhadores em desacordo com as normas preventivas e que põem em risco a sua saúde e/ou integridade física. sendo que proporcionará melhores ferramentas para a busca de soluções de prevenção e não coincide com o conceito legal. que interligada em toda a sua estrutura organizacional. insuficiente para a efetiva compreensão da problemática (GONÇALVES. Por décadas. Ainda. De acordo com Almeida (1995). aos defeitos ou às irregularidades técnicas existentes nas instalações físicas. ou a de outros companheiros de trabalho. e sociedade. máquinas ou equipamentos. Historicamente. a empresa deve ser considerada como um sistema. 2000 apud RAGASSON 2002). processo produtivo. as causas dos acidentes de trabalho têm sido entendidas como as circunstâncias ou os fatores que. o acidente é caracterizado como uma anomalia manifestada no sistema. 2000 apud RAGASSON 2002). teriam evitado a ocorrência do infortúnio laboral. O conceito prevencionista definido por Pandaggis (2003) torna-se mais abrangente na relação existente entre o trabalhador e o meio ambiente de trabalho que este está inserido.23 Segundo Pandaggis (2003). incluindo o trabalhador. as análises das causas de infortúnio laboral sob a dualidade de condições e atos inseguros encontram-se superada pelos estudiosos da segurança e saúde no trabalho. se removidos a tempo. Certamente. portanto. Atos inseguros são geralmente definidos como causas dos acidentes que residem. 2000 apud RAGASSON 2002).

as pessoas têm que ser orientadas a trabalhar mais para ganhá-los. tão enraizada nas investigações de acidentes de trabalho. conseqüentemente. pode-se utilizar o método de análise como da Árvore de Causas – ADC. O reconhecimento de que os custos dos acidentes do trabalho de todos os tipos estão estimados em 4% do Produto Interno Bruto . O método também permite visualizar as medidas preventivas que devem ser adotadas para evitar a ocorrência de outros acidentes. 2006). para que os incentivos produzam mais acidentes. as pessoas trabalham um número maior de horas do que é seguro. como árvore de causas. 1994 apud GONÇAVES. e pode vir a constituir ferramenta de contraposição à cultura da culpa. se acidentam (DWYER. Uma certeza: forças sociais já estão operando para fazer com que o futuro dos acidentes seja muito diferente do seu passado. Esse método tem sido recomendado pelo Ministério da Saúde . Modelos mais complexos de investigação de acidentes estão associados à conjugação de vários fatores. a noção de acidentes. que propõem uma abordagem sistêmica das causas dos acidentes observando distúrbios funcionais da empresa. é quando os trabalhadores não têm conhecimentos adequados . Almeida. segundo Blinder.MS para análise de Acidentes de Trabalho (BLINDER. de sua prevenção e indenização é produto de uma complexa articulação de processos sociais. ALMEIDA. Uma das causas da produção de acidente do trabalho é o nível de rendimento de incentivos financeiros. Para que o incentivo seja eficaz. MONTEAU. 2003). trabalham além das suas capacidades físicas e. O método ADC possibilita a identificação de fatores de acidentes na categoria de fatores organizacionais que não estão previstos nas NR’s.24 ou teorias abordando a questão de forma mais abrangente como outros métodos de análise. No trabalho extra. Outro fator que também leva a incidência de acidentes segundo Dwyer apud Gonçalves (2006). Segundo Dwyer apud Gonçalves (2006). este processo evolui até chegar à lesão do indivíduo. Pode-se verificar que no processo iniciado na cadeia de incidentes intermediários descritos no sistema. excesso de carga horária e incapacidade dos trabalhadores mal nutridos de executar tarefas com segurança. os trabalhadores precisam assumir riscos maiores para obtê-los.PIB nos países avançados e o fato de que os custos dos grandes acidentes recaem sobre a sociedade como um todo é outro fator que está influenciando as mudanças. Monteau (2003).

porém. 2006). com a inovação da criação dos . com o título de “Obras de Construção. Esta teorização é baseada na hipótese de que a gerência do relacionamento entre o trabalhador e os perigos de seu trabalho em cada nível está associada à produção de acidentes naquele nível. necessitando de modificações legais. Os trabalhadores estarão menos sujeitos ao trabalho extra. 2004). E nas empresas onde o empresário relacionar a prevenção dos acidentes à produtividade.214 (Brasil. 1978). a relação do autoritarismo produzirá menos acidentes. os sindicatos sendo forte o suficiente para exigir segurança no trabalho. Esta norma foi aprovada pela Portaria nº 3. Demolição e Reparos” e definia as regras de prevenção de acidentes de trabalho para a Indústria da Construção. incrementando o número de indivíduos que passam a buscar sua subsistência por meio de um trabalho informal (OLIVEIRA.4 NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção A legislação sobre Segurança e Medicina do Trabalho no Brasil teve um significativo avanço no ano de 1978 com a elaboração e a publicação das Normas Regulamentadoras. devido aos progressos tecnológicos e sociais seu texto tornou-se defasado.25 para evitar os efeitos produzidos fora do alcance da própria tarefa. conduzindo a descentralizar um número crescente de tarefas e condições cada vez menos protegidas a cada vez mais precárias. 1995) introduziu inovações conceituais que aparecem a partir de sua própria formulação. pode-se esperar menos falta de qualificação e menos desorganização (DWYER. tendo como específica para o setor da construção a NR-18 (Brasil. pode-se dizer que seu trabalho está sendo gerenciado pela relação social de desorganização. Em conseqüência. 1994 apud GONÇAVES. O pagamento de prêmios e o aumento de horas extras pelas empresas. Como também. 2. 1995). maximizando sua eficácia produtiva e minimizando o custo de trabalho são fatores preponderantes no aumento do número de acidentes de trabalho. uma mudança neste gerenciamento seria associada a uma mudança na produção de acidentes. quando o salário for suficiente para o sustento adequado. A reedição da NR-18 (Brasil.

sendo então publicada pela Portaria nº 4 (Brasil. 1995) são colocados em prática através do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção PCMAT. Os objetivos da NR-18 (Brasil. Atualmente a NR-18 (Brasil. empresas e profissionais. de planejamento e de organização. Em atendimento a recomendação da OIT. cujo objetivo comum é a melhoria das Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. A discussão NR-18 (Brasil. contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. BRASIL. Pela primeira vez no Brasil. 1995) sofre alterações constantes que são realizadas através das discussões no Comitê Permanente Nacional – CPN e nos Comitês Permanentes Regionais – CPR’s. nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção” (NR-18. cujo objetivo é “estabelecer diretrizes de ordem administrativa. 1995) deu-se início em meados de 1994.26 Comitês Tripartites.OIT. várias reuniões foram realizadas com o objetivo de consolidar todas as propostas de alteração encaminhadas pela sociedade. uma norma foi toda negociada com a participação de 03 bancadas. A norma deixou de abranger apenas os canteiros de obras. os quais são constituídos por Unidades . Demolição e Reparos” para “Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção” foram instituídas alterações importantes. estas propostas foram rediscutidas em caráter tripartite. A partir de um modelo técnico. 1995). através de 10 (dez) grupos de trabalho formado por técnicos do Governo (Delegacia Regional do Trabalho) e FUNDACENTRO. 1995). passando para todo o ambiente de trabalho da Indústria da Construção. o qual implementado contribui para a padronização das instalações de segurança. sendo um excelente ponto de partida para a gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . onde trabalhadores. uma vez que é a primeira norma discutida e aprovada através de negociação nos moldes prescritos pela Organização Internacional do Trabalho . que objetivam implementar medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos. Esta nova norma estabelece o seu caráter preventivo. empregadores e governo apresentaram o texto final para publicação. Com a alteração do título inicial da norma de “Obras de Construção.SST na Indústria da Construção. empregadores e governo. representada por entidades de classe. sendo estas compostas por representantes dos trabalhadores.

que podem fazer uso da palavra. Somente depois de discutida e aprovada pela CTPP. bem como estabelecer condições mínimas de segurança às novas tecnologias que surgem na Indústria da Construção. Cada bancada pode convidar para as reuniões três assessores técnicos. são formados Grupos de Trabalhos específicos que vão discutir exaustivamente o assunto. . devendo estar articulada com o disposto nas demais normas regulamentadoras. 1995). 1995) após intensa discussão realizada no CPN e nos CPR’s. a proposta é encaminhada a Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE para ser publicada no Diário Oficial da União e ser introduzida no texto da NR-18 (Brasil. Essas alterações buscam adequar à implementação da norma nos canteiros de obras. No âmbito de cada proposta. patronais e do governo (MTE e FUNDACENTRO). Os membros da CTPP tem direito a voz e voto em igualdade de condições. porém todas essas instâncias tripartites discutem o assunto. o texto é encaminhado à Comissão Tripartite Paritária Permanente – CTPP. com a finalidade de tornar as discussões de Segurança. mas não tem direito a voto. podendo ser reconduzidos. fazendo-se emendas ou rejeitando as propostas. Depois de aprovada a proposta pelos CPR’s e CPN. 1996).27 da Federação. A CTPP foi criada pela Portaria SSST/MTb n° 02 (MTE. As alterações somente são introduzidas no texto da NR-18 (Brasil. a qual é constituída de forma tripartite e paritária com as principais representações sindicais. adequando-o ao texto técnico da norma e levando em consideração sua aplicabilidade nos canteiros de obras. onde as propostas são advindas dos próprios Comitês Regionais ou do Nacional. inclusive com a eliminação de equipamentos que provocam acidentes e podem lesar os trabalhadores. Saúde e Medicina do Trabalho acessíveis a toda a sociedade. cumprindo um mandato de dois anos. A NR-18 é parte integrante de um conjunto mais amplo de iniciativas no sentido de preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores. contanto também com a participação de membros dos Ministérios da Saúde e Previdência e Assistência Social.

montagem de sistemas de telecomunicações. As empresas que se autoclassificam nessa área podem ainda exercer trabalhos complementares e auxiliares como reformas e demolições (LIMA. montagem industrial e edificações (LIMA. captação. 2005). Pode-se considerar que as principais atividades desse setor compreendem. adução. VALCÁREL. Suas peculiaridades. METODOLOGIA O trabalho foi produzido através de pesquisas bibliográficas de forma qualitativa. fundações especiais. obras de urbanização e obras diversas. a Indústria da Construção pode ser classificada em três setores distintos: construção pesada. Segundo Lima. transmissão e distribuição de energia elétrica. Nos trabalhos de edificações. túneis. dutos e obras de tecnologia especial como usinas atômicas. barragens hidrelétricas. viadutos.28 3. 2005). contenção de encostas. DIAS. entre outras. elétricas. pequena duração das obras e/ou serviços. DIAS. obras hidráulicas. baixa qualificação profissional. Resumidamente. Dias (2005). VALCÁREL. sobretudo. DIAS. hidromecânicas. As edificações compreendem a construção de edifícios residenciais. perfurações de petróleo e gás (LIMA. são altos índices de rotatividade de pessoal. os serviços são normalmente executados por subempreitada. temos: montagens de estruturas mecânicas. A construção pesada compreende as seguintes categorias: obras viárias. de serviços e institucionais. comerciais. montagem de sistema de exploração de recursos naturais e obras subaquáticas. 2005). emissários. montagem de sistema de geração. analisando-se a interação que a Indústria da Construção impõe sobre o meio acadêmico e as diferentes opiniões que muitos autores oferecem sobre o tema. a construção de pontes. VALCÁREL. tratamento e distribuição de água. contratando-se empresas especializadas nas diversas etapas da obra. eletromecânicas. montagem de estruturas metálicas. Valcárel. redes coletoras de esgoto. 3. porte das .1 Análise Setorial da Indústria da Construção Numa visão macro-setorial. o setor de montagem industrial compreende a categoria de obras de sistemas industriais. construção de edificações modulares verticais e horizontais e edificações industriais.

438. dentre as quais se destacam.26% do total de trabalhadores. marítimas e fluviais 631 3.714 construções correlatas Construção de redes de transportes por dutos.154 112.180 45.238 Obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações 18.560 Serviços especializados para construção não especificados anteriormente 10.094 Obras de terraplenagem 8. Além desses três setores. segurança do trabalho.134 45.005 Obras de instalações em construções não especificadas anteriormente 15.676 Obras de fundações 6. meioambiente.ruas.562 Demolição e preparação de canteiros de obras 933 6.São Paulo e Brasil.RAIS 2006 Elaboração: DIEESE . DIAS. segundo classe de atividade em 2006 .725 42.143 Construção de rodovias e ferrovias 24. VALCÁREL. o que significa que as empresas paulistas terceirizam mais as atividades do setor.034 Perfurações e sondagens 1. DIAS.29 empresas pequeno.159 65.Distribuição dos trabalhadores do setor de Construção.919 22. Tabela 3. entre outras (LIMA. consultorias diversas em qualidade.030 25.016 Serviços de preparação do terreno não especificados anteriormente 177 1. VALCÁREL.67% da média brasileira.267 Construção de edifícios 138.110 63.1 . precarização na contratação dos trabalhadores. exceto para água e esgoto 560 4.968 585. pode-se dizer que há outro setor de serviços especiais e/ou auxiliares que engloba atividades bastante diferenciadas.991 Construção de obras de arte especiais 5.615 Obras de urbanização .568 Obras portuárias. de sistemas de ventilação e refrigeração 9.041 5.713 Fonte: MTE . Na tabela 3. 2005). 2005). contra 40. praças e calçadas 9.830 49.342 Montagem de instalações industriais e de estruturas metálicas 23.508 Total 372.404 15.1.728 Construção de redes de abastecimento de água.407 105.258 Instalações elétricas 16. Trabalhadores Atividade São Brasil Paulo Incorporação de empreendimentos imobiliários 13. coleta de esgoto e 4.307 39.018 35. apresenta-se à distribuição dos trabalhadores do setor no ano de 2006 no Estado de São Paulo e no Brasil.986 1.755 Obras de engenharia civil não especificadas anteriormente 38.075 23.384 Obras de acabamento 28. sendo possível observarmos que em São Paulo o setor de Construção de Edifícios emprega 37. etc (LIMA.224 141. além de projetos.255 Instalações hidráulicas. Nº.

30 O segmento da construção é determinante para o desenvolvimento sustentado da economia brasileira. No ano de 2006, o setor foi responsável por 4,68% do Produto Interno Bruto - PIB nacional e ocupou 5.741.064 pessoas segundo dados do IBGE (PNAD, 2006). A dimensão territorial do Brasil, e o tamanho da sua população determinam alto potencial de crescimento, principalmente no ramo das edificações. Observa-se que o crescimento do setor vem ocorrendo ano a ano. Na tabela 3.2, mostra-se à evolução do PIB nacional e do PIB da Indústria da Construção no período de 2004 a 2006, visto que segundo o SINDUSCON-SP (2007) a Indústria da Construção terminará 2007 com o seu melhor nível histórico já registrado nos últimos 20 anos.

2004 2005 2006

Tabela 3.2 - PIB Brasil e participação da Indústria da Construção Civil no PIB 2004 a 2006. PIB indústria PIB PIB Total em construção Indústria da Período R$ (milhões) civil em R$ Construção (milhões) Civil em % 1.941.499,00 84.868,00 4,37% 2.147.239,00 90.217,00 4,20% 2.322.936,00 103.239,00 4,43%

Fonte: Contas Trimestrais Nacionais - IBGE Elaboração: DIEESE

De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção - PAIC (IBGE, 2008), no ano de 2005 existiam no Brasil 105.459 empresas no CNAE 45 (Código Nacional de Atividades Econômicas - Versão 1.0), o qual engloba todo o setor da Indústria da Construção, sendo que 72,66% do total são empresas que possuem até 4 pessoas ocupadas; 20,18% são empresas que tem entre 5 e 29 pessoas ocupadas e somente 7,16% são empresas com mais de 30 pessoas ocupadas, onde 68% dos trabalhadores ocupados no período estão empregados nas empresas com mais de 30 pessoas ocupadas. Segundo o DIEESE (2001), quando se pensa no macro setor da construção civil, incluindo desde os subsetores de materiais de construção às atividades imobiliárias e de manutenção a participação do PIB passa a 14,8%, visto que em outras palavras, pode-se dizer que, a cada 100 postos de trabalho gerados na Indústria da Construção outros 285 são abertos nos demais setores econômicos.

31 O DIEESE (2001), elaborou estudo setorial – “A Reestruturação Produtiva na Construção Civil” que além de informações de âmbito nacional, contém dados comparativos de seis regiões metropolitanas: São Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Distrito Federal. Relacionam-se a seguir, alguns dados importantes do estudo que caracterizam o setor. A maior parte das empresas (71%) e dos empregados (72%) atuam na construção de edifícios e obras de engenharia civil, sendo que cerca de 1/3 das empresas e 35,4% dos postos de trabalho encontram-se no Estado de São Paulo. Os vínculos de trabalho são tênues na construção civil, sendo que cerca de 60% dos assalariados estão à margem da legislação trabalhista, sem contar que quase 2 milhões de trabalhadores atuam por conta própria. Em torno de 50% dos trabalhadores do setor ultrapassam a jornada semanal de 44 horas e mais de 22% trabalham mais de 49 horas, isto sem considerar que grande parte da categoria faz trabalhos extras nos finais de semana. Os trabalhadores da construção civil têm baixa remuneração, onde 85% deles ganham menos de 5 salários mínimos e 44% recebem menos que dois salários mínimos. Nas regiões onde a pesquisa de emprego e desemprego é realizada, entre 3,9% e 8,3% dos ocupados atuam na construção civil, sendo que o percentual de desempregados cuja última atividade se deu no setor, porém é bem maior, e supera 10% em quatro regiões. Os dados do PED (Pesquisa e Emprego e Desemprego) confirmam que, no final dos anos 90 menos da metade da categoria contribuía para a Previdência, sendo que este dado indica uma alteração ocorrida ao longo da década. Na grande São Paulo, em 1988/1989 39,1% não pagava a Previdência, visto que dez anos depois esse percentual passou para 64,4%. Mais de 2/3 dos trabalhadores em construção, em São Paulo e Porto Alegre, atuam por conta própria ou não têm CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) assinada. A falta de vínculos formais contribui para rendimentos mais baixos no setor. Os autônomos têm rendimentos entre 20% a 40% menores que os assalariados, sendo que, além disso, há grandes diferenças entre o montante pago por região. Os maiores rendimentos estão em São Paulo e os menores em Recife.

