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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

Tecnologia em Gestão da Produção Industrial

Juscinei Aparecido Moreira 46036 Ivo Alves de Oliveira 47098 Adalberto Batista dos Santos - 47112 Edson Toshikatsu Takakura 47587 Patrícia Campos Lopes - 48281 Odilon Pereira dos santos - 50479 Júlio Cesar Pinto Mendes 51629

Métodos & Tempos

Mogi das Cruzes

2008

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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

Tecnologia em Gestão da Produção Industrial

Juscinei Aparecido Moreira 46036 Ivo Alves de Oliveira 47098 Adalberto Batista dos Santos - 47112 Edson Toshikatsu Takakura 47587 Patrícia Campos Lopes - 48281 Odilon Pereira dos santos - 50479 Júlio Cesar Pinto Mendes 51629

Métodos & Tempos

Trabalho de PCP II apresentado ao curso de Tecnologia em Gestão da Produção Industrial da Universidade de Mogi das Cruzes.

Prof o .: Alejandro

Mogi das Cruzes

2008

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Resumo

4

Lista de tabelas

Tabela 1 Quadro-síntese a formular para uma observação

18

Tabela 2 Tipos de gráficos de processos

20

Tabela 3 Esquema de divisão de tarefas

21

Tabela 4 Gráfico de processo

24

Tabela 5 Divisão de tarefa

29

Tabela 6 Etapas do processo do estudo de tempos

32

Tabela 7 Registro de dados

34

Tabela 8 Critérios para a escolha dos elementos

36

Tabela 9 Horas decimais

38

Tabela 10 Minutos decimais

39

Tabela 11 Folha de campo

40

Tabela 12 Folha de cálculo

41

Tabela 13 Avaliação de desempenho

47

Tabela 14 Quadro A: Destreza e esforço

48

Tabela 15 Quadro A: Condições e consistência

48

Tabela 16 Escalas de avaliação do desempenho

49

Tabela 18 Classes de correções

Tabela

17

Tempos

elementares

51

53

Tabela 19 – Quadro 1: Registro das observações “a trabalhar” e “inativos”

56

Tabela 20 Quadro 2: Registro de produção para efeitos de utilização na amostragem do trabalho

60

Tabela 21 Quadro 3: Impresso de registro

62

Tabela 22 Quadro 4: Resumo observações da amostragem do trabalho

63

Tabela 23 Número de amostras necessárias para um nível de confiança de 95%

64/65

5

Lista de ilustrações

Figura 1 Frederick Winslow Taylor

10

Figura 2 No tempo de inspeção na Midvale Steel Company

10

Figura 3 Frank Bunker Gilbreth

13

Figura 4 Obra de Frank Gilbreth

13

Figura 5 Lilian Gilbreth

13

Figura 6 Exemplo de fluxograma

26

Figura 7 Metodologia básica do estudo do método

29

Figura 8 Esquema do processo de estudo de tempos

31

Figura 9 Cronômetro com retorno a zero

38

Figura 10 Cronômetro com leitura contínua

38

Figura 11 Cronômetro com leitura fixa

38

Figura 12 Esquema de correção

52

6

Lista de siglas e abreviaturas

AEM Agente/encarregado de estudo de métodos AR Atividade de referência ASME American Society of Mechanical Engineers FA Fator atividade TN Tempo normalizado TO Tempo por operação observado/medido TP Tempo padrão

7

Sumário

1 Apresentação

9

2 Introdução

10

2.1 Críticas a administração científica

12

2.2 Integrantes do movimento

13

3 Estudo dos métodos

16

3.1 Orientações para observações

16

3.2 Cuidados na realização das filmagens

17

3.3 Como registrar os dados

18

3.4 Esquematização

19

3.5 Utilização

20

3.6 Divisão de tarefas

20

3.7 Quantificação ou medição

21

3.8 Gráficos de análise

24

3.8.1 Gráficos de processos

24

3.8.2 Fluxogramas

26

3.8.3 Procedimento

27

3.8.4 Vantagens e desvantagens da utilização de fluxogramas

27

3.8.5 Gráficos de movimentos

28

3.8.6 Exemplo de aplicação

28

4 Estudo dos tempos

31

4.1 Divisão de tarefas

32

4.2 Registro dos dados relevantes

33

4.3 Decomposição da operação ou atividade em elementos

35

4.4 Critérios para a escolha dos elementos

36

4.5 Cronometragem

37

4.5.1 Cronômetro

38

4.5.2 Conversões

38

4.5.3 Folhas de observações

39

4.5.4 Prancheta

41

4.5.5 Filmadora

42

8

 

4.5.7 Cronometragem contínua

42

4.5.8 Cronometragem com retorno a zero

43

4.5.9 Cronometragem de leitura fixa

43

4.5.10

Cronometragem cumulativa

43

4.6

Avaliação da atividade

44

4.6.1 Atividade de referência e rendimento normal

44

4.6.2 Fatores influentes na cadência de execução do trabalho

45

4.6.3 Fatores sobre os quais o executante pode atuar

46

4.6.4 Tipos de técnicas de avaliação do desempenho do executante

47

4.6.5 Escalas de avaliação do desempenho

49

4.6.6 Como empregar o fator de atividade

50

4.6.7 Tempo normalizado

50

4.6.8 Precisão da amostra

51

4.6.9 Correções, complementos ou coeficientes

52

4.6.10

Como empregar as correções

53

5 Amostragem do trabalho

55

5.1 Métodos de observações instantâneos

55

5.2 Utilização da técnica

55

 

5.2.1

Definição da técnica

55

5.3 Cálculo da precisão da amostra

57

5.4 Planejamento do estudo

57

5.5 Resumo do procedimento

58

5.6 Exemplo de aplicação

59

6 Conclusões

 

66

Referências

67

9

1 Apresentação

O estudo de métodos e tempos envolve um conjunto de técnicas utilizadas pa-

ra racionalização do trabalho, visando melhorar sua eficiência. O objetivo do estudo de métodos e tempos é o de analisar uma operação produtiva, determinar os elementos necessários para sua realização, a melhor seqüência para que esses elementos ocorram e o tempo necessário para executá-los. Buscando sempre a eliminação dos movimentos desnecessários, e conseqüentemente redu- zindo a fadiga do operador, aumentando a sua produtividade e garantindo a qualida- de.

O estudo de métodos e tempos é importante para: Estabelecer programas de

produção; Determinar custos; Determinar metas de produção; Determinar a produti- vidade; Determinar a necessidade de máquinas e equipamentos; Efetuar a racionali-

zação das operações; Padronização das operações; Estudar aspectos ergonômicos; etc.

O objetivo deste trabalho é apresentar uma aula de métodos e tempos para

uma turma de Tecnologia em Gestão da Produção Industrial, de material que não foi mostrado durante o curso.

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2 Introdução

A origem do estudo de métodos e tempos é atribuída a Frederick Winslow Ta- ylor (1856-1915). A característica mais marcante do estudo de Taylor é a busca de uma organização científica do trabalho, enfatizando tempos e métodos e, por isso, é visto como o precursor da Teoria da Administração Científica. Seu trabalho se deu no chão de fábrica junto ao operariado, voltado para a sua tarefa.

de fábrica junto ao operariado, voltado para a sua tarefa. Figura 1 - Frederick Winslow Taylor

Figura 1 - Frederick Winslow Taylor

Figura 2 - No tempo de inspeção na Midvale Steel Company nos anos 80 do século 19.

Frederick Winslow Taylor (Filadélfia, Pensilvânia, 20 de março de 1856 a 21 de março de 1915) filho de um advogado de uma família “Quaker” de princípios rígidos e educado dentro de uma mentalidade de disciplina, devoção ao trabalho e poupan- ça. Considerado o fundador da moderna administração mais tarde vindo a ser co- nhecido como Administração cientifica. Iniciou sua vida profissional como operário em 1878 na empresa Midvale Steel Co., foi evoluindo profissionalmente como capataz, contramestre, chefe de oficina, a engenheiro em 1885 onde formou-se na Stevens Institute no período noturno, consi- derado como Autodidata. Em seus primeiros estudos, tomou contato direto com os problemas sociais e empresariais decorrente da revolução industrial. Naquela época estava em moda o sistema de pagamento por peça ou por tare- fa, surgiu então o problema de beneficiamento por parte de ambos onde os patrões procuravam ganhar o Maximo na hora de fixar o preço da tarefa e os operários, por

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seu turno , reduziam a um terço o ritmo de produção das maquinas, procurando con- trabalancear, desta forma, o pagamento por peça determinada pelos patrões. Isto levou Taylor a estudar o problema de produção nos seus mínimos detalhes, pois não podia decepcionar os seus patrões, graças ao seu progresso na companhia, nem decepcionar seus colegas de trabalho, que desejavam que o então chefe de oficina não fosse duro com eles no planejamento do trabalho por peça. Permaneceu em Midvale até 1889, onde iniciara suas experiências, que o tor- nariam famoso, quando entrou na companhia Bethlehem Steel Works, teve enorme resistência para tentar aplicar as suas conclusões, conseguiu vencer estas resistên- cias registrando cerca de cinqüenta patentes de invenções sobre maquinas, ferra- mentas e processos de trabalho. Em 1895, apresentou à “American Society of Mechanical Engineers” um estudo experimental denominado “notas sobre as correias” pouco depois publicava outro trabalho, “Um sistema de gratificação por peça”, um sistema de administração e de remuneração dos operários. O primeiro período de Taylor corresponde à época da publicação do seu livro Shop Management (Administração de oficinas), 1903, onde se preocupa exclusiva- mente com as técnicas de racionalização do trabalho do operário, por meio do estu- do de tempos e movimentos (Motion-time Study). No final do século XIX, Taylor realizou vários estudos que abordavam a divisão das operações em elementos simples e menores. Com o uso do cronômetro, Taylor achava que se calculasse o tempo máximo gasto para o trabalhador executar uma tarefa com eficiência, poderia estar poupando mais tempo e conseqüentemente po- deria subir sua produção e o lucro da empresa. Ele começou a cronometrar o tempo gasto por trabalhadores em cada uma das suas ações e após padronizar todos os movimentos, ele era capaz de prever quanto tempo um operário demoraria a execu- tar um serviço. Verificou que o operário médio produzia muito menos do que era po- tencialmente capaz com o equipamento disponível. Concluiu que se o operário dili- gente e mais predisposto à produtividade percebe que no final obtém a mesma re- muneração que o seu colega menos interessado e menos produtivo, acaba se ac o- modando, perdendo o interesse e não produzindo de acordo com a sua capacidade. Daí a necessidade de criar condições de pagar mais ao operário que produz mais. “Todo trabalhador torna-se ineficiente se houver falta de estimulo e incentivo”

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2.1 Criticas à administração cientifica

As idéias de Taylor tiveram boa e má repercussão para a indústria e no gove r- no, despertava entusiasmo, mas entre os trabalhadores, a Imprensa e os políticos provocaram reações desfavoráveis que fundava em dois receios:

A perda de emprego com o aumento de eficiência.

