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Apostila Do Estado Do Tocantins

Apostila Do Estado Do Tocantins

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Emancipação

O Estado do Tocantins foi criado no dia 5 de outubro de 1988, com a promulgação da oitava Constituição Brasileira. A conquista foi resultado de uma luta que começou no século XIX e culminou com um projeto de lei do então deputado federal José Wilson Siqueira Campos, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1985, após ter sido vetado em duas ocasiões pelo presidente da República, José Sarney, que considerava o plano oneroso e desprovido de interesse público. A luta pela autonomia do Estado sempre foi um desejo antigo do povo do então norte de Goiás. Já em 1821, o desembargador Joaquim Theotônio Segurado rebelara-se contra o isolamento imposto na região, proclamando o Governo Autônomo do Tocantins. Apesar da pouca duração desse governo, a iniciativa serviu para espalhar o sentimento separatista entre a população. Mais tarde, em 1920, a divisão entre o norte e o sul de Goiás foi novamente defendida por José Pires do Rio, ministro da Viação e Obras Públicas do presidente Rodrigues Alves. A idéia foi bem recebida, mas não se materializou. A luta recente pela emancipação do Tocantins foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília (DF). Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia a Região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Porto Nacional, Tocantinópolis, Natividade e outras localidades. Para dar ênfase à prioridade da emancipação, Siqueira Campos submete-se a uma greve de fome, determinado a ir às últimas conseqüências. Como resposta, ele conseguiu a aprovação quase unânime no Congresso Nacional. A Capital Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte, e a cidade escolhida foi Miracema do Tocantins. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o legislativo e o executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro Governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice, o juiz federal aposentado Darci Coelho. A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes executivo, legislativo e judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do País em busca de oportunidades. Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com uma população que ultrapassa 150 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no País.

Geografia
O Estado do Tocantins está localizado no Centro Geodésico do Brasil, e possui uma área de 278.420,7 Km2. Com uma população de 1.157.098 (IBGE 2000), o Estado faz divisa com seis Estados: Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Por estar em uma área de transição, apresenta características climáticas e físicas tanto da Amazônia Legal quanto na zona central do Brasil, com duas estações: seca e chuvosa. O clima é tropical e a vegetação predominante é o cerrado, que cobre 87,8% da área total do Estado. O restante é ocupado por florestas. O relevo tocantinense é formado por depressões na maior parte do território, planaltos a Sul e Nordeste, e planícies na região central. O ponto mais elevado é a Serra Traíras (1.340 metros). O Tocantins é dono de muitas belezas naturais, entre elas a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na região sudoeste do Estado, onde também estão o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Nacional Indígena. 1 / 49

A maior bacia hidrográfica totalmente brasileira também está localizada no Estado - a bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Manuel Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.

História
Apresentação "O que será toda essa riquíssima região no dia em que tiver transporte fácil pelo rio, ou uma boa rodovia ligando todos esses núcleos de civilização. E sonhamos... com as linhas aéreas sobrevoando o Tocantins, vindo ter a ele ou dele saindo para os diversos quadrantes. As rodovias chegando a Palma, a Porto Nacional, a Pedro Afonso, a Carolina, a Imperatriz, vindos de beira mar! O tráfego imenso que a rodovia Belém do Pará - Imperatriz - Palma teria, se aberta ! (...) E pensamos: quantas gerações passarão antes que este sonho se realize! (...) mas tudo vem a seu tempo!" (Lysias Rodrigues) Já sonhava Lysias Rodrigues na década de quarenta quando defendia a criação do território do Tocantins. E o tempo chegou ! Foi criado pela Constituição de 1988 o Estado do Tocantins. Sua capital não é a Palma de que fala Lysias mas é Palmas em homenagem a esta, a vila da Palma, antiga sede da Comarca do Norte. E as rodovias e linhas aéreas já vêm e saem do Tocantins "para diversos quadrantes". Muitas gerações compartilharam o sonho de ver o norte de Goiás independente. Esse sentimento separatista tinha justificativas históricas. Os nortistas reclamavam da situação de abandono, exploração econômica e descaso administrativo e não acreditavam no desenvolvimento da região sem o seu desligamento do sul.

O norte de Goiás
O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins. Segundo Parente (1999) esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente norte de Goiás foi denominativo atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico essa denominação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores que "em quinze anos abrem caminhos e estradas, vasculham rios e montanhas, desviam correntes, desmatam e limpam regiões inteiras, rechaçam os índios e exploram, habitam e povoam uma área imensa...." (PALACIN, 1979, p. 30). Descoberto o ouro a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concretizando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, 1999,p.96).

A economia do ouro 2 / 49

"(...) descobrimento, um período de expansão febril, caracterizado pela pressa e semi - anarquia; depois, um breve, mas brilhante, período de apogeu, e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência, prolongada, às vezes, como uma lenta agonia. Tal é o ciclo do ouro"(PALACIN).

As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação, segundo Palacin (1979), da bandeira do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva (filho do primeiro Anhanguera que esteve com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O Rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto que "segundo ordenação do reino este era uma decorrência do domínio real sobre todo o subsolo (...) o rei (...) não querendo realizar a exploração diretamente cedia a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal fundido e apurado a salvo de todos os gastos" (PALACIN, 1979, p. 46).

O controle das minas
Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi "fiscalizado e vexado". E o fisco, insaciável na arrecadação. "Só havia uma indústria livre: a mineração", concluiu Alencastre (1979, p.18), "(...) mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de registros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao quinto (...) ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de contrabando (...)". À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabava ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

A decadência da produção
A produção do ouro goiano teve nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas (17261735) o seu apogeu, foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resultando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, nesse momento, a produção começou a cair "é possível afirmar que essa queda da produtividade está mascarada pelo incremento do contrabando - principalmente nessa região que, infelizmente é impossível mensurar"(PARENTE, 1999, p.42). De 1752 a 1778 a arrecadação chegou a um nível mais alto, é o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras que compensava e excedia a redução de produtividade. As distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e os perigos dos ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante "por não arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de sua manutenção" (PARENTE, 1999, p. 51). A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e a vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi a organização de bandeiras para tentar novos descobrimentos. Segundo Póvoa (1999) tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-

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se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante. A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia, Goiás) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição, chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível "arrastando consigo os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação e do comércio externo, menos rendimentos dos impostos, diminuição da mão-de-obra por estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural" (PALACIN, 1979, p.133). Toda a capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapitalizados. Não investiu em técnicas mais sofisticadas para a exploração do ouro nem resolveu o problema da falta de escravos. A avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais o ouro ia sendo abandonado. "Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, nada nos legaram em benefícios de civilidade, a não ser o expansionismo geográfico", concluiu Silva (1997, p. 41). Cada vez se adentrava mais para o interior procurando o ouro aluvional, mas as buscas foram em vão. Foi no norte da capitania que a crise foi mais profunda. Parente (1999) aponta os fatores determinantes. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agro-pecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas e o risco freqüente de ataques indígenas dificultavam o comércio. Além destas dificuldades o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania. "Para facilitar e agilizar a cobrança desses tributos, a capitania de Goiás se dividia em duas (sul e norte), no momento de se repassarem as rendas, essa divisão não valia, o que beneficiava os arraiais mais próximos da sede do governo, localizados no sul, que faziam parte dos povoamentos nas rotas comerciais com as outras capitanias" (PARENTE, 1999, p.92). Isso explica por quê essa renda não ficava na região de origem. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital e o atrofiamento do mercado interno, findo o ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise levando, diante desse quadro, os governantes goianos voltarem "suas atenções para as atividades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara" (PARENTE, 1999, p. 93).

A Subsistência da população e a integração econômica
"Realizada a transmutação, por toda a geografia de Goiás na segunda década do século XIX, encontram-se carcaças de antigas povoações mineiras outroras cheias de vida, o capim cresce nas ruas, a maior parte das casas abandonadas por seus habitantes se desmancham e até as igrejas, a começar por suas torres, vão caindo aos pedaços (...) O norte, sobretudo, foi mais de século em recuperar-se" (PALACIN). Finda a mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros essenciais (PALACIN, 1989, p.46).

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Minas Gerais e Rio de Janeiro" (CAVALCANTE. Esses aldeamentos foram mais promissores na medida em que constituíram. Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi Ouvidor da Comarca do norte. as lavras de ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas".) as importações de sal. e. o tempo gasto nas viagens e o perigo dos ataques indígenas. No norte o quadro de abandono. ainda que de forma precária e inexpressiva.. Além dos entraves naturais do próprio rio .as tropas de animais . despovoamento. daí as execuções..39). ferro e manufaturas. Johann Emanuel Pohl. "Os presídios incumbiam-se de afastar os índios hostis. nenhum viajante. por falta de braços. Saint-Hilaire na divisa norte/sul da Capitania revelou: "À exceção de uma casinha que me pareceu abandonada. anos depois. 5 / 49 . a Coroa portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento. p. "Voltar as atenções. Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral. daí a total ruína da Capitania". visto que. promoviam a fixação dos índios. 1999. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio. Pedro Afonso e Araguacema (antiga Santa Maria do Araguaia). Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins. que mais tarde tornaria ouvidor da Comarca do Norte. p59).. sob a direção de padres capuchinos. os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia. A navegação do Tocantins prosseguiu. Na linha do rio Tocantins não obtiveram sucesso no seu intento. Os esforços governamentais se concentraram principalmente no rio Araguaia na intenção de trazer também para os julgados do sul as vantagens do comércio com o Pará. o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa. pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela região nas primeiras décadas do século XIX. Diante dessa situação. Mas.. nem mesmo um único boi". a carência de mão-de-obra para a navegação das embarcações.devido á baixa produtividade das minas" (CAVALCANTE.39).. p. via Bahia e Pará.. através dos rios Araguaia e Tocantins (CAVALCANTE. a formação de sociedades mercantis e a instalação da navegação a vapor no Araguaia não foram suficientes para viabilizar a comunicação dos julgados do sul com o Pará. p. tornando possível utilizá-los como tripulação dos barcos que desciam rumo ao Pará" (ROCHA. embora cercada de imensos obstáculos. o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem. " (. prover os navegantes de víveres e garantir apoio logístico à navegação". O isolamento.Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica. pela navegação fluvial dos rios Tocantins e Araguaia. 1999. chegavam caríssimos. em visível decadência . "Os aldeamentos. aos comerciantes. em relatório de 1806. As picadas. Também buscaram atrair a população não-índia para as terras próximas a esses rios através da isenção fiscal por dez anos aos lavradores que ali se estabelecessem. o Desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins.tanto provincial quanto imperial investiu no sentido de explorar a navegação com fins comerciais. os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos.. 1998. todos interditados na época da mineração para conter o contrabando. os núcleos iniciais de cidades como Tocantínia (antiga Piabanha). Minas Gerais e São Paulo.) A Capitania nada exportava. O governo imperial instalou na Província presídios e colônias militares e estabeleceu aldeamentos ao longo dos rios Araguaia e do Tocantins. através da capitania do Pará. Nas primeiras décadas do século XIX.cachoeiras e corredeiras . concessão de privilégios na exportação para o Pará. deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da falta de meios para contrapor esse quadro: "(. Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará. da agricultura. as dificuldades de administração e os ataques indígenas foram os principais empecilhos. passando pelo povoado de Santa Rita constatou . da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes.(. O Desembargador Theotônio Segurado. não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade. a falta de suporte para as mesmas. saíam por um preço três vezes menor do que os julgados do sul pagavam às importações oriundas de São Paulo."é um lugar muito pequeno. não vi o menor trato de terra cultivada.)Agora por não haver negros. Como efeito imediato o norte começou a se relacionar com o Pará. nem o aldeamento dos índios. 1999..somavam-se os custos das viagens.55). vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas. só a partir dos anos 40 do século XIX que o poder público . no norte. diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia. naquele momento para essas vias de comunicação constituía-se numa necessidade premente da Capitania por não ser mais possível manter gastos com o único meio de transporte utilizado até então . o estímulo à agricultura. foram liberados desde 1782. Contudo.

No século XX. Tocantinópolis e Nazaré são exemplos de cidades do estado do Tocantins que nasceram de currais de gado. Paralelamente. ainda. barcos motorizados carregados de mercadorias como fumo.Obstáculos que o poder público não conseguiu transpor como também não conseguiu suprir a ausência de um produto exportável que mantivesse a região vinculada à metrópole ou mesmo às outras Províncias mais desenvolvidas economicamente. Taguatinga. Sesmarias eram lotes de terra cedidos pela Coroa portuguesa. de onde eram redistribuídas as mercadorias importadas de Belém e repassados os produtos sertanejos. praticada de forma extensiva. Sob o estímulo da pecuária surgiram agrupamentos humanos ruralizados. algodão. Os filhos dos fazendeiros ricos ou iam estudar em Carolina.. botões. Além de gado. originaram-se os núcleos urbanos.) ´"(CAVALCANTE. proporcionando um surto de desenvolvimento em vilas e povoados. criadores e tropeiros. novelo de linha. cravo-da-índia. A caça e a pesca também eram atividades subsidiárias. Salvador. Alguns fazendeiros dividiam seu trabalho entre o campo e a cidade.. Plantava-se. medicamentos diversos. peles silvestres e carne seca. as fazendas de gado já estavam consolidadas e revelaram um novo tipo de sociedade onde a criação de gado. se desenvolveram e alcançaram autonomia e maior expressão na região. "As pastagens naturais. Duas foram as razões: `(. desenvolveu-se a pequena lavoura para complemento alimentar. Lizarda. em razão do declínio da exploração aurífera ter sido mais rápido na região e.) a proximidade do norte e nordeste de Goiás ao litoral norte e nordeste e. Os vaqueiros. ela foi de vital importância para a economia do norte na medida em que integrou o sertão ao mercado de Belém. cana-de-açúcar. a segunda. De lá. constituídos de vaqueiros. então. Araguatins. fumo em rolo. portanto. a inexistência de mercados consumidores e as constantes ameaças de ataques da população indígena. canoas. A agricultura não alcançou um nível de produção comercial por fatores ponderáveis como o isolamento geográfico em relação aos grandes centros produtores. constantemente. vinham as manufaturas. Entrepostos comerciais. o gado também abriu caminhos para o interior do sertão. couro de boi. Silvanópolis. A pecuária praticamente determinou o processo de ocupação econômica da região nos séculos XIX e XX. predominou. Da conjugação das várias fazendas. Ponte Alta do Bom Jesus. as dificuldades dos meios de transportes e de comunicação. transformaram-se em prósperas vilas como Porto Imperial (atual Porto Nacional). A navegação prosseguiu. No final do século XIX. saíam botes.19). Eram vaqueiros e remeiros. sal. 6 / 49 . o indispensável para o consumo e para a aquisição de alguns produtos básicos de importação como sal. açúcar grosso. 1999. pimenta-do-reino. tornaram-se forte atrativo aos criadores de gado do Maranhão e Piauí que. Porto Nacional. rumo a praça de Belém. criavam porcos. batelões e. intercalavam seu trabalho no campo com a atividade de barqueiro no rio Tocantins. não foi exclusiva. cachaça. Se não atendeu aos propósitos de soerguer economicamente toda a região. A pecuária. mais tarde. Já no final do século XVIII e por todo o século XIX multiplicaramse as fazendas de gado no norte. ao longo do século XIX. cabras e ovelhas. ervas. rapadura. onde residiam e estabeleciam comércio onde vendiam querosene. São Pedro de Alcântara (Carolina-Ma) e Boa Vista (Tocantinópolis). ao norte. Pedro Afonso.. p. Rio de Janeiro. apesar de dominante. sustentada pela perseverança dos comerciantes do norte. ou permaneciam na tradição familiar com a criação de gado.. Nas próprias fazendas. etc. etc. ferro e produtos do reino. o incentivo geral da Coroa na concessão de sesmarias mais extensas aos interessados na atividade pecuária (.. pólvora.

na Bahia (SILVA. com a construção da rodovia Br-153 ou Belém-Brasília ligando o Planalto Central à Belém do Pará.O intercâmbio comercial dessa região era maior com as praças de Belém. Eram vendidos couros de boi e peles silvestres (Pará e Maranhão). no início do século XX.era vendido para a praça de Belém. a ocupação econômica do extremo norte e do Médio Tocantins foi sustentada pelo extrativismo mineral e vegetal: o babaçu. Miranorte. 89). As linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado. Cristalândia. Anapólis. Itacajá e outros. 30 e 40 do século XX. centralizando os negócios do Médio Araguaia e Tocantins com a praça de Salvador. Pium. o babaçu e o mogno aqueceram o comércio da região. "Há informação de que até 1983 alguns municípios do norte de Goiás. como fonte de renda. não foi suficiente para superar a debilidade dessa relação inter-regional devido ao desequilíbrio existente na estrutura viária do estado. Nas décadas de 1940 e 1950. Colinas e Araguaína. salgada e dobrada em forma de manta . Nesse mesmo período. A rodovia promoveu uma nova rearticulação do comércio inter-regional que. Na década de 1960. tinha ficado ainda mais debilitado depois da construção da ferrovia no sudeste goiano. Maranhão. provocando um redirecionamento do comércio. com a construção da Br-153. Boa Vista. p. Ainda se 7 / 49 . Cidades como Gurupi. Arapoema e Xambioá foram favorecidas com a exploração do quartzo (cristal de rocha) que ganhou mercado com a Segunda Guerra Mundial. O extrativismo. No norte goiano. o caucho e o cristal. Nos anos 20. Em Araguatins. visto que. até o final da década de 1950. No século XX.carne das partes dianteiras do boi. O charque . As transações eram feitas a dinheiro ou à base de permuta (SILVA. essa atividade continuou movimentando a economia regional e trouxe surto de prosperidade para algumas povoações. Paraíso. O sal vinha de Mossoró (RN) via Barreiras e o café. A construção da estrada-de-ferro integrou economicamente o centro-sul de Goiás ao centro-sul do país. esta região se relacionava basicamente com o Maranhão. possuía a maior frota de barcos e era o maior centro urbano de todo o norte goiano na metade do século XIX. 1997. naquele momento. porém. tiveram sua origem ou se desenvolveram.nessa área eram destinados principalmente a promover a integração do centro sul de Goiás com o centro sul do país. Só a rodovia. p. pólo industrial do Estado de Goiás. a instalação de charqueadas incrementou o comércio de Pedro Afonso e Araguacema com o Pará. alargando a distância das relações entre o norte e o sul de Goiás. Os investimentos federais ou estaduais . se tornou o novo centro abastecedor do norte goiano. de Corumbá de Goiás. Piauí e Bahia. como Goiatins. fez parte de uma época áurea na história desses municípios. Esse comércio foi feito inicialmente por via fluvial e continuou por via aérea. látex de mangabeira (Belém e Bahia) e gado em pé (Bahia e Piauí). declina a navegação mercantil. todas localizadas à margem esquerda do rio Tocantins.43). Guaraí. perde para a pacata vila de Pedro Afonso que com o látex da mangabeira (caucho) assume a liderança de empório do sertão. Com a BR-153 essa situação foi amenizada. 1999. Pará e Bahia. 1997. atual Tocantinópolis. a Belém-Brasília provocou muitas alterações na economia local. se praticamente inexistia. p. Tocantínia-Pedro Afonso-Carolina. pedidos de financiamento agrícola sob a alegação de que as safras não seriam escoadas" (CAVALCANTE. Por outro lado. as povoações situadas à margem direita do rio ficaram isoladas da nova rota de desenvolvimento. ficaram praticamente ilhados. Essa situação obrigou o Banco do Brasil a recusar.75). Carolina-TocantinópolisBelém foram desativadas.

