Você está na página 1de 9

Livro “Compromissos Subtis” – Joe Crews

Cap. 1: Nosso inimigo o mundo

O mundo está hoje num estado incrível de fusão e mudanças. Os pontos de vista e valores tradicionais foram mudados e quase abalados num espaço de tempo relativamente curto. Sob a influência adormecedora da televisão e dos meios electrónicos altamente móveis, as mentes foram manipuladas, estabeleceram-se normas de pensamento e emitiram-se decisões. E muitos dos milhões de seres humanos, pressionados desta forma, renderam-se inconscientemente aos poderosos agentes artificiais que foram usados para mudar o seu modo de pensar e as suas normas morais. Não há nenhuma dúvida que Satanás está no controle, dirigindo as subtis forças destinadas a destruir-nos espiritualmente. Sob a influência destas forças hipnotizantes, a mente dos cristãos foi lavada com tanto êxito como a dos mais corrompidos pecadores.

Nossa única segurança consiste em reconhecer as hábeis simulações do inimigo. Foram colocadas ao nosso redor milhares de armadilhas mortais bem disfarçadas. Quase imperceptivelmente, a nossa maneira de pensar foi afectada pelo que vemos e ouvimos. As convicções espirituais debilitaram-se e desapareceram totalmente. A fina sensibilidade que discerne o pecado foi embotada pela contínua exposição às, aparentemente inocentes, influências da nossa sociedade constantemente assediada.

Nas Escrituras estas armas de assalto de Satanás denominam-se simplesmente como “o mundo”. E ninguém poderá dizer que não fomos admoestados contra os seus efeitos desmoralizadores. Paulo, Tiago, e João escreverão com dramática urgência acerca dos perigos em coadjuvar com o mundo:

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” I João 2:15,16

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tiago 4:4 “Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.” João 15:19 “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei.” II Coríntios 6:17

“O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.” Tito 2:14

Estes escritores tiveram uma obsessão inspirada para expor o erro fatal de misturar o sagrado com o profano. Eles nos dizem a uma só voz: “Não ameis o mundo. Vós não sois do mundo. Saí do mundo e sede um povo peculiar e separado”. Estes textos não devem ser interpretados como ordens para abandonar as ocupações físicas do mundo. Obviamente, eles estão-nos admoestando contra certas influências, costumes e ideias que seriam altamente prejudiciais às normas da vida cristã. Além disso, o próprio Jesus disse que as coisas do mundo poderiam apresentar-se

completamente inocentes à vista dos homens. Ele estabeleceu um princípio eterno quando dirigiu estas palavras aos fariseus: “Porque, o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.” (Lucas 16:15, última parte).

Estude esta declaração cuidadosamente. Cristo quer aqui dizer que as coisas mais honradas e respeitadas pelos homens na sociedade constituem os maiores inimigos da verdade. Ele está indicando que o Seu povo deveria estar no lado oposto das práticas prevalecentes no mundo. Temos uma ideia do que significa tomar tal posição? Não é fácil colocar-se contra as opiniões sinceras enunciadas por representantes populares da nação. Além disso, haverá um apoio total dos grandes sistemas das igrejas populares para dar ainda maior crédito às coisas que são “altamente estimadas entre os homens”. Esta maneira equivocada de viver será tão claramente considerada como correcta que um pequeno desvio da mesma será olhado como estúpido e irracional. Ellen G. White explica isto assim: “Quando atingirmos a norma que o Senhor deseja que atinjamos, as pessoas mundanas considerarão os adventistas do sétimo dia como extremistas esquisitos, singulares e austeros.” Fundamentos da Educação Cristã p. 289. Isto nos leva a outra pergunta mais importante: Que efeito terão sobre a igreja remanescente estas enfeitiçadas abordagens disfarçadas? O propósito estudado pelo nosso grande inimigo é de tornar

o pecado lícito e se for possível conseguir que se infiltre no campo dos santos. A grande cidadela da fortaleza, o último baluarte de defensa que se levanta contra os ímpios é a semente da mulher. De acordo com Apocalipse 12:17, “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo.”

Satanás odeia a lei de Deus, ele odeia o Sábado. E ele odeia os que estão na vanguarda defendendo

a validade dessa lei. Ao longo dos séculos, o diabo inventou armas especiais para usá-las contra o povo de Deus. Essas armas variaram de geração em geração. Várias vezes, a ponta afiada da perseguição voltou-se contra o pequeno remanescente que permaneceu leal aos mandamentos de Deus.