32 Pela própria característica da construção civil, a rotatividade é muito grande no setor, visto que mais da metade dos trabalhadores está no emprego há menos de um ano e mais de 1/3 deles não completou 6 meses no emprego. O trabalhador da construção civil tem entre 35 e 38 anos e uma escolaridade média inferior ao do conjunto dos ocupados. O percentual de analfabetos chega a ser três vezes maior entre o total de pessoas trabalhando. A proporção de negros na construção civil é sempre superior à registrada no conjunto dos ocupados. Mesmo em regiões com São Paulo e Porto Alegre, onde metade da população quê está trabalhando é negra, a parcela deste segmento na construção é significativa e supera a encontrada no total de ocupados. A maior parte dos trabalhadores da construção civil é constituída por migrantes (somente em Recife o percentual de migrantes é inferior a 50%). No entanto, a maioria já se encontra na região metropolitana onde vive há mais de três anos. Entre 52% e 63% dos trabalhadores da construção civil exercem funções de pedreiro ou servente. Em ambas, a escolaridade média é a mesma (entre 3 e 5 anos de estudo), mas os pedreiros são normalmente mais velhos (39/40 anos) e ganham aproximadamente o dobro dos serventes. O estudo revela, que apesar de ter sido realizado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE de 1999, não existe contradição com as características atuais do setor, onde, a baixa remuneração, o baixo nível de escolaridade, a grande rotatividade da mão-de-obra, a precarização do contrato de trabalho e a segmentação do setor, sejam através da terceirização, ou mesmo pelo grande emprego de mão-de-obra são fatores marcantes, os quais prejudicam a evolução social dos trabalhadores. Na tabela 3.3 observa-se que no ano de 2006, cerca de 51% dos trabalhadores declarados empregados continuam informais, ou sejam, sem registro na CTPS, bem como cerca de 42% dos ocupados na Indústria da Construção são autônomos ou trabalharam por conta-própria e não contribuem para a Previdência Social. Totalizando, em 2006 cerca de 70% dos ocupados na Indústria da Construção não contribuem para a Previdência Social.

mas uma realidade no setor.Brasil – 2006. As estatísticas de acidentes de trabalho são utilizadas para mensurar a exposição dos trabalhadores aos níveis de riscos inerentes à atividade econômica.9% 41.708 250. sobre o eufemismo da “flexibilização” das condições de trabalho.Distribuição dos ocupados na construção.0% 25.741.484. As estatísticas de acidentes de trabalho orientam entidades e empresas no Acidentes Registrados correspondem ao número de acidentes cuja Comunicação de Acidentes do Trabalho – CAT foi cadastrada no INSS. 2008) . 2001). sendo que esta leva em consideração a quantidade de acidentes de trabalho registrados 1 e liquidados 2 em cada ano.33 Tabela 3. 3. fornecem subsídios para o aprofundamento de estudos sobre o tema e permitem o planejamento de ações nas áreas de segurança e saúde do trabalhador.486 2. os quais têm indicado quais setores ou atividades sofrem mais acidentes. 2 1 Acidentes Liquidados correspondem ao número de acidentes cujos processos foram encerrados administrativamente pelo INSS.9% 4. Esse processo significa precarização. Posição na Ocupação Empregado com carteira Empregado sem carteira Conta-Própria Empregador Outros Total Fonte: PNAD 2006 Elaboração: DIEESE Freqüência Absoluta 1.437. 2008). Não são contabilizados: o reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença do trabalho. depois de completado o tratamento e indenizadas as seqüelas (INSS.9% 100% Para os trabalhadores.3 . viabilizando o acompanhamento das flutuações e tendências históricas dos acidentes e seus impactos nas empresas e na vida dos trabalhadores. segundo a posição na ocupação no trabalho principal .176 5. Além disso.064 Relativa 25.403.4% 2. já comunicados anteriormente ao INSS (INSS.2 Estatísticas de Acidentes de Trabalho As estatísticas de acidentes de trabalho no Brasil são divulgadas pela Previdência Social. o processo de terceirização já não é uma simples tendência. perda de renda e dificuldades de fiscalização por parte do sindicato (DIEESE.310 1.384 165.

2007c).000 para 16 por cada 1.SESMT nas empresas com pessoal qualificado para a época em estudar os motivos e as formas de prevenir acidentes. Analisando-se a série histórica dos registros de acidentes do trabalho no Brasil junto a Previdência Social de 1970 até hoje.000 trabalhadores (USP. 2008).000. em 1980. A proporção dos acidentes notificados em relação ao número de trabalhadores segurados identifica uma queda vertiginosa na incidência dos acidentes do trabalho no país. Com a participação dos profissionais da SST foi criado o Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho . a terceirização com a diminuição dos trabalhadores registrados nas atividades mais perigosas e o crescimento do setor terciário da economia (WÜNSCH FILHO. 3 . 2008).34 planejamento e elaboração de programas de Segurança e Saúde do Trabalho (INSS. a qual apresenta detalhes sobre os acidentes laborais no Brasil. acompanhada do aumento do tempo de incapacidade dos acidentados e a letalidade (USP. Iniciou-se uma verdadeira operação para o decréscimo dos acidentes do trabalho. 2007c).000 trabalhadores. 3. percebe-se a redução dos acidentes típicos 3 . em especial dos acidentes leves. 2000 apud USP. ocorriam 167 acidentes para cada grupo de 1. através do uso de técnicas e equipamentos de proteção. a 30 por 1. A explicação para a queda dos acidentes de trabalho registrados são várias: sub-notificação dos acidentes.3 Estatísticas de Acidentes de Trabalho no Brasil Os dados estatísticos de acidentes do trabalho no Brasil ocorridos nestes últimos 36 anos revelam um fato trágico e ao mesmo tempo preocupante na condição em que o país vivia na década de 70 como campeão mundial de acidentes do trabalho. De um ano Acidentes Típicos: são os acidentes decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo acidentado (INSS. 2007c).000 e em 2. em 1990. O MPAS em parceria com o MTE vem disponibilizando o anuário estatístico de acidentes do trabalho edição 2006. Vêem-se nos dados à redução de óbitos como um dado significativo. Em 1970. trazendo detalhes do perfil acidentário município por município. as variações cíclicas da economia brasileira no período. esta relação reduz-se a 78 por 1.

2008) A tabela 3. com 13. Comparando-se com 2005. nos acidentes de trajeto foram os trabalhadores de serviços.980 acidentes do trabalho. os de trajeto 14.9% do total de acidentes registrados. no ano de 2006 foi registrado pela Previdência Social o total de 503. respectivamente 39. o setor de indústrias com 47.7%. .3% do total.7% e as doenças do trabalho 5. com 19. 2008) Em 2006.766 óbitos em 2005 caiu para 2.6%.6% (INSS. a faixa etária decenal com maior incidência de acidentes foi constituída por pessoas de 20 a 29 anos com. Nos acidentes de trajeto.6%. Nos acidentes típicos os subsetores com maior participação nos acidentes foram produtos alimentares e bebidas com 10.717 em 2006).9% e as pessoas do sexo feminino 20. com participação de 10% e o comércio varejista com 8.4 apresenta a evolução dos Acidentes de Trabalho no Brasil registrados pela Previdência Social nos últimos 9 anos (INSS. 2008).CBO com maior número de acidentes típicos foram os trabalhadores de funções transversais. os subgrupos do Código Brasileiro de Ocupações .8% (de 2. Nas doenças de trabalho a faixa de maior incidência foi a de 30 a 39 anos.4% e 11.35 para o outro.1% nos acidentes típicos e nos de trajeto. Os acidentes típicos representaram 80% do total de acidentes.8%.3% do total. a análise por setor de atividade econômica revela que o setor agrícola participou com 6. com respectivamente 12.1% e 40. com 13. saúde e serviços sociais com 8.9% do total.3%.7% do total. Nas doenças do trabalho foram os subsetores intermediários financeiros.9% do total. as maiores participações foram do comércio varejista e dos serviços prestados principalmente às empresas. As pessoas do sexo masculino participaram com 79. Conforme o INSS (2008). com 31.4% e o setor de serviços com 45. excluídos os dados de atividade “ignorada”. Em 2006. o número de acidentes de trabalho registrados aumentou em 0.9% (INSS. as mortes foram reduzidas em 1. e nas doenças do trabalho foram os escriturários.

36 Tabela 3.858 30.839 2.489 23.680 503.903 19.513 39. Doenças Ano Total Típico Trajeto Óbitos Ocupacionais 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 414.642 60.645 3. VALCÁREL.335 67.971 73.717 Fonte: INSS (2008) 3.096 26.738 326. Essa circunstância ganhou destaque com a adoção pela OIT em 1988 da Convenção n° 167 sobre segurança e saúde na construção.171 398. 2005).071 399. O tema da segurança e saúde na construção é relevante não só por se tratar de uma atividade perigosa.868 340.300 38.820 363.896 3. tanto pela natureza particular do trabalho de construção como pelo caráter temporário dos centros de trabalho (obras) do setor.981 30.4 Estatísticas de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção Apesar dos inúmeros esforços que vêm sendo feitos no Brasil.251 393.487 22.114 37. o índice de acidentes do trabalho e doenças profissionais continua elevado em relação aos índices encontrados em outros países.094 2. pelo menos 60 mil ocorrem em obras de construção (LIMA.700 499. DIAS. A Indústria da Construção é um dos setores de atividade econômica que mais registra acidentes de trabalho e onde o risco de acidentes é maior.194 33. a partir de campanhas de prevenção de acidentes. principalmente na Indústria da Construção. o que causa inúmeros problemas sociais e econômicos.799 46.311 23.980 347. de comissões de estudo tripartites (representantes do Governo.753 2.793 3. sobretudo porque a prevenção de acidentes de trabalho nas obras exige enfoque específico.674 2.963 282.968 2.271 (Brasil. 2007) juntamente com a . dos aproximadamente 355 mil acidentes mortais que acontecem anualmente no mundo.4 – Acidentes de Trabalho ocorridos no Brasil – 1999 a 2006.766 2.613 403. mas também é. a qual foi promulgada pelo Decreto Federal nº 6.965 323.341 387.879 325.077 465. Empregadores e Trabalhadores) e de estudos acadêmicos.404 304.881 49. De acordo com as estimativas da Organização Internacional do Trabalho OIT.264 36.605 18.577 375.

2001) e (c) análise da experiência da União Européia nesse campo. em matéria de segurança e saúde na construção. e de suas organizações. (c) a especificidade da ação setorial em matéria de SST da construção. VALCÁREL. Nos últimos anos. as atividades do Projeto concentraram-se em colaboração com a FUNDACENTRO. na realização de uma série de jornadas internacionais de segurança e saúde na construção nas diversas regiões do país. . 2005). ampliou-se também. 1988) sobre segurança e saúde na construção e diretrizes sobre Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (ILO-OSH.CPN e dos Comitês Permanentes Regionais . a cooperação nessa área nos países do Cone Sul (LIMA. principalmente nos países andinos. no caso particular do Brasil. (b) a incorporação do tema da SST nas políticas nacionais de desenvolvimento da Indústria da Construção. (b) promoção dos dois importantes instrumentos da OIT de aplicação nesse campo: Convenção nº 167 (OIT. ao mesmo tempo.37 Recomendação nº 175 da OIT sobre Segurança e Saúde na Construção (LIMA. essas jornadas ressaltaram especialmente as seguintes questões: (a) discussão e avaliação da interessante experiência tripartite brasileira em matéria de segurança e saúde na construção. Dias (2005). A ação do programa Safework da OIT. no campo da SST (LIMA. VALCÁREL. que se baseia na colaboração com os países na formulação. 2003. como referência para possível ação conjunta dos países do MERCOSUL. propícia: (a) a consideração da Indústria da Construção como uma das prioridades das políticas nacionais de SST. e. DIAS. Valcárel. e (d) a participação de trabalhadores e empregadores da construção. Voltadas especialmente para o fortalecimento dos CPR’s.CPR’s situou o setor de construção como uma das prioridades nas políticas e programas nacionais de SST no país e representou. a OIT vem realizando diversas ações no campo de segurança e saúde na construção na América Latina. No âmbito do projeto de Promoção da Segurança e Saúde na Construção nos países do MERCOSUL e Chile. Segundo Lima. DIAS. execução e reexame periódico das políticas e dos programas de ação nessa área. A criação no Brasil em 1995 do Comitê Permanente Nacional . VALCÁREL. avanço significativo em matéria de tripartismo e importante referência em nível internacional. 2005). DIAS. 2005).

no tocante à freqüência e aos coeficientes dos acidentes apresentados. as estatísticas do MTE e MPAS apontam que outras atividades econômicas estão em situação ainda mais críticas do que a construção. bem como identificar todos os aspectos que envolvem o sinistro no setor.) e indiretos (diminuição da produtividade global. podem-se destacar os altos custos diretos (indenização nos primeiros 15 dias. mas de acordo com a FETICOM-SP (2008) as empresas não enviam os Anexos para a FUNDACENTRO. Embora a freqüência de acidentes do setor seja alta. sendo este um forte argumento para estimular investimentos na área. Em geral. isto deve alertar os empresários para o volume de recursos que é desperdiçado cada vez que ocorre um acidente.38 Em relação aos problemas econômicos causados pelos acidentes do trabalho. Tal descumprimento legal por parte das Empresas. 1995). conforme determina a Norma. com o intuito de promover a prevenção dos acidentes do trabalho e doenças profissionais. Outro instrumento importante para a avaliação dos Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção são os Anexos I e II da NR-18 (Brasil. perdas de equipamentos e de materiais. Ao contrário do que se costuma pensar. adaptação de outro funcionário na mesma função. banalizando o instrumento e tornando-o ineficaz para a finalidade a qual foi criado. a construção não é o setor que mais provoca acidentes de trabalho no Brasil. Outro fato a ser considerado é que os empresários normalmente visualizam somente os custos diretos relacionados aos acidentes do trabalho. até mesmo pelo grande contingente de mão-de-obra que o mesmo emprega. que foram criados com a finalidade de informação com maior eficiência e precisão.30% nacionalmente e . etc. sendo que em 7 anos o número de trabalhadores cresceu 37.5 observa-se à quantidade de trabalhadores formais da Indústria da Construção no Brasil e no Estado de São Paulo no período de 1999 a 2006. gera uma insuficiência de informações dos Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção. A desagregação de informações por setor de atividade revela que a situação real de prevenção e segurança no trabalho encontra-se diferenciada entre as atividades. Na tabela 3.) dos acidentes causados pela falta de segurança. etc. enquanto que os custos indiretos podem ser de 3 a 10 vezes maiores que o custo direto. É fundamental o conhecimento das informações estatísticas relativas aos acidentes do trabalho e doenças profissionais na atividade da construção civil através da CAT.

112 2.5 – N° de Trabalhadores da Indústria da Construção .696 1.39 25.294 372. No período.421 2.49 26. Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) Brasil 1.838 3.950 22.6 – Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – 1999 a 2006.84 26.26%. Tabela 3.132.528 1. sendo que em 2006 o percentual reduziu para 6.446 28.875 29. Tabela 3.532 2.180 27.529 Típico 24.6 observa-se um resumo dos acidentes de trabalho registrados no Brasil na Indústria da Construção no período de 1999 a 2006.891 1.029 22.985 25.094.119 292.O. o setor foi responsável por 7.60 25.955 1.713 São Paulo 289.154 2.228 31.245.986 % 27.62 28.39 apenas de 28. 868 787 735 923 873 1.494 262.047.018 285.336 992. Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Total 27. porém o Estado ainda é a Unidade da Federação com o maior número de trabalhadores do setor.85% no Estado de São Paulo. Já nos acidentes fatais a redução de 1999 a 2006 foi de aproximadamente 28%.147 Trajeto 2.036 965 Óbitos 407 325 382 375 326 318 307 318 Fonte: FETICOM-SP (2008) .92 Na tabela 3.008 2.417 D. ocorreu uma oscilação do percentual de trabalhadores ocupados no Estado em relação ao total de ocupados no Brasil.826 25. No ano de 1999.395 1.44 26.980 28.052 1.094 331.22 26.557 25.012 3.637 22.465 308.118.17% dos AT que ocorreram no Brasil.570 1.438.106.921 304.Brasil e São Paulo – 1999 a 2006.536 25.686 24.484 25.

337 13.914 9.654 1.060 11.378 1. Doenças Ano Total Típico Trajeto Óbitos Ocupacionais 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 10. Tabela 3.170 7. onde a quantidade de acidentes que geraram afastamento do trabalhador por mais de 15 dias. Afastamento com mais de Incapacidade Permanente Ano 15 dias 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) 12.8 são apresentadas às estatísticas de acidentes do trabalho registrados no Estado de São Paulo nos anos de 1999 a 2006.745 8.210 8.376 8.470 1.7 – Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – Afastamentos e Incapacidades de 1999 a 2006. Tabela 3.224 1.248 9. podemos observar que uma das características marcantes do setor é o seu alto índice de acidentes graves.251 7.248 7.832 9. com a mesma tendência das ocorrências nacionais.930 9.926 10.8 – Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006.765 8.7.035 650 621 620 758 689 808 910 917 417 214 201 282 265 320 275 296 105 56 85 94 64 65 64 53 Fonte: FETICOM-SP (2008) .205 8.624 9.190 1. ou seja: queda da mortalidade.161 11.651 9.093 8.566 1. sendo que em 1999 e 2003 as ocorrências aproximaram-se do referido percentual.465 12.308 7. somado aos que geraram algum tipo de incapacidade no período de 2000 a 2002 ultrapassou 50% da quantidade de acidentes do trabalho registrados no setor.106 1.143 7.337 850 Na tabela 3.40 Na tabela 3. mas aumento no número de acidentes.

181 2.929 4. a queda do índice foi de aproximadamente 57% para o Brasil.783 341 378 305 359 365 351 380 259 Na tabela 3.84 29.9. Outra comparação importante é que o Estado de São Paulo vem conseguindo uma redução da Taxa de Mortalidade acima da média nacional ano após ano.31 14.10 São Paulo 36.27 18.80 19.271 3.65 22. Para o Estado de São Paulo a redução foi de 39%. Afastamento com mais de Incapacidade Permanente Ano 15 dias 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) 4.43 22. pois tem as mesmas características da média nacional.84 28.087 4. No período.10 – Taxa de Mortalidade – Brasil e Estado de São Paulo – 1999 a 2006. são apresentadas às estatísticas dos acidentes de trabalho liquidados por motivo de afastamento com mais de 15 dias e incapacidade permanente no período de 1999 a 2006.95 32.696 3.72 33.13 27. Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) Brasil 38.14 24. é apresentada a evolução da Taxa de Mortalidade da Indústria da Construção no período de 1999 a 2006 no Brasil e no Estado de São Paulo. Tabela 3.21 .41 Na tabela 3.69 33. onde a situação também é preocupante. Tabela 3.330 3.133 3.90 32.43 24.10.9 – Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006.

