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Desafios do meu estágio

Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008

Introdução
A minha experiência de estágio iniciou-se no fim do ano lectivo transacto, o que permitiu
uma aproximação ao contexto proporcionando, em termos de timing, uma oportunidade de
reflexão, ainda que redutora, do que eu poderia, em termos efectivos, propor-me a fazer,
nomeadamente investigação e/ou intervenção no estágio propriamente dito. Este teve início
no primeiro semestre do corrente ano lectivo, mais concretamente na segunda quinzena de
Setembro de 2007.
Importa dizer que o meu local de estágio é na Cruz Vermelha Portuguesa, em Vila Nova de
Gaia, e a área a que estou afecta é o Centro Novas Oportunidades. Trata-se de uma área da
educação que me fascina quer pelo público a que se destina (adulto), quer pela
particularidade dos seus pressupostos de avaliação, que se traduzem em processos de
reconhecimento, validação e certificação de competências, previamente adquiridas pelo
adulto, por via formal, informal e não formal. Tudo isto numa perspectiva de educação e
formação ao longo da vida em que, inequivocamente, se insere este projecto das Novas
Oportunidades.
No pré-estágio, foi sugerido pela sua Directora o estudo “do abandono dos adultos em
processo”, considerando que há efectivamente este abandono que gostaria de compreender.
Foi lançado um “desafio” interessante que antevia um trabalho de pesquisa difícil.
O atrás descrito, e que resume o que, na verdade, se traduzirá no meu “grande trabalho” está
a ser escrito em Abril de 2008. Não tenho nenhum pudor em afirmar que andei muito tempo
à deriva até encontrar uma linha orientadora teórica e metodológica que me pudesse
conduzir à obtenção de respostas ou ao levantar de questões…
Em conversas que íamos tendo (eu e o pessoal afecto à Instituição), soube da existência de
um estudo quantitativo feito no ano lectivo anterior [“Validação e Certificação de
Competências: Factores Explicativos do Abandono no Centro de Reconhecimento
Validação e Certificação de Competências (Vila Nova de Gaia) da Cruz Vermelha
Portuguesa “ Gina Curralo - Universidade De Trás-os-Montes e Alto Douro -Pólo de
Miranda do Douro], cujos resultados mereciam, no meu entender, um aprofundamento de
análise para uma melhor compreensão dos significados atribuídos ao abandono, quer pelo
quadro técnico – pedagógico do CNO, quer pelos adultos inquiridos.
É muito interessante constatar as “reviravoltas” que o pré-projecto sofreu e concluir, na
verdade, que é necessária presença no terreno, espírito crítico, embrenharmo-nos com as

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pessoas e familiarizarmo-nos com os projectos para, a posteriori, propor fazer alguma
intervenção que seja uma mais-valia para a instituição e para a nossa formação.
Assim, o objectivo geral deste estudo será:
- Perceber o abandono na perspectiva dos significados que o adulto lhe atribuiu, em
analogia com os significados atribuídos pelo quadro técnico-pedagógico para a
mesma questão. Perspectiva-se poder ter uma inteligibilidade do fenómeno do
abandono dando voz aos intervenientes no processo.
Esta questão conduziu-me a um labirinto de questões, que fez com que fizesse vários
percursos para tentar conseguir perceber/responder à questão inicial.
Considerando o atrás exposto, o trabalho encontra-se organizado da seguinte forma:
- o primeiro capítulo apresenta o contexto físico e humano no qual se desenvolvem
os meus percursos.
A especificidade do público-alvo desta área da Educação [Novas Oportunidades,
concretamente RVCC], pensada à luz do paradigma da Educação/Formação ao Longo da
Vida com os princípios subjacentes ao processo de reconhecimento, validação e certificação
de competências, é uma abordagem à Educação de Adultos de cuja especificidade procurarei
dar conta.
Farei ainda uma breve referência aos meus percursos por áreas adjacentes que se revelaram
de fulcral importância para a compreensão da investigação que me propunha efectuar assim
como para a minha formação na área.
- o segundo capítulo centra-se no referencial teórico que serviu de suporte a esta
investigação;
- o terceiro capítulo refere-se às opções metodológicas e os procedimentos
utilizados para recolha e tratamento de dados;
- no quarto capítulo, e de acordo com os resultados da investigação, a sua
discussão. Nesta confluirão todos os dados recolhidos que se revelaram pertinentes para a
compreensão da questão de partida.
- no quinto capítulo apresentam-se as conclusões que o estudo permitiu retirar,
apontando caminhos para uma melhor inteligibilidade da questão inicial.

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Capítulo 1 - Caracterização Sócio – Institucional
O meu local de estágio foi a Cruz Vermelha Portuguesa, em Vila Nova de Gaia, sendo que
o departamento a que fiquei afecta foi o Centro de Novas Oportunidades. Torna-se
pertinente, por um lado, fazer uma breve caracterização do local de estágio considerando
que as suas características como Instituição revelam a sua a importância no meio social em
que está inserido e, por outro lado, não menos importante porque foi onde fiz o meu
estágio. No edifício da Cruz Vermelha, pelo espaço físico que não é muito grande, e os
gabinetes ficam todos no mesmo piso, há um “contacto” entre as valências e o pessoal
afecto, ao qual não ficamos indiferentes.
Quando se fala em Cruz Vermelha Portuguesa, a definição que nos ocorre é de uma
Instituição de carácter altruísta que se associa à área do “socorro” aos mais desfavorecidos.
Na realidade, apesar de redutora, esta definição poderá ser considerada como a finalidade
última desta Instituição em que todas as outras se incluem.
Fazendo uma retrospectiva muito sumária, a génese da Cruz Vermelha Internacional devese ao interesse do Suíço Jean Henry Dunat (1828), que se preocupava com os problemas
dos mais pobres. Foi, contudo, na Batalha de Solferino (1859), travada entre exércitos
austríacos, francês e italiano, que, pelo facto de terem resultado muitos feridos, fosse feito
um apelo à solidariedade. Mais tarde, foi escrito um livro, “Un Souvenir de Solferino”, de
forma a apelar à consciência humana sugerindo a criação de Sociedades Nacionais
Voluntárias de Socorro. Esta obra teve impacto imediato e desencadeou um movimento
internacional com vista a suprir as deficiências dos serviços sanitários nos campos de
batalha.
A implantação da Cruz Vermelha no nosso país, com carácter semioficial, ocorreu em 11
de Fevereiro de 1865 e, oficialmente, por decreto de 26/Maio de 1868, demonstrando que
Portugal se tinha associado ao movimento internacional de “protecção aos feridos e
doentes de guerra” concretizado em 22 de Agosto de 1864, com assinatura da Convenção
de Genebra.
A Cruz Vermelha Portuguesa é uma instituição humanitária não governamental de carácter
voluntário apoiada pelo Estado e reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública
administrativa sem fins lucrativos, com plena capacidade jurídica para a prossecução dos
seus fins. É também reconhecida como uma Organização Não-Governamental para o
Desenvolvimento (ONGD) encontrando-se registada no artigo 7º do decreto-lei n.º66/98,
no Instituto de Cooperação Portuguesa sob n.º 94/99. Nesta qualidade, integra a

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Plataforma Nacional das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento,
cujo estatuto, estabelecido pela Lei n.º 19/94 de 24 de Maio, define como áreas de
intervenção o ensino, a educação, a cultura, o emprego, a formação profissional, a
integração social e comunitária, bem como o apoio à criação e desenvolvimento de
projectos e programas de cooperação e desenvolvimento social.

O Pólo de Vila Nova de Gaia
No âmbito do Programa da Luta Contra a Pobreza a intervenção levado no concelho de
Vila Nova de Gaia teve início na freguesia de Santa Marinha, e a sua origem remonta ao
trabalho comunitário efectuado por técnicos da acção social do ex - Centro Regional do
Porto, os quais tinham conhecimento dos problemas sociais existentes nesta localidade. O
apoio da população, assim como o das entidades públicas e privadas desta freguesia deram
inicio ao primeiro plano de trabalhos comunitários que recebeu o primeiro financiamento
do Comissariado Regional do Norte da Luta Contra a Pobreza em 1991. Foi nessa altura, e
no âmbito do Programa da Luta Conta a Pobreza, que a C.V.P. foi convidada pela
Segurança Social para ser a promotora e gerir o projecto que permitiu providenciar
algumas das necessidades básicas e possibilitar que as necessidades sociais desta freguesia
encontrassem maior reconhecimento, assim como maior visibilidade.
Nesta perspectiva, faz todo o sentido as diferentes áreas de intervenção que podemos
encontrar na CVP de Vila Nova de Gaia, como o sejam:
 “Espaço no feminino”
Este espaço dedica-se a desenvolver, entre várias questões, os problemas encontrados no
seio da população feminina, tais como o desemprego, a pobreza, o alcoolismo, a droga e o
baixo grau académico
 “Pratos e tratos”
Esta valência é constituída por programas e estruturas de inserção na vida activa por parte
das empresas inclusivas que, através de um restaurante, fornece não só refeições nas suas
instalações, como também outro tipo de serviços, nomeadamente o apoio domiciliário, a
lavandaria e a engomaria.

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 “Pratos e tratos”
Esta valência é constituído por programas e estruturas de inserção na vida activa por parte
das empresas inclusivas que, através de um restaurante, fornece não só refeições nas suas
instalações, como também outro tipo de serviços, nomeadamente o apoio domiciliário, a
lavandaria e a engomaria.
 “Centro de convívio”
Os seus objectivos visam promover o bem-estar social da população idosa.
 “UNIVA e CRVCC”
Estes serviços são financiados pelo IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional).
A UNIVA (Unidade de Intervenção na Vida Activa) tem por base reforçar os mecanismos
de apoio à inserção designadamente: acolhimento, informação e orientação profissional,
apoio e acompanhamento dos utentes em experiências no que concerne ao mundo trabalho,
assim como a procura de uma formação e/ ou emprego.
Os CRVCC, agora com a designação de Centros Novas Oportunidades, almejam dar
“Novas Oportunidades” a todos aqueles que, por qualquer motivo, não puderam prosseguir
os seus estudos. Este modelo de Reconhecimento e Validação de Competências tem o seu
princípio - base assente nas experiências adquiridas ao longo da vida fazendo-as equivaler
a habilitações escolares, permitindo/ facilitando a inserção no mercado de trabalho.
Gostaria de salvaguardar que estes são os princípios de regem os objectivos dos CNO’s,
contudo a verdade é que nem sempre maior qualificação é sinónimo de maior
empregabilidade, como nos confirma o estudo do Impacto do Reconhecimento e
Certificação de Competências Adquiridas ao Longo da Vida “…tenham sido identificados
alguns efeitos, no que respeita à vida profissional (progressão na carreira ou acesso ao
mercado de trabalho) estes não parecem ser tão evidentes, ou pelo menos, tão imediatos
de acordo com as opiniões recolhidas através da realização dos estudos de caso”.
(2007:49)

O meu primeiro percurso … a integração
Como já foi referido na introdução, a minha aproximação ao contexto foi feita no fim do ano
transacto. Na primeira deslocação à Instituição fomos acompanhadas pela orientadora de
estágio, a Prof. Isabel Menezes. “Falo” no plural porque, nessa altura, tinha uma colega de
estágio, que por motivos pessoais teve de desistir.

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sem ser intrusiva. ou seja. Nessa mesma reunião. A partir daqui é que a questão se começou a complexificar. já foi sugerido pela Dr.ª Isilda Bernardes uma eventual problemática para desconstruir “o abandono dos adultos que estavam em processo”. procurei inteirar-me do organograma da instituição que me indicou os elementos constitutivos e as ligações entre elas. sem que haja uma compreensão do mesmo (das suas causas e das estratégias para o combater). na qual a Directora da Instituição. Dr. A minha apropriação ao contexto físico institucional e às pessoas que lá trabalham. e tentar perceber como poderia integrar-me.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Foi.ª Isilda Bernardes.P Directora Quem são as pessoas que constituem a equipa técnico . efectivamente. Para uma primeira percepção. perceber as suas dinâmicas. feita uma reunião informal.pedagógica? Formadores das áreas Onde de Competências Chave Profissionais de RVCC Fig.. tinha “ livre-trânsito” para circular pela “casa” e perguntar o que fosse necessário para a boa execução do meu trabalho. então. deixando bem clara qual a sua postura para com os estagiários. Organograma do CNO da C. considerando que há.. mas tentar “incluir-me”. foi muito acolhedora e objectiva. 1 6 . a percepção desse abandono.V.

É sabido que nem sempre um organograma é no dia cumprido com a formalidade que lhe é inferida.06.2008 3 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e Instituto de Consulta Psicológica.pdf.eu-employment-observatory. Validação e Certificação de Competências) de Luís Imaginário e José Manuel Castro3 (2003).09. Considerando que o atrás descrito é verdade em alguns Centros. também é sabido que conceito de Profissional de RVCC não é de todo consensual pela falta de legitimação dessa “categoria profissional”.  Orientar o processo de Competências adquiridas.  Apoiar o candidato na apresentação da candidatura ao processo de validação.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 O organograma é um documento que por lei 1 tem de estar exposto. Foi fácil perceber que há uma equipa coesa.pt/NR/rdonlyres/C017D4EB-37BC4A20-8B41-FAC2BC21B997/0/Lein3520041. será pertinente referir que o profissional RVCC tem as seguintes funções: (ANEFA2 2002)  Informar. sentia-me legitimamente apta pela formação adquirida ao longo da Licenciatura assim como fortemente motivada a nível pessoal para me rever nas funções de profissional de RVCC. sem que contudo cada um saiba qual o seu lugar.06. com segurança. Por outro lado. liderada com flexibilidade.portaldocidadao.1999) http://www.pdf [on line] (15. para conhecimento do pessoal (transparência da posição hierárquica que cada um ocupa) e para o público em geral. Antes do mais. aconselhar e acompanhar o candidato na definição do seu percurso no Centro RVCC. porque todos estão conscientes das suas responsabilidades. Neste estudo pode verificar-se a ambivalência do perfil do 1 Lei n. 387/99 de 28. Formação e Desenvolvimento / Centro de Desenvolvimento Vocacional da Universidade do Porto.  Trabalhar em colaboração estreita com os formadores das formações complementares e com o Júri de Validação.º 35/2004 de 29 de Julho http://www. há inúmeras reuniões que contribuem também para esse bom funcionamento.net/ersep/p_uk/bir_pt2002. Nesta altura. 7 .  Interpretar os referenciais de Competências e procurar as suas relações internas. [on line] 16. sendo esta também uma consequência da “liberdade” de postura em relação a esta problemática pelos Centros de Novas Oportunidades.2008) 2 Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos – ANEFA (Decreto-Lei nº. Esta questão foi alvo de um estudo intitulado “Perfil de Competências dos Profissionais de RVCC. No caso do CNO do CVP há um vivenciar diário informal.(Reconhecimento. pareceu-me pertinente pensar em que sítio se encaixava um Licenciado em Ciências de Educação e.

de que. Contudo. adoptando como alternativa à aprendizagem “presencial” o estudo (leitura aprofundada) dos referenciais de competências chave e os guias de operacionalização. sendo a empatia que se possa gerar entre ambos uma mais-valia para que o adulto se sinta confiante. Consciencializada destas contingências. é um processo com uma linguagem complexa e específica muito diferente da linguagem do ensino 8 . De resto. mas que não poderá deixar de ser isso mesmo — um exercício. mas percebi as razões dessa impossibilidade. dizendo-o numa fórmula que já possui alguns direitos de cidade —. na medida em que o adulto tem de estar/de se sentir à vontade com o profissional que o acompanha/rá. sem o "psicologizar". em tal processo. definido com algum rigor. mesmo em profissões com identidades (aparentemente) bem estabelecidas?”]. o aspecto legal de que. as mais delas provenientes de outras Ciências Sociais e Humanas”] (ibidem:31). procurei saber se era possível ter uma participação activa nestas áreas..[“afigura-se-nos crucial tomar posição…. de expectativas que. eleve a sua auto – estima e valorize as suas aprendizagens.. Penso ser pertinente este observação. O "perfil" a construir com base na informação aqui recolhida e tratada e em outra constituirá um "exercício" que não nos repugna recomendar. haverá perfis que não sejam provisórios. para intervir como psicólogo — concretamente. podem encontrar-se quer nos CRVCC quer entre os Profissionais de RVCC. parti para outro percurso…as opções De acordo com o atrás exposto. o processo RVCC é um muito personalizado. por outro lado. de sensibilidades. o que poderia eventualmente levantar problemas de legitimidade. Quarta: Ciências Sociais e Humanas não parece mal. Como já referi. Ao estar ciente destas “ambivalências”. hoje por hoje. Na verdade. Um elemento a mais na sala poderá ser inibidor existindo ainda. não fazia parte do staff. considerando que a nossa formação ao longo da Licenciatura em Ciências da Educação nos potencializa para esta área. a diversidade de olhares. por certo. mas sem prescindir da intervenção psicológica. Isto é. a ambiguidade de quem tem legitimidade é referida no estudo (Imaginário 2003:30) [(…teremos conseguido mostrar. com toda a provisoriedade que a fórmula implica. porém. mas Psicologia seria melhor! No pressuposto. importa saber (ser competente) em muitas outras coisas. houve necessidade de uma abordagem diferente.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Profissional que difere entre centros. Fiquei um pouco decepcionada por tal não ser viável. para fazer "consulta psicológica vocacional". para me familiarizar com todo o processo e a sua terminologia que não é muito acessível. como estagiária. o que constitui um dos seus consabidos riscos.

