Emancipação

O Estado do Tocantins foi criado no dia 5 de outubro de 1988, com a promulgação da oitava Constituição Brasileira. A conquista foi resultado de uma luta que começou no século XIX e culminou com um projeto de lei do então deputado federal José Wilson Siqueira Campos, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1985, após ter sido vetado em duas ocasiões pelo presidente da República, José Sarney, que considerava o plano oneroso e desprovido de interesse público. A luta pela autonomia do Estado sempre foi um desejo antigo do povo do então norte de Goiás. Já em 1821, o desembargador Joaquim Theotônio Segurado rebelara-se contra o isolamento imposto na região, proclamando o Governo Autônomo do Tocantins. Apesar da pouca duração desse governo, a iniciativa serviu para espalhar o sentimento separatista entre a população. Mais tarde, em 1920, a divisão entre o norte e o sul de Goiás foi novamente defendida por José Pires do Rio, ministro da Viação e Obras Públicas do presidente Rodrigues Alves. A idéia foi bem recebida, mas não se materializou. A luta recente pela emancipação do Tocantins foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília (DF). Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia a Região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Porto Nacional, Tocantinópolis, Natividade e outras localidades. Para dar ênfase à prioridade da emancipação, Siqueira Campos submete-se a uma greve de fome, determinado a ir às últimas conseqüências. Como resposta, ele conseguiu a aprovação quase unânime no Congresso Nacional. A Capital Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte, e a cidade escolhida foi Miracema do Tocantins. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o legislativo e o executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro Governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice, o juiz federal aposentado Darci Coelho. A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes executivo, legislativo e judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do País em busca de oportunidades. Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com uma população que ultrapassa 150 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no País.

Geografia
O Estado do Tocantins está localizado no Centro Geodésico do Brasil, e possui uma área de 278.420,7 Km2. Com uma população de 1.157.098 (IBGE 2000), o Estado faz divisa com seis Estados: Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Por estar em uma área de transição, apresenta características climáticas e físicas tanto da Amazônia Legal quanto na zona central do Brasil, com duas estações: seca e chuvosa. O clima é tropical e a vegetação predominante é o cerrado, que cobre 87,8% da área total do Estado. O restante é ocupado por florestas. O relevo tocantinense é formado por depressões na maior parte do território, planaltos a Sul e Nordeste, e planícies na região central. O ponto mais elevado é a Serra Traíras (1.340 metros). O Tocantins é dono de muitas belezas naturais, entre elas a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na região sudoeste do Estado, onde também estão o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Nacional Indígena. 1 / 49

A maior bacia hidrográfica totalmente brasileira também está localizada no Estado - a bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Manuel Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.

História
Apresentação "O que será toda essa riquíssima região no dia em que tiver transporte fácil pelo rio, ou uma boa rodovia ligando todos esses núcleos de civilização. E sonhamos... com as linhas aéreas sobrevoando o Tocantins, vindo ter a ele ou dele saindo para os diversos quadrantes. As rodovias chegando a Palma, a Porto Nacional, a Pedro Afonso, a Carolina, a Imperatriz, vindos de beira mar! O tráfego imenso que a rodovia Belém do Pará - Imperatriz - Palma teria, se aberta ! (...) E pensamos: quantas gerações passarão antes que este sonho se realize! (...) mas tudo vem a seu tempo!" (Lysias Rodrigues) Já sonhava Lysias Rodrigues na década de quarenta quando defendia a criação do território do Tocantins. E o tempo chegou ! Foi criado pela Constituição de 1988 o Estado do Tocantins. Sua capital não é a Palma de que fala Lysias mas é Palmas em homenagem a esta, a vila da Palma, antiga sede da Comarca do Norte. E as rodovias e linhas aéreas já vêm e saem do Tocantins "para diversos quadrantes". Muitas gerações compartilharam o sonho de ver o norte de Goiás independente. Esse sentimento separatista tinha justificativas históricas. Os nortistas reclamavam da situação de abandono, exploração econômica e descaso administrativo e não acreditavam no desenvolvimento da região sem o seu desligamento do sul.

O norte de Goiás
O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins. Segundo Parente (1999) esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente norte de Goiás foi denominativo atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico essa denominação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores que "em quinze anos abrem caminhos e estradas, vasculham rios e montanhas, desviam correntes, desmatam e limpam regiões inteiras, rechaçam os índios e exploram, habitam e povoam uma área imensa...." (PALACIN, 1979, p. 30). Descoberto o ouro a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concretizando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, 1999,p.96).

A economia do ouro 2 / 49

"(...) descobrimento, um período de expansão febril, caracterizado pela pressa e semi - anarquia; depois, um breve, mas brilhante, período de apogeu, e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência, prolongada, às vezes, como uma lenta agonia. Tal é o ciclo do ouro"(PALACIN).

As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação, segundo Palacin (1979), da bandeira do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva (filho do primeiro Anhanguera que esteve com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O Rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto que "segundo ordenação do reino este era uma decorrência do domínio real sobre todo o subsolo (...) o rei (...) não querendo realizar a exploração diretamente cedia a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal fundido e apurado a salvo de todos os gastos" (PALACIN, 1979, p. 46).

O controle das minas
Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi "fiscalizado e vexado". E o fisco, insaciável na arrecadação. "Só havia uma indústria livre: a mineração", concluiu Alencastre (1979, p.18), "(...) mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de registros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao quinto (...) ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de contrabando (...)". À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabava ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

A decadência da produção
A produção do ouro goiano teve nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas (17261735) o seu apogeu, foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resultando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, nesse momento, a produção começou a cair "é possível afirmar que essa queda da produtividade está mascarada pelo incremento do contrabando - principalmente nessa região que, infelizmente é impossível mensurar"(PARENTE, 1999, p.42). De 1752 a 1778 a arrecadação chegou a um nível mais alto, é o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras que compensava e excedia a redução de produtividade. As distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e os perigos dos ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante "por não arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de sua manutenção" (PARENTE, 1999, p. 51). A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e a vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi a organização de bandeiras para tentar novos descobrimentos. Segundo Póvoa (1999) tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-

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se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante. A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia, Goiás) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição, chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível "arrastando consigo os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação e do comércio externo, menos rendimentos dos impostos, diminuição da mão-de-obra por estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural" (PALACIN, 1979, p.133). Toda a capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapitalizados. Não investiu em técnicas mais sofisticadas para a exploração do ouro nem resolveu o problema da falta de escravos. A avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais o ouro ia sendo abandonado. "Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, nada nos legaram em benefícios de civilidade, a não ser o expansionismo geográfico", concluiu Silva (1997, p. 41). Cada vez se adentrava mais para o interior procurando o ouro aluvional, mas as buscas foram em vão. Foi no norte da capitania que a crise foi mais profunda. Parente (1999) aponta os fatores determinantes. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agro-pecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas e o risco freqüente de ataques indígenas dificultavam o comércio. Além destas dificuldades o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania. "Para facilitar e agilizar a cobrança desses tributos, a capitania de Goiás se dividia em duas (sul e norte), no momento de se repassarem as rendas, essa divisão não valia, o que beneficiava os arraiais mais próximos da sede do governo, localizados no sul, que faziam parte dos povoamentos nas rotas comerciais com as outras capitanias" (PARENTE, 1999, p.92). Isso explica por quê essa renda não ficava na região de origem. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital e o atrofiamento do mercado interno, findo o ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise levando, diante desse quadro, os governantes goianos voltarem "suas atenções para as atividades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara" (PARENTE, 1999, p. 93).

A Subsistência da população e a integração econômica
"Realizada a transmutação, por toda a geografia de Goiás na segunda década do século XIX, encontram-se carcaças de antigas povoações mineiras outroras cheias de vida, o capim cresce nas ruas, a maior parte das casas abandonadas por seus habitantes se desmancham e até as igrejas, a começar por suas torres, vão caindo aos pedaços (...) O norte, sobretudo, foi mais de século em recuperar-se" (PALACIN). Finda a mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros essenciais (PALACIN, 1989, p.46).

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)Agora por não haver negros. Diante dessa situação. p. os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia.55). As picadas.tanto provincial quanto imperial investiu no sentido de explorar a navegação com fins comerciais. chegavam caríssimos. o Desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania.devido á baixa produtividade das minas" (CAVALCANTE. por falta de braços. pela navegação fluvial dos rios Tocantins e Araguaia. Saint-Hilaire na divisa norte/sul da Capitania revelou: "À exceção de uma casinha que me pareceu abandonada. "Os aldeamentos. promoviam a fixação dos índios. que mais tarde tornaria ouvidor da Comarca do Norte. deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da falta de meios para contrapor esse quadro: "(. em relatório de 1806. aos comerciantes. via Bahia e Pará. Como efeito imediato o norte começou a se relacionar com o Pará. 1999. o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem.. as dificuldades de administração e os ataques indígenas foram os principais empecilhos.) as importações de sal.cachoeiras e corredeiras . da agricultura. Nas primeiras décadas do século XIX. p. Os esforços governamentais se concentraram principalmente no rio Araguaia na intenção de trazer também para os julgados do sul as vantagens do comércio com o Pará. concessão de privilégios na exportação para o Pará. anos depois. prover os navegantes de víveres e garantir apoio logístico à navegação". Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins.. Na linha do rio Tocantins não obtiveram sucesso no seu intento. 1999. o estímulo à agricultura..Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica. ainda que de forma precária e inexpressiva.somavam-se os custos das viagens. tornando possível utilizá-los como tripulação dos barcos que desciam rumo ao Pará" (ROCHA. não vi o menor trato de terra cultivada.) A Capitania nada exportava. p. embora cercada de imensos obstáculos. não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade. Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi Ouvidor da Comarca do norte."é um lugar muito pequeno. "Os presídios incumbiam-se de afastar os índios hostis.as tropas de animais .. " (. Minas Gerais e São Paulo. Pedro Afonso e Araguacema (antiga Santa Maria do Araguaia).. passando pelo povoado de Santa Rita constatou . os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos. os núcleos iniciais de cidades como Tocantínia (antiga Piabanha). saíam por um preço três vezes menor do que os julgados do sul pagavam às importações oriundas de São Paulo.39). 1999. Esses aldeamentos foram mais promissores na medida em que constituíram. e.(. em visível decadência . No norte o quadro de abandono. a falta de suporte para as mesmas. visto que. Além dos entraves naturais do próprio rio . o tempo gasto nas viagens e o perigo dos ataques indígenas. sob a direção de padres capuchinos. Mas. daí a total ruína da Capitania". Contudo. despovoamento. vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas. nem o aldeamento dos índios. "Voltar as atenções. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio. daí as execuções. só a partir dos anos 40 do século XIX que o poder público . Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral. através da capitania do Pará. a carência de mão-de-obra para a navegação das embarcações. o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa. O isolamento. da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes. 5 / 49 . Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará. nem mesmo um único boi". naquele momento para essas vias de comunicação constituía-se numa necessidade premente da Capitania por não ser mais possível manter gastos com o único meio de transporte utilizado até então . O governo imperial instalou na Província presídios e colônias militares e estabeleceu aldeamentos ao longo dos rios Araguaia e do Tocantins. foram liberados desde 1782. a formação de sociedades mercantis e a instalação da navegação a vapor no Araguaia não foram suficientes para viabilizar a comunicação dos julgados do sul com o Pará. nenhum viajante. através dos rios Araguaia e Tocantins (CAVALCANTE.. 1998. as lavras de ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas".. todos interditados na época da mineração para conter o contrabando. ferro e manufaturas. A navegação do Tocantins prosseguiu. pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela região nas primeiras décadas do século XIX.39). a Coroa portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento. O Desembargador Theotônio Segurado. p59). Também buscaram atrair a população não-índia para as terras próximas a esses rios através da isenção fiscal por dez anos aos lavradores que ali se estabelecessem. no norte. Johann Emanuel Pohl. diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia. Minas Gerais e Rio de Janeiro" (CAVALCANTE. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins..

Silvanópolis. ela foi de vital importância para a economia do norte na medida em que integrou o sertão ao mercado de Belém. açúcar grosso. Porto Nacional. cana-de-açúcar.. Já no final do século XVIII e por todo o século XIX multiplicaramse as fazendas de gado no norte. No final do século XIX. não foi exclusiva. criadores e tropeiros.) a proximidade do norte e nordeste de Goiás ao litoral norte e nordeste e. ervas. A pecuária. cachaça. originaram-se os núcleos urbanos. ao norte. 6 / 49 . canoas. etc. couro de boi. constituídos de vaqueiros. novelo de linha. ou permaneciam na tradição familiar com a criação de gado. Duas foram as razões: `(. apesar de dominante. transformaram-se em prósperas vilas como Porto Imperial (atual Porto Nacional). A agricultura não alcançou um nível de produção comercial por fatores ponderáveis como o isolamento geográfico em relação aos grandes centros produtores. Rio de Janeiro. a inexistência de mercados consumidores e as constantes ameaças de ataques da população indígena. mais tarde. Plantava-se. vinham as manufaturas. Araguatins. tornaram-se forte atrativo aos criadores de gado do Maranhão e Piauí que. Entrepostos comerciais. o gado também abriu caminhos para o interior do sertão. sal. Paralelamente. A caça e a pesca também eram atividades subsidiárias. rumo a praça de Belém. algodão. ferro e produtos do reino. São Pedro de Alcântara (Carolina-Ma) e Boa Vista (Tocantinópolis). Pedro Afonso. sustentada pela perseverança dos comerciantes do norte. então. Além de gado.. Alguns fazendeiros dividiam seu trabalho entre o campo e a cidade. p.) ´"(CAVALCANTE. A navegação prosseguiu. batelões e. Da conjugação das várias fazendas. constantemente. a segunda. peles silvestres e carne seca. barcos motorizados carregados de mercadorias como fumo. Se não atendeu aos propósitos de soerguer economicamente toda a região. proporcionando um surto de desenvolvimento em vilas e povoados. Os filhos dos fazendeiros ricos ou iam estudar em Carolina. criavam porcos. se desenvolveram e alcançaram autonomia e maior expressão na região. 1999. pimenta-do-reino. saíam botes. cravo-da-índia. predominou. Taguatinga. Tocantinópolis e Nazaré são exemplos de cidades do estado do Tocantins que nasceram de currais de gado. ainda. No século XX. pólvora.. De lá. portanto.. o incentivo geral da Coroa na concessão de sesmarias mais extensas aos interessados na atividade pecuária (. onde residiam e estabeleciam comércio onde vendiam querosene. botões. A pecuária praticamente determinou o processo de ocupação econômica da região nos séculos XIX e XX.. desenvolveu-se a pequena lavoura para complemento alimentar. cabras e ovelhas. Os vaqueiros. Nas próprias fazendas. de onde eram redistribuídas as mercadorias importadas de Belém e repassados os produtos sertanejos. Eram vaqueiros e remeiros. Lizarda. Salvador. praticada de forma extensiva. as fazendas de gado já estavam consolidadas e revelaram um novo tipo de sociedade onde a criação de gado. Sesmarias eram lotes de terra cedidos pela Coroa portuguesa. rapadura. medicamentos diversos. fumo em rolo.Obstáculos que o poder público não conseguiu transpor como também não conseguiu suprir a ausência de um produto exportável que mantivesse a região vinculada à metrópole ou mesmo às outras Províncias mais desenvolvidas economicamente. ao longo do século XIX.19). Ponte Alta do Bom Jesus. "As pastagens naturais. o indispensável para o consumo e para a aquisição de alguns produtos básicos de importação como sal. Sob o estímulo da pecuária surgiram agrupamentos humanos ruralizados. em razão do declínio da exploração aurífera ter sido mais rápido na região e. intercalavam seu trabalho no campo com a atividade de barqueiro no rio Tocantins. as dificuldades dos meios de transportes e de comunicação. etc.

No norte goiano. 1999. essa atividade continuou movimentando a economia regional e trouxe surto de prosperidade para algumas povoações. No século XX. ficaram praticamente ilhados. atual Tocantinópolis. naquele momento. Nesse mesmo período. Na década de 1960.carne das partes dianteiras do boi. todas localizadas à margem esquerda do rio Tocantins. Com a BR-153 essa situação foi amenizada. se tornou o novo centro abastecedor do norte goiano. com a construção da Br-153. visto que. salgada e dobrada em forma de manta . Nos anos 20. o babaçu e o mogno aqueceram o comércio da região. Cristalândia. o caucho e o cristal. como Goiatins.O intercâmbio comercial dessa região era maior com as praças de Belém. Guaraí. Anapólis. tiveram sua origem ou se desenvolveram. Pium. a instalação de charqueadas incrementou o comércio de Pedro Afonso e Araguacema com o Pará. Tocantínia-Pedro Afonso-Carolina. Essa situação obrigou o Banco do Brasil a recusar. A construção da estrada-de-ferro integrou economicamente o centro-sul de Goiás ao centro-sul do país. Esse comércio foi feito inicialmente por via fluvial e continuou por via aérea. Ainda se 7 / 49 . Nas décadas de 1940 e 1950. Colinas e Araguaína. O sal vinha de Mossoró (RN) via Barreiras e o café. alargando a distância das relações entre o norte e o sul de Goiás. perde para a pacata vila de Pedro Afonso que com o látex da mangabeira (caucho) assume a liderança de empório do sertão.era vendido para a praça de Belém. A rodovia promoveu uma nova rearticulação do comércio inter-regional que. 1997. Maranhão. esta região se relacionava basicamente com o Maranhão. não foi suficiente para superar a debilidade dessa relação inter-regional devido ao desequilíbrio existente na estrutura viária do estado. látex de mangabeira (Belém e Bahia) e gado em pé (Bahia e Piauí). 30 e 40 do século XX. Boa Vista. As linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado. de Corumbá de Goiás. pólo industrial do Estado de Goiás. p. centralizando os negócios do Médio Araguaia e Tocantins com a praça de Salvador. Cidades como Gurupi. Carolina-TocantinópolisBelém foram desativadas. a Belém-Brasília provocou muitas alterações na economia local. declina a navegação mercantil. as povoações situadas à margem direita do rio ficaram isoladas da nova rota de desenvolvimento. Eram vendidos couros de boi e peles silvestres (Pará e Maranhão). Pará e Bahia. O extrativismo. p. pedidos de financiamento agrícola sob a alegação de que as safras não seriam escoadas" (CAVALCANTE. possuía a maior frota de barcos e era o maior centro urbano de todo o norte goiano na metade do século XIX. fez parte de uma época áurea na história desses municípios.75). "Há informação de que até 1983 alguns municípios do norte de Goiás. O charque . Arapoema e Xambioá foram favorecidas com a exploração do quartzo (cristal de rocha) que ganhou mercado com a Segunda Guerra Mundial.43). se praticamente inexistia. tinha ficado ainda mais debilitado depois da construção da ferrovia no sudeste goiano. p. Em Araguatins. com a construção da rodovia Br-153 ou Belém-Brasília ligando o Planalto Central à Belém do Pará. Itacajá e outros.nessa área eram destinados principalmente a promover a integração do centro sul de Goiás com o centro sul do país. Piauí e Bahia. na Bahia (SILVA. provocando um redirecionamento do comércio. 89). até o final da década de 1950. Paraíso. 1997. Só a rodovia. Por outro lado. como fonte de renda. Os investimentos federais ou estaduais . a ocupação econômica do extremo norte e do Médio Tocantins foi sustentada pelo extrativismo mineral e vegetal: o babaçu. As transações eram feitas a dinheiro ou à base de permuta (SILVA. Miranorte. porém. no início do século XX.

