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STJ manifesta seu entendimento sobre caso

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STJ manifesta seu entendimento sobre caso fortuito e força maior

Extraído de: Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes - 12 de Janeiro de 2009 Nóticia (Fonte: www.stj.jus.br ) STJ analisa caso a caso o que é fortuito ou força maior Qual é a ligação entre um buraco no meio da via pública, um assalto à mão armada dentro de um banco e um urubu sugado pela turbina do avião que atrasou o vôo de centenas de pessoas? Todas essas situações geraram pedidos de indenização e foram julgados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com base num tema muito comum no Direito: o caso fortuito ou de força maior. O Código Civil diz que o caso fortuito ou de força maior existe quando uma determinada ação gera consequências, efeitos imprevisíveis, impossíveis de evitar ou impedir: Caso fortuito + Força maior = Fato/Ocorrência imprevisível ou difícil de prever que gera um ou mais efeitos/consequências inevitáveis. Portanto pedidos de indenização devido a acidentes ou fatalidades causadas por fenômenos da natureza podem ser enquadrados na tese de caso fortuito ou de força maior. Exemplo: um motorista está dirigindo em condições normais de segurança. De repente, um raio atinge o automóvel no meio da rodovia e ele bate em outro carro. O raio é um fato natural. Se provar que a batida aconteceu devido ao raio, que é um acontecimento imprevisível e inevitável, o condutor não pode ser punido judicialmente, ou seja: não vai ser obrigado a pagar indenização ao outro envolvido no acidente. Ao demonstrar que a causa da batida não está relacionada com o veículo, como problemas de manutenção, por exemplo, fica caracterizada a existência de caso fortuito ou força maior. Nem todas as ações julgadas no STJ são simples de analisar assim. Ao contrário, a maior parte das disputas judiciais sobre indenização envolve situações bem mais complicadas. Como o processo de uma menina do Rio de Janeiro. A garota se acidentou com um bambolê no pátio da escola e perdeu a visão do olho direito. A instituição de ensino deveria ser responsabilizada pelo acidente? Os pais da menina diziam que sim e exigiram indenização por danos morais e materiais. Por sua vez, o colégio afirmava que não podia ser responsabilizado porque tudo não passou de uma fatalidade. O fato de o bambolê se partir e atingir o olho da menina não podia ser previsto: a chamada

tese do caso fortuito. Com essa alegação, a escola esperava ficar livre da obrigação de indenizar a aluna. Ao analisar o pedido, o STJ entendeu que a escola devia indenizar a família. Afinal, o acidente aconteceu por causa de uma falha na prestação dos serviços prestados pela própria instituição de ensino. Assim como esse, outras centenas de processos envolvendo caso fortuito e indenizações chegam ao STJ todos os dias. Assalto à mão armada no interior de ônibus, trens, metrôs? Para o STJ é caso fortuito. A jurisprudência do Tribunal afirma que a empresa de transporte não deve ser punida por um fato inesperado e inevitável que não faz parte da atividade fim do serviço de condução de passageiros. Entretanto em situações de assalto à mão armada dentro de agências bancárias, o STJ entende que o banco deve ser responsabilizado, já que zelar pela segurança dos clientes é inerente à atividade fim de uma instituição financeira. E o buraco causado pela chuva numa via pública que acabou matando uma criança? Caso fortuito? Não. O STJ decidiu que houve omissão do Poder Público, uma vez que o município não teria tomado as medidas de segurança necessárias para isolar a área afetada ou mesmo para consertar a erosão fluvial a tempo de evitar uma tragédia. E onde entra o urubu? Numa ação de indenização por atraso de vôo contra uma companhia aérea. A empresa alegou caso fortuito porque um urubu foi tragado pela turbina do avião durante o vôo. Mas o STJ considerou que acidentes entre aeronaves e urubus já se tornaram fatos corriqueiros no Brasil, derrubando a tese do fato imprevisível. Resultado: a companhia aérea foi obrigada a indenizar o passageiro. Moral da história: Imprevistos acontecem, mas saber se o caso fortuito ou de força maior está na raiz de um acidente é uma questão para ser analisada processo a processo, através das circunstâncias em que o incidente ocorreu. NOTAS DA REDAÇÃO O tema do caso fortuito e força maior não é questão pacífica na doutrina, pois há vários conceitos para cada um deles ou para os dois quando considerados expressões sinônimas. Segundo Maria Helena Diniz, na força maior por ser um fato da natureza, pode-se conhecer o motivo ou a causa que deu origem ao acontecimento, como um raio que provoca um incêndio, inundação que danifica produtos ou intercepta as vias de comunicação, impedindo a entrega da mercadoria prometida ou um terremoto que ocasiona grandes prejuízos, etc. Por outro lado o caso fortuito tem origem em causa desconhecida, como um cabo elétrico aéreo que sem saber o motivo se rompe e cai sobre fios telefônicos causando incêndio explosão de caldeira de usina, provocando morte.

Nas lições de Álvaro Villaça Azevedo caso fortuito é o acontecimento provindo da natureza sem que haja interferência da vontade humana em contrapartida a força maior é a própria atuação humana manifestada em fato de terceiro ou do credor. Ensina Agostinho Alvim que o caso fortuito consiste no impedimento relacionado com o devedor ou com a sua empresa, enquanto que a força maior advém de acontecimento externo. Não obstante ilustres doutrinadores contribuírem com diversos conceitos Sílvio Venosa simplifica ao dizer que não há interesse público na distinção dos conceitos, até porque o Código Civil Brasileiro não fez essa distinção conforme a redação abaixo transcrita: Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Nos casos em comento o STJ também não se preocupou em distinguir caso fortuito de força maior, mas sim em verificar a presença deles em cada processo, e para isso levou em consideração as particularidades de cada caso, com a ressalva de que a imprevisibildade é comum a todos eles. Autor: Autor: Daniella Parra Pedroso Yoshikawa;

Considerações sobre caso fortuito e força maior O presente artigo promove um longo ³passeio´ entre os doutrinadores destilando os conceitos, diferenciações, aplicações e teorias acerca das figuras excludentes de responsabilidade, sem contudo, pretender auspiciosamente esgotar tamanha polêmica doutrinária. Gisele Leite

Segundo in verbis o Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas, de Othon J. M. Sidou, caso fortuito advém do vocábulo latino casus significando acaso, obstáculo ao cumprimento da obrigação por motivo alheio a quem devia cumpri-la. OBS: Caso fortuito e força maior são consideradas expressões sinônimas, embora a rigor não o sejam. A diferença assenta na irresistibilidade pelo homem. Ambos são imprevisíveis, mas havendo possibilidade de ser obstáculo removível, há caso fortuito, por outra forma, sendo irresistível, há força maior.

poderá deixar de existir se o descumprimento da obrigação ocorreu por força de um acontecimento de tal forma poderoso e que tenha ocorrido à revelia da vontade do devedor. Tal é o caso da morte natural de um escravo. Nessa inevitabilidade reside a característica da força maior e nisso ela se distingue do fato casual.De acordo com Dicionário de Direito Romano. Força maior é o acontecimento inevitável. Acontecimentos aos quais o homem não pode se opor. O excelente professor Antônio José Levenhagen comentando o art. Adiante prevê as exceções à responsabilidade do dano decorrente de força maior ou caso fortuito. ³Fortuitus casus est. 642:184. ou demonstrar a isenção de culpa. O requisito objetivo da força maior ou de caso fortuito configura-se na inevitabilidade do acontecimento e o subjetivo que é a ausência de culpa na produção do evento. A distinção destaca Levenhagen.320-321. 451:97 e 453:92). de um ataque do inimigo ou de assaltantes. mesmo ocorrendo força maior ou caso fortuito.) a culpa é a base da responsabilidade advinda da inexecução total ou parcial das obrigações. entre caso fortuito e força maior. qui nullo humano consilio praevideri potest´: caso fortuito é o que não pode prever-se por nenhuma providência humana ³. 696:129. aquilo a que não se pode resistir. Tal conseqüência. vol.(Hélio Tornaghi. vem a ser o caso fortuito ou força maior´. devendo pagar os juros moratórios. 679:179. expressamente convencionaram a responsabilidade do devedor pelo cumprimento da obrigação. do naufrágio. da destruição em conseqüência do vento ou das águas. em direito. que. p. porquanto se devem a uma força a que ele é incapaz de resistir. O credor terá direito de receber uma indenização por inexecução da obrigação por inimputável ao devedor se: a)as partes. de um incêndio. lhe exclua qualquer culpa. in verbis: ³(. Uma inundação. Já no Código Civil Anotado de autoria de Maria Helena Diniz comentando sobre a inexecução da obrigação inimputável ao devedor. por isso. ocorridos durante o atraso.. Comentários ao Código de Processo Civil. 448:111. b) o devedor estiver em mora. respondendo ainda.. entretanto. uma guerra. um naufrágio são circunstâncias de força maior.. pela impossibilidade da prestação resultante de força maior ou caso fortuito. Esse acontecimento é que. Está consagrado em nosso direito o princípio da exoneração do devedor pela impossibilidade de cumprir a obrigação sem culpa sua. César da Silveira causus majores são acontecimentos mais fortes. que é o sucesso imprevisível. o acaso ou caso fortuito. 1975). um incêndio. de V. 1. Noutro dicionário o de Humberto Piragibe Magalhães e Christovão Piragibe Tostes Malta.. 493:210. caso fortuito é acontecimento imprevisto e inevitável. RT. 444:122. e que acarretam a perda da coisa devida ou à impossibilidade de entregá-la ao credor.058 do Código Civil de 1916 esclarecia de forma didática. se bem que irrelevante . O credor não terá direito a indenização pelos prejuízos decorrentes de força maior ou de caso fortuito (RT 726:301. salvo se prova que o dano ocorreria mesmo que a obrigação tivesse sido desempenhada oportunamente.2.

numa acontecimento qualquer. no tocante aos seus efeitos. Não se pode negar. a greve ou o motim. aí estará caracterizado o caso fortuito. De sorte que há os que entendem que o caso fortuito se funda na imprevisibilidade. como excludente de responsabilidade. o acontecimento em nada lhe aproveitará continuando. ou força maior. Não faltam doutrinadores renomados e tradicionais. salvo se tais conseqüências venham a atingir interesses de ordem pública. Condição sine qua non é que o devedor expressamente assuma essa responsabilidade. O Código Civil de 1916. desde que neles existam realmente dois elementos imprescindíveis. enquanto que a força maior se baseia mais na irresistibilidade. 1. um fato estranho ao devedor e que não lhe pode ser imputado. na procura da erudição. Enfim. o ciclone) enquanto que o caso fortuito indica um fato do homem. é de admitir-se a existência de diferenças. onde o próprio Código Civil. do que redundou tornar-se impossível o cumprimento da obrigação. ao referir-se caso fortuito.058 o referido Código faz remissão aos arts. 955. no art. ainda que provindas de caso fortuito ou força maior.058 e. Assim. 2o impossibilidade de evitar ou impedir os efeitos do fato. a guerra. deixando claro com isso. se no contrato o devedor. portanto. a saber: 1o fato necessário. Ainda que haja cláusula expressa do devedor. entretanto. Teoricamente. Na parte final do art. 1. como dissemos. no entanto. a distinção não apresenta qualquer utilidade e daí porque as duas expressões são tomadas como sinônimas inclusive e principalmente em nosso Direito. 956 e 957. a mora impedirá que a parte inocente se beneficie dessa cláusula. portanto.na prática tem suscitado acirradas polêmicas doutrinárias e diversas correntes de opinião. todavia em seu art. sustentam que a força maior exprime a idéia de um acidente da natureza (o raio. ou caso fortuito. mas esta é inegável. do ponto de vista prático. é verdade que haja distinção. não se chega a um denominador comum quanto às possíveis e reais concepções de caso fortuito e força maior. que se aprofundaram no assunto. motivo legal que corresponde a excludente da responsabilidade do devedor. salvo se provar que não teve culpa no atraso da . que a mora impede a prevalência da força maior. Se o devedor teve participação na realização desse fato. cada qual se servindo de argumentos mais sábios e eruditos. Desde.058. não poderá invocar em seu proveito a irresponsabilidade prevista em lei. ou força maior. que se verifique esse dois retromencionados elementos. permite venha o devedor assumir a responsabilidade pelos prejuízos resultantes de atos provindos de caso fortuito ou força maior. portanto responsável pela obrigação. ou seja. respeito à vontade manifestada pelas partes. Ambos levam à irresponsabilidade. assim as considera. expressamente assume a responsabilidade por quaisquer conseqüências. porém numa interferência objetiva e palpável ocasiona no campo da responsabilidade civil. assumindo a responsabilidade incondicional pelas conseqüências. como por exemplo. Outros juristas. 1.

