EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....ª JUNTA TRABALHISTA DA COMARCA DE .... ESTADO DO ....

Autos nº .... ...., pessoa jurídica de direito privado, com sede na Rua .... nº ...., na Comarca de ...., devidamente inscrita no CGC/MF sob o nº ...., vem por suas advogadas ao final firmadas, (Instrumento Procuratório incluso), com sede na Rua .... nº ...., na Comarca de ...., onde recebem intimações, notificações, respeitosamente a presença de Vossa Excelência, face à RT contra si proposta por .... já qualificado, apresentar sua DEFESA pelas razões de fato e de direito que passa a aduzir: Primeiramente a Reclamada quer impugnar todos os documentos que estão acostados à inicial e que não preencham as formalidades ditadas pelo artigo 830 da CLT. Outrossim, se contrapõe a tudo quanto consta da maliciosa, insegura e confusa Inicial, pois não condiz com o que realmente aconteceu. Na verdade, e isto é preciso que o Reclamante reconheça, os fatos ocorreram conforme a seguir e serão contestados item por item na exata seqüência em que foram arrolados. I - DEFESA INDIRETA AUSÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO - CHAPA CARÊNCIA DE AÇÃO O Reclamante alega que laborou para a Reclamada na função de descarregador de caminhão e na forma do art. 3º da CLT, razão pela qual pleitea declaração de vínculo empregatício, anotação na CTPS, pagamento de aviso prévio, gratificações natalinas, férias + 1/3 constitucional, horas extras + adicional + reflexos, FGTS + multa de 40%, seguro-desemprego, multa do art. 477 da CLT e honorários advocatícios. O Autor falta com a verdade. Jamais foi empregado da Reclamada, mas sim e sempre, CHAPA, prestando serviços como trabalhador autônomo que sempre foi. Contrário ao que forçosamente quer nos fazer crer o Autor, ausentes os requisitos do artigo 3º da CLT. Entre o Reclamante e a Reclamada jamais aconteceu qualquer relação jurídica de emprego, face à inexistência de continuidade e subordinação. Diligenciando a respeito do autor, a Reclamada, foi informada de que o mesmo, eventual, ocasional e esporadicamente era utilizado para o carregamento dos caminhões das mercadorias de seu depósito. A Reclamada possui o seu quadro próprio de empregados registrados, para o mister a que o Autor foi, em raras vezes, chamado, ocasiões estas em que havia excesso de trabalho. Sobre o caso em tela, a r. decisão do E. TRT, da 1ª Região: "Não é empregado quem presta serviço quando há excedente de trabalho." Ac. (Unânime) TRT 1ª Reg., 1ª T. (RO 4545/90) Rel. Juiz José Maria da Cunha, "Boletim de Jurisp.", março/abril 92, p. 29. E ainda: "Relação de emprego. Chapa. Inexiste vínculo empregatício quando caracterizada a atividade de chapa, trabalhando os autores na carga e descarga de veículos, somente quando existiam estes serviços, sem obrigação de comparecimento ou de permanecer à disposição da empresa." (TRT - 12ª Reg. - RO-V-006205/93 - 2ª JCJ de Tubarão - Ac. 3ª T. - 007193/95 - unân. - Rel.: Juíza Ângela M. Almeida Ribeiro - Rectes: João Ferreira e outro - Recdo.: Nelci Chaves Zanichelli - Advs.: Carlota Feuerschuette Silveira e outro; Alexandre D'Alessandro Filho e outro - Fonte: DJSC, 28.09.95, pág. 45). Como exposto acima, em raras ocasiões o Autor efetuou trabalho de descarregamento de caminhão para a Reclamada, inexistindo, portanto, um dos requisitos essenciais à relação de emprego, qual seja, a não eventualidade. Quanto à alegada subordinação sofrida pelo Autor, resta totalmente impugnada, visto que completamente inverídica ao seu pedido. Na realidade, como será provado por ocasião da instrução processual, o Reclamante sempre foi o "responsável" (líder) de um grupo de 3 pessoas, as quais, face a localização da Reclamada, região de várias transportadoras e saída da cidade, a qual sempre atraiu a presença de vários "chapas, oferecendo seus serviços a quem desejasse, especialmente na carga e descarga de mercadorias, em atividade promíscua, prestada a vários tomadores em um mesmo dia, conforme sua vontade e conveniência financeira. Sobre o caso em tela a jurisprudência abaixo:

"Chapa. Inexistência da relação empregatícia. Eventual o trabalhador denominado 'chapa', que presta serviços de carga e de descarga de caminhões para mais de uma empresa, sem fixação jurídica nem subordinação, elemento nuclear da relação de emprego, que não pode ser meramente presumida. (TRT - 3ª Reg. - RO15112/94 - 10ª JCJ de Belo Horizonte - Ac. 1ª T. - maioria - Rel.: Antonio Fernando Guimarães - Fonte: DJMG II, 27.01.95, pág. 26). O Autor e as pessoas escolhidas e comandadas por ele, como já dito acima, em algumas poucas ocasiões (excesso de trabalho, quando os empregados da Reclamada não conseguiam dar cabo ao trabalho) prestaram serviços para a Reclamada, mais sempre sem qualquer subordinação, estando os demais chapas subordinados ao Autor que era quem acertava o valor do serviço com a empresa, recebia em nome de todos, pelo serviço realizado e depois, pagava pessoalmente seus camaradas. As RPAs juntadas pelo Autor só vem confirmar o acima descrito pois, o valor ali consignado, por óbvio não é o relativo a um mês de trabalho na função de chapa, quanto menos a um dia, sendo por conseguinte, a prova de que o Autor contratava outras pessoa, as quais sob sua direção, prestavam serviços a inúmeras empresas, tendo os respectivos salários pagos pelo próprio Autor. Pelo exposto, inexistente na relação de trabalho havida com o Autor qualquer indício de subordinação, exclusividade e, até mesmo, salário, pois como dito acima, a remuneração paga ao Autor e seus "camaradas" era mutuamente combinada. Inexistente qualquer um dos requisitos elencados no art. 3º celetário não há que se falar em vínculo empregatício. Neste sentido: "Relação de emprego. Para que se verifique a relação empregatícia faz-se necessária a reunião dos três requisitos ínsitos no art. 3º da CLT (serviço de natureza permanente, subordinado e salário). A ausência de qualquer um desses torna evidente a possibilidade de reconhecimento de vínculo empregatício entre as partes." Ac. TRT, 10ª Reg., 1ª T. (RO 1567/91), Rel. (designado) Juiz Franklin de Oliveira, DJU 21/10/92, p. 3367. "(Dicionário de Decisões Trabalhistas, B. C. Bonfim e Silvério dos Santos, 24ª edição, ET. p. 649, verbete 4539)" "Ex Positis", pela ausência de vínculo de emprego, cabem rejeitados todos os pedidos formulados na exordial. Em homenagem ao princípio da eventualidade, contesta, a Reclamada, um a um, todos os pedidos do Autor. DEFESA DIRETA I - DO ALEGADO CONTRATO DE TRABALHO A - DATA DE ADMISSÃO E DEMISSÃO O Reclamante falta com a verdade, quando alega que foi admitido em .../.../... para exercer a função de descarregador de caminhão e, que foi demitido em .../.../... Como já afirmado acima, o Autor nunca foi admitido pela Reclamada. A empresa, nas poucas ocasiões em que necessitou do serviço de chapas, contratou o Autor e seus colegas, comandados pelo primeiro, para prestação de serviço específico. Os mesmos residiam na localidade e, quando viam algum container no pátio da Reclamada se aproximavam do portão e ofereciam seus serviços ou, em outras oportunidades, quando necessitasse do serviço de chapas, um representante da empresa se dirigia até um bar (ponto dos chapas), onde permanecem todos os chapas a espera de algum serviço e, lá contratava o Autor e sua equipe para descarregamento do(s) container. As ocasiões em que o Autor prestou serviços para a Reclamada estão abaixo descritas e se comprovam pelas RPAs ora juntadas: a) .../.../... - refere-se a descarga de 05 containers - de 40 pés e 01 de 20 pés; b) .../.../... - refere-se a descarga de 05 containers 40 pés e 01 de 20 pés; c) .../.../... - refere-se a descarga de 02 containers 40 pés; d) .../.../... - refere-se a descarga de 03 containers 40 pés e 01 de 20 pés; e) .../.../... - refere-se a descarga de 02 containers 40 pés e 01 de 20 pés; f) .../.../... - refere-se a descarga de 02 containers 40 pés; g) .../.../... - refere-se a descarga de 04 containers 40 pés;

h) .../.../... - refere-se a descarga de 04 containers 40 pés; i) .../.../... - refere-se a descarga de 04 containers 40 pés e empilhamento de 480 caixas de fósforo; j) .../.../... - refere-se a descarga de 01 containers 40 pés; k) .../.../... - refere-se a descarga de 03 containers 40 pés; e l) .../.../... - descarga de containers 40 pés. Pelo exposto, conclui-se que durante o período alegado pelo Autor, como de trabalho para a Reclamada, o mesmo trabalhou somente em 14 oportunidades, totalmente esporádicas, sem qualquer relação de continuidade e, juntamente com seus "camaradas" realizou o trabalho sem qualquer subordinação, da forma como sempre fez na função de "chapa" autônomo, com a maior agilidade possível para poder efetuar novos trabalhos a outras empresas. B - DA SUBORDINAÇÃO A visão moderna do instituto se consubstancia na obra de Paulo Emílio de Vilhena (Relação de Emprego, SP, Saraiva, 1975), onde a subordinação é conceituada "como a participação integrativa da atividade do trabalhador na atividade do credor do trabalho". Tal conceituação se explica numa visão dinâmica do vínculo subordinante que mantém o trabalhador junto à empresa, como um dos componentes do seu giro total em movimento, compondo todo o processo produtivista ou de fornecimento de bens. Desse encontro de energias e, em especial, da certeza e da garantia de que tal encontro venha a ocorrer permanentemente, através da atividade vinculada surge a noção de trabalho subordinado. Como descrito no item anterior, o Autor nunca teve qualquer expectatividade em relação a compor o processo produtivista da Reclamada, pois nos mais de 02 anos alegados pelo Autor como de trabalho para a Reclamada, trabalhou somente em 14 oportunidades. Inexistente subordinação, não há que se falar em vínculo de emprego. Confirmando a tese acima esposada a jurisprudência abaixo do E. TRT, 10ª Reg.: "Relação de emprego. Autônomo. Não constitui relação de emprego a atividade de pessoa física visando prestação de serviços específicos, cujo resultado decorra de seu empenho profissional, eqüidistante e sem total controle subordinativo por parte do contratante. Tal atuação pressupõe autonomia, apesar da nãoeventualidade, essencialidade, onerosidade e pessoalidade, elementos ínsitos na prestação de serviços autônomos ou como empregado. Apenas a subordinação, ou seja, a inserção da pessoa nos mecanismos dirigidos de produção da empresa, representa meio seguro para constatação do vínculo. Esta inexiste se há liberdade na execução dos serviços." (TRT- 10ª Reg. - RO-5616/94 - 6ª JCJ de Brasília - Ac. 1ª T.-2895/95 Rel.: Juíza Terezinha Célia Kineipp Oliveira - j. em 17.10.95 - Fonte: DJU III, 03.11.95, pág. 16.299). C - DA REMUNERAÇÃO O Autor mais uma vez falta com a verdade, agindo com inegável má-fé, quando sustenta que a média do seu salário mensal era de R$ .... (....) com fundamento nas RPAs que junta. Como já retro afirmado, o Reclamante prestava serviço com mais três colegas. O valor ajustado entre o Autor (representante dos outros três colegas) e a Reclamada para descarregamento de containers era de R$ .... (....) para o container com 40 pés e, de R$ .... (....) para o container com 20 pés. O item de letra "A", acima descrito, demonstra todas as vezes em que o Autor e seus camaradas prestaram serviço de descarregamento de containers. Pois bem, a título de exemplo, verifica-se que no dia .... ocorreu o descarregamento de .... containers, sendo que .... com .... pés e .... com .... pés. Pelo trabalho o Autor e seus colegas receberam o valor total de R$ .... (....) conforme documento em anexo, RPA datada de ...., emitida em nome do Autor, líder do grupo, que rateava o valor com os outros três chapas, donde se concluiu que o mesmo recebeu por este descarregamento a importância de R$ .... (....) e assim ocorreu nos demais meses. Ora Excelência, é óbvio que nenhuma empresa paga a importância de R$ .... (....) mensais para alguém que desempenhe a função do Reclamante, como o mesmo pretende fazer crer nas razões da inicial. Pelo exposto, se conclui que o Autor não recebia remuneração, mas sim pagamento pelos serviços prestados eventualmente. Caso não seja este o entendimento de Vossa Excelência, o que se admite somente em prol do argumento, requer seja feita uma média, de acordo com as RPAs em anexo, cujos respectivos valores deverão ser divididos por quatro para então se obter o valor efetivamente recebido pelo Autor nos seis meses anteriores, o que dará uma média de R$ .... (....), nunca o valor apontado na exordial. II - DO REGISTRO NA CTPS

