Emancipação

O Estado do Tocantins foi criado no dia 5 de outubro de 1988, com a promulgação da oitava Constituição Brasileira. A conquista foi resultado de uma luta que começou no século XIX e culminou com um projeto de lei do então deputado federal José Wilson Siqueira Campos, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1985, após ter sido vetado em duas ocasiões pelo presidente da República, José Sarney, que considerava o plano oneroso e desprovido de interesse público. A luta pela autonomia do Estado sempre foi um desejo antigo do povo do então norte de Goiás. Já em 1821, o desembargador Joaquim Theotônio Segurado rebelara-se contra o isolamento imposto na região, proclamando o Governo Autônomo do Tocantins. Apesar da pouca duração desse governo, a iniciativa serviu para espalhar o sentimento separatista entre a população. Mais tarde, em 1920, a divisão entre o norte e o sul de Goiás foi novamente defendida por José Pires do Rio, ministro da Viação e Obras Públicas do presidente Rodrigues Alves. A idéia foi bem recebida, mas não se materializou. A luta recente pela emancipação do Tocantins foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília (DF). Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia a Região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Porto Nacional, Tocantinópolis, Natividade e outras localidades. Para dar ênfase à prioridade da emancipação, Siqueira Campos submete-se a uma greve de fome, determinado a ir às últimas conseqüências. Como resposta, ele conseguiu a aprovação quase unânime no Congresso Nacional. A Capital Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte, e a cidade escolhida foi Miracema do Tocantins. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o legislativo e o executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro Governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice, o juiz federal aposentado Darci Coelho. A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes executivo, legislativo e judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do País em busca de oportunidades. Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com uma população que ultrapassa 150 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no País.

Geografia
O Estado do Tocantins está localizado no Centro Geodésico do Brasil, e possui uma área de 278.420,7 Km2. Com uma população de 1.157.098 (IBGE 2000), o Estado faz divisa com seis Estados: Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Por estar em uma área de transição, apresenta características climáticas e físicas tanto da Amazônia Legal quanto na zona central do Brasil, com duas estações: seca e chuvosa. O clima é tropical e a vegetação predominante é o cerrado, que cobre 87,8% da área total do Estado. O restante é ocupado por florestas. O relevo tocantinense é formado por depressões na maior parte do território, planaltos a Sul e Nordeste, e planícies na região central. O ponto mais elevado é a Serra Traíras (1.340 metros). O Tocantins é dono de muitas belezas naturais, entre elas a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na região sudoeste do Estado, onde também estão o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Nacional Indígena. 1 / 49

A maior bacia hidrográfica totalmente brasileira também está localizada no Estado - a bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Manuel Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.

História
Apresentação "O que será toda essa riquíssima região no dia em que tiver transporte fácil pelo rio, ou uma boa rodovia ligando todos esses núcleos de civilização. E sonhamos... com as linhas aéreas sobrevoando o Tocantins, vindo ter a ele ou dele saindo para os diversos quadrantes. As rodovias chegando a Palma, a Porto Nacional, a Pedro Afonso, a Carolina, a Imperatriz, vindos de beira mar! O tráfego imenso que a rodovia Belém do Pará - Imperatriz - Palma teria, se aberta ! (...) E pensamos: quantas gerações passarão antes que este sonho se realize! (...) mas tudo vem a seu tempo!" (Lysias Rodrigues) Já sonhava Lysias Rodrigues na década de quarenta quando defendia a criação do território do Tocantins. E o tempo chegou ! Foi criado pela Constituição de 1988 o Estado do Tocantins. Sua capital não é a Palma de que fala Lysias mas é Palmas em homenagem a esta, a vila da Palma, antiga sede da Comarca do Norte. E as rodovias e linhas aéreas já vêm e saem do Tocantins "para diversos quadrantes". Muitas gerações compartilharam o sonho de ver o norte de Goiás independente. Esse sentimento separatista tinha justificativas históricas. Os nortistas reclamavam da situação de abandono, exploração econômica e descaso administrativo e não acreditavam no desenvolvimento da região sem o seu desligamento do sul.

O norte de Goiás
O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins. Segundo Parente (1999) esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente norte de Goiás foi denominativo atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico essa denominação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores que "em quinze anos abrem caminhos e estradas, vasculham rios e montanhas, desviam correntes, desmatam e limpam regiões inteiras, rechaçam os índios e exploram, habitam e povoam uma área imensa...." (PALACIN, 1979, p. 30). Descoberto o ouro a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concretizando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, 1999,p.96).

A economia do ouro 2 / 49

"(...) descobrimento, um período de expansão febril, caracterizado pela pressa e semi - anarquia; depois, um breve, mas brilhante, período de apogeu, e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência, prolongada, às vezes, como uma lenta agonia. Tal é o ciclo do ouro"(PALACIN).

As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação, segundo Palacin (1979), da bandeira do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva (filho do primeiro Anhanguera que esteve com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O Rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto que "segundo ordenação do reino este era uma decorrência do domínio real sobre todo o subsolo (...) o rei (...) não querendo realizar a exploração diretamente cedia a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal fundido e apurado a salvo de todos os gastos" (PALACIN, 1979, p. 46).

O controle das minas
Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi "fiscalizado e vexado". E o fisco, insaciável na arrecadação. "Só havia uma indústria livre: a mineração", concluiu Alencastre (1979, p.18), "(...) mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de registros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao quinto (...) ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de contrabando (...)". À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabava ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

A decadência da produção
A produção do ouro goiano teve nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas (17261735) o seu apogeu, foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resultando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, nesse momento, a produção começou a cair "é possível afirmar que essa queda da produtividade está mascarada pelo incremento do contrabando - principalmente nessa região que, infelizmente é impossível mensurar"(PARENTE, 1999, p.42). De 1752 a 1778 a arrecadação chegou a um nível mais alto, é o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras que compensava e excedia a redução de produtividade. As distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e os perigos dos ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante "por não arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de sua manutenção" (PARENTE, 1999, p. 51). A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e a vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi a organização de bandeiras para tentar novos descobrimentos. Segundo Póvoa (1999) tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-

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se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante. A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia, Goiás) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição, chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível "arrastando consigo os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação e do comércio externo, menos rendimentos dos impostos, diminuição da mão-de-obra por estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural" (PALACIN, 1979, p.133). Toda a capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapitalizados. Não investiu em técnicas mais sofisticadas para a exploração do ouro nem resolveu o problema da falta de escravos. A avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais o ouro ia sendo abandonado. "Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, nada nos legaram em benefícios de civilidade, a não ser o expansionismo geográfico", concluiu Silva (1997, p. 41). Cada vez se adentrava mais para o interior procurando o ouro aluvional, mas as buscas foram em vão. Foi no norte da capitania que a crise foi mais profunda. Parente (1999) aponta os fatores determinantes. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agro-pecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas e o risco freqüente de ataques indígenas dificultavam o comércio. Além destas dificuldades o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania. "Para facilitar e agilizar a cobrança desses tributos, a capitania de Goiás se dividia em duas (sul e norte), no momento de se repassarem as rendas, essa divisão não valia, o que beneficiava os arraiais mais próximos da sede do governo, localizados no sul, que faziam parte dos povoamentos nas rotas comerciais com as outras capitanias" (PARENTE, 1999, p.92). Isso explica por quê essa renda não ficava na região de origem. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital e o atrofiamento do mercado interno, findo o ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise levando, diante desse quadro, os governantes goianos voltarem "suas atenções para as atividades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara" (PARENTE, 1999, p. 93).

A Subsistência da população e a integração econômica
"Realizada a transmutação, por toda a geografia de Goiás na segunda década do século XIX, encontram-se carcaças de antigas povoações mineiras outroras cheias de vida, o capim cresce nas ruas, a maior parte das casas abandonadas por seus habitantes se desmancham e até as igrejas, a começar por suas torres, vão caindo aos pedaços (...) O norte, sobretudo, foi mais de século em recuperar-se" (PALACIN). Finda a mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros essenciais (PALACIN, 1989, p.46).

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) as importações de sal. O governo imperial instalou na Província presídios e colônias militares e estabeleceu aldeamentos ao longo dos rios Araguaia e do Tocantins. o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem. Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins. naquele momento para essas vias de comunicação constituía-se numa necessidade premente da Capitania por não ser mais possível manter gastos com o único meio de transporte utilizado até então ..Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica. Contudo.. Johann Emanuel Pohl.) A Capitania nada exportava. da agricultura. O isolamento. prover os navegantes de víveres e garantir apoio logístico à navegação". chegavam caríssimos. "Voltar as atenções. Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi Ouvidor da Comarca do norte. da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes. ferro e manufaturas. todos interditados na época da mineração para conter o contrabando. O Desembargador Theotônio Segurado.tanto provincial quanto imperial investiu no sentido de explorar a navegação com fins comerciais. as dificuldades de administração e os ataques indígenas foram os principais empecilhos. saíam por um preço três vezes menor do que os julgados do sul pagavam às importações oriundas de São Paulo. 1999.devido á baixa produtividade das minas" (CAVALCANTE. Como efeito imediato o norte começou a se relacionar com o Pará.. 1998. só a partir dos anos 40 do século XIX que o poder público .. " (. Nas primeiras décadas do século XIX. ainda que de forma precária e inexpressiva. diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia. Além dos entraves naturais do próprio rio . os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio. No norte o quadro de abandono. p. embora cercada de imensos obstáculos.(. Na linha do rio Tocantins não obtiveram sucesso no seu intento. 1999. no norte. Esses aldeamentos foram mais promissores na medida em que constituíram. Diante dessa situação. Os esforços governamentais se concentraram principalmente no rio Araguaia na intenção de trazer também para os julgados do sul as vantagens do comércio com o Pará.. a carência de mão-de-obra para a navegação das embarcações. deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da falta de meios para contrapor esse quadro: "(. 1999. p59). tornando possível utilizá-los como tripulação dos barcos que desciam rumo ao Pará" (ROCHA.. que mais tarde tornaria ouvidor da Comarca do Norte. e. nenhum viajante. 5 / 49 . "Os aldeamentos. despovoamento. passando pelo povoado de Santa Rita constatou . o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa. Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará. em visível decadência . daí as execuções. Pedro Afonso e Araguacema (antiga Santa Maria do Araguaia). a Coroa portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento. não vi o menor trato de terra cultivada. a formação de sociedades mercantis e a instalação da navegação a vapor no Araguaia não foram suficientes para viabilizar a comunicação dos julgados do sul com o Pará. Minas Gerais e Rio de Janeiro" (CAVALCANTE. p.55). nem o aldeamento dos índios.39). aos comerciantes. concessão de privilégios na exportação para o Pará. as lavras de ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas". os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos.somavam-se os custos das viagens. o tempo gasto nas viagens e o perigo dos ataques indígenas. sob a direção de padres capuchinos.39). promoviam a fixação dos índios.. por falta de braços. não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade. Saint-Hilaire na divisa norte/sul da Capitania revelou: "À exceção de uma casinha que me pareceu abandonada. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins. via Bahia e Pará. foram liberados desde 1782."é um lugar muito pequeno. vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas. anos depois. daí a total ruína da Capitania". em relatório de 1806. nem mesmo um único boi". Mas..as tropas de animais . As picadas. pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela região nas primeiras décadas do século XIX. visto que. a falta de suporte para as mesmas. o Desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania. p. Também buscaram atrair a população não-índia para as terras próximas a esses rios através da isenção fiscal por dez anos aos lavradores que ali se estabelecessem. pela navegação fluvial dos rios Tocantins e Araguaia. Minas Gerais e São Paulo. os núcleos iniciais de cidades como Tocantínia (antiga Piabanha). através da capitania do Pará. A navegação do Tocantins prosseguiu. através dos rios Araguaia e Tocantins (CAVALCANTE. o estímulo à agricultura.)Agora por não haver negros. "Os presídios incumbiam-se de afastar os índios hostis.cachoeiras e corredeiras . Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral.

A navegação prosseguiu. Araguatins. saíam botes. 1999.19). Entrepostos comerciais. fumo em rolo. Salvador. couro de boi. o incentivo geral da Coroa na concessão de sesmarias mais extensas aos interessados na atividade pecuária (. Paralelamente. A caça e a pesca também eram atividades subsidiárias. as dificuldades dos meios de transportes e de comunicação. Ponte Alta do Bom Jesus. desenvolveu-se a pequena lavoura para complemento alimentar. o indispensável para o consumo e para a aquisição de alguns produtos básicos de importação como sal. ao longo do século XIX. de onde eram redistribuídas as mercadorias importadas de Belém e repassados os produtos sertanejos.. criavam porcos. A pecuária praticamente determinou o processo de ocupação econômica da região nos séculos XIX e XX. transformaram-se em prósperas vilas como Porto Imperial (atual Porto Nacional). p. cravo-da-índia. Rio de Janeiro. proporcionando um surto de desenvolvimento em vilas e povoados. Já no final do século XVIII e por todo o século XIX multiplicaramse as fazendas de gado no norte. cachaça. De lá.. o gado também abriu caminhos para o interior do sertão. Nas próprias fazendas..) a proximidade do norte e nordeste de Goiás ao litoral norte e nordeste e. apesar de dominante. em razão do declínio da exploração aurífera ter sido mais rápido na região e. praticada de forma extensiva. ao norte. se desenvolveram e alcançaram autonomia e maior expressão na região. constantemente. etc. Eram vaqueiros e remeiros. constituídos de vaqueiros. peles silvestres e carne seca. originaram-se os núcleos urbanos. Sesmarias eram lotes de terra cedidos pela Coroa portuguesa. Se não atendeu aos propósitos de soerguer economicamente toda a região. não foi exclusiva. barcos motorizados carregados de mercadorias como fumo. etc. cabras e ovelhas. "As pastagens naturais. Lizarda. Taguatinga. as fazendas de gado já estavam consolidadas e revelaram um novo tipo de sociedade onde a criação de gado. algodão. São Pedro de Alcântara (Carolina-Ma) e Boa Vista (Tocantinópolis). 6 / 49 . intercalavam seu trabalho no campo com a atividade de barqueiro no rio Tocantins. Tocantinópolis e Nazaré são exemplos de cidades do estado do Tocantins que nasceram de currais de gado..Obstáculos que o poder público não conseguiu transpor como também não conseguiu suprir a ausência de um produto exportável que mantivesse a região vinculada à metrópole ou mesmo às outras Províncias mais desenvolvidas economicamente. ervas. novelo de linha. pimenta-do-reino. a segunda.) ´"(CAVALCANTE. A agricultura não alcançou um nível de produção comercial por fatores ponderáveis como o isolamento geográfico em relação aos grandes centros produtores. Duas foram as razões: `(. ferro e produtos do reino. Sob o estímulo da pecuária surgiram agrupamentos humanos ruralizados. No final do século XIX. criadores e tropeiros. mais tarde. predominou. pólvora. rumo a praça de Belém. sustentada pela perseverança dos comerciantes do norte. A pecuária. Silvanópolis. portanto. Plantava-se. Os filhos dos fazendeiros ricos ou iam estudar em Carolina. Da conjugação das várias fazendas. ela foi de vital importância para a economia do norte na medida em que integrou o sertão ao mercado de Belém. sal. Alguns fazendeiros dividiam seu trabalho entre o campo e a cidade. rapadura. tornaram-se forte atrativo aos criadores de gado do Maranhão e Piauí que. açúcar grosso. onde residiam e estabeleciam comércio onde vendiam querosene. Além de gado. botões. então.. medicamentos diversos. Pedro Afonso. No século XX. vinham as manufaturas. cana-de-açúcar. Porto Nacional. a inexistência de mercados consumidores e as constantes ameaças de ataques da população indígena. Os vaqueiros. ainda. ou permaneciam na tradição familiar com a criação de gado. canoas. batelões e.

O charque . Só a rodovia. Arapoema e Xambioá foram favorecidas com a exploração do quartzo (cristal de rocha) que ganhou mercado com a Segunda Guerra Mundial. p. Em Araguatins. 1999. "Há informação de que até 1983 alguns municípios do norte de Goiás.43). possuía a maior frota de barcos e era o maior centro urbano de todo o norte goiano na metade do século XIX. a ocupação econômica do extremo norte e do Médio Tocantins foi sustentada pelo extrativismo mineral e vegetal: o babaçu. Nas décadas de 1940 e 1950. como fonte de renda. essa atividade continuou movimentando a economia regional e trouxe surto de prosperidade para algumas povoações. Tocantínia-Pedro Afonso-Carolina. Guaraí. Maranhão. Ainda se 7 / 49 . a Belém-Brasília provocou muitas alterações na economia local. látex de mangabeira (Belém e Bahia) e gado em pé (Bahia e Piauí). As linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado. atual Tocantinópolis. 1997. salgada e dobrada em forma de manta . 89). com a construção da rodovia Br-153 ou Belém-Brasília ligando o Planalto Central à Belém do Pará. se praticamente inexistia. se tornou o novo centro abastecedor do norte goiano. 1997. na Bahia (SILVA. A construção da estrada-de-ferro integrou economicamente o centro-sul de Goiás ao centro-sul do país. As transações eram feitas a dinheiro ou à base de permuta (SILVA. tiveram sua origem ou se desenvolveram.75). pólo industrial do Estado de Goiás. centralizando os negócios do Médio Araguaia e Tocantins com a praça de Salvador.carne das partes dianteiras do boi. Os investimentos federais ou estaduais . no início do século XX. Paraíso. Boa Vista.era vendido para a praça de Belém. porém. ficaram praticamente ilhados. Eram vendidos couros de boi e peles silvestres (Pará e Maranhão). Essa situação obrigou o Banco do Brasil a recusar. com a construção da Br-153. Pará e Bahia. No século XX. o caucho e o cristal. A rodovia promoveu uma nova rearticulação do comércio inter-regional que. visto que. Colinas e Araguaína. Cidades como Gurupi. Miranorte. de Corumbá de Goiás. as povoações situadas à margem direita do rio ficaram isoladas da nova rota de desenvolvimento.O intercâmbio comercial dessa região era maior com as praças de Belém. p. tinha ficado ainda mais debilitado depois da construção da ferrovia no sudeste goiano. Carolina-TocantinópolisBelém foram desativadas. como Goiatins. Nos anos 20. o babaçu e o mogno aqueceram o comércio da região. pedidos de financiamento agrícola sob a alegação de que as safras não seriam escoadas" (CAVALCANTE. Piauí e Bahia. esta região se relacionava basicamente com o Maranhão. Com a BR-153 essa situação foi amenizada. alargando a distância das relações entre o norte e o sul de Goiás. fez parte de uma época áurea na história desses municípios. não foi suficiente para superar a debilidade dessa relação inter-regional devido ao desequilíbrio existente na estrutura viária do estado. todas localizadas à margem esquerda do rio Tocantins. Por outro lado. Anapólis. Itacajá e outros. até o final da década de 1950. Na década de 1960. perde para a pacata vila de Pedro Afonso que com o látex da mangabeira (caucho) assume a liderança de empório do sertão. No norte goiano. a instalação de charqueadas incrementou o comércio de Pedro Afonso e Araguacema com o Pará. Esse comércio foi feito inicialmente por via fluvial e continuou por via aérea. Nesse mesmo período.nessa área eram destinados principalmente a promover a integração do centro sul de Goiás com o centro sul do país. O sal vinha de Mossoró (RN) via Barreiras e o café. declina a navegação mercantil. Pium. 30 e 40 do século XX. naquele momento. O extrativismo. Cristalândia. provocando um redirecionamento do comércio. p.