se o fato for resistível e o credor não o houver superado. 957 C. A inevitabilidade do evento também compõe o conceito de fortuito. A imprevisibilidade pode. ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada (art. o caso fortuito ou de força maior contém dois elementos: a) um elemento subjetivo. A imprevisibilidade do evento não constitui requisito do caso fortuito. entretanto. mas se deve atribuir a tal comportamento a origem parcial ou total do fato lamentado. tendo em vista um homem médio. /1916 in fine). b) um elemento objetivo. se o devedor não podia prever o acontecimento. ou seja. intensificar o elemento da irresistibilidade. em condições objetivas análogas. a sua culpa. critério variado para distinguir uma da outra. sustentada. representado pela ausência de culpa. enquanto que a força maior advém de acontecimento externo. Se o fato é irresistível e não emana de culpa do devedor. Silvio Rodrigues explica que o Código de então definia tais expressões dando-lhes conceito único. A sinonímia entre as expressões caso fortuito e força maior. isto é. dispõe o parágrafo único do art. irresistível ou inexorável). de . evento inescapável. embora previsível o fato. mas decorre. 1. foi reafirmada por Arnoldo da Fonseca em sua obra ³Caso Fortuito e Teoria da Imprevisão´. imperícia ou negligência. real interesse teórico. Agostinho Alvim (Da inexecução das obrigações e suas conseqüências) dá notícia em que a doutrina moderna vem estabelecendo e que apresenta efetivamente. pois.058 C.C. não se pode cogitar em fortuito. Com efeito. pois. pois. contudo. Comentando o mesmo dispositivo do antigo Código Civil.prestação. quando define o fortuito como fato necessário (isto é. constituído pela inevitabilidade do evento. aceita por muitos doutrinadores. repelida. Dentre as distinções conhecidas. caso fortuito constitui um impedimento relacionado com a pessoa do devedor ou com sua empresa. O critério a ser adotado para medir a inevitabilidade do evento não é o puramente abstrato. se dessume que considera sinônimas. É em tal sentido que se deve interpretar o parágrafo único do art. ainda que diligente o devedor). A ausência de culpa é a elementar da concepção de caso fortuito. 1. Na opinião deste ilustre monografista. Segundo a referida concepção. não desprezando a possível conduta de outros indivíduos. ou que o dano ocorreria. tem sido outros. mas sim considerando também os elementos exteriores ao obrigado e ao seu raio de atividades econômicas. não raro a vítima não se pode furtar à ocorrência nem lhe resistir aos efeitos. porque desde que o comportamento do agente facilitou ou concorreu para ocorrência do evento malsinado. /1916. por muitos. como ensina Arnoldo Medeiros da Fonseca.058 que exprime concepção. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir (e. estabelecendo os vários doutrinadores que participam desta última posição. portanto.C. mais difícil lhe seria resistir os efeitos.

é irresistível. O caso fortuito ou caso fortuito interno que tão bem cogita Agostinho Alvim. pois cumprir a obrigação que o desobedece representa procedimento ilegal. resoluções). em condições tais de modo a tornar impossível qualquer resistência. com a extensão que lhe dá Alvim. caracteriza e se aproxima bastante da noção de ausência de culpa que Medeiros da Fonseca admite. tão citados nos parágrafos anteriores. No intervalo tal soma foi roubada. então se trata de força maior. deve o juiz. podia ter evitado o evento. não se afasta muito. só a força maior serve de excludente se. se embaraçam principalmente. de caráter necessário e irresistível. A obrigação se resolve. por largo tempo antes do vencimento. por conotarem fenômenos parecidos. Não há fortuito.) as ocorrências políticas (guerras. mas culpa da vítima. O ato da autoridade. assim as ordens da autoridade (fait du prince) os fenômenos naturais (raios. Já a expressão força maior. se a responsabilidade se funda no risco. tal como moléstia que o acometeu ou defeito oculto em maquinismo de sua fábrica. depurar os conceitos e alcançar melhor aperfeiçoamento técnico que a complexidade das relações jurídica exige. ao aplicar a lei ao caso conceito. Finaliza Silvio Rodrigues a destacar que o legislador de 1916 nem sempre fez adequada distinção das expressões. Se a pessoa prometeu entregar a sua safra de arroz à época da colheita e lei posterior proíbe o embarque de cereais para fora do estado. pois. importante soma destinada ao pagamento de prestação devida. entretanto a responsabilidade se funda na culpa. Se o fato é externo. pois. ocorre força maior. então a mera prova do caso fortuito exonera o devedor da responsabilidade. Os dois conceitos. como sinônimas. È uma excludente maior e mais lata em escusar a responsabilidade ainda nos casos informados pela teoria do risco. Evidentemente a força maior é excludente de mais eficácia do que o caso fortuito pontifica Silvio Rodrigues com aguda propriedade. fait du prince. Em conclusão das distinções ora apontadas. em questão de nomenclatura.circunstância ligada a sua pessoa ou a sua empresa. evidenciada a inexistência deste. terremotos. há caso fortuito. etc. inundações. Mas. ato externo à vítima. recolhimento o dinheiro a um banco. servem de escusa nas hipóteses de responsabilidade informada na culpa. Ainda em consonância com Agostinho Alvim. do conceito de fortuito que Medeiros das Fonseca define como ausência de culpa mais inevitabilidade do evento. pode-se observar que as referidas expressões caso fortuito e força maior são usadas indiferentemente. . Agostinho Alvim sugere excelente exemplo. As divergências apuradas por eminentes civilistas pátrios. capaz de melhor esclarecer a hipótese: um devedor guardou em casa. se não lhe era possível defesa contra os ladrões. em seu entendimento. não se pode mais admitir o dever de reparar.

957 do mesmo diploma legal. e) teoria do conhecimento. Entendem. Qualquer pessoa pode prever que no inverno vai gear. mas não quanto ao momento. há fenômenos que são previsíveis. Livro 19. de caso fortuito. é aquela que. uma inundação que intercepta as vias de comunicação. uma ordem da autoridade pública (factum principis). alheio à vontade das partes. Sujeito à controvérsia a diferenciação entre caso fortuito e força maior. 955 e 956 do C. existem acontecimentos que são absolutamente inusitados. divergentes entre si por elementos próprios e específicos. surge fato estranho. as instituições jurídicas. como o terremoto e a guerra. diante destes. tolhendo à empresa transportadora o cumprimento do contrato de transporte. Destaca Barros Monteiro que é improcedente a alusão ao art. entra este na categoria do caso fortuito. Afirmam outros. vis major.C.956 e 957. retirando do comércio o produto negociado. ao contrário. 955. . d) teoria da diferenciação quantitativa. do 1916.Washington de Barros Monteiro tratando da exclusão da responsabilidade acentua a não responsabilidade do devedor em face dos prejuízos resultantes. conquanto previsível. exceto nos casos do arts. ou. título2. equivalentes do ponto de vista de suas conseqüências jurídicas. De acordo com a primeira teoria. cujos efeitos não se podiam evitar ou impedir (vis cui resisti non potest ± Digesto. caso fortuito. distinguem-se os dois conceitos várias teorias procuram sublinhar-lhes os traços distintivos: a) teoria da extraordinariedade. Lembra Carbonnier existem acontecimentos que ultrapassam as forças humanas. pelo menos. bastando menção do art. é o acontecimento de todo imprevisto. Uma greve que provoca a paralisação da fábrica e assim impede o industrial de entregar a mercadoria prometida. Por outro lado. Pela segunda teoria. ao lugar e ao modo de sua verificação. extraordinários e imprevisíveis. concedidas para a regular vida corrente. mas ninguém pode precisar quando em que ponto e com que intensidade ocorrerá o fenômeno. f) teoria do reflexo sobre a vontade humana. uns que essas expressões são sinônimas. A primeira corrente é denominada subjetiva enquanto que a segunda a qualifica de objetiva. justamente o inverso. Nesses e muitos outros casos. se expressamente não se houver por eles se responsabilizado. não dá tempo e nem meios de evitá-la.) que tolhe às partes a obtenção do resultado almejado à la impossible nul n¶este tenu. que se não confundem os dois conceitos. Fragmento 15 §2o. b) teoria da previsibilidade e da irresistibilidade. ou força maior. c) teoria das forças naturais e do fato de terceiro. Em tal hipótese. Teoricamente. devem ceder.

Finalmente. art. A força maior ao inverso. também adotada por Clóvis Beviláqua e João Luís Alves. o motim. Finaliza Washington de Barros Monteiro que o devedor que alega a causa de exclusão cabe prova respectiva. b) o fato deve ser superveniente e inevitável. II do CPC. conseguiria sobrepujar.Para terceira teoria. Será sempre presumida a culpa das estradas de ferro pelo inadimplemento do contrato de transporte contra essa presunção só se admite prova de caso fortuito ou força maior (Lei 2. Nessas condições. todavia. se o contrato vem a ser celebrado durante uma guerra. texto correspondente ao art. Carlos Roberto Gonçalves descreve o caso fortuito e força maior constituem excludentes de responsabilidade civil. Desde que não pode ser removido pela vontade do devedor. 393 do Código Civil de 2002. Por exemplo. existe caso fortuito quando o acontecimento não pode ser previsto com diligência comum. De conformidade com a quarta teoria. Como diz Arnoldo Medeiros da Fonseca.Prescreve o art. temos a vis major. c) finalmente. como o granizo. não determinado por culpa do devedor. refere-se acontecimentos que diligência alguma. com Radouant que praticamente. desaparece a força liberatória. temos aí o fortuito. pois rompem o nexo de causalidade. Para a quinta corrente. mas se para ele concorre com culpa o devedor. como a greve. Uma exclui o outro. de alguma coisa que a nossa limitada experiência não logra controlar. e reciprocamente. ou força maior exige-se os seguintes elementos: a) o fato deve ser necessário. pois ambos possuem idêntica força liberatória. o fato deve ser irresistível fora do alcance do poder humano. em face de determinada hipótese. sob aspecto dinâmico. 333. Reconhecemos. pouco importa saber. não há de se cogitar da culpa pela inexecução da obrigação.681. se há culpa não há caso fortuito. se for caso fortuito ou de força maior. segunda alínea). Para que se configure o caso fortuito. não pode haver culpa do devedor. Washington de Barros Monteiro filia-se á terceira teoria. gerador de obstáculo que a boa vontade do devedor não logra superar. só a diligência excepcional teria o condão de afastá-lo. não pode o devedor alegar depois as dificuldades oriundas dessa mesma guerra para furtar-se às suas obrigações. sob aspecto estático. tempestades. resulta a força maior de eventos físicos ou naturais de índole ininteligente. O caso fortuito decorre de fato alheio. 1o. no entanto. entre nós. o raio e a inundação. em conformidade com art. um incêndio pode caracterizar o fortuito. se cuidar. contratual ou extracontratual. o vento constitui caso fortuito. a guerra. ainda que excepcional. em consonância com a sexta teoria. 7-12-1912. se tratando de forças naturais conhecidas tais como terremotos. se há caso fortuito. . força maior.