da CLT. Existente controvérsia. sem qualquer exclusividade para com a Reclamada. . descabe a condenação à multa do art.DO HORÁRIO DE TRABALHO Como acima descrito. Em reconhecida eventual relação de emprego. por abandono de emprego. . anos. discussão. GRATIFICAÇÃO NATALINA E FGTS (8 e 40%) Ausente liame empregatício. nela não se compreendendo o aviso prévio. decisão do E. cumpre ressaltar que a dobra salarial de que trata o artigo 467. Neste sentido." (TRT-PR-RO 3670/89 . Art. jamais laborou nos dias e horários consignados na exordial. natalinas e férias proporcionais. o Autor prestou serviços na Ré. durante quase . ausente labor contínuo. logo inaplicável a dobra do artigo 467. Ademais. gratificação de natal e FGTS mais 40%. . VI . Indevido. a r. e buscou a Reclamada somente agora e por esta via. Aliás. 477 da CLT porque inexigível a carga de verbas rescisórias do trabalhador reclamante anteriormente ao decreto judicial que assim deferiu a natureza da prestação de serviços. simplesmente auferiu. seja pela espécie de relação de fato mantida. a Reclamada contesta todos os pedidos pleiteados na exordial. V . pág.RO-04495/95 . sendo totalmente eventual a atividade. 26. o que a toda evidência lhe retira qualquer direito em buscar aviso prévio. 13º salários e férias.. ademais. afasta a dobra salarial. inaplicável a dobra salarial. Em face da controvérsia estabelecida.Ac. visto que sempre desenvolveu a função de chapa. Juiz Euclides Alcides Rocha). sem qualquer fixação de horário a cumprir. fatal a caracterização de ruptura contratual por justo motivo. Entretanto. conforme já mencionado.Recte: Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras Ltda.maioria . FÉRIAS.Rel. só é aplicável aos salários em sentido restrito. o mais mínimo controle de jornada. não mais compareceu à Reclamada em busca de serviços esporádicos.DOBRA DO ARTIGO CELETÁRIO Conforme exposto. mais FGTS e multa ao tempo da "rescisão" e só porque a ré não demitiu o Autor.Advs.VERBAS RESCISÓRIAS. resta totalmente improcedente pleito de nº 04 letra "a" da exordial. 477 CELETÁRIO Descabe o pedido de multa por atraso no pagamento de verbas rescisórias. in verbis: "A dobra salarial prevista no artigo 467. 279). salário dia em última data da prestação de serviço. Verbas rescisórias. Controvertido o vínculo empregatício. ou mesmo horas extras. como próprio da relação mantida. descabe a aplicação da dobra. Rel. A aplicação do dispositivo legal pressupõe ainda..9ª Reg. sem a continuidade capaz de autorizar a aquisição desses direitos." (TRT . pelo Autor na Reclamada. da CLT. habitual. Esse último. Logo as razões apresentadas são suficientes para configurar pela improcedência do pleiteado. Vê-se que há polêmica. Atraso. 4ª T. ainda que posteriormente judicialmente reconhecido como tal. 477. ainda. da CLT. decidido nosso tribunal. TRT 9ª Região: "CLT. o período apontado na exordial. Além disto. Além de que o pedido da parcela não é líquido e certo.. Isto posto. IV . Inverídico. Multa.Fonte: DJPR. enfim. previsto no artigo 467 da CLT.1ª JCJ de Foz do Iguaçu .Ac. descabe o reconhecimento de vínculo empregatício. Ausente mesmo. a natureza incontroversa da verba salarial. seja pelo abandono de emprego caracterizada e até a ausência de atraso para pagamento de qualquer verba rescisória.Recdo: Dirceu Silveira de Souza .04. como de hábito. refere-se unicamente a salários 'strictu senso'. improcede pedido de férias e gratificação de natal.: Pedro Antonio Coelho de Souza Furlan e Marcos Apollini Neumann . prestando serviços há várias outras empresas no mesmo período. ocasional o trabalho. 5402/90. Qualquer controversia razoável. aviso prévio.MULTA DO ART. Rejeite-se "in totum".: Juiz Roberto Dala Barba . sem qualquer regularidade. III .Conforme já descrito acima. controvérsia. existindo dúvidas a cerca da legitimidade do pedido articulado pelo Autor. . Conforme as RPAs em anexo. 3ª T.96. férias com mais terço constitucional. nesse sentido é que tem. tão somente por quatorze oportunidades.08278/96 .

é comum muitos ex-empregados irem a Justiça reclamar valores que já receberam do desligamento da empresa.1ª JCJ de Maringá .. 9ª Reg. 09.. coercitivo e de má-fé. a Reclamada não permitiria que uma pessoa estranha ao seu quadro pessoal permanecesse nas suas dependências após o expediente normal.3ª Reg.. o equivalente do que dele exigir.Ac.Rel.95. Juiz Euclides Alcides Rocha ... por quanto o próprio Supremo Tribunal Federal deixou certo na ADIN resultante da Lei nº 8. em caráter cautelar do art. sempre o fez durante a jornada normal de trabalho dos empregados da empresa. 3ª T. 11).Ac." Alega o Autor. decair da ação. 14349/95 . não ocorreu.584/70 (art. 40). VII . pelo Excelso STF.RO-11188/95 . quando prestou serviços para a Reclamada. a ruptura contratual tal como alegada no item de nº III (das verbas rescisórias) não confere ao Autor direito à percepção de seguro desemprego..Rel. conforme lhe incumbia nos exatos termos da legislação vigente: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Incabíveis vez que a presente RT não se enquadra a Lei nº 5.maioria . cabe alegar que o recebimento do benefício está sujeito a cumprimentos de requisitos administrativos não comprovados pelo Autor. eis que de ordem previdenciária. do C.JCJ de Curvelo . . restam indevidos pedidos de letras "d" e "e" da exordial. Atualmente. RO-10922/94 . como já mencionado acima. por absoluta falta de respaldo legal.. a jurisprudência abaixo: "Tendo sido judicial a declaração do vínculo empregatício. no primeiro caso.: Sergio Aroeira Braga . horas às .Eventualmente." (TRT . Cabimento...906/94. TST.01. DA MÁ-FÉ DO LITIGANTE Preceitua o artigo 1.584/70. 23. 14). no segundo. Neste sentido temos que: "Honorários Advocatícios. o dobro do que houver cobrado e.. com uma hora e meia de intervalo e aos sábados das . horas. ficará obrigado a pagar ao devedor. Em prol do eventual.SEGURO DESEMPREGO Indevida a pretensão descrita no item de letra "I" da exordial.. inúmeras inverdades. não há se falar em indenização de seguro desemprego. Esse tipo de conduta não honra a dignidade do Poder Judiciário e expõe a Justiça sobre larga margem de erro.Fonte: DJMG II. no todo ou em parte. salvo se. Os honorários advocatícios somente são devidos no processo do trabalho quando o trabalhador seja beneficiário de assistência judiciário sindical nos termos da Lei nº 5. das .JUSTIÇA GRATUITA O Reclamante requer o benefício da justiça gratuita.96. mormente quando se considera o que pode suceder em situações análogas envolvendo empresas consideradas . Além disso. Sobre o caso em tela.. que resta preservado o 'jus postulandi' na justiça do Trabalho. estar desempregado. Incabíveis ainda. . de segunda a sexta-feira.. ter trabalhado mais que seis meses para a Reclamada. Através da documentação anexa. Demais disto. por lhe estar prescrito. "Ex positis" ausente jornada suplementar além de oito horas dia. VIII . ou pedir mais do que for devido. pág." (TRT.127-8. sem ressaltar as quantias recebidas.suplemento -. na ADIN de nº 1. qual seja. a Justiça do Trabalho é incompetente para processar e julgar a matéria. 3ª T. horas. o que de fato. horas às .03. TST.531 do Código Civil: "Aquele que demandar por dívida já paga. e da suspensão. Conforme a documentação inclusa a Reclamada prova que o Reclamante vem faltando com a verdade dos fatos. de acordo com o Enunciado de nº 219.906/94. e no percentual fixado no Enunciado nº 219/TST. da Lei nº 8. comprova-se que o pedido do Autor é descabido. 1º. Pelo exposto improcede pleito de letra "I" da exordial.maioria . mesmo porque. algumas devidamente comprovadas nos autos e outras que se provarão na fase oportuna.DJPR . Isso não deixa de ser extorsão. do C. mas em nenhuma oportunidade prova não ter condições de arcar com as custas do processo. pág. como por exemplo. mormente ante a edição do Enunciado de nº 329.

43 da Lei nº 8. APLICABILIDADE NA JUSTIÇA DO TRABALHO. o oportunismo de se arriscar no processo para pleitear o que não tem direito. Diante do acima exposto. 3907/92 . 1. segundo orientação do Provimento nº 01/93 da Corregedoria Geral da Justiça que estabelece em seus artigos 1º e 2º.: Juiz Tobias de Macedo Filho). o qual serve como uma luva no caso em tela: "EMENTA: ARTIGO 1. com isso. certeza do engano.PR . a parte passiva. há incompatibilidade com os princípios fundamentais que norteiam o direito trabalhista. havendo obrigação legal do recolhimento por parte do empregado. do equivalente ao preceituado nos supra artigos. e o mais das vezes. Ainda. relativamente ao tempo em que detinha esta qualidade. RECOLHIMENTOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS Em caso de eventual condenação deve a sentença descriminar as verbas sob as quais incidem contribuição previdenciária. vejamos o seguinte julgado. CONCLUSÃO Face ao exposto e a tudo mais que dos autos consta. juntada de novos documentos e prova pericial. condenando-se a Autora em todas as cominações de direito. notadamente pelo depoimento pessoal da Autora. os juros e correção monetária devem seguir os ditames da Legislação pertinentes em vigor. por força do disposto no art. na oportunidade do pagamento. protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas. no total da condenação deve ser abatido o valor correspondente a parcela do empregado para a Previdência Social.212/91 alterada pela Lei nº 8.RO 4289/91. Não se pode dar ensanchas para atitudes assim reprováveis. Nestes termos. Não se diga que. Assim. se a ação não for julgada improcedente. que é encargo do Reclamante. Isto porque. O mesmo ocorre com o Imposto de Renda. . parágrafo único. ser deduzido do total de seus créditos e recolhido aos cofres públicos. sob pena de confessa. e que se dará em face dos preceitos protetivos ao empregado. se aplicando os princípios fundamentais do trabalho. 8º.a revelia. não se justifica que a empresa deva arcar sozinha com as contribuições. requer-se que o Reclamante seja declarado como incurso nos artigos 1. ele se equipara. bem como demais despesas efetuadas. e. advindo condenação ao pagamento de quaisquer das verbas pleiteadas. requer-se a compensação de todos os valores comprovadamente pagos a qualquer título. devendo o valor correspondente. pois constitui obrigação do empregado tal recolhimento. Tal encargo por constituir responsabilidade por ato ilícito. não se afastam com suposta alegação de pobreza e declarações sacadas de ocasião. nos termos do art. o que se admite apenas por argumentar.Rel. E para corroborar a posição da ora contestante e fulminar de vez as postulações. o que a lei não contempla. No momento que esta se desfaz e que o ex-empregado ingressa em juízo. o que já foi pago. segundo o a alínea c. sim.531 DO CÓDIGO CIVIL. artigos 17 e 18 do Código de Processo Civil e condenado ao pagamento a Reclamada. o maior dos princípios deste ramo jurídico.620/93. posto que a proteção do hipossuficiente. que só lembra a má-fé. a solução do litígio. durante o período laborativo conforme o artigo 767 da CLT. Tem o Autor a ciência do mal. É aplicável nesta Justiça Especializada o art. COMPENSAÇÃO: "Ad cautelam". devendo ser deduzida do total do crédito do Autor o valor da parte que lhe cabe para a Previdência Social. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA Em caso de eventual condenação. de maneira tão sorrateira e maliciosa. só existe enquanto existir a relação de emprego. do parágrafo único do artigo 16 do Decreto 2173/97 Ora. deve ser abatido o valor do Imposto de Renda do total a ser recolhido pelo Reclamante. da CLT: aplicação subsidiária do direito comum ao direito do trabalho. Pede deferimento. 1ª T." (TRT . requerida pela Reclamante se necessário for. aí.531 do CC. com juros e correção monetária legal. ainda que estejam em discussão direitos relativos ao contrato de trabalho. o que se admite apenas como argumento. processualmente.531 do Código Civil. Requer desde já a improcedência total do pedido. deturpando o regular exercício do direito de ação e opondo-lhes a trapaça. meritoriamente. Ac. mesmo assim pleiteou pedido inexistente em contravenção aos preceitos legais.

Cidade de .Publicado. laborava das 8:00 às 12:00 horas..... Assim.. constante no artigo 5º desta Carta Magna... sendo que aos sábados.º . Não destoam deste entendimento as decisões de nosso Egrégio Tribunal Regional do Trabalho.. promulgada em 1988........ social e econômica. na aplicação desse dispositivo para afastar a condenação nas sétima e oitava horas como extras..... com sede a Rua . sem distinção ou exceção. n.º ....Pg. residente na Rua .... Não há que se falar.... FGTS. no adicional de 50%.. Diante do exposto.. com reflexos sobre férias. DAS HORAS EXTRAS O Reclamante. O pagamento das comissões do Obreiro eram realizados através de depósitos em conta corrente (comprovante em anexo).10. Assim a Reclamada deve ser compelida a juntada de todos os controles de venda do Reclamante. com integração ao salário para todos os efeitos.. 44º semanal... Sua CTPS jamais foi anotada..º ...... no percentual de 10% sobre as vendas no varejo e de 3% sobre as vendas no atacado... com a vigência da Constituição Federal de 1988. com integração do piso normativo.. Assim impõe-se o pagamento dobrado deste salário. VARA DO TRABALHO DE ... cabe alguns esclarecimentos: A Nova Constituição Federal... e em observação à intatibilidade exigida pela nossa Carta Magna vigente. NÃO RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. pessoa jurídica de direito privado.. uma ferida profunda à legalidade e aos direitos básicos do cidadão... 220º mensal. pelos motivos que passa a expor: 01. DSR... inciso XIII.. 04... Juízo apresentar: RECLAMAÇÃO TRABALHISTA contra .. em seu artigo 7º.. "A partir de 05. n. IN VERBIS: FUNÇÃO DE CONFIANÇA .. salários mínimos mensais. Assim. sob as penalidades do artigo 359 do CPC.. todas que extrapolem a 8º hora diária de labor." (TRT-PR-RO-2025/91-Ac. garante uma jornada máxima de oito horas diárias e quarenta e quatro semanais para todos os obreiros. o que equivalia em média. horas extras.. 224 da CLT. aviso prévio e demais verbas rescisórias.. por seu procurador judicial (procuração em anexo)........ quais sejam.. com reflexos ..... portanto.. durante todo o pacto laboral... CONTRATO DE TRABALHO O Reclamante foi contratado na data de . das horas extras e da média das comissões. a . o qual não foi por ela recepcionado. Juiz Pretextato Pennafort Taborda Ribas ... cep nº.PARÁGRAFO 2º DO ART... e de todos os pedidos formulados pelo Reclamante. na função de vendedor. significa claro desrespeito à Norma Constitucional.. com intervalo de uma hora para refeições.... vem perante este MM.. em 22/05/92). laborava das 8:00 às 18:00 horas... sem nenhum intervalo.. ressaltando o princípio da igualdade..... deixou de existir o parágrafo 2º do art.... sendo demitido sem justa causa em data de ... 1ºT-3834/92Rel. Cidade de ...... 03. (qualificação). é clara a revogação do artigo 62 alínea "a" em respeito ao princípio da subordinação das normas.. usando-se do divisor 220. o Reclamante faz jus a receber horas extras. foi de revogar todas as exceções à jornada máxima de oito horas com objetivos de natureza biológica..... no Diário da Justiça . inscrita no CGC/MF sob n. O Reclamante não recebeu o 13º salário referente ao ano de 1992.. . que não fogem à razão humana..... 224 DA CLT. Prestando jornada de labor ampliada. DA REMUNERAÇÃO O Reclamante recebia na forma de comissões sobre as vendas de ...... Contra qualquer alegação de que o Obreiro fazia parte da exceção representada pelo artigo 62 alínea "a" da Norma Consolidada. conclui-se que a intenção do legislador Constituinte...... 13º salário.88... a aplicação do artigo 62 alínea "a" para o caso em foco. 13º SALÁRIO... 02. 115.EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA MMª.

