Emancipação

O Estado do Tocantins foi criado no dia 5 de outubro de 1988, com a promulgação da oitava Constituição Brasileira. A conquista foi resultado de uma luta que começou no século XIX e culminou com um projeto de lei do então deputado federal José Wilson Siqueira Campos, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1985, após ter sido vetado em duas ocasiões pelo presidente da República, José Sarney, que considerava o plano oneroso e desprovido de interesse público. A luta pela autonomia do Estado sempre foi um desejo antigo do povo do então norte de Goiás. Já em 1821, o desembargador Joaquim Theotônio Segurado rebelara-se contra o isolamento imposto na região, proclamando o Governo Autônomo do Tocantins. Apesar da pouca duração desse governo, a iniciativa serviu para espalhar o sentimento separatista entre a população. Mais tarde, em 1920, a divisão entre o norte e o sul de Goiás foi novamente defendida por José Pires do Rio, ministro da Viação e Obras Públicas do presidente Rodrigues Alves. A idéia foi bem recebida, mas não se materializou. A luta recente pela emancipação do Tocantins foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília (DF). Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia a Região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Porto Nacional, Tocantinópolis, Natividade e outras localidades. Para dar ênfase à prioridade da emancipação, Siqueira Campos submete-se a uma greve de fome, determinado a ir às últimas conseqüências. Como resposta, ele conseguiu a aprovação quase unânime no Congresso Nacional. A Capital Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte, e a cidade escolhida foi Miracema do Tocantins. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o legislativo e o executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro Governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice, o juiz federal aposentado Darci Coelho. A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes executivo, legislativo e judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do País em busca de oportunidades. Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com uma população que ultrapassa 150 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no País.

Geografia
O Estado do Tocantins está localizado no Centro Geodésico do Brasil, e possui uma área de 278.420,7 Km2. Com uma população de 1.157.098 (IBGE 2000), o Estado faz divisa com seis Estados: Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Por estar em uma área de transição, apresenta características climáticas e físicas tanto da Amazônia Legal quanto na zona central do Brasil, com duas estações: seca e chuvosa. O clima é tropical e a vegetação predominante é o cerrado, que cobre 87,8% da área total do Estado. O restante é ocupado por florestas. O relevo tocantinense é formado por depressões na maior parte do território, planaltos a Sul e Nordeste, e planícies na região central. O ponto mais elevado é a Serra Traíras (1.340 metros). O Tocantins é dono de muitas belezas naturais, entre elas a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na região sudoeste do Estado, onde também estão o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Nacional Indígena. 1 / 49

A maior bacia hidrográfica totalmente brasileira também está localizada no Estado - a bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Manuel Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.

História
Apresentação "O que será toda essa riquíssima região no dia em que tiver transporte fácil pelo rio, ou uma boa rodovia ligando todos esses núcleos de civilização. E sonhamos... com as linhas aéreas sobrevoando o Tocantins, vindo ter a ele ou dele saindo para os diversos quadrantes. As rodovias chegando a Palma, a Porto Nacional, a Pedro Afonso, a Carolina, a Imperatriz, vindos de beira mar! O tráfego imenso que a rodovia Belém do Pará - Imperatriz - Palma teria, se aberta ! (...) E pensamos: quantas gerações passarão antes que este sonho se realize! (...) mas tudo vem a seu tempo!" (Lysias Rodrigues) Já sonhava Lysias Rodrigues na década de quarenta quando defendia a criação do território do Tocantins. E o tempo chegou ! Foi criado pela Constituição de 1988 o Estado do Tocantins. Sua capital não é a Palma de que fala Lysias mas é Palmas em homenagem a esta, a vila da Palma, antiga sede da Comarca do Norte. E as rodovias e linhas aéreas já vêm e saem do Tocantins "para diversos quadrantes". Muitas gerações compartilharam o sonho de ver o norte de Goiás independente. Esse sentimento separatista tinha justificativas históricas. Os nortistas reclamavam da situação de abandono, exploração econômica e descaso administrativo e não acreditavam no desenvolvimento da região sem o seu desligamento do sul.

O norte de Goiás
O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins. Segundo Parente (1999) esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente norte de Goiás foi denominativo atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico essa denominação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores que "em quinze anos abrem caminhos e estradas, vasculham rios e montanhas, desviam correntes, desmatam e limpam regiões inteiras, rechaçam os índios e exploram, habitam e povoam uma área imensa...." (PALACIN, 1979, p. 30). Descoberto o ouro a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concretizando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, 1999,p.96).

A economia do ouro 2 / 49

"(...) descobrimento, um período de expansão febril, caracterizado pela pressa e semi - anarquia; depois, um breve, mas brilhante, período de apogeu, e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência, prolongada, às vezes, como uma lenta agonia. Tal é o ciclo do ouro"(PALACIN).

As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação, segundo Palacin (1979), da bandeira do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva (filho do primeiro Anhanguera que esteve com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O Rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto que "segundo ordenação do reino este era uma decorrência do domínio real sobre todo o subsolo (...) o rei (...) não querendo realizar a exploração diretamente cedia a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal fundido e apurado a salvo de todos os gastos" (PALACIN, 1979, p. 46).

O controle das minas
Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi "fiscalizado e vexado". E o fisco, insaciável na arrecadação. "Só havia uma indústria livre: a mineração", concluiu Alencastre (1979, p.18), "(...) mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de registros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao quinto (...) ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de contrabando (...)". À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabava ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

A decadência da produção
A produção do ouro goiano teve nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas (17261735) o seu apogeu, foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resultando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, nesse momento, a produção começou a cair "é possível afirmar que essa queda da produtividade está mascarada pelo incremento do contrabando - principalmente nessa região que, infelizmente é impossível mensurar"(PARENTE, 1999, p.42). De 1752 a 1778 a arrecadação chegou a um nível mais alto, é o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras que compensava e excedia a redução de produtividade. As distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e os perigos dos ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante "por não arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de sua manutenção" (PARENTE, 1999, p. 51). A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e a vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi a organização de bandeiras para tentar novos descobrimentos. Segundo Póvoa (1999) tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-

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se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante. A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia, Goiás) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição, chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível "arrastando consigo os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação e do comércio externo, menos rendimentos dos impostos, diminuição da mão-de-obra por estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural" (PALACIN, 1979, p.133). Toda a capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapitalizados. Não investiu em técnicas mais sofisticadas para a exploração do ouro nem resolveu o problema da falta de escravos. A avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais o ouro ia sendo abandonado. "Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, nada nos legaram em benefícios de civilidade, a não ser o expansionismo geográfico", concluiu Silva (1997, p. 41). Cada vez se adentrava mais para o interior procurando o ouro aluvional, mas as buscas foram em vão. Foi no norte da capitania que a crise foi mais profunda. Parente (1999) aponta os fatores determinantes. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agro-pecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas e o risco freqüente de ataques indígenas dificultavam o comércio. Além destas dificuldades o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania. "Para facilitar e agilizar a cobrança desses tributos, a capitania de Goiás se dividia em duas (sul e norte), no momento de se repassarem as rendas, essa divisão não valia, o que beneficiava os arraiais mais próximos da sede do governo, localizados no sul, que faziam parte dos povoamentos nas rotas comerciais com as outras capitanias" (PARENTE, 1999, p.92). Isso explica por quê essa renda não ficava na região de origem. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital e o atrofiamento do mercado interno, findo o ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise levando, diante desse quadro, os governantes goianos voltarem "suas atenções para as atividades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara" (PARENTE, 1999, p. 93).

A Subsistência da população e a integração econômica
"Realizada a transmutação, por toda a geografia de Goiás na segunda década do século XIX, encontram-se carcaças de antigas povoações mineiras outroras cheias de vida, o capim cresce nas ruas, a maior parte das casas abandonadas por seus habitantes se desmancham e até as igrejas, a começar por suas torres, vão caindo aos pedaços (...) O norte, sobretudo, foi mais de século em recuperar-se" (PALACIN). Finda a mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros essenciais (PALACIN, 1989, p.46).

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cachoeiras e corredeiras . a formação de sociedades mercantis e a instalação da navegação a vapor no Araguaia não foram suficientes para viabilizar a comunicação dos julgados do sul com o Pará. Mas. sob a direção de padres capuchinos. Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral.as tropas de animais . e. naquele momento para essas vias de comunicação constituía-se numa necessidade premente da Capitania por não ser mais possível manter gastos com o único meio de transporte utilizado até então . através da capitania do Pará. os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos.) A Capitania nada exportava."é um lugar muito pequeno. vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas. No norte o quadro de abandono. o tempo gasto nas viagens e o perigo dos ataques indígenas. nem o aldeamento dos índios. a carência de mão-de-obra para a navegação das embarcações. 1998. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio.tanto provincial quanto imperial investiu no sentido de explorar a navegação com fins comerciais. 5 / 49 . Pedro Afonso e Araguacema (antiga Santa Maria do Araguaia). saíam por um preço três vezes menor do que os julgados do sul pagavam às importações oriundas de São Paulo. tornando possível utilizá-los como tripulação dos barcos que desciam rumo ao Pará" (ROCHA. diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia. O isolamento. nem mesmo um único boi". os núcleos iniciais de cidades como Tocantínia (antiga Piabanha). em visível decadência . ainda que de forma precária e inexpressiva. p. o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa. 1999. daí as execuções.39). a falta de suporte para as mesmas. no norte. da agricultura. Como efeito imediato o norte começou a se relacionar com o Pará. Contudo. Na linha do rio Tocantins não obtiveram sucesso no seu intento. visto que.. Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins. Além dos entraves naturais do próprio rio . Esses aldeamentos foram mais promissores na medida em que constituíram.. Minas Gerais e São Paulo. as dificuldades de administração e os ataques indígenas foram os principais empecilhos. a Coroa portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento. nenhum viajante. promoviam a fixação dos índios.) as importações de sal. Também buscaram atrair a população não-índia para as terras próximas a esses rios através da isenção fiscal por dez anos aos lavradores que ali se estabelecessem. O Desembargador Theotônio Segurado. os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia. pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela região nas primeiras décadas do século XIX. passando pelo povoado de Santa Rita constatou . todos interditados na época da mineração para conter o contrabando. em relatório de 1806.39).. Nas primeiras décadas do século XIX.somavam-se os custos das viagens. concessão de privilégios na exportação para o Pará..Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica. O governo imperial instalou na Província presídios e colônias militares e estabeleceu aldeamentos ao longo dos rios Araguaia e do Tocantins. p59).55). foram liberados desde 1782. Minas Gerais e Rio de Janeiro" (CAVALCANTE. 1999. as lavras de ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas". só a partir dos anos 40 do século XIX que o poder público . Os esforços governamentais se concentraram principalmente no rio Araguaia na intenção de trazer também para os julgados do sul as vantagens do comércio com o Pará. através dos rios Araguaia e Tocantins (CAVALCANTE. o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem. Johann Emanuel Pohl.)Agora por não haver negros. aos comerciantes. anos depois.. "Os aldeamentos. da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes. "Os presídios incumbiam-se de afastar os índios hostis. por falta de braços. chegavam caríssimos. As picadas. que mais tarde tornaria ouvidor da Comarca do Norte. via Bahia e Pará. Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará. despovoamento. Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi Ouvidor da Comarca do norte. ferro e manufaturas. prover os navegantes de víveres e garantir apoio logístico à navegação". o Desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania.. daí a total ruína da Capitania". pela navegação fluvial dos rios Tocantins e Araguaia. 1999. Saint-Hilaire na divisa norte/sul da Capitania revelou: "À exceção de uma casinha que me pareceu abandonada. o estímulo à agricultura.devido á baixa produtividade das minas" (CAVALCANTE. deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da falta de meios para contrapor esse quadro: "(. p.. "Voltar as atenções. p. Diante dessa situação. não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade.. não vi o menor trato de terra cultivada. embora cercada de imensos obstáculos. A navegação do Tocantins prosseguiu. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins.(. " (.

ainda. canoas. pimenta-do-reino.. rumo a praça de Belém. ou permaneciam na tradição familiar com a criação de gado. Porto Nacional. desenvolveu-se a pequena lavoura para complemento alimentar. Entrepostos comerciais. 6 / 49 . Pedro Afonso. não foi exclusiva. sal. as fazendas de gado já estavam consolidadas e revelaram um novo tipo de sociedade onde a criação de gado. São Pedro de Alcântara (Carolina-Ma) e Boa Vista (Tocantinópolis). constituídos de vaqueiros. a segunda. Silvanópolis. "As pastagens naturais. p. couro de boi. Paralelamente. A agricultura não alcançou um nível de produção comercial por fatores ponderáveis como o isolamento geográfico em relação aos grandes centros produtores. se desenvolveram e alcançaram autonomia e maior expressão na região. Os vaqueiros. o incentivo geral da Coroa na concessão de sesmarias mais extensas aos interessados na atividade pecuária (. Duas foram as razões: `(. as dificuldades dos meios de transportes e de comunicação. algodão. originaram-se os núcleos urbanos.. o indispensável para o consumo e para a aquisição de alguns produtos básicos de importação como sal. No final do século XIX. proporcionando um surto de desenvolvimento em vilas e povoados. portanto. Ponte Alta do Bom Jesus. No século XX. pólvora. então. ela foi de vital importância para a economia do norte na medida em que integrou o sertão ao mercado de Belém.. constantemente.19). Sob o estímulo da pecuária surgiram agrupamentos humanos ruralizados. 1999. medicamentos diversos. Araguatins. Nas próprias fazendas. o gado também abriu caminhos para o interior do sertão. A pecuária praticamente determinou o processo de ocupação econômica da região nos séculos XIX e XX. ferro e produtos do reino. de onde eram redistribuídas as mercadorias importadas de Belém e repassados os produtos sertanejos.. Da conjugação das várias fazendas. rapadura. ao longo do século XIX. sustentada pela perseverança dos comerciantes do norte. cabras e ovelhas. Já no final do século XVIII e por todo o século XIX multiplicaramse as fazendas de gado no norte. Além de gado. Salvador. Alguns fazendeiros dividiam seu trabalho entre o campo e a cidade.Obstáculos que o poder público não conseguiu transpor como também não conseguiu suprir a ausência de um produto exportável que mantivesse a região vinculada à metrópole ou mesmo às outras Províncias mais desenvolvidas economicamente. transformaram-se em prósperas vilas como Porto Imperial (atual Porto Nacional). em razão do declínio da exploração aurífera ter sido mais rápido na região e. cravo-da-índia. Tocantinópolis e Nazaré são exemplos de cidades do estado do Tocantins que nasceram de currais de gado. Se não atendeu aos propósitos de soerguer economicamente toda a região. Rio de Janeiro. vinham as manufaturas. Plantava-se. praticada de forma extensiva.) a proximidade do norte e nordeste de Goiás ao litoral norte e nordeste e. botões. intercalavam seu trabalho no campo com a atividade de barqueiro no rio Tocantins. cachaça. cana-de-açúcar. Sesmarias eram lotes de terra cedidos pela Coroa portuguesa. mais tarde. açúcar grosso. a inexistência de mercados consumidores e as constantes ameaças de ataques da população indígena. A navegação prosseguiu. ervas. onde residiam e estabeleciam comércio onde vendiam querosene. tornaram-se forte atrativo aos criadores de gado do Maranhão e Piauí que. De lá. etc. batelões e.. criavam porcos. Os filhos dos fazendeiros ricos ou iam estudar em Carolina. fumo em rolo. saíam botes. Lizarda. peles silvestres e carne seca. novelo de linha. Eram vaqueiros e remeiros. A caça e a pesca também eram atividades subsidiárias. criadores e tropeiros. barcos motorizados carregados de mercadorias como fumo. A pecuária. etc. ao norte.) ´"(CAVALCANTE. predominou. apesar de dominante. Taguatinga.

como fonte de renda. Ainda se 7 / 49 . tiveram sua origem ou se desenvolveram. O extrativismo. Nos anos 20. no início do século XX. não foi suficiente para superar a debilidade dessa relação inter-regional devido ao desequilíbrio existente na estrutura viária do estado. 1999. visto que. tinha ficado ainda mais debilitado depois da construção da ferrovia no sudeste goiano. A rodovia promoveu uma nova rearticulação do comércio inter-regional que. Colinas e Araguaína. O charque . porém. Esse comércio foi feito inicialmente por via fluvial e continuou por via aérea. alargando a distância das relações entre o norte e o sul de Goiás.75). Itacajá e outros. Pará e Bahia. com a construção da rodovia Br-153 ou Belém-Brasília ligando o Planalto Central à Belém do Pará. todas localizadas à margem esquerda do rio Tocantins. Guaraí.O intercâmbio comercial dessa região era maior com as praças de Belém. Em Araguatins. Anapólis. centralizando os negócios do Médio Araguaia e Tocantins com a praça de Salvador. "Há informação de que até 1983 alguns municípios do norte de Goiás. perde para a pacata vila de Pedro Afonso que com o látex da mangabeira (caucho) assume a liderança de empório do sertão. se tornou o novo centro abastecedor do norte goiano. Tocantínia-Pedro Afonso-Carolina. Paraíso. naquele momento. Nas décadas de 1940 e 1950. Os investimentos federais ou estaduais . As linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado. o caucho e o cristal. essa atividade continuou movimentando a economia regional e trouxe surto de prosperidade para algumas povoações. Só a rodovia. p. Miranorte. Pium. esta região se relacionava basicamente com o Maranhão. ficaram praticamente ilhados. 1997.carne das partes dianteiras do boi. a instalação de charqueadas incrementou o comércio de Pedro Afonso e Araguacema com o Pará. até o final da década de 1950. p. salgada e dobrada em forma de manta . o babaçu e o mogno aqueceram o comércio da região. látex de mangabeira (Belém e Bahia) e gado em pé (Bahia e Piauí). provocando um redirecionamento do comércio.43). Essa situação obrigou o Banco do Brasil a recusar. se praticamente inexistia. Na década de 1960. possuía a maior frota de barcos e era o maior centro urbano de todo o norte goiano na metade do século XIX. A construção da estrada-de-ferro integrou economicamente o centro-sul de Goiás ao centro-sul do país. pólo industrial do Estado de Goiás. No norte goiano. 1997. Boa Vista. a ocupação econômica do extremo norte e do Médio Tocantins foi sustentada pelo extrativismo mineral e vegetal: o babaçu. Maranhão. como Goiatins. Com a BR-153 essa situação foi amenizada. a Belém-Brasília provocou muitas alterações na economia local. Eram vendidos couros de boi e peles silvestres (Pará e Maranhão). Arapoema e Xambioá foram favorecidas com a exploração do quartzo (cristal de rocha) que ganhou mercado com a Segunda Guerra Mundial. na Bahia (SILVA. p. atual Tocantinópolis. pedidos de financiamento agrícola sob a alegação de que as safras não seriam escoadas" (CAVALCANTE. Nesse mesmo período. de Corumbá de Goiás.era vendido para a praça de Belém. Piauí e Bahia. 89). Carolina-TocantinópolisBelém foram desativadas.nessa área eram destinados principalmente a promover a integração do centro sul de Goiás com o centro sul do país. Por outro lado. Cristalândia. As transações eram feitas a dinheiro ou à base de permuta (SILVA. O sal vinha de Mossoró (RN) via Barreiras e o café. 30 e 40 do século XX. No século XX. declina a navegação mercantil. fez parte de uma época áurea na história desses municípios. Cidades como Gurupi. com a construção da Br-153. as povoações situadas à margem direita do rio ficaram isoladas da nova rota de desenvolvimento.

