Você está na página 1de 5

Vestibulando Web Page – www.vestibulandoweb.com.

br

O PRIMO BASÍLIO
Eça de Queirós

Realismo naturalista português. O livro reagem contra o atraso do país. Eles criticam o
inova a criação literária da época com uma crítica Romantismo como um sinônimo desse atraso. E
demolidora e sarcástica dos costumes da pequena com seus Realismo e Naturalismo pretendem in-
burguesia de Lisboa. Eça de Queirós ataca uma das corporar à Literatura os métodos científicos pró-
instituições mais sólidas: o casamento. Com perso- prios das ciências naturais. O autor disseca essas
nagens despidos de virtude, situações dramáticas deformações da sociedade lusitana e explica sua
geradas a partir de sentimentos fúteis e mesqui- fonte de pesquisa e inspiração neste trecho de uma
nharias, lances amorosos com motivações vulgares carta enviada a Teófilo Braga, seu amigo e colega,

r
e medíocres – apesar de tudo isso, ao mesmo tem- também um doutrinário do Naturalismo e futuro

.b
po em que ataca, desperta o interesse da sociedade presidente da República portuguesa.
lisboeta. Embora o adultério fosse tema já traba-

om
lhado pelo Romantismo, Eça de Queirós explora o ENREDO
erotismo quando detalha a relação entre os aman- O pano de fundo da narrativa de O Primo
tes. Inova também ao incluir diálogos sobre ho- Basílio é um caso de adultério. Já no primeiro capí-
mossexualismo. O autor, que já mostrara sua op- tulo, o autor lança as sementes do conflito que dá

.c
ção por uma literatura ácida e nada sentimental em pretexto para o livro. Descreve o marido que viaja,
O Crime do Padre Amaro, cria personagens fisi- contrariado, a trabalho; a esposa que descobre que

eb
camente decadentes – cheios de doenças e catarros o primo e ex-noivo revisita a cidade e as lembran-
– e de comportamento sexual promíscuo. ças que a notícia evoca. Introduz a criada Juliana,
O Primo Basílio é uma obra naturalista e ressentida e frustrada, que terá um papel decisivo
w
realista. A escola realista propõe uma criação lite- no desfecho trágico do romance.
do
rária apoiada na análise objetiva da realidade. O No segundo capítulo, o autor apresenta as
narrador aparece como um observador imparcial, figuras secundárias, enfocadas durante breves
que vê os acontecimentos com neutralidade e que visitas dominicais à casa de Luísa e Jorge. A rela-
an

domina as informações sobre o contexto no qual o ção amorosa clandestina mantida por Luísa e Basí-
enredo acontece. O Naturalismo traz uma preocu- lio é descoberta pela criada que, de posse de uma
pação a mais: tenta introduzir o método científico carta dos amantes, chantageia a patroa. Abando-
ul

na obra literária e, com isso, intensifica e amplia as nada pelo amante, que foge para Paris, Luísa não
tendências básicas do Realismo. suporta a tensão e morre.
ib

CENÁRIO PERSONAGENS
t

O continente europeu passava por um Os personagens que recheiam a obra de


es

processo de transformação radical. A Revolução Eça de Queirós na sua fase naturalista, como em O
Industrial iniciada no século anterior, na Inglater- Primo Basílio, são planos, ou seja, são o oposto dos
v

ra, provocou uma industrialização acelerada em personagens de grande intensidade interior e psi-
w.

vários países. As cidades cresciam rapidamente, cológica – os personagens esféricos. Na Literatura


camponeses transformavam-se em operários urba- brasileira, Capitu (Dom Casmurro), de Machado
nos e a vida cultural ia se diversificando. Londres, de Assis, cheia de sentimentos complexos, é a mais
w