com seus 80 subprodutos. por exemplo. E o babaçu . objetivando a exportação de arroz e soja. Mas as estradas de rodagem já se expandiam oferecendo uma opção de tráfego mais fácil e viável. torta para ração animal etc. iniciando uma nova fase de modernização no processo de ocupação e causando impactos na organização da produção e na estrutura fundiária da região. álcool. a arrecadação de impostos era inferior. ainda preservam um intercâmbio comercial e cultural com o Pará e Maranhão. passou a predominar as raças gir e nelore. a consolidação da integração econômica.Tocantins (PRODIAT).. todavia. constituía-se num desafio para o futuro Estado do Tocantins.tentou reativar a navegação dos rios Araguaia e Tocantins com a criação da Companhia Interestadual dos Vales Araguaia e Tocantins . Com o fim da política de investimentos e de crédito do governo federal. A Belém-Brasília "ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira de desenvolvimento" (SILVA. o novo modelo de desenvolvimento possibilitou a concentração de terras com a formação de latifúndios voltados para a pecuária. Isso ocorreu principalmente no espaço que compreende o rio Araguaia e a Belém .. a agricultura foi reorientada. a navegação fluvial como meio de subsistência. acrescido de uma 8 / 49 .93). Ainda assim. como óleo comestível ou industrial. 1997. Nas décadas de 1970 e 1980 na região norte de Goiás configurou-se uma nova paisagem marcada pela descontinuidade e heterogeneidade da expansão modernizadora. com o Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia Araguaia . Em relação a estrutura fundiária. com a expansão da modernização e a incorporação de novas áreas." (SILVA. mais tarde. p. as minas localizadas ao norte da capitania de Goiás eram consideradas mais ricas do que as do centro-sul. Um exemplo concreto desse fenômeno foi a posição privilegiada que o município de Araguaína conseguiu em relação aos demais com o recebimento de mais recursos. em detrimento dos tradicionais milho e feijão. vai dando espaço ao desenvolvimento da SUDAM.1736 Na época da mineração. a cobrança do quinto . Já a persistência de métodos tradicionais na produção e nas relações de trabalho diante do novo demonstrava a heterogeneidade dessa expansão. A polarização de recursos em pontos diferenciados acentuou o desequilíbrio regional. carvão ativado.Brasília onde "a pata de boi invade os babaçuais que passam a ser vítimas das queimadas.foi substituída pela capitação que passou a cobrar uma taxa de imposto sobre cada escravo utilizado. o que permitiu que a partir da década de 1970. p. 1997. a pecuária foi consolidada como atividade econômica básica e.CIVAT. O governo federal criou programas dirigidos principalmente à Amazônia. em proporção muito menor. através do rio Araguaia e Itaguatins. do rio Tocantins.94).pagamento em ouro em pó sobre a produção . A Primeira Cisão .CEORTA e. mas também difundidos em 60 municípios do norte goiano. continua a fazer parte do cotidiano de algumas cidades. Araguatins. da Comissão de Estudos e Obras dos Rios Tocantins e Araguaia . no lugar do gado vacum pé duro. As pastagens naturais e a vegetação nativa cederam espaço para o plantio de novos pastos. o norte de Goiás se tornasse alvo para investimentos governamentais com o objetivo de incorporar a região ao mercado nacional como produtora de bens exportáveis. Quanto à produção. Como conseqüência desse processo houve a desapropriação dos antigos moradores locais pelos grandes proprietários desencadeando graves conflitos sociais.o boi vegetal . borra. Por isso.

Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821. Alguns vieram para o norte. Luiz Bartolomeu Marques. Conceição. em seguida. Cavalcante. na consciência de unidade do território de Goiás" (PALACIN. A atitude dos mineiros. muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará. Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados. p. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo. segundo Palacin. Contudo. hoje a cidade de Paranã. José Cardoso de Mendonça. conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. Essa diferenciação fiscal teve como justificativa o alto índice de contrabando na região em função do seu isolamento. A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila comarca. O 18 de março foi. aqui na colônia. enviado para a aldeia de Formiga e Duro. geográfico e histórico" (CAVALCANTE. p. 1999. A Comarca do Norte recebeu a denominação de Comarca de São João das Duas Barras. especificamente no litoral. Este episódio deixava evidente o caráter esporádico das relações entre o norte e o sul que só existia "em função de atos administrativos isolados com finalidades meramente fiscais ou jurídicas" (CAVALCANTE. incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia.sobretaxa para as minas do norte. o Alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã. houve uma denúncia sobre o golpe e. foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes.52). estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado. causou "a primeira cisão. Natividade teria a sede da ouvidoria. sob a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do Pe. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. por ser a data da criação da Comarca do Norte. O Movimento Separatista do Norte de Goiás . nunca de toda reparada. Mais uma vez Sampaio impôs sua autoridade e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. O Pe. A idéia da nomeação de um governo provisório. que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias. exigindo a recolonização do Brasil mobilizou. Traíras e Flores. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. 1999. A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real. administrador da comarca do norte. O Pe. Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. No lugar escolhido por Segurado. depois de fracassada na capital.50). 1979. Arraias. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras. Tal situação alimentou o sentimento de desligamento regional que mais tarde iria se evidenciar como "algo natural. Para nela servir foi nomeado o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado como o seu Ouvidor. p. a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. assim como chamaria a vila que. foi aclamada no norte onde já havia anseios separatistas. "tão logo se mostrou oportuno.1821 a 1824 A Revolução do Porto no ano de 1820. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos interesses regionais e. oficialmente. como o capitão Cardoso. 1999. essas idéias liberais refletiram na tentativa de derrubar "aquele que era a própria personificação da dominação portuguesa": o capitão-general Manoel Sampaio. não hesitou em reivindicar legalmente autonomia político administrativa dessa região" (CAVALCANTE. o Ouvidor e o povo do norte solicitaram a D. O arraial do Carmo que já tinha sido cabeça de julgado perde essa condição que foi transferida para Porto Real. ponto que começava a prosperar com a navegação do Tocantins. principalmente.54). o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a comarca do sul e a comarca do norte. São Félix. A Criação da Comarca do Norte . em Portugal. p.1809 Para facilitar a administração à aplicação da justiça e. e o Pe. a vila de Palma. Em Goiás. Ficaram dois anos sem pagar e só voltaram em igualdade de condições com as outras regiões.50). O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a 9 / 49 . considerado o Dia da Autonomia pela Lei nº 960 de 17 de março de 1998. Natividade. Marques recebeu ordens para se manter afastado da capital. na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. O ouvidor Theotônio Segurado. Contra essa discriminação se levantaram os mineiros do norte ameaçando desligarem-se da Superintendência do centro-sul e ligar-se ao Maranhão. caso o governo insistisse na cobrança de um imposto que consideravam injustas. mas nunca chegou a ser construída.

Eles continuam na escravidão. . instalou-se o governo independencista do norte. . administrativa e geográfica. banco. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Teotônio Segurado (. e tenhamos segurança pessoal. 1979. "No dia seguinte. Francisco Joaquim Coelho de Matos "(. décima. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo.358). os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. aço e ferramentas ficam abolidas. administrativa e geográfica. política. ou por ser 10 / 49 . um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. para Segurado. p. se decidirá qual deve ser a capital. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos.. S. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. O Ouvidor da Comarca do Norte. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. entrada de sal. a virtude e a ciência. não tendo bastante prestígio e influência. com capital provisória em Cavalcante. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram.358). presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. e nela residirá o governo. Palmenses! Sejamos livres.independência do Brasil. instalou-se o governo independencista do norte. No dia 14 de setembro. os arraiais de São José. ferro.Proclamação. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca.) mas este. O Ouvidor da Comarca do Norte. onde reside interinamente o governo provisório. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. de natureza econômica. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. ou por sermos os únicos que os pagamos.. 1979. com capital provisória em Cavalcante. p. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. ou por mal delineado. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. . eis os empenhos para os cargos públicos. mas deu vivas a D. mas deu vivas a D.)" (ALENCASTRE. Esses deputados devem ser eleitos. Para este fim contavam com o vigário de Cavalcante. "No dia seguinte. política. . ou por ser rebatido por força superior. Theotônio Segurado. p. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. No dia 14 de setembro. Domingos. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. papel selado... 1979. Theotônio Segurado. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. Depois de reunidos todos os deputados.358). E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. de natureza econômica. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos.Proclamação. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. Saídas de gados.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. para Segurado. ou por mal delineado.

Com o seu afastamento em janeiro de 1822. instalado em Cavalcante. Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional" (CAVALCANTE. e nela residirá o governo. Cavalcante. apesar de não participar diretamente dele.. foi sua primeira demonstração de força. assume o poder naquela comarca o Pe.). papel selado. foram todos fatores que. décima. a Comarca da Palma foi desmembrada de Goiás e constituiu em sua jurisdição uma província independente. Através de um decreto. e na cavalaria seis e meia. Camargo Fleury com a missão de restabelecer a unidade política da Província. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. Tal decisão provocou reação em Cavalcante e Palma que não acataram as ordens de Cerqueira e mantiveram-se fiéis ao Ouvidor Febrônio. Saídas de gados. com o Brasil já independente. Depois de reunidos todos os deputados. Viva a nossa santa religião. ânimo e união! O governo cuidará da vossa felicidade. Francisco Joaquim Coelho de Matos. seria inevitável a cisão entre as lideranças regionais" (CAVALCANTE. Um novo governo provisório foi organizado.que já estava enfraquecido por divergências internas. 1999. os interesses particulares dos líderes de Cavalcante.Em decorrência disso.358-359). o seu afastamento da liderança do movimento por ter viajado a Lisboa (. Palmenses! Sejamos livres. Eles continuam na escravidão. transfere a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. Na ausência de Segurado. Em abril de 1822. Assim. Finalmente em 1823. e tenhamos segurança pessoal. Fleury também conseguiu a dissolução do maior foco de oposição contra a unidade política . destituiu o Ouvidor Febrônio José Vieira Sodré de suas funções e passou a acumular o cargo de Ouvidor. o pulso forte de Luís Camargo Fleury e o não reconhecimento por parte de D. com a instalação do governo provisório no sul. José Zeferino de Azevedo. mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul .na condição de Comandante das Armas e a serviço da Junta de Governo da Província de Goiás . As divergências internas em relação à hegemonia política da região.rebatido por força superior. O sucessor de Segurado foi o tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira que transferiu a capital para Natividade. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. 15 de setembro de 1821. Palmas. 67). aço e ferramentas ficam abolidas. Pelo contrário. Para entender a impossibilidade de sustentar o governo provisório do norte"é relevante não a posição antiindependencista de Theotônio Segurado mas sim..foi enviado para Cavalcante a fim de garantir a consolidação da recém conquistada unidade política. com a ausência de um líder em condições de assumir tal posição. Manoel Antônio de Moura Teles. Pedro I do governo instalado no norte. Francisco Xavier de Matos. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista. chegou à região não encontrou nenhuma resistência organizada que viesse a se tornar obstáculo à realização de seu objetivo. p. 1999. Os soldados que quizerem sentar praça de infantaria vencerão cinco oitavas por mês. contribuíram 11 / 49 . banco. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca.o Clube de Natividade . S. D.parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado.não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. Em outubro de 1821. Domingos. A crise se instalara dividindo e enfraquecendo o governo do norte. onde reside interinamente o governo provisório. Luiz Pereira de Lemos e Joaquim Rodrigues Pereira (ALENCASTRE. viva o príncipe regente e toda a casa de Bragança. eis os empenhos para os cargos públicos. Palmense. viva o Sr. foi quem assumiu a chefia do movimento e organizou o novo governo. antes ocupada por Segurado. Foi mandado à Corte um deputado para comunicar o governo central da decisão tomada. A instalação de um governo independente . A prisão do Capitão Felipe Antônio Cardoso. em conjunto. João VI. as dificuldades de natureza econômica e financeira. p. nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da maioria dos arraiais conseguiu se firmar. ferro. p. quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte agravou a crise interna. os arraiais de São José. "A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a Junta havia ficado acéfala. que resistia à unificação. ou por sermos os únicos que os pagamos. se decidirá qual deve ser a capital. José Vitor de Faria Pereira. "o pacificador do norte". O Capitão Felipe Antônio Cardoso. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. Presidente Joaquim Theotônio Segurado. Esses deputados devem ser eleitos. 1979. viva a constituição que se fizer nas cortes reunidas em Lisboa.64). partidário da luta pela independência nacional. quando Luís Gonzaga. o Brigadeiro Cunha Matos . entrada de sal. a virtude e a ciência.

Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá. com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). O movimento ganhou apoio de estudantes. Em 1949. com a consolidação da expansão capitalista no centro-sul. Em outubro. de modo mais concreto. A viabilização de projetos como a Br-153 e a construção de Brasília destacou Goiás no cenário nacional. Ainda no Império. "que conhecia por terra. houve a criação do Comitê de Propaganda Pró-Criação do Território do Tocantins. ainda que remando contra a maré. exploração econômica e descaso administrativo. Contudo. Feliciano Machado Braga. A trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX. a Assembléia Legislativa não aceitou a representação da Comissão que defendia a criação do território do Tocantins. a Câmara Municipal aprovou resolução que integrava Porto Nacional ao estado do Tocantins e reconheceu este estado. a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. o Dr. com o apoio dos poderes legislativo e executivo local. adesão de outros municípios e manifestações de solidariedade de outros estados como Maranhão e Bahia. a Br-153 só foi asfaltada a partir de 1965. obrigatoriamente. não sentiu os efeitos desse surto na década de 50. 12 / 49 . O território do Tocantins seria criado com a divisão territorial do norte de Goiás e sul do Maranhão. com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias. propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do Tocantins. foi lançado em Porto Nacional o movimento PróCriação Estado do Tocantins. Foi instituída a bandeira e escolhido o Nosso Senhor do Bonfim como padroeiro do Estado. Mas.maior centro econômico e político da época . constando a do Tocantins na região que compreendia o norte goiano. na prática. liderado pelo Juiz de Direito dessa Comarca.atual Rondônia . Nos anos 50. em 1889. em 1863. Rio Branco.Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946). Mas. duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay.em periódicos como "Folha do Norte" e "Norte de Goiás". as oposições internas e promessas políticas não cumpridas provocaram desgastes e enfraqueceram a luta. vigorava no país as políticas do desenvolvimentismo e da integração nacional marcadas pelo Governo Juscelino Kubistcheck. com a capital em Carolina (MA) ou Pedro Afonso (GO). Em Pedro Afonso. houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins. O norte. a idéia de se criar o Tocantins. na condição de deputado pela Província de Goiás. Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional. no plano nacional. principalmente de Porto Nacional . Com o objetivo de mobilizar a região em torno desse discurso foram realizados vários eventos. visto que. A tentativa de integração do norte goiano à marcha desenvolvimentista partiu da promoção do seu discurso separatista ressaltando sempre a situação de abandono da região. estado ou território. acreditando ser pertinente a sua defesa devido a abertura dada pela Constituição de 1946 que estabelecia normas para subdivisão ou incorporação de novos estados. abraçou a bandeira da criação do território do Tocantins tendo o seu projeto acatado pelo presidente Getúlio Vargas e despachado para o IBGE. o Brigadeiro Lysias Rodrigues.para o fracasso desse movimento. A imprensa regional constantemente denunciava a situação de abandono. e. sendo a mesma posteriormente rejeitada e arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça da Administração Federal. contribuindo para a crença de que para o norte goiano se desenvolver seria preciso. Em 1944. desligar-se do sul. esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país. água e ar as vastidões nacionais". Em 13 de maio de 1956. Guaporé . o sentimento separatista continuou vivo ao longo do século XIX.

o artigo de solicitação do plebiscito. Motivos para a criação do Tocantins continuaram sendo expressos em artigos de jornais relacionando a importância de Brasília e a criação do novo estado para a interiorização do Brasil. conforme estabelecia a Constituição Federal. com base na ideologia da Segurança Nacional. p. proporcionando a modernização do processo de ocupação econômica com a mecanização da lavoura e a pecuária intensiva. através de uma carta ao presidente Castelo Branco. A aprovação da Emenda da deputada Almerinda Arantes à Constituição Estadual criando o Estado do Tocantins pelo desmembramento de Goiás a partir do paralelo 13º. com o objetivo inicial de dar assistência aos estudantes que iam para aquela capital para dar prosseguimento aos seus estudos. Isso provocou uma "justificada euforia". Em 1965. através do seu jornal O Paralelo 13. Para a região se enquadrar nessa política foram necessárias medidas urgentes como regularização de títulos de terras. Contudo. a oposição do Legislativo goiano e a transferência do Dr. E pedia que a futura Constituição não se omitisse na solução de "tão importante e vital problema do Brasil". Feliciano Braga. em decorrência da ditadura militar e do fechamento político do país a partir de 1965. p. funcionou como um instrumento de denúncias e reivindicações do povo nortense. entre eles o do Tocantins. o movimento foi sustentado pela defesa isolada de alguns membros do Legislativo estadual e de lideranças estudantis do norte. Feliciano Braga.herança da colonização com leves modificações" (CAVALCANTE. comícios.Como instrumento de luta foi lançado o jornal O Estado do Tocantins. A conscientização destes em relação aos problemas da região permitiu que a entidade ampliasse seus objetivos e abraçasse a causa separatista. fundada em Goiânia em 15 de maio de 1960. acenou para a possibilidade de formar novos territórios na Amazônia. 1999. Neste contexto. mas dependia também da realização de um plebiscito na região e da aprovação do Congresso Nacional. o movimento apresentou certa disposição ao desalento. Mas. foi mais conveniente mobilizar as forças representativas da região para uma ação unificada junto ao governo do estado. pela Assembléia Legislativa Goiana. o pronunciamento do ministro do Interior. general Albuquerque Lima. manteve acesa a luta pela criação do Tocantins durante uma década. na Assembléia Constituinte. considerando "irreais" as informações extra-oficiais que anunciavam a redivisão do país em vários territórios. 1999. "O magistrado considerava a disposição geográfica daquela época anacrônica e injustificável . principalmente se for considerado o fato de os divisionistas sempre terem levantado a bandeira do abandono e do isolamento a que essa região estivera relegada" (CAVALCANTE. vale destacar a atuação da CENOG que. enfraqueceram o movimento. foi aberto um espaço para a abordagem da redivisão territorial. feito pelo deputado Paulo Malheiros. as reivindicações políticas do norte goiano diziam respeito à sua inserção no mercado internacional. pois. com destaque para a Casa de Estudante do Norte Goiano (CENOG). através de congressos. por ocasião da elaboração da Constituição de 1967. abertura de créditos e financiamentos. Nos anos 60. A publicação dessa carta na imprensa regional trouxe novamente à baila as manifestações pró-criação do estado do Tocantins. Até a primeira metade dos anos 70.128). com a inserção do norte de Goiás na Amazônia Legal. Feliciano da região norte para Anápolis. foi rejeitado em agosto de 1957. dentro da política econômica da época. qualquer manifestação de caráter autonomista poderia ser interpretada como ameaça à ordem e segurança nacional. Assim. "Mas não com força suficiente para que a tese separatista fosse sustentada. buscando sua integração aos progressos do centro-sul. Assim. Quando o governo federal. etc. direcionadas para a produção de bens de consumo duráveis e do incentivo à agricultura comercial voltada para a exportação. Contudo. seria um passo em direção à criação do Tocantins. mobilizou o meio político para a criação do Tocantins. sob a direção de Dioclesiano Ayres da Silva e redação de Fabrício Costa Freire e Dr.123). as mobilizações perderam as forças. distribuição de cartazes e boletins. Mas. Nesta havia um apelo para que a Revolução de 31 de março realizasse a redivisão do país. 13 / 49 . redigida pelo Dr.