vai dando espaço ao desenvolvimento da SUDAM. a arrecadação de impostos era inferior. E o babaçu . em detrimento dos tradicionais milho e feijão. em proporção muito menor. p.93).1736 Na época da mineração. Já a persistência de métodos tradicionais na produção e nas relações de trabalho diante do novo demonstrava a heterogeneidade dessa expansão. a pecuária foi consolidada como atividade econômica básica e. da Comissão de Estudos e Obras dos Rios Tocantins e Araguaia . ainda preservam um intercâmbio comercial e cultural com o Pará e Maranhão. Araguatins. torta para ração animal etc. a consolidação da integração econômica. p.CEORTA e. a cobrança do quinto . álcool. mais tarde.. com a expansão da modernização e a incorporação de novas áreas. 1997. Isso ocorreu principalmente no espaço que compreende o rio Araguaia e a Belém . Nas décadas de 1970 e 1980 na região norte de Goiás configurou-se uma nova paisagem marcada pela descontinuidade e heterogeneidade da expansão modernizadora. como óleo comestível ou industrial. A Belém-Brasília "ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira de desenvolvimento" (SILVA. passou a predominar as raças gir e nelore. Em relação a estrutura fundiária.94). todavia. Com o fim da política de investimentos e de crédito do governo federal. iniciando uma nova fase de modernização no processo de ocupação e causando impactos na organização da produção e na estrutura fundiária da região. 1997. Um exemplo concreto desse fenômeno foi a posição privilegiada que o município de Araguaína conseguiu em relação aos demais com o recebimento de mais recursos." (SILVA. borra. Quanto à produção.com seus 80 subprodutos. Mas as estradas de rodagem já se expandiam oferecendo uma opção de tráfego mais fácil e viável.. acrescido de uma 8 / 49 . o norte de Goiás se tornasse alvo para investimentos governamentais com o objetivo de incorporar a região ao mercado nacional como produtora de bens exportáveis.foi substituída pela capitação que passou a cobrar uma taxa de imposto sobre cada escravo utilizado.CIVAT. a navegação fluvial como meio de subsistência. no lugar do gado vacum pé duro. do rio Tocantins. A Primeira Cisão .Tocantins (PRODIAT). Como conseqüência desse processo houve a desapropriação dos antigos moradores locais pelos grandes proprietários desencadeando graves conflitos sociais. com o Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia Araguaia . continua a fazer parte do cotidiano de algumas cidades.tentou reativar a navegação dos rios Araguaia e Tocantins com a criação da Companhia Interestadual dos Vales Araguaia e Tocantins . Por isso. mas também difundidos em 60 municípios do norte goiano. Ainda assim. através do rio Araguaia e Itaguatins.o boi vegetal . A polarização de recursos em pontos diferenciados acentuou o desequilíbrio regional. objetivando a exportação de arroz e soja. constituía-se num desafio para o futuro Estado do Tocantins. a agricultura foi reorientada. por exemplo.Brasília onde "a pata de boi invade os babaçuais que passam a ser vítimas das queimadas. as minas localizadas ao norte da capitania de Goiás eram consideradas mais ricas do que as do centro-sul. O governo federal criou programas dirigidos principalmente à Amazônia. carvão ativado.pagamento em ouro em pó sobre a produção . o que permitiu que a partir da década de 1970. As pastagens naturais e a vegetação nativa cederam espaço para o plantio de novos pastos. o novo modelo de desenvolvimento possibilitou a concentração de terras com a formação de latifúndios voltados para a pecuária.

O 18 de março foi. Traíras e Flores. oficialmente. 1979. O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a 9 / 49 . Este episódio deixava evidente o caráter esporádico das relações entre o norte e o sul que só existia "em função de atos administrativos isolados com finalidades meramente fiscais ou jurídicas" (CAVALCANTE. A idéia da nomeação de um governo provisório. em seguida. São Félix. o Alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã. o Ouvidor e o povo do norte solicitaram a D.50). na consciência de unidade do território de Goiás" (PALACIN. segundo Palacin. sob a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do Pe. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. nunca de toda reparada. principalmente. p. 1999. muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará.sobretaxa para as minas do norte.1809 Para facilitar a administração à aplicação da justiça e. Natividade teria a sede da ouvidoria. como o capitão Cardoso. Para nela servir foi nomeado o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado como o seu Ouvidor. aqui na colônia. A Comarca do Norte recebeu a denominação de Comarca de São João das Duas Barras. e o Pe. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo. p. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados. hoje a cidade de Paranã. 1999. Natividade. conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio.52). A Criação da Comarca do Norte . exigindo a recolonização do Brasil mobilizou. por ser a data da criação da Comarca do Norte. A atitude dos mineiros. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos interesses regionais e. O ouvidor Theotônio Segurado. Tal situação alimentou o sentimento de desligamento regional que mais tarde iria se evidenciar como "algo natural. geográfico e histórico" (CAVALCANTE. foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes. A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real. Arraias. Alguns vieram para o norte. Conceição.54). 1999. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. O Pe. Marques recebeu ordens para se manter afastado da capital. não hesitou em reivindicar legalmente autonomia político administrativa dessa região" (CAVALCANTE. considerado o Dia da Autonomia pela Lei nº 960 de 17 de março de 1998. incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia. Cavalcante. Mais uma vez Sampaio impôs sua autoridade e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. administrador da comarca do norte. O Pe. foi aclamada no norte onde já havia anseios separatistas. que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias. ponto que começava a prosperar com a navegação do Tocantins. houve uma denúncia sobre o golpe e. o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a comarca do sul e a comarca do norte. "tão logo se mostrou oportuno. Ficaram dois anos sem pagar e só voltaram em igualdade de condições com as outras regiões. Luiz Bartolomeu Marques. A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila comarca. mas nunca chegou a ser construída. O Movimento Separatista do Norte de Goiás . estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado. assim como chamaria a vila que. depois de fracassada na capital. p. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras. Em Goiás. enviado para a aldeia de Formiga e Duro. em Portugal. No lugar escolhido por Segurado. Contudo. Essa diferenciação fiscal teve como justificativa o alto índice de contrabando na região em função do seu isolamento. Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general.50). O arraial do Carmo que já tinha sido cabeça de julgado perde essa condição que foi transferida para Porto Real. José Cardoso de Mendonça. essas idéias liberais refletiram na tentativa de derrubar "aquele que era a própria personificação da dominação portuguesa": o capitão-general Manoel Sampaio. Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821. caso o governo insistisse na cobrança de um imposto que consideravam injustas. Contra essa discriminação se levantaram os mineiros do norte ameaçando desligarem-se da Superintendência do centro-sul e ligar-se ao Maranhão. a vila de Palma.1821 a 1824 A Revolução do Porto no ano de 1820. na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. causou "a primeira cisão. p. a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. especificamente no litoral.

mas deu vivas a D. Para este fim contavam com o vigário de Cavalcante. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. de natureza econômica.. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. Theotônio Segurado. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. com capital provisória em Cavalcante. política. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. aço e ferramentas ficam abolidas. de natureza econômica. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo.358). "No dia seguinte. S. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. 1979. Palmenses! Sejamos livres. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. e tenhamos segurança pessoal.358). se decidirá qual deve ser a capital. . banco. .)" (ALENCASTRE. p. Domingos. p. Esses deputados devem ser eleitos. . ou por mal delineado. 1979.Proclamação. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. eis os empenhos para os cargos públicos. O Ouvidor da Comarca do Norte. papel selado. 1979. onde reside interinamente o governo provisório. Theotônio Segurado.. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. administrativa e geográfica. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. Saídas de gados.. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE.independência do Brasil. . da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. a virtude e a ciência. décima. No dia 14 de setembro. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. ou por ser rebatido por força superior. Eles continuam na escravidão. ou por ser 10 / 49 . política. "No dia seguinte. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. para Segurado. ou por sermos os únicos que os pagamos. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. ou por mal delineado. ferro. para Segurado. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE. mas deu vivas a D. e nela residirá o governo. instalou-se o governo independencista do norte. com capital provisória em Cavalcante. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado.. Depois de reunidos todos os deputados. Francisco Joaquim Coelho de Matos "(. p. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. entrada de sal.) mas este. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. O Ouvidor da Comarca do Norte.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. administrativa e geográfica. cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Teotônio Segurado (. os arraiais de São José. não tendo bastante prestígio e influência. No dia 14 de setembro.Proclamação. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. instalou-se o governo independencista do norte.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros.358).

.foi enviado para Cavalcante a fim de garantir a consolidação da recém conquistada unidade política. 15 de setembro de 1821. João VI. assume o poder naquela comarca o Pe. Tal decisão provocou reação em Cavalcante e Palma que não acataram as ordens de Cerqueira e mantiveram-se fiéis ao Ouvidor Febrônio. o seu afastamento da liderança do movimento por ter viajado a Lisboa (. Camargo Fleury com a missão de restabelecer a unidade política da Província. viva o Sr. Depois de reunidos todos os deputados. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. Palmense. A prisão do Capitão Felipe Antônio Cardoso. 1999. antes ocupada por Segurado. contribuíram 11 / 49 . Francisco Joaquim Coelho de Matos. e tenhamos segurança pessoal. instalado em Cavalcante. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam.rebatido por força superior. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. e nela residirá o governo. A instalação de um governo independente . a Comarca da Palma foi desmembrada de Goiás e constituiu em sua jurisdição uma província independente. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. Um novo governo provisório foi organizado. e na cavalaria seis e meia.64). José Zeferino de Azevedo. Manoel Antônio de Moura Teles.). nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da maioria dos arraiais conseguiu se firmar.na condição de Comandante das Armas e a serviço da Junta de Governo da Província de Goiás . se decidirá qual deve ser a capital. D. Finalmente em 1823. Através de um decreto. foram todos fatores que. foi quem assumiu a chefia do movimento e organizou o novo governo. Em abril de 1822. p. Saídas de gados. Pelo contrário. apesar de não participar diretamente dele.. Luiz Pereira de Lemos e Joaquim Rodrigues Pereira (ALENCASTRE. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista. entrada de sal. Viva a nossa santa religião.358-359).parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado. 1979. Francisco Xavier de Matos. ferro. foi sua primeira demonstração de força. destituiu o Ouvidor Febrônio José Vieira Sodré de suas funções e passou a acumular o cargo de Ouvidor. "o pacificador do norte". Assim. onde reside interinamente o governo provisório. Os soldados que quizerem sentar praça de infantaria vencerão cinco oitavas por mês. com a instalação do governo provisório no sul.Em decorrência disso. mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul . o pulso forte de Luís Camargo Fleury e o não reconhecimento por parte de D. em conjunto. Fleury também conseguiu a dissolução do maior foco de oposição contra a unidade política . Para entender a impossibilidade de sustentar o governo provisório do norte"é relevante não a posição antiindependencista de Theotônio Segurado mas sim. eis os empenhos para os cargos públicos. aço e ferramentas ficam abolidas. Cavalcante. O sucessor de Segurado foi o tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira que transferiu a capital para Natividade. "A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a Junta havia ficado acéfala. Domingos. quando Luís Gonzaga. a virtude e a ciência. com a ausência de um líder em condições de assumir tal posição. seria inevitável a cisão entre as lideranças regionais" (CAVALCANTE. chegou à região não encontrou nenhuma resistência organizada que viesse a se tornar obstáculo à realização de seu objetivo. p. com o Brasil já independente. papel selado. Palmenses! Sejamos livres. banco. décima. Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional" (CAVALCANTE. quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte agravou a crise interna. 67). A crise se instalara dividindo e enfraquecendo o governo do norte. As divergências internas em relação à hegemonia política da região. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. 1999. Em outubro de 1821. ânimo e união! O governo cuidará da vossa felicidade.não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa. S. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. p. viva o príncipe regente e toda a casa de Bragança. Esses deputados devem ser eleitos. ou por sermos os únicos que os pagamos. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. as dificuldades de natureza econômica e financeira. que resistia à unificação. José Vitor de Faria Pereira. Com o seu afastamento em janeiro de 1822. Palmas. Pedro I do governo instalado no norte. Foi mandado à Corte um deputado para comunicar o governo central da decisão tomada.que já estava enfraquecido por divergências internas.o Clube de Natividade . Presidente Joaquim Theotônio Segurado. os arraiais de São José. Eles continuam na escravidão. O Capitão Felipe Antônio Cardoso. Na ausência de Segurado. partidário da luta pela independência nacional. viva a constituição que se fizer nas cortes reunidas em Lisboa. transfere a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. o Brigadeiro Cunha Matos . os interesses particulares dos líderes de Cavalcante.

houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins. a Br-153 só foi asfaltada a partir de 1965. O norte. desligar-se do sul. foi lançado em Porto Nacional o movimento PróCriação Estado do Tocantins.para o fracasso desse movimento. a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. houve a criação do Comitê de Propaganda Pró-Criação do Território do Tocantins. vigorava no país as políticas do desenvolvimentismo e da integração nacional marcadas pelo Governo Juscelino Kubistcheck. A tentativa de integração do norte goiano à marcha desenvolvimentista partiu da promoção do seu discurso separatista ressaltando sempre a situação de abandono da região. a Câmara Municipal aprovou resolução que integrava Porto Nacional ao estado do Tocantins e reconheceu este estado. em 1863. o Brigadeiro Lysias Rodrigues. abraçou a bandeira da criação do território do Tocantins tendo o seu projeto acatado pelo presidente Getúlio Vargas e despachado para o IBGE. o Dr. Em Pedro Afonso. principalmente de Porto Nacional . com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias. com a capital em Carolina (MA) ou Pedro Afonso (GO). A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. na prática. obrigatoriamente. contribuindo para a crença de que para o norte goiano se desenvolver seria preciso. a idéia de se criar o Tocantins. 12 / 49 . Feliciano Machado Braga. adesão de outros municípios e manifestações de solidariedade de outros estados como Maranhão e Bahia.Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946). Em outubro. Foi instituída a bandeira e escolhido o Nosso Senhor do Bonfim como padroeiro do Estado. água e ar as vastidões nacionais". Em 1949. constando a do Tocantins na região que compreendia o norte goiano. Mas. na condição de deputado pela Província de Goiás. A imprensa regional constantemente denunciava a situação de abandono. e. com a consolidação da expansão capitalista no centro-sul. com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). Em 1944. Guaporé . sendo a mesma posteriormente rejeitada e arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça da Administração Federal. ainda que remando contra a maré. o sentimento separatista continuou vivo ao longo do século XIX. Mas. "que conhecia por terra. propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do Tocantins. as oposições internas e promessas políticas não cumpridas provocaram desgastes e enfraqueceram a luta. O território do Tocantins seria criado com a divisão territorial do norte de Goiás e sul do Maranhão. de modo mais concreto. liderado pelo Juiz de Direito dessa Comarca. Ainda no Império. não sentiu os efeitos desse surto na década de 50. O movimento ganhou apoio de estudantes. Nos anos 50. A trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX. Rio Branco. Contudo. em 1889. com o apoio dos poderes legislativo e executivo local.maior centro econômico e político da época . a Assembléia Legislativa não aceitou a representação da Comissão que defendia a criação do território do Tocantins. Com o objetivo de mobilizar a região em torno desse discurso foram realizados vários eventos. visto que.atual Rondônia . esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país. acreditando ser pertinente a sua defesa devido a abertura dada pela Constituição de 1946 que estabelecia normas para subdivisão ou incorporação de novos estados. no plano nacional. Em 13 de maio de 1956. duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay. A viabilização de projetos como a Br-153 e a construção de Brasília destacou Goiás no cenário nacional. exploração econômica e descaso administrativo.em periódicos como "Folha do Norte" e "Norte de Goiás". Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional. estado ou território. Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá.

E pedia que a futura Constituição não se omitisse na solução de "tão importante e vital problema do Brasil". o movimento apresentou certa disposição ao desalento. as reivindicações políticas do norte goiano diziam respeito à sua inserção no mercado internacional. acenou para a possibilidade de formar novos territórios na Amazônia. Nos anos 60. general Albuquerque Lima. enfraqueceram o movimento. p. o movimento foi sustentado pela defesa isolada de alguns membros do Legislativo estadual e de lideranças estudantis do norte. "O magistrado considerava a disposição geográfica daquela época anacrônica e injustificável . foi mais conveniente mobilizar as forças representativas da região para uma ação unificada junto ao governo do estado. Feliciano Braga. qualquer manifestação de caráter autonomista poderia ser interpretada como ameaça à ordem e segurança nacional. através do seu jornal O Paralelo 13. seria um passo em direção à criação do Tocantins. A aprovação da Emenda da deputada Almerinda Arantes à Constituição Estadual criando o Estado do Tocantins pelo desmembramento de Goiás a partir do paralelo 13º.123). Mas. mobilizou o meio político para a criação do Tocantins. através de uma carta ao presidente Castelo Branco. Para a região se enquadrar nessa política foram necessárias medidas urgentes como regularização de títulos de terras. mas dependia também da realização de um plebiscito na região e da aprovação do Congresso Nacional. A conscientização destes em relação aos problemas da região permitiu que a entidade ampliasse seus objetivos e abraçasse a causa separatista. etc. pela Assembléia Legislativa Goiana. dentro da política econômica da época. Feliciano Braga. Neste contexto. A publicação dessa carta na imprensa regional trouxe novamente à baila as manifestações pró-criação do estado do Tocantins. 1999. Contudo. Isso provocou uma "justificada euforia". Contudo. "Mas não com força suficiente para que a tese separatista fosse sustentada. a oposição do Legislativo goiano e a transferência do Dr. comícios. Mas. buscando sua integração aos progressos do centro-sul. p. o pronunciamento do ministro do Interior. abertura de créditos e financiamentos. 1999. direcionadas para a produção de bens de consumo duráveis e do incentivo à agricultura comercial voltada para a exportação.herança da colonização com leves modificações" (CAVALCANTE. funcionou como um instrumento de denúncias e reivindicações do povo nortense. Em 1965. principalmente se for considerado o fato de os divisionistas sempre terem levantado a bandeira do abandono e do isolamento a que essa região estivera relegada" (CAVALCANTE. em decorrência da ditadura militar e do fechamento político do país a partir de 1965. considerando "irreais" as informações extra-oficiais que anunciavam a redivisão do país em vários territórios. foi aberto um espaço para a abordagem da redivisão territorial. distribuição de cartazes e boletins. com base na ideologia da Segurança Nacional. feito pelo deputado Paulo Malheiros. pois. Assim. conforme estabelecia a Constituição Federal.Como instrumento de luta foi lançado o jornal O Estado do Tocantins. entre eles o do Tocantins. por ocasião da elaboração da Constituição de 1967. Até a primeira metade dos anos 70. sob a direção de Dioclesiano Ayres da Silva e redação de Fabrício Costa Freire e Dr. com o objetivo inicial de dar assistência aos estudantes que iam para aquela capital para dar prosseguimento aos seus estudos. com a inserção do norte de Goiás na Amazônia Legal. redigida pelo Dr. Motivos para a criação do Tocantins continuaram sendo expressos em artigos de jornais relacionando a importância de Brasília e a criação do novo estado para a interiorização do Brasil. na Assembléia Constituinte.128). foi rejeitado em agosto de 1957. manteve acesa a luta pela criação do Tocantins durante uma década. Feliciano da região norte para Anápolis. proporcionando a modernização do processo de ocupação econômica com a mecanização da lavoura e a pecuária intensiva. com destaque para a Casa de Estudante do Norte Goiano (CENOG). Assim. Quando o governo federal. 13 / 49 . Nesta havia um apelo para que a Revolução de 31 de março realizasse a redivisão do país. as mobilizações perderam as forças. vale destacar a atuação da CENOG que. o artigo de solicitação do plebiscito. através de congressos. fundada em Goiânia em 15 de maio de 1960.