Berlim, Viena e principalmente Paris eram os cen- esférica de nossos personagens femininos. Em O
tros de um vigoroso processo criativo. Enquanto Primo Basílio, toda a intensidade é reservada para
w

isso, Portugal mantinha-se apegado às glórias do a trama. Os personagens apenas são por ela envol-
passado. O país não chegou a desenvolver uma vidos e arrastados. Ou seja, a realidade objetiva é
burguesia empreendedora e capitalista, nem uma que molda e define a vida dos homens.
elite intelectual significativa que fizesse desenvol-
ver as artes e as ciências. A elite de Lisboa vivia Luísa, uma burguezinha da Baixa
apegada às glórias coloniais passadas. De costas Na descrição que o próprio Eça de Queirós
para o futuro, vivia centrada em sua vida sem faz na carta a Teófilo Braga, Luísa é "a burguezinha
perspectivas. da Baixa" (Lisboa, Cidade Baixa): uma senhora
Eça de Queirós faz parte de uma geração sentimental, mal-educada, sem valores espirituais
de jovens intelectuais, centrada em Coimbra, que ou senso de justiça. É lírica e romântica, ociosa e
Vestibulando Web Page – www.vestibulandoweb.com.br

"nervosa pela falta de exercício e disciplina moral". Jorge, o marido traído


Luísa é esposa de Jorge, engenheiro de minas que Todo o drama iniciado com o roubo das
ela conheceu após o abandono e rompimento (por cartas se deve à tentativa de Luísa de impedir que
carta) do noivado com o primo Basílio. Sua vida Jorge saiba do adultério. Com aparições curtas no
tranqüila de leitora de folhetins é alterada pela romance, sua presença se faz sentir pelo papel
viagem do marido e o retorno do primo a Portugal. social que representa: é o marido. E a forma como
O motivo que a leva a se entregar a Basílio, poderá reagir à infidelidade é especulada pelo
de acordo com as reflexões de Eça, nem ela sabia. narrador por meio de outro personagem, de forma
Uma mescla da falta do que fazer com a "curiosi- metalingüística. Ernestinho Ledesma, autor medí-
dade mórbida em ter um amante, mil vaidadezi- ocre que prepara uma peça teatral sobre um caso
nhas inflamadas, um certo desejo físico...". O dra- de adultério, pede a Jorge uma opinião sobre o
ma em que se enreda é inexplicável para o próprio final de sua obra. Um marido deve matar a mulher

r
personagem, como se vê neste trecho: adúltera?

.b
Basílio, um maroto sem paixão Personagens secundários

om
O primo e ex-noivo que retorna a Portugal Os personagens secundários completam o
na ausência do marido de Luísa é para Eça de quadro social lisboeta. O Conselheiro Acácio, fre-
Queirós "um maroto, sem paixão nem a justifica- qüentador do círculo próximo de Luísa, um dos

.c
ção de sua tirania, que o que pretende é a vaidade- mais citados e conhecidos personagens de Eça, é o
zinha de uma aventura e o amor grátis". intelectual vazio. Sua habilidade em dizer o óbvio

eb
Malicioso e cheio de truques para atrair a com empáfia deu origem à expressão "verdades
amante explorando a sua vaidade fútil, Basílio acacianas". Joana é a cozinheira que enfrenta Julia-
compara a fidelidade conjugal a uma demonstra- na por dedicação à patroa; Dona Felicidade é a de
w
ção de atraso das mulheres de Lisboa frente aos "beatice parva de temperamento irritado". E tam-
hábitos supostamente liberais e modernos das bém há, "às vezes, quando calha, um pobre bom
do
senhoras de Paris – todas com seus amantes, con- rapaz" – Eça refere-se a Sebastião, que se propõe a
forme assegurava o primo. recuperar as cartas tomadas pela criada. Na carta a
Desprovido de charme ou atributos mais Teófilo Braga, Eça assegura: "Eu conheço 20 grupos
an

sedutores, é o mais cínico dos personagens "con- assim formados. Uma sociedade sobre essas falsas
quistadores" de Eça de Queirós. Em momentos de bases não está na verdade: atacá-las é um dever".
ul