com o Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia Araguaia .o boi vegetal . Como conseqüência desse processo houve a desapropriação dos antigos moradores locais pelos grandes proprietários desencadeando graves conflitos sociais. acrescido de uma 8 / 49 . a arrecadação de impostos era inferior. As pastagens naturais e a vegetação nativa cederam espaço para o plantio de novos pastos. Já a persistência de métodos tradicionais na produção e nas relações de trabalho diante do novo demonstrava a heterogeneidade dessa expansão. Em relação a estrutura fundiária. a navegação fluvial como meio de subsistência. 1997. através do rio Araguaia e Itaguatins. p. a pecuária foi consolidada como atividade econômica básica e. E o babaçu .. torta para ração animal etc. a cobrança do quinto . carvão ativado.CIVAT. Um exemplo concreto desse fenômeno foi a posição privilegiada que o município de Araguaína conseguiu em relação aos demais com o recebimento de mais recursos. por exemplo.93). a consolidação da integração econômica. A polarização de recursos em pontos diferenciados acentuou o desequilíbrio regional. álcool. iniciando uma nova fase de modernização no processo de ocupação e causando impactos na organização da produção e na estrutura fundiária da região. Araguatins. Por isso." (SILVA. da Comissão de Estudos e Obras dos Rios Tocantins e Araguaia .tentou reativar a navegação dos rios Araguaia e Tocantins com a criação da Companhia Interestadual dos Vales Araguaia e Tocantins . o que permitiu que a partir da década de 1970. Mas as estradas de rodagem já se expandiam oferecendo uma opção de tráfego mais fácil e viável. com a expansão da modernização e a incorporação de novas áreas. todavia. passou a predominar as raças gir e nelore. o novo modelo de desenvolvimento possibilitou a concentração de terras com a formação de latifúndios voltados para a pecuária.pagamento em ouro em pó sobre a produção .Brasília onde "a pata de boi invade os babaçuais que passam a ser vítimas das queimadas. mas também difundidos em 60 municípios do norte goiano. A Belém-Brasília "ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira de desenvolvimento" (SILVA. mais tarde.94).com seus 80 subprodutos. constituía-se num desafio para o futuro Estado do Tocantins. em detrimento dos tradicionais milho e feijão.CEORTA e. A Primeira Cisão .1736 Na época da mineração. 1997. no lugar do gado vacum pé duro. as minas localizadas ao norte da capitania de Goiás eram consideradas mais ricas do que as do centro-sul. borra. objetivando a exportação de arroz e soja. do rio Tocantins.foi substituída pela capitação que passou a cobrar uma taxa de imposto sobre cada escravo utilizado. ainda preservam um intercâmbio comercial e cultural com o Pará e Maranhão. p.. Com o fim da política de investimentos e de crédito do governo federal.Tocantins (PRODIAT). Isso ocorreu principalmente no espaço que compreende o rio Araguaia e a Belém . Quanto à produção. vai dando espaço ao desenvolvimento da SUDAM. a agricultura foi reorientada. continua a fazer parte do cotidiano de algumas cidades. Ainda assim. O governo federal criou programas dirigidos principalmente à Amazônia. o norte de Goiás se tornasse alvo para investimentos governamentais com o objetivo de incorporar a região ao mercado nacional como produtora de bens exportáveis. como óleo comestível ou industrial. em proporção muito menor. Nas décadas de 1970 e 1980 na região norte de Goiás configurou-se uma nova paisagem marcada pela descontinuidade e heterogeneidade da expansão modernizadora.

a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. nunca de toda reparada. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo.1821 a 1824 A Revolução do Porto no ano de 1820. não hesitou em reivindicar legalmente autonomia político administrativa dessa região" (CAVALCANTE. Natividade. p. Traíras e Flores. p. No lugar escolhido por Segurado. O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a 9 / 49 . O Movimento Separatista do Norte de Goiás . em Portugal. José Cardoso de Mendonça. Essa diferenciação fiscal teve como justificativa o alto índice de contrabando na região em função do seu isolamento. aqui na colônia. conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. exigindo a recolonização do Brasil mobilizou. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras. 1979. O arraial do Carmo que já tinha sido cabeça de julgado perde essa condição que foi transferida para Porto Real. Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos interesses regionais e. foi aclamada no norte onde já havia anseios separatistas. principalmente. por ser a data da criação da Comarca do Norte. ponto que começava a prosperar com a navegação do Tocantins. Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. A idéia da nomeação de um governo provisório. oficialmente. O Pe.50). p. Tal situação alimentou o sentimento de desligamento regional que mais tarde iria se evidenciar como "algo natural. Arraias. Luiz Bartolomeu Marques. Cavalcante. essas idéias liberais refletiram na tentativa de derrubar "aquele que era a própria personificação da dominação portuguesa": o capitão-general Manoel Sampaio. geográfico e histórico" (CAVALCANTE. Em Goiás. que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias. assim como chamaria a vila que. estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. Ficaram dois anos sem pagar e só voltaram em igualdade de condições com as outras regiões. Este episódio deixava evidente o caráter esporádico das relações entre o norte e o sul que só existia "em função de atos administrativos isolados com finalidades meramente fiscais ou jurídicas" (CAVALCANTE. o Alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã. foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes. Mais uma vez Sampaio impôs sua autoridade e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. A Comarca do Norte recebeu a denominação de Comarca de São João das Duas Barras. Contra essa discriminação se levantaram os mineiros do norte ameaçando desligarem-se da Superintendência do centro-sul e ligar-se ao Maranhão. administrador da comarca do norte.1809 Para facilitar a administração à aplicação da justiça e. a vila de Palma. Natividade teria a sede da ouvidoria. O 18 de março foi. O Pe. O ouvidor Theotônio Segurado. 1999.sobretaxa para as minas do norte. Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821. 1999. A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila comarca. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real.50). o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a comarca do sul e a comarca do norte. enviado para a aldeia de Formiga e Duro. depois de fracassada na capital. segundo Palacin. na consciência de unidade do território de Goiás" (PALACIN. considerado o Dia da Autonomia pela Lei nº 960 de 17 de março de 1998. na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. especificamente no litoral. p. Marques recebeu ordens para se manter afastado da capital. causou "a primeira cisão. caso o governo insistisse na cobrança de um imposto que consideravam injustas. Para nela servir foi nomeado o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado como o seu Ouvidor. 1999. Contudo. São Félix.52). A Criação da Comarca do Norte . em seguida. sob a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do Pe. Alguns vieram para o norte. houve uma denúncia sobre o golpe e. Conceição. A atitude dos mineiros. hoje a cidade de Paranã. o Ouvidor e o povo do norte solicitaram a D. muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará. "tão logo se mostrou oportuno. incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia. como o capitão Cardoso. mas nunca chegou a ser construída. e o Pe.54).

todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. "No dia seguinte. administrativa e geográfica. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. Palmenses! Sejamos livres.Proclamação. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822..independência do Brasil. mas deu vivas a D. Saídas de gados. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. 1979. E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. Theotônio Segurado. não tendo bastante prestígio e influência.)" (ALENCASTRE. com capital provisória em Cavalcante. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. No dia 14 de setembro. eis os empenhos para os cargos públicos. Eles continuam na escravidão.) mas este. cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Teotônio Segurado (. p.. os arraiais de São José.. . O Ouvidor da Comarca do Norte. onde reside interinamente o governo provisório. política. Para este fim contavam com o vigário de Cavalcante. . 1979. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. para Segurado. S. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. O Ouvidor da Comarca do Norte. instalou-se o governo independencista do norte. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. entrada de sal. com capital provisória em Cavalcante. administrativa e geográfica. . um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. mas deu vivas a D. a virtude e a ciência.Proclamação. ferro. p. ou por mal delineado. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. e nela residirá o governo. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. No dia 14 de setembro. ou por sermos os únicos que os pagamos. Theotônio Segurado. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. e tenhamos segurança pessoal.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. Esses deputados devem ser eleitos. ou por mal delineado.358). Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. Domingos. .358). banco. aço e ferramentas ficam abolidas. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. "No dia seguinte. 1979..358). instalou-se o governo independencista do norte. se decidirá qual deve ser a capital. décima. p. política. de natureza econômica. de natureza econômica. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. papel selado. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. Depois de reunidos todos os deputados. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. ou por ser 10 / 49 . ou por ser rebatido por força superior. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. para Segurado. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. Francisco Joaquim Coelho de Matos "(. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE.

todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca.358-359). Em abril de 1822. Palmas. décima. eis os empenhos para os cargos públicos. o seu afastamento da liderança do movimento por ter viajado a Lisboa (. Viva a nossa santa religião. João VI. O sucessor de Segurado foi o tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira que transferiu a capital para Natividade. Presidente Joaquim Theotônio Segurado. chegou à região não encontrou nenhuma resistência organizada que viesse a se tornar obstáculo à realização de seu objetivo. "A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a Junta havia ficado acéfala. seria inevitável a cisão entre as lideranças regionais" (CAVALCANTE. Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional" (CAVALCANTE. ou por sermos os únicos que os pagamos.parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado. Domingos. Manoel Antônio de Moura Teles. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. se decidirá qual deve ser a capital. A instalação de um governo independente . foi quem assumiu a chefia do movimento e organizou o novo governo. José Zeferino de Azevedo. Para entender a impossibilidade de sustentar o governo provisório do norte"é relevante não a posição antiindependencista de Theotônio Segurado mas sim. A prisão do Capitão Felipe Antônio Cardoso. instalado em Cavalcante. Os soldados que quizerem sentar praça de infantaria vencerão cinco oitavas por mês. quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte agravou a crise interna. assume o poder naquela comarca o Pe. destituiu o Ouvidor Febrônio José Vieira Sodré de suas funções e passou a acumular o cargo de Ouvidor. Em outubro de 1821. Assim. ânimo e união! O governo cuidará da vossa felicidade. entrada de sal. foram todos fatores que.na condição de Comandante das Armas e a serviço da Junta de Governo da Província de Goiás . transfere a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. as dificuldades de natureza econômica e financeira. "o pacificador do norte". Francisco Xavier de Matos. Depois de reunidos todos os deputados. Na ausência de Segurado. Saídas de gados.).que já estava enfraquecido por divergências internas. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. ferro. viva a constituição que se fizer nas cortes reunidas em Lisboa. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. Tal decisão provocou reação em Cavalcante e Palma que não acataram as ordens de Cerqueira e mantiveram-se fiéis ao Ouvidor Febrônio. quando Luís Gonzaga. viva o Sr. em conjunto. Cavalcante. banco. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. 67). e tenhamos segurança pessoal. D. O Capitão Felipe Antônio Cardoso. que resistia à unificação. Um novo governo provisório foi organizado. p. papel selado. e na cavalaria seis e meia.não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa. Pelo contrário. 1999. apesar de não participar diretamente dele. Com o seu afastamento em janeiro de 1822. p. 1999. antes ocupada por Segurado. Francisco Joaquim Coelho de Matos. Eles continuam na escravidão. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista.rebatido por força superior. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. o pulso forte de Luís Camargo Fleury e o não reconhecimento por parte de D.foi enviado para Cavalcante a fim de garantir a consolidação da recém conquistada unidade política. onde reside interinamente o governo provisório. com o Brasil já independente. e nela residirá o governo. 1979.64). S. Através de um decreto. com a ausência de um líder em condições de assumir tal posição. A crise se instalara dividindo e enfraquecendo o governo do norte. com a instalação do governo provisório no sul. aço e ferramentas ficam abolidas. Finalmente em 1823. Esses deputados devem ser eleitos. Fleury também conseguiu a dissolução do maior foco de oposição contra a unidade política . partidário da luta pela independência nacional. Palmense. a Comarca da Palma foi desmembrada de Goiás e constituiu em sua jurisdição uma província independente. José Vitor de Faria Pereira. viva o príncipe regente e toda a casa de Bragança. foi sua primeira demonstração de força.. As divergências internas em relação à hegemonia política da região.. Camargo Fleury com a missão de restabelecer a unidade política da Província. os arraiais de São José. 15 de setembro de 1821.o Clube de Natividade . a virtude e a ciência. nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da maioria dos arraiais conseguiu se firmar. Palmenses! Sejamos livres.Em decorrência disso. contribuíram 11 / 49 . o Brigadeiro Cunha Matos . Pedro I do governo instalado no norte. mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul . Foi mandado à Corte um deputado para comunicar o governo central da decisão tomada. Luiz Pereira de Lemos e Joaquim Rodrigues Pereira (ALENCASTRE. os interesses particulares dos líderes de Cavalcante. p.

obrigatoriamente. de modo mais concreto. e. não sentiu os efeitos desse surto na década de 50. Em 1949. A viabilização de projetos como a Br-153 e a construção de Brasília destacou Goiás no cenário nacional. Contudo. abraçou a bandeira da criação do território do Tocantins tendo o seu projeto acatado pelo presidente Getúlio Vargas e despachado para o IBGE. contribuindo para a crença de que para o norte goiano se desenvolver seria preciso. adesão de outros municípios e manifestações de solidariedade de outros estados como Maranhão e Bahia. a Br-153 só foi asfaltada a partir de 1965. Mas. o sentimento separatista continuou vivo ao longo do século XIX. com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias. houve a criação do Comitê de Propaganda Pró-Criação do Território do Tocantins. Feliciano Machado Braga. sendo a mesma posteriormente rejeitada e arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça da Administração Federal. O norte. Em 13 de maio de 1956. o Brigadeiro Lysias Rodrigues. A tentativa de integração do norte goiano à marcha desenvolvimentista partiu da promoção do seu discurso separatista ressaltando sempre a situação de abandono da região. esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país. ainda que remando contra a maré.Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946). liderado pelo Juiz de Direito dessa Comarca. Com o objetivo de mobilizar a região em torno desse discurso foram realizados vários eventos. O território do Tocantins seria criado com a divisão territorial do norte de Goiás e sul do Maranhão. foi lançado em Porto Nacional o movimento PróCriação Estado do Tocantins. em 1889.para o fracasso desse movimento. com a capital em Carolina (MA) ou Pedro Afonso (GO). A imprensa regional constantemente denunciava a situação de abandono. O movimento ganhou apoio de estudantes. Em 1944. propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do Tocantins. duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay.maior centro econômico e político da época . Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá. "que conhecia por terra. a Câmara Municipal aprovou resolução que integrava Porto Nacional ao estado do Tocantins e reconheceu este estado. A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins. Mas. o Dr. com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). no plano nacional. com o apoio dos poderes legislativo e executivo local. Foi instituída a bandeira e escolhido o Nosso Senhor do Bonfim como padroeiro do Estado.atual Rondônia . as oposições internas e promessas políticas não cumpridas provocaram desgastes e enfraqueceram a luta. A trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX. Rio Branco. visto que. na condição de deputado pela Província de Goiás. exploração econômica e descaso administrativo. principalmente de Porto Nacional . vigorava no país as políticas do desenvolvimentismo e da integração nacional marcadas pelo Governo Juscelino Kubistcheck. estado ou território. Nos anos 50. Em outubro. Guaporé . constando a do Tocantins na região que compreendia o norte goiano. acreditando ser pertinente a sua defesa devido a abertura dada pela Constituição de 1946 que estabelecia normas para subdivisão ou incorporação de novos estados. na prática. Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional. a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. água e ar as vastidões nacionais". Ainda no Império. em 1863.em periódicos como "Folha do Norte" e "Norte de Goiás". desligar-se do sul. a Assembléia Legislativa não aceitou a representação da Comissão que defendia a criação do território do Tocantins. com a consolidação da expansão capitalista no centro-sul. Em Pedro Afonso. 12 / 49 . a idéia de se criar o Tocantins.