a pecuária foi consolidada como atividade econômica básica e.com seus 80 subprodutos. passou a predominar as raças gir e nelore. Em relação a estrutura fundiária. o que permitiu que a partir da década de 1970. em detrimento dos tradicionais milho e feijão. Mas as estradas de rodagem já se expandiam oferecendo uma opção de tráfego mais fácil e viável. vai dando espaço ao desenvolvimento da SUDAM. da Comissão de Estudos e Obras dos Rios Tocantins e Araguaia .Brasília onde "a pata de boi invade os babaçuais que passam a ser vítimas das queimadas..pagamento em ouro em pó sobre a produção . no lugar do gado vacum pé duro. como óleo comestível ou industrial. p. com a expansão da modernização e a incorporação de novas áreas. a arrecadação de impostos era inferior. através do rio Araguaia e Itaguatins. a cobrança do quinto . Como conseqüência desse processo houve a desapropriação dos antigos moradores locais pelos grandes proprietários desencadeando graves conflitos sociais. Já a persistência de métodos tradicionais na produção e nas relações de trabalho diante do novo demonstrava a heterogeneidade dessa expansão. A Primeira Cisão . todavia.CIVAT. Ainda assim. A Belém-Brasília "ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira de desenvolvimento" (SILVA. borra. Com o fim da política de investimentos e de crédito do governo federal. carvão ativado. continua a fazer parte do cotidiano de algumas cidades. 1997. constituía-se num desafio para o futuro Estado do Tocantins. com o Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia Araguaia . o novo modelo de desenvolvimento possibilitou a concentração de terras com a formação de latifúndios voltados para a pecuária. por exemplo.CEORTA e.94). do rio Tocantins. mais tarde. O governo federal criou programas dirigidos principalmente à Amazônia. as minas localizadas ao norte da capitania de Goiás eram consideradas mais ricas do que as do centro-sul. em proporção muito menor. Araguatins.1736 Na época da mineração. A polarização de recursos em pontos diferenciados acentuou o desequilíbrio regional. álcool. Nas décadas de 1970 e 1980 na região norte de Goiás configurou-se uma nova paisagem marcada pela descontinuidade e heterogeneidade da expansão modernizadora. 1997.Tocantins (PRODIAT). Isso ocorreu principalmente no espaço que compreende o rio Araguaia e a Belém . objetivando a exportação de arroz e soja. a consolidação da integração econômica. a navegação fluvial como meio de subsistência." (SILVA. E o babaçu . iniciando uma nova fase de modernização no processo de ocupação e causando impactos na organização da produção e na estrutura fundiária da região. As pastagens naturais e a vegetação nativa cederam espaço para o plantio de novos pastos.93). ainda preservam um intercâmbio comercial e cultural com o Pará e Maranhão.. p. torta para ração animal etc.foi substituída pela capitação que passou a cobrar uma taxa de imposto sobre cada escravo utilizado. a agricultura foi reorientada. Por isso. Quanto à produção. acrescido de uma 8 / 49 . mas também difundidos em 60 municípios do norte goiano. o norte de Goiás se tornasse alvo para investimentos governamentais com o objetivo de incorporar a região ao mercado nacional como produtora de bens exportáveis.tentou reativar a navegação dos rios Araguaia e Tocantins com a criação da Companhia Interestadual dos Vales Araguaia e Tocantins .o boi vegetal . Um exemplo concreto desse fenômeno foi a posição privilegiada que o município de Araguaína conseguiu em relação aos demais com o recebimento de mais recursos.

nunca de toda reparada. p. houve uma denúncia sobre o golpe e. Contudo. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. Arraias. Ficaram dois anos sem pagar e só voltaram em igualdade de condições com as outras regiões. 1999.52). Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras.1821 a 1824 A Revolução do Porto no ano de 1820. Tal situação alimentou o sentimento de desligamento regional que mais tarde iria se evidenciar como "algo natural. segundo Palacin. na consciência de unidade do território de Goiás" (PALACIN. essas idéias liberais refletiram na tentativa de derrubar "aquele que era a própria personificação da dominação portuguesa": o capitão-general Manoel Sampaio. foi aclamada no norte onde já havia anseios separatistas. Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados. O ouvidor Theotônio Segurado. O arraial do Carmo que já tinha sido cabeça de julgado perde essa condição que foi transferida para Porto Real.sobretaxa para as minas do norte. Conceição. não hesitou em reivindicar legalmente autonomia político administrativa dessa região" (CAVALCANTE. Essa diferenciação fiscal teve como justificativa o alto índice de contrabando na região em função do seu isolamento. mas nunca chegou a ser construída. A idéia da nomeação de um governo provisório. principalmente. como o capitão Cardoso. p. A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila comarca. Cavalcante. O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a 9 / 49 . 1979. Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. Mais uma vez Sampaio impôs sua autoridade e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. em Portugal. Luiz Bartolomeu Marques. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. 1999. A Criação da Comarca do Norte . por ser a data da criação da Comarca do Norte. São Félix. que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias. A Comarca do Norte recebeu a denominação de Comarca de São João das Duas Barras. exigindo a recolonização do Brasil mobilizou. assim como chamaria a vila que. o Ouvidor e o povo do norte solicitaram a D. José Cardoso de Mendonça. 1999. O Pe. No lugar escolhido por Segurado. hoje a cidade de Paranã. especificamente no litoral. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. Contra essa discriminação se levantaram os mineiros do norte ameaçando desligarem-se da Superintendência do centro-sul e ligar-se ao Maranhão. conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará. ponto que começava a prosperar com a navegação do Tocantins. administrador da comarca do norte. Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821. A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real. p.50). e o Pe. Em Goiás. o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a comarca do sul e a comarca do norte. na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. Para nela servir foi nomeado o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado como o seu Ouvidor. O 18 de março foi. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo. a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. o Alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã. Natividade. causou "a primeira cisão. enviado para a aldeia de Formiga e Duro.1809 Para facilitar a administração à aplicação da justiça e. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos interesses regionais e. incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia.54). O Movimento Separatista do Norte de Goiás . Natividade teria a sede da ouvidoria. Traíras e Flores. em seguida. aqui na colônia. oficialmente. p. estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado. a vila de Palma. geográfico e histórico" (CAVALCANTE. sob a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do Pe. O Pe. foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes.50). "tão logo se mostrou oportuno. considerado o Dia da Autonomia pela Lei nº 960 de 17 de março de 1998. Este episódio deixava evidente o caráter esporádico das relações entre o norte e o sul que só existia "em função de atos administrativos isolados com finalidades meramente fiscais ou jurídicas" (CAVALCANTE. A atitude dos mineiros. depois de fracassada na capital. caso o governo insistisse na cobrança de um imposto que consideravam injustas. Alguns vieram para o norte. Marques recebeu ordens para se manter afastado da capital.

. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. e tenhamos segurança pessoal. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos. Eles continuam na escravidão. ou por ser 10 / 49 . onde reside interinamente o governo provisório. S. para Segurado. Depois de reunidos todos os deputados. E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. mas deu vivas a D. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. No dia 14 de setembro. eis os empenhos para os cargos públicos. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. com capital provisória em Cavalcante. p. No dia 14 de setembro. . da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado.Proclamação. aço e ferramentas ficam abolidas.. cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Teotônio Segurado (. 1979. e nela residirá o governo. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. ferro. O Ouvidor da Comarca do Norte. política. Theotônio Segurado. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo. 1979. Saídas de gados. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa.) mas este.independência do Brasil. ou por mal delineado. da carência de uma força política representativa e da necessidade de um governo mais centralizado. instalou-se o governo independencista do norte.. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. Francisco Joaquim Coelho de Matos "(. se decidirá qual deve ser a capital. O Ouvidor da Comarca do Norte. administrativa e geográfica.. p. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. ou por mal delineado. 1979. mas deu vivas a D. política. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante. para Segurado. de natureza econômica. "No dia seguinte. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo. papel selado. Para este fim contavam com o vigário de Cavalcante. ou por sermos os únicos que os pagamos. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. instalou-se o governo independencista do norte. um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio. banco. décima. .358). não tendo bastante prestígio e influência. João VI e às cortes de Lisboa" (ALENCASTRE.358). a virtude e a ciência. reclamava da falta de assistência da administração pública na região que só se fazia presente na oneração de tributos.)" (ALENCASTRE. . As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. ou por ser rebatido por força superior. os arraiais de São José.. todas as províncias do Brasil nos têm dado este exemplo.Proclamação.358). ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. Palmenses! Sejamos livres. Esses deputados devem ser eleitos. administrativa e geográfica. Alegava que as demais províncias já haviam destituído seus capitães generais. de natureza econômica. com capital provisória em Cavalcante. presidiu e estabeleceu essa Junta provisória até janeiro de 1822. Theotônio Segurado. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram. "No dia seguinte. os nossos irmãos de Goiás fizeram um esforço infrutífero. p. o governo provisório da comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se desquitado do jugo despótico do governo.Habitantes da comarca da Palma! É tempo de sacudir o jugo de um governo despótico. Domingos. entrada de sal.

Palmas. Os soldados que quizerem sentar praça de infantaria vencerão cinco oitavas por mês. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista.parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado. a virtude e a ciência. contribuíram 11 / 49 . A crise se instalara dividindo e enfraquecendo o governo do norte. nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da maioria dos arraiais conseguiu se firmar. e na cavalaria seis e meia. mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul . com o Brasil já independente. 1999. "A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a Junta havia ficado acéfala. instalado em Cavalcante. Foi mandado à Corte um deputado para comunicar o governo central da decisão tomada. S. o seu afastamento da liderança do movimento por ter viajado a Lisboa (. Manoel Antônio de Moura Teles. chegou à região não encontrou nenhuma resistência organizada que viesse a se tornar obstáculo à realização de seu objetivo. O Capitão Felipe Antônio Cardoso. Com o seu afastamento em janeiro de 1822. onde reside interinamente o governo provisório. e nela residirá o governo. Fleury também conseguiu a dissolução do maior foco de oposição contra a unidade política . Palmense. Presidente Joaquim Theotônio Segurado. e dirigirem-se imediatamente a Cavalcante.foi enviado para Cavalcante a fim de garantir a consolidação da recém conquistada unidade política. Em outubro de 1821. Finalmente em 1823. as dificuldades de natureza econômica e financeira.358-359). foi sua primeira demonstração de força. Para entender a impossibilidade de sustentar o governo provisório do norte"é relevante não a posição antiindependencista de Theotônio Segurado mas sim. quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte agravou a crise interna. Saídas de gados. o pulso forte de Luís Camargo Fleury e o não reconhecimento por parte de D. As divergências internas em relação à hegemonia política da região. Luiz Pereira de Lemos e Joaquim Rodrigues Pereira (ALENCASTRE. o Brigadeiro Cunha Matos . Um novo governo provisório foi organizado. Cavalcante. Palmenses! Sejamos livres. Chapada e Carmo ficam gozando da mesma prerrogativa. ferro. apesar de não participar diretamente dele. Camargo Fleury com a missão de restabelecer a unidade política da Província. viva o Sr. Eles continuam na escravidão. José Zeferino de Azevedo. antes ocupada por Segurado. unamo-nos e principiemos a gozar as vantagens que nos promete a constituição! Abulam-se esses tributos que nos vexam. quando Luís Gonzaga. foram todos fatores que. eis os empenhos para os cargos públicos. p. Pelo contrário. ânimo e união! O governo cuidará da vossa felicidade. a Comarca da Palma foi desmembrada de Goiás e constituiu em sua jurisdição uma província independente. Francisco Joaquim Coelho de Matos. A instalação de um governo independente . se decidirá qual deve ser a capital. foi quem assumiu a chefia do movimento e organizou o novo governo. A prisão do Capitão Felipe Antônio Cardoso.Em decorrência disso. Na ausência de Segurado.não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa. seria inevitável a cisão entre as lideranças regionais" (CAVALCANTE. todos os homens livres têm direitos aos maiores empregos. viva a constituição que se fizer nas cortes reunidas em Lisboa. Através de um decreto. José Vitor de Faria Pereira. Viva a nossa santa religião. os arraiais de São José. Depois de reunidos todos os deputados. ou por não serem conformes às antigas leis adaptáveis a esta pobre comarca. viva o príncipe regente e toda a casa de Bragança. Assim. O sucessor de Segurado foi o tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira que transferiu a capital para Natividade.rebatido por força superior. 1999.que já estava enfraquecido por divergências internas.. com a instalação do governo provisório no sul. 15 de setembro de 1821. Domingos. Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional" (CAVALCANTE.na condição de Comandante das Armas e a serviço da Junta de Governo da Província de Goiás . e tenhamos segurança pessoal. 67). transfere a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. e até um dos principais habitantes dessa comarca ficou em ferros. p. p. Em abril de 1822. os interesses particulares dos líderes de Cavalcante. papel selado. Pedro I do governo instalado no norte. Todas as cabeças de julgado darão um deputado para o governo provisório. D. décima. 1979. "o pacificador do norte". em conjunto. João VI. Francisco Xavier de Matos. com a ausência de um líder em condições de assumir tal posição. Tal decisão provocou reação em Cavalcante e Palma que não acataram as ordens de Cerqueira e mantiveram-se fiéis ao Ouvidor Febrônio. aço e ferramentas ficam abolidas. ou por sermos os únicos que os pagamos. Esses deputados devem ser eleitos. que resistia à unificação. entrada de sal. partidário da luta pela independência nacional..).64). banco.o Clube de Natividade . destituiu o Ouvidor Febrônio José Vieira Sodré de suas funções e passou a acumular o cargo de Ouvidor. assume o poder naquela comarca o Pe.

houve a criação do Comitê de Propaganda Pró-Criação do Território do Tocantins. O movimento ganhou apoio de estudantes. esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país. não sentiu os efeitos desse surto na década de 50. Em Pedro Afonso. propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do Tocantins. visto que. o Dr. houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins. A trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX. Nos anos 50. Ainda no Império. a Câmara Municipal aprovou resolução que integrava Porto Nacional ao estado do Tocantins e reconheceu este estado. com o apoio dos poderes legislativo e executivo local. sendo a mesma posteriormente rejeitada e arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça da Administração Federal. o sentimento separatista continuou vivo ao longo do século XIX. Rio Branco. O norte. as oposições internas e promessas políticas não cumpridas provocaram desgastes e enfraqueceram a luta. 12 / 49 . Guaporé . a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. Mas. Em 1944. obrigatoriamente. de modo mais concreto. desligar-se do sul. Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional. estado ou território. em 1889. principalmente de Porto Nacional . A tentativa de integração do norte goiano à marcha desenvolvimentista partiu da promoção do seu discurso separatista ressaltando sempre a situação de abandono da região. na prática. A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. exploração econômica e descaso administrativo. "que conhecia por terra. a Assembléia Legislativa não aceitou a representação da Comissão que defendia a criação do território do Tocantins. constando a do Tocantins na região que compreendia o norte goiano. A imprensa regional constantemente denunciava a situação de abandono. no plano nacional. com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). A viabilização de projetos como a Br-153 e a construção de Brasília destacou Goiás no cenário nacional. acreditando ser pertinente a sua defesa devido a abertura dada pela Constituição de 1946 que estabelecia normas para subdivisão ou incorporação de novos estados. contribuindo para a crença de que para o norte goiano se desenvolver seria preciso. Mas. Com o objetivo de mobilizar a região em torno desse discurso foram realizados vários eventos. liderado pelo Juiz de Direito dessa Comarca. a Br-153 só foi asfaltada a partir de 1965. a idéia de se criar o Tocantins. Feliciano Machado Braga. Em 13 de maio de 1956. em 1863. abraçou a bandeira da criação do território do Tocantins tendo o seu projeto acatado pelo presidente Getúlio Vargas e despachado para o IBGE.atual Rondônia . e. ainda que remando contra a maré.maior centro econômico e político da época . água e ar as vastidões nacionais". Em 1949. adesão de outros municípios e manifestações de solidariedade de outros estados como Maranhão e Bahia. o Brigadeiro Lysias Rodrigues. com a consolidação da expansão capitalista no centro-sul. O território do Tocantins seria criado com a divisão territorial do norte de Goiás e sul do Maranhão.Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946). Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá. com a capital em Carolina (MA) ou Pedro Afonso (GO). com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias. Em outubro. vigorava no país as políticas do desenvolvimentismo e da integração nacional marcadas pelo Governo Juscelino Kubistcheck.em periódicos como "Folha do Norte" e "Norte de Goiás".para o fracasso desse movimento. duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay. foi lançado em Porto Nacional o movimento PróCriação Estado do Tocantins. na condição de deputado pela Província de Goiás. Contudo. Foi instituída a bandeira e escolhido o Nosso Senhor do Bonfim como padroeiro do Estado.

direcionadas para a produção de bens de consumo duráveis e do incentivo à agricultura comercial voltada para a exportação. através do seu jornal O Paralelo 13. comícios. dentro da política econômica da época. com a inserção do norte de Goiás na Amazônia Legal.Como instrumento de luta foi lançado o jornal O Estado do Tocantins. com base na ideologia da Segurança Nacional. funcionou como um instrumento de denúncias e reivindicações do povo nortense. 13 / 49 . fundada em Goiânia em 15 de maio de 1960.herança da colonização com leves modificações" (CAVALCANTE. Contudo. as reivindicações políticas do norte goiano diziam respeito à sua inserção no mercado internacional. a oposição do Legislativo goiano e a transferência do Dr. entre eles o do Tocantins. o artigo de solicitação do plebiscito. conforme estabelecia a Constituição Federal. Feliciano Braga. proporcionando a modernização do processo de ocupação econômica com a mecanização da lavoura e a pecuária intensiva. enfraqueceram o movimento. Isso provocou uma "justificada euforia". feito pelo deputado Paulo Malheiros. "Mas não com força suficiente para que a tese separatista fosse sustentada. vale destacar a atuação da CENOG que. Assim. Até a primeira metade dos anos 70. abertura de créditos e financiamentos. 1999. o pronunciamento do ministro do Interior.123). redigida pelo Dr. sob a direção de Dioclesiano Ayres da Silva e redação de Fabrício Costa Freire e Dr. A aprovação da Emenda da deputada Almerinda Arantes à Constituição Estadual criando o Estado do Tocantins pelo desmembramento de Goiás a partir do paralelo 13º. Mas. Mas. Feliciano Braga. Neste contexto. o movimento foi sustentado pela defesa isolada de alguns membros do Legislativo estadual e de lideranças estudantis do norte. na Assembléia Constituinte. pois. general Albuquerque Lima. p. acenou para a possibilidade de formar novos territórios na Amazônia. foi rejeitado em agosto de 1957. "O magistrado considerava a disposição geográfica daquela época anacrônica e injustificável . seria um passo em direção à criação do Tocantins. por ocasião da elaboração da Constituição de 1967. em decorrência da ditadura militar e do fechamento político do país a partir de 1965. p. através de uma carta ao presidente Castelo Branco. Para a região se enquadrar nessa política foram necessárias medidas urgentes como regularização de títulos de terras. Motivos para a criação do Tocantins continuaram sendo expressos em artigos de jornais relacionando a importância de Brasília e a criação do novo estado para a interiorização do Brasil. mobilizou o meio político para a criação do Tocantins. A conscientização destes em relação aos problemas da região permitiu que a entidade ampliasse seus objetivos e abraçasse a causa separatista. considerando "irreais" as informações extra-oficiais que anunciavam a redivisão do país em vários territórios. foi mais conveniente mobilizar as forças representativas da região para uma ação unificada junto ao governo do estado. o movimento apresentou certa disposição ao desalento. mas dependia também da realização de um plebiscito na região e da aprovação do Congresso Nacional. manteve acesa a luta pela criação do Tocantins durante uma década. etc. Nesta havia um apelo para que a Revolução de 31 de março realizasse a redivisão do país. Em 1965. as mobilizações perderam as forças. Nos anos 60. pela Assembléia Legislativa Goiana. buscando sua integração aos progressos do centro-sul. Assim. E pedia que a futura Constituição não se omitisse na solução de "tão importante e vital problema do Brasil". com destaque para a Casa de Estudante do Norte Goiano (CENOG). A publicação dessa carta na imprensa regional trouxe novamente à baila as manifestações pró-criação do estado do Tocantins. qualquer manifestação de caráter autonomista poderia ser interpretada como ameaça à ordem e segurança nacional. através de congressos. Feliciano da região norte para Anápolis. Contudo. Quando o governo federal.128). foi aberto um espaço para a abordagem da redivisão territorial. principalmente se for considerado o fato de os divisionistas sempre terem levantado a bandeira do abandono e do isolamento a que essa região estivera relegada" (CAVALCANTE. 1999. com o objetivo inicial de dar assistência aos estudantes que iam para aquela capital para dar prosseguimento aos seus estudos. distribuição de cartazes e boletins.

