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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Introdução:

 A elaboração do dossier técnico que aqui inicio resultou de um trabalho criterioso e


sistemático desenvolvido por mim, ao longo de todo o ano lectivo, e constitui uma síntese de
muitas das matérias abordadas no âmbito da disciplina de Futebol na Faculdade de Ciências do
Desporto e Educação Física da Universidade do Porto (FCDEF-UP).
 Pretendo com esta elaboração atingir um conjunto de objectivos de divulgação e articulação
entre as diversas estruturas envolvidas no trabalho desta “nossa” disciplina, FUTEBOL.
 Este documento é constituído por vários capítulos que contêm:
 Por um lado, matérias de concepção genérica relativas à análise e abordagem do
Futebol e que servem de referência à “filosofia” desta modalidade;
 Por outro, questões pedagógicas de treino \ aprendizagem e a sua sistematização;
 E, ainda por outro, instrumentos práticos de treino, correspondentes às tarefas
mais frequentes no processo evolutivo desenvolvido com alunas de desporto, quando do seu
enquadramento como futuras licenciadas e potenciais professoras, educadoras desportivas
 O treino desenvolvido por nós, na disciplina de futebol, foi um processo sistemático,
organizado, com efeito acumulativo, que pretendeu preparar-nos, a nós alunas, para as diversas
exigências da realidade ensino-aprendizagem, implicando, em principio, uma repetição de
tarefas, racionalizando economicamente as acções para o máximo rendimento \ aprendizagem
possível.
 Assim, desenvolvemos ao longo de todas de todo o ano, em todas as aulas, um processo
evolutivo baseado em exercícios de treino \ aprendizagem muito diversificados.
 De acordo com os objectivos distinguidos para cada aula o professor dirigiu o nosso
“treino” com base numa estratégia utilizando para isso diferentes meios de treino.
 Deste modo, apresento neste dossier uma descrição pormenorizada de cada exercício
realizado e, quando se justifica apresento, também, algumas descrições mais teóricas fruto de
uma pequena investigação das matérias abordadas em cada uma das nossas aulas,

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Simbologia:

Jogadora atacante
(No futebol de 11 e futsal)

Jogadora defensora
(No futebol de 11 e futsal)

Jogadora defensora
(No futsal)

Futura posição da jogadora


(No futebol de 11 e futsal)

Bola
(No futebol de 11 e futsal)

Percurso da jogadora sem bola


(No futebol)

Trajectória da bola no passe


(No futebol)

Condução da bola
(No futebl)

Finta
(No futebol)

Percurso da jogadora sem bola


(No futsal)

Trajectória da bola no passe


(No futsal)

Condução da bola
(No futsal)

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1º. Semestre

FUTEBOL de 11:
(aulas 1, 2, 3, 4 e 5)

 Introdução aos aspectos mais técnicos do Futebol;


 Análise profunda e aplicação dos princípios de jogo, gerais e específicos.

FUTSAL:
(aulas 6, 7, 8, 9, 10 e 11)

 Introdução aos aspectos mais técnicos do Futebol;


 Análise profunda e aplicação das rotações e métodos de jogo.

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2.ª aula
Data: 22 de Setembro de 2004
Sumário:
 Abordagem e exercitação dos diferentes gestos técnicos do futebol;
 Avaliação diagnostica à organização estrutural e funcional do jogo apresentado
pelas alunas.
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Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola;
Objectivos:
 Manter a bola controlada em diferentes situações;
 Apreciar as trajectórias aéreas e rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e
ajustando-se;
Forma\Organização: Cada aluna com uma bola
Descrição: Num terreno de jogo, cada aluna na posse de uma bola descreve ao longo de todo o
campo diferentes trajectórias, desviando-se das colegas e, de vez em quando, lança a bola ao
ar (com as mãos) para tentar controlá-la e continua o exercício conduzindo a bola sempre junto
dos pés.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

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Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É um óptimo exercício para iniciar o  É mais irreal;
contacto com o futebol.  Por vezes é monótono.

2.º exercício de treino

 Este exercício é semelhante ao 1.º mas com um nível de dificuldade superior uma vez que
neste as alunas apenas se podem movimentar num espaço restrito do campo e, por isso, têm que
controlar melhor a bola para evitar constantes colisões com as colegas.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

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3.º exercício de treino

Legenda:
1 – corrida com a
3 1 4 1 bola controlada na
direcção da parceira;
3
32 2 – passe;
3 4 3 – recepção do
1
1 passe;
4 – corrida com a
bola controlada em
direcção à posição
inicial da parceira.

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção;
Objectivos:
 Manter a bola controlada através da condução da bola;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção.
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras, cada uma com uma bola, frente a frente.
Descrição: Num terreno de jogo, cada aluna na posse de uma bola, uma em frente à outra,
avança (ao mesmo tempo que a colega do grupo) com a bola controlada na direcção da colega e,
mais ou menos no ponto médio dessa trajectória, um pouco antes de ambas as jogadoras se
cruzarem, cada jogadora efectua um passe rasteiro para a colega evitando colisão entre as
bolas. Depois, cada jogadora domina a bola e avança controlando-a junto aos pés para o local de
onde a parceira iniciou o exercício.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adquar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar o  Por vezes é monótono.
contacto com a técnica de passe e recepção.

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4.º exercício de treino

3 1 4 1

3
32
3 4
1

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção;
Objectivos:
 Realizar passe rasteiro com precisão e com a parte interna do pé;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola, frente a frente.
Descrição: Num pequeno terreno de jogo, cada jogadora realiza, uma para a outra, passe
rasteiro de meia distância com a parte interna do pé. Assim, a jogadora que recebe a bola
domina-a apenas com um toque e, sem a deixar parar, ou seja, com a bola ainda em movimento,
realiza novo passe rasteiro para a jogadora que se encontra à sua frente.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adquar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar o  Por vezes é monótono.
contacto com a técnica de passe e recepção.

5.º exercício de treino

3 1 4 1

3
32
3 4
1

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção;

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Objectivos:
 Realizar passe aéreo com precisão e simultaneamente com a parte interna e superior do
pé;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola, frente a frente.
Descrição: Num pequeno terreno de jogo, cada jogadora realiza, uma para a outra, passe aéreo
de meia distância simultaneamente com a parte interna e superior do pé. Assim, a jogadora que
recebe a bola realiza novo passe aéreo para a jogadora que se encontra à sua frente.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adquar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar o  Por vezes é monótono.
contacto com a técnica de passe e recepção.

6.º exercício de treino

Legenda:
2 1 – pequeno avanço
1 3 1 4 1 da bola para a frente
3 e no sentido da
3
GR 32 baliza;
3 4 2 – Movimentação da
1
GR 1 jogadora no sentido
da bola;
3 – Remate;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do enquadramento ofensivo e do remate;

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Objectivos:
 Enquadrar-se ofensivamente com a baliza na procura do objectivo do jogo, o golo;
 Realizar correctamente o remate do lado esquerdo e direito com campo;
Forma\Organização: (12GR) Cada jogadora com uma bola, organizadas em duas filas viradas
para a baliza, uma de cada lado do campo.
Descrição: Num terreno de jogo, uma jogadora de cada vez conduz a bola, enquadrando-se com
a baliza, adiantando um pouco a bola e realiza um remate à baliza apenas com a oposição de dois
guarda-redes.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o remate é feito apenas com a
(enquadramento ofensivo, remate); oposição de dois guarda-redes;
 É um óptimo exercício para iniciar o  É difícil adquar em jogo o que se treinou;
contacto com a técnica de remate.  É mais irreal;
 Por vezes é monótono.

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

7.º exercício de treino

Forma\Organização: (GR+77+GR)
Descrição: Num terreno de jogo, as alunas realizam jogo diagnóstico de 88 durante mais ou
menos 30 minutos.
Comentário ao jogo diagnóstico:
Neste jogo o professor teve oportunidade de observar as alunas em acção individual. O
professor pôde verificar que a maioria das alunas nunca antes tinha tido vivências importantes
no âmbito do futebol e que, por isso, o jogo teve características de “principiante”, isto é,
verificou-se:
 Muita confusão em campo;
 Demasiada aglomeração junto da bola;
 Predominam as acções individuais (as alunas não conseguiram jogar em equipa);
 Ausência de desmarcações visíveis;
 Escassez de situações de finalização e consequentemente poucos golos marcados;
 Predomínio da falta de objectividade;
 Incapacidade de demarcar a relação entre a defesa e o meio campo e o meio campo
e o ataque;
 Dificuldade de execução dos aspectos técnicos de base (passe, recepção e remate);
 Incompreensão dos princípios de jogo e, consequentemente dos requisitos tácticos.

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Análise da aula

 Esta aula serviu fundamentalmente para que a maioria das alunas tivesse o primeiro
contacto com esta modalidade. Grande parte das alunas nunca tinha jogado de chuteiras e, por
isso, sentiram uma dificuldade acrescida na execução dos gestos técnicos abordados.
 Não se verificaram muitas correcções feitas pelo professor relativas aos exercícios
realizados para que, assim, o professor pudesse estar mais atento ao nível em que se
encontram as alunas individualmente e a turma em geral, de forma a tirar as informações
mínimas necessárias ao planeamento futuro das nossas aulas da forma mais rentável possível.

3
3.ª aula
Data: 6 de Outubro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes gestos táctico-técnicos individuais defensivos e
ofensivos do jogo de futebol;
 Os princípios do jogo de futebol:
a) Contenção, cobertura defensiva e equilíbrio
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b) Penetração, cobertura ofensiva e mobilidade
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Objectivos da aula:

Nesta aula fez-se uma primeira abordagem ao futebol de 11 , por isso teve como objectivos
fundamentais:
 A familiarização das atletas com alguns aspectos técnicos do futebol;
 A abordagem inicial aos princípios de jogo:
Os princípios de jogo são normas de base segundo as quais as jogadoras, individual, em grupo ou
colectivamente, devem coordenar a sua actividade durante o desenvolvimento da defesa e do
ataque. Assim, é possível distinguir princípios gerais e específicos:

Princípios gerais:
 Não permitir a inferioridade numérica;
 Evitar a igualdade numérica;
 Procurar criar a superioridade numérica

Os princípios específicos são, então, um conjunto de normas que orientam a jogadora na


procura de soluções mais eficazes, nas diferentes situações de jogo. Estes princípios variam de
acordo com a posse ou não da bola:
 Quando um jogador se encontra na posse da bola, este deverá ter como principal
preocupação ver se existe possibilidade de finalizar (marcar golo) ou espaço livre de
progressão para a baliza contrária, respeitando o primeiro princípio do ataque: a
PENETRAÇÃO;
 Em resposta à penetração, a equipa que defende deve fechar de imediato a linha de remate
ou de progressão para a baliza, colocando um jogador entre o portador da bola e a baliza,
criando uma situação de 11, cumprindo assim o primeiro princípio da defesa: a CONTENÇÃO;
 Esta situação de igualdade numérica agora criada, não deixa de envolver um maior risco para
a equipa que defende. Assim, esta deve procurar criar superioridade numérica, através da
introdução de um segundo defensor, cumprindo então o segundo princípio da defesa: a
COBERTURA DEFENSIVA;
 A equipa que ataca, dado que fica em inferioridade numérica, deve procurar restabelecer o
equilíbrio fazendo apelo a um segundo atacante e, respeitando o segundo princípio do ataque, a
COBERTURA OFENSIVA, tenta criar uma relação de igualdade numérica (22);
 Esta situação de (22) é teoricamente menos vantajosa para o ataque do que a de 11.
Assim, justifica-se que o segundo atacante se afaste do portador da bola de forma a libertá-lo
da sobremarcação (cobertura defensiva), procurando reconstruir a situação de 11. Casa do
segundo defensor não o acompanhe, está criada uma linha de passe que deve ser utilizada de
forma a criar uma situação de 10 de acordo com o princípio da MOBILIDADE;
 Entre estas duas alternativas compete à defesa optar pela menos perigosa. Assim, o
segundo defensor deve acompanhar o segundo atacante restabelecendo, ainda que em moldes

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algo frágeis, situações de igualdade numérica (11), através do cumprimento do princípio de


EQUILÍBRIO;
 Podemos verificar, em síntese, que o ataque tem todo o interesse em tornar o jogo mais
aberto, com maior amplitude, em largura e profundidade, em criar linhas de passe, de forma a
obrigar a defesa a flutuar e a ter maior dificuldade em criar situações de superioridade
numérica. Justifica-se, por isso, aquele que se constitui como o quarto princípio do ataque: o
ESPAÇO;
 Pelo contrário, à defesa compete restringir o espaço disponível para jogar, diminuir a
amplitude do ataque, obrigando o adversário a jogar em pequenos espaços, de forma a facilitar
a cobertura defensiva e a criação permanente de situações de superioridade numérica.
Explica-se desta forma, a CONCENTRAÇÃO enquanto quarto principio da defesa.

Em suma…
Ataque Defesa

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(posse da bola) (sem posse da bola)

 Manutenção da posse da bola;  Recuperação da posse da bola;


 Progressão e finalização.  Cobertura e defesa da baliza.

1.ºContenção
1Penetração (1º defesa)
(1º atacante)

 Criação de vantagem espacial e numérica;  Marcação sobre a jogadora com bola;


 Ataque do adversário directo: baliza;  Paragem do ataque ou contra ataque;
 Intenção ofensiva.  Ganhar tempo para a organização ofensiva.

2Cobertura ofensiva 2Cobertura defensiva


(2º atacante) (2º defesa)

 Apoio à companheira com bola;  Apoio à companheira que marca a adversária com
 Equilíbrio defensivo (1.ª fase). bola.

3Equilíbrio
3Mobilidade (3º defesa)

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(3º atacante)

 Variabilidade das posições;  Cobertura dos espaços e jogadores livres (acções


 Ocupação dos espaços livres; ofensivas sem bola);
 Criação de espaços livres;  Cobertura de eventuais linhas de passe;
 Manutenção da posse de bola;
 Ruptura e desequilíbrio da estrutura defensiva
adversária.

4Espaço 4Concentração
(estrutura da equipa) (estrutura da equipa)

 Estruturação e racionalização das acções  Estruturação e racionalização das acções


ofensivas colectivas no sentido de dar maior defensivas colectivas no sentido de retirar
amplitude ao ataque: amplitude às acções ofensivas:
Largura Largura
Profundidade Profundidade

Estruturação da aula:

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1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola;
Objectivos:
 Familiarizar as alunas com o relvado e com a bola;
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola;
Descrição: Num terreno de jogo, as alunas realizam passes à vontade.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

2.º exercício de treino

Legenda:
2 6
2 1 1 – passe rasteiro;
1 3 5 1 4 1 2 – Corrida sem bola;
3 – Passe rasteiro;
4 3
GR 32 4 – Corrida sem bola;
3 5 – Movimento de
1 4
GR 1 desmarcação;
6 – Corrida com
condução da bola.

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação e do
passe rasteiro;
Objectivos:
 Realizar correctamente o passe rasteiro;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação;
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;

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 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).


Forma\Organização: (1+1+1) Num terreno de jogo triangular marcado por cones, dispor em
cada vértice do triângulo grupos de igual número de jogadoras. Apenas os elementos de um
grupo possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do triângulo e os seus elementos
devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao outro.
Descrição:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua direita e corre em direcção ao vértice para o qual realizou o passe;
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe domina a bola e efectua um
passe rasteiro em profundidade para o primeiro elemento do grupo posicionado à sua direita
que, simultaneamente, realiza um ligeiro movimento de desmarcação para a frente e, quando
recebe a bola realiza a sua condução até ao vértice do grupo com bola.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido do exercício.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento. (ficam simplesmente à espera da bola).
3.º exercício de treino

Legenda:
2 36 8 1 – Movimento de
2 21 desmarcação;
4 4
1 3 5 1 4 1 2 – Passe rasteiro;
1 5 7
6 3 – Movimento de
4 3
GR 32 desmarcação;
3 4 4 – Passe rasteiro;
1
GR 1 5 – Passe rasteiro;
6 – Passe rasteiro;
7 – Passe rasteiro;
8 –
Corrida com
Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes; condução da bola.
3

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Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação e do


passe rasteiro;
Objectivos:
 Realizar correctamente o passe rasteiro;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação;
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola)
Forma\Organização: (1+1+1) Num terreno de jogo triangular marcado por cones, dispor em
cada vértice do triângulo grupos de igual número de jogadoras. Apenas os elementos de um
grupo possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do triângulo e os seus elementos
devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao outro.
Descrição:
 O primeiro elemento do grupo sem bola, posicionado à direita da mesma, realiza um ligeiro
movimento de desmarcação para receber a bola;
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para a colega que se
desmarcou;
 A jogadora que recebeu a bola faz passe de primeira para a colega que lhe fez o passe e
esta realiza um ligeiro movimento de desmarcação para a frente;
 Estas duas jogadoras efectuam, depois, uma tabela simples (dois passes de primeira);
 A jogadora que recebe a bola no fim da tabelinha realiza um passe de primeira para o
primeiro elemento do grupo posicionado à sua esquerda;
 A jogadora que recebe a bola realiza, por fim, condução da bola até ao vértice do grupo com
bola.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido do exercício.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento. (ficam simplesmente à espera da bola).

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

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4.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da contenção, posição base, manutenção da bola, penetração e
cobertura ofensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas dos atacantes;
 Controlar a distância para os adversários;
 Ser capaz de perceber e visualizar qualquer acção da adversária sem bola;
 Retardar a acção das adversárias.
Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo;
 Criar, em cooperação com a colega de ataque, condições favoráveis para a manutenção
da posse de bola;
 Procurar situações favoráveis. Assim, por exemplo, o jogador com bola dirige-se ao
defesa tentando chamar toda a sua atenção enquanto o jogador sem bola abre linhas de
passe, (cobertura ofensiva), para a frente e na diagonal.
Forma\Organização: (21), grupos de três jogadores com uma bola. 2 atacantes e 1 defesa
Descrição:
 Os dois atacantes trocam a bola entre si;
 O defesa realiza contenção defensiva.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação;  Exige algum domínio da posição base;
 É motivador uma vez que exige uma maior  Apenas permite abordar a contenção
aplicação por parte do defesa já que se defensiva de uma forma algo passiva.
encontra em inferioridade numérica.

5.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da contenção, posição base, cobertura defensiva, manutenção
da bola, penetração cobertura ofensiva e mobilidade;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas dos atacantes;
 Controlar a distância para os adversários;
 Ser capaz de perceber e visualizar qualquer acção da adversária sem bola;
 Retardar a acção dos adversários;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Realizar contenção defensiva (1º defesa);


 Realizar cobertura defensiva de acordo com o movimento dos atacantes.
Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo;
 Criar, em cooperação com a colega de ataque, condições favoráveis para a manutenção
da posse de bola. Assim, por exemplo, o jogador com bola desloca-se para o centro do
terreno de jogo (onde goza de uma maior área de acção) e em direcção a um dos defesas,
tentando despertar toda a sua atenção, enquanto os jogadores sem bola abrem linhas de
passe.
Forma\Organização: (32), grupos de cinco jogadores com uma bola. 3 atacantes e 2 defesa
Descrição:
 As três atacantes trocam a bola entre si;
 As duas defesas realizam pressão defensiva.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação;  Exige algum domínio da posição base;
 É motivador uma vez que exige uma maior  Apenas permite abordar a contenção
aplicação por parte da defesa já que se defensiva de uma forma algo passiva.
encontra em inferioridade numérica.

6.º exercício de treino

GR GR

GR GR

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Meios usuais: Tarefas de treino da contenção, posição base penetração e finalização;


Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas da atacante (penetração), seguindo-o para onde
quer que ela vá;
 Retardar a acção da adversária.
Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo e a baliza;
 Atacar o adversário (11);
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização: (1+GRGR+1), dois grupos de duas jogadoras num terreno de jogo
limitado.
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado e relativamente pequeno, realizar jogo de duas contra duas,
ficando um elemento de cada equipa a guarda-redes. Assim, o jogador com bola deve
desequilibrar o adversário e, após ultrapassá-lo, deve dirigir-se o mais rapidamente possível
para a baliza e marcar golo.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio da posição base;
os jogadores que as criam);  Apenas aborda a situação de 11, não
 É motivador uma vez que exige a introduz situações de cooperação.
preocupação com a finalização;
 Permite abordar a contenção e a
penetração de forma activa, dinâmica.

7.º, 8.º e 9.º exercícios de treino

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

GR GR
GR GR

GR GR GR

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da posição base, penetração, contenção, cobertura ofensiva e
defensiva, mobilidade e equilíbrio; situações de igualdade numérica;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo (especialmente a contenção);
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção da adversária;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo (especialmente a penetração);
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (2+GRGR+2), 33;
 (3+GRGR+3), 44;
 (4+GRGR+4), 55;

Descrição:

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de três\quatro\cinco contra três\quatro\cinco,


ficando um elemento de cada equipa a guarda-redes.
Análise específica dos exercícios:
 Nestas situações de igualdade numérica, o 1º defesa faz contenção e o jogador em
cobertura defensiva (2º defesa) controla os adversários, a bola e a baliza.
 Assim, por exemplo se os atacantes trocam de posição passando pelas costas do defesa em
contenção, o jogador que faz a cobertura acompanha o movimento do atacante sem bola no
sentido dos defesas nunca deixarem de ver a bola.
 Se os atacantes trocam de posição passando pela frente do defesa em contenção, este vai
passar a fazer cobertura e o que antes fazia de 2º defesa faz agora a contenção defensiva
para, assim, permitir uma pressão defensiva mais activa (os defesas estão quase juntos).

GR GR

 Concluindo, os defesas funcionam como um elástico uma vez que se movimentam em função
das várias situações do jogo, mantendo-se SEMPRE enquadrados e organizados, não alterando a
estrutura defensiva embora possam alternar posições.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a
preocupação com a finalização.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...


Recepção da bola

 É a técnica que permite dominar a bola para a passar a um colega, continuar a acção pessoal
ou rematar à baliza.
 O domínio da bola faz-se em três tempos:
1. Preparação: avaliar correctamente a trajectória da bola e deslocar-se nesse
sentido;
2. Realização: equilibrar o corpo e dosear a intensidade do esforço;
3. Conclusão: preparar o movimento seguinte (passe, finta ou remate) orientando o
seu controlo.
 À excepção da paragem da bola, as outras formas de domínio devem ser rápidas para não
retardarem o jogo.
 A recepção da bola deve permitir à jogadora exercer rapidamente o domínio da bola,
estabelecendo-se assim ligação sequencial com as restantes acções técnico-tácticas. Assim
uma boa recepção implica movimento, ou seja, a jogadora que recebe a bola não pode ficar
estática à espera da bola, deve antes deslocar-se em direcção à trajectória da mesma.
 Deste modo, consideram-se diferentes tipos de recepção dependendo da superfície de
contacto entre a bola e a jogadora.

 Uma maior superfície de contacto permite uma maior precisão do gesto.

 Uma menor superfície de contacto imprime maior potência à bola.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Assim, quando a recepção é feita com o pé assume diferentes características e


consequências de acordo com a parte do pé que contacta com a bola:

 Imprime uma maior velocidade à


bola e, muitas vezes não permite
Recepção com a parte externa controlá-la na direcção desejada.
do pé

 Não permite controlar a direcção da


bola uma vez que o calçado utilizado no
Recepção com a planta do pé futebol de 11 (chuteiras) retira
sensibilidade à planta do pé no que
respeita ao contacto com a bola.

 É a recepção mais correcta em


futebol de 11 uma vez que permite
Recepção com a parte interna amortecer a bola e imprimir-lhe a
do pé direcção desejada.

Principais erros da recepção da bola observados na aula:


 Dificuldades em controlar a bola devido a recepções incorrectas, com a parte externa e a
planta do pé.
 Recepção estática (as alunas ficavam à espera da bola, não se antecipavam)

Condução da bola

 É a técnica que permite conduzir a bola aonde se desejar, sem a perder, isto é, é a técnica
que permite deslocar a bola a bola de forma controlada ao longo de todo o terreno de jogo.
 Assim, uma condução da bola eficaz exige:

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

1. Condução da bola com os pés:

 É precisa uma vez a superfície de


contacto é grande;
Condução da bola com a parte  É menos rápida uma vez que é
interna do pé necessário rodar a perna condutora
para fora.

 É menos precisa uma vez que a área


de contacto com a bola é pequena;
Condução da bola com o peito  É mais rápida uma vez que é
do pé contínua.

 É a condução mais correcta em


futebol de 11.
Condução da bola com a parte  É rápida e de fácil adaptação;
externa do pé  É eficiente uma vez que a superfície
de contacto com a bola é grande.

NOTA: A condução da bola com a parte externa do pé é ideal para a fase inicial de
aprendizagem e progressão em que nos encontramos.

