Você está na página 1de 6

Apresentação

o espaço e a ferida

RaúlAntelo

No ensaio que dedica à obra de Georges Bataille, em 1963, tIl hcl Foucault admite que a filosofia não possui objetos novos 1 ,1\ que estamos, plenamente, na idade do comentário. Benjamin II .rpontara a mesma ideia, quando disse que é no comentário que " princípio filosófico se cala e adquire, finalmente, forma, mesmo '1"l", decerto, de maneira informe. O filósofo italiano Franco Rena ( 1944-), consciente dessa tradição, mesmo por evo-Ia em suas

A/lcrologie. Territori di confine (2007), sabe que o comentário não"

" hcrrnenêutica do sentido, antes, pelo contrário, ele implica uma,::r;- I crta experiência de extimidade, conceito que Lacan utiliza, em seu

eminário sobre a Ética, quando alude,

justamente, à experiência

Intima que comunica o sujeito com o real, enquanto experiência interior.

Prefigurada pela ideia freudiana de significantes ambivalentes,

que provocam

do comentário

no leitor certa estranheza inquietante, a impertinência põe em cena a mútua exclusão entre o real e o sentido,

daí que a tarefa do comentário consista, de algum modo, em promover .1 precária integração de contextos culturais antagônicos, feitos de diferentes tempos ou diferentes culturas, para os quais a escritura

oferece uma ponte, um conhecimento

suplementar, extremamente

provisório, porque é apenas um território de confim e porque, além do mais, o comentário não tem a presunção de estar habitado por um princípio filosófico derradeiro. Se o comentário é apenas subalterno, na medida em que depende da interpretação e é subordinado, de fato, à filologia, pelo contrário, ali onde essa disciplina vê tão somente um limite, o comentário transpõe

um confim, e onde ela concl!!1 o comentário, porém, inconclui. O

)

comentário nunca é jitera], mas l~,

já que se oferece como para-

deigma, isto é, como fórmula, mas nunca como Forma. Há, nessa escritura, uma relativa equivalência entre significante e significado, uma vez que o comentário (a forma) equivale ao próprio conteúdo (o procedimento) de sua leitura. Nessa relativa indiferença entre a norma e sua realização efetiva, todo comentário torna-se ficção, plano ou projeto; em suma, comemoração. Ou festa, para usar um conceito tão caro ao College de Sociologie. No comentário, enfim, a linguagem, ao adquirir uma nova tatilidade, toma-se, em consequência, uma maneira criativa de.captar a vida pluridimensíonal.

Em ''A ferida metafísica" (2007), Franco Rella retoma uma paixão de juventude, Georges Bataille. Com efeito, aos vinte e oito anos, Rella prefaciou a edição italiana de A parte maldita, publica da, pela primeira vez, em 1949, mas incorporando A noção de despesa, que fora antes estampada por Bataille no sétimo número de La critique

sociale (1933), obra que Rella

define, talvez à maneira de Blanchot,

alternativamente, como espaço e como,corpo, "um espaço, um corpo

  • 10 material, no qual se inscrevem dialeticamente pulsões, ideologias, fragmentos

de práticas significativas:

um corpo infinitamente

despedaçado e recomposto,

um espaço plural, que somente uma prática

de leitura 'plural, que tenha renunciado às garantias tranquilízadoras dg,

unidade do autor, do sujeito, da ideologia dominante, pode penetrar,

Vl

<li

Ol

o

<li

D

~ir'~

ou seja, que diante dessa concepção esgarçada no espaço,

mesmo que compacta num corpo, Rella nos diz que não é mesmo na

história, como espo da dialética, onde podemos encontrar a obra. A parte.maldita precipita, com efeito) a pós-história, na medida em que

sQa escritura é uma tensão permanente em direção ao excesso, o

que

nã o configura uma perda r~_alde vidas humanas ou não humanas, mas; ~ma perda representada por.Jassocíações de imagens que 'destroem.a,

" ")':0"

0,,· r,

,l,

9-rde~

coisas ptícas'" Ora, esse dispêndio disseminador deixa

  • 9 " de ser, a rigor, meramente simbólico, porque a escritura, em Bataille,

.0

,...N.-

,o-}6.o

  • Q. 1.,.v., ".f) aponta sem12reem elire ão a uma realidade material: ela abre, no interior

),' 't,·

~

mesmo do discurso, "um

espo e uma dilaceração historicamen

determinados',

em que a transgressão mantém uma relação COnLQ

proibido, sem o qual ela seria pura animalidade satisfeita. Já, então, em 1972, aparece, portanto, em Rella, a ideia da jerida metasica.