 Fiz inscrições no SIGO – Sistema Integrado de Informação e Gestão da Oferta Educativa  Analisei. candidatos a certificação do 12º ano (um com aprovação e outro para encaminhamento). . bem como a selecção de prioridades pelos inquiridos são coincidentes. Pretendeu-se obter a opinião em relação às necessidades sentidas na prática profissional do Centro de Novas Oportunidades.  Estive presente em reuniões de reestruturação de instrumentos de mediação do ensino básico.No Sigo. definindo prioridades de formação a desenvolver. dossiers de dois adultos. tentando perceber os critérios dos profissionais para essa tomada de decisão. e considerando as respostas dadas. nos sites da Segurança Social.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 formal. para que a estas se possa dar uma melhor resposta. Fundo de Desemprego. Este questionário teve como objectivo reunir todo um conjunto de informações para a sustentação e planeamento de intervenções formativas no quadro técnico – pedagógico do Centro de Novas Oportunidades da Cruz Vermelha de Vila Nova de Gaia. 4 5 Anexo I Anexo II 9 . pode concluir-se que as necessidades sentidas em formação são direccionadas para as mesmas áreas. com a eventual colaboração da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. comparativamente. nomeadamente a DREN.  Fiz pesquisa para encontrar alternativas para encaminhamento:4 . Deixo apenas alguns exemplos de terminologias: O que é um núcleo gerador? E um tema? O que é um Portefólio Reflexivo de Aprendizagem? Sempre que tinha alguma dúvida ia perguntando. que exige o estudo do Referencial de Competências – Chave e de Operacionalização.  Elaborei o Questionário de Levantamento de Necessidades de Formação do CNO – CVP Vila Nova de Gaia5. Apesar desta contingência tive oportunidade de ir desenvolvendo algumas actividades (enquanto procurava inspiração para abordar o trabalho que me propunha fazer) nomeadamente:  Assisti a algumas sessões de formação do ensino básico. Feita a análise dos questionários.Directamente com as entidades responsáveis.

ª Edição”. Anexo a este relatório. Nesta fase. Formadora: Isabel Gomes 7 Anexo III 10 .ª Isabel Gomes. gentilmente oferecido pela Dr. que foi entregue à Directora do CNO 7. Paralelamente a estas “interacções” com as vivências do CNO e de algumas situações mais específicas. que a organização do evento colocou na mesa dos materiais a serem consultados Fiz um pequeno relatório. realizado durante os meses de Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2008. a 5 de Abril do corrente ano. assim como nas directivas do Ministério da Educação e Segurança Social. Foi do seu agrado este pequeno trabalho. das etapas e dos procedimentos num processo RVCC. foram apresentadas em forma de gráfico as respostas encontradas para cada questão. Coordenação científica: Isabel Menezes. não esquecendo que o meu estágio decorre no CNO de Vila Nova de Gaia. como o questionário de levantamento de necessidades e a participação no debate/exposição na Biblioteca de Vila Nova de Gaia. 6 “(Per)Cursos de Educação e Formação de Adultos . já tinha uma noção bastante razoável do funcionamento.Reconhecimento.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Para uma mais rápida visualização dos resultados. “obrigando” os países membros a cumprirem determinados objectivos. que pelo que pude ler é quem regulamenta estas áreas. Fui portadora de folhetos informativos do CNO da CV. Alberto Melo. a mesma ficou de informar se pretendia algum apoio da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UP. tinha sempre no meu pensamento o objectivo concreto que me propunha desconstruir. Licíno Lima. Foi elaborado um relatório. promovido pelo seu Serviço de Educação Contínua. Intitulado “Feira das Vaidades – A caminho do futuro: qualificar para quê?” Participei neste encontro na qualidade de estagiária do 4º ano de Ciências da Educação da FPCEUP.  Estive na Biblioteca de Vila Nova de Gaia. na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. entregue à Directora do CNO. sendo que perante as necessidades manifestadas pelo seu quadro técnico – pedagógico. Validação e Certificação de Competências [Formação Avançada] – 1. nas leis que regulamentam esta área da Educação de Adultos. no âmbito do convite feito pelos participantes do Curso (Per)Cursos de Educação e Formação de Adultos6. que infelizmente não pode ter nenhum representante presente. foi um CD. Rui Canário. Procurei a minha fundamentação teórica em autores como. Cármen Cavaco. Luís Imaginário. produto de todas as pessoas que participaram no curso “(Per) Cursos de Educação e Formação de Adultos”. não negligenciando as regras da OCDE.

Sector da Educação. sobre o qual a investigação versa. Esta pesquisa teria inequivocamente de “afunilar” na questão do abandono. conhecida como relatório Delors (1996). continua a promover o conceito de Educação ao Longo da Vida “…a Educação é tão 8 Bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia – Estudante de Doutoramento na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. e da Drª Isabel Gomes8. A publicação da UNESCO. a Profª Isabel Menezes. no contexto específico do CNO da Cruz Vermelha de Vila Nova de Gaia. Carta de Qualidade dos Centros Novas Oportunidades da Agência Nacional para a Qualificação. mas também do aconselhamento precioso da minha orientadora de estágio.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Há diversos documentos que são os guias de orientação técnico pedagógico deste processo. tendo como objectivo o caso específico do RVCC. dentro do paradigma da Aprendizagem ao Longo da Vida.  “A Aprendizagem ao longo da vida: um conceito que surge na década de 1970” (Eurydice 2000:9) Em 1970. IP entre outra bibliografia que fui lendo exaustivamente para deste modo estar a par do processo RVCC e das suas linhas orientadoras quer a nível teórico quer prático. apresenta um relatório numa Conferência da UNESCO. Direcção-Geral de Formação Vocacional (DGF Impacto das Competências Adquiridas ao Longo da Vida da DGFV. Às duas o meu agradecimento. Paul Lengrand9. Referencial de Competências –Chave para a Educação e Formação de Adultos – Nível Secundário da DGFV. Reconhecimento e Validação e Certificação de Competências formais e não formais adquiridas pelo adulto no seu percurso de vida. É o emergir de um novo conceito que tenta restaurar o sistema educativo abalado com os acontecimentos de Maio de 1968. 9 Ex – responsável pela Divisão da Educação de Adultos. nomeadamente: Referencial de Competências – Chave para a Educação e Formação de Adultos – Nível Secundário e Básico: Guia de Operacionalização da Direcção-Geral de Formação Vocacional (DGFV).Referencial Teórico Como já aludi no capítulo 1. decorridos vinte e seis anos. intitulado “Uma Introdução à Educação ao Longo da Vida”. porque é da compreensão deste. UNESCO 11 . Julgo ter reunido um referencial teórico que fundamenta a compreensão sobre a Educação de Adultos inserido no paradigma da Educação ao longo da vida. procurei através da pesquisa e das leituras efectuadas uma inteligibilidade da Educação de Adultos. Estas referências teóricas não foram só fruto da minha pesquisa. especificamente no modelo RVCC. Capitulo 2 . para me focalizar nas Novas Oportunidades.

capazes de dotar qualquer cidadão com os instrumentos básicos essenciais para o exercício de uma cidadania activa numa sociedade em rápida mutação” (ibidem:114). enfatiza a progressão da vida activa “…engloba o desenvolvimento social do ser humano sob todas as formas e em todos os contextos.anacom. Ainda segundo a mesma fonte. (ibidem:116). No que concerne a Educação e formação de adultos. em meados dos anos 90. É privilegiado neste plano estratégico o balanço de competências adquiridas pelos adultos. também em 1996. desde a infância até à velhice. o consenso e a pressão sobre os seus pares são o verdadeiro centro de actuação da OCDE”. O diálogo. saberes competências e atitudes…. foi considerado o direito à Educação básica para todos ao longo da vida. tanto formais…como não formais…e empreende esforços com vista a assegurar que todos os adultos. para promover regras ou acordos multilaterais necessárias para garantir o progresso das nações dentro de uma economia cada vez mais global. assim como atribuir à escola um papel central “…enquanto instância privilegiada para a construção de conhecimentos. Estava lançado um desafio aos sistemas educativos dos países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) que “adopta instrumentos internacionais. [economias baseadas no conhecimento] e [sociedades da informação] ”.jsp?categoryId=7821 (2 June 2008) 12 . decisões e recomendações.” (Eurydice 2000:11). 80% da 10 OCDE . A OCDE. Uma das preocupações transversais no relatório de Portugal é reforçar a qualidade da educação escolar para todos considerando “…as fragilidades específicas da situação educativa da população portuguesa. tenham oportunidade de o fazer.10  O significado do conceito em Portugal Seguindo o estudo da EURODYCE.pt/template12. na sua definição.” (ibidem:11:12).Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico : Enquadramento geral In http://www. resultante dos atrasos acumulados durante gerações…”.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 diversificada…que abrange todas as actividades que permitem ao ser humano. Portugal interpreta o conceito de aprendizagem ao longo da vida como uma “aceleração da transição para uma economia e sociedade diferentes…. que necessitem de fazer uma reciclagem dos mesmos. como sendo um dever e uma exigência da sociedade e da vida profissional. adquirir um conhecimento dinâmico do mundo dos outros e de si próprio. tanto empregados como desempregados.

nessa altura. Remetendome especificamente para a área da Educação de Adultos. Por oposição. (Rothes. sendo o seu principal objectivo de difícil concretização. Nos dois anos que se lhe seguiram. e pretendia baixar significativamente a taxa de analfabetismo ( para 3%). quer no atraso em termos de educação. e para reforçar o atraso de Portugal à data do estudo da EURODYCE. que já tinha um plano de validação da experiência profissional. 13 . N. É um pouco “desolador” (para ser branda nas palavras) pensar que este estudo tem oito anos e nos conseguimos continuar a rever nele. O poder político começa a prestar mais atenção à educação de adultos. para adultos foi totalmente renovado. a partir de uma iniciativa do Ministro da Educação do IV Governo Provisório. mas em todo o seu percurso de vida. apareceu um modelo de educação popular. A. (Melo. antes de Abril de 1974. Gostaria no entanto de salientar os esforços que após o 25 Abril. propunha-se a alargar esta política em sectores prioritários da Educação através do programa “Nouvelle Chances” (Novas Oportunidades) curiosamente termo que adoptamos em 2007 para substituir os Centros de Reconhecimento e Validação de Competências. a educação de adultos “… representa …uma longa tradição…que faculta aos indivíduos a possibilidade de adquirir qualificações…e ingressar posteriormente no ensino de terceiro nível”. Alberto). ainda informal e inconscientemente uma aproximação ao actual modelo RVCC. já possuíam infra-estruturas ao nível da Educação ao longo da vida. Não é por falta de 11 O P. quer no discurso. A este atraso de Portugal durante gerações não está alheio o regime político de ditadura vivido antes do 25 de Abril de 1974. apareceu em Maio de 1975. não se baseando apenas numa situação puramente escolar. 2005:262). que procurou dar voz às classes socialmente mais desfavorecidas e melhorar a qualidade dos processos educativos. (ibidem:127). e por outro. algumas inovações significativas”. em que o mesmo se centrava no adulto. No que concerne a Suécia. apenas em três anos. No caso da França. O exame da 4ª classe. apareceram novas correntes neste âmbito. Está aqui presente. dois dos países que também foram alvo do estudo. nada ou pouco existia em Portugal. se começaram a evidenciar nesta área da Educação de Adultos. que em nada privilegiou a área educativa. fortemente impregnadas por um ambiente revolucionário e um subjacente processo de democratização. “a tentar lançar-se o embrião do que seria um campo e um edifício de educação de adultos em Portugal. a França e a Suécia. mais concretamente a partir dos anos 75/76. Por um lado foi criado o Plano Nacional de Alfabetização 11.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 população entre os 15-64 anos detinha como habilitação escolar apenas 9 ou menos anos de escolaridade. Conceberam-se e experimentaram-se.

Ambas apareceram em 1988. o PNAEBA (Plano Nacional de Alfabetização e Educação de Base de Adultos). aprovado pela Lei nº 3/79 de 10 de Janeiro (Rothes. que pretenda “aumentar os seus conhecimentos e desenvolver as suas potencialidades. A mesma.” (Veloso. Atendendo que a LBSE apenas abordava esta questão no sentido restrito e escolarizante. Artigo 20º. Em 1979. 2005:264). ponto 2. que nunca chegou a ser uma realidade. Os seus principais objectivos eram reduzir o analfabetismo e alargar o acesso dos adultos à escolaridade obrigatória. Este plano. da Lei nº46/86 de 14 de Outubro. Ao nível central. em complemento da formação escolar ou em suprimento da sua carência. elaborado a pedido da Comissão de Reforma do Sistema Educativo. ponto 1. Só em 1986. englobava parâmetros necessários que permitiam desenvolver medidas e práticas transversais à Educação Popular e à Educação Permanente. pretendia-se a criação de um Instituto Nacional de Educação de Adultos.”14 A mesma está direccionada numa perspectiva de educação permanente e visa a continuidade da acção educativa. No sistema educativo. que a mesma teve um tratamento menor e diminuto. documento emergido da reforma do sistema educativo é contemplada a educação de adultos. unicamente se estrutura em torno do ensino recorrente de adultos e da educação extraescolar.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 iniciativa/empenhamento por parte dos técnicos pertencentes aos movimentos de educação que a Educação de Adultos não tem os resultados previstos. contudo. parecendo traduzir. e com a Lei de Bases do Sistema Educativo. tendo em especial atenção a eliminação do analfabetismo. pretendia consolidar e estruturar 12 Artigo 20º. por parte do governo.”13 A educação extraescolar destina-se a todo o jovem ou adulto. da Lei nº46/86 de 14 de Outubro 14 Artigo 23º. por conseguinte. O Documento Preparatório III. da Lei nº46/86 de 14 de Outubro 13 14 . surgiram duas novas tentativas que procuram reorganizar um projecto para o subsistema da educação de adultos. uma não valorização deste campo. A sua execução estava prevista para um período de dez anos. numa perspectiva que tem como referência a educação escolar. 2004:197). no que diz respeito à Educação de Adultos “um tratamento articulado dos diferentes contextos educativo formais e não-formais e das diferentes práticas que se inserem dentro do conceito alargado de educação de adultos. O primeiro destina-se aos “indivíduos que já não se encontram na idade normal de frequência do ensino básico e secundário”12 e aos “indivíduos que não tiveram oportunidade de se enquadrar no sistema de educação escolar na idade normal de formação. não tendo em conta a vertente plurifacetada e a dimensão mais vasta da educação de adultos. Podemos dizer. não existiu. ponto 1. Lei nº 46/86 de 14 de Outubro.