Em maio do mesmo ano. divulga em Brasília a Carta do Tocantins. "O povo nortense quer o Estado do Tocantins. mais uma vez. Nos anos 80. coordenada pelo Ministério do Interior. adiou o sonho dos tocantinenses. no ano seguinte. chamando a atenção da mídia de todo o país e sensibilizando a opinião pública em favor da criação do estado do Tocantins. A CONORTE mobilizou as lideranças conclamando para uma cruzada de mobilizações populares e realizou seminários e conferências nas universidades de Goiás demonstrando a falta de fundamentação nas justificativas do veto presidencial que. Com objetivo similar. Esta. entre eles o do Tocantins. a CONORTE tinha como objetivos conscientizar a população das potencialidades econômica do norte goiano. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional. vetado pelo presidente. permitiu que fosse novamente levantado o discurso em defesa dos interesses do norte goiano. retomou a proposta da criação do Tocantins. Os dois vetos foram justificados com os argumentos de que a criação de mais um estado implicaria em ônus para os cofres públicos e da inviabilidade econômica do novo estado que não dispunha de recursos suficientes para sustentar-se.1988 O ano foi 1987. A CONORTE apresentou à Assembléia Constituinte uma Emenda Popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do estado. para a aprovação do projeto de criação do novo estado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1987. Não há como contestá-lo". organização suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de Emenda Popular. e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. A fundação da CONORTE . independente de opções partidárias. o deputado Siqueira Campos. se mobilizou em torno de sua autonomia até conseguir em 1977 a aprovação pelo governo federal do projeto de criação do estado do Mato Grosso do Sul. em 1984.em 1981. com as eleições diretas para governador em 1982. nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins que conquistou importantes adesões para a causa separatista.O discurso separatista veio novamente à tona quando o sul do Mato Grosso. mais uma vez. Foi criada a União Tocantinense. se votasse em políticos comprometidos com os interesses do norte. foi de fundamental importância dentro desse contexto. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto de existência quase que secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano já batizado "Tocantins". Em protesto contra o segundo veto do presidente os deputados Siqueira Campos e Totó Cavalcante iniciaram greve de fome. aprovado na Câmara e no Senado e. em 1987. conferências e manifestos publicados na imprensa. aprovado pela Câmara de Deputados e que. foi arquivado pelo Senado Federal. seminários. Depois. Isso foi feito através de congressos. representante do norte goiano. em Brasília. do descaso governamental e da necessidade de se organizar politicamente para a defesa dos interesses da região. a CONORTE promoveu o 1° Congresso de Estudo dos Problemas do Norte Goiano. Articularam-se. o deputado Siqueira Campos apresentou um projeto de Lei Complementar para criar o Estado do Tocantins. o projeto foi reapresentado no senado pelo Senador Benedito Ferreira. então.Comissão de Estudos do Norte Goiano . inicialmente. em plena fase de abertura política. O mesmo deputado apresentou projeto de consulta plebiscitária para a posterior criação do Território do Tocantins. Sustentada por lideranças políticas e intelectuais radicadas em Goiânia e Brasília. as expectativas em relação ao processo de democratização deflagrado. 1997. concluiu ser inviável a criação do estado do Tocantins mas acenou com a possibilidade de se instalar o Território do Tocantins. apela aos nortistas para reunirem forças em prol do aumento da representatividade da região na esfera governamental. Em junho de 1986. Havia ainda por vir a Campanha das Diretasjá. reconhecia o governador de Goiás na época. Na prática a idéia era de que. em plena fase de prosperidade econômica. a Comissão de Redivisão Territorial. Presidiu a Comissão da Amazônia e apresentou trabalho sobre a redivisão territorial propondo a criação de doze territórios. A maioria das lideranças era contrária a essa posição. Henrique Santilo (SILVA. 14 / 49 . E o povo é o juiz supremo. A criação do Estado do Tocantins . No ano de 1984. Neste contexto. além de fazer uma análise sócio-econômica da região. Em abril de 1982. mas vetado pelo Presidente José Sarney.

conservando a leste. Em junho. para ser a sede do Governo estadual. Maranhão. A preocupação em catequizar as 15 / 49 . seu vice. Foram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. do Vice-Governador. ao Governador e ao Vice-Governador eleitos. Foram nomeados o primeiro Secretariado e os primeiros Desembargadores. a critério do Tribunal Superior Eleitoral (. p. nascia o Estado do Tocantins: Art. No dia 5 de outubro de 1989. as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso. e dará posse. através da posse de colônias e de metais preciosos. como disse um mercador italiano" (AMADO. § 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo estado que tinham a identificação "do Norte" e passaram para "do Tocantins". dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação. dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o Governador. § 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes. Porangatu.024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional. até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição. Em 1º de janeiro de 1990. José Wilson Siqueira Campos. o Vice-Governador. redige e entrega ao presidente desta Assembléia. "Explorava-se em nome de Deus e do lucro. os Deputados Estaduais serão eleitos. É criado o Estado do Tocantins. observado o disposto no art. junto com as eleições dos prefeitos municipais. § 4º Os mandatos do Governador. sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás. O desbravamento da região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital. norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia. explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. A cidade de Miracema do Norte. Ato contínuo. por exemplo. juntamente com o dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados. e autorizada a União. juntamente com oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais. principalmente. Além de desbravar. Piauí. Formoso. garantido. os senadores Moisés Abrão Neto. a seu critério. 234 da Constituição. feita nos moldes da Constituição Federal.). foram escolhidos os Senadores e Deputados Federais e Estaduais.237). Darci Martins Coelho. Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins. na mesma data. § 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia. em 05 de outubro de 1988. o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade. Pará e Mato Grosso.09). o deputado Siqueira Campos. GARCIA. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. a cidade de Palmas. foi promulgada a primeira Constituição do estado. foi escolhida como capital provisória. Atualmente o estado possui 139 municípios. mas não antes de 15 de novembro de 1988. pelo desmembramento da área descrita neste artigo.. § 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado.. Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. a fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. Cavalcante. localizada na região central do novo estado. 1989. Monte Alegre de Goiás e Campos Belos. no centro geográfico do estado. numa área de 1. e o dos outros dois. os Senadores.p. Foram alterados. o Governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. Foi construída.13. foi instalada a capital. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição. § 3º O Governador. Além do Governador e seu vice. o deputado Ulisses Guimarães. Minaçu. os nomes de Miracema do Norte. no que couber. a assumir os referidos débitos. relator da Subcomissão dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte. A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988. em um único turno. Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. § 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembléia Constituinte.

Só no final do século XVII e início do século XVIII que bandeirantes com objetivo de descobrir metais nobres tiveram a preocupação em fixar núcleos estáveis no interior do Brasil. De São Paulo saíam as bandeiras em canoas pelos rios Paranaíba-Tocantins-Araguaia até voltarem pelo Tietê a São Paulo. 1989. administrada política e economicamente pela metrópole. principalmente do Araguaia. A criação de gado antecedeu a mineração. Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral.06). Nasce no Planalto Central de Goiás e corta. Pernambuco e Piauí. para o seu povoamento. foram os desbravadores da região ainda no século XVII. os jesuítas também iam à busca de índios. com pequenas quantidades de ouro de aluvião dos rios. "Quando na terceira década do século XVIII acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. 15-16). Os currais de gado deram origem aos primeiros núcleos coloniais "quando a região é sacudida com a febre do ouro de aluvião".e a dificuldade de importação. Mas a ocupação econômica e o povoamento efetivo só se dariam a partir da segunda década do século XVIII com base na exploração do ouro dentro do contexto da 16 / 49 . Como os bandeirantes. seguindo os cursos dos rios. contribuindo para despertar lendas sobre o metal. Portugal. "Naquele tempo. 1998). Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região pela "decidida ação dos jesuítas". Rio de Janeiro . criadores de gado e bandeirantes. franceses e holandeses conquistavam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil. Procuraram tão só "descer" as tribos para suas aldeias no Pará (PALACIN. depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense. na época. tampouco se fixaram no território. somente os criadores de gado vieram com a intenção de se fixar na região. Mais tarde depois de 1630 introduziu-se o uso de mulas e as bandeiras preferiram a viagem por terra. Dos sertões da Bahia. 1997. De Belém partiam expedições de exploradores e jesuítas pelo rio Amazonas chegando até os rios Tocantins e Araguaia.populações encontradas foi constante. Diversas expedições "entradas". no século XVII ingleses. Até o início do século XVIII. iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação. 25). Jesuítas. p. a força motivadora para a exploração da região foi predominantemente o índio. no sentido sul-norte. tinha como função fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. Poucos contribuíram. pp. uma dessas viagens podia demorar-se dois ou três anos" (PALACIN. a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí. muito para a sua posterior exploração. completa Silva. Destes desbravadores. 2001). algumas vezes. Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES. em certos períodos. transformaram a sua captura num lucrativo negócio para atender a demanda de mão-de-obra na lavoura. Estas expedições eram de caráter oficial destinadas a explorar o interior e buscar riquezas minerais ou de particulares organizadas para a captura de índios. Os franceses. "descidas" e "bandeiras" percorreram a região. Bahia. Os bandeirantes aproveitando a extinção destes nos grandes centros colonizadores da costa . E ainda no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro (Dianópolis) (SECOM.Pernambuco. Como eles. então. 1979. iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. Como subproduto destas expedições os bandeirantes retornavam. se expandiam para a região as fazendas de gado. Maranhão e as ribeiras do rio São Francisco" (SILVA. p. todo o território do atual Estado do Tocantins. de negros da África. A colônia brasileira.

o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida. triângulo e cavaquinho. Javaé. ponto final da caminhada. realizada sempre no dia 06 de janeiro. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e que em Portugal tinha um caráter de diversão. os Apinajé (Povo Panhi) e os Krahô (Povo Meri). guerras. Os foliões carregam a bandeira . A folia visita as famílias de amigos e parentes. desapropriação. os Karajá.política mercantilista. grupos de instrumentistas e cantadores com viola. os foliões de Reis têm o Alferes como responsável pela condução da bandeira. a partir da segunda metade do século XVIII tiveram vez os aldeamentos como uma tentativa de os brancos de resolver o problema da mão-de. a migração. aos índios um destino trágico: a fuga. acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. Fugindo da ação depredadora da colonização do litoral muitos grupos indígenas migraram para o interior do Brasil. oriundas de todos os Estados brasileiros.obra e do povoamento daquelas regiões com baixa densidade populacional" (PARENTE. a Folia de Reis chega no século XVIII.69). enquanto aos foliões são servidos bolos. guardando-a em seguida. tristeza. como os brancos já não dependiam dos nativos para chegarem às minas houve conflitos armados. Os foliões chegam à localidade. os Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins. pois era intenção do branco limpar as áreas a serem exploradas. cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis. diferentemente do giro do Divino Espírito Santo. ou seja. p. os Xerente próximos ao município de Tocantínia. cantando e dançando. Maurilândia e Cachoeirinha. quase sempre. sanfona. de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Os Apinajé estão localizados nos municípios de Tocantinópolis. que sai pelo sertão "tirando a folia". No Brasil. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo. violão. biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. Esse grupo passa de porta em porta recolhendo as oferendas. E este avanço impôs.um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. Manifestações culturais A Cultura do Tocantins O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças a grande miscigenação de culturas. 1999. saem às ruas entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao menino Jesus. 1999). Poucos sobreviveram. A Folia de Reis A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o menino-Deus. 17 / 49 . Ao se retirarem. pelos músicos e por um palhaço que. No Tocantins. o anfitrião percorre com ela toda a casa. O ponto alto da festa acontece quando dois grupos se encontram e juntos caminham para o presépio. Posteriormente . na época dos bandeirantes os índios foram atraídos amistosamente e contribuíram bastante para a localização das minas. Vivem atualmente no Estado do Tocantins os Xerente (Povo Akwen). etc. dia de Santos Reis. suicídio. Xambioá (Povo Iny). a escravidão ou o extermínio por doenças. A família recebe a bandeira. Com a exploração e ocupação da região se deu simultaneamente a destruição dos povos indígenas. se apresentam tocando. deve proteger o menino Jesus confundindo os soldados de Herodes. Nos séculos XVII e XVIII o avanço da colonização foi marcado por três fases: "Na primeira. Na segunda fase. era a comemoração do nascimento de Cristo. o aldeamento. seus primeiros habitantes. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. com seu jeito dissimulado. com caráter mais religioso do que de diversão. e os Karajá e Javaé na Ilha do Bananal e os Xambioá no município de mesmo nome (BARROSO. reco-reco. Em Portugal. A Folia de Reis. O grupo é composto por um mestre que comanda os foliões. Saiba mais sobre estes festejos nos links abaixo.

Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira. quando inicia os jejuns da quaresma. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina. Caretas OS MASCARADOS EM PORTUGAL Há dados históricos a respeito de uma festa. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. os protetores contra a peste. como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário. em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico. etc. Quando o dia amanhece. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval. ao anoitecer. a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. Arraias. percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas. 18 / 49 . Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos. quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas. oi de fora Se tiver gente doente Me diga que vou embora Senhora dona de casa Com essa são duas vezes (bis) Saia na porta da rua E receba Santos Reis Senhora dona de casa Está no seu sono primeiro(bis) Sua filha mais velha Está com a mão no travesseiro Eu cheguei na vossa porta Pus a mão na fechadura (bis) Levante quem está dormindo Me perdoe as confianças. eram poupadas da investida dos caretos.repetindo o gesto da entrada. Estes se lançavam de assalto às moças. os caretos. ainda hoje realizada em Portugal. no sul do Estado do Tocantins. ou seja. Quando termina o roteiro da folia. aparecem nessas festas com o mesmo intuito. ainda. A tradição é muito forte: os mais velhos acreditam serem os Santos Reis. que trazem pendurados. desenvolvendo uma dança erótica. em frente ao altar ornamentado com flores. Apenas mulheres vestidas de homens. realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água. retomam as andanças. é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. encostando-se a elas. no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta. Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil. a praga na lavoura e. com a presença dos foliões e dos convidados. os foliões retornam às suas casas para descansar e. Na festa do entrudo. Cântico dedicado aos Santos Reis Oi de casa. realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. a festa de nossa senhora do Rosário. os responsáveis pela prosperidade. toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. Seja como um ponto de partida para o início das festividades. Neste momento reza-se o terço. como o entrudo. fartura e muito dinheiro. ou vice-versa. Nesse momento. Em seguida. a cavalhada. O ENTRUDO Existem várias explicações para a origem do carnaval. Alguns pagadores de promessa após as orações realizam um baile dançante. principalmente. chamada entrudo. Açores e Cabo Verde. No Tocantins. Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos. onde só participavam homens usando máscaras. o de definir as regras das manifestações. o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. farinha. tinta.

que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e. um semicírculo com pés de bananeira. moradora de Lizarda. a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador. chamado pelos caretas de quinta atrativa. Os cavalos. a retirada de formigas que invadem os corpos dos pares. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores. onde se coloca pedaços de cana de açúcar. como na festa de Nossa Senhora do Rosário. da festa que acontece. são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica. Os caretas perseguem com pinholas. portanto. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti. 19 / 49 . caras de boi com chifres e outros animais. do pandeiro e do roncador. aumentando o cordão carnavalesco do entrudo. D. mas se diverte. os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos. é a mulher dos caretas. em Lizarda. A égua usa a roupa de um bicho muito feio. durante a semana santa. Cavalhadas Na Idade Média. A FESTA DOS CARETAS Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro. uma mulher vadia. Catira ou Sussia Os movimentos dessa dança lembram. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua. Em Taguatinga. os árabes foram denominados genericamente de mouros. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros. nos dia 12 e 13 de agosto. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo. diz que todo mundo assombra. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. numa verdadeira guerra dos sexos. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e. A dança é a eterna busca da conquista do par. gelada. Catita é um homem trajando roupas femininas. as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. instrumento artesanal feito de tronco de árvore. Isolda. Monta-se um cenário. na Sexta-Feira da Paixão. Participam. às vezes. prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia. grupo de mascarados representando bruxas. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares. usados pelos caretas. as Cavalhadas tiveram início em 1937. que tem a mesma marcação do surdo. uma vez que apenas insinua o toque. no sul do Estado do Tocantins. papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. Só os bons corredores escapam. enquanto estes ficam envolvidos. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia. leve e ao mesmo tempo frenético.O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. assustando-os. num bailado sensual. O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas. tradicionalmente. A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas. devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto. espécie de bolinhas feitas de cera de abelha.

vence o rei. cantando músicas que lembram fatos da história de seu país. O tatu cangerê que zoa no ar Trepe quizépes. O vermelho representa a força divina. Seu filho. o heróico príncipe Suena é morto durante essa investida. Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. Cantiga do Congo Baias. calça branca com botas azuis e enfeites dourados. Na cabeça. do embaixador e dos guerreiros.Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas. chamadas de taieiras. O Quimboto (feiticeiro) o ressuscita. distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. Ela decidiu. ao contrário dos mascarados. durante o cortejo do Rei e da Rainha na festa de Nossa Senhora do Rosário. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados. Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado. bainhas e conguinhos Baias com tanto fervor Baias que já está nascendo O Nosso Grande Salvador Baias. com influência ibérica o Congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas. Os motivos dramáticos da dança do Congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi que governou Angola no século XVII. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei. A congada é composta por doze dançarinos. Congo ou Congadas De origem africana. capa vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas. os outros doze. são quase sempre os mesmos. Os adornos na cabeça representam a coroa. enviar uma representação atrevida ao rei D. Henrique de Portugal. sobre os olhos dos animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. tornou a requebrar 20 / 49 . Em Monte do Carmo o Congo é acompanhado por mulheres. tornou a requebrar O calango mutingo. A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha. A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos cavalheiros. Os dois grupos se apresentam juntos. Termina com o batizado dos infiéis. na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. os mouros. nas ruas. um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. Na dança do congo só os homens participam. durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. tornou a requebrar A rainha do congo que veio do Pará Trepe quizépes. Popular no Nordeste e Norte do Brasil. Doze cavalheiros representam os cristãos e. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e. perdoa-se o embaixador. filho da Virgem Maria. eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. calango no ar Trepe quizépes. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros. bainhas e conguinhos Neste claro e belo dia Nasceu Jesus. certa vez. porém. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. O xale sobre os ombros representa o manto real.