inicialmente. permitiu que fosse novamente levantado o discurso em defesa dos interesses do norte goiano. O mesmo deputado apresentou projeto de consulta plebiscitária para a posterior criação do Território do Tocantins. Na prática a idéia era de que. a CONORTE tinha como objetivos conscientizar a população das potencialidades econômica do norte goiano. Depois. Neste contexto. em plena fase de prosperidade econômica. independente de opções partidárias. A criação do Estado do Tocantins . Articularam-se. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional. "O povo nortense quer o Estado do Tocantins. o deputado Siqueira Campos. coordenada pelo Ministério do Interior. E o povo é o juiz supremo. o projeto foi reapresentado no senado pelo Senador Benedito Ferreira. se mobilizou em torno de sua autonomia até conseguir em 1977 a aprovação pelo governo federal do projeto de criação do estado do Mato Grosso do Sul. 14 / 49 . do descaso governamental e da necessidade de se organizar politicamente para a defesa dos interesses da região. Com objetivo similar. A fundação da CONORTE . se votasse em políticos comprometidos com os interesses do norte. Esta. concluiu ser inviável a criação do estado do Tocantins mas acenou com a possibilidade de se instalar o Território do Tocantins. Havia ainda por vir a Campanha das Diretasjá. adiou o sonho dos tocantinenses. conferências e manifestos publicados na imprensa. nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins que conquistou importantes adesões para a causa separatista.O discurso separatista veio novamente à tona quando o sul do Mato Grosso. Isso foi feito através de congressos. a Comissão de Redivisão Territorial. reconhecia o governador de Goiás na época. A CONORTE apresentou à Assembléia Constituinte uma Emenda Popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do estado. mas vetado pelo Presidente José Sarney. Henrique Santilo (SILVA. chamando a atenção da mídia de todo o país e sensibilizando a opinião pública em favor da criação do estado do Tocantins. Os dois vetos foram justificados com os argumentos de que a criação de mais um estado implicaria em ônus para os cofres públicos e da inviabilidade econômica do novo estado que não dispunha de recursos suficientes para sustentar-se. as expectativas em relação ao processo de democratização deflagrado. Presidiu a Comissão da Amazônia e apresentou trabalho sobre a redivisão territorial propondo a criação de doze territórios. foi arquivado pelo Senado Federal. representante do norte goiano. Nos anos 80. Em maio do mesmo ano. divulga em Brasília a Carta do Tocantins. vetado pelo presidente. o deputado Siqueira Campos apresentou um projeto de Lei Complementar para criar o Estado do Tocantins. A maioria das lideranças era contrária a essa posição. seminários. Em protesto contra o segundo veto do presidente os deputados Siqueira Campos e Totó Cavalcante iniciaram greve de fome. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto de existência quase que secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano já batizado "Tocantins". 1997. além de fazer uma análise sócio-econômica da região. e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. apela aos nortistas para reunirem forças em prol do aumento da representatividade da região na esfera governamental. retomou a proposta da criação do Tocantins. em 1987. A CONORTE mobilizou as lideranças conclamando para uma cruzada de mobilizações populares e realizou seminários e conferências nas universidades de Goiás demonstrando a falta de fundamentação nas justificativas do veto presidencial que. aprovado na Câmara e no Senado e. em plena fase de abertura política. mais uma vez. com as eleições diretas para governador em 1982. em Brasília. Em junho de 1986. Sustentada por lideranças políticas e intelectuais radicadas em Goiânia e Brasília. aprovado pela Câmara de Deputados e que. foi de fundamental importância dentro desse contexto. em 1984. Em abril de 1982. entre eles o do Tocantins. no ano seguinte.em 1981. organização suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de Emenda Popular. Foi criada a União Tocantinense.Comissão de Estudos do Norte Goiano . então. mais uma vez. a CONORTE promoveu o 1° Congresso de Estudo dos Problemas do Norte Goiano. Não há como contestá-lo". No ano de 1984.1988 O ano foi 1987. para a aprovação do projeto de criação do novo estado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1987.

§ 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembléia Constituinte. GARCIA. em um único turno. os Deputados Estaduais serão eleitos. o deputado Ulisses Guimarães. Foi construída.13. explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. mas não antes de 15 de novembro de 1988. foi escolhida como capital provisória. Além do Governador e seu vice. os Senadores. § 4º Os mandatos do Governador. Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. § 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia. Além de desbravar. Darci Martins Coelho. 234 da Constituição. Foram alterados. os senadores Moisés Abrão Neto. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o Governador.09). Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins. o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade. pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. feita nos moldes da Constituição Federal. juntamente com oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais. Atualmente o estado possui 139 municípios. Monte Alegre de Goiás e Campos Belos. redige e entrega ao presidente desta Assembléia. até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição. a fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia. A cidade de Miracema do Norte. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição. É criado o Estado do Tocantins. dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação. para ser a sede do Governo estadual. 1989. Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. localizada na região central do novo estado. relator da Subcomissão dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte. A preocupação em catequizar as 15 / 49 . nascia o Estado do Tocantins: Art. sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás. a cidade de Palmas. foi promulgada a primeira Constituição do estado. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. mas não antes de 1º de janeiro de 1989. § 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes. "Explorava-se em nome de Deus e do lucro. no que couber.. ao Governador e ao Vice-Governador eleitos. pelo desmembramento da área descrita neste artigo. Porangatu.237). do Vice-Governador.024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional. e autorizada a União. observado o disposto no art. Cavalcante. § 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado. o deputado Siqueira Campos. a critério do Tribunal Superior Eleitoral (. o Governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas.). e o dos outros dois. Minaçu. Foram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. p. o Vice-Governador. e dará posse. a assumir os referidos débitos. garantido. junto com as eleições dos prefeitos municipais.p. No dia 5 de outubro de 1989. dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º. a seu critério. foi instalada a capital. principalmente. os nomes de Miracema do Norte. A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988. juntamente com o dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados. Em junho. numa área de 1. através da posse de colônias e de metais preciosos. Foram nomeados o primeiro Secretariado e os primeiros Desembargadores. norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia. por exemplo. Em 1º de janeiro de 1990. no centro geográfico do estado. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo estado que tinham a identificação "do Norte" e passaram para "do Tocantins". Formoso. como disse um mercador italiano" (AMADO. O desbravamento da região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital. conservando a leste. Maranhão. seu vice. § 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins. Pará e Mato Grosso. Ato contínuo. José Wilson Siqueira Campos. em 05 de outubro de 1988.. foram escolhidos os Senadores e Deputados Federais e Estaduais. Piauí. na mesma data. as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso. § 3º O Governador.

Os bandeirantes aproveitando a extinção destes nos grandes centros colonizadores da costa . "Naquele tempo. "Quando na terceira década do século XVIII acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins. "descidas" e "bandeiras" percorreram a região. Pernambuco e Piauí. transformaram a sua captura num lucrativo negócio para atender a demanda de mão-de-obra na lavoura. a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí. foram os desbravadores da região ainda no século XVII. tampouco se fixaram no território. 25). Até o início do século XVIII. Mas a ocupação econômica e o povoamento efetivo só se dariam a partir da segunda década do século XVIII com base na exploração do ouro dentro do contexto da 16 / 49 . E ainda no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro (Dianópolis) (SECOM. algumas vezes. Destes desbravadores. muito para a sua posterior exploração. Estas expedições eram de caráter oficial destinadas a explorar o interior e buscar riquezas minerais ou de particulares organizadas para a captura de índios. Só no final do século XVII e início do século XVIII que bandeirantes com objetivo de descobrir metais nobres tiveram a preocupação em fixar núcleos estáveis no interior do Brasil. De São Paulo saíam as bandeiras em canoas pelos rios Paranaíba-Tocantins-Araguaia até voltarem pelo Tietê a São Paulo. Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região pela "decidida ação dos jesuítas". Como eles. Como subproduto destas expedições os bandeirantes retornavam. A colônia brasileira. então. 2001). 1989. 1997. Maranhão e as ribeiras do rio São Francisco" (SILVA.populações encontradas foi constante. Os currais de gado deram origem aos primeiros núcleos coloniais "quando a região é sacudida com a febre do ouro de aluvião". pp. 15-16). tinha como função fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. completa Silva. os jesuítas também iam à busca de índios. Dos sertões da Bahia. se expandiam para a região as fazendas de gado. p. a força motivadora para a exploração da região foi predominantemente o índio. De Belém partiam expedições de exploradores e jesuítas pelo rio Amazonas chegando até os rios Tocantins e Araguaia. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. uma dessas viagens podia demorar-se dois ou três anos" (PALACIN. em certos períodos. Diversas expedições "entradas". Rio de Janeiro . 1998). 1979. de negros da África. Mais tarde depois de 1630 introduziu-se o uso de mulas e as bandeiras preferiram a viagem por terra. Como os bandeirantes. Poucos contribuíram.06). Os franceses. A criação de gado antecedeu a mineração. principalmente do Araguaia. criadores de gado e bandeirantes. todo o território do atual Estado do Tocantins.Pernambuco. Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES. para o seu povoamento. Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral. iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação. somente os criadores de gado vieram com a intenção de se fixar na região. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta. Bahia. Portugal. contribuindo para despertar lendas sobre o metal.e a dificuldade de importação. no sentido sul-norte. Jesuítas. Procuraram tão só "descer" as tribos para suas aldeias no Pará (PALACIN. depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense. iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. seguindo os cursos dos rios. p. com pequenas quantidades de ouro de aluvião dos rios. franceses e holandeses conquistavam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil. na época. administrada política e economicamente pela metrópole. no século XVII ingleses.

os Karajá. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo. com caráter mais religioso do que de diversão. reco-reco. Nos séculos XVII e XVIII o avanço da colonização foi marcado por três fases: "Na primeira. e os Karajá e Javaé na Ilha do Bananal e os Xambioá no município de mesmo nome (BARROSO. cantando e dançando. o anfitrião percorre com ela toda a casa. E este avanço impôs. os foliões de Reis têm o Alferes como responsável pela condução da bandeira. deve proteger o menino Jesus confundindo os soldados de Herodes. acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. os Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins.69). No Tocantins. Posteriormente . A família recebe a bandeira. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e que em Portugal tinha um caráter de diversão. com seu jeito dissimulado. triângulo e cavaquinho. realizada sempre no dia 06 de janeiro. sanfona. diferentemente do giro do Divino Espírito Santo. na época dos bandeirantes os índios foram atraídos amistosamente e contribuíram bastante para a localização das minas. ou seja. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. Os Apinajé estão localizados nos municípios de Tocantinópolis. aos índios um destino trágico: a fuga. pois era intenção do branco limpar as áreas a serem exploradas. violão. como os brancos já não dependiam dos nativos para chegarem às minas houve conflitos armados. pelos músicos e por um palhaço que.obra e do povoamento daquelas regiões com baixa densidade populacional" (PARENTE. ponto final da caminhada. era a comemoração do nascimento de Cristo. Vivem atualmente no Estado do Tocantins os Xerente (Povo Akwen). Com a exploração e ocupação da região se deu simultaneamente a destruição dos povos indígenas. se apresentam tocando. quase sempre. de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Fugindo da ação depredadora da colonização do litoral muitos grupos indígenas migraram para o interior do Brasil. enquanto aos foliões são servidos bolos.um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. guardando-a em seguida. O ponto alto da festa acontece quando dois grupos se encontram e juntos caminham para o presépio. Xambioá (Povo Iny). biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. a migração. p. os Xerente próximos ao município de Tocantínia. a Folia de Reis chega no século XVIII. que sai pelo sertão "tirando a folia". Esse grupo passa de porta em porta recolhendo as oferendas. saem às ruas entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao menino Jesus. O grupo é composto por um mestre que comanda os foliões. Os foliões carregam a bandeira . Manifestações culturais A Cultura do Tocantins O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças a grande miscigenação de culturas. grupos de instrumentistas e cantadores com viola. Javaé. o aldeamento. 1999. oriundas de todos os Estados brasileiros. Na segunda fase. Saiba mais sobre estes festejos nos links abaixo. A Folia de Reis. cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis. Poucos sobreviveram. desapropriação. o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida. Em Portugal. No Brasil. tristeza. 17 / 49 .política mercantilista. 1999). etc. Maurilândia e Cachoeirinha. suicídio. dia de Santos Reis. os Apinajé (Povo Panhi) e os Krahô (Povo Meri). Os foliões chegam à localidade. A folia visita as famílias de amigos e parentes. a escravidão ou o extermínio por doenças. guerras. a partir da segunda metade do século XVIII tiveram vez os aldeamentos como uma tentativa de os brancos de resolver o problema da mão-de. A Folia de Reis A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o menino-Deus. Ao se retirarem. seus primeiros habitantes.

no sul do Estado do Tocantins. eram poupadas da investida dos caretos. o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. ao anoitecer. Apenas mulheres vestidas de homens. Nesse momento. a festa de nossa senhora do Rosário. principalmente. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos. no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta. em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico. ainda hoje realizada em Portugal. Quando termina o roteiro da folia. quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas. 18 / 49 . como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário. Seja como um ponto de partida para o início das festividades. agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos. o de definir as regras das manifestações. Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. os caretos. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval. oi de fora Se tiver gente doente Me diga que vou embora Senhora dona de casa Com essa são duas vezes (bis) Saia na porta da rua E receba Santos Reis Senhora dona de casa Está no seu sono primeiro(bis) Sua filha mais velha Está com a mão no travesseiro Eu cheguei na vossa porta Pus a mão na fechadura (bis) Levante quem está dormindo Me perdoe as confianças. Cântico dedicado aos Santos Reis Oi de casa. os responsáveis pela prosperidade. é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas. a cavalhada. que trazem pendurados. O ENTRUDO Existem várias explicações para a origem do carnaval. a praga na lavoura e. como o entrudo. retomam as andanças. ou seja. realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina. Neste momento reza-se o terço. em frente ao altar ornamentado com flores. Quando o dia amanhece. fartura e muito dinheiro. Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil. Açores e Cabo Verde. a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. Caretas OS MASCARADOS EM PORTUGAL Há dados históricos a respeito de uma festa. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. com a presença dos foliões e dos convidados. Alguns pagadores de promessa após as orações realizam um baile dançante. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira. ou vice-versa. toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. quando inicia os jejuns da quaresma. tinta. encostando-se a elas. ainda. Arraias. os protetores contra a peste. farinha. aparecem nessas festas com o mesmo intuito. realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. A tradição é muito forte: os mais velhos acreditam serem os Santos Reis. onde só participavam homens usando máscaras. Estes se lançavam de assalto às moças. chamada entrudo. desenvolvendo uma dança erótica. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos.repetindo o gesto da entrada. Em seguida. No Tocantins. etc. Na festa do entrudo. os foliões retornam às suas casas para descansar e.

19 / 49 . prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. os árabes foram denominados genericamente de mouros. assustando-os. tradicionalmente. caras de boi com chifres e outros animais. A FESTA DOS CARETAS Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores. usados pelos caretas. com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo. Catita é um homem trajando roupas femininas. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV. D. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. leve e ao mesmo tempo frenético. diz que todo mundo assombra. durante a semana santa. chamado pelos caretas de quinta atrativa. a retirada de formigas que invadem os corpos dos pares. as Cavalhadas tiveram início em 1937. Monta-se um cenário. as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua. A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. num bailado sensual. uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti. que tem a mesma marcação do surdo. numa verdadeira guerra dos sexos. um semicírculo com pés de bananeira. enquanto estes ficam envolvidos.O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina. Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. aumentando o cordão carnavalesco do entrudo. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. grupo de mascarados representando bruxas. espécie de bolinhas feitas de cera de abelha. Participam. na Sexta-Feira da Paixão. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia. Só os bons corredores escapam. os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos. moradora de Lizarda. são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica. da festa que acontece. Os cavalos. gelada. passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto. uma vez que apenas insinua o toque. papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. em Lizarda. Cavalhadas Na Idade Média. que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e. O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros. O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas. Os caretas perseguem com pinholas. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. uma mulher vadia. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e. A égua usa a roupa de um bicho muito feio. instrumento artesanal feito de tronco de árvore. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. Isolda. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. do pandeiro e do roncador. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. às vezes. A dança é a eterna busca da conquista do par. onde se coloca pedaços de cana de açúcar. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia. Em Taguatinga. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares. como na festa de Nossa Senhora do Rosário. portanto. no sul do Estado do Tocantins. Catira ou Sussia Os movimentos dessa dança lembram. a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador. é a mulher dos caretas. nos dia 12 e 13 de agosto. devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. mas se diverte. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros.

Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. tornou a requebrar 20 / 49 . bainhas e conguinhos Baias com tanto fervor Baias que já está nascendo O Nosso Grande Salvador Baias. A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos cavalheiros. O vermelho representa a força divina. A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha. Popular no Nordeste e Norte do Brasil. distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. A congada é composta por doze dançarinos. Congo ou Congadas De origem africana. Na cabeça. eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. Termina com o batizado dos infiéis. enviar uma representação atrevida ao rei D. Os dois grupos se apresentam juntos. ao contrário dos mascarados. capa vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas. Doze cavalheiros representam os cristãos e. vence o rei. o heróico príncipe Suena é morto durante essa investida. Os motivos dramáticos da dança do Congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi que governou Angola no século XVII. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei. Na dança do congo só os homens participam. cantando músicas que lembram fatos da história de seu país. colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. certa vez. Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado. nas ruas. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e. um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados. durante o cortejo do Rei e da Rainha na festa de Nossa Senhora do Rosário. Henrique de Portugal. tornou a requebrar A rainha do congo que veio do Pará Trepe quizépes. Em Monte do Carmo o Congo é acompanhado por mulheres. na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. com influência ibérica o Congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. Seu filho. Ela decidiu. Os adornos na cabeça representam a coroa. sobre os olhos dos animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. calça branca com botas azuis e enfeites dourados. do embaixador e dos guerreiros. O xale sobre os ombros representa o manto real. Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. são quase sempre os mesmos. tornou a requebrar O calango mutingo. bainhas e conguinhos Neste claro e belo dia Nasceu Jesus. os outros doze. O tatu cangerê que zoa no ar Trepe quizépes. Cantiga do Congo Baias.Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas. filho da Virgem Maria. perdoa-se o embaixador. calango no ar Trepe quizépes. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros. O Quimboto (feiticeiro) o ressuscita. durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. os mouros. chamadas de taieiras. porém.

