Emancipação

O Estado do Tocantins foi criado no dia 5 de outubro de 1988, com a promulgação da oitava Constituição Brasileira. A conquista foi resultado de uma luta que começou no século XIX e culminou com um projeto de lei do então deputado federal José Wilson Siqueira Campos, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1985, após ter sido vetado em duas ocasiões pelo presidente da República, José Sarney, que considerava o plano oneroso e desprovido de interesse público. A luta pela autonomia do Estado sempre foi um desejo antigo do povo do então norte de Goiás. Já em 1821, o desembargador Joaquim Theotônio Segurado rebelara-se contra o isolamento imposto na região, proclamando o Governo Autônomo do Tocantins. Apesar da pouca duração desse governo, a iniciativa serviu para espalhar o sentimento separatista entre a população. Mais tarde, em 1920, a divisão entre o norte e o sul de Goiás foi novamente defendida por José Pires do Rio, ministro da Viação e Obras Públicas do presidente Rodrigues Alves. A idéia foi bem recebida, mas não se materializou. A luta recente pela emancipação do Tocantins foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília (DF). Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia a Região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Porto Nacional, Tocantinópolis, Natividade e outras localidades. Para dar ênfase à prioridade da emancipação, Siqueira Campos submete-se a uma greve de fome, determinado a ir às últimas conseqüências. Como resposta, ele conseguiu a aprovação quase unânime no Congresso Nacional. A Capital Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte, e a cidade escolhida foi Miracema do Tocantins. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o legislativo e o executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro Governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice, o juiz federal aposentado Darci Coelho. A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes executivo, legislativo e judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do País em busca de oportunidades. Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com uma população que ultrapassa 150 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no País.

Geografia
O Estado do Tocantins está localizado no Centro Geodésico do Brasil, e possui uma área de 278.420,7 Km2. Com uma população de 1.157.098 (IBGE 2000), o Estado faz divisa com seis Estados: Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Por estar em uma área de transição, apresenta características climáticas e físicas tanto da Amazônia Legal quanto na zona central do Brasil, com duas estações: seca e chuvosa. O clima é tropical e a vegetação predominante é o cerrado, que cobre 87,8% da área total do Estado. O restante é ocupado por florestas. O relevo tocantinense é formado por depressões na maior parte do território, planaltos a Sul e Nordeste, e planícies na região central. O ponto mais elevado é a Serra Traíras (1.340 metros). O Tocantins é dono de muitas belezas naturais, entre elas a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na região sudoeste do Estado, onde também estão o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Nacional Indígena. 1 / 49

A maior bacia hidrográfica totalmente brasileira também está localizada no Estado - a bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Manuel Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.

História
Apresentação "O que será toda essa riquíssima região no dia em que tiver transporte fácil pelo rio, ou uma boa rodovia ligando todos esses núcleos de civilização. E sonhamos... com as linhas aéreas sobrevoando o Tocantins, vindo ter a ele ou dele saindo para os diversos quadrantes. As rodovias chegando a Palma, a Porto Nacional, a Pedro Afonso, a Carolina, a Imperatriz, vindos de beira mar! O tráfego imenso que a rodovia Belém do Pará - Imperatriz - Palma teria, se aberta ! (...) E pensamos: quantas gerações passarão antes que este sonho se realize! (...) mas tudo vem a seu tempo!" (Lysias Rodrigues) Já sonhava Lysias Rodrigues na década de quarenta quando defendia a criação do território do Tocantins. E o tempo chegou ! Foi criado pela Constituição de 1988 o Estado do Tocantins. Sua capital não é a Palma de que fala Lysias mas é Palmas em homenagem a esta, a vila da Palma, antiga sede da Comarca do Norte. E as rodovias e linhas aéreas já vêm e saem do Tocantins "para diversos quadrantes". Muitas gerações compartilharam o sonho de ver o norte de Goiás independente. Esse sentimento separatista tinha justificativas históricas. Os nortistas reclamavam da situação de abandono, exploração econômica e descaso administrativo e não acreditavam no desenvolvimento da região sem o seu desligamento do sul.

O norte de Goiás
O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins. Segundo Parente (1999) esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente norte de Goiás foi denominativo atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico essa denominação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores que "em quinze anos abrem caminhos e estradas, vasculham rios e montanhas, desviam correntes, desmatam e limpam regiões inteiras, rechaçam os índios e exploram, habitam e povoam uma área imensa...." (PALACIN, 1979, p. 30). Descoberto o ouro a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concretizando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, 1999,p.96).

A economia do ouro 2 / 49

"(...) descobrimento, um período de expansão febril, caracterizado pela pressa e semi - anarquia; depois, um breve, mas brilhante, período de apogeu, e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência, prolongada, às vezes, como uma lenta agonia. Tal é o ciclo do ouro"(PALACIN).

As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação, segundo Palacin (1979), da bandeira do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva (filho do primeiro Anhanguera que esteve com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O Rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto que "segundo ordenação do reino este era uma decorrência do domínio real sobre todo o subsolo (...) o rei (...) não querendo realizar a exploração diretamente cedia a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal fundido e apurado a salvo de todos os gastos" (PALACIN, 1979, p. 46).

O controle das minas
Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi "fiscalizado e vexado". E o fisco, insaciável na arrecadação. "Só havia uma indústria livre: a mineração", concluiu Alencastre (1979, p.18), "(...) mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de registros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao quinto (...) ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de contrabando (...)". À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabava ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

A decadência da produção
A produção do ouro goiano teve nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas (17261735) o seu apogeu, foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resultando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, nesse momento, a produção começou a cair "é possível afirmar que essa queda da produtividade está mascarada pelo incremento do contrabando - principalmente nessa região que, infelizmente é impossível mensurar"(PARENTE, 1999, p.42). De 1752 a 1778 a arrecadação chegou a um nível mais alto, é o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras que compensava e excedia a redução de produtividade. As distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e os perigos dos ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante "por não arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de sua manutenção" (PARENTE, 1999, p. 51). A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e a vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi a organização de bandeiras para tentar novos descobrimentos. Segundo Póvoa (1999) tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-

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se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante. A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia, Goiás) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição, chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível "arrastando consigo os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação e do comércio externo, menos rendimentos dos impostos, diminuição da mão-de-obra por estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural" (PALACIN, 1979, p.133). Toda a capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapitalizados. Não investiu em técnicas mais sofisticadas para a exploração do ouro nem resolveu o problema da falta de escravos. A avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais o ouro ia sendo abandonado. "Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, nada nos legaram em benefícios de civilidade, a não ser o expansionismo geográfico", concluiu Silva (1997, p. 41). Cada vez se adentrava mais para o interior procurando o ouro aluvional, mas as buscas foram em vão. Foi no norte da capitania que a crise foi mais profunda. Parente (1999) aponta os fatores determinantes. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agro-pecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas e o risco freqüente de ataques indígenas dificultavam o comércio. Além destas dificuldades o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania. "Para facilitar e agilizar a cobrança desses tributos, a capitania de Goiás se dividia em duas (sul e norte), no momento de se repassarem as rendas, essa divisão não valia, o que beneficiava os arraiais mais próximos da sede do governo, localizados no sul, que faziam parte dos povoamentos nas rotas comerciais com as outras capitanias" (PARENTE, 1999, p.92). Isso explica por quê essa renda não ficava na região de origem. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital e o atrofiamento do mercado interno, findo o ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise levando, diante desse quadro, os governantes goianos voltarem "suas atenções para as atividades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara" (PARENTE, 1999, p. 93).

A Subsistência da população e a integração econômica
"Realizada a transmutação, por toda a geografia de Goiás na segunda década do século XIX, encontram-se carcaças de antigas povoações mineiras outroras cheias de vida, o capim cresce nas ruas, a maior parte das casas abandonadas por seus habitantes se desmancham e até as igrejas, a começar por suas torres, vão caindo aos pedaços (...) O norte, sobretudo, foi mais de século em recuperar-se" (PALACIN). Finda a mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros essenciais (PALACIN, 1989, p.46).

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Pedro Afonso e Araguacema (antiga Santa Maria do Araguaia). o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa. diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia. saíam por um preço três vezes menor do que os julgados do sul pagavam às importações oriundas de São Paulo. concessão de privilégios na exportação para o Pará. pela navegação fluvial dos rios Tocantins e Araguaia. O governo imperial instalou na Província presídios e colônias militares e estabeleceu aldeamentos ao longo dos rios Araguaia e do Tocantins. despovoamento. o tempo gasto nas viagens e o perigo dos ataques indígenas. Como efeito imediato o norte começou a se relacionar com o Pará. Minas Gerais e São Paulo. visto que. Diante dessa situação. Contudo. "Os aldeamentos. as lavras de ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas". através dos rios Araguaia e Tocantins (CAVALCANTE.)Agora por não haver negros. não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade. nenhum viajante.) A Capitania nada exportava. " (.cachoeiras e corredeiras . embora cercada de imensos obstáculos.as tropas de animais . da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes. O isolamento. em visível decadência . via Bahia e Pará.39)... As picadas. passando pelo povoado de Santa Rita constatou . só a partir dos anos 40 do século XIX que o poder público .tanto provincial quanto imperial investiu no sentido de explorar a navegação com fins comerciais. daí a total ruína da Capitania". nem o aldeamento dos índios. 5 / 49 .. p. Saint-Hilaire na divisa norte/sul da Capitania revelou: "À exceção de uma casinha que me pareceu abandonada. pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela região nas primeiras décadas do século XIX.devido á baixa produtividade das minas" (CAVALCANTE. ferro e manufaturas. os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos. que mais tarde tornaria ouvidor da Comarca do Norte. Além dos entraves naturais do próprio rio . 1999. Johann Emanuel Pohl. p59). não vi o menor trato de terra cultivada. a falta de suporte para as mesmas.39).55). chegavam caríssimos. através da capitania do Pará."é um lugar muito pequeno. "Voltar as atenções. Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral. p. foram liberados desde 1782. Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins.somavam-se os custos das viagens. 1999. Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará. Esses aldeamentos foram mais promissores na medida em que constituíram. da agricultura.. no norte. promoviam a fixação dos índios. aos comerciantes. Nas primeiras décadas do século XIX. o estímulo à agricultura. deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da falta de meios para contrapor esse quadro: "(. Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi Ouvidor da Comarca do norte. ainda que de forma precária e inexpressiva. Minas Gerais e Rio de Janeiro" (CAVALCANTE. p. os núcleos iniciais de cidades como Tocantínia (antiga Piabanha). Mas. 1999. anos depois. O Desembargador Theotônio Segurado. nem mesmo um único boi". a Coroa portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento. daí as execuções. Na linha do rio Tocantins não obtiveram sucesso no seu intento. Também buscaram atrair a população não-índia para as terras próximas a esses rios através da isenção fiscal por dez anos aos lavradores que ali se estabelecessem. 1998. as dificuldades de administração e os ataques indígenas foram os principais empecilhos.. tornando possível utilizá-los como tripulação dos barcos que desciam rumo ao Pará" (ROCHA. prover os navegantes de víveres e garantir apoio logístico à navegação". os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia. A navegação do Tocantins prosseguiu. Os esforços governamentais se concentraram principalmente no rio Araguaia na intenção de trazer também para os julgados do sul as vantagens do comércio com o Pará.. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio. todos interditados na época da mineração para conter o contrabando. a carência de mão-de-obra para a navegação das embarcações.Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica.. sob a direção de padres capuchinos. o Desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania. vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas. "Os presídios incumbiam-se de afastar os índios hostis. por falta de braços. naquele momento para essas vias de comunicação constituía-se numa necessidade premente da Capitania por não ser mais possível manter gastos com o único meio de transporte utilizado até então . a formação de sociedades mercantis e a instalação da navegação a vapor no Araguaia não foram suficientes para viabilizar a comunicação dos julgados do sul com o Pará.(.. No norte o quadro de abandono.) as importações de sal. o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem. em relatório de 1806. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins. e.

A pecuária. rumo a praça de Belém. Sesmarias eram lotes de terra cedidos pela Coroa portuguesa. predominou. peles silvestres e carne seca. A agricultura não alcançou um nível de produção comercial por fatores ponderáveis como o isolamento geográfico em relação aos grandes centros produtores.. Alguns fazendeiros dividiam seu trabalho entre o campo e a cidade. então.. mais tarde. em razão do declínio da exploração aurífera ter sido mais rápido na região e. São Pedro de Alcântara (Carolina-Ma) e Boa Vista (Tocantinópolis). A caça e a pesca também eram atividades subsidiárias. sal. ferro e produtos do reino. ao longo do século XIX.Obstáculos que o poder público não conseguiu transpor como também não conseguiu suprir a ausência de um produto exportável que mantivesse a região vinculada à metrópole ou mesmo às outras Províncias mais desenvolvidas economicamente. Paralelamente. "As pastagens naturais. criadores e tropeiros. Duas foram as razões: `(. fumo em rolo. transformaram-se em prósperas vilas como Porto Imperial (atual Porto Nacional). etc. ou permaneciam na tradição familiar com a criação de gado. No final do século XIX. etc. Da conjugação das várias fazendas. ainda. Taguatinga. saíam botes. p. couro de boi. pimenta-do-reino. constituídos de vaqueiros. Além de gado. Salvador. não foi exclusiva. Já no final do século XVIII e por todo o século XIX multiplicaramse as fazendas de gado no norte. intercalavam seu trabalho no campo com a atividade de barqueiro no rio Tocantins. Porto Nacional. Lizarda. desenvolveu-se a pequena lavoura para complemento alimentar. batelões e. Eram vaqueiros e remeiros. 1999. a inexistência de mercados consumidores e as constantes ameaças de ataques da população indígena. Plantava-se. proporcionando um surto de desenvolvimento em vilas e povoados. Os vaqueiros. medicamentos diversos. criavam porcos. tornaram-se forte atrativo aos criadores de gado do Maranhão e Piauí que. Entrepostos comerciais. de onde eram redistribuídas as mercadorias importadas de Belém e repassados os produtos sertanejos. constantemente. De lá. ao norte.. botões. açúcar grosso.) ´"(CAVALCANTE. 6 / 49 . praticada de forma extensiva. Rio de Janeiro. Se não atendeu aos propósitos de soerguer economicamente toda a região. cabras e ovelhas.. barcos motorizados carregados de mercadorias como fumo. a segunda. cravo-da-índia. cachaça. rapadura. se desenvolveram e alcançaram autonomia e maior expressão na região. algodão. onde residiam e estabeleciam comércio onde vendiam querosene. ervas. cana-de-açúcar. o gado também abriu caminhos para o interior do sertão. Nas próprias fazendas. sustentada pela perseverança dos comerciantes do norte. o indispensável para o consumo e para a aquisição de alguns produtos básicos de importação como sal. canoas. Sob o estímulo da pecuária surgiram agrupamentos humanos ruralizados. A navegação prosseguiu. vinham as manufaturas. portanto. Os filhos dos fazendeiros ricos ou iam estudar em Carolina. Tocantinópolis e Nazaré são exemplos de cidades do estado do Tocantins que nasceram de currais de gado. o incentivo geral da Coroa na concessão de sesmarias mais extensas aos interessados na atividade pecuária (. novelo de linha.) a proximidade do norte e nordeste de Goiás ao litoral norte e nordeste e.19). apesar de dominante. pólvora. Ponte Alta do Bom Jesus. Silvanópolis. A pecuária praticamente determinou o processo de ocupação econômica da região nos séculos XIX e XX. Araguatins. originaram-se os núcleos urbanos. as dificuldades dos meios de transportes e de comunicação. No século XX. Pedro Afonso. as fazendas de gado já estavam consolidadas e revelaram um novo tipo de sociedade onde a criação de gado. ela foi de vital importância para a economia do norte na medida em que integrou o sertão ao mercado de Belém..

não foi suficiente para superar a debilidade dessa relação inter-regional devido ao desequilíbrio existente na estrutura viária do estado. Eram vendidos couros de boi e peles silvestres (Pará e Maranhão). visto que. No século XX. na Bahia (SILVA. Na década de 1960. Ainda se 7 / 49 . Carolina-TocantinópolisBelém foram desativadas. Miranorte. "Há informação de que até 1983 alguns municípios do norte de Goiás. com a construção da Br-153. 1999. possuía a maior frota de barcos e era o maior centro urbano de todo o norte goiano na metade do século XIX. O extrativismo.era vendido para a praça de Belém. Em Araguatins. A construção da estrada-de-ferro integrou economicamente o centro-sul de Goiás ao centro-sul do país.43). p. Cristalândia. As linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado. provocando um redirecionamento do comércio. com a construção da rodovia Br-153 ou Belém-Brasília ligando o Planalto Central à Belém do Pará. essa atividade continuou movimentando a economia regional e trouxe surto de prosperidade para algumas povoações. p. as povoações situadas à margem direita do rio ficaram isoladas da nova rota de desenvolvimento. Os investimentos federais ou estaduais .carne das partes dianteiras do boi. a ocupação econômica do extremo norte e do Médio Tocantins foi sustentada pelo extrativismo mineral e vegetal: o babaçu. Tocantínia-Pedro Afonso-Carolina. Paraíso. Itacajá e outros. Com a BR-153 essa situação foi amenizada. Nas décadas de 1940 e 1950.75). 89). Nos anos 20. fez parte de uma época áurea na história desses municípios. Pium. até o final da década de 1950. de Corumbá de Goiás. centralizando os negócios do Médio Araguaia e Tocantins com a praça de Salvador. 1997. declina a navegação mercantil. atual Tocantinópolis. As transações eram feitas a dinheiro ou à base de permuta (SILVA. 1997. como Goiatins. O sal vinha de Mossoró (RN) via Barreiras e o café. a Belém-Brasília provocou muitas alterações na economia local. látex de mangabeira (Belém e Bahia) e gado em pé (Bahia e Piauí). ficaram praticamente ilhados. O charque . a instalação de charqueadas incrementou o comércio de Pedro Afonso e Araguacema com o Pará. perde para a pacata vila de Pedro Afonso que com o látex da mangabeira (caucho) assume a liderança de empório do sertão. Anapólis.O intercâmbio comercial dessa região era maior com as praças de Belém. Só a rodovia. porém. 30 e 40 do século XX. Arapoema e Xambioá foram favorecidas com a exploração do quartzo (cristal de rocha) que ganhou mercado com a Segunda Guerra Mundial. A rodovia promoveu uma nova rearticulação do comércio inter-regional que. pólo industrial do Estado de Goiás. Pará e Bahia. Colinas e Araguaína. no início do século XX. o caucho e o cristal. salgada e dobrada em forma de manta . Piauí e Bahia. tinha ficado ainda mais debilitado depois da construção da ferrovia no sudeste goiano. No norte goiano. Essa situação obrigou o Banco do Brasil a recusar. como fonte de renda. naquele momento. Boa Vista. p. pedidos de financiamento agrícola sob a alegação de que as safras não seriam escoadas" (CAVALCANTE. Por outro lado. alargando a distância das relações entre o norte e o sul de Goiás. Guaraí.nessa área eram destinados principalmente a promover a integração do centro sul de Goiás com o centro sul do país. Maranhão. Nesse mesmo período. o babaçu e o mogno aqueceram o comércio da região. se tornou o novo centro abastecedor do norte goiano. Cidades como Gurupi. tiveram sua origem ou se desenvolveram. esta região se relacionava basicamente com o Maranhão. se praticamente inexistia. Esse comércio foi feito inicialmente por via fluvial e continuou por via aérea. todas localizadas à margem esquerda do rio Tocantins.

