Emancipação

O Estado do Tocantins foi criado no dia 5 de outubro de 1988, com a promulgação da oitava Constituição Brasileira. A conquista foi resultado de uma luta que começou no século XIX e culminou com um projeto de lei do então deputado federal José Wilson Siqueira Campos, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1985, após ter sido vetado em duas ocasiões pelo presidente da República, José Sarney, que considerava o plano oneroso e desprovido de interesse público. A luta pela autonomia do Estado sempre foi um desejo antigo do povo do então norte de Goiás. Já em 1821, o desembargador Joaquim Theotônio Segurado rebelara-se contra o isolamento imposto na região, proclamando o Governo Autônomo do Tocantins. Apesar da pouca duração desse governo, a iniciativa serviu para espalhar o sentimento separatista entre a população. Mais tarde, em 1920, a divisão entre o norte e o sul de Goiás foi novamente defendida por José Pires do Rio, ministro da Viação e Obras Públicas do presidente Rodrigues Alves. A idéia foi bem recebida, mas não se materializou. A luta recente pela emancipação do Tocantins foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília (DF). Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia a Região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Porto Nacional, Tocantinópolis, Natividade e outras localidades. Para dar ênfase à prioridade da emancipação, Siqueira Campos submete-se a uma greve de fome, determinado a ir às últimas conseqüências. Como resposta, ele conseguiu a aprovação quase unânime no Congresso Nacional. A Capital Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte, e a cidade escolhida foi Miracema do Tocantins. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o legislativo e o executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro Governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice, o juiz federal aposentado Darci Coelho. A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes executivo, legislativo e judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do País em busca de oportunidades. Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com uma população que ultrapassa 150 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no País.

Geografia
O Estado do Tocantins está localizado no Centro Geodésico do Brasil, e possui uma área de 278.420,7 Km2. Com uma população de 1.157.098 (IBGE 2000), o Estado faz divisa com seis Estados: Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Por estar em uma área de transição, apresenta características climáticas e físicas tanto da Amazônia Legal quanto na zona central do Brasil, com duas estações: seca e chuvosa. O clima é tropical e a vegetação predominante é o cerrado, que cobre 87,8% da área total do Estado. O restante é ocupado por florestas. O relevo tocantinense é formado por depressões na maior parte do território, planaltos a Sul e Nordeste, e planícies na região central. O ponto mais elevado é a Serra Traíras (1.340 metros). O Tocantins é dono de muitas belezas naturais, entre elas a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na região sudoeste do Estado, onde também estão o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Nacional Indígena. 1 / 49

A maior bacia hidrográfica totalmente brasileira também está localizada no Estado - a bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Manuel Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.

História
Apresentação "O que será toda essa riquíssima região no dia em que tiver transporte fácil pelo rio, ou uma boa rodovia ligando todos esses núcleos de civilização. E sonhamos... com as linhas aéreas sobrevoando o Tocantins, vindo ter a ele ou dele saindo para os diversos quadrantes. As rodovias chegando a Palma, a Porto Nacional, a Pedro Afonso, a Carolina, a Imperatriz, vindos de beira mar! O tráfego imenso que a rodovia Belém do Pará - Imperatriz - Palma teria, se aberta ! (...) E pensamos: quantas gerações passarão antes que este sonho se realize! (...) mas tudo vem a seu tempo!" (Lysias Rodrigues) Já sonhava Lysias Rodrigues na década de quarenta quando defendia a criação do território do Tocantins. E o tempo chegou ! Foi criado pela Constituição de 1988 o Estado do Tocantins. Sua capital não é a Palma de que fala Lysias mas é Palmas em homenagem a esta, a vila da Palma, antiga sede da Comarca do Norte. E as rodovias e linhas aéreas já vêm e saem do Tocantins "para diversos quadrantes". Muitas gerações compartilharam o sonho de ver o norte de Goiás independente. Esse sentimento separatista tinha justificativas históricas. Os nortistas reclamavam da situação de abandono, exploração econômica e descaso administrativo e não acreditavam no desenvolvimento da região sem o seu desligamento do sul.

O norte de Goiás
O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins. Segundo Parente (1999) esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente norte de Goiás foi denominativo atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico essa denominação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores que "em quinze anos abrem caminhos e estradas, vasculham rios e montanhas, desviam correntes, desmatam e limpam regiões inteiras, rechaçam os índios e exploram, habitam e povoam uma área imensa...." (PALACIN, 1979, p. 30). Descoberto o ouro a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concretizando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, 1999,p.96).

A economia do ouro 2 / 49

"(...) descobrimento, um período de expansão febril, caracterizado pela pressa e semi - anarquia; depois, um breve, mas brilhante, período de apogeu, e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência, prolongada, às vezes, como uma lenta agonia. Tal é o ciclo do ouro"(PALACIN).

As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação, segundo Palacin (1979), da bandeira do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva (filho do primeiro Anhanguera que esteve com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O Rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto que "segundo ordenação do reino este era uma decorrência do domínio real sobre todo o subsolo (...) o rei (...) não querendo realizar a exploração diretamente cedia a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal fundido e apurado a salvo de todos os gastos" (PALACIN, 1979, p. 46).

O controle das minas
Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi "fiscalizado e vexado". E o fisco, insaciável na arrecadação. "Só havia uma indústria livre: a mineração", concluiu Alencastre (1979, p.18), "(...) mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de registros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao quinto (...) ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de contrabando (...)". À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabava ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

A decadência da produção
A produção do ouro goiano teve nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas (17261735) o seu apogeu, foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resultando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, nesse momento, a produção começou a cair "é possível afirmar que essa queda da produtividade está mascarada pelo incremento do contrabando - principalmente nessa região que, infelizmente é impossível mensurar"(PARENTE, 1999, p.42). De 1752 a 1778 a arrecadação chegou a um nível mais alto, é o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras que compensava e excedia a redução de produtividade. As distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e os perigos dos ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante "por não arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de sua manutenção" (PARENTE, 1999, p. 51). A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e a vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi a organização de bandeiras para tentar novos descobrimentos. Segundo Póvoa (1999) tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-

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se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante. A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia, Goiás) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição, chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível "arrastando consigo os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação e do comércio externo, menos rendimentos dos impostos, diminuição da mão-de-obra por estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural" (PALACIN, 1979, p.133). Toda a capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapitalizados. Não investiu em técnicas mais sofisticadas para a exploração do ouro nem resolveu o problema da falta de escravos. A avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais o ouro ia sendo abandonado. "Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, nada nos legaram em benefícios de civilidade, a não ser o expansionismo geográfico", concluiu Silva (1997, p. 41). Cada vez se adentrava mais para o interior procurando o ouro aluvional, mas as buscas foram em vão. Foi no norte da capitania que a crise foi mais profunda. Parente (1999) aponta os fatores determinantes. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agro-pecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas e o risco freqüente de ataques indígenas dificultavam o comércio. Além destas dificuldades o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania. "Para facilitar e agilizar a cobrança desses tributos, a capitania de Goiás se dividia em duas (sul e norte), no momento de se repassarem as rendas, essa divisão não valia, o que beneficiava os arraiais mais próximos da sede do governo, localizados no sul, que faziam parte dos povoamentos nas rotas comerciais com as outras capitanias" (PARENTE, 1999, p.92). Isso explica por quê essa renda não ficava na região de origem. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital e o atrofiamento do mercado interno, findo o ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise levando, diante desse quadro, os governantes goianos voltarem "suas atenções para as atividades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara" (PARENTE, 1999, p. 93).

A Subsistência da população e a integração econômica
"Realizada a transmutação, por toda a geografia de Goiás na segunda década do século XIX, encontram-se carcaças de antigas povoações mineiras outroras cheias de vida, o capim cresce nas ruas, a maior parte das casas abandonadas por seus habitantes se desmancham e até as igrejas, a começar por suas torres, vão caindo aos pedaços (...) O norte, sobretudo, foi mais de século em recuperar-se" (PALACIN). Finda a mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros essenciais (PALACIN, 1989, p.46).

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ferro e manufaturas. promoviam a fixação dos índios. através dos rios Araguaia e Tocantins (CAVALCANTE.55). da agricultura. Mas.. Saint-Hilaire na divisa norte/sul da Capitania revelou: "À exceção de uma casinha que me pareceu abandonada. naquele momento para essas vias de comunicação constituía-se numa necessidade premente da Capitania por não ser mais possível manter gastos com o único meio de transporte utilizado até então . Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi Ouvidor da Comarca do norte. Além dos entraves naturais do próprio rio .devido á baixa produtividade das minas" (CAVALCANTE. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio. Diante dessa situação. no norte. "Os aldeamentos. só a partir dos anos 40 do século XIX que o poder público .. p.somavam-se os custos das viagens. a falta de suporte para as mesmas. " (. o estímulo à agricultura.39). Minas Gerais e Rio de Janeiro" (CAVALCANTE. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins. Johann Emanuel Pohl. visto que. ainda que de forma precária e inexpressiva. Também buscaram atrair a população não-índia para as terras próximas a esses rios através da isenção fiscal por dez anos aos lavradores que ali se estabelecessem. Como efeito imediato o norte começou a se relacionar com o Pará.cachoeiras e corredeiras . pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela região nas primeiras décadas do século XIX. as dificuldades de administração e os ataques indígenas foram os principais empecilhos. não vi o menor trato de terra cultivada. 1999. passando pelo povoado de Santa Rita constatou . tornando possível utilizá-los como tripulação dos barcos que desciam rumo ao Pará" (ROCHA. daí as execuções. não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade. O isolamento. O governo imperial instalou na Província presídios e colônias militares e estabeleceu aldeamentos ao longo dos rios Araguaia e do Tocantins. nem o aldeamento dos índios. saíam por um preço três vezes menor do que os julgados do sul pagavam às importações oriundas de São Paulo.) as importações de sal.)Agora por não haver negros. As picadas. prover os navegantes de víveres e garantir apoio logístico à navegação". em relatório de 1806. 1999. os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia. 1999. em visível decadência . Esses aldeamentos foram mais promissores na medida em que constituíram. Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará.Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica. a carência de mão-de-obra para a navegação das embarcações. 5 / 49 . da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes.) A Capitania nada exportava.. todos interditados na época da mineração para conter o contrabando. os núcleos iniciais de cidades como Tocantínia (antiga Piabanha). vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas. A navegação do Tocantins prosseguiu. Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral. O Desembargador Theotônio Segurado. despovoamento. por falta de braços. nenhum viajante. "Os presídios incumbiam-se de afastar os índios hostis. Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins. embora cercada de imensos obstáculos. a formação de sociedades mercantis e a instalação da navegação a vapor no Araguaia não foram suficientes para viabilizar a comunicação dos julgados do sul com o Pará. "Voltar as atenções. daí a total ruína da Capitania".. pela navegação fluvial dos rios Tocantins e Araguaia.as tropas de animais . Nas primeiras décadas do século XIX. No norte o quadro de abandono.(. p59). p. chegavam caríssimos. foram liberados desde 1782. 1998. nem mesmo um único boi". Contudo. o tempo gasto nas viagens e o perigo dos ataques indígenas. os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos. aos comerciantes."é um lugar muito pequeno. Os esforços governamentais se concentraram principalmente no rio Araguaia na intenção de trazer também para os julgados do sul as vantagens do comércio com o Pará.tanto provincial quanto imperial investiu no sentido de explorar a navegação com fins comerciais..39). Na linha do rio Tocantins não obtiveram sucesso no seu intento. Pedro Afonso e Araguacema (antiga Santa Maria do Araguaia). a Coroa portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento. Minas Gerais e São Paulo. através da capitania do Pará. sob a direção de padres capuchinos. via Bahia e Pará.. que mais tarde tornaria ouvidor da Comarca do Norte. o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa. deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da falta de meios para contrapor esse quadro: "(. concessão de privilégios na exportação para o Pará.. e. o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem. anos depois. as lavras de ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas". diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia. o Desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania.. p.

rumo a praça de Belém. ou permaneciam na tradição familiar com a criação de gado. saíam botes. peles silvestres e carne seca. couro de boi. Taguatinga. vinham as manufaturas. 1999.. Tocantinópolis e Nazaré são exemplos de cidades do estado do Tocantins que nasceram de currais de gado. São Pedro de Alcântara (Carolina-Ma) e Boa Vista (Tocantinópolis). A pecuária praticamente determinou o processo de ocupação econômica da região nos séculos XIX e XX. algodão. o gado também abriu caminhos para o interior do sertão. etc. barcos motorizados carregados de mercadorias como fumo. batelões e.Obstáculos que o poder público não conseguiu transpor como também não conseguiu suprir a ausência de um produto exportável que mantivesse a região vinculada à metrópole ou mesmo às outras Províncias mais desenvolvidas economicamente. de onde eram redistribuídas as mercadorias importadas de Belém e repassados os produtos sertanejos. predominou. Nas próprias fazendas. cravo-da-índia. A agricultura não alcançou um nível de produção comercial por fatores ponderáveis como o isolamento geográfico em relação aos grandes centros produtores. A pecuária. Já no final do século XVIII e por todo o século XIX multiplicaramse as fazendas de gado no norte. Rio de Janeiro.19). Além de gado. A caça e a pesca também eram atividades subsidiárias. criadores e tropeiros. Da conjugação das várias fazendas. as fazendas de gado já estavam consolidadas e revelaram um novo tipo de sociedade onde a criação de gado. ervas. tornaram-se forte atrativo aos criadores de gado do Maranhão e Piauí que. Alguns fazendeiros dividiam seu trabalho entre o campo e a cidade. Ponte Alta do Bom Jesus. 6 / 49 .. mais tarde. Silvanópolis.) a proximidade do norte e nordeste de Goiás ao litoral norte e nordeste e. Eram vaqueiros e remeiros. canoas. Lizarda. desenvolveu-se a pequena lavoura para complemento alimentar. Paralelamente. constituídos de vaqueiros. a segunda. Sesmarias eram lotes de terra cedidos pela Coroa portuguesa. ao longo do século XIX. originaram-se os núcleos urbanos. ainda. fumo em rolo. portanto. Os filhos dos fazendeiros ricos ou iam estudar em Carolina. cabras e ovelhas. ela foi de vital importância para a economia do norte na medida em que integrou o sertão ao mercado de Belém. praticada de forma extensiva. ferro e produtos do reino. pólvora.. apesar de dominante. se desenvolveram e alcançaram autonomia e maior expressão na região. etc. Porto Nacional.. Araguatins. No século XX. Os vaqueiros. Pedro Afonso. botões. medicamentos diversos. cana-de-açúcar. as dificuldades dos meios de transportes e de comunicação. ao norte. Salvador. novelo de linha. não foi exclusiva. No final do século XIX.. cachaça. sal. intercalavam seu trabalho no campo com a atividade de barqueiro no rio Tocantins. sustentada pela perseverança dos comerciantes do norte. Duas foram as razões: `(.) ´"(CAVALCANTE. Sob o estímulo da pecuária surgiram agrupamentos humanos ruralizados. onde residiam e estabeleciam comércio onde vendiam querosene. criavam porcos. Se não atendeu aos propósitos de soerguer economicamente toda a região. Plantava-se. transformaram-se em prósperas vilas como Porto Imperial (atual Porto Nacional). então. o incentivo geral da Coroa na concessão de sesmarias mais extensas aos interessados na atividade pecuária (. rapadura. "As pastagens naturais. Entrepostos comerciais. p. De lá. a inexistência de mercados consumidores e as constantes ameaças de ataques da população indígena. açúcar grosso. proporcionando um surto de desenvolvimento em vilas e povoados. constantemente. pimenta-do-reino. o indispensável para o consumo e para a aquisição de alguns produtos básicos de importação como sal. A navegação prosseguiu. em razão do declínio da exploração aurífera ter sido mais rápido na região e.

não foi suficiente para superar a debilidade dessa relação inter-regional devido ao desequilíbrio existente na estrutura viária do estado. tinha ficado ainda mais debilitado depois da construção da ferrovia no sudeste goiano. no início do século XX. fez parte de uma época áurea na história desses municípios. "Há informação de que até 1983 alguns municípios do norte de Goiás. Cristalândia. Só a rodovia. Em Araguatins. 1997.carne das partes dianteiras do boi. a ocupação econômica do extremo norte e do Médio Tocantins foi sustentada pelo extrativismo mineral e vegetal: o babaçu. centralizando os negócios do Médio Araguaia e Tocantins com a praça de Salvador. Arapoema e Xambioá foram favorecidas com a exploração do quartzo (cristal de rocha) que ganhou mercado com a Segunda Guerra Mundial. 1999. o babaçu e o mogno aqueceram o comércio da região. essa atividade continuou movimentando a economia regional e trouxe surto de prosperidade para algumas povoações. Na década de 1960. Guaraí. A construção da estrada-de-ferro integrou economicamente o centro-sul de Goiás ao centro-sul do país. se praticamente inexistia. Tocantínia-Pedro Afonso-Carolina. Essa situação obrigou o Banco do Brasil a recusar. Nas décadas de 1940 e 1950. na Bahia (SILVA. porém. até o final da década de 1950. No norte goiano. possuía a maior frota de barcos e era o maior centro urbano de todo o norte goiano na metade do século XIX. Os investimentos federais ou estaduais . Anapólis. Colinas e Araguaína. p. provocando um redirecionamento do comércio. Paraíso. a Belém-Brasília provocou muitas alterações na economia local. O sal vinha de Mossoró (RN) via Barreiras e o café. Esse comércio foi feito inicialmente por via fluvial e continuou por via aérea. salgada e dobrada em forma de manta . 89). Com a BR-153 essa situação foi amenizada. como fonte de renda. 1997.43). o caucho e o cristal. pólo industrial do Estado de Goiás. Boa Vista. Pará e Bahia. Itacajá e outros. Miranorte. ficaram praticamente ilhados. A rodovia promoveu uma nova rearticulação do comércio inter-regional que. O charque . se tornou o novo centro abastecedor do norte goiano. perde para a pacata vila de Pedro Afonso que com o látex da mangabeira (caucho) assume a liderança de empório do sertão. Piauí e Bahia. As transações eram feitas a dinheiro ou à base de permuta (SILVA. p.nessa área eram destinados principalmente a promover a integração do centro sul de Goiás com o centro sul do país. p. Ainda se 7 / 49 .75). naquele momento. látex de mangabeira (Belém e Bahia) e gado em pé (Bahia e Piauí). No século XX. pedidos de financiamento agrícola sob a alegação de que as safras não seriam escoadas" (CAVALCANTE. 30 e 40 do século XX. como Goiatins. a instalação de charqueadas incrementou o comércio de Pedro Afonso e Araguacema com o Pará. tiveram sua origem ou se desenvolveram. esta região se relacionava basicamente com o Maranhão. As linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado. O extrativismo. Eram vendidos couros de boi e peles silvestres (Pará e Maranhão). visto que. todas localizadas à margem esquerda do rio Tocantins. declina a navegação mercantil. com a construção da Br-153. Pium.era vendido para a praça de Belém. Cidades como Gurupi. alargando a distância das relações entre o norte e o sul de Goiás. de Corumbá de Goiás. Nesse mesmo período. Maranhão. as povoações situadas à margem direita do rio ficaram isoladas da nova rota de desenvolvimento. atual Tocantinópolis. Por outro lado. Nos anos 20.O intercâmbio comercial dessa região era maior com as praças de Belém. Carolina-TocantinópolisBelém foram desativadas. com a construção da rodovia Br-153 ou Belém-Brasília ligando o Planalto Central à Belém do Pará.

