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Eletricidade I

Magnetismo

O magnetismo maravilhou o homem desde a antiguidade, quando foi percebido pela
primeira vez. A magnetita acirrava curiosidade porque atraia certos materiais.

Neste capítulo demonstraremos os conceitos de magnetismo, sua origem,
propriedades, e os efeitos magnéticos do fluxo de elétrons em um condutor elétrico,
bem como a geração da força eletromotriz induzida, e construção de um gerador
básico e seu funcionamento.

Magnetismo é o fenômeno de atração exercido por certos materiais sobre outros. O
magnetismo tem sua origem na estrutura atômica da matéria, ou seja, como a matéria
é formada de átomos, é através do fenômeno da ordenação desses átomos num só
sentido que se explica a presença do magnetismo no material.

Potencial elétrico em um ponto
Se tomarmos, por exemplo, um anel de aço que não esteja magnetizado e o
aproximarmos de alguns pregos de ferro estes não serão atraídos pelo anel.

Material não magnetizado.

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Eletricidade I

Mas, se repetirmos esta mesma operação com outro anel de aço, estando este, agora,
magnetizado ou imantado, ele atrairá os pregos de ferro.

Material magnetizado.

O anel de aço da ilustração acima possui magnetismo. Ele é conhecido como ímã.

Portanto, ímãs são materiais que apresentam a propriedade do magnetismo. A
magnetita é um material encontrado na natureza que apresenta propriedades
magnéticas. É considerada um ímã natural. Existem também os ímãs artificiais. Suas
formas variam conforme a necessidade. As ilustrações seguintes apresentam algumas
formas de ímãs artificiais.

Formas de ímãs artificiais.

A diferença entre esses ímãs está só no formato apropriado aos trabalhos em que são
empregados. Seus poderes magnéticos são distribuídos regular e artificialmente. Daí
serem conhecidos como ímãs artificiais. Ímãs artificiais são barras de ferro que o
homem magnetiza por processos artificiais. Esses ímãs são muito usados na vida
prática: campainhas, telefones, bússolas, motores e outros aparelhos possuem ímãs
artificiais.

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Eletricidade I Pólos magnéticos Usamos a palavra pólo para designar uma face ou região do corpo. Assim. como os pólos geográficos norte e sul. A Terra é um ímã natural com pólo norte e sul. portanto. É comum perguntar-se: • Onde estão localizados os pólos magnéticos norte e sul da Terra? • Como podemos determinar os pólos norte e sul magnético de um ímã? Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 29 . além dos pólos geográficos também existem os pólos magnéticos norte e sul na Terra. A – pólo norte geográfico B – pólo sul geográfico A Terra é um grande ímã natural. chamada magnetismo terrestre. Possui. a propriedade do magnetismo. conforme podemos observar nas ilustrações seguintes: Pólos de determinados elementos. Também utilizamos a palavra pólo para identificar os pólos da Terra.

A – pólo norte geográfico B – pólo sul geográfico C – pólo sul magnético D – pólo norte magnético Por essa razão podemos dizer: • o pólo norte magnético está próximo ao pólo sul geográfico. Pólos magnéticos de um ímã. Os pólos do ímã também são denominados pólo norte magnético e pólo sul magnético. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 30 .Eletricidade I Pois bem! Os pólos magnéticos de um ímã sempre se direcionam para os pólos magnéticos da Terra. Isso ocorre devido a atração que os pólos magnéticos da Terra exercem sobre os pólos magnéticos do ímã. O pólo norte magnético é o sul geográfico e o pólo sul magnético é o norte geográfico. Observe a próxima figura. A – pólo sul magnético B – pólo norte magnético Observe que esses pólos são os pólos magnéticos do ímã. • o pólo sul magnético está próximo ao pólo norte geográfico.

Procedimento para localização dos pólos do ímã. • Segure a ponta do barbante deixando oscilar o ímã suspenso no espaço.Eletricidade I Identificação dos pólos magnéticos de um imã É possível identificar os pólos magnéticos de um ímã conhecendo-se os pólos geográficos da Terra. • Deixe o ímã parar. Neste caso. 30 cm de comprimento. A extremidade do ímã que ficar na direção do pólo norte geográfico da Terra será o pólo sul magnético do ímã. A outra extremidade do ímã será o pólo norte magnético. Procedimento para localização dos pólos do ímã. procedemos da seguinte forma: • Amarre um barbante de. bem no centro do ímã. no máximo. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 31 .