I.ssa laceração interna provocada pelo dispêndio, o erotismo e( I r rt ura é responsável, em Bataille, por "uma forma de negação, que~

  • I ,I I' deixa reduzir às operações da filosofia clássica, hegelianarc.OU1~ 1.1I111'ulode um processo de A_uf!Jebung".;Ao contrário, em sintonia 11"I) -nis Hollier eJacques Derrida,leitores de Bataille, nesses inícios I1 .1I10S1970, Rella já afirmava que o dualismo místico-material

'I u-orico do não-saber punha 'I ,ti 11l, a ciência. '!\,.linguagem,

em crise tanto a religião quanto seu osigno constituem um mundo entre

ontradições, uIlLespaço onde esem jogo a contradição, um 1',1~1l que a escritura alarga continuamente, para além da impotência I' ilavras".' Mas esse espaço era, a rigor, um.vácuo, Não era um dado, mas 111I decisão. Rella julgava, assim, necessário encontrar, "no nosso

111 I

I'.I~II natural e cultural, a dépense,

a negação, o salto que nos

projeta

1111111futuro, em direção à parte do

homem", à qual, aliás, não

escapa,

111110se verá também em Zizek, nem mesmo o estalinismo, como

u ut.u iva de ultrapassamento

da tensão mortal do presente: assim

  • I tllIlll também não escapava já a nosso Autor que essa contradição 1IIIII,lVaa ~bra de Bataille particularmente maldita, porque conduzia 11.11,10burguesa a seu limite, ao jogo mortal que se exprimiria, mais \l11,IuLe,no conceito de Real. O objetivo, portanto, não era condenar o mundo burguês à sua dissolução, mas antes modíficá-lo radicalmente,

I

111função de sua própria disseminação, aprendendo a lidar com o que 11,com o acidente, com o sintoma.

A obra de Bataille é um IIIH,\miríade de fragmentos.' Um

imenso fragmento composto de dos tantos fragmentos de Bataille

I

',Iparece em um livro de Rella de 1984, Metamorjosi. Immagini dei

/'I'/lsiero, quando o Autor pensa a cifra da modernidade, a melancolia,

\I sol negro, o mesmo que, em

Kristeva, precipita a passagem a uma

11

'"

-o

'0::

~

'"

<li

o

s»

'"

o.

Vl

<li

O

I

o

«o <.r

'"

C

<li

Vl

<li

~

  • I rítica do Real. Mais recentemente, porém, em 2000, Rella escreveu o

-nsaio "Di fronte all'indicibile", integrado à antologia por ele mesmo

u-unida, Pathos: scrittura dei corpo, delia passione, dei dolore. Nele nos

RELLA, Franco - La parte di Bataille. In: BATAILLE, Georges. La parte maledetta.

1.1società di impresa militare-religiosa,

il

I/(Júone ài depense. Trad. Francesco Serna.

capitalismo, 10 stalinismo. Preceduta da La Verona, Bertani, 1972, P: 15.

Idem - Ai conjini dei corpo. Milano, Feltrinelli, 2000, P: 53.

oferece uma reflexão ainda mais ponderada da relação de Bataille com

a arte e define, então, iLe.scritura_como esse momento de peculiar

t

f.

1

I, I

l)

...r~

tL/~O<~

..-~~1

<:»

A

...•.