" (SILVA. por exemplo. através do rio Araguaia e Itaguatins. Mas as estradas de rodagem já se expandiam oferecendo uma opção de tráfego mais fácil e viável. Já a persistência de métodos tradicionais na produção e nas relações de trabalho diante do novo demonstrava a heterogeneidade dessa expansão.tentou reativar a navegação dos rios Araguaia e Tocantins com a criação da Companhia Interestadual dos Vales Araguaia e Tocantins . As pastagens naturais e a vegetação nativa cederam espaço para o plantio de novos pastos. carvão ativado. em proporção muito menor. vai dando espaço ao desenvolvimento da SUDAM. Com o fim da política de investimentos e de crédito do governo federal. p.foi substituída pela capitação que passou a cobrar uma taxa de imposto sobre cada escravo utilizado. passou a predominar as raças gir e nelore. Isso ocorreu principalmente no espaço que compreende o rio Araguaia e a Belém .Brasília onde "a pata de boi invade os babaçuais que passam a ser vítimas das queimadas.CIVAT.93). com a expansão da modernização e a incorporação de novas áreas. continua a fazer parte do cotidiano de algumas cidades.CEORTA e. mais tarde. a cobrança do quinto . a navegação fluvial como meio de subsistência. as minas localizadas ao norte da capitania de Goiás eram consideradas mais ricas do que as do centro-sul. E o babaçu .com seus 80 subprodutos. torta para ração animal etc. o novo modelo de desenvolvimento possibilitou a concentração de terras com a formação de latifúndios voltados para a pecuária. acrescido de uma 8 / 49 . 1997.pagamento em ouro em pó sobre a produção . iniciando uma nova fase de modernização no processo de ocupação e causando impactos na organização da produção e na estrutura fundiária da região. em detrimento dos tradicionais milho e feijão.o boi vegetal . o que permitiu que a partir da década de 1970.1736 Na época da mineração. constituía-se num desafio para o futuro Estado do Tocantins.Tocantins (PRODIAT). mas também difundidos em 60 municípios do norte goiano.. álcool. borra. A Primeira Cisão . Ainda assim. Quanto à produção.. Como conseqüência desse processo houve a desapropriação dos antigos moradores locais pelos grandes proprietários desencadeando graves conflitos sociais. ainda preservam um intercâmbio comercial e cultural com o Pará e Maranhão. O governo federal criou programas dirigidos principalmente à Amazônia. p. a pecuária foi consolidada como atividade econômica básica e. 1997. a arrecadação de impostos era inferior. no lugar do gado vacum pé duro. a consolidação da integração econômica. como óleo comestível ou industrial. o norte de Goiás se tornasse alvo para investimentos governamentais com o objetivo de incorporar a região ao mercado nacional como produtora de bens exportáveis. A polarização de recursos em pontos diferenciados acentuou o desequilíbrio regional. todavia. com o Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia Araguaia . a agricultura foi reorientada. A Belém-Brasília "ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira de desenvolvimento" (SILVA. Por isso. objetivando a exportação de arroz e soja. Um exemplo concreto desse fenômeno foi a posição privilegiada que o município de Araguaína conseguiu em relação aos demais com o recebimento de mais recursos. Nas décadas de 1970 e 1980 na região norte de Goiás configurou-se uma nova paisagem marcada pela descontinuidade e heterogeneidade da expansão modernizadora. Em relação a estrutura fundiária.94). do rio Tocantins. Araguatins. da Comissão de Estudos e Obras dos Rios Tocantins e Araguaia .

52). na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. geográfico e histórico" (CAVALCANTE. Contudo. Para nela servir foi nomeado o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado como o seu Ouvidor. A Comarca do Norte recebeu a denominação de Comarca de São João das Duas Barras. Arraias. Conceição. não hesitou em reivindicar legalmente autonomia político administrativa dessa região" (CAVALCANTE. Em Goiás. O Movimento Separatista do Norte de Goiás . Natividade teria a sede da ouvidoria. foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes. Este episódio deixava evidente o caráter esporádico das relações entre o norte e o sul que só existia "em função de atos administrativos isolados com finalidades meramente fiscais ou jurídicas" (CAVALCANTE. A atitude dos mineiros. O Pe. ponto que começava a prosperar com a navegação do Tocantins. considerado o Dia da Autonomia pela Lei nº 960 de 17 de março de 1998. o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a comarca do sul e a comarca do norte. Tal situação alimentou o sentimento de desligamento regional que mais tarde iria se evidenciar como "algo natural. A idéia da nomeação de um governo provisório. o Alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã. 1999. conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. 1999. Traíras e Flores. Alguns vieram para o norte.1821 a 1824 A Revolução do Porto no ano de 1820. Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821. A Criação da Comarca do Norte . especificamente no litoral. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras. O arraial do Carmo que já tinha sido cabeça de julgado perde essa condição que foi transferida para Porto Real. incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia. depois de fracassada na capital. Mais uma vez Sampaio impôs sua autoridade e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. principalmente. Ficaram dois anos sem pagar e só voltaram em igualdade de condições com as outras regiões. Natividade. muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará. essas idéias liberais refletiram na tentativa de derrubar "aquele que era a própria personificação da dominação portuguesa": o capitão-general Manoel Sampaio. sob a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do Pe.50). O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a 9 / 49 . São Félix. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. a vila de Palma. Cavalcante. na consciência de unidade do território de Goiás" (PALACIN. caso o governo insistisse na cobrança de um imposto que consideravam injustas. O Pe. p. assim como chamaria a vila que. estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado. "tão logo se mostrou oportuno. segundo Palacin. como o capitão Cardoso. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo. aqui na colônia. em seguida. A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila comarca. Luiz Bartolomeu Marques. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. houve uma denúncia sobre o golpe e. No lugar escolhido por Segurado. por ser a data da criação da Comarca do Norte. causou "a primeira cisão. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. a elite intelectualizada em prol da emancipação do país.50). foi aclamada no norte onde já havia anseios separatistas.54). mas nunca chegou a ser construída. O ouvidor Theotônio Segurado. enviado para a aldeia de Formiga e Duro. nunca de toda reparada. p. p. Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados. o Ouvidor e o povo do norte solicitaram a D. Marques recebeu ordens para se manter afastado da capital. 1979. exigindo a recolonização do Brasil mobilizou. Essa diferenciação fiscal teve como justificativa o alto índice de contrabando na região em função do seu isolamento.1809 Para facilitar a administração à aplicação da justiça e. Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. e o Pe. hoje a cidade de Paranã. O 18 de março foi. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos interesses regionais e. administrador da comarca do norte. oficialmente. p. A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real. Contra essa discriminação se levantaram os mineiros do norte ameaçando desligarem-se da Superintendência do centro-sul e ligar-se ao Maranhão. José Cardoso de Mendonça.sobretaxa para as minas do norte. 1999. em Portugal. que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias.

ou por ser rebatido por força superior. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. papel selado. onde reside interinamente o governo provisório. instalou-se o governo independencista do norte. Saídas de gados. "No dia seguinte. 1979. e nela residirá o governo. e tenhamos segurança pessoal. Domingos. . todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo.) mas este. O Ouvidor da Comarca do Norte. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. Esses deputados devem ser eleitos. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. não tendo bastante prestígio e influência. com capital provisória em Cavalcante. p. 1979.Proclamação. Theotônio Segurado. se decidirá qual deve ser a capital. eis os empenhos para os cargos públicos. 1979. ou por ser 10 / 49 .Proclamação. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. os arraiais de São José. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. . entrada de sal. ferro. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. de natureza econômica. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. Depois de reunidos todos os deputados. décima.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. para Segurado. mas deu vivas a D. ou por sermos os únicos que os pagamos. mas deu vivas a D. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero... João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. política. com capital provisória em Cavalcante. Theotônio Segurado.358). Eles continuam na escravidão. p. administrativa e geográfica. E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca..Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. O Ouvidor da Comarca do Norte. Francisco Joaquim Coelho de Matos "(. para Segurado. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. "No dia seguinte. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. . As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. aço e ferramentas ficam abolidas.. administrativa e geográfica. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. p. a virtude e a ciência. ou por mal delineado. banco. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. S. . No dia 14 de setembro. Para este fim contavam com o vigário de Cavalcante.358). de natureza econômica. instalou-se o governo independencista do norte. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. ou por mal delineado.358). No dia 14 de setembro. cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Teotônio Segurado (.independência do Brasil. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero.)" (ALENCASTRE. Palmenses! Sejamos livres. política.

instalado em Cavalcante. viva a constituição que se fizer nas cortes reunidas em Lisboa. ânimo e união! O governo cuidará da vossa felicidade. mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul . e na cavalaria seis e meia.não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa. com a instalação do governo provisório no sul. viva o príncipe regente e toda a casa de Bragança. quando Luís Gonzaga. José Zeferino de Azevedo. contribuíram 11 / 49 . Os soldados que quizerem sentar praça de infantaria vencerão cinco oitavas por mês. José Vitor de Faria Pereira. Assim. banco. entrada de sal. papel selado. partidário da luta pela independência nacional. Saídas de gados. D. onde reside interinamente o governo provisório. com o Brasil já independente. foi quem assumiu a chefia do movimento e organizou o novo governo. Presidente Joaquim Theotônio Segurado. 1999. e nela residirá o governo. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. Camargo Fleury com a missão de restabelecer a unidade política da Província. décima. Eles continuam na escravidão. 15 de setembro de 1821. A instalação de um governo independente .358-359). Na ausência de Segurado. João VI. Francisco Xavier de Matos. Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional" (CAVALCANTE. e tenhamos segurança pessoal. nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da maioria dos arraiais conseguiu se firmar.na condição de Comandante das Armas e a serviço da Junta de Governo da Província de Goiás . 1979. as dificuldades de natureza econômica e financeira. O sucessor de Segurado foi o tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira que transferiu a capital para Natividade. o pulso forte de Luís Camargo Fleury e o não reconhecimento por parte de D. apesar de não participar diretamente dele. ou por sermos os únicos que os pagamos.foi enviado para Cavalcante a fim de garantir a consolidação da recém conquistada unidade política. Viva a nossa santa religião.. transfere a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. Em abril de 1822. Com o seu afastamento em janeiro de 1822. Pedro I do governo instalado no norte.). Palmense. p. Fleury também conseguiu a dissolução do maior foco de oposição contra a unidade política . Esses deputados devem ser eleitos.parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado. Francisco Joaquim Coelho de Matos. assume o poder naquela comarca o Pe.64). "o pacificador do norte".. antes ocupada por Segurado. Palmas. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. os interesses particulares dos líderes de Cavalcante. se decidirá qual deve ser a capital. Manoel Antônio de Moura Teles.o Clube de Natividade . Palmenses! Sejamos livres. A prisão do Capitão Felipe Antônio Cardoso. foi sua primeira demonstração de força. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. 1999. aço e ferramentas ficam abolidas. em conjunto. Foi mandado à Corte um deputado para comunicar o governo central da decisão tomada. Em outubro de 1821. Pelo contrário.que já estava enfraquecido por divergências internas. seria inevitável a cisão entre as lideranças regionais" (CAVALCANTE. a Comarca da Palma foi desmembrada de Goiás e constituiu em sua jurisdição uma província independente. p. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista.rebatido por força superior. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. destituiu o Ouvidor Febrônio José Vieira Sodré de suas funções e passou a acumular o cargo de Ouvidor. Finalmente em 1823. com a ausência de um líder em condições de assumir tal posição. As divergências internas em relação à hegemonia política da região. quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte agravou a crise interna. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. foram todos fatores que. a virtude e a ciência. Depois de reunidos todos os deputados.Em decorrência disso. Um novo governo provisório foi organizado. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. Para entender a impossibilidade de sustentar o governo provisório do norte"é relevante não a posição antiindependencista de Theotônio Segurado mas sim. viva o Sr. S. os arraiais de São José. O Capitão Felipe Antônio Cardoso. Domingos. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. 67). ferro. Através de um decreto. "A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a Junta havia ficado acéfala. o Brigadeiro Cunha Matos . A crise se instalara dividindo e enfraquecendo o governo do norte. chegou à região não encontrou nenhuma resistência organizada que viesse a se tornar obstáculo à realização de seu objetivo. o seu afastamento da liderança do movimento por ter viajado a Lisboa (. eis os empenhos para os cargos públicos. Luiz Pereira de Lemos e Joaquim Rodrigues Pereira (ALENCASTRE. Cavalcante. que resistia à unificação. Tal decisão provocou reação em Cavalcante e Palma que não acataram as ordens de Cerqueira e mantiveram-se fiéis ao Ouvidor Febrônio. p.

e. a Br-153 só foi asfaltada a partir de 1965. A viabilização de projetos como a Br-153 e a construção de Brasília destacou Goiás no cenário nacional. estado ou território. A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. em 1863. no plano nacional. visto que. a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do Tocantins. A tentativa de integração do norte goiano à marcha desenvolvimentista partiu da promoção do seu discurso separatista ressaltando sempre a situação de abandono da região. com a capital em Carolina (MA) ou Pedro Afonso (GO).para o fracasso desse movimento. desligar-se do sul.atual Rondônia . com a consolidação da expansão capitalista no centro-sul. água e ar as vastidões nacionais". Foi instituída a bandeira e escolhido o Nosso Senhor do Bonfim como padroeiro do Estado. Mas. "que conhecia por terra. Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional. com o apoio dos poderes legislativo e executivo local. liderado pelo Juiz de Direito dessa Comarca. Contudo. ainda que remando contra a maré. Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá. Guaporé . a idéia de se criar o Tocantins. esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país. duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay. a Câmara Municipal aprovou resolução que integrava Porto Nacional ao estado do Tocantins e reconheceu este estado. Nos anos 50. houve a criação do Comitê de Propaganda Pró-Criação do Território do Tocantins. vigorava no país as políticas do desenvolvimentismo e da integração nacional marcadas pelo Governo Juscelino Kubistcheck. obrigatoriamente. O movimento ganhou apoio de estudantes.Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946). contribuindo para a crença de que para o norte goiano se desenvolver seria preciso. Com o objetivo de mobilizar a região em torno desse discurso foram realizados vários eventos. exploração econômica e descaso administrativo. Em 13 de maio de 1956. 12 / 49 . o Brigadeiro Lysias Rodrigues. principalmente de Porto Nacional . O território do Tocantins seria criado com a divisão territorial do norte de Goiás e sul do Maranhão. Feliciano Machado Braga. Em 1944.maior centro econômico e político da época . A imprensa regional constantemente denunciava a situação de abandono.em periódicos como "Folha do Norte" e "Norte de Goiás". na condição de deputado pela Província de Goiás. as oposições internas e promessas políticas não cumpridas provocaram desgastes e enfraqueceram a luta. foi lançado em Porto Nacional o movimento PróCriação Estado do Tocantins. Em Pedro Afonso. Rio Branco. constando a do Tocantins na região que compreendia o norte goiano. Mas. a Assembléia Legislativa não aceitou a representação da Comissão que defendia a criação do território do Tocantins. abraçou a bandeira da criação do território do Tocantins tendo o seu projeto acatado pelo presidente Getúlio Vargas e despachado para o IBGE. em 1889. O norte. o sentimento separatista continuou vivo ao longo do século XIX. Ainda no Império. o Dr. houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins. Em 1949. de modo mais concreto. adesão de outros municípios e manifestações de solidariedade de outros estados como Maranhão e Bahia. acreditando ser pertinente a sua defesa devido a abertura dada pela Constituição de 1946 que estabelecia normas para subdivisão ou incorporação de novos estados. A trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX. sendo a mesma posteriormente rejeitada e arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça da Administração Federal. com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias. não sentiu os efeitos desse surto na década de 50. com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). na prática. Em outubro.