2. Contacto com a bola mais ou menos frequente de acordo com as dificuldades


provocadas pelos adversários. Assim, por exemplo, quando existe espaço livre à frente do
condutor da bola (ausência de pressão defensiva), podem realizar-se poucos contactos com a
bola uma vez que não é necessário controlá-la nem protegê-la constantemente do adversário.
NOTA: O exemplo mencionado foi a situação verificada no 2.º e 3.º exercícios da aula.
3. Observação permanente do espaço de jogo. Assim, é essencial manter a cabeça
levantada (“levantar” a cabeça) e procurar a melhor solução para a sequência do jogo (“ler” o
jogo). Isto quer dizer que uma boa condução da bola faz-se sem olhar para a bola.

Principais erros da condução da bola observados na aula:

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Dificuldade em progredir com a bola devido a incorrectas conduções da mesma, com a parte
interna e planta do pé;
 Condução exclusivamente centrada na bola. As alunas não levantavam a cabeça;
 Demasiados toques na bola.

Posição base

 É um comportamento muito importante na defesa uma vez que favorece a intenção de


continuidade do comportamento defensivo (equilíbrio e estabilidade) e, consequentemente,
favorece a reacção da jogadora no momento oportuno (observação e concentração).
 Esta posição é, então, fundamental pois cólica constantemente a jogadora numa posição o
mais apta possível para agir, sendo, assim, capaz de controlar a bola e a adversária através
do seu próprio corpo.
 Assim, uma posição base eficaz exige:

1. Abaixamento do centro de gravidade, isto é, ligeira flexão da articulação dos


joelhos;
2. Colocação dos apoios um em frente ao outro, isto é, os apoios são projectados
sobre uma linha oblíqua seguindo a direcção da progressão atacante,

Análise específica à contenção defensiva

 A contenção defensiva é a marcação rigorosa individual à adversária na posse da bola (11)


e, por isso, implica seguir o adversário para onde quer que ele se movimente, tendo sempre em
atenção alguns comportamentos técnico tácticos fundamentais:

1. Manter-se entre a bola e a baliza: para se cumprir o objectivo principal da


fase defensiva do jogo (defesa da baliza) é importantíssimo executar uma correcta colocação
entre a bola e a baliza. Assim, considerando os restantes dados da situação de jogo
(posicionamento das companheiras, dos adversários e da baliza), a defensora deve possuir,
sempre, esta preocupação táctica ajustando constantemente a sua posição em função da
alternância das situações do jogo;
2. Velocidade e ângulo de aproximação ao adversário: a rápida velocidade de
percepção e decisão da defesa em situação de jogo é importantíssima para o sucesso

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

defensivo. Assim, quanto mais rápida e perspicaz for a defesa a deduzir as acções ofensivas,
mais facilidade terá para as anular;
3. Posição base correctamente executada;
4. Distância adequada entre o defesa e o atacante: Durante a realização da contenção
defensiva, a distância que o defesa deve assumir relativamente ao atacante, deve ser gerido
pelo mesmo, variando de acordo com:
 A capacidade técnico-táctica do defesa. Assim, quanto maior a capacidade do defesa, menor
a sua distância em relação ao atacante;
 A capacidade técnico-táctica do atacante. Assim, quanto maior a capacidade do atacante,
maior a distância a dar pelo defesa para ter mais tempo para reagir;
 A zona do terreno onde se verifica a situação defensiva. Assim, nas zonas mais próximas da
baliza o defesa deve estar sempre próximo do atacante;
 A necessidade de observar constantemente a bola;
 A existência de acções de cobertura defensiva.
5. Retardar a acção do atacante em posse de bola: O defesa que realiza a
contenção defensiva deve tentar retardar ao máximo a acção do atacante com bola para que os
companheiros tenham tempo de se recolocar nas suas posições de base ajudando, assim, o
primeiro defesa a controlar a situação.
6. Observar a bola: O defesa deve observar sempre o movimento da bola para
poder reagir de acordo com os movimentos desta e não do adversário. Assim, o defesa deverá
ser paciente não se colocando demasiado perto do adversário de forma a efectuar o desarme
com a garantia de poder vir a ganhar aposse da bola;
7. Ter a iniciativa: Deve ser o defesa a dificultar a acção do atacante directo.
Deste modo, o jogador em contenção pode:
 Exercer marcação muito pressionante;
 Simular que vai desarmar;
 Conduzir o adversário para os corredores laterais uma vez que uma menor área de acção
representa menor perigo ofensivo;
 Conduzir o adversário para um local onde seja possível a ajuda de um colega de equipa;
 Escolher o momento certo para desarmar.

Principais erros da contenção defensiva observados na aula:


 Falta de paciência da defensora (a defensora tinha uma constante preocupação em tentar
desarmar o adversário e, por isso, era facilmente ultrupassada);
 Má colocação dos apoios na posição base;

NOTA: A má colocação dos apoios (ver figura do meio da página anterior) prejudica o
desenrolar da acção defensiva uma vez que assim a defesa perde o controlo da situação já que

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

tem um ângulo de visão menor que não lhe permite seguir continuamente a posição dos dois
adversários em caso de inferioridade numérica.

Análise específica à penetração ofensiva

 A penetração ofensiva visa o transporte da bola, o mais rapidamente possível, para as


zonas do campo com elevado potencial de finalização, tentando evitar que a equipa
adversária tenha tempo suficiente para se organizar defensivamente.

Principais erros da penetração ofensiva observados na aula:


 Preocupação exagerada em se libertar rapidamente da bola (característica típica de quem
não tem ávontade com a bola). Assim, as alunas libertavam-se da bola sem antes observar as
soluções ofensivas;
 Demasiados passes para trás ou para os lados (falte de objectividade);
 Preocupação em forçar o adversário a provocar infracções às leis do jogo devido à falta de
recursos técnicos e tácticos para encontrar soluções ofensivas.

NOTA: Todos estes erros atrasam a evolução do jogo ofensivo.

Análise específica à cobertura defensiva

 A cobertura defensiva visa atribuir apoio ao colega que marca o adversário com bola e ,
por isso, o jogador que faz a cobertura defensiva tem a responsabilidade imediata de exercer
pressão sobre o adversário quando este ultrapassa o companheiro em contenção;
 Assim, esta acção defensiva é considerada fundamental para o sucesso defensivo uma vez
que permite manter, mais facilmente, a baliza segura e, neste sentido, a cobertura defensiva
oferece condições favoráveis ao primeiro defesa (jogador que marca o adversário com posse
de bola) para ter iniciativas mais seguras uma vez que se o adversário directo o ultrapassar
irse-á deparar com uma nova acção defensiva protagonizada pelo companheiro que estava a
fazer a cobertura;
 Para realizar uma boa cobertura defensiva é necessário ter em atenção alguns
comportamentos técnico tácticos fundamentais:
1. Manter o posicionamento de base para ter maior capacidade de reacção;
2. Ser paciente, observando a bola, os adversários e os companheiros;
3. Comunicar com os colegas para introduzir uma boa coordenação entre os defesas;
4. Controlar a distância e o ângulo da cobertura de acordo com vários factores
posicionais:
a) Velocidade dos defesas: Quanto mais lento for a jogadora em contenção, mais
próxima deverá estar a cobertura defensiva;
b) Zona do campo onde se verifica a situação do jogo: Assim, por exemplo,
junto às linhas laterais a área de acção dos atacantes é diminuta e , por isso, a pressão
defensiva deve ser maior (é mais fácil recuperar a bola); Pele contrário, nas áreas próximas do
meio campo a área de acção dos atacantes é bastante grande e, por isso, para evitar surpresas
atacantes, é mais seguro manter-se alguma distância entre quem faz a contenção e quem faz a
cobertura;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

c) Ângulo de cobertura: O jogador em contenção e o jogador em cobertura


devem ter, sempre, uma visão global do espaço, da situação de jogo e das linhas de passe
verificadas em direcção à sua própria baliza e, por isso, o ângulo entre estes dois jogadores
deve ser ajustado permanentemente;
d) Capacidade técnico táctica do jogador adversário: Assim, por exemplo, se o
atacante a defender demonstrar uma grande capacidade a nível do passe os defesas deverão
estar mais afastados (para poderem interceptar linhas possíveis linhas de passe); se, por
exemplo, o atacante a defender demonstrar uma grande capacidade em situações de 11 os
defesas devem estar muito próximos (para diminuir o espaço de acção do atacante).
5. Saber qual o lado da cobertura defensiva ideal. Assim, o jogador em cobertura
defensiva deve posicionar-se atrás do 1º defesa e do lado que converge para o centro do
terreno de jogo (em diagonal).

Principais erros da cobertura defensiva observados na aula:


(7º, 8º e 9º exercícios)
 Má colocação dos apoios. As alunas apresentavam-se com os apoios paralelos;
 Má colocação posicional. As duas defesas (a 1ª e a 2ª) posicionavam-se paralelos entre si.

Análise específica à cobertura ofensiva

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 A cobertura ofensiva visa atribuir apoio e confiança ao colega com bola e , por isso, logo
após a recuperação de bola o jogador que faz a cobertura ofensiva tem a responsabilidade
imediata de exercer a acção de cobertura (atrás da linha da bola) e dar o apoio necessário ao
jogador com bola (à frente da linha da bola) com o objectivo de assegurar à equipa as
condições necessárias a um ataque eficaz aumentando, assim, as soluções para resolver os
problemas ofensivos.
 Assim, esta acção ofensiva é considerada fundamental para o sucesso organizacional
atacante uma vez que permite pressionar de imediato o adversário caso o portador da bola
perca a sua posse por alguma razão.
 Em suma, uma a realização de uma cobertura ofensiva eficaz permite::
1. Simplificar as acções técnico tácticas do portador da bola: o jogador em cobertura
ofensiva apoia o portador da bola e, por isso, a pressão defensiva ao jogador com bola diminui;
2. Atribuir confiança ao jogador com bola: o jogador com bola sente-se, assim, mais
seguro para desencadear qualquer iniciativa atacante (condução de bola, finta, remate, passe);
Principais erros da cobertura defensiva observados na aula:
 Colocação posicional incorrecta no apoio à portadora da bola. Assim, as alunas
apresentavam-se:
 Muito afastadas, dificultando a finalização (escassez de golos);
 Muito próximas, facilitando a acção dos defesas (muitas perdas de bola);
 Paralelas entre si (na penetração e cobertura ofensiva), retirando profundidade
à acção ofensiva e, por isso, retardando a finalização (escassez de situações de finalização)

30
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 Nesta aula o professor tentou transmitir-nos alguns conceitos básicos mas fundamentais
relacionados com a prática do futebol. Isto para que nas futuras aulas nos seja mais fácil e
acessível aplicar os conceitos que o professor pretender.
 Deste modo, considero que a aula foi bem estruturada já que abordou as principais
dificuldades das alunas e, por isso, permitiu que estas sentissem a necessidade de um futuro
empenhamento e uma atenção consciente no que diz respeito à disciplina de futebol.
Em suma…
 A principal preocupação deve ser ultrapassar as condições exteriores da prática da
modalidade, como seja o relvado e as chuteiras;
 É, também, importante progredir nos aspectos mais técnicos do futebol, como seja a
relação com a bola e o seu domínio, uma vez que a maioria das alunas não mostrou coordenação
nesta área;
 No que se refere à contenção defensiva, penetração ofensiva e coberturas, defensiva e
ofensiva, (princípios abordados mais insistentemente nesta aula) ficou evidente que o trabalho
a realizar nesta área deverá ser intenso e consciente por parte de cada aluna uma vez que se
notaram imensas dificuldades na execução e até compreensão destes comportamentos;
 Os aspectos mais tácticos do jogo constituem a principal dificuldade das alunas uma vez que
estas mostraram incompreensão face à estrutura e organização do jogo. Assim, a assimilação e
execução dos objectivos dos exercícios tornou-se mais complicada.
 Além disso, as dificuldades técnicas sentidas pelas alunas agravaram ainda mais as
execuções tácticas pretendidas pelo professor.

4
4.ª aula
Data: 13 de Outubro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes gestos táctico-técnicos individuais defensivos e
ofensivos do jogo de futebol;
 A interacção dos princípios do jogo de futebol:
a) Contenção, cobertura defensiva, equilíbrio e concentração
31
b) Penetração, cobertura ofensiva, mobilidade e espaço
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos da aula:

 Nesta aula fez-se uma breve reflexão acerca dos conceitos abordados na aula anterior
(princípios de jogo) e, por isso teve como objectivos fundamentais:
 A aplicação prática dos princípios de jogo;
 Compreender que os princípios de jogo apenas fazem sentido quando aplicados como
um “todo” e nunca independentemente uns dos outros;
 A compreensão e assimilação dos princípios de jogo tentando aplicá-los como um todo,
imprimindo-lhes interacção e unificação, na realização de jogos diversificados;
 A sistematização insistente dos diferentes gestos técnicos fundamentais;
 Uma abordagem mais profunda acerca dos princípios do equilíbrio e da mobilidade.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da contenção defensiva;
Objectivos:
 Realizar correctamente a posição base na contenção defensiva;
 Perceber que a colocação dos apoios é fundamental no sucesso defensivo da contenção
(recuperar a bola, perturbar os adversários).
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola;
Descrição: Num terreno de jogo, a aluna com bola conduz a bola realizando mudanças de
direcção enquanto que a aluna sem bola faz contenção defensiva acompanhando a portadora da
bola para todo o lado e preocupando-se com a colocação correcta dos apoios. Depois, passando
algum tempo, a aluna com bola arranca em velocidade obrigando a defesa em contenção a reagir
às suas investidas

32
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Colocação correcta dos apoios


Colocação incorrecta dos apoios

 Manter os apoios paralelos  Direccionar os apoios na diagonal

 Menor capacidade de reacção face à acção  Maior capacidade de reacção;


do adversário;  Os apoios já estão orientados
 Primeiro é necessário orientar os apoios na correctamente e, por isso, é possível arrancar
direcção do adversário e só depois é possível de imediato acompanhando mais facilmente o
arrancar; movimento adversário
 É frequente recorrer-se a meios de
deslocamento menos próprios e que dificultam
o controlo e reacção às acções ofensivas
adversárias (correr de costas, cruzar os
apoios, desviar o olhar da situação)

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(posição base); qualquer objectivo finalizador (golo);
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 Permite desenvolver a capacidade  É mais irreal;
individual das alunas;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar e contenção defensiva e,  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
ao mesmo tempo, desenvolve a iniciativa uma atitude de facilitismo (“isto assim é
ofensiva individual; fácil”).
 É um óptimo exercício de aquecimento uma
vez estimula a acção individual de cada aluna.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

33
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

2.º e 3º exercícios de treino

Legenda:
1 – Passe rasteiro;
2 – Movimento de 2º
desmarcação; 66
3 – Passe rasteiro; 2 22 6
4 – Movimento de
1
2 1 5
5 3º
33
1 3 54 1 4 1
desmarcação;
5 – Passe rasteiro; 4 3
GR 32
6 – Corrida com Legenda:
3 14 2 4
condução da bola. 1 1 – Passe rasteiro;
GR 1
2 – Movimento de
3 3
desmarcação;
3 – Passe rasteiro;
4 2 1
4 – Passe rasteiro;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação e do
passe rasteiro;
Objectivos:
 Realizar correctamente o passe rasteiro sem recepção e com recepção;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação;
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).
Forma\Organização do 2º exercício: (1+1+1) Num terreno de jogo triangular marcado por
cones, dispor em cada vértice do triângulo grupos de igual número de jogadoras. Apenas os
elementos de um grupo possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do triângulo e os seus
elementos devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao
outro.
Descrição do 2º exercício:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua direita e movimenta-se em frente para receber a bola e efectuar
passe rasteiro de primeira (sem toque control) para o primeiro elemento do grupo posicionado
à sua esquerda;
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um passe rasteiro
de primeira (sem toque control) para o elemento do qual recebeu o passe;

34
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 O primeiro elemento do grupo posicionado à esquerda da posição inicial da bola movimenta-


se para receber passe rasteiro e orienta a bola através de um pequeno passe control
conduzindo-a controlada até ao cone situado à sua direita.
Forma\Organização do 3º exercício: (1+1+1) Num terreno de jogo em losango marcado por
cones, dispor em cada vértice do losango grupos de igual número de jogadoras. Apenas os
primeiros elementos dos grupos dos vértices superior e inferior do losango possuem bola. Cada
grupo deve ocupar um vértice do losango e os seus elementos devem posicionar-se em fila
indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao outro e em simultâneo em ambos os lados
do lasango.
Descrição do 3º exercício:
 O primeiro elemento dos grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua direita e movimenta-se em frente para receber a bola e efectuar
passe rasteiro de primeira (sem toque control) para o primeiro elemento do grupo posicionado
à sua frente;
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um passe rasteiro
de primeira (sem toque control) para o elemento do qual recebeu o passe;
 O primeiro elemento do grupo posicionado à frente da bola recebe-a e efectua a mesma
sequência de acções já mencionada;
 O exercício realiza-se em simultâneo nos dois lados iniciando-se a sequência de acções nos
vértices superior e inferior do losango.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido dos exercício.
Análise específica dos exercício:
 Neste exercício pretendia-se que as alunas:
1. Realizassem passe preferencialmente com a parte interna do pé, privilegiando, assim,
não tanto a potência da acção mas antes a precisão;
2. Realizassem passe com o pé de apoio ao lado da bola para que o corpo fique em
equilíbrio e a precisão do passe não fique comprometida;
3. Realizassem passe a um toque, isto é, as alunas controlam a trajectória da bola e
orientam de imediato as suas acções no sentido da colega;
4. Realizassem a recepção da bola com a parte interna do pé e de forma a que a bola
ficasse em movimento controlada para a frente permitindo, assim, uma sequência e
encadeamento activo das acções pretendidas;
5. Realizassem a recepção da bola de forma activa. As alunas deviam deslocar-se em
direcção à bola, interceptando-a e orientando-a;
6. Realizassem a condução da bola com a parte externa do pé e com poucos contactos com
a bola, já que não existia oposição);
7. Realizassem a condução da bola com a “cabeça levantada”;
 A principal dificuldade verificada na realização destes exercício prende-se com a técnica
de passe e recepção. Assim, os passes não foram precisos mas potentes e desorientados. Além
disso, a recepção da bola foi pouco dinâmica e, por isso, as alunas mostraram dificuldade em
direccioná-la para o local pretendido.

35
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento; (ficam simplesmente à espera da bola).

4.º e 5.º exercícios de treino

GR
GR

GR GR

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino dos princípios de jogo;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Retardar a acção das adversárias;


 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (3+GRGR+3), 44;
 (4+GRGR+4), 55;
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de quatro\cinco contra quatro\cinco, ficando
um elemento de cada equipa a guarda-redes.
Análise específica dos exercícios:
 Nestes exercício pedia-se às alunas que:
1. Realizassem um jogo organizado aplicando constantemente os princípios de jogo já
aprendidos tendo em atenção as diferentes exigências técnico tácticas de cada um;
2. Jogassem em equipa, ou seja, procurassem soluções ofensivas e defensivas de acordo
com os movimentos e posições das colegas de equipa;;
3. Se concentrassem nos aspectos técnicos fundamentais para que estes não fossem
impeditivos da boa organização táctica;
 A principal dificuldade verificada na realização destes exercício prende-se com os aspectos
técnicos fundamentais. Deste modo, mesmo percebendo os princípios de jogo, as alunas
mostraram-se incapazes e efectuar jogos especialmente organizados. Além disso, as alunas
mostram ainda alguma dificuldade em jogar em equipa. Assim, mesmo percebendo os princípios
de jogo e os seus objectivos, as alunas pretenderam, muitas vezes, “jogar sozinhas”,
mostraram-se ainda algo individualistas.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 Permite abordar aspectos técnicos e marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica. exercícios são, de certa forma, livres.

37
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

6.º exercício de treino

GR GR

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (7+GRGR+37), 88; 3 equipas de 8elementos a jogar em 1-3-3-1;
Descrição:
 Num terreno de jogo, realizar jogo de 88.
 Assim, a equipa com bola deve efectuar um jogo organizado de forma a marcar golo.

38
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 A partir do momento em que a equipa com bola entra no meio campo ofensivo sofre pressão
defensiva por parte da equipa contrária;
 É só a partir do meio campo ofensivo de cada equipa que o exercício se desenvolve;
 Deste modo, se a equipa que ataca perde a bola deve efectuar, de imediato, pressão
defensiva nesse mesmo meio campo tentando recuperar a bola para marcar golo;
 A equipa que estava a atacar apenas pode defender a bola no seu meio campo ofensivo.
Assim, a equipa que recupera a bola deve efectuar uma rápida organização de jogo de modo a
ultrapassar o meio campo defensivo e dirigir-se para o meio campo ofensivo (onde já se
encontra uma equipa em defesa organizada pronta a efectuar pressão defensiva).
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É motivador uma vez que apresenta limites marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
reduzidos e exige acções defensivas rápidas; exercícios são, de certa forma, livres.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica.

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

7º exercícios de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e com rigor os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.

39
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Forma\Organização:
 (10+GRGR+10), 1111; 2 equipas de 11 elementos a jogar em 4-3-3;
Descrição:
 Realizar jogo de onze contra onze.
Análise específica dos exercícios:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Realizassem um jogo organizado aplicando constantemente os princípios de jogo já
aprendidos tendo em atenção as diferentes exigências técnico tácticas de cada um;
2. Jogassem em equipa, ou seja, procurassem soluções ofensivas e defensivas de acordo
com os movimentos e posições das colegas de equipa;;
3. Se concentrassem nos aspectos técnicos fundamentais para que estes não fossem
impeditivos da boa organização táctica;
4. Apoiassem o portador da bola, criando linhas de passe em aproximação e afastamento
(no ataque);
5. Utilizassem um ritmo de jogo elevado quando a equipa contrária está muito avançada no
terreno (tem muitos jogadores à frente da linha da bola) e\ou está desorganizada
defensivamente (no ataque);
6. Realizassem contenção longe da baliza a defender (na defesa);
7. Fechassem os espaços de penetração e as linhas de passe mais perigosas (na defesa);
8. Flutuassem coordenadamente de acordo com a posição da bola sem abrir grandes
espaços entre os jogadores que defendem.
 A principal dificuldade verificada na realização deste exercício prende-se com a ocupação
dos espaços, quer defensivos quer ofensivos. Assim, as alunas que atacavam encontravam-se,
sempre, muito juntas e as alunas que estavam a defender provocaram alguma confusão na
organização uma vez que “iam todas à bola”.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É motivador uma vez que apresenta marcar golo a todo o custo) uma vez que este
exigências reais; exercício é, de certa forma, livre.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...


Passe

 É a técnica que permite dirigir, com precisão, a bola a um colega que, frequentemente, está
em movimento.
 Assim, o passe é o elemento técnico fundamental do jogo uma vez que é ele que permite a
colaboração entre os jogadores da mesma equipa. É, então, a acção de relação colectiva mais
simples de observar e executar.
 A precisão deste elemento técnico permite a rápida rotura do sistema defensivo adversário
e, por isso, é fundamental para o sucesso ofensivo.
 O passe é, ao mesmo tempo, um elemento técnico e táctico e, por isso, a sua execução
apresenta exigências de ambos os níveis:
 A nível táctico, o jogador deve seleccionar o tipo de passe que deve realizar de
acordo com a situação momentânea de jogo, que depende essencialmente da posição dos
companheiros, dos adversários, da zona do terreno de jogo em que se encontra, da sua
capacidade técnica e dos objectivos tácticos definidos pela equipa;
 A nível técnico, o jogador deve executar o passe de acordo com o tipo de passe
adequado, o tempo de execução, a potência necessária e a precisão exigida.
 Assim, apesar de aparentemente simples, o passe é um elemento técnico muito exigente em
termos de treino e eficácia. Neste sentido, ao longo das aulas passadas e da presente aula, foi-
me possível assimilar com bastante profundidade a sua execução técnica. Deste modo,
apercebi-me que dependendo da intenção, o passe pode assumir diferentes formas:

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 É mais preciso uma vez possibilita


uma maior área de impacto (área de
Passe com a parte interna do contacto entre a bola e o pé);

 É mais potente;
 É menos preciso uma vez que
Passe com o peito do pé possibilita uma menor área de impacto.

 Assim, o passe deve ser executado sempre com a cabeça levantada e o pé de apoio bem
colocado, sensivelmente à altura da bola. Durante a execução o pé de apoio deve manter-se ao
lado da bola para que o corpo se mantenha em equilíbrio e o passe seja preciso.
 Na realização de passes longos é ainda importante, antes do passe, direccionar a bola para o
local pretendido, para que assim, as acções de coordenação entre o atleta e a bola decorram de
forma mais sequencial.
 O passe efectua-se essencialmente com o interior do pé, cuja superfície de contacto, mais
plana, deverá permitir uma maior precisão da trajectória. A cabeça, mas também o peito e a
coxa permitem igualmente efectuar um passe.
 O passe aparece após o domínio da bola, ou espontaneamente, sem domínio ao nível do solo, à
altura das ancas ou por cima de um adversário (passe de “chapéu”.
 Um passe pode ser lateral, para a frente ou para trás.
 Se olharmos criticamente para o futebol actual verificamos que, cada vez mais, as equipas
jogam com menos espaço, a pressão defensiva é muito forte e, as acções atacantes são
dificultadas. No sentido de contrariar as dificuldades tácticas impostas pelo sistema de jogo
da actualidade, os jogadores recorrem cada vez mais ao passe (para “abrir” espaços) e utilizam
uma grande diversidade de passes tentando contornar o adversário. Assim, por exemplo,
utiliza-se muito o passe em arco com o interior do pé. Este passe exige uma grande
flexibilidade da anca e do tornozelo para inflectir a trajectória da bola, fazendo com que ela
gire sobre si mesma.