com a consagração da indispensabilidade do advogado na administração da Justiça do Trabalho e.Atualmente (. DO FGTS A Reclamada deve comprovar os depósitos fundiários do Reclamante. diante da demissão injusta do Obreiro. que permitisse o "JUS POSTULANDI". aviso prévio e demais verbas rescisórias.SÚMULA 327/STF . A Norma Constitucional.. o Reclamante não percebeu as verbas rescisórias inerentes à demissão sem justa causa. a Reclamada extrapolou o prazo de que trata parágrafo 6º do artigo 477 da CLT." (sentença proferida nos autos 570/90. multa rescisória (FGTS 40%). "in" Revista do Ministério Público do Trabalho .988/90. e demais verbas rescisórias inerentes à espécie. ao pagamento de aviso prévio. Assim. "ipso facto". DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O artigo 133 da Constituição Federal. Assim. 13º salário proporcional (6/12 avos). requerer este benefício de que trata a Lei 7. Juiz Presidente Dr.INDISPENSABILIDADE DO ADVOGADO . p. das partes e jurisdicional. DSR. por óbvio. DAS VERBAS RESCISÓRIAS No momento da rescisão contratual. a Reclamada deve ser condenada ao pagamento do valor equivalente a todos os depósitos fundiários de toda a relação de emprego. 05 . 09. Ainda.sobre férias. pela aplicação do artigo 22 da Lei 8. DO SEGURO DESEMPREGO No momento de sua demissão o Obreiro não recebeu as guias de seguro desemprego. mas sim. cumpre salientar que o art. extinguindo a capacidade postulatória das partes nos processos trabalhistas. sobre os depósitos fundiários devidos e atualizados. tornou o advogado indispensável à administração da Justiça. sendo esta a interpretação mais plausível.2% sobre todos os pleitos anteriores. derrogou o artigo 791. nada mais justo e coerente do que o deferimento de honorários advocatícios. durante toda a relação de emprego. "(Ac. quando o legislador constituinte impõe um limite ao artigo 133." Com isso. a Reclamada deve ser condenada a indenizar o empregado no montante das parcelas que este deveria receber a título de seguro desemprego (4 salários) nos termos do artigo 159 e seguintes do Código Civil Brasileiro. 07. 06.Procuradoria Geral da Justiça do Trabalho. 113 da Constituição Federal vigente tornou o advogado "indispensável à administração da Justiça. Ltr. por força do princípio da sucumbência (artigos 769 da CLT e 20 do CPC). set. 133 da Magna Carta. por sua natureza. São Paulo. Sendo necessária a presença do profissional em Juízo. não podendo portanto. o Reclamante faz a perceber a multa que trata o parágrafo 8º deste mesmo artigo. deve ser condenada ao pagamento de juros de mora de 1% ao dia. pelo MM.ART. reforçada a tese consubstanciada na súmula 327 do STF. É devido o pagamento de FGTS no percentual de 11.EXTINÇÃO DO "JUS POSTULANDI" DAS PARTES NA JUSTIÇA DO TRABALHO . norma cogente... Ed. bem como ao pagamento de multa de 20% sobre o valor total do FGTS não depositado.036/90. são devidos os honorários advocatícios (art. inclusive ao advogado particular. assim. DA MULTA DO ARTIGO 477 DA CLT. sob pena de complementação das diferenças existentes.. mês a mês. revogando o "JUS POSTULANDI" das partes. 20 CPC). não admite exceções. mês a mês. no que tange especificamente aos honorários advocatícios. por motivos que não fogem a lógica. senão vejamos: "ADVOGADO .º 4." (Guilherme Mastrichi Basso.3 Turma - . 4º JCJ. ano II. fazendo jus portanto. João Oreste Dalazen) "Havendo sucumbência. de interesse público. 113) "Conquanto não esteja a Autora assistida por sua entidade de classe. 08. No caso de não comprovação dos depósitos fundiários. TRT 1º Região . 1992. férias vencidas acrescidas de 1/3. Não pagando as verbas rescisórias do obreiro. 133/CF .) com a promulgação da CF de 1988 em face do art. os parâmetros para a atuação do advogado. não objetivou a criação de uma brecha a este preceito. da CLT. prevista em uma remuneração mensal do empregado demitido. n. FGTS. saldo de salário (20 dias).

Advogado OAB/....Correção monetária V . Dá-se à causa o valor de R$ .062 e seguintes do Código Civil para o período anterior à propositura da Reclamação Trabalhista.Seja notificada a Reclamada. querendo.. .. sob pena de revelia e confissão. Rel." DIANTE DO EXPOSTO....FGTS no percentual de 11.Pagamento de todas as verbas rescisórias inerentes a demissão sem justo motivo.. "indo" DO/RJ.. ISTO POSTO. . não devemos esquecer a lição de que "a atuação da Lei não deve representar uma diminuição patrimonial para a parte a cujo favor se efetiva. RECLAMA: A . para efeitos de alçada. com integração ao salário para todos os efeitos. . D . DSR.. com seus respectivos reflexos. 110) Ainda assim..) 01 supra. 13º salário...... Termos em que pede e espera deferimento. conforme o exposto no item 03 supra.Parte incontroversa em dobro.620/89...Pagamento de todas as parcelas de FGTS não depositadas. G .RO 8. de .Juros de mora nos termos do artigo 955. possa apresentar defesa. E . especialmente testemunhal e juntada de novos documentos.. 1.Pagamento de todas as horas extras laboradas pelo Obreiro. C . RECLAMANTE EDSON MOURA DE DEUS RECLAMADA PICOS MOTOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA – NEW MOTOS SENTENÇA Vistos etc.. para que. III . conforme o exposto no item 08 supra. IV . com reflexos sobre férias. H ..pág. conforme o exposto no item 05 supra. devendo todas as verbas serem apuradas em liquidação de sentença. 13/09/90 .Pagamento indenizado de todas as parcelas do seguro desemprego.. B ... em face da demissão sem justo motivo do Obreiro. conforme o exposto no item 04 supra. conforme o exposto no (.Pagamento do 13º salário relativo ao ano de 1992.. VI ... Juiz Roberto Davis.2% sobre todos os pleitos anteriores. Protesta-se pela produção de todas as provas em direito admitidas.Pagamento da multa prevista no artigo 477 da CLT..Honorários advocatícios. II . REQUER: I . ..177/91 a contar da data da propositura da ação.Juros de mora nos termos da Lei 8. aviso prévio e demais verbas rescisórias.... de ... F .Anotação da CTPS do Obreiro de toda a relação de emprego.. conforme o exposto no item 06 supra. no seu respectivo adicional. FGTS. horas extras. com juros e multa legais.... conforme o exposto no item 07 supra..

Foram colhidos os depoimentos pessoais das partes.2006.I – RELATÓRIO EDSON MOURA DE DEUS.000. De fato. existe ou não o vínculo empregatício. Partes regularmente notificadas para comparecimento em audiência. Presentes as partes. pois. MÉRITO. é toda construída . II . DA CONTROVÉRSIA E SEUS LIMITES. Frustradas as tentativas de conciliação. O desnovelo da presente liça passa necessariamente pela análise a respeito da existência ou não de uma relação típica de emprego. Pediu ainda a condenação da reclamada em custas processuais. Mercê disso. preliminarmente. ajuizou reclamação trabalhista em face de PICOS MOTOS E SERVIÇOS LTDA . em face da ilegitimidade passiva para responder a presente demanda. honorários advocatícios. para onde então deve ser dirigida. No mérito. De seu lado. de recedente indispensável. PRELIMINARMENTE. rejeito a preliminar. que foi designada para 06. Com a inicial. razão pela qual pede a improcedência do pedido articulado na inicial. numa dada relação jurídica. A empresa reclamada apresentou defesa escrita na qual. Distribuídos. Razões finais remissivas aos respectivos articulados. Reduzido a termo o depoimento de uma testemunha apresentada pela reclamada.NEW MOTOS. a tese da reclamada. É o quanto basta relatar. DA EXISTÊNCIA OU NÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO NOS TERMOS DO DIPLOMA DISCIPLINADOR. A preliminar de carência de ação levantada pela reclamada. juntou procuração e documentos. em face de alegada inexistência de relação de emprego e da ilegitimidade passiva é matéria que se confunde com a questão de fundo. invocou a inexistência de vínculo empregatício. qualificado na inicial. alega carência de ação. admitindo apenas a prestação de serviço de natureza autônoma. pois. DA CARÊNCIA DE AÇÃO. encerrada a instrução processual. razão pela qual pede a condenação da empresa reclamada nas parcelas e cominações descritas também na inicial e que integram o presente relato. bem como os benefícios da justiça gratuita. se discutida na abordagem de mérito da demanda. Não havendo mais provas a serem produzidas. a reclamante alega em seu favor a prestação de serviço subordinado. dado que se insere na competência desta especializada o dizer se. típico de uma relação de emprego.RAZÕES DE DECIDIR. os respectivos patronos.04.00. regularmente representado por advogado. vieram para julgamento. cujo desate ensejará ou não eventuais desdobramentos. com fundamento no seguinte suporte Fático/jurídico aduzido na inicial. Deu à causa o valor de R$14. Melhor equacionada a questão. Se trata.

onerosidade. Inteligência. porquanto. nessa condição. Neste passo. com o fim de demonstrar a inexistência de relação de emprego se prende no fato de que o reclamante era vendedor externo e. quando se estar a falar de relação de emprego. peças e consórcios) e serviços (assistência técnica). atrai para si a obrigação de provar que a prestação de serviços não tem natureza empregatícia. porquanto fato constitutivo de seu direito. Para a hipótese. bem com na coleta de prova oral. na forma de depoimentos pessoais e de apenas uma testemunha.sob o argumento de negativa de vínculo. esta apresentada pela reclamada. tais como a subordinação jurídica. reproduz a tese da defesa. Ora. Alguma renda a empresa reclamada há de auferir com a venda de consórcios da Honda. em face do que não seria devida ao reclamante nenhuma das verbas postuladas. de forma objetiva. a produção de provas consistiu na juntada de documentos por parte da reclamante. a) DA ANÁLISE DA PROVA ORAL. Nos presentes autos. 333. Ocorre que o argumento utilizado pelo preposto da reclamada que. a reclamada utiliza-se dos chamados “vendedores autônomos”. resta evidente que parte do lucro obtido pela reclamada é proveniente da venda de consórcios. procura vincular o reclamante ao Consórcio Nacional Honda como se a este – ente desprovido de personalidade jurídica – o reclamante fosse formalmente vinculado. a existência da prestação do serviço em favor daquele que alega ser o seu empregador. ante a dicção do art. 333. O depoimento do presposto da reclamada. Ocorre que para desenvolver suas atividades e se a venda foi do tipo externa. o que não passa de uma forma de precarizar os . do CPC. intermediando vendas de cotas de Consórcio Nacional Honda Ltda e a empresa reclamada. pessoalidade e não eventualidade. DO DEPOIMENTO DO PREPOSTO DA RECLAMADA EM CONFRONTO COM A PROVA DOCUMENTAL APRESENTADA PELO RECLAMANTE. como a presente. como se a reclamada – que atua no ramo de vendas de consórcios e motocicletas – não pudesse ter vendedores externos empregados. I. do CPC e por força da presunção da relação de emprego. de a pessoa indicada como empregador negar como sendo de emprego a relação de trabalho afinal existente. autônomo. Ao reverso. mas tão somente vendedores internos na condição de empregados. Tem mais: a reclamada. é certo que a reclamada ao ser autorizada a fazer a venda do CNH não o faz apenas a título de trabalho voluntário ou de filantropia. do art. constitui-se encargo do autor tão somente demonstrar. já que admitida a prestação de serviço. sem qualquer subordinação. nada obstante admita a prestação de serviço por parte do reclamante na condição de vendedor autônomo. que seriam autônomos. E lembre-se que a atividade fim da reclamada é a revenda de bens (motocicletas. nesse sentido. em linhas gerais. guarda coerência com a tese desfiada na defesa. II. dando-lhe contornos jurídicos diversos sob o argumento de ausência de elementos suficientes à configuração do vínculo empregatício. a todo instante.

Ainda que o depoimento do representante da reclamada não tenha contrariado os interesses da mesma. à medida que o próprio preposto ao admitir a existência de consórcio interno criado e administrado pela própria reclamada não consegue explicar a razão pela qual se encontra nos autos formulário padrão “CONTRATO DE ADESAO GRUPO DE AMIGOS” de fl. contrato de compra e venda. E não é só. camisetas. os documentos referenciados se constituem em indícios fortes da existência de uma relação de . 15. Entrementes – e na espécie. como se fossem ferramentas de trabalho? Ou será que qualquer pessoa do povo pode ter livre acesso aos mesmos? O certo é que. os vários recibos juntos aos autos – não só aqueles que se referem a comissões CNH – mas outros que se referem a gratificações (fls. Referem-se a recibos de pagamentos efetuados ao reclamante emitidos pela própria reclamada. vez que as testemunhas que se apresentaram para depor revelaram ausência de isenção de ânimo para depor e foram dispensadas. 41/42). b) DA PROVA DOCUMENTAL E DOS INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. a afirmação do preposto da reclamada no sentido de que o vendedor externo é pago pelo Consórcio Nacional HONDA não passa de mais uma tentativa no sentido de afastar qualquer vinculação direta com o reclamante. Da mesma forma que não consegue explicar – se é que vínculo nenhum existe entre reclamante e reclamada – as razões pelas quais o documento de fl. De igual modo. muito embora também tenha declarado (sic) que o ponto de apoio do vendedor externo é a loja reclamada. ficha cadastral. assim como o certificado de fl. o ônus da prova recaiu sobre a reclamada – a prova testemunhal apresentada pela reclamada não revelou hábil à prova da negativa de vínculo. insiste na tecla de que vendedor externo não tem vínculo com a reclamada. dentre outras. traduzem verdadeiros indícios e presunções da existência da relação de emprego. os documentos juntados aos autos com inicial. pelo reclamante. Mas semelhante tentativa se revela debalde. se revela inverossímil. a afirmação da reclamada no sentido de que qualquer pessoa pode livremente participar de cursos de formação de vendedores patrocinados pela reclamada e que qualquer pessoa pode se utilizar de ferramentas. 29 (padrão na empresa. DA PROVA TESTEMUNHAL. hilário até. É que a testemunha apresentada pela reclamada apenas reproduziu o discurso feito anteriormente pelo preposto. em vão. Há de se perguntar então: se é que vínculo nenhum existe entre as partes. como se reconhece) se encontra juntados aos autos. ou seja. além de modelos de contratos de vendas do aludido consórcio interno. fardamentos ou logomarcas da reclamada. 45 firmado por preposto da reclamada comprovam a vinculação direta do reclamante com a reclamada. Nesse sentido. como já registrado. É certo que o reclamante nenhuma prova testemunhal produziu. a meu sentir. porque os referidos documentos se encontravam na posse do reclamante.direitos sociais do trabalhador.