A perseguição e a sentença de morte voltarão de novo ao cenário quando o diabo soltar desesperadamente o que tem reservado contra a igreja verdadeira. Ele sabe que este é o confronto de vida ou de morte que porá fim aos fundamentos da grande controvérsia para sempre. Desta vez não deixará escapar nenhuma vantagem. Confiado na sua habilidade psicológica de 6000 anos de experiência em cuidar de dominar a mente humana, começou um plano operacional de debilitação contra o povo que o aborrece. Este plano consiste em debilitar gradualmente as defesas espirituais dos adventistas do sétimo dia, através de compromissos com o mundo. Esta é a última arma que Satanás inteligentemente concebeu para minar a fé de todos os membros da igreja remanescente.

Quão bem sucedida será? Quantos serão lançados fora na crise que se avizinha por terem-se entregado às coisas do mundo? Não precisamos de nos surpreender. A resposta foi-nos dada vez após vez através do Espírito de Profecia. É uma resposta desagradável, e gostaríamos de acreditar que não é verdadeira. Mas, leia e surpreenda-se:

“Gostaria de dizer que estamos vivendo em tempos muito solenes. Na última visão a mim dada, foi- me mostrado o alarmante facto de que apenas pequena porção dos que agora professam a

verdade, serão santificados e salvos por ela. (…) Conformar-se-ão com o mundo, adoptando ídolos

e tornando-se espiritualmente mortos.” Testemunhos para a Igreja, vol. 1, pág. 608, 609.

Que incrível! A grande maioria daqueles que agora se regozijam na verdade abandonará sua fé e perder-se-á. Perder-se-ão porque “se adaptaram aos costumes do mundo”. Os estilos de vida aparentemente inocentes, altamente estimados e insidiosos de Satanás, os desarmarão, os debilitarão e finalmente os destruirão. Outra afirmação é, todavia, mais específica:

“A grande proporção dos que agora parecem genuínos e verdadeiros, demonstrar-se-á metal vil.” Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pág. 136.

A estratégia de debilitação do inimigo está descrita claramente por E. G. White nestas palavras:

“Não está longe o tempo quando virá a prova a cada alma. A observância do falso sábado será imposto sobre todos. A controvérsia será entre os mandamentos de Deus e os mandamentos dos homens. Os que passo a passo se têm rendido às exigências mundanas e se conformado a mundanos costumes, então render-se-ão aos poderes existentes, em vez de se sujeitarem ao escárnio, ao insulto, às ameaças de prisão e morte. Nesse tempo o ouro será separado da escória. A verdadeira piedade será claramente distinguida da piedade aparente e fictícia. Muitas estrelas que temos admirado pelo seu brilho tornar-se-ão trevas. Os que têm cingido os ornamentos do santuário, mas não estão vestidos com a justiça de Cristo, aparecerão então na vergonha da sua própria nudez.” Profetas e Reis, p.182, Publicadora Atlântico.

Não perca a linha na qual se descreve a razão para esta apostasia em massa. “Os que passo a passo se têm rendido às exigências mundanas e se conformado a mundanos costumes, então render-se- ão aos poderes existentes".

Não somente a maioria será sacudida para fora da igreja, mas voltar-se-á contra os seus antigos irmãos e se tornará a mais amarga inimiga da verdade.

“Ao aproximar-se a tempestade, uma classe numerosa que tem professado fé na mensagem do terceiro anjo, mas que não tem sido santificada pela obediência à verdade, abandona a sua posição, passando para as fileiras do adversário. Unindo-se ao mundo e participando do seu espírito, chegaram a ver as coisas quase sob a mesma luz; e, em vindo a prova, estão prontos a escolher o lado fácil, popular. Homens de talento e maneiras agradáveis, que se haviam já regozijado na verdade, empregam a sua capacidade em enganar e transviar as almas. Tornam-se os piores inimigos dos seus irmãos. Quando os observadores do sábado forem levados perante os tribunais para responder por sua fé, estes apóstatas serão os mais activos agentes de Satanás para os representar falsamente e os acusar e, por meio de falsos boatos e insinuações, incitar os governantes contra eles.” O Grande Conflito, p. 488-489, Publicadora Atlântico. Mais uma vez ficamos fascinados pela expressão “Unindo-se ao mundo… estarão prontos a escolher o lado fácil, popular.” Note que esta é uma obra de preparação – “Estarão preparados…”. Aqui se revela de novo o espantoso programa psicológico de Satanás para derrubar as barreiras morais. Compromissos com o mundo. Conformidade com o mundo.