(Veloso. No âmbito do PRODEP. teve como objectivos essenciais a obtenção da escolaridade obrigatória articulada com uma formação profissional inicial. através da formação profissional que incluía uma formação geral de base. foi constituído o “Grupo de Missão para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos. Estes programas. mais uma vez. tinha como principal finalidade. 2005:273). não menosprezando as vias de cariz mais escolar. Em 1986 com a entrada de Portugal para a Comunidade Europeia. Podemos dizer que a década de 90. (Rothes.º Quadro Comunitário de Apoio. contudo não existiram alterações qualitativas significativas. 15 . 2005:272). constituído no âmbito da Direcção Geral de Apoio e Extensão Educativa.1º e 2º Ciclos) e algumas acções de formação profissional inicial. foi marcada pelo PRODEP – entre 1990 a 1993. emerge a formação. O Plano de Emergência para a Formação de Bases de Adultos. representaram uma melhoria das medidas implementadas e desenvolvidas pelo governo neste sector. Subprograma 3. em 1989. e intervenção socioeducativa. com o alargamento dos fundos estruturais comunitários. “contribuir para melhorar o nível de qualificação da mão-de-obra. Um pouco mais tarde. 2004:206). este plano nunca viria a ser adoptado. promoção cultural e cívica. o Subprograma de Educação de Adultos que veio a ser aprovado inserido no 1. sob a tutela conjunta dos 15 16 Programa Operacional de Desenvolvimento da Educação para Portugal Criada pelo Decreto-Lei nº387/99. permanecendo o enfoque na escolaridade obrigatória (ampliando-se o Ensino Recorrente . na perspectiva dum melhor desempenho profissional e a possibilidade de prossecução das carreiras e de melhor adaptação às exigências do mercado de trabalho” (Rothes. Educação de Adultos. Portugal candidata-se ao PRODEP15. Um dos seus objectivos era a criação de uma agência nacional de educação e formação de adultos. o PRODEP II. 2004:212). (idem).Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 todo o subsistema de educação de adultos. mas valorizando uma perspectiva plurifacetada. mantendo-se as medidas meramente escolarizantes da intervenção do Estado no campo da Educação de Adultos. Perante a situação da população adulta portuguesa. (Veloso. já largamente difundida nos outros países membros incentivada pela possibilidade de recurso aos fundos comunitários.. decorreu o PRODEP I e entre 1994 e 1999. por decisão conjunta do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social”. As Acções de Formação Profissional implementadas. a ANEFA16. tiveram o Apoio do Fundo Social Europeu. onde estavam integradas as seguintes modalidades da educação não escolar: extensão educativa. (Veloso. em1999. 2004:206). em 1990. Contudo. Surge assim. de 28 de Setembro. formação para o trabalho.

Verifica-se um défice de procura e défice de oferta de qualificações que faz com que o panorama Português se mantenha tão dispare da OCDE. E onde nos conduz termos efectivos estas medidas? Se tivermos em consideração o mais recente documento oficial “Programa Operacional Temático Potencial Humano 2007 – 2013” e quais as suas finalidades/objectivos. com uma forte segmentação do mercado de trabalho e com a concentração do emprego em segmentos de baixa produtividade e actividades de menor sofisticação”. no qual os alunos são estimulados a aprender com os meios e ao ritmo do seu tempo.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Ministérios da Educação e do Trabalho a da Solidariedade. temos a sensação de estar perante o relatório Delors.  a rápida evolução do sistema tradicional de ensino para um sistema de aprendizagem orientada. das taxas de pré-escolarização e de escolarização no ensino secundário. Taxa de emprego 17 Programa Operacional Temático Potencial Humano 16 . com os outros países europeus. extinguindo-se o Grupo de Missão. São elementos fundamentais destes Programas de desenvolvimento educativos para Portugal:  a convergência. com a introdução de novos conceitos como coesão social. especialmente dirigidos a adultos e activos. inspirado por uma Visão de Qualidade do serviço público de educação. sustentabilidade e o ênfase dado à globalização. esperando-se que o Prodep III lidere a evolução do sistema educativo na primeira década do novo milénio. podemos verificar que há um conjunto de factores que coloca Portugal muito longe da União Europeia o que nos levará a questionar como o faz o POTPH17 no seu estudo constatando que no “ Mercado de Emprego o primeiro traço característico da situação portuguesa relativamente ao emprego encontra-se na coexistência de uma elevada participação dos vários segmentos no mercado de trabalho (com taxas de actividade e emprego elevadas e uma taxa de desemprego persistentemente inferior à média europeia. Se atendermos aos indicadores abaixo representados. A Educação já foi contemplada com inúmeros financiamentos da EU.  a abertura à prestação de novos serviços pelas instituições escolares. com uma “actualização” de semântica. estimulantes de Aprendizagem ao Longo da Vida. ainda que em crescimento nos últimos anos).

não do processo de certificação. Gomes 19 Prof.Indicadores estruturais. no âmbito do convite feito pelos participantes do Curso (Per)Cursos de Educação e Formação de Adultos 18. Alcoforado19 colocou esta questão sendo que todo este esforço de qualificação é questionável se não forem criadas as infra-estruturas necessárias que suscitem e valorizem essa qualificação. na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Produtividade horária Emprego em média e alta tecnologia Adultos com secundário Desigualdade de rendimentos Jovens com secundário 20 -24 anos Peso do secundário vocacional Taxa de abandono escolar Escolarização aos 18 anos Estudantes no superior EU25 Portugal Fonte: Eurostat . Validação e Certificação de Competências [Formação Avançada] – 1. standardizados. a 5 de Abril. OCDE. em particular na educação e formação de jovens.ª Edição”. da Universidade de Coimbra. Alcoforado e que deixa a pergunta do debate: “A caminho do futuro: qualificar para quê?” sem resposta.Reconhecimento. Education at a Glance 2006. Importa. intitulado “Feira das Vaidades” – A caminho do futuro: qualificar para quê? O Prof. Fig. 2 Penso que será de toda a pertinência fazer aqui referência ao encontro em que participei na Biblioteca de Vila Nova de Gaia. O atrás referido foram algumas das reflexões que nos deixou o Dr. ou seja. mas com propostas de reflexão sobre a complexidade. especializado na área de Educação de Adultos 17 .Coordenação: Isabel P. promovido pelo seu Serviço de Educação Contínua. realizado durante os meses de Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2008. como já referi anteriormente.coesão social. para “Peso do ensino secundário vocacional (UE19)”. para que a formação produza efeitos de coesão social tem de haver outros sistemas que permitam que esta articulação qualificação – emprego . aqui salientar a importância de reforçar a articulação Ministério da Educação – Ministério da Segurança Social e do Trabalho. talvez. mas do sistema que lhe terá de dar continuidade. 18 “(Per)Cursos de Educação e Formação de Adultos .

pt/content. não assegurando ao país as condições necessárias ao seu desenvolvimento. “Apesar dos progressos realizados.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Obviamente esta interrogação Qualificar para quê? deve ainda mais incentivar os cidadãos a aumentar o sua qualificação. bem como a qualificação de 650 mil jovens. 2007:9165).8 mil milhões de euros de investimento público.poph. a Educação torna-se indissociável do desenvolvimento económico. o que designa uma sociedade desenvolvida é uma sociedade baseada no conhecimento que seja eficaz na capacitação dos seus cidadãos no sentido da coesão e da sustentabilidade social. esta terá de apostar na educação. aumentar o seu espírito crítico e poder assim juntar-se à reflexão sobre estas questões e “pressionar” quem tem o poder de gerir e criar estratégias de as repensar se não estão a ser efectivas. naquela que é uma aposta estratégica sem precedentes na qualificação dos portugueses e no reforço da coesão social.asp? startAt=2&categoryID=378 16. Estes são apenas alguns exemplos daquilo que podemos antever como resultados que se esperam da execução do Programa: um país em que os activos estão melhor qualificados.05.1 mil milhões são comparticipação do Fundo Social Europeu. assegurando que o 12º ano seja o referencial mínimo de escolaridade e que as ofertas profissionalizantes de dupla certificação passem a representar metade das vagas em cursos de educação e de formação que permitam a conclusão do secundário. em que os jovens concluem o secundário e em que o abandono escolar está a ser vencido O Decreto-Lei nª369/200721 de 31 de Dezembro. dos quais 6. do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. a realidade nacional. A fasquia da escolaridade mínima obrigatória aumentou do 9º para o 12º ano e a Iniciativa Novas Oportunidades responde de forma ambiciosa a este grande desafio de elevar rapidamente os níveis de qualificação dos portugueses e tornando o 12. Seguindo esta linha de pensamento. 20 Programa Operacional Potencial Humano (POPH) http://www. e o ritmo de evolução em matéria de qualificações. No Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). associada à expansão da rede de Centros Novas Oportunidades. Nos nossos dias. no contexto de uma economia global cada vez mais baseada no conhecimento” (Diário da Republica.2008 21 Anexo IV 18 . Até 2010 deverá ser apoiada a qualificação de 1 milhão de activos. esta dotação representa 37% dos apoios estruturais. A (POPH)20 constitui um dos maiores programas operacionais de sempre concentrando perto de 8. continuam muito longe dos países mais desenvolvidos. traduz explicitamente tudo o que até agora foi dito em relação ao “estado” da qualificação da população.qren.ºano o nível de escolaridade de referência.

essencialmente para os de mais baixa qualificação. a questão da falta de tempo. Refere. sobretudo se ela não for profissional. são indicadas como razões principais para a implicação dos governos na aprendizagem dos adultos. vejamos: “A falta de tempo é as razões mais invocadas pelos adultos para explicar a sua recusa em iniciar uma formação. a elevação das taxas de conclusão do nível secundário nos jovens.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 A concretização desta ambição passa por uma estratégia dual. …A criação de sistemas modulares …. Isto reflecte também os seus compromissos profissionais e familiares. para que estes se apercebam dos benefícios da aprendizagem. são os factores mais relevantes para o abandono ou não frequência da formação de adultos.23 Pode ler-se ainda: “ as medidas devem tornar a aprendizagem mais atraente para os adultos” . por exemplo. a decorrer em Portugal. alude também aos casos particulares dos excluídos como. 23 19 . Por outro lado. ser importante haver uma formação simples e acessível. A falta de contrapartida financeira também é tida como um obstáculo. Por outro lado. O reforço dos valores democráticos e o melhoramento das competências individuais necessárias para participar na economia e no mercado de trabalho. e para além disso de que eles estão pouco convencidos dos benefícios da aprendizagem. os que vivem na periferia ou com “barreiras” psicológicas. assim como a falta de convicção dos benefícios da aprendizagem. a persistente recuperação dos níveis de qualificação da população adulta. dos adultos dos processos de formação. os que têm pouca qualificação ou pouca educação. validação e certificação de competências. Por um lado. No relatório acusa-se mesmo as instituições de fornecerem formação mas nem de modo transparente ou coerente.“O Reconhecimento das aquisições anteriores. A este respeito. Avaliar e Certificar os Conhecimentos e as 22 Au-delà du discours : Politiques et pratiques de formation des adultes – Points clés. com um forte combate ao abandono precoce e uma aposta no reforço das vias profissionalizantes. um relatório da OCDE22 de 2003 faz uma análise muito interessante do abandono. Este relatório chama a atenção dos decisores políticos para a necessidade de acompanhar estes adultos.” (ibidem:8) Não podia deixar de referir um parágrafo deste relatório que elogia Portugal. através da conjugação da educação de adultos com a generalização dos processos de reconhecimento. OCDE (2003) Os países acordam sobre os objectivos a longo prazo que incluem elementos económicos e não económicos: a necessidade de capacitar os indivíduos com pouca formação e de intervir para ajudar n desenvolvimento económico e ao reforço da coesão social para lutar contra o desemprego e para desenvolver pessoal e socialmente os indivíduos. Os seus problemas financeiros são também referidos como barreiras à aprendizagem” (OCDE 2003:5) Resumidamente. dá aos adultos a possibilidade de estudar ao seu próprio ritmo. É-lhes difícil encontrar tempo para continuar o curso. (ibidem:7) Os países da OCDE reconheceram a necessidade de uma intervenção pública por razões de equidade e de eficácia”. ainda. senão.

pt/search?hl=pt-PT&q=http%3A%2F%2Fwww. de adultos abrangidos pela Iniciativa Novas Oportunidades até ao final de 2007 foi de 352.A estes resultados não estão alheios”… o reforço da coordenação na execução de políticas de educação e formação em Portugal…”(ibidem:3). Número de adultos inscritos nos Centros RVCC.min-edu.06. certificados e orientados para formação . sendo que essa proporção mantida nas outras etapas. de acordo com o Relatório “INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES DOIS ANOS EM BALANÇO” de 200724. A expansão e a consolidação da rede de Centros de Novas Oportunidades.pt%2Fnp3content%2F %3FnewsId%3D300%26fileName %3Dno_balan_o_janeiro_2008. é uma das formas de motivar os adultos.google. abaixo.563. (ibidem:9) Para materializar o atrás referido. 24 INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES DOIS ANOS EM BALANÇO http://www. em casa ou na sociedade.542 procuraram uma qualificação de nível secundário.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Competências adquiridas no trabalho. é nítida a fase se implementação que contrasta com os nrs. 2001. O sistema nacional Português de Reconhecimento. assim como a reestruturação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos. no quadro I podemos constatar que no primeiro ano. de Validação e de Certificação do nível de educação e de experiência pessoal é deste ponto de vista exemplar”.2001 e 2002 Quadro I Quadro I No sentido de reforçar ainda mais a dinamização da procura e os resultados. contribuiriam de uma forma decisiva para que estes resultados fossem possíveis. posemos constatar que o nr. do ano 2002 que mostra uma grande evolução no número de inscritos.pdf&btnG=Pesquisa+do+Google&meta12.2008 20 . porque estes têm a certeza de não irem perder tempo a apreender coisas que já sabem. dos quais 150. abrangidos pelo processo de RVCC.