Principais erros de passe observados nas aulas (2, 3 e 4):


 Colocação incorrecta do pé de apoio (as alunas colocavam o pé de apoio muito longe da bola),
perturbando o equilíbrio do corpo e descoordenando o movimento global do passe;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Escolha imprópria das superfícies de contacto com a bola (as alunas executavam, muitas
vezes, o passe com a parte externa do pé) e, consequentemente, imprecisão dos passes;
 Dificuldades na “pesagem” da força ideal necessária à execução de cada passe (as alunas
executavam o passe com muita força e, por isso com muito pouca precisão).

Análise específica à mobilidade ofensiva

 Depois de assegurarem a cobertura ao companheiro com bola os atacantes devem ter como
principal objectivo desequilibrar a defesa adversária conseguindo, então, espaços livres para
progredir no sentido da baliza contrária.
 Assim, a mobilidade representa o conjunto de acções desenvolvidas pelos atacantes visando
a ruptura e o desequilíbrio na estrutura defensiva adversária tendo sempre em atenção alguns
comportamentos técnico tácticos fundamentais:
1. Assegurar a variabilidade de posições para evitar que o jogo ofensivo se torne
demasiado previsível para os defesas: os atacantes devem variar, o mais possível, as suas
desmarcações, (variando não só o posicionamento no terreno de jogo mas também as
velocidades e intensidades imprimidas em cada desmarcação), no sentido de confundir os
defesas e desequilibrar o sistema defensivo adversário;
2. Ocupar espaços livres: os atacantes devem ter como preocupação primordial o
aproveitamento de espaços deixados “livres” pelos adversários. Assim, os atacantes devem
aperceber-se rapidamente dos melhores locais para receber a bola devendo ocupá-los
imediatamente no sentido de impedir uma reorganização defensiva;
3. Criar espaços livres: os atacantes devem desenvolver múltiplos deslocamentos, não só
com a intenção de receber a bola, mas também no sentido de criar espaços próprios para que
os colegas de equipa os possam ocupar. Estabelece-se, assim, uma maior pressão ofensiva sobre
o adversário;
4. Criar linhas de passe: Os deslocamentos ofensivos devem sempre permitir a criação
de linhas de passe com o portador da bola, quer sejam passes finalizadores quer sejam simples
passes de apoio à construção ofensiva. Neste sentido, para receber a bola, os atacantes
devem-se posicionar em diagonal relativamente ao defesa e nunca por trás dele (se o atacante
se movimentar colocando-se por trás do defesa retira o sentido prático à sua acção, desgasta-
se e não ajuda a equipa a ultrapassar as dificuldades ofensivas);
5. Manter a posse da bola: quando a equipa adversária está muito fechada
defensivamente, os atacantes devem ter como preocupação ofensiva manter a posse da bola
fora do centro de jogo defensivo adversário, mas sempre com a intenção de penetrar aí. Deste
modo, os atacantes “obrigam” os defesas a soltar-se mais até que surja o momento ideal para a
realização de uma desmarcação explosiva ou rápidas investidas ofensivas em direcção à baliza
adversária. Isto quer dizer que as movimentações ofensivas só têm lógica quando os atacantes
conseguem manter a bola em seu poder o tempo suficiente para que se proporcionem os
espaços livres que potenciem situações ofensivas com algum perigo.
 Em suma, este princípio exige uma boa “leitura de jogo” por parte dos jogadores sem bola.
As suas acções são tão importantes como a assimilação das diferentes acções técnico-tácticas
exigidas durante o jogo. O êxito das acções ofensivas depende, fundamentalmente, da
interpretação que o jogador com bola faz das movimentações dos companheiros sem bola.
 A dependência ofensiva à realização deste princípio mostra bem a colectividade do jogo de
futebol. Assim, por mais dotado tecnicamente que o portador da bola for, se os companheiros

43
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

sem bola não se deslocarem correctamente no campo, possibilitando-lhe algumas soluções


ofensivas, dificilmente conseguirá realizar acções com sucesso.

Principais erros da mobilidade observados na aula:


 Preocupação exagerada em soltar a bola rapidamente (as alunas não soltavam a bola no
momento oportuno, queriam libertar-se dela aquando da sua recepção e, por isso, não
esperavam a desmarcação das colegas);
 Dificuldade em efectuar desmarcações de forma consciente (as alunas não variavam as suas
acções, não procuravam espaços livres ou linhas de passe nem apoiavam eficazmente o portador
da bola, facilitando, assim, o trabalho da defesa.
 Mau aproveitamento do espaço livre nas costas da defesa (as alunas permitiam uma pressão
defensiva bastante activa);
 Dificuldades em criar linhas de passe (as alunas não davam apoio à portadora da bola e por
isso, perdiam frequentemente a bola);
 Previsibilidade das jogadas;
 Pouca percepção de jogo.

O atacante em posse de bola


não esperou que os
companheiros se desmarcassem
e assim que apanhou a bola
colocou-a imediatamente na
frente, onde não estava
ninguém da sua equipa.

Análise específica ao equilíbrio defensivo

 Para controlar as movimentações atacantes os defesas têm que arranjar argumentos que
dificultem ao máximo ou impeçam o desenrolar das acções dos adversários.
 Assim, o equilíbrio visa assegurar, fundamentalmente, a estabilidade do centro do jogo
defensivo através da criação de condições desfavoráveis aos atacantes de forma a que estes
tornem o seu jogo previsível, tendo sempre em atenção alguns comportamentos técnico
tácticos fundamentais:
1. Cobertura dos espaços e jogadores livres;
2. Cobertura de eventuais linhas de passe;
 Estas coberturas são conseguidas através do constante reequilíbrio dos defesas durante as
diferentes momentos de jogo. Assim, por exemplo, se a bola está no centro os defesas devem
fechar a zona central o mais possível e controlar a posição dos adversários e da bola; se algum

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

jogador sem bola se movimenta em algum dos lados o defensor dessa zona deve acompanhá-lo
enquanto os companheiros se ajustam para diminuir as acções atacantes.
 O jogador em posição de equilíbrio deve ainda estabelecer uma certa distância, coerente e
homogénea, relativamente ao companheiro em contenção e em cobertura defensiva.

Principais erros do equilíbrio defensivo observados na aula:


 Dificuldades em enquadrar-se com a bola e o adversário
 Dificuldades em cobrir linhas de passe;
 Dificuldades de ajustamento com a bola, o adversário e a baliza (as alunas permitiam
facilmente a entrada atacante pelas zonas mais críticas do campo);

Análise específica ao espaço ofensivo

 O espaço tem como objectivo fundamental a estruturação e racionalização das acções


ofensivas no sentido de dar maior largura e profundidade ao ataque. Assim, o ataque tem todo
o interesse em tornar o seu jogo mais aberto de forma a criar linhas de passe que obriguem a
defesa a flutuar e a não conseguir situações de superioridade numérica.
 Durante a realização dos dois últimos exercícios da aula (6º e 7º) foi-nos possível verificar
que todos os outros princípios atacantes apenas têm sentido e eficácia quando o espaço é
respeita já que assim, a probabilidade de aparecer uma jogador livre quando as jogadoras
exploraram o campo (em largura e profundidade) era maior uma vez dificultavam a coordenação
e o controlo dos movimentos defensivos.
 Em suma, quanto mais espaço houver para jogar maior a probabilidade de êxito nas acções
que desenvolvemos devido ao consequente aumento do tempo para os defesas percepcionarem
os comportamentos dos companheiros e dos adversários.

Análise específica à concentração defensiva

 O espaço tem como objectivo fundamental estruturar e racionalizar as acções defensivas


no sentido de retirar amplitude às acções ofensivas adversárias.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Assim, contrapondo-se ao 4º princípio ofensivo (o espaço), os defesas devem diminuir o


espaço disponível dos atacantes de forma a facilitar a cobertura defensiva e a criação
permanente de situações de superioridade numérica defensiva.
 Durante a realização dos dois últimos exercícios da aula (6º e 7º) foi-nos possível verificar
que as defesas têm de se movimentar o mais coordenadamente possível, de forma homogénea,
rápida e com pouca distância entre si, de forma equilibrada, para conseguir fechar linhas de
passe.

Análise da aula

 Esta aula surge no seguimento das aulas anteriores, onde se continua a procurar
desenvolver os conceitos básicos dos princípios defensivos e ofensivos. Todavia notei um
aumento da complexidade dos exercícios, uma vez que a maioria dos exercícios são compostos
por mais de três elementos, o que penso ser correcto, na medida em que se apresentam como
sendo mais próximos da realidade e ao mesmo tempo, estamos a desenvolver conceitos de
táctica sem nos apercebermos e que nos vão ser importantes.
 Nesta aula acentuou-se bastante a baixa qualidade técnica de algumas alunas, isto porque
como a aula se baseou bastante em situações de jogo, o passe, as recepções, as desmarcações
assumem aqui bastante importância.
 Nos jogos reduzidos as alunas foram capazes de manter uma organização mais ou menos
estável e eficaz, quer a nível ofensivo quer defensivo.
 No final, como tem sido costume, o professor deixou jogar um pouco à nossa vontade,
impondo desta feita algumas regras simples, mas continuou a ser-me visível um grande
aglomerado de jogadores em torno da bola, uma má ocupação dos espaços, as desmarcações
quase não existem, a maioria das alunas só gosta de jogar se tiver a bola e verificou-se, ainda,
grande individualismo.
 Gostaria, ainda de referir a boa estruturação e sequêncialidade dada à aula que nos
facilitou a compreesão de todos os princípios de jogo relacionando-os e interligando-os.
 Esta aula foi uma das que mais me agradou, pois havia uma variedade de exercício
considerável, com bastante movimento e bastantes situações de competição, porque me
comecei a sentir bastante melhor, quer a nível técnico quer a nível táctico, acompanhando
objectivos na sua plenitude. Finalmente as chuteiras começavam a deixar de me fazer
confusão!

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5
5.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 20 de Outubro de 2004
Sumário:
 Análise à estrutura do jogo de futebol:
a) as fases;
b) os princípios;
c) os factores;
d) as formas.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

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6
6.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 27 de Outubro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes comportamentos táctico-técnicos individuais
defensivos e ofensivos do jogo de futsal.
 Iniciação à organização ofensiva e defensiva do futsal: organização estrutural
31- rotação com o “Fixo fixo”.
 Organização defensiva: defesa à zona, defesa individual e defesa mista.

Objectivos da aula:

 Nesta aula fez-se uma primeira abordagem ao futsal e, por isso, teve como objectivos
fundamentais:
1. A familiarização das atletas com alguns aspectos teóricos do futsal:
 O futsal, tal como o futebol, é um jogo eminentemente colectivo e, por isso um só jogador é
incapaz de lutar contra um grupo de jogadores organizados e coordenados no mesmo sentido.
Assim, este jogo necessita de uma boa interacção entre todos os elementos de forma a que as
características próprias de cada atleta contribua activa e eficazmente para o sucesso da
equipa. Deste modo, em termos tácticos, existem jogadores mais aptos para jogar numa ou
noutra posição mas que devem conseguir desempenhar funções em todos os sectores ofensivos
e defensivos no sentido de favorecer a mobilidade do jogo, ou seja, os jogadores de futsal são
fundamentalmente polivalentes.

Jogador em função da posição Qualidades essências

 Boa colocação;
 Atento;
 Ágil;
 Com bons reflexos;
Guarda-redes  Flexibilidade;
 Ousadia e percepção do “timming”
necessário para a saída;
 Bom poder de sincronismo e concentração.
 Saber comandar a marcação da equipa;
 Firmeza nas entradas ofensivas;
 Percepção do “timming” exacto nos cortes;
 Bom poder de cobertura;
 Bom poder de reacção para poder decidir
Fixo rapidamente perante as acções adversárias;
 Boa capacidade de distribuição do jogo e,
consequentemente, precisão e decisão nos
passes;
 Boa capacidade de atrair o adversário;
 Bom remate (forte e de longas distâncias.

50
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Imaginação e entreajuda uma vez que


grande parte das jogadas ofensivas passam
Alas pelos seus pés;
 Boa técnica;
 Inteligência;
 Rapidez e bom arranque;
 Facilidade no remate;
Pivôt  Bom poder de observação;
 Iniciativa;
 Decisão e esperteza.

2. A abordagem inicial aos sistemas tácticos:


 Os sistemas tácticos representam o modo pelo qual os jogadores são distribuídos em campo,
ocupando-o em largura e profundidade combinando a acção individual de cada jogador, nas suas
diferentes linhas e posições, de forma a obter o máximo rendimento numa partida.
 O futsal assenta, basicamente, em dois sistemas de jogo (que iremos abordar nas aulas):
a) Quadrado (22);
b) Losango com triângulo ofensivo (13) ou defensivo (31).
 Uma vez que a eleição de um sistema deve ser feita de acordo com as características dos
jogadores e as alunas apresentam, ainda, algumas dificuldades em termos técnicos, o sistema
que abordamos nesta primeira aula de futsal será o 31 já que sendo menos complexo permite
que as alunas se adaptem à lógica do movimento a partir de agora exigida.
Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

Legenda:
a – passe;
b – corrida no sentido
da bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;

51
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;


 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção.
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola;
Descrição: Num terreno de jogo, efectuar passes em progressão, uma para a outra, de uma
baliza até à outra. Assim, cada jogadora deve realizar dois toques na bola, um para dominá-la
(toque control) e outro para a passar. O pé que domina bola deve ser o de fora, ou seja, o mais
afastado da jogadora que lhe efectuou o passe.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar o  Por vezes é monótono.
contacto com a técnica de passe e recepção
no futsal.

2.º e 3.º exercícios de treino

Legenda:
a a a – condução de bola;
b c
b – passe rasteiro.
c – passe em hipérbole

b c
a a

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção e condução de bola;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;

52
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Apreciar as trajectórias rasteiras e aéreas imprimidas à bola, enquadrando-se e


ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar o passe rasteiro e em hipérbole com precisão e correcção;
 efectuar a condução da bola com a zona plantar.
Forma\Organização: (2+1) Grupos de três jogadoras com uma bola ao longo das linhas laterais
do campo, frente a frente, duas dum lado com uma bola e uma do outro;
Descrição: efectuar condução da bola com a parte plantar do pé seguida de passe rasteiro (2º
exercício) ou em hipérbole (3º exercício) para a colega da frente;
Análise das consequências da opção por estes exercícios de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção e condução da bola);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar o  Por vezes é monótono.
contacto com a técnica de condução da bola
com a parte plantar do pé.

Análise específica dos exercícios:


 Neste exercício pedia-se às alunas que recebessem e conduzissem a bola com a parte
plantar do pé.
 Assim, ao contrário do futebol, no futsal a condução da bola com a parte plantar do pé é
fundamental na fase de organização do ataque uma vez que, apesar de ser lenta, permite
grande segurança e um controlo de bola mais eficaz;
 Na execução deste tipo de condução de bola, o pé de apoio deve estar ao lado da bola, ou
ligeiramente à frente, mas nunca atrás. É, ainda, aconselhável e preferível que as atletas
“rolem” o pé por cima da bola transportando-a para a frente devendo o corpo estar orientado
no sentido da corrida.

 Relação estável entre o corpo da atleta e a


Pé de apoio ao lado da bola bola;
 Permite que as acções se desenrolem
sequencialmente.
 Provoca desequilíbrios
Pé de apoio atrás da bola  Os desvios não são controlados pois não se
consegue enquadrar o corpo com a bola.

 Durante a execução do controlo da bola verificaram-se, então, algumas dificuldades básicas


que se prenderam com a má colocação do pé de apoio e resultarem em:
 Perdas de equilíbrio;
 Descoordenação de movimentos;
 Falta de sensibilidade para controlar a bola.

53
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

NOTA: No sentido de minimizar estas dificuldades, o professor sugeriu que, nesta fase inicial,
as alunas se colocassem de lado para a bola pois assim seria mais fácil coordenar os
movimentos e perceber qual a causa-efeito pretendida.

4.º exercício de treino

b Legenda:
a c a a – passe;
b
b – corrida sem bola;
c – condução da bola.
a
b c

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção e condução de bola;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção;
 Efectuar a condução da bola com a zona plantar.
Forma\Organização: (1+1+1) Grupos de três jogadoras com uma bola;
Descrição: Realizar criss-cross com tentativa de finalização(passa e corta por trás da colega);
Análise específica dos exercícios:
 Neste exercício pedia-se às alunas que
1. Ligassem bem a recepção da bola à condução da mesma exigindo, por isso, maior
concentração para que, respeitando-se os conhecimentos já adquiridos (passe condução e
recepção) a sequência do exercício não fosse afectada;
2. Recebessem a bola com a parte plantar do pé e de forma a que a bola continuasse em
movimento controlado para a frente.

54
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção e condução da bola);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para a ligação  Por vezes é monótono.
sequencial de recepção, condução e passe.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

5.º exercício de treino

Legenda:
D
A – Fixo;
B – Pivôt;
C – Ala direito;
2 D – Ala esquerdo;
B
A
1 1 – Passe para a pivôt;
3 2 – Passe para a “Fixo”;
4 3 e 4 – Rotação entre a
pivôt e a ala direito.
C

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção com a parte plantar e das rotações com
o “Fixo fixo”;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção dos alas para o fixo;
 Perceber e realizar correctamente as desmarcações próprias deste tipo de rotações.
Forma\Organização: (1+1+1+1) Grupos de quatro jogadoras com uma bola ;
Descrição: Num terreno limitado, dispor as alunas em losango, uma aluna em cada vértice do
losango, tentando representar a organização estrutural 3-1 com “Fixo-fixo”. Assim, uma
jogadora coloca-se na posição de Fixo (vértice mais atrasado do losango), outra na posição de

55
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

pivot (vértice mais avançado do losango) e as outras duas colocam-se na posição dos alas
(vértices laterais do losango). Deste modo, a aluna posicionada no vértice mais atrasado do
losango tem posição fixa e por isso não efectua rotações com nenhuma das colegas. As outras
três alunas (duas alas e uma pivot) vão trocando de posições entre si logo após a realização de
passe para a “Fixo”. Ou seja, a “Fixo” faz passe para uma das jogadoras (a pivot, por exemplo)
que lhe devolve o passe e troca de posição com uma das colegas (a lateral direito).
Análise específica do exercício:
 A organização estrutural 3-1 com “Fixo-fixo” refere-se às movimentações ofensivas em que
as jogadoras, mantendo as trocas de bola, se deslocam entre as posições de lateral e pivôt na
expectativa de encontrar linhas de passe e desequilibrar a estrutura defensiva do adversário,
criando superioridade numérica.
 O tipo de rotação desenvolvido neste exercício é utilizado essencialmente quando a “Fixo”
não está muito pressionada e, assim, as restantes companheiras tentam criar rupturas na
defesa adversária esperando a qualquer momento o passe.
 Neste exercício pedia-se às alunas que percebessem e realizassem correctamente as
rotações características da organização estrutural 3-1 com “Fixo fixo”. Assim, embora sem
oposição, foi-nos possível verificar que existem algumas determinantes tácticas a ter em
atenção quando se adopta este tipo de organização:
1. É necessário que, em quase todos os momentos do jogo, a fixo tenha as duas alas a
apoiá-la para evitar ameaças adversárias e, consequentemente, manter a posse de bola;
2. Para o sucesso das rotações é:
a) É necessário olhar constantemente a bola (que pode entrar em qualquer
momento), as colegas de equipa (que esperam passe ou apoio) e as adversárias (para podermos
decidir qual a melhor forma de criar espaços);
b) É necessário realizar movimentos rápidos com mudanças de velocidade e
direcção no sentido de perturbar a defesa adversária.
Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(rotações em 3-1 “Fixo-fixo);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar a  Por vezes é monótono.
abordagem a esta organização estrutural (3-1
“Fixo fixo”) uma vez que permite a repetição
das rotações consentindo, assim, uma mais
fácil interiorização das memsmas;
 Permite assimilar com alguma facilidade a
lógica do movimento pretendido.

56
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

6.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção da posição defensiva e da visão de jogo;
Objectivos da defensora (posicionada no meio):
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, tentando recuperá-la;
 Defender em posição defensiva básica;
Objectivos das jogadoras atacantes (posicionadas em losango):
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Manter a posse da bola
Forma\Organização: Grupos de cinco jogadoras com uma bola ;
Descrição: Num terreno limitado realizar o jogo do “meinho”. Assim, uma das alunas posiciona-
se no meio das restantes tentando recuperar a bola e defendendo em posição defensiva básica.
Quando a jogadora do meio recupera a bola ocupa o vértice do losango atacante da jogadora
que perdeu a bola.
Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É dinâmico e estimulante;  É mais irreal;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

7.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos do ataque:
 Jogar de forma organizada;
 Realizar correctamente as rotações;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Marcar golo;
Objectivos da defesa:
 Defender à zona;
 Impedir a marcação de golo;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Manter a posse da bola
Forma\Organização: (3+GRGR+3);
Descrição: Num terreno de jogo limitado realizar jogo de 44, ficando um elemento de cada
equipa a guarda-redes. ;
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Realizassem um jogo organizado aplicando constantemente os princípios de jogo já
aprendidos;
2. Realizassem correctamente as movimentações ofensivas no sentido de criar
dificuldades à defesa adversária;
3. Fizessem contenção defensiva só a partir do meio campo para proporcionar ao jogo um
sentido defensivo cada vez mais organizado e profundo;
4. Realizassem defesa à zona com o objectivo de “forçar” as alunas a colaborar
defensivamente desenvolvendo o seu sentido de inter-ajuda;

58
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É estimulante uma vez que proporciona marcar golo a todo o custo) uma vez que este
uma competição saudável entre as alunas; exercício é, de certa forma, livre.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma, dinâmica.

8.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos do ataque:
 Jogar de forma organizada;
 Realizar correctamente as rotações;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Marcar golo;
Objectivos da defesa:
 Defender à zona;
 Impedir a marcação de golo;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;

59
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Manter a posse da bola


Forma\Organização: (4+GRGR+4);
Descrição: Num terreno de jogo limitado realizar jogo de 55, ficando um elemento de cada
equipa a guarda-redes. Neste jogo pretende-se que as equipas se organizem estruturalmente
em 3-1 com “Fixo fixo”;
Análise específica do exercício:
 Neste exercício foi possível verificar que as alunas tiveram algumas dificuldades técnicas e
tácticas e que, por isso, temos como principais erros:
1. A falta de apoio ao portador da bola nomeadamente ao fixo (as alunas, após realizarem
uma desmarcação, não ocupavam o lugar deixado livre pelo atacante desmarcado);
2. A não ocupação dos locais pretendidos durante a desmarcação;
3. Uma acção muito passiva do pivôt que, assim, não se mostrava apto para funcionar como
mais uma opção;
4. A falta de apoio para finalizar (as três alunas mais avançadas não se dirigiam
correctamente à baliza adversária ocupando todos os corredores e, muitas vezes, o portador
da bola nem tinha apoio para finalizar).
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É estimulante uma vez que proporciona marcar golo a todo o custo) uma vez que este
uma competição saudável entre as alunas; exercício é, de certa forma, livre;
 Permite abordar aspectos técnicos e  Se as alunas não dominarem os conceitos
tácticos em simultâneo e de forma, dinâmica. já abordados, o jogo pode-se tornar algo
confuso.

Aprendizagens adquiridas na aula...


 Como já podemos constatar, em futsal a planta do pé é muito utilizada, tanto na recepção,
como no passe e como no controlo da bola. Assim, contrariamente ao que acontece com o
futebol de onze, onde há muito espaço e, por isso quando, por exemplo, uma recepção não é
bem feita pode ser corrigida rapidamente, no futsal o espaço de jogo é muito reduzido sendo,
por isso, necessário que a bola gire sempre da forma mais segura possível. Assim sendo, a
utilização da planta do pé é irrecusavelmente adequada uma vez que esta é uma zona com
bastante aderência e sensibilidade à bola e, se assim for, a acção dos defesas fica dificultada
(as jogadoras apresentam maior segurança e melhor protecção da bola)

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

O passe no futsal~

 É uma técnica segura para passes a curta e média distâncias.


Passe rasteiro com o interior do pé

 É uma técnica pouco precisa e de maior dificuldade;


 É usado frequentemente para entregar a bola após progressão
até junto do adversário directo ou após desmarcação rápida;
Passe rasteiro com o exterior do pé  É uma técnica segura para curtas distâncias.

 É, normalmente, executado após controlo com a planta do pé,


rodando a bola para trás;
Passe rasteiro com a planta do pé  É uma técnica segura para passes muito curtos e precisos.

 É usado para passes tensos, potentes e de grandes distâncias.