Pereira (Proteção. Ainda. com custos baixos de se adequarem. são listadas as principais autuações que foram feitas pelo MTE na Indústria da Construção no Estado de São Paulo no período de 2001 a 2007 segundo a FETICOM-SP (2008). um local para a troca de roupa. sendo possível observar que os maiores números de autuações ainda ocorrem por falta de adequação das Áreas de Vivência e do não fornecimento dos EPI’s. 2005). um local para comer. fáceis. cerca de 20% das multas dentro do Estado de São Paulo são por causa da falta de áreas de vivência e vestimentas inadequadas. as quais são coisas primárias. camisa e reposição). a falta de uma vestimenta adequada e completa (calça. . falta de água potável.42 3. 2005) esclarece que existem coisas bem primárias que são encontradas nas fiscalizações dos canteiros de obras. de acordo com Pereira (Proteção.5 Autuações de SST na Indústria da Construção no Estado de São Paulo (NR18) – 2001 2007 Na tabela 3. como por exemplo: inadequação das áreas de vivências: falta de chuveiros ou quantidade incompleta.11.

principalmente nas cidades do interior. sendo que em São Paulo existe um Programa Específico para o Setor da Construção o qual funciona desde a década de 80 e vem sendo fortalecido a cada ano.11 – Subitens mais autuados da NR-18 pelo MTE no Estado de São Paulo no período de 1999 a 2006. Em uma visão mais ampla. 1998a). de acordo com Pereira (Proteção. 3.6 Metodologias de Proteção Metodologias de proteção são ações. são todas as medidas de segurança tomadas numa obra para proteger uma ou mais pessoas.43 Tabela 3. . equipamentos ou elementos que servem de barreira entre o perigo e os operários. (SAMPAIO. 2005). exemplo esse que mais Estados do país deveriam seguir. Tipo de Autuação Comunicação Prévia PCMAT Áreas de Vivência/Vestimenta Escavações/Fundações Carpintaria/Armação Escadas Proteção contra quedas Elevadores de obras Andaimes Instalações Elétricas Máquinas EPI Treinamento CIPA Diversos Total Fonte: SRTE/SP Adaptação: FETICOM-SP 2001 37 37 248 9 19 16 87 85 57 42 14 100 42 10 55 858 2002 48 30 204 7 38 13 99 61 66 34 13 92 32 22 53 812 2003 67 32 173 6 39 26 140 70 53 42 20 124 36 22 82 932 2004 47 53 139 4 29 15 105 53 72 39 23 89 36 15 83 802 2005 29 19 141 3 24 10 66 36 34 28 15 68 22 7 57 559 2006 35 30 187 9 28 2 73 25 56 43 8 50 38 6 45 635 2007 70 38 275 10 48 26 144 37 60 38 13 92 60 7 62 980 A Indústria da Construção tem a necessidade de implementação de programas específicos de fiscalização em todo o país.

proteções de aberturas no piso. Conforme a NR-18 (Brasil. plataformas de proteção. gruas. medidas de proteção na confecção de escadas. 1994). evitando acidentes. Dentre as principais. rampas e passarelas. sendo que estas devem garantir com o máximo de eficiência o controle dos agentes de riscos para operações com máquinas e equipamentos e no desenvolvimento das atividades de produção. A NR-18 (Brasil.6. c) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no ambiente de trabalho. fundações e desmonte de rochas. medidas de proteção na execução e nas operações de escavações. guinchos. 1995) estabelece condições mínimas para o dimensionamento das proteções coletivas nos canteiros de obras. medidas de proteção na elaboração e manutenção das instalações elétricas temporárias. b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no ambiente de trabalho. medidas de proteção na movimentação de materiais e pessoas (elevadores. protegendo contra danos à saúde e a integridade física dos trabalhadores. De acordo com a NR-9 (Brasil. além dos mesmos terem que ser projetados e dimensionados por profissional legalmente habilitado. 1995). medidas de proteção na utilização de serras . EPC é todo equipamento destinado à proteção coletiva.44 3. o estudo para implantação de medidas de proteção coletiva deverá obedecer a seguinte hierarquia: a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes prejudiciais à saúde. Conforme a NR-9 (Brasil. escoramento de valas. citam-se: medidas de proteção contra quedas. etc. A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser acompanhada de treinamento dos trabalhadores quanto aos procedimentos que assegurem sua eficiência e de informação sobre as eventuais limitações de proteção que ofereçam. o qual deve fazer parte dos documentos que integram o PCMAT. como por exemplo: guarda-corpos. PTA’s).1 Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC’s Os equipamentos de proteção coletiva servem para neutralizar a ação dos agentes ambientais. 1995) o projeto de execução e implementação das proteções coletivas deve estar em conformidade com as etapas de execução da obra. com a finalidade de eliminar e/ou diminuir os riscos de acidentes ou doenças ocupacionais.

EPI A NR-6 (Brasil. em que o fabricante tenha associado contra um ou mais riscos que possam ocorrer. a guarda. estabelece que a utilização de EPI’s no âmbito do programa deverá considerar as normas legais e administrativas em vigor e envolver no mínimo: a) seleção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto e à atividade exercida. tais como: calor. a higienização. Assim é necessário critério objetivo de atenuação do EPI. insuficientes e/ou estiverem em fase de implantação. destina-se à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar à sua segurança e saúde. como . o uso. que utilizado pelo trabalhador. como ocorre. de fixação à pólvora e medidas de proteção nas atividades de armações de aço. visando a garantir as condições de proteção originalmente estabelecidas. a empresa é obrigada a fornecer gratuitamente a seus empregados os Equipamentos de Proteção Individual . 1994). A NR-09 (Brasil. O EPI é limitado ao controle de alguns agentes ambientais. com a respectiva identificação dos EPI utilizado para os riscos ambientais. considerando-se a eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e o conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário. etc. Em situações onde não há quantificação da concentração do agente. 1995) possui um rol de medidas preventivas direcionadas às principais atividades e operações realizadas na Indústria da Construção. 3.45 circulares. concretagem. e por equipamento conjugado de proteção individual. possibilitando a aferição de que a concentração ou intensidade do agente reduza abaixo do Limite de Tolerância. 2001) considera EPI todo o dispositivo ou produto de uso individual. entre outros. agentes biológicos. vibração. A NR-18 (Brasil. c) estabelecimento de normas ou procedimento para promover o fornecimento. com o ruído. estruturas metálicas. Conforme esta NR. b) programa de treinamento dos trabalhadores quanto à sua correta utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI oferece.2 Equipamentos de Proteção Individual . sempre que as medidas de controle coletivas ou administrativas forem inviáveis. a conservação. por exemplo. a manutenção e a reposição do EPI.EPI's adequados aos riscos existentes no local de trabalho.6. medidas de proteção na operação com equipamentos elétricos. aquele composto por vários dispositivos. e d) caracterização das funções ou atividades dos trabalhadores.

Direção Defensiva. As fichas devem ser individuais e devem ser guardadas por no mínimo 20 anos após o desligamento dos funcionários da empresa.Os EPI’s. deve-se ter a preocupação de que os mesmos exerçam a proteção de maneira eficaz e possuam o Certificado de Aprovação. 2001). Recomenda-se manter um fichário para controlar o fornecimento dos já referidos equipamentos de proteção individual. A NR-6 (Brasil. controlar e disciplinar o uso dos equipamentos fornecidos. 2005). Gruas. a guarda e conservação. Da mesma forma. e) substituir imediatamente. 2001) estabelece que cabe ao empregado quanto ao uso do EPI: a) usar. Ao adquirir EPI’s. utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina. c) comunicar ao empregador Certificado de Aprovação (CA) . cabendo-lhes as aplicações das punições previstas em lei para o trabalhador que se recusar a usá-los.46 por exemplo: contato com substâncias químicas deve-se selecionar EPI adequado e de acordo com sua finalidade de proteção. f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica e g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada. quando danificado ou extraviado. a qual é definida no Certificado de Aprovação (CA) 4 (SALIBA. É de responsabilidade da empresa. etc. 4 . Conforme a NR-6 (Brasil. de modo que cada equipamento receba a assinatura do usuário na data da entrega. só poderão ser comercializados desde que possuam e indiquem o Certificado de Aprovação (CA). d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado. b) responsabilizar-se pela guarda e conservação. o qual é expedido por órgão competente do MTE. a empresa deve manter os certificados individuais dos treinamentos aos quais seus empregados se submeteram. cabe ao empregador quanto ao EPI: a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade. c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho. treinamento de Operador de Serra Circular. como por exemplo: treinamentos de conscientização e orientação do uso de EPI’s. comprovando a atenção da empresa em manter seus empregados devidamente preparados e habilitados para os cargos exercidos. nacionais ou importados. b) exigir seu uso. sem o qual o equipamento não terá validade legal.

implementar.47 qualquer alteração que o torne impróprio para uso. O Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . responsabilidades. 1999). O Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . De acordo com a USP (2007b). verifica-se a iminência da implantação de um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . inexistência de uma cultura sólida de segurança do trabalho na grande maioria das empresas. 3. planejamento e aplicação de diretrizes específicas para o controle do meio ambiente de trabalho (PROTEÇÃO. processos e recursos para desenvolver. . 2001). organização. Isto inclui a estrutura organizacional. devem ser utilizados EPI’s de acordo com as situações de risco e as atividades desenvolvidas. 2007b). tais como: elevado número de acidentes. sendo que o principal método de proteção é manter um ambiente de trabalho isento de riscos à saúde e integridade física dos trabalhadores. atingir. após uma análise criteriosa realizada por profissionais legalmente habilitados onde serão considerados principalmente os seguintes aspectos: a melhor adaptação ao usuário. Conforme o Anexo I da NR-06 (Brasil.. visando minimizar o desconforto natural pelo seu uso.SGSST baseia-se em elementos que tem a finalidade de atingir a melhoria contínua da política da empresa em relação a SST.SGSST faz parte de um sistema de gestão global que facilita o gerenciamento dos riscos de SST associados aos negócios da organização. e d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. falta de estímulo dos empregadores para investimentos com Segurança e Saúde do Trabalho . práticas. é recomendado que os EPI’s devam ser selecionados e implantados. etc. analisar criticamente e manter a política de SST da organização (OSHA-18001. atividades de planejamento. procedimentos. atender as peculiaridades de cada atividade profissional e adequação ao nível de segurança requerido face à gradação dos riscos. com a implementação de procedimentos que possibilitam a avaliação.SGSST capaz de gerenciar de maneira eficaz as Condições e Meio Ambiente de Trabalho no setor.SST.7 Programas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho Analisando diversos aspectos da Indústria da Construção no Brasil. falta de treinamento dos trabalhadores.

circunstâncias econômicas. assegurando a segurança e a qualidade de vida para a satisfação dos profissionais. sendo que é utilizada para auditar e certificar os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho.). vindo a preocupar-se com esta questão apenas quando notificada. necessariamente. dos clientes e de toda comunidade. a OHSAS-18001 (1999) é uma norma de requisitos chamada de "Especificação". Os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho são fundamentais no bom desempenho da SST. buscando a melhoria contínua de seus processos. na redução imediata de acidentes e doenças ocupacionais. etc. 2008). dispõe de uma política e de objetivos para os assuntos de segurança e saúde dos envolvidos em seus processos. de forma equivocada e no intuito de reduzir o valor da obra. são documentos que vão muito além da certificação: elas são chamadas de "Diretrizes" e fornecem orientações e recomendações voltadas para a implantação eficaz do sistema e para a melhoria do desempenho da SST. rapidez de implementação e abrangência são determinados pela alta direção da organização. sendo que sua aplicação e desenvolvimento. cujo desenvolvimento. contribuindo desta forma para que o SESMT atue efetivamente nas questões relativas a SST. e sistematicamente controlar. atuam de forma ativa na prevenção e seus sistemas de gestão incorporam os princípios da busca da melhoria contínua. multada ou após a ocorrência de acidentes graves e/ou fatais. Conforme a norma OHSAS-18001 (1999) as empresas que possuem um SGSST assumem um compromisso perante as partes interessadas de que: seus dirigentes se comprometem em atender às disposições legais vigentes. como a OHSAS-18002 (1999) não são utilizadas para fins de auditoria. Segundo De Cicco (QSP. não resultará. Quanto às normas BS8800 (1996) e a OHSAS-18002 (1999). Um SGSST é uma ferramenta de trabalho que permitirá a empresa atingir. Tanto a BS-8800 (1996). . considera os custos com segurança e a saúde de seus trabalhadores um investimento indispensável. o nível de desempenho em SST por ela estabelecido em suas diretrizes. Sistemas de Gestão devem ser perfeitamente estruturados. por si só. em função das contingências internas e externas (políticas governamentais.48 A dificuldade na implementação de um SGSST é que a maioria das empresas. já que para o seu efetivo funcionamento definem as responsabilidades da alta gerência e de todos os demais componentes da empresa. reestruturação organizacional interna.

proporcionando assim um controle adequado. 2003). sendo que no Brasil às empresas do setor ainda busca a implementação de sistemas voltados a melhoria da qualidade. 1994) consideram-se riscos ambientais os agentes físicos. uma ponte). De acordo com Valcárcel (Proteção. somente após a implementação de Sistemas de Gestão na Indústria da Construção. quer durante as intervenções posteriores na fase de utilização. concentração ou intensidade e tempo de exposição. uma estrada. 1995) é um instrumento que propõem ações eficazes para a melhoria das condições e meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. de nada adianta sua implantação sem o comprometimento da alta gerência. 2004) a implantação de sistemas integrados de Gestão na Indústria da Construção. envolvendo a qualidade (incluindo o custo e o tempo). 2004).8 Riscos Ambientais na Indústria da Construção De acordo com a NR-9 (Brasil. o objetivo dos Sistemas de Gestão de SST na Indústria da Construção é promover a melhoria da qualidade do produto construído (um edifício. tem vindo a ser reconhecido internacionalmente como uma ferramenta útil na otimização de recursos que seriam necessários para implementar e manter de forma separada a gestão da qualidade. Segundo Dias (Proteção. Para Dias (Proteção. as quais se integram perfeitamente nas diretrizes mínimas de um Sistema de Gestão de SST. ambiental e da Segurança do Trabalho. sendo que o PCMAT propõe diretrizes que visam estabelecer as prioridades de SST por fase da obra. 3. Os Sistemas de Gestão de SST na Indústria da Construção já são comuns na Europa. são . principalmente na Espanha e Portugal. com intervenções rápidas nos itens que não estão em conformidade e precisam ser readequados. a qual por sua vez é responsável pela criação de uma cultura de SST em todos os níveis hierárquicos da organização. reduzir a poluição ambiental resultante da atividade e os acidentes de trabalho e doenças profissionais.49 Muito embora um SGSST deve ser escrito. químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho. quer durante a fase de construção. que em função de sua natureza. o ambiente e a segurança e saúde. alguns países obtiveram uma redução significativa em suas taxas de acidentes na Indústria da Construção. A NR-18 (Brasil.

podendo gerar lesões e reduzir a capacidade laboral do trabalhador. radiações não ionizantes. vibrações. o qual está previsto no Anexo à Portaria n° 25 (Brasil. 1978). 3. pressões anormais. radiações ionizantes. 1994) 5 . no exercício de sua atividade laboral. vibração. 1999) ao tratar do Mapa de Riscos. 1978).8. A norma não menciona os riscos ergonômicos e de acidentes. existindo a necessidade de sua prevenção. aos agentes ambientais físicos. Consideram-se ainda os campos magnéticos estáticos e os campos elétricos estáticos (USP. temperaturas extremas (calor e frio). é possível identificar o agente de risco. médio e longo prazo para as causas de acidentes e doenças profissionais ou do trabalho. estabelece critérios para seu enquadramento como atividade ou operação insalubre 5 . pressões anormais e a umidade dependem do ambiente e local de trabalho. se estes não forem controlados dentro dos Limites de Exposição permitidos. ou na falta destes os previstos na ACGIH. Os agentes físicos: calor. 1994) a inclusão dos referidos agentes. Analisando-se os riscos físicos na Indústria da Construção. Na tabela 3. os riscos ergonômicos e de acidentes de forma direta ou indireta contribuem a curto. estabelece através da Portaria n° 25 (Brasil. os agentes de risco: ruído. radiações ionizantes e radiações não ionizantes surgem nas operações em que são utilizados máquinas e equipamentos para o desenvolvimento das tarefas. Conforme a USP (2007b).ACGIH (2005). os quais também são considerados no livreto de limites de exposição da American Conference of Governmental Industrial Hygienists . de acordo com a NR-9 (Brasil. químicos e biológicos a níveis superiores aos do Limites de Tolerância previstos no Anexo 15 da Portaria 3. frio. em que o Anexo n° 10 da NR-15 (Brasil. sua fonte de emissão e sua possível conseqüência à saúde do trabalhador. A inclusão do agente de risco Umidade se faz necessária. Atividade ou operação insalubre é aquela que expõem o trabalhador.1 Riscos Físicos A NR-9 (Brasil. 1994) como agente de risco físico. bem como o infra-som e ultra-som.12.214 (Brasil. porém a NR-5 (Brasil. 1994) considera como riscos físicos às diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores.50 capazes de causar danos à saúde do trabalhador. 2006a). tais como: ruído.

Vibrador. Calor Trabalho a céu aberto. Policorte. Rompedor. sistema reprodutivo. etc. digestivos e cardiocirculatórios.12 – Riscos Físicos na Indústria da Construção Agentes de Risco Fonte de Emissão Máquinas e equipamentos: Bate-estaca. Bomba de drenagem. trabalho em locais confinados. Ferramenta de fixação à pólvora. à combustão e pneumáticos. formigamento e diminuição da sensibilidade das mãos. continua . Guincho de coluna. Martelete. desconforto. Podendo ainda provocar alterações nos vãos do coração e do cérebro. As mãos podem ficar arroxeadas e úmidas. gastrointestinais. Compactador. dedos e antebraço. Máquina de furar portátil. câimbras de calor. desordens nos sistemas visual e vestibular. De corpo inteiro: Problemas na região dorsal e lombar. Retroescavadeira. operação de caldeira (impermeabilização a quente). Neste rol incluem-se também todos os equipamentos pesados utilizados na movimentação de terra. zumbidos. Esmerilhadeira. operação de soldagem e corte a quente. Compressor de ar. Serra circular de mesa e manual. prostração térmica. Betoneira. Localizadas (mãos e braços): Dor. Caminhão. Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Ruído Diminuição da audição temporária ou persistente. intermação e desidratação.51 Tabela 3. surdez. insolação. problemas nos discos intervertebrais e degenerações da coluna vertebral. Fadiga precoce. Serra de material cerâmico. Pá Carregadeira. Grua. Elevador de cargas e de passageiros. Como efeitos gerais: perturbações funcionais nos aparelhos nervosos. Vibração Máquinas e equipamentos elétricos. com aparecimento de pequenas necroses na pele. Lixadeira para piso. Bomba de concreto.

doenças da pele. vertigens.8. Embriaguez das profundidades. . Hipobárica (abaixo de 760 mmHg): Taquipnéia. 1994). 2006d).2 Riscos Químicos De acordo com NR-9 (Brasil. é uma técnica utilizada na análise da integridade de estruturas metálicas. fumos. USP (2006e) e SENAI (1994). Hiperbárica (acima de 760 mmHg): Barotrauma. navios e gasodutos. esterilidade masculina e feminina. aerodispersóides. nas formas de poeiras. gases ou vapores. Quanto à forma como se apresentam os agentes químicos podem ser classificados em gases. Embolia traumática pelo ar. mergulho e em elevadas altitudes. Pressões anormais Trabalho em tubulão pressurizado. tonturas. enjôo. alcalose respiratória. Na Indústria da Construção ela permite analisar estruturas de concreto (USP. Umidade Trabalho em galerias e locais encharcados. vapores. pela natureza da atividade possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. nos órgãos formadores de sangue. osteossarcoma e carcinoma dos seios da face. são considerados riscos químicos as substâncias. USP (2006b). câncer. Queimaduras. 3. doenças circulatórias. na pele e em outros órgãos. névoas. leucemia.52 conclusão Agentes de Risco Fonte de Emissão Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Alterações na pele. neblinas. fumos. 2007b). Radiação não ionizante Operações de soldagem elétrica e oxiacetilênica. como aviões. compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória. ou que. Fonte: Adaptado da USP (2006a). 6 Gamagrafia industrial é um tipo de radiografia realizada com raios gama. poeiras. névoas e fibras (USP. lesões nos olhos. Radiação ionizante Gamagrafia industrial 6 (análise de estruturas de concreto. verificação da integridade de soldas e estruturas metálicas). catarata. neblinas. Doenças do aparelho respiratório.

que se obtém com forte sopro de ar sobre vidro em fusão (USP. Fibra de lã de vidro é um isolante térmico constituído de finas fibras de vidro. 8 Partículas respiráveis ou Massa de Particulado Respirável (MPR) é uma classificação definida pela ACGIH (2005) que indica o LEO . O cimento é exemplo de produto que pode afetar a saúde do trabalhador em seu estado natural (poeiras alcalinas) ou após sua preparação e aplicação. artefatos de fibrocimento. tubulações pisos e divisórias). tecidos resistentes ao calor. A figura 1 mostra a relação do comprimento da fibra com o diâmetro da partícula. telhas. levando-se em conta que a aplicação do asbesto 7 e da fibra de lã de vidro 8 ocorre com freqüência em vários tipos de edificações. Comprimento (3 d) Diâmetro (d) Figura 1 . 2007b).Limite de Exposição Ocupacional para aqueles materiais que oferecem risco quando depositados na região de troca de gases. Consideram-se fibras as partículas sólidas que apresentam uma relação de comprimento e diâmetro de 3:1 (três para um). sendo que a exposição aos gases.53 A inclusão das fibras se faz pertinente no reconhecimento e avaliação dos riscos ambientais na Indústria da Construção.5 µm a 10 µm são consideradas partículas respiráveis 9 (USP. Destas são ditas respiráveis. Na tabela 3. com várias aplicações industriais (cordas. isolamento térmico em geral. névoas e vapores é provocada pela ausência de 7 Asbesto ou Amianto é um mineral de estrutura fibrosa. Vieira (2003) p.Relação Comprimento X Diâmetro de Partícula Fonte: USP (2007b) Em relação aos agentes químicos é preciso levar em consideração o tamanho das partículas. minerais. as que se apresentam com diâmetro menor que 3 µm (USP. Os riscos químicos encontrados na Indústria da Construção são provenientes de manipulações das matérias-primas utilizadas no setor produtivo. 2007b). São partículas com diâmetro de corte para 50% da massa das partículas igual a 4 µm. discos de embreagem. lonas de freio. 9 .13.163. no qual as que possuem diâmetros entre 0. 2007b). pode provocar Dermatoses quando entra em contato com a pele do trabalhador. vegetais e a fumos metálicos. observa-se que determinadas operações podem expor os trabalhadores às poeiras alcalinas. tais como: caixas d’água. luvas. sendo o Asbesto considerado cancerígeno humano (USP. Neste estágio. Torloni. as quais são transformadas ou passam por processos que modificam a sua natureza. 2007b).

