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As tecnologias de informação e comunicação – ferramentas aplicadas à

educação a distância: breve reflexão

Maria das Dores Sampaio

Tendo em vista o impacto das novas tecnologias de comunicação e


informação em todas as esferas da atuação humana, mediante os avanços da
globalização tecnológica, pode-se pensar em uma série de funções dessas
ferramentas no que diz respeito à estratégia da educação a distância, especialmente
na forma de ensinar.
Por outro lado, o uso adequado desses instrumentos/mecanismos de
aprendizagem não é preocupação apenas de instituições educativas, mas também
se expressa por parte de companhias privadas, por parte de organizações
envolvidas com a capacitação e aperfeiçoamento dos seus funcionários, com
objetivos de facilitar a inserção desses sujeitos no mundo virtual.
No contexto da educação a distância, especialmente quando se trata de
situações de formação continuada, no nosso caso em particular a formação do tutor,
é importante que essas tecnologias sejam instrumentos de reflexão sobre a prática,
para que os conhecimentos construídos nesse espaço sejam recontextualizados e
aplicados na melhoria, na dinamização, na conscientização ou na transformação
dessa prática.
Nessa perspectiva, destaca-se então, ainda que de maneira bastante tímida,
algumas definições e/ou conceitos das TICs apontadas por determinados
estudiosos, a utilização de algumas ferramentas e metodologias de interação no
ambiente virtual de aprendizagem, suas implicações, bem como suas vantagens e
desvantagens no cenário da educação a distância, no sentido de contribuir com a
discussão ora proposta.
Dentre as tecnologias desenvolvidas e postas ao nosso alcance, aponta-se
inicialmente as ferramentas da Web 2.0. Um dos aspectos defendidos se refere à
facilidade de acesso ao material e/ou conteúdo sempre disponível (on-line); não
existem limites e o usuário pode se apropriar desse conteúdo a partir de qualquer
lugar do planeta com acesso à Internet.
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Bittencourt (1999 apud Brito 2002, p. 4) também enfatiza as vantagens da


Internet como forma de aquisição de informação simultânea e vai mais além quando
diz que
[...} a possibilidade do rompimento de barreiras geográficas de espaço e tempo,
permitindo ainda o compartilhamento de informações em tempo real, o que apóia o
estabelecimento de cooperação e comunicação entre grupos de indivíduos. Outro
ponto positivo da Internet é a disponibilidade de mecanismos de mediação
síncronos ou assíncronos, que podem ser utilizados ao mesmo tempo, ou não. A
combinação destes mecanismos torna a Internet um meio flexível e dinâmico para
o estabelecimento da EAD.

Nesse sentido, os pensadores destacam a importância do uso da Web, no


contexto educacional e nesse rumo apontam que esse recurso tecnológico tem-se
tornado fonte inesgotável de conteúdo para ensinar e para aprender.
Tendo em vista a infinidade de conceitos e/ou definições desenvolvidos pelos
teóricos em relação às tecnologias que podem ser utilizadas na Ead, faz-se um
recorte dado o espaço e tempo aqui definidos. Para tanto, elegemos alguns desses
recursos tecnológicos e faremos uma abordagem de forma simplificada sobre o uso
de Blogs, Webquest e Videoconferência.
Segundo Ganhão (2004, apud Bitencourt, 2006.), o Blog é uma abreviatura
simpática que os internautas criaram para o termo inglês "weblog". Trata-se de uma
página web atualizada freqüentemente, composta por pequenos parágrafos
apresentados de forma cronológica. É como uma página de notícias ou um jornal
que segue uma linha de tempo com um fato após o outro. O conteúdo e tema dos
blogs abrangem uma infinidade de assuntos que vão desde diários, notícias até
assuntos relacionadas a Educação. É um laboratório de escrita criativa e
colaborativa on-line, cujo objetivo principal é oferecer a comunidade de leitores e
escritores trocar experiências e saberes através da interação dos diversos
participantes. Entre outras vantagens, tem a possibilidade de publicar gratuitamente
a informação.
Em conformidade com o pensamento de Orihuela & Santos (2004
apud.Cruz, 2008.), três vantagens merecem destaques a essa ferramenta:
Uma prende-se com a facilidade da criação e o manuseamento das ferramentas de
publicação, outra relaciona-se com o fato da ferramenta disponibilizar interfaces
que permitem ao utilizador centrar-se no conteúdo e, por fim, a existência de
funcionalidades como comentários, arquivo, entre outros. (p. 18).