“O trabalho que a igreja tem deixado de fazer em tempo de paz e prosperidade terá de realizar em terrível crise, sob as circunstâncias mais desanimadoras e difíceis. As advertências que a

conformidade com o mundo tem silenciado ou retido, precisam ser dadas sob a mais feroz oposição dos inimigos da fé. E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores, cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará à fé e tomará sua posição com os francos inimigos dela, para os quais havia muito tendiam suas simpatias. Esses apóstatas hão-de manifestar então a mais cruel inimizade, fazendo tudo quanto estiver ao seu alcance para oprimir e fazer mal a seus antigos irmãos e incitar indignação contra eles. Esse tempo se acha justamente diante de nós.” Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pág. 463.

A expressão, “conformidade com o mundo”, aparece outra vez nesta declaração. Repetidamente temos sido admoestados acerca deste ataque massivo de Satanás através da mundanidade. No entanto, nós ouvimos muito pouco acerca deste tema em particular. Milhares de adventistas do sétimo dia têm estado cegos a este plano estratégico do maligno. Alguns do nosso povo foram induzidos a crer que estabelecer princípios sobre normas e estilos de vida é mero legalismo. Para eles, isto é simplesmente arranjar pretextos e julgar mal. Esta é seguramente a forma como Satanás quer que eles pensem. Eles falam e pensam muito sobre a prova final sobre o verdadeiro dia de repouso, mas não conseguem ver como “O RESULTADO DA PROVA ESTÁ-SE DETERMINANDO AGORA MESMO.”

Ellen G. White disse: “Os que se estão unindo com o mundo, estão-se amoldando ao modelo mundano, e preparando-se para o sinal da besta. Os que desconfiam do eu, que se humilham diante de Deus, e purificam a alma pela obediência à verdade, estão recebendo o molde divino, e preparando-se para receber na fronte o selo de Deus.” Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pág. 216.

A marca da besta tornar-se-á obrigatória. Toda a alma terá que tomar a sua posição ao lado do verdadeiro sábado, ou do lado da sua falsificação, o domingo. Os adventistas do sétimo dia terão que fazer frente à sentença de morte por causa da sua fé. E, infelizmente, a maioria não conseguirá permanecer de pé, frente à crise. Mostrarão deslealdade por causa dos seus anteriores compromissos e hesitações em relação às normas cristãs. Ao ceder gradualmente aos costume e modas do mundo, a sua força de vontade e de decisão ficarão tão débeis que não poderão resistir à prova. E este compromisso está em decurso agora! Neste preciso momento a grande maioria dos membros da nossa igreja estão ligados ao mundo de tal forma que estarão perdidos quando a marca da besta se tornar obrigatória.

Esta é a pergunta que me preocupa: Estou eu também ligado ao mundo como está a maioria? Como posso estar seguro de que não estou seguindo a corrente que causará a grande sacudidura da igreja? Que método diabólico, inteligentemente disfarçado, empenhou Satanás para cegar os olhos de tantos do povo de Deus para que, finalmente, eles escolham o mundo em vez da verdade? Deve ser, de certo, a mais refinada obra-mestra, de todas as que empenhou contra os santos. O povo que se distinguiu pelas suas altas normas, será tentado, por meio de enganos astutos, a abandonar o seu estilo de vida peculiar. Metade dos adventistas de hoje negaria com indignação que é mundano. A maioria dos nossos membros expressariam completa segurança de que não abandonariam a sua fé em perante a morte. NO ENTANTO, ACABAMOS DE LER QUE DE FACTO O FARÃO!

Que significa isto? Significa que a maioria dos nossos membros estão envolvidos na mundanidade e nem sequer se dão conta disso. Estão-se agradando do perigoso compromisso com o mundo, e

pensam que isto é perfeitamente inocente e aceitável. Estão de tal forma cegos que não podem reconhecer as coisas mundanas que estão fazendo. Porque não conseguem ver que estão envolvidos com o mundo? Porque a diminuição das normas foi tão gradual, que não se perceberam do que aconteceu. O plano do diabo não é que a igreja abandone repentinamente a sua posição histórica contra a carne e o mundo. É demasiado inteligente para pensar que anunciaremos publicamente que não há problema em irmos ao cinema, em usarmos maquilhagens e jóias, ou em que bebamos chá ou café.