Relatos de Portugal contam que a rainha Isabel e seu marido D. eu vou. Dessa forma teve início a devoção ao Divino Espírito Santo que se difundiu em solo português. Oh! Que noite tão serena Oh! Que hora tão de prendá Divino Espírito Santo Visite sua fazenda Deus vos salve fazendeiro Morador desse lugar E aí vem o Divino Espírito Santo Somente pra visitar Deus nos salve felizmente Este nobre fazendeiro Divino Espírito Santo Que é o nosso pai verdadeiro Inda agorinha cheguemos Na beira do seu terreiro Queremos brincar um pouco Licença peço primeiro Ah dê licença meu Divino 21 / 49 . O objetivo foi alcançado e a promessa cumprida. que ocorre aproximadamente 50 dias após a Páscoa. chegando ao Brasil no século XVI. eu vou bebê Aruê juncongela bebê E olha o rei mais a rainha bebê Aruê juncongela bebê Mas eu vou bebê Aruê juncongela bebê São Benedito sabia sobiar Saia fora e venha ver E quem festeja neste ano É o Divino Espírito Santo Alô. pedindo ritualmente acolhida. num prazo que compreenderia exatamente os 40 dias do giro da folia e o novenário. alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença. levando a sua luz e a sua mensagem. a festa do Divino deveria coincidir com o Domingo de Pentecostes no calendário católico. Essas festas são realizadas em várias cidades. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. No Estado do Tocantins vão de janeiro a julho. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de doze ou mais homens. conduzidos pelo alferes. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas. Canto do Agasalho. No Brasil. Esse grupo percorre as casas dos lavradores. O giro da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus doze apóstolos durante 40 dias. dia 16 de julho. Festa do Divino Espírito Santo A celebração do Divino Espírito Santo. alô. tem sua origem no catolicismo português.Amanhã eu vou embora bebê Aruê juncongela bebê Eu vou embora. As romarias conduzem a bandeira. de acordo com as características de cada localidade. pedindo acolhida para o pouso. Em Monte do Carmo a celebração ao Divino Espírito Santo foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade. no entanto. a festa da hóstia consagrada. abençoando as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima. com destaque para Monte do Carmo e Natividade. convidando todos para a festa. passando a ter data fixa para a sua realização. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa. Natividade mantém a tradição da data móvel. como festa popular de cunho religioso. Nessa época Portugal e Espanha travavam uma guerra de quase cem anos. Diniz teriam feito no século XIV uma promessa de alimentar os famintos e oferecer a sua coroa ao Divino Espírito Santo em troca de paz. quando chegam às fazendas para o pouso. ou seja. em jornada pelo sertão. lá no céu E o Santo que está na igreja. as folias têm datas variadas. A rigor.

. 1994. A documentação escrita a respeito não é muito clara. celebrada em 8 de dezembro. Natividade significa nascimento e em Portugal ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Maria.Pra seus foliões brincar Toda casa tem grande gosto E seus corações alegrar Alegrai o céu e a terra Recebei com alegria Divino Espírito Santo Filho da Virgem Maria Divino chegou do giro Com ele trouxe a folia Ele vem aí pedindo um pouso De uma noite para um dia. p. em Jerusalém. Canto Bendito da Refeição: Pela primeira palavra Que os anjos me disseram Na cabeceira da mesa Faz a vênia meus alferes Com sua bandeira na mão Bençoai o pessoal Os alferes com os foliões Me dê licença meu povo Que agora vamos rezar Contrito no coração Pra nossas almas se salvar Peço licença de novo A maior e mais pequena Quero agradecer a mesa Que nela nós já jantemos Quando for noutro mundo (. de origem oriental. como mãe de Jesus. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade. Os devotos acreditam que Maria. seria o local do nascimento da Virgem Maria". motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins. A igreja católica celebra o nascimento da mãe de Jesus. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa.. onde é festejada há quase três séculos. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. Como a palavra Natal. (BRAGA. Festa de Nossa Senhora da Natividade As manifestações culturais no Estado do Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja católica.. Os foliões cantam também em agradecimento ao pouso. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana.. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. agradece) Deus vos pague a bela janta Dada de bom coração Que nos deu pra meus alferes Com todos seus foliões Deus vos pague a bela janta Deus vos pague mais outra vez Deus lhe dê vida e saúde. desde o ano 33 da era cristã.17). no dia 8 de setembro.. merece ser 22 / 49 .. à acolhida e às refeições. preservada do pecado original. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração eminentemente religiosa. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. Nove meses depois. quando o Papa Sérgio I. portanto. erguida no século V. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria.

a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. na Igreja Matriz. Diz D. recebidos freqüentes apelos. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. o que transforma a festa em uma atração única. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. 14). 1994. depois. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. Mais tarde São Luiz e. na grande maioria. e devoto de Nossa Senhora. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Celso na sua justificativa . Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. 14). e devoto de Nossa Senhora. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. 1994. p. com o passar do tempo foram se juntando e 23 / 49 . Festejos de Nossa Senhora do Rosário A cidade de Monte do Carmo. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. ainda hoje. solicitação ao Papa João Paulo II. 18). Diz D. Natividade. temos. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. para o norte da província de Goiás. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. em março de 1992. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. em Natividade. em embarcações pelo rio Tocantins. A festividade secular mistura fé e folclore. Essa imagem é a mesma. durante a Romaria do Bonfim. Celso Pereira de Almeida. Celso oficializa.cultuada. ainda hoje. Essa imagem é a mesma. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. p. durante a Romaria do Bonfim. (BRAGA. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos. Celso na sua justificativa . chegando a Portugal. nós Bispos. Padroeira principal deste Estado". depois. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. Com a criação do Estado do Tocantins. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões. Mais tarde São Luiz e. realiza todos os anos. em Natividade. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. D. em 1735. Mãe de Deus. 1994. em 1735. Bispo Diocesano de Porto Nacional envia. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. mantida com fidelidade pela população local. fundada em 1746. recebidos freqüentes apelos. temos. Foi a primeira a entrar nessa região. Celso "sendo nosso povo católico. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. (BRAGA. Acrescenta ainda D. os Festejos de Nossa Senhora do Rosário. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado. nascida arraial do Carmo. D. para o norte da província de Goiás. na grande maioria. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. em março de 1992. p. A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de 1992 D. pelos jesuítas. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade. A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. Com a criação do Estado do Tocantins. na Igreja Matriz. solicitação ao Papa João Paulo II. desenvolveram campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. uma das mais antigas do Estado datada de 1759. De Portugal passou para o Brasil. em função das minas de ouro e distante 89 km da Capital do Estado. em embarcações pelo rio Tocantins. Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. Foi a primeira a entrar nessa região. venerada. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". uma das mais antigas do Estado datada de 1759. pelos jesuítas. ainda hoje realizadas em datas específicas. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. Padroeira principal deste Estado". Celso oficializa. venerada. Celso "sendo nosso povo católico. Palmas. Natividade. É celebrada missa solene no dia dedicado a santa. Celso Pereira de Almeida. Há informações de que essas manifestações. Acrescenta ainda D. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. que os habitantes do sul do Estado "veneram com muito afeto. no mês de julho. Mãe de Deus. a população de Natividade junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura. nós Bispos. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. Durante os festejos acontece o novenário e são montadas barracas onde se faz leilões.

Segundo pesquisadores. congos e taieiras. Em comum também está o desejo dos moradores das cidades mais antigas do Tocantins de manter vivas tradições como a catira. que se destacam por passar seus conhecimentos aos jovens. A caçada é uma tradição secular. da caixa e da viola. se apresentam juntos. sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. No final do cortejo. a congada mais tradicional do Tocantins é realizada em Monte do Carmo. LENDAS. colares e turbantes. Os dançarinos apresentam com utensílios que retratam o seu cotidiano. local onde se guardavam máscaras e instrumentos musicais indígenas e que serviam de hospedagem aos convidados de outras tribos nos intercâmbios artísticos. Já as taieiras usam trajes semelhantes aos das escravas que trabalhavam na corte. de tambores. o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. a sússia e a jiquitaia. celebrada em 16 de julho. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente. podendo lá vivenciar a cada ano. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos. CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. e o embaixador é perdoado. o rei e a rainha da festa. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”. No meio do povo os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. Nos momentos de descontração e lazer os foliões cantam seus versos e prosas. a congada representa a coroação do rei e da rainha. cantando e dançando. quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. representando a vida nas senzalas. Estes traços podem ser observados na música. São blusas quadriculadas em azul ou floridas. A origem da catira é encontrada nas tradições indígenas. se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. cuícas e tamborins e danças como congos. ou suça. Em algumas tribos indígenas havia a proibição das mulheres participarem das danças e de entrarem nas casas de flauta. É o caso dos Catireiros de Natividade e do Grupo de Jiquitaia de Santa Rosa. Os dois grupos. COSTUMES A influência negra também se faz presente nas congadas. o que encerrou a série de desaparecimentos. fato que motiva a luta entre os partidários do rei e os do embaixador. saias brancas rodadas. Estes últimos são derrotados e batizados. onde em pleno dia. nas ruas. A cor da indumentária tem um significado especial: entre os congos. Ali.passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de Reis e do Divino Espírito Santo. Popular em todo o Brasil durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. taieiras e sússia. As origens podem ser diversas. Nossa Senhora do Carmo. o azul e o branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário e o vermelho representa a força divina. os negros foram buscá-la tocando tambores. De origem africana. os negros que viviam no Estado criaram a sússia. homens de preto e branco. e com acompanhamento de mulheres. Um dos pontos altos da festa é a Caçada da Rainha. como também é conhecida. em várias tonalidades. sons de bandas de músicas. A catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés. reco-recos. eleitos pelos escravos. trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. durante o cortejo do rei e da rainha. num sapateado compassado. montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos. Na terceira vez. e a chegada do embaixador. padroeira da cidade. Os adornos na cabeça representam a coroa e o xale sobre os ombros. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão de ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações. nas coreografias e também no fato de somente os homens participarem do ritual. No ritmo dos sertanejos Do sertão tocantinense surge a genuína cultura do povo. chamadas taieiras. Fazem suas evoluções sustentando garrafas na cabeça ou carregando o 24 / 49 . mas as motivações quase sempre estão ligadas à devoção religiosa unida ao lazer. Repentistas Os catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do padeiro. o manto real. também vestidos a caráter.

com a celebração da missa campal. a romaria remonta ao século XVIII com a formação dos primeiros arraiais. num bailado sensual. distante 40 Km de Araguacema. Jiquitaia Na sússia dança-se a jiquitaia. em louvor ao Senhor do Bonfim. leve e ao mesmo tempo frenético. após longa caminhada. no povoado do Bonfim situado a 22 Km da sede do município. Araguacema As homenagens ao Senhor do Bonfim. Ele levou essa imagem consigo e após o término da Balaiada retornou à sua cidade de origem onde pediu ao padre para "batizá-la". Atualmente para lá se deslocam cerca de dez mil pessoas. A crença nesses acontecimentos deu início à peregrinação para essa localidade. Segundo o Sr. Seu filho. O ponto alto das comemorações do Bonfim. Esse fato demonstra a imensa capacidade dos negros escravos em transformar a sua situação de dificuldade em danças que os desprendiam do cotidiano. no município do Araguacema. Os moradores da região afirmam que um vaqueiro teria encontrado nessa área. essa imagem foi encontrada pelo bisavô de sua mãe quando este. O festejo inicia-se com o novenário e termina com a celebração da missa campal. fugia dos conflitos da Balaiada ocorrido no Maranhão. Existem diversas hipóteses a respeito da formação do povoado do Bonfim. São romeiros das cidades vizinhas e do sul do Pará. as romarias do Nosso Senhor do Bonfim acontecem nos municípios de Natividade e Araguacema. Arcanjo Francisco Almeida com uma imagem do Bonfim. no dia 15 de agosto. mas desaparecia e reaparecia no mesmo lugar onde foi encontrada. têm início em 1932. num semicírculo onde estão os músicos. e que estas subiam pelo corpo dos escravos provocando um movimento frenético na retirada dos insetos. Romaria do Bonfim No Tocantins. A romaria do Senhor do Bonfim acontece no povoado do Bonfim. é o atual responsável pela manutenção do templo e pela guarda da imagem que pertence à família desde o século XIX. dá-lhe um nome. Esse pequeno povoado recebe em média 60 mil fiéis. No dia 16 em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e no dia 17 ocorre a missa dos romeiros. em local pantanoso. Natalino. Vários pagadores de promessa atravessam a pé os 22 Km de Natividade ao Bonfim para depositar as suas oferendas aos pés da imagem do santo. Os dançarinos se apresentam aos pares. vinda do estado do Maranhão. É ele quem conta sua história. ou seja. um dia. Supõe-se que as senzalas fossem constantemente invadidas por uma espécie de formiga. uma vez que apenas insinua o toque. quando para lá chegou.quibando. a retirada de formigas que invadem os corpos dos dançarinos. O Sr. a imagem do Senhor do Bonfim em cima de um toco. pedaço de madeira. Em Natividade. a romaria do Senhor do Bonfim é realizada de 6 a 17 de agosto. onde vivem pouco mais de 100 pessoas. a família do Sr. O padre batizou-a de Jesus do Bonfim e definiu o seu festejo para 15 de agosto. Alguns acreditam que ele teria se originado de um santuário criado por fiéis ou de um núcleo missionário das irmãs carmelitas ou dos jesuítas. portanto. em Natividade. Os movimentos dessa dança lembram. acontece no dia 15. Hino ao Senhor do Bonfim: 25 / 49 . seu tataravô encontrou na mata uma vertente de água onde havia um oratório feito em pedra. A dança é a eterna busca do par. vindos de várias regiões do Estado e do país. Desde então. Natalino Francisco de Almeida. Em Natividade. Nele estava depositada uma imagem. junto com a sua família. Natalino conta que. em homenagem ao Nosso Senhor do Bonfim. entre os anos de 1838 e 1841. Essa imagem teria sido retirada várias vezes desse local e levada para Natividade. espécie de peneira grossa de palha. a família faz a festa em sua devoção. conhecida como jiquitaia.

No Brasil. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. vestidas de branco. ainda. E sempre se dança em pagamento a uma promessa.Refrão: Salve Bendito Rei das Nações Glorioso Senhor do Bonfim Somos vossos Romeiros em marcha Prá contemplar o vosso jardim. 26 / 49 . dia do Senhor. logo em seguida. São Gonçalo tem para os seus devotos a tradição de santo casamenteiro. Inicialmente. que São Gonçalo reunia em Amarante. a dança tinha um caráter erótico que com o tempo foi desaparecendo. pelo Conde de Sabugosa por associa-lá às festas. quando na Bahia. que se costumavam fazer pelas ruas públicas em dia de São Gonçalo. É dançada por mulheres em pares. pandeiros e adufes. No final os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela. Acompanha. Eis aqui vossos peregrinos Prá pedir-vos e agradecer Por tudo que já recebemos Preparai para nos receber. elas ficassem em repouso e isentas de pecado. enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. Nas mãos carregam arcos de madeira. Roda de São Gonçalo Conta a lenda. Essa dança foi proibida. a roda de São Gonçalo. a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo. cuja referência mais antiga data de 1718. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo. Homens brancos. Irmanemos nossos corações Numa só profunda oração Ao Cristo presente entre nós Prometendo-nos a salvação Salve todos os Romeiros presentes Que de longe vieram trazer Os seus voluntários tributos Para a Santa Igreja crescer Contemplamos com santa humildade Este misterioso encanto Deus pai na pessoa do filho Revelando no Espírito Santo. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo. mulheres. Em Arraias. um cruzeiro todo iluminado. sucedendo-se os devotos. colocado próximo ao altar. Somos marcados pelo batismo Da vossa redenção A preço do seu santo sangue Esperamos a consolação. em frente ao qual se faz as evoluções da "roda". com violas. que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa. a dança de São Gonçalo é chamada de "roda". assistiu-se um festejo com uma dança dentro da Igreja. com vivas a São Gonçalo. várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. Portugal. com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. permanecendo apenas o aspecto religioso. meninos e negros. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas. A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. no sul do Estado.

Segundo depoimentos os documentos referentes ao município encontram-se na Cidade de Goiás ou foram queimados ou danificados ao longo dos anos. Única cidade no Estado tombada em instância nacional. além de visitas in loco aos monumentos. o que pode ser percebido através da preservação do seu acervo urbano. localiza-se a sudeste do Estado do Tocantins a 218 Km da capital.Monumentos Históricos Natividade. que tem como fundamento a preservação do Patrimônio Histórico Urbano Brasileiro. Como parte do desenvolvimento das ações prevista no Programa foram definidos alguns monumentos que sofrerão intervenção e/ou restauração devido tanto à sua importância no conjunto arquitetônico. a Igreja de São Benedito. Os dados que fundamentaram esse trabalho foram obtidos através de referências bibliográficas e em pesquisa de campo em Natividade entre os dias 28 e 31 de outubro de 2003 onde foram realizados levantamentos cartorial e paroquial e entrevistas com os moradores da comunidade. faz parte do Programa Monumenta/BID. O conjunto arquitetônico da cidade possui um caráter singelo. Todo o trabalho foi acompanhado pela Coordenadora da Unidade Executora do Programa. o prédio onde hoje funciona a biblioteca pública e os prédios particulares como o do Sr. conferindo harmonia ao conjunto.ASCCUNA. O Programa Monumenta/BID é parte da continuação do trabalho de preservação da história e da cultura de Natividade. cultural e social da área do projeto definiu alguns monumentos como prioritários para serem trabalhados nesse processo de 27 / 49 . Existem poucos relatos paroquiais e os que se encontram estão em péssimo estado de conservação. cidade Patrimônio Histórico Nacional desde 1987. que foi sede do Governo da Província do Norte. Monumentos Natividade é um marco representativo das cidades do ciclo do ouro. o primeiro paço municipal. como as Praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira. promovido pelas instituições públicas desde o início da década de 1980. na década de 1990. Infelizmente não foi possível obter documentos históricos que pudessem comprovar o período de construção desses prédios. bem como fotos e desenhos dos arquivos da UEP e da Associação Comunitária Cultural de Natividade . Simone Camêlo Araújo. A coordenadora ainda subsidiou esse trabalho com dados de pesquisa por ela realizada. São obras preservadas que celebram o tempo em que foram criadas. O Programa Monumenta e a Unidade Executora do Programa visando a revitalização do conjunto patrimonial de Natividade no sentido de fomentar a utilização econômica. ou destacados como referências históricas como as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Palmas. Aquina que chama a atenção pela sua opulência e estado de decadência em que se encontra. Alarico. os prédios públicos onde funcionou a primeira cadeia. a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade. observado na proporção dos casarios e na ausência de monumentalidade das construções de função pública. O processo de preservação através da ingerência pública teve inicio em 1981 com a execução das obras de restauração dos prédios da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Natividade e a Capela São Benedito tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Goiás e das ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. principalmente os de utilização pública. arquitetônico e paisagístico. que sofreu interferência através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. e o casarão de propriedade da Sra. Natividade faz parte da segunda etapa desse programa para a qual foram selecionados vinte núcleos urbanos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. As informações coletadas nas entrevistas foram trabalhadas de acordo com o entendimento dos pesquisadores acerca das observações coletadas ao longo dos trabalhos de campo.