Nesta havia um apelo para que a Revolução de 31 de março realizasse a redivisão do país.123). Mas. Contudo. fundada em Goiânia em 15 de maio de 1960. com destaque para a Casa de Estudante do Norte Goiano (CENOG). principalmente se for considerado o fato de os divisionistas sempre terem levantado a bandeira do abandono e do isolamento a que essa região estivera relegada" (CAVALCANTE. Assim. na Assembléia Constituinte. com base na ideologia da Segurança Nacional. o pronunciamento do ministro do Interior. as reivindicações políticas do norte goiano diziam respeito à sua inserção no mercado internacional.Como instrumento de luta foi lançado o jornal O Estado do Tocantins. Feliciano Braga. as mobilizações perderam as forças. direcionadas para a produção de bens de consumo duráveis e do incentivo à agricultura comercial voltada para a exportação. Neste contexto. foi rejeitado em agosto de 1957. Nos anos 60. Até a primeira metade dos anos 70. por ocasião da elaboração da Constituição de 1967. o movimento apresentou certa disposição ao desalento. 1999. qualquer manifestação de caráter autonomista poderia ser interpretada como ameaça à ordem e segurança nacional. Motivos para a criação do Tocantins continuaram sendo expressos em artigos de jornais relacionando a importância de Brasília e a criação do novo estado para a interiorização do Brasil. A conscientização destes em relação aos problemas da região permitiu que a entidade ampliasse seus objetivos e abraçasse a causa separatista. proporcionando a modernização do processo de ocupação econômica com a mecanização da lavoura e a pecuária intensiva. enfraqueceram o movimento. com o objetivo inicial de dar assistência aos estudantes que iam para aquela capital para dar prosseguimento aos seus estudos. mas dependia também da realização de um plebiscito na região e da aprovação do Congresso Nacional. através de uma carta ao presidente Castelo Branco. Para a região se enquadrar nessa política foram necessárias medidas urgentes como regularização de títulos de terras.128). Feliciano Braga. feito pelo deputado Paulo Malheiros. buscando sua integração aos progressos do centro-sul. em decorrência da ditadura militar e do fechamento político do país a partir de 1965. A aprovação da Emenda da deputada Almerinda Arantes à Constituição Estadual criando o Estado do Tocantins pelo desmembramento de Goiás a partir do paralelo 13º. Feliciano da região norte para Anápolis. com a inserção do norte de Goiás na Amazônia Legal. comícios. sob a direção de Dioclesiano Ayres da Silva e redação de Fabrício Costa Freire e Dr. manteve acesa a luta pela criação do Tocantins durante uma década. 13 / 49 . funcionou como um instrumento de denúncias e reivindicações do povo nortense. o movimento foi sustentado pela defesa isolada de alguns membros do Legislativo estadual e de lideranças estudantis do norte. pela Assembléia Legislativa Goiana. o artigo de solicitação do plebiscito. foi aberto um espaço para a abordagem da redivisão territorial. foi mais conveniente mobilizar as forças representativas da região para uma ação unificada junto ao governo do estado. distribuição de cartazes e boletins. entre eles o do Tocantins. a oposição do Legislativo goiano e a transferência do Dr. seria um passo em direção à criação do Tocantins. p. Mas. mobilizou o meio político para a criação do Tocantins. através de congressos. Quando o governo federal. p.herança da colonização com leves modificações" (CAVALCANTE. Em 1965. redigida pelo Dr. Assim. Isso provocou uma "justificada euforia". acenou para a possibilidade de formar novos territórios na Amazônia. Contudo. "Mas não com força suficiente para que a tese separatista fosse sustentada. E pedia que a futura Constituição não se omitisse na solução de "tão importante e vital problema do Brasil". abertura de créditos e financiamentos. considerando "irreais" as informações extra-oficiais que anunciavam a redivisão do país em vários territórios. 1999. general Albuquerque Lima. dentro da política econômica da época. "O magistrado considerava a disposição geográfica daquela época anacrônica e injustificável . pois. vale destacar a atuação da CENOG que. etc. conforme estabelecia a Constituição Federal. A publicação dessa carta na imprensa regional trouxe novamente à baila as manifestações pró-criação do estado do Tocantins. através do seu jornal O Paralelo 13.

Os dois vetos foram justificados com os argumentos de que a criação de mais um estado implicaria em ônus para os cofres públicos e da inviabilidade econômica do novo estado que não dispunha de recursos suficientes para sustentar-se. mais uma vez. A CONORTE apresentou à Assembléia Constituinte uma Emenda Popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do estado. Havia ainda por vir a Campanha das Diretasjá. "O povo nortense quer o Estado do Tocantins. em plena fase de abertura política. em Brasília. Sustentada por lideranças políticas e intelectuais radicadas em Goiânia e Brasília. A maioria das lideranças era contrária a essa posição. Com objetivo similar. vetado pelo presidente. com as eleições diretas para governador em 1982.O discurso separatista veio novamente à tona quando o sul do Mato Grosso. Em abril de 1982. Articularam-se. A criação do Estado do Tocantins . 14 / 49 . em 1987. organização suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de Emenda Popular. então. chamando a atenção da mídia de todo o país e sensibilizando a opinião pública em favor da criação do estado do Tocantins. A fundação da CONORTE . Neste contexto. em 1984. conferências e manifestos publicados na imprensa. para a aprovação do projeto de criação do novo estado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1987. Henrique Santilo (SILVA. foi arquivado pelo Senado Federal. apela aos nortistas para reunirem forças em prol do aumento da representatividade da região na esfera governamental. e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte.Comissão de Estudos do Norte Goiano . A CONORTE mobilizou as lideranças conclamando para uma cruzada de mobilizações populares e realizou seminários e conferências nas universidades de Goiás demonstrando a falta de fundamentação nas justificativas do veto presidencial que. Foi criada a União Tocantinense. divulga em Brasília a Carta do Tocantins. em plena fase de prosperidade econômica. Isso foi feito através de congressos. E o povo é o juiz supremo. mais uma vez. foi de fundamental importância dentro desse contexto. adiou o sonho dos tocantinenses. reconhecia o governador de Goiás na época. O mesmo deputado apresentou projeto de consulta plebiscitária para a posterior criação do Território do Tocantins. no ano seguinte. Depois. Na prática a idéia era de que. Não há como contestá-lo". aprovado pela Câmara de Deputados e que.1988 O ano foi 1987. seminários. independente de opções partidárias. se mobilizou em torno de sua autonomia até conseguir em 1977 a aprovação pelo governo federal do projeto de criação do estado do Mato Grosso do Sul. Em protesto contra o segundo veto do presidente os deputados Siqueira Campos e Totó Cavalcante iniciaram greve de fome. do descaso governamental e da necessidade de se organizar politicamente para a defesa dos interesses da região. o deputado Siqueira Campos. retomou a proposta da criação do Tocantins. representante do norte goiano. a CONORTE tinha como objetivos conscientizar a população das potencialidades econômica do norte goiano. coordenada pelo Ministério do Interior. entre eles o do Tocantins. permitiu que fosse novamente levantado o discurso em defesa dos interesses do norte goiano. Esta. aprovado na Câmara e no Senado e. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto de existência quase que secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano já batizado "Tocantins". Nos anos 80. inicialmente. se votasse em políticos comprometidos com os interesses do norte. 1997. a Comissão de Redivisão Territorial. além de fazer uma análise sócio-econômica da região. nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins que conquistou importantes adesões para a causa separatista. No ano de 1984. Presidiu a Comissão da Amazônia e apresentou trabalho sobre a redivisão territorial propondo a criação de doze territórios. o deputado Siqueira Campos apresentou um projeto de Lei Complementar para criar o Estado do Tocantins. Em maio do mesmo ano. o projeto foi reapresentado no senado pelo Senador Benedito Ferreira.em 1981. concluiu ser inviável a criação do estado do Tocantins mas acenou com a possibilidade de se instalar o Território do Tocantins. a CONORTE promoveu o 1° Congresso de Estudo dos Problemas do Norte Goiano. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional. Em junho de 1986. as expectativas em relação ao processo de democratização deflagrado. mas vetado pelo Presidente José Sarney.

024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional. dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação. através da posse de colônias e de metais preciosos. a cidade de Palmas. § 3º O Governador. Minaçu. Pará e Mato Grosso. no centro geográfico do estado. pelo desmembramento da área descrita neste artigo. a assumir os referidos débitos. a critério do Tribunal Superior Eleitoral (. § 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembléia Constituinte. § 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins. até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição. explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. os Deputados Estaduais serão eleitos. o Governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. No dia 5 de outubro de 1989. pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. e autorizada a União. o deputado Siqueira Campos. Além de desbravar. e dará posse.237). como disse um mercador italiano" (AMADO. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. 234 da Constituição. a seu critério. Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins. ao Governador e ao Vice-Governador eleitos. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição. A cidade de Miracema do Norte. feita nos moldes da Constituição Federal. Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. § 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia. as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso. nascia o Estado do Tocantins: Art. mas não antes de 15 de novembro de 1988.p. observado o disposto no art.09). Foram nomeados o primeiro Secretariado e os primeiros Desembargadores. GARCIA. Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. 1989. foi promulgada a primeira Constituição do estado. seu vice. § 4º Os mandatos do Governador. foi instalada a capital. Formoso. O desbravamento da região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital. o Vice-Governador.. por exemplo. É criado o Estado do Tocantins. sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás. os Senadores. p. principalmente. Porangatu. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. Maranhão. juntamente com oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais.. Atualmente o estado possui 139 municípios. do Vice-Governador. Ato contínuo. Em 1º de janeiro de 1990. os senadores Moisés Abrão Neto. foi escolhida como capital provisória. norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia. localizada na região central do novo estado. A preocupação em catequizar as 15 / 49 . Monte Alegre de Goiás e Campos Belos. Em junho. juntamente com o dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo estado que tinham a identificação "do Norte" e passaram para "do Tocantins". foram escolhidos os Senadores e Deputados Federais e Estaduais. Cavalcante. Foram alterados. a fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia. e o dos outros dois. § 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes. junto com as eleições dos prefeitos municipais. Piauí. o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade. Foi construída. os nomes de Miracema do Norte. no que couber.). para ser a sede do Governo estadual. § 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado. "Explorava-se em nome de Deus e do lucro. garantido. em 05 de outubro de 1988. conservando a leste. Além do Governador e seu vice. José Wilson Siqueira Campos. na mesma data. numa área de 1. Darci Martins Coelho. o deputado Ulisses Guimarães. dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º. relator da Subcomissão dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte. Foram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o Governador.13. redige e entrega ao presidente desta Assembléia. em um único turno.

1998). no sentido sul-norte. "descidas" e "bandeiras" percorreram a região. a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí. foram os desbravadores da região ainda no século XVII. Jesuítas. pp. "Naquele tempo. Procuraram tão só "descer" as tribos para suas aldeias no Pará (PALACIN. iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação. A colônia brasileira. completa Silva. Como os bandeirantes. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. 25).populações encontradas foi constante.e a dificuldade de importação. Como subproduto destas expedições os bandeirantes retornavam. Destes desbravadores. com pequenas quantidades de ouro de aluvião dos rios. p. para o seu povoamento. no século XVII ingleses. se expandiam para a região as fazendas de gado. principalmente do Araguaia. Maranhão e as ribeiras do rio São Francisco" (SILVA.06). iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. uma dessas viagens podia demorar-se dois ou três anos" (PALACIN. Só no final do século XVII e início do século XVIII que bandeirantes com objetivo de descobrir metais nobres tiveram a preocupação em fixar núcleos estáveis no interior do Brasil. De Belém partiam expedições de exploradores e jesuítas pelo rio Amazonas chegando até os rios Tocantins e Araguaia. Diversas expedições "entradas". seguindo os cursos dos rios. transformaram a sua captura num lucrativo negócio para atender a demanda de mão-de-obra na lavoura. muito para a sua posterior exploração.Pernambuco. Os currais de gado deram origem aos primeiros núcleos coloniais "quando a região é sacudida com a febre do ouro de aluvião". 1997. na época. De São Paulo saíam as bandeiras em canoas pelos rios Paranaíba-Tocantins-Araguaia até voltarem pelo Tietê a São Paulo. então. Os bandeirantes aproveitando a extinção destes nos grandes centros colonizadores da costa . 1979. depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense. algumas vezes. A criação de gado antecedeu a mineração. Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral. 1989. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta. todo o território do atual Estado do Tocantins. contribuindo para despertar lendas sobre o metal. E ainda no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro (Dianópolis) (SECOM. de negros da África. os jesuítas também iam à busca de índios. Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES. Mais tarde depois de 1630 introduziu-se o uso de mulas e as bandeiras preferiram a viagem por terra. Estas expedições eram de caráter oficial destinadas a explorar o interior e buscar riquezas minerais ou de particulares organizadas para a captura de índios. em certos períodos. criadores de gado e bandeirantes. Os franceses. 15-16). administrada política e economicamente pela metrópole. a força motivadora para a exploração da região foi predominantemente o índio. "Quando na terceira década do século XVIII acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins. Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região pela "decidida ação dos jesuítas". Dos sertões da Bahia. Pernambuco e Piauí. Bahia. tinha como função fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. Até o início do século XVIII. Como eles. Portugal. Rio de Janeiro . 2001). somente os criadores de gado vieram com a intenção de se fixar na região. Poucos contribuíram. p. tampouco se fixaram no território. franceses e holandeses conquistavam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil. Mas a ocupação econômica e o povoamento efetivo só se dariam a partir da segunda década do século XVIII com base na exploração do ouro dentro do contexto da 16 / 49 .

Esse grupo passa de porta em porta recolhendo as oferendas. de 24 de dezembro a 6 de janeiro. 1999. com seu jeito dissimulado. oriundas de todos os Estados brasileiros. No Tocantins.um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. desapropriação. Vivem atualmente no Estado do Tocantins os Xerente (Povo Akwen). Nos séculos XVII e XVIII o avanço da colonização foi marcado por três fases: "Na primeira. O grupo é composto por um mestre que comanda os foliões. p. cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis. cantando e dançando. com caráter mais religioso do que de diversão. tristeza. saem às ruas entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao menino Jesus. sanfona. violão. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e que em Portugal tinha um caráter de diversão. diferentemente do giro do Divino Espírito Santo. E este avanço impôs. aos índios um destino trágico: a fuga. enquanto aos foliões são servidos bolos. guerras.69). dia de Santos Reis. e os Karajá e Javaé na Ilha do Bananal e os Xambioá no município de mesmo nome (BARROSO. Javaé. ou seja. Os Apinajé estão localizados nos municípios de Tocantinópolis. a partir da segunda metade do século XVIII tiveram vez os aldeamentos como uma tentativa de os brancos de resolver o problema da mão-de.política mercantilista. Xambioá (Povo Iny). os Xerente próximos ao município de Tocantínia. quase sempre. os Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins. se apresentam tocando. a migração. reco-reco. A família recebe a bandeira. Manifestações culturais A Cultura do Tocantins O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças a grande miscigenação de culturas. Saiba mais sobre estes festejos nos links abaixo. Os foliões carregam a bandeira . etc. acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. guardando-a em seguida. Na segunda fase. pois era intenção do branco limpar as áreas a serem exploradas. pelos músicos e por um palhaço que. como os brancos já não dependiam dos nativos para chegarem às minas houve conflitos armados. a Folia de Reis chega no século XVIII. seus primeiros habitantes. o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida. o aldeamento. deve proteger o menino Jesus confundindo os soldados de Herodes. A Folia de Reis. grupos de instrumentistas e cantadores com viola. os Apinajé (Povo Panhi) e os Krahô (Povo Meri). No Brasil. A folia visita as famílias de amigos e parentes. os foliões de Reis têm o Alferes como responsável pela condução da bandeira. a escravidão ou o extermínio por doenças. ponto final da caminhada. 17 / 49 . Maurilândia e Cachoeirinha. O ponto alto da festa acontece quando dois grupos se encontram e juntos caminham para o presépio. biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. Fugindo da ação depredadora da colonização do litoral muitos grupos indígenas migraram para o interior do Brasil. A Folia de Reis A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o menino-Deus. realizada sempre no dia 06 de janeiro. o anfitrião percorre com ela toda a casa. na época dos bandeirantes os índios foram atraídos amistosamente e contribuíram bastante para a localização das minas. Em Portugal. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. suicídio. Posteriormente . Com a exploração e ocupação da região se deu simultaneamente a destruição dos povos indígenas. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo. triângulo e cavaquinho. Os foliões chegam à localidade. que sai pelo sertão "tirando a folia". era a comemoração do nascimento de Cristo. Poucos sobreviveram. 1999).obra e do povoamento daquelas regiões com baixa densidade populacional" (PARENTE. Ao se retirarem. os Karajá.

ou seja. Estes se lançavam de assalto às moças. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval. Apenas mulheres vestidas de homens. ao anoitecer. 18 / 49 . oi de fora Se tiver gente doente Me diga que vou embora Senhora dona de casa Com essa são duas vezes (bis) Saia na porta da rua E receba Santos Reis Senhora dona de casa Está no seu sono primeiro(bis) Sua filha mais velha Está com a mão no travesseiro Eu cheguei na vossa porta Pus a mão na fechadura (bis) Levante quem está dormindo Me perdoe as confianças. desenvolvendo uma dança erótica. encostando-se a elas. principalmente. ainda. Caretas OS MASCARADOS EM PORTUGAL Há dados históricos a respeito de uma festa. em frente ao altar ornamentado com flores. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira. Açores e Cabo Verde. o de definir as regras das manifestações. eram poupadas da investida dos caretos. farinha. é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. Cântico dedicado aos Santos Reis Oi de casa. a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos. ainda hoje realizada em Portugal. Alguns pagadores de promessa após as orações realizam um baile dançante. Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. Quando o dia amanhece. a cavalhada. chamada entrudo. A tradição é muito forte: os mais velhos acreditam serem os Santos Reis. etc. Em seguida. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. os foliões retornam às suas casas para descansar e.repetindo o gesto da entrada. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas. ou vice-versa. no sul do Estado do Tocantins. fartura e muito dinheiro. toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Seja como um ponto de partida para o início das festividades. a praga na lavoura e. percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas. No Tocantins. quando inicia os jejuns da quaresma. o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. O ENTRUDO Existem várias explicações para a origem do carnaval. Arraias. Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil. Neste momento reza-se o terço. que trazem pendurados. a festa de nossa senhora do Rosário. como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário. em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico. Nesse momento. aparecem nessas festas com o mesmo intuito. no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta. os protetores contra a peste. com a presença dos foliões e dos convidados. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos. retomam as andanças. os caretos. realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. os responsáveis pela prosperidade. Na festa do entrudo. onde só participavam homens usando máscaras. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina. tinta. como o entrudo. Quando termina o roteiro da folia. realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água.

devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. aumentando o cordão carnavalesco do entrudo. enquanto estes ficam envolvidos. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares. nos dia 12 e 13 de agosto. moradora de Lizarda. uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti. os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. as Cavalhadas tiveram início em 1937. papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros. leve e ao mesmo tempo frenético. instrumento artesanal feito de tronco de árvore. às vezes. diz que todo mundo assombra. Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas. os árabes foram denominados genericamente de mouros. Catita é um homem trajando roupas femininas. do pandeiro e do roncador. com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. grupo de mascarados representando bruxas. no sul do Estado do Tocantins. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. onde se coloca pedaços de cana de açúcar. como na festa de Nossa Senhora do Rosário. são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica. num bailado sensual. assustando-os. um semicírculo com pés de bananeira. Os cavalos. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e. Participam. usados pelos caretas. uma mulher vadia. numa verdadeira guerra dos sexos. Catira ou Sussia Os movimentos dessa dança lembram. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV. que tem a mesma marcação do surdo. as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. 19 / 49 . em Lizarda. caras de boi com chifres e outros animais. portanto. uma vez que apenas insinua o toque. A dança é a eterna busca da conquista do par. A FESTA DOS CARETAS Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro. a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador. durante a semana santa. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia. tradicionalmente. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo. Monta-se um cenário. passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. Em Taguatinga.O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina. D. a retirada de formigas que invadem os corpos dos pares. na Sexta-Feira da Paixão. Isolda. da festa que acontece. Cavalhadas Na Idade Média. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua. espécie de bolinhas feitas de cera de abelha. A égua usa a roupa de um bicho muito feio. mas se diverte. gelada. que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e. é a mulher dos caretas. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. chamado pelos caretas de quinta atrativa. Só os bons corredores escapam. Os caretas perseguem com pinholas.

Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas. Na cabeça. Os adornos na cabeça representam a coroa. com influência ibérica o Congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados. do embaixador e dos guerreiros. certa vez. vence o rei. chamadas de taieiras. são quase sempre os mesmos. os outros doze. Congo ou Congadas De origem africana. Seu filho. Henrique de Portugal. os mouros. durante o cortejo do Rei e da Rainha na festa de Nossa Senhora do Rosário. Termina com o batizado dos infiéis. Doze cavalheiros representam os cristãos e. nas ruas. Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. tornou a requebrar O calango mutingo. Na dança do congo só os homens participam. O xale sobre os ombros representa o manto real. cantando músicas que lembram fatos da história de seu país. sobre os olhos dos animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei. filho da Virgem Maria. o heróico príncipe Suena é morto durante essa investida. Os dois grupos se apresentam juntos. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas. O tatu cangerê que zoa no ar Trepe quizépes. bainhas e conguinhos Neste claro e belo dia Nasceu Jesus. calça branca com botas azuis e enfeites dourados. Ela decidiu. O vermelho representa a força divina. porém. enviar uma representação atrevida ao rei D. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. Os motivos dramáticos da dança do Congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi que governou Angola no século XVII. O Quimboto (feiticeiro) o ressuscita. bainhas e conguinhos Baias com tanto fervor Baias que já está nascendo O Nosso Grande Salvador Baias. durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. tornou a requebrar A rainha do congo que veio do Pará Trepe quizépes. calango no ar Trepe quizépes. eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. capa vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas. Cantiga do Congo Baias. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e. Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado. A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha. perdoa-se o embaixador. Em Monte do Carmo o Congo é acompanhado por mulheres. colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. tornou a requebrar 20 / 49 . A congada é composta por doze dançarinos. ao contrário dos mascarados. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. Popular no Nordeste e Norte do Brasil. um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos cavalheiros.

no entanto. as folias têm datas variadas. eu vou. lá no céu E o Santo que está na igreja. a festa do Divino deveria coincidir com o Domingo de Pentecostes no calendário católico. eu vou bebê Aruê juncongela bebê E olha o rei mais a rainha bebê Aruê juncongela bebê Mas eu vou bebê Aruê juncongela bebê São Benedito sabia sobiar Saia fora e venha ver E quem festeja neste ano É o Divino Espírito Santo Alô. levando a sua luz e a sua mensagem. Relatos de Portugal contam que a rainha Isabel e seu marido D. A rigor. alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença. ou seja. convidando todos para a festa. com destaque para Monte do Carmo e Natividade. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. chegando ao Brasil no século XVI. em jornada pelo sertão. passando a ter data fixa para a sua realização. O objetivo foi alcançado e a promessa cumprida. Natividade mantém a tradição da data móvel. conduzidos pelo alferes.Amanhã eu vou embora bebê Aruê juncongela bebê Eu vou embora. de acordo com as características de cada localidade. abençoando as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima. Em Monte do Carmo a celebração ao Divino Espírito Santo foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade. alô. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de doze ou mais homens. Nessa época Portugal e Espanha travavam uma guerra de quase cem anos. quando chegam às fazendas para o pouso. pedindo ritualmente acolhida. Oh! Que noite tão serena Oh! Que hora tão de prendá Divino Espírito Santo Visite sua fazenda Deus vos salve fazendeiro Morador desse lugar E aí vem o Divino Espírito Santo Somente pra visitar Deus nos salve felizmente Este nobre fazendeiro Divino Espírito Santo Que é o nosso pai verdadeiro Inda agorinha cheguemos Na beira do seu terreiro Queremos brincar um pouco Licença peço primeiro Ah dê licença meu Divino 21 / 49 . dia 16 de julho. Essas festas são realizadas em várias cidades. Dessa forma teve início a devoção ao Divino Espírito Santo que se difundiu em solo português. O giro da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus doze apóstolos durante 40 dias. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas. que ocorre aproximadamente 50 dias após a Páscoa. a festa da hóstia consagrada. Festa do Divino Espírito Santo A celebração do Divino Espírito Santo. pedindo acolhida para o pouso. As romarias conduzem a bandeira. Diniz teriam feito no século XIV uma promessa de alimentar os famintos e oferecer a sua coroa ao Divino Espírito Santo em troca de paz. como festa popular de cunho religioso. No Brasil. No Estado do Tocantins vão de janeiro a julho. Canto do Agasalho. Esse grupo percorre as casas dos lavradores. tem sua origem no catolicismo português. num prazo que compreenderia exatamente os 40 dias do giro da folia e o novenário.

Os foliões cantam também em agradecimento ao pouso. desde o ano 33 da era cristã. seria o local do nascimento da Virgem Maria". Como a palavra Natal. 1994. quando o Papa Sérgio I. de origem oriental. agradece) Deus vos pague a bela janta Dada de bom coração Que nos deu pra meus alferes Com todos seus foliões Deus vos pague a bela janta Deus vos pague mais outra vez Deus lhe dê vida e saúde. A documentação escrita a respeito não é muito clara. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. A igreja católica celebra o nascimento da mãe de Jesus. onde é festejada há quase três séculos.. Nove meses depois.. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. como mãe de Jesus. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. Canto Bendito da Refeição: Pela primeira palavra Que os anjos me disseram Na cabeceira da mesa Faz a vênia meus alferes Com sua bandeira na mão Bençoai o pessoal Os alferes com os foliões Me dê licença meu povo Que agora vamos rezar Contrito no coração Pra nossas almas se salvar Peço licença de novo A maior e mais pequena Quero agradecer a mesa Que nela nós já jantemos Quando for noutro mundo (. em Jerusalém..Pra seus foliões brincar Toda casa tem grande gosto E seus corações alegrar Alegrai o céu e a terra Recebei com alegria Divino Espírito Santo Filho da Virgem Maria Divino chegou do giro Com ele trouxe a folia Ele vem aí pedindo um pouso De uma noite para um dia.17). motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins. celebrada em 8 de dezembro. preservada do pecado original. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. Os devotos acreditam que Maria. à acolhida e às refeições. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e.. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. (BRAGA. erguida no século V. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração eminentemente religiosa. no dia 8 de setembro. merece ser 22 / 49 . A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. p. Festa de Nossa Senhora da Natividade As manifestações culturais no Estado do Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja católica. Natividade significa nascimento e em Portugal ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Maria.. portanto..

A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. na Igreja Matriz. ainda hoje. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. p. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. Celso Pereira de Almeida. realiza todos os anos. em função das minas de ouro e distante 89 km da Capital do Estado. Celso Pereira de Almeida. venerada. fundada em 1746. em março de 1992. Diz D. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. pelos jesuítas. em Natividade. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. em março de 1992. Padroeira principal deste Estado". De Portugal passou para o Brasil. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. solicitação ao Papa João Paulo II. Diz D. (BRAGA. depois. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. Acrescenta ainda D. Há informações de que essas manifestações. Celso na sua justificativa . expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. em embarcações pelo rio Tocantins. Celso "sendo nosso povo católico. Foi a primeira a entrar nessa região. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". temos. 1994. no mês de julho. e devoto de Nossa Senhora. 14). temos. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. Mais tarde São Luiz e. Festejos de Nossa Senhora do Rosário A cidade de Monte do Carmo. Natividade. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". para o norte da província de Goiás. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. em embarcações pelo rio Tocantins. D. Acrescenta ainda D. Essa imagem é a mesma. Padroeira principal deste Estado". Com a criação do Estado do Tocantins. Celso oficializa. o que transforma a festa em uma atração única. Celso na sua justificativa . trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. durante a Romaria do Bonfim. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. recebidos freqüentes apelos. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. venerada. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. em Natividade. através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. 14). 1994. p. e devoto de Nossa Senhora. Foi a primeira a entrar nessa região. 18). Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. durante a Romaria do Bonfim. Natividade. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. nós Bispos. ainda hoje.cultuada. chegando a Portugal. Essa imagem é a mesma. em 1735. com o passar do tempo foram se juntando e 23 / 49 . É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. solicitação ao Papa João Paulo II. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. (BRAGA. Celso "sendo nosso povo católico. p. Celso oficializa. Com a criação do Estado do Tocantins. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. na grande maioria. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. os Festejos de Nossa Senhora do Rosário. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. nós Bispos. mantida com fidelidade pela população local. para o norte da província de Goiás. em 1735. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. 1994. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. Mais tarde São Luiz e. A festividade secular mistura fé e folclore. pelos jesuítas. Mãe de Deus. ainda hoje realizadas em datas específicas. na Igreja Matriz. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. D. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. nascida arraial do Carmo. na grande maioria. Palmas. recebidos freqüentes apelos. Mãe de Deus. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. depois. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D.

cantando e dançando. De origem africana. se apresentam juntos. da caixa e da viola. se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. local onde se guardavam máscaras e instrumentos musicais indígenas e que serviam de hospedagem aos convidados de outras tribos nos intercâmbios artísticos. homens de preto e branco. celebrada em 16 de julho. onde em pleno dia. Na terceira vez. A caçada é uma tradição secular. taieiras e sússia. os negros foram buscá-la tocando tambores. CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. mas as motivações quase sempre estão ligadas à devoção religiosa unida ao lazer. Fazem suas evoluções sustentando garrafas na cabeça ou carregando o 24 / 49 . os negros que viviam no Estado criaram a sússia. Um dos pontos altos da festa é a Caçada da Rainha. Nossa Senhora do Carmo. saias brancas rodadas. o azul e o branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário e o vermelho representa a força divina. e com acompanhamento de mulheres. eleitos pelos escravos. Em algumas tribos indígenas havia a proibição das mulheres participarem das danças e de entrarem nas casas de flauta. No final do cortejo. o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. Já as taieiras usam trajes semelhantes aos das escravas que trabalhavam na corte. de tambores. reco-recos. fato que motiva a luta entre os partidários do rei e os do embaixador. o manto real. sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. durante o cortejo do rei e da rainha. em várias tonalidades. Em comum também está o desejo dos moradores das cidades mais antigas do Tocantins de manter vivas tradições como a catira.passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. colares e turbantes. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente. montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos. podendo lá vivenciar a cada ano. É o caso dos Catireiros de Natividade e do Grupo de Jiquitaia de Santa Rosa. A catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés. a congada representa a coroação do rei e da rainha. e a chegada do embaixador. Os dois grupos. que se destacam por passar seus conhecimentos aos jovens. também vestidos a caráter. Os adornos na cabeça representam a coroa e o xale sobre os ombros. Segundo pesquisadores. congos e taieiras. padroeira da cidade. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos. ou suça. como também é conhecida. No meio do povo os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. Ali. COSTUMES A influência negra também se faz presente nas congadas. quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de Reis e do Divino Espírito Santo. Nos momentos de descontração e lazer os foliões cantam seus versos e prosas. Os dançarinos apresentam com utensílios que retratam o seu cotidiano. Estes traços podem ser observados na música. num sapateado compassado. o rei e a rainha da festa. trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. Estes últimos são derrotados e batizados. sons de bandas de músicas. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”. LENDAS. No ritmo dos sertanejos Do sertão tocantinense surge a genuína cultura do povo. nas coreografias e também no fato de somente os homens participarem do ritual. chamadas taieiras. a sússia e a jiquitaia. Repentistas Os catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do padeiro. nas ruas. Popular em todo o Brasil durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. cuícas e tamborins e danças como congos. o que encerrou a série de desaparecimentos. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão de ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações. representando a vida nas senzalas. e o embaixador é perdoado. As origens podem ser diversas. a congada mais tradicional do Tocantins é realizada em Monte do Carmo. São blusas quadriculadas em azul ou floridas. A origem da catira é encontrada nas tradições indígenas. A cor da indumentária tem um significado especial: entre os congos.

um dia. A romaria do Senhor do Bonfim acontece no povoado do Bonfim. Arcanjo Francisco Almeida com uma imagem do Bonfim. após longa caminhada. O festejo inicia-se com o novenário e termina com a celebração da missa campal. num semicírculo onde estão os músicos. Hino ao Senhor do Bonfim: 25 / 49 . a família faz a festa em sua devoção. dá-lhe um nome. Alguns acreditam que ele teria se originado de um santuário criado por fiéis ou de um núcleo missionário das irmãs carmelitas ou dos jesuítas. Ele levou essa imagem consigo e após o término da Balaiada retornou à sua cidade de origem onde pediu ao padre para "batizá-la". O ponto alto das comemorações do Bonfim. vinda do estado do Maranhão. Atualmente para lá se deslocam cerca de dez mil pessoas. é o atual responsável pela manutenção do templo e pela guarda da imagem que pertence à família desde o século XIX. Seu filho. fugia dos conflitos da Balaiada ocorrido no Maranhão. mas desaparecia e reaparecia no mesmo lugar onde foi encontrada. Natalino Francisco de Almeida. Esse pequeno povoado recebe em média 60 mil fiéis. onde vivem pouco mais de 100 pessoas. Romaria do Bonfim No Tocantins. a romaria remonta ao século XVIII com a formação dos primeiros arraiais. num bailado sensual. distante 40 Km de Araguacema. vindos de várias regiões do Estado e do país. espécie de peneira grossa de palha. Natalino conta que. conhecida como jiquitaia. Supõe-se que as senzalas fossem constantemente invadidas por uma espécie de formiga. Os moradores da região afirmam que um vaqueiro teria encontrado nessa área. O padre batizou-a de Jesus do Bonfim e definiu o seu festejo para 15 de agosto. São romeiros das cidades vizinhas e do sul do Pará. leve e ao mesmo tempo frenético. em louvor ao Senhor do Bonfim. Essa imagem teria sido retirada várias vezes desse local e levada para Natividade. uma vez que apenas insinua o toque. têm início em 1932. ou seja. em Natividade. A crença nesses acontecimentos deu início à peregrinação para essa localidade. acontece no dia 15. Araguacema As homenagens ao Senhor do Bonfim. Nele estava depositada uma imagem. a imagem do Senhor do Bonfim em cima de um toco. entre os anos de 1838 e 1841. no povoado do Bonfim situado a 22 Km da sede do município. Existem diversas hipóteses a respeito da formação do povoado do Bonfim. Em Natividade. a romaria do Senhor do Bonfim é realizada de 6 a 17 de agosto. pedaço de madeira. junto com a sua família. a família do Sr. Vários pagadores de promessa atravessam a pé os 22 Km de Natividade ao Bonfim para depositar as suas oferendas aos pés da imagem do santo. essa imagem foi encontrada pelo bisavô de sua mãe quando este. Natalino. e que estas subiam pelo corpo dos escravos provocando um movimento frenético na retirada dos insetos. A dança é a eterna busca do par. Os movimentos dessa dança lembram. Jiquitaia Na sússia dança-se a jiquitaia. em local pantanoso. É ele quem conta sua história. em homenagem ao Nosso Senhor do Bonfim. a retirada de formigas que invadem os corpos dos dançarinos.quibando. Esse fato demonstra a imensa capacidade dos negros escravos em transformar a sua situação de dificuldade em danças que os desprendiam do cotidiano. O Sr. com a celebração da missa campal. Segundo o Sr. Os dançarinos se apresentam aos pares. Desde então. no município do Araguacema. no dia 15 de agosto. as romarias do Nosso Senhor do Bonfim acontecem nos municípios de Natividade e Araguacema. portanto. No dia 16 em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e no dia 17 ocorre a missa dos romeiros. quando para lá chegou. seu tataravô encontrou na mata uma vertente de água onde havia um oratório feito em pedra. Em Natividade.

que se costumavam fazer pelas ruas públicas em dia de São Gonçalo. Essa dança foi proibida. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo. elas ficassem em repouso e isentas de pecado. logo em seguida. a dança tinha um caráter erótico que com o tempo foi desaparecendo. meninos e negros. No Brasil. Eis aqui vossos peregrinos Prá pedir-vos e agradecer Por tudo que já recebemos Preparai para nos receber. a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. Em Arraias. colocado próximo ao altar. assistiu-se um festejo com uma dança dentro da Igreja. No final os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela. São Gonçalo tem para os seus devotos a tradição de santo casamenteiro. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo. vestidas de branco. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. pelo Conde de Sabugosa por associa-lá às festas. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo. a roda de São Gonçalo. É dançada por mulheres em pares. quando na Bahia. ainda. em frente ao qual se faz as evoluções da "roda". 26 / 49 . A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. Roda de São Gonçalo Conta a lenda. cuja referência mais antiga data de 1718. com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. dia do Senhor. E sempre se dança em pagamento a uma promessa. que São Gonçalo reunia em Amarante. com vivas a São Gonçalo. mulheres. Somos marcados pelo batismo Da vossa redenção A preço do seu santo sangue Esperamos a consolação. Homens brancos. no sul do Estado.Refrão: Salve Bendito Rei das Nações Glorioso Senhor do Bonfim Somos vossos Romeiros em marcha Prá contemplar o vosso jardim. permanecendo apenas o aspecto religioso. pandeiros e adufes. Acompanha. Portugal. que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa. a dança de São Gonçalo é chamada de "roda". Inicialmente. com violas. Irmanemos nossos corações Numa só profunda oração Ao Cristo presente entre nós Prometendo-nos a salvação Salve todos os Romeiros presentes Que de longe vieram trazer Os seus voluntários tributos Para a Santa Igreja crescer Contemplamos com santa humildade Este misterioso encanto Deus pai na pessoa do filho Revelando no Espírito Santo. sucedendo-se os devotos. um cruzeiro todo iluminado. Nas mãos carregam arcos de madeira. enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas.