Mas Satanás sabe como a mente funciona sob o poder da sugestão e da associação. Com infinita paciência ele introduz imagens, palavras, ideias e práticas que não podem ser condenadas por si mesmas. De facto, muitos dos ‘inocentes’ ardis de Satanás não somente são altamente considerados entre os homens como também têm algumas características e qualidades recomendáveis. Um exemplo perfeito destes artifícios é a televisão. E quantos de nós temos escutado os convincentes argumentos a favor de ver as boas notícias, os documentários, os programas religiosos. Ninguém pode dizer que a mesa da TV na sala, é uma coisa má em si mesma. Tomada em si mesma, ela é um bonito equipamento e uma boa fonte de informação. Então, começa o processo dominante do assalto psicológico, no qual Satanás é insuperável. Muito lentamente, o discernimento vai-se embotando por espreitadelas e furtadelas a comédias de duvidosa moralidade, violência, etc. A mente adapta-se ao novo nível de ideias recebidas e quase imperceptivelmente começa a tolerar a mudança de qualidade daquilo que vimos e ouvimos.

Duas declarações inspiradas ajudar-nos-ão a ver como se desenvolve a obra do inimigo:

“Satanás insinuar-se-á mediante pequenas cunhas, que se ampliam à medida que abrem caminho. As especiosas maquinações dele serão introduzidas na obra especial de Deus nestes dias.” Mensagens Escolhidas, Vol. II, p. 21.

“A obra do inimigo não é feita abruptamente; não é, ao princípio, súbita e surpreendente; é uma acção secreta de minar as fortalezas dos princípios. Começa em coisas aparentemente pequenas…” Patriarcas e Profetas, p. 718.

Quão importante é reconhecer a direcção pela qual somos conduzidos por uma influência particular. A maneira pela qual as codornizes são frequentemente capturadas provê-nos uma ilustração das tácticas de Satanás. O trigo é colocado a vários metros de distância do lugar onde se armou a armadilha para apanhar rapidamente a codorniz. No princípio, os pássaros aproximam-se bem do trigo com um certo receio, mas como não se apercebem de nenhum perigo os seus temores apaziguam-se.

No dia seguinte o trigo é posto um pouco mais perto da armadilha e os pássaros estão menos cautelosos dos grãos espalhados. Dia após dia o trigo é colocado um pouco mais perto da armadilha, até que a codorniz está completamente confiante de que não há nenhum perigo ao redor do formoso trigo. Então, é claro, o trigo é colocado no interior da armadilha, e os pássaros continuam a chegar. Eles confiam, ingenuamente, que o bom alimento continua bem e que a segura festa continua sem perigo. Então caem na armadilha.

Não estou a afirmar que as codornizes deveriam parar de comer o trigo e que os cristãos deveriam abandonar toda a actividade legítima. A questão é que deveríamos ser o suficientemente

cautelosos para darmos conta do rumo pelo qual estamos a ser conduzidos e que deveríamos estar dispostos para deixar mesmo as “boas” coisas, se elas nos estiverem a levar para uma direcção espiritualmente perigosa. Podem as coisas boas conduzir-nos para rumos errados? Certamente que podem. Os cristãos são induzidos a abandonar gradualmente as suas altas normas, com frequência por um processo aparentemente inocente.

Esta é a maneira como o compromisso (com o mundo) sempre se introduziu na igreja. Satanás introduz uma actividade que só é ligeiramente objectável… De facto talvez não seja muito fácil definir exactamente porque tal acção não é boa. E porque o desvio é tão pequeno, ninguém quer realmente fazer dele um tema de discussão. Alguns membros fiéis da igreja sentem-se incomodados sobre o assunto, mas não gostam de dizer nada por temerem ser rotulados de fanáticos. Por isso decidem esperar até que haja um problema maior antes de tomar uma posição definida.

Desafortunadamente nunca haverá um problema maior. O diabo assegura que todos os passos do compromisso sejam pequenos. Ele sabe que dificilmente alguém teria a coragem de fazer uma objecção substancial a um pequeno grau de desvio.