Passe rasteiro com o peito do pé

 É uma técnica pouco segura e normalmente utilizada em


Passe rasteiro com o bico do pé situações de recurso, entregas atrasadas, por exemplo.

 Executa-se introduzindo o pé sob a bola e levantando-a sobre


o adversário de forma a que esta caia nas costas do mesmo, num
Passe em hipérbole espaço para onde se verifica uma desmarcação. Este levantar da
bola exige sobretudo uma flexão do joelho para subir a bola.

A organização defensiva
 Entende-se por acção defensiva, toda a acção técnica específica de defesa executada por
um jogador durante o jogo, na tentativa de não permitir que o oponente obtenha sucesso nas
suas acções ofensivas (passes, movimentações e remates à baliza), ou seja, faça golo.
 Deste modo, dentro do movimento defensivo encontram-se essencialmente três formas de
organização base:
1. Defesa individual
Conceito: consiste em designar uma jogadora para se encarregar de um determinado atacante
e de o seguir para onde ele se deslocar.
Características:
 fundamenta-se na igualdade numérica;
 confere uma grande responsabilidade individual
Vantagens:
 permite a anulação de um jogador com grande capacidade técnica e táctica;
 implica uma grande vigilância. Assim, cada adversário é incomodado e a intervenção é
directa;
Inconvenientes:
 exige um grande desgaste físico devido às constantes reacções aos movimentos
adversários;
 é um pouco destrutiva e obriga os avançados a defender. Assim como as defesas podem ser
arrastadas para longe da sua área de acção.

61
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivo: recuperação rápida da posse de bola, provocando o erro, ganhando intercepções ou


roubos de bola, para a partir daí, conforme as situações de jogo, atacar através de contra-
ataque ou ataque planeado.

2. Defesa à zona
Conceito: Consiste em dividir teoricamente o campo em zonas que os defesas se encarregam
de vigiar e onde devem intervir seja qual for o atacante que apareça.
Características:
 Baseia-se sobretudo em acções técnico tácticas de cobertura defensiva equilíbrio e
contenção;
Vantagens:
 O possuidor da bola sofre uma oposição constante e, por isso, é muitas vezes obrigado a
rematar de longe;
 Privilegia os passes curtos e as intercepções;
 Dificulta os adversários a criarem espaços livres nas áreas vitais do campo;
 As falhas individuais podem ser corrigidas pelas colegas através de acções de cobertura
defensiva.
Inconvenientes:
 As jogadoras ficam concentradas numa parte do campo, o que facilita as aberturas rasgadas
por parte das adversárias, assim como fintas;
 O guarda redes fica, por vezes, encoberto e torna-se vulnerável nos remates de longe.
3. Defesa mista
Conceito: consiste numa síntese da defesa à zona com defesa individual;.
Características:
 Cada jogadora evolui na sua zona e marca e marca pressionantemente o adversário na posse
da bola, mesmo que este progrida para outra zona, e só depois do atacante pressionado se
libertar da bola ou de uma outra colega assumir as suas funções, a defensora poderá voltar
para a sua zona de marcação.
Vantagens:
 Dificulta a criação de situações de superioridade numérica por parte das atacantes;
 Permite realizar constantemente a cobertura defensiva;
 Dá maior criatividade aos defesas uma vez que lhes permite sair da sua zona de marcação
para outra marcando o atacante numa posição vital.
Inconvenientes:
 Requer algum grau de responsabilidade individual aliada a um grande espírito de
solidariedade.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 O Futsal é uma modalidade de ensino na escola, e que se pode jogar em qualquer pavilhão,
por conseguinte, a turma e eu não demonstramos tantas dificuldades a nível técnico nem em
corresponder às expectativas e objectivos do professor. Contudo aprendi coisas novas,
nomeadamente no que respeita ao jogo, uma vez que a disposição e movimentação dos
jogadores em campo é bastante específica.
 No entanto, pelo facto de ser jogado com os pés o futebol pode trazer inicialmente algumas
dificuldades relacionadas com a coordenação de movimentos bem como com a visão de jogo.
Deste modo, estas dificuldades são ainda mais acentuadas no futsal uma vez que sendo o campo
mais pequeno exige decisões mais rápidas. Assim, durante a execução dos exercícios verifiquei
que existiam já poucas dificuldades no que se refere à condução e à recepção da bola mesmo as
realizadas com a parte plantar do pé. Apesar disso verifiquei algumas dificuldades sentidas ao
nível do passe, nomeadamente no passe por cima (em hipérbole) devido ao facto das alunas não
colocarem bem o pé por baixo da bola nem flectirem correctamente o joelho durante a sua
execução.
 Relativamente ao jogo final (55) foi interessante constatar que o jogo estava mais
organizado comparativamente com os realizados em futebol de 11. Assim, nota-se que tem
havido uma boa assimilação por parte das alunas no que se refere aos princípios específicos de
jogo e que, por isso, estas são capazes de realizar com mais facilidade as movimentações
pretendidas. No entanto, gostaria de salientar a falta de apoio à portadora da bola e a pouca
definição das marcações.
 Por fim, considero que esta aula foi bem estruturada uma vez que forneceu elementos
básicos essências para o início de uma melhor compreensão das
acções de jogo, nomeadamente das rotações.

63
7
7.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 03 de Novembro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes comportamentos táctico-técnicos individuais
defensivos e ofensivos do jogo de futsal.
 Organização ofensiva do futsal: organização estrutural 31- rotação com o
“Pivôt fixo”.

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como objectivos principais:


1. A sistematização dos elementos tácticos abordados nas aulas anteriores;
2. A abordagem inicial à organização estrutural 31 com Pivôt fixo.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º, 2º e 3º exercícios de treino

1º 1º 2º 3º 3º
Legenda: 3 Legenda:
1 1 1
1 – Condução de 2 1 – Condução de
bola; 2 bola;
2
2 – Passe; 3 2 – Passe;
3 – Corrida sem 3 3 – Condução de
bola; 2 1 bola;
4
3 4 4 – Passe;
5

Legenda: 2º
1 – Condução de bola; 2 – Passe;
3 – Passe; 4 – Passe;
5 – Corrida sem bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção e da condução da bola;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos:
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção;
 Realizar correctamente a condução da bola com a parte plantar do pé;
Forma\Organização do 1º exercício: (2+1) Grupos de três jogadoras com uma bola ao longo
das linhas laterais do campo, frente a frente, duas dum lado com uma bola e uma do outro sem
bola;
Forma\Organização do 2º exercício: (1+1+1) Grupos de três jogadoras com uma bola ao longo
das linhas laterais do campo, frente a frente, uma aluna dum lado com uma bola, outra do outro
sem bola e outra posicionada entre as alunas já mencionadas;
Descrição do 1º exercício: efectuar condução da bola com a parte plantar do pé seguida de
passe rasteiro para a colega da frente. A aluna que executa passe desloca-se no sentido do
passe realizando:
a) Deslocamentos laterais;
b) Skipping à frente;
c) Skipping atrás;
d) Corrida para trás;
e) Corrida na diagonal, para trás e para a frente;
f) Sprint.
Descrição do 2º exercício: A aluna posicionada numa das linhas laterais efectua condução da
bola com a parte plantar do pé até um pouco antes do meio do percurso (onde de encontra uma
colega à espera do passe). Aí, executa passe para a colega posicionada a meio do percurso que
lhe devolve imediatamente a bola através de passe. Depois, a aluna que iniciou o percurso com
bola executa um último passe para a colega que posicionada no final do percurso (na linha
lateral oposta à iniciado pelo exercício).
Análise específica do 1º e 2º exercícios:
 Nestes exercícios pedia-se às alunas que:
1. Efectuassem a condução da bola preferencialmente com a parte plantar do pé por ser
mais segura e ainda que a fizessem com muitos toques na bola por forma a mantê-la sempre
controlada;
2. Realizassem o passe preferencialmente com a parte interna do pé uma vez que, assim,
se privilegia a precisão e não tanto a potência. Assim, as alunas não se devem esquecer de
colocar bem o pé de apoio ao lado da bola facilitando o equilíbrio do corpo e da consequente
orientação do passe;
3. Realizassem a recepção da bola sempre com a parte plantar no sentido de a controlar
perfeitamente dominando-a facilmente em todos os momentos, proporcionando-se assim uma
maior segurança nas acções de recepção. Assim, as alunas não se devem esquecer de
direccionar a bola para onde pretendem ir, facilitando, então, a sequencial idade da jogada.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 Por vezes é monótono.

65
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

2.ª Fase da aula: DOMINANTE

4.º exercício de treino

G.R.

G.R.

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos do ataque:
 Jogar de forma organizada;
 Realizar correctamente as rotações;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Marcar golo;
Objectivos da defesa:
 Defender à zona;
 Impedir a marcação de golo;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
Forma\Organização: (4+G.R.G.R.+4) ;
Descrição: Num terreno de jogo limitado realizar jogo de 55, ficando um elemento de cada
equipa a guarda-redes.;
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. No ataque, se dispusessem em losango e circulassem a bola por todos os elementos da
equipa;
2. Realizassem a transição defesa-ataque pela zona central do campo;
3. Começassem a defender a partir do meio campo defensivo para permitir uma melhor
organização ofensiva;
4. Circulassem a bola até que o pivot se desmarcasse e ficasse em condições favoráveis
para receber a bola;

66
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:


Vantagens Desvantagens

 É mais específico e mais real;  É de difícil direcção a algumas


 Tem uma adequação implícita; capacidades;
 Permite a diversificação de situações (são  É de difícil controlo;
os jogadores que as criam);  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
 É estimulante uma vez que proporciona e tácticos;
uma competição saudável entre as alunas;  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
 Permite abordar aspectos técnicos e atitude de simples finalização (querem
tácticos em simultâneo e de forma, dinâmica. marcar golo a todo o custo) uma vez que este
exercício é, de certa forma, livre.

Análise da aula
 Esta nossa aula foi um pouco condicionada pelas condições atmosféricas: Estava a chover
imenso…
 Gostei muito de jogar com chuva, embora provocando algumas dificuldades, estas condições
adversas revelaram-se, para muitas, motivadoras e estimulantes!!
 Assim sendo, nesta aula realizamos menos exercícios que o habitual mas que, quanto a mim,
foram perfeitamente adequados às condições da aula e motivação das alunas
 Foi extremamente motivante ver a turma a trabalhar bastante bem, e concentrada nos
exercícios que estavam a efectuar. Para isso penso que ajudou o facto de a modalidade se
estar a demonstrar suficientemente interessante e motivante para permitir o “esquecimento”
total da chuva e, consequentemente, um empenhamento interessante na aula.
 Gostei especialmente do jogo final. Senti que, mesmo ainda com algumas
limitações, nos conseguimos organizar coerentemente combatendo, cada vez melhor, as
dificuldades técnicas mais prejudiciais ao nosso jogo.

67
8
8.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 10 de Novembro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes comportamentos táctico-técnicos individuais
defensivos e ofensivos do jogo de futsal.
 Organização ofensiva do futsal: organização estrutural 31- rotação com o
“Pivôt fixo”.

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como principal finalidade cumprir com os objectivos propostos para a aula
anterior e que, devido ao mau tempo, não puderam ser cumpridos eficazmente. Esses
objectivos foram:
1. A sistematização dos elementos tácticos abordados nas aulas anteriores;
2. A abordagem inicial à organização estrutural 31 com Pivôt fixo.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

b
a c a
b
Legenda:
a – passe;
a b – corrida sem bola;
b c
c – condução da bola.

Forma\Organização: (1+1+1) Grupos de três jogadoras com uma bola;


Descrição: Realizar criss-cross com tentativa de finalização(passa e corta por trás da colega);
Nota: Este exercício é semelhante ao 4º exercício especificado na aula 6 e, por isso aqui não
explico os pressupostos fundamentais já que são semelhantes aos já descritos.

68
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

2.º exercício de treino

Legenda:
3
1 1 – Condução de
2
bola;
2 – Passe;
3 – Corrida sem
2 1 bola;
3

Forma\Organização: (2+1) Grupos de três jogadoras com uma bola ao longo das linhas laterais
do campo, frente a frente, duas dum lado com uma bola e uma do outro sem bola;
Descrição: efectuar condução da bola com a parte plantar do pé seguida de passe rasteiro
para a colega da frente. A aluna que executa passe desloca-se no sentido do passe realizado;
Nota: Este exercício é semelhante ao 1º exercício especificado na aula 6 e, por isso aqui não
explico os pressupostos fundamentais já que são semelhantes aos já descritos.

3.º exercício de treino

Legenda:
1 – Passe;
2 1
2 – Corrida sem
bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;

69
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção e da condução da bola;
Objectivos:
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé imediatamente
seguida de passe;
Forma\Organização: (2+2) Grupos de quatro jogadoras com uma bola, frente a frente, duas de
cada lado duma linha imaginária com, sensivelmente, o mesmo comprimento do diâmetro do
círculo central;
Descrição: executar passes rápidos e em linha recta com a parte plantar do pé. Assim, as
jogadoras executam passes sem que o pé que recebeu a bola (com a parte plantar) perca o
contacto com a mesma. Depois, a jogadora que executa o passe desloca-se para a frente, sem
bola, no sentido do passe efectuado.
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Executassem passes rápidos e precisos, utilizando para isso a parte plantar do pé;
2. Realizassem o exercício de forma dinâmica por forma a simular o mais real possível as
situações de jogo nas quais a pressão defensiva é intensa;
3. Executassem a recepção da bola com a parte plantar do pé e no sentido do passe.
 Este tipo de passe (recepção com passe directo) é muito importante no futsal uma vez que,
sendo este jogado em espaço reduzido, permite deixar a bola quase no pé das colegas evitando
possíveis roubos de bola;
 Assim, nunca é demais realçar a necessidade de colocar sempre o pé de apoio ao lado da
bola (ou ligeiramente à frente) para que o corpo esteja equilibrado e se assegure a eficácia
desta acção tão importante e, muitas vezes decisiva;
 Embora ache que as alunas já dominam os gestos técnicos mais importantes do futsal,
verifiquei que a maior parte apresenta, ainda, algumas dificuldades no que diz respeito ao
passe com a parte plantar. Assim, verifiquei que grande parte das alunas não foram capazes de
efectuar o passe logo a após a recepção de outro (as alunas tinham a necessidade de parar,
primeiro, a bola e só depois efectuar passe). No entanto, gostei muito deste exercício e sou de
opinião que com treino iremos conseguimos dominar estes pressupostos básicos.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para a execução de
um gesto técnico tão importante no futsal
(recepção seguida de passe directo;
 É dinâmico;

70
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

4.º exercício de treino

Legenda:
1
1 – Condução de
bola;
2 2 – Finta;
3 – Passe;
Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;
Meios usuais: Tarefas3de treino do passe, da recepção, da condução da bola e da finta (o
drible);
Objectivos:
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar a condução da bola sem olhar para ela (simulando a constante observação de jogo
pedida em futsal);
 Realizar a acção de puxar a bola para o lado com a parte plantar do pé como que
representando uma tentativa de finta;
Forma\Organização: (1+1+1) Grupos de três jogadoras com uma bola ao longo das linhas
laterais do campo, frente a frente, uma aluna dum lado com uma bola, outra do outro sem bola
e outra posicionada entre as alunas já mencionadas;
Descrição: A aluna posicionada numa das linhas laterais efectua condução da bola com a parte
plantar do pé até um pouco antes do meio do percurso (onde se encontra uma colega
representando uma defensora). Aí, executa uma finta puxando a bola para o lado com a parte
plantar do pé. Depois, a aluna com bola executa passe rasteiro para a colega situada à sua
frente e dirige-se para o local do passe.
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Tivessem em atenção a correcta execução dos gestos técnicos já abordados e
sistematizados durante os exercícios anteriores;
2. Colocassem o pé de apoio ao lado da bola (ou ligeiramente à frente) “penteando-a” para
esse mesmo lado pelo pé contrário;
 Esta acção constituiu-se como mais uma forma de estreitar as relações das atletas com a
bola. Assim, como o exercício não era realizado com adversária directa, permitiu, sobretudo,
que as alunas aprendessem o movimento tentando entender o seu significado prático.
 Deste modo, o professor chamou-nos a atenção para o facto desta acção ser tanto mais
eficaz quanto maior a rapidez da sua execução (para iludir e ultrapassar o adversário) e a
amplitude do movimento (para desviar efectivamente a bola do alcance do colega).

71
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:


Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para a suscitar
curiosidade e a imaginação das alunas nos
futuros jogos a realizar;

5.º exercício de treino

Legenda:
D A – Fixo;
5 B – Pivôt;
C – Ala direito;
4 D – Ala esquerdo;
B
A
1 – Passe para a lateral;
1 3 2 – Corrida sem bola;
2 3 e 4– Condução de bola;
5 – Corrida sem bola;
C

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção com a parte plantar e das rotações com
o “Pivôt fixo”;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção dos alas para o fixo;
 Perceber e realizar correctamente as desmarcações próprias deste tipo de rotações.
Forma\Organização: (1+1+1+1) Grupos de quatro jogadoras com uma bola ;
Descrição: Num terreno limitado, dispor as alunas em losango, uma aluna em cada vértice do
losango, tentando representar a organização estrutural 3-1 com “Pivôt-fixo”. Assim, uma
jogadora coloca-se na posição de Fixo (vértice mais atrasado do losango), outra na posição de
pivot (vértice mais avançado do losango) e as outras duas colocam-se na posição dos alas
(vértices laterais do losango). Deste modo, a aluna posicionada no vértice mais avançado do

72
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

losango (a Pivot) tem posição fixa e por isso não efectua rotações com nenhuma das colegas. As
outras três alunas (duas alas e uma “fixo”) vão trocando de posições entre si logo após a
realização de passe. Assim, por exemplo, a “Fixo” faz passe para uma das jogadoras laterais(a
lateral direito, por exemplo) e movimenta-se no sentido do passe. A jogadora que recebeu a
bola desloca-se imediatamente para o local deixado livre pela colega que executou o passe (a
que estava na posição de “fixo”).
NOTA: Depois de algumas repetições destas rotações, o professor explicou-nos que estas
movimentações apenas têm sentido (prático de eficácia) quando são realizadas com a cabeça
“bem levantada”, sempre à procura de uma linha de passe acessível para a Pivot. Isto quer
dizer que a jogadora que recebe a bola apenas se deve encaminhar para a posição da jogadora
que lhe efectuou o passe se não tiver nenhuma linha de passe aberta para o pivot. Caso
contrário, a jogadora com bola deve colocar a jogada de imediato na pivot.
Posto isto, o professor sugeriu que continuássemos o exercício mas agora com especial atenção
neste pressuposto e que, embora sem adversárias, simulássemos o passe para a pivot;
Análise específica do exercício:
 A organização estrutural 3-1 com “Pivot-fixo” refere-se às movimentações ofensivas em que
as jogadoras, mantendo as trocas de bola, se deslocam entre as posições de lateral e fixo na
expectativa de encontrar linhas de passe para a pivot. Representa, por isso, uma rotação em
“carrocel”.
 O tipo de rotação desenvolvido neste exercício é utilizado essencialmente para atrair as
defensoras no sentido de criar espaço livre no meio delas tendo assim o pivot mais espaço de
acção para dar seguimento à jogada após receber a bola.
 Neste exercício pedia-se às alunas que percebessem e realizassem correctamente as
rotações características da organização estrutural 3-1 com “Pivot fixo”. Assim, embora sem
oposição, foi-nos possível verificar que existem algumas determinantes tácticas a ter em
atenção quando se adopta este tipo de organização:
1. É necessário que, em quase todos os momentos do jogo, a fixo tenha as duas alas a
apoiá-la para evitar ameaças adversárias e, consequentemente, manter a posse de bola;
2. Para o sucesso das rotações é:
a) É necessário olhar constantemente a bola (que pode entrar em qualquer
momento), as colegas de equipa (que esperam passe ou apoio) e as adversárias (para podermos
decidir qual a melhor forma de criar espaços);
b) É necessário realizar movimentos rápidos com mudanças de velocidade e
direcção no sentido de perturbar a defesa adversária.
 Com a realização deste exercício foi-nos possível desenvolver e perceber dois tipos de
movimentações distintas mantendo SEMPRE o pivot fixo com algumas exigências essenciais:

1. Movimentações executadas sem entrada da bola:


 Como não existiam adversárias, pedia-se às jogadoras alas e “fixo” que trocassem a bola
com segurança através da execução:
 de passes bem direccionados permitindo uma maior sequência à jogada;
 da condução da bola usando sempre o lado da perna de apoio para proteger a bola e
aguentar a carga do adversário;
 das movimentações pelas costas (quando a pressão adversária não é muito intensa) ou
pela frente (quando a pressão adversária é maior) do portador da bola;
NOTA: Os alas devem receber a bola um pouco atrás para a tirar do alcance dos defesas.

73
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 A pivot, embora não fosse receber a bola, nunca deveria estar parada, devia, antes,
movimentar-se, como nas situações de jogo, no sentido de funcionar como mais uma solução
ofensiva, favorecendo, então, a variabilidade de jogo.

2. Movimentações executadas com entrada da bola:


 Quando se executam estas movimentações as jogadoras devem:
a) Ocupar correctamente os diferentes corredores do campo;
b) Incentivar a criatividade da pivot que deve variar ao máximo as suas opções no sentido
de causar imprevisibilidade ofensiva. Assim, por exemplo, o pivot pode apoiar um dos lados
(deslocando-se para lá) ou apoiar na diagonal (deslocando-se mais para o centro do campo).

Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(rotações em 3-1 com todos os jogadores em  É mais irreal;
movimento);
 É um óptimo exercício para iniciar a
abordagem a esta organização estrutural uma
vez que permite a repetição das rotações
consentindo, assim, uma mais fácil
interiorização das mesmas;
 Permite assimilar com alguma facilidade a
lógica do movimento pretendido.

74
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

6.º e 7º. exercícios de treino

G.R

G.R

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos do ataque:
 Jogar de forma organizada;
 Realizar correctamente as rotações;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Marcar golo;
Objectivos da defesa:
 Defender à zona;
 Impedir a marcação de golo;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
Forma\Organização: (4+GRGR+4);
Descrição: Num terreno de jogo limitado (6º exercício) ou completo (7º exercício) realizar
jogo de 55, ficando um elemento de cada equipa a guarda-redes;
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Realizassem um jogo organizado aplicando constantemente os princípios de jogo já
aprendidos;
2. Realizassem correctamente as movimentações ofensivas no sentido de criar
dificuldades à defesa adversária;
3. Tivessem especial atenção à pivot, jogando para ela, isto é, trocando a bola entre as
alas e a fixo (movimentando-se correctamente) até encontrarem linhas de passe para a pivot;
4. Fizessem contenção defensiva só a partir do meio campo para proporcionar ao jogo um
sentido defensivo cada vez mais organizado e profundo;
5. Realizassem defesa à zona com o objectivo de “forçar” as alunas a colaborar
defensivamente desenvolvendo o seu sentido de inter-ajuda;

75
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É estimulante uma vez que proporciona marcar golo a todo o custo) uma vez que este
uma competição saudável entre as alunas; exercício é, de certa forma, livre.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma, dinâmica.

Análise da aula

 Nesta aula foi-me possível constatar que os argumentos técnicos das alunas estão a
aumentar. Fiquei contente!!! Até porque se as alunas possuírem uma boa noção táctica do jogo
mas não possuírem argumentos para a poder concretizar, não conseguirão solucionar os
problemas do jogo.
 No entanto, foram ainda visíveis algumas dificuldades relacionadas com a visão de jogo.
Deste modo, as alunas mostraram-se muito motivadas e empenhadas em executar
correctamente os exercícios, porém não se mostraram ainda capazes de abrir o jogo no ataque
e fechá-lo na defesa;
 Durante o jogo final (55) pude aperceber-me disso mesmo. Assim, no ataque a primeira
movimentação era bem executada sendo que depois desta faltava, quase sempre, apoio ao
portador da bola e havia dificuldades em se reorganizar o jogo; as atletas desmarcavam-se
sem a percepção da intenção, isto é, após fazer passe a aluna entrava na frente mas não
oferecia linha de passe ao portador da bola (objectivo da desmarcação). Isto acontecia pois, na

minha opinião, as jogadoras estavam demasiadamente preocupadas em efectuar


correctamente as movimentações e, por isso, esqueciam-se de olhar o jogo.
 Por fim, gostava de referir que as alunas conseguiram fazer um bom
trabalho defensivo, notando-se, no entanto, dificuldades quando as atacantes
realizavam mais que uma movimentação.