Oh! Que noite tão serena Oh! Que hora tão de prendá Divino Espírito Santo Visite sua fazenda Deus vos salve fazendeiro Morador desse lugar E aí vem o Divino Espírito Santo Somente pra visitar Deus nos salve felizmente Este nobre fazendeiro Divino Espírito Santo Que é o nosso pai verdadeiro Inda agorinha cheguemos Na beira do seu terreiro Queremos brincar um pouco Licença peço primeiro Ah dê licença meu Divino 21 / 49 . chegando ao Brasil no século XVI. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de doze ou mais homens.Amanhã eu vou embora bebê Aruê juncongela bebê Eu vou embora. conduzidos pelo alferes. eu vou bebê Aruê juncongela bebê E olha o rei mais a rainha bebê Aruê juncongela bebê Mas eu vou bebê Aruê juncongela bebê São Benedito sabia sobiar Saia fora e venha ver E quem festeja neste ano É o Divino Espírito Santo Alô. No Estado do Tocantins vão de janeiro a julho. O giro da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus doze apóstolos durante 40 dias. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas. as folias têm datas variadas. Essas festas são realizadas em várias cidades. de acordo com as características de cada localidade. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa. quando chegam às fazendas para o pouso. em jornada pelo sertão. passando a ter data fixa para a sua realização. Canto do Agasalho. que ocorre aproximadamente 50 dias após a Páscoa. Dessa forma teve início a devoção ao Divino Espírito Santo que se difundiu em solo português. lá no céu E o Santo que está na igreja. pedindo ritualmente acolhida. pedindo acolhida para o pouso. No Brasil. a festa da hóstia consagrada. As romarias conduzem a bandeira. Esse grupo percorre as casas dos lavradores. com destaque para Monte do Carmo e Natividade. convidando todos para a festa. dia 16 de julho. Em Monte do Carmo a celebração ao Divino Espírito Santo foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade. levando a sua luz e a sua mensagem. alô. tem sua origem no catolicismo português. Relatos de Portugal contam que a rainha Isabel e seu marido D. a festa do Divino deveria coincidir com o Domingo de Pentecostes no calendário católico. O objetivo foi alcançado e a promessa cumprida. A rigor. eu vou. Diniz teriam feito no século XIV uma promessa de alimentar os famintos e oferecer a sua coroa ao Divino Espírito Santo em troca de paz. Festa do Divino Espírito Santo A celebração do Divino Espírito Santo. Nessa época Portugal e Espanha travavam uma guerra de quase cem anos. no entanto. abençoando as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima. alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença. num prazo que compreenderia exatamente os 40 dias do giro da folia e o novenário. como festa popular de cunho religioso. Natividade mantém a tradição da data móvel. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. ou seja.

. no dia 8 de setembro.. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. quando o Papa Sérgio I. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração eminentemente religiosa. Canto Bendito da Refeição: Pela primeira palavra Que os anjos me disseram Na cabeceira da mesa Faz a vênia meus alferes Com sua bandeira na mão Bençoai o pessoal Os alferes com os foliões Me dê licença meu povo Que agora vamos rezar Contrito no coração Pra nossas almas se salvar Peço licença de novo A maior e mais pequena Quero agradecer a mesa Que nela nós já jantemos Quando for noutro mundo (. portanto. como mãe de Jesus. agradece) Deus vos pague a bela janta Dada de bom coração Que nos deu pra meus alferes Com todos seus foliões Deus vos pague a bela janta Deus vos pague mais outra vez Deus lhe dê vida e saúde.Pra seus foliões brincar Toda casa tem grande gosto E seus corações alegrar Alegrai o céu e a terra Recebei com alegria Divino Espírito Santo Filho da Virgem Maria Divino chegou do giro Com ele trouxe a folia Ele vem aí pedindo um pouso De uma noite para um dia. Nove meses depois. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. erguida no século V. à acolhida e às refeições. A documentação escrita a respeito não é muito clara. Como a palavra Natal... onde é festejada há quase três séculos. Festa de Nossa Senhora da Natividade As manifestações culturais no Estado do Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja católica. desde o ano 33 da era cristã. Natividade significa nascimento e em Portugal ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Maria.17). A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. celebrada em 8 de dezembro. de origem oriental. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade. p. motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins... no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. preservada do pecado original. (BRAGA. seria o local do nascimento da Virgem Maria". em Jerusalém. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. 1994. Os devotos acreditam que Maria. Os foliões cantam também em agradecimento ao pouso. A igreja católica celebra o nascimento da mãe de Jesus. merece ser 22 / 49 .

Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. venerada. fundada em 1746. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". Há informações de que essas manifestações. D. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. Mais tarde São Luiz e. Celso Pereira de Almeida. em função das minas de ouro e distante 89 km da Capital do Estado. em março de 1992. temos. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Celso na sua justificativa . depois. em embarcações pelo rio Tocantins. (BRAGA. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. depois. Com a criação do Estado do Tocantins. nós Bispos. e devoto de Nossa Senhora. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. p. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. A festividade secular mistura fé e folclore. Celso Pereira de Almeida. em 1735. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. 1994. Diz D. na grande maioria. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. realiza todos os anos. na grande maioria. durante a Romaria do Bonfim. 18). venerada. p. 1994. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. pelos jesuítas. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. ainda hoje realizadas em datas específicas. ainda hoje. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. para o norte da província de Goiás. Natividade. Celso na sua justificativa . o que transforma a festa em uma atração única. Com a criação do Estado do Tocantins. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos. Mãe de Deus. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Celso "sendo nosso povo católico. em março de 1992. os Festejos de Nossa Senhora do Rosário. para o norte da província de Goiás. De Portugal passou para o Brasil. Festejos de Nossa Senhora do Rosário A cidade de Monte do Carmo. na Igreja Matriz.cultuada. no mês de julho. ainda hoje. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. em Natividade. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. 1994. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. em 1735. durante a Romaria do Bonfim. e devoto de Nossa Senhora. 14). Natividade. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. Essa imagem é a mesma. na Igreja Matriz. pelos jesuítas. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Celso oficializa. Foi a primeira a entrar nessa região. Celso "sendo nosso povo católico. 14). As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. Celso oficializa. recebidos freqüentes apelos. Mais tarde São Luiz e. Essa imagem é a mesma. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. nós Bispos. em Natividade. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. Acrescenta ainda D. Padroeira principal deste Estado". Foi a primeira a entrar nessa região. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. solicitação ao Papa João Paulo II. recebidos freqüentes apelos. Acrescenta ainda D. Palmas. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. com o passar do tempo foram se juntando e 23 / 49 . solicitação ao Papa João Paulo II. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. nascida arraial do Carmo. (BRAGA. Mãe de Deus. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. D. chegando a Portugal. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. em embarcações pelo rio Tocantins. temos. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Diz D. Padroeira principal deste Estado". p. mantida com fidelidade pela população local.

o rei e a rainha da festa. Popular em todo o Brasil durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão de ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações. cantando e dançando. nas coreografias e também no fato de somente os homens participarem do ritual. mas as motivações quase sempre estão ligadas à devoção religiosa unida ao lazer. Estes traços podem ser observados na música. a congada representa a coroação do rei e da rainha. o azul e o branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário e o vermelho representa a força divina. ou suça. Em algumas tribos indígenas havia a proibição das mulheres participarem das danças e de entrarem nas casas de flauta. sons de bandas de músicas. A catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente. Os adornos na cabeça representam a coroa e o xale sobre os ombros. a sússia e a jiquitaia. congos e taieiras. Os dançarinos apresentam com utensílios que retratam o seu cotidiano. num sapateado compassado. Nossa Senhora do Carmo. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos. local onde se guardavam máscaras e instrumentos musicais indígenas e que serviam de hospedagem aos convidados de outras tribos nos intercâmbios artísticos. No meio do povo os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. padroeira da cidade. eleitos pelos escravos. CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. os negros foram buscá-la tocando tambores. colares e turbantes. Ali. sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. Segundo pesquisadores. quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos. como também é conhecida. o manto real. o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. a congada mais tradicional do Tocantins é realizada em Monte do Carmo. Na terceira vez. COSTUMES A influência negra também se faz presente nas congadas. Em comum também está o desejo dos moradores das cidades mais antigas do Tocantins de manter vivas tradições como a catira. durante o cortejo do rei e da rainha. cuícas e tamborins e danças como congos. As origens podem ser diversas. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de Reis e do Divino Espírito Santo. Repentistas Os catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do padeiro. e o embaixador é perdoado. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”. o que encerrou a série de desaparecimentos. em várias tonalidades. No final do cortejo. Nos momentos de descontração e lazer os foliões cantam seus versos e prosas. onde em pleno dia. se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. os negros que viviam no Estado criaram a sússia. A caçada é uma tradição secular. A cor da indumentária tem um significado especial: entre os congos. Estes últimos são derrotados e batizados. da caixa e da viola. No ritmo dos sertanejos Do sertão tocantinense surge a genuína cultura do povo. São blusas quadriculadas em azul ou floridas. chamadas taieiras. Já as taieiras usam trajes semelhantes aos das escravas que trabalhavam na corte. e com acompanhamento de mulheres. Os dois grupos. LENDAS. podendo lá vivenciar a cada ano. de tambores. nas ruas. homens de preto e branco.passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. representando a vida nas senzalas. reco-recos. Fazem suas evoluções sustentando garrafas na cabeça ou carregando o 24 / 49 . se apresentam juntos. celebrada em 16 de julho. taieiras e sússia. que se destacam por passar seus conhecimentos aos jovens. saias brancas rodadas. De origem africana. fato que motiva a luta entre os partidários do rei e os do embaixador. trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. e a chegada do embaixador. Um dos pontos altos da festa é a Caçada da Rainha. É o caso dos Catireiros de Natividade e do Grupo de Jiquitaia de Santa Rosa. também vestidos a caráter. A origem da catira é encontrada nas tradições indígenas.

A dança é a eterna busca do par. Natalino. Natalino conta que. junto com a sua família. vindos de várias regiões do Estado e do país. pedaço de madeira. um dia. Atualmente para lá se deslocam cerca de dez mil pessoas. acontece no dia 15. distante 40 Km de Araguacema. Jiquitaia Na sússia dança-se a jiquitaia. O Sr. com a celebração da missa campal. portanto. Em Natividade. leve e ao mesmo tempo frenético. Ele levou essa imagem consigo e após o término da Balaiada retornou à sua cidade de origem onde pediu ao padre para "batizá-la". mas desaparecia e reaparecia no mesmo lugar onde foi encontrada. em homenagem ao Nosso Senhor do Bonfim.quibando. É ele quem conta sua história. Existem diversas hipóteses a respeito da formação do povoado do Bonfim. vinda do estado do Maranhão. Araguacema As homenagens ao Senhor do Bonfim. dá-lhe um nome. quando para lá chegou. a retirada de formigas que invadem os corpos dos dançarinos. Em Natividade. O ponto alto das comemorações do Bonfim. Alguns acreditam que ele teria se originado de um santuário criado por fiéis ou de um núcleo missionário das irmãs carmelitas ou dos jesuítas. O festejo inicia-se com o novenário e termina com a celebração da missa campal. Hino ao Senhor do Bonfim: 25 / 49 . num bailado sensual. Os dançarinos se apresentam aos pares. têm início em 1932. no município do Araguacema. em local pantanoso. Natalino Francisco de Almeida. a romaria do Senhor do Bonfim é realizada de 6 a 17 de agosto. Seu filho. a romaria remonta ao século XVIII com a formação dos primeiros arraiais. No dia 16 em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e no dia 17 ocorre a missa dos romeiros. as romarias do Nosso Senhor do Bonfim acontecem nos municípios de Natividade e Araguacema. Arcanjo Francisco Almeida com uma imagem do Bonfim. São romeiros das cidades vizinhas e do sul do Pará. ou seja. Romaria do Bonfim No Tocantins. a família faz a festa em sua devoção. Os moradores da região afirmam que um vaqueiro teria encontrado nessa área. Segundo o Sr. onde vivem pouco mais de 100 pessoas. entre os anos de 1838 e 1841. essa imagem foi encontrada pelo bisavô de sua mãe quando este. A crença nesses acontecimentos deu início à peregrinação para essa localidade. a imagem do Senhor do Bonfim em cima de um toco. uma vez que apenas insinua o toque. fugia dos conflitos da Balaiada ocorrido no Maranhão. Essa imagem teria sido retirada várias vezes desse local e levada para Natividade. Nele estava depositada uma imagem. Esse fato demonstra a imensa capacidade dos negros escravos em transformar a sua situação de dificuldade em danças que os desprendiam do cotidiano. após longa caminhada. seu tataravô encontrou na mata uma vertente de água onde havia um oratório feito em pedra. no povoado do Bonfim situado a 22 Km da sede do município. Supõe-se que as senzalas fossem constantemente invadidas por uma espécie de formiga. Desde então. a família do Sr. espécie de peneira grossa de palha. O padre batizou-a de Jesus do Bonfim e definiu o seu festejo para 15 de agosto. Esse pequeno povoado recebe em média 60 mil fiéis. Vários pagadores de promessa atravessam a pé os 22 Km de Natividade ao Bonfim para depositar as suas oferendas aos pés da imagem do santo. e que estas subiam pelo corpo dos escravos provocando um movimento frenético na retirada dos insetos. conhecida como jiquitaia. num semicírculo onde estão os músicos. A romaria do Senhor do Bonfim acontece no povoado do Bonfim. é o atual responsável pela manutenção do templo e pela guarda da imagem que pertence à família desde o século XIX. em Natividade. Os movimentos dessa dança lembram. no dia 15 de agosto. em louvor ao Senhor do Bonfim.

logo em seguida. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo. com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. pelo Conde de Sabugosa por associa-lá às festas. Inicialmente. dia do Senhor. Nas mãos carregam arcos de madeira. E sempre se dança em pagamento a uma promessa. enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas. Portugal. No Brasil.Refrão: Salve Bendito Rei das Nações Glorioso Senhor do Bonfim Somos vossos Romeiros em marcha Prá contemplar o vosso jardim. que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa. Irmanemos nossos corações Numa só profunda oração Ao Cristo presente entre nós Prometendo-nos a salvação Salve todos os Romeiros presentes Que de longe vieram trazer Os seus voluntários tributos Para a Santa Igreja crescer Contemplamos com santa humildade Este misterioso encanto Deus pai na pessoa do filho Revelando no Espírito Santo. cuja referência mais antiga data de 1718. Homens brancos. que São Gonçalo reunia em Amarante. elas ficassem em repouso e isentas de pecado. com vivas a São Gonçalo. É dançada por mulheres em pares. Acompanha. No final os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela. a roda de São Gonçalo. mulheres. meninos e negros. a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. São Gonçalo tem para os seus devotos a tradição de santo casamenteiro. várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. Roda de São Gonçalo Conta a lenda. permanecendo apenas o aspecto religioso. Essa dança foi proibida. um cruzeiro todo iluminado. Em Arraias. que se costumavam fazer pelas ruas públicas em dia de São Gonçalo. pandeiros e adufes. assistiu-se um festejo com uma dança dentro da Igreja. A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. no sul do Estado. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo. a dança de São Gonçalo é chamada de "roda". Eis aqui vossos peregrinos Prá pedir-vos e agradecer Por tudo que já recebemos Preparai para nos receber. Somos marcados pelo batismo Da vossa redenção A preço do seu santo sangue Esperamos a consolação. com violas. a dança tinha um caráter erótico que com o tempo foi desaparecendo. em frente ao qual se faz as evoluções da "roda". ainda. sucedendo-se os devotos. 26 / 49 . quando na Bahia. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo. vestidas de branco. colocado próximo ao altar.

promovido pelas instituições públicas desde o início da década de 1980. e o casarão de propriedade da Sra. o prédio onde hoje funciona a biblioteca pública e os prédios particulares como o do Sr. O Programa Monumenta e a Unidade Executora do Programa visando a revitalização do conjunto patrimonial de Natividade no sentido de fomentar a utilização econômica. principalmente os de utilização pública. o que pode ser percebido através da preservação do seu acervo urbano. Infelizmente não foi possível obter documentos históricos que pudessem comprovar o período de construção desses prédios. Monumentos Natividade é um marco representativo das cidades do ciclo do ouro. A coordenadora ainda subsidiou esse trabalho com dados de pesquisa por ela realizada. a Igreja de São Benedito. o primeiro paço municipal.Monumentos Históricos Natividade. além de visitas in loco aos monumentos. cidade Patrimônio Histórico Nacional desde 1987. bem como fotos e desenhos dos arquivos da UEP e da Associação Comunitária Cultural de Natividade . conferindo harmonia ao conjunto. São obras preservadas que celebram o tempo em que foram criadas. Existem poucos relatos paroquiais e os que se encontram estão em péssimo estado de conservação. Única cidade no Estado tombada em instância nacional. Simone Camêlo Araújo. As informações coletadas nas entrevistas foram trabalhadas de acordo com o entendimento dos pesquisadores acerca das observações coletadas ao longo dos trabalhos de campo. Alarico. arquitetônico e paisagístico. O processo de preservação através da ingerência pública teve inicio em 1981 com a execução das obras de restauração dos prédios da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Natividade e a Capela São Benedito tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Goiás e das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. faz parte do Programa Monumenta/BID. Aquina que chama a atenção pela sua opulência e estado de decadência em que se encontra. Como parte do desenvolvimento das ações prevista no Programa foram definidos alguns monumentos que sofrerão intervenção e/ou restauração devido tanto à sua importância no conjunto arquitetônico. O Programa Monumenta/BID é parte da continuação do trabalho de preservação da história e da cultura de Natividade. que foi sede do Governo da Província do Norte. Segundo depoimentos os documentos referentes ao município encontram-se na Cidade de Goiás ou foram queimados ou danificados ao longo dos anos. cultural e social da área do projeto definiu alguns monumentos como prioritários para serem trabalhados nesse processo de 27 / 49 . Palmas. na década de 1990. Natividade faz parte da segunda etapa desse programa para a qual foram selecionados vinte núcleos urbanos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Todo o trabalho foi acompanhado pela Coordenadora da Unidade Executora do Programa. localiza-se a sudeste do Estado do Tocantins a 218 Km da capital. que tem como fundamento a preservação do Patrimônio Histórico Urbano Brasileiro. que sofreu interferência através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Os dados que fundamentaram esse trabalho foram obtidos através de referências bibliográficas e em pesquisa de campo em Natividade entre os dias 28 e 31 de outubro de 2003 onde foram realizados levantamentos cartorial e paroquial e entrevistas com os moradores da comunidade. os prédios públicos onde funcionou a primeira cadeia. observado na proporção dos casarios e na ausência de monumentalidade das construções de função pública. O conjunto arquitetônico da cidade possui um caráter singelo. ou destacados como referências históricas como as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. como as Praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira. a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade.ASCCUNA.