A implantação deste novo método era apenas uma técnica para fazer o operário trabalhar mais e ganhar menos. Sua orientação cartesiana extrema é ao mesmo tempo sua força e fraqueza. Seu controle inflexível, mecanicista, elevou enormemente o desempenho das indús- trias em que atuou, todavia, igualmente gerou demissões, insatisfações e estresse para seus subordinados e sindicalistas. Taylor foi intimado a depor no congresso Americano em 1911, onde um con- gressista mostrou a Taylor que a técnica de Gilbreth havia aumentado a eficiência do pedreiro em 300%, sendo que os seus rendimentos aumentaram apenas 30%. Taylor concordou com essa disparidade mais argumentou que o pedreiro em com- pensação tinha gasto apenas 1/3 da energia que gastava antes. Conclusão, houve a proibição de cronômetros e pagamentos de incentivos, mas as demais técnicas da administração científica foram aprovadas. Nos anos que se seguiram a esse inquérito, Muitos auto – intitulados “especia- listas em eficiência”, tentaram tirar proveito da situação que além de charlatães sem qualificação, propuseram-se a oferecer consultoria orientada exclusivamente para os aspectos físicos dos trabalhadores. Esse desvio ajudou a divulgar a imagem da ad- ministração científica como proposta fria e calculista, que enxergava os seres huma- nos como meras peças do processo produtivo.

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2.2 Integrantes do movimento

Os principais integrantes do movimento foram Frank Bunker Gilbreth e Líllian Evelyn Gilbreth, Henry Gantt e Hugo Munsterberg Frank Bunker Gilbreth (1868 1924) engenheiro norte-americano nascido em Fairfield, Maine, que com a esposa Líllian Gilbreth ganharam fama com a criação do Estudo dos Movimentos. Iniciou-se como aprendiz de ladrilheiro, trabalhou como en- genheiro em New York City e tornou-se um construtor de sucesso em Boston (1895- 1911). Ele começou a fazer observações sobre movimentos com 27 anos de idade, quando trabalhava como superintendente em uma empresa de construção. Inventou dispositivos como andaimes móveis, misturadores de concretos, correias transporta- doras, barra de reforço, tudo com o objetivo de evitar o desperdício de movimento. Casou (1904) e com sua esposa, Líllian Evelyn Gilbreth (1878-1972), fundou uma empresa de consultoria, a Frank B. Gilbreth, Inc (1911) e juntos alcançaram grande prestígio internacional como engenheiros consultores para instalações indus- triais (1910-1924) privadas e públicas, especialmente por inovarem processos cons- trutivos, especialmente na eficiência e minimização de movimentos. Conjuntamente escreveram A Primer of Scientific Management (1911) e Fatigue Study (1916). Mor- reu em Montclair, N.J. (1924), deixando Evelyn viúva por muitos anos.

N.J. (1924), deixando Evelyn viúva por muitos anos. Figura 3 - Frank Bunker Gilbreth Figura 4

Figura 3 - Frank Bunker Gilbreth

Figura 4 Obra de Frank Gilbreth

Figura 5 - Lilian Gilbreth

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Lílian Evelyn nasceu em 1878 casando se com Frank em 1904. Ela superou os preconceitos contra as mulheres muito evidentes na época. Depois de casada resol- veu se dedicar a psicologia, ajudando seu marido nos estudos sobre fadiga. Frank Bunker Gilbreth e sua esposa Lilian expandiram os métodos de Taylor para desenvolver "Estudos de Tempos e Movimentos" o que ajudou a melhorar a eficiência, eliminando passos e ações desnecessárias. Ao aplicar tal abordagem, Gilbreth reduziu o número de movimentos no assentamento de tijolos de 18 para 4,5 permitindo que os operários aumentassem a taxa de 120 para 350 tijolos por hora. Hoje, os estudos de métodos e tempos se tornam cada vez mais importantes, devido à grande cobrança neste mundo globalizado, fazendo parte de um pacote requerido pelas empresas, com ênfase à necessidades de racionalização, produtividade e qua- lidade. Preocupados também em minimizar a fadiga do trabalhador propuseram redu- zir a jornada de trabalho diário, o redesenho do ambiente de trabalho e a implanta- ção de aumento de dias de descanso remunerado. Henry Gantt (1861-1919) nasceu em Calvert, Island, conseguiu se formar em engenharia mecânica em 1884, foi trabalhar junto com o Taylor na Midvale Steel tor- nando se assistente no departamento de engenharia, conseguiu junto com Taylor registrar seis patentes. No ano de 1903 apresentou a American Society of Mechanical Engineers (AS- ME) um trabalho “A graphical Daily Balance in Manufacturing” (Controle gráfico diário de produção) mais tarde conhecido como gráfico de Gantt no qual descreveu um método gráfico de acompanhamento de fluxo de produção melhorando as técnicas de planejamento e controle. Foi também um dos criadores do treinamento profissi o- nalizante. Hugo Munsterberg (1863-1916) nasceu em Danzig, Alemanha, é reconhecido como visionário que previu o futuro da psicologia, mais conhecido como o criador da psicologia industrial. Ele propõe a psicologia na indústria, porque ela ajuda a encon- trar os homens mais capacitados para o trabalho, definir as condições psicológicas mais favoráveis para o aumento da produção trabalhando com o emocional e assun- tos relacionados ao comportamento humano. Desde a publicação dos trabalhos de Taylor e Gilbreth, muito se evoluiu no co- nhecimento e aplicação das técnicas de tempos e métodos.

15

“A produtividade é gerada da eficiência, não da escravização do trabalhador e sim da inteligência de como se trabalha”.

16

3 Estudo dos Métodos

Há uma metodologia de base a seguir para se executar um estudo de métodos onde é preciso a realização de quatro atividades, que deverão ser cumpridas com rigor para que o resultado final seja confiável e se evite a perda de oportunidades de melhoria resultantes de uma má aplicação. As quatro fases são:

1. Observação;

2. Recolhimento de registro / dados e informações;

3. Análise crítica;

4. Proposta de novos métodos ou oportunidades de melhoria.

3.1 Orientações para as observações

A observação pode ser feita por visualização, entrevista ou por experimentação direta da tarefa ou operação em análise. Existe um conjunto de informações que devem, obrigatoriamente, ser observadas e recolhidas para serem usados posteriormente, quando se pretende estudar um mé- todo.

Esta fase é de vital importância. Deve proceder-se ao registro de tudo o que se considerar que pode vir a ser útil. O que for desperdiçado poderá vir a ocasionar perdas irreparáveis na fase de análise crítica e de eventuais oportunidades de me- lhoria. Assim, a sugestão são as filmagens como método de coleta, por serem os mé- todos de coletas mais ricos quanto as informação, uma vez que permitem uma aná- lise mais detalhada. Existem alguns cuidados quando se procede a uma análise do trabalho, quer seja com recurso a filmagens quer com outro método qualquer, nomeadamente:

Recomendações ao Agente/Encarregado de Estudo de Métodos (AEM)

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No início da coleta de dados para o estudo de métodos, o AEM deve ser apresenta- do pela chefia direta aos trabalhadores em questão. Nunca se deve iniciar o estudo sem explicar os objetivos aos envolvidos.

• Pedir sempre a opinião da chefia direta sobre a escolha dos trabalhos a estudar,

dos trabalhadores a observar e sobre qualquer questão técnica que diga respeito à fabricação;

• Nunca dar uma ordem direta a um trabalhador;

• Se os trabalhadores levantarem questões que exijam decisão fora do domínio téc-

nico do AEM, devem ser enviados à chefia direta;

• Nunca confiar a um trabalhador uma opinião que possa ser considerada crítica pa-

ra a chefia direta;

• Nunca deixar os trabalhadores utilizarem a sua posição para desautorizar a chefia

direta, ou para obter uma modificação das suas decisões com que não concordem.

3.2 Cuidados na realização das filmagens

Embora os pormenores sejam importantes, deve-se ter em mente que o objeti-

vo é a análise do método, pelo que se devem preferir planos mais abrangentes, que permitam identificar as diversas movimentações, assim como as condições de traba- lho no equipamento. A utilização de planos superiores (acima da altura do solo), desde que possível, é preferível.

Colocar a câmera de vídeo num local que não crie constrangimentos para os ope- radores do equipamento.

• Ter em consideração todas as questões de segurança.

• Filmar sempre o início e o fim das diversas tarefas, de forma a que na análise seja possível determinar a sua duração.

• Se a operação for realizada por mais do que um operador deve-se ter o cuidado de efetuar o ponto anteriormente descrito para cada operador.

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• Nunca se esquecer de anotar todas as causas que se considerem assinaláveis. Estes apontamentos serão muito importantes na análise posterior, como por exe m- plo:

A hora de início do estudo;

Paragens imprevistas;

Avarias;

Outros.

Como se vê, trata-se apenas de regras de bom senso.

 

O

que é que está a ser realizado?

1. Objeto (tarefa ou operação)

Porque é que tem de ser feito?

Existe alternativa ao que está a ser feito?

O

que poderia ser feito em alternativa?

 

Onde está a ser realizado?

2. Local

Porque está a ser feito nesse local?

Existe um lugar alternativo?

Onde deveria ser feito em alternativa?

 

Quando está a ser realizado?

3. Seqüência

Porque está a ser feito nessa seqüência?

Existe momento alternativo?

 

Quando é que poderia ser feito em alternativa?

 

Quem está a realizar?

Porquê?

4. Executante

Existe outra pessoa que o pudesse realizar como alternati-

va?

Quem deve fazer como alternativa?

 

Como está a ser realizado?

5. Meios / recursos

Porque está a ser usado esse processo?

Que processo alternativo poderia ser usado?

Como deveria ser feito utilizando um processo alternativo?

Tabela 1 - Quadro-síntese de questões a formular para uma observação

3.3 Como registrar os dados

A coleta dos dados deverá ser realizada o mais perto possível da fonte, deven- do recorrer-se ao tratamento e sistematização da observação através da utilização

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de folhas de registro de observações, diversos tipos de gráficos, mais apropriados a cada situação dos quais se destacam:

• Gráficos de processo;

• Esquemas de movimentação e deslocação;

• Lay-outs do posto de trabalho.

O registro da informação poderá incluir a medição dos tempos requeridos para a execução de cada operação e/ou tarefa, de modo a permitir a quantificação:

Dos tempos produtivos e não produtivos;

Da ocupação dos meios;

Da velocidade de execução. Funciona como uma ferramenta essencial para a realização da análise crítica e para uma futura sistematização do método alternativo.