76
9
9.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 17 de Novembro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes comportamentos táctico-técnicos individuais
defensivos e ofensivos do jogo de futsal.
 Organização defensiva e ofensiva do futsal: organização estrutural 31-
rotações (dos quatro jogadores)

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como objectivos principais:


3. A sistematização dos elementos tácticos abordados nas aulas anteriores;
4. A abordagem inicial à organização estrutural 31 com rotações dos quatro jogadores.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º, 2º e 3º exercícios de treino

1º 1º 2º 2º
Legenda:
Legenda:
1 – passe; 2
1e3 – passe;
2 – corrida sem 3 1 1 3 1 3 2 3 1
4 2e4– corrida sem
bola; 4
2 bola;
3 – passe; 2

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

3º 3º
Legenda:
2
1 – passe;
2 – corrida sem 1 1 3
bola;
2

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção e das desmarcações;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção;
 Perceber qual o objectivo das movimentações executadas logo após execução de passe;
Forma\Organização do 1º, 2º exercício: (1+1+1+1) Grupos de quatro jogadoras com duas
bolas. Num terreno de jogo quadrangular marcado por cones, dispor em cada vértice do
quadrado grupos de igual número de jogadoras. Apenas os primeiros elementos de dois grupos
dos vértices do quadrado possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do quadrado e os
seus elementos devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir
ao outro e em simultâneo em ambos os lados do quadrado;
Descrição do 1º exercício:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua frente e movimenta-se para o grupo posicionado à sua esquerda,
passando, para isso, pelo meio do quadrado. Depois, quando a mesma jogadora recebe passe
deve movimentar-se para o grupo posicionado à sua direita. Ou seja, as jogadoras movimentam-
se sempre trocando de posições apenas com um grupo. Esta sequência de acções ocorre em
simultânea em ambos os lados do quadrado.
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um novo passe para
a frente e executa a mesma acção já mencionada;
Descrição do 2º exercício:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua frente e movimenta-se para o grupo posicionado à sua esquerda,
passando, para isso, pelo meio do quadrado. As jogadoras trocam de posições sempre no

78
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

sentido do relógio (para a esquerda) e, por isso, passam por todos os vértices do quadrado.
Esta sequência de acções ocorre em simultânea em ambos os lados do quadrado.
Descrição do 3º exercício:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua frente e movimenta-se para o grupo posicionado na sua diagonal,
passando, obviamente, pelo meio do quadrado. Esta sequência de acções ocorre em simultânea
em ambos os lados do quadrado.

Análise das consequências da opção por estes exercícios de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para iniciar o  Por vezes é monótono.
contacto com a técnica de passe e recepção
no futsal.

NOTA: Os 1º, 2º e 3º exercícios têm objectivos comuns que se prendem essencialmente com a
interiorização da lógica da rotação com os quatro jogadores em movimento. Assim, o
importante nestes exercícios é ter a percepção das desmarcações realizando para isso, uma
movimentação imediatamente após passe.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

4.º exercício de treino

Legenda:
D A – Fixo;
B – Pivôt;
1 C – Ala direito;
D – Ala esquerdo;
B
A
1 – Passe para a lateral;
2 2 e 3– Corrida sem bola
(troca de posições);
3
C

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;

79
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção com a parte plantar e das rotações os
quatro jogadores em movimento;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção;
 Perceber e realizar correctamente as movimentações pedidas;
 Manter a posse de bola (jogadores atacantes);
 Interceptar linhas de passe (jogadora defensora).
Forma\Organização: (41) Grupos de cinco jogadoras com uma bola ;
Descrição: Num terreno limitado, dispor quatro alunas em losango, uma aluna em cada vértice
do losango, tentando representar a organização estrutural 3-1. Assim, uma jogadora coloca-se
na posição de Fixo (vértice mais atrasado do losango), outra na posição de pivot (vértice mais
avançado do losango) e as outras duas colocam-se na posição das alas (vértices laterais do
losango). Uma jogadora posiciona-se no meio do losango tentando interceptar linhas de passe.
Deste modo, as jogadoras posicionadas nos vértices do losango jogam ao meinho mas com uma
exigência extra: trocar de posição com alguma colega (uma qualquer) logo após a realização de
um passe.

Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(trocas de posições);  É mais irreal;
 É um óptimo exercício para sistematizar a
abordagem a esta organização estrutural (3-1
com todos os jogadores em movimento) uma
vez que impõe a realização de rotações com
uma defensora a “incomodar” (com oposição);
 Permite assimilar com alguma facilidade a
lógica do movimento pretendido.

80
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

5.º exercício de treino

Legenda:
D A – Fixo;
B – Pivôt;
4 C – Ala direito;
3
1 D – Ala esquerdo;
B
A
2 1 – Passe para a lateral;
2 e 3– Corrida sem bola;
4– Condução de bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção com a parte plantar e das rotações com
os quatro jogadores em movimento;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção das alas para o fixo;
 Perceber e realizar correctamente as desmarcações próprias deste tipo de rotações.
Forma\Organização: (1+1+1+1) Grupos de quatro jogadoras com uma bola ;
Descrição: Num terreno limitado, dispor as alunas em losango, uma aluna em cada vértice do
losango, tentando representar a organização estrutural 3-1 com. Assim, uma jogadora coloca-
se na posição de Fixo (vértice mais atrasado do losango), outra na posição de pivot (vértice
mais avançado do losango) e as outras duas colocam-se na posição dos alas (vértices laterais do
losango). Deste modo, o fixo, com posse de bola, faz passe a um dos laterais, verificando-se
imediatamente a movimentação da pivot de modo a dar apoio à lateral, agora em posse de bola
(tentando criar linhas de passe). Depois, o fixo movimenta-se de modo a ocupar a posição do
pivot e o lateral faz condução de bola até à zona central, ocupando o lugar deixado vago pelo
fixo.
NOTA: Depois de algumas repetições destas rotações, o professor explicou-nos que, em jogo,
estas movimentações apenas têm sentido (prático de eficácia) quando são realizadas com a
cabeça “bem levantada”, sempre à procura de uma linha de passe acessível. Isto quer dizer que
a lateral que recebe a bola apenas se deve encaminhar para a posição de “fixo” se não
conseguir fazer passe para uma das colegas que se desmarcaram.
NOTA: O professor sugeriu que realizássemos, primeiro, estas movimentações com a bola nas
mãos, facilitando, então, a interiorização da sua lógica.

81
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise específica do exercício:


 A organização estrutural 3-1 com os quatro jogadores em movimento refere-se às
movimentações ofensivas em que a jogadoras na posição de fixo após passar entra para a
posição do pivot e “obriga” as restantes jogadoras a fazer o balanço defensivo.
 O tipo de rotação desenvolvido neste exercício é executado, em jogo, várias vezes para
ambos os lados até que surja oportunidade de finalização.
 Este tipo de rotação permite à equipa em fase ofensiva manter a continuidade e o equilíbrio
no ataque e arrastar as defensoras para fora dos seus refúgios e criar, com isso, linhas de
passe.
 Neste exercício pedia-se às alunas que percebessem e realizassem correctamente as
rotações características da organização estrutural 3-1 com os quatro jogadores em movimento.
Assim, embora sem oposição, foi-nos possível verificar que existem algumas determinantes
tácticas a ter em atenção quando se adopta este tipo de organização:
1. É fundamental que todas as jogadoras consigam percepciona bem as diferentes
situações de jogo para, assim, se poderem adaptar rapidamente a ele;
2. Para o sucesso das rotações é necessário:
 Apoiar constantemente a portadora da bola. Isto porque estando as
jogadoras sempre em movimento e, consequentemente, do jogo se tornar muito mais rápido, é
fundamental que as atletas recuperem também rapidamente para evitar que no fim da
primeira rotação se perca a sequencialidade da jogada;
 Definir bem as entradas de forma a respeitar a organização do jogo,
facilitando, por isso, a criação de espaço.
 Executar os passes com segurança para se dificultar a acção das adversárias
e imprimir ritmo às jogadas;

Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(rotações em 3-1 com todos os jogadores em  É mais irreal;
movimento);
 É um óptimo exercício para iniciar a
abordagem a esta organização estrutural uma
vez que permite a repetição das rotações
consentindo, assim, uma mais fácil
interiorização das mesmas;
 Permite assimilar com alguma facilidade a
lógica do movimento pretendido.

82
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

6º.e 7º. exercícios de treino

G.R
G.R

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos do ataque:
 Jogar de forma organizada;
 Realizar correctamente as rotações;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Marcar golo;
Objectivos da defesa:
 Defender à zona em losango;
 Impedir a marcação de golo;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
Forma\Organização: (44) e (4+GRGR+4);
Descrição: Num terreno de jogo limitado (6º exercício) e completo (7º exercício) realizar jogo
de 44 (6º exercício) e 55 (7º exercício);
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Realizassem um jogo organizado aplicando constantemente os princípios de jogo já
aprendidos;
2. Realizassem correctamente as movimentações ofensivas no sentido de criar
dificuldades à defesa adversária;
3. Executassem os passes com precisão (preferencialmente com a parte interna do pé)
para que os restantes movimentos sejam efectuados com sucesso;
4. Executassem a recepção da bola de forma segura e orientada para o local para onde se
pretende jogar a bola;

83
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

5. Realizassem entradas bem definidas com a preocupação de dar grande profundidade ao


jogo através da realização de mudanças de ritmo e de direcção causando assim mais
dificuldades às adversárias;
6. Mantivesses a cabeça sempre levantada por forma a poder percepcionar rapidamente
as jogadas e reagir a elas com a mesma rapidez. Esta situação aplica-se quer às jogadoras com
bola, que após perceberem o movimento das colegas devem tentar colocar lá a bola, quer das
jogadoras sem bola, com especial destaque para a que entrou após realizar o movimento;
7. Reajustassem rapidamente as posições;
8. Executassem o último passe o mais correcto possível respeitando e favorecendo a
acção de finalização;
 Assim, é benéfico estarem pelo menos duas jogadoras no ataque, dando, então, mais
variedade ao ataque dificultando a acção das adversárias. É, também, necessário ficar sempre
uma jogadora mais recuada a cobrir a acção das colegas.
 As principais dificultadas verificadas durante a realização destes exercícios prenderam-se
com:
1. A imprecisão dos gestos a nível técnico;
2. A pouca definição nas entradas;
3. A falta de apoio ao portador da bola.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
marcar golo a todo o custo) uma vez que este
exercício é, de certa forma, livre.

84
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...


Defesa à zona em losango
 Este tipo de defesa é utilizado, fundamentalmente, contra equipas que jogam com uma
organização estrutural ofensiva 31.
 Na defesa à zona em losango os jogadores devem-se manter bem fechados formando um
bloco compacto evitando assim a abertura de espaços que possibilitem a penetração de
jogadores da equipa contrária a consequente criação de situações de finalização.
 A defesa deve funcionar como um “elástico”, ou seja, movimentando-se toda ao mesmo
tempo.

G.R
G.R

G.R
G.R

85
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 Nesta aula abordamos a última temática da organização estrutural 31.


 Gostei especialmente dos exercícios executados. Gostei muito da sequência crescente em
complexidade. Primeiro com deslocamentos menos intensos e depois com movimentações cada
vez mais semelhantes às exigidas na prática desta organização ofensiva.
 Continuo a achar que as alunas estão empenhadas no seu desenvolvimento, embora ofereçam,
ainda, alguma resistência no que diz respeito à correcta realização das rotações. Assim, no
decorrer da aula foi-me possível observar, entre os positivos, alguns aspectos mais negativos:
 Preocupação em querer trocar a bola em cima das adversárias;
 Entradas realizadas sem objectivos, pouco definidas e lentas. As alunas poucas vezes
realizavam as movimentações já aprendidas e quando o faziam não era de forma consciente:
entravam mas não procuravam criar os espaços favoráveis à entrada da bola;
 Falta de apoio à portadora da bola. As alunas demonstraram dificuldades quando
realizavam mais de duas rotações seguidas pois não estavam a conseguir adaptar-se a elas;
 Quando se conseguiam realizar mais de duas rotações e surgia espaço a bola não
entrava. As alunas não estavam a conseguir fazer uma correcta aplicação em jogo dos
exercícios abordados nas aulas uma vez que não conseguiam identificar as situações e reagir a
elas em favor da equipa.
 Na minha opinião, esta aula mostrou mais confusão devido ás rotações serem efectuadas por
todos os jogadores…
 Em termos técnicos as alunas estão a progredir.

86
10
10.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 24 de Novembro de 2004
Sumário:
 Exercitação dos diferentes comportamentos táctico-técnicos individuais
defensivos e ofensivos do jogo de futsal.
 Organização defensiva e ofensiva do futsal: organização estrutural 40

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como objectivos principais:


1. A sistematização dos elementos tácticos abordados nas aulas anteriores;
2. A abordagem inicial à organização estrutural 40.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º e 2ºexercícios de treino

1º 1º 2º 2º
Legenda: 3 Legenda:
1 – Condução de 1 1 – Passe;
2
bola; 2 – Corrida sem
2 – Passe; 1 2 bola;
3 – Corrida sem ;
bola; 2 1
3

Forma\Organização do 1º exercício: (2+1) Grupos de três jogadoras com uma bola ao longo
das linhas laterais do campo, frente a frente, duas dum lado com uma bola e uma do outro sem
bola;
Forma\Organização do 2º exercício: (2+2) Grupos de quatro jogadoras com uma bola, frente
a frente, duas de cada lado duma linha imaginária com, sensivelmente, o mesmo comprimento do
diâmetro do círculo central;

87
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Descrição do 2º exercício: executar passes rápidos e em linha recta com a parte plantar do
pé. Assim, as jogadoras executam passes sem que o pé que recebeu a bola (com a parte
plantar) perca o contacto com a mesma. Depois, a jogadora que executa o passe desloca-se
para a frente, sem bola, no sentido do passe efectuado.
Descrição do 1º exercício: efectuar condução da bola com a parte plantar do pé seguida de
passe rasteiro para a colega da frente. A aluna que executa passe desloca-se no sentido do
passe realizando:
g) Deslocamentos laterais;
h) Skipping à frente;
i) Skipping atrás;
j) Corrida para trás;
k) Corrida na diagonal, para trás e para a frente;
l) Sprint.
Descrição do 2º exercício: executar passes rápidos e em linha recta com a parte plantar do
pé. Assim, as jogadoras executam passes sem que o pé que recebeu a bola (com a parte
plantar) perca o contacto com a mesma. Depois, a jogadora que executa o passe desloca-se
para a frente, sem bola, no sentido do passe efectuado.
NOTA: estes primeiros exercícios já foram descritos com mais pormenores em aulas
anteriores (aula 6).

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

3.º exercício de treino

B
Legenda:
A A – Central;
B – Lateral;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção com a parte plantar e das rotações
próprias da organização estrutura 40;

88
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola com a parte plantar do pé;
 Realizar o passe rasteiro com precisão e correcção dos alas para o fixo;
 Perceber e realizar correctamente as desmarcações próprias deste tipo de rotações.
Forma\Organização: (1+1+1+1) Grupos de quatro jogadoras com uma bola ;
Descrição: Num terreno limitado, dispor as alunas em 40, com duas centrais e duas laterais.
• Assim, por exemplo, a central tem a posse de bola e efectua o passe para uma das
laterais. Após o passe esta avança sempre para a frente no sentido de procurar uma linha
de passe. Caso não exista nenhum linha de passe a jogadora recua para a posição da
jogadora para a qual fez passe (a lateral). A jogadora que era lateral compensar esse
movimento ocupando a posição deixada livre pela central.
Análise específica do exercício:
 A organização estrutural 40 é caracterizada pela inexistência de uma jogadora pivot.
 Sendo assim, esta organização cria a necessidade dos jogadores serem universais, pois têm
de saber ocupar todas as posições do terreno de jogo.
 Neste exercício pedia-se às alunas que percebessem e realizassem correctamente as
rotações características da organização estrutural 40.
 Este sistema de jogo tem como objectivos principais:
1. Criar instabilidade defensiva na equipa adversária;
2. Criar muita mobilidade ofensiva;
3. Jogar em função dos outros.
 Com a realização deste exercício foi-nos possível desenvolver e perceber dois tipos de
rotações distintas:

1. Rotações para o lado da bola:

Legenda:
1 – Passe;
2 e 3– Corrida sem bola;
4– Condução de bola;

3
1
4

89
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 A jogadora com posse de bola faz passe ao lateral e corta para a posição normalmente
ocupada pela pivot. A lateral com bola após a movimentação da colega, conduz a bola em
direcção à posição deixada livre por esta. A jogadora que fez o passe, após a sua entrada, faz o
reequilíbrio defensivo ocupando a posição de lateral.

2. Rotações para o lado contrário ao da bola:

3
1
4

 A jogadora com posse de bola faz passe à lateral, mas, desta vez, quem faz corte para a
zona de pivot é o lateral do lado contrário. Esta movimentação vai obrigar a um reequilíbrio por
parte de toda a equipa. Depois da jogadora com bola se ter movimentado para uma zona mais
central, a lateral que fez o corte vai ocupar o lugar deixado vago pela portadora da bola.

Análise das consequências da opção por estes exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(rotações em 3-1 com todos os jogadores em  É mais irreal;
movimento);
 É um óptimo exercício para iniciar a
abordagem a esta organização estrutural uma
vez que permite a repetição das rotações
consentindo, assim, uma mais fácil
interiorização das mesmas;
 Permite assimilar com alguma facilidade a
lógica do movimento pretendido.

90
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

4º.e 5º. exercícios de treino

G.R
G.R

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos do ataque:
 Jogar de forma organizada;
 Realizar correctamente as rotações;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
 Marcar golo;
Objectivos da defesa:
 Defender à zona em quadrado;
 Impedir a marcação de golo;
 Desenvolver o espírito de organização e de pensamento táctico operacional;
Forma\Organização: (44) e (4+GRGR+4);
Descrição: Num terreno de jogo limitado (4º exercício) e completo (5º exercício) realizar jogo
de 44 (4º exercício) e 55 (5º exercício) adoptando a estrutura ofensiva 40 e
defendendo à zona em quadrado;
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Realizassem um jogo organizado aplicando constantemente os princípios de jogo já
aprendidos;
2. Realizassem correctamente as movimentações ofensivas no sentido de criar
dificuldades à defesa adversária;
3. Executassem os passes com precisão (preferencialmente com a parte interna do pé)
para que os restantes movimentos sejam efectuados com sucesso;
4. Executassem a recepção da bola de forma segura e orientada para o local para onde se
pretende jogar a bola;

91
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

5. Realizassem entradas bem definidas com a preocupação de dar grande profundidade ao


jogo através da realização de mudanças de ritmo e de direcção causando assim mais
dificuldades às adversárias;
6. Mantivesses a cabeça sempre levantada por forma a poder percepcionar rapidamente
as jogadas e reagir a elas com a mesma rapidez. Esta situação aplica-se quer às jogadoras com
bola, que após perceberem o movimento das colegas devem tentar colocar lá a bola, quer das
jogadoras sem bola, com especial destaque para a que entrou após realizar o movimento;
7. Reajustassem rapidamente as posições;
8. Executassem o último passe o mais correcto possível respeitando e favorecendo a
acção de finalização;
 As principais dificultadas verificadas durante a realização destes exercícios prenderam-se
com:
1. A imprecisão dos gestos a nível técnico;
2. A pouca definição nas entradas;
3. A falta de apoio ao portador da bola.
4. Algumas confusões com outras organizações estruturais já abordadas

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
marcar golo a todo o custo) uma vez que este
exercício é, de certa forma, livre.

92
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...

Defesa à zona em quadrado


 Este tipo de defesa é utilizado, fundamentalmente, contra equipas que jogam com uma
organização estrutural ofensiva 40.
 Nesta organização defensiva, as jogadoras formam um quadrado no sector defensivo do
campo, ficando cada jogadora responsável por exercer a marcação na sua zona.
 Tal como na defesa em losango, na defesa em quadrado as jogadoras também se devem
movimentar em bloco, funcionando como um “elástico”, ou seja, movimentando-se toda ao
mesmo tempo:

G.R
G.R

93
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 Nesta aula abordamos o último tipo de rotações pertencentes ao programa.


 Verifiquei, então, que as alunas continuam empenhadas na sua evolução e, quanto a mim, já se
nota alguma “coisinha”!!!!
 Em comparação com as outras aulas achei que esta correu bastante bem. Aqui as alunas
mostraram já ter interiorizado a lógica das rotações, já se preocuparam mais com as
desmarcações (esperavam receber a bola) e não simplesmente com as rotações.
 No último exercício, tive oportunidade de notar alguns pontos bastante positivos:
 Preocupação em organizar o jogo mais atrás tendo mais segurança no jogo;
 Entradas realizadas com objectivos, embora ainda pouco definidas e lentas). As
alunas entravam procurando criar os espaços favoráveis à entrada da bola;
 As acções defensivas foram bem executadas apesar de ainda se verificarem algumas
situações de pressão isolada o que favorecia as adversárias na criação de espaços.
 Além disto, fiquei com a percepção de que as alunas já jogam mais em equipa, são cada vez
menos individualistas procurando soluções de cooperação, tanto ofensiva como defensivamente.

94
11
11.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 15 de Dezembro de 2004
Sumário:
 Avaliação qualitativa à modalidade de futsal

 Chegou a altura da avaliação.


 Esta aula consistiu, então, na realização de jogo 55, sendo esta a situação ideal para
analisar o trabalho realizado pelas alunas já que é na situação concreta de jogo que se
consegue avaliar simultaneamente a compreensão técnica e táctica.
 A avaliação teve ritmo e intensidade elevada, uma vez que todos os alunos estavam
completamente concentrados em executar tudo bem feito, desde as movimentações aos
passes.
 De uma foram geral notei claros avanços relativamente à compreesão do jogo podendo,
assim, concluir-se que as ideias transmitidas durante as aulas foram bem assimiladas.
 As atletas já se conseguiram movimentar-se de forma organizada e consciente (sabendo
porque o fazem), criar e prucurar espaços livres e linhas de passe, dar apoio à portadora da
bola.
 Apesar de tudo, faltou a finalização. As alunas estavam tão empenhadas nas rotações que se
esqueciam, por vezes, do objectivo principal das mesmas: criar espaços para finalizar.

95
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

2º. Semestre

FUTEBOL de 11:
(aulas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 19 e 20)

 Manutenção da posse da bola;


 Circulação da bola;
 Acções de finalização;
 Fases de transição defesa \ataque e ataque \ defesa.

12
12.ª aula
Data: 26 de Janeiro de 2005
Sumário:
 Organização ofensiva: a posse e a circulação da bola como aspecto
fundamental da criação de espaços na estrutura defensiva do adversário;
96
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como principal objectivo abordar aspectos referentes à manutenção da posse
de bola.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º, 2º e 3º exercícios de treino


1º 1º 2º e 3º e
Legenda: 2 3º
1 – Passe;
Legenda:
2 – Corrida sem 1 1 – passe;
bola; 1 3 2 – Toque
control;
2 3 – Passe;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção;
Objectivos:
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar o passe rasteiro de curta, média e longa distância com precisão e correcção
tanto com a parte interna como com o peito do pé;
Forma\Organização do 1º, 2º e 3º exercícios: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola
ao longo das linhas laterais do campo, frente a frente, uma dum lado com uma bola e uma do
outro sem bola;

97
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Descrição do 1º exercício: Executar passes rasteiros de primeira (sem toque de controlo)


com a parte interna do pé, aproximando-se e afastando-se. Assim, a jogadora com bola faz
passe rasteiro de primeira para colega posicionada à sua frente e movimenta-se imediatamente
para a frente ou para trás dependo da distância entre as duas jogadoras (se a distância for
curta o deslocamento é para trás, se a distância for considerável o deslocamento é para a
frente).
Descrição do 2º e 3º exercício: Executar passes rasteiros de meia (2º execício) e longa (3º
exercício) distância precedidos de um toque de controlo e com a parte interna do pé (2º
exercício) ou com o peito do pé (3º execício). Assim, a recepção é realizada com a parte
interna do pé, para permitir o amortecimento da bola, e direccionada para o local pretendido
do deslocamento, de forma a facilitar a sequencialidade das acções. Deste modo, o pé que
executa o passe deve ser o oposto ao que efectuou a recepção.
Análise específica do 2º e 3º exercícios:
 O tipo de recepção utilizado nestes execícios é muito útil pois permite desviar os possíveis
adversários
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
(passe, recepção);  É mais irreal;
 Por vezes é monótono.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

4.º exercício de treino

1 B
Legenda:
A A – Central;
3 B – Lateral;
1, 3 e 4 – Passe;
2 2 – Corrida sem bola;

A
4
B

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe, da recepção e da circulação da bola;
Objectivos:

98
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Manter a bola controlada;


 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola
 Realizar o passe com precisão e correcção;
 Circular a bola no sector defensivo no sentido de ganhar argumentos para a manutenção
da posse da bola no jogo;
Forma\Organização: (1+1+1+1) Grupos de quatro jogadoras com uma bola;
Descrição: Realizar circulação da bola entre as quatro jogadoras que representam o sector
defensivo. Assim, por exemplo, a lateral esquerda executa passe para a central mais próxima
(esquerda). Depois, a central faz novo passe (recuado) para a outra central (direita) que recua
ligeiramente no sentido do passe e, efectua passe para a lateral direita.
NOTA: Após a indicação do professor, realizamos o mesmo exercício mas em progressão, do
sector defensivo até ao ofensivo, culminando com finalização. Assim, pediu-se às alunas que
desenvolvessem jogadas de ataque assim organizadas e marcando, de preferência, golo.
Análise específica do exercício:
 As movimentações da defesa aquando da posse da bola visam sobretudo criar sempre um
alinha de passe segura que permita a manutenção da posse da bola. Como tal, por ser o último
sector, as movimentações das jogadoras sem bola são feitas sobretudo para trás, pois assim,
para além de se criar uma linha de passe, cria-se, também, uma situação de cobertura ofensiva
à colega com bola.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações;  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
 É motivador uma vez que exige a e tácticos;
preocupação com a finalização;

2 6
2 1
1 3 5 1 1

4 3
GR 32
3 4
GR 1 1
3.ª Fase da aula: DOMINANTE

5.º exercício de treino

3
99
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização defensiva sectorial;
Objectivos:
 Fechar os espaços entre as jogadoras;
 Pressionar a portadora da bola;
 Fazer correctamente as coberturas e retirar espaço e tempo de execução à adversária;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola;
 Evitar a progressão das adversários e passes em profundidade;
Forma\Organização:
 (6+2apoios laterais+1 apoio recuado 2apoios laterais+1 apoio recuado+6), duas equipas de
seis elementos com três apoios cada.
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de 66, sem balizas.
 Em cada linha do campo (as laterais e as de fundo) está um apoio.
 Os apoios podem-se movimentar ao londo de toda a linha do lado do campo que ocupam.
Estes ajudam ambas as equipas a progredir no campo quando as não têm linhas de passe
 Assim, cada equipa joga com três apoios, dois laterais (que apoiam as duas equipas) e um
mais recuado (situado na linha de fundo).
 Deste modo, a equipa que tem a posse da bola tenta executar um passe preciso, controlado
e bem direccionado para o apoio que se encontra na linha de fundo atacante, cumprindo sempre
os objectivos em cima propostos.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

100
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que apresenta limites
reduzidos e exige acções defensivas e
ofensivas rápidas;

6.º exercício de treino


Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;
Meios usuais: Tarefas de treino do organização ofensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Manutenção da posse de bola;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (7+GRGR+7), duas equipas de oito elementos cada.
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de oito contra oito, ficando um elemento de
cada equipa a guarda-redes.
Análise específica dos exercícios:
 Durante a realização deste jogo, foram visíveis algumas dificuldades:
1. Dificuldades em termos técnicos que prejudicam o desenrolar das restantes acções;
2. Dificuldade em oferecer linhas de passe, prejudicando o auxílio à portadora da bola;
3. Dificuldades em variar o sentido do jogo. As alunas preferiam insistir no mesmo lado do
campo (onde já não havia oportunidades ofensivas), em vez de procurar outras soluções.
4. Dificuldades na leitura do jogo. As alunas não observavam as situações;
5. Dificuldades na concentração defensiva. Assim, para além das alunas andarem “umas
para cada lado”, assistia-se muitas vezes a posições paralelas entre elas (mostrando a ausência
de cobertura defensiva) o que facilitava a entrada da bola.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

101
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 Permite abordar aspectos técnicos e marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica. exercícios são, de certa forma, livres.