Dezembro de 2007.º 387/99 de 28 de Setembro (Revogado pelo n.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 O quadro II. Este relatório da OCDE. IEFP. Programas Operacionais. encontra-se em Portugal a ANEFA (Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos) e o Conselho para a Aprendizagem e as Competências. como podemos verificar pelo atrás exposto. Neste diploma pode ler-se que a ANEFA foi criada…” com a natureza de instituto público.º 208/202 de 17 de Outubro. dava uma opinião bastante favorável quanto à actuação de Portugal e as medidas que estava a adoptar. da promoção de programas e projectos e do apoio a iniciativas da sociedade civil. no domínio da educação e formação de adultos. criada pele decreto-lei 387/99 de 28 de Setembro.” (ibidem:12). concebida como estrutura de competência ao nível da concepção de metodologias de intervenção. É também feita referência à extinta ANEFA25 “Como exemplo de uma instituição específica que ajuda na coordenação das políticas de aprendizagem dos adultos. Quais as finalidades da ANEFA? No Decreto-Lei n.2007) Centros Novas Oportunidades Inscritos Em diagnóstico Encaminhados Em processo de RVCC Certificados Cursos de Educação e Formação de Adultos Quadro II Básico Secundário 174 759 148 708 42 518 19 014 3 359 59 068 50 800 80 331 47 721 2 710 17 778 168 27 262 1 834 Fonte: SIGO. 21 . (Learning et Skills Council) no Reino Unido. dá-nos conta da magnitude desta evolução em termos de procura e de posicionamento diferenciado quanto ao seu processo de qualificação.º artigo 37. é criada através de diploma a ANEFA (Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos ).Dez. sujeito à tutela e superintendência dos Ministros da Educação e do Trabalho e da Solidariedade. tendo em conta as etapas que constituem as etapas dos CNO’s. e ainda da construção gradual de um sistema de reconhecimento e validação das aprendizagens informais dos adultos”. 25 Surge em1999. Total de adultos abrangidos pela Iniciativa Novas Oportunidades. por situação (31.º do DecretoLei n.

coordenar a execução das políticas de educação e formação profissional de jovens e adultos e assegurar o desenvolvimento e a gestão do sistema de reconhecimento. Esta Iniciativa propõe metas ambiciosas no domínio da certificação escolar e profissional da população e exige a mobilização alargada dos instrumentos. validação e certificação de competências.2008 http://bdjur. de modo global e articulado. No restante e com 8 anos de diferença os objectivos a que se propõem são os mesmos.. (ANQ)26. a estratégia para a educação e formação de adultos deve combinar uma lógica de serviço público e uma lógica de programa.minfinancas. a acção a desenvolver deve dar visibilidade e substância a estratégias de valorização pessoal.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 A ANEFA manteve-se em regime de instalação até a sua integração final em 2002 (DecretoLei n. privilegiando para isso a dimensão local e regional e mobilizando a sociedade civil.º 208/202 de 17 de Outubro [on line] http://www.. na óptica da empregabilidade.net/item.htm 12.º 387/99 de 28 de Setembro (Revogado pelo n. A coordenação das políticas de educação e formação. em simultâneo. no sentido de uma capacitação crescente das pessoas e das comunidades. ao mesmo tempo que asseguram a transição para a sociedade do conhecimento. permitam lutar contra a exclusão social através do reforço das condições de acesso a todos os níveis e tipos de aprendizagem. da criatividade.º do Decreto-Lei n. assenta num conceito de educação de adultos definido como o conjunto de processos de aprendizagem. como por exemplo o que se tem feito a nível da educação nos últimos anos? Ou ainda qual a razão se temos tantos projectos o que é que falha em termos de eficácia? É um problema complexo. P.2008 28 Retirado do decreto-lei nº 276-C/2007 de 31-07-2007 (ibd. a diferença flagrante é na qualificação mínima a que se refere a ANQ. E educação em Portugal traz muitos anos de atraso a que o poder político.º 208/2002. I. Senão vejamos o quadro comparativo: Quadro comparativo entre finalidades da ANEFA e da ANQ Finalidades da ANEFA27  O desenvolvimento da educação e formação ao longo da vida.06. formais ou não formais.php?field=node_id&value=1207485 27 Decreto-Lei n. P.  …têm por principal desígnio promover a generalização do nível secundário como qualificação mínima da população portuguesa. Dos objectivos que previa o diploma que criou a ANEFA e os que prevê a ANQ. que se traduza no estímulo e apoio à iniciativa e à responsabilidade individual e de grupos. considerada como «condição para a plena participação na sociedade».pt/Leggeraldocs/DL_387_99. visa assim. pela Iniciativa Novas Oportunidades. corrigir um passado marcado pelo atraso neste domínio e preparar o futuro deve assegurar respostas eficazes e adequadas que garantam a igualdade de oportunidades. bem como a valorização dos dispositivos de reconhecimento.nota rodapé 28) 22 . ou seja o 12º ano. melhorar a relevância e a qualidade da educação e da formação profissional… Quadro III A leitura do quadro suscita diversas questões.º artigo 37. profissional.igf. actual Agência Nacional para a Qualidade. Finalidades da ANQ28  É missão da ANQ. em particular. a escola. assegurando a coerência e a pertinência da oferta formativa orientada pelo objectivo da dupla certificação. A intervenção da ANQ. políticas e sistemas de qualificação. da adaptabilidade e da cidadania activa.  Nesta óptica. I.  Uma política de educação de adultos que visa. validação e certificação de competências são pilares fundamentais da estratégia de qualificação da população portuguesa e de promoção da aprendizagem ao longo da vida protagonizadas. cívica e cultural. As finalidades em pouco diferem.06. Assim.almedina. de 17 de Outubro) na Direcção Geral da Formação Vocacional (DGFV). os alunos os seus encarregados de educação e 26 Decreto-Lei nº 276-C/2007 de 31-07-2007 – artigo 10º .Organização Interna Diário da República nº 146 Série I de 31/07/2007 Suplemento [on line] 12.

consequentemente. nomeadamente. O abandono é um problema de desenvolvimento. Para a ministra.) A percepção de que a conclusão do nível de escolaridade obrigatória por parte dos jovens por oposição ao abandono precoce é. Procurarei seguidamente enfatizar a pertinência deste assunto. não haja adultos que “…sofreram os efeitos do abandono escolar precoce” (Diário da Republica. 2007:9166) e. Não o fazer põe em risco o cumprimento dos seus próprios fins. que não pode reduzir-se a um problema escolar. a tomar-se consciência de que o abandono é um problema de desenvolvimento. No Jornal diário. na página 8 podia ler-se como título da página da Educação: Ministra lembra ineficácia das elevadas taxas de insucesso escolar. assim. “O abandono. da responsabilidade conjunta dos Ministérios da Educação e da Segurança Social e do Trabalho” Começa. trata-se de um problema em relação ao qual se podem encontrar algumas linhas estratégicas de intervenção a partir do contexto educativo. No Diário da Republica.Relatório da OCDE diz que faltam provas de que a retenção traga benefícios para os alunos. Trata-se de um problema de desenvolvimento que remete para expectativas. Um dos indicadores do abandono precoce é a retenção escolar. mas que em tudo diz respeito à escola e aos dispositivos de educação/formação que aqui desempenham um papel central. eventualmente a “solução” mais difícil. o Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar (PNAPAE) foi apresentado publicamente como um plano de acção da iniciativa do Governo. alerta para os elevados custos e sugere estratégia da Finlândia como eximo a seguir. Ao fazê-lo dever-se-á ter em devida conta as condicionantes sociais que possibilitam ou dificultam o sucesso educativo. sem qualificações. não se verifique este atraso recorrente que se tem verificado ao longo das últimas décadas. do sistema de educação e formação. pode ler-se: “No passado dia 7 de Abril. Como subtítulos tínhamos: -Chumbos no básico e secundário custam mais de 600 milhões de euros por ano e . o que passará. Exigindo actuação em muitos campos e níveis. mas a mais eficaz para que a longo/médio prazo. considerando as restantes vertentes. é possível e desejável interagir e intervir também a partir dela. Verifica-se uma preocupação com o abandono e o insucesso escolar.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 a sociedade não são alheios. modos de conceber e valorizar o papel da escola e do trabalho e recursos socioeconómicos” (Diário da Republica 2004:12 893). de 30 de Abril de 2008. e citando o jornal. constitui um problema social multipolar e complexo. a solução passa “pela identificação precoce das 23 . de 24 de Agosto de 2004. o Público. por reforçar a intervenção pela via do apoio económico e social aos alunos e suas famílias” (idem. um problema de política educativa. Pode ainda ler-se: “Apesar de as causas do fenómeno não radicarem exclusivamente na escola.

2007:56). Mas. “rejeita a ideia de facilitismo” : “facilitismo é chumbar. como já referido. afinal. . Depois da reflexão teoria sobre a educação de adultos e os processos de RVCC em Portugal e da análise e discussão das políticas e da sua implementação na área das competências adquiridas ao longo da vida. fundamental. Capitulo 3 . através de metodologias para além da “tradicional” certificação formal é. nas quais evidencia competências e conhecimentos muito para além das que correspondem às suas certificações/qualificações. como já vimos. (in Programa Operacional Temático Potencial Humano.o abandono dos adultos que já se encontram em processo de RVCC -. transversais ou específicas e relevantes para a sua progressão escolar e profissional. capazes de criarem uma cultura de Aprendizagem ao Longo da Vida.Opções Metodológicas 24 . sinto que estou mais à vontade para seleccionar a metodologia a adoptar para a problemática que irei tentar desconstruir. que poderá ser de nível básico ou secundário. “posicionar” os indivíduos face a um dado referencial de competências. Certificação e Validação de Competências. e não menos importante. Por último. . integradoras e com sentido vocacional.. A criação e o desenvolvimento do Sistema RVCC justificam-se pelos baixos níveis de escolaridade da população portuguesa e pelo facto duma parte significativa desta população exercer funções e responsabilidades.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 dificuldades”. considerando que o atrás dito conduz à compreensão da sua existência. a recorrência dos abandonos. Rigor e exigência é fazer com que todos aprendam”. Penso que percorri um caminho teórico que me conduz e me permite focalizar na especificidade do Reconhecimento. sociais e profissionais. o que diz o estudo da OCDE? Citando a mesma fonte é dito que “A Finlândia recorre a um conjunto de intervenções formais e informais para ajudar a quem está a ficar para trás na escola…” Todo este discurso vem reforçar as diversas teorias anteriores de que terão de se centrar na promoção da escola. Gostaria de também ter conseguido abordar eficazmente a problemática do abandono escolar precoce como conducente a estes adultos com défice de qualificação formal.e. A capacidade de proceder ao reconhecimento de competências adquiridas ao longo da vida. i. Através dos RVCC poderá ver as suas competências traduzidas e equiparadas ao conhecimento formal. valorizando Socialmente a Escola e a escolaridade de doze anos – uma Escola e uma escolaridade úteis.

Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Será talvez pertinente relembrar que a investigação que me proponho efectuar partiu de um estudo feito no anterior. Foi utilizado o método quantitativo. a média de idades é 36. e que por motivos diversos decidem aumentar o seu nível de escolaridade. que procuram “compreender o significado que os acontecimentos têm para as pessoas vulgares em situações particulares” (idem:53) a abordagem qualitativa é considerada o método capaz de interpretar os sentidos da complexidade das relações entre os indivíduos que interagem em situações concretas. que é justamente o caso destes adultos. Considerando que a minha área de formação é das Ciências Sociais e Humanas. é algo que não é dado mas sim construído e essa construção é mais importante que a solução. maioria dos adultos é casada. Esta citação de Rui Canário. A Drª Gina Curralo cedeu-me gentilmente o seu relatório.Universidade De Trásos-Montes e Alto Douro -Pólo de Miranda do Douro]. assim como os questionários que serviram base para iniciar o meu estudo. [“Validação e Certificação de Competências: Factores Explicativos do Abandono no Centro de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências (Vila Nova de Gaia) da Cruz Vermelha Portuguesa “ Gina Curralo . Predomina o sexo feminino. Para uma melhor compreensão do estudo então realizado transcrevo o “Resumo” do mesmo: “ O objecto deste estudo é compreender os abandonos no processo de RVCC da CVP.0. 25 . População desempregada tenciona aumentar o nível de escolaridade para posteriormente melhorar a empregabilidade. Segundo Canário (1996:65) “um problema corresponde sempre a um ponto de vista. Grande percentagem dos adultos desempregados abandona o processo por motivos de integração profissional. através do inquérito por entrevista (população = 140) e uma análise descritiva utilizando o programa SPSS 14. Quanto aos motivos de abandono uma elevada percentagem tem a ver com o processo de RVCC. porque a determina”. com o ensino formal deixado para trás há muitos anos. têm em média 1 filho. A análise quantitativa do estudo anterior iria ser “esmiuçada” porque “A investigação qualitativa faz luz sobre a dinâmica interna das situações” (Bogodan e Biklen. 90.7% residem em Vila Nova de Gaia. o motivo mais apontado foi a dificuldade na elaboração do dossier pessoal”. assim como as anteriores serviram de “inspiração” para as minhas opções metodológicas. 1994:51) [através do] “registo tão rigoroso quanto possível do modo como as pessoas interpretam os significados) ”.

33) As perguntas do questionário elaborado pela Gina Curralo.( relatório Gina pag. 25 e 26. é de salientar os que estão relacionados com o processo de RVCC. que são29: “25 . nomeadamente dificuldades na construção do dossier pessoal (com maior relevância estatística”). Porque razão abandonou o processo de RVCC? (Pode indicar mais do que uma opção). Dificuldade na construção do dossier pessoal Sim Não Dificuldade nas sessões individuais Sim Não Dificuldade nas sessões colectivas Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Dificuldade de relacionamento com as formadoras Sim Não Dificuldade de relacionamento com os(as) colegas Sim Sim Não Não Dificuldade na formação Dificuldade na defesa do dossier pessoal perante o júri de validação Dificuldade na compreensão dos instrumentos/fichas Falta de acompanhamento por parte dos profissionais RVCC Dificuldade de relacionamento com os profissionais RVCC Horário desajustado Sim Não Sim Não Por motivos de doença Sim Não Por motivos familiares Sim Não Por a realização do processo ter sido imposta Sim Não Sim Não Duração do processo demasiado longa Por motivos de integração profissional P/ frequentar outra acção de formação.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 A minha primeira abordagem metodológica foi “olhar” os questionários feitos aos adultos e ver se encontrava algum indicador para o motivo do abandono ser a dificuldade de elaboração do dossier pessoal. (“No que concerne aos motivos de abandono.Em que fase do processo RVCC desistiu? Durante o processo RVC Durante a formação No fim da formação Dossier terminado 26. curso ou processo de RVCC Outras Qual(ais)? _______________________________________________” 29 Anexo V 26 . que levam a essa conclusão são as nr.