3.4 Esquematização

A esquematização permite o registro do método de análise de uma forma gráfi- ca e compacta, o que é útil para a sua posterior análise. Existem vários esquemas gráficos para representar a grande maioria dos pro- blemas que surgem em qualquer organização. No entanto, iremos abordar apenas dois tipos para análise do processo (gráficos de processo e fluxogramas) e um es- pecífico para análise das movimentações (gráfico de movimentos).

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3.5 Utilização

Tipo de gráfico

Área de aplicação

 

Exemplos de utilização

Fluxograma

Processo de fabricação

Produtos: apresentando todo o processo / método de transformação do produto

Parte específica de um método

Analisar as movimentações dos produtos dentro das secções

 

Parte específica de um método

Se o objetivo é analisar as operações realizadas.

Gráfico de processo

Uma operação

Para analisar as tarefas e movimenta- ções no posto de trabalho e para avaliar a eficiência do posto de trabalho.

   

Para analisar as movimentações do

operador durante o dia;

Movimentações

Para analisar as movimentações dos

Gráfico de movimen- tos

operadores no posto de trabalho com o objetivo de rever o lay-out.

Tabela 2 Tipos de gráficos de processos

3.6 Divisão das tarefas

A divisão das tarefas constitui a base para a elaboração tanto dos gráficos de processo como dos fluxogramas. Propomos a utilização de um esquema de divisão simples, ao qual associare- mos o grafismo correspondente:

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Símbolo

Tipo

Descrição

Operação Uma operação existe quando um objeto é modificado intencionalmente numa ou mais das suas

Operação

Uma operação existe quando um objeto é modificado intencionalmente numa ou mais das suas caracterís- ticas. A operação é normalmente realizada num posto de trabalho.

Transporte Um transporte ocorre quando um objeto é deslocado de um lugar para outro, exceto

Transporte

Um transporte ocorre quando um objeto é deslocado de um lugar para outro, exceto quando o movimento faz parte de uma operação ou inspeção.

Inspeção  Uma inspeção ocorre quando um objeto é examinado para identificação ou comparado com um

 

Uma inspeção ocorre quando um objeto é examinado para identificação ou comparado com um padrão de quantidade ou qualidade.

Espera  Uma espera ocorre quando a execução da próxima operação planejada não é efetuada (por

 

Uma espera ocorre quando a execução da próxima operação planejada não é efetuada (por exemplo:

tempo de secagem da cola; espera de materiais em falta).

Armazenagem Um armazenamento ocorre quando um objeto é man- tido sob controle, e a sua

Armazenagem

Um armazenamento ocorre quando um objeto é man- tido sob controle, e a sua movimentação requer uma autorização.

Tabela 3 Esquema de divisão de tarefas

3.7 Quantificação ou medição

Não devemos esquecer-nos que, após ou em simultâneo, com o registro do le- vantamento e divisão do trabalho em elementos de trabalho, deve-se proceder à de- terminação dos tempos correspondentes, como fator determinante para a realização de uma análise crítica. No caso de se pretender apenas identificar a forma como uma determinada operação é realizada, pode-se efetuar uma medição grosseira dos tempos envolvi- dos na realização de cada uma das etapas, recorrendo a um cronômetro, ou através da contabilização do tempo no vídeo (caso se tenha realizado uma filmagem como base para a análise do método). Os tempos assim coletados não são representati- vos, mas constituirão uma boa base de análise para o peso que cada etapa tem na realização de uma determinada operação.

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Após a coleta e a esquematização dos dados e a quantificação dos tempos,

passamos à fase da análise. Depois de estabelecido o método de trabalho utilizado, deve-se realizar a aná- lise, à luz dos critérios de estudo dos métodos. Este trabalho deve ser feito em equi- pe pelo AEM e pelas chefias diretas, de modo a permitir uma uniformização tanto da terminologia utilizada como dos critérios de classificação das operações, e deverá incluir toda a informação necessária, nomeadamente:

Uma descrição das diferentes tarefas (nesta fase deve-se utilizar a terminologia da empresa) indicando o tipo de: operação; transporte; inspeção; espera; arma- zenagem;

A duração de cada tarefa;

O operador que realizou a tarefa (se for mais que um operador pode-se utilizar a terminologia; Operador 1, Operador 2, etc.);

Classificação das tarefas:

Tarefa essencial: tem que se realizar para cumprir o objetivo;

Tarefa redundante: quando o objetivo da operação se repete, por exemplo, lu- brificar duas vezes um determinado componente;

Tarefa simultânea: quando mais do que uma operação é realizada no mesmo momento, por exemplo, o operador A segura a peça e o operador B solda-a;

Tarefa em paralelo: quando duas operações, não diretamente relacionadas, são realizadas ao mesmo tempo, por exemplo, enquanto o operador A pinta a parede 1 o operador B pinta a parede 2;

Tarefa sem valor acrescentado: por exemplo, transportar, limpar a ferramenta, sem necessidade técnica durante um processo de mudança de ferramentas. Durante a análise crítica do método devemos, para cada tarefa identificada, ca- racterizá-la de acordo com a seguinte informação:

Tipo: operação; transporte; inspeção; espera; armazenagem;

Pequena descrição;

Quem realiza (se existir mais que um operador);

Onde é executada (equipamento, célula ou linha);

Ferramentas ou dispositivos utilizados;

Tempo gasto;

Distâncias percorridas;

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Classificação: essencial, redundante, simultânea, em paralelo e sem valor acres- centado;

Ocorrências verificadas durante o levantamento e medição de tempos. Desta coleta de dados, resultará um método de trabalho com a classificação das tarefas (essenciais, redundantes, simultâneas, em paralelo e operações sem

valor acrescentado), podendo-se fazer, nesta altura, uma primeira estimativa de po- tenciais ganhos obtidos com a eliminação das tarefas redundantes e sem valor a- crescentado. Deverão, ainda, serem considerados todos os dados referentes à análise do método de trabalho utilizado, nomeadamente:

• Causas das ocorrências assinaladas durante a realização de cada tarefa;

• Distâncias percorridas nas movimentações; De modo a esboçar um novo método de trabalho mais eficiente e/ou as possibi-

lidades de alterações ao equipamento, de modo a reduzir tempos e a eliminar ope- rações. Como possibilidades de melhoria mais freqüentes podem-se realçar:

Alteração da seqüência de realização das tarefas;

• Introdução de dispositivos/ferramentas que reduzam tempos;

• Identificação de tarefas desnecessárias;

• Alargamento de funções do operador (operar mais equipamentos, ou realizar tare- fas paralelas ou simultâneas);

• Redistribuição das tarefas pelos operadores.

Não existe uma receita única. No entanto, nesta fase é indispensável ter o es- pírito aberto e colocar-se as seguintes questões:

• Porquê?

• Existe alternativa?

• Qual?

• Limitações técnicas envolvidas?

• Há espaço?

• Quanto custa? Com esta informação, ou com o levantamento das necessidades de informação a recolher, poderemos passar à fase de concepção de um novo método.

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3.8 Gráficos de Análise

3.8.1 Gráficos de processo

São gráficos que servem para analisar ou representar um método de trabalho utilizado em uma determinada instalação, seção ou posto de trabalho. Poderá, tam- bém, servir para analisar ou representar a seqüência de tarefas a que um determi- nado objeto é sujeito durante um processo. O aspecto do gráfico de processo está representado na tabela a seguir.

Gráfico de seqüência Executante / Material / Equipamento Gráfico nº Folha de Resumo Valor Operação
Gráfico de seqüência
Executante / Material / Equipamento
Gráfico nº
Folha
de
Resumo
Valor
Operação
Objetivo
Transporte
Atividade
Localização
Descrição
Obs.

Tabela 4 Gráfico de processos

Os primeiros dados a serem preenchidos são os do cabeçalho, que devem ser os mais completos possíveis, de modo a facilitar a fase de análise. Devemos preencher os campos da seguinte forma:

Gráfico de seqüência: o que estamos analisando, se é o executante, o material ou equipamento;

O número do gráfico: é uma numeração que devemos ter em registro para o ar- quivo;

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O número de folhas: se for mais que uma, indicar quantas são;

Qual é o objetivo do estudo: se é para analisar movimentações, melhorar o méto- do, melhorar a qualidade, etc;

O tipo de atividade que estamos estudando: por exemplo, produção do modelo HTBO para o SSU46;

Localização: por exemplo, seção de corte, prensagem SS; quinagem XX, etc;

O equipamento, posto de trabalho, célula ou linha em estudo;

O executante analisando. Registram-se as operações de acordo com a divisão anteriormente apresenta- da, marcando com um “X” a coluna respectiva. Devem ser indicados os tempos gastos e as distâncias percorridas, bem como todas as notas e ocorrências que se considerem importantes para cada tarefa (ex:

especificações, outras). Ao final da análise preenche-se o quadro de resumo:

Conta-se cada tipo de tarefa;

Somam-se para cada tipo de tarefa os tempos e as distâncias percorridas. Sendo que, à partida, somente operações poderão trazer valor acrescentando

ao produto, este gráfico permitirá identificar e quantificar todos os restantes tipos de tarefas envolvidos. Nota: O nível de detalhe a utilizar depende do rigor que queremos utilizar na análise; assim:

A movimentação de um material dentro de uma seção: nível de detalhe por tarefa pode, por exemplo, ser:

Transporte: do material até ao equipamento X, 12 metros, 5 minutos;

Operação: furação com broca, 6 minutos;

Etc.

A análise de uma operação em um posto de trabalho: o nível tem que ser mai- or; por exemplo:

Transporte: da paleta até a base da mesa, 3 metros, 4 minutos;

Operação: fixação da peça na mesa, 4 minutos;

Inspeção: verificação da centralização da peça, 1 minutos;

Operação: furação com broca, 3 minutos;

Etc.

26

3.8.2 Fluxogramas

A figura seguinte apresenta uma representação de um fluxograma:

Símbolo

Descrição

Explicação

Distância

(metros)

25,5

3,0

4,5

3,0

Ir até a porta da garagem

Abre a porta

Vai até ao armário de ferramentas

na garagem

Retira a mangueira do armário

Vai até a porta traseira da garagem

Abre a porta

Vai até a torneira na parte de trás

da garagem

O Zé, sentado na varanda, decide

regar o jardim.

Deixa a varanda, anda 25,5m até a

porta da garagem. Este ato é

chamado transporte, pois anda de

um lado para outro.

Abre a porta é uma operação.

Ele anda 3m até o armário para

pegar a mangueira.

Esta é uma operação.

Ele carrega a mangueira até a porta

traseira da garagem

Esta é uma operação.

Este é um transporte.

Figura 6 Exemplo de fluxograma

A separação das tarefas dos fluxogramas é semelhante aos gráficos de pro- cesso.