em prova indiciária da existência da relação de emprego contestada. Giglio. As presunções não são provas. ou de prova indireta . Com efeito. Os contratos de fls. razão pela qual declaro como existente o vínculo de emprego firmado entre as partes no período declarado na inicial e que não foi objeto de impugnação específica. Sendo assim. desconhecido” ( e negado. pois. depõe contra o próprio sistema oficial de solução de conflito (exercício do poder jurisdicional) o existir decisões divergentes quando examinadas uma situação que tem uma origem comum. 28/43 se constituem em prova de pagamento efetuado ao reclamante. de acordo com o princípio da unidade de convicção. da prova produzida nos autos. realizada pela narração histórica (oral ou escrita) do fato a ser provado. os fatos aqui agitados são os mesmos que foram objeto de reflexão nas decisões anteriores. fato ou coisa. imperioso reconhecer. o que se faz agora. Diante. 12/16 são formulários padrões da reclamada. os recibos de fls. Se alguém é visto correndo para apanhar um ônibus. ou seja uma mesma situação fática jurídica. examinando os mesmos fatos e a mesma reclamada e a mesma categoria de pessoas (vendedores) concluíram pela existência da relação de emprego entre as partes. se há reconhecimento no sentido de que os aludidos recibos foram produzidas pela reclamada.emprego. o que se recomenda é que as decisões devem guardar harmonia entre si. infere-se a existência de outro. porquanto a defesa limitou-se em negar o vínculo de emprego. A esse ‘outro fato ou coisa’ se dá o nome de indício. E pelo que restou apurado nos presentes autos. revelando-se assim incontroverso. só para ficar nesses exemplos. a presença dos supostos configuradores da relação de emprego. Nesses casos. segundo o magistério do cultuado Wagner D. razão pela qual hei de invocar os mesmos fundamentos esposados naqueles autos para concluir pela procedência do presente pleito. Portanto. porquanto não se pode conceber que à luz dos mesmos fatos possam surgir decisões judiciais conflitantes entre si. presume-se que esteja com pressa” É o caso dos autos. A matéria ora posta em debate já foi objeto de apreciação por este magistrado em demandas anteriores envolvendo a mesma situação fática jurídica e que mereceram procedência em parte. DA REMUNERAÇÃO DECLARADA NA INICIAL. “ o convencimento do julgador resulta de prova direta. DA UNIDADE DE CONVICÇÃO. sob pena de depor contra o próprio sistema. os raciocínios lógicos são as presunções. o que se constitui. partindo-se de um fato conhecido. Na espécie. . resta evidenciado que os referidos documentos se referem a uma folha de pagamento. mas processos mentais de raciocínio lógico pelas quais. acrescento). por si só. De igual modo não há controvérsia acerca da natureza da rescisão contratual. já existem decisões judiciais que. por meio de narração ou exibição de um raciocínio lógico. pela inspeção ou exibição de prova.

FGTS DO PERÍODO LABORADO ACRESCIDO DA INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA DE 40%. resolvo por bem deferir o pedido do reclamante no particular para condenar a reclamada no pagamento. em face da declaração da existência da relação de emprego e da ausência do prévia comunicação da dispensa. inclusive no que se refere à multa de 40%. Na fala do cumprimento da obrigação de fazer. Ante a ausência de qualquer documento comprovando a regular quitação. De igual modo. já reconhecida na presente decisão. ao exame dos pedidos em espécie.00) de igual maneira reputada incontroversa. DA ANOTAÇÃO DA CTPS DA RECLAMANTE. nos termos do pedido. Indefere-se. valor da remuneração). ante a rescisão contratual sem justa causa. DA COMINAÇÃO DO ART. natureza da rescisão contratual. Defere-se.Omitiu-se também a reclamada. ante a ausência de impugnação. 13º SALÁRIO DO PERÍDO LABORADO. 477 DA CLT. razão pela qual invocando os mesmos argumentos acima. Não existindo nos autos qualquer comprovação de regular recolhimento do FGTS. AVISO PRÉVIO. acrescidas do terço constitucional. . Estabelecidas as premissas básicas (existência de relação de emprego. Defere-se então. Não comprovada a regular quitação das verbas rescisórias no prazo da lei de regência. defiro o pedido em espécie. Trata-se de obrigação que decorre da simples existência da relação de emprego. das férias adquiridas e proporcionais relativas a todo o período laborado. SALÁRIO FAMÍLIA. ante a ausência de amparo legal. nos termos da lei. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Ante a natureza controvertida de toda a demanda. defere-se.se. gozo e quitação das férias regulamentares. a reclamada não comprovou nos autos a regular concessão. por seu zeloso causídico. defere-se. DA MULTA DO ART. SEGURO DESEMPREGO. período laborado. de impugnar a remuneração declarada na inicial (média de R$550. indefere. 467 DA CLT. converte-se a mesma na correspondente indenização correspondente a 05 parcelas no valor de 01 salário mínimo cada parcela. FÉRIAS ADQUIRIDAS E PROPOCICIONAIS ACRESCIDAS DO TERÇO CONSTITUCIONAL.

Publique-se e registre-se. também qualificada nos autos. SENTENÇA RECLAMANTE MARLON CORDEIRO DIAS ADVOGADO(S) JOSÉ CLENARTO SANTOS RECLAMADA OLIVEIRA & AUTO PEÇAS LTDA . d) Férias adquiridas e proporcionais.000. ajuizou a presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face de OLIVEIRA & AUTO PEÇAS LTDA . POSTO ISTO. nos termos da lei. com jurisdição na Vara Única do Trabalho de Picos .ME. rejeitar a argüição de carência de ação. utilizando-se como base de cálculo a remuneração correspondente a R$550. 477 da CLT. b) 13º salário do período laborado.00. e) Indenização do seguro desemprego. por intermédio de advogado. II . no prazo de 48 horas após o trânsito em julgado da presente decisão. Verba honorária a cargo da reclamada no percentual correspondente a 10% do valor que fora apurado a título de condenação. em resumo. das seguintes parcelas.CONCLUSÃO.Nada mais. da CLT e com os acréscimos legais de juros e correção monetária.Em homenagem ao princípio da sucumbência. Concede-se à reclamante os benefícios da Justiça Gratuita. devidamente qualificado na exordial. defere-se o benefício postulado. que trabalhou para a . na forma permitida pelo art.00. f) Multa do art. no mérito. MARLON CORDEIRO DIAS. INSS e imposto de renda nos termos da lei.00 pela reclamada.. Liquidação mediante simples cálculos.ME ADVOGADO(S) FRANCISCO PEREIRA NETO Vistos etc. do período laborado acrescidas do terço constitucional. calculadas sobre o valor de R$5.. deferem-se no percentual correspondente a 10% do valor de condenação que for apurado em liquidação. Ante a simples declaração de estado de pobreza. tudo nos termos da fundamentação supra que integra o presente dispositivo: a) Aviso prévio. decide este Juízo. julgar PROCEDENTE EM PARTE o pedido veiculado na reclamação trabalhista para condenar a reclamada no pagamento ao reclamante. 879. Reclamante e reclamada já previamente cientificados. Picos-Pi. 28 de abril de 2006. 70/72 e nos termos da Súmula 197 do TST. DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. Condena-se ainda a reclamada na anotação da CTPS da reclamante relativa a todo o período laborado. Custas de R$100. preliminarmente. c) FGTS do período laborado acrescido de 40%. caput. estimado como valor de condenação. consoante ata de fls.Pi. alegando.

desrespeitando o piso salarial da categoria dos comerciários.2002) e remuneração (dois salários mínimos).09. com jornada de trabalho das 07:30 às 18:30 horas.06. 23/46). 487. 70). Determinado que a reclamada deposite em Juízo cópia do contrato social da empresa bem como eventuais aditivos contratuais. com base tão-somente no piso da categoria. bem como as retificações na sua CTPS – admissão (15. 93/94). FGTS mais 40% e RSR. na função de vendedor.empresa reclamada.05. Alega que o descumprimento da cláusula 2ª das CCTs. encerrou-se a . por ter laborado em sobrejornada e nada percebeu sobre tais valores. da CLT.467. horas extras e adicional convencional de 60% e seus reflexos. As gratificações natalinas e o FGTS foram quitados somente quanto ao período registrado e a menor. ficando o restante . que era o valor anotado na CTPS. além dos benefícios da Justiça Gratuita. que trata do reajuste salarial. 72/74). Concedido prazo para a parte reclamante se manifestar acerca dos documentos juntados com a defesa. 70). cláusula 1ª da Convenção Coletiva de Trabalho de 2000 (fls. 13º salários. Afirma. 08/65).até completar dois salários mínimos .sendo pago extra folha. Depois passou a ganhar o equivalente a dois salários mínimos.06. Juntou procuração e vários documentos (fls. férias dobradas e simples em todo o período laborado. Aduz que faz jus ao pagamento de horas extras. 97/98.2005.2004. sempre sem intervalo intrajornada. diferenças salariais nos termos da cláusula 2ª das CCT’s com 50% de multa e seus reflexos. também. de segunda a sexta. 96/97. Requer. e das 07:30 às 16:00 horas.00 (quinze mil reais). Aditamento a inicial quanto aos honorários advocatícios (fl. são devidos reajustes salariais e seus reflexos nas demais parcelas. Sem mais provas. Depoimentos pessoais às fls. 83). custas processuais e honorários advocatícios (fl. aviso prévio para todos os efeitos – art.000. Atribuiu à causa o valor de R$ 15. que jamais gozou férias nem recebeu o respectivo pagamento. férias + 1/3 proporcionais. quando fora dispensado. férias + 1/3. aviso prévio. a reclamada apresentou procuração e documentos. 13º salário. Contestação apresentada pela parte reclamada (fls. Cópia juntada tempestivamente (fls. da CLT. salário família. contudo sua CTPS foi registrada apenas com o piso salarial da categoria. no período de 15. multa do art. saldo de salário. a condenação da demandada no pagamento da diferença salarial nos seis primeiros meses do pacto laboral. Manifestação tempestiva (fls. ao final. seguro desemprego.2002 a 31. Dispensada a leitura da peça de ingresso. nos termos do art. mais multa de 50% por tal descumprimento. tendo sua CTPS anotada apenas em 01. da CLT. Prova testemunhal às fls. bem como ao respectivo adicional convencional de 60% mais repercussões no aviso prévio. nos sábados. Informa que nos seis primeiros meses do pacto laboral a parte reclamada pagava apenas o salário mínimo legal. percebendo o equivalente a dois salários mínimos. sem justa causa. 86/92). Assim. Frustrada a primeira tentativa de conciliação (fls. vale transporte. 467.

não necessitando de condução para se deslocar até o local. pois. . sendo que prestava serviço apenas quando havia cobrança a ser feita. saldo de salário. de segunda a sexta.2004. tendo sua CTPS anotada apenas em 01. Designada audiência de julgamento para o dia 19. uma vez que durante todo o período laboral percebia apenas o piso da categoria profissional. que laborou para a reclamada. Quanto a indenização relativa ao seguro desemprego. 19). também prestando serviços de cobrança para outras empresas. ou seja. FUNDAMENTAÇÃO: 1. às 12:25 horas. nem deu conhecimento à empresa que tinha filho. A reclamada. pois este reside próximo ao antigo local de trabalho. no ato da sua demissão. desse modo. visto que a jornada diária de trabalho era de oito horas. neste ano. ainda. e seus reflexos. das 07:30 às 11:30 horas e das 13:30 às 17:30 horas. não fazendo jus.2002. o reclamante. e seus reflexos. em síntese. por sua vez. na função de vendedor. haja vista a percepção de tão-somente o piso salarial da categoria. com jornada de trabalho das 07:30 às 18:30 horas. Ressalte que não há direito às férias dobradas e simples. Das Questões de Mérito: Do período contratual: Alega. 72/74). ficando cientes os litigantes e seus procuradores. informa ter pago ao obreiro. e das 07:30 às 16:00 horas. conforme seu salário anotado na CTPS. nos seis primeiros meses do pacto. à cota de salário-família. tais como: aviso prévio. o reclamante já fez beneficiou das parcelas que tinha direito quando de sua demissão.2005. 13º salário e férias + 1/3 proporcionais. pedindo.05. Afirma também não ser devida a diferença salarial. considerandose parte integrante deste relatório. o piso salarial da categoria.09.2002 a 31. nos sábados.06. alega que o reclamante não foi admitido em 15. De tudo o referido. E. nos sábados.instrução processual. tendo como base o salário apontado pelo reclamante. também não assiste razão ao reclamante. e das 07:30 às 11:30 horas. ainda. ele prestava serviço externo como cobrador da firma e recebia por comissão. sempre sem intervalo intrajornada. a reclamada que o autor não forneceu cópia de certidão de nascimento. em contestação (fls. Razões finais remissivas aos articulados.2005. pois estas parcelas já foram pagas. Por fim. para todos os efeitos. percebendo o equivalente a dois salários mínimos. quando fora dispensado. vez que pagava o salário do piso da categoria dos comerciários. E em relação ao vale transporte. no período de 15.09. Entende a reclamada que o reclamante não faz jus ao pagamento de horas extras e respectivo adicional de 60% e seus reflexos. Diz.06. Conciliação final rejeitada. sem justa causa. as verbas rescisórias requeridas. Assevera que o reclamante não faz jus à diferença salarial do salário mínimo para o piso salarial da categoria. de segunda a sexta. requer que a reclamação seja julgada improcedente. incorpora-se o teor respectivo ao presente. nos termos do TRCT (fl. Quanto ao saldo de salário não tem direito. face aos reajustes previstos na cláusula 2ª das CCTs.