Ainda em referência às tecnologias utilizadas na EaD, como possibilidades


facilitadoras de apreensão do conhecimento, destaca-se a Webquest.
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De acordo com o pensamento de Barros (2005, p. 4), em sua definição mais


geral, a Webquest “ é uma metodologia que direciona o trabalho de pesquisa
utilizando os recursos da Internet.” Dentre outras possibilidades, oportunizam a
interação e pesquisa, a produção de materiais de apoio ao ensino de todas as
disciplinas e ao aluno perceber-se como participante da pesquisa.
Nas palavras de Barros (op. cit., p.4) - No site do Projeto WebQuest – Escola
do Futuro - USP, ela é definida como:
[...] modelo extremamente simples e rico para dimensionar usos educacionais da
Web, com fundamento em aprendizagem cooperativa e processos investigativos na
construção do saber. Foi proposto por Bernie Dodge em 1995 e hoje já conta com
mais de dez mil páginas na Web, com propostas de educadores de diversas partes
do mundo (EUA, Canadá, Islândia, Austrália, Portugal, Brasil, Holanda, entre
outros).

A autora ainda destaca que as webquests “podem e devem tratar de


conteúdos trabalhados em sala de aula, servindo como atividades incentivadoras de
aprendizagem ou de conclusão de um determinado conteúdo”.
Na proposta em questão, os elementos estruturantes de uma webquest são:
introdução, tarefa, processo, recursos e avaliação.
No que se refere ao conceito de videoconferência, é definida por Oliveira
(1996, apud Brito 2002) como um conjunto de facilidades de telecomunicações que
permite aos participantes, em duas ou mais localidades distintas, estabelecer uma
comunicação bidirecional mediante dispositivos eletrônicos de comunicação,
enquanto compartilham, simultaneamente, seus espaços acústicos e visuais, tendo
a impressão de estarem todos em um único ambiente.
Na opinião dos autores que defendem essa TIC, afirmam que “os sistemas de
videoconferência dispõem de outras ferramentas que facilitam a interação entre os
participantes, fazendo com que se tornem ambientes mais completos e interativos.”
(op. cit.p. 73)
Com este intuito, as salas de videoconferência também dispõem de
computadores, além de outros equipamentos como as câmeras digitalizadoras de
documentos, onde um documento colocado sobre ela pode ser visualizado por todos
os participantes da conferência.
Em se tratando de significativos avanços na modalidade Ead frente ao uso
das novas tecnologias, alguns estudiosos desconfiam e questionam se realmente
houve grandes mudanças.
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Nessa interpretação, Mattar & Maia (2007) induzem a uma reflexão e


questionamento sobre a que tipo de mudança à educação a distância sofreu com o
uso das novas tecnologias, o que estas proporcionaram de “novidade” ao ensino
especialmente o contexto educacional brasileiro.
Nesse sentido, os referidos autores apresentam um posicionamento contrário
no que diz respeito a significativas e crescentes mudanças nesse cenário, embora
não neguem as tentativas e esforços. Ressaltam que as tecnologias foram apenas
substituídas, quando afirmam:
“[...] do ponto de vista da educação, e mesmo da EAD, pouco mudaram o formato e
o modelo de oferta dos cursos. O que antes era oferecido como livro ou apostila em
formato impresso e entregue pelo correio passou a ser disponibilizado na Web em
formato ‘pdf’.” (p. 69)