Isso ocorreu principalmente no espaço que compreende o rio Araguaia e a Belém . a cobrança do quinto .o boi vegetal . As pastagens naturais e a vegetação nativa cederam espaço para o plantio de novos pastos. o novo modelo de desenvolvimento possibilitou a concentração de terras com a formação de latifúndios voltados para a pecuária. A Primeira Cisão . em proporção muito menor. o norte de Goiás se tornasse alvo para investimentos governamentais com o objetivo de incorporar a região ao mercado nacional como produtora de bens exportáveis. p. O governo federal criou programas dirigidos principalmente à Amazônia.tentou reativar a navegação dos rios Araguaia e Tocantins com a criação da Companhia Interestadual dos Vales Araguaia e Tocantins . em detrimento dos tradicionais milho e feijão. a consolidação da integração econômica. 1997. com o Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia Araguaia . a agricultura foi reorientada.foi substituída pela capitação que passou a cobrar uma taxa de imposto sobre cada escravo utilizado. através do rio Araguaia e Itaguatins. A Belém-Brasília "ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira de desenvolvimento" (SILVA. borra.com seus 80 subprodutos.CEORTA e. no lugar do gado vacum pé duro.pagamento em ouro em pó sobre a produção . carvão ativado. Já a persistência de métodos tradicionais na produção e nas relações de trabalho diante do novo demonstrava a heterogeneidade dessa expansão.. passou a predominar as raças gir e nelore.1736 Na época da mineração. ainda preservam um intercâmbio comercial e cultural com o Pará e Maranhão. continua a fazer parte do cotidiano de algumas cidades. álcool. p.CIVAT. objetivando a exportação de arroz e soja.93). por exemplo. torta para ração animal etc. Mas as estradas de rodagem já se expandiam oferecendo uma opção de tráfego mais fácil e viável. constituía-se num desafio para o futuro Estado do Tocantins. as minas localizadas ao norte da capitania de Goiás eram consideradas mais ricas do que as do centro-sul. como óleo comestível ou industrial.Brasília onde "a pata de boi invade os babaçuais que passam a ser vítimas das queimadas.94). acrescido de uma 8 / 49 . do rio Tocantins. iniciando uma nova fase de modernização no processo de ocupação e causando impactos na organização da produção e na estrutura fundiária da região. todavia. Araguatins. Como conseqüência desse processo houve a desapropriação dos antigos moradores locais pelos grandes proprietários desencadeando graves conflitos sociais.." (SILVA. a pecuária foi consolidada como atividade econômica básica e. vai dando espaço ao desenvolvimento da SUDAM. A polarização de recursos em pontos diferenciados acentuou o desequilíbrio regional. Nas décadas de 1970 e 1980 na região norte de Goiás configurou-se uma nova paisagem marcada pela descontinuidade e heterogeneidade da expansão modernizadora. Um exemplo concreto desse fenômeno foi a posição privilegiada que o município de Araguaína conseguiu em relação aos demais com o recebimento de mais recursos. Com o fim da política de investimentos e de crédito do governo federal. E o babaçu . 1997. o que permitiu que a partir da década de 1970. a navegação fluvial como meio de subsistência. Por isso. mais tarde. com a expansão da modernização e a incorporação de novas áreas. Em relação a estrutura fundiária.Tocantins (PRODIAT). Ainda assim. da Comissão de Estudos e Obras dos Rios Tocantins e Araguaia . a arrecadação de impostos era inferior. mas também difundidos em 60 municípios do norte goiano. Quanto à produção.

que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias.1809 Para facilitar a administração à aplicação da justiça e. na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. especificamente no litoral. p. sob a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do Pe. Conceição. ponto que começava a prosperar com a navegação do Tocantins. conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. e o Pe. 1999. administrador da comarca do norte. nunca de toda reparada. O Pe. O arraial do Carmo que já tinha sido cabeça de julgado perde essa condição que foi transferida para Porto Real. assim como chamaria a vila que. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. por ser a data da criação da Comarca do Norte. Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados. muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará.54). essas idéias liberais refletiram na tentativa de derrubar "aquele que era a própria personificação da dominação portuguesa": o capitão-general Manoel Sampaio. foi aclamada no norte onde já havia anseios separatistas. O 18 de março foi. não hesitou em reivindicar legalmente autonomia político administrativa dessa região" (CAVALCANTE. A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila comarca. a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real. mas nunca chegou a ser construída. caso o governo insistisse na cobrança de um imposto que consideravam injustas. 1999. enviado para a aldeia de Formiga e Duro.50). p. exigindo a recolonização do Brasil mobilizou. principalmente. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos interesses regionais e.50). o Alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã. considerado o Dia da Autonomia pela Lei nº 960 de 17 de março de 1998. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras. o Ouvidor e o povo do norte solicitaram a D. Alguns vieram para o norte. a vila de Palma. José Cardoso de Mendonça. 1979. Essa diferenciação fiscal teve como justificativa o alto índice de contrabando na região em função do seu isolamento. p. Mais uma vez Sampaio impôs sua autoridade e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. Arraias. A atitude dos mineiros. Este episódio deixava evidente o caráter esporádico das relações entre o norte e o sul que só existia "em função de atos administrativos isolados com finalidades meramente fiscais ou jurídicas" (CAVALCANTE. em Portugal. Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. O Pe. como o capitão Cardoso. Ficaram dois anos sem pagar e só voltaram em igualdade de condições com as outras regiões. Contra essa discriminação se levantaram os mineiros do norte ameaçando desligarem-se da Superintendência do centro-sul e ligar-se ao Maranhão. depois de fracassada na capital. estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado. O ouvidor Theotônio Segurado. p. "tão logo se mostrou oportuno. No lugar escolhido por Segurado. A idéia da nomeação de um governo provisório. o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a comarca do sul e a comarca do norte. A Comarca do Norte recebeu a denominação de Comarca de São João das Duas Barras. Luiz Bartolomeu Marques. causou "a primeira cisão. Natividade. Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821. São Félix. oficialmente. Natividade teria a sede da ouvidoria. Traíras e Flores. Em Goiás. Marques recebeu ordens para se manter afastado da capital. houve uma denúncia sobre o golpe e. hoje a cidade de Paranã. Contudo. segundo Palacin. geográfico e histórico" (CAVALCANTE. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. Tal situação alimentou o sentimento de desligamento regional que mais tarde iria se evidenciar como "algo natural. Para nela servir foi nomeado o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado como o seu Ouvidor. Cavalcante.52). A Criação da Comarca do Norte .1821 a 1824 A Revolução do Porto no ano de 1820. foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes. incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia. O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a 9 / 49 . em seguida. 1999. O Movimento Separatista do Norte de Goiás . aqui na colônia. na consciência de unidade do território de Goiás" (PALACIN.sobretaxa para as minas do norte. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local.

1979. "No dia seguinte. S. política. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. Depois de reunidos todos os deputados. papel selado. No dia 14 de setembro. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. . da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. Para este fim contavam com o vigário de Cavalcante. e tenhamos segurança pessoal. Theotônio Segurado.. O Ouvidor da Comarca do Norte. onde reside interinamente o governo provisório. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. ou por mal delineado. Saídas de gados. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. com capital provisória em Cavalcante. ou por ser rebatido por força superior. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais.Proclamação. mas deu vivas a D. cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Teotônio Segurado (. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. décima. não tendo bastante prestígio e influência. ferro. a virtude e a ciência. p. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. p. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. banco.. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE.independência do Brasil. com capital provisória em Cavalcante. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. política. ou por ser 10 / 49 . entrada de sal. Theotônio Segurado. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros.)" (ALENCASTRE. aço e ferramentas ficam abolidas. administrativa e geográfica. se decidirá qual deve ser a capital. O Ouvidor da Comarca do Norte. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. Palmenses! Sejamos livres. 1979. mas deu vivas a D. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. Eles continuam na escravidão. p. de natureza econômica. ou por mal delineado. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. administrativa e geográfica. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. os arraiais de São José. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos.) mas este. para Segurado. E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo.358).Proclamação. . No dia 14 de setembro. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante.358). 1979. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. de natureza econômica. instalou-se o governo independencista do norte. .358). "No dia seguinte. Francisco Joaquim Coelho de Matos "(. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. para Segurado. instalou-se o governo independencista do norte. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio.. ou por sermos os únicos que os pagamos.. Domingos. . e nela residirá o governo. Esses deputados devem ser eleitos. eis os empenhos para os cargos públicos.

seria inevitável a cisão entre as lideranças regionais" (CAVALCANTE. A prisão do Capitão Felipe Antônio Cardoso. as dificuldades de natureza econômica e financeira. contribuíram 11 / 49 . foi quem assumiu a chefia do movimento e organizou o novo governo.Em decorrência disso. Camargo Fleury com a missão de restabelecer a unidade política da Província. assume o poder naquela comarca o Pe. As divergências internas em relação à hegemonia política da região. S. 67). p. Com o seu afastamento em janeiro de 1822. a virtude e a ciência. Eles continuam na escravidão. José Vitor de Faria Pereira. Viva a nossa santa religião. Em outubro de 1821. O sucessor de Segurado foi o tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira que transferiu a capital para Natividade.64). todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. Manoel Antônio de Moura Teles.foi enviado para Cavalcante a fim de garantir a consolidação da recém conquistada unidade política. chegou à região não encontrou nenhuma resistência organizada que viesse a se tornar obstáculo à realização de seu objetivo. Luiz Pereira de Lemos e Joaquim Rodrigues Pereira (ALENCASTRE. "o pacificador do norte". viva a constituição que se fizer nas cortes reunidas em Lisboa. os arraiais de São José. viva o príncipe regente e toda a casa de Bragança. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. 1999. e nela residirá o governo. papel selado. eis os empenhos para os cargos públicos. se decidirá qual deve ser a capital. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista. p. aço e ferramentas ficam abolidas. onde reside interinamente o governo provisório. nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da maioria dos arraiais conseguiu se firmar.. Francisco Joaquim Coelho de Matos.358-359).que já estava enfraquecido por divergências internas. A crise se instalara dividindo e enfraquecendo o governo do norte. mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul . quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte agravou a crise interna. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. A instalação de um governo independente .. Francisco Xavier de Matos. antes ocupada por Segurado. viva o Sr. Palmense. O Capitão Felipe Antônio Cardoso. Domingos. com a ausência de um líder em condições de assumir tal posição. Os soldados que quizerem sentar praça de infantaria vencerão cinco oitavas por mês. Na ausência de Segurado. banco. Foi mandado à Corte um deputado para comunicar o governo central da decisão tomada. entrada de sal. Cavalcante. com a instalação do governo provisório no sul. os interesses particulares dos líderes de Cavalcante. D.na condição de Comandante das Armas e a serviço da Junta de Governo da Província de Goiás . ferro. apesar de não participar diretamente dele. Finalmente em 1823. Para entender a impossibilidade de sustentar o governo provisório do norte"é relevante não a posição antiindependencista de Theotônio Segurado mas sim. instalado em Cavalcante. Pelo contrário. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros.rebatido por força superior. foram todos fatores que. Depois de reunidos todos os deputados. o Brigadeiro Cunha Matos . o seu afastamento da liderança do movimento por ter viajado a Lisboa (. "A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a Junta havia ficado acéfala. em conjunto. foi sua primeira demonstração de força. que resistia à unificação. Palmas. José Zeferino de Azevedo. o pulso forte de Luís Camargo Fleury e o não reconhecimento por parte de D. décima. e na cavalaria seis e meia. Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional" (CAVALCANTE. Assim. Saídas de gados.não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa.o Clube de Natividade . Através de um decreto. Palmenses! Sejamos livres. 1979.parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado. 15 de setembro de 1821. Esses deputados devem ser eleitos. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. e tenhamos segurança pessoal. Fleury também conseguiu a dissolução do maior foco de oposição contra a unidade política . p. Presidente Joaquim Theotônio Segurado. ânimo e união! O governo cuidará da vossa felicidade. João VI. quando Luís Gonzaga. destituiu o Ouvidor Febrônio José Vieira Sodré de suas funções e passou a acumular o cargo de Ouvidor. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. Um novo governo provisório foi organizado. com o Brasil já independente. Em abril de 1822. ou por sermos os únicos que os pagamos. Pedro I do governo instalado no norte. Tal decisão provocou reação em Cavalcante e Palma que não acataram as ordens de Cerqueira e mantiveram-se fiéis ao Ouvidor Febrônio. partidário da luta pela independência nacional.). 1999. transfere a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. a Comarca da Palma foi desmembrada de Goiás e constituiu em sua jurisdição uma província independente.

na condição de deputado pela Província de Goiás. a Câmara Municipal aprovou resolução que integrava Porto Nacional ao estado do Tocantins e reconheceu este estado. vigorava no país as políticas do desenvolvimentismo e da integração nacional marcadas pelo Governo Juscelino Kubistcheck. Com o objetivo de mobilizar a região em torno desse discurso foram realizados vários eventos. a Assembléia Legislativa não aceitou a representação da Comissão que defendia a criação do território do Tocantins. o Dr. abraçou a bandeira da criação do território do Tocantins tendo o seu projeto acatado pelo presidente Getúlio Vargas e despachado para o IBGE. foi lançado em Porto Nacional o movimento PróCriação Estado do Tocantins. O norte. não sentiu os efeitos desse surto na década de 50. A trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX. duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay. Nos anos 50. A imprensa regional constantemente denunciava a situação de abandono. sendo a mesma posteriormente rejeitada e arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça da Administração Federal. Em 1944. com a consolidação da expansão capitalista no centro-sul. Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá. Em 1949. houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins.atual Rondônia . com o apoio dos poderes legislativo e executivo local. Mas. a idéia de se criar o Tocantins. Em Pedro Afonso. Ainda no Império. A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. Contudo.em periódicos como "Folha do Norte" e "Norte de Goiás". obrigatoriamente. A tentativa de integração do norte goiano à marcha desenvolvimentista partiu da promoção do seu discurso separatista ressaltando sempre a situação de abandono da região. propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do Tocantins. contribuindo para a crença de que para o norte goiano se desenvolver seria preciso. Foi instituída a bandeira e escolhido o Nosso Senhor do Bonfim como padroeiro do Estado. adesão de outros municípios e manifestações de solidariedade de outros estados como Maranhão e Bahia. com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). Feliciano Machado Braga. o Brigadeiro Lysias Rodrigues. em 1863. em 1889. Em 13 de maio de 1956. constando a do Tocantins na região que compreendia o norte goiano. O movimento ganhou apoio de estudantes.para o fracasso desse movimento. O território do Tocantins seria criado com a divisão territorial do norte de Goiás e sul do Maranhão. Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional. água e ar as vastidões nacionais". Guaporé . exploração econômica e descaso administrativo. com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias. Rio Branco. a Br-153 só foi asfaltada a partir de 1965.Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946). liderado pelo Juiz de Direito dessa Comarca. Mas. acreditando ser pertinente a sua defesa devido a abertura dada pela Constituição de 1946 que estabelecia normas para subdivisão ou incorporação de novos estados. A viabilização de projetos como a Br-153 e a construção de Brasília destacou Goiás no cenário nacional. houve a criação do Comitê de Propaganda Pró-Criação do Território do Tocantins. desligar-se do sul. esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país. o sentimento separatista continuou vivo ao longo do século XIX. visto que. na prática.maior centro econômico e político da época . com a capital em Carolina (MA) ou Pedro Afonso (GO). ainda que remando contra a maré. de modo mais concreto. as oposições internas e promessas políticas não cumpridas provocaram desgastes e enfraqueceram a luta. no plano nacional. a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. e. Em outubro. estado ou território. 12 / 49 . principalmente de Porto Nacional . "que conhecia por terra.