Todas as janelas e portas internas eram revestidas de ferro. Retiraram as grades externas das janelas e as madeiras das paredes e do teto. Conforme relatos. Seu Joaquim recorda também da existência de um caneteiro e uma máquina de escrever (o mesmo desconhece a marca da máquina). por volta de 1920. Antiga cadeia pública. esquina com a Praça São Benedito. Paço Municipal e Casa da Cultura A "Antiga Cadeia" tem característica secular. mas os relatos orais não afirmam se estes habitaram o imóvel. agência de estatística ( hoje IBGE ). com o objetivo de defender a cidade dos jagunços 28 / 49 . o prédio foi construído no período de 1930 a 1938. O Paço Municipal será um dos prédios beneficiados pelo Programa Monumenta/BID. Possui grossas paredes de pedras. o Major Benício faleceu no ano de 1906. Essas tábuas impediam a iluminação interna. O senhor Antônio Viana Bezerra. Conforme relatos orais. conta que a única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967. na parte interna do prédio havia um banco com dois potes e uma espécie de gancho que servia para segurar os copos. na qual as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs. Foi construído originalmente para funcionar como cadeia pública. Trinta dias após à sua morte. espessas grades de ferro. arquivo municipal e sede da Banda de Música municipal.ANTIGA PREFEITURA Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública. As praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira embora sejam obras recentes fazem parte do conjunto histórico arquitetônico.50m de frente por 9. O senhor Joaquim. mas segundo moradores mais antigos da cidade. Para o funcionamento mais adequado do museu foi construído um anexo com sala e banheiro na parte detrás do mesmo. Hoje o prédio abriga a Polícia Militar. Albany Costa Cerqueira. a casa pertenceu ao Major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. nascido em Natividade no dia 10 de março de 1930. Foi trocada também a porta da frente do prédio que era trancada com trava e "uma grande chave". em Natividade. Segundo o nosso informante. O piso original era de cerâmica de barro (conhecido como ladrilho). Após a morte do casal Benício e Benvinda. contendo três janelas. recorda que ainda o conheceu com cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. uma porta de frente. Joaquim. dona Benvinda morreu de desgosto (perdeu o gosto pela vida. ano de 1952. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995 e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal. A cela destinada aos homens. não se alimentando mais. inclusive de acesso as selas. As reformas no prédio foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva. Originalmente o prédio foi construído com dois cômodos.intervenção. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. Segundo o Sr. o prédio foi construído no tempo dos escravos. provocando assim a sua própria morte). separando os presos em celas masculina e feminina. Segundo relatos do Sr. segundo o Sr. a casa ficou para os filhos. Joaquim Rodrigues de Cerqueira morador de Natividade. Dentro do gabinete havia uma butija com água para uso do prefeito. Não se sabe ao certo a data da construção do prédio. nº de Ordem 48. a antiga residência do casal Benício e Benvinda serviu de sede para a Companhia de Polícia. o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. O prédio é térreo com 18. CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes. o prédio sempre funcionou como espaço administrativo: prefeitura. Conforme relatos dos moradores. Confronta-se com terrenos de propriedade de Nilo Noleto Bezerra pelo sul e prédio do Antigo Paço Municipal ao norte (Livro 3ª. o que deixava os presos nas mais desagradáveis condições. toda forrada de madeira: pau d arco e jatobá. este foi construído no final do século XIX. que veio para a cidade por intermédio do Coronel Deocleciano Nunes. com 30 X 30 cm. mantendo o local sempre úmido. Cartório de Imóveis). na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. tinha duas grades de ferro. comerciante aposentado de 69 anos. filho do casal falecido. faleceu dona Benvinda. câmara municipal. A madeira retirada foi reaproveitada na construção de pontes no interior do município. Ainda de acordo o relato. na Praça Leopoldo de Bulhões. folha 17. PAÇO MUNICIPAL . Todos os monumentos inventariados. pertencentes à igreja ou a leigos são seculares. nascido no dia 03 de dezembro de 1950.50m de fundo.

O entrevistado lembra que nesse período os alunos faziam apresentações teatrais usando o espaço físico do prédio. ainda hoje. Celso "sendo nosso povo católico. na Igreja Matriz. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. de vê-la consagrada padroeira do Estado. no piso (que antes era de ladrilho) no reboco e na pintura. o Grupo Escolar D. consta que o prédio foi adquirido pela Sociedade Cooperativa Mista Agropecuária Ltda. 14). depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. Nove meses depois. p. ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. em março de 1992. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. na grande maioria. 3 no lado Leste e 5 no lado Sul.saqueadores que rondavam a região. em Jerusalém. Prédio de adobe. paredes rebocadas e pintadas. Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade A Igreja Matriz do município de Natividade. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. 1994. O imóvel é constituído de uma área de 410 m² (quatrocentos e dez metros quadrados). Esta devoção é sempre viva no nosso povo". A documentação escrita não é muito clara.17). com 20 (vinte) metros do lado Norte. recebidos freqüentes apelos. 18). comemora-se Nossa Senhora da Natividade. Mãe de Deus. O Sr. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. funcionou no prédio. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. Os devotos acreditam que Maria. 1 passarela. Foi a primeira a entrar nessa região. p. chegando a Portugal. venerada. 1 corredor. celebrada em 8 de dezembro. uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. em embarcações pelo rio Tocantins. sendo 4 salas. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. na data de 22 de janeiro de 1966. é datada de 1759. Celso Pereira de Almeida. Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim. quando o Papa Sérgio I. teto de madeira serrada. Bispo Diocesano de Porto Nacional enviou. Pedro II. portanto. Natividade. p. 2 banheiros. e que essas modificações foram feitas de acordo com a sua utilização. 1994. tendo como transmitente o casal Zacarias Nunes da Silva e Helen Drumond Nunes. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. que os habitantes do sudeste do Estado "veneram com muito afeto. solicitação ao Papa João Paulo II. A festa a Nossa Senhora da Natividade. quando foi transferido para Grupo Escolar Quintiliano Luiz da Silva. De Portugal passou para o Brasil. No mesmo livro. matrícula 1970. preservada do pecado original. Acrescenta ainda D. merece ser cultuada. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria. Os moradores não sabem informar por quanto tempo a casa serviu de sede para a Companhia da Polícia. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro. D. e devoto de Nossa Senhora. 22 (vinte e dois) metros no lado Oeste e 22 (vinte e dois) metros no lado Leste. 1994. de origem oriental. Hoje o imóvel é denominado Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira. Albany afirma que a parte interna da casa sofreu várias modificações. onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura. Padroeira principal deste Estado". piso de cerâmica. O imóvel sofreu modificações no emadeiramento. (BRAGA. nós Bispos. dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da 29 / 49 . a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. consta que a Prefeitura Municipal desapropriou o imóvel em 23 de agosto de 1990. 12 janelas sendo 4 no lado Norte. como mãe de Jesus. O Sr. em 1735. Albany recorda que até 1954. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. A casa contém 10 compartimentos. No livro n° 1 . na Igreja Matriz. seria o local do nascimento da Virgem Maria" (BRAGA. 1 alpendre. 3 portas externas. desde o ano 33 da era cristã. temos. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. Com a criação do Estado do Tocantins. A Igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo. Essa imagem é a mesma. 11 portas internas. Diz D. uma das mais antigas do Estado do Tocantins. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade. 1 cozinha. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. 18 (dezoito) metros do lado Sul. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. coberto de telha comum. A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano D. Celso na sua justificativa. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora.I. A desapropriação é confirmada pelo Decreto n° 024/90 da Prefeitura Municipal de Natividade. Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás. erguida no século V. em Natividade. termo referente a nascimento. do Cartório de Registro de Imóveis de Natividade.

PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões. recebendo a denominação de Praça da Bandeira. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. Joaquim lembra também de outras brincadeiras como: pião. "Possuía apenas uma torre. havia apenas árvores (juazeiros. do Rosário). que segundo os moradores a serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na Igreja Matriz. O local servia também para brincadeiras de moças e rapazes. essas árvores eram cercadas de pedra canga com massa a cal. E o milagre da Virgem se verificava em atenção ao Oficio de Nossa Senhora que. Maximiano descreve em "Outras Estórias de Goiás" a lenda da "Serpente de Asas". Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial.". religiosamente. sr. velhas rezadeiras em Natividade. as árvores foram retiradas na década de 1950. o sr. antigo governador de Goiás. Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões PRAÇA DA BANDEIRA Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho. lhe fazia cair às penas das asas. em sua igreja". Envolta da praça tem quatro casas que conservaram suas antigas fachadas. Com a retirada do pelourinho. em madeira. A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. Os piões eram feitos de limeira e 30 / 49 .não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções. serpente mora na caverna que principia debaixo da Igreja Matriz de Natividade e vai acabar debaixo da Lagoa Encantada. e os correios. Hoje. O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. porém. onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário. Conforme informações de seu Joaquim no período chuvoso o mato crescia e servia de pasto para os animais. Joaquim recorda que a brincadeira mais comum era o furrum (escondiam no meio do mato. mangueiras. etc). Nas suas recordações o sr. mudou-se a fachada e trocou-se a escada de madeira que leva ao coro por pedras (utilizaram pedras da Igreja do Terço e da igreja N.Natividade. do Bonfim e redondeza vivera em segurança. amendoeiras. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972. 2003). com pintura policromada. A cabeça fica debaixo da Lagoa Encantada. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade. quando se construiu a segunda torre. aos sábados rezando o oficio de Nossa Senhora. fruta-pão. a cada sábado.. 81 anos.. havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja da Matriz. com uma bancada para subir e umas argolas. "todo mundo era inocente. ". finca.. devia-se o milagre a proteção da Padroeira que. "Antes só tinha o pelourinho. A Serpente de Asas era uma ameaça permanente sobre a cidade: ". No local não tinha nada construído. A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. existirem.Se ainda não a destruíra. criadas durante a semana e destinadas a permitir-lhe o vôo até o cobiçado objeto de sua destruição. etc. o prédio da câmara municipal. São Sebastião. conservados até a década de 1960. as moças procuravam os rapazes e os rapazes procuravam as moças). muitos metros abaixo da superfície: a ponta do rabo está justamente debaixo da Matriz. possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais. A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz coletadas por autores locais como Dr. local onde funcionou o primeiro mercado municipal. Têm ainda dois sinos de 1858.. Maximiano da Matta e José Lopes Rodrigues. está pintado de azul. Antes se chamava Praça do Conselho (devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça).. Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. Enquanto. todos os sábados era rezado. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor.. Para José Lopes Rodrigues "Natividade . Lá amarrava e açoitava os escravos. A igreja está em estado bem conservado" (UEP/Natividade. Tenho a impressão que o pelourinho foi tirado pelos prefeitos nomeados pela ditadura de Vargas" (Adail Santana. as moças eram puras". Em 1919 algumas modificações foram realizadas. uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901. É uma espécie de dragão como aquele de São Jorge. papagaio... são montadas barracas onde se faz leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado a santa. com repinturas.Fragmentos do passado".. São Gonçalo. Conforme depoimentos coletados por Simone Camêlo Araújo. O altar é feito de madeira. Joaquim esclarece que não havia nada de mais (não havia malícia). o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. Sra. ex-prefeito de Natividade). Era um cercado de madeira. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira.

FONTES ORAIS · Adail Viana Santana · Alarico Nunes Suarte · Albany Costa Cerqueira · Antonio Viana Bezerra · Dario Camelo Rocha · Izambert Camelo Rocha · Joaquim Rodrigues de Cerqueira · Theodoro Nunes da Silva · Simone Camelo Araújo · Joatan Bispo de Macedo Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sob a denominação de ruínas. FONTES BIBLIOGRÁFICAS · ASCCUNA. mas não foi possível comprovar isso 31 / 49 . · · · · LEMOS. sob a gerência do IPHAN foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno. o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 a 1829. Quintiliano Luiz da Silva. Ed. o que seria o templo dedicado a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.limoeiro. Segundo ele no local da praça havia uma quadra de esportes e os moradores não gostavam porque a bola sujava as paredes das casas. Da obra ficou concluída a capela-mor. Universidade Católica de Goiás . Carlos A.Tocantins.1949. parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980. onde o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. · CATRO. em 1996. · IPHAN. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto. As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. E.1948 . eu sou muito sentimental. Joaquim se emociona ao lembrar dos" velhos tempos". 5ª edição. duas fontes luminosas. E também pelos alicerces em pedra canga. O sr. segundo ele cada brincadeira tinha seu tempo certo. toda em pedra. Natividade e seu Município .C. um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade). quando recebeu uma iluminação especial.Fundação Nacional Pró-Memória ." Com exceção da família do Dr. O que é Patrimônio Histórico. Segundo relatos de viajantes esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins. igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras. ( Cartilha ) Natividade . a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras.(Apostila) "Conhecendo Natividade Tocantins". do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos. levando os negros a escolherem essa invocação. monumento à TV Anhanguera e à instalação da água. Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. (Caderno) Estudos de Tombamento.MINC . 80 anos.Natividade. conservada ao longo dos séculos. foi onde nasci e me criei. Quintino Pinto de. há relatos sobre uma irmandade do Rosário. na sua administração. ex. amoroso. Daí surgiu a idéia de se construir uma estrutura para a praça. PARENTE. todas a outras continuam morando no entorno da praça. Goiânia 1999. grandiosidade e beleza. saudades dos amigos. A sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais. Temes Gomes. Conforme informações do senhor Izambert Camelo Rocha. Associação Comunitária Cultural de Natividade . O sr. Em Natividade. brasiliense. A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. sofreu um processo de intervenção em 1992 através do SPHAN/Pro-Memória. Izambert conta que essas árvores vieram de São Paulo. "a praça representa para mim muita saudade . As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras. Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. chama a atenção pela sua opulência. Mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas. PROGRAMA MONUMENTA/BID. embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte da igreja. calçamento de concreto. No Brasil.prefeito da cidade.

caçada de escravos para si ou para neo-brasileiros. Os Apinayé eram conhecidos como grandes guerreiros. viu-se rodeado de grande número de índios. tão pouco praticavam pois desconheciam a escravidão (Nimuendajú. 02). os animais. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário . Segundo Nimuendajú. voltaram para o céu. Quando esses exploradores constataram que havia ouro na região. incorporado 32 / 49 . Antônio Tavares. a caça e a pesca. Os homens utilizavam o arco e a flecha. A caça era feita por homens e mulheres. como faziam os Krahò. Dentre elas algumas merecem maior destaque.historicamente. Na contagem seguinte. Povos Indígenas São inúmeras as tribos da nação indígena no Tocantins. Andaram pelo mundo e criaram as plantas. Tantos eram que se viam na parte de baixo. Os filhos do Sol chamaram-se Kóó-di e os filhos da Lua Kóó-ré e ficou determinado que os Kóó-dí casariam com os Kóó-ré e então. O Sol (Mbu-di) convidou a Lua (Mbudvrà-ré) para descer a terra. Mulheres caçam tatus com o cavador e o terçado (Nimuendajú. viajante que navegava pelo rio Tocantins. armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. os Apinayé foram viver perto do povoado de Santo Antônio. praticavam a agricultura. sede do governo do estado do Tocantins. Pág. pág. A população Apinayé abatida por doenças e guerras foi se afastando para dentro da mata ou aceitando o aldeamento como necessário para a sobrevivência da comunidade. que pareciam regimento formado (Nimuendajú. que dizendo sonhar onde estava o ouro perfuravam as ruínas. os poderosos índios da região norte. os rios.CIMI em 1780. Chegaram exploradores e aventureiros em busca de riquezas. vem de 1774. Ainda segundo Simone Camêlo. As conseqüências dessas informações passada de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos resultado de ações de indivíduos. Relatos coletados por Simone Camêlo Araújo afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo. colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó. com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. por volta de 1880. (Relato de Xavier Apinayé) História Os primeiros registros do povo Apinayé na região. as guerras eram travadas por motivo de vingança: guerras de conquista eram-lhes inteiramente desconhecidas e. nem os rios. Em 1780 foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os guerreiros apinayé. nem os animais. onde vivem hoje. Outros Apinayé viviam em torno da cidade. Às vezes ateavam fogo no campo para os animais saírem e assim. Conheça cada uma delas nos links abaixo: Apinayé Origem mítica do povo Apinayé No início dos tempos não existia as árvores. seiscentos índios Apinayé trabalhavam na agricultura. apanhá-los. vários garimpeiros em busca de enriquecimento enfrentaram os índios provocando uma luta que se estendeu por muitos anos. 71). O avanço da civilização colonizadora para a região dos Apinayé teve início em 1797. pág. em Palmas. na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará. havia 1362 Apinayé na aldeia Boa Vista. Nesse mesmo período. 91). na praia da esquerda. atiraram na água e de cada uma surgiu um ser humano. Todas as suas aldeias eram numerosas. ofereciam presentes aos seus deuses e divindades. o arco cruzeiro dessa ruína serviu de inspiração para a construção dos arcos do Palácio Araguaia. O sol fez uma aldeia e uma roça e nela plantou cabaças. quando as cabaças amadureceram levaram para a beira do rio.

