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Como fazer vídeos profissionais – Locaweb 16

Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. A frase é surrada, mas hoje, mais do que nunca, ela se traduz em realidade.
Com o advento da internet como meio de difusão, e com equipamentos de filmagem e softwares de edição cada vez
mais baratos, é mais fácil criar e publicar conteúdo multimídia. E o mercado cresce a olhos vistos: o YouTube é umas das
páginas mais acessadas do mundo, sites de notícias – até então em texto – passaram a agregar reportagens visuais,
curtas populares podem ser vistos em espaços como o PortaCurtas (www.portacurtas.com.br).
Hoje, todos querem um pouco dessa fatia gigantesca de internautas ávidos por um tipo de informação independente em
formato de vídeos e filmes. Para se ter uma ideia, no começo deste ano, nos Estados Unidos, fabricantes de televisores
como LG, Panasonic, Samsung, Sony e Toshiba apresentaram ao mercado consumidor aparelhos de TV com dispositivo
para se navegar na internet.
Nesta reportagem, você confere o panorama dos vídeos na internet, o mercado brasileiro e, ainda, dicas de como fazer
filmes para a grande rede. De quebra, um profissional da MTV mostra quanto um desenvolvedor gastaria para criar
filmes a partir de R$ 500 de orçamento.
Videolog
Atentos ao movimento dos filmes na web, estão portais como o Videolog, o maior site nacional de vídeos, criado por
Ariel Alexandre e Edson Mackeenzy, e que foram concebidos antes do surgimento do YouTube. De acordo com dados de
Ariel, que também acumula o cargo de diretor de tecnologia de seu portal, hoje o Videolog recebe a visita de três
milhões de internautas por mês, um número que chama a atenção de qualquer grande emissora de televisão, levando
em conta o tempo em que cada mídia está na vida das pessoas.
A transição entre TV e web, segundo o criador do Videolog, é uma questão de tempo. As primeiras barreiras a serem
vencidas estão nos aspectos tecnológicos como, por exemplo, o uso de um decodificador para que o modelo de TV
digital adotado no Brasil possa receber o sinal da internet.
Mas antes que o público em geral compartilhe toda a criatividade e a independência hoje restritas aos usuários da
internet, um passo importante já foi dado para que as pessoas desenhem seu próprio canal de TV. Um deles é o T!V!,
dos mesmos criadores do Videolog. Ali, o internauta pode desenvolver um canal com sua própria programação, usando
vídeos de sua autoria e outras produções disponíveis em portais como o próprio Videolog, o YouTube, o Metacafe e o
Vimeo. Ariel explica que alguns desses canais estão em alta definição e já podem ser vistos na sala de casa desde que o
computador esteja conectado por cabos ao aparelho de televisão.
Outros desafios tecnológicos também vêm sendo superados por nossos geeks de plantão. Ariel aposta no alargamento
da banda de transmissão de dados e em uma tecnologia mais apurada de compressão de imagem. O site do Videolog,
por exemplo, tem capacidade para receber arquivos mais pesados e compactá-los até que possam ser exibidos com
qualidade e velocidade em um aparelho de TV. O processo de compressão, explica Ariel, consiste em dividir o arquivo
em duas partes, uma para imagem e outra para áudio. Em seguida, essas partes são comprimidas e juntadas novamente.
O resultado pode ser a redução do tamanho do arquivo de cem para três megabytes, o que permite que ele seja
transmitido em outra mídia – a TV, claro.
Ok, levar para o bom e velho aparelho de televisão os vídeos feitos para a web vai mexer com as estruturas da nossa
comunicação, sobretudo quando começar a suprir uma enorme lacuna de conteúdo de qualidade deixada pelos arcaicos
e comprometidos canais de TV. Mas enquanto a transição ainda navega por questões tecnológicas, o melhor é praticar a
criatividade nesse universo em expansão, e ainda cheio de liberdade, chamado web.
Em que pese carregar a bandeira da independência e da liberdade de criação, é importante que um vídeo produzido
para a web venha acompanhado de qualidade, produção e roteiro. Nesse contexto, Ariel lembra que ainda é relevante a
questão do tempo de duração do vídeo. “Se passar dos dez minutos, ele só conseguirá prender a atenção do internauta
se tiver um conteúdo muito interessante.” Mas como ainda não estamos brigando pelos números do Ibope, tampouco
dependendo de anunciantes questionando grades de programação, a questão do tempo é totalmente flexível.
“Percebemos em nossas métricas do Videolog que muitas pessoas estão assistindo a vídeos com mais de dez minutos de
duração, como curtas e web séries produzidas por estudantes de cinema ou de comunicação”, conta Ariel. O tempo e a
disposição de cada um diante da tela do computador são questões absolutamente pessoais e o criador do Videolog
refresca a memória citando portais de vídeo mundo afora que exibem séries, programas e até filmes completos com
mais de meia hora de duração.