. 734). como raio. 927 do novo Código Civil. considerados como hipóteses de ³fortuito interno´. como se observa. não mencionando o caso fortuito. a presença dos seguintes requisitos: a)o fato deve ser necessário. A teoria do exercício da atividade perigosa. não sendo determinado pro culpa do devedor. defeito oculto em mercadoria produzida etc. Em geral. Na melhor lição doutrinária. guerra. não faz distinção entre um e outro. exige-se para a configuração do caso fortuito ou força maior. acolhendo. na doutrina e jurisprudência brasileira.1. reciprocamente. Quem assume o risco do uso da máquina ou da empresa. isto é. ou à empresa doa gente) e ³fortuito externo´. como greve. estranha à pessoa doa gente e à máquina. Percebe-se que o traço característico das referidas excludentes é a inevitabilidade. ligado ao comportamento humano ou ao funcionamento de máquinas ou ao risco da atividade ou da empresa. ligado ao funcionamento do veículo. 393 do Código Civil de 2002. ainda que decorrente do fortuito ou força maior. não aceita o fortuito como excludente da responsabilidade. contudo. se há caso fortuito. tempestade. a distinção entre ³fortuito interno´ (ligado à pessoa. a expressão caso fortuito é empregada para designar fato ou ato alheio à vontade das partes. O parágrafo único do art. queda do viaduto ou ponte. Os termos precisos da distinção entre estas deixam de ter relevância. força maior para os acontecimentos externos ou fenômenos naturais. com base na lição de Agostinho Alvim. desfrutandos cômodos. fato do príncipe (fait du prince) etc. como quebra repentina da barra de direção. motim. se tem feito.058 do Código Civil de 1916. não pode haver culpa. é estar o fato acima das forças humanas. E. principalmente se esta se fundar no risco. Mencionando as duas expressões como sinônimas. não há caso fortuito. como consta do texto. estouro dos pneus e outros. O legislador preferiu. a causa ligada à natureza. pois do contrário. Essa diferenciação foi ressaltada no novo Código Civil como excludente da responsabilidade civil do transportador (art. assim. adotada no parágrafo único do art. Várias teorias que procuram discernir as duas excludentes e realçar seus traços peculiares. na mesma medida em que um fato exclui o outro. deve suportar também os incômodos. não fazer nenhuma distinção expressa nem mesmo no aludido parágrafo único. se a eficácia de ambas é a mesma no campo do não-cumprimento das obrigações. Modernamente. É lícito às partes. ou à coisa. excluiria a responsabilidade. o entendimento consagrado na jurisprudência de que não excluem a responsabilidade do transportador defeitos mecânicos. Efetivamente. por cláusula expressa convencionar que a indenização será devida em qualquer hipótese de inadimplência contratual.

d)o fato deve ser irresistível. pois que nem a doutrina moderna nem as fontes clássicas têm operado uma diversificação bastante nítida e segura de uma e outra figura. particularmente. o furto etc. o terremoto. sem contudo. em regra. fora do alcance do poder humano. descabe completamente a indenização. liderada por Goldschmidt. já tratava da liberação do devedor admitindo o fortuito. o mestre Caio Mário aduz que se costuma aludir ao caso fortuito é o acontecimento natural. Alega Caio Mário que o pecado dessa corrente doutrinário é a extrema exacerbação. há a escola objetivista. Consagra o ilustre doutrinador que o Direito Romano em sua impecável lógica. e não poucas ainda apontam. capitaneada por Exner. mais. extingue-se a obrigação. Não discerne a lei a vis maior do casus. procede avisadamente. como invasão do território. faltando imputabilidade. contratual ou extracontratual. Doutro lado. exprimindo-o sinteticamente. E é extremamente perigosa. como o raio do céu. a desapropriação. Se. anunciar-se em tese a irresponsabilidade do devedor por danos causados de causo fortuito e força maior. pontifica que a reparação tem como pressuposto essencial. a inundação. a prestação se impossibilitar. As demais distinções. O direito brasileiro consagra o princípio da exoneração pela imputabilidade. A contrario sensu. Desse modo. ou fato das coisas. Adiante. não pelo fato do devedor. Esta corrente é pujante para sobrepor-se à primeira escola. confundindo a força maior com a ausência de culpa. Caio Mário da Silva Pereira. oferecerem gabarito . a imputabilidade da falta. Os civilistas possuem razões para dividir em dois planos. inequivocamente ponderáveis na apuração da responsabilidade do agente. mas por imposição de acontecimento estranho ao seu poder. obstando a execução e afastando a idéia de responsabilidade. o ato emanado da autoridade (factum principis). a guerra. então. e assim. sem caber quaisquer ressarcimento ao credor. Pela corrente subjetivista. ou o evento derivado da força da natureza. pois admite a oscilação do critério judicante em função das aptidões individuais do devedor. não pode o devedor alegar depois as dificuldades dessa mesma guerra para furtarse às suas obrigações. pois é por demais rigorosa ao fixar que somente começa a vis maior onde acaba a culpa. E. falhando ao abandonar as características pessoais. a revolução. em termos que até hoje se ouve: casus a nullo praestantur. conceitua força maior como o damnum que é originado do fato de outrem. assentando a imputabilidade como regra e concedendo a liberação do devedor somente na hipótese surgir um evento cuja fatalidade se evidencie ao primeiro ao primeiro olhar. se o contrato é celebrado durante a guerra.b)o fato deve ser superveniente e inevitável. ao agente. no tocante sua caracterização jurídica. mestre dos mestres. justifica a exoneração do devedor em face de sua extrema diligência.

O que não é necessário de ser destacado como elemento de sua constituição. Por vezes a imprevisibilidade determina a inevitabilidade. a saber: a) necessidade ± pois não é qualquer evento por mais grave e ponderável que bastará para liberar ou exonerar o devedor de sua responsabilidade.C. Alega Caio Mário que o legislador pátrio filiou-se ao conceito objetivista. se passada a inevitabilidade. unicamente considerado no seu significado negativo da imputabilidade. Ao revés. isso com amparo em Clóvis Beviláqua quanto redigiu o art. Preferível. É freqüente ainda a referência doutrinária à imprevisibilidade do acontecimento. de modo a constituir uma barreira intransponível à execução da obrigação. ficando adstrito a cumprir a prestação. Apenas aquele que impossibilita o cumprimento da obrigação. . nem por isso. e estes interfiram com a execução do obrigado. que obsta ao cumprimento da obrigação. não se cogita em força maior ou caso fortuito. Alinhou Caio Mário entre as escusas de responsabilidade. de 1916. porque. b) inevitabilidade requer-se que não haja meios humanos e possíveis de evitar ou de impedir os seus efeitos. e. compõe a etiologia desta. e em cada uma a evidência de que o obstáculo era necessário. Não se pode o julgador munir-se de padrão abstrato par ajustar o fato. 1. Conceituou-os conjuntamente como fato necessário. cada hipótese deve ser ponderada segundo circunstâncias peculiares. inevitável à execução do avençado. na opinião culta de Caio Mário. mesmo com ressalva que apesar de haver critério distintivo abstrato. O legislador de 2002 reuniu os dois fenômenos tendo em vista serem causa idêntica de exoneração do devedor e resolução absoluta da obrigação. Pondera Caio Mário que os critérios para avaliação da vis maior devam ser elásticos Se a inevitabilidade fosse absoluta. e seja imposto por acontecimento natural ou fato de terceiro. Assim é que se o devedor estava em mora responderá pelo fortuito. se haveria responsabilização. salvo provando que o dano ocorreria ainda que cumprisse em tempo. É indispensável que o fato ou obstáculo seja estranho ao seu poder. o devedor não responde pelo prejuízo. então o fortuito não precisaria de apuração. mesmo que previsível o evento surge como força indomável e inarredável capaz de impedir totalmente o cumprimento obrigacional. Admitir que na prática os dois termos correspondem a um só conceito (Colmo). cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. e para decretar a exoneração do devedor. sem culpa do devedor. temos. Apurando os requisitos genéricos indispensáveis. o que para o Direito suíço. restará exonerado o devedor. Se esta se dificulta ou se torna excessivamente onerosa. então. o que abrange todo evento não imputável. De sorte que se por alguma razão pessoal ainda que relevante.determinante e hábil para efetuar a diferenciação nítida.058 C. O que não é cabível. como termo de sua caracterização extrema.

é que o critério de apuração dos requisitos obedece a um confronto com as circunstâncias peculiares de cada caso. Era o que os romanos chamavam de periculum e os modernos chamam de riscos e perigos que envolvem os casos em que a prestação não pode ser cumprida. Pontifica-se modernamente pela necessidade de aliar à concepção objetivista um certo tempero subjetivo. salvo provando que o dano teria acontecido. Se a inexecução se deveu à verificação do caso fortuito ou força maior ± casus vel damnum fatale. M. ainda que o dano costumasse faze-las. desde que seja provada a adoção de todas as medidas idôneas e a evitá-lo. J. destaca que o referido diploma legal optou por adotar o sistema anterior . ainda que nos casos de fortuito ou força maior. obra de extremo apuro técnico e excelente conteúdo doutrinário aduz uma análise na norma do respectivo dispositivo legal. e. admitiu a conseqüente escusativa. Serpa Lopes. ainda que revestido dos seus extremos conceituais. e. responde pelo dano causado sob a gerência deste. beneficiando-se fora das marcas. e) Na tradição de coisas que se vendem contando. em algumas hipóteses remanesce a responsabilidade. Alfredo Colmo). objetiva ou subjetivamente. por admitir que um devedor tem força para vencer outro não domina. sendo acontecimento necessário e inevitável. quando já postas à disposição do comprador. b) Mora uma vez configurada seu efeito é perpetuar a responsabilidade do devedor em face da obrigação. contra a proibição formal do mandante. f) No caso dos riscos profissionais previstos em lei. Nem sempre a vis divina serve de escusa para inexecução obrigacional. d) Na gestão de negócios. Aponta Caio Mário que o Anteprojeto de 1975 que desembocou no Código Civil de 2002 adotou francamente o princípio da responsabilidade pelo risco criado. já que não se pode presumir o agravamento da responsabilidade. não obstante a interferência do evento estranho. eximirse-á o devedor da parte atingida ou se forrará da mora. Mas não poderá invocar o fortuito para exoneração absoluta. quando o gestor fizer operações arriscadas. ainda que não tivesse realizado a substituição do representante. o que prevalecerá com a declaração expressa. desaparece ao credor. mesmo decorrente do fortuito. o direito de perceber qualquer indenização. marcando ou assinalando. Orlando Gomes.m ou quando preterir interesses deste por amor aos seus. a) Convenção . substabelecido os poderes em um terceiro.As partes podem livremente pactuar que o devedor responde pelo cumprimento. salvo se demonstrar que não teve culpa no atraso ou que o dano sobreviria de qualquer modo mesmo que a obrigação fosse tempestivamente cumprida. se apenas tiver como conseqüência o atraso na sua execução. sujeitando-o aos reflexos da inadimplência. c) No caso de ter mandatário.Por ser relativa. o excesso que se critica na doutrina desaparece no preceito. Leoni Lopes de Oliveira em seu Novo Código Civil Anotado. Se o acontecimento extraordinário não trouxer a impossibilidade total da prestação. resultando daí uma concepção mista de fortuito sustentado com galhardia por boa parte de doutrinadores (Arnoldo da Fonseca. desta forma.

se o devedor agiu com culpa não poderá alegar a exclusão de responsabilidade prevista no art. Dessa última corrente surgiu a diferenciação de caso fortuito interno e caso fortuito externo. no que diz respeito ao caso fortuito ou força maior. 2) outros procuram identificar o caso fortuito com o caráter imprevisto ao passo que a força maior se identifica com caráter invencível do obstáculo. verifica-se no ³fato necessário´. Afirma-se que tanto no caso fortuito como na força maior exige-se a ausência de culpa por parte do devedor. no seu parágrafo único. A doutrina pátria sempre sustentou inicialmente a sinonímia entre as expressões. Leoni destaca efetivamente que dentro do sistema pátrio as duas figuras se identificam apresentando os mesmos requisitos e as mesmas conseqüências. 393 do C. considera as expressões como semanticamente similares. temos uma corrente recente que no caso fortuito há impedimento relacionado com a pessoa do devedor ou com sua empresa. atribui a ambas as figuras o mesmo efeito. Inicialmente. Se. não poderá alegar caso fortuito ou . Ambas figuras deságuam na exclusão de responsabilidade pelo inadimplemento da obrigação.C.vigente. para considerar que somente o último exclui a responsabilidade pelo inadimplemento da obrigação. que ora se comenta: Note-se que o parágrafo único do referido dispositivo legal. b) inevitabilidade do evento. afirma que o caso fortuito ou força maior. por dizer respeito à atividade do devedor. Sintetizando as seguintes diferenças: 1) para uns o caso fortuito é oriundo da força física ininteligente. não exclui sua responsabilidade do devedor. atribuindo somente ao fortuito externo esse poder. De tudo do que foi mencionado. Não abstratamente. ao passo que a força maior deriva de acontecimento externo. Vejamos. c) superveniência do fato irresistível. em outro não. o que relata o ilustre doutrinador os requisitos: a) ausência de culpa da parte do devedor. qual seja a exclusão da responsabilidade pelo inadimplemento obrigacional. enquanto que força maior deriva de fato de terceiro. Ademais. caso venha a ser assaltado. Assim. vários doutrinadores se esfalfam em estabelecer diferenças entre estas. Um assalto à mão armada pode em um caso consistir em fator determinante da exclusão de responsabilidade e. por exemplo. O primeiro. 4) finalmente. com a inevitabilidade do evento. alguém que deva entregar uma quantia elevada de dinheiro a outrem e a guarda em sua residência. A expressão ³fato necessário´ deve ser sempre considerada diante da impossibilidade de cumprimento da obrigação concretamente verificada. 3) ainda há os que sustentam que no fortuito a impossibilidade é relativa enquanto que na força maior a impossibilidade é absoluta. Porém. atribui as ambas figuras o mesmo efeito.