Os cantadores e cantadeiras cantam no pátio. bambu e espinhos. os rituais. outros gostam de coletar frutas silvestres (relato de Cassiano Sotero Apinayé). O pajé é chefe espiritual da tribo. Utilizam a palha de babaçu. mulheres e crianças. murici. quando restavam apenas sessenta índios. O artesanato serve para enfeite e são utilizados nas celebrações. Demarcação das terras O Capitão José Dias. onde o terreno é queimado e os tocos são arrancados para depois iniciar o plantio. fibra e coité onde fazem os desenhos. Arco e flecha. Esses artefatos são tingidos com urucum e jenipapo. caçam e cortam lenha. raspam. Durante muitos anos. batata doce e inhame. tucum e palmito que complementa a sua alimentação. cofos e quibanos: confeccionados pelas mulheres em trançado de fibra de buriti. Cestos. próximo aos municípios de Tocantinópolis. os Apinayé deixaram de migrar constantemente e passaram a permanecer nas suas aldeias na região de Tocantinópolis. bacaba. em 1936. Os enfermeiros. acima do Ribeirão São Benedito. Os Apinayé coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas. 33 / 49 . Colares: confeccionados com sementes variadas. a população Apinayé entra em decadência. viajou ao Rio de Janeiro para pedir a demarcação de suas terras. as histórias e os costumes. o povo Apinayé lutou pela demarcação de seu território que foi registrado e homologado apenas em 1985. mas conservam seus desenhos tradicionais. Nas roças comunitárias ou nos roçados individuais as tarefas são distribuídas entre homens. em 1940. as pessoas das famílias. plantam. Ao mesmo tempo os Apinayé mudaram para a aldeia do Cocal. Maurilândia e Lagoa de São Bento. pequi. Com a fundação do posto do SPI. tanto o trabalho como os produtos. Enquanto os homens preparam as roças brocando. penas de pássaros. em 1899. babaçu. outros gostam de pescar e caçar. líder dos Apinayé. Ele e o Vice-cacique resolvem os problemas da comunidade. distribuídos em sete aldeias.mais tarde a São Pedro de Alcântara (Carolina. Educação A transmissão tradicional do conhecimento entre os Apinayé sempre foi oral. O sistema utilizado para a plantação é da tradicional roça de toco. bacuri. esteiras e cofos.904 hectares. amendoim. existem muitas pessoas e cada uma tem função diferente. Trabalho O trabalho pode ser feito em mutirão. por fim. cuidam das crianças. Os curandeiros cuidam das doenças. Uns gostam de trabalhar. tucum e buriti para confeccionar cestas. Com o contato permanente entre os índios e a sociedade envolvente. buriti. as mulheres cozinham. Artesanato Os Apinayé fazem trançados variados. capinam e fazem a colheita. O Cacique é chefe superior da tribo. Também utilizam a miçanga para confeccionar colares. tudo é repartido. onde vivem até hoje. Maranhão). a arte. Os Apinayé vivem hoje numa área demarcada. ficando cada vez mais distante da antiga e numerosa tribo. Sua população atual é 1014 habitantes (FUNAI/MAIO/1997). mandioca. ralam e imprensam a mandioca. Tradicionalmente plantam milho. as mulheres e as crianças encovairam. de 141. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. Quando muitas famílias participam. Os apinayé também vendem o seu produto nas cidades próximas às aldeias. na criação de gado (aprendido com o não-índio) e na navegação fluvial. transmitido pelos mais velhos de geração para geração. Tomados por uma epidemia de varíola passaram em poucos anos de 4200 para 1500 pessoas. Os homens pescam. maracá e borduna: confeccionados pelos homens que utilizam madeira. derrubando e queimando. feijão. os professores índios e não-índios que ensinam a ler e escrever e. açaí. fibra de tucum e babaçu. Limitaram-se a trabalhar na agricultura. Assim ensinavam a língua. Fazem a coleta de andu. Vida Cotidiana Na sociedade Apinayé.

os apinayé escolhem sempre um lugar que satisfaça às seguintes exigências: O chão deve ser plano. Os parentes que estão enlutados não cortam os cabelos. no alto dos campos. Antes isso acontecia quando ainda eram crianças. Um ano depois visitam seus parentes no cemitério. O solo não deve ser pedregoso nem arenoso. A alegria do Panhi (índio Apinayé) é a invenção da música. Na casa todos choram e depois distribuem a comida sempre com a presença do pajé. Apenas a pessoa doente não come. Os caminhos da roça são relativamente limpos para que as mulheres possam passar livremente com seus cestos de carga. No dia seguinte. pelo menos. Toda cantiga. A Casa Apinayé A construção de casas de alvenaria de tijolos industrializados e a adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) tem levado à perenização da 34 / 49 . Nestas os alunos têm a oportunidade de ler e escrever na sua própria língua e depois no português. 10 anos. Cantiga de tora. Hoje tem uns que não sabe cantar a Tora grande (relato de Alcides Apinayé.Devido à convivência interétnica surgiram as escolas que. porque acreditam que sua sombra possa voltar para casa à procura de alimentos. já é possível que os jovens escolham com quem querem casar.Começa a lamentação quando todos os parentes se reúnem na casa do morto. Celebrações e Rituais As festas são realizadas no pátio. jenipapo e lã de pati. Mas.espécie de bolo de mandioca com carne. uma cantora fica cantando até o dia amanhecer. em conseqüência das derrubadas anuais. Em tempos mais recentes. em conseqüência das derrubadas anuais. a aldeia é reconstruída em outro lugar. Caminhos estreitos cortam a mata ciliar em todos os sentidos. O lugar não deve ser demasiado distante da água. Os Apinayé levam comida para o morto. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações de cada um para ter uma vida boa e correta. (relato de Kunum Apinayé). ajudando a manter a cultura e revitalizando a sua identidade étnica. como índios tinham muitas dificuldades em aprender porque os professores não compreendiam o que eles falavam nem os alunos compreendiam o que o professor dizia surgiram as escolas bilíngües. Quando. Também colocam os seus pertences sobre a sepultura. Quando eles terminam falam: se o rapaz não fizer direito com nossa afilhada nós vamos fazer desse jeito com você: cortar seu pescoço (relato de Ausira Apinayé). Hoje. Durante a noite. pesca. tradicionalmente. feito na palha da bananeira cozido no muquem. não se pintam e não participam das reuniões na praça. No geral. quando. Chamam um cantador que fica do lado do morto cantando até o dia amanhecer. Para a fundação de sua aldeia. O morto é banhado e colocado numa esteira onde recebe a pintura e os enfeites segundo seu clã. em solo não pedregoso e perto de córregos d água. São iniciadas pelo cantor com seu maracá. Levam a pessoa para a casa dela juntamente com o twy kupu (comida feita com mandioca e carne) como oferta para o espírito voltar. com maracá. A comida preparada é o paparuto . Quando os outros voltam do enterro vão banhar no ribeirão. Ritual de morte e enterro . Os pais e os parentes mais próximos não acompanham o enterro. caça e banho. Os moços levam o paparuto para a casa dos padrinhos da noiva e lá recebem conselhos para não brigarem e viverem em paz. Nas proximidades deve haver bastante mata ciliar para os roçados durante um espaço de. mas ser formado de argila dura. Os padrinhos e as madrinhas da moça ainda podem escolher o marido. continuam a chorar no lugar onde o enfeitaram. pintam e enfeitam todo o corpo. A Aldeia Apinayé As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos. a construção de casas de alvenaria tem forçado a permanência da aldeia num mesmo local. dão banho de água fria na pessoa para purificar. ensinavam somente o português. levando aos locais de roça. em geral no fim de algum contraforte. Casamento: Os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum. no ângulo entre dois cursos de água confluentes. São mantidas pelo Governo do Tocantins seis escolas bilíngües. localizado no centro da aldeia. no início. Panhi nunca quis largar a música. estando de acordo com a sua família. em torno de 500 metros. depois. Nas proximidades deve haver mata ciliar para os roçados. esta mata se acaba. de acordo com o clã.A festa é realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente. muda-se esta novamente para um lugar onde ainda haja bastante mata nos arredores. cantor). A Festa do Mekapri . a mata já fica numa distância de mais de duas léguas da aldeia.

nas aldeias da Ilha do Bananal. de Xambioá. os comerciantes utilizaram a mão-de-obra indígena. Nos dias atuais o regime das águas ainda marca o tempo que determina as manifestações sociais da comunidade. principalmente como remeiros. tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializada. na prática. ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra aproximadamente no centro. Koboí decidiu sair mais era muito gordo e não conseguiu passar. Essa junção não deu certo e os Karajá voltaram para suas praias. Ali mantiveram contato com o jesuíta Tomé Ribeiro. Diante das casas.1997). corre um caminho largo normalmente denominado rua. empreendida pelo rio Araguaia. são fechadas com divisões de esteiras de palmeiras encostadas contra uma travessa armada na horizontal. Na Ilha do Bananal vivem os grupos Karajá e Javaé em aldeias separadas. Javaé. FUNAI/ 1997). a cheia e o início da vazante. Xambioá Origem mítica do povo Karajá Conta a lenda que os Karajá viviam no fundo do rio Berorõdy (rio Araguaia). concentra-se o maior número de aldeias. As casas são construídas com materiais que vão da palha de buriti. Durante o verão viviam nas praias do rio Araguaia e no inverno subiam os barrancos onde tinham suas aldeias maiores. Javaé e Xambioá. os Karajá ainda viviam de acordo com as mudanças climáticas. existem três grupos: os Xambioá. pássaros e animais. Durante os séculos XVII e XVIII o contato com as expedições dos paulistas provocou muitos conflitos. Nos anos seguintes a relação com os não-índios intensificou-se com a vinda dos mineiros e das frentes pastoris e agrícolas. viu a terra. no entanto. Os Apinayé possuem atualmente aldeias fixas. quando o rio fica behetxi (parado). com cumeeira e cobertas de palha de palmeira. pertencem aos mesmos antepassados. por morarem perto da cidade do mesmo nome. Da praça central partem caminhos radiais que a ligam a cada casa. "A referência para a denominação do grupo é dado pela sua localização ao longo de um eixo. migraram entre outros motivos. são conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo). o rio Araguaia" (EIA. como se tivesse a mesma forma das aldeias tradicionais. localizadas nas barreiras ao longo do rio. possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros. às margens do rio Araguaia. outras casas senão do tipo daquelas ainda hoje em uso: retangulares. A migração sazonal levou os Karajá para várias regiões até conquistarem o território onde vivem. 35 / 49 . conforme as estações do ano e o regime das águas que eles dividem em início das enchentes. ao redor do círculo interno. No começo do século XX. É o tempo da caça. devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. As casas são feitas com pouco acabamento. Certo dia descobriram um buraco e resolveram ver o que tinha do outro lado. Os Karajá aceitaram a paz no final do último século e foram viver nos aldeamentos junto a outras etnias.aldeia. Voltou para contar o que viu e foi para a superfície. Atualmente. os Karajá subiram o rio Araguaia. durante a primeira viagem deste. Xerente e Caiapó. falam a mesma língua. Os Karajá. No Tocantins. assim chamados. As que ficam próximo ao rio Javaé levam esse nome. Utilizavam diferentes locais de moradia. A tradição dos Apinayé não dá a conhecer nas aldeias fixas. de se iniciar a preparação das roças e da coleta de diversas espécies vegetais" (EIA/FUNAI . os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayé. História Antes de 1500. Mato Grosso e Pará. as árvores. Os Karajá de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população. passando pela taipa. frutas. Uma família saiu. idênticas às dos moradores da região. como parentes e embora geograficamente separados. algumas aldeias Apinayé têm forma retangular com um pátio de reuniões central. A disposição da aldeia é inteiramente igual àquela das tribos dos Kráhò: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo. entre elas. doentes e com a população reduzida. Na Ilha do Bananal. Karajá. "A partir do início das chuvas e subida do nível do rio Araguaia os Karajá reúnemse nas suas aldeias maiores. Os que saíram são conhecidos como Karajá. mas todos são o povo Iny. são os ibòò marãdu (turma de cima). Têm-se ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada. mas se auto-denominam Iny. Com o avanço da navegação fluvial.

Utilizam o tucum para fazer o arco. A técnica da cestaria é ensinada pelos homens mais velhos aos jovens que desejam aprender. dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. neste século. usado pelo chefe de cerimônia. a caça e a roça. onde se faz e desfaz facções. passam a maior parte do tempo nas praias. São confeccionados cocares de grande e pequeno porte. da bacaba e a seda do buriti. Durante o verão. bacaba e madeiras como a sarã para confecção de brinquedos e artesanato. No final. Os artesanatos são utilizados nos rituais. 1941). como enfeites e artefatos. devido a interferência de religiosos e agências governamentais. passando a residir na casa da sogra. como: Haretõ que representa o sol. filiação. tinta retirada do sumo do jenipapo misturada ao pó do carvão e de vermelho. jenipapo e urucum para as tintas. Servem também para enfeitar instrumentos musicais. na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distante da aldeia. homens e mulheres. Os Karajá fazem a coivara e usam o sistema de rotatividade no uso da terra. a confecção de artesanato. "Teve um tempo em que Karajá vivia como gaivota" Temysari Karajá (cacique de Xambioá) Os casamentos: São monogâmicos e combinados entre os familiares. Os adornos que utilizam a plumária são: colares. dos barrancos do rio Araguaia que é misturado com cinzas da madeira do cega machado e colocada para secar ao sol.Entre os Karajá as atividades políticas são bastante difundidas girando em torno de um complexo sistema de alianças. na época da estiagem. Cerâmica: Confeccionada pelas mulheres. Adquirem através destes os produtos industrializados: roupas. sexo e prestigio (Fritz Krause. brincos. Arte plumária: Essa arte exige muita habilidade e identifica o homem indígena com a natureza. As artesãs personalizam seu trabalho com figuras decorativas tradicionais e usufruem de grande prestigio dentro e fora da comunidade. a fauna e a flora. alimentos. Trabalho Os Karajá são essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. brinquedos para as crianças e também para a comercialização. No entanto é forte a tendência do povo Karajá em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições. depois transportam para a palha. Na finalização das bonecas utilizam cera preta para fazer os cabelos (Berta Ribeiro. Da natureza. Muitas coisas mudaram. As mudanças de residências são matrilocais: o rapaz tem que acompanhar a moça. cerâmica e cestaria. ministrando interesses e mudando a política dentro da comunidade. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam. são utilitárias. é usado pelos rapazes e o Lori lori. Cada família tem o seu roçado e cultiva: mandioca. Trás uma significativa expressão de riqueza e esplendor. o coco do buriti. Quando chegam as chuvas (Novembro a Março) dedicam-se às atividades agrícolas. Os Karajá organizam-se em famílias extensas que incluem além da família nuclear. pratos tigelas) ou ornamentais (bonecas ritxokò). instrumentos musicais e canoas. cana-de-açúcar. batata-doce. banana. Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca. As mulheres trabalham na confecção do artesanato. durante o período da estiagem. cada um com seu significado. (potes. Cestaria: Serve para o transporte e armazenamento de mantimentos e como peça decorativa. A cerâmica passou por uma mudança significativa devido a valorização e pressões comerciais. Nos Sertões do Brasil. armas e máscaras. 36 / 49 . a palha de buriti para as esteiras. primeiro o objeto é colocado perto do fogo. É uma forma de identificar o grupo étnico e a posição social na comunidade como: cargo. pescando e coletando. Artesanato "A beleza transcende aquilo que a aparência física revela". Para o cozimento. retiram material para construção de suas casas. depois coberto com pedaços de lenha. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu. retirada do sumo do urucum. Servem como utensílios domésticos. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária. principalmente na política que faz as lideranças das aldeias. cará e o arroz. Para confecção da cerâmica utilizam o barro branco retirado. braçadeiras e tornozeleiras. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio. consagra-se lideranças e afastam-se outras. 1957). genros e netos. milho. a peça é pintada de preto. A cerimônia é feita com uma apresentação pública e formal dos noivos para a comunidade. Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. idade. fumo e bebidas. os espíritos e com seu próprio interior. As crianças aprendem desenhando na areia.

as mulheres casadas de outra. em frente ao rio. As representações gráficas são diferentes para cada grupo social dentro da aldeia: os homens pintam de uma forma. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. olhando suas mães e irmãs" (Ijyraru Karajá) Os desenhos são usados no corpo das pessoas. o corrupião o boto e a cobra coral. A luta vai até o amanhecer. os donos da festa precisam mantê-la em pé. velhos e rapazes também têm suas pinturas características que representam formas de distinção e hierarquia dentro da sociedade. Os cemitérios ficam perto da aldeia. nos remos e nos maracás. para dentro da aldeia. nos cestos. é o espírito do bem e cunin. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. Uorossani. homens e crianças participam do "ciclo do Aruanã". peixes e répteis. Convidam os Karajá de toda região para participar. Mulheres. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para ele chamar os Aruanã. eles sobrevivem em espírito. repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham. espírito do mal. Ganha quem ficar de pé. retiram o que restou e colocam em urnas de cerâmica. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. 37 / 49 . nas cerâmicas. Enterram seus mortos em covas rasas cobertas com palhas e. do grande Berohoky (rio Araguaia). As tintas de jenipapo e urucum são utilizadas na pintura corporal. Mas. São realizadas lutas tradicionais. coletam frutos e fazem bebidas. As figuras míticas dos espíritos protetores cantam e dançam para todos. as solteiras. as mulheres arrancam a mandioca. braçadeiras e tornozeleiras. Os homens quando vão caçar. Representam os animais como a ariranha. Ijesu são as lutas Karajá. A Pintura Corporal A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas dos animais da região. depois da morte. como: pássaros. Utilizam as cores preta. Na preparação das festas os homens saem para as caçadas e pescarias. Depois das boas vindas. retirada do jenipapo e vermelha do urucum. pedem proteção aos Aruanãs: dançam aos pares e não mostram os seus rostos. Ijasò Os Aruanã (Ijasò) são espíritos trazidos pelos pajés. que dura o ano inteiro e revitaliza a cultura da comunidade. Os Aruanã entram e saem das casas cantando e dançando para além de marcarem a passagem do menino. colocam para secar. pescar ou fazer alguma viagem. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. São feitos os ornamentos e enfeites: cocares. Festa do Hetohoky Também conhecida como a "Festa da Casa Grande" representa a passagem do menino para a fase adulta. Existem dentro da comunidade pessoas especiais para fazer a pintura corporal. No ritmo das chuvas. uma grande casa é construída para os convidados onde deverá ter comida farta para todos.Celebrações e Rituais O Povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. "As crianças aprendem a desenhar. sobe e desce. Os Rituais de Morte: Os karajá acreditam que. colares. é nas noites de lua cheia que acontece o rito reservado somente aos homens. ralam. nas esteiras. no mesmo sentido das casas. Lutam dois de cada vez. Ensinam aos descendentes a importância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vem de tempos milenares. marcarem também um novo tempo. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. um ano depois. em vários estilos. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande".