/'

<,

;negatividade sem emprego.

v

~

~

 

,

Aliteratura é desvio fora dos caminhos do logos habitual. é fuga do mundo do discurso. Com essa, escreve Bataille, se entra numa espécie de tumba onde o infinito do possível nasce "d

'G <morte do mundo lógico": um espaço terrível, o único em qll..fl ~é possível ligar "intimamente a afirmação à negação", É assim que essa cumpre "aquilo que geralmente é obra do 'tempo' - o qual, de todas as suas construções, deixa subsistir apenas os rastros da morte. Acredito que o segredo da literatura seja este. E que um livro se torna maravilhoso se habilmente

ornado pela

indiferença das ruínas.

Portanto, a literatura

é uma saída do princípio de não contradição que domina 0_

pensamento

lógico; é a afirmação de uma contradição nos

confins onde

podemos colher, talvez como em toda autêntica

contradição, o impensado da vida, quando esta se encontra

com a morte. constantemente

A arte, a literatura como a pintura, debruçam-se sobre aquilo que é invisível ao pensamento

lógico, ou seja, a paixão, que Esquilo dizia ser o verdadeiro

  • 12 saber do mundo: o sofrimento, a alegria, o terror, o tédio e, de fato, no fundo de tudo, justamente como intuiu Bataille, as máscaras da morte.' Nessa definição de literatura reaparece outro conceito caro

a Franco Rella, o de conjim. Para nosso Autor, a realidade não

é um

plano de consistência, mas um extremo, um conjim, algo que ele deixa

claro em Pensare per jigure. Preud, Platone, Kajka, ilpostumano (2004).

Nesse livro afirma, por exemplo, que a literatura "não resolve enigmas:

ilumina-os de fato como enigmas, como inexplícáveis" E, assim sendo,

a vertiginosa exegese da parábola da lei, em O processo, de Kafka, "não

existe interpretação que esgote as possibilidades e que nos coloque.no

coração de uma verdade. Verdade e enigma se enfrentam e se r~lJl

até identificarem-se:

a verdade é enigma, a verdade é enigma" O

confim traça, a seu ver, uma reversibilidade total entre positividade e

negatividade, entre fato e interpretação, entre antes e depois, entre cá

  • 3 RELLA, Franco - Di fronte all'indicibile. In: RELLA (Ed.) - Pathos: scrittura deI corpo, della passione, deI dolore. Bologna, Pendragon, 2000, p. 170.

11 A nudez, essa noção tão bataillana, não é, portanto, uma condição,

1111'um estado do ser, uma forma da experiência interior. "Estar-nu

li, .rsxim, forma à experiência do mundo. Uma experiência extrema na

IIl1d,IOe no ato erótico, ou diante do sofrimento, do mal, da morte" -

l'lllpleta Rella - quem se debruça sobre a "nudez ontológica da vida",

I' 11I ver refutada, na literatura, "a metafísica de modo

bem mais nítido

1.lque como apare~e nos textos heideggerianos, que nunca chegaram

I 111\hstante" Mas essa constatação, que na verdade coloca Bataille num

1"11110de maior estímulo à indagão do que o próprio Heidegger,

111111a,1abrir um confim crítico, um questionamento: ~~é

11111ponto de chegada ou um ponto

de partida?': A nudez,

diríamos, é

11111o,1rigem. Ela não é fundamento nem destinação. É uma forma de

li I .irrnos acéfalas a totalidade, a verdade, a universalidade de todo

Ildg,lInento.

Ora, nas "Proposições sobre a morte de

1\ vista Acéphale, em janeiro de 1937, Bataille já

Deus", estampadas na"

J

afirmava que o acéfalo

"'

" j

.

r' ,,10 t; ,

  • I I'lIme, de maneira assumidamente mitológica, a soberania voltada à

I I.'sl ruição, à morte de Deus e, nesse ponto, a identificação ao homem-

\'111cabeça confunde-se com a própria identificação ao sJlper- humano

13

'I"l' é, por inteiro, e cabalmente, morte deDeus. Portanto, super-homem

• tll'éfalo remetem ambos a um tempo imperativo e à liberdade como

x plosão da própria vida. Num e noutro caso, porém, o tempo, longe de

1'1 um dado natural, torna-se objeto de êxtase, ora como eterno retorno

(Nictzsche), ora como apocalipse (Derrida), ou mesmo como tempo

nplosão (Benjamin), mas, em todo caso, como expulsão de qualquer

1Ipo de continuidade e sucessão temporais, que funcionassem como

',Irantias inabaláveis de acumulação, porque o movimento voltado ao

tempo entra, de um lance decisivo, na existência concreta do homem,

orno ex-sistência. Esse tempo extático)só pode ser achado na visão

:g'"

~

'"

'"

o

U '

'"

o..