somos dos que identificam o caso fortuito e a força maior com a ausência de culpa. mas se o devedor tivesse a diligência normal não guardaria em sua residência uma quantia tão elevada de dinheiro que era objeto de uma obrigação de dar. 3. para uns. Observe-se que o que caracteriza predominantemente o caso fortuito ou força maior não é imprevisibilidade. da excludente do caso fortuito ou força maior. atribuindo somente ao fortuito externo esse poder. a depositaria em estabelecimento bancário. 2. Apesar disso. na forma de negligência não podendo se socorrer. qual seja a exclusão da responsabilidade pelo inadimplemento da obrigação. finalmente. ainda há quem sustente que no caso fortuito a impossibilidade é relativa enquanto que na força maior. atribuiu a ambas figuras o mesmo efeito. Mas ao contrário. A doutrina pátria amparada no direito positivo. Aqui se deve tomar cuidado para não confundir a dificuldade com inevitabilidade. respeito à atividade do devedor. Inicialmente. interpretação que se aplica também o texto ora vigente. ao passo que a força maior deriva de acontecimento externo. no que diz respeito ao caso fortuito ou força maior. temos uma corrente recente que no caso fortuito há impedimento relacionado com a pessoa do devedor ou com sua empresa. O Código Civil optou por adotar o mesmo sistema do Código Civil anterior.força maior.O primeiro. com a inevitabilidade do evento. sempre sustentou a sinonímia entre tais expressões. para considerar que somente o último exclui a responsabilidade pelo inadimplemento da obrigação. outros procuram identificar o caso fortuito como caráter imprevisto ao passo que a força maior indica o caráter invencível do obstáculo. Afirma-se que tanto no caso fortuito como na força maior exige-se a ausência de culpa por parte do devedor. Como se pode verificar. Se a prestação pode ser para o devedor. . É evidente que o assalto é inevitável. Sintetizando as seguintes diferenças apresentadas pela boa doutrina: 1. o caso fortuito é oriundo da força física ininteligente enquanto que força maior deriva de fato de terceiro. não há de se falar em caso fortuito ou força maior. Nesse caso. a impossibilidade é absoluta. salvo se a referida dificuldade que faz fronteira com a impossibilidade. Argumenta-se mais: as duas figuras pelo sistema do Código Civil deságuam na exclusão total da responsabilidade pelo inadimplemento da obrigação. no seu parágrafo único. considera as expressões como sinônimas. O segundo requisito diz respeito à inevitabilidade do evento. mas sim a inevitabilidade do evento. por dizer. não exclui sua responsabilidade. podemos dizer que o devedor agiu com culpa. 4. Ademais. Dessa última corrente surgiu a diferenciação de caso fortuito interno e caso fortuito externo. vários doutrinadores procuram estabelecer diferenças entre caso fortuito e força maior.

pois se trata de um fato da natureza. por exemplo. b) o risco assumido há de ser ordinário e nunca o fora do comum. em virtude de evento não imputável à sua vontade. cumprir a obrigação avençada. impedindo a entrega da mercadoria prometida ou um terremoto que ocasiona grandes prejuízos. Não seria justo e nem razoável exigir que o devedor respondesse por perdas e danos. é vítima de um seqüestro. estando esse espécie de inadimplemento diretamente ligada à idéia de ³evento fortuito´.Finalmente. alguém contrato com outrem a entrega de mercadoria durante estado de calamidade pública em uma cidade em decorrência de enchentes. etc. não resultante de atuação dolosa ou culposa do devedor. Não poderá em tal caso. Imagine que o sujeito se obrigou a prestar determinado serviço. não estará obrigado a indenizar. . Quanto o ônus probatório salienta a doutrina majoritária que ao credor cabe provar simplesmente a inadimplência da obrigação na forma e no tempo devidos. que. o terceiro requisito é o da superveniência do acontecimento alegado de caso fortuito ou força maior à celebração do contrato. Se. no dia aprazado. O devedor que alega que o inadimplemento se deve ao caso fortuito ou força maior prova-lo. Segundo Maria Helena Diniz. 393 uma exceção ao princípio de exclusão da responsabilidade pelo inadimplemento das obrigações quando decorrente de caso fortuito ou força maior. Aqui são pertinentes duas observações preciosas a serem feitas: a) exige-se que a assunção do risco tenha sido feita de maneira expressa. Tal solução encontra amparo no sentimento de justiça. nesse ponto de nosso raciocínio. como por exemplo. um raio que provoca um incêndio. Trata-se da hipótese em que o próprio devedor assume o risco. Provada cabalmente a existência de caso fortuito ou força maior o devedor não responde pelos prejuízos resultantes do inadimplemento. Dize-se nesse caso.´. Mas. Se o devedor se responsabilizou pelo caso fortuito ou força maior não poderá alegar tais acontecimentos como excludentes de responsabilidade civil. Consultando o notável Pablo Stolze que esclarece que o inadimplemento fortuito da obrigação também pode decorrer de fato não imputável ao devedor. o que se entende por caso fortuito ou força maior? Esclarece Pablo Stolze que a doutrina não é pacífica sobre a questão. não poderá alegar este fato como excludente de responsabilidade pelo inadimplemento da obrigação. por isso. Fatos da natureza ou atos de terceiros poderão prejudicar o pagamento. uma pergunta se impõe afinal de contas. ter havido inadimplemento fortuito de obrigação. mesmo diante de um acontecimento necessário e inevitável que determinou o não cumprimento da obrigação. Salienta o art. sem a participação do devedor que estaria diante de um caso fortuito ou força maior. ou seja. e. ³na força maior conhece-se o motivo ou a causa que dá origem ao acontecimento. inundação que danifica produtos ou intercepta as vias de comunicação.

ao passo que o caso fortuito. (Orlando Gomes. pois seria inadmissível a pretensão. impossibilitando o cumprimento de uma obrigação (um atropelamento. Não concorda Pablo Stolze Gagliano com aqueles que.´. como cabo elétrico aéreo que se rompe e cai sobre fios telefônicos causando incêndio explosão de caldeira de usina.C. por muitos sustentada. tem sido repelida por outros doutrinadores. Rio de Janeiro.(In Maria Helena Diniz. Teoria Geral das Obrigações. 1.. 393 C. A força maior por sua vez. São Paulo.. por entender que a primeiro é gênero.346-347). Nesse mesmo sentido. vale conferir o pensamento ilustrado de Álvaro Villaça Azevedo: ³Pelo que acabamos de perceber. parte Geral das Obrigações. edição. entendemos que a característica básica da força maior é sua inevitabilidade. não do devedor que impossibilita o cumprimento obrigacional´. um roubo). Caso. 2002. segundo os parâmetros do homem médio. vol. o caso fortuito constitui um impedimento relacionado com a pessoa do devedor ou com a sua empresa. reconhecendo que. Sem pretender pôr fim à controvérsia. Agostinho Alvim noticia de uma diferença importante para a doutrina moderna. 1992. ³é o fato de terceiro ou do credor: é fato de terceiro ou do credor: é a atuação humana. Saraiva. inclusive pelo fato de o Código Civil Brasileiro não tê-lo feito (art. Melhor é a conclusão de Sílvio Venosa. p. Saraiva. v. e art. no sentido não existir interesse público na distinção dos conceitos. mesmo sendo a sua causa conhecida (um terremoto.179). caso fortuito é o acontecimento provindo da natureza sem qualquer intervenção da vontade humana. Forense. o caso fortuito e força maior e a ausência de culpa são definições que se identificam. Para demonstrar que os doutrinadores efetivamente não adotam critério uniforme quanto a definição dos referidos termos.058 C. Orlando Gomes citando Barassi. 16a edição.2002. 30a. critério variado para distinguir uma da outra. que pode ser previsto pelos cientistas). no qual estaria compreendido o segundo. enquanto que a força maior advém de acontecimento externo. por sua vez tem sua nota distintiva na sua imprevisibilidade.(In Silvio Rodrigues.1916). .´ Dentre as distinções conhecidas. Curso de Direito Civil Brasileiro. os vários escritores que participam dessa derradeira posição. por exemplo. Obrigações. visualizam diferença entre ³ausência de culpa´ e ³caso fortuito´. o acidente que acarreta o dano advém de causa desconhecida. 8a edição.Já no caso fortuito. pontifica: ³o conceito de caso fortuito resulta assim de determinação negativa. Sílvio Rodrigues lembra que ³a sinonímia entre as expressões casos fortuitos e força maior. p. Direito Civil. C. portanto. provocando morte.2.239).2.. p. a ocorrência repentina e até então desconhecida do evento atinge a parte incauta. seguindo o pensamento do culto Arnoldo Medeiros da Fonseca. Nessa última hipótese. segundo Barassi é conceito antitético de culpa´. estabelecendo.

Desta forma. antes da efetiva entrega. se certa empresa celebra um contrato de locação de gerador com um dono de boate. Pelo contrário. consoante se deduz do arts. 1. assumirá o dever de indenizar o contratante se o gerador que seria locado houver sido destruído pelo fogo. Gisele Leite Hermenêutica Responde Osvaldo Alves Silva Junior Advogado formado pela UFRJ. para ser reputada eficaz. Esta matéria. rebentariam de dor´.br Inserido em 9/5/2005 Parte integrante da Edição no 125 Código da publicação: 591 ³É cousa tão natural o responder que até os penhascos duros respondem.C.C. para o direito obrigacional. Por tudo isso. expressão tão difundido no meio jurídico. Analisando a primeira parte do art. Aliás. tanto o Código de 1916 como também o de 2002 em regras especiais condensaram o significado das expressões fundindo-o em conceito único. mesmo se configurando o evento fortuito. e para as vozes têm ecos. naturalmente. quer tenha ocorrido força maior. entenda-se o perigo a que se sujeita uma coisa de perecer ou deteriorar. mesmo na hipótese de suceder um fato imprevisto ou inevitável que.C/1916. tecnologista do INPI. para o devedor inadimplente a responsabilidade civil por seu comportamento ilícito. especialista em Direito de Propriedade Intelectual. em regra. a mesma. a conseqüência é. respectivamente. que aos que não pudessem responder. Por risco. . de 2002 que o devedor. a eximiria da obrigação (um incêndio que consumiu todos seus equipamentos). 393 do C./2002 e art. extingue-se a obrigação.Ademais. é tão grande violência não responder. sem quaisquer efeitos para as partes. por caso fortuito ou de força maior. Nesse caso.com. no entanto.058 do C. Email: osvaldoalves2004@yahoo. deverá constar de cláusula expressa do contrato. nada impede que se responsabilize pela entrega da máquina no dia convencionado. quer tenha havido caso fortuito. podemos concluir que apenas o inadimplemento absoluto com fundamento na culpa do devedor impõe o dever de indenizar por conseguinte. Esta assunção do risco. ligada à ocorrência de eventos que destroem ou deterioram a coisa prejudicando o cumprimento obrigacional interesse à chamada teoria dos riscos. 393 do C. à luz do princípio da autonomia da vontade. pode expressamente se responsabilizar pelo cumprimento da obrigação.