Do trabalho em sobrejornada: O serviço suplementar é fato constitutivo do direito ao recebimento de horas extras e respectivos reflexos. Diante do conjunto probatório dos autos. no entanto. em média.2002 a 31. 464. que antes de 2004 o reclamante trabalhou como cobrador para o depoente e outras empresas” (fl. fixo o período contratual no interstício de 15. Defere-se. como relatado pela parte reclamada em depoimento (fl. para que conste a data correta da admissão – 15.06. é obrigação do empregador promover as devidas anotações do contrato de trabalho.05. se o limite legal é de 44 horas semanais.2002 a 31.ide arts. CLT Em que pese os argumentos lançados na peça defensória. na função de vendedor interno. sendo 8 horas diárias e não havendo nos autos acordo ou convenção coletiva de trabalho capaz de autorizar a compensação do labor ou a redução da respectiva jornada – ônus afeto ao empregador . entendo como devido o pagamento de horas extras ao obreiro (art. 131. Ora. À luz do disposto no inciso XIII. Trago à baila o PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL. a condenação do reclamante na verba indenizatória por litigância de máfé. CLT). e o depoimento da própria parte reclamada “que o reclamante foi admitido em janeiro de 2004.ainda. como o registro do empregado em livro ou ficha devidamente autenticados ou através de sistema eletrônico. bem como da ausência de anotações em sua CTPS. “. a duração do trabalho normal é de 44 horas semanais. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. em especial o recibo no valor de R$ 400.e a remuneração equivalente a dois salários mínimos legais. Examinemos ponto por ponto. Do período contratual: Para o exercício de qualquer emprego – em face da presunção por força da regra geral .tenho como hora extraordinária. de segunda a sexta e aos sábados 4h (quatro horas).2005. 7º da Constituição Federal de 1988. o empregador dispensa os empregados às 17:30 horas. Das anotações em CTPS: Defere-se o pedido de retificação da CTPS. 73). CPC). com dispensa imotivada da parte reclamante.06. equivalente a dois salários mínimos.06. o pagamento da diferença salarial nos seis primeiros meses do pacto laboral (art. do art. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. a contestação. impondo a fixação das horas extras. conforme modelos e instruções do Ministério do Trabalho.00 (quatrocentos reais) (fl.. além das anotações de sua CTPS 1. à base de 1h (uma hora) por dia. mormente no ser crível que a loja fique aberta ao público até 19:00 horas e.neste ano (2002). a prestação dos serviços além da oitava. com cautela.É OBRIGATÓRIO O CUMPRIMENTO DE CERTAS FORMALIDADES (obrigações de fazer). 96). 97).. em média.05. ficando o reclamante com sua CTPS e a reclamada com o respectivo registro.2002 .2005). . durante todo o período laborado (15. onde fará prova de que o contratou ou o demitiu em data distinta daquela alegada na exordial. ele prestava serviço externo como cobrador da firma e recebia por comissão” (fl. sendo 8 horas diárias. 1. Como se verifica. então. 13 e 29. 13).

do CPC. da CF/88.º. aplicável subsidiariamente ao processo trabalhista. verifica-se que não há comprovantes de pagamento de férias (art. o pleito em referência. art 22. nos termos do art. o reclamante faz jus ao recebimento da parcela salário-família. repetimos. Dos benefícios da Justiça Gratuita: Basta a declaração de pobreza para assegurar o direito à gratuidade da Justiça (art. da Lei nº 1. verifica-se que o autor não demonstrou que tenha trabalhado. 13º salário proporcional.906/94. independentemente de atestado. Defere-se. 133. Contudo. 4º. ou criar-lhe obstáculo ao . então. descontados os já recebidos.060/50). Defere-se. 477 da CLT. Do salário família: Analisando os autos. 14) razão pela qual defere-se o pleito em referência. Assim. e FGTS. dispõe que é reputado litigante de má-fé aquele que adotar procedimento enquadrável nos incisos I a VII do art. verifica-se o não pagamento do salário-família. 96). 19 e 82. conforme fl. conforme cópia de certidão de nascimento juntada aos autos (fls. Da litigância de má-fé: Entende a demandada ser o reclamante litigante de má-fé. A má-fé. verifica-se que há diferença entre os valores recebidos pelo obreiro a título de seguro desemprego e os valores efetivamente devidos ao reclamante. ainda mais quando. sob o prisma processual. 19. 17. férias + 1/3 constitucional proporcional. pois. Dos honorários advocatícios: Fixo a verba honorária à base de 15% (quinze por cento) sobre o montante apurado. Das horas extras (domingos e feriados): Indefere-se o pleito. CLT). sob o argumento de que o reclamante não forneceu cópia de certidão de nascimento. considerando as afirmações constantes da inicial. Assim. não é crível a argumentação da reclamada. 464. então. haja vista as divergências entre a anotação da CTPS e o valor da remuneração. art. acompanhando desta forma a jurisprudência dominante do Egrégio TRT d 22ª Região. consiste na qualificação da conduta. posto que cumpridas as formalidades legais para a sua concessão.com reflexos nas parcelas rescisórias lançadas no TRCT de fl. então. além dos depósitos fundiários e multa de 40%. o pagamento de férias simples e em dobro em todo o período laborado. em tais dias. do conjunto probatório dos autos. legalmente sancionada. § 4. O Código de Processo Civil. além dos reflexos sobre: aviso prévio. Indefere-se. o pagamento das horas extras e adicional convencional de 60%. então. Das férias: Compulsando os autos. Do seguro desemprego: De plano. e. com ânimo de prejudicar adversário ou terceiro. notadamente a impugnação da reclamada. saldo de salário. Do vale transporte: Observa-se que o trabalhador em seu depoimento afirmou “que se deslocava ao local de trabalho utilizando carro próprio” (fl. multa do art. o pleito remanescente. 13º salário. Defere-se. isso não o exime do pagamento de tal parcela. em homenagem ao Princípio da Sucumbência. descontando-se os valores já pagos. 20. da Lei Nº 8. daquele que atua em Juízo. em horário extraordinário. convencido de não ter razão. nem deu conhecimento à empresa que tinha filho. deferem-se os benefícios da Justiça Gratuita ao reclamante. férias + 1/3 constitucional integral.

salário família e indenização correspondente às diferenças do seguro desemprego.2003. Partes e procuradores cientes da presente decisão (Súmula 197. A reclamada fica ainda obrigada a comprovar. a DRTb-PI para as providências cabíveis. 19 de setembro de 2005.00 (duzentos reais). a qual passa a integrar o presente dispositivo. PROCESSO: 00437. A sentença deverá ser liquidada por simples cálculos.005. comunicando. aforada por MARLON CORDEIRO DIAS em face de OLIVEIRA & AUTO PEÇAS LTDA . em quinze dias do trânsito em julgado da decisão. Demais pedidos IMPROCEDENTES à míngua de respaldo legal. pelo que rejeito a argüição.000. descontando-se os valores já pagos. Concedo ao reclamante os benefícios da Justiça Gratuita. como se nele estive transcrito. indícios de má-fé por parte do reclamante. PicosPI. no prazo de 05 (cinco) dias após o trânsito em julgado do decisum. Verba honorária à razão de 15% sobre o montante apurado. LONDE RAPOSO ADVOGADOS: VALDOMIRO JACINTHO RODRIGUES E OUTRA . Não vislumbro. bem como os demais limites e parâmetros aqui decididos. saldo de salário. Condena-se.00 (dez mil reais). férias + 1/3 constitucional integral. sem prejuízo de ser feita pela própria Secretaria da Vara. no vertente caso. até o limite de 10 (dez) dias. multa do art. Custas processuais no importe de R$ 200. sob pena de multa diária de R$ 200. sob pena de execução. férias simples e em dobro em todo o período laborado. atribuído à condenação. julgo PROCEDENTE EM PARTE o pedido objeto da presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. Tudo em fiel observância à fundamentação supra. ainda. perante a Secretaria desta Vara o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre todo o período laborado. com os acréscimos legais. 13º salário proporcional.14. as horas extras e adicional convencional de 60% e respectivos reflexos sobre: aviso prévio. ainda.exercício de direito. calculadas sobre o valor de R$ 10. no prazo de quarenta e oito horas.00-0 CLASSE: RECURSO ORDINÁRIO ORIGEM: 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO-RO RECORRENTE: J. DISPOSITIVO: Isto posto.00 (duzentos reais). Imposto de Renda na forma da lei. pela parte reclamada.ME para o fim de condenar a reclamada ao pagamento. a parte reclamada a proceder às retificações necessárias na CTPS do reclamante. 13º salário. as parcelas decorrentes da diferença salarial nos seis primeiros meses do pacto laboral. 477 da CLT. Publique-se e registre-se. e FGTS. TST). do Colendo TST. férias + 1/3 constitucional proporcional. após o trânsito e liquidação do julgado. Correção monetária e juros na forma da lei e nos termos da Súmula nº 200. M. observando a remuneração mensal percebida pelo reclamante.

Em se tratando de trabalhador autônomo não há o poder de direção sobre a atividade exercida. inclusive com pagamentos de salários através de recibos confeccionados pela própria reclamada. Sem contrarazões. uma vez que sendo independente trabalhará quando quiser. Para o deslinde da questão posta em juízo necessário se faz analisarmos a distinção entre empregado e trabalhador autônomo. 2. Empregado é um trabalhador subordinado. A CLT." Mas.VENDEDOR EXTERNO Versam os presentes autos de recurso em que a recorrente-reclamada insurge-se contra a sentença que reconheceu o vínculo empregatício de vendedor externo a partir de 17. 2 MÉRITO 2. ou não contrato de trabalho é a tarefa do juízo. será considerado trabalhador autônomo. FRAUDE. condenando-a ao pagamento das verbas trabalhistas. de maior importância eis que permite distinguir o trabalho subordinado do trabalho autônomo. A Juíza Relatora lançou as seguintes premissas. sob a dependência deste e mediante salário'. Restando configurada a fraude na pactuação entre as partes. ou seja. 1 VÍNCULO EMPREGATÍCIO .RECORRIDO: ANÍSIO REIS FERNANDES FILHO. 798. empregado é um trabalhador cuja atividade é exercida sob dependência de outrem. PROPAGANDISTAS VENDEDORES E VENDEDORES DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS DO ESTADO DE RONDÔNIA . ou não. decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade. o que não merece prevalecer. na forma do artigo 3º da CLT. pois estão preenchidos os pressupostos legais de admissibilidade. interpõe o presente recurso. generalizou-se na doutrina e jurisprudência. pelo que a sentença não deveria ser mantida.1. durante a leitura do seu voto: "Os requisitos legais da definição de empregado estão no art. se o trabalho é prestado. se há. Recurso Improvido. o empregado. para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará (ainda Amauri Mascaro Nascimento). sustentando que o reclamante era na verdade representante comercial e laborava sem os requisitos do artigo 3° da CLT. a Juíza Relatora não reconheceu o vínculo empregatício. 2 FUNDAMENTAÇÃO 2. Como não existe definição legal de subordinação.2000. segundo nos ensina Amauri Mascaro Nascimento. 3º da CLT: 'Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. e um dos pontos primordiais é o exame do requisito dependência. 1 CONHECIMENTO Conhece-se do recurso ordinário patronal. RELATÓRIO O recorrente inconformado com a sentença prolatada pela Juíza Isabel Carla de Melo Moura Piacentini que julgou procedente em parte a reclamação trabalhista entendendo pela existência do vínculo empregatício alegado pelo autor. conforme certidão de fls. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DE 1º GRAU. A definição legal usa a palavra dependência.SERVIPROFARO ADVOGADO: JOSÉ ADEMIR ALVES PROLATOR: JUIZ SHIKOU SADAHIRO REPRESENTANTE COMERCIAL. pelas razões que doravante serão sustentadas. a doutrina a conceitua como uma situação em que se encontra o trabalhador. O autônomo não está subordinado às ordens de serviços de outrem. deve ser mantida a sentença de 1º grau. RECONHECIMENTO DO CONTRATO DE EMPREGO. Verificar. como quiser e segundo os critérios que determinar. e não é aplicável a trabalhadores autônomos. No presente caso. ASSISTIDO PELO SINDICATO DOS EMPREGADOS VENDEDORES E VIAJANTES DO COMÉRCIO PROPAGANDISTAS. com autonomia. 2. É o relatório aprovado em sessão. ou seja. restaram presentes os requisitos caracterizadores do . a legislação trabalhista é voltada para a proteção do trabalhador subordinado. Se o trabalhador não é subordinado. não empregado. passo seguinte. uma vez que o vínculo existente era de emprego. mas em seu lugar. a palavra subordinação. em cada caso.

asseverando que a questão da subordinação acaba ficando mitigada. Quanto ao cumprimento de horário. é no sentido de não ter ocorrido dedução por inadimplência de clientes (transferência dos riscos da atividade econômica). pois a tendência é que o exercício da atividade econômica se distancie do modelo de concentração em grandes fábricas e armazéns ("in" TRABALHO À DISTÂNCIA. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. O professor Octávio Bueno Magano muito bem expressou a evolução no campo do trabalho ao dizer que a aglutinação de trabalhadores em um mesmo local de trabalho vai converter-se em fato de freqüência cada vez menor. não havendo contratação de terceiros para ajudá-lo. também. pelo fato de ser vendedor externo. 753/754). sendo que existem outras modalidades. por relatórios e outras formas ("in" TRABALHO À DISTÂNCIA. mediante o pagamento de remuneração. 754). juntamente com a peça de defesa. os vendedores não poderiam vender produtos de concorrentes" (fl. Ademais.Havia dependência jurídica do reclamante. Tais recibos de salários eram confeccionados pela empresa. ALTERIDADE. conforme foi afirmado pela testemunha IZABEL CRISTINA REI DA FRANÇA GARRA: "que ao que sabe. nº24. como no presente caso em que a atividade é simplesmente vender os produtos da empresa e isso o reclamante efetivamente executou. até porque havia exigência de exclusividade. o início do contrato em 17. pág. era um trabalho sem qualquer assunção de riscos pelo trabalhador. A tecnologia acaba criando uma nova forma de subordinação. no qual nem sempre haverá contato diário ou direto.01.O reclamante recebia salários pelo labor executado. uma vez que este exercia as atividades de venda em conformidade com as orientações da empresa. A situação clássica do patrão. a prova documental revela também a continuidade das atividades do reclamente.754). fruto por exemplo da maior eficiência nos meios de comunicação e intercâmbio econômico. ONEROSIDADE. PESSOALIDADE.03). por produção. o que implica também em haver dependência econômica.2000. na forma a seguir discriminada. ou outra pessoa designada. mas neste ponto é necessário entender que as relações de trabalho vêm sofrendo modificações com o passar do tempo. como o teletrabalho. pág. encontramos vários empregados que trabalham a quilômetros de distância do empregador e nem por isso deixam de ser empregados. além de reconhecer o comparecimento do obreiro pelo menos uma vez ao mês para efetuar "acertamentos de contas e recebimentos" ("sic"). Hodiernamente. 663 a 669 foram apresentados pela própria reclamada. conforme declarou a testemunha PERCIVAL STORTO.O trabalho do reclamante não era eventual. não havia a proximidade física com os superiores hierárquicos. corroborado com o depoimento da testemunha IZABEL CRISTINA REI DA FRANÇA GARRA (fls. em outra praça de atuação diferente da sede da empresa.O próprio reclamante executava a atividade de vendedor.04/05). mas . na contestação.O reclamante prestava os serviços por conta alheia. nº24. Note-se que a tese da defesa. diretor financeiro da reclamada (fl.vínculo empregatício. editora Saraiva. A subordinação deve ser compreendida. e ressalte-se que os recibos de salários de fls. com vendas no campo de atuação mencionado na petição inicial. E o empregador pode ter o controle da atividade do empregado por intermédio do computador. Obviamente. ou seja. O não menos ilustre doutrinador Sérgio Pinto Martins assevera que o trabalho à distância não é somente aquele realizado na residência do empregado. realizar a fiscalização pessoal já não existe em diversas profissões. no tópico referente ao pleito de restituição de descontos indevidos. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. CONTINUIDADE . SUBORDINAÇÃO . mas por vezes apenas a estipulação das orientações gerais e necessárias às tarefas a ser cumpridas pelo empregado. editora Saraiva. tanto que a própria reclamada não nega. da mesma forma há diversos trabalhadores que não possuem controle de horário e nem por isso deixam de ser empregados. observandose que em alguns casos poderá verificar-se muito mais autonomia do que subordinação. sem necessidade de repetir tais orientações diariamente. como o elo entre o empregado e o empregador.