manteve acesa a luta pela criação do Tocantins durante uma década. através do seu jornal O Paralelo 13.herança da colonização com leves modificações" (CAVALCANTE. Assim. enfraqueceram o movimento. seria um passo em direção à criação do Tocantins. Nos anos 60. Motivos para a criação do Tocantins continuaram sendo expressos em artigos de jornais relacionando a importância de Brasília e a criação do novo estado para a interiorização do Brasil. com o objetivo inicial de dar assistência aos estudantes que iam para aquela capital para dar prosseguimento aos seus estudos. as reivindicações políticas do norte goiano diziam respeito à sua inserção no mercado internacional. o movimento apresentou certa disposição ao desalento. Contudo. Feliciano Braga. com a inserção do norte de Goiás na Amazônia Legal. vale destacar a atuação da CENOG que. foi aberto um espaço para a abordagem da redivisão territorial. buscando sua integração aos progressos do centro-sul. Mas. Neste contexto. o movimento foi sustentado pela defesa isolada de alguns membros do Legislativo estadual e de lideranças estudantis do norte. Em 1965. 1999. Feliciano Braga. o artigo de solicitação do plebiscito. qualquer manifestação de caráter autonomista poderia ser interpretada como ameaça à ordem e segurança nacional. E pedia que a futura Constituição não se omitisse na solução de "tão importante e vital problema do Brasil". foi mais conveniente mobilizar as forças representativas da região para uma ação unificada junto ao governo do estado. principalmente se for considerado o fato de os divisionistas sempre terem levantado a bandeira do abandono e do isolamento a que essa região estivera relegada" (CAVALCANTE. "O magistrado considerava a disposição geográfica daquela época anacrônica e injustificável . etc. general Albuquerque Lima.Como instrumento de luta foi lançado o jornal O Estado do Tocantins. Quando o governo federal. Mas. dentro da política econômica da época. distribuição de cartazes e boletins.128). o pronunciamento do ministro do Interior. Assim. com destaque para a Casa de Estudante do Norte Goiano (CENOG). através de congressos. "Mas não com força suficiente para que a tese separatista fosse sustentada. A publicação dessa carta na imprensa regional trouxe novamente à baila as manifestações pró-criação do estado do Tocantins. pois. comícios. a oposição do Legislativo goiano e a transferência do Dr. mas dependia também da realização de um plebiscito na região e da aprovação do Congresso Nacional. 1999. entre eles o do Tocantins. conforme estabelecia a Constituição Federal. acenou para a possibilidade de formar novos territórios na Amazônia. A aprovação da Emenda da deputada Almerinda Arantes à Constituição Estadual criando o Estado do Tocantins pelo desmembramento de Goiás a partir do paralelo 13º. as mobilizações perderam as forças. em decorrência da ditadura militar e do fechamento político do país a partir de 1965. proporcionando a modernização do processo de ocupação econômica com a mecanização da lavoura e a pecuária intensiva. fundada em Goiânia em 15 de maio de 1960. feito pelo deputado Paulo Malheiros. sob a direção de Dioclesiano Ayres da Silva e redação de Fabrício Costa Freire e Dr. Contudo. 13 / 49 . Isso provocou uma "justificada euforia". p. abertura de créditos e financiamentos. funcionou como um instrumento de denúncias e reivindicações do povo nortense.123). com base na ideologia da Segurança Nacional. Feliciano da região norte para Anápolis. Para a região se enquadrar nessa política foram necessárias medidas urgentes como regularização de títulos de terras. por ocasião da elaboração da Constituição de 1967. Até a primeira metade dos anos 70. p. através de uma carta ao presidente Castelo Branco. mobilizou o meio político para a criação do Tocantins. pela Assembléia Legislativa Goiana. A conscientização destes em relação aos problemas da região permitiu que a entidade ampliasse seus objetivos e abraçasse a causa separatista. direcionadas para a produção de bens de consumo duráveis e do incentivo à agricultura comercial voltada para a exportação. Nesta havia um apelo para que a Revolução de 31 de março realizasse a redivisão do país. na Assembléia Constituinte. redigida pelo Dr. considerando "irreais" as informações extra-oficiais que anunciavam a redivisão do país em vários territórios. foi rejeitado em agosto de 1957.

com as eleições diretas para governador em 1982. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto de existência quase que secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano já batizado "Tocantins". concluiu ser inviável a criação do estado do Tocantins mas acenou com a possibilidade de se instalar o Território do Tocantins. divulga em Brasília a Carta do Tocantins. "O povo nortense quer o Estado do Tocantins. Não há como contestá-lo". representante do norte goiano. Presidiu a Comissão da Amazônia e apresentou trabalho sobre a redivisão territorial propondo a criação de doze territórios. a Comissão de Redivisão Territorial. Em junho de 1986. A CONORTE mobilizou as lideranças conclamando para uma cruzada de mobilizações populares e realizou seminários e conferências nas universidades de Goiás demonstrando a falta de fundamentação nas justificativas do veto presidencial que. apela aos nortistas para reunirem forças em prol do aumento da representatividade da região na esfera governamental. o deputado Siqueira Campos. mas vetado pelo Presidente José Sarney. Articularam-se. o projeto foi reapresentado no senado pelo Senador Benedito Ferreira. então. chamando a atenção da mídia de todo o país e sensibilizando a opinião pública em favor da criação do estado do Tocantins. 1997. Neste contexto. reconhecia o governador de Goiás na época. Esta. adiou o sonho dos tocantinenses. se mobilizou em torno de sua autonomia até conseguir em 1977 a aprovação pelo governo federal do projeto de criação do estado do Mato Grosso do Sul. conferências e manifestos publicados na imprensa. entre eles o do Tocantins. aprovado pela Câmara de Deputados e que. a CONORTE tinha como objetivos conscientizar a população das potencialidades econômica do norte goiano. em plena fase de abertura política. o deputado Siqueira Campos apresentou um projeto de Lei Complementar para criar o Estado do Tocantins. O mesmo deputado apresentou projeto de consulta plebiscitária para a posterior criação do Território do Tocantins. A fundação da CONORTE . a CONORTE promoveu o 1° Congresso de Estudo dos Problemas do Norte Goiano. mais uma vez. seminários. Sustentada por lideranças políticas e intelectuais radicadas em Goiânia e Brasília.1988 O ano foi 1987. nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins que conquistou importantes adesões para a causa separatista. Os dois vetos foram justificados com os argumentos de que a criação de mais um estado implicaria em ônus para os cofres públicos e da inviabilidade econômica do novo estado que não dispunha de recursos suficientes para sustentar-se. Na prática a idéia era de que. A criação do Estado do Tocantins . para a aprovação do projeto de criação do novo estado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1987. Em abril de 1982. em 1984. independente de opções partidárias.em 1981. coordenada pelo Ministério do Interior. no ano seguinte. Isso foi feito através de congressos. do descaso governamental e da necessidade de se organizar politicamente para a defesa dos interesses da região. as expectativas em relação ao processo de democratização deflagrado. Havia ainda por vir a Campanha das Diretasjá.Comissão de Estudos do Norte Goiano . retomou a proposta da criação do Tocantins. Nos anos 80. em 1987. e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. 14 / 49 . Henrique Santilo (SILVA. Foi criada a União Tocantinense. em Brasília. A maioria das lideranças era contrária a essa posição. foi arquivado pelo Senado Federal. foi de fundamental importância dentro desse contexto. permitiu que fosse novamente levantado o discurso em defesa dos interesses do norte goiano. No ano de 1984. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional. Depois. mais uma vez. se votasse em políticos comprometidos com os interesses do norte. A CONORTE apresentou à Assembléia Constituinte uma Emenda Popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do estado. Em maio do mesmo ano. organização suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de Emenda Popular. E o povo é o juiz supremo. além de fazer uma análise sócio-econômica da região. em plena fase de prosperidade econômica. inicialmente. Em protesto contra o segundo veto do presidente os deputados Siqueira Campos e Totó Cavalcante iniciaram greve de fome. aprovado na Câmara e no Senado e. vetado pelo presidente. Com objetivo similar.O discurso separatista veio novamente à tona quando o sul do Mato Grosso.

237). Monte Alegre de Goiás e Campos Belos. principalmente. Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. § 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins. o deputado Siqueira Campos. A preocupação em catequizar as 15 / 49 . dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação. Porangatu. § 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembléia Constituinte. o Governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. § 3º O Governador. Além de desbravar. Pará e Mato Grosso. os nomes de Miracema do Norte.. no centro geográfico do estado. Piauí. até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição. Minaçu. § 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia. observado o disposto no art. É criado o Estado do Tocantins. redige e entrega ao presidente desta Assembléia. a cidade de Palmas.024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional. juntamente com o dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados. as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso. mas não antes de 15 de novembro de 1988. "Explorava-se em nome de Deus e do lucro. ao Governador e ao Vice-Governador eleitos. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. numa área de 1. Além do Governador e seu vice.13. a assumir os referidos débitos. na mesma data. em um único turno. o Vice-Governador. a critério do Tribunal Superior Eleitoral (. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o Governador. conservando a leste. Atualmente o estado possui 139 municípios. no que couber. foi promulgada a primeira Constituição do estado. foi instalada a capital. dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º. Maranhão. Ato contínuo. do Vice-Governador. foram escolhidos os Senadores e Deputados Federais e Estaduais. em 05 de outubro de 1988. relator da Subcomissão dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte.). Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins. § 4º Os mandatos do Governador. Foram nomeados o primeiro Secretariado e os primeiros Desembargadores. Em junho. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo estado que tinham a identificação "do Norte" e passaram para "do Tocantins". Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. Foi construída.p. No dia 5 de outubro de 1989. A cidade de Miracema do Norte. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. 1989. 234 da Constituição. GARCIA. para ser a sede do Governo estadual. nascia o Estado do Tocantins: Art. como disse um mercador italiano" (AMADO. Darci Martins Coelho. Foram alterados. e o dos outros dois. o deputado Ulisses Guimarães. a seu critério. seu vice. garantido. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição. e dará posse. explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás. foi escolhida como capital provisória. Foram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. os senadores Moisés Abrão Neto. A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988. e autorizada a União. os Senadores. por exemplo. através da posse de colônias e de metais preciosos. § 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado. José Wilson Siqueira Campos.09). juntamente com oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais. o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade. feita nos moldes da Constituição Federal. p. Cavalcante. localizada na região central do novo estado. junto com as eleições dos prefeitos municipais. norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia. a fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia. O desbravamento da região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital. pelo desmembramento da área descrita neste artigo. pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. § 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes. os Deputados Estaduais serão eleitos.. Em 1º de janeiro de 1990. Formoso.

e a dificuldade de importação. somente os criadores de gado vieram com a intenção de se fixar na região. Mais tarde depois de 1630 introduziu-se o uso de mulas e as bandeiras preferiram a viagem por terra. com pequenas quantidades de ouro de aluvião dos rios. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta. seguindo os cursos dos rios. tinha como função fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. De Belém partiam expedições de exploradores e jesuítas pelo rio Amazonas chegando até os rios Tocantins e Araguaia. Como os bandeirantes. A colônia brasileira. 25). Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral. Como subproduto destas expedições os bandeirantes retornavam. Maranhão e as ribeiras do rio São Francisco" (SILVA. E ainda no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro (Dianópolis) (SECOM. 1979. Estas expedições eram de caráter oficial destinadas a explorar o interior e buscar riquezas minerais ou de particulares organizadas para a captura de índios. criadores de gado e bandeirantes. contribuindo para despertar lendas sobre o metal. para o seu povoamento. iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense. 1997. Os bandeirantes aproveitando a extinção destes nos grandes centros colonizadores da costa . "Quando na terceira década do século XVIII acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins. todo o território do atual Estado do Tocantins. algumas vezes. a força motivadora para a exploração da região foi predominantemente o índio. 15-16). se expandiam para a região as fazendas de gado.populações encontradas foi constante. transformaram a sua captura num lucrativo negócio para atender a demanda de mão-de-obra na lavoura. de negros da África. a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí.Pernambuco.06). 2001). completa Silva. tampouco se fixaram no território. 1989. Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região pela "decidida ação dos jesuítas". Portugal. os jesuítas também iam à busca de índios. Procuraram tão só "descer" as tribos para suas aldeias no Pará (PALACIN. no sentido sul-norte. Destes desbravadores. Jesuítas. então. Como eles. muito para a sua posterior exploração. Dos sertões da Bahia. uma dessas viagens podia demorar-se dois ou três anos" (PALACIN. Poucos contribuíram. p. Só no final do século XVII e início do século XVIII que bandeirantes com objetivo de descobrir metais nobres tiveram a preocupação em fixar núcleos estáveis no interior do Brasil. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. principalmente do Araguaia. Mas a ocupação econômica e o povoamento efetivo só se dariam a partir da segunda década do século XVIII com base na exploração do ouro dentro do contexto da 16 / 49 . Diversas expedições "entradas". Rio de Janeiro . "Naquele tempo. Até o início do século XVIII. foram os desbravadores da região ainda no século XVII. franceses e holandeses conquistavam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil. Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES. 1998). no século XVII ingleses. Pernambuco e Piauí. na época. administrada política e economicamente pela metrópole. pp. Os franceses. "descidas" e "bandeiras" percorreram a região. A criação de gado antecedeu a mineração. p. Os currais de gado deram origem aos primeiros núcleos coloniais "quando a região é sacudida com a febre do ouro de aluvião". Bahia. iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação. em certos períodos. De São Paulo saíam as bandeiras em canoas pelos rios Paranaíba-Tocantins-Araguaia até voltarem pelo Tietê a São Paulo.

A folia visita as famílias de amigos e parentes. Na segunda fase.69). O grupo é composto por um mestre que comanda os foliões. A família recebe a bandeira. Nos séculos XVII e XVIII o avanço da colonização foi marcado por três fases: "Na primeira. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e que em Portugal tinha um caráter de diversão. Vivem atualmente no Estado do Tocantins os Xerente (Povo Akwen). 1999. saem às ruas entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Saiba mais sobre estes festejos nos links abaixo. enquanto aos foliões são servidos bolos.obra e do povoamento daquelas regiões com baixa densidade populacional" (PARENTE. com seu jeito dissimulado. dia de Santos Reis. tristeza. os Karajá. realizada sempre no dia 06 de janeiro.política mercantilista. p. se apresentam tocando. Esse grupo passa de porta em porta recolhendo as oferendas. No Brasil. Xambioá (Povo Iny). E este avanço impôs. oriundas de todos os Estados brasileiros. cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis. Os foliões carregam a bandeira . diferentemente do giro do Divino Espírito Santo. ponto final da caminhada. No Tocantins. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. triângulo e cavaquinho. os Apinajé (Povo Panhi) e os Krahô (Povo Meri). grupos de instrumentistas e cantadores com viola. Javaé. Maurilândia e Cachoeirinha.um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. sanfona. suicídio. na época dos bandeirantes os índios foram atraídos amistosamente e contribuíram bastante para a localização das minas. pelos músicos e por um palhaço que. cantando e dançando. biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. Manifestações culturais A Cultura do Tocantins O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças a grande miscigenação de culturas. pois era intenção do branco limpar as áreas a serem exploradas. os Xerente próximos ao município de Tocantínia. Os Apinajé estão localizados nos municípios de Tocantinópolis. a migração. desapropriação. aos índios um destino trágico: a fuga. de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo. Poucos sobreviveram. violão. deve proteger o menino Jesus confundindo os soldados de Herodes. a Folia de Reis chega no século XVIII. que sai pelo sertão "tirando a folia". a escravidão ou o extermínio por doenças. guerras. Fugindo da ação depredadora da colonização do litoral muitos grupos indígenas migraram para o interior do Brasil. guardando-a em seguida. como os brancos já não dependiam dos nativos para chegarem às minas houve conflitos armados. 1999). reco-reco. o anfitrião percorre com ela toda a casa. etc. Em Portugal. a partir da segunda metade do século XVIII tiveram vez os aldeamentos como uma tentativa de os brancos de resolver o problema da mão-de. os Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins. O ponto alto da festa acontece quando dois grupos se encontram e juntos caminham para o presépio. o aldeamento. quase sempre. o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida. A Folia de Reis A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o menino-Deus. seus primeiros habitantes. ou seja. 17 / 49 . A Folia de Reis. Com a exploração e ocupação da região se deu simultaneamente a destruição dos povos indígenas. os foliões de Reis têm o Alferes como responsável pela condução da bandeira. era a comemoração do nascimento de Cristo. com caráter mais religioso do que de diversão. Os foliões chegam à localidade. e os Karajá e Javaé na Ilha do Bananal e os Xambioá no município de mesmo nome (BARROSO. Posteriormente . Ao se retirarem.

Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. No Tocantins. o de definir as regras das manifestações. retomam as andanças. como o entrudo. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos. Quando termina o roteiro da folia. etc. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. Neste momento reza-se o terço. Apenas mulheres vestidas de homens. com a presença dos foliões e dos convidados. os foliões retornam às suas casas para descansar e. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. a cavalhada. principalmente. Estes se lançavam de assalto às moças. percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas. o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. chamada entrudo. quando inicia os jejuns da quaresma.repetindo o gesto da entrada. eram poupadas da investida dos caretos. desenvolvendo uma dança erótica. a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. os responsáveis pela prosperidade. fartura e muito dinheiro. a festa de nossa senhora do Rosário. Açores e Cabo Verde. os caretos. que trazem pendurados. a praga na lavoura e. 18 / 49 . em frente ao altar ornamentado com flores. onde só participavam homens usando máscaras. Na festa do entrudo. quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas. Caretas OS MASCARADOS EM PORTUGAL Há dados históricos a respeito de uma festa. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água. no sul do Estado do Tocantins. Em seguida. ainda hoje realizada em Portugal. ainda. farinha. ou vice-versa. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval. ou seja. realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. A tradição é muito forte: os mais velhos acreditam serem os Santos Reis. Nesse momento. Quando o dia amanhece. ao anoitecer. agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos. em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico. oi de fora Se tiver gente doente Me diga que vou embora Senhora dona de casa Com essa são duas vezes (bis) Saia na porta da rua E receba Santos Reis Senhora dona de casa Está no seu sono primeiro(bis) Sua filha mais velha Está com a mão no travesseiro Eu cheguei na vossa porta Pus a mão na fechadura (bis) Levante quem está dormindo Me perdoe as confianças. no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta. aparecem nessas festas com o mesmo intuito. Cântico dedicado aos Santos Reis Oi de casa. Seja como um ponto de partida para o início das festividades. Arraias. tinta. Alguns pagadores de promessa após as orações realizam um baile dançante. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira. como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário. Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil. os protetores contra a peste. é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. encostando-se a elas. O ENTRUDO Existem várias explicações para a origem do carnaval. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina.

portanto. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. chamado pelos caretas de quinta atrativa. Monta-se um cenário. do pandeiro e do roncador. é a mulher dos caretas. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV. são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica. mas se diverte. as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. Catira ou Sussia Os movimentos dessa dança lembram. A égua usa a roupa de um bicho muito feio. diz que todo mundo assombra. em Lizarda. que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. Catita é um homem trajando roupas femininas. A FESTA DOS CARETAS Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. as Cavalhadas tiveram início em 1937. os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos. O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros. que tem a mesma marcação do surdo. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. durante a semana santa. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas. onde se coloca pedaços de cana de açúcar. Participam. O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas. Cavalhadas Na Idade Média. numa verdadeira guerra dos sexos. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo. D. uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti. gelada. papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia. A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola. uma mulher vadia. Só os bons corredores escapam. às vezes. 19 / 49 . Em Taguatinga. grupo de mascarados representando bruxas. leve e ao mesmo tempo frenético. Isolda. espécie de bolinhas feitas de cera de abelha. um semicírculo com pés de bananeira. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. tradicionalmente. enquanto estes ficam envolvidos. Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. usados pelos caretas. com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. caras de boi com chifres e outros animais. Os caretas perseguem com pinholas. uma vez que apenas insinua o toque. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. nos dia 12 e 13 de agosto. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares. instrumento artesanal feito de tronco de árvore. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e.O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina. passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto. num bailado sensual. como na festa de Nossa Senhora do Rosário. a retirada de formigas que invadem os corpos dos pares. A dança é a eterna busca da conquista do par. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua. devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. na Sexta-Feira da Paixão. aumentando o cordão carnavalesco do entrudo. da festa que acontece. Os cavalos. moradora de Lizarda. no sul do Estado do Tocantins. os árabes foram denominados genericamente de mouros. assustando-os. a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador. prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento.