27

3.8.3 Procedimento

Procede-se ao registro das operações, de acordo com a divisão anteriormente apresentada, ligando-se com uma linha à tarefa seguinte, devendo-se indicar as dis- tâncias percorridas nos transportes (estes valores podem ser aproximados), bem como os motivos de cada tarefa. No final da análise preenche-se o quadro de resumo:

Contam-se cada tipo de tarefa;

Somam-se as distâncias percorridas. Sendo que, inicialmente, somente as operações poderão trazer valor acrescen- tando ao produto, este gráfico permitirá identificar todos os restantes tipos de tarefas envolvidas.

3.8.4 Vantagens e desvantagens da utilização de fluxogramas

Vantagens:

Mais simples de realizar;

Permite uma visão mais global;

Exige menos informação.

Desvantagens:

É mais generalista;

Não permite uma análise tão sistemática;

Não permite calcular o potencial de ganho em termos de tempo.

28

3.8.5 Gráficos de movimentos

Os gráficos de movimentos são utilizados para analisar as movimentações das pessoas, materiais e objetos em uma determinada área. Aplicação:

Análise do lay-out de uma instalação ou seção para, por exemplo, aproximação de postos de trabalho com ligações mais freqüentes;

Análise das movimentações dos materiais para um determinado método de fabri- cação para reduzir movimentações;

Implantação de células ou linhas. Construção:

Para este gráfico, precisamos de uma planta na escala com a localização dos e- quipamentos e/ou postos de trabalho.

Para cada movimento identificado, traçamo-lo na planta tantas vezes quantas ele acontecer; identificamos o movimento com um número, letra ou cor; e registramos o número de vezes que acontece. Este tipo de representação permite-nos, com facilidade, identificar as áreas com maior freqüência de movimentação (os percursos que fazemos mais vezes) as- sim como calcular o total de movimentações que realizamos para um determinado período. A partir da análise deste tipo de gráfico, podemos aferir a necessidade de fa- zermos algumas alterações de lay-out (disposição dos postos de trabalho), de modo que as movimentações com maior freqüência não sejam as mais longas. Em alterna- tiva, poderemos sempre proceder à alteração do método utilizado, de modo a reduzir a necessidade das movimentações registradas.

3.8.6 Exemplo de aplicação

Uma empresa metalúrgica utiliza um determinado método de trabalho para rea- lizar a operação de polimento de uma dobradiça. Pretende-se estabelecer um novo método que permita um ganho de produtividade.

29

Analisemos, então, a metodologia básica:

Observação

29 Analisemos, então, a metodologia básica: Observação Coleta/registro de dados e informações Análise crítica

Coleta/registro de

dados e informações

Observação Coleta/registro de dados e informações Análise crítica proposta de novos métodos ou

Análise crítica

Coleta/registro de dados e informações Análise crítica proposta de novos métodos ou oportunidades de

proposta de novos

métodos ou

oportunidades de

melhoria

Figura 7 Metodologia básica do estudo do método

Assim, como vimos anteriormente, a primeira fase é observar de modo a definir a forma como a operação é realizada. Para o efeito, dividimos nos seguintes el e- mentos:

1

Ciclo de máquina

2

Formar par de dobradiça e colocá-lo na ferramenta

3

Espera fim de ciclo

4

Colocar sabão de polir nas escovas

5

Retirar par de dobradiça da ferramenta e colocá-lo no suporte para lavagem

6

Parar máquina para alcançar suporte para colocar peças lustradas

7

Parar máquina para retirar plástico de bolhas

8

Parar máquina para registrar operação na ficha

9

Parar máquina para colocar sabão na escova do interior da mesma

10

Parar máquina para ir ao seu interior buscar peça que soltou da ferramenta

Tabela 5 Divisão de tarefas

Com base nesta divisão de elementos, foram efetuadas medições por crono-

30

metragem (cuja metodologia será apresentada no capítulo seguinte). Como podemos verificar, o estudo dos métodos é uma sistematização de pas- sos de todos os dias, ou seja, em qualquer função somos capazes de observar e ter capacidade crítica. No entanto, a capacidade de melhorar só existe quando pode- mos comparar com um ponto de partida. O estudo dos métodos consiste, assim, em identificar a forma como realizamos produtos, operações ou tarefas.

31

4 Estudo dos Tempos

Estudo do tempo é uma técnica de medida para registrar os tempos e o ritmo de trabalho para os elementos de uma tarefa especializada, realizada sob condições especificadas, e para analisar os dados de forma a obter o tempo necessário para a realização do trabalho com um nível definido de desempenho. O estudo de tempos pode ser utilizado para a determinação de tempos padrão para operações ou tarefas já sistematizadas ou como ferramenta de apoio ao estu- do de métodos como apoio à análise (fator medição).

Em termos genéricos, o processo de estudo de tempos pode ser definido pelo seguinte esquema:

Selecionar

tempos pode ser definido pelo seguinte esquema: Selecionar Insuficiente Precisão Medir Avaliar Definir padrão Figura

Insuficiente

ser definido pelo seguinte esquema: Selecionar Insuficiente Precisão Medir Avaliar Definir padrão Figura 8 –
ser definido pelo seguinte esquema: Selecionar Insuficiente Precisão Medir Avaliar Definir padrão Figura 8 –
Precisão
Precisão

Medir

Avaliar

Definir padrão

Figura 8 Esquema do processo de estudo de tempos

De uma forma resumida, vamos ver como se realiza cada uma das etapas:

32

Etapa

Descrição

Selecionar

Consiste em escolher e preparar o assunto que vamos analisar, recolher toda a informação necessária e subdividirmos em tarefas para termos uma análise o mais rica possível.

Medir

Como o devemos fazer, que meios existem e que considerações devemos ter quando os utilizamos.

Avaliar a

Definirmos o número suficiente de medições que nos permitam ter confiança para afirmar que o tempo de uma determinada operação é “X”.

precisão

Definir o

Introduzir os coeficientes necessários para que o tempo possa ser considerado como padrão.

padrão

Tabela 6 Etapas do processo do estudo de tempos

4.1 Divisão de tarefas

Como no estudo dos métodos, a primeira fase do estudo de tempos consiste em escolher o trabalho a estudar. Eis alguns exemplos:

Novo trabalho que nunca foi executado anteriormente (novo produto, nova peça, nova operação, nova série de atividades, nova tecnologia, etc.);

Uma mudança de método que exige a fixação de um novo tempo de referência;

Cálculo da necessidade de mão-de-obra;

O cálculo de custos de produção;

Planificação de plantas fabris;

Programação e balanceamento de cargas;

Um trabalhador ou um representante do pessoal queixa-se do pouco tempo pre- visto para uma operação;

• Uma operação constitui um “estrangulamento” ou “gargalo” que bloqueia as ope- rações seguintes e, por exemplo, devido à acumulação de trabalho em atraso, re- tarda as operações precedentes;

33

Urna modificação na política salarial, pela adoção, por exemplo, de um sistema de

prêmios de produtividade.

Como exemplos de estudo de tempos, enquanto ferramenta para ser utilizada

em um estudo dos métodos, podemos citar:

Para quantificar as tarefas ou operações utilizadas;

Quando se deseja comparar a eficácia de dois métodos propostos;

Quando uma instalação aparenta ter um fraco rendimento ou cujos tempos im-

produtivos parecem exagerados;

Quando o custo de um dado trabalho parece excessivo.

4.2 Registro dos dados relevantes

É indispensável registrar todos os dados relativos às condições em que o tra-

balho é efetuado, aos métodos e aos elementos de atividade.

Trata-se, de fato, de efetuar uma verdadeira descrição, por escrito, do método utilizado na execução.

As informações a coletar podem ser agrupadas da seguinte maneira:

34

Agrupamento

Descrição

 

• Número do estudo

• Número da folha de observações

Informações que permitem encontrar e identificar o estu- do com rapidez.

Nome do profissional de estudo do trabalho (encarregado ou profissional de métodos)

Data do estudo

 

Nome do responsável pela supervisão do estudo (chefe do serviço de métodos, diretor de produção).

 

• Designação do produto, peça ou atividade

• Designação do cliente, coleção, modelo ou família de

Informações que permitam identificar com precisão o produto, a peça ou a atividade em questão.

produto

• Número do desenho ou do modelo ou da especificação

• Número da peça (se for diferente do nº do desenho)

• Material

 

• Normas de qualidade ou outras aplicáveis

• Eventualmente o número de série das peças ou produtos

 

• Serviço ou local onde se efetua a operação

• Descrição da operação ou atividade

• Número da ordem de fabricação (se existir)

Informações que permitam identificar com precisão o processo, o método, a instala- ção ou a máquina.

Descrição do centro de trabalho, célula, máquina ou ins- talação e estado de funcionamento (nome do fabricante, modelo, dimensões, capacidade, etc.). Registrar se houve condições anormais

Alimentação e velocidade das máquinas, correntes de

soldadura utilizadas, número de rotações, número de pontos por cm, etc.

 

Esboço do posto de trabalho mostrando o lay-out e di-

mensões (uma máquina fotográfica poderá ajudar bastante nesta fase do trabalho)

Descrição das ferramentas, gabaritos e calibres utilizados

 

Condições térmicas (temperatura, umidade) se necessá- rio

Condições ambientais no local de trabalho.

Níveis de ruído e outras características físicas (freqüên- cias dominantes, impulsividade, tempo de exposição, etc.), se necessário

• Níveis de iluminação ambiente e no plano de trabalho

• Outras condições ambientais relevantes.

 

• Nome

Informações que permitem identificar o executante.

• Número de empresa

• Categoria profissional

• Sexo;

 

• Idade

Informações relativas à dura- ção do estudo.

• Hora de início e do fim e tempo passado

Tabela 7 Registro de dados

35

Esta descrição deverá incluir todos os detalhes manuais da tarefa. A terminolo- gia utilizada varia com a natureza do trabalho. É essencial que todos os elementos de trabalho fiquem perfeitamente descritos. O critério para um bom registro é que ele deve descrever tudo o que o trabalhador tem de fazer, de modo que seja possível reproduzir a atividade a partir desse registro. Obviamente, se já existe um estudo prévio dos métodos, grande parte das observações já estarão feitas e o profissional de estudo de tempos apenas terá que verificar se a atividade atual condiz com o re- ferido no estudo de métodos.

