Você está na página 1de 3

Escola Secundária Alfredo da Silva

BARREIRO

PORTUGUÊS
Maio/2008 11º ANO

CESÁRIO VERDE
 TEMÁTICAS

A cidade e o campo

• A natureza, ávida mas “honesta”, “salutar” e sempre


jovem, aparece-nos pintada nos seus poemas como nas
evocações da pintura geral (“pinto quadros por letras, por
sinais”) – característica impressionista, porque é nas
letras como um artista plástico.
• Identifica-se com a cidade presente, deambulando pelas
ruas e becos; revive por evocação da memória todo o
passado e os seus dramas; acha sempre assuntos e sofre
uma opressão que lhe provoca um desejo “absurdo de
sofrer”: ao anoitecer, ruas soturnas e melancólicas, com
sombras, bulício...; o enjoo, a perturbação, a monotonia
(“Nas nossas ruas, ao anoitecer,/ Há tal soturnidade, há
tal melancolia,/ Que as sombras, o bulício do Tejo, a
maresia/ Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.” –
Sentimento de um ocidental)
• Do campo capta a vitalidade e a força telúrica; não canta
o convencionalismo idílico, mas a natureza, os pomares,
as canseiras da família durante as colheitas.
• A cidade surge viva com homens vivos; mas nela há a
doença, a dor, a miséria, o grotesco, a beleza e a sua
decomposição fatal... No campo há a saúde, o refúgio
durante a peste na cidade...
• “Ao nível pessoal, a cidade significa a ausência, a
impossibilidade ou a perversão do amor, e o campo a sua
expressão idílica. Ao nível social, a cidade significa
opressão, e o campo a recusa da mesma e a possibilidade
do exercício da liberdade.”
• No campo, a vida é activa, saudável, natural e livre, por
oposição à vida limitada, reprimida e doentia na cidade.
(“Que de fruta! E que fresca e temporã./ Nas duas boas
quintas bem muradas, /Em que o Sol, nos talhões e nas
latadas,/ Bate de chapa, logo de manhã” – Nós)
• As descrições de quadros e tipos citadinos retratando
Lisboa em diversas facetas e segundo ângulos de visão
de personagens várias (Num Bairro Moderno;
Cristalizações; O Sentimento dum Ocidental).
• A invasão simbólica da cidade pela vitalidade e pelo
colorido saudável dos produtos do campo (como por

1
Escola Secundária Alfredo da Silva
BARREIRO

PORTUGUÊS
Maio/2008 11º ANO

exemplo, a “giga” da “rota, pequenina, azafamada”


rapariga em Num Bairro Moderno).

A humilhação

- a humilhação sentimental:
• a mulher formosa, fria, distante e altiva (Esplêndida;
Deslumbramentos; Frígida);
• a mulher fatal da época/a humilhação do sujeito poético
tentando a aproximação (Esplêndida);
• a mulher burguesa, rica, distante e altiva/a humilhação do
sujeito poético que não ousa aproximar-se devido à sua baixa
condição social (Humilhações);

2
• a mulher fatal, bela e artificial, poderosa e desumana/a
consequente humilhação do poeta (“Milady, é perigoso
contemplá-la (...)/ Com seus gestos de neve e de metal.”,
Deslumbramentos);
• a mulher fatal, pálida e bela, fria, distante e impassível que o
poeta deseja e receia/a humilhação e a necessidade de
controlar os impulsos amorosos (Frígida).
- a humilhação estética:
• a revolta pela incompreensão que os outros manifestam em
relação à sua poesia e pela recusa de publicação por alguns
jornais (“Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores/
Deliram por Zaccone”; “Agora sinto-me eu cheio de raivas frias/
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias/ Um folhetim de
versos.”, Contrariedades).
- a humilhação social:
• o povo comum oprimido pelos poderosos (Humilhações);
• o abandono a que são votados os doentes (“Uma infeliz, sem
peito, os dois pulmões doentes (...)/ O doutor deixou-a...”,
Contrariedades);
• o povo dominado por uma oligarquia poderosa (a “Milady” de
Deslumbramentos é uma representante dessa oligarquia).

 A BUSCA DA PERFEIÇÃO FORMAL

- Cesário busca a expressão clara, objectiva e concreta;


- As suas descrições têm pouco de poético – prosaísmo lírico –,
pois procura explorar a notação objectiva e sóbria das graças e
dos horrores da vida da cidade ou a profunda vitalidade da
paisagem campestre – características de um realista.
- A preocupação com:
• a beleza e a perfeição da sua poesia (a musicalidade, a
harmonia, a escolha dos sons...);
• o vocabulário – a expressividade verbal, a adjectivação
abundante, rica e expressiva, a precisão vocabular (chega mesmo a
usar termos técnicos), o colorido da linguagem...;
• os recursos fónicos – as aliterações, que contribuem para a
musicalidade e para a perfeição formal;
• os processos estilísticos – abundância de imagens, as metáforas,
as sinestesias...;
• a regularidade métrica, estrófica e rimática (na métrica,
preferência pelo verso decassilábico e pelo alexandrino; na
organização estrófica, a preferência evidente pela quadra que lhe
permitia registar as observações e saltar com facilidade para outros
assuntos).