interditada às mulheres e crianças. em parte. e não a cópia de um povoado não-índio. à tardinha e à noite. saindo da rua central. Em qualquer época.Faz mudar as casas. esse tipo de distribuição das casas pode ser interpretado como a duplicação de uma aldeia Karajá tradicional. na fileira de casas que fica entre a rua central e o rio. São mantidas no entorno apenas algumas árvores de maior porte. acompanhando a forma irregular do curso do rio. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). Saindo na direção oposta à rua central. os frutos da Terra. essa fica voltada para o rio. para ter conforto. facilitando a pesca e a coleta de ovos. 38 / 49 . voltadas para o rio. são as aldeias Karajá que mantém. Observa-se na disposição dos túmulos a forma utilizada para a posição das casas: pessoas do mesmo grupo familiar são sepultadas uma ao lado das outras. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. A luta vai até o amanhecer. Entretanto. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. a aldeia Xambioá. Santa Isabel do Morro e Fontoura. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. com duas fileiras paralelas de casas ao longo do rio. O sereno. a fartura dos peixes. banho em família ou individual e lavagem de roupas. que continua a ser o principal marco de referência. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. da mesma forma que os vivos devem contar com espaço bastante. localizada no norte do estado. estão voltadas para esta ruaAlém de servir para a circulação. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. À primeira vista a aldeia se parece com os povoados habitados por sertanejos. Tradicionalmente e nos dias atuais é costume localizar o cemitério à beira do rio. Vida Karajá. na Ilha do Bananal. a pouca distância das casas. A Aldeia Karajá Atual Nos dias atuais os Karajá não fazem os acampamentos de verão. a rua central é também utilizada pelas mulheres como local de trabalho. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. atrás delas um caminho secundário. ancoramento de canoas. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". Ocorrem grupos de túmulos ortogonais ao rio. acima do nível das enchentes. o calor. Depois das boas vindas. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. que são usados preferencialmente pelos rapazes solteiros e pelas crianças. no verão. tem os caminhos que levam à casa de Aruanã. Uma linha reta que guia a vida. a uma certa distância. a aldeia transferia-se para as praias. De acordo com os mais velhos. usado preferencialmente por rapazes solteiros. deve haver espaço suficiente para os mortos. No entanto. Faz mudar as vidas. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). a implantação tradicional. estação seca (maio a setembro). Implanta-se a aldeia em barrancos planos acima do nível do rio. Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. as casas eram alinhadas ao longo da margem. Essa interpretação feita pela arquiteta Cristina Sá (In: Revista Projeto/1983) é sugerida pelo fato de que. com casas alinhadas dos dois lados de uma rua central. os donos da festa precisam mantê-la em pé. porém. quando existe uma única porta. duas fileiras ao longo de uma rua central. das brincadeiras de meninos e meninas e de descanso onde. passando pela porta das casas da fileira próxima ao rio e pelos fundos das casas da outra fileira. o processo de formação da aldeia é repetido. a chuva. levam aos barrancos onde se desenvolvem atividades públicas como. as famílias colocam suas esteiras e banquinhos de madeira para conversar. comer ou dormir. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). As diferenças ficam por conta das edificações com materiais industrializados realizadas pela FUNAI: o posto de saúde. no extremo da aldeia. O Sol. a praia. Outros caminhos. pois todas as casas. em locais livres de vegetação arbustiva e rasteira. em suas moradias. foge a esta regra. a floresta. as casas para os funcionários e para os três capitães da aldeia. acompanhando-o linearmente. Em Santa Isabel do Morro ainda existem os caminhos secundários. a escola. coleta de barro para a confecção de artesanato (mulheres) ou para construção (homens). situada atrás da fileira de casas. Como não é permitida a superposição de sepultamentos.

) Ai depois o Xerente começou também a brigar com os Krahò e eles desceram o rio". em locais limitados onde havia uma constante vigilância dos missionários destinados ao trabalho de catequese. o calor. (. O Sol. Vida Karajá. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. Fomentar a guerra entre as diversas etnias foi uma estratégia bastante utilizada pela frente colonizadora para apoderar-se das riquezas encontradas nas terras de outro grupo (Carneiro da Cunha. Pud (Deus) cantou e deu origem a todas as coisas do mundo.18). entre os rios Farinha e Manuel Alves. Como outros grupos os Krahò combateram outras etnias. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. em vários estilos. a floresta. a praia. No final do século XVIII. foram habitar a terra em forma de homens. Para os Krahò o canto é sagrado e tudo começa e termina com os cânticos ensinados por Deus. Faz mudar as casas. no verão. a fartura dos peixes. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). Dez anos mais tarde. os Krahò habitavam a região do Rio Balsas no Estado do Maranhão quando tiveram registrados seus primeiros contatos pela "frente de colonização". a aldeia transferia-se para as praias. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. Lutam dois de cada vez. Faz mudar as vidas. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. a uma certa distância. Os Krahò viveram na aldeia de Boa Vista do Tocantins. voltadas para o rio. acompanhando a forma irregular do curso do rio. facilitando a pesca e a coleta de ovos. situada atrás da fileira de casas. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. Falta um pedaço Krahò Origem mítica do povo Krahò "Sol disse para a lua: cumpadre vamos descer e decidiram: criaram as matas. os frutos da Terra. a chuva. Pokrok História Contam os Krahó em sua história mitológica que Put. Estes índios além de agrupados a diferentes etnias deveriam desempenhar trabalhos para toda comunidade local. Uma linha reta que guia a vida. usado preferencialmente por rapazes solteiros.. o sol e Pud roré. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. acima do nível das enchentes. fundada pelo frei Francisco do Monte São Vítor em 1841 no município do mesmo nome. 18).. sobe e desce. Em qualquer época. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. segundo a conveniência dos brancos. Ganha quem ficar de pé. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). Pedro Penõ fala de suas lembranças sobre as lutas contra os outros povos e como essas lutas influenciaram suas migrações: "deslocou para Pedro Afonso.Ijesu são as lutas Karajá. na região onde hoje é a cidade de Carolina / Maranhão. os rios e o homem. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. as casas eram alinhadas ao longo da margem. A política de aldeamento significava. estação seca (maio a setembro). a lua. Recuaram para a margem direita do rio Tocantins. atrás delas um caminho secundário. 39 / 49 . No ritmo das chuvas. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. os Krahò sofreram grandes perdas na sua população. porém. Como a maioria das tribos indígenas. havia nessa aldeia 2822 Apinayé e Krahò (Carneiro da Cunha pag. p. O sereno. interditada às mulheres e crianças. porque o Mehin (como os Krahò se autodenominam) brigava com o Gavião. Da cabaça criaram a mulher e ensinaram a construir aldeia e fazer roça e voltaram para o céu". deportação e concentração de grupos indígenas. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril).

Em 1940. Alimentação Pedro Penõ descreve. "Os Krahò permitem que os regionais plantem em suas terras." Pedro Penõ Anos depois apenas mil Krahò viviam em Pedro Afonso. O marido e a mulher podem doar. Demarcação das Terras "Eu pedi mesmo. "Em 1886 restavam apenas duzentos Krahò na aldeia. entre Porto Imperial e Carolina. descascam tudinho. uma relação "ordenada" com o mundo dos não índios. aí sobe até rio Perdido até rio negro que digo. Ficaram morando lá até fazer a demarcação. Mas os Krahò foram removidos. mistura com a casca de cipó. Frei Rafael. o cultivo dos alimentos e principalmente a formação circular das aldeias mantendo o equilíbrio cultural de seu povo. quero lugar tudo desocupado". assim. pág. as terras dos índios Krahò foram demarcadas. p. Nome mudado do Rio Vermelho. em produtos vegetais. 24). em certos favores ou mesmo em troca de permissão de caçarem fora do território tribal" (Darcy Ribeiro. Com a posse da terra ganharam uma "certa independência". mediante pagamento em dinheiro. hoje é considerada a maior área de cerrados inteiramente preservada no Brasil.408). Ele chegou naquelas canoa grande. aos oitenta anos. essa área que tem para o Krahò. mas os ataques e as doenças reduziram a população. que tinha se transformado num vilarejo de sertanejos afastados" (Mellati. aos seus parentes os produtos dos seus roçados. agricultura e pastoreio . fundada em 1849 pelo missionário frei Rafael de Taggia. Os Krahò negociam com os brancos. "A divisa é Sono Grande que despeja no Tocantins. e assim seria até morrer. puderam manter sua identidade étnica. bacaba. Massa de macauba. Eu já comi o beju de carne de casca de piaçava eu já comi também. No início do século XIX eram quatro mil pessoas e em menos de um século. depois da colheita outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local. até rio Mateiro despeja no Suapara. em reses. Índios do Brasil. trabalhavam na pesca. no Suapara desce até no Manoel Alves Grande.Uma parte da tribo Krahò foi levada à aldeia de Pedro Afonso. p. adquirida do contato permanente de aproximadamente duzentos anos com a sociedade envolvente.. As invasões persistiram por décadas e. corte de cabelo. quando assar eles tiram tudinho e põe no sol. ai quando tá seco bate tudinho e tira carne de casca. pois criavam empecilhos ao comércio fluvial através do rio Tocantins (Carneiro da Cunha. utilizando recursos que possam promover sua sobrevivência na relação interétnica. até Chácara da Serra. a população reduziu para pouco mais de quinhentos habitantes. 133). Delimitada em 1976. Frei Rafael de Taggia ainda era seu missionário. também tira a casca dura e cozinha no muquem conforme ai umas quatro horas. Mas os Krahò resistiram e preservaram elementos fundamentais da sua cultura. É uma área de aproximadamente 302. Os casais preparam a roça para sua família. Pedro Penõ Vida Cotidiana Dia-a-dia na aldeia Pedra Branca Para os Krahò a terra pertence a todos os membros da tribo. sem essas estratégias de defesa. pisa no pirão e faz beju ou faz paparuto. De primeiramente o índio planta aquele cipó e deu no fim. pelo rio Tocantins. tiram casca e botam no sol. os hábitos alimentares dos Krahò: "Comíamos toda fruta. continuam vivas na memória de seus habitantes mais velhos. voltando à sua região de origem às margens do rio Manuel Alves Pequeno. Essa que é a divisa dos Krahò". chegou verão. coco piaçava. eles pegam tudinho ai eles tiram. De outra forma.levavam gado para o Maranhão. criem gado. "Então mandaram pedir um padre. Viveram nessa aldeia perto dos rios Sono e Tocantins. os índios Krahò sofreram um violento massacre desfechado por criadores de gado. quando caiu folha ele tira tudinho e faz uma tora e bota no fogo e assa. Pedro Afonso era um importante entreposto comercial da época e servia de rota fluvial. macauba." Pedro Penõ 40 / 49 . e também. A pressão colonizadora os obrigava a migrar aparentemente em direção ao nordeste. talvez não conseguissem sobreviver aos tempos. mas em caso de separação a mulher fica com a produção. Pedro Penõ Após várias invasões.533 hectares próxima as cidades de Itacajá e Goiatins. Levaram pelo rio até Pedro Afonso. faz muquem grande e assa. buriti. Quando já tá maduro. como os cantos.

conversar.Trabalho A divisão de trabalho é feita pela separação de sexo e idade. 48). plantam. abanos e cestas. (..usam determinados vegetais para esfregar no corpo ou para fazer infusões que ingerem. conhecida como. exigem a abstinência de certos alimentos. amendoim. Bolsas para viagens ou para colocar roupas e pequenos objetos. ter relações sexuais. segundo a tradição. histórias.. são essas forças que regem a natureza e o homem. palha de buriti e babaçu. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo. Celebrações e Rituais Os Krahò cultivam seus rituais e celebrações com a mesma força que acreditam no equilíbrio das metades que rege suas aldeias. fumar. penas de pássaros e cabaças. também devem conhecer muito bem os hábitos dos animais para melhor procurálos ou esperá-los. além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada. batata. p. As meninas maiores cuidam dos menores e os meninos. caçam e pescam. "aquele que possuir a machadinha não deve fumar. e depois o Karõ transforma-se em animais. ou duas metades o Katam jê e Wakme jê . Prepara-se também com certos recursos mágicos: ".) Uma vez nascida a criança. segundo eles. a seca. Os homens seguem essas tradições por acreditarem que o filho tem ligação direta com o pai. rege as chuvas. estão presentes em tudo. Karõ.. para terem eficácia. segundo à espécie de animal que desejam caçar" (Melatti. o frio. Estão construídas em disposição circular. e cuidam da casa. de onde tiram a sobrevivência do corpo e da alma. (José Aurélio Pokrok) Os Krahò acreditam que todos os seres: animais. o nascente. conselheiros e sábios. (. a sede e a morte. As mulheres fazem a coletam. beber. suas festas.. pilões. com um grande pátio no centro chamado Kà. Artesanato Os Krahò confeccionam artesanatos utilitários: cofos para carregar lenhas e alimentos.) não pode trabalhar.. os animais noturnos. respeitando o tempo das caçadas e toda as atividades dentro de uma relação com o tempo e variações sazonais. assim 41 / 49 . Na roça cultiva-se mandioca. possuem alma. O material empregado na confecção dos artesanatos é retirado da natureza são: sementes. para serem bem sucedidos. considerado sagrado para os Krahò.. a fome. Tem que falar pouco e escutar mais". para que se respeite o ritmo da vida e mantenha o equilíbrio. O símbolo sagrado que mantêm essa harmonia e o respeito dentro da comunidade é o Khoyré. cuias. Os velhos são representantes da tradição. O Karõ pode afastar-se do corpo. Tudo que se relaciona ao povo. Quando morre um Krahò acontece a separação definitiva. p. As Caçadas Os caçadores Krahò. uma machadinha de pedra que o povo Krahò tem como elemento importante para continuar a tradição e a vida. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guerreiras. Organização social Tradicionalmente as aldeias Krahò são politicamente independentes. são encarregados de carregar as armas e levarem a caça para as aldeias. abóbora e principalmente o milho..) o homem Krahò evita comer carne e determinados alimentos vegetais durante os primeiros dias após o nascimento de seu filho. (. Certas magias. não pode brigar. Também procuram interpretar os sonhos que.. Katam jê representa o inverno. o poente. poderão predizer o sucesso das caçadas. "Para os índios Krahò tanto o marido como a mulher tem participação na formação do corpo de um novo ser. as matas verdes. ritos. o calor e os animais noturnos. assim como os velhos. Produzem enfeites e instrumentos musicais para as festas como os colares e as flautas de cabacinhas e os maracás que são feitos pelos homens. A área dos roçados fica distante da aldeia. observando a rotatividade da terra durante o plantio. vem as doenças. onde a tribo se reúne para fazer as divisões de trabalho e tudo que seja importante para a concepção da vida cotidiana na aldeia. Os partidos: Os Krahò possuem dois partidos. É importante para os Krahò que as duas metades estejam em equilíbrio. Portanto. matar cobras" (Melatti. 104). Quando se desrespeita o equilíbrio que rege as duas metades. vegetais ou minerais. Wakme jê representa o verão. os sentimentos e as crenças estão ligadas a natureza.

batatas. Os velhos do partido do inverno ficam no pátio. no centro. As mulheres cantam. reunidos no pátio após percorrerem a metade da aldeia. Fazem os enfeites que os rapazes e as moças usarão durante as festividades. vão dar para o Wakme jê ou Katam jê . A festa começa com o partido do inverno Katam jê. se vão trabalhar ou vão para a caçada. A cada novo desafio. às vezes passam até dez anos para que ela seja realizada. aquele que sabe cantar pega ela um pouco e torna a guardar. você irá viver por muito tempo até ficar velho. a brincadeira torna-se mais festiva. O homem. As toras de buriti vão passando de ombro em ombro e ganha o grupo que chegar primeiro ao pátio onde gritam e dançam comemorando a vitória. Junto. toda noite pro outro aprender. em frente a casa de reuniões de um dos partidos. Durante a festa os Krahò celebram seus casamentos e batizados. Corrida de toras Homens e mulheres participam da corrida com toras. Participam os dois partidos: o do sol nascente e do sol poente. O velho Xavier diz que se sonhar matando o animal. Preparam um grande bolo de mandioca e carne. O cantor de maracá e uma mulher cantam lado a lado na casa de reunião dos homens. frutas e reúnem os partidos do verão e inverno para combinarem como será a festa. Segundo o nome que recebe. cantam até o dia amanhecer e ajuntar o pessoal.Pônhê Na festa do milho os Krahò comemoram a fartura das roças. a mulher e a menina. Khoyré . comparam o peso de cada uma e começa a corrida. logo morrerá. mostram o que vai acontecer. os homens ficam passando por elas e o cantor conduz ensinando as músicas dos antepassados. as mães acendem fogueiras e as brincadeiras recomeçam com as cantigas de maracá. Sempre cantam." Os Sonhos Acreditam que os sonhos predizem a vida. Depois o partido do verão recolhe todos os alimentos na casa dos homens do seu partido. do verão. O que colhem armazenam em grandes palhas de bacaba. A Festa da Batata (panti) Celebra a colheita. enquanto a menina quase sempre da tia paterna. cedem o lugar para outro. é realizada durante o verão. 42 / 49 . A machadinha que toma conta da aldeia resolve as coisas.A história era assim: Os cantores ficam no pátio. Preparam-se para a corrida que terminará no pátio. sai um portador para convidar outras aldeias para participar da festa. do seu lado da aldeia. cantando. O menino Krahò recebe o nome geralmente de seu tio materno. A Machadinha sempre fica guardada. explicam para os mais novos que vão para o mato matar algum bicho e trazer para o rumo do torí(não índio) as coisas que mataram repartem. que se oferecem para recebe-las. especialmente preparadas para cada tipo de festa. Se pegam continuam na brincadeira. No final. Fazem dois grandes feixes de palha contendo os alimentos e colocam diante de suas casas. o paparuto. então vão dividir carne e correr para o rumo da aldeia. Colhem milho. Quando chega a noite começa a cantoria. se deixam cair. quando existe comida suficiente para alimentar todos que participarão dos rituais. uma menina aprende os cantos. Os grupos que correm representam os dois partidos. "Fica a noite toda na festa do maracá. Segundo o cacique a festa demora acontecer. o indivíduo passa a pertencer a certo grupo cerimonial e a certa metade dos muitos pares que existem na sociedade. Jogam as batatas nos rapazes. A cerimônia começa quando todos vão para o círculo maior. sobre os animais".era preciso se preservar para que os filhos sobrevivessem seus primeiros dias de vida com saúde. "Cortam as toras de buriti. recolhendo os alimentos nas roças do partido Wakme jê. o do sol nascente e o do sol poente. explicam as coisas. são seguidos por toda a comunidade. sabe as coisas antigas". limpam bem. se o bicho matar o indivíduo este. Cacique da aldeia Cachoeira Durante a festa correm com a tora que chamam de Jàtjõpi "tora da batata" que chega a pesar 120 quilos. Na aldeia é o cantor que usa a machadinha.Machadinha Sagrada" Eu falei das cerimônias e da força da nossa cultura." Dodani Krahò Festa do Milho .