Em síntese. Pólos diferentes se atraem. pode-se dizer que: Pólos iguais se repelem.Eletricidade I Procedimento para localização dos pólos do imã. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 32 . Propriedade da atração e repulsão dos pólos Atração e repulsão dos pólos é a propriedade do ímã segundo a qual os pólos de mesmo nome se repelem e os pólos de nome diferente se atraem.

As características das linhas de força são: • elas se repelem. Portanto. Sabe. vamos ver como é possível transformar um material em ímã temporário. e ímãs artificiais. As forças magnéticas atuam num certo espaço ao redor do ímã. porém não a vemos. você já deve ter percebido o que a força do vento é capaz de fazer. Note que nós sentimos a força do vento. mas não podemos vê-la! Isto ocorre também com a força do magnetismo. Agora. Observe a figura abaixo. fabricados pelo homem. Eletromagnetismo Você já sabe que existem ímãs naturais. conhecidas como linhas de força. de modo a permitir sua aplicação em um amplo campo de atividades.Eletricidade I Campo magnético Você conhece a força do vento? De fato. • nunca se cruzam. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 33 . sentimos o efeito dessa força. • tem sentido de orientação sempre do pólo norte para o pólo sul. também. que esses ímãs atraem certos materiais e os mantêm presos. exigindo algum esforço para soltá-los. como a rocha magnética. pode-se concluir que o magnetismo é uma força invisível. Atuação das linhas de força em um ímã. Esse espaço é chamado campo magnético. As forças invisíveis se dispõem num ímã em forma de linhas.

montamos o circuito esquematizado abaixo.Eletricidade I Fluxo magnético Observe a seguinte experimentação: • Primeiro. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 34 . • Condutor deverá ser posicionado na mesma direção em que estiver a agulha da bússola. O condutor deve estar na mesma direção que a agulha da bússola. no circuito. Bússola localizada embaixo do condutor. • Com o circuito fechado. uma corrente elétrica percorre o condutor e a agulha da bússola sofre um desvio. com uma bússola localizada sob o condutor.

Esse desvio acontece devido ao campo magnético formado no condutor quando este é percorrido por uma corrente elétrica.Eletricidade I A agulha da bússola sofre um desvio. Sempre que é percorrido por uma corrente elétrica. Quando o condutor é percorrido por uma corrente elétrica. quando descobriu que uma corrente elétrica é sempre acompanhada de um campo magnético. configurando o que se chama espectro magnético. Espectro magnético Observe. Este é o efeito magnético da corrente elétrica ou eletromagnetismo. um condutor adquire as propriedades dos ímãs. Essa experiência foi feita em 1830 pelo físico e químico dinamarquês Hans Christian Oersted. Preparação do circuito para o experimento. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 35 . um circuito com um condutor atravessando uma cartolina com limalha de ferro. na figura abaixo. em torno dele se formam linhas concêntricas.

As linhas de forças magnéticas estão a 90º em relação ao caminho da corrente. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 36 . Analogia com alvo de flecha. Ou seja: As linhas de força situam-se em torno do condutor num plano a 90º em relação ao seu comprimento. O espectro magnético em torno do condutor mostra a posição das linhas de força magnética em relação ao condutor.Eletricidade I Visualização de espectro magnético. As linhas de força magnética estão para o condutor como as linhas de um alvo estão para a seta cravada em seu centro.

as linhas de força passam por dentro do solenóide e retornam por fora. Solenóide Quando o condutor é enrolado. as linhas de força formam um circuito magnético passando pelo interior da espira e retornando por fora. No solenóide. Se juntarmos várias espiras. continua ocorrendo o mesmo fenômeno da formação de um único campo magnético. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 37 . A união das linhas de forças formam um único campo magnético. As linhas de força se unem e formam um único campo magnético.Eletricidade I Como o caminho da corrente é paralelo ao condutor. podemos concluir que as linhas de força magnética estão a 90º em relação ao caminho da corrente. Exemplo de solenóide. formando uma volta ou espira. teremos um conjunto de espiras chamado solenóide.