Hermogeniano. alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato´. §§ 1o. decidiu. procurando abarcar os dois sentidos sob um mesmo tema novamente... Importante ressaltar que as controvérsias são tantas até hoje. conforme o art. torna-se necessário uma volta ao passado. (grifo nosso) O que vem a ser razões legítimas? O que vem a ser evento imprevisto? São meros sinônimos que procuram fundir os termos caso fortuito e força maior. abolir o termo e utilizou um sinônimo. mas inversamente por outros autores não menos renomados. que eram as leis emanadas pelos imperadores. e 2o. era adotado o seguinte termo: ³Salvo motivo de força maior comprovado. . No caso em tela.). ou a utilização de um único termo com sentido global. conforme estudo a seguir. utiliza-se de outro sinônimo em substituição:§1o. para o século V d. o termo ³força maior´ era utilizado em sentido lato sensu. 143. 221.C.. (. C. 9279/96. Como essas fontes se encontravam desordenadas até então. outros definem que caso fortuito é todo acontecimento que foge ao controle humano. adotando um sinônimo que procura reunir os dois princípios. No art. embora reflita diretamente no mundo fático. §1o: ³reputa-se justa causa o evento imprevisto. com o nome de Flávio Anício Justiniano Magno. Existem ainda aqueles que definem força maior como atos ou criações humanas ou modificações no status quo reinante antes do próprio acontecimento. Tinha como um dos fundamentos do seu governo o objetivo de criar uma codificação com boa parte de toda a obra legislativa criada desde os primórdios do colossal Império Romano. Na Lei no. que são totalmente distintos. Um bom exemplo é a Lei no. caducará o privilégio. além das novelas e os textos produzidos pelos jurisconsultos. Para o bom entendimento sobre o tema. 5772/71.´ (grifo nosso). fato em concreto. Muitos autores e doutrinadores entendem que caso fortuito e força maior são a mesma coisa. mais precisamente das obras compiladas no governo do Imperador Justiniano ( 482-565 d. que a ab-rogou.) por razões legítimas´. Justiniano foi elevado ao trono do Império Romano do Oriente em 1 de agosto de 527. 1 Histórico O presente estudo tem como fontes registros históricos do Império Romano. Para isso contava com as constituições imperiais reunidas nos Códigos Gregoriano. basicamente da mesma forma. existem leis que suprimem os dois termos. art. englobando neste o conceito de caso fortuito. (sobre os recursos). e conseqüentemente. Teodosiano. No Código de Propriedade Industrial. não desejando o legislador incorrer no mesmo erro.. Esta obra .: ³Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. 9279/96. constituiu primeiramente uma comissão de juristas para reunir as principais Constituições Imperiais.) o titular será intimado(. sem critério hermenêutico. o antigo Código de Propriedade Industrial. ex officio ou mediante requerimento de qualquer interessado. pode haver interações jurídicas.Padre Antônio Vieira Introdução Ainda paira no direito pátrio grandes controvérsias a respeito do assunto. que foi ab-rogado pela Lei no. 49. que. caput. Esses conceitos são aplicados...

Teófilo e Doroteu. por Triboniano. O que nos chegou foi um Codex revisado em 534 d. Justiniano criou o denominado Corpus Iuris Civilis. que trataremos a seguir. Infelizmente.ficou pronta em 529 d.. codificações de despachos e sentenças mais comuns. tamanha a importância destes trabalhos jurisprudenciais para o Império romano. As obras dos jurisconsultos clássicos foram baseadas nas atividades desenvolvidas pelos magistrados e pelos pretores peregrinos. e publicado em 533 d. esta obra se perdeu com o tempo. Anos depois. E. 2 Gaio e Ulpiano Gaio e Domicio Ulpiano foram os principais jurisconsultos do Império Romano. composto de cinqüenta livros. Naturalmente. mas exercia o importante papel de alavanca de mudanças para a derrogação ou abrogação da lei. é certo afirmar que a delimitação conceitual está contida no Digesto. Desta forma o direito evoluía. Desta forma.C. Entretanto. possivelmente as guerras que ocorreriam durante todos os séculos posteriores. as Institutas e as Novelas. foi elaborada as Institutiones por influência da obra de Gaio. de forma mais ousada. assim como hoje. sabemos que existiu através de relatos históricos. junto com a doutrina criada pela interação tripartite ± magistrado. sempre ocorriam novos casos. Portanto. E. este ius honorarium não tinha força de lei. onde a figura do profissional de direito não é requisito essencial. e estas questões os pretores traziam aos magistrados. Em relação ao Digesto ou Pandectas. Em 530. Justiniano editou diversas leis. já com influência das Institutas. Todos os éditos elaborados pelos pretores foram codificados pelo jurista Sálvio Juliano. dentre eles os de caso fortuito e força maior. conforme diretriz emanada pelo imperador Adriano.C. do século II a. Justiniano determinou a seleção de todas as obras dos jurisconsultos clássicos. por último. Na obra. composto pelo Codex. mas não chegou ao nosso tempo. que atuavam como são chamados hoje os juízes leigos. encarregando a direção da comissão a Triboniano. notadamente nas relações de controle estatal. o Digesto. devido. frutos de uma sociedade em eterna evolução. já préestabelecidos. Os pretores atuavam diretamente nos territórios conquistados e utilizavam-se dos formulários. por volta do ano 130 d. Gaio assim descreveu força maior: ³vis maior est cui humana infirmitas resistire non postest´.. . . as novellae constituniones.C. desta forma foi codificada boa parte de toda obra jurídica romana e preservado à posteridade este incrível compêndio que influencia todo mundo. e foi publicada com o nome de Codex.C. a comissão chefiada por Triboniano atingiu o feito surpreendente de terminá-lo num prazo de três anos. sendo o Digesto composto de 1/3 da obra deste. a fim de completar as obras e adequá-las ao império do Oriente. através das obras de Gaio e Ulpiano. nos quais são encontrados trechos de mais de dois mil livros de jurisconsultos clássicos. diversos temas de direito civil foram conceituados. neste trabalho hercúleo. ou seja. em relação aos dois temas elencados neste ensaio. pretor peregrino e jurisconsultos. C. Traduzindo a frase. como hoje se faz em diversos órgãos cartoriais da administração pública.

Assim sendo. corretamente conceituam os termos e podemos verificar as conceituações nos livros de Diógenes Gasparini. Não distinguiremos estas categorias. entendem que a conceituação é inversa. independente da vontade das partes. a partir da conceituação romana. assim explica: ³São fatos imprevisíveis aqueles eventos que constituem o que a doutrina tem denominado de força maior e de caso fortuito. sendo exemplos: guerra. por exemplo. visto que há grande divergência doutrinária na caracterização de cada um dos eventos. é entendido como sendo um fato imprevisível. todos os atos ou ações humanas que se tornem obstáculos a outrem. que pensam que o melhor é o agrupamento dos termos. por considerarem idênticos os seus efeitos. Antônio Queiroz Telles. Em outras palavras seria todo acontecimento de ordem natural que gera efeitos no mundo jurídico. sentença judicial específica que impeça o cumprimento da obrigação assumida. havendo uma falta de conhecimento da origem dos termos ³caso fortuito´ e ³força maior´ por alguns doutrinadores renomados. como os terremotos. Traduzida a frase o conceito seria: caso fortuito é aquele que não pode ser prevsito por nenhum meio humano. estiagem. 3 Distinção entre os termos São bastantes comuns os casos em que os indivíduos sofram prejuízos tendo como gênese os fatos imprevisíveis. Na realidade. Podemos dar como exemplo as erupções vulcânicas. Estes autores. existe uma verdadeira discussão sobre quando e como adotar os termos. os raios e os trovões´. Orlando de Almeida Secco1 assim leciona: ³ a força maior evidencia um acontecimento resultante do ato alheio (fato de outrem) que sugere os meios de que se dispõe para evita-lo. os terremotos. como é o caso da greve. Domicio Ulpiano2 assim o conceituou: ³Fortuitus casus est. existe um a terceira corrente. Assim estando os termos bem definidos. entrando em choque com o ³Iuris Corpus Civilis´. desapropriação etc. revolução. abordaremos agora as discordâncias na doutrina nacional. Entretanto.´ Ou seja. caracterizando um erro hermenêutico. Sobre o termo caso fortuito. quedas de raio. gerando efeitos jurídicos. resultante da ação humana. as tempestades. qui nullo humano consilio praevideri potest´. além das próprias forças que o indivíduo possua para se contrapor. como Maria Sylvia di Pietro e Lucia Valle Figueiredo. inundação por meio de chuvas abundantes ( e não por represas construídas artificialmente ). José dos Santos Carvalho Filho. Alguns autores entendem que a força maior é o acontecimento originário da vontade do homem. aluvião etc. os efeitos em nada são . isto é. greve. E. em que figuram Orlando Gomes e José dos Santos Carvalho Filho. Hely Lopes Meirelles. os quais não podem impedir ou muitas vezes prevê-los. invasão de território. outros autores. Ainda . sendo o caso fortuito o evento produzido pela natureza. impedindo-os de agir ou cumprir com seus direitos ou deveres´.podemos depreender que força maior é aquela a que a fraqueza humana não pode resistir.

302. Ildefonso L. D. João da Gama2ª Ed . Tradução da obra ³Cuerpo Del Derecho Civil Romano´. cc. Relator Dês. 31. José Carlos Tinoco Tratado da Propriedade Industrial / SOARES. Dês. João Martins. Desta forma. P. SECCO. João da Gama Tratado da propriedade industrial / CERQUEIRA. . 125 SOARES. Introdução ao Estudo do Direito. Jaime Molinas Editor. Humberto Perri ± apud suplemento ADCOAS. conforme art. 11a. p. 458 CERQUEIRA. Caso fortuito ( sic ± na realidade é força maior. Rio de Janeiro. Manual de Direito Administrativo. 1981. Ccív ± Rel. 1889. DEL CORRAL. Editora Almedina 2002. -Responsabilidade Civil do Estado ± Acidente ocorrido no interior do Túnel Rebouças que resultou em ferimentos no autor e na perda total de seu automóvel. Ccív. 24. 3a. -Responsabilidade Civil do Estado ± Ap. finalizo o presente ensaio.j. Barcelona. 1988 Osvaldo Alves Silva Junior Advogado formado pela UFRJ. No. TJ ± RJ ApCív no. do latim para o espanhol.). como instrumentos metodológicos e científicos adequados. porém o julgamento está perfeito. May Filho. por danos causados por seus agentes. respeitando a historicidade e a hermenêutica. 20 ). CARVALHO FILHO. Orlando de Almeida. Bibliografia: ASCENÇÃO. p. especialista em Direito de Propriedade Intelectual. da Constituição Federal. José Carlos Tinoco São Paulo: Editora Resenha Tributária. de 25/03/1986 ± TJ ± SC. serviços de engenharia.parecidos. ed. túneis. §6o. Dês. rel. Cív. resta ao Estado indenizar o indivíduo ou a sociedade em caso de ato que configure força maior. enfim. 041/94 ± 3a.m. Garcia. Concorrência Desleal. pela Teoria do Risco Administrativo. São Paulo: RT. 37. Ccív. s. Freitas Bastos. como construção de pontes. José dos Santos. Jurisprudência: -Responsabilidade Civil do Estado ± Obras Públicas ± Empreiteiro Particular ± ApCív no. 1a. José de Oliveira. com o objetivo de deixar mais transparente a origem dos termos e contribuir para a construção de conceituações baseadas em fontes seguras e históricas. 1982. pois havendo a responsabilidade subjetiva do Estado.363.

tecnologista do INPI. seqüestros relâmpagos sofridos por consumidores em estacionamentos. por conseqüência.078/90. Código de defesa do consumidor. Partimos. força maior. da Lei 8. De se realçar que. Não se trata de simples vício.br Inserido em 9/5/2005 Parte integrante da Edição no 125 FORÇA MAIOR: Obstáculo ao cumprimento de obrigação. já que o vício do serviço havido extrapolou o mero prejuízo pecuniário de sua aquisição. sendo tal tema tratado em artigo anterior.com. por motivo de um fato em face do qual é de todo impotente qualquer pessoa para removerem. Para iniciarmos a análise de tais questões. Voltando a questão de roubos e seqüestros ocorridos no interior de estacionamentos. são típicas situações de acidente de consumo. como dito. outros consideram a existência de caso fortuito/força maior. acerca do tema consumidor. enquanto alguns tribunais aplicam o Código de Defesa do Consumidor de maneira plena.artigo 14 CDC. Roubos. bancos e supermercados. advérbio "só" e temas correlatos Em pesquisas jurisprudenciais recentes. roubo em estacionamento. Geralmente ligado a fato da natureza CASO FORTUITO: Obstáculo ao cumprimento de uma obrigação por motivo alheio a quem devia cumpri-lo. nestes casos inequívocos prejuízos aos consumidores. importante salientar que presumo e entendo. caso fortuito. . ocorrendo. haver em tais casos a aplicação do digesto consumerista. tenho visto evidente divergência de entendimento entre os tribunais quando o assunto é roubo de veículos/objetos ou seqüestros relâmpagos havidos no interior de estacionamentos de shoppings centers. excludente de responsabilização. Código de Defesa do Consumidor. efetivamente. portanto. O vício na prestação do serviço ocasiona. de ordem material e moral. verdadeiro acidente de consumo. a responsabilidade do fornecedor no caso de fato do produto é objetiva . Email: osvaldoalves2004@yahoo. haver inquestionável responsabilidade nestes casos. entendendo. fato do serviço. os tribunais são praticamente pacíficos quanto à responsabilização dos referidos prestadores de serviço. caracterizando. portanto. da premissa que nosso fornecedor se enquadra no conceito inserido no artigo 3º. Imperioso ressaltar que em se tratando de furtos.