foi de fundamental importância dentro desse contexto. Sustentada por lideranças políticas e intelectuais radicadas em Goiânia e Brasília.Comissão de Estudos do Norte Goiano .em 1981. Depois. a Comissão de Redivisão Territorial. nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins que conquistou importantes adesões para a causa separatista. mais uma vez. em 1984. aprovado na Câmara e no Senado e. permitiu que fosse novamente levantado o discurso em defesa dos interesses do norte goiano. do descaso governamental e da necessidade de se organizar politicamente para a defesa dos interesses da região. A fundação da CONORTE . coordenada pelo Ministério do Interior. Neste contexto. em Brasília. a CONORTE tinha como objetivos conscientizar a população das potencialidades econômica do norte goiano. vetado pelo presidente. Foi criada a União Tocantinense. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto de existência quase que secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano já batizado "Tocantins". Articularam-se. adiou o sonho dos tocantinenses. E o povo é o juiz supremo. em plena fase de prosperidade econômica. o projeto foi reapresentado no senado pelo Senador Benedito Ferreira. A CONORTE mobilizou as lideranças conclamando para uma cruzada de mobilizações populares e realizou seminários e conferências nas universidades de Goiás demonstrando a falta de fundamentação nas justificativas do veto presidencial que. entre eles o do Tocantins. apela aos nortistas para reunirem forças em prol do aumento da representatividade da região na esfera governamental. Em junho de 1986. Isso foi feito através de congressos. no ano seguinte. Na prática a idéia era de que. inicialmente. A maioria das lideranças era contrária a essa posição. independente de opções partidárias. Nos anos 80. se votasse em políticos comprometidos com os interesses do norte. Esta. aprovado pela Câmara de Deputados e que. "O povo nortense quer o Estado do Tocantins. No ano de 1984. conferências e manifestos publicados na imprensa. Em protesto contra o segundo veto do presidente os deputados Siqueira Campos e Totó Cavalcante iniciaram greve de fome. e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. Em maio do mesmo ano.1988 O ano foi 1987. as expectativas em relação ao processo de democratização deflagrado. o deputado Siqueira Campos apresentou um projeto de Lei Complementar para criar o Estado do Tocantins. com as eleições diretas para governador em 1982. Os dois vetos foram justificados com os argumentos de que a criação de mais um estado implicaria em ônus para os cofres públicos e da inviabilidade econômica do novo estado que não dispunha de recursos suficientes para sustentar-se. Não há como contestá-lo". para a aprovação do projeto de criação do novo estado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1987. A criação do Estado do Tocantins . o deputado Siqueira Campos. Presidiu a Comissão da Amazônia e apresentou trabalho sobre a redivisão territorial propondo a criação de doze territórios. chamando a atenção da mídia de todo o país e sensibilizando a opinião pública em favor da criação do estado do Tocantins. Havia ainda por vir a Campanha das Diretasjá. Em abril de 1982. mas vetado pelo Presidente José Sarney.O discurso separatista veio novamente à tona quando o sul do Mato Grosso. concluiu ser inviável a criação do estado do Tocantins mas acenou com a possibilidade de se instalar o Território do Tocantins. 14 / 49 . mais uma vez. A CONORTE apresentou à Assembléia Constituinte uma Emenda Popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do estado. organização suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de Emenda Popular. 1997. Com objetivo similar. então. seminários. reconhecia o governador de Goiás na época. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional. divulga em Brasília a Carta do Tocantins. O mesmo deputado apresentou projeto de consulta plebiscitária para a posterior criação do Território do Tocantins. em 1987. representante do norte goiano. Henrique Santilo (SILVA. se mobilizou em torno de sua autonomia até conseguir em 1977 a aprovação pelo governo federal do projeto de criação do estado do Mato Grosso do Sul. retomou a proposta da criação do Tocantins. além de fazer uma análise sócio-econômica da região. em plena fase de abertura política. foi arquivado pelo Senado Federal. a CONORTE promoveu o 1° Congresso de Estudo dos Problemas do Norte Goiano.

"Explorava-se em nome de Deus e do lucro. 1989. junto com as eleições dos prefeitos municipais. conservando a leste. os Senadores. foi escolhida como capital provisória. Além do Governador e seu vice. É criado o Estado do Tocantins. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. observado o disposto no art. § 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembléia Constituinte.237). no que couber. Além de desbravar. Foram nomeados o primeiro Secretariado e os primeiros Desembargadores. § 3º O Governador. sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás. § 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins. Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. Foi construída. em 05 de outubro de 1988. Darci Martins Coelho.p. juntamente com o dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados. mas não antes de 15 de novembro de 1988. Foram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo estado que tinham a identificação "do Norte" e passaram para "do Tocantins". os senadores Moisés Abrão Neto. § 4º Os mandatos do Governador. Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins. Porangatu. feita nos moldes da Constituição Federal.024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional. em um único turno. § 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes.. Maranhão. principalmente. garantido. Atualmente o estado possui 139 municípios. as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso. O desbravamento da região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital. Minaçu. e autorizada a União. pelo desmembramento da área descrita neste artigo.). explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. juntamente com oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais. os Deputados Estaduais serão eleitos. Em 1º de janeiro de 1990. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o Governador. foi promulgada a primeira Constituição do estado.13. por exemplo. Formoso. para ser a sede do Governo estadual. § 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia.09). José Wilson Siqueira Campos. até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição. Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. e o dos outros dois. p. Em junho. A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988. Foram alterados. os nomes de Miracema do Norte. 234 da Constituição. numa área de 1. GARCIA. Cavalcante. e dará posse. no centro geográfico do estado. foram escolhidos os Senadores e Deputados Federais e Estaduais. dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação. a fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia. dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º. redige e entrega ao presidente desta Assembléia. ao Governador e ao Vice-Governador eleitos. na mesma data. pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. A preocupação em catequizar as 15 / 49 . norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia. seu vice. nascia o Estado do Tocantins: Art. Monte Alegre de Goiás e Campos Belos. o Governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. o deputado Siqueira Campos. Piauí. § 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado. relator da Subcomissão dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte. No dia 5 de outubro de 1989. do Vice-Governador. como disse um mercador italiano" (AMADO. a critério do Tribunal Superior Eleitoral (. A cidade de Miracema do Norte. a cidade de Palmas. foi instalada a capital. a seu critério. através da posse de colônias e de metais preciosos. localizada na região central do novo estado. a assumir os referidos débitos. o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade. o deputado Ulisses Guimarães. Pará e Mato Grosso.. o Vice-Governador. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição. Ato contínuo.

15-16). seguindo os cursos dos rios. transformaram a sua captura num lucrativo negócio para atender a demanda de mão-de-obra na lavoura. administrada política e economicamente pela metrópole. de negros da África. franceses e holandeses conquistavam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil.Pernambuco. Destes desbravadores. Bahia. "Naquele tempo. A criação de gado antecedeu a mineração. Os franceses.e a dificuldade de importação. muito para a sua posterior exploração. Pernambuco e Piauí. 25). Portugal. Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região pela "decidida ação dos jesuítas". Maranhão e as ribeiras do rio São Francisco" (SILVA. depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense. Procuraram tão só "descer" as tribos para suas aldeias no Pará (PALACIN. De São Paulo saíam as bandeiras em canoas pelos rios Paranaíba-Tocantins-Araguaia até voltarem pelo Tietê a São Paulo. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. tampouco se fixaram no território. De Belém partiam expedições de exploradores e jesuítas pelo rio Amazonas chegando até os rios Tocantins e Araguaia. iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. então. 1998). Como eles. 1997. tinha como função fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. "descidas" e "bandeiras" percorreram a região. algumas vezes. em certos períodos. Até o início do século XVIII. Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral. no século XVII ingleses. os jesuítas também iam à busca de índios. Mas a ocupação econômica e o povoamento efetivo só se dariam a partir da segunda década do século XVIII com base na exploração do ouro dentro do contexto da 16 / 49 . Os bandeirantes aproveitando a extinção destes nos grandes centros colonizadores da costa . Estas expedições eram de caráter oficial destinadas a explorar o interior e buscar riquezas minerais ou de particulares organizadas para a captura de índios. contribuindo para despertar lendas sobre o metal. p. iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação. uma dessas viagens podia demorar-se dois ou três anos" (PALACIN. E ainda no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro (Dianópolis) (SECOM. criadores de gado e bandeirantes. Como subproduto destas expedições os bandeirantes retornavam. com pequenas quantidades de ouro de aluvião dos rios.populações encontradas foi constante. 1989. 2001). no sentido sul-norte. pp. Jesuítas. Mais tarde depois de 1630 introduziu-se o uso de mulas e as bandeiras preferiram a viagem por terra. p. principalmente do Araguaia. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta. a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí. Dos sertões da Bahia.06). Diversas expedições "entradas". completa Silva. a força motivadora para a exploração da região foi predominantemente o índio. 1979. Como os bandeirantes. Só no final do século XVII e início do século XVIII que bandeirantes com objetivo de descobrir metais nobres tiveram a preocupação em fixar núcleos estáveis no interior do Brasil. somente os criadores de gado vieram com a intenção de se fixar na região. "Quando na terceira década do século XVIII acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins. para o seu povoamento. Rio de Janeiro . Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES. na época. todo o território do atual Estado do Tocantins. se expandiam para a região as fazendas de gado. foram os desbravadores da região ainda no século XVII. Poucos contribuíram. Os currais de gado deram origem aos primeiros núcleos coloniais "quando a região é sacudida com a febre do ouro de aluvião". A colônia brasileira.

reco-reco. A folia visita as famílias de amigos e parentes. os Karajá. desapropriação. diferentemente do giro do Divino Espírito Santo. Os foliões chegam à localidade. o anfitrião percorre com ela toda a casa. Esse grupo passa de porta em porta recolhendo as oferendas. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e que em Portugal tinha um caráter de diversão. 1999. com caráter mais religioso do que de diversão. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo. guerras. de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Com a exploração e ocupação da região se deu simultaneamente a destruição dos povos indígenas.um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. que sai pelo sertão "tirando a folia". A Folia de Reis A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o menino-Deus. pelos músicos e por um palhaço que. pois era intenção do branco limpar as áreas a serem exploradas. quase sempre. 17 / 49 . tristeza. 1999). A Folia de Reis. Em Portugal. realizada sempre no dia 06 de janeiro. era a comemoração do nascimento de Cristo. cantando e dançando.política mercantilista. Posteriormente . cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis. dia de Santos Reis. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. Manifestações culturais A Cultura do Tocantins O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças a grande miscigenação de culturas. Poucos sobreviveram.69). No Brasil. enquanto aos foliões são servidos bolos. Javaé. deve proteger o menino Jesus confundindo os soldados de Herodes. a migração. Os Apinajé estão localizados nos municípios de Tocantinópolis. p. os Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins. o aldeamento. grupos de instrumentistas e cantadores com viola. Xambioá (Povo Iny). etc. a escravidão ou o extermínio por doenças. violão. na época dos bandeirantes os índios foram atraídos amistosamente e contribuíram bastante para a localização das minas. suicídio. No Tocantins. ou seja. Maurilândia e Cachoeirinha. Na segunda fase. os foliões de Reis têm o Alferes como responsável pela condução da bandeira. a partir da segunda metade do século XVIII tiveram vez os aldeamentos como uma tentativa de os brancos de resolver o problema da mão-de. seus primeiros habitantes. A família recebe a bandeira. oriundas de todos os Estados brasileiros. se apresentam tocando. Ao se retirarem. os Xerente próximos ao município de Tocantínia. O ponto alto da festa acontece quando dois grupos se encontram e juntos caminham para o presépio. E este avanço impôs. Fugindo da ação depredadora da colonização do litoral muitos grupos indígenas migraram para o interior do Brasil. acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite.obra e do povoamento daquelas regiões com baixa densidade populacional" (PARENTE. aos índios um destino trágico: a fuga. guardando-a em seguida. os Apinajé (Povo Panhi) e os Krahô (Povo Meri). Saiba mais sobre estes festejos nos links abaixo. Os foliões carregam a bandeira . O grupo é composto por um mestre que comanda os foliões. e os Karajá e Javaé na Ilha do Bananal e os Xambioá no município de mesmo nome (BARROSO. como os brancos já não dependiam dos nativos para chegarem às minas houve conflitos armados. Vivem atualmente no Estado do Tocantins os Xerente (Povo Akwen). Nos séculos XVII e XVIII o avanço da colonização foi marcado por três fases: "Na primeira. triângulo e cavaquinho. com seu jeito dissimulado. biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. sanfona. saem às ruas entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao menino Jesus. ponto final da caminhada. o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida. a Folia de Reis chega no século XVIII.

farinha. Seja como um ponto de partida para o início das festividades. o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. Alguns pagadores de promessa após as orações realizam um baile dançante. 18 / 49 . Açores e Cabo Verde. A tradição é muito forte: os mais velhos acreditam serem os Santos Reis. com a presença dos foliões e dos convidados. quando inicia os jejuns da quaresma. ou vice-versa. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina. em frente ao altar ornamentado com flores. a praga na lavoura e. a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. Apenas mulheres vestidas de homens. onde só participavam homens usando máscaras. ou seja. que trazem pendurados. Na festa do entrudo. agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos. encostando-se a elas. tinta. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval. realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água. principalmente. Em seguida. fartura e muito dinheiro. é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário. como o entrudo. a festa de nossa senhora do Rosário. ao anoitecer. retomam as andanças. os responsáveis pela prosperidade. o de definir as regras das manifestações. No Tocantins. Nesse momento. Estes se lançavam de assalto às moças. a cavalhada. Arraias. no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta. os foliões retornam às suas casas para descansar e. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. Quando o dia amanhece. Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. Caretas OS MASCARADOS EM PORTUGAL Há dados históricos a respeito de uma festa.repetindo o gesto da entrada. Neste momento reza-se o terço. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico. realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil. no sul do Estado do Tocantins. eram poupadas da investida dos caretos. ainda. percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas. Quando termina o roteiro da folia. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira. O ENTRUDO Existem várias explicações para a origem do carnaval. etc. ainda hoje realizada em Portugal. os caretos. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos. Cântico dedicado aos Santos Reis Oi de casa. oi de fora Se tiver gente doente Me diga que vou embora Senhora dona de casa Com essa são duas vezes (bis) Saia na porta da rua E receba Santos Reis Senhora dona de casa Está no seu sono primeiro(bis) Sua filha mais velha Está com a mão no travesseiro Eu cheguei na vossa porta Pus a mão na fechadura (bis) Levante quem está dormindo Me perdoe as confianças. desenvolvendo uma dança erótica. os protetores contra a peste. quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas. chamada entrudo. aparecem nessas festas com o mesmo intuito.

Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV. uma vez que apenas insinua o toque. enquanto estes ficam envolvidos. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. usados pelos caretas. com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua. são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica. aumentando o cordão carnavalesco do entrudo. como na festa de Nossa Senhora do Rosário. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. A égua usa a roupa de um bicho muito feio. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. 19 / 49 . gelada. as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. nos dia 12 e 13 de agosto. chamado pelos caretas de quinta atrativa. Monta-se um cenário. Os cavalos. onde se coloca pedaços de cana de açúcar. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. em Lizarda. que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e. papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. no sul do Estado do Tocantins. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. os árabes foram denominados genericamente de mouros. A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia. às vezes. assustando-os. prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. numa verdadeira guerra dos sexos. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. Os caretas perseguem com pinholas. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. portanto. Cavalhadas Na Idade Média. devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. instrumento artesanal feito de tronco de árvore. diz que todo mundo assombra. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo. Catira ou Sussia Os movimentos dessa dança lembram. do pandeiro e do roncador. os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. a retirada de formigas que invadem os corpos dos pares.O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina. mas se diverte. grupo de mascarados representando bruxas. uma mulher vadia. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores. O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros. espécie de bolinhas feitas de cera de abelha. as Cavalhadas tiveram início em 1937. durante a semana santa. A dança é a eterna busca da conquista do par. O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas. tradicionalmente. Em Taguatinga. Só os bons corredores escapam. A FESTA DOS CARETAS Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro. leve e ao mesmo tempo frenético. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia. moradora de Lizarda. caras de boi com chifres e outros animais. uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti. D. na Sexta-Feira da Paixão. Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. que tem a mesma marcação do surdo. Catita é um homem trajando roupas femininas. Participam. da festa que acontece. é a mulher dos caretas. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. num bailado sensual. Isolda. um semicírculo com pés de bananeira. a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador. passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto.

os outros doze. Seu filho. durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Popular no Nordeste e Norte do Brasil. vence o rei. sobre os olhos dos animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. O tatu cangerê que zoa no ar Trepe quizépes. calça branca com botas azuis e enfeites dourados. Na cabeça. colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas. do embaixador e dos guerreiros. bainhas e conguinhos Baias com tanto fervor Baias que já está nascendo O Nosso Grande Salvador Baias. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados. Os motivos dramáticos da dança do Congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi que governou Angola no século XVII. O Quimboto (feiticeiro) o ressuscita. porém. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. Em Monte do Carmo o Congo é acompanhado por mulheres. Congo ou Congadas De origem africana. calango no ar Trepe quizépes. Doze cavalheiros representam os cristãos e. chamadas de taieiras. durante o cortejo do Rei e da Rainha na festa de Nossa Senhora do Rosário. perdoa-se o embaixador. Na dança do congo só os homens participam. Ela decidiu. cantando músicas que lembram fatos da história de seu país. tornou a requebrar O calango mutingo. ao contrário dos mascarados. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros. Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. O vermelho representa a força divina. distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. O xale sobre os ombros representa o manto real. o heróico príncipe Suena é morto durante essa investida. Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado. capa vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas. tornou a requebrar A rainha do congo que veio do Pará Trepe quizépes. eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. certa vez. bainhas e conguinhos Neste claro e belo dia Nasceu Jesus. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. A congada é composta por doze dançarinos.Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas. A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha. A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos cavalheiros. filho da Virgem Maria. com influência ibérica o Congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. Cantiga do Congo Baias. Termina com o batizado dos infiéis. na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. Os dois grupos se apresentam juntos. Henrique de Portugal. tornou a requebrar 20 / 49 . nas ruas. enviar uma representação atrevida ao rei D. são quase sempre os mesmos. os mouros. Os adornos na cabeça representam a coroa.

