Fase de análise do problema: Explicações do problema baseadas na teoria M.

Calheiros Centro de Investigação e Intervenção Social, ISCTE

Definição do problema

Conteúdo da aula Especificação da variável de resultado. Variável de resultado = variável que se pretende mudar e que deve ser definida em termos da situação final desejada (ex: tolerância em relação a agentes policiais de grupos minoritários). Desenvolver e testar o modelo de processo

Especificação da variável de resultado
O que é que queremos influenciar? Em PS distinguem-se 3 tipos de variáveis: Comportamentos e intenções comportamentais: Como é que nós nos comportamos, ou como é que nós temos a intenção de nos comportarmos? Ex: agressão, absentismo, comportamento anti-social, sexismo, tabagismo, dieta, voluntarismo etc. Atitudes e cognições: O que é que nós pensamos e valorizamos? Ex: atitudes em relação a grupos étnicos minoritários, crenças e optimismo sobre saúde, conhecimento acerca de praticas sexuais seguras, preferências por determinados tipos de transporte, suporte a programas de aborto. Emoções e afectos: O que é que nós sentimos? Ex: medo da morte, raiva em relação à autoridade, sentimentos de stress, preocupações acerca de praticas não saudáveis, mas também alegria, simpatia, diversão.

Especificação da variável de resultado

Normalmente o problema é definido a um nível macro (poluição ambiental, crime armado, incidência de cancro da mama). Em muitos casos estes problemas a nível macro são o ponto de partida para uma intervenção. Os Psicólogos só podem afectar estes problemas de uma forma indirecta, através da introdução de mudanças num conjunto especifico de

comportamentos, atitudes e sentimentos específicos dos indivíduos.

Especificação da variável de resultado

Num primeiro momento é preferível ter-se só uma variável de resultado: 1) As variáveis podem estar tão relacionadas que a mudança num factor pode automaticamente exercer mudança noutro factor (ex: alimentação saudável – as atitudes e comportamentos estão muitas vezes relacionados, então, variável preferência por comida saudável).

2) Quando as variáveis de resultado não estão directamente relacionadas, muitas vezes é porque elas têm histórias ontogenéticas diferentes e então requerem diferentes explicações e intervenções.

Requisitos da variável de resultado
Tem de ser relevante para o problema A variável de resultado tem de derivar logicamente da definição do problema. A variável de resultado deve estar relacionada com a definição do problema e idealmente deverá reflectir a situação desejada. Tem de ser específica e concreta É muito importante especificar a variável de resultado, pois defini-la de uma forma muito vaga torna difícil desenvolver um programa de intervenção que efectivamente lide com o problema. Se a variável de resultado for definida por “reciclagem em casa” num programa de governo que pretenda aumentar a reciclagem de papel, pode ter efeitos na reciclagem de vidro (não é esse o problema), mas não reduzir a de papel.

Requisitos da variável de resultado
Tem de ser contínua A variável deve ser definida de forma quantitativa (frequência; intensidade) Duas razões: Torna-se mais fácil generalizar explicações do problema e descrever o modelo causal. Uma variável quantificável ajuda a avaliar o sucesso do programa de intervenção na medida em que se podem avaliar as diferenças, para melhor ou pior na variável.

Quando não é possível a variável de resultado deverá ser binária e o sucesso da intervenção será medido em termos do numero ou percentagem de participantes que mudaram na variável de resultado.

O Primeiro modelo….

Natureza da Tarefa

Cooperação

O Segundo modelo…..

Competição entre cientistas

_

Grau coordenação da tarefa

+

Vontade ajudar cada um dos outros

Dimensão produto partilhado

+

O Terceiro modelo…..

Remuneração pela cooperação

_

Competição entre cientistas

Coesão das equipas + +

+ Vontade ajudar cada um dos outros

+ Coordenação da tarefa + Comunicação

+ Partilha de espaço laboratório

+ Partilha produto pelo grupo

Responsabilidade pelo produto de grupo +

+

11 regras para o desenvolvimento de um modelo de processo:

1. Fazer uma lista de possíveis explicações e das variáveis envolvidas; 2. Assegurar que todas as variáveis são da psicologia social ou organizacional, são especificas, concretas e continuas; 3. Assegurar que estas variáveis afectam comportamentos, atitudes ou motivações; 4. Desenhar a variável de resultado no lado direito de um modelo de processo; 5. Mover do lado direito para o lado esquerdo do modelo e perguntar quais as variáveis que influenciam a variável de resultado; 6. Colocar as ligações entre variáveis (direcção) e o sinal da relação (+ ou -); 7. Ter a certeza que a relação entre as variáveis não é remota; Se assim for colocar uma variável mediadora;

11 regras para o desenvolvimento de um modelo de processo:

8. Se surgirem novas variáveis pensar acerca dos seus efeitos (directos ou indirectos) para reforçarem efeitos noutras variáveis do modelo; 9. Quando já tivermos as várias variáveis que influenciam a variável de resultado, trabalhar cada uma delas em detalhe e considerar as relações entre elas, colocar uma linha entre elas; 10. Na pratica, um modelo de processo não deverá conter mais do que 10 variáveis (sem a de resultado) de forma a que seja fazível. O modelo deve ser parcimonioso e ao mesmo tempo ter detalhe suficiente acerca de cada uma das explicações; 11. Para desenvolver um modelo prático não deve haver muitas etapas entre as variáveis de resultado e as variáveis mais distais. O objectivo é ter no máximo 4 etapas para o modelo poder ser manejável.

Testar o modelo de processo Evidencia da literatura empírica, sobretudo sobre a direcção e força da relação entre as variáveis de um modelo. Há que especificar a força e direcção da relação. As variáveis com uma relação mais forte serão as mais úteis pois levam a uma mudança significativa nas variáveis que influenciam. Procurar investigação relevante com base nas orientações anteriores. Não é fácil. 1) Porque nem toda a investigação está publicada e além disso há muitas publicações que descrevem efeitos nulos, ou seja resultados que não confirmam a diferença. 2) Nem toda a investigação publicada tem a mesma relevância e qualidade 3) Os artigos científicos podem contradizer-se uns aos outros nos seus resultados e conclusões. • Por isso deve-se utilizar artigos de meta análise: Psychological Bulletim Personality and Social Psychology Review Health Psychology Health Education Quarterly

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