Você está na página 1de 3

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da PRELIMINARMENTE

Vara Criminal da Comarca de (Competência)-SC.


1. NULIDADE DO PROCESSO PELA AUSÊNCIA DO
DEFENSOR NO INTERROGATÓRIO

Nos termos do artigo 185 do CPP, o interrogatório


judicial ocorrerá obrigatoriamente na presença do
defensor do acusado.

Nesse sentido, vale transcrever o dispositivo legal:

“Art. 185 - O acusado que comparecer perante a


autoridade judiciária, no curso do processo penal, será
qualificado e interrogado na presença de seu defensor,
PEDRO, devidamente qualificado nos autos do constituído ou nomeado.”
processo criminal n. 0000, que lhe move a Justiça
Pública, vem, mui respeitosamente, perante Vossa Insta salientar que, apesar do dispositivo legal
Excelência, por seu advogado infra firmado, oferecer supra citado, no caso em tela, o acusado foi interrogado
ALEGAÇÕES FINAIS, com fundamento no artigo 500 apenas na presença do juiz e do representante do
do Código de Processo Penal. Ministério Público.

Trata-se de processo no qual o acusado, primário e Vale ressaltar que esta ausência trouxe manifesto
bons antecedentes, 20 anos, com o objetivo de cobrar prejuízo à defesa, uma vez que os acusados, sentindo-
uma dívida antiga, constrangeu Pedro a lhe fazer o se pressionados, acabaram confessando o delito em
pagamento, valendo-se de grave ameaça, afirmando apreço.
estar armado.
Trata-se, pois, de verdadeiro cerceamento de
Em seguida, para se vingar do devedor, dirigiu-se defesa e violação ao princípio do contraditório, razão
ao sítio da vítima e, aproveitando-se da ausência dos pela qual a nulidade processual deve ser declarada.
moradores, provocou incêndio em um depósito que
estava abandonado. Requer, portanto, que seja declarada a nulidade
processual pelo cerceamento de defesa ante a ausência
Ficou provado, na instrução processual, que esse do defensor no interrogatório, nos termos do artigo 564
incêndio não causou prejuízo significativo para a vítima, do CPP.
uma vez que estava vazio e seria demolido em seguida.
2. NULIDADE PROCESSUAL POR CERCEAMENTO
Ao ser interrogado na fase policial, o acusado DE DEFESA
mentiu sobre a sua identidade, fazendo-se passar por
Pedro dos Santos. No final do ato, recusou-se a assinar Nos termos do artigo 222 do Código de Processo
o termo, mesmo contra ordem expressa da autoridade Penal, a testemunha que morar fora da jurisdição do juiz
policial. será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência,
expedindo-se, para esse fim, carta precatória, com prazo
Em seguida, o acusado foi denunciado pelos delitos razoável, intimadas as partes.
de extorsão qualificada pelo emprego de arma, incêndio,
dano, falsa identidade e desobediência. No entanto, não houve, no caso concreto, a
intimação do defensor da expedição da carta precatória,
Em interrogatório judicial, realizado apenas na razão pela qual este não pôde acompanhar a audiência
presença do representante do Ministério Público e do no juízo deprecado.
juiz, o acusado acabou confessando o delito. Em
seguida, o seu defensor nomeado apresentou defesa Vale ressaltar que essa ausência da intimação
prévia, arrolando cinco testemunhas. trouxe manifesto prejuízo à defesa, uma vez que as
testemunhas arroladas eram indispensáveis à
Uma delas residia em outra Comarca, devendo ser elucidação dos fatos.
inquirida por carta precatória. No entanto, o defensor
não foi intimado da audiência no juízo deprecado, razão Houve, dessa forma, verdadeiro cerceamento de
pela qual não pode acompanhar a inquirição. defesa, razão pela qual a nulidade processual deve ser
declarada.
Foram produzidas, durante a instrução processual,
provas testemunhais que presenciaram o Nesse sentido é a jurisprudência:
constrangimento na cobrança da dívida, bem como
perícia que constatou a ocorrência do incêndio no “Nulidade processual na expedição de precatória
depósito da vítima. para audiência de testemunha, por falta de regular
intimação da defesa. Prejuízo sofrido pelo recorrente
No entanto, não assiste razão ao Ministério Público (...)” (RT 575/481)
ao pretender a condenação do acusado nos termos da
denúncia, pelos fundamentos que passa a expor: Requer, assim, que seja declarada a nulidade do
processo por cerceamento de defesa, nos termos do
artigo 564 do Código de Processo Penal.
3. NULIDADE PROCESSUAL POR ILEGITIMIDADE DE
PARTE O dano não deve restringir-se tão somente à mera
lesão de coisa alheia, mas sim àquela que representa
No caso em tela, o condenado foi denunciado realmente significado para o seu proprietário.
pelo Ministério Público como incurso no crime de dano, (RJDTACRIM 9/75)
previsto no artigo 163 do CP.
Requer, portanto, que o acusado seja absolvido do
No entanto, é necessário reconhecer neste crime delito de dano, nos termos do artigo 386 III do CPP.
a ação penal é de iniciativa privada, nos termos do artigo
167 do CP. 6. ABSOLVIÇÃO DO DELITO DE FALSA IDENTIDADE