Depois de ter a anuência. Construi um quadro30 com as anotações / justificações de cada questionário. na resposta à pergunta 26. que se incluíam nas “Outras”. Características e técnicas – (policopiado) 31 27 . 1996: 90) De acordo com Manuel Matos32. Esta percepção. Não segui à risca esta definição. mas o modo e a ordem como são desenvolvidos ficam à disposição do entrevistado. da supervisora e da coordenadora de estágio. mas quando achava oportuno introduzia a questão seguinte. mas porque a possibilidade de optar por uma apresentação semi. Parti para a elaboração do Guião da Entrevista31. E quem me poderia dar conta disso? Para perceber se o abandono na perspectiva dos adultos era entendida e percepcionada pela equipa técnico – pedagógica necessitava de saber qual a concepção que estes profissionais e formadores tinham sobre o abandono dos adultos em processo. recolhido as razões para o abandono. este tipo de entrevista “define-se como entrevista semi directiva. enfim dos motivos que o levavam a abandonar o processo RVCC por parte do CNO da CVP. seria bom haver um fio condutor nas entrevistas a realizar (mas nunca inibidor do que o entrevistado tinha para 30 Anexo VI Anexo VII 32 Manuel Matos. do ponto de vista do adulto e que não cabiam no leque de opções previstas. A Entrevista. tendo sempre o cuidado de deixar fluir o diálogo.estruturada (…) permitia ter os mesmos pontos de referência para todos os indivíduos entrevistados (…)” (Terrasêca. levou-me a questionar se haveria conhecimento do “ponto de vista do adulto”.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Apercebi-me que quase sem excepção. A entrevista… A entrevista foi a opção metodológica que escolhi “não apenas por ser uma das técnicas mais usadas pelas metodologias qualitativas. havia muitas anotações dando conta de outras justificações para o abandono do processo RVCC. “Quais”?. porque todos os aspectos que o entrevistado deve responder são previamente planificados pelo entrevistador. apesar das várias opções dadas para resposta. dos seus constrangimentos. perguntei da disponibilidade dos profissionais e formadores envolvidos no processo desses adultos para uma entrevista. Esta minha preocupação prende-se com o faço de como me propunha fazer análise de conteúdo das entrevistas. Tinha deste modo. depois de ter sido introduzido o mote inicial” (s/d:2). mas concretamente do quadro técnico – pedagógico e da sua Direcção. o que já é de si carta de apresentação relevante.

para não correr o risco de se perder informação. A entrevista foi elaborada tendo em conta os objectivos do trabalho. (na reunião para saber da disponibilidade para a entrevista tinha informado que o objectivo da mesma seria o aprofundar as questões do abandono estudadas pela Gina Curralo). A análise de conteúdo Segiu-se um trabalho moroso de transcrição das entrevistas 33 com o objectivo de proceder à análise de conteúdo das mesmas. na realidade esta preocupação que está presente no estudo. as leituras que fazem das próprias experiências. as suas interpretações de situações conflituosas ou não. ou aclarar mal entendidos… [por outro lado] também podem ter como resultado respostas inesperadas ou imprevistas”.” (Quivy e Campenhoudt. É. O objectivo era perceber se os profissionais e formadores atribuíam o mesmo significado ao abandono que os adultos. A entrevista teve lugar nas instalações da CVP. As entrevistas foram agendadas de acordo com a disponibilidade dos entrevistados.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 dizer). Citando (Cohen e Manion. no entanto margem para um discurso aberto. se pretender. o procurar acrescentar algo que nos leve à compreensão da questão de partida. As questões foram colocadas através de perguntas pré . 33 Anexo VIII 28 . Antes do início de cada entrevista era perguntado ao entrevistado se tinha dúvidas quanto ao objectivo da entrevista. 1997: 193). Na última questão era dada a oportunidade de acrescentar alguma coisa que não tivesse sido referida e que considerassem pertinente. Cada entrevista tinha a duração prevista de 45 minutos. que abordarei numa fase posterior. as suas referências normativas. nomeadamente as perguntas do questionário feitas aos adultos (perguntas 26 e 27). 1990:385) este tipo de entrevista permite ao investigador “indagar de modo a que possa penetrar mais profundamente. não tendo havido objecções. etc. tendo estes sido bastante receptivos. assim como as respostas encontradas como significativas no quadro já referido (anexo VIII). O que se pretendia era fazer a “análise do sentido que os actores dão às suas práticas e aos acontecimentos com os quais se vêem confrontados: os seus sistemas de valores.definidas (anexo IX) que orientavam para o tema. tendo atingido sensivelmente os 60 minutos. até porque no decorrer das entrevistas surgiram questões relevantes para a compreensão da investigação. Foi pedida autorização para gravar. deixando. Foi garantido o anonimato das mesmas.

A escolha da análise de conteúdo prende-se com o facto de oferecer “a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e complexidade” (Quivy e Campenhoudt. foi feita a leitura flutuante de todas as entrevistas transcritas de forma a tentar perceber um fio condutor numa tentativa de tornar a leitura mais “precisa” de acordo com a nossa investigação. Ainda de acordo com Bardin quem se propõe fazer análise de conteúdo. por procedimentos. com base numa lógica explicitada. A presença destes núcleos de sentido deve adquirir significado na medida em que significa alguma coisa para o objecto de análise. O trabalho de “limpeza” do texto vinha enfatizando estes núcleos de sentido que começavam a dar corpo a um conjunto de categorias que me permitiam inferir algumas “discussões” ainda que prematuras. “Tratar o material é codificá-lo” (ibidem:103). por deduções lógicas (inferências). que serviram de indicadores para as categorias. Seguindo a metodologia proposta por Bardin (1995).Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 A finalidade da análise de conteúdo de acordo com Jorge Vala “…será pois de efectuar inferências. 29 . ou ainda segundo Jorge Vala “classificação. O tratamento das mensagens do texto pela sua fragmentação em categorias permitiu uma descrição/enumeração das características do texto. os resultados brutos foram tratados de maneira a tornarem-se significativos (“falantes”) e válidos (Bardin. 1997:227) Na perspectiva de Bardin (1977). deve ter bem presente que esta aparece como “um conjunto de técnicas de análise das comunicações. Pela pesquisa teórica é esta abordagem metodológica que terei de efectuar. pela selecção dos índices (tirados do texto) e registo da sua frequência. a categorização é uma tarefa que realizamos quotidianamente com vista a reduzir a complexidade do meio ambiente. identificá-lo. a análise de conteúdo pode ser entendida como "um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter. ordená-lo ou atribuir-lhe sentido” (2007:110). indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens" (Bardin. Segue-se uma fase não menos morosa e cansativa que consiste na codificação. 1977:42). que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens” (ibidem:37). Como atrás referido. sobre as mensagens cujas características foram inventariadas e sistematizadas” (Vala 1986:104). sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens. estabilizá-lo. 1995:101).

de inscritos em 2004 atingiu um total de 536 pessoas. por um lado a consciência das dificuldades. de inscritos em 2004 (Junho /Dezembro) Transferências Inscritos de outros em Gaia Inscritos através de Transferências de outros 34 Anexo IX Retirado do Relatório Anual 2004 CRVCC – Fevereiro 2005 36 Retirado do Relatório final 2005 37 Quadro retirado do Relatório Anual 2004 CRVCC – Fevereiro 2005 35 30 . Gostaria de. procurando retirar das “falas” dos adultos. (estudo efectuado com adultos que abandonaram o processo entre 2004/2005) já foi elaborado com base nas inquietações sentidas no seio da CVP de Vila Nova de Gaia. Como já referido esta investigação tem como objectivo a compreensão do abandono dos adultos em processo. por outro a vontade de as ultrapassar.V. antes de iniciar a “discussão” incorrendo no risco de ser repetitiva.Resultados e Discussão A discussão é feita de acordo com os resultados da investigação. da análise de conteúdo das entrevistas e dos questionários feitos aos adultos. de recordar que esta investigação procura dar resposta a um pedido formal da Directora da do CVP. Inicialmente prevista para o início de Janeiro de 2004.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Na análise de conteúdo às entrevistas34 feitas aos profissionais e formadores. Capítulo 4 . e das “falas” do quadro técnico – pedagógico as percepções de cada um tem quanto ao abandono. Considerando a atrás exposto penso que será pertinente enfatizar que o estudo da Gina Curralo. sendo que a investigação empírica constou da análise de documentos. distribuindo-se da seguinte forma:37 O nr.P. a CVP iniciou a sua actividade em Junho de 2004 (por razões organizacionais que não pode transpor) o que veio alterar a forma as metas inicialmente previstas no Plano Estratégico de Intervenção. segui a esteira de Laurence Bardin relativamente ao conceito de tema “unidade de que se liberta naturalmente segundo critérios relativos de um texto analisado segundo critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura “ (ibidem:105). Nesta confluirão todos os dados recolhidos que se revelaram pertinentes para a compreensão da questão de partida. O nr. Através da leitura do relatório de resultados do final de 2004 35 e de 2005 36 pode sentir-se. Os relatórios da C. assim como aos questionários dos adultos.

tendo ficado validados e a aguardar certificação: uma adulta. Quadro V É também de referir a preocupação logo na selecção dos adultos para iniciar o processo. contudo é na área de RVC que queremos perceber os números. Ressalvo que outros adultos foram encaminhados para outro tipo de formação (ver relatório anexo XII). tendo sido “… assumida uma outra designação – a suspensão – para os adultos que interromperam o processo ou não o tendo iniciado. Há neste primeiro relatório uma preocupação com as desistências. (ibd. sendo que quando são convocados para integrar os grupos. não formalizaram a sua desistência” (Relatório Anual 2004:18) Desistências + Suspensão em 2004 Desistência Suspensão TOTAL 8 48 56 .Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Masculino Feminino Centros para Gaia 12 14 157 278 27 33 centros para Rio Maior 3 12 Totais 26 435 60 15 Rio Maior Total 536 Quadro IV Até ao final do ano ocorrem apenas dois júris. sendo considerada a disponibilidade de horário dada na entrevista. de inscritos em 2005 (Janeiro/Dezembro)38 Homens Mulheres Inscritos directamente nas instalações do CRVCC da CVP Inscritos por transferência de outros Centros Total de inscritos 478 681 Total de adultos 1159 27 28 55 505 709 1214 Quadro VI 38 Retirado do relatório 2005 31 . a nível B2 e treze adultos a nível B3. Janeiro a Dezembro a realidade já era diferente: O nr. haja desde logo um desfasamento entre o número de pessoas contactadas e as que efectivamente comparecem na primeira sessão.4) Em 2005.

(relatório CVP 2005:14) Há consciência plena das desistências. fez-se o 39 Ibd 32 . sendo que estas influenciam os resultados finais. contudo a seguir ao quadro dos certificados pode ler-se: “…de salientar que são poucas as desistências do processo formalmente assumidas pelos adultos. Em primeiro lugar. Nesse caso. os seus processos consideram-se suspensos até que alguma informação seja prestada por parte do interessado…”. entendemos que existe ainda um trabalho a percorrer neste campo. Com efeito. deixando eventualmente as metas físicas comprometidas. sendo 266 homens e 433 mulheres Adultos certificados39 Homens Mulheres Certificados Validados Total 71 3 74 141 13 154 Total de Adultos 212 16 228 Quadro VII É curioso que neste relatório não há nenhum quadro que exponha o número das suspensões.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Registaram-se entre Janeiro e Dezembro de 2005 um total de 699 adultos em processo de RVC. as pessoas simplesmente deixam de comparecer nas sessões sem o justificar. suspensões ou abandonos. De forma geral. apesar de se ter procurado adoptar estratégias que permitissem aumentar o volume de processos concluídos. apesar de se procurar instilar desde o início um sentido de responsabilização individual e da motivação…” (ibidem 15) Há indubitavelmente uma preocupação explícita quanto às desistências. Este relatório de 2005 é ainda mais pessimista ao afirmar: …”consideramos que tem sido neste âmbito que se tem verificado uma maior dificuldade em atingir as metas propostas. apenas uma percentagem reduzida chega ao final das sessões previstas com o trabalho concluído. designações que se assumem como diferentes só pelo processo de formalização do adulto (em processo ou não). Do total de adultos que iniciam o processo. que no nosso entender não pode passar por um descurar da qualidade da leitura e análise dos dossiês individuais. sendo a desistência a que designa a “consciência do adulto do acto”. O estudo da Gina Curralo incidiu neste período de 2004/2005 regeu-se pelos seguintes procedimentos : …” Procede-se ao levantamento dos motivos que levam os adultos a desistirem do processo de RVCC no Centro da CVP. o que torna difícil o rastreio da sua situação e motivações para esta atitude.

9%). Tendo já percorrido os passos que me conduziam às categorias.9%).7%). -motivos de integração profissional (22. Razão de abandono “dificuldade na construção do dossier pessoal” é aquela que está directamente relacionada com o processo de RVCC.3%). a trajectória profissional.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 levantamento dos adultos que iniciaram o processo de RVCC no ano de 2004 e 2005 e que não terminaram. -sobrecarga horária (19. O inquérito por entrevista destinou-se a todos os adultos que iniciaram o processo de RVCC no ano de 2004 e 2005 e que não terminaram. 89 mulheres e 51 homens. sendo excluídos os adultos que se inscreveram nas itinerâncias…Posteriormente foi elaborado o inquérito por entrevista o qual questiona quais os motivos de desistência do processo de RVCC e os motivos para a inscrição. sendo as outras razões de carácter pessoal. o inquérito foi testado a 5 adultos e reestruturado. Foi feito apenas o levantamento dos adultos inscritos no Centro. 265 mulheres e 157 homens. que levaram à conclusão que as razões mais apontadas seriam: -dificuldade na construção do dossier pessoal (24. como também. 40 Retido do Porwer point resumo do relatório Gina Curralo 33 . dos quais participaram 140 indivíduos. 40 -motivos familiares (22.3%). inferir algumas questões e percepções que os inquiridos têm sobre o abandono. Assim. pag 13). poderei através dos indicadores retirados das entrevistas e dos questionários. num total de 422 adultos. -motivos de doença (20. devido à sua pertinência a trajectória educativa e formativa e. São estes 140 indivíduos (33%) do total dos desistentes. De seguida. as categorias encontradas foram:  Categoria 1 – Significado atribuído ao abandono dos adultos em processo RVCC  Categoria 2 – Compreensão do abandono no início e no fim do processo RVCC  Categoria 3 – O abandono vs intenção em regressar. tendo sido aplicado entre os dias 17 Outubro e 18 de Dezembro” (relatório da Gina Curralo.

45% dos inquiridos mostraram intenção em regressar 41 Ver anexo IX análise de conteúdo na íntegra das entrevistas e questionários.Categorias No fim No início – expectativas e dificuldades Dificuldade na concretização do dossier e desmotivação Tabela 2 Reflexão crítica e tomadas de posição dos profissionais e formadores Categoria 3 O Abandono vs intenção em regressar Sub .Categorias O Estudo vs resultados efectivos Postura perante o abandono recorrente Tabela 3 As percentagens do estudo (81. 34 .Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Seguidamente.Categorias Incompreensão do Adulto Dificuldades Sentidas pelo Quadro técnico pedagógico Natureza do processo RVCC Os objectivos do CNO Metas físicas a atingir Categoria 2 Compreensão do abandono no início e no fim do processo RVCC Sub . podem encontrar-se as categorias41 e subcategorias criadas a partir da análise das entrevistas e dos questionários: Categoria 1 Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC Tabela 1 Sub .

este “não caber” nas perguntas preestabelecidas que me fez reflectir o que teriam os adultos a acrescentar à pergunta “Porque razão abandonou o processo de RVCC”? Visto pelo prisma da análise morfológica o nome dificuldade é recorrente nas perguntas do questionário.gov. na opção Outras. havia lugar a 20 opções de resposta SIM ou NÃO e a Outras. 69). Dificuldade em passar para o papel a H. Validação e Certificação de Competências. “Dificuldade em se expressar no papel” (quest. declaração do Primeiro-ministro José Sócrates http://www. Dificuldade na compreensão dos instrumentos/fichas.novasoportunidades. Este panorama de “dificuldade” explícito parece contrariar um pouco as expectativas do processo cuja aposta na qualificação da população portuguesa se traduz na mensagem do Primeiro – ministro42 “O objectivo definido no Programa do Governo.80).“Dificuldade nas respostas a dar” (quest. ex: Dificuldade na construção do dossier pessoal. de preencher instrumentos” (quest.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Resultados e discussões parciais Foi muito difícil para mim. só com os dados fornecidos já quase que poderíamos dizer que todos têm consciência do abandono. senão vejamos os exemplos: “Dificuldades em perceber porque tinham de fazer o dossier. tanto em processo. Dificuldade na defesa do dossier pessoal perante o júri de validação. Quais? Pela análise que fiz dos mesmos em 139 que analisei. que aqui se reafirma. apenas 13 não usaram a opção Quais? ou seja cerca de 91% dos inquiridos tinham algo a dizer. 42 Portal das Novas Oportunidades.pt/NovasOportunidades. Dificuldade de relacionamento com as formadoras. Os questionários feito aos adultos pela Gina Curralo.” (67.61). 86).aspx[on line] 9. Dificuldade de relacionamento com os profissionais RVCC.2008 35 . “Dificuldade em expressar-se na escrita” (quest. com tanta informação. Falta agora aos motivos apontados. “Dificuldade na matemática” (quest. Quais? o cenário é muito semelhante.78.06. Dificuldade nas sessões colectivas. Dificuldade nas sessões individuais. 58).30). seja pelos profissionais. como depois o “recorrente”. Dificuldade de relacionamento com os(as) colegas. Sem nenhuma análise mais profunda. Dificuldade na formação.75). Dificuldade em passar para o papel” (quest. formadores ou adultos inferir-lhes sentido e legitimar as suas afirmações tendo por base os fundamentos pelos quais se regem este processo de Reconhecimento. organizá-la de forma coerente e produtiva. Foi precisamente. “Dificuldade em falar da infância.V. na pergunta 26. As respostas aos questionários.