4.3 Decomposição da operação ou atividade em elementos

Elemento será cada parte distinta de uma dada operação ou atividade, com- preendendo, por um lado, uma ou várias tarefas ou movimentos fundamentais do executante e, por outro lado, operações executadas pela máquina ou fases do pro- cesso. Ciclo de trabalho é uma série completa dos elementos necessários para a exe- cução de uma dada atividade ou operação, para a obtenção de uma unidade de produção. Pode conter elementos que não apareçam em todos os ciclos. As vantagens da decomposição em elementos são diversas:

Permitem distinguir bem o trabalho produtivo (ou tempo produtivo) de uma tarefa (ou tempo) improdutiva;

Permitem avaliar a atividade com muito mais precisão do que com um ciclo com- pleto;

Permitem isolar os elementos com diferentes graus de fadiga ou exigências físicas e fixar com maior exatidão as correções de repouso;

Permitem controlar os tempos de referência, de modo a que se possa, mais tarde, determinar rapidamente qualquer omissão ou inserção de um novo e- lemento. Os elementos podem ser:

Repetidos: Encontram-se em todos os ciclos (exemplo: colocar peça no posto);

Constantes: Com características e duração idênticas, encontram-se numa ou várias operações (por exemplo: levantar a broca a uma dada altura acima da

36

peça a trabalhar);

Variáveis: O tempo de execução varia em função das características do produ- to, material ou processo (por exemplo: a forma ou o peso de um objeto a deslo- car);

Ocasionais: Podem aparecer a intervalos regulares ou não;

Estranhos à operação: Podem ocorrer durante um estudo, mas sem fazer necessariamente parte da operação ou atividade estudada.

4.4 Critérios para a escolha dos elementos

Característica

 

Descrição

 

Sendo o início e o fim bem marcados. Com freqüência, o início e

o

fim do elemento

Devem ser facilmente identificáveis

assinalam-se por uma mudança de estado da máquina (para- gem da máquina, clique da fixação de um gabarito, colocação de uma ferramenta, etc.) ou por uma mudança de atividade do operador.

 

A

duração não deverá ser inferior a 0,04 minutos (2,4 seg.). A

Os elementos devem ser de curta duração

duração de uma medição deverá estar de acordo com o objetivo que se pretende atingir. Normalmente, nenhum elemento deveria exceder 0,33 mm (20 seg.).

Os elementos devem ser o mais unificados possível

Cada elemento poderá consistir de uma série bem unificada de movimentos fundamentais, tais como “procurar”,“agarrar”,“transportar”,“colocar” um objeto com uma finalidade bem definida, ou incluir parte de uma série de movi- mentos com um objeto e parte de outra série com outro objeto.

Os tempos "internos" devem ser distintos dos tempos "externos"

Os tempos manuais estão sujeitos ao controlo do operador, pelo que são muito mais suscetíveis de variação e mais difíceis de determinar com preci- são.

Os tempos "homem" devem ser distintos dos tempos "máquina"

O trabalho manual executado enquanto a máquina (ou o pro- cesso) controla a totalidade do tempo (tempo “interno”) deve ser separado do trabalho manual executado enquanto a totalidade do tempo é controlada pelo trabalho manual (tempo “externo”).

Tabela 8 - Critérios para a escolha dos elementos

Os elementos constantes devem ser separados dos elementos variáveis. Os elementos ocasionais e os elementos estranhos à operação que não ocorrem em todos os ciclos devem ser considerados separadamente. Por vezes, é necessária

37

uma prolongada observação para identificá-los, mas isso constitui uma parte do tra- balho que se pode considerar. A automatização dos processos, que conduziu a que numa parte importante dos casos o operador desempenhe uma atividade complementar à realizada pela máquina, e o alargamento e delegação de responsabilidades (downsizing e empo- werment), tem conduzido a que se dê um maior grau de liberdade aos operadores, alargando um pouco a dimensão dos elementos de trabalho a considerar e ligando- os, cada vez mais, a tarefas integradas e não a tarefas elementares, o que pode conduzir a tempos unitários que podem ser de minutos e se trabalhe algumas vezes com padrões fixados pelas cadências dos próprios equipamentos.

4.5 Cronometragem

Para que o cronometrista possa fazer uma boa cronometragem é necessário tomar alguns cuidados preliminares:

Cronômetro (o ideal seria um analógico centesimal);

Ter em mãos uma boa prancheta;

Folha de cronometragem;

Uma filmadora;

Lápis ou lapiseira;

Borracha. Em certas indústrias, em que as condições ambientais são criticas, há, por ve- zes, a necessidade de conhecê-las com certo rigor. Poderão, então, serem necessá- rios termômetros, higrômetros, sonômetros, dosímetros, iluminômetros, dinamôme- tros, etc.

38

4.5.1 Cronômetro

38 4.5.1 Cronômetro Figura 9 - Cronômetro com retorno a zero Figura 10 - Cronômetro com

Figura 9 - Cronômetro com retorno a zero

4.5.1 Cronômetro Figura 9 - Cronômetro com retorno a zero Figura 10 - Cronômetro com leitura

Figura 10 - Cronômetro com leitura continua

retorno a zero Figura 10 - Cronômetro com leitura continua Figura 11 - Cronômetro com leitura

Figura 11 - Cronômetro com leitura fixa

São utilizados, normalmente, para o estudo dos tempos dois modelos de cro- nômetros: O cronômetro com retorno a zero e partida automática e o cronômetro vulgar de leitura contínua. Existem ainda os cronômetros de leitura fixa. Podemos encontrar cronômetros com diversos tipos de graduações, sendo mais comuns os graduados em quintos de segundo, em centésimos de minuto e em décimos milési- mos de hora, fazendo o ponteiro grande uma volta num centésimo de hora. Encontram-se, também, em lojas especializadas, cronômetros digitais gradua- dos em minutos e horas decimais e, ainda, alguns tipos menos comuns, criados para aplicações especiais. Podemos.no entanto, utilizar um cronômetro normal. Para fazermos cálculos será melhor converter as leituras em horas ou minutos decimais.

4.5.2 Conversões

A conversão é feita da seguinte forma:

Horas Decimais

Horas

Minutos

Segundos

Fica igual

Dividir por 60

Dividir por 3600

Tabela 9 Horas decimais

39

Exemplo: 2h30min 22seg = 2 + (30/60) + (22/3600) = 2 + 0,5 + 0,0006 = 2,506 horas Nota: Para converter em hh:mm:SS faz-se o inverso do indicado na tabela. Exemplo: 3,064 horas = 3h e (0,064x60=3,84) (3,84 = 3min e 0,84x60 = 50seg) Assim, temos 3h3min50seg.

Minutos Decimais

Horas

Minutos

Segundos

Multiplica por 60

Fica igual

Dividir por 60

Tabela 10 Minutos decimais

Exemplo: 2h30min22seg = (2x60) + 30 + (22/60) = 150,37 minutos. Nota: Para converter em hh:mm:SS faz-se o inverso do indicado na tabela. Exemplo: 250,40min = (250/60) + 0,4 = 4 + (0,17x60) + 0,4. = 4 + 10,6 = 4 + 10 + (0,6x60) = 4h10min36seg.

4.5.3 Folhas de observações

Os registros deverão ser feitos em folhas impressas, num formato normalizado, que permita o recolhimento dos dados de uma forma sistematizada e de fácil consul- ta.

Existem quase tantos modelos diferentes destas folhas como de serviços de estudos de tempos por esse mundo a fora. Os profissionais de estudo de tempos mais experientes têm, aliás, seu próprio conceito sobre o tipo ideal destas folhas. Na seqüência, apresentam-se exemplos que se revelarão satisfatórios para estudos de caráter geral. As folhas mais utilizadas dividem-se em duas categorias:

Folhas de campo, nos quais se registram as observações nos locais de trabalho;

Folhas de cálculo, de análise e de resumo dos resultados do estudo, usados no escritório.

40

Folha de cronometragem Ref. Nº Código: Linha: Data: Título: Seção: Conclusão: Posto Trab: Início:
Folha de cronometragem
Ref. Nº
Código:
Linha:
Data:
Título:
Seção:
Conclusão:
Posto Trab:
Início:
Operação:
Funcionário:
Duração:
Nome:
Erro:
Quant. feita:
Assinatura:
Operação
T
V
Operação
T
V
Operação
T
V

Tabela 11 - Folha de campo

41

Simplificação do Trabalho Folha de Resultados

Ref. Nº

Código:

 

Analista:

Título:

Data:

 

Edição:

Aprovado:

Operação:

Data:

ESTIMATIVA DE ECONOMIA

 

Descrição

Resumo

Melhorias

Aumento da produção %

   

Economia sobre a mão de obra %

   

Economia de espaço %

   

Efeito sobre a qualidade

Efeito sobre a segurança

Outras vantagens

Material e equipamento necessário

Documentos incluídos

Tabela 12 Folha de cálculo

4.5.4 Prancheta

Uma prancheta é um suporte para as folhas de registro e, neste caso, com o suporte para cronômetro integrado. É uma ferramenta bastante útil porque facilita o registro dos dados.

42

4.5.5 Filmadora

Estes dispositivos são de uma grande versatilidade e comodidade de utilização. Uma das principais vantagens é a de permitirem a observação do trabalho quantas vezes forem necessárias, facilitando, assim, uma análise mais detalhada. Se o equipamento permitir ver simultaneamente, na mesma imagem, o tempo passado, facilmente se compreenderá a sua utilidade. Em algumas filmadoras é possível apurar, automaticamente, os tempos unitá- rios para os elementos de trabalho de menor dimensão, o que facilita extraordinari- amente o trabalho de levantamento.

4.5.6 Tipos de cronometragem

Existem três métodos principais de cronometragem e um sistema misto que utiliza vários cronômetros simultaneamente. São eles:

Cronometragem contínua;

Cronometragem com retorno a zero;

Cronometragem de leitura fixa;

Cronometragem cumulativa.

4.5.7 Cronometragem continua

O cronômetro é posto em marcha no início do primeiro elemento do primeiro ci- clo a cronometrar e só pára no final do estudo. No fim de cada elemento, o profissio- nal de estudo de tempos registra a leitura do cronômetro. Os diversos tempos elementares são obtidos por subtrações sucessivas após o estudo finalizado.

43

Quando visualizamos um filme de vídeo será este o método de análise dos tempos mais adequado, uma vez que o contador de tempo da filmadora é contínuo.

4.5.8 Cronometragem com retorno a zero

O cronômetro é posto a trabalhar no início do primeiro elemento do primeiro ci- clo e é simultaneamente lido e retornado a zero no fim desse elemento, iniciando imediatamente a contagem do tempo do elemento seguinte, e assim sucessivamen- te. Deste modo, os tempos elementares são obtidos sem necessidade de se efetua- rem as subtrações, necessárias na cronometragem contínua.

4.5.9 Cronometragem de leitura fixa

No cronômetro de leitura fixa, um dos ponteiros pára quando se carrega num disparador suplementar, enquanto o outro continua a andar. Carregando uma se- gunda vez neste disparador, o ponteiro parado alcança o que está em movimento e ambos continuam a avançar. Desta maneira, os resultados são lidos com o ponteiro parado e não em movi- mento, como acontece nos dois métodos anteriores, o que aumenta, evidentemente, a precisão da leitura.