cantando músicas que lembram fatos da história de seu país. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas. na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. Os motivos dramáticos da dança do Congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi que governou Angola no século XVII. O xale sobre os ombros representa o manto real. distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. do embaixador e dos guerreiros. tornou a requebrar 20 / 49 . enviar uma representação atrevida ao rei D. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. Na dança do congo só os homens participam. nas ruas. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei. Popular no Nordeste e Norte do Brasil. Doze cavalheiros representam os cristãos e.Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas. o heróico príncipe Suena é morto durante essa investida. O Quimboto (feiticeiro) o ressuscita. Termina com o batizado dos infiéis. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e. perdoa-se o embaixador. A congada é composta por doze dançarinos. O tatu cangerê que zoa no ar Trepe quizépes. tornou a requebrar O calango mutingo. tornou a requebrar A rainha do congo que veio do Pará Trepe quizépes. Seu filho. Em Monte do Carmo o Congo é acompanhado por mulheres. sobre os olhos dos animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos cavalheiros. um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. bainhas e conguinhos Neste claro e belo dia Nasceu Jesus. colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados. Congo ou Congadas De origem africana. são quase sempre os mesmos. eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. os outros doze. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros. calango no ar Trepe quizépes. capa vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas. filho da Virgem Maria. porém. Na cabeça. ao contrário dos mascarados. Cantiga do Congo Baias. com influência ibérica o Congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. Henrique de Portugal. os mouros. chamadas de taieiras. durante o cortejo do Rei e da Rainha na festa de Nossa Senhora do Rosário. bainhas e conguinhos Baias com tanto fervor Baias que já está nascendo O Nosso Grande Salvador Baias. A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha. calça branca com botas azuis e enfeites dourados. Os dois grupos se apresentam juntos. vence o rei. durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Ela decidiu. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. certa vez. Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado. Os adornos na cabeça representam a coroa. O vermelho representa a força divina.

as folias têm datas variadas. levando a sua luz e a sua mensagem. Esse grupo percorre as casas dos lavradores. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas. eu vou bebê Aruê juncongela bebê E olha o rei mais a rainha bebê Aruê juncongela bebê Mas eu vou bebê Aruê juncongela bebê São Benedito sabia sobiar Saia fora e venha ver E quem festeja neste ano É o Divino Espírito Santo Alô. num prazo que compreenderia exatamente os 40 dias do giro da folia e o novenário. eu vou. no entanto. em jornada pelo sertão. O objetivo foi alcançado e a promessa cumprida. No Brasil. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. Oh! Que noite tão serena Oh! Que hora tão de prendá Divino Espírito Santo Visite sua fazenda Deus vos salve fazendeiro Morador desse lugar E aí vem o Divino Espírito Santo Somente pra visitar Deus nos salve felizmente Este nobre fazendeiro Divino Espírito Santo Que é o nosso pai verdadeiro Inda agorinha cheguemos Na beira do seu terreiro Queremos brincar um pouco Licença peço primeiro Ah dê licença meu Divino 21 / 49 . Nessa época Portugal e Espanha travavam uma guerra de quase cem anos. Festa do Divino Espírito Santo A celebração do Divino Espírito Santo. chegando ao Brasil no século XVI. Natividade mantém a tradição da data móvel. quando chegam às fazendas para o pouso. ou seja. como festa popular de cunho religioso. lá no céu E o Santo que está na igreja. A rigor. a festa do Divino deveria coincidir com o Domingo de Pentecostes no calendário católico. Diniz teriam feito no século XIV uma promessa de alimentar os famintos e oferecer a sua coroa ao Divino Espírito Santo em troca de paz. O giro da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus doze apóstolos durante 40 dias. alô. Canto do Agasalho. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa. Relatos de Portugal contam que a rainha Isabel e seu marido D. alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença. Em Monte do Carmo a celebração ao Divino Espírito Santo foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade. com destaque para Monte do Carmo e Natividade. pedindo ritualmente acolhida. dia 16 de julho. tem sua origem no catolicismo português. conduzidos pelo alferes. No Estado do Tocantins vão de janeiro a julho. abençoando as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima.Amanhã eu vou embora bebê Aruê juncongela bebê Eu vou embora. pedindo acolhida para o pouso. de acordo com as características de cada localidade. a festa da hóstia consagrada. Essas festas são realizadas em várias cidades. Dessa forma teve início a devoção ao Divino Espírito Santo que se difundiu em solo português. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de doze ou mais homens. que ocorre aproximadamente 50 dias após a Páscoa. As romarias conduzem a bandeira. convidando todos para a festa. passando a ter data fixa para a sua realização.

de origem oriental. Festa de Nossa Senhora da Natividade As manifestações culturais no Estado do Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja católica. motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins.. (BRAGA. Os devotos acreditam que Maria. A documentação escrita a respeito não é muito clara. como mãe de Jesus. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana.17). erguida no século V. agradece) Deus vos pague a bela janta Dada de bom coração Que nos deu pra meus alferes Com todos seus foliões Deus vos pague a bela janta Deus vos pague mais outra vez Deus lhe dê vida e saúde. Como a palavra Natal. Natividade significa nascimento e em Portugal ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Maria. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. preservada do pecado original. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração eminentemente religiosa. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade... A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. celebrada em 8 de dezembro. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. no dia 8 de setembro. 1994. Canto Bendito da Refeição: Pela primeira palavra Que os anjos me disseram Na cabeceira da mesa Faz a vênia meus alferes Com sua bandeira na mão Bençoai o pessoal Os alferes com os foliões Me dê licença meu povo Que agora vamos rezar Contrito no coração Pra nossas almas se salvar Peço licença de novo A maior e mais pequena Quero agradecer a mesa Que nela nós já jantemos Quando for noutro mundo (.. portanto. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e.. A igreja católica celebra o nascimento da mãe de Jesus. p. seria o local do nascimento da Virgem Maria". à acolhida e às refeições. em Jerusalém. quando o Papa Sérgio I.Pra seus foliões brincar Toda casa tem grande gosto E seus corações alegrar Alegrai o céu e a terra Recebei com alegria Divino Espírito Santo Filho da Virgem Maria Divino chegou do giro Com ele trouxe a folia Ele vem aí pedindo um pouso De uma noite para um dia. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria.. merece ser 22 / 49 . Os foliões cantam também em agradecimento ao pouso. onde é festejada há quase três séculos. Nove meses depois. desde o ano 33 da era cristã. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana.

com o passar do tempo foram se juntando e 23 / 49 . Celso na sua justificativa . solicitação ao Papa João Paulo II. Celso na sua justificativa . uma das mais antigas do Estado datada de 1759. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. Mãe de Deus. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. em função das minas de ouro e distante 89 km da Capital do Estado. 1994. Celso Pereira de Almeida. fundada em 1746. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. em março de 1992. em Natividade. Celso Pereira de Almeida. De Portugal passou para o Brasil. em Natividade. Essa imagem é a mesma. durante a Romaria do Bonfim. 1994. chegando a Portugal. e devoto de Nossa Senhora. Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. na grande maioria. pelos jesuítas. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. temos. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. ainda hoje realizadas em datas específicas. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. Celso "sendo nosso povo católico. e devoto de Nossa Senhora. Padroeira principal deste Estado". 18). em embarcações pelo rio Tocantins. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. Mãe de Deus. em 1735. Com a criação do Estado do Tocantins. Diz D. 1994. mantida com fidelidade pela população local. D. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. recebidos freqüentes apelos. Celso "sendo nosso povo católico. Foi a primeira a entrar nessa região. 14). Esta devoção é sempre viva no nosso povo". expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos. 14). (BRAGA. durante a Romaria do Bonfim. Acrescenta ainda D. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. Essa imagem é a mesma. o que transforma a festa em uma atração única. Padroeira principal deste Estado". para o norte da província de Goiás. depois. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. solicitação ao Papa João Paulo II. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. p. Natividade. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. nós Bispos. ainda hoje. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. no mês de julho. na Igreja Matriz. p. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. Foi a primeira a entrar nessa região. Mais tarde São Luiz e. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. em março de 1992. temos. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. na grande maioria. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. Palmas. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. na Igreja Matriz. venerada. pelos jesuítas. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. Acrescenta ainda D. Há informações de que essas manifestações. ainda hoje. A festividade secular mistura fé e folclore. Mais tarde São Luiz e. venerada. Diz D. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. Festejos de Nossa Senhora do Rosário A cidade de Monte do Carmo. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. em 1735. (BRAGA.cultuada. nós Bispos. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. recebidos freqüentes apelos. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. nascida arraial do Carmo. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. depois. Com a criação do Estado do Tocantins. para o norte da província de Goiás. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Celso oficializa. em embarcações pelo rio Tocantins. p. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. realiza todos os anos. Natividade. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. Celso oficializa. os Festejos de Nossa Senhora do Rosário. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. D.

quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos. os negros que viviam no Estado criaram a sússia. local onde se guardavam máscaras e instrumentos musicais indígenas e que serviam de hospedagem aos convidados de outras tribos nos intercâmbios artísticos. o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. podendo lá vivenciar a cada ano.passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. Em comum também está o desejo dos moradores das cidades mais antigas do Tocantins de manter vivas tradições como a catira. se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. da caixa e da viola. No meio do povo os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. se apresentam juntos. como também é conhecida. fato que motiva a luta entre os partidários do rei e os do embaixador. em várias tonalidades. a congada representa a coroação do rei e da rainha. A origem da catira é encontrada nas tradições indígenas. Fazem suas evoluções sustentando garrafas na cabeça ou carregando o 24 / 49 . Em algumas tribos indígenas havia a proibição das mulheres participarem das danças e de entrarem nas casas de flauta. nas coreografias e também no fato de somente os homens participarem do ritual. De origem africana. e o embaixador é perdoado. homens de preto e branco. As origens podem ser diversas. COSTUMES A influência negra também se faz presente nas congadas. sons de bandas de músicas. montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos. A caçada é uma tradição secular. de tambores. Segundo pesquisadores. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão de ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações. ou suça. o manto real. A catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés. o rei e a rainha da festa. também vestidos a caráter. durante o cortejo do rei e da rainha. No final do cortejo. A cor da indumentária tem um significado especial: entre os congos. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de Reis e do Divino Espírito Santo. Já as taieiras usam trajes semelhantes aos das escravas que trabalhavam na corte. São blusas quadriculadas em azul ou floridas. chamadas taieiras. os negros foram buscá-la tocando tambores. cuícas e tamborins e danças como congos. Os adornos na cabeça representam a coroa e o xale sobre os ombros. taieiras e sússia. onde em pleno dia. o que encerrou a série de desaparecimentos. Na terceira vez. Estes últimos são derrotados e batizados. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”. LENDAS. cantando e dançando. a sússia e a jiquitaia. trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. e a chegada do embaixador. Ali. colares e turbantes. Popular em todo o Brasil durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. mas as motivações quase sempre estão ligadas à devoção religiosa unida ao lazer. reco-recos. CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. que se destacam por passar seus conhecimentos aos jovens. celebrada em 16 de julho. e com acompanhamento de mulheres. sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente. padroeira da cidade. num sapateado compassado. Repentistas Os catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do padeiro. Os dançarinos apresentam com utensílios que retratam o seu cotidiano. representando a vida nas senzalas. o azul e o branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário e o vermelho representa a força divina. congos e taieiras. saias brancas rodadas. É o caso dos Catireiros de Natividade e do Grupo de Jiquitaia de Santa Rosa. Estes traços podem ser observados na música. Os dois grupos. nas ruas. a congada mais tradicional do Tocantins é realizada em Monte do Carmo. No ritmo dos sertanejos Do sertão tocantinense surge a genuína cultura do povo. eleitos pelos escravos. Um dos pontos altos da festa é a Caçada da Rainha. Nos momentos de descontração e lazer os foliões cantam seus versos e prosas. Nossa Senhora do Carmo.

Natalino.quibando. em Natividade. uma vez que apenas insinua o toque. um dia. Ele levou essa imagem consigo e após o término da Balaiada retornou à sua cidade de origem onde pediu ao padre para "batizá-la". Os movimentos dessa dança lembram. Os moradores da região afirmam que um vaqueiro teria encontrado nessa área. O festejo inicia-se com o novenário e termina com a celebração da missa campal. espécie de peneira grossa de palha. Essa imagem teria sido retirada várias vezes desse local e levada para Natividade. Natalino Francisco de Almeida. quando para lá chegou. É ele quem conta sua história. No dia 16 em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e no dia 17 ocorre a missa dos romeiros. vinda do estado do Maranhão. Esse fato demonstra a imensa capacidade dos negros escravos em transformar a sua situação de dificuldade em danças que os desprendiam do cotidiano. Desde então. Romaria do Bonfim No Tocantins. e que estas subiam pelo corpo dos escravos provocando um movimento frenético na retirada dos insetos. dá-lhe um nome. Jiquitaia Na sússia dança-se a jiquitaia. Atualmente para lá se deslocam cerca de dez mil pessoas. no dia 15 de agosto. O padre batizou-a de Jesus do Bonfim e definiu o seu festejo para 15 de agosto. acontece no dia 15. A crença nesses acontecimentos deu início à peregrinação para essa localidade. Supõe-se que as senzalas fossem constantemente invadidas por uma espécie de formiga. vindos de várias regiões do Estado e do país. ou seja. num semicírculo onde estão os músicos. Alguns acreditam que ele teria se originado de um santuário criado por fiéis ou de um núcleo missionário das irmãs carmelitas ou dos jesuítas. conhecida como jiquitaia. pedaço de madeira. Arcanjo Francisco Almeida com uma imagem do Bonfim. com a celebração da missa campal. Os dançarinos se apresentam aos pares. A dança é a eterna busca do par. as romarias do Nosso Senhor do Bonfim acontecem nos municípios de Natividade e Araguacema. Seu filho. mas desaparecia e reaparecia no mesmo lugar onde foi encontrada. após longa caminhada. O Sr. Nele estava depositada uma imagem. São romeiros das cidades vizinhas e do sul do Pará. a família faz a festa em sua devoção. num bailado sensual. Araguacema As homenagens ao Senhor do Bonfim. leve e ao mesmo tempo frenético. distante 40 Km de Araguacema. onde vivem pouco mais de 100 pessoas. seu tataravô encontrou na mata uma vertente de água onde havia um oratório feito em pedra. a retirada de formigas que invadem os corpos dos dançarinos. Vários pagadores de promessa atravessam a pé os 22 Km de Natividade ao Bonfim para depositar as suas oferendas aos pés da imagem do santo. O ponto alto das comemorações do Bonfim. a família do Sr. A romaria do Senhor do Bonfim acontece no povoado do Bonfim. Em Natividade. Esse pequeno povoado recebe em média 60 mil fiéis. a imagem do Senhor do Bonfim em cima de um toco. junto com a sua família. Natalino conta que. em local pantanoso. é o atual responsável pela manutenção do templo e pela guarda da imagem que pertence à família desde o século XIX. em homenagem ao Nosso Senhor do Bonfim. em louvor ao Senhor do Bonfim. fugia dos conflitos da Balaiada ocorrido no Maranhão. a romaria remonta ao século XVIII com a formação dos primeiros arraiais. no povoado do Bonfim situado a 22 Km da sede do município. Hino ao Senhor do Bonfim: 25 / 49 . a romaria do Senhor do Bonfim é realizada de 6 a 17 de agosto. portanto. Existem diversas hipóteses a respeito da formação do povoado do Bonfim. entre os anos de 1838 e 1841. Em Natividade. Segundo o Sr. têm início em 1932. no município do Araguacema. essa imagem foi encontrada pelo bisavô de sua mãe quando este.

pelo Conde de Sabugosa por associa-lá às festas. Inicialmente. sucedendo-se os devotos. Irmanemos nossos corações Numa só profunda oração Ao Cristo presente entre nós Prometendo-nos a salvação Salve todos os Romeiros presentes Que de longe vieram trazer Os seus voluntários tributos Para a Santa Igreja crescer Contemplamos com santa humildade Este misterioso encanto Deus pai na pessoa do filho Revelando no Espírito Santo. É dançada por mulheres em pares. com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. No final os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela. com vivas a São Gonçalo. a dança tinha um caráter erótico que com o tempo foi desaparecendo. cuja referência mais antiga data de 1718. 26 / 49 . pandeiros e adufes. enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. a dança de São Gonçalo é chamada de "roda". várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. Em Arraias. São Gonçalo tem para os seus devotos a tradição de santo casamenteiro. Homens brancos. a roda de São Gonçalo. No Brasil. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. um cruzeiro todo iluminado. Eis aqui vossos peregrinos Prá pedir-vos e agradecer Por tudo que já recebemos Preparai para nos receber. Portugal. quando na Bahia. que se costumavam fazer pelas ruas públicas em dia de São Gonçalo. Nas mãos carregam arcos de madeira. permanecendo apenas o aspecto religioso. A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo. mulheres. que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa. colocado próximo ao altar. ainda. meninos e negros. Roda de São Gonçalo Conta a lenda. logo em seguida. em frente ao qual se faz as evoluções da "roda". dia do Senhor. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas. elas ficassem em repouso e isentas de pecado. Essa dança foi proibida. Acompanha. Somos marcados pelo batismo Da vossa redenção A preço do seu santo sangue Esperamos a consolação. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo. a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. assistiu-se um festejo com uma dança dentro da Igreja. que São Gonçalo reunia em Amarante. E sempre se dança em pagamento a uma promessa.Refrão: Salve Bendito Rei das Nações Glorioso Senhor do Bonfim Somos vossos Romeiros em marcha Prá contemplar o vosso jardim. vestidas de branco. no sul do Estado. com violas.