mas a argumentação também é apenas no sentido de não existir direito a tal verba para os autônomos. tendo em vista o reconhecimento do liame de emprego. o que implica na ausência de condenação da mencionada verba. Nada a reformar. colacionados aos autos juntamente com a petição inicial. seria o percentual aumentado para 7% (sete) por cento de comissão mensal sobre as vendas efetuadas" (fl. tanto que a testemunha IZABEL CRISTINA REI DA FRANÇA GARRA declarou: " que nesta cidade trabalham 8 vendedores externos e 1 interno" (fls. 2 DA REMUNERAÇÃO O recorrente requer a reforma da sentença quanto à remuneração. uma vez que o vínculo entre as parte era empregatício. Deve ser mantida a sentença. Logo. para todos os efeitos legais" ("sic". na medida em que não houve. inexiste qualquer contrato da ventilada representação comercial e os recibos eram emitidos em nome do próprio reclamante. que fixou a remuneração do obreiro em observância ao disposto na Cláusula 29ª dos Instrumentos Normativos. Pois bem. na parte dispositiva da sentença. de conseguinte. Ocorre que. conforme também ressaltado pelo Juízo de 1º grau. há outros que merecem registro. foi emprestado um veículo da empresa. enquanto fosse utilizado o veículo da empresa. ou seja. Ressalte-se que a mera transcrição de "tudo conforme termos e parâmetros da fundamentação supra que integra a presente decisão. não possui objeto. e quando fosse adquirido o veículo próprio do vendedor viajante. Quanto à utilização de veículo da empresa. que reconheceu o contrato de emprego. devendo ser mantida a r. o liame empregatício foi reconhecido. por tal razão. tendo em vista a manutenção da sentença quanto ao reconhecimento do contrato de emprego entre as partes. 772) não possui o condão de sanar a omissão. neste tópico. 2. 2. pois a remissão refere-se aos fundamentos e . 2. na inexistência do contrato de emprego e. verifica-se que a reclamada agiu em total fraude aos direitos trabalhistas (artigo 9º da CLT). Além dos fundamentos supra. Neste tópico. ficando naquela época pactuado uma comissão sobre as vendas de 6% (seis) por cento. aduzindo que a sucumbência foi parcial e que o recorrido percebia valor mensal superior a dois salários mínimos. no presente caso. a condenação em honorários advocatícios. verifica-se que na peça de defesa a reclamada reconheceu o fornecimento. apesar de ter constado a apreciação da verba honorária na fundamentação da sentença.sim por se referirem tais descontos aos adiantamentos de valores. sentença de 1º grau. a própria reclamada sustentou a alteridade do contrato. necessita de vendedores.4 DA ANOTAÇÃO NA CTPS O inconformismo do recorrente é fundamentado.3 DA RESCISÃO CONTRATUAL Alega o recorrente que a sentença reconheceu a data de extinção do pacto como sendo em outubro de 2001 e sustenta. não conseguiu desconstituir os fundamentos da sentença "a quo". 2. 654) Do exposto pela afirmação da própria reclamada. a média dos valores recebidos nos últimos cinco meses. fl. neste particular.2. novamente. novamente.2. Sem razão. A atividade-fim da reclamada é a comercialização de produtos e. neste particular. reforça-se a vinculação empregatícia.5 DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O recorrente pleiteia a exclusão dos honorários advocatícios no percentual de 10%. a inexistência de vínculo empregatício com a conseqüente desnecessidade de pagar verbas rescisórias. pretende a não obrigatoriedade de anotar a CTPS do obreiro. o recorrente também faz menção ao FGTS. mas o argumento é singelo no sentido de não existir vínculo empregatício. tal parcela não constou no respectivo dispositivo. conforme asseverado em linhas passadas. "in verbis": "como o reclamante na época que laborava como preposto. até que o mesmo pudesse adquirir o seu próprio. Destarte. 2. na forma do artigo 3º da CLT. ou seja. na medida em que até o veículo foi fornecido ao obreiro para a execução das atividades de venda. 2. Ademais. 753). usava uma motocicleta. Com efeito. Ocorre que o recurso.

no mérito. os benefícios da Justiça Gratuita para isenção no pagamento das custas. a tênue distinção existente entre esta e o serviço autônomo. nos autos da reclamação trabalhista proposta por ELIZABETE ALVES BATISTA. Será prolator do acórdão o Juiz Shikou Sadahiro. 59. ou pedir vistas dos autos. na sessão de . Recurso ordinário ao qual se nega provimento. Custas pela reclamante. apenas neste particular. 3 DECISÃO ACORDAM os Juízes do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. deixou de opinar. destaca que a prestação de serviços externos não é óbice ao reconhecimento do liame laboral alegado. não só a partir da interpretação de lições doutrinárias que transcreve. 62 da CLT. o que revela a condição autônoma da reclamante e afasta. Prejudicado o recurso. por completo. a incidência do art. fls.00-4 RECURSO ORDINÁRIO RECORRENTE: ELIZABETE ALVES BATISTA RECORRIDA: MARIA DUCILEIDE BATISTA NUNES (IGUATUBUS) E M E N T A: RELAÇÃO DE EMPREGO. nego-lhe provimento. às fls. 2. Requer. A liberdade na prestação dos serviços por parte da reclamante foi.PROC. assim. mas também pelos próprios depoimentos de que se valeu a magistrada para indeferir o pleito exordial. 04 de outubro de 2004 ACÓRDÃO .: 00091. no importe de R$1. NU.012.3 CONCLUSÃO Dessa forma. vencidos os Juízes Relator e Revisor. Trata-se de recurso ordinário proveniente da Vara do Trabalho de Souza/PB. Porto Velho (RO). contra MARIA DUCILEIDE BATISTA NUNES (IGUATUBUS). a tônica resultante do conjunto probatório dos autos. Não houve interposição de embargos de declaração e. recorrida. 49/51.não a algum deferimento de pedido que tenha sido omitido no dispositivo. No mérito. calculadas sobre R$ 56. fl. verbalmente. 3º da CLT.00.56. 66/70. 74. à unanimidade. Sessão de julgamento realizada no dia 28 de setembro de 2004. à fl. intempestivas. Inconformada. indubitavelmente.428.128. inicialmente. conheço do recurso ordinário e. conhecer do recurso ordinário. pela recorrida. Por fim. posteriormente dispensadas. recorre a reclamante. Vistos etc. 58. A Juíza a quo. ressalvando. No presente caso. Em seguida. as parcelas efetivamente deferidas estão discriminadas na parte conclusiva da sentença. Contra-razões. no entanto. portanto. pleiteando. sustenta devidamente provada a vinculação empregatícia aduzida na exordial. restou preclusa a oportunidade de sanar a omissão quanto à verba em comento. por maioria. 55/57.2004. e isto. NÃO CARACTERIZAÇÃO. pela sentença às fls. a faculdade de pronunciar-se. sendo certo que o dispositivo é que transita em julgado. ora recorrente. o provimento do recurso para que a ação seja julgada procedente em todos os seus termos.13. ante a previsão legal insculpida no inciso I do art. O Ministério Público do Trabalho. negar-lhe provimento. pois afirma que tal prova oral esclarece a favor da relação de emprego. julgou improcedente os termos dos pedidos formulados pela reclamante em face da reclamada. portanto. fundada na declaração de pobreza acostada à fl.

ao final. 40/41.) se encarregava de fazer seu próprio itinerário de vendas. inclusive. seja quanto ao estabelecimento de rota e de escolha dos clientes. se corrobora nos próprios depoimentos das partes colhidos na fase instrutória Assim. conforme confessado em seu depoimento. o qual demandava constante ação externa. No particular. A irresignação em apreço. em verdade. a transcrição de parte do depoimento autoral. 50 da decisão atacada. além do que o seu comparecimento perante à demandada. segundo sustenta. não serviram para fortalecer a tese autoral. Por fim. cuidava de suas atividades com total liberdade. apresentadas pela reclamante à empresa reclamada. como afirmou o preposto em seu interrogatório. II. caso entenda necessário. I. o condão de erigir a natureza subordinativa da relação entre as partes. a demandante prestou-lhe serviços na condição de representante comercial. porque preenchidos os pressupostos atinentes à espécie. São da própria autora as afirmações de que “(. fato este que. ADMISSIBILIDADE Conheço do recurso interposto. portanto. afigura-se esclarecedora da liberdade da reclamante na execução dos serviços. MÉRITO A recorrente visa a reforma da sentença sob a alegação de que. justifica-se pelas próprias condições do labor que exercia.. mais uma vez. De fato. volta-se claramente contra a avaliação procedida pelo Juízo a quo da prova oral produzida. Assevera que isto só se deu a partir do ano de 2000..) a depoente não precisava pedir autorização para fazer as vendas (. É o relatório. e que. da CLT. Quanto ao controle de jornada. (. autônoma. a orientação da autora na escolha da rota de vendas fornecida pela reclamada não tem. bem como no fato de a demandada influir na escolha dos clientes. Entretanto. a total ausência desta prática também reafirma a inexistência de subordinação entre as partes.)”. ao contrário do que decidiu o Juízo de Primeiro Grau. E pelo contexto do referido depoimento. eis que. era da própria reclamante a escolha destes mesmos clientes.. 333.julgamento.. Segue seu raciocínio. como vendedora autônoma. por si só. sob o argumento de que. a autora foi . às fls. mas que não teve sua CTPS anotada. Ressalta-se. inclusive para fins de cumprimento da meta alegadamente estipulada pela recorrida. a prova colhida nos autos revelou-se favorável à tese patronal. é seu o ônus da prova. os elementos probatórios dos autos conduzem à existência de relação empregatícia havida entre si e a recorrida. aduz que a afirmação contida em seu depoimento pessoal de que só ia ao estabelecimento reclamado uma vez ao mês. ventilando que a hipótese de subordinação estaria espelhada nos aspectos acima. na medida em que. quando a reclamada sustenta que tais serviços lhe foram prestados de forma autônoma. A reclamada defendeu a tese de inexistência de vínculo empregatício.. seja quanto ao horário. uma única vez ao mês. na medida em que só reafirmou a natureza Pautônoma dos serviços prestados. conclui seu arrazoado invocando o art. como permissivo legal ao reconhecimento da figura do empregado vendedor externo. 62. visava tão-somente o ajuste de contas. além de não apresentar relatórios das atividades à empresa reclamada. do CPC. consignado à fl. como tenta fazer crer a recorrente em suas razões recursais. que as fichas cadastrais dos clientes. em síntese. para percepção de comissão.. A reclamante afirmou na exordial que laborou na função de empregada vendedora para a reclamada no período de 01/11/1998 a 31/01/2004. ex vi do art.

peremptória em afirmar que “(. aliás. da CLT). como se deu in casu. a ausência de permanente fiscalização da obreira poderia apenas afastar a caracterização do trabalho extraordinário. 62.. para certas categorias profissionais. A adesão da reclamante à rotina de trabalho. relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas. O problema gerado pela miscelânea de feições não é privativo do Direito do Trabalho. A hipótese revela que. Vistos. Negada a relação de emprego. dentre outros elementos. para revenda. à fl. ANO: 2003. só por isto. E. Provada a condição operária de profissional autônomo.NATUREZA DA RELAÇÃO JURÍDICA HAVIDA. o que não se verificou nos presentes autos. de que se valeu a recorrente. nesse sentido. A forma de prestação de trabalho e as condições de desenvolvimento das obrigações entre as partes contratantes indicam a real qualificação de cada uma delas e sua exata titularidade jurídica. possibilitando-o a uma esporádica presença no estabelecimento.. no presente caso.955. decisão..” (TRT 10ª Região. ROPS: 00220. impossível o acolhimento do pleito inicial. da habitualidade no comparecimento da autora à empresa reclamada. A experiência tem mostrado que. Aqui não se cuida da isolada apreciação do art. os riscos do negócio ficavam a cargo da reclamante. Aliás. 50. do que se desincumbiu. Some-se a isso. cada uma. a falta do controle em questão contribuiu para distanciar a alegada subordinação na relação jurídica havida entre as partes. 3º.) o horário era estabelecido pela depoente (.: MÁRCIA MAZONI CÚRCIO RIBEIRO) “RELAÇÃO DE EMPREGO . mas admitida a prestação de serviço. Rel. tendo. 20 e admitido no depoimento autoral.)”. No pólo antiético a subordinação é apreendida pelo poder de comando empresário. o fato de que a compra de mercadorias à reclamada.AUTÔNOMO OU VENDEDOR EMPREGADO . era uma prática adotada pela reclamante. incumbia ao reclamado o ônus de provar a inexistência dos requisitos definidores da pretendida relação de emprego (art. sem a ingerência da Reclamada.25. de fato. no montante de R$ 4.. método próprio à separação das personalidades. INEXISTÊNCIA. da CLT. vez que propiciava a percepção de comissão por cadastro realizado. a ausência do elemento subordinação vem sendo o parâmetro recorrente para fundamentar a negativa de vínculo em decisões dos nossos tribunais: “RELAÇÃO DE EMPREGO. confessou a autora a existência de um débito atual junto à reclamada. é muito tênue a linha que separa o profissional autônomo do empregado. o real empregado da sede do labor. assim acusado na contestação à fl. ante a ausência. Mantenho a r. A vendedora autônoma exerce habitualmente e por conta própria atividade profissional remunerada. porque arcava com débitos originários da inadimplência dos seus clientes perante a reclamada. em proveito próprio. matéria estranha à lide. explorando. I. De toda sorte. apenas para ajustes de contas. como bem destacou a magistrada na sentença recorrida. instituída no reclamado. modelo e tempo em que se desenvolve a representação comercial. Outras esferas do direito padecem do mesmo mal. Em tais hipóteses. revelando-se na direção . dispondo ao seu alvedrio do método. foi pacífica e sem qualquer oposição. a sua força de trabalho. E a condição externa da prestação dos serviços não afastaria. Para a Justiça do Trabalho o elemento definidor da existência de relação de emprego é a presença de subordinação jurídica entre as partes. A situação lhe resguardava autonomia profissional e possibilitava auferir renda superior à percebida caso empregada fosse.