4.5.10 Cronometragem cumulativa

Este método envolve dois, três, ou quatro cronômetros, montados numa mes- ma prancheta com uma ligação mecânica entre eles. Vejamos como se procedem dois cronômetros:

44

Para cronometragem contínua, o mecanismo é manipulado de modo a que no fi- nal de cada elemento um dos cronômetros é parado e o outro começa a trabalhar. O cronômetro parado é lido e os tempos elementares são obtidos posteriormente, pela subtração de leituras alternadas.

Para cronometragem com retorno a zero, o cronômetro parado é levado à zero após a leitura e os tempos elementares são lidos diretamente.

4.6 Avaliação da atividade

A fase seguinte do estudo de tempos consiste na avaliação da velocidade efe-

tiva do trabalho do executante e compará-la com uma atividade de referência. A esta avaliação chama-se Avaliação de Atividade. Trata-se de uma avaliação, com maior ou menor grau de natureza subjetiva, que se baseia no conceito que o observador tem de ritmo normal, habitualmente designado por Atividade de Referência (AR) ou Atividade Normal.

A AR pode ser definida como:

“O ritmo de trabalho de um executante médio, bem qualificado e treinado, tra- balhando sob a liderança de quadros qualificados, mas sem o estímulo de uma re- muneração ao rendimento”. Este ritmo de atividade deve ser tal que possa ser mantido dia após dia sem fadiga, quer físico, quer mental, sendo caracterizado por exigir do indivíduo, não mais que um esforço razoável e regular.

4.6.1 Atividade de referência e rendimento normal

Como se disse, a avaliação da atividade do operador consiste numa compara- ção mental, ou julgamento das velocidades com que diferentes pessoas são capa- zes de realizar um determinado trabalho.

45

A dificuldade provém, em geral, por não existirem padrões de tempo pré- estabelecidos para a multiplicidade de tarefas elementares, que fazem parte dos postos de trabalho e circunstâncias particulares de cada empresa. Por isso, na ge- neralidade dos casos, cada empresa terá que definir os seus próprios níveis de ati- vidade normal, a fim de poder efetuar o julgamento da atividade dos seus executan- tes.

Valores considerados normais:

Atividades ativas (com movimento total do corpo):

Ritmo de comparação: 6,4 Km/h

Atividades sedentárias (com movimento parcial do corpo):

Ritmo de comparação: Distribuição de 52 cartas em 0,375 min (23 seg.)

As operações que exigem reflexão (julgar o acabamento no controle de um produto, por exemplo) são extremamente difíceis de apreciar. É preciso ter uma grande experiência neste tipo de trabalho, antes de poder fazer avaliações satisfató- rias.

Por definição, a avaliação da atividade é uma comparação entre a cadência observada pelo agente de estudo de tempos e o conceito que este faz de um ritmo de trabalho normal.

4.6.2 Fatores influentes na cadência de execução do trabalho

Fatores que escapam à vontade do executante:

As variações de qualidade e de outras características da matéria utilizada, mesmo dentro dos limites de tolerância prescritos;

As modificações que intervêm na eficácia das ferramentas e do material durante a sua vida útil;

46

As mudanças de pouca importância e inevitáveis introduzidas nos métodos ou nas condições em que se efetuar a operação;

As variações da atenção necessárias à execução de alguns elementos;

As modificações provenientes de certas condições ambientais:

Iluminação, temperatura, ruído, etc.

4.6.3 Fatores sobre os quais o executante pode atuar

As variações aceitáveis de qualidade do produto;

As variações devidas a maior ou menor habilidade que o trabalhador possui;

As variações provenientes da sua atitude mental, nomeadamente dos seus senti- mentos em relação à empresa em que trabalha;

Modificações da seqüência dos movimentos do executante;

Modificações da sua cadência de trabalho;

Modificações de uma e de outra atividade, em proporções variáveis.

47

4.6.4 Tipos de técnicas de avaliação do desempenho do executante

   

Dados

Método

 

Discrição

auxiliares

 

1

- Avaliar a dificuldade do trabalho e formar um conceito de

 

Avaliação subje- tiva sem referên- cias

como seria o trabalho em estudo se estivesse de acordo com os

requisitos de execução padronizada, definidos pelas normas com que o profissional está trabalhando.

 

2

- Classificar a execução observada de acordo com o conceito

formado no passo anterior e atribuir-lhe um valor numérico.

Avaliação subje- tiva com algumas referências

Este procedimento difere do anterior nos detalhes ou referências dados na execução do 2º passo. As diferenças são: o nº de sub- fatores em que esse passo é dividido; os termos usados para descrever a base de comparação entre a tarefa observada e o conceito formado no 1º passo; as escalas numéricas utilizadas; a existência, ou não, de postos de trabalho de referência.

Quadro A

Avaliação

1

- Avaliação do ritmo observado em comparação com um ritmo-

 

objetiva

padrão de referência, que é o mesmo para todos os postos de trabalho da empresa. Esta referência está registrada em filme (podendo, assim, ser consultada periodicamente para recicla- gem dos profissionais de estudo de tempos).

2

- Utilização de um ajustamento de dificuldade, que consiste

num incremento em porcentagem, e aplicar ao valor obtido pela avaliação efetuada no 1º passo. Este incremento é obtido em tabelas de valores satisfatórios (empíricos) obtidos experimen- talmente, segundo Mundel, 1978.

Tabela 13 Avaliação de desempenho

48

Destreza

Esforço

+0,15

A1

Super

+0,13

A1

Super

+0,13

A2

+0,12

A2

+0,11

B1

Excelente

+0,10

B1

Excelente

+0,08

B2

+0,08

B2

+0,06

C1

Boa

+0,05

C1

Bom

+0,03

C2

+0,02

C2

0

D

Média

0

D

Médio

-0,05

E1

Sofrível

-0,04

E1

Sofrível

-0,10

E2

-0,08

E2

-0,16

F1

Fraca

-0,13

F1

Fraco

-0,22

F2

-0,17

F2

Tabela 14 Quadro A : Destreza e esforço

 

Condições

 

Consistência

+0,06

A

Ideais

+0,04

A

Super

+0,04

B

Excelentes

+0,03

B

Excelente

+0,02

C

Boas

+0,1

C

Boa

0

D

Médias

0

D

Média

-0,03

E

Sofríveis

-0,02

E

Sofrível

-0,07

F

Fracas

-0,04

F

Fraca

Tabela 15 Quadro A : Condições e consistência

Exemplo de avaliação subjetiva com algumas referências:

Suponhamos que a execução de um dado elemento foi classificada, com base nos critérios apresentados na tabela acima, do seguinte modo:

Destreza = B1; Esforço = B2; Condições = C; Consistência = B. Assim, de acordo com o quadro, os ajustamentos (AJ) seriam:

AJ = 0,11 + 0,08 + 0,02 + 0,03 = 0,24 Admitindo que a avaliação da atividade, meramente mental, efetuada no 1º passo, fora FA = 105%, e se aplicarmos as correções anteriormente apresentadas (1 + 0,24 = 1,24), obteremos o seguinte resultado ajustado:

FA (ajustado) = 105% x 1,24 = 130%

49

4.6.5 Escalas de avaliação do desempenho

Podem utilizar-se diversas escalas de avaliação, das quais as mais correntes são as 100-133- 60-80, 75-100 e a escala 0-100 da British Standards Institution, cuja adoção se recomenda aos leitores. O quadro seguinte da exemplos de atividades de trabalho qualificadas de acordo com as diversas escalas agora citadas.

   

Velocida-

   

de de

 

Escalas

marcha

       

Descrição da atividade

compatí-

60-100

75-100

100-133

0-100

vel

(Km/h)

0

0

0

0

Atividade nula

0

       

Atividade muito lenta:movimentos inábeis e

 

40

50

67

50

hesitantes; o executante parece estar meio a

3,2

dormir e não se interessa pela sua tarefa .

       

Atividade compassada, sem pressa, como a

 

de um trabalhador não remunerado, sob vigi-

60

75

100

75

lância apropriada; parece lenta, mas sem

4,8

qualquer desperdício deliberado de tempo

durante a observação.

       

Gestos vivos e precisos de um trabalhador

 

100

80

100

135

(Atividade

mediamente qualificado, remunerado ; os

6,4

de refe-

requisitos de qualidade e de precisão são

rência)

atingidos sem hesitações.

 
       

Muito rápida: o executante demonstra uma

 

segurança, destreza e coordenação de mo-

100

125

167

125

vimentos muito superiores a um trabalhador

8

mediano experiente.

       

Excepcionalmente rápida: a atividade exige

 

um esforço e concentração intensa e não

poderá, provavelmente , ser mantida durante

120

150

200

150

muito tempo; requer num nível de perito, que

9,6

só alguns trabalhadores excepcionais podem

atingir.

Tabela 16 - Escalas de avaliação do desempenho

50

4.6.6 Como empregar o fator de atividade

Se a cadência de execução do trabalhador que observa não atinge o nível que julga normal, escolherá um fator inferior a 100, por exemplo 90, ou qualquer outro número que julgue justo. Se, pelo contrário, pensa que a atividade do trabalhador ultrapassa o nível normal, tomará para fator um número superior a 100, por exemplo 110, 115 ou 130. Na prática costuma-se arredondar a avaliação para o múltiplo de 5 mais próxi-

mo.

4.6.7 Tempo normalizado

Define-se tempo normalizado, que designaremos abreviadamente por,TN co- mo igual ao produto do tempo por operação observado/medido (TO), multiplicado pelo fator atividade (FA) e dividido pela atividade de referência (AR), isto é:

TN = TO x FA / AR Será necessário agora referir um aspecto importante relativo à forma mais cor- reta de determinar o TN a partir dos tempos observados e dos julgamentos de ativi- dade.

Não há dúvida que o procedimento mais correto será efetuar o cálculo do TN, conforme a formula, elemento a elemento, multiplicando cada TO pelo quociente FA/AR correspondente (para cada medição). No final, calcular o TN médio e será esse o valor aceito para tempo normalizado do elemento em questão.

TN médio = (Soma de todos os TN) / ( Número de TN = número de observações efetuadas)

51

4.6.8 Precisão da amostra

Quando se efetua um estudo de tempos, verifica-se que, mesmo que o traba- lhador tente manter um ritmo constante, há sempre diferenças entre os tempos cro- nometrados para o mesmo elemento. Esta variabilidade pode levantar dúvidas quanto à confiabilidade das medições feitas, designadamente sobre o fato de serem ou não representativas do “verdadei- ro” tempo elementar. Este valor depende de dois fatores:

1 - A variabilidade das observações que é determinada por uma medida estatística de dispersão: pelo desvio-padrão ou pela amplitude do intervalo de variação;

2 - O número, N, de observações efetuadas. A fórmula abaixo permite avaliar o erro que afeta o tempo médio de um dado

número de observações. Como já se disse são geralmente aceitos em estudo de tempos o nível de confiança de 95% e a precisão de + -5%.