186 do Código Civil tenha agido com culpa o dolo. ou seja. Diga-se. o defeito inexiste) contida no parágrafo 3º.e o dano/defeito.. (grifei) O uso do advérbio "só" pelo legislador.) Além disso. trago à baila posicionamento do mestre consumerista Rizzatto Nunes. é reconhecido. Na responsabilidade civil objetiva pelo fato do produto ou do serviço não há ... contudo. O que pode o fornecedor fazer é buscar desconectar a relação acidentária consigo. tanto que a lei não prevê como excludente do dever de indenizar o caso fortuito e a força maior. tendo prestado o serviço. e busca a efetiva reparação do prejuízo da vítima. isto é. Saraiva 2004. teria sido usado por algum motivo específico? Seria taxativo ou exemplificativo o rol das indigitadas excludentes? Caso fortuito e força maior. considerada vulnerável pelo legislador. lembre-se que caso fortuito e força maior são excludentes de responsabilidade advinda da conduta do agente que nos moldes do art. com política.) Isso nos leva à segunda constatação. "implicitamente". (. Com a leitura e interpretação do §3º do artigo 12. ainda. incluídos neste rol? Cabe aqui relembrar o axioma que afirma não fazer uso o legislador das palavras de forma aleatória. necessário dizer. não pode o agente responsável alegar em sua defesa essas duas excludentes. a qual é. comecemos repetindo algo que já tivemos oportunidade de afirmar: a responsabilidade civil objetiva estabelecida no CDC é a do risco integral. Para dirimir tais dúvidas. como se tem dito. como a norma não estabelece. do artigo 14. E. sendo a segunda (culpa exclusiva do consumidor ou terceiro) verdadeira hipótese de excludente de responsabilidade objetiva. por ser um micro-sistema. ou melhor. 270-271. (. presumidamente. apenas. mas sim de excludente do nexo de causalidade. em seu Curso de Direito do Consumidor. que o CDC. por serem princípios gerais aplicáveis às relações civis estariam. pp. tentar excluir o nexo de causalidade existente entre ele .Muito poderia se lucubrar acerca da teoria da responsabilidade objetiva adotada pelo CDC para responsabilizar o fornecedor. ter-se-á a confirmação dessa afirmativa. então. é fundada na justiça distributiva e na solidariedade social. que a teoria do risco do negócio/risco profissional. é ligada à ausência de nexo de causalidade. o qual concordo em a integralidade: "Então. O risco do fornecedor é mesmo integral. há duas excludentes de responsabilidade previstas.. por se consubstanciar na chamada Lei/Código. de se ressaltar. para comentarmos esse §3º. O parágrafo 3º. Nestes casos cabe ao consumidor a comprovação unicamente do nexo de causalidade e do dano. regras princípios e objetivos próprios. ed. dentre outros. No caso de fato do serviço. a primeira excludente (que. ao tratar das mencionadas "excludentes de responsabilização" aduz: "O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:". a tese de que determinados serviços colocados no mercado de consumo possuem riscos inerentes à própria atividade. do artigo 14.fornecedor . que não se trata de excludente de responsabilidade. previsto no artigo 14 do CDC. ou seja.

" A despeito do exposto. Nancy Andrighi. os dias de hoje exigem a adoção de medidas de segurança mais rígidas e mais avançadas por parte daqueles que têm no comércio sua atividade-fim. e. juridicamente se assimilam estas duas causas de irresponsabilidade. . porém. inclusive. no entanto. vol. caracterizar o caso fortuito. uma vez que ela não é considerada para avaliação da hipótese de defeito. sem dúvida. a imprevisibilidade que deve. para excluir a responsabilidade do fornecedor. outra. Para além de toda a obviedade assentada nos mais rudimentares princípios consumeristas. No mais. sim. o estacionamento é uma comodidade posta à disposição dos clientes como atrativo e fator determinante para que os consumidores freqüentem o local. Ambas. Como dito alhures. Neste sentido. o Superior Tribunal de Justiça deixou assentado que "por ser a prestação de segurança e o risco ínsitos à atividade dos hipermercados e shoppings centers. A inevitabilidade do evento. que a boa vontade do devedor não pode vencer". rei. IV/173): "Conceitualmente o caso fortuito e a força maior se distinguem. Min. para a inexecução da obrigação. E. não deve prevalecer por ser contrária. respeitável. sem dúvida. há inúmeros. grande. na questão em comento. entendimentos que excluem a responsabilidade do fornecedor com supedâneo na existência de caso fortuito ou força maior. o Código Civil reuniu os dois fatos na mesma definição: o caso fortuito ou de força maior é o fato necessário. é "o acidente produzido por força física ininteligente.) Nesses e em outros casos. na impossibilidade do fornecedor. porque a força maior também é inevitável. colocar a vida do consumidor em risco. sob pena de. inclusive. A segunda é "o fato de terceiro que criou. (. por maior que seja a segurança existente no local. se baseiam na questão da inevitabilidade do fato.que se falar em conduta. sem necessidade de aplicação de qualquer espécie de interpretação que não seja a literal. j . Comenta Clóvis Bevilacqua ("Código Civil". é indiferente indagar se a impossibilidade de o devedor cumprir a obrigação procede de força maior ou de caso fortuito. Nesta corrente há decisões que entendem haver caso fortuito. em condições que não podiam ser previstas pelas partes". a posição acima aduzida. segundo entendimentos jurisprudenciais.. e respeitáveis. entrementes. Livraria Francisco Alves. Por isso. a que se assemelham os estacionamentos. em relação a responsabilidade dos fornecedores nestes casos. a responsabilidade civil desses por danos causados aos bens ou à integridade física do consumidor não admite a excludente de força maior derivada de assalto à mão arma ou qualquer outro meio irresistível de violência" (RESP 419059 / SP. ao próprio escopo do CDC. em coibir prática delitiva cometida mediante violência ou grave ameaça.. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir". um obstáculo. 19/10/2004). se caracteriza.. a inevitabilidade. Não é. principalmente. que dirime qualquer resquício de eventual dúvida. no meu entender. Indubitável que o consumidor tem a real expectativa de segurança enquanto usufrui os serviços de shopping e hipermercados. O primeiro. parte fala em força maior. é o próprio instrumento legal. 10ª ed. segundo a definição de Huc.

porque isso é da essência do negócio. que. existir. sem contudo elencar ou mesmo ressalvar o caso fortuito ou a forçamaior como causas excludentes da responsabilidade. a ocorrência de caso fortuito ou força maior em relações de consumo. estas. que embora considere inteligíveis e bem embasadas as decisões. data máxima vênia. a parte contrária não terá culpa. A Lei 8. são desfavoráveis aos consumidores nos casos em que há roubos de veículos/objetos ou seqüestros relâmpagos em estacionamentos. que é o primeiro intento. se por acaso isto não ocorrer.078/90) dispõe de diversos dispositivos de preservação ao direito do consumidor. A realização de um negócio jurídico parte do pressuposto de que tudo ocorrerá normalmente e. Plínio Lacerda Martins promotor de Justiça em Juiz de Fora (MG). "ela se desobriga". 12. (1) Windscheid já defendia a idéia de que os negócios jurídicos devem ter sempre uma causa. § 3º e 14. Indaga-se se as causas enumeradas nos dispositivos normativos citados são ou não "taxativas" (não admitindo o aproveitamento de outras causas excludentes). não expressamente declarados mas . em conclusão. Esse sentido traduz a proposta do presente trabalho que analisaremos a seguir. professor de Direito do Consumidor da FGV e UGF.2000. PAULO RICARDO CHENQUER Pós-Graduado em Direito das Relações de Consumo na PUC-SP Membro da Comissão de Direito do Consumidor da 33ª Subsecção da OAB-Jundiaí-SP O caso fortuito e a força maior como causas de exclusão da responsabilidade no Código do Consumidor Elaborado em 12. não sendo necessário pacto. mestre em direito O Código do Consumidor (Lei 8. são contrárias aos princípios.Repiso. entre os quais nos limitamos ao estudo das causas/responsabilidades do produto ou serviço ser exposto ao consumo por parte do fornecedor. aplicando o artigo 393 do Código Civil. § 3º as causas excludentes de responsabilidades. por definição. Mas ao lado desse intento comum pode. normas e à própria mens legis do CDC.078/90 prevê nos arts. consideram haver excludente de responsabilidade em situações em que se caracteriza.

(4) O art. no conceito fornecido por Maria Helena Diniz "pode ser definido como lesão(diminuição ou destruição) que. distingue-se em obrigação legal e obrigação contratual. fabricação. em conformidade como cada caso em favor da relação jurídica de consumo. 12. Apesar da responsabilidade ser objetiva. conforme nos ensina Arnoldo Wald. que poderá se eximir da responsabilidade. ao fornecedor. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeito decorrentes de projeto. (3)A obrigação violada. 14 do mesmo ordenamento jurídico também consagra: "O fornecedor de serviços responde. A responsabilidade se conceitua como obrigação que incumbe alguém de ressarcir o dano causado a outrem. manipulação. por mais seguro e inofensivo que seja traz sempre uma margem de insegurança para o consumidor. em qualquer bem ou interesse jurídico.decorrentes das circunstâncias futuras e imprevistas. II. causas necessárias a serem percebidas pela outra parte. advindo esta de um contrato. patrimonial ou moral". mesmo não contratando diretamente com o fornecedor direito (fabricante. no caso da primeira. o produtor. em virtude da inexecução de um dever jurídico de natureza legal ou contratual. 12 § 3º I). o que no dizer de Antonio Herman de Vasconcelos e Benjamin.art..078/90. em entendimento doutrinário. onde a origem do dever jurídico é determinado e aceito pelas partes contratuais. 12 e 14 preferiu adotar a unificação das responsabilidades contratual e extracontratual. (2) Todo produto ou serviço. independentemente da existência de culpa. conforme já foi dito. nacional ou estrangeiro e o importador respondem independentemente da existência de culpa. 14§ 4º). fórmulas. 14 § 3º II) e ainda a não colocação do produto no mercado (art. "O Código adotou um sistema de responsabilidade civil obetiva. no caso da última. contra sua vontade. O art. O legislador atribuiu ao consumidor. § 12 § 3º. e responsabilidade contratual. da Lei 8. sofre uma pessoa. tais como inexistência do defeito de produto ou serviço (art.. I. na forma do art. sendo que em todas "essas hipótese de . II. podendo inclusive culminar em dano para o mesmo. imputando o ônus da prova. devido a um certo evento. independentemente da existência de culpa pela reparação dos danos causados aos consumidores. agindo assim como autolimitação da vontade. 12 § 3º II e art. apresentação ou acondicionamento de seus produtos bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos". o construtor. Dano. pelo reparação dos danos causados aos consumidores" (exceto os serviços dos profissionais liberais . 12 da lei em questão a prescreve que o "fabricante. gerando prejuízo a ser apurado através das responsabilidades contratual e extracontratual. adotandose a responsabilidade objetiva. o Código do Consumidor ressalvou algumas causas de "exclusão da responsabilidade". construção montagem. o que não quer dizer absoluta"(5) permitindo a previsão de algumas excludentes. III e art. O CDC em seus arts. produtor. em prol da proteção às vítimas expostas aos riscos de consumo. 14 § 3º.) a possibilidade de acioná-los em virtude do dano sofrido pelo produto exposto ao consumo. fazendo surgir uma responsabilidade conhecida como extracontratual ou aquiliana. que pode ser ou não contratual.