o movimento foi sustentado pela defesa isolada de alguns membros do Legislativo estadual e de lideranças estudantis do norte. com o objetivo inicial de dar assistência aos estudantes que iam para aquela capital para dar prosseguimento aos seus estudos. foi mais conveniente mobilizar as forças representativas da região para uma ação unificada junto ao governo do estado. mobilizou o meio político para a criação do Tocantins. A publicação dessa carta na imprensa regional trouxe novamente à baila as manifestações pró-criação do estado do Tocantins. em decorrência da ditadura militar e do fechamento político do país a partir de 1965. vale destacar a atuação da CENOG que.123). redigida pelo Dr. pela Assembléia Legislativa Goiana. qualquer manifestação de caráter autonomista poderia ser interpretada como ameaça à ordem e segurança nacional. o movimento apresentou certa disposição ao desalento. por ocasião da elaboração da Constituição de 1967. entre eles o do Tocantins. Para a região se enquadrar nessa política foram necessárias medidas urgentes como regularização de títulos de terras. 13 / 49 . Feliciano da região norte para Anápolis. 1999. A aprovação da Emenda da deputada Almerinda Arantes à Constituição Estadual criando o Estado do Tocantins pelo desmembramento de Goiás a partir do paralelo 13º. as reivindicações políticas do norte goiano diziam respeito à sua inserção no mercado internacional. proporcionando a modernização do processo de ocupação econômica com a mecanização da lavoura e a pecuária intensiva.Como instrumento de luta foi lançado o jornal O Estado do Tocantins. mas dependia também da realização de um plebiscito na região e da aprovação do Congresso Nacional. "O magistrado considerava a disposição geográfica daquela época anacrônica e injustificável . com a inserção do norte de Goiás na Amazônia Legal. seria um passo em direção à criação do Tocantins. acenou para a possibilidade de formar novos territórios na Amazônia. A conscientização destes em relação aos problemas da região permitiu que a entidade ampliasse seus objetivos e abraçasse a causa separatista. Isso provocou uma "justificada euforia". na Assembléia Constituinte. pois. Em 1965. p. Assim. Nos anos 60. fundada em Goiânia em 15 de maio de 1960. Feliciano Braga. dentro da política econômica da época. Quando o governo federal. 1999. etc. com base na ideologia da Segurança Nacional. Contudo.herança da colonização com leves modificações" (CAVALCANTE. feito pelo deputado Paulo Malheiros. foi aberto um espaço para a abordagem da redivisão territorial. manteve acesa a luta pela criação do Tocantins durante uma década. E pedia que a futura Constituição não se omitisse na solução de "tão importante e vital problema do Brasil". "Mas não com força suficiente para que a tese separatista fosse sustentada. comícios. Nesta havia um apelo para que a Revolução de 31 de março realizasse a redivisão do país. Assim. Até a primeira metade dos anos 70. Feliciano Braga. general Albuquerque Lima. as mobilizações perderam as forças. enfraqueceram o movimento. através de uma carta ao presidente Castelo Branco. foi rejeitado em agosto de 1957.128). sob a direção de Dioclesiano Ayres da Silva e redação de Fabrício Costa Freire e Dr. Neste contexto. através de congressos. o artigo de solicitação do plebiscito. a oposição do Legislativo goiano e a transferência do Dr. o pronunciamento do ministro do Interior. direcionadas para a produção de bens de consumo duráveis e do incentivo à agricultura comercial voltada para a exportação. através do seu jornal O Paralelo 13. considerando "irreais" as informações extra-oficiais que anunciavam a redivisão do país em vários territórios. p. Motivos para a criação do Tocantins continuaram sendo expressos em artigos de jornais relacionando a importância de Brasília e a criação do novo estado para a interiorização do Brasil. com destaque para a Casa de Estudante do Norte Goiano (CENOG). distribuição de cartazes e boletins. Contudo. Mas. buscando sua integração aos progressos do centro-sul. funcionou como um instrumento de denúncias e reivindicações do povo nortense. abertura de créditos e financiamentos. conforme estabelecia a Constituição Federal. principalmente se for considerado o fato de os divisionistas sempre terem levantado a bandeira do abandono e do isolamento a que essa região estivera relegada" (CAVALCANTE. Mas.

organização suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de Emenda Popular. em 1987. entre eles o do Tocantins. vetado pelo presidente. Presidiu a Comissão da Amazônia e apresentou trabalho sobre a redivisão territorial propondo a criação de doze territórios. Em protesto contra o segundo veto do presidente os deputados Siqueira Campos e Totó Cavalcante iniciaram greve de fome. em Brasília. nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins que conquistou importantes adesões para a causa separatista. O mesmo deputado apresentou projeto de consulta plebiscitária para a posterior criação do Território do Tocantins. aprovado pela Câmara de Deputados e que. em plena fase de abertura política. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto de existência quase que secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano já batizado "Tocantins". independente de opções partidárias. Em maio do mesmo ano. retomou a proposta da criação do Tocantins. as expectativas em relação ao processo de democratização deflagrado. a CONORTE promoveu o 1° Congresso de Estudo dos Problemas do Norte Goiano. do descaso governamental e da necessidade de se organizar politicamente para a defesa dos interesses da região. mais uma vez. adiou o sonho dos tocantinenses. coordenada pelo Ministério do Interior. A CONORTE mobilizou as lideranças conclamando para uma cruzada de mobilizações populares e realizou seminários e conferências nas universidades de Goiás demonstrando a falta de fundamentação nas justificativas do veto presidencial que. Não há como contestá-lo".em 1981. "O povo nortense quer o Estado do Tocantins.Comissão de Estudos do Norte Goiano . divulga em Brasília a Carta do Tocantins. Henrique Santilo (SILVA. além de fazer uma análise sócio-econômica da região. No ano de 1984. Nos anos 80. aprovado na Câmara e no Senado e. Com objetivo similar. permitiu que fosse novamente levantado o discurso em defesa dos interesses do norte goiano. em 1984. com as eleições diretas para governador em 1982. Neste contexto. o deputado Siqueira Campos apresentou um projeto de Lei Complementar para criar o Estado do Tocantins. conferências e manifestos publicados na imprensa. e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. mas vetado pelo Presidente José Sarney. Havia ainda por vir a Campanha das Diretasjá. se votasse em políticos comprometidos com os interesses do norte. Esta. Em junho de 1986. Sustentada por lideranças políticas e intelectuais radicadas em Goiânia e Brasília. Isso foi feito através de congressos. o projeto foi reapresentado no senado pelo Senador Benedito Ferreira. Foi criada a União Tocantinense. A maioria das lideranças era contrária a essa posição. seminários.1988 O ano foi 1987. chamando a atenção da mídia de todo o país e sensibilizando a opinião pública em favor da criação do estado do Tocantins. Articularam-se. Em abril de 1982. em plena fase de prosperidade econômica. para a aprovação do projeto de criação do novo estado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1987. então. foi de fundamental importância dentro desse contexto. se mobilizou em torno de sua autonomia até conseguir em 1977 a aprovação pelo governo federal do projeto de criação do estado do Mato Grosso do Sul.O discurso separatista veio novamente à tona quando o sul do Mato Grosso. A CONORTE apresentou à Assembléia Constituinte uma Emenda Popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do estado. 1997. Depois. concluiu ser inviável a criação do estado do Tocantins mas acenou com a possibilidade de se instalar o Território do Tocantins. mais uma vez. apela aos nortistas para reunirem forças em prol do aumento da representatividade da região na esfera governamental. o deputado Siqueira Campos. 14 / 49 . Na prática a idéia era de que. a Comissão de Redivisão Territorial. inicialmente. E o povo é o juiz supremo. foi arquivado pelo Senado Federal. representante do norte goiano. A criação do Estado do Tocantins . a CONORTE tinha como objetivos conscientizar a população das potencialidades econômica do norte goiano. no ano seguinte. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional. reconhecia o governador de Goiás na época. A fundação da CONORTE . Os dois vetos foram justificados com os argumentos de que a criação de mais um estado implicaria em ônus para os cofres públicos e da inviabilidade econômica do novo estado que não dispunha de recursos suficientes para sustentar-se.

do Vice-Governador. em um único turno. Pará e Mato Grosso. Ato contínuo. § 4º Os mandatos do Governador. a critério do Tribunal Superior Eleitoral (. 234 da Constituição. § 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado. por exemplo. O desbravamento da região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital. pelo desmembramento da área descrita neste artigo. Minaçu. e dará posse. o Governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. Em junho..024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional. A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988. 1989. dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º. em 05 de outubro de 1988. GARCIA. o deputado Ulisses Guimarães. como disse um mercador italiano" (AMADO. juntamente com o dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados. juntamente com oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais. a assumir os referidos débitos. redige e entrega ao presidente desta Assembléia.237). A preocupação em catequizar as 15 / 49 . No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o Governador. Foram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. feita nos moldes da Constituição Federal. localizada na região central do novo estado. § 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes. dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação. norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia. Monte Alegre de Goiás e Campos Belos. Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. o Vice-Governador. A cidade de Miracema do Norte. Foi construída. até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição. a cidade de Palmas. as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso.. Foram nomeados o primeiro Secretariado e os primeiros Desembargadores. no centro geográfico do estado.). garantido. observado o disposto no art. "Explorava-se em nome de Deus e do lucro. seu vice. e autorizada a União. o deputado Siqueira Campos. No dia 5 de outubro de 1989. Em 1º de janeiro de 1990. Cavalcante. Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. foi promulgada a primeira Constituição do estado. Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins. foram escolhidos os Senadores e Deputados Federais e Estaduais. Além do Governador e seu vice. Formoso. mas não antes de 15 de novembro de 1988. § 3º O Governador. foi escolhida como capital provisória. § 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia. nascia o Estado do Tocantins: Art. Foram alterados. junto com as eleições dos prefeitos municipais. foi instalada a capital. Maranhão. José Wilson Siqueira Campos.p. na mesma data. Além de desbravar. os senadores Moisés Abrão Neto. os nomes de Miracema do Norte. § 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembléia Constituinte. no que couber. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo estado que tinham a identificação "do Norte" e passaram para "do Tocantins". sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás. o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. relator da Subcomissão dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte. p. os Senadores. a fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia. explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. numa área de 1. para ser a sede do Governo estadual. ao Governador e ao Vice-Governador eleitos. através da posse de colônias e de metais preciosos. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição. Darci Martins Coelho. Piauí. principalmente. § 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins. conservando a leste. Atualmente o estado possui 139 municípios.13.09). a seu critério. e o dos outros dois. Porangatu. É criado o Estado do Tocantins. os Deputados Estaduais serão eleitos.

Estas expedições eram de caráter oficial destinadas a explorar o interior e buscar riquezas minerais ou de particulares organizadas para a captura de índios. franceses e holandeses conquistavam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil.06). seguindo os cursos dos rios. 15-16). Os currais de gado deram origem aos primeiros núcleos coloniais "quando a região é sacudida com a febre do ouro de aluvião". somente os criadores de gado vieram com a intenção de se fixar na região. Portugal. Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES. Poucos contribuíram. muito para a sua posterior exploração. Pernambuco e Piauí. principalmente do Araguaia.Pernambuco. iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. p. Os bandeirantes aproveitando a extinção destes nos grandes centros colonizadores da costa . depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense. de negros da África. tinha como função fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. para o seu povoamento. Maranhão e as ribeiras do rio São Francisco" (SILVA. se expandiam para a região as fazendas de gado. então. em certos períodos. contribuindo para despertar lendas sobre o metal. a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí. Como os bandeirantes. 25).e a dificuldade de importação. A criação de gado antecedeu a mineração. 1979. De São Paulo saíam as bandeiras em canoas pelos rios Paranaíba-Tocantins-Araguaia até voltarem pelo Tietê a São Paulo. todo o território do atual Estado do Tocantins. "Quando na terceira década do século XVIII acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins.populações encontradas foi constante. Mas a ocupação econômica e o povoamento efetivo só se dariam a partir da segunda década do século XVIII com base na exploração do ouro dentro do contexto da 16 / 49 . 1989. Diversas expedições "entradas". transformaram a sua captura num lucrativo negócio para atender a demanda de mão-de-obra na lavoura. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. De Belém partiam expedições de exploradores e jesuítas pelo rio Amazonas chegando até os rios Tocantins e Araguaia. Só no final do século XVII e início do século XVIII que bandeirantes com objetivo de descobrir metais nobres tiveram a preocupação em fixar núcleos estáveis no interior do Brasil. Dos sertões da Bahia. iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação. 1998). completa Silva. Rio de Janeiro . com pequenas quantidades de ouro de aluvião dos rios. Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral. A colônia brasileira. pp. Como subproduto destas expedições os bandeirantes retornavam. Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região pela "decidida ação dos jesuítas". no século XVII ingleses. algumas vezes. Os franceses. Até o início do século XVIII. "descidas" e "bandeiras" percorreram a região. Procuraram tão só "descer" as tribos para suas aldeias no Pará (PALACIN. uma dessas viagens podia demorar-se dois ou três anos" (PALACIN. 1997. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta. p. Bahia. os jesuítas também iam à busca de índios. administrada política e economicamente pela metrópole. na época. Como eles. criadores de gado e bandeirantes. Jesuítas. Mais tarde depois de 1630 introduziu-se o uso de mulas e as bandeiras preferiram a viagem por terra. Destes desbravadores. 2001). no sentido sul-norte. a força motivadora para a exploração da região foi predominantemente o índio. "Naquele tempo. tampouco se fixaram no território. foram os desbravadores da região ainda no século XVII. E ainda no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro (Dianópolis) (SECOM.

17 / 49 . A Folia de Reis. biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. os Apinajé (Povo Panhi) e os Krahô (Povo Meri). se apresentam tocando. 1999. tristeza. os Karajá. os Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins. p. suicídio. reco-reco. triângulo e cavaquinho. Saiba mais sobre estes festejos nos links abaixo. A Folia de Reis A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o menino-Deus. dia de Santos Reis. Os foliões chegam à localidade. Ao se retirarem. ponto final da caminhada. deve proteger o menino Jesus confundindo os soldados de Herodes. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo. que sai pelo sertão "tirando a folia". desapropriação. pelos músicos e por um palhaço que. realizada sempre no dia 06 de janeiro. violão. seus primeiros habitantes. na época dos bandeirantes os índios foram atraídos amistosamente e contribuíram bastante para a localização das minas. sanfona. a Folia de Reis chega no século XVIII. saem às ruas entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao menino Jesus. cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis. O grupo é composto por um mestre que comanda os foliões. Javaé. Poucos sobreviveram. A folia visita as famílias de amigos e parentes. pois era intenção do branco limpar as áreas a serem exploradas. E este avanço impôs. Xambioá (Povo Iny). aos índios um destino trágico: a fuga. etc. a escravidão ou o extermínio por doenças. Nos séculos XVII e XVIII o avanço da colonização foi marcado por três fases: "Na primeira. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos.um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. ou seja. a partir da segunda metade do século XVIII tiveram vez os aldeamentos como uma tentativa de os brancos de resolver o problema da mão-de. o anfitrião percorre com ela toda a casa.obra e do povoamento daquelas regiões com baixa densidade populacional" (PARENTE. com seu jeito dissimulado. Vivem atualmente no Estado do Tocantins os Xerente (Povo Akwen). quase sempre. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e que em Portugal tinha um caráter de diversão. e os Karajá e Javaé na Ilha do Bananal e os Xambioá no município de mesmo nome (BARROSO. era a comemoração do nascimento de Cristo. No Tocantins. Fugindo da ação depredadora da colonização do litoral muitos grupos indígenas migraram para o interior do Brasil. Posteriormente . Esse grupo passa de porta em porta recolhendo as oferendas. o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida. No Brasil. Manifestações culturais A Cultura do Tocantins O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças a grande miscigenação de culturas. com caráter mais religioso do que de diversão. guerras. acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. grupos de instrumentistas e cantadores com viola. diferentemente do giro do Divino Espírito Santo. enquanto aos foliões são servidos bolos. A família recebe a bandeira. como os brancos já não dependiam dos nativos para chegarem às minas houve conflitos armados.política mercantilista. de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Os foliões carregam a bandeira . os Xerente próximos ao município de Tocantínia. Em Portugal.69). cantando e dançando. Os Apinajé estão localizados nos municípios de Tocantinópolis. guardando-a em seguida. o aldeamento. a migração. O ponto alto da festa acontece quando dois grupos se encontram e juntos caminham para o presépio. oriundas de todos os Estados brasileiros. Maurilândia e Cachoeirinha. os foliões de Reis têm o Alferes como responsável pela condução da bandeira. Com a exploração e ocupação da região se deu simultaneamente a destruição dos povos indígenas. 1999). Na segunda fase.

oi de fora Se tiver gente doente Me diga que vou embora Senhora dona de casa Com essa são duas vezes (bis) Saia na porta da rua E receba Santos Reis Senhora dona de casa Está no seu sono primeiro(bis) Sua filha mais velha Está com a mão no travesseiro Eu cheguei na vossa porta Pus a mão na fechadura (bis) Levante quem está dormindo Me perdoe as confianças. a praga na lavoura e. fartura e muito dinheiro. No Tocantins. Quando o dia amanhece. que trazem pendurados. Arraias. ao anoitecer. Caretas OS MASCARADOS EM PORTUGAL Há dados históricos a respeito de uma festa. toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. Seja como um ponto de partida para o início das festividades. quando inicia os jejuns da quaresma. ainda. retomam as andanças. principalmente. como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário. Alguns pagadores de promessa após as orações realizam um baile dançante. como o entrudo. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval. desenvolvendo uma dança erótica. quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas. Cântico dedicado aos Santos Reis Oi de casa. etc. ainda hoje realizada em Portugal. percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas. o de definir as regras das manifestações. encostando-se a elas. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. Açores e Cabo Verde. os foliões retornam às suas casas para descansar e. farinha. Na festa do entrudo. A tradição é muito forte: os mais velhos acreditam serem os Santos Reis. realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água. os responsáveis pela prosperidade. agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos. ou seja. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. no sul do Estado do Tocantins. Estes se lançavam de assalto às moças. a festa de nossa senhora do Rosário. Neste momento reza-se o terço. eram poupadas da investida dos caretos. Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil. ou vice-versa. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira. os caretos. chamada entrudo. no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos. é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. Em seguida. realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina. os protetores contra a peste. em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico. a cavalhada. Apenas mulheres vestidas de homens. tinta. 18 / 49 . Quando termina o roteiro da folia. a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. em frente ao altar ornamentado com flores. onde só participavam homens usando máscaras.repetindo o gesto da entrada. O ENTRUDO Existem várias explicações para a origem do carnaval. aparecem nessas festas com o mesmo intuito. Nesse momento. com a presença dos foliões e dos convidados.

usados pelos caretas. da festa que acontece. que tem a mesma marcação do surdo. aumentando o cordão carnavalesco do entrudo. assustando-os. Isolda. devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. os árabes foram denominados genericamente de mouros. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas. em Lizarda. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo. às vezes. Monta-se um cenário. moradora de Lizarda. uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti. uma vez que apenas insinua o toque. a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. onde se coloca pedaços de cana de açúcar. são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica. espécie de bolinhas feitas de cera de abelha. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e. as Cavalhadas tiveram início em 1937. passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto. diz que todo mundo assombra. durante a semana santa. portanto. Os caretas perseguem com pinholas. Catira ou Sussia Os movimentos dessa dança lembram. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros. instrumento artesanal feito de tronco de árvore. A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola. prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. na Sexta-Feira da Paixão. enquanto estes ficam envolvidos. do pandeiro e do roncador. Os cavalos. grupo de mascarados representando bruxas. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares. Cavalhadas Na Idade Média. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. tradicionalmente. A dança é a eterna busca da conquista do par. nos dia 12 e 13 de agosto. com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. 19 / 49 . chamado pelos caretas de quinta atrativa. leve e ao mesmo tempo frenético. é a mulher dos caretas. a retirada de formigas que invadem os corpos dos pares. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. gelada. A égua usa a roupa de um bicho muito feio. os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos. Em Taguatinga. um semicírculo com pés de bananeira. Catita é um homem trajando roupas femininas. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. caras de boi com chifres e outros animais. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua. D. Participam. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV.O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina. numa verdadeira guerra dos sexos. no sul do Estado do Tocantins. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. uma mulher vadia. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas. papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. num bailado sensual. A FESTA DOS CARETAS Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro. Só os bons corredores escapam. as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. como na festa de Nossa Senhora do Rosário. mas se diverte.

Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. Termina com o batizado dos infiéis. tornou a requebrar A rainha do congo que veio do Pará Trepe quizépes. Os adornos na cabeça representam a coroa. calango no ar Trepe quizépes. certa vez. O Quimboto (feiticeiro) o ressuscita. Ela decidiu. eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. Cantiga do Congo Baias. porém. durante o cortejo do Rei e da Rainha na festa de Nossa Senhora do Rosário. ao contrário dos mascarados. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas. sobre os olhos dos animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. bainhas e conguinhos Neste claro e belo dia Nasceu Jesus. durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. O xale sobre os ombros representa o manto real. os mouros. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei. os outros doze. capa vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas. distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. Na cabeça. Em Monte do Carmo o Congo é acompanhado por mulheres. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. cantando músicas que lembram fatos da história de seu país. o heróico príncipe Suena é morto durante essa investida. enviar uma representação atrevida ao rei D. colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos cavalheiros. filho da Virgem Maria. Henrique de Portugal. tornou a requebrar 20 / 49 . Congo ou Congadas De origem africana. com influência ibérica o Congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. Doze cavalheiros representam os cristãos e. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. Na dança do congo só os homens participam. Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado. do embaixador e dos guerreiros. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e. Os motivos dramáticos da dança do Congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi que governou Angola no século XVII. vence o rei. O tatu cangerê que zoa no ar Trepe quizépes. Seu filho. bainhas e conguinhos Baias com tanto fervor Baias que já está nascendo O Nosso Grande Salvador Baias. chamadas de taieiras. na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. são quase sempre os mesmos. perdoa-se o embaixador. Os dois grupos se apresentam juntos. A congada é composta por doze dançarinos. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados. um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. Popular no Nordeste e Norte do Brasil.Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas. O vermelho representa a força divina. nas ruas. A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha. calça branca com botas azuis e enfeites dourados. tornou a requebrar O calango mutingo.

pedindo ritualmente acolhida. O objetivo foi alcançado e a promessa cumprida. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas. Diniz teriam feito no século XIV uma promessa de alimentar os famintos e oferecer a sua coroa ao Divino Espírito Santo em troca de paz. alô. convidando todos para a festa. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa. quando chegam às fazendas para o pouso. As romarias conduzem a bandeira. a festa do Divino deveria coincidir com o Domingo de Pentecostes no calendário católico. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de doze ou mais homens. Festa do Divino Espírito Santo A celebração do Divino Espírito Santo. pedindo acolhida para o pouso.Amanhã eu vou embora bebê Aruê juncongela bebê Eu vou embora. Dessa forma teve início a devoção ao Divino Espírito Santo que se difundiu em solo português. Esse grupo percorre as casas dos lavradores. No Brasil. abençoando as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima. alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença. como festa popular de cunho religioso. eu vou. Em Monte do Carmo a celebração ao Divino Espírito Santo foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade. Essas festas são realizadas em várias cidades. a festa da hóstia consagrada. com destaque para Monte do Carmo e Natividade. no entanto. em jornada pelo sertão. ou seja. passando a ter data fixa para a sua realização. dia 16 de julho. num prazo que compreenderia exatamente os 40 dias do giro da folia e o novenário. levando a sua luz e a sua mensagem. No Estado do Tocantins vão de janeiro a julho. Canto do Agasalho. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. O giro da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus doze apóstolos durante 40 dias. chegando ao Brasil no século XVI. eu vou bebê Aruê juncongela bebê E olha o rei mais a rainha bebê Aruê juncongela bebê Mas eu vou bebê Aruê juncongela bebê São Benedito sabia sobiar Saia fora e venha ver E quem festeja neste ano É o Divino Espírito Santo Alô. Oh! Que noite tão serena Oh! Que hora tão de prendá Divino Espírito Santo Visite sua fazenda Deus vos salve fazendeiro Morador desse lugar E aí vem o Divino Espírito Santo Somente pra visitar Deus nos salve felizmente Este nobre fazendeiro Divino Espírito Santo Que é o nosso pai verdadeiro Inda agorinha cheguemos Na beira do seu terreiro Queremos brincar um pouco Licença peço primeiro Ah dê licença meu Divino 21 / 49 . conduzidos pelo alferes. Nessa época Portugal e Espanha travavam uma guerra de quase cem anos. que ocorre aproximadamente 50 dias após a Páscoa. A rigor. Relatos de Portugal contam que a rainha Isabel e seu marido D. de acordo com as características de cada localidade. lá no céu E o Santo que está na igreja. as folias têm datas variadas. Natividade mantém a tradição da data móvel. tem sua origem no catolicismo português.

erguida no século V. como mãe de Jesus. A documentação escrita a respeito não é muito clara. à acolhida e às refeições.. agradece) Deus vos pague a bela janta Dada de bom coração Que nos deu pra meus alferes Com todos seus foliões Deus vos pague a bela janta Deus vos pague mais outra vez Deus lhe dê vida e saúde. p. Nove meses depois. no dia 8 de setembro. preservada do pecado original.17). seria o local do nascimento da Virgem Maria". no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. celebrada em 8 de dezembro. desde o ano 33 da era cristã. onde é festejada há quase três séculos. Os foliões cantam também em agradecimento ao pouso.. (BRAGA. em Jerusalém. Natividade significa nascimento e em Portugal ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Maria. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. A igreja católica celebra o nascimento da mãe de Jesus.. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente.. 1994. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana.. Como a palavra Natal. Festa de Nossa Senhora da Natividade As manifestações culturais no Estado do Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja católica. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins.. Canto Bendito da Refeição: Pela primeira palavra Que os anjos me disseram Na cabeceira da mesa Faz a vênia meus alferes Com sua bandeira na mão Bençoai o pessoal Os alferes com os foliões Me dê licença meu povo Que agora vamos rezar Contrito no coração Pra nossas almas se salvar Peço licença de novo A maior e mais pequena Quero agradecer a mesa Que nela nós já jantemos Quando for noutro mundo (. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração eminentemente religiosa. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana.Pra seus foliões brincar Toda casa tem grande gosto E seus corações alegrar Alegrai o céu e a terra Recebei com alegria Divino Espírito Santo Filho da Virgem Maria Divino chegou do giro Com ele trouxe a folia Ele vem aí pedindo um pouso De uma noite para um dia. merece ser 22 / 49 . portanto. quando o Papa Sérgio I. Os devotos acreditam que Maria. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. de origem oriental.

Com a criação do Estado do Tocantins. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Essa imagem é a mesma. 1994. na Igreja Matriz. De Portugal passou para o Brasil. recebidos freqüentes apelos. depois. pelos jesuítas. solicitação ao Papa João Paulo II. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. D. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. Celso na sua justificativa . (BRAGA. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. os Festejos de Nossa Senhora do Rosário. Natividade. pelos jesuítas. através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. na grande maioria. Celso "sendo nosso povo católico. solicitação ao Papa João Paulo II. Foi a primeira a entrar nessa região. ainda hoje. Celso na sua justificativa . desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. Essa imagem é a mesma. D. na Igreja Matriz. com o passar do tempo foram se juntando e 23 / 49 . Celso Pereira de Almeida. em março de 1992. Acrescenta ainda D. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora.cultuada. fundada em 1746. Diz D. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. e devoto de Nossa Senhora. 14). expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. recebidos freqüentes apelos. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Celso oficializa. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. em março de 1992. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. 1994. (BRAGA. 14). É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. durante a Romaria do Bonfim. temos. o que transforma a festa em uma atração única. 1994. realiza todos os anos. em Natividade. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. em 1735. venerada. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. nós Bispos. depois. em função das minas de ouro e distante 89 km da Capital do Estado. venerada. para o norte da província de Goiás. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. em embarcações pelo rio Tocantins. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. mantida com fidelidade pela população local. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. p. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Celso Pereira de Almeida. Palmas. no mês de julho. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. Natividade. Mais tarde São Luiz e. Diz D. temos. p. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. Mãe de Deus. em 1735. Foi a primeira a entrar nessa região. para o norte da província de Goiás. p. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. em Natividade. ainda hoje realizadas em datas específicas. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. Mais tarde São Luiz e. Acrescenta ainda D. durante a Romaria do Bonfim. Mãe de Deus. chegando a Portugal. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". Festejos de Nossa Senhora do Rosário A cidade de Monte do Carmo. e devoto de Nossa Senhora. Padroeira principal deste Estado". Celso "sendo nosso povo católico. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. Padroeira principal deste Estado". Com a criação do Estado do Tocantins. Há informações de que essas manifestações. Celso oficializa. em embarcações pelo rio Tocantins. 18). nós Bispos. nascida arraial do Carmo. ainda hoje. A festividade secular mistura fé e folclore. na grande maioria.

se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. Os dois grupos. Já as taieiras usam trajes semelhantes aos das escravas que trabalhavam na corte. Os dançarinos apresentam com utensílios que retratam o seu cotidiano. Fazem suas evoluções sustentando garrafas na cabeça ou carregando o 24 / 49 . Estes traços podem ser observados na música. Estes últimos são derrotados e batizados. como também é conhecida. sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. durante o cortejo do rei e da rainha. Repentistas Os catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do padeiro. a sússia e a jiquitaia. e a chegada do embaixador. Em comum também está o desejo dos moradores das cidades mais antigas do Tocantins de manter vivas tradições como a catira. eleitos pelos escravos. Um dos pontos altos da festa é a Caçada da Rainha. podendo lá vivenciar a cada ano. sons de bandas de músicas. a congada mais tradicional do Tocantins é realizada em Monte do Carmo. No meio do povo os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. os negros que viviam no Estado criaram a sússia. Em algumas tribos indígenas havia a proibição das mulheres participarem das danças e de entrarem nas casas de flauta. Os adornos na cabeça representam a coroa e o xale sobre os ombros. num sapateado compassado. No final do cortejo. que se destacam por passar seus conhecimentos aos jovens. As origens podem ser diversas. celebrada em 16 de julho. local onde se guardavam máscaras e instrumentos musicais indígenas e que serviam de hospedagem aos convidados de outras tribos nos intercâmbios artísticos. cuícas e tamborins e danças como congos. onde em pleno dia. ou suça. A catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés. se apresentam juntos. o rei e a rainha da festa. São blusas quadriculadas em azul ou floridas. o que encerrou a série de desaparecimentos. de tambores. COSTUMES A influência negra também se faz presente nas congadas. nas ruas. Nossa Senhora do Carmo. representando a vida nas senzalas. LENDAS. colares e turbantes. CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. Na terceira vez. reco-recos. A cor da indumentária tem um significado especial: entre os congos. também vestidos a caráter. os negros foram buscá-la tocando tambores. o manto real. De origem africana. cantando e dançando. No ritmo dos sertanejos Do sertão tocantinense surge a genuína cultura do povo. Nos momentos de descontração e lazer os foliões cantam seus versos e prosas. montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos. o azul e o branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário e o vermelho representa a força divina. a congada representa a coroação do rei e da rainha. homens de preto e branco. A caçada é uma tradição secular. o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. em várias tonalidades. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão de ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações.passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. saias brancas rodadas. e o embaixador é perdoado. mas as motivações quase sempre estão ligadas à devoção religiosa unida ao lazer. fato que motiva a luta entre os partidários do rei e os do embaixador. congos e taieiras. da caixa e da viola. e com acompanhamento de mulheres. nas coreografias e também no fato de somente os homens participarem do ritual. quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. É o caso dos Catireiros de Natividade e do Grupo de Jiquitaia de Santa Rosa. Segundo pesquisadores. chamadas taieiras. Ali. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos. A origem da catira é encontrada nas tradições indígenas. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de Reis e do Divino Espírito Santo. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente. Popular em todo o Brasil durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. padroeira da cidade. taieiras e sússia.

a família do Sr. onde vivem pouco mais de 100 pessoas. Essa imagem teria sido retirada várias vezes desse local e levada para Natividade.quibando. mas desaparecia e reaparecia no mesmo lugar onde foi encontrada. Nele estava depositada uma imagem. um dia. com a celebração da missa campal. A dança é a eterna busca do par. vindos de várias regiões do Estado e do país. têm início em 1932. num bailado sensual. O Sr. Desde então. Em Natividade. no povoado do Bonfim situado a 22 Km da sede do município. após longa caminhada. as romarias do Nosso Senhor do Bonfim acontecem nos municípios de Natividade e Araguacema. seu tataravô encontrou na mata uma vertente de água onde havia um oratório feito em pedra. no dia 15 de agosto. Seu filho. O ponto alto das comemorações do Bonfim. A romaria do Senhor do Bonfim acontece no povoado do Bonfim. uma vez que apenas insinua o toque. Supõe-se que as senzalas fossem constantemente invadidas por uma espécie de formiga. Natalino. Araguacema As homenagens ao Senhor do Bonfim. em local pantanoso. Os movimentos dessa dança lembram. Ele levou essa imagem consigo e após o término da Balaiada retornou à sua cidade de origem onde pediu ao padre para "batizá-la". É ele quem conta sua história. dá-lhe um nome. Atualmente para lá se deslocam cerca de dez mil pessoas. é o atual responsável pela manutenção do templo e pela guarda da imagem que pertence à família desde o século XIX. Hino ao Senhor do Bonfim: 25 / 49 . Alguns acreditam que ele teria se originado de um santuário criado por fiéis ou de um núcleo missionário das irmãs carmelitas ou dos jesuítas. a família faz a festa em sua devoção. acontece no dia 15. conhecida como jiquitaia. Romaria do Bonfim No Tocantins. O festejo inicia-se com o novenário e termina com a celebração da missa campal. Arcanjo Francisco Almeida com uma imagem do Bonfim. pedaço de madeira. em louvor ao Senhor do Bonfim. Segundo o Sr. a retirada de formigas que invadem os corpos dos dançarinos. Em Natividade. Existem diversas hipóteses a respeito da formação do povoado do Bonfim. leve e ao mesmo tempo frenético. entre os anos de 1838 e 1841. Os dançarinos se apresentam aos pares. no município do Araguacema. quando para lá chegou. Esse fato demonstra a imensa capacidade dos negros escravos em transformar a sua situação de dificuldade em danças que os desprendiam do cotidiano. Natalino Francisco de Almeida. O padre batizou-a de Jesus do Bonfim e definiu o seu festejo para 15 de agosto. num semicírculo onde estão os músicos. A crença nesses acontecimentos deu início à peregrinação para essa localidade. a romaria remonta ao século XVIII com a formação dos primeiros arraiais. Vários pagadores de promessa atravessam a pé os 22 Km de Natividade ao Bonfim para depositar as suas oferendas aos pés da imagem do santo. Natalino conta que. ou seja. Jiquitaia Na sússia dança-se a jiquitaia. e que estas subiam pelo corpo dos escravos provocando um movimento frenético na retirada dos insetos. junto com a sua família. a romaria do Senhor do Bonfim é realizada de 6 a 17 de agosto. a imagem do Senhor do Bonfim em cima de um toco. fugia dos conflitos da Balaiada ocorrido no Maranhão. essa imagem foi encontrada pelo bisavô de sua mãe quando este. portanto. em homenagem ao Nosso Senhor do Bonfim. Esse pequeno povoado recebe em média 60 mil fiéis. No dia 16 em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e no dia 17 ocorre a missa dos romeiros. vinda do estado do Maranhão. em Natividade. Os moradores da região afirmam que um vaqueiro teria encontrado nessa área. espécie de peneira grossa de palha. São romeiros das cidades vizinhas e do sul do Pará. distante 40 Km de Araguacema.

com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. cuja referência mais antiga data de 1718. quando na Bahia. ainda. elas ficassem em repouso e isentas de pecado. um cruzeiro todo iluminado. No final os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela. permanecendo apenas o aspecto religioso. vestidas de branco. Em Arraias. no sul do Estado. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas. Homens brancos. É dançada por mulheres em pares. E sempre se dança em pagamento a uma promessa. Nas mãos carregam arcos de madeira. que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa. a roda de São Gonçalo. Irmanemos nossos corações Numa só profunda oração Ao Cristo presente entre nós Prometendo-nos a salvação Salve todos os Romeiros presentes Que de longe vieram trazer Os seus voluntários tributos Para a Santa Igreja crescer Contemplamos com santa humildade Este misterioso encanto Deus pai na pessoa do filho Revelando no Espírito Santo. dia do Senhor. Somos marcados pelo batismo Da vossa redenção A preço do seu santo sangue Esperamos a consolação. Roda de São Gonçalo Conta a lenda. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo. No Brasil. mulheres. pelo Conde de Sabugosa por associa-lá às festas. a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. que São Gonçalo reunia em Amarante. assistiu-se um festejo com uma dança dentro da Igreja. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo. logo em seguida.Refrão: Salve Bendito Rei das Nações Glorioso Senhor do Bonfim Somos vossos Romeiros em marcha Prá contemplar o vosso jardim. com violas. a dança de São Gonçalo é chamada de "roda". meninos e negros. São Gonçalo tem para os seus devotos a tradição de santo casamenteiro. Inicialmente. Acompanha. em frente ao qual se faz as evoluções da "roda". O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo. que se costumavam fazer pelas ruas públicas em dia de São Gonçalo. várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. 26 / 49 . sucedendo-se os devotos. a dança tinha um caráter erótico que com o tempo foi desaparecendo. com vivas a São Gonçalo. pandeiros e adufes. Eis aqui vossos peregrinos Prá pedir-vos e agradecer Por tudo que já recebemos Preparai para nos receber. Essa dança foi proibida. Portugal. colocado próximo ao altar.