O Programa Monumenta/BID é parte da continuação do trabalho de preservação da história e da cultura de Natividade. Aquina que chama a atenção pela sua opulência e estado de decadência em que se encontra. localiza-se a sudeste do Estado do Tocantins a 218 Km da capital. que foi sede do Governo da Província do Norte. Como parte do desenvolvimento das ações prevista no Programa foram definidos alguns monumentos que sofrerão intervenção e/ou restauração devido tanto à sua importância no conjunto arquitetônico.Monumentos Históricos Natividade. arquitetônico e paisagístico. como as Praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira. que sofreu interferência através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Simone Camêlo Araújo. Os dados que fundamentaram esse trabalho foram obtidos através de referências bibliográficas e em pesquisa de campo em Natividade entre os dias 28 e 31 de outubro de 2003 onde foram realizados levantamentos cartorial e paroquial e entrevistas com os moradores da comunidade. cidade Patrimônio Histórico Nacional desde 1987. o que pode ser percebido através da preservação do seu acervo urbano. bem como fotos e desenhos dos arquivos da UEP e da Associação Comunitária Cultural de Natividade . Palmas. O processo de preservação através da ingerência pública teve inicio em 1981 com a execução das obras de restauração dos prédios da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Natividade e a Capela São Benedito tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Goiás e das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. o prédio onde hoje funciona a biblioteca pública e os prédios particulares como o do Sr. faz parte do Programa Monumenta/BID.ASCCUNA. principalmente os de utilização pública. os prédios públicos onde funcionou a primeira cadeia. Alarico. e o casarão de propriedade da Sra. cultural e social da área do projeto definiu alguns monumentos como prioritários para serem trabalhados nesse processo de 27 / 49 . observado na proporção dos casarios e na ausência de monumentalidade das construções de função pública. O Programa Monumenta e a Unidade Executora do Programa visando a revitalização do conjunto patrimonial de Natividade no sentido de fomentar a utilização econômica. que tem como fundamento a preservação do Patrimônio Histórico Urbano Brasileiro. São obras preservadas que celebram o tempo em que foram criadas. ou destacados como referências históricas como as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A coordenadora ainda subsidiou esse trabalho com dados de pesquisa por ela realizada. Infelizmente não foi possível obter documentos históricos que pudessem comprovar o período de construção desses prédios. Única cidade no Estado tombada em instância nacional. a Igreja de São Benedito. o primeiro paço municipal. Segundo depoimentos os documentos referentes ao município encontram-se na Cidade de Goiás ou foram queimados ou danificados ao longo dos anos. Existem poucos relatos paroquiais e os que se encontram estão em péssimo estado de conservação. Monumentos Natividade é um marco representativo das cidades do ciclo do ouro. além de visitas in loco aos monumentos. As informações coletadas nas entrevistas foram trabalhadas de acordo com o entendimento dos pesquisadores acerca das observações coletadas ao longo dos trabalhos de campo. conferindo harmonia ao conjunto. promovido pelas instituições públicas desde o início da década de 1980. Todo o trabalho foi acompanhado pela Coordenadora da Unidade Executora do Programa. na década de 1990. a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade. Natividade faz parte da segunda etapa desse programa para a qual foram selecionados vinte núcleos urbanos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O conjunto arquitetônico da cidade possui um caráter singelo.

segundo o Sr. Conforme relatos dos moradores. ano de 1952. uma porta de frente. espessas grades de ferro. nascido em Natividade no dia 10 de março de 1930. Segundo o nosso informante. mantendo o local sempre úmido. Joaquim. Dentro do gabinete havia uma butija com água para uso do prefeito. toda forrada de madeira: pau d arco e jatobá. câmara municipal. Para o funcionamento mais adequado do museu foi construído um anexo com sala e banheiro na parte detrás do mesmo. tinha duas grades de ferro. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995 e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal. Todas as janelas e portas internas eram revestidas de ferro. A cela destinada aos homens. inclusive de acesso as selas. Não se sabe ao certo a data da construção do prédio. conta que a única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967. o prédio sempre funcionou como espaço administrativo: prefeitura. dona Benvinda morreu de desgosto (perdeu o gosto pela vida. Retiraram as grades externas das janelas e as madeiras das paredes e do teto. com 30 X 30 cm. Ainda de acordo o relato.50m de frente por 9. Confronta-se com terrenos de propriedade de Nilo Noleto Bezerra pelo sul e prédio do Antigo Paço Municipal ao norte (Livro 3ª. Todos os monumentos inventariados. Essas tábuas impediam a iluminação interna.ANTIGA PREFEITURA Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública. este foi construído no final do século XIX. o Major Benício faleceu no ano de 1906. Hoje o prédio abriga a Polícia Militar. esquina com a Praça São Benedito. Seu Joaquim recorda também da existência de um caneteiro e uma máquina de escrever (o mesmo desconhece a marca da máquina). filho do casal falecido. contendo três janelas. a casa pertenceu ao Major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. Possui grossas paredes de pedras. na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. por volta de 1920. Conforme relatos orais. comerciante aposentado de 69 anos. provocando assim a sua própria morte). Foi construído originalmente para funcionar como cadeia pública. o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. separando os presos em celas masculina e feminina. pertencentes à igreja ou a leigos são seculares. PAÇO MUNICIPAL . nº de Ordem 48. Após a morte do casal Benício e Benvinda. Segundo o Sr. na parte interna do prédio havia um banco com dois potes e uma espécie de gancho que servia para segurar os copos. Cartório de Imóveis). agência de estatística ( hoje IBGE ). O senhor Antônio Viana Bezerra. na Praça Leopoldo de Bulhões. O senhor Joaquim. mas os relatos orais não afirmam se estes habitaram o imóvel. na qual as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. A madeira retirada foi reaproveitada na construção de pontes no interior do município. faleceu dona Benvinda. O Paço Municipal será um dos prédios beneficiados pelo Programa Monumenta/BID. Albany Costa Cerqueira. com o objetivo de defender a cidade dos jagunços 28 / 49 . não se alimentando mais. Segundo relatos do Sr. Paço Municipal e Casa da Cultura A "Antiga Cadeia" tem característica secular. arquivo municipal e sede da Banda de Música municipal. a antiga residência do casal Benício e Benvinda serviu de sede para a Companhia de Polícia. Trinta dias após à sua morte. Originalmente o prédio foi construído com dois cômodos. As reformas no prédio foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva. que veio para a cidade por intermédio do Coronel Deocleciano Nunes. o prédio foi construído no período de 1930 a 1938. As praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira embora sejam obras recentes fazem parte do conjunto histórico arquitetônico. Antiga cadeia pública. Joaquim Rodrigues de Cerqueira morador de Natividade. Foi trocada também a porta da frente do prédio que era trancada com trava e "uma grande chave".intervenção.50m de fundo. mas segundo moradores mais antigos da cidade. folha 17. em Natividade. CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes. O piso original era de cerâmica de barro (conhecido como ladrilho). recorda que ainda o conheceu com cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. nascido no dia 03 de dezembro de 1950. Conforme relatos. a casa ficou para os filhos. o prédio foi construído no tempo dos escravos. o que deixava os presos nas mais desagradáveis condições. O prédio é térreo com 18.

Celso Pereira de Almeida. temos. (BRAGA.I. O imóvel é constituído de uma área de 410 m² (quatrocentos e dez metros quadrados). Diz D. a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. 18 (dezoito) metros do lado Sul. D. em Natividade. Mãe de Deus. A documentação escrita não é muito clara. O Sr. Natividade. 12 janelas sendo 4 no lado Norte. Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. 1994. chegando a Portugal. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. Essa imagem é a mesma. funcionou no prédio. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. No livro n° 1 . recebidos freqüentes apelos. 3 no lado Leste e 5 no lado Sul. em março de 1992. No mesmo livro. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Albany afirma que a parte interna da casa sofreu várias modificações. solicitação ao Papa João Paulo II. consta que o prédio foi adquirido pela Sociedade Cooperativa Mista Agropecuária Ltda. ainda hoje. A desapropriação é confirmada pelo Decreto n° 024/90 da Prefeitura Municipal de Natividade. ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. com 20 (vinte) metros do lado Norte. Celso "sendo nosso povo católico. 3 portas externas. na Igreja Matriz. Com a criação do Estado do Tocantins. em embarcações pelo rio Tocantins. uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. De Portugal passou para o Brasil. nós Bispos. O Sr. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. Nove meses depois. paredes rebocadas e pintadas. e que essas modificações foram feitas de acordo com a sua utilização. Hoje o imóvel é denominado Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira. teto de madeira serrada. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. do Cartório de Registro de Imóveis de Natividade. de vê-la consagrada padroeira do Estado. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. e devoto de Nossa Senhora. merece ser cultuada. como mãe de Jesus. Os devotos acreditam que Maria. A festa a Nossa Senhora da Natividade. dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da 29 / 49 . 1 corredor. é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro. desde o ano 33 da era cristã. 18). piso de cerâmica. 1 alpendre. Acrescenta ainda D. Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás. o Grupo Escolar D. A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano D. portanto. consta que a Prefeitura Municipal desapropriou o imóvel em 23 de agosto de 1990. A casa contém 10 compartimentos. onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura. Os moradores não sabem informar por quanto tempo a casa serviu de sede para a Companhia da Polícia. 1994. tendo como transmitente o casal Zacarias Nunes da Silva e Helen Drumond Nunes. quando foi transferido para Grupo Escolar Quintiliano Luiz da Silva. 22 (vinte e dois) metros no lado Oeste e 22 (vinte e dois) metros no lado Leste. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. 14). "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. 1994. no piso (que antes era de ladrilho) no reboco e na pintura. termo referente a nascimento. 1 cozinha. na Igreja Matriz. Celso na sua justificativa. Prédio de adobe. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. erguida no século V. O entrevistado lembra que nesse período os alunos faziam apresentações teatrais usando o espaço físico do prédio. Bispo Diocesano de Porto Nacional enviou. preservada do pecado original. O imóvel sofreu modificações no emadeiramento. na data de 22 de janeiro de 1966. sendo 4 salas. 1 passarela. na grande maioria. uma das mais antigas do Estado do Tocantins. em Jerusalém. 2 banheiros. é datada de 1759. seria o local do nascimento da Virgem Maria" (BRAGA. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. venerada. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. Pedro II. Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade A Igreja Matriz do município de Natividade. Padroeira principal deste Estado". 11 portas internas. coberto de telha comum. celebrada em 8 de dezembro. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. de origem oriental. A Igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo. p. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade.17). Foi a primeira a entrar nessa região. p. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. p. em 1735. que os habitantes do sudeste do Estado "veneram com muito afeto. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". Albany recorda que até 1954.saqueadores que rondavam a região. quando o Papa Sérgio I. matrícula 1970.

Em 1919 algumas modificações foram realizadas. Nas suas recordações o sr. "Possuía apenas uma torre.. 2003). antigo governador de Goiás. papagaio. e os correios. as árvores foram retiradas na década de 1950. que segundo os moradores a serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na Igreja Matriz. a cada sábado.Fragmentos do passado". O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor. etc). lhe fazia cair às penas das asas. em madeira. O altar é feito de madeira. com pintura policromada.. havia apenas árvores (juazeiros. devia-se o milagre a proteção da Padroeira que. ". amendoeiras. "todo mundo era inocente.".Natividade. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções. Antes se chamava Praça do Conselho (devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça). finca. Joaquim esclarece que não havia nada de mais (não havia malícia). com uma bancada para subir e umas argolas. A cabeça fica debaixo da Lagoa Encantada. A Serpente de Asas era uma ameaça permanente sobre a cidade: ". criadas durante a semana e destinadas a permitir-lhe o vôo até o cobiçado objeto de sua destruição. velhas rezadeiras em Natividade. Para José Lopes Rodrigues "Natividade . Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. Joaquim recorda que a brincadeira mais comum era o furrum (escondiam no meio do mato. conservados até a década de 1960. aos sábados rezando o oficio de Nossa Senhora. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972. local onde funcionou o primeiro mercado municipal. O local servia também para brincadeiras de moças e rapazes. 81 anos.não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade. as moças procuravam os rapazes e os rapazes procuravam as moças). Tenho a impressão que o pelourinho foi tirado pelos prefeitos nomeados pela ditadura de Vargas" (Adail Santana. Envolta da praça tem quatro casas que conservaram suas antigas fachadas. onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário.. possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais. está pintado de azul. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja da Matriz. uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901. Os piões eram feitos de limeira e 30 / 49 . É uma espécie de dragão como aquele de São Jorge. do Rosário). mudou-se a fachada e trocou-se a escada de madeira que leva ao coro por pedras (utilizaram pedras da Igreja do Terço e da igreja N.. essas árvores eram cercadas de pedra canga com massa a cal. São Sebastião. serpente mora na caverna que principia debaixo da Igreja Matriz de Natividade e vai acabar debaixo da Lagoa Encantada. o prédio da câmara municipal. No local não tinha nada construído. as moças eram puras". Sra. Maximiano da Matta e José Lopes Rodrigues. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997. em sua igreja". O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. Era um cercado de madeira. porém. Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial.. Com a retirada do pelourinho. Lá amarrava e açoitava os escravos. Joaquim lembra também de outras brincadeiras como: pião. do Bonfim e redondeza vivera em segurança. quando se construiu a segunda torre. religiosamente. Enquanto.. A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz coletadas por autores locais como Dr. A igreja está em estado bem conservado" (UEP/Natividade. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade. Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. fruta-pão. PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões. Maximiano descreve em "Outras Estórias de Goiás" a lenda da "Serpente de Asas".Se ainda não a destruíra. existirem. recebendo a denominação de Praça da Bandeira. A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial.. muitos metros abaixo da superfície: a ponta do rabo está justamente debaixo da Matriz. mangueiras. sr. Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões PRAÇA DA BANDEIRA Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho. A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. Conforme depoimentos coletados por Simone Camêlo Araújo. todos os sábados era rezado. Têm ainda dois sinos de 1858. Hoje.. São Gonçalo. Conforme informações de seu Joaquim no período chuvoso o mato crescia e servia de pasto para os animais. E o milagre da Virgem se verificava em atenção ao Oficio de Nossa Senhora que. ex-prefeito de Natividade).. são montadas barracas onde se faz leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado a santa. com repinturas. etc. o sr. o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. "Antes só tinha o pelourinho.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O que é Patrimônio Histórico. saudades dos amigos. Quintino Pinto de. duas fontes luminosas. Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto. E também pelos alicerces em pedra canga. 80 anos. (Caderno) Estudos de Tombamento. · IPHAN. sob a gerência do IPHAN foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno.Fundação Nacional Pró-Memória . levando os negros a escolherem essa invocação. na sua administração. E. · · · · LEMOS. "a praça representa para mim muita saudade . Izambert conta que essas árvores vieram de São Paulo. o que seria o templo dedicado a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. PARENTE. monumento à TV Anhanguera e à instalação da água.limoeiro.Tocantins. sofreu um processo de intervenção em 1992 através do SPHAN/Pro-Memória. Em Natividade. ( Cartilha ) Natividade . conservada ao longo dos séculos. segundo ele cada brincadeira tinha seu tempo certo. do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos.1948 . Associação Comunitária Cultural de Natividade . O sr. quando recebeu uma iluminação especial. O sr. ex.Natividade.MINC . PROGRAMA MONUMENTA/BID. Da obra ficou concluída a capela-mor.(Apostila) "Conhecendo Natividade Tocantins".1949. Mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas. Conforme informações do senhor Izambert Camelo Rocha.C. em 1996. grandiosidade e beleza. No Brasil. onde o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. Carlos A. Segundo relatos de viajantes esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII. chama a atenção pela sua opulência. embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte da igreja. 5ª edição. eu sou muito sentimental. FONTES ORAIS · Adail Viana Santana · Alarico Nunes Suarte · Albany Costa Cerqueira · Antonio Viana Bezerra · Dario Camelo Rocha · Izambert Camelo Rocha · Joaquim Rodrigues de Cerqueira · Theodoro Nunes da Silva · Simone Camelo Araújo · Joatan Bispo de Macedo Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sob a denominação de ruínas. Segundo ele no local da praça havia uma quadra de esportes e os moradores não gostavam porque a bola sujava as paredes das casas. As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres. FONTES BIBLIOGRÁFICAS · ASCCUNA. a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras." Com exceção da família do Dr. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras. um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade). Joaquim se emociona ao lembrar dos" velhos tempos". A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins. amoroso. Natividade e seu Município . brasiliense. Temes Gomes. Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto. · CATRO. Universidade Católica de Goiás . mas não foi possível comprovar isso 31 / 49 . Ed. parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980. A sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais. Goiânia 1999. o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 a 1829. As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras.prefeito da cidade. toda em pedra. calçamento de concreto. Quintiliano Luiz da Silva. foi onde nasci e me criei. há relatos sobre uma irmandade do Rosário. todas a outras continuam morando no entorno da praça. Daí surgiu a idéia de se construir uma estrutura para a praça.

os rios. Antônio Tavares. O avanço da civilização colonizadora para a região dos Apinayé teve início em 1797. que pareciam regimento formado (Nimuendajú.CIMI em 1780. tão pouco praticavam pois desconheciam a escravidão (Nimuendajú. por volta de 1880. os animais. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário . na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará. A população Apinayé abatida por doenças e guerras foi se afastando para dentro da mata ou aceitando o aldeamento como necessário para a sobrevivência da comunidade. incorporado 32 / 49 . ofereciam presentes aos seus deuses e divindades. seiscentos índios Apinayé trabalhavam na agricultura. Tantos eram que se viam na parte de baixo. Relatos coletados por Simone Camêlo Araújo afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo. sede do governo do estado do Tocantins. o arco cruzeiro dessa ruína serviu de inspiração para a construção dos arcos do Palácio Araguaia.historicamente. Os Apinayé eram conhecidos como grandes guerreiros. a caça e a pesca. colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó. nem os rios. Povos Indígenas São inúmeras as tribos da nação indígena no Tocantins. Ainda segundo Simone Camêlo. vários garimpeiros em busca de enriquecimento enfrentaram os índios provocando uma luta que se estendeu por muitos anos. como faziam os Krahò. vem de 1774. Outros Apinayé viviam em torno da cidade. quando as cabaças amadureceram levaram para a beira do rio. Mulheres caçam tatus com o cavador e o terçado (Nimuendajú. viu-se rodeado de grande número de índios. Em 1780 foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os guerreiros apinayé. armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. As conseqüências dessas informações passada de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos resultado de ações de indivíduos. Pág. O sol fez uma aldeia e uma roça e nela plantou cabaças. 91). Os filhos do Sol chamaram-se Kóó-di e os filhos da Lua Kóó-ré e ficou determinado que os Kóó-dí casariam com os Kóó-ré e então. 02). O Sol (Mbu-di) convidou a Lua (Mbudvrà-ré) para descer a terra. (Relato de Xavier Apinayé) História Os primeiros registros do povo Apinayé na região. Segundo Nimuendajú. Chegaram exploradores e aventureiros em busca de riquezas. que dizendo sonhar onde estava o ouro perfuravam as ruínas. atiraram na água e de cada uma surgiu um ser humano. os poderosos índios da região norte. Quando esses exploradores constataram que havia ouro na região. Conheça cada uma delas nos links abaixo: Apinayé Origem mítica do povo Apinayé No início dos tempos não existia as árvores. as guerras eram travadas por motivo de vingança: guerras de conquista eram-lhes inteiramente desconhecidas e. em Palmas. Na contagem seguinte. voltaram para o céu. A caça era feita por homens e mulheres. nem os animais. Andaram pelo mundo e criaram as plantas. caçada de escravos para si ou para neo-brasileiros. na praia da esquerda. pág. com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. os Apinayé foram viver perto do povoado de Santo Antônio. Nesse mesmo período. Às vezes ateavam fogo no campo para os animais saírem e assim. havia 1362 Apinayé na aldeia Boa Vista. Todas as suas aldeias eram numerosas. Dentre elas algumas merecem maior destaque. Os homens utilizavam o arco e a flecha. onde vivem hoje. 71). praticavam a agricultura. viajante que navegava pelo rio Tocantins. apanhá-los. pág.