promovido pelas instituições públicas desde o início da década de 1980. e o casarão de propriedade da Sra. Aquina que chama a atenção pela sua opulência e estado de decadência em que se encontra. Todo o trabalho foi acompanhado pela Coordenadora da Unidade Executora do Programa. principalmente os de utilização pública. A coordenadora ainda subsidiou esse trabalho com dados de pesquisa por ela realizada. Segundo depoimentos os documentos referentes ao município encontram-se na Cidade de Goiás ou foram queimados ou danificados ao longo dos anos. Monumentos Natividade é um marco representativo das cidades do ciclo do ouro. arquitetônico e paisagístico. observado na proporção dos casarios e na ausência de monumentalidade das construções de função pública. São obras preservadas que celebram o tempo em que foram criadas. na década de 1990. faz parte do Programa Monumenta/BID. Como parte do desenvolvimento das ações prevista no Programa foram definidos alguns monumentos que sofrerão intervenção e/ou restauração devido tanto à sua importância no conjunto arquitetônico. As informações coletadas nas entrevistas foram trabalhadas de acordo com o entendimento dos pesquisadores acerca das observações coletadas ao longo dos trabalhos de campo. que sofreu interferência através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Simone Camêlo Araújo. como as Praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira. Existem poucos relatos paroquiais e os que se encontram estão em péssimo estado de conservação. o que pode ser percebido através da preservação do seu acervo urbano. Natividade faz parte da segunda etapa desse programa para a qual foram selecionados vinte núcleos urbanos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. a Igreja de São Benedito. localiza-se a sudeste do Estado do Tocantins a 218 Km da capital. Infelizmente não foi possível obter documentos históricos que pudessem comprovar o período de construção desses prédios. O processo de preservação através da ingerência pública teve inicio em 1981 com a execução das obras de restauração dos prédios da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Natividade e a Capela São Benedito tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Goiás e das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. O conjunto arquitetônico da cidade possui um caráter singelo. Única cidade no Estado tombada em instância nacional. Palmas. cultural e social da área do projeto definiu alguns monumentos como prioritários para serem trabalhados nesse processo de 27 / 49 . ou destacados como referências históricas como as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. O Programa Monumenta/BID é parte da continuação do trabalho de preservação da história e da cultura de Natividade. cidade Patrimônio Histórico Nacional desde 1987. além de visitas in loco aos monumentos. os prédios públicos onde funcionou a primeira cadeia. a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade.Monumentos Históricos Natividade. bem como fotos e desenhos dos arquivos da UEP e da Associação Comunitária Cultural de Natividade . Os dados que fundamentaram esse trabalho foram obtidos através de referências bibliográficas e em pesquisa de campo em Natividade entre os dias 28 e 31 de outubro de 2003 onde foram realizados levantamentos cartorial e paroquial e entrevistas com os moradores da comunidade. Alarico. o prédio onde hoje funciona a biblioteca pública e os prédios particulares como o do Sr.ASCCUNA. que foi sede do Governo da Província do Norte. o primeiro paço municipal. conferindo harmonia ao conjunto. O Programa Monumenta e a Unidade Executora do Programa visando a revitalização do conjunto patrimonial de Natividade no sentido de fomentar a utilização econômica. que tem como fundamento a preservação do Patrimônio Histórico Urbano Brasileiro.

arquivo municipal e sede da Banda de Música municipal. o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. A madeira retirada foi reaproveitada na construção de pontes no interior do município. toda forrada de madeira: pau d arco e jatobá. Todos os monumentos inventariados. o prédio foi construído no período de 1930 a 1938. Antiga cadeia pública. que veio para a cidade por intermédio do Coronel Deocleciano Nunes. inclusive de acesso as selas. o que deixava os presos nas mais desagradáveis condições. por volta de 1920. Ainda de acordo o relato. Trinta dias após à sua morte. conta que a única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967. faleceu dona Benvinda. com 30 X 30 cm. nascido em Natividade no dia 10 de março de 1930. não se alimentando mais. provocando assim a sua própria morte). recorda que ainda o conheceu com cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. filho do casal falecido. Essas tábuas impediam a iluminação interna. tinha duas grades de ferro. Joaquim Rodrigues de Cerqueira morador de Natividade. pertencentes à igreja ou a leigos são seculares. A cela destinada aos homens. mas segundo moradores mais antigos da cidade. câmara municipal. Hoje o prédio abriga a Polícia Militar. o prédio foi construído no tempo dos escravos. o prédio sempre funcionou como espaço administrativo: prefeitura. As praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira embora sejam obras recentes fazem parte do conjunto histórico arquitetônico. O prédio é térreo com 18. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995 e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal. a antiga residência do casal Benício e Benvinda serviu de sede para a Companhia de Polícia. separando os presos em celas masculina e feminina. Seu Joaquim recorda também da existência de um caneteiro e uma máquina de escrever (o mesmo desconhece a marca da máquina). uma porta de frente. Retiraram as grades externas das janelas e as madeiras das paredes e do teto. na Praça Leopoldo de Bulhões. contendo três janelas. ano de 1952.50m de fundo. O senhor Joaquim. Conforme relatos orais. este foi construído no final do século XIX. Confronta-se com terrenos de propriedade de Nilo Noleto Bezerra pelo sul e prédio do Antigo Paço Municipal ao norte (Livro 3ª. esquina com a Praça São Benedito. As reformas no prédio foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva. Após a morte do casal Benício e Benvinda. PAÇO MUNICIPAL . Paço Municipal e Casa da Cultura A "Antiga Cadeia" tem característica secular. Originalmente o prédio foi construído com dois cômodos.ANTIGA PREFEITURA Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública. Albany Costa Cerqueira. Dentro do gabinete havia uma butija com água para uso do prefeito. na qual as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs. com o objetivo de defender a cidade dos jagunços 28 / 49 . a casa ficou para os filhos. a casa pertenceu ao Major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. Segundo relatos do Sr.intervenção. na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. o Major Benício faleceu no ano de 1906. Não se sabe ao certo a data da construção do prédio. Possui grossas paredes de pedras. Cartório de Imóveis). espessas grades de ferro. Joaquim. Conforme relatos dos moradores. nascido no dia 03 de dezembro de 1950. O Paço Municipal será um dos prédios beneficiados pelo Programa Monumenta/BID. Foi trocada também a porta da frente do prédio que era trancada com trava e "uma grande chave". Conforme relatos. dona Benvinda morreu de desgosto (perdeu o gosto pela vida. Foi construído originalmente para funcionar como cadeia pública. comerciante aposentado de 69 anos. Segundo o Sr. na parte interna do prédio havia um banco com dois potes e uma espécie de gancho que servia para segurar os copos. Segundo o nosso informante. segundo o Sr. O senhor Antônio Viana Bezerra. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. em Natividade. mantendo o local sempre úmido. Todas as janelas e portas internas eram revestidas de ferro. O piso original era de cerâmica de barro (conhecido como ladrilho). agência de estatística ( hoje IBGE ). Para o funcionamento mais adequado do museu foi construído um anexo com sala e banheiro na parte detrás do mesmo.50m de frente por 9. mas os relatos orais não afirmam se estes habitaram o imóvel. folha 17. CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes. nº de Ordem 48.

Celso Pereira de Almeida. 18 (dezoito) metros do lado Sul. Mãe de Deus. O Sr. na data de 22 de janeiro de 1966. é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro. com 20 (vinte) metros do lado Norte. sendo 4 salas. (BRAGA. 3 portas externas. chegando a Portugal. Celso "sendo nosso povo católico. venerada. dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da 29 / 49 . 3 no lado Leste e 5 no lado Sul. 1 corredor. Padroeira principal deste Estado". Albany recorda que até 1954. seria o local do nascimento da Virgem Maria" (BRAGA. de vê-la consagrada padroeira do Estado. merece ser cultuada. Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade A Igreja Matriz do município de Natividade. que os habitantes do sudeste do Estado "veneram com muito afeto. desde o ano 33 da era cristã. teto de madeira serrada. termo referente a nascimento. na grande maioria. consta que a Prefeitura Municipal desapropriou o imóvel em 23 de agosto de 1990. quando o Papa Sérgio I. do Cartório de Registro de Imóveis de Natividade. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. Albany afirma que a parte interna da casa sofreu várias modificações. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. p. e que essas modificações foram feitas de acordo com a sua utilização. tendo como transmitente o casal Zacarias Nunes da Silva e Helen Drumond Nunes. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. solicitação ao Papa João Paulo II. coberto de telha comum. No mesmo livro. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". 1994. Pedro II. na Igreja Matriz. como mãe de Jesus. em Jerusalém. na Igreja Matriz. Hoje o imóvel é denominado Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. ainda hoje. A Igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo. de origem oriental. Os devotos acreditam que Maria. piso de cerâmica. nós Bispos. celebrada em 8 de dezembro. funcionou no prédio.I. 1 passarela. 1 alpendre. Acrescenta ainda D. matrícula 1970. 2 banheiros. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano D. p. Foi a primeira a entrar nessa região. em março de 1992. e devoto de Nossa Senhora. De Portugal passou para o Brasil. 14).17). A documentação escrita não é muito clara. Essa imagem é a mesma. temos. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. O imóvel é constituído de uma área de 410 m² (quatrocentos e dez metros quadrados). 11 portas internas. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. 1994. 12 janelas sendo 4 no lado Norte. ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. Natividade. 1 cozinha. no piso (que antes era de ladrilho) no reboco e na pintura. onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura. p. em embarcações pelo rio Tocantins. preservada do pecado original. Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás. o Grupo Escolar D. 18). a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. O entrevistado lembra que nesse período os alunos faziam apresentações teatrais usando o espaço físico do prédio. Diz D. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA.saqueadores que rondavam a região. 1994. No livro n° 1 . em 1735. a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. é datada de 1759. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. recebidos freqüentes apelos. A festa a Nossa Senhora da Natividade. A casa contém 10 compartimentos. paredes rebocadas e pintadas. quando foi transferido para Grupo Escolar Quintiliano Luiz da Silva. uma das mais antigas do Estado do Tocantins. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. O imóvel sofreu modificações no emadeiramento. uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. Nove meses depois. O Sr. consta que o prédio foi adquirido pela Sociedade Cooperativa Mista Agropecuária Ltda. A desapropriação é confirmada pelo Decreto n° 024/90 da Prefeitura Municipal de Natividade. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. em Natividade. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. Com a criação do Estado do Tocantins. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. 22 (vinte e dois) metros no lado Oeste e 22 (vinte e dois) metros no lado Leste. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim. portanto. D. erguida no século V. Bispo Diocesano de Porto Nacional enviou. Os moradores não sabem informar por quanto tempo a casa serviu de sede para a Companhia da Polícia. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade. Prédio de adobe. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. Celso na sua justificativa. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade.

etc). todos os sábados era rezado. fruta-pão. aos sábados rezando o oficio de Nossa Senhora. A cabeça fica debaixo da Lagoa Encantada. Maximiano descreve em "Outras Estórias de Goiás" a lenda da "Serpente de Asas". com uma bancada para subir e umas argolas. onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário. as moças procuravam os rapazes e os rapazes procuravam as moças). Com a retirada do pelourinho. local onde funcionou o primeiro mercado municipal. está pintado de azul. havia apenas árvores (juazeiros. Em 1919 algumas modificações foram realizadas. O altar é feito de madeira. Joaquim lembra também de outras brincadeiras como: pião. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. O local servia também para brincadeiras de moças e rapazes. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções.. porém.Natividade.. mudou-se a fachada e trocou-se a escada de madeira que leva ao coro por pedras (utilizaram pedras da Igreja do Terço e da igreja N. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972. "Antes só tinha o pelourinho. Maximiano da Matta e José Lopes Rodrigues. etc. havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja da Matriz. recebendo a denominação de Praça da Bandeira. Joaquim esclarece que não havia nada de mais (não havia malícia). com pintura policromada. Sra. quando se construiu a segunda torre. A igreja está em estado bem conservado" (UEP/Natividade. Hoje. O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade. antigo governador de Goiás. "Possuía apenas uma torre. essas árvores eram cercadas de pedra canga com massa a cal. serpente mora na caverna que principia debaixo da Igreja Matriz de Natividade e vai acabar debaixo da Lagoa Encantada. Nas suas recordações o sr.não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade. a cada sábado. A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz coletadas por autores locais como Dr. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997. que segundo os moradores a serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na Igreja Matriz. do Rosário). Conforme informações de seu Joaquim no período chuvoso o mato crescia e servia de pasto para os animais. as árvores foram retiradas na década de 1950. Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões PRAÇA DA BANDEIRA Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho. É uma espécie de dragão como aquele de São Jorge.". A Serpente de Asas era uma ameaça permanente sobre a cidade: ". Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial. muitos metros abaixo da superfície: a ponta do rabo está justamente debaixo da Matriz. Tenho a impressão que o pelourinho foi tirado pelos prefeitos nomeados pela ditadura de Vargas" (Adail Santana. do Bonfim e redondeza vivera em segurança. Têm ainda dois sinos de 1858. em madeira. em sua igreja". finca. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor. A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. Conforme depoimentos coletados por Simone Camêlo Araújo. o prédio da câmara municipal. "todo mundo era inocente. Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. papagaio. velhas rezadeiras em Natividade. Lá amarrava e açoitava os escravos. Envolta da praça tem quatro casas que conservaram suas antigas fachadas. São Gonçalo. Joaquim recorda que a brincadeira mais comum era o furrum (escondiam no meio do mato. 81 anos. No local não tinha nada construído. 2003). São Sebastião. religiosamente. E o milagre da Virgem se verificava em atenção ao Oficio de Nossa Senhora que. ". ex-prefeito de Natividade). Enquanto. amendoeiras. e os correios. Para José Lopes Rodrigues "Natividade . lhe fazia cair às penas das asas.. criadas durante a semana e destinadas a permitir-lhe o vôo até o cobiçado objeto de sua destruição. o sr.... Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais.. Os piões eram feitos de limeira e 30 / 49 . Antes se chamava Praça do Conselho (devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça).. existirem. mangueiras.. as moças eram puras". o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. conservados até a década de 1960. sr. PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões.Fragmentos do passado". com repinturas. A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. devia-se o milagre a proteção da Padroeira que. são montadas barracas onde se faz leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado a santa. Era um cercado de madeira.Se ainda não a destruíra. uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901.

O que é Patrimônio Histórico. FONTES ORAIS · Adail Viana Santana · Alarico Nunes Suarte · Albany Costa Cerqueira · Antonio Viana Bezerra · Dario Camelo Rocha · Izambert Camelo Rocha · Joaquim Rodrigues de Cerqueira · Theodoro Nunes da Silva · Simone Camelo Araújo · Joatan Bispo de Macedo Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sob a denominação de ruínas. um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade). O sr. eu sou muito sentimental. sob a gerência do IPHAN foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno. As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto.Natividade. A sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras.prefeito da cidade. em 1996. E também pelos alicerces em pedra canga.limoeiro. Daí surgiu a idéia de se construir uma estrutura para a praça. Quintino Pinto de. Natividade e seu Município . Segundo relatos de viajantes esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII. As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras. Em Natividade. Mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas. 80 anos. toda em pedra. onde o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. ex. do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos." Com exceção da família do Dr. duas fontes luminosas. amoroso. segundo ele cada brincadeira tinha seu tempo certo.Fundação Nacional Pró-Memória .C. mas não foi possível comprovar isso 31 / 49 . brasiliense. quando recebeu uma iluminação especial. todas a outras continuam morando no entorno da praça. · CATRO. parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980. Segundo ele no local da praça havia uma quadra de esportes e os moradores não gostavam porque a bola sujava as paredes das casas. "a praça representa para mim muita saudade . Da obra ficou concluída a capela-mor. Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto. Izambert conta que essas árvores vieram de São Paulo. chama a atenção pela sua opulência. o que seria o templo dedicado a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. E. Conforme informações do senhor Izambert Camelo Rocha. ( Cartilha ) Natividade . (Caderno) Estudos de Tombamento. PARENTE. saudades dos amigos. sofreu um processo de intervenção em 1992 através do SPHAN/Pro-Memória. PROGRAMA MONUMENTA/BID. monumento à TV Anhanguera e à instalação da água. 5ª edição. Joaquim se emociona ao lembrar dos" velhos tempos". Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. levando os negros a escolherem essa invocação. embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte da igreja. No Brasil. Ed.1949. A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. FONTES BIBLIOGRÁFICAS · ASCCUNA.MINC . Goiânia 1999. na sua administração. conservada ao longo dos séculos.1948 . O sr. Quintiliano Luiz da Silva. a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins. · IPHAN. grandiosidade e beleza. há relatos sobre uma irmandade do Rosário. calçamento de concreto.Tocantins. o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 a 1829. Universidade Católica de Goiás . foi onde nasci e me criei. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Associação Comunitária Cultural de Natividade .(Apostila) "Conhecendo Natividade Tocantins". · · · · LEMOS. Temes Gomes. igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres. Carlos A.

vários garimpeiros em busca de enriquecimento enfrentaram os índios provocando uma luta que se estendeu por muitos anos. A população Apinayé abatida por doenças e guerras foi se afastando para dentro da mata ou aceitando o aldeamento como necessário para a sobrevivência da comunidade. Segundo Nimuendajú.historicamente. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário . nem os rios. Mulheres caçam tatus com o cavador e o terçado (Nimuendajú. O sol fez uma aldeia e uma roça e nela plantou cabaças. Povos Indígenas São inúmeras as tribos da nação indígena no Tocantins. Nesse mesmo período. Andaram pelo mundo e criaram as plantas. os rios. sede do governo do estado do Tocantins. A caça era feita por homens e mulheres. incorporado 32 / 49 . como faziam os Krahò. 02). na praia da esquerda. a caça e a pesca. colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó. que pareciam regimento formado (Nimuendajú. 71). praticavam a agricultura. os animais. caçada de escravos para si ou para neo-brasileiros. os Apinayé foram viver perto do povoado de Santo Antônio. com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará. que dizendo sonhar onde estava o ouro perfuravam as ruínas. por volta de 1880. armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. Dentre elas algumas merecem maior destaque. Quando esses exploradores constataram que havia ouro na região. viu-se rodeado de grande número de índios. Tantos eram que se viam na parte de baixo. O Sol (Mbu-di) convidou a Lua (Mbudvrà-ré) para descer a terra. atiraram na água e de cada uma surgiu um ser humano. Conheça cada uma delas nos links abaixo: Apinayé Origem mítica do povo Apinayé No início dos tempos não existia as árvores. pág. Os filhos do Sol chamaram-se Kóó-di e os filhos da Lua Kóó-ré e ficou determinado que os Kóó-dí casariam com os Kóó-ré e então. seiscentos índios Apinayé trabalhavam na agricultura. Ainda segundo Simone Camêlo. pág. ofereciam presentes aos seus deuses e divindades. nem os animais. as guerras eram travadas por motivo de vingança: guerras de conquista eram-lhes inteiramente desconhecidas e. O avanço da civilização colonizadora para a região dos Apinayé teve início em 1797. quando as cabaças amadureceram levaram para a beira do rio. em Palmas. onde vivem hoje. Às vezes ateavam fogo no campo para os animais saírem e assim. vem de 1774. 91). o arco cruzeiro dessa ruína serviu de inspiração para a construção dos arcos do Palácio Araguaia. Antônio Tavares. voltaram para o céu. tão pouco praticavam pois desconheciam a escravidão (Nimuendajú. Pág. viajante que navegava pelo rio Tocantins. Em 1780 foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os guerreiros apinayé. Outros Apinayé viviam em torno da cidade. Os homens utilizavam o arco e a flecha. Todas as suas aldeias eram numerosas. havia 1362 Apinayé na aldeia Boa Vista. apanhá-los. Relatos coletados por Simone Camêlo Araújo afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo. Chegaram exploradores e aventureiros em busca de riquezas. As conseqüências dessas informações passada de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos resultado de ações de indivíduos. os poderosos índios da região norte. Os Apinayé eram conhecidos como grandes guerreiros.CIMI em 1780. Na contagem seguinte. (Relato de Xavier Apinayé) História Os primeiros registros do povo Apinayé na região.