ao devedor culpado do inadimplemento impõe a lei o dever de indenizar os prejuízos que o mesmo causou. o ato alheio à vontade das partes negociantes. f. Mas o inadimplemnto fortuito seria correto responsabilizar de algo que não deu causa? Orlando Gomes responde que o inadimplemento fortuito não origina. ou de f. o comprador. Se ela agora parece sem culpa de um dos parceiros contratuais e por isso se impossibilita à prestação. O Código do Consumidor não estabeleceu como causa excludente de responsabilidade entre as demais causas elencadas. imprudência ou imperícia. Resta a indagação: O Código do Consumidor seria a exceção aos princípios aqui consignados. Hermem reconhece em sua obra. com o que se verifica a identificação com o fato necessário cujos objetivos não era possível evitar ou impedir. implica em extinção de obrigação. quando não transmite simultaneamente a propriedade (neste caso tem lugar o adimplemento e a obrigação se extingue). 1.058 do CC estabelece o caso fortuito e a força maior como forma de exoneração de responsabilidade. sendo este princípio geral que domina o direito brasileiro.exoneração e ônus da prova é do responsável legal. em verdade. O art. sem dever de compor as eventuais perdas e danos. enquanto a inexecução justificada por c. afirmando que: "A tradição da coisa comprada ao comprador. mantendo-se como causa para impedir o dever de indenizar. caso fortuito ou força maior externos à coisa. quer dizer. ou f. citando Gabriel A. admitindo como causa de responsabilidade feitos alheios às vontades das .. Destarte. de regra. É. É relevante destacar que o inadimplemento culposo ou doloso é fonte de responsabilidade.(9) O Código Civil Alemão prescreve no capítulo do Direito das Obrigações exemplo de impossibilidade da prestação dos negociantes. em virtude de pôr termo à relação de causalidade entre o ato do agente e o dano experimentado pela vítima". em rigor. Quem não cumpre a obrigação responde por perdas e danos. onde afirma que o devedor não responde pelos prejuízos decorrentes de caso fortuito ou força-maior salvo convenção ou determinação específica da lei. na lição de Arnoldo Wald(7). para prosseguimento do estudo enfocado. e não havendo culpa de nenhum dos parceiros contratuais. não pode reclamar reparação de dano do vendedor. 1. insere a coisa na esfera de risco do comprador. f.(8) Silvio Rodrigues leciona que art.. conforme entendimento já expressado. m. a responsabilidade do devedor. que "a exoneração total ou parcial da responsabilidade do fabricante requer então. O inadimplemento culposo acarreta responsabilidade do devedor. e que tampouco derivou da negligência. a presença de algum dos elementos obstativos do nexo causal. Com grande mestria." (grifo nosso)..(10) o que destaca o §446 do BGB. Stiglitz(6). m. todavia.058 parágrafo único do CC define o c. de vez que o dispositivo afirma que ele só não será responsabilizado quando provar tais causas". "É princípio geral de Direito que devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito". mas suporta o risco do perecimento fortuito". não foi afastado. O direito pátrio admite que o caso fortuito e a força-maior excluem assim a responsabilidade civil. sendo que o "caso fortuito ou de força-maior representa um excludente de responsabilidade. necessário se faz estabelecer a distinção entre inexecução justificada por força-maior ou caso fortuito e inadimplemento culposo ou doloso.

Não se trata.? Aproveitaria também como excludente de responsabilidade fatos de extrema impossibilidade jurídica do cumprimento da obrigação? Realçamos que a hipótese defendia como também causa de exclusão da responsabilidade no Código do Consumidor (caso fortuito ou força maior). hipóteses essas. se atende também à impossibilidade subjetiva ou onerosidade excessiva da prestação". A conclusão é no sentido de que o legislador ao enumerar as causas excludentes de responsabilidade no Código do Consumidor (de forma expressa). da inexecução "por impossibilidade. No direito brasileiro. A onerosidade excessiva. ao contrário do que acontece em legislações estrangeiras que preceituam tratamento jurídico distinto aos dois institutos. que diferenciam da denominada "teoria da imprevisão" que não se confunde com as causas de exclusão de responsabilidade. extinguindo a obrigação. conforme reconhecimento pelo direito pátrio e aproveitado nas relações jurídicas do Código do Consumidor. Alguns doutrinadores preferem fazer distinção entre caso fortuito e força-maior. e a inexecução advinda de caso fortuito. mas de extrema dificuldade"(12). pois esse dever é. sendo a principal característica. afirmando que caso fortuito e força-maior são noções distintas dos requisitos necessários para a "teoria da imprevisão" com fundamentos e efeitos diversos. que implica em reconhecimento da teoria da imprevisão. não afastou o reconhecimento do caso fortuito ou a força-maior como forma de excluir também a responsabilidade do fornecedor. as expressões c. não deve ser confundida com os motivos ensejadores da "teoria da imprevisão" conforme salienta Arnoldo Medeiros da Fonseca. e f. são sinônimas. justo não seria obrigá-lo a pagar perdas e danos. como excludentes de responsabilidade perante o Código do Consumidor.(11) Destaca ainda Arnoldo que c. quanto ao caso fortuito deve-se apresentar como fato irresistível. ou f. em virtude de pôr termo à relação de causalidade entre o fato e o dano experimentado pelo consumidor. no fundo.f. Justifica-se plenamente o princípio. a liberação do devedor é total. Desde que não lhe é imputável a causa do inadimplemento. m. face a extinção da obrigação referida.. uma sanção aplicada a quem se conduz culposamente". m. portanto. Orlando Gomes interpreta que são diferentes as conseqüências da inexecução por onerosidade excessiva da prestação. ou f. em matéria de imprevisão. esclarece Orlando Gomes. m. Destaca-se ainda na conclusão.f. confirmando assim o entendimento da possibilidade de reconhecer o c. e a f. "É regra pacífica a de que o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força-maior. chegando inclusive a confundir ambos os institutos com a ausência de culpa. O correto é que a ausência de culpa se prova pela diligência normal do causador do dano. confundindo para os efeitos e conseqüências ambas as situações. é apenas obstáculo ao cumprimento da obrigação. ao passo que na noção de imprevisão não estará excluído o direito do credor reivindicar a uma razoável reparação.partes negociantes (consumidor/fornecedor). onde "o caso fortuito ou de força-maior só libera quando acarreta a impossibilidade absoluta objetiva de executar. dando-lhes tratamento idêntico.m. de que a "teoria da imprevisão" implica na . f.f. enquanto que. caracterizando o primeiro pela sua inviabilidade e a segunda pela sua inevitabilidade. em decorrência do c.

65. Código Civil Alemão-Direito das Obrigações . NOTAS 1. 180. não respondendo pelo dano quando houver c. não se tratando de execução "por impossibilidade mas de extrema dificuldade" a qual o c. p.. 5. Rev. não estando excluído o direito do consumidor reivindicar a justa reparação.RT. pois.f. Marcio Klang. Ed.m. A responsabilidade atribuída ao fornecedor de responder "independentemente da existência de culpa" pela reparação do dano causado ao consumidor. Comentários ao Código de Proteção do Consumidor. 1991. sendo estas conceituadas como causas de irresponsabilidade. Depalma. § § 97 e 100. Ed Saraiva. Saraiva. aproveita. 23. "Caso Fortuito e Teoria da Imprevisão". Forense. ob. Stiglitz. Ed. 7. p. 2.346. Buenos Aires. Teoria da Imprevisão e a revisão dos contratos. 1989. Ed. 1984. 3. 1982. 9.m. Saraiva. Obrigações..Parte geral. preocupando-se em delimitar entre inúmeras hipóteses que regulam as relações entre consumidores e fornecedores. reconhecidas e aplicadas face a teoria da responsabilidade objetiva consagrada no Código do Consumidor. Windescheid. p. Protección jurídica del consumidor. trad. p.II.cit. haja vista que trata-se de obstáculo à obrigação. Responsabilidade Civil. Orlando Gomes. Curso de Direito Civil. 1990. 6. 1958. 7/50. traduz no sentido de responder ainda que inexiste culpa (que se prova pela diligência normal do fornecedor). 8. àquelas causas objetivas descritas na norma do consumidor. 10. Ed.21. Ed. 11. 4. p. Ed. 4. v. Diritto delle pandette. p. Arnoldo Medeiros da Fonseca. Forense. RT. Maria Helena Diniz. Sílvio Rodrigues.impossibilidade subjetiva ou onerosidade excessiva da prestação. que a intenção do legislador não foi restringir o caso fortuito ou a força-maior das causas excludentes enumeradas no Código do Consumidor. Curso de direito Civil Brasileiro-Obrigações e contratos. . italiana. 79. p.185. Vê-se. pois trata-se de fato irresistível caracterizado pela inevitabilidade e pela impossibilidade. 1991. ou f. Arnoldo Wald. 1990.f. Forense. Gabriel A. Antonio Herman de Vasconcelos e Benjamin. Arnoldo Wald. e a f. Peter Watermann.

na hipótese de inadimplemento das obrigações resultante de caso fortuito ou força maior. verifica-se o caso fortuito ou de força maior no fato necessário. Quando for evento inevitável. p. Para Agostinho Alvim (7). nos termos do caput desse mesmo dispositivo legal. não há interesse público em distinguir os dois . Para Sergio Cavalieri Filho (10). os termos caso fortuito (6) e força maior são interpretados de forma distintas pelos doutrinadores. Contratos . Forense. se verificados em determinadas circunstâncias. em relação a tal evento nada pode fazer o agente para evitá-lo. que provoca a morte das pessoas que estavam no local. como um cabo elétrico aéreo que se rompe. pode-se conhecer o motivo ou a causa que deu origem ao acontecimento. impedindo a entrega da mercadoria prometida ou um terremoto que ocasiona grandes prejuízos. causando incêndio. caso fortuito e força maior são considerados excludentes do dever de indenizar. Álvaro Villaça Azevedo (8) ensina que caso fortuito é o acontecimento provindo da natureza sem que haja interferência da vontade humana. quando tiver expressamente se responsabilizado por eles (5). ainda que o possa prever. inevitável. Segundo a lição de Maria Helena Diniz (9). que são empregados como se fossem sinônimos. o evento de força maior pode ser previsível mas os seus efeitos são inevitáveis. Por outro lado. a inundação que danifica produtos ou intercepta as vias de comunicação. 3. força maior é a própria atuação humana manifestada em fato de terceiro ou do credor. na visão pragmática de Sílvio Venosa (11). 198-199. O legislador pátrio não define esses conceitos. e cai sobre fios telefônicos. Ed. E. Ou seja. o caso fortuito pode ser caracterizado quando se tratar de evento imprevisível e. ou ainda a explosão de uma caldeira de usina. Em contrapartida. sem que se saiba o motivo. o devedor somente responde pelos prejuízos decorrentes sofridos pela outra parte. por isso. o caso fortuito tem origem em causa desconhecida. 1990. por se tratar de fato superior às forças do agente. como um raio que provoca um incêndio. enchentes. configurar-se-á a força maior (ou act of God. enquanto que a força maior advém de acontecimento externo. o caso fortuito constitui um impedimento relacionado com a pessoa do devedor ou sua empresa. Orlando Gomes. como normalmente são os fatos da Natureza como as tempestades. Para fins do parágrafo único do artigo 393 do CC. etc.12. Muito embora os efeitos jurídicos sejam os mesmos perante a legislação brasileira. ainda que previsível. como definem os ingleses). quando nenhum dos contratantes pode evitar ou impedir os seus efeitos. na força maior por ser um fato da natureza. O Caso Fortuito/Força Maior e a Imprevisão No ordenamento jurídico brasileiro. Porém.

devem ser atendidos os seguintes requisitos: (i) ausência de culpa do devedor . se atende também . O fato imprevisível está diretamente ligado aos acontecimentos extraordinários. não haverá nenhuma justificativa plausível para a parte inadimplente tentar eximir-se do cumprimento de suas obrigações contratuais e a Teoria da Imprevisão será inaplicável ao caso concreto. adotando-se essa posição mais pragmática. De qualquer forma.o fato deve ser superveniente à época da contratação e inevitável. segundo o qual O devedor em mora (12) responde pela impossibilidade da prestação. ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada . o artigo. corresponderia a um fato imprevisível. Acontecimento extraordinário seria todo evento anormal. esse fato já é do conhecimento dos contratantes e não pode posteriormente o devedor alegar as dificuldades dessa mesma guerra para exonerar-se do dever de cumprir as obrigações contratuais que assumiu. normais. prever a ocorrência de eventos extraordinários. comuns. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior. que poderiam atingir a base negocial (as condições econômicas) do contrato. o caso fortuito ou de força-maior só constitui causa de exclusão de responsabilidade. se não existe caso fortuito ou força maior. pois um fato exclui o outro. convém distinguir entre fato imprevisto e imprevisível. enquanto que. quando acarreta a impossibilidade absoluta objetiva de executar essa obrigação. não sendo determinado por culpa do devedor. mas que não foi previsto. excepcional. no momento da celebração do contrato. liberando o devedor de cumprir a obrigação pactuada. fora do comum. não há que se falar em caso fortuito ou força maior.o fato deve ser necessário. Também merece ser citado o artigo 399 do CC. Aqui. Para esse autor. para configurar caso fortuito ou força maior. 478 do CC requer a ocorrência de acontecimento extraordinário e imprevisível. isto é fora do alcance do poder humano. se um contrato tiver sido celebrado durante a guerra. salvo se provar isenção de culpa. (ii) inevitabilidade do evento . Reciprocamente. Se determinado evento for previsível. e (iii) superveniência do fato irresistível . Assim. que não poderiam ter sido previstos. Se houver culpa do devedor.o fato superveniente deve ser irresistível. não pode haver culpa do devedor. A imprevisibilidade refere-se a não ser possível para as partes. Em última análise. em matéria de imprevisão. (grifos nossos) Para aplicação da Teoria da Imprevisão. Arnoldo Medeiros da Fonseca (13) afirma que caso fortuito e força-maior são noções distintas dos requisitos necessários para a Teoria da Imprevisão com fundamentos e efeitos diversos. dentro de condições normais.conceitos. até mesmo porque o CC não fez nenhuma distinção a esse respeito. se estes ocorrerem durante o atraso. O fato imprevisto estaria inserido dentro de acontecimentos ordinários.