Retiraram as grades externas das janelas e as madeiras das paredes e do teto.50m de frente por 9. câmara municipal. Segundo o nosso informante. o prédio sempre funcionou como espaço administrativo: prefeitura. Seu Joaquim recorda também da existência de um caneteiro e uma máquina de escrever (o mesmo desconhece a marca da máquina). o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. recorda que ainda o conheceu com cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. o prédio foi construído no tempo dos escravos. separando os presos em celas masculina e feminina. As reformas no prédio foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva. faleceu dona Benvinda. Joaquim Rodrigues de Cerqueira morador de Natividade. o prédio foi construído no período de 1930 a 1938. Joaquim. Originalmente o prédio foi construído com dois cômodos. nascido em Natividade no dia 10 de março de 1930. Possui grossas paredes de pedras. Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. que veio para a cidade por intermédio do Coronel Deocleciano Nunes. em Natividade. A madeira retirada foi reaproveitada na construção de pontes no interior do município. Foi construído originalmente para funcionar como cadeia pública. pertencentes à igreja ou a leigos são seculares. O senhor Antônio Viana Bezerra. esquina com a Praça São Benedito. Após a morte do casal Benício e Benvinda. arquivo municipal e sede da Banda de Música municipal. a casa pertenceu ao Major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. Para o funcionamento mais adequado do museu foi construído um anexo com sala e banheiro na parte detrás do mesmo. O senhor Joaquim.50m de fundo. o Major Benício faleceu no ano de 1906. inclusive de acesso as selas. nº de Ordem 48. Ainda de acordo o relato. As praças Leopoldo de Bulhões e da Bandeira embora sejam obras recentes fazem parte do conjunto histórico arquitetônico. O Paço Municipal será um dos prédios beneficiados pelo Programa Monumenta/BID. agência de estatística ( hoje IBGE ). na Praça Leopoldo de Bulhões. não se alimentando mais. este foi construído no final do século XIX. conta que a única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967. Segundo o Sr. o que deixava os presos nas mais desagradáveis condições. mas segundo moradores mais antigos da cidade. Confronta-se com terrenos de propriedade de Nilo Noleto Bezerra pelo sul e prédio do Antigo Paço Municipal ao norte (Livro 3ª. ano de 1952. PAÇO MUNICIPAL . comerciante aposentado de 69 anos. dona Benvinda morreu de desgosto (perdeu o gosto pela vida. nascido no dia 03 de dezembro de 1950. Todos os monumentos inventariados. tinha duas grades de ferro. Foi trocada também a porta da frente do prédio que era trancada com trava e "uma grande chave". Paço Municipal e Casa da Cultura A "Antiga Cadeia" tem característica secular. a casa ficou para os filhos. mantendo o local sempre úmido. O piso original era de cerâmica de barro (conhecido como ladrilho). Trinta dias após à sua morte. O prédio é térreo com 18. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995 e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal. espessas grades de ferro. a antiga residência do casal Benício e Benvinda serviu de sede para a Companhia de Polícia. Conforme relatos. Conforme relatos orais. uma porta de frente. toda forrada de madeira: pau d arco e jatobá. provocando assim a sua própria morte). A cela destinada aos homens. contendo três janelas. CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes. Essas tábuas impediam a iluminação interna. filho do casal falecido.intervenção. Conforme relatos dos moradores. na parte interna do prédio havia um banco com dois potes e uma espécie de gancho que servia para segurar os copos. Todas as janelas e portas internas eram revestidas de ferro. Cartório de Imóveis). Segundo relatos do Sr. mas os relatos orais não afirmam se estes habitaram o imóvel. na qual as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs. com o objetivo de defender a cidade dos jagunços 28 / 49 . Hoje o prédio abriga a Polícia Militar. Não se sabe ao certo a data da construção do prédio.ANTIGA PREFEITURA Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública. com 30 X 30 cm. Albany Costa Cerqueira. Antiga cadeia pública. segundo o Sr. folha 17. Dentro do gabinete havia uma butija com água para uso do prefeito. por volta de 1920.

em março de 1992. 3 no lado Leste e 5 no lado Sul. 1 passarela. comemora-se Nossa Senhora da Natividade. tendo como transmitente o casal Zacarias Nunes da Silva e Helen Drumond Nunes. merece ser cultuada. na Igreja Matriz. p. como mãe de Jesus. nós Bispos. Prédio de adobe. a imagem de Nossa Senhora da Natividade. 18 (dezoito) metros do lado Sul. é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro. D. Bispo Diocesano de Porto Nacional enviou. ainda hoje. consta que o prédio foi adquirido pela Sociedade Cooperativa Mista Agropecuária Ltda. de origem oriental. 14). p. O imóvel sofreu modificações no emadeiramento. Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade A Igreja Matriz do município de Natividade. onde ficou sendo dia santo de guarda até o advento da República" (BRAGA. uma das mais antigas do Estado do Tocantins. ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. sendo 4 salas.17). de vê-la consagrada padroeira do Estado. Albany recorda que até 1954. A Igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo. Celso Pereira de Almeida. sob a invocação de Nossa Senhora da Natividade. em 1735. 3 portas externas. Pedro II. Com a criação do Estado do Tocantins. 1994. portanto. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria.saqueadores que rondavam a região. Celso na sua justificativa. funcionou no prédio. é datada de 1759.I. 12 janelas sendo 4 no lado Norte. "Por isso a festa da Natividade de Maria se espalhou por todo Ocidente. 11 portas internas. seria o local do nascimento da Virgem Maria" (BRAGA. depois nos ombros dos escravos até ao pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade. preservada do pecado original. No mesmo livro. piso de cerâmica. trazida para a nossa região pelos missionários Jesuítas. onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura. O Sr. teto de madeira serrada. O imóvel é constituído de uma área de 410 m² (quatrocentos e dez metros quadrados). O Sr. erguida no século V. É provável que ela remonte à comemoração feita à inauguração da igreja de Santa Ana. 2 banheiros. (BRAGA. que os habitantes do sudeste do Estado "veneram com muito afeto. Mãe de Deus. consta que a Prefeitura Municipal desapropriou o imóvel em 23 de agosto de 1990. Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim. na data de 22 de janeiro de 1966. coberto de telha comum. Foi a primeira a entrar nessa região. matrícula 1970. A festa a Nossa Senhora da Natividade. desde o ano 33 da era cristã. e que essas modificações foram feitas de acordo com a sua utilização. Diz D. dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da 29 / 49 . Acrescenta ainda D. 1 corredor. no lugar que a tradição indicava ter sido ali a casa de Santa Ana e. A desapropriação é confirmada pelo Decreto n° 024/90 da Prefeitura Municipal de Natividade. 22 (vinte e dois) metros no lado Oeste e 22 (vinte e dois) metros no lado Leste. com 20 (vinte) metros do lado Norte. compõe uma ladainha para a festa e introduz procissão no dia dedicada à santa. a fim de pedirmos a Vossa Santidade se digne declarar Nossa Senhora. quando o Papa Sérgio I. do Cartório de Registro de Imóveis de Natividade. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade. 1994. e devoto de Nossa Senhora. Celso "sendo nosso povo católico. solicitação ao Papa João Paulo II. Natividade. celebrada em 8 de dezembro. venerada. No livro n° 1 . o Grupo Escolar D. Padroeira principal deste Estado". Essa imagem é a mesma. no piso (que antes era de ladrilho) no reboco e na pintura. Nove meses depois. 18). na Igreja Matriz. em embarcações pelo rio Tocantins. 1 alpendre. a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. A casa contém 10 compartimentos. p. Nossa Senhora da Natividade Padroeira Principal do Tocantins. paredes rebocadas e pintadas. uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. 1 cozinha. "Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente. A Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII. quando foi transferido para Grupo Escolar Quintiliano Luiz da Silva. Esta devoção é sempre viva no nosso povo". em Natividade. na grande maioria. expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora. O entrevistado lembra que nesse período os alunos faziam apresentações teatrais usando o espaço físico do prédio. 1994. temos. Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás. em Jerusalém. termo referente a nascimento. Albany afirma que a parte interna da casa sofreu várias modificações. chegando a Portugal. De Portugal passou para o Brasil. A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano D. Hoje o imóvel é denominado Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira. Os devotos acreditam que Maria. A documentação escrita não é muito clara. Os moradores não sabem informar por quanto tempo a casa serviu de sede para a Companhia da Polícia. recebidos freqüentes apelos.

São Sebastião. Maximiano descreve em "Outras Estórias de Goiás" a lenda da "Serpente de Asas".Se ainda não a destruíra. ".. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901. Joaquim esclarece que não havia nada de mais (não havia malícia). em sua igreja". as árvores foram retiradas na década de 1950. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade. local onde funcionou o primeiro mercado municipal. velhas rezadeiras em Natividade. com uma bancada para subir e umas argolas. Tenho a impressão que o pelourinho foi tirado pelos prefeitos nomeados pela ditadura de Vargas" (Adail Santana. Em 1919 algumas modificações foram realizadas. Maximiano da Matta e José Lopes Rodrigues. onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário.. Enquanto.. A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. o sr. No local não tinha nada construído. 2003).não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade. etc). que segundo os moradores a serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na Igreja Matriz. quando se construiu a segunda torre. com pintura policromada. com repinturas. havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja da Matriz. Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões PRAÇA DA BANDEIRA Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho. E o milagre da Virgem se verificava em atenção ao Oficio de Nossa Senhora que.Fragmentos do passado". do Rosário).. papagaio.". A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz coletadas por autores locais como Dr. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor. possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais. "Antes só tinha o pelourinho. todos os sábados era rezado. as moças procuravam os rapazes e os rapazes procuravam as moças). do Bonfim e redondeza vivera em segurança. o prédio da câmara municipal.. o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. Têm ainda dois sinos de 1858.. A Serpente de Asas era uma ameaça permanente sobre a cidade: ". está pintado de azul. a cada sábado. Era um cercado de madeira. existirem. PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões. Sra.. "Possuía apenas uma torre. A cabeça fica debaixo da Lagoa Encantada. O altar é feito de madeira. Joaquim recorda que a brincadeira mais comum era o furrum (escondiam no meio do mato. É uma espécie de dragão como aquele de São Jorge. devia-se o milagre a proteção da Padroeira que. recebendo a denominação de Praça da Bandeira. as moças eram puras". etc. religiosamente.Natividade. antigo governador de Goiás. Lá amarrava e açoitava os escravos. e os correios. mangueiras.. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972. O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. criadas durante a semana e destinadas a permitir-lhe o vôo até o cobiçado objeto de sua destruição. mudou-se a fachada e trocou-se a escada de madeira que leva ao coro por pedras (utilizaram pedras da Igreja do Terço e da igreja N. sr. essas árvores eram cercadas de pedra canga com massa a cal. serpente mora na caverna que principia debaixo da Igreja Matriz de Natividade e vai acabar debaixo da Lagoa Encantada. conservados até a década de 1960. A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial.. são montadas barracas onde se faz leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado a santa. em madeira. muitos metros abaixo da superfície: a ponta do rabo está justamente debaixo da Matriz. fruta-pão. "todo mundo era inocente. Para José Lopes Rodrigues "Natividade . finca. lhe fazia cair às penas das asas. ex-prefeito de Natividade). havia apenas árvores (juazeiros. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997. Conforme informações de seu Joaquim no período chuvoso o mato crescia e servia de pasto para os animais. amendoeiras. São Gonçalo. Com a retirada do pelourinho. Hoje. Nas suas recordações o sr. Joaquim lembra também de outras brincadeiras como: pião. Conforme depoimentos coletados por Simone Camêlo Araújo. A igreja está em estado bem conservado" (UEP/Natividade. O local servia também para brincadeiras de moças e rapazes. Antes se chamava Praça do Conselho (devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça). Segundo o senhor Joaquim Rodrigues Cerqueira. Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções. Envolta da praça tem quatro casas que conservaram suas antigas fachadas. Os piões eram feitos de limeira e 30 / 49 . aos sábados rezando o oficio de Nossa Senhora. 81 anos. porém.

Tocantins. do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos. O sr. Segundo relatos de viajantes esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII.(Apostila) "Conhecendo Natividade Tocantins". foi onde nasci e me criei. calçamento de concreto. quando recebeu uma iluminação especial. As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. PARENTE. parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980. As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras. chama a atenção pela sua opulência.C. brasiliense. Quintiliano Luiz da Silva. duas fontes luminosas. levando os negros a escolherem essa invocação. Izambert conta que essas árvores vieram de São Paulo. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto. No Brasil. Conforme informações do senhor Izambert Camelo Rocha. onde o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. O sr. Universidade Católica de Goiás .limoeiro. "a praça representa para mim muita saudade . Daí surgiu a idéia de se construir uma estrutura para a praça. toda em pedra. A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras. saudades dos amigos.1949. Em Natividade. o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 a 1829. há relatos sobre uma irmandade do Rosário. PROGRAMA MONUMENTA/BID. · · · · LEMOS. Goiânia 1999. A sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais. Associação Comunitária Cultural de Natividade . · CATRO. monumento à TV Anhanguera e à instalação da água. · IPHAN. segundo ele cada brincadeira tinha seu tempo certo.Natividade. eu sou muito sentimental. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras. Ed. embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte da igreja. Mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas. amoroso. E.Fundação Nacional Pró-Memória . mas não foi possível comprovar isso 31 / 49 . E também pelos alicerces em pedra canga. sob a gerência do IPHAN foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno. o que seria o templo dedicado a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Temes Gomes. Carlos A. Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Joaquim se emociona ao lembrar dos" velhos tempos". ( Cartilha ) Natividade .1948 . grandiosidade e beleza. 80 anos. em 1996. FONTES ORAIS · Adail Viana Santana · Alarico Nunes Suarte · Albany Costa Cerqueira · Antonio Viana Bezerra · Dario Camelo Rocha · Izambert Camelo Rocha · Joaquim Rodrigues de Cerqueira · Theodoro Nunes da Silva · Simone Camelo Araújo · Joatan Bispo de Macedo Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sob a denominação de ruínas. 5ª edição. todas a outras continuam morando no entorno da praça. um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade)." Com exceção da família do Dr. igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres.prefeito da cidade. FONTES BIBLIOGRÁFICAS · ASCCUNA. ex. Quintino Pinto de. Natividade e seu Município . Segundo ele no local da praça havia uma quadra de esportes e os moradores não gostavam porque a bola sujava as paredes das casas. (Caderno) Estudos de Tombamento. Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. sofreu um processo de intervenção em 1992 através do SPHAN/Pro-Memória. na sua administração. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins.MINC . conservada ao longo dos séculos. Da obra ficou concluída a capela-mor. O que é Patrimônio Histórico.

as guerras eram travadas por motivo de vingança: guerras de conquista eram-lhes inteiramente desconhecidas e. nem os animais. nem os rios. Outros Apinayé viviam em torno da cidade. 91). os rios. viu-se rodeado de grande número de índios. Povos Indígenas São inúmeras as tribos da nação indígena no Tocantins. atiraram na água e de cada uma surgiu um ser humano. por volta de 1880. sede do governo do estado do Tocantins. que pareciam regimento formado (Nimuendajú. Quando esses exploradores constataram que havia ouro na região.historicamente. caçada de escravos para si ou para neo-brasileiros. na praia da esquerda. A caça era feita por homens e mulheres. Em 1780 foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os guerreiros apinayé. havia 1362 Apinayé na aldeia Boa Vista. Tantos eram que se viam na parte de baixo. ofereciam presentes aos seus deuses e divindades. Segundo Nimuendajú. quando as cabaças amadureceram levaram para a beira do rio. Às vezes ateavam fogo no campo para os animais saírem e assim. incorporado 32 / 49 . colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó. Pág. Os Apinayé eram conhecidos como grandes guerreiros. Segundo dados do Conselho Indígena Missionário . com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região. na criação de gado e na navegação fluvial para o Pará. os animais. vem de 1774. seiscentos índios Apinayé trabalhavam na agricultura. praticavam a agricultura.CIMI em 1780. Andaram pelo mundo e criaram as plantas. Dentre elas algumas merecem maior destaque. onde vivem hoje. em Palmas. Os homens utilizavam o arco e a flecha. Todas as suas aldeias eram numerosas. vários garimpeiros em busca de enriquecimento enfrentaram os índios provocando uma luta que se estendeu por muitos anos. A população Apinayé abatida por doenças e guerras foi se afastando para dentro da mata ou aceitando o aldeamento como necessário para a sobrevivência da comunidade. pág. As conseqüências dessas informações passada de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos resultado de ações de indivíduos. que dizendo sonhar onde estava o ouro perfuravam as ruínas. Os filhos do Sol chamaram-se Kóó-di e os filhos da Lua Kóó-ré e ficou determinado que os Kóó-dí casariam com os Kóó-ré e então. Conheça cada uma delas nos links abaixo: Apinayé Origem mítica do povo Apinayé No início dos tempos não existia as árvores. Antônio Tavares. voltaram para o céu. O avanço da civilização colonizadora para a região dos Apinayé teve início em 1797. apanhá-los. 71). (Relato de Xavier Apinayé) História Os primeiros registros do povo Apinayé na região. Nesse mesmo período. O sol fez uma aldeia e uma roça e nela plantou cabaças. 02). Na contagem seguinte. o arco cruzeiro dessa ruína serviu de inspiração para a construção dos arcos do Palácio Araguaia. viajante que navegava pelo rio Tocantins. os poderosos índios da região norte. Mulheres caçam tatus com o cavador e o terçado (Nimuendajú. Chegaram exploradores e aventureiros em busca de riquezas. os Apinayé foram viver perto do povoado de Santo Antônio. Ainda segundo Simone Camêlo. pág. tão pouco praticavam pois desconheciam a escravidão (Nimuendajú. a caça e a pesca. armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. como faziam os Krahò. O Sol (Mbu-di) convidou a Lua (Mbudvrà-ré) para descer a terra. Relatos coletados por Simone Camêlo Araújo afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo.