existirá também apenas um campo magnético na bobina. haverá a presença de magnetismo. constituída de vários solenóides sobrepostos. sempre que houver uma corrente elétrica. na verdade. Está sendo formada uma bobina. Esse fenômeno é chamado indução eletromagnética. em camadas sucessivas. Esse campo magnético será. entre seus extremos aparece uma diferença de potencial (ddp) que. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 38 . no caso. Indução Elétrica Quando um condutor é submetido a um campo magnético variável. Portanto. de maior intensidade devido as diversas camadas de espiras somadas. O magnetismo originado pela corrente elétrica está presente em qualquer ponto de um circuito que passe pelas linhas de força. Bobina é um condutor enrolado em muitas espiras. Como a bobina é. é conhecida como força eletromotriz induzida (fem). porém. uma sobre a outra. Exemplo de espiras.Eletricidade I Bobina Observe o condutor da figura seguinte sendo enrolado com muitas espiras em camadas.

Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 39 . isto é. As três situações a que nos referimos apresentam uma coisa em comum: a variação das linhas de força cortadas pelo condutor. A força eletromotriz induzida também ocorre quando o condutor é mantido em repouso e o ímã dele se aproxima ou se afasta.Eletricidade I Campo magnético variável e condutor fixo. A força eletromotriz induzida também aparece num condutor quando este se aproxima ou se afasta de um ímã. conforme mostra a figura a seguir. como se vê na figura abaixo. quando o condutor é introduzido ou retirado do campo magnético do ímã. Condutor fixo e ímã em movimento. Imã fixo com o condutor em movimento.

Esta é a condição para que se produza uma força eletromotriz induzida e para isso é necessário que exista movimento relativo entre o condutor e o campo magnético. e introduzindo ou retirando um ímã do interior desse solenóide haverá também a produção de uma força eletromotriz induzida (fem). deslocará o ponteiro do galvanômetro para a esquerda. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 40 .Eletricidade I Para o condutor. veremos que a corrente elétrica circulante fará o ponteiro do instrumento deslocar-se para a direita ou esquerda. Nas situações anteriores. Enrolando o condutor em forma de espiras teremos constituído um solenóide. Se ligarmos os extremos desse solenóide a um galvanômetro. se ligarmos um galvanômetro nas extremidades dos condutores. Detalhe do movimento do ponteiro. do sentido do movimento do ímã. dependendo. é claro. Verificação da corrente elétrica através do deslocamento do ponteiro. a força eletromotriz induzida (fem) fará circular uma corrente elétrica que poderá ser verificada através do deslocamento do ponteiro do instrumento. O ímã. ao ser introduzido no solenóide. está sempre havendo variação de fluxo.

As escovas fazem contato com os anéis coletores e transferem para o circuito externo a eletricidade gerada na armadura.Eletricidade I Retirando-se o ímã do solenóide o ponteiro do galvanômetro será deslocado para a direita. Detalhe do movimento do ponteiro. Esse movimento causa a indução de uma corrente na espira. A espira de fio que gira dentro do campo é chamada de armadura ou induzido. que giram com a armadura. Para ligar-se a espira a um circuito externo que aproveite a força eletromotriz induzida (fem) são usados contatos deslizantes. Construção do gerador elementar Um gerador elementar consiste de uma espira de fio disposta de tal modo que pode ser girada em um campo magnético estacionário. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 41 . Os mesmos efeitos poderão ser observados se mantivermos o ímã fixo e movimentarmos o solenóide. As extremidades da espira são ligadas aos anéis coletores. Os pólos norte e sul do ímã que proporciona o campo magnético são as peças polares.

depende da posição da espira em relação ao campo magnético. portanto. pois não há força eletromotriz induzida (fem) e. Analisemos agora a ação da espira em seu movimento de rotação no campo. a corrente produzida. e portanto. Isto se aplica aos condutores da espira quando estão na posição A. imagine que a espira gira dentro do campo magnético. A força eletromotriz induzida (fem) que é gerada na espira. Imagine que a espira (armadura) está girando da esquerda para a direita e que A é a sua posição inicial (0º). ele não corta as linhas de força do campo e. eles geram uma força eletromotriz induzida (fem) que produz uma corrente através da espira. o plano da espira é perpendicular ao campo magnético e seus condutores branco e preto se deslocam paralelamente ao campo magnético. nas páginas seguintes. Na posição A.tudo ligado em série.Eletricidade I Gerador de indução magnética. Quando um condutor se move paralelamente a um campo magnético. medidor de corrente com zero central e resistor de carga . não há corrente no circuito. Funcionamento do gerador elementar Eis como funciona o gerador elementar. escovas. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 42 . não pode ser gerada força eletromotriz induzida (fem) no condutor. A – peças polares B – escova C – anel coletor D – espira E – carga Na descrição do funcionamento do gerador. anéis coletores. portanto. A medida que os lados da espira cortam as linhas de força do campo.