E com tanta tecnologia à disposição da criatividade humana – bem, nem sempre é assim –, já é quase impossível
discernir um vídeo feito por um estudante ou por uma grande produtora, por exemplo. Como bem lembra Ariel, as
câmeras de alta definição (HD) estão mais acessíveis e os programas de edição, mais fáceis. Sem contar as ferramentas
de efeitos visuais, que deixam qualquer espectador hipnotizado. O grande barato é usar esse potencial oferecido pela
internet para produzir o que realmente você gosta.
Nem sempre a ideia na cabeça e a câmera na mão são suficientes para que o que você quer dizer ultrapasse as nossas
próprias fronteiras. Um empurrãozinho financeiro pode ajudar bastante, ainda mais se estamos falando de um veículo
que trafega nesse emaranhado tecnológico. Uma opção barata é o software Sony Vegas que, segundo Ariel, é simples de
ser usado, proporciona boa qualidade, efeitos bacanas, e é ideal para pequenas e médias produções. Agora, se a grana
está curta mesmo, a saída são os aplicativos que já vêm no sistema operacional, como o Windows Movie Maker e o
iMovie, também da Apple, que podem ser usados sem medo nas produções mais simples.
Por outro lado, o criador do Videolog defende que não é o software o mais importante, e sim o gosto de cada produtor.
Em outras palavras, não custa nada pensar antes de sair colocando efeitos de transição no vídeo. Leve em conta os
cortes modernos. E para se ter uma ideia de como os efeitos podem, ou não, incrementar o vídeo, recorrer às produções
de TV ajuda.
Mas aqui cabe um conselho de quem já transita por esse universo. É que na internet não faz sentido ter milhares de
pessoas assistindo a seu vídeo, sobretudo se o conteúdo não causa impacto a quem realmente interessa – até porque
não há necessidade de estar preso a patrocinadores que esperam por uma audiência estratosférica. Ariel revela que o
mais importante é descobrir quem de fato possa se interessar por seu vídeo. “Temos uma usuária no Videolog que
ensina a fazer crochê e seus vídeos já foram vistos por mais de 110 mil pessoas.”
Pensar no seu público. Saber quem você quer atingir. Condições relevantes para se preparar o ambiente de um vídeo
feito para a web. Nesse aspecto, um blogueiro já tem a seu favor as pessoas que o acompanham pela internet. “É legal
gravar um vídeo falando do conteúdo que você escreve”, sugere Ariel. Se a intenção é conquistar notoriedade, vá buscar
inspiração nas grandes produções do cinema e aposte na criatividade para alcançar o público desejado. A dica é de
quem vivencia esse universo no dia a dia. Ariel cita o trabalho na web de um metalúrgico que faz coberturas de diversos
eventos e seus vídeos já foram vistos por mais de um milhão de internautas. “O resultado desse trabalho acabou virando
matéria de jornais, um de seus vídeos foi parar no programa CQC e o metalúrgico acabou sendo contratado para cobrir
eventos em sua cidade, São José dos Campos, em São Paulo”, conta.
Como se vê, quando o assunto são os vídeos, a internet é a ponte. Softs e equipamentos, o combustível. E o limite, para
ficar no chavão, é a imaginação.
Seus vídeos na prática
Guilherme Maranhão é finalizador de programas da MTV/Ideal TV (www.idealtv.com.br), empresa especializada na
produção de vídeos. Levando em consideração os mais variados orçamentos – acanhados, medianos e abastados –, o
profissional relatou à Locaweb em Revista como produzir conteúdo multimídia de acordo com equipamentos e
softwares disponíveis.
$Baixo orçamento
De acordo com Maranhão, o Brasil sempre foi um grande produtor de conteúdo. Muitos temas foram abordados na
televisão em forma de documentários ou programas de TV, em inúmeros formatos. Mas, com os avanços tecnológicos
na área crescendo de maneira aritmética, abriram-se portas para jovens produtores realizarem seus filmes – tendo eles,
ou não, um orçamento planejado disponível.
“Nos dias de hoje é, sim, possível realizar produtos interessantes com baixo ou mesmo sem orçamento. E é aí que entra
o ditado que cita a câmera na mão e a ideia na cabeça”, analisa. “Com um celular, webcam, máquina fotográfica ou uma
câmera digital simples é possível realizar muita coisa.”
Para ilustrar o momento “câmera na mão, ideia na cabeça”, Maranhão cita o canal de TV web “fiz TV”
(www.fiztv.com.br). Trata-se de um exemplo prático do que ocorre atualmente. “É um canal que incentiva as produções
de orçamento zero, cedendo o veículo de distribuição”, diz. Nele, os usuários mandam seus vídeos independentes, que
são exibidos na TV e disponibilizados na internet.
Dentro deste universo, Maranhão aponta o programa 35 PIX (http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/25992) como
conteúdo de qualidade realizado com baixo orçamento. Trata-se de um programa produzido por apenas uma pessoa,
que tem em mãos apenas uma câmera digital de 1 CCD (sensor, do inglês charge coupled device). O preço médio da
máquina é de R$ 500. Além dela, o desenvolvedor apenas usou um programa básico de edição de vídeo, como o Vegas
ou o Imov, e pronto. O resultado foi algo de qualidade. “O profissionalismo está na cabeça e na formação de quem está
produzindo o conteúdo. Se a mensagem é passada corretamente e atinge o telespectador, não importa quanto dinheiro
foi gasto: você está fazendo televisão.”