As romarias conduzem a bandeira. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. conduzidos pelo alferes. alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença. no entanto. quando chegam às fazendas para o pouso. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de doze ou mais homens. lá no céu E o Santo que está na igreja. ou seja. as folias têm datas variadas. chegando ao Brasil no século XVI. em jornada pelo sertão. No Brasil. pedindo acolhida para o pouso. Diniz teriam feito no século XIV uma promessa de alimentar os famintos e oferecer a sua coroa ao Divino Espírito Santo em troca de paz. eu vou bebê Aruê juncongela bebê E olha o rei mais a rainha bebê Aruê juncongela bebê Mas eu vou bebê Aruê juncongela bebê São Benedito sabia sobiar Saia fora e venha ver E quem festeja neste ano É o Divino Espírito Santo Alô. No Estado do Tocantins vão de janeiro a julho. num prazo que compreenderia exatamente os 40 dias do giro da folia e o novenário. eu vou. de acordo com as características de cada localidade. dia 16 de julho. Oh! Que noite tão serena Oh! Que hora tão de prendá Divino Espírito Santo Visite sua fazenda Deus vos salve fazendeiro Morador desse lugar E aí vem o Divino Espírito Santo Somente pra visitar Deus nos salve felizmente Este nobre fazendeiro Divino Espírito Santo Que é o nosso pai verdadeiro Inda agorinha cheguemos Na beira do seu terreiro Queremos brincar um pouco Licença peço primeiro Ah dê licença meu Divino 21 / 49 . levando a sua luz e a sua mensagem. a festa do Divino deveria coincidir com o Domingo de Pentecostes no calendário católico. Relatos de Portugal contam que a rainha Isabel e seu marido D. convidando todos para a festa. a festa da hóstia consagrada. Festa do Divino Espírito Santo A celebração do Divino Espírito Santo. Nessa época Portugal e Espanha travavam uma guerra de quase cem anos. como festa popular de cunho religioso. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa.Amanhã eu vou embora bebê Aruê juncongela bebê Eu vou embora. alô. Essas festas são realizadas em várias cidades. O objetivo foi alcançado e a promessa cumprida. Canto do Agasalho. pedindo ritualmente acolhida. Esse grupo percorre as casas dos lavradores. A rigor. que ocorre aproximadamente 50 dias após a Páscoa. passando a ter data fixa para a sua realização. O giro da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus doze apóstolos durante 40 dias. Em Monte do Carmo a celebração ao Divino Espírito Santo foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade. com destaque para Monte do Carmo e Natividade. Dessa forma teve início a devoção ao Divino Espírito Santo que se difundiu em solo português. tem sua origem no catolicismo português. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas. Natividade mantém a tradição da data móvel. abençoando as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima.

. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade. Os devotos acreditam que Maria. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. como mãe de Jesus.. Como a palavra Natal. Canto Bendito da Refeição: Pela primeira palavra Que os anjos me disseram Na cabeceira da mesa Faz a vênia meus alferes Com sua bandeira na mão Bençoai o pessoal Os alferes com os foliões Me dê licença meu povo Que agora vamos rezar Contrito no coração Pra nossas almas se salvar Peço licença de novo A maior e mais pequena Quero agradecer a mesa Que nela nós já jantemos Quando for noutro mundo (. Os foliões cantam também em agradecimento ao pouso. p. (BRAGA. à acolhida e às refeições. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. seria o local do nascimento da Virgem Maria". quando o Papa Sérgio I... portanto. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. no dia 8 de setembro. erguida no século V. Nove meses depois.Pra seus foliões brincar Toda casa tem grande gosto E seus corações alegrar Alegrai o céu e a terra Recebei com alegria Divino Espírito Santo Filho da Virgem Maria Divino chegou do giro Com ele trouxe a folia Ele vem aí pedindo um pouso De uma noite para um dia.. Festa de Nossa Senhora da Natividade As manifestações culturais no Estado do Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja católica. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. preservada do pecado original. desde o ano 33 da era cristã. de origem oriental.. Natividade significa nascimento e em Portugal ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Maria. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração eminentemente religiosa. onde é festejada há quase três séculos. A igreja católica celebra o nascimento da mãe de Jesus. A documentação escrita a respeito não é muito clara. merece ser 22 / 49 . celebrada em 8 de dezembro. 1994. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins. em Jerusalém.17). agradece) Deus vos pague a bela janta Dada de bom coração Que nos deu pra meus alferes Com todos seus foliões Deus vos pague a bela janta Deus vos pague mais outra vez Deus lhe dê vida e saúde.

em março de 1992. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. Há informações de que essas manifestações. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. 1994. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. D. Natividade. Mãe de Deus. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. ainda hoje realizadas em datas específicas. através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. chegando a Portugal. Acrescenta ainda D. nós Bispos. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. os Festejos de Nossa Senhora do Rosário. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. pelos jesuítas. Mais tarde São Luiz e. Foi a primeira a entrar nessa região. Celso Pereira de Almeida. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. (BRAGA. 14). em 1735. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. ainda hoje. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. o que transforma a festa em uma atração única. e devoto de Nossa Senhora. solicitação ao Papa João Paulo II. A festividade secular mistura fé e folclore. Diz D. p. realiza todos os anos. nascida arraial do Carmo. Celso oficializa. venerada. venerada. Padroeira principal deste Estado". temos. em Natividade. Essa imagem é a mesma. em Natividade. na Igreja Matriz. Diz D. com o passar do tempo foram se juntando e 23 / 49 . Essa imagem é a mesma. Celso oficializa. p. Padroeira principal deste Estado". fundada em 1746. 1994. Foi a primeira a entrar nessa região. na Igreja Matriz. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. recebidos freqüentes apelos. para o norte da província de Goiás. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. em função das minas de ouro e distante 89 km da Capital do Estado. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. durante a Romaria do Bonfim. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. Celso na sua justificativa . Celso "sendo nosso povo católico. Palmas. 18). em embarcações pelo rio Tocantins. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. em março de 1992. em 1735. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. em embarcações pelo rio Tocantins. Mais tarde São Luiz e. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA.cultuada. no mês de julho. Celso Pereira de Almeida. mantida com fidelidade pela população local. pelos jesuítas. Com a criação do Estado do Tocantins. para o norte da província de Goiás. e devoto de Nossa Senhora. 1994. solicitação ao Papa João Paulo II. D. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. Festejos de Nossa Senhora do Rosário A cidade de Monte do Carmo. Com a criação do Estado do Tocantins. ainda hoje. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Mãe de Deus. Celso na sua justificativa . (BRAGA. Acrescenta ainda D. depois. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. Celso "sendo nosso povo católico. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. recebidos freqüentes apelos. depois. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. p. 14). A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. na grande maioria. durante a Romaria do Bonfim. na grande maioria. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. temos. Natividade. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. nós Bispos. De Portugal passou para o Brasil. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Esta devoção é sempre viva no nosso povo".

passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente. a congada representa a coroação do rei e da rainha. No meio do povo os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. Repentistas Os catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do padeiro. se apresentam juntos. cuícas e tamborins e danças como congos. É o caso dos Catireiros de Natividade e do Grupo de Jiquitaia de Santa Rosa. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão de ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações. nas coreografias e também no fato de somente os homens participarem do ritual. Já as taieiras usam trajes semelhantes aos das escravas que trabalhavam na corte. Os dançarinos apresentam com utensílios que retratam o seu cotidiano. padroeira da cidade. trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. os negros foram buscá-la tocando tambores. Os adornos na cabeça representam a coroa e o xale sobre os ombros. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”. colares e turbantes. De origem africana. Estes últimos são derrotados e batizados. durante o cortejo do rei e da rainha. mas as motivações quase sempre estão ligadas à devoção religiosa unida ao lazer. sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. reco-recos. e a chegada do embaixador. Na terceira vez. A caçada é uma tradição secular. o manto real. Em comum também está o desejo dos moradores das cidades mais antigas do Tocantins de manter vivas tradições como a catira. quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. como também é conhecida. nas ruas. representando a vida nas senzalas. e com acompanhamento de mulheres. eleitos pelos escravos. saias brancas rodadas. congos e taieiras. A cor da indumentária tem um significado especial: entre os congos. de tambores. o rei e a rainha da festa. o que encerrou a série de desaparecimentos. Estes traços podem ser observados na música. LENDAS. sons de bandas de músicas. São blusas quadriculadas em azul ou floridas. e o embaixador é perdoado. ou suça. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de Reis e do Divino Espírito Santo. COSTUMES A influência negra também se faz presente nas congadas. o azul e o branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário e o vermelho representa a força divina. Ali. a congada mais tradicional do Tocantins é realizada em Monte do Carmo. Em algumas tribos indígenas havia a proibição das mulheres participarem das danças e de entrarem nas casas de flauta. Nossa Senhora do Carmo. também vestidos a caráter. os negros que viviam no Estado criaram a sússia. podendo lá vivenciar a cada ano. Um dos pontos altos da festa é a Caçada da Rainha. a sússia e a jiquitaia. se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. homens de preto e branco. taieiras e sússia. local onde se guardavam máscaras e instrumentos musicais indígenas e que serviam de hospedagem aos convidados de outras tribos nos intercâmbios artísticos. que se destacam por passar seus conhecimentos aos jovens. chamadas taieiras. onde em pleno dia. cantando e dançando. A origem da catira é encontrada nas tradições indígenas. Popular em todo o Brasil durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos. Nos momentos de descontração e lazer os foliões cantam seus versos e prosas. em várias tonalidades. Os dois grupos. As origens podem ser diversas. celebrada em 16 de julho. o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos. A catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés. Fazem suas evoluções sustentando garrafas na cabeça ou carregando o 24 / 49 . fato que motiva a luta entre os partidários do rei e os do embaixador. da caixa e da viola. No final do cortejo. num sapateado compassado. Segundo pesquisadores. No ritmo dos sertanejos Do sertão tocantinense surge a genuína cultura do povo.

Esse fato demonstra a imensa capacidade dos negros escravos em transformar a sua situação de dificuldade em danças que os desprendiam do cotidiano. distante 40 Km de Araguacema. essa imagem foi encontrada pelo bisavô de sua mãe quando este. no dia 15 de agosto. num semicírculo onde estão os músicos. Os moradores da região afirmam que um vaqueiro teria encontrado nessa área. a romaria remonta ao século XVIII com a formação dos primeiros arraiais. O ponto alto das comemorações do Bonfim. num bailado sensual. espécie de peneira grossa de palha. em local pantanoso. São romeiros das cidades vizinhas e do sul do Pará. Romaria do Bonfim No Tocantins. Em Natividade. vindos de várias regiões do Estado e do país. ou seja. Os dançarinos se apresentam aos pares. vinda do estado do Maranhão. Arcanjo Francisco Almeida com uma imagem do Bonfim. leve e ao mesmo tempo frenético. é o atual responsável pela manutenção do templo e pela guarda da imagem que pertence à família desde o século XIX. entre os anos de 1838 e 1841. Ele levou essa imagem consigo e após o término da Balaiada retornou à sua cidade de origem onde pediu ao padre para "batizá-la". Supõe-se que as senzalas fossem constantemente invadidas por uma espécie de formiga. acontece no dia 15. fugia dos conflitos da Balaiada ocorrido no Maranhão. quando para lá chegou. Vários pagadores de promessa atravessam a pé os 22 Km de Natividade ao Bonfim para depositar as suas oferendas aos pés da imagem do santo. Alguns acreditam que ele teria se originado de um santuário criado por fiéis ou de um núcleo missionário das irmãs carmelitas ou dos jesuítas. A crença nesses acontecimentos deu início à peregrinação para essa localidade. Existem diversas hipóteses a respeito da formação do povoado do Bonfim. no povoado do Bonfim situado a 22 Km da sede do município. após longa caminhada. têm início em 1932. Em Natividade. as romarias do Nosso Senhor do Bonfim acontecem nos municípios de Natividade e Araguacema. no município do Araguacema. a imagem do Senhor do Bonfim em cima de um toco. Segundo o Sr. É ele quem conta sua história. O festejo inicia-se com o novenário e termina com a celebração da missa campal. em homenagem ao Nosso Senhor do Bonfim. uma vez que apenas insinua o toque. Hino ao Senhor do Bonfim: 25 / 49 . Os movimentos dessa dança lembram. a retirada de formigas que invadem os corpos dos dançarinos. Natalino conta que. Jiquitaia Na sússia dança-se a jiquitaia. onde vivem pouco mais de 100 pessoas. a família faz a festa em sua devoção. Seu filho. em Natividade. conhecida como jiquitaia. A dança é a eterna busca do par. seu tataravô encontrou na mata uma vertente de água onde havia um oratório feito em pedra. A romaria do Senhor do Bonfim acontece no povoado do Bonfim. e que estas subiam pelo corpo dos escravos provocando um movimento frenético na retirada dos insetos. Natalino Francisco de Almeida. a família do Sr. mas desaparecia e reaparecia no mesmo lugar onde foi encontrada. Araguacema As homenagens ao Senhor do Bonfim. Nele estava depositada uma imagem. Esse pequeno povoado recebe em média 60 mil fiéis. Natalino. Essa imagem teria sido retirada várias vezes desse local e levada para Natividade. Atualmente para lá se deslocam cerca de dez mil pessoas. dá-lhe um nome. com a celebração da missa campal. O Sr. um dia. em louvor ao Senhor do Bonfim. Desde então. portanto. junto com a sua família. a romaria do Senhor do Bonfim é realizada de 6 a 17 de agosto. No dia 16 em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e no dia 17 ocorre a missa dos romeiros. O padre batizou-a de Jesus do Bonfim e definiu o seu festejo para 15 de agosto.quibando. pedaço de madeira.

É dançada por mulheres em pares. sucedendo-se os devotos. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo. um cruzeiro todo iluminado. 26 / 49 . que São Gonçalo reunia em Amarante. São Gonçalo tem para os seus devotos a tradição de santo casamenteiro.Refrão: Salve Bendito Rei das Nações Glorioso Senhor do Bonfim Somos vossos Romeiros em marcha Prá contemplar o vosso jardim. Em Arraias. a dança de São Gonçalo é chamada de "roda". que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa. Roda de São Gonçalo Conta a lenda. elas ficassem em repouso e isentas de pecado. permanecendo apenas o aspecto religioso. dia do Senhor. No Brasil. assistiu-se um festejo com uma dança dentro da Igreja. com vivas a São Gonçalo. a roda de São Gonçalo. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo. com violas. No final os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela. mulheres. Somos marcados pelo batismo Da vossa redenção A preço do seu santo sangue Esperamos a consolação. cuja referência mais antiga data de 1718. com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. Portugal. Nas mãos carregam arcos de madeira. Homens brancos. a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. ainda. E sempre se dança em pagamento a uma promessa. pandeiros e adufes. vestidas de branco. a dança tinha um caráter erótico que com o tempo foi desaparecendo. no sul do Estado. Inicialmente. enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. Essa dança foi proibida. que se costumavam fazer pelas ruas públicas em dia de São Gonçalo. A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. Eis aqui vossos peregrinos Prá pedir-vos e agradecer Por tudo que já recebemos Preparai para nos receber. colocado próximo ao altar. meninos e negros. logo em seguida. quando na Bahia. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo. Irmanemos nossos corações Numa só profunda oração Ao Cristo presente entre nós Prometendo-nos a salvação Salve todos os Romeiros presentes Que de longe vieram trazer Os seus voluntários tributos Para a Santa Igreja crescer Contemplamos com santa humildade Este misterioso encanto Deus pai na pessoa do filho Revelando no Espírito Santo. em frente ao qual se faz as evoluções da "roda". Acompanha. várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas. pelo Conde de Sabugosa por associa-lá às festas.