que iriam aprender. de preencher instrumentos. De acordo com o estudo sobre o Impacto do Reconhecimento e Certificação de Competências Adquiridas ao Longo da Vida. Março 2007 36 . tendo em consideração as suas “falas”:  “Sim há pessoas que não gostam. sentiu- se inibido e envergonhado nas sessões colectivas.categorias: Incompreensão do Adulto. e aliás. Direcção Geral de Formação Vocacional. que associavam à escola muito ligado ao ensino formal de aprendizagem…(ent. passamos para um processo mais individualizado” (ent A) 43 CIDEC “ Impacto do Reconhecimento e Certificação de Competências Adquiridas ao Longo da Vida: Actualização e Aperfeiçoamento “. Queria outro tipo de certificação. Parece-me pertinente fazer um cruzamento com o que pensa o quadro técnico pedagógico. preguiça” (quest.116)“Mais sessões individuais. metade do total de vagas ao nível do ensino secundário”. inesperadas. Pensava que era como na escola. nem percebem muito bem [porque é que interessa que eu fale da minha vida?] ” (ent B)“A primeira é essencialmente falta de compreensão do processo em si. (quest.21)“Dificuldades em perceber porque tinham de fazer o dossier.Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC. maiores de 18 anos. nas colectivas não conseguiam expor todos os problemas” (quest. pretendia o ensino formal.6 ou 4 anos verem reconhecidas. em 2010. validadas e certificadas as competências e os conhecimentos que foram adquirindo ao longo da vida nos mais variados contextos” (2007:22). e na sua sub.60) Estes são alguns dos comentários que levaram os adultos a abandonar o processo. A)“…as pessoas achavam que vinham para aqui. O que os manuais pretendem que seja um processo que “cative” os adultos. sem escolaridade básica de 9. O que me parece relevante nestes excertos escolhidos não aleatoriamente é que todos eles se podem incluir na Categoria 1. pensavam que iam aprender” “As pessoas vêm muito com a ideia de que estão na escola …e depois estamos a falar do Balanço de Competências que é uma coisa nova” (ent D)  “Dificuldade de adaptação das pessoas ao modelo” (ent.43 o processo RVCC assume grande importância “permitindo a todos as pessoas adultas.5)“Tudo muito parecido e não sabe o que responder” (quest. como justificam os adultos: “Dificuldade em falar da infância” – (quest. C)“Nós mudamos os tipos de sessões. que era um curso.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 é o de fazer com que as vagas em vias profissionalizantes representem.69)  “Tinha outras expectativas em relação ao processo. torna-se num processo “demasiado inovador” que cria dificuldades.. mas essencialmente porque as pessoas não sabiam muito bem o que é que os esperava e tinham outras expectativas em relação ao processo.

C)“Nós mudamos os tipos de sessões. noutro centro qualquer…(ent. de preencher instrumentos.” “Acha complicado escrever a H.B) 37 .69) “Mais sessões individuais. será pertinente perceber se o quadro técnico – pedagógico sente algum constrangimento perante o abandono. preguiça” (quest.116)  Tudo muito parecido e não sabe o que responder” (quest. para nós. portanto foi destinado um determinado tempo para no final de cada sessão vermos efectivamente os dossiers.categoria: Dificuldades Sentidas pelo Quadro técnico – pedagógico. Falta de à-vontade para falar na H. aqueles instrumentos eram do mais tremendo e absurdo que podia haver e nós fizemos alterações… pedimos autorização…” (ent. e tinham outras expectativas em relação ao processo. C)“Evidentemente.5. Pensava que era como na escola. nas colectivas não conseguiam expor todos os problemas” (quest. que era um curso. passamos para um processo mais individualizado…”(ent. 20.Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC. (quest. destacam-se as seguintes unidades de sentido nesta sub-categoria: “a forma que estávamos a ter na altura de abordar o próprio referencial não seria a melhor. de implementação…(ent. Queria outro tipo de certificação. podemos verificar que as dificuldades sentidas e vivenciadas pelos adultos são “percebidas” pelo quadro técnico-pedagógico. C)  “Passarmos de uma sessão individual. considerando que identifica as dificuldades dos adultos.60) Percepção do quadro técnico -pedagógico  “Sim há pessoas que não gostam. nem percebem muito bem [porque é que interessa que eu fale da minha vida?]” (ent) “A primeira é essencialmente falta de compreensão do processo em si.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Se colocarmos lado a lado as percepções dos adultos e dos profissionais e formadores. Assim. A)  “…achavam que vinham para aqui. De acordo com a análise de conteúdo feita às entrevistas. no Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC. Incompreensão do adulto Percepção dos adultos  Dificuldade em falar da infância” – (quest. que associavam à escola muito ligado ao ensino formal de aprendizagem…(ent. e aliás. A)“deve haver uma tradução do referencial para melhor assimilação pelos adultos” (ent. que iriam aprender.”  “Tinha outras expectativas em relação ao processo. pensavam que iam aprender” “As pessoas vêm muito com a ideia de que estão na escola …e depois estamos a falar do Balanço de Competências que é uma coisa nova” (ent D)  “Dificuldade de adaptação das pessoas ao modelo” (ent.V.. sentiuse inibido e envergonhado nas sessões colectivas.categoria: Incompreensão do Adulto. C)  “Se não assumem essa autonomia não faz sentido estarem a reclamar um acompanhamento que elas sabem que à partida está sempre disponível. senão neste centro. passamos para um processo mais individualizado” (ent A)  Quadro VIII Seguidamente. ainda dentro da Categoria 1.V. Portanto nós mudamos os tipos de sessões. o que já nos da umas dicas…(ent A)“…Estávamos também numa fase inicial. e na sub . na sub.21 )  “Dificuldades em perceber porque tinham de fazer o dossier. para neste momento estarem previstas de base três… há um maior acompanhamento. pretendia o ensino formal.22).

depois pensou que podia continuar” (110)  “Deixou de se sentir à vontade para vir mostrar o dossier. podemos com os exemplos retirados da análise de conteúdo facilmente perceber que as dificuldades sentidas pela equipe técnico – pedagógica se reflectem no discurso dos adultos. C) Como se pode verificar há uma atitude bastante crítica. que iliba os adultos de uma grande parte das dificuldades que sentem. porque já tinha passado muito tempo” (112)  “O formador não ligou a dar o feedback do trabalho realizado” (114)  “Veio à entrevista e não voltou a ser chamado para iniciar o processo” (128)  Também aqui nesta sub – categoria. Dificuldades Sentidas pelo Quadro técnico – pedagógico Quadro IX 38 . Instrumentos maçadores e repetitivos”(98)  “Os profissionais poderiam ter em conta as necessidades das pessoas com menos capacidade” (49)  “Deixou andar e abandonou. pela falta de maturidade sentida nessa data em relação ao processo que estava numa fase inicial. culpando – se a equipa técnico pedagógica. Senão vejamos:  “ Não entendeu ao certo como era feito o processo” (58)  “Não entende certos instrumentos. Há aqui uma alusão a algumas dificuldades que o próprio processo RVCC encerra que será posteriormente analisado. Os adultos também têm nos seus questionários observações que nos dão conta desta dificuldade sentida pelo quadro técnico pedagógico em relação a algumas dificuldades por eles sentidas.B. Dificuldades Sentidas pelo Quadro técnicopedagógico.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008  “processo novo para nós…também processo de crescimento para nós…tivemos dificuldade em expor de forma clara” (ent A.

Portanto nós mudamos os tipos de sessões. A) “deve haver uma tradução do referencial para melhor assimilação pelos adultos” (ent. Por outro lado a questão basilar da autonomia que se pede ao adulto. passamos para um processo mais individualizado…”(ent. O que este autor advoga é que seja desenvolvida uma autonomia crítica que deverá não ser uma autonomia individual mas social (idem. portanto foi destinado um determinado tempo para no final de cada sessão vermos efectivamente os dossiers. uma das razões principais para o abandono? O conceito de autonomia é bastante complexo pelas relações sempre presentes entre os diversos sistemas sociais em termos de autoridade versus subordinação. (1987). mas não fará parte do processo estimular essa autonomia? Não estará na autonomia que o processo RVCC faz questão seja dada ao adulto. C) “Passarmos de uma sessão individual.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Percepção do quadro técnico -pedagógico      “a forma que estávamos a ter na altura de abordar o próprio referencial não seria a melhor. para neste momento estarem previstas de base três… há um maior acompanhamento. como 39 . e as falas assinaladas a verde há por parte dos técnicos um delegar nos adultos da sua capacidade de autonomia que assumem estes detenham. o que já nos da umas dicas…(ent A) “Se não assumem essa autonomia não faz sentido estarem a reclamar um acompanhamento que elas sabem que à partida está sempre disponível. é por parte do quando técnico profissional entendida como um dos princípios que regem o processo. senão neste centro. noutro centro qualquer…(ent. C) processo novo para nós…também processo de crescimento para nós…tivemos dificuldade em expor de forma clara” (ent A. contudo será que o adulto tem esta autonomia? Espera-se e deseja-se que tenha.) Considerando o quadro IX. C. porque já tinha passado muito tempo” (112)  “O formador não ligou a dar o feedback do trabalho realizado” (114)  “Veio à entrevista e não voltou a ser chamado para iniciar o processo” (128) A análise deste quadro fornece indicadores que nos permite concluir que as dificuldades sentidas pelo quadro técnico – pedagógico não lhe eram alheias. que os profissionais e formadores esperam que o adulto a manifeste. o que nos remete para o conceito de autonomia relativa de Fritzell. Instrumentos maçadores e repetitivos”(98)  “Os profissionais poderiam ter em conta as necessidades das pessoas com menos capacidade” (49)  “Deveriam acompanhar mais a nível individual” (54)  “Deixou andar e abandonou. Como se pode verificar há uma carga muito grande de inibição nestes adultos que os constrange. C) Percepção dos adultos  “ Não entendeu ao certo como era feito o processo” (58)  “Não entende certos instrumentos. depois pensou que podia continuar” (110)  “Deixou de se sentir à vontade para vir mostrar o dossier.B. e abdicar dele seria desvirtuar o processo. que eram o reflexo do processo ser novo e de apresentar dificuldades de interpretação do referencial.

Balanço de competências. Cursos concretos de frequência prioritária. Mas se à data a que se reporta o estudo (2004) a falta de formação pudesse ser uma realidade mais sentida. Usos e gestão do tempo/ Informação. pode concluir-se que as necessidades sentidas em formação são direccionadas para as mesmas áreas. considerando que era um processo novo. e considerando as respostas dadas. não havendo experiência na área.2008 40 .pdf[on line] 12.06. Motivos que levaram a assinalar as acções/áreas de formação como prioritárias 44 Lei 35/2004 de 29 de Julho Artigo 162. 114 “O formador não ligou a dar o feedback do trabalho realizado”.minedu. é sabido que a formação é cada vez mais uma necessidade pela constante evolução quer de novas tecnologias ou de modelos de aprendizagem adaptados à evolução da sociedade e da solicitação do mercado de trabalho (e neste domínio. A formação do quadro técnico – pedagógico será também um dos pontos a referir. considerando que é uma das áreas chave deste processo. Não deixa de ser curioso ser o Balanço de Competências o curso com mais solicitação. Gestão de informação e Gestão da formação. Feita a análise dos questionários. por ordem decrescente são os seguintes. particularmente. Gráfico I No que concerne os cursos de frequência prioritária. Durante o meu estágio foi solicitado pela Instituição Cruz Vermelha a realização de um questionário de levantamento de necessidades de formação. o alargamento do modelo ao nível secundário). Orientação vocacional. podendo o relatório completo ser consultado no anexo II.oDireito individual à formação http://www. Processo de negociação.pt/np3content/?newsId=300&fileName=no_balan_o_janeiro_2008. bem como a selecção de prioridades pelos inquiridos são coincidentes. Abaixo podem ver dois dos quadros mais representativos.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 é referido no questionário nr. Tal é a importância dada à formação que é obrigatório por lei a entidade patronal dar formação aos seus empregados44. sendo uma necessidade sentida pelos profissionais e formadores.

B). tendo sido também referido “Necessidade de adaptação e mudanças tecnológicas”. sendo que estes Centros realizavam periodicamente momentos de reflexão interna / autoavaliação.categoria – Natureza do processo RVCC.Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC – sub.. penso ser pertinente neste momento da discussão reflectir e questionar a natureza do Processo RVCC (na altura do estudo).P.“efectivamente os instrumentos são repetitivos…” (ent D) 41 .nas quatro áreas havia coisas que eram muito repetitivas. a análise de conteúdo. “. Pelo referido. (2007:48). Esta “necessidade” sentida pelo CNO da C. foram encontradas nas entrevistas e nos questionários indicadores que nos remetem para o Processo RVCC e a sua natureza.. Seguindo a mesma linha metodológica. Analisando estes dois quadros podemos verificar que há efectivamente uma necessidade partilhada pelo quadro técnico-pedagógico das mesmas áreas de formação.A).“Evidentemente. sendo os motivos coerentes com os cursos solicitados para formação.“Concordo também plenamente que achassem os instrumentos repetitivos” (ent E). Temos então os seguintes indicadores das entrevistas:  “Efectivamente os primeiros instrumentos eram muito repetitivos” (ent. a respostas “Necessidade de actualização de conhecimentos” e “Necessidades de domínio de novas Competências” são as mais significativas. aqueles instrumentos eram do mais tremendo e absurdo que podia haver e nós fizemos alterações… pedimos autorização…” (ent. para nós. sendo que apostavam na formação interna dos profissionais.” (ent A).Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Gráfico II Quanto aos “Motivos que levaram a assinalar as acções/áreas de formação como prioritárias”. incluindo-se no que designei dentro da Categoria I . por quase todas as equipas. isto porque as dificuldades sentidas pelos adultos e pelo quadro técnico-pedagógico serão certamente o reflexo de um processo que se encontrava em fase se implementação e também com “dificuldades” inerentes a algo que está a iniciar-se.V. é referida no estudo da CIDEC.

Logicamente. e se o adulto tem necessidade em 2 ou 3 áreas então é que não dá para nada…” (ent. mas o constatar das suas dificuldades. Assim temos: Categoria I . Assim temos:        “Tudo muito parecido e não sabe o que responder” (21) “Responde-se à mesma pergunta muitas vezes” (37) “ Dossier repetitivo” (40) “ Processo confuso” (58) “Devia haver mais formação. é uma rede muito difundida” (ent. B). “Voltando à oferta de formação complementar em 2004/5. portanto.Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC – sub-categoria – Natureza do processo RVCC. Estas inferências resultam do diálogo tido com os entrevistados e como já referido da análise qualitativa dos mesmos. parece que não tem validade nenhuma…(ent. que por analogia com o que foi dito pelo quadro técnico pedagógico.. principalmente em matemática” (84) “Formação em informática muito leve. frisava-se muito o facto de sermos um CRVCC…” (ent.B).Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008  “…o referencial é efectivamente muito complexo. de modo que o que não aparece na televisão e aquilo que nós não ouvimos falar. E)  “…as 25 horas de formação era o máximo que. insuficiente” (85) “Não entende certos instrumentos” (85 O quadro abaixo pretende (de)monstrar de uma forma concentrada o atrás exposto. podem também. ser-lhes inferidos significados ligados ao Processo RVCC. que estas “observações” dos adultos não são uma tomada de posição critica quanto ao processo (até porque nunca se referem ao processo em si). “Naquela altura o processo não era muito conhecido… Actualmente existem trezentos e tal centros. E)  “Estou inclinado a encontrar lacunas nos processos do que nos adultos…” (ent C) Está bem presente nestes indicadores a consciência crítica dos profissionais quanto ao Processo RVCC. penso que será coerente atribuir o mesmo significado. Natureza do processo RVCC 42 . realmente não era “nada”. Nos questionários dos adultos pude encontrar indicadores sendo reveladores das suas dificuldades.” (ent D)“…era tudo um processo muito recente e não era publicitado.