Aprendizagens adquiridas na aula...

A posse e a circulação da bola


 A manutenção da posse da bola não é o fim último do futebol. No entanto, é um aspecto
muito importante no decorrer de um jogo já que quem tem a bola dificilmente sofre golo e é
precisamente durante este período que tenta provocar a criação de espaços na estrutura
defensiva adversária.
 Assim, quando uma equipa está na posse da bola, para além de ter potencial para concretizar
o objectivo do jogo (marcar golo), poderá também:
1. Controlar o ritmo específico do jogo (em função dos resultados e dos objectivos
específicos de cada equipa);
2. Surpreender a equipa adversária através de mudanças contínuas na velocidade de
execução das acções técnico-tácticas;
3. Obrigar as adversárias a passar por longos períodos sem a posse da bola, levando-as a
entrar em crise de raciocínio táctico, e consequentemente expô-los a respostas tácticas
erradas em função das situações do jogo;
4. Recuperar fisicamente com o mínimo de risco
 Para que a circulação da bola seja feita com sucesso, é indispensável que esta seja feita
com velocidade (impedindo a defesa adversária de se adaptar e ajustar), que os passes sejam
precisos e que o jogador com posse de bola tenha sempre uma linha de passe segura que
permita a manutenção da posse da bola.
 A estrutura 1-4-3-3 é uma estrutura que facilita a posse e circulação da bola, na medida em
que esta é a estrutura que tem maior número de linhas de posicionamento de jogadoras em
campo (7 linhas verticais e 7 linhas horizontais). Estas linhas são muito importantes pois são
elas que permitem uma maior facilidade na circulação da bola.

Em suma…
 A manutenção da posse da bola é fundamental pois permite:
1. Abrir o mais possível o jogo;

102
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

2. Apoiar o companheiro com bola quer oferecendo linhas de passe quer criando espaços
para a bola poder entrar;
3. Alterar o sentido do jogo. Assim, quando isto não acontece a defesa consegue
progressivamente fechar os espaços limitando assim a acção das atacantes e
consequentemente as soluções ofensivas;
4. Trocar a bola de forma rápida e precisa;
5. Boa leitura do jogo, característica fundamental em qualquer fase do jogo pois é ela que
permite às jogadoras reagir de forma adequada em função da situação.

Análise da aula

 Estamos de volta ao futebol, ao relvado e às chuteiras.


 Assim sendo fiquei contente por Professor nos colocar numa primeira fase a executar
exercício simples e essencialmente de técnica, na tentativa de nos fazer relembrar e de nos
habituar novamente a uma realidade posta de lado por uns tempos. Assim não fomos obrigados
a fazer logo má figura!!!
 Penso que esta aula serviu essencialmente para melhorar a percepção das alunas
relativamente ao jogo focando aspectos essenciais para uma boa manutenção da bola
(indispensável no jogo de futebol). Alertou, sobretudo, as alunas para a necessidade de abrir o
jogo e oferecer linhas de passe. Apesar das dificuldades encontradas penso que estes
elementos foram bem assimilados.
 Gostaria apenas de referir o facto do jogo desenvolvido pelas alunas ser sempre muito
fechado. A circulação da bola era sempre feita na mesma zona do campo e, se por exemplo, um
dos corredores laterais não oferecia condições ofensivas, as alunas eram incapazes de “virar o
jogo”, insistindo sempre nessa zona.

1
13.ª aula
Data: 02 de fevereiro de 2005
Sumário:
 Organização ofensiva: as estruturas de jogo como aspecto fundamental da
posse e da circulação da bola; organização posicional do sector defensivo para
uma boa circulação.

103
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como principal objectivo a sistematização dos conteúdos adquiridos na aula
anterior referentes à manutenção da posse de bola e organização ofensiva no sector
defensivo.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe e da recepção;
Objectivos:
 Manter a bola controlada;
 Apreciar as trajectórias rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e ajustando-se;
 Realizar correctamente a recepção da bola
 Realizar o passe com precisão e correcção;
Forma\Organização: (1+1) Grupos de duas jogadoras com uma bola;
Descrição: Executar, ao longo de todo o campo diferentes tipos de passe movimentando-se em
diferentes trajectórias.
Análise específica do exercício:
 Este exercício pretendia que o passe fosse executado com precisão. Assim, a jogadora que
vai mais do lado direito executa passe com o pé direito, enquanto a do lado esquerdo fá-lo com
o pé esquerdo. Pedia-se, ainda, que o passe fosse executado ligeiramente para a frente da
colega para que esta não necessitasse de parar o movimento tendo que se enquadrar novamente
para só depois poder jogar a bola.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É de fácil direcção a capacidades isoladas.  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É mais irreal;
5

4
3
2.º exercício de treino

2
1

104
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Legenda:
1, 3 e 4 – Passe;
2 – Corrida sem bola;
5 – Condução de bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação e do
passe rasteiro;
Objectivos:
 Melhorar a técnica de passe a curtas e médias distâncias;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação (sem oposição);
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).
Forma\Organização: (1+1+1) Num terreno de jogo triangular marcado por cones, dispor em
cada vértice do triângulo grupos de igual número de jogadoras. Apenas os elementos de um
grupo possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do triângulo e os seus elementos
devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao outro.
Descrição:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua esquerda e no sentido do vértice contrário do passe realizado para
receber passe. Assim, o primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe domina a
bola e efectua um passe rasteiro em profundidade para a jogadora que lhe efectuou o passe.
Depois, essa jogadora executa passe para o elemento do grupo posicionado no vértice do
triângulo que ainda não recebeu passe que, logo após a recepção da bola executa a sua
condução para o vértice do triângulo posicionado à sua direita.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido do exercício.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

105
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento. (ficam simplesmente à espera da bola).

3.º exercício de treino

Legenda:
1
1, 3 e 4 – Passe;
2 4
3 3 2 – Corrida sem bola;

2
4
1

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação, do passe
rasteiro e da organização posicional do sector defensivo;
Objectivos:
 Realizar correctamente o passe rasteiro sem recepção e com recepção;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação;
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).
Forma\Organização: (1+1+1+1) Num terreno de jogo em losango marcado por cones, dispor em
cada vértice do losango grupos de igual número de jogadoras. Apenas os primeiros elementos
dos grupos dos vértices superior e inferior do losango possuem bola. Cada grupo deve ocupar
um vértice do losango e os seus elementos devem posicionar-se em fila indiana de forma a
realizar o exercício um a seguir ao outro e em simultâneo em ambos os lados do lasango.

106
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Descrição:
 O primeiro elemento dos grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua direita e movimenta-se em frente para receber a bola e efectuar
passe rasteiro de primeira (sem toque control) para o primeiro elemento do grupo posicionado
à sua frente;
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um passe rasteiro
de primeira (sem toque control) para o elemento do qual recebeu o passe;
 O primeiro elemento do grupo posicionado à frente da bola recebe-a e efectua a mesma
sequência de acções já mencionada;
 O exercício realiza-se em simultâneo nos dois lados iniciando-se a sequência de acções nos
vértices superior e inferior do losango.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido dos exercício.
Análise específica dos exercício:
 Neste exercício importa ter em atenção:
1. A solicitação de linhas de passe na diagonal. Tal como em muitos JDC, também no
futebol se joga muito em triângulo, tentando-se desta forma combinações rápidas com as
colegas e a consequente desorientação das adversárias.
2. Os passes realizados ao primeiro toque. Estas combinações apenas têm resultado
quando executadas de forma rápida já que só assim se evita que o adversário tenha tempo de
reacção.
3. A mobilidade de todas as atletas. As atletas deveriam estar sempre prontas para
receber a bola e reenvia-la de imediato para o local pretendido (rapidez de execução) sendo,
por isso, aconselhável que as jogadoras atacassem a bola, ou seja, fossem ao encontro da bola
favorecendo a sequencialidade do jogo.
4. Os passes realizados preferencialmente com o interior do pé uma vez que se
privilegiava a rapidez e precisão de execução.
5. A boa capacidade coordenativa. Assim, como o exercício interligava passes curtos com
passes longos, frontais com diagonais, esperava-se que a aluna fosse capaz de identificar as
diferentes situações tendo a capacidade de se adaptar a ela.
 Este exercício pretendia exemplificar o apoio nas diagonais é a forma mais sensata de
auxiliar a equipa em situação de jogo. São raras as situações em que se consegue combinar com
uma colega que está à nossa frete já que esta está, normalmente, acompanhada das defesas
adversárias.
NOTA: Este exercício foi já executado em aulas anteriores (nomeadamente na 4º aula)
embora com uma intenção muito distinta.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto

107
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento; (ficam simplesmente à espera da bola).

4.º exercício de treino

ATAQUE
DEFESA
(3-3-1)
(1-3-2-1)

G.R.

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização posicional do sector defensivo;

Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas dos atacantes;
 Controlar a distância para os adversários;
 Ser capaz de perceber e visualizar qualquer acção da adversária sem bola;
 Retardar a acção dos adversários;
 Recuperar a posse da bola e dirigir-se rapidamente para o meio campo ofensivo;

Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo;
 Criar, em cooperação com a colega de ataque, condições favoráveis para a manutenção
da posse de bola. Assim, por exemplo, o jogador com bola desloca-se para o centro do
terreno de jogo (onde goza de uma maior área de acção) e em direcção a um das

108
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

defensoras, tentando despertar toda a sua atenção, enquanto os jogadores sem bola abrem
linhas de passe.
Forma\Organização: (76+GR), três equipas de 7 elementos cada.
Descrição:
 TREINO HOLANDÊS: Em cada metade do campo localiza-se uma equipa defensora.
Assim, O exercício desenvolve-se a partir da realização de jogo de sete contra seta, num
meio campo com a particularidade de que a equipa que ataca não apresenta guarda redes
(pois não tem baliza para proteger) e, por isso, encontra-se em superioridade numérica.
Deste modo, a equipa com bola tenta marcar golo (organizando o jogo a partir do meio
campo ofensivo) enquanto que a equipa sem bola tenta roubar aposse de bola e ultrapassar
rapidamente o meio campo defensivo. Assim, quando a equipa que recuperou a posse de bola
ultrapassa a linha de meio campo sofre pressão imediata da outra equipa posicionada à sua
espera, ou seja, quando a equipa que estava a defender recupera a bola e passa o meio
campo a equipa que estava no meio campo contrário passa a defender e assim
sucessivamente.
Análise específica do exercício:
 Este exercício aproxima-se, em muito, da situação de jogo obrigando, por isso, as alunas ao
confronto directo com as adversárias, movimentando-se sempre em função delas. Exige, então,
alguma noção de organização.
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Circulassem a bola rapidamente (poucos toques na bola) para não permitir o reajuste
das adversárias;
2. Variassem o lado da bola no sentido de quebrar a organização adversária;
3. realizasses grandes mobilidades oferecendo sempre apoio à portadora da bola de
acordo com as posições das adversárias;
4. Oferecessem uma ameaça constante à baliza adversária. Assim, não bastava trocar a
bola, importava antes que as acções fossem conscientemente realizadas com vista a aproveitar
os espaços para poder finalizar com sucesso.
NOTA: Foi no sentido de tornar o jogo mais dinâmico que se colocaram as defensoras com um
papel muito activo: saída em ataque após roubo de bola. Desta forma, obrigava-se as atacantes
a uma maior concentração e esforço.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação;  Exige algum domínio da posição base;
 É motivador uma vez que exige uma maior  Apenas permite abordar a contenção
aplicação por parte da defesa já que se defensiva de uma forma algo passiva.
encontra em inferioridade numérica.
5.º exercício de treino

109
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (10+GRGR+10), duas equipas de 11 elementos, ficando um elemento de cada equipa a
guarda redes.
Descrição:
 Num terreno de jogo, realizar jogo de 1111.
 Assim, a equipa com bola deve efectuar um jogo organizado de forma a marcar golo.
 Deste modo, se a equipa que ataca perde a bola deve efectuar, de imediato, pressão
defensiva nesse mesmo meio campo tentando recuperar a bola para marcar golo;

Análise específica do exercício:


 Neste exercício pedia-se às alunas:
1. Maior rapidez e precisão na circulação da bola;
2. Maior mobilidade;
3. Maior amplitude e profundidade do jogo;

110
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

4. Variações constantes do lado da bola;


5. Maior consciencialização das apoios
 Sendo este exercício realizado em todo o campo e na presença de adversárias muito
activas, todos os aspectos antes mencionados deveriam ser considerados já que só assim seria
possível dificultar as opositoras.
 Tal como seria de esperar, as alunas mostraram algumas limitções no que diz respeito:
1. Ao aproveitamento dos espaços. Acontecia, muitas vezes. As alunas colocarem-se nas
costas das defensoras não oferecendo, por isso, linhas de passe favoráveis à equipa;
2. À variação do sentido de jogo. Verificou-se aglomeração da defesa e consequente
perda de bola;
3. À velocidade na circulação da bola. As alunas executavam a circulação de bola com
pouca velocidade facilitando a perda da mesma;
4. Aos aspectos técnicos. Assim, por exemplo, as alunas recebiam, muitas vezes, a bola de
costas para o alvo em consequência dos problemas na execução do passe e da recepção da bola,
tornando-se, por isso, difícil a reorientação dos comportamentos;

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É motivador uma vez que apresenta limites marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
reduzidos e exige acções defensivas rápidas; exercícios são, de certa forma, livres.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica.

Aprendizagens adquiridas na aula...


A organização posicional do sector defensivo para uma boa circulação

111
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Entende-se por subsistema estrutural de uma equipa de futebol o posicionamento das


jogadoras no terreno de jogo e as funções tácticas, gerais e específicas, distribuídas às
mesmas.
 Num subsistema estrutural é sempre evidenciado:
1. O sistema de jogo, ou seja, o modo de colocação das jogadoras sobre o terreno de
jogo;
2. As diferentes funções distribuídas às diferentes jogadoras;
3. O sistema de relações estabelecidas pelas jogadoras, bola, espaço do jogo, …
 A ocupação do terreno de jogo determina ligações que por sua vez definem linhas de força.
Estas necessitam do respeito por certa distância relativa entre as jogadoras, nem demasiado
longa (pois aumenta os riscos de intercepção da bola pela equipa adversária), nem
demasiadamente curta. Neste sentido, cada jogadora representa uma força que se manifesta
pela ocupação dinâmica de uma parte do espaço de jogo, pela acção sobre a bola, pela relação
com as colegas, pela intercepção das linhas das adversárias e pela constante adaptação à
variabilidade das situações de jogo.
 Dito isto é fácil perceber que as movimentações da defesa quando em posse de bola visam
sobretudo criar sempre uma linha de passe segura que permita a manutenção da posse de bola.
 Deste modo, por ser o último sector, as movimentações das jogadoras sem bola são feitas
sobretudo para trás, pois assim, para além de criar uma linha de passe, cria-se também uma
situação de cobertura ofensiva à colega com bola.

Análise da aula

 Continuamos o trabalho que tínhamos começado a desenvolver na última aula referente


sobretudo à organização posicional no sector defensivo.
 Considero que a aula foi bem estruturada já que facilitou visivelmente a compreensão
relativa à organização do jogo e a algumas acções a desenrolar para a evolução do mesmo.
Achei, também, benéfica a progressão nos cicioscios no que se refere à circulação da bola uma
vez que tiveram como fundamento o aumento progressivo das dificuldades.
 Gostava de referir que achei extremamente curioso o facto de um mesmo exercício poder
ter objectivos tão distintos. Assim, por exemplo, nesta aula executamos dois exercícios (o 2º e
o 3º) “repetidos” de aulas anteriores. Mas que desta vez com uma finalidade muito mais táctica
(linhas de passe, diagonais…).
 Referindo-me à prestação das alunas no jogo final, verifique que houve momentos em que
não se conseguiu ocupar as posições correctamente o que levando a uma confusão dentro do

14
campo. Assim, quando as posições eram ocupadas correctamente, as alunas tinham mais
facilidade em abrir linhas de passe .Isto quer dizer que as posições são fundamentais para um
14.ª aula
jogo bem conseguido.
Data: 16 de fevereiro
O futebolde 2005um jogo de posições!!!
é mesmo
Sumário:
 Organização ofensiva: as estruturas de jogo como aspecto fundamental da
posse e da circulação da bola; organização posicional colectiva.

112
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos da aula:

 Esta aula teve como principal objectivo dar seguimento aos conceitos adquiridos nas duas
últimas aulas relativamente à circulação da bola e às movimentações de acordo com as
posições..

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º e 2º. exercícios de treino

1º 2 1º 2º 2º
Legenda: 1 7 1
Legenda:
1,3,5e6 – Passe; 2 2 4
1, 3 e 4 – Passe;
2 e 4– Corrida sem 3 3
3 2 – Corrida sem bola;
bola;
7– Condução de bola;
5 2
6 4
4 1

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação, do passe
rasteiro e da organização posicional ofensiva;
Objectivos:
 Realizar correctamente o passe rasteiro sem recepção e com recepção;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação;
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).
Forma\Organização do 1º exercício: (1+1+1) Num terreno de jogo triangular marcado por
cones, dispor em cada vértice do triângulo grupos de igual número de jogadoras. Apenas os
elementos de um grupo possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do triângulo e os seus

113
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

elementos devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao


outro.
Descrição:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua direita e desloca-se imediatamente para a frente. Assim, o primeiro
elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um passe rasteiro em para a
jogadora que lhe efectuou o passe. Depois, essa jogadora movimenta-se, logo após a execução
do passe, na diagonal, para a frente e para o lado, no sentido de abrir uma linha de passe. A
jogadora com bola executa, então, passe para a colega desmarcada. Essa jogadora enquadra-se
com a bola e executa passe rasteiro para a jogadora posicionada à sua direita que irá progredir
com a bola controlada até ao vértice inicial.
Forma\Organização do 2º exercício: (1+1+1+1) Num terreno de jogo em losango marcado por
cones, dispor em cada vértice do losango grupos de igual número de jogadoras. Apenas os
primeiros elementos dos grupos dos vértices superior e inferior do losango possuem bola. Cada
grupo deve ocupar um vértice do losango e os seus elementos devem posicionar-se em fila
indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao outro e em simultâneo em ambos os lados
do lasango.

Descrição do 2º exercício:
 O primeiro elemento dos grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua direita e movimenta-se em frente para receber a bola e efectuar
passe rasteiro de primeira (sem toque control) para o primeiro elemento do grupo posicionado
à sua frente;
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um passe rasteiro
de primeira (sem toque control) para o elemento do qual recebeu o passe;
 O primeiro elemento do grupo posicionado à frente da bola recebe-a e efectua a mesma
sequência de acções já mencionada;
 O exercício realiza-se em simultâneo nos dois lados iniciando-se a sequência de acções nos
vértices superior e inferior do losango.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido dos exercícios.
Análise específica dos exercícios:
 Neste exercício importa ter em atenção:
1. A solicitação de linhas de passe na diagonal. Tal como em muitos JDC, também no
futebol se joga muito em triângulo, tentando-se desta forma combinações rápidas com as
colegas e a consequente desorientação das adversárias.
2. Os passes realizados ao primeiro toque. Estas combinações apenas têm resultado
quando executadas de forma rápida já que só assim se evita que o adversário tenha tempo de
reacção.
3. A mobilidade de todas as atletas. As atletas deveriam estar sempre prontas para
receber a bola e reenvia-la de imediato para o local pretendido (rapidez de execução) sendo,
por isso, aconselhável que as jogadoras atacassem a bola, ou seja, fossem ao encontro da bola
favorecendo a sequencialidade do jogo.
4. Os passes realizados preferencialmente com o interior do pé uma vez que se
privilegiava a rapidez e precisão de execução.

114
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

5. A boa capacidade coordenativa. Assim, como o exercício interligava passes curtos com
passes longos, frontais com diagonais, esperava-se que a aluna fosse capaz de identificar as
diferentes situações tendo a capacidade de se adaptar a ela.
 Estes exercícios pretendiam exemplificar o apoio nas diagonais é a forma mais sensata de
auxiliar a equipa em situação de jogo. São raras as situações em que se consegue combinar com
uma colega que está à nossa frete já que esta está, normalmente, acompanhada das defesas
adversárias.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É mais irreal;

3.º exercício de treino

ATAQUE
DEFESA
(3-3-1)
(1-3-2-1)

G.R.

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização posicional do sector defensivo;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas dos atacantes;
 Controlar a distância para os adversários;
 Ser capaz de perceber e visualizar qualquer acção da adversária sem bola;
 Retardar a acção dos adversários;

115
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Recuperar a posse da bola e dirigir-se rapidamente para o meio campo ofensivo;


Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo;
 Manter as posições bem definidas;
 Criar, em cooperação com a colega de ataque, condições favoráveis para a manutenção
da posse de bola. Assim, por exemplo, o jogador com bola desloca-se para o centro do
terreno de jogo (onde goza de uma maior área de acção) e em direcção a um das
defensoras, tentando despertar toda a sua atenção, enquanto os jogadores sem bola abrem
linhas de passe.
Forma\Organização: (76+GR), três equipas de 7 elementos cada.
Descrição:
 TREINO HOLANDÊS: Em cada metade do campo localiza-se uma equipa defensora.
Assim, O exercício desenvolve-se a partir da realização de jogo de sete contra seta, num
meio campo com a particularidade de que a equipa que ataca não apresenta guarda redes
(pois não tem baliza para proteger) e, por isso, encontra-se em superioridade numérica.
Deste modo, a equipa com bola tenta marcar golo (organizando o jogo a partir do meio
campo ofensivo) enquanto que a equipa sem bola tenta roubar aposse de bola e ultrapassar
rapidamente o meio campo defensivo. Assim, quando a equipa que recuperou a posse de bola
ultrapassa a linha de meio campo sofre pressão imediata da outra equipa posicionada à sua
espera, ou seja, quando a equipa que estava a defender recupera a bola e passa o meio
campo a equipa que estava no meio campo contrário passa a defender e assim
sucessivamente.
Análise específica do exercício:
 Este exercício aproxima-se, em muito, da situação de jogo obrigando, por isso, as alunas ao
confronto directo com as adversárias, movimentando-se sempre em função delas. Exige, então,
alguma noção de organização.
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
5. Circulassem a bola rapidamente (poucos toques na bola) para não permitir o reajuste
das adversárias;
6. Variassem o lado da bola no sentido de quebrar a organização adversária;
7. realizasses grandes mobilidades oferecendo sempre apoio à portadora da bola de
acordo com as posições das adversárias;
8. Oferecessem uma ameaça constante à baliza adversária. Assim, não bastava trocar a
bola, importava antes que as acções fossem conscientemente realizadas com vista a aproveitar
os espaços para poder finalizar com sucesso.
NOTA: Foi no sentido de tornar o jogo mais dinâmico que se colocaram as defensoras com um
papel muito activo: saída em ataque após roubo de bola. Desta forma, obrigava-se as atacantes
a uma maior concentração e esforço.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação;  Exige algum domínio da posição base;

116
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 É motivador uma vez que exige uma maior  Apenas permite abordar a contenção
aplicação por parte da defesa já que se defensiva de uma forma algo passiva.
encontra em inferioridade numérica.