Nesse sentido, a ação penal somente poderia Por não prestar compromisso de falar a verdade, o
iniciar através de queixa do ofendido, o que não ocorreu interrogatório, meio de defesa, é uma oportunidade em
no caso concreto. Trata-se, portanto, de nulidade que o acusado pode se calar e até mesmo mentir sobre
processual por ilegitimidade de parte. determinada circunstância.

Nesse sentido é a doutrina: Dessa forma, não restou configurado o delito de


falsa identidade, previsto no artigo 307 do CP, em função
“A nulidade do processo é absoluta quando se do princípio da ampla defesa vigente no interrogatório.
trata de ilegitimidade ativa ou passiva, como, por
exemplo, no caso de oferecimento de denúncia em Nesse sentido é a jurisprudência:
crime que se apura mediante ação penal de iniciativa
privada” (Mirabete, Código de Processo Penal Não configura a conduta típica do art. 307 do CP o
Interpretado, p. 1390) fato de a pessoa, indiciada, se atribuir falsa identidade,
perante a autoridade policial, porquanto trata-se, na
Requer, assim, que seja declarada a nulidade verdade, de mecanismo de autodefesa, amparado, em
processual por ilegitimidade de parte, nos termos do última análise, pelo direito constitucional de permanecer
artigo 564 II do CPP. em silêncio. (RT 814/570)
Requer, portanto, que o acusado seja absolvido do
MÉRITO delito de falsa identidade, nos termos do artigo 386 III do
4. ABSOLVIÇÃO DO DELITO DE INCÊNDIO CPP.

Para a caracterização do delito de incêndio, 7. ABSOLVIÇÃO DO DELITO DE DESOBEDIÊNCIA


previsto no artigo 250 do CP, é necessário que o fogo
cause perigo a um número indeterminado de pessoas. A recusa do acusado em assinar o interrogatório é
um direito do acusado. Assim, tem o mesmo plena
No entanto, tal circunstância não ocorreu no caso liberdade para praticar ou não o ato, uma vez que
em tela, uma vez que o local estava completamente ninguém está obrigado a produzir prova contra si
abandonado, com a ausência dos moradores. mesmo.

Nesse sentido, não restou configurado o delito de Dessa forma, não restou configurado o delito de
incêndio, razão pela qual a absolvição é medida que se desobediência, previsto no artigo 330 do CP.
impõe.
Nesse sentido é a jurisprudência:
Assim dispõe a doutrina:
Desobediência. Agente que se recusa a assinar o
“Por força de lei, para a existência do crime de interrogatório. Delito não caracterizado. Deixar de
incêndio, é indispensável a prova da ocorrência de assinar o interrogatório era um direito legítimo do
perigo efetivo, concreto, para pessoas indeterminadas. acusado. Tal recusa não caracteriza o crime de
(Mirabete. Código Penal Interpretado, p. 2001) desobediência, mesmo porque, em sendo acusado, o
agente tem plena liberdade para assinar, ou não seu
Requer, portanto, que o acusado seja absolvido do interrogatório. (JTACRIM 75/403)
delito de incêndio, nos termos do artigo 386 III do CPP.
Requer, portanto, que o acusado seja absolvido do
delito de desobediência, nos termos do artigo 386 III do
5. ABSOLVIÇÃO DO DELITO DE DANO CPP.