maior dramaticidade, quando começam a enfren-


tar as conseqüências do adultério, o cinismo de ESTILO E LINGUAGEM
ib

Basílio fica mais evidente: ele pensa apenas que A obra de Eça adapta o texto literário ao
teria sido mais vantajoso trazer consigo uma a- ritmo e à modulação da língua falada. Assim, reju-
t

mante de Paris. venesce a linguagem literária, mesclando-a com


es

recursos de abordagem mais próximos do jorna-


Juliana: ódio e chantagem lismo.
A criada Juliana faz desmoronar o mundo
v

de Luísa ao chantageá-la com cartas roubadas. É a Detalhismo


w.

figura que aparece com alguma intensidade interi- É notável o esmero detalhista do autor na
or, destoando um pouco das razões fúteis que mo- descrição de uma confeitaria, neste trecho extraído
w

vimentam os demais personagens. do capítulo IV, em que combina elementos gerais e


Ela é conduzida pela revolta (não suporta particulares, objetividade e subjetividade.
w

sua condição de serviçal), pela frustração (fracas-


sou na tentativa de mudar de vida), pelo ódio ran- Fotografia lírica dos ambientes
coroso contra a patroa (ódio, na verdade, contra Eça resgata a dimensão da prosa poética
todas as patroas que a fustigaram por 20 anos). na "fotografia" meticulosa e lírica que faz dos am-
Assim como Basílio, Juliana tentará tirar bientes.
proveito das circunstâncias, reunindo provas do
adultério para fazer chantagem. Mas ela pretende Visão crua dos personagens
mais do que dinheiro – que exige sem sucesso de O narrador na terceira pessoa é onisciente.
Luísa –, ela quer a desforra. E os recursos que utili- Eça deixa a vulgaridade de Basílio transparecer
za levarão ao definhamento físico e emocional da nos comentários que o primo faz sobre suas via-
patroa até o desfecho da história. gens e nos galanteios à prima, mas prefere descre-
Vestibulando Web Page – www.vestibulandoweb.com.br

ver a cafajestice do conquistador retratando os meira vez que ele mostrava um desprendimento
pensamentos grosseiros de Basílio. muito seco por ela, pela sua reputação, pela sua
A combinação da leveza e do brilho das saúde! Queria-a ali todos os dias, egoistamente.
descrições com o relato grosseiro da realidade é Que as más línguas falassem, que as soalheiras a
outra marca estilística de Eça de Queirós. Ele opõe matassem, que lhe importava? E para quê?... Por-
a expectativa romântica de Luísa e a ironização de que enfim, saltava aos olhos, ele amava-a menos...
suas idealizações ao descrever as atitudes grossei- as suas palavras, os seus beijos arrefeciam cada
ras do amante Basílio. Bem ao gosto do Naturalis- dia, mais e mais!... Já não tinha aqueles arrebata-
mo, compara seres humanos com animais domi- mentos do desejo em que a envolvia toda numa
nados por seus instintos, definindo a criada Juliana carícia palpitante, nem aquela abundância de sen-
como uma loba. sação que o fazia cair de joelhos com as mãos trê-
mulas como as de um velho!... Já se não arremes-

r
UMA OBRA NATURALISTA sava para ela, mal ela aparecia à porta, como sobre

.b
O Realismo/Naturalismo ou simplesmente uma presa estremecida!... Já não havia aquelas
Naturalismo é um movimento estético-literário conversas pueris, cheia de risos, divagadas e ton-

om
influenciado pelas transformações científicas, filo- tas, em que se abandonavam, se esqueciam, depois
sóficas e sociais do século XIX. da hora ardente e física, quando ela ficava numa
lassitude doce, com o sangue fresco, a cabeça dei-