4.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (10+GRGR+9).
Descrição:

117
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Num terreno de jogo, realizar jogo de 1110 tentando aplicar todas as aprendizagens já
adquiridas.
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas:
1. Maior rapidez e precisão na circulação da bola;
2. Maior mobilidade;
3. Maior amplitude e profundidade do jogo;
4. Variações constantes do lado da bola;
5. Maior consciencialização das apoios
 Sendo este exercício realizado em todo o campo e na presença de adversárias muito
activas, todos os aspectos antes mencionados deveriam ser considerados já que só assim seria
possível dificultar as opositoras.
 Tal como seria de esperar, as alunas mostraram algumas limitações no que diz respeito:
5. Ao aproveitamento dos espaços. Acontecia, muitas vezes. As alunas colocarem-se nas
costas das defensoras não oferecendo, por isso, linhas de passe favoráveis à equipa;
6. À variação do sentido de jogo. Verificou-se aglomeração da defesa e consequente
perda de bola;
7. À velocidade na circulação da bola. As alunas executavam a circulação de bola com
pouca velocidade facilitando a perda da mesma;
8. Aos aspectos técnicos. Assim, por exemplo, as alunas recebiam, muitas vezes, a bola de
costas para o alvo em consequência dos problemas na execução do passe e da recepção da bola,
tornando-se, por isso, difícil a reorientação dos comportamentos;

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É motivador uma vez que apresenta limites marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
reduzidos e exige acções defensivas rápidas; exercícios são, de certa forma, livres.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma, dinâmica.

118
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...


 Quando assistimos a um jogo de futebol com alguma qualidade, verificamos que os jogadores
não correm aleatoriamente pelo campo. Muito pelo contrário, a estrutura esquemática do jogo
evidencia a existência de certas zonas onde actuam diferentes jogadores com diferentes
características e que, individual ou colectivamente procuram conduzir o jogo para certos
espaços evitando outros.
 Assim, tal como acontece na maioria dos JDC, também no futebol são consideradas certas
linhas imaginárias que visam auxiliar a análise e compreensão do jogo. Falamos então de
corredores e sectores do terreno de jogo como determinadas zonas, ocupadas
predominantemente por determinados jogadores e que dão tal organização e esquematização
ao jogo.

Os corredores do terreno de jogo

 Os corredores são estabelecidos por duas linhas longitudinais que unem as pequenas áreas
de baliza formando três corredores de jogo:
1. Central
2. Lateral direito
3. Lateral esquerdo
 O corredor central é uma zona vital no terreno de jogo uma vez que, apresentando-se
frontalmente à balia, oferece maior e melhor ângulo pressupondo assim maior nível de eficácia.
Este corredor é normalmente ocupado por jogadores de grande capacidade organizativa, com
boa capacidade técnica e bom raciocínio táctico por forma a dar maior segurança à equipa.
 Os corredores laterais permitem dar maior profundidade e amplitude ao jogo, obrigando os
adversários a “desorganizarem-se”.

CORREDOR LATERAL esquerdo

CORREDOR CENTRAL

CORREDOR LATERAL direito

119
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Os sectores do terreno de jogo


 Os sectores são estabelecidos por duas linhas que subdividem em partes iguais as duas
metades do campo. São, portanto, quatro sectores:
1. Defensivo
2. Do meio campo defensivo
3. Do meio campo ofensivo
4. Ofensivo
 O sector defensivo é uma zona ocupada predominantemente por jogadores de acção
defensiva, onde é necessário interromper as ligações de acções ofensivas dos atacantes. Aqui
são realizadas muitas acções de cobertura quer os adversários tenham ou não a bola por forma
a proteger bem a baliza. Depois de recuperar a bola pretende-se progredir rapidamente para a
baliza adversária (afastar o perigo) ou então manter a posse de bola sem pôr em risco a sua
baliza.
 Os sectores do meio campo são zonas de apoio ao portador da bola onde os intervenientes
têm maior liberdade de acção por não serem demasiado perto das balizas
 No sector ofensivo importa uma constante ameaça à baliza sem grandes preocupações
defensivas por parte dos atacantes, estando os defesas, pelo contrário, extremamente
interessados em agir sem hesitação.

Sector Sector
Sector do meio do meio Sector
defensivo campo campo ofensivo
defensivo ofensivo

120
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Lugares de base

 Apesar do futebol ter evoluído muito, exigindo uma maior polivalência a cada jogador, há,
ainda, postos específicos de base bem definidos. Assim, existe sempre em cada equipa:

 O seu papel é essencialmente defensivo. Porém, a sua


posição no campo confere-lhe um papel de observador de
que se serva para repor a bola em jogo. O seu sentido
Guarda-redes táctico, o seu posicionamento (avançado ou recuado) na
grande área podem vir a ser trunfos ofensivos para a
equipa.

Defesas  A sua acção de defesa da baliza efectua-se pela


marcação dos adversários

 Como o nome indica, estes jogadores evoluem entre os


defesas e os atacantes. É apenas parcialmente verdade no
Médios futeol moderno, em que o seu papel de polivalência começa
com acções muito defensivas terminando com acções de
golo

 A sua primeira missão é marcar golo e, por conseguinte,


desviar o adversário do seu caminho, introduzindo a bola
nas redes. Procurar o espaço, utiliza-lo, chamar a bola (em
Atacantes silêncio), recebê-la, fintar, passá-la a um colega, rematar,
mas também defender, pressionando os defesas
adversários, são as regras de jogo do atacante.

121
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 Nesta aula Ficamos todas a saber que o sistema e modelo adoptada para as aulas vai ser o
4:3:3. Pois é o mais fácil de interpretar em termos de divisão sectorial, uma vez que as
jogadores estão relativamente bem distribuídas, logo é facilmente entendido.
 O Professor chamou à atenção para a “universalidade” de uma jogadora, pois actualmente há
uma junção nas funções de cada jogadora. Isto devido a qualquer jogadora ter a função de
atacar e defender, mesmo as Guarda redes vêem-se obrigados a jogar a bola com os pés,
devido a eventuais atrasos de bola por parte dos suas colegas de equipa, que não são tão raras
quanto isso.
 Nesta aula foi muito batalhada a pressão após perda de bola, na tentativa de se trabalhar a
organização defensiva que os atacantes devem executar.
 Achei muito correcta a sequência destas últimas três aulas. Primeiro introduzimos as noções
básicas relativas à circulação de bola. Depois fomos introduzindo variações alargando assim as
opções de escolha das alunas para nesta aula realizarmos muitas situações de jogo sendo,
assim, possível as alunas perceberem de forma mais concreta e objectiva quais as intenções
das suas acções e quais os resultados visíveis das mesmas.

122
15
15.ª aula
Data: 23 de Fevereiro de 2005
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Sumário:
 Organização defensiva colectiva: defesa à zona

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

1
7
Legenda:
3
1, 3 , 6 e 8 – Passe;
8 6 4 e 7 – Corrida sem bola;
2 9 – Condução de bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação, do passe
rasteiro e da organização posicional do sector defensivo;
Objectivos:
 Realizar correctamente o passe rasteiro sem recepção e com recepção;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação;
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).
Forma\Organização: (1+1+1+1) Num terreno de jogo em losango marcado por cones, dispor em
cada vértice do losango grupos de igual número de jogadoras. Apenas o primeiro elemento do
grupo do vértice superior do losango possui bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do losango
e os seus elementos devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a
seguir ao outro e em simultâneo em ambos os lados do losango.

123
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Descrição:
 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua frente;
 O primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe efectua um passe rasteiro
de primeira (sem toque control) para o primeiro elemento do grupo do vértice do losango
posicionado à sua frente.
 A jogadora que para a qual foi feito o passe executa novo passe para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua esquerda (que já se estava a movimentar no sentido da bola) e
movimenta-se imediatamente no sentido do grupo posicionado à sua direita. Depois, esta
jogadora recebe o passe e desloca-se com a bola controlada até ao grupo posicionado à sua
direita.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido dos exercício.
Análise específica dos exercício:
 Neste exercício importa ter em atenção:
1. A solicitação de linhas de passe na diagonal. Tal como em muitos JDC, também no
futebol se joga muito em triângulo, tentando-se desta forma combinações rápidas com as
colegas e a consequente desorientação das adversárias.
2. Os passes realizados ao primeiro toque. Estas combinações apenas têm resultado
quando executadas de forma rápida já que só assim se evita que o adversário tenha tempo de
reacção.
3. A mobilidade de todas as atletas. As atletas deveriam estar sempre prontas para
receber a bola e reenvia-la de imediato para o local pretendido (rapidez de execução) sendo,
por isso, aconselhável que as jogadoras atacassem a bola, ou seja, fossem ao encontro da bola
favorecendo a sequencialidade do jogo.
4. Os passes realizados preferencialmente com o interior do pé uma vez que se
privilegiava a rapidez e precisão de execução.
5. A boa capacidade coordenativa. Assim, como o exercício interligava passes curtos com
passes longos, frontais com diagonais, esperava-se que a aluna fosse capaz de identificar as
diferentes situações tendo a capacidade de se adaptar a ela.
 Este exercício pretendia exemplificar o apoio nas diagonais é a forma mais sensata de
auxiliar a equipa em situação de jogo. São raras as situações em que se consegue combinar com
uma colega que está à nossa frete já que esta está, normalmente, acompanhada das defesas
adversárias.
NOTA: Este exercício foi já executado em aulas anteriores (nomeadamente na 4º aula)
embora com uma intenção muito distinta.

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;

124
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem


recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento; (ficam simplesmente à espera da bola).

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

2.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da posição base, penetração, contenção, cobertura ofensiva e
defensiva, mobilidade, equilíbrio situações de igualdade numérica e organização ofensiva e
defensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção da adversária;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo (especialmente a penetração);
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Avançar com a bola controlada;
Forma\Organização:
 22;

125
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 44;
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de dois\três contra dois\três sem balizas e,
por isso, sem guarda-redes. Assim, a equipa que tem a posse de bola tenta ultrapassar a linha
formada pelos mecos com a bola controla. A outra equipa tenta impedir cumprindo os
objectivos acima propostos
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica.
3.º exercício de treino

GR
GR

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização defensiva colectiva;
Objectivos:
 Organizar defensivamente o sector intermédio;
 Fechar os espaços entre os jogadores;
 Pressionar o portador da bola;
 Fazer correctamente as coberturas;
 Retirar espaço e tempo de execução à adversária;
 Evitar a progressão das adversárias e passes em profundidade.

126
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Forma\Organização:
 5+GR+4apoios4apoios+GR+5;
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de seis contra seis, ficando um elemento de
cada equipa a guarda-redes. Existem 4 apoios exteriores que se movimentam ao longo das
linhas laterais. Assim quando alguma das equipas o entender pode executar passe para qualquer
um dos apoios que lhes deverão devolver a bola em condições aceitáveis.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica.

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

4.º exercício de treino


Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;
Meios usuais: Tarefas de treino da organização defensiva colectiva;
Objectivos:
 Organizar defensivamente o sector intermédio;
 Fechar os espaços entre os jogadores;
 Pressionar o portador da bola;
 Fazer correctamente as coberturas;
 Retirar espaço e tempo de execução à adversária;
 Evitar a progressão das adversárias e passes em profundidade.
Forma\Organização:
 (7+GRGR+7): 88;
Descrição:
 Num terreno de jogo limitado, realizar jogo de oito contra oito, ficando um elemento de
cada equipa a guarda-redes.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma , dinâmica.

127
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 A sistematização dos exercício de treino é fundamental para a assimilação de determinados


conceitos, pois na sua maioria só através do treino e da prática sistemática se conseguem
adquirir. Foi, então, extremamente positivo e motivante termos vivenciado aquele exercício
com apoios, que, pode até ter servido como tónico para uma aula com bastante empenho.
 Nesta aula foi muito batalhada a pressão após perda de bola, na tentativa de se trabalhar a
organização defensiva que os atacantes devem executar.
 No jogo final que costumamos executar comecei a observar as melhorias a nível técnico dos
alunos, fruto de algum trabalho individual, e verifiquei ainda que turma estava bastante mais
evoluída a nível táctico, devido a muito empenho nas aulas e muita concentração. Tudo isto
tornou o jogo muito mais agradável tanto para os alunos como para o professor.

128
16
16.ª aula
Data: 02 de Março de 2005
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Sumário:
 Organização defensiva: sectorial – sector defensivo; intersectorial – sectores
da defesa e do meio campo.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

3 1 4 1
Legenda:
3 1 – corrida com bola;
32
2 – passe;
3 4
1 3 – recepção do
1
passe;
4 – corrida com bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola;
Objectivos:
 Manter a bola controlada em diferentes situações;
 Apreciar as trajectórias aéreas e rasteiras imprimidas à bola, enquadrando-se e
ajustando-se;
Forma\Organização: Cada aluna com uma bola
Descrição: Num terreno de jogo, cada aluna na posse de uma bola descreve ao longo de todo o
campo diferentes trajectórias, desviando-se das colegas e, de vez em quando, lança a bola ao
ar (com as mãos) para tentar controlá-la e continua o exercício conduzindo a bola sempre junto
dos pés.

129
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É um óptimo exercício para iniciar o  É mais irreal;
contacto com o futebol.  Por vezes é monótono.

2.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino do passe com a cabeça e do domínio da bola com o peito;
Objectivos:
 Relacionar a cabeça e o peito com a bola;
Forma\Organização: Grupos de duas alunas com uma bola.
Descrição: As duas jogadoras posicionam-se uma em frente À outra. A jogadora com bola
efectua um passe com as mão para a jogadora sem bola que executa passe com a cabeça e,
depois, domínio com o peito;
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É um óptimo exercício para iniciar a  É mais irreal;
abordagem ao passe de cabeça e ao domínio  Por vezes é monótono.
com o peito.

130
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

3.º exercício de treino

GR GR

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades gerais;


Meios usuais: Tarefas de treino das movimentações posicionais;
Objectivos:
 Exercitar de forma direccionada o pretendido;
Forma\Organização: (110)
Descrição: JOGO DOS “TOMATES”: O professor encontra-se no meio do campo. As alunas
estão posicionadas de forma correcta no campo à espera do sinal do professor que diz, em voz
alta, onde é que a bola está (imaginariamente) para que as alunas efectuam os deslocamentos
necessários para se posicionarem de forma adequada em função da posição da bola, com se
estivessem mesmo a defender a bola;
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É um óptimo exercício para as alunas  É mais irreal;
perceberem as movimentações defensivas em  Por vezes é monótono.
função da bola.

131
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

3.ª Fase da aula: DOMINANTE

4.º exercício de treino

G.R.

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização posicional do sector defensivo;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas dos atacantes;
 Controlar a distância para os adversários;
 Ser capaz de perceber e visualizar qualquer acção da adversária sem bola;
 Retardar a acção dos adversários;
 Recuperar a posse da bola e dirigir-se rapidamente para o meio campo ofensivo;
 Defender à zona em “V”.
Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo;
 Manter as posições bem definidas;
 Criar, em cooperação com a colega de ataque, condições favoráveis para a manutenção
da posse de bola. Assim, por exemplo, o jogador com bola desloca-se para o centro do
terreno de jogo (onde goza de uma maior área de acção) e em direcção a um das
defensoras, tentando despertar toda a sua atenção, enquanto os jogadores sem bola abrem
linhas de passe.
Forma\Organização: (65+GR),três equipas com 6 elementos cada.
Descrição:
 Numa metade do campo realizar jogo de seis contra cinco;

132
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise específica do exercício:


 Este exercício aproxima-se, em muito, da situação de jogo obrigando, por isso, as alunas ao
confronto directo com as adversárias, movimentando-se sempre em função delas. Exige, então,
alguma noção de organização.
 Neste exercício pedia-se às alunas que:
1. Circulassem a bola rapidamente (poucos toques na bola) para não permitir o reajuste
das adversárias;
2. Variassem o lado da bola no sentido de quebrar a organização adversária;
3. Realizasses grandes mobilidades oferecendo sempre apoio à portadora da bola de
acordo com as posições das adversárias;
4. Defendessem de forma pressionante colocando-se, para isso, o mais à frente possível
na tentativa de colocar as adversárias em fora de jogo.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação;  Exige algum domínio da posição base;
 É motivador uma vez que exige uma maior  Apenas permite abordar a contenção
aplicação por parte da defesa já que se defensiva de uma forma algo passiva.
encontra em inferioridade numérica.

5.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
bjectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (10+GRGR+10).

133
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Descrição:
 Num terreno de jogo, realizar jogo de 1110 tentando aplicar todas as aprendizagens já
adquiridas.
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas:
1. Maior rapidez e precisão na circulação da bola;
2. Maior mobilidade;
3. Maior amplitude e profundidade do jogo;
4. Variações constantes do lado da bola;
5. Maior consciencialização das apoios
 Sendo este exercício realizado em todo o campo e na presença de adversárias muito
activas, todos os aspectos antes mencionados deveriam ser considerados já que só assim seria
possível dificultar as opositoras.
 Tal como seria de esperar, as alunas mostraram algumas limitações no que diz respeito:
1. Ao aproveitamento dos espaços. Acontecia, muitas vezes. As alunas colocarem-
se nas costas das defensoras não oferecendo, por isso, linhas de passe favoráveis à equipa;
2. À variação do sentido de jogo. Verificou-se aglomeração da defesa e
consequente perda de bola;
3. À velocidade na circulação da bola. As alunas executavam a circulação de bola
com pouca velocidade facilitando a perda da mesma;
4. Aos aspectos técnicos. Assim, por exemplo, as alunas recebiam, muitas vezes, a
bola de costas para o alvo em consequência dos problemas na execução do passe e da recepção
da bola, tornando-se, por isso, difícil a reorientação dos comportamentos;

Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
 É motivador uma vez que apresenta limites marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
reduzidos e exige acções defensivas rápidas; exercícios são, de certa forma, livres.
 Permite abordar aspectos técnicos e
tácticos em simultâneo e de forma, dinâmica.

134
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...


A organização defensiva sectorial

 A organização da última linha defensiva (sector defensivo) pode ser feita:


1. Em linha;
2. Na diagonal;
3. Em “V”

Defesa em linha:
 Neste tipo de organização da última linha defensiva, os jogadores posicionam-se formando
uma linha paralela à baliza.
 Tem por objectivos:
1. Provocar situações de fora-de-jogo à equipa adversária;
2. Reduzir os espaços de jogo entre os vários sectores da equipa;
3. Diminuir a profundidade do processo defensivo adversário.

G.R.
G.R.

Defesa na diagonal:
 Esta defesa exprime-se pela marcação agressiva ao atacante em posse de bola, articulando-
se os restantes jogadores estabelecendo uma distância e um ângulo correctos, dando assim
cobertura à acção dos companheiros. Se o ataque é realizado pelo corredor central a diagonal é
subdividida em dua, articulando-se em função do colega em contenção.

135
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

G.R. G.R.

Defesa em “V”:
 Esta organização defensiva caracteriza-se por uma marcação agressiva ao jogador portador
da bola por um defesa, que por sua vez está a receber a cobertura defensiva caso seja
ultrapassado. Os restantes defesas preocupam-se em ocupar as zonas frontais à sua defesa.

G.R.

136
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

O cabeceamento

 O cabeceamento é o gesto técnico de tocar a bola com a cabeça e que, dependendo da


situação e dos objectivos do jogo, pode estar ligado à recepção (bolas altas), ao passe
(desmarcar rapidamente um colega quando a bola está alta), ao remate (nas zonas frontais à
baliza), à condução da bola (pouco usual) e à intercepção.
 O cabeceamento é uma verdadeira técnica e não apenas a interposiçãp da cabeça à
trajectória da bola, como, muitas vezes, se verifica. Um cabeceamento bom e potente é um
trunfo muito precioso para um jogador de futebol.
 Para que esta técnica seja executada correctamente é necessário:
1. Precisão do contacto. Assim, a cabeça pode ser utilizada no jogo defensivo, testa para
cima, ou no jogo ofensivo, testa horizontal ou para baixo;

2. Manter o contacto visual com a bola. Manter os olhos abertos até ao momento do
cabeceamento sendo normal que depois se fecham os olhos;
3. Gerar potência. Assim, todo o corpo (pernas tronco e pescoço) deve ajudar, estabilizar
e gerar potência para a acção do cabeceamento sendo, por isso, importante uma ligeira
inclinação do corpo para trás seguida de uma boa impulsão para a frente em direcção à bola;
4. Atacar a bola saltando ou mergulhando para o fazer durante o seu trajecto com a
intenção de chegar primeiro à bola e aumentar a potência do cabeceamento.

137
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Durante a execução do exercício que solicitava este gesto técnico verificarem-se algumas
dificuldades no que diz respeito a:
1. Não atacar a bola com a testa;
2. Fechar os olhos no momento do contacto.

O domínio da bola com o peito

 Os homens, devido à sua constituição, podem receber a bola no peito amortecendo-a de


seguida. Assim, começam por oferecer o peito à bola (atacar a bola) e quando esta chega
encurvam-se ligeiramente para amortecer.
 Nas mulheres dominar de peito pode ser mais difícil. Assim, estas devem atacar a bola logo
que esta “encaixe” entre o queixo e o peito (recepção mais em cima que os homens)
amortecendo-a, de seguida, para continuar a jogar.

Análise da aula

 Mais uma vez considero que esta aula foi bastante interessante. Os aspectos abordados
permitiram-nos perceber, agora cada vez melhor, o organização colectiva, tanto defensiva
como ofensiva.
 Assim, nos jogos realizados, importava, antes de mais, que as atacantes conseguissem
manter a posse da bola para a organização do seu jogo. Para tal era fundamental o apoio à
portadora da bola. Depois de assegurados estes aspectos o jogo ofensivo ficaria enriquecido se
houvesse grande mobilidade rapidez de execução devendo variar-se o mais possível as opções.
Por outro lado, as defesas deviam, também, realizar um jogo organizado cumprindo, sempre que
possível, com o pressupostos já adquiridos.
 Foi, então, muito bom constatar que o “nosso” jogo está a melhorar, está mais aberto, mais
organizado…

138
17
17 ª aula
Data: 09 de Março de 2005
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Sumário:
 Aula teórica sobre as leis de jogo de futebol e futsal.

Estruturação da aula:

 O objectivo da aula consistia em tentar clarificar tudo o que diz respeito às regras do
Futebol, esclarecendo ainda possíveis dúvidas.
 O Professor foi bastante sucinto e explicito durante a aula estabelecendo bastantes
diálogos com os alunos, instruindo claramente os alunos sobre o conteúdo das leis do jogo.

139
19
19.ª aula
Data: 13 de Abril
RitadeSantoalha…………………………………………………………………………
2005
Sumário:
 Transição defesa \ ataque e ataque \ defesa.

Objectivos da aula:

 Nesta aula fez-se uma primeira abordagem à transição defesa \ ataque e ataque \
defesa.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

GR

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades gerais;


Meios usuais: Tarefas de treino das movimentações posicionais;
Objectivos:
 Entender o posicionamento e as movimentações das jogadoras, em função dos espaços e
do local da bola;
 Ocupar correctamente as zonas de finalização consoante as respectivas movimentações
específicas.
Forma\Organização: (4GR)
Descrição: A bola começa em jogo numa das médio centro do lado em que se vai fazer a
movimentação. Assim, a bola é passada da defesa central à defesa lateral do mesmo lado.

140
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Quando a jogadora receber a bola, as outras jogadoras devem-se movimentar correctamente


em função do posicionamento da bola com o objectivo de executarem a movimentação
específica que acharem a mais correcta para finalizar.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto;


 É um óptimo exercício para as alunas  É mais irreal;
perceberem as movimentações defensivas em  Por vezes é monótono.
função da bola.