Demarcação das terras O Capitão José Dias. Os Apinayé vivem hoje numa área demarcada. Arco e flecha. as histórias e os costumes. Nas roças comunitárias ou nos roçados individuais as tarefas são distribuídas entre homens. Artesanato Os Apinayé fazem trançados variados. as mulheres e as crianças encovairam. derrubando e queimando. existem muitas pessoas e cada uma tem função diferente. 33 / 49 . Maranhão). O artesanato serve para enfeite e são utilizados nas celebrações. Também utilizam a miçanga para confeccionar colares. plantam. Cestos. onde o terreno é queimado e os tocos são arrancados para depois iniciar o plantio. em 1899. penas de pássaros. açaí. Os cantadores e cantadeiras cantam no pátio. os professores índios e não-índios que ensinam a ler e escrever e. esteiras e cofos. Os apinayé também vendem o seu produto nas cidades próximas às aldeias. Ao mesmo tempo os Apinayé mudaram para a aldeia do Cocal. O Cacique é chefe superior da tribo. tanto o trabalho como os produtos. a população Apinayé entra em decadência. Enquanto os homens preparam as roças brocando. acima do Ribeirão São Benedito. onde vivem até hoje. bacuri. fibra de tucum e babaçu. Limitaram-se a trabalhar na agricultura. viajou ao Rio de Janeiro para pedir a demarcação de suas terras. transmitido pelos mais velhos de geração para geração. mas conservam seus desenhos tradicionais. tudo é repartido. Utilizam a palha de babaçu. por fim. amendoim. Com o contato permanente entre os índios e a sociedade envolvente. raspam. Colares: confeccionados com sementes variadas. o povo Apinayé lutou pela demarcação de seu território que foi registrado e homologado apenas em 1985. mandioca. as mulheres cozinham. Sua população atual é 1014 habitantes (FUNAI/MAIO/1997). Quando muitas famílias participam. Os enfermeiros.904 hectares. tucum e buriti para confeccionar cestas. tucum e palmito que complementa a sua alimentação. outros gostam de pescar e caçar. Os Apinayé coletam o babaçu para fabricar utensílios domésticos e cobrir suas casas. ficando cada vez mais distante da antiga e numerosa tribo. distribuídos em sete aldeias. cofos e quibanos: confeccionados pelas mulheres em trançado de fibra de buriti. líder dos Apinayé. Ele e o Vice-cacique resolvem os problemas da comunidade.mais tarde a São Pedro de Alcântara (Carolina. capinam e fazem a colheita. Esses artefatos são tingidos com urucum e jenipapo. bacaba. Os colares são feitos com sementes de árvores do cerrado e os cocares com penas coloridas. buriti. Assim ensinavam a língua. Com a fundação do posto do SPI. Durante muitos anos. feijão. murici. batata doce e inhame. maracá e borduna: confeccionados pelos homens que utilizam madeira. ralam e imprensam a mandioca. Uns gostam de trabalhar. mulheres e crianças. cuidam das crianças. Tradicionalmente plantam milho. Educação A transmissão tradicional do conhecimento entre os Apinayé sempre foi oral. quando restavam apenas sessenta índios. O pajé é chefe espiritual da tribo. pequi. Os curandeiros cuidam das doenças. os Apinayé deixaram de migrar constantemente e passaram a permanecer nas suas aldeias na região de Tocantinópolis. bambu e espinhos. na criação de gado (aprendido com o não-índio) e na navegação fluvial. em 1936. outros gostam de coletar frutas silvestres (relato de Cassiano Sotero Apinayé). próximo aos municípios de Tocantinópolis. Trabalho O trabalho pode ser feito em mutirão. fibra e coité onde fazem os desenhos. Os homens pescam. O sistema utilizado para a plantação é da tradicional roça de toco. babaçu. as pessoas das famílias. Fazem a coleta de andu. de 141. caçam e cortam lenha. os rituais. em 1940. Vida Cotidiana Na sociedade Apinayé. Maurilândia e Lagoa de São Bento. Tomados por uma epidemia de varíola passaram em poucos anos de 4200 para 1500 pessoas. a arte.

Os Apinayé levam comida para o morto.Devido à convivência interétnica surgiram as escolas que.A festa é realizada para fazer o espírito voltar para o corpo da pessoa que está doente. Quando. em geral no fim de algum contraforte. Chamam um cantador que fica do lado do morto cantando até o dia amanhecer. Cantiga de tora. 10 anos. Panhi nunca quis largar a música. caça e banho. Apenas a pessoa doente não come. Ritual de morte e enterro . Quando os outros voltam do enterro vão banhar no ribeirão. de acordo com o clã. os apinayé escolhem sempre um lugar que satisfaça às seguintes exigências: O chão deve ser plano. em conseqüência das derrubadas anuais. Na casa todos choram e depois distribuem a comida sempre com a presença do pajé. Antes isso acontecia quando ainda eram crianças. Mas. O morto é banhado e colocado numa esteira onde recebe a pintura e os enfeites segundo seu clã. Também colocam os seus pertences sobre a sepultura. levando aos locais de roça. cantor). no início. Levam a pessoa para a casa dela juntamente com o twy kupu (comida feita com mandioca e carne) como oferta para o espírito voltar. Os caminhos da roça são relativamente limpos para que as mulheres possam passar livremente com seus cestos de carga. Os parentes que estão enlutados não cortam os cabelos. porque acreditam que sua sombra possa voltar para casa à procura de alimentos. feito na palha da bananeira cozido no muquem. jenipapo e lã de pati. Celebrações e Rituais As festas são realizadas no pátio. em conseqüência das derrubadas anuais. A comida preparada é o paparuto . pelo menos. uma cantora fica cantando até o dia amanhecer. não se pintam e não participam das reuniões na praça. (relato de Kunum Apinayé). Caminhos estreitos cortam a mata ciliar em todos os sentidos. pesca. O solo não deve ser pedregoso nem arenoso. a mata já fica numa distância de mais de duas léguas da aldeia. No geral. muda-se esta novamente para um lugar onde ainda haja bastante mata nos arredores. A Festa do Mekapri . Toda cantiga. no ângulo entre dois cursos de água confluentes. depois. O lugar não deve ser demasiado distante da água. continuam a chorar no lugar onde o enfeitaram. ajudando a manter a cultura e revitalizando a sua identidade étnica. Os moços levam o paparuto para a casa dos padrinhos da noiva e lá recebem conselhos para não brigarem e viverem em paz. a construção de casas de alvenaria tem forçado a permanência da aldeia num mesmo local. localizado no centro da aldeia. já é possível que os jovens escolham com quem querem casar. Nestas os alunos têm a oportunidade de ler e escrever na sua própria língua e depois no português. No dia seguinte. Um ano depois visitam seus parentes no cemitério.Começa a lamentação quando todos os parentes se reúnem na casa do morto. Durante a noite. A alegria do Panhi (índio Apinayé) é a invenção da música. O noivo senta ao lado da noiva e o conselheiro fala das obrigações de cada um para ter uma vida boa e correta. Nas proximidades deve haver mata ciliar para os roçados. A Casa Apinayé A construção de casas de alvenaria de tijolos industrializados e a adoção de técnicas mais desenvolvidas de plantio (como mecanização e adubação do solo) tem levado à perenização da 34 / 49 . com maracá. Em tempos mais recentes. São mantidas pelo Governo do Tocantins seis escolas bilíngües.espécie de bolo de mandioca com carne. ensinavam somente o português. Para a fundação de sua aldeia. tradicionalmente. Hoje. em solo não pedregoso e perto de córregos d água. quando. como índios tinham muitas dificuldades em aprender porque os professores não compreendiam o que eles falavam nem os alunos compreendiam o que o professor dizia surgiram as escolas bilíngües. dão banho de água fria na pessoa para purificar. São iniciadas pelo cantor com seu maracá. esta mata se acaba. Os padrinhos e as madrinhas da moça ainda podem escolher o marido. estando de acordo com a sua família. A Aldeia Apinayé As aldeias Apinayé são construídas em lugares planos. pintam e enfeitam todo o corpo. a aldeia é reconstruída em outro lugar. Nas proximidades deve haver bastante mata ciliar para os roçados durante um espaço de. Hoje tem uns que não sabe cantar a Tora grande (relato de Alcides Apinayé. Casamento: Os noivos são enfeitados nas casas maternas com pinturas de urucum. Quando eles terminam falam: se o rapaz não fizer direito com nossa afilhada nós vamos fazer desse jeito com você: cortar seu pescoço (relato de Ausira Apinayé). no alto dos campos. em torno de 500 metros. Os pais e os parentes mais próximos não acompanham o enterro. mas ser formado de argila dura.

Na Ilha do Bananal. empreendida pelo rio Araguaia. 35 / 49 . Koboí decidiu sair mais era muito gordo e não conseguiu passar. são fechadas com divisões de esteiras de palmeiras encostadas contra uma travessa armada na horizontal.1997). A disposição da aldeia é inteiramente igual àquela das tribos dos Kráhò: as casas são distribuídas aproximadamente em círculo. durante a primeira viagem deste. Uma família saiu. outras casas senão do tipo daquelas ainda hoje em uso: retangulares. frutas. Durante o verão viviam nas praias do rio Araguaia e no inverno subiam os barrancos onde tinham suas aldeias maiores. são os ibòò marãdu (turma de cima). doentes e com a população reduzida. As que ficam próximo ao rio Javaé levam esse nome. às margens do rio Araguaia. Voltou para contar o que viu e foi para a superfície. Javaé. Essa junção não deu certo e os Karajá voltaram para suas praias. tijolos de adobe e alvenaria de tijolo industrializada.aldeia. de Xambioá. idênticas às dos moradores da região. como parentes e embora geograficamente separados. No Tocantins. FUNAI/ 1997). Atualmente. As casas são construídas com materiais que vão da palha de buriti. os comerciantes utilizaram a mão-de-obra indígena. Com o avanço da navegação fluvial. Mato Grosso e Pará. por morarem perto da cidade do mesmo nome. de se iniciar a preparação das roças e da coleta de diversas espécies vegetais" (EIA/FUNAI . História Antes de 1500. são conhecidos pela comunidade Karajá de iraru mahãdu (turma de baixo). ficando o lado mais comprido voltado para a praça que se encontra aproximadamente no centro. A tradição dos Apinayé não dá a conhecer nas aldeias fixas. como se tivesse a mesma forma das aldeias tradicionais. Durante os séculos XVII e XVIII o contato com as expedições dos paulistas provocou muitos conflitos. Têm-se ainda casas erguidas com tábuas de madeira aparelhada. Os Karajá. algumas aldeias Apinayé têm forma retangular com um pátio de reuniões central. principalmente como remeiros. assim chamados. as árvores. localizadas nas barreiras ao longo do rio. "A referência para a denominação do grupo é dado pela sua localização ao longo de um eixo. os Karajá ainda viviam de acordo com as mudanças climáticas. concentra-se o maior número de aldeias. Ali mantiveram contato com o jesuíta Tomé Ribeiro. Xambioá Origem mítica do povo Karajá Conta a lenda que os Karajá viviam no fundo do rio Berorõdy (rio Araguaia). Nos dias atuais o regime das águas ainda marca o tempo que determina as manifestações sociais da comunidade. Os Apinayé possuem atualmente aldeias fixas. com cumeeira e cobertas de palha de palmeira. falam a mesma língua. pertencem aos mesmos antepassados. nas aldeias da Ilha do Bananal. entre elas. Da praça central partem caminhos radiais que a ligam a cada casa. a cheia e o início da vazante. Os que saíram são conhecidos como Karajá. no entanto. É o tempo da caça. existem três grupos: os Xambioá. Javaé e Xambioá. Diante das casas. Nos anos seguintes a relação com os não-índios intensificou-se com a vinda dos mineiros e das frentes pastoris e agrícolas. devido às invasões de seu território e confrontos com outras etnias. Os Karajá aceitaram a paz no final do último século e foram viver nos aldeamentos junto a outras etnias. mas todos são o povo Iny. A migração sazonal levou os Karajá para várias regiões até conquistarem o território onde vivem. As casas são feitas com pouco acabamento. Xerente e Caiapó. Karajá. ao redor do círculo interno. Certo dia descobriram um buraco e resolveram ver o que tinha do outro lado. "A partir do início das chuvas e subida do nível do rio Araguaia os Karajá reúnemse nas suas aldeias maiores. pássaros e animais. mas se auto-denominam Iny. Utilizavam diferentes locais de moradia. possuem os mesmos costumes e se identificam uns com os outros. os segmentos residenciais dispostos em retângulo continuam a ser interpretados como se estivessem colocados em círculo e assim é que são representados graficamente pelos Apinayé. na prática. Na Ilha do Bananal vivem os grupos Karajá e Javaé em aldeias separadas. corre um caminho largo normalmente denominado rua. o rio Araguaia" (EIA. quando o rio fica behetxi (parado). Os Karajá de Xambioá possuem duas aldeias e uma pequena população. migraram entre outros motivos. No começo do século XX. conforme as estações do ano e o regime das águas que eles dividem em início das enchentes. os Karajá subiram o rio Araguaia. viu a terra. passando pela taipa.

Durante o verão. na coleta de frutos e ajudam nas roças que ficam distante da aldeia. Servem também para enfeitar instrumentos musicais. Arte plumária: Essa arte exige muita habilidade e identifica o homem indígena com a natureza. 1941). Servem como utensílios domésticos. passam a maior parte do tempo nas praias. 36 / 49 . A cerimônia é feita com uma apresentação pública e formal dos noivos para a comunidade. São confeccionados cocares de grande e pequeno porte. os espíritos e com seu próprio interior. dedicam-se especialmente à pesca tanto para o consumo como para vender ou trocar. dos barrancos do rio Araguaia que é misturado com cinzas da madeira do cega machado e colocada para secar ao sol. Para confecção da cerâmica utilizam o barro branco retirado. Adquirem através destes os produtos industrializados: roupas. Salgam os peixes e levam para as cidades próximas. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu. Os Karajá fazem a coivara e usam o sistema de rotatividade no uso da terra. usado pelo chefe de cerimônia. Os Karajá organizam-se em famílias extensas que incluem além da família nuclear. filiação. As mulheres trabalham na confecção do artesanato. Utilizam o tucum para fazer o arco. pratos tigelas) ou ornamentais (bonecas ritxokò). No final. cará e o arroz. batata-doce. da bacaba e a seda do buriti. instrumentos musicais e canoas. Os trabalhos desenvolvidos pelos homens são a pesca. como: Haretõ que representa o sol. durante o período da estiagem. idade. homens e mulheres. a fauna e a flora. tinta retirada do sumo do jenipapo misturada ao pó do carvão e de vermelho. A cerâmica passou por uma mudança significativa devido a valorização e pressões comerciais. depois transportam para a palha. Trabalho Os Karajá são essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. Nos Sertões do Brasil. cana-de-açúcar. como enfeites e artefatos. na época da estiagem. é usado pelos rapazes e o Lori lori. onde se faz e desfaz facções. a caça e a roça. braçadeiras e tornozeleiras. Artesanato "A beleza transcende aquilo que a aparência física revela". Os artesanatos são utilizados nos rituais. a peça é pintada de preto. 1957). Trás uma significativa expressão de riqueza e esplendor. Cestaria: Serve para o transporte e armazenamento de mantimentos e como peça decorativa. ministrando interesses e mudando a política dentro da comunidade. neste século. retiram material para construção de suas casas. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária. As mudanças de residências são matrilocais: o rapaz tem que acompanhar a moça. bacaba e madeiras como a sarã para confecção de brinquedos e artesanato. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio. principalmente na política que faz as lideranças das aldeias. cada um com seu significado. a confecção de artesanato. No entanto é forte a tendência do povo Karajá em manifestar suas opiniões e fazer permanecer suas tradições. banana. (potes. pescando e coletando. brincos. sexo e prestigio (Fritz Krause. As artesãs personalizam seu trabalho com figuras decorativas tradicionais e usufruem de grande prestigio dentro e fora da comunidade. primeiro o objeto é colocado perto do fogo. genros e netos. É uma forma de identificar o grupo étnico e a posição social na comunidade como: cargo. Cerâmica: Confeccionada pelas mulheres. milho. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam. cerâmica e cestaria. Quando chegam as chuvas (Novembro a Março) dedicam-se às atividades agrícolas. jenipapo e urucum para as tintas. são utilitárias. o coco do buriti. depois coberto com pedaços de lenha. Os adornos que utilizam a plumária são: colares. armas e máscaras. "Teve um tempo em que Karajá vivia como gaivota" Temysari Karajá (cacique de Xambioá) Os casamentos: São monogâmicos e combinados entre os familiares. Cada família tem o seu roçado e cultiva: mandioca. alimentos.Entre os Karajá as atividades políticas são bastante difundidas girando em torno de um complexo sistema de alianças. brinquedos para as crianças e também para a comercialização. retirada do sumo do urucum. passando a residir na casa da sogra. consagra-se lideranças e afastam-se outras. fumo e bebidas. a palha de buriti para as esteiras. A técnica da cestaria é ensinada pelos homens mais velhos aos jovens que desejam aprender. Na finalização das bonecas utilizam cera preta para fazer os cabelos (Berta Ribeiro. Da natureza. devido a interferência de religiosos e agências governamentais. As crianças aprendem desenhando na areia. Para o cozimento. Muitas coisas mudaram.

o corrupião o boto e a cobra coral. braçadeiras e tornozeleiras. Lutam dois de cada vez. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". nos cestos. Ijesu são as lutas Karajá. Existem dentro da comunidade pessoas especiais para fazer a pintura corporal. No ritmo das chuvas. para dentro da aldeia. Na preparação das festas os homens saem para as caçadas e pescarias. ralam. Mulheres. Ensinam aos descendentes a importância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vem de tempos milenares. As festas têm caráter religioso e são realizadas durante a época de fartura alimentar. 37 / 49 . As tintas de jenipapo e urucum são utilizadas na pintura corporal. Depois das boas vindas. A festa começa quando o pai do menino vai conversar com o pajé para ele chamar os Aruanã. em vários estilos. os donos da festa precisam mantê-la em pé. do grande Berohoky (rio Araguaia). Os cemitérios ficam perto da aldeia. Os Rituais de Morte: Os karajá acreditam que. retirada do jenipapo e vermelha do urucum. A luta vai até o amanhecer. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras. no mesmo sentido das casas. repetindo os feitos de seus ancestrais dos quais muito se orgulham. As representações gráficas são diferentes para cada grupo social dentro da aldeia: os homens pintam de uma forma. Representam os animais como a ariranha. pescar ou fazer alguma viagem. uma grande casa é construída para os convidados onde deverá ter comida farta para todos. depois da morte. marcarem também um novo tempo. "As crianças aprendem a desenhar. as mulheres casadas de outra. como: pássaros. peixes e répteis. Festa do Hetohoky Também conhecida como a "Festa da Casa Grande" representa a passagem do menino para a fase adulta. As figuras míticas dos espíritos protetores cantam e dançam para todos. retiram o que restou e colocam em urnas de cerâmica.Celebrações e Rituais O Povo Karajá mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. em frente ao rio. sobe e desce. que dura o ano inteiro e revitaliza a cultura da comunidade. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. Ijasò Os Aruanã (Ijasò) são espíritos trazidos pelos pajés. Ganha quem ficar de pé. Os homens quando vão caçar. Os Aruanã entram e saem das casas cantando e dançando para além de marcarem a passagem do menino. eles sobrevivem em espírito. colocam para secar. coletam frutos e fazem bebidas. espírito do mal. pedem proteção aos Aruanãs: dançam aos pares e não mostram os seus rostos. nas cerâmicas. é nas noites de lua cheia que acontece o rito reservado somente aos homens. quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. velhos e rapazes também têm suas pinturas características que representam formas de distinção e hierarquia dentro da sociedade. A Pintura Corporal A pintura corporal é a representação de figuras simbólicas dos animais da região. nos remos e nos maracás. é o espírito do bem e cunin. Utilizam as cores preta. nas esteiras. Convidam os Karajá de toda região para participar. a disputa do mastro e a brincadeira da bacia. Mas. olhando suas mães e irmãs" (Ijyraru Karajá) Os desenhos são usados no corpo das pessoas. Enterram seus mortos em covas rasas cobertas com palhas e. São realizadas lutas tradicionais. um ano depois. Uorossani. as mulheres arrancam a mandioca. São feitos os ornamentos e enfeites: cocares. as solteiras. colares. homens e crianças participam do "ciclo do Aruanã". Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora.