Exemplo:

N = 1600(s /m)2

s desvio-padrão m média

No quadro seguinte estão representados 10 tempos elementares (1ª série de obs.). O observador pretende saber se esse nº é suficiente para um nível de confi- ança de 95% e uma precisão de + -5%.

1ª série de 10 obs.: (N1 = 10) Tempos: 5-6-7-7-5-5-6-6-7-5 Cálculo N :N = 1600 x (0,81650/6)2 = 29,6 <=> 30 Conclusão: o número de obs. insuficientes N1< N

Média: 6

Desvio-padrão: 0,81650

2ª série de 10 obs.: (N2 = N1 + 10 = 20) Tempos: 6-7-5-6-6-5-7-5-5-6 Cálculo N : N=1600x(0,75915/5,93)2 =26,04<=>27 Conclusão: o número de obs. insuficientes N2<N

Média:5,93

Desvio-padrão: 0,75915 (dos 20 tempos)

(dos 20 tempos)

2ª série de 10 obs.: (N3 = N2 + 5 = 25 Tempos: 6-7-6-5-6 Cálculo N:N =1600x(0,73485/5,96)2=24,03<=>25 Conclusão: o número de obs. suficientes N3<=>N

Média: 5,96 (dos 25 tempos)

Desvio-padrão: 0,73485 (dos 25 tempos)

Tabela 17 - Tempos elementares

52

4.6.9 Correções, complementos ou coeficientes

Vimos no estudo dos métodos que convém reduzir sempre ao mínino a energia que despende o executante para realizar a sua tarefa, aperfeiçoando os métodos e os processos de acordo com os princípios de economia de movimentos e, na medi- da do possível, com a ajuda da mecanização/automatização.Todavia, a execução de um trabalho exige sempre ao executante o disperdício de certo esforço, mesmo quando se adaptou o método de execução mais prático, econômico e eficaz. Por es- ta razão, deve sempre prever-se um complemento de tempo para lhe permitir repou- sar e compensar a fadiga. São as chamadas correções de fadiga. Devem ser ta m- bém tidas em conta as necessidades pessoais do trabalhador, chamadas correções para necessidades pessoais, pelo que se deve prever algum tempo para esse efeito. Para além destas há ainda outras a considerar, que serão descritas adiante.

Vejamos agora mais detalhadamente estas diversas categorias.

Correções:

Fadiga de base

Correções:

Necessidades

pessoais

Tensão nervosa

e esforço físico

intenso

Fatores

ambientais

Correções

fixas e esforço físico intenso Fatores ambientais Correções Correções variáveis Figura 12 – Esquema de

Correções

variáveis intenso Fatores ambientais Correções fixas Correções Figura 12 – Esquema de correções. Correções de

Figura 12 Esquema de correções.

variáveis Figura 12 – Esquema de correções. Correções de repouso Correções por ocorrências

Correções

de repouso

Correções por

ocorrências

irregulares

Correções por

demoras

inevitáveis

Correções

especiais

Correções

suplementares

irregulares Correções por demoras inevitáveis Correções especiais Correções suplementares Correções totais

Correções

totais

53

Classe

     

correção

Tipo

Descrição

 

Valor ou formula

 

Correções de base para fadi- ga

Aplicam-se para compensar a energia despendida na exe- cução do trabalho e para aliviar a monotonia

 

4% do TN

Correções para

têm em conta a necessidade de abandonar o posto de trabalho por necessidades pessoais

 

Correções

necessidades

 

entre 5 e 7% do TN

de repouso

pessoais

 

Correções variá-

acrescentes às fixas quando as condições de execução são nitidamente diferentes das con- sideradas normais (ex.calor, umidade)

 

veis

 

Valores tabelados

   

Ocorrências irregulares e aleató- rias. Por ex.: como atribuir o tempo perdido na substituição de agulhas partidas numa máquina de costura?

O

procedimento mais correto será determi-

Correções

para ocor-

Ocorrências

nar a freqüência média diária e a duração média da operação.A correção correspon- dente calcula-se dividindo esse tempo pela duração do período de trabalho diário.

rências irre-

irregulares

gulares

   

Tempo concedido para compen- sar instantes de ociosidade for- çada que têm origem na nature- za do processo ou da operação e que, a não serem compensa- dos, originariam um prejuízo na prêmio do executante

O

sistema de cálculo mais recomendado

Correção

para este tipo de correções consiste em considerar os tempos improdutivos imputá- veis à máquina sob a forma de um coefici- ente calculado a partir dos resultados que o trabalhador médio, efetuando esta ope- ração, oneraria se só estivesse afeto a trabalhos manuais.

por demoras

inevitáveis

   

Trata-se de correções para ativi- dades que, normalmente, não fazem parte do ciclo da opera- ção, mas são indispensáveis à boa execução do trabalho.

O

procedimento mais correto será determi-

Correções

nar a freqüência média diária e a duração média da operação. A correção correspon- dente calcula-se dividindo esse tempo pela duração do período de trabalho diário.

especiais

Tabela 18 Classes de correções

4.6.10 Como empregar as correções

As correções são utilizadas quando pretendemos estabelecer um padrão. São aplicadas sobre o Tempo Normalizado Médio. Assim, a fórmula será:

54

Tempo-padrão = TN médio x (1 + % correções)

Na maioria das situações poderemos aplicar uma porcentagem de correção en- tre 10 e 15%, consoante o esforço (peso e facilidade de manipular os objetos) e condições (temperatura e umidade) envolvidos.

55

5 Amostragem do trabalho

5.1 Métodos de observação instantâneos

Técnica que consiste em selecionar parte dos elementos de um todo. A amostragem é de confiança centrada em um fato provado em que o per- centual de observações de uma atividade corresponde ao percentual real. As condições básicas a ser observadas aleatoriamente.

5.2 Utilização da técnica

Esta técnica pode ser utilizada a qualquer atividade desde que possa ser ob- servada, mesmo não tendo caráter repetitivo e tendo ciclos longos (horas ou dias) podendo-se exemplificar como tarefas de supervisão, administração, manutenção, assistências, etc. Este trabalho possui três objetivos que podemos destacar:

Determinar porcentagens relativas do tempo de atividade e/ou inatividade de ho- mens e maquinas;

Determinar ritmo de trabalho durante os períodos de atividades;

Estabelecer tempo-padrão para as operações estudadas.

5.2.1 Definição da técnica

A amostragem do trabalho é baseada em fazer um número expressivo de ob- servações distribuídas ao acaso ao longo do tempo. Em cada observação é regis-

56

trada o tipo de atividade desenvolvido naquele momento pelos trabalhadores ou e- quipamentos em estudo. O tipo de atividade é assim classificado em diferentes ca- tegorias pré- determinadas que sejam representativas para o caso em estudo. Assim sendo a proporção de observação em cada categoria permitirá tirar conclusão refe- rente à importância relativa ao conjunto de atividades em estudo. Desta maneira é possível concluir que a amostragem de trabalho analisa um período mais longo ou menos longo, sendo assim uma técnica expansiva. Vamos analisar um exemplo:

A determinação das porcentagens do dia de trabalho em que um operador e sua maquina estão a trabalhar ou inativos baseia- se na hipótese de que a porcen- tagem de observações registradas em um determinado período, em cada uma das duas situações, constitui uma boa aproximação para porcentagem do tempo em que o homem e a máquina estão em atividade, na realidade. A precisão do resultado é obtida pelo número de observações feitas. Suponhamos que, quando estão a traba- lhar, é feita uma marca na categoria “a trabalhar”; se está inativo é feita uma marca em “inativo”, como ilustra o quadro 1. No quadro 1 há 36 observações “a trabalhar” e 4 observações “inativos”, num total de 40 observações. A porcentagem de tempo a trabalhar será 36: 40 x100% = 90%; Sendo a porcentagem de tempo inativo de 4: 40x 100% = 10%. Se este estudo disser a respeito de um dia de trabalho de 8 horas (480 minu- tos), os resultados indicarão que o operador esteve inativo 10% do tempo, isto é, durante 48 minutos (480 x 0,10 = 48) e que trabalhou 90%, ou seja, durante 432 mi- nutos (480 x 0,90 = 432).

SITUAÇÃO

Nº DE OBSERVAÇÕES

TOTAL

“a trabalhar”

IIIII IIIII IIIII

IIIII

IIIII

IIIII

IIIII I

36

“inativo”

IIII

4

 

Total

40

Tabela 19 - Quadro1: Registro das observações “a trabalhar” e “inativos”

Este exemplo é, evidentemente, muito simples, pois apenas considera duas si- tuações (ativo e inativo) além de se basear em um numero muito restrito de obser- vações. De fato, esta técnica é muito mais potente do que isso, pois permite classifi-

57

car tantos tipos ou categorias diferentes de situações quantos forem necessários para o estudo em casa. O exemplo que se apresenta mais adiante ilustra melhor as possibilidades de amostragem do trabalho.

5.3 Cálculo da precisão de amostra

A duração do estudo será determinada pelo número de observação a serem

feitas, sendo de grande importância para determinar a precisão. Também sendo de- pendente da finalidade do estudo a precisão. O grau de precisão deverá ser deter- minado previamente. As fórmulas abaixo traduzem as características matemáticas da amostra e po- dem ser utilizadas para o calculo da sua dimensão e para diversos limites de preci- são.

Para determinar “p” com nível de confiabilidade de 95% com a precisão de

+ ou – 5% de “p” teremos:

N = 1600 (1-p) /p.

Finalmente se admitirmos “p” com o mesmo nível de confiança 95% e com pre-

cisão de + ou – 1% de “p” teremos:

N = 40.000 (1-p) /p.

O quadro anexo I apresenta os valores de N relativo às expressões aqui apre-

sentadas. De um modo geral, nos estudos qualitativos, a maior parte dos valores apre-

sentados no quadro em anexo são superiores ao necessário.

5.4 Planejamento do estudo

A quantidade da amostra esta diretamente ligada à precisão que desejamos do

estudo e da proporção de tempo total (p) relativa à atividade mais importante para o estudo.

58

Se tivermos uma visão desta proporção nos será possível fazer o planejamento

do estudo. Caso contrário é necessário uma avaliação preliminar para determinar, ou melhor, visualizar a ordem de grandeza envolvida de (p). Possibilitando saber quantas observações serão necessárias tendo ciência do tempo disponível para o

estudo.