Palmas. que tem como fundamento a preservação do Patrimônio Histórico Urbano Brasileiro. Única cidade no Estado tombada em instância nacional. A coordenadora ainda subsidiou esse trabalho com dados de pesquisa por ela realizada.Monumentos Históricos Natividade. Como parte do desenvolvimento das ações prevista no Programa foram definidos alguns monumentos que sofrerão intervenção e/ou restauração devido tanto à sua importância no conjunto arquitetônico. Aquina que chama a atenção pela sua opulência e estado de decadência em que se encontra. O Programa Monumenta e a Unidade Executora do Programa visando a revitalização do conjunto patrimonial de Natividade no sentido de fomentar a utilização econômica. Todo o trabalho foi acompanhado pela Coordenadora da Unidade Executora do Programa. O Programa Monumenta/BID é parte da continuação do trabalho de preservação da história e da cultura de Natividade. bem como fotos e desenhos dos arquivos da UEP e da Associação Comunitária Cultural de Natividade . Simone Camêlo Araújo. a Igreja de São Benedito. São obras preservadas que celebram o tempo em que foram criadas. Alarico. a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade. Os dados que fundamentaram esse trabalho foram obtidos através de referências bibliográficas e em pesquisa de campo em Natividade entre os dias 28 e 31 de outubro de 2003 onde foram realizados levantamentos cartorial e paroquial e entrevistas com os moradores da comunidade. O conjunto arquitetônico da cidade possui um caráter singelo. faz parte do Programa Monumenta/BID. além de visitas in loco aos monumentos. Natividade faz parte da segunda etapa desse programa para a qual foram selecionados vinte núcleos urbanos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que foi sede do Governo da Província do Norte. conferindo harmonia ao conjunto. ou destacados como referências históricas como as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Infelizmente não foi possível obter documentos históricos que pudessem comprovar o período de construção desses prédios. o que pode ser percebido através da preservação do seu acervo urbano. arquitetônico e paisagístico. na década de 1990. Monumentos Natividade é um marco representativo das cidades do ciclo do ouro. como as Praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira. O processo de preservação através da ingerência pública teve inicio em 1981 com a execução das obras de restauração dos prédios da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Natividade e a Capela São Benedito tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Goiás e das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. os prédios públicos onde funcionou a primeira cadeia. cidade Patrimônio Histórico Nacional desde 1987. cultural e social da área do projeto definiu alguns monumentos como prioritários para serem trabalhados nesse processo de 27 / 49 . que sofreu interferência através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. o prédio onde hoje funciona a biblioteca pública e os prédios particulares como o do Sr. promovido pelas instituições públicas desde o início da década de 1980. o primeiro paço municipal. e o casarão de propriedade da Sra. Existem poucos relatos paroquiais e os que se encontram estão em péssimo estado de conservação. As informações coletadas nas entrevistas foram trabalhadas de acordo com o entendimento dos pesquisadores acerca das observações coletadas ao longo dos trabalhos de campo.ASCCUNA. Segundo depoimentos os documentos referentes ao município encontram-se na Cidade de Goiás ou foram queimados ou danificados ao longo dos anos. observado na proporção dos casarios e na ausência de monumentalidade das construções de função pública. principalmente os de utilização pública. localiza-se a sudeste do Estado do Tocantins a 218 Km da capital.

por volta de 1920. câmara municipal.intervenção. Ainda de acordo o relato. a antiga residência do casal Benício e Benvinda serviu de sede para a Companhia de Polícia. O piso original era de cerâmica de barro (conhecido como ladrilho).50m de fundo. Possui grossas paredes de pedras. Conforme relatos. Confronta-se com terrenos de propriedade de Nilo Noleto Bezerra pelo sul e prédio do Antigo Paço Municipal ao norte (Livro 3ª. o prédio sempre funcionou como espaço administrativo: prefeitura. pertencentes à igreja ou a leigos são seculares. agência de estatística ( hoje IBGE ). O prédio é térreo com 18. Segundo o Sr. inclusive de acesso as selas. A madeira retirada foi reaproveitada na construção de pontes no interior do município. Cartório de Imóveis). Seu Joaquim recorda também da existência de um caneteiro e uma máquina de escrever (o mesmo desconhece a marca da máquina). Antiga cadeia pública. este foi construído no final do século XIX. separando os presos em celas masculina e feminina. toda forrada de madeira: pau d arco e jatobá. recorda que ainda o conheceu com cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. filho do casal falecido. As reformas no prédio foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva. Hoje o prédio abriga a Polícia Militar. O senhor Antônio Viana Bezerra. que veio para a cidade por intermédio do Coronel Deocleciano Nunes. o prédio foi construído no período de 1930 a 1938. nascido no dia 03 de dezembro de 1950. a casa pertenceu ao Major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. Conforme relatos dos moradores. tinha duas grades de ferro. Dentro do gabinete havia uma butija com água para uso do prefeito. Foi construído originalmente para funcionar como cadeia pública. Paço Municipal e Casa da Cultura A "Antiga Cadeia" tem característica secular. ano de 1952. não se alimentando mais. com 30 X 30 cm. nº de Ordem 48. Foi trocada também a porta da frente do prédio que era trancada com trava e "uma grande chave". Originalmente o prédio foi construído com dois cômodos. em Natividade. segundo o Sr. uma porta de frente. Conforme relatos orais. Retiraram as grades externas das janelas e as madeiras das paredes e do teto. Essas tábuas impediam a iluminação interna. A cela destinada aos homens. Não se sabe ao certo a data da construção do prédio. na Praça Leopoldo de Bulhões. o Major Benício faleceu no ano de 1906. Joaquim. Para o funcionamento mais adequado do museu foi construído um anexo com sala e banheiro na parte detrás do mesmo. mantendo o local sempre úmido. O Paço Municipal será um dos prédios beneficiados pelo Programa Monumenta/BID. na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. Joaquim Rodrigues de Cerqueira morador de Natividade. faleceu dona Benvinda. o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. O senhor Joaquim. na parte interna do prédio havia um banco com dois potes e uma espécie de gancho que servia para segurar os copos. Todas as janelas e portas internas eram revestidas de ferro. Segundo relatos do Sr. Segundo o nosso informante. espessas grades de ferro. Após a morte do casal Benício e Benvinda. CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes.50m de frente por 9. com o objetivo de defender a cidade dos jagunços 28 / 49 . provocando assim a sua própria morte). o prédio foi construído no tempo dos escravos. conta que a única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967. nascido em Natividade no dia 10 de março de 1930. o que deixava os presos nas mais desagradáveis condições. mas segundo moradores mais antigos da cidade. As praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira embora sejam obras recentes fazem parte do conjunto histórico arquitetônico. Albany Costa Cerqueira. comerciante aposentado de 69 anos. contendo três janelas. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. dona Benvinda morreu de desgosto (perdeu o gosto pela vida. na qual as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs. a casa ficou para os filhos. folha 17. Trinta dias após à sua morte. PAÇO MUNICIPAL . mas os relatos orais não afirmam se estes habitaram o imóvel. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995 e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal.ANTIGA PREFEITURA Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública. Todos os monumentos inventariados. esquina com a Praça São Benedito. arquivo municipal e sede da Banda de Música municipal.

A casa contém 10 compartimentos. De Portugal passou para o Brasil. p. consta que o prédio foi adquirido pela Sociedade Cooperativa Mista Agropecuária Ltda. quando o Papa Sérgio I. em março de 1992. Com a criação do Estado do Tocantins. Diz D. de origem oriental. A documentação escrita não é muito clara. na data de 22 de janeiro de 1966. a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. Natividade. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. sendo 4 salas. D. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Albany afirma que a parte interna da casa sofreu várias modificações. portanto. no piso (que antes era de ladrilho) no reboco e na pintura. chegando a Portugal. O Sr. Os devotos acreditam que Maria. A festa a Nossa Senhora da Natividade. ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. como mãe de Jesus. Padroeira principal deste Estado". onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura. 3 portas externas. A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano D. 12 janelas sendo 4 no lado Norte. funcionou no prédio. Pedro II. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade. solicitação ao Papa João Paulo II. na Igreja Matriz. na Igreja Matriz. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. matrícula 1970. Prédio de adobe. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. 18). 1 alpendre. com 20 (vinte) metros do lado Norte. Celso na sua justificativa. temos. 1994. é datada de 1759. 1 passarela. na grande maioria. Albany recorda que até 1954. Celso Pereira de Almeida. o Grupo Escolar D. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. A Igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo.I. consta que a Prefeitura Municipal desapropriou o imóvel em 23 de agosto de 1990. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. e que essas modificações foram feitas de acordo com a sua utilização. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. No livro n° 1 . que os habitantes do sudeste do Estado "veneram com muito afeto. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. Os moradores não sabem informar por quanto tempo a casa serviu de sede para a Companhia da Polícia. em embarcações pelo rio Tocantins. ainda hoje. uma das mais antigas do Estado do Tocantins. merece ser cultuada. O imóvel sofreu modificações no emadeiramento. é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro. Mãe de Deus. 3 no lado Leste e 5 no lado Sul. em 1735. do Cartório de Registro de Imóveis de Natividade. O imóvel é constituído de uma área de 410 m² (quatrocentos e dez metros quadrados). coberto de telha comum. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. Nove meses depois. seria o local do nascimento da Virgem Maria" (BRAGA. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. Foi a primeira a entrar nessa região. Essa imagem é a mesma. (BRAGA. 1994. em Jerusalém. em Natividade. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". erguida no século V. uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. nós Bispos. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. 1 corredor. No mesmo livro. e devoto de Nossa Senhora. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. recebidos freqüentes apelos. p.saqueadores que rondavam a região. celebrada em 8 de dezembro. O Sr. 2 banheiros. teto de madeira serrada. Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade A Igreja Matriz do município de Natividade. A desapropriação é confirmada pelo Decreto n° 024/90 da Prefeitura Municipal de Natividade. paredes rebocadas e pintadas. tendo como transmitente o casal Zacarias Nunes da Silva e Helen Drumond Nunes. 11 portas internas. 22 (vinte e dois) metros no lado Oeste e 22 (vinte e dois) metros no lado Leste. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. quando foi transferido para Grupo Escolar Quintiliano Luiz da Silva. venerada. Hoje o imóvel é denominado Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira. dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da 29 / 49 . desde o ano 33 da era cristã. Bispo Diocesano de Porto Nacional enviou. de vê-la consagrada padroeira do Estado. piso de cerâmica. O entrevistado lembra que nesse período os alunos faziam apresentações teatrais usando o espaço físico do prédio. p. 1994. 14). Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. 1 cozinha. preservada do pecado original. termo referente a nascimento. Celso "sendo nosso povo católico. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. Acrescenta ainda D. 18 (dezoito) metros do lado Sul. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade.17). Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim.

". Joaquim lembra também de outras brincadeiras como: pião. uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901. local onde funcionou o primeiro mercado municipal. o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. "Possuía apenas uma torre.Se ainda não a destruíra. serpente mora na caverna que principia debaixo da Igreja Matriz de Natividade e vai acabar debaixo da Lagoa Encantada. as moças eram puras". todos os sábados era rezado. em sua igreja".. devia-se o milagre a proteção da Padroeira que. PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões.. as árvores foram retiradas na década de 1950. com pintura policromada. Hoje. Conforme depoimentos coletados por Simone Camêlo Araújo. a cada sábado. Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial. o sr. essas árvores eram cercadas de pedra canga com massa a cal. São Gonçalo. do Rosário). Nas suas recordações o sr. velhas rezadeiras em Natividade.. É uma espécie de dragão como aquele de São Jorge. O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. Joaquim recorda que a brincadeira mais comum era o furrum (escondiam no meio do mato. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz coletadas por autores locais como Dr. Os piões eram feitos de limeira e 30 / 49 .. porém. A cabeça fica debaixo da Lagoa Encantada. conservados até a década de 1960. A igreja está em estado bem conservado" (UEP/Natividade. as moças procuravam os rapazes e os rapazes procuravam as moças). Lá amarrava e açoitava os escravos. possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais.. Tenho a impressão que o pelourinho foi tirado pelos prefeitos nomeados pela ditadura de Vargas" (Adail Santana. Envolta da praça tem quatro casas que conservaram suas antigas fachadas. finca. papagaio. ex-prefeito de Natividade). O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997. e os correios. A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. Têm ainda dois sinos de 1858.. São Sebastião. 81 anos. são montadas barracas onde se faz leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado a santa. Antes se chamava Praça do Conselho (devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça). Enquanto. aos sábados rezando o oficio de Nossa Senhora. sr. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções. com uma bancada para subir e umas argolas. etc).". Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. etc. em madeira. Maximiano descreve em "Outras Estórias de Goiás" a lenda da "Serpente de Asas". que segundo os moradores a serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na Igreja Matriz. religiosamente. recebendo a denominação de Praça da Bandeira. Maximiano da Matta e José Lopes Rodrigues. No local não tinha nada construído. "todo mundo era inocente. havia apenas árvores (juazeiros. onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972. E o milagre da Virgem se verificava em atenção ao Oficio de Nossa Senhora que. amendoeiras. Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões PRAÇA DA BANDEIRA Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho. o prédio da câmara municipal. A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. lhe fazia cair às penas das asas. A Serpente de Asas era uma ameaça permanente sobre a cidade: ". Com a retirada do pelourinho. está pintado de azul. existirem. antigo governador de Goiás.. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor. O local servia também para brincadeiras de moças e rapazes. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade.. Em 1919 algumas modificações foram realizadas. muitos metros abaixo da superfície: a ponta do rabo está justamente debaixo da Matriz. 2003). Para José Lopes Rodrigues "Natividade . "Antes só tinha o pelourinho. mangueiras. Joaquim esclarece que não havia nada de mais (não havia malícia).não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade. com repinturas.. criadas durante a semana e destinadas a permitir-lhe o vôo até o cobiçado objeto de sua destruição.Fragmentos do passado". Era um cercado de madeira. Conforme informações de seu Joaquim no período chuvoso o mato crescia e servia de pasto para os animais. havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja da Matriz. quando se construiu a segunda torre. O altar é feito de madeira. do Bonfim e redondeza vivera em segurança. mudou-se a fachada e trocou-se a escada de madeira que leva ao coro por pedras (utilizaram pedras da Igreja do Terço e da igreja N. Sra.Natividade. fruta-pão.

(Apostila) "Conhecendo Natividade Tocantins".1949. E. Quintiliano Luiz da Silva. Universidade Católica de Goiás . o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 a 1829. todas a outras continuam morando no entorno da praça. brasiliense. foi onde nasci e me criei. monumento à TV Anhanguera e à instalação da água. levando os negros a escolherem essa invocação. duas fontes luminosas. chama a atenção pela sua opulência. quando recebeu uma iluminação especial.Natividade.Tocantins. conservada ao longo dos séculos. Natividade e seu Município . um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade). toda em pedra.Fundação Nacional Pró-Memória . parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980. · · · · LEMOS. Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. saudades dos amigos. FONTES BIBLIOGRÁFICAS · ASCCUNA. embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte da igreja. Joaquim se emociona ao lembrar dos" velhos tempos". do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos. há relatos sobre uma irmandade do Rosário.C. 80 anos. "a praça representa para mim muita saudade . onde o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. na sua administração. Carlos A. mas não foi possível comprovar isso 31 / 49 . Da obra ficou concluída a capela-mor. No Brasil. Em Natividade. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto.limoeiro. sofreu um processo de intervenção em 1992 através do SPHAN/Pro-Memória. O sr. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins. O que é Patrimônio Histórico. PARENTE. Ed." Com exceção da família do Dr. · CATRO.1948 . ( Cartilha ) Natividade . FONTES ORAIS · Adail Viana Santana · Alarico Nunes Suarte · Albany Costa Cerqueira · Antonio Viana Bezerra · Dario Camelo Rocha · Izambert Camelo Rocha · Joaquim Rodrigues de Cerqueira · Theodoro Nunes da Silva · Simone Camelo Araújo · Joatan Bispo de Macedo Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sob a denominação de ruínas. Izambert conta que essas árvores vieram de São Paulo. Goiânia 1999. Associação Comunitária Cultural de Natividade . A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E também pelos alicerces em pedra canga. Conforme informações do senhor Izambert Camelo Rocha. O sr. igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres. A sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais. As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras. sob a gerência do IPHAN foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno. 5ª edição. Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto. calçamento de concreto. em 1996. Segundo ele no local da praça havia uma quadra de esportes e os moradores não gostavam porque a bola sujava as paredes das casas. Mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas. a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras. ex. eu sou muito sentimental. Temes Gomes. segundo ele cada brincadeira tinha seu tempo certo. · IPHAN. (Caderno) Estudos de Tombamento.MINC . Daí surgiu a idéia de se construir uma estrutura para a praça.prefeito da cidade. Quintino Pinto de. amoroso. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras. PROGRAMA MONUMENTA/BID. o que seria o templo dedicado a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. grandiosidade e beleza. Segundo relatos de viajantes esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII.

praticavam a agricultura. ofereciam presentes aos seus deuses e divindades. caçada de escravos para si ou para neo-brasileiros. Às vezes ateavam fogo no campo para os animais saírem e assim. quando as cabaças amadureceram levaram para a beira do rio. Outros Apinayé viviam em torno da cidade. Pág. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário . Conheça cada uma delas nos links abaixo: Apinayé Origem mítica do povo Apinayé No início dos tempos não existia as árvores. Os homens utilizavam o arco e a flecha. por volta de 1880. como faziam os Krahò. 71). incorporado 32 / 49 .CIMI em 1780. que pareciam regimento formado (Nimuendajú. Chegaram exploradores e aventureiros em busca de riquezas. O sol fez uma aldeia e uma roça e nela plantou cabaças. A caça era feita por homens e mulheres. viu-se rodeado de grande número de índios. As conseqüências dessas informações passada de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos resultado de ações de indivíduos. seiscentos índios Apinayé trabalhavam na agricultura. os rios. onde vivem hoje. Povos Indígenas São inúmeras as tribos da nação indígena no Tocantins. vários garimpeiros em busca de enriquecimento enfrentaram os índios provocando uma luta que se estendeu por muitos anos. Todas as suas aldeias eram numerosas. viajante que navegava pelo rio Tocantins. os poderosos índios da região norte. as guerras eram travadas por motivo de vingança: guerras de conquista eram-lhes inteiramente desconhecidas e. Mulheres caçam tatus com o cavador e o terçado (Nimuendajú. Quando esses exploradores constataram que havia ouro na região. Segundo Nimuendajú. Na contagem seguinte. os animais. na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará.historicamente. Ainda segundo Simone Camêlo. Andaram pelo mundo e criaram as plantas. apanhá-los. Relatos coletados por Simone Camêlo Araújo afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo. Dentre elas algumas merecem maior destaque. colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó. pág. 02). havia 1362 Apinayé na aldeia Boa Vista. os Apinayé foram viver perto do povoado de Santo Antônio. em Palmas. 91). Nesse mesmo período. a caça e a pesca. nem os animais. armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. Tantos eram que se viam na parte de baixo. que dizendo sonhar onde estava o ouro perfuravam as ruínas. atiraram na água e de cada uma surgiu um ser humano. A população Apinayé abatida por doenças e guerras foi se afastando para dentro da mata ou aceitando o aldeamento como necessário para a sobrevivência da comunidade. na praia da esquerda. Em 1780 foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os guerreiros apinayé. tão pouco praticavam pois desconheciam a escravidão (Nimuendajú. Os filhos do Sol chamaram-se Kóó-di e os filhos da Lua Kóó-ré e ficou determinado que os Kóó-dí casariam com os Kóó-ré e então. com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. (Relato de Xavier Apinayé) História Os primeiros registros do povo Apinayé na região. O Sol (Mbu-di) convidou a Lua (Mbudvrà-ré) para descer a terra. Antônio Tavares. Os Apinayé eram conhecidos como grandes guerreiros. nem os rios. O avanço da civilização colonizadora para a região dos Apinayé teve início em 1797. vem de 1774. voltaram para o céu. o arco cruzeiro dessa ruína serviu de inspiração para a construção dos arcos do Palácio Araguaia. pág. sede do governo do estado do Tocantins.