a lesão deixará de ser virtual para tornar-se objetiva. ao passo que na noção de imprevisão não estará excluído o direito do credor de reivindicar uma razoável reparação. . O fator determinante da onerosidade excessiva é o desequilíbrio contratual. a liberação do devedor é total. cujas prestações se projetam para o futuro. que potencialmente causarão dano ao devedor. trimestral. Na hipótese de caso fortuito ou de força maior. 479 e 480 Dentro da sistemática adotada pelo atual CC. semestral. quando a relação entre as obrigações assumidas pelo devedor e a compensação financeira a ser paga pelo credor torna-se desproporcional em decorrência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. A Revisão Contratual no Código Civil Brasileiro Análise dos 478. anual. Os contratos de execução continuada. Em um primeiro momento. Vale dizer. além do justo e do razoável. Esse obstáculo é o evento extraordinário e imprevisível que torna o cumprimento da obrigação mais difícil e gravosa. sendo a principal característica. diante da dificuldade do devedor em adimplir a obrigação. 4. A onerosidade excessiva não é a inexecução pura e simples do contrato mas representa um obstáculo à sua execução. os pagamentos devem ser feitos parcelada e continuadamente. são aqueles que perduram no tempo e cujas prestações pactuadas são remuneradas periodicamente. Essa periodicidade pode ser mensal. o credor poderá auferir vantagem econômica exagerada. Exemplos: contrato de locação. traduzido pela quebra da equação econômico-financeira inicial do contrato. caso este seja compelido a cumprir o contrato. durante todo o prazo acordado entre as partes.à impossibilidade subjetiva ou onerosidade excessiva da prestação. Se essas condições não forem repactuadas ou o contrato rescindido. etc. vantagem essa ligada ao enriquecimento sem causa. Em contrapartida à onerosidade excessiva para o devedor. essa lesão é virtual e surge em função desse evento. isto é. também conhecidos como contratos continuativos ou de trato sucessivo. bimestral. capaz de causar uma lesão ao devedor. contrato de seguro. a Teoria da Imprevisão é aplicável a todos os contratos de execução continuada ou diferida. 5. a Teoria da Imprevisão tal como adotada pelo Código Civil exige que a prestação seja excessivamente onerosa para uma das partes (o devedor) e ao mesmo tempo proporcione extrema vantagem para a outra parte (o credor). A Onerosidade Excessiva Além da ocorrência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis supervenientes ao momento da celebração do contrato. também deverá ocorrer extrema vantagem para o credor. que afeta as condições negociais do contrato. contrato de compra e venda com pagamento a prazo.

quando houver o desequilíbrio da equação econômicofinanceira do contrato. É exatamente nesse intervalo de tempo que poderão ocorrer fatos anormais (extraordinários) e imprevisíveis. contrato de compra de produtos sem entrada e com vencimento parcelado. para re-estabelecer o equilíbrio da equação econômico-financeira em benefício do devedor (autor). Não há. semestral ou anual. Neste caso a obrigação somente deve ser cumprida pelo devedor por ocasião de seu vencimento. a parte prejudicada poderá pleitear que sua prestação seja reduzida ou que seja alterado o modo de cumpri-la. Quando a obrigação couber a apenas uma das partes. e . as partes poderão compor-se amigavelmente e evitar a resolução do contrato. desde que o credor (réu) concorde em repactuar as condições contratuais de maneira equitativa. bimestral. portanto. Exemplos: contrato de compra e venda com vencimento futuro.Os contratos de execução diferida são aqueles cuja prestação é futura e não imediata. A excessiva onerosidade superveniente somente ocorre nesses contratos. Assim determina o artigo 479 do CC (15). para evitar a onerosidade excessiva. arrendamento com vencimento. Essa possibilidade está prevista no artigo 480 do CC (16). Como já analisamos anteriormente. (ii) a ocorrência de acontecimento extraordinário e imprevisível superveniente à celebração do contrato. Para a aplicação da Teoria da Imprevisão. conforme dispuser o contrato. o devedor poderá pedir a resolução do contrato. em virtude e acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. inadimplemento antes da data de vencimento da obrigação. os efeitos da sentença judicial ou arbitral que decretar a resolução do contrato serão retroativos e passarão a valer a partir da data da citação. pois a Teoria da Imprevisão exige um lapso temporal entre a contratação (data da assinatura do contrato) e sua execução (cumprimento da obrigação e o conseqüente implemento da prestação). Esse pedido poderá ser feito tanto na esfera judicial ou através da arbitragem. Se o pedido for deferido pelo juiz ou pelo árbitro ou tribunal arbitral. que tornem a prestação excessivamente onerosa para o devedor e exageradamente vantajosa para o credor. (iv) exagerada vantagem para a outra parte. o ordenamento jurídico brasileiro exige que sejam atendidos cinco requisitos. Evidentemente. (iii) prestação excessivamente onerosa para uma das partes. com extrema vantagem para o credor e onerosidade excessiva para o devedor. a saber: (i) contrato de execução continuada ou diferida. que tem dependência do futuro. É o que dispõe ao artigo 478 do CC (14).

quando por motivos imprevisíveis houver uma grande desproporção entre o montante originalmente acordado. Alternativamente. para armazenar os cereais. perdiam suas terras. Notas: (1) No início do século XX. Dois motivos acarretaram essa crise: (i) o aumento da produção não acompanhou o aumento dos salários e a mecanização gerou muito desemprego. Em resumo. que a resolução por onerosidade excessiva somente se opera. afetando as condições originalmente acordadas. e logo após. na medida do possível. gerada pela euforia norteamericana. simultânea e cumulativamente. Constatamos. se a outra parte (credor/réu) concordar voluntariamente em recompor a equação econômico-financeira do contrato em benefício da parte prejudicada (devedor/autor). portanto. e (ii) a recuperação dos países europeus. aplica-se a Teoria da Imprevisão e o contrato poderá ser revisto ou resolvido. Diante da contínua produção. posteriormente ocorrer um acontecimento extraordinário e imprevisível. mas também exige que estejam presentes os requisitos de eqüidade. quando estiverem presentes e reunidos esses cinco requisitos. para recompor o valor real da prestação.(v) resolução do contrato a pedido da parte prejudicada. as partes se vinculam a esta situação contratual e o contrato deve ser respeitado (pacta sunt servanda). por ocasião da celebração do contrato. a resolução do contrato poderá ser evitada. houve uma crise de superprodução. apesar de toda a euforia. a economia norte-americana passou por sérias dificuldades. que permite ao juiz corrigir o equilíbrio da relação contratual. Conclusão A Teoria da Imprevisão (rebus sic stantibus) tem natureza incidental nas relações contratuais e está fundamentada no equilíbrio das prestações. Todavia. 6. boa-fé. tomavam empréstimos. e a quantia apurada no momento de sua execução. na manutenção das condições do negócio em que foi manifestada a vontade de contratar. logo após a 1ª Guerra Mundial. As indústrias . uma vez exercida a liberdade de contratar e manifestada a vontade sobre as condições pactuadas. capaz de tornar a prestação excessivamente onerosa. e a falta de consumidores. se porventura. os Estados Unidos viviam um período de prosperidade e de pleno desenvolvimento. países esses que eram potenciais compradores dos Estados Unidos e reduziram suas compras drasticamente devido à recuperação de suas economias. a pedido da parte prejudicada. A partir de 1925. moralidade. Os agricultores. A questão da imprevisibilidade também está prevista no artigo 317 do CC (17). confiança e a ausência de enriquecimento sem causa de uma das partes em detrimento da outra.

Com isso.573/1931. Abalados pela crise. um dos maiores centros capitalistas da época. é considerado hipossuficiente e merecedor dessa proteção especial. visando proteger o consumidor na relação contratual. que o referido dispositivo ainda não mencionava o requisito da imprevisibilidade. podemos citar o Decreto nº 19. bem como o Decreto nº 24. todavia. entendem-se condicionados pela manutenção do atual estado das coisas . que. 393. obstáculo ao cumprimento da obrigação por motivo alheio a quem deveria cumpri-la. também foi afetado. atual. (3) A origem é atribuída à frase: Contractus qui habent tractum successivum et dependentiam de futuro rebus sic stantibus intelligentur.150/1934 (Lei de Luvas). que significa que os contratos que tem trato sucessivo ou dependência do futuro. propôs mudar a política de intervenção americana. Da Inexecução das Obrigações e Suas Conseqüências. Parágrafo único O caso fortuito ou de força maior. O Brasil. (4) Ressalte-se. os Estados Unidos conseguiram retomar seu crescimento econômico. Se antes. ocasionando uma crise mundial. despencaram. o Estado não interferia na economia. agravando mais ainda a crise. Com isso. Agostinho. O resultado disso foi a criação de grandes obras de infra-estrutura. que previa a rescisão do contrato de locação de funcionário público ou militar. em caso de remoção ou mesmo em redução de subsídios. verifica-se no fato necessário. (5) O CC determina que: Art. da mesma forma que o trabalhador na legislação trabalhista. Com a crise. saláriodesemprego e assistência aos trabalhadores. agora passaria a intervir fortemente. De qualquer forma o CDC admitiu a idéia de que fatos supervenientes poderiam tornar o cumprimento do contrato excessivamente oneroso. deixando tudo agir conforme o mercado. A crise naturalmente chegou ao mercado de ações. tentando superar a crise que abalou o mundo. ocasionando o crash (quebra). Franklin Roosevelt. se expressamente não houver por eles responsabilizado. os Estados Unidos reduziram a compra de produtos estrangeiros e suspenderam os empréstimos a outros países. em caso de modificação econômica da situação local. (7) Alvim.. de forma gradual. indústrias e empresas rurais foram à falência e pelo menos 12 milhões de norte-americanos perderam o emprego. que contemplava a renovação do contrato de locação de fins comerciais e econômicos e mesmo a revisão. o Presidente eleito. (6) A expressão caso fortuito origina-se do vocábulo latino casus e significa acaso. concessão de empréstimos. que tinha os Estados Unidos como principal comprador de café. Para solucionar a crise. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Os preços dos papéis na Bolsa de Nova York. milhares de bancos. etc. (2) Como exemplos. São .foram forçadas a diminuir a sua produção e demitir funcionários. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. 4ª ed.o preço do café despencou e houve uma superprodução. gerando milhares de desempregados no Brasil.

(17) Art. (13) Fonseca. Teoria Geral das Obrigações. poderá o devedor pedir a resolução do contrato. de modo que assegure. Curso de Direito Civil Brasileiro. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva. Caso Fortuito e Teoria da Imprevisão. Maria Helena. ou alterado o modo de executá-la.Paulo: Saraiva. São Paulo: Malheiros. 8a ed. Nos contratos de execução continuada ou diferida. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. a fim de evitar a onerosidade excessiva. (12) Conforme dispõe o artigo 394 do CC: Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo. aum. Arnoldo Medeiros da Fonseca. lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer . oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. Atlas.. Direito Civil: Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos. Forense. Rev. poderá o juiz corrigi-lo. 478. a pedido da parte. Sérgio. ver. (9) Diniz. A resolução poderá ser evitada. v. Quando. (14) Art. 479. Ed. 2005. 1996. São Paulo. 19ª ed. de acordo com o novo Código Civil. e atual. Teoria da Imprevisão e revisão judicial dos contratos. (11) Venosa. 1972. 1958. Programa de Responsabilidade Civil. (15) Art. o valor real da prestação. se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. 317. Forense.2. v. in Revista dos Tribunais 733. poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida. (16) Art. 2008. (10) Cavalieri Filho. com extrema vantagem para a outra.2. (8) Azevedo. 2004. . 480. Álvaro Villaça. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes. por motivos imprevisíveis. em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Sílvio de Salvo. quanto possível.

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