13 – Riscos Químicos na Indústria da Construção Agentes de Risco Poeiras Insolúveis Classificados de Maneira – PNOS 10 Não outra Fonte de Emissão Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Pneumoconioses benignas 11 . Asma. mas deixam à estrutura alveolar intacta e a reação do organismo e potencialmente reversível. pedras ornamentais e telhas cerâmicas e de amianto. remoção dos resíduos do canteiro de obra. dermatite. 153. Tabela 3. fibra de vidro. urticária. Isso ocorre através da absorção dos componentes pelo sangue. mas não são biologicamente inertes. Outra observação importante sobre estes agentes de risco é a sua capacidade de gerar efeitos agudos e crônicos. Bronquite. rejuntamento de pisos e azulejos. no qual os trabalhadores devem ser treinados e receber Equipamentos de Proteção Respiratória . continua Poeiras Insolúveis Não Classificados de outra Maneira – PNOS são substâncias que não tem a potencialidade de causar fibroses ou efeitos sistêmicos. grandes movimentações de terra. pedra e outros materiais.EPR adequado. bronquite e asma. etc. e não necessariamente no órgão ao qual foi depositado. limpeza do canteiro de obra a seco com vassouras e pás. 12 11 10 . estruturas. demolição. têm sido associadas ocasionalmente como uma condição fatal. conjuntivite. inchaço das membranas. Torloni. corte de paredes. Toda essa função depende da ação fisiológica do agente. Torloni. Câncer e Efeitos Sistêmicos 12 . de acordo com a forma em que a substância química se apresentar. dificuldade de respirar. 155. visto que em altas concentrações. Fibroses (Silicose e Asbestose). carga e descarga de areia. conhecida como proteinose alveolar. sendo que alguns são extremamente agressivos e demandam de medidas de controle e proteção adequada. Doenças pulmonares crônicas. ACGIH (2005) Pneumoconioses benignas são doenças que atingem o aparelho respiratório. Poeiras Minerais Acabamentos em concreto e pedras ornamentais. Vieira (2003) p. Em função disso a ACGIH estabelece critérios para avaliação e controle. Vieira (2003) p. Poeiras Alcalinas Cal e cimento. pisos cerâmicos. preparação de massa de cimento e argamassas. Corte de vergalhões de aço. as partículas não tóxicas.54 controle na aplicação e armazenamento de substâncias químicas. Efeitos Sistêmicos são aqueles que ocorrem em outros órgãos. espirro.

Produtos Químicos Ácido muriático e clorídrico. Dermatite Irritativa de Contato Forte – DICF. Fumos Metálicos Operações de corte e soldagem a quente. pele e mucosa dos olhos. vômitos. Poeiras Vegetais Corte e lixamento de madeira. Dermatite Alérgica de Contato – DAC (cimento e solventes). Efeitos Asfixiantes: provoca dor de cabeça. Fonte: Adaptado da USP (2006c). seladora. sonolência. massa plástica. coma e morte.55 conclusão Agentes de Risco Fonte de Emissão Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Renite alérgica e Adenocarcinomas. náuseas. Doença pulmonar obstrutiva. Efeitos Sistêmicos: não provocam danos aos pulmões. operações de corte e soldagem a quente. contaminação por via digestiva. produtos químicos que podem evaporar quando expostos à temperatura ambiente. pintura a revólver. massa de cimento. reações inflamatórias na pele e na via respiratória superior. verniz. etc. tintas. argamassas. thiner. convulsões. aguarrás. câncer: fígado e rins. Efeitos Anestésicos: provocam ação depressiva sobre o sistema nervoso. mas em órgãos e sistemas do corpo. USP (2007d). Gases.: muito desses produtos têm em sua composição hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos. resinas epóxi. danos aos diversos órgãos do corpo (rins e fígado) e ao sistema formador do sangue. febre dos fumos metálicos e intoxicação específica de acordo com o metal. lesões na mucosa dos olhos. desformantes. Efeitos Irritantes: provoca irritação das vias aéreas superiores. Obs. Efeitos Sensibilizantes: aumento da probabilidade de asma ocupacional. redução dos glóbulos vermelhos (hidrocarbonetos). etc. trabalhos em locais confinados. lesões no sistema nervoso central. intoxicações. premer. névoas e vapores Armazenamento inadequado de produtos químicos. Dermatite Irritativa de Contato – DIC. Ali (2006). Arcuri (2004) e SENAI (1994) .

trabalhos em efluentes e saneamento básico. refeitório e vestiário). animais no canteiro de obra. Diarréia. Tifo. Conjuntivite. Doença de Chagas. em que uma simples poça d’água pode proliferar o mosquito transmissor da Dengue e adoecer vários trabalhadores. Bactérias. tais como: bactérias. Parasitas. 1995) se preocupa constantemente com a limpeza e higiene das áreas de vivência (instalações sanitárias. trabalhadores doentes no canteiro ou no alojamento. Cólera. 1994) considera agentes biológicos os microrganismos. parasitas. Observa-se que a NR-18 (Brasil. com riscos que pode levá-los até à morte na fase hemorrágica da doença. fungos. Solitária e Esquistossomose. água contaminada. Dengue. entre outros. Protozoários. Infecções Intestinais. trabalhos em esgotos. trabalhos próximo de florestas e matas.8. locais para refeição. Fungos. protozoários.14 estão relacionados os Agentes Biológicos que podem estar presentes nos canteiros de obras. bacilos. área de vivência sem higienização (alojamento.56 3. Tabela 3. reservatório de água descoberto. Vírus. 1978) exemplifica algumas atividades em que a insalubridade pode ser caracterizada através da avaliação qualitativa. Leptospirose. alojamento e vestiário). Fonte: Adaptado do SENAI (1994) . Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Bacilos. Na tabela 3. onde o Anexo 14 da NR-15 (Brasil. sendo que a caracterização de sua exposição é feita através de inspeção no local de trabalho. ausência de acondicionamento e tratamento do lixo (restos de comida e materiais contaminados). vírus. O reconhecimento antecipado e o controle dos agentes biológicos em um canteiro de obras se fazem necessário. Brucelose. bem como sua fonte de emissão e quais doenças podem afetar à saúde dos trabalhadores. Hepatite. água parada no canteiro de obra. Gripe. Malária.14 – Riscos Biológicos na Indústria da Construção Agentes de Risco Fonte de Emissão Ambulatório médico. Febre Amarela. Tuberculose. banheiro.3 Riscos Biológicos A NR-9 (Brasil.

podendo provocar no trabalhador distúrbios psicológicos e fisiológicos SENAI (1994).8. sinovites. 2003) conceitua tais doenças como uma síndrome relacionada ao trabalho. de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinado(s).4 – Agentes Ergonômicos Os Agentes Ergonômicos são considerados como condições que interferem no conforto do trabalhador. 2007b). tais como: dor.57 3. forçando-o a desistirem do emprego (Assédio Moral no Trabalho. 1990) estabelece parâmetros para que se possa proporcionar o máximo conforto do trabalhador nos ambientes de trabalho. jornadas de trabalho prolongadas. compressões 13 Assédio Moral é a exposição dos trabalhadores às situações humilhantes e constrangedoras. relações desumanas e aéticas de longa duração. equipamentos ou às condições que o trabalho é executado. Entidades neuro-ortopédicas definidas como tenossinovites. em que tem no trabalho a sua principal causa. 2008). os relacionados ao mobiliário. parestesia. em que predominam condutas negativas. mas podendo acometer membros inferiores. Nas questões relacionadas aos abusos causados por pessoas que comandam ou tem poder para dirigir os trabalhos. imposição de ritmos excessivos. 1994) classifica os riscos ergonômicos como sendo: esforço físico intenso. sendo que o Direito do Trabalho já possui entendimentos que levam ao pagamento de indenizações. controle rígido de produtividade. como o Assédio Moral 13 . repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Podem estar ligados à organização das tarefas. O Anexo à Portaria n° 25 (Brasil. exigência de postura inadequada. Já nas doenças causadas pela organização do trabalho. como o stress e doenças do coração. monotonia e repetitividade e outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico. sensação de peso. As doenças provocadas por esforços repetitivos são denominadas LER/DORT – Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbio Osteosmusculares Relacionados ao Trabalho. geralmente nos membros superiores. . levantamento e transporte manual de peso. trabalho em turno e noturno. caracterizada pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. A Instrução Normativa n° 98 (MPS. podendo causar doenças e/ou lesões (USP. estas são reconhecidas pela Previdência Social como Doenças do Trabalho. fadiga de aparecimento insidioso. sendo mais comum em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas. A NR-17 (Brasil.

no qual foram diagnosticadas às questões ergonômicas na movimentação de andaimes suspensos mecânicos. A divisão destes diagnósticos em relação aos ramos de atividade econômica mostrou a presença da doença em trabalhadores de bancos. farmacêuticas e outras (USP. Em sua visão. Segundo a USP (2006d). indústrias automobilísticas. 1995) para a movimentação dos mesmos. etc. A USP (2006d) dá um enfoque completamente diferente à Ergonomia que é atualmente é discutida na Indústria da Construção. Ela é publicada pela OMS e é usada globalmente para estatísticas de morbidade e de mortalidade. As regiões cervical e lombar e os membros superiores são os locais mais freqüentemente comprometidos. (2005). serviços de saúde. sendo que o trabalhador sempre encontra subterfúgios para amenizar a execução do trabalho e reduzir os efeitos dos agentes de risco. mas estes distúrbios podem ocorrer em qualquer parte do sistema osteomuscular. sexo. serviços de utilidade pública (água e energia).). sendo os diagnósticos mais comuns as sinovites e tenossinovites não especificadas.58 de nervos periféricos. Operador é o termo que designa toda pessoa que exerce uma atividade profissional. complementa que pela própria natureza das atividades da construção.8% dos casos de doenças do trabalho registrados. Ainda. 2007c). comprovou-se que não há requisitos ergonômicos nas exigências da NR-18 (Brasil. quaisquer que sejam suas características (ofício. elas são problemáticas em termos 14 CID-10 é a sigla utilizada para indicar a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. conseguindo atingir sua meta e a produtividade a ele imposta. comércio (supermercados). (2001) p. correios e imprensa).1. Em estudo realizado por Saurin et al. sendo que está em sua décima edição (ANS. o Ministério da Previdência e Assistência Social MPAS detectou entre os 200 códigos da CID-10 14 com maior incidência no ano de 2001 as LER/DORT. processamento de dados. podem ser identificadas ou não. a construção ergonômica deve acontecer na transformação do trabalho. síndromes miofaciais. 15 . Segundo a USP (2007c). serviços de comunicação (telefonia. no qual sua concepção é voltada à análise das tarefas do operador 15 e da compreensão de como o trabalho é organizado e de como o trabalhador organiza esse trabalho. classificação profissional. que representou 33. o trabalho prescrito é sempre diferente do trabalho realizado. alimentação e processamento de carnes. Guérin et al. metalúrgicas de componentes eletrônicos. 2008).

tratando-se de uma questão pouco observada por todos os envolvidos no assunto. Na concepção do projeto há falhas que dificultam a sua execução e colocam a vida e a saúde dos trabalhadores em perigo. bancadas e prateleiras passem por manutenções constantes. as patologias da coluna são igualmente uma ameaça.59 ergonômicos. propõem-se: que as cargas tenham seus pesos limitados. 1995) apresentam falhas. em que são ergonomicamente inadequadas. 2007c). outro pelo impacto em caso de queda.8. um pela postura indevida e pelo excesso de peso. empresários. 2007c). 3. esforço físico intenso na movimentação e transporte manual de materiais e repetitividade. ou seja. Nos canteiros de obras. escadas. Exemplifica a questão com as atividades de execução de pisos e forros. (2005). no qual faz referências às posturas inadequadas. como o stress e as lombalgias.. no qual o carregamento de materiais e os trabalhos em altura são importantes fatores de traumas vertebrais. governo e trabalhadores (PROTEÇÃO. fica cada vez mais difícil identificar o empregador que foi responsável pelas condições inadequadas de trabalho. reduz a produtividade e obriga a realização de atividades de risco grave e iminente (SAURIN et al. como o Andaime Suspenso Mecânico. não só nas questões ergonômicas da NR-18 (Brasil. 2005). no qual o nexo entre a causa e o efeito é relativamente fácil. mas em várias questões que deveriam buscar a prevenção das doenças profissionais e/ou do trabalho. as quais requerem trabalhos abaixo da altura dos joelhos e acima do nível dos ombros. estando estes descritos na Tabela I do Anexo à Portaria n° 25 . O autor relata que devido à rotatividade e terceirização do setor. sendo que a ausência de equipamentos adequados.5 Riscos de Acidentes ou Mecânicos Os riscos de acidentes ou mecânicos ocorrem imediatamente após o contato entre o agente e o trabalhador. Para a solução dos problemas ergonômicos na Indústria da Construção. A discussão dos problemas da coluna não têm tido o espaço merecido nas discussões tripartites da Indústria da Construção. rampas. que os cabos de segurança sejam utilizados como auxílio nos cintos durante os procedimentos de carga e descarga de materiais e que a mecanização de alguns processos pode apresentar algum alívio aos trabalhadores (PROTEÇÃO. Para Saurin et al.

o qual deve contemplar as exigências contidas na NR-9 (Brasil. ou seja: antecipação. 1994). porém nada impede que ambos sejam incluídos no PPRA. avaliação e controle dos riscos físicos. armazenamento inadequado. probabilidade de incêndio ou explosão. Fundações e Estruturas. iluminação inadequada. reconhecimento. às quais envolvem trabalhadores. A NR-18 (Brasil. pois só assim estaremos antecipando e resolvendo e/ou minimizando os possíveis riscos durante as execuções das obras. 1994) como sendo: arranjo físico inadequado. assim como a análise dos riscos de cada etapa do projeto. sendo que a identificação dos riscos ambientais deve ser feita através do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais . as necessidades de segurança do trabalho para a sua execução (medidas de proteções coletivas e individuais).60 (Brasil. Conforme a USP (2006f).PPRA e do Mapa de Riscos. Outra fase a se considerar e que atualmente está presente na maioria das principais cidades brasileiras é a Demolição. A falta de espaço nos grandes centros . Coberturas. Nos canteiros de obras com menos de 20 (vinte) trabalhadores não é obrigatória a elaboração do PCMAT. equipamentos e logística. Instalações e Acabamentos e Máquinas de Elevação (SAMPAIO. a NR-9 (Brasil. A obra se divide nas seguintes fases: Movimentação de Terra. Fechamento e Alvenaria. ferramentas inadequadas e defeituosas. máquinas. Eles devem estar contidos em documento específico que contemple os dados da obra. máquinas e equipamentos sem proteção. 1995) traz uma grande inovação para a saúde e segurança do setor quando estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação do PCMAT para os canteiros de obras com mais de 20 (vinte) trabalhadores. eletricidade.9 Reconhecimento dos Riscos na Indústria da Construção por Fase da Obra O reconhecimento dos riscos na obra devem ser feitos de acordo com cada fase. 1998a). animais peçonhentos e outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes. com o objetivo de incluir nessa fase o detalhamento das medidas de proteções coletivas. 3. químicos e biológicos. 1994) não inclui os riscos ergonômicos e de acidentes.

3. Tal fase da obra deve ser assegurada pelo PCMAT. removidos os vidros. na ordem inversa à construção. Recomenda-se que a demolição ocorra.61 urbanos e a necessidade das populações estarem concentradas nas cidades faz com que casas e edificações antigas sejam demolidas. respeitando-se as características do edifício a se demolir (BARROS. não só falta de espaço levam à tendência da verticalização das edificações nas grandes cidades. estuques e outros materiais frágeis que possam se desprender e . choques elétricos. pois é comum mexer-se com edifícios bastante deteriorados e com perigo de desmoronamento. MELHADO.1 Demolição A Demolição é fase da obra destinada à derrubada da construção antiga e remoção dos resíduos. 1997). em que neste serviço “as coisas caem. pontiagudos e abrasivos. soterramentos por queda de estruturas e paredes. desabam”. contatos com objetos cortantes. emissão de poeira (SAMPAIO. 1995). explosões e incêndios. nas atividades de Demolições devem ser: desligados ou isolados todos os fornecimentos de energia elétrica.9. em que a NR-18 (Brasil. protegidas as construções vizinhas através de escoramento ou fundações que devem ser realizadas na estrutura. 1995) determina que toda atividade de demolição deva ser dirigida por Profissional Legalmente Habilitado. A demolição é um serviço perigoso na obra. Segundo Matias Jr. sempre que possível. 1998b). atropelamentos e prensamento de pessoas na obra provocado por máquinas. água. Os riscos mais freqüentes na Demolição são: queda de objetos e materiais. inflamáveis líquidos e gasosos e substâncias tóxicas. bem como a Construtora deve fazer a Comunicação Prévia do início dos trabalhos ao MTE. para a construção de edificações verticais. ripados. desmoronamento de estruturas vizinhas. 2002). mas o alto custo dos terrenos e a crescente demanda por imóveis nos grandes centros urbanos transformou as construções verticais na alternativa mais viável para expansão do mercado imobiliário. exposição a gases tóxicos. contatos com substâncias químicas. (USP-São Carlos. Conforme a NR-18 (Brasil. com a finalidade de deixar o terreno limpo para o início da terraplenagem.

vergalhões. tais como: madeira. A NR-18 (Brasil. na qual a mesma deve ser fixada em todos os pavimentos.50 metros e inclinação de 45° (quarenta e cinco graus). vidros. fechadas e isoladas todas as aberturas existentes e mantidas as vias de circulação livre. através de guindastes e outros dispositivos mecânicos e quando os entulhos forem removidos por gravidade as calhas devem ser fechadas com material resistente. evitando desta forma que os materiais possam atingir os mesmos. 1995). bandejas com a dimensão mínima de 2. . parte de estruturas de concreto presa pela ferragem. Para garantir a redução na emissão de poeira. A NR-18 (Brasil. na qual não foi aplicada a NR-18 (Brasil.62 atingir os trabalhadores. a qual podem afetar os trabalhadores e as edificações vizinhas. materiais plásticos. ausência de sinalização de segurança e das vias de circulação. fiação elétrica. de acordo com a classificação determinada pela legislação. pois no PCMAT deve constar qual será a destinação de cada resíduo. a calha deverá ter um sistema de fechamento. devem ser instaladas galerias para garantir a segurança dos pedestres e veículos. Outra observação importante na fase de Demolição é a separação dos resíduos. gesso. e quando a construção encontrar-se a meio-fio. No ponto de descarga. para garantir que os entulhos não caiam sobre os trabalhadores. Em obras de Demolição devem ser instaladas a cada dois pavimentos. 1995) determina que seja feito o isolamento de área e construção de galerias para a circulação dos trabalhadores dentro do canteiro de obras. visto que a inclinação não pode ser superior a 45° (quarenta e cinco graus). As vias de circulação dos veículos devem ser sinalizadas para evitar atropelamentos durante a remoção dos entulhos. Na figura 2 observa-se a operação de Demolição de uma edificação horizontal. sinalizadas e iluminadas. apresentando riscos com a ausência das proteções coletivas. 1995) determina que na remoção de objetos pesados e volumosos devem-se utilizar equipamentos adequados. deve-se umidificar os materiais durante a demolição e remoção. produtos de cimento amianto e entulho.