O conjunto arquitetônico da cidade possui um caráter singelo. Natividade faz parte da segunda etapa desse programa para a qual foram selecionados vinte núcleos urbanos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade. O Programa Monumenta e a Unidade Executora do Programa visando a revitalização do conjunto patrimonial de Natividade no sentido de fomentar a utilização econômica. promovido pelas instituições públicas desde o início da década de 1980. arquitetônico e paisagístico. os prédios públicos onde funcionou a primeira cadeia. na década de 1990. A coordenadora ainda subsidiou esse trabalho com dados de pesquisa por ela realizada. ou destacados como referências históricas como as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. faz parte do Programa Monumenta/BID. Infelizmente não foi possível obter documentos históricos que pudessem comprovar o período de construção desses prédios. o prédio onde hoje funciona a biblioteca pública e os prédios particulares como o do Sr. Monumentos Natividade é um marco representativo das cidades do ciclo do ouro. Única cidade no Estado tombada em instância nacional. que tem como fundamento a preservação do Patrimônio Histórico Urbano Brasileiro. e o casarão de propriedade da Sra. Palmas. como as Praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira. o que pode ser percebido através da preservação do seu acervo urbano. a Igreja de São Benedito. que sofreu interferência através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O Programa Monumenta/BID é parte da continuação do trabalho de preservação da história e da cultura de Natividade. Todo o trabalho foi acompanhado pela Coordenadora da Unidade Executora do Programa. principalmente os de utilização pública. cidade Patrimônio Histórico Nacional desde 1987. O processo de preservação através da ingerência pública teve inicio em 1981 com a execução das obras de restauração dos prédios da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Natividade e a Capela São Benedito tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Goiás e das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. bem como fotos e desenhos dos arquivos da UEP e da Associação Comunitária Cultural de Natividade . o primeiro paço municipal. Alarico. Aquina que chama a atenção pela sua opulência e estado de decadência em que se encontra. As informações coletadas nas entrevistas foram trabalhadas de acordo com o entendimento dos pesquisadores acerca das observações coletadas ao longo dos trabalhos de campo.Monumentos Históricos Natividade. além de visitas in loco aos monumentos. que foi sede do Governo da Província do Norte. conferindo harmonia ao conjunto. Os dados que fundamentaram esse trabalho foram obtidos através de referências bibliográficas e em pesquisa de campo em Natividade entre os dias 28 e 31 de outubro de 2003 onde foram realizados levantamentos cartorial e paroquial e entrevistas com os moradores da comunidade. Segundo depoimentos os documentos referentes ao município encontram-se na Cidade de Goiás ou foram queimados ou danificados ao longo dos anos.ASCCUNA. observado na proporção dos casarios e na ausência de monumentalidade das construções de função pública. Simone Camêlo Araújo. Como parte do desenvolvimento das ações prevista no Programa foram definidos alguns monumentos que sofrerão intervenção e/ou restauração devido tanto à sua importância no conjunto arquitetônico. localiza-se a sudeste do Estado do Tocantins a 218 Km da capital. Existem poucos relatos paroquiais e os que se encontram estão em péssimo estado de conservação. cultural e social da área do projeto definiu alguns monumentos como prioritários para serem trabalhados nesse processo de 27 / 49 . São obras preservadas que celebram o tempo em que foram criadas.

mas os relatos orais não afirmam se estes habitaram o imóvel. Todas as janelas e portas internas eram revestidas de ferro. o Major Benício faleceu no ano de 1906. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. recorda que ainda o conheceu com cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. Cartório de Imóveis). CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes. A madeira retirada foi reaproveitada na construção de pontes no interior do município. Trinta dias após à sua morte. Essas tábuas impediam a iluminação interna. Joaquim. na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. uma porta de frente. nascido no dia 03 de dezembro de 1950. este foi construído no final do século XIX. arquivo municipal e sede da Banda de Música municipal.intervenção. Originalmente o prédio foi construído com dois cômodos. separando os presos em celas masculina e feminina. faleceu dona Benvinda. pertencentes à igreja ou a leigos são seculares. por volta de 1920. Foi construído originalmente para funcionar como cadeia pública. O senhor Antônio Viana Bezerra. A cela destinada aos homens. a casa ficou para os filhos. Conforme relatos dos moradores. As praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira embora sejam obras recentes fazem parte do conjunto histórico arquitetônico. Conforme relatos. Paço Municipal e Casa da Cultura A "Antiga Cadeia" tem característica secular.50m de fundo. a antiga residência do casal Benício e Benvinda serviu de sede para a Companhia de Polícia. Segundo o Sr. mas segundo moradores mais antigos da cidade. segundo o Sr. o que deixava os presos nas mais desagradáveis condições. provocando assim a sua própria morte).50m de frente por 9. toda forrada de madeira: pau d arco e jatobá. folha 17. conta que a única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967. na Praça Leopoldo de Bulhões. Possui grossas paredes de pedras. Antiga cadeia pública. Conforme relatos orais. esquina com a Praça São Benedito. não se alimentando mais. Não se sabe ao certo a data da construção do prédio. O Paço Municipal será um dos prédios beneficiados pelo Programa Monumenta/BID.ANTIGA PREFEITURA Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública. inclusive de acesso as selas. Joaquim Rodrigues de Cerqueira morador de Natividade. espessas grades de ferro. Dentro do gabinete havia uma butija com água para uso do prefeito. O prédio é térreo com 18. mantendo o local sempre úmido. PAÇO MUNICIPAL . agência de estatística ( hoje IBGE ). filho do casal falecido. ano de 1952. Todos os monumentos inventariados. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995 e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal. Ainda de acordo o relato. dona Benvinda morreu de desgosto (perdeu o gosto pela vida. na qual as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs. na parte interna do prédio havia um banco com dois potes e uma espécie de gancho que servia para segurar os copos. Segundo relatos do Sr. Hoje o prédio abriga a Polícia Militar. contendo três janelas. o prédio sempre funcionou como espaço administrativo: prefeitura. Seu Joaquim recorda também da existência de um caneteiro e uma máquina de escrever (o mesmo desconhece a marca da máquina). com 30 X 30 cm. comerciante aposentado de 69 anos. a casa pertenceu ao Major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. o prédio foi construído no período de 1930 a 1938. O senhor Joaquim. tinha duas grades de ferro. o prédio foi construído no tempo dos escravos. que veio para a cidade por intermédio do Coronel Deocleciano Nunes. em Natividade. O piso original era de cerâmica de barro (conhecido como ladrilho). Albany Costa Cerqueira. Após a morte do casal Benício e Benvinda. Confronta-se com terrenos de propriedade de Nilo Noleto Bezerra pelo sul e prédio do Antigo Paço Municipal ao norte (Livro 3ª. o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. nascido em Natividade no dia 10 de março de 1930. Foi trocada também a porta da frente do prédio que era trancada com trava e "uma grande chave". câmara municipal. Retiraram as grades externas das janelas e as madeiras das paredes e do teto. com o objetivo de defender a cidade dos jagunços 28 / 49 . Segundo o nosso informante. nº de Ordem 48. Para o funcionamento mais adequado do museu foi construído um anexo com sala e banheiro na parte detrás do mesmo. As reformas no prédio foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva.

e que essas modificações foram feitas de acordo com a sua utilização. Albany recorda que até 1954. matrícula 1970. D. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora.saqueadores que rondavam a região. Foi a primeira a entrar nessa região. desde o ano 33 da era cristã. coberto de telha comum. p. Prédio de adobe. 3 portas externas. A casa contém 10 compartimentos. 18). compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. venerada. Os devotos acreditam que Maria. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade. Natividade. com 20 (vinte) metros do lado Norte. merece ser cultuada. de origem oriental. A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano D. Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade A Igreja Matriz do município de Natividade. Hoje o imóvel é denominado Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira. A desapropriação é confirmada pelo Decreto n° 024/90 da Prefeitura Municipal de Natividade. 14). consta que a Prefeitura Municipal desapropriou o imóvel em 23 de agosto de 1990. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. (BRAGA. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. tendo como transmitente o casal Zacarias Nunes da Silva e Helen Drumond Nunes. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Mãe de Deus. 18 (dezoito) metros do lado Sul. p. temos. No mesmo livro. paredes rebocadas e pintadas. O Sr.I. recebidos freqüentes apelos. O imóvel é constituído de uma área de 410 m² (quatrocentos e dez metros quadrados). A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. quando foi transferido para Grupo Escolar Quintiliano Luiz da Silva. celebrada em 8 de dezembro. seria o local do nascimento da Virgem Maria" (BRAGA. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. 1 alpendre. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. Pedro II. no piso (que antes era de ladrilho) no reboco e na pintura. em Natividade. A festa a Nossa Senhora da Natividade. que os habitantes do sudeste do Estado "veneram com muito afeto. Celso na sua justificativa. termo referente a nascimento. na Igreja Matriz. A documentação escrita não é muito clara. é datada de 1759. onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. Acrescenta ainda D. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. de vê-la consagrada padroeira do Estado. O entrevistado lembra que nesse período os alunos faziam apresentações teatrais usando o espaço físico do prédio. A Igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo. chegando a Portugal. portanto. dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da 29 / 49 . em 1735. No livro n° 1 . em embarcações pelo rio Tocantins. é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro. 11 portas internas. 1994. na data de 22 de janeiro de 1966. 22 (vinte e dois) metros no lado Oeste e 22 (vinte e dois) metros no lado Leste. Celso Pereira de Almeida. solicitação ao Papa João Paulo II. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. 1994. O imóvel sofreu modificações no emadeiramento. 2 banheiros. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". sendo 4 salas. Albany afirma que a parte interna da casa sofreu várias modificações. De Portugal passou para o Brasil. 1 cozinha. na Igreja Matriz. Essa imagem é a mesma. O Sr. Celso "sendo nosso povo católico. Diz D. 1994. Nove meses depois. Com a criação do Estado do Tocantins. Padroeira principal deste Estado". como mãe de Jesus. Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás.17). ainda hoje. erguida no século V. teto de madeira serrada. e devoto de Nossa Senhora. o Grupo Escolar D. Os moradores não sabem informar por quanto tempo a casa serviu de sede para a Companhia da Polícia. 1 passarela. do Cartório de Registro de Imóveis de Natividade. em Jerusalém. funcionou no prédio. consta que o prédio foi adquirido pela Sociedade Cooperativa Mista Agropecuária Ltda. quando o Papa Sérgio I. piso de cerâmica. 12 janelas sendo 4 no lado Norte. p. preservada do pecado original. ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. uma das mais antigas do Estado do Tocantins. em março de 1992. Bispo Diocesano de Porto Nacional enviou. 1 corredor. 3 no lado Leste e 5 no lado Sul. na grande maioria. nós Bispos. uma imagem de Nossa Senhora da Natividade.

Sra. existirem. etc). uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901. papagaio. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor. ex-prefeito de Natividade). a cada sábado. No local não tinha nada construído. lhe fazia cair às penas das asas. fruta-pão. as moças eram puras". A Serpente de Asas era uma ameaça permanente sobre a cidade: ". aos sábados rezando o oficio de Nossa Senhora. 2003). Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. com pintura policromada.Fragmentos do passado". essas árvores eram cercadas de pedra canga com massa a cal. porém. Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. Para José Lopes Rodrigues "Natividade . do Bonfim e redondeza vivera em segurança. Em 1919 algumas modificações foram realizadas. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções. São Sebastião. finca. Nas suas recordações o sr. as árvores foram retiradas na década de 1950. religiosamente. recebendo a denominação de Praça da Bandeira. Joaquim lembra também de outras brincadeiras como: pião. havia apenas árvores (juazeiros. A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz coletadas por autores locais como Dr. Com a retirada do pelourinho. mangueiras.. Envolta da praça tem quatro casas que conservaram suas antigas fachadas.. A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. e os correios. É uma espécie de dragão como aquele de São Jorge. local onde funcionou o primeiro mercado municipal. devia-se o milagre a proteção da Padroeira que. mudou-se a fachada e trocou-se a escada de madeira que leva ao coro por pedras (utilizaram pedras da Igreja do Terço e da igreja N.".não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade. Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial... quando se construiu a segunda torre. possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade. o prédio da câmara municipal. "todo mundo era inocente. com repinturas. o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. Maximiano descreve em "Outras Estórias de Goiás" a lenda da "Serpente de Asas". Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões PRAÇA DA BANDEIRA Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho.Se ainda não a destruíra. Joaquim recorda que a brincadeira mais comum era o furrum (escondiam no meio do mato.. são montadas barracas onde se faz leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado a santa. amendoeiras. Hoje. do Rosário). Têm ainda dois sinos de 1858. antigo governador de Goiás. ". A cabeça fica debaixo da Lagoa Encantada. A igreja está em estado bem conservado" (UEP/Natividade. o sr. São Gonçalo. onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário. A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. O local servia também para brincadeiras de moças e rapazes. Lá amarrava e açoitava os escravos. em sua igreja". havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja da Matriz. Enquanto. Maximiano da Matta e José Lopes Rodrigues. "Possuía apenas uma torre. está pintado de azul. Antes se chamava Praça do Conselho (devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça). "Antes só tinha o pelourinho. etc. O altar é feito de madeira. sr. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972.. Tenho a impressão que o pelourinho foi tirado pelos prefeitos nomeados pela ditadura de Vargas" (Adail Santana.. Conforme depoimentos coletados por Simone Camêlo Araújo. E o milagre da Virgem se verificava em atenção ao Oficio de Nossa Senhora que.Natividade. em madeira. 81 anos. muitos metros abaixo da superfície: a ponta do rabo está justamente debaixo da Matriz. Era um cercado de madeira. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. todos os sábados era rezado. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997. serpente mora na caverna que principia debaixo da Igreja Matriz de Natividade e vai acabar debaixo da Lagoa Encantada.. criadas durante a semana e destinadas a permitir-lhe o vôo até o cobiçado objeto de sua destruição. Os piões eram feitos de limeira e 30 / 49 . O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. que segundo os moradores a serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na Igreja Matriz.. com uma bancada para subir e umas argolas. Conforme informações de seu Joaquim no período chuvoso o mato crescia e servia de pasto para os animais. velhas rezadeiras em Natividade. as moças procuravam os rapazes e os rapazes procuravam as moças). Joaquim esclarece que não havia nada de mais (não havia malícia). conservados até a década de 1960. PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões.

Tocantins. a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras. grandiosidade e beleza.prefeito da cidade. 5ª edição. PARENTE. conservada ao longo dos séculos. há relatos sobre uma irmandade do Rosário. o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 a 1829. O sr. embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte da igreja.MINC . As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras. foi onde nasci e me criei. E. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto. onde o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. na sua administração. um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade). Universidade Católica de Goiás . Natividade e seu Município . Da obra ficou concluída a capela-mor. o que seria o templo dedicado a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Em Natividade. 80 anos. ( Cartilha ) Natividade . A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. Quintino Pinto de. Goiânia 1999. quando recebeu uma iluminação especial. mas não foi possível comprovar isso 31 / 49 .limoeiro. O sr. FONTES BIBLIOGRÁFICAS · ASCCUNA. sob a gerência do IPHAN foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno. Quintiliano Luiz da Silva. amoroso. Segundo ele no local da praça havia uma quadra de esportes e os moradores não gostavam porque a bola sujava as paredes das casas. do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras. levando os negros a escolherem essa invocação. "a praça representa para mim muita saudade . em 1996. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. eu sou muito sentimental. Segundo relatos de viajantes esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII. saudades dos amigos. calçamento de concreto. Daí surgiu a idéia de se construir uma estrutura para a praça. Joaquim se emociona ao lembrar dos" velhos tempos". Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980. ex.(Apostila) "Conhecendo Natividade Tocantins". Carlos A. PROGRAMA MONUMENTA/BID. As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins. monumento à TV Anhanguera e à instalação da água. toda em pedra." Com exceção da família do Dr. · CATRO. No Brasil. chama a atenção pela sua opulência. A sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais. O que é Patrimônio Histórico. (Caderno) Estudos de Tombamento. sofreu um processo de intervenção em 1992 através do SPHAN/Pro-Memória. Associação Comunitária Cultural de Natividade . Izambert conta que essas árvores vieram de São Paulo. Ed. Temes Gomes. igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres. Conforme informações do senhor Izambert Camelo Rocha.C.1949. duas fontes luminosas. todas a outras continuam morando no entorno da praça. FONTES ORAIS · Adail Viana Santana · Alarico Nunes Suarte · Albany Costa Cerqueira · Antonio Viana Bezerra · Dario Camelo Rocha · Izambert Camelo Rocha · Joaquim Rodrigues de Cerqueira · Theodoro Nunes da Silva · Simone Camelo Araújo · Joatan Bispo de Macedo Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sob a denominação de ruínas.1948 . · · · · LEMOS. segundo ele cada brincadeira tinha seu tempo certo.Fundação Nacional Pró-Memória .Natividade. Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto. · IPHAN. Mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas. brasiliense. E também pelos alicerces em pedra canga.

O avanço da civilização colonizadora para a região dos Apinayé teve início em 1797. (Relato de Xavier Apinayé) História Os primeiros registros do povo Apinayé na região. Os filhos do Sol chamaram-se Kóó-di e os filhos da Lua Kóó-ré e ficou determinado que os Kóó-dí casariam com os Kóó-ré e então. havia 1362 Apinayé na aldeia Boa Vista. sede do governo do estado do Tocantins. Nesse mesmo período. Ainda segundo Simone Camêlo. na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará. A população Apinayé abatida por doenças e guerras foi se afastando para dentro da mata ou aceitando o aldeamento como necessário para a sobrevivência da comunidade. As conseqüências dessas informações passada de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos resultado de ações de indivíduos. Os homens utilizavam o arco e a flecha. Dentre elas algumas merecem maior destaque. na praia da esquerda. que pareciam regimento formado (Nimuendajú. viu-se rodeado de grande número de índios. viajante que navegava pelo rio Tocantins. Quando esses exploradores constataram que havia ouro na região.historicamente. atiraram na água e de cada uma surgiu um ser humano. as guerras eram travadas por motivo de vingança: guerras de conquista eram-lhes inteiramente desconhecidas e. por volta de 1880. caçada de escravos para si ou para neo-brasileiros. que dizendo sonhar onde estava o ouro perfuravam as ruínas. Tantos eram que se viam na parte de baixo. seiscentos índios Apinayé trabalhavam na agricultura. Conheça cada uma delas nos links abaixo: Apinayé Origem mítica do povo Apinayé No início dos tempos não existia as árvores. pág. Outros Apinayé viviam em torno da cidade. vem de 1774. como faziam os Krahò. com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. em Palmas. tão pouco praticavam pois desconheciam a escravidão (Nimuendajú. Segundo Nimuendajú. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário . ofereciam presentes aos seus deuses e divindades. Todas as suas aldeias eram numerosas. a caça e a pesca. os poderosos índios da região norte. onde vivem hoje. os Apinayé foram viver perto do povoado de Santo Antônio. Antônio Tavares. 91). nem os animais. Na contagem seguinte. Os Apinayé eram conhecidos como grandes guerreiros. Relatos coletados por Simone Camêlo Araújo afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo. armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. 71). pág.CIMI em 1780. nem os rios. 02). Chegaram exploradores e aventureiros em busca de riquezas. Pág. quando as cabaças amadureceram levaram para a beira do rio. os rios. Mulheres caçam tatus com o cavador e o terçado (Nimuendajú. voltaram para o céu. vários garimpeiros em busca de enriquecimento enfrentaram os índios provocando uma luta que se estendeu por muitos anos. apanhá-los. Às vezes ateavam fogo no campo para os animais saírem e assim. A caça era feita por homens e mulheres. o arco cruzeiro dessa ruína serviu de inspiração para a construção dos arcos do Palácio Araguaia. colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó. praticavam a agricultura. os animais. Povos Indígenas São inúmeras as tribos da nação indígena no Tocantins. incorporado 32 / 49 . Em 1780 foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os guerreiros apinayé. O sol fez uma aldeia e uma roça e nela plantou cabaças. Andaram pelo mundo e criaram as plantas. O Sol (Mbu-di) convidou a Lua (Mbudvrà-ré) para descer a terra.