outros gostam de coletar frutas silvestres (relato de Cassiano Sotero Apinayé). Ele e o Vice-cacique resolvem os problemas da comunidade. Com a fundação do posto do SPI. as mulheres e as crianças encovairam. raspam. fibra de tucum e babaçu. os Apinayé deixaram de migrar constantemente e passaram a permanecer nas suas aldeias na região de Tocantinópolis. ficando cada vez mais distante da antiga e numerosa tribo. maracá e borduna: confeccionados pelos homens que utilizam madeira. os rituais. onde vivem até hoje. tucum e buriti para confeccionar cestas. acima do Ribeirão São Benedito. O sistema utilizado para a plantação é da tradicional roça de toco. murici. quando restavam apenas sessenta índios. líder dos Apinayé. em 1899. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. em 1940. plantam.904 hectares. Artesanato Os Apinayé fazem trançados variados.mais tarde a São Pedro de Alcântara (Carolina. Os enfermeiros. Tradicionalmente plantam milho. onde o terreno é queimado e os tocos são arrancados para depois iniciar o plantio. transmitido pelos mais velhos de geração para geração. O artesanato serve para enfeite e são utilizados nas celebrações. de 141. Ao mesmo tempo os Apinayé mudaram para a aldeia do Cocal. bacaba. Quando muitas famílias participam. Assim ensinavam a língua. Trabalho O trabalho pode ser feito em mutirão. próximo aos municípios de Tocantinópolis. Sua população atual é 1014 habitantes (FUNAI/MAIO/1997). penas de pássaros. cuidam das crianças. açaí. as pessoas das famílias. as mulheres cozinham. bacuri. cofos e quibanos: confeccionados pelas mulheres em trançado de fibra de buriti. Os cantadores e cantadeiras cantam no pátio. buriti. outros gostam de pescar e caçar. pequi. fibra e coité onde fazem os desenhos. mulheres e crianças. Os Apinayé coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas. 33 / 49 . na criação de gado (aprendido com o não-índio) e na navegação fluvial. Fazem a coleta de andu. O Cacique é chefe superior da tribo. as histórias e os costumes. Com o contato permanente entre os índios e a sociedade envolvente. Os apinayé também vendem o seu produto nas cidades próximas às aldeias. viajou ao Rio de Janeiro para pedir a demarcação de suas terras. Tomados por uma epidemia de varíola passaram em poucos anos de 4200 para 1500 pessoas. Também utilizam a miçanga para confeccionar colares. Colares: confeccionados com sementes variadas. esteiras e cofos. Os Apinayé vivem hoje numa área demarcada. Os curandeiros cuidam das doenças. distribuídos em sete aldeias. Enquanto os homens preparam as roças brocando. babaçu. Utilizam a palha de babaçu. ralam e imprensam a mandioca. Cestos. O pajé é chefe espiritual da tribo. Os homens pescam. Durante muitos anos. os professores índios e não-índios que ensinam a ler e escrever e. tucum e palmito que complementa a sua alimentação. amendoim. tudo é repartido. Demarcação das terras O Capitão José Dias. feijão. Educação A transmissão tradicional do conhecimento entre os Apinayé sempre foi oral. em 1936. a população Apinayé entra em decadência. tanto o trabalho como os produtos. mandioca. Maurilândia e Lagoa de São Bento. o povo Apinayé lutou pela demarcação de seu território que foi registrado e homologado apenas em 1985. caçam e cortam lenha. mas conservam seus desenhos tradicionais. por fim. batata doce e inhame. Uns gostam de trabalhar. bambu e espinhos. existem muitas pessoas e cada uma tem função diferente. capinam e fazem a colheita. Maranhão). Limitaram-se a trabalhar na agricultura. Esses artefatos são tingidos com urucum e jenipapo. a arte. Nas roças comunitárias ou nos roçados individuais as tarefas são distribuídas entre homens. Vida Cotidiana Na sociedade Apinayé. derrubando e queimando. Arco e flecha.

Hoje tem uns que não sabe cantar a Tora grande (relato de Alcides Apinayé. em torno de 500 metros. de acordo com o clã. esta mata se acaba. São iniciadas pelo cantor com seu maracá. levando aos locais de roça. uma cantora fica cantando até o dia amanhecer. mas ser formado de argila dura. Ritual de morte e enterro . Nas proximidades deve haver bastante mata ciliar para os roçados durante um espaço de. Para a fundação de sua aldeia. pelo menos. Também colocam os seus pertences sobre a sepultura. tradicionalmente. Levam a pessoa para a casa dela juntamente com o twy kupu (comida feita com mandioca e carne) como oferta para o espírito voltar. a construção de casas de alvenaria tem forçado a permanência da aldeia num mesmo local. Quando os outros voltam do enterro vão banhar no ribeirão. pintam e enfeitam todo o corpo. O solo não deve ser pedregoso nem arenoso.espécie de bolo de mandioca com carne. Um ano depois visitam seus parentes no cemitério. O morto é banhado e colocado numa esteira onde recebe a pintura e os enfeites segundo seu clã. Chamam um cantador que fica do lado do morto cantando até o dia amanhecer. cantor). Os parentes que estão enlutados não cortam os cabelos. Antes isso acontecia quando ainda eram crianças. caça e banho. quando. São mantidas pelo Governo do Tocantins seis escolas bilíngües. Mas.Devido à convivência interétnica surgiram as escolas que. Os Apinayé levam comida para o morto. não se pintam e não participam das reuniões na praça. já é possível que os jovens escolham com quem querem casar. A Festa do Mekapri . No dia seguinte. continuam a chorar no lugar onde o enfeitaram. em geral no fim de algum contraforte. os apinayé escolhem sempre um lugar que satisfaça às seguintes exigências: O chão deve ser plano. Os moços levam o paparuto para a casa dos padrinhos da noiva e lá recebem conselhos para não brigarem e viverem em paz. Na casa todos choram e depois distribuem a comida sempre com a presença do pajé. Cantiga de tora. Hoje. Em tempos mais recentes. a mata já fica numa distância de mais de duas léguas da aldeia. porque acreditam que sua sombra possa voltar para casa à procura de alimentos. feito na palha da bananeira cozido no muquem. Quando. No geral. A comida preparada é o paparuto . em solo não pedregoso e perto de córregos d água. Nas proximidades deve haver mata ciliar para os roçados. Quando eles terminam falam: se o rapaz não fizer direito com nossa afilhada nós vamos fazer desse jeito com você: cortar seu pescoço (relato de Ausira Apinayé). em conseqüência das derrubadas anuais.Começa a lamentação quando todos os parentes se reúnem na casa do morto. no ângulo entre dois cursos de água confluentes. Os caminhos da roça são relativamente limpos para que as mulheres possam passar livremente com seus cestos de carga. ajudando a manter a cultura e revitalizando a sua identidade étnica.A festa é realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente. jenipapo e lã de pati. Toda cantiga. estando de acordo com a sua família. Apenas a pessoa doente não come. A Aldeia Apinayé As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos. dão banho de água fria na pessoa para purificar. Os pais e os parentes mais próximos não acompanham o enterro. 10 anos. no alto dos campos. em conseqüência das derrubadas anuais. pesca. Os padrinhos e as madrinhas da moça ainda podem escolher o marido. localizado no centro da aldeia. Nestas os alunos têm a oportunidade de ler e escrever na sua própria língua e depois no português. ensinavam somente o português. a aldeia é reconstruída em outro lugar. no início. (relato de Kunum Apinayé). O lugar não deve ser demasiado distante da água. A alegria do Panhi (índio Apinayé) é a invenção da música. com maracá. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações de cada um para ter uma vida boa e correta. A Casa Apinayé A construção de casas de alvenaria de tijolos industrializados e a adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) tem levado à perenização da 34 / 49 . Panhi nunca quis largar a música. Celebrações e Rituais As festas são realizadas no pátio. muda-se esta novamente para um lugar onde ainda haja bastante mata nos arredores. como índios tinham muitas dificuldades em aprender porque os professores não compreendiam o que eles falavam nem os alunos compreendiam o que o professor dizia surgiram as escolas bilíngües. Caminhos estreitos cortam a mata ciliar em todos os sentidos. Casamento: Os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum. depois. Durante a noite.

Essa junção não deu certo e os Karajá voltaram para suas praias. No começo do século XX. 35 / 49 . A tradição dos Apinayé não dá a conhecer nas aldeias fixas. Têm-se ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada. os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayé. empreendida pelo rio Araguaia. a cheia e o início da vazante. conforme as estações do ano e o regime das águas que eles dividem em início das enchentes. Os Apinayé possuem atualmente aldeias fixas.aldeia. os Karajá ainda viviam de acordo com as mudanças climáticas. pertencem aos mesmos antepassados. doentes e com a população reduzida. são conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo). são fechadas com divisões de esteiras de palmeiras encostadas contra uma travessa armada na horizontal. nas aldeias da Ilha do Bananal. Koboí decidiu sair mais era muito gordo e não conseguiu passar. Voltou para contar o que viu e foi para a superfície. Karajá. o rio Araguaia" (EIA. de Xambioá.1997). como parentes e embora geograficamente separados. Certo dia descobriram um buraco e resolveram ver o que tinha do outro lado. corre um caminho largo normalmente denominado rua. A disposição da aldeia é inteiramente igual àquela das tribos dos Kráhò: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo. entre elas. A migração sazonal levou os Karajá para várias regiões até conquistarem o território onde vivem. idênticas às dos moradores da região. como se tivesse a mesma forma das aldeias tradicionais. ao redor do círculo interno. algumas aldeias Apinayé têm forma retangular com um pátio de reuniões central. tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializada. Javaé e Xambioá. Com o avanço da navegação fluvial. falam a mesma língua. frutas. mas se auto-denominam Iny. As casas são feitas com pouco acabamento. ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra aproximadamente no centro. principalmente como remeiros. Ali mantiveram contato com o jesuíta Tomé Ribeiro. passando pela taipa. "A partir do início das chuvas e subida do nível do rio Araguaia os Karajá reúnemse nas suas aldeias maiores. Utilizavam diferentes locais de moradia. pássaros e animais. Na Ilha do Bananal. os comerciantes utilizaram a mão-de-obra indígena. "A referência para a denominação do grupo é dado pela sua localização ao longo de um eixo. no entanto. por morarem perto da cidade do mesmo nome. os Karajá subiram o rio Araguaia. localizadas nas barreiras ao longo do rio. Javaé. migraram entre outros motivos. com cumeeira e cobertas de palha de palmeira. FUNAI/ 1997). às margens do rio Araguaia. durante a primeira viagem deste. assim chamados. são os ibòò marãdu (turma de cima). Atualmente. Os Karajá de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população. É o tempo da caça. História Antes de 1500. Mato Grosso e Pará. Durante o verão viviam nas praias do rio Araguaia e no inverno subiam os barrancos onde tinham suas aldeias maiores. Uma família saiu. Na Ilha do Bananal vivem os grupos Karajá e Javaé em aldeias separadas. devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. na prática. As casas são construídas com materiais que vão da palha de buriti. Os Karajá aceitaram a paz no final do último século e foram viver nos aldeamentos junto a outras etnias. As que ficam próximo ao rio Javaé levam esse nome. Durante os séculos XVII e XVIII o contato com as expedições dos paulistas provocou muitos conflitos. possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros. de se iniciar a preparação das roças e da coleta de diversas espécies vegetais" (EIA/FUNAI . Nos dias atuais o regime das águas ainda marca o tempo que determina as manifestações sociais da comunidade. existem três grupos: os Xambioá. viu a terra. Os que saíram são conhecidos como Karajá. Diante das casas. as árvores. Os Karajá. Nos anos seguintes a relação com os não-índios intensificou-se com a vinda dos mineiros e das frentes pastoris e agrícolas. Xerente e Caiapó. No Tocantins. Da praça central partem caminhos radiais que a ligam a cada casa. concentra-se o maior número de aldeias. Xambioá Origem mítica do povo Karajá Conta a lenda que os Karajá viviam no fundo do rio Berorõdy (rio Araguaia). outras casas senão do tipo daquelas ainda hoje em uso: retangulares. mas todos são o povo Iny. quando o rio fica behetxi (parado).

No final. Cerâmica: Confeccionada pelas mulheres. braçadeiras e tornozeleiras. No entanto é forte a tendência do povo Karajá em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições. a caça e a roça. genros e netos. usado pelo chefe de cerimônia. durante o período da estiagem. cana-de-açúcar. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio. Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. alimentos. 1941). passando a residir na casa da sogra. Os Karajá fazem a coivara e usam o sistema de rotatividade no uso da terra. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam. os espíritos e com seu próprio interior. onde se faz e desfaz facções. sexo e prestigio (Fritz Krause. depois transportam para a palha. Quando chegam as chuvas (Novembro a Março) dedicam-se às atividades agrícolas. passam a maior parte do tempo nas praias. Arte plumária: Essa arte exige muita habilidade e identifica o homem indígena com a natureza. como: Haretõ que representa o sol. o coco do buriti. pratos tigelas) ou ornamentais (bonecas ritxokò). (potes. idade. depois coberto com pedaços de lenha. As artesãs personalizam seu trabalho com figuras decorativas tradicionais e usufruem de grande prestigio dentro e fora da comunidade. As crianças aprendem desenhando na areia. a peça é pintada de preto. Para o cozimento. da bacaba e a seda do buriti. retiram material para construção de suas casas. cada um com seu significado. Os adornos que utilizam a plumária são: colares. cará e o arroz. primeiro o objeto é colocado perto do fogo. A cerâmica passou por uma mudança significativa devido a valorização e pressões comerciais. "Teve um tempo em que Karajá vivia como gaivota" Temysari Karajá (cacique de Xambioá) Os casamentos: São monogâmicos e combinados entre os familiares. Durante o verão. tinta retirada do sumo do jenipapo misturada ao pó do carvão e de vermelho. banana. milho. a confecção de artesanato. Nos Sertões do Brasil. Artesanato "A beleza transcende aquilo que a aparência física revela". são utilitárias. fumo e bebidas. dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. Cada família tem o seu roçado e cultiva: mandioca. dos barrancos do rio Araguaia que é misturado com cinzas da madeira do cega machado e colocada para secar ao sol. pescando e coletando. homens e mulheres. armas e máscaras. Trabalho Os Karajá são essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. é usado pelos rapazes e o Lori lori.Entre os Karajá as atividades políticas são bastante difundidas girando em torno de um complexo sistema de alianças. filiação. na época da estiagem. como enfeites e artefatos. A cerimônia é feita com uma apresentação pública e formal dos noivos para a comunidade. 36 / 49 . É uma forma de identificar o grupo étnico e a posição social na comunidade como: cargo. Servem também para enfeitar instrumentos musicais. retirada do sumo do urucum. São confeccionados cocares de grande e pequeno porte. jenipapo e urucum para as tintas. neste século. As mudanças de residências são matrilocais: o rapaz tem que acompanhar a moça. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária. Os Karajá organizam-se em famílias extensas que incluem além da família nuclear. cerâmica e cestaria. brincos. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu. a palha de buriti para as esteiras. Da natureza. A técnica da cestaria é ensinada pelos homens mais velhos aos jovens que desejam aprender. 1957). consagra-se lideranças e afastam-se outras. brinquedos para as crianças e também para a comercialização. Utilizam o tucum para fazer o arco. Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca. ministrando interesses e mudando a política dentro da comunidade. bacaba e madeiras como a sarã para confecção de brinquedos e artesanato. Trás uma significativa expressão de riqueza e esplendor. Na finalização das bonecas utilizam cera preta para fazer os cabelos (Berta Ribeiro. Servem como utensílios domésticos. a fauna e a flora. As mulheres trabalham na confecção do artesanato. Os artesanatos são utilizados nos rituais. Muitas coisas mudaram. Cestaria: Serve para o transporte e armazenamento de mantimentos e como peça decorativa. instrumentos musicais e canoas. devido a interferência de religiosos e agências governamentais. Adquirem através destes os produtos industrializados: roupas. principalmente na política que faz as lideranças das aldeias. batata-doce. Para confecção da cerâmica utilizam o barro branco retirado. na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distante da aldeia.

em vários estilos. nos cestos. São feitos os ornamentos e enfeites: cocares. Uorossani. colares. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. colocam para secar. ralam. Ganha quem ficar de pé. um ano depois. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades.Celebrações e Rituais O Povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. As tintas de jenipapo e urucum são utilizadas na pintura corporal. pedem proteção aos Aruanãs: dançam aos pares e não mostram os seus rostos. repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham. Lutam dois de cada vez. Ensinam aos descendentes a importância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vem de tempos milenares. Mulheres. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para ele chamar os Aruanã. que dura o ano inteiro e revitaliza a cultura da comunidade. Representam os animais como a ariranha. nas cerâmicas. No ritmo das chuvas. Mas. As representações gráficas são diferentes para cada grupo social dentro da aldeia: os homens pintam de uma forma. Depois das boas vindas. as mulheres arrancam a mandioca. os donos da festa precisam mantê-la em pé. do grande Berohoky (rio Araguaia). homens e crianças participam do "ciclo do Aruanã". pescar ou fazer alguma viagem. peixes e répteis. olhando suas mães e irmãs" (Ijyraru Karajá) Os desenhos são usados no corpo das pessoas. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. as solteiras. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". Os cemitérios ficam perto da aldeia. Utilizam as cores preta. como: pássaros. é o espírito do bem e cunin. retirada do jenipapo e vermelha do urucum. nos remos e nos maracás. Os homens quando vão caçar. em frente ao rio. é nas noites de lua cheia que acontece o rito reservado somente aos homens. Ijasò Os Aruanã (Ijasò) são espíritos trazidos pelos pajés. 37 / 49 . Ijesu são as lutas Karajá. Convidam os Karajá de toda região para participar. Os Aruanã entram e saem das casas cantando e dançando para além de marcarem a passagem do menino. no mesmo sentido das casas. uma grande casa é construída para os convidados onde deverá ter comida farta para todos. Na preparação das festas os homens saem para as caçadas e pescarias. A luta vai até o amanhecer. As figuras míticas dos espíritos protetores cantam e dançam para todos. A Pintura Corporal A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas dos animais da região. nas esteiras. Festa do Hetohoky Também conhecida como a "Festa da Casa Grande" representa a passagem do menino para a fase adulta. o corrupião o boto e a cobra coral. sobe e desce. espírito do mal. para dentro da aldeia. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. "As crianças aprendem a desenhar. braçadeiras e tornozeleiras. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. Os Rituais de Morte: Os karajá acreditam que. coletam frutos e fazem bebidas. marcarem também um novo tempo. as mulheres casadas de outra. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. Existem dentro da comunidade pessoas especiais para fazer a pintura corporal. Enterram seus mortos em covas rasas cobertas com palhas e. depois da morte. eles sobrevivem em espírito. velhos e rapazes também têm suas pinturas características que representam formas de distinção e hierarquia dentro da sociedade. retiram o que restou e colocam em urnas de cerâmica. São realizadas lutas tradicionais.