A liberdade na prestação dos serviços por parte da reclamante foi. trazendo ínsita a idéia lecionada por Ribeiro de Vilhena de ‘preparo e conclusão do negócio em nome próprio’. com todos os aspectos fáticos advindos da instrução processual.da prestação de serviços.886. 1999. como se viu. tais exemplos não se amoldam ao caso em apreço. eis que a inobservância a tal critério formal não conduz. de forma que se pudesse efetivamente identificar a tipificação do elemento subordinação. na aplicação de sanções ao tempo do desatendimento de ordens expedidas. das atividades desenvolvidas pelo obreiro. 3º da CLT. pág. a incidência do art. Nesse raciocínio. fruto do fato modificativo alegado na defesa. é de se concluir que a adoção da técnica processual tão-somente fundada no ônus probatório a cargo da reclamada. exigência estrita de cumprimento de horário de trabalho. nego provimento ao recurso. impondo conclusão de que. descrevendo o roteiro e tarefas desempe-nhadas. 2ª edição. a Reclamante exerceu suas funções com liberdade dentro do critério tempo-espaço. REL. 2º. 593) aponta similitudes entre ambos os liame jurídicos: “São estes os traços fronteiriços usualmente identifi-cados: remuneração parcialmente fixa. controle cotidiano. RO: 1259. O acervo probatório. ACORDAM os Juízes do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região. convergindo. Nem mesmo a ausência de prova do efetivo registro da reclamante como representante comercial (art. não demonstraram a necessária intensidade. nos conclusivos termos da sentença recorrida.” Mas. o que revela a condição autônoma da reclamante e afasta. não poderia suplantar a confissão autoral flagrada com o depoimento da reclamante. Nenhum desses elementos ficou provado. QUARTA QUESTÃO . tendem a caracterizar a relação empregatícia: “(. cláusula de não-concorrência. a tônica resultante do conjunto probatório dos autos. presença de diretivas e orientações gerais do representado ao representante.” (TRT: 3ª Região. Juíza Emília Facchini) Oportuno ainda destacar o reconhecimento doutrinário acerca da sutil diferença da relação empregatícia e da representação comercial. repetição e continuidade de ordens por parte da reclamada. porém. no período em discussão. indubitavelmente. que pelo seus próprios fundamentos se mantém. 20 de outubro de 2004. Isto posto. por unanimidade. da Lei 4. negar provimento ao recurso. por completo. à conclusão da existência de relação laboral. visando a direção dos serviços pactuados.” Antes. qualificando-se como comerciante. existência de sanções disciplinares. de 09/12/65) serviu para enfraquecer a tese da defesa. aponta alguns elementos que. Nesse tom é que a lição de Maurício Godinho (in “Curso de Direito do Trabalho”. João Pessoa/PB.. agindo como o dominus negotii.) reporte cotidiano do trabalhador ao tomador de serviços. visando nortear a distinção das relações em comento. pelo tomador. por si só. presença de planos específicos de atividades em função de certo produto..

empregadora. Resolva a questão. I da CLT somente é aplicável ao trabalhador externo cujo serviço seja incompatível com a fixação de horário de trabalho. 2ª VARA DO TRABALHO DE RIO BRANCO/AC RELATOR: JUIZ SHIKOU SADAHIRO . seja porque tinha que se apresentar pela empresa na parte da manhã. A. Alberto Alves não registrava em controle de freqüência a sua jornada. tudo a demonstrar que o trabalho do reclamante era compatível com a fixação de horário. ACÓRDÃO Nº 716/03 . de segundas a sábados.) Em primeiro lugar. conforme comando legal em interpretação estrita. FARIA) (PATRONOS: HUDSON DE CASTRO MAGALHÃES E OUTRO) ORIGEM: MM. 62." Sustenta nada dever a título de horas extras. para realizar as visitas mantendo contato por telefone. inciso I da CLT. 62 foi objeto de recepção por tratar de situação excepcional. mas apenas se reconhecer a inviabilidade da aplicação do modelo tradicional de fixação de jornada de trabalho. bem como a fiscalização dos horários de início e término de visita a cada cliente por telefone. 7°. a partir de carteira de clientes de sua área. No caso em análise. sem intervalos. entende-se pacificamente que a norma da CLT constante do art. em que pese a Constituição da República haver fixado como direito mínimo de todos os trabalhadores urbanos e rurais a duração do trabalho limitada a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. onde não se pretende precarizar a situação do trabalhador. dada a exceção a que estavam sujeitos os seus vendedores. I da CLT não impede a aplicação da proteção mínima referente ao instituto da Duração do Trabalho. Alberto Alves propôs Reclamação Trabalhista em face de sua ex . cumprindo roteiro de visitas estabelecido pelo empregador com meta mínima. devendo ser objeto de interpretação estrita. então. onde pretende o pagamento de horas extras.". contratado pela empresa "Refrigerantes Ltda. quando informava o horário de chegada e saída em cada cliente. Assim. Dispensado. provendo no mínimo 20 (vinte) visitas diárias. o que induz a possibilidade de manipulação da quantidade de trabalho a ser desenvolvida pelo empregado. há de se reconhecer que a formalidade efetuada pelo empregador quanto ao enquadramento do reclamante na exceção do art. restou evidenciada a existência de controle indireto da jornada do reclamante. onde restaria configurada a impossibilidade. em que pese o empregador haver preenchido as formalidades legais para adoção do mencionado modelo excepcional. Tal anotação também constava da sua ficha de registro de empregados.PROCESSO TRT RO Nº 816-02 RECORRENTE: MARCELINO MIGUEL DE OLIVEIRA (PATRONOS: AUGUSTO CRUZ E OUTROS) 1º RECORRIDO: D. Encerradas as visitas o vendedor enviava o relatório destas via "fax". apresentada pela empresa. de manutenção de controle de horário pelo empregador.ARMARINHO DIAS (PATRONO: ELISEU DE OLIVEIRA) 2º RECORRIDO: ARMARINHO FARIA (A. A exceção contida no art. possui direito o autor ao recebimento das horas extras uma vez configurado o labor excedente de oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. pela própria natureza do trabalho. DIAS CASTRO . Em seu labor Alberto Alves comparecia à empresa pela manhã e elaborava em roteiro de visitas. XIII. conforme seu art. seja porque ocorria o controle do horário de término do serviço pelo envio por fax do relatório diário. 62.Um vendedor. Dessa forma. apresentando fundamentos. e na forma do princípio da primazia da realidade do fatos que informa o Direito do Trabalho. R. que em média era de 10 horas. teve anotada em sua CTPS a exceção do artigo 62. pois a bem da verdade o autor era controlado em sua jornada e exercia atividade compatível com a fixação de horário de trabalho. Aberto Alves.ME . Em sua defesa "Refrigerantes Ltda. Saía.

sentença recorrida. A empresa contestou (fls. que foi admitido em 10. na qual o reclamante adquiria mercadorias e revendia a outros compradores. em que são partes. DIAS CASTRO (ME) . como recorrente. sugeriu o prosseguimento do feito. em grau de recurso. 74/77. alegando que as provas carreadas aos autos. através de r. 95/104). 122. A. 118). PRESSUPOSTOS CONTIDOS NO ARTIGO 3º DA CLT. É o relatório II . preliminarmente. despacho de fl. em síntese. como recorridos.V O T O ADMISSIBILIDADE Conheço do recurso ordinário apresentado. O obreiro ajuizou reclamatória trabalhista a termo contra a empresa D.800. do Regimento Interno desta egrégia Corte. MARCELINO MIGUEL DE OLIVEIRA e. Inconformado. relatados e discutidos os presentes autos de RECURSO ORDINÁRIO.12. DIAS CASTRO . eis que tempestivo. A.ME). quanto às contra-razões que houve um lamentável erro na Secretaria da 2ª Vara . inciso IX. alegando. Registre-se.ARMARINHO DIAS. seguro-desemprego. Havendo o reconhecimento do pacto laboral.1. O Ministério Público do Trabalho. deferiu o pedido de isenção de custas processuais nos termos do artigo 60. O recorrido apesar de notificado (fls. O artigo 3º da CLT contém os pressupostos necessários para a caracterização do liame empregatício.REVISORA: JUÍZA ELANA CARDOSO LOPES LEIVA DE FARIA VÍNCULO EMPREGATÍCIO. requereu a gratuidade da justiça nos termos da Lei nº 1. RETORNO DOS AUTOS PARA JULGAMENTO COMO ENTENDER DE DIREITO. férias integrais e em dobro com 1/3 constitucional. e alegou rescisão indireta em 6. Juíza Flora Maria Ribas Araújo. a fim de evitar a supressão de instância. horas extras e reflexos. 105. o reclamante interpôs o presente recurso ordinário (fls. multas dos artigos 467 e 477 da Consolidação das Leis do Trabalho. Argumentou que cumpria jornada de trabalho de 7:00/7:30 às 11:30 horas das 13:30 às 17:00 horas e quando estava viajando a serviço sua jornada era da 7:00 às 19:30/20:00 horas. sem prejuízo de eventual manifestação em Plenário. Denunciou à lide no pólo passivo a empresa Armarinhos Faria (A.MG. oriundos da MM.1998. comprovam que efetivamente existiu vínculo empregatício entre os litigantes. os autos devem retornar ao Juízo a quo para apreciação dos demais pedidos. sendo que a então Relatora. Refutou todos os pedidos e pugnou pela improcedência da ação. Disse que a remuneração média contratada era de R$1. com intervalo de aproximadamente 30 minutos para o almoço de segunda a sábado. aviso prévio indenizado.060/50 c/c Lei nº 5. Desse modo requereu o pagamento de diferença de salários atrasados (comissões). com representação processual regular. o Juízo a quo prolatou a sentença de fls. RECONHECIMENTO. negativa de vínculo empregatício asseverando que entre as partes existira uma relação comercial de natureza de compra e venda. especificamente os "Vales de adiantamento de salário" e os depoimentos das testemunhas. passagens de ida e volta à Divinópolis-MG. FARIA). a cada dois meses. 13º salários. e anotação na CTPS. O recorrente via petição de fl. rejeitou os pedidos formulados pelo autor e julgou improcedente a reclamatória.00 mais uma passagem ida e volta à Divinópolis . em seu parecer (fl. Inconciliadas as partes. visto que o empregador não vinha cumprindo com as obrigações do contrato de trabalho.ME ARMARINHO DIAS e ARMARINHO FARIA (A. FGTS com 40%. I-RELATÓRIO VISTOS.2001. 12/20) os pedidos alegando. 2ª Vara do Trabalho de Rio Branco (AC ). Faria .584/70. preenchendo os requisitos legais de admissibilidade. no mérito alegou que o reclamante jamais fora seu empregado uma vez que este apenas comprava mercadorias para revendê-las a outros compradores e que o serviço prestado fora de maneira autônoma. 113) não apresentou contra-razões ao recurso obreiro. Pugnou pela reforma da r. D.

sendo que não se insurgiu quanto a uma possível nulidade e nem se mostrou interessado em apresentar contrarazões. pois a tendência é que o exercício da atividade . ou outra pessoa designada. como o elo de ligação entre o empregado e o empregador. pois o verdadeiro empregado é dirigido pelo empregador. ficando patente que efetivamente executava a tarefa de vender as mercadorias. corrobora esta afirmação. entendi sanada a questão tendo em vista que da intimação do r.ME (ARMARINHO DIAS) foi intimado (fl. o serviço prestado pelo empregado deve ser de natureza não eventual. 52. fruto por exemplo da maior eficiência nos meios de comunicação e intercâmbio econômico. subordinação. também. DIAS CASTRO. 21. o reclamado adiantava valores para as despesas pessoais do obreiro. despacho de fl. A subordinação deve ser compreendida. Ora. no qual nem sempre haverá contato diário ou direto. No caso vertente. Quanto ao cumprimento de horário. O professor Octávio Bueno Magano muito bem expressou a evolução no campo do trabalho ao dizer que a aglutinação de trabalhadores em um mesmo local de trabalho vai converter-se em fato de freqüência cada vez menor. Eliseu de Oliveira. portanto. fica superada tal questão. ao contrário. nos quais resta configurada a dependência financeira. o que implica na dependência econômica. pessoalidade e alteridade. não podendo ser esporádico. sob a dependência deste e mediante salário". 109 endereçada para que o reclamado e o litisconsorte pudessem contra-arrazoar o recurso do reclamante foi feita em um único documento.ME (ARMARINHO DIAS) é o Dr. E o reclamante. é necessário entender que as relações de trabalho vem sofrendo modificações com o passar do tempo. Assim. Entretanto. é autônomo. o advogado do reclamado D. São cinco os requisitos que caracterizam a condição de empregado: continuidade. Entretanto. pelo que era compensado mediante o pagamento de remuneração. mas por ele próprio. DIAS CASTRO. conforme procuração de fl. sem necessidade de repetir tais orientações diariamente. sendo que este causídico é patrono apenas do litisconsorte A. nas razões recursais. MÉRITO VÍNCULO EMPREGATÍCIO VENDEDOR O empregado. FARIA-ME (ARMARINHO FARIA). temos pela prova testemunhal (fls. exarado pela Juíza relatora que me antecedeu. não havia eventualidade. deve ser contínuo. 122. pois a notificação de fl. O advogado do reclamado D. Se o trabalhador não é dirigido pelo empregador.de Rio Branco. 66/67) trazida pelo recorrente que o trabalho do empregado era a venda de mercadorias de maneira continuada. conforme instrumento de mandato de fl. ou seja. No que se refere à subordinação. onerosidade. a quem se subordina. como no presente caso em que a própria reclamada noticia que o reclamante não prestava qualquer caução para retirar a mercadoria. 126) e tomou conhecimento da existência do presente recurso. A situação clássica do patrão. mas por vezes apenas a estipulação das orientações gerais e necessárias às tarefas a ser cumpridas pelo empregado. como se o advogado Hudson de Castro Magalhães fosse patrono daqueles. que isentou o reclamante das custas processuais. o que demonstra que o empregador assumia o risco do negócio. que é um dos principais requisitos da relação de emprego. defende a tese de que entre as partes efetivamente existiu vínculo empregatício considerando que o reclamado sempre emitia "Vales de adiantamento de salário". realizar a fiscalização pessoal já não existe em diversas profissões. O artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho considera empregado "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. encontramos vários empregados que trabalham a quilômetros de distância do empregador e nem por isso deixam de ser empregados. por seu turno.A. da mesma forma há diversos empregados que não possuem controle de horário e nem por isso deixam de ser empregados. Hodiernamente.