conhecidas como terraplenagem. atropelamentos e prensamento de pessoas na obra provocado por máquinas (SAMPAIO.9.2 Movimentação de Terra A fase de Movimentação de Terra é definida como o conjunto de atividades destinadas ao desmontes de rochas. explosões e incêndios. 2008). Fonte: Custódio (2006) 3. Tais atividades têm a finalidade de preparar o terreno topograficamente para que possam ser iniciadas as escavações. .63 Figura 2 – Obra de Demolição. gerando uma sobrecarga nos escoramentos. Esta fase da obra deve ser acompanhada por um Profissional Legalmente Habilitado. O risco de desprendimento de terra sob a escavação pode ser provocado pelo: acúmulo de materiais nas bordas da escavação. Nesta fase da obra podem ocorrer os riscos de: desprendimento de terra da escavação. conforme a NR-18 (Brasil. sendo que uma das medidas importantes que devem ser tomadas é o estudo geológico do solo e a execução de escoramentos. soterramento de pessoas. 1995). queda de altura de pessoas. preparo do terreno e movimentação de terra. 1998a). ausência de escoramento ou queda dos mesmos. que em determinados locais as chuvas são excessivas e podem comprometer a estabilidade do solo. choques. contatos elétricos diretos ou indiretos em pessoas. no qual se deve levar em consideração as intempéries. erosão provocada pela ação das águas e vibrações de máquinas e veículos utilizados na escavação. O soterramento é a segunda causa de acidentes fatais na Indústria da Construção (FETICOM-SP.

linhas telefônicas e de gás. Nessa atividade a 16 Segundo Sampaio (1998a). 1995) determina que os materiais retirados da escavação sejam depositados a uma distância de no mínimo à metade de sua profundidade. 1998a). Outra observação importante que Sampaio (1998a) faz nesta fase da obra é o conhecimento que o responsável pela escavação deve ter do local. de energia elétrica. A partir desta profundidade também devem ser colocadas escadas ou rampas para que os trabalhadores possam sair rapidamente em caso de emergência. na qual sempre existe a possibilidade do trabalhador voltar para algum serviço ou reparo. além da destinação das sobras de explosivos e pelos dispositivos elétricos utilizados na detonação. em que o estudo da fundação deve levar em consideração o impacto que será exercido sobre as mesmas. Blaster é o profissional tecnicamente habilitado a supervisionar as atividades de desmonte de rochas a fogo. carregamento das minas. seja na retirada de terra para a construção de muros de arrimo. que deverá ser responsável pelo armazenamento. Quando exista a possibilidade de aproximação de máquinas. preparo das cargas. com a utilização de explosivos. ordem de fogo e retirada dos explosivos que não detonaram. ou seja. nos quais os taludes instáveis com mais de 1. em que é preciso analisar com antecedência a existência de linhas de fornecimento de água.25 metros devem ter sua estabilidade garantida através de escoramento dimensionado para esse fim. Nas escavações de tubulões a céu aberto executado manualmente deverá ser procedido de sondagem ou estudo geotécnico local. canalizações de esgoto. pois o rompimento de qualquer uma poderá provocar prejuízos à população local e até mesmo causar explosões e incêndios de grandes dimensões.64 A NR-18 (Brasil. equipamentos e veículos. os escoramentos devem ter sua resistência garantida para a carga solicitada.75 metros os escoramentos são obrigatórios e só podem ser retirados no momento do fechamento da escavação. 1995) determina que deva haver um blaster 16 . Quando as escavações forem superiores a 1. Quando existe a necessidade do desmonte de rochas a fogo. Outra medida utilizada para a garantia da estabilidade dos taludes é o cobrimento das escavações ou a impermealibização dos mesmos. a NR-18 (Brasil. . As escavações podem danificar as edificações vizinhas. ou nas vibrações provocadas pela movimentação das máquinas e caminhões (SAMPAIO.

queda de altura no momento do acesso ao tubulão. Quando a execução de escavações e fundações for realizada sob ar comprimido. projeção de materiais. os quais impedem os pedestres e veículos de terem acesso aos locais de riscos de acidentes. É comum encontrarmos valas em vias públicas sem sinalização e isolamento. o qual ocorre pelo inadequado calçamento do equipamento ou pelo desconhecimento das características morfológicas do terreno. entre eles: tombamento de bate-estacas durante seus deslocamentos. prensamento ou esmagamento de dedos e mãos. Não é recomendado o uso de fitas zebradas para esta finalidade e sim telas ou sistemas rígidos. que é o equipamento destinado a cravar estacas no solo. além de ser garantida a manutenção corretiva e preventiva das mesmas. além de proteção contra intempéries. tendo essa condição anotada em CTPS. sendo que as máquinas de grande porte devem ter luzes e alarme sonoro quando movimentadas a marcha ré. além do risco de explosões. freios e pneus. 1995) determina que o operador de bateestacas deva ser qualificado e ter sua equipe treinada. e que os cabos de sustentação do pilão devem ter comprimento para que haja. no qual dentro das escavações podem ocorrer intoxicações ou asfixia devido à presença de gases tóxicos ou de produtos químicos. desabamento de terra e quedas de materiais sobre os trabalhadores. decorrentes do impacto entre a estaca e a parte móvel do equipamento. 1995) no que diz respeito ao trabalho em ambientes confinados e também a NR-33 (Brasil. rompimento do cabo por fadiga ou manuseio indevido. quebra da estrutura de bate-estacas. um mínimo de 6 voltas no tambor. a qual pode ocorrer por fadiga ou impacto da estrutura contra obstáculos. Nesta atividade. deverá ser obedecido o disposto no . Nesta fase da obra são utilizados os bate-estacas. com cuidados especiais aos sistemas hidráulicos. 2006).65 construtora deverá levar em consideração o que determina a NR-18 (Brasil. possibilitando a queda de pedestres e veículos. A USP (2007b) observa que na montagem desses equipamentos podem ocorrer alguns riscos adicionais. a qual tem a finalidade de garantir condições mínimas de SST na atividade. As máquinas e equipamentos utilizados nas escavações devem ser operados por trabalhadores qualificados. inclusive para períodos noturnos. a NR-18 (Brasil. As escavações devem possuir sinalizações e isolamentos. em qualquer posição de trabalho.

queimaduras.66 Anexo n° 6 da NR-15 (Brasil. porém somente a proteção não garante a segurança e saúde do operador. contatos com substâncias nocivas em estruturas de concreto. 1995). perfurações e cortes por objetos. para que o trabalhador não fique exposto à poeira que é gerada pela atividade. Nota-se a circulação de caminhões e máquinas pesadas. Figura 4 – Operação de bate-estacas. radiações. queda da torre da grua (SAMPAIO.9. golpes. Figura 3 – Movimentação de Terra e Terraplenagem. a cabine deve ser enclausurada e aclimatizada. impedindo o acesso de pessoas estranhas aos trabalhos. com cuidados especiais para a compressão e descompressão nos tubulões. 3. Segundo Souza e Quelhas (Proteção. 2006). quedas de objetos e materiais. 1998a). A figura 4 mostra a operação de um bate-estacas. . explosões e incêndios. Na figura 3 observa-se a Movimentação de Terra e Terraplenagem para a preparação de um terreno. fumos e partículas nos olhos. Nesta fase da obra ele descreve os seguintes riscos: queda de altura. 2008). Fonte: Monticuco (2007). em que o local está isolado. Nota-se que o compactador de solo não tem a proteção contra intempéries. não sendo uma conseqüência somente desta fase da obra. descargas elétricas de máquinas utilizadas pelos carpinteiros. A queda de altura na Indústria da Construção é a causa que mais provoca acidente fatal (FETICOM-SP.3 Fundações e Estruturas Fundação é a fase da obra que une o edifício ao terreno e Estrutura é o elemento ou conjunto de elementos que formam a parte resistente e de sustentação do edifício.

diminuindo os desperdícios. Seisso . sendo que as construtoras só têm retirado às malhas de aço no momento da instalação do elevador definitivo. limpos e desimpedidos. A adoção do Programa 5S no Japão na década de 1950 foi um dos fatores da recuperação das empresas e da implantação da Qualidade Total no país. O "Programa 5S" ganhou esse nome devido às iniciais das cinco palavras japonesas que sintetizam as cinco etapas do programa.DISCIPLINA: Rotinizar e padronizar a aplicação dos "S" anteriores (IPEM-SP. 17 O Programa 5S foi concebido por Kaoru Ishikawa no Japão em 1950 e foi aplicado após a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de reorganizar o país quando vivia a chamada crise da competitividade. 1995).LIMPEZA: Limpar e cuidar do ambiente de trabalho.ARRUMAÇÃO: Colocar cada coisa em seu devido lugar. conforme determina a NR-18 (Brasil. Seiton . Shitsuke .67 Para a prevenção da queda de altura a NR-18 (Brasil. Essas palavras e suas versões para o português são: Seiri DESCARTE: Separar o necessário do desnecessário. rodapé de 20 centímetros e travessão intermediário colocado a uma altura de 70 centímetros. de acordo com o texto aprovado pelo CPR/SP (FETICOM-SP. Os poços dos elevadores devem ter a mesma proteção. . a principal delas é a construção do sistema guarda-corpo-rodapé com altura mínima do travessão superior de 1. apenas envernizadas. 2008). Outra situação que Sampaio (1998a) se preocupa nesta fase da obra é com a organização e limpeza do canteiro de obra. mesmo quando estão protegidas. sendo um instrumento importante nos programas de gestão. 1995) determina proteções mínimas que devem ser implementadas e só retiradas quando tenha sido concluído o fechamento da abertura da periferia da laje ou do piso. onde ele indica a aplicação do Programa 5S 17 . reduzindo custos e aumentando a produtividade das instituições.20 metros. 1995) estabelece que elas devem ser fechadas com proteção resistente e isoladas. melhorando a qualidade de vida dos funcionários. e seus degraus devem ser encaixados no montante. a NR-18 (Brasil. Entre tais determinações. Ele tem o objetivo de transformar o ambiente das organizações e atitude das pessoas. Até hoje é considerado o principal instrumento de gestão da qualidade e da produtividade utilizado no Japão devido a sua eficácia. As escadas devem ser dimensionadas de acordo com a sua aplicação. não podendo ser pintadas. Seiketsu SAÚDE: Tornar saudável o ambiente de trabalho. visto que o mesmo tem a finalidade de manter os locais de trabalho organizado. O sistema de guarda-corpo-rodapé deve suportar uma carga mínima de 150 quilos em seu ponto mais vulnerável e ter os espaços entre os vãos fechados com tela ou outro material que garanta a resistência solicitada. Quanto às aberturas existentes no piso. Devem ser construídas com madeira de primeira qualidade e que não apresentem nós e/ou rachaduras. 2008). Esta proposta deverá constar na norma no ano de 2008. de maneira que ninguém tenha acesso.

somente podendo ser retirada quando todos os andares superiores estiverem concluídos. De acordo com as estatísticas da MPAS (2008). De acordo com Sampaio (1998a). aproximadamente 30% dos Acidentes de Trabalho ocorrem nas mãos e nos punhos dos trabalhadores. O profissional deverá ter sua função anotada em CTPS e portar documento de identificação. pedestres e edificações vizinhas. e a segunda é responsável pelas estruturas de ferro que serão colocadas dentro das fôrmas e dará a resistência necessária à estrutura. tanto no corte da madeira necessária para as fôrmas. A carpintaria é uma atividade que deverá ser desempenhada por trabalhador qualificado. Ainda. em que ele manuseará a serra circular de bancada. a NR18 (Brasil.68 Para prevenir a queda e projeções de materiais. o qual é um equipamento perigoso e que pode causar cortes e amputações nos membros superiores dos trabalhadores. podendo atingir os trabalhadores. 1995) determina que deve ser instalada a plataforma principal a partir do andar térreo. com um pé-direito acima do nível do terreno. O local deve ter cobertura para a proteção dos trabalhadores contra as intempéries e queda de materiais. encontram-se as atividades de Carpintaria e Armações de Aço. objetos e ferramentas. no qual materiais podem ser projetados e ultrapassar as plataformas. Após a montagem e colocação das armações. A obrigação de instalação das plataformas é para as edificações que tenham mais de 4 (quatro) andares ou altura equivalente. é obrigatória a colocação telas de proteção em toda a extensão da edificação. às quais serão construídas e montadas pelos Carpinteiros. quanto em sua montagem. Nesta fase da obra. sendo que elas devem atingir todo o perímetro da edificação.20 metros. 1995) determina que iluminação deva ser protegida contra impactos provenientes da projeção de partículas ou vergalhões. Sua qualificação é extremamente importante. as pontas dos vergalhões devem ser . Estas plataformas só podem ser removidas quando for fechada a periferia da laje na altura mínima de 1. afastados da área de circulação de pessoas. No setor de armações a NR-18 (Brasil. a primeira é responsável pela confecção das fôrmas. e plataformas secundárias a cada 3 (três) pavimentos a partir do andar térreo. O corte e a dobragem dos vergalhões de aço devem ser feitos em mesas estáveis e apoiados sobre superfícies resistentes.

69 protegidas e devem ser colocadas pranchas de madeira para a circulação dos trabalhadores sobre as armações. É obrigatória a colocação de anteparos rígidos para a proteção dos trabalhadores circunvizinhos. mangote. A concretagem. As mangueiras devem possuir mecanismo contra o retrocesso de chamas e trabalhador deve ser qualificado. 1995). 1995) determina a necessidade de exaustão local para os fumos de solda. . Na figura 5 verifica-se a operação de concretagem de um pavimento em uma edificação horizontal. Os trabalhadores estão protegidos com Luvas de PVC. Todos os equipamentos manuais utilizados na Indústria da Construção devem possuir duplo isolamento. pode-se observar que os vergalhões que ficaram expostos não estão protegidos e que não existe a colocação de pranchas de madeira para que os trabalhadores possam deslocar-se com segurança sobre as armações de aço. contato da pele. Nesta figura. que parte das atividades desta fase da obra. Capas de Chuva e Capacete. escudo para soldador. que na maioria das vezes é realizada em ambientes úmidos (NR-18. 1995) prevê cuidados especiais às operações de soldagem e corte a quente. sendo está medida uma proteção mínima para atividades. As linhas transportadoras de concreto estão fixas à estrutura e o guarda-corpo foi instalado na periferia da laje. Na concretagem das fundações e das vigas de sustentação o concreto será bombeado até seu ponto de utilização. Botas de Borracha. aterramento elétrico. a NR-18 (Brasil. perneiras e luvas de raspa e calçado de segurança. etc. Nesta atividade a USP (2007b) descreve a possibilidade dos seguintes riscos: rompimento de linhas de alta pressão. vibrações dos equipamentos principais e auxiliares (vibradores de concreto). exaustão local diluidora. avental. contra os respingos de soldas e partículas incandescentes. as quais podem provocar incêndios e explosões. poderá ser feita através de produção organizada no próprio canteiro de obras ou por meio de usinas. máscara semifacial com filtro químico e mecânico. Devem ser fornecidos os seguintes EPI’s aos trabalhadores: máscara para soldador. A NR-18 (Brasil. Na execução de obras em que haja a utilização de estruturas metálicas.). Os tubos de oxigênio e acetileno devem ser protegidos dos raios solares. facilitando assim a movimentação no momento da concretagem. falha no isolamento e sinalização de área para os demais trabalhadores. BRASIL. além da implementação das proteções coletivas (barreiras. olhos e inalação de substâncias alcalinas.

Protetor Auricular e Protetor de Face. ideal para os trabalhos de carpintaria e com todos os requisitos de segurança: cutelo divisor. 1995) determina a implementação do sistema de guarda-corpo-rodapé. Figura 5 – Operação de Concretagem. quedas de materiais e pessoas. que por sua vez recebem sobre elas telhas de barro. com a finalidade de isolar a estrutura exterior em sua última laje. 1995). podendo ser de madeira ou metálicas. quedas ao longo da cobertura. 1998a). tanto de operários como de materiais. conforme determina a NR-18 (Brasil. coifa. Nesta fase da obra podem ocorrer os seguintes riscos: quedas de operários e materiais da borda da laje de cobertura. etc. Figura 6 – Serra Circular de Bancada. Estas coberturas são executas sobre outras estruturas. amianto. PVC. bem como a colocação das plataformas principais e secundárias e fechamento de toda a edificação com tela de segurança. queimaduras e cortes nos operários (SAMPAIO. dispositivo para adequar a altura da serra à madeira e chave adequada de partida e parada. dispositivo empurrador. guia de alinhamento. Para a proteção dos riscos de quedas de materiais e pessoas. a NR-18 (Brasil.9. além da instalação de passarelas e corrimões nas escadas.4 Coberturas Cobertura é o conjunto de trabalhos destinados a dotar o edifício de proteção horizontal e/ou inclinada. bem como um EPI conjugado: Capacete. . porém o local está sujo e desorganizado e não existe o coletor de serragens.70 Observa-se na Figura 6 uma serra circular de bancada. fechamento anterior e posterior da bancada. 3.

devem-se adquirir os Cintos de Segurança do Tipo Pára-quedista ou Alpinista com 2 (dois) Talabartes. ventos fortes ou superfícies escorregadias. . Os andaimes devem ser dimensionados para suportar os esforços e as cargas a que forem solicitados. o qual deve estar preso a sua estrutura. deve-se prever a instalação de dispositivos destinados à ancoragem de equipamentos de sustentação de andaimes e cabos de segurança para o uso de proteção individual. Na Figura 8 vê-se a operação de cobertura de um telhado sem qualquer proteção. escada acoplada. Para as edificações com mais de 4 pavimentos ou altura de 12 metros a partir do nível térreo. Como medida preventiva. Outro detalhe importante é o piso metálico. os trabalhadores devem utilizar Cinto de Segurança do Tipo Pára-quedista ou Alpinista. A norma determina que em trabalhos realizados acima de 2 metros e com risco de queda é obrigatório o uso do Cinto. piso completo e rodízios móveis com trava de segurança. Os cabos guias devem ser dimensionados por profissional legalmente habilitado e suportar no mínimo 3 (três) vezes aos esforços solicitados. com o sistema guarda-corpo-rodapé e fechamento entre os vãos. ficando totalmente travado e impossibilitando seu deslocamento.71 Nas atividades sobre telhados. com escada de acesso acoplada e ter garantido sua estabilidade através de ancoragem ou estaiamento. A NR-18 (Brasil. Observa-se na Figura 7 um Andaime Tubular Móvel conforme determina a NR-18 (Brasil. Nota-se também que sobre a escada existe um portão para que o acesso dos trabalhadores seja seguro. o qual deverá atender todo o perímetro da edificação. O equipamento deve possuir sistema guarda-corporodapé e piso completo e antiderrapante. sendo que o trabalhador não utiliza o Cinto de Segurança do Tipo Páraquedista. Os andaimes móveis só podem ser utilizados em superfícies planas e nunca podem ser movimentados com trabalhadores sobre os mesmos. 1995). o que previne a queda de altura nos acessos aos equipamentos. ligado a cabo guia independente da estrutura e com sistema de trava-quedas. 1995) determina que é obrigatório o dimensionamento de cabo guia ou cabo de segurança para a fixação de mecanismo de ligação por talabarte ao Cinto de Segurança do Tipo Pára-quedista. É proibida a montagem de andaimes sobre qualquer tipo de veículo. É expressamente proibida a realização de trabalhos em telhados e coberturas em caso de ocorrências de chuvas.

revestimentos incorporados. Fonte: Custódio (2006). etc. As telas de proteção não podem estar rasgadas. assim como a distribuição interior. As plataformas devem estar o mais próximo possível da edificação. A proteção contra a queda de trabalhadores deve ser garantida com o dimensionamento correto dos andaimes e a utilização do Cinto de Segurança do . que devem atingir todo o perímetro da edificação. explosões e incêndios (SAMPAIO. Figura 7 – Andaime Tubular Móvel. Nesta fase da obra é possível encontramos os riscos de: desprendimento de materiais já colocados ou em fase de colocação. 3. fechamentos. pois somente se estiverem em perfeito estado de conservação é que podem garantir que nenhum material seja projetado para fora do perímetro da edificação. etc. quedas em altura de pessoas em trabalhos de revestimento externo. para que os materiais não possam cair através de pequenas fendas.5 Fechamento e Alvenaria A fase de fechamento e alvenaria é o conjunto de trabalhos realizados para isolar a estrutura do exterior (coberturas.72 Figura 8 – Operação de Cobertura de Telhado.). dermatoses.). 1998a). de acordo com o uso do edifício (paredes. A proteção contra o desprendimento de materiais deve ser garantida através da colocação de plataformas e telas de proteção. fachadas.9.