Nas roças comunitárias ou nos roçados individuais as tarefas são distribuídas entre homens. Maranhão). Os enfermeiros. a arte. amendoim. açaí. fibra de tucum e babaçu. o povo Apinayé lutou pela demarcação de seu território que foi registrado e homologado apenas em 1985. Durante muitos anos. as pessoas das famílias. outros gostam de coletar frutas silvestres (relato de Cassiano Sotero Apinayé). Os Apinayé coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas.mais tarde a São Pedro de Alcântara (Carolina. Maurilândia e Lagoa de São Bento. esteiras e cofos. murici. em 1940. Cestos. O artesanato serve para enfeite e são utilizados nas celebrações. outros gostam de pescar e caçar. plantam. Tradicionalmente plantam milho. Com o contato permanente entre os índios e a sociedade envolvente. Demarcação das terras O Capitão José Dias. cofos e quibanos: confeccionados pelas mulheres em trançado de fibra de buriti. ficando cada vez mais distante da antiga e numerosa tribo. a população Apinayé entra em decadência. buriti. Uns gostam de trabalhar. caçam e cortam lenha. mas conservam seus desenhos tradicionais. Ele e o Vice-cacique resolvem os problemas da comunidade. Os apinayé também vendem o seu produto nas cidades próximas às aldeias. os professores índios e não-índios que ensinam a ler e escrever e. Os curandeiros cuidam das doenças. Fazem a coleta de andu. onde o terreno é queimado e os tocos são arrancados para depois iniciar o plantio. babaçu. O Cacique é chefe superior da tribo. Os homens pescam. 33 / 49 . tanto o trabalho como os produtos. feijão. Tomados por uma epidemia de varíola passaram em poucos anos de 4200 para 1500 pessoas. Sua população atual é 1014 habitantes (FUNAI/MAIO/1997). as mulheres e as crianças encovairam. Educação A transmissão tradicional do conhecimento entre os Apinayé sempre foi oral. por fim. raspam. O sistema utilizado para a plantação é da tradicional roça de toco. os rituais. as mulheres cozinham. Limitaram-se a trabalhar na agricultura. capinam e fazem a colheita. quando restavam apenas sessenta índios. Quando muitas famílias participam. bambu e espinhos. O pajé é chefe espiritual da tribo. existem muitas pessoas e cada uma tem função diferente. na criação de gado (aprendido com o não-índio) e na navegação fluvial. de 141. Também utilizam a miçanga para confeccionar colares. cuidam das crianças. Vida Cotidiana Na sociedade Apinayé. tucum e buriti para confeccionar cestas. líder dos Apinayé. pequi. Artesanato Os Apinayé fazem trançados variados. Os Apinayé vivem hoje numa área demarcada. Utilizam a palha de babaçu. penas de pássaros.904 hectares. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. viajou ao Rio de Janeiro para pedir a demarcação de suas terras. em 1899. em 1936. Ao mesmo tempo os Apinayé mudaram para a aldeia do Cocal. distribuídos em sete aldeias. fibra e coité onde fazem os desenhos. bacuri. bacaba. Trabalho O trabalho pode ser feito em mutirão. as histórias e os costumes. Esses artefatos são tingidos com urucum e jenipapo. Os cantadores e cantadeiras cantam no pátio. Com a fundação do posto do SPI. batata doce e inhame. transmitido pelos mais velhos de geração para geração. tudo é repartido. Enquanto os homens preparam as roças brocando. Colares: confeccionados com sementes variadas. derrubando e queimando. os Apinayé deixaram de migrar constantemente e passaram a permanecer nas suas aldeias na região de Tocantinópolis. mulheres e crianças. onde vivem até hoje. maracá e borduna: confeccionados pelos homens que utilizam madeira. tucum e palmito que complementa a sua alimentação. Assim ensinavam a língua. mandioca. próximo aos municípios de Tocantinópolis. Arco e flecha. acima do Ribeirão São Benedito. ralam e imprensam a mandioca.

Panhi nunca quis largar a música. em solo não pedregoso e perto de córregos d água. Os moços levam o paparuto para a casa dos padrinhos da noiva e lá recebem conselhos para não brigarem e viverem em paz.Começa a lamentação quando todos os parentes se reúnem na casa do morto. Também colocam os seus pertences sobre a sepultura. Para a fundação de sua aldeia. em torno de 500 metros. em geral no fim de algum contraforte. Quando. Ritual de morte e enterro . O solo não deve ser pedregoso nem arenoso. pintam e enfeitam todo o corpo. Apenas a pessoa doente não come. Hoje. muda-se esta novamente para um lugar onde ainda haja bastante mata nos arredores. A comida preparada é o paparuto . estando de acordo com a sua família. Quando eles terminam falam: se o rapaz não fizer direito com nossa afilhada nós vamos fazer desse jeito com você: cortar seu pescoço (relato de Ausira Apinayé). Os caminhos da roça são relativamente limpos para que as mulheres possam passar livremente com seus cestos de carga. continuam a chorar no lugar onde o enfeitaram. a aldeia é reconstruída em outro lugar. A Casa Apinayé A construção de casas de alvenaria de tijolos industrializados e a adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) tem levado à perenização da 34 / 49 . Mas. em conseqüência das derrubadas anuais. Os Apinayé levam comida para o morto.A festa é realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente. Casamento: Os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum. Nas proximidades deve haver bastante mata ciliar para os roçados durante um espaço de. caça e banho. 10 anos. Os pais e os parentes mais próximos não acompanham o enterro. O lugar não deve ser demasiado distante da água. São iniciadas pelo cantor com seu maracá. esta mata se acaba. de acordo com o clã. porque acreditam que sua sombra possa voltar para casa à procura de alimentos. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações de cada um para ter uma vida boa e correta. Nestas os alunos têm a oportunidade de ler e escrever na sua própria língua e depois no português. no alto dos campos. Nas proximidades deve haver mata ciliar para os roçados. Chamam um cantador que fica do lado do morto cantando até o dia amanhecer. uma cantora fica cantando até o dia amanhecer. pelo menos. dão banho de água fria na pessoa para purificar.Devido à convivência interétnica surgiram as escolas que. Durante a noite. como índios tinham muitas dificuldades em aprender porque os professores não compreendiam o que eles falavam nem os alunos compreendiam o que o professor dizia surgiram as escolas bilíngües. a construção de casas de alvenaria tem forçado a permanência da aldeia num mesmo local. ensinavam somente o português. cantor). no ângulo entre dois cursos de água confluentes. Caminhos estreitos cortam a mata ciliar em todos os sentidos. tradicionalmente. Antes isso acontecia quando ainda eram crianças. em conseqüência das derrubadas anuais. Um ano depois visitam seus parentes no cemitério. São mantidas pelo Governo do Tocantins seis escolas bilíngües. Cantiga de tora. Quando os outros voltam do enterro vão banhar no ribeirão. No dia seguinte. jenipapo e lã de pati. não se pintam e não participam das reuniões na praça. Os padrinhos e as madrinhas da moça ainda podem escolher o marido. A Aldeia Apinayé As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos. no início. (relato de Kunum Apinayé). O morto é banhado e colocado numa esteira onde recebe a pintura e os enfeites segundo seu clã. A alegria do Panhi (índio Apinayé) é a invenção da música. pesca. quando. ajudando a manter a cultura e revitalizando a sua identidade étnica. Toda cantiga. Hoje tem uns que não sabe cantar a Tora grande (relato de Alcides Apinayé. levando aos locais de roça. já é possível que os jovens escolham com quem querem casar. os apinayé escolhem sempre um lugar que satisfaça às seguintes exigências: O chão deve ser plano. localizado no centro da aldeia. mas ser formado de argila dura. feito na palha da bananeira cozido no muquem. A Festa do Mekapri . Os parentes que estão enlutados não cortam os cabelos. Celebrações e Rituais As festas são realizadas no pátio. com maracá. depois.espécie de bolo de mandioca com carne. Na casa todos choram e depois distribuem a comida sempre com a presença do pajé. Em tempos mais recentes. No geral. a mata já fica numa distância de mais de duas léguas da aldeia. Levam a pessoa para a casa dela juntamente com o twy kupu (comida feita com mandioca e carne) como oferta para o espírito voltar.

como se tivesse a mesma forma das aldeias tradicionais. Javaé e Xambioá. Os Apinayé possuem atualmente aldeias fixas. A disposição da aldeia é inteiramente igual àquela das tribos dos Kráhò: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo. corre um caminho largo normalmente denominado rua. Uma família saiu. algumas aldeias Apinayé têm forma retangular com um pátio de reuniões central. Têm-se ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada. os Karajá ainda viviam de acordo com as mudanças climáticas. são fechadas com divisões de esteiras de palmeiras encostadas contra uma travessa armada na horizontal. nas aldeias da Ilha do Bananal. Mato Grosso e Pará. mas se auto-denominam Iny. ao redor do círculo interno. FUNAI/ 1997). as árvores. Atualmente.aldeia. Utilizavam diferentes locais de moradia. o rio Araguaia" (EIA. devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. quando o rio fica behetxi (parado). Essa junção não deu certo e os Karajá voltaram para suas praias. Diante das casas. existem três grupos: os Xambioá. outras casas senão do tipo daquelas ainda hoje em uso: retangulares. viu a terra. assim chamados. frutas. A tradição dos Apinayé não dá a conhecer nas aldeias fixas. Com o avanço da navegação fluvial. possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros. a cheia e o início da vazante. Ali mantiveram contato com o jesuíta Tomé Ribeiro. passando pela taipa. Nos dias atuais o regime das águas ainda marca o tempo que determina as manifestações sociais da comunidade. às margens do rio Araguaia. falam a mesma língua. Na Ilha do Bananal vivem os grupos Karajá e Javaé em aldeias separadas. doentes e com a população reduzida. mas todos são o povo Iny. de se iniciar a preparação das roças e da coleta de diversas espécies vegetais" (EIA/FUNAI . por morarem perto da cidade do mesmo nome. Nos anos seguintes a relação com os não-índios intensificou-se com a vinda dos mineiros e das frentes pastoris e agrícolas. localizadas nas barreiras ao longo do rio. durante a primeira viagem deste. são os ibòò marãdu (turma de cima). As casas são construídas com materiais que vão da palha de buriti. Durante os séculos XVII e XVIII o contato com as expedições dos paulistas provocou muitos conflitos. A migração sazonal levou os Karajá para várias regiões até conquistarem o território onde vivem. são conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo). É o tempo da caça. No começo do século XX. na prática. concentra-se o maior número de aldeias. ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra aproximadamente no centro. Os Karajá aceitaram a paz no final do último século e foram viver nos aldeamentos junto a outras etnias. pertencem aos mesmos antepassados. "A partir do início das chuvas e subida do nível do rio Araguaia os Karajá reúnemse nas suas aldeias maiores. como parentes e embora geograficamente separados. Os Karajá de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população. As casas são feitas com pouco acabamento. Karajá. Da praça central partem caminhos radiais que a ligam a cada casa. principalmente como remeiros. de Xambioá. tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializada. no entanto. empreendida pelo rio Araguaia. História Antes de 1500. Durante o verão viviam nas praias do rio Araguaia e no inverno subiam os barrancos onde tinham suas aldeias maiores. conforme as estações do ano e o regime das águas que eles dividem em início das enchentes. Xambioá Origem mítica do povo Karajá Conta a lenda que os Karajá viviam no fundo do rio Berorõdy (rio Araguaia). Certo dia descobriram um buraco e resolveram ver o que tinha do outro lado. os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayé.1997). Os que saíram são conhecidos como Karajá. Xerente e Caiapó. Os Karajá. Javaé. 35 / 49 . migraram entre outros motivos. os Karajá subiram o rio Araguaia. No Tocantins. Koboí decidiu sair mais era muito gordo e não conseguiu passar. pássaros e animais. Voltou para contar o que viu e foi para a superfície. Na Ilha do Bananal. entre elas. os comerciantes utilizaram a mão-de-obra indígena. idênticas às dos moradores da região. As que ficam próximo ao rio Javaé levam esse nome. com cumeeira e cobertas de palha de palmeira. "A referência para a denominação do grupo é dado pela sua localização ao longo de um eixo.

sexo e prestigio (Fritz Krause. consagra-se lideranças e afastam-se outras. como: Haretõ que representa o sol. fumo e bebidas. pratos tigelas) ou ornamentais (bonecas ritxokò). "Teve um tempo em que Karajá vivia como gaivota" Temysari Karajá (cacique de Xambioá) Os casamentos: São monogâmicos e combinados entre os familiares. cana-de-açúcar. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam. Cerâmica: Confeccionada pelas mulheres. As mulheres trabalham na confecção do artesanato. bacaba e madeiras como a sarã para confecção de brinquedos e artesanato. passando a residir na casa da sogra. Servem também para enfeitar instrumentos musicais. Servem como utensílios domésticos. Os artesanatos são utilizados nos rituais. como enfeites e artefatos. Utilizam o tucum para fazer o arco. 36 / 49 . neste século. retiram material para construção de suas casas. durante o período da estiagem. As artesãs personalizam seu trabalho com figuras decorativas tradicionais e usufruem de grande prestigio dentro e fora da comunidade. usado pelo chefe de cerimônia. Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca. Trabalho Os Karajá são essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. armas e máscaras. É uma forma de identificar o grupo étnico e a posição social na comunidade como: cargo. Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. Da natureza. a peça é pintada de preto. primeiro o objeto é colocado perto do fogo. na época da estiagem. dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu. São confeccionados cocares de grande e pequeno porte. os espíritos e com seu próprio interior. A cerimônia é feita com uma apresentação pública e formal dos noivos para a comunidade. Cestaria: Serve para o transporte e armazenamento de mantimentos e como peça decorativa. dos barrancos do rio Araguaia que é misturado com cinzas da madeira do cega machado e colocada para secar ao sol. idade. braçadeiras e tornozeleiras. devido a interferência de religiosos e agências governamentais. ministrando interesses e mudando a política dentro da comunidade. principalmente na política que faz as lideranças das aldeias. na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distante da aldeia. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária. 1957). brincos. Durante o verão. é usado pelos rapazes e o Lori lori. Trás uma significativa expressão de riqueza e esplendor. filiação. a fauna e a flora. Para o cozimento. a caça e a roça. onde se faz e desfaz facções. Arte plumária: Essa arte exige muita habilidade e identifica o homem indígena com a natureza. retirada do sumo do urucum.Entre os Karajá as atividades políticas são bastante difundidas girando em torno de um complexo sistema de alianças. genros e netos. Cada família tem o seu roçado e cultiva: mandioca. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio. instrumentos musicais e canoas. a confecção de artesanato. alimentos. A técnica da cestaria é ensinada pelos homens mais velhos aos jovens que desejam aprender. Muitas coisas mudaram. Nos Sertões do Brasil. As mudanças de residências são matrilocais: o rapaz tem que acompanhar a moça. cará e o arroz. depois transportam para a palha. Quando chegam as chuvas (Novembro a Março) dedicam-se às atividades agrícolas. Artesanato "A beleza transcende aquilo que a aparência física revela". Os Karajá fazem a coivara e usam o sistema de rotatividade no uso da terra. Na finalização das bonecas utilizam cera preta para fazer os cabelos (Berta Ribeiro. homens e mulheres. tinta retirada do sumo do jenipapo misturada ao pó do carvão e de vermelho. batata-doce. 1941). No entanto é forte a tendência do povo Karajá em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições. (potes. cerâmica e cestaria. brinquedos para as crianças e também para a comercialização. banana. passam a maior parte do tempo nas praias. o coco do buriti. milho. depois coberto com pedaços de lenha. jenipapo e urucum para as tintas. da bacaba e a seda do buriti. são utilitárias. pescando e coletando. Os Karajá organizam-se em famílias extensas que incluem além da família nuclear. Os adornos que utilizam a plumária são: colares. Para confecção da cerâmica utilizam o barro branco retirado. cada um com seu significado. a palha de buriti para as esteiras. A cerâmica passou por uma mudança significativa devido a valorização e pressões comerciais. As crianças aprendem desenhando na areia. Adquirem através destes os produtos industrializados: roupas. No final.

Os cemitérios ficam perto da aldeia. nas esteiras. uma grande casa é construída para os convidados onde deverá ter comida farta para todos. Os Aruanã entram e saem das casas cantando e dançando para além de marcarem a passagem do menino. colares. Ijasò Os Aruanã (Ijasò) são espíritos trazidos pelos pajés. Ijesu são as lutas Karajá. Existem dentro da comunidade pessoas especiais para fazer a pintura corporal. No ritmo das chuvas. colocam para secar. A Pintura Corporal A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas dos animais da região. marcarem também um novo tempo. As figuras míticas dos espíritos protetores cantam e dançam para todos. 37 / 49 . pedem proteção aos Aruanãs: dançam aos pares e não mostram os seus rostos. As representações gráficas são diferentes para cada grupo social dentro da aldeia: os homens pintam de uma forma. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham. Festa do Hetohoky Também conhecida como a "Festa da Casa Grande" representa a passagem do menino para a fase adulta. pescar ou fazer alguma viagem. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. do grande Berohoky (rio Araguaia). para dentro da aldeia. ralam. retirada do jenipapo e vermelha do urucum. nas cerâmicas. Utilizam as cores preta. em frente ao rio. que dura o ano inteiro e revitaliza a cultura da comunidade. os donos da festa precisam mantê-la em pé. peixes e répteis. depois da morte. as mulheres arrancam a mandioca. é o espírito do bem e cunin. em vários estilos. eles sobrevivem em espírito. Mulheres. olhando suas mães e irmãs" (Ijyraru Karajá) Os desenhos são usados no corpo das pessoas. Uorossani. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. como: pássaros. sobe e desce. espírito do mal. homens e crianças participam do "ciclo do Aruanã". braçadeiras e tornozeleiras.Celebrações e Rituais O Povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. Depois das boas vindas. o corrupião o boto e a cobra coral. nos cestos. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. A luta vai até o amanhecer. é nas noites de lua cheia que acontece o rito reservado somente aos homens. no mesmo sentido das casas. As tintas de jenipapo e urucum são utilizadas na pintura corporal. Os Rituais de Morte: Os karajá acreditam que. Mas. Na preparação das festas os homens saem para as caçadas e pescarias. um ano depois. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para ele chamar os Aruanã. Representam os animais como a ariranha. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". Ensinam aos descendentes a importância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vem de tempos milenares. Ganha quem ficar de pé. retiram o que restou e colocam em urnas de cerâmica. São realizadas lutas tradicionais. nos remos e nos maracás. Os homens quando vão caçar. "As crianças aprendem a desenhar. Lutam dois de cada vez. as mulheres casadas de outra. coletam frutos e fazem bebidas. Enterram seus mortos em covas rasas cobertas com palhas e. São feitos os ornamentos e enfeites: cocares. Convidam os Karajá de toda região para participar. velhos e rapazes também têm suas pinturas características que representam formas de distinção e hierarquia dentro da sociedade. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. as solteiras.