O planejamento das observações poderá ser feito utilizando uma tabela ou programa gerados de números ao acaso. Também é possível enumerar fichas de 8 a 12 e de 13 a 18, para as horas de 00 a 59, para os minutos, embaralhando cada um dos dois grupos e retirando o numero de pares necessários (com reposição) até atingir a dimensão da amostra. Se observarmos a necessidade de um número grande de observação, o obser- vador não terá tempo para ausentar- se do local de estudo, contudo deverá ter cui- dado de modificar o seu caminho do acaso. Fazendo variar os percursos, tendo- se este cuidado será possível dispensar a preparação antecipada dos tempos, pois o seu percurso será aleatório. Outro aspecto importante da amostragem do trabalho é a preparação do regis- tro das observações, para isto é necessário definir todas as categorias da atividade que sejam relevantes para o estudo. É possível em muitos casos que o registro das observações seja realizado pe- los próprios trabalhadores, quando é claro, devidamente instruídos e forem conside- rados de alta confiabilidade para este feito.

5.5 Resumo do procedimento

A. Assegurar a cooperação do encarregado ou supervisor e explicar o objetivo, a natureza e o método utilizado;

B. Explicar aos trabalhadores o objetivo do estudo;

C. Preparar, com a ajuda do encarregado ou supervisor, a lista de categorias de atividades necessárias;

59

E. Apoiar até garantir a aptidão para efetuar corretamente as observações;

F. Por em execução as observações, conforme estabelecido, acompanhando o processo, se necessário;

G. Analisar o resumo dos dados com a colaboração das pessoas que efetuaram as observações;

H. Calcular o tempo- padrão (TP) para uma operação ou atividade, do seguinte modo:

I. Tempo- padrão = [tempo total do estudo x a proporção do tempo total observado para a operação x o fator de atividade/ atividade referencia* x (1 + total das cor- reções a incluir)] a dividir pelo numero de unidades de trabalho produzidas na operação durante o estudo.

*normalmente, 100.

5.6 Exemplo de aplicação

Imaginemos uma fabrica de moveis de madeira em que pretendemos determi- nar os tempos-padrão de uma serie de componentes de um modelo de móvel: por- tas, gavetas, tampos, pés, etc., para além dos acabamentos. Pelo tipo de atividade e pelas características de organização do trabalho, foi decidido que a técnica mais a- propriada seria a amostragem do trabalho. Abaixo o procedimento usado:

A. Definir categorias de atividades que permitam discriminar as operações com su- ficiente detalhe;

B. Definir as unidades de trabalho cujos tempos-padrão se pretende determinar e preparar um sistema eficaz para contagem das unidades produzidas (quadro 2);

C. Determinar o numero de observações a realizar, isto é a dimensão da amostra;

D. Preparar os impressos de registro das observações (quadro 3);

E. Efetuar as observações e registrá-las;

F. Tabular os resumos e analisá-los criticamente (quadro 4);

G. Aplicar ajustamentos e correções, conforme for necessário;

H. Calcular os tempos-padrão;

60

Afim de melhor se compreender o processo, consideramos o caso das portas. Verifica-se que, ao iniciar o dia, se encontrava na fabrica 16 portas, das quais 8 ain- da estavam para serem acabadas. Durante o dia foram acrescentadas 60 unidades, tendo ficado 11 incompletas no fim, conclui-se que foram acabadas 57. Obviamente que, tratando-se de atividades menos complexas, o registro será muito mais simples, bastando em muitos casos uma somatória das unidades produ- zidas durante o período abrangido pelo estudo.

Oficina de marcenaria - Registro diário de unidades produzidas

Compon./Oper./Atividades

Contagem

Por

Unidades

Incompleto

Acabadas

inicial

Acabar

Acresc.

no fim

no final

Portas

16

8

60

11

57

Bases

18

27

74

10

65

Tampo

18

8

59

7

62

Frentes

14

3

48

8

51

Fundos

16

5

55

14

52

Gavetas

24

21

120

17

106

Pés

192

64

112

33

207

Col. Puxadores

336

120

677

88

805

Col. dobradiças

266

87

190

13

356

Moveis montados

10

8

30

4

28

Moveis inspecionados

   

26

 

26

Tabela 20 - Quadro 2 : Registro de produção para efeitos de utilização na amostragem do trabalho

De referir que, neste caso, se estão registrando na mesma folha as observa- ções relativas a todos os trabalhadores simultaneamente em atividade na referida oficina. É Por esta razão que em algumas casas do quadro 3 aparece mais do que uma observação. Isso significa, apenas, que havia mais que um trabalhador ocupa- do com a mesma tarefa, sendo um ajudando o outro ou independente. Há casos que é conveniente efetuarmos o registro em folhas separadas. As observações devem ser registradas sob a forma de fator de atividade, e não apenas como mero registro de categoria de atividade desempenhada no momento da observação, como é o caso exemplificado no quadro 1. Antes de dar inicio ao estudo normal, fez-se uma amostragem prévia durante uma semana a fim de se obter uma primeira imagem da proporção de cada atividade

61

em relação ao tempo total. Verificou-se que a atividade mais importante, para efeitos deste estudo, era a de amostragem dos moveis, com uma proporção p = 0,15. Este exercício prévio serviu também como treino dos observadores e para os trabalhado- res se habituarem a sua freqüente freqüência a oficina. Dado que o estudo era destinado à determinação de tempos-padrão e para re- ver o sistema de incentivos de produtividade em vigor na empresa, impunha-se uma precisão elevada para o estudo, na ordem de 5% de p (precisão de amostra). Sabendo destas duas condições (p = 0,15 e a precisão fixada em 5% de p), obtém imediatamente, pela formula. N = 1600 (1 0,15) / 0,15 = 9067 observações. Nestas condições, e sabendo que o estudo não poderia exceder 5 semanas (por razões de planejamento da produção), haveria 25 dias úteis para o estudo. Como a fabrica dividiu o trabalho em 2 turnos diários de 8 horas cada seria possível fazer o estudo durante ambos os turnos, utilizando 2 observadores. Daqui resultariam 25 x 2 x 8 = 400 horas “observáveis”, ou seja, 24.000 minu-

tos.

Dividindo por 9067, conclui-se ser necessários efetuar uma observação, em media, cada 2,65 minutos, o que corresponde a cerca de 23 observações por hora. Feita a determinação aleatória dos momentos de observação, e preenchida em conformidade os topos das colunas do impresso de registro exemplificado no quadro 3, iniciou-se o estudo.

62

Observador

J.P.

F

Nº de operários_10_ Folha_1_ de _15_

 

Produto(s) em fabricação:

 

Móvel

referência 327-A

 

Opera-

 

Horas de Observações

 

ção/Atividade/Tare

 

fas

 

8:12

8:27

8:33

8:48

8:57

9:10

     

100 /110/

     

Portas

110

100

105

95

110

Bases

     

90

   

Tampos

100

110

 

110

   
   

110

       

Frentes

/105

105

Fundos

   

100

105

   

Gavetas

95/ 95

100

110

     

Tornear pés

     

95

 

110

Col. Puxadores

 

95

100 /95

100

110

   

Col. Dobradiças

100

 

105/ 110

110

 

105

Montar móvel

     

110

 

105

Insp. Móvel

         

100

Afiar ferramentas

 

105

   

15

   

Buscar material

 

90

100

     

90

Falar com col.

 

v

 

v

   

vvv

 

Falar com super.

   

v

 

v

vv

 

Parag. Invol.

   

v

     

Acidente

       

v

 

Parag. Vol.

       

vvv

 

Neces. Pessoal

   

v

   

v

Ausente

 

v

     

v

vv

Tabela 21 - Quadro 3 : Impresso de registro

Admitamos que, após termos efetuado 9067 observações, relativas aos 19 o-

perários afetos a referida fabrica (10 no primeiro turno e 9 no segundo) durante 5

semanas previstas, obtivemos o resumo que se apresenta no quadro 4.

63

Resumo das observações da amostragem do trabalho

 

Oficina Marcenaria

 

Produto em fabricação Móvel mod. 327-A

 

Designação Móvel baixo

 

Nº de operários na oficina 19_

Inicio 8/04/82 Fim 10/05/85_

 
     

FA

Corre-

Nº de

 

Tem-

Operação/Atividade/Tarefas

 

Fre-

Prop.

mé-

re-

uni-

po-

qüência

p

dio

ções

dades

padrão

   

(%)

(C)

(U)

(horas)

Portas

 

834

0,092

104,8

0,15

1513

 

0,2785

Bases

 

435

0,043

108,3

0,15

766

 

0,2966

Tampos

 

1025

0,113

117,3

0,15

770

 

0,7523

Frentes

 

607

0,067

97,3

0,15

773

 

0,3685

Fundos

 

462

0,051

105,2

0,15

765

 

0,3065

Gavetas

 

1260

0,139

112,6

0,15

2912

 

0,2349

Tornear pés

 

272

0,030

99,1

0,15

2920

 

0,0445

Col. Puxadores

 

209

0,023

107,0

0,15

4560

 

0,0236

Col. Dobradiças

 

363

0,040

104,3

0,15

7644

 

0,0239

Montar móvel

 

1514

0,167

115,2

0,15

727

 

1,1564

Insp. Móvel

 

725

0,080

108,0

0,15

759

 

0,4975

Afiar ferramentas

   

100

0,011

105,0

-

1480

 

0,0341

Buscar material

 

36

0,004

95,3

-

 

- -

Falar com col.

 

82

0,009

--

-

 

- -

Falar com super.

   

109

0,012

--

-

 

- -

Parag. Invol.

 

163

0,018

--

-

 

- -

Acidente

 

54

0,006

--

-

 

- -

Parag. Vol.

 

91

0,010

--

-

 

- -

Neces. Pessoal

 

553

0,061

--

-

 

- -

Ausente

 

173

0,019

--

-

 

- -

Total

 

9067

1,000

--

-

 

- -

Tabela 22 - Quadro 4 : Resumo das observações da amostragem do trabalho

Comentários sobre quadro 4:

O fator de atividade (FA) foi obtido por observação do ritmo de cada trabalhador

no momento da observação. Se houver vários trabalhadores a realizar idênticas

operações nesse instante, sem o registro outros tantos fatores de atividade na ca-

sa correspondente a essa operação nesse momento.

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As correções C foram obtidas adicionando às proporções correspondentes as o- perações que não constituem unidades de trabalho específicas. Contudo, as ob- servações correspondentes a demoras evitáveis não deverão, em principio, ser incluídas na somatória das freqüências. A exclusão de uma dada categoria de ati- vidade do numero total de observações ou na somatória das correções é um as- sunto delicado que deve ser bem ponderado antes de ser tomada a decisão.

O número de unidades produzidas é obtido dos registros diários de produção (quadro 2).

O tempo total de operação T, em horas-homem, para cada atividade i, obtém mul- tiplicando o numero de dias de observação (25) pelo numero de horas de trabalho diárias em cada turno (8), pelo numero de trabalhadores em observação (19) e pela proporção pi correspondente a essa atividade. Será, então,