Se o usuário quiser utilizar um material ainda mais barato, pode optar por uma máquina fotográfica que faça filmes. Um
modelo de entrada de 10 Mpixels custa, em média, R$ 350, de acordo com sites comparadores de preço.
$$Médio orçamento
As produções de médio orçamento são aquelas que ocupam uma maior parcela nas programações dos canais de TV ou
que aparecem com algum destaque em sites especializados em vídeos. Geralmente, as emissoras têm os equipamentos,
mas isso também não quer dizer que elas não gastam dinheiro em suas produções.
“A dica para este caso é ter uma ideia bem definida e filmar em lugares claros, nos quais luz não varie. Geralmente, as
câmeras mais simples não têm controle manual de luz e foco. Usar os fundos mais básicos possíveis, sem muitos
elementos no quadro, para não ficar uma composição muito suja, é uma alternativa. Ou melhor, uma necessidade”,
conta Maranhão. “Outra dica é filmar em locais que não haja muito barulho, pois se o áudio não precisar ser equalizado,
o resultado vai ficar melhor. Ao garantir esses princípios, a edição fica mais simples.”
Do ponto de vista de software, Maranhão indica que, para orçamentos medianos, o desenvolvedor recorra ao Adobe
Premiere, um programa de PC bastante recomendado para edições mais simples, pois tem uma interface fácil e
dedutiva.
Em uma produção de médio orçamento, é necessário investimento considerável. Os valores variam de acordo com a
proposta da produção, mas no caso de um produtor independente, sem nenhuma estrutura, ele pode recorrer a
locadoras de equipamentos. A grande sacada é saber adequar o orçamento para conseguir chegar ao resultado final
desejado.
Escolha e remuneração da equipe são essenciais para o bom andamento do projeto. Mas, sem dúvida, será necessária
uma ENG, as que inclui cinegrafista com câmera DV, assistente de áudio com mesa de som e iluminação. Uma diária de
gravação custa entre R$ 1 mil até R$ 3 mil dependendo da qualidade de equipamento e profissionais.
Hoje em dia, com o andar da tecnologia, sai mais em conta produzir conteúdo em HDV do que em DV. Para este tipo de
produção, a finalização se torna mais complicada. É necessário dar mais atenção à qualidade de vídeo, texturas de cor e
imagem. Para isso, se tornam necessários softwares de edição de vídeo profissionais, como o Final Cut, da Apple, ou o
AVID, da Adobe. Entretanto, a boa notícia é que as locadoras de equipamentos disponibilizam toda a estrutura
necessária desde a produção até a finalização do vídeo.
“A dica, neste caso, é locar uma câmera do tipo PD-150. Ela grava em formato dvcam, que garante boa qualidade. Não
se trata de um equipamento caro. Se a filmagem for interna, deve-se locar um kit de iluminação Arry ou Lowel. Outra
questão: deve-se se preocupar em equalizar a luz. Isso fará toda a diferença. Além disso, definir bem o plano dos
quadros em que irá gravar é importante”, diz Maranhão. “Indico também que a ideia seja passada para o cinegrafista
antes da gravação. Essa conversa vai garantir com que o criador dê mais atenção ao texto. No momento de editar, é
importante cortar primeiro o texto. Depois, equalizar o áudio. Após fechar o texto, deve-se tratar a cor dos takes,
introduzir as artes e sempre assistir ao produto final inteiro, com olhar crítico.”
$$$Alto orçamento
As produções de alto orçamento são parecidas com as de cinema. Se ela não tem restrições de orçamento, cada detalhe
é muito importante. A equipe é maior e melhor remunerada devido à experiência que os profissionais têm.
Se o formato escolhido for película ou 35mm, a câmera precisa de diversos periféricos e muitos operadores, como
diretor de fotografia, foguista, assessor de cinegrafista, cinegrafista. A produção se torna mais dividida em produtor,
assistente de produção, continuista, assistente de direção, diretor e daí por diante. Para este tipo de produção, é
necessário contratar uma produtora e, dependendo do produto, as diárias variam entre R$ 30 mil e R$ 100 mil.
“A finalização do produto também fica mais cara. Uma vez que o filme foi gravado em película, é necessário revelar os
rolos de filme, digitalizar, telecinar. Todos estes processos exigem profissionais bem remunerados e equipamentos
exclusivos disponíveis em poucas produtoras em São Paulo, o que torna a produção ainda mais cara”, avalia Maranhão.
“Nesse caso, a dica é contratar uma produtora de nome, que tenha lançado produtos conhecidos no mercado.
Acompanhe sempre os processos de perto e seja claro na estratégia de marketing para passar ao diretor do filme.”
Por fim, Maranhão sentencia que “não importa o quanto dinheiro a pessoa tenha no bolso, com determinação e uma
ideia a ser passada, ela tem ferramentas para fazer o próprio vídeo”. “A tecnologia está ao lado das pessoas nesta
jornada.”