Entretanto. À primeira vista a aldeia se parece com os povoados habitados por sertanejos. a chuva. para ter conforto. a aldeia transferia-se para as praias. quando existe uma única porta. e não a cópia de um povoado não-índio. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. da mesma forma que os vivos devem contar com espaço bastante. a implantação tradicional. com duas fileiras paralelas de casas ao longo do rio. são as aldeias Karajá que mantém. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. em suas moradias. saindo da rua central. a fartura dos peixes. As diferenças ficam por conta das edificações com materiais industrializados realizadas pela FUNAI: o posto de saúde. Uma linha reta que guia a vida. pois todas as casas. no extremo da aldeia. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. Em Santa Isabel do Morro ainda existem os caminhos secundários. interditada às mulheres e crianças. passando pela porta das casas da fileira próxima ao rio e pelos fundos das casas da outra fileira. O sereno. ancoramento de canoas. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). Como não é permitida a superposição de sepultamentos. a floresta. a aldeia Xambioá. Saindo na direção oposta à rua central. comer ou dormir. tem os caminhos que levam à casa de Aruanã. com casas alinhadas dos dois lados de uma rua central. que são usados preferencialmente pelos rapazes solteiros e pelas crianças. a uma certa distância. estão voltadas para esta ruaAlém de servir para a circulação. De acordo com os mais velhos. as famílias colocam suas esteiras e banquinhos de madeira para conversar. A luta vai até o amanhecer. o processo de formação da aldeia é repetido. estação seca (maio a setembro). as casas eram alinhadas ao longo da margem. à tardinha e à noite. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). porém. a escola. Essa interpretação feita pela arquiteta Cristina Sá (In: Revista Projeto/1983) é sugerida pelo fato de que. voltadas para o rio. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". das brincadeiras de meninos e meninas e de descanso onde. atrás delas um caminho secundário. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. São mantidas no entorno apenas algumas árvores de maior porte. essa fica voltada para o rio. levam aos barrancos onde se desenvolvem atividades públicas como. que continua a ser o principal marco de referência. Vida Karajá. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. os donos da festa precisam mantê-la em pé. Tradicionalmente e nos dias atuais é costume localizar o cemitério à beira do rio. deve haver espaço suficiente para os mortos. o calor.Faz mudar as casas. os frutos da Terra. as casas para os funcionários e para os três capitães da aldeia. duas fileiras ao longo de uma rua central. a rua central é também utilizada pelas mulheres como local de trabalho. acompanhando a forma irregular do curso do rio. facilitando a pesca e a coleta de ovos. no verão. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. coleta de barro para a confecção de artesanato (mulheres) ou para construção (homens). na fileira de casas que fica entre a rua central e o rio. localizada no norte do estado. foge a esta regra. 38 / 49 . Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). a praia. No entanto. O Sol. A Aldeia Karajá Atual Nos dias atuais os Karajá não fazem os acampamentos de verão. em locais livres de vegetação arbustiva e rasteira. em parte. Ocorrem grupos de túmulos ortogonais ao rio. Outros caminhos. Implanta-se a aldeia em barrancos planos acima do nível do rio. na Ilha do Bananal. esse tipo de distribuição das casas pode ser interpretado como a duplicação de uma aldeia Karajá tradicional. Depois das boas vindas. banho em família ou individual e lavagem de roupas. situada atrás da fileira de casas. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. usado preferencialmente por rapazes solteiros. Em qualquer época. Observa-se na disposição dos túmulos a forma utilizada para a posição das casas: pessoas do mesmo grupo familiar são sepultadas uma ao lado das outras. a pouca distância das casas. acima do nível das enchentes. acompanhando-o linearmente. Faz mudar as vidas. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. Santa Isabel do Morro e Fontoura. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora.

Para os Krahò o canto é sagrado e tudo começa e termina com os cânticos ensinados por Deus. os rios e o homem.) Ai depois o Xerente começou também a brigar com os Krahò e eles desceram o rio". os Krahò habitavam a região do Rio Balsas no Estado do Maranhão quando tiveram registrados seus primeiros contatos pela "frente de colonização". Ganha quem ficar de pé. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. a chuva. Pedro Penõ fala de suas lembranças sobre as lutas contra os outros povos e como essas lutas influenciaram suas migrações: "deslocou para Pedro Afonso. (. No final do século XVIII. Pud (Deus) cantou e deu origem a todas as coisas do mundo. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). Dez anos mais tarde. Vida Karajá. sobe e desce.. os Krahò sofreram grandes perdas na sua população. acima do nível das enchentes. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). Como outros grupos os Krahò combateram outras etnias. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. Os Krahò viveram na aldeia de Boa Vista do Tocantins. segundo a conveniência dos brancos. na região onde hoje é a cidade de Carolina / Maranhão.Ijesu são as lutas Karajá. Recuaram para a margem direita do rio Tocantins. as casas eram alinhadas ao longo da margem. o calor.. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. facilitando a pesca e a coleta de ovos. a fartura dos peixes. voltadas para o rio. porém. em vários estilos. entre os rios Farinha e Manuel Alves. Uma linha reta que guia a vida. a lua. p. 39 / 49 . em locais limitados onde havia uma constante vigilância dos missionários destinados ao trabalho de catequese. Falta um pedaço Krahò Origem mítica do povo Krahò "Sol disse para a lua: cumpadre vamos descer e decidiram: criaram as matas. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. A política de aldeamento significava. situada atrás da fileira de casas. o sol e Pud roré. Estes índios além de agrupados a diferentes etnias deveriam desempenhar trabalhos para toda comunidade local. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). usado preferencialmente por rapazes solteiros. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. a praia. interditada às mulheres e crianças. a aldeia transferia-se para as praias. havia nessa aldeia 2822 Apinayé e Krahò (Carneiro da Cunha pag. Da cabaça criaram a mulher e ensinaram a construir aldeia e fazer roça e voltaram para o céu". Faz mudar as vidas. deportação e concentração de grupos indígenas. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. atrás delas um caminho secundário. a uma certa distância.18). foram habitar a terra em forma de homens. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. Como a maioria das tribos indígenas. Faz mudar as casas. Lutam dois de cada vez. No ritmo das chuvas. Pokrok História Contam os Krahó em sua história mitológica que Put. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. 18). Fomentar a guerra entre as diversas etnias foi uma estratégia bastante utilizada pela frente colonizadora para apoderar-se das riquezas encontradas nas terras de outro grupo (Carneiro da Cunha. fundada pelo frei Francisco do Monte São Vítor em 1841 no município do mesmo nome. estação seca (maio a setembro). os frutos da Terra. O Sol. O sereno. porque o Mehin (como os Krahò se autodenominam) brigava com o Gavião. Em qualquer época. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. no verão. a floresta.

e também. chegou verão. em produtos vegetais. depois da colheita outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local. os índios Krahò sofreram um violento massacre desfechado por criadores de gado. tiram casca e botam no sol." Pedro Penõ Anos depois apenas mil Krahò viviam em Pedro Afonso. Levaram pelo rio até Pedro Afonso. Mas os Krahò foram removidos. Pedro Penõ Vida Cotidiana Dia-a-dia na aldeia Pedra Branca Para os Krahò a terra pertence a todos os membros da tribo. agricultura e pastoreio . como os cantos. Massa de macauba.408). quando assar eles tiram tudinho e põe no sol. O marido e a mulher podem doar. De outra forma. Frei Rafael. Mas os Krahò resistiram e preservaram elementos fundamentais da sua cultura. que tinha se transformado num vilarejo de sertanejos afastados" (Mellati.533 hectares próxima as cidades de Itacajá e Goiatins. Nome mudado do Rio Vermelho. As invasões persistiram por décadas e. os hábitos alimentares dos Krahò: "Comíamos toda fruta. pelo rio Tocantins. a população reduziu para pouco mais de quinhentos habitantes. puderam manter sua identidade étnica. Ele chegou naquelas canoa grande. buriti. quando caiu folha ele tira tudinho e faz uma tora e bota no fogo e assa. sem essas estratégias de defesa. "Os Krahò permitem que os regionais plantem em suas terras. aos oitenta anos. No início do século XIX eram quatro mil pessoas e em menos de um século. Ficaram morando lá até fazer a demarcação. adquirida do contato permanente de aproximadamente duzentos anos com a sociedade envolvente. quero lugar tudo desocupado". Os Krahò negociam com os brancos. mas em caso de separação a mulher fica com a produção. 24). pág. Índios do Brasil. É uma área de aproximadamente 302. mistura com a casca de cipó. talvez não conseguissem sobreviver aos tempos. ai quando tá seco bate tudinho e tira carne de casca. em reses. Os casais preparam a roça para sua família. De primeiramente o índio planta aquele cipó e deu no fim. mas os ataques e as doenças reduziram a população. Quando já tá maduro. Em 1940. "Em 1886 restavam apenas duzentos Krahò na aldeia. até Chácara da Serra. Delimitada em 1976. descascam tudinho." Pedro Penõ 40 / 49 . macauba. faz muquem grande e assa. eles pegam tudinho ai eles tiram. e assim seria até morrer. Alimentação Pedro Penõ descreve. pois criavam empecilhos ao comércio fluvial através do rio Tocantins (Carneiro da Cunha. p. essa área que tem para o Krahò. aí sobe até rio Perdido até rio negro que digo. uma relação "ordenada" com o mundo dos não índios. bacaba. aos seus parentes os produtos dos seus roçados. "Então mandaram pedir um padre.. utilizando recursos que possam promover sua sobrevivência na relação interétnica. hoje é considerada a maior área de cerrados inteiramente preservada no Brasil. Frei Rafael de Taggia ainda era seu missionário.levavam gado para o Maranhão. pisa no pirão e faz beju ou faz paparuto. Essa que é a divisa dos Krahò". fundada em 1849 pelo missionário frei Rafael de Taggia. p. assim. coco piaçava. corte de cabelo. A pressão colonizadora os obrigava a migrar aparentemente em direção ao nordeste. Demarcação das Terras "Eu pedi mesmo. criem gado. Pedro Afonso era um importante entreposto comercial da época e servia de rota fluvial. voltando à sua região de origem às margens do rio Manuel Alves Pequeno. as terras dos índios Krahò foram demarcadas. no Suapara desce até no Manoel Alves Grande. mediante pagamento em dinheiro. "A divisa é Sono Grande que despeja no Tocantins. até rio Mateiro despeja no Suapara. também tira a casca dura e cozinha no muquem conforme ai umas quatro horas. Viveram nessa aldeia perto dos rios Sono e Tocantins. entre Porto Imperial e Carolina. o cultivo dos alimentos e principalmente a formação circular das aldeias mantendo o equilíbrio cultural de seu povo.Uma parte da tribo Krahò foi levada à aldeia de Pedro Afonso. trabalhavam na pesca. Pedro Penõ Após várias invasões. 133). em certos favores ou mesmo em troca de permissão de caçarem fora do território tribal" (Darcy Ribeiro. Com a posse da terra ganharam uma "certa independência". continuam vivas na memória de seus habitantes mais velhos. Eu já comi o beju de carne de casca de piaçava eu já comi também.

segundo à espécie de animal que desejam caçar" (Melatti. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guerreiras. Também procuram interpretar os sonhos que. os animais noturnos. beber. Estão construídas em disposição circular. Organização social Tradicionalmente as aldeias Krahò são politicamente independentes. vegetais ou minerais. e cuidam da casa. as matas verdes. possuem alma. abanos e cestas. exigem a abstinência de certos alimentos. não pode brigar. também devem conhecer muito bem os hábitos dos animais para melhor procurálos ou esperá-los. para terem eficácia. assim 41 / 49 . rege as chuvas. conversar. (José Aurélio Pokrok) Os Krahò acreditam que todos os seres: animais. o poente. de onde tiram a sobrevivência do corpo e da alma. matar cobras" (Melatti. Katam jê representa o inverno. a seca. Quando morre um Krahò acontece a separação definitiva. conhecida como. Wakme jê representa o verão. Quando se desrespeita o equilíbrio que rege as duas metades. o nascente. segundo eles. o calor e os animais noturnos. (. plantam. e depois o Karõ transforma-se em animais. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo. amendoim. estão presentes em tudo. respeitando o tempo das caçadas e toda as atividades dentro de uma relação com o tempo e variações sazonais. pilões. a fome. "aquele que possuir a machadinha não deve fumar. As Caçadas Os caçadores Krahò. p. histórias. ou duas metades o Katam jê e Wakme jê . assim como os velhos. Na roça cultiva-se mandioca. Portanto. Os homens seguem essas tradições por acreditarem que o filho tem ligação direta com o pai. os sentimentos e as crenças estão ligadas a natureza. Certas magias.) o homem Krahò evita comer carne e determinados alimentos vegetais durante os primeiros dias após o nascimento de seu filho..) Uma vez nascida a criança. 104). penas de pássaros e cabaças. a sede e a morte.Trabalho A divisão de trabalho é feita pela separação de sexo e idade. As mulheres fazem a coletam. Artesanato Os Krahò confeccionam artesanatos utilitários: cofos para carregar lenhas e alimentos.. fumar.. palha de buriti e babaçu. além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada...usam determinados vegetais para esfregar no corpo ou para fazer infusões que ingerem. são encarregados de carregar as armas e levarem a caça para as aldeias. uma machadinha de pedra que o povo Krahò tem como elemento importante para continuar a tradição e a vida. 48). batata. onde a tribo se reúne para fazer as divisões de trabalho e tudo que seja importante para a concepção da vida cotidiana na aldeia. considerado sagrado para os Krahò. O Karõ pode afastar-se do corpo. abóbora e principalmente o milho. poderão predizer o sucesso das caçadas.. o frio. Tem que falar pouco e escutar mais". para que se respeite o ritmo da vida e mantenha o equilíbrio. Karõ. (. "Para os índios Krahò tanto o marido como a mulher tem participação na formação do corpo de um novo ser. Tudo que se relaciona ao povo.. com um grande pátio no centro chamado Kà. cuias. segundo a tradição. observando a rotatividade da terra durante o plantio. suas festas. Prepara-se também com certos recursos mágicos: ". Bolsas para viagens ou para colocar roupas e pequenos objetos. (. vem as doenças. O material empregado na confecção dos artesanatos é retirado da natureza são: sementes. são essas forças que regem a natureza e o homem. conselheiros e sábios. Produzem enfeites e instrumentos musicais para as festas como os colares e as flautas de cabacinhas e os maracás que são feitos pelos homens. É importante para os Krahò que as duas metades estejam em equilíbrio. Os velhos são representantes da tradição. Os partidos: Os Krahò possuem dois partidos. caçam e pescam. O símbolo sagrado que mantêm essa harmonia e o respeito dentro da comunidade é o Khoyré. p. A área dos roçados fica distante da aldeia. Celebrações e Rituais Os Krahò cultivam seus rituais e celebrações com a mesma força que acreditam no equilíbrio das metades que rege suas aldeias.) não pode trabalhar. ritos.. ter relações sexuais. As meninas maiores cuidam dos menores e os meninos. para serem bem sucedidos.

Sempre cantam." Dodani Krahò Festa do Milho . A cerimônia começa quando todos vão para o círculo maior. sabe as coisas antigas". Os velhos do partido do inverno ficam no pátio. Corrida de toras Homens e mulheres participam da corrida com toras.Machadinha Sagrada" Eu falei das cerimônias e da força da nossa cultura.A história era assim: Os cantores ficam no pátio. Khoyré . quando existe comida suficiente para alimentar todos que participarão dos rituais. enquanto a menina quase sempre da tia paterna. O menino Krahò recebe o nome geralmente de seu tio materno. Fazem dois grandes feixes de palha contendo os alimentos e colocam diante de suas casas. explicam para os mais novos que vão para o mato matar algum bicho e trazer para o rumo do torí(não índio) as coisas que mataram repartem. uma menina aprende os cantos. Colhem milho. A Festa da Batata (panti) Celebra a colheita. Participam os dois partidos: o do sol nascente e do sol poente. O velho Xavier diz que se sonhar matando o animal. que se oferecem para recebe-las. Cacique da aldeia Cachoeira Durante a festa correm com a tora que chamam de Jàtjõpi "tora da batata" que chega a pesar 120 quilos. O homem. recolhendo os alimentos nas roças do partido Wakme jê. cedem o lugar para outro.era preciso se preservar para que os filhos sobrevivessem seus primeiros dias de vida com saúde. "Cortam as toras de buriti. se deixam cair. o paparuto. Durante a festa os Krahò celebram seus casamentos e batizados. reunidos no pátio após percorrerem a metade da aldeia. As mulheres cantam.Pônhê Na festa do milho os Krahò comemoram a fartura das roças. Segundo o nome que recebe. explicam as coisas. A cada novo desafio. logo morrerá. toda noite pro outro aprender. você irá viver por muito tempo até ficar velho. a brincadeira torna-se mais festiva. Jogam as batatas nos rapazes. especialmente preparadas para cada tipo de festa. O cantor de maracá e uma mulher cantam lado a lado na casa de reunião dos homens. no centro. aquele que sabe cantar pega ela um pouco e torna a guardar. Na aldeia é o cantor que usa a machadinha. em frente a casa de reuniões de um dos partidos. Se pegam continuam na brincadeira. comparam o peso de cada uma e começa a corrida. Depois o partido do verão recolhe todos os alimentos na casa dos homens do seu partido. se o bicho matar o indivíduo este. as mães acendem fogueiras e as brincadeiras recomeçam com as cantigas de maracá. Preparam um grande bolo de mandioca e carne. Segundo o cacique a festa demora acontecer." Os Sonhos Acreditam que os sonhos predizem a vida. o indivíduo passa a pertencer a certo grupo cerimonial e a certa metade dos muitos pares que existem na sociedade. frutas e reúnem os partidos do verão e inverno para combinarem como será a festa. cantam até o dia amanhecer e ajuntar o pessoal. se vão trabalhar ou vão para a caçada. As toras de buriti vão passando de ombro em ombro e ganha o grupo que chegar primeiro ao pátio onde gritam e dançam comemorando a vitória. cantando. vão dar para o Wakme jê ou Katam jê . às vezes passam até dez anos para que ela seja realizada. O que colhem armazenam em grandes palhas de bacaba. Junto. No final. A festa começa com o partido do inverno Katam jê. A machadinha que toma conta da aldeia resolve as coisas. Fazem os enfeites que os rapazes e as moças usarão durante as festividades. o do sol nascente e o do sol poente. 42 / 49 . sobre os animais". a mulher e a menina. então vão dividir carne e correr para o rumo da aldeia. batatas. limpam bem. A Machadinha sempre fica guardada. são seguidos por toda a comunidade. do seu lado da aldeia. mostram o que vai acontecer. Os grupos que correm representam os dois partidos. "Fica a noite toda na festa do maracá. sai um portador para convidar outras aldeias para participar da festa. os homens ficam passando por elas e o cantor conduz ensinando as músicas dos antepassados. é realizada durante o verão. do verão. Quando chega a noite começa a cantoria. Preparam-se para a corrida que terminará no pátio.