a arte. penas de pássaros. Artesanato Os Apinayé fazem trançados variados. Uns gostam de trabalhar. Fazem a coleta de andu. Nas roças comunitárias ou nos roçados individuais as tarefas são distribuídas entre homens. buriti. cofos e quibanos: confeccionados pelas mulheres em trançado de fibra de buriti. Ele e o Vice-cacique resolvem os problemas da comunidade. mandioca. esteiras e cofos. ficando cada vez mais distante da antiga e numerosa tribo. Educação A transmissão tradicional do conhecimento entre os Apinayé sempre foi oral. em 1936.mais tarde a São Pedro de Alcântara (Carolina. na criação de gado (aprendido com o não-índio) e na navegação fluvial. ralam e imprensam a mandioca. mas conservam seus desenhos tradicionais. onde o terreno é queimado e os tocos são arrancados para depois iniciar o plantio. batata doce e inhame. amendoim. a população Apinayé entra em decadência. açaí. as mulheres cozinham. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. tucum e buriti para confeccionar cestas. o povo Apinayé lutou pela demarcação de seu território que foi registrado e homologado apenas em 1985. em 1940. acima do Ribeirão São Benedito. os rituais.904 hectares. Durante muitos anos. Trabalho O trabalho pode ser feito em mutirão. quando restavam apenas sessenta índios. tudo é repartido. babaçu. outros gostam de coletar frutas silvestres (relato de Cassiano Sotero Apinayé). Quando muitas famílias participam. Os Apinayé coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas. os professores índios e não-índios que ensinam a ler e escrever e. Enquanto os homens preparam as roças brocando. os Apinayé deixaram de migrar constantemente e passaram a permanecer nas suas aldeias na região de Tocantinópolis. Utilizam a palha de babaçu. fibra de tucum e babaçu. Os homens pescam. Tomados por uma epidemia de varíola passaram em poucos anos de 4200 para 1500 pessoas. 33 / 49 . murici. Os apinayé também vendem o seu produto nas cidades próximas às aldeias. mulheres e crianças. Colares: confeccionados com sementes variadas. Vida Cotidiana Na sociedade Apinayé. próximo aos municípios de Tocantinópolis. Maranhão). em 1899. Arco e flecha. viajou ao Rio de Janeiro para pedir a demarcação de suas terras. pequi. feijão. plantam. Com a fundação do posto do SPI. capinam e fazem a colheita. raspam. as pessoas das famílias. tanto o trabalho como os produtos. O Cacique é chefe superior da tribo. Cestos. Maurilândia e Lagoa de São Bento. Limitaram-se a trabalhar na agricultura. de 141. bacaba. derrubando e queimando. fibra e coité onde fazem os desenhos. Com o contato permanente entre os índios e a sociedade envolvente. Esses artefatos são tingidos com urucum e jenipapo. bambu e espinhos. maracá e borduna: confeccionados pelos homens que utilizam madeira. Os cantadores e cantadeiras cantam no pátio. as mulheres e as crianças encovairam. O artesanato serve para enfeite e são utilizados nas celebrações. onde vivem até hoje. bacuri. Também utilizam a miçanga para confeccionar colares. existem muitas pessoas e cada uma tem função diferente. Os curandeiros cuidam das doenças. Assim ensinavam a língua. Demarcação das terras O Capitão José Dias. caçam e cortam lenha. por fim. Os enfermeiros. Sua população atual é 1014 habitantes (FUNAI/MAIO/1997). líder dos Apinayé. O sistema utilizado para a plantação é da tradicional roça de toco. outros gostam de pescar e caçar. transmitido pelos mais velhos de geração para geração. distribuídos em sete aldeias. cuidam das crianças. as histórias e os costumes. Ao mesmo tempo os Apinayé mudaram para a aldeia do Cocal. tucum e palmito que complementa a sua alimentação. Os Apinayé vivem hoje numa área demarcada. O pajé é chefe espiritual da tribo. Tradicionalmente plantam milho.

(relato de Kunum Apinayé). dão banho de água fria na pessoa para purificar. Hoje tem uns que não sabe cantar a Tora grande (relato de Alcides Apinayé. A comida preparada é o paparuto . Casamento: Os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum. O solo não deve ser pedregoso nem arenoso. a aldeia é reconstruída em outro lugar. Os pais e os parentes mais próximos não acompanham o enterro. localizado no centro da aldeia. A Festa do Mekapri . em conseqüência das derrubadas anuais. em torno de 500 metros. uma cantora fica cantando até o dia amanhecer. mas ser formado de argila dura. depois. Os Apinayé levam comida para o morto. Celebrações e Rituais As festas são realizadas no pátio. caça e banho. Para a fundação de sua aldeia. pelo menos.Devido à convivência interétnica surgiram as escolas que. No dia seguinte. Chamam um cantador que fica do lado do morto cantando até o dia amanhecer. A Aldeia Apinayé As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos. No geral. pesca. Os padrinhos e as madrinhas da moça ainda podem escolher o marido. feito na palha da bananeira cozido no muquem. em solo não pedregoso e perto de córregos d água. cantor). Toda cantiga. Os moços levam o paparuto para a casa dos padrinhos da noiva e lá recebem conselhos para não brigarem e viverem em paz. Na casa todos choram e depois distribuem a comida sempre com a presença do pajé. em conseqüência das derrubadas anuais. continuam a chorar no lugar onde o enfeitaram. jenipapo e lã de pati. pintam e enfeitam todo o corpo. Quando. esta mata se acaba. Quando os outros voltam do enterro vão banhar no ribeirão. em geral no fim de algum contraforte. não se pintam e não participam das reuniões na praça. Nestas os alunos têm a oportunidade de ler e escrever na sua própria língua e depois no português. São mantidas pelo Governo do Tocantins seis escolas bilíngües. Hoje. já é possível que os jovens escolham com quem querem casar. Ritual de morte e enterro . Mas. O lugar não deve ser demasiado distante da água. como índios tinham muitas dificuldades em aprender porque os professores não compreendiam o que eles falavam nem os alunos compreendiam o que o professor dizia surgiram as escolas bilíngües. 10 anos. Apenas a pessoa doente não come. Antes isso acontecia quando ainda eram crianças. com maracá. Os caminhos da roça são relativamente limpos para que as mulheres possam passar livremente com seus cestos de carga. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações de cada um para ter uma vida boa e correta. no ângulo entre dois cursos de água confluentes. Os parentes que estão enlutados não cortam os cabelos. tradicionalmente.espécie de bolo de mandioca com carne. Nas proximidades deve haver mata ciliar para os roçados. A Casa Apinayé A construção de casas de alvenaria de tijolos industrializados e a adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) tem levado à perenização da 34 / 49 . porque acreditam que sua sombra possa voltar para casa à procura de alimentos. estando de acordo com a sua família. Cantiga de tora. Em tempos mais recentes.Começa a lamentação quando todos os parentes se reúnem na casa do morto. Levam a pessoa para a casa dela juntamente com o twy kupu (comida feita com mandioca e carne) como oferta para o espírito voltar. São iniciadas pelo cantor com seu maracá. A alegria do Panhi (índio Apinayé) é a invenção da música. os apinayé escolhem sempre um lugar que satisfaça às seguintes exigências: O chão deve ser plano. no início. a construção de casas de alvenaria tem forçado a permanência da aldeia num mesmo local. muda-se esta novamente para um lugar onde ainda haja bastante mata nos arredores. Nas proximidades deve haver bastante mata ciliar para os roçados durante um espaço de. Panhi nunca quis largar a música. de acordo com o clã. ensinavam somente o português. Um ano depois visitam seus parentes no cemitério. Também colocam os seus pertences sobre a sepultura. O morto é banhado e colocado numa esteira onde recebe a pintura e os enfeites segundo seu clã. Durante a noite.A festa é realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente. levando aos locais de roça. quando. Caminhos estreitos cortam a mata ciliar em todos os sentidos. ajudando a manter a cultura e revitalizando a sua identidade étnica. a mata já fica numa distância de mais de duas léguas da aldeia. Quando eles terminam falam: se o rapaz não fizer direito com nossa afilhada nós vamos fazer desse jeito com você: cortar seu pescoço (relato de Ausira Apinayé). no alto dos campos.

Uma família saiu. Diante das casas. de se iniciar a preparação das roças e da coleta de diversas espécies vegetais" (EIA/FUNAI . com cumeeira e cobertas de palha de palmeira. devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. empreendida pelo rio Araguaia. principalmente como remeiros. os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayé. A tradição dos Apinayé não dá a conhecer nas aldeias fixas. migraram entre outros motivos. As que ficam próximo ao rio Javaé levam esse nome. no entanto. durante a primeira viagem deste. É o tempo da caça. Da praça central partem caminhos radiais que a ligam a cada casa. a cheia e o início da vazante. ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra aproximadamente no centro. frutas. Os Karajá de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população. pássaros e animais. as árvores. possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros. História Antes de 1500.aldeia. são fechadas com divisões de esteiras de palmeiras encostadas contra uma travessa armada na horizontal. Nos anos seguintes a relação com os não-índios intensificou-se com a vinda dos mineiros e das frentes pastoris e agrícolas. Voltou para contar o que viu e foi para a superfície. são conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo). existem três grupos: os Xambioá. concentra-se o maior número de aldeias. Os Karajá. Xerente e Caiapó. os comerciantes utilizaram a mão-de-obra indígena. como se tivesse a mesma forma das aldeias tradicionais. o rio Araguaia" (EIA. localizadas nas barreiras ao longo do rio. Os Karajá aceitaram a paz no final do último século e foram viver nos aldeamentos junto a outras etnias. Xambioá Origem mítica do povo Karajá Conta a lenda que os Karajá viviam no fundo do rio Berorõdy (rio Araguaia). pertencem aos mesmos antepassados. entre elas. às margens do rio Araguaia.1997). No começo do século XX. 35 / 49 . são os ibòò marãdu (turma de cima). tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializada. FUNAI/ 1997). Javaé e Xambioá. Certo dia descobriram um buraco e resolveram ver o que tinha do outro lado. A migração sazonal levou os Karajá para várias regiões até conquistarem o território onde vivem. Com o avanço da navegação fluvial. No Tocantins. As casas são construídas com materiais que vão da palha de buriti. Javaé. doentes e com a população reduzida. falam a mesma língua. Durante os séculos XVII e XVIII o contato com as expedições dos paulistas provocou muitos conflitos. "A referência para a denominação do grupo é dado pela sua localização ao longo de um eixo. Na Ilha do Bananal vivem os grupos Karajá e Javaé em aldeias separadas. Os que saíram são conhecidos como Karajá. Mato Grosso e Pará. nas aldeias da Ilha do Bananal. como parentes e embora geograficamente separados. Koboí decidiu sair mais era muito gordo e não conseguiu passar. ao redor do círculo interno. os Karajá ainda viviam de acordo com as mudanças climáticas. quando o rio fica behetxi (parado). Karajá. na prática. Na Ilha do Bananal. "A partir do início das chuvas e subida do nível do rio Araguaia os Karajá reúnemse nas suas aldeias maiores. passando pela taipa. algumas aldeias Apinayé têm forma retangular com um pátio de reuniões central. Atualmente. Essa junção não deu certo e os Karajá voltaram para suas praias. mas se auto-denominam Iny. Durante o verão viviam nas praias do rio Araguaia e no inverno subiam os barrancos onde tinham suas aldeias maiores. os Karajá subiram o rio Araguaia. conforme as estações do ano e o regime das águas que eles dividem em início das enchentes. Utilizavam diferentes locais de moradia. viu a terra. As casas são feitas com pouco acabamento. A disposição da aldeia é inteiramente igual àquela das tribos dos Kráhò: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo. de Xambioá. outras casas senão do tipo daquelas ainda hoje em uso: retangulares. corre um caminho largo normalmente denominado rua. idênticas às dos moradores da região. mas todos são o povo Iny. por morarem perto da cidade do mesmo nome. Nos dias atuais o regime das águas ainda marca o tempo que determina as manifestações sociais da comunidade. assim chamados. Ali mantiveram contato com o jesuíta Tomé Ribeiro. Os Apinayé possuem atualmente aldeias fixas. Têm-se ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada.

genros e netos. armas e máscaras. cará e o arroz. Os artesanatos são utilizados nos rituais. Servem como utensílios domésticos. a palha de buriti para as esteiras. Os Karajá organizam-se em famílias extensas que incluem além da família nuclear. Cestaria: Serve para o transporte e armazenamento de mantimentos e como peça decorativa. primeiro o objeto é colocado perto do fogo. 1957). dos barrancos do rio Araguaia que é misturado com cinzas da madeira do cega machado e colocada para secar ao sol. Durante o verão.Entre os Karajá as atividades políticas são bastante difundidas girando em torno de um complexo sistema de alianças. bacaba e madeiras como a sarã para confecção de brinquedos e artesanato. Para o cozimento. As artesãs personalizam seu trabalho com figuras decorativas tradicionais e usufruem de grande prestigio dentro e fora da comunidade. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio. cada um com seu significado. pescando e coletando. São confeccionados cocares de grande e pequeno porte. filiação. Cada família tem o seu roçado e cultiva: mandioca. consagra-se lideranças e afastam-se outras. dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam. Artesanato "A beleza transcende aquilo que a aparência física revela". Na finalização das bonecas utilizam cera preta para fazer os cabelos (Berta Ribeiro. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu. brincos. os espíritos e com seu próprio interior. Nos Sertões do Brasil. a confecção de artesanato. pratos tigelas) ou ornamentais (bonecas ritxokò). "Teve um tempo em que Karajá vivia como gaivota" Temysari Karajá (cacique de Xambioá) Os casamentos: São monogâmicos e combinados entre os familiares. brinquedos para as crianças e também para a comercialização. onde se faz e desfaz facções. As crianças aprendem desenhando na areia. (potes. passando a residir na casa da sogra. braçadeiras e tornozeleiras. a peça é pintada de preto. A cerimônia é feita com uma apresentação pública e formal dos noivos para a comunidade. sexo e prestigio (Fritz Krause. Adquirem através destes os produtos industrializados: roupas. a fauna e a flora. homens e mulheres. ministrando interesses e mudando a política dentro da comunidade. cerâmica e cestaria. banana. instrumentos musicais e canoas. As mudanças de residências são matrilocais: o rapaz tem que acompanhar a moça. como: Haretõ que representa o sol. Arte plumária: Essa arte exige muita habilidade e identifica o homem indígena com a natureza. No final. durante o período da estiagem. principalmente na política que faz as lideranças das aldeias. É uma forma de identificar o grupo étnico e a posição social na comunidade como: cargo. Cerâmica: Confeccionada pelas mulheres. Muitas coisas mudaram. As mulheres trabalham na confecção do artesanato. alimentos. retiram material para construção de suas casas. Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. da bacaba e a seda do buriti. milho. depois transportam para a palha. Utilizam o tucum para fazer o arco. Quando chegam as chuvas (Novembro a Março) dedicam-se às atividades agrícolas. neste século. Servem também para enfeitar instrumentos musicais. cana-de-açúcar. o coco do buriti. idade. Os Karajá fazem a coivara e usam o sistema de rotatividade no uso da terra. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária. retirada do sumo do urucum. Para confecção da cerâmica utilizam o barro branco retirado. batata-doce. Trabalho Os Karajá são essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. Os adornos que utilizam a plumária são: colares. A técnica da cestaria é ensinada pelos homens mais velhos aos jovens que desejam aprender. como enfeites e artefatos. tinta retirada do sumo do jenipapo misturada ao pó do carvão e de vermelho. na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distante da aldeia. 36 / 49 . a caça e a roça. é usado pelos rapazes e o Lori lori. No entanto é forte a tendência do povo Karajá em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições. devido a interferência de religiosos e agências governamentais. depois coberto com pedaços de lenha. fumo e bebidas. A cerâmica passou por uma mudança significativa devido a valorização e pressões comerciais. usado pelo chefe de cerimônia. jenipapo e urucum para as tintas. passam a maior parte do tempo nas praias. na época da estiagem. Trás uma significativa expressão de riqueza e esplendor. 1941). Da natureza. são utilitárias.

que dura o ano inteiro e revitaliza a cultura da comunidade. eles sobrevivem em espírito. Existem dentro da comunidade pessoas especiais para fazer a pintura corporal. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. Utilizam as cores preta. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para ele chamar os Aruanã. retirada do jenipapo e vermelha do urucum. Os cemitérios ficam perto da aldeia. é nas noites de lua cheia que acontece o rito reservado somente aos homens. retiram o que restou e colocam em urnas de cerâmica. Ijesu são as lutas Karajá. pedem proteção aos Aruanãs: dançam aos pares e não mostram os seus rostos. A luta vai até o amanhecer. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. Enterram seus mortos em covas rasas cobertas com palhas e. peixes e répteis. como: pássaros. As tintas de jenipapo e urucum são utilizadas na pintura corporal.Celebrações e Rituais O Povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham. coletam frutos e fazem bebidas. Lutam dois de cada vez. as mulheres arrancam a mandioca. nos remos e nos maracás. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. Representam os animais como a ariranha. do grande Berohoky (rio Araguaia). quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. para dentro da aldeia. braçadeiras e tornozeleiras. espírito do mal. Ensinam aos descendentes a importância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vem de tempos milenares. as mulheres casadas de outra. marcarem também um novo tempo. Festa do Hetohoky Também conhecida como a "Festa da Casa Grande" representa a passagem do menino para a fase adulta. ralam. Ganha quem ficar de pé. Mas. nas cerâmicas. a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. é o espírito do bem e cunin. o corrupião o boto e a cobra coral. homens e crianças participam do "ciclo do Aruanã". Ijasò Os Aruanã (Ijasò) são espíritos trazidos pelos pajés. Os homens quando vão caçar. Uorossani. os donos da festa precisam mantê-la em pé. 37 / 49 . nos cestos. em vários estilos. depois da morte. Na preparação das festas os homens saem para as caçadas e pescarias. As figuras míticas dos espíritos protetores cantam e dançam para todos. Mulheres. As representações gráficas são diferentes para cada grupo social dentro da aldeia: os homens pintam de uma forma. no mesmo sentido das casas. "As crianças aprendem a desenhar. uma grande casa é construída para os convidados onde deverá ter comida farta para todos. colares. Os Rituais de Morte: Os karajá acreditam que. Convidam os Karajá de toda região para participar. sobe e desce. Depois das boas vindas. olhando suas mães e irmãs" (Ijyraru Karajá) Os desenhos são usados no corpo das pessoas. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. pescar ou fazer alguma viagem. um ano depois. em frente ao rio. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". velhos e rapazes também têm suas pinturas características que representam formas de distinção e hierarquia dentro da sociedade. A Pintura Corporal A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas dos animais da região. colocam para secar. nas esteiras. Os Aruanã entram e saem das casas cantando e dançando para além de marcarem a passagem do menino. as solteiras. No ritmo das chuvas. São realizadas lutas tradicionais. São feitos os ornamentos e enfeites: cocares.