Ele e o Vice-cacique resolvem os problemas da comunidade. penas de pássaros. bacaba. plantam. Colares: confeccionados com sementes variadas. a arte. fibra de tucum e babaçu. Com o contato permanente entre os índios e a sociedade envolvente. líder dos Apinayé. ralam e imprensam a mandioca. a população Apinayé entra em decadência. mandioca. em 1936. as pessoas das famílias. Tradicionalmente plantam milho. Cestos. Os apinayé também vendem o seu produto nas cidades próximas às aldeias. as histórias e os costumes. Quando muitas famílias participam. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. Os cantadores e cantadeiras cantam no pátio. tudo é repartido. viajou ao Rio de Janeiro para pedir a demarcação de suas terras. Sua população atual é 1014 habitantes (FUNAI/MAIO/1997). Esses artefatos são tingidos com urucum e jenipapo. próximo aos municípios de Tocantinópolis. Também utilizam a miçanga para confeccionar colares. amendoim. Os enfermeiros. batata doce e inhame. os rituais. Enquanto os homens preparam as roças brocando. acima do Ribeirão São Benedito. O sistema utilizado para a plantação é da tradicional roça de toco. 33 / 49 . em 1940. Com a fundação do posto do SPI. capinam e fazem a colheita. por fim. fibra e coité onde fazem os desenhos. cuidam das crianças. as mulheres cozinham. tanto o trabalho como os produtos. outros gostam de pescar e caçar. Maurilândia e Lagoa de São Bento. feijão. distribuídos em sete aldeias. esteiras e cofos. O artesanato serve para enfeite e são utilizados nas celebrações. Os Apinayé coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas. açaí. Os curandeiros cuidam das doenças.904 hectares. de 141. Nas roças comunitárias ou nos roçados individuais as tarefas são distribuídas entre homens. Arco e flecha. tucum e buriti para confeccionar cestas. onde vivem até hoje. Demarcação das terras O Capitão José Dias. Durante muitos anos. Artesanato Os Apinayé fazem trançados variados. Limitaram-se a trabalhar na agricultura. Assim ensinavam a língua. caçam e cortam lenha. buriti. babaçu. Os homens pescam. outros gostam de coletar frutas silvestres (relato de Cassiano Sotero Apinayé). quando restavam apenas sessenta índios. as mulheres e as crianças encovairam. o povo Apinayé lutou pela demarcação de seu território que foi registrado e homologado apenas em 1985. O pajé é chefe espiritual da tribo. murici. transmitido pelos mais velhos de geração para geração. mas conservam seus desenhos tradicionais. bambu e espinhos. os professores índios e não-índios que ensinam a ler e escrever e. onde o terreno é queimado e os tocos são arrancados para depois iniciar o plantio. Os Apinayé vivem hoje numa área demarcada. Utilizam a palha de babaçu. derrubando e queimando. existem muitas pessoas e cada uma tem função diferente. ficando cada vez mais distante da antiga e numerosa tribo. Educação A transmissão tradicional do conhecimento entre os Apinayé sempre foi oral. cofos e quibanos: confeccionados pelas mulheres em trançado de fibra de buriti. raspam. pequi. em 1899. bacuri. Fazem a coleta de andu. Maranhão). Tomados por uma epidemia de varíola passaram em poucos anos de 4200 para 1500 pessoas. Vida Cotidiana Na sociedade Apinayé. na criação de gado (aprendido com o não-índio) e na navegação fluvial. os Apinayé deixaram de migrar constantemente e passaram a permanecer nas suas aldeias na região de Tocantinópolis. Uns gostam de trabalhar. maracá e borduna: confeccionados pelos homens que utilizam madeira. O Cacique é chefe superior da tribo. mulheres e crianças. tucum e palmito que complementa a sua alimentação.mais tarde a São Pedro de Alcântara (Carolina. Trabalho O trabalho pode ser feito em mutirão. Ao mesmo tempo os Apinayé mudaram para a aldeia do Cocal.

Celebrações e Rituais As festas são realizadas no pátio. Os padrinhos e as madrinhas da moça ainda podem escolher o marido. em torno de 500 metros. uma cantora fica cantando até o dia amanhecer. porque acreditam que sua sombra possa voltar para casa à procura de alimentos. Casamento: Os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum. tradicionalmente. Toda cantiga. Caminhos estreitos cortam a mata ciliar em todos os sentidos. Para a fundação de sua aldeia. como índios tinham muitas dificuldades em aprender porque os professores não compreendiam o que eles falavam nem os alunos compreendiam o que o professor dizia surgiram as escolas bilíngües. a aldeia é reconstruída em outro lugar. ensinavam somente o português. 10 anos. Na casa todos choram e depois distribuem a comida sempre com a presença do pajé. Quando eles terminam falam: se o rapaz não fizer direito com nossa afilhada nós vamos fazer desse jeito com você: cortar seu pescoço (relato de Ausira Apinayé).Devido à convivência interétnica surgiram as escolas que. os apinayé escolhem sempre um lugar que satisfaça às seguintes exigências: O chão deve ser plano. estando de acordo com a sua família. O morto é banhado e colocado numa esteira onde recebe a pintura e os enfeites segundo seu clã. Quando. pelo menos. A Aldeia Apinayé As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos. a mata já fica numa distância de mais de duas léguas da aldeia. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações de cada um para ter uma vida boa e correta. A alegria do Panhi (índio Apinayé) é a invenção da música. no ângulo entre dois cursos de água confluentes. Ritual de morte e enterro . A comida preparada é o paparuto . Quando os outros voltam do enterro vão banhar no ribeirão. feito na palha da bananeira cozido no muquem. dão banho de água fria na pessoa para purificar. A Casa Apinayé A construção de casas de alvenaria de tijolos industrializados e a adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) tem levado à perenização da 34 / 49 . Os pais e os parentes mais próximos não acompanham o enterro. Hoje tem uns que não sabe cantar a Tora grande (relato de Alcides Apinayé. São iniciadas pelo cantor com seu maracá. Nas proximidades deve haver mata ciliar para os roçados. caça e banho.espécie de bolo de mandioca com carne. No dia seguinte. Hoje. mas ser formado de argila dura. de acordo com o clã. continuam a chorar no lugar onde o enfeitaram. A Festa do Mekapri . já é possível que os jovens escolham com quem querem casar. Um ano depois visitam seus parentes no cemitério. em solo não pedregoso e perto de córregos d água. em geral no fim de algum contraforte. esta mata se acaba. Apenas a pessoa doente não come. Cantiga de tora. no alto dos campos. pintam e enfeitam todo o corpo. Em tempos mais recentes. ajudando a manter a cultura e revitalizando a sua identidade étnica.Começa a lamentação quando todos os parentes se reúnem na casa do morto. Os parentes que estão enlutados não cortam os cabelos. Os moços levam o paparuto para a casa dos padrinhos da noiva e lá recebem conselhos para não brigarem e viverem em paz. Chamam um cantador que fica do lado do morto cantando até o dia amanhecer. Mas. (relato de Kunum Apinayé). no início. levando aos locais de roça. muda-se esta novamente para um lugar onde ainda haja bastante mata nos arredores. O solo não deve ser pedregoso nem arenoso. depois. em conseqüência das derrubadas anuais. a construção de casas de alvenaria tem forçado a permanência da aldeia num mesmo local. quando. localizado no centro da aldeia. Durante a noite. Nestas os alunos têm a oportunidade de ler e escrever na sua própria língua e depois no português. Antes isso acontecia quando ainda eram crianças. cantor). jenipapo e lã de pati. Os Apinayé levam comida para o morto. não se pintam e não participam das reuniões na praça. São mantidas pelo Governo do Tocantins seis escolas bilíngües. Também colocam os seus pertences sobre a sepultura. pesca. com maracá. O lugar não deve ser demasiado distante da água. em conseqüência das derrubadas anuais. Os caminhos da roça são relativamente limpos para que as mulheres possam passar livremente com seus cestos de carga. Panhi nunca quis largar a música. No geral. Levam a pessoa para a casa dela juntamente com o twy kupu (comida feita com mandioca e carne) como oferta para o espírito voltar.A festa é realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente. Nas proximidades deve haver bastante mata ciliar para os roçados durante um espaço de.

As casas são construídas com materiais que vão da palha de buriti. ao redor do círculo interno. concentra-se o maior número de aldeias. A migração sazonal levou os Karajá para várias regiões até conquistarem o território onde vivem. Mato Grosso e Pará. Nos anos seguintes a relação com os não-índios intensificou-se com a vinda dos mineiros e das frentes pastoris e agrícolas. são conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo). falam a mesma língua. migraram entre outros motivos. As que ficam próximo ao rio Javaé levam esse nome. Os Apinayé possuem atualmente aldeias fixas. possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros. Javaé. Javaé e Xambioá. passando pela taipa. No Tocantins. Durante os séculos XVII e XVIII o contato com as expedições dos paulistas provocou muitos conflitos. Na Ilha do Bananal. Xambioá Origem mítica do povo Karajá Conta a lenda que os Karajá viviam no fundo do rio Berorõdy (rio Araguaia). No começo do século XX. com cumeeira e cobertas de palha de palmeira. Diante das casas. corre um caminho largo normalmente denominado rua. assim chamados.aldeia. Certo dia descobriram um buraco e resolveram ver o que tinha do outro lado. durante a primeira viagem deste. doentes e com a população reduzida. devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. entre elas.1997). Os Karajá aceitaram a paz no final do último século e foram viver nos aldeamentos junto a outras etnias. quando o rio fica behetxi (parado). os Karajá subiram o rio Araguaia. Koboí decidiu sair mais era muito gordo e não conseguiu passar. Xerente e Caiapó. como parentes e embora geograficamente separados. de Xambioá. conforme as estações do ano e o regime das águas que eles dividem em início das enchentes. Os Karajá de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população. Na Ilha do Bananal vivem os grupos Karajá e Javaé em aldeias separadas. "A referência para a denominação do grupo é dado pela sua localização ao longo de um eixo. os comerciantes utilizaram a mão-de-obra indígena. Os Karajá. por morarem perto da cidade do mesmo nome. são os ibòò marãdu (turma de cima). Essa junção não deu certo e os Karajá voltaram para suas praias. a cheia e o início da vazante. ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra aproximadamente no centro. são fechadas com divisões de esteiras de palmeiras encostadas contra uma travessa armada na horizontal. localizadas nas barreiras ao longo do rio. É o tempo da caça. Os que saíram são conhecidos como Karajá. Atualmente. idênticas às dos moradores da região. mas todos são o povo Iny. "A partir do início das chuvas e subida do nível do rio Araguaia os Karajá reúnemse nas suas aldeias maiores. algumas aldeias Apinayé têm forma retangular com um pátio de reuniões central. Durante o verão viviam nas praias do rio Araguaia e no inverno subiam os barrancos onde tinham suas aldeias maiores. 35 / 49 . A disposição da aldeia é inteiramente igual àquela das tribos dos Kráhò: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo. FUNAI/ 1997). empreendida pelo rio Araguaia. mas se auto-denominam Iny. Uma família saiu. frutas. História Antes de 1500. Com o avanço da navegação fluvial. As casas são feitas com pouco acabamento. as árvores. existem três grupos: os Xambioá. pássaros e animais. na prática. às margens do rio Araguaia. Karajá. Nos dias atuais o regime das águas ainda marca o tempo que determina as manifestações sociais da comunidade. Voltou para contar o que viu e foi para a superfície. A tradição dos Apinayé não dá a conhecer nas aldeias fixas. pertencem aos mesmos antepassados. nas aldeias da Ilha do Bananal. Têm-se ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada. como se tivesse a mesma forma das aldeias tradicionais. viu a terra. tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializada. Da praça central partem caminhos radiais que a ligam a cada casa. principalmente como remeiros. os Karajá ainda viviam de acordo com as mudanças climáticas. no entanto. Utilizavam diferentes locais de moradia. de se iniciar a preparação das roças e da coleta de diversas espécies vegetais" (EIA/FUNAI . outras casas senão do tipo daquelas ainda hoje em uso: retangulares. Ali mantiveram contato com o jesuíta Tomé Ribeiro. o rio Araguaia" (EIA. os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayé.

A cerimônia é feita com uma apresentação pública e formal dos noivos para a comunidade. banana. Para confecção da cerâmica utilizam o barro branco retirado. primeiro o objeto é colocado perto do fogo. Servem também para enfeitar instrumentos musicais. cana-de-açúcar. onde se faz e desfaz facções. braçadeiras e tornozeleiras. os espíritos e com seu próprio interior. Trás uma significativa expressão de riqueza e esplendor. depois coberto com pedaços de lenha. jenipapo e urucum para as tintas. retiram material para construção de suas casas. principalmente na política que faz as lideranças das aldeias. filiação. depois transportam para a palha. milho. Muitas coisas mudaram. brincos. Cerâmica: Confeccionada pelas mulheres. As mulheres trabalham na confecção do artesanato. idade. a fauna e a flora. Adquirem através destes os produtos industrializados: roupas. Os Karajá organizam-se em famílias extensas que incluem além da família nuclear. dos barrancos do rio Araguaia que é misturado com cinzas da madeira do cega machado e colocada para secar ao sol. (potes. da bacaba e a seda do buriti. usado pelo chefe de cerimônia. São confeccionados cocares de grande e pequeno porte. cada um com seu significado. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária. a peça é pintada de preto. As artesãs personalizam seu trabalho com figuras decorativas tradicionais e usufruem de grande prestigio dentro e fora da comunidade. Quando chegam as chuvas (Novembro a Março) dedicam-se às atividades agrícolas. homens e mulheres. pescando e coletando. cará e o arroz. brinquedos para as crianças e também para a comercialização. cerâmica e cestaria. genros e netos. durante o período da estiagem. As crianças aprendem desenhando na areia. devido a interferência de religiosos e agências governamentais. pratos tigelas) ou ornamentais (bonecas ritxokò). Para o cozimento. passando a residir na casa da sogra. 36 / 49 . Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. como enfeites e artefatos. a caça e a roça. Durante o verão. Utilizam o tucum para fazer o arco. Os adornos que utilizam a plumária são: colares. fumo e bebidas. No entanto é forte a tendência do povo Karajá em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições. a confecção de artesanato. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu. Trabalho Os Karajá são essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. Cestaria: Serve para o transporte e armazenamento de mantimentos e como peça decorativa. 1941). A técnica da cestaria é ensinada pelos homens mais velhos aos jovens que desejam aprender. Artesanato "A beleza transcende aquilo que a aparência física revela". na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distante da aldeia. como: Haretõ que representa o sol. retirada do sumo do urucum. bacaba e madeiras como a sarã para confecção de brinquedos e artesanato. a palha de buriti para as esteiras. batata-doce. passam a maior parte do tempo nas praias. No final. sexo e prestigio (Fritz Krause. Os Karajá fazem a coivara e usam o sistema de rotatividade no uso da terra. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio.Entre os Karajá as atividades políticas são bastante difundidas girando em torno de um complexo sistema de alianças. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam. 1957). Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca. As mudanças de residências são matrilocais: o rapaz tem que acompanhar a moça. Da natureza. ministrando interesses e mudando a política dentro da comunidade. na época da estiagem. instrumentos musicais e canoas. alimentos. armas e máscaras. são utilitárias. A cerâmica passou por uma mudança significativa devido a valorização e pressões comerciais. Nos Sertões do Brasil. "Teve um tempo em que Karajá vivia como gaivota" Temysari Karajá (cacique de Xambioá) Os casamentos: São monogâmicos e combinados entre os familiares. Arte plumária: Essa arte exige muita habilidade e identifica o homem indígena com a natureza. dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. É uma forma de identificar o grupo étnico e a posição social na comunidade como: cargo. Na finalização das bonecas utilizam cera preta para fazer os cabelos (Berta Ribeiro. tinta retirada do sumo do jenipapo misturada ao pó do carvão e de vermelho. consagra-se lideranças e afastam-se outras. Cada família tem o seu roçado e cultiva: mandioca. o coco do buriti. é usado pelos rapazes e o Lori lori. Servem como utensílios domésticos. Os artesanatos são utilizados nos rituais. neste século.