A casa completa é fechada em todos os quatro lados. porém. como que anunciando aos outros membros do partido. restando somente o novo círculo periférico com um perímetro maior. com um dos lados maiores formando a frente da casa. Diante das casas passa um caminho circular. Nas casas não há janelas. de ponta para baixo e com os folíolos em posição natural . Matta. falta a parede da frente. o que significa que "todos têm o mesmo peso social" (Matta op. destacam a aldeia . dando para o quintal. 1976) As aldeias Krahò são circulares e o círculo é formado porque todas as casas distam igualmente do pátio que se torna. ou seja. À noite e durante a ausência de todos os seus habitantes. o kricapé (onde kri = aldeia). feitas de folhas de babaçu ou inajá. mas são propriedade das mulheres. são ligadas pelos laços maternos. ao invés de ocorrências de cisões. na parede dos fundos. ou somente uma parte da casa forma uma espécie de quarto fechado. desta forma. Nesta situação não a veríamos como um conjunto concêntrico de círculos de casas em torno de um pátio. às vezes. com os folíolos pendentes para um lado só. as famílias elementares de uma mesma casa. Quando o círculo periférico da aldeia já não suporta mais a construção de novas casas. fecha-se a porta com uma esteira encostada ou pendurada nela. Os homens ao se casarem. voltada para o pátio da aldeia. A Casa Tradicional Krahò A forma das casas utilizadas pelos Krahò são muito parecidas com as casas dos moradores nãoíndios da região. cit. mas sim um círculo de traçado irregular. normalmente chamado de periferia. Esta disposição espacial das casas forma assim o círculo maior da aldeia. abrindo para trás. definindo-se como "índios de verdade" principalmente pelo formato circular de suas aldeias.como unidade fundamental para as suas referências. encontrar-se aldeias pequenas (poucas casas) com diâmetro maior que algumas aldeias grandes. devem residir na casa da mãe de sua esposa. total ou parcialmente. centro das decisões políticas e de toda a vida ritual. que constituem o grupo doméstico. As folhas de palmeira são aplicadas em posição horizontal. Do mesmo material são feitas as paredes. Em momentos ou situações de grande acréscimo populacional e de estabilidade política. geralmente as filhas morando atrás da casa das mães. A porta sempre é feita no lado maior. as folhas são aplicadas em sentido vertical. faz a mesma afirmação quando se refere aos Apinayé que. o centro da aldeia. Cada casa tem seu próprio caminho que a liga ao pátio. A Casa Atual 43 / 49 . Em outras épocas era comum uma aldeia com determinado número de casas e diâmetro ser construída em outro local com o mesmo número de casas. A planta é normalmente retangular. as aldeias podem ampliar o círculo (aumentando o diâmetro das aldeias). Cantam com maracá e abrem os feixes dividindo todos os alimentos. Esperam até o dia amanhecer quando reúnem os dois partidos para carregar os feixes até o pátio. A Aldeia Krahò Os Krahò quando falam de sua própria sociedade. o quer dizer que uma casa compõe-se de pelo menos duas famílias elementares. Toda a amarração é feita com cipós.parece ser esta a maneira original de fazerem as paredes. mãe e filhos) e o grupo doméstico. A expansão das aldeias não é dada de forma linear. Com o passar do tempo as casas do antigo círculo tendem a desaparecer.Caminham até os feixes de alimentos e voltam para o pátio. com diâmetro maior.) e que estão relacionados de um mesmo modo ao pátio. porém. Ou então. As casas são construídas pelos homens que nelas habitam. as novas famílias vão construindo atrás das casas das quais haviam desmembrado. e estes caminhos radiais são iguais para todos. Cada casa abriga os dois únicos grupos sociais da vida cotidiana: a família elementar (pai. São mais comuns as casas com cobertura de duas águas e porta ao lado do esteio da cumeeira e se utilizam mais das folhas de piaçava para a cobertura de suas casas. (MATTA. A esta parte da frente corresponde outra. com casas mais distantes ou mais próximas do pátio. que tem por vezes uma cobertura de quatro águas. assim. assim como os Krahò. Algumas vezes. A circunferência formada pelas casas não é proporcional ao seu número.e não as casas . também são descendentes dos Timbira. já que as novas gerações teriam construído suas casa no círculo de trás e as da frente desapareceriam. É na periferia que têm lugar as atividades domésticas ligadas à produção e as casas aparecem como unidades fisicamente definidas e demarcadas.

representando a Comunidade Tocantinense.C. (. começa a cozinhar no quarto e a primitiva divisão se transforma". utilizam a lavoura mecanizada. plantam milho. "gente importante". Ação realizada por técnicos indígenas e não índios. igualdade e fraternidade.DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 44 / 49 .Atualmente os Krahò constroem suas casas de taipa ou mesmo de adobe ou tábuas de madeira fazendo uma divisão interna. funcionários do Programa de Compensação Ambiental Xerente .. J. uma parcela dos índios Xerentes trabalha como professores e em cargos administrativos estaduais e federais. Símbolos do Estado A Bandeira CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS 1989 PREÂMBULO A Assembléia Estadual Constituinte. em pequena escala. jiraus baixos com esteiras de buriti. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins. sementes nativas e o capim dourado. um para cada casal e camas a um metro e meio a dois metros de altura.órgão do Estado responsável pela preservação ambiental.. redes.) A casa indígena é geralmente sem divisões. vivem da agricultura tradicional da "roça de toco". Título I . sob a proteção de Deus. bolsas. É também bastante comum que as famílias construam atrás ou ao lado da casa de taipa ou adobe uma área com cobertura de palha que serve de cozinha. perto da cidade de Tocantínia. promulga a sua primeira Constituição. utilizando a casa apenas para dormir. com liberdade. apoiados pela Funai e Naturatins . do qual fazem cestas. mandioca e. mas não há nada de comum entre a divisão interna de uma casa e as demais. 1975) descreve: "Ocorre algumas vezes que a casa krahò tenha paredes internas.Procambix. Atualmente. "indivíduo". arroz. Mellati (in: MELATTI. refletindo as mudanças operadas com o advento da sua emancipação político-administrativa e fazendo-se instrumento de orientação do seu progresso. esteiras e adereços que são comercializados nas cidades próximas da reserva ou enviados para outros estados. Encontra-se no interior da morada. As matérias-primas usadas na confecção do artesanato são a palha de babaçu. na Reservas Indígenas Xerente e Funil Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê. Ritos de uma tribo Timbira. cercadas por paredes de esteiras para as moças. Xerente Akwê. mas logo algum casal da casa se instala na cozinha. algumas vezes separam um recinto destinado a ser cozinha de outro destinado a ser quarto.

Construção Modular).Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.. que passam a fazer parte integrante desta Lei. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 094/89. 2º . em anexo. do gótico BANDWA. e é distintivo de uma nação. 168º da Independência. sinal. tem a seguinte definição: Pedaço de pano. partido.. etc. como consta do memorial justificativo e arte (I . com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores. Por seu desenho simples e despojado de filigranas. de amarelo ouro. § 1° . não oferecendo o risco da contraposição. Institui a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. em branco. é uma das formas superiores da Heráldica... Uma definição muito pobre do verbete. 17 de novembro de 1989. pois. 2°. com uma ou mais cores. respectivamente. entre os campos azul (blau) e amarelo (ouro). o sol.DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. constituída de um desenho simples e despojado de filigranas. 1º . sendo o que poderíamos chamar de propaganda espiritual. SIQUEIRA CAMPOS Governador do Estado BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS Memorial Justificativo A palavra bandeira. às vezes com legenda. esta Bandeira será de fácil visualização e apreensão. 3° . elaborados por José Luiz Moura Pereira. III . 1°. contudo. de fácil visualização e apreensão.Seção I . que se hasteiam num pau. o que determinam as regras de vexilologia.Palmas é a Capital do Estado. como símbolo máximo a pairar sobre o novo Estado do Tocantins..Representação Policromática. 101º da República ano 1º do Estado do Tocantins.3 (dois e três décimos) módulos de raio.. o hino. pois a Bandeira. nas cores azul (blau) e amarelo (ouro). cores que expressam respectivamente o elemento água e o rico solo tocantinense. revogadas as disposições em contrário. não oferecendo o risco da tão indesejável contraposição. estandarte + eira . representando todos esses valores de forma a mais harmônica possível sem ferir. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos. Art. as armas e o selo estadual.Fica instituída a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. Art. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. Art. A barra resultante dessa divisão. Descrição Geométrica 45 / 49 . símbolo da paz.1 (nove e um décimo) módulos. deve ser a síntese dos sonhos e ideais mais caros de seu povo. que parece denotar um impulso humano ao concreto e a necessidade inelidível de fixar em um símbolo a unidade de suas aspirações em uma ordem coletiva qualquer.A BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição geométrica: Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (catorze) de largura. tal como o Brasão de Armas. A Bandeira. corporação. II Cores Convencionais Heráldica. com 4 (quatro) e 2. de 17 de novembro de 1989. com catetos de 13 (treze) por 9. Miracema do Tocantins. a confiança do seu presente e a esperança no seu futuro. a reverência ao seu passado. O projeto da Bandeira aqui representado traz a mensagem de uma terra onde o sol nasce para todos...São símbolos do Estado: a bandeira. a derramar seus raios sobre o futuro do novo Estado. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro).. Art. colocado sobre uma barra branca. segundo o Novo Dicionário Aurélio. 3º ..

S.Fica instituído o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. Bibliografia · DI CROLLANZA. LEX. GRAMÁTICA ARÁLDICA. (ver Anexo II Modular). D. Presidência da República . 1966. em chefe de azul (blau). Ano 4 . em branco. Brasão GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 092/89. . Editorial Êxito S.S. P. · RIBEIRO. Ulrico Hoelpi . 1º . · O TOCANTINS. · RUNES. Enciclopédia Britânica do Brasil. C. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. Gabinete de Heráldica Corporativa . Paulo. F. Legislação Federal 1968. 1951. Paulo Editora Ltda.Milano. Cria o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. Publicações Ltda. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores limitado na linha divisória. Sob o escudo. constituído de um escudo elíptico cortado. 1933.nº 11. A metade inferior. uma asna de azul (blau).CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. de 17 de novembro de 1989.3 (dois e três décimos) módulos de raio. H.1972. SCHRICKEL. Clóvis. Ed. · FAYARD. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES.. D.Barcelona. Olímpio .Expressão e Cultura . .Lisboa. Gofredo. 1976. na metade superior. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. · V. A. · LANGHANS. HERÁLDICA . carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. J. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro) com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores com 4 (quatro) e 2. de Almeida. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. um listel de azul 46 / 49 . A barra resultante desta divisão. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos com catetos de 13 (treze) por 9 (nove) módulos nas cores azul (blau) e amarelo (ouro) respectivamente.1986. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. ladeada nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro).Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (quatorze) módulos de largura. o termo ou campanha.

uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. Sob o escudo um listel de azul (blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data de sua criação 1º de janeiro de 1989 em letras brancas. respectivamente. Em timbre. com bordadura de azul (blau). uma vez que existem inúmeros precedentes tanto na Heráldica nacional quanto na universal. SIQUEIRA CAMPOS Governador Memorial Justificativo Com a divisão do Estado de Goiás e a conseqüente criação. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa CO YVY ORE RETAMA em letras de 0. Como suporte. Escolhemos a forma elíptica para o escudo. uma estrela de amarelo ouro. deve ser a síntese dos ideais mais caros do seu povo. fonte perene de riquezas e de recursos hidroenergéticos. III Construção Modular).5 (meio) módulo de altura. Art. presentes na Bandeira adotada e já consagrada pelo gosto popular e lembram respectivamente a opulência do rico solo tocantinense e também a paz que à mercê de Deus. COMO CONSTA DO Memorial Justificativo e arte (I . surgiu a necessidade de fixar em um símbolo a unidade das aspirações do seu povo.ESTA TERRA É NOSSA . com 8 (oito) módulos de largura.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. e em termo ou campanha com uma asna a 45º (quarenta e cinco graus) com largura de 1. em sinople (verde) como justa homenagem e reconhecimento ao valor dos tocantinenses cujo esforço e determinação transformaram aquele sonho tão longínquo na mais viva realidade. como expressão máxima de sua identidade entre os demais estados da Federação Brasileira. 101° da República e Ano 1° da Estado do Tocantins. Brasão de armas 47 / 49 . que passam a fazer parte integrante desta Lei. Em timbre. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. revogadas as disposições em contrário.5 ( um e meio) módulo.ESTA TERRA É NOSSA . como uma das unidades da Federação Brasileira sob a divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" .Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. II .em letras brancas sobre listel azul (blau). 3º . representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins. com a inscrição Estado do Tocantins em letras de 1 (um) módulo e a data 1º de JAN 1989 com 0. Em timbre uma estrela de amarelo ouro.O BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição modular: Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). dentro de uma bordadura de 1. A asna em azul (blau) cor falante do elemento água. como uma forma superior de Heráldica. Sobre a estrela. mas tão somente a repetição das cores.Representação Policromática. representativa da condição do Estado do Tocantins. 2º .Cores Convencionais Heráldicas. procuramos ressaltar esses valores de forma a mais harmônica possível dentro do que determinam as regras da Heráldica. por seu caráter simbólico. um listel com 1. 17 de novembro de 1989. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). com bordadura de azul (blau). cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio.(blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data 1º de JAN 1989 em letras brancas. a reverência do seu passado. O Brasão de Armas. criados por José Luiz de Moura Pereira. não constituem nenhuma violação aos cânones da arte da armaria.5 (meio) módulo de altura. Miracema do Tocantins.em letras brancas sobre listel de azul (blau). uma grandeza que surge. encimada pela divisa em Tupi CO YVY ORE RETAMA .5 (três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio.imagem idealizada ainda nos primórdios da história do novo Estado quando sua emancipação mais parecia um sonho distante e inatingível e simboliza o estado nascente. por ser esta a que melhor se coaduna com a alegoria nele representado: o sol de amarelo (ouro) do qual se vê apenas a metade despontando no horizonte contra o azul (blau) do firmamento . Art. aí introduzidos em substituição aos metais e prata. uma afirmação no seu presente e uma mensagem de otimismo para as gerações do futuro. Os campos em amarelo (ouro) o branco. a coroa de louros que cingia a fronte dos heróis vitoriosos. cujo futuro se ergue promissor e fecundo. em anexo. 168° da Independência. aí reinará. No projeto que ora apresentamos. a contar do centro para baixo. Sob o escudo.

1933. 1951. (ver memorial).5 (meio) módulo de altura.Milano. listel com 1. F.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. e em termo ou campanha com uma asna a 45º ( quarenta e cinco graus) com largura de 1. . D.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. · FAYARD. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. Sobre a estrela. uma asna de azul (blau).5 ( três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. 1976. 1966.Escudo elíptico cortado. Enciclopédia Britânica do Brasil. dentro de uma bordadura de 1.Barcelona. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. encimada pela divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" em letras sobre listel de azul (blau). SCHRICKEL. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. na metade superior. Olímpio .. Sob o escudo. respectivamente. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores. J. Paulo. Bibliografia · DI CROLLANZA. Legislação Federal 1968.Expressão e Cultura . Paulo Editora Ltda. a contar do centro para baixo. GRAMÁTICA ARÁLDICA. H. Presidência da República .5 (meio) módulo de altura.S.5 ( um e meio) módulo. HERÁLDICA . · OS SÍMBOLOS NACIONAIS.nº 11. com a inscrição "Estado do Tocantins" em letras de 1 (um) módulo e a data "1º de janeiro de 1989" com 0. · O TOCANTINS. C. limitado na linha divisória. Gofredo. · RIBEIRO. Descrição modular Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). Ulrico Hoelpi . 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. · LANGHANS. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. listel de azul (blau) com a inscrição "Estado do Tocantins" e a data "1º de janeiro de 1989" em letras brancas. Publicações Ltda. D. · V. · RUNES. Hino Estadual O sonho secular já se realizou Mais um astro brilha dos céus aos confins Este povo forte Do sofrido Norte Teve melhor sorte Nasce Tocantins [ESTRIBRILHO] 48 / 49 . Ano 4 .Lisboa. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde).1972. P. Sob o escudo.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. A metade inferior. Editorial Êxito S. Ed. termo ou campanha. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. com 8 (oito) módulos de largura. LEX. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. . ladeado nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). A. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa "CO YVY ORE RETAMA" em letras de 0. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. de Almeida. Clóvis.1986. com bordadura de azul. Em timbre. Gabinete de Heráldica Corporativa . em chefe de azul (blau). S.

Povo consciente. Tua alma xerente. Sem medo e temor. Vejo tua gente. Pela tua Glória Morro. Teu povo valente. tua imensidão Teu belo Araguaia lembra o paraíso.Levanta altaneiro. Que venceu um dia! Letra: Liberato Póvoa Música: Abiezer Alves da Rocha 49 / 49 . És o Tocantins! Do bravo Ouvidor a saga não parou Contra a oligarquia o povo se revoltou. O povo queria Libertar o Norte! [ESTRIBRILHO] Teus rios. persegue os teus fins Por tua beleza. Tua rica história Guardo na memória. tuas matas. Somos brava gente. por tuas riquezas. contempla o futuro Caminha seguro. se preciso! [ESTRIBRILHO] Pulsa no peito o orgulho da luta de Palma Feita com a alma que a beleza irradia. Simples. mas valente. [ESTRIBRILHO] De Segurado a Siqueira o ideal seguiu Contra tudo e contra todos firme e forte Contra a tirania Da oligarquia.

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