eles estão cortando o número máximo de linhas. A forma de onda mostra a variação da tensão nos terminais do gerador desde a posição A até a posição B. o condutor preto se desloca para baixo. enquanto o condutor branco se desloca para cima. A tensão resultante entre as escovas (tensão entre os terminais) é igual ao dobro da força eletromotriz induzida (fem) em um condutor porque as forças eletromotrizes nos dois condutores têm valores iguais. as forças eletromotrizes induzidas nos dois condutores estão em série e se somam. Portanto.Eletricidade I A leitura do medidor de intensidade de corrente é zero. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 43 . À medida que a espira se desloca da posição A para a posição B. Em outras palavras. até que a 90º (posição B). A corrente no circuito varia da mesma maneira que a força eletromotriz induzida (fem). de 0º a 90º. Esquema de funcionamento de um gerador elementar. e é igual a zero na posição de 0º e cresce até um máximo a 90º. os condutores cortam um número cada vez maior de linhas de força. Observe que. entre 0º e 90º a força eletromotriz induzida (fem) nos condutores cresce de zero até o valor máximo. O ponteiro do medidor de corrente sofre deflexão para a direita entre as posições A e B. indicando que a corrente na carga está passando no sentido mostrado. O sentido da corrente e a polaridade da força eletromotriz induzida (fem) dependem do sentido do campo magnético e do sentido de rotação da armadura.

Eletricidade I O desenho simplificado ilustra o gerador em outra posição. Com a continuação do movimento da espira. na posição C. a polaridade da força eletromotriz induzida (fem) também não se alterou. para evidenciar a relação que existe entre a posição da espira e a forma de onda gerada. o sentido do movimento dos condutores da espira no campo magnético não se alterou e. Relação entre a posição da espira e a forma da onda. até que. da posição B (90º) até a posição C (180º) os condutores que estavam cortando um número máximo de linhas de força na posição B passam a cortar um número cada vez menor. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 44 . portanto. Ação do gerador na posição C De 0º até 180º. eles novamente se deslocam paralelamente ao campo magnético e não mais cortam linhas de força. Conseqüentemente. a força eletromotriz induzida (fem) decresce de 90º a 180º. A intensidade da corrente segue as variações da tensão. A figura abaixo ilustra a ação do gerador na posição C. da mesma maneira como cresceu de 0º a 90º.

e a tensão nos terminais do gerador será igual à que foi produzida de A até C. Agora o condutor preto se move para cima e o condutor branco. a polaridade da força eletromotriz induzida (fem) e o sentido da corrente também são invertidos. 360º. o sentido do movimento dos condutores em relação ao campo é invertido. passando por D e até a posição A. ou seja. Ação do gerador na posição A 0º.Eletricidade I Quando a espira ultrapassa a posição de 180º e retorna à posição A. como se vê na figura abaixo. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 45 . A forma de onda da tensão de saída corresponde à rotação completa da espira. Ação do gerador na posição D 270º. Da posição C. a corrente tem sentido oposto ao que tinha da posição A até a posição C. para baixo. porém com a polaridade invertida. Como resultado. Retorno da espira à posição inicial (A) perfazendo uma volta completa.

polegar e médio. O indicador indica o sentido do campo. existem as regras da mão esquerda e da mão direita. indicador e médio devem ficar em posição perpendicular. podemos definir: Corrente Alternada é a corrente que flui ora num sentido. o polegar indica o sentido do movimento do condutor e o dedo médio indica o sentido do movimento dos elétrons (sentido da corrente). ora no sentido oposto. Os dedos polegar. Regra da mão esquerda Para tornar mais prática a determinação do sentido de uma força eletromotriz induzida. resultantes da observação repetida do fenômeno em estudo.Eletricidade I Concluindo. A regra da mão esquerda consiste na utilização dos dedos indicador. Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 46 .