Houve um tempo no qual o argumento favorito do diabo era: “Toda a gente faz isso”. Apesar da juventude ainda o usar ocasionalmente, uma nova expressão foi lançada ao ar para justificar a conformidade com o mundo: “Só um bocadinho, não faz mal”. O vestido está um bocadinho curto. A bebida contém apenas um bocadinho de cafeína. O programa da TV mostra apenas um

bocadinho de violência

e os cosméticos são só para dar um bocadinho de cor. E assim por diante.

Parece que não aprendemos a lição de Ló quando deixou Sodoma. A maior parte da sua família recusou deixar a cidade condenada. Ele tinha perdido todos os seus bens por ter escolhido viver naquele ímpio ambiente a sua casa, as suas riquezas, as suas formosas filhas. Mas quando os anjos o instaram a fugir para as montanhas, ele lhes rogou que o permitissem mudar-se para outra cidade. O seu raciocínio foi: “Não é pequena?” Génesis 19:20.

Como pode fazer isto? Seguramente Ló tinha aprendido que as cidades quase o tinham destruído. Desde o dia que “foi pondo as suas tendas até Sodoma” a família tinha avançado pouco a pouco, quase imperceptivelmente fazia uma completa identificação com a corrupta sociedade do centro da cidade. Pouco a pouco a transição foi feita desde uma neutralidade duvidosa até uma participação descarada. Quando Ló pediu permissão para ir viver para outra cidade, ele estava a demonstrar dramaticamente quão gradualmente pode o compromisso embotar os sentidos e distorcer o juízo.

Quantos na igreja moderna desde há muito tempo têm estado a por as suas tendas em direcção a Sodoma? Quantos tomaram o primeiro passo rumo a um compromisso facilmente justificado? E, quantos cristãos se sentiram incomodados com isso, mas não tiveram coragem de levantar a sua voz para admoestar?

Mais tarde, que aconteceu? Esses cristãos perderam a sensibilidade e por isso começaram a defender a corrente progressiva de rebaixar as normas com o mesmo argumento, “Não é isto uma

minúcia?” Não explica isto como a mundanidade tem deslizado para dentro da igreja remanescente? Por exemplo: Como é que a abominação da minissaia se tornou um espectáculo tão familiar nas igrejas adventistas do sétimo dia, nos sábados de manhã? A irmã White explica o que aconteceu com as saias-balão noutra geração, e você pode ver como Satanás usou a mesma subtileza para introduzir a minissaia.

“Grande é o poder do exemplo. A irmã A aventura-se a usar pequenas saias-balão. A irmã B pensa:

Não é mais prejudicial para mim do que para a irmã A, usar saias-balão. Então ela usa uma saia um pouco maior. A irmã C imita o exemplo das irmãs A e B, e usa saias-balão um pouco maiores do que A e B, mas todas alegam que suas saias-balão são pequenas.” Testemunhos para a Igreja, Vol. 1, p.

278.

Isto soa-nos familiar? As raparigas tanto como as senhoras da igreja remanescente começaram a subir as bainhas dos seus vestidos. Se a altura chegava ao joelho, estava bem. Então, que havia de mal em usá-los um ou dois centímetros acima do joelho? E se era modéstia usar a saia um ou dois centímetros acima do joelho, então porque deixaria de ser modéstia cortá-la uns centímetros mais acima?

Porque se tem dito tão pouco contra isto? Porque cada estado deste levedante processo era demasiado pequeno para despertar alarme. Nem mesmo o pastor dava conta do que se estava a passar. Muitos se atreveram a falar, mas foram rapidamente silenciados acusando-os de ter mentes maldosas. Muito poucos continuaram tocando a trombeta de alarme contra a crescente violação da modéstia.

“Eu vi que alguns se levantariam contra os claros testemunhos. Eles não se adequam aos seus sentimentos naturais. Gostariam que lhes dissessem coisas agradáveis e que se lhes falasse em paz aos seus ouvidos. Vi a igreja em uma condição tão perigosa, como jamais esteve. A religião experimental é conhecida tão-somente por uns poucos. A sacudidura há-de vir muito em breve para purificar a igreja. Os pregadores não devem ter escrúpulos em pregar a verdade tal como se encontra na Palavra de Deus. Deixai que a verdade saia. Foi-me mostrado que a razão porque os nossos pregadores não têm tido mais êxito é porque eles têm medo de ferir os sentimentos, temor de não serem corteses, e por esta razão eles baixam as normas da verdade e ocultam, se possível, as peculiaridades da nossa fé. Vi que Deus não podia abençoar os tais. A verdade deve ser directa e deve-se instar as pessoas a tomar uma decisão com urgência. E enquanto os falsos pastores proclamam paz e pregam coisas suaves, os servos de Deus devem clamar em alta voz e não se calar, e deixar os resultados com Deus." Spiritual Gifts, Vol. II, p.284-285.