Todos os trabalhadores envolvidos na manipulação e aplicação destes produtos devem ser treinados. com a finalidade de protegêlo da ação do cimento. sendo que a melhor proteção é a prescrição de um processo de trabalho limpo e sem riscos de exposições. botas impermeáveis e camisa de manga longa. inflamáveis ou explosivos devem ser armazenados em locais isolados. os materiais tóxicos.73 Tipo Pára-quedista ou Alpinista. avental. no qual ele usa Luva de PVC e Camisa de Manga Longa. como a resinas. corrosivos. Para a manipulação destes produtos o trabalhador deve utilizar luvas. 2001). De acordo com a USP (2007c). através de escadas acopladas ao equipamento. com a utilização de Cinto de Segurança com duplo talabarte. Outra alternativa eficiente é a substituição de produtos agressivos por outros materiais menos agressivos (PROTEÇÃO. sinalizados e de acesso permitido somente às pessoas autorizadas e com conhecimento prévio do procedimento a ser adotado em caso de eventual acidente. as dermatoses são causadas por contato direto do trabalhador com o cimento e substâncias químicas nos revestimentos incorporados. O trabalhador está executando a alvenaria interna da edificação. A medida mais eficaz de proteção é evitar o contato destes produtos com a epiderme do trabalhador. De acordo com a NR-18. A utilização de EPI’s não protege adequadamente os trabalhadores da Indústria da Construção na prevenção das Dermatoses. O acesso aos andaimes deve ser feito de forma segura. apropriados. o qual deverá ser preso em cabo-guia independente através do sistema de trava-quedas. protetor facial. Na figura 9 observa-se uma cena rara de se encontrar na Indústria da Construção. .

explosões. devem ser atendidas todas as especificações contidas na NR-10 (Brasil. visto que nelas podem ocorrer acidentes devido ao mau dimensionamento das instalações. 3. A manutenção inadequada da instalação e equipamentos possibilita a ocorrência de contatos elétricos. feridas em extremidades e intoxicações (SAMPAIO.6 Instalações e Acabamentos A fase de Instalações e Acabamentos é definida como sendo o conjunto de trabalhos destinados a dotar de funcionalidade o edifício em construção. O choque elétrico é a terceira causa que mais provoca óbito na Indústria da Construção. As instalações elétricas provisórias compõem um item especial. 2004). No item instalações elétricas. 2007b). As instalações elétricas devem ser dimensionadas e supervisionadas por profissional legalmente habilitado e sua manutenção deve ser realizada por trabalhador qualificado. . 1998a). incêndios e queimaduras. cortes.9. quedas em altura de pessoas. o que também possibilita a ocorrência de contatos elétricos (USP. sendo que o dimensionamento das instalações elétricas na maioria das obras é precário e não respeita os requisitos mínimos de segurança (FETICOM-SP. 2008). Outra preocupação é a falta de controle de acesso aos quadros de força e cabine. os quais podem levar a um superaquecimento dos circuitos e incêndio.74 Figura 9 – Operação de Fechamento e Alvenaria Interna. Nesta fase da obra. podem existir os seguintes riscos: descargas elétricas.

visto que as mesmas podem substituir as plataformas secundárias. porém não se vê nenhum tipo de sinalização e de fechadura ou cadeado na grade. o PCMAT deve abordar sistematicamente a manutenção das proteções coletivas contra quedas de altura e a conservação das escadas. possibilitando o acesso de pessoas não autorizadas. No treinamento dos trabalhadores é importante enfatizar qual é o benefício das proteções coletivas em detrimento às proteções individuais. e por que é importante que as proteções coletivas quando retiradas para algum trabalho devem ser colocadas imediatamente. rampas e passarelas. 2006). com conectores e tomadas blindadas. . Figura 10 – Quadro de Força em Canteiro de Obras. condutores de dupla isolação e local limpo. Na figura 10 observa-se um quadro de força de um canteiro de obras aparentemente bem dimensionado e protegido. Nestes casos.75 Outra causa citada por Sampaio (1998a) e que se repete na maioria das fases da obras são as quedas de altura. 1995) também possibilita a utilização das Redes de Segurança para a proteção contra quedas. sejam dos andaimes. Este sistema é conhecido como Sistema Limitador de Quedas de Altura e foi introduzido na norma pela Portaria n° 157 (MTE. aberturas no piso ou nas periferias das edificações. com o risco de ocorrência de um acidente gravíssimo. A NR-18 (Brasil.

A melhoria das condições de segurança dos elevadores está sendo discutida no CPR/SP (FETICOM-SP.ART’s respectivas. o Elevador de Obras.9. as Plataformas de Trabalho Aéreo – PTA e os Guindastes. A desconsideração das condições adversas (ventos e chuvas) e as condições de dimensionamento dos cabos e acessórios podem provocar acidentes com pessoas envolvidas na operação (USP. o Guincho. no qual devem ser elaborados projetos e emitidas as Anotações de Responsabilidade Técnica . 1995) especifica que: todos os equipamentos de movimentação de materiais e pessoas devem ser dimensionados por profissional legalmente habilitado. 2007b).76 3. Os trabalhadores devem ser qualificados para a operação dos equipamentos de elevação e sua função deve anotada em CTPS. Os equipamentos de elevação devem ser aterrados eletricamente e possuir um livro no qual devem ser anotadas todas as manutenções preventivas e corretivas. 1998a). os ângulos de elevação e abaixamento da carga. Em aspectos gerais. bem como as anomalias que os operadores identificarem no dia-a-dia de trabalho. em que a proposta está direcionada a exigência . Durante estas operações podem ocorrer acidentes devido à utilização de equipamento impróprio para o levantamento da carga ou fora de condições seguras de operação. como por exemplo: as características do terreno. A NR-18 (Brasil. o comprimento da lança do equipamento no içamento e abaixamento da carga e a disponibilidade e condição dos meios de acesso. 1995) apresenta capítulos específicos destinados aos elevadores de obras. As condições locais devem levadas em consideração. a existência de obstáculos. a NR-18 (Brasil. O içamento mecanizado de cargas faz parte da maioria das obras da Indústria da Construção. garantindo que pessoas e trabalhadores não se encontrem nos respectivos locais durante os trabalhos. A área sob os locais de movimentação de materiais devem ser isoladas. Com tais equipamentos podem ocorrer os seguintes riscos: quedas de objetos. quedas de máquinas. separando os elevadores tracionados a cabo de aço dos elevadores de sistema de pinhão e cremalheira. agarramento e contatos elétricos (SAMPAIO.7 Máquinas de Elevação Consideram-se como máquinas de elevação: a Grua. 2008).

Figura 11 – Elevador com Sistema de Pinhão e Cremalheira. considerado um programa essencial para a operação adequada do equipamento. sendo que sua ausência pode provocar a queda dos objetos que estão sendo elevados. O segundo deve ser dotado da trava de segurança. a alteração ocorrida em 2005 garantiu a existência de uma série de dispositivos de segurança.77 de maiores requisitos técnicos na fabricação. que é um equipamento de alta versatilidade e com grande capacidade de carga. Na operação de Gruas e Guindastes deve ser levado em consideração o afastamento das redes elétricas. manutenção e operação dos equipamentos. Figura 12 – Grua. Cuidados especiais devem ser dados aos cabos de aço e aos ganchos. Na figura 12 observa-se uma Grua. Na figura 11 vê-se um elevador de obras com Sistema de Pinhão e Cremalheira. sendo que o primeiro não pode apresentar pernas quebradas ou esmagamento. Em relação às Gruas. no qual o contato de quaisquer dos equipamentos com as linhas de alta tensão pode ser fatal para o Operador e para todos que estiverem ao alcance do arco voltaico. pois podem comprometer a sua resistência e provocar desgastes em outros dispositivos dos equipamentos. bem como a Elaboração do Plano de Cargas. o qual é considerado um do mais seguro e com avanço tecnológico superior aos dos elevadores tracionados a cabo de aço. .

o treinamento admissional orienta o novo funcionário sobre a estrutura organizacional geral da empresa e. para montagem. os riscos inerentes a sua função. o qual deverá atingir todos os envolvidos. independente de sua função ou responsabilidade. Para Martins (2004). especificamente. o uso adequado dos EPI’s e informações sobre os EPC’s existentes no canteiro de obras. O treinamento periódico prepara o funcionário para novas atribuições. as empresas devem elaborar a programação de treinamento para cada tipo de atividade dos operários. apresentando-lhe as ferramentas e os riscos da função. com carga horária e conteúdo pré-definido e desenvolvido de acordo com cada fase da obra. 1995) deve ser aplicada e implementada no desenvolvimento de cada fase da obra. visando garantir a execução de suas atividades com segurança. locação de equipamentos. O trabalhador deve receber treinamento admissional e periódico. relembra conceitos e riscos da função. desmontagem e manutenção de EPC. segundo a autora. com a finalidade de prevenir antecipadamente os riscos e garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores. O treinamento deve abordar informações sobre: as condições e meio ambiente de trabalho. Os acidentes podem ocorrer devido às ações mal planejadas e ineficazes. Ainda. bem como da falta de organização.78 A NR-18 (Brasil. 1998a). . para cada fase de produção do empreendimento. do trabalho. O treinamento dos trabalhadores deve ser previsto no PCMAT. equipes do SESMT com pouco conhecimento técnico e qualificação inadequada dos trabalhadores envolvidos (SAMPAIO.

1998a). reduzindo o acentuado número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais (LIMA JR. através do estabelecimento de políticas de Segurança e Saúde.. . O PCMAT foi um dos principais avanços que ocorreu na reedição da NR-18 (Brasil. abordando questões como o nível de conhecimento do trabalhador na área de SST. considerando os riscos de acidentes. 2003). sendo que sua elaboração e execução devem ser feitos por profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho e implementado pela construtora (MANTOVANI. Segurança e Higiene do Trabalho Muitos acidentes de trabalho podem ser evitados se as empresas desenvolvem-se e implementassem programas de Segurança e Saúde no Trabalho. PROTEÇÃO. RESULTADOS E DISCUSSÕES 4. Lima Jr. Valcárcel. sendo que o mapeamento de riscos deve ser feito através do PCMAT. Reconhecer os riscos e implementar as medidas de controle para eliminá-los. 2005). desde o projeto até os serviços finais. No desenvolvimento do PCMAT deve-se levar em conta o comprometimento da alta direção da empresa com o programa. Dias (2005) reforçam a tese de Sherique (Proteção. PROTEÇÃO. 2003). e oferecesse maior atenção à educação e ao treinamento de seus operários (SAMPAIO. os hábitos. DIAS. de análise criteriosa da antecipação e reconhecimento dos riscos e do perfil da mão-de-obra. PROTEÇÃO. no qual sua implementação permite o efetivo gerenciamento do ambiente de trabalho. doenças e as diversas categorias profissionais atuantes em cada etapa (SHERIQUE. do processo produtivo e de orientação aos trabalhadores. VALCÁRCEL. em que na concepção do PCMAT deve-se levar em conta o compromisso da alta direção da empresa com o programa por meio da política de segurança e saúde. 2007). costumes locais e a escolaridade (SHERIQUE.. 2003). O PCMAT deve ser planejado em função das principais etapas da obra.79 4. 1995).1 A Implementação da NR-18 como Instrumento de Gestão de Saúde. neutralizá-los ou reduzi-los é indispensável para garantir a segurança e qualidade de vida no trabalho.

80 Para Lima Jr. (Proteção, 2007), além de o PCMAT estabelecer a relação de todos os riscos presentes na obra em todas as suas fases de execução, bem como as medidas de controle necessárias para garantir à segurança e a saúde dos trabalhadores, o programa precisa estar vinculado a propostas de ação, como a melhoria das condições de trabalho e com objetivos concretos e passíveis de serem medidos quantitativa e qualitativamente. De acordo com a NR-18 (Brasil, 1995), o PCMAT deve contemplar as exigências contidas na NR-9 (Brasil, 1995), mas segundo Lima Jr., Valcárcel, Dias (2005), além da interface com o PPRA e o PCMSO, a sua elaboração deve contemplar respectivamente a análise ergonômica dos postos de trabalho de acordo com a NR-17 (Brasil, 1990), pois além do reconhecimento de riscos causadores de doenças ocupacionais (riscos físicos, químicos e biológicos), devem-se considerar as condições de trabalho na obra em função dos fatores ambientais, tais como chuva, umidade, velocidade dos ventos e altitude. Conforme a NR-18 (Brasil, 1995), os documentos que integram o PCMAT são: • Memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas; • • • • • Projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas de execução da obra; Especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; Cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT; Layout inicial do canteiro de obras, contemplando, inclusive, previsão de dimensionamento das áreas de vivência; Programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga horária. Ainda, de acordo com Lima Jr.; Valcárcel; Dias (2005), a estrutura básica do PCMAT deve contemplar: • • • • Diagnóstico da situação de partida; Organização do canteiro de obras; Riscos Ocupacionais; Treinamento;

81 • • Definição das responsabilidades gerenciais; Controle e avaliação do programa. De um modo geral os programas de segurança na Indústria da Construção ainda têm como prioridade a prevenção dos acidentes graves e fatais relacionados com quedas de altura, soterramento, choque elétrico, máquinas e equipamentos sem proteção. Porém, não só as causas que provocam os acidentes fatais são importantes considerar, mas também as questões: ambientais, ergonômicas, educacionais e planos de manutenção preventiva voltados para o processo construtivo, como os problemas de saúde existentes em conseqüência de deficientes condições de alimentação, habitação e transporte dos trabalhadores (LIMA JR., VALCÁRCEL, DIAS, 2005). A preocupação de se estabelecer uma política de segurança vai além das expectativas da NR-18 (Brasil, 1995), ou da elaboração e execução do PCMAT, no qual Mantovani (Proteção, 2007) defende que, deve-se ter um sistema de gestão de SST que possibilite o desenvolvimento de uma cultura de segurança na empresa. Para Pereira (Proteção, 2005) a mão-de-obra da Indústria da Construção precisa ser qualificada, e para isso é necessário melhorar a alfabetização básica dos trabalhadores, sendo que não é possível implementar qualquer sistema de gestão e qualidade se os trabalhadores tem dificuldades para entendê-las, dificultando a implementação da NR-18 (Brasil, 1995) como instrumento de gestão para as questões de SST. A qualidade do treinamento é essencial para o setor, pois muitos acidentes de trabalho ocorrem por deficiência nesta fase de formação do trabalhador, e identifica que a ausência de programas que discutem e avaliem os treinamentos é falho e não atinge seu objetivo (PRIORI JR., PROTEÇÃO, 2005). A educação e treinamento na Indústria da Construção, bem como a redução da rotatividade da mão-de-obra reduz o número de acidentes do trabalho (POZZOBON, HEINECK, PROTEÇÃO, 2006). Segundo Pozzobon, Heineck (Proteção, 2006) a reformulação da NR-18 (Brasil, 1995) contribuiu para a redução do número de acidentes na Indústria da Construção, na qual foi inserindo o PCMAT e o modelo tripartite nas discussões, com a constituição dos Comitês Permanentes Regionais (CPR’s). Prova desta evolução, é a redução dos Acidentes Fatais ocorridos no Brasil nos últimos anos, em que de acordo com a FETICOM-SP (2008) em 1999 foram

82 registrados 407 óbitos na Indústria da Construção, gerando uma Taxa de Mortalidade de 38,84. Comparando-se com o ano de 2006, foram registrados 318 óbitos no setor, com uma Taxa de Mortalidade 1 de 22,10, apresentando uma redução de 57% na incidência na mortalidade por acidente do trabalho. De acordo com Pozzobon, Heineck (Proteção, 2006) a redução do número de óbitos da Indústria da Construção é uma informação que merece destaque, pois se sabe que há falhas e sub-registros pelo mau preenchimento e pelo desconhecimento da CAT, mas sabe-se também que essas ocorrências ficam mais difíceis quando há morte por acidente de trabalho. Ainda, segundo a FETICOM-SP (2008) no Estado de São Paulo a redução dos Acidentes Fatais é maior, no qual em 1999 foram registrados 105 óbitos, apresentando uma Taxa de Mortalidade de 36,27 e em de 2006 ocorreram 53, reduzindo a Taxa de Mortalidade para 14,21. Analisando os índices, observa-se que o Estado de São Paulo tem evoluído positivamente no combate ao Acidente Fatal na Indústria da Construção, sendo que no ano de 2006 obteve uma redução de 35% na Taxa de Mortalidade, enquanto à média nacional foi de 11,5%. Para Martins (2004), todo projeto de saúde e segurança deve estar totalmente vinculado ao PCMAT e deve apresentar todos os dados descritos no item 18.3 da NR-18 (Brasil, 1995). O projeto de segurança é um projeto específico, voltado a garantir a proteção dos trabalhadores através de especificações, detalhamento e elaboração de proteções coletivas e individuais. Este deve apresentar um cronograma de implantação das medidas de segurança considerando a

programação e as diferentes fases de execução do empreendimento. Além de prever a realização do programa de treinamento dos funcionários, que estarão sendo informados sobre os riscos de cada função do setor da construção, apresentando as fases de produção do empreendimento e as formas de proteção, com as quais os mesmos devem estar familiarizados. A aplicação e implementação da NR-18 (Brasil, 1995) de forma eficaz, proporcionam melhoria contínua das condições e do meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção, provocando transformações que levam a melhoria da

1

Taxa de Mortalidade é a relação que se mede para avaliar a incidência de óbitos ocorridos em uma determinada população de trabalhadores, no qual o número de óbitos é dividido pelo número total de trabalhadores da referida população, multiplicado por 100.000 (MPAS, 2008).