os frutos da Terra. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. saindo da rua central. 38 / 49 . voltadas para o rio. a rua central é também utilizada pelas mulheres como local de trabalho. Depois das boas vindas. a aldeia Xambioá. para ter conforto. Essa interpretação feita pela arquiteta Cristina Sá (In: Revista Projeto/1983) é sugerida pelo fato de que. com casas alinhadas dos dois lados de uma rua central. De acordo com os mais velhos. tem os caminhos que levam à casa de Aruanã. Tradicionalmente e nos dias atuais é costume localizar o cemitério à beira do rio. Entretanto. começa a luta entre os homens uma verdadeira prova de força e resistência corporal. porém. levam aos barrancos onde se desenvolvem atividades públicas como. a floresta. Santa Isabel do Morro e Fontoura. esse tipo de distribuição das casas pode ser interpretado como a duplicação de uma aldeia Karajá tradicional. acompanhando-o linearmente. Implanta-se a aldeia em barrancos planos acima do nível do rio. usado preferencialmente por rapazes solteiros. Em Santa Isabel do Morro ainda existem os caminhos secundários. Vida Karajá. estão voltadas para esta ruaAlém de servir para a circulação. são as aldeias Karajá que mantém. No entanto. na Ilha do Bananal. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. a pouca distância das casas. situada atrás da fileira de casas. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). o processo de formação da aldeia é repetido. A luta vai até o amanhecer. e não a cópia de um povoado não-índio. Faz mudar as vidas. a aldeia transferia-se para as praias. o calor. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. foge a esta regra. em locais livres de vegetação arbustiva e rasteira. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Observa-se na disposição dos túmulos a forma utilizada para a posição das casas: pessoas do mesmo grupo familiar são sepultadas uma ao lado das outras. deve haver espaço suficiente para os mortos. ancoramento de canoas. quando existe uma única porta. banho em família ou individual e lavagem de roupas. Em qualquer época. das brincadeiras de meninos e meninas e de descanso onde. as casas eram alinhadas ao longo da margem. a chuva. atrás delas um caminho secundário. da mesma forma que os vivos devem contar com espaço bastante. O Sol. Como não é permitida a superposição de sepultamentos. no extremo da aldeia. com duas fileiras paralelas de casas ao longo do rio. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. interditada às mulheres e crianças. a fartura dos peixes. À primeira vista a aldeia se parece com os povoados habitados por sertanejos. duas fileiras ao longo de uma rua central. em suas moradias. a praia. Ocorrem grupos de túmulos ortogonais ao rio. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). quando o Diré (menino que está sendo iniciado) chega para a cerimônia com o corpo todo pintado de preto (jenipapo e carvão) e a cabeça raspada. estação seca (maio a setembro). à tardinha e à noite. O sereno. a uma certa distância. a escola. A Aldeia Karajá Atual Nos dias atuais os Karajá não fazem os acampamentos de verão. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. as casas para os funcionários e para os três capitães da aldeia. coleta de barro para a confecção de artesanato (mulheres) ou para construção (homens). Enquanto os visitantes tentam derrubar a tora. comer ou dormir. São mantidas no entorno apenas algumas árvores de maior porte. Saindo na direção oposta à rua central. acima do nível das enchentes. em parte. Uma linha reta que guia a vida. facilitando a pesca e a coleta de ovos. que são usados preferencialmente pelos rapazes solteiros e pelas crianças. As diferenças ficam por conta das edificações com materiais industrializados realizadas pela FUNAI: o posto de saúde. a implantação tradicional. localizada no norte do estado. que continua a ser o principal marco de referência.Faz mudar as casas. passando pela porta das casas da fileira próxima ao rio e pelos fundos das casas da outra fileira. no verão. pois todas as casas. Outros caminhos. A competição entre as aldeias começa a noite quando os homens se reúnem em torno da "tora grande". essa fica voltada para o rio. as famílias colocam suas esteiras e banquinhos de madeira para conversar. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). na fileira de casas que fica entre a rua central e o rio. os donos da festa precisam mantê-la em pé.

no verão. Como outros grupos os Krahò combateram outras etnias. A Aldeia Karajá Tradicional O Araguaia dita as regras.) Ai depois o Xerente começou também a brigar com os Krahò e eles desceram o rio". Ganha quem ficar de pé. usado preferencialmente por rapazes solteiros.. porque o Mehin (como os Krahò se autodenominam) brigava com o Gavião. competições entre aldeias e clãs Iny durante as festividades. os rios e o homem. interditada às mulheres e crianças. Pedro Penõ fala de suas lembranças sobre as lutas contra os outros povos e como essas lutas influenciaram suas migrações: "deslocou para Pedro Afonso. situada atrás da fileira de casas. voltadas para o rio. A política de aldeamento significava. Fomentar a guerra entre as diversas etnias foi uma estratégia bastante utilizada pela frente colonizadora para apoderar-se das riquezas encontradas nas terras de outro grupo (Carneiro da Cunha. estação seca (maio a setembro). o calor. os frutos da Terra. Como a maioria das tribos indígenas. a praia. Os Karajá não possuíam aldeia permanente: no inverno. O Sol.. obedecendo as relações de parentesco e a única a ficar afastada era a casa dos homens (Casa de Aruanã). foram habitar a terra em forma de homens. a aldeia transferia-se para as praias. Faz mudar as vidas. Pud (Deus) cantou e deu origem a todas as coisas do mundo. a chuva. Para os Krahò o canto é sagrado e tudo começa e termina com os cânticos ensinados por Deus. Lutam dois de cada vez.18). a floresta.Ijesu são as lutas Karajá. os Krahò habitavam a região do Rio Balsas no Estado do Maranhão quando tiveram registrados seus primeiros contatos pela "frente de colonização". Dez anos mais tarde. como a "luta de onça" que envolve pés e braços. Faz mudar as casas. Da cabaça criaram a mulher e ensinaram a construir aldeia e fazer roça e voltaram para o céu". na região onde hoje é a cidade de Carolina / Maranhão. em vários estilos. Falta um pedaço Krahò Origem mítica do povo Krahò "Sol disse para a lua: cumpadre vamos descer e decidiram: criaram as matas. a lua. segundo a conveniência dos brancos. deportação e concentração de grupos indígenas. Pokrok História Contam os Krahó em sua história mitológica que Put. havia nessa aldeia 2822 Apinayé e Krahò (Carneiro da Cunha pag. Recuaram para a margem direita do rio Tocantins. atrás delas um caminho secundário. entre os rios Farinha e Manuel Alves. as casas eram alinhadas ao longo da margem. local de reunião para os homens e de aprendizado para os rapazes solteiros. p. facilitando a pesca e a coleta de ovos. 39 / 49 . o sol e Pud roré. Riceles Araújo Costa A forma tradicional da aldeia Karajá era em linha reta: uma fileira de casas voltadas para o rio. sobe e desce. (. Vida Karajá. Os Krahò viveram na aldeia de Boa Vista do Tocantins. Estes índios além de agrupados a diferentes etnias deveriam desempenhar trabalhos para toda comunidade local. Em qualquer época. os Krahò sofreram grandes perdas na sua população. Uma linha reta que guia a vida. acompanhando a forma irregular do curso do rio. Na frente dessas casas ficava uma larga circulação principal. porém. 18). O sereno. fundada pelo frei Francisco do Monte São Vítor em 1841 no município do mesmo nome. a aldeia era construída nos barrancos mais altos das margens. em locais limitados onde havia uma constante vigilância dos missionários destinados ao trabalho de catequese. a uma certa distância. estação das chuvas e das cheias do rio Araguaia (outubro a abril). a fartura dos peixes. Existiam outros caminhos que levavam à casa dos homens (casa de Aruanã). No ritmo das chuvas. conservando o mesmo lugar relativo dentro do conjunto. acima do nível das enchentes. No final do século XVIII.

De outra forma. "Então mandaram pedir um padre. aos seus parentes os produtos dos seus roçados. depois da colheita outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local. p. e assim seria até morrer. Mas os Krahò resistiram e preservaram elementos fundamentais da sua cultura. Em 1940. quando caiu folha ele tira tudinho e faz uma tora e bota no fogo e assa. É uma área de aproximadamente 302. quando assar eles tiram tudinho e põe no sol. corte de cabelo. 24). Os Krahò negociam com os brancos. Pedro Penõ Após várias invasões. utilizando recursos que possam promover sua sobrevivência na relação interétnica. bacaba. p. "A divisa é Sono Grande que despeja no Tocantins. fundada em 1849 pelo missionário frei Rafael de Taggia. puderam manter sua identidade étnica. mediante pagamento em dinheiro. essa área que tem para o Krahò. "Os Krahò permitem que os regionais plantem em suas terras. hoje é considerada a maior área de cerrados inteiramente preservada no Brasil. Demarcação das Terras "Eu pedi mesmo. Eu já comi o beju de carne de casca de piaçava eu já comi também. faz muquem grande e assa.Uma parte da tribo Krahò foi levada à aldeia de Pedro Afonso. pois criavam empecilhos ao comércio fluvial através do rio Tocantins (Carneiro da Cunha." Pedro Penõ 40 / 49 . mas em caso de separação a mulher fica com a produção. Índios do Brasil. pág. eles pegam tudinho ai eles tiram.408). sem essas estratégias de defesa. em certos favores ou mesmo em troca de permissão de caçarem fora do território tribal" (Darcy Ribeiro. agricultura e pastoreio . pelo rio Tocantins. criem gado. as terras dos índios Krahò foram demarcadas. até rio Mateiro despeja no Suapara. tiram casca e botam no sol. Alimentação Pedro Penõ descreve. em produtos vegetais. Frei Rafael de Taggia ainda era seu missionário. aos oitenta anos. Ele chegou naquelas canoa grande. em reses. também tira a casca dura e cozinha no muquem conforme ai umas quatro horas. adquirida do contato permanente de aproximadamente duzentos anos com a sociedade envolvente. aí sobe até rio Perdido até rio negro que digo. Nome mudado do Rio Vermelho. até Chácara da Serra. Levaram pelo rio até Pedro Afonso. os índios Krahò sofreram um violento massacre desfechado por criadores de gado.levavam gado para o Maranhão. uma relação "ordenada" com o mundo dos não índios. como os cantos. Pedro Penõ Vida Cotidiana Dia-a-dia na aldeia Pedra Branca Para os Krahò a terra pertence a todos os membros da tribo. Ficaram morando lá até fazer a demarcação. trabalhavam na pesca. buriti. No início do século XIX eram quatro mil pessoas e em menos de um século. 133). entre Porto Imperial e Carolina. ai quando tá seco bate tudinho e tira carne de casca. talvez não conseguissem sobreviver aos tempos. a população reduziu para pouco mais de quinhentos habitantes. "Em 1886 restavam apenas duzentos Krahò na aldeia. quero lugar tudo desocupado". mistura com a casca de cipó. Os casais preparam a roça para sua família.533 hectares próxima as cidades de Itacajá e Goiatins. descascam tudinho. continuam vivas na memória de seus habitantes mais velhos. Frei Rafael. assim. que tinha se transformado num vilarejo de sertanejos afastados" (Mellati. Pedro Afonso era um importante entreposto comercial da época e servia de rota fluvial. Massa de macauba. mas os ataques e as doenças reduziram a população. e também. O marido e a mulher podem doar. Mas os Krahò foram removidos. Com a posse da terra ganharam uma "certa independência". os hábitos alimentares dos Krahò: "Comíamos toda fruta. A pressão colonizadora os obrigava a migrar aparentemente em direção ao nordeste. As invasões persistiram por décadas e. coco piaçava. Delimitada em 1976. macauba.. no Suapara desce até no Manoel Alves Grande." Pedro Penõ Anos depois apenas mil Krahò viviam em Pedro Afonso. voltando à sua região de origem às margens do rio Manuel Alves Pequeno. De primeiramente o índio planta aquele cipó e deu no fim. pisa no pirão e faz beju ou faz paparuto. Viveram nessa aldeia perto dos rios Sono e Tocantins. Quando já tá maduro. chegou verão. Essa que é a divisa dos Krahò". o cultivo dos alimentos e principalmente a formação circular das aldeias mantendo o equilíbrio cultural de seu povo.

e depois o Karõ transforma-se em animais. A área dos roçados fica distante da aldeia.Trabalho A divisão de trabalho é feita pela separação de sexo e idade. Tudo que se relaciona ao povo...) Uma vez nascida a criança. abanos e cestas. Os partidos: Os Krahò possuem dois partidos. o frio. (. O símbolo sagrado que mantêm essa harmonia e o respeito dentro da comunidade é o Khoyré. Artesanato Os Krahò confeccionam artesanatos utilitários: cofos para carregar lenhas e alimentos. suas festas. estão presentes em tudo. Certas magias. As Caçadas Os caçadores Krahò. as matas verdes. Na roça cultiva-se mandioca. conversar. Produzem enfeites e instrumentos musicais para as festas como os colares e as flautas de cabacinhas e os maracás que são feitos pelos homens. "Para os índios Krahò tanto o marido como a mulher tem participação na formação do corpo de um novo ser.. ter relações sexuais. Também procuram interpretar os sonhos que. assim como os velhos. p. As mulheres fazem a coletam. também devem conhecer muito bem os hábitos dos animais para melhor procurálos ou esperá-los. (. ou duas metades o Katam jê e Wakme jê . não pode brigar. matar cobras" (Melatti. Tem que falar pouco e escutar mais".) o homem Krahò evita comer carne e determinados alimentos vegetais durante os primeiros dias após o nascimento de seu filho. de onde tiram a sobrevivência do corpo e da alma. a seca. Quando se desrespeita o equilíbrio que rege as duas metades. Estão construídas em disposição circular.. Wakme jê representa o verão. Katam jê representa o inverno. Os homens seguem essas tradições por acreditarem que o filho tem ligação direta com o pai. Organização social Tradicionalmente as aldeias Krahò são politicamente independentes. segundo à espécie de animal que desejam caçar" (Melatti. considerado sagrado para os Krahò. segundo eles. para que se respeite o ritmo da vida e mantenha o equilíbrio. Bolsas para viagens ou para colocar roupas e pequenos objetos. É importante para os Krahò que as duas metades estejam em equilíbrio. respeitando o tempo das caçadas e toda as atividades dentro de uma relação com o tempo e variações sazonais. O material empregado na confecção dos artesanatos é retirado da natureza são: sementes. palha de buriti e babaçu. fumar.. plantam. histórias. ritos. cuias. beber. 48). pilões. os sentimentos e as crenças estão ligadas a natureza. os animais noturnos. exigem a abstinência de certos alimentos. 104). abóbora e principalmente o milho. são encarregados de carregar as armas e levarem a caça para as aldeias. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guerreiras. (José Aurélio Pokrok) Os Krahò acreditam que todos os seres: animais. assim 41 / 49 . para terem eficácia. As meninas maiores cuidam dos menores e os meninos. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo. uma machadinha de pedra que o povo Krahò tem como elemento importante para continuar a tradição e a vida. o nascente. a sede e a morte. para serem bem sucedidos.usam determinados vegetais para esfregar no corpo ou para fazer infusões que ingerem. a fome. o poente. Celebrações e Rituais Os Krahò cultivam seus rituais e celebrações com a mesma força que acreditam no equilíbrio das metades que rege suas aldeias. Quando morre um Krahò acontece a separação definitiva. Os velhos são representantes da tradição. O Karõ pode afastar-se do corpo. poderão predizer o sucesso das caçadas. conselheiros e sábios. onde a tribo se reúne para fazer as divisões de trabalho e tudo que seja importante para a concepção da vida cotidiana na aldeia. rege as chuvas. caçam e pescam. vem as doenças. além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada. p. Karõ. conhecida como.. (. possuem alma.. observando a rotatividade da terra durante o plantio. batata. segundo a tradição. são essas forças que regem a natureza e o homem. vegetais ou minerais. "aquele que possuir a machadinha não deve fumar. o calor e os animais noturnos.. Prepara-se também com certos recursos mágicos: ". amendoim. e cuidam da casa. Portanto. com um grande pátio no centro chamado Kà. penas de pássaros e cabaças.) não pode trabalhar.

Os velhos do partido do inverno ficam no pátio. cantam até o dia amanhecer e ajuntar o pessoal. Jogam as batatas nos rapazes.Pônhê Na festa do milho os Krahò comemoram a fartura das roças. Depois o partido do verão recolhe todos os alimentos na casa dos homens do seu partido. A cada novo desafio. as mães acendem fogueiras e as brincadeiras recomeçam com as cantigas de maracá. você irá viver por muito tempo até ficar velho. Corrida de toras Homens e mulheres participam da corrida com toras. quando existe comida suficiente para alimentar todos que participarão dos rituais. Quando chega a noite começa a cantoria. mostram o que vai acontecer. especialmente preparadas para cada tipo de festa. a mulher e a menina. logo morrerá. Segundo o nome que recebe. O cantor de maracá e uma mulher cantam lado a lado na casa de reunião dos homens. cedem o lugar para outro. A cerimônia começa quando todos vão para o círculo maior. 42 / 49 . O menino Krahò recebe o nome geralmente de seu tio materno. A Machadinha sempre fica guardada. são seguidos por toda a comunidade. Khoyré . Preparam um grande bolo de mandioca e carne. se deixam cair. batatas. Fazem os enfeites que os rapazes e as moças usarão durante as festividades. sobre os animais". os homens ficam passando por elas e o cantor conduz ensinando as músicas dos antepassados. do verão. uma menina aprende os cantos.era preciso se preservar para que os filhos sobrevivessem seus primeiros dias de vida com saúde. se o bicho matar o indivíduo este. sai um portador para convidar outras aldeias para participar da festa. explicam as coisas. recolhendo os alimentos nas roças do partido Wakme jê. No final. Fazem dois grandes feixes de palha contendo os alimentos e colocam diante de suas casas." Dodani Krahò Festa do Milho . "Cortam as toras de buriti. é realizada durante o verão. às vezes passam até dez anos para que ela seja realizada. o indivíduo passa a pertencer a certo grupo cerimonial e a certa metade dos muitos pares que existem na sociedade. explicam para os mais novos que vão para o mato matar algum bicho e trazer para o rumo do torí(não índio) as coisas que mataram repartem. comparam o peso de cada uma e começa a corrida. se vão trabalhar ou vão para a caçada. a brincadeira torna-se mais festiva. A machadinha que toma conta da aldeia resolve as coisas. Os grupos que correm representam os dois partidos. então vão dividir carne e correr para o rumo da aldeia. Na aldeia é o cantor que usa a machadinha. Preparam-se para a corrida que terminará no pátio. A Festa da Batata (panti) Celebra a colheita. o paparuto. Durante a festa os Krahò celebram seus casamentos e batizados. "Fica a noite toda na festa do maracá. Cacique da aldeia Cachoeira Durante a festa correm com a tora que chamam de Jàtjõpi "tora da batata" que chega a pesar 120 quilos. As mulheres cantam. Se pegam continuam na brincadeira. Segundo o cacique a festa demora acontecer. reunidos no pátio após percorrerem a metade da aldeia. frutas e reúnem os partidos do verão e inverno para combinarem como será a festa. vão dar para o Wakme jê ou Katam jê . do seu lado da aldeia. em frente a casa de reuniões de um dos partidos. limpam bem.A história era assim: Os cantores ficam no pátio. Participam os dois partidos: o do sol nascente e do sol poente. O que colhem armazenam em grandes palhas de bacaba. toda noite pro outro aprender. As toras de buriti vão passando de ombro em ombro e ganha o grupo que chegar primeiro ao pátio onde gritam e dançam comemorando a vitória. que se oferecem para recebe-las. Sempre cantam. enquanto a menina quase sempre da tia paterna." Os Sonhos Acreditam que os sonhos predizem a vida.Machadinha Sagrada" Eu falei das cerimônias e da força da nossa cultura. Junto. o do sol nascente e o do sol poente. O homem. sabe as coisas antigas". aquele que sabe cantar pega ela um pouco e torna a guardar. cantando. O velho Xavier diz que se sonhar matando o animal. Colhem milho. A festa começa com o partido do inverno Katam jê. no centro.

