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CONTEÚDO

PROFº: PANTOJA
02 GRÉCIA - ESPARTA
A Certeza de Vencer KL 190208
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O ESPAÇO DE FORMAÇÃO DA CULTURA GREGA CLÁSSICA: Acrópole


No início, a palavra polis denominava apenas a acrópole
situada no alto da colina: O palácio do rei, local de reunião da
comunidade e o santuário da divindade principal. Porém, havia
ainda uma parte baixa, por onde passavam as estradas. O rei,
senhor daqueles domínios, podia cobrar impostos dos estrangeiros
que as utilizavam. Mais tarde, com o crescimento da população e o
desenvolvimento da agricultura e do comércio, a parte baixa foi
crescendo, e polis, termo que traduzimos por cidade-Estado,
passou a ser toda a região sob a autoridade de um chefe
Nesse período, o poder dos reis entrou em declínio e
aperfeiçoaram-se a prática da consulta às assembléias, ou
conselhos, compostas por representantes escolhidos entre as
pessoas mais velhas das famílias mais importantes. Essas
assembléias, que já existiam com a função de auxiliar os reis,
passaram a ter poder de decisão. A monarquia foi substituída pela
aristocracia, que queria dizer “governo dos melhores”.
Evidentemente, esses “melhores” eram os poucos que controlavam
a maior e melhor parte das terras, faziam as leis e decidiam sobre a
moeda. Essas famílias consideravam-se herdeiras dos guerreiros
do período anterior, formando uma aristocracia de sangue, ou seja,
hereditária, e sendo assim o poder permanecia nas mesmas mãos.
Paralelamente ao desenvolvimento das polis, os gregos
foram fundando outras cidades-Estados, estendendo seu território
original do mar Negro ao oceano Atlântico. Eram o que eles chamavam de apoíkia, e que os historiadores traduziram
por colônias, embora essas cidades fossem comunidades política e economicamente independentes.
Essas colônias tinham com a metrópole, que significa “cidade-mãe”, vínculos principalmente sentimentais e
religiosos, uma vez que, para a mentalidade grega, o primordial para a construção de uma cidade era a proteção dos
deuses, o que incluía a escolha de um deus e dos sinais de sua presença, como o fogo sagrado e os instrumentos através
dos quais se comunicava com os homens, os oráculos, que deveriam ser originários de um centro mais antigo.
Muitos historiadores contemporâneos dão como causa para esse movimento de expansão e colonização dos
gregos as necessidades comerciais e o grande crescimento demográfico. Mas há discordância quanto aos motivos
comerciais, pois alguns estudiosos constataram que muitas das regiões colonizadas não tinham nenhum atrativo
comercial para os gregos - como foi o caso da Sicília, que só mais tarde se tornou grande produtora de trigo e celeiro de
Roma. Observaram também que bons portos, excelentes pontos para o desenvolvimento da atividade comercial, não
foram ocupados por nenhuma colônia grega, indicando que nem sempre o objetivo mercantil era o principal. Esses
pesquisadores acreditam que o motivo da expansão territorial tenha sido a busca de uma solução para a crise decorrente
da explosão populacional que, no século VIII a.C., acarretou o empobrecimento e o endividamento dos pequenos
proprietários. A região tinha um solo pouco fértil, pedregoso, montanhoso, que não comportava tal crescimento. Esse
estado crítico levou a conflitos e movimentos por redistribuição de terras e pelo cancelamento das dividas e foi causa da
dispersão das populações das cidades gregas e fonte de conflitos sociais.
No entanto, não se pode negar o desenvolvimento do comércio marítimo. A partir do século VIII a.C. tornaram-se
comuns os comboios marítimos para o Cáucaso e para a Etrúria, em busca de estanho, matéria-prima para o preparo do
bronze, usado na fabricação de armas, que eram exportadas para as novas colônias e para o Egito, que na época lutava
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contra a dominação dos assírios, com tropas mercenárias equipadas pêlos gregos.
Portanto, estreitamente ligadas ao comércio marítimo desenvolveram-se as atividades metalúrgicas. Além delas
também se desenvolveu a produção de vinho e de azeite, que acabou por incrementar a fabricação da cerâmica,
especialmente e ânforas utilizadas para o armazenamento desses líquidos.