na qual os trabalhadores estão utilizando os EPI’s adequados ao risco.2 A Aplicação prática da NR-18 nos Canteiros de Obras A NR-18 (Brasil.Canteiro de obra que não implementa a NR-18. transporte de trabalhadores. Figura 14 . treinamento.Canteiro de obra que implementa a NR-18. operações diversas da Indústria da Construção. 1995). Quanto ao objetivo e ao campo de aplicação. máquinas e equipamentos.83 qualidade de vida dos trabalhadores nos canteiros de obras e na redução dos acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. Mantovanini. advindas após a . nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção”. a NR-18 (Brasil. de planejamento e de organização. 1995) é constituída por 39 (trinta e nove) itens. serra circular sem guia de alinhamento. especificam diretrizes para o programa de segurança. Na figura 14 nota-se um canteiro de obra inadequado. com andaimes tubulares sem guarda-corpo. Liung (1998) apud Gonçalves (2006) as melhorias dos ambientes de trabalho no setor da construção. 1995) estabelece diretrizes de ordem administrativa. entre outras questões relacionadas a SST e procedimentos operacionais. áreas de vivência. Figura 13 . que objetivam a “implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos. coletor de serragem e instalações elétricas inadequadas. que são subdivididos em mais de 900 (novecentos) subitens. 4. dispositivo empurrador. conforme determina a NR-18 (Brasil. piso e escada de acesso. Segundo Gawryzewski. e total falta de ordem e limpeza. Na figura 13 observa-se uma operação de concretagem.

o contribuinte individual em relação ao segurado que lhe presta serviço. no qual é estabelecido que se equipara à empresa para os efeitos desta Lei. levando-os a sofrer acidentes graves e fatais. Tais atividades. 1983) estabelece que as NR’s são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos de administração direta e indireta. bem como pelos órgãos dos poderes legislativo e judiciário. serventes. De acordo com a NR-18 (Brasil. quando desenvolvidas pelos próprios proprietários na construção de suas moradias. 1943) considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. pintura. eletricistas. permanentes ou óbito. A NR-1 (Brasil.212 (Brasil.84 mudança da NR-18 (Brasil. A Instrução Normativa n° 3 (MPS. de qualquer número de pavimentos ou tipo de construção. etc.) para a execução dos serviços. bem como as atividades de serviços de demolição. inclusive manutenção de obras de urbanização e paisagismo. 1943). não são passíveis de multas administrativas que podem ser aplicadas pelo MTE pelo descumprimento da NR-18 (Brasil. 1995) consideram-se atividades da Indústria da Construção as constantes no Quadro I da NR-4 (Brasil. que possuam empregados regidos pela CLT (Brasil. Na construção de uma obra residencial em que o proprietário é o gestor e exista a contratação de trabalhadores (pedreiros. 1983). 1995). reparo. portanto. proprietário) assume todas às responsabilidades trabalhistas e previdenciárias. a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras. O enquadramento da obra residencial na legislação previdenciária gerida pelo proprietário está previsto na Lei n° 8. já que o padrão técnico e organizacional vem se modificando rapidamente na busca de melhor qualidade e redução de custos. 3° da CLT (Brasil. inserindo-se neste contexto sua aplicação às obras residenciais. o dono da obra (gestor. porém à inobservância das condições mínimas de segurança pode levar estes cidadãos a se exporem a vários riscos. pintores. a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. limpeza e manutenção de edifícios em geral. que de acordo com o Art. 2005) estabelece que seja responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção . sob a dependência deste e mediante salário. gerando incapacidades temporárias. 1991). 1995) são indiscutíveis. carpinteiros. bem como a cooperativa.

refeitórios. o condômino da unidade imobiliária não incorporada e a empresa construtora. o incorporador. cozinhas e alojamentos. visto que.3 Qualidade de Vida na Indústria da Construção . 1995) atribui a responsabilidade solidária à empresa principal. as medidas preventivas devem contemplar também as exigências da Vigilância Sanitária e do Código de Postura de Obras (Municipal). sendo que estas têm força de lei e amparo na Constituição Federal de 1988. As Convenções Coletivas negociadas pelo Sindicato Patronal e Laboral do local que está sendo realizado o empreendimento devem ser respeitadas. devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestam serviços na obra. sendo primordiais para um bom desempenho profissional dos trabalhadores e instrumentos que garantem a produtividade e a qualidade de vida nos locais de trabalho. 1978) estabelece as condições mínimas de higiene e conforto que devem ser atendidas e mantidas nos locais de trabalho. Especificamente em relação à legislação municipal. sem que eles estejam assegurados pelas medidas prevista nesta norma e compatíveis com a fase da obra. . 1995) nos canteiros de obras é preciso observar outras legislações. na mesma forma e prazos aplicados às empresas em geral. Na aplicação e implementação da NR-18 (Brasil. o proprietário do imóvel. A NR-18 (Brasil. quando ela estabelece que seja vedado o ingresso ou a permanência de trabalhadores no canteiro de obras. já somente a observância do estabelecido nesta norma não desobriga os empregadores do cumprimento das disposições relativas às outros dispositivos determinados na legislação federal. ou seja.85 civil. estadual e ou/municipal. sendo que na mesma Instrução Normativa é complementado que a pessoa física.Áreas de Vivência A NR-24 (Brasil. 4. aquela que é responsável pela execução do projeto. vestiários. é responsável pelo pagamento de contribuições em relação à remuneração pagas. dona da obra ou executora da obra de construção civil. o dono da obra. determinando a implementação de instalações sanitárias. conforme Sampaio (1998) as medidas de proteção coletiva e individual devem ser implementadas de acordo com cada fase da obra.

Os alojamentos costumam ser precário. integra o trabalhador à sociedade. em instalações comerciais e industriais que na maioria das vezes são projetadas e dimensionadas com locais definidos para as áreas de vivência torna-se relativamente fácil. de discussões e brigas dadas a não inserção nos círculos sócio-familiares (CIPA. elementos fundamentais para sua valorização e integração à sociedade. ou seja.86 Implementar condições de higiene e conforto em plantas fixas. e não dimensionados de acordo com o número de empregados envolvidos em cada etapa da obra. as quais determinam as bases das relações sociais e o estado psicológico dos trabalhadores. com alta rotatividade de trabalhadores e pouco espaço físico. resgatando sua dignidade e incorporando valores que são cobrados e que causam a discriminação desses trabalhadores. De acordo com Menezes. Ainda. . reflete sua responsabilidade social. Serra (2003) as condições de trabalho e os índices de acidentes estão fortemente ligados. Os aspectos de higiene e conforto nos canteiros de obras são raramente abordados pelas empresas que não aplicam sistemas de saúde e segurança. 1995). e a ausência de áreas planejadas para o convívio social contribui para o aumento do consumo de álcool. portanto. A construtora que incorpora em seus projetos o respeito à segurança. como todos os itens que compõem às áreas de vivência garantem uma integração dos trabalhadores no canteiro de obras. 1995). Serra (2003) o projeto do canteiro é um dos principais instrumentos para o planejamento e organização da logística do canteiro. na medida em que as áreas de vivência apresentem boas condições. Os intervalos para o café e almoço são aproveitados para uma inter-relação descontraída entre os trabalhadores. saúde e higiene ocupacional. Não só os alojamentos. De acordo com Menezes. Ele afeta o tempo de deslocamento dos trabalhadores e o custo de movimentação dos materiais e interfere. condições de higiene e integração do trabalhador na sociedade. porém. depende de projeto e planejamento do canteiro de obra. para Menezes. na execução das atividades e também na produtividade global da obra e dos serviços. refletindo na produtividade da empresa e na dignidade do trabalhador da Indústria da Construção. animando-os no retorno ao trabalho. garantem a qualidade de vida. Serra (2003) a adequação das áreas de vivência de acordo com a NR-18 (Brasil. pensar na adequação dos referidos itens em instalações provisórias.

1995) possibilita a garantia mínima de condições de higiene e conforto nos canteiros de obras. lavanderia.3. vestiário. e com uma diferença da NR-24 (Brasil. 1995) pela Portaria n° 30 (MTE. 1995) trata da implementação das áreas de vivência em instalações provisórias e que não são parte do projeto e do empreendimento. alojamento. bem como podem ser incorporadas por todos os canteiros de obras e reaproveitadas em outras obras da construtora. Para Pereira (Proteção. 2003). cozinha (quando houver preparo de refeições). sendo que não se sabia a sua procedência. local para refeições. e que aumenta a satisfação dos trabalhadores e aumenta a produtividade. 1995) os Canteiros de Obra devem dispor de: instalações sanitárias. Quando não houver trabalhadores alojados nos canteiros de obras a empresa fica desobrigada a manter o alojamento. área de lazer e ambulatório.1 Dimensionamento das Áreas de Vivência De acordo com a NR-18 (Brasil. a lavanderia e a área de lazer. além de minimizar distâncias de tempo para a movimentação de material e pessoal (MENEZES.87 O cumprimento das exigências referentes às áreas de vivência contribui para manter a boa moral dos trabalhadores. quando se tratar de frentes de trabalho com 50 (cinqüenta) ou mais trabalhadores. A adequação das áreas de vivência de acordo com a NR-18 (Brasil. os quais estavam sendo adaptados para atender o disposto na norma. pois adequar os sanitários. 2000) foi à regulamentação para a utilização de contêineres. . onde os materiais utilizados para um canteiro na adequação das áreas de vivência podem ser transferidos para outro. SERRA. vestiários e locais para refeição é um investimento baixo. 4. 1978): a NR-18 (Brasil. podendo estes ter sido utilizado para o transporte de materiais tóxicos e radioativos. 2005) a falta de implantação das áreas de vivência nos canteiros de obras é inconcebível. reduzindo ainda mais o custo. Outra alteração importante introduzida na NR-18 (Brasil. oferecendo soluções baratas e fáceis para a construção das instalações sanitárias e alojamentos.

Nas figuras 17 e 18 observa-se o chuveiro. Nas figuras 15 e 16 observam-se as instalações sanitárias. . vaso sanitário. ser construída de modo a manter o resguardo conveniente. vaso sanitário e mictório. sendo proibida a sua utilização para outra finalidade. compostas de lavatório. mictório e chuveiro. ter paredes de material resistente e lavável. As instalações sanitárias devem ser: mantidas limpas e higienizadas. Figura 15 . com fornecimento de água quente e fria. não estarem ligadas diretamente com os locais de refeição.1. terem portas de acesso que impeçam o seu devassamento.1 Instalações sanitárias A NR-18 (Brasil.3. que deve ser dimensionado 1 (um) para cada grupo de 10 (dez) trabalhadores ou fração. Elas devem ser constituídas por lavatório. Figura 16 . devendo estas ser dimensionadas para cada grupo de 20 (vinte) trabalhadores ou fração. ter pisos impermeáveis e laváveis.Vaso sanitário.Lavatório e Mictório. ter separação por sexo.88 4. possuir ventilação e iluminação adequadas. 1995) determina que as instalações sanitárias devem ser utilizadas para o asseio corporal e/ou ao atendimento das necessidades fisiológicas de excreção dos trabalhadores.

Piso provido de estrados de madeira. madeira ou outro material equivalente. A figura 19 mostra um vestiário dotado de banco. Figura 18 . possuir pé-direito de no mínimo 2. possuir armários com duplo compartimento.50 metros e ter bancos suficientes para atender todos os trabalhadores.89 Figura 17 . ter área de ventilação. Estes devem: ter paredes de alvenaria. armários com compartimentos duplos e iluminação natural.1 Chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores. . cimentado.1. ter iluminação natural ou artificial. 4. dotados de fechadura ou cadeado. Conforme a NR-18 (Brasil.2 Vestiário Todo canteiro de obras deve possuir vestiário para troca de roupa dos trabalhadores que não residam no local.3. os pisos podem ser de concreto. madeira ou outro material equivalente. os vestiários devem ser mantidos em perfeito estado de conservação e higiene. 1995).

incluindo a circulação das pessoas.1. podendo ter piso de concreto.90 Figura 19 . fronha e travesseiro por cama. quando as condições climáticas o exigirem. e cobertor. 1995) determina a obrigação do fornecimento de água potável. separando as limpas das sujas. sendo que deve ter no máximo duas camas na vertical (beliche). em condições adequadas de higiene.Vestiário com armários individuais. filtrada e fresca no alojamento na proporção de 1 (um) bebedouro para cada grupo de 25 (vinte e cinco) trabalhadores ou fração. sendo obrigatório o fornecimento de armários duplos e individuais. a NR-18 (Brasil.00 m2 por módulo: cama/armário. A NR-18 (Brasil. Com a finalidade de manter o mínimo de conforto para o repouso dos trabalhadores. A iluminação poderá ser natural ou artificial e a ventilação deve ser de no mínimo 1/10 da área do piso.3. devendo ocupar uma a área mínima de 3. para que os trabalhadores possam guardar suas roupas. 1995) determina que devem ser fornecidos: lençol. A figura 20 mostra um alojamento organizado em um canteiro de obras.3 Alojamento O alojamento do canteiro de obras deve ter paredes de alvenaria. cimentado ou madeira. 4. bancos e iluminação natural. . madeira ou material equivalente.

ainda que seu número venha diminuindo nos últimos anos (GOMES.3. 1995) foi tão detalhada e exigente no dimensionamento do item (SAMPAIO. 2003).4 Local para as refeições É obrigatório à existência de local adequado para as refeições. O alojamento é um local do canteiro de obras o qual se deve dar especial atenção. deve haver local exclusivo para o aquecimento das refeições. pois sua qualidade influi diretamente na qualidade de vida dos trabalhadores. não podendo estar situado em porões ou subsolos . Deve ser instalado no refeitório um lavatório em suas proximidades ou no seu interior e independentemente do número de trabalhadores e da existência ou não da cozinha. Por essa a razão. devendo possuir mesas com tampos limpos e laváveis. 4.1. devendo este ter capacidade para garantir o atendimento de todos os trabalhadores no horário das refeições e com assentos em número suficiente para os usuários. O local destinado às refeições deve seguir os mesmo padrões de construção e conservação das instalações sanitárias e alojamentos.Alojamento em canteiro de obra A existência dos alojamentos nos canteiros de obras é um atributo marcante do setor da construção civil. a NR-18 (Brasil. 1998b).91 Figura 20 .

Figura 21 . 1995). sendo proibido a utilização de copos coletivos. por meio de bebedouros de jato inclinado ou outro dispositivo equivalente.92 das edificações. . Figura 23 . Figura 22 .Local destinado às refeições (refeitório). Na figura 21 observa-se um refeitório dentro de um canteiro de obras. conforme determina a NR-18 (Brasil. bem como não pode ter ligação direta com as instalações sanitárias.Aquecimento de Refeições.Lavatório instalado dentro do refeitório. Nos locais destinados à refeição é obrigatório o fornecimento de água potável e fresca para os trabalhadores. Na figura 22 mostra-se uma pia instalada dentro de um refeitório. e na figura 23 vê-se um aquecedor de refeições de um modelo utilizado nos canteiros de obras.

GLP. decorrentes de carências alimentares impostas por condições sócio-econômicas. os botijões devem ser instalados fora do ambiente de utilização. seguro e agradável.1.5 Cozinha Conforme a NR-18 (Brasil. divertir-se. . na construção civil as atividades intensivas de mão-deobra provocam desgaste físico e comprometem a saúde dos trabalhadores. quando houver o preparo de refeições.3. Para Lamera (1999). além das calorias insuficientes. instalações elétricas adequadas e quando utilizado o Gás Liquefeito de Petróleo . mas deve ter como primeira preocupação à saúde dos que nele se ocupam. O ambiente de trabalho para se manter produtivo deve se apresentar limpo. se custeadas.93 4. A iluminação poderá ser natural ou artificial. que. existe a falta de nutrientes necessários para manter a saúde. MICHELS. 2004). a alimentação é uma questão importante para os trabalhadores. As cozinhas instaladas nos canteiros de obra devem seguir os mesmos princípios construtivos das demais instalações das áreas de vivência com: paredes e pisos laváveis de fácil limpeza e higienização. a cozinha no canteiro de obras deve ter pia para lavar os alimentos e utensílios. sendo que a alimentação é de suma importância para a saúde do trabalhador. refeições e utensílios. estudar. De acordo com Medeiros (2003). porém as demais refeições. O café da manhã em geral é gratuito nas obras. o são parcialmente pela empresa. de uso exclusivo dos encarregados de manipular gêneros alimentícios. sua capacidade de trabalhar. 1995). além dos cuidados que deve ser dado aos profissionais encarregados da preparação dos alimentos. e possuir equipamentos de refrigeração para preservação dos alimentos. principalmente para a sua saúde biopsicossocial. na maioria apresentam deficiências orgânicas. possuir instalações sanitárias que com ela não se comuniquem. sua aparência física e sua longevidade (VIEIRA. sem falar que. uma vez que o tipo de atividade exercida acarreta alto dispêndio de energia e a necessidade de reposição calórica adequada.

3.1.Lavanderia com tanques coletivos.1. Figura 24 .6 Lavanderia A NR-18 (Brasil. 4.7 Área de Lazer Nos canteiros de obras devem ser previstos locais exclusivos para recreação dos trabalhadores alojados. ventilado e iluminado para que o trabalhador alojado possa lavar.3. secar e passar suas roupas de uso pessoal.94 4. observa-se uma lavanderia com tanques coletivos instalada em um canteiro de obras. podendo ser usado o local de refeições para este fim. . conforme as figuras 25 e 26. A lavanderia só será instalada quando houver trabalhadores alojados no canteiro de obras. Este local deve ter tanques individuais ou coletivos em número adequado. coberto. Na figura 24. 1995) determina que deve haver um local: próprio.

deve haver o material necessário à prestação de Primeiros Socorros conforme as características da atividade desenvolvida.Área de lazer organizada no canteiro de obras.8 Ambulatório Em frentes de trabalho com 50 (cinqüenta) ou mais trabalhadores deve ter um ambulatório.1. Figura 26 . recuperação e manutenção de estradas e rodovias. Estas são comuns na construção. este material deve ser mantido e guardado aos cuidados de pessoa treinada para esse fim. mictórios e lavatórios não estejam a uma distância superior a 150 metros dos postos de trabalho. apenas determina que os gabinetes sanitários. . são áreas de trabalho móveis ou temporárias. frentes de trabalho. sendo que em caso de acidentes ou qualquer mal súbito que o trabalhador venha a sofrer os primeiros socorros deve ser feito pelo o ambulatório. Nas figuras 27 e 28 observa-se um Ambulatório e um Armário com vários Medicamentos.95 Figura 25 . no qual os canteiros de obras são montados em um determinado ponto da rodovia e os trabalhadores são transportados até o local que está sendo executada a obra. 1983).Televisão colocada no refeitório. 4. 1995) não estabelece qual é à distância para a instalação das áreas de vivência em relação às frentes de trabalho. As frentes de trabalho podem ficar há distâncias consideráveis da estrutura do canteiro. onde se desenvolvem operações de apoio e execução à construção. Por sua vez. A NR-18 (Brasil. De acordo com a NR-1 (Brasil. Neste ambulatório. demolição ou reparo de uma obra.3.

Medicamentos destinados a primeiros socorros.Fornecimento de vestimenta de trabalho e EPI's. Nas figuras 29 e 30 observam-se dois trabalhadores com vestimentas de trabalho e EPI’s. Figura 28 . .96 Figura 27 . Figura 29 . 2005) estes são itens bem assimilados pelas construtoras de médio e grande porte. bem como o fornecimento gratuito pelo empregador de vestimenta de trabalho. e sua reposição quando danificada. Figura 30 . que de acordo com Pereira (Proteção. 1995) determina que nas áreas de vivência dotadas de alojamento. deve ser solicitada à concessionária local a instalação de um telefone comunitário ou público.Ambulatório. a NR-18 (Brasil.Fornecimento de vestimenta de trabalho. Em suas disposições finais.