VI

'"

O

,

o

,'" U '

2

c

'"

VI

'"

~

daquilo que o acaso pueril fez bruscamente sobrevir: ruínas, cadáveres,

nudezas, abismos.

Nesse sentido, a mudança, isto é, a Revolução, segundo Bataille,

não deve ser procurada nos seus resultados concretos e conscientes,

mas na sua aparência bruta, em sua imposão para além das categorias

corriqueiras. A Revolução manifesta-se, aos olhos mudos de um

mundo cheio de medo, como a súbita exploo de eternas sublevações

sem limites. Mais tarde, porém, compreenderíamos que, assim como

a revolta suspende o tempo, a Revolução repõe o tempo

nos trilhos da

ordem, a nova ordem

revolucionária, que é uma forma

impiedosa de

disseminar o controle

como exigência da nova situação.

A guerra muda, tal como ordenada pela economia moderna, a

oikonomia como administração da vida, exige a mais completa ausência

de sensibilidade. No caráter desmesurado e dilacerante da catástrofe

sem finalidade que é a guerra atual, diz Bataille, às vésperas da Segunda

Guerra Mundial, é posvel reconhecer, entretanto, a imensidade

explosiva do tempo, uma vez que com ela se instaura um tempo pós-

histórico,

que nada mais é do que a regressão do homem ao estado de

natureza. Como já não pode se expandir no tempo, porque ele exauriu-

se, o homem expande agora o espo, tornado global. Não obstante,

a existência universal permanece ilimitada e, por isso mesmo, sem

repouso: ela não reclui nem encerra a vida num invólucro impermeável,

mas, ao contrio, abre-a e a relança, incessantemente, na inquietude

do infinito. É o que desenvolvem livros como o já citado Micrologie ou

DaI/' esilio (2004). Ou mesmo seu trabalho como editor da História

  • 14 do erotismo (2006) de Bataille. Neles constatamos que a existência universal, eternamente inacabada, acéfala, perfaz um mundo semelhante

..2

r

  • 51 aJ:l'!p-,uerid~que sangra, a uma falta insatuvel, como o olho rasgado,

'o

""

~

de Dali-Bufiuel, como a imagem aberta de Didi-Huberman,

criando

E?J simultaneamente, destruindo, ou como dirá o próprio Bataille, ao

  • 03 pensar 0_ começo da arte em Lascaux, alterando a superfície disponível,

f r

'\

I1 111, 11m de cujos pontos altos é, sem dúvida, a carta de 8 de abril

1'1 ~,que completa a anterior. Giorgio Agamben, comentando-a

,\".11 to excurso de A linguagem e a morte, atribui-a a Kojeve, sendo

" ulh- SL'U destinatário. Retomando os argumentos expostos em uma

I"

1I1 r v.irta, datada de 28 de julho de 1942, no sentido de que, quando~~~

~"r~-{) ..o

J ~

uo c

integral~e..exa]][i!l,

p~viamen~dP

..9tênciª,

xale dizer que

,~

I 111 potência, impotente, inexistente: não é mais.", arrematando,

~"''''