deve haver espaço suficiente para os mortos. Tradicionalmente e nos dias atuais é costume localizar o cemitério à beira do rio. Depois das boas vindas. pois todas as casas. a fartura dos peixes. que são usados preferencialmente pelos rapazes solteiros e pelas crianças. usado preferencialmente por rapazes solteiros. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". No entanto. são as aldeias Karajá que mantém. O sereno. na fileira de casas que fica entre a rua central e o rio. De acordo com os mais velhos. quando existe uma única porta. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. 38 / 49 . localizada no norte do estado. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Outros caminhos. em suas moradias. das brincadeiras de meninos e meninas e de descanso onde. Em Santa Isabel do Morro ainda existem os caminhos secundários. passando pela porta das casas da fileira próxima ao rio e pelos fundos das casas da outra fileira. e não a cópia de um povoado não-índio. levam aos barrancos onde se desenvolvem atividades públicas como. Ocorrem grupos de túmulos ortogonais ao rio. foge a esta regra. os donos da festa precisam mantê-la em pé. a aldeia transferia-se para as praias. os frutos da Terra. ancoramento de canoas. acima do nível das enchentes. para ter conforto. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). as famílias colocam suas esteiras e banquinhos de madeira para conversar. duas fileiras ao longo de uma rua central. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. Em qualquer época. a rua central é também utilizada pelas mulheres como local de trabalho. as casas eram alinhadas ao longo da margem. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. comer ou dormir. As diferenças ficam por conta das edificações com materiais industrializados realizadas pela FUNAI: o posto de saúde. a chuva. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. voltadas para o rio. banho em família ou individual e lavagem de roupas.Faz mudar as casas. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. estação seca (maio a setembro). porém. situada atrás da fileira de casas. saindo da rua central. a aldeia Xambioá. a escola. com casas alinhadas dos dois lados de uma rua central. tem os caminhos que levam à casa de Aruanã. essa fica voltada para o rio. atrás delas um caminho secundário. o processo de formação da aldeia é repetido. São mantidas no entorno apenas algumas árvores de maior porte. a pouca distância das casas. a implantação tradicional. no verão. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. em locais livres de vegetação arbustiva e rasteira. a praia. as casas para os funcionários e para os três capitães da aldeia. Saindo na direção oposta à rua central. Faz mudar as vidas. coleta de barro para a confecção de artesanato (mulheres) ou para construção (homens). Como não é permitida a superposição de sepultamentos. no extremo da aldeia. esse tipo de distribuição das casas pode ser interpretado como a duplicação de uma aldeia Karajá tradicional. Entretanto. À primeira vista a aldeia se parece com os povoados habitados por sertanejos. à tardinha e à noite. acompanhando-o linearmente. Uma linha reta que guia a vida. a uma certa distância. Santa Isabel do Morro e Fontoura. interditada às mulheres e crianças. o calor. O Sol. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. na Ilha do Bananal. Vida Karajá. Essa interpretação feita pela arquiteta Cristina Sá (In: Revista Projeto/1983) é sugerida pelo fato de que. A Aldeia Karajá Atual Nos dias atuais os Karajá não fazem os acampamentos de verão. Implanta-se a aldeia em barrancos planos acima do nível do rio. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). estão voltadas para esta ruaAlém de servir para a circulação. A luta vai até o amanhecer. da mesma forma que os vivos devem contar com espaço bastante. Observa-se na disposição dos túmulos a forma utilizada para a posição das casas: pessoas do mesmo grupo familiar são sepultadas uma ao lado das outras. a floresta. facilitando a pesca e a coleta de ovos. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. em parte. que continua a ser o principal marco de referência. com duas fileiras paralelas de casas ao longo do rio. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada.

Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). segundo a conveniência dos brancos. o sol e Pud roré. porque o Mehin (como os Krahò se autodenominam) brigava com o Gavião. Da cabaça criaram a mulher e ensinaram a construir aldeia e fazer roça e voltaram para o céu". A política de aldeamento significava. facilitando a pesca e a coleta de ovos. havia nessa aldeia 2822 Apinayé e Krahò (Carneiro da Cunha pag. 39 / 49 . competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. a floresta. Recuaram para a margem direita do rio Tocantins. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). p. voltadas para o rio. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. porém. interditada às mulheres e crianças. usado preferencialmente por rapazes solteiros. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. 18). Pedro Penõ fala de suas lembranças sobre as lutas contra os outros povos e como essas lutas influenciaram suas migrações: "deslocou para Pedro Afonso.. Os Krahò viveram na aldeia de Boa Vista do Tocantins.. Pud (Deus) cantou e deu origem a todas as coisas do mundo. Falta um pedaço Krahò Origem mítica do povo Krahò "Sol disse para a lua: cumpadre vamos descer e decidiram: criaram as matas. as casas eram alinhadas ao longo da margem. Uma linha reta que guia a vida. sobe e desce. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã).Ijesu são as lutas Karajá. acompanhando a forma irregular do curso do rio. os rios e o homem. Fomentar a guerra entre as diversas etnias foi uma estratégia bastante utilizada pela frente colonizadora para apoderar-se das riquezas encontradas nas terras de outro grupo (Carneiro da Cunha. a uma certa distância. os Krahò habitavam a região do Rio Balsas no Estado do Maranhão quando tiveram registrados seus primeiros contatos pela "frente de colonização". deportação e concentração de grupos indígenas. fundada pelo frei Francisco do Monte São Vítor em 1841 no município do mesmo nome. Para os Krahò o canto é sagrado e tudo começa e termina com os cânticos ensinados por Deus. O sereno. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. Estes índios além de agrupados a diferentes etnias deveriam desempenhar trabalhos para toda comunidade local. no verão. Lutam dois de cada vez. Faz mudar as vidas. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal.) Ai depois o Xerente começou também a brigar com os Krahò e eles desceram o rio". O Sol. Dez anos mais tarde. em locais limitados onde havia uma constante vigilância dos missionários destinados ao trabalho de catequese. Como outros grupos os Krahò combateram outras etnias. a lua. Pokrok História Contam os Krahó em sua história mitológica que Put. estação seca (maio a setembro). os Krahò sofreram grandes perdas na sua população. foram habitar a terra em forma de homens. na região onde hoje é a cidade de Carolina / Maranhão. a fartura dos peixes. No ritmo das chuvas. Ganha quem ficar de pé. em vários estilos. o calor. atrás delas um caminho secundário. a praia. Faz mudar as casas. Vida Karajá. a aldeia transferia-se para as praias. Como a maioria das tribos indígenas. No final do século XVIII.18). a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. a chuva. Em qualquer época. entre os rios Farinha e Manuel Alves. acima do nível das enchentes. (. situada atrás da fileira de casas. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. os frutos da Terra.

Pedro Afonso era um importante entreposto comercial da época e servia de rota fluvial. puderam manter sua identidade étnica. "A divisa é Sono Grande que despeja no Tocantins. quando assar eles tiram tudinho e põe no sol. voltando à sua região de origem às margens do rio Manuel Alves Pequeno. em certos favores ou mesmo em troca de permissão de caçarem fora do território tribal" (Darcy Ribeiro. uma relação "ordenada" com o mundo dos não índios. descascam tudinho. Os Krahò negociam com os brancos." Pedro Penõ 40 / 49 . também tira a casca dura e cozinha no muquem conforme ai umas quatro horas. quero lugar tudo desocupado". agricultura e pastoreio . continuam vivas na memória de seus habitantes mais velhos. Em 1940. criem gado. Pedro Penõ Vida Cotidiana Dia-a-dia na aldeia Pedra Branca Para os Krahò a terra pertence a todos os membros da tribo. essa área que tem para o Krahò. no Suapara desce até no Manoel Alves Grande. hoje é considerada a maior área de cerrados inteiramente preservada no Brasil. que tinha se transformado num vilarejo de sertanejos afastados" (Mellati. ai quando tá seco bate tudinho e tira carne de casca. Pedro Penõ Após várias invasões. macauba.levavam gado para o Maranhão. pisa no pirão e faz beju ou faz paparuto. 24)." Pedro Penõ Anos depois apenas mil Krahò viviam em Pedro Afonso. Mas os Krahò resistiram e preservaram elementos fundamentais da sua cultura. pois criavam empecilhos ao comércio fluvial através do rio Tocantins (Carneiro da Cunha. talvez não conseguissem sobreviver aos tempos. "Então mandaram pedir um padre. fundada em 1849 pelo missionário frei Rafael de Taggia. utilizando recursos que possam promover sua sobrevivência na relação interétnica. "Em 1886 restavam apenas duzentos Krahò na aldeia. As invasões persistiram por décadas e. como os cantos. entre Porto Imperial e Carolina. em produtos vegetais. faz muquem grande e assa. Com a posse da terra ganharam uma "certa independência". corte de cabelo.408).Uma parte da tribo Krahò foi levada à aldeia de Pedro Afonso. aos oitenta anos. mediante pagamento em dinheiro. até Chácara da Serra. mas em caso de separação a mulher fica com a produção. "Os Krahò permitem que os regionais plantem em suas terras. Nome mudado do Rio Vermelho. Quando já tá maduro. buriti. aí sobe até rio Perdido até rio negro que digo. mas os ataques e as doenças reduziram a população. sem essas estratégias de defesa.533 hectares próxima as cidades de Itacajá e Goiatins. Frei Rafael de Taggia ainda era seu missionário. Eu já comi o beju de carne de casca de piaçava eu já comi também. Essa que é a divisa dos Krahò". Demarcação das Terras "Eu pedi mesmo. p. Viveram nessa aldeia perto dos rios Sono e Tocantins. chegou verão. pelo rio Tocantins. em reses. Alimentação Pedro Penõ descreve. Mas os Krahò foram removidos. Massa de macauba. Os casais preparam a roça para sua família. tiram casca e botam no sol. pág. depois da colheita outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local. De primeiramente o índio planta aquele cipó e deu no fim. as terras dos índios Krahò foram demarcadas.. os índios Krahò sofreram um violento massacre desfechado por criadores de gado. Delimitada em 1976. Ele chegou naquelas canoa grande. aos seus parentes os produtos dos seus roçados. Levaram pelo rio até Pedro Afonso. O marido e a mulher podem doar. De outra forma. adquirida do contato permanente de aproximadamente duzentos anos com a sociedade envolvente. coco piaçava. Frei Rafael. quando caiu folha ele tira tudinho e faz uma tora e bota no fogo e assa. No início do século XIX eram quatro mil pessoas e em menos de um século. Ficaram morando lá até fazer a demarcação. trabalhavam na pesca. Índios do Brasil. a população reduziu para pouco mais de quinhentos habitantes. eles pegam tudinho ai eles tiram. até rio Mateiro despeja no Suapara. o cultivo dos alimentos e principalmente a formação circular das aldeias mantendo o equilíbrio cultural de seu povo. 133). os hábitos alimentares dos Krahò: "Comíamos toda fruta. mistura com a casca de cipó. e assim seria até morrer. e também. É uma área de aproximadamente 302. assim. p. bacaba. A pressão colonizadora os obrigava a migrar aparentemente em direção ao nordeste.

suas festas. Produzem enfeites e instrumentos musicais para as festas como os colares e as flautas de cabacinhas e os maracás que são feitos pelos homens. É importante para os Krahò que as duas metades estejam em equilíbrio. abanos e cestas.) o homem Krahò evita comer carne e determinados alimentos vegetais durante os primeiros dias após o nascimento de seu filho. são encarregados de carregar as armas e levarem a caça para as aldeias. uma machadinha de pedra que o povo Krahò tem como elemento importante para continuar a tradição e a vida.. p. para que se respeite o ritmo da vida e mantenha o equilíbrio. assim como os velhos. Katam jê representa o inverno. de onde tiram a sobrevivência do corpo e da alma. batata. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guerreiras. o nascente. para terem eficácia. "Para os índios Krahò tanto o marido como a mulher tem participação na formação do corpo de um novo ser. Tudo que se relaciona ao povo. Quando morre um Krahò acontece a separação definitiva. o calor e os animais noturnos. exigem a abstinência de certos alimentos. Tem que falar pouco e escutar mais". e depois o Karõ transforma-se em animais. palha de buriti e babaçu. a seca. poderão predizer o sucesso das caçadas. segundo a tradição. As meninas maiores cuidam dos menores e os meninos. as matas verdes.usam determinados vegetais para esfregar no corpo ou para fazer infusões que ingerem. Portanto. Organização social Tradicionalmente as aldeias Krahò são politicamente independentes. rege as chuvas. As mulheres fazem a coletam. são essas forças que regem a natureza e o homem. Prepara-se também com certos recursos mágicos: ". (. assim 41 / 49 . segundo à espécie de animal que desejam caçar" (Melatti.. considerado sagrado para os Krahò. para serem bem sucedidos. 104). Karõ. plantam. o frio.. também devem conhecer muito bem os hábitos dos animais para melhor procurálos ou esperá-los. a fome. os animais noturnos. ritos. com um grande pátio no centro chamado Kà.) não pode trabalhar. vem as doenças. os sentimentos e as crenças estão ligadas a natureza. p. O símbolo sagrado que mantêm essa harmonia e o respeito dentro da comunidade é o Khoyré. Os partidos: Os Krahò possuem dois partidos. conselheiros e sábios. conhecida como. Na roça cultiva-se mandioca. onde a tribo se reúne para fazer as divisões de trabalho e tudo que seja importante para a concepção da vida cotidiana na aldeia. fumar.. Certas magias. Estão construídas em disposição circular. Wakme jê representa o verão. Os homens seguem essas tradições por acreditarem que o filho tem ligação direta com o pai. O Karõ pode afastar-se do corpo. abóbora e principalmente o milho. possuem alma. Artesanato Os Krahò confeccionam artesanatos utilitários: cofos para carregar lenhas e alimentos. Bolsas para viagens ou para colocar roupas e pequenos objetos. histórias.Trabalho A divisão de trabalho é feita pela separação de sexo e idade.. "aquele que possuir a machadinha não deve fumar.. (. ou duas metades o Katam jê e Wakme jê . a sede e a morte. Também procuram interpretar os sonhos que. penas de pássaros e cabaças. respeitando o tempo das caçadas e toda as atividades dentro de uma relação com o tempo e variações sazonais. Quando se desrespeita o equilíbrio que rege as duas metades. 48). cuias. o poente. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo. além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada.. vegetais ou minerais. segundo eles. ter relações sexuais. pilões. Celebrações e Rituais Os Krahò cultivam seus rituais e celebrações com a mesma força que acreditam no equilíbrio das metades que rege suas aldeias. Os velhos são representantes da tradição. caçam e pescam. e cuidam da casa. conversar. A área dos roçados fica distante da aldeia. O material empregado na confecção dos artesanatos é retirado da natureza são: sementes. matar cobras" (Melatti. (.) Uma vez nascida a criança. As Caçadas Os caçadores Krahò. amendoim. estão presentes em tudo. beber. observando a rotatividade da terra durante o plantio. (José Aurélio Pokrok) Os Krahò acreditam que todos os seres: animais.. não pode brigar.

42 / 49 .Pônhê Na festa do milho os Krahò comemoram a fartura das roças. do seu lado da aldeia. os homens ficam passando por elas e o cantor conduz ensinando as músicas dos antepassados. Colhem milho. frutas e reúnem os partidos do verão e inverno para combinarem como será a festa. uma menina aprende os cantos. as mães acendem fogueiras e as brincadeiras recomeçam com as cantigas de maracá. em frente a casa de reuniões de um dos partidos.era preciso se preservar para que os filhos sobrevivessem seus primeiros dias de vida com saúde. Durante a festa os Krahò celebram seus casamentos e batizados. "Fica a noite toda na festa do maracá. recolhendo os alimentos nas roças do partido Wakme jê. O velho Xavier diz que se sonhar matando o animal. são seguidos por toda a comunidade. se vão trabalhar ou vão para a caçada. A cerimônia começa quando todos vão para o círculo maior." Dodani Krahò Festa do Milho . sabe as coisas antigas". Junto. No final. "Cortam as toras de buriti. logo morrerá. Segundo o cacique a festa demora acontecer. Cacique da aldeia Cachoeira Durante a festa correm com a tora que chamam de Jàtjõpi "tora da batata" que chega a pesar 120 quilos. você irá viver por muito tempo até ficar velho." Os Sonhos Acreditam que os sonhos predizem a vida. A festa começa com o partido do inverno Katam jê. aquele que sabe cantar pega ela um pouco e torna a guardar. Preparam um grande bolo de mandioca e carne. às vezes passam até dez anos para que ela seja realizada. a brincadeira torna-se mais festiva. então vão dividir carne e correr para o rumo da aldeia. comparam o peso de cada uma e começa a corrida. no centro. Fazem dois grandes feixes de palha contendo os alimentos e colocam diante de suas casas.A história era assim: Os cantores ficam no pátio. A Machadinha sempre fica guardada. se deixam cair. O homem. do verão. O menino Krahò recebe o nome geralmente de seu tio materno. Os grupos que correm representam os dois partidos. A machadinha que toma conta da aldeia resolve as coisas. explicam as coisas. cantando. mostram o que vai acontecer. quando existe comida suficiente para alimentar todos que participarão dos rituais. toda noite pro outro aprender. batatas. Se pegam continuam na brincadeira. Fazem os enfeites que os rapazes e as moças usarão durante as festividades. enquanto a menina quase sempre da tia paterna. cedem o lugar para outro. especialmente preparadas para cada tipo de festa. sobre os animais". o do sol nascente e o do sol poente. Segundo o nome que recebe. Os velhos do partido do inverno ficam no pátio. As mulheres cantam.Machadinha Sagrada" Eu falei das cerimônias e da força da nossa cultura. que se oferecem para recebe-las. As toras de buriti vão passando de ombro em ombro e ganha o grupo que chegar primeiro ao pátio onde gritam e dançam comemorando a vitória. Na aldeia é o cantor que usa a machadinha. Sempre cantam. o paparuto. Quando chega a noite começa a cantoria. Preparam-se para a corrida que terminará no pátio. se o bicho matar o indivíduo este. explicam para os mais novos que vão para o mato matar algum bicho e trazer para o rumo do torí(não índio) as coisas que mataram repartem. O cantor de maracá e uma mulher cantam lado a lado na casa de reunião dos homens. Participam os dois partidos: o do sol nascente e do sol poente. a mulher e a menina. Jogam as batatas nos rapazes. reunidos no pátio após percorrerem a metade da aldeia. o indivíduo passa a pertencer a certo grupo cerimonial e a certa metade dos muitos pares que existem na sociedade. Khoyré . é realizada durante o verão. vão dar para o Wakme jê ou Katam jê . O que colhem armazenam em grandes palhas de bacaba. Depois o partido do verão recolhe todos os alimentos na casa dos homens do seu partido. cantam até o dia amanhecer e ajuntar o pessoal. sai um portador para convidar outras aldeias para participar da festa. A cada novo desafio. Corrida de toras Homens e mulheres participam da corrida com toras. A Festa da Batata (panti) Celebra a colheita. limpam bem.