PROTEÇÃO. 2003). 2005). . na maior cidade brasileira.4 A Aplicação e Implementação da NR-18 nos Canteiros de Obras As mudanças trazidas com a reformulação da NR-18 (Brasil. 1995) nos itens relativos às áreas de vivência são importantes. com um foco voltado para a gestão e não apenas para aspectos técnicos. em que não houve alteração de postura dos envolvidos no processo. 2005). o que realmente falta e a implementação de fato da norma. os canteiros de obras ainda continuam os mesmos. é preciso ressaltar a importância de maior responsabilidade social das organizações. e mesmo depois de alguns anos de implantação veio uma certa frustração. Para Araújo (Proteção. 1995). 2005). 1995) tem acontecido. A implementação da NR-18 (Brasil. Para Araújo (Proteção.5 % do custo total da obra. PROTEÇÃO. além de serem visíveis e expressivas podem ser destacadas ainda como de forte apelo cultural. porém estas estão aquém do esperado. o que mudou foi à legislação.97 A aplicação e implementação adequada da NR-18 (Brasil. sendo que. Segunda ela. 1995). 4. porque os custos de implantação da NR18 (Brasil. voltadas aos benefícios ou ao ônus que ambos podem ocasionar. em que na cidade de São Paulo houve uma redução significativa dos acidentes fatais na construção. 2005). no qual a interpretação. implementação e fiscalização da norma mantêm-se os mesmos. como antes. pois a norma não resolveu todos os problemas. sendo fundamentalmente o que destaca a garantia das boas condições nos ambientes de trabalho (MENEZES. as mortes nos canteiros de obras vêm diminuindo (RAMALHO. 1995) são baixos. sendo que a revisão da NR-18 (Brasil. com empresários dizendo que era impossível cumprir a norma. Para a autora. girando em torno de 1. 1995) provocou um enorme estardalhaço. Conforme Araújo (Proteção. deve-se salientar que a NR-18 (Brasil. no intuito de seguir os princípios de segurança. 2005). no qual destaca-se como mudança positiva mais evidente as áreas de vivência e as proteções coletivas. 1995) é de grande importância para a Indústria da Construção. apesar dos avanços e pioneirismo que chegaram a partir da revisão da NR-18 (Brasil. e que os custos dela eram altíssimos. saúde e higiene do trabalho. SERRA. sendo que somente as grandes empresas estão se adequando a norma (PAIVA.

como em todas as áreas. ao longo dos anos a norma tem sido alterada recorrentemente. Poley (Proteção. 2005) a NR-18 (Brasil. Segundo ele. adotando uma perspectiva extremamente descritiva. Para o autor. Para Pereira (Proteção. 1995) deixa de ser implementada com sucesso e não se consegue praticar SST no canteiro de obras. Para ele. 1995) tem um papel importante para o setor. então aí vale para o patronato. o modelo da NR-18 (Brasil. Engenheiros e Médicos para darem suporte. 2007) a prioridade das empresas da Indústria da Construção é o tempo de entrega da obra. onde esclarece que várias empresas que atuam na capital aplicam o “DUPLO PADRÃO”. mas não pode falar isso em consenso. Minas. Pernambuco. sendo que a norma precisa avançar na proteção ao meio ambiente e dos recursos naturais. detalhada e minuciosa. reforça a necessidade das Gerências Regionais do Trabalho e Emprego estabelecerem prioridades para o setor nas cidades do interior. 2005) considera que a NR-18 (Brasil. São Paulo e em várias regiões. 1995) é boa e bem elaborada. boas ações e outras não tão completas. 1995) foi adequado para o momento histórico que foi revisada. as quais têm conexão estreita com a prevenção. dando-lhe aspectos de verdadeiro manual. o qual é cada vez mais reduzido. 2005) existem. remuneração. Segundo Vicente (Proteção. existem ações importantes e fortes dos sindicatos dos trabalhadores do Rio. porém hoje não. a NR-18 (Brasil. 2007) traz um perfil dos itens que não são cumpridos pelas obras na região Noroeste de Minas Gerais. pois falta estrutura. Pontes (Proteção. governo e sindicatos. alimentação. adotando padrões inferiores em SST em regiões na qual a fiscalização do trabalho chega com maior dificuldade e com menor freqüência. mas na condição de norma eminentemente técnica. mas isso não é realidade de todos os sindicatos e não vale para o setor da construção no segmento laboral. no qual as tendências mundiais são conceituais e estabelecem princípios e diretrizes de planejamento e organização do trabalho. porém em alguns aspectos técnicos vem sendo considerada exagerada e excessivamente detalhada.98 Para Rosa (Proteção. a qual deixa a desejar no que se refere a questões como relações de trabalho. . educação. e quando este fator é preponderante e não haja um planejamento adequado. sendo que algumas entidades possuem até Técnico de Segurança do Trabalho. Completando.

2007a). 1995) nos canteiros de obras ainda e insuficiente. Como exemplo. rápido e fácil de serem executadas nas próprias obras. visto que no Brasil existem bons exemplos. a qual engloba atividades na construção e manutenção de estradas. o papel secundário geralmente destinado à segurança do trabalho no gerenciamento das empresas e o desconhecimento da Norma e. mas ainda carecese de comprometimento. 1995) são viáveis e possíveis de serem aplicadas e implementadas.34. . de acordo com Menezes. Para Menezes. Serra (2003) percebe-se que alguns comportamentos em obras são recorrentes dos ambientes de trabalho. A aplicação e implementação da NR-18 (Brasil. em alguns casos. etc. São entidades que possuem envolvimento direto com a indústria na construção. fiscalizações. 1995) não são cumpridas pela falta de planejamento da atividade e conscientização de sua importância. Em sua concepção. tem que ser mais presentes e participativos. além do MTE e demais entidades fiscalizadoras e de apóio técnico e científico 2 .99 De acordo com Pereira (Proteção. dificuldades técnicas e altos custos dos equipamentos. sendo que o número de empresários que teimam em driblar a lei ainda é significativo e merece maior atenção por parte da fiscalização do MTE. de 28/12/98 que alterou o item 18. citando-se a colocação das proteções de periferia e corrimão nas escadas. como é o caso da construção pesada. 2005) os sindicatos patronais e dos trabalhadores. vontade e empenho para cumprir a legislação (PROTEÇÃO.2. onde no Brasil não faltam ferramentas para a melhoria da prevenção. a NR-18 (Brasil. A inserção de tais entidades foi feita com a nova redação dada pela Portaria n° 63. 2 Apoio técnico e científico é a denominação dada às entidades que compõem o CPN e os CPR’s com a finalidade de subsidiar tecnicamente as discussões da NR-18. já que algumas são de baixo custo. porém o não cumprimento pode ser atribuído aos seguintes fatores: o caráter muito prescritivo de algumas exigências. Ainda. formação profissional. Serra (2003) as exigências da NR-18 (Brasil. porém tem que ser uma ação efetiva de todos os envolvidos. 2005). deixando de especificar diretrizes específicas para determinados setores. pode-se tomar o fato de que muitas das exigências da NR-18 (Brasil. no campo das pesquisas. rodovias. 1995) foi pensada e criada com a finalidade de atender as condições e meio ambiente do trabalho nas obras de construção civil. pontes e viadutos (PROTEÇÃO.

por mais envolvimento que tenha o sindicato dos trabalhadores e o patronal. com acessos seguros e condições adequadas às suas necessidades. Para ele. 1995): áreas de vivência para deficientes físicos. foram estabelecidas as seguintes prioridades para discussão em 2008 em relação à revisão da NR-18 (Brasil. 1995) tem a necessidade de incrementar no PCMAT o controle ambiental dos referidos agentes.5 Propostas de Revisões na NR-18 De acordo com a Ata do CPR/SP (FETICOM-SP. é prudente que o canteiro de obras seja adequado para receber estes trabalhadores. demolições. da Saúde e da Previdência. a participação da bancada do governo (MTE. Nas questões voltadas às áreas de vivência para deficientes físicos observarse que a NR-18 (Brasil. sendo que a FETICOM-SP (2008) assinou com o SINDUSCON-SP um pacto social para a inserção deste trabalhador na Indústria da Construção. bem como a área de SST no MTE está enfraquecida e seu efetivo não atende a demanda (PROTEÇÃO. além da obrigação já prevista na NR-9 (Brasil. remoção de resíduos e limpeza dos canteiros de obras.100 Fernandes (Proteção. . Neste aspecto. 2007) espera que existam prioridades políticas deste governo para a segurança e saúde do trabalho. sendo que não existe uma articulação dos ministérios do Trabalho. acabamentos pedras ornamentais. 1995) não aborda a questão. no qual à maioria das atividades produzem de aerodispersóides provenientes em das e grandes rochas movimentações terra. 1994). a NR-18 (Brasil. 2007). A exposição às poeiras que contém Sílica Quartzo e Asbestos pode provocar Pneumoconioses. controle da poeira e impermeabilização. pois assim seria possível uma melhor ação dos comitês tripartites. As políticas para a consolidação de uma ação eficaz na Segurança e Saúde do Trabalho no Brasil estão fragmentadas. Neste aspecto. FUNDACENTRO) é fundamental. 2007b). visto que a inserção do portador de deficiência física já é uma realidade no setor. 4. as quais são doenças pulmonares irreversíveis e podem levar o trabalhador à morte. O controle da poeira é uma necessidade presente no setor.

lixamento de concreto de fachada com lixadeira elétrica e limpeza do canteiro com o uso de vassoura. portanto. ou mesmos às que superem o nível de ação definido pela NR-9 (Brasil. O trabalho feito a quente expõe os trabalhadores ao risco de queimaduras e exposição aos agentes químicos provenientes do derretimento da massa asfáltica em cadeiras: a lenha. corte de granito com serra circular manual elétrica. 2006) deve ser dada maior atenção às operações que geram poeiras comprovadamente fibrogênicas e com concentrações capazes de superar o Limite de Tolerância definido pela NR-15 (Brasil. Conforme Souza. em especial nas atividades de: lixamento de concreto de fachada utilizando-se lixadeira elétrica.101 De acordo com Souza. pois em sua composição existem hidrocarbonetos aromáticos e policíclicos. como banheiros e coberturas devem ser impermeabilizados. A Impermeabilização é uma operação realizada na fase Instalações e Acabamentos. . Segundo Sandrini (2006). esses equipamentos são improvisados e podem causar incêndios e explosões. 2006). terraplenagem. com destaque para as atividades de: demolição. perfuração de rochas. 1995) necessita estabelecer parâmetros mínimos de segurança para a realização da atividade. Quelhas (Proteção. preparação de argamassa ou concreto em betoneira com carregador e sem carregador. 1994). a gás (GLP) e elétricas. A operação pode ser feita a quente e a frio. segundo Souza. sendo que os pisos que ficam expostos à umidade. podem intoxicar os trabalhadores pelas substâncias químicas presentes na manta. Quanto ao sistema a frio o mesmo não apresenta o risco de explosões e incêndios. e quando utilizam os mesmos não são adequados ou não existe um Programa de Proteção Respiratória para a seleção adequada do EPI e treinamento dos trabalhadores. apicotamento de parede de concreto com o uso de marreta e ponteira e o corte de granito e cerâmicas. 1978) para poeiras respiráveis. 2006) os trabalhadores não utilizam protetores respiratórios nas atividades com capacidade de gerar poeiras. além de intoxicar os trabalhadores através dos gases liberados no momento da secagem e aplicação do produto. porém. Ainda. lixamento de paredes e tetos com lixa manual. existe a exposição dos trabalhadores às poeiras em vários ambientes nos canteiros de obras. quebra de elemento de concreto com o uso de martelete. Quelhas (Proteção. corte de madeiras com serra circular. demolição de elemento de concreto com o uso de martelete. Quelhas (Proteção. a NR-18 (Brasil.

Na reedição da NR-18 (Brasil. principalmente nas questões que tratam do acesso e a permanência dos trabalhadores sobre as estruturas no momento da montagem e soldagem. relata que o comitê está finalizando a discussão da proposta para a melhoria da NR-18 (Brasil. sendo que estão sendo revistos todos os itens que tratam dos Elevadores de Obras. sendo que é preciso criar e normalizar procedimentos para que a operação ocorra sem risco de acidentes. Estas estruturas são pesadas e de difícil • movimentação. 2007) toda vez que o CPR/SP apresenta ao CPN uma proposta que resulta em uma nova exigência da norma. • Na movimentação de estruturas pré-moldadas. 1995) a discussão das obras que utilizam estruturas metálicas foi tímida. os quais são: • O setor da construção pesada. sendo que em matéria publicada pela Proteção (2007). visto que com a inovação tecnológica e a busca de reduzir os custos e o tempo de construção das obras estão sendo utilizadas grandes estruturas pré-moldadas de concreto no fechamento lateral das edificações. Para ele. o comitê tem feito discussões junto ao sindicato patronal e dos trabalhadores para que . principalmente nos que tangem a proteção de máquinas e áreas de vivência. Ainda. vários profissionais discutem a necessidade da inclusão de itens que atendam o setor. sendo que o CPR/SP tem sido muito solicitado por empresas fabricantes e locadoras de máquinas e equipamentos e por construtoras. 1995) em seu item que trata da Movimentação e Transporte de Materiais e Pessoas. tais como: equipamentos. 2007). na construção de pontes. podem-se identificar outros itens que merecem discussão e melhorias. talvez pela pouca aplicação da época. 1995). tendo a possibilidade de contribuir com maior eficiência nas discussões técnicas de revisão da norma. porém a norma precisa ser revisada. o comitê tem uma característica diferenciada dos demais CPR’s do Brasil. segundo Fernandes (Proteção. Para Fernandes (Proteção. máquinas e tecnologias. a cidade de São Paulo é uma capital que demanda de muitos recursos na Indústria da Construção. 2007). A Ata da Reunião Ordinária do CPR/SP de 11 de dezembro de 2007 (FETICOM-SP. galpões e outras estruturas de grande porte.102 Além dos itens propostos para serem revisados. com o objetivo de propor mudanças em relação a vários aspectos que não estão contemplados na NR-18 (Brasil.

103 esse novo texto passe a ser conhecido e compreendido pelos principais atores do setor. .

educativas e de dimensionamento dos canteiros de obras. remuneração. pois é necessário que existam sistemas gerenciais que priorizem a SST como estratégia de competitividade e produtividade para as empresas. não há como se elaborar ações de SST ou desenvolver SGSST na Indústria da Construção. educação. não abordando questões voltadas às relações do trabalho. que são fatores fundamentais para que haja uma interação harmoniosa do trabalhador com a produção no canteiro de obras. que a melhoria contínua das ações de SST seja admitida como fator preponderante para o sucesso das organizações. propondo medidas preventivas. Contudo. A efetividade das ações de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção não se limita somente à aplicação e implementação da NR-18 (Brasil. Esta análise vem a confirmar que se a NR-18 (Brasil. alimentação. não só para atingir melhores índices de qualidade e . 1995) e tem por finalidade a garantia da saúde e da integridade física dos trabalhadores. em alguns aspectos a norma é limitada e não resolve todos os problemas relacionados a Segurança e Saúde do Trabalho. sendo considerado um dos maiores avanços da NR-18 (Brasil. 1995) for aplicada e implementada.104 5. saúde. precarização dos contratos de trabalho e terceirização. inclusive das áreas de vivência. 1995). A Segurança e Saúde do Trabalho têm que ser considerada como de fundamental importância. como nas de organização do trabalho. proporcionando uma redução do número de acidentes e doença do trabalho. ou seja. tanto nas questões técnicas. higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. CONCLUSÕES A partir da reedição da NR-18 (Brasil. esta pode ser um instrumento de gestão de segurança. 1995) como mera formalidade legal. bem como desenvolver projetos construtivos sem aplicar as diretrizes estabelecidas na norma. De acordo com o estudo realizado. a qual define critérios que influenciam na concepção do projeto e no planejamento das atividades no canteiro de obras. qualificação dos trabalhadores. foi possível concluir que o PCMAT é o instrumento que possibilita a gestão dos riscos ambientais na Indústria da Construção.

1995). a norma deve sempre se ater a especificar o mínimo necessário para que as operações sejam realizadas com segurança. O trabalho também conclui que a NR-18 (Brasil. o controle rigoroso dos quesitos de segurança na importação de máquinas. mas para buscar a satisfação dos trabalhadores. 1995) precisa rever algumas concepções. que. Conclui-se também. entre elas: a falta de compromisso das empresas do setor. . equipamentos e materiais. a ausência de ações programadas de fiscalização nas cidades do interior. foi possível identificar que a sua forma descritiva. o baixo efetivo de auditores-fiscais do MTE para intervir nos locais de trabalho. Em relação às críticas discutidas na concepção da NR-18 (Brasil. a melhoria na qualificação e treinamento dos trabalhadores e a necessidade dos comitês tripartites em desenvolverem ações efetivas na aplicação e implementação da norma. equipamentos e materiais e a mudança cultural dos empreendedores do setor. bem como valorizar a participação do trabalhador na discussão das questões relacionadas a SST no canteiro de obras. no qual diretrizes genéricas e de gestão não condizem com a realidade dos canteiros de obras do Brasil. 1995). minuciosa e detalhista apresentada no texto é necessária. ficou constatado que a aplicação e implementação da NR18 (Brasil. ou para reduzir os custos dos acidentes de trabalho. Diante do exposto. soterramento e choque elétrico. a pouca divulgação da norma para os trabalhadores. pois enquanto não houver a atualização das normas técnicas. ainda existem falhas na aplicação e implementação da norma nos canteiros de obras. apesar dos 12 anos da publicação da NR-18 (Brasil.105 produtividade. priorizando a atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – CIPA. 1995) tem priorizado as causas que provocam os acidentes fatais: queda de altura. a qual deve priorizar o estudo das questões ergonômicas no desenvolvimento das operações.

. Outra análise que despertou a atenção é em relação à qualificação e treinamento dos trabalhadores. remuneração. com o objetivo de melhorar a produtividade e reduzir o número de acidentes do trabalho. educação. Outra forma de abordagem é a inclusão dos referidos agentes no Mapa de Riscos. Recomenda-se também. a identificação dos riscos ergonômicos e de acidentes. sejam incluídos no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. 1943) nem sempre é compatível com o limite dos trabalhadores. no qual a atividade é desgastante e requer esforços físicos intensos. RECOMENDAÇÕES Como a NR-18 (Brasil. alimentação. gerando uma elevada perda de calorias. 1995) é o ideal para a Indústria da Construção.106 6. recomenda-se que para as obras que tenham um efetivo abaixo do previsto. recomenda-se que os comitês tripartites revisem a limitação da aplicação do programa. sugere-se o estudo do impacto das áreas de vivência na qualidade de vida dos trabalhadores e na produtividade da empresa. os quais devem ser priorizados. e como as questões voltadas às relações do trabalho. sendo que o limite de 8 horas diárias previstas na CLT (Brasil. o qual deve ser implementado independente do número de trabalhadores. 1995) estabelece que o Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT deve ser implementado nos canteiros de obras com mais de 20 trabalhadores. Em relação ao PCMAT. as quais envolvem o esforço físico intenso e a sobrecarga térmica. com a indicação no Cronograma de Atividades da aplicação e implementação das medidas de proteção coletiva e individual de acordo com cada fase da obra. Outra recomendação é a adequação da jornada de trabalho às operações da Indústria da Construção. qualificação dos trabalhadores. que as empresas garantam uma alimentação adequada e de qualidade aos trabalhadores da Indústria da Construção. porém é necessário que as medidas preventivas sejam anexadas ao relatório e sejam apresentadas e discutidas com todos os trabalhadores. Para novas pesquisas. e se o dimensionamento das áreas de vivência estabelecido na NR-18 (Brasil.

.107 precarização dos contratos de trabalho e terceirização podem impactar na SST na Indústria da Construção.

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