“ “…o referencial é efectivamente muito complexo.Metas físicas a atingir. os constrangimentos provocados pelas metas físicas a cumprir. Assim. que aponta como uma das dificuldades sentidas pelos centros a própria natureza do processo. considerando que não havia material da parte dos adultos para análise nesta matéria. aqueles instrumentos eram do mais tremendo e absurdo (ent. pelo facto de ser um processo novo de ter uma linguagem pouco acessível. Outros dos constrangimentos serão as metas físicas a atingir.B)…não era “nada (ent. efectivamente dificuldades repercutidas na equipe técnico . serão: Os objectivos do CNO . realmente(ent.. 43 . ainda inserido na Categoria 1 Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC -.pedagógica pela Natureza do processo RVCC. Este assunto foi abordado nas entrevistas. também referidas neste estudo do CIDEC: “Metas de execução físicas muito elevadas.. e de acordo com a análise de conteúdo das entrevistas. o que.Metas físicas a atingir -. desadequadas dada a realidade local.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Percepção do quadro técnico -pedagógico      “instrumentos eram muito repetitivos” (ent.”. inevitavelmente se reflecte no adulto. Estas considerações acerca do processo RVCC. insuficiente” (85) “Não entende certos instrumentos” (85) “…era tudo um processo muito recente… não era muito conhecido…(ent. para nós. há. E) “Estou inclinado a encontrar lacunas nos processos do que nos adultos…” (ent C) Percepção dos adultos       “Tudo muito parecido e não sabe o que responder” (21) “Responde-se à mesma pergunta muitas vezes” (37)“ Dossier repetitivo” (40) “ Processo confuso” (58) Devia haver mais formação. tendo sido criada uma subcategoria: Os objectivos do CNO .. o que implicava uma carga de trabalho e uma pressão muito grande sobre as equipes de profissionais e de formadores com eventuais perdas de qualidade” (2007: 49). são corroboradas pelo Estudo do CIDEC. de ter instrumentos repetitivos e maçadores. e por vezes. (2004: 59). E) Quadro X Como um dos entrevistados disse “sem querer sacudir a água do meu capote.A).“Evidentemente.B). principalmente em matemática” (84) “Formação em informática muito leve.” (ent D) “…as 25 horas de formação. Nesta subcategoria só pude contar com o contributo das entrevistas.

de pessoas que o trabalho já envolve e a complexidade das tarefas. de pessoas que o trabalho já envolve e a complexidade das tarefas. mas do meu ponto de vista. mas como referido e confirmado pelas “falas” dos entrevistados determina opções. mas nem sempre a melhor forma é uma forma boa…”(ent C). mas como é dito o facto de haverem metas também pode ser visto como um incentivo. Há aqui contradições óbvias neste processo. não é novidade.E)  “ Gostaria de realçar que as metas físicas a atingir poderão ser consideradas um constrangimento. e se fala de qualidade não se pode falar na mesma proporção em quantidade. como podemos verificar nesta 44 .C)  “Se isso se reflecte na qualidade do trabalho? penso que é inevitável de uma forma mais ou menos consciente.(ent. E)  “ Sempre tivemos metas físicas.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Indicadores das entrevistas  Os Centros foram criados com um tipo de objectivo e estão a ser utilizados com outro tipo de objectivos que são as metas e nós somos trabalhadores e obviamente existem constrangimentos associados ao cumprimento dessas metas. Há aqui contradições óbvias neste processo. Penso que mais sessões individuais seriam uma mais-valia. eventualmente o trabalho não será tão metódico…obrigam-nos a andar…logicamente metas viáveis…”. Nota-se que é uma questão sensível. mas não sei se seria o “sucesso” ou uma solução…. tendo em conta o nr. temos metas a cumprir. eventualmente o trabalho não será tão metódico…obrigam-nos a andar… logicamente metas viáveis…” (ent E)  Quadro XI Através da análise deste quadro pode perceber-se que as metas físicas a atingir. mas do meu ponto de vista. com mais acompanhamento individualizado. de gestão (ent.. como nos diz o entrevistado E : “ Gostaria de realçar que as metas físicas a atingir poderão ser consideradas um constrangimento. mas ressalva no final metas viáveis. que nós tentamos gerir da melhor forma. são na realidade um constrangimento.[. este processo exige muito rigor e uma capacidade de organização que está a ser difícil de ser criada. e se fala de qualidade não se pode falar na mesma proporção em quantidade. porque sem metas. tendo em conta o nr. com uma maior digestão da informação produzida pelos candidatos….] o trabalho… poderia talvez ser feito doutra forma. como se pode constatar na posição bastante critica do entrevistado C: “Se isso se reflecte na qualidade do trabalho? penso que é inevitável de uma forma mais ou menos consciente. mas o ideal seria isto” (ent. este processo exige muito rigor e uma capacidade de organização que está a ser difícil de ser criada. mas nem sempre a melhor forma é uma forma boa…”(ent C)  “ O ideal seria que a formação complementar fosse individual … temos a logística. que nós tentamos gerir da melhor forma. Estamos a acumular tarefas administrativas. Isto é sentido no terreno pelas equipas. que faz parte do processo. Tenho que reconhecer que existem timings específicos para o cumprimento de cada tarefa. Isto é sentido no terreno pelas equipas. Tenho que reconhecer que existem timings específicos para o cumprimento de cada tarefa. porque sem metas.

e considerando os dados do estudo da Gina Curalo.Compreensão do abandono no início e no fim do processo RVCC – sub-categorias .A)  as pessoas achavam que vinham para aqui. mas nestas respostas.)” (2005:14) A postura do quadro técnico-pedagógico do CNO da CVP em tudo se assemelha aos resultados do estudo do CIDEC acima referido. Ao fazer as entrevistas. Contudo. que iriam aprender.. Assim.. E). pelo que pode ser considerado um dos factores inerentes ao processo que constrangem e dificultam determinadas tomadas de posição. A saber: Categoria 2 .Significado atribuído ao abandono dos adultos no processo RVCC -. pensavam que iam aprender” (ent. apesar de se ter procurado adoptar estratégias que permitissem aumentar o volume de processos concluídos. mais do que nas outras questões o tempo verbal usado foi o presente. mas o ideal seria isto” (ent.1%). os adultos abandonavam o processo em maior percentagem no início (60%) e no fim da formação (22. que era um curso.E) 45 . entendemos que existe ainda um trabalho a percorrer . Os indicadores conduziram à criação da categoria 2 e de duas subcategorias. como sendo um muito presente nos dias de hoje. Na análise de conteúdo das entrevistas encontrei indicadores que penso contribuirão para este estudo e a sua compreensão. temos metas a cumprir.Dificuldade na concretização do dossier e desmotivação Das entrevistas enfatiza-se:  “Falta de conhecimento do processo. esta preocupação pode ver-se no Relatório Final 2005 CRCVC CVP: “( é neste âmbito [dos adultos certificados] que se tem verificado uma maior dificuldade em atingir as metas propostas..Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 fala: “ O ideal seria que a formação complementar fosse individual … temos a logística. mas essencialmente porque as pessoas não sabiam muito bem o que é que os esperava e tinham outras expectativas em relação ao processo. Com efeito.No início – expectativas e dificuldades e No fim .. Foi por essa razão que a inclui como subcategoria da Categoria 1 . Até que ponto este factor não se reflecte no abandono dos adultos? Penso ser um elemento bastante pertinente a juntar à discussão/reflexão. pelo facto de pensarem que vinham para aprender. ex: …este curso….”(ent. pela força da competitividade entre CNO’s assim como a proliferação dos mesmos. houve sempre a preocupação de referir que as respostas deveriam ser o mais possível tendo em consideração de que nos estávamos a reportar ao período 2004/2005.

mas nunca apareceu e desistiu… desleixou e estava à espera que a voltassem a chamar…” (48)  “Estava à espera que lhe ligassem” (66) 46 . a grande motivação que os trazia cá era o facto de estarem desempregados” (ent.”(2)  “Não se sente à vontade para falar” (3)  “Dificuldade falar da Infância” (5)  “Não tinha PC. 58. Também foi possível inferir indicadores dos questionários feitos aos adultos. pensavam que iam aprender” (ent. 35.V. que iriam aprender. 68.V.77.V.V. que era um curso. pelo facto de pensarem que vinham para aprender. Paciência para fazer o dossier da H. 57. Paciência para fazer o dossier da H. 99. 106)“Faltou uma vez.C)  Estes indicadores remetem-nos para as percepções que os entrevistados atribuem como justificação para o abandono no início do processo. 36. (estas observações correspondem aos adultos que responderam ter abandonado no início do processo na questão 25 do questionário) nos remetem para as seguintes percepções:  “Pensava que vinha aprender.C)  “…vai primeiro a motivação que os traz cá.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008  “…vai primeiro a motivação que os traz cá.. mas essencialmente porque as pessoas não sabiam muito bem o que é que os esperava e tinham outras expectativas em relação ao processo.D “Dificuldade em introduzir o percurso de vida no conjunto de critérios” (ent. 57. Não incentivava fazer a H. 28)  “O processo intimidou-a. Os colegas contactaram.”(2)  “Não se sente à vontade para falar” (3)  “Dificuldade falar da Infância” (5)  “Não tinha PC. mas nunca apareceu e desistiu… desleixou e estava à espera que a voltassem a chamar…” (48)  “Estava à espera que lhe ligassem” (66) Procurando analisar os motivos do abandono dos adultos no Início do processo e comparando as percepções do quadro técnico – pedagógico com as do adulto.”(ent. 99.77.A)as pessoas achavam que vinham para aqui.E)  “Pensava que vinha aprender. B)  “…História de vida inibidora”(ent. Não incentivava fazer a H.”(27. 58. 36. B. 28)   “…História de vida inibidora”(ent. 106)  “Faltou uma vez.”(27.” (1)  “Pensou que vinha aprender. Tinha outras expectativas” (7. Tinha outras expectativas” (7. 68. ex: … este curso….” (1)  “Pensou que vinha aprender.D  “Dificuldade em introduzir o percurso de vida no conjunto de critérios” (ent. a grande motivação que os trazia cá era o facto de estarem desempregados” (ent. Os colegas contactaram. podemos visualizar em quadro: Quadro XII Motivos do abandono dos adultos no Início do processo Percepção do quadro técnico -pedagógico Percepção dos adultos  “Falta de conhecimento do processo. 35. B)  “O processo intimidou-a. B.

categorias anteriores. seguidamente darei conta do dos motivos do abandono durante a formação.A)  “…porque há muita gente que não se apercebe que tem dificuldades. porque já tinha passado muito tempo” (112)  “O formador não ligou a dar feedback do trabalho realizado” (114)  “Mau ambiente de trabalho” (89) 47 . A) “Não conseguirem completar o próprio dossier”(ent. estabilizá-lo. Onde tivessem mais apoio” (43)Dificuldades na árvore genealógica.. … vontade tínhamos nós de os chamar a todos.. (52)  “Deixou de se sentir à vontade para vir mostrar o dossier. ” (ent. Eles sentiam necessidade de mais formação” (ent. e então como a formação só era dada no final…” (ent. Necessidade de mais sessões individuais. ou seja fazem sentido para a compreensão das sub . de acordo com as entrevistas:  “No final do processo. A presença destes núcleos de sentido deve adquirir significado na medida em que significa alguma coisa para o objecto de análise. Ao encontrarmos indicadores “que se enquadram” pela explicação que nos dá em categorias diferentes. eles arrumavam o dossier e esqueciam.. exigem demais na elaboração do dossier.. Necessidade de mais sessões individuais.. não é. identificá-lo.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Como se pode verificar há indicadores que cabem nos indicadores da Categoria 1 e agora estão presentes na Categoria 2. Como já referido e de acordo com Jorge Vala “classificação. (52)  “Deixou de se sentir à vontade para vir mostrar o dossier.A)“no final do processo. mas depois dissemos assim “Não. parece que estamos a obrigá-los a” e isto tem que ser por livre e espontânea vontade…”(ent. B “Não fui chamado dizem os adultos”.A)“…porque há muita gente que não se apercebe que tem dificuldades.B) Percepção dos adultos  “Formação de informática insuficiente. Onde tivessem mais apoio” (43)  Dificuldades na árvore genealógica. eventualmente conduzirá a uma única categoria. não é. assim como desta. exigem demais na elaboração do dossier. ” (ent. Eles sentiam necessidade de mais formação” (ent. portanto porque faltava formação. mas depois dissemos assim “Não. eles arrumavam o dossier e esqueciam.A) “no final do processo. a categorização é uma tarefa que realizamos quotidianamente com vista a reduzir a complexidade do meio ambiente. portanto porque faltava formação. está a conduzir a um afunilamento que. pq já tinha passado muito tempo” (112)“O formador não ligou a dar feedback do trabalho realizado” (114)  “Mau ambiente de trabalho” (89) Quadro XIII Motivos do abandono dos adultos no Fim do processo Percepção do quadro técnico -pedagógico     “No final do processo. … vontade tínhamos nós de os chamar a todos. A)“Não conseguirem completar o próprio dossier”(ent. Para concluir o QUANDO do abandono.B) De seguida as “falas dos Adultos”  “Formação de informática insuficiente.. acabando a “obrigatoriedade” de vir cá semanalmente. B  “Não fui chamado dizem os adultos”. parece que estamos a obrigá-los a” e isto tem que ser por livre e espontânea vontade…”(ent. e então como a formação só era dada no final…” (ent. acabando a “obrigatoriedade” de vir cá semanalmente. ordená-lo ou atribuir-lhe sentido” (2007:110).

talvez. Penso também ser pertinente a referência ao “Mau ambiente de trabalho” (89). também numa percentagem significativa de 55% quando contactados.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Mais uma vez se pode perceber que comparando as percepções do quadro técnico com as dos adultos. e talvez por até então o discurso se reportava ao estudo da Gina Curralo. a resposta afirmativa de que faziam intenção de voltar. “Em relação à retoma do processo de RVCC 81. Esta pequena investigação resultou nos seguintes resultados:45 Vejamos por exemplo. tendo depois a colaboração dos quadro técnico-pedagógico para saber qual o percurso seguido por estes adultos. Tomando este cepticismo por base. um pouco a falta de tempo por parte do quadrotécnico: “…vontade tínhamos nós de os chamar a todos…” . No guião da entrevista a pergunta nr.4% dos adultos inquiridos reponderam que desejam terminar o processo de RVCC no Centro da CVP” Em todas entrevistas pude constatar que não acreditavam que os adultos tivessem realmente retomado o processo. foi aqui introduzido. No entanto. e para apurar a realidade. que é esperada que os adultos detenham. Apesar de em termos de frequência não ser significativo. há uma compreensão ou “justificação” de ambos coincidentes. tendo apenas sido referido um comentário. fiz um levantamento dos adultos que manifestaram essa vontade. o resultado do estudo considerando a questão nr 27: Pensa terminar o processo de RVCC no centro da CVP? Podendo-se ler no relatório da Gina Curralo. vislumbrando-se aqui. Ver gráfico III 45 Ver relatório completo em anexo X 48 .4%. esta tinha mais o sentido de tentar perceber a postura actual do quadro técnicopedagógico. simplesmente não responderam. 8 era : Pensa que se poderiam “recuperar” alguns destes adultos? Que soluções aponta? Se todas as outras perguntas estavam direccionadas para a compreensão do que pretendia investigar. mais pelo facto de ser uma “frase forte”. Será de salientar mais uma vez a questão da autonomia. numa percentagem significativa de 81. penso que é nesta singularidade que poderá residir a pertinência de ser analisada. o contraste do respondido no questionário prévio de 2006. pelos quadro técnico-pedagógico no sentido de tentar “contextualizar” a afirmação. por se achar pertinente. para por contraste em 2008.