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odas essas transformações na economia provocaram modificações na organização social. Os artesãos, por
exemplo, tornaram-se fundamentais para a economia da polis. Enriqueceram e passaram a ter acesso ao
exército - conquistaram pela riqueza a participação em uma instituição que exercia muita influência na
polis, e da qual, até então, faziam parte apenas os membros da aristocracia.
As tensões originárias das transformações sociais e das crises econômicas deram origem a reformas sociais e a
soluções políticas, que na Grécia Antiga se apresentaram segundo dois modelos: o ateniense e o espartano.
Trataremos primeiro de Atenas, por ser o modelo adotado por muitas colônias e por outras cidades que se
desenvolveram comercialmente.
Atenas
A primeira forma de governo em Atenas foi uma
monarquia na qual o rei, um chefe militar, assumia toda a
responsabilidade pelas decisões tomadas, acumulando as
funções de chefe militar, político e religioso. O rei podia
consultar uma assembléia da qual participavam outros
guerreiros e pessoas comuns, mas a decisão final era sua.
Essa forma de governo foi substituída por outra na quais
as decisões cabiam a um pequeno grupo, ou seja, constituiu-se
uma aristocracia, que quer dizer “governo dos melhores”.
A aristocracia funcionava da seguinte maneira: o rei
(basíleus) continuou a existir, mas sua função era apenas a de
presidir as cerimônias religiosas. O governo estava nas mãos de
um grupo de pessoas denominadas eupátridas (que quer dizer
“os bem-nascidos”), reunidas numa assembléia – o areópago. Para conduzir os assuntos da justiça e do exército eram
designadas duas pessoas. O responsável pela justiça era denominado arconte, e o chefe militar, polemarco.
Porém, o abuso de poder da aristocracia provocou revoltas e reivindicações entre os excluídos das decisões
políticas: os artesãos e comerciantes enriquecidos e os pequenos proprietários explorados. Essas reformas acabaram por
transformar a forma de governo aristocrático em uma democracia através do seguinte processo: Instalou-se uma crise
social, resolvida parcialmente por reformas que impediram a grande exploração dos camponeses pelos eupátridas, a
escravização por dívidas e a perda das propriedades, o que ocorria devido à escassez de terras e à perda das colheitas.
Além disso, atendendo às reivindicações, houve uma distribuição de obrigações e poder entre as várias classes sociais.
Essas mudanças, feitas pelo legislador Sólon, não eliminaram as diferenças entre as classes sociais, mas
distribuíram o poder de acordo com as riquezas, o dinheiro substituiu a terra como fonte de poder. Sua reforma
estabeleceu quatro classes de cidadãos, de acordo com a renda: a primeira, os pentakosiomédimnoi (capazes de possuir o
equivalente a 500 medidas de grãos); a segunda, os hippeï, ou cavaleiros (300 medidas); a terceira, os zeuglfai (200
medidas); e a quarta classe, os tetas, ou thétes (sem rendimento, a não ser o salário).
O exército essa divisão se fazia sentir, pois só as duas primeiras classes contribuíam com impostos específicos
para despesas militares e participavam da cavalaria, mantendo o próprio cavalo. A terceira classe (zeugítai) pagava as
contribuições ordinárias e participava da infantaria pesada, dos hoplüas, com armamento próprio. Os tetas estavam
isentos de impostos, mas tinham o direito de participar da infantaria ligeira, cujo equipamento podia custear, e de ser
remadores na marinha.
Apesar das reformas promovidas por Sólon, as tensões persistiram, favorecendo o aparecimento dos tiranos,
tanto em Atenas como nas outras cidades. Os tiranos eram aristocratas que tomavam o poder sustentados por forças
militares mercenárias e com o apoio das classes inferiores, às quais prometiam favorecer, diminuindo os privilégios da
aristocracia.
Depois do período das tiranias, surgiu um outro reformador, Clístenes, que atacou diretamente o principio do
direito familiar, que Sólon deixara intocado, e redividiu o território ateniense com o intuito de misturar pessoas de
diferentes classes sociais. Clistenes definiu três tipos de divisão administrativa:
)As tribos, as trítiase os demos, que deveriam seguir o principio da igualdade. Os demos eram a menor divisão
do território. Todos os atenienses deveriam estar registrados em algum deles. O conjunto de demos dava origem a
agrupamentos maiores, as trítias, que eram trinta: dez para a cidade, dez para o litoral e dez para o interior. As trítias, por
sua vez, eram agrupadas em dez tribos, da seguinte maneira: cada tribo compreendia todos os tipos de trítia; assim, as
tribos misturavam os cidadãos das várias regiões, reunindo pessoas da cidade, do litoral e do interior, e com diferentes
graus de riqueza. No ponto central da cidade cada tribo era representada no bouleuthérion, sede de uma assembléia
composta por cinqüenta representantes de cada tribo, perfazendo um total de quinhentos elementos, a boulé. Cada tribo
exercia o poder durante uma pritania, ou seja, uma das dez frações de tempo em que se dividia o ano, e que durava 35 ou
36 dias. Além disso, durante esse tempo, presidia uma outra assembléia, a ekklesía, composta por todos os cidadãos com
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idade acima de vinte anos.


Para completar a função das assembléias, que discutiam todos os assuntos do interesse da cidade, existiam os
tribunais, alguns dos quais eram bem antigos, como o areópago. Mas, apesar da existência desses tribunais, a maior parte
das questões era julgada pela heliala, composta por seis mil jurados, sorteados entre os cidadãos maiores de trinta anos.

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