.c
O Naturalismo de Eça tada sobre os braços nus! – Agora! Trocando o
Segundo palavras do próprio autor, "o último beijo, acendia o charuto, como num restau-

eb
Romantismo em lugar de estudar o homem, inven- rante ao fim do jantas! E ia logo a um espelho pe-
tava-o. Hoje, o romance estuda-o na sua realidade queno que havia sobre o lavatório dar uma pente-
social. [...] Toda a diferença entre o Idealismo e o adela no cabelo com um pentezinho de algibeira.
w
Naturalismo está nisto. O primeiro falsifica, o se- (O que ela odiava o pentezinho!) Às vezes até o-
gundo verifica". lhava o relógio!... E enquanto ela se arranjava não
do
A principal influência literária da fase na- vinha, como nos primeiros tempos, ajudá-la, pôr-
turalista de Eça de Queirós é atribuída aos escrito- lhe o colarinho, picar-se nos seus alfinetes, rir em
res franceses Émile Zola, maior expoente do Natu- volta dela, despedir-se com beijos apressados da
an

ralismo, e Gustave Flaubert, cuja obra lhe apontou nudez dos sues ombros antes que o vestido se a-
os caminhos de saída da literatura romântica. Ma- pertasse. Ia rufar nos vidros, - ou sentado, com um
ul

dame Bovary foi o exemplo apresentado por Eça ar macambúzio, bamboleava a perna.
na conferência do Cassino Lisbonense, em 1871. E, depois, positivamente não a respeitava,
ib

não a considerava... Trata-a por cima do ombro,


Narrativa neutra como uma burguesinha, pouco educada e estreita,
t

O Naturalismo provoca mudanças estilísti- que apenas conhece o seu bairro. E um modo de
es

cas no romance. Esses elementos "científicos" tor- passear, fumando, com a cabeça alta, falando no
nam-se mais importantes do que a interioridade ou “espírito de madame de tal”, nas toilettes da “con-
subjetividade dos personagens. A origem social, dessa de tal”! Como se ela fosse estúpida, e os seus
v

educação e influências externas ganham ênfase vestidos fossem trapos! Ah, era secante! E parecia,
w.

determinantes, como se observa em O Primo Basí- Deus me perdoe, parecia que lhe fazia uma honra,
lio. Novos recursos são incorporados à linguagem, uma grande honra em a possuir... Imediatamente
w

como termos e explicações científicos para expres- lembrava-se de Jorge, Jorge que a amava com tanto
sar a fragilidade da condição humana, com suas respeito! Jorge, para quem ela era decerto a mais
w

doenças e seus vícios. A Literatura é, além disso, linda, a mais elegante, a mais inteligente, a mais
revigorada com a introdução de vocabulário e cativante!... E já pensava um pouco que sacrificaria
sintaxe da linguagem oral. Na técnica narrativa, a sua tranqüilidade tão feliz a um amor bem incer-
predomina o discurso indireto. to!

EXERCÍCIOS 01) Explique o que a personagem quer exprimir


com a pergunta para quê? – feita a si mesma.
Leia o texto seguinte para responder às questões
de 1 a 10. 02) Como se pode caracterizar o comportamento
Luísa, ao voltar para casa, veio a refletir de Basílio, visto por dois ângulos, o do narrador e
naquela “cena”. Não – pensava - já não era a pri- o da personagem feminina?
Vestibulando Web Page – www.vestibulandoweb.com.br

03) Tente explicar que sentindo pode ter a frase “O gando despercebido ao quarto, surpreendeu Julia-
que ela odiava o pentezinho” na comodamente deitada na chaise-longue*, lendo
tranquilamente o jornal. (...) Jorge não encontrou
04) Quais os elementos do texto que concorrem Luísa na sala de jantar; foi dar com ela no quarto
para que nós o classifiquemos de anti-romântico? dos engomados, despenteada, em roupão de ma-
nhã, passando roupa, muito aplicada e muito des-
05) Analise estas duas afirmações estritamente consolada.
relativas ao texto: — Tu estás a engomar? — exclamou.
a) Luísa percebe, enfim, que ama verdadeiramente (...) A sua voz era tão áspera, que Luísa fez-se páli-
não a Basílio, mas a Jorge. da, e murmurou:
b) Luísa definitivamente se arrepende de ter come- — Que queres tu dizer?
çado aquela relação amorosa. — Quero dizer que te venho encontrar a ti a en-

r
gomar, e que a encontrei a ela lá embaixo muito

.b
06) Transcreva uma frase em que haja discurso repimpada na tua cadeira, a ler o jornal.
indireto livre.

om
*chaise-longue: cadeira de encosto reclinável e com
07) Em que tipo de cena esmera mais o Realismo lugar para estender as pernas.
de Eça de Queirós, no texto.