« lr.m.unente, que "a

existência humana é o díferimento para

II t.irdc. E este "mais

tarde" é, ele próprio, a morte, é nada'." A

I, 1101" carta de 1952, redigida na biblioteca de Orléans, afirma que

1'1 ••hlcrnática a definição de satisfação do interlocutor, uma vez que

" terreno em que você se aventura é escorregadio: parece-me, c untudo, que, não o trilhando senão parcialmente, deixando de reconhecer que essa satisfação de que você fala é intangível,

sendo, no final das contas, uma farsa no sentido mais próprio, você contraria a polidez elementar que consistiria em convidar seus evocados a dançar epilépticamente com as personagens

de que V fala. Conviria, verdadeiramente,

para ser completo,

encontrar um tom indefinível que o seja nem o da farsa nem o do contrário, e é evidente que as palavras não nascem seo da boca para fora: não tendo, pois, importância. Creio, porém, que você minimiza o interesse das expressões evasivas

que emprega ao desembocar no seu artigo me agradou tanto, que

fim da história. Eis por que é a forma mais derriria de

abordar o tema - vale dizer, a menos evasiva."

15

<O

:g

2

<O

Cl)

o

tr

<O

o-

<J)

Cl)

 

<J) @i, o que traça, enfim, a dimensão singular1?lural c!e que nosfala jean-Luc

 

O

E, a seguir, acrescenta:

 

I

o

<3

 

o

 

Nancy, Ora, se Foucault nos revelou que o poder pastoral descansava

 

-<O

tr

 

<O

 

t

 

'~'.

num apelo

omnes et singulatim, o mestre Bataille conseguiu ver, bem

C

Cl)

 

Mas você talvez prossiga rapidamente, não o embaraçando minimamente chegar a uma sabedoria ridícula: seria preciso,

<J)

'-v~I,

~

antes disso,

que a verdadeira universalidade é a morte de Deus.

Cl)

 

com efeito, representar aquilo que faz coincidir a sabedoria e

~

 

Deus escreve certo por linhas tortas. O bom deus reside no

o objeto do riso. Ora, não creio que você possa pessoalmente

detalhe. A combinação desses

dois prorbios, um deles, ancestral,

evitar este problema derradeiro. Jamais tencionei dizer-lhe

e o segundo, palavra de ordem de Aby Warburg, pode nos ajudar

a

nada que não seja expressamente e voluntariamente

cômico

entender um pormenor, nada trivial, ligado à relação entre

Bataille e

ao chegar a este ponto de resolução. Talvez seja a razão pela

 

. Kojeve ou, em outras palavras, ao debate pós-histórico. Rella não hesita

 

em apontar a carta de Bataille a Kojêve, de 6 de dezembro de

1937,

AGAMBEN,

Giorgio. A linguagem e a morte: um seminário sobre o lugar da

 

dois dias depois de Bataille ter discorrido no ColIege de Sociologie sobre

os conceitos hegelianos, como o marco inaugural dessa problemática

III'gatividade. Trad. Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006, P: 73.

BATAILLE, Georges. Choix de lettres. 1917·1962. (:.dlimard, 1997, p. 441.

Ed. Michel Surya. Paris:

qual você por vezes tenha aceitado levar em conta a minha

própria sabedoria. Malgrado tudo, isto nos opõe: você fala de

satisfaçãQ,...YQconcede

.;:ê que se tenha do que rir, mas não que

seja º_wó.erio rincíp!.? da satisfação a ser risível. 6

nteceLPorém) que ~ autor da carJa de 1952 não é KQ;m,

sgmo.afirma

Agamhen,.roas...Bataille/

e a ele devemos atribuir a ideia

de colocar a soberania do sábio no fim da história ou de verificar a

identidade entre satisfação e insatisfação ou, em outras palavras,

a não da ausência de objeto para toda pulsão, para qualquer

movimento na história. Assim, a restrição de Agamben, no senti~

que a forma correta de colocar o problema não seria a da satisfa(ão)

mas a da soberania) soberania essa

que é a do sábio no fim da história,

é também um modo) literalmente, inconsciente, de dar-lhe a pri!Jlazia

a Bataille, algo a que Agamben não é particularmente

afeito. Daí a

censura agambeniana a Bataille, como pensador jarsesco:

Um pensamento que queira pensar para além do hegelianismo

não pode, efetivamente, encontrar fundamento, contra a

negatividade dialética e o seu discurso, na experi