Gráfico IV Considerando que poderá contribuir para as conclusões. . há três respostas que não tendo sido tão directas conduziram do mesmo modo ao “duplo abandono”.Foram contactados. compareceram. tais como: . os números sobem para 74% o que efectivamente confirma que há um abandono significativo. Nesta categoria temos 2 sub-categorias : . mas não apareceram Se adicionarmos estas situações aos 55%. . mas depois não apareceram mais. Contudo. compareceram. surge a Categoria 3 – Abandono vs intenção em regressar -. mas não apresentaram trabalhos.Percepção do estudo vs resultados efectivos. Para a primeira sub. negociado o prosseguimento do dossier.Foram contactados.categoria recolhi os seguintes indicadores: 49 .Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Gráfico III Este gráfico traduzido em percentagem dá-nos logo 55% de adultos que foram contactados mas não apareceram.Foram contactados. .Postura perante o abandono.

simplesmente não responderam  .Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Estudo vs resultados efectivos Percepção do estudo Resultados efectivos  “Não acredito nessa percentagem” (ent.Foram contactados. podemos contudo concluir que a percepção do quadro técnico-pedagógico é confirmada pelos resultados da pesquisa.E)  “Acho muito interessante e pertinente essa questão e gostaria de saber quantos dos adultos que disseram voltariam para concluir o processo.E)  em 2008. negociado o prosseguimento do dossier.A)  “a noção que tenho é que não vieram muitos” (ent. compareceram. também numa percentagem significativa de 55% quando contactados. mas depois não apareceram mais. Ressalvando esta dissemelhança. compareceram. mas não apresentaram trabalhos. na realidade o fizeram.B)“é uma das questões que gostava de saber qual a realidade”(ent.  . mas não apareceram Quadro XIV Este quadro é diferente dos anteriores porque estamos a comparar a percepção do quadro técnico-pedagógico quanto ao estudo da Gina Curralo e do outro lado os resultados obtidos por contacto telefónico. ou através do SIGO para obter a confirmação do percurso dos adultos.45%. Este resultado levanos a questionar se porventura não será que em situação de questionário presencial o adulto não responderá de acordo com as expectativas do entrevistado Qual é então a postura do quadro técnico pedagógico perante o abandono? Postura perante o abandono 50 . isto considerando que a percentagem é bastante elevada 81.  Foram contactados. e que só poderá ser interpretado depois de efectivamente se saber destes quantos se certificaram ou estão em vias de o ser” (ent.Foram contactados.A)“é um número para desconstruir”(ent.

que passa como tenho vindo a afirmar pela autonomia que se espera que este tenha e que o próprio processo deseja que o adulto atinja. Pode ainda ler-se “ A ausência de uma política educativa global.B)  “quando tentamos uma.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 Indicadores das entrevistas  “antes de darmos uma pessoa como desistente é sempre contactada” (ent.Perceber o abandono na perspectiva dos significados que o adulto lhe atribuiu. quatro vezes. três. e se como é dito “hoje há da nossa parte uma maior flexibilidade.B)  “Se o adulto falta nós não entramos em contacto com ele….C)“…quando não podem vir devem contactar…. R. duas. Depende de situação para situação.A) “não vamos andar atrás dos adultos.C)  “se calhar não tínhamos a noção de que as pessoas…gostariam de sentir a nossa chamada e a nossa interpelação” (ent. “Estamos a falar de pessoas adultas mas também posso pensar que algumas pessoas de sintam desamparadas”. Licínio Lima tem uma posição bastante crítica quanto à influência do poder político. Capitulo 5 .B)“…não os contactamos de imediato. 2005:50). eles são adultos têm que caminhar” (ent. mas hoje há da nossa parte uma maior flexibilidade. tendo confluído para a discussão todo o material empírico e teórico recolhido. Estamos a falar de pessoas adultas. em analogia com os significados atribuídos pelo quadro técnico-pedagógico para a mesma questão.C)“…têm de assumir autonomia…toda a equipa mostra estar disponível à solicitação” (ent. a que não são alheios as políticas nacionais assim como internacionais. & Belmiro Cabrita. mas também posso pensar que algumas pessoas se sintam desamparadas quando não ligamos. de ir ao encontro de…. literalmente confirma que esperam uma relação muito especial com o adulto. considerando que as discussões para a compreensão do abandono estão neste mesmo capítulo. não será que se pode diminuir o número de abandonos se houver um trabalho mais individualizado? Lembrando a questão de partida que é: . Se virmos na perspectiva da autonomia que tentamos atingir concordo. de ir ao encontro de…” ou. De acordo com o autor “Ao logo das últimas três décadas a educação de adultos em Portugal foi sujeita a uma considerável diversidade de lógicas politico educativas” (in Canário.B)  Quadro XV Este quadro que nos “fala” do abandono na percepção do quadro técnico-pedagógico. Perspectiva-se poder ter uma inteligibilidade do fenómeno do abandono dando voz aos intervenientes no processo.” (ent. Mas.” (ent E)  “vontade tínhamos nós de os chamar a todos” (ent. depois deixamos de ter possibilidade de acompanhar aqueles que estão a precisar de nós” (ent. porque partimos do princípio que estamos cá e disponíveis para orientar…” (ent.CONCLUSÃOS e SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS A Educação e Formação de Adultos. que faz parte do paradigma da Educação ao Longo da Vida tem ao longo do tempo adoptado diversos modelos. Penso neste momento poder partir para uma reflexão final. dando conta da natureza polifacetada da 51 .

pela força da competitividade entre CNO’s assim como a proliferação dos mesmos. se não inviabiliza mesmo.: 9175/04 EDUC 101 SOC 220. sofrem inevitavelmente com esta estrutura macro a que está sujeita e com os constrangimentos de tempo e metas físicas a atingir. abandono recorrente. Esta afirmação tão peremptória é o resultado da análise exaustiva das categorias e das subcategorias. integrado na Iniciativa Novas Oportunidades utilizando o Sistema de RVCC que reconhece e valida saberes e competências adquiridas ao longo da vida. embora contextualizados num espaço e com público-alvo definido. 10). No documento do Conselho da Europa. Este estudo que perspectiva poder ter uma inteligibilidade do fenómeno do abandono dando voz aos intervenientes no processo permite-nos concluir que há por parte do quadro técnico . ABANDONO RECORRENTE 46 físicas e a atingir.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 educação de adultos. Processo recente. 46 Esquema da Complexidade do Processo RCCC 52 . pode ler-se “O ensino. deste desafio que a que Portugal tem de responder. n.P. Os Centros de Novas Oportunidades são precisamente a “última versão” de uma das modalidades da Educação e Formação de Adultos. que por analogia de significados e pela sua simplificação nos remete paradoxalmente para a complexidade que é o processo RVCC (à data do estudo) Há um conjunto de vocábulos que são transversais a todo o processo do abandono e que podemos encontrar em todas as categorias. A corroborar a pressão feita para a qualificação da população pode ler-se o documento pelo qual se regem as actuais directivas no sentido de alcançar as metas acordadas. Metas expectativas. nomeadamente: Dificuldade. para elevar os níveis de certificação e qualificação da população jovem e adulta.º doc. como parte integrante das políticas económicas e sociais necessárias para atingir o objectivo estratégico de fazer da Europa a economia baseada no conhecimento mais dinâmica do Mundo até 2010” (ibidem. ant. faz parte desta realidade. sendo estes coincidentes com os motivos que os adultos apontam. Os resultados do estudo. Formação do Q. torna consideravelmente mais difícil.T. a possível coexistência de políticas e de práticas….pedagógico a percepção dos motivos que levam ao abandono os adultos em processo. Autonomia: Formação.” (idem 50). atribuindo ao adulto uma certificação de nível básico ou secundário e a formação complementar que lhe está associada. O CNO de Vila Nova de Gaia. de Março de 2000. a formação e a empregabilidade foram reconhecidos pelo Conselho Europeu de Lisboa.

Considerando que o estudo se reporta ao ano 2004. Ana (2007:16) “A introdução destas novas práticas educativas exige uma mudança de fundo nos sistemas de educação/formação. O esquema acima procura ser um resumo dos dados analisados. Como refere Pires.T. não se podem limitar à aplicação de um conjunto de procedimentos e de metodologias numa perspectiva tecnicista e tecnocrática de ensino-aprendizagem. e ainda por Ana Pires. estava com o modelo RVCC. autonomia que se “espera” detenham e todas as dificuldades que fomos discutindo. mas de uma importância fundamental.T. pois os processos de reconhecimento e de validação. 47 Quadro técnico pedagógico 53 . do outro o Q. cada vez mais. em termos de educação e de formação de adultos. De um lado estão os adultos com as suas expectativas..htm[on line]. Isto é.T.P. 3 Metas físicas a atingir Q.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 ABANDONO DOS ADULTOS EM PROCESSO Autonomia implícita s Autonomia esperada Dificuldade do Q. na óptica de um paradigma de educação/formação ao longo da vida.T. com a autonomia esperada do adulto. subordinada a uma lógica de racionalidade económica e a uma lógica de mercado e menos a uma lógica de educação popular”ODireito de Aprender” http://www. e outras dificuldades que fui analisando.. Expectativas Processo novo Dificuldades do adulto Dificuldade do Adulto Adulto Fig. aparecem como influência/consequência implícita. que lida com um processo novo.V. sendo que procurei através da analogia com a engrenagem mecânica dar a conhecer a minha análise do estudo.P. (nunca acrítica) por parte da equipe técnico pedagógica assim como por parte dos adultos.pt/revista06_03.”.direitodeaprender.P. nem sempre visível. A corroborar esta insegurança temos as “críticas” que eram feitas à Educação e Formação de Adultos por Rui Canário.P 47. como segue: Rui Canário numa mesa redonda intitulada “ Prospectivas da Educação e Formação de Adultos” na qual citou Licínio Lima disse: “nos últimos 30 anos vivemos.P.com. será compreensível que houvesse insegurança. a educação e formação de adultos está. um processo de deslocação de uma lógica de ‘educação popular’ para uma lógica de ‘gestão de recursos humanos’. e que era o primeiro ano que a CNO da C. As metas físicas a atingir e a formação do Q.

foi concedida autonomia aos CNO’S para alteração dos instrumentos. o que eventualmente falta é engrenar na percepção do adulto. Porquê? Na verdade tanto adultos como Q. há mais horas de formação….Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 De acordo com os dados.. selecção de materiais e metodologias que foram muito enriquecedoras. Grandes expectativas são esperadas deste modelo Novas Oportunidades. vão-se umas dificuldades e surgem logo outros desafios… Como estagiária. garantir a gestão dos processos de transferência de adultos e evitar sobreposições de actuação nos territórios locais/regionais” (ibidem. 12). metodologias e instrumentos e a disseminação de boas práticas. pudesse com este trabalho desenvolver (ainda mais) o espírito crítico dos seus profissionais e formadores no sentido de um maior estado de vigilância em relação a esta 54 . Criar momentos de empatia e desafio. e considerando que todos os envolvidos têm dificuldades. me obrigou à procura. Gostaria que a Cruz Vermelha. Gostaria que este estudo fosse um bom exemplo de como articulando dados quantitativos. Havia lacunas que entretanto foram ultrapassadas. IP – 2007. com a análise qualitativa foi certamente (e será noutras situações) uma mais-valia para a compreensão das razões do abandono destes adultos (à data do estudo da Gina Curralo) e que possa ainda contribuir para uma maior procura de “particularidades” à semelhança das que foram encontradas e que estão sempre em “actualização”. de dar voz às dificuldades dos adultos por antecipação. Como? Através de mais implicação. respeitando e valorizando o perfil.T. senti um grande prazer em realizar este trabalho de pesquisa. falam das mesmas “coisas” num código linguístico diferente e em timings diferentes. baseada na disponibilização de informações e organização de encontros. as experiências de cada CNO trocadas entre si poderão ser uma mais-valia. ou seja é necessário que todos falem uma linguagem usando significados a todos perceptível e que o timing desta acção anteceda o abandono do adulto. de modo a assegurar a troca de experiências. para que digam o que sentem. sendo um dos seus princípios orientadores “Enquanto “porta de entrada” para todos os que procuram uma oportunidade de qualificação. mas como foi dito numa das entrevistas. as motivações e as expectativas de cada indivíduo” (ibidem 10).P. a equipa e os responsáveis do Centro Novas Oportunidades devem organizar-se para responder a um público diversificado. Na minha opinião cada vez mais. que indubitavelmente. o que gostariam de fazer… Estas preocupações estão presentes Carta de Qualidade dos Centros Novas Oportunidades Agência Nacional para a Qualificação. nomeadamente. A confirmar esta minha constatação é confirmado pela mesma fonte como requisitos de estruturação do trabalho sugerindo que haja: “Articulação com a restante rede de Centros Novas Oportunidades. que me acolheu e permitiu este estudo.

Percursos de Formação Experiencial.. BARDIN. L. Procurei neste estudo respostas para o abandono em processo e fico com outro desafio o abandono recorrente… Estas perguntas são como que um desafio para o aprofundar desta área. Lei de Bases do Sistema Educativo. UM ENSAIO DE BALANÇO DE COMPETÊNCIAS EM PORTUGAL. 63 pp CIDEC “ Impacto do Reconhecimento e Certificação de Competências Adquiridas ao Longo da Vida: Actualização e Aperfeiçoamento “. S. Aprender Fora da Escola. L. I Série – nº237 – 14-101986. Capítulo I. Lisboa. Março 2007 COHEN. L. BARDIN. (1994) Investigação Qualitativa em Educação – Uma CANÁRIO (1996) Investigação e Inovação para a Qualidade das Escolas. se centra numa das questões levantadas ao longo do estudo. Direcção Geral de Formação Vocacional. Ministério do Trabalho e da Solidariedade / DirecçãoGeral do Emprego e Formação Profissional / Comissão Interministerial para o Emprego. É também para mim também bastante inquietante e desafiador a questão do abandono recorrente. Reconhecimento e Validação de Competências). É um desafio que quem sabe aprofundarei numa tese de Mestrado. J.“Espera-se que o adulto seja autónomo ou que o processo promova a sua autonomia?”. L. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e Instituto de 55 . no âmbito do PRODERCOM (Projecto de Desenvolvimento. Madrid: Editorial IMAGINÁRIO. que na minha opinião. L.Desafios do meu estágio Licenciatura em Ciências da Educação 2007/2008 problemática. com um plano de intervenção contra o abandono e o abandono recorrente na área da Educação e Formação de Adultos. M. Educa. Lei nº 46/86 de 14 de Outubro. que considero a mais pertinente: . Lisboa: IIE – Instituto de Inovação Educacional CAVACO. (1977) A Análise de Conteúdo. Lisboa. IMAGINÁRIO. Referências: Assembleia da República (1986). R. & Castro. Validação e Certificação de Competências). (1990) Metodos de Investigación Educativa. e Biklen. Cf. e Manion. Diário da República. Lisboa: Edições 70 BOGODAN. L. [Estudo para a ANOP (Associação Nacional de Oficinas de Projectos).(1998). (1995) Análise de Conteúdo. Perfil de competências dos Profissionais de RVCC (Reconhecimento. (2003). 70. Cármen (2002). Lisboa: Ed.

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