“Alguns se estão desviando do testemunho vivo. As verdades cortantes não devem ser passadas por alto. É necessário algo mais que teoria para alcançar os corações agora. É necessário o testemunho impressionante para alarmar e suscitar interesse; isto despertará os súbditos do inimigo, e então as almas honestas serão impelidas a decidir-se a favor da verdade. Tem havido, e todavia há, em alguns a disposição para esperar que todas as coisas ocorram muito suavemente. Não vêm a necessidade de um testemunho directo. Na igreja existem pecados que Deus aborrece, no entanto, raramente são repreendidos com medo de fazer-se inimigos. Tem-se levantado na igreja a oposição ao claro testemunho. Alguns não o

suportaram. Eles desejavam que se lhes falasse coisas suaves. E, se se toca nos erros dos indivíduos, queixam-se de severidade e dureza. Esta é uma triste evidência do estado de mornidão da igreja.” Spiritual Gifts, Vol. II, p. 283, 284.

A grande necessidade da igreja é de pregadores valentes que possam falar com intrepidez acerca

do correcto e do incorrecto. O pastor que ama verdadeiramente o seu rebanho e o seu Deus, não vacilará em chamar o pecado pelo seu nome em todo o discurso. Pregações directas que produzam preocupação pelas más obras são a mais genuína demonstração do verdadeiro amor. Tais homens chorarão muito pelas suas ovelhas e com as suas ovelhas, no entanto não recusarão dar a mensagem que pode curar e restaurar. Dietrich Bonhoeffer no seu livro Life Together fez esta importante declaração: “Nada pode ser mais cruel que a ternura que confirma a outro em seu pecado. Nada pode ser mais bondoso que a severa repreensão que dirige ao irmão para que se volte da senda do pecado.”

Um parágrafo do livro Patriarcas e Profetas influenciou mais no meu próprio ministério que qualquer outra coisa que já tenha lido fora da Bíblia. A sua solene mensagem fez arder a minha alma, desde a primeira vez que o li, depois da minha ordenação. Aplica-se igualmente a pais e a pastores. Assim, em mim produziu um duplo impacto.

“Aqueles que têm muito pouca coragem para reprovar o mal, ou que pela indolência ou falta de interesse não fazem um esforço verdadeiro para purificar a família ou a igreja de Deus, são responsáveis pelos males que possam resultar da sua negligência ao dever. Somos precisamente tão responsáveis pelos males que poderíamos ter impedido nos outros, pelo exercício da autoridade paterna ou pastoral, como se esses actos tivessem sido nossos.” Patriarcas e Profetas, p.530 (Publicadora Servir), capítulo: ‘Eli e os Seus Filhos’.

Não esqueça a estocada desta declaração. Se tenho medo de tocar a trombeta, e admoestar o povo de Deus da proximidade dum perigo espiritual e, como resultado, este é induzido ao pecado, então eu serei tido por responsável por esses pecados como se eu mesmo os tivesse cometido. Eu não desejo responder pelos pecados dos outros. Esta é uma razão pela qual estou escrevendo este livro. Muito poucos escutam acerca das tácticas encobertas do nosso grande inimigo para derrubar a força da igreja hoje. A única forma pela qual podemos deter esta intrusão mundana, é traçando uma linha divisória no lugar que corresponde e ali pararmos com firmeza. O abandono das nossas normas continuará até que nos enchamos de coragem para resistir ao primeiro compromisso. A irmã White disse: “A distância entre Cristo e o seu povo está alargando e a distância entre o seu povo e o mundo está diminuindo.” Spiritual Gifts, p.68. “Nossa única segurança é manter-nos como o povo peculiar de Deus. Não devemos ceder um

milímetro ante os costumes e modas deste século degenerado, mas permanecer em independência moral, sem transigir com suas prácticas corruptas e idólatras.” Testemunhos para a Igreja, Vol.5, p.

78.

É nosso propósito nos próximos capítulos estudar determinadas áreas importantes de normas

cristãs as quais Satanás converteu em centros especiais do seu plano de compromissos subtis com

o mundo.