.c
a) No trecho citado são mencionados três persona-
08) Transcreva uma frase em que se apresenta uma gens: Jorge, Juliana e Luísa. Que relação há entre

eb
tentativa de classificação sociocultural da persona- elas?
gem feminina. b) Considerando o trecho citado anteriormente e a
resposta dada ao item a, explique por que Jorge
w
09) Transcreva a frase em que se exprima um com- considera inadequado o comportamento das duas
portamento masculino de inspiração romântica. mulheres.
do
c) Analise a trajetória de Luísa e Juliana no roman-
10) Transcreva um lusitanismo e explique o seu ce, de modo a explicar a situação em que se encon-
significado. tram no trecho citado.
an

11) (FUVEST) – De acordo com os ditames do Rea- 13) (U.F.PIAUÍ)— Em relação à narrativa O Primo
ul

lismo, Eça de Queirós deu ás personagens de O Basílio, a correspondência CORRETA é:


primo Basílio uma feição intencionalmente típica. a) Luiza — forte, decidida, independente.
ib

Cada personagem do romance “tipifica um conjun- b) Leopoldina — sensual, adepta dos padrões ide-
to de condições ou uma instituição” (Lopes e Sa- ais de uma mulher burguesa.
t

raiva). Desse modo, as personagens 1) Enerstinho, c) Juliana — solteirona, fiel admiradora das patro-
es

2)Juliana, 3) D. Felicidade e 4) Julião representam, as.


respectivamente: d) Basílio — orgulhoso, aventureiro, conquistador
a) 1) a literatura, 2) o ressentimento social, 3) a sem escrúpulos.
v

beatice e 4) o tédio à profissão. e) Acácio — preocupado com a aparência, simples,


w.

b) 1) o formalismo oficial, 2) a beatice, 3) o tédio à informal.


profissão e 4) o ressentimento social.
w

c) 1) a literatura, 2) o tédio à profissão, 3) a beatice 14) (U.F. PIAUÍ) — Eça de Queirós foi um inova-
e 4) o convencionalismo. dor, responsável pelo trabalho de modernização da
w

d) 1) o convencionalismo, 2) o tédio à profissão, 3) língua portuguesa. Além da renovação no plano


a beatice e 4) o ressentimento social. linguístico, podem-se apontar outros aspectos em
e) 1) o convencionalismo, 2) o ressentimento social, O Primo Basílio, EXCETO:
3) a literatura e 4) o tédio à profissão. a) Visão crítica dos costumes e das instituições
portuguesas.
12) (UNICAMP)— Leia atentamente o seguinte b) Forma irónica e caricatural na apresentação dos
trecho, extraído de O Primo Basílio, de Eça de vícios da burguesia.
Queirós: c) Descrição detalhada do espaço e do modo de
Nessa semana, uma manhã, Jorge, que não se re- viver das personagens.
cordava que era dia de gala, encontrou a secretaria d) Visão pessimista da sociedade portuguesa.
fechada e voltou para casa ao meio-dia. (...) che- e) Crença nos valores da sotiedade da época.
Vestibulando Web Page – www.vestibulandoweb.com.br