As tintas de jenipapo e urucum são utilizadas na pintura corporal. No ritmo das chuvas. Uorossani. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. "As crianças aprendem a desenhar. para dentro da aldeia. peixes e répteis. nos remos e nos maracás. o corrupião o boto e a cobra coral. em vários estilos. espírito do mal. São feitos os ornamentos e enfeites: cocares. sobe e desce. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". 37 / 49 . Utilizam as cores preta. Ijesu são as lutas Karajá. em frente ao rio. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. braçadeiras e tornozeleiras. nas esteiras. marcarem também um novo tempo. Ensinam aos descendentes a importância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vem de tempos milenares. ralam. Depois das boas vindas. Lutam dois de cada vez. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. os donos da festa precisam mantê-la em pé. depois da morte. pedem proteção aos Aruanãs: dançam aos pares e não mostram os seus rostos. repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham. nos cestos. Os cemitérios ficam perto da aldeia. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para ele chamar os Aruanã. Existem dentro da comunidade pessoas especiais para fazer a pintura corporal. colares. as mulheres arrancam a mandioca. Mas. como: pássaros. As figuras míticas dos espíritos protetores cantam e dançam para todos. olhando suas mães e irmãs" (Ijyraru Karajá) Os desenhos são usados no corpo das pessoas. Ijasò Os Aruanã (Ijasò) são espíritos trazidos pelos pajés. pescar ou fazer alguma viagem. Representam os animais como a ariranha. São realizadas lutas tradicionais. As representações gráficas são diferentes para cada grupo social dentro da aldeia: os homens pintam de uma forma. Os Aruanã entram e saem das casas cantando e dançando para além de marcarem a passagem do menino. Festa do Hetohoky Também conhecida como a "Festa da Casa Grande" representa a passagem do menino para a fase adulta. Os Rituais de Morte: Os karajá acreditam que. velhos e rapazes também têm suas pinturas características que representam formas de distinção e hierarquia dentro da sociedade. Enterram seus mortos em covas rasas cobertas com palhas e. do grande Berohoky (rio Araguaia). A luta vai até o amanhecer. retiram o que restou e colocam em urnas de cerâmica. que dura o ano inteiro e revitaliza a cultura da comunidade. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. retirada do jenipapo e vermelha do urucum. A Pintura Corporal A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas dos animais da região. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. as mulheres casadas de outra. é nas noites de lua cheia que acontece o rito reservado somente aos homens. homens e crianças participam do "ciclo do Aruanã".Celebrações e Rituais O Povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. Mulheres. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. é o espírito do bem e cunin. um ano depois. coletam frutos e fazem bebidas. Ganha quem ficar de pé. nas cerâmicas. Na preparação das festas os homens saem para as caçadas e pescarias. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. no mesmo sentido das casas. eles sobrevivem em espírito. colocam para secar. Os homens quando vão caçar. Convidam os Karajá de toda região para participar. uma grande casa é construída para os convidados onde deverá ter comida farta para todos. a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. as solteiras.

ancoramento de canoas. com casas alinhadas dos dois lados de uma rua central. os frutos da Terra. banho em família ou individual e lavagem de roupas. O Sol. Outros caminhos. à tardinha e à noite. em suas moradias. passando pela porta das casas da fileira próxima ao rio e pelos fundos das casas da outra fileira. Depois das boas vindas. tem os caminhos que levam à casa de Aruanã. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. as casas para os funcionários e para os três capitães da aldeia. com duas fileiras paralelas de casas ao longo do rio. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. para ter conforto. Entretanto. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). Faz mudar as vidas. pois todas as casas. o processo de formação da aldeia é repetido. são as aldeias Karajá que mantém. Em qualquer época. as casas eram alinhadas ao longo da margem. a floresta. Em Santa Isabel do Morro ainda existem os caminhos secundários. que continua a ser o principal marco de referência. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). levam aos barrancos onde se desenvolvem atividades públicas como. Uma linha reta que guia a vida. atrás delas um caminho secundário. A Aldeia Karajá Atual Nos dias atuais os Karajá não fazem os acampamentos de verão. comer ou dormir. A luta vai até o amanhecer. voltadas para o rio. Implanta-se a aldeia em barrancos planos acima do nível do rio. Santa Isabel do Morro e Fontoura. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). usado preferencialmente por rapazes solteiros. Ocorrem grupos de túmulos ortogonais ao rio. saindo da rua central. foge a esta regra. estão voltadas para esta ruaAlém de servir para a circulação. em parte. À primeira vista a aldeia se parece com os povoados habitados por sertanejos. em locais livres de vegetação arbustiva e rasteira. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. o calor. no verão. Como não é permitida a superposição de sepultamentos. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. Tradicionalmente e nos dias atuais é costume localizar o cemitério à beira do rio. quando existe uma única porta. Vida Karajá. a escola. a pouca distância das casas. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. São mantidas no entorno apenas algumas árvores de maior porte. a praia. esse tipo de distribuição das casas pode ser interpretado como a duplicação de uma aldeia Karajá tradicional. as famílias colocam suas esteiras e banquinhos de madeira para conversar. No entanto. facilitando a pesca e a coleta de ovos. que são usados preferencialmente pelos rapazes solteiros e pelas crianças. localizada no norte do estado. essa fica voltada para o rio. Essa interpretação feita pela arquiteta Cristina Sá (In: Revista Projeto/1983) é sugerida pelo fato de que. no extremo da aldeia. duas fileiras ao longo de uma rua central. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. a uma certa distância. coleta de barro para a confecção de artesanato (mulheres) ou para construção (homens). Saindo na direção oposta à rua central.Faz mudar as casas. estação seca (maio a setembro). acompanhando-o linearmente. interditada às mulheres e crianças. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. As diferenças ficam por conta das edificações com materiais industrializados realizadas pela FUNAI: o posto de saúde. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". a aldeia Xambioá. a chuva. os donos da festa precisam mantê-la em pé. a aldeia transferia-se para as praias. a fartura dos peixes. porém. deve haver espaço suficiente para os mortos. e não a cópia de um povoado não-índio. acima do nível das enchentes. acompanhando a forma irregular do curso do rio. O sereno. Observa-se na disposição dos túmulos a forma utilizada para a posição das casas: pessoas do mesmo grupo familiar são sepultadas uma ao lado das outras. na Ilha do Bananal. da mesma forma que os vivos devem contar com espaço bastante. situada atrás da fileira de casas. a rua central é também utilizada pelas mulheres como local de trabalho. na fileira de casas que fica entre a rua central e o rio. De acordo com os mais velhos. das brincadeiras de meninos e meninas e de descanso onde. 38 / 49 . a implantação tradicional.

Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio.18). Como a maioria das tribos indígenas. 18). os rios e o homem. p. sobe e desce.. foram habitar a terra em forma de homens. Para os Krahò o canto é sagrado e tudo começa e termina com os cânticos ensinados por Deus. Estes índios além de agrupados a diferentes etnias deveriam desempenhar trabalhos para toda comunidade local. a floresta. Pedro Penõ fala de suas lembranças sobre as lutas contra os outros povos e como essas lutas influenciaram suas migrações: "deslocou para Pedro Afonso. entre os rios Farinha e Manuel Alves. Vida Karajá. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. Pokrok História Contam os Krahó em sua história mitológica que Put. interditada às mulheres e crianças. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades.. usado preferencialmente por rapazes solteiros. os Krahò habitavam a região do Rio Balsas no Estado do Maranhão quando tiveram registrados seus primeiros contatos pela "frente de colonização". em locais limitados onde havia uma constante vigilância dos missionários destinados ao trabalho de catequese. A política de aldeamento significava.Ijesu são as lutas Karajá. (. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. Pud (Deus) cantou e deu origem a todas as coisas do mundo. as casas eram alinhadas ao longo da margem. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. voltadas para o rio. no verão. 39 / 49 . Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). como a "luta de onça" que envolve pés e braços. porque o Mehin (como os Krahò se autodenominam) brigava com o Gavião. Os Krahò viveram na aldeia de Boa Vista do Tocantins. O Sol. Dez anos mais tarde. Recuaram para a margem direita do rio Tocantins. a aldeia transferia-se para as praias. a lua. O sereno.) Ai depois o Xerente começou também a brigar com os Krahò e eles desceram o rio". a praia. Faz mudar as vidas. Faz mudar as casas. a chuva. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Em qualquer época. Ganha quem ficar de pé. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. facilitando a pesca e a coleta de ovos. No final do século XVIII. a fartura dos peixes. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). situada atrás da fileira de casas. a uma certa distância. os frutos da Terra. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. acima do nível das enchentes. o calor. na região onde hoje é a cidade de Carolina / Maranhão. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. No ritmo das chuvas. Lutam dois de cada vez. havia nessa aldeia 2822 Apinayé e Krahò (Carneiro da Cunha pag. deportação e concentração de grupos indígenas. segundo a conveniência dos brancos. o sol e Pud roré. Fomentar a guerra entre as diversas etnias foi uma estratégia bastante utilizada pela frente colonizadora para apoderar-se das riquezas encontradas nas terras de outro grupo (Carneiro da Cunha. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). os Krahò sofreram grandes perdas na sua população. atrás delas um caminho secundário. em vários estilos. Da cabaça criaram a mulher e ensinaram a construir aldeia e fazer roça e voltaram para o céu". porém. Uma linha reta que guia a vida. fundada pelo frei Francisco do Monte São Vítor em 1841 no município do mesmo nome. Falta um pedaço Krahò Origem mítica do povo Krahò "Sol disse para a lua: cumpadre vamos descer e decidiram: criaram as matas. Como outros grupos os Krahò combateram outras etnias. estação seca (maio a setembro).

o cultivo dos alimentos e principalmente a formação circular das aldeias mantendo o equilíbrio cultural de seu povo. mistura com a casca de cipó. em reses. em certos favores ou mesmo em troca de permissão de caçarem fora do território tribal" (Darcy Ribeiro. Quando já tá maduro. mediante pagamento em dinheiro. uma relação "ordenada" com o mundo dos não índios. No início do século XIX eram quatro mil pessoas e em menos de um século. p. em produtos vegetais. puderam manter sua identidade étnica. depois da colheita outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local. Frei Rafael. que tinha se transformado num vilarejo de sertanejos afastados" (Mellati.. Frei Rafael de Taggia ainda era seu missionário." Pedro Penõ Anos depois apenas mil Krahò viviam em Pedro Afonso. "Em 1886 restavam apenas duzentos Krahò na aldeia." Pedro Penõ 40 / 49 . assim. continuam vivas na memória de seus habitantes mais velhos. "Então mandaram pedir um padre.Uma parte da tribo Krahò foi levada à aldeia de Pedro Afonso. voltando à sua região de origem às margens do rio Manuel Alves Pequeno. no Suapara desce até no Manoel Alves Grande. eles pegam tudinho ai eles tiram. Pedro Afonso era um importante entreposto comercial da época e servia de rota fluvial. sem essas estratégias de defesa. Viveram nessa aldeia perto dos rios Sono e Tocantins. adquirida do contato permanente de aproximadamente duzentos anos com a sociedade envolvente. 24). As invasões persistiram por décadas e. essa área que tem para o Krahò. descascam tudinho. Eu já comi o beju de carne de casca de piaçava eu já comi também. Pedro Penõ Após várias invasões. Ele chegou naquelas canoa grande. Levaram pelo rio até Pedro Afonso. Pedro Penõ Vida Cotidiana Dia-a-dia na aldeia Pedra Branca Para os Krahò a terra pertence a todos os membros da tribo. Índios do Brasil. "A divisa é Sono Grande que despeja no Tocantins. hoje é considerada a maior área de cerrados inteiramente preservada no Brasil. entre Porto Imperial e Carolina. agricultura e pastoreio . as terras dos índios Krahò foram demarcadas. mas em caso de separação a mulher fica com a produção. a população reduziu para pouco mais de quinhentos habitantes. Alimentação Pedro Penõ descreve. também tira a casca dura e cozinha no muquem conforme ai umas quatro horas. talvez não conseguissem sobreviver aos tempos. bacaba. De outra forma. mas os ataques e as doenças reduziram a população. chegou verão. Em 1940.levavam gado para o Maranhão. coco piaçava. aí sobe até rio Perdido até rio negro que digo. De primeiramente o índio planta aquele cipó e deu no fim. quero lugar tudo desocupado". Mas os Krahò foram removidos. p. quando caiu folha ele tira tudinho e faz uma tora e bota no fogo e assa. Massa de macauba.408). como os cantos. Delimitada em 1976. É uma área de aproximadamente 302. 133). tiram casca e botam no sol. aos oitenta anos. Os casais preparam a roça para sua família. ai quando tá seco bate tudinho e tira carne de casca. utilizando recursos que possam promover sua sobrevivência na relação interétnica. pisa no pirão e faz beju ou faz paparuto. "Os Krahò permitem que os regionais plantem em suas terras. fundada em 1849 pelo missionário frei Rafael de Taggia. Mas os Krahò resistiram e preservaram elementos fundamentais da sua cultura. pág. trabalhavam na pesca. pois criavam empecilhos ao comércio fluvial através do rio Tocantins (Carneiro da Cunha. macauba. buriti. e assim seria até morrer. quando assar eles tiram tudinho e põe no sol. A pressão colonizadora os obrigava a migrar aparentemente em direção ao nordeste. Essa que é a divisa dos Krahò".533 hectares próxima as cidades de Itacajá e Goiatins. os índios Krahò sofreram um violento massacre desfechado por criadores de gado. Com a posse da terra ganharam uma "certa independência". aos seus parentes os produtos dos seus roçados. Demarcação das Terras "Eu pedi mesmo. corte de cabelo. e também. Nome mudado do Rio Vermelho. até Chácara da Serra. faz muquem grande e assa. até rio Mateiro despeja no Suapara. os hábitos alimentares dos Krahò: "Comíamos toda fruta. pelo rio Tocantins. criem gado. Ficaram morando lá até fazer a demarcação. Os Krahò negociam com os brancos. O marido e a mulher podem doar.

Também procuram interpretar os sonhos que. possuem alma. batata. abanos e cestas. uma machadinha de pedra que o povo Krahò tem como elemento importante para continuar a tradição e a vida. (. não pode brigar. Celebrações e Rituais Os Krahò cultivam seus rituais e celebrações com a mesma força que acreditam no equilíbrio das metades que rege suas aldeias. pilões. amendoim. assim 41 / 49 . estão presentes em tudo. O material empregado na confecção dos artesanatos é retirado da natureza são: sementes.. O símbolo sagrado que mantêm essa harmonia e o respeito dentro da comunidade é o Khoyré. a fome. 48). segundo eles. Estão construídas em disposição circular. segundo à espécie de animal que desejam caçar" (Melatti. os sentimentos e as crenças estão ligadas a natureza. suas festas. Produzem enfeites e instrumentos musicais para as festas como os colares e as flautas de cabacinhas e os maracás que são feitos pelos homens. "aquele que possuir a machadinha não deve fumar. p. Os homens seguem essas tradições por acreditarem que o filho tem ligação direta com o pai. Quando se desrespeita o equilíbrio que rege as duas metades. O Karõ pode afastar-se do corpo. Bolsas para viagens ou para colocar roupas e pequenos objetos. (. A área dos roçados fica distante da aldeia. Tudo que se relaciona ao povo. "Para os índios Krahò tanto o marido como a mulher tem participação na formação do corpo de um novo ser.) Uma vez nascida a criança. onde a tribo se reúne para fazer as divisões de trabalho e tudo que seja importante para a concepção da vida cotidiana na aldeia. Karõ. a seca. respeitando o tempo das caçadas e toda as atividades dentro de uma relação com o tempo e variações sazonais. exigem a abstinência de certos alimentos. conselheiros e sábios. e depois o Karõ transforma-se em animais. conhecida como. também devem conhecer muito bem os hábitos dos animais para melhor procurálos ou esperá-los. de onde tiram a sobrevivência do corpo e da alma. As mulheres fazem a coletam. penas de pássaros e cabaças.. ou duas metades o Katam jê e Wakme jê . Wakme jê representa o verão. o calor e os animais noturnos. para serem bem sucedidos. 104).. As Caçadas Os caçadores Krahò.. são encarregados de carregar as armas e levarem a caça para as aldeias.. o frio. segundo a tradição. (José Aurélio Pokrok) Os Krahò acreditam que todos os seres: animais. fumar. caçam e pescam.) o homem Krahò evita comer carne e determinados alimentos vegetais durante os primeiros dias após o nascimento de seu filho. (. para que se respeite o ritmo da vida e mantenha o equilíbrio. para terem eficácia. Prepara-se também com certos recursos mágicos: ". beber. as matas verdes. Certas magias. o poente. observando a rotatividade da terra durante o plantio. Tem que falar pouco e escutar mais". conversar.) não pode trabalhar. e cuidam da casa. Artesanato Os Krahò confeccionam artesanatos utilitários: cofos para carregar lenhas e alimentos. os animais noturnos. abóbora e principalmente o milho. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo. vegetais ou minerais. considerado sagrado para os Krahò. além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada. As meninas maiores cuidam dos menores e os meninos. histórias. rege as chuvas. plantam.. poderão predizer o sucesso das caçadas.. vem as doenças. matar cobras" (Melatti. assim como os velhos. É importante para os Krahò que as duas metades estejam em equilíbrio. Quando morre um Krahò acontece a separação definitiva. ritos. Katam jê representa o inverno. Na roça cultiva-se mandioca. Organização social Tradicionalmente as aldeias Krahò são politicamente independentes..usam determinados vegetais para esfregar no corpo ou para fazer infusões que ingerem. com um grande pátio no centro chamado Kà. Portanto. cuias. ter relações sexuais. p. Os partidos: Os Krahò possuem dois partidos. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guerreiras. Os velhos são representantes da tradição. a sede e a morte. palha de buriti e babaçu. são essas forças que regem a natureza e o homem.Trabalho A divisão de trabalho é feita pela separação de sexo e idade. o nascente.

frutas e reúnem os partidos do verão e inverno para combinarem como será a festa. sobre os animais". A machadinha que toma conta da aldeia resolve as coisas. toda noite pro outro aprender." Os Sonhos Acreditam que os sonhos predizem a vida. o paparuto. são seguidos por toda a comunidade. O homem. Colhem milho. O cantor de maracá e uma mulher cantam lado a lado na casa de reunião dos homens. Jogam as batatas nos rapazes. Preparam um grande bolo de mandioca e carne. quando existe comida suficiente para alimentar todos que participarão dos rituais. a mulher e a menina. sabe as coisas antigas". os homens ficam passando por elas e o cantor conduz ensinando as músicas dos antepassados. As toras de buriti vão passando de ombro em ombro e ganha o grupo que chegar primeiro ao pátio onde gritam e dançam comemorando a vitória. o indivíduo passa a pertencer a certo grupo cerimonial e a certa metade dos muitos pares que existem na sociedade. Fazem os enfeites que os rapazes e as moças usarão durante as festividades.Pônhê Na festa do milho os Krahò comemoram a fartura das roças. aquele que sabe cantar pega ela um pouco e torna a guardar. O menino Krahò recebe o nome geralmente de seu tio materno. comparam o peso de cada uma e começa a corrida. A Machadinha sempre fica guardada. cedem o lugar para outro. A Festa da Batata (panti) Celebra a colheita. Se pegam continuam na brincadeira. se vão trabalhar ou vão para a caçada. cantando. que se oferecem para recebe-las. Quando chega a noite começa a cantoria. A cada novo desafio.Machadinha Sagrada" Eu falei das cerimônias e da força da nossa cultura. vão dar para o Wakme jê ou Katam jê . sai um portador para convidar outras aldeias para participar da festa. especialmente preparadas para cada tipo de festa. a brincadeira torna-se mais festiva." Dodani Krahò Festa do Milho . enquanto a menina quase sempre da tia paterna. "Fica a noite toda na festa do maracá. Khoyré . explicam as coisas. logo morrerá. No final. no centro. O que colhem armazenam em grandes palhas de bacaba. Na aldeia é o cantor que usa a machadinha. Segundo o nome que recebe.era preciso se preservar para que os filhos sobrevivessem seus primeiros dias de vida com saúde. recolhendo os alimentos nas roças do partido Wakme jê. reunidos no pátio após percorrerem a metade da aldeia. batatas. "Cortam as toras de buriti. explicam para os mais novos que vão para o mato matar algum bicho e trazer para o rumo do torí(não índio) as coisas que mataram repartem. Cacique da aldeia Cachoeira Durante a festa correm com a tora que chamam de Jàtjõpi "tora da batata" que chega a pesar 120 quilos. mostram o que vai acontecer. Corrida de toras Homens e mulheres participam da corrida com toras. em frente a casa de reuniões de um dos partidos. Participam os dois partidos: o do sol nascente e do sol poente. A cerimônia começa quando todos vão para o círculo maior. As mulheres cantam. do seu lado da aldeia. cantam até o dia amanhecer e ajuntar o pessoal. se o bicho matar o indivíduo este. uma menina aprende os cantos. Depois o partido do verão recolhe todos os alimentos na casa dos homens do seu partido. Sempre cantam. do verão. então vão dividir carne e correr para o rumo da aldeia. você irá viver por muito tempo até ficar velho. as mães acendem fogueiras e as brincadeiras recomeçam com as cantigas de maracá. às vezes passam até dez anos para que ela seja realizada. Segundo o cacique a festa demora acontecer. Durante a festa os Krahò celebram seus casamentos e batizados. Os grupos que correm representam os dois partidos. 42 / 49 . Fazem dois grandes feixes de palha contendo os alimentos e colocam diante de suas casas. o do sol nascente e o do sol poente. limpam bem. Os velhos do partido do inverno ficam no pátio. Junto. Preparam-se para a corrida que terminará no pátio. A festa começa com o partido do inverno Katam jê. é realizada durante o verão. O velho Xavier diz que se sonhar matando o animal. se deixam cair.A história era assim: Os cantores ficam no pátio.