faz a mesma afirmação quando se refere aos Apinayé que. são ligadas pelos laços maternos. desta forma. As casas são construídas pelos homens que nelas habitam. de ponta para baixo e com os folíolos em posição natural . também são descendentes dos Timbira. o que significa que "todos têm o mesmo peso social" (Matta op. mas sim um círculo de traçado irregular. com casas mais distantes ou mais próximas do pátio. Toda a amarração é feita com cipós. cit. já que as novas gerações teriam construído suas casa no círculo de trás e as da frente desapareceriam. fecha-se a porta com uma esteira encostada ou pendurada nela. às vezes. Ou então. centro das decisões políticas e de toda a vida ritual. Os homens ao se casarem. encontrar-se aldeias pequenas (poucas casas) com diâmetro maior que algumas aldeias grandes.como unidade fundamental para as suas referências. Algumas vezes. com um dos lados maiores formando a frente da casa. Cada casa tem seu próprio caminho que a liga ao pátio. assim como os Krahò. normalmente chamado de periferia. com diâmetro maior. restando somente o novo círculo periférico com um perímetro maior. Nas casas não há janelas. A casa completa é fechada em todos os quatro lados. assim. São mais comuns as casas com cobertura de duas águas e porta ao lado do esteio da cumeeira e se utilizam mais das folhas de piaçava para a cobertura de suas casas. dando para o quintal. Cada casa abriga os dois únicos grupos sociais da vida cotidiana: a família elementar (pai. as novas famílias vão construindo atrás das casas das quais haviam desmembrado. As folhas de palmeira são aplicadas em posição horizontal. Do mesmo material são feitas as paredes. 1976) As aldeias Krahò são circulares e o círculo é formado porque todas as casas distam igualmente do pátio que se torna. Em momentos ou situações de grande acréscimo populacional e de estabilidade política. A expansão das aldeias não é dada de forma linear. definindo-se como "índios de verdade" principalmente pelo formato circular de suas aldeias. na parede dos fundos. A circunferência formada pelas casas não é proporcional ao seu número. ao invés de ocorrências de cisões.Caminham até os feixes de alimentos e voltam para o pátio. as famílias elementares de uma mesma casa. Cantam com maracá e abrem os feixes dividindo todos os alimentos. porém. Matta. que constituem o grupo doméstico. Quando o círculo periférico da aldeia já não suporta mais a construção de novas casas. devem residir na casa da mãe de sua esposa. o kricapé (onde kri = aldeia). o quer dizer que uma casa compõe-se de pelo menos duas famílias elementares. A Aldeia Krahò Os Krahò quando falam de sua própria sociedade. Nesta situação não a veríamos como um conjunto concêntrico de círculos de casas em torno de um pátio. as folhas são aplicadas em sentido vertical. com os folíolos pendentes para um lado só. Com o passar do tempo as casas do antigo círculo tendem a desaparecer. o centro da aldeia. ou somente uma parte da casa forma uma espécie de quarto fechado. ou seja. que tem por vezes uma cobertura de quatro águas. É na periferia que têm lugar as atividades domésticas ligadas à produção e as casas aparecem como unidades fisicamente definidas e demarcadas. abrindo para trás. A Casa Atual 43 / 49 . falta a parede da frente. (MATTA. À noite e durante a ausência de todos os seus habitantes. total ou parcialmente. A Casa Tradicional Krahò A forma das casas utilizadas pelos Krahò são muito parecidas com as casas dos moradores nãoíndios da região. voltada para o pátio da aldeia. feitas de folhas de babaçu ou inajá. Diante das casas passa um caminho circular.) e que estão relacionados de um mesmo modo ao pátio.e não as casas . porém. mas são propriedade das mulheres. destacam a aldeia . Esta disposição espacial das casas forma assim o círculo maior da aldeia. Em outras épocas era comum uma aldeia com determinado número de casas e diâmetro ser construída em outro local com o mesmo número de casas. geralmente as filhas morando atrás da casa das mães. mãe e filhos) e o grupo doméstico. e estes caminhos radiais são iguais para todos. A esta parte da frente corresponde outra. A porta sempre é feita no lado maior. Esperam até o dia amanhecer quando reúnem os dois partidos para carregar os feixes até o pátio. A planta é normalmente retangular. como que anunciando aos outros membros do partido.parece ser esta a maneira original de fazerem as paredes. as aldeias podem ampliar o círculo (aumentando o diâmetro das aldeias).

um para cada casal e camas a um metro e meio a dois metros de altura. utilizando a casa apenas para dormir.. É também bastante comum que as famílias construam atrás ou ao lado da casa de taipa ou adobe uma área com cobertura de palha que serve de cozinha.Atualmente os Krahò constroem suas casas de taipa ou mesmo de adobe ou tábuas de madeira fazendo uma divisão interna. "gente importante". arroz.C. começa a cozinhar no quarto e a primitiva divisão se transforma". Ação realizada por técnicos indígenas e não índios.Procambix.órgão do Estado responsável pela preservação ambiental. representando a Comunidade Tocantinense. Atualmente. do qual fazem cestas. (. sementes nativas e o capim dourado. mandioca e. utilizam a lavoura mecanizada. uma parcela dos índios Xerentes trabalha como professores e em cargos administrativos estaduais e federais. "indivíduo". Xerente Akwê. na Reservas Indígenas Xerente e Funil Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins. bolsas. jiraus baixos com esteiras de buriti. algumas vezes separam um recinto destinado a ser cozinha de outro destinado a ser quarto. plantam milho. sob a proteção de Deus. igualdade e fraternidade. Título I . perto da cidade de Tocantínia. Mellati (in: MELATTI. refletindo as mudanças operadas com o advento da sua emancipação político-administrativa e fazendo-se instrumento de orientação do seu progresso. cercadas por paredes de esteiras para as moças. redes. apoiados pela Funai e Naturatins . J. mas não há nada de comum entre a divisão interna de uma casa e as demais. funcionários do Programa de Compensação Ambiental Xerente . 1975) descreve: "Ocorre algumas vezes que a casa krahò tenha paredes internas.. As matérias-primas usadas na confecção do artesanato são a palha de babaçu.) A casa indígena é geralmente sem divisões. Ritos de uma tribo Timbira. com liberdade. em pequena escala. mas logo algum casal da casa se instala na cozinha. Símbolos do Estado A Bandeira CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS 1989 PREÂMBULO A Assembléia Estadual Constituinte. vivem da agricultura tradicional da "roça de toco".DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 44 / 49 . Encontra-se no interior da morada. esteiras e adereços que são comercializados nas cidades próximas da reserva ou enviados para outros estados. promulga a sua primeira Constituição.

1 (nove e um décimo) módulos. como consta do memorial justificativo e arte (I .DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. pois. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro). que parece denotar um impulso humano ao concreto e a necessidade inelidível de fixar em um símbolo a unidade de suas aspirações em uma ordem coletiva qualquer. contudo. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos. tal como o Brasão de Armas. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art.. as armas e o selo estadual. Miracema do Tocantins. A Bandeira. Art. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 094/89.. em anexo. 17 de novembro de 1989. A barra resultante dessa divisão. com uma ou mais cores. etc. revogadas as disposições em contrário. deve ser a síntese dos sonhos e ideais mais caros de seu povo. segundo o Novo Dicionário Aurélio. 1º .Fica instituída a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. esta Bandeira será de fácil visualização e apreensão. estandarte + eira . 2º .. 3° . a confiança do seu presente e a esperança no seu futuro. § 1° . Uma definição muito pobre do verbete. com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores. às vezes com legenda... com catetos de 13 (treze) por 9. 2°.Palmas é a Capital do Estado. pois a Bandeira. O projeto da Bandeira aqui representado traz a mensagem de uma terra onde o sol nasce para todos.Seção I .. Art.. 1°. que se hasteiam num pau. em branco. 3º . cores que expressam respectivamente o elemento água e o rico solo tocantinense. com 4 (quatro) e 2. nas cores azul (blau) e amarelo (ouro). partido. entre os campos azul (blau) e amarelo (ouro).. de amarelo ouro. de 17 de novembro de 1989. como símbolo máximo a pairar sobre o novo Estado do Tocantins. sinal. que passam a fazer parte integrante desta Lei. III .Construção Modular).Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Descrição Geométrica 45 / 49 . o que determinam as regras de vexilologia. a derramar seus raios sobre o futuro do novo Estado.3 (dois e três décimos) módulos de raio. elaborados por José Luiz Moura Pereira. 168º da Independência. do gótico BANDWA. a reverência ao seu passado. corporação. Institui a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. o hino. II Cores Convencionais Heráldica. Art.São símbolos do Estado: a bandeira. respectivamente.A BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição geométrica: Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (catorze) de largura. 101º da República ano 1º do Estado do Tocantins. SIQUEIRA CAMPOS Governador do Estado BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS Memorial Justificativo A palavra bandeira. e é distintivo de uma nação.. sendo o que poderíamos chamar de propaganda espiritual. tem a seguinte definição: Pedaço de pano. Art. Por seu desenho simples e despojado de filigranas. é uma das formas superiores da Heráldica. não oferecendo o risco da tão indesejável contraposição. constituída de um desenho simples e despojado de filigranas.Representação Policromática. não oferecendo o risco da contraposição.. colocado sobre uma barra branca. de fácil visualização e apreensão. o sol. representando todos esses valores de forma a mais harmônica possível sem ferir. símbolo da paz.

1976.S.Milano. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. · FAYARD. Brasão GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 092/89. D. Bibliografia · DI CROLLANZA. ladeada nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). 1966. · RUNES. . do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores limitado na linha divisória. Clóvis.1986. J. Publicações Ltda. · V. D. Gabinete de Heráldica Corporativa . Paulo.3 (dois e três décimos) módulos de raio. uma asna de azul (blau).Fica instituído o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. · O TOCANTINS. · LANGHANS.Lisboa. P.Expressão e Cultura . carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. Gofredo. Sob o escudo. de Almeida. Cria o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. SCHRICKEL. na metade superior. Paulo Editora Ltda. 1933. o termo ou campanha.. 1º . Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos com catetos de 13 (treze) por 9 (nove) módulos nas cores azul (blau) e amarelo (ouro) respectivamente. um listel de azul 46 / 49 . (ver Anexo II Modular). LEX. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. Ulrico Hoelpi . Ano 4 . em branco.Barcelona. HERÁLDICA . S. A metade inferior. A. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. 1951. constituído de um escudo elíptico cortado. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. H. F.1972. Olímpio . Enciclopédia Britânica do Brasil. C. A barra resultante desta divisão. · RIBEIRO. Ed. Legislação Federal 1968.Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (quatorze) módulos de largura. de 17 de novembro de 1989. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro) com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores com 4 (quatro) e 2. . GRAMÁTICA ARÁLDICA. Presidência da República .nº 11. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. Editorial Êxito S. em chefe de azul (blau).CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS.

por ser esta a que melhor se coaduna com a alegoria nele representado: o sol de amarelo (ouro) do qual se vê apenas a metade despontando no horizonte contra o azul (blau) do firmamento . um listel com 1. Em timbre. Sob o escudo.(blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data 1º de JAN 1989 em letras brancas. uma grandeza que surge. em anexo. a contar do centro para baixo. Em timbre. Como suporte. II . um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa CO YVY ORE RETAMA em letras de 0. procuramos ressaltar esses valores de forma a mais harmônica possível dentro do que determinam as regras da Heráldica. como uma das unidades da Federação Brasileira sob a divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" . Art.5 ( um e meio) módulo. O Brasão de Armas. 168° da Independência.O BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição modular: Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). criados por José Luiz de Moura Pereira. Miracema do Tocantins.imagem idealizada ainda nos primórdios da história do novo Estado quando sua emancipação mais parecia um sonho distante e inatingível e simboliza o estado nascente. 2º . mas tão somente a repetição das cores.em letras brancas sobre listel de azul (blau). 3º . aí introduzidos em substituição aos metais e prata. 101° da República e Ano 1° da Estado do Tocantins. Art. Em timbre uma estrela de amarelo ouro.ESTA TERRA É NOSSA . SIQUEIRA CAMPOS Governador Memorial Justificativo Com a divisão do Estado de Goiás e a conseqüente criação. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. cujo futuro se ergue promissor e fecundo. presentes na Bandeira adotada e já consagrada pelo gosto popular e lembram respectivamente a opulência do rico solo tocantinense e também a paz que à mercê de Deus.Representação Policromática. a reverência do seu passado. aí reinará. A asna em azul (blau) cor falante do elemento água. em sinople (verde) como justa homenagem e reconhecimento ao valor dos tocantinenses cujo esforço e determinação transformaram aquele sonho tão longínquo na mais viva realidade. Os campos em amarelo (ouro) o branco. Sobre a estrela. que passam a fazer parte integrante desta Lei. No projeto que ora apresentamos.Cores Convencionais Heráldicas. Escolhemos a forma elíptica para o escudo. deve ser a síntese dos ideais mais caros do seu povo. uma vez que existem inúmeros precedentes tanto na Heráldica nacional quanto na universal. 17 de novembro de 1989. dentro de uma bordadura de 1. com 8 (oito) módulos de largura. uma afirmação no seu presente e uma mensagem de otimismo para as gerações do futuro. respectivamente. com bordadura de azul (blau).5 (meio) módulo de altura. não constituem nenhuma violação aos cânones da arte da armaria. representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins. Sob o escudo um listel de azul (blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data de sua criação 1º de janeiro de 1989 em letras brancas. fonte perene de riquezas e de recursos hidroenergéticos. uma estrela de amarelo ouro. a coroa de louros que cingia a fronte dos heróis vitoriosos. com bordadura de azul (blau).ESTA TERRA É NOSSA . COMO CONSTA DO Memorial Justificativo e arte (I .em letras brancas sobre listel azul (blau). como uma forma superior de Heráldica.5 (meio) módulo de altura. revogadas as disposições em contrário.8 (um e oito décimos) de módulo de largura.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio.5 (três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. III Construção Modular). com a inscrição Estado do Tocantins em letras de 1 (um) módulo e a data 1º de JAN 1989 com 0. e em termo ou campanha com uma asna a 45º (quarenta e cinco graus) com largura de 1. representativa da condição do Estado do Tocantins. por seu caráter simbólico. surgiu a necessidade de fixar em um símbolo a unidade das aspirações do seu povo. Brasão de armas 47 / 49 . como expressão máxima de sua identidade entre os demais estados da Federação Brasileira. encimada pela divisa em Tupi CO YVY ORE RETAMA .

dentro de uma bordadura de 1.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. respectivamente. · LANGHANS.nº 11. uma asna de azul (blau). Paulo Editora Ltda. e em termo ou campanha com uma asna a 45º ( quarenta e cinco graus) com largura de 1. Bibliografia · DI CROLLANZA.5 (meio) módulo de altura. Enciclopédia Britânica do Brasil. em chefe de azul (blau).Expressão e Cultura . ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. S. Sobre a estrela.5 ( um e meio) módulo.1972. Ulrico Hoelpi . cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. Editorial Êxito S. com a inscrição "Estado do Tocantins" em letras de 1 (um) módulo e a data "1º de janeiro de 1989" com 0. Legislação Federal 1968. LEX.5 ( três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio.1986.Escudo elíptico cortado. Em timbre. F. . Descrição modular Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). D. com 8 (oito) módulos de largura. · O TOCANTINS. 1966.S. · RIBEIRO. Ano 4 . Sob o escudo. Paulo. ladeado nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro).Lisboa. com bordadura de azul. 1933. A. listel com 1. na metade superior. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa "CO YVY ORE RETAMA" em letras de 0. GRAMÁTICA ARÁLDICA. Publicações Ltda. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. 1976. 1951. listel de azul (blau) com a inscrição "Estado do Tocantins" e a data "1º de janeiro de 1989" em letras brancas. Gofredo.Barcelona. A metade inferior.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. Olímpio . · RUNES. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. Presidência da República . Clóvis. J. HERÁLDICA . P. Sob o escudo. . de Almeida. Ed. C. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. · V. D. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER.5 (meio) módulo de altura. Gabinete de Heráldica Corporativa . termo ou campanha. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. encimada pela divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" em letras sobre listel de azul (blau). (ver memorial). Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). limitado na linha divisória. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores. Hino Estadual O sonho secular já se realizou Mais um astro brilha dos céus aos confins Este povo forte Do sofrido Norte Teve melhor sorte Nasce Tocantins [ESTRIBRILHO] 48 / 49 . · FAYARD..CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. H. SCHRICKEL. a contar do centro para baixo.Milano.

O povo queria Libertar o Norte! [ESTRIBRILHO] Teus rios. Tua rica história Guardo na memória. Simples. Somos brava gente. por tuas riquezas. Pela tua Glória Morro.Levanta altaneiro. Teu povo valente. Vejo tua gente. Que venceu um dia! Letra: Liberato Póvoa Música: Abiezer Alves da Rocha 49 / 49 . persegue os teus fins Por tua beleza. se preciso! [ESTRIBRILHO] Pulsa no peito o orgulho da luta de Palma Feita com a alma que a beleza irradia. És o Tocantins! Do bravo Ouvidor a saga não parou Contra a oligarquia o povo se revoltou. contempla o futuro Caminha seguro. Tua alma xerente. [ESTRIBRILHO] De Segurado a Siqueira o ideal seguiu Contra tudo e contra todos firme e forte Contra a tirania Da oligarquia. Povo consciente. tuas matas. Sem medo e temor. mas valente. tua imensidão Teu belo Araguaia lembra o paraíso.

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