Nas casas não há janelas. Nesta situação não a veríamos como um conjunto concêntrico de círculos de casas em torno de um pátio. voltada para o pátio da aldeia. com casas mais distantes ou mais próximas do pátio. o centro da aldeia.) e que estão relacionados de um mesmo modo ao pátio. com diâmetro maior. Cantam com maracá e abrem os feixes dividindo todos os alimentos. Esperam até o dia amanhecer quando reúnem os dois partidos para carregar os feixes até o pátio. cit. ou somente uma parte da casa forma uma espécie de quarto fechado. Toda a amarração é feita com cipós. restando somente o novo círculo periférico com um perímetro maior. (MATTA. A esta parte da frente corresponde outra. total ou parcialmente. geralmente as filhas morando atrás da casa das mães. ou seja. na parede dos fundos. É na periferia que têm lugar as atividades domésticas ligadas à produção e as casas aparecem como unidades fisicamente definidas e demarcadas. as famílias elementares de uma mesma casa. dando para o quintal. Do mesmo material são feitas as paredes. A Casa Atual 43 / 49 . Em momentos ou situações de grande acréscimo populacional e de estabilidade política. Cada casa tem seu próprio caminho que a liga ao pátio. mãe e filhos) e o grupo doméstico. A Aldeia Krahò Os Krahò quando falam de sua própria sociedade. normalmente chamado de periferia. Quando o círculo periférico da aldeia já não suporta mais a construção de novas casas. Esta disposição espacial das casas forma assim o círculo maior da aldeia. A porta sempre é feita no lado maior. ao invés de ocorrências de cisões. o quer dizer que uma casa compõe-se de pelo menos duas famílias elementares. devem residir na casa da mãe de sua esposa. com um dos lados maiores formando a frente da casa. Cada casa abriga os dois únicos grupos sociais da vida cotidiana: a família elementar (pai. São mais comuns as casas com cobertura de duas águas e porta ao lado do esteio da cumeeira e se utilizam mais das folhas de piaçava para a cobertura de suas casas. 1976) As aldeias Krahò são circulares e o círculo é formado porque todas as casas distam igualmente do pátio que se torna. Em outras épocas era comum uma aldeia com determinado número de casas e diâmetro ser construída em outro local com o mesmo número de casas.parece ser esta a maneira original de fazerem as paredes. às vezes. abrindo para trás. A Casa Tradicional Krahò A forma das casas utilizadas pelos Krahò são muito parecidas com as casas dos moradores nãoíndios da região. definindo-se como "índios de verdade" principalmente pelo formato circular de suas aldeias. centro das decisões políticas e de toda a vida ritual. A casa completa é fechada em todos os quatro lados. Matta. as aldeias podem ampliar o círculo (aumentando o diâmetro das aldeias). mas sim um círculo de traçado irregular. Ou então. Os homens ao se casarem. A planta é normalmente retangular. assim. porém.e não as casas . de ponta para baixo e com os folíolos em posição natural . já que as novas gerações teriam construído suas casa no círculo de trás e as da frente desapareceriam. mas são propriedade das mulheres. com os folíolos pendentes para um lado só. À noite e durante a ausência de todos os seus habitantes. que tem por vezes uma cobertura de quatro águas. destacam a aldeia .como unidade fundamental para as suas referências. assim como os Krahò. faz a mesma afirmação quando se refere aos Apinayé que. porém.Caminham até os feixes de alimentos e voltam para o pátio. são ligadas pelos laços maternos. As casas são construídas pelos homens que nelas habitam. o que significa que "todos têm o mesmo peso social" (Matta op. feitas de folhas de babaçu ou inajá. desta forma. as folhas são aplicadas em sentido vertical. Diante das casas passa um caminho circular. que constituem o grupo doméstico. as novas famílias vão construindo atrás das casas das quais haviam desmembrado. Algumas vezes. A circunferência formada pelas casas não é proporcional ao seu número. como que anunciando aos outros membros do partido. encontrar-se aldeias pequenas (poucas casas) com diâmetro maior que algumas aldeias grandes. fecha-se a porta com uma esteira encostada ou pendurada nela. e estes caminhos radiais são iguais para todos. também são descendentes dos Timbira. Com o passar do tempo as casas do antigo círculo tendem a desaparecer. o kricapé (onde kri = aldeia). As folhas de palmeira são aplicadas em posição horizontal. falta a parede da frente. A expansão das aldeias não é dada de forma linear.

um para cada casal e camas a um metro e meio a dois metros de altura. começa a cozinhar no quarto e a primitiva divisão se transforma". refletindo as mudanças operadas com o advento da sua emancipação político-administrativa e fazendo-se instrumento de orientação do seu progresso. cercadas por paredes de esteiras para as moças. mas não há nada de comum entre a divisão interna de uma casa e as demais.) A casa indígena é geralmente sem divisões. com liberdade. utilizando a casa apenas para dormir. bolsas. Ação realizada por técnicos indígenas e não índios. (. redes. uma parcela dos índios Xerentes trabalha como professores e em cargos administrativos estaduais e federais.Atualmente os Krahò constroem suas casas de taipa ou mesmo de adobe ou tábuas de madeira fazendo uma divisão interna. apoiados pela Funai e Naturatins . esteiras e adereços que são comercializados nas cidades próximas da reserva ou enviados para outros estados. Xerente Akwê.Procambix. mas logo algum casal da casa se instala na cozinha. vivem da agricultura tradicional da "roça de toco". sementes nativas e o capim dourado. algumas vezes separam um recinto destinado a ser cozinha de outro destinado a ser quarto. 1975) descreve: "Ocorre algumas vezes que a casa krahò tenha paredes internas. utilizam a lavoura mecanizada. J..DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 44 / 49 . Símbolos do Estado A Bandeira CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO TOCANTINS 1989 PREÂMBULO A Assembléia Estadual Constituinte. igualdade e fraternidade. As matérias-primas usadas na confecção do artesanato são a palha de babaçu. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rio Tocantins. plantam milho. "gente importante".órgão do Estado responsável pela preservação ambiental. sob a proteção de Deus.. Encontra-se no interior da morada. mandioca e. representando a Comunidade Tocantinense. em pequena escala. Mellati (in: MELATTI. na Reservas Indígenas Xerente e Funil Pertencente ao grupo linguístico Macro-Jê. arroz. É também bastante comum que as famílias construam atrás ou ao lado da casa de taipa ou adobe uma área com cobertura de palha que serve de cozinha. funcionários do Programa de Compensação Ambiental Xerente .C. "indivíduo". Atualmente. do qual fazem cestas. Ritos de uma tribo Timbira. jiraus baixos com esteiras de buriti. promulga a sua primeira Constituição. perto da cidade de Tocantínia. Título I .

. 1°. III .São símbolos do Estado: a bandeira. constituída de um desenho simples e despojado de filigranas. nas cores azul (blau) e amarelo (ouro). 2º . Por seu desenho simples e despojado de filigranas. as armas e o selo estadual. A barra resultante dessa divisão.3 (dois e três décimos) módulos de raio. revogadas as disposições em contrário. etc. cores que expressam respectivamente o elemento água e o rico solo tocantinense... 17 de novembro de 1989. o que determinam as regras de vexilologia. entre os campos azul (blau) e amarelo (ouro). esta Bandeira será de fácil visualização e apreensão. às vezes com legenda. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro). Art. de fácil visualização e apreensão. que parece denotar um impulso humano ao concreto e a necessidade inelidível de fixar em um símbolo a unidade de suas aspirações em uma ordem coletiva qualquer. como símbolo máximo a pairar sobre o novo Estado do Tocantins. Uma definição muito pobre do verbete. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art.Seção I . 2°.Construção Modular). pois a Bandeira. sinal. 1º . Art. em anexo. Miracema do Tocantins. com catetos de 13 (treze) por 9.DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. com 4 (quatro) e 2. corporação. que se hasteiam num pau. 3° . Institui a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS.Palmas é a Capital do Estado. é uma das formas superiores da Heráldica.. não oferecendo o risco da tão indesejável contraposição. tem a seguinte definição: Pedaço de pano. estandarte + eira . o hino. o sol. do gótico BANDWA. com uma ou mais cores.A BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição geométrica: Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (catorze) de largura. não oferecendo o risco da contraposição. que passam a fazer parte integrante desta Lei. deve ser a síntese dos sonhos e ideais mais caros de seu povo. Art.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. 168º da Independência. Art. símbolo da paz. Descrição Geométrica 45 / 49 . representando todos esses valores de forma a mais harmônica possível sem ferir... SIQUEIRA CAMPOS Governador do Estado BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS Memorial Justificativo A palavra bandeira. com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores. tal como o Brasão de Armas. a derramar seus raios sobre o futuro do novo Estado. segundo o Novo Dicionário Aurélio. O projeto da Bandeira aqui representado traz a mensagem de uma terra onde o sol nasce para todos.. sendo o que poderíamos chamar de propaganda espiritual.. partido. contudo. elaborados por José Luiz Moura Pereira. 101º da República ano 1º do Estado do Tocantins. respectivamente. II Cores Convencionais Heráldica. como consta do memorial justificativo e arte (I .Representação Policromática.1 (nove e um décimo) módulos. de amarelo ouro. colocado sobre uma barra branca.. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 094/89. e é distintivo de uma nação. em branco. a reverência ao seu passado. 3º .. a confiança do seu presente e a esperança no seu futuro.Fica instituída a BANDEIRA DO ESTADO DO TOCANTINS. A Bandeira. de 17 de novembro de 1989. § 1° . pois.

Gabinete de Heráldica Corporativa . Ed. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX. Brasão GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS Lei nº 092/89. LEX. Bibliografia · DI CROLLANZA. um listel de azul 46 / 49 . Enciclopédia Britânica do Brasil. . o termo ou campanha. Ano 4 . Ulrico Hoelpi . 1933.CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS. A. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES. D. · V. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL. . ladeada nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. Cria o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. Editorial Êxito S. Os vértices superior esquerdo e inferior direito são dois triângulos retângulos com catetos de 13 (treze) por 9 (nove) módulos nas cores azul (blau) e amarelo (ouro) respectivamente. Paulo Editora Ltda.Barcelona. C. 1966. A metade inferior.Fica instituído o BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS. na metade superior. HERÁLDICA . constituído de um escudo elíptico cortado. Publicações Ltda.Retângulo com as proporções de 20 (vinte) módulos de comprimento por 14 (quatorze) módulos de largura. S. Presidência da República . Paulo. Sob o escudo. A barra resultante desta divisão.Expressão e Cultura . Gofredo. 1976. · RIBEIRO. do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores limitado na linha divisória. Olímpio . · O TOCANTINS.S.. D.Lisboa.1986. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS.Milano. F. em branco. está carregada com um sol estilizado de amarelo (ouro) com 8 (oito) pontas maiores e 16 (dezesseis) pontas menores com 4 (quatro) e 2. LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. 1º . carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. Legislação Federal 1968.nº 11. · FAYARD. · LANGHANS. J. uma asna de azul (blau). H. · RUNES.3 (dois e três décimos) módulos de raio. SCHRICKEL. de 17 de novembro de 1989. 1951.1972. GRAMÁTICA ARÁLDICA. em chefe de azul (blau). (ver Anexo II Modular). de Almeida. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO TOCANTINS decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. P. Clóvis.

a coroa de louros que cingia a fronte dos heróis vitoriosos. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa CO YVY ORE RETAMA em letras de 0.em letras brancas sobre listel azul (blau).5 ( um e meio) módulo. Como suporte. por ser esta a que melhor se coaduna com a alegoria nele representado: o sol de amarelo (ouro) do qual se vê apenas a metade despontando no horizonte contra o azul (blau) do firmamento . Art.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. 168° da Independência. dentro de uma bordadura de 1. 17 de novembro de 1989. uma estrela de amarelo ouro. Art. como expressão máxima de sua identidade entre os demais estados da Federação Brasileira.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio.(blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data 1º de JAN 1989 em letras brancas.ESTA TERRA É NOSSA . a reverência do seu passado. Sobre a estrela. 2º . procuramos ressaltar esses valores de forma a mais harmônica possível dentro do que determinam as regras da Heráldica. representativa da condição do Estado do Tocantins. Miracema do Tocantins. com bordadura de azul (blau).5 (três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. que passam a fazer parte integrante desta Lei.imagem idealizada ainda nos primórdios da história do novo Estado quando sua emancipação mais parecia um sonho distante e inatingível e simboliza o estado nascente. com 8 (oito) módulos de largura. fonte perene de riquezas e de recursos hidroenergéticos. presentes na Bandeira adotada e já consagrada pelo gosto popular e lembram respectivamente a opulência do rico solo tocantinense e também a paz que à mercê de Deus.Cores Convencionais Heráldicas. um listel com 1. A asna em azul (blau) cor falante do elemento água. revogadas as disposições em contrário. como uma forma superior de Heráldica. representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins. encimada pela divisa em Tupi CO YVY ORE RETAMA . O Brasão de Armas.5 (meio) módulo de altura. aí introduzidos em substituição aos metais e prata. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. como uma das unidades da Federação Brasileira sob a divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" . II . Brasão de armas 47 / 49 . Sob o escudo. III Construção Modular). em anexo. respectivamente. não constituem nenhuma violação aos cânones da arte da armaria.ESTA TERRA É NOSSA . cujo futuro se ergue promissor e fecundo. Escolhemos a forma elíptica para o escudo. com bordadura de azul (blau). deve ser a síntese dos ideais mais caros do seu povo. SIQUEIRA CAMPOS Governador Memorial Justificativo Com a divisão do Estado de Goiás e a conseqüente criação.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Sob o escudo um listel de azul (blau) com a inscrição Estado do Tocantins e a data de sua criação 1º de janeiro de 1989 em letras brancas. com a inscrição Estado do Tocantins em letras de 1 (um) módulo e a data 1º de JAN 1989 com 0. Os campos em amarelo (ouro) o branco. 101° da República e Ano 1° da Estado do Tocantins. surgiu a necessidade de fixar em um símbolo a unidade das aspirações do seu povo. uma afirmação no seu presente e uma mensagem de otimismo para as gerações do futuro. uma grandeza que surge. Em timbre. por seu caráter simbólico. No projeto que ora apresentamos. COMO CONSTA DO Memorial Justificativo e arte (I .5 (meio) módulo de altura.em letras brancas sobre listel de azul (blau). aí reinará. criados por José Luiz de Moura Pereira. em sinople (verde) como justa homenagem e reconhecimento ao valor dos tocantinenses cujo esforço e determinação transformaram aquele sonho tão longínquo na mais viva realidade. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde). uma vez que existem inúmeros precedentes tanto na Heráldica nacional quanto na universal. e em termo ou campanha com uma asna a 45º (quarenta e cinco graus) com largura de 1. Em timbre. mas tão somente a repetição das cores. a contar do centro para baixo. uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. 3º .Representação Policromática.O BRASÃO DE ARMAS DO ESTADO DO TOCANTINS terá a seguinte descrição modular: Escudo elíptico de 60º (sessenta graus).

· LANGHANS. respectivamente. 1966. de Almeida. limitado na linha divisória. SCHRICKEL. D.Expressão e Cultura . F. · RIBEIRO. Sob o escudo. Gofredo. listel com 1. a contar do centro para baixo. Bibliografia · DI CROLLANZA. com 8 (oito) módulos de largura. D. Em timbre. Legislação Federal 1968. Olímpio .1972. com a inscrição "Estado do Tocantins" em letras de 1 (um) módulo e a data "1º de janeiro de 1989" com 0. · RUNES.Lisboa. P. 1933. H. Presidência da República .5 (meio) módulo de altura. uma asna de azul (blau).Barcelona. Clóvis. · OS SÍMBOLOS NACIONAIS. dentro de uma bordadura de 1. Sobre a estrela. listel de azul (blau) com a inscrição "Estado do Tocantins" e a data "1º de janeiro de 1989" em letras brancas. A metade inferior. Em timbre uma estrela de amarelo ouro. Paulo Editora Ltda. LEX. 1904 · ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. S. um listel com 1 (um) módulo de largura e a divisa "CO YVY ORE RETAMA" em letras de 0. · V.8 (um e oito décimos) de módulo de largura. (ver memorial). com bordadura de azul. cortado em semi-círculo de 8 (oito) módulos de raio. HERÁLDICA . LES DRAPEUX A TRAVERS LES AGES ET DANS LE MONDE ENTIER. BRASÕES E BANDEIRAS DO BRASIL.5 ( um e meio) módulo. J. termo ou campanha. Paulo. Ulrico Hoelpi . e em termo ou campanha com uma asna a 45º ( quarenta e cinco graus) com largura de 1. 1976. . Editorial Êxito S. Descrição modular Escudo elíptico de 60º (sessenta graus). Publicações Ltda.5 ( três e meio) módulos e de 8 (oito) pontas de 2 (dois) módulos de raio. · FAYARD. carregado em chefe com metade de um sol estilizado com 5 (cinco) pontas de 3.1986. A. Como suporte uma coroa de louros estilizada em sinople (verde).CIÊNCIA DE TEMAS VIVOS.25 (um e vinte e cinco décimos) de módulo de raio. 1976 · ENCICLOPÉDIA SÉCULO XX.. GRAMÁTICA ARÁLDICA. ladeado nos flancos destro e sinistro de branco e no termo de amarelo (ouro). uma estrela de cinco pontas com 1 (um) módulo de raio. carregado com a metade de um sol de ouro estilizado. Ed. Ano 4 . do qual se vêem 5 (cinco) raios maiores e 8 (oito) menores. Sob o escudo.S. . Hino Estadual O sonho secular já se realizou Mais um astro brilha dos céus aos confins Este povo forte Do sofrido Norte Teve melhor sorte Nasce Tocantins [ESTRIBRILHO] 48 / 49 .Escudo elíptico cortado. Gabinete de Heráldica Corporativa .nº 11. encimada pela divisa em Tupi "CO YVY ORE RETAMA" em letras sobre listel de azul (blau).Milano. · O TOCANTINS. C. ENCICLOPÉDIA DE LAS ARTES.5 (meio) módulo de altura. Enciclopédia Britânica do Brasil. 1951. em chefe de azul (blau). na metade superior.

contempla o futuro Caminha seguro. Povo consciente.Levanta altaneiro. [ESTRIBRILHO] De Segurado a Siqueira o ideal seguiu Contra tudo e contra todos firme e forte Contra a tirania Da oligarquia. mas valente. Tua rica história Guardo na memória. Sem medo e temor. Teu povo valente. Pela tua Glória Morro. tuas matas. tua imensidão Teu belo Araguaia lembra o paraíso. por tuas riquezas. És o Tocantins! Do bravo Ouvidor a saga não parou Contra a oligarquia o povo se revoltou. Que venceu um dia! Letra: Liberato Póvoa Música: Abiezer Alves da Rocha 49 / 49 . Simples. Vejo tua gente. Somos brava gente. Tua alma xerente. O povo queria Libertar o Norte! [ESTRIBRILHO] Teus rios. persegue os teus fins Por tua beleza. se preciso! [ESTRIBRILHO] Pulsa no peito o orgulho da luta de Palma Feita com a alma que a beleza irradia.

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