em suas moradias. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". a floresta. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. no extremo da aldeia. são as aldeias Karajá que mantém. porém. Ocorrem grupos de túmulos ortogonais ao rio. no verão. a pouca distância das casas. a chuva. Tradicionalmente e nos dias atuais é costume localizar o cemitério à beira do rio. a implantação tradicional. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). que são usados preferencialmente pelos rapazes solteiros e pelas crianças. a praia. as casas eram alinhadas ao longo da margem. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. as casas para os funcionários e para os três capitães da aldeia. Saindo na direção oposta à rua central. a aldeia Xambioá. os donos da festa precisam mantê-la em pé. O Sol. voltadas para o rio. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. acima do nível das enchentes. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã).Faz mudar as casas. banho em família ou individual e lavagem de roupas. A Aldeia Karajá Atual Nos dias atuais os Karajá não fazem os acampamentos de verão. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. quando existe uma única porta. em locais livres de vegetação arbustiva e rasteira. esse tipo de distribuição das casas pode ser interpretado como a duplicação de uma aldeia Karajá tradicional. foge a esta regra. Implanta-se a aldeia em barrancos planos acima do nível do rio. No entanto. com casas alinhadas dos dois lados de uma rua central. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Entretanto. À primeira vista a aldeia se parece com os povoados habitados por sertanejos. levam aos barrancos onde se desenvolvem atividades públicas como. saindo da rua central. De acordo com os mais velhos. Em Santa Isabel do Morro ainda existem os caminhos secundários. a rua central é também utilizada pelas mulheres como local de trabalho. a fartura dos peixes. Vida Karajá. Depois das boas vindas. os frutos da Terra. usado preferencialmente por rapazes solteiros. em parte. para ter conforto. essa fica voltada para o rio. O sereno. Essa interpretação feita pela arquiteta Cristina Sá (In: Revista Projeto/1983) é sugerida pelo fato de que. estão voltadas para esta ruaAlém de servir para a circulação. pois todas as casas. passando pela porta das casas da fileira próxima ao rio e pelos fundos das casas da outra fileira. as famílias colocam suas esteiras e banquinhos de madeira para conversar. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. A luta vai até o amanhecer. a uma certa distância. que continua a ser o principal marco de referência. deve haver espaço suficiente para os mortos. comer ou dormir. interditada às mulheres e crianças. acompanhando-o linearmente. tem os caminhos que levam à casa de Aruanã. Santa Isabel do Morro e Fontoura. a aldeia transferia-se para as praias. o calor. Observa-se na disposição dos túmulos a forma utilizada para a posição das casas: pessoas do mesmo grupo familiar são sepultadas uma ao lado das outras. com duas fileiras paralelas de casas ao longo do rio. 38 / 49 . das brincadeiras de meninos e meninas e de descanso onde. São mantidas no entorno apenas algumas árvores de maior porte. localizada no norte do estado. Outros caminhos. na fileira de casas que fica entre a rua central e o rio. ancoramento de canoas. e não a cópia de um povoado não-índio. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. na Ilha do Bananal. Como não é permitida a superposição de sepultamentos. facilitando a pesca e a coleta de ovos. Em qualquer época. o processo de formação da aldeia é repetido. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. atrás delas um caminho secundário. estação seca (maio a setembro). situada atrás da fileira de casas. As diferenças ficam por conta das edificações com materiais industrializados realizadas pela FUNAI: o posto de saúde. duas fileiras ao longo de uma rua central. Faz mudar as vidas. Uma linha reta que guia a vida. da mesma forma que os vivos devem contar com espaço bastante. coleta de barro para a confecção de artesanato (mulheres) ou para construção (homens). a escola. à tardinha e à noite.

competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. O Sol. atrás delas um caminho secundário. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). Lutam dois de cada vez. usado preferencialmente por rapazes solteiros. Faz mudar as casas. Os Krahò viveram na aldeia de Boa Vista do Tocantins. O sereno. segundo a conveniência dos brancos. os frutos da Terra. foram habitar a terra em forma de homens. Pedro Penõ fala de suas lembranças sobre as lutas contra os outros povos e como essas lutas influenciaram suas migrações: "deslocou para Pedro Afonso. os rios e o homem. os Krahò habitavam a região do Rio Balsas no Estado do Maranhão quando tiveram registrados seus primeiros contatos pela "frente de colonização". Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). acima do nível das enchentes. interditada às mulheres e crianças. fundada pelo frei Francisco do Monte São Vítor em 1841 no município do mesmo nome. Da cabaça criaram a mulher e ensinaram a construir aldeia e fazer roça e voltaram para o céu". Como a maioria das tribos indígenas. Falta um pedaço Krahò Origem mítica do povo Krahò "Sol disse para a lua: cumpadre vamos descer e decidiram: criaram as matas. a floresta. entre os rios Farinha e Manuel Alves.Ijesu são as lutas Karajá. Uma linha reta que guia a vida.18). na região onde hoje é a cidade de Carolina / Maranhão. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Estes índios além de agrupados a diferentes etnias deveriam desempenhar trabalhos para toda comunidade local. Pud (Deus) cantou e deu origem a todas as coisas do mundo. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. Recuaram para a margem direita do rio Tocantins. A política de aldeamento significava. a uma certa distância. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). situada atrás da fileira de casas. deportação e concentração de grupos indígenas. a praia. no verão.) Ai depois o Xerente começou também a brigar com os Krahò e eles desceram o rio". a aldeia transferia-se para as praias. facilitando a pesca e a coleta de ovos. Como outros grupos os Krahò combateram outras etnias. os Krahò sofreram grandes perdas na sua população. voltadas para o rio. as casas eram alinhadas ao longo da margem. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. a fartura dos peixes. Em qualquer época. a chuva. Faz mudar as vidas.. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. porque o Mehin (como os Krahò se autodenominam) brigava com o Gavião. estação seca (maio a setembro). No final do século XVIII. 39 / 49 . em locais limitados onde havia uma constante vigilância dos missionários destinados ao trabalho de catequese.. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. o sol e Pud roré. Fomentar a guerra entre as diversas etnias foi uma estratégia bastante utilizada pela frente colonizadora para apoderar-se das riquezas encontradas nas terras de outro grupo (Carneiro da Cunha. No ritmo das chuvas. porém. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. (. sobe e desce. em vários estilos. p. Vida Karajá. havia nessa aldeia 2822 Apinayé e Krahò (Carneiro da Cunha pag. Para os Krahò o canto é sagrado e tudo começa e termina com os cânticos ensinados por Deus. a lua. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. Dez anos mais tarde. o calor. Pokrok História Contam os Krahó em sua história mitológica que Put. Ganha quem ficar de pé. 18).

pág. hoje é considerada a maior área de cerrados inteiramente preservada no Brasil. adquirida do contato permanente de aproximadamente duzentos anos com a sociedade envolvente. os hábitos alimentares dos Krahò: "Comíamos toda fruta. Ele chegou naquelas canoa grande. De primeiramente o índio planta aquele cipó e deu no fim. uma relação "ordenada" com o mundo dos não índios. eles pegam tudinho ai eles tiram. quando caiu folha ele tira tudinho e faz uma tora e bota no fogo e assa. faz muquem grande e assa. coco piaçava. A pressão colonizadora os obrigava a migrar aparentemente em direção ao nordeste. mistura com a casca de cipó. também tira a casca dura e cozinha no muquem conforme ai umas quatro horas. corte de cabelo. Alimentação Pedro Penõ descreve. Pedro Penõ Após várias invasões. mediante pagamento em dinheiro. Viveram nessa aldeia perto dos rios Sono e Tocantins. talvez não conseguissem sobreviver aos tempos. essa área que tem para o Krahò. tiram casca e botam no sol. utilizando recursos que possam promover sua sobrevivência na relação interétnica. mas em caso de separação a mulher fica com a produção. buriti. assim. sem essas estratégias de defesa. aos oitenta anos. Frei Rafael de Taggia ainda era seu missionário. entre Porto Imperial e Carolina. Em 1940. até Chácara da Serra. Pedro Penõ Vida Cotidiana Dia-a-dia na aldeia Pedra Branca Para os Krahò a terra pertence a todos os membros da tribo. quando assar eles tiram tudinho e põe no sol.levavam gado para o Maranhão. 24). Pedro Afonso era um importante entreposto comercial da época e servia de rota fluvial. como os cantos. Eu já comi o beju de carne de casca de piaçava eu já comi também. continuam vivas na memória de seus habitantes mais velhos. "A divisa é Sono Grande que despeja no Tocantins. e assim seria até morrer. depois da colheita outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local.408). em produtos vegetais. pisa no pirão e faz beju ou faz paparuto. trabalhavam na pesca. fundada em 1849 pelo missionário frei Rafael de Taggia. Ficaram morando lá até fazer a demarcação. Com a posse da terra ganharam uma "certa independência". quero lugar tudo desocupado".533 hectares próxima as cidades de Itacajá e Goiatins. em certos favores ou mesmo em troca de permissão de caçarem fora do território tribal" (Darcy Ribeiro. Mas os Krahò foram removidos. As invasões persistiram por décadas e. Delimitada em 1976. bacaba. Mas os Krahò resistiram e preservaram elementos fundamentais da sua cultura. chegou verão. "Então mandaram pedir um padre. aí sobe até rio Perdido até rio negro que digo. pelo rio Tocantins. O marido e a mulher podem doar. a população reduziu para pouco mais de quinhentos habitantes. descascam tudinho. agricultura e pastoreio . Os Krahò negociam com os brancos. voltando à sua região de origem às margens do rio Manuel Alves Pequeno. até rio Mateiro despeja no Suapara. Nome mudado do Rio Vermelho. os índios Krahò sofreram um violento massacre desfechado por criadores de gado. De outra forma. que tinha se transformado num vilarejo de sertanejos afastados" (Mellati. 133). p. em reses. p. Os casais preparam a roça para sua família. Essa que é a divisa dos Krahò". Frei Rafael. ai quando tá seco bate tudinho e tira carne de casca. no Suapara desce até no Manoel Alves Grande. as terras dos índios Krahò foram demarcadas. Levaram pelo rio até Pedro Afonso. No início do século XIX eram quatro mil pessoas e em menos de um século. puderam manter sua identidade étnica. "Em 1886 restavam apenas duzentos Krahò na aldeia. criem gado. Índios do Brasil." Pedro Penõ 40 / 49 . pois criavam empecilhos ao comércio fluvial através do rio Tocantins (Carneiro da Cunha. e também. É uma área de aproximadamente 302." Pedro Penõ Anos depois apenas mil Krahò viviam em Pedro Afonso. macauba. "Os Krahò permitem que os regionais plantem em suas terras. Massa de macauba.Uma parte da tribo Krahò foi levada à aldeia de Pedro Afonso. mas os ataques e as doenças reduziram a população. Quando já tá maduro. o cultivo dos alimentos e principalmente a formação circular das aldeias mantendo o equilíbrio cultural de seu povo.. Demarcação das Terras "Eu pedi mesmo. aos seus parentes os produtos dos seus roçados.

rege as chuvas. Celebrações e Rituais Os Krahò cultivam seus rituais e celebrações com a mesma força que acreditam no equilíbrio das metades que rege suas aldeias.. uma machadinha de pedra que o povo Krahò tem como elemento importante para continuar a tradição e a vida. Na roça cultiva-se mandioca.. e depois o Karõ transforma-se em animais. cuias.) o homem Krahò evita comer carne e determinados alimentos vegetais durante os primeiros dias após o nascimento de seu filho. respeitando o tempo das caçadas e toda as atividades dentro de uma relação com o tempo e variações sazonais. 104). são essas forças que regem a natureza e o homem. O Karõ pode afastar-se do corpo. assim como os velhos. Certas magias. Quando se desrespeita o equilíbrio que rege as duas metades. Os partidos: Os Krahò possuem dois partidos. conselheiros e sábios. também devem conhecer muito bem os hábitos dos animais para melhor procurálos ou esperá-los. penas de pássaros e cabaças. para que se respeite o ritmo da vida e mantenha o equilíbrio. Produzem enfeites e instrumentos musicais para as festas como os colares e as flautas de cabacinhas e os maracás que são feitos pelos homens. o poente. o frio. p. Portanto. Os homens seguem essas tradições por acreditarem que o filho tem ligação direta com o pai. considerado sagrado para os Krahò. ter relações sexuais. As meninas maiores cuidam dos menores e os meninos. segundo à espécie de animal que desejam caçar" (Melatti. Também procuram interpretar os sonhos que. ou duas metades o Katam jê e Wakme jê . (. ritos.) Uma vez nascida a criança.. Karõ.. não pode brigar.usam determinados vegetais para esfregar no corpo ou para fazer infusões que ingerem. É importante para os Krahò que as duas metades estejam em equilíbrio. beber. O símbolo sagrado que mantêm essa harmonia e o respeito dentro da comunidade é o Khoyré. onde a tribo se reúne para fazer as divisões de trabalho e tudo que seja importante para a concepção da vida cotidiana na aldeia. Tem que falar pouco e escutar mais". com um grande pátio no centro chamado Kà. Quando morre um Krahò acontece a separação definitiva. fumar. As Caçadas Os caçadores Krahò. Prepara-se também com certos recursos mágicos: ". estão presentes em tudo. poderão predizer o sucesso das caçadas. matar cobras" (Melatti. histórias. plantam. Estão construídas em disposição circular.Trabalho A divisão de trabalho é feita pela separação de sexo e idade. caçam e pescam. A área dos roçados fica distante da aldeia. segundo a tradição. amendoim. "Para os índios Krahò tanto o marido como a mulher tem participação na formação do corpo de um novo ser. palha de buriti e babaçu.. observando a rotatividade da terra durante o plantio. Artesanato Os Krahò confeccionam artesanatos utilitários: cofos para carregar lenhas e alimentos. o calor e os animais noturnos. Wakme jê representa o verão.. abóbora e principalmente o milho. os sentimentos e as crenças estão ligadas a natureza. além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo. para serem bem sucedidos. "aquele que possuir a machadinha não deve fumar. pilões. abanos e cestas. Organização social Tradicionalmente as aldeias Krahò são politicamente independentes. suas festas. 48). de onde tiram a sobrevivência do corpo e da alma. Katam jê representa o inverno. segundo eles. conversar. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guerreiras. a fome. para terem eficácia.) não pode trabalhar. Os velhos são representantes da tradição.. p. os animais noturnos. assim 41 / 49 . são encarregados de carregar as armas e levarem a caça para as aldeias. as matas verdes. vem as doenças. Bolsas para viagens ou para colocar roupas e pequenos objetos. O material empregado na confecção dos artesanatos é retirado da natureza são: sementes. conhecida como. possuem alma. e cuidam da casa. vegetais ou minerais. (José Aurélio Pokrok) Os Krahò acreditam que todos os seres: animais. As mulheres fazem a coletam. a seca. o nascente. batata. (. Tudo que se relaciona ao povo. (. a sede e a morte.. exigem a abstinência de certos alimentos.

no centro.Machadinha Sagrada" Eu falei das cerimônias e da força da nossa cultura. comparam o peso de cada uma e começa a corrida. logo morrerá. você irá viver por muito tempo até ficar velho. Segundo o nome que recebe. explicam as coisas. cantam até o dia amanhecer e ajuntar o pessoal. Os grupos que correm representam os dois partidos. batatas. o paparuto. então vão dividir carne e correr para o rumo da aldeia. as mães acendem fogueiras e as brincadeiras recomeçam com as cantigas de maracá. Corrida de toras Homens e mulheres participam da corrida com toras. reunidos no pátio após percorrerem a metade da aldeia." Dodani Krahò Festa do Milho . 42 / 49 . sai um portador para convidar outras aldeias para participar da festa. em frente a casa de reuniões de um dos partidos. cedem o lugar para outro. Junto. sabe as coisas antigas". O cantor de maracá e uma mulher cantam lado a lado na casa de reunião dos homens. Fazem dois grandes feixes de palha contendo os alimentos e colocam diante de suas casas. A Festa da Batata (panti) Celebra a colheita. O velho Xavier diz que se sonhar matando o animal. recolhendo os alimentos nas roças do partido Wakme jê. Os velhos do partido do inverno ficam no pátio. Preparam um grande bolo de mandioca e carne. enquanto a menina quase sempre da tia paterna. a mulher e a menina. Participam os dois partidos: o do sol nascente e do sol poente. As toras de buriti vão passando de ombro em ombro e ganha o grupo que chegar primeiro ao pátio onde gritam e dançam comemorando a vitória. o indivíduo passa a pertencer a certo grupo cerimonial e a certa metade dos muitos pares que existem na sociedade. O homem. Depois o partido do verão recolhe todos os alimentos na casa dos homens do seu partido. Cacique da aldeia Cachoeira Durante a festa correm com a tora que chamam de Jàtjõpi "tora da batata" que chega a pesar 120 quilos. são seguidos por toda a comunidade. A Machadinha sempre fica guardada. do verão. Durante a festa os Krahò celebram seus casamentos e batizados. quando existe comida suficiente para alimentar todos que participarão dos rituais. Segundo o cacique a festa demora acontecer. a brincadeira torna-se mais festiva.era preciso se preservar para que os filhos sobrevivessem seus primeiros dias de vida com saúde. Na aldeia é o cantor que usa a machadinha. explicam para os mais novos que vão para o mato matar algum bicho e trazer para o rumo do torí(não índio) as coisas que mataram repartem. mostram o que vai acontecer. A cerimônia começa quando todos vão para o círculo maior. Fazem os enfeites que os rapazes e as moças usarão durante as festividades. aquele que sabe cantar pega ela um pouco e torna a guardar. Colhem milho. "Fica a noite toda na festa do maracá. o do sol nascente e o do sol poente. vão dar para o Wakme jê ou Katam jê . às vezes passam até dez anos para que ela seja realizada. As mulheres cantam.Pônhê Na festa do milho os Krahò comemoram a fartura das roças. Quando chega a noite começa a cantoria. "Cortam as toras de buriti. especialmente preparadas para cada tipo de festa.A história era assim: Os cantores ficam no pátio. No final. uma menina aprende os cantos. cantando. se deixam cair. limpam bem. O que colhem armazenam em grandes palhas de bacaba. Se pegam continuam na brincadeira. é realizada durante o verão. se o bicho matar o indivíduo este. A cada novo desafio. do seu lado da aldeia. que se oferecem para recebe-las. Preparam-se para a corrida que terminará no pátio. toda noite pro outro aprender. Khoyré ." Os Sonhos Acreditam que os sonhos predizem a vida. O menino Krahò recebe o nome geralmente de seu tio materno. frutas e reúnem os partidos do verão e inverno para combinarem como será a festa. A machadinha que toma conta da aldeia resolve as coisas. Sempre cantam. Jogam as batatas nos rapazes. A festa começa com o partido do inverno Katam jê. os homens ficam passando por elas e o cantor conduz ensinando as músicas dos antepassados. se vão trabalhar ou vão para a caçada. sobre os animais".