GABARITO 11.A
Comentário:
1. Luísa, com essa pergunta, de resposta óbvia, Eça de Queirós, em sua fase realista-naturalísta,
queria exprimir para si mesma que não valia mais critica a burguesia portuguesa. É o caso de O pri-
a pena fazer sacrifícios para manter suas relações mo Basílio, em que cada personagem representa
com Basílio, pois ele já não se revelava o mesmo uma faceta da sociedade lisboeta. Em carta a Teófi-
amante dos primeiros dias. lo Braga (publicada como posfácio no livro), o
próprio Eça explica que a personagem Ernestinho
2. Do ponto de vista do narrador, o que ficamos representa a “literatura ecéfala”; D. Felicidade, “a
sabendo é que o interesse de Basílio era temporá- beatica parva de temperamento irritado”; e Julião,
rio, e durava o tempo exato de sua curiosidade “o desontentamento azedo e o tédio de profissão”.
sexual. Existe aí a pintura de um caráter. Porém, Já Juliana tipifica o ressentimento social. Eça, ao

r
do ponto de vista da personagem feminina, nós apresentá-la, explicita esse ressentimento: “A ne-

.b
apenas sabemos que ela se sente humilhada pelo cessidade de se constranger trouxe-lhe o hábito de
desinteresse progressivo do amante. odiar: odiou sobretudo as pessoas, com um ódio

om
irracional e pueril”.
3. Luísa esperava de Basílio um tratamento mais
enamorado, mais romântico. O pentezinho indica- 12. Romance O primo Basílio (1878), de Eça de

.c
va que não apenas Basílio estava envolvido com Queirós (1845-1900), cujo subtítulo é “Episódio
suas próprias futilidades, mas, sobretudo que es- doméstico”, estrutura-se em torno da vivência do

eb
tava com pressa, como que incomodado e ansioso casal Jorge e Luísa, típica família pequena-
por sair. Isto a ofendia. burguesa de Lisboa. Juliana é a criada que, sentin-
do-se explorada pelos patrões, cultiva um senti-
w
4. São elementos que configuram a oposição entre mento de rancor e revolta. Vivia sempre atenta aos
as expectativas inegavelmente românticas de Luísa movimentos da casa, na esperança de pilhar algum
do
e a ironização de tudo isso, representada nas atitu- deslize moral dos patrões, de que pudesse tirar
des descorteses e até grosseiras do amante. vantagem.
an

5. Nenhuma das afirmações é correta. Primeiro b) Jorge considera inadequado o comportamento


porque a lembrança de Jorge foi mais uma atitude das mulheres porque observa a nítida inversão dos
ul

de autodefesa e auto-estima, necessária naquele papéis domésticos: a empregada Juliana está “co-
momento. Depois, porque o arrependimento é modamente deitada na chaise-longue, lendo tran-
ib

apenas parcial e derivado também da situação de qüilamente o jornal”, enquanto que a esposa Luísa
se ver humilhada. está “no quarto dos engomados, despenteada, em
t

roupão de manhã, passando roupa, muito aplicada


es

6. "Ah, era secante!" e muito desconsolada”.

7. Nas cenas em que o autor procura desenhar os c) À medida que Luísa aprofunda-se na relação
v

prazeres da relação amorosa. São cenas provocan- adúltera com Basílio, Juliana, havia descoberto
w.

tes, que tocam em pormenores íntimos de rara essa situação, procura tirar proveito dela. De posse
veiculação na literatura da época. O que lhes dá de uma carta de Luísa ao amante, passa a chanta-
w

aquele tom escandaloso que se transformou num geá-la. Acuada, Luísa submete-se a inversão dos
dos atrativos das narrativas realistas. papéis domésticos, a ponto de permitir o gesto
w

atrevido da criada.
8. "... como uma burguesinha, pouco educada e
estreita, que apenas conhece o seu bairro". 13. D
14. E
9. "Jorge, para quem ela era decerto a mais linda, a
mais elegante, a mais inteligente, a mais cativan- A Vestibulando Web Page agradece à Prof. Carla
te!...". Fagundes pela análise da Obra “O Primo Basílio” e
pela autorização para disponibilizá-la no site.
10. "Ah, era secante!" (era insuportável, era uma
coisa importuna).

Interesses relacionados