Todavia, Tusset (2006) enfatiza a importância do uso das novas tecnologias


na EAD e a sua repercussão como aspecto positivo quando destaca:
“Na educação a distância, a Internet tem colaborado significativamente para um
crescimento considerável neste início de século. Isto fez com que coordenadores e
administradores de programas e Instituições, apostassem alto no desenvolvimento
ou aquisição de “ambientes virtuais”, para a criação ou implantação de seus
Centros ou Núcleos de EAD e Universidades Virtuais, acreditando num futuro
promissor e irreversível.” (p. 6)

Assim, ao analisar as idéias apontadas pelos teóricos, no que diz respeito à


utilização dessas ferramentas, percebe-se que é inegável as inúmeras vantagens
que esses recursos tecnológicas vêm proporcionando aos seus usuários, como
diferentes estratégias de aprendizagem e capacitação.
É importante ressaltar que as tecnologias de comunicação e informação
quando empregadas pelo profissional da Ead veiculam seu modo “privado” de
pensar determinado conhecimento e materializa suas intervenções pedagógicas,
que dão forma a um projeto comunicacional necessariamente distinto daquele
eventualmente elaborado por outro formador.
Não obstante, as TICs servem de instrumentos para organizar suas
intervenções, sempre repletas de intencionalidades pedagógicas que caracterizam
seu próprio relacionamento com o conteúdo.

Considerações Parciais

Face ao exposto, observa-se que o impacto que as tecnologias de informação


e comunicação (TICs) têm exercido sobre nossas vidas, nos contextos em que se
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inserem, evidenciam desafios e apontam propostas de mudanças no cotidiano


daqueles que não estão preparados para lidar com tais mecanismos de
aprendizagem.
Para entendê-las e superá-las é fundamental reconhecer as potencialidades
das tecnologias disponíveis e a realidade em que se insere, identificando as
características do trabalho a que se pretende implementar com o uso das TICs, que
tipo de profissional se quer formar para atuar em tal meio.
De acordo com os teóricos citados, esse processo de incorporação das
tecnologias seja no meio educacional ou em outro contexto que requer o uso das
TICs, aprende-se a lidar com a diversidade, bem como a abrangência e a rapidez de
acesso às informações.
Outrossim, não se pode perder de vista que atualmente essas ferramentas
tecnológicas são poderosas estratégias quando bem utilizadas como recursos
pedagógicos nos espaços de salas de aula, nos planejamentos educacionais para a
construção de ambientes colaborativos de aprendizagem que podem e devem servir
o processo de ensino e de ensino e aprendizagem.

Referências
BARROS, G. C.Webquest: Metodologia que ultrapassa os limites do ciberespaço.
Disponível <http://www.educacaoadistancia.blog.br/arquivos/webquest.pdf>.
BITENCOUT, Jossiane. B. Oficina Pedagógica.Artigo em pdf. Disponível em
<http://homer.nuted.edu.ufrgs.br/ObjetosPEAD2006/obj_blog/blogs_conceitos.pdf>
Acesso em 2 de janeiro de 2009.
BRITO, Mário S. da S. Tecnologias para EAD – Via Internet Salvador, 2002.
Disponível em < http://pos.eadvirtual.com.br/file.php/82/Biblioteca>
Acesso em 3 de janeiro de 2009.
CRUZ, Sónia. Blogue, YouTube, Flickr e Delicious. In: CARVALHO, Ana Amélia A.
(org.).Manual de Ferramentas Web 2.0 para Professores. Disponível em<
http://pos.eadvirtual.com.br/file.php/82/Biblioteca>. Acesso em 3 de janeiro de 2009.
MATTAR, João. & MAIA, Carmem. ABC da EaD – A educação a distância hoje. SP:
Pearson Prentice Hall, 2007.
TUSSET, Ângelo M. As Tecnologias e sua Influência na Educação a Distância.
Revista Linh@ Virtu@l(Concórdia, Santa Catarina, Universidade do Contestado,
número 7 – II Semestre de 2006) Disponível em
<http://pos.eadvirtual.com.br/file.php/82/Biblioteca.> Acesso em 3/jan/2009.

Nota Final: Endereço do Link de Apresentação:.

http://docs.google.com/Presentation?id=dhfcd5tv_31qqfpvxcz