as folhas são aplicadas em sentido vertical. Cada casa abriga os dois únicos grupos sociais da vida cotidiana: a família elementar (pai. geralmente as filhas morando atrás da casa das mães. com diâmetro maior. voltada para o pátio da aldeia. A planta é normalmente retangular. o kricapé (onde kri = aldeia). são ligadas pelos laços maternos. Cantam com maracá e abrem os feixes dividindo todos os alimentos. e estes caminhos radiais são iguais para todos. com os folíolos pendentes para um lado só. Diante das casas passa um caminho circular. mas sim um círculo de traçado irregular. A Aldeia Krahò Os Krahò quando falam de sua própria sociedade. que tem por vezes uma cobertura de quatro águas. na parede dos fundos. assim. Esperam até o dia amanhecer quando reúnem os dois partidos para carregar os feixes até o pátio. já que as novas gerações teriam construído suas casa no círculo de trás e as da frente desapareceriam. o que significa que "todos têm o mesmo peso social" (Matta op. normalmente chamado de periferia. fecha-se a porta com uma esteira encostada ou pendurada nela. As folhas de palmeira são aplicadas em posição horizontal. destacam a aldeia . ou seja. as novas famílias vão construindo atrás das casas das quais haviam desmembrado. 1976) As aldeias Krahò são circulares e o círculo é formado porque todas as casas distam igualmente do pátio que se torna. de ponta para baixo e com os folíolos em posição natural . ao invés de ocorrências de cisões. as famílias elementares de uma mesma casa. Com o passar do tempo as casas do antigo círculo tendem a desaparecer. A Casa Tradicional Krahò A forma das casas utilizadas pelos Krahò são muito parecidas com as casas dos moradores nãoíndios da região. A Casa Atual 43 / 49 . Algumas vezes. abrindo para trás. porém.e não as casas .como unidade fundamental para as suas referências. mãe e filhos) e o grupo doméstico. mas são propriedade das mulheres. faz a mesma afirmação quando se refere aos Apinayé que. Toda a amarração é feita com cipós. As casas são construídas pelos homens que nelas habitam. que constituem o grupo doméstico. assim como os Krahò. restando somente o novo círculo periférico com um perímetro maior. como que anunciando aos outros membros do partido. Nesta situação não a veríamos como um conjunto concêntrico de círculos de casas em torno de um pátio. também são descendentes dos Timbira. com casas mais distantes ou mais próximas do pátio. total ou parcialmente. com um dos lados maiores formando a frente da casa.) e que estão relacionados de um mesmo modo ao pátio. Matta. encontrar-se aldeias pequenas (poucas casas) com diâmetro maior que algumas aldeias grandes. o centro da aldeia. falta a parede da frente. Em outras épocas era comum uma aldeia com determinado número de casas e diâmetro ser construída em outro local com o mesmo número de casas. A expansão das aldeias não é dada de forma linear. À noite e durante a ausência de todos os seus habitantes. as aldeias podem ampliar o círculo (aumentando o diâmetro das aldeias). dando para o quintal. A porta sempre é feita no lado maior. Ou então. Nas casas não há janelas. É na periferia que têm lugar as atividades domésticas ligadas à produção e as casas aparecem como unidades fisicamente definidas e demarcadas. o quer dizer que uma casa compõe-se de pelo menos duas famílias elementares. porém. Os homens ao se casarem. A casa completa é fechada em todos os quatro lados. centro das decisões políticas e de toda a vida ritual. Do mesmo material são feitas as paredes.Caminham até os feixes de alimentos e voltam para o pátio. Em momentos ou situações de grande acréscimo populacional e de estabilidade política. Cada casa tem seu próprio caminho que a liga ao pátio. desta forma.parece ser esta a maneira original de fazerem as paredes. feitas de folhas de babaçu ou inajá. Esta disposição espacial das casas forma assim o círculo maior da aldeia. cit. (MATTA. A circunferência formada pelas casas não é proporcional ao seu número. A esta parte da frente corresponde outra. Quando o círculo periférico da aldeia já não suporta mais a construção de novas casas. definindo-se como "índios de verdade" principalmente pelo formato circular de suas aldeias. às vezes. ou somente uma parte da casa forma uma espécie de quarto fechado. devem residir na casa da mãe de sua esposa. São mais comuns as casas com cobertura de duas águas e porta ao lado do esteio da cumeeira e se utilizam mais das folhas de piaçava para a cobertura de suas casas.

J.DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 44 / 49 . utilizam a lavoura mecanizada.) A casa indígena é geralmente sem divisões. Ritos de uma tribo Timbira. algumas vezes separam um recinto destinado a ser cozinha de outro destinado a ser quarto. mas não há nada de comum entre a divisão interna de uma casa e as demais. na Reservas Indígenas Xerente e Funil Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê.. representando a Comunidade Tocantinense. perto da cidade de Tocantínia. (. uma parcela dos índios Xerentes trabalha como professores e em cargos administrativos estaduais e federais. É também bastante comum que as famílias construam atrás ou ao lado da casa de taipa ou adobe uma área com cobertura de palha que serve de cozinha. refletindo as mudanças operadas com o advento da sua emancipação político-administrativa e fazendo-se instrumento de orientação do seu progresso.. sob a proteção de Deus. apoiados pela Funai e Naturatins . 1975) descreve: "Ocorre algumas vezes que a casa krahò tenha paredes internas.órgão do Estado responsável pela preservação ambiental. Mellati (in: MELATTI. jiraus baixos com esteiras de buriti. Xerente Akwê. esteiras e adereços que são comercializados nas cidades próximas da reserva ou enviados para outros estados. "gente importante".C. sementes nativas e o capim dourado. com liberdade. Encontra-se no interior da morada. Atualmente.Procambix. Título I . arroz. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins. funcionários do Programa de Compensação Ambiental Xerente . Símbolos do Estado A Bandeira CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS 1989 PREÂMBULO A Assembléia Estadual Constituinte. As matérias-primas usadas na confecção do artesanato são a palha de babaçu. utilizando a casa apenas para dormir. bolsas. em pequena escala. "indivíduo". do qual fazem cestas. igualdade e fraternidade. um para cada casal e camas a um metro e meio a dois metros de altura. redes. começa a cozinhar no quarto e a primitiva divisão se transforma". plantam milho. mas logo algum casal da casa se instala na cozinha.Atualmente os Krahò constroem suas casas de taipa ou mesmo de adobe ou tábuas de madeira fazendo uma divisão interna. mandioca e. vivem da agricultura tradicional da "roça de toco". promulga a sua primeira Constituição. cercadas por paredes de esteiras para as moças. Ação realizada por técnicos indígenas e não índios.

III .. partido. pois. 101º da República ano 1º do Estado do Tocantins. Por seu desenho simples e despojado de filigranas. 17 de novembro de 1989. Miracema do Tocantins.. 3° . não oferecendo o risco da tão indesejável contraposição.. de fácil visualização e apreensão. respectivamente. a derramar seus raios sobre o futuro do novo Estado. O projeto da Bandeira aqui representado traz a mensagem de uma terra onde o sol nasce para todos..Seção I . II Cores Convencionais Heráldica.. 168º da Independência. que parece denotar um impulso humano ao concreto e a necessidade inelidível de fixar em um símbolo a unidade de suas aspirações em uma ordem coletiva qualquer..DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. Art.. representando todos esses valores de forma a mais harmônica possível sem ferir.3 (dois e três décimos) módulos de raio. tem a seguinte definição: Pedaço de pano.1 (nove e um décimo) módulos.Construção Modular). em branco. Uma definição muito pobre do verbete. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 094/89. de 17 de novembro de 1989. Descrição Geométrica 45 / 49 . entre os campos azul (blau) e amarelo (ouro). com uma ou mais cores. é uma das formas superiores da Heráldica. colocado sobre uma barra branca. com catetos de 13 (treze) por 9.Fica instituída a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. a reverência ao seu passado. o sol. Art.São símbolos do Estado: a bandeira. com 4 (quatro) e 2. tal como o Brasão de Armas. 3º . nas cores azul (blau) e amarelo (ouro). que passam a fazer parte integrante desta Lei. a confiança do seu presente e a esperança no seu futuro. SIQUEIRA CAMPOS Governador do Estado BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS Memorial Justificativo A palavra bandeira. contudo.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. revogadas as disposições em contrário. 1°. com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores. constituída de um desenho simples e despojado de filigranas. de amarelo ouro. como símbolo máximo a pairar sobre o novo Estado do Tocantins.. do gótico BANDWA. como consta do memorial justificativo e arte (I . Art. 2°. esta Bandeira será de fácil visualização e apreensão. o hino. às vezes com legenda. § 1° .Representação Policromática. 2º . corporação.A BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição geométrica: Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (catorze) de largura.. que se hasteiam num pau. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. as armas e o selo estadual. cores que expressam respectivamente o elemento água e o rico solo tocantinense. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro). deve ser a síntese dos sonhos e ideais mais caros de seu povo. símbolo da paz.. elaborados por José Luiz Moura Pereira. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos. não oferecendo o risco da contraposição. pois a Bandeira. sendo o que poderíamos chamar de propaganda espiritual. o que determinam as regras de vexilologia. etc. Institui a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. estandarte + eira . A Bandeira.Palmas é a Capital do Estado. Art. em anexo. e é distintivo de uma nação. sinal. segundo o Novo Dicionário Aurélio. 1º . A barra resultante dessa divisão.

em chefe de azul (blau).Expressão e Cultura . Ano 4 . C. H. · RIBEIRO. Clóvis. Sob o escudo. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores limitado na linha divisória. · FAYARD. em branco. GRAMÁTICA ARÁLDICA. · LANGHANS. D. de Almeida. um listel de azul 46 / 49 . (ver Anexo II Modular). J. . · O TOCANTINS.Fica instituído o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. Gofredo. 1951. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. HERÁLDICA . LEX.Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (quatorze) módulos de largura. Olímpio . A. Ulrico Hoelpi . de 17 de novembro de 1989. Paulo Editora Ltda. uma asna de azul (blau). LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. .Lisboa.Milano. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. 1º . Presidência da República . A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. Gabinete de Heráldica Corporativa . · V. A barra resultante desta divisão. Paulo. P. SCHRICKEL.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. Cria o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. 1933.nº 11. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. Editorial Êxito S. o termo ou campanha. constituído de um escudo elíptico cortado. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. A metade inferior. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro) com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores com 4 (quatro) e 2.. D. Bibliografia · DI CROLLANZA. · RUNES. S.Barcelona. na metade superior. Publicações Ltda.S. 1966. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. Legislação Federal 1968.3 (dois e três décimos) módulos de raio. ladeada nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro).1986. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos com catetos de 13 (treze) por 9 (nove) módulos nas cores azul (blau) e amarelo (ouro) respectivamente. 1976. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. Brasão GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 092/89. Ed.1972. Enciclopédia Britânica do Brasil. F.

criados por José Luiz de Moura Pereira. Escolhemos a forma elíptica para o escudo. representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins. O Brasão de Armas. e em termo ou campanha com uma asna a 45º (quarenta e cinco graus) com largura de 1.em letras brancas sobre listel de azul (blau). Sob o escudo um listel de azul (blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data de sua criação 1º de janeiro de 1989 em letras brancas.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. com 8 (oito) módulos de largura. aí reinará. representativa da condição do Estado do Tocantins. aí introduzidos em substituição aos metais e prata. Em timbre. por seu caráter simbólico. 168° da Independência. A asna em azul (blau) cor falante do elemento água. como uma das unidades da Federação Brasileira sob a divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" . com a inscrição Estado do Tocantins em letras de 1 (um) módulo e a data 1º de JAN 1989 com 0. Em timbre. 17 de novembro de 1989. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). em sinople (verde) como justa homenagem e reconhecimento ao valor dos tocantinenses cujo esforço e determinação transformaram aquele sonho tão longínquo na mais viva realidade. cujo futuro se ergue promissor e fecundo. por ser esta a que melhor se coaduna com a alegoria nele representado: o sol de amarelo (ouro) do qual se vê apenas a metade despontando no horizonte contra o azul (blau) do firmamento . com bordadura de azul (blau). cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. deve ser a síntese dos ideais mais caros do seu povo. COMO CONSTA DO Memorial Justificativo e arte (I .(blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data 1º de JAN 1989 em letras brancas. a contar do centro para baixo. Como suporte.5 (três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. surgiu a necessidade de fixar em um símbolo a unidade das aspirações do seu povo.5 (meio) módulo de altura. II .Cores Convencionais Heráldicas. que passam a fazer parte integrante desta Lei. em anexo.ESTA TERRA É NOSSA . Os campos em amarelo (ouro) o branco. como expressão máxima de sua identidade entre os demais estados da Federação Brasileira. como uma forma superior de Heráldica. No projeto que ora apresentamos.O BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição modular: Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. Sob o escudo. com bordadura de azul (blau). Art. uma estrela de amarelo ouro. Art. um listel com 1. 101° da República e Ano 1° da Estado do Tocantins. presentes na Bandeira adotada e já consagrada pelo gosto popular e lembram respectivamente a opulência do rico solo tocantinense e também a paz que à mercê de Deus. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa CO YVY ORE RETAMA em letras de 0.ESTA TERRA É NOSSA .imagem idealizada ainda nos primórdios da história do novo Estado quando sua emancipação mais parecia um sonho distante e inatingível e simboliza o estado nascente. 3º . uma vez que existem inúmeros precedentes tanto na Heráldica nacional quanto na universal. respectivamente. uma grandeza que surge. Brasão de armas 47 / 49 . dentro de uma bordadura de 1. a coroa de louros que cingia a fronte dos heróis vitoriosos. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. revogadas as disposições em contrário. Sobre a estrela. mas tão somente a repetição das cores.em letras brancas sobre listel azul (blau). uma afirmação no seu presente e uma mensagem de otimismo para as gerações do futuro. encimada pela divisa em Tupi CO YVY ORE RETAMA . 2º .8 (um e oito décimos) de módulo de largura. III Construção Modular). não constituem nenhuma violação aos cânones da arte da armaria. Miracema do Tocantins. procuramos ressaltar esses valores de forma a mais harmônica possível dentro do que determinam as regras da Heráldica.5 ( um e meio) módulo. SIQUEIRA CAMPOS Governador Memorial Justificativo Com a divisão do Estado de Goiás e a conseqüente criação. a reverência do seu passado. fonte perene de riquezas e de recursos hidroenergéticos.Representação Policromática.5 (meio) módulo de altura.

Milano. dentro de uma bordadura de 1. · FAYARD.Escudo elíptico cortado. Ano 4 . Bibliografia · DI CROLLANZA.1986. Ulrico Hoelpi . · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. C. (ver memorial). listel de azul (blau) com a inscrição "Estado do Tocantins" e a data "1º de janeiro de 1989" em letras brancas. .Expressão e Cultura . ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES.1972. Publicações Ltda. em chefe de azul (blau). · LANGHANS. Sob o escudo. F. 1933. Em timbre. Ed.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. Paulo. · RIBEIRO. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). A. Paulo Editora Ltda. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. H. Sobre a estrela. Hino Estadual O sonho secular já se realizou Mais um astro brilha dos céus aos confins Este povo forte Do sofrido Norte Teve melhor sorte Nasce Tocantins [ESTRIBRILHO] 48 / 49 . um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa "CO YVY ORE RETAMA" em letras de 0. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. respectivamente. S. . BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL.. Gofredo. P. HERÁLDICA . Gabinete de Heráldica Corporativa . 1976.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. SCHRICKEL. termo ou campanha. Enciclopédia Britânica do Brasil. · O TOCANTINS. listel com 1. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. a contar do centro para baixo. GRAMÁTICA ARÁLDICA. Presidência da República . na metade superior. com a inscrição "Estado do Tocantins" em letras de 1 (um) módulo e a data "1º de janeiro de 1989" com 0.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio.5 (meio) módulo de altura. Clóvis. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. e em termo ou campanha com uma asna a 45º ( quarenta e cinco graus) com largura de 1.S. ladeado nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). A metade inferior. Descrição modular Escudo elíptico de 60º (sessenta graus).5 ( três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. LEX. Olímpio . J.5 ( um e meio) módulo. 1951.5 (meio) módulo de altura. limitado na linha divisória. D. Sob o escudo. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. uma asna de azul (blau). 1966. · RUNES.Barcelona. com bordadura de azul. Editorial Êxito S.Lisboa.nº 11. de Almeida. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores. Legislação Federal 1968. com 8 (oito) módulos de largura. encimada pela divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" em letras sobre listel de azul (blau). · V. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. D.

[ESTRIBRILHO] De Segurado a Siqueira o ideal seguiu Contra tudo e contra todos firme e forte Contra a tirania Da oligarquia. Pela tua Glória Morro. Tua rica história Guardo na memória. contempla o futuro Caminha seguro. por tuas riquezas. És o Tocantins! Do bravo Ouvidor a saga não parou Contra a oligarquia o povo se revoltou. O povo queria Libertar o Norte! [ESTRIBRILHO] Teus rios. Teu povo valente. Sem medo e temor. tuas matas. tua imensidão Teu belo Araguaia lembra o paraíso. se preciso! [ESTRIBRILHO] Pulsa no peito o orgulho da luta de Palma Feita com a alma que a beleza irradia. mas valente. persegue os teus fins Por tua beleza. Povo consciente.Levanta altaneiro. Que venceu um dia! Letra: Liberato Póvoa Música: Abiezer Alves da Rocha 49 / 49 . Somos brava gente. Vejo tua gente. Tua alma xerente. Simples.

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