No que se refere ao pagamento de salário. o que por si só já evidencia que o reclamante recebia de alguma forma uma remuneração. editora Saraiva. nº 24. o reclamante laborava sem os riscos do empreendimento comercial. (fl. 42. preenchidos com valores intitulados de adiantamento de salário. sendo que neste caso o prejuízo era do reclamado. o reclamado adiantava valores para despesas pessoais do obreiro. necessita de vendedores para tal fim. que foi prometido ao reclamante o fornecimento de uma passagem no final do ano. o objetivo da empresa é comercializar produtos no atacado e no varejo e. 4/5). também demonstra a existência de benefício logicamente ligado à vinculação muito mais empregatícia do que autônoma. não existia necessidade de todo o tempo haver uma orientação do que deveria ser feito.03). fazia o acerto. pois o reclamante recebia comissão sobre o valor efetivamente recebido. Assim como ocorre com o vendedor externo. ou seja. ao contrário. situação que não pode ser concebida em relação a um autônomo. sendo que a sobra e as trocas eram aceitas pelo reclamado. embora não tenha apresentado provas documentais de que recebia o salário declinado na petição inicial. A tecnologia acaba criando uma nova forma de subordinação. A testemunha Francisco Carrilho Torres reforçou a existência do liame empregatício ao aduzir que "o local de realização das vendas era sempre determinado pelo representante do reclamado ou do litisconsorte. sendo que existem outras modalidades. 38/40). constata-se através dos "Vales Adiantamento" (fls. ainda que não fosse aquela declinada no termo de reclamação. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. pois o reclamante ficava com as mercadorias sem ter que pagá-las. No presente caso. o que foi efetivamente cumprido até que o reclamante mudou-se para Rio Branco".. Ora. Note-se que o preposto afirmou que "o reclamante não prestava qualquer caução para retirar a mercadoria. ainda que houvesse sugestão do vendedor (. pág. como o teletrabalho. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. A testemunha Daniel Xavier dos Santos. (fls. A testemunha Nervilo Fernandes. E o empregador pode ter o controle da atividade do empregado por intermédio do computador. o reclamado adiantava os valores referentes às despesas pessoais. pois retirava as mercadorias para vender e. O não menos ilustre doutrinador Sérgio Pinto Martins assevera que o trabalho à distância não é somente aquele realizado na residência do empregado. A testemunha Raul César de Oliveira nada acrescentou. Quanto à passagem para viagem. que tais vales materializam a prova do efetivo pagamento de salário pelo reclamado. logicamente. por relatórios e outras formas (in TRABALHO À DISTÂNCIA. o obreiro.. editora Saraiva. 66). o reclamante realizava a venda de mercadorias. Conforme pode ser observado na declaração de firma individual de fl. por óbvio porque era empregado e não vendedor autônomo. 67). sendo que a mercadoria era encaminhada em confiança e várias vezes o reclamante vendeu mercadorias até um determinado valor e recebeu menos do que o vendido. 65 e 66) É patente a grande vinculação que existia entre as partes.) que o acerto de contas era feito a cada 02 meses e no intervalo era fornecido vales para os vendedores (. Da mesma forma. no prazo de 60 dias. conforme confessado pelo preposto. por produção. por sua vez. Ademais.)que quando o vendedor não pretende mais continuar vendendo para o reclamado ou litisdenunciado existe a obrigatoriedade de fazer a comunicação". pág. o tipo de atividade era simples. aduziu que "se não vendesse todas as mercadorias retiradas podia devolver a sobra para o reclamado" (fl. também corroborou a situação típica de empregado.econômica se distancie do modelo de concentração em grandes fábricas e armazéns (in TRABALHO À DISTÂNCIA.. reforçando mais uma vez a situação de simples empregado vendedor. asseverando que a questão da subordinação acaba ficando mitigada. quando se fala em salários obviamente estamos tratando de um contrato de . nº 24.. além do que já havia sido instruído com as testemunhas anteriores. observando-se que em alguns casos poderá verificar-se muito mais autonomia do que subordinação.

Resta presente também a alteridade. FARIA-ME (ARMARINHO FARIA). nada impede que um empregado tenha outra atividade. o próprio reclamante confessou que não laborou simultaneamente para as duas empresas.1998 a 06. DIAS CASTRO. de maneira que a sentença de 1º grau deve ser mantida neste particular. o que demonstra que não se restringem a pouca quantidade ou que seja uma produção fortuita. dar-lhe provimento para reconhecer o vínculo empregatício havido entre o reclamante e a empresa D. ACORDAM os Exmºs Juízes do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. razão pela qual.1998 a 6. ou seja. até porque.FARIA).2001. não se confundem com um recibo qualquer. Ademais. na presente sessão de julgamento. a saber: assumir riscos de sua atividade.1998 a 6. Juízes Carlos Augusto Gomes Lôbo e Osmar João Barneze. em relação ao lapso temporal pleiteado especificamente nesta reclamatória não existiu liame empregatício com o litisconsorte.12.12. Com efeito. trabalhou para o litisconsorte somente após trabalhar para o reclamado. Sala de Sessões do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. reconhecendo o vínculo empregatício havido entre o reclamante e a empresa D. 38/40 foram impressos em gráfica e com vários dados da empresa. conforme já analisado anteriormente. no período de 10.1. Sr. dou-lhe provimento para. determinar a baixa dos autos à Vara de origem.A. DIAS CASTRO. Luís Antônio Barbosa da Silva. Por maioria determinar a baixa dos autos à Vara de origem. pois a exclusividade não é requisito do contrato de emprego. Ou seja.1. FariasME (Armarinho Faria). conhecer do recurso ordinário.. mantendo-se a sentença apenas em relação ao litisconsorte A. O próprio reclamante executava o serviço. Dias Castro-ME (Armarinho Dias). Por tais fundamentos.ME (ARMARINHO DIAS). Destarte. Após a análise supra. a fim de que julgue os demais pleitos como entender de direito. ". conheço do recurso ordinário interposto.2001. o Exmº. A. No mérito.01. sendo que o fato de ter outra atividade econômica não desnatura o contrato de emprego. tanto os resultados positivos. vencidos. Funcionou.C O N C L U S Ã O DESSA FORMA. não houve vínculo empregatício com o litisconsorte (ARMARINHO FARIA-A.A. FARIA-ME (ARMARINHO FARIA). É O VOTO D E C I S Ã O. Dr. III . ou seja. Porto Velho/RO. Ressalte-se. reconhecendo o vínculo empregatício havido entre o reclamante e a empresa D.ME (ARMARINHO DIAS) no período 10. pois os vales de fls.12. era um trabalho sem qualquer assunção de riscos pelo trabalhador. a fim de que julgue os demais pleitos como entender de direito. o que foi confessado pelo preposto. sem qualquer ressalva na contestação. 13 de maio de 2003. esses riscos da atividade econômica não . Procurador do Trabalho.A.emprego.. pois os autônomos não recebem "salários". mantendo-se a sentença apenas em relação ao litisconsorte A. a fim de que julgue os demais pleitos como entender de direito. os Exmºs. dá-se provimento ao recurso obreiro para.no período 10. neste feito. na forma do artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho. também. no particular.’ Tem o empregador algumas características. não fazendo menção ao liame de emprego com o litisconsorte. e fazem menção a "funcionário" e "adiantamento do meu salário referente ao mês de. verifica-se que o reclamado agiu em total fraude aos direitos trabalhistas (artigo 9º da CLT). tais documentos foram juntados pelo próprio reclamado. que o recurso do obreiro foi no sentido apenas de reformar a sentença para efeito de ser reconhecido o vínculo empregatício com o reclamado. como os negativos. no mérito. determinar a baixa dos autos à Vara de origem. mantendo-se a sentença apenas em relação ao litisconsorte A. verifica-se que em relação ao período vindicado pelo reclamante. se houver compatibilidade de horário. uma vez que o contrato entre as partes era de emprego. pois o reclamante prestava os serviços por conta alheia.2001. Nem se diga que seria mero erro. à unanimidade. ou seja.

estabelecendo. implicando ilegal transferência dos riscos da atividade econômica. com pagamento de salários por unidade de tempo. d) pagamento de salário. Não há a certeza da jornada que irá cumprir e o quanto irá perceber. pagando salários.o empregador dá ordens e acompanha sua execução. A intenção do legislador com o texto em tela foi. técnico e manual" (CLT art. portanto. Além disso. c) disciplina. para se constatar a condição de empregado é preciso verificar os seguintes requisitos: a) pessoa física. Impõe. constitui modo sutil de o empregador fugir ao cumprimento do mínimo legal ou piso da categoria profissional. em “escala móvel e variável”. Este poder de direção abrange: a) utilizar a força de trabalho que o empregado coloca à sua disposição. assumir os riscos da atividade econômica: somente o empregador sabe como se deve atingir os fins da empresa. mas este remunerará somente as efetivamente trabalhadas. Dirige o empregador a atividade do empregado. pois tem o primeiro poder sobre o segundo. de uma forma geral. e) prestação pessoal de serviços. respeitada a especificação do serviço contratado e os direitos do empregado. parágrafo único). Em relação ao empregado a legislação trabalhista diz que "É considerado empregado toda pessoa física que presta serviços de natureza não-eventual a empregador. ao empregado manter-se à disposição do empregador durante a totalidade das horas semanais (44). quem assume os riscos da atividade econômica (ou riscos econômicos da atividade) é o EMPREGADOR e não o EMPREGADO. sem que o empregado tenha a perspectiva de complementar sua renda. não havendo distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador. O sistema é nefasto. imputar ao empregador a responsabilidade por quaisquer prejuízos causados à empresa. o que implica em dizer que até os prejuízos causados por seus empregados deverão ser assumidos pelo "patrão". que é justamente quem tem capacidade econômica e patrimonial para suportar os . mas sim pelo empregador e. visto que ofende princípios básicos de proteção ao trabalhador. da qual o obreiro somente tomará conhecimento com dez dias de antecedência. desobrigar-se o tomador de serviços. com isso. normas disciplinares no âmbito da empresa. b) não-eventualidade na prestação de serviços. inclusive. na medida em que impossibilita o contratado de se auto-organizar social e financeiramente. talvez.podem ser transferidos para o empregado. Não pode ele. aplicando penalidades. nem entre trabalho intelectual. É princípio norteador do direito do trabalho que os riscos da atividade econômica não são suportados pelo empregado. outra atividade profissional. c) dependência. vez que se subordina juridicamente de forma absoluta ao poder patronal de direção. 3º. por força da sua atividade econômica. nula é a estipulação contratual que impõe ao empregado o cumprimento de jornada semanal de no mínimo oito e no máximo quarenta e quatro horas. responsabilizar o empregado pelos prejuízos resultantes – art. b) fiscalização . Isto é. Portanto. O empregador admite o empregado. buscando. sob dependência deste e mediante salário. contrata-o para a prestação de serviços. remunerando-o pelo trabalho prestado. 462 CLT Em resumo.

207/57 atenua. somente a insolvência do adquirente . É na hipótese de insolvência do cliente comprador. ao contrário.Proc. 2a. Não há dúvida de que o reclamante-recorrido era empregado da empresa locadora de mãode-obra. por quebra do .43/52). Ed. cabe ao empregador o direito de estornar a comissão que houver pago”.e não seu mero inadimplemento . não confere ao empregador o direito de proceder ao estorno das comissões auferidas pelo empregado que realizou a venda. nº TST-RR-579. diz: “O princípio justrabalhista da alteridade coloca. Recurso de revista a que se nega provimento. caso em que a lei autoriza até mesmo o estorno das comissões que tiverem sido pagas (art. pelo comprador.207). “verificada a insolvência do comprador. deve ser. desobrigar-se o tomador de serviços. das obrigações decorrentes do negócio celebrado. em última instância. Dessa forma. O inadimplemento contratual pelo comprador. A transação será considerada ultimada (aceita) se não for recusada pelo empregador nos prazos legais (art.5 . LTr. interpretado restritamente: desse modo.é que autoriza o estorno mencionado pela lei especial” (pág. porém. os riscos da atividade econômica não devem ser suportados pelo empregado.INVIABILIDADE. que é justamente quem tem capacidade econômica e patrimonial para suportar os ônus resultantes de qualquer contrato de trabalho. mas sim pelo empregador e. assegura a empresa vendedora o direito de exigir a correspondente indenização.320). A Lei n. estabelecida fora do Estado-Membro ou no exterior (art.3°)”. 3º da Lei nº 3. Gelson de Azevedo DJ 28. O vendedor terá direito às comissões ainda que o negócio não se realize por motivos independentes da participação do vendedor. caput. Assim. págs. pois se esta não tiver como suportar tais encargos. 3. Só num caso o vendedor perderá o direito. o risco do negócio pertence ao empregador. 1985. O pagamento das comissões somente é exigível depois de ultimada a transação (art.COMISSÕES POR VENDA ULTIMADA CANCELAMENTO .207/57). devem ser suportados pelo tomador de serviços. CONTRATOS CANCELADOS. O descumprimento. Prosseguindo. entretanto.2003) “RECURSO DE EMBARGOS . o que é inadmissível no direito do trabalho. AMAURI MASCARO NASCIMENTO: “Aceita a transação. Esse preceito. está confirmado na petição inicial e documentos juntados pelas reclamadas (fls. essa regra geral.5ª Turma .ESTORNO DAS COMISSÕES .7º)” (in MANUAL DO SALÁRIO.083/1999. fato que não foi negado. Min. Também em igual sentido. que efetivamente usufruiu da sua força de trabalho.Rel. os quais.” Nesse mesmo sentido são os arestos que se seguem: “RECURSO DE REVISTA. 2°. o que é inadmissível no direito do trabalho. seria o mesmo que transferir para o empregado todos os riscos da atividade produtiva.ônus resultantes de qualquer contrato de trabalho. É que o art. fora das hipóteses legais.” (TST . como se sabe. COMISSÕES. 7° do diploma estatui que. 466 da CLT).206/207 . o recorrido não poderá ficar desamparado. acerca do risco concernente às vendas. arcando com os riscos da atividade econômica. os riscos concernentes aos negócios efetuados em nome do empregador sob ônus deste (art. seria o mesmo que transferir para o empregado todos os riscos da atividade produtiva. que reduz vantagem obreira clássica. edição.11. o recorrente deve responder subsidiariamente pelos créditos do reclamante que decorram do extinto contrato de trabalho havido com a empresa locadora de mão-de-obra. pág. da CLT).

pelo comprador.” (TST .04. Admitir-se o contrário seria. transferir ao empregado o risco do exercício da atividade econômica.Proc. das obrigações decorrentes do contrato de compra e venda ou até mesmo o seu cancelamento. Recurso de embargos não provido.contrato. quer indiretamente. quer direta. implicaria em supressão do direito ao salário daquele que procedeu a venda. Milton de Moura França . razão pela qual inviável legalmente que possa deixar de remunerar seu empregado que trabalhou e que não contribuiu. para o descumprimento das obrigações comerciais entre as duas pessoas jurídicas. pois o descumprimento.Rel.SDI-1 . em última análise.01) .DJ 06. nº E-RR319248/96 .

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