Para configurar o delito de dano, previsto no artigo 8. DESCLASSIFICAÇÃO DE EXTORSÃO PARA


163 do CP, é necessário que o ato praticado acarrete EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES
efetivo prejuízo para a vítima.
Restou comprovado, durante a instrução
Contudo, tal circunstância não ocorreu no caso processual, que o apelante somente ameaçou a vítima
concreto, pois o depósito estava vazio, seria demolido visando o ressarcimento de crédito que lhe era devido.
em seguida, e não houve perda significativa.
Dessa forma, o apelante pretendia apenas
Nesse sentido, não restou configurado o delito de satisfazer a sua legítima pretensão, fazendo justiça com
dano, razão pela qual a absolvição é medida que se as próprias mãos.
impõe.
Portanto, não há que se falar em extorsão, mas
sim no delito de exercício arbitrário das próprias razões,
Assim dispõe a jurisprudência: previsto no artigo 345 do Código Penal, nos seguintes
termos: “Fazer justiça pelas próprias mãos, para Requer, nesses termos, que seja reconhecida a
satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei atenuante referente à menoridade prevista no artigo 65 I
o permite”. do Código Penal.

Nesse sentido é a doutrina: 12. REQUERIMENTO FINAL

O art. 345 é um tipo de conduta livre em que o Ante o exposto, como medida indispensável à
agente faz justiça pelas próprias mãos, para satisfazer a realização da justiça, requer:
uma pretensão. (...) A ação pode ser praticada por a) que seja declarada a nulidade processual pelo
qualquer meio: violência, ameaça, fraude, que em outras cerceamento de defesa ante a ausência do defensor no
circunstâncias constituiria um crime. (Mirabete, Código interrogatório, nos termos do artigo 564 do CPP.
Penal Interpretado, p. 2582) b) que seja declarada a nulidade do processo por
cerceamento de defesa, nos termos do artigo 564 do
Requer, assim, a desclassificação do delito de Código de Processo Penal.
extorsão para o delito de exercício arbitrário das próprias c) que seja declarada a nulidade processual por
razões, previsto no artigo 345 do CP. ilegitimidade de parte, nos termos do artigo 564 II do
CPP.
9. EMPREGO DE ARMA d) que o acusado seja absolvido do delito de
incêndio, nos termos do artigo 386 III do CPP.
Restou comprovado, durante a instrução e) que o acusado seja absolvido do delito de dano,
processual, que o apelante, em nenhum momento, nos termos do artigo 386 III do CPP.
empregou efetivamente qualquer tipo de arma na f) que o acusado seja absolvido do delito de falsa
ameaça à vítima. identidade, nos termos do artigo 386 III do CPP.
g) que o acusado seja absolvido do delito de
A simples menção de estar armado uma faca em desobediência, nos termos do artigo 386 III do CPP.
seu poder não basta para configurar a qualificadora do h) a desclassificação do delito de extorsão para o
artigo 158 do CP, uma vez que o apelante não fez uso delito de exercício arbitrário das próprias razões,
da mesma durante os fatos. previsto no artigo 345 do CP.
i) que seja desconsiderada a qualificadora prevista
Nesse sentido é a jurisprudência: no artigo 158 § 1º do Código Penal, referente ao
emprego de arma.
É impossível reconhecer a qualificadora do § 1º do j) o reconhecimento da atenuante referente à
art. 158 do CP, quando o agente não chegou a exibir a confissão para o acusado.
arma, limitando-se a afirmar que estava armado (...) l) que seja reconhecida a atenuante referente à
(RJTACRIM 66/80) menoridade prevista no artigo 65 I do Código Penal.

Requer, dessa forma, que seja desconsiderada a


qualificadora prevista no artigo 158 § 1º do Código Nesses termos, pede deferimento.
Penal, referente ao emprego de arma.
(Local de prova), 8 de outubro de 2006.
10. CONFISSÃO
FULANO DE TAL
No dia do interrogatório realizado em juízo, o OAB/SC – 0000
acusado reconheceu a prática da infração penal,
confessando a conduta respectiva.

Nesse sentido, é importante reconhecer as


circunstância atenuante prevista no artigo 65, III, d, do
Código Penal, a seguir transcrita:

“Artigo 65 – São circunstâncias que sempre


atenuam a pena: (...) III - ter o agente: (...) d) confessado
espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do
crime.”

Requer, nesses termos, o reconhecimento da


atenuante referente à confissão para o acusado.

11. MENORIDADE

Considerando que o acusado no dia dos fatos pelo


quais foi denunciado, tinha 20 anos de idade, deve-se
reconhecer a atenuante prevista no artigo 65 do Código
Penal referente à menoridade, a seguir transcrita:

“Art. 65 – São circunstâncias que sempre atenuam


a pena: I – ser o agente menor de 21 (vinte e um) na
data do fato”