feitas de folhas de babaçu ou inajá. Nas casas não há janelas. definindo-se como "índios de verdade" principalmente pelo formato circular de suas aldeias. porém. A casa completa é fechada em todos os quatro lados. centro das decisões políticas e de toda a vida ritual.e não as casas . de ponta para baixo e com os folíolos em posição natural . A expansão das aldeias não é dada de forma linear. A Casa Atual 43 / 49 . as novas famílias vão construindo atrás das casas das quais haviam desmembrado. Nesta situação não a veríamos como um conjunto concêntrico de círculos de casas em torno de um pátio.parece ser esta a maneira original de fazerem as paredes. ou somente uma parte da casa forma uma espécie de quarto fechado. são ligadas pelos laços maternos. o que significa que "todos têm o mesmo peso social" (Matta op. já que as novas gerações teriam construído suas casa no círculo de trás e as da frente desapareceriam. as aldeias podem ampliar o círculo (aumentando o diâmetro das aldeias). As folhas de palmeira são aplicadas em posição horizontal. o centro da aldeia. ou seja. com diâmetro maior. Esperam até o dia amanhecer quando reúnem os dois partidos para carregar os feixes até o pátio. com casas mais distantes ou mais próximas do pátio. fecha-se a porta com uma esteira encostada ou pendurada nela. mas sim um círculo de traçado irregular. Do mesmo material são feitas as paredes. cit.Caminham até os feixes de alimentos e voltam para o pátio. mãe e filhos) e o grupo doméstico. A Casa Tradicional Krahò A forma das casas utilizadas pelos Krahò são muito parecidas com as casas dos moradores nãoíndios da região. mas são propriedade das mulheres. que tem por vezes uma cobertura de quatro águas. encontrar-se aldeias pequenas (poucas casas) com diâmetro maior que algumas aldeias grandes. ao invés de ocorrências de cisões. Algumas vezes. 1976) As aldeias Krahò são circulares e o círculo é formado porque todas as casas distam igualmente do pátio que se torna. A circunferência formada pelas casas não é proporcional ao seu número. o quer dizer que uma casa compõe-se de pelo menos duas famílias elementares. À noite e durante a ausência de todos os seus habitantes. com os folíolos pendentes para um lado só. porém. Ou então. e estes caminhos radiais são iguais para todos. Em momentos ou situações de grande acréscimo populacional e de estabilidade política. Cantam com maracá e abrem os feixes dividindo todos os alimentos. às vezes. como que anunciando aos outros membros do partido.) e que estão relacionados de um mesmo modo ao pátio. A planta é normalmente retangular. as folhas são aplicadas em sentido vertical. restando somente o novo círculo periférico com um perímetro maior. Diante das casas passa um caminho circular. São mais comuns as casas com cobertura de duas águas e porta ao lado do esteio da cumeeira e se utilizam mais das folhas de piaçava para a cobertura de suas casas. também são descendentes dos Timbira. falta a parede da frente. desta forma. A porta sempre é feita no lado maior. voltada para o pátio da aldeia. Toda a amarração é feita com cipós. (MATTA. Os homens ao se casarem. dando para o quintal. As casas são construídas pelos homens que nelas habitam. na parede dos fundos. Cada casa tem seu próprio caminho que a liga ao pátio. Com o passar do tempo as casas do antigo círculo tendem a desaparecer. faz a mesma afirmação quando se refere aos Apinayé que. Matta. devem residir na casa da mãe de sua esposa. total ou parcialmente. as famílias elementares de uma mesma casa. A Aldeia Krahò Os Krahò quando falam de sua própria sociedade. Cada casa abriga os dois únicos grupos sociais da vida cotidiana: a família elementar (pai. Esta disposição espacial das casas forma assim o círculo maior da aldeia. abrindo para trás. assim. Quando o círculo periférico da aldeia já não suporta mais a construção de novas casas. destacam a aldeia . com um dos lados maiores formando a frente da casa. A esta parte da frente corresponde outra. o kricapé (onde kri = aldeia). assim como os Krahò. Em outras épocas era comum uma aldeia com determinado número de casas e diâmetro ser construída em outro local com o mesmo número de casas. É na periferia que têm lugar as atividades domésticas ligadas à produção e as casas aparecem como unidades fisicamente definidas e demarcadas. normalmente chamado de periferia. geralmente as filhas morando atrás da casa das mães. que constituem o grupo doméstico.como unidade fundamental para as suas referências.

"indivíduo". sob a proteção de Deus. É também bastante comum que as famílias construam atrás ou ao lado da casa de taipa ou adobe uma área com cobertura de palha que serve de cozinha. vivem da agricultura tradicional da "roça de toco". começa a cozinhar no quarto e a primitiva divisão se transforma". (. Atualmente. funcionários do Programa de Compensação Ambiental Xerente . Ação realizada por técnicos indígenas e não índios. Símbolos do Estado A Bandeira CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS 1989 PREÂMBULO A Assembléia Estadual Constituinte. perto da cidade de Tocantínia. apoiados pela Funai e Naturatins .. refletindo as mudanças operadas com o advento da sua emancipação político-administrativa e fazendo-se instrumento de orientação do seu progresso. Encontra-se no interior da morada.. em pequena escala. Ritos de uma tribo Timbira.Atualmente os Krahò constroem suas casas de taipa ou mesmo de adobe ou tábuas de madeira fazendo uma divisão interna. cercadas por paredes de esteiras para as moças.) A casa indígena é geralmente sem divisões. mandioca e. As matérias-primas usadas na confecção do artesanato são a palha de babaçu.DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 44 / 49 .Procambix. J. um para cada casal e camas a um metro e meio a dois metros de altura. "gente importante". bolsas.órgão do Estado responsável pela preservação ambiental. utilizam a lavoura mecanizada. mas não há nada de comum entre a divisão interna de uma casa e as demais. sementes nativas e o capim dourado. 1975) descreve: "Ocorre algumas vezes que a casa krahò tenha paredes internas. promulga a sua primeira Constituição. plantam milho. arroz. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins. uma parcela dos índios Xerentes trabalha como professores e em cargos administrativos estaduais e federais. utilizando a casa apenas para dormir. na Reservas Indígenas Xerente e Funil Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê. Xerente Akwê. mas logo algum casal da casa se instala na cozinha. representando a Comunidade Tocantinense. esteiras e adereços que são comercializados nas cidades próximas da reserva ou enviados para outros estados. Título I . igualdade e fraternidade.C. Mellati (in: MELATTI. jiraus baixos com esteiras de buriti. algumas vezes separam um recinto destinado a ser cozinha de outro destinado a ser quarto. com liberdade. do qual fazem cestas. redes.

pois a Bandeira.. tal como o Brasão de Armas. constituída de um desenho simples e despojado de filigranas. o que determinam as regras de vexilologia. de amarelo ouro. colocado sobre uma barra branca. 3° . a reverência ao seu passado. com catetos de 13 (treze) por 9. que passam a fazer parte integrante desta Lei.3 (dois e três décimos) módulos de raio. do gótico BANDWA. 3º . Art. Art.São símbolos do Estado: a bandeira... que se hasteiam num pau. o sol. tem a seguinte definição: Pedaço de pano. elaborados por José Luiz Moura Pereira. como símbolo máximo a pairar sobre o novo Estado do Tocantins. sinal.Palmas é a Capital do Estado. A barra resultante dessa divisão. partido. com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores.A BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição geométrica: Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (catorze) de largura.1 (nove e um décimo) módulos. como consta do memorial justificativo e arte (I . com 4 (quatro) e 2.. símbolo da paz. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos.. Por seu desenho simples e despojado de filigranas. 1º . em anexo. 1°. representando todos esses valores de forma a mais harmônica possível sem ferir. III . está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro).. cores que expressam respectivamente o elemento água e o rico solo tocantinense.. 17 de novembro de 1989. Institui a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. § 1° . com uma ou mais cores. é uma das formas superiores da Heráldica. segundo o Novo Dicionário Aurélio. nas cores azul (blau) e amarelo (ouro). em branco. pois. estandarte + eira .DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. de fácil visualização e apreensão. respectivamente. 2°. revogadas as disposições em contrário.Representação Policromática.. Art. Descrição Geométrica 45 / 49 . que parece denotar um impulso humano ao concreto e a necessidade inelidível de fixar em um símbolo a unidade de suas aspirações em uma ordem coletiva qualquer. a derramar seus raios sobre o futuro do novo Estado. às vezes com legenda. e é distintivo de uma nação. as armas e o selo estadual. a confiança do seu presente e a esperança no seu futuro.. 168º da Independência. Uma definição muito pobre do verbete. sendo o que poderíamos chamar de propaganda espiritual. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 094/89. etc. de 17 de novembro de 1989. esta Bandeira será de fácil visualização e apreensão. deve ser a síntese dos sonhos e ideais mais caros de seu povo.Construção Modular). II Cores Convencionais Heráldica. não oferecendo o risco da tão indesejável contraposição. Art.Seção I . A Bandeira. SIQUEIRA CAMPOS Governador do Estado BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS Memorial Justificativo A palavra bandeira. o hino. Miracema do Tocantins. não oferecendo o risco da contraposição. 101º da República ano 1º do Estado do Tocantins. corporação.. 2º . entre os campos azul (blau) e amarelo (ouro).Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. contudo. O projeto da Bandeira aqui representado traz a mensagem de uma terra onde o sol nasce para todos. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art.Fica instituída a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS.

S. · O TOCANTINS. Cria o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. . HERÁLDICA . C. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores limitado na linha divisória. · RUNES.1972.Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (quatorze) módulos de largura.Milano. 1933. 1976. Publicações Ltda. . Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos com catetos de 13 (treze) por 9 (nove) módulos nas cores azul (blau) e amarelo (ouro) respectivamente. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. Ed. GRAMÁTICA ARÁLDICA. Gofredo.1986. D. (ver Anexo II Modular). SCHRICKEL.Barcelona.S. Sob o escudo. em branco. 1º . de 17 de novembro de 1989. H. Clóvis. Bibliografia · DI CROLLANZA. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. A. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. D. · FAYARD. Legislação Federal 1968. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. uma asna de azul (blau). A metade inferior. constituído de um escudo elíptico cortado. Brasão GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 092/89. · V. Presidência da República . Ano 4 . A barra resultante desta divisão. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. um listel de azul 46 / 49 . Ulrico Hoelpi . J. ladeada nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). LEX.Lisboa.Fica instituído o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. P. Gabinete de Heráldica Corporativa . · RIBEIRO. Olímpio . 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. F.. Paulo.3 (dois e três décimos) módulos de raio. · LANGHANS. 1951.Expressão e Cultura . na metade superior. em chefe de azul (blau). está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro) com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores com 4 (quatro) e 2.nº 11. Paulo Editora Ltda. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. de Almeida. Editorial Êxito S. Enciclopédia Britânica do Brasil. 1966. o termo ou campanha.

como uma das unidades da Federação Brasileira sob a divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" .25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio.5 (meio) módulo de altura. Em timbre. por seu caráter simbólico. encimada pela divisa em Tupi CO YVY ORE RETAMA . Os campos em amarelo (ouro) o branco. deve ser a síntese dos ideais mais caros do seu povo. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins. Sobre a estrela. uma grandeza que surge. 17 de novembro de 1989. por ser esta a que melhor se coaduna com a alegoria nele representado: o sol de amarelo (ouro) do qual se vê apenas a metade despontando no horizonte contra o azul (blau) do firmamento .ESTA TERRA É NOSSA . com bordadura de azul (blau). III Construção Modular). dentro de uma bordadura de 1. presentes na Bandeira adotada e já consagrada pelo gosto popular e lembram respectivamente a opulência do rico solo tocantinense e também a paz que à mercê de Deus. e em termo ou campanha com uma asna a 45º (quarenta e cinco graus) com largura de 1.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. revogadas as disposições em contrário. 101° da República e Ano 1° da Estado do Tocantins. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. Como suporte. com bordadura de azul (blau). uma vez que existem inúmeros precedentes tanto na Heráldica nacional quanto na universal. procuramos ressaltar esses valores de forma a mais harmônica possível dentro do que determinam as regras da Heráldica. cujo futuro se ergue promissor e fecundo. II . a contar do centro para baixo.em letras brancas sobre listel azul (blau). respectivamente. COMO CONSTA DO Memorial Justificativo e arte (I . 3º .5 ( um e meio) módulo. No projeto que ora apresentamos.Representação Policromática. mas tão somente a repetição das cores.ESTA TERRA É NOSSA . criados por José Luiz de Moura Pereira. em anexo. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. um listel com 1. A asna em azul (blau) cor falante do elemento água. Art. com a inscrição Estado do Tocantins em letras de 1 (um) módulo e a data 1º de JAN 1989 com 0.(blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data 1º de JAN 1989 em letras brancas. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa CO YVY ORE RETAMA em letras de 0. fonte perene de riquezas e de recursos hidroenergéticos.imagem idealizada ainda nos primórdios da história do novo Estado quando sua emancipação mais parecia um sonho distante e inatingível e simboliza o estado nascente. surgiu a necessidade de fixar em um símbolo a unidade das aspirações do seu povo. Sob o escudo um listel de azul (blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data de sua criação 1º de janeiro de 1989 em letras brancas. 168° da Independência.em letras brancas sobre listel de azul (blau). como uma forma superior de Heráldica. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. Art. Escolhemos a forma elíptica para o escudo.O BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição modular: Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. aí reinará. 2º . aí introduzidos em substituição aos metais e prata. Em timbre. representativa da condição do Estado do Tocantins. SIQUEIRA CAMPOS Governador Memorial Justificativo Com a divisão do Estado de Goiás e a conseqüente criação. que passam a fazer parte integrante desta Lei.5 (meio) módulo de altura. Brasão de armas 47 / 49 . em sinople (verde) como justa homenagem e reconhecimento ao valor dos tocantinenses cujo esforço e determinação transformaram aquele sonho tão longínquo na mais viva realidade. com 8 (oito) módulos de largura. Sob o escudo. Miracema do Tocantins. como expressão máxima de sua identidade entre os demais estados da Federação Brasileira. uma estrela de amarelo ouro.5 (três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.Cores Convencionais Heráldicas. não constituem nenhuma violação aos cânones da arte da armaria. uma afirmação no seu presente e uma mensagem de otimismo para as gerações do futuro. a coroa de louros que cingia a fronte dos heróis vitoriosos. O Brasão de Armas. a reverência do seu passado.

S. Paulo. Ulrico Hoelpi . Olímpio . Descrição modular Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). a contar do centro para baixo. Clóvis. Publicações Ltda. Sob o escudo. Ano 4 . A.5 (meio) módulo de altura. · RIBEIRO. . listel com 1. F. Legislação Federal 1968. de Almeida. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. Sobre a estrela.8 (um e oito décimos) de módulo de largura.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. Hino Estadual O sonho secular já se realizou Mais um astro brilha dos céus aos confins Este povo forte Do sofrido Norte Teve melhor sorte Nasce Tocantins [ESTRIBRILHO] 48 / 49 . 1933. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL.Barcelona. C.Lisboa. na metade superior. (ver memorial). Presidência da República . encimada pela divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" em letras sobre listel de azul (blau). Enciclopédia Britânica do Brasil. em chefe de azul (blau). cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. HERÁLDICA .1972. · RUNES. LEX. Gabinete de Heráldica Corporativa . Em timbre uma estrela de amarelo ouro. ladeado nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). com 8 (oito) módulos de largura. · O TOCANTINS. Ed.. termo ou campanha. . Em timbre.1986. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores.5 ( um e meio) módulo. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3.Expressão e Cultura . com bordadura de azul. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. limitado na linha divisória. Editorial Êxito S. 1951. · V.5 (meio) módulo de altura. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). SCHRICKEL. 1976.Escudo elíptico cortado. Bibliografia · DI CROLLANZA. H. 1966. uma asna de azul (blau). P. J.S.5 ( três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. e em termo ou campanha com uma asna a 45º ( quarenta e cinco graus) com largura de 1. Gofredo. D. · FAYARD.Milano. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa "CO YVY ORE RETAMA" em letras de 0. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. com a inscrição "Estado do Tocantins" em letras de 1 (um) módulo e a data "1º de janeiro de 1989" com 0. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. Paulo Editora Ltda.nº 11. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. respectivamente. GRAMÁTICA ARÁLDICA. A metade inferior. D. Sob o escudo. dentro de uma bordadura de 1. · LANGHANS.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. listel de azul (blau) com a inscrição "Estado do Tocantins" e a data "1º de janeiro de 1989" em letras brancas.

O povo queria Libertar o Norte! [ESTRIBRILHO] Teus rios. Somos brava gente. Vejo tua gente. tuas matas. persegue os teus fins Por tua beleza. se preciso! [ESTRIBRILHO] Pulsa no peito o orgulho da luta de Palma Feita com a alma que a beleza irradia. Pela tua Glória Morro. Povo consciente. mas valente. Que venceu um dia! Letra: Liberato Póvoa Música: Abiezer Alves da Rocha 49 / 49 . tua imensidão Teu belo Araguaia lembra o paraíso. Tua rica história Guardo na memória. por tuas riquezas. Teu povo valente. [ESTRIBRILHO] De Segurado a Siqueira o ideal seguiu Contra tudo e contra todos firme e forte Contra a tirania Da oligarquia. contempla o futuro Caminha seguro.Levanta altaneiro. Tua alma xerente. Sem medo e temor. Simples. És o Tocantins! Do bravo Ouvidor a saga não parou Contra a oligarquia o povo se revoltou.

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