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

2.º exercício de treino

A
B A B
B
A A
A

B B B
A

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades gerais;


Meios usuais: Tarefas de treino da transição ataque \ defesa e defesa \ ataque;
Objectivos da transição ataque \ defesa:
 Condicionar a acção da portadora da bola;
 Fechar a equipa em pressão para dificultar a acção das adversárias;
 Posicionar defensivamente a equipa
 Ganhar o mais rápido possível a bola;
Objectivos da transição defesa \ ataque:
 Tirar a bola o mais rapidamente possível da zona de pressão para se poder fazer passe
de progressão ou para se organizar ofensivamente sem bola;

141
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Forma\Organização: (63) duas equipas de seis elementos cada, divididas em dois grupos
cada num terreno de jogo limitado. (
Descrição:
 Realizar situação de posse e circulação de bola entre duas equipas (azuis e amarelas)
de seis jogadoras;
 O jogo consiste numa manutenção e circulação de bola, no campo das azuis ou das
amarelas, sempre de 63.
 As equipas estão divididas em dois grupos de 3 jogadoras que pertencem ao grupo A e
3 que pertencem ao grupo B.
 Deste modo, quando a equipa das azuis está no seu meio campo (um quadrado
delimitado por mecos), só um dos grupos da equipa adversária, alternadamente, pode entrar
nesse quadrado, havendo, então, circulação de bola de 63.
 Quando o grupo de três amarelas conseguir roubar a bola às azuis, tentam de
imediato colocar a bola no seu meio campo (quadrado que está ao lado com as outras três
amarelas).
 Se o conseguirem, o jogo transita para o quadrado das amarelas, passando estas a
jogar com 6 jogadoras contra um dos grupos das azuis, A ou B alternadamente;
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de mais fácil controlo; uma vez que não existem balizas;
 É um óptimo exercício para treinar as  É mais irreal;
transições entre as diferentes fases do fogo.
3.ª Fase da aula: DOMINANTE
3.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (8+GRGR+8).

142
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Descrição:
 Num terreno de jogo, realizar jogo de 99 tentando aplicar todas as aprendizagens já
adquiridas.
Análise específica do exercício:
 Neste exercício pedia-se às alunas:
1. Maior rapidez e precisão na circulação da bola;
2. Maior mobilidade;
3. Maior amplitude e profundidade do jogo;
4. Variações constantes do lado da bola;
5. Maior consciencialização das apoios
 Sendo este exercício realizado em todo o campo e na presença de adversárias muito
activas, todos os aspectos antes mencionados deveriam ser considerados já que só assim seria
possível dificultar as opositoras.
 Tal como seria de esperar, as alunas mostraram algumas limitações no que diz respeito:
1. Ao aproveitamento dos espaços. Acontecia, muitas vezes. As alunas
colocarem-se nas costas das defensoras não oferecendo, por isso, linhas de passe favoráveis à
equipa;
2. À variação do sentido de jogo. Verificou-se aglomeração da defesa e
consequente perda de bola;
3. À velocidade na circulação da bola. As alunas executavam a circulação de
bola com pouca velocidade facilitando a perda da mesma;
4. Aos aspectos técnicos. Assim, por exemplo, as alunas recebiam, muitas
vezes, a bola de costas para o alvo em consequência dos problemas na execução do passe e da
recepção da bola, tornando-se, por isso, difícil a reorientação dos comportamentos;
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
exercícios são, de certa forma, livres.

143
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 Um dos aspectos que gostava de salientar nesta aula é a clara importância dada aos
corredores laterais, visto grande parte dos exercícios se desenvolveram por aí. Professor
chamou a atenção várias vezes para a importância da sua utilização no sentido em que dá uma
maior amplitude à equipa atacante obrigando assim a equipa defensiva a “estender-se” a toda a
largura do campo, criando assim oportunidades de rupturas e desequilíbrios.
 No jogo final notou-se uma preocupação da turma em tentar executar os princípios de jogo
correctamente, e em tentar aplicar no jogo o que até então tinha sido abordado, com particular
atenção para a utilização das faixas laterais e para a organização defensiva da equipa.

144
20
20.ª aula
Rita Santoalha…………………………………………………………………………
Data: 20 de Abril de 2005
Sumário:
 Transição defesa \ ataque e ataque \ defesa.

Estruturação da aula:

1.ª Fase da aula: AQUECIMENTO

1.º exercício de treino

4
3 Legenda:
1, 3 e 4 – Passe;
2 2 – Corrida sem bola;
1
5 – Condução de bola;

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades independentes;


Meios usuais: Tarefas de treino da relação com a bola, da recepção, da desmarcação e do
passe rasteiro;
Objectivos:
 Melhorar a técnica de passe a curtas e médias distâncias;
 Realizar correctamente a recepção da bola;
 Realizar e compreender os movimentos de desmarcação (sem oposição);
 Manter a bola controlada após passe rasteiro;
 Encadear sucessivas acções (passe, recepção, controlo de bola).
Forma\Organização: (1+1+1) Num terreno de jogo triangular marcado por cones, dispor em
cada vértice do triângulo grupos de igual número de jogadoras. Apenas os elementos de um
grupo possuem bola. Cada grupo deve ocupar um vértice do triângulo e os seus elementos
devem posicionar-se em fila indiana de forma a realizar o exercício um a seguir ao outro.
Descrição:

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 O primeiro elemento do grupo com bola realiza passe rasteiro para o primeiro elemento do
grupo posicionado à sua esquerda e no sentido do vértice contrário do passe realizado para
receber passe. Assim, o primeiro elemento do grupo para o qual foi realizado o passe domina a
bola e efectua um passe rasteiro em profundidade para a jogadora que lhe efectuou o passe.
Depois, essa jogadora executa passe para o elemento do grupo posicionado no vértice do
triângulo que ainda não recebeu passe que, logo após a recepção da bola executa a sua
condução para o vértice do triângulo posicionado à sua direita.
NOTA: Após a indicação do professor alterna-se o sentido do exercício.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de fácil direcção a capacidades isoladas uma vez que o exercício é realizado sem
(passe, recepção, desmarcação); qualquer oposição;
 É de mais fácil controlo;  É difícil adequar em jogo o que se treinou;
 É realizado sem oposição e, por isso, é  É mais irreal;
adequado para a iniciação;  Por vezes é monótono;
 Permite abordar a técnica de passe e  Corre-se o risco das jogadoras assumirem
recepção e, ao mesmo tempo, compreender uma atitude estática já que não têm oposição
que a recepção implica movimento. (ficam simplesmente à espera da bola).

2.ª Fase da aula: PRÉ-DOMINANTE

2.º exercício de treino

A
B A B
B
A A
A

B B B
A

146
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Estratégia geral: desenvolvimento de capacidades gerais;


Meios usuais: Tarefas de treino da transição ataque \ defesa e defesa \ ataque;
Objectivos da transição ataque \ defesa:
 Condicionar a acção da portadora da bola;
 Fechar a equipa em pressão para dificultar a acção das adversárias;
 Posicionar defensivamente a equipa
 Ganhar o mais rápido possível a bola;
Objectivos da transição defesa \ ataque:
 Tirar a bola o mais rapidamente possível da zona de pressão para se poder fazer passe
de progressão ou para se organizar ofensivamente sem bola;
Forma\Organização: (63) duas equipas de seis elementos cada, divididas em dois grupos
cada num terreno de jogo limitado. (
Descrição:
 Realizar situação de posse e circulação de bola entre duas equipas (azuis e amarelas)
de seis jogadoras;
 O jogo consiste numa manutenção e circulação de bola, no campo das azuis ou das
amarelas, sempre de 63.
 As equipas estão divididas em dois grupos de 3 jogadoras que pertencem ao grupo A e
3 que pertencem ao grupo B.
 Deste modo, quando a equipa das azuis está no seu meio campo (um quadrado
delimitado por mecos), só um dos grupos da equipa adversária, alternadamente, pode entrar
nesse quadrado, havendo, então, circulação de bola de 63.
 Quando o grupo de três amarelas conseguir roubar a bola às azuis, tentam de
imediato colocar a bola no seu meio campo (quadrado que está ao lado com as outras três
amarelas).
 Se o conseguirem, o jogo transita para o quadrado das amarelas, passando estas a
jogar com 6 jogadoras contra um dos grupos das azuis, A ou B alternadamente;
 Existem ainda 4 apoios exteriores posicionados nas linhas laterais do campo que
podem ajudar as duas equipas, facilitando, por isso as rápidas transições.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É fácil em relação a objectivos parciais;  As melhorias são separadas do contexto


 É de mais fácil controlo; uma vez que não existem balizas;
 É um óptimo exercício para treinar as  É mais irreal;
transições entre as diferentes fases do fogo.

147
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

3.º exercício de treino

ATAQUE DEFESA

G.R. G.R.

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização posicional ofensiva e defensiva e da transição
defesa \ ataque e ataque \ defesa;
Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente a posição base;
 Reagir de forma rápida às investidas dos atacantes;
 Controlar a distância para os adversários;
 Ser capaz de perceber e visualizar qualquer acção da adversária sem bola;
 Retardar a acção dos adversários;
 Recuperar a posse da bola e dirigir-se rapidamente para o meio campo ofensivo;
 Condicionar a acção da portadora da bola;
 Fechar a equipa em pressão para dificultar a acção das adversárias;
 Posicionar defensivamente a equipa
 Ganhar o mais rápido possível a bola;
Objectivos do ataque:
 Enquadrar-se ofensivamente com o adversário directo;
 Manter as posições bem definidas;
 Criar, em cooperação com a colega de ataque, condições favoráveis para a manutenção
da posse de bola. Assim, por exemplo, o jogador com bola desloca-se para o centro do
terreno de jogo (onde goza de uma maior área de acção) e em direcção a um das
defensoras, tentando despertar toda a sua atenção, enquanto os jogadores sem bola abrem
linhas de passe.
Forma\Organização: (64+GR);.
Descrição:
 Em cada metade do campo localiza-se uma equipa defensora com quatro jogadoras.
Assim, O exercício desenvolve-se a partir da realização de jogo de seis contra quatro, num

148
Rita Santoalha…………………………………………………………………………

meio campo com a particularidade de que a equipa que ataca não apresenta guarda redes
(pois não tem baliza para proteger) e, por isso, encontra-se em superioridade numérica.
Deste modo, a equipa com bola tenta marcar golo (organizando o jogo a partir do meio
campo ofensivo) enquanto que a equipa sem bola tenta roubar aposse de bola e ultrapassar
rapidamente o meio campo defensivo. Assim, quando a equipa que recuperou a posse de bola
ultrapassa a linha de meio campo sofre pressão imediata da outra equipa posicionada nesse
meio campo à sua espera, ou seja, quando a equipa que estava a defender recupera a bola e
passa o meio campo a equipa que estava no meio campo contrário passa a defender e assim
sucessivamente.
NOTA: Foi no sentido de tornar o jogo mais dinâmico que se colocaram as defensoras com um
papel muito activo: saída em ataque após roubo de bola. Desta forma, obrigava-se as atacantes
a uma maior concentração e esforço.
Análise específica do exercício:
 Este exercício aproxima-se, em muito, da situação de jogo obrigando, por isso, as alunas ao
confronto directo com as adversárias, movimentando-se sempre em função delas. Exige, então,
alguma noção de organização e, por isso, verificaram-se algumas dificuldades:
Na transição ataque \ defesa:
 depois de perder a bola as alunas exerciam rapidamente a pressão sobre a portadora da
bola em vez de se organizarem defensivamente. Esta acção facilitava a organização do jogo
ofensivo das adversárias;
Na transição defesa \ ataque:
 Depois da intercepção da bola, as alunas, simplesmente, a bola para a frente, facilitando
a acção adversária;
 Pouca amplitude de jogo. Depois de recuperarem a bola, as alunas concentravam muito o
jogo em vez de se afastarem da bola;
 Dificuldades em organizar o jogo. As alunas tentavam sempre sair em contra-ataque.
Assim, quando era necessário organizar o jogo para aproveitar os espaços defensivos as alunas
mostravam dificuldades.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:

Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação;  Exige algum domínio da posição base;
 É motivador uma vez que exige uma maior
aplicação por parte da defesa já que se
encontra em inferioridade numérica.

3.ª Fase da aula: DOMINANTE


4.º exercício de treino

Estratégia geral: desenvolvimento da capacidade de jogar;


Meios usuais: Tarefas de treino da organização ofensiva e defensiva;

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Objectivos da defesa:
 Realizar correctamente e perceber os princípios de jogo;
 Pressionar o adversário com bola;
 Não dar tempo nem espaço às adversárias;
 Reagir de forma rápida às investidas das atacantes;
 Retardar a acção das adversárias;
 Ver sempre a bola.
Objectivos do ataque:
 Realizar correctamente os princípios de jogo;
 Saber sempre onde está a bola;
 Atacar o adversário (11);
 Fugir à marcação;
 Criar situações de finalização;
 Finalizar, marcar golo.
Forma\Organização:
 (8+GRGR+8).
Descrição:
 Num terreno de jogo, realizar jogo de 99 tentando aplicar todas as aprendizagens já
adquiridas.
Análise das consequências da opção por este exercício de treino:
Vantagens Desvantagens

 É mais específico;  É de difícil direcção a algumas


 É mais real; capacidades;
 Tem uma adequação implícita;  É de difícil controlo;
 Permite a diversificação de situações (são  Exige algum domínio dos aspectos técnicos
os jogadores que as criam); e tácticos;
 É motivador uma vez que exige a  Corre-se o risco das alunas assumirem uma
preocupação com a finalização; atitude de simples finalização (querem
marcar golo a todo o custo) uma vez que estes
exercícios são, de certa forma, livres.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Aprendizagens adquiridas na aula...


 Sendo esta a nossa última aula, achei interessante pesquisar algo mais profundo acerca do
futebol. Decidi, então, analisar um bocadinho do “nosso” Futebol…
Tendências evolutivas do futebol

CARACTERÍSTICAS DO MODELO DE JOGO MAIS EVOLUÍDO:

 Segundo Araújo (1987), o ensino e o treino das modalidades colectivas "tem de desenvolver-
se forçosamente segundo planeamentos e programações temporais estritamente influenciados
pelos: modelo de jogo, modelo de preparação e modelo de jogador".
 O modelo de jogo é um o ponto de referência e não o modelo a atingir em absoluto. O
modelo a adoptar deve ter em conta as características do modelo de jogo mais evoluído, as
características morfo-funcionais e socioculturais dos atletas e as condições climatéricas
predominantes.

 O modelo de jogo mais evoluído foi encontrado a partir da observação e caracterização do


jogo das equipas representativas da modalidade, nas grandes competições internacionais, e da
objectivação das características comuns.

 O modelo de jogo será a concepção de uma forma global de jogar procurando construir a
identidade da equipa (e do treinador). Para isso, importa criar um padrão de jogo, a partir da
observação dos comportamentos dos jogadores, no sentido de identificar os factores que
estão associados ao sucesso ou insucesso das equipas.
 Podemos verificar que o modelo de jogo mais evoluído possui as seguintes características:
1. Gerais:
 Capacidade de "impor o jogo", isto é, adoptar uma atitude agressiva permanente, provocar o
adversário e aproveitar os seus erros, provocar e tirar partido de mudanças bruscas do ritmo
do jogo.
2. Específicas:
 No processo defensivo, limitar a iniciativa do adversário, tentando recuperar a posse da
bola o mais rapidamente possível, com a participação de todos os jogadores, e logo a partir do
momento em que se perde a posse da bola; pressão sobre o portador da bola de acordo com o
momento e a zona em que se processa; fechar possíveis linhas de passe, fundamentalmente em
profundidade; apoio permanente ao defensor directo (cobertura defensiva); criação de
superioridade numérica nas zonas de disputa da bola; oscilações em função da bola tendentes a
reduzirem espaços de penetração.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 No processo ofensivo, impor o ritmo de jogo mais conveniente, procurando o golo com
objectividade e variedade na progressão; participação de todos os jogadores, logo que se
conquista a posse da bola, através duma mudança brusca de actividade mental; fazer
rapidamente a transição defesa/ataque com apoio significativo - apoio permanente ao portador
da bola, cobertura defensiva e criação de linhas de passe (em profundidade e para diferentes
corredores); manter o equilíbrio defensivo.

 Por outro lado é importante ter presente que no desporto em geral tem-se assistido a uma
evolução, fruto do desenvolvimento científico e tecnológico que, ao chegar também ao futebol,
o tem tornado mais espectacular e eficaz. A procura permanente dessa maior eficácia tem
alterado significativamente as características do próprio modelo de jogo evoluído.

 Segundo Teodorescu (1984), essa evolução nos JDC, em geral, e no futebol em particular,
tem-se verificado segundo vários parâmetros:

a) O ritmo de jogo é cada vez mais elevado e alternado;


b) O jogo aéreo tem ganho uma maior importância;
c) Tem-se assistido a uma simplificação na construção do ataque;
d) A importância dada à eficiência da defesa tem aumentado;
e) A importância do nível dos coordenadores de jogo é maior;

EVOLUÇÃO DOS SITEMAS DE JOGO

 Segundo Teodorescu (1996), o sistema de jogo representa a forma geral de organização, a


estrutura das acções dos jogadores no ataque e na defesa, estabelecendo missões precisas e
princípios de circulação e de colaboração no seio de um dispositivo previamente estabelecido. O
sistema caracteriza-se, portanto, pelo dispositivo (distribuição de base dos jogadores no
campo) e pela estruturação das relações entre os jogadores; estes podem ser agrupados em
compartimentos ou linhas (subsistemas e subs-etruturas), casos em que se estabelece também
a estrutura das relações entre estas; nos compartimentos, os jogadores especializam-se no
cumprimento de funções específicas (postos).
 A existência de padrões de jogo no futebol não é recente. Desde a institucionalização
do Futebol em 1863, o dispositivo de base (sistema de jogo) dos 11 jogadores da equipa
conheceu constantes modificações através dos tempos.
 Já em 1860, e segundo textos históricos, existia o 1-10, i. é., o guarda-redes (GR) e
dez atacantes.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Estes sistemas algo simples foram pouco a pouco tornando-se mais complicados. No
entanto, fosse qual fosse o novo padrão imposto, os defesas estavam sempre em inferioridade
numérica em relação aos atacantes. Tal como refere Morris (1981) “no passado as equipas
estavam mais preocupadas com a glória da vitória do que o desdém da derrota, assim sofriam
bastantes golos mas marcavam-se mais.” Nesse tempo, o objectivo centrava-se unicamente em
conseguir o maior número de golos possíveis. Assim se passou do Gr+10 para o GR+1+9 e para o
Gr+1+1+8 (1). Para o Gr+1+2+7 e finalmente para o Gr+2+2+6 (2), também chamado sistema
escocês, onde ocorreu a introdução do passe como elemento de jogo, apareceram as posições
fixas mas com pouca liberdade mas continuava a haver um predomínio ofensivo.

(2)

(1) (2)

 Mas, foi no ano de 1885 quando começaram a surgir os derrotistas que iam invadindo o
futebol, que já não importava só marcar golos, mas também evitar que se sofressem. Nesse
ano, um clube inglês, o Blackburn Rovers implantou o Gr2+3+5 (1), também chamado formação
clássica ou método. A utilização deste sistema foi um avanço em relação às tácticas
futebolísticas e a sua prática estendeu-se até 1925, continuando-se a utilizar com algumas
variantes até 1940, ano em que substituído pelo sistema Gr+3+4+3 ou “WM” (2). Com o
aparecimento deste novo sistema chegou-se pela primeira vez ao equilíbrio numérico entre
defensores e atacantes.

(1) (2)

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Os sistemas foram evoluindo e os resultados impuseram-se ao espectáculo. È mais


importante conseguir não sofrer golos do que procurar a vitória. Aparece o famoso “ferrolho”,
sistema muito criticado em muitas partes e mal copiado por muitos treinadores e equipas. A
adopção pela equipa brasileira do 4-2-4 no Mundial da Suécia em 1958 revolucionou o Futebol
mundial. A força desta formação estava na rapidez com que podia transformar-se de forte
ataque em forte defesa, na mobilidade doa atacantes e na liberdade posicional e na criação de
linhas intermédias.

A resposta à desvantagem fundamental do sistema 4-2-4, consistiu em fazer recuar outro


avançado para preencher a antiga posição de médio centro, o qual determinou um sistema
constituído por 4 defesas, 3 médios e 3 avançados (Formação: GR-4-3-3).
 Com este sistema pela primeira vez na história dos sistemas de jogo o número de jogadores
no sector defensivo ultrapassava o número de jogadores no sector ofensivo.

 Na década de 70, com a ajuda do Mundial do México, fez-se recuar um outro avançado,
procurando criar uma linha intermédia mais forte, criando-se assim a formação: GR-4-4-2

 A partir destes sistemas de jogo outros foram estabelecidos, tais como o 5-4-1 e o 4-5-
1.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

 Por último, outro dos sistemas que têm sido aplicados na actualidade é o Gr-3-5-2. Em
termos gerais, esta formação apresenta dois defesas centrais e um terceiro central que se
desloca “nas costas” dos seus dois companheiros, ou, à frente destes assumindo variavelmente
as posições de “libero” ou de “trinco” em função das exigências da situação de jogo.
 Em suma, os sistemas de jogo actuais consubstanciam uma excessiva preocupação
defensiva, que se exprime pelo grande número de jogadores que constituem esse sector da
equipa, já que, os treinadores actuais constroem as equipas do sector defensivo para o
ofensivo, preocupando-se mais com o medo de perder do que com a glória de vencer.
 Os sistemas de jogo proporciona uma racionalização do espaço de jogo que permite
canalizar a tomada de consciência por parte de todos os jogadores sobre os seus direitos e
deveres, fundamentalmente no que diz respeito às suas funções e limites. Esta distribuição
coerente em campo leva à necessidade do estabelecimento dum estatuto (por exemplo:
guarda-redes, defesa, avançado, etc.) e duma função (missão) específica táctica que definem
o sentido e os limites de participação de cada jogador na resolução das situações momentâneas
de jogo. Contudo, os postos ocupados pelos jogadores não são estáticos, há espaço à iniciativa e
criatividade e estabelece-se uma constante entreajuda entre jogadores. “O jogo actual é um
futebol de movimento”.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Análise da aula

 Esta é a última aula a considerar neste “nosso” dossier.


 O ano está a acabar…
 Nas próximas aulas vamos ser avaliadas. Considero, por isso, que a apreciação final deste
segundo bloco de aulas referentes ao futebol de 11 correu bastante bem. Faço, até, um balanço
final muito positivo!!!
 Ao longo do ano tudo correu bem, umas aulas melhores e outras piores, mas sempre com
frutos, sempre com alguma coisa aprendida e para ser assimilada e muito bem retida nesta
nossa bagagem desportiva que deve ser guardada q “sete chaves”.
 Considero mesmo que todas as informações desenvolvidas podem ser utilizadas pelas alunas
em benefício desta modalidade que tem um impacto tão grande em todo o mundo.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

OBSERVAÇÃO:
 Gostava só de referir que embora não tenha incluído neste “meu” dossier (por decisão
minha) informações referentes à história da modalidade nem, tão pouco, às leis do jogo, quer
do futebol de onze quer do futsal, reconheço, obviamente, o seu interesse e importância.
Considero, porém, que estas informações são extremamente acessíveis e, na tentativa de não
tornar o meu trabalho massador, decidi não apresentá-las neste documento investigativo.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Conclusão:

 Tal como era meu objectivo desde o início, este dossier irá servir de auxiliar para quando
exercermos a nossa futura profissão, professores de Educação Física, e estivermos a leccionar
a disciplina de Futebol, ou mesmo quando estivermos num clube, e houver da nossa parte a
necessidade de treinar diversos aspectos, tanto tácticos como técnicos.
 Assim sendo, podemos recorrer às diversas situações exercitadas nas aulas, onde os
aspectos trabalhados vão desde organização defensiva, organização ofensiva, manutenção da
posse de bola, importância do passe, entre muitos outros.
 Por outro lado, no que diz respeito às aulas, constatei que as diferentes situações
exploradas pelo Professor tornaram as aulas bastante interessantes e que a possibilidade de
executarmos jogo no final das aulas ajudou-nos a compreender e a cimentar o conhecimento.
No que diz respeito à turma posso dizer que foi um prazer partilhar as aulas com ela e fico
contente por maioritariamente nos termos empenhado e correspondido às exigências.
 Posso afirmar que antes via o Futebol, mas agora conheço o Futebol e desenvolvi, ainda mais,
o gosto pela sua prática, embora. É satisfatório sentir que o Professor despontou na maioria
dos alunos o interesse para a modalidade, despertando-nos para determinado tipo de situações
que nos eram parcialmente desconhecidas.
 Concluo assim o trabalho, na dúvida, se fui de encontro aos objectivos preconizados pelo
professor para a elaboração do mesmo, mas na certeza porém de que os meus foram
amplamente concretizados.

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Rita Santoalha…………………………………………………………………………

Bibliografia:

 CASTELO, J. (1996). Futebol: a organização do jogo. Edição do autor

 GARGANTA, J. & PINTO, J. (1995). O ensino do futebol. In O ensino dos jogos


desportivos: 95-135. A, Graça & J. Oliveira (Eds.). CEJD. FCDEF-UP.

 Grande Enciclopédia do Desporto, Vol., futebol: Cultural de Edicones, S.A.(2000)

 MORRIS, D. (1981). A Tribo do futebol. Publicações Europa-América.

 Textos de apoio à disciplina Estudos Práticos II do 2º ano – FCDEF-UP.

Sites consultados:

 www.apaf.pt

 www.fifa.com

 www.fpf.pt

 www.uefa.com

 www.google.com

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