A Aldeia Krahò Os Krahò quando falam de sua própria sociedade. A Casa Tradicional Krahò A forma das casas utilizadas pelos Krahò são muito parecidas com as casas dos moradores nãoíndios da região. que tem por vezes uma cobertura de quatro águas. fecha-se a porta com uma esteira encostada ou pendurada nela. Esperam até o dia amanhecer quando reúnem os dois partidos para carregar os feixes até o pátio. as famílias elementares de uma mesma casa. Do mesmo material são feitas as paredes.como unidade fundamental para as suas referências. desta forma. Diante das casas passa um caminho circular. porém. que constituem o grupo doméstico. como que anunciando aos outros membros do partido. às vezes. na parede dos fundos. Os homens ao se casarem. falta a parede da frente. o kricapé (onde kri = aldeia). geralmente as filhas morando atrás da casa das mães. dando para o quintal. Cada casa tem seu próprio caminho que a liga ao pátio. assim. voltada para o pátio da aldeia.parece ser esta a maneira original de fazerem as paredes. (MATTA. restando somente o novo círculo periférico com um perímetro maior. e estes caminhos radiais são iguais para todos. definindo-se como "índios de verdade" principalmente pelo formato circular de suas aldeias. também são descendentes dos Timbira. o que significa que "todos têm o mesmo peso social" (Matta op. com diâmetro maior. A esta parte da frente corresponde outra. A expansão das aldeias não é dada de forma linear. São mais comuns as casas com cobertura de duas águas e porta ao lado do esteio da cumeeira e se utilizam mais das folhas de piaçava para a cobertura de suas casas. feitas de folhas de babaçu ou inajá.e não as casas . A casa completa é fechada em todos os quatro lados. porém. as folhas são aplicadas em sentido vertical. mas sim um círculo de traçado irregular. A porta sempre é feita no lado maior. normalmente chamado de periferia. 1976) As aldeias Krahò são circulares e o círculo é formado porque todas as casas distam igualmente do pátio que se torna. o quer dizer que uma casa compõe-se de pelo menos duas famílias elementares. Esta disposição espacial das casas forma assim o círculo maior da aldeia. Com o passar do tempo as casas do antigo círculo tendem a desaparecer.) e que estão relacionados de um mesmo modo ao pátio. abrindo para trás. Nesta situação não a veríamos como um conjunto concêntrico de círculos de casas em torno de um pátio. encontrar-se aldeias pequenas (poucas casas) com diâmetro maior que algumas aldeias grandes. com casas mais distantes ou mais próximas do pátio. As casas são construídas pelos homens que nelas habitam. A planta é normalmente retangular. assim como os Krahò. centro das decisões políticas e de toda a vida ritual. o centro da aldeia. as novas famílias vão construindo atrás das casas das quais haviam desmembrado. É na periferia que têm lugar as atividades domésticas ligadas à produção e as casas aparecem como unidades fisicamente definidas e demarcadas.Caminham até os feixes de alimentos e voltam para o pátio. são ligadas pelos laços maternos. ao invés de ocorrências de cisões. as aldeias podem ampliar o círculo (aumentando o diâmetro das aldeias). A Casa Atual 43 / 49 . com um dos lados maiores formando a frente da casa. faz a mesma afirmação quando se refere aos Apinayé que. mãe e filhos) e o grupo doméstico. Quando o círculo periférico da aldeia já não suporta mais a construção de novas casas. As folhas de palmeira são aplicadas em posição horizontal. total ou parcialmente. Matta. Toda a amarração é feita com cipós. ou somente uma parte da casa forma uma espécie de quarto fechado. de ponta para baixo e com os folíolos em posição natural . Algumas vezes. A circunferência formada pelas casas não é proporcional ao seu número. Cantam com maracá e abrem os feixes dividindo todos os alimentos. destacam a aldeia . ou seja. cit. Nas casas não há janelas. mas são propriedade das mulheres. com os folíolos pendentes para um lado só. Ou então. devem residir na casa da mãe de sua esposa. Cada casa abriga os dois únicos grupos sociais da vida cotidiana: a família elementar (pai. Em momentos ou situações de grande acréscimo populacional e de estabilidade política. À noite e durante a ausência de todos os seus habitantes. já que as novas gerações teriam construído suas casa no círculo de trás e as da frente desapareceriam. Em outras épocas era comum uma aldeia com determinado número de casas e diâmetro ser construída em outro local com o mesmo número de casas.

Atualmente. do qual fazem cestas. (. mandioca e. mas logo algum casal da casa se instala na cozinha. algumas vezes separam um recinto destinado a ser cozinha de outro destinado a ser quarto. promulga a sua primeira Constituição. sob a proteção de Deus.C. representando a Comunidade Tocantinense. "gente importante". Encontra-se no interior da morada. É também bastante comum que as famílias construam atrás ou ao lado da casa de taipa ou adobe uma área com cobertura de palha que serve de cozinha.Procambix. refletindo as mudanças operadas com o advento da sua emancipação político-administrativa e fazendo-se instrumento de orientação do seu progresso. J.. Ação realizada por técnicos indígenas e não índios. cercadas por paredes de esteiras para as moças. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins. As matérias-primas usadas na confecção do artesanato são a palha de babaçu.) A casa indígena é geralmente sem divisões. utilizam a lavoura mecanizada. vivem da agricultura tradicional da "roça de toco". "indivíduo". mas não há nada de comum entre a divisão interna de uma casa e as demais.órgão do Estado responsável pela preservação ambiental. perto da cidade de Tocantínia.DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 44 / 49 . 1975) descreve: "Ocorre algumas vezes que a casa krahò tenha paredes internas. arroz. plantam milho. sementes nativas e o capim dourado. na Reservas Indígenas Xerente e Funil Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê. um para cada casal e camas a um metro e meio a dois metros de altura. Xerente Akwê. em pequena escala. bolsas. Símbolos do Estado A Bandeira CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS 1989 PREÂMBULO A Assembléia Estadual Constituinte. com liberdade. esteiras e adereços que são comercializados nas cidades próximas da reserva ou enviados para outros estados. jiraus baixos com esteiras de buriti. começa a cozinhar no quarto e a primitiva divisão se transforma". Título I .. funcionários do Programa de Compensação Ambiental Xerente .Atualmente os Krahò constroem suas casas de taipa ou mesmo de adobe ou tábuas de madeira fazendo uma divisão interna. Ritos de uma tribo Timbira. apoiados pela Funai e Naturatins . igualdade e fraternidade. uma parcela dos índios Xerentes trabalha como professores e em cargos administrativos estaduais e federais. Mellati (in: MELATTI. redes. utilizando a casa apenas para dormir.

Miracema do Tocantins. Art. contudo.. com uma ou mais cores.3 (dois e três décimos) módulos de raio. a derramar seus raios sobre o futuro do novo Estado. Institui a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro).São símbolos do Estado: a bandeira. III . SIQUEIRA CAMPOS Governador do Estado BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS Memorial Justificativo A palavra bandeira. não oferecendo o risco da contraposição. constituída de um desenho simples e despojado de filigranas. com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores. revogadas as disposições em contrário. que se hasteiam num pau. Art. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 094/89. 101º da República ano 1º do Estado do Tocantins. e é distintivo de uma nação. de amarelo ouro. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos.. Uma definição muito pobre do verbete. de 17 de novembro de 1989. Art. Por seu desenho simples e despojado de filigranas. Descrição Geométrica 45 / 49 . de fácil visualização e apreensão.. que parece denotar um impulso humano ao concreto e a necessidade inelidível de fixar em um símbolo a unidade de suas aspirações em uma ordem coletiva qualquer. às vezes com legenda. tem a seguinte definição: Pedaço de pano. pois a Bandeira. as armas e o selo estadual.. tal como o Brasão de Armas. 168º da Independência. que passam a fazer parte integrante desta Lei. colocado sobre uma barra branca. O projeto da Bandeira aqui representado traz a mensagem de uma terra onde o sol nasce para todos. etc. 17 de novembro de 1989. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. cores que expressam respectivamente o elemento água e o rico solo tocantinense. 3° .. o que determinam as regras de vexilologia. 3º .. do gótico BANDWA. representando todos esses valores de forma a mais harmônica possível sem ferir.. o hino. em anexo.Construção Modular). em branco. 2º . como consta do memorial justificativo e arte (I . II Cores Convencionais Heráldica. 2°. sinal.1 (nove e um décimo) módulos. § 1° . é uma das formas superiores da Heráldica. 1°. 1º . deve ser a síntese dos sonhos e ideais mais caros de seu povo. respectivamente.. a reverência ao seu passado. A Bandeira. segundo o Novo Dicionário Aurélio. símbolo da paz. entre os campos azul (blau) e amarelo (ouro). o sol. estandarte + eira . pois. não oferecendo o risco da tão indesejável contraposição... esta Bandeira será de fácil visualização e apreensão. elaborados por José Luiz Moura Pereira. corporação. A barra resultante dessa divisão. sendo o que poderíamos chamar de propaganda espiritual.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. como símbolo máximo a pairar sobre o novo Estado do Tocantins. partido. com catetos de 13 (treze) por 9. Art.A BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição geométrica: Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (catorze) de largura.Palmas é a Capital do Estado. com 4 (quatro) e 2. nas cores azul (blau) e amarelo (ouro).Representação Policromática. a confiança do seu presente e a esperança no seu futuro.Fica instituída a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS.Seção I .DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art.

LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. 1951. Ano 4 .Barcelona. . Presidência da República .Milano. · LANGHANS. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. SCHRICKEL. · FAYARD. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro) com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores com 4 (quatro) e 2. D. Brasão GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 092/89. · RIBEIRO. J. de 17 de novembro de 1989. A metade inferior. P. A barra resultante desta divisão. de Almeida. · V. (ver Anexo II Modular). Publicações Ltda. 1976. H. Editorial Êxito S. Ed. 1º . 1966. Clóvis.3 (dois e três décimos) módulos de raio.nº 11.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. Olímpio . Cria o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. F. S. GRAMÁTICA ARÁLDICA. em chefe de azul (blau). · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL.Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (quatorze) módulos de largura.1986. A. Legislação Federal 1968. ladeada nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). constituído de um escudo elíptico cortado. Paulo Editora Ltda. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. · O TOCANTINS. um listel de azul 46 / 49 . o termo ou campanha. Bibliografia · DI CROLLANZA. Enciclopédia Britânica do Brasil. na metade superior. HERÁLDICA . 1933. . LEX. Gabinete de Heráldica Corporativa . do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores limitado na linha divisória.Lisboa. · RUNES. D.Expressão e Cultura .. Sob o escudo. Gofredo. C.Fica instituído o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. Ulrico Hoelpi . Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos com catetos de 13 (treze) por 9 (nove) módulos nas cores azul (blau) e amarelo (ouro) respectivamente. em branco. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. uma asna de azul (blau). Paulo. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art.S.1972.

um listel com 1. como uma forma superior de Heráldica. cujo futuro se ergue promissor e fecundo. a coroa de louros que cingia a fronte dos heróis vitoriosos.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. Sob o escudo um listel de azul (blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data de sua criação 1º de janeiro de 1989 em letras brancas. fonte perene de riquezas e de recursos hidroenergéticos. uma grandeza que surge.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. com 8 (oito) módulos de largura. uma estrela de amarelo ouro.(blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data 1º de JAN 1989 em letras brancas.em letras brancas sobre listel de azul (blau). criados por José Luiz de Moura Pereira. Sobre a estrela. A asna em azul (blau) cor falante do elemento água. 17 de novembro de 1989. representativa da condição do Estado do Tocantins. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. Escolhemos a forma elíptica para o escudo. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa CO YVY ORE RETAMA em letras de 0. dentro de uma bordadura de 1. presentes na Bandeira adotada e já consagrada pelo gosto popular e lembram respectivamente a opulência do rico solo tocantinense e também a paz que à mercê de Deus.5 ( um e meio) módulo. aí introduzidos em substituição aos metais e prata. 3º . Art. em anexo. a reverência do seu passado. deve ser a síntese dos ideais mais caros do seu povo. encimada pela divisa em Tupi CO YVY ORE RETAMA .5 (meio) módulo de altura. Sob o escudo. como uma das unidades da Federação Brasileira sob a divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" .25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. II . carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. Art. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). uma afirmação no seu presente e uma mensagem de otimismo para as gerações do futuro. Em timbre. uma vez que existem inúmeros precedentes tanto na Heráldica nacional quanto na universal. não constituem nenhuma violação aos cânones da arte da armaria. em sinople (verde) como justa homenagem e reconhecimento ao valor dos tocantinenses cujo esforço e determinação transformaram aquele sonho tão longínquo na mais viva realidade. por ser esta a que melhor se coaduna com a alegoria nele representado: o sol de amarelo (ouro) do qual se vê apenas a metade despontando no horizonte contra o azul (blau) do firmamento . uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. por seu caráter simbólico. O Brasão de Armas.Cores Convencionais Heráldicas. aí reinará. como expressão máxima de sua identidade entre os demais estados da Federação Brasileira. a contar do centro para baixo. 2º .Representação Policromática.ESTA TERRA É NOSSA . 101° da República e Ano 1° da Estado do Tocantins. mas tão somente a repetição das cores. com a inscrição Estado do Tocantins em letras de 1 (um) módulo e a data 1º de JAN 1989 com 0.5 (três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. No projeto que ora apresentamos. revogadas as disposições em contrário. e em termo ou campanha com uma asna a 45º (quarenta e cinco graus) com largura de 1. com bordadura de azul (blau). COMO CONSTA DO Memorial Justificativo e arte (I . respectivamente. III Construção Modular). Em timbre uma estrela de amarelo ouro. com bordadura de azul (blau).imagem idealizada ainda nos primórdios da história do novo Estado quando sua emancipação mais parecia um sonho distante e inatingível e simboliza o estado nascente. 168° da Independência. surgiu a necessidade de fixar em um símbolo a unidade das aspirações do seu povo.O BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição modular: Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). procuramos ressaltar esses valores de forma a mais harmônica possível dentro do que determinam as regras da Heráldica. Em timbre. Brasão de armas 47 / 49 . representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins. Os campos em amarelo (ouro) o branco.ESTA TERRA É NOSSA .em letras brancas sobre listel azul (blau).5 (meio) módulo de altura. que passam a fazer parte integrante desta Lei. Como suporte. Miracema do Tocantins. SIQUEIRA CAMPOS Governador Memorial Justificativo Com a divisão do Estado de Goiás e a conseqüente criação.

Hino Estadual O sonho secular já se realizou Mais um astro brilha dos céus aos confins Este povo forte Do sofrido Norte Teve melhor sorte Nasce Tocantins [ESTRIBRILHO] 48 / 49 . com 8 (oito) módulos de largura. A.Milano. GRAMÁTICA ARÁLDICA. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. Bibliografia · DI CROLLANZA.Escudo elíptico cortado. Legislação Federal 1968.Expressão e Cultura .Lisboa. Publicações Ltda. na metade superior. Em timbre uma estrela de amarelo ouro.1972. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa "CO YVY ORE RETAMA" em letras de 0. Descrição modular Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). P. J. Olímpio . · RIBEIRO. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX.S. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. D. · FAYARD. Presidência da República . Gabinete de Heráldica Corporativa . H. Ano 4 . em chefe de azul (blau). (ver memorial). Editorial Êxito S. listel com 1. · O TOCANTINS. limitado na linha divisória. .. 1951. encimada pela divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" em letras sobre listel de azul (blau). · RUNES. Em timbre.nº 11. Sob o escudo.5 ( três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. HERÁLDICA . de Almeida. Gofredo. listel de azul (blau) com a inscrição "Estado do Tocantins" e a data "1º de janeiro de 1989" em letras brancas. Enciclopédia Britânica do Brasil. termo ou campanha. Sobre a estrela. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. F. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. e em termo ou campanha com uma asna a 45º ( quarenta e cinco graus) com largura de 1. Ed. Sob o escudo. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. · V. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. SCHRICKEL. uma asna de azul (blau).8 (um e oito décimos) de módulo de largura.5 (meio) módulo de altura. .CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. Paulo Editora Ltda.Barcelona. C. respectivamente.1986. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. Paulo. ladeado nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). 1933. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. A metade inferior. com bordadura de azul. com a inscrição "Estado do Tocantins" em letras de 1 (um) módulo e a data "1º de janeiro de 1989" com 0. 1976. Clóvis. D.5 ( um e meio) módulo. S. Ulrico Hoelpi . dentro de uma bordadura de 1.5 (meio) módulo de altura. a contar do centro para baixo. 1966. LEX. · LANGHANS.

se preciso! [ESTRIBRILHO] Pulsa no peito o orgulho da luta de Palma Feita com a alma que a beleza irradia. Simples. contempla o futuro Caminha seguro. És o Tocantins! Do bravo Ouvidor a saga não parou Contra a oligarquia o povo se revoltou.Levanta altaneiro. persegue os teus fins Por tua beleza. Tua rica história Guardo na memória. tua imensidão Teu belo Araguaia lembra o paraíso. Somos brava gente. Vejo tua gente. Que venceu um dia! Letra: Liberato Póvoa Música: Abiezer Alves da Rocha 49 / 49 . [ESTRIBRILHO] De Segurado a Siqueira o ideal seguiu Contra tudo e contra todos firme e forte Contra a tirania Da oligarquia. Tua alma xerente. Sem medo e temor. Povo consciente. Teu povo valente. tuas matas. O povo queria Libertar o Norte! [ESTRIBRILHO] Teus rios. por tuas riquezas. Pela tua Glória Morro. mas valente.